Memória e Patrimônio

O que vem a ser Memória e Patrimônio, do ponto de vista da história? Vejamos como podemos compreender mais adequadamente esses dois conceitos: memória e patrimônio, a partir de sua etimológica. A palavra patrimônio é formada por dois vocábulos greco-latinos: "pater" e "nomos". A palavra "Pater" significa chefe de família, ou em um sentido mais amplo, os antepassados. Dessa forma pode ser associada, também a bens, posses ou heranças deixados pelos chefes ou antepassados de um grupo social. Essas heranças tanto podem ser de ordem material como imaterial um bem cultural ou artístico também pode ser um legado de um antepassado. A palavra "Nomos" origina-se do grego. Refere-se a lei, usos e costumes relacionados à origem, tanto de uma família quanto de uma cidade. O "nomos" relciona-se, portanto com o grupo social. O patri-monio pode ser compreendido, portanto, como o legado de uma geração ou de um grupo social para outro. Por sua vez a palavra Memória origina-se do Grego "mnemis" ou do latim, "memoria". Em ambos os casos a palavra denota significado de concervação de uma lembrança. Trata-se de um termo presente e utilizado por várias ciências sendo absorvida pelas novas correntes historiográficas. Para os gregos a memória estava recoberta de um halo de divindade, pois referia-se à "deusa Mnemosyne, mãe das Musas, que protegem as artes e a história" (CHAUI, 2005, p. 138). De acordo com M. Chaui a "memória é uma evocação do passado. É a capacidade humana para reter e guardar o tempo que se foi, salvando-o da perda total. A lembrança conserva aquilo que se foi e não retornará jamais" (CHAUÍ, 2005, p. 138). Para ilustrar isso a autora narra a lenda de Simônides, salvo de um acidente em que morreram inumeras pessoas. Como os mortos ficaram irreconheciveis Simônides pode identificá-los graças à "arte da memória" de um poema, dedicado às musas e deuses. Em função dessa "evocação" nossa sociedade preserva elementos culturais, memoráveis, em locais denominados "museus", a casa das musas. Em princípio podemos dizer que a história é uma ciência dos patrimônios e da memória. E, por que não dizer? dentro de uma corrente positivista, ela foi entendida e tida como uma ciência dos monumentos. Daí a frequente utilização do conceito "patrimônio histórico" referindo-se a algum monumento arquitetônico de uma sociedade ou de um grupo social, daí, também a visão de história associada aos heróis. Mas nisso se manifesta o grande problema: tanto o patrimônio como a memória são realidades presentes. Não são o passado! Vieram do passado, permanecem no presente, mas não são o passado nem o presente. Podemos dizer que são marcas do passado no presente; estabelecem, uma ponte entre a fluidez do presente à inacessibilidade do passado. Além disso todo monumento está carregado e carrega uma intencionalidade. Ao historiador cabe perguntar o porquê desse monumento ter sido erigido, e não outro. Saber o porquê de, entre inúmeros personagens e fatos aquele, especificamente, ter sido erigido como monumento. Com isso já podemos adiantar que somente a perspectiva possitivista não é suficiente para responder todas as indagações levantadas pelo cotidiano da pesuqisa ou do olhar crítico dos que evocam as marcas da memória, como a dizer que a vida e o viver manifestam-se dialeticamente. A partir disso podemos fazer uma constatação: as ações humanas fazem a história e, ao mesmo tempo, manifestam aquilo que o ser humano é capaz de produzir, também chamado de cultura. Mas por que o ser humano produz os elementos culturais? Por que age no mundo? Para deixar sua marca, perpetuando-se não so em sua descendência como também em suas realizações. REFERÊNCIAS ALMEIDA, A. Mortara; VASCONCELLOS, Camilo de Melo. Por que visitar Museus in BITTENCOURT, Circe (org). O Saber Histórico na Sala de Aula. 5 ed. São Paulo: Contexto. 2001.

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