II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade, Ensino e Linguagem

06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE - Cascavel / PR

PERFORMANCE: O CORPO COMO EXPRESSÃO MÁXIMA E SINGULAR LIMA, Mauricio Marcelino – G (UNIPAN/UNIBAN)1 RESUMO: A arte contemporânea ganha força a partir da década de 1960 embalada pela arte conceitual; as manifestações e obras das Artes Visuais vão além da obra plástica e do objeto pronto e acabado, ou da simples contemplação. A performance artística e o happening são duas das tendências contemporâneas que dão início a uma maneira diferente de se fazer arte, tendo o corpo do próprio artista como expressão máxima. Tanto a Performance como o Happening podem acontecer em lugares diversos e inusitados, são conseqüência de movimentos como o Dadaísmo, o Futurismo, a Bauhaus, a Pop Art, entre outros que impulsionaram a mudança dos meios de expressão e a própria construção da obra. Observando a importância dessas tendências e as similaridades que tanto o happening e que a performance podem ter, este trabalho realiza uma análise reflexiva da performance de Joseph Beuys – “I Like America e America Likes Me” ( Eu amo a America e ela me ama - 1974), na qual o artista passa dias conversando isoladamente com um coiote – para que se compreenda melhor a essência dessas novas tendências artísticas. Sendo assim estes modos diversificados de apresentações-arte e de formas de expressão acabaram se tornando extremamente notáveis e diferentes dentro da História da Arte, sendo que até hoje existem grupos que as realizam, tornando-as cada vez mais difundidas na arte contemporânea, como no grupo “Teatro Mágico”. PALAVRAS-CHAVE: Arte Contemporânea, Expressão corporal, Performance, Happenings.

1- Introdução Com a efetivação dos movimentos de vanguarda no início do século XX, surgiram mudanças drásticas e essenciais para a modernização e até mesmo para a renovação da arte naquele período, no qual encontrava-se um tanto quanto que “obsoleta”, estagnada, voltada para padrões imutáveis há séculos e que necessitava de uma nova carga de expressividade e inovação, impulsionada pelo espírito revolucionário dos movimentos de Vanguarda e dos grandes artistas que se colocaram a frente desses movimentos.

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Acadêmico do último ano de Artes Visuais da UNIPAN/UNIBAN, orientado pela professora Ms. Andrea Pessutti Rampini.

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que já seguindo por uma linha mais radical e ainda mais inovadora nega a própria arte. e se vale dos manifestos e declamações como uma nova ferramenta de chamar a atenção do público. com objetivo de despertar a população acerca do consumismo e cultura de massa. extremamente utilizada pelas indústrias naquele período. Além dele teremos o Futurismo que busca o dinamismo e o movimento. por prezar ainda de alguns de seus conceitos. que de certa forma mantinha a arte naquele momento como consumidores daquele mercado. muitas das obras acabam virando modelos de arte e foram reconhecidas por boa parcela da sociedade. que ironiza a indústria popular. tornando-se importante para o desencadeamento não só das Performances. mais também dos Happenings no final do século XX. dessa forma ficou muito contraditório enfrentar os “clientes” com novos “produtos” que em sua grande maioria não atendiam os gostos dos consumidores. Dentre os diversos movimentos de vanguarda teremos alguns que foram importantes para mais tarde a disseminação da arte das performances. com o surgimento do pós-moderno/contemporaneidade. a não aceitação da sua proposta de ruptura pela maioria da sociedade. superando assim conceitos até então inquestionáveis e altamente valorizados no contexto histórico e cultural. para não serem assim “taxados” de retrógrados ou antiquados. e ter a ISSN 2178-8200 . para muitos ela será apenas tolerada. criando obras que fugiam de qualquer equilíbrio. Difícil para os novos movimentos e artistas foi enfrentar as grandes academias de arte. que de certa forma será uma “continuação” da arte moderna. utilizando de figuras e ícones populares através da mídia digital e histórias em quadrinho. Porém esse grande acontecimento não foi o suficiente para que todos compreendessem o verdadeiro sentido da modernidade. Também destaca-se a Pop Arte. que introduz algumas performances em seus trabalhos. A arte moderna com o passar das décadas será enfim aceita e institucionalizada pelas academias de arte.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. Foi possível então que a arte caminhasse para uma nova fase em sua cronologia. usando sempre temas irônicos e absurdos para chamar a atenção da sociedade. Nesse contexto teremos o artista Claes Oldenburg. esses artistas foram à luta e levaram a arte a uma nova essência e significância. e pior.Cascavel / PR Mesmo com as críticas e resistência inicial da sociedade e do possível descrédito. Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE . como o Dadaísmo.

o qual apresenta dentre suas obras primas a performance “I Like America e America Likes Me”. Apesar das performances terem as suas raízes também nos movimentos de vanguarda. “por muito tempo a arte contemporânea continuaria a ser a arte moderna produzida por nossos contemporâneos”(DANTO. Segundo Arthur Danto. quando artistas. No entanto. ao que parece contraditório. a passagem da arte moderna para a contemporânea por um período ficou meio confusa. O conceito ou a idéia que se tem de arte. p. 2006. um dos mais notórios dentro das Performances. havendo uma fase transitória que ao certo não vai ficar muito bem definida. Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE .14). torna-se a própria obra. surgindo como uma tendência específica. lembrando que ela não terá aquele espírito de ruptura e sim a intenção de valorizar e em dados momentos utilizar os períodos artísticos anteriores para a sua produção. críticos se dão conta que as novas formas de construção da obra de arte vão se distanciando da arte moderna e do seu espírito de revolução e ruptura. o espírito revolucionário que impulsionava os movimentos de vanguarda perdeu o seu sentido natural de revolucionar e de impactar o contexto artístico da época. 2 -Arte contemporânea: Uma maneira diferente de se fazer Arte Com a institucionalização da Arte Moderna. que finalmente haverá a distinção entre o moderno e o contemporâneo. É nesse contexto que surge o artista Joseph Beuys. que será tida como objeto de análise neste artigo. provocando novas experiências e se apropriando de materiais não convencionais. a arte moderna e toda a ISSN 2178-8200 . Assim a arte moderna chega ao seu estágio final desencadeando o desenvolvimento da arte Pós-moderna ou Arte Contemporânea que se intensifica a partir da arte conceitual.Cascavel / PR intencionalidade de novas experimentação.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. dando início a uma nova maneira de se fazer a arte. acompanhada de outras similares e que também tinham o corpo como expressão máxima e singular. como os Happenings e a Body Arte. Será a partir das décadas de 1970 e 1980. será na arte contemporânea que ela será amplamente disseminada e independente. independente do objeto concreto que estávamos acostumados até então.

a contemporaneidade.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. 399) Um dos mais relevantes artistas da tendência conceitual. apresenta o objeto cadeira. podemos dispensálos totalmente.. tornando-as cada vez ISSN 2178-8200 . É relevante destacar que na década de 1960. Além disso. o modo de se pensar a arte modificou a sua estrutura – que durante muitos anos esteve condicionada a aspectos e características acadêmicas – transformandose radicalmente. nenhum sentimento de que o passado seja algo de que é preciso se libertar e mesmo nenhum sentimento de que tudo seja completamente diferente. como os Happenings. p. É parte do que define a arte contemporânea que a arte do passado esteja disponível para qualquer uso que os artistas queiram lhe dar. nada tem contra a arte do passado. o uso de materiais não artísticos. exigindo um novo público para compreender a obra. o que irá diferenciá-la da Arte Moderna. como os ready-mades de Duchamp. como em geral a arte da arte moderna. seria possível que o significado do objeto. 2007. a idéia ou o conceito que se faz dele se tornasse arte.. transitória.] os produtos da arte são secundários. foi Joseph Kosuth que na obra “Uma e três Cadeiras”. o modo de tratar o objeto como motivo de reflexão e não mais de apenas contemplação. dando início a uma nova fase dentro da arte . e não mais o objeto como nos era convencionado. uma fotografia dela e sua definição retirada do dicionário. não apenas descontextualizados de sua função. da mesma maneira que as galerias. e às vezes através da fotografia e do cinema. Foi justamente nesse período que a arte passou a ser conceitual. Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE . (JANSON. 2006. em contrapartida. teremos a utilização de objetos cotidianos.07) Assim sendo a arte contemporânea fará referências a arte do passado em algumas produções.Cascavel / PR história tornam-se acessíveis para uma possível utilização na construção das obras contemporâneas. as Performances e a Body Arte – tendências que utilizam o corpo como expressão máxima e única para caracterizar suas obras. O processo criativo só tem que ser documentado de alguma maneira – geralmente de uma forma verbal. De acordo com Janson: [. portanto um conceito se tornaria o foco principal da obra. acidentais. surgiram maneiras ainda mais inusitadas de se apresentar obras de arte. Com a Arte Conceitual. é a forma como a obra será configurada. assim como o autor afirma: A arte contemporânea. (DANTO. Sem dúvidas. e por extensão até mesmo o público do artista. p.

assim a autora Roselee Goldberg afirma. até que ultrapassa a Europa e chega nos ISSN 2178-8200 . no movimento Futurista. norteados pelos princípios do teatro e da música. levavam a manifestos mais detalhados” (GOLDBERG. 2.O Corpo é o Objeto de Arte O corpo foi utilizado como objeto de arte ainda no início do século XX. Dava a seus praticantes a liberdade de ser. 2006. 2006. “em seus primórdios. ao mesmo tempo “criadores” no desenvolvimento de uma nova forma de artista teatral. quando os artistas apresentavam seus inúmeros manifestos de modo polêmico. por sua vez.01). a performance futurista era mais manifesto do que prática.04) Na história da arte. e “objetos de arte”.1 . Foi com o Futurismo. únicos meios de imortalizá-las. a performance se faz presente em movimentos subseqüentes como no Dadaísmo.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. de realçar as suas intenções e características que eles defendiam. como pintores ou como performers. para que através da inovação pudessem buscar o público novamente para a arte. mais propaganda do que produção efetiva” (GOLDBERG. (GOLDBERG. aos gritos ofendendo o público. 2006 p. as vezes radicais e extremamente efêmeras. Torna-se basicamente impossível a reprodução exata de tais obras em outros momentos e lugares.07). Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE . Foi com os sarais futuristas que se intensificou o uso das performances. presentes nos seus manifestos. Segundo Goldberg: “os manifestos estimulavam os artistas a apresentar performances mais elaboradas e as experiências com as performances. Em vários momentos é possível pensar que tais apresentações eram a forma menos radical em relação às performances contemporâneas.Cascavel / PR mais inovadoras. Foi uma maneira inusitada de chamar a atenção para suas propostas. A performance era o meio mais seguro de desconectar um público acomodado. porque não faziam nenhuma separação entre sua arte como poetas. que os artistas daquela época encontraram nessa atividade performática uma maneira diferente de expressar as idéias de seu grupo para o público. p. sendo assim necessário o uso de instrumentos da arte conceitual para documentar as suas obras: o vídeo e a fotografia. no Surrealismo entre outros. p.

2006. partindo para o masoquismo. As performances foram se tornando cada vez mais freqüentes e ousadas no meio artístico. conquistando a participação e valorização do público.Cascavel / PR Estados Unidos na década de 1930. cada uma delas apresentam algumas diferenças importantes entre si. se assimilando em partes com a Performance – quanto ao uso das outras linguagens visuais – porém sendo mais inusitado e difícil de se reproduzir em outros momentos e ou ambientes. Lado a lado com a performance. se caracterizando mais intensamente pelas provocações que eram sua marca registrada desde então. O Happening será utilizado daí pra frente por diversos outros artistas. Neodadaismo e Pop Arte. em sua essência é muito radical com o objeto de arte “corpo”. tendências que usavam o corpo como objeto de arte. 3 -Um olhar para a Performance: “I Like America and America Likes Me”. estavam o happening e até mesmo a Body Arte. p. Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE . de J. percebe-se a inserção do corpo humano em obras de arte. além de em algumas atividades explorarem as outras linguagens artísticas como o teatro. devido a sua efemeridade e improviso. que muita das vezes usa o público e improvisações se diferenciando nesse aspecto. no entanto apesar de certa similaridade existentes entre performances. No ano de 1945 a atividade já havia se tornado mais importante e independente. se tornando mais difundido e independente de outros estilos. que apresenta um cadáver em decomposição. (SMITH. Body Arte o happening. a música e a dança. O happening é a atividade mais próxima das performances. o principal é que a performance é elaborada previamente em relação ao happening. sendo muito utilizado por artistas do Surrealismo. sendo que suas origens também se encontram no final da arte moderna. como em “Couch (divã) – 1963” de Bruce Conner.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. com a tendência denominada funk. Beuys ISSN 2178-8200 . criando uma identidade própria. Dos fatores que diferenciaram essas três tendências. Na década de 1960. de modo geral o que liga essas tendências é o uso do corpo como objeto artístico. Já a Body Arte. citamos também inúmeros quadros vivos de Colin Self como a obra “Nuclear Victim (Vítima Nuclear)”. certamente assassinado e esquartejado. conseguindo maior reconhecimento da crítica e do público.97).

2006. devendo assim transformar efetivamente o dia-a-dia das pessoas” (GOLDEBERG. manteiga. ISSN 2178-8200 . marca registrada na Arte Contemporânea. Essa performance é uma das mais relevantes de Beuys. tornando-a mais independente e com uma identidade sólida.123). com o uso de elementos que faz relação com alguma coisa marcante para ele. o artista “acreditava que a Arte era um elemento importante na sociedade. Teve contato com o grupo Fluxus e a partir de então desenvolveu seus próprios métodos de ensino quando lecionou na Academia Düsseldorf em 1961.Cascavel / PR Com o avanço das performances européias e happenings americanos na década de 1950. Alguns artistas foram importantes na disseminação das performances. Mercê Cunnningham e Allan Kaprow. pás entre outros. o que esses elementos encontrados em suas performances significam. Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE . a atividade acaba ganhando prestígio por artistas contemporâneos. que ao longo da década de 1970 irá se destacar como um importante artista contemporâneo. Teremos também Joseph Beuys que apresentou a performance “I Like America and America Likes Me” (Eu Amo a América e Ela Me Ama . trenó. assim como o feltro. que apresentou inúmeras performances notáveis. não agradando as autoridades o que desencadeou na sua demissão de Düsseldorf em 1972. o que torna sua obra difícil de ser compreendida sem antes conhecer um pouco de sua história.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. apresenta uma espécie de simbolismo. lebres mortas. afinal a sua maneira polêmica de criação e a própria anti-arte que as vezes rondava a sua obra acabou sendo alvo de violentos protestos de alunos. em suas obras. p. Sempre ousado e explorando temas marcantes e dramáticos. destaca-se entre eles John Cage. sendo que esses objetos sempre irão aparecer em suas criações performáticas ao longo de toda sua produção. porém a sua estádia na academia não seria assim tão longa. Beuys se tornara um artista polêmico devido ao seu posicionamento político e seu constante simbolismo. Beuys.1974) – tema desse artigo – deste modo será analisada para melhor compreendermos a sua intencionalidade e seus possíveis significados. os quais dariam uma atenção especial para essa modalidade. como a obra “18 Happenings em 6 Partes” (1959).

que era mais do que um simples pedaço de pano. Era um animal que representava a América – o lobo americano – e ao longo da performance. “I Like America and America Likes Me” – Joseph Beuys 1974 FONTE:http://www. a refletir ao mesmo tempo a história da ISSN 2178-8200 . a lanterna elétrica e um exemplar do jornal local. De acordo com Goldberg: Coiote foi. sendo que em 1974 desembarcou em Nova Iorque para a apresentação de uma de suas obras mais importantes. Beuys utiliza um pedaço de feltro. nos termos de Beyus uma ação “americana”. apenas o coiote ficara ao seu lado. uma lanterna. a bengala.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. A partir de então. sobre esses objetos o animal urinava. a performance denominada “I Like America e America Likes Me”. Ele passa todos aqueles dias enrolado no pedaço de feltro. Nesta obra além do coiote.Cascavel / PR Beuys foi um artista que viajou muito para a realização de suas performances. ele interagia com o animal apresentando-lhe objetos como o feltro.org/c/aen/Images/Ecology/a merica. Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE . reconhecendo o seu território devido a presença humana. no qual o artista passa dias numa sala conversando com um coiote.php Durante a performance. anos ele foi ferido na II Guerra Mundial e foi tratado por nômades numa floresta da Criméia. com a edição do dia. onde os primitivos o esquentaram com feltro e passaram gordura nos seus ferimentos.greenmuseum. os elementos passam a ter um significado específico para ele – de sobrevivência – utilizando-os inúmeras vezes em suas obras. o “complexo de coiote”. era um isolante térmico. que em português significa: Eu amo a America e ela me ama. que o remetia a um acontecimento de sua vida: aos 22. uma bengala e a sua presença durante toda a performance junto ao coiote.

através da figura de um animal que representa a sua própria crença. podemos fazer uma relação com a política. ele sendo um humano invadia de certa maneira o espaço do coiote. sua representação junto ao coiote não era de ISSN 2178-8200 . como se ele esquecesse do restante das coisas que ali ocorrera. e para demarcar o seu território na tentativa de intimidar o coiote por ser algo diferente daquilo que o animal estava habituado. que também tem a necessidade do domínio e conquista de seu território. O artista queria trocar de papel com o coiote.125). podem ter funcionado como uma forma de defesa. como o feltro. A sua relação com o coiote durante aqueles dias. a invasão pelos europeus. de certa maneira. e depois com a invasão européia. o coiote significava para os nativos norte americanos.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. na tentativa de marcar o seu território e intimidar o artista. p. podemos destacar a relação entre a invasão européia às terras da América e a liberdade. aquela relação de invasão também pode ser levada em conta e nunca se sabe como um animal selvagem pode se comportar. afinal ele era um europeu e o coiote um “nato-americano”. ele queria se sentir como se não houvesse nada que o pudesse limitar. a força bruta sobre os povos que ali residiam. não queria ver nada da América.Cascavel / PR perseguição aos índios norte-americanos e “toda a relação entre os Estados Unidos e a Europa” (GOLDBERG. como se fosse um sinal que aquele local já tinha dono. Refletindo sobre as questões que a obra levanta. Olhando por esse ângulo podemos verificar que a intenção de Beuys com o coiote seria a valorização da América pelos seus antepassados. Analisando por um outro ponto de vista. Ao analisar todos os aspectos da obra e o teor social que eram atribuídas a ela. era de estranhamento assim como os europeus quando adentram ao território dos nativos norte-americanos. a guerra. Na obra de Beuys. com o qual ele se enrolada durante toda a performance enrolado. Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE . os outros elementos empregados por Beuys na obra. uma espécie de semideus. ele era apenas um animal que perturbava e deveria ser exterminando. os problemas políticos. 2006. as dificuldades. assim como fez no passado ao dominar a América e os nativos que aqui viviam. que por seu extinto se sentia acuado e acabava urinando nos objetos apresentados a ele. evidenciando assim que o homem não é diferente do instinto animal. com a necessidade do ser humano conquistar territórios. apenas o coiote. Além disso.

mais a interação deles com a sua terra. não puderam ser dominadas. Refletindo sobre tudo isso. Em sua obra é possível analisar o contexto de liberdade. mais nos leva a construí-las. que apesar das suas divergências. Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE . A performance de Beuys. afinal. e sim torná-lo crítico.Cascavel / PR invasão ou de domínio. pode ainda ter por intencionalidade. pois a partir dos anos de 1940. a liberdade foi novamente conquistada. do que confrontá-los. surgem novas tendências de origem americana. o homem podia dominar com a força física os nativos. seria talvez intenção de Beuys sair da sua terra para realizar uma obra na América a fim de mostrar mais uma vez que. não se preocupa em manipular o espectador. foi uma forma de demonstrar a cordialidade entre a Europa e a América. que hoje conquistaram o respeito e se relacionam com o restante do mundo de igual por igual. na contemporaneidade não há mais monopólios e superioridade no fazer artístico. o seu conhecimento. e da Europa de uma certa forma sempre se achar superior por ter dominado e colonizado a América. afinal a arte Contemporânea não nos dá as respostas prontas. e a Europa por sua vez terá muito mais benefício sendo passível em relação a eles. que a universalização da arte é fato consumado e que pode pelo menos por si só trazer entendimento no mundo artístico. os ataques sofridos entre eles na II guerra mundial. independentes e em uma situação estável e talvez até melhor frente a outros países. de compreensão. uma maneira de se relacionar passivamente com o animal que por sua vez representaria a América. desfrutando a sua liberdade representando a América e os seus ancestrais. onde os Estados Unidos emerge como potência. Assim essa interação de Beuys com o coiote anos depois. descentralizando o monopólio artístico que até então era europeu.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. Ficam então essas suposições. e sim de entendimento. e mesmo naquele contexto de dominação. e o coiote continuou livre. participativo e indispensável em toda e qualquer obra contemporânea. para refletirmos e analisarmos. como a própria rivalidade econômica e social. amenizar conflitos instaurados a séculos entre esses continentes. suas crenças. e até mesmo os conflitos artísticos e culturais. 4 -Considerações Finais ISSN 2178-8200 . é impossível não reconhecer a autonomia e a liberdade daquelas pessoas. pois os EUA se apresenta como uma das maiores economias. apesar da invasão e dominação dos europeus à America.

objetos e materiais não artísticos possíveis de se tornar arte. Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE . interpretações inusitadas. tem esse caráter de reflexão que possibilita leituras que são instigadas pela forma como o artista usa seus elementos. passa a tomar elementos. tornando-se uma obra originalmente contemporânea. que com notoriedade mostra uma obra magnífica e muita vezes incompreendida. dos Happenings. ISSN 2178-8200 . a arte vai atingir um patamar totalmente diferente e jamais visto dentro da história. e possibilita a interpretação pessoal a partir dos aspectos que a obra nos apresenta e a própria intencionalidade do artista. desde que tenha finalidade artística e objetivos. mas que traz fatos políticos e sociais. proporcionou uma nova expressividade. alcançamos uma leitura diferenciada. sendo necessário em nosso cotidiano e possível de qualquer um de nós criarmos algo novo e inédito. singular. Afinal a Arte contemporânea de modo geral. e nos fundamentarmos no contexto em que a obra está inserida.Cascavel / PR Podemos observar que a arte contemporânea. relaciona culturas e acontecimentos assim como na obra . observar e tentar relacioná-la com o contexto na qual ela se encontra. de acordo com sua intencionalidade que pode estar de maneira subjetiva. tentando assim compreender a essência e intenção do artista ao produzir essa obra. efêmero e inigualável. Através das Performances. nas especificidades e vida do artista para que com isso. que com sua criatividade e temas polêmicos trata a arte como elemento da essência humana. com intenção de levar os telespectadores a analisar. apesar de incompreendida e perturbadora para grande parte das pessoas. entre outros que utilizam o corpo como elemento de expressão. No entanto temos que compreender a linguagem que nos é apresentada. valorizando o corpo humano e o elevando como objeto artístico máximo. Nesse contexto surgem artistas como Joseph Beuys.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. A obra de Beuys analisada nesse artigo nos leva a perceber que a arte contemporânea nos proporciona momentos de reflexão e crítica. podendo assim despertar no público reflexões diferenciadas.“I Like America e America Likes Me”.

São Paulo: Editora Udusp. A Arte Como Destino do http://www. Disponível em ISSN 2178-8200 . 1ª Edição.asp?codigo=8 Acesso em 21/jul. A Arte da Performance: do Futurismo ao Presente. 1ª Edição. São Paulo: Editora Imfe.II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade. Anthony. 2007.digestivocultural. ROSELEE. 2006. 1ª Edição. Pedro. SMITH-LUCIE. Após o Fim da Arte: A Arte Contemporânea e os Limites da História. ARTHUR./2010. São Paulo: Editora Martins Fonte. Sites: MACIEL. São Paulo: Editora Martins Fontes. C. H. Ser. GOLDBERG.com/ensaios/ensaio. Iniciação a História da Arte.Cascavel / PR DANTO. 2006. EDWARD. 4ª Edição. Os Movimentos Artísticos a partir de 1945. 2006.W JANSON e JANSON F. Ensino e Linguagem Referencias Bibliográficas 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE .

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