A enquisa pior cozinhada da história?

A enquisa elaborada por Sondaxe e publicada hoje polo médio LVG presenta defeitos tão evidentes no manejo dos datos, que perde boa parte da sua credibilidade. Contodo, umha vez separado o jóio do trigo, proporciona datos interessantes para interpretar o atual momento político e as tendências de fundo, que diferem notavelmente das publicadas por esse jornal, sem dúvida devido ao interesse corporativo por consolidar determinados grupos em detrimentos doutros – e dos datos. Umha observação prévia à presentação dos datos: toda enquisa pode errar, o que não pode é mentir. Por isso, quando falo de “datos reais” ou “sem cozinha”, refiro-me aos datos obtidos por Sondaxe, deduzidos a partir dos gráficos que eles mesmos publicam; são reais unicamente nesse sentido, já que nengumha enquisa pode precisar os resultados eleitorais até ao ponto de definir em unidades as transferências de voto entre partidos ou o número exato de votos totais de cada candidatura, p.ex.

Táboa 1 – Resultados segundo a táboa de fidelidade/transferência de voto publicada por LVG (20/10/2013)
PP PP PSdeG AGE BNG UPyD Outros Brancos Abstenção NS NR Total 2009 457.606 0 5.952 1.984 3.306 661 36.370 46.290 109.111 0 661.280 661.281 PSdeG 2.976 185.990 6.249 5.357 0 4.166 13.689 14.282 64.865 0 297.574 297.584 AGE 4.418 2.410 121.702 0 7.029 5.222 8.836 16.870 34.141 0 200.628 200.828 BNG 2.190 0 7.155 91.705 0 0 6.425 11.682 26.723 0 145.880 146.027 Outros 0 0 14.753 0 15.151 28.209 12.161 10.965 18.441 0 99.680 99.680 Brancos 500 0 2.884 816 0 0 22.723 4.075 7.305 154 38.457 38.448 Abstenção Não censados (*) 72.980 29.192 30.408 29.192 8.514 0 74.197 642.226 277.325 51.086 1.215.120 1.216.338 1.720 0 2.250 1.270 0 0 0 2.460 990 1.320 10.000 – –  Total 542.390 217.592 191.353 130.324 34.000 38.258 174.401 748.850 538.901 52.560 2.668.619 2.697.717  –– –– % do censo % do censo (Sondaxe) (sem cozinha) 19.8% 9,5% 6,7% 5,4% 0,8% 0,9% 8,0% 16,4% 22,8% 9,7% 20,3% 8,2% 7,2% 4,9% 1,3% 1,4% 6,5% 28,1% 20,2% 2,0%

(*) Estimação: 10.000 eleitores.

Na táboa 1, podem observar-se todas as inconsistências entre a presentação pública dos datos e a realidade desenhada polas persoas que respondêrom a enquisa. Por se àlguns leitores vos custa manejar-vos entrenúmeros, indico só algumhas das mais evidentes e grosseiras manipulações: 1. Oculta-se o brutal aumento da abstenção estrutural, que não estaria no 16,4% senão no 28,1%. Somando a essa porcentagem à dos indecisos e ao voto oculto (NR), podemos projetar umha abstenção que neste momento rondaria o 50% do eleitorado – concretamente, o 50,2%. 2. As transferências de votos estão mui mal trabalhadas. Que o PSdeG não receba nengum voto de eleitores que no 2012 optárom polo PP ou polo BNG, nem o próprio BNG de votantes da AGE, desenha um escenário de compartimentos estanques mui longe da realidade. O mesmo se pode dizer do feito de que UPyD seja o principal receptor de votos da AGE, cujo volume mais que duplicaria os procedentes do PP, o que só seria compreensível se UPyD fosse umha força anti-sistema capaz de recolher voto indignado por riba de parâmetros ideológicos, mas bem sabemos que não é esse o caso. 3. Assignar-lhe à AGE a menor fidelidade de voto, quando simultaneamente se afirma que é a candidatura que mais cresce (em votos, em porcentagem e em escanos), é simplemente absurdo. Para quadrar esse círculo, seriam necessários uns rocambolescos movimentos de voto que em absoluto tenhem reflexo na enquisa de Sondaxe. 4. Observa-se um evidente esforço por minimizar o potencial da AGE, que provavelmente a estas alturas já seria em datos de voto direto a segunda força eleitoral, por diante do PSdeG. Isso é especialmente visível na porcentagem de voto sobre censo, onde a AGE estaria – segundo o publicado por LVG – a 2,8 pontos porcentuais do PSdeG e só 1,3 p.p. por diante do BNG, quando os datos sem cozinha indicam que essa distância é de 1,0 e 2,3 p.p., respectivamente. É verdade que parte dessa distorsão foi corrigida – mediante um mecanismo não explicitado, provavelmente movendo votos de indecisos – na presentação das porcentagens sobre voto válido. 5. Os datos do PSdeG estão inflacionados, precisamente para poder presentar umha maior distância com a AGE da realmente existente (se é que existe, e se é que é hoje favorável ao PSdeG), mentres que os do BNG são os mais ajustados à realidade dentre as forças parlamentares. 6. Hai um esforço por minimizar o voto a UPyD, que estaria no umbral do 3,0% de voto válido, ao tempo que se subestima notavelmente o voto ao PP para dar a impressão de que corre perigo a sua maioria, o qual com estes datos não é certo.

Com os datos de Sondaxe, o escenário eleitoral ficaria a dia de hoje aproximadamente assi: Abstenção provável: 50,2% Votos válidos: 49,8% • • Brancos: 6,5% Votos a candidaturas: 43,3%

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Analisando os votos válidos, umha vez corrigidas as distorções provocadas pola cozinha, encontrariamo-nos com o seguinte escenário (indicam-se as porcentagens com e sem voto em branco, porque parece pouco realista que atinjam o 13% dos votos válidos): Táboa 2 – Porcentagens sobre voto
2009 PP PSdeG AGE BNG UPyD Outros Brancos Nulos 45,8 20,6 13,9 10,1 1,5 5,3 1,7 0,9 Sondaxe 43,5 19,3 16,6 10,7 0,9 1,0 8,0 -Sem cozinha 40,8 16,5 14,5 9,8 2,6 2,8 13,1 -Sem cozinha
(sem brancos)

47,0 18,9 16,6 11,3 3,0 3,3 ---

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