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MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente

Boletim informativo
ANO 1, N.º 4 Agosto de 2005

Editorial
Aqui estamos mais uma vez divulgando algumas actividades do MPI e outros assuntos que julgamos ser do vosso interesse. Neste boletim queremos destacar o facto de ter sido fotocopiado em papel reciclado, por finalmente termos encontrado papel A3 reciclado. Como associação de defesa do ambiente consideramos este aspecto importante, porque devemos ser coerentes com os nossos objectivos e os nossos argumentos. Votos de boas férias

Participação do MPI na consulta pública dos ensaios com milho transgénico
Exmo(a) Sr.(a) Presidente do Instituto do Ambiente cromossomas (através de bactérias, por exemplo), ao arrastamento de sementes pelas chuvas, etc. Assim, é possível prever que os impactos serão de difícil controlo ou mesmo irreversíveis. Por outro lado, têm sido cientificamente desenvolvidas melhores práticas agrícolas, como é o caso da protecção integrada e da agricultura biológica, pelo que existem actualmente alternativas ao cultivo de OGM, mas com riscos muito menores e ainda, procurando a sustentabilidade a médio e longo prazo da produção agrícola. Impactes e riscos para a Agricultura e o Ambiente Começam a ser conhecidos alguns impactes do OGM como a contaminação de variedades convencionais e biológicas, por polinização cruzada, inclusivé a partir de ensaios de campo; a contaminação de outras espécies agrícolas diferentes das transgénicas; o aparecimento acelerado de resistência e de plantas infestantes multiresistentes a herbicidas; resistência dos insectos ao Bt; etc. Estas situações tornam os OGM com este tipo de resistências inúteis nessas áreas. Sabe-se também, que o Bt produzido por transgenes difere do Bt usado como fitofármaco, devido ao facto de estar permanentemente activo, não sendo deste modo selectivo, bem como persiste no ambiente (solo, etc), por tempo ainda indeterminado, não inferior a um ano, e em níveis cerca de 2000 vezes superiores. No caso em análise, o milho será triturado e enterrado, os níveis de insecticida (Bt) presentes poderão ainda ser superiores comparativamente ao cultivo comercial. Razões comerciais O mercado de OGM é essencialmente a indústria de alimentos compostos para animais, devido, em parte, à falta de rotulagem nos produtos de origem animal quanto à sua alimentação. Para a alimentação humana tem havido uma crescente procura pelos produtos biológicos, embora ainda incipiente no nosso país, por razões que não interessa aqui aprofundar, contudo é inquestionável que têm

Serve o presente ofício para apresentar os comentários da nossa associação no âmbito do processo de consulta pública referido em epígrafe. Razões científicas A transgenese é um ramo da biotecnologia que em ambiente controlado (de laboratório) tem permitido significativos avanços civilizacionais, como por exemplo a produção de vacinas e medicamentos. A libertação deliberada de organismos geneticamente modificados (OGM) na Natureza, quer para fins comerciais quer para fins experimentais, tem provocado intensa polémica dividindo a comunidade científica e, por sua vez, vários grupos da sociedade, instituições políticas e muitos cidadãos. Com rigor científico não é possível evitar totalmente a contaminação por transgenes, mesmo respeitando regras (ainda que rígidas), devido à polinização cruzada, à capacidade dos genes “saltarem” para outros

O Presidente da Direcção Humberto Pereira Germano

Nesta edição:

Polémica sobre João Fidalgo 2 Aterro Sanitário do Oeste
aquisição do terreno

4e5 Ambiente e Cidadania Breves Paisagem Protegida de Montejunto 6 6e7

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sido dados passos importantes. Decorre do exposto, que o mercado dos OGM sofre vários condicionalismos e não responde às exigências e procura do mercado, pelo menos ao nível dos consumidores finais. Informação disponibilizada A Pioneer não indica qual a monitorização que irá efectuar, nem qual a cobertura em termos de responsabilidade civil caso algum agricultor seja prejudicado. De referir ainda que, não consta na documentação para consulta uma avaliação dos riscos decorrentes do ensaio com as especificidades de cada local e da sua envolvente, que necessariamente serão distintas, uma vez que pertencem a regiões muito diferentes, um na Extremadura e outro no Minho. Considerações finais

As novas variedades de milho transgénico a testar, possuem idênticas características a algumas já cultivadas com fins comerciais, cujos impactes começam a ser conhecidos, conforme referidos atrás. Os OGM não satisfazem as exigências da maioria dos consumidores, de acordo com as estatísticas sobejamente conhecidas. Não é possível cientificamente garantir a ausência de disseminação dos transgenes quando deliberadamente libertos na Natureza. A contaminação por transgenes poderá condicionar um direito fundamental em democracia que é o direito de escolha por não OGM. Há alternativas aos OGM para a produção agrícola e que simultaneamente respondem às expectativas dos agricultores e dos consumidores, e enquadram-se numa perspectiva de desenvolvi-

mento sustentável. Foi declarada a área da freguesia do Vilar como zona livre de OGM, pela Assembleia de Freguesia respectiva. Foi exigida a proibição do cultivo de OGM para a área do concelho do Cadaval, pela Assembleia Municipal desse município e, ainda, a mesma exigência para a área da Comunidade Urbana do Oeste, até à publicação de legislação específica, pela respectiva Assembleia. A falta de clarificação dos efeitos dos OGM sobre o ambiente, a agricultura e a saúde pública, pode por si só sustentar a aplicação do Princípio da Precaução. Decorre do atrás exposto que, consideramos que os ensaios de campo referentes ao presente processo de consulta pública não devem ser realizados. Com os melhores cumprimentos *

Polémica sobre João Fidalgo (ex-presidente do conselho de administração da RESIOESTE)
Transcrevemos aqui um artigo publicado no jornal “O Independente” a 30/5/2005, assinado por Francisco Teixeira, com o título “Águas conturbadas” e a reacção de Gonçalo Rebelo de Andrade (vogal da Direcção do MPI) a esse artigo. ção de tratamento de lixo. O caso justificou queixas ao Ministério Público e a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito. No entanto, passados três anos, Fidalgo é promovido: passará a gerir uma das maiores empresas de águas do país, responsável pelo abastecimento de mais de 30 concelhos das zonas Centro e Sul. Cheira mal. A passagem de João Fidalgo pela Resioeste – empresa proprietária do aterro sanitário do Oeste – ficou “manchada” depois de Isaltino Morais ter visitado nas instalações sem aviso prévio. À vista do então ministro do Ambiente estavam as insistentes denúncias da Comissão de Ambiente do Cadaval e do Movimento Pró-Informação. A situação era “insustentável”, segundo relatou então o ex-ministro, porque o aterro sanitário não realizava “os tratamentos de lixiviados” e a estação não funcionava. Durante o Inverno de 2002 a “piscina” onde eram armazenados os resíduos entro em colapso e inundou a área envolvente. Os resíduos que deveriam ser tratados acabaram por ser absorvidos pela terra. Conclusão? João Fidalgo foi despedido, “sem rei nem roque”, para gáudio dos ambientalistas e do presidente da Câmara Municipal do Cadaval, o social-democrata Aristídes Sécio. Isaltino Morais fez, na altura, deste caso um ponto de honra. Mas as suspeitas não ficam por aqui. A comissão parlamentar de inquérito encarregada de “passar a pente fino” a gestão da Resioeste estranhou a forma como foi adquirido o terreno que deu lugar ao aterro. A Associação de Municípios do Oeste avaliou o imóvel em 1,6 milhões de euros mas João Fidalgo aprovou a sua aquisição pelo dobro do valor: cerca de três milhões. Surgiu então um novo problema. O terreno estava integrado na reserva natural e foi necessária a sua desafectação. O caso foi entregue à mulher de Fidalgo, directora regional do Ambiente. Madalena Presumido

Águas conturbadas
Governo nomeia para presidente da EPAL e administrador da Águas de Portugal ex-responsável por um aterro que foi afastado por suspeitas de gestão danosa O ministro do Ambiente, Nunes Correia, vai nomear para presidente da EPAL – Empresa Pública de Águas Livres e administrador da holding Águas de Portugal um antigo administrador de um aterro da zona centro afastado em 2002 por suspeitas de gestão danosa. João Fidalgo foi um dos responsáveis pelo encerramento do aterro do Oeste e pela “desastrosa” aquisição do terreno onde foi construída esta esta-

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do câmbio. Nada se perde. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. O mesmo João Fidalgo foi “reciclado” pelo governo socialista e tomará posse até ao final deste mês como presidente da EPAL – Empresa Pública de Águas Livres e administrador da “holding” Águas de Portugal. As dificuldades que, aparentemente, teve em gerir um aterro não condicionaram a escolha, como confirmou ao Independente o Ministério do Ambiente: foi o nome proposto pelo “accionista maioritário”, o Estado, e falta apenas agendar a data da tomada de posse. A confiança política e pessoal está implícita. “Foi o ministro que propôs o nome”, diz o gabinete de Nuno Correia.

sores universitários numa encenação escandalosa, compra de terreno por valores sem justificação no mercado, campanhas milionárias de desinformação encomendadas a especialistas, festa de inauguração em vésperas de eleições que custou mais de 30.000 contos… De tudo um pouco teve este processo. Só que os Srs. Professores Universitários e quem interveio neste processo nunca esperaram que um grupo de cidadãos estudassem todos os processos. Tudo isto foi por nós denunciado em devido tempo, mas em vão. Nem sequer pareceres de jurisconsultos como o Dr. Mário Esteves de Oliveira demoveram os responsáveis por todo este processo, bem protegidos também pelos representantes locais do PS. Digo PS, neste caso, mas olhe que para mim são todos iguais. Calhou ser o PS neste processo. Infelizmente em Portugal a Sociedade Civil é só para Inglês Ver. Os políticos bem podem falar da importância da sociedade civil, mas quando lhe dói, a conversa é outra. Nunca se sujeitam a críticas nem nunca modificam as decisões por pressão de cidadãos esclarecidos e informados. O próprio Jorge Sampaio chamou-nos fundamentalistas quando andou a promover a campanha do PS no Cadaval… Quando os cidadãos se organizam ordeiramente para discutir de forma racional e fundamentada os problemas que os afectam e querem exercer o seu direito (e obrigação) constitucional de fiscalizar o bom ambiente e o cumprimento das leis em vigor, como foi o nosso caso, os políticos marginalizam -nos e abafam as nossas pretensões. Optaram pela acusação fácil de que são arruaceiros, de que não respeitam o interesse das maiorias, e por aí adiante. Foi isto que aconteceu no ASO. Foi assim que o actual Exmo. Sr. Primeiroministro actuou, exercendo todo o seu poderio para manipular tudo e

todos. Desde o Instituto dos Resíduos (marioneta do Ministério do Ambiente), à DRALVT com o escândalo do parecer da mulher do Dr. J. Fidalgo tudo foi permitido ao Sr. Ministro do Ambiente da altura e agora nosso ilustre Primeiro-ministro. E de nada nos valeram os inoperacionais tribunais cuja isenção nós temos razões para por em causa. Há muitas histórias e factos á volta do que lhe afirmo aqui. Nem sequer a Procuradoria deu andamento às nossas queixas e denúncias. E até um ténue parecer desconfortável para o Sr. Eng.º Sócrates por parte do Provedor de Justiça mereceu violentos ataques do Ministério do Ambiente ao Provedor. Até a casa do cidadão nos foi vedada para prestar esclarecimentos públicos. O crime compensa em Portugal e os políticos e as máquinas partidárias afundam-nos porque tudo dominam e tudo manipulam. Aguardo com alguma curiosidade para saber qual será o prémio do Administrador Delegado da altura, Eng.º Delfim de Azevedo. Uma experiência desoladora e que queimou muitas energias e boas intenções de muita gente. É este o resultado da pedagogia da nossa classe política. Temos um país com dirigentes que não prestam e uma opinião pública cada vez mais desiludida e desinteressada. Mas sabe bem ler um artigo como o seu, embora não sirva para nada pois eles lá ficarão e ganhar ordenados ricos e a fazer os seus negócios. E assim sucessivamente. Aceite os meus cumprimentos e parabéns pela coragem

Reacção de Gonçalo Rebelo de Andrade
Caro Sr. Jornalista, Não tenho o prazer de o conhecer mas queria dizer-lhe que fiquei encantado com o seu artigo no Público, do dia 25 de Maio, relativo ao premiado Dr. João Fidalgo. Sou membro fundador do MPI, Movimento Pró Informação sobre o Aterro Sanitário do Oeste. Hoje este movimento tem forma legal e é uma ONG na área do ambiente e cidadania. Sou ainda presidente da Comissão de Ambiente da Assembleia Municipal do Cadaval e membro deste orgão da administração local. Faço ainda parte da Assembleia de Freguesia de Pêro Moniz (freguesia do ASO). Como calcula estou muito dentro de todas as ilegalidades, mentiras e trafulhices feitas pela administração da Resioeste presidida pelo Sr. Dr. João Fidalgo. Que agora recebe o prémio de fiel e dedicado executante. Pareceres forjados, atentados contra a lei em matéria de REN e de leis que regulamentam projectos de aterros sanitários, estudos manipulados por distintos profes-

Gonçalo Rebelo de Andrade *

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Aterro Sanitário do Oeste
Aquisição do terreno
Continuamos neste boletim a publicação de memorandos sobre o processo do Aterro Sanitário do Oeste.

São aqui apresentados de forma muito resumida e cronologicamente os vários actos administrativos e outras diligências para a aquisição do terreno da Quinta de S. Francisco para a instalação do aterro. 1996 É concluído o Plano Director de Resíduos Sólidos Urbanos da Sub-Região Oeste (PDRSU), que teve início em 1992 e foi adjudicado à empresa GITAP. A alternativa B (construção de 4 estações de transferências, reestruturação de a aterro, construção de um aterro no concelho de Torres Vedras e de um unidade de compostagem no concelho do Bombarral) foi considerada a mais favorável. Na sequência deste plano, as Câmaras Municipais de Torres Vedras e Lourinhã encomendam à empresa PROCESL (actualmente pertencente ao grupo SOMAGUE) um estudo de macrolocalização para instalação de um aterro sanitário na área da Quinta da Bogalheira. Na análise de investimento, deste estudo, a PROCESL, atribui ao custo do terreno um preço de 100$00/m2, preço corrente na região para propriedades com as

características do terreno considerado. Posteriormente, é efectuada, pela empresa GITAP, uma Adenda ao Relatório Síntese do Plano Director de Resíduos Sólidos Urbanos da Sub-Região Oeste (PDRSU), onde sem que seja apresentada qualquer justificação, é definida uma nova solução para o tratamento dos RSU na região Oeste – Solução D – constituída pela construção de um único aterro na confluência dos concelhos de Alenquer, Cadaval e Torres Vedras, sem se especificar uma localização concreta. 1997 27 de Fevereiro - A Assembleia Intermunicipal da Associação de Municípios do Oeste “delibera por unanimidade apoiar as demarches para aquisição do terreno.”. Mais uma vez, não é feita qualquer especificação do terreno a adquirir. 18 de Março- O Conselho de Administração da Associação de Municípios do Oeste delibera, por unanimidade, fazer proposta por escrito à CELBI, para aquisição de 150 hectares de terreno. 11 de Julho – O Concelho de Administração da A.M.O. delibera, por unanimidade, integrar o Sistema Multimunicipal de

Resíduos Sólidos Urbanos do Oeste, bem como integrar a sociedade concessionária. Delibera, ainda, contratar técnicos oriundos dos municípios de Torres Vedras e Alenquer, para avaliação do terreno para o aterro sanitário. 24 de Setembro – É entregue à A.M.O. o relatório da Avaliação de Terreno a adquirir pela Associação de Municípios do Oeste. Os seus autores do relatório de avaliação constataram “que na generalidade, esta propriedade, está contemplada nos Planos Directores Municipais respectivos, como sendo uma Zona Florestal, estando também classificada, na sua generalidade, na Reserva Ecológica Nacional.” A avaliação efectuada, tendo em conta a hipótese de exploração de argilas, foi de 350$00/m2. O preço corrente na região era de 100$00/m2. Esta avaliação foi muito generosa, porque não se poderiam explorar argilas pelo facto do terreno pertencer à Reserva Ecológica Nacional. Pelo mesmo motivo, também não se poderia construir o aterro! A Associação de Municípios do Oeste avança

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tos legais à construção do aterro nesse terreno. 30 de Outubro – Em reunião do Conselho de Administração da A.M.O., o Dr. João Fidalgo, informa que existem restrições orçamentais para a aquisição do terreno do aterro, cujo custo não deverá ultrapassar 10% do investimento global, que será da ordem dos 4,4 milhões de contos, segundo a candidatura apresentada em Bruxelas, ao Fundo de Coesão, na sequência da qual, o Conselho de Administração da A.M.O. deliberou, por unanimidade, enviar ao Presidente do Conselho de Administração da CELBI uma proposta de aquisição de um terreno com 127 hectares ao preço de 450$00 o m2, “de forma a que se possa encontrar um justo equilíbrio entre ambas as partes, dentro dos parâmetros que permita a sua aceitação em Bruxelas (…).” 20 de Dezembro – É criado o Sistema de Tratamento e Valorização de Resíduos Sólidos Urbanos da RESIOESTE, S.A., pelo Decreto-Lei n.º 366/97, de 20 de Dezembro. 23 de Dezembro – É lido na reunião do Conselho de Administração da A.M.O. um ofício da CELBI, em que este empresa informa não estar de acordo quanto ao valor de 450$00/m2, proposto pela A.M.O., para aquisição do terreno, propondo a CELBI o valor de venda de 500$00/m2. 1998

para publicação no Diário da República e no Jornal Oficial das Comunidades Europeias o anúncio do Concurso Público de Concepção, Construção do Aterro Sanitário do Oeste. Neste anúncio é indicado simplesmente como local da obra o distrito de Lisboa, os concelhos de Alenquer, Cadaval e Torres Vedras. Não é feita qualquer referência à Quinta de S. Francisco. No entanto, no Caderno de Encargos, existe um levantamento topográfico da Quinta de S. Francisco.

/m2 e o preço corrente na região, para terrenos semelhantes, era de 100 $00/m2. Verifica-se, assim, que não foram cumpridas as restrições orçamentais para a aquisição do terreno do aterro, cujo custo não deveria ultrapassar 10% do investimento global, que será da ordem dos 4,4 milhões de contos, segundo a candidatura apresentada em Bruxelas, ao Fundo de Coesão. 2000 21 de Janeiro – É apresentado à Assembleia Municipal de Cadaval, que o tinha solicitado, o Estudo de Localização do Aterro Sanitário do Oeste. Trata-se de um estudo de macrolocalização que compara dez locais para a instalação do Aterro Sanitário do Oeste. 3 de Março – O Instituto para a Conservação Rodoviária (ICOR) remete propostas de aquisição de terrenos, confinantes com o terreno adquirido pela Resioeste e com características semelhantes, a 350$00/m2. Agosto – A Resioeste inicia as obras de construção do Aterro sem possuir a devida autorização da autoridade competente (Instituto dos Resíduos). *

1999 27 de Janeiro – É efectuada no Cartório Notarial de Bombarral, a Escritura de Permuta, Compra e Venda, simultânea, do terreno “Outeiro Sobreiro”, na Quinta da Bogalheira e do terreno da Quinta de S. Francisco. De acordo com essa escritura a CELBI cede à Cerâmica Torreense os 127 hectares do terreno “Outeiro Sobreiro” na Quinta da Bogalheira e recebe em troca os 97,3 hectares do terreno da Quinta de S. Francisco, para os vender em seguida à RESIOESTE por 635 mil contos. Se descontarmos a este valor 50 mil contos (50 000 000$00) dos eucaliptos (estamos a ser generosos, pois a avaliação dos eucaliptos em 1997 foi de 28 721.700$00) verificamos que o terreno foi adquirido por cerca de 600$00 quando a avaliação era de 350$0

23 de Julho –É

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Ambiente e Cidadania
Pilhas e suas alternativas!
As pilhas são um produto da nossa tecnologia a que nos familiarizámos, devido ás suas inúmeras aplicações (rádios, “walkmans”, calculadoras, telecomandos, telemóveis, brinquedos, relógios, etc). Há vários tipos de pilhas, que são os seguintes: 1Pilhas descartáveis: 1.1. Salinas (tradicionais): são de fraca duração, pelo que apenas se justifica utilizá-las em aparelhos de muito baixo consumo, tais como relógios, telecomandos, calculadoras. 1.2- Alcalinas: duram cerca de 3 vezes mais do que as salinas. 2Pilhas recarregáveis (reutilizáveis): segundo os fabricantes, podem ser recarregadas cerca de mil vezes. Quase todas elas contêm metais pesados. Por vezes o rótulo refere que são “verdes”, que contêm “0% de cádmio” e “0% de mercúrio”, mas não quer dizer que não tenham outros metais pesados, tais como chumbo ou níquel! É difícil acreditar que as “pilhazinhas” que usamos possam ter algum no ambiente, mas os metais pesados usados na sua composição transforma-as numa das fontes de contaminação dos depósitos de lixo. A intoxicação por metais pesados, que pode ocorrer mesmo em doses baixas, causa alterações no comportamento, dificuldades de aprendizagem (particularmente nas crianças), etc., devido às lesões no sistema nervoso. Bastando uma simples pilha para contaminar uma área considerável de solos (por exemplo, a área de um campo de futebol). Para além dos metais pesados há ainda outras componentes das pilhas (electrólitos, ácidos) que também constituem um risco para o Ambiente. As vantagens na escolha pelas pilhas recarregáveis são de vária ordem. Em primeiro lugar, de ordem ecológica, pois duram muito mais tempo, logo reduzimos a quantidade de lixo tóxico que produzimos; em segundo, de ordem económica, porque apesar de exigirem um investimento inicial razoável, pois as pilhas recarregáveis são mais caras e tem de se comprar também um carregador, este custo é facilmente compensado após algum tempo de utilização. Independentemente do tipo de pilhas usadas, nunca se devem colocar as pilhas gastas no caixote do lixo! Devem por isso ser colocadas nos pilhómetros, para serem posteriormente recicladas. Em termos ambientais o ideal seria dispensar o uso de pilhas. Assim, de uso já bastante generalizado temos as calculadoras a energia solar directa. Começam também a aparecer no mercado diversos artigos também a energia solar directa, como por exemplo brinquedos, objectos decorativos, etc. Existe pelo menos uma empresa em Portugal, a F.F. Sistemas de Energias Alternativas Portugal, Lda, web site: www.ffsolar.com, que representa uma série de artigos a energia solar directa ou carregados através também da energia solar ou luz artificial. Estes artigos podem ser adquiridos em lojas especializadas de material electrónico ou através de catálogo. Mª Alexandra Azevedo
Bibliografia: 1- “50 coisas simples que você pode fazer
para salvar a Terra”, The Earth Works Group, Círculo de Leitores, 1993. 2- “Pilhas esgotadas são poluentes”, Publicação informativa do núcleo de Lisboa da Quercus, 1993, p.13. 3- web site: www.ffsolar.com

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Breves
variedades de milho transgénico — Consulta pública
Terminou no dia 15 de Junho o prazo para a apresentação de comentários no âmbito do processo de consulta pública sobre programas de ensaio com novas variedades de milho transgénico, que se pretendem realizar na freguesia do Vilar e de Vila Nova de Muia (concelho de Ponte da Barca — Milho), e que terminou no dia 15 de Junho. Para além do MPI, cujo conteúdo da participação transcrevemos no início deste boletim, participaram várias entidades, nomeadamente a Junta de Freguesia do Vilar e a Câmara Municipal do Cadaval, ambas se pronunciando contra a realização dos ensaios.

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MPI promove sobre OGM

debate

No dia 19 de Julho realizou-se no Salão Paroquial do Vilar, pelas 21.30, realizou-se uma sessão de esclarecimento sobre uma sessão de esclarecimento sobre OGM

(Organismos Geneticamente Modificados) ou organismos transgénicos, promovida pelo MPI e contou como oradores o Sr. João Vieira, agricultor, representante da CNA— Confederação Nacional de Agricultores e do Eng.º José Carlos Ferreira, representan-

te da AGROBIO (Associação dos Agricultores Biológicos). Contamos organizar mais debates sobre este complexo e actual assunto, com novos oradores. *

Paisagem Protegida de Montejunto Seis anos depois, tudo continua na mesma
MPI e ALAMBI (Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer) apresentam comunicado conjunto
A Paisagem Protegida da Serra de Montejunto foi criada em 22 de Julho de 1999. Desde essa data, pouco se fez para levar à prática aquilo que foi consagrado na lei. Assumiram responsabilidades na gestão deste espaço, o Instituto da Conservação da Natureza e as Câmaras Municipais de Alenquer e Cadaval. Todavia, a Comissão Directiva só viria a tomar posse anos depois, e nunca elaborou qualquer plano de actividades nem orçamento, tal como nunca apresentou à apreciação quaisquer relatórios de actividades ou de contas. A gestão da Serra é feita de forma casuística, com cada Câmara a tomar as iniciativas que entende, sem qualquer coordenação entre si, e sem ouvir os outros órgãos com competências na gestão da Paisagem Protegida. Prova disto é o que aconteceu com a construção de centros de interpretação ambiental, que se multiplicaram de forma absurda, sem que estivessem asseguradas as condições para o seu correcto funcionamento.

O plano de ordenamento da Paisagem Protegida, deveria ter sido elaborado até 2002, mas continua por fazer. Em 2004 a Alambi e o Movimento Pró Informação foram nomeados para integrar a Comissão Mista de Coordenação, encarregue de acompanhar a elaboração do Plano de Ordenamento, mas esta comissão nunca reuniu. O Conselho Consultivo, que tem importantes competências na gestão da Serra, teve a sua primeira e única reunião em Agosto de 2004, para tomar posse. Este órgão deve reunir ordinariamente pelo menos duas vezes por ano, mas este imperativo legal não está a ser cumprido. A Alambi integra a composição deste órgão, em representação das ONGA, e já quis saber porque não voltou a ser convocada outra reunião, quando há tanta matéria importante para análise. A desculpa que foi dada é que, se não há orçamento nem plano de actividades, também não há relatórios para análise, e como o plano de ordenamento

também está atrasado, não se justificaria convocar uma reunião do Conselho Consultivo. A verdade, todavia, é que, se o Conselho consultivo não é convocado, está impedido de tomar posição sobre a inexistência destes documentos. A Alambi e o Movimento Pró Informação lamentam que a conservação da natureza, na Serra de Montejunto, seja gerida de tal forma que deixa a impressão que as entidades responsáveis não tinham consciência das responsabilidades que estavam a assumir quando criaram a Paisagem Protegida, e exortam a que as duas Câmaras Municipais e o ICN se entendam para ultrapassar uma tão lamentável situação. Alenquer, 28 de Julho de 2005 A Direcção da Alambi Cadaval, 28 de Julho 2005 A Direcção do Movimento Pró Informação para a Cidadania e Ambiente *

M P I — M O V I M E N T O P R Ó - I N F O R M AÇ Ã O P AR A A C I D AD AN I A E AM B I E N T E

PRECISA-SE
Voluntário(a) para colaborar na edição do boletim informativo.

Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2 2550-069 VILAR CDV Tel./fax: (+351) 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

Denúncias - Ambiente
Sempre que testemunhe uma agressão ambiental deve denunciá-la do seguinte modo: • Telefonar para a linha SOS Ambiente
POR UM MELHOR AMBIENTE !!
A linha funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e encaminha as denuncias para a IGA (Inspecção Geral do Ambiente) e para o SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR.

808 200 520

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MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2, 2550-069 VILAR CDV Tel./fax: 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

N.º de sócio __|__|__|__|__ Data ___/___/___

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