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MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente 3 –

ANO 2, N.º 5

Boletim informativo
Novembro de 2005
Editorial

A água é um dos recursos naturais essenciais à vida na Terra. Infelizmente, o Aterro Sanitário do Oeste é um mau exemplo em termos da actuação das entidades competentes na defesa deste recurso, pelas razões expostas nesta edição. Contudo, consideramos que os cidadãos continuam a ter um importante papel na defesa da água, pelo que nunca são demais os comportamentos que levem à protecção e poupança deste recurso. Despeço-me esperando encontrar-vos no Convívio para sócios e não sócios a realizar no sábado, dia 19 de Novembro, pelas 18.00, no Vilar (cave do pavilhão)
O Presidente da Direcção Humberto Pereira Germano

Aterro Sanitário do Oeste
Aspectos hidrogeológicos
O estudo que o MPI fez sobre a Quinta de S. Francisco, apoiado por dois pareceres do hidrogeólogo Prof. José Martins de Carvalho, evidenciaram a importância deste local em termos de recursos hídricos, dos quais destacamos o facto de pertencer à zona de recarga do principal lençol de água do Oeste, o Sistema Aquífero do Grés de Torres Vedras. Principais características e condicionantes da Quinta de S. Francisco 1- Está condicionada, na sua quase totalidade, pela Reserva Ecológica Nacional, sob o critério da protecção de cabeceiras de linhas de água, que pertencem à bacia hidrográfica do Rio Real, principal afluente da Lagoa de Óbidos. Trata-se de uma área côncava, onde se pretende facilitar a máxima infiltração e evitar a escorrência superficial e a consequente erosão do solo. 2- Situa-se na zona de recarga do sistema aquífero do Grés de Torres Vedras, considerado pelo Instituto da Água (INAG) no estudo “Definição, caracterização e cartografia dos sistemas aquíferos de Portugal Continental” - Fev. 1997, como um dos 60 grandes aquíferos, pelo que possuí interesse regional e uma importância estratégica para a política nacional de recursos hídricos. Legenda:

Nesta edição:
ATERRO SANITÁRIO DO OESTE—Aspectos hidrogeológicos 1a 4 Ambiente e Cidadania: Poupar água 5 Proteger e despoluir a água 6 CONVITE PARA CONVÍVIO / MAGUSTO
última

Cinza claro (J5) – Camada geológica do Portlandiano (constituida principalmente por argilas) Cinza (C1) — Camada de grés de Torres Vedras Cinza escuro— Área de implantação do aterro

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3- A vulnerabilidade do aquífero existente no local, o sistema aquífero do Grés de Torres Vedras, é de 160-179 (média a elevada) atribuído às fundações Jurássicas, conforme consta no Parecer do Prof. José Martins de Carvalho “Nota técnica sobre as implicações nos recursos hídricos subterrâneos da construção do Aterro Sanitário do Oeste na Quinta de S. Francisco”, na pág. 6 em que se reportou ao trabalho de Lobo Ferreira e outros, de 1995, intitulado “Desenvolvimento de um inventário das águas subterrâneas de Portugal”, volumes 1 e 2, LNEC. 4- Os recursos hídricos subterrâneos existentes no local são evidenciados no “Relatório geotécnico para Acoril – Empreendimentos S.A., Aterro Sanitário do Oeste”, Sopecate, Setembro de 2000, em que foi detectada água em todos os furos e por determinação do cliente foram colocados tubos piezómetros em 3 furos, verificando-se que o nível da água estabilizou às seguintes profun-

didades: 9,10 metros (furo n.º 1), 7.35 metros (furo n.º 2) e 22,85 metros (furo n.º 5). 5- Relativamente aos recursos hídricos superficiais, o nível freático varia dos 0,60 metros a 3 metros, segundo o “Parecer sobre as Condições Geológicas e Geotécnicas do Terreno para a Instalação do Aterro de resíduos Sólidos Urbanos”, GAO, 1998, tendo sido detectada água em 53% dos poços efectuados. 6- Segundo o mesmo parecer, a Quinta de S. Francisco apresenta variabilidade litológica, existindo: a) níveis gresoso, gresocalcáreos, que não apresentam características de depuração e mostram elevada vulnerabilidade à poluição; b) níveis predominantemente arenosos; c) níveis predominantemente argilosos. Assim, preconiza-se a “... realização de uma campanha de prospecção geotécnica complementar...”. Para analisar cientificamente as condições hidrogeológicas existentes na área de localização do

ASO para uma melhor compreensão das implicações da construção do Aso na Quinta de s. Francisco sobre os recursos hídricos, pedimos a colaboração do Eurgeol Prof. José Martins de Carvalho, de que resultaram dois pareceres. Na opinião do especialista Eurgeol Prof. José Martins de Carvalho “...não parece defensável, numa óptica global de ordenamento do território, e ao nível dos conhecimentos obtidos com os estudos realizados, instalar o Aterro Sanitário do Oeste sobre o único aquífero de importância regional reconhecidamente existente.” Devido a diversas falhas detectadas nos estudos consultados levaram-no a sugerir a “...re-selecção de dois ou três locais considerados mais próprios para a instalação do Aterro Sanitário...”. Pelo que, “A selecção da Quinta de S. Francisco para a instalação do Aterro Sanitário do Oeste não atendeu ao princípio da precaução preconizado na Directiva – Quadro da água

O MPI denunciou o processo de escolha da Quinta de S. Francisco para a localização do ASO e alertou as diversas entidades competentes quanto às suas caraterísticas hidrogeológicas, mas infelizmente essas entidades tiveram, em nossa opinião, uma actuação inaceitável num estado de direito. As entidades envolvidas neste processo assim como as autoridades competentes, quer nacionais quer comunitárias, revelaram uma postura que nos parece incorrecta desvirtuando o seu papel de promotores do interesse comum e da legalidade. Assim: 1- Emissão de Declaração pela DRARNLVT sem fundamento técnico A Direcção Regional do Ambiente e Recursos Naturais de Lisboa e Vale do Tejo, emitiu em 4 de Junho de 1997 a Declaração 9/97, atestando que o projecto “Solução Intermunicipal para os Resíduos Sólidos da Região Oeste não se situa nem é adjacente a uma zona sensível do ponto de vista do ambiente e não terá efeitos negativos significativos sobre as pessoas, a água, ...” (indispensável para a candidatura ao Fundo de Coesão), sem ser apoiada em qualquer estudo ou parecer técnico, sendo que nessa data esta mesma Direcção Regional tinha apre-

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(U.E.) recentemente aprovada”. Ministros uma proposta de delimitação da REN (que integra a quase totalidade do local para a construção do aterro) que foi aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 189/97, de 29 de Outubro de 1997 e tinham já sido caracterizados os principais sistemas aquíferos de Portugal Continental pelo INAG. 2- Emissão de Parecer pela DRARNLVT quanto à afectação dos recursos hídricos sem referência ao aquífero do “Grés de Torres Vedras” Em 11 Abril de 2000, a Direcção Regional do Ambiente e Recursos Naturais de Lisboa e Vale do Tejo, emite um parecer favorável à localização do Aterro Sanitário do Oeste na Quinta de S. Francisco, quanto à afectação dos recursos hídricos, sem que seja feita qualquer referência ao aquífero do “Grés de Torres Vedras” e às medidas minimizadoras dos impactes da instalação do aterro na sua área de recarga. Tal omissão é incompreensível, dado que se trata da autoridade nacional com competência para se pronunciar sobre a afectação dos recursos hídricos ! 3- Selecção do local do ASO com base em critérios políticos O critério de selecção do local para o ASO foi meramente político, a confluência dos municípios de Cadaval, Torres Vedras e Alenquer. Foi realizado um estudo de macrolocalização, em que se compararam 10 locais da região

Oeste em 2000 (“Estudo de localização do Aterro Sanitário do Oeste, IPA, Jan. 2000), devido à pressão da opinião pública regional e após a aquisição do terreno (a escritura de permuta e compra e venda é datada de 27 de Janeiro de 1999). Vindo a confirmar-se a suspeita de que as suas conclusões não seriam fiáveis. 4- Não realização de uma Avaliação de Impacte Ambiental Não foi realizada uma Avaliação de Impacte Ambiental, que considerámos obrigatória devido, entre outras razões, ao possível impacte negativo significativo sobre o Sistema Aquífero do “Grés de Torres Vedras”, uma vez que, nos termos do artigo 2º a Directiva 85/337/ CEE, de 27 de Junho de 1985, relativa à avaliação dos efeitos de determinados projectos públicos e privados no ambiente, “Os estados-membros tomarão as disposições necessárias para que, antes da concessão da aprovação, os projectos que possam ter um impacto significativo no ambiente, nomeadamente pela sua natureza, dimensões ou localização, seja submetidos à avaliação dos seus efeitos”. Os projectos de aterro para resíduos urbanos não perigosos estão incluídos no Anexo II da directiva, com as alterações introduzidas pela Directiva 97/11/CE de 3 de Março, pelo que a sua sujeição a uma avaliação de impacto ambiental nos termos da directiva é deixada à apreciação dos estadosmembros. No entanto, este poder discricionário pode ser

limitado pelo artigo 2º acima transcrito. Para contornar esta disposição legal, o Estado Português começou por negar às autoridades europeias a existência do aquífero de importância estratégica, alegando que todo o Oeste possui aquíferos o que dificulta a escolha de um local para o aterro. Contudo, a Comissária Europeia do Ambiente admitiu, quando interpelada no Parlamento Europeu, que “Se, uma vez analisados todos os esclarecimentos apresentados pelas autoridades portuguesas, a Comissão confirmar que, apesar de tais esclarecimentos, o local escolhido para o projecto possui, designadamente, aquíferos considerados como reservas estratégicas para a região, e que, consequentemente, o projecto é susceptível de exercer impactos significativos no ambiente, a Comissão ver-se-á obrigada a recorrer a todos os instrumentos jurídicos previstos no Tratado CE para assegurar a correcta aplicação do direito comunitário.”. Perante a prova inequívoca da existência do aquífero de importância regional, o Estado Português alegou, que dos estudos efectuados (Estudo de Incidência Ambiental – IPA 1998, Estudo de Localização do ASO – IPA 2000) é possível concluir que o projecto não produzirá impactes significativos sobre o aquífero. No entanto, no Estudo de Incidência Ambiental – IPA 1998 pode ler-se na página 103, por exemplo, o seguinte: “Os elementos disponí-

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ve is domínio da hidrogeologia.” gico nunca foi realizado! sã o Dada a falta de informa- r e ção, no domínio hidrogeológiMesmo na fase adiantaco, sobre o terreno do aterro e da do projecto, o estudo hidroárea circundante, os autores geológico da PROCESL 2000, recomendam a realização de na opinião do especialista Prof. estudos complementares por José Martins de Carvalho, que forma a permitir: elaborou a nosso pedido um parecer sobre o referido estudo, “- a caracterização e funcionarefere que “Os documentos mento dos sistemas aquíferos; - a localização da posição do analisados não constituem nível freático; estudo hidrogeológico do local do Aterro Sanitário do Oeste”, - a definição das fronteiras dos que “Claramente não foi, avareferidos aquíferos; - a localização de áreas de liado no local do Aterro Sanirecarga e de descarga dos tário do Oeste na Quinta de S. aquíferos; Francisco, o impacte local e - a direcção e sentido do fluxo regional a actividades humadas águas subterrâneas; nas associadas.” - a qualidade físico-química e Nem mesmo perante as provas bacteriológica das águas subdocumentais que atestam que, terrâneas.” com base nos estudos não é possível afirmar que o aterro “O esclarecimento desnão é susceptível de exercer tes temas revela-se essencial impactos significativos no para a definição dos seguintes ambiente, assim como as eviaspectos fundamentais à avaliadências de incongruências, ção dos impactes, em especial, dualidade de critérios, imprecià análise de risco associada à sões, etc. no Estudo de Localiinstalação do empreendimento zação do ASO (IPA, 2000) no local: estranhamente a posição das - risco de contaminaautoridades Europeias aceitação dos aquíferos; ram as alegações arbitrárias das - grau de vulnerabiliautoridades portuguesas! dade dos aquíferos.” Mais ... as autoridades portuguesas alegaram ainda, e a Mas, o estudo mais aprofunComissão Europeia aceitou, dado dos aspectos hidrogeoló-

que “... decorre dos estudos analisados, que o aquífero de Torres Vedras parece (sublinhado nosso) já não ser utilizado no abastecimento humano dos aglomerados urbanos da região ...”, que a “... vulnerabilidade (do aquífero) é baixa, que o local “... não apresenta características desfavoráveis, nomeadamente em relação ... à vulnerabilidade dos aquíferos, ao nível freático e à permeabilidade da fundação, situando-se sobre terrenos argilosos ...”, etc.. Mas, o aquífero é usado para consumo humano, em explorações agrícolas e pecuárias, embora a maior parte do abastecimento público de água esteja a ser efectuada pela EPAL a partir da barragem de Castelo de Bode, mas mesmo que o não fosse não era justificação para se desvalorizar a sua eventual contaminação, pois tratando-se de uma reserva estratégica, interessa preservar com vista ao seu uso no futuro. Conforme exposto atrás, a sua vulnerabilidade é média a elevada, o nível freático é muito superficial e o terreno da fundação do aterro possui variabilidade litológica.

No meio de todo este “embróglio” não podemos deixar de destacar o facto da Comissária Europeia ter admitido recorrer a todos os instrumentos jurídicos previstos no Tratado CE para assegurar a correcta aplicação do direito comunitário, se a Comissão confirmar que, apesar dos esclarecimentos autoridades portuguesas, o local escolhido para o projecto possui, designadamente, aquíferos considerados como reservas estratégicas para a região, e que, consequentemente, o projecto é susceptível de exercer impactos significativos no ambiente, a Comissão ver-se-á obrigada a .” Ou seja, admite que um aterro sanitário é susceptível de causar dano na qualidade da água subterrânea, pelo que é inaceitável a Comissão não ter accionado os instrumentos jurídicos perante a prova da existência e das características do aquífero do “Grés de Torres Vedras” apresentadas pelo MPI.

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Ambiente e Cidadania
Não apenas porque estamos a viver das secas mais severas dos últimos anos, mas porque a água deve merecer sempre a nossa atenção, esperamos que estes conselhos ajudem a fazermos o máximo ao nosso alcance por este importante recurso natural. Poupar água
Neste artigo são abordados aspectos relacionados com o consumo e medidas para poupar água e no seguinte, aspectos relacionados com as fontes de poluição e formas de proteger e despoluir a água. Assim, seguem-se algumas informações relativamente a consumos e disponibilidades de água, que nos permitem compreender a necessidade de poupar água: - 97% da água existente na Terra está nos oceanos e 2% está congelada. Apenas 3% é água doce (existente à superfície: rios e lagos; ou subterrânea: lençóis freáticos). - Mais de 90% das reservas de água potável está no subsolo, isto é, nos lençóis freáticos. - Os desperdícios de água rondam actualmente os 40%. - Para meio hectare de relvado são precisos mais de 100 000 litros de água por semana. Mas, por sistema, regamos 20 a 40% mais do que é necessário. - A água dos aspersores evapora-se 4 a 8 vezes mais depressa, à hora do calor. - A rega na agricultura é responsável por 70% do consumo total de água em Portugal. - Num banho de imersão são gastos cerca de 260 litros de água, num duche são gastos 25 litros de água, se demorar apenas 3 minutos. Os duches representam cerca de 30% no consumo de água doméstico. - Cada descarga do autoclismo gasta 10 a 15 litros de água. As descargas do autoclismo são responsáveis por cerca de 40% do consumo de água potável em casa. - A máquina de lavar loiça gasta cerca de 60 litros por lavagem e a de lavar roupa consome 150 litros. - Uma torneira aberta, consoante a pressão da água e o tipo de torneira, deita 8 a 30 litros de água por minuto. - Na produção de papel a partir de papel usado há uma redução de 70% no consumo de água. - As plantas nacionais precisam de menos água do que as espécies importadas. - Cerca de dois biliões de pessoas, distribuídas por 80 países, vivem em áreas com carências crónicas de água. - Em Portugal, da Estremadura para sul, as necessidades e os consumos são superiores às disponibilidades. - O consumo excessivo de águas subterrâneas na região sul de Portugal levou à salinização dos lençóis de água. Sendo a água um recurso natural que não é inesgotável, deve por isso ser usado de forma racional. Exemplos para poupar água: 1- Colocar dispositivos que se encontram no mercado nas torneiras, duches e autoclismos que reduzem o caudal ou controlam a quantidade de água a gastar, ou adquirir modelos economizadoras. 2- Tomar duche rápido (fechando o duche enquanto se põe o shampoo ou o sabão) em vez de banho de imersão. 3- Fechar a torneira enquanto se escova os dentes, ou se barbeia. Neste caso o consumo de água será de apenas 2 a 3 litros de água. 4- Usar a máquina de lavar loiça e de lavar roupa com a carga máxima. 5- Regar de manhã cedo ou à noite. Fazer regas lentas e prolongadas em vez de regas mais curtas e mais frequentes. 6- Reparar o mais depressa possível qualquer avaria numa torneira, ou cano rebentado. 7- Reutilizar a água que for possível. 8- Poupar papel e usar papel reciclado. 9- Usar espécies resistentes à seca nos jardins, exemplos: agapantos, jasmim, bunganvília, glicínia, narciso, escalónia, alecrim, carvalhos, sobreiros, medronheiro, loendro, etc. Convém contudo reter que não são necessárias muitas medidas drásticas, basta que, por exemplo, façamos um uso racional da água, eliminando o desperdício, que a situação actual poderia melhorar bastante! A dura realidade é que: “Quando o poço está seco é que percebemos o valor da água” (Almanaque Poor Richard). Oxalá saibamos evitar o pior.
Bibliografia: 1- “50 coisas simples que você pode fazer para salvar a Terra”, The Earth Works Group, Círculo de Leitores, 1993. 2- “Poupe hoje para ter amanhã”, Desdobrável da CM do Bombarral, Setembro 1995 3- “Água”, revista Fórum Ambiente, Fevereiro 1995, p.19-21 4- “Anarquia nas águas”, ABC Ambiente, Agosto 1996, p.9 5- “Lençóis freáticos em risco”, ABC Ambiente, Novembro/Dezembro 2000, p.12

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Proteger e despoluir a água
A água é um recurso natural limitado que enfrenta muitas agressões, nomeadamente devido à poluição do ambiente em geral e à destruição progressiva das florestas. Como exemplos de fontes de poluição da água temos: poluentes libertados para a atmosfera por algumas fábricas, centrais eléctricas e automóveis, que originam chuva ou neve ácidas; falta de tratamento ou tratamento inadequado de efluentes domésticos, de pecuárias e indústrias e de lixiviados de aterros sanitários e lixeiras; pesticidas e adubos químicos usados na agricultura e nos jardins; deposição ilegal de resíduos sólidos e deposição aleatória e/ou lançamento nos esgotos de produtos tóxicos como pilhas, baterias, tintas, solventes, óleos queimados de motores, resíduos fotográficos, etc.. Convém exemplificar melhor o impacto que algumas destas ameaças representam, assim: - Uma única pilha contamina o solo durante 50 anos. As pilhas mais perigosas são as pilhas-botão e as alcalinas. Uma pilha-botão liberta em média 1 gr. de mercúrio que é suficiente para contaminar 20.000 litros de águas residuais ou 200.000 litros de águas continentais ou marítimas. Uma única pilha alcalina é suficiente para contaminar 175.000 litros de água, mais do que uma pessoa bebe em toda a vida. - Um litro de óleo para automóvel pode poluir 950 000 litros de água potável. Meio litro de óleo usado pode originar uma mancha venenosa com cerca de meio hectare. - Três litros de solvente (para tintas, por exemplo) podem contaminar 60 milhões de litros de água subterrânea. - Mais de metade dos fosfatos existentes nos lagos e rios vêm dos detergentes. Os fosfatos funcionam como fertilizante provocando o excesso de desenvolvimento, principalmente de algas, o que impede a sobrevivência de outras plantas e animais aquáticos. - Dos vinte produtos tóxicos cuja produção origina mais resíduos perigosos, cinco de entre os seis primeiros são vulgarmente usados na indústria dos plásticos. - A chuva ácida destrói a fauna e flora dos rios, danifica as florestas e até os edifícios. Cerca de ¼ das florestas europeias estão danificadas pela chuva ácida. A destruição das florestas, por sua vez, diminui a infiltração da água para recarga dos aquíferos. Seguem-se alguns exemplos para proteger e despoluir a água: 1- Poupar energia (exemplos: usar lâmpadas economizadoras, isolar tectos, utilizar transportes públicos, poupar água) e/ou usar formas de energias mais limpas para o Ambiente (exemplos: adaptar os automóveis a GPL, usar energia solar, eólica) 2- Usar detergentes menos agressivos para o ambiente, sem fosfatos. Em alternativa na lavagem da roupa na máquina pode usar-se sabão em pó, e no caso das águas calcáreas adicionar 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio e duas colheres de sopa de vinagre por lavagem. O vinagre tem as particularidades de amaciar a roupa e fixar as cores da roupa escura. 3- Poupar papel e usar papel reciclado, uma vez que na produção de papel a partir de papel usado há uma redução para metade no consumo de energia, uma redução de 95% da poluição atmosférica. 4- Entregar os óleos usados nos recolhedores autorizados pela Direcção Geral de Energia, ou fazer as mudanças de óleo nas oficinas onde haja a sua recolha adequada. 5- Evitar sobras de tintas. A tinta de óleo é um resíduo perigoso deve por isso ter um destino apropriado, assim como as suas embalagens. As sobras de tinta de esmalte devem ser evaporadas ao ar (pode demorar 1 ano!) e depois pode-se colocar as latas no lixo. Usar “tintas ecológicas” em alternativa. 6- Nunca colocar as pilhas gastas no lixo, mas sim nos pilhómetros. Usar sempre que possível, pilhas recarregáveis (são quase eternas!) ou aparelhos a energia solar directa (exemplo: calculadoras), que dispensam pilhas! 7- Evitar os plásticos, preferindo produtos em embalagens de vidro, reutilizando os sacos de plástico, etc. 8- Adoptar boas práticas agrícolas e nos relvados, evitando o uso excessivo de adubos e pesticidas, por exemplo. 9- Fazer compostagem no quintal. 10- Tratar os efluentes, mesmo que haja saneamento público podemos sempre que possível fazer o tratamento doméstico dos nossos efluentes, por exemplo através de fossas biológicas.
Bibliografia: 1- “50 coisas simples que você pode fazer para salvar a Terra”, The Earth Works Group, Círculo de Leitores, 1993. 2- “Pilhas esgotadas são poluentes”, Publicação informativa do núcleo de Lisboa da Quercus, 1993, p.13. 3- “Tintas ecológicas”, revista Fórum Ambiente, Novembro 1994, p.64 4- “Água”, revista Fórum Ambiente, Fevereiro 1995, p.19-21 5- “Óleos usados”, revista Fórum Ambiente, Fevereiro 1995, p.72-73 6- “Tóxicos sem lei”, revista Fórum Ambiente, Agosto 1996, p.60 7- “Estado da Poluição”, ABC Ambiente, Agosto 1996, p.7 8- “Anarquia nas águas”, ABC Ambiente, Agosto 1996, p.9 9- “Lagos e rios canadianos com morte anunciada”, ABC Ambiente, Agosto 1996, p.9

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Breves
Nova secretária da Direcção Alegando motivos pessoais a secretária da Direcção eleita, Elisabete Rodrigues Nobre Faria, residente no Vilar, apresentou a sua demissão do cargo. De acordo com os estatutos, neste tipo de situações deve a Direcção convidar um sócio para a substituição do elemento em falta, assim a Direcção convidou a sócia, Maria Salomé Azevedo de Oliveira Rodrigues, residente no Vilar, tendo esta aceite o convite. Aterro sanitário vai ter de depositar no máximo 140.000 toneladas de lixo por ano O MPI ainda não teve qualquer informação oficial sobre a 2ª queixa que apresentou na Comissão Europeia, mas segundo notícia divulgada em vários jornais, nomeadamente “Badaladas” e “Frente Oeste”, é referido que na sequência da nossa queixa o estado português é obrigado a que o Aterro Sanitário do Oeste receba apenas 140.000 toneladas, conforme constava no projecto de execução, e não as 175.000 toneladas que tem recebido anualmente nestes primeiros anos de exploração, senão terá de pagar uma multa. Com esta situação a RESIOESTE já avançou que vai ter de aumentar a tarifa do lixo de 30,25 para 35 euros a tonelada, porque a solução apontada é o envio das 35.000 toneladas a mais, para a central de incineração em S. João da Talha (Loures) gerida pela empresa VALORSUL. A solução da RESIOESTE tem de passar por aquilo que o MPI sempre defendeu, ou seja, o reforço da recolha selectiva e o tratamento adequado do lixo, o que permitirá desviar da deposição em aterro materiais que podem, e devem, ser reciclados, principalmente matéria orgânica, permitindo ainda a poupança de recursos naturais, de energia e ainda a diminuição dos efeitos do aterro no ambiente e na qualidade de vida das populações que habitam na vizinhança do aterro. Continuaremos atentos e iremos continuar a exigir uma solução adequada para os “lixos” da nossa região, evitando o aumento das tarifas. *

A preencher pelo MPI

MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2, 2550-069 VILAR CDV Tel./fax: 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

N.º de sócio __|__|__|__|__ Data ___/___/___

PROPOSTA PARA ADMISSÃO DE SÓCIO
Nome_________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Morada ________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Telefone: ________________, fax: __________________, e.mail _________________________________ B.I. N.º ______________________, data de nascimento ___/___/___ , estado civil ___________________ N.º de contribuinte: _____________________ , profissão _______________________________________ Data ____/____/____ Assinatura do candidato a sócio __________________________________________ Quota mínima anual: € 2 , quantia paga _______________________________________,

M P I — M O V I M E N T O P R Ó - I N F O R M AÇ Ã O P AR A A C I D AD AN I A E AM B I E N T E

PRECISA-SE
Voluntário(a) para colaborar na edição do boletim informativo.

Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2 2550-069 VILAR CDV Tel./fax: (+351) 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

Denúncias - Ambiente
Sempre que testemunhe uma agressão ambiental deve denunciá-la do seguinte modo: • Telefonar para a linha SOS Ambiente
Pela Defesa do AMBIENTE e da QUALIDADE DE VIDA!!
A linha funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e encaminha as denuncias para a IGA (Inspecção Geral do Ambiente) e para o SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR.

808 200 520

ou
Papel 100% reciclado •

Aceder ao site:

CONVITE
CONVIDAMOS TODOS OS SÓCIOS, ACOMPANHAMANTES E POPULAÇÃO EM GERAL PARA PARTICIPAR NUM CONVÍVIO / MAGUSTO QUE SE REALIZARÁ NA CAVE DO PAVILHÃO GIMNODESPORTIVO DO VILAR, DIA 19 DE NOVEMBRO, SÁBADO, PELAS 18.00 HORAS.
Pede-se aos participantes que tragam alguns “comes e bebes” típicos do magusto (castanhas, frutos secos, pão, chouriço, etc.). Nota : As castanhas
serão assadas no local.

OBJECTIVOS: • Dar informações sobre a actividade do MPI • Convívio entre os participantes.