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MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente

Boletim informativo
ANO 3, N.º 9 Fevereiro de 2007

Editorial
Esta edição do nosso boletim sofreu um atraso que se deveu à incapacidade para respondermos a tantas solicitações e tarefas que temos de realizar, e não por desinteresse da nossa parte, bem pelo contrário. Aproxima-se mais um acto eleitoral e esperamos que possam surgir novos contributos de associados(as), pois trabalho e ideias é coisa que não falta. Contamos convosco

CONVOCATÓRIA
De acordo com os estatutos do MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente, convoco a Assembleia Geral Ordinária desta Associação, que se realizará na sede social, sita no edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2, dia 18 de Março, sábado, pelas 21.00 horas, com a seguinte ordem de trabalhos: 1– Votação do Relatório e Contas do ano 2006 2– Eleições dos corpos sociais para o triénio 2007-2009 3– Discussão e votação do Plano de Actividades e Orçamento para 2007. 4– Ponto da situação em relação ao processo do Aterro Sanitário Oeste. 5– Outros assuntos Não havendo número legal de associados para a Assembleia funcionar, fica desde já marcada uma segunda convocação para meia hora depois, funcionando com qualquer número de associados. Vilar, 1 de Fevereiro de 2007 O Presidente da Assembleia Geral

Nuno Pereira Azevedo
O Presidente da Direcção Humberto Pereira Germano

Regulamento Eleitoral
para a eleição dos corpos sociais
CAPÍTULO I OBJECTO Artigo 2º (Abertura e publicitação) O processo eleitoral para os corpos sociais será aberto com a publicitação do presente Regulamento para consulta de todos os associados. Artigo 3º (Cadernos eleitorais) 1- A Mesa da Assembleia Geral afixará, oito dias úteis antes da data marcada para a realização do acto eleitoral, os cadernos eleitorais. 2- Nos dois dias seguintes à

Nesta edição:
Ensaios com Transgénicos em Portugal 3 Quercus apresentou “simplex”

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A gestão dos Resíduos Sólidos em Portugal 5 Ambiente e Cidadania: Proteger a Camada de 6 ozono

Artigo 1º (Objecto) O presente Regulamento aplica -se exclusivamente à eleição dos corpos sociais do Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente, prevista nos Estatutos. CAPÍTULO II ABERTURA DO PROCESSO ELEITORAL

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sua afixação, qualquer eleitor poderá reclamar junto da Mesa da Assembleia Geral, por escrito, de qualquer irregularidade patente nos cadernos eleitorais. 3- A Mesa da Assembleia Geral decidirá da(s) reclamações, em reunião expressamente realizada para o efeito, no dia subsequente ao fim do prazo mencionado no número anterior, procedendo na mesma reunião à eventuais correcções e afixando de imediato os cadernos eleitorais. CAPÍTULO III APRESENTAÇÃO DE CANDIDATURAS Artigo 4º (Candidatura) 1- São candidatos aos corpos sociais poderão ser associados ordinários com as quotas sociais regularizadas constituídas em listas. 2- Cada lista será composta, no mínimo, por: Assembleia geral: 1 presidente e 1 secretário. Direcção: 1 presidente, 1 vice-presidente, 1 tesoureiro, 1 secretário e 1 vogal. O total terá de ser em número ímpar. Conselho fiscal: 1 presidente, 1 vice-presidente e 1 secretário. Artigo 5º (Publicitação) As candidaturas são entregues à Mesa da Assembleia Geral, a qual imediatamente as rubricará e fará afixar na sede social. CAPÍTULO IV ACTO ELEITORAL Artigo 6º (Assembleia Eleitoral) 1- A Assembleia Eleitoral é convocada pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral. 2- Compõem a Assembleia Eleitoral todos os sócios ordinários com as quotas sociais regularizadas, inscritos até à data da afixação

dos cadernos eleitorais provisórios. Artigo 7º (Mesa da Assembleia Eleitoral) A Mesa da Assembleia Eleitoral é constituída pelo presidente e pelo secretário da Assembleia Geral e por um escrutinador por eles escolhido de entre os sócios ordinários. Artigo 8º (Competências da Mesa da Assembleia Eleitoral) Compete à Mesa da Assembleia Eleitoral: a) Dar baixa dos votantes nos cadernos eleitorais; b) Proceder à abertura e encerramento das urnas; c) Efectuar os escrutínios a apurar os resultados; d) Proclamar os resultados apurados. Artigo 9º (Delegados) Cada lista poderá indicar até dois representantes para acompanharem todos os actos da eleição, os quais, se assim entenderem, assinarão a acta da Assembleia Eleitoral. Artigo 10º (Votação) 1- A votação decorrerá na Assembleia Geral ordinária convocada para as vinte e uma horas do dia 17 de Março de 2007, conforme Calendário contido no art.º 13º do presente Regulamento. 2- A votação realiza-se por sufrágio secreto e presencial. 3- Sempre que haja dúvidas por parte de qualquer dos membros da Mesa sobre a identificação de qualquer votante, poderá ser exigida a sua identificação através de documento actualizado contendo fotografia. Artigo 11º (Escrutínio) A lista eleita será a que

tiver maioria simples dos votos válidos. Artigo 12º (Proclamação dos resultados) 1- Os resultados são proclamados pela Mesa da Assembleia Eleitoral, através da afixação da respectiva acta na sede social. 2- A acta referida no número anterior será assinada por todos os membros da Mesa e pelos Delegados das listas candidatas, se estes assim o entenderem fazer. CAPÍTULO V DISPOSIÇÕES FINAIS Artigo 13º (Calendário Eleitoral) 1- Todos os actos constantes no presente Calendário Eleitoral terão lugar na sede social do Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente, sita no Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, rua do Comércio, no lugar e freguesia de Vilar, concelho do Cadaval. 2- O processo eleitoral rege-se pelo seguinte Calendário: a) 26 de Fevereiro de 2007 (2ªf) - Publicitação do Regulamento Eleitoral. b) 6 de Março de 2007 (3ªf) - Afixação dos Cadernos Eleitorais provisórios. c) 8 de Março de 2007 (5ªf) - Fim do prazo para reclamações sobre os Cadernos Eleitorais. d) 10 de Março de 2007 (sábado) - Afixação dos Cadernos Eleitorais definitivos. e) 13 de Março de 2007 (3ªf) – Fim do prazo para apresentação de listas. f) 17 de Março de 2007 (sábado) – Eleições. Artigo 14º (Entrada em vigor) O presente Regulamento entra em vigor após a sua publicação. *

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Ensaios com transgénicos em Portugal
Empresas da engenharia genética voltam a desrespeitar os cidadãos PIONEER CANCELA DOIS PEDIDOS DE ENSAIOS DE TRANSGÉNICOS MAS VOLTA A TENTAR ASSOCIANDO-SE À SYNGENTA Nos dois últimos anos a Pioneer pretendeu testar milho transgénico (Ponte da Barca/Cadaval em 2005 e Ponte da Barca/Arcos de Valdevez em 2006) mas enfrentou fortes dificuldades: as câmaras do Cadaval e de Ponte da Barca rapidamente se declararam Zonas Livres de Transgénicos e todas produziram pareceres onde deixavam clara a sua rejeição quanto a tal escolha. A empresa acabou por se ver forçada a desistir de tais intenções, em parte por deficiências graves na documentação apresentada. Nos dossiers técnicos que serviram de base aos pedidos de autorização a Pioneer deixava aspectos fundamentais completamente omissos. No tocante ao impacto ambiental (impacto em espécies não alvo, a possibilidade de contaminação de variedades tradicionais ou a indução de resistência nas pragas) a Pioneer optava por afirmar a ausência de risco, com 100% de optimismo e 0% de fundamentação científica. O plano de monitorização (obrigatório) era apresentado de forma tão abstracta que não comprometia com coisa nenhuma. Da mesma forma não era considerada a necessidade de uma caução ou seguro de risco ambiental ou agrícola, ou a informação aos agricultores limítrofes dos terrenos em causa. Em 2007 a Pioneer volta a tentar, desta vez associada à Syngenta e com três novas localizações: Alcochete, Salvaterra de Magos e Rio Maior, tendo começado na primeira semana de Fevereiro a consulta pública de mais um conjunto de pedidos para ensaios experimentais de milho transgénico não autorizado para cultivo comercial. Alcochete é uma escolha irónica: a sua Assembleia Municipal aprovou, por unanimidade, a criação de uma Zona Livre de Transgénicos em 28 de Dezembro de 2006. Em relação aos ensaios agora propostos pela Pioneer/ Syngenta, o presidente da Assembleia Municipal de Alcochete, Dr. Miguel Boieiro, já declarou que «Somos contra todo o tipo de experiências, não suficientemente seguras sob o ponto de vista científico e ético, que podem pôr em causa a biodiversidade presente e futura. A actual geração não tem o direito de alienar a segurança e o bem-estar dos seres humanos e outros que, a seguir, virão habitar o Planeta». Esta atitude provocatória ao poder local por parte da Pioneer e da Syngenta revela um total desrespeito pela vontade dos cidadãos na declaração das zonas livres de transgénicos. Embora as Zonas Livres de Transgénicos careçam ainda de fundamentação legal em termos europeus, a sua criação e vantagens são reconhecidas ao mais alto nível. No «Relatório sobre a coexistência de culturas geneticamente modificadas com culturas convencionais e ecológicas» (2003/2098(INI)) o Parlamento Europeu reconhece que a proibição regional do cultivo de transgénicos é provavelmente a forma mais eficaz e de baixo custo para evitar a contaminação das culturas convencionais e biológicas. Em termos científicos, o cultivo de milho transgénico experimental envolve impacto ambiental significativo, nomeadamente em espécies não-alvo. O próprio IUCN, uma estrutura internacional a que pertence o governo português, aprovou em 2004 e reiterou em 2006 um apelo à criação de uma moratória mundial à libertação de quaisquer transgénicos no ambiente «até que se demonstre a sua segurança para a biodiversidade, saúde humana e animal» (Resolução 3.007). Acima de tudo, nem a Pioneer nem a Syngenta se mostram merecedoras de confiança. Na Pioneer os incidentes e desmandos com sementes transgénicas formam já uma longa lista. Em 1999 na Alemanha e na Suíça a Pioneer vendeu sementes contaminadas com transgénicos. A mesma coisa aconteceu na Áustria em 2001 e em Itália em 2003. Na Croácia em 2004 queimaram-se dois mil hectares de milho da mesma empresa também por

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causa de contaminação. Em Espanha foi ainda mais grave: a Pioneer organizou demonstrações para agricultores onde incluiu... milho transgénico totalmente ilegal, a maior parte do qual não se sabe onde terá ido parar. A Syngenta, por seu lado, foi a responsável por um dos maiores casos de contaminação de sempre: o do milho transgénico Bt10, do qual se venderam milhares de

toneladas embora não estivesse autorizado em país nenhum do mundo. A empresa demorou quatro anos a detectar o problema e, quando o fez, adiou quanto pode o informar das autoridades europeias - que só souberam meses depois, quando a imprensa publicou uma fuga de informação provavelmente obtida junto do governo americano.

Os portugueses estão maioritariamente contra os transgénicos. As câmaras que se têm pronunciado ecoam os mesmos sentimentos. O ambiente está em causa. Será que a Syngenta e a Pioneer ainda não perceberam que as suas sementes geneticamente manipuladas não são bem vindas em Portugal? * (adaptado do Comunicado de

Quercus apresentou “simplex”
No dia 30 de Janeiro, 3ªfeira, pelas 15.00, no edifício sede da Junta de Freguesia do Vilar, com a presença de vários órgãos de comunicação social, nomeadamente das televisões RTP, SIC e TVI, a Quercus apresentou publicamente uma proposta a que chamou “simplex”, porque se resume a duas medidas: 1- O aumento significativo do valor pago pela REN (Rede Eléctrica Nacional) pela energia do biogás produzida a partir da reciclagem de resíduos orgânicos. 2- Implementar o prétratamento a todos os resíduos urbanos, o chamado Tratamento Mecânico e Biológico (TMB), evitando a deposição da matéria orgânica em aterro A primeira medida permite incentivar as unidades de tratamento da matéria orgânica para a produção de energia sob a forma de biogás, por um processo chamado de digestão anaeróbia. Actualmente, este biogás é pago a 5,5 cêntimos por kWh (quilowatt/hora) produzido, enquanto que o biogás produzido nos aterros é pago a 10,5 cêntimos por kWh, processo pouco eficiente, uma vez que há fuga para a atmosfera de cerca de 38% do biogás (daí os maus cheiros que se fazem inevitavelmente sentir), enquanto que a digestão anaeróbia todo o biogás produzido, ou seja, 100%, é aproveitado. Assim, o valor justo para o biogás da reciclagem proposto pela Quercus é de 12 cêntimos. A segunda medida permite reduzir significativamente os maus odores e a produção de lixiviado e ainda ajudar ao controlo das alterações climáticas, pois permitirá reduzir a emissão de gases com efeito de estufa em mais de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente por ano. Para além da poupança das emissões através da reciclagem de vidro, plásticos, metais e papel e da produção de biogás e fertilizante, evita a libertação para a atmosfera do metano, o principal componente do biogás, que tem um efeito 21 vezes superior ao do CO2. Estas medidas dependem apenas da vontade política, uma vez que há dinheiro disponível no âmbito do novo quadro comunitário de apoio, mas a proposta do novo Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU II) que esteve em discussão pública de 11 a 22 de Dezembro, prevê que uma parte significativa do dinheiro, cerca de um terço, seja canalizado para a incineração, isto é, a queima de resíduos, o que irá limitar a reciclagem dos resíduos. Para pressionar o governo a não implementar esta proposta de PERSU, a Quercus decidiu realizar esta acção, tendo escolhido o Aterro Sanitário do Oeste como um exemplo, infelizmente entre muitos em Portugal, da situação actual que tem de ser urgentemente alterada, tendo para isso solicitado a ajuda do MPI. *

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A gestão dos Resíduos Sólidos em Portugal
Portugal apenas recicla 3% dos seus resíduos sólidos que produz Num estudo produzido pelo Instituto de Investigação de Políticas Públicas britânico (Institute for Public Policies Research—www.ippr.org.uk) conclui que os portugueses são quem menos recicla os seus resíduos. O estudo refere-se apenas aos 15 estadosmembros antes do último alargamento da União Europeia. Portugal e a Grécia estão no fim de uma lista dos países ordenados segundo a performance em termos de reciclagem. Portugal apenas recicla 3% dos seus resíduos sólidos que produz, apesar de nos últimos anos os cenários da reciclagem em Portugal se terem alterado consideravelmente, o país continua a não reciclar mais do que 3% da totalidade dos resíduos sólidos que produz. Acima de Portugal, estão a Grécia e o Reino Unido, com índices de reciclagem de 8 e 18 por cento respectivamente. Na outra ponta da tabela, os países com melhores prestações em termos de reciclagem são a Holanda e a Áustria com 65% e 59% respectivamente. (http://
www.reflexodigital.com/? cat=5&item=3823)

O caso dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) Com a aprovação do primeiro Plano Estratégico dos Resíduos Sólidos Urbanos, vulgarmente designado de PERSU, em 1997, assistiu-se no nosso país à concretização da estratégia política delineada que assentou na substituição das muitas lixeiras que exis-

tiam, num total de 311, por aterros sanitários, cerca de 35. Paralelamente, foram criadas outras infra-estruturas, nomeadamente estações de triagem, mas apenas para os resíduos que as pessoas já separam e colocam nos eco-pontos, o que representa uma parte insignificante, pelo que o destino final para a maioria dos resíduos não se alterou, ou seja, a mera deposição. Na origem do MPI em 1999, uma das razões que motivaram a contestação no processo do Aterro Sanitário do Oeste, foi precisamente esta estratégia política que foi adoptada, com a agravante do local escolhido, a Quinta de S. Francisco, apresentar várias condicionantes que são do conhecimento de todos, nomeadamente estar situada na zona de recarga do principal aquífero da região Oeste, o Sistema Aquífero do Grés de Torres Vedras, estar classificada na REN (Reserva Ecológica Nacional) e estar próximo das populações. O MPI sempre considerou que parte dos fundos comunitários deveriam ter sido investidos em unidades complementares de tratamento antes da deposição em aterro, para que se pudesse melhorar efectivamente a situação caótica nesta matéria. O resultado desta estratégia está à vista, e não poderia ser outro tal como sempre dissemos, ou seja, os incómodos com os maus cheiros são uma constante para as populações que vivem mais próximos do aterro, ,em particular o Olho Polido e desempenho de Portugal da reciclagem é dos piores da Europa.

Uma vez que os lixos são depositados sem qualquer pré-tratamento, os resíduos biodegradáveis, num total de aproximadamente 60% do total dos resíduos (40% de matéria orgânica e 20% de papel/cartão) fermentam produzindo o biogás. Este gás é altamente inflamável, por isso não é de estranhar os incêndios que ocorreram no verão passado, a 27 de Agosto, nos aterro sanitários de Abrantes e da Chamusca. Chamas em aterros Dois incêndios deflagraram nos aterros sanitários de Abrantes e da Chamusca, distrito de Santarém, obrigando à intervenção das corporações de bombeiros daqueles concelhos. As causas do fogo são desconhecidas, mas os bombeiros admitem que as chamas tenham sido despoletadas pelo calor, em contacto com a matéria orgânica. Os bombeiros tiveram de remover toda a matéria que se encontrava a arder, tapar com terra o aterro em causa e depois encharcá-lo com muita água. “Foi um trabalho complicado e perigoso, não só por se tratar de um fogo, mas devido aos vapores tóxicos libertados pelos resíduos”, disse um dos bombeiros envolvidos na operação. Os maus cheiros também não facilitaram a acção. Os soldados-da-paz tiveram de usar equipamento de protecção individual, nomeadamente máscaras com viseiras e aparelhos de ar comprimido.
(adaptado da notícia I.J., Correio da Manhã, 28/08/2006) *

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Ambiente e Cidadania
Proteger a camada de ozono

por: Maria Alexandra Santos de Azevedo *

A camada de ozono (O3) existe há muitos milhões de anos, tem a espessura de 15 Km, situa-se a vários quilómetros acima da superfície da Terra (na estratosfera, estrato entre 10 e 50 Km de altitude) e a sua função é protegê-la dos perigosos raios solares filtrando mais de 95% das radiações ultravioletas e deste modo preservar toda a vida na Terra. Nas últimas décadas este “escudo protector” tem sido destruído pela libertação dos clorofluorcarbonetos, abreviadamente denominados CFC, gases que são produzidos pelo Homem, ou seja, não existem na Natureza, são muito estáveis, durando cerca de 100 a 150 anos e são utilizados em embalagens de plástico (esferovite), chips de computador, solventes para a indústria electrónica, nos aerossóis (sprays de perfumes, lacas, etc.), extintores e especialmente nos aparelhos de refrigeração (aparelhos de ar condicionado, frigoríficos, arcas congeladoras). O Brometo de metilo (pesticida aplicado na desinfecção do solo em culturas como a do tomate e do arroz e para desinfectar produtos agrícolas destinados a embalagem e exportação, como os frutos secos), os halons dos extintores, o tetracloreto de carbono (solvente), entre outros são também responsáveis pela destruição da camada de ozono. A primeira manifestação de redução da camada de ozono foi descoberta sobre a Antártida, em 1986, mas podem aparecer “buracos” nesta camada em qualquer local do planeta. Em Portugal foi detectada uma diminuição global da espessura desta camada, uma vez que os valo-

res médios anuais desde 1968 a 1997 apresentam uma tendência estatisticamente significativa de 3,3% por década. As consequências da diminuição da espessura da camada de ozono são inúmeras e algumas ainda desconhecidas e pouco compreendidas. Exemplos: - Aquecimento global da Terra. - Desequilíbrio nos ecossistemas aquáticos. - Eventual diminuição da produção agrícola. - Interferência nos ciclos bioquímicos, nomeadamente do carbono e dos nutrientes minerais, o que irá afectar globalmente toda a vida do planeta. - Diminuição das defesas imunitárias e consequente aumento das doenças infecciosas. - Aumento do cancro da pele. Nos EUA os novos casos duplicaram entre 1980 e 1989. - Cegueira, devido ao aparecimento de cataratas. Estima-se que a redução de apenas 1% na sua espessura é suficiente para cegar 100.000 pessoas e aumentar em 5% o n.º de casos de cancro da pele! Perante a constatação deste gravíssimo problema, o que fazer? 1- Evitar o consumo de produtos com CFC. Actualmente quase todos os sprays já não contêm CFC, mas o ideal é usar vaporizadores não aerossóis, pois não precisam de gases propulsores. No caso dos aparelhos de refrigeração começam a surgir no mercado alternativas sem o uso destes gases. Evitar o esferovite (incluindo copos e pratos de plástico, em alternativa usar os de papel). 2- No caso de mau fun-

cionamento dos aparelhos de refrigeração, estes devem ser reparados com urgência, pois pode haver uma fuga do CFC. 3- Os aparelhos de refrigeração em fim de vida têm de ser devidamente recolhidos para que seja possível a recuperação dos gases. Nunca os abandonar depositando-os indiscriminadamente. Estima-se que Portugal é um dos países da União Europeia que, per capita, mais está a contribuir para a destruição da camada de ozono, emitindo para a atmosfera mais de 500 toneladas de CFC’s ao longo de 2003. De facto, cerca de 99,5% dos aparelhos de refrigeração não estão a ser sujeitos à remoção dos CFC. A pressão das grandes marcas e o desinteresse do governo tem impedido a constituição de um sistema integrado que garanta a recuperação e tratamento destes gases. A solução efectiva será a proibição do uso dos CFC e a pesquisa de alternativas aos CFC e outras substâncias inócuas para o Ambiente!! Até lá, os CFC devem, no mínimo, ser recolhidos e tratados. *
Bibliografia: 1- José Machado de Assunção, “Aquecimento global”, ABC Ambiente, 24 de Fevereiro de 1995, p. 17 2- “Portugal emite mais de 500 toneladas de CFC’s por ano”, QUERCUS Ambiente, Outubro, 2003, p. 11. 3- “50 coisas simples que você pode fazer para salvar a Terra”, The Earth Work Group, Círculo de Leitores, 1993. 4- “O “buraco no céu” não está adormecido”, Quercus Ambiente, Outubro 2004, p. 20 5- http://www.ese.ips.pt/abolina/ webquests/ozono/ozono.html 6- http://www.naturalink.pt 7- http://www.meteo.pt/uv/ DiaDoOzono/03_por.htm

* Médica Veterinária, Vice-presidente da Direcção do MPI – Movimento PróInformação para a Cidadania e Ambiente

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Breves
MPI aderiu formalmente à Plataforma Transgénicos Fora do Prato A ‘Plataforma 'Transgénicos Fora do Prato' (PTFP) é uma estrutura integrada várias entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (ARP, Aliança para a Defesa do Mundo Rural Português; ATTAC, Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda ao Cidadão; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; Colher para Semear, Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais; FAPAS, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens; GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN, Liga para a Protecção da Natureza QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza; SALVA, Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul) e desde o dia 5 de Outubro, foi deliberado por unanimidade na reunião nacional desta da Plataforma que se realizou em Coimbra aceitar a adesão do MPI, conforme a intenção por nós manifestada no decurso da deliberação da Assembleia – geral. A Plataforma é ainda apoiada por dezenas de outras associações. Pode-se encontrar diversa informação no site oficial com o seguinte endereço: www.stopogm.net. Agenda 21 Local do Cadaval/Bombarral Realizou-se no dia 19 de Janeiro, 6ª-feira, pelas 21.00, na escola secundário do Bombarral a primeira reunião do processo da Agenda 21 Local, que contou também com a participação do MPI. Este processo visa unir esforços no sentido da comunidade procurar soluções e para os seus problemas num modelo de desenvolvimento sustentável, em que os aspectos económicos, sociais e ambientais têm de ser considerados em conjunto. Os municípios do Cadaval e Bombarral entenderam realizar este esforço em conjunto, o que nos parece adequado uma vez que ambos são muito semelhantes nestas

A preencher pelo MPI

MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2, 2550-069 VILAR CDV Tel./fax: 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

N.º de sócio __|__|__|__|__ Data ___/___/___

PROPOSTA PARA ADMISSÃO DE SÓCIO
Nome_________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Morada ________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Telefone: ________________, fax: __________________, e.mail _________________________________ B.I. N.º ______________________, data de nascimento ___/___/___ , estado civil ___________________ N.º de contribuinte: _____________________ , profissão _______________________________________ Data ____/____/____ Assinatura do candidato a sócio __________________________________________ Quota mínima anual: € 2 , quantia paga _______________________________________,

M P I — M O V I M E N T O P R Ó - I N F O R M AÇ Ã O P AR A A C I D AD AN I A E AM B I E N T E

PRECISA-SE
Voluntário(a) para colaborar na edição do boletim informativo.

Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2 2550-069 VILAR CDV Tel./fax: (+351) 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

Denúncias - Ambiente
Sempre que testemunhe uma agressão ambiental deve denunciá-la do seguinte modo: • Telefonar para a linha SOS Ambiente
Pela Defesa do AMBIENTE e da QUALIDADE DE VIDA!!
A linha funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e encaminha as denuncias para a IGA (Inspecção Geral do Ambiente) e para o SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR.

808 200 520

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AVISO
PEDE-SE A TODAS AS PESSOAS COM QUEIXAS

SOBRE O MAU FUNCIONAMENTO DO ATERRO SANITÁRIO DO OESTE A FAZÊ-LAS POR ESCRITO, ENTREGANDO-NOS UMA CÓPIA, COMO FORMA DE CONSEGUIRMOS PROVA DESTA QUEIXA, UMA VEZ QUE A INSPECÇÃO GERAL DO AMBIENTE RECUSA-SE A FORNECER UM RELATÓRIO COM TODAS AS QUEIXAS RECEBIDAS:

- ATRAVÉS DO FAX N.º 213 432 777, QUEM NÃO
POSSUIR APARELHO DE FAX, PODE DIRIGIR-SE À JUNTA DE FREGUESIA DO VILAR PARA O SEU ENVIO.

OU - POR CARTA PARA A MORADA: Rua de O Século,

n.º 63

1249-033 LISBOA