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MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente Ano 4, N.

º 13

BOLETIM Junho de 2008

INFORMATIVO
PROJECÇÃO DO FILME “TRANXGÈNIA”
Sábado, 28 de Junho de 2008
21:00
Documentário sobre transgénicos e seus riscos para
a agricultura e a saúde
(duração: 37 minutos), seguido de DEBATE

Sede da União dos Amigos de Palhais


( actividade conjunta do MPI e Assoc. União Amigos de Palhais como o apoio da Junta
de Freguesia do Vilar, no âmbito do processo de Agenda 21 Local da freguesia)

CRISE ALIMENTAR: QUE CAUSAS? QUE SOLUÇÕES?


Numa conferência de imprensa realizada no edifício da Junta de Freguesia do Vilar, no dia 17 de Abril -
Dia Internacional da Luta Camponesa, a Plataforma Transgénicos Fora (onde o MPI está integrado) e a
Associação de Agricultores do Distrito de Lisboa alertaram para a situação vivida e exigiram políticas agríco-
las e energéticas sustentáveis.
A crise alimentar que está instalada, a comunicação tem abordado frequentemente sobre o assunto,
estando a fome a afectar não só os mais pobres, mas também a classe média.
As causas apontadas para as subidas descontroladas dos preços são várias: o aumento do consumo de car-
ne a nível mundial (e o nosso país não é excepção) que desvia grande parte dos cereais e leguminosas para o
fabrico das rações em vez de alimentarem directamente as pessoas; as quebras de produção devido às altera-
ções climáticas, contudo esta situação verificou-se pontualmente nalguns países, mas em termos globais a
produção agrícola em 2007 foi superior em cerca de 5% em relação a 2006, segundo a FAO (o organismo das
Nações Unidas para a alimentação e agricultura); políticas agrícolas europeias que se revelam erradas;
aumento do preço do petróleo, um importante factor de produção na agricultura e que também encarece o

Tome nota: Editorial Nesta edição:


Estamos a fazer um enorme esforço para dar cada Crise Alimentar 1
Coloque as vez maior visibilidade ao MPI. Felizmente, vamos ten-
pilhas no pilhão! do alguns apoios e a pouco e pouco vai-se conseguindo Memória 3
melhorar a nossa participação em diversos eventos e agrícola
Entregue temas.
“A Carne é Fraca” 4
aparelhos No sentido de melhorar a comunicação com os
eléctricos velhos sócios chamo a atenção para o anúncio na última pági- Apelo MPI 5
nas lojas ou na deste boletim, em que se solicita os endereços elec- e Quercus
solicite a trónicos dos sócios que possam e queiram receber
recolha à informação por essa via. Alimentação 7
Câmara Agradeço a colaboração dos sócios e esperamos con- Ecológica
Municipal tinuar a merecer a vossa confiança.
O Presidente da Direcção Anúncios 8
(ver pág. 7)
Humberto Pereira Germano
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CRISE ALIMENTAR: QUE CAUSAS? QUE SOLUÇÕES? (CONTINUAÇÃO DA 1ª PÁGINA)


transporte de mercadorias; desvio para a produção de agrocombustíveis
(erradamente chamados biocombustíveis) de milho, trigo e outras culturas
alimentares, no entanto esse desvio é ainda reduzido, apenas 2% do total
da produção agrícola; mas na realidade especulação devido às expectati-
vas criadas com a produção dos agrocombustíveis, pelas metas estabeleci-
das nos EUA e na EU, é a principal razão que encontramos para a súbita
escalada dos preços.
As subidas de preços verificam-se por todo o mundo e as manifesta-
ções de rua, do México a Marrocos, do Brasil ao Bangladesh, já conduzi-
ram a mortes e prisões. Segundo a FAO, o organismo das Nações Unidas
para a alimentação e agricultura, o custo das principais matérias-primas
agrícolas subiu, a nível mundial, perto de 40% apenas em 2007. O trigo
atingiu o valor mais alto em 28 anos, e o arroz, milho, soja e óleos duplica-
ram (nalguns casos triplicaram) em dois anos o seu preço ao consumidor.
Os resultados são catastróficos sobretudo nas regiões menos desenvol-
vidas, as Nações Unidas estimam ainda que, face às presentes tendências, Segundo a FAO, o organismo das
até 2025 mais 600 milhões de pessoas estarão a passar fome para além dos Nações Unidas para a alimentação e
800 milhões que já a sofrem cronicamente neste momento. agricultura, o custo das principais
Em vez de reconhecer as causas e procurar novas estratégias, a agro- matérias-primas agrícolas subiu, a
indústria portuguesa, em particular a dos alimentos compostos para ani- nível mundial, perto de 40% apenas
mais, reclama mais do mesmo: apoios do estado e acesso irrestrito a trans- em 2007.

génicos não autorizados na UE. Mas, tal como o mais recente estudo da agricultura global pôde constatar, os
transgénicos não são de todo a solução para o presente nem para o futuro próximo, nem contribuem para o que
realmente interessa a qualquer sociedade: eliminar a fome e a pobreza, melhorar as condições de vida da popula-
ção rural e promover um desenvolvimento sustentável, justo, social e ambientalmente equilibrado. Nesta avalia-
ção de 2500 páginas (o IAASTD, que envolve dezenas de países e organizações), realizada por mais de 400 cien-
tistas e especialistas ao longo de quatro anos e trazida este mês a público, as soluções para as almejadas soberania
e segurança alimentares passam sobretudo pela valorização das actividades tradicionais, pela salvaguarda dos
recursos naturais e protecção da produção local, e pela canalização da produção agrícola para o consumo alimen-
tar directo, em vez de ser desviada para outros fins.

Mudanças, precisam-se
Assim, de acordo com o princípio da precaução, e assumindo um ponto de vista assente na coerência, a políti-
ca europeia e nacional em matéria de agricultura e alimentação deve ser urgentemente corrigida:
– a importação de carne proveniente de animais alimentados com transgénicos não autorizados para consumo
na UE deve ser proibida;
– a aprovação de novos transgénicos deve ser sujeita a uma avaliação de impacto na agricultura tradicional e
familiar;
– a meta de incorporação de 10% de biocombustíveis (provenientes de produção agrícola) nos transportes até
2020 deve ser abandonada;
– os apoios à agricultura devem ser dirigidos para o apoio às actividades de diversificação e policultura, maxi-
mização da soberania alimentar, redução do consumo de agroquímicos, criação de postos de trabalho e sustenta-
ção das comunidades em espaço rural.
Outras medidas como a revisão do Acordo de Blair House, que veio limitar o cultivo europeu de matérias-
primas importantes para a alimentação animal, como a soja, é igualmente fundamental. A pressão e apoio por
parte da indústria de produção animal para que novas medidas permitam aumentar o cultivo na Europa das
variedades tradicionais para estes fins não só seria benéfico como bem-vindo pelos consumidores portugueses.

Portugal deve competir na qualidade e diversidade


Todas as pequenas regiões têm necessariamente que optar por competir na qualidade e na diversidade e
nunca no preço ou na quantidade. Infelizmente, em Portugal, constatamos que frequentemente por uma aposta
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cega na competitividade. Esta estratégia compromete o desenvolvimento sustentável e o respeito pelas gerações
futuras. Estamos convictos de que Portugal está num ponto de viragem em que a opção por novas estratégias,
ecológicas e competitivas, ainda é possível!

O mercado nacional e internacional procura produtos animais livres de transgénicos


Uma estratégia de marketing que permite a diferenciação da agropecuária de qualidade é a rotulagem de
produtos de origem animal (carne, leite, ovos) como livres de transgénicos ou sem OGM, ou seja, em que foram
excluídas as rações transgénicas. Como a actual lei não impõe a rotulagem destes produtos quando provenientes
de animais que tenham sido alimentados com OGM, os consumidores actualmente não podem optar por uma
cadeia alimentar 100% natural.

Não existe ainda evidência científica de que os transgénicos sejam seguros


Não se pode dissociar a questão do cultivo de transgénicos dos seus potenciais riscos, nomeadamente dos
riscos para a saúde humana e animal. Apesar das referências científicas de testes toxicológicos ser muito limita-
do, são já vários os estudos que têm detectado múltiplos problemas na saúde dos animais sujeitos a experimenta-
ção. Parece-nos pois sensato promover actualmente um maior investimento na investigação e uma menor aposta
no consumo.
Note-se que a EFSA, Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, não desenvolve actualmente quaisquer
estudos independentes, baseando as suas avaliações de inocuidade dos transgénicos nos dados apresentados
pelas próprias multinacionais que os comercializam. Enquanto a investigação em torno dos potenciais riscos não
for totalmente independente dos interesses económicos, a alimentação portuguesa e europeia estará sujeita a
novas e desagradáveis surpresas.

MANTER VIVA A MEMÓRIA AGRÍCOLA


O MPI apoiou a realização de uma actividade que envol-
veu todas as crianças do 1º ciclo do ensino básico do Vilar,
numa iniciativa da Associação de Agricultores do Distrito de
Lisboa.
Esta actividade realizou-se em duas fases: a primeira
decorreu no dia 20 de Janeiro com o cultivo dos cereais de
Inverno, tendo sido cultivados 4 variedades de trigo
(Almansor, Maçaruco, Laureano e Barbela), 2 variedades de
cevada (Dística e Comum), aveia e espelta (ou faro, em
etrusco, povo que existiu antes dos Romanos na península
da Itálica, de onde deriva a palavra “farinha”); e a segunda
realizou-se no dia 24 de Abril com o cultivo dos cereais de
Primavera, o milho (várias variedades tradicionais), tendo-se
previamente realizado uma pequena sessão de esclareci-
mento sobre transgénicos.
Os objectivos foram: alargar o horizonte dos conhecimen-
tos em relação à produção de alimentos; conhecer o modo
tradicional de cultivo de cereais; compreender que os
cereais são uma necessidade básica para a nossa alimentação.
As profundas alterações no modo de produção de alimen-
tos sentidas nas últimas décadas, passando de uma produção
artesanal com a utilização de muitas variedades (consoante a
sua adaptação às várias regiões) pela mão de muitos agricul-
tores, para uma agricultura industrializada, que utiliza pou-
cas variedades agrícolas e com poucos agricultores, em tam-
bém poucos países, e a alteração dos hábitos alimentares,
com aumento do consumo de carne e diminuição do consu-
mo de cereais, são motivos mais do que suficientes para aler-
tar os mais novos para estas questões.
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SESSÃO DE ESCLARECIMENTO SOBRE


A EVENTUAL FUSÃO ENTRE A RESIOESTE E A VALORSUL

Promovida pela Resioeste e pela Câmara Municipal do Cadaval esta sessão realizou-se no dia 6 de Junho, 6ª-
feira, pelas 21.00 horas no Salão Paroquial do Vilar.
Apesar da divulgação a cargo da Câmara Municipal do Cadaval ter sido efectuada com cerca de 3 dias de ante-
cedência, e que o MPI e a Junta de Freguesia do Vilar reforçaram com a distribuição possível de um folheto na
caixa de correio de algumas casas no Vilar, a presença da população foi razoável.
Começando por uma breve introdução por parte do Presidente da Câmara do Cadaval, Sr. Aristides Sécio, falou
o actual presidente do Conselho de Administração da Resioeste, Dr. Nuno Pinto, que em vez de focar o projecto
da eventual fusão entre a Resioeste e a Valorsul, deteve a maior parte da sua exposição, que durou cerca de uma
hora, numa acção de propaganda evidente sobre as “virtudes” do modelo de gestão dos resíduos na região e do
esforço da actual administração na sua melhoria.
O período de debate prolongou-se para além da uma hora da madrugada, tendo sido colocadas inúmeras ques-
tões, cujas respostas não satisfizeram minimamente a quem tem desde sempre criticado a solução adoptada, embo-
ra seja reconhecido o desempenho da actual administração e muitas perguntas ficaram pura e simplesmente sem
resposta.
Ficámos basicamente a saber que os municípios do Oeste são confrontados com a inevitabilidade da fusão o
que em termos de gestão do aterro será “mais do mesmo”, uma vez que não estão previstos investimentos para o
tratamento efectivo dos resíduos indiferenciados (aquele que as pessoas não separam) que irá maioritariamente
para deposição em aterro e para incinerar, ou seja, “soluções” de fim de linha que de modo algum podem ser cha-
madas de “tratamento”.
O MPI já estabeleceu contactos com a Associação de Defesa do Ambiente de Loures, no sentido de conjugar
esforços para que seja definitivamente implementada uma gestão adequada e generalizada dos resíduos. Esta asso-
ciação já fez saber que rejeita a queima de mais resíduos provenientes de outros municípios e a instalação da 4ª
linha que terá de ser instalada, caso se efective a fusão sem investimento no Tratamento Mecânico e Biológico.

PROJECÇÃO DO FILME “A CARNE É FRACA” NA TOJEIRA

No domingo 13 de Abril foi exibido o


filme “A Carne é Fraca” na sede da Asso-
ciação Cultural e Social da Tojeira, numa
iniciativa desta associação e do MPI, com
o apoio da Junta de Freguesia do Vilar, no
âmbito do processo de Agenda 21 Local
que se pretende implementar.
A principal mensagem do filme era
sensibilizar para os elevados impactos
ambientais e riscos para a saúde do actual
consumo de carne. Após a projecção do
filme decorreu um período de debate,
tendo o MPI apresentado vários dispositi-
vos com informações complementares e
onde os presentes puderam manifestar as
suas opiniões e colocar dúvidas. O balan-
ço do evento foi muito positivo uma vez
que as pessoas manifestaram o seu agrado
pela iniciativa.
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QUERCUS E MPI APELAM AOS MUNICÍPIOS DO OESTE


PARA NÃO SE DECIDIREM PELA INCINERAÇÃO SEM TEREM EM
CONTA O ESTUDO SOBRE RECICLAGEM COM MINHOCAS

Numa conferência de imprensa realizada no dia 3 de Abril no edifício da Junta de Freguesia do Vilar, a Quer-
cus e o MPI apelaram aos Municípios do Oeste para que não decidam pela fusão da Resioeste à Valorsul sem
antes consultarem um estudo sobre reciclagem com minhocas que já encomendaram e está quase concluído.
Esse estudo propõe o tratamento dos resíduos urbanos através da vermicompostagem (compostagem com
minhocas), processo que permite reciclar cerca de 80% dos resíduos, uma vez que as minhocas comem tudo o
que é orgânico limpando os outros materiais (plástico, vidro e metais) que assim também podem ser reciclados; é
barato com custos que rondam os 20 euros a tonelada, ou seja, menos do que o envio para aterro ou para incine-
ração na Valorsul; permite acabar com os maus cheiros do aterro sanitário, uma vez que os poucos resíduos a
colocar em aterro já não possuem matéria orgânica; entre outras vantagens.
Neste momento em Portugal encontram-se em construção já duas unidades deste tipo em Guimarães e Beja
em colaboração com as associações de municípios da AMAVE (Vale do Ave) e AMALGA (Alentejo).
Pelo contrário, a fusão da Resioeste com a Valorsul apresenta muitas questões económicas ainda por esclare-
cer e grandes desvantagens ambientais: não há garantias que os 23 euros de tarifa sejam mantidos por diversas
razões entre elas a necessidade de ser construída uma nova linha de incineração, que segundo o Ministério do
Ambiente não haverá mais financiamento comunitário para incineração; a nova legislação sobre energias renová-
veis estabeleceu uma forte redução do preço da energia vendida pelos incineradores; a proposta de fusão prevê a
incineração e colocação em aterro de cerca de 85% dos resíduos e a reciclagem de apenas 15%, o que vai contra
todas as indicações comunitárias que vão no sentido de se aumentar substancialmente a reciclagem.

MPI NO ANIMARTE 2008


O MPI participou no ANIMARTE 2008, este ano com o Tema: "Hábitos de Vida Saudáveis". No nosso espa-
ço era possível ter acesso a informação diversificada sobre temas ambientais, com especial destaque para infor-
mação sobre a nossa floresta autóctone com vista a sensibilizar os visitantes para este importante recurso natural
que, com o nosso esforço e atenção crescente, pode voltar a pintar as nossas paisagens.
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AMBIENTE E CIDADANIA - ALIMENTAÇÃO ECOLÓGICA … E SAUDÁVEL!


Muitas considerações se podem por quantidades significativas de stocks de peixe reduziram-se mun-
fazer em relação à nossa alimenta- dioxinas e de outros poluentes. Os dialmente cerca de 90% relativa-
ção, sob vários pontos de vista, mas peixes com mais gordura, como é o mente a níveis anteriores ao início
procuro realçar neste artigo as caso do salmão, são particularmen- da pesca industrial (na década de
implicações ambientais, bem como te atingidos. 70). Para além disso, em termos
os possíveis reflexos na nossa saú- Os alimentos GM energéticos, a produção de carne é
de, do tipo de alimentação e de (Geneticamente Modificados) ou ineficiente, por exemplo, são
alimentos que consumimos devido transgénicos são a mais recente necessárias 24 calorias de cereais
a problemas ambientais e ao seu ameaça não só à perda de biodiver- ou soja para produzir uma única
modo de produção. sidade agrícola, mas também para caloria sob a forma de carne de
A industrialização da produção a saúde, a agricultura e o ambien- vaca.
de alimentos conduziu-nos a uma te. Por exemplo, ao nível da saúde, Sugestões:
dieta pouco variada, porque a agro- não têm sido avaliados os seus 1- Rejeitar os alimentos trans-
indústria promove e gira em torno efeitos, e não são conhecidos os génicos.
de meia dúzia de variedades para seus efeitos a longo prazo, dado 2- Consumir, de preferência:
cada espécie de plantas. Os núme- que os cultivos comerciais de plan- 2.1- Alimentos biológicos.
ros são claros e, de certa forma, tas GM em maior escala começa- Vários estudos têm revelado que
assustadores: 75% da diversidade ram em 1996. Estudos têm revela- estes têm em média maiores teores
alimentar Europeia desapareceu do alterações dos órgãos e mesmo em nutrientes, nomeadamente
desde 1900; 93% da diversidade a morte de animais de laboratório vitaminas e minerais, por outro
alimentar Americana desapareceu que apenas consumiram alimentos lado, dão mais garantias de não
no mesmo período. Outras conse- transgénicos. estarem contaminados por pestici-
quências são a diminuição do valor O aumento do consumo de car- das.
nutricional dos alimentos, o uso ne e de peixe, devido principal- 2.2- Produtos alimentares tradi-
massivo de pesticidas, antibióticos mente aos excessos alimentares cionais, pois promovem a biodiver-
e hormonas, maiores consumos em dos países mais ricos está a acelerar sidade (variedade de espécies),
combustíveis devido ao transporte e a gerar diversos problemas produzidos localmente, ou o mais
a nível mundial dos alimentos ambientais. A produção animal é próximo possível.
(tanto maior quanto maior a apontada como uma causa impor- 2.3- Produto de origem vegetal
dependência dos países e/ou tante de destruição de habitats, (cereais, frutos e legumes), optan-
regiões no fornecimento de ali- desertificação, poluição da água, do por um regime alimentar vege-
mentos), etc. aquecimento global, tanto mais tariano ou, se consumir peixe, car-
Nos países mais desenvolvidos, que também requer mais recursos ne e ovos, não exceder 5% em
a contaminação do ar, água e solo naturais (água, solo arável) compa- relação ao total de alimentos. No
com dioxinas (originárias de pro- rativamente à produção de plantas caso do peixe, não exceder a inges-
cesso de queima, nomeadamente, alimentícias, além de gerar efluen- tão de 200 g. de salmão por sema-
incineradoras de resíduos, cimen- tes que poluem os rios por falta de na (quantidade suficiente para
teiras, tráfego rodoviário, etc), tratamento adequado. Alguns
metais pesados e muitos outros dados estatísticos: a produção ani-
poluentes, que são cancerígenos mal consome cerca de 70% da
entre outros efeitos, está, por sua superfície agrícola mundial e um
vez, a contaminar os alimentos, terço da superfície da Terra; para
acumulando-se particularmente na produzir um quilo de produtos
gordura dos animais. Assim, por vegetais são necessários cerca de
exemplo, os mares junto aos países 100 litros de água, mas para produ-
mais industrializados estão mais zir um quilo de carne é necessário
poluídos, sendo o Atlântico Norte gastar entre 2000 e 15000 litros de
o mar mais poluído, e estudos têm água potável; num terreno onde é
revelado que o peixe, tanto aquele produzido 1 kg de carne, podem
que é pescado nos mares europeus ser produzidos 30 kg de cenouras Um cuidado e atenção crescente
como o proveniente de aquacultu- mais 20 kg de maçãs mais 50 kg de em relação ao que ingerimos trás
benefícios para a nossa saúde e
ra europeias, estão contaminados tomates e mais 40 kg de batatas; os
para o planeta!
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suprir as necessidades em ácidos BREVES


gordos insaturados (ómega 3) e o
benefício de prevenção dos ata-
ques cardíacos é 300 vezes supe- Portugal recicla poucas pilhas
rior ao risco de cancro pela sua
ingestão) e evitar, por exemplo, Todos os anos, nada menos do que 107 milhões de unidades são comer-
bacalhau da Terra Nova, carapau cializadas em Portugal, das tradicionais pilhas alcalinas para rádios ou
inferior a 12 cm, sardinha inferior a brinquedos, a baterias de telemóveis e máquinas fotográficas. Desta mon-
11 cm, sável, peixe-espada-preto, tanha, 19 milhões foram recolhidas e reenviadas para reciclagem em 2007.
pescada inferior a 27 cm e cação,
para evitar o seu esgotamento nos Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE)
oceanos.
Ao adoptarmos uma alimenta- Electrodomésticos, computadores, telemóveis ou lâmpadas, são exem-
ção e tipo de alimentos com base plos de equipamentos eléctricos e electrónicos (EEE) e só desde o ano
em preocupações ambientais esta- passado é que os cidadãos podem entregar para a reciclagem os seus apa-
mos não só a defender a “saúde” relhos quando deixam de funcionar na loja quando compram um aparelho
do nosso planeta, mas também a equivalente novo, ou num centro de recolha das duas empresas responsá-
nossa! veis pela recolha e encaminhamento para reciclagem destes resíduos, a
Bibliografia e websites:
Amb3E e a ERP Portugal. Nas câmaras municipais em que existe recolha
Margarida Silva, “Biodiversidade ao jantar”, de 'monos', devem solicitar esse serviço, como é o caso da do Cadaval.
ABC Ambiente, Agosto 1996, p.8. Os portugueses ainda estão pouco informados sobre o que têm de fazer e
“50 Coisas simples que pode fazer para salvar o
planeta, ”, The Earth Work Group, Círculo de alguns retalhistas que colocam os aparelhos novos no mercado ainda se
Leitores, 1993, p.90 e 91 recusam a aceitar o velho em troca do novo, como a lei exige. Nestes
“Breves: Nem mesmo peixe!”, ABC Ambiente,
Fevereiro 2001, p.7 casos, resta ao cidadão estar informado e atento e ser exigente.
“Breves: Pesticidas”, ABC Ambiente, Fevereiro Adaptado de http://www.dn.sapo.pt/2007/12/09/sociedade/reciclados_tres_quilos_lixo_electric.html
2001, p.10
“Biotecnologia – Quais os riscos?”, ABC
Ambiente, Março/Abril 2001, p.16 e 17
Filipe Costa Pinto, “Poupar mais, poluir menos
– guia prático de acção ecológica”, edições Nova
Gaia, 2004, p.63. Roménia proibiu o cultivo de milho transgénico
As vantagens dos produtos biológicos: http://
spg.sapo.pt/Xdg3/680880.html, 27/11/2006
Razões ambientais para o vegetarianismo: http:// A Roménia, o maior produtor de milho da Europa, anunciou no final de
www.infonature.org/_avp_/_main_page_.htm ,
27/11/2006 Março uma proibição ao cultivo de milho transgénico MON810, a única
Sueli Mello, “Orgânicos mais seguros, conven- variedade autorizada para cultivo na União Europeia. A Roménia tornou-
cionais menos nutritivos” http://
www.revistaea.arvore.com.br , 12/04/2006
se assim no 8º país europeu a proibir o cultivo de transgénicos no seu ter-
Lorraine Heller, “Scientist concerned at plum- ritório, seguindo os passos da França, Hungria, Itália, Áustria, Grécia, Suí-
meting nutrient levels” http:// ça e Polónia.
www.foodnavigator-usa.com/news/ng.asp?
n=66440-nutrient-content , 15/3/2006 Preocupações sobre a segurança do milho MON 810 levaram o governo
Movimento Slow Food http:// romeno a agir. Estudos científicos mostram que o milho MON 810 provo-
www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/
desenvArtigo.asp?art=2662&rev=2&zona=34 , ca danos à fauna, nomeadamente minhocas e borboletas. Para além disso,
27/11/2006 não existem provas que é seguro para a saúde humana e animal.
Millennium Ecosystems Assessments Ecosys-
tems and Human Well-being – Biodiversity
Synthesis, World Resources Institute, 2005, Adiada decisão sobre autorização de novos transgénicos
http://www.maweb.org/en/Products.aspx?,
30/12/2006
pela Comissão Europeia
Peter Calamai, “Is is safe to eat salmon?” http://
www.thestar.com/NASApp/cs/ContentServer? A 7 de Maio o Comissário do Ambiente, Stravos Dimas propôs na reu-
pagename=thestar/Render, 06/01/2006
A nova roda dos alimentos: http:// nião da Comissão Europeia a rejeição de novas variedades de OGM: 2
www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/ variedades de milho transgénicos (1507 and Bt 11 from companies Pio-
enciclopedia+da+saude/alimentacao/
DGS+ANA.htm, 30/12/2006 neer and Syngenta, uma das quais para cultivo) e uma variedade de bata-
S.O.S. Oceano: sugestões para um oceano sus- ta transgénica da empresa BASF, contra a opinião da EFSA, a Autoridade
tentável, Oceanário de Lisboa e IPIMAR, Maio
2006. http://www.oceanario.pt Europeia da Segurança Alimentar Europeia, que invariavelmente tem
David Brubaker, Planet on plate: http:// sempre emitido pareceres favoráveis em relação ao cultivo e importação
www.viva.org.uk/guides/planetonaplate.htm,
Janeiro 2007.
de OGM. A decisão tomada foi submeter novamente à avaliação da
EFSA estas variedades, adiando assim uma decisão final sobre o assunto.
MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e
Ambiente
Edifício da Junta de Freguesia do Vilar,
Largo 16 de Dezembro, n.º 2, 2550-069 VILAR
tel./fax: 262 771 060
e-mail: mpicambiente@gmail.com

DENÚNCIAS - AMBIENTE
Sempre que testemunhe uma agressão ambiental deve
denunciá-la de um dos seguintes modos:
 Telefonar para a linha SOS Ambiente:
808 200 520
A linha funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e encaminha as Papel 100%Reciclado
denuncias para a IGA (Inspecção Geral do Ambiente) e para o SEPNA
(Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR.
 Aceder ao site:
www.gnr.pt/portal/internet/sepna

AVISO
PEDE-SE A TODAS AS PESSOAS COM QUEIXAS SOBRE O MAU FUNCIONAMENTO DO ATERRO
SANITÁRIO DO OESTE A FAZÊ-LAS POR ESCRITO, ENTREGANDO-NOS UMA CÓPIA, COMO FORMA DE

CONSEGUIRMOS PROVA DESTA QUEIXA, UMA VEZ QUE A INSPECÇÃO GERAL DO AMBIENTE RECUSA-SE A FORNE-

CER UM RELATÓRIO COM TODAS AS QUEIXAS RECEBIDAS. ATRAVÉS DE UMA DAS SEGUINTES FORMAS:
- POR FAX N.º 213 432 777
NOTA: QUEM NÃO POSSUIR APARELHO DE FAX, PODE DIRIGIR-SE À JUNTA DE FREGUESIA DO VILAR
PARA O SEU ENVIO.

- POR CARTA PARA A MORADA:


RUA DE O SÉCULO, N.º 63
1249-033 LISBOA

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