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MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente

INFORMATIVO
PROJECÇÃO DO FILME “TRANXGÈNIA”
Sábado, 28 de Junho de 2008 21:00 Documentário sobre transgénicos e seus riscos para a agricultura e a saúde (duração: 37 minutos), seguido de DEBATE Sede da União dos Amigos de Palhais
( actividade conjunta do MPI e Assoc. União Amigos de Palhais como o apoio da Junta de Freguesia do Vilar, no âmbito do processo de Agenda 21 Local da freguesia)

BOLETIM

Ano 4, N.º 13
Junho de 2008

CRISE ALIMENTAR: QUE CAUSAS? QUE SOLUÇÕES?
Numa conferência de imprensa realizada no edifício da Junta de Freguesia do Vilar, no dia 17 de Abril Dia Internacional da Luta Camponesa, a Plataforma Transgénicos Fora (onde o MPI está integrado) e a Associação de Agricultores do Distrito de Lisboa alertaram para a situação vivida e exigiram políticas agrícolas e energéticas sustentáveis. A crise alimentar que está instalada, a comunicação tem abordado frequentemente sobre o assunto, estando a fome a afectar não só os mais pobres, mas também a classe média. As causas apontadas para as subidas descontroladas dos preços são várias: o aumento do consumo de carne a nível mundial (e o nosso país não é excepção) que desvia grande parte dos cereais e leguminosas para o fabrico das rações em vez de alimentarem directamente as pessoas; as quebras de produção devido às alterações climáticas, contudo esta situação verificou-se pontualmente nalguns países, mas em termos globais a produção agrícola em 2007 foi superior em cerca de 5% em relação a 2006, segundo a FAO (o organismo das Nações Unidas para a alimentação e agricultura); políticas agrícolas europeias que se revelam erradas; aumento do preço do petróleo, um importante factor de produção na agricultura e que também encarece o

Tome nota:
Coloque as pilhas no pilhão! Entregue aparelhos eléctricos velhos nas lojas ou solicite a recolha à Câmara Municipal
(ver pág. 7)

Editorial
Estamos a fazer um enorme esforço para dar cada vez maior visibilidade ao MPI. Felizmente, vamos tendo alguns apoios e a pouco e pouco vai-se conseguindo melhorar a nossa participação em diversos eventos e temas. No sentido de melhorar a comunicação com os sócios chamo a atenção para o anúncio na última página deste boletim, em que se solicita os endereços electrónicos dos sócios que possam e queiram receber informação por essa via. Agradeço a colaboração dos sócios e esperamos continuar a merecer a vossa confiança. O Presidente da Direcção Humberto Pereira Germano

Nesta edição:
Crise Alimentar Memória agrícola “A Carne é Fraca” Apelo MPI e Quercus Alimentação Ecológica Anúncios
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CRISE ALIMENTAR: QUE CAUSAS? QUE SOLUÇÕES? (CONTINUAÇÃO DA 1ª PÁGINA)
transporte de mercadorias; desvio para a produção de agrocombustíveis (erradamente chamados biocombustíveis) de milho, trigo e outras culturas alimentares, no entanto esse desvio é ainda reduzido, apenas 2% do total da produção agrícola; mas na realidade especulação devido às expectativas criadas com a produção dos agrocombustíveis, pelas metas estabelecidas nos EUA e na EU, é a principal razão que encontramos para a súbita escalada dos preços. As subidas de preços verificam-se por todo o mundo e as manifestações de rua, do México a Marrocos, do Brasil ao Bangladesh, já conduziram a mortes e prisões. Segundo a FAO, o organismo das Nações Unidas para a alimentação e agricultura, o custo das principais matérias-primas agrícolas subiu, a nível mundial, perto de 40% apenas em 2007. O trigo atingiu o valor mais alto em 28 anos, e o arroz, milho, soja e óleos duplicaram (nalguns casos triplicaram) em dois anos o seu preço ao consumidor. Os resultados são catastróficos sobretudo nas regiões menos desenvolvidas, as Nações Unidas estimam ainda que, face às presentes tendências, até 2025 mais 600 milhões de pessoas estarão a passar fome para além dos 800 milhões que já a sofrem cronicamente neste momento. Em vez de reconhecer as causas e procurar novas estratégias, a agroindústria portuguesa, em particular a dos alimentos compostos para animais, reclama mais do mesmo: apoios do estado e acesso irrestrito a trans-

Segundo a FAO, o organismo das Nações Unidas para a alimentação e agricultura, o custo das principais matérias-primas agrícolas subiu, a nível mundial, perto de 40% apenas em 2007.

génicos não autorizados na UE. Mas, tal como o mais recente estudo da agricultura global pôde constatar, os transgénicos não são de todo a solução para o presente nem para o futuro próximo, nem contribuem para o que realmente interessa a qualquer sociedade: eliminar a fome e a pobreza, melhorar as condições de vida da população rural e promover um desenvolvimento sustentável, justo, social e ambientalmente equilibrado. Nesta avaliação de 2500 páginas (o IAASTD, que envolve dezenas de países e organizações), realizada por mais de 400 cientistas e especialistas ao longo de quatro anos e trazida este mês a público, as soluções para as almejadas soberania e segurança alimentares passam sobretudo pela valorização das actividades tradicionais, pela salvaguarda dos recursos naturais e protecção da produção local, e pela canalização da produção agrícola para o consumo alimentar directo, em vez de ser desviada para outros fins. Mudanças, precisam-se Assim, de acordo com o princípio da precaução, e assumindo um ponto de vista assente na coerência, a política europeia e nacional em matéria de agricultura e alimentação deve ser urgentemente corrigida: – a importação de carne proveniente de animais alimentados com transgénicos não autorizados para consumo na UE deve ser proibida; – a aprovação de novos transgénicos deve ser sujeita a uma avaliação de impacto na agricultura tradicional e familiar; – a meta de incorporação de 10% de biocombustíveis (provenientes de produção agrícola) nos transportes até 2020 deve ser abandonada; – os apoios à agricultura devem ser dirigidos para o apoio às actividades de diversificação e policultura, maximização da soberania alimentar, redução do consumo de agroquímicos, criação de postos de trabalho e sustentação das comunidades em espaço rural. Outras medidas como a revisão do Acordo de Blair House, que veio limitar o cultivo europeu de matériasprimas importantes para a alimentação animal, como a soja, é igualmente fundamental. A pressão e apoio por parte da indústria de produção animal para que novas medidas permitam aumentar o cultivo na Europa das variedades tradicionais para estes fins não só seria benéfico como bem-vindo pelos consumidores portugueses. Portugal deve competir na qualidade e diversidade Todas as pequenas regiões têm necessariamente que optar por competir na qualidade e na diversidade e nunca no preço ou na quantidade. Infelizmente, em Portugal, constatamos que frequentemente por uma aposta

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cega na competitividade. Esta estratégia compromete o desenvolvimento sustentável e o respeito pelas gerações futuras. Estamos convictos de que Portugal está num ponto de viragem em que a opção por novas estratégias, ecológicas e competitivas, ainda é possível! O mercado nacional e internacional procura produtos animais livres de transgénicos Uma estratégia de marketing que permite a diferenciação da agropecuária de qualidade é a rotulagem de produtos de origem animal (carne, leite, ovos) como livres de transgénicos ou sem OGM, ou seja, em que foram excluídas as rações transgénicas. Como a actual lei não impõe a rotulagem destes produtos quando provenientes de animais que tenham sido alimentados com OGM, os consumidores actualmente não podem optar por uma cadeia alimentar 100% natural. Não existe ainda evidência científica de que os transgénicos sejam seguros Não se pode dissociar a questão do cultivo de transgénicos dos seus potenciais riscos, nomeadamente dos riscos para a saúde humana e animal. Apesar das referências científicas de testes toxicológicos ser muito limitado, são já vários os estudos que têm detectado múltiplos problemas na saúde dos animais sujeitos a experimentação. Parece-nos pois sensato promover actualmente um maior investimento na investigação e uma menor aposta no consumo. Note-se que a EFSA, Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, não desenvolve actualmente quaisquer estudos independentes, baseando as suas avaliações de inocuidade dos transgénicos nos dados apresentados pelas próprias multinacionais que os comercializam. Enquanto a investigação em torno dos potenciais riscos não for totalmente independente dos interesses económicos, a alimentação portuguesa e europeia estará sujeita a novas e desagradáveis surpresas.

MANTER VIVA A MEMÓRIA AGRÍCOLA
O MPI apoiou a realização de uma actividade que envolveu todas as crianças do 1º ciclo do ensino básico do Vilar, numa iniciativa da Associação de Agricultores do Distrito de Lisboa. Esta actividade realizou-se em duas fases: a primeira decorreu no dia 20 de Janeiro com o cultivo dos cereais de Inverno, tendo sido cultivados 4 variedades de trigo (Almansor, Maçaruco, Laureano e Barbela), 2 variedades de cevada (Dística e Comum), aveia e espelta (ou faro, em etrusco, povo que existiu antes dos Romanos na península da Itálica, de onde deriva a palavra “farinha”); e a segunda realizou-se no dia 24 de Abril com o cultivo dos cereais de Primavera, o milho (várias variedades tradicionais), tendo-se previamente realizado uma pequena sessão de esclarecimento sobre transgénicos. Os objectivos foram: alargar o horizonte dos conhecimentos em relação à produção de alimentos; conhecer o modo tradicional de cultivo de cereais; compreender que os cereais são uma necessidade básica para a nossa alimentação. As profundas alterações no modo de produção de alimentos sentidas nas últimas décadas, passando de uma produção artesanal com a utilização de muitas variedades (consoante a sua adaptação às várias regiões) pela mão de muitos agricultores, para uma agricultura industrializada, que utiliza poucas variedades agrícolas e com poucos agricultores, em também poucos países, e a alteração dos hábitos alimentares, com aumento do consumo de carne e diminuição do consumo de cereais, são motivos mais do que suficientes para alertar os mais novos para estas questões.

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SESSÃO DE ESCLARECIMENTO SOBRE A EVENTUAL FUSÃO ENTRE A RESIOESTE E A VALORSUL
Promovida pela Resioeste e pela Câmara Municipal do Cadaval esta sessão realizou-se no dia 6 de Junho, 6ªfeira, pelas 21.00 horas no Salão Paroquial do Vilar. Apesar da divulgação a cargo da Câmara Municipal do Cadaval ter sido efectuada com cerca de 3 dias de antecedência, e que o MPI e a Junta de Freguesia do Vilar reforçaram com a distribuição possível de um folheto na caixa de correio de algumas casas no Vilar, a presença da população foi razoável. Começando por uma breve introdução por parte do Presidente da Câmara do Cadaval, Sr. Aristides Sécio, falou o actual presidente do Conselho de Administração da Resioeste, Dr. Nuno Pinto, que em vez de focar o projecto da eventual fusão entre a Resioeste e a Valorsul, deteve a maior parte da sua exposição, que durou cerca de uma hora, numa acção de propaganda evidente sobre as “virtudes” do modelo de gestão dos resíduos na região e do esforço da actual administração na sua melhoria. O período de debate prolongou-se para além da uma hora da madrugada, tendo sido colocadas inúmeras questões, cujas respostas não satisfizeram minimamente a quem tem desde sempre criticado a solução adoptada, embora seja reconhecido o desempenho da actual administração e muitas perguntas ficaram pura e simplesmente sem resposta. Ficámos basicamente a saber que os municípios do Oeste são confrontados com a inevitabilidade da fusão o que em termos de gestão do aterro será “mais do mesmo”, uma vez que não estão previstos investimentos para o tratamento efectivo dos resíduos indiferenciados (aquele que as pessoas não separam) que irá maioritariamente para deposição em aterro e para incinerar, ou seja, “soluções” de fim de linha que de modo algum podem ser chamadas de “tratamento”. O MPI já estabeleceu contactos com a Associação de Defesa do Ambiente de Loures, no sentido de conjugar esforços para que seja definitivamente implementada uma gestão adequada e generalizada dos resíduos. Esta associação já fez saber que rejeita a queima de mais resíduos provenientes de outros municípios e a instalação da 4ª linha que terá de ser instalada, caso se efective a fusão sem investimento no Tratamento Mecânico e Biológico.

PROJECÇÃO DO FILME “A CARNE É FRACA” NA TOJEIRA
No domingo 13 de Abril foi exibido o filme “A Carne é Fraca” na sede da Associação Cultural e Social da Tojeira, numa iniciativa desta associação e do MPI, com o apoio da Junta de Freguesia do Vilar, no âmbito do processo de Agenda 21 Local que se pretende implementar. A principal mensagem do filme era sensibilizar para os elevados impactos ambientais e riscos para a saúde do actual consumo de carne. Após a projecção do filme decorreu um período de debate, tendo o MPI apresentado vários dispositivos com informações complementares e onde os presentes puderam manifestar as suas opiniões e colocar dúvidas. O balanço do evento foi muito positivo uma vez que as pessoas manifestaram o seu agrado pela iniciativa.

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QUERCUS E MPI APELAM AOS MUNICÍPIOS DO OESTE
PARA NÃO SE DECIDIREM PELA INCINERAÇÃO SEM TEREM EM CONTA O ESTUDO SOBRE RECICLAGEM COM MINHOCAS

Numa conferência de imprensa realizada no dia 3 de Abril no edifício da Junta de Freguesia do Vilar, a Quercus e o MPI apelaram aos Municípios do Oeste para que não decidam pela fusão da Resioeste à Valorsul sem antes consultarem um estudo sobre reciclagem com minhocas que já encomendaram e está quase concluído. Esse estudo propõe o tratamento dos resíduos urbanos através da vermicompostagem (compostagem com minhocas), processo que permite reciclar cerca de 80% dos resíduos, uma vez que as minhocas comem tudo o que é orgânico limpando os outros materiais (plástico, vidro e metais) que assim também podem ser reciclados; é barato com custos que rondam os 20 euros a tonelada, ou seja, menos do que o envio para aterro ou para incineração na Valorsul; permite acabar com os maus cheiros do aterro sanitário, uma vez que os poucos resíduos a colocar em aterro já não possuem matéria orgânica; entre outras vantagens. Neste momento em Portugal encontram-se em construção já duas unidades deste tipo em Guimarães e Beja em colaboração com as associações de municípios da AMAVE (Vale do Ave) e AMALGA (Alentejo). Pelo contrário, a fusão da Resioeste com a Valorsul apresenta muitas questões económicas ainda por esclarecer e grandes desvantagens ambientais: não há garantias que os 23 euros de tarifa sejam mantidos por diversas razões entre elas a necessidade de ser construída uma nova linha de incineração, que segundo o Ministério do Ambiente não haverá mais financiamento comunitário para incineração; a nova legislação sobre energias renováveis estabeleceu uma forte redução do preço da energia vendida pelos incineradores; a proposta de fusão prevê a incineração e colocação em aterro de cerca de 85% dos resíduos e a reciclagem de apenas 15%, o que vai contra todas as indicações comunitárias que vão no sentido de se aumentar substancialmente a reciclagem.

MPI NO ANIMARTE 2008
O MPI participou no ANIMARTE 2008, este ano com o Tema: "Hábitos de Vida Saudáveis". No nosso espaço era possível ter acesso a informação diversificada sobre temas ambientais, com especial destaque para informação sobre a nossa floresta autóctone com vista a sensibilizar os visitantes para este importante recurso natural que, com o nosso esforço e atenção crescente, pode voltar a pintar as nossas paisagens.

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AMBIENTE E CIDADANIA - ALIMENTAÇÃO ECOLÓGICA … E SAUDÁVEL!
Muitas considerações se podem fazer em relação à nossa alimentação, sob vários pontos de vista, mas procuro realçar neste artigo as implicações ambientais, bem como os possíveis reflexos na nossa saúde, do tipo de alimentação e de alimentos que consumimos devido a problemas ambientais e ao seu modo de produção. A industrialização da produção de alimentos conduziu-nos a uma dieta pouco variada, porque a agroindústria promove e gira em torno de meia dúzia de variedades para cada espécie de plantas. Os números são claros e, de certa forma, assustadores: 75% da diversidade alimentar Europeia desapareceu desde 1900; 93% da diversidade alimentar Americana desapareceu no mesmo período. Outras consequências são a diminuição do valor nutricional dos alimentos, o uso massivo de pesticidas, antibióticos e hormonas, maiores consumos em combustíveis devido ao transporte a nível mundial dos alimentos (tanto maior quanto maior a dependência dos países e/ou regiões no fornecimento de alimentos), etc. Nos países mais desenvolvidos, a contaminação do ar, água e solo com dioxinas (originárias de processo de queima, nomeadamente, incineradoras de resíduos, cimenteiras, tráfego rodoviário, etc), metais pesados e muitos outros poluentes, que são cancerígenos entre outros efeitos, está, por sua vez, a contaminar os alimentos, acumulando-se particularmente na gordura dos animais. Assim, por exemplo, os mares junto aos países mais industrializados estão mais poluídos, sendo o Atlântico Norte o mar mais poluído, e estudos têm revelado que o peixe, tanto aquele que é pescado nos mares europeus como o proveniente de aquacultura europeias, estão contaminados por quantidades significativas de dioxinas e de outros poluentes. Os peixes com mais gordura, como é o caso do salmão, são particularmente atingidos. Os alimentos GM (Geneticamente Modificados) ou transgénicos são a mais recente ameaça não só à perda de biodiversidade agrícola, mas também para a saúde, a agricultura e o ambiente. Por exemplo, ao nível da saúde, não têm sido avaliados os seus efeitos, e não são conhecidos os seus efeitos a longo prazo, dado que os cultivos comerciais de plantas GM em maior escala começaram em 1996. Estudos têm revelado alterações dos órgãos e mesmo a morte de animais de laboratório que apenas consumiram alimentos transgénicos. O aumento do consumo de carne e de peixe, devido principalmente aos excessos alimentares dos países mais ricos está a acelerar e a gerar diversos problemas ambientais. A produção animal é apontada como uma causa importante de destruição de habitats, desertificação, poluição da água, aquecimento global, tanto mais que também requer mais recursos naturais (água, solo arável) comparativamente à produção de plantas alimentícias, além de gerar efluentes que poluem os rios por falta de tratamento adequado. Alguns dados estatísticos: a produção animal consome cerca de 70% da superfície agrícola mundial e um terço da superfície da Terra; para produzir um quilo de produtos vegetais são necessários cerca de 100 litros de água, mas para produzir um quilo de carne é necessário gastar entre 2000 e 15000 litros de água potável; num terreno onde é produzido 1 kg de carne, podem ser produzidos 30 kg de cenouras mais 20 kg de maçãs mais 50 kg de tomates e mais 40 kg de batatas; os stocks de peixe reduziram-se mundialmente cerca de 90% relativamente a níveis anteriores ao início da pesca industrial (na década de 70). Para além disso, em termos energéticos, a produção de carne é ineficiente, por exemplo, são necessárias 24 calorias de cereais ou soja para produzir uma única caloria sob a forma de carne de vaca. Sugestões: 1- Rejeitar os alimentos transgénicos. 2- Consumir, de preferência: 2.1Alimentos biológicos. Vários estudos têm revelado que estes têm em média maiores teores em nutrientes, nomeadamente vitaminas e minerais, por outro lado, dão mais garantias de não estarem contaminados por pesticidas. 2.2- Produtos alimentares tradicionais, pois promovem a biodiversidade (variedade de espécies), produzidos localmente, ou o mais próximo possível. 2.3- Produto de origem vegetal (cereais, frutos e legumes), optando por um regime alimentar vegetariano ou, se consumir peixe, carne e ovos, não exceder 5% em relação ao total de alimentos. No caso do peixe, não exceder a ingestão de 200 g. de salmão por semana (quantidade suficiente para

Um cuidado e atenção crescente em relação ao que ingerimos trás benefícios para a nossa saúde e para o planeta!

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suprir as necessidades em ácidos gordos insaturados (ómega 3) e o benefício de prevenção dos ataques cardíacos é 300 vezes superior ao risco de cancro pela sua ingestão) e evitar, por exemplo, bacalhau da Terra Nova, carapau inferior a 12 cm, sardinha inferior a 11 cm, sável, peixe-espada-preto, pescada inferior a 27 cm e cação, para evitar o seu esgotamento nos oceanos. Ao adoptarmos uma alimentação e tipo de alimentos com base em preocupações ambientais estamos não só a defender a “saúde” do nosso planeta, mas também a nossa!
Bibliografia e websites: Margarida Silva, “Biodiversidade ao jantar”, ABC Ambiente, Agosto 1996, p.8. “50 Coisas simples que pode fazer para salvar o planeta, ”, The Earth Work Group, Círculo de Leitores, 1993, p.90 e 91 “Breves: Nem mesmo peixe!”, ABC Ambiente, Fevereiro 2001, p.7 “Breves: Pesticidas”, ABC Ambiente, Fevereiro 2001, p.10 “Biotecnologia – Quais os riscos?”, ABC Ambiente, Março/Abril 2001, p.16 e 17 Filipe Costa Pinto, “Poupar mais, poluir menos – guia prático de acção ecológica”, edições Nova Gaia, 2004, p.63. As vantagens dos produtos biológicos: http:// spg.sapo.pt/Xdg3/680880.html, 27/11/2006 Razões ambientais para o vegetarianismo: http:// www.infonature.org/_avp_/_main_page_.htm , 27/11/2006 Sueli Mello, “Orgânicos mais seguros, convencionais menos nutritivos” http:// www.revistaea.arvore.com.br , 12/04/2006 Lorraine Heller, “Scientist concerned at plummeting nutrient levels” http:// www.foodnavigator-usa.com/news/ng.asp? n=66440-nutrient-content , 15/3/2006 Movimento Slow Food http:// www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/ desenvArtigo.asp?art=2662&rev=2&zona=34 , 27/11/2006 Millennium Ecosystems Assessments Ecosys-

BREVES
Portugal recicla poucas pilhas
Todos os anos, nada menos do que 107 milhões de unidades são comercializadas em Portugal, das tradicionais pilhas alcalinas para rádios ou brinquedos, a baterias de telemóveis e máquinas fotográficas. Desta montanha, 19 milhões foram recolhidas e reenviadas para reciclagem em 2007.

Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE)
Electrodomésticos, computadores, telemóveis ou lâmpadas, são exemplos de equipamentos eléctricos e electrónicos (EEE) e só desde o ano passado é que os cidadãos podem entregar para a reciclagem os seus aparelhos quando deixam de funcionar na loja quando compram um aparelho equivalente novo, ou num centro de recolha das duas empresas responsáveis pela recolha e encaminhamento para reciclagem destes resíduos, a Amb3E e a ERP Portugal. Nas câmaras municipais em que existe recolha de 'monos', devem solicitar esse serviço, como é o caso da do Cadaval. Os portugueses ainda estão pouco informados sobre o que têm de fazer e alguns retalhistas que colocam os aparelhos novos no mercado ainda se recusam a aceitar o velho em troca do novo, como a lei exige. Nestes casos, resta ao cidadão estar informado e atento e ser exigente.
Adaptado de http://www.dn.sapo.pt/2007/12/09/sociedade/reciclados_tres_quilos_lixo_electric.html

Roménia proibiu o cultivo de milho transgénico
A Roménia, o maior produtor de milho da Europa, anunciou no final de Março uma proibição ao cultivo de milho transgénico MON810, a única variedade autorizada para cultivo na União Europeia. A Roménia tornouse assim no 8º país europeu a proibir o cultivo de transgénicos no seu território, seguindo os passos da França, Hungria, Itália, Áustria, Grécia, Suíça e Polónia. Preocupações sobre a segurança do milho MON 810 levaram o governo romeno a agir. Estudos científicos mostram que o milho MON 810 provoca danos à fauna, nomeadamente minhocas e borboletas. Para além disso, não existem provas que é seguro para a saúde humana e animal.

tems and Human Well-being – Biodiversity Synthesis, World Resources Institute, 2005,
http://www.maweb.org/en/Products.aspx?, 30/12/2006 Peter Calamai, “Is is safe to eat salmon?” http:// www.thestar.com/NASApp/cs/ContentServer? pagename=thestar/Render, 06/01/2006 A nova roda dos alimentos: http:// www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/ enciclopedia+da+saude/alimentacao/ DGS+ANA.htm, 30/12/2006 S.O.S. Oceano: sugestões para um oceano sustentável, Oceanário de Lisboa e IPIMAR, Maio 2006. http://www.oceanario.pt David Brubaker, Planet on plate: http:// www.viva.org.uk/guides/planetonaplate.htm, Janeiro 2007.

Adiada decisão sobre autorização de novos transgénicos pela Comissão Europeia
A 7 de Maio o Comissário do Ambiente, Stravos Dimas propôs na reunião da Comissão Europeia a rejeição de novas variedades de OGM: 2 variedades de milho transgénicos (1507 and Bt 11 from companies Pioneer and Syngenta, uma das quais para cultivo) e uma variedade de batata transgénica da empresa BASF, contra a opinião da EFSA, a Autoridade Europeia da Segurança Alimentar Europeia, que invariavelmente tem sempre emitido pareceres favoráveis em relação ao cultivo e importação de OGM. A decisão tomada foi submeter novamente à avaliação da EFSA estas variedades, adiando assim uma decisão final sobre o assunto.

MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2, 2550-069 VILAR tel./fax: 262 771 060 e-mail: mpicambiente@gmail.com DENÚNCIAS - AMBIENTE
Sempre que testemunhe uma agressão ambiental deve denunciá-la de um dos seguintes modos:  Telefonar para a linha SOS Ambiente: 808 200 520 A linha funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e encaminha as denuncias para a IGA (Inspecção Geral do Ambiente) e para o SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR.  Aceder ao site: www.gnr.pt/portal/internet/sepna
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A FAZÊ-LAS POR ESCRITO, ENTREGANDO-NOS UMA CÓPIA, COMO FORMA DE CONSEGUIRMOS PROVA DESTA QUEIXA, UMA VEZ QUE A INSPECÇÃO CER UM RELATÓRIO COM TODAS AS QUEIXAS RECEBIDAS.

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