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MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente

INFORMATIVO
RECICLAGEM ANDA PARA TRÁS NA EUROPA
Parlamento Europeu estabelece meta de reciclagem de 20% para 2020, quando actualmente se reciclam 27% dos resíduos urbanos O Parlamento Europeu aprovou em 17 de Junho uma Directiva que estabelece para os resíduos urbanos (RSU) um nível de reciclagem de 20% em 2020, quando a média da reciclagem de RSU na União Europeia é actualmente de 27%. Esta decisão é ainda mais surpreendente uma vez que o Parlamento Europeu tinha votado anteriormente a favor de uma meta de reciclagem de 50% dos RSU para 2020, mas a pressão dos Governos nacionais, entre os quais o Português, levou a que fosse aprovado um texto em que apenas alguns materiais (cerca de 40% dos RSU - plástico, papel, vidro e metais) tenham de cumprir 50% de reciclagem, o que na prática representa apenas 20% dos RSU, ou seja, inferior ao que já se pratica na generalidade da União Europeia! Como se isto não bastasse, a meta não é obrigatória, sendo assim uma oportunidade perdida para se promover a redução da emissão de gases de efeito de estufa, a criação de emprego e o desenvolvimento tecnológico na Europa que uma indústria de reciclagem forte poderia trazer. Resta agora que com a transposição da Directiva para o Direito Português se façam adaptações para taxas de reciclagem mais elevadas.
(adaptado do Comunicado da Quercus de 17/06/2008)

BOLETIM

Ano 4, N.º 14
Novembro de 2008

Tome nota:
Portugal apresentou, em 2000, uma pegada ecológica de 5,34 hectares/per capita, é o 6À país europeu e o 13À a nível mundial com maior Pegada Ecológica.
(ver pág. 6)

Editorial
Nesta edição quero destacar o esforço do MPI em relação ao Aterro Sanitário do Oeste de modo a que o processo de fusão com a Valorsul não venha lesar ainda mais as populações envolventes. No que diz respeito aos transgénicos há a destacar uma notícia má e uma boa. A má notícia é que pela primeira vez, desde o levantamento da moratória em 2004, foi autorizada a realização de ensaios com novas variedades de milho transgénicos, ou seja, variedades que não estão aprovadas para comercialização. A boa notícia é que a área de cultivo com milho transgénico embora tenha aumentado ligeiramente no país, houve uma redução substancial na zona do país que mais cultivava transgénicos, o Alentejo, o que significa que os agricultores não estão a sentir as vantagens apregoadas pelas empresas das sementes transgénicas. Os agricultores são um elo fundamental, pois são eles que lançam a semente à terra, para um mundo sem transgénicos, para além da pressão que todos nós, como consumidores, devemos fazer em defesa da nossa saúde, do ambiente e das variedades tradicionais de plantas agrícolas, património que importa redescobrir. O presidente Humberto Pereira Germano

Nesta edição:
Reciclagem na UE MPI reuniu com ADAL Sugestão de Leitura Consumo de Peixe Milho Transgénico Pegada Ecológica Breves Anúncios
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COMPLETA FALTA DE TRANSPARÊNCIA NO PROCESSO DE FUSÃO VALORSUL-RESIOESTE.
Reunidos em São João da Talha, Concelho de Loures, no dia 15/06/2008, as organizações de defesa do ambiente Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, MPI – Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente e ADAL – Associação de Defesa do Ambiente de Loures para apreciarem conjuntamente o processo em curso - promovido pela EGF, com a cobertura política do Ministério do Ambiente – tendo em vista proceder à fusão dos sistemas de tratamento de resíduos sólidos urbanos da Valorsul, Resioeste, concluíram e tornam público:

1.Prossegue com sinais evidentes de injustificado secretismo um processo que visa juntar num só, os sistemas de tratamento de resíduos sólidos urbanos da Valorsul, Resioeste; 2.O caminho que está a ser percorrido e a forma como está a ser conduzido o processo, não apenas revela a maior falta de transparência de entidades públicas dependentes do Governo, como se tem revelado deliberadamente orientado a confundir e enganar as entidades municipais e as respectivas populações; 3.Os „estudos‰ até agora apresentados aos municípios, designadamente da região Oeste, suscitam as maiores dúvidas e reservas quanto ao rigor dos dados utilizados, ao equilíbrio das análises e boa fé das conclusões; 4.Verifica-se que na zona da Valorsul, e também da Tratolixo (que envia grandes quantidades de resíduos, cerca de 100 mil toneladas/ano, para a incineradora da Valorsul), nem os órgãos municipais, nem as associações representativas das populações tiveram ainda acesso a qualquer documento, enquanto na área da Resioeste são disponibilizados documentos desactualizados e insuficientes para a apreciação do processo; 5.Conclui-se pois, que estão a ser escamoteados dados, informações e análises que urge conhecer, debater e tornar do conhecimento geral; 6.A Plataforma suspeita e teme, pelas informações que conseguiu reunir, que esteja em marcha um processo que não visa ganhos ambientais, que não tem por objectivos um salto em frente no tratamento e destino final dos resíduos sólidos urbanos com o incremento das recolhas selectivas e o encaminhamento para as fileiras de reciclagem, mas a concentração de RSU que justifiquem a construção de uma nova linha de queima de resíduos na Incineradora da Valorsul em São João da Talha; 7.Simultaneamente, estão a ser feitas diligências para convencer autarcas e populações que haverá uma substancial redução das tarifas a pagar pelo tratamento dos resíduos sólidos urbanos. Os dados económicos a que foi possível ter acesso, levantam as maiores dúvidas sobre que tal possibilidade seja efectiva, a menos que se tratem de valores politicamente determinados para seduzir para o processo as autarquias e as populações. Se for esse o propósito, cabe-nos alertar para a inevitabilidade de após o primeiro ano de preços „subsidiados‰, a cavalgada do valor das tarifas vir a ser imparável; 8.Tudo indica portanto que o Governo advoga a constituição de uma „montanha económica e accionista que vai parir um rato ambiental‰. Note-se que no resultado da fusão apenas se aspira a uma taxa de reciclagem de míseros 15%, isto é, igual àquela que já hoje foi atingida; 9.Donde só se pode concluir que o objectivo será queimar-queimar-queimar e enterrar-enterrar; Por isso, a Plataforma irá desencadear, desde já, um conjunto de diligências de contacto com autarquias, autarcas e outras entidades interessadas no assunto e, ao mesmo tempo, exigir de quem de direito a disponibilização de toda a documentação de suporte já elaborada pelas entidades públicas competentes, pugnando pelo imediato início da apreciação pública dos propósitos do Governo, das suas justificações, mas também das alternativas viáveis, ambientalmente adequadas e sensatas e respeitadoras dos cidadãos, dos seus direitos de participação, escolha e bem estar.

LIVRO: PENSAR COMO UMA MONTANHA
Este livro da autoria de Aldo Leopold é o mais debatido clássico da ecologia e da Natureza em todo o Mundo. Foi publicado pela primeira vez em 1949, já depois da sua morte, e só agora, quase 60 anos depois, foi traduzido para português e publicado pelas edições Sempre-em-Pé (e.mail: contacto@semprempe.pt, site: www.sempreempe.pt) Aldo Leopold nasceu em 1887 nos EUA, diplomou-se em ciências florestais tendo trabalho no Serviço Florestal do seu país, entre outras funções que foi desempenhando ao longo da sua vida. Com a sua profunda formação científica e experiência e dotes literários, conseguiu escrever tantas e tão belas considerações e reflexões

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sobre as relações entre o Homem e a Natureza. É sem dúvida um livro que não só merece ser lido mas sobretudo ser meditado. Seguem-se alguns excertos Página (P.) 22 – „Mas seja onde for que possa resistir a verdade, há pelo menos uma coisa clara como cristal: a nossa sociedade de sempre-maior-e-sempre-melhor comporta-se hoje como um hipocondríaco de tal forma obcecado com a sua própria saúde económica que acabou por perder a capacidade de permanecer saudável. ⁄ Nada poderia ser mais salutar nesta fase do que um pouquinho de saudável desdém por essa pletora de bênçãos materiais.‰ P. 130 – O momento em que o autor, que era caçador, se converte à ecologia „Nesses tempos nunca tínhamos ouvido dizer que se pudesse desperdiçar uma oportunidade de matar um lobo.‰ ⁄ „Chegámos junto da velha loba a tempo de observar um altivo fogo verde a morrer nos olhos dela. Compreendi nesse momento, e nunca mais deixei de o saber, que havia algo de novo em mim naqueles olhos – algo que apenas ela e a montanha conheciam. Nesse tempo eu era jovem, e cheio de prontidão no gatilho; pensava, porque menos lobos significavam mais veados, que o desaparecimento total dos lobos ária o paraíso dos caçadores. Mas depois de ter visto aquele fogo verde a extinguir-se, senti que nem o lobo nem a montanha concordavam com essa maneira de ver. Desde então vivi o suficiente para ver estado atrás de estado extirpar os seus lobos. Observei a face de muitas montanhas onde os lobos tinham acabado por ser exterminados, e vi as vertentes voltadas a sul ganharem rugas num dédalo de novos rastos de veados. Vi todos os arbustos e plantas novas comestíveis serem roídos pelos veados, primeiramente ao ponto de ficarem anémicos e inúteis, e a seguir até à morte. ⁄ enquanto um veado abatido pelos lobos pode ser substituído em dois ou três anos, uma cordilheira desarborizada por um excesso de veados não consegue reconstituir-se em tantas outras décadas. O mesmo se passa com as vacas. O vaqueiro que livra a sua cordilheira dos lobos não compreende que está a impedir a tarefa do lobo de desbastar a manada por forma a que ela se adapte à cordilheira. Ele não aprendeu a pensar como uma montanha. É por isso que temos áreas desertas devido à erosão, e rios que arrastam o futuro para o mar.‰ „Todos nós lutamos por segurança, prosperidade, conforto, vida longa, e monótona rotina. O veado luta com as suas longas pernas flexíveis, o vaqueiro com armadilhas e veneno, o estadista com a caneta, a maioria de nós com máquinas, votos e dólares, mas tudo dá no mesmo: paz no tempo que vivemos. Um pouco de êxito nisto é uma excelente coisa, e é talvez um requisito para um pensamento objectivo, mas o excesso de segurança parece ter somente por resultado perigos a longo prazo. ⁄ É talvez esse o significado escondido de uivo do lobo, há muito conhecido das montanhas, mas raramente vislumbrado pelos homens. P. 159 – Sobre o recreio ao ar livre que em vez de proporcionar o reencontro do Homem com a Natureza acaba muitas vezes por agudizar o seu já estado vulnerável, escreveu: ⁄„Por consenso geral, é bom para as pessoas regressarem à natureza. Mas onde é que reside o benefício e que se pode fazer para incentivar a sua busca? Sobre essas questões as recomendações são confusas, e só as mentes mais desprovidas de sentido crítico estão livres de dúvidas.‰ ⁄„Cartazes publicitários fixados sobre as próprias rochas e leito dos rios comunicam a toda a gente a localização de novos refúgios, paisagens, campos de caça e lagos de pesca, logo adiante daqueles que acabaram de ser devastados. Departamentos da administração constroem estradas em novas regiões afastadas, e depois compram mais terrenos afastados para absorver o êxodo acelerado pelas estradas. A indústria de acessórios fornece almofadas para proteger os clientes da natureza em bruto; a arte de viver na floresta torna-se a arte de usar essa quinquilharia. ⁄ para quem procura algo mais, o recreio ao ar livre tornou-se um processo auto-destrutivo de procurar sem nunca encontrar, uma enorme frustração da sociedade mecanizada.‰ ...„Quem procura o seu lazer na caça ao troféu apresenta peculiaridades que contribuem de forma subtil para a sua própria ruína. Para desfrutar tem que possuir, invadir, apropriar-se. Daí que a natureza selvagem que ele não pode ver pessoalmente não tenha valor para ele. Daí o pressuposto universal de que as terras remotas não utilizadas não prestam quelquer serviço à sociedade. Para quem é desprovido de imaginação, um lugar vazio no mapa é um desperdício sem préstimo; para outros, a parte mais valiosa. (Será a minha parte no Alasca sem valor para mim porque nunca lá irei? Precisarei eu de uma estrada para me mostrar as pradarias do ˘rctico, as pastagens de gansos do Yukan, o urso de Kodiak, as pradarias de carneiros situadas para além dos montes Mckinley?) ⁄„O desenvolvimento do lazer não está em construir estradas para chegar a regiões que são já dignas de amor, mas em construir receptividade na mente humana ainda desprovida de amor.‰

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LISTA VERMELHA SOBRE CONSUMO DE PEIXE
A Greenpeace, conhecida associação ambientalista de âmbito internacional, lançou em Junho para Portugal uma lista de espécies que são vendidas nos supermercados portugueses e que correm sérios riscos de serem provenientes de pescas ou de viveiros insustentáveis. Fazem parte os seguintes peixes: Alote, Alote da Gronelândia, Atuns, Bacalhau do Atlântico, Camarões, Espadarte, Linguado europeu, Peixe Espada branco, Peixes Vermelhos, Pescadas, Raias, Salmão do atlântico, Solha americana, Tamboris, Tubarões (nomeadamente Cação, Tintureira). Na informação referente a cada peixe consta o que se sabe sobre as espécies, o porquê de estar incluído, a sua proveniência, como é capturado Porquê uma lista vermelha? A situação dos mares e oceanos do planeta é grave. Tem que haver mudança já! ¾ dos stocks de peixe do mundo estão totalmente explorados, sobreexplorados ou esgotados; 88% dos stocks de peixe em águas comunitárias estão sobreexplorados. 90% das populações dos grandes peixes predadores (como o atum, o bacalhau e o peixe espada) estão esgotadas. Actualmente só 1% dos oceanos e mares do mundo estão totalmente protegidos, uma percentagem ridícula quando comparada com os espaços naturais protegidos em terra (11%). Que pede a Greenpeace? A Greenpeace pede aos principais distribuidores que só disponibilizem produtos do mar que tenham sido obtidos de forma sustentável e que possam garantir que esses produtos não estão ligados a práticas destrutivas. A Greenpeace pede aos consumidores que exijam aos supermercados que desenvolvam uma política sustentável de compra de produtos do mar e que evitem consumir as espécies mencionadas nesta lista vermelha. 5 critérios para um consumo responsável: - Coma menos peixe - Os oceanos não podem suportar o aumento desenfreado do consumo. - Recuse o peixe miúdo - Não consuma o peixe miúdo e denuncia a venda à ASAE tel: 217 983 600 ou e-mail correio.asae@asae.pt - Melhor o de mais perto - Pense no gasto energético que é necessário para o transporte de peixe e no impacto nas populações locais ao tirar os seus recursos de proteínas. Verifica a origem do peixe que compras. - A pesca selectiva é mais sustentável – É melhor pescar com anzóis e redes artesanais, do que com redes industriais, com as quais não se pode escolher o peixe que se captura. - A aquacultura não é a solução para a crise dos oceanos - Muitas espécies criadas e engordadas em quintas de peixe, necessitam de outros peixes para serem alimentadas. Consuma somente espécies herbívoras e mariscos produzidos de forma sustentável. http://www.greenpeace.org/portugal/lista-vermelha

A pesca industrial captura indiscriminadamente grandes quantidades de peixe. Na imagem, o arrastão português Santa Maria em plena actividade.

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Este ranking da Greenpeace compara as políticas de compra actualmente adoptadas pelos principais supermercados de Portugal e avalia positivamente aqueles que fazem um esforço maior para oferecer produtos de peixe sustentável aos consumidores. Em maio de 2008, a Greenpeace entrou em contacto com os principais distribuidores de Portugal e solicitou informações sobre as suas políticas de compra de peixe, através de um questionário e pedido de informações, e solicitou que fossem agendadas reuniões com a Greenpeace para abordar o assunto. Por não ter havido resposta por parte da maioria dos supermercados aos pedidos, algumas das informações foram recolhidas por voluntários da Greenpeace, que fizeram várias visitas posteriores a diferentes supermercados e observaram os produtos vendidos. Os cinco principais supermercados portugueses não cumprem os mínimos aceitáveis para a Greenpeace relativamente ao peixe que põem à venda.

ENSAIOS COM NOVAS VARIEDADES DE MILHO TRANSGÉNICO
Em 2008, a Pioneer volta a tentar, pela 4… vez, a realização de ensaios com novas variedades de milho transgénicos. Associou-se à empresa Syngenta, tal como fizera no ano passado e propõe a localização em dois concelhos no Alentejo: Monforte e Ferreira do Alentejo. Em 1 de Março de 2008 a Plataforma Transgénicos Fora emite parecer de que „⁄ a autorização dos ensaios solicitados nas presentes condições não é legal nem cientificamente justificável‰, pelo que „A Agência Portuguesa do Ambiente deverá repetir a consulta pública por mais 30 dias antes de tomar qualquer decisão‰ De entre as razões que justificaram este parecer destacam-se: a falta de documentação disponível na Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo; a parcela prevista para testes em Monforte está inserida em zona protegida integrante da Rede Natura 2000, para a protecção de aves estepárias, aves essas que usam as culturas de cereais (nomeadamente de milho) para se alimentarem e nidificarem; a Assembleia Municipal de Monforte, reunida a 29 de Fevereiro de 2009, aprovou por unanimidade a criação de uma Zona Livre de Transgénicos; não ser conhecida com exactidão os locais destinada aos ensaios; existir em Monforte a maior linha de água do concelho e de acordo com um estudo científico (Rosi-Marshall et al. - Proceedings of the National Academy of Sciences 104(41):16204-16208, 2008), o pólen que se deposita em linhas de água pode afectar a vida aquática; em lugar algum das notificações é referida a questão da apicultura, abelhas e colmeias. De acordo com Sabugosa-Madeira et al. (Journal of Apicultural Research 46(1):57-58, 2007) a abelha pode abranger zonas a 12 km de distância e uma única colmeia pode colher pólen de uma área de 113 km2!; não haver referência nem salvaguarda para as variedades tradicionais de milho aberto tradicional; o plano de monitorização, as medidas de segurança e a infor(adaptado de Comunicado da PTF de 01/03/2008) mação disponível são manifestamente insuficientes. Manifestação em Monforte contra ensaios com milho geneticamente modificado Ao contrário dos anos anteriores, em que nunca se concretizaram o ensaios, em Junho deste ano foi anunciado que foram autorizados, tendo o governo cedido à pressão das duas empresas, facto que motivou a organização de uma manifestação de activistas e dirigentes da Plataforma Transgénicos Fora, que se realizou em 12 de Julho junto à herdade de Monforte, no distrito de Portalegre, um dos locais autorizados. O protesto decorreu de forma pacífica. Os activistas percorreram a pé cerca de três quilómetros, entre a praia fluvial de Monforte, onde se concentraram, e a entrada para a herdade, animados com tambores, gritando palavras de ordem, e empunhando cartazes. Com a ajuda de uma „brigada de biossegurança‰, composta por „50 espantalhos‰, a figura tradicional que protege os campos, exigiram o cancelamento da autorização para os ensaios com milho geneticamente modificado, não apenas para a herdade em Monforte, mas também para uma exploração no concelho de Ferreira do Alen(adaptado de: Agência Lusa, 12.07.2008, http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1335295) tejo (Beja).

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Metade das herdades alentejanas abandona depois de experimentar Foram divulgados em Julho pelo Ministério da Agricultura os dados oficiais para 2008 do cultivo de milho transgénico em Portugal. Embora a área total tenha aumentado 11% (486 hectares) em relação a 2007, esta subida está muito longe dos 240% (3009 hectares) verificados de 2006 para 2007 e representa uma desaceleração significativa no interesse que os agricultores vêm na única variedade geneticamente modificada que está autorizada para cultivo. As regiões do Alentejo e de Lisboa/ Vale do Tejo apresentam as reduções mais significativas. Desde 2005, ano em que começou o cultivo em Portugal, estas eram as duas regiões com maior adesão ao milho transgénico e em 2007 representavam 86% de toda a área cultivada com OGM em Portugal. Este ano, no entanto, deu-se uma redução de 11% no total de hectares cultivados em cada uma delas. A experiência que os produtores alentejanos estão a ter com o milho transgénico fica claramente aquém das expectativas. De todas as explorações agrícolas do Alentejo que em 2007 cultivaram OGM, 48% (23 explorações em 48) já abandonaram tal opção em 2008. O fraco crescimento verificado este ano a nível nacional concentra-se quase em exclusivo na região Centro, com novos agricultores no vale do Mondego a começar agora a experimentar o que os produtores alentejanos, que começaram anos antes, já estão na fase de descartar. Esta leitura condiz com um estudo da Comissão Europeia recentemente divulgado em que, de três regiões espanholas estudadas, o cultivo de milho transgénico não propiciava quaisquer vantagens económicas aos produtores de duas delas." (adaptado
do Comunicado da PTF de 2008/07/30)

AMBIENTE E CIDADANIA - PEGADA ECOLÓGICA
O Homem não está sozinho no planeta. Partilhamos a Terra com pelo menos 10 milhões de outras espécies de seres vivos. Algumas delas, como os ratos, beneficiam por viverem lado a lado com a espécie humana. Outras são criadas pelo Homem, mas há muitas outras como o lince e o lobo ibérico que correm o risco de extinção devido às actividades humanas que não preservam os seus habitats. Para fazer uma estimativa da quantidade de recursos necessária para produzir os bens e serviços que se consome e absorver os resíduos que gera, foi criado nos anos 90 um indicador denominado, Pegada Ecológica, cujo objectivo é ajudar a tomarmos consciência do impacte ambiental que provocamos no Planeta e a encorajar-nos a tentar reduzir esse impacte negativo. Contudo, este cálculo não considera todos os impactos, como por exemplo a extinção de espécies. Pode ser calculada para a totalidade da humanidade, para os países, regiões, cidades e ainda para cada pessoa. Cerca de 12% da Biosfera (parte da Terra onde os seres vivos realizam as suas funções vitais) deveria ser reservada para as outras espécies existentes no Planeta, o que significa que, tendo em conta o actual n.À de habitantes, a capacidade do nosso planeta é de 1.8 hectares por pessoa. A Pegada Ecológica da Humanidade tem aumentado, tendo ultrapassado a capacidade de regeneração da Natureza a partir de meados dos anos 70, para isso contribuiu o aumento da população mundial, o consumo de recursos naturais, a crescente ocupação do espaço natural pela actividade humana (agricultura, floresta, estradas, urbanizações, etc.), mas devido ao aumento da eficiência em muitas áreas de produção a Pegada Ecológica per capita diminui entre 1980 e 2000, passando de cerca de 2,7 para 2,18 hectares. Ou seja, mantendo a população humana, a viver com o seu estilo de vida, seria necessário 1,3 planetas Terra! Há um grande desequilíbrio entre regiões e países, assim no ano 2000, os EUA foi o país com a maior Pegada Ecológica do Planeta, 9.57, enquanto que muitos países de ˘frica e ˘sia este indicador foi inferior a 1.25. Portugal apresentou uma pegada ecológica de 5,34 hectares/per capita, é o 6À país europeu e o 13À a nível mundial com maior Pegada Ecológica; Entre 1999 e 2000, Portugal foi o 3À país da UE que mais aumentou a sua pegada ecológica, o que demonstra a forma insustentável do nosso estilo de vida! Perante este cenário e se ainda não pôs em prática muitos dos conselhos que tenho indicado nestes artigos, espero que desta vez tenha um estímulo extra para começar hoje mesmo a mudar os seus comportamentos e hábitos! Se tiver curiosidade e possibilidade calcule a sua pegada ecológica em http://myfootprint.org, respondendo a um questionário, sobre a sua alimentação (regime

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BREVES
Constituída legalmente a Associação de Recicladores de Plástico
Foi constituída formalmente em Agosto a ARP - Associação de Recicladores de Plástico, é a 1.… e única associação de recicladores de plástico a nível nacional e é constituída por todos os recicladores nacionais de plástico, num total de 15 recicladores, o que denota uma extraordinária capacidade de união. O plástico apresenta ainda valores de reciclagem baixos (cerca de 11% no sector urbano), contudo, de acordo com os dados da Plastval, entidade responsável por garantir a retoma e valorização dos resíduos de embalagens de plástico, a capacidade instalada destas 15 empresas recicladoras é cerca de quatro vezes superior do que efectivamente é recolhido.

Energia - Portugueses abertos a renováveis
Um em cada quatro portugueses admite adquirir equipamentos para a produção de energia renovável nos próximos 12 meses e, em média, estão dispostos a investir cerca de 3500 euros, indica um estudo divulgado em Março pelo banco Cetelem. O documento tem por base uma amostra de cerca de 1000 pessoas das diferentes regiões do país (entrevistadas entre 15 de Outubro e 2 de Novembro de 2007). Os principais motivos que impulsionam a aquisição deste tipo de equipamento prendem-se com a preservação do ambiente (referida em 40 por cento dos casos), com a redução da despesa mensal com electricidade (37 por cento) e com a rentabilização do investimento através de venda de energia excedentária (14 por cento).
http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1322526

alimentar, tipo de alimentos), a quantidade de lixo produzida, a sua habitação (área, n.À de habitantes, tipo de construção) e a sua mobilidade e uso de transportes (km feitos em diversos meios de transporte, combustível consumido, etc.). Junte-se ao esforço global para uma vida na Terra sustentável envolvendo também os seus familiares e amigos, e influenciando os poderes políticos!
Referências bibliográficas e websites: „Dia da Terra – Quercus dá nota medíocre à sustentabilidade em Portugal‰, QUERCUS Ambiente, Maio/Junho, 2004, p. 13. Isabel Caldas e Isabel Pestanas, „Terra Viva‰, Ciências da Natureza 5À ano, Santillana – Constância, p. 18 http://www.myfootprint.org http://www.earthday.net Ecological Footprint of Nations, 2004, http:// www.redefiningprogress.org Margarida Silva e Nuno Quental, „O que é a pegada ecológica?‰, ABC Ambiente, Julho/ Agosto 2002, p.22 e 23.

Lourambi, MPI, Real 21 e “21L Lourinhã apresentam candidatura para Eco-Roteiro
O MPI, a associação Real 21 e a Agenda 21 Local da Lourinhã são os parceiros de um projecto promovido pela Lourambi intitulado „EcoRoteiro‰. Este projecto consiste na publicação de informação sobre o património natural e cultural e ainda eco-informações (guia com informações importantes sobre eco-actividades, como agricultura biológica, turismo rural, quintas pedagógicas, aluguer de bicicletas, etc), e demarcação de percursos pedestre nos concelhos de Cadaval, Lourinhã e Bombarral. Surge no seguimento de várias actividades promovidas pelos quatro parceiros nos últimos anos, e da necessidade sentida de haver informação simples e acessível quer aos cidadãos residentes quer e aos turistas, nacionais e estrangeiros, que nos visitam. Para concretizar este projecto foi apresentada uma candidatura ao Fundo ONG – Componente Ambiente do EEAGrants.

MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2, 2550-069 VILAR tel./fax: 262 771 060 e-mail: mpicambiente@gmail.com DENÚNCIAS - AMBIENTE
Sempre que testemunhe uma agressão ambiental deve denunciá-la de um dos seguintes modos:  Telefonar para a linha SOS Ambiente: 808 200 520 A linha funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e encaminha as denuncias para a IGA (Inspecção Geral do Ambiente) e para o SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR.
 Aceder ao site:

Papel 100%Reciclado

www.gnr.pt/portal/internet/sepna

AVISO
PEDE-SE A TODAS AS PESSOAS COM QUEIXAS SOBRE O MAU FUNCIONAMENTO DO ATERRO SANITÁRIO DO OESTE
A FAZÊ-LAS POR ESCRITO, ENTREGANDO-NOS UMA CÓPIA, COMO FORMA DE CONSEGUIRMOS PROVA DESTA QUEIXA, UMA VEZ QUE A INSPECÇÃO CER UM RELATÓRIO COM TODAS AS QUEIXAS RECEBIDAS.

GERAL DO AMBIENTE RECUSA-SE

A FORNE-

ATRAVÉS DE UMA DAS SEGUINTES FORMAS: FREGUESIA
DO

- POR FAX N.º 213 432 777 NOTA:
QUEM NÃO POSSUIR APARELHO DE FAX, PODE DIRIGIR-SE À JUNTA DE

VILAR

PARA O SEU ENVIO.

- POR CARTA PARA A MORADA: RUA DE O SÉCULO, N.º 63 1249-033 LISBOA

Atenção!
Pede-se a todos os que possuam endereço electrónico e pretendam receber informação por essa via nos enviem uma mensagem para o endereço electrónico do MPI: mpicambiente@gmail.com comunicando-nos essa pretensão, em alternativa poderão fazer a inscrição de automática recorrendo ao nosso site em www.mpica.info onde do lado esquerdo encontram a secção “Receba divulgação MPI”, é só preencher o campo com o seu endereço electrónico e aguardar uma mensagem de confirmação. Este nosso endereço electrónico serve também como meio privilegiado para entrarem em contacto connosco, caso tenham alguma sugestão, dúvida ou comentário para nos fazer chegar. Obrigado.