TERRA LIVRE

PARA A CRIAÇÃO DE UM COLECTIVO AÇORIANO DE ECOLOGIA SOCIAL

BOLETIM Nº11 AGOSTO DE 2009

- SETE ARGUME TOS CO TRA A E ERGIA

UCLEAR

- DECLARAÇÃO ECOSSOCIALISTA DE BELÉM

- MORRA O PASSADIÇO
- TOURADAS

SETE ARGUME TOS CO TRA A E ERGIA UCLEAR

Nem só no Brasil, mas também em Portugal e em outros países lusofônicos, existem políticos que favorecem a energia nuclear. No momento, por exemplo, o website de um bloco de partidos de esquerda português colocou em debate público o uso da energia nuclear como proposta de programa de governo, a ser apresentada nas próximas eleições, em outubro de 2009. Tendo em vista a escassez de informação sobre o tema na língua portuguesa, o Dr. David Fig, economista político e sociólogo ambiental da África do Sul, autor do livro “Uranium Road”, apresentou 7 argumentos porque a Energia Nuclear não vale! E o socialista Mike Kantey, Presidente da Coalizão Contra a Energia Nuclear da África do Sul, chamou a atenção para que as ações da esquerda não entre no caminho do urânio e do stalinismo.

* Energia uclear esquenta o clima global
Ainda existe o mito de que a energia nuclear não produz dióxido de carbono. Mas a realidade é que o ciclo da energia nuclear é um processo intensivo com alta produção de dióxido de carbono: mineração, moagem, produção de yellow cake (oxido de urânio concentrado), enriquecimento, construção dos reatores e usinas nucleares com milhares de toneladas de concreto, o transporte dos materiais radioativos a longas distâncias, depósito de lixo nuclear, descontaminação dos reatores velhos, etc.

* Segurança Energética
Com a opção de Energia Nuclear, Portugal vai ficar dependente dos países produtores da tecnologia e dos componentes das usinas nucleares. Portugal tem muito sol e vento, portanto possui melhores opções e com mais segurança para criar energia.

* Energia nuclear é cara demais
Energia nuclear é extremamente subvencionada pelo Estado. A energia nuclear tem altíssimos custos (na construção) e no processo de enriquecer o urânio. Também altos custos para o depósito do lixo atômico, além dos custos de descontaminação e demolição (decommissioning) dos reatores velhos que não são declarados. Energias renováveis (energia solar e eólica) tem algum custos iniciais – muito menos do que da energia nuclear – e no final, o sol, o vento e as ondas do mar são de graça e para sempre. Também os custos de fiscalização da indústria nuclear são enormes e um custo extra para o Estado e o seu financiador, o povo!

* Pouco emprego
Em comparação com a tecnologia eólica ou solar, a energia nuclear criar poucos empregos. Energias renováveis precisam de trabalhadores locais para a construção local e manutenção. Os empregos são criados localmente e ficam no local, por isso os comunidades ganham.

* Os riscos de contaminação
Sempre há um risco de contaminação com radiação, independente se a usina nuclear funciona perfeitamente com um bom sistema de segurança (“good” safety record). Emissão de isotopos radiativos de césio e estrôncio sempre acontecem, isso é uma contaminação “normal”, conhecida na linguagem internacional como contaminação “standard” das usinas nucleares. Acidentes com vazamento de radioatividade já aconteceram em várias usinas nucleares no mundo. Trabalhadores sofrem mais tarde de doenças graves como leucemia. E mais: o lixo nuclear precisa ser depositado de forma totalmente isolada do meio ambiente para um tempo de 244 mil anos! E até agora a tecnologia para garantir isso de forma perfeita ainda não existe.

Environmental Responsibility in South Africa (UKZ Press, 2007)” ota do EcoDebate: Mike Kantey, Presidente da Coalizão Contra a Energia Nuclear da África do Sul (Coalition Against Nuclear Energy of South Africa) concorda com os argumentos do Dr. David Fig e completa: “Para mim, como apoiador dos princípios socialistas e como um ex-membro do Congresso Sul-Africano (African National Congress), os fatos são muito claros: Uma economia centralizada e planificada sempre favorece a produção de energia centralizada e capital intensivo sem respeitar o povo. O contrário é a “people-friendly” – produção descentralizada da energia”. Essa forma de produção descentralizada é muito mais barata, muito mais limpa e cria inovação, favorece pequenos produtores, cria muito mais trabalho e combina melhor com as ecologias locais. Mike Kantey completa: “Esperamos que os socialistas portugueses incorporem uma visão ecosocialista do século 21 à lá Andre Gorz e Murray Bookchin e não a miopia anti-democrática e homicida ao modo de Joseph Stalin do século 19.” ** Colaboração especial e tradução de orbert Suchanek, Jornalista e Márcia Gomes de Oliveira, Socióloga. Fonte : http://www.ecodebate.com.br/2009/07/06/7argumentos-contra-energia-nuclear-artigo-dedavid-fig/

* Energia nuclear significa produção de eletricidade centralizada
A opção de energia nuclear está relacionada com a produção de eletricidade centralizada. Isso significa que quando uma coisa dá errado, milhares de pessoas ficam sem energia no mesmo momento. Energias renováveis e descentrais não tem este risco!

* Energia nuclear é anti-democrática
A indústria nuclear é por sua natureza secreta e sem transparência. Em alguns países, foi criada uma polícia especializada para cuidar dos materiais radioativos contra o roubo pelos “terroristas”. Com este argumento, a indústria nuclear contribui para a diminuição dos direitos democráticos da sociedade, porque cria um “Estado de Segurança”, um tipo de Estado que o população portuguesa combateu durante a sua Revolução de 1974. Texto: David Fig, davidfig{at}iafrica.com David Fig é socioambientalista e economista político da África do Sul. Possui doutorado em relações Sul-Sul pela London School of Economics e se especializou em questões de energia, comérico, biodiversidade e responsabilidade corporativa. Os seus livros mais recentes são “Uranium Road: Questioning South Africa’s uclear Direction (Jacana, 2005)” e “Staking their Claims: Corporate Social and

DECLARAÇÃO ECOSSOCIALISTA DE BELÉM (*)
este número do Terra Livre divulgamos uma das inúmeras correntes do movimento ecologista, a ecossocialista.

A Escolha da Humanidade
A humanidade enfrenta hoje uma escolha extrema: ecossocialismo ou barbárie. Não precisamos de mais provas da natureza bárbara do capital, este sistema parasita que explora a humanidade e a natureza. Seu único motor é o imperativo rumo ao lucro e logo a necessidade de crescimento constante. Ele cria produtos desnecessários de maneira dispendiosa, drenando os limitados recursos naturais e dando em retorno toxinas e poluição. Sob o capitalismo, a única medida de crescimento é quanto é vendido cada dia, cada semana, cada ano - incluindo vastas quantidades de produtos que são diretamente prejudiciais aos seres humanos e à natureza, produtos que não podem ser produzidos sem espalhar doenças, destruir as florestas que produzem o oxigênio que nós respiramos, devastar ecossistemas, e tratar nossa água e ar como se fossem esgotos do lixo industrial.

A ânsia do capitalismo pelo crescimento existe em todos os níveis, desde a empresa individual até o sistema como um todo. A fome insaciável das corporações é facilitada pela expansão imperialista na busca para ter cada vez mais acessos aos recursos naturais, mão-de-obra barata e novos mercados. O capitalismo sempre foi ecologicamente destrutivo, mas em nossa atual existência estas agressões à foram se acelerando. Uma mudança quantitativa está dando lugar à transformação qualitativa, levando o mundo a um ponto limite, à beira do desastre. Um time crescente de pesquisadores científicos tem identificado muitas maneiras nas quais pequenos aumentos na temperatura poderiam desencadear efeitos incontroláveis - tais como o derretimento rápido da camada de gelo da Groelândia ou a liberação do gás metano enterrada no gelo e no fundo do oceano - que tornaria inevitável uma catastrófica mudança do clima. Sem controle, o aquecimento global terá impactos catastróficos nas vidas humana, animal e vegetal. A produção das colheitas se reduzirão drasticamente, gerando fome em larga escala. Centenas de milhões de pessoas serão deslocadas por secas em algumas áreas e por níveis elevados das marés em outras. Um clima caótico e imprevisível será a regra. Epidemias de malária, de cólera e mesmo de doenças mais mortais aniquilarão os mais pobres e os mais vulneráveis de cada sociedade. O impacto da crise ecológica é mais devastador naqueles cujas vidas já foram ou vêm sendo destruídas pelo imperialismo inúmeras vezes na Ásia, África e América Latina, e os povos indígenas de todas as partes são especialmente vulneráveis. A destruição ambiental e as mudanças do clima constituem um ato de agressão dos ricos sobre os pobres. A destruição ecológica, resultante da ânsia insaciável pelo lucro, não é uma característica acidental do capitalismo: está no DNA do sistema e não pode ser reprogramada. A produção

orientada ao lucro considera somente um horizonte a curto prazo em suas decisões de investimento, e não consegue levar em consideração a saúde e a estabilidade a longo prazo do meio ambiente. A expansão econômica infinita é incompatível com ecossistemas finitos e frágeis, mas o sistema econômico capitalista não pode tolerar limites ao crescimento; sua necessidade constante de expansão subverte todos os limites que possam se impor em nome do "desenvolvimento sustentável." Assim o sistema capitalista inerentemente instável não pode regular sua própria atividade, muito menos superar as crises causadas por seu crescimento caótico e parasítico, porque fazê-lo exigiria colocar limites em sua acumulação - uma opção inaceitável para um sistema predicado na regra: Crescer ou Morrer. Se o capitalismo continuar a ser a ordem social dominante, o melhor que podemos esperar são condições climáticas insuportáveis, a intensificação das crises sociais e a propagação das formas mais bárbaras de poder, como a luta dos poderes imperialistas entre si e com o Sul global para controlarem os cada vez mais escassos recursos naturais no mundo. No pior dos casos, a vida humana pode não sobreviver.

Mas uma pessoa não pode servir a dois mestres, ou seja, neste caso, a integridade da terra e a rentabilidade do capitalismo. Um deve ser descartado, e a história deixa poucas dúvidas sobre as alianças da vasta maioria dos atores políticos. Temos toda a razão, portanto, de duvidar radicalmente das ações estabelecidas para medir a escalada da catástrofe ecológica. E certamente, além de um verniz cosmético, as reformas dos últimos 35 anos foram uma falha monstruosa. Melhorias individuais acontecem naturalmente, contudo elas são inevitavelmente oprimidas e varridas pela expansão impiedosa do sistema e da natureza caótica de sua produção. Um exemplo demonstra este fracasso: nos primeiros quatro anos do século XXI, as emissões globais anuais de carbono eram quase três vezes maiores daquelas da década dos 1990s, apesar do surgimento do Protocolo de Kyoto em 1997.

Estratégias Capitalistas para Mudança
Não faltam estratégias para lidar com a ruína ecológica, incluindo a crise do aquecimento global em conseqüência do aumento imprudente do dióxido de carbono atmosférico. A grande maioria destas estratégias compartilha uma característica comum: são planejados por e agem em nome do sistema global dominante, o capitalismo. Não é surpreendente que o sistema global dominante que é responsável pela crise ecológica também estabelece os termos do debate sobre esta crise, uma vez que o capital comanda os meios de produção do conhecimento, tanto quanto aquele do dióxido de carbono atmosférico. Conformemente, seus políticos, burocratas, economistas e professores proferem uma gama infinita das propostas, todas variações do tema que o dano ecológico do mundo pode ser reparado sem o desbaratamento dos mecanismos do mercado e do sistema de acumulação que comanda a economia mundial.

Kyoto emprega dois mecanismos: o do Sistema "Cap and Trade", que fixa um limite máximo de emissões e cria um mercado de livre troca de títulos de direito de emissão de carbono, e projetos no Sul global -- os chamados "Mecanismos de Desenvolvimento Limpo" (MDLs) -- para compensar as emissões das nações industriais. Todos estes instrumentos dependem dos mecanismos de mercado, o que significa, primeiramente, que o carbono atmosférico se

transforma diretamente em uma commodity, logo sob o controle dos mesmos interesses das classes que criaram o aquecimento global em primeiro lugar. Os poluidores não são compelidos a reduzir suas emissões do carbono mas na verdade têm carta branca para usar seu poder monetário para controlar o mercado de carbono para seus próprios fins, o que inclui a exploração devastadora para mais carbono. Tampouco há um limite à quantidade de créditos da emissão, que podem ser emitidos por governos coniventes. Dado que a verificação e a avaliação dos resultados é quase impossível, o regime de Kyoto não só é incapaz incapaz de um controle das emissões, mas dá margem também a amplas oportunidades de evasão e fraudes de todos os tipos. Como o jornal Wall Street Journal escreveu em março de 2007, o comércio de emissões "daria lucro para algumas grandes corporações, mas não acredite por um minuto sequer que esta trapaça fará muito pelo aquecimento global."

As reuniões de Bali em 2007 abriram precedentes para futuros abusos ainda maiores. Bali evitou a menção explícita dos objetivos drásticos para a redução do carbono elaborada pelos melhores cientistas dos clima (90% até 2050); abandonou os povos do Sul global à mercê do capital, ao dar a jurisdição do processo ao Banco Mundial; e deixou ainda mais fácil a compensação da poluição do carbono. Para afirmar e garantir o futuro da humanidade, uma transformação revolucionária é necessária, na qual todos os esforços particulares devem ser vistos na luz de uma luta maior contra o próprio capital. Esta luta maior não pode ser meramente negativa e anti-capitalista. Ela deve anunciar um tipo diferente de sociedade, e isto é ecossocialismo.

A Alternativa Ecossocialista
O movimento ecossocialista visa parar e inverter o processo desastroso de aquecimento global em particular e do ecocídio capitalista em geral, e construir uma alternativa prática e radical ao sistema capitalista. O Ecossocialismo situa-se em uma economia transformada fundada nos valores não-monetários de justiça social e de equilíbrio ecológico. Ele critica tanto a "ecologia capitalista mercado" e o socialismo produtivista, que ignoraram o equilíbrio e limites da terra. Ele redefine o trajeto e o objetivo do socialismo dentro de uma estrutura ecológica e democrática. O Ecossocialismo envolve uma transformação social revolucionária, que implique a limitação do crescimento e a transformação das necessidades por uma mudança profunda dos critérios econômicos quantitativos para os qualitativos, com ênfase no valor de uso em vez do valor de troca. Estes objetivos exigem a tomada de decisão democrática na esfera econômica, permitindo a sociedade de definir coletivamente seus objetivos do investimento e da produção, e a coletivização dos meios de produção. Somente a tomada de decisão e a posse coletiva da produção podem oferecer a perspectiva a longo prazo que é necessária para o equilíbrio e a sustentabilidade de nossos sistemas sociais e naturais.

Além da grande escala de intervenções valiosas propostas pelo "movimento dos movimentos," uma perspectiva singular e central está começando a ser discutida: que, para afirmar e sustentar nosso futuro da humanidade. As tentativas capitalistas de resolver a crise ecológica falharam: somente uma mudança profunda na própria natureza da civilização pode salvar a humanidade das conseqüências catastróficas da mudança do clima. A rejeição do produtivismo e a mudança dos critérios econômicos quantitativos para os qualitativos envolve um repensar da natureza e dos objetivos da produção e da atividade econômica em geral. As atividades humanas criativas, não-produtivas e reprodutivas essenciais, tais como tomar conta da casa, cuidado e educação das crianças e adultos, as artes, todos serão valores chaves em uma economia ecossocialista. O ar puro e a água e o solo fértil, assim como o acesso universal a alimentos sem agrotóxicos e às fontes de energia renováveis, não-poluidoras, são direitos naturais e básicos do ser humano básico defendidos pelo ecossocialismo. Longe de ser "despótico," a tomada de decisões coletiva nos níveis locais, regionais, nacionais e internacionais ocasiona o exercício da sociedade de liberdade e responsabilidade comuns. Esta liberdade de decisão constitui uma libertação das "leis" econômicas alienantes do sistema capitalista orientadas ao crescimento. Para evitar o aquecimento global e outros perigos que ameaçam a sobrevivência humana e ecológica, setores inteiros da indústria e a agricultura devem ser suprimidos, reduzidos ou reestruturados e outros devem ser desenvolvidos, fornecendo emprego para todos. Uma transformação tão radical é impossível sem o controle coletivo dos meios de produção e o planejamento democrático da produção e da troca. As decisões democráticas sobre o investimento e o desenvolvimento tecnológico devem substituir o controle das empresas capitalistas, acionistas e bancos, a fim de proporcionar um horizonte a longo prazo dos bens comuns da sociedade e da natureza. Os elementos mais oprimidos da sociedade humana, os povos pobres e os indígenas, devem

ter um papel central na revolução ecossocialista, a fim de revitalizar as tradições ecológicas sustentáveis e dar voz àqueles que o sistema capitalista não pode ouvir. Dado que os povos do sul global e os pobres são geralmente as primeiras vítimas da destruição capitalista, suas lutas e demandas ajudarão a definir os contornos da sociedade ecológica e sustentável economicamente a ser criada. Similarmente, a igualdade de gênero é integral ao ecossocialismo, e os movimentos de mulheres têm estado entre os grupos oponentes mais ativos da opressão capitalista. Outros agentes potenciais da mudança revolucionária do ecossocialismo existem em todas as sociedades.

Tal processo não pode começar sem uma transformação revolucionária das estruturas sociais e políticas baseadas no apoio ativo, pela maioria da população, de um programa do ecossocialista. A luta do trabalho - trabalhadores, fazendeiros, os sem-terra e desempregados - pela justiça social é inseparável da luta pela justiça ambiental. O capitalismo, explorador social e ecológico e poluidor, é o inimigo da natureza e do trabalho em igual medida. O Ecossocialismo propõe transformações radicais: 1. no sistema energético, substituindo os combustíveis fósseis e biocombustíveis por fontes limpas energéticas com controle social: eólica, geotérmica, marítima, e, principalmente, solar; 2. no sistema de transporte, reduzindo drasticamente o uso de caminhões e de carros

particulares, substituindo-os público grátis e eficiente;

por

transporte

3. nos padrões atuais de produção, consumo e construção, que são baseados no lixo, na obsolência inata, na competição e poluição, e produzir no lugar bens sustentáveis e recicláveis, e adotar a arquitetura verde sustentável; 4. na produção e distribuição de alimentos, ao defender a soberania alimentar local o máximo possível, eliminando o agronegócio industrial poluidor, criando agro-ecossistemas sustentáveis e trabalhando ativamente para renovar a fertilidade do solo. Para teorizar e trabalhar para concretizar o objetivo de um socialismo verde não significa que não devemos lutar por reformas concretas e urgentes agora. Sem nenhuma ilusão acerca de um "capitalismo limpo," devemos tentar ganhar tempo e impor nos poderes - quer sejam governos, corporações, instituições internacionais - algumas mudanças elementares mas essenciais:
• • • • • •

os biocombustíveis que agravam a crise alimentar. Nós devemos intensificar estes movimentos socioambientais e construir a solidariedade entre as mobilizações ecológicas anti-capitalistas no Norte e no Sul. Esta Declaração Ecossocialista é uma chamada à ação. As elites governantes encasteladas são poderosas, mas o sistema capitalista se revela diariamente cada vez mais falido financeira e ideologicamente, incapaz de superar as crises econômicas, ecológicas, sociais, alimentares e as outras crises que ele gera. E as forças da oposição radical estão vivas e são vitais. Em todos os níveis, local, regional e internacional, nós estamos lutando para criar um sistema alternativo baseado na justiça social e ecológica. Nós abaixo assinados, endossamos a análise e as perspectivas políticas esboçadas na Declaração Ecossocialista de Belém, e apoiamos o estabelecimento e a construção de uma Rede Ecossocialista Internacional.
(*) A Declaração Ecossocialista de Belém, também conhecida como o 2º Manifesto Ecossocialista, foi aprovada por ocasião da realização do Fórum Social Mundial de Belém do Pará, em Janeiro de 2009. Comitê de Redação: Michael Löwy, Joel Kovel e Ian Angus. Tradução de Beatriz Leandro. Para adicionar seu nome à lista de assinaturas, mande seu nome e país de residência para ecosocialism@gmail.com

redução drástica e obrigatória da emissão de gases estufa; desenvolvimento de fontes limpas de energia; provisão de um sistema extenso de transporte público grátis; substituição progressiva de caminhões por trens; criação de programas de despoluição; eliminação da energia nuclear e do orçamento bélico.

Fonte: http://www.ciranda.net/spip/article2598.html

Estas, além de demandas similares, estão no coração da agenda do movimento pela Justiça Global e dos Fóruns Sociais Mundiais, que tem promovido, desde Seattle em 1999, a convergência de movimentos sociais e ambientais numa luta comum contra o sistema capitalista. A devastação ecológica não será paralisada nas salas de conferências ou nas negociações de tratados: somente a ação de massa pode fazer a diferença. Os trabalhadores urbanos e rurais, os povos do Sul global e os povos indígenas de todo o mundo estão na vanguarda desta luta contra injustiça social e ambiental, combatendo as multinacionais exploradoras e poluidoras, o agronegócio químico venenoso e desregulado, as invasivas sementes geneticamente modificadas, e

MORRA O PASSADIÇO
Temos acompanhado com atenção a "telenovela" sobre a construção de um passadiço na Reserva Natural da Lagoa do Fogo, a qual tem feito surgir das catacumbas da indiferença face às questões ambientais/sociais ilustres cidadãos e cidadãs anónimo (a)s ou nem por isso. De entre as vozes ou das canetas que se têm manifestado, distinguiria os seguintes grupos: Identificados os intervenientes e sendo eles muitos, independentemente do que os faz mover, constatamos que é enorme o número de

preocupados com a degradação da Lagoa do Fogo, com ou sem passadiço. Para evitar gastos de saliva, tinta, papel e combustível e atendendo que a Ribeira Grande não ficará diminuída por um percurso pedestre a menos, propomos que seja retirado aquele trilho pedestre da lista dos percursos recomendados.

1- os cristãos novos, todos aqueles que depois de uma noite mal dormida acordaram dizendo: pai, a partir de hoje rompo todos os cartões e passo a ser ambientalista; Mas, para que o concelho não fique

"empobrecido" por aquela exclusão, disponibilizome, para, com apoio logístico da autarquia ribeiragrandense, se esta e quando esta entender

2- os do contra, todos os que tendo um inimigo de estimação - presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, determinado governante ou associação ambientalista - e estimulados por alguém das próprias estruturas governamentais decidem protestar; 3- os Nimby (Not in my backyard), isto é o grupo daqueles que se mobilizam para uma questão local e enfrentam, com ou sem razão, aquilo que pensam ser uma ameaça para o equilíbrio ecológico, esquecendo-se do que se passa noutros locais ou tudo aquilo que a sua vista não alcança;

por bem, elaborar uma proposta de trilho alternativo para o concelho. A título gratuito e qualquer que seja o inquilino da Câmara Municipal da Ribeira Grande.

8 de Julho de 2009 Texto: Teófilo Braga

4- os verdadeiramente preocupados com a coisa pública e que sem ganhos pessoais, para além da satisfação de contribuir para o bem comum, se dedicam de alma e coração a diversas causas.

PETIÇÃO- RIBEIRA GRANDE: CIDADE ANTI-TOURADA
"A grandeza de um povo, vê-se pela forma como trata os seus animais" Mahatma Gandhi A Ribeira Grande, ao declarar-se oficialmente uma cidade anti-tourada e anti-espectáculos com animais estará grandiosamente a contribuir para que se ponha “A defesa dos direitos dos animais não é compatível com a realização de espectáculos de tortura, que provocam sofrimento injustificado” Defensor Moura,
Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo

em prática a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, Uma cidade tantas livre de vezes sofrimento violada. injustificado,

respeitadora dos animais, sem violência gratuita, é sem dúvida uma cidade mais saudável.

Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal. Deste modo, pedimos a Vossas Excelências que tornem a Ribeira Grande uma cidade digna, adquirindo o estatuto de anti-tourada e anti-espectáculos com animais.

Artigo 10º, Declaração Universal dos Direitos dos Animais

Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande

Uma cidade digna que não promova a crueldade, a violência, livre de sofrimento sem violações à Declaração Universal dos Direitos dos Animais.

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia Municipal da Ribeira Grande

Um cidade digna que respeita os animais e condena os actos de violência contra os mesmos, empenhada no progresso civilizacional.

Pedimos a Vossas Excelências que tornem a Ribeira Grande uma cidade pioneira, na Região, na http://www.peticao.com.pt/direitos-animais-ribeiragrande

condenação e rejeição do sofrimento gratuito imposto aos animais em touradas e espectáculos.

Seguindo o exemplo de outras cidades de Portugal, iniciado pelo socialista Defensor Moura, autarca de Viana do Castelo, a Ribeira Grande ao tornar-se a primeira cidade açoriana a promover o respeito pelos Animais e condenar a violência gratuita contra os mesmos, estabelecerá um exemplo para a Região e País, que será certamente louvado e acarinhado pela população local, regional, nacional e internacional.

SÃO MIGUEL- ILHA A TI-TOURADAS
Se é defensor dos direitos dos animais e se é contra o uso indevido de animais nos divertimentos populares como as touradas, zele pelo que o seu município seja livre de touradas. Não compactue com este espectáculo que não tem qualquer tradição na ilha de São Miguel. Para tal, se pretende que o seu município seja livre destas actividades que não têm qualquer tradição local, envie a mensagem sugerida abaixo (ou uma mensagem sua, se preferir) com destino à/ao Presidente da Câmara Municipal da sua área de residência, utilizando os contactos abaixo referidos: e em Portugal, através da declaração oficial de "Município Livre de Touradas", tendo como base a oficialização municipal de um compromisso público e permanente de não-autorização de touradas. Esta medida promoveria o nosso Município internacionalmente como uma cidade

institucionalmente comprometida com a protecção dos animais, o que certamente lhe traria grandes benefícios promocionais e económicos, uma vez que só que a identificação deste com turismo de natureza deve passar também pela defesa do direito dos animais.

Sua Excelência Presidente da Câmara Municipal:
Peço a V. Ex.ª que tome uma posição exemplar e pioneira de condenação e rejeição oficiais das touradas e da crueldade animal que estes espectáculos implicam, colocando o nosso Município na linha da frente dos Municípios mundiais que têm como princípio institucional promover o respeito pelos animais e não admitir actos de violência contra estes. Poderia ser assim, o Vosso Município o primeiro dos Açores a ser declarado AntiTouradas, estabelecendo um exemplo que será certamente louvado e apreciado pelos seus

Agradecendo antecipadamente a atenção de V. Ex.ª e ficando na expectativa de uma resposta,

Com os meus respeitosos cumprimentos, Nome: Número de BI: Morada: E-mail: Contactos Câmara Municipal de Ponta Delgada bertacabral@mpdelgada.pt Câmara Municipal da Lagoa gabprescml@mail.telepac.pt

Câmara Municipal da Ribeira Grande ricardosilva@cm-ribeiragrande.pt
Câmara Municipal de Vila Franca do Campo pres@cmvfc.pt Câmara Municipal da Povoação presidente@cm-povoacao.pt Câmara Municipal do Nordeste presidente@cmnordeste.pt

habitantes, pela população de outros concelhos da Região, e, certamente, pela maioria da população portuguesa. Os Açores necessitam, urgentemente, de dar passos positivos e sólidos na protecção dos animais e peço a V. Ex.ª que faça com que seja o nosso Município a dar o primeiro passo, que definirá uma nova era mais ética para com os animais nos Açores