Temporada 04 Capítulo 56

Coração Louco
By We Love True Blood

Oh, I made a lot of mistakes. I'm just trying not to make 'em twice.

Ela sentiu nas pernas o metal gelado da porta do carro, em seguida foi engolida pelo corpo de Eric, que roçava de encontro ao dela. Sookita tentava pensar com clareza, mas não conseguia. Acabariam fazendo sexo ali mesmo no carro, e acompanhados de todo o sangue que vertia de dentro dela. Os lábios dele não deixavam dúvidas do desejo que sentia, a beijavam com desespero e ela o beijava da mesma maneira. Ela rezava para o tempo ficar estático, as pessoas parassem de passar do outro lado da rua, e só existissem os dois naquele momento. As mãos de Eric exploravam o vestido florido, pronto para tirá-lo do caminho. A pele dela ansiava pelo toque gélido dele. Ela também queria se livrar das peças de roupas que atrapalhavam tanto. Queria ficar nua ao lado dele, queria vê-lo nu, relembrar cada parte que ficou marcada na mente dela. “Não... não podemos fazer aqui... desse jeito.”, ela disse tentando recuperar o fôlego entre os beijos dele. “Eu falei para fazermos dentro do carro...” Ele esfregava o quadril, forçando para que ela ficasse nas pontas dos pés e pudesse sentir a ereção dele. Dessa vez ele não iria recuar e muito menos ela, iriam até o final. Ela não pensava nas consequências, nem no futuro. Só ansiava pelo presente. “Minha bolsa...” Ela gemeu quando ele se afastou, ficar longe dele por alguns segundos era penoso. Sookita remexeu na bolsa sentindo as mãos tremendo, não conseguia focar o pensamento, só pensava no membro ereto dele e o quanto ficou roçando na coxa dela. “Se continuar demorando, eu vou arrancar essa merda de porta.”, ele disse numa voz rouca.

“Oh! Droga.” A bolsa caiu no chão, e ela viu as poucas coisas que carregava espalhadas na calçada. “Um minuto... um minuto... Meu Deus.”, ela disse agachando no chão e tentando achar a maldita chave. Conforme se movia, o formigamento entre as pernas aumentava, deixando a situação ainda pior. Ele não podia desistir ou perder a vontade. Ficaram tanto tempo longe um do outro, tão distante e tão escuro. “Quer ajuda?” “Pelo amor de Deus.”, ela quase gritou. Olhou de soslaio e pode ver mais uma vez a ereção dele. Eric tentou disfarçar encostando no carro quando um grupo de pessoas passou por eles. Ela praguejava baixinho, tudo porque estava tão nervosa que mal conseguia ver uma chave. “Sempre tem algo para atrapalhar.” Ele disse agachando ao lado dela, demonstrando dificuldade para se mover por causa do volume nas calças. Em questão de segundos ele achou a chave perto da roda dianteira. Eric ficou em pé e ela pode ouvir a porta traseira destrancando. Sookita terminou de pegar o resto das coisas no chão e colocou rapidamente dentro da bolsa, as mãos continuavam tremendo. Ela respirou fundo antes de levantar, por mais que desejasse o sexo, ainda era estranho se entregar tão livremente para Eric. O encontrou parado ao lado da porta, apenas esperando ela se recompor. Algumas pessoas passaram novamente na calçada, lançando olhares estranhos na direção deles, como se soubessem o que pretendiam. Eric abriu a porta e entrou sem dificuldades, posicionando com maestria no banco de trás, como se fizesse isso sempre. Ela parou em frente à porta, apertou a bolsa nas mãos, e sentiu o calor tomando conta do corpo, a mesma dor incontrolável de antes, apenas o toque dele poderia aplacar. Como se adivinhasse, ele estendeu o longo braço e a puxou para dentro do carro, ela só teve tempo de desviar do teto para não bater a cabeça. Estavam sentados lado a lado, como um casal normal. “Feche a porta.”, ele disse perto do ouvido dela, a voz rouca, sem esconder a vontade que sentia.

Ela bateu a porta com força, até surpreendendo Eric que abriu um sorriso. Os vidros tinham uma película escura, as pessoas que passassem ao lado não perceberiam nada, talvez os gemidos? Ela deixou a bolsa cair no chão, mas dessa vez não se importou. Sookita apertou as mãos no colo, tinha que controlar o tremor, ele não poderia perceber o quanto ela estava nervosa. “Prometo que não vou morder.”, Eric disse colocando uma das mãos sobre as dela, tentando acalmá-la. “Não é isso...”, ela o olhou surpresa. “Faz muito tempo.” “Do que?” Ele perguntou fingindo interesse, apertou as mãos dela e depois desceu a mão para a coxa. Ela sufocou um gemido por sentir a mão gelada na pele, fazia tudo ficar mais real ainda, não era um sonho erótico. “Eu... sexo... a última vez foi na sua casa.” “Foi no escritório.”, ele disse, enquanto passava a mão perigosamente perto da calcinha dela. “Mas... não fomos até o fim.”, ela virou o rosto para encará-lo. “Se não gozar, não conta?”, ele a encarou de volta, falando tão baixo que ela teve dificuldade para ouvir. “Você quem está dizendo, não tenho muita experiência.”, Sookita sentiu o formigamento familiar entre as coxas, ansiava pela mão dele ir no caminho certo. “Quer dizer... Bastian não te fodeu e nem Chuck?”, ele soltou uma risadinha. “Não... não me foderam, se isso te deixa feliz.” “Eu te foder? Muito feliz.” Ela engoliu em seco, tinha chegado no limite, ouvir ele dizer foder era o máximo que aguentaria. A palavra soava como música saindo dos lábios dele, ela queria mesmo ser fodida, com muita força, até sentir o corpo dolorido. “Eu quero...”, ela disse colocando uma das mãos no rosto dele. “Diga...”, a voz dele saiu sufocada. “Eric, eu quero que me foda.” Ela disse sem titubear, sem medo de parecer desesperada, apenas disse o que tanto desejava desde que ele voltou, na verdade desde que partiu um ano

atrás. Não pensava se tudo daria errado assim que saíssem do carro, ela o amava e era o suficiente por uma noite. O mundo que esperasse. A mão dele que estava na coxa foi para os cabelos dela, e ela sentiu mais uma vez os lábios dele. Dessa vez o beijo foi diferente, não havia mais a saudade e sim paixão. A língua dele a invadia como se já estivessem fazendo sexo, a promessa do que viria pela frente podia ser sentido ali. Ela também segurava nos cabelos dele, passou a mão em volta do pescoço e não soltaria tão cedo. Da boca dela, ele desceu para o pescoço, sugando como fez antes, mas sem tirar as presas, prometeu que não iria mordê-la e não o fez. Mas, ela desejava até a mordida, a mistura do sangue na boca dele, ainda mais quando a beijava. Ela sentia o prazer dele em ser vampiro e apenas o gosto do sangue conseguia isso. Ela tirou uma das mãos do pescoço dele, afastou o vestido entre as pernas e levou a mão até a calcinha. Estava usando absorvente e o sangue continuava descendo em abundância. Ele não percebeu o movimento dela, pois continuava beijando o pescoço dela e descendo em direção aos seios. Sookita não sabia bem o que fez e qual o motivo, mas talvez sendo levada pela excitação do momento, ela enfiou um dedo dentro de si e só retirou quando o sentiu molhado de sangue. Puxou a cabeça dele para trás com a mão que continuava limpa e levou o dedo na direção da boca dele. Ele lambeu primeiro a ponta do dedo, tentando manter o controle, mas em seguida lambeu por inteiro, saboreando cada gota. Ele emitia um som baixo, saindo do fundo da garganta. Ela sorria diante do efeito que produziu nele, e também o prazer só aumentou, quando ele a penetrasse, ela não saberia como iria reagir. “Por que fez isso?”, ele disse numa voz estrangulada. “Não era o que desejava?”, Sookita perguntou respirando de maneira ofegante. “Estava tentando me controlar, não quero machucá-la.”, Eric passou a língua mais uma vez no dedo dela. “Machuque...” “Não sabe o que está pedindo...”, os olhos dele ficaram quase vermelhos na penumbra do carro. “Sei muito bem... não sou de porcelana.” Ela puxou a mão para trás, tirando dos lábios dele e foi novamente em direção a calcinha. “Eu vou...”, ele gemeu segurando a mão dela.

“Vai o quê?” “Rasgar esse seu maldito vestido...” Ele colocou as mãos em cada uma das alças e puxou para cima como se fossem um papel, o vestido dela caiu até a cintura, expondo os seios. Graças a Deus ela não colocou sutiã, ela olhou para cima como se realmente agradecesse. Eric empurrou os dois bancos para frente com violência, ela deu um sobressalto. Em seguida, ele levou as mãos até o quadril dela, a virou de frente para ele e a puxou para que apoiasse as costas na porta. Ele apoiou um joelho no banco entre as pernas dela, foi o suficiente para que ela gemesse alto pela expectativa. Eric tirou a jaqueta preta e jogou na direção do volante, depois foi a vez da camiseta. Ele mantinha a cabeça tombada por causa da posição que estava, Sookita percebeu o incomodo dele. Agarrou os ombros musculosos e o puxou na direção dela. Era a segunda vez que sentia o peso do corpo dele desde que voltou, era uma das sensações que mais gostava quando estavam juntos. Dessa vez ele não a beijou na boca, foi direto num dos seios dela e com as mãos puxava o resto do vestido e a calcinha para baixo. Ela ficou nua embaixo dele, Eric ainda usava a calça jeans, era o grande impedimento. Pena que no escuro do carro não conseguiria vê-lo como gostaria, principalmente uma certa parte que ansiava para sentir dentro dela. Um toque insistente de celular ecoou pelo carro, Sookita quase deu um grito de horror. Não era o dela, só poderia ser o dele. Eric soltou um palavrão e deu um soco na porta, criando um amassado. “Não vou atender.”, ele disse a encarando preocupado. “Vai parar de tocar.”, ela disse tentando manter a calma. Estavam tão perto de consumar, ela não aguentaria uma interrupção. Com receio do pior, Eric desabotoou a calça rapidamente. Sookita se posicionou com as pernas abertas, pronta para recebê-lo. Mas, o celular voltou a tocar, tocar e tocar. Ela quase chorou, mais um pouco sentiria as lágrimas escorrendo. “Meu Deus!”, Sookita disse cravando as unhas nas costas dele. “Vou matar o filha da puta que está ligando.” Eric apoiou novamente um dos joelhos em cima do banco, ela viu o membro dele ereto enquanto ele puxava a jaqueta e pegava o celular. Ele a olhava

desolado, principalmente para o sangue que escorria lentamente entre as pernas dela. “Fale.”, ele disse raivoso. Com a outra mão livre, ele passava os dedos no clitóris de Sookita. Ela mantinha as pernas abertas, apoiava uma no banco tombado e a outra no encosto do banco de trás. Não conseguia ouvir a voz do outro lado, apenas sentia os dedos habilidosos dele fazendo movimentos circulares no ponto exato. O sangue fazia com que escorregassem facilmente, aumentando o prazer dela. “Tem certeza? Estou ocupado... Sim, muito ocupado.”, ele aumentou a pressão dos dedos, enfiou dois dentro dela. “Bastian não irá fazer nenhuma besteira. A cria dele o que? Ele sentiu ela morrendo?” Sookita saiu do transe em que estava quando ouviu o nome de Bastian e cria. Alguma coisa tinha acontecido, e ela estava ali fazendo sexo no carro com Eric. “O que aconteceu?” Ela perguntou apavorada, sentando no banco e perdendo o contato dos dedos dele. Eric encolheu os ombros diante do movimento dela, levou os dedos até os lábios e os sugou enquanto a voz falava do outro lado. “É Sookita, Santiago. Sua perspicácia é deliciosa.”, Eric disse entre dentes. “Moramos na mesma casa.” “Bastian está bem?”, ela cobria os seios com as mãos. “Não...”, Eric respondeu. “Não vejo motivo para ir até aí, não pode esperar uma hora?”, ele apontou para o corpo dela, não gostando dela se escondendo. Ele falou mais algumas coisas que ela não entendeu, ainda estava atordoada com o quase sexo que fizeram e a interrupção. Eric desligou o celular e jogou o aparelho longe. “Eric?” “O idiota do Bastian sumiu porque a cria dele morreu.” “Não... não... Maya morreu? Como ele sabe? A encontrou?”, ela perguntava sentindo as lágrimas escorrendo. “Nós vampiros sentimos quando nossa cria morre.”, ele explicou sem vontade. “Vamos continuar de onde paramos...” “Bastian é meu melhor amigo e importante para você também.” “Não é.”, ele deu de ombros.

“Eric, não é hora de brincadeiras. Procuramos Maya por mais de um ano, ela morrer... é... é tão terrível, desolador.”, Sookita começou a soluçar. “Acontece, perder faz parte.” “Não acredito no que está dizendo, nem você acredita... senão...”, ela quase falou sobre a mulher dele. “Senão o que?” “Nada... Onde ele está?” “Santiago disse que Bastian sumiu. E pediu para eu ir até a casa dele.”, ele disse passando a mão no membro ainda rijo e sentando no banco. “Irei junto.” Ela pegou o vestido que estava debaixo dele, lançou um olhar para ele passando a mão no membro, ela sentiu vontade de sentar em cima dele, mas não poderia sucumbir agora. Sexo era bom, mas ela amava Bastian e não queria perdê-lo. “Está seminua.” “Por sua causa.” “Não reclamou quando eu rasguei o seu vestido.” “Agora é um problema.”, ela olhava desolada para as alças soltas. “Vou bater uma aqui...” “Como é?” “Não posso ir desse jeito.”, Eric apontou com a cabeça. “Eric, nem tudo se resume a sexo.” “Agora você diz isso.” Ele balançou a cabeça enquanto arrumava as calças sem vontade. Ela viu a mancha de sangue que deixou no estofado do banco, provavelmente jamais sairia, esse tipo de mancha era a pior. Eric pegou a camiseta e a jaqueta, vestiu tão rapidamente quanto tirou minutos atrás. Ela puxou os bancos para trás, ainda com os seios expostos. Pegou as alças e amarrou atrás da nuca, ficou meio estranho, mas foi a solução prática que encontrou. A bolsa estava no chão do carro, ela pegou e parou alguns segundos para respirar. Ainda sentia o formigamento doloroso entre as pernas, tão doloroso que não foi aplacado ainda.

Eric ficou quieto no banco de trás, não se moveu e não a olhou. Ela abriu a porta e caminhou até o banco do motorista. Nunca imaginou o quanto seria penoso fazer uma caminhada curta morrendo de vontade de transar e cheia de desejo. Haviam poucas pessoas na rua perto da boate, todos estavam curtindo lá dentro. Ela soltou um longo suspiro, as lágrimas secaram no rosto. Abriu a porta, se ajeitou no banco. Eric ainda continuava quieto e pensativo. Ela o olhou pelo espelho retrovisor, e encontrou o olhar distante dele. Ela deu partida no carro, com o coração apertado por Bastian. ------------------------------------Santiago escancarou a porta assim que os dois pararam na entrada. Fizeram o trajeto em completo silêncio, não houve mais insinuações sexuais e muito menos comentários do sexo que quase aconteceu e pelo jeito jamais aconteceria. Era capaz de cair um meteoro em cima dela do que irem até o fim. Sookita fez um aceno para Santiago, o vampiro baixinho não se conteve e a abraçou. Ela ficou surpresa pelo ato, não tinham uma relação profunda, diferente do que ela tinha com Bastian. E por sorte ele não demonstrou incomodo com o cheiro especial dela, Santiago não tinha olfato bom como os outros vampiros. “Finalmente chegaram, eu estava desesperado.”, Santiago disse conduzindo Sookita para dentro da casa e fazendo um sinal para Eric segui-los. “Eu estava ocupado. Espero que não seja alguma brincadeirinha sem graça de Bastian.”, Eric disse visivelmente irritado. “Eu jamais o perturbaria se não fosse por algo realmente importante, caro Eric.”, Santiago disse entre dentes. No momento que atravessaram o corredor e chegaram na espaçosa, clássica sala de Santiago. Pam estava sentada em frente ao jogo de xadrez montado em cima de uma mesinha. Sookita lembrava bem daquele ponto, foi ali que Bastian contou sobre Eric e Jason. “Ah, os pombinhos chegaram.”, ela bateu palmas. Sookita lançou um olhar preocupado na direção dela, será que Pam tinha visto os dois no carro? Impossível, ela pensou tentando tirar o pensamento da cabeça. O carro tinha uma película protetora, bastante escura. Mas vampiros enxergavam muito bem, não faria diferença. Droga, Sookita lançou um olhar de canto para Eric. “Não comece, Pam.”, Santiago disse passando a mão na careca.

“Eles agora moram juntos. Tão romântico.”, ela abriu um largo sorriso. “O que houve com Bastian?”, Eric perguntou colocando as mãos na cintura e ignorando as provocações de Pam. “Eu estava lendo um livro e Bastian jogando aquele aparelho barulhento na outra sala. De repente, eu o ouvi gritando sem parar. Fui até ele para acudi-lo e ele relatou que sentiu Maya, a jovem cria dele, morrendo.” “É verdade isso mesmo?”, Sookita perguntou desabando no sofá. “Sim.”, Santiago enxugou uma lágrima que escorreu. “Eu senti a mesma agonia com Delilah. É uma dor tão terrível.”, ele tirou um lenço do bolso do paletó e limpou mais lágrimas de sangue. “Eric, sinta-se abençoado por não sentir a dor de perder uma cria.” Sookita notou que Pam se mexeu desconcertada, Santiago havia atingido um nervo e Eric focou a atenção em outro ponto da sala. “Por que não o chama?”, Eric falou após vários minutos de um silêncio embaraçoso. “Já tentei, esse é o problema, ele não voltou.”, Santiago disse balançando a cabeça. “Pam, venha comigo. Sookita faça companhia para Santiago.”, Eric comandava a situação. Pam levantou a contragosto, caminhou lentamente pela sala e parou ao lado de Sookita. Aproximou o rosto e cochichou: “Eu estava brincando, bobinha. Sua cara foi impagável.” “Não sei porque sou sua amiga, sinceramente.”, Sookita respondeu dando de ombros. “Porque amamos a mesma coisa.”, Pam deu uma piscadela e se afastou. Eric lançou um olhar na direção do sofá, ela o encarou. Ele fez um leve movimento com a cabeça, não havia mais desejo. Ela devolveu o aceno e abriu a boca para dizer algo, mas se arrependeu. Ele deu meia-volta e partiu velozmente, sendo seguido por Pam. Santiago sentou ao lado de Sookita, e tomou as mãos dela entre as suas. Se ele não fosse um vampiro e imortal, ela poderia jurar que ele parecia bem mais envelhecido, ainda mais depois de perder Delilah. “Sookita, obrigado por vir.”

“Por favor, não agradeça. Eu faço qualquer coisa por Bastian.”, ela disse sussurrando. “Oh, minha cara, sabe que não escuto muito bem.”, ele bateu num dos ouvidos. “Desculpe.”, ela se encolheu por causa do fora que deu, sempre se esquecia disso. “Eu não acredito que Maya pode ter morrido, depois de todo esse tempo.” “Eu sei do esforço de vocês dois, é louvável a busca que fizeram. Infelizmente não sabemos o que pode ter acontecido. Apesar de nós vampiros termos essa aura de semideuses, somos tão frágeis em alguns momentos. Ainda mais quando somos neófitos.”, ele soltou as mãos dela. “Bastian sempre disse que não cuidou bem de Maya, ele se culpava.” “Ele tem razão em se culpar, um neófito requer muitos cuidados, ainda mais nos primeiros meses. Bastian foi muito relapso, tão diferente do que eu ensinei.” “Como o conheceu? Ele nunca me contou...”, ela tentava imaginar Bastian em momentos felizes para não pensar no pior. “Bastian tem uma história peculiar, cara Sookita. Ele foi encontrado ainda recém-nascido num banco de uma praça. Isso foi nos anos 70, se me lembro bem, sabe que minha memória não é das melhores. Delilah ouviu um choro fraquinho e batidas desesperadas de um coraçãozinho.”, ele enxugou novamente as lágrimas. “Por isso, Pam o trata como um filho.”, ela disse como se falasse para si mesma. “Sim, é o meninão de todos nós. Eu e Delilah o criamos, com a ajuda de Pam. Eric nunca se envolveu, ele não gosta de crianças, choros, resmungos. Eric parece mais velho do que eu. Deve ser a alma antiga dele.” “Eu ficaria surpresa se fosse diferente.” “É mesmo, é mesmo.”, Santiago deu uma risada, a primeira naquela noite. “Bastian foi uma criança sapeca, feliz, nos trouxe uma alegria imensa. Imagine, três vampiros velhos correndo atrás de uma criança pela casa.”, ele sorriu. “A Autoridade aceitou?” “Ah, claro. Eu tinha as minhas influências naquela época, bem mais do que agora. Hoje em dia sou como a Rainha da Inglaterra, governo mas não exerço.”, Santiago limpou a lente dos óculos pesados. “Quando chegou o momento certo, aquele período confuso de fim da adolescência, eu o transformei.”

“Ele não achou estranho?” “Oh, não. Bastian sempre quis ser um super-herói, escalar as paredes como o Homem-Aranha. Virar um vampiro foi o maior presente que eu poderia dar para ele.”, o olhar de Santiago era sonhador. “Sookita, eu não posso perdê-lo. Ainda não consegui superar Delilah, essa casa sem ela é como um mausoléu. E sem Maya e sem Bastian...” “Santiago, não pense assim. Eric e Pam irão encontrá-lo. Eu também não posso perdê-lo.” “Ele a ama muito, Sookita.”, Santiago passou a mão no rosto dela, limpou uma lágrima que escorreu. Os dois ficaram num longo silêncio, cada um perdido em pensamentos. Pam e Eric não deram nenhum sinal, não haviam progredido. Ela não queria sentir o peso que continuava em seu coração. “Por que Nora abandonou Eric?” Ela disse de repente e Santiago deu um sobressalto, não esperava a pergunta. --------------------------------Estavam procurando por Bastian havia mais de uma hora, foram em vários inferninhos de Vale, lugares onde vampiros procuravam para espairecer e cometer algumas atrocidades longe dos olhares da Autoridade. Mas, não encontraram nada. Nem quando tentaram captar o cheiro dele, foi em vão. “Onde o idiota pode estar? Deve ter se acorrentado em alguma árvore e está esperando amanhecer.”, Eric disse impaciente parando numa praça no centro da cidade. “E se ele fizer isso?”, Pam parou ao lado dele, evitava encará-lo, a raiva ainda não tinha passado. “Ele não quer morrer, só está fazendo drama.” “Mesmo assim, não quero correr riscos.”, ela se mexeu impaciente. “Bastian é jovem, vai superar a perda.” “Adoro quando é sábio, está parecendo o Yoda.”, Pam fez um movimento com as mãos para cima e para baixo na direção do corpo dele. “Estava sentindo falta do seu sarcasmo.”, ele cruzou os braços e a encarou. “Já disse, não vai me conquistar com esse papo furado.” “Eu não te abandonei, quero que entenda isso de uma vez por todas.”

“Não foi o que pareceu.”, ela desviou o olhar, não queria demonstrar a dor que sentia. “Sabe que não sou bom com despedidas. Eu odeio essas coisas sentimentais.”, ele gesticulou irritado. “Como sei. Mesmo se ajoelhar e pedir desculpas, continuo sócia de Bill. Terá que se virar.”, ela colocou as mãos na cintura. “Quer que eu beije seus sapatos de marca que custam mais do que uma casa?”, ele deu um sorriso de canto. “Por favor...”, ela levantou o pé. “Não falei sério.” Em vez do pé, ele a puxou pelo braço e deu um longo abraço. Apertou a cabeça dele de encontro ao peito. “Eu não quero perdê-la, Pam.”, ele beijou a cabeça dela. “Nora não é um impedimento, nunca foi. Quero que se deem bem.” “Ela é oficialmente sua mulher?”, ela disse segurando forte na camiseta dele. “Não faço ideia do que isso significa.”, ele colocou a mão no queixo dela e levantou para encará-lo. “Ela é importante para mim, assim como você.” “Você está cheirando a sangue de... Sookita.”, Pam se afastou dele com um careta. “Vivemos na mesma casa, é natural.”, ele disse rapidamente. “Ainda não aprendeu a mentir. Está tudo em você, impregnado.”, ela balançava a cabeça chocada. “Pare de brincar com a moça.” “Desde quando caiu de amores por ela? Não a odiava mais do que tudo?” “Tenho Nora para isso. Sookita é inofensiva.” “Não escutou nada do que eu falei.”, ele bufou de raiva. “Escutei as baboseiras que diz quando quer escapar dos problemas.” “Só estou junto de Sookita por sua causa. Deveria ter pensando antes de vender tudo para Bill.” “Milagre que você e Bill ainda não se mataram.” “Não estamos mais na Idade Média.” “Pena.”, ela deu de ombros.

Ele começou a caminhar para longe dela, não adiantava procurar uma solução, Pam continuava irredutível. Se ela soubesse que ele desejava que tudo voltasse ao normal, a vida que tinham juntos, a boate. -------------------------“Então, sabe sobre Nora e Eric?” “Pam me contou algumas coisas.”, ela disse uma meia verdade, não falaria do encontro com Nora. “Como tudo que tem Eric é complicado, Nora não seria diferente.”, ele focou a visão nas janelas da sala. “Nora o ama muito, assim como ele a ama. Eu acho que é uma história trágica de amor. Não ficam juntos porque são teimosos. Ele por não se comprometer e ela por não aceitar como foi transformada.” Ela ouviu novamente da boca de Santiago a mesma história contada por Nora. Sookita lembrava muito bem dela dizer que nem Santiago sabia dos detalhes e agora ele conta tudo, exatamente como aconteceu. Nora havia mentido? Por qual motivo?” “Nora não faz ideia de que eu sei tudo. Eric quem me contou quando ela o deixou, nunca o vi tão desesperado. Naquele pequeno momento, eu vi que ele tinha algum sentimento naquele corpo enorme. Nunca nos demos bem, eram poucos os momentos que conversávamos sem nos atacarmos verbalmente, na maioria das vezes em frente a Nora.”, ele ajeitou os óculos. “Acredite, estou feliz pelos dois terem se encontrado novamente nessa vida imortal. Dessa vez eu não sou um fardo, eles podem realmente ser felizes.” Sookita sentiu vontade de gritar, não queria saber da felicidade dos dois. Quase tinha feito sexo com Eric horas atrás e agora estava sabendo de que ele amava Nora e vice-versa. “Eu cheguei a pensar várias vezes em encontrar o sol. Subir no lugar mais alto e espera-lo nascer, trazendo a promessa de uma outra vida feliz. E deixá-los livres de mim, mas nunca tive coragem. Sou um covarde...”, ele abaixou a cabeça. “Encontrar o sol? Meu Deus...”, ela ficou em pé num salto. “O que foi?” “É isso que ele foi fazer. Bastian quer morrer por Maya... o lugar mais alto da cidade.”, ela andava de um lado para o outro. “A Capela Nossa Senhora de Lourdes?”, ele arriscou. “Isso, isso. Faz sentido, não faz?”

“Não estou conseguindo acompanhar, cara Sookita.” “Você disse... encontrar o sol num lugar alto. Onde ele nasce primeiro. E ele não respondeu ao seu chamado, deve ter se prendido...”, a mente dela fervilhava. “Vou avisar Pam e Eric.” “Estou indo para lá.” “Vou com você.” “Quanto tempo falta para amanhecer?”, ela perguntou. “Umas três horas.” “Não podemos perder tempo.” Ela correu para o carro, seguida de um lento Santiago, ele não era rápido como os outros vampiros. Ela dirigiu as cegas pelas ruas vazias, nunca esteve tão feliz por ser de madrugada, iria chegar rapidamente no alto do morro. Enquanto isso, Santiago tentava avisar Eric e Pam, mas nenhum os dois respondeu. O caminho era íngreme, a igreja era uma das atrações turísticas da cidade e bastante visitada. Sookita frequentou muito lá quando criança, depois mudaram para outra igreja mais perto, sua avó estava velha e a subida cansava. Santiago conseguiu avisar os dois vampiros, eles chegariam alguns minutos depois. Eric provavelmente voaria e Pam correria velozmente. Nesses momentos Sookita também gostaria de ter esses poderes especiais. Ela estacionou o carro no pequeno estacionamento em frente à igreja, o lugar era mal iluminado e bastante perigoso, não era bom ficar sozinha por ali. Casais gostavam de namorar no alto do mirante e observar as luzes da cidade. Mas muitos eram assaltados, ou sofriam ataques de vampiros jovens, acontecia de tudo um pouco. Claro que também havia muitas histórias exageradas. “Bastian?”, ela gritou. “Como me achou?”, uma voz fraca respondeu vindo do alto. “Ali em cima...” Ela avisou Santiago, apontou para o topo da igreja. Havia algo preso num dos pilares que sustentavam o sino. “Como se prendeu aí?”, Eric perguntou surgindo repentinamente no estacionamento e parando ao lado de Sookita e Santiago.

“Estou vendo toda a cavalaria.”, Bastian gritou numa voz rouca. “Se alguém aproximar, eu pulo.” “Bastian, meu querido. Se pular não irá morrer, além do que está amarrado.”, Pam disse soltando uma gargalhada. “O que ele disse?”, Santiago perguntou, ele não conseguia ouvir Bastian. “Que é um idiota.”, Eric respondeu. “Eric!”, Pam e Sookita gritaram juntas. “Eu vou morrer e não tem nada que possam fazer para impedir.” “Te solto em dois segundos.”, Eric gritou. “Me deixem morrer. Eu quero, puta merda. Eu matei Maya quando a deixei ir sozinha atrás de Delilah. É tudo minha culpa.” “Santiago acabou de dizer que irá pagar a sua terapia.”, Eric disse com um sorriso. “Não falei nada disso.”, Santiago retrucou. “Meu Deus, Eric. Nunca leva a sério as coisas?”, Sookita sentiu vontade de estapeá-lo por ser tão insensível. “Vamos ficar discutindo até o dia amanhecer.”, Pam disse cruzando os braços. “Vou acabar com essa palhaçada.” Eric levantou voo e pousou sem problemas ao lado de Bastian na torre do sino. Sentou na mureta de pedra e viu as luvas que o rapaz usou para se prender com as correntes de prata, uma em volta do pescoço e outra prendendo as mãos. “Até que você é esperto.”, Eric disse pegando as luvas na mão e as calçando. “Obrigado, eu acho.”, Bastian encarou o vampiro. “Vai ficar apertada em você.” “Muito bonita a sua preocupação.”, Eric disse tendo dificuldade para arrumar os dedos na luva. “Eric, eu quero morrer. Não tenho mais motivo para viver.” “Já está morto, Bastian.” “Pela segunda vez, então... dane-se.”, o rapaz disse impaciente. “É tão egoísta que irá deixar Santiago sozinho?” “Ele tem Nora, Pam... e você.”

“Não, seu idiota. Ele só tem a você. É a cria dele, o ser que ele mais ama e confia.”, Eric segurou na corrente, mesmo apertada, a luva funcionava. “Por que está me ajudando? Você me odeia.”, Bastian disse choramingando. “Vejo que a convivência com Sookita te ajudou, está mais dramático do que ela.”, Eric disse com um sorriso de canto. “Eu preciso de você bem e operando o computador para pegarmos Bill.” “Está vendo, quem é egoísta é você. Só está pensando em pegar Bill.”, Bastian mexeu a cabeça e bateu no pilar, soltou um gemido de dor. “Na verdade, eu te amo, Bastian. Não posso viver sem você.”, Eric deu um beijo no rosto do rapaz. “Melhorou?” “Não sou gay, já falei.” “Eu vou te tirar daqui, mas vai prometer que não irá tentar novamente. Nunca mais.”, Eric franziu o cenho, estava falando sério. “Eu a perdi, Eric. Meu corpo quase partiu no meio de tanta dor, eu sempre vou me lembrar... eu a perdi.”, ele começou a chorar. “Não perdeu Delilah? E continuou vivo? Sookita perdeu o irmão e continua viva. Eu perdi...”, ele parou de falar. “O que perdeu?”, Bastian olhou para Eric com o rosto banhado em sangue por causa das lágrimas. “Minha mulher... meus filhos.”, ele disse num fio de voz. “Você teve filhos? Não acredito.” “Nem sempre fui o Monstro da Lagoa Negra.” “É estranho... você não leva jeito pra ser pai. Só ver como me trata.” “Sempre será irritante como uma criança, Bastian. Se serve como consolo, ás vezes você me faz lembrar deles.” Bastian ficou calado, ele viu uma sombra surgir nos olhos de Eric, algo tão doloroso quanto ele sentiu ao perder Delilah e Maya. “A dor nunca irá passar, não é?”, Bastian perguntou. “Você só precisa de um motivo para continuar em frente. Cada dia tem que encontrar um.”, Eric começou a tirar a corrente em volta do rapaz. “Você tem Santiago, tem Pam, Sookita... e eu.” “Não vou te chamar de Pai.”, ele fez uma careta.

“Nem pense nisso e o que falamos aqui fica entre nós. Está entendido? Controle essa sua língua grande.” “Sim, eu já sei. Tudo com você é segredo.” “Exatamente, nunca se esqueça.” Eric pegou a corrente e jogou dentro da torre do sino. Em seguida agarrou Bastian pela cintura e pousaram no chão. Santiago correu para abraçá-lo, cobrindo de beijos sua cria. Sookita e Pam ficaram para trás, esperando o momento de se aproximarem. Sookita olhou em volta procurando por Eric. Não havia sinal dele, fez o que tinha que fazer e foi embora. Típico. --------------------------------Ela voltou para casa uma hora depois do acontecido com Bastian, conversou rapidamente com o rapaz, e só respirou aliviada quando ele garantiu que não iria cometer nenhuma loucura. De qualquer maneira, Pam e Santiago ficariam observando o comportamento dele nos dias seguintes, até terem certeza. Para variar, encontrou a casa vazia. Eric não estava lá, e ela ficou decepcionada em não encontrá-lo ali. Queria pelo menos conversar depois de tudo. Ainda desejava o que começaram no carro pudesse continuar mais tarde. Mas ela não teria coragem de se aproximar dele e sofrer uma rejeição. Além do que as palavras de Santiago sobre Nora martelavam de maneira insistente na cabeça dela. Sookita subiu a escada sem vontade, o pescoço estava dolorido por causa da alça do vestido, ela prendeu forte o suficiente para não correr risco de cair e expor o que não devia. O corpo também estava dolorido, mas não era de cansaço, mas da tensão em não ter aliviado o desejo que tinha de Eric. O doce acabava sempre roubado no fim das contas. Não iria se masturbar no chuveiro como sempre fazia, e intensificou depois que ele voltou. Focaria o pensamento em Bastian, em como tentaria ajudá-lo a superar Maya e aceitaria de uma vez por todas que Eric está com Nora e a ama de verdade. O que sobrava para ela era apenas o desejo dele, nada mais. Ele mesmo havia confirmado, não era amor, nem paixão, apenas o desejo carnal. Ela era o passatempo até Nora voltar e retomar o posto ao lado dele. Seria patético admitir que aceitaria o que ele ofereceria? Pelo menos uma última noite de prazer com ele? Era isso o que ela tinha se tornado, se soubesse que amar fosse assim, jamais teria embarcado nessa viagem.

Ela colocou a bolsa ao lado da cama, onde sempre deixava. Retirou os sapatos e jogou embaixo da cama, depois arrumaria. Por sorte estaria de folga no sábado, teve que brigar com Sam, mas conseguiu, estava trabalhando tanto, precisava descansar um pouco a mente. Ela não demorou para tomar banho, não lavou os cabelos. Quando voltou para o quarto encontrou os vidros sem a proteção, logo amanheceria. Ele ainda não havia voltado, ela pensou desolada. Colocou uma camisola com desenho de gatinhos, era velha e ficava bem curta, havia até alguns rasgos. Mas ela não se importava, não tinha ninguém para ver mesmo. Eric provavelmente voltaria ao modo ignorar Sookita como fez antes, dessa vez sem a desculpa do sangue. Só que duraria até o problema de Bill ser resolvido, ela não voltaria atrás no que disse. Pela força do hábito, ela se aproximou lentamente do mezanino e lançou um olhar para o andar de baixo. Para sua surpresa, Eric estava lá deitado no sofá e ainda acordado. Sookita quase gritou de susto, mas se conteve a tempo. Agachou entre as barras e segurou com força no parapeito, e torcia para ele não tê-la visto. Por sorte a casa estava na penumbra, apenas o luar entrava pelas longas janelas e quase chegavam até ele no sofá. Sookita piscou várias vezes para ter certeza de que não estava sonhando. Ainda mais pela visão que estava tendo. Eric estava sem camisa, ela suspirou por ter sentido aqueles músculos tão perto horas antes, é como se ainda pudesse tocá-los, estendeu a mão, mas parou no meio do caminho. Ele não estava mais com os sapatos, estavam arrumados perto do sofá. Ele não era bagunceiro, sempre deixava tudo arrumado. Ainda estava usando a calça jeans e o zíper estava aberto. Ela sufocou um gritou quando o viu mover a calça um pouco abaixo da virilha, e escorregar a mão para dentro. Não, não poderia acreditar no que estava vendo. Ela estava invadindo a privacidade dele dessa maneira. Os olhos dele estavam fechados o tempo todo, como se estivesse imaginando alguma coisa. Ela adoraria ler os pensamentos dele nesse momento. Só que por mais que sentisse a privacidade dele invadida, não conseguia desviar os olhos. A habilidosa mão dele mexendo dentro da calça, até que tirou o membro rijo e ela apertou mais ainda o parapeito. Ele não mexia a mão velozmente, fazia bem devagar, ditando o ritmo, querendo sentir cada momento. E é como se ela sentisse também, até as pequenas veias que saltavam conforme a mão dele subia e descia. Ela nunca viu um homem fazer isso antes, e quando tocou na primeira vez que fizeram, ela usou o instinto. Mas era

diferente vê-lo fazer, a maneira como movimentava o quadril enquanto descia a mão e apertava o membro. Ele soltou um gemido baixo, e ao mesmo tempo raivoso, como se não estivesse satisfeito, mas tinha que aliviar de alguma maneira. Ele voltou a subir até a cabeça do membro, as veias pulsavam e ela começou a respirar com dificuldade. Como queria sentir também, e como queria ter o mesmo prazer. Ela ainda estava menstruada e não iria se tocar novamente, já tinha tomado banho. Mas o formigamento entre as pernas clamava pelo toque dela, desejava o mesmo que ele. Eric aumentou a velocidade da mão, arqueando o quadril para cima, os gemidos dele não estavam mais baixos. O membro pulsava entre os dedos, pronto para o ato final. Ela se tocou por cima da calcinha, queria gozar junto dele. Só que estava agachada e não tinha a mesma habilidade dele. Oh, como ele sabia o que fazia. Vê-lo se masturbar é como se estivessem fazendo sexo. Os dedos longos e finos trabalhavam com maestria, sabiam o movimento certo para chegar onde queriam. Ele continuava de olhos fechados, não abriu um momento sequer. Parecia que não estava ali, que foi transportado para outro lugar. Os dedos dele subiam sentindo as veias pulsantes, a cabeça do membro pronta para gozar. Ele apertou levemente quando chegou na ponta, parou por alguns segundos, um pouco de líquido saiu. Ele soltou mais um gemido alto, mexeu as pernas e voltou a descer a mão para baixo. Subiu e desceu numa velocidade estonteante. Sookita estava a ponto de gritar, me coma, me fode, faça alguma coisa. Ela apertava a mão no parapeito até sentir o sangue fugir dos dedos, faltava pouco para ela descer até a sala e sentar na cara dele. Não poderiam continuar desse jeito, o calor estava tão intenso no corpo dela que nem sabia mais como respirava. Os gemidos dele continuavam, alguns entrecortados. Ele movimentava os dedos com força, e apertava quando chegava na cabeça. Até que soltou um urro final que ecoou pela casa. “Sookita...” Ele disse enquanto o gozo saia num jato e espalhou pela mão, na calça e na virilha dele. Ela ficou em pé num salto, balançou a cabeça sem acreditar no que tinha ouvido. Os olhos dele abriram e encontraram diretamente os dela. Ela respirava ofegante, com os pensamentos confusos, sem acreditar se ele tinha mesmo dito ou ela imaginou.

Ela deu meia volta e correu para a cama. Virou de costas para escada e cobriuse com o lençol até a cabeça. O corpo todo tremia, ele a tinha visto, ele disse o nome dela. O gozo jorrando e o sujando. Ela apertou os olhos, as imagens estavam marcadas como ferro quente em sua mente. De repente, ela sentiu o lençol sendo puxado de uma vez. Ela voltou-se de costas na cama e o encontrou parado na ponta. A calça ainda aberta, mas o membro estava guardado. Ela via o brilho vermelho claro do esperma no corpo dele. “Você estava o tempo todo vendo?”, ele perguntou a encarando com intensidade. “Sim.”, foi a única palavra que conseguiu dizer. “Agora é a sua vez.” “Vez?” “Não diga nada, fique quieta.” Ele apoiou um dos joelhos na ponta da cama e a puxou pelo quadril como fez anteriormente no carro. Tirou a calcinha dela com apenas uma mão e jogou longe, sem cuidado nenhum. Separou as pernas dela segurando nos joelhos, e abaixou a cabeça até se acomodar entre elas. Metade do corpo dele estava para fora da cama, da mesma maneira quando fizeram em Rosamar. Ela não podia acreditar que estava acontecendo novamente. A primeira coisa que sentiu foi a língua dele massageando o clitóris, com cuidado e delicadeza. Ela abriu os braços na cama e suspirou tão alto que poderia acordar a vizinhança. A língua dele fazia movimentos circulares, e mais rápidos do que quando começou. Ela sentia que estava tão molhada, tão vermelha pelo sangue menstrual. Eric apertava as coxas dela e forçava os joelhos para que abrisse mais ainda as pernas para ele. Ela abriu o máximo que conseguiu e só via ele afundando mais e mais a cabeça nela. Quando estava perto de gozar, ele notou os movimentos para cima do quadril dela. Ele parou por alguns segundos e a encarou, os lábios rubros do sangue escuro e as presas brilhando. Em seguida desceu novamente a cabeça e dessa vez a língua começou a penetrá-la, sem gentileza. Ele enfiava tudo dentro dela e puxava trazendo sangue, de vez em quando ela podia sentir a ponta das presas roçando. Ele metia a língua e tirava, depois sugava o sangue fazendo sucção. Era infinitamente melhor do que ela lembrava, não estava dolorida da primeira vez. Agora ela podia sentir cada segundo do prazer que estava recebendo.

Ele balançava a cabeça entre as pernas dela, ela enrolou as pernas em volta da cabeça dele, sentia os pés batendo nas costas frias. Ele a sugava com tanta força que levantava o quadril dela da cama, ela conseguia manter o equilíbrio porque apertava as coxas em volta dele. O gemido dele era animalesco, não era o mesmo de quando se masturbou. Era parecido com de um leão, o coração dela acelerou. Podia sentir o sangue alimentando-o, ele arranhando com as mãos a bunda dela conforme apertava a língua no clitóris. Ela começou a arquear o corpo, apertava mais ainda as coxas perto da cabeça dele. Agarrou os cabelos dele, Eric parou novamente por alguns segundos e rugiu. Ela não acreditava no que tinha ouvido, da mesma maneira quando ele tinha dito o nome dela. O rosto dele estava coberto pelo sangue dela, não apenas a boca. Ele voltou a lambê-la, intensificando o movimento da língua, ela começou a sentir o mundo sumir, a respiração falhar e pontos brancos surgindo na mente. Era tão bonito, e tão gostoso. Não queria que acabasse nunca. Ele a estava comendo como nunca tinha feito antes. Ela soltou um grito quando sentiu o gozo chegando, puxou os cabelos dele com tanta força que arrancou um punhado na mão. Mas ele não se importou, voltou a possuí-la com a língua. Enfiava e tirava, tirava e enfiava com uma velocidade incrível. Ele sugava o máximo de sangue que podia. Sookita separou novamente as pernas, ele apertou a bunda dela e a obrigou a arquear o corpo. Ela ainda sentia o formigamento do gozo, o clitóris um pouco sensível. Mas queria que ele continuasse o que estava fazendo, a possuindo como se nada mais existisse. De repente, ele parou, estava saboreando o gosto dela misturado com o sangue. E começou a lambê-la para limpá-la do sangue como um gato fazia. Devagar, bem devagar, ele sabia que o clitóris estava sensível. Quando terminou o belo serviço, Eric ficou em pé em frente a ela, a encarava com os olhos vidrados de prazer. A boca coberta de sangue, as presas também. O sangue dela escorria pelo pescoço dele e descia lentamente pelo peito musculoso. Ele tirou lentamente a calça jeans e jogou longe como fez com a calcinha dela antes. Em seguida tirou a cueca e ficou nu diante da visão de Sookita. Apenas o luar batendo no mezanino, criando um efeito etéreo. Ela viu os músculos das coxas dele retesados, os punhos das mãos fechados e o sangue dela ainda descendo pelo peito. Sookita suspirou mais uma vez naquela noite. O mundo tinha mesmo parado e nada os impediria dessa vez.

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