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FIS 227 – FÍSICA EXPERIMENTAL II



















UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS

DEPARTAMENTO DE FÍSICA




2
ÍNDICE
ERROS E ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS ---------------------------------------------------
03
CONSTRUÇÃO E LINEARIZAÇÃO DE GRÁFICOS -----------------------------------------
10
LINEARIZAÇÃO DE CURVAS (COLETA DE DADOS) --------------------------------------
21
LANÇAMENTO DE PROJÉTEIS -------------------------------------------------------------------
23
QUEDA LIVRE ------------------------------------------------------------------------------------------
25
ATRITO ESTÁTICO -----------------------------------------------------------------------------------
28
LEI DE RESFRIAMENTO DE NEWTON E EQUIVALENTE ELÉTRICO DO
CALOR ----------------------------------------------------------------------------------------------------


32
OSCILAÇÕES --------------------------------------------------------------------------------------------
36
ÓTICA GEOMÉTRICA -------------------------------------------------------------------------------
41
ÓTICA FÍSICA-----------------------------------------------------------------------------------------
48
ONDAS ESTACIONÁRIAS EM UMA CORDA--------------------------------------------------
53
CONSTRUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE GRÁFICOS: Software (I)----------------------

57
CONSTRUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE GRÁFICOS: Software (II) . SEGUNDA
LEI DE NEWTON ---------------------------------------------------------------------------------------

58
ANEXO: MODELO DE RELATÓRIO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL--------------
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II
ERROS E ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS
1. NOÇÕES SOBRE A TEORIA DE ERROS
O ato de medir é, em essência, um ato de comparar, e essa comparação envolve erros de diversas
origens (dos instrumentos, do operador, do processo de medida etc.). Pretende-se aqui estudar esses erros e
suas conseqüências, de modo a expressar os resultados de dados experimentais em termos que sejam
compreensíveis a outras pessoas.
Quando se pretende medir o valor de uma grandeza, pode-se realizar apenas uma ou várias medidas
repetidas, dependendo das condições experimentais particulares ou ainda da postura adotada frente ao
experimento. Em cada caso, deve-se extrair do processo de medida um valor adotado como melhor na
representação da grandeza e ainda um limite de erro dentro do qual deve estar compreendido o valor real.
1.1 ERROS E DESVIOS
Algumas grandezas possuem seus valores reais conhecidos e outras não. Quando conhecemos o
valor real de uma grandeza e experimentalmente encontramos um resultado diferente, dizemos que o valor
obtido está afetado de um erro.
ERRO é a diferença entre um valor obtido ao se medir uma
grandeza e o valor real ou correto da mesma.
Matematicamente: erro = valor medido − valor real

Entretanto o valor real ou exato da maioria das grandezas físicas nem sempre é conhecido. Quando
afirmamos que o valor da carga do elétron é 1,60217738 x 10
-19
C, este é, na verdade, o valor mais provável
desta grandeza, determinado através de experimentos com incerteza de 0,30 partes por milhão. Neste caso,
ao efetuarmos uma medida desta grandeza e compararmos com este valor, falamos em desvios e não erros.

DESVIO é a diferença entre um valor obtido ao se medir uma grandeza
e um valor adotado que mais se aproxima do valor real.
Na prática se trabalha na maioria das vezes com desvios e não erros.
1.2 CLASSIFICAÇÃO DE ERROS
Por mais cuidadosa que seja uma medição e por mais preciso que seja o instrumento, não é possível
realizar uma medida direta perfeita. Ou seja, sempre existe uma incerteza ao se comparar uma quantidade de
uma dada grandeza física com sua unidade.
Segundo sua natureza, os erros são geralmente classificados em três categorias: grosseiros,
sistemáticos e aleatórios ou acidentais.
1.2.1 ERROS GROSSEIROS:
Ocorrem devido à falta de prática (imperícia) ou distração do operador. Como exemplos, podemos
citar a escolha errada de escalas, erros de cálculo, etc. Devem ser evitados pela repetição cuidadosa das
medições.
1.2.2 ERROS SISTEMÁTICOS:
Os erros sistemáticos são causados por fontes identificáveis, e, em princípio, podem ser eliminados
ou compensados. Estes fazem com que as medidas feitas estejam consistentemente acima ou abaixo do valor
real, prejudicando a exatidão da medida. Erros sistemáticos podem ser devidos a vários fatores, tais como:

• Ao instrumento que foi utilizado;

Ex: intervalos de tempo feitos com um relógio que atrasa;
4

• Ao método de observação utilizado;

Ex: medir o instante da ocorrência de um relâmpago pelo ruído do trovão associado;

• A efeitos ambientais;

Ex: a medida do comprimento de uma barra de metal, que pode depender da temperatura ambiente;

• As simplificações do modelo teórico utilizado;

Ex: não incluir o efeito da resistência do ar numa medida da aceleração da gravidade baseada na medida do
tempo de queda de um objeto a partir de uma dada altura.
1.2.3 ERROS ALEATÓRIOS OU ACIDENTAIS:
São devidos a causas diversas e incoerentes, bem como a causas temporais que variam durante
observações sucessivas e que escapam a uma análise em função de sua imprevisibilidade. Podem ter várias
origens, entre elas:
• Os instrumentos de medida;
• Pequenas variações das condições ambientais (pressão, temperatura, umidade, fontes de ruídos, etc.);
• Fatores relacionados com o próprio observador sujeitos à flutuações, em particular a visão e a audição.
De um modo simples podemos dizer que uma medida exata é aquela para qual os erros sistemáticos
são nulos ou desprezíveis. Por outro lado, uma medida precisa é aquela para qual os erros acidentais são
pequenos.

O erro é inerente ao próprio processo de medida, isto é, nunca será completamente
eliminado. Poderá ser minimizado procurando-se eliminar o máximo possível as fontes
de erros acima citadas. Portanto, ao realizar medidas, é necessário avaliar
quantitativamente os erros cometidos.
1.3 DESVIO MÉDIO − VALOR MÉDIO
Quando um mesmo operador efetua uma série de medidas de uma grandeza, utilizando um mesmo
instrumento, as medidas obtidas terão valores que poderão não coincidir na maioria das vezes, isso devido
aos erros experimentais inerentes a qualquer processo de medida.
Suponha que um experimentador realize 10 vezes a medida do comprimento L de uma barra. Essas
medidas foram realizadas com uma régua cuja menor divisão era 1 cm (régua centimetrada), de modo que os
milímetros foram avaliados (é costume fazer estimativas com aproximações até décimos da menor divisão
da escala do instrumento).
Em qualquer das medidas efetuadas encontraram-se, como comprimento da barra, 5 cm completos
mais uma fração avaliada da menor divisão, de modo que as flutuações, neste caso, residem nas diferentes
avaliações da menor divisão. A tabela ao lado mostra os valores obtidos nas dez medidas realizadas.

n L
n
(cm)
)(cm) L (L ΔL
n n
÷ =
1 5,7 0,0
2 5,8 + 0,1
3 5,5 - 0,2
4 5,6 - 0,1
5 5,5 - 0,2
6 5,7 0,0
7 5,8 + 0,1
8 5,7 0,0
9 5,9 + 0,2
10 5,8 + 0,1
N=10
57cm L
n
=
¿
1,0cm L
n
= A
¿


5
Calculando-se a média aritmética das medidas efetuadas tem-se:
5,7cm cm
10
57
cm
10
5,8 5,9 5,7 5,8 5,7 5,5 5,6 5,5 5,8 5,7
N
L
L
n
= =
+ + + + + + + + +
= =
¿

que é o valor mais provável para o comprimento da barra.
O valor médio é mais preciso e exato quanto
maior for o número N de medidas.
Define-se o desvio de uma medida como sendo a diferença entre o valor medido (L
n
) e o valor médio
( L ).
ΔL
n
= (L
n
− L )
O desvio de cada medida, no caso do exemplo, está indicado na tabela. Desse conjunto deve-se
extrair a incerteza que afeta o valor médio. Considera-se, para esse fim, a média aritmética dos valores
absolutos dos desvios denominada desvio médio ( L Δ ):
0,1cm cm
10
1,0
cm
10
0,1 0,2 0,0 0,1 0,0 0,2 0,1 0,2 0,1 0,0
N
ΔL
L Δ
n
= =
+ + + + + + + + +
= =
¿

Esse desvio significa que o erro que se comete ao adotar o valor médio (L= 5,7 cm) é de 0,1 cm. Em
outras palavras, o valor real deve estar entre 5,6 e 5,8 cm. Dessa maneira, o comprimento da barra pode ser
expresso como:
L=( L L A ± ) ou seja L= (5,7 ± 0,1) cm
1.4 DESVIO AVALIADO OU INCERTEZA
Se o experimentador realiza apenas uma medida da grandeza, o valor medido evidentemente será o
valor adotado, já que não se tem um conjunto de dados para ser analisado, como no caso anterior. Aqui,
também, o valor adotado representa a grandeza dentro de certo grau de confiança. A incerteza de uma única
medida, em geral, depende de vários fatores como: o instrumento utilizado, as condições em que a medida se
realiza, o método utilizado na medida, a habilidade do experimentador, a própria avaliação do último
algarismo (fração avaliada da menor divisão da escala do instrumento) etc...




1.5 DESVIO PADRÃO
O desvio padrão σ de uma série de medidas é definido como sendo:
( )
1 N
L
2
n
÷
A
= o
¿
, (5)
onde
n
L A é definido como na equação (2).
O valor final para L é, então, escrito como
|
|
.
|

\
| o
± =
N
L L . (6)

É costume tomar a incerteza de uma medida como sendo a metade
da menor divisão da escala do instrumento utilizado.
6
1.6 DESVIO RELATIVO PERCENTUAL E ERRO RELATIVO PERCENTUAL
O desvio relativo percentual ou o erro relativo percentual são obtidos, multiplicando-se o desvio
relativo ou o erro relativo por 100%.
O desvio relativo/erro relativo nos dá, de uma certa forma, uma informação a mais acerca da
qualidade do processo de medida e nos permite decidir, entre duas medidas, qual a melhor. Isto é, quanto
menor o desvio relativo, maior a precisão da medida.

a) No caso de uma única medida:






b) No caso de uma série de medidas:





2. ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS (A.S.)

A medida de uma grandeza física é sempre aproximada, por mais capaz que seja o operador e por
mais preciso que seja o aparelho utilizado. Esta limitação reflete-se no número de algarismos que usamos
para representar as medidas. Ou seja, só utilizamos os algarismos que temos certeza de estarem corretos,
admitindo-se apenas o uso de um algarismo duvidoso. Claramente o número de algarismos significativos está
diretamente ligado à precisão da medida, de forma que quanto mais precisa a medida, maior o número de
algarismos significativos. Assim, por exemplo, se afirmamos que o resultado de uma medida é 3,24 cm
estamos dizendo que os algarismos 3 e 2 são corretos e que o algarismo 4 é duvidoso, não tendo sentido
físico escrever qualquer algarismo após o 4.
Portanto, denominam-se algarismos significativos de uma medida os algarismos exatos acrescidos
de um único algarismo duvidoso.


Algumas observações devem ser feitas:

i- Não é algarismo significativo o zero à esquerda do primeiro algarismo significativo diferente de zero.
Assim, tanto L=32,5 cm como L=0,325 m representam a mesma medida e tem três algarismos
significativos. Outros exemplos são:
5 = 0,5x10 = 0,05x10
2
= 0,005x10
3
(1 A.S. )
26 = 2,6x10 = 0,26x10
2
= 0,026x10
3
(2 A.S. )
0,00034606 = 0,34606x10
-3
= 3,4606x10
-4
(5 A.S.)

ii- O zero à direita de algarismo significativo também é algarismo significativo. Portanto, L=32,5 cm e
L=32,50 cm são diferentes, ou seja, a primeira medida tem 3 A.S. enquanto que a segunda é mais precisa
e tem 4 A.S.

iii- É significativo o zero situado entre algarismos significativos. Por exemplo:
L = 3,25 m tem 3 A.S. enquanto que L=3,025 m tem 4 A.S.

iv- Quando tratamos apenas com matemática, podemos dizer, por exemplo, que 5 = 5,0 = 5,00 = 5,000.
Contudo, ao lidarmos com resultados de medidas devemos sempre lembrar que 5 cm ≠ 5,0 cm ≠ 5,00 cm
Algarismos significativos = Algarismos exatos + um único algarismo duvidoso
E%= X100%
esperado valor
esperado valor - medido valor

E%= X100%
esperado valor
esperado valor - medidas das médio valor

7
≠5,000cm, já que estas medidas tem 1 A.S., 2 A.S., 3 A.S. e 4 A.S., respectivamente. Em outras
palavras, a precisão de cada uma delas é diferente.

v- Arredondamento: Quando for necessário fazer arredondamento de algum número, utilizaremos a
seguinte regra: quando o último algarismo significativo for menor ou igual a 5 este é abandonado;
quando o último algarismo significativo for maior que 5, somamos 1 unidade ao algarismo significativo
anterior. Por exemplo:

8,234 cm é arredondado para 8,23 cm
8,235 cm é arredondado para 8,23 cm
8,238 cm é arredondado para 8,24 cm

Em seguida serão fornecidos alguns exemplos de como escrever corretamente o resultado de uma
medida realizada em laboratório com os números corretos de algarismos significativos.

Exemplo 1:

Foram efetuadas 8 medidas do diâmetro (D) de um cabo, como mostra a tabela abaixo.

n D
n
(mm)
(mm) 10 ΔD
2
n
÷
=
1 12,20 -1,25
2 12,30 +8,75
3 12,10 -11,25
4 12,20 -1,25
5 12,20 -1,25
6 12,10 -11,25
7 12,40 +18,75
8 12,20 -1,25
N=10
97,70mm D
n
=
¿
)mm 10 00 , 55 ( D
2
n
÷
= A
¿
x

Com esse conjunto de medidas, obtém-se o valor médio e o desvio médio.
Valor médio:
12,2125mm mm
8
97,7
N
D
D
n
= = =
¿

Desvio médio:
0,07mm 0,06875mm mm
8
55,00x10
N
∆D
D ∆
2
n
~ = = =
÷
¿

O valor da grandeza é D = (12,2125 ± 0,06875) mm. No entanto, observa-se que a incerteza no
valor médio, isto é, o desvio médio, afeta a segunda casa decimal desse valor. Assim, os outros algarismos
posteriores perdem o significado e não são significativos, já que entre os algarismos significativos é
admitida a presença de um único algarismo duvidoso. No entanto, esses algarismos presentes tanto no valor
médio quanto no desvio médio devem ser considerados para efeito de cálculo, devendo ser desprezados na
apresentação final. Escreve-se o resultado final da seguinte maneira:
D = (12,21 ± 0,07) mm

Normalmente, ao serem feitas aproximações, como no caso acima, é costume, quando o primeiro
algarismo desprezado for maior ou igual a cinco, acrescentar uma unidade ao último algarismo mantido.

Exemplo 2:

Suponha-se que um processo de medidas e cálculos tenha originado para a resistividade por uma
unidade de área de material o valor médio de 32,765 Ω/m com um desvio médio de 0,0241 Ω/m.
8
Tem-se então:
m
m
m
m
/ ) 02 , 0 77 , 32 ( / ) 0241 , 0 765 , 32 ( O ± = ¬ O ± =
µ µ

Deve-se notar que o valor médio pode apresentar um número de algarismos significativos maior que
as medidas individuais. Esse resultado, aparentemente sem sentido, é explicável já que está se tratando
estatisticamente um conjunto de dados, e as medidas individuais deixam de ter importância, prevalecendo o
conjunto como um todo, ou seja, o valor médio.

Exemplo 3:
O resultado de uma experiência forneceu o valor médio e o desvio médio iguais a:
1) m = (13,4258 ± 0,0342) g → m = (13,43 ± 0,03) g = (1,343 ± 0,003) x 10 g
2) m = (7836,6 ± 12,8) g → m = (784 ± 1) x 10 g = (7,84 ± 0,01) x 10
3
g
Ao se trabalhar com algarismos significativos, não se deve esquecer de que os zeros à esquerda não
são significativos, mas os da direita o são. Portanto, são significativos todos os números isentos de dúvida, a
partir do primeiro não nulo, e também o primeiro algarismo duvidoso e mais nenhum.
2.1 OPERAÇÕES COM ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS − REGRAS ADOTADAS
a) Na adição e subtração: faz-se a operação normalmente e no final reduz-se o resultado, usando critério de
arredondamento, para o número de casas decimais da grandeza menos precisa.

Exemplos:
Adição - (12.441 + 57,91 + 1,987 + 0,0031 + 119,20) = 12.620,1001 = 12.620
Subtração - (12.441,2 − 7.856,32) = 4.584,88 = 4.584,9

b) Na multiplicação e divisão: o resultado deverá ter igual número de algarismos (ou um algarismo a mais)
que a grandeza com menor quantidade de algarismos significativos que participa da operação.

Exemplos:
Multiplicação - (12,46 x 39,83) = 496.2818 = 496,28
Divisão - (803,407 / 13,1) = 61,328 = 61,33

c) Na potenciação e radiciação: o resultado deverá ter o mesmo número de algarismos significativos da
base (potenciação) ou do radicando (radiciação).

Exemplos:
Potenciação - (1,52 x 10
3
)
2
= 2,31 x 10
6

Radiciação - (0,75 x 10
4
)
1/2
= 0,87 x 10
2
2.2 ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS EM MEDIDAS COM ERRO:
Suponhamos que uma pessoa ao fazer uma série de medidas do comprimento de uma barra L, tenha
obtido os seguintes resultados:

- comprimento médio, L = 82,7390 cm
- erro estimado, ΔL = 0,538 cm

Como o erro da medida está na casa dos décimos de cm, não faz sentido fornecer os algarismos
correspondentes aos centésimos, milésimos de cm e assim por diante. Ou seja, o erro estimado de uma
medida deve conter apenas o seu algarismo mais significativo. Os algarismos menos significativos de erro
são utilizados apenas para efetuar arredondamento ou simplesmente são desprezados. Neste caso ΔL deve ser
expresso apenas por ΔL = 0,5 cm.
9
Os algarismos 8 e 2 do valor médio são exatos, porém o algarismo 7 já é duvidoso porque o erro
estimado afeta a casa que lhe corresponde. Deste modo, os algarismos 3 e 9 são desprovidos de significado
físico e não é correto escrevê-los: estes algarismos são utilizados para efetuar arredondamento ou
simplesmente são desprezados. O modo correto de escrever o resultado final desta medida será então:
L = (82,7 ± 0,5) cm
Nos casos em que o erro da medida não é estimado devemos também escrever os algarismos
significativos da grandeza mensurada com critério.
3. PROPAGAÇÃO DE ERROS: MEDIDAS INDIRETAS
Seja y uma função das variáveis x
1
, x
2
, ..., x
n
, ou seja:
y = f(x
1
, x
2
, ..., x
n
), (7)
onde x
i
é uma medida experimental com incerteza Ax
i
, ou seja:
x
i
= x
i
± Ax
i
. (8)
A incerteza Ay em y devido aos erros Ax
i
das medidas de x
i
pode ser obtido através da expressão:
n
n
2
2
1
1
x
x
y
x
x
y
x
x
y
y A
c
c
+ · · · + A
c
c
+ A
c
c
= A (9)
O resultado final é escrito como:
y = f(x
1
, x
2
, x
3
, ..., x
n
) ± A
y
(10)
Exemplo: Para se calcular o volume de um cilindro foram feitas medidas de sua altura L e de seu diâmetro
D. Os resultados foram:
L = (5,00 ± 0,02) cm D = (2,00 ± 0,01) cm (11)
Sabemos que o volume de um cilindro é dado pela expressão:
4
L D
V
2
t
= . (12)
Portanto temos:
( ) ( )
3
2
cm 70796 , 15
4
00 , 5 00 , 2
V · · · =
t
= , (13)
e
. cm 21991 , 0
02 , 0
4
00 , 2
01 , 0
2
00 , 5 00 , 2
L
4
D
D
2
DL
L
L
V
D
D
V
V
3
2 2
· · · =
×
× t
+ ×
× × t
= A
t
+ A
t
= A
c
c
+ A
c
c
= A
(14)
Arredondando o valor de AV para um único algarismo significativo vemos que a incerteza em V está na
primeira casa decimal. Portanto, arredondando o valor de V para apenas uma casa decimal temos o resultado
final:
V = (15,7 ± 0,2) cm
3
.




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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II
CONSTRUÇÃO E LINEARIZAÇÃO DE GRÁFICOS
1. INTRODUÇÃO
Frequentemente, em experiências de física, medimos os valores de uma dada grandeza em função da
variação nos valores de outra grandeza. Como resultado, temos uma coleção de medidas relacionando ambas
as grandezas, o que gera uma tabela de dados. Entretanto, suponha que também desejamos conhecer o
comportamento de outros valores, os quais não aparecem na tabela de dados. Nesse caso um procedimento
científico consiste em apresentar os dados da tabela na forma de um gráfico (método gráfico). Um gráfico
tem a grande vantagem de tornar visível como a variação de uma grandeza afeta a outra. Assim sendo, um
gráfico, frequentemente, nos permite determinar a dependência funcional entre as variáveis envolvidas e
assim poder estimar por interpolação ou extrapolação outros valores que não tenham sido dados pela tabela.
Para tal fim, ligamos os pontos experimentais por uma curva suave e através da análise gráfica (análise do
gráfico) obtemos a relação matemática entre as variáveis. Trata-se de uma poderosa ferramenta de análise de
dados experimentais, a qual tem levado à formulação de novas leis físicas. Além disso, o método gráfico é
extremamente útil na comparação de dados teóricos e experimentais, pois qualquer discrepância entre a
teoria e o experimento é facilmente observada.
2. CONSTRUÇÃO DE GRÁFICOS
Etapas na construção de um gráfico:
a) Em geral, em um gráfico, a grandeza representada em cada eixo recebe o nome de variável. O primeiro
passo, a seguir, é identificar as variáveis (grandezas) cujos valores serão lançados em cada eixo do
gráfico. Assim os eixos devem ser identificados com a grandeza e sua unidade (indicada por vírgula
ou parênteses). O eixo horizontal é chamado de abscissa e nele lança-se os valores numéricos da
variável independente. No eixo vertical, ou ordenada, lança-se os valores numéricos da variável
dependente.
b) A seguir devemos escolher escalas apropriadas para cada eixo, de acordo com o número de algarismos
significativos dos dados. Como a escolha da escala para cada eixo vai depender dos algarismos
significativos dos valores numéricos da variável correspondente, as escalas adotadas para cada eixo, em
geral, serão diferentes. No entanto, uma boa escolha das escalas deve permitir que todos os pontos
experimentais fiquem contidos na região do papel delimitada pelos dois eixos de forma que o gráfico não
fique comprimido em um canto. As escalas devem ser marcadas nos eixos a intervalos iguais e com o
número correto de algarismos significativos. Não se deve marcar nada entre os intervalos, nem mesmo
os valores dos pontos experimentais, pois são os intervalos que irão nos auxiliar na visualização da
ordem de grandeza de ditos valores, como ilustrado na Figura 2.1.








Figura 2.1- Modo de se indicar os
intervalos e os pontos experimentais em
um gráfico.
11
c) Lançar os valores numéricos dos pares de valores contidos na tabela de dados. Cada par de valores da
tabela gera um ponto no gráfico (ponto experimental), é costume indicá-los por uma pequena cruz ou um
pequeno círculo. Para tal fim devemos determinar o ponto de interseção entre as retas paralelas aos eixos
traçadas a partir dos valores numéricos nos eixos correspondentes.
d) A última etapa compreende a análise gráfica da seqüência dos pontos experimentais, a parte mais
importante do trabalho experimental.
2.1 CONSTRUÇÃO DE GRÁFICOS EM UMA ESCALA LINEAR (PAPEL MILIMETRADO)
Uma escala linear é construída de tal modo que a distância entre marcas sucessivas das escalas, ao
longo de cada eixo, é constante. O papel milimetrado é um exemplo de escala linear.
2.1.1 ESCALA
Ao construir um gráfico numa escala linear, devemos escolher escalas apropriadas para cada eixo,
isto é, devemos escolher um determinado comprimento, sobre o eixo, para representar um dado valor da
grandeza. Assim, por exemplo, numa folha de papel quadriculado ou milimetrado, como ilustrado na Figura
2.2, que são exemplos de escalas lineares, cada unidade de comprimento passará a corresponder a um dado
valor da grandeza. O parâmetro de correspondência chama-se de fator de escala e. As dimensões típicas de
um papel milimetrado são 180 mm x 280mm.













Segue abaixo um procedimento padrão para se determinar o fator de escala:
Seja x a grandeza cujos valores numéricos serão lançados num dos eixos do gráfico, vamos supor,
por exemplo, no eixo de 180 mm do papel milimetrado. Primeiro identificamos, na tabela de dados, o menor
valor de x, denotando-o x
0
, o qual é tomado como o referencial no eixo (em alguns casos é conveniente
considerar x
0
igual a zero). Neste caso, o fator de escala pode ser obtido pela seguinte regra de três:

180 mm corresponde a ( x
max
- x
0

)
1 mm corresponde a ( x
max
- x
0

)/180 mm
Note: Como mencionado anteriormente, em muito casos é mais conveniente considerar x
0
igual a zero
Exemplo :

Construa uma escala linear em um segmento de reta de 150 mm, para representar os tempos x listados na
tabela abaixo. Considere intervalos de 10 segundos. x (s)

x (s) 2 4 8 14 22 30

a) Cálculo do fator de escala:
1. Partindo do zero: x
max
= 30 s e façamos x
0
= 0 (escolha arbitrária).
150 mm corresponde a 30 unidades de segundos
1 mm corresponde a 30 unidades de segundos /150 mm
e = 30 unidades de segundos /150 mm = 0,2 unidades de segundos/mm
Esse fator de escala nos informa que cada 10 mm do papel milimetrado corresponderá a 2 s.
Figura 2.2- Exemplo de um papel com
escala linear (papel milimetrado).

12
2. Não partindo do zero: x
max
= 30 s e x
0
= 2 s (escolha arbitrária).
150 mm corresponde a 28 unidades de segundos
1 mm corresponde a 28 unidades de segundos /150 mm
e = 28 unidades de segundos /150 mm = 0,1867 unidades de segundos/mm

b) Neste exemplo teremos, portanto, a seguinte escala linear:







Algumas informações úteis que devem ser seguidas ao se escolher a melhor escala de um gráfico:
a) Procurar sempre utilizar uma escala limpa e fácil de ser lida, ou seja, escolha uma escala que não sejam
necessários muitos cálculos para se encontrar a localização dos pontos no gráfico. Uma boa escala é aquela
que além de ocupar bem o papel, permite encontrar facilmente a localização dos pontos no gráfico. Logo,
para facilitar, tanto para quem faz o gráfico, quanto para quem vai lê-lo, utilize uma escala que seja bem
clara para todo mundo. Mesmo que isso signifique não usar todo o papel milimetrado.
b) A escala utilizada em um eixo é totalmente independente da escala usada no outro.
c) Sempre escreva no eixo, a escala que está sendo utilizada.
3. ANÁLISE GRÁFICA
A análise gráfica consiste em descobrir a dependência funcional entre as variáveis plotadas nos
eixos; isto é, achar a fórmula matemática que descreva a sua inter-relação. A análise gráfica permite, em
muitos casos, descobrir a lei que rege um fenômeno físico. O conhecimento dessas leis é muito importante
para a elaboração de modelos teóricos que expliquem o fenômeno estudado. A seguir, considerando a
dependência funcional mais simples entre duas variáveis que é a relação linear, este será o primeiro caso a
ser discutido.
3.1 RELAÇÃO LINEAR
Uma relação linear entre as variáveis x e y obedece à seguinte equação:
y = a x + b,
onde a e b são constantes. O gráfico resultante é uma reta. A interseção da reta com o eixo y fornece o valor
do coeficiente linear da reta, b, pois quando x = 0, y = b. Já o coeficiente angular, a, exprime a taxa de
variação da variável dependente em relação à variável independente, a=Δy/Δx. O coeficiente angular não
deve ser confundido com a tangente do ângulo formado pela reta com o eixo horizontal. Observe que se
você mudar as escalas, muda o ângulo também, entretanto o coeficiente angular não muda. No exemplo
ilustrado na Figura 2.4 a escala no eixo Y foi mudada do caso (a) para (b). Compare o valor do coeficiente
angular com a tangente dos ângulos em cada situação. São iguais?













Figura 2.4 - Gráficos da posição x em função do tempo transcorrido, num movimento com velocidade constante.
Ambas as figuras têm o mesmo coeficiente angular, a=Δy/Δx, que neste caso corresponde ao valor da velocidade do
móvel. Entretanto, note que as tangentes são diferentes.

150 mm
Figura 2.3- Exemplo de uma
escala linear.

(a) (b)
13
No gráfico, a seqüência dos pontos experimentais irá sugerir uma reta. Por se tratar de dados
experimentais podemos esperar uma pequena dispersão em torno de uma reta representativa (reta média).
Estas dispersões refletem o grau de incerteza associado a cada ponto e é costume indicá-las através de barras
de incertezas. Portanto, neste caso, o objetivo da análise gráfica é determinar a equação da reta média
(relação analítica ente as grandezas y=ax+b). Os parâmetros a e b devem ser calculados através da melhor
reta visual ou do método de mínimos quadrados (método da regressão linear).
3.2 MELHOR RETA VISUAL
Uma maneira direta de analisar os dados em um gráfico linear é traçar manualmente uma reta que
visualmente melhor se ajuste aos pontos do gráfico, obter o ponto que a reta intercepta o eixo vertical, b, e
calcular a inclinação desta reta utilizando a expressão a=Δy/Δx, onde os valores de Δx e Δy são sempre
calculados utilizando pontos da reta traçada, e nunca pontos da tabela de dados. É importante observar
que não é necessário que qualquer um dos pontos experimentais esteja sobre a reta traçada.
Exemplo: Análise gráfica através da melhor reta visual
A tabela a segir mostra resultados experimentais (fictícios) obtidos em uma aula de laboratório, da
posição de um determinado objeto(x) em função do tempo (t).

t (s) x (m)
1,6 4,4
5,8 17,5
9,9 33,7
16,1 42,0
20,1 53,3

Com esses dados foi possível obter o seguinte gráfico:

















Análise gráfica:

1) Para obter a inclinação da reta, deve-se usar pontos da reta e não os pontos experimentais. (Para essa reta
a= 2,6 m/s).
2) O ponto que a reta intercepta o eixo posição quando o tempo é igual a zero, nos fornece o valor de b.
(Para essa reta b= 2,7 m).
3) Sempre coloque unidades em a e b.
4) A relação analítica obtida ente x e t, será portanto: x=(2,6 m/s)t+2,7 m
5) A inclinação da reta sempre nos traz um resultado físico. Neste caso, a inclinação representa a velocidade
do que foi medido. Portanto, a = velocidade = 2,6 m/s.

6) O coeficiente b nem sempre possui um significado físico, pois em alguns casos ele pode estar relacionado
a erros experimentais. Nesse exemplo, b possui um significado físico. O gráfico nos diz que no tempo zero
segundos, o objeto em estudo se encontrava a 2,7 m da origem.
t (s)
x

(
m
)

b
Ax
At
a=Ax/At
t (s)
Figura 2.5 - Gráficos da posição x em
função do tempo transcorrido, num
movimento com velocidade constante.

14
3.3 MÉTODO DA REGRAÇÃO LINEAR
Aplicaremos o método de regressão linear para obter a expressão analítica de uma relação linear
entre as variáveis x e y. Sendo assim, procuramos uma equação da forma:
y = a x + b. (1)
que é a equação da reta média. O método consiste em minimizar os desvios (dispersões) em torno da reta
média. Portanto, devemos minimizar a seguinte quantidade:
( ) | |
2
n
1 i
i i
b ax y S
¿
=
+ ÷ = , (2)
onde n é o número de medidas (número de pares de valores na tabela de dados). Minimizar S corresponde a
fazer ∂S/∂a = 0 e ∂S/∂b = 0, o que gera as duas equações:

i i i i
y x x a x b
¿ ¿ ¿
= +
2
e (3)
¿ ¿
= +
i
i
y x a nb . (4)

Resolvendo simultaneamente (3) e (4), obtemos o valor dos coeficientes da reta (1):

( )( )
( )
¿ ¿
¿ ¿ ¿
÷
÷
=
2
2
i i
i i i i
x x n
y x y x n
a e (5)
( )( ) ( )( )
( )
¿ ¿
¿ ¿ ¿ ¿
÷
÷
=
2
2
2
i i
i i i i i
x x n
x y x x y
b . (6)
As incertezas em a e b, Δa e Δb, respectivamente, são dadas por

( ) ( )
¿ ¿ ¿ ¿
¿
÷
= A
÷
= A
2
2
2
2
2
2 2
i i i i
i
x x n
n
b
x x n
x
a
o
o
, (7)
onde
( )
i i i
i
ax b y y
n
y
÷ ÷ = A
÷
A
=
¿
2
2
o . (8)

Uma outra constante, denominada de coeficiente de correlação linear (r), mede o grau do
relacionamento linear entre as duas variáveis y e x cuja relação analitica é dada por (1). O valor de r pode ser
obtido por meio da equação:

( )( )
( ) | | ( ) | |
¿ ¿ ¿ ¿
¿ ¿ ¿
÷ ÷
÷
=
2
i
2
i
2
i
2
i
i i i i
y y n x x n
y x ) y (x n
r . (9)
- r = 1 ÷ Significa uma correlação perfeita positiva entre as duas variáveis, neste caso, y e x.
Isto significa que se uma variável aumenta, a outra sempre aumenta. (y e x são diretamente
proporcionais).
- r = − 1 ÷ Significa uma correlação negativa perfeita entre as duas variáveis. Isto é, se uma
aumenta, a outra sempre diminui. (y e x são inversamente proporcionais).
- r = 0 ÷ Significa que as duas variáveis não dependem linearmente uma da outra. No entanto,
pode existir uma dependência não linear.
15
Exemplo: Método da regressão linear.
A partir da seguinte tabela de dados, obter y como uma função linear de x usando o método de
regressão linear.
x
i
1,0 1,6 2,0 3,0 3,4 4,0 5,0 5,5 6,0 7,0
38,5 x
i
=
¿

y
i
1,4 1,6 2,0 2,3 2,6 3,1 3,4 3,8 4,1 4,6
28,9 y
i
=
¿
Procuramos uma equação da forma y = a x + b. Para isso calcularemos as quantidades indicadas na
tabela abaixo.
x
i
y
i
1,40 2,56 4,00 6,90 8,84 12,4 17,0 20,9 24,6 32,2
8 , 30 1 y x
i i
=
¿
x
i
2
1,00 2,56 4,00 9,00 11,6 16,0 25,0 30,3 36,0 49,0
5 , 84 1 x
2
i
=
¿

A seguir determinamos o valor dos coeficientes angular e linear da reta através das equações (5) e
(6), com n = 10:
( )( ) ( )( )
( )( ) ( )
0,54
38,5 184,5 10
28,9 38,5 130,8 10
a
2
=
÷
÷
= e
( )( ) ( )( )
( )( ) ( )
2 0,8
38,5 184,5 10
38,5 130,8 184,5 28,9
2
=
÷
÷
= b .
Obs: Neste caso a e b não possuem unidades pelo fato
de x e y também não possuírem.
Logo, a relação procurada é: y = 0,54x + 0,82 .





Como pode ser observado no gráfico da Figura 2.6 a reta média, reta da regressão linear, não passa
necessariamente sobre os pontos no gráfico. Para traçar esta reta, basta substituir alguns valores de x (pelo
menos 3) na relação analítica obtida, encontrar os correspondentes valores de y, marcar esses pontos no
gráfico e traçar a reta correspondente. O coeficiente de correlação linear obtido foi muito próximo de +1 o
que implica em uma correlação linear positiva muito boa entre as duas variáveis y e x. Isto significa que se x
aumenta, y também aumenta. Ou seja, y e x são diretamente proporcionais
4. LINEARIZAÇÃO DE GRÁFICOS
Em geral, a relação entre duas grandezas físicas não é linear, e é fundamental descobrir de que tipo é
e quais são os parâmetros que a caracterizam. Sabe-se que na relação linear é muito simples o processo de se
determinar e associar os parâmetros envolvidos (neste caso o coeficiente linear e angular) a grandezas
físicas. Portanto, quando se observa que o gráfico obtido não é uma reta, pode-se linearizá-lo através de uma
mudança de variáveis, transformando em retas mesmo curvas aparentemente complexas. Este processo de
transformar um gráfico curvo em uma reta denomina-se linearização. Para isso, um certo grau de
familiaridade com as representações gráficas das principais funções matemáticas é recomendável, pois deve-
se ter uma noção sobre que tipo de função matemática poderia gerar uma curva igual a indicada pela
sequência de pontos experimentais no gráfico. Existem duas funções matemáticas especiais que aparecem
com bastante frequência em alguns fenômenos físicos, as chamadas funções logarítmicas. Para essas funções
Figura 2.6 - Gráficos de y em função de x, com a respectiva reta da regressão linear.
16
foi desenvolvido um tipo de papel que, em vez da escala linear milimetrada, tem-se uma escala logarítmica.
Nesse tipo de papel, essas funções resultam diretamente em um gráfico linearizado, o que facilita a
determinação das constantes desconhecidas. Vamos discutir aqui como linearizar um gráfico utilizando papel
milimetrado e papel com escala logarítmica. Para isso vamos estudar dois tipos de funções que serão bastante
vistas em nossos experimentos: função tipo potência (y = kx
n
) e função do tipo exponencial (y = k.e
nx
), onde
k e n são constantes.
4.1 LINEARIZAÇÃO DE GRÁFICOS EM PAPEL MILIMETRADO
Seja um gráfico que sugere uma curva do tipo y =kx
n
. Suponha que fazendo uma medida de duas
grandezas, observamos que a relação entre as duas é dada pela equação:
y=3x
2
(10).
Se em um papel milimetrado fizermos o gráfico não de y versus x nós não teremos uma reta, como
ilustrado na Figura 2.7 (a). Para linearizarmos o gráfico, temos que ter uma função do tipo y = a x + b que
é a equação de uma reta. Logo, basta fazermos um gráfico com uma nova função:
y

= a x

+ b (11),
onde x

= x
2
. Esse novo gráfico de y versus x
2
, como ilustrado na Figura 2.7 (b), estará linearizado e neste
gráfico os valores dos coeficientes linear e angular da reta podem ser calculados pelo método da regressão
linear ou pela melhor reta visual (como se trata de uma função exata, em ambos os métodos obteremos a=3 e
b=0, como era de se esperar). Note que no caso do uso do método da regressão linear deve-se usar o novo x

=
x
2
, ou seja, os coeficientes a e b, devem ser obtidos com as variáveis y e x

.






Figura 2.7 - Representação gráfica de (a) uma relação tipo potência y=3x
2
e (b) exemplo de mudança de variável para a
linearização do gráfico. Em (b), os coeficientes a e b podem ser obtidos pela melhor reta visual ou regressão linear.
4.2 LINEARIZAÇÃO DE GRÁFICOS EM PAPEL COM ESCALA LOGARÍTMICA
Novamente, seja um gráfico que sugere uma curva do tipo:
y =kx
n
. (12)
Nesse caso, aplicando logaritmo à relação acima, teremos:
log (y) = log (k) + n log (x). (13)
Fazendo: log (y) = y
'
, log (k) = b, a=n e log (x) = x
'
, obteremos:
y
'
= a x
'
+b, (14)
que é a equação de uma reta. Ou seja, podemos transformar uma relação tipo potência (equação 12) em uma
relação linear (equação 14) aplicando o logaritmo. Além do mais, se em um papel milimetrado fizermos o
gráfico não de y versus x, mas o gráfico de log (y) versus log (x) nós teremos uma reta. Essa linearização
seria trabalhosa de ser feita utilizando um papel milimetrado, pois necessitaríamos de uma nova tabela com
log (y) e log (x), e a partir dessa nova tabela é que teríamos que construir o gráfico linearizado. Para facilitar
(a) y=3x
2

(a) y=ax
'
+b, onde x
'
= x
2

17
o nosso trabalho existem papéis que já possuem escala logarítmica na base 10, os papeis mono-log e di-log.
No papel di-log (log-log) ambos os eixos do papel possuem uma escala logarítmica de base 10, dividida em
décadas (cada década multiplica por 10 os valores da década anterior). A Figura 2.8 ilustra um modelo de
papel di-log. Em geral o papel di-log tem duas décadas em um dos eixos e três décadas no outro eixo. Note
que o papel di-log não começa do ponto (0,0), pois como o papel possui escala logarítmica, ele começa do
ponto (1,1) , uma vez que log 1= 0. Numa escala logarítmica as distâncias entre marcas sucessivas não é
constante (como numa escala linear) aqui elas são proporcionais às diferenças entre os logaritmos das
variáveis. Isto é, a escala logarítmica é feita de tal maneira que a distância entre 1 e 2 é proporcional a (log 2
- log 1); a distância entre 2 e 3 é proporcional a (log 3 - log 2); e assim por diante (como tarefa observe as
escalas numa folha impressa de papel mono-log ou log-log). Sendo assim fica evidente que tanto no gráfico
mono-log como no log-log o aspecto do gráfico será diferente de quando você usa escalas lineares. Nessa
escala, ao colocarmos diretamente os valores de x e y no papel, estamos fazendo com que as distâncias entre
sucessivos valores de x e y sejam proporcionais a log (x ) e log (y), porque as escalas foram construídas
assim.






Após a linearização utilizando o
papel di-log ou o papel mono-log, os valores dos coeficientes linear e angular da reta devem ser calculados
utilizando a melhor reta visual ou o método de regressão linear, nesse caso considerando-se as novas
variáveis log(y) e log(x), como ilustrado na Figura 2.9. (Lembre-se, os coeficientes só podem ser calculados
em gráficos já linearizados).

















Figura 2.9 - Exemplos de mudança de variáveis na linearização de (a) uma relação tipo potência: y=kx
n
, e (b) tipo
exponencial: y = ke
nx
.
Como indicado na Figra 2.9 (a) o coeficiente angular da reta exprime a taxa de variação de log(y) em
relação a log(x), e o coeficiente linear b = log(k) corresponde à interseção da reta com o eixo que passa pela
origem de log(x) (pois quando log(x) = 0, log(y) = log(k)). Finalmente, achado log(k) segue que k = 10
b
.

b= log k
x
b= log k b= log k
log (y)
log (y)
log (x) x
Δlog(x)
Δlog(y)
a =
x
Δlog(y)
a
A
=
Figura 2.8 - Modelo de papel di-
log (log-log).
18
Exemplo:
Em uma experiência sobre o movimento de um projétil, no plano (x,y), o gráfico em escala linear
dos dados correspondentes gerou a curva indicada na Figura 2.10.









Figura 2.10 - Movimento de um projétil, no plano (x,y),
Observando o gráfico acima, podemos inferir que a relação matemática entre as variáveis, altura
percorrida (y) e deslocamento na horizontal (x), é do tipo potência: y = kx
n
. Portanto, para podermos
determinar os parâmetros k e n é preciso linearizar o gráfico acima. Neste caso, a expressão linearizada é
log (y) = log (k) + a log (x), que corresponde a uma relação linear entre as novas variáveis log(x) e log(y).
Para determinar a reta média calcularemos o coeficientes linear, b = log(k), e o coeficiente angular, a=n, pelo
método de regressão linear, a partir dos dados listados na tabela a seguir.
Logo, obtemos:
( )( ) ( )( )
( )( ) ( )
2 1,9615
0,991 0,2283 10
1,854 0,991 0,4389 10
a
2
~ =
÷
÷ ÷ ÷
=
( )( ) ( )( )
( )( ) ( )
0,009
0,991 0,2283 10
0,991 0,4389 0,2283 1,854 -
b
2
=
÷
÷ ÷ ÷
=
Finalmente, achado b = log(k) = 0,009 teremos k = 10
0,009
= 1,02. Portanto, a relação analítica
procurada, a qual descreve o movimento de um projétil, é dada por: y = 1,02 x
2
(m). Observe que se trata de
uma trajetória parabólica.
y=kx
n
19
Agora, seja um gráfico que sugere uma curva do tipo:
y =ke
nx
. (15)
Nesse caso, aplicando logaritmo à relação acima, teremos:
log (y) = (n loge) x+ log (k) (16)
Fazendo: log (y) = y
'
, log (k) = b, a= n loge (é uma constante), obteremos:
y
'
= a x+b, (17)
que é a equação de uma reta. Em consequência, como indicado na Figura 2.9 (b), o gráfico log (y) versus x
gerará uma reta. Novamente, fazer essa linearização utilizando o papel milimetrado seria um tanto
trabalhoso, pois seria preciso calcular uma nova tabela para, a partir dela, construir o gráfico que fornece
uma reta. Para evitar este trabalho existe o papel mono-log que consiste em um papel com uma das escalas
sendo linear e a outra logarítmica. A Figura 2.11 ilustra um modelo de papel mono-log.












Figura 2.11 - Modelo de papel mono-log.
Assim como no papel di-log não é preciso calcular os logaritmos dos valores tabelados obtidos no
experimento, como seria feito se fosse utilizado o papel milimetrado para linearizar o gráfico. Neste caso é
necessária somente a indicação dos pontos tabelados diretamente no gráfico e o gráfico assim obtido no
papel mono-log, será equivalente ao gráfico log (y) versus x obtido no papel milimetrado.





20
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:
1) Durante uma aula de laboratório o objetivo dos estudantes era descobrir a dependência entre duas
grandezas X e Y. Durante o experimento verificou-se que um aumento na grandeza X implicava em um
aumento na grandeza Y. A tabela abaixo mostra os valores medidos para X e Y:
Y (cm) 78,2 54,9 42,7 28,7 21,4 17,2 11,7
X (cm) 1,6 5,2 12,0 45,0 120,0 250,0 900,0
a) Faça o gráfico de Y versus X no papel di-log (log-log) em anexo.
b) Partindo do pressuposto de que Y = kX
n
e utilizando o método da regressão linear, encontre o
relacionamento analítico entre Y e X. (A calculadora pode ser usada no cálculo da regressão linear).
c) Após a linearização do gráfico os estudantes calcularam o coeficiente de correlação linear e obtiveram um
valor muito próximo de -1. O que significa este resultado?

2) Em um laboratório de pesquisa avançada na área de novos materiais, e utilizando-se os equipamentos
adequados, os cientistas verificaram como o comprimento (L) de uma barra cilíndrica, feita de uma super
liga metálica recentemente descoberta, variava de uma forma inesperada em função da temperatura (T). Foi
obtida a seguinte tabela após as medidas.
L(cm) 50,50 79,20 147,10 248,00 495,50
T (
0
C) 2,0 23,0 42,0 60,0 90,0

Após vários teses e estudos foi obtida a seguinte relação teórica entre o comprimento L da barra e a
temperatura T.
L= µRT
2
+ L
0,
onde µ é um

coeficiente característico da liga metálica e R é o raio da barra.

a) Utilizando o papel milimetrado e o conhecimento da relação teórica entre L e T construa um gráfico já
linearizado. Esboce a melhor reta visual que se ajuste, segundo a sua avaliação, aos pontos experimentais.

b) Utilizando o esboço da curva de ajuste (melhor reta visual), encontre o relacionamento analítico entre as
grandezas L e T.

c) Quais são os significados físicos da inclinação da reta e da interseção desta com o eixo vertical?

d) Calcule o valor de µ

sabendo que R=5,00 cm . (Lembre-se, jamais use pontos experimentais para esse
cálculo).




21
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II

PRÁTICA: LINEARIZAÇÃO DE CURVAS (COLETA DE DADOS)
1. OBJETIVOS:
- Coleta de dados para serem utilizados como material para:
- Construção de gráficos em papéis milimetrado e di-log (log-log).
- Linearização de curvas.
2. PRIMEIRA PARTE:
2.1 PROCEDIMENTOS:
a) Disponha verticalmente uma mola, estabelecendo, com segurança, a posição de equilíbrio de sua
extremidade inferior sobre uma régua centimetrada. Suspenda, na extremidade livre da mola, um peso
conhecido e meça o respectivo deslocamento vertical em relação à posição de equilíbrio.
b) Repita o procedimento anterior para diferentes pesos, completando a tabela a seguir:
F (gf) 10 20 30 40 50 60 70
x (cm)
2.2 ATIVIDADES:
1) Construa, em um papel milimetrado, o gráfico F versus x correspondente, sendo F a ordenada e x a
abscissa.
2) Esboce a curva que, a seu juízo, melhor caracteriza o relacionamento entre essa grandezas físicas (Melhor
reta visual). O relacionamento analítico entre as grandezas é linear?
3) Utilizando a melhor reta visual feita em 2, determine o relacionamento analítico entre F e x. Para isso,
encontre o valor das constantes a e b, lembrando que como a relação entre F e x é linear, F= ax+b. Qual
o significado físico das constantes a e b?
4) Faça a análise de regressão linear e determine o relacionamento analítico entre F e x. As grandezas F e x
são diretamente proporcionais? (Faça essa análise através do cálculo do coeficiente de correlação linear r).
3. SEGUNDA PARTE:
3.1 PROCEDIMENTOS:
a) Disponha, sobre um disco graduado em graus, dois espelhos planos formando um ângulo u.
b) Coloque à frente dos dois espelhos um objeto qualquer e conte o corresponde número de objetos N vistos
nessa situação (N=Número de imagens mais 1, correspondente ao objeto real).
c) Complete a tabela a seguir, repetindo o procedimento para os diferentes ângulos apresentados.
u (grau) 45,0 60,0 72,0 90,0 120,0 180,0
N(unidades)

22
3.2 ATIVIDADES:
1) Construa, em um papel milimetrado, o gráfico N versus u. A relação entre essas grandezas é linear?

2) Utilizando um papel milimetrado, linearize a curva. Através da melhor reta visual e da regressão linear,
determine o relacionamento analítico entre N e u. (Para isso, encontre os valores de a e b, sendo que a
relação analítica entre as grandezas é dada por N=a(1/u)+b). Qual o significado físico de a e b? Calcule o
coeficiente de correlação linear (r) entre N e 1/u e discuta o significado do resultado obtido?
3) Linearize a curva, utilizando um papel di-log. Através da melhor reta visual e da regressão linear,
determine o relacionamento analítico entre N e u. (Para isso, encontre os valores de k e n, sendo que a
relação analítica entre as grandezas é dada por N=ku
n
). Calcule o coeficiente de correlação linear (r) entre
log N e log u e discuta o significado do resultado obtido?

OBSERVAÇÒES:
1) As análises pela melhor reta visual e regressão linear SÓ PODEM ser feitas em gráficos já
linearizados.
2) Pode-se usar diretamente as funcionalidades da calculadora científica no cálculo de a, b e r pelo
método da regressão linear.





















23
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II

PRÁTICA: LANÇAMENTO DE PROJÉTEIS
1. OBJETIVO: Verificar experimentalmente a trajetória de um projétil em um plano e obter a velocidade
inicial do projétil no caso de um lançamento horizontal.
2. INTRODUÇÃO:
Nesta prática, se fará um estudo do movimento parabólico. É pertinente lembrar que o movimento de
uma partícula em queda livre não é necessariamente vertical. Considera-se queda livre todo movimento
sujeito apenas à força gravitacional (peso), como é o caso do movimento parabólico de um “projétil”. A
trajetória desse movimento deve ser analisada nas duas direções:

• vertical (y). A componente vertical do vetor velocidade (v
y
) é variável, pois nesta direção atua a aceleração
da gravidade (g), sempre para baixo, oriunda da força gravitacional.
• horizontal (x): A componente horizontal do vetor velocidade (v
x
) é constante pois nenhuma força
(desprezando qualquer tipo de resistência) atua sobre o corpo nessa direção.

Assim, as equações para cada componente, adotando o eixo vertical (y) positivo orientado para
baixo, são:
2
0 0
2
1
t a t v r r
   
+ + = . (1)
Como na horizontal a
x
=0 e na vertical a
y
=g, teremos:
1) Horizontal: t v x x
x 0 0
+ = (2)
2) Vertical:
2
0 0
2
1
gt t v y y
y
+ + = (3)
No caso de um lançamento horizontal, como o que será realizado na prática, v
0y
=0.
3. METODOLOGIA:
MATERIAL UTLIZADO:
Calha, esfera, régua centimetrada, folha de papel carbono coberta com papel branco, fita adesiva, corda com
peso na ponta (prumo), nível, papel milimetrado.
PROCEDIMENTOS:
A Figura 1 ilustra o aparato que será utilizado para a realização do experimento. A esfera será
abandonada do topo de uma calha (ponto A). No ponto B, tomado com a origem do sistema de referência
(y
0
=0 e x
0
=0), a esfera abandonará a calha e atingirá o piso no ponto C.
Vamos fazer uma tabela com medidas diferentes de y e de x, mantendo para cada conjunto de
medidas a mesma configuração inicial. Para isso, selecione um valor para a altura y e a seguir solte a esfera
sempre de uma altura h fixa. Com isso conseguiremos para cada lançamento a mesma velocidade inicial no
final da calha (ponto B). O ponto em que a esfera se choca com o piso (ponto C) refere-se ao alcance x
correspondente a esta altura y.
Passos para a realização das medidas:

a) Nivele a base horizontal da calha para garantir um lançamento horizontal (v
oy
=0).
24

Figura 1- Esquema do aparato experimental.




e) Faça um lançamento teste para um determinado y e onde a esfera tocar o piso coloque a folha de papel
carbono coberta com papel branco. A esfera deixará uma marca no papel branco e através desta marca o
valor de x poderá ser obtido.

f) Varie y 8 vezes e para cada valor de y faça 3 lançamentos. Meça com uma régua centimetrada o valor
médio de x para cada y e complete a tabela a seguir.
y (cm)


x (cm)

x x A ± (cm)
2 2
x x A ± (cm
2
)

4. ATIVIDADES:
1) Faça um gráfico de y versus x no papel milimetrado. Que tipo de relação existe entre x e y?
2) Linearize o gráfico fazendo um gráfico de y versus x
2

em um outro papel milimetrado.
3) Encontre o relacionamento analítico entre as grandezas y e x.
4) Quais são os significados físicos da inclinação da reta e da interseção desta com o eixo vertical?
(DICA: Do movimento horizontal temos t = x/v
0X
. Substituindo este tempo na equação (3) você pode obter
uma equação para y em função de x
2
. Esta será a equação para a trajetória do projétil, deduzida a partir das
equações dadas.)
5) Adotando-se o valor de g = (9,78 ± 0,01) m/s
2
, determine a velocidade com que a esfera abandonou o
extremo inferior da calha (vo
x
).
6) Compare o valor de vo
x
obtido no item anterior com o obtido utilizando o sensor e discuta o resultado.



Ponto A
h
y
x
Ponto B
Ponto C
g


b) Com o auxílio do prumo marque no piso o
ponto x
0
=0. Esse ponto deve ser sempre o
mesmo em todas as medidas.

c) Marque o ponto inicial de lançamento na
calha (Ponto A).

d) Utilizando um sensor de tempo (Photogate),
obtenha o valo de v
0X (esperado)
. Para isso, faça
três medidas do tempo que a esfera leva para
passar pelo sensor e com um paquímetro, meça
o diâmetro da mesma (d).

t
1
=
t
2
=
t
3
=
m m
t t A ± (s) =


d =

v
0X (esperado)
=
m
t
d
= __________________

25
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II

PRÁTICA: QUEDA LIVRE
1. OBJETIVO:
- Medir a aceleração da gravidade local a partir do estudo do movimento de uma esfera em queda
livre.
2. INTRODUÇÃO:
Ao longo do dia é muito comum observarmos o movimento de queda de objetos. Seja uma caneta
que cai da mesa, um pingo de chuva que cai na terra ou mesmo uma folha seca que cai da árvore no inverno.
Dessa forma, o estudo desse tipo de movimento se torna algo importante para o entendimento de processos
tais como os exemplificados. Normalmente, num movimento de queda como esses, a força de atrito também
influencia no movimento, entretanto, num tratamento mais simplificado, desconsiderando os efeitos desta
força, pode-se dizer que a força peso é a responsável pela queda do objeto até o chão. Portanto, este objeto
deve ter um movimento acelerado com aceleração igual à aceleração da gravidade, onde seu deslocamento
vertical y , ao longo da queda, considerando o eixo y positivo de cima para baixo, será:
2
0 0
2
1
at t v y y + + = (1)
onde
0
y é a posição inicial do objeto, que pode ser considerado zero dependendo da referência escolhida,
0
v é a velocidade inicial de queda do objeto, que também pode ser considerada nula se o objeto parte do
repouso, e a é o módulo da aceleração do objeto, que em queda livre é a própria aceleração da gravidade
local g . Como a posição depende do tempo de queda, este é incluído como a variável t . Com essas
considerações, temos que uma versão mais simplificada da equação acima é dada por:
2
2
1
gt y = (2)
Nota-se desta equação que o deslocamento de um objeto em queda livre ao longo da posição
representada pela coordenada y aumenta com o quadrado do tempo de queda e que a constante de
proporcionalidade está intimamente ligada à aceleração da gravidade no local da queda do objeto.
3. METODOLOGIA:
MATERIAL UTILIZADO:
Dispositivo para medição de tempo, suportes, esferas e trena.
PROCEDIMENTOS:
Nesta prática deseja-se coletar dados de tempo de queda t referente à respectiva altura y da qual a
esfera foi abandonada.
Passos para a realização das medidas:
a) Disponha o equipamento como mostrado na Figura 1. Use uma esfera de 16 mm de diâmetro como o
objeto em queda.
b) Ajuste a altura da qual a esfera cai até a base, em 1,80m. Meça tal altura e anote o valor na Tabela 1.
Pressione o botão RESET no medidor de tempo e libere o parafuso do disparador tal que a esfera seja
liberada. Anote o valor de tempo medido,
1
t , na Tabela 1. Repita a medida pelo menos mais 4 vezes,
anotando o correspondente valor do tempo de queda. Calcule o valor médio do tempo,
med
t , e anote na
tabela.
26


c) Repita o procedimento anterior para as diferentes alturas apresentadas na tabela.

Esfera

y (m)

t
1
(s)

t
2
(s)


t
3
(s)


t
4
(s)


t
5
(s)


t
med
± ∆ t
med
(s)


t
med
2
± ∆ t
med
2
(s
2
)

1,80
1,60
1,40
1.20
1,00
0,80
0,60
Esfera de
16 mm
0,40

Tabela 1: Dados coletados e calculados relativos à queda da esfera de 16 mm de diâmetro.

d) Repita os passos anteriores utilizando agora a esfera de 19 mm.

Esfera

y (m)

t
1
(s)

t
2
(s)


t
3
(s)


t
4
(s)


t
5
(s)


t
med
± ∆ t
med
(s)


t
med
2
± ∆ t
med
2
(s
2
)

1,80
1,60
1,40
1.20
1,00
0,80
0,60
Esfera de
19 mm
0,40

Tabela 2: Dados coletados e calculados relativos à queda da esfera de 19 mm de diâmetro.

f) Utilizando o software da Logger Pro e o sensor adequado para o experimento, encontre o valor de g.
g = _____________________

base
Medidor de tempo
Esfera no
disparador
y
Figura 1- Esquema de montagem do
equipamento para medida do tempo de
queda da esfera.

27
ATIVIDADES:
1) Para cada esfera, faça um gráfico de y versus t
med
no papel milimetrado. Que tipo de relação existe entre y
e t?
2) Linearize o gráfico fazendo outros dois gráficos de y versus
2
med
t em um outro papel milimetrado.
Fazendo a análise pela melhor reta visual e pela regressão linear, encontre o relacionamento analítico entre as
grandezas y e
2
med
t .
3) A partir dos gráficos linearizados, responda:
- Se os gráficos são retas, calcule o coeficiente angular de cada gráfico. Quais são os significados
físicos da inclinação da reta e da interseção desta com o eixo vertical?
- A aceleração é constante para cada esfera? Como se conclui isso a partir dos gráficos?
4) Determine, graficamente, a aceleração da gravidade local. A aceleração obtida foi a mesma para cada
esfera?
5) Adotando g = (9,78 ± 0,01) m/s
2
como sendo o valor esperado para a aceleração da gravidade local, qual o
erro relativo percentual obtido para as duas esferas e utilizando o sensor?
6) Descreva o experimento e discuta sobre seus resultados. Sob que condições os resultados obtidos são
válidos? Como os erros experimentais afetam as conclusões? Como se poderia melhorar o experimento?





































28
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DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II

PRÁTICA: ATRITO ESTÁTICO

1. OBJETIVO: Determinar o coeficiente de atrito estático entre duas superfícies em contato.
2. INTRODUÇÃO:
O atrito é um fenômeno físico presente nas diversas atividades do cotidiano. Este é percebido como
sendo uma dificuldade ao movimento relativo de duas superfícies em contato, cujas rugosidades produzem
pontos de encaixe entre ambas. Essa dificuldade ao movimento significa que, devido ao atrito, pode ocorrer
desgastes entre as superfícies de contato e, assim, liberar energia sob as formas de som, luz e calor.
A experiência mostra que quando duas superfícies sólidas estão em contato o módulo da força de
atrito é dado pelas seguintes leis:
f
e
s µ
e
N ( atrito estático ), (1)
f
k
= µ
k
N ( atrito cinético ), (2)
onde f
e
e f
k
são as forças de atrito estático e cinético, respectivamente, N é o módulo da força perpendicular
com a qual uma superfície pressiona a outra (força normal) e µ
e
e µ
k
são os coeficientes de atrito estático e
cinético, respectivamente.
Na primeira equação percebe-se que a força de atrito estático pode variar do valor zero até µ
e
N, ou
seja, esta força de atrito variável surge quando, ao se aplicar uma força externa a duas superfícies em contato,
não há movimento de uma em relação à outra. Assim, ao se mudar a intensidade da força externa, o módulo
da força de atrito também muda. Portanto, na eminência de uma superfície entrar em movimento em relação
à outra tem-se a relação
f
A
÷ f
e(máx)
= µ
e
N. (3)
É esta equação que será usada no presente experimento.

3. METODOLOGIA:
PRIMEIRA PARTE: SUPERFÍCIE HORIZONTAL
MATERIAL UTILIZADO:
Superfície horizontal, blocos de madeira, dinamômetros, balança, régua.
PROCEDIMENTO:
Sejam duas superfícies em contato, uma delas fixa e outra a face de um bloco apoiado sobre a
primeira, conforme mostra a Figura 1. Existe uma força máxima (F) no dinamômetro, paralelo às superfícies,
que tende a deslocar o bloco, ou seja, deixá-lo na eminência do movimento.






Variando-se o número de blocos (empilhando-os), de tal modo a não alterar o bloco inferior, tem-se
diferentes intensidades da componente normal (N). A intensidade da força de atrito máximo (f
A
), para cada
situação, será igual a força máxima (F) aplicada ao bloco. Conhecendo a força F e a massa (m) dos blocos
empilhados pode-se determinar f
A
e N, respectivamente.
F
dinamômetro
bloco
superfície
Figura 1- Montagem do experimento.

29
Passos para a realização das medidas:
a) Meça a massa de um dos blocos e o coloque em cima da superfície do plano inclinado (mantido na
horizontal). Coloque o bloco de maneira que uma face de fórmica do bloco fique em contato com a
superfície, também de fórmica, do plano. Calcule o valor de N (considere g = (9,78 ± 0,01) m/s
2
).
b) Prenda um dinamômetro no bloco e, mantendo o dinamômetro na horizontal aplique uma força até que o
bloco comece a se mover. Use o dinamômetro mais adequado para a medida da força F. Faça três medidas de
F.
c) Coloque um segundo bloco em cima do primeiro e repita o procedimento acima. Meça a massa total dos
dois blocos.
d) Coloque mais três blocos (um de cada vez) e repita os procedimentos acima. Complete a Tabela 1.

Massa (kg) N (N) Medidas de F (N) F
med
± ∆ F
med
(N)





Tabela 1: Valores medidos para a primeira parte (face 1).

e) Repita as medidas colocando uma das faces de feltro do bloco em contato com a superfície do plano
inclinado mantido na horizontal). Complete a Tabela 2.

Massa (kg) N (N) Medidas de F (N) F
med
± ∆ F
med
(N))





Tabela 2: Valores medidos para a primeira parte (face 2).

e) Utilizando o sensor de força juntamente com o software da Logger Pro encontre o valor de µ
e
tanto para a
fórmica quanto para o feltro. Faça pelo menos três medidas para cada massa.

Fórmica


Resultado Final: µ
e
± ∆µ
e ____________________________________


Massa
(kg)
N (N) Medidas de f
e(máx
(N) Medidas de µ
e
µ
e (médio)






30
Feltro



Resultado Final: µ
e
± ∆µ
e =____________________________________

ATIVIDADES:
1) Faça um gráfico de f
A
versus N e encontre, graficamente, o valor de µ
e
para cada uma das práticas
realizadas na primeira parte.
2) Faça um esboço dos gráficos obtidos utilizando o software na parte e) e explique de forma sucinta como
foi obtido o valor de µ
e
a partir desses gráficos.

















3) Tomando o valor de µ
e
obtido utilizando o sensor como sendo o valor esperado, calcule o erro relativo
percentual obtido na prática

e discuta as prováveis fontes de erro.

SEGUNDA PARTE: PLANO INCLINADO
MATERIAL UTILIZADO:
Plano inclinado com suporte, blocos de madeira, dinamômetros, balança, régua.
PROCEDIMENTO:
Sejam, agora, duas superfícies em contato, uma delas fixa e outra a face de um bloco apoiado sobre
a primeira, conforme mostra a Figura 2. Um método simples para determinar µ
e
é inclinar a superfície fixa e
medir o ângulo máximo de inclinação sem desequilibrar o bloco.



Massa
(kg)
N (N) Medidas de F
e
Medidas de µ
e
µ
e (médio)






31














Passos para a realização das medidas:

a) Encontre, em função de Le H, a expressão usada para se obter µ
e
nesse método (plano inclinado) .

b) Use o mesmo bloco (e face) usado na primeira parte e faça três medidas para a determinação de µ
e
.
Mantenha o valor de H sempre fixo (para que o bloco parta sempre da mesma posição).
H = ( ± ) cm

c) Complete a Tabela 3.

Massa (kg) Medidas de L (cm) L
med
± ∆ L
med
(cm)

µ
e
± ∆µ
e


Tabela 3: Valores medidos para a segunda parte (face 1).

d) Repita as medidas colocando uma das faces de feltro do bloco em contato com a superfície do plano
inclinado. Complete a Tabela 4.



Massa (kg) Medidas de L (cm) L
med
± ∆ L
med
(cm)

µ
e
± ∆µ
e



Tabela 4: Valores medidos para a segunda parte (face 2).
ATIVIDADES:
1) Compare os valores de µ
e
obtidos nessa parte com os obtidos na primeira parte. Espera-se que esses
valores sejam próximos? Discuta.










Figura 2- Montagem do experimento.

L
H
u
32
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DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II

PRÁTICA: LEI DE RESFRIAMENTO DE NEWTON
E
EQUIVALENTE ELÉTRICO DO CALOR

PRIMEIRA PARTE: LEI DE RESFRIAMENTO DE NEWTON

1. OBJETIVO: Verificar experimentalmente a Lei de resfriamento de Newton.

2. INTRODUÇÃO:
A Lei de resfriamento de Newton estabelece que a taxa de variação da temperatura de um fluido é
proporcional à diferença entre as temperaturas do sistema e do meio em que se encontra. Supondo que tal
fluido à uma temperatura uniforme T se encontre em um ambiente cuja temperatura seja T
a
, sendo T > T
a
,
podemos escrever:
( ) ( )
a a
T T k
dt
dT
T T
dt
dT
÷ ÷ = ÷ ÷ ÷ · . (1)
Resolvendo esta equação diferencial, obtém-se:
kt
a a
e T T T T
÷
÷ = ÷ ) (
0
(2)
onde k=hA/C; A=área da seção reta, C= capacidade térmica e h= coeficiente de película (que depende das
propriedades físicas do fluido, da forma, natureza e rugosidade da superfície e do tipo de escoamento).
Fazendo,
a
T T T ÷ = A e
a
T T T ÷ = A
0 0
tem-se:
kt
e T T
÷
A = A
0
. (3)
3. METODOLOGIA:
MATERIAL UTILIZADO:
Ebulidor, dois beckers com diferentes áreas de seção reta (A
1
e A
2
), vasilhames de isopor, termômetros e
cronômetro ou relógio.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:

a) Meça a temperatura ambiente. T
a
= ( ± )
0
C.
b) Aqueça a água até aproximadamente 80
0
C, transportando cerca de 200 ml para cada um dos beckers.
c) Coloque os beckers no vasilhame de isopor para evitar perdas de calor por condução através das paredes
de vidro dos mesmos.
d) Meça a temperatura da água em cada um dos beckers. Esta temperatura será considerada a temperatura
inicial T
0
.
e) A partir desse instante, meça a temperatura da água nos instantes estabelecidos e complete a tabela abaixo.


t(min) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 50 60 70
A
1

T (
0
C)
A
2

A
1
A T (
0
C)
A
2


33
ATIVIDADES:
1) Faça uma ilustração da montagem.






2) Construa, em uma mesma folha de papel milimetrado, o gráfico AT versus t para os dois beckers (A
1
e A
2
).
3) Construa, em uma mesma folha de papel mono-log, o gráfico linearizado de log AT versus t para os dois
beckers (A
1
e A
2
).
Obs: Para linearizar a curva aplicamos a função log na equação (3) e obtemos a seguinte relação:
0
log ) log ( log T t e k T A + ÷ = A .
4) Através da melhor reta visual e da regressão linear, determine o relacionamento analítico entre AT e t.
Para isso, encontre os valores de k e A T
0
. Trace a reta da regressão linear.
5) Tomando o valor de A T
0
esperado como aquele medido com o termômetro no tempo zero (ver tabela),
calcule o erro relativo percentual obtido no experimento. Discuta sobre as possíveis fontes de erros.
6) Calcule o coeficiente de correlação linear (r) entre log A T e t e discuta o significado do resultado obtido.
7) Discuta os valores de k obtidos nos beckers de diferentes áreaa de seção reta.

SEGUNDA PARTE: EQUIVALENTE ELÉTRICO DO CALOR

1. OBJETIVO: Calcular o fator de conversão de calorias em joules e vice-versa usando um calorímetro.
2. INTRODUÇÃO:
Os sistemas físicos são formados por corpos constituídos por partículas que estão constantemente em
movimento, sendo assim, possuem uma energia de movimento ou energia de agitação das partículas,
chamada de energia térmica do corpo. A energia térmica dependerá da substância que constitui o corpo, bem
como da quantidade de matéria envolvida ou massa, além da temperatura, que é uma medida do estado de
agitação das partículas constituintes do corpo.
Quando dois corpos em temperaturas diferentes são colocados em contanto, espontaneamente haverá
transferência de energia na forma de calor até que ambos os corpos alcancem o equilíbrio térmico, onde terão
a mesma temperatura. Notamos que o que rege a transferência de calor de um corpo para outro é exatamente
a diferença de temperatura entre eles. E a energia térmica que passa de um corpo a outro , que recebe o nome
de calor, pode ser interpretada como sendo a energia em trânsito de um corpo para outro.
Quando um corpo recebe calor de outro corpo este pode sofrer uma variação de temperatura ou uma
mudança de estado. Quando ocorre variação de temperatura T A , o calor transferido é chamado de calor
sensível. Se ocorrer apenas mudanças de estado, falamos que o calor é latente ou de transformação. Dessa
forma, quando um corpo de massa m sofre uma variação de temperatura, pode-se calcular a quantidade de
calor Q envolvida na mudança de temperatura do corpo como sendo:
T c m Q A = . . , (4)
pois verifica-se experimentalmente que a quantidade de calor Q é proporcional à variação de temperatura do
corpo, sendo que a constante de proporcionalidade depende da massa m do corpo e de um fator específico de
cada material, que chamamos de calor específico c do material. Um corpo pode, também, absorver ou ceder
34
0. 0 5 V
Fonte de
Tensão
0.005 A
10 ADC
A mA
COM
0.05 V
10 ADC
V mA
COM
Calorímetro
Voltímetro
Amperímetro
calor sem que haja variação em sua temperatura. Isto ocorre durante mudanças de fases realizadas à pressão
constante. O calor transferido (cedido ou recebido) em uma mudança de fase é dado por:
Q = mL , (5)
sendo m a massa do corpo que muda de fase e L o calor de transformação (ou calor latente).
Em um sistema isolado, se tivermos vários corpos em diferentes temperaturas em contato entre si, os
mesmos trocarão calor até atingirem o equilíbrio térmico. Entretanto, o calor que é liberado por um corpo
será recebido por outro de forma a manter a energia térmica total constante. Portanto, a soma das quantidades
de calor recebidas pelos corpos mais frios deve ser igual à soma das quantidades de calor cedidas pelos
corpos mais quentes, ou seja:
¿ ¿
=
recebido cedido
Q Q . (6)
Esta equação nos diz que a energia total do sistema pode ser transformada mas deve ser conservada.
Em experiências de calorimetria, os corpos são geralmente acondicionados em um recipiente
chamado de calorímetro. É importante lembrar que o calorímetro também participa da troca de calor entre os
corpos.
3. METODOLOGIA:
MATERIAL UTILIZADO:
Um calorímetro com resistor e bornes elétricos, uma proveta de 100 ml, dois multímetros, uma fonte de
tensão variável 0 a 15V – 3A, um cronômetro, um termômetro, três cabos de ligação, dois cabos de ligação
com derivação.

PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:

a) Coloque 100 ml de água na proveta. Considerando que para a água 1 ml = 1 g, determine a massa de água

m
1
= __________ g.

b) Coloque esta água no calorímetro
e agite suavemente para facilitar o
equilíbrio térmico (~ 3min), meça a
temperatura inicial do sistema.

T
1
=__________
o
C

c) Monte os equipamentos conforme
o esquema da Figura 1 ao lado.












d) Ajuste a escala de tensão da fonte em 12 V, ligue o circuito e acione o cronômetro.

Figura1: Esquema de montagem do calorímetro e
dos equipamentos de medida.
35
e) No amperímetro e no voltímetro, faça a leitura da intensidade de I (corrente) e V (voltagem) e anote o
resultado.

I = ___________ A.

V = ___________ V.


f) Marque o tempo transcorrido até que a temperatura tenha elevado de 20
o
C em relação à temperatura
inicial do sistema e anote a respectiva temperatura.

t = __________ s .

T
F
= __________
o
C

ATIVIDADES:
1) Calcule a potência elétrica que o resistor dissipou durante o processo. ( i V. P = )

P = ________ W.

2) Calcule a energia elétrica dissipada (transformada em calor ) pelo resistor durante o aquecimento do
conjunto, isto é, no tempo t.
¬ = ¬ = t P Q
t
Q
P . Q
1
= _________ J.

3) Calcule a quantidade de calor
2
Q que foi necessária para aquecer a água e o calorímetro até a temperatura
final.
O H o calorímetr
Q Q Q
2
2
+ = .



Logo:
T c m Q
O H e o calorímetr
A = . .
2
e T c m Q
O H O H
A = . .
2 2
1
.

Então:

( ) T c m m Q
O H e
A + = . .
2
1 2
,

onde
O H
c
2
=1 cal/g
o
C.

Q
2
= _________ cal


4) Como o calor que aqueceu o sistema veio da conversão de energia elétrica em calor, podemos agora
calcular o fator que permite converter calorias em joules e vice-versa, por meio de uma igualdade.

1 2
Q Q = .

Compare o valor experimental obtido com o valor que se encontra em livros, isto é, que 1cal = 4.1868 J.
Calcule o erro relativo percentual obtido no experimento.


Consideraremos o equivalente em água do calorímetro igual a 20g (m
e
= 20g).
36
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DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II

PRÁTICA: OSCILAÇÕES
1. OBJETIVO: Observar experimentalmente e discutir alguns fenômenos oscilatórios

2. INTRODUÇÃO:
Na natureza há um grande número de processos que se repetem em intervalos de tempo iguais. São
os chamados fenômenos periódicos, entre os quais podem ser citados o movimento de um pêndulo, a
oscilação de um massa suspensa em uma mola e a vibração de uma corda. Embora se diferenciem, as
naturezas destas oscilações são bastante análogas as formulações matemáticas utilizadas para descrevê-las.
Uma grandeza física fundamental para a análise de todos esses fenômenos é o período T, definido como o
tempo correspondente a uma oscilação completa. Já ao número de oscilações efetuadas por unidade de tempo
denominamos frequência f, sendo a relação entre essas grandezas
T
f
1
= . (1)
Se o período é expresso em segundos (s), a frequência deverá ser expressa em s
-1
ou hz (hertz). Pode-
se demonstrar que, na ausência de atritos, o período de uma massa m que oscila verticalmente na
extremidade de uma mola de constante elástica k é dado por:
k
m
T t 2 = . (2)
Por outro lado, no caso de uma massa m oscilando na extremidade de um fio de comprimento L
numa região onde a aceleração gravitacional é g, o período de oscilação, também na ausência de efeitos
dissipativos, será:

(
¸
(

¸

+ |
.
|

\
|
|
|
.
|

\
|
|
.
|

\
|
+ |
.
|

\
|
|
.
|

\
|
+ = ......
2 4
3
2
1
2 2
1
1 2
4
2
2
2
2
2
m m
sen sen
g
L
T
u u
t , (3)

onde θ
m
é o deslocamento angular máximo da massa (amplitude de oscilação). Pode-se então concluir que,
no caso da oscilação de um pêndulo com amplitude inferior a 15º, os termos senoidais são muito pequenos,
sendo o período dependente praticamente apenas do comprimento L e da aceleração gravitacional g, isto é:
g
L
T t 2 = . (4)

Cada um desses osciladores, conjunto bloco-mola e pêndulo simples (este no caso de pequenas
amplitudes) apresentam, portanto, uma única frequência natural, podendo ressonar (entrar em ressonância)
com um agente externo que atue sobre o sistema com uma freqüência igual ou muito próxima da respectiva
frequência natural. Como pode ser demonstrado, esse fenômeno (ressonância) é caracterizado pela
otimização de transferência de energia (do agente externo para o sistema oscilante), ocasionando uma
significativa elevação na amplitude de oscilação.

3. METODOLOGIA:
PRIMEIRA PARTE: PÊNDULO SIMPLES
MATERIAL UTILIZADO:
Barbante, uma massa de 20 g e uma massa de 100 g, cronômetro e trena milimetrada.
37
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:

a) Amarre a massa de 20 g na extremidade de um barbante de 1,60 m de comprimento, fixando a outra
extremidade no teto, de tal forma que esse pêndulo simples oscile num plano vertical.
b) Afaste lateralmente a massa formando um ângulo menor que 15º com a vertical e abandone a massa.
Após abandoná-la, meça o tempo correspondente a 10(dez) oscilações completas. Determine o período
médio desse pêndulo. (T = tempo das 10 (dez) oscilações completas/10). Faça pelo menos três medidas.



c) Reduza o comprimento do barbante a um quarto do valor original e repita o procedimento.Qual a razão
entre os períodos obtidos ? Qual seria a razão esperada ?



d) Repita a oscilação do pêndulo mais comprido, agora com a massa de 100 g suspensa. Houve alteração no
período anteriormente obtido ?



e) Com a montagem do item (a) e obtenha o período para diferentes amplitudes de oscilações. Utilize
amplitudes maiores que 15º, como por exemplo, 50º e 80º





f) Discuta a dependência do período de um pêndulo com a amplitude de oscilação.
ATIVIDADES:
1) A partir das atividades realizadas na primeira parte preencha o quadro abaixo:
Atividades Relato e explicação do fenômeno observado
1 Medição dos períodos de pêndulos simples
de massa 20 g e comprimentos L e L/4.

2 Medição dos períodos de pêndulos simples
de comprimento L e massas de 20g e 100 g.

3 Medição do período de um pêndulo simples
de massa 20 g e com amplitudes variadas.

SEGUNDA PARTE: SISTEMA MASSA-MOLA
MATERIAL UTILIZADO:
Massas variadas, barbante, molas com diferentes constantes elásticas, tripés, hastes e cronômetro.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:

T
1
= , T
2
= , T
3
= T
médio
=
T
1
= , T
2
= , T
3
= T
médio
=
T
1
= , T
2
= , T
3
= T
médio
=
T
Médio(amplitude 1)
= T
Médio(amplitude 2
=
38
a) Disponha uma massa (m
1
) na extremidade de uma mola (k
1
), fixando a outra extremidade da mola no
arranjo formado com os tripés, hastes e barbantes, como indicado na Figura 2.











Faça o sistema massa-mola oscilar ao longo dessa direção vertical e, medindo o tempo correspondente a
10(dez) oscilações completas. Faça pelo menos três medidas e determine o respectivo período médio.
Compare esse resultado obtido com o valor esperado.

b) Repita o procedimento anterior, para uma massa diferente da anterior (m
2
), discutindo a dependência do
período desse sistema com a massa suspensa.




c) Repita o procedimento realizado em b trocando a mola por uma com constante elástica diferente (k2).
Discuta a dependência do período desse sistema com o valor da constante elástica da mola.



d) Com a montagem do item (a), obtenha o período de oscilação da mola para diferentes amplitudes de
oscilações.

ATIVIDADES:
1) A partir das atividades realizadas na segunda parte preencha o quadro abaixo:
Atividades Relato e explicação do fenômeno observado
1 Medição dos períodos de um sistema massa-
mola de constante elástica k
1
e massas m
1
e m
2
.

2 Medição dos períodos de sistemas massa-mola
de massa m
1
e constantes elásticas k
1
e k
2
.

3 Medição dos períodos de um sistemas massa-
mola de massa m
1
, constantes elásticas k
1
e
amplitudes variadas.

TERCEIRA PARTE: RESSONÂNCIA
MATERIAL UTILIZADO:
Massas variadas, barbante, molas com diferentes constantes elásticas, tripés e hastes.
Figura 2- Montagem experimental para a
medida do período de oscilação da mola.
m
1

k
1

m
1
= 100 g k
1
= 10 N/m
T
teórico
= T
medido1
=
T
medido2
=
T
medido3
=
T
Médio
(
medido)
=
m
2
=50 g k
1
= 10 N/m T
teórico
=
T
medido
= T
medido2
= T
medido3
= T
Médio
(
medido)
=
m
1
= 100 g k
2
= 20 N/m T
teórico
=
T
medido
= T
medido2
= T
medido3
= T
Médio
(
medido)
=
T
Médio(amplitude 1)
= T
Médio(amplitude 2
=
39
10g
k
a

10g
k
b

10g
k
a

10g
k
b

PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:

a) Faça a montagem abaixo, ligando as extremidades dos 4 pêndulos simples a um barbante bem esticado e
disposto horizontalmente, como ilustrado na Figura 3.












Fazendo apenas um dos pêndulos oscilar, os outro(s) passam também a oscilar com amplitude significativa ?
Repita o procedimento para a oscilação inicial de outro pêndulo e explique o fenômeno observado.

b) Substitua agora os pêndulos simples por 4 conjuntos massa-mola, como ilustrado abaixo na Figura 4.
Fazendo apenas um dos conjuntos oscilar, outro(s) passam também a oscilar com amplitude significativa?
Repita o procedimento para a oscilação inicial de outro conjunto e explique o fenômeno observado.











ATIVIDADES:
1) A partir das atividades realizadas na terceira parte preencha o quadro abaixo:
Atividades Relato e explicação do fenômeno observado
1 Perturbação de um pêndulo simples em um
conjunto de quatro pêndulos de comprimentos e
massas variados.

2 Perturbação de um sistema massa-mola em um
conjunto de quatro conjuntos de massas e
constantes elásticas variada.


Figura 3 – Pêndulos simples

Figura 4 – Osciladores massa-mola
10 g
10 g
20 g
20 g
L
1
L
3

L
2
L
4

Quais pêndulos possuem a mesma frequência de
oscilação? (Obs: L
1
=L
3
)
Quais sistemas massa-mola possuem a mesma
frequência de oscilação?
40
QUARTA PARTE: ENCONTRAR A ACELERAÇÃO DA GRAVIDADE LOCAL
MATERIAL UTILIZADO:
Barbante, uma massa de 50 g, cronômetro e trena milimetrada.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:

a) Para um dado comprimento do pêndulo, afaste lateralmente a massa formando um ângulo menor que 15º
com a vertical e faça uma marcação dessa posição para que a massa seja sempre abandonada desse mesmo
ponto. Abandone a massa e após abandoná-la, meça o tempo correspondente a 10(dez) oscilações completas.
Determine o período médio desse pêndulo. (T = tempo das 10 (dez) oscilações completas/10). Repita a
medida pelo menos três vezes. Repita esse procedimento para pelo menos 10 valores de L diferentes e
complete a tabela a seguir.

Medida L(m) t (s) (p/ 10 oscilações) T ± ∆ T (s)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
ATIVIDADES:
1) Construa, em um papel milimetrado, o gráfico T versus L. A relação entre essas grandezas é linear?

2) Utilizando um papel milimetrado, linearize a curva. Através da melhor reta visual e da regressão linear,
determine o relacionamento analítico entre T e L. Qual o significado físico de a e b? Calcule o coeficiente de
correlação linear (r) e discuta o significado do resultado obtido?
3) Encontre, graficamente, a aceleração da gravidade local.

4) Calcule o erro relativo percentual da prática na determinação de g. (g
esp
= 9,78 m/s
2
).















41
u
1
Normal

u
2
Normal


Raio refratado

Ar (meio 2)

Acrílico (meio 1)

u
r
Raio refletido

Raio incidente
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II

PRÁTICA: ÓTICA GEOMÉTRICA
REFLEXÃO E REFRAÇÃO DA LUZ / FORMAÇÃO DE IMAGENS
1. OBJETIVO: Verificar os fenômenos de reflexão e refração da luz.
Determinar experimentalmente o índice de refração de um meio.
Determinar experimentalmente a distância focal de espelhos e lentes.

2. INTRODUÇÃO:
Um raio de luz monocromática incidente na interface de dois meios transparentes dá origem a um
raio refletido (retorna ao meio inicial) e a um raio refratado (passa a se propagar no segundo meio, com
alteração em sua velocidade). Como exemplo, podemos supor um raio incidente na face curva de um semi-
disco de acrílico, como ilustrado na Figura 1.
















Figura 1- Refração e reflexão de um raio incidente na face curva de um semi-disco.

Esses três raios (incidente, refletido e refratado) situam-se em um mesmo plano. Como ilustrado na
Figura 1, θ
1
, θ
r
e θ
2
são, respectivamente, os ângulos de incidência, reflexão e refração, todos tomados em
relação à direção normal à superfície de interface entre os dois meios. Verifica-se experimentalmente que

θ
1
= θ
r
(1ª Lei da reflexão) (1)
n
1
sen θ
1
= n
2
sen θ
2
(Lei de Snell-Descartes) (2),

onde n é o índice de refração de cada meio, definido como a razão entre a velocidade da luz no vácuo (c) e a
velocidade da luz nesse meio (v) , ou seja

v
c
n = (3)

Desse modo, quando a luz incide na interface de dois meios de índices de refração diferentes ela se
refrata, alterando sua velocidade. Essa refração é acompanhada, na maioria das vezes pelo desvio da luz em
relação à sua direção original, o que só não acontece quando o feixe incide perpendicularmente à superfície
de separação, ou seja, ao longo da normal. Nesse caso específico, há refração (variação da velocidade da luz)
mas não desvio na trajetória do raio incidente. Essa situação especial pode ser verificada na mesma Figura 1,
quando o raio refletido, ao incidir na interface curva entre os meios 2 e 1, passa para esse segundo meio sem
42
se desviar. Isso acontece pelo fato de essa nova incidência se dar ao longo do raio do semi-disco que, como
se sabe, é perpendicular à superfície, configurando-se, portanto, uma incidência ao longo da normal.
Uma importante aplicação da lei de Snell-Descartes é na determinação experimental do
índice de refração de um meio, a partir do conhecimento do índice do outro meio e dos respectivos
ângulos de incidência e refração. Por outro lado, caso se conheça os índices dos dois meios, pode-
se, também, pela aplicação dessa lei, determinar-se experimentalmente o ângulo crítico do meio
mais refringente (de maior índice de refração). Como pode-se concluir rapidamente, caso a
incidência da luz ocorra de um meio mais refringente para um menos refringente, ou seja n
1
> n
2
, o
ângulo de refração será maior que o ângulo de incidência. Assim, haverá um ângulo θ
1
para o qual
haverá a última refração (θ
2
= 90º). Esse ângulo θ
1
especial é chamado ângulo limite ou ângulo
crítico (θ
c
). Portanto, para ângulos de incidência superiores a esse ângulo (θ
1
> θ
c
) não haverá mais
refração, configurando-se o fenômeno de reflexão interna total, quando os raios refratado e refletido
se unem num único raio refletido. Logo, o ângulo crítico θ
c
é definido como o ângulo de incidência para
o qual o ângulo refratado é de 90º. Substituindo na lei de Snell temos:

|
|
.
|

\
|
= u ¬ = u
1
2
c
o
2 c 1
n
n
arcsen 90 sen n sen n . (4)
A aplicação da lei de Snell-Descartes, rever prática Fenômenos óticos, no caso da incidência
da luz em uma lente, combinada com a utilização de conceitos simples de geometria, pode também
nos fornecer importantes informações sobre o processo de formação de imagens. Assim procedendo,
pode-se demonstrar que, no caso de os raios luminosos incidentes serem paraxiais ou centrais, isto é,
limitados a uma pequena faixa da lente tal que sejam pequenos os ângulos envolvidos:


( ) i o
oi
f
i o f +
= ÷ + =
1 1 1
, (5) Equação dos pontos conjugados

onde o, i e f representam, respectivamente, as distâncias do objeto, da imagem e do foco, todas essas
tomadas em relação à lente. A Figura 1 ilustra, respectivamente, uma situação de formação de
imagem real (captada num anteparo) por um espelho côncavo e uma lente convergente. Traçando-se
os raios seguindo as leis da reflexão e refração é possível descrever a formação de imagens reais e virtuais
por espelhos (planos, côncavos e convexos) e lentes (divergentes e convergentes) empregados em
instrumentos ópticos.






















(a)
(b)
Figura 1- Formação de imagem real (captada
num anteparo) por um espelho côncavo (a) e
por uma lente convergente (b). Imagem
extraída do livro Physics For Scientists And
Engineers 6Th Ed.
43
Observa-se que uma lente convergente forma imagens reais e virtuais (nesse caso, quando o objeto
for colocado entre a lente e o foco). Já as lentes divergentes só formam imagens virtuais (não captadas em
um anteparo). A equação (5), equação dos pontos conjugados, pode ser aplicada também para espelhos
esféricos, lembrando que, desta feita, as imagens são formadas pelo fenômeno da reflexão da luz (aplicando-
se, portanto, não a lei de Snell, mas as leis da reflexão).
A distância focal de um sistema ótico (lente ou espelho) está ligada à sua capacidade de
convergência (C), que definimos como C = 1/ f. Assim, um sistema que tem uma pequena distância focal é
um sistema que converge significativamente os raios quando se incide sobre ele raios paralelos, ao passo que
uma grande distância focal está associada uma pequena convergência (os raios paralelos convergirão para
um ponto afastado do sistema). Caso o sistema seja convergente (espelho côncavo ou lente convergente), os
raios refletidos ou refratados, respectivamente, passam por um ponto comum, o foco real, sendo por isso a
distância focal f considerada positiva. Já no caso de um sistema ótico divergente (espelho convexo ou lente
divergente), os raios refletidos ou refratados, respectivamente, não se encontram em um ponto comum e sim
os seus prolongamentos, motivo pelo qual o foco é virtual e a distância focal considerada negativa.
A distância focal de um sistema ótico, muito importante para vários fins práticos, pode, então, ser
obtida a partir do conhecimento prévio das distâncias o e i. Isso é mais fácil no caso de o sistema ser
convergente (lente convergente ou espelho côncavo), pois as imagens são reais (formadas num anteparo).
Por outro lado, no caso do sistema divergente (espelho convexo ou lente divergente), que só formam
imagens virtuais, a determinação experimental da respectiva distância focal não pode ser obtida diretamente
pela equação dos pontos conjugados, já que a respectiva distância i não pode ser medida, pois a imagem não
é captada em anteparo. Nesse caso, é recomendável a utilização de uma outra metodologia, que passa por
uma prévia associação dessa lente ou espelho com uma lente convergente.
Outro método muito útil para a determinação da distância focal de uma lente convergente é o método
de Bessel, que sintetizamos a seguir. Fixando-se a distância D entre o objeto e o anteparo, observa-se que
existem duas posições da lente, distanciadas de d, para as quais são obtidas imagens nítidas. Pode-se
demonstrar facilmente que a distância focal da lente pode ser obtida a partir dessas duas distâncias D e d, de
acordo com a equação:
( )
D
d D
f
4
2 2
÷
= . (6) Equação de Bessel
3. METODOLOGIA:
PRIMEIRA PARTE: VERIFICAÇÃO DA LEI DA REFLEXÃO.
MATERIAL UTILIZADO:
Espelho plano, suporte circular (disco) graduado em graus e fonte de raio laser.
PROCEDIMENTO:
a) Disponha o espelho plano no suporte circular, de forma que sua superfície coincida com o diâmetro do
disco.
b) Incida um feixe de luz laser sobre o espelho, medindo os ângulos de incidência e reflexão.
c) Variando o ângulo de incidência complete a tabela abaixo.

θ
1
(grau) 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0
θ
r
(grau)
ATIVIDADES:
1) A partir da atividade realizadas na primeira parte preencha o quadro abaixo:
Atividade Relato e explicação do fenômeno observado
1 Medição do ângulo de reflexão
em um espelho plano.



44
SEGUNDA PARTE: DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DO ÍNDICE DE
REFRAÇÃO DE UM MEIO.
MATERIAL UTILIZADO:
Semi-disco de vidro ou acrílico, suporte circular (disco) graduado em graus e fonte de raio laser.
PROCEDIMENTO:
a) Disponha o semi-disco sobre o suporte circular, de forma que superfície plana do primeiro coincida com o
diâmetro do segundo.
b) Incida um feixe de raio laser no centro da superfície plana do semi-disco tal que o ângulo de incidência
seja diferente de zero.
c) Meça o respectivo ângulo de refração. Por que, nesse caso, esse ângulo pode ser medido fora do semi-
disco de acrílico, após a segunda refração (do semi-disco para o ar) ?
d) Repita essas medidas, para diferentes ângulos de incidência, completando a tabela abaixo.

θ
1

sen θ
1

θ
2

sen θ
2

n
2

ATIVIDADES:
1) Faça uma ilustração da montagem.









2) A partir da atividade realizadas na segunda parte preencha o quadro abaixo:
Atividade Relato e explicação do fenômeno observado
1 Incidência de um raio luminoso
na interface ar- acrílico, do ar
para o acrílico.




3) Sabendo que o feixe de luz era proveniente do ar (n
ar
= 1,00), qual foi o índice de refração obtido? Escreva
o resultado final utilizando os conceitos de valor médio e desvio médio.


3) Se o índice de refração do acrílico informado pelo fabricante é n
esperado=
, determine o erro relativo
percentual obtido na realização da prática.


45
TERCEIRA PARTE: VERIFICAÇÃO DA REFLEXÃO INTERNA TOTAL.
MATERIAL UTILIZADO:
Semi-disco de vidro ou acrílico, suporte circular (disco) graduado em graus e fonte de raio laser.
PROCEDIMENTO:
a) Incida o feixe laser na parte curva do semi-disco tal que seu prolongamento passe pelo centro de sua face
plana.
b) Varie o ângulo de incidência até observar o fenômeno da reflexão interna total.
c) Repita essa medida, pelo menos quatro vezes e complete a tabela abaixo:

u
c
(grau)
ATIVIDADES:
1) Faça uma ilustração da montagem.





2) A partir da atividade realizadas na terceira parte preencha o quadro abaixo:
Atividade Relato e explicação do fenômeno observado
1 Incidência de um raio luminoso na
interface acrílico-ar, do acrílico para
o ar.




3) Escreva o resultado final para o u
c
utilizando os conceitos de valor médio e desvio médio.


4) Utilizando o índice de refração do acrílico obtido no item 3 das atividades da segunda parte e com o
auxílio da equação 4, calcule o ângulo crítico esperado. u
c (esperaro)
=

5) Determine o erro relativo percentual obtido na realização da prática.

QUARTA PARTE: RELAÇÃO ENTRE O DESVIO DO FEIXE EMERGENTE E A
ESPESSURA DO MATERIAL .
MATERIAL UTILIZADO:
Lâminas de faces paralelas, suporte circular (disco) graduado em graus e fonte de raio laser.
PROCEDIMENTO:
a) Utilizando novamente o suporte graduado, incida o feixe laser na superfície de uma lâmina de faces
paralelas de largura L, como ilustrado na Figura 2. O feixe emergente (da lâmina para o ar) é paralelo ao
feixe incidente original ?



46














b) Meça o deslocamento D indicado na Figura 2.
c) Duplique a espessura da lâmina e verifique que o deslocamento lateral D do feixe emergente é diretamente
proporcional à largura da lâmina (D α L).

ATIVIDADES:
1) A partir da atividade realizadas na terceira parte preencha o quadro abaixo:
Atividade Relato e explicação do fenômeno observado
1 Incidência de um raio luminoso na
interface ar-vidro (lâmina de faces
paralelas)




2) A partir de sua observação nessa atividade, justifique porque, na 2ª parte, caso tenha sido utilizada água
dentro do semi-disco de acrílico, pode se desprezar os efeitos da refração na parede de acrílico e considerar-
se apenas a refração do ar para a água.
QUINTA PARTE: ESPELHO CÔNCAVO.
MATERIAL UTILIZADO:
Banco ótico com anteparo, espelho côncavo (f=10,00 cm), trena e régua milimetradas, objeto luminoso (vela
ou lâmpada incandescente).
PROCEDIMENTO:
a) Monte o banco ótico, com o espelho côncavo, anteparo e objeto (vela ou lâmpada incandescente), de
forma a obter imagens reais.
b) Para diferentes distâncias do objeto ao espelho (superiores à distância focal), meça as respectivas
distâncias da imagem, utilizando uma trena milimetrada, completando a tabela abaixo.
c) Variando o ângulo de incidência complete a tabela abaixo.

o (cm) 12,00 13,00 14,00 16,50 40,00
i (cm)
f (cm)
ATIVIDADES:
1) Faça uma ilustração da montagem.


2) Calcule a distância focal do espelho obtida na prática. Escreva o resultado final utilizando os
conceitos de valor médio e desvio médio.
Figura 2- Incidência do laser em uma
lâmina de faces paralelas, evidenciando
os feixes incidente e emergente.
Feixe
emergente
Normal

Normal
L
Feixe
incidente
D
47
3) Sabendo que f
esperado
= 10,00 cm, determine o erro relativo percentual obtido na realização da prática.


4) Através do gráfico de 1/i versus 1/o, determine a distância focal do espelho. Utilize o papel milimetrado.

SEXTA PARTE: LENTE CONVERGENTE.
MATERIAL UTILIZADO:
Banco ótico com anteparo, lente convergente (f=20 cm), trena e régua milimetradas, objeto luminoso (vela
ou lâmpada incandescente).
PROCEDIMENTO:
a) Obtenha, com a lente convergente, a imagem de um objeto muito distante (o >>> f) e anote o i obtido. A
que corresponde a distância i obtida ? i= ( ) cm
b) Monte, em seguida, o banco ótico, distanciando o objeto luminoso do anteparo de uma distância
previamente estabelecida (D = 1,20 m, por exemplo).
c) Mantendo fixa essa distância D, movimente a lente entre o objeto e o anteparo até obter, nesse último,
duas imagens nítidas. Marque as posições dessas imagens e meça a distância d entre elas. d= ( ) cm

ATIVIDADES:
1) Faça uma ilustração da montagem.





2) A partir da equação de Bessel, equação (6), determine a distância focal da lente e compare esse resultado
com o valor esperado e com o valor obtido a partir da captação da imagem de um objeto no infinito.

3) Sabendo que f
esperado
= 20,00 cm, determine o erro relativo percentual obtido na realização da prática.



















48
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II

PRÁTICA: ÓTICA FÍSICA
INTERFERÊNCIA E DIFRAÇÃO DA LUZ
1. OBJETIVO: Determinar, graficamente, as larguras das fendas retangular e circular num experimento
de fenda única.
Determinar, graficamente, a distância entre as fendas num experimento de fenda dupla
retangular.
Determinar o diâmetro de um fio fino usando o princípio de Babinet.

2. INTRODUÇÃO:
Difração da luz numa fenda única: localização dos mínimos
A passagem de um feixe de luz por uma fenda retangular estreita ou um obstáculo cujas dimensões
são próximas ao comprimento de onda, produz um espalhamento em relação à direção inicial de propagação.
A onda plana da luz incidente torna-se esférica. Esse fenômeno, denominado difração, pode ser explicado
pelo princípio de Huygens, segundo o qual, os pontos de uma frente de onda funcionam como fontes
secundárias pontuais. Assim, para um feixe de luz monocromática, de comprimento de onda ì, atravessando
uma fenda retangular de largura a, uma figura de difração pode ser observada sobre um anteparo localizado a
uma distância D dessa fenda (figura 1). Fazendo D muito maior que a (D >> a), pode-se considerar que
todos os raios que saem da fenda são paralelos e, assim, a localização dos mínimos de difração (franjas
escuras) sobre o anteparo pode facilmente ser determinada através da equação:
asenu = mλ , para m = 1, 2, 3,... (1)











Figura 1- Difração em uma única fenda retangular.

Como os ângulos u são muito pequenos, pois D >> a,então tgu ~ senu ~ u . Com isto a equação (1)
pode ser escrita numa forma mais simplificada, ou seja:

u ~ = u
D
y
tg
e
a
ì
= u
m
sen ¬
a
D m
y
ì
= . (2)
A equação (3) fornece uma maneira fácil de obter a largura de uma fenda ou o diâmetro de um fio
fino (princípio de Babinet).
No caso de um orifício circular de diâmetro a, a figura de difração consiste em um ponto central
mais intenso (máximo central) e de anéis luminosos concêntricos, alternados por anéis escuros. A localização
desses anéis não pode ser obtida analiticamente. Para o primeiro anel escuro (1
o
mínimo de difração), o
resultado da solução numérica é:
asenu = 1,22λ . (3)
A análise que leva à equação (2) aplica se também para a equação (3):
D
Onda
incidente
u
ì
y
a
anteparo
mínim
máximo central
49

a
D 22 , 1
y
ì
= (4)

Interferência e difração da luz numa fenda dupla retangular: localização dos mínimos
Vimos, da seção anterior, que um feixe de luz monocromática de comprimento de onda ì,
atravessando um orifício, gera sobre um anteparo uma figura de difração, caracterizada por franjas claras e
escuras bem definidas. Quando dois orifícios são justapostos a luz difratada por cada orifício se sobrepõe (se
interferem) na região entre esses orifícios e o anteparo, produzindo, assim, no anteparo uma figura de
interferência, também caracterizada por franjas claras e escuras bem definidas. Um exemplo de dois orifícios
justapostos é o caso da fenda dupla (Figura 2).












Figura 2- Interferência em fenda dupla retangular.

Em 1801, Thomas Young descreveu um método de determinar a localização dos mínimos numa
figura de interferência, ou seja, as franjas escuras (interferência destrutiva), numa experiência de fenda
dupla. Chamando de d a distância entre as fendas, D a distância da fenda ao anteparo, u o ângulo definido na
figura 2 e fazendo D >> d, Young chegou numa equação para localização dos mínimos de interferência dada
por:

2
m dsen
ì
= u , para m = 1, 3, 5,... (5)
Na dedução da equação (4) é assumido que a largura de cada uma das duas fendas é
infinitesimalmente pequena. Na grande maioria das fendas duplas reais, cada uma das fendas possui largura
finita. Neste caso, a figura de interferência formada no anteparo é uma combinação da figura de difração em
fenda única com a figura de interferência em fenda dupla.
A figura 3 mostra um gráfico da intensidade de luz no anteparo em função do ângulo u para um
sistema com ì = 6328 Å, d = 0,30 mm e a = 0,050 mm.















Figura 3- Intensidade de luz no anteparo em função do ângulo u para uma fenda dupla.

Como os ângulos u são muito pequenos, pois D >> a,então tgu ~ senu ~ u. Com isto a equação (5)
pode ser escrita numa forma mais simplificada, ou seja:
D
Onda
incidente
u
ì
y
d
anteparo
mínimo
máximo central
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0
0,0
0,5
1,0
I
/
I
o
u (
o
)
50
u ~ = u
D
y
tg e u ~
ì
= u
d 2
m
sen ¬
d 2
D m
y
ì
= . (6)
A equação (6) fornece uma maneira fácil de determinar a distância entre as fendas.

3. METODOLOGIA:
PRIMEIRA PARTE: FENDA ÚNICA RETANGULAR.
MATERIAL UTILIZADO:
Fenda retangular, fenda dupla retangular, fenda circular, laser, suportes variados, trena.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:
a) Coloque a fenda retangular no suporte.
b) Fixe o laser no suporte e ajuste sua altura de maneira que o feixe de luz possa incidir no ponto médio da
fenda. O feixe do laser não é circular. Ajuste o laser de maneira que o feixe fique na horizontal.
c) Incida a luz do laser na parede. Tome cuidado para que a direção do feixe seja perpendicular à parede. No
local de incidência do laser prenda uma folha branca de papel.
d) Marque na folha o local de incidência do laser.
e) Coloque o suporte com a fenda na frente do laser de maneira que o plano da fenda fique paralelo à parede
da sala e que a fenda fique na vertical. Ajuste o local de incidência do laser na fenda de maneira a produzir a
figura de difração mais nítida possível.
f) Marque na folha de papel a posição dos cinco primeiros mínimos de difração de um lado e do outro do
máximo central.
g) Meça a distância D da fenda até a parede.
h) Meça a distância Y entre dois mínimos equivalentes de um lado e do outro do máximo central e ache o
valor de y.
Mínimo m Y (m) y (m)
Primeiro
Segundo
Terceiro
Quarto
Quinto
ATIVIDADES:
1) Faça um gráfico de y versus m e encontre o valor de a (λ = 6328 Å). (OBS: 1Å= 1x10
-10
m)
a = ( ± ) m

SEGUNDA PARTE: FENDA DUPLA RETANGULAR.
MATERIAL UTILIZADO:
Fenda retangular, fenda dupla retangular, fenda circular, laser, suportes variados, trena.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:
a) Repita os itens de a) a d) descritos na primeira parte, usando a fenda dupla retangular.
51
b) Coloque o suporte com a fenda na frente do laser de maneira que o plano da fenda fique paralelo à parede
da sala. Ajuste o local de incidência do laser na fenda de maneira a produzir a figura de interferência mais
nítida possível.
c) Marque na folha de papel a posição dos cinco primeiros mínimos de interferência de um lado e do outro
do máximo central.
d) Meça a distância D da fenda até a parede.
D = ( ± ) m

e) Meça a distância Y entre dois mínimos equivalentes de um lado e do outro do máximo central e ache o
valor de y.
Mínimo m Y (m) y (m)
Primeiro
Segundo
Terceiro
Quarto
Quinto

ATIVIDADES:
1) Faça um gráfico de y versus m e encontre o valor de d (λ = 6328 Å). (OBS: 1Å= 1x10
-10
m)
d= ( ± ) m


TERCEIRA PARTE: FENDA CIRCULAR.
MATERIAL UTILIZADO:
Fenda retangular, fenda dupla retangular, fenda circular, laser, suportes variados, trena.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:
a) Repita os itens de a) a d) descritos na primeira parte, usando a fenda circular.
b) Coloque o suporte com a fenda na frente do laser de maneira que o plano da fenda fique paralelo à parede
da sala. Ajuste o local de incidência do laser na fenda de maneira a produzir a figura de difração mais nítida
possível.
c) Marque na folha de papel a posição do primeiro mínimo de difração de um lado e do outro do máximo
central. Faça isto em quatro direções diferentes.
d) Meça a distância D da fenda até a parede.
e) Meça a distância Y entre dois mínimos equivalentes de um lado e do outro do máximo central e ache o
valor de y.
Medida Y (m) y (m) a (m)
Primeira
Segunda
Terceira
Quarta
Valor médio de a = ( ± ) m

52
ATIVIDADES:
1) Usando a equação (4) encontre o valor de a para cada medida e, então, calcule o valor médio de a
(λ = 6328 Å).
a = ( ± ) m

QUARTA PARTE: FIO FINO - PRINCÍPIO DE BABINET.
MATERIAL UTILIZADO:
Fenda retangular, fenda dupla retangular, fenda circular, laser, suportes variados, trena.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:
a) Coloque o fio fino no suporte.
b) Fixe o laser no suporte e ajuste sua altura de maneira que o feixe de luz possa incidir no ponto médio do
fio. O feixe do laser não é circular. Ajuste o laser de maneira que o feixe fique na horizontal.
c) Incida a luz do laser na parede. Tome cuidado para que a direção do feixe seja perpendicular à parede. No
local de incidência do laser prenda uma folha branca de papel.
d) Marque na folha o local de incidência do laser.
e) Coloque o suporte com o fio na frente do laser de maneira que o fio fique na vertical. Ajuste o local de
incidência do laser na fenda de maneira a produzir a figura de difração mais nítida possível.
f) Marque na folha de papel a posição dos dois primeiros mínimos de difração de um lado e do outro do
máximo central.
g) Meça a distância D do fio até a parede.
h) Meça a distância Y entre dois mínimos equivalentes de um lado e do outro do máximo central e ache o
valor de y.
Mínimo m Y (m) y (m)
Primeiro
Segundo

ATIVIDADES:
1) Usando a equação (2) encontre o valor de a (λ = 6328 Å).
a = ( ± ) m















53

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II

PRÁTICA: ONDAS ESTACIONÁRIAS EM UMA CORDA
1. OBJETIVO: Determinar, graficamente, a freqüência de vibração de uma corda.
Determinar, graficamente, a tensão aplicada em uma corda colocada para vibrar.

2. INTRODUÇÃO:
Enviando-se um pulso transversal através de uma corda, este se reflete ao atingir a extremidade
oposta. Se, ao invés de um único pulso, for enviado um trem de ondas, a superposição das ondas incidentes e
refletidas na corda poderá produzir o que chamamos de onda estacionária, como ilustrado na Figura 1.








Figura 1- Onda estacionária em uma corda. Imagem modificada extraída do livro Physics For Scientists And Engineers
6Th Ed.

A velocidade v de uma onda numa corda depende das propriedades do meio no qual se propaga, ou
seja, da tensão τ e da massa por unidade de comprimento, isto é, da massa específica linear μ:

µ
t
µ
t
= ¬ =
2
v v . (1)
O comprimento de onda pode ser determinado a partir da simples visualização dos nós e ventres.
Para uma corda presa nas duas extremidades o comprimento L da corda corresponde a um número inteiro de
meios comprimentos de onda, ou seja:

n
L
2
2
n L = ì ¬
ì
= . (2)
onde n = 1, 2, 3, ... são chamados números harmônicos.

Lembrando-se que a velocidade de propagação de uma onda pode também ser expressa pelo produto
do comprimento de onda λ pela freqüência f, tem-se v = ìf e, portanto:
( )
2
2 2
n
1
f L 4µ = t (3)
Portanto, conhecendo-se a massa específica linear μ e o comprimento L da corda, pode-se determinar
a freqüência f de vibração da corda. Esta freqüência é também igual à do agente externo.


ì/2
54

3. METODOLOGIA:
PRIMEIRA PARTE: DETERMINAR, GRAFICAMENTE, A FREQUÊNCIA DE
VIBRAÇÃO DE UMA CORDA.
MATERIAL UTILIZADO:
Vibrador mecânico modelo SF-9324 da Pasco Scientific, Gerador de sinal (Funtion Signal Generator - GV-
2002), amplificador de amplitude (AZEHEB), sensor de força da Vernnier, software Logger Pro, corda com
massa específica linear μ conhecida, suporte móvel para o sensor de força e trena.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:

a) Ligue o gerador de sinal e o amplificador de amplitude ao vibrador mecânico. Nesta parte o gerador de
sinal deve estar na faixa de medidas 3 (range 3) para a frequência e gerando uma onda do tipo senoidal. A
frequência do sinal produzido no gerador deve ser mantida fixa em um valor em torno de 65 Hz. OBS: o
vibrador mecânico suporta uma corrente máxima de 1 A. Não altere os valores de frequência no gerador de
sinal antes de consultar o professor.
b) Fixe uma das extremidades livres da corda ao vibrador mecânico e a outra extremidade ao sensor de
força, tomando o cuidado para manter a corda sempre na horizontal como indicado na Figura 2. OBS: Com
auxílio de uma trena mantenha o mesmo valor H em ambas as extremidades, como ilustrado na figura.










Figura 2- Esquema da montagem utilizada na realização da primeira parte.


c) Conecte o sensor de força ao computador. Com a corda relaxada, zere o sensor de força no software
Logger Pro.
d) Mova, tomando o cuidado para não inclinar a corda, o suporte móvel do sensor de força de maneira a
aplicar uma tensão suficiente na corda para formar uma onda estacionário com seis ventres. Pode ser
necessário fazer um pequeno ajuste no valor da frequência (mantendo em torno de 65 Hz) . Uma vez
ajustada a frequência, esta deve permanecer constante durante todos as medidas realizadas nesta parte do
experimento. Anote o valor desta frequência.
f
esperado
= Hz
O software indica o valor da tensão (τ) aplicada para a formação dos seis ventres. Anote este valor na
Tabela 1.
Sensor de força
Gerador de
sinal
Amplificador
Vibrador
mecânico
Corda
H H
Suporte móvel
L
55
e) Aumente o valor da tensão na corda de maneira a formar, sucessivamente, cinco, quatro, três, dois e um
ventre. Novamente, anote os valores obtidos de tensão para cada caso na Tabela 1.
f) Repita todo o procedimento acima mais três vezes e tire a média dos valores obtidos.
g) Coloque a corda para vibrar no terceiro harmônico e, usando o estroboscópio, meça diretamente a
freqüência de vibração da corda. (OBS: comece da maior frequência e vai reduzindo gradativamente o
valor)
f
estroboscópio
= Hz
h) Meça o comprimento L da corda
L = m
n
2
n
1

Valores medidos de
τ (N)
τ
médio
±A τ
médio
(m)
6



5



4



3



2



1



Tabela 1: Valores medidos para a primeira parte.
ATIVIDADES:
1) Construa um gráfico já linearizado em papel milimetrado e encontre o valor da freqüência de vibração da
corda (μ = 0,3602 g/m).

2) Calcule o erro relativo percentual da prática na determinação de f, utilizando f
esperado
do item d).


SEGUNDA PARTE: DETERMINAR, GRAFICAMENTE, A TENSÃO APLICADA
EM UMA CORDA COLOCADA PARA VIBRAR.
MATERIAL UTLIZADO:
Vibrador mecânico modelo SF-9324 da Pasco Scientific, Gerador de sinal (Funtion Signal Generator - GV-
2002), amplificador de amplitude (AZEHEB), dinamômetro de mola de 2 N, corda com massa específica
linear μ conhecida, suporte móvel para o dinamômetro e trena.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:
a) Substitua o sensor de força por um dinamômetro de mola de 2 N (Nesta parte não será necessária a
utilização do software Logger Pro). Ajuste o sistema da maneira descrita anteriormente e fixe uma tensão
de aproximadamente 0,1 N no dinamômetro. Uma vez ajustada a tensão na corda esta deve permanecer
constante durante todos as medidas realizadas nesta parte do experimento.
τ
esperado
= ( ± ) N
b) Ajuste a frequência de vibração no gerador de sinal de maneira a formar cinco ventres na corda. Anote o
valor da frequência na Tabela 2.
c) Varie a frequência de maneira a formar, sucessivamente, quatro, três e dois ventres na corda, mantendo
constante a tensão aplicada no dinamômetro. Novamente, anote os valores obtidos na Tabela 2.
56

d) Repita todo o procedimento acima mais três vezes e tire a média dos valores obtidos.


n
Valores medidos de
f (Hz)
Valor médio de
f (Hz)
f
médio
±A f
médio
(Hz)
5

4

3

2

Tabela 2: Valores medidos para a segunda parte.

ATIVIDADES:
1) Construa um gráfico já linearizado em papel milimetrado e encontre o valor da tensão aplicada na corda.

2) Calcule o erro relativo percentual da prática na determinação de τ.
























57
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II
PRÁTICA:
CONSTRUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE GRÁFICOS: Software (I)

1. OBJETIVO: Aprender os princípios básicos de utilização de um software gráfico.

2. MATERIAL NECESSÁRIO PARA A REALIZAÇÃO DA AULA:

Trazer a tabela de todas as práticas realizadas até o momento.
PRÁTICA: LINEARIZAÇÃO DE CURVAS
F (gf) 10 20 30 40 50 60 70
x (cm)


u (grau) 45,0 60,0 72,0 90,0 120,0 180,0
N(unidades)

PRÁTICA: LANÇAMENTO DE PROJÉTEIS
y (cm)
x
médio
(cm)

PRÁTICA: ATRITO ESTÁTICO











PRÁTICA: LEI DE RESFRIAMENTO DE NEWTON

t(min) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 50 60
A
1
A T (
0
C)
A
2


PRÁTICA: ENCONTRAR A ACELERAÇÃO DA GRAVIDADE LOCAL


L (m)
T (s)
Superfície horizontal: Fórmica
Massa (kg) N (N) Média de F (N)





58
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
FIS 227 – Física Experimental II
PRÁTICA:
CONSTRUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE GRÁFICOS: Software (II)
EXPERIMENTO ABORDADO: SEGUNDA LEI DE NEWTON
1. OBJETIVO DO EXPERIMENTO: Determinar a relação existente entre a força aplicada em um
corpo e a aceleração que este adquire.

2. INTRODUÇÃO

A todo momento observamos fenômenos dinâmicos ao nosso redor, como uma folha que cai no
chão, uma pequena formiga carregando algo ou mesmo uma avalanche numa montanha coberta de neve. O
fato de cada um destes eventos ocorrerem e gerarem diferentes efeitos sempre despertou o interesse por
explicar estes fenômenos e entendê-los, pois desta forma, torna-se possível fazer previsões sobre cada um
desses fenômenos. Diante deste mundo repleto de curiosidades, Isaac Newton desenvolveu uma relação para
o estudo do movimento de objetos. A segunda lei formulada por este estudioso trata da relação existente
entre a força aplicada sobre um corpo e a respectiva aceleração por este adquirida. Newton formulou que a
soma de todas as forças externas aplicadas a um dado corpo é igual ao produto da massa do corpo pela sua
aceleração, ou seja:
a m F


. =
¿
(1)
esta equação gerou grandes avanços no entendimento de diversos sistemas, pois permite calcular a força
necessária para imprimir uma dada aceleração de módulo a , num corpo de massa m, bem como permite
calcular a força aplicada em dado corpo de massa m , quando este tem uma dada aceleração de módulo a .
Permitindo, assim, dimensionar diferentes sistemas antes de executá-los.
3. METODOLOGIA:
MATERIAL UTILIZADO:
Detector de movimento do tipo “Photogate”, trilho de ar com um planador, polia, massas, linha, suportes.
PROCEDIMENTO:
Passos para a realização das medidas:

a) Monte o trilho de ar de modo que este fique nivelado tal que o planador fique parado no trilho quando não
estiver atuando forças externas. O planador não deve deslizar preferencialmente para nenhum lado. A
distância D entre os Photogates deve se manter fixa. A Figura1 mostra o esquema da montagem.

Photogate Photogate
Planador
linha
Polia
Mesa
L
Suporte
D
Figura1- Esquema da montagem
do planador no trilho de ar
59
b) Meça o comprimento do planador (L), a massa do planador (mp) e a massa do suporte (ms) e anote o
valor na tabela de dados .
c) Monte o planador no trilho e amarre a linha tal que esta passe pela polia e prenda o suporte para as massas
na outra extremidade.
d) Adicione uma massa de 100 gramas ao planador tal que esta estejam distribuídas igualmente entre um
lado e o outro do planador (50 gramas de cada lado). Anote o valor da massa total m (massa do planador
(mp) + massas adicionadas) na tabela de dados.
e) Coloque uma massa de 10 gramas no suporte situado à extremidade da corda e anote o valor da massa
total na tabela de dados como
a
m (massa do suporte (ms) + massas adicionadas).
f) Selecione o modo “Gate” do sensor (Photogate Timer).
g) Escolha um ponto de partida
0
x para o planador fazendo uma marca no trilho. O planador deve partir
sempre deste mesmo ponto
0
x em todos os experimentos.
h) Pressione o botão "RESET".
i) Tendo adicionado as massas e posicionado o planador, mantenha este firme no ponto de partida e solte-o.
Colete os valores de tempo
1
t , tempo que o planador gasta para passar pelo primeiro “Photogate” , e o tempo
t
gate
. O tempo t
gate
pode ser obtido apertando o "READ" no controlador dos “Photogates”. Necessitaremos do
tempo
2
t , tempo que o planador gasta para passar pelo segundo “Photogate”. Este tempo é obtido da
seguinte forma:
2
t = t
gate
-
1
t . Estas medidas devem ser repetidas três vezes. Tome o valor médio dos tempos
obtidos de cada sensor.
j) Tome cuidado de verificar se a linha permanece na roldana e não deixe que o planador volte no trilho após
passar pelo segundo “Photogate”.Se isso ocorrer, refaça a medida.
k) Selecione o modo “PULSE” do sensor (Photogate Timer).
l) Pressione o botão "RESET".
m) Liberando o planador do ponto
0
x , meça o tempo
3
t que este gasta para ir de um sensor ao outro. Repita
esta medida três vezes e anote o valor médio.
n) Varie a massa
a
m mudando as massas do planador para a extremidade da corda (desta forma, a massa
total
a
m m+ será constante). Anote os valores das massas na tabela. Repita o procedimento completo de f a
m para pelo menos cinco diferentes combinações de massas.

ATIVIDADES:
1) Na Figura 2 são ilustrados os diagramas das forças que atuam no planador e na massa suspensa na corda.













Figura2- Esquema da diagramas das forças que atuam no planador e na massa suspensa na corda.

Considere que a polia na Figura 1 tem massa desprezível e que a linha rola sem deslizar sobre a mesma.
Partindo da equação (1) e dos diagramas ilustrado na Figura 2, mostre que:
a m m g m ) (
a a
+ = , (2)


2) Sabendo os valores médios dos tempos e o comprimento do planador, determine o módulo das respectivas
velocidades médias
1
v (
1
v =L/
1
t ) e
2
v (
1
v =L/
2
t ) do planador ao passar por cada sensor. Use a equação
suporte + massas
(ma)
2
T


) (
a a
P g m



Planador
(m)
1
q


g m


1
T


1
a


2
a


60
3 1 2
/ ) ( t v v a ÷ = para determinar a, o módulo da aceleração média do planador ao passar por entre os dois
sensores. Determine, também, o módulo da força peso do suporte + massas adicionadas ( g m P
a a
. = onde
2
/ 8 . 9 s m g = .). Faça as contas utilizando as funcionalidades do programa Origin.
3) Utilizando o programa, faça o gráfico de
a
P versus a.
4) Através da regressão linear (feita no computador), determine o relacionamento analítico entre
a
P e a.
Qual o significado físico de a e b? Calcule o coeficiente de correlação linear (r) e discuta o significado do
resultado obtido?
5) Tomando o valor de ) (
a
m m+ obtido na balança como sendo o valor esperado para esta grandeza, calcule
o erro relativo percentual da prática.


Tabela: valores de massa, tempo e valores calculados.

Comprimento do planador: L =____________ metros.
Massa do planador: mp=____________ gramas.
Massa do suporte: ms=____________ gramas.
m (gramas) m
a
(gramas) t
1
(s) t
gate
(s) t
2
(s) t
3
(s) v
1
(m/s) v
2
(m/s) a (m/s
2
) P
a
(N)




t
1m
= t
gatem
= t
2m
= t
3m
=





t
1m
= t
gatem
= t
2m
= t
3m
=





t
1m
= t
gatem
= t
2m
= t
3m
=





t
1m
= t
gatem
= t
2m
= t
3m
=





t
1m
= t
gatem
= t
2m
= t
3m
=





t
1m
= t
gatem
= t
2m
= t
3m
=








61
ANEXO:

MODELO DE RELATÓRIO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL

1- TÍTULO:
- Sintético e esclarecedor do assunto principal da atividade.
2- OBJETIVO GERAL:
- Sintético e que sinalize a meta que se pretendeu atingir ao fim da atividade.
3- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:
- Deve de forma clara e concisa, apresentar os aspectos teóricos (o fenômeno que será estudado) e as
fórmulas imprescindíveis relativas ao assunto em estudo (somente as relações matemáticas
relevantes para a prática executada).
4- METODOLOGIA:
Material:
- Relação completa do material a ser utilizado, incluindo a precisão dos medidores, quando for o caso.
Procedimento:
- Apresentação dos passos essenciais ocorridos para a execução da prática. Quando for utilizar figuras
para a explicação de um experimento, estas devem apresentar legendas próprias. Por exemplo:
Figura 1- Representação esquemática do sistema utilizado nas medidas.
5- RESULTADOS E DISCUSSÃO:
- Apresentação das tabelas dos dados coletados e dos respectivos gráficos e cálculos (nesse caso basta
se referir às equações utilizadas e apresentadas na Fundamentação Teórica).
- Crítica objetiva dos resultados obtidos e análise dos possíveis erros experimentais, bem como da
validade da metodologia utilizada, com possíveis sugestões para seu aperfeiçoamento, quando for o
caso.
6- CONCLUSÃO:
- A partir dos dados analisados e da discussão, o que pode ser concluído sobre o resultado da
experiência.
- Não esqueça de citar os resultados numéricos obtidos.
- A conclusão deve ser auto-consistente
1
.

7- BIBLIOGRAFIA:
- Citar toda a bibliografia consultada. (Não somente as indicadas no programa. Citar inclusive as
páginas de internet pesquisadas, se esse for o caso.)

OBSERVAÇÕES:

- Não confundir relatório com o roteiro de prática proposto pelo professor! No relatório, o aluno deve
relatar os passos executados e os resultados obtidos, não cabendo, portanto, o tempo do verbo no
infinitivo ou no imperativo, usuais quando se trata de roteiro.
- Os resultados finais devem ser representados, quando for o caso, com suas respectivas incertezas e
unidades, preferencialmente no Sistema Internacional
2
. Exemplo: L= (18,08 ±0,02) x 10
-2
m.
- Os gráficos devem conter o título geral e os títulos de cada eixo com as respectivas unidades.
Quando houver mais de uma curva no mesmo gráfico, deve-se adicionar uma legenda
2
.
- Não é necessário apresentar passos intermediários nos cálculos que forem realizados com os dados
obtidos. É suficiente que se apresente as equações utilizadas e os valores das variáveis envolvidas
*
.

1
http://stoa.usp.br/fep1132008/files/568/2919/comoescreverumrelatorio.pdf
2
Física Experimental básica na universidade. A. A. G. Campos, E. S. Alves e N. L. Speziali. 2
a
edição
revisada. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
62