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Principais produções

1. As culturas temporárias Os cereais

Os cereais estiveram desde sempre num lugar de destaque na dieta alimentar da população em geral, e dos portugueses em particular. O trigo é o cereal com maior representatividade (38%), seguindo-se o milho (27%) e a aveia (14%)., em 1999. O Alentejo concentrava mais de metade da área destinada aos cereais. O trigo, a cevada, a aveia, entre outros, ocupavam, nesta região, mais de 80% do total das áreas semeadas no território nacional. Por outro lado, Trás-os-Montes e a Beira Interior tinham o predomínio do centeio, representando cerca de 88,7% do total das áreas ocupadas por este cereal. Quanto ao arroz, a sua produção concentravam-se no Alentejo, no Ribatejo e Oeste e na Beira Litoral.

O trigo

O clima temperado mediterrâneo e continental é o mais apropriado para o trigo. Este cereal de Outono/Inverno necessita de uma estação fresca e húmida durante a germinação e o crescimento, e de uma estação quente e seca durante a maturação. É um cereal essencialmente de sequeiro (apesar da existência de espécies de regadio) que exige solos férteis e profundos de natureza argilo-calcários e argilo-arenosos. O progressivo aumento da quota de trigo (duro), associado a um atrativo regime de ajudas, tem levado a uma maior adesão dos agricultores a esta cultura. Assim, quer a produção quer a área destinada a este cereal têm vindo a aumentar nos últimos 5 anos, apesar da ligeira quebra em 2001. A repartição regional deste cereal demonstra que, apesar de existir em todo o território, é no Alentejo que o trigo predomina. O Alentejo reúne os factores naturais favoráveis ao seu desenvolvimento, uma vez que o clima é quente e seco, predomina o relevo pouco acidentado, com destaque para as planícies (o que facilita a mecanização), e a natureza do solo permite uma boa aptidão do trigo. Na região de Entre Douro e Minho, os elevados quantitativos pluviométricos e a elevada humidade condicionam o desenvolvimento deste cereal, o que leva a que seja a região de menor expressividade na sua produção e rendimento.

seguida da região Norte. é um dos alimentos básicos e faz parte da alimentação diária de mais de 90% da população nacional. assume uma grande importância. mais elevada na região Centro. apesar da sua produtividade e das áreas semeadas não terem sofrido grandes alterações nos últimos anos. Entre Douro e Minho e a Beira Litoral.redução da área de minifúndio. a primazia no sector cerealífero. Contudo. cerca de 10%. Na Madeira. sobretudo com a região de Trás-os-Montes. . A produção de batata foi. nas regiões do Ribatejo e Oeste e do Alentejo. onde a sua produção é muito reduzida.A produção de trigo é insignificante nos Açores. onde se destaca a Beira Litoral. Assim. . é muito exigente em água. devido à: . ao contrário do trigo. O milho O milho detém. . para fins ornamentais. devido à elevada humidade do ar e ao relevo muito acidentado. desde que sejam ricos em matéria orgânica ou adubados e estrumados.elevada humidade do ar. sobretudo na região de Entre Douro e Minho. tendo sido introduzida na Europa pelos espanhóis. O milho. que prejudicou a secagem e o armazenamento do cereal. na produção de milho de regadio. de Lisboa e Vale do Tejo e da região Ribatejo e Oeste. A batata adapta-se a quase todo o tipo de solos.substituição do milho por trigo e beterraba sacarina. ao contrário do que acontece na Madeira. nas áreas de planícies aluviais. como cultura de regadio. apesar de ser o cereal mais importante da região. Actualmente. no século XVI. Nos Açores. a sua produção é inferior à do continente. ao nível do volume e do valor de produção. a sua produção é mais elevada nas regiões do litoral. destacando-se o Ribatejo e Oeste. em 2001. salienta-se um decréscimo. Só mais tarde foi introduzida na alimentação. A batata A batata é uma planta originária do continente americano. das regiões andinas dos atuais Peru e Bolívia.

com algumas aberturas para que as plantas possam respirar e crescer). A produção de hortícolas poderá. estando o Alentejo a ter um grande incremento nos últimos anos. O clima da Madeira e a crescente procura interna. quer pelos investimentos crescentes. por outro. por um lado. as culturas estejam protegidas de condições meteorológicas adversas. de pequena dimensão. as plantas aromáticas e o tabaco. nomeadamente o tomate e o girassol. e. das temperaturas mínimas. como. A sua produção distribui-se por todo o país e a sua viabilidade é assegurada em explorações de média ou. e dos poucos dias de geada. se obtenha um maior rendimento. Este facto é uma consequência . o girassol. A floricultura A floricultura integra as flores e as plantas ornamentais. que registou um aumento de cerca de 30% em relação à média dos últimos cinco anos. pelas características climáticas do nosso país. motivada pelo aumento do turismo na região. ser. a soja. No continente. uma das principais apostas agrícolas portuguesas. a região do Ribatejo e Oeste é a principal produtora. Esta cultura tem sofrido um grande incremento no país. o tomate. que são relativamente elevadas. e um aumento de 17% face ao ano de 2001. as culturas destinadas à indústria. a médio prazo. 2. quer por beneficiar de condições naturais favoráveis. o que é testemunhado com a produção obtida em 2002.As culturas hortícolas As culturas hortícolas têm revelado um peso crescente na produção nacional. ou seja. no caso das culturas intensivas. por exemplo. A horticultura protegida permite que. têm contribuído para o desenvolvimento da produção de flores. até. sobretudo da elevada insolação. As culturas hortícolas têm beneficiado da chamada horticultura protegida (ou através da utilização de estufas ou da cobertura do solo por material plástico. têm sofrido quebras na sua produção. As culturas industriais As culturas industriais.

Existe um contrato entre cada produtor de beterraba e a refinaria para que as quantidades produzidas pelos agricultores correspondam à capacidade da refinaria. para que esta mantenha uma boa quantidade de açúcar.do estado de tempo ocorrido no final do ciclo vegetativo das culturas. A quase totalidade é produzida no Alentejo e no Ribatejo (distrito de Santarém). por um lado. A beterraba A cultura da beterraba açucareira pratica-se nas regiões com verões húmidos e onde os solos são móveis. portanto. É uma cultura relativamente popular e recente no que concerne à escala industrial. Tomate . e. As áreas mais importantes para esta cultura são: o Ribatejo. depois da planta acumular reservas de açúcar na sua raiz. destinada à produção de óleos alimentares e industriais. O agricultor faz a sua colheita ao fim do primeiro ano. Adapta-se perfeitamente ao clima quente e seco. Com as variedades actuais. por outro. a planície do baixo Mondego e ilha de São Miguel. Os agricultores controlam a aplicação de adubos e acompanham de perto os inimigos da beterraba. O girassol É uma cultura oleaginosa e. A beterraba açucareira é uma planta bianual : precisa de dois anos para florir. que. levou ao abandono de alguns campos de girassol. os rendimentos atingem facilmente 60 toneladas de beterrabas por hectare. pelo que a sua área de eleição é o Alentejo. o Alentejo. Sendo também utilizado em biocombustiveis. As refinarias foram instaladas nas regiões de produção: estas fábricas extraem o açúcar das beterrabas. dificultou a colheita de algumas plantações de tomate.

a cereja. altura em que a mão-de-obra era barata e a concorrência no mercado europeu era reduzida. os frutos subtropicais. o ananás. foram criadas ajudas comunitárias destinadas à produção de tomate e à instalação de novas unidades fabris deste produto. Esta última região é mais uma vez excepção. o kiwi. quando se considera as áreas de pomares de frutos frescos. as áreas de maior produção são as regiões agrárias do Ribatejo e Oeste (77. além do olival e da vinha. nos últimos anos tem-se registado uma diminuição da área ocupada por estas culturas. a principal região produtora. pois sofreu um crescimento de cerca de 13. e também pela introdução. a tangerina. Em Portugal. para a exportação sob a forma de concentrado de tomate.8% da produção nacional). Trás-os-Montes é excepção à diminuição das áreas com frutos frescos. com um decréscimo de 36. com destaque para o distrito de Santarém. Este setor alcançou um êxito extraordinário nos anos 60. com a consequente formação de excedentes. As culturas permanentes As árvores de fruto e a vinha constituem as chamadas culturas permanentes . Contudo. Apesar da sua importância. a papaia. o limão.5%. e o Alentejo. a avelã. A partir de 1986. como a laranja. como a amêndoa. Assim. a pêra. Em relação aos frutos frescos. . o pêssego. Ribatejo e Oeste. é um setor com relevância na Economia nacional e regional. nas regiões da comunidade mais desfavorecidas (sul da Itália e Grécia). em 1984. Por isso.4%.O tomate para a indústria é orientado em cerca de 90%. do regime de Quotas (quantidade máxima que cada Estado pode produzir). no âmbito da PAC. como a maçã. a noz. a castanha. os frutos secos. 3. os citrinos. onde o aumento da área aí verificado foi determinante para que a superfície de exploração nacional tivesse aumentado. como a banana. passou a assistir-se a um aumento significativo da oferta de produção. sendo a segunda região mais importante em termos de área. foi a região que determinou a tendência nacional. este nosso sector da economia agrícola passou a conhecer uma crise profunda. estas culturas integram os frutos frescos.

Ribatejo e Oeste e Trás-os-Montes. em 2002. Ou seja. Quanto à produção de maçã. para o crescimento deste sector. Contudo. .O olival e a vinha estão presentes em todas as regiões agrárias. Os frutos frescos As regiões agrárias do Ribatejo e Oeste. tendo um peso de 48% e 31%. sobretudo nas principais regiões produtoras. as espécies mais importantes. houve uma diminuição da produção de pêra.o Algarve concentra mais de 64% da área de citrinos. A repartição das culturas permanentes no território nacional permite verificar que: . de Trás-os-Montes e da Beira Interior concentram. no país. que é temperado mediterrâneo. sofreu um aumento de cerca de 13% relativamente a 2001. . em Portugal. . na totalidade. A fruticultura beneficia. Os pomares de macieiras.a Madeira. a produção destes frutos está muito condicionada pelos factores naturais. à geada e ao granizo que ocorreram na altura da floração. uma evolução contrária em relação à que tinha registado em 2001. respectivamente. ventos fortes. nomeadamente o clima. de condições naturais favoráveis ao seu desenvolvimento. A melhoria do nível de vida da população e a alteração de hábitos de consumo têm contribuído. também. como se verifica com a produção de pêra. . sobretudo na região do Ribatejo e Oeste (principal produtora). representando cerca de 3/4 do total de frutos frescos. pereiras e pessegueiros são. no total das culturas permanentes.o Ribatejo e Oeste detém mais de 46% da área de pomares de frutos frescos. os Açores e a região Entre Douro e Minho concentram os frutos subtropicais. mais de 76% da área destinada aos pomares de frutos frescos. que sofreu.Trás-os-Montes e o Algarve detêm cerca de 89% das áreas de frutos secos. devido às poucas horas de frio.

associadas à escassez destes produtos no mercado europeu. cuja principal região produtora é o Ribatejo e Oeste. tal como outras espécies frutícolas. Beira Interior e Ribatejo e Oeste. sofreu. apesar de estarem presentes em menos explorações. seguida de Trás-osMontes. um aumento da área destinada a estes frutos (que. o que leva a que a produção de azeite sofra frequentes oscilações de ano para ano. A laranja é. ocupam uma superfície superior à dos frutos frescos). são condições favoráveis ao desenvolvimento e à expansão dos frutos secos. nomeadamente a Beira Interior e Trás-os-Montes. A maioria destas árvores está vocacionada para a produção de azeitona para azeite. no conjunto dos citrinos. mas é muito sensível às condições meteorológicas. um aumento da sua produção. a região de Entre Douro e Minho não é muito favorável à oliveira. exigindo verões longos. Tem-se verificado. A oliveira adapta-se a diversos tipos de solo. a produção de azeitona para azeite e para mesa diminuiu no último ano 13%. a espécie com maior representatividade no território nacional. em consequência dos elevados quantitativos pluviométricos registados. A maior área destinada ao olival localiza-se na região do Alentejo. apesar do decréscimo em 2001. Frutos secos As características climáticas do país. são as áreas que concentram a maior produção de cereja. A oliveira (azeitona) A oliveira é uma das culturas que maior superfície ocupa no território nacional. Assim. uma vez que está presente em mais de 90% das explorações do sector e ocupa mais de 75% do total destas superfícies agrícolas. quentes e secos. Devido à elevada pluviosidade e aos Ventos Húmidos de Oeste. Trás-os-Montes e Algarve são as áreas de eleição da principal espécie produtora de frutos secos. O castanheiro ocupa o segundo lugar.O pêssego. O interior do país. a amendoeira. daí que seja a região que menos peso . sendo também Trásos-Montes a região que concentra o maior número de árvores.

sabor. A região com mais área de vinha do país. secos. tem capacidade para se adaptar a valores de temperatura. Mais de 50% da superfície de vinha. . que têm maior expressividade nas regiões: -Entre Douro e Minho (cerca de 90%). calcários. Contrariamente. é produtora de "Vinhos de Qualidade Produzidos em Regiões Demarcadas" (VQPRD). No entanto. contribui apenas com cerca de 10% para a produção de vinho VQPRD. a vinha adapta-se a uma grande diversidade de tipos de solos (argilosos. adapta-se a outros climas. desde que não sejam muito frios e tenham uma estação quente e seca para a fase de maturação das uvas. são as maiores produtoras deste produto. seguido do Alentejo. Do mesmo modo. ou seja. Apesar do vinho estar em primeiro lugar nas produções nacionais. arenosos e graníticos) e é exigente do ponto de vista climático. com Verões quentes.tem na produção de azeite. pois está presente em mais de 50% do total de explorações agrícolas.Beira Interior (cerca de 74%). . para vinho por qualidade. das quais mais de 97% se destinam à cultura da uva para vinho (principal produto produzido no país). A vinha é a cultura portuguesa por excelência. ao nível do aroma. o que acaba por se reflectir na diversidade do tipo de vinhos. A vinha (uva) Tal como a oliveira. 2002 foi um ano em que a elevada humidade durante a floração. . é essencialmente característica de um clima temperado mediterrâneo. acidez e grau alcoólico. insolação e humidade muito variados. 4 Beira Litoral (cerca de 79%).Trás-os-Montes (cerca de 68%). Trás-os-Montes. 4 Alentejo (cerca de 51%). Ribatejo e Oeste. a ausência de precipitação na maturação e a chuva prolongada em Setembro colocaram em causa a qualidade da campanha vinícola. longos e luminosos. uma percentagem inferior à média nacional.