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LÍNGUA PORTUGUESA

1. LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS DE VARIADOS GÊNEROS DISCURSIVOS.

A literatura é a arte de recriar através da língua escrita. Sendo assim, temos vários tipos de gêneros textuais, formas de escrita; mas a grande dificuldade encontrada pelas pessoas é a interpretação de textos. Muitos dizem que não sabem interpretar, ou que é muito difícil. Se você tem pouca leitura, consequentemente terá pouca argumentação, pouca visão, pouco ponto de vista e um grande medo de interpretar. A interpretação é o alargamento dos horizontes. E esse alargamento acontece justamente quando há leitura. Somos fragmentos de nossos escritos, de nossos pensamentos, de nossas histórias, muitas vezes contadas por outros. Quantas vezes você não leu algo e pensou: “Nossa, ele disse tudo que eu penso.” Com certeza, várias vezes. Temos aí a identificação de nossos pensamentos com os pensamentos dos autores, mas para que aconteça, pelo menos não tenha preguiça de pensar, refletir, formar ideias e escrever quando puder e quiser. Tornar-se, portanto, alguém que escreve e que lê em nosso país é uma tarefa árdua, mas acredite, valerá a pena para sua vida futura. E, mesmo, que você diga que interpretar é difícil, você exercita isso a todo o momento. Exercita através de sua leitura de mundo. Você sabe, por exemplo, quando alguém lhe manda um olhar de desaprovação mesmo sem ter dito nada. Sabe, quando a menina ou o menino está a fim de você numa boate pela troca de olhares. A todo e qualquer tempo, em nossas vidas, interpretamos, argumentamos, expomos nossos pontos de vista. Mas, basta o(a) professor(a) dizer “Vamos agora interpretar esse texto” para que as pessoas se calem. E ninguém sabe o que calado quer... pois ao se calar você perde oportunidades valiosas de interagir e crescer no conhecimento. Perca o medo de expor suas ideias. Faça isso como um exercício diário mesmo e verá que antes que pense, o medo terá ido embora. Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz de produzir interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar). Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente, poderá ter um significado diferente daquele inicial. Intertexto - comumente, os textos apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na prova. Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: Identificar – é reconhecer os elementos fundamentais de uma argumentação, de um processo, de uma época (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo). Comparar – é descobrir as relações de semelhança ou de diferenças entre as situações do texto. Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito. Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um só parágrafo.

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Parafrasear – é reescrever o texto com outras palavras. Exemplo
Título do Texto Paráfrases A integração do mundo. A integração da humanidade. A união do homem. Homem + Homem = Mundo. A macacada se uniu. (sátira)

“O Homem Unido”

Condições Básicas para Interpretar Faz-se necessário: - Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática; - Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico; Na semântica (significado das palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre outros. - Capacidade de observação e de síntese e - Capacidade de raciocínio. Interpretar X Compreender
Interpretar Significa - Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. - tipos de enunciados: • através do texto, inferese que... • é possível deduzir que... • o autor permite concluir que... • qual é a intenção do autor ao afirmar que... Compreender Significa - intelecção, entendimento, atenção ao que realmente está escrito. - tipos de enunciados: • o texto diz que... • é sugerido pelo autor que... • de acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação... • o narrador afirma...

Erros de Interpretação É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes são: - Extrapolação (viagem). Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por conhecimento prévio do tema quer pela imaginação. - Redução. É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema desenvolvido. - Contradição. Não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e, consequentemente, errando a questão. Observação: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de concurso qualquer, o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada mais. Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relacionam palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, uma conjunção (nexos), ou um pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito. São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor semântico, por isso a necessidade de adequação ao antecedente. Os pronomes relativos são muito importantes na interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que existe um pronome relativo adequado a cada circunstância, a saber:
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Que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente. Mas depende das condições da frase. Qual (neutro) idem ao anterior. Quem (pessoa). Cujo (posse) - antes dele, aparece o possuidor e depois, o objeto possuído. Como (modo). Onde (lugar). Quando (tempo). Quanto (montante). Exemplo: Falou tudo quanto queria (correto). Falou tudo que queria (errado - antes do que, deveria aparecer o demonstrativo o). Vícios de Linguagem – há os vícios de linguagem clássicos (barbarismo, solecismo, cacofonia...); no dia a dia, porém, existem expressões que são mal empregadas, e por força desse hábito cometem-se erros graves como: - “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de morte. - “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome oblíquo átono correto é O. - “No bar: “Me vê um café”. Além do erro de posição do pronome, há o mau uso. Algumas dicas para interpretar um texto: - O autor escreveu com uma intenção - tentar descobrir qual é ela é a chave. - Leia todo o texto uma primeira vez de forma despreocupada - assim você verá apenas os aspectos superficiais primeiro. - Na segunda leitura observe os detalhes, visualize em sua mente o cenário, os personagens - Quanto mais real for a leitura na sua mente, mais fácil será para interpretar o texto. - Duvide do(a) autor(a) - Leia as entrelinhas, perceba o que o(a) autor(a) te diz sem escrever no texto. - Não tenha medo de opinar - Já vi terem medo de dizer o que achavam e a resposta estaria correta se tivessem dito. - Visualize vários caminhos, várias opções e interpretações - Só não viaje muito na interpretação. Veja os caminhos apontados pela escritado(a) autor(a). Apegue-se aos caminhos que lhe são mostrados. - Identifique as características físicas e psicológicas dos personagens - Se um determinado personagem tem como característica ser mentiroso, por exemplo, o que ele diz no texto poderá ser mentira não é mesmo? Analisar e identificar os personagens são pontos necessários para uma boa interpretação de texto. - Observe a linguagem, o tempo e espaço - A sequência dos acontecimentos, o feedback, conta muito na hora de interpretar. - Analise os acontecimentos de acordo com a época do texto - É importante que você saiba ou pesquise sobre a época narrada no texto, assim, certas contradições ou estranhamentos vistos por você podem ser apenas a cultura da época sendo demonstrada. - Leia quantas vezes achar que deve - Não entendeu? Leia de novo. Nem todo dia estamos concentrados e a rapidez na leitura vem com o hábito. Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis de leitura: Informativa e de reconhecimento; Interpretativa A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o primeiro contato com o texto, extraindo-se informações e se preparando para a leitura interpretativa. Durante a interpretação grife palavras-chave, passagens importantes; tente ligar uma palavra à ideia-central de cada parágrafo. A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas e opções de respostas. Marque palavras com não, exceto, respectivamente, etc, pois fazem diferença na escolha adequada. Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. Leia a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global proposto pelo autor. Organização do Texto e Ideia Central Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos parágrafos que é composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto. Podemos desenvolver um parágrafo de várias formas:
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Crie o hábito da leitura e o gosto por ela. ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos canaviais. Nesse caso.Definição. Convencionalmente. às vezes. e outras vezes dizem: cada um tem o seu próprio entendimento do texto ou cada um interpreta a sua maneira. o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da margem esquerda. . . um bom exercício para ampliar o léxico é fazer palavras cruzadas. compreendemos melhor seu funcionamento.Leia algumas vezes o texto. porque algumas perguntas extrapolam ao que está escrito. na pesca. Porém elas foram o ponto de partida e o estímulo para se chegar a uma leitura mais refinada. na caça. mas em texto nãoliterário isso é um equívoco. tendo em vista a linguagem conotativa. Os Tipos de Texto Basicamente existem três tipos de texto: . sem graça. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.LÍNGUA PORTUGUESA . eventualmente. retorne ao texto para sanar as dúvidas. . as palavras tornam-se familiares a nós mesmos. . pois com o tempo você se tornará mais seleto e perceberá que algumas leituras foram superficiais e. Veja um exemplo disso: Texto: Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. a ideia central extraída de maneira clara e resumida. os símbolos criados. . . tendo em vista os diversos enfoques.Texto dissertativo.Aumente seu vocabulário e sua cultura. Quando nós passamos a gostar de algo. Existe tempo para cada tempo de nossas vidas. compreender e interpretar com mais proficiência. . investigue as palavras que circulam em seu meio. Outras vezes. . Cada um desses textos possui características próprias de construção. No texto literário. .Faça exercícios de sinônimos e antônimos. . Leia tudo que tenha vontade. Serve para dividir o texto em pontos menores. Muitos têm aversão a exercícios nessa categoria. Dificilmente se acomodavam. em determinados ofícios mecânicos e na criação do gado. Diante desse problema. Acham monótono.Declaração inicial. É comum encontrarmos queixas de que não sabem interpretar textos. .Alusão histórica. ou seja. seguem algumas dicas para você analisar. Às vezes a interpretação está voltada a uma linha do texto e por isso você deve voltar ao parágrafo para localizar o que se afirma. asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do texto. .Fique atento a leituras de texto de todas as áreas do conhecimento. . É preciso paciência para ler outras vezes.Atenção ao que se pede. que veremos no tópico seguinte (Tipologia Textual). Não se deixe levar pela falsa impressão de que ler não faz diferença.Texto narrativo. porém. Antes de responder as questões. Além da leitura.Leia verdadeiramente. pois a primeira impressão pode ser falsa. in Raízes) Didatismo e Conhecimento 4 . até ridículas. prestimosos colaboradores da indústria extrativa. (Sérgio Buarque de Holanda.Texto descritivo. Os antigos moradores da terra foram. Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal. essa ideia tem algum fundamento.Seja curioso. Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo.Divisão. Também não se intimide caso alguém diga que você lê porcaria. a questão está voltada à ideia geral do texto.

(Concurso TRE/SC) Didatismo e Conhecimento 5 . c) os índios. Veja por exemplo a diferença de sentido nas frases a seguir. A diferença é que. e) Marcão. todos os alunos eram dedicados. e) a miscigenação de portugueses e índios. é possível concluir pelas características apresentadas no texto. nesse caso. a) Só. Veja o exemplo: Frase original: Estava eu hoje cedo. somente. Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele. restringindo o grupo de alunos. “Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescente com hormônios em ebulição e com o desejo natural da idade de desafiar as regras. há também os hormônios em ebulição que fazem parte do desafio do magistério. passaram no vestibular. os que se dedicaram. Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das escolas privadas. de Reginaldo Rossi. 2003. Atenção ao uso da paráfrase (reescritura do texto sem prejuízo do sentido original). d) Os alunos.LÍNGUA PORTUGUESA Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram: a) os portugueses. dedicados. f) Marcão pratica a ação de cantar. passaram no vestibular.) Resposta: Letra C. d) Nesse outro caso. 2 – O desafio não é apenas do professor atual. em muitos casos. c) Os alunos dedicados passaram no vestibular. canta Garçom. hoje. E esse é o grande desafio do professor moderno. Explicações: a) Diego fez sozinho o trabalho de artes. .Tome cuidado com as vírgulas. e) Marcão é chamado para cantar. 1 – Não é mencionado que a escola seja da rede privada. isso é parte do desafio. próximo a uma porta. Renato. de Reginaldo Rossi. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios. Outra questão é que o grande desafio não é só administrar os desafios às regras. b) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes. o Diego da M110 fez o trabalho de artes.” Frase para análise. Interpretação de textos. b) Apenas o Diego fez o trabalho de artes. quando olho na esquina. (Aquino. Rio de Janeiro: Impetus. c) Havia. a relação comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor. parado em um sinal de trânsito. alunos dedicados e não-dedicados e. b) os negros. mas sempre fez parte do desafio do magistério. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto. 2ª edição. d) tanto os índios quanto aos negros. uma loirona a me olhar e eu olhava também. f) Marcão canta Garçom.

é capaz de perceber dimensões sonoras inteiramente insuspeitas para os leigos. e) emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águia de Haia. d) Determinados alunos pediram ajuda aos professores. em Por trás daquela foto. a “escrita da luz”. b) Hoje cedo. com todas as artes: um músico. quando olho na esquina. b) Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores. e isso não deixa de ser verdade. o significado de uma imagem muda com o passar do tempo. Exemplos a) Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores. e nosso olhar é a varinha de condão que descongela o instante aprisionado nas geleiras eternas do tempo fotográfico.LÍNGUA PORTUGUESA A frase parafraseada é: a) Parado em um sinal de trânsito hoje cedo. b) uso de sinônimos. eu olhei para uma loira e ela também me olhou. Costumamos dizer que a fotografia congela o tempo. Variam. a) substituição de locuções por palavras. (Adaptado de Pedro Vasquez. por exemplo. c) Hoje cedo. transformando o que é naquilo que já não é mais. um fotógrafo profissional lê as imagens fotográficas de modo diferente daqueles que desconhecem a sintaxe da fotografia. 2010) Didatismo e Conhecimento 6 . Em francês. também. Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à magia de uma foto. eu estava parado em um sinal de trânsito. existe algo que descongela essa imagem: nosso olhar. os níveis de percepção de uma fotografia. c) mudança de discurso direto por indireto e vice-versa. Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases. numa esquina. pois o lado de lá é como o albergue espanhol do ditado: cada um só encontra nele o que trouxe consigo. d) Determinados alunos = qualquer aluno. Explicações: a) Certos alunos = qualquer aluno. b) Alunos certos = aluno correto. vejo uma loiraça a me olhar também. e cada pessoa que mergulha nesse espelho de papel sai numa dimensão diferente e vivencia experiências diversas. São Paulo: Companhia das Letras. quando ao olhar para uma esquina. próxima a uma porta. Resposta: Letra C. estava eu parado em um sinal de trânsito quando vi. na verdade. d) Estava eu hoje cedo parado em um sinal de trânsito. Toda fotografia é uma espécie de espelho da Alice do País das Maravilhas. uma louraça a me olhar. Isso ocorre. Fotografias Toda fotografia é um portal aberto para outra dimensão: o passado. d) converter a voz ativa para a passiva. o povo lusitano = portugueses). próximo a uma porta. numa esquina. veja algumas delas. imagem e magia contêm as mesmas cinco letras: image e magie. Toda imagem é magia. até para o mesmo observador. próximo a uma porta. A paráfrase pode ser construída de várias formas. c) Alunos determinados = alunos decididos. meus olhos deram com os olhos de uma loirona. Exercícios Atenção: As questões de números 1 a 5 referem-se ao texto seguinte. Todavia. Da mesma forma. Além disso. porque o que temos diante dos olhos é transmudado imediatamente em passado no momento do clique. preservando um momento passageiro para toda a eternidade. A câmara fotográfica é uma verdadeira máquina do tempo. c) Os alunos determinados pediram ajuda aos professores.

sem prejuízo para a correção e a coerência do texto. distinguir. nem se imagine os tempos a que suscitarão essa imagem aparentemente congelada. (B) Na superfície espacial de uma fotografia. no primeiro parágrafo. em razão de alguma característica pessoal. o autor defende a ideia de que a realidade apreendida numa foto já não pertence a tempo algum. o termo transpira o sentido positivo de quem reconhece e considera o estatuto do que é diferente. a menção ao ditado sobre o albergue espanhol tem por finalidade sugerir que o olhar do observador não interfere no sentido próprio e particular de uma foto. (D) o significado de uma imagem muda com o passar do tempo. b) tratar mal ou de modo injusto. cor da pele. 7 Didatismo e Conhecimento . Atente para as seguintes afirmações: I. está correto o que se afirma SOMENTE em (A) I e II. entre outras. há mais que uma imagem descongelada. Discriminar ou discriminar? Os dicionários não são úteis apenas para esclarecer o sentido de um vocábulo. (D) Há. III. (E) III. Discriminar alguém: fazê-lo objeto de nossa intolerância. Em relação ao texto. (B) às diferenças de qualificação do olhar dos observadores.. O segmento do texto que ressalta a ação mesma da percepçãode uma foto é: (A) A câmara fotográfica é uma verdadeira máquina do tempo. II. (E) aos vários tempos que cada fotografia representa em si mesma. mas os recursos de uma linguagem específica nela fixados. com frequência. convicções etc. (C) Conquanto seja o registro de um determinado espaço. a iluminar teses controvertidas e mesmo a incendiar debates. (E) Há algo. discriminar é dar atenção às diferenças. as experiências físicas de uma fotografia podem se inocular em planos temporais. Atenção: As questões de números 6 a 9 referem-se ao texto seguinte. é disseminar o juízo preconcebido. Na primeira acepção. (C) nosso olhar é a varinha de condão que descongela o instante aprisionado. 4. classe social. não obstante. (E) Nenhuma imagem fotográfica é congelada suficientemente para abrir mão de implicâncias semânticas no plano temporal. desigual. essa imagem descongela algo. No contexto do primeiro parágrafo. (B) a fotografia congela o tempo. há que se descongelar essa imagem. No contexto do último parágrafo. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: (A) Apesar de se ombrearem com outras artes plásticas. o que faz essa imagem descongelar. (E) Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à magia de uma foto.. (D) Tal como ocorrem nos espelhos da Alice. 5. Discriminar o certo do errado é o primeiro passo no caminho da ética. Um fotógrafo profissional. supõe um preciso discernimento. discriminar é deixar agir o preconceito. conforme sugere o terceiro parágrafo. existe algo que descongela essa imagem pode ser substituído. Ao dizer. (D) às relações que a fotografia mantém com as outras artes. a referência aos vários níveis de percepção de uma fotografia remete (A) à diversidade das qualidades intrínsecas de uma foto. (D) II. vê não apenas uma foto. (B) Ainda assim. a fotografia nos faz desfrutar e viver experiências de natureza igualmente temporal. (B) II e III. (C) aos graus de insensibilidade de alguns diante de uma foto. No segundo parágrafo. (C) Apesar de tudo. Já na segunda acepção. um indivíduo ou grupo de indivíduos.LÍNGUA PORTUGUESA 1. estas duas acepções: a) perceber diferenças. por: (A) Tendo isso em vista. e lá encontramos. ao verbete discriminar. o segmento Todavia. 2. Vamos ao Dicionário Houaiss. discernir. (C) I. ajudam. uma foto leva-nos a viver profundas experiências de caráter temporal. outrossim. que a fotografia congela o tempo. que essa imagem descongelará. 3.

As acepções são inconciliáveis. Mas o drama da baleia não acabava. Nesse caso. (Aníbal Lucchesi. (E) As acepções são inconciliáveis (3º parágrafo) = as versões são inatacáveis. à primeira vista. para sanar falha estrutural. A afirmação de que os dicionários podem ajudar a incendiar debates confirma-se. (D) faz pensar nas dificuldades que existem quando se trata de determinar a origem de um vocábulo. no texto. o único jornal abria na minha cara o drama da baleia encalhada na praia de Saquarema. cessava o trabalho. a redação da seguinte frase: (A) O autor do texto chama a atenção para o fato de que o desejo de promover a igualdade corre o risco de obter um efeito contrário. (D) Muitas vezes é preciso corrigir certas distorções aplicando-se medidas que. Considerando-se o contexto. (C) disseminar o juízo preconcebido (2º parágrafo) = dissuadir o julgamento predestinado. pelo fato de que o verbete discriminar (A) padece de um sentido vago e impreciso. (B) Embora haja quem aposte no critério único de julgamento. (B) apresenta um sentido secundário. Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a desigualdade. Por ele a baleia ficava encalhada por mais duas ou três semanas. 8. (D) Uma forma de perpetuar a igualdade está em sempre tratar os iguais como se fossem desiguais. É o caso das cotas especiais para vagas numa universidade ou numa empresa: é uma discriminação. Estamos vivendo uma época em que a bandeira da discriminação se apresenta em seu sentido mais positivo: trata-se de aplicar políticas afirmativas para promover aqueles que vêm sofrendo discriminações históricas. 9. variante de seu sentido principal. (E) Em nossa época. 8 Didatismo e Conhecimento . Até no avião. Até a União Soviética acabou. todos se empenhavam no lúcido objetivo comum. com simples cordas e as próprias mãos.. (C) Quando todos os desiguais são tratados desigualmente.LÍNGUA PORTUGUESA Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a desigualdade. 7. Da afirmação acima é coerente deduzir esta outra: (A) Os homens são desiguais porque foram tratados com o mesmo critério de igualdade. Mas a notícia me perseguia. eu fugia da notícia.. (E) Critérios diferentes implicam desigualdades tais que os injustiçados são sempre os mesmos. traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: (A) iluminar teses controvertidas (1º parágrafo) = amainar posições dubitativas. Um belo espetáculo. Atenção: As questões de números 10 a 14 referem-se à crônica abaixo. parecem em si mesmas distorcidas. Mas há. À noite. gerando por isso inúmeras controvérsias entre os usuários. (D) a forma mais censurável (3º parágrafo) = o modo mais repreensível. há desequilíbrios sociais tão graves que tornam necessários os desequilíbrios compensatórios de uma ação corretiva. a desigualdade definitiva torna-se aceitável. quem veja nessas propostas afirmativas a forma mais censurável de discriminação. cujo sentido positivo ou negativo depende da convicção de quem a avalia. O sorveteiro vendeu centenas de picolés. Mas já ao raiar do dia. (E) desdobra-se em acepções contraditórias que correspondem a convicções incompatíveis. Comum. (C) abona tanto o sentido legítimo como o ilegítimo que se costuma atribuir a esse vocábulo. Uma santa senhora teve a feliz ideia de levar pastéis e empadinhas para vender com ágio. É preciso reelaborar. o filhote de jubarte conseguiu ser devolvido ao mar. deixar de discriminar (no sentido de discernir) é permitir que uma discriminação continue (no sentido de preconceito). sem recursos. que não é reconhecido por todos. como foi dito por locutores especializados em necrológio eufórico. Afinal. depois de quase três dias se debatendo na areia da praia e na tela da televisão. Bom para o sorveteiro Por alguma razão inconsciente. (B) A igualdade só é alcançável se abolida a fixação de um mesmo critério para casos muito diferentes. inédito) 6. (B) um preciso discernimento (2º parágrafo) = uma arraigada dissuasão. visto que desconsideram o risco do contrário. mas estão no mesmo verbete do dicionário e se mostram vivas na mesma sociedade. Um malvado sugeriu que se desse por perdida a batalha e se começasse logo a repartir os bifes. vírgula. ou a diversão. (C) Quem vê como justa a aplicação de um mesmo critério para julgar casos diferentes não crê que isso reafirme uma situação de injustiça. por outro lado. Centenas de curiosos foram lá apreciar aquela montanha de força a se esfalfar em vão na luta pela sobrevivência. para se promover a igualdade.

Didatismo e Conhecimento 9 . tal como se observa na relação entre estas duas expressões: (A) drama da baleia encalhada e três dias se debatendo na areia. espero que salva. (C) se esfalfar em vão na luta pela sobrevivência e levar pastéis e empadinhas para vender com ágio. Essa de agora teve mais sorte. acima das diferentes providências. bem distintos. num momento em que é preciso dar provas da eficácia da empresa privada. A expressão Tudo é símbolo prende-se ao fato de que o autor aproveitou o episódio da baleia encalhada para também figurar o encalhe de um país imobilizado pela alta inflação. Atente para as seguintes afirmações sobre o texto: I. (E) III. De qualquer forma. (D) o filhote de jubarte conseguiu ser devolvido ao mar e lá se foi. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o último parágrafo do texto. Até que enfim chegou uma traineira da Petrobrás. qual seja a escalada inflacionária ou a privatização. O cronista ressalta aspectos contrastantes do caso de Saquarema. (B) Comum. ó céus. ó céus. sonhei com o Brasil encalhado na areia diabólica da inflação. Tudo fala. (C) que se desse por perdida a batalha (2º parágrafo) = que se imaginasse o efeito de uma derrota. Foi salva graças à religião ecológica que anda na moda e que por um momento estabeleceu uma trégua entre todos nós. Foram irrelevantespara a salvação da baleia estes dois fatores: (A) o necrológio da União Soviética e os serviços da traineira da Petrobrás. (B) o prestígio dos valores ecológicos e o empenho no lúcido objetivo comum. (D) estabeleceu uma trégua entre todos nós (3º parágrafo) = derrogou uma imunidade para nós todos. Muitos se lembravam da alegria voraz com que foram disputadas as toneladas da vítima. o cronista não obsta em tratar de assuntos da pauta nacional. II e III. (E) Ao bom cronista ocorre associar um episódio como o da jubarte com a natureza de outros. uma baleia adulta foi parar ali mesmo e em quinze minutos estava toda retalhada. II. Tudo é símbolo. vírgula (2º parágrafo) = Geral. como a inflação ou o processo empresarial das privatizações. assim frágil. apenas. o papel tanto de um repórter curioso como analisar fatos oportunos. 12. atinham-se todos a um mesmo propósito. O maior animal do mundo. o encalhe dos gigantes. Folha de S. traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: (A) em necrológio eufórico (1º parágrafo) = em façanha mortal. Metáfora fácil. (D) I e II. (E) Até que enfim chegou uma traineira da Petrobrás e Logo uma estatal. À noite. haja vista a inflação nacional ou a escalada das privatizações. apenas. (C) II e III. (E) o aproveitamento comercial da situação e a força descomunal empregada pela jubarte. o cronista não deixa de aludir a circunstâncias nacionais. como aqui ocorreu. à mercê de curiosos. apenas. Considerando-se o contexto. (B) Mormente tratando de uma jubarte encalhado. animais de sangue quente ou de sangue frio. A bordo. como o impulso para as privatizações e os custos da alta inflação. espero que salva. A analogia entre a baleia e a União Soviética insinua. apenas. a baleia de Saquarema. 11. (C) Vê-se que um cronista pode assumir. sejam o crescente prestígio das privatizações. III. (D) o fato de a Petrobrás ser uma empresa estatal e as iniciativas que couberam a uma traineira. (B) em quinze minutos estava toda retalhada e foram disputadas as toneladas da vítima. mas nem tanto. As reações dos envolvidos no episódio da baleia encalhada revelam que. eu já podia recolher a minha aflição. a baleia de Saquarema. 14. (B) I e III. Paulo) 10. entre outros termos de aproximação. (A) Apesar de tratar do drama ocorrido com uma baleia. (Otto Lara Resende. Em relação ao texto. (E) é preciso dar provas da eficácia (4º parágrafo) = convém explicitar os bons propósitos. uma tripulação de camelôs anunciava umas bugigangas. (C) o fato de a jubarte ser um animal de sangue frio e o prestígio dos valores ecológicos. 13. sejam os da economia inflacionada. (D) O incidente da jubarte encalhado não impediu de que o cronista se valesse de tal episódio para opinar diante de outros fatos. Logo uma estatal. lá se foi. está correto o que se afirma em (A) I.LÍNGUA PORTUGUESA Em 1966.

Entre a escolha pelo mérito e a escolha pelo voto há necessidades muito distintas. (D) I e II. O autor do texto manifesta-se francamente favorável à razão do mérito. Deve-se presumir. Eis aí uma tarefa para nós todos: reconhecer. diante da tomada de uma decisão. (C) III. está correto SOMENTE o que se afirma em (A) I. pois em separado nenhuma delas satisfaz o que exige uma situação dada. Assim. visto que cada uma atende a necessidades de bem distintas naturezas. Entre a especialidade técnica e a vocação política há diferenças profundas de natureza. Atente para as seguintes afirmações: I. (E) transparência do método e desejo da maioria. em certas instituições. caso a caso. A argumentação do ministro. com base no texto. (E) independentes. irritado com a campanha pelas eleições diretas para presidente da República. que pedem distintas formas de reconhecimento. a avaliação do mérito pessoal do candidato se impõe sobre qualquer outra. Há quem pretenda decidir tudo no voto. já que numa votação não se leva em conta nenhuma questão de mérito. nem votaremos no passageiro que deverá pilotar nosso avião. Num concurso público. ouvem-se diatribes contra a “meritocracia”. (D) conciliáveis. III. A razão do mérito e a do voto Um ministro. (B) II. Não por acaso. Já a escolha da liderança de uma associação de classe. (A) complementares. (C) classificação de profissionais e escolha da liderança. Didatismo e Conhecimento 10 . (Júlio Castanho de Almeida. que a razão do mérito e a razão do voto devem ser consideradas. a menos que uma situação de real impasse imponha a resolução pelo voto. Em relação ao texto. referida no primeiro parágrafo. (B) especialidade técnica e vocação política. desde que as mesmas pessoas que votam sejam as que decidam pelo mérito. a legitimidade que tem a decisão pelo voto ou pelo reconhecimento da qualificação indispensável. reconhecendo numa assembleia a “soberania” que a qualifica para a tomada de qualquer decisão. 17. (C) excludentes. II. de um sindicato deve ocorrer em conformidade com o desejo da maioria. que escolhe livremente seu representante. ao tempo do governo militar. já que a qualificação por mérito pressupõe que toda votação é ilegítima. não elegeremos deputado alguém sem espírito público. o prestígio do “assembleísmo” surge como absoluto. é rebatida pelo autor do texto por ser falaciosa e escamotear os reais interesses de quem a formula. Considerando-se o contexto. inédito) 15. A conotação pejorativa que o uso de aspas confere ao termo “assembleísmo” expressa o ponto de vista dos que desconsideram a qualificação técnica. (B) excludentes.LÍNGUA PORTUGUESA Atenção: As questões de números 15 a 18 referem-se ao texto abaixo. No fundo. (D) avaliação do mérito e reconhecimento da qualificação. quando alguém se opõe a essa generalização. 16. buscou minimizar a importância do voto com o seguinte argumento: − Será que os passageiros de um avião gostariam de fazer uma eleição para escolher um deles como piloto de seu voo? Ou prefeririam confiar no mérito do profissional mais abalizado? A perfídia desse argumento está na falsa analogia entre uma função eminentemente técnica e uma função eminentemente política. Essas questões vêm à tona quando. lembrando a razão do mérito. (E) II e III. por exemplo. A seleção e a classificação de profissionais devem ser processos marcados pela transparência do método e pela adequação aos objetivos. o ministro queria dizer que o governo estava indo muito bem nas mãos dos militares e que estes saberiam melhor que ninguém prosseguir no comando da nação. são expressões bastante próximas quanto ao sentido: (A) fazer uma eleição e confiar no mérito do profissional.

(D) Vimos por esse intermédio convocá-lo para a assembleia geral da próxima sexta-feira. podemos citar: . Didatismo e Conhecimento 11 . . . por exemplo. convocá-lo para a assembleia geral da próxima sexta-feira. em que se decidirá os rumos do nosso movimento reivindicatório.a queda de sons no início de palavras: ocê. Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os seus falantes em todos os lugares e em qualquer situação. se um mercador errante ou um lavrador de pequeno campo fértil (. em cuja se decidirão os rumos do nosso movimento reivindicatório. convocar-lhe para a assembleia geral da próxima sexta-feira. Isso é prova de que. Qualquer falante do português reconhecerá que os dois enunciados pertencem ao seu idioma e têm o mesmo sentido. “Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói. recebem o nome genérico de variedades ou variações linguísticas. (E) Viemos. Tais variações. muito comum na linguagem oral no português: falá. Atente para a redação do seguinte comunicado: Viemos por esse intermédio convocar-lhe para a assembleia geral da próxima sexta-feira. É o que os teóricos chamam de variações linguísticas. de funcionamento podem sofrer variações devido à influência de inúmeros fatores. em que se decidirão os rumos do nosso movimento reinvindicatório. Entre esses casos. por este intermédio. marelo (amarelo). que às vezes são pouco perceptíveis e outras vezes bastantes evidentes.LÍNGUA PORTUGUESA 18. que o segundo é de gente mais “estudada”. numa mesma língua.o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me alembro. aonde se decidirá os rumos do nosso movimento reinvindicatório. a saber: fônico. margoso (amargoso). o pássaro avoa. Veio visitar-me um amigo em cuja casa eu morei há anos. por este intermédio. hoje frequentes na fala caipira. Variações Fônicas São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons constituintes da palavra. As falhas do texto encontram-se plenamente sanadas em: (A) Vimos. Os exemplos de variação fônica são abundantes e. formas comuns na linguagem clássica. ta. As variações que distinguem uma variante de outra se manifestam em quatro planos distintos. (B) Viemos por este intermédio convocar-lhe para a assembleia geral da próxima sexta-feira. curti (em vez de curtir). as pessoas têm noção de que existem muitas maneiras de falar a mesma língua. (C) Vimos. mas também que há diferenças. cê. por exemplo. tava. características na linguagem oral coloquial. sintático e lexical. Pode dizer. Suponham-se. ao lado do vocabulário. há formas distintas para traduzir o mesmo significado dentro de um mesmo contexto.)” Todas as pessoas que falam uma determinada língua conhecem as estruturas gerais. por este intermédio. VARIEDADES LINGUÍSTICAS. se uma matrona autoritária ou uma dedicada. constituem os domínios em que se percebe com mais nitidez a diferença entre uma variante e outra. os dois enunciados a seguir: Veio me visitar um amigo que eu morei na casa dele faz tempo. básicas. morfológico. convocá-lo para a assembleia geral da próxima sexta-feira. onde se decidirá os rumos do nosso movimento reinvindicatório.. compô. vendê.a queda do “r” final dos verbos.. Respostas: 01-C / 02-B / 03-E / 04-D / 05-C / 06-E / 07-B / 08-D / 09-B / 10-C / 11-B / 12-E / 13-B / 14-A / 15-E / 16-A / 17-D / 18-A 2. Sabe-se que. quando se decidirão os rumos do nosso movimento reivindicatório. se um velho amadurecido ou um jovem impetuoso na flor da idade. ainda que intuitivamente e sem saber dar grandes explicações.

as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e. tive muita dó dela (muito dó). porva (pólvora). No domínio da sintaxe.ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles chegou tarde (em grupos de baixa extração social). na linguagem antiga. É o caso de reclame. . Se eu estava (estivesse) lá.em vez do sufixo -íssimo para criar o superlativo de adjetivos. a champanha (o champanha). entre múltiplos exemplos possíveis de citar: . tão surpreendentes. recurso muito característico da linguagem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssimo). paster. podemos citar: . que têm sido objeto de piada de lado a lado do Oceano. Variações Sintáticas Dizem respeito às correlações entre as palavras da frase. . quintal. . farol. sobretudo quando se trata de verbos no imperativo: Entra. . este é o melhor filme que (em vez de a que) eu assisti. negoceia (negocia). são muito numerosas e caracterizam com nitidez uma variante em confronto com outra. não são tantas as diferenças entre uma variante e outra. . . um carro hiperpossante (em vez de possantíssimo). . e um homem bonito era um pão.LÍNGUA PORTUGUESA . Como exemplo. estrupo. Variações Morfológicas São as que ocorrem nas formas constituintes da palavra. pastel.o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu nas últimas eleições. algo muito bom. maior difícil. camisola em Portugal traduz o mesmo que chamamos de suéter.o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de “o”) convidei.deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato. faróu. por isso. o rapaz chamava a namorada de broto (hoje se diz gatinha ou forma semelhante). como no da morfologia. típicos de pessoas de baixa extração social. na década de 60. Fala baixo que a sua (em vez de tua) voz me irrita. de qualidade excelente. camiseta. . os caso mais comum.a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para formar o grau superlativo dos adjetivos. As variantes do plano do léxico. . quintar. mas não são desprezíveis. fórfi (fósforo). quando ele repor (repuser).a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regulares: ele interviu (interveio). as noite fria. Como exemplos. farór. todas elas formam típicas de pessoas de baixa extração social. Designações das Variantes Lexicais: . pastéu. Não é possível que ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu. como as do plano fônico. 12 Didatismo e Conhecimento . em Portugal chamam de bicha. mistura do cal (da cal). uma prova hiperdifícil (em vez de dificílima). os livro indicado.. não deixava acontecer.cuja família eu já conhecia).a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome “que” no início da frase mais a combinação da preposição “de” com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a família dele (em vez de . as diferenças entre as variantes não são tão numerosas quanto as de natureza fônica. Faltou naquela semana muitos alunos. Comentou-se os episódios.a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e adjetivos (típicos do falar paulistano): os amigo e as amiga. nada houve entre tu (em vez de ti) e ele. Eis alguns.o uso de pronomes do caso reto com outra função que não a de sujeito: encontrei ele (em vez de encontrei-o) na rua. o que chamamos de fila no Brasil. denunciam uma linguagem já ultrapassada e envelhecida. eu lhe (em vez de “o”) vi ontem. podemos citar: . . cardeneta. características da linguagem jovem de alguns centros urbanos: maior legal. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no Brasil chamamos de calcinha. não irão sem você e eu (em vez de mim). às vezes.a conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregulares: vareia (varia). Variações Léxicas É o conjunto de palavras de uma língua. se ele manter (mantiver). em vez de anúncio publicitário. que eu quero falar com você (em vez de contigo). Nesse domínio. . em vez de refrigerante usava-se gasosa. médico era designado pelo nome físico.o uso do prefixo hiper. você é a pessoa que (em vez de em que) eu mais confio.Arcaísmo: diz-se de palavras que já caíram de uso e. se ele ver (vir) o recado.a ausência da preposição adequada antes do pronome relativo em função de complemento verbal: são pessoas que (em vez de: de que) eu gosto muito. . Esse amigo é um carinha maior esforçado. era supimpa. malha.a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petrópolis). café da manhã em Portugal se diz pequeno almoço.A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira): quintau. um bobalhão era chamado de coió ou bocó.uso de substantivos masculinos como femininos ou vice-versa: duzentas gramas de presunto (duzentos).. .a mistura de tratamento entre tu e você. preguntar.

bicha (homossexual masculino). conúbio (em vez de casamento). são os seguintes: . Quando o furo se revela falso. o uso de um léxico vulgar. fracassar.Vulgarismo: é o contrário do preciosismo. secreção do nariz). ao mesmo tempo. mas há ocorrências: hors-concours (“fora de concurso”. Entre os jornalistas é comum o uso do verbo repercutir como transitivo direto: __ Vá lá repercutir a nptícia de renúncia! (esse uso é considerado errado pela gramática normativa). obnubilar (em vez de obscurecer ou embaçar). hoje são poucos os estrangeirismos que ainda não se aportuguesaram. tais como: habeas-corpus (literalmente. “estejas em liberdade”). . muitas das quais mal ou nem estraram para os dicionários. briefing (conjunto de informações básicas). em vez de atuarem isoladamente. para o interesse do concurso público. corporativismo). tête-à-tête (palestra particular entre duas pessoas). . “tenhas o corpo” ou. AVC ou acidente vascular cerebral (derrame cerebral). como escanear. feeling (“sensibilidade”. A lista de gírias é numerosíssima em qualquer língua: ralado (no sentido de afetado por algum prejuízo ou má-sorte). que ainda não foram aportuguesadas. pessoa). Nesse caso. é chamado de nariz-de-cera. foi uma barriga. Do francês. feder (em vez de cheirar mal). como está escrito”). data venia (“com sua permissão”). a engenharia. As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight (compreensão repentina de algo. troça). esprit de corps (“espírito de corpo”. Quando o lide é muito prolixo. apneia (interrupção da respiração).Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras emprestadas de outra língua. As variações mais importantes. por exemplo. ipso facto (“pelo próprio fato de”. procrastinar (em vez de adiar). arruinou-se). uma percepção súbita).Gíria: é o lexo especial de um grupo (originariamente de marginais) que não deseja ser entendido por outros grupos ou que pretende marcar sua identidade por meio da linguagem.” (frase 1) Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos caracterizá-la. O principal problema é que os critérios adotados. . preservando a forma de origem. A palavra lide é o nome que se dá à abertura de uma notícia ou reportagem. “por isso mesmo”). muitas vezes. . robotização. há muitas expressões latinas.LÍNGUA PORTUGUESA . obsceno. onde se apresenta sucintamente o assunto ou se destaca o fato essencial. sobretudo quando falam de atividades proibidas. se superpõem. levar um lero (conversar). sobretudo da linguagem jurídica. menu (cardápio). o jornalismo. rasteiro. robotizar. No jargão jornalístico chama-se de gralha. grosso modo (“de modo grosseiro”. capacidade de percepção). No jargão médico temos uso tópico (para remédios que não devem ser ingeridos). capaz de dar conta de todas as diferenças que caracterizam os múltiplos modos de falar dentro de uma comunidade linguística. prejudicar-se irremediavelmente). mais livremente. grosseiro. à la carte (cardápio “à escolha do freguês”). ou seja. discrepar (em vez de discordar).” (frase 2) 13 Didatismo e Conhecimento . . jingle (mensagem publicitária em forma de música). Furo é notícia dada em primeira mão.Neologismo: é o contrário do arcaísmo. pastel ou caco o erro tipográfico como a troca ou inversão de uma letra. afetado: Escoimar (em vez de corrigir). physique durôle (aparência adequada à caracterização de um personagem).Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico excessivamente erudito. Por exemplo. chufa (em vez de caçoada. Trata-se de palavras recém-criadas. pela sua profissão: um advogado? Um trabalhador braçal de construção civil? Um médico? Um garimpeiro? Um repórter de televisão? E quem usaria a frase abaixo? “Obviamente faltou-lhe coragem para enfrentar os ladrões. muito raro. a publicidade. deletar. outros exemplos extraídos da tecnologia moderna são mixar (fazer a combinação de sons). de grupos jovens e de segmentos sociais de contestação. “impreciso”). É o caso de quem diz. se ferrou (em vez de se deu mal. “com as mesmas letras”). ir pro brejo (ser malsucedido. sem concorrer a prêmios). A moderna linguagem da computação tem vários exemplos. cinesíforo (em vez de motorista). por exemplo. ranho (em vez de muco. de saco cheio (em vez de aborrecido).Sócio-Cultural: Esse tipo de variação pode ser percebido com certa facilidade. ipsis litteris (textualmente.Jargão: é o lexo típico de um campo profissional como a medicina. cara ou cabra (indivíduo. printar. Tipos de Variação Não tem sido fácil para os estudiosos encontrar para as variantes linguísticas um sistema de classificação que seja simples e. Existe a gíria de grupos marginalizados. alguém diz a seguinte frase: “Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão. sic (“assim.

mas isso não significa que ele não possa usá-la numa situação informal (conversando com alguns amigos.. gosta de se comparecer. Você que me lê. sotaque nordestino. de noite. (. esses iam ao animatógrafo. as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e prendadas. Já fui gente. num tribunal de júri.” . Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de Andrade. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual. os homens portavam ceroulas. Para ganhar aposta. estou percurando é sossego. bortinas a capa de goma (. não: verdadeiros cromos. por isso. se metiam em camisas de onze varas.) Embora sem saber da missa a metade. muitas vezes. dessa forma. podemos concluir que as condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos.Histórica: as línguas não são estáticas. Quando a gente é novo. quando muito.. Hoje. sotaque gaúcho etc. Texto II Entre Palavras Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras – circulamos. certas variações na maneira de usar uma mesma língua.. ou.. preste atenção. Elas se alteram com o passar do tempo e com o uso. meio em tom de brincadeira. ter um contato mais duradouro com a escola. Convém ficar claro. atrás da igreja... pode precisar dela. chupando balas de alteia.. Pessoas que. no Brasil. recria a fala de um típico sertanejo do centro-norte de Minas: “__ Mas você tem medo dele.. a grafia e o sentido delas. por exemplo). saindo para tomar a fresca. Não fazia anos. não admira que dessem com os burros n’agua. mudam as palavras. a frase 2 é mais comum aos falantes que tiveram possibilidades sócio-econômicas melhores e puderam. isto é. (. Ou sonhavam em andar de aeroplano... De primeiro. e também tomava cautela de não apanhar sereno. Os janotas.). mostra como a língua vai mudando com o tempo. mas retratistas. . além de ocorrer na pronúncia. por isso é uma variante cujas marcas se notam principalmente na pronúncia. Agora.). fizeram-no em condições não adequadas. assim. A elas damos o nome de variações sócio-culturais. o escritor. em que Guimarães Rosa. não faço. em geral dezoito. [de um feiticeiro chamado Mangolô!]. no texto II. não frequentaram nem a escola primária. gerando.(. timbre. abusar e arrastar mala..) Os mais idosos. no entanto. sem registrá-la. intensidade). associamos à frase 1 os falantes pertencentes a grupos sociais economicamente mais pobres. jamais usaria a expressão “tá na cara”. insinuavam que seu filho era artioso.. Não havia fotógrafos. porque não paga a pena.. Por exemplo. No texto I. pelo seu ouvido. Os mais jovens. “aperfeiçoaram” o seu modo de utilização da língua. por exemplo. Não faço. mas ficavam longos meses debaixo do balaio. fixas. __ Há-de-o!. e com isso punham a mão em cumbuca. Leia. em cemitério. pode também ser percebida no vocabulário. Essas alterações recebem o nome de variações históricas.A variação geográfica. Por outro lado. Muda a forma de falar. e mais tarde ao cinematógrafo. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. chegavam a pitar escondido.. arrastando a asa. completavam primaveras.(. doutora. Amanhã. os quais. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam quando. já fui. lombrigas. uma vez que há diversos outros fatores que interferem na maneira como o falante escolhe as palavras e constrói as frases. com pessoas de um nível cultural mais elevado e. isso sim!. fala das palavras de hoje. E cuidado ao conversar com seu avô. asthma os gatos.LÍNGUA PORTUGUESA Sem dúvida. umas teteias. o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. Ela se caracteriza pelo acento linguístico. gosta de fazer bonito.. E se levantam tábua.) Antigamente. como exemplo de variação geográfica... Ao conjunto das características da pronúncia de uma determinada região dá-se o nome de sotaque: sotaque mineiro. A maioria delas não figura nos dicionários de há trinta anos. talvez ele não entenda o que você diz. a situação de uso da língua: um advogado. no conto “São Marcos”. depois da janta. o trecho abaixo. faziam-lhes pé-de-alferes. Da comparação entre as frases 1 e 2. e até em calças pardas.. não. As meninas. Neles. e os cristãos não morriam: descansavam. ou figura com outras acepções. Texto I Antigamente Antigamente. A todo momento impõe-se tornar conhecimento de novas palavras e combinações de. imutáveis. os meninos. foras d’hora. Mas tudo isso era antigamente. quando eu era moço. mesmo não sendo rapagões. os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário. os sobrados tinham assombrações.. que é o conjunto das qualidades fisiológicas do som (altura. com a leitura.. que a diferenciação feita acima está bastante simplificada. ele fala das palavras de antigamente e. de pouco siso.Geográfica: é.. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo encapetados. em certas estruturas de frases e nos sentidos diferentes que algumas palavras podem assumir em diferentes regiões do país.. faziam o quilo. 14 Didatismo e Conhecimento . bastante grande e pode ser facilmente notada.

o nylon. o Incra. para consumo geral. o Isop. o módulo lunar. Barbeador elétrico de noventa microrranhuras. mais ta assim. que é adequado a um diálogo em situação informal. Outro dia eu fui lê um artigo. as operações triangulares. é outra). excetuados alguns falantes da linguagem culta. com um colega de mesmo nível. os anticoncepcionais. Algumas coisas começam a aparecer sob Getúlio Vargas. o ideologema. a Oea. defasagem. tais como o tema sobre o qual ele discorre (em princípio ninguém fala da morte ou de suas crenças religiosas como falaria de um jogo de futebol ou de uma briga que tenha presenciado). É na linguagem escrita. Nova Aguiar. Didatismo e Conhecimento 15 . sendo. variações de estilo e são classificadas em duas grandes divisões: . nóis ficamo até duas hora da manhã ele me explicando toda a matéria de economia. a Futurologia. As variações de acordo com a situação costumam ser chamadas de níveis de fala ou. Assim. a chacrete. o som pop. Esse modo de dizer. de Washington Luís. ou mesmo. o servomecanismo. o bandeirinha. LP e compacto. É na linguagem oral íntima e familiar que esse estilo melhor se manifesta. . num relato de uma conquista amorosa para um colega fala-se com menos preocupação). das nove da noite. e a ONU. Baquelite. engarrafamento. o zoom. poliéster. sabe? taquara rachada? Fica assim aquela voz baixa. o unissex. vivemos.. a renda per capita. finalmente. o antibiótico. Só? Não. Existiam em 1940? Ponha aí o computador. o falou. o superego. Viagens pelo crediário. a IBM. o grau de intimidade entre os falantes (com um superior.Estilo Formal: aquele em que é alto o grau de reflexão sobre o que se diz. a Sudene. ta difícil de te entendê. Como exemplo de estilo coloquial vem a seguir um pequeno trecho da gravação de uma conversa telefônica entre duas universitárias paulistanas de classe média. a mixagem. filhotes de bonificação. a homeostasia. Fenolite. a motoneta. carnet da girafa. as estruturas e a infraestrutura.. em geral. e palavras somos.LÍNGUA PORTUGUESA O malote. Entre palavras circulamos. Fundos de investimento. o cassete. depende do meu estado de espírito.. que o grau de formalidade é mais tenso. bem como o estado de atenção e vigilância. o desenvolvimento. o acrílico. em que o grau de reflexão sobre o que se diz é mínimo. o grau de comprometimento que a fala implica para o falante (num depoimento para um juiz no fórum escolhem-se as palavras. Hoje estão ali na esquina. conservacionismo. na vida de todos os dias. a informática. São muitos os fatores de situação que interferem na fala de um indivíduo. e a guitarra elétrica. de Fernando Tarallo. na GV. o sinteco. morremos. o enfarte. o nycron. por isso mesmo. o biquíni. poluição. a coca-cola.. um único indivíduo não fala de maneira uniforme em todas as circunstâncias. Circuito fechado de TV Rodoviária. o idioleto. o ta legal. Argh! Pow! Click! Não havia nada disso no Jornal do tempo de Venceslau Brás.. a Vemaguet. que servem invariavelmente de uma linguagem formal. tem dia que minha voz. vela de ignição. o ICM. barra tensora. AS reticências indicam as pausas. a Unesco. considerados excessivamente formais ou afetados. o spray. letra imobiliária. A enumeração caótica não é uma invenção crítica de Leo Spitzer. as algias. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem. Um modo de falar compatível com determinada situação é incompatível com outra: Ô mano. o ditafone. mas com que significado? (Carlos Drummond de Andrade. a apartheid. transcrito do livro Tempos Linguísticos. Estão reclamando. Alimentos super congelados. a acumputura. Está aí. Rio de Janeiro. o telex. Olhe aí na fila – quem? Embreagem. ele me. o ambiente físico em que se dá um diálogo (num templo não se usa a mesma linguagem que numa sauna). o fuscão. o linóleo. o mass media. os mísseis.Estilo Informal (ou coloquial): aquele em que se fala com despreocupação e espontaneidade.. o conglomerado. Eu não sei tem dia. e daí? Também os de incentivos fiscais. a Velo-Solex. 1988) -De Situação:aquelas que são provocadas pelas alterações das circunstâncias em que se desenrola o ato de comunicação. Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo. Knon-how. Poesia e prosa. porque não citei a conotação. a diagramação. não tem cabimento se o interlocutor é o professor em situação de aula. simplesmente. lê?! Um menino lá que faiz pós-graduaçãona. Detran. a descapitalização. o Ibope. a biônica. a dublagem. a Adecif. o copião. a linguagem é uma. a Transamazônica.

. transmite também um conjunto de informações sobre nós mesmos. Apesar disso. de conceitos teóricos.. etc.LÍNGUA PORTUGUESA Como se pode notar. isto é válido também para a faculdade de letras. É a variedade linguística ensinada na escola. nossa formação e. percebe que nem todos falam da mesma forma. não há o grau de formalidade e planejamentotípico do texto escrito. nossa insegurança. Certas palavras e construções que empregamos acabam denunciando quem somos socialmente. o vocabulário e as leis combinatórias da língua. etc. ou seja.. As pausas são marcadas com reticências. a comunicação. uma dessas variedades.... eis um trecho da gravação de uma aula de português de uma professora universitária do Rio de Janeiro. Ainda assim. como skate. Norma culta ou linguagem culta é uma expressão empregada pelos linguistas brasileiros para designar o conjunto de variedades linguísticas efetivamente faladas... sendo assim classificados os cidadãos nascidos e criados em zona urbana e com grau de instrução superior completo. O Instituto Camões entende que a “noção de correção está [... os dentes.o que está ocorrendo com nossos alunos é uma fragmentação do ensino.. nem com a escolha das palavras. pelos falantes cultos. a norma culta ou norma padrão... a gíria ou calão. na hora de serem empregados. refere também que se aceita no Brasil como norma-padrão a fala do Rio e de São Paulo. ou seja... transcrito do livro de Dinah Callou. As demais variedades. como a regional. em alguns programas de televisão. em que região do país nascemos.] formas [linguísticas]. desde que cumpram com eficiência o papel fundamental de uma língua. regionais e históricas em que é utilizada. Quando um falante entra em contato com outra pessoa... não há preocupação com a pronúncia nem com a continuidade das ideias. imitando o que se ouve e aprendendo. são chamadas genericamente de dialeto popular ou linguagem popular. aos poucos. deixam muito a desejar. dos jogadores de futebol. o jargão de grupos ou profissões (a linguagem dos policiais. o de permitir a interação verbal entre as pessoas... na escola ou em qualquer outro local. rock. as cordas vocais para produzir sons que se transformam. dos metaleiros... 16 Didatismo e Conhecimento . às vezes.. por tratar-se de exposição oral. que é o primeiro círculo social para uma criança.. mas trata-se de um estilo bem mais formal e vigiado que o da menina ao telefone. mais tarde. dos surfistas).. ele perde a noção do todo. culturais. O uso da língua também pode informar nossa timidez.. no contato com a família. sobre nossa capacidade de nos adaptarmos e situações novas.. etc. Ela pode tanto facilitar quanto dificultar o nosso relacionamento com as pessoas e com a sociedade em geral.. Há pessoas que falam de forma diferente por pertencerem a outras cidades ou regiões do país. A língua é um poderoso instrumento de ação social. contida na maior parte dos livros e revistas e também em textos científicos e didáticos.. ou seja. isolados.. ou seja. de acordo com as condições sociais. círculo de amizades e hobbies. A linguagem falada culta na cidade do Rio de Janeiro. os maxilares.. e fica com uma série. Aquisição da linguagem Iniciamos o aprendizado da língua em casa. ou por fazerem parte de outro grupo ou classe social. Nota-se que. que ele não sabe vincular a realidade nenhuma de seu idioma. . até nossos valores... Propósito da Língua A língua que utilizamos não transmite apenas nossas ideias. que têm nomes bonitos e sofisticados. ou por terem idade diferente da nossa.] baseada no valor social atribuído às [. a língua. frases e textos. Para exemplificar o estilo formal. surfe. tem maior prestígio social. Todas as variedades linguísticas são adequadas. Essas diferenças no uso da língua constituem as variedades linguísticas.. na vida cotidiana. qual nosso nível social e escolar.. né? há uma série. 3. Um jovem falante também vai exercitando o aparelho fonador. na rua. LINGUAGEM FORMAL E INFORMAL DA ESCRITA PADRÃO. mas que. Variedades Linguísticas Variedades linguísticas são as variações que uma língua apresenta.. em palavras. de aspectos teóricos. informa que a norma-padrão do português europeu é o dialeto da região que abrange Lisboa e Coimbra. os lábios.. isto é.

(medidas) visando. porcausa de. mormente.devido a. não tem a finalidade de condenar ou eliminar a língua que falamos em nossa família ou em nossa comunidade. aceito – com ter e haver.como sendo. perante. por exemplo).LÍNGUA PORTUGUESA Língua Culta na Escola O ensino da língua culta. nos quais. tecnicidade (domínio de um vocabulário específico de algum campo científico. . frente a.acendido. para. . caso – com se.a ponto de – e não ao ponto de Didatismo e Conhecimento 17 . no nível.sobretudo.a partir de (a não ser com valor temporal). aceito . Opção: em razão de. Ao contrário. visto que..na medida em que – tendo em vista que. em consequência de. . Expressões que demandam atenção . em particular. Saber usar bem uma língua equivale a saber empregá-la de modo adequado às mais diferentes situações sociais de que participamos. ainda. caracterizando-se por construções gramaticais mais livres. fazer que. ao mesmo tempo que. Opção: (medidas) destinadas a. . Opção: com base em. diante. . em vista de. Opção: especialmente.fazer com que. Atitudes não recomendadas Expressões Condenáveis . notadamente. Opção: a fim de. por intermédio de. em face de. . no qual. também.. porque. .principalmente. frases curtas e conectores simples. Opção: por (ou através de) um prisma. somado ao domínio de outras variedades linguísticas.sob um ponto de vista. conforme . nas quais. que se caracteriza pelo uso de ortografia simplificada. . mesmo. aceitado. deferência. repetições frequentes.acaso.no sentido de. .sendo que.em função de. Opção: e. Opção: de um ponto de vista. Opção: até. o domínio da língua culta.levar a. em especial. ouintuito) de. Opção: citado. Opção: ante. . Opção: em que. com o fito (ou objetivo. mediante.pois (no início da oração).onde (quando não exprime lugar). se trata de um registro formal ou escrito. com a sintonia entre interlocutores. com o modo de expressão. mensionado. o informal. ao nível. . construções simples e usado entre membros de uma mesma família ou entre amigos. caso rejeita o se .à medida que – à proporção que. Graus de Formalismo São muitos os tipos de registro quanto ao formalismo. em virtude de. igualmente. Opção: já que. use acaso. .sob um prisma. com ser e estar. constranger. que é uma linguagem mais cuidada. . tais como: o registro formal. tendo em vista.inclusive (a não ser quando significa incluindo-se). .à custa de – e não às custas de . aceso (formas similares) – idem . Opção: ao passo que. Expressões não recomendadas . com a finalidade de. uma vez que. o coloquial.dito. .valendo-se de.a meu ver – e não ao meu ver . na qual. segundo. por.a nível de... por causa de.enquanto. . Opção: suprimir a expressão. isto é. que não tem um planejamento prévio. graças a. uma vez que . por meio de. As variações de registro ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente na situação de comunicação. torna-nos mais preparados para nos comunicarmos.face a.através de (para exprimir “meio” ouinstrumento). Opção: em virtude de. Opção: em nível. forçar.. com vistas a. na escola. em razão de.. que envolve aspectos como graus de cortesia. Opção: compelir.aceitado. tomando-se por base. Opção: por. .

os fatos levam você a isso.Tema: Para você. mas eu era apenas uma criança”. as experiências genéticas de clonagem põem em xeque todos os conceitos humanos sobre Deus e a vida? “Bem a clonagem não é tudo.É importante você escrever atendendo ao que foi proposto no tema. s) mesmo (a.em termos de – modismo. piloto de cart. quero dizer. assim..implicar em – a regência é direta (sem em) . mas você sabe . .não é fácil dizer essas coisas.Evite pensamentos radicais. construir um texto sem erros.. Olhe. senão – quando se pode substituir por caso não.“Bem.“Todos os deputados são corruptos”.ao invés de – ao contrário de . com olhos cor de mel. acho que . Entretanto. .de modo (maneira. Portanto.todo mundo – todos . ao anunciar e a que se está tratando) . vulgarizadas pelo uso contínuo. sorte) que – e não a . posições extremistas. “. assim.LÍNGUA PORTUGUESA . moreno. portanto nada conecta e produz relação absurda. meu coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava que só estaríamos separadas carnalmente”.“Ele me tratava como uma criança.em vez de – em lugar de . como já diziam os sábios: depois da tempestade sempre vem a bonança.esse e isso – referência longe do falante e perto do ouvinte (tempo futuro.todo o mundo – o mundo inteiro ..Você pode ter conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais e.a posteriori. A boa qualidade do texto fica comprometida. a futuro próximo. mas na vida tudo tem o seu valor e os homens a todo momento necessitam de descobrir todos os mistérios da vida que nos cerca a todo instante”. a relação adversativa introduzida pelo “mas” no fragmento acima produz uma ideia absurda. É bom a gente pensar como vai fazer para. a tempo presente. você deve observar se a relação entre cada palavra do seu texto está correta.“Entretanto.todos sabem . . . .é aos dezoito anos que se começa a procurar o caminho do amanhã e encontrar as perspectiva que nos acompanham para sempre na estrada da vida”.) mostrou que ele não era maligno”. pois fazer parecer que seu autor não tem criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo uso frequente. enfim.enquanto que – o que é redundância . Temos aí um exemplo de uso inadequado do pronome relativo.“Hoje ao receber alguns presentes no qualcompleto vinte anos tenho muitas novidades para contar”. Antes de começar o seu texto leia atentamente todos os elementos que o examinador apresentou para você utilizar. Escrever sobre a situação dos sem-terra? Bem que o professor poderia propor outro tema”. É recomendável não generalizar e evitar.Não utilize provérbios ou ditos populares.Esta frase está ambígua. 20 anos.entre um e outro – entre exige a conjunção e. .. Esquematize suas ideias.Você não deve falar de sua redação dentro do próprio texto. pois não consegue perceber a que antecedente ele se refere.ele pensa diferente. Escrever com clareza é muito importante.ir ao encontro de – concordar com . Selecionar as frases e organizar as ideias é necessário.se não. quando se pode. para ele entender a decisão”.O conectivomas indica uma circunstância de oposição.“Ainda brincava de boneca quando conheci Davi.Você percebe aí a incapacidade do concursando ou vestibulando organizar sintaticamente o período. tempo passado próximo do presente. veja se não há falta de correspondência entre o tema proposto e o texto criado. . e não a . junto .não-pagamento = hífen somente quando o segundo termo for substantivo . . a priori – não tem valor temporal . se você reproduz sem nenhuma crítica ou reflexão expressões gastas. desejo de distância. . acho que ele não vai concordar com a decisão que você tomou. Didatismo e Conhecimento 18 . evitar . Eles empobrecem a redação.“Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu primo(. O texto escrito deve se apresentar desprovido de marcas de oralidade. de ideia contrária a.junto a – usar apenas quando equivale a adido ou similar .“Estou sem inspiração para fazer uma redação.este e isto – referência próxima do falante (a lugar.o (a. ou distante ao já mencionado e a ênfase).”Tudo começou naquele baile de quinze anos”. s) – uso condenável para substituir pronomes . Erros Comuns . pois não se sabe se o pronome ele refere-se ao fígado ou ao primo.Não se esqueça que o ato de escrever é diferente do ato de falar.você sabe .“Tenho uma prima que trabalha num circo como mágica e uma das mágicas mais engraçadas era uma caneta com tinta invisível que em vez de tinta havia saído suco de lima”. Para se evitar a ambiguidade. separado. Após longo suplício. Ele provoca falta de coesão.ir de encontro a – chocar-se com .

“zuar” (zoar). Concordância no plural: os óculos. “mau-humorado”. Também: Deixe-os sair. não o abateu.Atraso implicará “em” punição.“Tratam-se” de. Seção de Esportes. / A mulher o deixou. sessão de pancadas. . felizes núpcias. nossas férias. / Fazia dois séculos. quando exprime tempo. pressupor: Atraso implicará punição. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo. ibéro. é palavra masculina: um grama de ouro. . assim como circúito. Igualmente: mau humor. . como de repente e a partir de. / Vai amanhã ao cinema. . Grama. Veja outras grafias erradas e.Não há regra sem “excessão”. recórde. viu-a. . entre parênteses. . / Fazem-se consertos. .Chegou “em” São Paulo. mal-intencionado. Seção significa divisão. “frustado” (frustrado). / Fez 15 dias. Assim: Para eu fazer. . “envólucro” (invólucro). “advinhar” (adivinhar). . “calcáreo” (calcário). escrivães. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás. Fazer.Preferia ir “do que” ficar. sessão do Congresso. para eu trazer. Assim: Comprei-o para você.“Há” dez anos “atrás”. função: Seção Eleitoral.Vai assistir “o” jogo hoje.“Existe” muitas esperanças. são a agravante. como existir.A última “seção” de cinema. / Promoção implica responsabilidade. use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. peso. / Sucedeu ao pai. . juniores. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. Da mesma forma: Meus parabéns. mal-estar. / Levou os filhos ao circo. pólipo. . vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: O resultado do jogo não o abateu.“Mal cheiro”.“Entrar dentro”. aváro. sessão de cinema. usa-se mim ou ti: Entre mim e você. nós. “vultuoso” (vultoso). “impecilho” (empecilho). Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. a atenuante. à missa. mal-humorado (bem-humorado). . vitamina C de dois gramas. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Femininas. A pronúncia correta é gratúito. Haver. O certo: entrar em. “xuxu” (chuchu). seniores.“Venda à prazo”. . . Verbos de movimento exigem a. novas denúncias. / Bastariam dois dias. a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Procuram-se empregados. viúva do falecido. . “beneficiente” (beneficente). à sessão.LÍNGUA PORTUGUESA . “ascenção” (ascensão). Didatismo e Conhecimento 19 . elo de ligação. / Restaram alguns objetos. mandou-me. mau jeito. . restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. e não em: Chegou a São Paulo. Depois de preposição. por exemplo.“Aluga-se” casas. / Não o convidei. O plural de cidadão é cidadãos.Vendeu “uma” grama de ouro. . . “pixar” (pichar). a forma correta: “paralizar” (paralisar). Mim não faz.O resultado do jogo.“Houveram” muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / É assim que se evitam acidentes. / Apela-se para todos. / Pagou ao amigo. Mal opõe-se a bem e mau. .Comprei “ele” para você. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.Vive “às custas” do pai. para eu dizer. intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). “cincoenta” (cinquenta). / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. gângsteres. e não “em vias de”: Espécie em via de extinção. Duas palavras. . / Deve haver muitos casos iguais. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado. etc. “benvindo” (bem-vindo). seus ciúmes. / Respondeu à carta.Quebrou “o” óculos. por isso. / Sobravam ideias. monopólio exclusivo. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora. Outro erro: O prefeito prometeu. Há e atrás indicam passado na frase. . tu. porque não pode ser sujeito. repartição. a cal. / Conta-se com os amigos. Use também em via de. meus pêsames.Entre “eu” e você. . / Aspirava ao cargo de diretor. a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV.“Fazem” cinco anos. Não existe crase antes de palavra masculina. / Faltavam poucas peças. / Entre eles e ti. a caráter. Eu. Existir. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória. meus óculos. a alface. mandou-nos entrar. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. Da mesma forma: flúido.O ingresso é “gratuíto”. a bom. / Explique por que razão você se atrasou. a esmo. a bordo. . / Compram-se terrenos. tabeliães.Nunca “lhe” vi.Para “mim” fazer. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. . Implicar é direto no sentido de acarretar. a cavalo.Todos somos “cidadões”. Veja outros: caracteres (de caráter). condôr. / Visava aos estudantes. é impessoal: Faz cinco anos. seção de brinquedos. “previlégio” (privilégio). / Trabalho em via de conclusão.“Porisso”. Assim: mau cheiro (bom cheiro). O certo é exceção. Nos demais casos: A salvo. Lhe substitui a ele.“Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão. / Ela o ama. também é invariável: Houve muitos acidentes. faltar. e sessão equivale a tempo de uma reunião. ele. . já não há mais. a eles. a pé. bastar. / Precisa-se de empregados. ganhar grátis. O certo: Vive à custa do pai. .

/ Depois o procuro. . ão ou õe. “Chego” não existe. disse a moça. lhes) depois de futuro do presente. “cabeçário” (cabeçalho). . Aonde se usa com verbos de movimento. “ciclo” (círculo) vicioso. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram. . / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. / Venha pra Caixa você também.A questão não tem nada “haver” com você.LÍNGUA PORTUGUESA . ao computador. e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. / Obrigado pela atenção.. se. não varia: Tons pastel. na.O processo deu entrada “junto ao” STF. Embora popular. / Como as pessoas lhe haviam dito.ª pessoa. / Os amigos nos darão (e não “darão-nos”) um presente.Ministro nega que “é” negligente. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão.Blusa “em” seda. canetas pretas. / Dão-nos. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.O peixe tem muito “espinho”. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes. . para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda. nos e nas: As pessoas esperavam-no. Também é errado dizer: Deu “a luz a” gêmeos. as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. Peixe tem espinha. advérbio. . / O jogador negou que tivesse cometido a falta.Não viu “qualquer” risco. . Alguma coisa se inicia. . É nenhum. os pronomes o. Nome de cor.Ele foi um dos que “chegou” antes. . / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Muito obrigados por tudo. / Tendo-me formado (e nunca tendo “formado-me”). Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco minutos. o certo é fique: Fique você comigo. A moeda tem plural. Intervir conjuga-se como vir. a locução não existe. se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca “imporá-se”). meio amiga. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. . os e as tomam a forma no. / Ficamos cinco na sala. Para a 3.. e não “qualquer”. / Casa “germinada” (geminada). Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. . aqui se paga.A feira “inicia” amanhã. lhe. . Outros verbos derivados: entretinha. / Chegue aqui. nos. impõem-nos. Didatismo e Conhecimento 20 . vai deixar a empresa. . / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não “junto aos”) leitores. e não em. reteve.Não sabiam “aonde” ele estava. e regular: A corrida custa 5 reais.Soube que os homens “feriram-se”. O com não existe: Queria namorar o colega. Emprestar é ceder. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Aqui se faz. / Éramos seis. mantivesse. vos. . / Foi tachado de leviano. convidam-na. apenas: A artista deu à luz quíntuplos. O mesmo ocorre com as negativas. camisas creme. intervim.O governo “interviu”. . condisser.Ela era “meia” louca. . A questão. medalha de prata. quando expresso por substantivo. Negar que introduz subjuntivo. Meio. / Ele talvez o convide para a festa. O certo: Tinha chegado atrasado.Estávamos “em” quatro à mesa. que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. .Sentou “na” mesa para comer. / Quando se falava no assunto. Veja outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) queimou..Queria namorar “com” o colega.“Cerca de 18” pessoas o saudaram. / Era grande a sua dívida com o (e não “junto ao”) banco. futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. põe-nos. .Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome átono (me.. apenas: Não sei aonde ele quer chegar.Foi “taxado” de ladrão. estátua de madeira. à máquina. entrevimos. etc. . O em não existe: Estávamos quatro à mesa. não varia: meio louca. interviemos. te. casa de alvenaria. Há indica passado e equivale a faz. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas. não tem nada a ver ou nada que ver. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. . meio esperta.“Fica” você comigo. conviesse. predisse. / Nunca promoveu nenhuma confusão.Tinha “chego” atrasado. . .“Obrigado”. / Aonde vamos? . / Sentou ao piano. perfizera. / A reclamação foi apresentada ao (e não “junto ao”) Procon. intervieram. disse a moça. No caso de adjetivo. gravatas cinza. Usa-se de. .As pessoas “esperavam-o”. . / A festa que se realizou. blusas rosa. assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. o plural é o normal: Ternos azuis. Obrigado concorda com a pessoa: “Obrigada”. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não “junto ao”) Guarani. na verdade.Tons “pastéis” predominam. . . Assim: O governo interveio. O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. Quando o verbo termina em m. Da mesma forma: intervinha.. a.A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à luz. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu. . O certo: Não sabiam onde ele estava. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de.. Processo dá entrada no STF. Fica é imperativo do pronome tu. pressupusesse.Vou “emprestar” dele. ele foi um). / Embora tente negar.A corrida custa 5 “real”. fitas amarelas.

polui. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Veja o jardim onde as crianças brincam. ele vem. . Explodir só tem as pessoas em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explode.Não queria que “receiassem” a sua companhia. nesse sentido.À medida «em» que a epidemia se espalhava. Da mesma forma: Se eu vier (de vir). / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar. “precavenha”. Da mesma forma: empate por. não escreva nem fale “exploda” ou “expluda”. Tem é a forma do singular. Mesmo.Ela “mesmo” arrumou a sala.A tese “onde”.. No plural.. mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos. Equivalente: Governo recupera confiança. etc. Outra forma errada: A diretoria “comunicou” os empregados da decisão. nas pessoas de querer e pôr: Quis. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui. esta semana (a semana em que se está).O time empatou “em” 2 a 2. se nós dissermos (de dizer). Verbos em uar é que admitem ue: Continue. “precavém”. têm é assim.. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. partidos social-democratas. . Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. reaverá. . só o último elemento varia: acordos político-partidários. / A decisão favoreceu os jogadores. .Ele “intermedia” a negociação. este século (o século 20). etc. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos. mantiver.. ceaste..Disse o que “quiz”. Assim. Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. . “precaveja”.. mas apenas s. É errado juntar o se com os pronomes o. Assim. vê-se-a. .) . É este que designa o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite.. todo quer dizer cada. .. mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram.LÍNGUA PORTUGUESA . quisesse. medidas econômico-financeiras. Não existem as formas “adequa”. No plural. . Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas. Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis. Infligir (e não “inflingir”) significa impor: Infligiu séria punição ao réu. atribui. “precavês”. . substituindo essas formas por rebente.Se eu “ver” você por aí. se eu tiver (de ter). se ele fizer (de fazer). não existem “reavejo”.. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.Vou sair “essa” noite. rejeita a: Favoreceu o time da casa. que eles anseiem.A temperatura chegou a 0 “graus”.Andou por “todo” país. . quiseram. etc. eles põem. atenue. eles têm. atue. Remediar.A moça estava ali “há” muito tempo.Ninguém se “adequa”. Portanto. é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. adequou. passeias. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. / Era difícil apontar todas as contradições do texto. etc. use em que: A tese em que ele defende essa ideia. / O livro em que. .Acordos “políticos-partidários”. quanto equivale a próprio. .. zero-quilômetro. adequasse. Zero indica singular sempre: Zero grau. a. revir. Sem o. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). enfeiam). este jornal (o jornal que estou lendo). pus. . . não existem as formas “precavejo”. puséssemos. ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam. na medida em que elas existem.Governo “reavê” confiança. Nos adjetivos compostos. avisado) da decisão. reouvesse.“Inflingiu” o regulamento. puseram. pôs. predissermos. Reaver segue haver. . . / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não “dos mesmos”). Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Por isso.. “precavenho”. Favorecer. enfearam.“Todos” amigos o elogiavam. Não existe z. todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. recue.. . mas ninguém “é comunicado” de alguma coisa.Favoreceu “ao” time da casa.Já “foi comunicado” da decisão.. “adeque”. impuser. Haver concorda com estava. se ele puser (de pôr).Não “se o” diz. / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida.. . / As vítimas mesmas recorreram à polícia. incendeio. Uma decisão é comunicada. saiu. nunca use: Fazendo-se-os. . este dia. 21 Didatismo e Conhecimento . / Na entrevista em que. “reavê”.Evite que a bomba “expluda”. desfizer. por exemplo. etc. . Da mesma forma: passeemos. O certo é: Se eu vir. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. etc. O certo: O homem possui muitos bens. zero hora.Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento.Comeu frango “ao invés de” peixe. não se o diz (não se diz isso). previr. Assim: Já foi informado (cientificado.Eles “tem” razão.O homem “possue” muitos bens. reouve. O certo é: À medida que a epidemia se espalhava.. quiséssemos. . O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem. / A faixa em que ele canta. . com acento. / A decisão foi comunicada aos empregados. pusesse. convier. . ele põe. explodiram. Nos demais casos. Repare que ele ganha por e perde por. qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. os e as. eles vêm.

/ Não disse sequer o que pretendia.Ficou “sobre” a mira do assaltante. reto. Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você.. certo. íntegro. / Haja vista suas críticas. DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO.A realidade das pessoas “podem” mudar. o fato passou despercebido. etc. literária. mais restrito (animal e quadrúpede).. . Na verdade. Igualmente: Isto é para o senhor (e não “para si”). vulgar. Quanto à significação.. ANTONÍMIA. por matizes de significação e certas propriedades que o escritor não pode desconhecer. Da mesma forma: Transmissão em cores.Vou “consigo”. a prova de que participou. Evite também “comprimentar” alguém: de cumprimento (saudação). desataviada. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar.A moça “que ele gosta”. Não existe artigo nessas expressões: A meu ver.Alfabeto. Viagem. .Extinguir. . Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito). .Justo.A festa começa às 8 “hrs.Já “é” 8 horas.Comprou uma TV “a cores”.. / Depois de esses fatos terem ocorrido. .O pai “sequer” foi avisado. estes têm sentido mais amplo. / Haja vista seus esforços. Embora irmanados pelo sentido comum. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. a seu ver. Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV “a” preto e branco).”). grito. / Partiu sem sequer nos avisar. / Escondeu-se sob a cama. .. Igualmente: O dinheiro de que dispõe. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje.“Causou-me” estranheza as palavras. entretanto. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome. . Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. com o senhor.O fato passou “desapercebido”. suprimir. A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho.. os sinônimos diferenciam-se. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. 2 km (e não “kms. . uns são próprios da fala corrente. As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto.“Haja visto” seu empenho. Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinônimo pelo outro. outros. já é meio-dia. é o substantivo: Minha viagem. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. Didatismo e Conhecimento 22 .. . avião. A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas. exato.. SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS: SINONÍMIA. abolir. pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. abecedário. / Dadas as suas ideias.. . Com efeito. / Já é (e não “são”) 1 hora.A modelo “pousou” o dia todo. pertencem à esfera da linguagem culta. / Falou sobre a inflação. desenho em cores. . Modelo posa (de pose). E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce. 5 m.Brado. aqueles. só pode resultar cumprimentar.Espero que “viagem” hoje. alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.“Dado” os índices das pesquisas. clamor. / Dado o resultado. uns dos outros. . já é meia-noite. 4.É hora «dele» chegar.LÍNGUA PORTUGUESA . Como se gosta de.. com g. . imparcial. apagar. ao invés. vou com o senhor. Exemplo: . científica ou poética (orador e tribuno. Assim: 8 h. . o amigo a que se referiu. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas.. Por isso: A realidade das pessoas pode mudar. . a nosso ver. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não “foi iniciado” esta noite as obras). / Apesar de o amigo tê-lo convidado. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não “foram punidas”).”. etc. oculista e oftalmologista. . o filme a que assistiu (e não que assistiu).“Ao meu ver”. o certo é: A moça de que ele gosta. Portanto: Vou com você. Desapercebido significa desprevenido. Da mesma forma. Quem pousa é ave. calda. não foi notado... Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). cinzento e cinéreo). Comprimento é extensão. viajante. 10 kg. Cuidado.. . . Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado). as palavras são divididas nas seguintes categorias: Sinônimos: são palavras de sentido igual ou aproximado.

Jogo (substantivo) e jogo (verbo).Oposição e antítese.Providência (substantivo) e providencia (verbo). . sela (arreio) e sela (verbo selar). . . Homófonos Heterográficos:iguais na pronúncia e diferentes na escrita. A homonímia pode ser causa de ambiguidade. . . . seção (divisão. . .Para (verbo parar) e para (preposição). de numerosos pares de sinônimos.Rego (substantivo) e rego (verbo). progredir/regredir. . em nossa língua. são (forma do verbo ser) e são (santo). .Paço (palácio) e passo (andar).Pelo (substantivo). Daí serem divididos em: Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferentes no timbre ou na intensidade das vogais. pôr fogo) e ascender (subir). esperar/desesperar.Louvar e censurar.Apoio (verbo) e apoio (substantivo). Exemplos: .Hera (trepadeira) e era (época). . por isso é considerada uma deficiência dos idiomas. simétrico/ assimétrico. às (contração) e as (artigo).Adversário e antagonista. Exemplos: . e às vezes a mesma grafia.LÍNGUA PORTUGUESA A contribuição Greco-latina é responsável pela existência.Acender (atear. .Soberba e humildade.Mal e bem. . .Moral e ética. . cassa (tecido) e cassa (verbo cassar = anular). explícito/implícito.Cegar (tornar cego) e segar (cortar.Contraveneno e antídoto.Colóquio e diálogo.Colher (verbo) e colher (substantivo). concórdia/discórdia.Ordem e anarquia. pelo (verbo) e pelo (contração de per+o).Semicírculo e hemiciclo. emendar).Apreçar (determinar o preço. . .Censo (recenseamento) e senso (juízo). Só o contexto é que determina a significação dos homônimos. palavra que também designa o emprego de sinônimos. O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto fônico (som) e o gráfico (grafia). sessão musical) e conserto (ato de consertar).Cela (pequeno quarto). Exemplos: . mas significação diferente.Às (substantivo). .Cerrar (fechar) e serrar (cortar). ceifar). . simpático/antipático.Concertar (harmonizar) e consertar (reparar.Aço (substantivo) e asso (verbo). comunista/anticomunista. pré-nupcial/pós-nupcial. . A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido oposto ou negativo. avaliar) e apressar (acelerar). repartição) e sessão (tempo de uma reunião ou espetáculo).Cessão (ato de ceder). Exemplos: Bendizer/maldizer. . Antônimos: são palavras de significação oposta. . era (verbo). .São (sadio). .Transformação e metamorfose. . O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se sinonímia. Homônimos: são palavras que têm a mesma pronúncia.Caça (ato de caçar). Didatismo e Conhecimento 23 . ativo/inativo. . .Concerto (harmonia. . . . .Translúcido e diáfano.

tem sentido próprio.. comprimento e cumprimento..Mangueira: tubo de borracha ou plástico para regar as plantas ou apagar incêndios. conflaglação. deflagração.incipiência e) seção . possui várias conotações (ideias associadas... ... tem o sentido conotativo. como exemplos de palavras polissêmicas. solene era . . corrigir).Pomos (substantivo).flagrante . reincidiram c) eminente.. adiar).. Estava ...As horas iam pingando lentamente.. (sentido próprio). atoar e atuar.. . tetânico e titânico.Fulano nadava em ouro. que têm dezenas de acepções. a) eminente... ouro sugere ou evoca riquezas. glória. Parônimos:são palavras parecidas na escrita e na pronúncia:Coro e couro. . sentimentos.Alude (avalancha)..fragrante . .insipiência c) sessão . da guerra.. cedo (advérbio).. osso e ouço.Comprei uma correntinha de ouro. a) seção . Exemplos: .Livre (adjetivo). denotativo. .insipiência Didatismo e Conhecimento 24 .. caminhada (verbo). peça de metal para escrever. deferir (conceder.fragrante .flagrante . No segundo exemplo.. livre (verbo livrar). . conflagração.. luxo. real. infligir (aplicar) e infringir (transgredir). dó. ostentação.“Durante a .. pois os homens . divergir. . (sentido figurado). ocultar. Polissemia:Uma palavra pode ter mais de uma significação..Construí um muro de pedra.incipiência d) cessão ..Somem (verbo somar). deflagração.incipiência b) sessão . . prescrever e proscrever.. cesta e sesta.As águas pingavam da torneira.flagrante . degradar e degredar. Sentido Próprio e Sentido Figurado:as palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido figurado. eminente e iminente. evocações que irradiam da palavra)..Caminhada (substantivo). .. flagração. dar deferimento) e diferir (ser diferente.. sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder).Ênio tem um coração de pedra. o desinteresse do mestre diante da . No primeiro exemplo. (sentido próprio). . incidiram e) prestes..LÍNGUA PORTUGUESA Homófonos Homográficos:iguais na escrita e na pronúncia. (sentido figurado). .. vultoso (volumoso. grande curral de gado. descrição e discrição. Exercícios 01... A esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia..Velar: cobrir com véu. muito grande: soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso). a palavra ouro denota ou designa simplesmente o conhecido metal precioso. recindiram 02. ratificar (confirmar) e retificar (tornar reto. alude (verbo aludir). Podemos citar ainda.. a . somem (verbo sumir). poder. vigiar. Exemplos: .. árvore frutífera. pomos (verbo pôr).. cuidar. nos erros do passado.Pena: pluma. incidiram b) iminente. relativo ao véu do palato. punição.. cético e séptico.. reincidiram d) preste.Cedo (verbo). Denotação e Conotação: Observe as palavras em destaque nos seguintes exemplos: .. o verbo dar e os substantivos linha e ponto. demonstrada pelo político”.

Assinale-a: a) cozer = cozinhar.estrangeiros 04. coser = costurar b) imigrar = sair do país.LÍNGUA PORTUGUESA 03.. ratifiquei 09.. c) Promoveram uma festa beneficiente para a creche.....cassado 08... em astronomia..cassado c) mandato .estrangeiros b) seção . emigrar = entrar no país c) comprimento = medida... de direitos territoriais a .O .caçado b) mandato .” a) ratificar.... xácara = verso 06.casçado e) mandado .. e) Reacendeu o fogo do entusiasmo..... prescrevi e) retificar.Assinale o item em que a palavra destacada está incorretamente aplicada: a) Trouxeram-me um ramalhete de flores fragrantes. a) sessão . cumprimento = saudação d) consertar = arrumar.Marque a alternativa cujas palavras preenchem corretamente as respectivas lacunas... c) Sua ascensão foi rápida. . científica do povo levou-o a .. discriminei c) descriminar. na frase seguinte: “Necessitando . plenária estudou-se a ..sessão . retifiquei d) proscrever....” a) insipiência tachar expertos b) insipiência taxar expertos c) incipiência taxar espertos d) incipiência tachar espertos e) insipiência taxar espertos Didatismo e Conhecimento 25 .. 07..Há uma alternativa errada. Assinale-a: a) A eminente autoridade acaba de concluir uma viagem política. b) A catástrofe torna-se iminente.. concertar = harmonizar e) chácara = sítio.caçado d) mandado .. d) Devemos ser fiéis ao cumprimento do dever..“A..estrangeiros e) seção .. a) mandado . e) A cessão de terras compete ao Estado. o número do cartão do PIS.seção ..cessão .... do prefeito foi .. proscrevi b) prescrever. d) Ascenderam o fogo rapidamente. 05.. ontem.extrangeiros d) sessão .Há uma alternativa errada.cessão ... a data de meu nascimento.sessão . b) A justiça infligiu a pena merecida aos desordeiros...Na .. .estrangeiros c) secção .. de feiticeiros os ..

Não se falavam nem se olhavam. ou melhor. foi a ganhadora única da Sena. não formam uma unidade sintática: Lúcia.marcar a omissão de um termo (normalmente o verbo): Ela prefere ler jornais e eu.A)(04. . no . ) .separar alguns apostos: Valdete.eminentes e) censo .B)(08. Ex. PONTUAÇÃO.lasso .B) 5.. Ainda não me decidi se viajarei para Bahia ou Ceará. 26 de janeiro de 2011.iminentes Respostas: (01.indicar o final de uma frase declarativa: Lembro-me muito bem dele.cumprimento .. Não vá embora.. Os sinais de pontuação são sinais gráficos empregados na língua escrita para tentar recuperar recursos específicos da língua falada.. Ponto ( .separar o vocativo: Maria.B)(02. mestre-de-obras. esposa de João.. minha antiga empregada. . ): É usada para marcar uma pausa do enunciado com a finalidade de nos indicar que os termos por ela separados.isolar o nome de lugar na indicação de datas: Belo Horizonte. o uso da vírgula passa a ser obrigatório: Não fui nem ao velório..separar períodos entre si: Fica comigo. Podemos concluir que.predicativo do objeto do objeto.Entretanto.separar o adjunto adverbial antecipado ou intercalado: Chegando de viagem..objeto de verbo.. religião e política.. 26 Didatismo e Conhecimento .adjunto adnominal de nome.laço . As pessoas.D)(05. .oração principal da subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na ordem inversa). pausas.eminentes b) senso .por um momento meu canto contigo compactua. nem dispensam o uso da vírgula: Conversaram sobre futebol. nada me importa. quando há uma relação sintática entre termos da oração.isolar expressões de caráter explicativo ou corretivo: Amanhã. . lua. de tarefas . nunca teve muito .... . esteve aqui ontem..complemento nominal de nome. .nas abreviaturas: Av. depois de amanhã podemos nos encontrar para acertar a viagem.. . revistas...iminentes d) senso .A)(10.cumprimento . A vírgula no interior da oração É utilizada nas seguintes situações: . A educação. etc.separar elementos de uma enumeração: Precisa-se de pedreiros. procurarei por você. apesar de participarem da mesma frase ou oração. . tais como: entonação. são falsas.comprimento . muitas vezes. lua. traga-me uma xícara de café..separar conjunções intercaladas: Não havia. é fundamental para o progresso do país. motivo para tanta raiva.Não se separam por vírgula: . .cumprimento . lua. . . nem à missa de sétimo dia.separar o complemento pleonástico antecipado: A mim.laço . jogo de silêncio. nem ao enterro.”  (Caetano Veloso) .lasso .iminentes c) senso .B)(06.Na oração: Em sua vida.. As palavras adequadas para preenchimento das lacunas são: a) censo . não se pode separá-los por meio de vírgula.E)(09. (omissão do verbo preferir) Termos coordenados ligados pelas conjunções e.. serventes.ª Vírgula ( . com a finalidade de dar ênfase.C)(07. apresentava-se sempre.predicado de sujeito. . porém. se essas conjunções aparecerem repetidas..lasso . .separar termos coordenados assindéticos:”Lua. ou..B)(03. meus amigos. .LÍNGUA PORTUGUESA 10.. .comprimento .. V. .

” . . de um decreto. mas que seja infinito enquanto dure. .”.separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordenadas nas quais já tenham tido utilizado a vírgula: “O rosto de tez amarelenta e feições inexpressivas. quando a bronquite crônica de que sofria desde moço se foi transformando em opressora asma cardíaca. o inferior um tanto tenso (. Estudou muito.antes de citação: Como já dizia Vinícius de Morais: “Que o amor não seja eterno posto que é chama. de uma sequência. tenho grandes contentamentos em a estar plantando. os lábios grossos. disse o velho..Após vocativo: “Parte.LÍNGUA PORTUGUESA A vírgula entre orações É utilizada nas seguintes situações: . e ainda assim não foi aprovada.. tomei meu banho.tenho grandes contentamentos em a estar plantando.” (O selvagem . Rodrigo e Gilberto.separar orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas). V.Senhor.disse o velho .. o que mais se acentuava no fim da vida.Eu?! Ponto de Exclamação ( ! ) .. Há três casos em que se usa a vírgula antes da conjunção: . era pronunciadamente vultuoso. V das penalidades Direito Administrativo) . comi algo e saí para o trabalho. principalmente se estiverem antepostas à oração principal: “No momento em que o tigre se lançava. juntamente com o ponto de exclamação: Quem ganhou na loteria?Você. ) .Após imperativo: Cale-se! . mora no Rio de Janeiro.separar as orações intercaladas: “.Após interjeição: Ufa! Ai! . cada vez mais pobres.quando a conjunção e assumir valores distintos que não seja da adição (adversidade. VI-  destituição de função comissionada. resumem ideias anteriores: Meus amigos são poucos: Fátima. realmente não sei.separar os itens de uma lei. de quem guardoamargas lembranças.Em perguntas diretas: Como você se chama? . e ri.suspensão. numa quietude apática.quando as orações coordenadas tiverem sujeitos diferentes: Os ricos estão cada vez mais ricos. e os pobres. mas não foi aprovado no exame. Ponto-e-Vírgula ( .separar as orações substantivas antepostas à principal: Quanto custa viver.Às vezes. IV. II. Essas orações poderão ter suas vírgulas substituídas por duplo travessão: “Senhor .demissão.. consequência. . III.Humberto de Campos). por exemplo): Coitada! Estudou muito. 127 – São penalidades disciplinares: I.destituição de cargo em comissão. . .separar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Meu pai.José de Alencar) . . etc: Art.cassação de aposentadoria ou disponibilidade.Após palavras ou frases que denotem caráter emocional: Que pena! Didatismo e Conhecimento 27 . . e grita.advertência. enumerações ou sequência de palavras que explicam.. Heliel!”( As violetas de Nossa Sra.antes de apostos ou orações apositivas.iniciar a fala dos personagens: Então o padre respondeu: __Parta agora. de uma petição.separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção “e”: Acordei.)” (Visconde de Taunay) Dois-Pontos ( : ) .. e pula de alegria. (cap.” Ponto de Interrogação ( ? ) .quando a conjunção e vier repetida com a finalidade de dar ênfase (polissíndeto): E chora. e fugindo com o corpo apresentou o gancho. curvou-se ainda mais.

) menos a felicidade.isolar palavras ou expressões que fogem à norma culta..Eça de Queirós) Se..ao fim de uma frase gramaticalmente completa com a intenção de sugerir prolongamento de ideia: “Sua tez..Graça Aranha) Os parênteses também podem substituir a vírgula ou o travessão. com todo o sangue na face. d) Na civilização e na fraqueza ia para onde me impeliam muito dócil muito leve. É só tomar um antibiótico e estará bom.LÍNGUA PORTUGUESA Reticências ( .isolar palavras.interrupção de uma frase deixada gramaticalmente incompleta: Alô! João está?Agora não se encontra.” (Cecília. Barra(/) Aplicada nas abreviações das datas e em algumas abreviaturas. estrangeirismos. Trinta e quatro vezes.eu queria te dizer que. que.Raimundo Fagner)      Aspas ( “  ” ) . (O prazer de viajar . porém. Exemplo: guarda-roupa Exercícios 01. Hífen (−) Usado para ligar elementos de palavras compostas e para unir pronomes átonos a verbos.José de Alencar) . (O milagre das chuvas no nordeste. é uma simples infecção. ocorreu inúmeras perdas humanas.indicar uma citação textual: “Ia viajar! Viajei.. Quem sabe se ligar mais tarde. Assinale o texto de pontuação correta: a) Não sei se disse. alva e pura como um foco de algodão. sem que este riso os impeça de conservar as suas roupas e o seu calçado. e) Conduziram-me à rua da Conceição. ( ‘  ‘ ) Parênteses ( () ) . começa por letra maiúscula. mas só mais tarde notei. palavrões. bufando. o juízo fraco. triturados soltos no ar.indicar dúvidas ou hesitação do falante: Sabe. dentro de um trecho já destacado por aspas.. palavrões. isto se passava. Colchetes ([]) Utilizados na linguagem científica. __Doutor.. Asterisco (*) Empregado para chamar a atenção do leitor para alguma nota (observação). às pressas. o mais que pode acontecer é que se riam deles os outros. Parágrafo Constitui cada uma das secções de frases de um escritor. A festa na casa de Lúcio estava “chocante”. se fizer necessário a utilização de novas aspas. o que tenho é grave? __Não se preocupe.” (Canteiros .indicar supressão de palavra (s) numa frase transcrita: “Quando penso em você (. ) .. quando começarão as aulas? . tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa. neologismos.. desfiz e refiz a mala”. muxoxos. que me achava lá.. minha avó.. como os pedaços da carta de ABC. 28 Didatismo e Conhecimento .indicar mudança do interlocutor nos diálogos.esquece. arcaísmos e expressões populares: Maria ganhou um apaixonado “ósculo” do seu admirador. frases intercaladas de caráter explicativo e datas: Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945). como gírias. Travessão ( __ ) .dar início à fala de um personagem: O filho perguntou: __Pai. numa sala pequena. . dei a ele um “feedback” do serviço a mim requerido. acordara depois duma grande tormenta no fim do verão”. Conversando com meu superior.. “Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se como se fora na véspera). estas serão simples. . em casa de uma comadre. e em vão tentava emendar-me: provocava risos. . Também pode ser usado em substituição à virgula em expressões ou frases explicativas: Xuxa – a rainha dos baixinhos – é loira.. um pouco além do ponto em que começam as outras linhas. .unir grupos de palavras que indicam itinerário: A rodovia Belém-Brasília está em péssimo estado. c) A estes. b) Eu tinha.

e) Entra a propósito. telefone. que eu venho. que eu venho. os períodos foram pontuados de cinco formas diferentes. Das redações abaixo. deturpamos o que ouvimos. paulista 23 anos. de mim. conhece pouco os deveres da hospitalidade. Os períodos abaixo apresentam diferenças de pontuação. e) Pouco depois quando chegaram outras pessoas a reunião ficou. Assinale a letra que corresponde ao período de pontuação correta: a) José dos Santos paulista. ao parafrasear o que ouvir. o seu moleque conhece pouco os deveres da hospitalidade. os candidatos aguardavam. disse Alves. mais animada. ansiosos. aguardavam. c) Pouco depois. disse Alves o seu moleque conhece pouco os deveres da hospitalidade. quando chegaram. c) Entra a propósito. Didatismo e Conhecimento 29 . 06. em fila. Instruções para as questões de números 03 e 04: Os períodos abaixo apresentam diferenças de pontuação. b) Entra a propósito disse Alves. os deveres da hospitalidade. Nossa capacidade de retenção é variável e muitas vezes inconscientemente. deturpamos o que ouvimos. procure-me. c) Precisando.muitas vezes inconscientemente. vive no Rio. o seu moleque.e muitas vezes inconscientemente . ou melhor telefone que eu venho. em fila. assinale a que não está pontuada corretamente: a) Os candidatos. A alternativa com pontuação correta é: a) Tenha cuidado. quando chegaram outras pessoas. os candidatos. assinale a letra que corresponde ao período de pontuação correta: 03. procure-me ou melhor. o seu moleque conhece pouco. ficou mais animada. Leia-os todos e assinale a letra que corresponde ao período de pontuação correta: 07. vive no Rio. aguardavam ansiosos. d) Pouco depois quando chegaram outras pessoas a reunião. c) Tenha cuidado. nossa capacidade de retenção. e) Os candidatos. d) Entra a propósito. ao parafrasear o que ouvir. o resultado do concurso. em fila. 23 anos. 04. e) Tenha cuidado. b) Pouco depois quando chegaram outras pessoas a reunião ficou mais animada. o resultado do concurso. b) José dos Santos paulista 23 anos. aguardavam ansiosos o resultado do concurso. e) José dos Santos. a) Precisando de mim procure-me. telefone. paulista. é variável e . a) Pouco depois. c) José dos Santos. outras pessoas a reunião ficou mais animada. 23 anos vive no Rio. b) Em fila. disse Alves. o que ouvimos. vive no Rio. d) Precisando de mim. o seu moleque conhece pouco os deveres da hospitalidade. inconscientemente.deturpamos. melhor telefone que eu venho.       Nas questões 07 a 10. a reunião ficou mais animada.LÍNGUA PORTUGUESA 02. d) Tenha cuidado ao parafrasear o que ouvir. procure-me ou. d) José dos Santos. e) Precisando. de mim. d) Os candidatos ansiosos aguardavam o resultado do concurso. muitas vezes. ou melhor. 05. a) Entra a propósito. deturpamos o que ouvimos. c) Ansiosos. paulista 23 anos vive. ao parafrasear o que ouvir! Nossa capacidade de retenção é variável e muitas vezes inconscientemente. disse Alves. Nossa capacidade de retenção é variável . o resultado do concurso. b) Tenha cuidado ao parafrasear o que ouvir: nossa capacidade de retenção é variável e. ou. deturpamos o que ouvimos. b) Precisando de mim procure-me. em fila. melhor telefone que eu venho. no Rio.

c) Prima faça calar titio. mesmo sérias trazem impresso constante sorriso. destas que. c) Era um homem de quarenta e cinco anos. impresso constante sorriso. suplicou o moço com um leve sorriso que. suplicou o moço com um leve sorriso que imediatamente se lhe apagou. Didatismo e Conhecimento 30 . ao mesmo tempo. c) Deixo ao leitor calcular quanta paixão. O Porto. fisionomia insinuante. AS CLASSES DE PALAVRAS E SUAS FLEXÕES. particular:Viajei com o médico. imediatamente se lhe apagou. gênero e número. destas que. meio gordo. a) Era um homem de quarenta e cinco anos. as e indefinidos: um. faça calar titio. mesmo sérias. empregou na execução do canto. baixo. baixo. suplicou o moço com um leve sorriso que imediatamente se lhe apagou. empregou na execução do canto. Os definidos determinam os substantivos de modo preciso. . geral: Viajei com um médico. Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago. conforme venham ou não precedidos de artigo. destas que mesmo sérias trazem. meio gordo. Vou a Paris.Ambas as mãos. impreciso. indicando. baixo. fisionomia insinuante. d) Prima. e) Era um homem de quarenta e cinco anos. uma. Respostas: 01-C / 02-E / 03-C / 04-D / 05-E / 06-B / 07-D / 08-B / 09-E / 10-B 6. O Cairo. com um leve sorriso que imediatamente se lhe apagou. meio gordo. 09. 10. fisionomia insinuante. a) Prima faça calar titio suplicou o moço. Não se usa artigo antes dos nomes de cidades. fisionomia insinuante. b) Deixo ao leitor calcular quanta paixão a bela viúva empregou na execução do canto. trazem impresso constante sorriso. a menos que venham determinados por adjetivos ou locuçõesadjetivas. baixo. empregou na execução do canto. destas que. a bela viúva. Pode ou não ocorrer crase antes dos nomes de cidade. Usa-se o artigo entre o numeral ambase o substantivo: Ambas as mãos são perfeitas. a) Deixo ao leitor calcular quanta paixão a bela viúva. Mas com alguns nomes de cidades conservamos o artigo. e) Prima faça calar titio. os. Vou à Paris dos museus. Artigo Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determiná-los. trazem impresso constante sorriso. Dividem-se os artigos em: definidos: o. d) Era um homem de quarenta e cinco anos. calcular quanta paixão a bela viúva. umas. faça calar titio suplicou o moço com um leve sorriso que imediatamente se lhe apagou. uns. empregou na execução do canto. mesmo sérias. b) Era um homem de quarenta e cinco anos. destas que mesmo sérias. b) Prima. d) Deixo ao leitor calcular.LÍNGUA PORTUGUESA 08.Estou em Paris / Estou na famosa Paris. meio gordo. fisionomia insinuante. . meio gordo. O Rio de Janeiro. quanta paixão a bela viúva. a. trazem impresso. Vim de Paris Vim da luminosa Paris. constante sorriso. baixo. e) Deixo ao leitor.

som. determinado. posto antes de um numeral. cachorro. designa quantidade aproximada:Faz uns dez anos que saí de lá. Tomou decisões as mais oportunas. Ester. . Os artigos definidos e indefinidos contraem-se com preposições: de + o= do. toda designam qualquer. Todo. saudade.LÍNGUA PORTUGUESA .Em um / num. computador. não se usa o artigo antes e depois do substantivo. Substantivo é tudo o que pode ser visto.Tua decisão / a tua decisão. O artigo indefinido. . Por exemplo:Maxi. Conheci toda a cidade (a cidade inteira). Por exemplo:pedra. Estava numa cidade grande. É errado: Tomou as decisões as mais oportunas. Classificação e Formação Substantivo Comum: Substantivo comum é aquele que designa os seres de uma espécie de forma genérica. etc. Londrina. Aplaudimos tua decisão. . exceto antes de numeral não seguido de substantivo. jornal. caderno. Substantivo Substantivo é tudo o que nomeia as “coisas” em geral. Todos os cinco clubes disputarão o título. Deus. é facultativo o uso do artigo antes dos possessivos. Substantivo é tudo o que pode ser precedido de artigo . homem. beleza (existência do belo). De maneira geral. Aplaudiram a tua decisão e não a minha. pego ou sentido. Substantivo Próprio:Substantivo próprio é aquele que designa um ser específico. toda a designam totalidade. No plural. Didatismo e Conhecimento 31 . Todas as cidades vieram. Dílson. As formas de + um e em + um podem-se usar contraídas (dum e num) ou separadas (de um. todas as. Ester. Por exemplo:pedra. Formação dos substantivos Substantivo Primitivo:É primitivo o substantivo que não se origina de outra palavra existente na língua portuguesa. usa-setodos os. O substantivo próprio sempre deve ser escrito com letra maiúscula. Por exemplo:saída (prática de sair). No superlativo relativo. individualizando-o. inteireza.Toda cidade / toda a cidade. de + a= da. gato. Substantivo Abstrato:Substantivo abstrato é aquele que designa prática de ações verbais. Todo o. Tomou as decisões mais oportunas. Todos cinco são concorrentes. homem. em um). Estava em uma cidade grande.Decisões as mais oportunas / as mais oportunas decisões. Aplaudimos a tua decisão. existência de qualidades ousentimentos humanos. Substantivo Concreto:Substantivo concreto é aquele que designa seres que existem por si só ou apresentam-se em nossa imaginação como se existissem por si. cada. .Faz uns dez anos. Toda cidade pode concorrer (qualquer cidade). computador. Por exemplo:ar. Se o possessivo não vier seguido de substantivo explícito é obrigatória a ocorrência do artigo.

é o adjetivo que indica a naturalidade ou a nacionalidade do ser. ruim e ruins.amigo . Substantivo Simples: É simples o substantivo formado por um único radical. Primitivo . boa e boas. Substantivo Composto: É composto o substantivo formado por dois ou mais radicais. Pátrio . Por exemplo:pedreiro. Por exemplo. cambuiense. Por exemplo. E ficam invariáveis os seguintes adjetivos compostos: azul-celeste e azul-marinho.(quando em assembleia) tertúlia Adjetivo É a classe gramatical de palavras que exprimem qualidade. brasileiro.LÍNGUA PORTUGUESA Substantivo Derivado: É derivado o substantivo que provém de outra palavra da língua portuguesa.têm duas formas. Se o adjetivo é composto e uniforme. homúnculo. cortiço. origem.as expressões formadas de cor + de + substantivo também ficam invariáveis.os adjetivos compostos formados de adjetivo + adjetivo flexionam somente o último elemento. Derivado . . Locução Adjetiva É toda expressão formada de uma preposição mais um substantivo.(quando entrelaçados) réstia.formado de mais de um radical.abelha . .passatempo. gatarrão. Por exemplo. franco-brasileiro. cortejo. carro(s) verde-canário. etc. mau e má. sendo uma para o masculino e outra para o feminino. Por exemplo. colmeia .os adjetivos compostos formados de palavra invariável + adjetivo flexionam também só o último elemento. Restritivo .jornalista. feliz e felizes.alho . Gêneros dos Adjetivos Biformes . enfiada. Por exemplo:pedra.não vem de outra palavra portuguesa. Por exemplo. mau e maus. Composto . Por exemplo.formado de um só radical. fica invariável no feminino. Por exemplo.comitiva. Uniformes . cambada . pedreiro.tem origem em outra palavra portuguesa.os adjetivos compostos formados de adjetivo + substantivo ficam invariáveis. Por exemplo. séquito . Por exemplo.exprime qualidade própria do se. conflito político-social e desavença político-social. jornalista.classe . . Classificação dos Adjetivos Explicativo . bondoso Simples . luso-brasileiro e luso-brasileiros. estado do ser. . homemrã. Se o adjetivo é composto e biforme. bandeira da Irlanda(irlandesa).acompanhante . Por exemplo. Por exemplo. Por exemplo. homens com aptidão(aptos).exprime qualidade que não é própria do ser. Ex: fruta madura. Substantivo Coletivo: É coletivo o substantivo no singular que indica diversos elementos de uma mesma espécie. ele flexiona no feminino somente o último elemento. Por exemplo. mal-educado e mal-educados.aluno . equivalente a um adjetivo. Por exemplo. Exceção = surdo-mudo e surda-muda. brasileiro. Número dos Adjetivos Plural dos adjetivos simples: Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos substantivos simples. Exceções: surdo-mudo e surdos-mudos. o motivo sócio-literário e a causa sócio-literária.enxame. cabelo(s) cor-de-ouro. Por exemplo:pedra-sabão. jornal. judeu e judia. Por exemplo. bom e mau.têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino. neve fria. defeito. homem feliz ou cruel e mulher feliz ou cruel. 32 Didatismo e Conhecimento . Plural dos adjetivos compostos: Os adjetivos compostos flexionam-se no plural de acordo com as seguintes regras: . Por exemplo.

Eu preciso do meu livro de matemática. popular). quarto. Ele é mais bom que inteligente. de pequeno . três… Ordinais: indicam a ordem do ser numa série dada. .relativo: de superioridade (o mais bom de) e de inferioridade (o menos bom ). Por exemplo.726 = um milhão duzentos e três mil setecentos e vinte e seis. para o adjetivo.inferior. Veja-os: de bom .de inferioridade:menos bom que (do que). de baixo . triplo. Classificação Cardinais:indicam contagem.de igualdade: tão (tanto. usamos a forma analítica do grau comparativo de superioridade. Por exemplo. terço. meio.:Ana disse para sua irmã:. quanto).absoluto: analítico (muito bom) e sintético (ótimo. quinto … Multiplicativos: indicam a multiplicação dos seres.menor. Existem. quando se comparam duas qualidades do mesmo ser. ou boníssimo. Por exemplo. de mau . Ex. ordem. Você não o encontrou? Ele estava aqui em cima da mesa. Por exemplo: Ela é melhor que você. Por exemplo. Superlativo . um. dois. divisão e multiplicação dos seres na natureza. dois graus: Comparativo .melhor. Somente seis adjetivos têm o grau comparativo de superioridade sintético. segundo. 1.LÍNGUA PORTUGUESA Graus dos Adjetivos O adjetivo flexiona-se em grau para indicar a intensidade da qualidade do ser. quádruplo. Por exemplo. .superior. Por exemplo. tal) bom como (quão. .maior. dispondo-se a palavra “e” entre as centenas e as dezenas e entre as dezenas e unidades.pior. Pronome A palavra que acompanha (determina) ou substitui um nome é denominada pronome.  -eu substitui“Ana” -meu acompanha “o livro de matemática” -o substitui “o livro de matemática” -ele substitui “o livro de matemática” Didatismo e Conhecimento 33 . primeiro. de alto .203. quando se comparam dois seres através da mesma qualidade. terceiro… Fracionários: indicam a divisão dos seres. de grande . Numeral É a classe de palavras que exprimem quantidade. quíntuplo … um dois três quatro cinco seis sete oito nove dez primeiro segundo terceiro quarto quinto sexto sétimo oitavo nono décimo vinte trinta cinquenta sessenta setenta cem quinhentos seiscentos mil milhão vigésimo trigésimo quinquagésimo sexagésimo septuagésimo centésimo quingentésimo sexcentésimo milésimo milionésimo Faz-se a leitura do numeral cardinal. medida.de superioridade: analítico (mais bom do que) e sintético (melhor que).Usa-se a forma sintética do grau comparativo de superioridade. erudito.Para estes seis adjetivos. dobro.

ela se calou.:Nenhum aluno se calou.: Quando cheguei.a pessoa de quem se fala . Ex.eu/nós 2ª pessoa . (o sujeito “nenhum aluno” tem como núcleo o substantivo “aluno” e como palavra dependente o pronome adjetivo “nenhum”) Pronomes Pessoais:São aqueles que substituem os nomes e representam as pessoas do discurso: 1ª pessoa .tu/vós 3ª pessoa . o pronome varia em gênero. número e pessoa: Gênero (masculino/feminino) Ele saiu/Ela saiu Meu carro/Minha casa Número (singular/plural) Eu saí/Nós saímos Minha casa/Minhas casas Pessoa (1ª/2ª/3ª) Eu saí/Tu saíste/Ele saiu Meu carro/Teu carro/Seu carro Função:O pronome tem duas funções fundamentais: Substituir o nome:Nesse caso.a pessoa com que se fala .  Pronomes pessoais oblíquos: são os que podem exercer função de complemento. classifica-se como pronomesubstantivo e constitui o núcleo de um grupo nominal.Ex. classifica-se como pronomeadjetivo e constitui uma palavra dependente do grupo nominal. Didatismo e Conhecimento 34 .a pessoa que fala . (ela é o núcleo do sujeito da segunda oração e se trata de um pronome substantivo porque está substituindo um nome) Referir-se ao nome:Nesse caso.ele/ela/eles/elas Pronomes pessoais retos:são os que têm por função principal representar o sujeito ou predicativo.LÍNGUA PORTUGUESA Flexão: Quanto à forma.

Carlos quer convencê-lo a fazer uma viagem. pois é sujeito) Pronomes de Tratamento:São aqueles que substituem a terceira pessoa gramatical.S.Ex.Ex.: Ele afagou-lhe (seus) os cabelos. Ex. -s. senhora (Srª. O professor trouxe o livro para eu ler.Emª. Didatismo e Conhecimento 35 .). a.): para o Papa .I. indicam a pessoa gramatical possuidora. Revmª. pois será sujeito do verbo no infinitivo. nos. Além de indicar a coisa possuída. Ex. sem que estejamos nos dirigindo a elas. caindo as consoantes. o pronome “vossa” se transforma no possessivo “sua”.Vossa Senhoria (V. Eu não consegui controlar-me diante do público.A.Vossa Reverendíssima (V.): para cardeais .Os pronomes oblíquos podem ser reflexivos e quando isso ocorre se referem ao sujeito da oração. -õe).Conheça alguns: .Antes do infinitivo precedido de preposição. .senhorita (Srta.): para altas autoridades . Fizeram-no. .): tratamento de respeito .Quando apenas nos referimos a essas pessoas. . pois é um complemento). nas. Existem palavras que eventualmente funcionam como pronomes possessivos.): para pessoa de cerimônia .LÍNGUA PORTUGUESA Pronomes Oblíquos . mas a uma terceira pessoa do discurso) Pronomes Possessivos:São aqueles que indicam ideia de posse. -ão.: Carlos quer convencer seu amigo a fazer uma viagem. los.: Vossa Excelência já terminou a audiência? (nesse fragmento se está dirigindo a pergunta à autoridade) 2.você (v.M. -em.Vossa Alteza (V.Ex.): para príncipes.: Fizeram um relatório.Associação de pronomes a verbos:Os pronomes oblíquos o.Vossa Majestade (V. assumem as formas no. princesas e duques 1.Sª. Ex.): para imperadores . os. Alguns são usados em tratamento cerimonioso e outros em situações de intimidade. na.(pronome reto.): para sacerdotes . o pronome usado deverá ser o reto.Quando associados a verbos terminados em ditongo nasal (-am.Ex.: Maria olhou-se no espelho. quando associados a verbos terminados em -r.M.: Sua Excelência já terminou a audiência? (nesse fragmento não se está dirigindo a pergunta à autoridade.senhor (Sr.Exª.): tratamento familiar .Vossa Excelência (V. -z.): para reis e rainhas .): moças solteiras . las. assumem as formas lo.Os pronomes e os verbos ligados aos pronomes de tratamento devem estar na 3ª pessoa.Vossa Eminência (V.:O professor trouxe o livro para mim.Vossa Santidade (V. as.Vossa Majestade Imperial (V.(pronome oblíquo. la.

mas não o determinam de forma precisa: algum. pouco. quem (que). outro. quanto. estas Ex. e sua posição no interior de um discurso. sejam quem for. tais e tais.: Nesse último ano. essa. diversos. tanto. Essa afirmação me deixou surpresa     Referente ao primeiro elemento citado em uma enumeração.: Não esses. Ex.: Esta afirmação me deixou surpresa: gostava de química. bastante. cada. qual. Pronomes Espaço Perto de quem fala (1ª pessoa). todo. gostei essas desse livro que está em tuas mãos. Ex. demais. seja qual for. tal qual. Ex. tal e qual. Perto de quem ouve (2ª pessoa). mos Ex. quer uma ou outra. realizei bons negócios Passado ou futuro remotos Ex. estes. mas esta é mais oprimida que aquele. qualquer. um. seja qual for.   Presente este. Tempo Ao dito Referente aquilo que ainda não foi dito. isto. Perto da 3ª pessoa. Ex. mais. todo aquele. certo. pois   naquele ano realizei bons negócios. diferentes. mas esta é mais oprimida. Ex. muito nenhum.: O homem e a mulher são massacrados pela cultura atual.: Tenho boas recordações de 1960.: Neste ano. aquilo. tudo. Ex. todo aquele (que). Enumeração Referente ao último elemento citado em uma enumeração. aquela.: Não gostei daquele livro que a Roberta trouxe. vários. tenho realizado bons negócios. aqueles.: O homem e a mulher são massacrados pela cultura atual.: Gostava de química. aquele. Ex. Pronomes Indefinidos:São pronomes que acompanham o substantivo. esta. distante dos interlocutores. qualquer um. menos.: Não gostei deste livro aqui. Algumas locuções pronominais indefinidas: cada qual. ao tempo. aquelas Passado Referente ou futuaquilo que ro próxijá foi dito. Uso de alguns pronomes indefinidos: Didatismo e Conhecimento 36 . esse.LÍNGUA PORTUGUESA Pronomes Demonstrativos:Os pronomes demonstrativos possibilitam localizar o substantivo em relação às pessoas.

Não existem pronomes exclusivamente interrogativos e sim que desempenham função de pronomes interrogativos. na maioria das vezes. cuja. “Maria não criou nada de mais além de uma cópia do quadro de outro artista. quem. cujos). quantos. Alguns pronomes que podem funcionar como pronomes relativos: Masculino (o qual. (fenômeno – presente) .:A mulher parece interessada.” O uso desse pronome indefinido antes ou depois do verbo está ligado à intenção do enunciador. onde).” Os pronomes relativos.Venta muito na primavera.” Os pronomes relativos quanto(s) e quanta(s) aparecem geralmente precedidos dos pronomes indefinidos tudo. A mulher comprou o livro.: Demais: Este pronome indefinido.A serra azula o horizonte.”. mas possuindo flexão de gênero e número. todos. tanto(s). (ação – pretérito) . a rua: antecedente do pronome “onde”.:”Aquela menina de quem lhe falei viajou para Paris”.Exemplos: . quantos. quantas. Ex. a palavra que representa essa ação e indica o momento em que ela ocorre é o verbo. O nome citado denomina-se  antecedente do pronome relativo. Ex.” (advérbio) Cada: Possui valor distributivo e significa todo. as quais.Aquele pedreiro trabalhou muito.) Pronomes Interrogativos:Os pronomes interrogativos levam o verbo à 3ª pessoa e são usados em frases interrogativas diretas ou indiretas. “Qual foi o motivo do seu atraso?” Verbo Quando se pratica uma ação. (qualidade – presente) Didatismo e Conhecimento 37 . qualquer dentre certo número de pessoas ou de coisas.:“O livro cujo autor não me recordo. “Dinheiro algum terá sido deixado por ela. quanto.:“Quantos livros teremos que comprar?”.:“Você é tudo quanto queria na vida.:“Cada homem tem a mulher que merece”. (mudança de estado – pretérito) .Ex. Invariável (quem.” (advérbio de intensidade)  Todo: É usado como pronome indefinido e também como advérbio. muitas vezes.Pode.” O pronome relativo onde tem sempre como antecedente palavra que indica lugar. a não ser que o substantivo venha antecedido de numeral (cada duas férias).Ana ficará feliz com a tua chegada. cujo. tanta(s).Ex. os quais.:“A casa onde moro é muito espaçosa. qual. Ex. Pronome relativo antecedido de preposição: de quem.: “Quero agora aquilo queele me prometeu.” (locução adverbial) “Maria esperou os demais.LÍNGUA PORTUGUESA Algum: . quanta.”. ter valor intensificador: “Mário diz cada coisa idiota!” Pronomes Relativos: São aqueles que representam nomes que já foram citados e com os quais estão relacionados. que. no sentido de completamente. a roupa estava toda molhada.Ex. vem sempre antecedido de preposição e possui o significado de “o qual”. o que é raro em um advérbio. às vezes.quando posposto ao substantivo dá ideia de negação. O pronome relativo quem sempre possui como antecedente uma pessoa ou coisas personificadas.” O pronome relativo que admite diversos tipos de antecedentes: nome de uma coisa ou pessoa. “Ele perguntou quantos livros teriam que comprar. funcionam como conectivos. Ex.quando anteposto ao substantivo da ideia de afirmação.Maria enviuvou na semana passada.: “Percorri todo trajeto.” (pronome indefinido = os outros) “Maria esperou demais. Ex.futuro) . “Algum dinheiro terá sido deixado por ela.”  .(A mulher que parece interessada comprou o livro.“da qual”. como por exemplo: que. Os pronomes relativos cujo. é confundido com o advérbio “demais” ou com a locução adverbial “de mais”.Ex.Ex.:“A rua onde moro é muito escura à noite. (estado . cujas). permitindo-nos unir duas orações em um só período.Este pronome indefinido não pode anteceder substantivo que esteja em plural (cada férias). Antecedente: menina. onde: pronome relativo que representa “a rua”. cuja sempre precedem a um substantivo sem artigo e possuem o significado “do qual”. todas.Ex. o pronome demonstrativo ou outro pronome. Feminino (a qual.” (pronome indefinido) “Por causa da chuva. etc.

. compraria um carro.Ex: Eu li o ultimo romance de Rubens Fonseca. apesar de haver desaparecido do infinitivo.cantando.. Se eu tivesse dinheiro.Ex: Queria que me levasses ao teatro. partires (tu) Impessoal .cantar (eu). pões. Pessoas:1ª.A 2ª que tem como vogal temática o ‘’e’’.Imperativo. venderes(tu).vendido.Presente. positiva. repor. porque na sua forma antiga a sua terminação era em er: poer. gerúndio e particípio. 1º COJUGAÇÃO verbos terminados em AR cantar amar sonhar 2º COJUGAÇÃO verbos terminados em ER vender chover sofrer 3º CONJUGAÇÃO verbos terminados em IR partir sorrir abrir OBS: O verbo pôr. Particípio .Imperfeito.  partir (eu). As formas nominais do verbo são Três: infinitivo. . Ex: vender. Gerúndio . 2ª e 3ª pessoa são abordadas em 2 situações: singular e plural. vinculada a um momento já passado. põem etc. Infinitivo: Pessoal . Ex: Fará O pretérito subdivide-se em perfeito. A vogal “e”.ex: eles cantam Tempos e Modo de Verbo . dividir. Fato ocorrido antes. assim como seus derivados (compor.Pode indicar condição. pular. Voltou para casa. Ex: cantar. Ex: Fez . acorda-me. Primeira pessoa do singular –eu. certa. cantares (tu). .subjuntivo. ex: nós cantamos Segunda pessoa do plural –vós. imperfeito e mais-que-perfeito. se tivesse ouvido para a música (aqui indica condição). Maria.futuro do Presente.. sonhar etc. Fato ocorrido depois. comer.Mais-que-perfeito. Ação acabada. ex: tu cantas Terceira pessoa do singular –ele.Ex: Aprenderia tocar violão. Eles gostariam de convidá-la para a festa. .. Quando o relógio despertar. revela-se em algumas formas de verbo: põe. sorrir.Pretérito. .. ex: eu canto Segunda pessoa do singular –tu...partir. . hipotético. vendendo.Apresenta o fato de maneira real. pertence à 2º conjugação. abrir etc.futuro do Pretérito. etc.cantado.Ex: Faz .A 1ª que tem como vogal temática o ‘’a’’. Descanse bastante nestas férias. depor. ocorrida antes de outro fato passado. Ação inacabada no momento a que se refere à narração.Ex: Ele olhava o mar durante horas e horas. vender. Ex: comprarei ingressos para o teatro. ex: vós cantais Terceira pessoa do plural –eles. Ex: Limpa a cozinha. Senhor tende piedade de nós.Ex: Eu estudo geografia Iremos ao cinema.cantar.Pode exprimir um desejo e apresenta o fato como possível ou duvidoso. chover. vender (eu).  O futuro subdivide-se em futuro do presente e futuro do pretérito. -Perfeito.Futuro.. Modos Verbais .Refere-se a um fato imediato e certo. ela dividira a turma em dois grupos. Ex: partir.LÍNGUA PORTUGUESA Conjugação Verbal: Existem 3 conjugações verbais: .Ex:  para poder trabalhar melhor. .Indicativo. partindo. 38 Didatismo e Conhecimento . referindo-se a uma ação futura. Ação acabada..).partido. conselho ou súplica. . sofrer etc. Exprime ordem.A 3ª que tem como vogal temática o ‘’i’’.Fato ocorrido no momento em que se fala. ex ele: canta Primeira pessoa do plural –nós.

parto.cante. conselho. São. partia.venda. Subjuntivo: Presente . Pretérito imperfeito . vendo.etc. no máximo. etc.vendi.ser empregado no lugar do futuro.cantasse. vendesse. revela de certa forma a ideia de continuidade. não é flexionado nas 1ª e 3ª pessoas do singular e flexionadas nas demais: Falar (eu) – não flexionado        Falares (tu) – flexionado   Falar (ele) – não flexionado  Falarmos (nós) – flexionado Falardes (voz) – flexionado Falarem (eles) – flexionado Ex: É conveniente estudares (é conveniente o estudo).Substituir o imperativo. . partisse. partirei. Neste caso. perderei) .LÍNGUA PORTUGUESA Impessoal:Uma forma em que o verbo não se refere a nenhuma pessoa gramatical: é o infinitivo impessoal quando não se refere às pessoas do discurso. venderei.Indicar probabilidade. etc. vender. Pretérito mais-que-perfeito . (continuarem. parta.partira. Futuro do pretérito .Ex: não matarás.Os verbos invocativos (terminados em “ecer” ou “escer”) indica uma continuidade gradual. etc.cantaria. partiria. Se continuam as indiretas.cantarei.cantar.Substituir o futuro do pretérito. (não mates) Tempos Simples e Tempos Compostos:Os tempos são simples quando formados apenas pelo verbo principal. vendia.etc. O Pretérito Perfeito Composto:indica um fato concluído.Exemplos: viver é bom.partir. etc.Imperativo Afirmativo: Falem mais alto. O Presente do Indicativo pode: . Indicativo: Presente . invadiram) O Pretérito Imperfeito do Indicativo pode: .indicar frequência. uns 70 quilos. Futuro do presente .Ex: Ele terá. pedido. Pretérito imperfeito  . etc. duas as formas do imperativo: . o fato verbal pode expressar negação ou afirmação.cantei. Futuro . Didatismo e Conhecimento 39 . É útil pesquisarmos (é útil a nossa pesquisa) Aspecto:Aspecto é a maneira de ser ação.Expressar cortesia ou timidez.cantara. não dizia aquilo. Imperativo:Ao indicar ordem.Ex: embranquecer é começar a ficar grisalho e envelhecer é ir ficando velho.cantava. .Ex: O sol nasce para todos. (diria) . Ex: É 1939: alemães invadem o território polonês (era. (irei). perco a paciência.Imperativo Negativo: Não falem alto. etc. (a vida é boa).Ex: amanhã vou ao teatro. vendera. Ex: Eu tenho estudado (eu estudei até o presente momento).Ex: se eu soubesse. É proibido fumar.Ex: o senhor podia fazer o favor de me emprestar uma caneta?(pode) Futuro do Presente pode: .parti.ser empregado no lugar do pretérito (presente histórico).canto. (é proibido o fumo) Pessoal:Quando se refere às pessoas do discurso. . Pretérito perfeito . venderia. portanto.

ER PART . Por circunstância entende-se qualquer particularidade que determina um fato.terei cantado.tenha cantado.ter cantado.Ex:Canta – Cante – Cantemos – Cantai – Cantem O imperativo não possui a 1º pessoa do singular. Gerúndio pretérito composto . Advérbio Palavra invariável que modifica essencialmente o verbo.etc.ter partido. etc. o pedido ou o conselho a si mesmo. tendo vendido. tendo partido. Didatismo e Conhecimento 40 . teria vendido. Indicativo: Pretérito perfeito composto . Infinitivo: Pretérito impessoal composto .tiver partido.tivesse partido. Advérbio modificando uma oração inteira: Ocorre quando o advérbio está modificando o grupo formado por todos os outros elementos da oração.Ex.tinha cantado.:Lamentavelmente o Brasil ainda tem 19 milhões de analfabetos. Estradas tão ruins. geralmente intensificando o significado.teria cantado.etc.Ex. Cantar (1ª conjugação) vender (2ª conjugação) partir (3ª conjugação) todos que se conjugarem de acordo com esses verbos serão regulares.: Antônio construiu seu arraial popular ali.Ex.tenha partido.tinha partido. Futuro do presente composto . Futuro composto . etc.tinha vendido.tivesse vendido. 1º CONJUGAÇAO CANT .tiver vendido. Pretérito mais-que-perfeito composto . ter(teres) vendido.tendo cantado.LÍNGUA PORTUGUESA Imperativo negativo:É formado do presente do subjuntivo.tiver cantado.etc. indicando uma circunstância. Tempos são compostos quando formados pelos auxiliares ter ou haver. que são retiradas do presente do indicativo sem o “s”. Pretérito pessoal composto . tenho partido.tenho vendido.ter (teres) cantado.etc. pois não se prevê a ordem.etc. tenha vendido. exprimindo uma circunstância.ter vendido. Subjuntivo: Pretérito perfeito composto .: Grande parte da população adulta lê muito mal. Pretérito mais-que-perfeito composto .terei vendido. Futuro do pretérito composto .teria partido. com exceção da 2º pessoa do singular e da 2º pessoa do plural.AR Não cantes Não cante Não cantemos Não canteis Não cantem 2º 3º CONJUGAÇÃOVEND CONJUGAÇÃO .ter(teres) partido.tivesse cantado. terei partido. ampliando a informação nele contida.etc.IR Não vendas Nãovenda Nãovendamos Nãovendais Não vendam Não partas Nãoparta Não partamos Não partais Não partam Imperativo afirmativo:Também é formado do presente do subjuntivo. Regulares: Regulares são verbos que se conjugam de acordo com o paradigma (modelo) de cada conjugação. Advérbio modificando outro advérbio: Ocorre quando o advérbio modifica um adjetivo ou outro advérbio.Ex.: De modo algum irei lá. Advérbio modificando um verbo ou adjetivo:Ocorre quando o advérbio modifica um verbo ou um adjetivo acrescentando a eles uma circunstância.tenho cantado. Locução Adverbial:É um conjunto de palavras que pode exercer a função de advérbio.

amorosamente. adentro. .Apenas. mal. Isto é. à direita. pacientemente. salvo. logo. só. realmente. à vontade.: Emocionalmente o indivíduo também amadurece durante a adolescência. jamais. quase. algures. uns. Não. em geral. quando?(tempo). quanto?(preço e intensidade).de inclusão:Ex. doravante. -de dúvida: Ex. enfim. menos. também . quão. ultimamente . mesmo. inclusivamente. por exemplo.Adição: Ex. lá. talvez. Eis. de cor. por hoje. quiçá. aquém.Explicação: Ex. . a saber. -de tempo: Ex. de forma nenhuma. casualmente. somente. senão.: Ainda bem que passei de ano. demais. .de ordem:Depois. -de lugar: Ex. antes. aos poucos. tarde outrora. cedo. de jeito nenhum.Ainda. acinte. fora. a distancia. nunca. nunca. já. onde. por isso elas são chamadas simplesmente de palavras denotativas. acolá. de perto. exceto. desse modo. -de intensidade: Ex. ainda. menos. na língua portuguesa. por volta de.Designação: Ex. sucessivamente. atrás. sequer. pior. de tempos em tempos. imediatamente. às vezes.devagar. em cima. amanhã. ora.Exclusão: Ex. como?(modo). primeiro. agora. antigamente. alhures. Ainda bem.: Comeu tudo e ainda queria mais. bondosamente. em breve. antes. exclusive. porventura. escandalosamente. você já ouviu bastante. demasiado. nem. em volta. assaz. decididamente.: Realmente eles sumiram.: Viajaremos em julho. bem. lá por. dentro. quem sabe. propositadamente.Hoje. longe. ontem. Ainda. felizmente.bem (quando aplicado a propriedades graduáveis). a pé.Muito. .: Todos irão. em excesso. exclusivamente. Palavras Denotativas: Há. de quando em quando. para que?(finalidade). perto. primeiramente. Sim. certo. afora. acima. ás pressas. que(equivale a quão). de modo algum. desse jeito. tão. ou seja. tampouco. deveras. em vão e a maior parte dos que terminam em -mente:calmamente. quanto. pouco. possivelmente. jamais.:Acho que. de longe. às claras. à toa. certamente. frente a frente. bastante. somente. porque?(causa). realmente. primeiramente. lado a lado.de interrogação:Ex. aquém. só. a qualquer momento.Afetividade: Ex.Aproximação:quase. dessa maneira. às escondas. sempre. ali.de designação: Eis . adiante. menos ele. defronte. indubitavelmente. decerto. por completo.Bem. afinal. efetivamente. embaixo. por certo. cá. adrede. uma série de palavras que se assemelham a advérbios.: Leia e depois me diga quando pode sair na gazeta. externamente. abaixo. debaixo.: De modo algum irei lá. à esquerda. além disso. menos.: Talvez ela volte hoje. de todo. A Nomenclatura Gramatical Brasileira não faz nenhuma classificação especial para essas palavras. assim.Embora. ao lado. dantes. até.de exclusão:Apenas.: Eis nosso novo carro. de muito. pouco. -de afirmação: Ex. generosamente. então.: E então?Quando é que embarca?onde?(lugar). Didatismo e Conhecimento 41 . nada.:Sei muito bem que ninguém deve passar atestado da virtude alheia. nas férias. salvo. de vez em quando. tristemente. provavelmente. à noite. de manhã. detrás. Acaso. depois. todo. de repente. cerca de. . entrementes. amiúde. simplesmente.LÍNGUA PORTUGUESA Tipos de Advérbios -de modo: Ex. breve.Afastamento: Ex. . à tarde. . melhor. nenhures. depressa.: Foi embora daqui. unicamente. nenhures. provisoriamente. além. . hoje em dia. infelizmente. docemente. ou seja.: A senhora sabeaonde eu posso encontrar esse pai-de-santo?Aqui. . senão. tudo. aonde. debalde. aí. à distancia de. tanto. mais. -de negação :Ex. constantemente. às cegas.

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- Inclusão: Ex.: Até ele irá viajar.Até, inclusive, também, mesmo, ademais. - Limitação: Ex.: Apenas um me respondeu. Só, somente, unicamente, apenas. - Realce: Ex.: E você lá sabe essa questão? É que, cá, lá, não, mas, é porque, só, ainda, sobretudo. - Retificação: Ex.: Somos três, ou melhor, quatro. Aliás, isto é, ou melhor, ou antes. - Situação: Ex.: Afinal, quem perguntaria a ele? Então, mas, se, agora, afinal. Grau dos Advérbios:Os advérbios, embora pertençam à categoria das palavras invariáveis, podem apresentar variações com relação ao grau. Além do grau normal, o advérbio pode-se apresentar no grau comparativo e no superlativo. - Grau Comparativo: quando a circunstância expressa pelo advérbio aparece em relação de comparação. O advérbio não é flexionado no grau comparativo. Para indicar esse grau utilizamas formas tão…quanto, mais…que, menos…que. Pode ser: - comparativo de igualdade. Ex.: Chegarei tão cedo quanto você. - comparativo de superioridade. Ex.: Chegarei mais cedo que você. - comparativo de inferioridade. Ex.: Chegaremos menos cedo que você. - Grau Superlativo: nesse caso, a circunstância expressa pelo advérbio aparecerá intensificada. O grau superlativo do advérbio pode ser formado tanto pelo processo sintético (acréscimo de sufixo), como pelo processo analítico (outro advérbio estará indicando o grau superlativo). - superlativo (ou absoluto) sintético: formado com o acréscimo de sufixo.Ex.:Cheguei tardíssimo. - superlativo (ou absoluto) analítico: expresso com o auxilio de um advérbio de intensidade.Ex.:Cheguei muito tarde. Quando se empregam dois ou mais advérbios terminados em –mente, pode-se acrescentar o sufixo apenas no ultimo.Ex.: Nada omitiu de seu pensamento; falou clara, franca e nitidamente. Quando se quer realçar o advérbio, pode-se antecipá-lo.Ex.: Imediatamente convoquei os alunos. Preposição É uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normalmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura da língua pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto. Tipos de Preposição -Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições.A, ante, perante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com. -Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições.Como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto. -Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas.Abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de. A preposição, é invariável. No entanto pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância em gênero ou em número. Ex: por + o = pelo; por + a = pela Vale ressaltar que essa concordância não é característica da preposição e sim das palavras a que se ela se une.Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir de dois processos: -Combinação: A preposição não sofre alteração. preposição a + artigos definidos o, os a + o = ao preposição a + advérbio onde a + onde = aonde

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-Contração: Quando a preposição sofre alteração. Preposição + Artigos De + o(s) = do(s) De + a(s) = da(s) De + um = dum De + uns = duns De + uma = duma De + umas = dumas Em + o(s) = no(s) Em + a(s) = na(s) Em + um = num Em + uma = numa Em + uns = nuns Em + umas = numas A + à(s) = à(s) Por + o = pelo(s) Por + a = pela(s) -Preposição + Pronomes De + ele(s) = dele(s) De + ela(s) = dela(s) De + este(s) = deste(s) De + esta(s) = desta(s) De + esse(s) = desse(s) De + essa(s) = dessa(s) De + aquele(s) = daquele(s) De + aquela(s) = daquela(s) De + isto = disto De + isso = disso De + aquilo = daquilo De + aqui = daqui De + aí = daí De + ali = dali De + outro = doutro(s) De + outra = doutra(s) Em + este(s) = neste(s) Em + esta(s) = nesta(s) Em + esse(s) = nesse(s) Em + aquele(s) = naquele(s) Em + aquela(s) = naquela(s) Em + isto = nisto Em + isso = nisso Em + aquilo = naquilo A + aquele(s) = àquele(s) A + aquela(s) = àquela(s) A + aquilo = àquilo 1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? - Caso o “a” seja um artigo, virá precedendo a um substantivo. Ele servirá para determiná-lo como um substantivo singular e feminino. - A dona da casa não quis nos atender. - Como posso fazer a Joana concordar comigo? - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois termos e estabelece relação de subordinação entre eles. - Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
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- Não queria, mas vou ter que ir a outra cidade para procurar um tratamento adequado. - Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o lugar e/ou a função de um substantivo. - Temos Maria como parte da família. / A temos como parte da família. - Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. / Creio que a conhecemos melhor que ninguém. 2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio das preposições: Destino: Irei para casa. Modo: Chegou em casa aos gritos. Lugar: Vou ficar em casa; Assunto: Escrevi um artigo sobre adolescência. Tempo: A prova vai começar em dois minutos. Causa: Ela faleceu de derrame cerebral. Fim ou finalidade: Vou ao médico para começar o tratamento. Instrumento: Escreveu a lápis. Posse: Não posso doar as roupas da mamãe. Autoria: Esse livro de Machado de Assis é muito bom. Companhia: Estarei com ele amanhã. Matéria: Farei um cartão de papel reciclado. Meio: Nós vamos fazer um passeio de barco. Origem: Nós somos do Nordeste, e você? Conteúdo: Quebrei dois frascos de perfume. Oposição: Esse movimento é contra o que eu penso. Preço: Essa roupa sai por R$ 50 à vista. Interjeição É a palavra que expressa emoções, sentimentos ou pensamentos súbitos.Trata-se de um recurso da linguagem afetiva, em que não há uma ideia organizada de maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma decorrente de uma situação particular, um momento ou um contexto específico.Exemplos: - Ah, como eu queria voltar a ser criança! (ah: expressão de um estado emotivo = interjeição) - Hum! Esse cuscuz estava maravilhoso! (hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição) As sentenças da língua costumam se organizar de forma lógica: há uma sintaxe que estrutura seus elementos e os distribui em posições adequadas a cada um deles. As interjeições, por outro lado, são uma espécie de palavra-frase, ou seja, há uma idéia expressa por uma palavra (ou um conjunto de palavras - locução interjetiva) que poderia ser colocada em termos de uma sentença. Observe: - Bravo! Bravo! Bis! (bravo e bis: interjeição) ...[sentença (sugestão): “Foi muito bom! Repitam!”] - Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé... (ai: interjeição) ...[sentença (sugestão): “Isso está doendo!” ou “Estou com dor!”] O significado das interjeições está vinculado à maneira como elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que dita o sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto de enunciação. Exemplos: - Psiu! ...(contexto: alguém pronunciando essa expressão na rua) ...[significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando! Ei, espere!”] - Psiu! ...(contexto: alguém pronunciando essa expressão em um hospital) ...[significado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silêncio!”] - Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! ...(puxa: interjeição) ...(tom da fala: euforia) - Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! ...(puxa: interjeição) ...(tom da fala: decepção) As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não sofrem variação em gênero, número e grau como os nomes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto, em uso específico, algumas interjeições sofrem variação em grau. Deve-se ter claro, neste caso, que não se trata de um processo natural dessa classe de palavra, mas tão só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exemplos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.

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adversativas (adversidade. / Não entendi o que você disse. 02. respectivamente: a) verbo. por isso. As conjunções classificam-se em: Coordenativas. posto que. advérbios ou pronomes. pois (depois do verbo).proporcionais: à medida que. se bem que. todavia. substantivo.aditivas (adição): e. .. sobre. porque. de maneira que. . bem como. b) A Inglaterra é responsável por sua economia.. visto que. porém.conformativas (conformidade. antes (= pelo contrário). subordinando uma à outra. tanto. efeito): que (precedido de tal. entre. sem que. mesmo que. Subordinativas .concessiva: embora. sobre b) com.conclusivas (conclusão): logo. portanto. desde que. Senhoria cópiaautêntica do Edital nº 19/82. Apresentam dez tipos: .finais . enquanto as demais iniciam orações subordinadas adverbiais. substantivo. c) Fale sobre tudo o que for preciso. aquelas que ligam duas orações independentes (coordenadas). Assinale o par de frases em que as palavras sublinhadas são substantivo e pronome. à proporção que.explicativas (justificação): . nem. sob.integrantes . quer.ligam duas orações dependentes. conquanto. assim como.LÍNGUA PORTUGUESA Conjunção É a palavra que liga orações basicamente. enquanto.consecutivas (conseqüência. que.comparativas: como. até que. .causais: porque. . substantivo e) pronome. . por d) em. consoante. ora. porquanto. mal (= logo que). desde que. como. sem que (= se não).condicionais: se. / O consumo de drogas é condenável.indicadores de intensidade). resultado. / É dever cristão praticar o bem. . . adjetivo. de sorte que. e) Os prejudicados não tinham o direito de reclamar. adjetivo. oposição): mas. se. desde que. As conjunções integrantes introduzem as orações subordinadas substantivas. ao passo que.que. (mais ou menos +) que. . salvo se. . contanto que. quanto mais (+ tanto menos). . mas ainda. para que. já que. tão etc. segundo. . ou . Observe as palavras grifadas da seguinte frase: “Encaminhamos a V. assim que. de modo que. ou dois termos que exercem a mesma função sintática dentro da oração. contudo... Assinale o item que só contenha preposições: a) durante.temporais: quando. respectivamente: a) A imigração tornou-se necessária. adjetivo d) pronome. Exercícios 01. caso. ora . (tal) qual. adjetivo Didatismo e Conhecimento 45 . Apresentam cinco tipos: . (tanto) quanto. d) Pessoas inconformadas lutaram pela abolição. estabelecendo entre elas alguma relação (subordinação ou coordenação). / Pesca-se muito em Angra dos Reis. após e) após. mas também. como também. exclusão. por muito que. uma vez que. / Havia muito movimento na praça. que.alternativas (alternância. ainda que. escolha): ou. substantivo. adequação): conforme. como.pois (antes do verbo).ou.a fim de que. . . . substantivo b) verbo. não obstante. por conseguinte. atrás.. logo que. advérbio c) verbo.” Elas são. depois c) para. de maneira que. acima 03. Muitas vezes a função de interligar orações é desempenhada por locuções conjuntivas. apesar disso.. quer . caso. a menos que.

c) Os bichos da terra fugiam em desabalada carreira. “Saberão que nos tempos do passado o doce amor era julgado um crime. c) mais-que-perfeito composto do indicativo. e) E ainda me vem com essa conversa de homem da roça. 06. a forma verbal está no: a) imperfeito do subjuntivo. d) O Fiscal teve que acompanhar o candidato ao banheiro. As expressões sublinhadas correspondem a um adjetivo. a) ver – fará.duvides. O “que” está com função de preposição na alternativa: a) Veja que lindo está o cabelo da nossa amiga! b) Diz-me com quem andas. Respostas: 01-E / 02-A / 03-C / 04-E / 05-D / 06-E / 07-B / 08-D / 09-E / 10-D Didatismo e Conhecimento 46 .” d)“Expliquei em resumo a prensa. c) creais . 08. c) João não estudou mais que José.. a) creias . as serras..duvide. d) mais-que-perfeito composto do subjuntivo. e) crê . o dínamo. d) creia . Assinale a opção em que a locução grifada tem valor adjetivo: a) “Comprei móveis e objetos diversos que entrei a utilizar com receio. que eu te direi quem és.” c)“Pediu-me com voz baixa cinquenta mil réis.” a) 1 preposição b) 3 adjetivos c) 4 verbos d) 7 palavras átonas e) 4 substantivos 07. c) ver – fazerá.” e)“Resolvi abrir o olho para que vizinhos sem escrúpulos não se apoderassem do que era delas. e) Não chore que eu já volto.duvidas. e) vir – faria. b) visse – fará.” b) “Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos. 09. e) futuro composto do subjuntivo. Assinale a alternativa que completa adequadamente a frase: “___ em ti. d) vir – fará. mas entrou na Faculdade. 10. exceto em: a) João Fanhoso anda amanhecendo sem entusiasmo. b) futuro do presente composto. b) Demorava-se de propósito naquele complicado banho. Se ele ____ (ver) o nosso trabalho _____(fazer) um elogio. b) crê .” 05. d) Noite fechada sobre aqueles ermos perdidos da caatinga sem fim. Em “__ como se tivéssemos vivido sempre juntos”. mas nem sempre ___ dos outros”.duvides.duvidas.LÍNGUA PORTUGUESA 04.

etc. os afixos recebem o nome de prefixos.indica que a palavra é um diminutivo a . o acréscimo dos morfemas “a-” e “-ar” à forma “cert-” cria o verbo acertar. etc. compreendemos melhor o significado de cada uma delas. presente em “am-o”. pois indica que o verbo está na primeira pessoa do singular. Tema:elementos básicos e significativos . in-cert-eza. Nos verbos. etc. pela origem comum. lápis. advérbio de modo. telefonema. como nos exemplos acima. Nessa palavra observamos facilmente a existência de quatro elementos. de “ama-va”. como “-ar”. e a ela se prendem. Assim. preparando-o para receber as desinências. ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS. consideradas do ângulo histórico. livr-eco. por exemplo. Raiz: É o elemento originário e irredutível em que se concentra a significação das palavras.Caracteriza os verbos da 1ª conjugação: buscar. livr-eiro. Vamos analisar a palavra “cachorrinhas”. a que damos o nome de elementos mórficos ou morfemas. não temos desinência nominal de gênero. inócuo.São elementos mórficos: . Elemento básico e significativo das palavras. inocente. rompemos.este é o elemento base da palavra. Exemplo: cert-o. é desinência modo-temporal: caracteriza uma forma verbal do pretérito imperfeito do indicativo.A desinência “-o”.Afixos (Prefixos. Vogal Temática: é a vogal que se junta ao radical. comum às palavras da mesma família etimológica. Radical: Observe o seguinte grupo de palavras: livr-o. Vogal Temática: elementos modificadores da significação dos primeiros . Sufixos).indica que a palavra é feminina s . Desinências: são os elementos terminais indicativos das flexões das palavras.e -ar são morfemas capazes de operar mudança de classe gramatical na palavra a que são anexados. aç-ão.Desinências Nominais: indicam as flexões de gênero (masculino e feminino) e de número (singular e plural) dos nomes. ou seja.Desinências Verbais: indicam as flexões de número e pessoa e de modo e tempo dos verbos.indica que a palavra se encontra no plural Morfemas: unidades mínimas de caráter significativo. inter-nacion-al. Desinência. Radical. Só podemos falar em desinências nominais de gêneros e de números em palavras que admitem tais flexões. Existem palavras que não comportam divisão em unidades menores. Exemplos: aluno-o / aluno-s. como acontece com “a-”. Existem dois tipos: . por exemplo. buscavas. Afixos: são elementos secundários (geralmente sem vida autônoma) que se agregam a um radical ou tema para formar palavras derivadas. sol. cert-eza. cria uma nova palavra a partir de “certo”: certamente. ônibus não temos desinência nominal de número. Uma raiz pode sofrer alterações: at-o. Sabemos que o acréscimo do morfema “-mente”. as palavras nocivo. tais como: mar. Exemplo:Raiz noc [Latim nocere = prejudicar] tem a significação geral de causar dano. É a raiz que encerra o sentido geral. nocividade. proibirá. Consoante de Ligação: elementos de ligação ou eufônicos.LÍNGUA PORTUGUESA 7. Você reparou que há um elemento comum nesse grupo? Você reparou que o elemento livr serve de base para o significado? Esse elemento é chamado de radical (ou semantema). alun-a / aluna-s. etc. at-or. Quando. Quando são colocados antes do radical. na 1ª conjugação. . distinguem-se três vogais temáticas: . é uma desinência número-pessoal. É encontrado através do despojo dos elementos secundários (quando houver) da palavra. Exemplo:in-at-ivo. Observe que a. lua.Vogal de Ligação. aquele que contém o significado. etc. consideradas sob o aspecto gramatical e prático. Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores das palavras. tribo. “-va”. ac-ionar. em-pobr-ecer. surgem depois do radical. at-ivo. Didatismo e Conhecimento 47 . Em palavras como mesa. De maneira semelhante.Caracteriza os verbos da 3ª conjugação: proibir. São eles: cachorr .Caracteriza os verbos da 2ª conjugação: romper. inh . os afixos são chamados de sufixos. As palavras podem ser divididas em unidades menores. inocentar. .Raiz. . Já em pires. livr-inho.

gas-ô-metro. nem “tristecer”.Derivação Parassintética ou Parassíntese: Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. Do radical “trist-” formamos o verbo entristecer através da junção simultânea do prefixo  “en-” e do sufixo “-ecer”. mas. pau-l-ada. tecn-o-cracia. por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo. os afixos são acoplados em sequência: desvalorização provém de desvalorizar. para facilitar ou mesmo possibilitar a pronúncia de uma determinada palavra. cha-l-eira. pobr-e-tão.riso – risonho. pe-z-inho. Nos verbos citados acima. ou seja. chamada derivada. que tem o seu significado alterado: crer. expropriar provém diretamente de próprio. partimos sempre de um único radical. Nessas palavras. formando substantivos e adjetivos: papel – papelaria. Exemplos: parisiense (paris= radical. Derivação: é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova. aterrar). No exemplo.Derivação Prefixal ou Prefixação: resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva. Didatismo e Conhecimento 48 .reler. que provém de valorizar.incapaz. em que o acréscimo de sufixo e de prefixo é obrigatoriamente simultâneo. . no processo de derivação. vogal de ligação=i). mar e terra são palavras primitivas.descrer. Logo.  Tipos de Derivação . ao contrário. proibiVogais e Consoantes de Ligação: As vogais e consoantes de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos. marinheiro. formando advérbios de modo: feliz – felizmente. Logo. enquanto no processo de composição sempre haverá mais de um radical. Adverbial. com casos como os das palavras desvalorização e desigualdade. ense=sufixo. marujo). É impossível fazer o mesmo com palavras formadas por parassíntese: não se pode dizer que expropriar provém de «propriar» ou de «expróprio». pois tais palavras não existem. pois em nossa língua não existem as palavras “entriste”. e as demais. inset-i-cida. A diferença entre ambos consiste basicamente em que. possibilitam a formação de outras. A derivação sufixal pode ser: Nominal.Derivação Sufixal ou Sufixação: resulta de acréscimo de sufixo à palavra primitiva. Exemplo: Mar (marítimo. pelo acréscimo concomitante de prefixo e sufixo.Considere o adjetivo “triste”. Observamos que “mar” e “terra” não se formam de nenhuma outra palavra. derivadas. . os temas são: busca-. alv-i-negro. cafe-t-eira. por sua vez. a partir de outra já existente. Por meio da parassíntese formam-se nomes (substantivos e adjetivos) e verbos.LÍNGUA PORTUGUESA Tema: é o grupo formado pelo radical mais vogal temática. que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical: alfabetização. o sufixo -ção  transforma em substantivo o verboalfabetizar. ler. já é derivado do substantivo alfabetopelo acréscimo do sufixo -izar.atualizar. A presença de apenas um desses afixos não é suficiente para formar uma nova palavra. terreiro. formando verbos: atual . capaz. etc.Exemplos: emudecer mudo – palavra inicial e – prefixo mud – radical ecer – sufixo desalmado alma – palavra inicial des – prefixo alm – radical ado – sufixo Não devemos confundir derivação parassintética. rompe-. que por sua vez provém de valor. terra (enterrar. Verbal. chamada primitiva. Formação das Palavras: existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a Derivação e a Composição.Este.

a língua procede em sentido inverso: forma o substantivo a partir do verbo. cine . logo. 49 Didatismo e Conhecimento . muito frequentes na comunicação atual. línguas em que funcionavam como preposições ou advérbios. que é um objeto. O menino prodígio resolveu o problema. ao lado de sua forma plena.Onomatopeia: numerosas palavras devem sua origem a uma tendência constante da fala humana para imitar as vozes e os ruídos da natureza. Neste caso. micro . .Composição por Justaposição: ao juntarmos duas ou mais palavras ou radicais. recebem o nome de substantivos deverbais. compra (substantivo). verifica-se o contrário.por cinema. beijar (verbo).Derivação Regressiva: ocorre derivação regressiva quando uma palavra é formada não por acréscimo. . Palavras invariáveis passam a substantivos: Não entendo o porquê disso tudo. uma forma reduzida. hidrelétrico (hidro + elétrico). urrar. O mesmo não ocorre.. não ocorre alteração fonética: passatempo.. podem ser citadas também as siglas. podemos seguir a seguinte orientação: . cocoricar. girassol. contra. e o verbo palavra primitiva. .. des. Existem dois tipos: . tiveram grande vitalidade na formação de novas palavras: a. será palavra derivada. Note que na linguagem popular. são frequentes os exemplos de palavras formadas por derivação regressiva. Na derivação regressiva. planalto (plano alto). muda de classe gramatical. tinir. Como exemplo de redução ou simplificação de palavras. sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em sua forma.. .  Alguns prefixos foram pouco ou nada produtivos em português. Neste processo: Os adjetivos passam a substantivos: Os bons serão contemplados. O badalar dos sinos soou na cidadezinha. o que acaba caracterizando um processo semântico. chego (de chegar) O processo normal é criar um verbo a partir de um substantivo. em-  (ou en-) . chocalhar. Zé .por automóvel. Por essa razão. Por isso.LÍNGUA PORTUGUESA . Os infinitivos passam a substantivos: O andar de Roberta era fascinante. Substantivos próprios tornam-se comuns: Aquele coordenador é um caxias! (chefe severo e exigente) Os processos de derivação vistos anteriormente fazem parte da Morfologia porque implicam alterações na forma das palavras.Hibridismo: ocorrehibridismo na palavra em cuja formação entramelementos de línguas diferentes: auto (grego) + móvel (latim). os componentes subordinam-se a um só acento tônico. Observe: auto .Se o nome denota algum objeto ou substância.re. um substantivo primitivo que dá origem ao verbo ancorar. Outros. Ao aglutinarem-se. por sua vez. entre. Composição: é o processo que forma palavras compostas. sub. como vocábulos autônomos. piar.. anti-. com a palavra âncora. a partir da junção de dois ou mais radicais.Os prefixos ocorrentes em palavras portuguesas se originam do latim e do grego. porém. Os particípios passam a substantivos ou adjetivos: Aquele garoto alcançou um feito passando no concurso. formam-se basicamente substantivos a partir de verbos. o do último componente. beijo (substantivo).Composição por Aglutinação: ao unirmos dois ou mais vocábulos ou radicais. Prefixos: os prefixos são morfemas que se colocam antes dos radicais basicamente a fim de modificar-lhes o sentido.Se o substantivo denota ação. . amasso (de amassar).. mas por redução: comprar (verbo). etc. quinta-feira. fidalgo (filho de algo . ocorre supressão de um ou mais de seus elementos fonéticos: embora (em boa hora). Vamos observar os exemplos acima: compra e beijoindicam ações. entendemos o motivo pelo qual é denominada “imprópria”. são palavras derivadas. a derivação imprópria lida basicamente com seu significado. Por derivação regressiva.por microcomputador.por José. logo. zumzum. o boteco (de botequim). Em “girassol” houve uma alteração na grafia (acréscimo de um “s”) justamente para manter inalterada a sonoridade da palavra. As onomatopeias são vocábulos que reproduzem aproximadamente os sons e as vozes dos seres: miau.. couve-flor. o comuna (de comunista). agito (de agitar). Para descobrirmos se um substantivo deriva de um verbo ou se ocorre o contrário. super. oportuga (de português).referindo-se a família nobre).Redução: algumas palavras apresentam. es. . Os substantivos passam a adjetivos: O funcionário fantasma foi despedido. Os adjetivos passam a advérbios: Falei baixo para que ninguém escutasse.Derivação Imprópria: A derivação imprópria ocorre quando determinada palavra. raramente esses morfemas produzem mudança de classe gramatical. No entanto.

programa. contra-: oposição: contrapeso. de(s)-. de-: movimento de cima para baixo. ec-. contrapor. arce-: superioridade hierárquica. tele-: distância. hipertrofia. abstinência. separação: aversão. discórdia. anterioridade: prólogo. decair. bis-. bisavô. enterrar. ecto-: movimento para fora: eclipse. telégrafo. primazia. revestimento: imergir. perfeição. movimento para: epiderme. elipse. introvertido. repetição:analogia. in-. movimento para dentro: encéfalo. e-:  posição interior. pro-: posição em frente. im-: sentido contrário. hemistíquio. intraverbal. proto-: início. excesso: extradição. poli-: multiplicidade: polissílabo. catálogo. ambivalente. ex-. intro-: movimento para dentro: introduzir. in-: movimento para dentro. anti-: oposição. antagonista. euforia. periscópio. excesso: hipertensão. negação: decapitar. contradizer. circulação. interplanetário. protomártir. anfi-: em redor. afastamento: televisão. endo-: movimento para dentro: endovenoso. peripécia. ab-. epidemia. apóstolo. en-. apo-: afastamento. meio: hemisfério. começo. anfíbio. abuso. hipótese. paradoxo. em-. para-: proximidade. passagem para um estado ou forma. justalinear. antever. an-: afastamento. bem-: bem. pros-: adjunção. ambi-: duplicidade: ambidestro. ana-: inversão. anterioridade: proto-história. expelir. introspectivo. privação: dispneia. separação: apoteose. amoral. Didatismo e Conhecimento 50 . improdutivo. afastamento: diálogo. arquimilionário. com-: companhia. companhia: síntese. o-: posição em frente. paradigma. es-. dis-: dificuldade. profeta. circu(m)-: movimento em torno: circunferência. em-. bimestral. diagrama. simpatia. meta-: mudança. endocarpo. ação contrária. intensidade: paralelo. eu-: excelência. con-. duas vezes: bisneto. importar. êxodo. cisandino. separação: desventura. ad-: aproximação. antipatia. anacrônico. epílogo. anagrama. dilema. de um e outro lado. em adição a: prosélito.advogado. parasita. catarata. justa-: posição ao lado: justapor. telepatia. exo-. hiper-: posição superior. arcebispo. di(s)-: negação. extraviar. escassez: hipocrisia. politeísmo. arqui-. dia-: movimento através de. abstração. impossível. excelência de fato ou ação: benefício. en-. excesso:arquiduque. antítese. ben(e)-. procedência: antebraço. afônico. abs-: afastamento. ocupar. ateu. análise. protótipo. ante-: anterioridade. epi-: posição superior. depor. ambiente. negação: ilegal. i-. privação. cata-: movimento de cima para baixo: cataplasma. cooperativa. cis-: posição aquém: cisalpino. sim-: simultaneidade. bondade: eufemismo. Prefixos de Origem Latina a-. extraordinário. ectoderma. sucessão: metamorfose. sin-. separação. concomitância: colégio. intravenoso. advir. peri-: movimento ou posição em torno de: periferia. anteontem. evasão. hipo-: posição inferior. anfibologia. semelhança. mudança. apocalipse. movimento para junto: adjunto. ofuscar. hemiplégico. circunscrito. ambiguidade. bi-:  repetição. epitáfio. ação contrária: antídoto. disenteria. polissíndeto. eucaristia. dispepsia. hipodérmico.arquétipo. exorcismo. metacarpo. ob-. diagonal. ex-: movimento para fora: excêntrico. diafragma. carência: anônimo. aposto. hipérbole. ditongo. prosódia. cisplatino. extra-: posição exterior. di-:  duplicidade: dissílabo. inter-. intra-: posição interior: intramuscular.LÍNGUA PORTUGUESA Prefixos de Origem Grega a-. privação. embrião. co-. bendito. disfasia. insuficiência. embeber. em torno. exportação. duplicidade: anfiteatro. injetar. prognóstico. metáfora. e-. sinopse. entusiasmo. endosmose. apologia. antessala. obstáculo. entre-: posição intermediária: internacional. período. sinfonia. condutor. discussão. negação. hemi-: metade. oposição: obstruir. biscoito. eufonia. a-.

pensativo. sistemas políticos: . -eo – róseo. Sufixos que formam nomes de agente: -ário(a)–secretário. sota-voga. -ume–negrume. prosseguir. perecível. -eria–correria. preliminar. qualidade. -il – febril.-(t)ório: ação. preparatório. -udo– barrigudo. tradição. -oma . codeína (alcaloides. ultrassom. Dessa forma. projeção. Sufixos que formam nomes de lugar. excesso: ultrapassar.LÍNGUA PORTUGUESA per-: movimento através: percorrer. -ol . -ico – geométrico. ultravioleta. visconde. prever. -al – anual. cloreto. -edo–arvoredo. -nte –feirante. coleção:-aço–ricaço. granito (pedra). -este – agreste.de verbos: -(a)(e)(i)nte: ação. re-: repetição. -mento–casamento. -io–mulherio.Como o sufixo é colocado depois do radical. amotite (fósseis). -engo– mulherengo. podemos utilizar o significado de um verbo num contexto em que se deve usar um substantivo.casario. Sufixos que formam nomes técnicos usados na ciência: -ite . -or–lutador. vice-almirante. Sufixos Formadores de Adjetivos -de substantivos: -aco – maníaco. soto-. -ento – cruento. formam nova palavra. perverter. pro-: movimento para frente: progresso. so-. doente. aglomeração. -ivo – lucrativo. -onho – tristonho. tra-: movimento para além. -(d)ouro. ultrarromantismo. su-: movimento de baixo para cima. -são–compreensão. perplexo. -(á)(í)vel: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação – louvável. acrescentados a um radical. rebater.bronquite. retro-: movimento para trás: retrospectiva. soto-pôr. -(t)ício: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação. referência – movediço. supra-. liláceas. carcinoma (tumores). retrógrado. -agem–folhagem. -io . -eno – terreno. -ança–mudança. trans-. sobre-: posição superior. ultra-: posição além do limite. retroagir. afirmativo. pertinência – casadouro. prefixo.herbáceo.morfema. -ença–presença. -ista–manobrista. tresnoitar. super-. excesso: supercílio. -ar – escolar. modo de ser – tardio. Sufixos que formam nomes indicadores de abundância. -ato. tras-. -ina . infantaria. sob-. inferioridade:soterrar. beleza. -tério– cemitério. subestimar. depositório:-aria–churrascaria. ordinário. hepatite (inflamação). pós-graduado. naftol (derivado de hidrocarboneto). -ício – alimentício. -ático – problemático. -ez(a)–sensatez. . vis-: em lugar de: vice-presidente. -ário–herbanário. -dão–solidão. -aico – prosaico. -(t)ivo: ação referência. -ada–papelada. semema. reciprocidade: rever. seguinte. -eiro–açucareiro. álcalis artificiais). quebradiço. -ismo–civismo. pre-: anterioridade: prefácio. movimento através:transatlântico. por exemplo.ismo: budismo. -ura–formatura. doutrinas filosóficas. -tório–dormitório. -eiro(a)–ferreiro. retrocesso. potássio. Existem dois grupos de sufixos formadores de substantivos extremamente importantes para o funcionamento da língua. perfurar. a ele são incorporadas as desinências que indicam as flexões das palavras variáveis. kantismo. -ado – barbado. Sufixos que formam nomes de ação: -ada–caminhada. reatar. Ito . comunismo.mioma. -oso – bondoso. -estre – terrestre. sota-: posição inferior: soto-mestre. factício. -io. epitelioma. selênio (corpos simples) Sufixo que forma nomes de religião. Sua principal característica é a mudança de classe gramatical que geralmente opera. estado – semelhante. -enho – ferrenho. supérfluo. São os que formam nomes de ação e os que formam nomes de agente. -ario(a) . -tude–amplitude.diário.fenol. -ema . ultraleve. -ção–emoção. vice-. posterior. -az – mordaz. eto. Sufixos: são elementos (isoladamente insignificativos) que. promover. reduzir. semantema (ciência linguística). sobpor. -al–capinzal. tres-.cafeína. sulfito (sais). -esco – pitoresco. -ame–gentame.sódio. Didatismo e Conhecimento 51 . punível. -ário . sub-. -(d)iço. -ino – cristalino. fonema.sulfato. -áceo(a) . -ância–abundância. -or–corredor. pos-: posterioridade: pospor.

o intento”.pé-de-cabra c) encruzilhada – estremeceu d) supersticiosa – valiosas e) desatarraxou – estremeceu 04. existe apenas um único sufixo adverbial: É o sufixo “-mente”. liquidificar -izar: finalizar. Que item contém somente palavras formadas por justaposição? a) desagradável – complemente b) vaga-lume . Sufixos Verbais: Os sufixos verbais agregam-se. para indicar circunstâncias. Os verbos exprimem.Exemplos: esqui-ar. fraca-mente. portugues-mente. a prática de ação. derivado do substantivo feminino latino mens. especialmente a de modo. telefon-ar. pia-mente. Já os advérbios que se derivam de adjetivos terminadosem–ês(burgues-mente. amamentar -ficar: dignificar.) não seguem esta regra. ao radical de substantivos e adjetivos para formar novos verbos. etc. (a)fin-ar. mentis que pode significar “a mente. Exercícios 01. Verbo Factitivo: é aquele que envolve ideia de fazer ou causar. nervosa-mente. nivel-ar. os verbos novos da língua formam-se pelo acréscimo da terminação-ar. golear -entar: afugentar.LÍNGUA PORTUGUESA Sufixos Adverbiais:Na Língua Portuguesa.Exemplos: altiva-mente. na forma feminina. bondosa-mente. Assinale a opção em que todas as palavras se formam pelo mesmo processo: a) ajoelhar / antebraço / assinatura b) atraso / embarque / pesca c) o jota / o sim / o tropeço d) entrega / estupidez / sobreviver e) antepor / exportação / sanguessuga 02. Verbo Diminutivo: é aquele que exprime ação pouco intensa. limpar -ear: guerrear. “Sarampo” é: a) forma primitiva b) formado por derivação parassintética c) formado por derivação regressiva d) formado por derivação imprópria e) formado por onomatopéia Didatismo e Conhecimento 52 . organizar Verbo Frequentativo: é aquele que traduz ação repetida. o espírito. A palavra “aguardente” formou-se por: a) hibridismo b) aglutinação c) justaposição d) parassíntese e) derivação regressiva 03. brava-mente. via de regra. pois esses adjetivos eram outrora uniformes. analisar. radiograf-ar. (a)doç-ar. Em geral.Este sufixo juntou-se a adjetivos. entre outras ideias.Exemplos: cabrito montês / cabrita montês. (a)portugues-ar. -ar: cruzar.

1. e se entenderam. Numere as palavras da primeira coluna conforme os processos de formação numerados à direita. As palavras couve-flor. 3. 5. macróbio. vidente d) biografia. predestinado. demover c) remeter.LÍNGUA PORTUGUESA 05. propor b) irregular. Bobagens. planalto e aguardente são formadas por: a) derivação b) onomatopeia c) hibridismo d) composição e) prefixação 10. 5. amanhecer b) solução. 6. Assinale a série de palavras em que todas são formadas por parassíntese: a) acorrentar. bibliografia. Assinale a alternativa em que uma das palavras não é formada por prefixação: a) readquirir. 2. asteróide e) acromatismo. tortura. as eleições continuariam sendo uma farsa! d) Não chegaram a trocar um isto de prosa. corrupção. visionário c) enrijecer. 5. esburacar. e) Dr. prever e) dever. litografar. 4. b) Pereirinha estava mesmo com a razão. 4.. 1 b) 4. Indique a palavra que foge ao processo de formação de chapechape: a) zunzum b) reco-reco c) toque-toque d) tlim-tlim e) vivido 07. deter. 3. antípoda. 4. 4. Em que alternativa a palavra sublinhada resulta de derivação imprópria? a) Às sete horas da manhã começou o trabalho principal: a votação. bobagens! c) Sem radical reforma da lei eleitoral. marque a alternativa que corresponde à sequência numérica encontrada: ( ) aguardente     1) justaposição ( ) casamento     2) aglutinação ( ) portuário         3) parassíntese ( ) pontapé         4) derivação sufixal ( ) os contras     5) derivação imprópria ( ) submarino     6) derivação prefixal ( ) hipótese a) 1. 5. antegozar d) irrestrito.. senão bufando de raiva. antever Respostas: 1-B / 2-B / 3-B / 4-C / 5-E / 6-E / 7-D / 8-A / 9-D / 10-E / Didatismo e Conhecimento 53 . 3. 3. 4. 1. 6. 6 e) 2. 4. 4. passional. Em seguida. conter. 5. 3. 6 c) 1.. despedaçar. amoral. hidrogênio. Osmírio andaria desorientado.. Voto secreto. 1. deslealdade. 6 06. 1. 08. 6 d) 2. idiotismo 09. Sigilo. 1.

o adjetivo vai para o plural: Agia com calma e pontualidade britânicas. o adjetivo assumirá a terminação do masculino: Fez tudo com entusiasmo e paixão arrebatadores. do numeral. é óbvio que a concordância obrigatoriamente se efetuará com este último: Alimentavam-se de arroz e carne bovina. numeral. ADVÉRBIOS E CONJUNÇÕES. Concordância é o mecanismo pelo qual algumas palavras alteram suas terminações para adequar-se à terminação de outras palavras. Quando o adjetivo exprime uma qualidade tal que só cabe ao último substantivo. que trata das alterações do verbo. CONCORDÂNCIAS VERBAL E NOMINAL. EMPREGO DE ADJETIVOS. EMPREGO DE MODOS E TEMPOS VERBAIS. Esta (pronome adjetivo – feminino – singular) observação (substantivo – feminino – singular) curta (adjetivo – feminino – singular) . Adjetivo anteposto: quando um adjetivo qualifica dois ou mais substantivos e vem antes destes. e verbal. Esta / observação / curta / desfaz o equívoco. pronome adjetivo) concordam em gênero e número com o nome a que se referem. dos pronomes adjetivos e dos adjetivos para concordar com o nome a que se referem. Essa matéria já foi vista em Classes de Palavras. para concordar com o sujeito. há duas construções: 1. Essa matéria já foi vista em Classes de Palavras. é preciso notar o seguinte: se entre os substantivos houver ao menos um no masculino.LÍNGUA PORTUGUESA 8. 2. concorda com o substantivo mais próximo: Escolhestes má ocasião e lugar.Um só adjetivo qualificando mais de um substantivo. que trata das alterações do artigo. Concordância Nominal . 54 Didatismo e Conhecimento . 9. Adjetivo posposto: quando um mesmo adjetivo qualifica dois ou mais substantivos e vem depois destes.o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo: Agia com calma e pontualidadebritânica. 10. distinguimos dois tipos de concordância: nominal. Em português. Sempre que se optar pelo plural.Regra Geral: o adjetivo e as palavras adjetivas (artigo. PRONOMES.

c) Decorrido um ano e alguns meses. o templo e a vila. Quando funcionam como advérbio são invariáveis: Há ocasiões bastante oportunas.Expressões anexo e obrigado: são palavras adjetivas e. . Estavam quietos a casa. 1. quando equivale a sozinho.se o sujeito vem precedido de modificador. 2. Obrigadas. mesmo e próprio. concordam com o nome a que se referem: Há bastantes razões para confiarmos na proposta. Eles saíram sós. .Alerta e menos são sempre invariáveis: Estamosalerta.Palavras adverbiais x palavras adjetivas: há palavras que ora têm função de advérbio. Há menospessoas no local. disse ele. a vila e o campo. .Expressões só e sós: quando equivale a somente.se o sujeito não vem precedido de nenhum modificador.Em anexo é sempre invariável: Seguem. Estão nesta classificação palavras como pouco. Exemplos: Seguem anexas as listas de preços. barato. Seguem anexos os planos de aula. 2. b) Ela chegou com o rosto e as mãos feridas.. formando expressões do tipo é bom. e) Ela comprou dois vestidos cinza. Muito obrigado. longe. É proibida a entrada. Quando funcionam como adjetivo.LÍNGUA PORTUGUESA Quando o adjetivo anteposto aos substantivos funcionar como predicativo. é advérbio e invariável. Sóeles não concordam. . Muito obrigada. Há situaçõesmenoscomplicadas. bastante. disse ela. há duas construções possíveis: 1. tanto o verbo quanto o adjetivo ficam invariáveis: Pizza é bom. etc. pode concordar com o mais próximo ou ir para o plural: Estava quieta a casa. Podemos colocar sob a mesma regra palavras como incluso. caro. leso. É proibido entrada. devem concordar com o nome a que se referem. Assinale a frase que encerra um erro de concordância nominal: a) Estavam abandonadas a casa. responderam as cantoras da banda. em anexo. meio. muito.Verbo ser + adjetivo: Nos predicados nominais em que ocorre o verbo ser mais um adjetivo. quite. lá voltamos. as fotografias. d) Decorridos um ano e alguns meses. A expressão a sós é invariável: Gostariade ficar a sós por uns momentos. é adjetivo e variável. Exercícios 01. é claro. como tais. tanto o verbo quanto o predicativo concordam regularmente: Apizza é boa. etc. ora de adjetivo. lá voltamos. é evidente. a vila e o campo. Didatismo e Conhecimento 55 .

c) Estava só naquela ocasião.” b) “Depois de assistir algumas aulas. (bastante/ bastantes) d) Encontrei ____ a sala e os quartos. b) Justifique a correção feita. 08. ele apresentava feridos a perna e o braço direitos. meio tom . os processos de nossa estima. d) Quando foi encontrado. d) Elas não progredirão por si mesmo. (alerta/ alertas) c) Houve ____ razões para eu não voltar lá. mas poderão ser importante para a pesquisa que estou fazendo. as palavras destacadas permanecem invariáveis: a) Este é o meio mais exato para você resolver o problema: estude só. b) Eles.LÍNGUA PORTUGUESA 02. com ar entristecidos. o que me deixa meio apreensivo. a) Andei por longes terras. Vossa Excelência. acreditei.” b) “Os projetos que me enviaram estão em ordem. conforme lhes prometi. ( ) calça e chapéu. Enumere a segunda coluna pela primeira (adjetivo posposto): (1) velhos (2) velhas ( ) camisa e calça. argumentos e opiniões veementes e contraditórias. mas estava totalmente lúcido. há uma infração as normas de concordância. a) “Ele informou aos colegas de que havia perdido os documentos cuja originalidade duvidamos. d) Passei muito inverno só.índice de sua sensatez.” No trecho acima. a) Reescreva-o com devida correção. no momento em que as discussões se tornaram mais violentas. eu preferia mais ficar no pátio do que continuar dentro da classe. c) Não lhe pareciam útil aquelas plantas esquisitas que ele cultivava na sua pacata e linda chácara do interior. ( ) chapéu e calça. pois em sua meia promessa. corrigindo-as quando necessário. 09. devolvê-los-ei ainda hoje. não faltou. Complete os espaços com um dos nomes colocados nos parênteses. Reescrever as frases abaixo. (vazia/vazios) e) A dona do imóvel ficou ____ desiludida com o inquilino. e) Esses livro e caderno não são meus. a) 1-2-1-1-2 b) 2-2-1-1-2 c) 2-1-1-1-1 d) 1-2-2-2-2 e) 2-1-1-1-2 03. c) Carla anda meio aborrecida. (meio/ meia) 04. Como no exercício anterior. e) Só estudei o elementar. ( ) chapéu e camisa. A frase em que a concordância nominal está correta é: a) A vasta plantação e a casa grande caiados há pouco tempo era o melhor sinal de prosperidade da família. 05. b) Meia palavra. Aponte oerro de concordância nominal.” 07. “Na reunião do Colegiado. Didatismo e Conhecimento 56 . pluralizando-se a frase. ( ) chapéu e paletó. a) “Recebei. b) Ela chegou toda machucada. e) Ela própria nos procurou. Assinale a alternativa em que.” 06. a) Será que é ____ essa confusão toda? (necessário/ necessária) b) Quero que todos fiquem ____. pois não podem haver cidadãos conscientes sem educação. dirigiram-se ao salão onde se encontravam as vítimas do acidente.

o verbo vai para o plural. Tu estavas enganado. nada: Alunos. 2. O singular.LÍNGUA PORTUGUESA 10. d) Já era meio-dia e meia. sempre na pessoa gramatical de número mais baixo. pois não pode haver cidadãos conscientes sem a educação. há duas construções igualmente certas.” 07-E / 08-E / 09-D / 10-C Concordância Verbal . numa só unidade. vale também o plural.quando o sujeito é formado por núcleos dispostos em gradação (ascendente ou descendente): Uma palavra. tudo. disse ela. justifica-se o singular. Vossa Excelência. o que leva o verbo a concordar com ele. ninguém. Aqui não ocorre plural.Sujeito composto anteposto ao verbo: quando o sujeito composto vem anteposto ao verbo. ninguém faltou. 06. a) “Ele informou aos colegas que havia perdido (ou: ele informou os colegas de que havia perdido os documentos de cuja originalidade duvidamos.quando o sujeito vem resumido por palavras como alguém. 2. a) necessária b) alerta c) bastantes d) vazia e) meio 04. os protestos de nossa estima. ficaram tristes. talvez se explique pela facilidade que temos em juntar.Regra Geral: o verbo concorda com seu sujeito em pessoa e número. quando ocorrer: 1ª e 2ª – o verbo vai para a 1ª do plural. no mesmo caso. a) “Na reunião do colegiado. o verbo só pode. este vai para o plural: O sol e a lua brilhavam. 05. conceitos sinônimos. .o verbo vai para o plural: Brilhavam o sol e a lua. mestres. eu preferia ficar no pátio a continuar dentro da classe. Isto ocorre basicamente em três situações: 1.o verbo concorda com o núcleo mais próximo: Brilhava o sol e a lua.” b) Concorda com o sujeito “argumentos e opiniões”. cada um. argumentos e opiniões veementes e contraditórias. o sujeito composto vem posposto e o núcleo mais próximo está no plural. Assinale o erro de concordância nominal. e) Sós. É que o valor sintetizante do pronome (ninguém) é tão marcante que só nos fica a ideia do conjunto e não das partes que o compõem. Assim. c) Eles estavam só. É bom notar que. 1ª e 3ª – o verbo vai para a 1ª do plural. . a) “Receba. porém. No mesmo caso. mesmo com o sujeito composto anteposto.quando o sujeito é formado de palavras sinônimas ou que formam unidade de sentido: A coragem e o destemor fez dele um herói. Didatismo e Conhecimento 57 . 2ª e 3ª – o verbo vai para a 2ª do plural. aqui. 3.” b) “Depois de assistir algumas aulas. cabe também o plural.” b)  A frase está correta. Há casos em que. Respostas: 01-A / 02-C 03.Sujeito composto de pessoas gramaticais diferentes: quando o sujeito composto é formado de pessoas gramaticais diferentes. a) – Muito obrigada. diretores. Quando. um gesto. . Os alunos saíram tarde. no momento em que as discussões se tornaram mais violentas. A construção com o verbo no singular é compreensível: nas sequências gradativas. não faltaram. 1.Sujeito composto posposto ao verbo: quando o sujeito composto vem depois do verbo. o último elemento é sempre mais enfático. obviamente. um mínimo sinal bastava. Eu contarei convosco. ir para o plural: Já chegaram as revistas e o jornal. b) Só as mulheres foram interrogadas.

o verbo fica necessariamente no singular: Precisa-se de reforços (sujeito indeterminado). . o verbo concorda regularmente com o sujeito. o instrumento que bate as horas.LÍNGUA PORTUGUESA Eu. são admissíveis duas construções: Os lusíadas foi a glória das letras lusitanas. por exemplo. não conseguiram evitar a catástrofe. a concordância mudará: O relógio bateu dez horas. Foste tu que prometeste. que estará sempre presente na oração. Os Estados Unidos progrediram muito. Quando o sujeito é formado pelo pronome tu mais uma 3ª pessoa. . O Amazonas corre volumoso pela floresta.Sujeito constituído pelo pronome relativo que: quando o sujeito for o pronome relativo que. Fui eu que prometi. . que é o sujeito dos respectivos verbos. o verbo pode ir também para a 3ª pessoa do plural. . Pode ser que o sujeito deixe de ser o número das horas e passe a ser outro elemento da oração. concordam com a palavra horas.quando o coletivo vier distanciado do verbo: O povo. Didatismo e Conhecimento 58 . Quanto aos títulos de livros e nomes de obras. . mesmo precedidos de artigo.Verbos dar. bater. há duas construções possíveis: 1.o verbo concorda com o antecedente: Fui eu quemfalei. tu e ele ficaremos aqui. vier seguido de um adjunto adnominal no plural: A multidão dos peregrinos caminhavam lentamente. há duas construções: 1. o verbo ficará sempre no singular: Ø Minas Gerais elegeu seu senador. Vendem-se apartamentos. 2. concordando regularmente com o sujeito (quem): Fui eu quem falou. Isto se deve à baixa frequência de uso da segunda pessoa do plural: Tu e ele chegaram (ou chegastes) a tempo. apesar de toda a insistência e ousadia.Verbo acompanhado do pronome se indicador de indeterminação do sujeito: quando a indeterminação do sujeito é marcada pelo pronome se. . 2. Nesse caso.Sujeito constituído pelo pronome relativo quem: quando o sujeito de um verbo for o pronome relativo quem.Sujeito coletivo: quando o sujeito é formado por um substantivo coletivo no singular.o verbo fica na 3ª pessoa do singular. Bateramdezhoras. antecipado ao verbo. Foram eles que prometeram. 2. . Soou uma hora. o verbo fica no singular.Verbo acompanhado do pronome se apassivador: quando o pronome se funciona como partícula apassivadora. o verbo concordará com o artigo.se tais nomes vierem precedidos de artigo. Os lusíadas forama glória das letras lusitanas. concordando com a forma do substantivo e não com a ideia: A multidão aplaudiu o orador. No caso. soar: na indicação de horas. Vende-se apartamento.Nomes próprios plurais: quando o sujeito é formado por nomes próprios de lugar que só têm a forma plural. o verbo concorda com o antecedente desse pronome. pode ocorrer também o plural em duas situações: 1.quando o coletivo.se tais nomes não vierem precedidos de artigo.

Ele é um dentre aqueles que mais falaram. Com a expressão mais de um pode ocorrer o plural em duas situações: 1. menos de: quando o sujeito for constituído das expressões mais de. Didatismo e Conhecimento 59 .Pronome indefinido plural seguido de pronome pessoal preposicionado: quando o sujeito é formado de um pronome indefinido (ou interrogativo) no plural seguido de um pronome pessoal preposicionado. o verbo vai sempre para a 3ª pessoa (singular ou plural).Silepse: ocorre concordância siléptica quando o verbo não concorda com o sujeito que aparece expresso na frase. . nas expressões um dos que.quando o verbo dá ideia de ação recíproca: Mais de um veículo se entrechocaram. há possibilidade de duas construções: 1.Expressões um dos que. Mais de dois alunos saíram. Vossas Excelências se enganaram.Núcleos ligados por ou: quando os núcleos do sujeito vêm ligados pela conjunção ou. Ele foi um dosque mais falaram. Mais de um aluno saiu. mas com um elemento implícito na mente de quem fala: Os brasileiros somos improvisadores. Nem um nem outro concordaram. o verbo ficará. Quando núcleos de pessoas diferentes vêm precedidos de nem.o verbo vai para o plural. quando o ou não for excludente: Maça ou figo me agradam à sobremesa. Ele é um que mais falou dentre aqueles. 2. Quando o pronome interrogativo ou indefinido estiver no singular. o verbo concorda com o numeral que se segue à expressão. nem um nem outro. uma das que. . na pessoa gramatical prioritária (a de número mais baixo): Nem eu nem ele faltamos com a palavra. Vossa Excelência se enganou.LÍNGUA PORTUGUESA . Alguém de nós falhou? Qual de nós sairá? . 2. Cada uma das construções corresponde a uma interpretação diferente do mesmo enunciador. na 3ª pessoa do singular.o verbo fica no singular quando o ou tem valor excludente: Pedro ou Paulo será eleito papa. . o verbo vai para o plural (construção dominante) ou fica no singular. menos de. necessariamente. uma das que: quando o sujeito de um verbo for o pronome relativo que.Expressões um e outro.Sujeito constituído por pronome de tratamento: quando o sujeito é formado por pronomes de tratamento. .Expressões mais de.quando a expressão mais de vem repetida: Mais de um padre.o verbo vai para a 3ª pessoa do plural. Mais de dois casos ocorreram. (a eleição de um implica necessariamente a exclusão do outro) 2. o mais usual é o verbo no plural. Está implícito que o falante (eu ou nós) está incluído entre os brasileiros. O substantivo que segue a essas expressões deve ficar no singular: Uma e outra coisa me atrai. mais de um bispo estavam presentes. Nem um nem outro concordou. nem um nem outro: quando o sujeito é formado pelas expressões um e outro. concordando com o pronome indefinido ou interrogativo: Alguns de nós partiram. há duas construções: 1. Ele foi um dos que mais falou.o verbo concorda com o pronome pessoal que se segue ao indefinido (ou interrogativo): Alguns de nós partimos. (ambas as frutas me agradam) . o verbo fica no singular ou plural.

Quando um dos dois (predicativo ou sujeito) é nome de pessoa. São quinze de maio. São duas horas. Poderão existir dúvidas. Entre tantos casos. deve concordar normalmente com o sujeito: Os convidados já haviamsaído. São duas léguas. É uma légua.Verbo ser: a concordância do verbo ser oscila frequentemente entre o sujeito e o predicativo. Você é suas decisões.Verbo parecer seguido de infinitivo: o verbo parecer. Quando o verbo haver funciona como auxiliar de outro verbo.Verbo impessoais: os verbos impessoais ficam sempre na 3ª pessoa do singular. Nesse caso. admite duas construções: 1.Expressão haja vista: na expressão haja vista. Didatismo e Conhecimento 60 . Haja vista os últimos acontecimentos. muitas vezes. Admite-se ainda a construção: Haja vista aos últimos acontecimentos. Nas indicações de hora. a concordância se faz com a pessoa. Também não se flexiona o verbo auxiliar que se põe junto a um verbo impessoal. . Haverá sóis mais brilhantes. formando uma locução verbal. Poderá fazer invernos menos rigorosos. É uma hora. Suas preocupações era a filha. É primeiro de maio. concorda com o predicativo. de preferência. Deve fazer umas cinco horas que estou esperando. Costuma haver casos mais significativos. com o qual concorda normalmente: Existirão protestos. O verbo concorda com o pronome pessoal. Fará invernos rigorosos.flexiona-se o infinitivo e não se flexiona o verbo parecer: Os montes parece caírem. 2.flexiona-se o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo: Os montes parecem cair. data e distância. Eu sou o professor. o verbo concorda. Tua vida são essas ilusões. com o que está no plural. O verbo haver no sentido de existir ou de tempo passado e o verbo fazer na indicação de tempo transcorrido ou fenômeno da natureza são impessoais. a palavra vista é sempre invariável. seguido de infinitivo. impessoal. . seja predicativo. Hajam vista os últimos acontecimentos. O verbo haja pode ficar invariável ou concordar com o substantivo que se segue à expressão. . o verbo ser. O professor sou eu. seja este sujeito. O verbo existir nunca é impessoal: tem sempre sujeito. Essas vaidades são o teu segredo.LÍNGUA PORTUGUESA . faz-se a concordância com o elemento a que se quer dar destaque. podemos ressaltar: Quando o sujeito e o predicativo são nomes de coisas de números diferentes.

disse a moça. Assinale a frase em que há erro de concordância verbal: a) Um ou outro escravo conseguiu a liberdade. c) Os livros estão custando cada vez mais caro. nas expressões de peso. d) Seus apartes eram sempre o mais pertinentes possíveis. Indique a alternativa em que há erro: a) Os fatos falam por si sós. c) Deve haver bons motivos para a sua recusa. distância ou preço. Há erro de concordância em: a) atos e coisas más b) dificuldades e obstáculo intransponível c) cercas e trilhos abandonados d) fazendas e engenho prósperas e) serraria e estábulo conservados 05. Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal: a) Soava seis horas no relógio da matriz quando eles chegaram. ninguém foram demitidos. diretores. d) De casa à escola é três quilômetros. seguido de um quantificador. c) Faz muitos anos que a equipe do IBGE não vem aqui. e) Nem uma nem outra questão é difícil. 03. d) Fomos nós quem resolvemos aquela questão. São treze (dias) de maio. c) José chegou ileso a seu destino. embora houvessem muitas ciladas em seu caminho. 02. professores. funcionários. de acordo com a norma culta: a) Haviam muitos candidatos esperando a hora da prova. b) Choveu pedaços de granizo na serra gaúcha. Cem reais é suficiente. b) Apesar da greve. b) Não poderia haver dúvidas sobre a necessidade da imigração. 04.LÍNGUA PORTUGUESA Neste último caso (dias do mês) o verbo ser admite duas construções: É (dia) treze de maio. 06. b) A casa estava meio desleixada. Três quilômetros é muito. Exercícios 01. Quinze quilos é bastante. e) Choveram papéis picados nos comícios. Assinale a opção em que há concordância inadequada: a) A maioria dos estudiosos acha difícil uma solução para o problema. Indique a opção correta. O verbo ser. Didatismo e Conhecimento 61 . e) Fui eu que abriu a porta para o agente do censo. e) O impetrante referiu-se aos artigos 37 e 38 que ampara sua petição. d) Bateu três horas quando o entrevistador chegou. b) A maioria dos conflitos foram resolvidos. fica invariável. no que se refere à concordância verbal. e) Era a mim mesma que ele se referia. d) Deve existir problemas nos seus documentos. c) Faz mais de cem anos que a Lei Áurea foi assinada.

. É o caso... como no caso dos verbos.existem .foram feitos e) Chegam . b) Na sua bolsa haviam muitas moedas de ouro. O verbo obedecer exige a preposição (a)...existe .ser b) hajam .... por exemplo.. c) Eles parece estarem doentes. a) negou – organizou b) negou – organizastes c) negaram – organizaste d) negou – organizaram e) negaram ...basta .. A escolha desta ou daquela preposição deve.... É provável que .existe . mas não .bastam ....foi feito 10.ser e) hajam . adjetivos. não há tantos desencontros entre a norma culta e a fala popular.. Em todo caso.. A concordância verbal está correta na alternativa: a) Ela o esperava já faziam duas semanas.. os sacrifícios que . a relação particular....foi feito d) Chegam ..foram feitos b) Chega . Substantivos. mais de uma preposição..... Regência Nominal Assim como há verbos de sentido incompleto (transitivos). d) Devem haver aqui pessoas cultas. vagas na academia. Soube que mais de dez alunos se .. vem sempre marcada por uma preposição: Estava ansioso para ouvir música. que certos substantivos e adjetivos admitem mais de uma regência. Contudo. que a regência deste verbo e deste nome resume-se na mesma preposição (a).. do verbo obedecer e do nome obediência. a) hajam . certos advérbios.... De maneira. cumpridas. O substantivo amor rege um complemento nominal precedido da preposição (a).... ou mesmo.existem .. e) Todos parecem terem ficado tristes.serem d) haja ... 08. também podem. pessoas interessadas: são muitas as formalidades a .bastam .serem 09.bastam . segue aqui uma lista de nomes acompanhados das respectivas preposições: Didatismo e Conhecimento 62 . solicitarem um complemento (complemento nominal) para ampliar.. REGÊNCIAS VERBAL E NOMINAL. Portanto. você estará praticamente aprendendo a regência do nome cognato (que vem da mesma raiz do verbo). que é a mesma exigida pelo nome obediência. por sua causa? a) Chega . há também nomes de sentido incompletos. Ao aprender a regência do verbo. no entanto. . da eufonia e adequar-se as diferentes nuanças do pensamento.organizastes Respostas: (01-C) (02-D) (03-D) (04-D) (05-D) (06-D) (07-C) (08-C) (09-A) (10-E) 11.LÍNGUA PORTUGUESA 07.. obedecer às exigências da clareza.de exigências! Ou será que não .existem ..basta .. e.. a participar dos jogos que tu e ele . Nominal).. completar seu sentido:Tenho amor (nome de sentido incompleto) aos livros (compl. entre o nome e seu complemento. Na regência nominal.ser c) haja .. cabe observar.foi feito c) Chegam . ou seja.

com] .respeito [a.aflito [com.junto [a. de. Cobiçoso [de] . para com. por] . de..dotado [de] . às e) que. para] – digno [de] . para com] .desprezo [a. em] – forte [em] .alusão [a] – amante [de] – amigo [de] .estão dando andamento é incompatível. por] .peculiar [a] – perito [em] – prático [em] .devoção [a. para] .benéfico [a] .habituado [a] . de.lento [em] – liberal [com].preste [a.nocivo [a] .exato [em] ..útil [a.simpatia. com] . perto [de] e proximamente [a..medo [de.. contra.LÍNGUA PORTUGUESA Acesso (a) .pasmado [de] .certeza [de] .ódio [a. para.simpatia [a.desejoso [de] . por] . por] . de.relacionado [com] .superior [a] – surdo [a. para] .indiferente [a] – indigno [de] .acessível [a. em. menos b) do que. de. para com.avesso [a] . para com] .. com] . de. para com.assíduo [a. sobre]. de.preferência [a.pendente [de] – prodigo [em. em. entre] .. por] .propício [a] .necessidade [de] – nobre [em] .análogo [a] . de] . por]. contra] ..isento [de] .tradições da firma.afeição [a.suspeito [a. em. em] . de. por] .inacessível [a] – incansável [em] .leal [a] . com.morador [em] .. por. para.discordância [com. de] .solidário [com] . a] – menor [de] – misericordioso [com] .Todos os advérbios formados de adjetivos + sufixo [-mente]. por] .falta [a] . por] semelhante [a] . sobre] – disposição [para] . para.. relativamente [a] Exercícios 01.. por] . para com] – cuidadoso [com] – cúmplice [em] . para com.concordância [a.ida [a] – idêntico [a] . para com] – triunfo [sobre] . por] . compativelmente [com]. de. em] . por] .acostumado [a.desfavorável [a] – desleal [a] .Paulo. por. por] – queixa [contra] .intolerante [com] . com. com] – zelo [a.dificuldade [com. para. entre] .contente [com.invasão [de] – inútil [para] . com] .ojeriza [a.desgostoso [com. por] .situado [a. por] . por] – preferível [a] .fértil [de. com] – contemporâneo [de] .vizinho [a.necessário [a] . em] . com as b) a que. com. por. para. de.parecido [a. contra] .desacostumado [a. entre] – único [em] . por] .atenção [a] .. em. com] . Equivalente [a] . para] – vazio [de] . em. com. Maior [de] – manifestação [contra] . em] .. menos e) do que.obediente [a] .ingrato [com] – insensível [a] .amor [a.próprio [de. de. em.residente [em] . em. em] . por] .grato [a] . de] – furioso [com] ..falho [de. menos c) a.união.próximo [a.tentativa [contra.desrespeito [a] .consulta [a] .ansioso [de. menos d) do que.inerente [a] – infiel [a] – influência [sobre] . a) a. para] . com as c) que. para] – cego [a] . de] .fácil [a. de].inábil [para] .devoto [a.capacidade [de.desatento [a] – descontente [com] . de.paralelo [a] – parecido [a.natural [de] .impróprio [para] .pronto [para. com] . por] – pálido [de] .antipatia [a. em] ..curioso [de....horror [a. para com] .facilidade [de. por] – aparentado [com] .cruel [com. Relativo [a].compatível [com] .capaz [de. com.feliz [de.favorável [a] .rico [de.hábil [em] . para]. de] . prefiro João.impotente [para. para] .oposto [a] – orgulhoso [de.aliado [a. de.contíguo [a] – constante [em] – convênio [entre] .ávido [de. para] . com.apto [a. de] .hostil [a.apologia [de] . menos Didatismo e Conhecimento 63 . O projeto.fraco [em. de. com] paixão [de.rente [a. por] – amoroso [com] . de. Querido [de. por] – responsável [por] .graduado [a] . de] . para com] .alheio [a.versado [em] – visível [a] .fiel [a] .imune [a.sito [em] . com. de.coerente [com] – comum [de] .impaciência [com] – impossibilidade [de.. tendem a apresentar a mesma preposição dos adjetivos: Compatível [com].dúvida [acerca de.receio [de] . as d) à que. Regência de Advérbios:Merecem menção estes três advérbios: longe [de].quem sinto.indulgente [com.guerra [a] .. por] . Quanto a amigos.admiração [a.último [a.inconsequente [com] – indeciso [em] . com as 02. para] – incerto [em] . para. de] – diferente [de] .satisfeito [com..fanático [por] . em. para com] .aversão [a.. em] – sábio [em] .atento [a.adequado [a] .benefício [a] – bom [para]. contra.afável [com. por] – entendido [em] – erudito [em] – escasso [de] – essencial [para] – estreito [de] .relação [a. [a. para. a) de que.constituído [com. de] .passível [de] .compaixão [de.conforme [a..atencioso [com.empenho [de. por] .incapaz [de. para] .propensão [para] . de] .

LÍNGUA PORTUGUESA 03. de cujo b) a que.. IV b) I. c) A atitude do Juiz é isenta de qualquer restrição. no qual c) de que.. no silêncio”. Didatismo e Conhecimento 64 .. c) Informo-lhe de que paguei o colégio. Desde criança sempre aspirava a uma posição de destaque. 08. cujo e) que. desmaiou. e) O sol é indispensável da saúde. Transitivos Diretos e Indiretos... oneroso d) orgulhoso. Assinale a alternativa correta quanto à regência: a) A peça que assistimos foi muito boa..coração bate de noite. Como era orgulhoso. rico. embora fosse tão humilde.. d) Costumo obedecer a preceitos éticos. “As mulheres da noite. bom. perito c) leal. em cujo 05. uma apenas apresenta a regência nominal correta. prejudicou toda uma família. preferiu declarar falida a firma a aceitar qualquer ajuda do sogro. sedento e) oposto.Podem ser:Transitivos Diretos. b) Estes são os livros que precisamos. A opção que completa corretamente as lacunas da frase acima é: a) as quais. Assinale a alternativa que contém as respostas corretas.o poeta faz alusão a colorir Aracaju.. concedeu-lhe a licença..Verbos Intransitivos. I.. Transitivos Indiretos. e) A enfermeira assistiu irrepreensivelmente o doente. involuntariamente. Visando apenas os seus próprios interesses. os verbos podem ser: . II. III. III. IV d) I. II. d) Guimarães Rosa é o escritor que mais aprecio. ele. Assinale a opção em que todos adjetivos podem ser seguidos pela mesma preposição: a) ávido. e) O ideal que aspiramos é conhecido por todos.. III e) I. III. pálido. b) Há muito já lhe perdoei.. o qual d) às quais. .. b) Baseado laudos médicos.. Respostas: 01-B / 02-A / 03-D / 04-D / 05-D / 06-A / 07-C / 08-C Regência Verbal O estudo da regência verbal nos ajuda a escrever melhor. d) Ele se diz especialista para com computadores eletrônicos. 06. a) II. c) Esse foi um ponto que todos se esqueceram. III e) I. inconsequente b) indigno. sábio 04. Quanto à regência verbal.Verbos Transitivos: Exigem complemento(objetos) para que tenham sentido completo. II 07. odioso. IV. Aspirando o perfume das centenas de flores que enfeitavam a sala. Dentre as frases abaixo. Assinale-a: a) Ele não é digno a ser seu amigo. limpo. Assinale o item em que há erro quanto à regência: a) São essas as atitudes de que discordo.

“Um livro” é o complemento exigido pelo verbo. (caber) Transitivo direto: quando significa “socorrer”. oferece alguma coisa a alguém.Ele assistiu ao jogo. aspiro a ele. “De filmes” é o complemento exigido pelo verbo gostar. Moro no Rio de Janeiro. “desejar”.Ela sempre aspirou a esse emprego. compra alguma coisa. lugar. O verbo oferecer é transitivo direto e indireto.Sim. (no: em + o) . Ex. “tragar”. “inspirar” e exige complemento sem preposição. tempo.: Maria comprou um livro.Ofereceu para alguém = ao colega(com preposição). (cuida) Nesse caso o verbo “assistir” pode ser usado com a preposição “a”. “almejar” e exige complemento com a preposição “a”. . . Este complemento é chamado de objeto indireto. Assistir: O verbo assistir pode ser transitivo indireto. “caber”. . “ajudar” e exige complemento sem preposição.ao = combinação da preposição a com o artigo definido o. pois quem compra. Algumas vezes o verbo intransitivo pode vir acompanhado de algum termo que indica modo. “No RJ” é o adj. . porém precisa do complemento “no RJ’ para que a frase tenha um sentido completo. Quem oferece. Didatismo e Conhecimento 65 . Existem verbos intransitivos que precisam vir acompanhados de adjuntos adverbiais apenas para darem um sentido completo para a frase. “presenciar”.O candidato aspirava a uma posição de destaque.Ex. transitivo direto e intransitivo.Ex. logo precisam se um complemento(objeto). etc. “Um livro” é o objeto direto. O garoto ofereceu um livro ao colega. Um com preposição. O verbo gostar é transitivo indireto Transitivos Diretos e Indiretos: Exigem 2 complementos. Devemos substituir por “a ele(s)”.Todos nós gostamos de aspirar o ar do campo. (e não “aspiro-lhe”). Ele morreu dormindo. O verbo comprar é transitivo direto. Note que se disséssemos: “Maria comprou. “No Vaticano” e “no Rio de Janeiro” são adjuntos adverbiais de lugar. Intransitivo: quando significa “morar” exige a preposição “em”. . Ex: “Ele morreu. . Transitivo direto: quando significa “sorver”. Quando é transitivo indireto não admite a substituição pelos pronomes lhe(s).Ela aspirou o aroma das flores.Aspiras a este cargo? . Transitivo indireto: quando significa “pretender”. só que desta vez este complemento é acompanhado de uma preposição. logo precisam de um complemento. . os verbos intransitivos possuem sentido completo. e ele está acompanhado por uma preposição (de). o modo que ele morreu. Ou seja. Gosto de filmes. O verbo morar é intransitivo. Transitivo indireto: quando significa “ver”. Ele não está acompanhado de preposição. Estes termos são chamados de adjuntos adverbiais.Ex.Assistir ao paciente. . Esses complementos(sem preposição).Assisti a um filme.Dormindo foi a maneira.Dormindo é o adjunto adverbial de modo.O papa assiste no Vaticano.Ofereceu alguma coisa = Um brinquedo(sem preposição). são chamados de objetos diretos. adverbial de lugar. Intransitivos: não possuem complemento.Este direito assiste aos alunos.Eu assisto no Rio de Janeiro. Aspirar:O verbo aspirar pode ser transitivo direto ou transitivo indireto.” O verbo morrer tem sentido completo. “a ela(s)”.O médico assiste o ferido. e outro sem. São chamados de objetos indiretos.” a frase estaria incompleta.Ex. . “pertencer” e exige complemento com a preposição “a”. (ver) . Transitivos Indiretos: Também não possuem sentido completo.LÍNGUA PORTUGUESA Transitivos Diretos: Não possuem sentido completo. .

. . .Ele visava atingir o posto de comando.Esqueceu-me a tragédia. .Prefiro passear a ver TV. Ou seja. . (dar visto) . Com o sentido de “apelidar” pode exigir ou não a preposição. Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alteração de sentido. Didatismo e Conhecimento 66 . a ela(s). “ter em vista” é transitivo indireto e exige a preposição “a”.Chamei Pedro de bobo. (chamei-lhe de bobo) . . fez uso dessa construção várias vezes. Querer: Pode ser transitivo direto (no sentido de “desejar”) ou transitivo indireto ( no sentido de “ter afeto”. “almejar”. É uma construção muito rara na língua contemporânea. (vir à lembrança) O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e indireto (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa). portanto.Ele se esqueceu do caderno. não se diz: viso-lhe. pode ser transitivo direto ou transitivo indireto. porém. transitivos indiretos.Chamei Pedro bobo.Prefiro cinema a teatro. etc) e exigem complemento com a preposição “de”.O professor chamou o aluno.Chamei a Pedro bobo. Esquecer – Lembrar: . “estimar”). “fazer vir” e exige complemento sem preposição.Chamei a Pedro de bobo. . . possui um objeto direto (complemento sem preposição) e um objeto indireto (complemento com preposição) . . ou seja. . . . “pretender”. . Preferir: É transitivo direto e indireto. São.O funcionário já visou todos os cheques. -me. (cair no esquecimento) .Eles se esqueceram da prova.Ela chamava por Jesus. a preposição é geralmente omitida.Ele esqueceu o livro. . os verbos são transitivos diretos.Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal) No 1º caso. (chamei-o de bobo) .Muitos visavam ao cargo.O arqueiro visou o alvo e atirou. No 2º caso.Quero a meus pais. Nesse caso não admite o pronome lhe(s) e deverá ser substituído por a ele(s). . Simpatizar: Ambos são transitivos indiretos e exigem a preposição “com”. ou seja exigem complemento sem preposição. É transitivo indireto quando significa “invocar” e é usado com a preposição “por”.Eu me esqueci da chave. . Não é correto dizer: “Prefiro cinema do que teatro”. os verbos são pronominais (-se. Quando significa “dar visto” e “mirar” é transitivo direto. ou seja. por exemplo.Ele visa ao poder. (mirar) Quando significa “desejar”.LÍNGUA PORTUGUESA Chamar: O verbo chamar pode ser transitivo direto ou transitivo indireto. Quando o verbo “visar” é seguido por um infinitivo. (chamei-o bobo) .Não simpatizei com os jurados.Lembrou-me a festa. Machado de Assis. (chamei-lhe bobo) Visar: Pode ser transitivo direto (sem preposição) ou transitivo indireto (com preposição). é fácil encontrá-la em textos clássicos tanto brasileiros como portugueses. É transitivo direto quando significa “convocar”.Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.Lembrar algo – esquecer algo .A criança quer sorvete. Admite as seguintes construções: .

jamais aspirei a tal cargo.Maria namora João. b) estou deserto e noite. pois você legitima a submissão das mulheres. pois apesar de ter sempre servido à instituição. sempre foi assistido por bons conselheiros. jamais aspirei tal cargo. pois apesar de ter sempre servido à instituição. exige complemento com a preposição “a” (obedecer a). jamais aspirei a tal cargo. b) avisei-lhe de que não desejava substituí-lo na presidência. e) avisei-o de que não desejava substituí-lo na presidência. 03.Devemos obedecer aos pais. chamando Rodrigo. b) é dever do médico assistir a todos os enfermos. ou seja. não exige preposição. d) avisei-lhe de que não desejava substituir-lhe na presidência. ou seja. Quaresma ficou reservado. c) naquele momento difícil. c) de repente. pois apesar de ter sempre servido a instituição. c) avisei-o de que não desejava substituir. Não é correto dizer: “Maria namora com João”. esse verbo pode ser usado na voz passiva. . Em todas as alternativas. c) em sua administração. c) custa-me dizer isto.Ele viu o filme. como se obedecesse a voz do mágico. e aspiro sociedade e luz. Ver: É transitivo direto. jamais aspirei tal cargo. chamei-lhes de discriminadores. Obedecer: É transitivo indireto. não admite preposição. a) não assiste a você o direito de me julgar. que elas chamaram de maternidade. chamaram-lhe o salvador da pátria. O verbo chamar está com a regência incorreta em: a) chamo-o de burguês. pois apesar de ter sempre servido à instituição. taciturno e mudo”: a) pelos seus feitos. chamou por Deus e pelo Diabo. . jamais aspirei a tal cargo. Assinale a opção em que o verbo chamar é empregado com o mesmo sentido que apresenta em __ “No dia em que o chamaram de Ubirajara. 05. o verbo grifado foi empregado com regência certa. e) mandou chamar o médico com urgência. . . Exercícios 01.LÍNGUA PORTUGUESA Namorar: É transitivo direto. houve um nervosismo geral e chamaram-nas de feministas. Didatismo e Conhecimento 67 . exceto em: a) a vista de José Dias lembrou-me o que ele me dissera. e) quando ela morresse. d) não se pode assistir indiferente a um ato de injustiça. Assinale a opção em que o verbo assistir é empregado com o mesmo sentido que apresenta em “não direi que assisti às alvoradas do romantismo”. b) como ninguém assumia. pois apesar de ter sempre servido a instituição. ou seja. mas antes peque por excesso. Assinale a única alternativa que está de acordo com as normas de regência da língua culta.lhe na presidência. Embora seja transitivo indireto. b) bateram à porta. a) avisei-o de que não desejava substituí-Io na presidência. e) as mulheres foram para o local do movimento. d) o chefe chamou-os para um diálogo franco. d) redobrou de intensidade. 04. d) apesar de a hora ter chegado. eu lhe perdoaria os defeitos.A fila não foi obedecida. e) o padre lhe assistiu nos derradeiros momentos. 02. o chefe não chamou às feministas a sua seção.

Didatismo e Conhecimento 68 . Em qual das opções abaixo o uso da preposição acarreta mudança total no sentido do verbo? a) usei todos os ritmos da metrificação portuguesa. b) cuidado. em que está bem empregada a construção com o verbo preferir: a) preferia ir ao cinema do que ficar vendo televisão. . /usei de todos os ritmos da metrificação portuguesa. b) preferia sair a ficar em casa. custei a encontrar um táxi disponível. 10. b) é preciso lembrá-lo o compromisso que assumiu conosco. não bebas esta água. c) a atitude tomada implicou descontentamento. 09. procedemos à leitura do texto./ precisou da quantia que gastaria nas férias. Assinale o mau emprego do vocábulo “onde”: a) todas as ocasiões onde nos vimos às voltas com problemas no trabalho. onde quer que fôssemos. e) antes preferia sair do que ficar em casa.Depois do verbo (ênclise): Sente-se. e) àquela hora. 07. por favor. .Antes do verbo (próclise): Não te conheço. osuperintendente nos ajudou.No meio do verbo (mesóclise): Avisar-te-ei. Colocação dos Pronomes Oblíquos Átonos Um dos aspectos da harmonia da frase refere-se à colocação dos pronomes oblíquos átonos. lembre-se de mim. c) enraivecido. d) onde encontraremos quem nos forneça as informações de que necessitamos. d) prefiro estudar Português a estudar Matemática.LÍNGUA PORTUGUESA 06. e) a enfermeira tratou a ferida com cuidado. O verbo sublinhado foi empregado corretamente./ cuidado. e) na hora das promoções. c) preferia antes sair a ficar em casa. pegou da vara e bateu no animal. e) os processos onde podemos encontrar dados para o relatório estão arquivados Respostas: 1-A / 2-A / 3-D / 4-B / 5-D / 6-B / 7-B / 8-E / 9-D / 10-B / 12. pegou a vara e bateu no animal. b) por toda parte. c) lembrou-se mais tarde que havia deixado as chaves em casa./ enraivecido. COLOCAÇÃO PRONOMINAL. não bebas desta água. d) preferia mais sair do que ficar em casa. Assinale a opção em que o verbo lembrar está empregado de maneira inaceitável em relação à norma culta da língua: a) pediu-me que o lembrasse a meus familiares. d) não me lembrava de ter marcado médico para hoje. encontrávamos colegas. Assinale o exemplo. c) não sei bem onde foi publicado o edital. d) precisou a quantia que gastaria nas férias. exceto em: a) aspiro à carreira militar desde criança. Tais pronomes situam-se em três posições: . / a enfermeira tratou da ferida com cuidado. 08. b) dado o sinal.

progredimos muito. .Gerúndio não precedido da preposição “em” ou de partícula negativa:Falando-se de comércio exterior. complicou-se. Confrontar-se-iam os resultados.LÍNGUA PORTUGUESA Próclise Por atração:usa-se a próclise quando o verbo vem precedido das seguintes partículas atrativas: . . Com certos verbos: a próclise pode ser motivada também pela forma verbal a que se prende o pronome. tudo dá. . Não se falando em futebol. o sujeito vem depois do verbo. Didatismo e Conhecimento 69 . . fico em paz. . usa-se a ênclise: Agora. assim quando não vierem precedidos de palavras atrativas.Com o infinito pessoal precedido de preposição: Por se acharem infalíveis. Mas Em se plantando no Brasil. vírgula) entre o advérbio e o verbo. (correto) Ênclise Usa-se a ênclise nos seguintes casos: . Ninguém me provocando. nas frases optativas.Infinitivo Impessoal: Não era minha intenção magoar-te.Pronomes Indefinidos: Poucos se negaram ao trabalho.Conjunções subordinativas: Soube que me dariam a autorização solicitada. Com certas frases: há casos em que a próclise é motivada pelo próprio tipo de frase em que se localiza o pronome. . (errado) Dir-se-ia que as coisas melhoraram.Pronomes Relativos: Apresentaram-se duas pessoas que se identificaram com rapidez. .Palavras ou expressões negativas: Não te afastes de mim. Não se usa a ênclise com o futuro do presente ou com o futuro do pretérito sob hipótese alguma.Com o gerúndio precedido de preposição ou de negação: Em se ausentando. .Advérbios: Agora se negam a depor. Espero com isto não te magoar. caíram no ridículo. uma colocação do tipo: Diria-se que as coisas melhoraram. ocorre tanto a próclise quanto a ênclise.Imperativo Afirmativo: Prezado amigo.Frases Interrogativas: Quem se atreveria a isso? .Frases Exclamativas: Quanto te arriscas com esse procedimento! . Se. Mesóclise Usa-se a mesóclise tão somente com duas formas verbais. usa-se a ênclise: Proteja-nos Deus.Frases Optativas (exprimem desejo): Deus nos proteja. negam-se a depor. ninguém briga. informe-se de seus compromissos. Não se satisfazendo com os resultados. Será contrária à norma culta escrita. Exemplos: Confrontar-se-ão os resultados. Se o infinitivo vier precedido de palavra atrativa. . Não se confrontariam os resultados. o futuro do presente e o futuro do pretérito. mudou de método. portanto. Se houver pausa (na escrita. Mas: Não se confrontarão os resultados.

A vida pode trazer-lhe surpresas. ou seja. Posso dar-lhe garantia total. Exemplo: Em dias de lua cheia. o pronome se coloca antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. admite-se qualquer colocação do pronome. .” – próclise obrigatória por força do advérbio de negação. o uso da próclise é mais frequente.Nas locuções verbais. ele fica muito feliz. Segundo a norma culta. pode ver-se a estrada mesmo com os faróis apagados. que são: . o uso da próclise antes do verbo principal. o pronome não se liga por hífen ao verbo auxiliar: Nunca posso te negar isso. . 70 Didatismo e Conhecimento . este pode vir entre elas. Quando há duas partículas atraindo o pronome oblíquo átono. não se inicia frase com pronome oblíquo átono.os pronomes indefinidos quanto/ como. Em dias de lua cheia. É possível. restrita a contextos literários. Mas.Proclítica: Eu não vo-lo disse? . conjunção) atraem o pronome. .Enclítica: A correspondência.Sem atração nem pausa: quando a locução verbal não vem precedida de palavra atrativa nem de pausa. alguns pronomes que não se flexionam. pode-se ver a estrada mesmo com faróis apagados. na variante culta escrita.No início de frases ou depois de pausa:Vão-se os anéis. o pronome após o verbo.Os pronomes oblíquos átonos combinam-se entre si em casos como estes: me + o/a = mo/ma te + o/a = to/ta lhe + o/a = lho/lha nos + o/a = no-lo/no-la vos + o/a = vo-lo/vo-la Tais combinações podem vir: . Por “palavras invariáveis”.Com palavras atrativas: quando a locução vem precedida de palavra atrativa. . Exemplo: Posso-lhe dar garantia total. alguns pronomes. Não haviam convidado-o.entendemos os advérbios. aquilo. entregaram-lha há muito tempo. No Brasil.” – próclise obrigatória por força da conjunção. que deve ser conhecida: Há males que se não curam com remédios. a regra será ênclise. como o pronome relativo que.No início da oração ou depois de pausa: quando a locução se situa no início da oração. ficam os dedos. Não o haviam convidado. nesses casos.Quando o verbo auxiliar de uma locução verbal estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito. Decorre daí a afirmação de que. onde essa colocação é mais comum. (errado). Exemplo: A vida lhe pode trazer surpresas. Exemplo: Nunca te posso negar isso.LÍNGUA PORTUGUESA Espero com isto não magoar-te. A vida pode-lhe trazer surpresas. Nesse caso. . o pronome pode vir em mesóclise em relação a ele: Ter-nos-ia aconselhado a partir. Causou-me surpresa a tua reação. a regra é a ênclise. isto.Palavras invariáveis (advérbios.Exemplos: “Elenão se encontrou com a namorada. Isso tem origem em Portugal. . A mesma norma é válida para os casos em que a locução verbal vem precedida de pausa. Nunca posso negar-te isso. Observações . como devemos abordar os aspectos formais da língua. as conjunções. jamais se usa pronome oblíquo átono depois do particípio. não se usa o pronome antes do verbo auxiliar.os pronomes demonstrativos isso. . usando próclise em situações excepcionais. Poderíamos dizer também: Há males que não se curam com remédios. (correto). por apresentar maior informalidade.Há uma colocação pronominal. “Quando se encontra com a namorada. O Pronome Oblíquo Átono nas Locuções Verbais .Mesoclítica: Dir-vo-lo-ei já.

02. como a da questão. o sentimento de superioridade do qual o discurso de Mitterrand era uma clara manifestação. d) Os candidatos em cujos argumentos são fracos costumam valer-se da oposição entre o certo e errado à qual se apóiam os maniqueístas. “Recolher-me-ei à minha insignificância” (Nãopoderia ser“recolherei-me” nem “Me recolherei”). no caso dos futuros. Exemplos: “Concedida a mim a licença.).Orações exclamativas (“Vou te matar!”) ou que expressam desejo. e) A certeza em que ninguém mais pode fugir é a do valor inestimável da água. e é por isso que nele se acentua o pensador político” – uma oração subordinada causal. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase: a) A diferenciação entre profissionais. b) A frase de Mitterrand na qual se arremeteu o candidato Giscard não representava. uma posição com a qual ninguém pudesse discordar. de cujo depende o rumo do processo civilizatório. c) A frase de cujo teor Giscard discordou revelava.Iniciar período com pronome (a forma correta é: Dá-me um copo d’água.Após verbo no particípio. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase: a) O autor preza a discussão à qual se envolvem os moradores de um condomínio. emprega-se o pronome em mesóclise. Exercícios 01. no futuro do presente e no futuro do pretérito. como também não houve os mesmos na de Schwarzenegger. b) O candidato a que devotamos nosso respeito tem uma história aonde os fatos nem sempre revelam uma conduta irrepreensível. numa época onde impera a globalização. exige a próclise.” (Não poderia ser “concedida-me” – após particípio é proibido - nem “me concedida” – iniciar período com pronome é proibido). e) O comportamento dos condôminos cuja a disposição é o consenso deveria servir de exemplo ao dos candidatos que seu único interesse é ganhar a eleição. b) A cadeia econômica à qual o texto faz referência tem na água seu centro vital. d) A água é um elemento cujo o valor ninguém mais põe em dúvida. b) Se há apenas avanço técnico. de fato. à que o autor faz referência. 03. para o qual se deve estar sempre alerta. quando os anima a aspiração de um consenso. Didatismo e Conhecimento 71 . Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na seguinte frase: a) A simpatia de que não goza um ator junto ao eleitorado é por vezes estendida a um político profissional sobre cuja honestidade há controvérsias. . 04.. as demandas sociais ficarão sem o atendimento a que são carentes. . Com essas formas verbais. de cuja necessidade não há quem discorde. A expressão sublinhada está empregada adequadamente na frase: a) A inesgotabilidade da água é uma ilusão na qual não podemos mais alimentar. pude começar a trabalhar. c) Reagan teve uma carreira de ator em cuja não houve momentos brilhantes.). modifica-se a estrutura (troca o “me” por “a mim”) ou.. Permita-me fazer uma observação. chamadas de optativas (“Que Deus o abençoe!”) – próclise obrigatória. c) As razões porque a globalização não distribui a riqueza prendem-se à relação mecânica entre oferta e demanda. cuja a crueldade é notória.Orações subordinadas – (“. c) Os maus tempos dos quais estamos atravessando devem-se a uma falta de previsão. e) Os atores sobre os quais se fez menção no texto construíram uma carreira cinematográfica de cujo sucesso comercial ninguém pode discutir. deve prever qualquer impacto ecológico.LÍNGUA PORTUGUESA . d) Há uma ambivalência em relação aos atores na qual espelha a divisão entre o respeito e o menosprezo que deles costumamos alimentar. de fato. d) Os tecnocratas maliciosos imputam para o exercício da democracia os desajustes econômicos em que assolam os excluídos da globalização. usa-se a próclise (desde que não caia na proibição acima). e) O aumento da produção. Emprego Proibido: . tem como critério um padrão ético.

.junto aos .evapora rapidamente. de que não relutamos em vender.. b) não ocorrendo-lhe . razão pela qual a estratégia Neoliberal convoca esses sonhos. não ocorrendo ao czar que.os realizaremos 10. d) As medidas repressivas de que o Estado vem se valendo em nada contribuem para o encaminhamento das soluções a que os desempregados aspiram.destes .realizaremo-los c) há-os . ___ votos ele depende para permanecer na empresa. de cuja frieza vem fazendo um sem-número de vítimas. respectivamente. 06. As razões ___ ele deverá invocar para justificar o que fez não alcançarão qualquer ressonância ___ membros do Conselho.de cujos b) de que . .Essa chuva ..levá-las. por a) onde . dificilmente será paga pelo valor em que nos satisfaremos.em vista dos .os convoca .em cujos e) que . a qual se refere o autor do texto. 07.destes . atribui a esses sonhos um valor incomensurável.as levar-lhes.realizaremo-los b) os há . d) não ocorrendo-o .dos mesmos . os excluídos acendem fogueiras cujo o vigor fala por si só.convoca-lhes . o Estado deixa de cumprir o papel social de que tantos estão contando. de cuja poucos vêm desfrutando. e alude às criaturas desesperadas cujo o rumo é inteiramente incerto. e) não lhe ocorrendo . causando mais chuva.As lacunas da frase acima estão corretamente preenchidas. Sonhos não faltam..os realizaremos e) há-os . na ordem dada. ao longo da vida. É adequado o emprego de ambas as expressões sublinhadas na frase: a) As fogueiras de quetodos testemunhamos nos noticiários da TV constituem um sinal a quem ninguém pode ser insensível.. ao qual muita gente foi complacente..para com os .de tais . .. sabendo que nunca realizaremos esses sonhos. c) Os objetivos de que se propõem os neoliberais não coincidem com as necessidades por cujas se movem os “cidadãos descartáveis”. e) A força do nosso trabalho.lhes atribui . c) lhe não ocorrendo . A maior parte da água da chuva é interceptada pela copa das árvores.atribui-lhes .diante dos .A água da chuva .junto aos .que o d) que elas . oselementos sublinhados por. as expressões: a) a que .. O czar caçava homens. b) A expressão de Elio Gaspari.cujo c) em que . é “cidadãos descartáveis”.lhes convoca .Aquela chuva .de quem os d) às quais ... se caçassem andorinhas e borboletas. e) Diante da pujança do Mercado europeu.cujos os c) que . de forma correta.levá-las.atribui-lhes . Respostas:01-B / 02-C / 03-E / 04-A / 05-D / 06-D / 07-E / 08-E / 09-E / 10-E / Didatismo e Conhecimento 72 . respectivamente. parecendo-lhe uma barbaridade levar andorinhas e borboletas à morte.... b) O encolhimento do Estado. são projeções de anseios cujo destino não é a satisfação conclusiva.as levarem.os atribui – realizá-los-emos d) há estes .dos cujos . c) Com essa sua subserviência.os convoca . abriu espaço para a lógica do mercado. o que não ocorre em áreas desmatadas.levar-lhes. a) não o ocorrendo . d) As miragens a que nos prendemos. Evitam-se as viciosas repetições dos elementos sublinhados na frase acima substituindo-os. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase: a) Os sonhos de cujos nós queremos alimentar não satisfazem os desejos com que a eles nos moveram.atribui-lhes .que o b) nas quais . por: a) há eles . . respectivamente.convoca-os . há sonhos dentro de nós e por toda parte. cobrem toda a região.Essa água – cujo 08.aonde e) que .A chuva .LÍNGUA PORTUGUESA 05. solo é pobre em matéria orgânica. em vez de homens.Evitam-se as repetições viciosas da frase acima substituindo-se. pela qual muitos se insurgem..de cujos 09. Preenchem de modo correto as lacunas da frase acima..

por exemplo. os nomes mencionados pela primeira vez na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido. deveria adicionar. A coesão textual é a ligação. um fenômeno de coesão. quando se diz que se adiciona o açúcar. polvilhe a canela. a de indicar que o termo determinado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera menção. para antecipar outros são chamados catafóricos. Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes e modo de preparar. expressões ou frases do texto. Adicione o açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. o qual exerce. a conexão entre palavras. p. expressões ou frases e encadeamento de segmentos. Observe: “O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações.LÍNGUA PORTUGUESA 13.” Nesse período. o artigo citado na primeira parte. que segurava na mão. entre outras funções. No nosso texto. o pronome demonstrativo “estas” retoma o termo mulheres. Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada ou antecipação de palavras. agosto de 1999. o pronome relativo “que” estabelece conexão entre as duas orações. O pronome relativo é um elemento coesivo. verbos ou advérbios) “No mercado de trabalho brasileiro. os que servem para anunciar. Coesão Uma das propriedades que distinguem um texto de um amontoado de frases é a relação existente entre os elementos que os constituem. a relação. Cozinha Clássica Baixo Colesterol. Despeje em um recipiente. Os termos que servem para retomar outros são denominados anafóricos. a pitada de sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. ARGUMENTAÇÃO. acrescente o arroz. São Paulo. abandonar a faculdade no último ano?” Didatismo e Conhecimento 73 . Leia o texto que segue: Arroz-doce da infância Ingredientes 1 litro de leite desnatado 150g de arroz cru lavado 1 pitada de sal 4 colheres (sopa) de açúcar 1 colher (sobremesa) de canela em pó Preparo Em uma panela ferva o leite. ainda hoje não há total igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ganham menos do que aqueles em cargos equivalentes. No exemplo a seguir. Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical (pronome. e a conexão entre as duas orações. Se dissesse apenas adicione açúcar. que servem para estabelecer vínculos entre os componentes do texto. COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL. desta antecipa abandonar a faculdade no último ano: “Já viu uma loucura desta. pois se trataria de outro açúcar. enquanto “aqueles” recupera a palavra homens. diverso daquele citado no rol dos ingredientes. O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações e segurava na mão. nº4.” Nesse período. InCor. Ela manifesta-se por elementos gramaticais. 42. Sirva. Nesta. retomando na segunda um dos termos da primeira: bloquinho. As informações apresentadas na primeira são retomadas na segunda.

há uma ruptura de coesão.Em princípio. lá). a. “Fui ao cinema domingo e. “O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos funcionários do palácio. o termo a que o anafórico se refere deve estar presente no texto. porque eram 21 horas e ela não havia comparecido. o ator principal brigou com o diretor por causa da sua arrogância. Exemplos: “Ele era muito diferente de seu mestre. lhe. deverão ser precedidas do artigo definido. em termos de valor referencial. as.” O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator quanto a diretor. Pode ocorrer. os pronomes indefinidos. a um termo já mencionado.” Por dados do contexto cultural. Exatamente por isso. Didatismo e Conhecimento 74 . não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafórico. os pronomes pessoais de 3ª pessoa (ele. Começou a namorá-la há vários meses.” A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugurar e seu complemento.” O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema. o verbo fazer. Quando elas forem retomadas. o sentido da frase fica totalmente prejudicado: não há possibilidade de se depreender o sentido desse pronome. mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que se inscreve o texto. pois este é que tem a função de indicar que o termo por ele determinado é idêntico. a carteira tinha muito dinheiro dentro.” .” O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre. certos advérbios ou locuções adverbiais (nesse momento. . o artigo definido. Curiosamente. lhes). como neste exemplo: “André é meu grande amigo. fiquei desanimado com a fila. É o caso de um exemplo como este: “O casamento teria sido às 20 horas. É preciso que o texto seja escrito de tal forma que o leitor possa determinar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico. .” O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens. que o anafórico não se refira a nenhuma palavra citada anteriormente no interior do texto. pois não está retomando nenhuma das palavras citadas antes. mas nem um documento sequer. estando presente o noivo. o. em dado contexto. senão a coesão fica comprometida. então. o pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de Assis.LÍNGUA PORTUGUESA São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos. porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. “O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. o desespero só pode ser pelo atraso da noiva (representada por “ela” no exemplo citado). Num casamento.O artigo indefinido serve geralmente para introduzir informações novas ao texto. elas o veem como um pensador cín iço e descrente do amor e da amizade. “Durante o ensaio. “Os dois homens caminhavam pela calçada.Quando. os.” A rigor. O noivo já estava desesperado. o anafórico pode referir-se a dois termos distintos. os pronomes relativos. a quem sucedera na cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.” O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas. e o fará para demonstrar seu apreço aos servidores. ambos trajando roupa escura. sabe-se que o pronome “ela” é um anafórico que só pode estar-se referindo à palavra noiva. chegando lá. no entanto. “As pessoas simplificam Machado de Assis.

No trecho transcrito a seguir. Permutando o anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”. pois toda rosa é uma flor. essa ambiguidade seria desfeita.” A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o último período e o que vem antes dele. a fleuma (secreção pulmonar). “Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do homem era regido por humores (fluidos orgânicos) que percorriam. abril de 1970. fica claro o uso da repetição da palavra vice e outras parecidas (vicissitudes. que recupera os hipônimos estrelas. quer por uma substituição por sinônimo. pois. hipônimo ou antonomásia. “Ele é um hércules (=um homem muito forte). em maior ou menor intensidade em nosso corpo. necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e no mundo. os planetas. “Observava as estrelas. Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma relação do tipo contém/está contido. Deve receber ministros. satélites. visitantes estrangeiros. planetas. “Um presidente da República tem uma agenda de trabalho extremamente carregada. hiperônimo. O significado do termo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa. a bile amarela e a bile negra. alegre e contente. Retomada por palavra lexical (substantivo. ao Fogo (quente) e à Terra (frio).” Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo amiga ou a ex-namorado.18. Nesse texto. nº3. In: Revista Vozes. à Água (úmido). principalmente. ou sentido bastante aproximado: injúria e afronta. parlamentares. vicejam.LÍNGUA PORTUGUESA “André brigou com o ex-namorado de uma amiga. É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras. entre o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos. E eram também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco). Referência à força física que caracteriza o herói grego Hércules. a ligação entre o segundo e o primeiro períodos se faz pela repetição da palavra humores. p. precisa a todo momento tomar graves decisões que afetam a vida de muitas pessoas. Eram quatro os humores: o sangue. os satélites.” Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado pela liberdade na Europa e na América. viciem). Os astros sempre o atraíram. respectivamente. adjetivo ou verbo) Uma palavra pode ser retomada. que trabalha na mesma firma. constituirá uma falha de estilo. Ela ocorre. se ela não for usada para criar um efeito de sentido de intensificação.” Ziraldo. Antonomásia é a substituição de um nome próprio por um nome comum ou de um comum por um próprio. embaixadores. Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros. Flor é. Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma relação do tipo está contido/contém. Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que possui o mesmo sentido que outra. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas da noite. com a evidente intenção de ridicularizar a condição secundária que um provável flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente: Didatismo e Conhecimento 75 . e esta palavra é hipônimo daquela. mas nem toda flor é uma rosa. quando uma pessoa célebre é designada por uma característica notória ou quando o nome próprio de uma personagem famosa é usada para designar outras pessoas que possuam a mesma característica que a distingue: “O rei do futebol (=Pelé) som podia ser um brasileiro.” “O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa recente minissérie de tevê. hiperônimo de rosa. ou apenas existiam. pois. por exemplo. que por uma repetição.

fica subentendido. In: Folha de S. ou seja. Essas relações exercem função argumentativa no texto. Na frase “O time apresentou um bom futebol. condição. Coesão por Conexão Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela concatenação ou relação entre segmentos do texto. Por exemplo. Didatismo e Conhecimento 76 . portanto teríamos uma preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. consequência. é omitido por ser facilmente presumível. antes das aspas. conclusão. é o sujeito meu pai que vem elidido (ou apagado) antes de sentiu e parou: “Meu pai começou a andar novamente. para assegurar a coesão. São vicissitudes que vicejam. mas não alcançou a vitória”. Paulo. por isso os operadores discursivos não podem ser usados indiscriminadamente. fitando o sol. Espero que não viciem. Faltam-me provas. acrescentando a preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos palpiteiros e os dispenso sem dó). 08/03/2000. no Carioca de basquete. mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista. Nesses casos. 4-7. que se faça correlação com outros termos presentes no contexto.III. No exemplo que segue. Se fosse utilizado.” Pode ocorrer também elipse por antecipação. Rio de Janeiro. p. e o preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige. nesse caso. isto é. no complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo verbo implicar. Afinal.) Mas a lua.” Segundo o texto. o verbo dizer. ora. no entanto aparece apenas depois do segundo verbo: “Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preferido. o conector “mas” está adequadamente usado. aquela promoção é complemento tanto de querer quanto de desejar. Nesse caso. A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode ser facilmente recuperado pelo contexto. Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. desejava ardentemente aquela promoção. e a elipse retoma o complemento inteiro. Veja que. Também constitui um expediente de coesão. como contrariedade. 151. Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: estabelecem entre elas relações semânticas de diversos tipos. no entanto. Eurico nasceu para ser vice: é vice-presidente do clube. sentiu a pontada no peito e parou. pois esse operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa. v. que seria enunciado antes daquilo que disse a lua. Nova Aguilar. diferentemente.. no exemplo abaixo. no Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. pois o verbo conhecer rege complemento não introduzido por preposição. necessariamente. queria muito. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal. vice-campeão carioca e bivice-campeão mundial. o recomendável é colocar o complemento junto ao primeiro verbo. etc. p. pois ele liga dois segmentos com orientação argumentativa contrária. com azedume: “Mísera! Tivesse eu aquela enorme. e retomá-lo após o segundo por um anafórico. contudo.. a coesão é rompida.LÍNGUA PORTUGUESA “Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Por exemplo: visto que. não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”. pois é o apagamento de um termo que seria repetido. o conector “portanto”. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discursivos. que toda a luz resume!” Obra completa. aquela Claridade imorta. ou referidos na situação em que se desenrola a fala. causa. respeitando sua regência. 1979. por exemplo. Em “Implico e dispenso sem dó os estranhos palpiteiros”. sendo o segmento introduzido por ele a conclusão do anterior. José Roberto Torero.” Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm regência diferente. até. Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”. de Machado de Assis: (. o resultado seria um paradoxo semântico.

também. tanto. uma verdade universalmente aceita): logo. . ou seja. pelo menos. Didatismo e Conhecimento 77 . que têm orientação argumentativa diferente: ou.Disjunção Argumentativa: há também operadores que indicam uma disjunção argumentativa.” Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de trabalho. supõe que há uma escala argumentativa (por exemplo. seja. Esses operadores introduzem novos argumentos. mas também. O último deles é introduzido por “e também”. por outro lado.Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam uma conjunção argumentativa. ajudei a separar a briga. pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor positivo. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e continuou seu discurso”. porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da exposição.Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa série de argumentos orientados para uma mesma conclusão.. até mesmo. mesmo. conhece bem o assunto de que fala e é até sedutor. ser presidente da empresa) e que se está usando o menos forte. . ou então. por manifestar uma voz geral..” Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirmação exposta no primeiro período.. dentro dessa série. fazem uma conexão entre segmentos que levam a conclusões opostas. não significam. subentende que há argumentos mais fortes para comprovar que ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe (por exemplo. caso contrário.. no mínimo.” Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão. quer. a par de. Chegará a ser pelo menos diretor da empresa. não é moralmente defensável.” Toda a série de qualidades está orientada no sentido de comprovar que ele é bom conferencista. no máximo. não só. “Essa guerra é uma guerra de conquista. . é muito respeitado pelos funcionários e também é muito querido pelos alunos. em dois subtipos: os que indicam o argumento mais forte de uma série: até. “Se alguém pode tomar essa decisão é você. ou seja.Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão em relação ao que foi dito em dois ou mais enunciados anteriores (geralmente. uma das afirmações de que decorre a conclusão fica implícita. Você é o diretor da escola. ao contrário. para que ele não apanhasse. Por conseguinte.” O argumento introduzido por ao contrário é diametralmente oposto àquele de que o falante teria agredido alguém. “Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita. quer. “Ele não é bom aluno.. por conseguinte... seja. fazer uma faculdade) e que se está usando o argumento menos forte da escala no sentido de provar a afirmação anterior. ligam um conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e. Ou seja.. “Não agredi esse imbecil. inclusive. No máximo vai terminar o segundo grau. Não teria cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e escondeu o choro que tomou conta dele”. quando muito. em hipótese nenhuma. ainda. só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que representam uma progressão discursiva. e os que subentendem uma escala com argumentos mais fortes: ao menos. pois visa ao controle dos fluxos mundiais de petróleo. Ao contrário. é bem articulado. que indica um argumento final na mesma direção argumentativa dos precedentes.LÍNGUA PORTUGUESA . além de. no máximo e quando muito estabelecem ligação entre argumentos de valor depreciativo. pois (o pois é conclusivo quando não encabeça a oração). Dividem-se eles. ao menos. “Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. portanto. ser sedutor é considerado o argumento mais forte. como.” No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ter muita dificuldade de aprender. nem. a repetição do que já foi dito.

. Com as conjunções concessivas. Didatismo e Conhecimento 78 . posto que. por isso. (do) que. como. todavia. devem arcar sozinhos com os custos da guerra. quanto. Quando se usam as conjunções adversativas. No primeiro caso.. mais. seu argumento seria contra a necessidade da promoção. __Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os do time principal. com vistas a uma conclusão contrária ou favorável a certa ideia: tanto. mas se levanta mais decidido a vencer.Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam uma relação de contrajunção. que ligam enunciados com orientação argumentativa contrária. prevalece a orientação do segmento introduzido pela conjunção. trata-se de capacidades diferentes.. Suponhamos. Compare-se. superioridade ou inferioridade entre dois elementos. que. enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas. são as conjunções adversativas (mas. pelo menos. que o técnico tivesse invertido os segmentos na sua fala: “__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das divisões de base.. isto é. já que. se bem que). pois ele declara que qualquer atleta das divisões de base tem. o seguinte diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de futebol: “__Precisamos promover atletas das divisões de base para reforçar nosso time. pois. entretanto. os segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista sintático.” O comparativo de igualdade tem no texto uma função argumentativa: mostrar que o problema da fuga de presos cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários. mas não o são do ponto de vista argumentativo.” Nesse caso. a orientação argumentativa que predomina é a do segmento não introduzido pela conjunção. .” Nesse caso. mas é simpática”. “Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramática. no segundo. Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões opostas: Imagine-se. que a falta de beleza perde relevância diante da simpatia.” Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos com o custo da guerra contra o Iraque.Comparação: outros importantes operadores discursivos são os que estabelecem uma comparação de igualdade. “Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves quanto maior for a corrupção entre os agentes penitenciários. “O atleta pode cair por causa do impacto. ainda que. a oração principal conduz à direção argumentativa contrária. contudo. apesar de.. introduz-se um argumento com vistas a determinada conclusão.. “Ela é simpática.Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem uma explicação ou uma justificativa em relação ao que foi dito anteriormente: porque. pois não há igualdade argumentativa proposta. mas não é bonita” com “Ela não é bonita.LÍNGUA PORTUGUESA . tão. “Tanto maior será a corrupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da fuga de presos”. agora. a primeira oração conduz a uma conclusão negativa sobre um processo ocorrido com o atleta. porém) e as concessivas (embora. Essa segunda orientação é a mais forte. por exemplo. apesar de que. conquanto. apresentar um argumento decisivo para uma conclusão contrária. . no entanto. o mesmo nível dos do time principal. pois ele estaria declarando que os atletas do time principal são tão bons quanto os das divisões de base. se tanto umas como outras ligam enunciados com orientação argumentativa contrária? Nas adversativas. para. “Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização da ONU. o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza. em seguida. o argumento do técnico é a favor da promoção. o que significa que estes não primam exatamente pela excelência em relação aos outros. por exemplo.” A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação argumentativa no sentido de que saber escrever e saber gramática são duas coisas interligadas.” Nesse caso.

ao contrário. Exemplo: Didatismo e Conhecimento 79 . é verdade que. isto é. como aliás o são todos os que atualmente militam no nosso futebol. essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma. também. Esses operadores servem também para marcar um esclarecimento. “Ele é um técnico retranqueiro. como. . é de estratégia argumentativa. realmente. A diferença entre as adversativas e as concessivas. Exemplo: “Vou-me casar neste final de semana. Por exemplo. além disso. mas a realidade mostrou-se mais complexa (argumento mais forte). será anulado por outro mais forte com orientação contrária. Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do conteúdo de verdade de um enunciado.Generalização ou Amplificação: existem operadores que assinalam uma generalização ou uma amplificação do que foi dito antes: de fato. é crescente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em toda sorte de delitos. mas apresentando-o como se fosse um acréscimo.” . Compare os seguintes períodos: “Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco). vou passar a viver junto com minha namorada. “O problema da erradicação da pobreza passa pela geração de empregos. De fato. “A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas entre as camadas mais pobres da população. uma redefinição do conteúdo enunciado anteriormente. embora tido como verdadeiro.Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma retificação. uma correção do que foi afirmado antes: ou melhor. em outras palavras. De fato. O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: não “ele”. quer dizer. pelo contrário. como aliás. de fato. recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e. “Ele está num período muito bom da vida: começou a namorar a mulher de seus sonhos. exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenômeno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”.” O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito antes. além de tudo.” O operador discursivo introduz o que se considera a prova mais forte de que “Ele está num período muito bom da vida”. ganhou uma bolada na loteria.Argumento Decisivo: há operadores discursivos que introduzem um argumento decisivo para derrubar a argumentação contrária. os interesses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.Especificação ou Exemplificação: também há operadores que marcam uma especificação ou uma exemplificação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo. só o crescimento econômico leva ao aumento de renda da população. dos menos aos mais graves. . ademais. no entanto. Ou melhor.” O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito antes. além disso. mas todos os técnicos do nosso futebol são retranqueiros. como se fosse apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais. foi promovido na empresa. a estratégia argumentativa é a de introduzir no texto um argumento que.LÍNGUA PORTUGUESA Quando se utilizam conjunções concessivas. a realidade mostrou-se mais complexa (argumento mais forte).” O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes. Exemplo: “A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas corridas de Fórmula 1 não vingou. um desenvolvimento. ou seja. portanto. .” “O exército planejou minuciosamente a operação (argumento mais fraco).” Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica.

Assim. os operadores discursivos não explicitados na superfície textual.Sequenciadores para Introdução: são os que. servem para introduzir um tema ou mudar de assunto: a propósito. vírgula. em seguida. atacou de surpresa. marcada ou não com sequenciadores.Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem dos assuntos numa exposição: primeiramente. ele esteve conosco.” . há uma lareira.Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterioridade. cada parlamentar vota segundo seus interesses e não de acordo com um programa partidário. uma confirmação. não há bases governamentais sólidas.” Didatismo e Conhecimento 80 . etc. dois-pontos. Coesão por Justaposição É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enunciados. uma semana antes. a seguir. (. uma ilustração do que foi afirmado antes: assim. (são utilizados predominantemente nas narrações). sustentam uma cúpula oval de forma ligeira. Examinemos os principais sequenciadores. não fez o que exige hoje que o governo faça. Estava alegre e cheio de planos para o futuro. na conversação principalmente. 1992.Explicação: há operadores que desencadeiam uma explicação. finalmente. “O exército inimigo não desejava a paz. junto de.” José de Alencar. duas estatuetas de bronze dourado. suas políticas iam na direção contrária do que prega atualmente. pelos sinais de pontuação: ponto-final.. ponto-e-vírgula. “A um lado. finalmente.. um pouco mais tarde. . etc. . enquanto se processavam as negociações. representando o amor e a castidade. “Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pessoas.” O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado antes.LÍNGUA PORTUGUESA “Quando a atual oposição estava no comando do país. Senhora. A propósito. à direita. concomitância ou posterioridade: dois meses depois. desse modo. etc.” .) Do outro lado. Sem a existência da fidelidade partidária. Nesses casos. os lugares dos diferentes conectores estarão indicados. portanto. para a vida cotidiana de todos os habitantes do planeta. (são usados principalmente nas descrições).” . era um homem que sabia agradar às mulheres. dessa maneira. Assim. donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa finíssima. p. o leitor deverá inferir. . a partir da ordem dos enunciados. na escrita. Ao contrário. mas voltando ao assunto. “Para mostrar os horrores da guerra. etc. fazendo um parêntese. FTD.Operadores discursivos não explicitados: se o texto for construído sem marcadores de sequenciação. que o dispensa nosso ameno clima fluminense. inicialmente.Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição relativa no espaço: à esquerda. em segunda. 77. discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha. das agruras por que passam as populações civis. não de fogo. “Uma semana antes de ser internado gravemente doente. “A reforma política é indispensável. exporei suas consequências para a economia mundial e. O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito antes. falarei. por falar nisso. ainda na maior força do inverno. São Paulo.

No entanto. Observe-se que falta o predicado da primeira oração. isto é.LÍNGUA PORTUGUESA Esse texto contém três períodos. Para que um conjunto de frases constitua um texto. Amadeu Participam a V. Portanto o ponto-final do primeiro período está no lugar de um porque. mesmo que aparentemente organizadas. Exemplo: “Vivo há muitos anos em São Paulo. Outra falha comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensáveis da oração ou do período. O feliz nascimento De sua filha Gilberta Didatismo e Conhecimento 81 . não basta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade de sentido.” Todas as frases são coesas. estabelecendo uma relação entre o segundo e o primeiro períodos. relacionando o quarto período ao terceiro. O segundo indica a causa de a reforma política ser indispensável. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão. esse conjunto não é um texto. e a Sra. é condição necessária. A coesão. Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos longos. Exa. Quem escreveu o período começou a encadear orações subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal.que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da primeira oração) . elas não passarão de um amontoado injustificado. pois não apresenta unidade de sentido. O hiperônimo cidade retoma o substantivo São Paulo. mas não suficiente. não tem coerência. Mostramos que o uso inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram rupturas na coesão.As empresas . portanto. a não ter o sentido desejado. o que leva o texto a não ter sentido ou. mesmo quando se elaboram períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que suas partes estejam bem conectadas entre si. para produzir um texto. pelo menos. Coerência Infância O camisolão O jarro O passarinho O oceano A vista na casa que a gente sentava no sofá Adolescência Aquele amor Nem me fale Maturidade O Sr. A língua tem um grande número de conectores e sequenciadores. vinculando o terceiro ao segundo período.” O período compõe-se de: . Também o Rio de Janeiro tem favelas. No entanto. A cidade tem excelentes restaurantes. O operador também realiza uma conjunção argumentativa.que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada adjetiva restritiva da terceira oração). O pronome “ela” recupera a palavra cidade. Ela tem bairros muito pobres. Apresentamos os principais e explicamos sua função.que apoiariam a campanha de combate à fome (oração subordinada substantiva objetiva direta da segunda oração) . Analisemos este exemplo: “As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de combate à fome que foi lançada pelo governo federal.

Esse fato. Talvez o que mais chame a atenção nesse poema. Colocar a participação formal do nascimento da filha. da continuidade semântica. uma frase em que falta um nexo sintático. A. relações sociais sob o capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si. Durigan. isto é. Poesias reunidas. A primeira é caracterizada pelas descobertas (o oceano). as quatro estações. das relações subjacentes ao texto. configura um texto incoerente. vemos três temas (direito de opção. uma oração completa. que predomina o capitalismo. No entanto. B. 1974. Nesses parágrafos. e a quarta. M. mesmo sem a presença explícita de marcadores de relação entre as diferentes unidades linguísticas. sob o título “Maturidade” dá a conotação da responsabilidade habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido unitário. em síntese. de que não se quer mais falar. que certamente a criança quebrara. A coerência é um fator de interpretabilidade do texto. impede a apreensão do todo e. p. pois possibilita que todas as suas partes sejam englobadas num único significado que explique cada uma delas. A magia da mudança. No poema acima. a segunda é caracterizada por amores perdidos. p. pela condescendência para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir a ação). Rio de Janeiro Civilização Brasileira. percebemos nele um sentido unitário. a terceira. à luz do qual cada uma das partes ganha sentido. prejudicando a continuidade semântica entre as partes. A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. A primeira parte é uma sucessão de palavras. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma profissão para me realizar e ser independente financeiramente. 160-161. 53. No país em que vivemos. Com essa informação.LÍNGUA PORTUGUESA Velhice O netinho jogou os óculos Na latrina Oswaldo de Andrade. o mais rico sempre é quem vence! Apud: J. Didatismo e Conhecimento 82 . como outros do mesmo tipo. 1987. Que é a unidade de sentido resultante da relação que se estabelece entre as partes do texto. apesar da falta de marcadores de coesão entre as partes? A explicação está no fato de que ele tem uma qualidade indispensável para a existência de um texto: a coerência. da coerência. os subtítulos “Infância”. Quando esse sentido não pode ser alcançado por faltar relação de sentido entre as partes. Unicamp. Em outros termos. Esse texto. a participação do nascimento de uma filha. ou seja. vários tipos de relação entre as partes que o compõem. Campinas. Vieira (orgs). adolescência e escolha profissional. a última. lemos um texto incoerente. podemos imaginar que se trata de flashes de cada uma das quatro grandes fases da vida: a infância. costuma-se falar em vários níveis de coerência. De repente vejo que não sou mais uma “criancinha” dependente do “papai”. a segunda. F. a terceira. pois esta depende. ao menos à primeira vista. sobretudo se soubermos que o seu título é “As quatro gares”. a adolescência. Uma ideia ajuda a compreender a outra. na verdade. 4ª Ed. seja a ausência de elementos de coesão. o passarinho que ela caçara) e por experiências marcantes (a visita que se percebia na sala apropriada e o camisolão que se usava para dormir). M. a maturidade e a velhice. por isso. produzindo um sentido global. quer retomando o que foi dito antes. como este: A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a mediocridade de uma vida que se acomoda e a grandeza de uma vida voltada para o aprimoramento intelectual. da não-contradição entre as partes. Como se explica que sejamos capazes de entender esse poema em seus múltiplos sentidos. pela formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação formal do nascimento da filha. e. “Maturidade” e “Velhice” garantem essa unidade. por ações (o jarro. por exemplo. quer encadeando segmentos textuais. Há no texto. Abaurre e Y. comprova que um conjunto de enunciados pode formar um todo coerente mesmo sem a presença de elementos coesivos. porém aparentemente desgarrada das demais. portanto. “Adolescência”. a coesão funciona apenas como um mecanismo auxiliar na produção da unidade de sentido.

por isso. condenado à morte”. morenas. Em outros termos. O Paraná tinha tomado um balaio de gols do Guarani de Campinas. é preciso que ele tenha competência para tanto. é necessário reabilitar as áreas que contam com abundante oferta de serviços públicos. então. depois. In: Folha de Londrina. Para que o leitor possa perceber o tema que está sendo veiculado por uma série de figuras encadeadas. A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anteriormente também constitui incoerência.” Ernâni Buchman. porcelana finíssima. flores. Edinho não teve dúvida sobre os motivos: __ Como a gente já esperava.” Coerência Figurativa A coerência figurativa refere-se à compatibilidade das figuras que manifestam determinado tema. não se pode concluir nada com certeza baseado em duas premissas particulares. é incoerente dizer que via as pessoas com tanta nitidez. fomos surpreendidos pelo ataque do Guarani. entrevistado por um repórter da Rádio Cidade. se nega a competência para a realização de um desempenho qualquer. que eram ruivas. incluísse no percurso figurativo guardanapos de papel. depois de falar de baixela de prata. candelabros. ou seja. do Paraná Clube. O repórter queria saber o que tinha acontecido. Não se pode ser surpreendido com o que já se esperava que acontecesse. Didatismo e Conhecimento 83 . ele diz que se encostou a uma coluna e passou a observar as pessoas. estas precisam ser compatíveis umas com as outras. Da mesma forma. de repente. o senhor é a favor ou contra o pagamento de pedágio para circular no centro da cidade? __ É preciso melhorar a vida dos habitantes das grandes cidades. num raciocínio como este: Há muitos servidores públicos no Brasil que são verdadeiros marajás. Coerência Temporal Por coerência temporal entende-se aquela que concerne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos enunciados do ponto de vista de sua localização no tempo. O candidato a governador é funcionário público. Portanto o candidato é um marajá. toalhas de renda.LÍNGUA PORTUGUESA Coerência Narrativa A coerência narrativa consiste no respeito às implicações lógicas entre as partes do relato. a espessa fumaça impedia que se visse qualquer coisa. é incoerente defender o respeito à lei e à Constituição Brasileira e ser favorável à execução de assaltantes no interior de prisões. dizer: “O assassino foi executado na câmara de gás e. Seria estranho (para dizer o mínimo) que alguém. Observe outro exemplo: “Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano. Por exemplo. Não é possível alguém dizer que é a favor da pena de morte porque é contra tirar a vida de alguém. loiras. Isso por respeito às leis da coerência narrativa. Não se poderia. por exemplo. A degradação urbana atinge a todos nós e. Coerência Argumentativa A coerência argumentativa diz respeito às relações de implicação ou de adequação entre premissas e conclusões ou entre afirmações e consequências. Segundo uma lei da lógica formal. incoerência narrativa o seguinte exemplo: o narrador conta que foi a uma festa onde todos fumavam e. É o que se vê neste diálogo: “__ Vereador. alguns dias antes. por conseguinte. Se o narrador diz que não podia enxergar nada. que saiba e possa efetuá-la. Não há coerência. Constitui. por exemplo. as conclusões não são adequadas às premissas. para que um sujeito realize uma ação. ao descrever um jantar oferecido no palácio do Itamarati a um governador estrangeiro. Dizer que muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que qualquer um seja. esse desempenho não pode ocorrer. Muitas vezes. sem mencionar nenhuma mudança dessa situação. A surpresa implica o inesperado.

acrescentamos uma ressalva: com perdão da palavra. p. Temos. Então. Vimos que temos diferentes níveis de coerência: narrativa. porque o IPTU foi aumentado. abriu a janela do 5º andar e deixou um bilhete no parapeito explicando a razão de seu suicídio. em que há evidente violação da lei sucessivamente dos eventos. determina se um texto é ou não coerente? A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos básicos de verdade: adequação à realidade e conformidade lógica entre os enunciados. pois aqui já não suportava mais a mesmice e o tédio”. O texto seguinte.. Ocorre incoerência relacionada ao nível de linguagem quando.” Apud: J. Ninguém há de negar a incoerência de um texto como este: Saltou para a rua. pois nosso conhecimento do mundo diz que homens não vêem através das paredes. para exporlhe minha inconformidade diante dessa medida. ouso dirigir-me a V. achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais um gasto nas costas da gente. Tanto sabemos que isso não é permitido que. à não-contradição entre os enunciados do texto. temos duas espécies diversas de coerência: . O período “O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido sequestrada” é incoerente. . Em cada nível. portanto ele não poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o tédio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Deve ser ciado novos métodos criativos nos ensinos de primeiro e segundo grau: estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as quais. etc. uma incoerência figurativa extratextual. por exemplo. A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajustar-se pode ser: . alguém poderia objetivar que é preconceito considerá-los inadequados. Observe um exemplo de incoerência nesse nível: “Tendo recebido a notificação para pagamento da chamada taxa do lixo. Seria incoerente. que constitui o repertório com que se produzem e se entendem textos.extratextual: aquela que diz respeito à adequação entre o texto e uma “realidade” exterior a ele. Dizendo lá no interior.o conhecimento do mundo: o conjunto de dados referentes ao mundo físico. então. no governo anterior. Em síntese. Exª. Coerência do Nível de Linguagem Utilizado A coerência do nível de linguagem utilizado é aquela que concerne à compatibilidade do léxico e das estruturas morfossintáticas com a variante escolhida numa dada situação de comunicação. serão a praticidade cotidiana. A.os mecanismos semânticos e gramaticais da língua: o conjunto dos conhecimentos sobre o código linguístico necessário à codificação de mensagens decodificáveis por outros usuários da mesma língua. Durigan et alii. o léxico usado no último período do texto destoa completamente do utilizado no período anterior. Entretanto talvez nem todo mundo concorde que seja incoerente incluir guardanapos de papel no jantar do Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa. .intratextual: aquela que diz respeito à compatibilidade. etc. justifica-se perguntar: o que. Op. o enunciador utiliza um termo chulo ou pertencente à linguagem informal num texto caracterizado pela norma culta formal. não é coerente usar “lá” e “aqui” para indicar o mesmo lugar. o enunciador dá a entender que seu pronunciamento está sendo feito de algum lugar distante do interior. está absolutamente sem sentido por inobservância de mecanismos desse tipo: “Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma carreira universitária informações críticas a respeito da realidade profissional a ser optada. argumentativa. cit. se me permitem dizer. Didatismo e Conhecimento 84 .LÍNGUA PORTUGUESA Coerência Espacial A coerência espacial diz respeito à compatibilidade dos enunciados do ponto de vista da localização no espaço. quando o fazemos. figurativa. Aptidões pessoais serão associadas a testes vocacionais sérios de maneira discursiva a analisar conceituações fundamentais. à cultura de um povo. 58.” Como se vê. de 0. senhora prefeita. o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um homem que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na capital. por exemplo. por exemplo. à adequação. afinal. Francamente. ao conteúdo das ciências.6% para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir as despesas da municipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos moradores de nossa cidade.

o “Curíntia”. porque deixa implícitos certos enunciados que.. Um chopps 2..) 30. “Um chopps. o “Parmera”.) 59. __ Era hoje que ele viria? .) 5. dois pastel. à maneira como os dois times mais populares da cidade são denominados na variante linguística popular. Todo mundo estar usando cinto de segurança (.LÍNGUA PORTUGUESA Fatores de Coerência . o terceiro. todo mundo estar usando cinto de segurança.. o último à obediência a uma lei que na época ainda não vigorava no resto do país. o texto. No entanto.O conhecimento de mundo: 31 de março / 1º de abril Dúvida Revolucionária Ontem foi hoje? Ou hoje é que foi ontem? Aparentemente. E dois pastel (.) O texto apresenta os traços culturais da cidade. O polpettone do Jardim de Napoli (. mas sua comemoração foi mudada para 31 de março... o período. __Era hoje? Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de interlocução. para a sílaba. a palavra. para o período. Cruzar a Ipiranga com a av... o sexto e o sétimo. funciona como contexto a unidade linguística maior que ela: a sílaba é contexto para o fonema. parece não haver nenhuma coerência na enumeração desses elementos. Quando ficamos sabendo. e todos convergem para um único significado: a celebração da capital do estado de São Paulo no seu aniversário.O contexto: para uma dada unidade linguística. o quarto. o que aparentemente era caótico torna-se coerente: 100 motivos para gostar de São Paulo 1. a um prato que tornou conhecido o restaurante chamado Jardim de Napoli. o golpe militar de 1964... para evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”. .A situação de comunicação: __A telefônica. no entanto. para a oração. O “Curíntia” (. e assim por diante.” À primeira vista. as duas datas colocadas no início do poema e o título remetem a um episódio da História do Brasil. Esse fato deve fazer parte de nosso conhecimento de mundo. assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril..) 45. a oração. o polpettone do Jardim de Napoli. São João (. são perfeitamente compreendidos: __ O empregado da companhia telefônica que vinha consertar o telefone está aí.. de Caetano Veloso. Os dois primeiros itens de nosso exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano.) 43. para a palavra. cruzar a Ipiranga com a avenida São João. que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para gostar de São Paulo”. falta coerência temporal a esse poema: o que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que foi ontem?”. chamado Revolução de 1964. dentro dela. a um verso da música “Sampa”. 85 Didatismo e Conhecimento . O “Parmera” (.

. Assim. com Peter Sellers). se entendermos ideias verdes em sentido não literal. por isso. mas é completamente coerente no mundo criado pelas histórias de super-heróis. o termo ideias não pode ser qualificado por adjetivos de cor. pois todo o enredo converge para que o espectador se solidarize com eles. descuido ou ignorância do enunciador. No entanto. constroem-se com base em outros e.” . por exemplo. as qualidades verde e incolor. não se podem atribuir ao mesmo ser. é preciso saber que o ortônimo (Fernando Pessoa ele mesmo) exprime suas emoções. que não devemos interpretar a realidade pela inteligência. o enunciador dissemina pistas no texto. mas uma individualidade lírica distinta da do autor (o ortônimo). Mas. em que o Super-Homem. ostentando sua últimas aquisições. Poderia alguém perguntar. Por outro lado.. vai pensar que se trata de contradição devida a inabilidade. etc. aparecem figuras como pessoas comendo de boca aberta. ficção científica. do tédio. por inabilidade. e não usada funcionalmente para construir certo sentido. assim como existem outros que fazem da não-coerência o próprio princípio constitutivo da produção de sentido. esse texto é absurdo. ao mesmo tempo. Se. contos maravilhosos. com Tom Hanks) e “Um convidado bem trapalhão” (The party. pode voar no espaço a uma velocidade igual à da luz. que para Caeiro o real é a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões subjetivas. o enunciador certamente não está querendo manifestar o tema do luxo. mas não há incoerência nisso. num texto que mostra uma festa muito luxuosa. só ganham coerência nessa relação com o texto sobre o qual foram construídos. pois essa interpretação conduz a simples conceitos vazios.LÍNGUA PORTUGUESA . o verbo dormir deve ter como sujeito um substantivo animado. É o caso desse poema. para que o leitor perceba que ela faz parte de um programa intencionalmente direcionado para veicular determinado tema. falando em voz muito alta e em linguagem chula. é preciso ter lido textos de Caeiro. falando da solidão interior. então. regidos por outras lógicas. mas o da vulgaridade dos novos-ricos.As regras do gênero: “O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido sequestrada. etc. mas poderão manifestar-se a qualquer momento. por sua ingenuidade e falta de traquejo social. em outro. a distâncias infinitas. 86 Didatismo e Conhecimento . Sem dúvida existe: é aquele em que a incoerência é produzida involuntariamente. etc. é preciso saber que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do poeta Fernando Pessoa. mitos. etc. por exemplo. mas poderão explodir a qualquer momento. há cenas em que os respectivos protagonistas exibem comportamento incompatível com a ocasião. nessa acepção. . se aparece num texto uma figura incoerente uma única vez. dirigido por Penny Marshall em 1988.. Para ficar no exemplo da festa: em filmes como “Quero ser grande” (Big. quando ultrapassa essa velocidade. Para compreendê-lo.O intertexto: Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro __ a chuva me deixa triste. ou seja. com vistas a produzir determinado efeito de sentido.: ele inclui também os mundos criados pela linguagem nos diferentes gêneros de texto. p 79. Muitos textos retomam outros. vence a barreira do tempo e pode transferir-se para outras épocas. que heterônimo não é pseudônimo. 1968. descuido ou ignorância do enunciador.” Essa frase é incoerente no discurso cotidiano. em síntese. se realmente existe texto incoerente. na relação de intertextualidade. tem força praticamente ilimitada. tocar. Blake Edwards. Quando se trata de incoerência proposital. Op. como concepções ambientalistas. com vistas a criar determinado efeito de sentido. Incoerência Proposital Existem textos em que há uma quebra proposital da coerência. José Paulo Paes. Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que efetivamente existe.” Tomando em seu sentido literal. ao que se pode ver. seus olhos de raios X permitem-lhe ver através de qualquer corpo. do requinte.O sentido não literal: “As verdes ideias incolores dormem.. necessariamente. __ a mim me deixa molhado. Cit. o período pode ser lido da seguinte maneira: “As idéias ambientalistas sem atrativo estão latentes. que sua posição é antimetafísica. o que é incoerente num determinado gênero não o é. discurso religioso. o leitor não pode ter certeza de que se trata de uma quebra de coerência proposital. pois.

a aceitar como verdadeiro o que está sendo transmitido. O argumento é mais que isso: como se disse acima. confrontar a lógica do senso comum com outras. 214. A valsa nos levou nos giros seus. ou culto). mostrar as aporias da lógica. Rio de Janeiro. um fator de coerência. que façamos uma leitura não literal. da incoerência. no mínimo. Como as plantas que arrasta a correnteza. Para percebermos a coerência desse texto.LÍNGUA PORTUGUESA Dissemos também que há outros textos que fazem da inversão da realidade seu princípio constitutivo. subverter o princípio da realidade. que pretendem apresentar paradoxos de sentido. Didatismo e Conhecimento 87 .. ou seja. ao Romantismo. que tenhamos noção da crítica do Modernismo às escolas literárias precedentes. é preciso. Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que contém mais de um exemplo do que foi abordado: Teresa A primeira vez que vi Teresa Achei que ela tinha pernas estúpidas Achei também que a cara parecia uma perna Quando vi Teresa de novo Achei que seus olhos eram muito mais velhos [que o resto do corpo (Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando [que o resto do corpo nascesse) Da terceira vez não vi mais nada Os céus se misturaram com a terra E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face [das águas. quer ser aceito. a de um sujeito educado. é um recurso de linguagem utilizado para levar o interlocutor a crer naquilo que está sendo dito. deseja que o que diz seja admitido como verdadeiro. São exemplos as obras de Lewis Carrol “Alice no país das maravilhas” e “Através do espelho”. que nosso conhecimento de mundo inclua o poema: O Adeus de Teresa A primeira vez que fitei Teresa. Em síntese. arte de persuadir as pessoas mediante o uso de recursos de linguagem. A argumentação pertence ao domínio da retó­ rica. ou inteligente. Argumentação O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma informação a alguém. Está presente em todo tipo de texto e vi­ sa a promover adesão às teses e aos pontos de vista defendidos. A argumentação é o conjunto de recursos de natureza linguística destinados a persuadir a pessoa a quem a comunicação se destina. criada pela disseminação proposital de elementos que pareceriam absurdos em outro contexto. Castro Alves Para identificarmos a relação de intertextualidade entre eles. no caso. todo texto contém um componente argumentativo. 1986. Se essa é a finalidade última de todo ato de co­ municação. As pessoas costumam pensar que o argumento seja apenas uma prova de verdade ou uma razão indiscutível para comprovar a veracidade de um fato. Aguilar. em que nenhuma musa seria tratada com tanta cerimônia e muito menos teria “cara”. tem o dese­ jo de que o ouvinte creia no que o texto diz e faça o que ele propõe. Poesias completas e prosa.. que percebamos sua lógica interna. p. Quem comunica ­ pretende criar uma imagem positiva de si mesmo (por exemplo. tem a intenção de convencer.

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Para compreender claramente o que é um ar­ gumento, é bom voltar ao que diz Aristóteles, filó­ sofo grego do século lV a.C., numa obra intitula­ da “Tópicos: os argumentos são úteis quando se tem de escolher entre duas ou mais coisas”. Se tivermos de escolher entre uma coisa vanta­ josa e uma desvantajosa, como a saúde e a doença, não precisamos argumentar. Suponhamos, no en­ tanto, que tenhamos de escolher entre duas coisas igualmente vantajosas, a riqueza e a saúde. Nesse caso, precisamos argumentar sobre qual das duas é mais desejável. O argumento pode então ser defi­ nido como qualquer recurso que torna uma coi­ sa mais desejável que outra. Isso significa que ele atua no domínio do preferível. Ele é utilizado para fazer o interlocutor crer que, entre duas teses, uma é mais provável que a outra, mais possível que a ou­ tra, mais desejável que a outra, é preferível à outra. O objetivo da argumentação não é demons­ trar a verdade de um fato, mas levar o ouvinte a admitir como verdadeiro o que o enunciador está propondo. Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a argumentação. O primeiro opera no domínio do necessário, ou seja, pretende demonstrar que uma conclusão deriva necessariamente das premissas propostas, que se deduz obrigatoriamente dos postulados admitidos. No raciocínio lógico, as con­ clusões não dependem de crenças, de uma manei­ ra de ver o mundo, mas apenas do encadeamento de premissas e conclusões. Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte encadeamento: A é igual a B. A é igual a C. Então: C é igual a A. Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigatoriamente, que C é igual a A. Outro exemplo: Todo ruminante é um mamífero. A vaca é um ruminante. Logo, a vaca é um mamífero. Admitidas como verdadeiras as duas premis­ sas, a conclusão também será verdadeira. No domínio da argumentação, as coisas são diferentes. Nele, a conclusão não é necessária, não é obrigatória. Por isso, deve‑se mostrar que ela é a mais desejável, a mais provável, a mais plausível. Se o Banco do Brasil fizer uma propa­ ganda dizendo‑se mais confiável do que os con­ correntes porque existe desde a chegada da fa­ mília real portuguesa ao Brasil, ele estará dizen­ do‑nos que um banco com quase dois séculos de existência é sólido e, por isso, confiável. Embo­ ra não haja relação necessária entre a solidez de uma instituição bancária e sua antiguidade, esta tem peso argumentativo na afirmação da con­ fiabilidade de um banco. Portanto é provável que se creia que um banco mais antigo seja mais confiável do que outro fundado há dois ou três anos. Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase impossível, tantas são as formas de que nos valemos para fazer as pessoas preferirem uma coisa a outra. Por isso, é importante entender bem como eles funcionam. Já vimos diversas características dos argumentos. É preciso acrescentar mais uma: o con­ vencimento do interlocutor, o auditório, que pode ser individual ou coletivo, será tanto mais fácil quanto mais os argumentos estiverem de acordo com suas crenças, suas expectativas, seus valores. Não se pode convencer um auditório pertencente a uma dada cultura enfatizando coisas que ele abomina. Será mais fácil conven­ cê‑lo valorizando coisas que ele considera positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja vem com frequência associada ao futebol, ao gol, à paixão nacional. Nos Estados Unidos, essa associação certamente não surtiria efeito, porque lá o futebol não é valorizado da mesma forma que no Brasil. O poder persuasivo de um argumento está vinculado ao que é valorizado ou desvalorizado numa dada cultura. Tipos de Argumento Já verificamos que qualquer recurso linguís­ tico destinado a fazer o interlocutor dar prefe­ rência à tese do enunciador é um argumento. Exemplo:

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Argumento de Autoridade É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas pelo auditório como autoridades em certo domínio do saber, para servir de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Esse recurso produz dois efeitos distintos: re­ vela o conhecimento do produtor do texto a res­ peito do assunto de que está tratando; dá ao texto a garantia do autor citado. É preciso, no entanto, não fazer do texto um amontoado de citações. A citação precisa ser pertinente e verdadeira. Exemplo: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento.” Quem disse a frase aí de cima não fui eu... Foi Einstein. Para ele, uma coisa vem antes da outra: sem imaginação, não há conhecimento. Nunca o inverso. Alex José Periscinoto. In: Folha de S. Paulo, 30/8/1993, p. 5-2 A tese defendida nesse texto é que a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Para levar o auditório a aderir a ela, o enunciador cita um dos mais célebres cientistas do mundo. Se um físico de renome mundial disse isso, então as pessoas devem acreditar que é verdade. Argumento de Quantidade É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior número de pessoas, o que existe em maior número, o que tem maior duração, o que tem maior número de adeptos, etc. O fundamento desse tipo de argumento é que mais = melhor. A publicidade faz largo uso do argumento de quantidade. Argumento do Consenso É uma variante do argumento de quantidade. Fundamenta‑se em afirmações que, numa deter­ minada época, são aceitas como verdadeiras e, portanto, dispensam comprovações, a menos que o objetivo do texto seja comprovar alguma delas. Parte da ideia de que o consenso, mesmo que equivocado, corresponde ao indiscutível, ao verdadeiro e, portanto, é melhor do que aquilo que não desfruta dele. Em nossa época, são con­ sensuais, por exemplo, as afirmações de que o meio ambiente precisa ser protegido e de que as condições de vida são piores nos países subde­ senvolvidos. Ao confiar no consenso, porém, ­ corre‑se o risco de passar dos argumentos váli­ dos para os lugares‑comuns, os preconceitos e as frases carentes de qualquer base científica. Argumento de Existência É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar aquilo que comprovadamente existe do que aquilo que é apenas provável, que é apenas possível. A sabedoria popular enuncia o argumento de existência no provérbio “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Nesse tipo de argumento, incluem‑se as provas documentais (fotos, estatísticas, depoimentos, gra­ vações, etc.) ou provas concretas, que tornam mais aceitável uma afirmação genérica. Durante a inva­ são do Iraque, por exemplo, os jornais diziam que o exército americano era muito mais poderoso do que o iraquiano. Essa afirmação, sem ser acompanhada de provas concretas, poderia ser vista como propa­ gandística. No entanto, quando documentada pela comparação do número de canhões, de carros de combate, de navios, etc., ganhava credibilidade. Argumento quase lógico É aquele que opera com base nas relações lógi­ cas, como causa e efeito, analogia, implicação, iden­ tidade, etc. Esses raciocínios são chamados quase lógicos porque, diversamente dos raciocínios lógi­ cos, eles não pretendem estabelecer relações necessárias entre os elementos, mas sim instituir relações prováveis, possíveis, plausíveis. Por exemplo, quan­ do se diz “A é igual a B”, “B é igual a C”, “então A é igual a C”, estabelece‑se uma relação de identidade lógica. Entretanto, quando se afirma “Amigo de amigo meu é meu amigo” não se institui uma identidade lógica, mas uma identidade provável. Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais facilmente aceito do que um texto incoerente. Vários são os defeitos que concorrem para desqualificar o texto do ponto de vista lógico: fugir do tema proposto, cair em contradição, tirar conclusões que não se fundamentam nos dados apresentados, ilustrar ­ afirmações gerais com fatos inadequados, narrar ­ um fato e dele extrair generalizações indevidas.
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Argumento do Atributo É aquele que considera melhor o que tem pro­ riedades típicas daquilo que é mais valorizado socialmente, por exemplo, o mais raro é melhor que o comum, o que é mais refinado é melhor que o que é mais grosseiro, etc. Por esse motivo, a publicidade usa, com muita ­ frequência, celebridades recomendando prédi­ os residenciais, produtos de beleza, alimentos estéticos, etc., com base no fato de que o consu­ midor tende a associar o produto anunciado com atributos da celebridade. Uma variante do argumento de atributo é o argumento da competência linguística. A utilização da variante culta e formal da língua que o produtor do texto conhece a norma linguística socialmente mais valorizada e, por conseguinte, deve produzir um texto em que se pode confiar. Nesse sentido é que se diz que o modo de dizer dá confiabilidade ao que se diz. Imagine‑se que um médico deva falar sobre o estado de saúde de uma personalidade pública. Ele poderia fazê‑lo das duas maneiras indicadas abaixo, mas a primeira seria infinitamente mais adequada para a persuasão do que a segunda, pois esta produziria certa estranheza e não criaria uma imagem de competência do médico: - Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e levando em conta o caráter invasivo de alguns exames, a equipe médica houve por bem deter­ minar o internamento do governador pelo perío­ do de três dias, a partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001. - Para conseguir fazer exames com mais cuidado e porque alguns deles são barra‑pesada, a gen­ te botou o governador no hospital por três dias. Como dissemos antes, todo texto tem uma fun­ ção argumentativa, porque ninguém fala para não ser levado a sério, para ser ridicularizado, para ser desmentido: em todo ato de comunicação deseja­ -se influenciar alguém. Por mais neutro que pre­ tenda ser, um texto tem sempre uma orientação argumentativa. A orientação argumentativa é uma certa dire­ ção que o falante traça para seu texto. Por exem­ plo, um jornalista, ao falar de um homem público, pode ter a intenção de criticá‑lo, de ridicularizá‑lo ou, ao contrário, de mostrar sua grandeza. O enunciador cria a orientação argumentativa de seu texto dando destaque a uns fatos e não a outros, omitindo certos episódios e revelando outros, escolhendo determinadas palavras e não outras, etc. Veja: “O clima da festa era tão pacífico que até sogras e noras trocavam abraços afetuosos.” O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de que noras e sogras não se toleram. Não fosse assim, não teria escolhido esse fato para ilustrar o clima da festa nem teria utilizado o termo até, que serve para incluir no argumento alguma coisa inesperada. Além dos defeitos de argumentação menciona­ dos quando tratamos de alguns tipos de argumentação, vamos citar outros: - Uso sem delimitação adequada de palavra de sentido tão amplo, que serve de argumento pa­ ra um ponto de vista e seu contrário. São no­ ções confusas, como paz, que, paradoxalmente, pode ser usada pelo agressor e pelo agredido. Essas palavras podem ter valor positivo (paz, justiça, honestidade, democracia) ou vir carre­ gadas de valor negativo (autoritarismo, degra­ dação do meio ambiente, injustiça, corrupção). - Uso de afirmações tão amplas, que podem ser derrubadas por um único contra‑exemplo. Quando se diz “Todos os políticos são ladrões”, basta um único exemplo de político honesto para destruir o argumento. - Emprego de noções científicas sem nenhum ri­ gor, fora do contexto adequado, sem o signifi­ cado apropriado, vulgarizando‑as e atribuin­ do‑lhes uma significação subjetiva e grosseira. É o caso, por exemplo, da frase “O imperialismo de certas indústrias não permite que outras crescam”, em que o termo imperialismo é desca­ bido, uma vez que, a rigor, significa “ação de um Estado visando a reduzir outros à sua de­ pendência política e econômica”. A boa argumentação é aquela que está de acordo com a situação concreta do texto, que leva em conta os componentes envolvidos na discussão (o tipo de pessoa a quem se dirige a comunicação, o assunto, etc). Convém ainda alertar que não se convence ninguém com manifestações de sinceridade do autor (como eu, que não costumo mentir...) ou com declarações de certeza expressas em fórmulas feitas (como estou certo, creio firmemente, é claro, é óbvio, é evidente, afirmo com toda a certeza, etc). Em vez de prometer, em seu texto, sinceridade e certeza, autenticidade e verdade, o enunciador deve construir um texto que revele isso. Em outros termos, essas qualidades não se prometem, manifestam-se na ação. A argumentação é a exploração de recursos para fazer parecer verdadeiro aquilo que se diz num texto e, com isso, levar a pessoa a que texto é endereçado a crer naquilo que ele diz. Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e expressa um ponto de vista, acompanhado de certa fundamentação, que inclui a argumentação, questionamento, com o objetivo de persuadir. Argumentar é o processo pelo qual se estabelecem relações para chegar à conclusão, com base em premissas. Persuadir é um processo de convencimento, por meio da argumentação, no qual procura‑se convencer os outros, de modo a influenciar seu pensamento e seu comportamento. A persuasão pode ser válida e não válida. Na persuasão válida, expõem‑se com clareza os fundamentos de uma ideia ou proposição, e o interlocutor pode questionar cada passo do raciocínio empregado na argumentação. A persuasão não válida apoia‑se em argumentos subjetivos, apelos subliminares, chanta­ gens sentimentais, com o emprego de “apelações”, como a inflexão de voz, a mímica e até o choro.
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Didatismo e Conhecimento

A forma de argumentação mais empregada na redação acadêmica é o silogismo. partindo‑se de teorias gerais. . Para ele. a análise de argumentos opostos. uma série de movimentos sucessivos e contínuos do espírito em busca da verdade: . A argumentação está presente em qualquer tipo de discurso. Um bom exercício para aprender a argumentar e contra‑argumentar consiste em desenvolver as seguintes habilidades: . porém. muitas vezes. O percurso do raciocínio vai da causa para o efeito. debate. A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão e a incompreensão. a possibilidade de discordar ou concordar parcialmente. a escolha dos dados levantados. os motivos.argumentação: anotar todos os argumentos a favor de uma ideia ou fato. a maneira de expô‑los no texto já revelam uma “tomada de posição”. indispensável para o processo dedutivo. emprega todo. a conclusão final. Para discutir um tema. que vai do particular para o geral. É neces­ sária também a exposição dos fundamentos. da contradição inerente ao fenômeno em questão e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade. apresenta dados sem a intenção de convencer. Fulano é mortal (conclusão) Didatismo e Conhecimento 91 . ordenar os conceitos. A dedução é o caminho das consequências. questionamento. que contém três proposi­ ções: duas premissas. imaginar um interlocutor que adote a posição totalmente contrária. Desse ponto de vista. expositiva e argumentativa. baseado na dedução. As três proposições são en­ cadeadas de tal forma. mas não é suficiente para organizar um texto dissertativo. A argumentação tem a finalidade de persuadir. simplifi­ cando‑os. começando‑se pelas proposições mais simples até alcançar.divisão ou análise. verdade e evidência são a mesma coisa. maior e menor. é fundamental para a argumenta­ ção dos trabalhos acadêmicos. até os nossos dias.ordem ou dedução.refutação: argumentos e razões contra a argumentação oposta. dividi‑lo em partes. a adoção de um ponto de vista na dissertação. Esta.enumeração. A premissa maior deve ser universal. que a conclusão é deduzida da maior por intermédio da menor. Para a linha de raciocínio cartesiana. A liberdade de questionar é fundamental. pode‑se chegar à previsão ou determinação de fenômenos particulares. criou o método de ra­ ciocínio silogístico. e a conclusão. universal) Fulano é homem (premissa menor = particular) Logo. a dissertação pode ser definida como discussão. baseia‑se em uma conexão descendente (do geral para o particular) que leva à conclusão. Uma discussão impõe. o que implica a liberdade de pensamento. Trata‑se de um método de investigação da realidade pelo estudo de sua ação recíproca. Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedução (silogística). raciocínio baseado nas regras cartesianas.contra‑argumentação: imaginar um diálogo‑debate e quais os argumen­ tos que essa pessoa imaginária possivelmente apresentaria contra a argumentação proposta. portanto. . que parte do geral para o particular. Como sempre. Qualquer erro na enumeração pode quebrar o encadeamento das ideias. é fundamen­ tal determinar o problema. an­ tagônicos. A lógica cartesiana. Descartes propôs quatro regras básicas que cons­ tituem um conjunto de reflexos vitais. . e a indução. é no texto dissertativo que ela melhor se evidencia. Segundo esse método. como se procede no método dialético. filósofo e pensador francês. enumerar todos os seus elementos e determinar o lugar de cada um no conjunto da dedução. . de verdades universais. desde que o assunto seja pesquisado em partes. exige argumentação. razões a favor e contra uma ideia. Exemplo: Todo homem é mortal (premissa maior = geral. para confrontar argumentos e posições. por meio de deduções. Na verdade. os porquês da defesa de um ponto de vista. e pelo raciocínio torna‑se pos­ sível chegar a conclusões verdadeiras. ­ A expressão formal do método dedutivo é o silogismo. ainda que sem a apresentação explícita de argu­ mentos. ao passo que a outra é informativa.LÍNGUA PORTUGUESA Alguns autores classificam a dissertação em duas modalida­ des. . Pode‑se dizer que o homem vive em permanente atitude argumentativa. essa capacidade aprende‑se com a prática. pois al­ guns não caracteriza a universalidade. que parte do simples para o complexo­ . argumentar con­ siste em estabelecer relações para tirar conclusões válidas. O método dialético não envolve apenas questões ideológicas. nenhum.evidência. Descartes (1596‑1650). é necessá­ ria a capacidade de conhecer outros pontos de vista e seus respectivos argumen­ tos. geradoras de polêmicas.

as constatações particulares levam às leis gerais. Análise e síntese são dois processos opostos. das partes para o todo. pode-se partir de premissas verdadeiras para chegar a uma conclusão falsa. Didatismo e Conhecimento 92 . a síntese. Logo. Sabe‑se. baseados nos sentimentos não ditados pela razão. então.Lógico. Nem todas as pessoas que têm diploma são professores. mas interligados. de certo modo.. ou seja. outros métodos. O sofisma pressupõe má fé. A “simples inspeção” é a ausência de análise ou análise superficial dos fatos. toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. a ignorância da causa. que contribuem para a descoberta ou comprovação da verdade: análise. costuma-se chamar esse processo de argumentação de paralogismo. desconhecidos. o bronze. subsidiários ou não fundamentais. Uma definição inexata. o relógio estaria reconstruído. Tem‑se. síntese. pois fez apenas um amontoado de partes. (geral – conclusão falsa) Nota‑se que as premissas são verdadeiras. A análise decompõe o todo em partes. Se alguém reunisse todas as peças de um relógio. não significa que reconstruiu o relógio.Então você possui um brilhante de 40 quilates. o cobre são metais Logo. Só reconstruiria todo se as partes estivessem organizadas. porém. Tem-se. mas a conclusão pode ser falsa. a conclusão será verdadeira se as duas premissas também o forem. (particular) Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. baseia‑se em uma conexão ascendente. funcionais. uma depende da outra. concordo. o silogismo pode ser válido e verdadeiro. classificação e definição. Exemplo: O calor dilata o ferro (particular) O calor dilata o bronze (particular) O calor dilata o cobre (particular) O ferro. O percurso do raciocínio se faz do efeito para a causa. ainda. a falsa analogia são algumas causas do sofisma. ‑ Você perdeu um brilhante de 40 quilates? ‑ Claro que não! . enquanto a síntese recompõe o todo pela reunião das partes. uma divisão incompleta. A análise. devidamente combinadas. desse modo. parte de fatos particulares conhecidos para os fatos gerais.. porém. porque pela organização e ordenação das ideias visam sistematizar a pesquisa. Se há erro ou equívoco na apreciação dos fatos. nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo Redentor. a análise parte do todo para as partes. a síntese. seguida uma ordem de relações necessárias. a classificação a definição são chamadas métodos sistemáticos. Comete‑se erro quando se faz generalizações apressadas ou infundadas. A análise precede a síntese. Pode‑se afirmar que cada ciência tem seu método próprio demonstrativo. o sofisma. histórico etc. que leva a pronunciamentos subjetivos. Encontra-se um exemplo simples de sofisma no seguinte diálogo: ‑ Você concorda que possui uma coisa que não perdeu? . universal) Quanto a seus aspectos formais. Exemplos de sofismas: Dedução Todo professor tem um diploma (geral. fulano é professor (geral – conclusão falsa) Indução O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. Além desses. (particular) Rio de Janeiro e Taubaté são cidades.LÍNGUA PORTUGUESA A indução percorre o caminho inverso ao da dedução. do particular para o geral. que o todo não é uma simples justaposição das partes. intenção deliberada de enganar ou levar ao erro. universal) Fulano tem um diploma (particular) Logo. quando o sofisma não tem essas intenções propositais. existem outros métodos particulares de algumas ciências. comparativo. o calor dilata metais (geral. que adaptam os processos de dedução e indução à natureza de uma realidade particular. Nesse caso.

Pardal. Ônibus. leite. pressupõe a análise. logo na intro­ dução. Caminhão. exige uma decomposição organizada. mas também os pontos de vista sobre ele. Síntese: integrar. pardal. Veículos: Automóvel. é característica das ciências matemáticas. é um exemplo de classificação natural. dividir. 1973. Sabiá. Pão. pri­ meiro o menos importante e. Entre os vários processos de exposição de ideias. Relógio. A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da linguagem e con­ siste na enumeração das qualidades próprias de uma ideia. batata. o impacto do mais importante. em que os caracteres comuns e diferenciadores são empregados de modo mais ou menos convencional. a definição é um dos mais importantes. a ponto de se confundir uma com a outra.LÍNGUA PORTUGUESA Síntese. enquanto a conotativa ou metafórica emprega palavras de sentido figurado. barbeador. A síntese também é importante na escolha dos elementos que farão parte do texto. a classificação estabelece as necessárias relações de dependência e hierarquia entre as partes. Pintassilgo. Aves: Canário. pintassilgo. Definir é classificar o elemento conforme a espécie a que pertence. reunir. os elementos do plano devem obedecer a uma hierarquização. A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias a respeito do tema proposto. Tanto faz que a ordem seja cres­ cente. Estabelecer critérios de classificação das ideias e argumentos. em ramos. de seu desdobramento e da criação de abordagens possíveis. deve‑se. juntar. ordens. É muito importante deixar claro o campo da discussão e a posição adotada. reunidas e relacionadas num conjunto. sabiá. caminhão. a definição consta de três elementos: .a diferença específica. ou seja. portanto. para expressar um questionamento.o termo a ser definido. consiste em “discernir” por vários atos distintos da atenção os elementos constitutivos de um todo. pois. Queijo. é indis­ pensável que haja uma lógica na classificação. p. Barbeador. subordens. atribui às palavras seu sentido usual ou consensual. classes. que é a decomposição. torradeira. no entanto. os termos e conceitos sejam definidos. A classificação. ou seja.o gênero ou espécie. canário. fatos e fenômenos por suas diferenças e semelhanças. é uma habilidade indispensável para elaborar o desenvolvimento de uma redação. A definição científica ou didática é denotativa. Segundo a lógica tradicional aristotélica. . O que distingue o termo definido de outros elementos da mesma espécie. pelas características comuns e diferenciadoras. As operações que se realizam na análise e na síntese podem ser assim relacionadas: Análise: penetrar. pela ordem de importância. esclarecer não só o assunto. no final. ônibus. Alimentos: Batata. a análise pode ser formal ou informal. Leite. automóvel. palavra ou objeto. A análise formal pode ser científica ou experimental. de antemão. no reino animal.300). demonstra: a característica que o diferencia dos outros elementos dessa mesma espécie. expor clara e racionalmente as posições­ assumidas e os argumentos que as justificam. Os elementos desta lista foram classificados por ordem alfabética e pelas afinidades comuns entre eles. 302‑304. é o processo de reconstrução do todo por meio da integração das partes. jipe. Análise e classificação ligam-se intimamente. decompor.) Para a clareza da dissertação. Jipe. por ser uma reconstrução. é preciso saber como dividir o todo em partes. Torradeira. Exemplo: Na frase: O homem é um animal racional classifica‑se: Elemento espécie diferença a ser definido específica Didatismo e Conhecimento 93 . físico-naturais e experimentais. p. Mecanismos: Aquecedor. fora das ciências naturais. recompor. A análise informal é racional ou total. Nas ciências naturais. classificam-se os seres. Segundo Garcia (1973. Exemplo: aquecedor. A elaboração do plano compreende a classificação das partes e subdivisões. queijo. A classificação dos variados itens integrantes de uma lista mais ou menos caótica é artificial. sobretudo no âmbito das ciências. do fato mais importante para o menos importante. . (Garcia. relógio. contudo são procedimentos diversos: análise é decomposição e classificação é hierarquisação. isto é. ou decrescente. separar. A análise. é indispensável que. pão. gêneros e espécies. A análise decompõe o todo em partes. os diferentes caracteres de um objeto ou fenômeno. a classificação pode-se efetuar por meio de um processo mais ou menos arbitrário. Toda síntese.

chama‑se. em verdade. avaliar se o argumento está expresso corretamente. quando se diz que o “triângulo não é um prisma”. Pode‑se alcançar esse objetivo pela definição. hoje. é preciso apren­ der a reconhecer os elementos que constituem um argumento: premissas/con­ clusões. . visto que. no pensamento de. A verdade de um ponto de vista deve ser demonstrada com argumentos válidos.deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há.deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não constitui definição exata.deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito (o termo) + cópula (verbo de ligação ser) + predicativo (o gênero) + adjuntos (as diferenças). sucessivamente. chama-se explicação. a argumentação é clara e pode reconhecer‑se facilmente seus elementos e suas relações. Faz‑se a exemplificação. que fo­ ram abordados anteriormente. ou melhor. no Estado tal. comparação. isto é.306). tanto quanto. A explicitação se faz também pela interpretação. nos testemunhos são comuns as expressões: conforme. Exemplificação: Procura justificar os pontos de vista por meio de exem­ plos.deve ser breve (contida num só período). Às vezes. se há coerência e adequação entre seus elementos. as premissas e as conclusões organizam‑se de modo livre. na verdade. empregam‑se as seguintes expressões: cá. verificar se tais elementos são verdadeiros ou fal­ sos. pior que. uma operação metalinguística que consiste em estabelecer uma relação de equivalência entre a palavra e seus significados. por causa de.o termo deve realmente pertencer ao gênero ou classe em que está incluído: “mesa é um móvel” (classe em que ‘mesa’ está realmente incluída) e não “mesa é um instrumento ou ferramenta ou instalação”. Na explicitação por definição. em virtude de. por motivo de. Sempre é fundamental procurar um porquê. com a finalidade de comprovar uma ideia ou opinião. então. conforme os dados apresentados. explicitação. assim. pois que. além. não representa o gênero. uma vez que. hierarquizar afirmações. Entre outros tipos de argumentos empregados para aumentar o poder de persuasão de um texto dissertativo encontram-se: Didatismo e Conhecimento 94 . Enumeração: Faz‑se pela apresentação de uma sequência de elemen­ tos que comprovam uma opinião. ao redor de. no sul. Quando a definição. outras vezes. Para ser exata. As definições dos dicionários de língua são feitas por meio de paráfrases definitórias. denomina‑se. em seguida. acolá. porquanto. auxiliam o julgamento da validade dos fatos.. . se não estiver acompanha­ do de uma fundamentação coerente e adequada.­ Empregam‑se também dados estatísticos. de maior relevância que. no interior. empregam‑se as expressões: mais que. no parecer de. ainda. desse ponto de vista. uma razão verdadeira e necessária. em vista de. depois de. e suficientemente restrito para que a diferença possa ser percebida sem dificuldade. a espécie. igualmente. tais como a enumeração de pormenores. a definição deve apresentar os seguintes requisitos: . Para estabelecer contraste. ali. . a gente é forma coloquial não adequada à redação acadêmica. conclui‑se que o argumento é um tipo especí­ fico de relação entre as premissas e a conclusão. assim como. Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica clássica. São expressões comuns nesse tipo de pro­ cedimento: mais importante que.o gênero deve ser suficientemente amplo para incluir todos os exemplos específicos da coisa definida. “Todo ser vivo é um homem” não é verdadeira (o gato é ser vivo e não é homem). na capital. . consoante as ideias de. que se recorre a Garcia (1973. Procedimentos Argumentativos: Constituem os procedimentos argu­ mentativos mais empregados para comprovar uma afirmação: exemplificação. Na analogia. antes de. em seguida. Depois de reconhecer. misturando‑se na estrutura do argumento. tal como. segundo. perto de. em que são comuns as seguintes expressões: parece.LÍNGUA PORTUGUESA É muito comum formular definições de maneira defeituosa. presentemente. é muito longa (séries de períodos ou de parágrafos).d . p. no leste. lá. A força do texto dissertativo está em sua fundamentação. pela apresentação de causas e consequências. superior a. depois. Tão importante é saber formular uma definição. antigamente. ou seja. Na enume­ ração de fatos em uma sequência de espaço. no passado. e também definição expandida. definição. aí. empregam‑se expressões como: quer dizer. são comuns as expressões: da mesma forma. no entender de. ou o que se pretenda como tal. Comparação: Analogia e contraste são as duas maneiras de se estabelecer a comparação. Por isso. segundo. acompanhados de expressões: considerando os dados. de fatos. ou se há contradição. atual­ mente. Explicitação: O objetivo desse recurso argumentativo é explicar ou es­ clarecer os pontos de vista apresentados. ainda. Para isso é que se aprende os processos de raciocínio por dedução e por indução. antes. pelo testemunho e pela interpretação. melhor que. nas grandes cidades. em que são frequentes as expressões: primeiro. quando é advérbio de tempo. respectivamente. por último. porque a recíproca. Esse tipo de definição é gramaticalmente incorreto. O ponto de vista mais lógico e racional do mundo não tem valor. por exemplo: Análise é quando a gente decompõe o todo em partes. para determinar os “requisitos da definição denotativa”. usando‑se comumente as expressões: porque. Admitin­ do‑se que raciocinar é relacionar. adiante. em uma sequência de tempo. enumeração. menos que. na opinião de.. haja vista.

diz respeito a fé religiosa. na conhecida fábula “O lobo e o cordeiro”. validade dos argumentos. ainda que parece absurdo).LÍNGUA PORTUGUESA Argumento de autoridade: O saber notório de uma autoridade reconhecida em certa área do conhecimento dá apoio a uma afirmação. pois baseia‑se em uma relação de causa‑efeito difícil de ser comprovada. responder a interrogação (assumir um ponto de vista). Ao fazer uma citação. Para contra‑argumentar. sugerem‑se os proce­ dimentos que devem ser adotados para a elaboração de um Plano de Redação. porém.A declaração que é evidente por si mesma (caso dos postulados e axiomas). e. procura-se trazer para o enunciado a credibilidade da autoridade citada. julgamento. implica apreciação de ordem estética (gosto não se discute). Por exemplo. Em resumo toda afirmação ou juízo que expresse uma opinião pessoal só terá validade se fundamentada na evidência dos fatos. Refutação por exclusão: consiste em propor várias hipóteses para eliminá-las. é de natureza subjetiva ou sentimental (o amor tem razões que a própria razão desconhece). pronunciamentos. mortal. discutem‑se opiniões. e só os fatos provam. Comprovação pela fundamentação lógica: A comprovação se realiza por meio de argumentos racionais. baseados na lógica: causa/efeito. Exemplo clássico é a contra‑argumentação do cordeiro. aquela que se julga verdadeira. criando um argumento básico. São vários os processos de contra‑argumentação: Refutação pelo absurdo: refuta‑se uma afirmação demonstrando o absurdo da consequência. incluem-se . condição/ocorrência. pensar a forma de refutação que poderia ser feita ao argumento básico e tentar desqualificá-la (rever tipos de argumentação). aos dogmas (creio. Esse tipo de argumento tem mais caráter confirmatório que comprobatório. pelo menos em determinado espaço sociocultural. Didatismo e Conhecimento 95 . apresentando‑se.Questionar o tema. então. pode ser contestada por meio da contra‑argumentação ou refutação. Lembre-se que as citações literais no corpo de um texto constituem argumentos de autoridade. o enunciador situa os enunciados nela contidos na linha de raciocínio que ele considera mais adequada para explicar ou justificar um fato ou fenômeno. . mas tirou conclusões falsas ou inconsequentes. estatísticos ou documentais. justificar. propõe‑se uma relação inversa: “o desenvolvimento é que gera o controle demográfico”. Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade: consiste em refu­ tar um argumento empregando os testemunhos de autoridade que contrariam a afirmação apresentada. apreciações que expressam opiniões pessoais (não subjetivas) devem ter sua validade comprovada. aspira à imortalidade). Dessa maneira. se na argumentação afirmou‑se. demonstrando que o enunciador baseou‑se em dados corretos. Apoio na consensualidade: Certas afirmações dispensam explicação ou comprovação. um dos roteiros possíveis para desenvolver um tema. Nesse caso.A declaração que expressa uma verdade universal (o homem. dar o porquê da resposta. Desqualificar dados concretos apresentados: consiste em desautorizar dados reais. pois seu conteúdo é aceito como válido por consenso. que “o controle demográfico produz o desenvolvimento”. Desqualificação do argumento: atribui‑se o argumento à opinião pessoal subjetiva do enunciador. As declarações. Fatos não se discutem. em seguida. afirma-se que a conclusão é inconsequente. por meio de dados estatísticos.Quando escapam ao domínio intelectual. Elege‑se um tema. . restringindo‑se a universalidade da afirmação. se acompanhada de provas.Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e construir uma contra-argumentação. transformá‑lo em interrogação. que podem ser analisadas e adaptadas ao desenvolvi­ mento de outros temas. ou seja. ou seja. Apresentam‑se aqui sugestões. . consequência/causa. Tema: O homem e a máquina: necessidade e riscos da evolução tecnológica . Comprovação pela experiência ou observação: A verdade de um fato ou afirmação pode ser comprovada por meio de dados concretos.

nem o melhor plano de redação: é um dos possíveis.Analisar as ideias anotadas. ANOTAÇÕES ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— ———————————————————————————————————————————————————— Didatismo e Conhecimento 96 .indivíduo e sociedade perante o avanço tecnológico.função social da ciência e da tecnologia. que explicam e corroboram a ideia do argumento básico.Fazer um esboço do Plano de Redação.Fazer uma seleção das ideias pertinentes.apresentação de aspectos positivos e negativos do desenvolvimento tecnológico. Conclusão . . .síntese interpretativa dos argumentos e contra-argumentos apresentados. fazer uma coleta de ideias que estejam direta ou indiretamente ligadas ao tema (as ideias podem ser listadas livremente ou organizadas como causa e consequência).LÍNGUA PORTUGUESA .como se poderia usar a ciência e a tecnologia para humanizar mais a sociedade. .analisar as condições atuais de vida nos grandes centros urbanos. . . . .a tecnocracia: oposição entre uma sociedade tecnologicamente desenvolvida e a dependência tecnológica dos países subdesenvolvidos.como o desenvolvimento científico-tecnológico modificou as condições de vida no mundo atual. .a tecnologia pode libertar ou escravizar: benefícios/consequências maléficas. . Naturalmente esse não é o único. Desenvolvimento . que poderia ser mais ou menos a seguinte: Introdução .Refletir sobre o contexto.comparar a vida de hoje com os diversos tipos de vida do passado. . obedecendo às partes principais da estrutura do texto.definições de ciência e tecnologia. . sua relação com o tema e com o argumento básico.enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento social. organizando uma sequência na apresentação das ideias selecionadas. apontar semelhanças e diferenças. ou seja. . escolhendo as que poderão ser aproveitadas no texto. essas ideias transformam-se em argumentos auxiliares.