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Imitando a Wallig, Alpargatas estaria para desativar produção de Havaianas em Campina

A PalavraOnline

Um dos maiores orgulhos do operoso povo de Campina Grande, o de fabricar em seu território para todo o mundo as famosas sandálias Havaianas, acaba de sumir pelo ralo da ingratidão empresarial.
FOTO: Modernissima, a fábrica de Montes Claros deverá absorver toda a produção da unidade campinense.

O privilégio agora passou a ser dividido com Montes Claros, vibrante município mineiro que acaba de inaugurar uma nova fábrica da Alpargatas que fabricará exclusivamente o calçado famoso que tanto orgulhou Campina e os campinenses. A unidade foi inaugurada sexta-feira (18) em Montes Claros (MG), numa solenidade que contou com a presença do governador de Minas Gerais,

Antônio Anastasia; do diretor presidente da empresa, Márcio Utsch; do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel; além do Ministro da Agricultura, Antônio Andrade. Tambpem lça estiveram deputados e prefeitos. A empresa faturou R$ 3,1 bilhões em 2012 e tem 12 fábricas em todo o mundo.

Márcio Utsch é presidente da Alpargatas e está feliz com os incentivos agora dados por Minas. O presidente da empresa, o Márcio Utsch, informou que a expectativa é que 2.500 empregos diretos sejam gerados. Inicialmente 1.500 funcionários foram contratados. Mais de R$ 279 milhões foram investidos nas obras e na aquisição de equipamentos. A unidade de Montes Claros produzirá as famosas sandálias de borracha Habvaianas, que serão vendidas no Brasil e em mais de 100 países. Um museu e uma loja também foram construídos. "A decisão sobre o local de instalação da fábrica passou por um processo de escolha internacional, no qual optamos pelo Brasil. Minas Gerais ofereceu condições de instalação e de infra estrutura, e Montes Claros está na área da Sudene, fator importante em termos de incentivos federais, além de disponibilizar mão de obra qualificada e que pode também ser capacitada". Utsch explica que durante a escolha do local de instalação, a China apresentava maior rentabilidade para a produção, mas a Alpargatas optou

pelo Brasil devido ao fato de que as Havaianas produzidas aqui tem maior valor de mercado, já que são legítimas. 102 milhões de pares de sandálias devem ser produzidos anualmente na unidade local, aumentando a capacidade produtiva das Havaianas em 40%. Inicialmente, a fábrica ocupa um terço da área de 370 mil metros e, conforme o comportamento do mercado, pode ser ampliada. O governador de Minas, Antônio Anastasia, ressaltou que "foi feito um grande esforço para trazer a unidade produtiva para o estado, pois a empresa gera muitos postos de trabalho, fabrica produtos de qualidade e é sinônimo de inovação." Para Anastasia, Montes Claros "passa a produzir um ícone da brasilidade". E a instalação da fábrica na cidade, tende a atrair outros investimentos de empresas que passaram a fazer parte da cadeia produtiva. R$ 200 milhões dos recursos aplicados na construção da Alpargatas foi financiado pelo BNB e BNDES, instituições públicas. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, afirmou que há uma tendência de que as empresas aloquem os investimentos industriais em regiões estratégicas, próximas ao mercado consumidor, que seriam o Nordeste e o Norte do Brasil. "Estamos recebendo a maior fábrica de sandálias do mundo, que vai gerar desenvolvimento, por meio de empregos, renda e tributos. Com o aumento de poder de compra, fortaleceremos também o comércio", disse o prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz. Além das conhecidas sandálias de borracha, a Alpargatas é detentora de outras marcas com Dupé, Topper, Rainha, Sete Léguas, Meggashop, além de Mizuno e Timberland. DEMISSÕES EM MASSA Na verdade, o plano da Alpargatas é concentrar em médio prazo toda a produção de sandálias da Alpargatas em Minas Gerais, retirando de Campina Grande essa linha de produção. Na unidade campinense apenas deverão ser fabricados futuramente acessórios para as sandálias, como as famosas tiras que não soltam, por exemplo, retirando da indústria paraibana o poder de competividade que tanto lhe favoreceu com investimentos e incentivos fiscais do Governo do Estado. É provável também que o número de empregos da fábrica diminua, não se descartando a possibilidade de demissões em massa proximamente, uma vez que o apoio financeiro e fiscal dado pelo Governo de Minas tem sido

volumoso e a Alpargatas por aqui já teria exaurido tudo o que poderia conseguir a nível de Poder Público paraibano. Influente líder industrial disse para a reportagem d’A PALAVRA que o prejuízo que Campina terá só encontrará similar naquele dado pela desativação da fábrica de fogões Wallig Nordeste, que assim como deverá fazer a Alpargatas, abandonará tudo o que tem na cidade, já que os benefícios fiscais e financeiros a que tinha direito já se esgotaram.