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BDT [avaliação e ações prioritárias para a conservação da biodiversidade da zona costeira e m rinha] AVALIAÇÃO E AÇÕES PRIORITÁRIAS PARA A CONSERVAÇÃO

DA BIODIVERSIDADE DA ZONA COSTEIRA E MARINHA RESUMO Manguezais e marismas encontram-se distribuídos ao longo de praticamente todo litoral brasileiro. Os manguezais dominam a zona tropical enquanto as marismas constituem o ecossistema homólogo para a zona temperada. Os apicuns associam-se aos manguezais, formando na realidade um estádio sucessional natural do ecossistema. Tanto manguezal como marisma são ecossistemas complexos, altamente resilientes e resistentes. Manguezais são inquestionavelmente considerados como um dos ecossistemas mais produtivos do planeta. Os ecossistemas manguezal, marisma e apicum encontram-se entre as zonas úmidas de importância internacional no contexto da Convenção de Ramsar (1971). A situação atual desse grupo de ecossistemas e as considerações sobre os principais vetores de pressões e perspectivas de conservação e uso sustentável são analisadas sob a égide das oito unidades fisiográficas descritas por Schaeffer-Novelli et al. (1990), equiparadas aos 46 compartimentos físico-ambientais adotados pelo Sub-projeto "Biodiversidade da Zona Costeira e Marinha do Brasil" e as classificações e categorizações segundo Dinerstein et al. (1995) e Olson et al. (1996). Coletânea dos diplomas legais com incidência sobre o ecossistema manguezal é comentada no texto e apresentada como anexo, da mesma forma que a tabulação das informações sobre o diagnóstico da situação atual dos manguezais dos estados do Nordeste e a listagem das espécies típicas e associadas ao grupo de ecossistemas aqui tratados, entre elas aquelas enquadradas nas diferentes categorias de conservação (ameaçadas, vulneráveis, raras). Com a elaboração dessas tabulações e listagens torna-se clara a falta de conhecimento sobre o número total das espécies de toda Zona Costeira Brasileira, das funções desempenhadas pelos diversos ecossistemas, assim como dos respectivos estados de conservação das espécies. São discutidos os tensores mais comuns que incidem sobre o grupo de ecossistemas e suas conseqüências. O relatório é finalizado com recomendações de projetos prioritários para pesquisa, conservação, restauração, inventários biológicos, monitoramento ambiental e políticas públicas para o grupo de ecossistemas manguezal, marisma e apicum. Como um item a parte, oferta-se glossário com os principais termos técnicos empregados no corpo do relatório. CONSIDERAÇÕES INICIAIS O presente diagnóstico da situação atual do grupo de ecossistemas manguezal, marisma e apicum, fundamentou-se em alguns documentos considerados como de referência obrigatória (Schaeffer-Novelli, 1989; Schaeffer-Novelli et al., 1990; CIMA, 1991; CPRH, 1991; Schaeffer-Novelli, 1994; Dinerstein et al., 1995; Olson et al., 1996; CNIO, 1998). Trechos foram transcritos, procurando-se alterar o mínimo possível dos respectivos conteúdos quando da edição do documento final. Além destes e dos demais documentos citados quando do atendimento aos quesitos apresentados pela Coordenação Geral do Sub-Projeto Biodiversidade da Zona Costeira e Marinha, merecem especial referência os nomes de profissionais que contribuíram decisivamente ao nosso entendimento dos ecossistemas costeiros brasileiros, são eles, por ordem alfabética: Andrea Spörl, Claudia Câmara do Vale, Clemente Coelho Junior, Cristiane Spörl, Marcos Souto Alves, Marília Cunha Lignon, Mário Luiz Gomes Soares e Paula Maria Gênova de Castro, pós-graduandos da Universidade de São Paulo. Especial agradecimento a bióloga Sarah Andrade Santos, pelo auxílio na elaboração da

lista de espécies apresentada no relatório. INTRODUÇÃO 1.1 Descrição geral do grupo de ecossistemas O litoral brasileiro tem uma extensão de 7.408 km, diversificando-se entre a desembocadura do Rio Oiapoque (04o52 45"N) e o Arroio Chuí (33o45 10"S) com uma gama de ecossistemas, que varia entre campos de dunas, ilhas, recifes, costões rochosos, baías, estuários, brejos, falésias e baixios. Muitos deles, como praias, restingas, lagunas e manguezais, embora tenham ocorrência constante, apresentam tal variedade biótica que a aparente homogeneidade em suas fácies ecológicas apenas oculta especificidades florísticas e faunísticas vinculadas às gêneses diferenciadas dos ambientes em tão longo trecho litorâneo (CIMA, 1991). As terras brasileiras são pouco elevadas, distribuindo-se em 41 % de terras baixas, de 0 a 200m, 58,5 % de terras altas, de 200 a 1.200m e 0,5 % de áreas culminantes, com mais de 1.200m de elevação sobre o nível do mar. O país é banhado pelo Oceano Atlântico ao longo de uma linha costeira de 7.408 km, e faz limites com dez países ao longo de uma linha divisória de 15.719 km (CIMA, 1991). Os ecossistemas manguezal e marisma geralmente estão associados às margens de baías, enseadas, barras, desembocaduras de rios, lagunas e reentrâncias costeiras, onde haja encontro de águas de rios com a do mar, ou diretamente expostos à linha da costa. São sistemas funcionalmente complexos, altamente resilientes e resistentes e, portanto, estáveis. A cobertura vegetal, ao contrário do que acontece nas praias arenosas e nas dunas, se instala em substratos de vasa de formação recente, de pequena declividade, sob a ação diária das marés de água salgada ou, pelo menos, salobra. A zona do apicum, segundo Bigarella (1947), faz parte da sucessão natural do manguezal para outras comunidades vegetais, sendo resultado da deposição de areias finas por ocasião da preamar. Manguezais são, geralmente, sistemas jovens uma vez que a dinâmica das marés nas áreas onde se localizam produz constante modificação na topografia desses terrenos, resultando numa seqüência de avanços e recuos da cobertura vegetal. A riqueza biológica dos ecossistemas costeiros, faz com que essas áreas sejam os grandes "berçários" naturais, tanto para as espécies características desses ambientes, como para peixes anádromos e catádromos e outros animais que migram para as áreas costeiras durante, pelo menos, uma fase do ciclo de vida. A fauna e a flora de áreas litorâneas, representam significativa fonte de alimentos para as populações humanas. Os estoques de peixes, moluscos e crustáceos apresentam expressiva biomassa, constituindo excelentes fontes de proteína animal de alto valor nutricional. Os recursos pesqueiros são considerados como indispensáveis à subsistência das populações tradicionais da zona costeira, além de alcançarem altos preços no mercado internacional, caracterizando-se como importante fonte de divisas para o País. Manguezal - sistema ecológico costeiro tropical, dominado por espécies vegetais típicas, às quais se associam outros componentes da flora e da fauna, microscópicos e macroscópicos, adaptados a um substrato periodicamente inundado pelas marés, com grandes variações de salinidade. Os limites verticais do manguezal, no médio litoral, são estabelecidos pelo nível médio das preamares de quadratura e pelo nível das preamares de sizígia (Maciel, 1991). Marismas - são comunidades dominadas principalmente por vegetação herbácea perene ou "anual", podendo estar ainda associada a alguns arbustos, contrastando com o manguezal que é dominado por espécies vegetais arbóreas (Costa & Davy, 1992). Nas latitudes tropicais marismas e manguezais podem coexistir, tanto em ambientes naturais quanto nos modificados pelo homem. A maioria das marismas é dominada por poucas ou por uma única espécie, servindo esta característica para denominar cada uma das comunidades. As espécies vegetais das marismas suportam temperaturas do ar e da água bem inferiores às suportadas pelas plantas típicas do manguezal, principalmente quando se trata de geadas, ou de

temperaturas abaixo de 0oC e, da elevada freqüência de recorrência desses eventos (Costa & Davy, op. cit.). As espécies vegetais das marismas dominam a zona costeira do entremarés das regiões temperadas, enquanto que nos trópicos e subtrópicos elas tendem a se comportar como pioneiras, colonizando terrenos recém-depositados e pouco consolidados, ou onde as taxas de evapotranspiração são elevadas demais para as plantas de mangue. Marismas ocorrem, na América Latina, entre as latitudes de 32oN aos 52oS (Costa & Davy, 1992). Apicum - salgado, ecótono, zona de transição, areal, são denominações utilizadas para designar uma zona de solo geralmente arenoso, ensolarada, desprovida de cobertura vegetal ou abrigando uma vegetação herbácea. Aparentemente desprovida de fauna, ou seja, praticamente um deserto, apesar de estar cercada por um ecossistema pululante de vida o manguezal (Nascimento, 1993). O apicum como parte do ecossistema manguezal Apicum ou salgado, ocorre na porção mais interna do manguezal, na interface médio/supra litoral, raramente em pleno interior do bosque. Seu limite é estabelecido pelo nível médio das preamares de sizígia e o nível das preamares equinociais (Maciel, 1991). Amostras de sedimento coletadas por Nascimento (1993), ao longo de uma transversal da linha d água até o apicum, apresentaram os seguintes resultados para o teor de matéria orgânica: na superfície, há um decréscimo em direção ao apicum, à 20 e aos 40cm de profundidade; a partir dos 60 cm de profundidade, as concentrações de matéria orgânica no apicum foram mais elevadas que aquelas da superfície do manguezal. Na estação chuvosa ocorre uma inversão em relação à estação seca; as camadas inferiores do sedimento do apicum são tipicamente de manguezal, inclusive com restos de material botânico e valvas de ostras, denotando claramente sua origem à partir de um bosque de mangue assoreado naturalmente, caracterizando o apicum como área sucessional. A salinidade influencia a distribuição dos organismos no apicum, atuando como fator limitante (Nascimento, op. cit.). A salinidade intersticial, nos meses de verão (estação seca), apresentou valores crescentes da margem do rio para o apicum, ocorrendo o inverso no inverno (estação chuvosa), enquanto no manguezal foi mantido o equilíbrio da salinidade, registrando-se um decréscimo acentuado desses valores no apicum. Ao revolver constantemente o sedimento das galerias no inverno, os caranguejos Uca como outros animais escavadores estão enriquecendo a superfície com nutrientes retirados das camadas mais inferiores da vasa, desempenhando função vital na ecologia do manguezal. Esses nutrientes são carreados pelas águas da chuva para o manguezal, contribuindo para o equilíbrio orgânico-mineral do ecossistema (Nascimento, 1993). Esses resultados caracterizam a região do apicum como um reservatório de nutrientes, no contexto do ecossistema manguezal, mantendo em equilíbrio os níveis de salinidade e a constância da mineralomassa (Nascimento, op. cit.). 1.2 Identificação das principais unidades físico-ambientais com ocorrências significativas O Brasil é o segundo país em extensão na América Latina, ocupando gradiente latitudinal que vai dos 04o52 45" N aos 33o45 10" S e uma superfície de 8.511.996 km2, possuindo a maior extensão de zonas úmidas do continente. Para efeitos da Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional (Ramsar, 1971), da qual o Brasil é signatário, as zonas úmidas são áreas de pântanos, charco, turfa ou água, natural ou artificial, permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo áreas de água marítima com menos de seis metros de profundidade na maré baixa (art. 1o, Convenção de Ramsar, 1971). Todos os manguezais da América Tropical, na qualidade de zonas úmidas, são

reconhecidos como "ecossistema-chave", cuja preservação é crítica para o funcionamento de outros ecossistemas maiores e mais diversos que se estendem além dos limites de um bosque de mangue (Dinerstein et al., 1995). Os manguezais da América Latina e do Caribe estão compreendidos dentro de unidades/segmentos, segundo classificação aprovada por estudos desenvolvidos pelo Banco Mundial, com apoio do Fundo Mundial para a Natureza WWF (Dinerstein et al., op. cit.). Cada segmento ou unidade corresponde a uma divisão da costa com condições ambientais e fisiográficas comparáveis, caracterizado por formas de relevo e por processos específicos. Esse critério, adotado pelo Banco Mundial em sua publicação sobre a avaliação do estado de conservação das eco-regiões terrestres da América Latina e do Caribe (Dinerstein et al., 1995), proporciona uma visão bio-regional com grande potencial para identificar prioridades de conservação e estratégias para o manejo dos manguezais. Cada um desses segmentos de manguezal: (a) ocupa um determinado lugar no contexto do relevo, típico de cada regime energético; (b) desenvolve sistemas com produtos e características similares (níveis de desenvolvimento e produtividade); (c) exibe vulnerabilidade e respostas similares às perturbações; e (d) são igualmente sensíveis a um determinado tipo de atividades de conservação. O enfoque adotado pelo Banco Mundial BIRD (Dinerstein et al., 1995), havia sido empregado anteriormente por Schaeffer-Novelli et al. (1990) para caracterizar os ambientes de manguezal do litoral brasileiro. Para essa compartimentação foram selecionadas algumas variáveis que caracterizam o sistema de forças atuantes sobre o litoral, modelando sua fisiografia. Assim, associando-se as feições do litoral (relevo, tipo de sedimento, cobertura vegetal) aos valores das temperaturas médias anuais, evapotranspiração potencial, amplitude de marés médias e de sizígia, foi possível identificar oito unidades do litoral para o Brasil (Schaeffer-Novelli, 1989). Manguezais e apicuns são encontrados ao longo de praticamente toda a costa, do Cabo Orange (04o52 N) até Laguna (28o30 S), enquanto que as ocorrências das marismas passam a ser mais significativas a partir dos 25oS em direção às mais altas latitudes. Dos 46 (quarenta e seis) compartimentos que integram as unidades físico-ambientais (Tabela I), a ocorrência de manguezais e apicuns é registrada da Foz do Rio Oiapoque (Região Norte) à Divisa Laguna/Jaguaruna (Região Sul). As marismas dominam a paisagem nas unidades que vão da Juréia (Região Sudeste) até o Chuí (Região Sul). No presente diagnóstico, no tocante ao grupo de ecossistemas: manguezal, marisma e apicum, serão adotados tanto no contexto das "unidades físicas" do litoral (itens 1.2., 2.1.) como em termos dos "graus de conservação / comprometimento" (item 3.8), os conceitos empregados nos trabalhos de Schaeffer-Novelli et al. (1990), Dinerstein et al. (1995) e Olson et al. (1996). Em workshop realizado na sede do Fundo Mundial para a Natureza WWF sobre "Conservation assessment for Mangrove Ecosystems of Latin America and the Caribbean" (Washington, D.C., 2 4 de dezembro de 1994), esses conceitos foram amplamente discutidos por um grupo de especialistas, não sendo considerado oportuno alterá-los principalmente diante da coincidência de objetivos entre aquele workshop e o Programa Nacional da Biodiversidade no qual se insere a presente contribuição. 1.3 Tendências sócio-econômicas O manguezal pode ser tratado como um recurso renovável, porém finito, quando se considera a produção natural de mel, ostras, caranguejos, camarões, siris e mariscos, além das oportunidades recreacionais, científicas e educacionais. Por outro lado, o manguezal também pode ser considerado como um recurso não-renovável, quando o espaço que ele ocupa é substituído por prédios, atracadouros, residências, portos, marinas, aeroportos, rodovias, salinas, aqüicultura, etc. Há ainda, entre estas duas categorias outras, que condenam os manguezais a receptáculos de despejos de efluentes líquidos, disposição de

225. 1. Assim. lista com elementos da legislação federal. como fixadoras de dunas ou como estabilizadoras de mangues.4. o que significa que o próprio Código já protegeu em todo o Brasil todos os locais em que existam ou devam existir manguezais e/ou dunas. Só a Lei pode tocar nesses espaços (e examinaremos logo mais qual a competência para legislar sobre esses espaços). Encontra-se. Assim. Assim. de acordo com sua gênese. o Governo Federal (através do SPU Serviço de Patrimônio da União ou do IBAMA) não podem autorizar qualquer alteração ou até extinção de manguezais e de dunas. 2o do Código Florestal: os manguezais e as dunas só podem ser alterados ou suprimidos por ato legislativo. caput) contra a imprevisão. O apicum. não é preciso que um órgão público ambiental baixe um ato para dizer que um manguezal ou uma duna está protegido. espaços territoriais e seus componentes. 225. 1994). Segundo Paulo Affonso Leme Machado (1991). a pressa e a cupidez das gerações atuais princípios prevenção e da precaução (Nota da consultora) O Código Florestal de 1965 diz no seu artigo 2o que consideram-se de preservação permanente. A lei não tem palavras inúteis e que possam ser desprezadas pelos que devem aplicá-la. a Prefeitura Municipal. em todas as unidades da direito. o Governo do Estado (através de suas Secretarias ou de seus órgãos ambientais). decretos. incluído em diversos dispositivos constitucionais (Constituição Federal e Constituições Estaduais) e infra-constitucionais (leis. 1991). as leis brasileiras vêm dando maior proteção aos manguezais. Acentue-se que essa intocabilidade constitucional das dunas e dos manguezais visa conservá-los também para as gerações futuras. sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei. em toda a sua extensão". ou diretamente exposto na linha de costa. ecossistema bem representado ao longo do litoral brasileiro. a serem especialmente protegidos. em anexo. de 18 a 20 de outubro de 1989: "O art. encontra-se associado a estuários. A seguir. A Constituição Federal tem uma dimensão a ser bem considerada "não só não permite a alteração e a supressão dos manguezais por atos dos particulares e dos Poderes Executivos". pois a própria lei . encontram-se transcrições do texto preparado pelo ilustre jurista por ocasião do Seminário Técnico sobre "Alternativas de Proteção e Uso dos Manguezais do Nordeste". mencionando também documentos de caráter internacional. portanto. pelo só efeito desta lei. disse o Código Florestal que as florestas ou outras formas de vegetação que recobrem os mangues ou estão nas dunas têm caráter "permanente" e. realizado em Recife. isso é. qualquer utilização que tire ou dificulte a integridade ou a totalidade da proteção dos manguezais e das dunas está proibida. pode muito bem ser considerado como parte do manguezal também no que tange a aplicação da legislação. uma vez que em alguns documentos legais já se encontra a expressão "manguezal. Políticas públicas e legislação que afetam o grupo de ecossistemas O manguezal. O mesmo Código disse que a proteção se dá "pelo só efeito desta lei". incumbe ao Poder Público: III Federação. vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção". é considerado no Brasil como de preservação permanente. resoluções. não estão ali como um favor do homem à natureza ou simplesmente à espera de alguém que queira modificar a paisagem. como não permite que esses espaços tenham "utilização que comprometa a integridade" dos seus atributos. reconhecendo os diferentes compartimentos como parte do ecossistema. as florestas e demais formas de vegetação natural situadas (alínea "f"): nas restingas. baías e lagunas. culminando essa defesa com a Constituição Federal de 5 de outubro de 1988. fundamentando a posição legal dos manguezais como zona úmida de importância internacional (Tabela II). da Constituição Federal diz: Para assegurar a efetividade desse definir.resíduos sólidos ou ao extrativismo de produtos florestais (Maciel. A observação desses instrumentos legais impõe uma série de ordenações do uso e/ou de ações em áreas de manguezal (Schaeffer-Novelli. convenções). A nova Constituição veio dar força ao que já dizia o art. pois essas gerações também estão protegidas pela Constituição Federal (art.

pois os manguezais e as dunas são áreas de preservação permanente pelo efeito da lei.) A Lei Federal de Recursos Hídricos No 9433/97 trata da gestão desses recursos em nível nacional. eximiu os funcionários dos órgãos ambientais de cumprirem com suas obrigações constitucionais em defesa da saúde pública e da preservação do patrimônio ambiental (Capobianco. devendo.). refere-se especificamente às áreas de preservação permanente. e pagando caro. op. devendo funcionar a Procuradoria da República. entre outras. prevê nos artigos 38 a 53 os crimes contra a flora." A Medida Provisória 1605/98 (reeditando a Medida Provisória 5111/96) alterou os artigos 2o e 3o do Código Florestal. integrando a administração pública litorânea. Enquanto que estas áreas tinham sido ampliadas de 50% para 80% pela Medida Provisória 1511/96. Quase sempre os manguezais se localizam sobre os terrenos de marinha e em contiguidade às praias. A Resolução No 04/1985 do CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente veio dar ênfase a essa defesa legal no seu artigo 3o. 1991). instituições educacionais públicas e privadas. assim. Isso é importante. e só pelo efeito de uma outra lei federal e não por ato administrativo podem ser alterados. 7661/88 (Gerenciamento Costeiro). quando estiverem presentes em bens de particulares não precisam ser nem desapropriados. para adaptar suas atividades às normas de conservação do meio ambiente (Capobianco. como o mar (artigo 20 da Constituição Federal). A gestão das bacias hidrográficas deve ser realizada de forma a englobar os sistemas costeiros. cit. isto é. 40 e 44. bióticos. Esta nova lei inovou prevendo a possibilidade da substituição de penas de prisão por penas alternativas de prestação de serviços à comunidade. Esta lei inclui normas de proteção ambiental já definidas em inúmeras leis anteriores. como as leis 4771/65 (Código Florestal). pois adia a previsão dos crimes contra a administração ambiental. mutilados ou suprimidos. atitudes e competências voltadas para a conservação do ambiente. Só a Lei Federal pode alterar ou suprimir (Machado. De outro lado. As diversidades das regiões no País são consideradas sob aspectos físicos. 39. 6938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente). O Projeto de Lei no 3792/93 define a educação ambiental como o conjunto de processos que possibilitam o indivíduo e a coletividade construírem valores. Direito de propriedade: dunas e manguezais Os manguezais e as dunas podem ser encontrados tanto em bens imóveis públicos como particulares.SISNAMA. promovendo a educação ambiental e incentivando o engajamento da sociedade na conservação. órgãos públicos federais e estaduais e organizações não-governamentais. A Medida Provisória 1710/98 suspendeu a efetividade da Nova Lei Ambiental por dez anos. todos os que tiverem imóveis em que surjam ou existam manguezais e/ou dunas são obrigados . nem indenizados para que sejam conservados. Essa Medida Provisória premia os degradadores reincidentes que sempre atuaram no sentido de levar vantagem sobre os empreendedores sérios que vinham se esforçando. 7643/83 (Proteção dos Cetáceos).federal (o Código Florestal) já o fez. nesses casos tranqüilamente a competência para decidir sobre os conflitos é a Justiça Federal e não da Justiça Estadual. ser articulada com os níveis e modalidades do sistema educacional. econômicos e sócio-culturais. op. recuperação e melhoria do meio ambiente. Esse Projeto de Lei estabelece que o Poder Público fica responsável pela definição de políticas que incorporem a dimensão ambiental. Assim. 7679/88 (Pesca). Vigora o princípio da generalidade dos fins públicos. A Nova Lei Ambiental 9605/98. cit. A Medida Provisória 1736 alterou o artigo 2o do Código Florestal permitindo o licenciamento ambiental e suprimindo parcial ou totalmente as áreas de preservação permanente. demográficos. sendo ambos bens da União. considerando a bacia hidrográfica como unidade territorial de planejamento. 1998). incisos VIII e IX (Machado. Além disso. chamada erroneamente de Lei de Crimes Ambientais. O Ministério Público do Estado de São Paulo questiona a constitucionalidade dessas Medidas Provisórias. A política de educação ambiental deverá envolver órgãos integrados ao Sistema Nacional de Meio Ambiente . reduzindo as áreas de preservação permanente de 80% para 20%. conhecimentos. sendo que nos artigos 38.

7 % da superfície do País. O total de áreas protegidas é de 3. 2o) e proíbe a captura de indivíduos com carapaça inferior a 5cm de largura (art. sendo proibida a captura de fêmeas de qualquer tamanho em qualquer época do ano. em toda região Nordeste. Aspectos gerais do esforço conservacionista A região Neotropical que inclui toda a América do Sul. Sistema de Unidade de Conservação Em síntese o Brasil possui 1. primatas. anfíbios. Os proprietários privados podem. 1999).8 % de sua extensão territorial em unidades de conservação de uso indireto dos recursos. como a pública. Caribe e grande parte do México. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação SNUC representará um avanço na estruturação dos parques e reservas brasileiros. A Lei Federal No 7. Em relação às unidades de conservação marinhas temos 0. 1988). A propriedade privada.803/1989. A criação e a implementação de unidades de conservação é uma das principais estratégias para a conservação dessa biodiversidade. como observando as regras pertinentes poderão coletar a fauna ali encontrada (Machado. quem ocupar as dunas. transporte. 1991). 170 e art. A criminalidade de criar perigo para os manguezais e as dunas Quem autorizar aterros em manguezais. os ambientes costeiros do Neotrópico encontram-se a cada dia sob maior pressão. A Portaria No 1. O Fundo Mundial para a Natureza WWF. reservas ecológicas e biológicas. O número de ecossistemas presentes e a biodiversidade faunística e florística não tem igual nas demais partes do planeta (Scott & Carbonell. deve cumprir sua função social (art. assim como proíbe captura.5cm. O Brasil é líder mundial em diversidade de plantas. América Central. se conhece relativamente pouco sobre a biodiversidade de suas fauna e flora (Scott & Carbonell.). o Brasil também protege mal seu patrimônio natural: 75% de nossas unidades de conservação estão em estado precário. 15 da Lei No 6. estações ecológicas. impedir a entrada de outras pessoas nesses bens. Apesar da grande quantidade de estudos desenvolvidos sobre esses ecossistemas. contudo. 1o). retirar areias.gratuitamente a conservá-los. Com o aumento das atividades do homem moderno. 1991). como também é proibida a captura de macho com tamanho de carapaça inferior a 4. é a Amazônia com 3. que são as mais importantes para a preservação da biodiversidade. cit. como também a captura e comercialização das fêmeas ("canduruas") em qualquer época do ano (art.938/1981 quer prevenir o dano e pune esses crimes com dois a quatro anos de reclusão (Machado. define o tamanho mínimo de captura para o caranguejo-uçá. contribuindo de forma significativa para a conservação da diversidade biológica brasileira. dando nova redação ao art. quem fizer o transporte de materiais para os manguezais.1 % de uso indireto dos recursos. O bioma mais privilegiado em unidades de conservação. analisou 86 dessas áreas e concluiu que além de proteger pouco. 1. A Lei Paraense do Caranguejo. não existindo propriedade com fins exclusivamente privados. de 22 de novembro de 1989. No Brasil existem 93 unidades de conservação federais de proteção integral entre parques nacionais. peixes de água doce e insetos. inciso XXIII da Constituição Federal. já cria uma situação de perigo para esses bens ambientais. em termos relativos. Rio de Janeiro. São Paulo. 5o. A Portaria No 104/98 do IBAMA determina o período de defeso do Ucides cordatus de 1o de setembro a 15 de dezembro no Espírito Santo. sem condições de cumprir com seu papel de garantir a proteção da natureza. No 6082/97 proíbe a captura de machos e fêmeas do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) no período de reprodução (art. Possui quase um terço das florestas tropicais remanescentes no mundo (WWF/Campanha "Proteja os Parques do Brasil". 3o). op.208/89. 1986).8 % de áreas . 4o). industrialização e comercialização de fêmeas ovadas (art.5 % de áreas protegidas de uso direto e 4. 3o). beneficiamento.5. Paraná e Santa Catarina (art. é a mais rica e a de maior diversidade das oito regiões biogeográficas do globo.

09. Características gerais das unidades físico-ambientais e importância ecológica da região O Brasil com uma superfície de 8. Resolução CONAMA No 004. deve ser considerado o ecossistema. culturais. que o órgão responsável. A complexidade aumenta em função do nível hierárquico do sistema. com a conseqüente perda do patrimônio natural.consiste basicamente em determinar as áreas de ocorrência de desova. Projeto Peixe-Boi . paisagísticos. requerendo apenas responsabilidade e vontade política. o nível hierárquico a ser considerado é o da paisagem. Quando se deseja manejar um organismo. E.protegidas de uso indireto dos recursos.65) e como Reserva Ecológica. necessariamente. nesse contexto. uma vez que o ecossistema é considerado de preservação permanente (artigo 2o. enseadas. Conservação da fauna e da flora silvestres Há que se ressaltar alguns projetos de conservação da fauna silvestre brasileira. conclui-se que bastaria vontade política para o cumprimento da lei para garantir a conservação e o uso racional dos recursos naturais. distribuição e proteção do peixe-boi marinho.771.511. abrangendo desde regiões equatoriais ao norte até áreas extratropicais ao sul. marismas. Apenas 155 mil ha são unidades de conservação marinhas (CIMA. possibilitando estudos mais avançados sobre os mesmos. Constituição Federal.09. efetuar um senso preliminar dos indivíduos. No caso de uma população deve ser manejada a comunidade. Em se tratando do manejo de uma comunidade. tartarugas marinhas e do peixe-boi com os ambientes costeiros abrigados para sua sobrevivência estuários.85). 15. diferenciadas climática e geomorfologicamente. A referência a estes projetos diz respeito às dependências das aves limícolas. sob risco de se tratar apenas dos efeitos e não das causas. efetuando estudos de biologia e comportamento.996 km2. A conservação do patrimônio natural depende do manejo adequado de seus recursos. Lei federal No 4. bem como outros tipos de marcação. 05. 18. a identificação das espécies e sua respectiva distribuição. deve ser manejado todo o sistema.estudo. 1991). além dos valores sociais. tendo assegurada sua preservação. lembrando que para manejar um determinado componente do sistema. Um bom manejo não depende. e implantando vários locais de efetiva proteção. no âmbito dos ambientes marinho-costeiros. E.coordena e armazena dados de anilhamento de aves silvestres em liberdade.distribuição.88). no caso de ecossistemas. Do ponto de vista paisagístico podem ser reconhecidos seis domínios . estuários ou deltas. marismas. "em toda a sua extensão" (artigos 1o e 3o. objetiva identificar as áreas de ocorrência. de altas tecnologias nem de conhecimentos "exotéricos".10. Estabelecendo as devidas correlações.1. recreacionais e educacionais. deve ficar claro que a conservação de sistemas como manguezais. Projeto TAMAR . deve ser manejada a unidade seguinte que é a paisagem. dos bens e serviços gerados gratuitamente. manguezais. o País conta com extraordinária diversidade ecológica e biológica. No caso do manguezal em toda a sua extensão (incluindo o apicum) os diplomas legais em vigor dispensariam o estabelecimento formal de unidades de conservação. e. IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis vem realizando com sucesso e que tiveram início em fins da década de 1970: Centro de Estudos de Migrações de Aves CEMAVE . proteger as áreas para evitar a extinção iminente. Com esta extensão territorial. RESULTADOS 2. 1991). deve ser incluída a bacia hidrográfica. pesquisas sobre biologia e comportamento estão sendo iniciadas (CIMA. proteção e conservação das tartarugas marinhas . é o maior país da América do Sul. deve ser considerada sua população. estéticos. visando o conhecimento em nível nacional e internacional dos movimentos desses animais. Como a Zona Costeira é considerada Patrimônio Nacional (artigo 225 § 4o.

Rhizophora é encontrada somente nas margens. resultantes das variações do nível médio do mar. Rhizophora e Laguncularia aparecem como pioneiras. no limite norte da Foz do Amazonas. climáticos e continentais. associada a estações secas prolongadas. Avicennia e Laguncularia formam bosques mistos. podendo compor formações mistas ou monoespecíficas. Manguezais são pobremente desenvolvidos ao longo deste trecho da costa devido à falta de aporte de água doce. Unidade I : do Cabo Orange (04°30'N) ao Cabo Norte (01°40'N). Avicennia forma verdadeiros siriubais em locais de pequena elevação e baixa salinidade. Os manguezais colonizam rios costeiros. principalmente durante o quaternário. As faixas mais elevadas. O gênero Conocarpus é encontrado nas faixas de transição para terra firme. além de suas próprias experiências de campo. A diversidade de litorais brasileiros. assemelhados em seu aspecto morfológico. composições petrográficas. Para essa caracterização. Segmento caracterizado por bosques homogêneos dominados pelo gênero Avicennia. fez com que esses ecossistemas. formando estreita faixa na franja dos bosques ou quando dominante. mas também às condições ambientais do presente. assim mesmo. formando verdadeiros siriubais. os manguezais se desenvolvem em áreas protegidas. Unidade VI : do Recôncavo Baiano (13°00'S) a Cabo Frio (23°00'S). Ambientes de baixa energia deposicional são colonizados por Spartina. Unidade IV : Ponta Mangues Secos (02°15'S) ao Cabo Calcanhar (05°08S). morfologias variadas da costa primitiva. extendendo-se até consideráveis distâncias. Rhizophora domina as franjas dos bosques.). cit. com formações lodosas de água doce dominando a parte norte da Foz do Amazonas. A evolução histórica desses ambientes a partir de matrizes geológicas distintas. Devido a alta energia desse trecho da costa. posteriores às franjas são colonizadas por Avicennia e Laguncularia. Rhizophora ocupa a porção estuarina dos rios. Os três gêneros de mangue são encontrados. Nessas áreas Montricardia e Laguncularia ocupam a porção interior dos bosques. O desenvolvimento e a cobertura dos manguezais é escasso neste segmento devido a influência da descarga fluvial do Rio Amazonas. principalmente. Particularizações regionais nas composições bióticas desses ecossistemas homólogos devem-se não só aos mecanismos originadores. caracterizados por combinações distintas de fatores climáticos e geomorfológicos que se espraiam por milhões até centenas de milhares de quilômetros quadrados de extensão. padrões de correntes e de circulação das águas e condições diferenciadas de clima em termos de temperaturas e precipitações. Os bosques são mistos. Schaeffer-Novelli et al. op. onde a influência marinha é direta. mineralógicas e cristalográficas dos substratos. As características bióticas encontram-se associadas a esses tipos de substratos. um conjunto de feições geomórficas.morfoclimáticos brasileiros. Nas partes mais internas dos bosques. mas também nas suas dinâmicas próprias de funcionamento trófico e energético (CIMA. levando em conta elementos oceanográficos. formações vegetais características e regimes hidrológicos que distinguem os domínios uns dos outros (CIMA. elas guardam. Manguezais relativamente extensos são comumente encontrados por trás de restingas. Na Baía de Todos os Santos Laguncularia é dominante. Unidade V : Cabo Calcanhar (05°08'S) ao Recôncavo Baiano (13°00'S). aqueles autores utilizaram dados da literatura existente sobre o assunto. exibam diferenças não apenas na diversidade de espécies. (1990) dividiram a linha de costa em 8 (oito) unidades fisiográficas. 1991). pode ser subdividida. enquanto Rhizophora ocorre em locais com influências marinhas mais significativas. Unidade III : Ponta Curuçá (00°36'S) à Ponta Mangues Secos (02°15'S). ou inundados periodicamente pelas marés. Embora essas áreas naturais possam abrigar várias regiões naturais e compartimentos biogeográficos. que constitui a gama de substratos dos ecossistemas costeiros. Unidade II : do Cabo Norte (01°40'N) à Ponta Curuçá (00°36'S). associados a estuários e lagunas costeiras. colonizando solos areno-argilosos. Altas concentrações de sais limitam os manguezais às desembocaduras dos rios. associações de solos. .

e também de mais difícil abordagem ou metodologia. que ocupam apenas 6% da superfície dos continentes e vêm sendo destruídas a uma taxa de 105 mil km2 por ano.3. formando marismas que são totalmente inundadas pelas marés altas. Os bosques de Itanhaém apresentam na parte posterior junto a terra firme. O limite latitudinal para espécies vegetais típicas de mangue ocorre no litoral de Santa Catarina. associados a cordões de dunas e pontais arenosos. quer pela destruição de habitats. Rhizophora domina as franjas dos bosques. o bosque do tipo ilhote. aos 27°30'S para Rhizophora mangle e aos 28°30'S para Avicennia schaueriana e Laguncularia racemosa. enquanto a parte interna pode ser ocupada pelas duas espécies anteriores ou por Laguncularia. enquanto Avicennia é encontrada em depósitos mais altos formando extensos bosques. com Laguncularia. formando bosques mistos.5. Caracterização.6. privilegiando as marismas. Em Guaratiba. em contato com a mata de restinga.8. Informações existentes Aguardando sistematizações regionais 2. Os bosques apresentam gradiente em termos estruturais. Unidade VIII : Torres (29°20'S) ao Chuí (33°45'S). A região de Cananéia-Iguape possui áreas deposicionais recentes. canais e à jusante de alguns rios. faixas de transição colonizados por Hibiscus. Ao longo da linha de costa são encontradas formações lagunares. Relação das principais localidades inventariadas Aguardando sistematizações regionais 2. ou ainda apresentar um gradiente estrutural de bosque monoespecífico de Rhizophora. Na Baía de Guanabara.constitui faixas monoespecíficas freqüentemente inundadas pelas marés. os sedimentos recentes de ilhas barreiras são colonizados por Spartina. Rhizophora ou Avicennia dominam as franjas dos bosques. Neste último caso. Os bosques podem ser monoespecíficos ou mistos. quantificação e avaliação crítica da informação disponível para o grupo de ecossistemas Aguardando sistematizações regionais 2. Na região estuarina de Santos e Bertioga. Rhizophora coloniza sedimentos lamosos com grande quantidade de matéria orgânica. Crinum e Acrosthicum. é um dos temas globais mais candentes da atualidade. As franjas são dominadas por Rhizophora. com indivíduos mais altos margeando estuários. enquanto as partes mais internas podem formar bosques mistos com Avicennia e Laguncularia. segundo CIMA (1991) "A extinção de espécies. freqüentemente colonizada por Laguncularia e Spartina. como o da Ilha de Pai Matos. 2. ou sítios protegidos por Spartina e Laguncularia. Grau de conhecimento Aguardando sistematizações regionais 2. resultantes de sucessivos eventos trangressivos e regressivos. Esforço de estudo do grupo de ecossistemas Aguardando sistematizações regionais 2.7. Baixas temperaturas no inverno e grande amplitude térmica inibem o crescimento de espécies típicas de mangue.4. Avicennia e Rhizophora. Avicennia e Laguncularia também podem formar bosques mistos nas franjas. A dificuldade resulta da atual ignorância do número de espécies existentes e da grande complexidade da estrutura das comunidades biológicas e da ecologia e distribuição geográfica de espécies tão distintas como grandes insetos. Projetos de pesquisa em execução Aguardando sistematizações regionais 2. isoladas do Oceano Atlântico por barreiras múltiplas. Avaliação do conhecimento da diversidade biológica para o grupo de ecossistemas Biodiversidade e extinção das espécies. .2. A preocupação deriva da constatação de que metade ou mais das espécies existentes na Terra vivem nas florestas tropicais úmidas. Unidade VII : Cabo Frio (23°00'S) à Torres ( 29°20'S). quer pela pressão direta da exploração econômica. não apresenta gradiente por ser freqüentemente inundado pelas preamares. Este trecho do litoral é formado por extensos depósitos praiais.

A diversidade de ecossistemas refere-se aos habitats. econômica ou religião dominante numa sociedade. o conhecimento existente permite a adoção de uma estratégia de planejamento visando um comportamento racional face à conservação da biodiversidade. sem dúvida. número que deve representar apenas uma fração do total. diversidade de espécies e de ecossistemas. A variabilidade genética é constituída pela soma total da informação genética contida nos genes de indivíduos de plantas. A diversidade de espécies refere-se aos organismos vivos na Terra. Constitui um termo abrangente para o grau de variedades da natureza que inclui o número e a freqüência de espécies ou genes e os respectivos ecossistemas. relaciona apenas seis espécies como provavelmente extintas dentre as 171 espécies listadas para a floresta atlântica incluídas na lista. Apesar dessas dificuldades metodológicas. Apesar dessas dificuldades vários autores têm feito estimativas teóricas de taxas de extinção. Nesses níveis. a tentativas de se considerar homogêneos. foram extintas 724 espécies de animais e plantas. no nível de conhecimento taxonômico da flora e da fauna originais. usando as chamadas curvas de espécies por área (da forma S = cAz. Os resultados dessas estimativas. ameaçados e extintos). redigida pela ONU reconhece que o homem é parte da natureza e que toda forma de vida merece respeito. Essas incertezas dizem respeito a estimativas globais de extinção. não se pode ter dúvidas quanto à realidade do perigo de empobrecimento biológico da biosfera que se antecipa principalmente se considerarmos a perda de diversidade funcional (Nota da consultora). e mesmo atual. reservas biológicas e outros tipos de unidades de conservação. A visão ética e cultural da diversidade voltada para a natureza e a vida humana deve ser encorajada através de promoções que respeitem e melhorem a diversidade de vida.mamíferos. preparada por zoólogos com grande experiência de campo. Evidentemente que esse conhecimento é de fundamental importância para um plano de conservação da biodiversidade por intermédio de parques. e c e z são parâmetros constantes para situações específicas). visando o desenvolvimento social e econômico. assim como à enorme diversidade dentro dos ecossistemas em termos de diferenças de habitats e dos vários processos ecológicos. animais e microorganismos que habitam a Terra. Parte da dificuldade reside. fungos ou árvores. dependendo das premissas adotadas pelos diferentes autores. o que impossibilita qualquer comparação. expressos como uma porcentagem de espécies perdidas globalmente por décadas. Consideram-se três níveis distintos para expressar a biodiversidade: variabilidade genética. A é a área. A lista de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. Desde 1600. os ecossistemas e ainda os processos ecológicos dos quais são componentes. independentemente de ideologia política. A Carta Mundial para a Natureza. e que inclui todos os animais classificados nas três categorias mais críticas da União Mundial para a Natureza UICN (vulneráveis. De acordo com a estratégia Mundial e o Grupo de Trabalho sobre "Ética de Conservação" ambos da UICN. onde S é o número de espécies. a base para a conservação da biodiversidade deve ser coerente com os princípios ecológicos que essencialmente promovem atividades que sejam sustentáveis a longo prazo. animais e microorganismos. A biodiversidade engloba todas as espécies de plantas. O bem-estar das futuras gerações constitui responsabilidade social da presente geração visando assegurar que os recursos naturais renováveis sejam adequadamente cuidados para garantir sua produtividade sustentável. às comunidades bióticas e aos processos ecológicos na biosfera. independentemente de sua utilidade para o homem e que os benefícios atuais da natureza dependem da manutenção dos processos ecológicos e dos sistemas que sustentam a vida em suas diversas formas. . e considerando-se uma redução progressiva da área segundo diversas taxas de desmatamento. variam dentro de uma faixa de 1 a 11 %. padrões de distribuição geográfica e comportamentos ecológicos reconhecidamente complexos nos níveis regional e local.

2.).Outro fator importante para se considerar a necessidade de conservação da biodiversidade. A diversidade dos ecossistemas marinhos. As conseqüências são imprevisíveis. harrisonii encontram-se da região norte até o Delta do Rio Parnaíba. Cobertura vegetal Manguezal As angiospermas do mangue do litoral brasileiro pertencem a três gêneros. As espécies encontradas ao longo do litoral brasileiro são: Rhizophora mangle. mais vulnerável e com menor capacidade de suporte. 1991). tornando-o menos apto a ação de novos tensores e por conseqüência. causada entretanto por fatores naturais. chegando a sobreviver em locais com salinidades de 90. desde que submetidas a intrusões salinas." O manguezal é considerado um dos ecossistemas mais complexos do ambiente marinho. incluindo a da própria espécie humana. ao longo de todo litoral. nas partes internas dos estuários onde a salinidade não é muito elevada. e R. relaciona-se à evolução das espécies para se adaptarem às mudanças climáticas. somente 1. com seu limite austral coincidindo com o próprio limite sul dos manguezais no Atlântico Sul Ocidental.9. encontra-se geralmente nas franjas dos bosques em contato com o mar. sobretudo nos trópicos onde ocorrem dois terços das espécies da Terra. estamos limitando o processo evolutivo para a adaptação às mudanças climáticas em curso. e A. cit. apresentam alta diversidade biológica (Tabela III). ao longo das margens lamacentas dos rios ou diretamente exposta às linhas de costa. 1986). Os ecossistemas costeiros. O desconhecimento dos valores reais da biodiversidade tem constituído sério obstáculo para que os tomadores de decisão reconheçam a necessidade da conservação dos recursos biológicos nos planos nacionais de desenvolvimento. mas certamente serão catastróficas e poderão comprometer a sobrevivência da biodiversidade. é no mínimo comparável à diversidade terrestre (Courrier. desde as florestas de mangues. à latitude da Ilha de Santa Catarina. no Piauí. do norte até a desembocadura do Rio Macaé (Soffiatti. até os sistemas marinhos mais simples. sobretudo aquelas resultantes do "efeito estufa" e da destruição da camada de ozônio. pes. entretanto. sendo que as mais precisas giram em torno de 10 milhões. A extinção das espécies sempre ocorreu desde os primórdios da existência da vida na Terra. Com o acelerado processo de extinção em marcha. Mas a cada perturbação há perda de elementos do sistema. levando a uma simplificação. da desembocadura do Rio Oiapoque. não apenas por sua diversidade biológica mas principalmente devido à diversidade funcional. Gênero Avicennia Siriúba ou mangue preto ocupa terrenos da zona entremarés.). na desembocadura de alguns rios ou. ao norte do Estado do Rio de Janeiro. Conhecimento da diversidade biológica As estimativas da diversidade de espécies vegetais e animais na Terra variam entre 2 e 100 milhões. Mas. porém. As espécies encontradas em nossos manguezais são: Avicennia germinans. que recebem influências dos ambientes marinho e terrestre. ao longo dos canais. contando com um total de 6 espécies (Schaeffer-Novelli & Cintrón. graças à variabilidade genética. e dentre estas. de estrutura complexa. racemosa e R. a alocação de valores qualitativos e quantitativos certamente justificariam ações governamentais de incentivos à conservação (CIMA. sapateiro ou verdadeiro. Sistemas complexos tendem a resistir mais eficientemente às perturbações tanto naturais quanto induzidas pelo homem. . schaueriana. com. Essas plantas toleram salinidades intersticiais muito mais altas que os demais gêneros de mangue.4 milhões já estão classificadas (Courrier. 1992). nunca pelo próprio homem. Gênero Rhizophora Mangue vermelho. os organismos foram capazes de se adaptar às diversas mudanças climáticas com o surgimento de novas espécies cujos descendentes atualmente enriquecem flora e fauna. op.

podem ocorrer fanerógamas halófitas (Salicornia gaudechodiana. na condição de semi-residentes. na Baía do Sueste. além de abrigo e substrato para inúmeras espécies animais de importância econômica e ecológica. Chaenopodiaceæ e Sesuviam portulacastrum. atenção especial foi dada aos habitats de aves aquáticas. encontrou-se quantidade representativa de Calinectes (siri). encontrados nas proximidades da vegetação. encontrada associada aos manguezais ao longo de todo litoral. segundo Panitz (1992). Criptógamas associadas aos manguezais Para as áreas de manguezal do Atlântico Sul Ocidental. do gênero Uca. como contribuição às propostas a planos de desenvolvimento e manejo auto sustentáveis que envolvam esse tipo de recurso. disponibilidade de nutrientes e temperatura que determina um ciclo sazonal no desenvolvimento das espécies da cobertura vegetal das marismas. marismas. (1992) fazem referência a um total de 21 espécies de Chlorophyceæ. 1992). Na proximidade da parte mais sombreada das árvores de mangue a densidade de tocas de Ucides cordatus jovens (caranguejo-uçá) chegou a 30ind/m2. além de outras formava um verdadeiro tapete por todo o apicum. esses animais estão sempre intimamente associados e dependentes desses ecossistemas. Seja qual for a condição. a quantidade de Uca das espécies U. Para as áreas úmidas. A partir do mês de maio. Nessas áreas os Uca escavam suas tocas que chegam a 70 e 80cm de profundidade. i. possivelmente devido sua popularidade e facilidade de identificação. U. . visitantes regulares ou oportunistas. Cordeiro-Marino et al. com o início das chuvas de "inverno". às vezes ao longo de canais de água salobra ou. numa densidade aproximada de 250ind/m2. 1993). À semelhança dos manguezais nas regiões tropicais. principalmente aquelas dominadas pela gramínea Spartina. representantes de um número relativamente reduzido de famílias (Costa & Davy. todos em estágio juvenil (Nascimento. Marismas As marismas. como no caso dos manguezais. possui apenas um espécie Laguncularia racemosa. grau de inundação. Fauna Associada A fauna dos manguezais. É um gênero monoespecífico. Durante os meses de verão é reduzido o número de animais se deslocando sobre a área do apicum (Nascimento. Sua produtividade é controlada pela amplitude das maré. Merece destaque o fato de ser a única espécie típica de mangue encontrada no Arquipélago de Fernando de Noronha. no único manguezal. Segundo Maciel (1991). thayeri. demonstrando a necessidade de cooperação internacional no que tange a proteção desse recursos naturais. Devido à importância desses animais como indicadores da qualidade ambiental e sob a égide da Convenção de Ramsar (São Paulo. salinidade.Gênero Laguncularia Mangue branco ou tinteira. 37 de Rhodophyceæ e 4 de Phaephyceæ. alguns grupos.. leptodactyla. mordax. U. constituem um dos mais produtivos ecossistemas costeiros. marinho e de água doce. Nas pequenas poças d água no apicum. Certas aves percorrem grandes distâncias em seus movimentos migratórios. contam com bom acervo bibliográfico. estuários e deltas tem sua origem nos ambientes terrestre. Aquela autora descreve a presença de alguns caranguejos "chama-maré". sobre as quais se alimentam caranguejos de diversas espécies. U. as marismas representam nas regiões temperadas importante fonte de nutrientes e de detritos para a cadeia alimentar.e. permanecendo nesses ecossistemas toda sua vida como residentes ou apenas parte dela. passando às vezes por vários países. 1997a). encontrado em costas banhadas por águas de baixa salinidade. A maioria das espécies vegetais das marismas da América Latina pertence a gêneros amplamente distribuídos pelas comunidades halofíticas. como o das aves aquáticas. rapax. Aisoaceæ) e criptógamas abundantes. em praias arenosas protegidas. 1993).

Ixobrychus involucris. Como através da pesca parece ser mais fácil quantificar uma determinada parcela da produção dos recursos naturais marinhos. representando 24 famílias. Oxyura dominica e Netta erythrophthalma (Scott & Carbonell. o exemplo acima serve para caracterizar a diversidade da ictiofauna que depende. Quando a esquadra de Cabral aportou na Terra do Brasil estima-se que houvesse menos de 4 milhões de indígenas. Distribuição e situação das espécies Aguardando sistematizações regionais 2. Sambaquis datados de 7. ameaçadas ou vulneráveis para vários países da América do Sul e do Caribe. nas marismas e. Algumas das espécies de aves associadas aos manguezais brasileiros são consideradas raras. E assim.000 anos B. por que não dizer em toda a Zona Costeira Brasileira. garantiu o uso eficiente dos recursos disponíveis através dos tempos (Figuti. depois de forma avassaladora. bem como seu comportamento social.Um exemplo da dependência da produção da zona costeira com os manguezais pode ser ilustrado pela listagem apresentada por Cintrón & Schaeffer-Novelli (1983). associadas a diversas áreas estuarinas do litoral brasileiro (Tabela IV). as florestas e os manguezais da planícies costeiras (Schaeffer-Novelli & Cintrón-Molero.. não são muitos os projetos específicos para identificação da diversidade biológica na Zona Costeira do País. em sua maioria ocupando as várzeas dos rios. Listagem com dados existentes de diversidade/riqueza de espécies Ainda falta muito para um conhecimento completo sobre o número total das espécies da fauna e da flora existentes nos manguezais. provocando alterações por vezes irreversíveis (Schaeffer-Novelli. Trichechus manatus (peixe-boi) é considerada como espécie vulnerável pela classificação da UICN (Fonseca et al.10. dos fluxos de energia e matéria gerados pelos manguezais (Schaeffer-Novelli. Pandion halliaetus (águia pescadora). 2. Liquens. visando a gestão da diversidade biológica As áreas protegidas ao longo da costa que fornecem abrigo e alimento farto. Mas mesmo assim. comprovam as evidências de que os primeiros americanos já se utilizavam dos recursos dos manguezais.12. de acordo com Saenger et al. foram as que serviram de ponto de partida para a ocupação dos europeus com seus primeiros núcleos de colonizadores. Coincidentemente. Além destas espécies existem as endêmicas da região Neotropical. propiciavam aos recém chegados a mesma proteção exigida pelos manguezais para seu desenvolvimento. Com exceção do Projeto BIOTASP/FAPESP (Migotto & Tiago. patrocinado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo FAPESP. contendo restos de conchas de bivalves. Protistas. incluindo-se Ajaia ajaia (colhereiro). é possível ter uma idéia dos organismos a eles associados. 1993).000 a 10. marismas e estuários para sua sobrevivência. Fungos. in press a). Eudocimus ruber (guará). de alguma maneira. onde aparecem 67 espécies de peixes. 2. Dermochelys coriacea (tartaruga-de-couro ou tartaruga gigante) e Chelonia mydas (tartaruga verde) entram no complexo estuarino-lagunar de . Aplicabilidade da informação existente. com base em levantamentos bibliográficos. Egretta thula (graça branca pequena). revelando a riqueza de espécies desses ecossistemas. O comportamento semi-nômade daqueles grupos de caçadores e coletores. podendo estar envolvidas com algum tipo de ameaça iminente. principalmente dos manguezais (Tabela III). Cosmorodium albus (graça branca grande). carapaças de crustáceos e espinhas de peixes.P. (1983) e Marcondes-Machado & Monteiro Filho (1989) (Tabela III). consideradas bastante escassas em alguns segmentos do litoral brasileiro.11. 1989). Vegetais e Animais. e Sterna hirundo (trinta-réis de bico vermelho). enquanto se expandiam os povoados. 1994) e sua conservação depende também da preservação dos ecossistemas costeiros. Neste caso acham-se incluídas as espécies Eudocimus ruber. se reduziam as áreas de manguezal. 1989). integrantes dos grupos taxonômicos: Procariontes. primeiramente com uma taxa pouco pronunciada (de 1500 a 1900) e. 1986). 1999).

Ainda sobre este aspecto. crustáceos e peixes (inclusive utilizando explosivos). aparecem aterros.14. além da instalação de viveiros e tanques para aqüicultura (Tabela V). Passando de uma escala da União para uma regional. em Aracajú/SE. apreensão das principais macrotendências. principalmente quando raízes inteiras do mangue vermelho (rizóforos de Rhizophora mangle) são cortadas pelos coletores. 1989).Iguape-Cananéia para alimentar-se. também. primam o empirismo e o imediatismo sobre os seguintes produtos: derrubada de árvores de mangue para lenha. 1996). ocorrem no litoral brasileiro e podem. madeira para construção e extração de tanino. ocupado por . O manguezal.13. assim caracterizado: extrativismo animal e vegetal nos ecossistemas flúvio-marinhos e flúvio-lacustres. 2. Nas regiões Sudeste e Sul. as Áreas Costeiras emersas. Aquele documento adotou metodologia que fosse capaz de apresentar resultados que atendessem aos seguintes requisitos: visão integrada do desenvolvimento brasileiro atual e seus rebatimentos especificamente ambientais na escala da União. Vetores de pressão sobre a diversidade Na obra "Os ecossistemas brasileiros e os principais macrovetores de desenvolvimento: subsídios ao planejamento da gestão ambiental" (Brasil. de uma maneira geral. Eretmochelys imbricata (tartaruga de pente) e Lepidochelys olivacea (tartaruga pequena). lixões. Pendoley & Fitzpatrick (1999) observaram a espécie Chelonia mydas abrigando-se em áreas de manguezais da Austrália. pela utilização predatória de artefatos como redinhas. causando grande mortalidade de peixes e crustáceos. pastagens e silvicultura. localizadamente. agricultura. de turismo e lazer. como o que ocorreu com a Coroa do Meio. mereceram tratamento conjunto. no Nordeste um dos fatores responsáveis pela degradação do mangue é o despejo de vinhoto das usinas produtoras de álcool. A cultura de cana-de-açúcar. segundo Schaeffer-Novelli (1989). ignorando seu valor como verdadeiros celeiros biológicos (Schaeffer-Novelli. estar associadas a outros sistemas estuarinos da nossa costa (Tabela III). 1991). devido às formas mais desenvolvidas de uma sociedade de consumo. armadilhas denominadas "ratoeiras" e substâncias químicas como o carbureto. atividades salineiras. a demanda por produtos provenientes do ecossistema manguezal provocou aumento na captura de caranguejo-uçá (Ucides cordatus). empreendimentos imobiliários. as áreas costeiras e a região da floresta atlântica consideradas como "as dependências ecológicas entre a Floresta Atlântica. Assim. se extende para os terrenos próximos aos manguezais (Diegues. Ostras de mangue também vêm sendo explotadas com tamanhos abaixo do previsto pela legislação. A conservação deste sistema natural é de fundamental importância para auxiliar a preservação dessas espécies marinhas. As espécies Caretta caretta (tartaruga amarela). todos se utilizando dos manguezais como terras de "baixo custo". colocando em risco o estoque deste organismo em diversos setores do litoral. depois de ocupar os "tabuleiros" pouco adequados para o plantio. Intensidade de utilização da diversidade biológica para o grupo de ecossistemas Nas regiões Norte e Nordeste. distritos industriais. infra-estruturas urbana. pesca predatória incidindo sobre moluscos. 2. alimentando-se de folhas de Avicennia marina. e. A ocupação urbana também é um grande fator de degradação dos manguezais. portuária. os compartimentos dos macrovetores identificados com atuação sobre os Ecossistemas das Áreas Costeiras e da região de Floresta Atlântica no tocante ao uso e ocupação das terras foi. embora os responsáveis tenham reconhecido ser compartimentos totalmente diferenciados. além de diagnóstico ambiental básico. o extrativismo continua imperando porém. todas ameaçadas. A isso se acrescenta a grande quantidade de inseticidas e fungicidas usados na cultura de cana-de-açúcar e que escorre para as áreas de mangue. sob influência das marés e submersas até os rebordos da Plataforma Continental".

O corte indiscriminado das árvores de mangue pode vir a transformar esses manguezais em marismas. com insustentável índice de refugo ou descarte. A falta de proteção aos estoques que em sua fase juvenil sofrem a ação da pesca indiscriminada e pouco seletiva. e. 1991). mais precisamente para cada tipo de bosque ao longo da linha de costa. A poluição de importantes ecossistemas costeiros e estuarinos em nível nacional.).. vêm acarretando redução dos estoques em níveis tão acelerados. Em primeiro lugar. A privatização de áreas de praias e junto às margens dos rios e estuários. enrocamentos) (Diegues. certamente. que seu impacto é sensível na produtividade e índices de abundância (CIMA. no que se reporta aos efeitos das mudanças climáticas globais sobre o ecossistema manguezal: existência de locais de provável refúgio no caso de uma "migração" do bosque em direção à terra firme. desprovida das árvores de mangue. onde se dá a produção de alimento e o crescimento de fases larvares e juvenis dos recursos pesqueiros. cit. causando destruição de parte da estrada asfaltada recém-construída (Diegues. implicando em maior competição pelo alimento e predação entre espécies. deve-se considerar alguns aspectos importantes. aumento da produção de serapilheira devido ao aumento das temperaturas. começou a sofrer erosão do mar. 1991). cujas espécies vegetais seriam mais resistentes às novas condições antropizadas. in press b). vem reduzindo as oportunidades de sobrevivência dessas populações ribeirinhas como também.). um declínio da produtividade e conseqüentemente das atividades pesqueiras junto a costa (Costa & Davy. 1989). A redução significativa das áreas de manguezal e a desfiguração de importantes complexos estuarinos e de baías. A orla de Coroa. cit. como por exemplo a preservação da linha de costa. sedimentação e subsistência/ progradação). Impactos de origem natural Existem diversas perspectivas considerando o aumento do nível médio relativo do mar para as próximas décadas. uma substituição dos manguezais por marismas ocasionaria. sendo que para . 1990). é poderoso entrave à racionalização da explotação pesqueira. como também ao aumento da temperatura na atmosfera terrestre devido ao efeito estufa. op. filtro biológico. 1991). 2. a substituição de alguns ecossistemas (marismas e faixa de transição para restinga) seriam diretamente afetados. Considerando-se a importância do manguezal como exportador de carbono orgânico e de nutrientes para as águas costeiras. contribuindo de forma importante para a aceleração da curva de mortalidade (CIMA. Para o Brasil. colocando em risco de sobrepesca inúmeros recursos (CIMA. onde tradicionalmente e legalmente os pescadores artesanais praticavam suas atividades de subsistência. irão responder diferentemente ao aumento do nível relativo do mar. Embora os manguezais não tenham valor de mercado.. vem reduzindo o habitat de muitas espécies.15. sabe-se que exercem uma série de funções gratuitas. foi cortado para dar origem a um bairro residencial de luxo. reduzindo os estoques dos recursos vivos (Schaeffer-Novelli. berçário. os diferentes tipos fisiográficos descritos anteriormente (Schaeffer-Novelli et al. op. 1992). Nas regiões Sudeste e Sul. A destruição dessas funções obriga a sociedade a pagar muito caro pela sua recriação artificial (amuradas de cimento. efeito dos processos geomorfológicos (erosão. porém qualquer elevação irá afetar o ecossistema manguezal e a resposta a tal elevação estará relacionada às taxas em que esse aumento ocorrer (Schaeffer-Novelli et al. retenção de sedimentos.catadores. efeito sobre o aporte de sedimento nos rios e deltas.

seriam colonizadas por espécies de mangue. cit. levaria a um comprometimento considerável das possíveis "áreas refúgio". e a conseqüente barragem na foz dos rios. principalmente da flora. Em regiões onde os manguezais colonizam extensas planícies costeiras. expansão industrial e aqüicultura. entre outros. O mesmo autor enfatiza que os manguezais podem resistir a taxas de elevação do nível médio relativo do mar de 100 a 150 cm/século. a perda das faixas anteriores dos bosques de mangue seria inevitável. No caso mais específico de áreas naturais de produção. provocada pelo crescimento das cidades litorâneas.16. Os espaços das restingas seriam erodidos e os sedimentos retrabalhados. O aumento do nível dos oceanos devido às mudanças climáticas globais. Nas Unidades III e IV.1 Derivadas do uso direto . ou dos estuários dos rios da área do Recife/PE (CIMA. especialmente de camarões nas áreas costeiras. As respostas do ecossistema manguezal são bastante previsíveis. com baixa freqüência de inundações. Ao confrontarmos com a realidade brasileira. in press b). Segundo Woodroffe (1990) devemos considerar que em relação aos ambientes deltaicos a resposta dependerá tanto do fornecimento de sedimento ao sistema. poderá alterar a capacidade de produção destes sistemas (CIMA. As mudanças serão observadas em nível da zonação e da colonização/distribuição das espécies da fauna (endofauna e incrustante) e. Posteriormente.16. os bosques poderiam estar menos vulneráveis devido ao equilíbrio entre os processos de subsidiência e de progradação. em regiões onde praticamente inexistem "áreas refúgio". as situações em alguns locais que já são críticas. induzindo modificações na topografia do terreno. podemos afirmar que as planícies salgadas de maré. a exemplo de Cananéia-Iguape. seriam privilegiadas na competição pelo substrato. Pressões antrópicas gerais da unidade físico-ambiental e para o grupo de ecossistemas 2. 1993). deverão aumentar as áreas inundadas e as inundáveis em muitos rios grandes ou pequenos ao longo da costa. Laguncularia racemosa poderia ser a espécie pioneira. cujas planícies costeiras são limitadas por rochas sedimentares encaixadas em rochas cristalinas (Ramos. poderão ser afetados diretamente pelo aumento da freqüência de inundação e por uma elevação do nível das águas do estuário. As espécies adaptadas aos sedimentos arenosos. um pequeno aumento do nível médio do mar seria suficiente para acarretar mudanças na zonação desse ecossistema. a substituição das espécies deste ecótone se daria devido a inundações pelas preamares e o conseqüente aumento da salinidade no sedimento.). bancos de Spartina. mais conhecidas como "apicuns". poderão se tornar calamitosas como é o caso do Vale do Ribeira ao sul do Estado de São Paulo. ou alteração da qualidade das águas. op. como na Baía de Todos os Santos. 1990). como das características fluviais e tidais. Para a faixa de transição com a terra firme. até sua total eliminação (Huiskes. 1991). (1990). Se em algumas destas áreas costeiras houver um aumento de precipitação como está previsto como parte das mudanças climáticas globais. Dessa forma podemos salientar que na partes frontal do bosque (franja) e posterior (transição para terra firme) os efeitos serão mais mensuráveis. colonizando o ambiente previamente modificado. Na região Sudeste. descritas por Schaeffer-Novelli et al. Porém.as marismas. favorecendo uma substituição por espécies típicas de mangue ou por outras espécies psamohalófitas. A ocupação desordenada das áreas adjacentes aos bosques de mangue. 2. os propágulos seriam trazidos pelas preamares. como no Delta do Parnaíba. As marés altas de sizígia seriam responsáveis pela preparação desses substratos no que se refere a diluição dos sais acumulados. o problema pode tornar-se bastante sério. pois qualquer aumento do nível dos oceanos. em áreas de baixa energia e suave topografia. enquanto que para a região central (bacia) serão menos sensíveis (Schaeffer-Novelli & Cintrón-Molero.

que o Rei D. caranguejos e peixes predadores de camarão. o mangue era utilizado para retirada de madeira de lenha e tanino para curtumes. na freqüência de inundação. O terreno. a flora e a fauna do ecossistema vão sendo prejudicadas devido a alteração na drenagem. e sistema de comportas para manter estável o nível d água em qualquer estágio da maré. áreas de mangue começaram a ser utilizadas para construção de salinas. Pois este mesmo país o Equador . "caiçaras" (galhos de mangue usados para construção de habitats para peixes) e retirada de material para construção de casas e cercos. além das doenças produzidas por fungos." Aqüicultura. José em Alvará com força de lei datado de 1760 proíbe o corte. especialmente no Rio Grande do Norte. atravessa a vários anos uma crise econômica no setor pesqueiro. as áreas de mangue eram exploradas de forma pouco intensa para a pesca. particularmente no Nordeste onde era usada como lenha para as usinas de açúcar. considerações gerais e comentários. A vantagem vista pelos empresários na aqüicultura no mangue é que o investimento é baixo e o lucro é altíssimo. segundo Diegues (1991) "Os mangues foram utilizados pelas populações indígenas antes da chegada dos colonizadores europeus como atestam os montes de ostras retiradas das raízes de mangue. Um tanque de cultivo é uma fonte potencial de poluição. como é de marinha. segundo fontes extra-oficiais). e agora estão com problemas de tanques abandonados devido a salinização dos tanques e à falta de larvas de camarão. reservando a vegetação para extração do tanino para os curtumes da metrópole. Até as primeiras décadas do século XX. 1987). A produtividade nos tanques com água salobra é relativamente baixa devido a presença de enxofre no sedimento. as áreas de mangue ainda hoje são utilizadas por comunidades de pescadores e extrativistas que delas dependem para sua sobrevivência (Diegues. causando declínio da pesca artesanal. pesca esportiva. bem como pelas águas servidas (tóxicas) provenientes das descargas dos tanques e dos canais de drenagem construídos sobre sedimento rico em enxofre. construção de "viveiros" de peixes (aqüicultura extensiva) em áreas estuarinas. vizinhas aos tanques. causando eutroficação do estuário (FAO. citando os milhões de dólares que o país teria lucrado exportando para outros países. super exploraram os estuários coletando larvas e juvenis. tendendo a ser anti-econômica. mas um empobrecimento ainda maior das populações tradicionais que dependem dele para sobreviver (Diegues.000ha. Nesses empreendimentos não houve somente a degradação de um dos ecossistema mais produtivos da biosfera. No Nordeste.Usos tradicionais. Já no século XVIII a extração de madeira de mangue era tamanha. No período colonial. 1982). Culturas semi-intensivas envolvem fertilização. A partir da década de 50. Os manguezais foram cortados para implantação de pólos industriais e minero-metalúrgicos. com graves prejuízos sociais. pois além de terem destruído mais de 80. é . Com exceção dessa última atividade (salinas). além de fonte de alimento (peixes e crustáceos). A captura intensiva de larvas para povoar os tanques reduz os estoques naturais dos estuários. que em contato com o ar pode transformar-se em ácido sulfúrico. compactação dos taludes feitos com material da escavação. controle de doenças e manipulação dos estoques.000ha de manguezais (ou 120. resultante do excesso de fertilizantes e alimentos. Biocidas são usados também para eliminar moluscos que competem por alimentos no fundo dos tanques. 1991). A maioria dos empresários brasileiros usa o Equador como exemplo da lucratividade da criação de camarão no mangue. alimentação suplementar. segundo Maciel (1991) "A construção de tanques para cultivo de camarão no manguezal começa pela remoção total da cobertura vegetal. as áreas estuarinas e de mangue começaram a ter uma utilização intensa para fins de implantação de indústrias e expansão imobiliária. crustáceos parasitas. Nas áreas de mangue. pois é necessário usar grandes quantidades de carbonatos para ajustar o pH garantindo o crescimento dos camarões. seguida de escavação do terreno.

As repetidas inundações e os sucessivos ressecamentos." Uso-ocupação do espaço costeiro Os principais vetores de uso-ocupação do espaço costeiro brasileiro podem ser resumidamente enunciados como: a) assentamento humano. As salinas abandonadas no nordeste devem ser adoçadas de forma a permitir a recomposição da área pelo manguezal (Maciel. na faixa costeira. Quanto mais árida ou semi-árida for a região. 14 (82 %) têm suas capitais localizadas no litoral. São Sebastião (dominado por um terminal de petróleo) e uma linha contínua de loteamentos (turismo de "segunda-residência") que começa no Guarujá e só termina na divisa com o Estado do Rio de Janeiro. e dois homens são pagos para cuidar de cada 10ha de tanques. Derivadas do uso indireto Degradação dos recursos costeiros." Uma avaliação de impacto ambiental provará ao governo e aos órgãos ambientais que não há necessidade de se destruir um ecossistema tão produtivo. as larvas são coletadas no estuário de graça. nivelamento do terreno. b) produção de sal. É comum o caboclo nordestino "adoçar" o sedimento para plantar mandioca e cana. Apesar de comportar diferenças regionais. São Paulo. uma das três escassas exceções. para se ter indústria camaroneira "lucrativa" no Nordeste (Diegues. preparo dos taludes. considerações gerais e comentários. c) melhoria/ampliação dos "corredores de transporte" litorâneos. segundo CIMA (1991) "Os ecossistemas costeiros. 1991). expansão urbana. A experiência internacional mostra que as salinas sobre áreas de manguezal. segundo Maciel (1991) "A implantação de salinas também requer a completa erradicação da cobertura vegetal do manguezal. além de alterar a estrutura do mesmo.aforado pelo Serviço de Patrimônio da União SPU por quantia irrisória. 1991). para a redução da diversidade genética e para a inviabilização do aproveitamento dos recursos ambientais (CIMA. mais intenso será o dano causado pela construção de salinas em áreas de manguezal.2. É provável que a estrutura da argila que impermeabiliza os taludes faça com que a água doce acumulada no período das chuvas vá escoando e arrastando o excesso de cloretos. contribuindo para a degradação de ecossistemas.16. dando lugar a assentamentos do porte de Santos (predomínio da atividade portuária). Cubatão (predomínio da atividade industrial). diluição de esgotos e disposição do lixo. encontram-se submetidos a pressões vinculadas à permanência. comunicando os principais centros urbanos com pequenas cidades. mantém um complexo sistema de relações com o litoral. vetores que se aceleram na medida em que se verifica o crescimento da população e das atividades econômicas. quando desativadas nem sempre são recolonizadas por plantas típicas de mangue devido às profundas alterações na química e na física do sedimento. Aqui no Brasil. Daí para frente. os tanques de várias salinas abandonadas em pouco tempo apresentam recomposição da cobertura vegetal. a ocupação da faixa costeira brasileira apresenta uma característica comum: predominam formas de assentamento humanos que determinam o rompimento de processos ecológicos. notadamente. O custo da construção dos tanques é baixo e logo se dilui na primeira exportação de camarão. Salinas. 1991). vilas e praias onde passa a predominar o turismo de "segunda-residência". aumentam o conteúdo de sal no sedimento. de mais da metade da população brasileira assentada a uma distância inferior a 60 km em relações de troca com o resto do mundo. 1991). pelo impacto que geram os distritos industriais e os pólos . que comprometem a sobrevivência dos propágulos. é só lucro até os tanques salinizados serem abandonados e novas áreas de manguezal serem desmatadas (Maciel." 2. abertura de um sistema de canais de inundação e intensa compactação do sedimento. pesca e agricultura como sendo as atividades econômicas mais antigas. d) atividade industrial. Dentre os 17 estados brasileiros que são banhados pelo mar.

nessa síntese. Santa Catarina e Rio Grande do Sul (CIMA. Aratu/BA. gás natural e nódulos polimetálicos. derivados de gás. corrosivos. A ocorrência de acidentes envolvendo e derramamento de óleo representa fato do conhecimento nos sítios em que estão instalados. b) baixadas litorâneas que. depois das ilhas inicialmente preferidas dada a facilidade de defesa comportaram o assentamento da maior parte da população brasileira situada no litoral. A dimensão física desses portos tem sido ampliada na medida do possível. determinando prejuízos no tocante à balneabilidade. Sepetiba/RJ. c) corpos d água litorâneos e costeiros.513. gás natural. ilhas e outras formações rochosas que ofereciam e oferecem abrigo a instalações ligadas a atividades litorâneas típicas. destacar os seguintes componentes dos ecossistemas como objetos de impactos ambientais diretos e indiretos: a) recifes de coral e ilhas. 1991). Santos. que determina processos de instalação geomorfológica. São Paulo. já que dos 13 portos brasileiros de maior movimento (Belém/PA. e) atividade portuária e proliferação dos terminais marítimos especializados. b) cobertura vegetal litorânea (manguezais. Bahia. matas de restinga. enseadas.729m3 e uma rede de dutos de 8. Vitória-Tubarão/ES. promontórios. segundo CIMA (1991) "Os espaços onde se localizam preferencialmente tais vetores de uso-ocupação da costa podem ser resumidamente relacionados. cujos impactos resultam na degradação de bancos genéticos importantes. São Francisco do Sul/SC. e. Vetores de uso-ocupação. paisagísticos. Rio de Janeiro. etc. mata atlântica. com o empobrecimento dos testemunhos de diferentes manifestações culturais litorâneas brasileiras. etc. A despeito dos esforços no tocante a medidas e mecanismos de segurança o risco de acidentes permanece como um fato incômodo dadas as evidências fornecidas pelos eventos que têm ocorrido.). substâncias tóxicas variadas. Angra dos Reis/RJ. com uma capacidade em tanques da ordem de 9. industriais e portuárias. gases e inflamáveis. mas também à pesquisa e exploração de petróleo. redução da capacidade de reposição de estoques de várias espécies. Para dimensionar esse risco vale lembrar que a Petrobrás operava até 1991 nove terminais marítimos de petróleo. Saboó e Ilha Barnabé) para lidar com ácidos. Grande parte dos problemas de degradação dos recursos costeiros está associada às grandes concentrações metropolitanas. Resultados do processo de uso-ocupação desses espaços. Entretanto. Santos/SP.. Pernambuco. ou seja. São Sebastião/SP. foram responsáveis por 87% do total do movimento realizado em portos brasileiros (valores registrados pela Portobrás e publicados em 1988). o que significa a eliminação de traços históricos." Crescimento das áreas metropolitanas .especializados (petroquímicos e cloroquímicos). por exemplo. podemos. dispõe de terminais (Alamoa. Itaqui/MA. o que conta para expressar sua verdadeira importância e capacidade de impacto são os terminais especializados e sua capacidade de movimentar cargas de alto risco e poder tóxico. Enquanto isso a Baía de Guanabara comporta nada menos de 16 terminais marítimos de petróleo. Porto Alegre/RS e Rio Grande/RS) a maioria se localiza ou está intimamente articulada com as regiões metropolitanas brasileiras. processos de bioacumulação de metais pesados na cadeia alimentar de peixes. praias.. c) plataforma continental que nesse último quarto de século passa a dar sustentação não só à atividade pesqueira oceânica. que se vêem assoreados e contaminados em decorrência de processos erosivos e pelo lançamento de substâncias tóxicas e elevadas cargas orgânicas. e. sal-gema e carvão (CIMA. Rio de Janeiro/RJ. As atividades portuárias têm que estar aqui associadas. movimentando cada qual mais de 10 milhões de toneladas de mercadoria em 1988. com destaque para a produção de petróleo. Os portos aqui mencionados. coqueirais. Paranaguá/PR. f) extração mineral tanto realizada em terra firme como no mar. Sergipe. 1991).306km de extensão. etc. cabendo destacar: a) baías. artísticos. d) patrimônio cultural e modos tradicionais de vida. perda do potencial ecológico e econômico inerente.

Muitos dos loteamentos estabelecidos à beira-mar ou envolvendo lagoas. 405. Entretanto. eventualmente. o lançamento de esgotos in natura e de resíduos sólidos nos corpos d água. no Estado do Rio de Janeiro. a extração de areias monazíticas (litoral do Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro) e sal-gema (Rio Grande do Norte) são também responsáveis por danos sensíveis no tocante à qualidade das áreas onde se localizam tais atividades. Cabe ainda registrar a multiplicação e o crescimento contínuo das "cidades de veraneio" polarizadas pelas áreas metropolitanas. Espírito Santo. tem sido a contribuição dada pelas populações de baixa renda sem que estas dêem conta que. Em menor grau. Os casos de Fortaleza/CE. a ocupação de encostas de declividade acentuada. não é a atividade de extração a fase mais preocupante da atividade petrolífera. Maceió/Al. região do lagos do Rio de Janeiro. A produção de petróleo na faixa costeira é mais diversificada na sua localização. compreendem o aterro de áreas úmidas. Entretanto. notadamente por indústrias de pequeno porte como cerâmicas. Do ponto de vista ambiental. sobretudo sob a forma de "segunda residência". a inadequada disposição do lixo urbano e industrial. litoral norte de São Paulo. Guarapari/ES. tem caracterizado o litoral brasileiro de Norte a Sul. 1991). A expansão do turismo. O lançamento de esgotos in natura. segundo CIMA (1991) "O consumo de lenha como combustível na periferia das grandes áreas urbanas.) têm contribuído para a degradação localizada dos ecossistemas costeiros. 69. é responsável pelo surgimento de focos de deterioração ambiental. A mineração e as demais atividades a ela associadas (transporte. beneficiamento. na busca de soluções de emergência. estocagem. Rio Grande do Norte e Ceará. padarias e curtumes. Na verdade os problemas ambientais a ela relacionados estão mais freqüentemente ligados ao transporte. Sergipe. explica boa parte da pressão que é exercida sobre remanescentes da cobertura vegetal costeira. Salvador/BA. poluição acidental. material de construção e. a capacidade de investimento das agências públicas fornecedoras de serviços não tem acompanhado a demanda por infra-estrutura social. Camburiú/SC e Tramandaí/RS são apenas alguns exemplos. a ocupação irregular de margens de rios e lagos. Ainda sobre os vetores de uso-ocupação. processos erosivos e de assoreamento bem como o surgimento de áreas críticas de inundação compõem uma mostra dos problemas ambientais urbanos mais comuns na faixa costeira (CIMA. De fato. mas nem por isso de forma desprezível. dando origem assim a inúmeros problemas ambientais que tendem a inviabilizar não só a dinâmica desses ecossistemas como a própria sobrevivência da atividade turística. essa diversidade de locais não reflete na verdade a real distribuição da produção já que dos 453.4% se originam dos campos marítimos do Rio de Janeiro. principalmente.Em relação às regiões metropolitanas. A poluição e o assoreamento dos corpos d água. importa considerar também que as oportunidades de emprego/renda têm atraído na direção dos mesmos contingentes de população sempre crescentes.566 (89%) saíram da Bacia de Campos. etc. armazenamento. são freqüentes as queixas de administradores públicos que dizem arcar com o ônus social desse crescimento econômico. para o fabrico de pequenas embarcações. a extração do carvão e do petróleo. a urbanização de áreas geotécnicas ou ecologicamente vulneráveis são alguns dos desafios postos para as diferentes agências governamentais. refino e consumo de derivados. De uma forma não tão generalizada como a expansão urbana.463 barris/dia produzidos em 1990 em poços marítimos. a eliminação de vegetação fixadora de dunas. Do total da produção nacional em 1990. Enquanto são escassos os acidentes envolvendo . sem que exista a possibilidade de assegurar recursos para dotar os espaços costeiros de mecanismos de controle e infra-estrutura de serviços que possibilitem uma ocupação menos danosa ao meio ambiente. estão na verdade criando condições que favoreçam a perpetuação de situações de miséria. A busca da madeira como lenha. Bahia.

da pesca comercial nos últimos vinte anos. que se caracterizava por uma barreira de restinga e." Baía de Guanabara Como conseqüência direta do conjunto de pressões que atuam sobre uma bacia hidrográfica cuja área aproximada é de 4 mil km2. 1991). sendo a largura dessa faixa bastante irregular . influenciadas por decisões fundamentadas em padrões políticos e econômicos. Tendências sócio-econômicas Na teoria. marinas.os 656 poços marítimos.. principalmente nas suas partes de maior declividade. bem como as 64 plataformas fixas e os 10 sistemas flutuantes de produção. contra os interesses públicos proteção do patrimônio natural. a destruição progressiva dos manguezais. derivados. principalmente. fáceis e/ou políticas (Maciel. nas partes norte/nordeste do fundo da baía . em terminais brasileiros (CIMA.). o assoreamento crescente dos corpos d água. atingindo taxas da ordem de 81 cm/100 anos. marinas. 1991). nos dias de chuva e maré cheia. bem como agravamento dos problemas de erosão e enchentes em decorrência dos processos de desmatamento instalados na bacia. cit. Desse total mais de 50% (45. sofrem inundações devido ao transbordamento de rios e das galerias pluviais/esgoto. Vale lembrar que a Frota Nacional de Petroleiros FRONAPE transportou. a cada viagem. Tais decisões seriam aceitáveis desde que os custos econômicos apresentados fossem verdadeiros. op. Na prática.. todos ignorando que o ecossistema é de preservação permanente. álcool e outros produtos. de tal forma a compreender o malbarateamento do recurso natural pela . Não é possível a drenagem devido a falta de declividade do terreno.. verifica-se a redução. incluindo as perdas econômicas a curto. "uma faixa de manguezal de 40 km de extensão. e muitos outros empreendimentos que eliminam a cobertura vegetal do manguezal. o gerente ideal administraria o ecossistema de tal forma a deixar em aberto o maior número de opções de uso de recursos (usos múltiplos). centros comerciais. hoje. a degradação da qualidade das águas da baía. 1979 in: CIMA. áreas industriais. o mesmo não pode ser dito das operações de desembarque/embarque de óleo e derivados nos nove terminais brasileiros operados pela Petrobrás. indústrias altamente poluidoras foram instaladas próximo à baías e estuários. resta. por uma franja de manguezais circundando praticamente toda a área da baía. portos e pólos petroquímicos. supermercados. Da cobertura vegetal original.. O setor privado sempre pressionou muito para proteger suas metas econômicas. As autoridades não consideraram sequer outras alternativas (Maciel. o total de 89 milhões de toneladas cúbicas de petróleo. infelizmente o que se observa. de porto nacional a porto nacional. 1991). têm sido projetados e construídos por famosos engenheiros e arquitetos. 3.2.6 toneladas cúbicas) através da navegação de cabotagem. médio e longo prazos pela eliminação permanente do recurso em usos alternativos e. em 1989. com resultados a curto prazo. Alguns desses empreendimentos são de propriedade de governadores e outros representantes do alto escalão da classe política (Maciel. um perímetro de 131 km e um volume de 2 bilhões de m3 de água.. ANÁLISE DOS RESULTADOS 3. em 90 %. Desta forma. vários bairros construídos sobre manguezais aterrados. 1991). implicando em duas operações de carga/descarga realizadas." (FEEMA. com cerca de 35 rios de maior importância. a Baía de Guanabara com área de 381 km2.1. que a comunidade local envolvida tivesse sido suficientemente bem informada sobre o assunto. pelo maior tempo possível. Em função deste comportamento nada conservacionista. ou seja. com aumento de 12 milhões de toneladas em comparação ao ano anterior. Tendências sócio-econômicas e políticas públicas Para criar bairros. aeroportos. as autoridades brasileiras sempre optaram por soluções baratas. são decisões tomadas com base em interesses imediatos. Aeroportos.

decisão política (Maciel. custos e riscos econômicos.140m3/s). A conseqüência é uma constante perda de recursos sem que as "autoridades" e o povo tenham consciência de todos os impactos causados pela alteração ambiental (Maciel. 3. quanto ao nível de preservação ou de conservação de sua qualidade. Todos os impactos que ocorrem na bacia hidrográfica refletem no manguezal. por conveniência. Paraíba (27 m3/s) e Paraguaçu (113 m3/s). op. metas. segundo CIMA (1991) A bacia hidrográfica como unidade funcional de planejamento . O enquadramento de cada segmento de corpo d água em uma classe equivale a fixar seu futuro. 1991). o "desenvolvimento" de uma área adjacente a um manguezal é sempre visto de modo isolado e míope. econômicas e ambientais que acarretam para os usuários do respectivo recurso hídrico. a disponibilidade restrita de recursos hídricos é a responsável pelos sérios problemas de gerenciamento da água em nosso país. passando a 150 milhões de habitantes e a relação urbano/rural inverteu-se mostrando que hoje 75 % da população brasileira vive nas cidades. Infelizmente. na ausência de um sistema de informação confiável. dentro de qualquer planejamento. Dificilmente se pode chegar a uma decisão consensual e equilibrada. sociais. Ribeira de Iguape (540 m3/s). dos quais 12. de um lado. Em 1940.3. Esta situação mostrando. de 18/06/1986. um contingente humano considerável concentrado nos núcleos urbanos e. Passados cinqüenta anos a população brasileira mais que triplicou. 1991). mas de grande importância econômica e social. salobras e salinas. tanto em quantidade como em qualidade. capaz de caracterizar. Nos cinco conjuntos de bacias de vertente oceânica. aos rios Doce (1. A regra geral tem sido as "autoridades" e as comunidades falharem na preservação do ecossistema pelo menos. 1991). com reversão de 50%)."O ciclo hidrológico pelo qual a água se escoa pelo País e retorna sucessivamente. fica evidente que o problema de saneamento básico é. Paraíba do Sul/Guandu (900 m3/s). por isso.740 m3/s) nas regiões Sudeste e Sul. devido a ausência de conhecimento e/ou ao descumprimento da legislação (Código Florestal) e de uma visão conservacionista. a população brasileira era de 40 milhões de habitantes. e continuará sendo. estabelecidos na Resolução No 220 do CONAMA. Tanto o contexto espacial como a bacia de drenagem são ignorados. Mundaú (30m3/s). um dos maiores problemas ambientais urbanos em nosso país nas próximas décadas (CIMA. de outro.8 milhões viviam em núcleos urbanos mostrando assim que a maioria de nossa população (68 %) vivia na zona rural. na região Nordeste. em prazo longo os objetivos. Políticas públicas que influem na diversidade biológica. na unidade físico-ambiental Recursos hídricos brasileiros. Alto Tietê/Cubatão (60 m3/s. . As águas foram divididas em doces." Degradação dos ambientes fluviais e costeiros O crescimento demográfico e econômico acelerado do Brasil nos últimos 30 anos fez com que nossos recursos hídricos fossem utilizados além de sua capacidade de suporte. que inclua planejamento regional integrado. figuram cursos d água menores. Levando-se em conta que perto de 33 milhões de pessoas vivem hoje na periferia das grandes cidades.). caracterizadas por nove classes de qualidade. Jaguaribi (133m3/s). desde 1965 . de uma decisão que requer mecanismos institucionais capazes de respeitar as profundas conseqüências políticas. bem como para a população da região. Cabe destaque aos rios Parnaíba (800m3/s). Trata-se. Itajaí (270 m3/s) e Guaíba (1. sociais e ambientais das várias alternativas factíveis de desenvolvimento (CIMA. cit. A conservação da qualidade dos recursos hídricos brasileiros foi regulamentada por padrões técnicos e critérios de classificação e enquadramento. acontece em seis grandes bacias hidrográficas e em cinco conjuntos de bacias menores da vertente oceânica.

771/65 (Código Florestal) buscou proteger o mangue contra qualquer tipo de uso que removesse a vegetação. atualmente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA/MMA. ocasionando mudanças de postura. em termos de preservação de áreas úmidas. e a ausência de autoridades de órgãos federais como os extintos SUDEPE. como envolve um ecossistema à beira-mar. temos atualmente graves problemas de poluição estuarina. O governo em níveis municipal. dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal . 2o e 3o. destacando-se seu papel como significativos repositários de biodiversidade. Esta atuação teria impedido muitos aterros. para explicar que os títulos de aforamentos de terrenos de marinha tinham que ter uma cláusula proibindo a remoção da vegetação. população em geral e governo As pesquisas básica e aplicada contribuem para o melhor conhecimento da estrutura e função dos ecossistemas e o estudo de grupos animais e vegetais auxiliam o manejo e conservação de áreas a serem preservadas. fator moderador do microclima local. Os mecanismos para divulgação desta lei foram previstos nos artigos 22. processos educativos formais e informais. Existência e avaliação de programas de educação ambiental e/ou de informação pública Os ecossistemas costeiros brasileiros afiguram-se como área de grande importância ambiental e social. 1991). só aos 2 de fevereiro de 1971 é que a Convenção de Ramsar faria este reconhecimento. Esforço conservacionista A conservação dos recursos naturais pode ser realizada em diversos níveis da sociedade e de variadas formas. exemplo da Prefeitura Municipal de Santos que mobilizou-se estabelecendo princípios e propondo ações visando o desenvolvimento sustentável dos manguezais (Anexo. Nesse último caso." 3. passasse a colaborar na fiscalização. e fiscalização. pesca nas gamboas e nos canais) não foram cerceados.6. A parte educativa teria tido custo muito baixo. e mais a conivência das autoridades estaduais e municipais. Dispositivos legais de conservação Comentários apresentados por Maciel (1991) "O Brasil. invasões. Carta de Santos). SEMA. laboratórios naturais para pesquisas básicas e aplicadas. Internacionalmente. antecipou-se a todos os países do mundo ao declarar aos 15 de setembro de 1965 (Lei Federal No 4. para que se possa ter um correto planejamento e gerenciamento (Maciel.MMA e o Ministério da Marinha. 3. obras ilegais. para que a Capitania dos Portos. parágrafos 1o. o Ministério do Interior. Avaliação da representatividade do esforço conservacionista Aguardando sistematizações regionais 3. Quanto à fiscalização. bem orientada através de um manual. redução dos estoques pesqueiros e perda de belezas cênicas (Maciel. nos seus recursos pesqueiros e na proteção à fauna. com o trabalho de organizações-não-governamentais (ONGs). e o produto desta educação teria minimizado em muito as perdas sofridas pelo ecossistema e pelo País. estadual e federal deve estabelecer metas e implementar ações que protejam os ambientes para as gerações atuais e futuras. 3.7. IBDF. comunidade científica. Aqueles usos tradicionais (coleta de mariscos e de caranguejos. considerando os termos do Código Florestal.. 1991). 3.771) o manguezal como vegetação de preservação permanente.sendo portanto necessário que haja estudos que contemplem toda a bacia.5. etc. teria bastado um entendimento entre o ministério competente à época.8.771/65 pelo Serviço de Patrimônio da União SPU. e áreas de interesse social para as comunidades do entorno.4. etc. 23. atualmente seria o Ministério do Meio Ambiente. Graças à não observância da Lei Federal No 4. que busquem a melhoria da qualidade de vida. laboratórios naturais para o desenvolvimento de programas de Educação Ambiental em diversos níveis. A educação ambiental tem importante papel na conscientização de comunidades locais. 24 e 42. Grau de comprometimento do ecossistema manguezal da costa brasileira . se tivesse sido implementada anualmente. A Lei Federal No 4. contaminação do pescado. ou seja.

a pesquisa se encontra pulverizada. permitiria a visualização efetiva do panorama litorâneo (a médio e longo prazos). Devido às funções ecológicas críticas desempenhadas pelos manguezais. 1995. Atualmente. (1990). conservação e uso sustentável De um modo geral. Chelonia mydas. adotaram proposta de Schaeffer-Novelli et al. O papagaio chauá. numa tentativa de identificar fenômenos ecológicos que se processam numa escala de tempo em nível de décadas. além de outros possíveis indicadores. 1989). Eretmochelys imbricata e Lepidochelys olivacea. região de especial importância para população desta espécie ameaçada. Espécies mais vulneráveis aos processos de degradação em curso As cinco espécies de tartaruga que ocorrem no litoral brasileiro. assim como papagaio chauá (Amazona brasiliensis). A estreita relação de espécies da fauna litorânea brasileira com os ecossistemas costeiros. faz com que a conservação desses ambientes torne-se cada vez mais importante. 1996). com fonte de recursos assegurada. os manguezais dos segmentos I a III encontram-se relativamente estáveis. Olson et al. guará (Eudocimus ruber). Cientes da necessidade de se conhecer o que se deseja proteger. do sul do Estado de São Paulo ao norte do Rio Grande do Sul.Olson et al.). Dermochelys coriacea. sem ordenação. um grupo de especialistas da América Latina recomendou que onde quer que existam representantes desse ecossistema sua conservação deve ser prioritária (Dinerstein et al. há urgência de experimentos sobre as comunidades vegetais das marismas e de suas relações com a diversidade de ambientes onde . Recomendações de projetos prioritários para pesquisa. RECOMENDAÇÕES 4. A seleção de um conjunto de ecossistemas a serem estudados. art. adequando medidas preventivas para se reduzir a necessidade da adoção de medidas corretivas e/ou punitivas (Schaeffer-Novelli. Segundo Paiva (1999). 1o (Paiva. restauração. estabelecendo um sistema de monitoramento permanente de dados. onde se destacam os manguezais mais extensos (Figuras III e IV). Em relação a síntese do estado de conservação dos manguezais. op. tipos de tensores e ameaças. era encontrado na floresta atlântica. As medidas conservacionistas levaram em consideração as características biológicas. cit. 1999). que divide a costa brasileira em oito segmentos. e peixe-boi-marinho ou manati (Trichechus manatus) foram incluídos na Lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. sugere-se sejam identificadas áreas representativas dos ecossistemas litorâneos. 1991). a fim de serem desenvolvidos estudos a longo prazo. a legislação sobre proteção das áreas úmidas precisa ser revista e fortalecida. também denominado papagaio-de-cara-roxa. A partir daí foram classificadas as unidades quanto às necessidades de conservação. Caretta caretta. em trabalho sobre a conservação dos manguezais da América Latina e do Caribe da WWF/BIRD. (1996). Esses estudos visariam um acompanhamento sistemático dos sistemas naturais e de suas variações cíclicas. alimentação. seja para abrigo. ao lado de programa de esclarecimento das elites econômicas / políticas e da população em geral sobre a importância desses ecossistemas. sua distribuição geográfica restringe-se somente até a Baía de Paranaguá (Paraná) (Paiva.1. Assim. 3. sendo executada por livre iniciativa das diversas instituições do País com esforço pontual e muitas vezes com caráter puramente acadêmico (CIMA. O litoral brasileiro foi dividido em duas grandes regiões (Figura II). reprodução e/ou nidificação. determinada pela Portaria do IBAMA No 1522/89. Segundo Costa & Davy (1992). garantindo a continuidade dos trabalhos.. enquanto os manguezais dos segmentos IV a VII são considerados vulneráveis (Figuras I a IX). áreas a serem protegidas e aquelas onde a ênfase deveria ser dada à possibilidade de se admitir certos tipos de uso sustentável (Figuras V a IX).9. foram identificadas as medidas conservacionistas mais adequadas a cada uma das unidades fisiográficas reconhecidas ao longo dos litorais da América Latina e do Caribe (Figura I).. estado de conservação.

Vários são os casos em que não se sabe ao certo se uma determinada espécie é endêmica ou. racional). realçando a importância desses experimentos no campo da ecologia (Jordan III et al. não é fácil quantificar monetariamente as funções de educação e de pesquisa científica. principalmente porque os benefícios nem sempre têm um valor comercial direto. devem ser submetidos a intensivo monitoramento para que os efeitos das alterações graduais do aumento do nível do mar. 1997). Desenvolvimento sustentável O desenvolvimento sustentável requer ações no contexto de quatro distintas esferas: manejo ambiental. mesmo que não tenha havido a perda de nem uma única espécie. Estabilidade e desenvolvimento sustentável A estabilidade de um ecossistema depende de um grande numero de fatores entre os quais figuram notadamente as interações entre as diversas espécies. em várias ocasiões as decisões político-administrativas não tenham levado em consideração os usos informais e de subsistência associados às zonas úmidas. Da mesma forma. ao final. modificar a estrutura de todo o sistema.ocorrem. e pelos processos geomorfológicos. 1997). e. Um dos maiores entraves ao levantamento das comunidades de marismas é a falta de um tratamento taxonômico consistente para toda a América Latina. Pesquisas também devem ser dirigidas à elucidação dos mecanismos de adaptação dessas espécies vegetais ao clima. A recuperação de ecossistemas é vista por diversos autores como um desafio para a ecologia. Negociações devem ser feitas entre os elementos de conflito no âmbito dessas esferas. influenciada pelos diferentes graus de influência de penetração da água. independentemente de um valor atual ou potencial estimado pelos seres humanos (OECD/C. 1987. um elo de ligação entre a teoria e a prática (Menezes. 4. uma vez que a vegetação apresenta marcante zonação estrutural. privilegiando a prevenção ao invés do cômputo dos danos. ainda. ou até mesmo criar novos modelos baseados em experimentos e situações reais. Sabe-se claramente que as atividades de desenvolvimento têm custos ambientais e sociais consideráveis. Mais complexo. na faixa de transição entre o oceano e o continente. que se resume no direito das espécies ou dos ecossistemas de existir. se é apenas uma variante à qual foi dado outro nome. estruturas institucionais. assegurando desenvolvimento sustentável ao mesmo tempo em que se garante a habilidade do meio ambiente em suportar as demandas humanas e ecológicas das presentes e futuras gerações. desenvolvimento econômico (não confundir com crescimento econômico).2. todos os ecossistemas marinho-costeiros. possam ser detectados e mensurados. Devido a isto. Entretanto. cada uma delas participando com uma função determinada no contexto do sistema. . 1999). Esta é a razão pela qual algumas agências de auxílio ao desenvolvimento determinam que a preservação da diversidade biológica faça parte de uma política de desenvolvimento durável (sustentável. É a oportunidade de se testar modelos teóricos e implementá-los. as valorações econômicas do meio ambiente apresentam grandes dificuldades. 1988). o geralmente esquecido desenvolvimento social (Anonymous.D. Cairns Jr.. dificilmente poderiam ser simuladas por exercícios teóricos. talvez. é considerar o valor "biocêntrico". A preservação do conjunto das espécies presentes é assim uma das condições para o bom funcionamento das zonas úmidas. nem o valor "comercial" potencial da diversidade biológica. principalmente considerando-se as evidências das mudanças climáticas globais em curso e as elevadas taxas de comprometimento das áreas de marismas junto à costa (Costa & Davy.A. As muitas formas e níveis de degradação de diferentes ecossistemas que podem ser encontradas por aqueles que pretendem se dedicar ao desafio da recuperação. notadamente os complexos lagunares e estuarinos.. Recomendações de áreas prioritárias para inventário biológico Do ponto de vista ecológico. uma regra que se aplica a todos os outros ecossistemas do Planeta.. Torna-se indispensável admitir que o fato de se romper com essas relações pode. O ecossistema manguezal se caracteriza por ser excelente indicador de alterações no nível do mar. 1992).

as diversas propostas conservacionistas somente conduzirão a medidas reais em defesa da integridade do litoral. tensores. As unidades fisiográficas brasileiras com manguezais. Portanto.O controle das alterações dos processos físico-químicos e biológicos desse ecossistema. e não somente as partes de forma compartimentada. determinadas como prioridade para aplicação de medidas conservacionistas são os Segmentos II e III (Figura IX). estaduais e federais) é de fundamental importância no caso do planejamento desses programas. para o Segmento III uso sustentável e acesso restrito. possibilitará aferir os efeitos decorrentes das modificações ambientais. Segundo Olson et al. Deveriam visar o futuro. enquanto que o ser humano por sua vez modifica e altera o ambiente natural. Nas zonas úmidas costeiras convergem e interagem o ambiente biofísico e o sócio-econômico. o estado de conservação dos manguezais brasileiros é considerado relativamente estável (Segmentos I a III) e vulnerável (Segmentos IV a VII). Juntando-se aos dispositivos legais constitucionais e infra-constitucionais os documentos relativos às diferentes categorias de Unidades de Conservação. evitando que parceiros da administração pública implementem ações contraditórias. e não o presente nem o passado. O uso inadequado dos recursos das zonas úmidas costeiras resulta na degradação da qualidade dos mesmos. norteando as estratégias de adaptação à nova situação. Esses programas deveriam identificar necessidades e problemas com base em análises rigorosas dos recursos regionais. e para os Segmentos V a VII a restauração e o uso sustentável (Figura VIII). para efetivamente proteger os recursos remanescentes e ativamente restaurar ou reabilitar novas zonas úmidas. para o Segmento IV restauração. Uma boa coordenação entre as agências governamentais (municipais. As atividades conservacionistas. O propósito ou objetivo principal do planejamento e da gestão das zonas costeiras é disciplinar e garantir os usos dos recursos costeiros de forma a que se otimizem os benefícios de sua utilização sem que se degrade a qualidade do ambiente e dos recursos (Cintrón. 1987). através de um adequado programa de gerenciamento costeiro. Os processos biofísicos influem sobre a utilização dos recursos costeiros pelo homem. e valores. Recomendações para a conservação do grupo de ecossistemas na unidade físico-ambiental Para ser efetivo. Para determinar a vocação de uma área e a distribuição racional dos usos dos recursos das zonas úmidas costeiras é preciso dispor de alguns conhecimentos sobre esses sistemas e seus processos. 4. conforme as diversas unidades fisiográficas que compõe a costa brasileira (Figura VII). subsidiando ou limitando suas atividades. conservação ou de manejo de zonas úmidas deveria ser preventivo ao invés de corretivo. sugeridas por Olson et al. como também de conhecimentos sobre seus sistemas biológicos e os processos físicos. Figura V. suas tendências. qualquer programa de proteção. (1996). 1989). descredenciando o poder constituído e comprometendo o patrimônio natural. . A conciliação de usos múltiplos e conflitivos através de um planejamento regional. e com enfoque sistemático pode atingir o objetivo da otimização dos usos com um menor impacto ambiental. o processo de administrar essa zona/área/região exige não somente considerações sócio-econômicas. vulnerável e crítico. de acordo com os preceitos da Constituição Federal de 1988 (Schaeffer-Novelli.3. (op. sua sub-utilização ou sua degradação com o conseqüente prejuízo da qualidade de vida e da economia nacional. Deveriam levar em consideração o TODO. cit). elemento fundamental quando se trata de assegurar a soberania nacional e de garantir a qualidade de vida às presentes e futuras gerações. econômico e social. se houver vontade para o efetivo cumprimento de toda uma política de meio ambiente. para os Segmentos I e II são uso sustentável. como se fazia até bem pouco tempo. Nível médio de ameaça (Figura VI) e estado de conservação variando entre relativamente estável. e como estes respondem às alterações causadas pelas intervenções do homem e/ou de suas obras.

decorrentes das mudanças climáticas globais (efeito estufa. tanto em terra. proteção da vida selvagem e dos recursos pesqueiros (Maciel. O ambiente marinho. na medida em que afeta interesses e práticas há muito consolidados. é muito simples: os organismos somente ocorrem em um dado local caso tenham acesso e consigam sobreviver.As taxas alarmantes em que os manguezais. 1991). e quais deverão ser modificados ou recriados. na água doce ou mar. Princípios da biogeografia são vitais para a conservação dos sistemas marinhos. capacitação de recursos humanos técnicos e administradores. Um manejo integrado da zona costeira e das bacias hidrográficas é uma das formas mais efetivas de garantir a proteção e o uso sustentável dos ambientes marinho e costeiro. alguns aspectos das práticas conservacionistas terrestres poderão ser aplicados para os sistemas costeiros e oceânicos. A Constituição contém fortes princípios descentralizadores em várias políticas. é constituído por um complexo conjunto de sistemas físicos colonizados por diferentes comunidades de espécies. 4. o melhor uso para qualquer manguezal. As zonas úmidas podem ser conservadas mediante uso racional. mais produtos. em detrimento da União. nesse sentido. e possivelmente servirá para prevenir a completa degradação dos ecossistemas. definido como a "utilização sustentável que oferta benefícios a humanidade de uma maneira compatível com a manutenção de propriedades naturais do ecossistema". um marco importante. é continuar como área preservada de modo a manter os valores culturais. não tem sido uma tarefa fácil. com propostas de planos de manejo. recreacionais e educacionais. paisagísticos. serviços e benefícios serão mantidos e usufruídos por maior parcela da população. . 1990). desde áreas "intocadas" até aquelas submetidas a fortes impactos. inclusive na política ambiental. aplicados em terra. Para um uso sustentável dos recursos marinhos há necessidade de identificar quais os ensinamentos aprendidos em terra poderão ser transportados para o mar. O conceito básico da biogeografia. Recomendações relativas ao uso sustentável e à repartição eqüitativa dos produtos da diversidade biológica O desenvolvimento sustentável e a Federação A Constituição de 1988 representa. Mais do que nunca é reconhecida a validade do refrão "mais vale prevenir que remediar". podendo resultar em princípios muito distintos dos originais. Quanto mais áreas de mangue forem deixadas intactas ao longo do nosso litoral. após o novo quadro constitucional. além de cuidar da educação ambiental em seu sentido mais amplo. principalmente em se considerando as mudanças do meio físico numa escala temporal relativamente curta. Por sua vez. nível médio relativo do mar). 1993). Portanto. A divisão de competências entre União e municípios. Uma vez que algumas características dos organismos transcendem a interface terra-mar. ao tempo que se mantém o potencial para satisfazer as necessidades das gerações futuras". o uso sustentável e "o uso humano de uma zona úmida que permita a obtenção de um máximo de benefícios de maneira contínua para as gerações presentes. as marismas e os apicuns vêm sendo destruídos exigem ações imediatas quanto ao desenvolvimento de programas capazes de incentivar e de suportar pesquisas ecossistêmicas.4. Soluções setorizadas que não levem em consideração as variáveis social e econômica nas análises de custo-benefício. e promove uma reforma tributária que confere mais recursos aos estados e municípios. terão conseqüências ambientais indesejáveis. tal como o terrestre. Somente por meio da pesquisa científica é que será possível aprender como conservar os recursos costeiros (Schaeffer-Novelli & Cintrón. O manejo adequado ajuda a controlar as alterações impostas pelas atividades humanas. O manejo de ecossistemas tem o potencial de aumentar a eficiência dessa prática sobre uma gama de situações. estéticos. A proteção escrita (documentos legais) é uma forma de uso sustentável. Uma das chaves para a proteção ambiental é a aplicação de práticas de manejo ambientalmente corretas. e desde áreas sob a jurisdição de um único Estado costeiro até aquelas compartidas entre vários países (Norse. estabilização da linha de costa.

tendo acarretado queda na produtividade da terra e aumento no grau de vulnerabilidade das populações urbanas e rurais aos efeitos dos desastres naturais. 1991). a simples mobilização intensiva dos fatores de produção induz ao uso predatório dos recursos ambientais e tende a reproduzir. nos últimos anos. A emergência de novos valores de respeito à natureza e de reconhecimento de que os recursos naturais são limitados se constitui em elemento importante para fundamentar novas formas de desenvolvimento. Os critérios de eficiência econômica orientados apenas pelas forças do mercado não levam à redução de desigualdades sociais e regionais e ao uso racional dos recursos naturais. . de outro. na exploração racional das vocações socio-ecológicas regionais e.. que é a aspiração ao desenvolvimento.. na formulação e na execução de um novo padrão de desenvolvimento espacial na qual haja maior mobilização de recursos humanos e materiais latentes nas próprias regiões: maior participação popular na formulação e no controle das políticas públicas. Desafios e objetivos de um novo estilo de desenvolvimento. A população brasileira cresceu rapidamente neste século. desenvolvimento social e preservação ambiental não se processa espontaneamente. O processo de urbanização comandado pela incapacidade do campo de criar e manter empregos e pelo chamado das atividades industriais urbanas na época do "milagre econômico". distribuindo a renda e preservando a qualidade do meio ambiente (CIMA. em termos de eqüidade social e respeito ao meio ambiente. realizado de forma a que os seus frutos possam ser distribuídos para toda a população. de um lado. sem que as cidades pudessem se preparar para abrigar com dignidade todos os migrantes. que leve em conta objetivos éticos de eqüidade intra e intergeracional. de deficiências de educação e nutrição.. 1991). Aspectos relacionados com a "prontidão" da sociedade brasileira para adotar um novo estilo de desenvolvimento que privilegie a justiça social e o respeito ao meio ambiente. entretanto. 1991).. está extremamente arraigada na sociedade brasileira. de forma espontânea. Dentro de sessenta anos. Assim. Cresce a preocupação com as questões ambientais. ocupação e assentamento humanos Um caminho alternativo para superar os problemas do desenvolvimento regional desigual desemboca. as condições sociais especiais iniciais que lhe deram sustentação. Um novo estilo de desenvolvimento deve buscar reduzir as desigualdades sociais e regionais e preservar a qualidade dos recursos naturais e do meio ambiente. maior ênfase no atendimento das necessidades básicas dos grupos de baixa renda e na preservação dos recursos ambientais (CIMA. o poder indutor do crescimento econômico propicia .. atingindo 150 milhões de habitantes. especialmente de cheias e secas (CIMA. A pouca preocupação com as formas de utilização dos recursos naturais e do meio ambiente resultou em prejuízos incalculáveis. que a compatibilidade entre crescimento econômico. existe uma consciência de que a solução dos grandes problemas passa pelo aumento da atividade econômica. de condições inadequadas de vida. Na verdade. agora sim. Embora reconhecendo que este precisa ser qualificado. em diversos países. Os problemas sociais se avolumam. segundo CIMA (1991) "No limiar de um novo milênio. deu-se rapidamente. assim como se aperfeiçoam os mecanismos de que a sociedade pode lançar mão especialmente sua organização política para implementar um novo estilo de desenvolvimento. Entretanto. vale dizer. Uma questão." Reordenamento do espaço. a sociedade brasileira enfrenta grandes desafios na busca da realização de um novo estilo de desenvolvimento capaz de propiciar condições dignas de vida para todos os seus cidadãos e de participar construtivamente na preservação da paz mundial e na conservação das condições ambientais do planeta. criando empregos. com impressionantes indicadores de pobreza absoluta. constatou-se. e. chegará a 250 milhões.

tanto em termos gerais de melhoria das condições educacionais." 4. o setor privado. 1991). começando pela universalização do atendimento às crianças de hoje. com maior eqüidade na distribuição dos custos. que o estado atravessa um período de crise e não pode arcar sozinho com todas as responsabilidades. no sentido de subsidiar um novo estilo de desenvolvimento sustentável em termos econômicos. gerar mais eqüidade. Esta é requerida em todas as direções e níveis por onde se processa o novo padrão da gestão ambiental nas suas dimensões de conteúdo. Identificar qual a gestão ambiental desejável requer que se leve em conta.5. regional e local Considerando o dinamismo das relações entre a sociedade e os ecossistemas costeiros. Isso implica em reconhecer que o estado desempenha ainda um papel indispensável como indutor e gerenciador de transformações.maior diferenciação dos sistemas sociais sem. a sociedade civil e a comunidade. Recomendações relativas à políticas públicas em nível nacional. a gestão ambiental terá de ser compartilhada entre o estado. baseado no novo paradigma de reorganização e administração dos processos de trabalho na indústria. forma e sustentação (CIMA. Assume um papel central. Colocar em prática uma nova gestão ambiental é em grande parte uma responsabilidade do estado. Na verdade. com destaque para a faixa populacional de até 17 anos. os efeitos genuínos do crescimento econômico estão estruturalmente vinculados aos imperativos da acumulação e à lógica da diferenciação social e espacial (CIMA. o grande salto do Brasil para uma condição de país plenamente desenvolvido exige visão de longo prazo e esforço prioritário voltado para suprir as carências de educação e nutrição da população. requerendo gestão ambiental mais antecipada. tornam-se necessárias a modernização do estado. sobretudo em relação ao financiamento do desenvolvimento. mineração e serviços. portanto: que o papel do estado é imprescindível. e que a questão ambiental é indissociável das questões do desenvolvimento. na construção de um novo estilo de desenvolvimento. Especificamente na área ambiental. que é a base para a formação do verdadeiro cidadão e da conquista da cidadania. torna-se necessário redefinir os esquemas de aplicação de penalidades sobre agressões ao meio ambiente. é necessário ampliar e intensificar a formação de educadores e profissionais dos mais diversos ramos das ciências para que possam adequar e difundir no País as inovações científicas e tecnológicas que tendem a mudar rapidamente a estrutura produtiva da economia. uma estratégia de formação de recursos humanos da qual resulte a universalização do acesso à educação básica e à conscientização da população com respeito aos problemas ambientais. segundo CIMA (1991) "A implementação de um novo estilo de desenvolvimento sustentável no País requer o fortalecimento dos instrumentos existentes e a busca de novos instrumentos. deverá ser descentralizada. e deverá ser auto-sustentada financeiramente. deve ser enfatizada ainda a participação dos produtores em decisões que afetem seus destinos e na descentralização sistemática do aparelho decisório. que a gestão pontual e corretiva não é satisfatória. pois esta não é impulsionada por nenhum mecanismo auto-sustentável. 1991). a fim de que a próxima geração esteja plenamente capacitada para o desenvolvimento. de saúde e nutrição da população como em termos específicos da educação ambiental. A prioridade de qualquer política na área social do País deverá estar voltada para a formação de capital humano. Desta forma. Por outro lado. Instrumentos para o desenvolvimento sustentável. para que as receitas provenientes possam ser utilizadas pelos próprios organismos ambientais. Para enfrentar os desafios do desenvolvimento sustentável. Na verdade. um grande esforço há que ser realizado. uma nova ordem mundial se estabelece em relação ao planejamento de . Para que se concretize esse modelo de gestão ambiental. a mobilização da sociedade e a formação de recursos humanos. contudo. agricultura. No tocante aos recursos humanos. sociais e ambientais.

Rio de Janeiro (RJ). 1991). No contexto de uma estratégia de desenvolvimento sustentável. in: CNIO. em virtude de mudanças provocadas eventualmente pelo "efeito estufa". Recife (PE). cit) projeta um aumento no nível do mar de 30 a 110 cm até o ano 2100. em contrapartida. devido principalmente à expansão termal dos oceanos e ao derretimento de calotas polares e geleiras continentais. ou a relocação de indústrias sediadas nas áreas costeiras. representa importante impacto em termos sócio-econômicos e ecológicos. 1998).ocupação de regiões litorâneas. 1991). a fim de adequar os planos a uma política ambiental orientada à garantia de qualidade de vida às futuras gerações. navegação. Em nível federal. recreação. Cidades como João Pessoa (PB). produtividade biológica e diversidade (ONU. O documento produzido pela ONU (op. reduzindo sensivelmente a emigração do homem do campo para as saturadas concentrações urbanas do litoral (Schaeffer-Novelli. incentivar a instalação das novas indústrias. Maceió (AL). decorrente de um provável aumento no nível médio relativo do mar. subsídios aos pequenos e médios produtores rurais. a taxa de aumento no nível médio relativo do mar em decorrência das mudanças climáticas globais nas áreas costeiras. podem ser identificadas ao longo do litoral brasileiro. Os municípios costeiros devem elaborar ou adaptar a legislação de uso e ocupação do solo. sobretudo com a perspectiva futura de agravamento dos eventos climáticos. Uma eficiente política de reforma agrária. como forma de distribuir melhor a população. a ampliação e modernização da malha ferroviária que facilite o escoamento da produção. diretamente ameaçadas. O significado econômico do aumento do nível médio relativo do mar terá conseqüências para a pesca. incluídos na área de influência e. 1998). proteção costeira. Em nível nacional é necessária e urgente uma política integrada de gestão dos recursos hídricos e costeiros. Considerando que as alterações ambientais terão conseqüências e efeitos variáveis de acordo com o setor da costa. devem ser implementados os programas de manutenção do homem nas terras interiores. Santos (SP) e Paranaguá (PR) e Florianópolis (SC). portanto. lançamento de efluentes. 1996. A perspectiva de submersão das regiões costeiras exige concentração de esforços para diagnosticar seus prováveis efeitos. sistemas de irrigação e. vislumbrando a perspectiva de aumentos significativos do nível médio relativo do mar no próximo século. ou na área de influência dessas mudanças globais. Ações que desestimulem a implantação de grandes empreendimentos imobiliários ou comerciais em regiões litorâneas deverão. potencialmente inundáveis em suas porções mais baixas num futuro próximo. agricultura. considerando a perspectiva de alterações dos cenários projetados em relação ao aumento no nível médio relativo do mar. evitar o êxodo rural e as altas densidades populacionais em áreas litorâneas. O diagnóstico deverá priorizar a escolha de "indicadores" das mudanças climáticas globais. Grandes centros urbano-industriais do País estão situados em áreas costeiras ou contíguas a estas e. conseqüentemente. para terras afastadas da costa. A elevada concentração de população urbana na zona costeira e a absoluta carência de serviços básicos são fatores de contaminação dos ecossistemas litorâneos e ameaçam diretamente a qualidade da água para contatos primário e secundário. Segundo a ONU (1991). torna-se necessário que se adotem práticas de uso de solo e de manejo ambiental capazes de assegurar maior proteção às populações e às atividades econômicas em relação aos impactos de fenômenos climáticos adversos (CIMA. as estratégias deverão ser específicas. Vitória (ES). Em nível regional é necessária a definição de um sistema de prevenção de acidentes e de monitoramento efetivo das condições ambientais em áreas . representam áreas de grande densidade populacional e importantes complexos industriais-portuários e turísticos. Aracajú (SE). constituindo-se no principal vetor de disseminação de moléstias infecto-contagiosas que ameaçam a vida humana (MMA. Várias áreas sob risco de inundação. Salvador (BA). assim como elaborar planos diretores que definam uma política de ocupação e administração dos recursos naturais dessas áreas costeiras.

indústrias. de flora e fauna. e que este valor seja escalonado. de decomposição e de fixação de matéria e de energia. a vulnerabilidade dos sistemas ambientais só pode ser mitigada através de uma participação efetiva da comunidade e dos órgãos públicos estaduais e. municipais na adoção de medidas que evitem o desmatamento indiscriminado de mangues e encostas. aumentando com a amplitude da transgressão legal.selecionadas da zona costeira (MMA. Sistema de controle ambiental e apoio às ações de proteção. tais como: portos. Que se realizem estudos de etno-ecologia das comunidades pesqueiras das regiões estuarinas. principalmente em áreas urbanas situadas em cotas a menos de 10m do nível médio relativo atual do mar (MMA. independentemente do ressarcimento de danos. Que se desenvolvam metodologias de produção sem conflitar com a proteção dos manguezais. . bem como a adoção de medidas preventivas para evitar a ação erosiva do mar. aquicultura e produção de sal. principalmente. sejam discutidas pelas diversas instituições. Que se acompanhe o processo de recuperação de manguezais degradados. FIPEQ e Fundações Estaduais. Que as comunidades tradicionais locais sejam associadas à fiscalização e ao controle da utilização dos recursos do manguezal. permitindo uma avaliação mais precisa das alternativas para sua utilização e as implicações de sua destruição. Que haja levantamento sistemático e contínuo das fontes potenciais e efetivas da poluição nas zonas estuarinas. Que as instituições de cada estado pesquisem e publiquem uma lista de preços dos organismos do manguezal. op. visando uma atuação mais integrada. particularmente através de alternativas tecnológicas para a produção de sal e aqüicultura em áreas adjacentes aos manguezais. visando orientar os mesmos na priorização da aplicação dos fundos de auxílio. CNPq. cit. a obstrução de canais fluviais e lagunares. 1996. Que as experiências em educação ambiental já desenvolvidas ou em andamento. Em nível local. identificando a capacidade de suporte dos mangues em atividade extrativista. avaliando de forma sistemática o processo de sucessão ecológica. alocando os recursos materiais e humanos necessários para a efetivação das ações de sua competência. Que sejam identificadas as formas de utilização dos manguezais e dos ecossistemas limítrofes com a finalidade de subsidiar as propostas técnicas de proteção às zonas estuarinas. tais como FINEP. relacionando os fluxos de matéria e energia entre o manguezal e o estuário. Que as instituições procurem realizar avaliação de impactos ambientais em zonas estuarinas. SÍNTESE DAS RECOMENDAÇÕES Linhas prioritárias de pesquisa em manguezais. Tais estudos implicam no conhecimento da ciclagem de nutrientes em zonas estuarinas. 1996. Que se procure estimar o potencial produtivo dos manguezais sob o ponto de vista da flora e da fauna. quais as suas necessidades de informação. Que os estudos definam um valor financeiro de multa pela destruição de manguezal em função de uma unidade de área. segundo CPRH (1991) Que se realize a atualização cartográfica dos manguezais. Que se busque a compreensão mais detalhada dos processos do manguezal.). 1998). Que se desenvolvam estudos de microbiologia do manguezal incluindo os aspectos taxonômicos. visando a futuros ressarcimentos de danos. in: CNIO. aterros. nos casos de intervenções já existentes. in: CNIO. segundo CPRH (1991) Que os órgãos governamentais estaduais e federais cumpram e façam cumprir a legislação de proteção aos manguezais. com finalidade de se poder trabalhar com informações mais reais. Que os órgãos ambientais explicitem às instituições de fomento à pesquisa.

podem ser definidas como área de planejamento ou área problema. contabilizando as experiências do passado. qualquer programa de proteção. uso sustentável sistema de forma a permitir a obtenção de um máximo de benefícios de maneira contínua para as gerações presentes. Recomendações preparadas por Schaeffer-Novelli para o capítulo "Os ecossistemas costeiros" in: CNIO (1998) As zonas costeiras e mais especificamente as estuarinas. Que não se autorize a construção de salinas em áreas de manguezais. os aterros e a construção de diques não sejam permitidos em áreas de manguezal. e com enfoque sistêmico pode atingir o objetivo da otimização dos usos com um menor impacto ambiental. A conciliação de usos múltiplos e conflitivos através de um planejamento regional. uma das formas de regular o uso sustentável. sem comprometer os estoques. devendo-se buscar alternativas de produção de sal em áreas adjacentes aos manguezais. sua sub-utilização ou sua degradação com o conseqüente prejuízo da qualidade de vida e da economia nacional.Que se articule um grupo de técnicos e instituições em caráter regional. Os ecossistemas costeiros podem ser conservados mediante uso racional. todos os ecossistemas marinhos costeiros. Possibilidades e limites de uso dos manguezais CPRH (1991) Que seja permitida a extração de alimentos. definido como a "utilização sustentável que oferta benefícios a humanidade de uma maneira compatível com a manutenção das propriedades naturais do "o uso humano de um determinado ecossistema". quando estes impliquem em desmatamento da vegetação de mangue. como também pelas potencialidades ao desenvolvimento de atividades humanas. Que as salinas abandonadas não sejam utilizadas para outras finalidades. que não seja a recomposição natural ou reflorestamento induzido do mangue. Que a disposição de lixo. estaduais e federais) de fundamental importância no caso do planejamento desses . O processo de administrar esses ecossistemas exige não somente considerações sócio-econômicas. Uma boa coordenação entre as agências governamentais (municipais. Para ser efetivo. mariscagem e captura de crustáceos pelas populações ribeirinhas e comunidades tradicionais locais e que a extração de madeira seja permitida apenas para a construção de moradias e fabricação de artefatos de pesca pelas comunidades ali existentes. para efetivamente proteger os recursos remanescentes e ativamente restaurar ou reabilitar os ecossistemas Do ponto de vista ecológico. para uso próprio e de acordo com regulamentação específica. e que as instituições de pesquisa monitorem este processo de recomposição. não só por suas características ecológicas específicas e o uso intensivo que delas se faz em muitas partes do mundo. possam ser detectados e mensurados. através da pesca. devem ser submetidos a intensivo monitoramento para que os efeitos das alterações graduais do aumento do nível do mar. como também de conhecimentos sobre seus sistemas biológicos e os processos físicos que os regem. cabendo aos órgãos governamentais o fomento de atividades em áreas adjacentes. privilegiando a prevenção ao invés do cômputo dos danos. Que não se autorize a construção de viveiros de peixes ou camarões em áreas de manguezal. e não o presente. ao tempo que se mantém o potencial para satisfazer as necessidades das gerações futuras". para dar conseqüência às propostas apresentadas. A proteção escrita diplomas legais -. conservação ou de manejo de ecossistemas costeiros deveria ser preventivo ao invés de ser corretivo. O uso inadequado dos recursos dos ecossistemas costeiros resulta na degradação da qualidade dos mesmos. notadamente os complexos lagunares e estuarinos. com apoio das instituições financeiras governamentais e dos órgãos de fomento à pesquisa. Por sua vez. Deveriam visar o futuro. como se fazia até bem pouco tempo.

E. FINEP. MMA. Cintrón.A.. Capobianco. California.. Tecnologia e Desenvolvimento Tecnológico. Incentivar as organizações comunitárias. CIMA. Aber (eds. Australia. Caracterizacion y manejo de areas de manglar. 280 p. Braga. 1997. 1983. In: U.. A.R. em nível regional. Macrodiagnóstico da zona costeira do Brasil na Escala da União. Mangrove macroalgal communities of Latnin America: the state of art and perspectives. Contribuição ao estudo da planície litorânea do Estado do Paraná. 1998. V. & Schaeffer-Novelli. São Paulo. em terras afastadas da costa. como forma de distribuir melhor a população. In: U. Ações que desestimulem a implantação de grandes empreendimentos imobiliários ou comerciais em regiões litorâneas deverão. p.P. Ciência Hoje. Glossário de Ecologia. descredenciando o poder constituído e comprometendo o patrimônio natural.). Subsídios técnicos para elaboração do relatório nacional do Brasil para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Courrier. 3. N. CNIO. contemplar maior incentivo instalação das novas indústrias. Coastal Plant Communities of Latin America. 1991. São Paulo. J.). Cintrón. Coastal Plant Communities of Latin America. 172p. B. FUJB. CNPq. In: W. Wetlands and integrated river basin management: experiences in Asia and the Pacific. Comissão Nacional Independente sobre os Oceanos. Cananéia. Seeliger (ed.R. Academia de Ciências do Estado de São Paulo.B. Global Biodiversity Strategy: Guidelines for Action to Save. para garantir a conservação dos conhecimentos empíricos e os patrimônios cultural e ecológico. LAGET. 1996. Cairns Jr. Em níveis federal e estadual. Kuala Lumpur. California. 3: 51-64.. Cordeiro-Marino.programas.J. no que tange a educação ambiental formal e não-formal. evitar o êxodo rural e as altas densidades populacionais verificadas no litoral. Seeliger (ed.T. Y. FAPESP.. 307-320. & Yokoya. Rio de Janeiro. 1997. Costa. Comissão Interministerial para a preparação da preparação a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.R. efetivos programas de manutenção do homem nas terras interiores devem ser incrementados. 55: 747-779. Fujii. econômico e social. Brasília. M.. Restoration ecology: a synthetic approach to ecological research. Brasil. San Diego. Brasília. J.S. 2a edição (revista e ampliada).408p. 1992. 1947. Cap. em contraposição. Inc. 1987.. O propósito ou o principal objetivo do planejamento e da gestão das zonas costeiras disciplinar e garantir os usos dos recursos costeiros de forma a que se otimizem os benefícios de sua utilização sem que se degrade a qualidade do ambiente e dos recursos. Gilpin & J.. Inc. Rio de Janeiro. p.D. M. (ed. In: Simpósio sobre Ecossistemas da Costa Sul e Sudeste Brasileira. Montevideo. Academia de Ciências do Estado de São Paulo. 1992.S. K. J.. G. 24. M.J. 1988..). 77-97 (Publicação ACIESP.Geogr. evitando que parceiros da administração pública implementem ações contraditórias. . Publicação ACIESP no 103. M. ou a relocação de indústrias sediadas nas áreas costeiras. 12: 179-199. C.R. & Davy. 352p. Um tiro na lei de crimes ambientais. Bigarella. UFRJ. Academic Press. Introduccion a la ecologia del manglar. BIBLIOGRAFIA ACIESP. Anonimous. Secretaria da Ciência.. and Use Earth s Biotic Wealth Sustainably ans Equitably. Academic Press. Disturbed ecosystems as opportunities for research in restoration ecology. outubro. San Diego. WRI.. ROSTLAC. O Brasil e o mar no século XXI Relatório aos Tomadores de Decisão no País. Programa Nacional do Meio Ambiente. 109p. Unesco. Study. No 143: 45-47.. G.. Coastal saltmarsh communities of Latin America. Jordan III. V. 1992. Eston.). 346p. UNEP/Wetlands International Asia Pacific. 1998. vol. no 54-III). Cap.

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3. M. Academic Press. Dinerstein. 2. SCOR WG 106. Instituto de Geociências. Hegerl. oceanogr. december 2-4. Variability of mangrove ecossystems along the brazilian coast. Inc. v. Inst.A. Capítulo X. Comissão Nacional Independente sobre os Oceanos. D. 191-229p.P. 1994. São Paulo. P. In: CNIO. D. Journal of the Brazilian for the Advancement of Science. Schaeffer-Novelli. Organización de Cooperación de Coorporación y Desarollo Económicos. 1993.. 1983.A.L. Schaeffer-Novelli. 09 a 20 de maio de 1994. Chapter Nine.J. Suppl. 310p. 1999. U. G. 38 (1): 93-97. E. 82p. 226p. 272p. Inst. San Diego. D. Washington. Washington. Relative Sea Level and Muddy Coasts of the World.G. v. 48p. Scott.. Nascimento. 43p + apêndices. Seeliger (ed.F. Brazil.A. Dissertação de mestrado. Island Press. & Camargo.M. sob a égide da ONU. Bélgica.. (ed.R. Y.B. Invetario de humedales de la region . G. Relatório Técnico Preliminar. Série Entendendo o meio ambiente..S. S.A. & Cintrón-Molero. Ecological aspects of a saltmarsh ecosystem in Santa Catarina Island. Panitz. Cintrón-Molero.. Ramos. Estudo da importância do "apicum" para o ecossistema de manguezal. Convenção da Biodiversidade. USA.K. Commission on Ecology papers No. São Paulo.. Brazilian mangroves: a historical ecology. Estudos geoquímicos relativamente à dinâmica de marés no estuário lagunar do Rio Paraguaçú Bahia Brasil. 1998. 1990. Cap. Estuaries. Y. Interciência.C.. Y.. (eds. 3. OECD Publications. 27p. Tabela referente ao Módulo 2 "Os ambientes costeiro e marinho: aplicação dos conhecimentos científicos a um adequado manejo". Washington. Switzerland. Norse. & Davie. M. Perfil dos ecossistemas litorâneos brasileiros. P. Schaeffer-Novelli. G. Elsevier.. Schaeffer-Novelli.. realizado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. A strategy for building conservation into decision making. Brasil. Bolm.São Paulo. Convenção de Ramsar sobre zonas úmidas de importância internacional. 1993. Global status of mangrove ecosystems.D. A conservation assessment of mangrove ecosystems of Latin America and the Caribbean. Schaeffer-Novelli. Report from WWF s Conservation Assessment of mangrove ecosystems of Latin America and the Caribbean Workshop... & Iolster.S. Conservação da fauna brasileira. Secretaria de Estado do Meio Ambiente. especialmente como habitat de aves aquáticas. S. oceanogr. D. Rio de Janeiro. organizada por ocasião do "Course on the Integrated Management of Coastal and Marine Areas for Susteinable Development". (7): 1-16. Schaeffer-Novelli. Série Entendendo o meio ambiente.. Sessão 7 "Ecossistemas costeiros brasileiros". 14: 213-230. ONU. Publicação esp.). Mangroves as indicators of sea level change in the muddy coasts of the world. 1992. Intergovernmental Panel on Climate Change. 1995. E. G. Schaeffer-Novelli. & Soares. M. in press a. 1997. 1997. 1990.C. OECD/C.. Universidade Federal da Bahia. Paulo. Cintrón. E. 1993.). (eds. 1991. Coastal Plant Communities of Latin America.C. Os Ecossistemas Costeiros. 84p. & Carbonell. 1997a.. In: Muddy Coasts. & Cintrón-Molero. Secretaria de Estado do Meio Ambiente. The Enviromentalist 3. M. 1997b... São Paulo. 1989. SBPC.D. Y. California.. Curso de Pós-graduação em Geociências.. Sergipe. in press b. Rio de Janeiro. Y. 1986. In: U.). D.. Saenger.. Diretrices sobre la ayuda y el medio ambiente No 9. Governo do Estado do Sergipe. O Brasil e o Mar no Século XXI Relatório aos Tomadores de Decisão do País. Adaime. Paiva. No. São Paulo. G.M. com especial ênfase sobre o ecossistema manguezal. 24p. 3 IUCN. Paulo.N. Ed. 383p.. Gland. Island Press.). Olson. 1996. Global marine biological diversity. Status of mangrove research in Latin America and the Caribbean. J.M. Comité de Ayuda al Dessarollo de la OCDE. R. T. Special Number.). C.. 13 (2): 204-218. Cintrón-Molero. S.. Y. (comp. FAPESP. Y.

1990. 43p + anexos. organismos vivos. Em termos de estrutura. Union Panamericana. 1992). 1996. GLOSSÁRIO DE TERMOS Área Protegida significa uma área definida geograficamente que é destinada. 1992b). Diversidade (1) medida que considera tanto a riqueza em espécies como o grau de igualdade em sua representação quantitativa. bem como de sua diversidade biológica.D. 1992b). o manguezal é considerado o mais complexo dos ecossistemas marinhos. Washington. Biodiversidade. cuja sobrevivência é improvável se os fatores causais persistirem (ACIESP. e a dos ecossistemas. as fronteiras dos países da América.Neotropical. 1992b).C. 1997). (2) riqueza em espécies: número absoluto de espécies numa amostra. da fauna e das belezas cênicas naturais dos países da América. (2) pode também ser entendida como sendo o número de genes. para fabricar ou modificar produtos ou processos para utilização específica (Convenção sobre a Diversidade Biológica São Paulo. a diversidade entre espécies diferentes. incluindo terrestres. em qualquer estação do ano. ou seus derivados. Secretaría General. 1992b). IWRB Slimbridge & UICN Cambridge. Aves Migratórias as aves pertencentes a determinadas espécies. The impact of sea level rise on mangrove shorelines. Diversidade biológica. december. diversidade de organismos. Conservação de ecossistemas . Ecossistema (ACIESP. uma vez que a simplificação dos sistemas empobrece e reduz as possibilidades de desenvolvimento social e econômico (Courrier.C. Algumas espécies das seguintes famílias podem ser citadas como exemplos de aves migratórias: Charadriidæ. ou regulamentada. ou alguns deles. São incluídas entre elas a diversidade dentro de uma mesma espécie. Woodroffe. Organización de los Estados Americanos. Caprimulgidæ e Hirundinidæ (Union Panamericana." Estes três níveis são conhecidos por: diversidade genética. animais e de microorganismos e o seu meio inorgânico que interagem com uma unidade funcional (Convenção sobre a Diversidade Biológica São Paulo.. com diferentes estados climáxicos. marinhos e outros sistemas aquáticos.a conservação dos ecossistemas. OEA Documentos Oficiales. Biodiversidade a variabilidade entre os diversos organismos vivos de todas as origens. 1997). C. Convenção para a proteção da flora. coleção. Ecossistema significa um complexo dinâmico de comunidades vegetais. Report from WWF s Conservation Assessment of Mangrove Ecosystems of Latin America and the Caribbean Workshop. Bioma amplos espaços terrestres. V. são a única forma de garantir produção sustentável de recursos e de serviços. 1940. 14(4): 483-520. entre espécies e de ecossistemas (Convenção sobre a Diversidade Biológica São Paulo. WWF/BIRD. Biotecnologia significa qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos. 1940). V. Espécie ameaçada aquela em risco de extinção. D. e administrada para alcançar objetivos específicos de conservação (Convenção sobre a Diversidade Biológica São Paulo. e diversidade ecológica (Convenção sobre a Diversidade Biológica São Paulo. caracterizados por tipos fisionômicos de vegetação semelhantes. Serie sobre Tratados. Scolopacidæ. V. Espécie endêmica aquela cuja área de distribuição é restrita a uma região . assim como os complexos ecológicos dos quais tais sistemas participam. ou comunidade (ACIESP. 1997). Washington. A conservation assessment of mangrove ecosystems of Latin America and the Caribbean. A vida sobre a Terra é o produto de centenas de milhões de anos de história evolutiva. Progress in Physical Geography. cujos indivíduos. espécies ou de ecossistemas de uma região. D. atravessam. 25p. Reino Unido.. 31. Diversidade biológica (1) significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens e os complexos ecológicos de que fazem parte: compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies. 1992b)..

Parques Nacionais regiões estabelecidas para a proteção das belezas cênicas naturais e da flora e fauna de importância nacional. microbiana ou outra que contenha unidades funcionais de hereditariedade (Convenção sobre a Diversidade Biológica São Paulo. objetos. a diversidade em espécies é maior nos ecossistemas marinhos (Courrier. são as caraterísticas especiais adaptativas dos componentes da vegetação. de interesse estético ou valor histórico ou científico. Material genético significa todo material de origem vegetal. 1997). 1940). 1987). levando em conta tipologias e compartimentações já efetuadas que. Espécie rara aquela pertencente a pequenas populações que não estão atualmente ameaçadas ou vulneráveis. permanentemente. Recursos biológicos compreende recursos genéticos. Impacto ambiental Toda ação ou atividade. de real ou potencial utilidade ou valor para a humanidade (Convenção sobre a Diversidade Biológica São Paulo. Manejo utilização eficiente dos recursos disponíveis de forma que sejam otimizados os benefícios econômicos e sociais. monumento natural inviolável. introduzida geralmente pelo homem (ACIESP. animal. representam convergência na definição de macrocompartimentos costeiros (Brasil. 1997). Macro compartimentos São definidos pela integração da morfologia com os processos da zona costeira emersa. através da troca de energia e matéria. Sistemas Ambientais . das riquezas naturais.o número de espécies em uma região também é conhecido como riqueza de espécies. social e/ou econômico. Riqueza de espécies . organismos ou partes destes. mas que estão em risco (ACIESP. 1992b). Reservas Nacionais regiões estabelecidas para a conservação e utilização. 1996). efeitos resultantes da construção de uma represa. Ex. ou inspeções oficiais (Union Panamericana. no espaço e no tempo. de erupções vulcânicas. Função (1) todas as propriedades físicas e químicas de uma estrutura relativa a sua forma e organização. Monumentos naturais regiões. natural ou antrópica. climáticos e de feições geomorfológicas. .são constituídos por componentes físico-bióticos que interagem. um objeto. sob a vigilância oficial. que produz alterações bruscas em todo o meio ambiente ou apenas em alguns de seus componentes. declarando uma região. exceto para a realização de investigações devidamente autorizadas.é. das quais o público pode aproveitar-se melhor ao serem postas sob a superintendência oficial (Union Panamericana. mecanismos de dispersão e tolerâncias fisiológicas (Lincoln et al. sem comprometer a estabilidade e a sustentabilidade dos ecossistemas envolvidos e da paisagem (Cintrón. fluviométricos. embora o número de espécies no ambiente terrestre seja maior que no ambiente marinho. ou as espécies vivas de animais e plantas. transporte e deposição. associados com aspectos morfométricos. com o fim de conservar um objeto específico ou uma espécie determinada de flora e fauna. 1992b). 1992). Esse mecanismo define uma funcionalidade em equilíbrio dinâmico. De acordo com o tipo de alteração. 1997). ou qualquer outro componente biótico de ecossistemas. de variações climáticas bruscas. Recursos genéticos significa material genético de valor real ou potencial (Convenção sobre a Diversidade Biológica São Paulo. responsáveis pela intensidade e direção dos processos de erosão. Essa identificação é efetuada a partir de variáveis oceanográficas.geográfica limitada e usualmente bem definida (ACIESP. com exceção da ação ou uso da estrutura a qual é mais fortemente associada a sua função ou função fisiológica. 1997).. (2) Em fitossociologia. ou uma espécie isolada. em conjunto. tais como periodicidades. nas quais se protegerá a flora e a fauna tanto quanto compatível com os fins para os quais estas reservas são criadas (Union Panamericana. aos quais é dada proteção absoluta. populações. 1940). i. 1992b).. derrame de petróleo (ACIESP. 1998). pode ser ecológico. 1940). Espécie exótica aquela presente em uma determinada área geográfica da qual não é originária.

especialmente para o presente diagnóstico (Tabela I). Uso indireto . do calor solar. ACRÔNIMOS BIOTA. terraços marinhos. cujos agentes são as águas oceânicas através das diversas transgressões e regressões. incluindo áreas de água marítima com menos de seis metros de profundidade na maré baixa (art. natural ou artificial. salobra ou salgada. como contemplar a vida silvestre ou utilizar uma via navegável como meio de transporte (Barzettti. 1992a). Sistemas de áreas silvestres proporcionam inúmeros serviços indiretos que são economicamente importantes. e campos de dunas (Brasil. 1971 São Paulo. ventos. com água estagnada ou corrente.Comissão Nacional Independente sobre os Oceanos CPRH Companhia Pernambucana de Controle da Poluição Ambiental e de Administração dos Recursos Hídricos ECOLAB Ecosystème Côtiers Amazoniens . permanente ou temporária. 1996). à diminuição da diversidade biológica. 1993). águas plúvio-fluviais e lacustres. Unidades físico-naturais das terras contíguas à linha de costa Unidades físico-naturais relacionadas com as interações oceano-continente. 1996). climas e animais de arranjos espaciais introduzidos pelas sociedades humanas (Brasil. os Sistemas Ambientais estão claramente delimitados verticalmente pela camada de ozônio na baixa atmosfera e pela parte superior da litosfera. que atua através da baixa atmosfera. doce. charco. suportam as cadeias alimentares e ciclos de nutrientes. águas. Unidades físico-naturais da planície costeira constitui-se em um complexo sistema morfogenético. Desse modo. Unidade físico-ambiental divisão da linha de costa brasileira. num total de 46 (quarenta e seis) compartimentos propostos pelas coordenações de cada um dos cinco grupos regionais.FAPESP Projeto Especial de Pesquisas em Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade no Estado de São Paulo BIRD Banco Mundial CIMA Comissão Interministerial para a Preparação da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento CNIO . controlam as inundações. cordões arenosos. 1o. vegetação. os Sistemas Ambientais estão delimitados por um grande número de variáveis físico-bióticas. e de outro. correntes de deriva. Unidades físico-naturais. Tal dinâmica se revela concretamente através da ação de forças energéticas.significa a utilização de componentes da diversidade biológica de modo e em ritmo tais que não levem. sub-solo.o valor de uso indireto reconhece os serviços que os sistemas naturais proporcionam a sociedade. e se referem tanto a benefícios atuais como futuros. mantém a qualidade do ar e da água. 1996) V. Esses valores incluem o consumo de recursos . 1996) Uso direto os valores de uso direto são aqueles bens ecológicos que entram diretamente na economia humana. constituem-se basicamente pelas formas de relevo dos tipos: planícies de mangue. Sistemas Ambientais. mantendo assim seu potencial para atender as necessidades e aspirações das gerações presentes e futuras (Convenção sobre a Diversidade Biológica São Paulo. Mantém a diversidade genética. turfa ou água. 1992b). Utilização sustentável .regido pelas leis da físico-química. Unidades físico-naturais Sistemas Ambientais Naturais ou ainda Sistemas Ambientais Naturais Antropizados como de fato ocorre em grande parte do território ao longo da zona costeira (Brasil.e outros usos que não são de consumo. solo. Convenção de Ramsar.como caça e coleta de vários bens . Essas unidades assumem características diversas em cada uma das áreas ao longo do litoral brasileiro onde se encontrem (Brasil. destacando-se as infinitas variabilidades das combinações entre relevo. V. Zonas úmidas são áreas de pântanos. que emanam de um lado do interior da terra e agem diretamente na litosfera. correntes. No plano horizontal. 1993). melhoras e controlam o clima (Barzettti. no longo prazo.

Scientific and Cultural Organization USP Universidade de São Paulo WWF Fundo Mundial para a Natureza email: webmaster@fat.br © FAT .FAPESP Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis IOUSP Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo MADAM Projeto Manejo e Dinâmica de Manguezais (Brasil / Alemanha) MMA Ministério do Meio Ambiente.Base de Dados Tropical . dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal ONU Organização das Nações Unidas PROBIO Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira PRONABIO Programa Nacional da Biodiversidade RAMSAR Convenção de Ramsar sobre zonas úmidas de importância internacional. especialmente como habitat de aves aquáticas UERJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro UICN União Mundial para a Natureza UNESCO United Nations Educational.org.