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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA - CECA ESPECIALIZAÇÃO EM MÚSICA

BÉLA BARTÓK União do Ocidente com Oriente como retorno a um pensamento orgânico

JOÃO VITOR ZACAS PETRUS

Londrina, PR 2013

JOÃO VITOR ZACAS PETRUS BÉLA BARTÓK União do Ocidente com Oriente como retorno a um pensamento orgânico Trabalho para a disciplina de Filosofia da música do curso de especialização em música da Universidade Estadual de Londrina . Professor(a): Fatima dos Santos Londrina. PR 2013 .

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BÉLA BARTÓK União do Ocidente com Oriente como retorno a um pensamento orgânico O objetivo desse trabalho é refletir um pouco sobre a relação da mudança de paradigma de um pensamento mecanicista para um pensamento sistêmico e o desenvolvimento composicional de Béla Bartók que a partir da negação ao movimento Romântico junto a escola de Vienna e o estudo e desenvolvimento do material folclórico antigo. só precisava de alguém para resgatar e desenvolver esse material. Podemos reparar a partir do trabalho de Menezes (2002). é primeiramente os estudos e palestras desenvolvidos pelo próprio Bartók e que foram editadas por Benjamin Suchoff em 1976. Não posso afirmar se o nacionalismo de Bartók foi incitado por uma busca de uma nova forma de compor em oposição ao Romantismo e ao dodecafonismo de Schoenberg. Bartók foi um compositor com uma visão holística. como ele expõe a genialidade de Bartók. refuncionalizando o sistema. Podemos enquadrar Béla Bartók como um compositor com um pensamento sistêmico? A meu ver somente pelo retorno as músicas antigas húngaras como fonte para desenvolvimento de uma linguagem musical. conseguiu fazer uma síntese da música Ocidental e Oriental. ou foi uma feliz descoberta em uma época onde houve um padrão em que todos os compositores estavam experimentando novas possibilidades de utilização dos doze sons da oitava. Erno Lendvai e Flo Menezes. Acredito realmente que o que motivou Bartók foi sua ânsia pelo novo. Por nunca se preocupar em descrever os seus métodos ou ao menos passar a diante como uma “nova escola”. É um consenso entre os estudiosos que ao tentar compreender a linguagem de Bartók é muito difícil é complexo pela relação entre todos os métodos já existentes para música tonal/modal e suas expansões mais a música folclórica antiga coleta pelo próprio compositor. já arisco em dizer que sim. as unicas fontes que tempos para compreender sua linha de pensamento fora suas composições. Além de usar arquétipos harmônicos Bartók utiliza todo um sistema de referência arquetípico. A partir dai podemos reparar como Bartók não que se limitar e sim expandir suas possibilidades de desenvolver algo artístico que valorize toda a música como um desenvolvimento natural. Como Flo afirma a . o novo que estava escondido no passado. Alguns trabalhos sobre o Bartók mais citados e que tentam ser o mais fiel ao magnitude de suas composições são dos autores Elliot Antokoletz. expandido é claro como podemos ouvir em suas obras.

Utilizando muitos elementos simétricos encontrados em melodias folclóricas. agora com o ciclo de quintas todo faz parte de um mesmo jogo de forças. desenvolvendo por fases de influencias. A partir desse sistema totalmente total/modal expandido. unindo todo o sistema clássico e o dodecafonismo com as escalas antigas. mas a forma como o compositor trata a música. a divisão exata da oitava ao contrario do sistema tonal clássico que a oitava é dividida em partes desiguais para manter esse dinamismo. conseguiu abranger ao máximo as misturas.propriedade mais importante que podemos aprender é como o compositor utiliza a harmonização. sempre pensando na arte e talvez não em como ia ser inovador. pentatonicas e modos eclesiásticos. A meu ver o pensamento sistêmico é algo muito mais completo que sabe considerar o contexto e ter uma visão do todo. ele expõe os elementos encontrados nas composições a partir do contato com a música folclórica e com outros compositores contemporâneos no decorrer de sua vida. Dessa forma Bartók consegue o que muitos compositores estavam buscando na mesma época. Bartók utiliza o mesmo jogo de forças existente no sistema tonal. do mesmo jeito como em músicas contemporâneas que estavam tentando se afastar o máximo possível da música tonal. Bartók nunca se preocupou em crias limites entre essas relações. muito pelo contrario. Lendvai (1971) demonstra mais tecnicamente alguns dos elementos composicionais utilizados por Bartók. . Antokoletz (2006) faz talvez o trabalho mais completo a respeito de compositor Béla Bartók. Bartók cria “pesagens harmônicas” diferentes para cada exposição do tema ou como harmonia central de cada parte da obra. claramente não é o suficiente para resumir sua linha de composição. isso é ter uma visão holística da fazer artístico. mas realmente conseguiu crias muitas obras com tanto conteúdo que podemos dizer que é o obra que “para em Pé”. Acabou criando uma união do Ocidente com o Oriente. talvez não intencionalmente. Acredito que Bartók tenha refletido isso em suas obras.