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Teoria do Crime

Erro de Tipo

O dolo deve abranger a consciência e a vontade a respeito dos elementos objetivos do tipo. Assim, estará excluído se o autor desconhece ou se engana a respeito de um dos componentes da descrição legal do crime (conduta, pessoa, coisa etc), seja ele descrito ou normativo. Ex.:um caçador, no meio da mata, dispara sua arma sobre um objeto escuro, supondo tratar-se de um animal, e atinge um fazendeiro; uma gestante ingere substância abortiva na suposição de que está tomando calmante. Nesses casos o erro incide sobre elementos do tipo, ou seja sobre um fato que compõe um dos elementos do tipo: caçador (alguém); gestante (não sabe que está ingerindo substancia que poderá provocar aborto). O erro de tipo é aquele que incide sobre um dado da realidade, descrito em um tipo penal como: • • • • Elementar de um tipo incriminador; Circunstancia de um tipo incriminador; Elementar de um tipo permissivo; Dado irrelevante da figura típica.

O erro de tipo pode ser de duas espécies: 1. Essencial: é um erro tão importante que impede o agente de saber que está cometendo um crime ou de conhecer a circunstância desse crime. 2. Acidental: é um erro irrelevante que não impede o agente de saber que pratica crime. Erro sobre Elementar do Tipo Incriminador Previsto no art. 20, caput, do Cód. Penal, ocorre quando o agente pratica um fato tido como criminoso em razão de erro que

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estado de necessidade putativo. iminente que na verdade não existia .aqui o erro incide sobre a elementar alheia. Ex. o erro de tipo sempre exclui o dolo e. haverá a forma culposa.§ 1o.§ 4°. porque supõe que tal pessoa estava prestes a lhe tirar a vida (agressão injusta. Nas duas situações.aqui o erro incide sobre a elementar alguém. do CP: • Se o erro for invencível. Ocorre quando o agente pratica um fato tido como criminoso por acreditar estar em situação de legitima de excludente de ilicitude. acreditando que tinha 50 anos (o erro recai sobre uma causa de aumento prevista no art. supondo tratarse de coisa própria . Se o erro for tido como vencível.: agente mata alguém pensando encontrar-se em legítima defesa. O sujeito se equivoca com uma situação de fato. do CP). Erro de tipo essencial permissivo Previsto no art. a solução é dada pelo art. do Cód. 20°.legitima defesa putativa). também exclui a culpa. Ex. inevitável. Trata-se de uma descriminante putativa ou imaginária. Ex. ou subtrai coisa pertencente a outrem. Sempre que um erro incidir sobre realidade. É causa de exclusão da ilicitude imaginada por erro. Descriminantes putativas na legitima defesa putativa. evitável. se inevitável. É um erro sobre descriminante. portanto inescusável (poderia ser evitado se houvesse mais diligencia por parte do agente): apenas o dolo • 2 . 121. Penal.2 versa sobre uma elementar do tipo. tornando o fato atípico. Caso o erro seja evitável.: agente mata pessoa maior de 65 anos. Ou pratica um crime em que a punição é mais grave em razão de erro que versa sobre circunstância. haverá erro sobre elementar de tipo permissivo. 20°. caput e § 1o. Nesse caso.: agente mata uma pessoa supondo que se tratava de um animal . erro de tipo essencial incriminador e permissivo. portanto escusável (qualquer pessoa incidiria em erro): afasta-se o dolo e a culpa. exercício regular de direito putativo e estrito cumprimento do dever legal putativo.

: o agente subtrai um relógio de marca diversa da que pretendia subtrair. Se o erro é evitável. do Cód. Se o erro for inevitável. efetiva) da que pretendia (vítima virtual). o sujeito quer subtrair um saco de feijão e. no caso. Por exemplo. não havendo necessidade de se indagar se o erro era inevitável ou não. excluindo o dolo. subtrai um saco de arroz. Ex. § 2o. não tendo sua pena diminuída visto que furtou o relógio pensando que este tinha valor (não se tratava de coisa de pequeno valor. portanto não traz nenhuma consequência para o fato típico. torna o fato atípico. subtrai um relógio pensando ser de ouro. percebe que o relógio não tinha valor. • Erro sobre o objeto ou coisa (error in objeto) ocorre quando a conduta do agente recai sobre coisa diversa da pretendida. acaba • 3 . a culpa também será excluída.: o sujeito deseja matar A. o agente responde por crime culposo. não havendo consequências. 155°. Erro de Tipo Acidental É aquele que incide sobre dados irrelevantes da figura típica. Penal). Erro sobre a pessoa (error in persona) . por engano. Nesse caso o sujeito responde por furto simples. Erro sobre Circunstância O sujeito se equivoca com uma circunstância. Quando o crime não admite forma culposa. quando chega ao receptador. furto simples consumado.3 estará afastado. O crime continua sendo de furto. se previsto em lei. o erro de tipo. Consequências do Erro de Tipo O erro de tipo sempre exclui o dolo.ocorre quando o agente atinge pessoa diversa (vitima real. e por uma confusão. haver punição por culpa. Ex. O erro de tipo acidental é o que resulta de erro sobre o objeto material (error in objeto e error in persona) e na execução (aberratio ictus e aberratio criminis ou aberratio delicti). art. podendo.

Ex: mãe acaba de dar a luz em um hospital e descontrolada. ou seja. responderá pelo crime como se tivesse matado A. 73°. Erro na execução com resultado diverso do pretendido (aberratio criminis ou aberratio delicti): Nesse caso. responde como se tivesse praticado o crime contra que pretendia -vítima virtual . não se leva em conta a vítima real. e sim a vítima virtual. Erro na execução do crime (aberratio ictus) -neste caso. do CP. efetiva. o agente atinge o alvo querido. entra no berçário e mata o r recém-nascido que encontra. em estado puerperal. soa atingidos a vítima pretendida e o terceiro inocente. e não quem realmente pretendia atingir. O agente por acidente ou erro na execução atinge pessoa diversa. §3°. atinge pessoa diversa da pretendida. O crime continua sendo de homicídio.e não contra quem realmente praticou . do CP. No caso de também ocorrer o crime pretendido. Aplica-se a regra do concurso formal perfeito. § 3o. quando a vítima pretendida. por homicidio doloso e. o sujeito quer atingir um bem jurídico e atinge outro. quanto ao terceiro. mas também o não querido. Tem previsão no art. do Cód. O agente responderá. Nesse caso. 20°. Aberratio ictus com resultado duplo ou com unidade complexa: nesse caso. aplicase a regra do concurso formal de delitos (art. . Não há erro na representação mental e sim na execução do crime. Nesse caso aplica-se a mesma regra do art. por homicídio culposo. para efeito de tipificação delitiva. e no caso de também ser atingida a pessoa que pretendia.vítima real e efetiva. varia o bem jurídico pretendido. o agente responderá pelo crime como se tivesse matado a vítima virtual. nesse caso. ou seja.4 matando B (olhou B achando que era A). 70° do CP). 20°. Aberratio ictus com resultado único ou com unidade simples: somente o terceiro é atingido (terceiro inocente ou vítima efetiva). A solução se encontra no art. Penal. 74° do CP. o agente. O sujeito responderá pelo crime como se a vítima efetiva B fosse a vítima A. Tem previsão no art. ou seja. em virtude de um erro na execução do crime.

Ex. A queria praticar crime de dano e praticou lesão corporal. dever-se-á ser aplicada as regras do concurso formal. Se ocorrerem os dois crimes (dano e lesão corporal). art.5 aplica-se a regra do concurso forma de delitos. 70° do CP. . B abre a janela e a pedra o atinge. ao fazê-lo. responderá pela lesão corporal na forma culposa. para quebra-la.: A arremessa um pedra contra a vidraça da casa de B. Ocorre que.