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Umbanda

Umbanda é uma religião heterodoxa brasileira, cuja evolução do polissincretismo religioso existente no Brasil foi resultado de motivações diversas, inclusive de ordem social, que originaram um culto à feição e moda do país. O vocábulo é oriundo da língua quimbundo, de Angola, e significa arte de curar, segundo a Gramática de Kimbundo, do Professor José L. Quintão, citada na obra O que é a Umbanda, de Armando Cavalcanti Bandeira, editora Eco, 19701 . Já os autores de vertente esotérica fazem alusão ao sânscrito a partir da junção dos termos Aum e Bandha, o elo de ligação entre os planos divino e terreno. A palavra mântrica Aumbandhan teria sido passada de boca a ouvido e chegado até nós como A Umbanda.
História

O sincretismo religioso no Brasil, ou seja, a mistura de concepções, fundamentos, preceitos, ritualísticas e divindades se processou num quádruplo aspecto: negro, índio, católico e espírita porque outros foram menos dominantes ou de modo superficial e restrito a certas áreas. O marco inicial surge com a escravatura do índio feita pelos primeiros colonizadores no Brasil. Entretanto, o aborígene pelas suas características de raça, de elemento da terra, conhecedor das matas, espírito guerreiro exaltado, sem qualquer organização com um rudimento de estrutura social, tendo a liberdade como apanágio de toda sua vida, não aceitou o jugo da escravidão. Tinha, contudo, uma crença no espírito e suas religiões. A influência do índio contribuiu para a formação da Umbanda fornecendo elementos da sua mitologia e cultivos, tais quais, a Pajelança, o Toré, o Catimbó, entre outros. Ademais, o caboclo, ancestral do índio que incorporava em suas manifestações, foi consolidado na prática umbandista 2 O colonizador, portanto, foi buscar nas terras africanas o elemento negro, o qual oferecia condições mais favoráveis para os misteres da lavoura, já conhecidos nas regiões de origem. Desse modo, houve um circuito branco-índio-negro que contribuiu sobremaneira para o complexo da formação brasileira, nele ressalvando, como uma constante a religiosidade em vários aspectos. Na época das senzalas, os negros escravos costumavam incorporar o que se conhece hoje como pretos-velhos, antigos escravos, que ao se manifestarem, compartilhavam conselhos e consolo aos escravos. O sincretismo católico, produto da simbiose dos cultos de escravo e escravocratas no Brasil, chegou a tal ponto que se cultiva um orixá com nome e imagem do santo católico, não se podendo diferenciar em certas exteriorizações onde começa um onde termina o outro. São flagrantes os casos de São Jorge, Ogum, Nosso Senhor do Bonfim, Oxalá, São Cosme e São Damião, Ibeji, e Santa Bárbara, Iansã. Não raro, muitos chefes de terreiro mandam rezar missas e se declaram também católicos, além de haver um grande número de praticantes que frequentam as duas religiões. Houve, portanto, uma consolidação do santo católico, admitido já sob o aspecto de espírito superior, de guiachefe ou como orixá, enquanto os candomblés procuraram mais se distanciar do sincretismo e não aceitar as imagens.

entre as freguesias. falecido em 1906. Tivemos a "consolação" de ver centenas de cabulistas abandonarem os campos inimigos e voltarem novamente a N. reduzidos a proporções para a capacidade africana e outras do mesmo grau. Em certa região de nossa Diocese. porém. S. segundo Cavalcanti Bandeira. de muito bom grado. Espírito . a haver para mais de 8. O tom misterioso e tímido com que nos falavam a seu respeito e a notícia da grande quantidade de iniciados ainda existentes.O primeiro relato histórico. por ele estudada. O chefe de mesa é chamado de embanda e é secundado nos trabalhos por outros chamados cambones. fins da associação que pertenciam. Graças a Deus nosso trabalho não foi inútil. tivemos. Nossa desconfiança mais se acentuou. mas de qualquer modo demonstra a antiguidade do ritual na Bahia. tendo chegado. ainda encontramos crescido número de adeptos. cabe a Nina Rodrigues. João Corrêa Nery: A Cabula: Houve alguém que disse ser grande e mais prejudicial do que pensamos. que mais não é do que uma instituição religiosa africana sob vestes católicas. Encontramos três freguesias largamente minadas por uma seita misteriosa que nos parece de origem africana. A nosso ver a Cabula é semelhante ao Espiritismo e à Maçonaria. nos quais consta a descrição de um ritual praticado na Bahia. União Espiritista de Umbanda do Brasil. tais cerimônias só se praticavam entre os pretos e mui reservadamente. em nossa última excursão. como também a tomar algumas notas que oferecemos à consideração e ao estudo dos curiosos. não só a procurar do púlpito invectivar essa tremenda anomalia. Depois da lei de 13 de maio. tomamos por sua importância à pastoral de um Prelado Brasileiro ilustre a descrição eloquentíssima do Cabula. Em vez de sessão. Bem que agora esteja privada dos elementos mais importantes. nos levaram. ao mesmo que tempo que. Diz d. oportunidade de observar a verdade desse asserto. generalizou-se a seita. que é o seguinte: Entre os casos que poderíamos citar. que infelizmente possuiu outrora. a Casa Mater de Umbanda Pensa-se que a expressão embanda possa ser uma corruptela do termo Umbanda ou Quimbanda. a influência exercida pelos africanos sobre os brasileiros. Parece mesmo que muito se tem escrito nesse sentido. o mais semelhante da Umbanda atual. quando nos asseveraram que antes da libertação dos escravos. a reunião dos cabulistas tem o nome de mesa. nos forneciam informações sobre a natureza. quando já estava quase pronta a impressão do seu livro Os africanos no Brasil. referente aos estudos feitos entre 1890 e 1905.000 pessoas iniciadas. Jesus Cristo.

de Rebolo. Cabinda. Linha de Mina. pontificavam diversas casas de culto. no Rio de Janeiro. a chegada do santé que é o santo como hoje se diz. consegui registrar as impressões umbanda e embanda. o nome Umbanda foi mais preponderante no decênio de 1920 a 1930. o chamado assistente cambono. sendo o nome comum de Tenda Espírita. Pode ser fixado o ano de 1905 para a Guanabara. concorrendo para isso uma aglutinação pelos recessos motivados pelas perseguições havidas dos governos. ou dos seus dirigentes. Todo mundo mim ké Umbanda. No conjunto de cultos bantos. Embora predominasse o culto de Angola. e os terreiros eram mais conhecidos como bandas ou pelo nome das entidades. muitos centros foram surgindo. fundada a 13 de outubro de 1924. onde aprecia e relata todos os cultos. nessa época apenas se favorecia ao kardecismo. sacerdote do radical mbanda: Ké ké mim ké umbanda. atual Estrada Grajaú-Jacarepaguá. teria estado na Bahia para fazer essa verificação. Edison Carneiro. a Tenda Espírita Mirim. Assim. como o Muçurumi do Rio de Janeiro. como marco. sua prática no Rio de Janeiro remonta ao tempo do Império. de Guiné.Santo e Rio de Janeiro. na década de 1910 a 1920. além do cambone. como a Linha das Almas. o modo de aceitar um novo membro do corpo de médiuns da casa. muitos já haviam surgido no Morro do Castelo." De acordo com Cavalcanti Bandeira. embora conhecido e usado nesse período ao que parece. a disposição das velas em sentido cabalístico como nos riscados. de Santo Antônio. pois os baianos que até então não se entrosavam nas cultuações. não se referindo ao nome Umbanda que. tinha uma apresentação distanciada da rigidez do misticismo baiano. com essa grafia. de Edison Carneiro. hoje gira. Monjolo. Entretanto. Moçambique. não tinha galgado a evidência e nem definia um culto de largas proporções. Cabula. bem como a de Nagô. quando na Serra dos Pretos Forros. Assim. Já no tempo da República se achavam espalhadas pelos diversos bairros. onde teve a linha mestra de uma de suas origens sob certos aspectos. Uma referência com outra data precisa se encontra no livro Religiões Negras. teve a primazia de fixar num livro brasileiro a palavra Umbanda. como por exemplo. seitas e religiões existentes na época e por ele vistos. Linha do Mar. cada uma dentro de uma linha tradicional africanista. e as chamadas Linhas Cruzadas. porém com a característica afro-brasileira bem nítida. quando João do Rio publicou as suas reportagens enfeixadas depois no livro Religiões do Rio. depois da Luta dos Ogãs. Começou a fusão praticamente. entre outros. foram aos poucos convivendo no conjunto religioso. do Congo. Cassange. pois. em 1933. Na época não havia liberdade religiosa. a marcação de pontos. na Mangueira e de Morro de São Carlos. no Lins de Vasconcelos. seguindo a tradição nagô dos candomblés (as macumbas como eram chamadas). Na descrição do ritual cabulista é identificado o bater das palmas. que usavam os centros praticantes desse ritual. Sobressaíam-se os rituais de Angola. Mesmo assim. em alguns a iniciação dos profitentes do culto. praticando o ritual de Umbanda. a engira. 1963. Todas as religiões que . sem qualquer alteração. Muçurumi. em relação a um fato no culto que estudou naquele estado. as vestes brancas. já no século XIX. em que surge à tona o nome Umbanda ao referir: "nos candomblés de caboclo.

No período de 1930 a 1940 a situação das tendas e terreiros melhorou bastante através da liberdade consentida e depois assegurada por lei. De acordo com relatos da época. conhecido por sua amizade com líderes de religiões afro-brasileiras. que também exigia licença para os incipientes Terreiros de Umbanda. no estado de Alagoas. a 2 de fevereiro de 1912. Quando contrariada. surgida nas primeiras décadas do séc. em 1930. Apesar do apoio ao governo. Uma lei de 1934 enquadrava a Umbanda. na seção especial de Costumes e Diversões do Departamento de Tóxicos e Mistificações do Rio de Janeiro. diz que o autor chama esse novo produto. Há relatos de que a perseguição do governo Washington Luís (1926 a 1930) foi bastante intensa do que no governo seguinte de Vargas. especialmente foi marcante a influência da Tenda Espírita . Diamantino Fernandes Trindade relata em seu livro Umbanda e sua História que o início da expansão do Movimento Umbandista coincide com a subida ao poder de Getúlio Vargas.apontavam semelhanças com rituais africanos eram perseguidas. a autoridade se resguardava na justificativa de que a macumba dava cobertura a tipos considerados comunistas. falecido em 1989. Alguns terreiros exibiam em suas paredes fotos do ditador. por exemplo. se solidificaria. prática atualmente comum nos jogos de azar. e visou atingir o então governador Euclides Malta. a Maçonaria. tendo pais de santo e religiosos sido espancados e imagens de culto destruídas. em 1934. a Umbanda.3 . e surge a partir da inserção de kardecistas insatisfeitos com a ortodoxia que não permitia a manifestação de caboclos e pretovelhos por serem considerados "espíritos atrasados". Em uma ação organizada pela Liga dos Republicanos Combatentes. XX. em Maceió. Pai Jaú. o que segundo os mesmos. Muitos terreiros surgiram do kardecismo ou foram fundados por espíritas que recebiam caboclos e pretos-velhos. Ogum. Também data desse ano o início do Cadastro Policial. de caráter autoritário. na então 4º Delegacia Auxiliar.4 Para Prandi5 e Oliveira6 . jogo e prostituição. declarou certa feita numa reunião do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo (SOUESP). drogas. citando Arthur Ramos. era identificado na década de 1930. destacou-se. em 1937. com a criação do chamado Estado Novo. as Religiões Afro-Brasileiras. o orixá sincretizado com São Jorge. direta ou indiretamente. os mais importantes terreiros de Xangô foram destruídos na capital alagoana. propiciou e contribuiu para sua formação. pois este último teria sido um frequentador assíduo dos cultos afro-brasileiros. Os cultos eram vítimas da extorsão em troca de proteção da polícia. Sales. um período de urbanização e industrialização. Entre os inúmeros episódios desse tipo. com o Cavaleiro Vermelho. A lei vigorou até 1964. ex-atleta de futebol do Corinthians. o da chamada Quebra de Xangô. de jeje-nagô-mussulmi-banto-caboclo-espírita-católico. Trata-se do mesmo departamento que lidava com álcool. As primeiras lideranças da Umbanda foram. Seu regime. a Umbanda deriva da macumba carioca. Ambos os autores a reconhecem como religião brasileira. os praticantes ainda sofreram perseguições e repressões que durariam até 1945. o Kardecismo. A ação teve como um de seus líderes o ex-governador Fernandes Lima. os terreiros destruídos e os praticantes presos. quando eram tiradas as licenças para as chamadas Festas Africanas. que várias vezes havia sido preso e sua libertação ocorrera por ordem direta de Vargas com quem mantinha relações cordiais. ligadas ao regime. entre outras.

a qual funcionava no bairro de Neves. 8. o médium Zélio Fernandino de Moraes.com Durval de Souza. Centro. Centro Espírita Caminheiros da Verdade (em 4 de março de 1932. 39. Tenda Espírita Santa Bárbara . e em 1960.com José Álvares Pessoa (Capitão Pessoa). na época.com José Meireles. em um sobrado da Praça XV de Novembro. em Boca do Mato. As sete tendas e seus responsáveis:        Tenda Espírita São Pedro . 59. Casa de Ogum Timbiri.com João Severino Ramos. Centro Espírita Caridade de Jesus. no bairro Rio Comprido. seguindo inicialmente o Espiritismo codificado por Allan Kardec. (em setembro de 1941). 298.Nossa Senhora da Piedade. Centro. na rua Dom Gerardo. da Guia . na rua Dom Gerardo. sob a influência do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Cabana Pai Joaquim de Luanda (Méier. Em 1908. Tenda Espírita Humildade e Caridade. 45. Praça Mauá. na Praça Duque de Caxias. no Engenho de Dentro). fundada a 5 de março de 1935 e em funcionamento até 2012 na rua Visconde de Vila Isabel. Presidente Vargas. especialmente nos municípios limítrofes do Rio de Janeiro. 231. Centro. Tenda Espírita Nossa Sra. com os nomes de Tenda Espírita. fundada a 16 de novembro de 1908. os quais foram instalados na cidade do Rio de Janeiro. Tenda Espírita São Jorge . em São Gonçalo. Atualmente se localiza na Cabana do Pai Antonio. da Conceição . Lygia de Moraes Cunha. Tenda Africana São Sebastião. eram as casas que funcionavam em sobrados.com Paulo Lavois. na rua Camerino. sem sede fixa. Fundada a 8 de setembro de 1927. Tenda Espírita Nossa Sra.7 recebeu a incumbência de fundar sete centros. distrito de Cachoeiras de Macacu sob a direção da neta de Zélio. em Vila Isabel. Posteriormente a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade passou a funcionar na cidade do Rio de Janeiro. . Centro Espírita Religioso São João Batista (em setembro de 1941). Grupo Espírita Humildes de Jesus (em 12 de dezembro de 1928) e muitos outros. 28 de julho de 1937). Tenda Espírita São Jerônimo . Fundada a 15 de fevereiro de 1935. entre 1930 e 1937. Vila Isabel. em 1932. Foi a primeira das tendas de Zélio de Moraes a promover sessões de exu. Tenda Espírita Oxalá .com João Aguiar. 122. na atual Av. desde a Praça Onze e Rio Comprido até os subúrbios mais distantes. No período ainda surgiram vários centros como a Tenda Espírita Nossa Senhora do Rosário. em Vila Isabel com sessões às segundas-feiras. Tenda Espírita Fé e Humildade (em setembro de 1941). Cabana Pai Thomé do Senhor do Bonfim (em setembro de 1941). Fundada a 9 de janeiro de 1935. Cabana Espírita Senhor do Bonfim (6 de setembro de 1939. na rua Visconde de Itaboraí. Centro. Fundada a 11 de novembro de 1939.com Antônio Eliezer Leal de Souza. 2567. 51. Fundada a 18 de janeiro de 1918. apenas duas se encontram em funcionamento até 2012. Das sete tendas. Em outubro de 1952. Ressalta-se que tenda. enquanto o termo terreiro era aplicado aos centros que funcionavam no mesmo plano da rua. A Tenda Espírita São Jorge está sediada à rua Senador Nabuco. comuns na cidade. sem sede fixa. Já a Tenda Espírita Oxalá se localiza à rua Ambiré Cavalcanti. ainda em funcionamento no bairro de Todos os Santos).

fundada em 1924. o Comandante Cícero dos Santos e Olívio Novaes. A comissão foi composta por Jayme Madruga. por Manuel Floriano da Fonseca. 1° andar. entregue ao presidente Getúlio Vargas.O. No território brasileiro existem muitos templos que foram fundados direta ou indiretamente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Zélio de Moraes se fazia presente. se notabilizou como uma das mais influentes no estado. em 1942. Rio Grande do Sul. A União funciona atualmente à rua Conselheiro Agostinho.). Pará. estabelecer o uso do branco no vestuário. e dirigida pelo Comendador João Carneiro de Almeida. na Praça Mauá. entre os quais. a Tenda Espírita Beneficente Santa Luzia. da Matta e Silva. A histórica casa deixou inúmeras filiais. o Jornal de Umbanda. é fundada por W. Como União Espiritualista Umbanda de Jesus (UEUJ). ou enviava representantes à organização e direção das novas tendas umbandistas. a Cabana Espírita Senhor do Bonfim. sob a presidência de Eurico Lagden Moerbeck. além da Tenda Mirim. entre outras.A 26 de agosto de 1939 foi fundada a Federação Espírita de Umbanda sediada à rua São Bento. Alagoas e Bahia. além do Primado de Umbanda. Inicialmente localizada à rua Sotero dos Reis. Engenho de Dentro. O órgão. no estado do Rio de Janeiro. Alfredo Antonio Rêgo e o escritor Diamantino Coelho Fernandes. de 19 a 26 de outubro de 1941. criado em 1952. criada a 4 de março de 1932. no qual apresentava os anseios e direitos da comunidade religiosa perante a Constituição e a sociedade brasileira. se transferiu para a avenida Marechal Rondon. Foi também a responsável pela criação do primeiro periódico sobre o assunto. em 1947. edição e elaboração do livro O Culto de Umbanda em Face da Lei. na Praça da Bandeira. sob a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas também em São Paulo. a Escola Iniciática da Corrente Astral do Aumbhandan. 101. 133. para uniformizar o culto umbandista. incluindo outros que descendem dos originais. homogeneizar as diversas classes participantes e as práticas ritualísticas de maneira simplificada dentro das diretrizes doutrinárias preconizadas nas bases estabelecidas. A seguir foram criadas diversas tendas umbandistas. a partir das sete primeiras. No encontro foi proposta a desafricanização da Umbanda com o intuito de fuga da repressão policial. Não raro. através do irmão Frederico. pelo médium do Caboclo Mirim. seu nome foi alterado para União Espiritista de Umbanda do Brasil. por Márcia Justino. Contava com vários colaboradores. em Itacuruçá. Um caso notório foi o do Tenente Joaquim Bentes Monteiro que solicitou a sua transferência para Belém do Pará a fim de fundar e dirigir a Tenda Santo Expedito. o escritor Diamantino Coelho Fernandes. sob a liderança de Tarcizo Antonio Carneiro de Almeida. 597. a Umbanda Esotérica. ao se criar estatutos e ordenamentos legais para evitar as terríveis perseguições ao culto. Foi a primeira entidade federativa do país a congregar os centros já existentes. promoveu o Primeiro Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda. Em 1947. W. em 1944.U. Se filiaram. Minas Gerais. Benjamin Gonçalves Figueiredo. compondo uma doutrinação disciplinar e hierárquica bastante contundente. O objetivo principal na época era o de reunir as diversas tendas. em São Francisco Xavier. 28. na Tenda Umbandista Oriental (T. membro da Tenda Espírita Mirim8 . em Todos os Santos. Já a Casa Espírita Caminheiros da Verdade. a Cabana de Pai Joaquim de Luanda. no dimensionamento doutrinário da Linha Branca. Espírito Santo. teve papel preponderante na organização. Em 1940. . Está situada à rua Comendador João Carneiro de Almeida. 52.

Apesar do esforço inicial e ao longo da história por parte de autores. em que ocorreu também a formação da Umbanda. especialmente o pejorativamente chamado baixo espiritismo representado pelas religiões afro-brasileiras. Ao optarem por essa denominação. como o carnaval e as escolas de samba. em conjunto com o guia-chefe da casa. Portanto. se criou uma falsa crença de que o preconceito racial não existia no Brasil. por questão de sobrevivência. entre outros fenômenos. . Por conseguinte. usado apenas pelos espíritas kardecistas. a qual continuaria profundamente enraizada na realidade social brasileira. é o responsável pela própria forma de praticar a Umbanda de acordo com a sua formação. Mas seus efeitos já se faziam sentir no fim dos anos 1920. alguns fundadores dos centros originais da Umbanda do Rio de Janeiro. Contudo. o igualitarismo racial e seus vários grupos teriam tido igual importância na formação da civilização brasileira. em Casa Grande e Senzala (1933) era um de seus defensores9 . A religião se originou na conjuntura de um período político bastante tumultuado que assistiu. Contudo. a emergência de movimentos nacionalistas e fascistas. página 206. Os estudiosos brasileiros também começaram a se interessar seriamente pela cultura afro-brasileira. Práticas culturais. zelador ou sacerdote. O Espiritismo. De acordo com Diana Brown. que são freqüentemente antagônicos. A Umbanda pode ser considerada uma união de diferentes tradições religiosas representadas pelos vários grupos étnicos e sociais existentes no país. em Umbanda: Religion and Politics in Urban Brazil. era ainda proibido por lei. Nesse ínterim. O dirigente. Segundo esse pensamento. os umbandistas têm freqüentemente uma atitude ambígua em relação às tradições afro-brasileiras. com a nacionalização e institucionalização da cultura afro-brasileira. que haviam sido relegadas ao mais baixo status por causa de sua associação com os negros foram então reconhecidas como componentes importantes da cultura nacional. que desde o início era vista de forma exótica e folclórica. sempre foi evidente uma autonomia dos terreiros no que tange à prática do culto. os umbandistas. a repressão era voltada aos praticantes do então baixo espiritismo. a ditadura aboliu os movimentos negros que lutavam contra a discriminação racial. com o chamado Estado Novo. a perseguição às pessoas envolvidas se intensificou. Gilberto Freyre. líderes e do próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas de codificar. o termo espírita foi amplamente utilizado como fuga da repressão e ainda para dissociar os praticantes das novas religiões de sua ascendência afro-brasileira. Nesse contexto houve a primeira tentativa de legitimar a Umbanda como religião. também intitulado diretor espiritual. o que é refletido nas tendências sócioculturais dominantes na sociedade. A legitimação envolveu a desafricanização e o embranquecimento da Umbanda. interesses e influências diretas ou indiretas. as religiões afro-brasileiras. pai de santo. Em 1939. um gesto que recorda o uso do sincretismo católico nos cultos afro-brasileiros durante o período da escravatura10 . passaram a se identificar com o termo espírita. Esse desenrolar político culminou na ditadura de 1937. os praticantes se associaram com o Kardecismo e com o então chamado alto espiritismo. ou seja. O período de grande nacionalismo foi marcado pelo começo de ideologia da democracia racial. A ideologia da democracia brasileira era legitimada e manifestada por uma hegemonia branca. de 1994. dogmatizar e unificar a ritualística da Umbanda. Durante o período da ditadura. de Getúlio Vargas.

A origem da Umbanda foi então traçada no Oriente de onde. criou-se uma espécie de divisão de espíritos. se dizia. raças e nacionalidades. ainda notabilizado pela barbárie dos rituais africanos. O Candomblé. Entretanto. estabeleceram a primeira federação de Umbanda. centralizado no nordeste do Brasil. O Candomblé. Ademais. na sua fase anterior de evolução. defender e organizar a Umbanda como uma religião coerente e hegemônica e assim obter legitimação social. a União promoveu o Primeiro Congresso de Espiritismo da Umbanda. os espíritos considerados fundamentais. A Umbanda. As únicas instâncias de identificação positiva da influência africana da Umbanda eram os pretos-velhos. representados pela magia negra. considerados pessoas simples e humildes. que se crê geralmente derivado da África. luz radiante. teria se espalhado para a Lemúria. A invenção de raízes orientais. Princípio Divino. era olhado como um estágio anterior da Umbanda. somada à negação das africanas. um continente remoto e perdido. No continente africano a Umbanda degenerou em fetichismo. A influência africana da Umbanda não era negada. Outro jeito de sublinhar o caráter africano da Umbanda foi expresso no reconhecimento de que ela se originou na África. a União Espiritista de Umbanda do Brasil (UEUB). Os participantes ainda concordaram em utilizar a obra de Allan Kardec como a doutrina operante da Umbanda. teria ficado exposta ao barbarismo africano. A conferência é ainda conhecida por promover maior dissociação com as religiões afrobrasileiras. Umbanda Branca e Umbanda de Linha Branca associada à magia branca. maus. os bons. representadas pela Vivekananda. defeitos psicológicos e étnicos13 . era assim associado com a magia negra. os participantes procuraram dissociá-la de suas raízes afro-brasileiras. na sua forma vulgar dos costumes. mas espíritos muito evoluídos. Em 1941. uma tentativa de definir e codificar a Umbanda como uma religião com direitos próprios que uniria todas as religiões. mas na África Oriental (Egito). No esforço em legitimá-la como uma religião original e evoluída. Dessa forma foi trazida para o Brasil pelos escravos negros12 . termos que foram traduzidos como limitado no ilimitado. Os participantes se esforçaram durante o encontro em legitimar a Umbanda como uma religião bastante evoluída. A lavagem branca da origem da Umbanda era expressa em termos como Umbanda Pura. associada ao mal. fonte de vida eterna e evolução constante15 .inclusive Zélio de Moraes. Já a África era tida como um continente heroico e sofredor. Declarou-se que Umbanda seria oriundo do sânscrito aum bhanda. e os da esquerda. unificar. A influência africana da Umbanda foi reconhecida como um mal necessário que serviu meramente para explicar sua chegada e desenvolvimento no Brasil. mas vista como corrupção da tradição religiosa original. Umbanda Limpa. Declarou-se que que existia como uma religião organizada há bilhões de anos. Os termos faziam oposição à magia negra. e daí para a África. . portanto. A federação foi criada para dogmatizar. refletiu na definição do termo Umbanda. Os participantes do congresso se esforçaram em associa-lá às tradições religiosas esotéricas europeias e as novas correntes religiosas da Índia. como os caboclos e o pretos-velhos ainda eram considerados espíritos muito evoluídos. praticada por povos de costumes rudes. que havia se desenvolvido no sudeste. A linha daqueles que se encontram à direita. e portanto estaria à frente de outras religiões11 . na parte mais ocidental e civilizada do continente14 Um dos objetivos da conferência era o de traçar as raízes genuínas da Umbanda no Oriente.

em 1960. antes de morrer. vindo a constituir com outros companheiros. Até ali. em Pampulha. em Inhoaíba. José Álvares Pessoa. da Matta e Silva. realizado no Estádio do Maracanã. tendo como colaboradores Cavalcanti Bandeira. Após o falecimento de seu presidente e fundador. a qual existiu até 1967. ele fora um espírita kardecista. conhecido como Capitão Pessoa. As religiões africanas no Brasil. a quem classificavam com a imagem de humilde escrava. Com o intuito de divulgar os cultos afros. em 1979. foi o portavoz doutrinário do culto umbandista. W. Olívio Novaes. ao adicionar elementos. liderados pelo tata ti inkice (sacerdote na etnia banto) Tancredo da Silva Pinto. Em 1950. Segundo ele. homenageando a grande yalorixá Mãe Senhora. desligou-se. Os negros brasileiros eram aceitos porque afinal tinham alma branca16 . do livro de Roger Bastide. O pai de santo investiu-o dos poderes de presidente da Tenda de São Jerônimo. W. em entrevista Leal de Souza. Alves de Oliveira. transcrita na página 439. em Pernambuco. Tancredo criou as festas religiosas de Yemanjá. a festa a Yaloxá. os representantes das duas correntes. Em 1956. que durante mais de duas décadas.A atitude dos participantes em relação à herança religiosa africana era assim caracterizada pela ambiguidade. entre outros. Ele conquistou grande liderança entre os mais humildes. a atual presidente. Elas eram positivas e negativas. fundaram a Confederação Espírita Umbandista do Brasil. a fundação da Umbanda foi decidida em Niterói (estado do Rio) há mais de trinta anos. em Minas Gerais. realizada no centro da Ponte Rio-Niterói. relegados do primeiro congresso e da União Espiritista de Umbanda do Brasil. superaram algumas divergências e formaram uma coligação que reunia as principais federações do Rio de Janeiro. na administração de Carlos Lacerda. em uma macumba que ele visitava pela primeira vez. a festa de Xangô. a qual seria entregue a Fátima Damas. na cidade do Rio de Janeiro. insatisfeito. Tancredo. assumiu a instituição. seu braço-direito. Tancredo da Silva Pinto esteve presente e chegou a ser um dos presidentes. e promover rodas de samba para iludir a repressão policial. os defensores do africanismo continuariam as suas práticas. J. a partir de 1964. que deveria funcionar na capital. em 20 de Janeiro de 1968. dirigente da Tenda Espírita São Jerônimo. os umbandistas ganharam força e conseguiram eleger vários candidatos em alguns estados. a Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB). É importante frisar que apesar das perseguições policiais. Tancredo. e lhe disse que importava organizar a Umbanda como religião. Por conseguinte. Em 1947. Cruzandê. . além do evento Você sabe o que é Umbanda?. e finalmente a festa da fusão do estado do Rio de Janeiro com a Guanabara. como o cavaquinho. oscilando da tentativa de dissocia-los das tradições religiosas africanas até sua atitude distintamente paternalista para com a África. A organização recebeu o nome de Colegiado Espírita do Cruzeiro do Sul e tinha a União Espiritista de Umbanda do Brasil como principal articuladora. a festa do Preto-Velho. através de uma coluna semana no jornal O Dia. obteve junto ao Congresso Nacional a legalização da prática da Umbanda. os defensores das práticas africanistas na Umbanda. Martinho Mendes Ferreira. no Rio de Janeiro. Após a instauração do Regime Militar no país. a entidade vivenciou dificuldades de relacionamento entre elementos da sua administração. Em 1945. recomendava uma forma africana para os rituais. surgiu o Jornal de Umbanda.

Ao assumir a presidência. aprovada. Ocorreu ainda uma rápida expansão para o estado de São Paulo. escreveu a letra para mostrar que era possível vislumbrar o mundo e a religião à sua maneira. ocorreu no Maracanãzinho. Mesmo não obtendo êxito. em 1961. a UTEUESP passou a registrar roças de Candomblé e mudou sua denominação para UUTEUCESP (União de Tendas Espíritas de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo). Armando Quaresma e Dr. a Federação Umbandista do Estado de São Paulo (FUESP). Relata Diamantino Fernandes Trindade. Oswaldo Santos Lima e Cavalcanti Bandeira. a Associação Paulista de Umbanda. Dr. No mesmo ano aconteceu na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) o Segundo Congresso Brasileiro de Umbanda. foi registrada em cartório a primeira federação de São Paulo. ocorreu o Primeiro Congresso Umbandista do Estado de São Paulo. de que o vocábulo Umbanda é oriundo da língua quimbundo e significa "arte de curar". que participaram do Primeiro Congresso de Umbanda. congregando as Federações. Neste congresso definiu-se a criação do Superior Órgão de Umbanda para cada Estado. fora eleito no Rio de Janeiro. Quando todas já estavam com suas teses elaboradas. Cavalcanti Bandeira apresentou a tese. em seu livro Umbanda Brasileira . sob a direção de Jamil Rachid. com a participação de Félix Nascente Pinto. Zélio de Moraes a apreciou tanto que decidiu apresentá-la no Segundo Congresso. de Félix Nascente Pinto. Sebastião Costa e o Tenente Vereda. em 1941. De acordo com o escritor Diamantino Fernandes Trindade. houve a penetração no Rio Grande do Sul. Em 1953. Em 1961. na qual compareceram cerca de quatro mil médiuns uniformizados. fundada por Luis Carlos de Moura Acciolli. presidido por Henrique Landi Júnior. Já a melodia foi composta por Dalmo da Trindade Reis17 . a festa de congraçamento. no Rio de Janeiro. o falecido Átila Nunes. conceituado radialista e dono do programa Melodias de terreiro. eleito pelas comissões organizadoras. organizado pelo General Nelson Braga Moreira. surgiu a FUGABC (Federação Umbandista do Grande ABC). fundada por Costa Moura. Estevão Monte Belo. dirigida por Ronaldo Linhares. que ainda na década de 1950. e secretariado pelo escritor João de Freitas. Outras associações foram fundadas. Pai Jaú. de 2009: o Colegiado Espírita do Cruzeiro do Sul organizou o Segundo Congresso Nacional de Umbanda. de Demétrio Domingues. tais quais. O Congresso ocorreu no Maracanãzinho e milhares de umbandistas estiveram presentes. através de Moab Caldas. Um dos objetivos desse evento era fazer uma avaliação das mudanças ocorridas no panorama umbandista nos vinte anos que se passaram desde o primeiro evento. no Rio de Janeiro. passou a coordenar os trabalhos das comissões e reuniões preliminares em outros estados. A comissão paulista foi a mais numerosa e representativa. Houvera sido composto por um cego. ainda na década de 1960. Em 1968. representantes de dez estados e vários políticos municipais e estaduais. que em busca de sua cura procurou o auxílio do Caboclo das Sete Encruzilhadas. além de grande público assistente. a 28 de junho de 1961. o Primado de Umbanda.Um século de história. a União de Tendas Espíritas de Umbanda do Estado de São Paulo (UTEUESP). já haviam criado a Liga de São Jerônimo no ano seguinte. Apenas o estado de São Paulo conseguiu criar o então chamado SOUESP (Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo) marcando presença no . Em 1973. que chegou a ser eleito deputado estadual.Em 1958. Esse evento foi organizado por Leopoldo Bettiol. chamado José Manoel Alves. General Nélson Braga Moreira. Nesse congresso o Hino da Umbanda foi oficialmente adotado em todo o Brasil em caráter oficial. em 1941. incluindo dessa vez.

sob a presidência do General Mauro Porto. de 2009: em 1973. ambulatórios etc. publicada pelo Primado de Umbanda. dentre elas a Associação Paulista de Umbanda e a Federação de Centros Espíritas e de Umbanda do Estado de São Paulo19 .congresso posterior. de 1973. Segundo a revista. cujo exotismo despertava a atenção das pessoas. foi realizado novamente no Rio de Janeiro. Na oportunidade se constituiu o SOUESP (Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo). órgão nacional inter federativo. Piauí e Santa Catarina. a fim de evitar as distorções e os abusos que são cometidos em nome da Umbanda. Durante as décadas de 1960 e 1970 a Umbanda atrai olhares curiosos do mundo inteiro e se torna manchete de jornais e revistas. no Rio de Janeiro. Em 1973. delegado representante da Tenda Mirim.Um século de história. simbologia. número 1. fazia referências às destemidas atuações de Cavalcanti Bandeira e outros umbandistas para a realização do evento. sincretismo religioso. Após o Congresso foram fundadas onze novas federações. A 12 de setembro de 1977. tese apresentada por Cavalcanti Bandeira em contraponto a tese de Diamantino Fernandes. A revista citava: os umbandistas desejam consolidar o dia da Umbanda e preservar os rituais comuns e afins. Manchete e Planeta são publicações que destinam sempre notícias ou estudos sobre a religião. Rio Grande do Sul. Também nesse Congresso foi apresentada uma tese diferente da que havia sido veiculada no primeiro sobre a “Interpretação histórica e etimológica do vocábulo Umbanda”. os temas propostos abordavam: Aspectos doutrinários e filosóficos. estabelecido à rua Sá Viana. práticas e rituais. legitimando assim a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas como fundador da religião e Zélio de Moraes como seu pioneiro. o Terceiro Congresso Brasileiro de Umbanda. música dança e cânticos. de 15 a 21 de julho. Muitos discos são lançados contendo os pontos cantados. organização religiosa. Algumas discordâncias políticas fizeram com que outras federações se unissem em torno do Tenente Hílton de Paiva Tupinambá. temas livres e teses sobre a Umbanda. diversos terreiros contavam com escolas. Wheatstone Pereira propôs a criação da Cartilha Umbandista e José Maria Bittencourt apresentou um trabalho sobre Casamento e Batismo na Umbanda. no Estádio de São Januário. Seu objetivo que era o de agrupar as federações de . São Paulo foi representado pelo SOUESP. os cultos e a legislação oficial. a religião umbandista afirmou-se como uma das que mais crescem no Brasil e uma força significativa no campo das atividades sociais. iniciação e desenvolvimento. proclamando o desejo de congregarem num colegiado nacional os órgãos associativos e federações estaduais. em 1976. O Rio de Janeiro foi representado pelas mais importantes autoridades da Umbanda. realizou-se no Rio de Janeiro o Terceiro Congresso Nacional de Umbanda. sob o comando de Cavalcanti Bandeira. dois anos após o seu desencarne. 69. No evento o dia 15 de novembro foi instituído como o "Dia Nacional da Umbanda". no Grajaú. que no Congresso de 1941 situava a palavra tendo origem em antigas civilizações e no sânscrito18 . A revista Mundo de Umbanda. teologias e crenças. ambos aprovados por unanimidade. Diamantino Fernandes Trindade relata a respeito em sua obra Umbanda Brasileira . Nesse evento. moral e ética religiosas. Nessa época. foi criado o Conselho Nacional Deliberativo de Umbanda (CONDU). por meio de seu presidente General Nelson Braga Moreira. creches. e fundassem o SOUCESP (Supremo Órgão de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo) que se tornou forte oponente do antecessor. aspectos administrativos. Outros estados representados foram: Paraná.

entre os quais. Carlos Alberto Dias Bellone (Confederação Umbandista do Paraná). presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil20 . Ao iniciar suas atividades nos anos 50. Os pentecostais tentaram converter. A partir dos anos 1980. o escritor Celso Rosa (Decelso da Congregação Religiosa Umbandista Brasileira. Abrumolio Vainer (Círculo Umbandista do Brasil) (SP). por conta da morte de dirigentes e a consequente extinção de várias federações. a Umbanda ganhou uma decisão contra um canal de televisão patrocinado pelos pentecostais. Em 2005. foram estipulados em mais ou menos um quarto da população do Brasil. por conta do projeto nacionalista. Os arquivos do finado CONDU. da Cruzada Federativa de Umbanda de SP. Durante a ditadura militar (1964-1985) a Umbanda obteve reconhecimento oficial e legitimação. a Igreja Evangélica Pentecostal ganhou muitos seguidores e influência na América Latina. declarados e não declarados. Em meados dos anos 80. Martinho Mendes Ferreira. no decorrer da década de 1980. interessadas em se expandir e abarcar o maior número possível de fiéis. Ainda assim. além de prática de magia negra. Lília Ribeiro. Ney Néri dos Santos. causando o desprezo dos que estavam na oposição ao governo. falecida em abril de 2004. Fraternidade (TULEF). Congregação Espírita Umbandista do Brasil. Primado de Umbanda e Federação Nacional das Sociedades Religiosas de Umbanda. O núcleo inicial era composto por cinco grupos: Confederação Nacional Espírita Umbandista dos Cultos Afro-brasileiros. o qual enfim os entregou aos cuidados de Fátima Damas. Depois outras entidades se agregaram. Marne Franco Rosa (RS). e algumas vezes. o presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB). Por volta de 1974 os praticantes de Umbanda. Contudo. José Vareda e Silva (SP). Joaquim Brito de Carvalho (SP). o campista José Raymundo de Carvalho. Evaldo Pina e ainda membros de fora do estado do Rio de Janeiro. Carlos Leal Rodrigues (PB). que se encontravam em poder de Lília Ribeiro. Floriano Manoel da Fonseca. Começou o período de intensa decadência da religião. passaram às mãos de José Beniste. perseguiram os seguidores da Umbanda e outras religiões afro-brasileiras. Rosalvo da Cunha Leal (CNEUCAP – RJ). as igrejas pentecostais converteram muitos umbandistas.Umbanda espalhadas pelo Brasil. o presidente da Aliança Umbandista do Estado do Rio de Janeiro (ALUERJ). Raymundo Viriato Baptista Rodrigues (AM). Já a incorporação dos Orixás seria uma forma de possessão demoníaca21 . Asy Sgambato (Congregação Religiosa Umbandista Brasileira) (RJ). a Umbanda enfrentou forte oposição das igrejas neopentecostais. Esperança. o pai de santo e escritor. Alegavam que a Umbanda seria uma veneração aos demônios. Djalma Rodrigues da Rocha (PI) e Flávio Nicolino (SC). no estado de São Paulo. a presidente e fundadora da Tenda de Umbanda Luz. Guiomar Bussili (SP). especialmente entre as camadas mais desfavorecidas da população. conhecido como Omolubá. Loris Lugheri. a entidade perdeu força e encerrou suas atividades. O Ministério Público declarou ilegal que programas de televisão se referissem às religiões afro-brasileiras de forma derrogatória e discriminatória. Sua fase de maior êxito ocorreu no decorrer da década de 1970 quando chegaram a integrar seu quadro o pesquisador e escritor José Beniste. Chegou a reunir 46 associações. a favela . União Espiritista de Umbanda do Brasil. O regime diretamente apoiou a Umbanda para usá-la com o objetivo de manipular as massas.

Ainda hoje. intitulado Orixás. além de demonizar e reprimir as práticas da referidas religiões.635 referendada em 27 de dezembro de 2007 pelo ministro Gilberto Gil e sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva. Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?. Episódios tristes diariamente chamam nossa atenção no que concerne ao preconceito que os adeptos das religiões afros sentem. Atualmente a Lei 11. . o que deve predominar é o respeito à pluralidade e as diversas formas de manifestações divinas. O que chama mais atenção para o conteúdo de tal livro. Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios? foi recolhida por determinação judicial em vários estados brasileiros.. declarou que os evangélicos estão mais intolerantes e desejam acabar com as religiões de matriz africana28 . nas escolas e em locais públicos como hospitais27 . de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.Dona Marta. pois ocorreu o aniversario de falecimento da Mãe Gilda de Ogum. Em janeiro de 2013 a ministra Luiza Barros. contava com seis terreiros de Umbanda. Aponta-se essa data como provável causa da escolha. que sofreu um infarto fulminante após ver seu nome e imagem atrelados a uma reportagem do Jornal Folha Universal da Igreja Universal do Reino de Deus em uma matéria intitulada Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes e ter seu terreiro invadido por fiéis neo-pentecostais24 . Terreiros constantemente são invadidos por fiéis das igrejas neo-pentecostais da Universal do Reino de Deus. os umbandistas enfrentam grandes preconceitos por parte da sociedade em geral. apesar de existirem leis que reprimem o preconceito e a intolerância religiosa. No que diz respeito aos cultos religiosos de matriz afro-brasileiros. estabeleceu o dia 21 de janeiro como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. mulheres e crianças. fica nítido que o mau exemplo dado por um líder religioso como Edir Macedo só faz aumentar o preconceito contra as religiões de matrizes afro. Em seu livro publicado pela Editora Gráfica Universal Ltda. o que chama mais atenção é a crueldade com a qual o Bispo Edir Macedo descreve a Umbanda. a Umbanda em especial. porém. homens. A Justiça entendeu que o objetivo da obra era de propor uma ação persecutória aos adeptos das religiões de matriz africana. no Rio de Janeiro. Apesar disso ainda é possível encontrar a publicação em várias igrejas neo-pentecostais e na própria sede da IURD26 . No final da década de 80. a grande maioria das pessoas é influenciada pelo senso comum de que a Umbanda é coisa do mal. Em uma sociedade cujo homem desfruta do livre arbítrio. atingindo idosos. mãe-de-santo. distorcida e ofensiva sobre a Umbanda e suas entidades. um terreiro de Candomblé e um centro espírita. A intolerância não perdoa nenhuma faixa etária ou hierarquia religiosa. Ele insufla seus fiéis a serem preconceituosos e a desrespeitar os umbandistas25 . há uma análise preconceituosa. Tal preconceito reflete nas ruas. Surgiram no lugar oito igrejas neo-pentecostais22 . primitiva e pagã. não respeitando sequer o principio universal de amor e compaixão para com o próximo e a total liberdade de crença23 . Aponta-se para tal repúdio diversos fatores. e anula quaisquer possibilidades de erradicar a intolerância religiosa. sua obra Orixás. Edir Macedo é profícuo na publicação de obras polêmicas. no ano de 1990. é a influencia que exercida sobre os seguidores de tal religião. Sendo assim.