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CAMINHOS DE GEOGRAFIA - revista on line http://www.ig.ufu.br/revista/caminhos.

html ISSN 1678-6343

Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia

ASPECTOS ETNOBOTÂNICOS E BIOGEOGRAFIA DE ESPÉCIES MEDICINAIS E/OU RITUAIS COMERCIALIZADAS NO MERCADO DE MADUREIRA, RJ.1

Felipe Bagatoli Silveira Arjona Graduando do Depto. Geografia/PUC-Rio - felipearjona@globo.com Rita de Cássia Martins Montezuma Profa. Adjunta do Depto. Geografia/PUC-Rio - montezum@geo.puc-rio.br Inês Machline Silva Profª. Adjunta do Depto. Botânica /UFRRJ e doutoranda/JBRJ - machline@jbrj.gov.br

RESUMO O Mercado de Madureira (Rio de Janeiro/RJ) é um grande mercado popular voltado para venda de artigos diversos, predominando o comércio de produtos religiosos e esotéricos. Este trabalho objetiva levantar as espécies vegetais mais comercializadas e suas origens, apontando as possíveis razões de introdução no Brasil e associando as prováveis origens dessas plantas aos usos atuais. Foram aplicadas 47 entrevistas semi-estruturadas a 15 erveiros e o material botânico adquirido está sendo processado para inclusão nos herbários do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e da UFRRJ (RBR). As espécies e origens foram identificadas com o uso de bibliografia especializada, consultas a especialistas e visitas a herbários. Foram selecionadas as 90 espécies mais citadas (n=242): 56,7% das espécies são nativas da América; 8,2%- Europa; 7,7%-Ásia; 5,6%-África; 1%-Oceania; 20,6%-indefinidas. A categoria medicinal inclui 51 espécies e a ritualística 30. A maioria das espécies não americanas foi introduzida no Brasil provavelmente não associadas ao uso medicinal e ritualístico. As exóticas e algumas nativas são cultivadas nas hortas localizadas no bairro e vizinhanças; as nativas restantes provêm de extrativismo em remanescentes florestais. Palavras-chave: etnobotânica, biogeografia, espécies medicinais, espécies rituais, Madureira-RJ

ABSTRACT The Madureira´s Market located in Rio de Janeiro is an enormous popular market, which sells in special religious and esoteric products. The aims of this work are to study the plants species more commercialized and their origins, pointing out the probable reasons of their introductions in Brazil added to their uses. It was applied 47 semi-structural interview to 15 to the sellers (erveiros) and botanical material obtained is been processed to be included into herbarium of the Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) and UFRRJ (RBR). The plants species and their origins were identified by specialized literature, specialists and visits to herbarium. Was
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Monografia de conclusão de curso do primeiro autor (em desenvolvimento) - parte integrante da tese de Doutorado de Inês Machline Silva desenvolvida na Escola Nacional de Botânica Tropical (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro).

Caminhos de Geografia

Uberlândia

v. 8, n. 23

Edição Especial

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2%. The medicinal category includes 51 species and 30 ritualistic. 1997). quando possível. F. 20. a etnobotânica emergiu da Geografia. The majority of non American species introduced in Brazil are probably not associated to the medicinal and ritualistic uses. que atualmente se destinam ao cultivo das espécies para o abastecimento local. Caminhos de Geografia Uberlândia v. de forma centralizada. n. 1997). Com isso. Numa perspectiva histórica e fitogeográfica. em seus trabalhos. Este autor ainda afirma que a transformação da terra em mercadoria contribuiu para organização dos loteamentos. 1997). Para compreender o processo de formação de Madureira é preciso fazer um resgate de como se deu a ocupação dos espaços suburbanos da cidade do Rio de Janeiro. favoreceu a transformação de freguesias que até então se mantinham exclusivamente rurais (Abreu. No Município do Rio de Janeiro o “comércio popular” instalou-se nos bairros localizados na periferia. 8. o bairro encontra-se praticamente urbanizado. 41 . origem e diversidade de plantas cultivadas no tempo e no espaço (Albuquerque. as feiras livres e os mercados constituem um espaço privilegiado de expressão da cultura de um povo no que toca ao seu patrimônio etnobotânico. Abreu. o diálogo entre estas disciplinas torna-se favorável para reflexões sobre incorporação de plantas nativas e exóticas nas práticas culturais. 5. Segundo Morgan (1995). inclusive o bairro de Madureira (Barat. as razões de introdução das espécies exóticas no Brasil buscando identificar as formas de incorporação na cultura local e. Madureira-RJ INTRODUÇÃO O estudo do uso e conhecimento de plantas por grupos humanos tem sido objeto de pesquisa de grande relevância e vem sendo incorporado na disciplina chamada Etnobotânica. a formação dos bairros próximos às estações.br/revista/caminhos. Estes se tornaram importantes referências para os estudos etnobotânicos. o que implicou modificações no uso e no desenho do espaço urbano. medicinal species. Neste sentido. o que. O presente trabalho analisa a comercialização de plantas medicinais e rituais em um pavilhão exclusivo para a venda destes produtos no mercado de Madureira. desta forma é nestes locais que se encontram.CAMINHOS DE GEOGRAFIA . A presença dessas hortas em área urbanizada configura-se como um resquício do período rural de Madureira.html ISSN 1678-6343 Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia selected 90 plants species more cited (n=242): 56. conseqüentemente. subjacente a um ambiente de trocas culturais intensas. 7. Em paralelo. Fridman (1999) aponta que a promulgação da Lei de Terras em 1850 consolidou legalmente a propriedade privada da terra. dentre estas aquelas situadas abaixo da linha de transmissão da Companhia de Luz – Light.revista on line http://www.6%-Africa. avaliar.50 Página 42 .ufu. The exotics and some native species were cultivated on homegardens located at Madureira and its neighborhood. paralelas à linha do trem. a etnobotânica torna possível o reconhecimento da distribuição. Atualmente. ritualistic species. uma vez que um grande número de informações encontra-se lá disponível. the others natives belong to remnants forests.Europe. tendo Alphonse de Candolle expandido a fitogeografia humboldtiana e enfatizado.7%-Asia. em 1858 foi inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro D. as origens geográficas e a dispersão de plantas cultivadas. A pesquisa em pauta tem como objetivo: localizar as prováveis origens geográficas das espécies mais comercializadas. 1975. com mais freqüência. 23 Edição Especial p. Dentre estes o bairro de Madureira é considerado um dos mais importantes centros de comércio da zona norte.7%-American native species.ig. por fim. Pedro II (atual E. biogeography. Keywords: ethnobotany. Central do Brasil) ligando a estação central a Queimados (distrito do atual município de Nova Iguaçu). a comercialização de plantas voltadas para a fitoterapia e práticas religiosas. cortando todo o subúrbio da cidade. Com isto a ferrovia incentivou todo processo de ocupação do subúrbio e. analisar como a urbanização do bairro de Madureira contribuiu para formação atual do comércio de espécies de uso etnobotânico. 1%-Oceany. excetuando algumas áreas.6%-not identified. 8. diferentemente dos bondes.

centros espíritas. Para cada espécie obtiveram-se dados referentes aos nomes populares. utensílios domésticos. além de centenas de vendedores ambulantes. tornando-se.revista on line http://www. incluindo-se aí. muitas vezes.html ISSN 1678-6343 Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia ÁREA DE ESTUDO O mercado de Madureira está localizado no bairro de Madureira.Mapa de localização do bairro de Madureira/Rio de Janeiro/RJ. bares.ufu. na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro (figura 1). Possui uma área total de 378. n. papelarias. Figura 1 . o maior centro de distribuição de alimentos da zona suburbana. Parte significante do comércio do bairro. com uma população de 49. igrejas católicas. usos e procedência (cultivo. sendo conhecido pela população como “Mercadão” de Madureira. 2006). Falcão (2002) afirma que o bairro é conhecido na cidade pelo seu farto comércio com inúmeras lojas. Atualmente apresenta um total de 700 boxes para venda de muitos produtos variando de alimentação. num total de 29 que. Foram aplicadas 48 entrevistas semi-estruturadas a 15 erveiros2 (correspondendo a 52% do total). a venda de animais para sacrifícios. Caminhos de Geografia Uberlândia v. o mercado de Madureira foi criado do começo do século XX. legumes e verduras. vendem também temperos. 2 Foram considerados “erveiros” as pessoas que comercializam as ervas dentro do Mercado de Madureira. extrativismo ou revenda).br/revista/caminhos. Fonte: Os autores MATERIAL E MÉTODO O mercado de Madureira foi escolhido por ser um dos principais locais na distribuição de produtos para outros mercados e feiras do município do Rio de Janeiro e municípios adjacentes.546 habitantes. para obtenção de informações referentes às espécies medicinais e/ou rituais comercializadas. segundo censo de 2000 (IPP. cinemas. e principalmente de comércio de artigos religiosos. 41 . No local reservado aos hortifrutigranjeiros estão os boxes de plantas comercializadas para fins medicinais e de uso religioso. restaurantes. drogarias. excluindo-se os fornecedores. Em decorrência de sua amplitude foi transferido posteriormente para o local que hoje se encontra. shoppings. protestantes. 8.76 ha.50 Página 43 .CAMINHOS DE GEOGRAFIA . 23 Edição Especial p. grande rede bancária. Os erveiros foram estimulados a nomearem pelo menos dez espécies consideradas por eles como as mais comercializadas e estas foram ordenadas de acordo com o número de citações. na década de trinta. boates.ig.

entre outros. além disso. com dominância de Lamiaceae (12 espécies) e Asteraceae (11 espécies). As espécies foram identificadas utilizando-se a literatura botânica e por comparação em herbário e. & Schltdl. seguidas pelos respectivos nomes populares. Resultados semelhantes foram encontrados por inúmeros autores. são ricas em óleos voláteis e muito utilizadas na medicina popular. cada região foi pontuada como 0. As regiões de origens das espécies comercializadas foram provenientes de referências especializadas e divididas em “América” (do norte ao sul do continente americano. Proc–procedência: Cul-cultivada.) Micheli AMARANTHACEAE Celosia argentea L. de acordo com a metodologia utilizada por Bennet & Prance (2000). Ritritualística. bem como as Antilhas). incluindo-se em “indefinidas” aquelas que ainda não tiveram sua origem esclarecida e/ou que apresentem informações conflitantes. Os aspectos físicos do bairro de Madureira e da cidade do Rio de Janeiro foram obtidos do Instituto Pereira Passos (IPP). “Ásia”. Schinus terebinthifolius Raddi APIACEAE Foeniculum vulgare Mill.ufu. Estas se encontram organizadas na tabela 1. (2002).html ISSN 1678-6343 Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia O material botânico foi adquirido através da compra e vem sendo processado para inclusão nos herbários do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Almeida & Albuquerque (2002). RESULTADOS E DISCUSSÃO Até o momento foram levantadas 253 espécies comercializadas no Mercado de Madureira. Rio de Janeiro/RJ. Di Stasi et al. Ext-extrativismo). Proc. categorias de uso.50 Página 44 . Família / Espécies ALISMATACEAE Echinodorus grandiflorus (Cham. com o auxílio de especialistas de determinados grupos taxonômicos.br/revista/caminhos. “Europa”. “África” e “Oceania”.) Miers Nome popular Cat.CAMINHOS DE GEOGRAFIA . Simões & Spitzer 2004). n. procedência e origem (Cat-categorias de uso: Med-medicinal. das quais 97 foram referidas pelos erveiros como as de maior procura. seguidas por Bignoniaceae e Fabaceae (5 espécies) e Piperaceae (4 espécies). quando possível. ordenadas por suas respectivas famílias botânicas. como parte integrante da tese de Doutorado de um dos autores. Tabela 1: Lista de espécies comercializadas no Mercado de Madureira. 8. 41 .5 para efeito de contagem. Lamiaceae e Asteraceae têm um número grande de espécies e são encontradas tanto em regiões temperadas. ao redor do mundo (Menezes & Kaplan 1992. Chenopodium ambrosioides L.revista on line http://www. como nas tropicais. num total de 48. 23 Edição Especial p. como Bennet & Prance (2000). ANACARDIACEAE Mangifera indica L. ordenadas por ordem alfabética de famílias botânicas. Origem chapéu-de-couro med cul América crista-de-galo santa-maria rit med cul cul América América Tropical Ásia América do Sul Europa América mangueira aroeira erva-doce pau-pereira rit med / rit med med cul ext cul ext Caminhos de Geografia Uberlândia v. APOCYNACEAE Geissospermum laeve (Vell. Quando as espécies foram consideradas originárias de duas regiões distintas.ig.

baulforiana (hort. 41 . Centratherum punctatum Cass.) K.ig. King arnica-do-mato & H.50 Página 45 .) Seem. balauê Chromolaena odorata (L. ASPLENIACEAE Asplenium serratum L. Bidens pilosa L. Jacaranda sp. puberula Cham. ASTERACEAE Acmella uliginosa L. guaco Smallanthus sonchifolius (Poepp. Pantropical América Caminhos de Geografia Uberlândia v. Baccharis dracunculifolia DC.) Haw. Proc. BRASSICACEAE Lepidium pseudodidymum Thell.) Roscoe CRASSULACEAE cana-do-brejo abajurú confrei mastruz med med cul cul Eurásia conferir dama-da-noite rit med med ext ext cul Neotropical.) R.revista on line http://www. BIGNONIACEAE Tabebuia sp.) DC. Baccharis trimera (Less. cinco-chagas Schum. batata-yacon Rob. Beauv. Rob. n. Vernonia paludosa Gardner assa-peixe Vernonia sp. ex Druce CACTACEAE Epiphyllum phyllanthus (L. Bailey ARISTOLOCHIACEAE Aristolochia sp.H.html ISSN 1678-6343 Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia Família / Espécies ARALIACEAE Polyscias cf.) H. Jacaranda cf. 8. ipê-roxo carobinha carobinha assa-peixe revenda América ext cul ext ext ext cul ext Conferir Conferir América América do Sul América Tropical África América do Sul Newbouldia laevis (P.CAMINHOS DE GEOGRAFIA . akokô.ufu. Coreopsis grandiflora Hogg ex Sweet camomila Mikania glomerata Spreng. Origem conchinha-de-oxum rit cul Oceania cipó mil-homen pena-de-xangô oriri-pepê alecrim-do-campo carqueja picão rit rit rit rit med med rit med med med med med med med med med rit med ext ext cul ext cul cul cul cul/ext cul cul América Conferir América América Brasil Cosmopolita tropical Brasil América Tropical Conferir Neotropical balainho-de-velho. ex André) L. COSTACEAE Costus spiralis (Jacq.M. CHRYSOBALANACEAE Chrysobalanus icaco L. Nome popular Cat.br/revista/caminhos. BORAGINACEAE Symphytum officinale L. erva da ex Bureau felicidade Sparattosperma leucanthum (Vell. 23 Edição Especial p.

var. FLACOURTIACEAE Casearia commersoniana Camb. med med/rit med med med med med med med med med rit med med/rit med med/rit med/rit med rit med rit med med/rit rit rit med/rit med Proc. hortelã-doce alecrim salvia sândalo sapucaia sete-sangrias revenda Conferir ext ext ext cul cul cul cul cul cul cul cul cul cul cul cul cul cul/ext Brasil América América África Europa e Ásia Europa África e Ásia México América Índia Conferir Ásia Europa Europa Conferir Brasil América Caminhos de Geografia Uberlândia v. Ocimum selloi Benth. n.br/revista/caminhos. Arg. Mentha pulegium L.revista on line http://www. Senna occidentalis (L.) J. cul ext cul cul cul cul ext ext cul Origem Brasil Neotropical Conferir América América Índia e China América Tropical Brasil América Chamaesyce prostrata (Aiton) Small quebra-pedra pata-de-vaca amor-do-campo jatobá fedegoso sene porangaba gonçalinho salsaparrilha macassá poejo elevante manjericão alfavaca manjericão alfavacão anis hortelã-pimenta. EUPHORBIACEAE Acalypha communis Müll. Ocimum gratissimum L. Ocimum cf. Rosmarinus officinalis L.) Spreng. americanum L. DILLENIACEAE Davilla rugosa Poir. Tetradenia riparia (Hochst. HERRERIACEAE Herreria glaziovii Lecointe LAMIACEAE Aeollanthus suaveolens Mart.CAMINHOS DE GEOGRAFIA . Macbr. citrata (Ehrh. LYTHRACEAE Cuphea carthagenensis (Jacq. Salvia officinalis L. 23 Edição Especial p. 8. Plectranthus amboinicus (Lour. Casearia sylvestris Sw.) DC.) Link Fabaceae sp.) Codd LECYTHIDACEAE Lecythis pisonis Cambess.) Briq. ex Spreng. FABACEAE Bauhinia cf. Ocimum campechianum Mill. MALVACEAE Nome popular saião cipó-caboclo cavalinha parietária Cat. variegata L.ufu. 41 . Desmodium adscendens (Sw.F. Hymenaea courbaril L.50 Página 46 . EQUISETACEAE Equisetum hiemale L. Ocimum basilicum L.ig. Mentha x piperita L.html ISSN 1678-6343 Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia Família / Espécies Kalanchoe brasiliensis Cambess.

rubra Roxb.html ISSN 1678-6343 Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia Família / Espécies Abutilon striatum Dicks. guilleminiana Gaudich. Bonp. n.) Miers MORACEAE MYRTACEAE Campomanesia guaviroba (DC. Myrcia guianensis (Aublet) DC.revista on line http://www. pegapinto guariroba abajurú pedra-ume-caá para-raio (St. PHYTOLACCACEAE Petiveria alliacea L. MENISPERMACEAE Chondodendron platyphyllum Hil. 23 Edição Especial p..CAMINHOS DE GEOGRAFIA .50 Página 47 . 8.) Harms pau-d'álho guiné pi-piu rit med/rit med/rit rit rit med/rit ext ext cul ext cul cul América do Sul América tropical Conferir Conferir Conferir Conferir Piper arboreum Aubl.. cul cul cul ext ext Origem Conferir Ásia Europa América Tropical Conferir Miconia calvescens Schrank & Mart.) Humb.) Lindl. MELIACEAE Melia azedarach L. & Kunth Piper anisum (Spreng. Eugenia rotundifolia Casar. ochibatá ORCHIDACEAE Oeceoclades maculatum (Lindl. PLANTAGINACEAE Plantago major L. rit rit med/rit rit rit Proc. ex Lindl. Scoparia dulcis L. Hibiscus rosa-sinensis L Malva sp. POACEAE oriri jaborandí desata-nó cantaria erva-tostão.ufu. NYCTAGINACEAE Boerhavia diffusa L.br/revista/caminhos. espinheira-santa med med med med med/rit ext cul ext ext cul América América América América do Sul América Tropical Cosmopolita África rit med cul ext Gallesia integrifólia (Spreng.ig. PIPERACEAE Peperomia pellucida (L.) Angely Piper hoffmannseggianum Roem. NYMPHAEACEAE Nymphaea cf.buta rit med cul ext Ásia América Sorocea cf.) Kiaersk. capa-de-xangô ex DC.) Triana Nome popular brinco-de-princesa brinco-de-princesa malva-cheirosa canela-de-velho Cat. & Sch. 41 . var. arboreum vence-demanda transagem vassourinha med med cul cul Europa América Tropical Caminhos de Geografia Uberlândia v. ex Salisb. MELASTOMATACEAE Miconia albicans (Sw.

Datura cf. uma evidência da dificuldade de dissociação entre as práticas ritualísticas e medicinais. prescrevem o uso das folhas. capim-de. Nestes. n.revista on line http://www. erva-deiansã erva-cidreira rit rit rit med rit ext ext cul cul cul/ext Neotropical Neotropical América Neotropical América do Sul med med cul cul Neotropical Brasil Starchytarpheta cayennensis (Rich. Imperata sp. Wilson Nome popular Cat. metel L. Zanthoxylum caribaeum Lam. portadores de conhecimento etnomédico respeitável. SOLANACEAE Brugmansia suaveolens (H.Jarvis ZINGIBERACEAE Alpinia zerumbet (Pers. cul cul cul cul ext cul ext Origem África Conferir América África América Sul da Europa América saco-saco. Br.ufu. sendo. SIPARUNACEAE Siparuna guianensis Aubl. seguida pelas ritualísticas (30 espécies) e de ambos usos (15 espécies).) Bercht. Don suma-roxa VITACEAE Cissus verticillata (L. Caminhos de Geografia Uberlândia v. banhos e outros propósitos ritualísticos. VERBENACEAE Lippia alba N. um intenso consumo de espécies vegetais através dos terreiros de religião afro-brasileira. Almeida (2003) observou na região metropolitana do Rio de Janeiro e de Salvador. 8.CAMINHOS DE GEOGRAFIA . Proc. portanto. 23 Edição Especial p.rosa arruda espinho-cheiroso.)G. Willd.) gervão Vahl VIOLACEAE Anchietea pyrifolia (Mart.med/rit angola raíz-de-sapê med erva-de-bicho café med rit med med/rit rit Simira glaziovii (K. & Presl.E.) Burtt & Smith med ext Brasil insulina med cul América do Sul colonia med/rit cul Conferir A categoria mais representativa em número de espécies foi a medicinal (com 52 espécies).html ISSN 1678-6343 Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia Família / Espécies Cymbopogon densiflorus (Steud.&B. SCHIZAEACEAE Lygodium volubile Sw. Schum. erva-de-oxóssi abre-caminho negramina trombeta beladona erva-prata. 41 .ig. RUTACEAE Ruta graveolens L. POLYGONACEAE Polygonum punctatum Elliot RUBIACEAE Coffea arábica L.br/revista/caminhos. raízes.50 Página 48 . ex.E. sementes e cascas para fins medicinais.ex P. quina. Solanum argenteum Dun.) Nicholson & C. os babalorixás e yalorixás (sacerdotes).) Steyerm.) Stapf.

Lingüística. o que contradiz à singularidade do mercado que apresenta.ufu.5 1 20 97 % de total 56. A dificuldade de se determinar a origem de cada espécie é um dos maiores problemas para os estudos biogeográficos. CONSIDERAÇÕES FINAIS A necessidade de ampliar estudos biogeográficos sobre origem de espécies é importante para incentivar trabalhos que auxiliem na ampliação do conhecimento do patrimônio biológico do país. Essa dificuldade também é refletida no número de espécies cuja origem não é claramente definida na literatura disponível. entretanto. 23 Edição Especial p. Antropologia e Arqueologia (Doebley 1990).Prováveis origens das espécies comercializadas no Mercado de Madureira/RJ Origem América Europa Ásia África Oceania indefinidas total N° de espécies 55 8 7.9% da Amazônia).7 8.50 Página 49 . acrescidas de informações provenientes de Morfologia. 41 .2% foram consideradas americanas (acrescidas de 10.5 5. Ásia e África (tabela 2). as espécies africanas não obtiveram maior significância. Taxonomia.6 100 Ao contrário do que se esperava. As manifestações culturais atuais são resultado de todo um processo de aculturação. algumas vezes resolvidos através de trocas dramáticas no processo de aculturação. As feiras-livres e os mercados constituem um espaço privilegiado dessa expressão da cultura. A biogeografia ligada a manifestações culturais é uma forma de apresentar a importância que as espécies vegetais têm em relação aos costumes de um povo. A centralização de informações e de produtos de significado popular torna estes espaços favoráveis Caminhos de Geografia Uberlândia v. 8. um universo tipicamente afro-brasileiro. Tabela 2 . que a origem geográfica das espécies é um caminho para identificar.revista on line http://www. onde muitas vezes o uso pode ser um indicativo dos princípios ativos da planta. As hortas dos próprios erveiros são responsáveis por grande parte do abastecimento do mercado (59 espécies). Hidalgo (2002) encontrou resultado bastante semelhante para o estado do Amazonas. n.CAMINHOS DE GEOGRAFIA .7 5. das quais 38. observou-se grande predominância das americanas. principalmente as alimentares. possibilitando descobertas de curas de doenças.ig. Segundo Rosendahl (2003): a difusão da fé torna-se particularmente importante para a Geografia. espécies originárias de locais fora da África começaram a fazer parte do universo etnobotânico afro-brasileiro. seguidas de um bloco composto por espécies da Europa.br/revista/caminhos. 33 espécies são provenientes de extrativismo. Tais estudos ainda estão voltados para espécies cultivadas de maior importância comercial.2 7. Esta vem sendo parcialmente resolvida através de pesquisas baseadas em Biologia Molecular.html ISSN 1678-6343 Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia Em relação às prováveis origens das espécies. Parte desta explicação pode estar relacionada ao processo de aculturação. com isso. em suas práticas. ao se refletir sobre a ação missionária de expansão de idéias e condicionamentos simbólicos.6 1 20. quando analisou a origem de 105 espécies medicinais. sugerindo que a adaptação para um novo lugar levou a uma mudança de significados e.

Rio de Janeiro: IPLANRIO/ZAHAR. Introduced plants in the indigenous pharmacopoeia of northern South America. 1975. HIDALGO. n. 6. C. 2001. Neste sentido. Economic Botany. G.60-64. Z. ALMEIDA.3 (Supplement)..Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.. UFSC . S. 1990. F. 27. n.73. Interciência. P. 23 Edição Especial p. Plantas medicinais. 156 f. cultura e Religião: Dimensões de analise. H. EDUFBA. A.ig. DOEBLY. 41 . A Evolução Urbana do Rio de Janeiro. In: Ethnobotany: Evolution of a Discipline. B. U. pode-se dizer que o Mercado de Madureira é fruto de uma relação dialética entre o uso das espécies botânicas e o lugar. legitimando o Mercado de Madureira como um importante centro de dispersão destes conhecimentos na cidade do Rio de Janeiro. Porto Alegre/Florianópolis: Ed. In: ROSENDAHL. Ewé. Caminhos de Geografia Uberlândia v. p.250-257. TIEN. U. DE & ALBUQUERQUE. J. Z. 2002. 1995 Dioscorides Press. QUEIROZ-JUNIOR. O. Z (org) Introdução à geografia cultural. 276-285. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.gov. C. 8. & REIS. O. & KAPLAN.br/revista/caminhos. 2002. Medicinal Plants popularly used in the Brazilian Tropical Atlantic Forest. ALBUQUERQUE. políticas e religiosas do local. V. MENEZES.73. 214 p.rj.. DI STASI.revista on line http://www. Rev. Bras. Acesso em: 10 mar. A.2. Espécies de Uso Medicinal Popular Nativas e Introduzidas Cultivadas em Cinco Municípios do Estado do Amazonas. REFERÊNCIAS ABREU. 292p. INSTITUTO PEREIRA PASSOS. C. R. R..50 Página 50 . C. 302p. p. Rio de Janeiro: ed Bertrand Brasil. ROSENDAHL.rio. M. A. B. DE F. 2004. S. OLIVEIRA. Uso e Conservação de plantas medicinais no estado de Pernambuco (Nordeste do Brasil): um estudo de caso. Óleos Voláteis.90-102. p. p. J. & SPITZER. Economic Botany v. V. Ewé osa. M. BENNETT. M.. Acta Horticulturae. Disponível em: <http://www. 2002. M. n. BARAT. T. p. & PRANCE. CARVALHAES.6-29. n.Uma experiência do sagrado. HAKINAMI. p. C. O. et al. F. G. 1992. 147 p. v. 2003. Farm. 2003.1. Fitoterapia. (Org.117-120. Plantas da subfamilia Ocimoideae utilizadas na medicina popular: Etnofarmacologia vc Química.44. UFRGS/Ed. Molecular Evidence and the Evolution of maize. Revista Brasileira de Farmacologia 78(3). G. In : Simões. 2000. Rio de Janeiro: IPEA/INPES. FALCÃO. A. n.1997. Estrutura metropolitana e sistema de transporte: estudo de caso do Rio de Janeiro. onde este uso é um reflexo da dinâmica de transformações sociais.). J. Espaço. FRIDMAN.. Um estudo sobre erveiros e erveiras do mercadão de Madureira . Farmacognosia: da planta ao medicamento. MORGAN. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) . São Paulo. 1997. v. P. C.2006. P.ufu.69-91. M.br/ipp/>. S. Donos do Rio em nome do rei: uma história fundiária da cidade do Ro de Janeiro. M. Etnobotânica: uma aproximação teórica e epistemológica. v. A. SIMÕES. M. Salvador: 2ª Ed.54. p.CAMINHOS DE GEOGRAFIA . p. v.html ISSN 1678-6343 Instituto de Geografia ufu Programa de Pós-graduação em Geografia para trocas intra e interculturais. DE S. 1999.30-31. Geographic Dynamics and Ethnobotany. L. M. F. ALMEIDA.