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Universidade de São Paulo Escola de Engenharia de São Carlos Departamento de Engenharia Elétrica

SEL 308 Introdução aos Sistemas Elétricos de Potência

Prof. Dr. Denis Vinicius Coury

São Carlos

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO AO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO ................................................................. 4

1.1 1.2 1.3
2

O valor econômico da energia elétrica ............................................................. 4 O custo da falta de suprimento de energia elétrica........................................... 4 A qualidade no fornecimento de energia elétrica ............................................. 6

REPRESENTAÇÃO DOS SISTEMAS DE POTÊNCIA .................................................................... 8

2.1 Diagrama unifilar ............................................................................................. 8 2.2 O Gerador ....................................................................................................... 11 2.3 O Transformador............................................................................................ 14 2.4 Linhas de Transmissão ................................................................................... 17 2.5 Carga .............................................................................................................. 18 2.6 Diagramas de impedância e reatância ............................................................ 20 2.6.1 Diagramas de impedância ...................................................................... 20 2.6.2 Diagramas de reatâncias ......................................................................... 20
3 O SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA E SUA PROTEÇÃO ..................................................23

3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 3.8 3.9 3.10 3.11 3.12
4

Introdução....................................................................................................... 23 A operação do sistema .................................................................................... 24 Divisão do sistema elétrico de potência ......................................................... 25 Função das linhas de transmissão................................................................... 25 A necessidade da proteção de linhas de transmissão ..................................... 27 Causa dos defeitos em um SEP ...................................................................... 28 Efeitos da falta em um sistema elétrico de potência ...................................... 29 Características funcionais dos relés................................................................ 31 A evolução dos relés ...................................................................................... 34 Classificação dos relés ................................................................................... 37 O relé de distância .......................................................................................... 37 O algoritmo para proteção de distância de uma linha de transmissão ........... 38

O HARDWARE PARA PROTEÇÃO DIGITAL................................................................................41

4.1 A arquitetura de um relé digital...................................................................... 41 4.2 Componentes Básicos de um relé digital ....................................................... 41 4.3 Subsistema de condicionamento de sinais ..................................................... 43 4.3.1 Transdutores........................................................................................... 43 4.3.2 Módulo de interface ............................................................................... 43 4.3.3 Filtragem dos dados ............................................................................... 44 4.4 Subsistema de conversão................................................................................ 45 4.4.1 Sample and Hold .................................................................................... 45 4.4.2 Multiplexador......................................................................................... 45 4.4.3 Conversão analógico/digital................................................................... 46 4.5 Subsistema de processamento digital do sinal ............................................... 46
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................................48

ÍNDICE DE FIGURAS
FIGURA 1: TIPOS DE LIGAÇÕES DO SEP .....................................................................................................................9 FIGURA 2: SÍMBOLOS UTILIZADOS NA REPRESENTAÇÃO DO SISTEMA.................................................................10 FIGURA 3: DIAGRAMA UNIFILAR DE UM SEP..........................................................................................................11 FIGURA 5: REPRESENTAÇÃO DO GERADOR .............................................................................................................12 FIGURA 6: FORMAS DE ONDAS GERADAS NUM SISTEMA TRIFÁSICO....................................................................13 FIGURA 7: FASORES TENSÃO TRIFÁSICA GERADAS................................................................................................13 FIGURA 8: ESQUEMA DE UM TRANSFORMADOR MONOFÁSICO.............................................................................14 FIGURA 9: CIRCUITO EQUIVALENTE COM PERDAS NO COBRE E NO FERRO .........................................................16 FIGURA 10: REPRESENTAÇÃO DE UMA LINHA MÉDIA – CIRCUITOπ ..................................................................17 FIGURA 12: CONEXÃO ESTRELA E DELTA DAS CARGAS. .......................................................................................19 FIGURA 13: DIAGRAMA DE IMPEDÂNCIA PARA CIRCUITOS VISTOS .....................................................................20 FIGURA 14: DIAGRAMA DE REATÂNCIA PARA CIRCUITOS VIST OS .......................................................................21 FIGURA 15: FORMA DE ONDA DE TENSÃO . .............................................................................................................30 FIGURA 16:FORMA DE ONDA DE CORRENTE............................................................................................................30 FIGURA 17: COMPOSIÇÃO DE UM SISTEMA DE PROTEÇÃO ...................................................................................31 FIGURA 18: UM SISTEMA DE PROTEÇÃO TÍPICO E SUAS ZONAS DE PROTEÇÃO...................................................33 FIGURA 19: FLUXOGRAMA DO ALGORITMO DE PROTEÇÃO...................................................................................40 FIGURA 20: COMPONENTES BÁSICOS DE UM RELÉ DIGITAL..................................................................................42 FIGURA 4.21: UNIDADE DIGITAL DO RELÉ...............................................................................................................46

1 Introdução ao setor elétrico Brasileiro
1.1 O valor econômico da energia elétrica A dependência da sociedade moderna em relação ao fornecimento de energia, em suas diversas formas, seja para garantir a competitividade da nação em relação a mercados existentes e globalizados, ou seja para manter ou mesmo elevar o padrão de vida das populações, salienta a necessidade do uso mais racional e efetivo dos recursos energéticos, principalmente os não renováveis. Esta dependência energética é satisfeita pelas fontes energéticas tradicionais como os combustíveis forceis tipo petróleo, carvão e gás, assim como pelas fontes energéticas renováveis tais como a energia hidrelétrica, a biomassa, a energia solar, eólica, etc. A energia elétrica, objetivo deste estudo, torna-se disponível aos

consumidores após sua extração, transformação e transporte. O setor energético é parte integrante da macroeconomia (relacionando o setor de energia com o resto da economia), estruturando-se e se integrando aos diversos setores da economia, enfatizando a necessidade de um consumo racional da energia de modo a maximizar o uso da energia elétrica. A questão econômica da energia elétrica é usualmente estudada com o auxilio de modelos. A modelagem dos sistemas de energia pode ser entendida como a tarefa de formular modelos, direta ou indiretamente associados com o processo de tomada de decisão. O sistema elétrico compreende centenas de equipamentos interligados entre si e se desenvolvem por extensas áreas territoriais. Estes sistemas são planejados,

construídos e operados de modo a atender os tipos de cargas mais vaiados. 1.2 O custo da falta de suprimento de energia elétrica Como todo mercado econômico, a produção e posterior venda da energia (produto) também apresenta um balanço entre o custo de produção e manutenção da qualidade pelo produtor.

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Os custos associados à interrupção no fornecimento são associados a uma falha no abastecimento de energia demandada pelo usuário. Há também o custo econômico associado a baixos níveis de qualidade de energia ou seja, suprimento de uma energia sujas, com flutuações e harmônicas. A não restauração do fornecimento energético ou a restauração deste após a ocorrência de uma falta em um grande espaço de tempo, aumentando o tempo nãooperativos do sistema também representa um custo econômico da energia. A qualidade no fornecimento da energia elétrica torna-se, pois, fator de importância capital na luta por maior espaços numa economia globalizada, esta qualidade é função dos seguintes atributos: • • • •

Disponibilidade no fornecimento de energia na quantidade exigida pelo usuário, Suprimento de uma energia limpa, com um mínimo de flutuações no nível de tensão e a presença de ruídos, Rápida restauração após algum falha no sistema visando a minimização do tempo não operativo, A acomodação do sistema a mudanças, planejadas ou acidentais, em sua estrutura topológica, como a retirada de elementos através de manobras na rede elétrica.

Geralmente os custos de falhas no suprimento de energia elétricos são pagos pelo consumidor. No setor industrial, por exemplo, destacam-se: • • • • • •

Danos aos equipamentos/instalações; Danos à matéria prima/produto final; Custo de reinício da produção (após interrupção); Perda da produção (durante a falha e/ou reinício); Horas extras pagas para recuperar a produção; Outros custos e efeitos (ex. Aquisição de equipamentos de emergência).

Admite-se que o corte no suprimento de energia elétrico diminui o PIB (Produto Interno Bruto) do país.

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Tabela 1: Valores do custo da falha obtidos em pesquisas. País Reino Unido Suécia Brasil Estados Unidos Reino Unido Brasil Suécia Estados Unidos Reino Unido Consumo Residencial Residencial Residencial Industrial Industrial Industrial Industrial Comercial Comercial Custo de Falhas (US$/KWH) 1,02 1,46 1,95 – 3,00 2,54 3,04 1,50 – 7,12 1,44 –2,96 4,99 5,65

Assim, a necessidade crescente de energia elétrica pela sociedade moderna e os altos custos provenientes do não suprimento desta energia, como mostra a tabela acima, colocam as concessionárias de energia diante da necessidade de aumentar a oferta bem como zelar pelo bom fornecimento desta. 1.3 A qualidade no fornecimento de energia elétrica Entende-se por qualidade no fornecimento de energia elétrica a disponibilidade, ou seja, o fornecimento ininterrupto de energia na qualidade desejada pelo usuário e a conformidade, ou seja, as concessionárias devem buscar o fornecimento de uma energia limpa, praticamente isenta de flutuações e de harmônicas, com forma de onda senoidal. Esta tarefa é dificultada pela variedade de cargas ligadas à rede elétrica, ocasionando flutuações nas tensões e distorções na forma senoidal pura. Neste sentido, a concessionária deve monitorar continuamente os distúrbios, ajudando os

consumidores a ligar corretamente seus equipamentos e, sobretudo, agir para que os problemas de um usuário não se propagem via rede elétrica. Os principais distúrbios que podem surgir no fornecimento de energia elétrica são:

6

• • • •

Surtos de tensão, Baixa de tensão, Distorções harmônicas, Modulação de baixa freqüência (flicker).

A qualidade do fornecimento de energia elétrica está intimamente ligado restaurabilidade deste, que é a capacidade dos sistemas de energia elétrica de rapidamente restaurar o fornecimento de energia, minimizando os tempos de saída de operação. Um sistema elétrico que fornece energia de qualidade deve possuir as seguintes características: • • •

Curto

intervalo

de

tempo

de

indisponibilidade,

com

alto

índice

de

disponibilidade. A capacidade de retornar ao estado normal de operação após uma falha no sistema. A capacidade de manter-se funcionando por mais tempo, inibindo as falhas devido ao desgaste dos equipamentos.

Porém, a qualidade de energia não se resume a entregar ao cliente uma energia com os atributos mencionados anteriormente

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2 Representação dos Sistemas de Potência
O comportamento de um Sistema Elétrico de Potência (SEP) deve ser acompanhado sistematicamente e analisado frente às suas contingências e alterações a fim de que um diagnostico correto dos efeitos seja feito e medidas corretas sejam adotadas. Para isso, o sistema elétrico deve ser criteriosamente representado através de uma modelagem adequada ao tipo de estudo a ser realizado. 2.1 Diagrama unifilar Um SEP típico é formado por várias estações geradoras conectadas através de linhas de transmissão a grandes centros de carga, onde a potência é distribuída aos consumidores pelo sistema de distribuição, formado por linhas de distribuição e transformadores. Assim, é adotada uma simplificação onde os componentes do sistema são representados por símbolos simples denominada diagrama unifilar. Em um

diagrama unifilar, o sistema trifásico é representado por um sistema monofásico (uma das três fases e o neutro). Freqüentemente este diagrama é ainda mais simplificado,

suprimindo-se o neutro e indicando as partes componentes por símbolos padronizados. A importância do diagrama unifilar é fornecer de maneira concisa os dados mais significativos de um sistema de potência bem como sua topologia. As informações contidas num diagrama unifilar variam de acordo com o problema a ser estudado. Por exemplo, no estudo da proteção de um sistema a

informação da localização dos relés e disjuntores no circuito é muito importante bem como os valores das correntes de curto-circuito que deverão ser calculadas. Os componentes de um sistema de potência trifásico que são representadas em um diagrama unifilar são:
• • • •

máquinas síncronas; transformadores; linhas de transmissão; cargas estáticas ou dinâmicas.

O diagrama unifilar também deve incluir:
• •

informações sobre cargas; valores nominais dos geradores, trafos e reatâncias dos diversos componentes.

É importante conhecer também os pontos onde o sistema é ligado a terra. A Figura 1 mostra alguns tipos de ligações.

Y

Y

Figura 1: Tipos de ligações do SEP

Alguns dos símbolos utilizados nesta representação foram normalizados pela American National Standards Institute (ANSI) e pelo Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE) e são mostrados na Figura 2.

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Figura 2: Símbolos utilizados na representação do sistema

A Figura 3 mostra um sistema de potência radial, onde as informações condensados no diagrama unifilar são interpretadas com maior simplicidade. O sistema de potência trifásico consiste de dois geradores, um aterrado através de um reator e outro através de um resistor ligado a uma das barras, um terceiro gerador, e u linha ma de transmissão conectando as duas barras através de dois blocos de transformadores. A barra de geração é suprida por dois geradores, o Gerador 1 conectado em estrela (Y) e o Gerador 2 conectado também em estrela. A barra de carga é representada por uma carga trifásica. O transformador 1 está conectado em Y aterrado dos dois lados e o transformador 2 está conectado em Y e aterrado no alta de baixa tensão e conectado em delta no lado de baixa tensão. No diagrama, estão incluídas informações sobre as cargas, os valores nominais dos geradores e transformadores e também as reatâncias dos diversos componentes do sistema. A resistência é em geral desprezada nos cálculos de falta, e omitida nas

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informações na figura. Num estudo de fluxo de carga, o valor das resistências deve ser incluído.

Y

1 T1 T2

3

Y

2

Y
carga A

Y
carga B

Figura 3: Diagrama unifilar de um SEP

• • • • • • •

Gerador no.1 – 20.000 kVA; 6,6 kV; X” = 0,655 ohms Gerador no.2 – 10.000 kVA; 6,6 kV; X” = 1,310 ohms Gerador no.3 – 30.000 kVA; 3,31kV; X” = 0,1452 ohms T1 e T2 – transformadores em banco trifásico, cada um deles com 10.000 kVA; 3,81 – 38,1 kV; X = 14,52 ohms Reat6ancia da linha de transmissão = 17,4 ohms Carga A = 15.000 kW; 6,6 kV fator de potência = 0,9 em atraso Carga B = 30.000 kW; 3,81 kV fator de potência = 0,9 em atraso

2.2

O Gerador Os geradores são responsáveis pela geração de energia em corrente alternada no

sistema elétrico e suprem a energia solicitada pelas cargas em um SEP, mantendo os níveis de tensão dentro de uma faixa estreita, e garantindo a continuidade e a estabilidade do sistema.

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Normalmente, as tensões nos terminais de um gerador são senoidais, conforme mostra a equação (1):

e = E M cos( wt + φ )
onde φ representa o ângulo inicial da bobina do rotor.

(1)

A Figura 4 representa as principais partes de um gerador; o estator e o rotor. Quando o rotor gira de maneira síncrona, as voltagens geradas nos enrolamentos do estator (defasadas 1200 entre si), são representadas na Figura 5.

eixo-b
ESTATOR

a c' b'

N

ROTOR

eixo-a

S
b a' c

eixo-c

Figura 4: Representação do gerador

Defini-se como sistema de tensões trifásicas e simétricas (3 fases) um sistema de tensões representado matematicamente pelo conjunto de equações (2):
eaa' = 2 E cos wt ebb' = 2 E(cos wt − 120) ecc ' = 2 E cos( wt + 120)

(2)

12

1,5k

Fase a Fase b Fase c

1,0k

500,0

V

0,0

-500,0

-1,0k

-1,5k 0,00

0,01

0,02

0,03

0,04

Tempo (s)

Figura 5: Formas de ondas geradas num sistema trifásico

As tensões e correntes nos sistemas trifásicos são representados por vetores girantes que giram no sentido anti-horário com velocidade angular w0 . Podemos então representar o sistema trifásico pelos vetores girantes na Figura 6.

Ecc'

Eaa’ |00
Eaa'

Ecc’ |120

0

Ebb’ |-1200
Ebb'

Figura 6: Fasores tensão trifásica geradas

Definimos, para um sistema polifásico simétrico, a seqüência de fases como sendo a ordem pela qual as tensões das fases passam pelo seu valor máximo. O exemplo em questão constitui um conjunto trifásico balanceado de seqüência positiva abc.

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2.3

O Transformador O transformador possibilita a conexão de vários equipamentos elétricos com

tensões elétricas distintas, podendo ser abaixador ou elevador de tensão. Em um SEP ele é responsável pela elevação do nível de tensão para transmissão de energia elétrica. Considera-se um transformador com um enrolamento primário de Np espiras e um enrolamento secundário de Ns espiras, como mostrado esquematicamente na Figura 7.

Np espiras

Ns espiras

Vp

Vs

Primário

Secundário

Figura 7: Esquema de um transformador monofásico

Onde: NP e NS = número de espiras do primário e secundário, respectivamente; v p e v s = tensão no primário e secundário, respectivamente; ep e es = tensão induzida no primário e secundáio, respectivamente; rp e rs resistência da bobina no primário e secundáio, respectivamente;

φ L1 e φ L 2 Fluxo induzido;
φ indutância própria.

Seu princípio de operação é o da indução mútua entre duas bobinas enroladas no mesmo núcleo, que produz uma força eletromotriz (fem) induzida pela variação de fluxo por espira que é a mesma tanto no primário como no secundário. Assim:

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Vp Vs

=

Np NS

(transformador ideal)

(3)

Numa situação ideal, pode-se pressupor que não haverá perda de potência, ou seja, as propriedades deste transformador são ideais no sentido de que as resistências de enrolamento são desprezíveis, todo o fluxo está confinado no núcleo e se concatenam com ambas os enrolamentos e as perdas no núcleo são desprezíveis. Tais propriedades são aproximadas, mas nunca realmente atingidas em transformadores reais. Um

transformador hipotético tendo estas propriedades é freqüentemente chamado de transformador ideal.

(potência aparente do primário)

I p .VP = I S .V S

(potência aparente do secundário)

(4)

Note que a potência de entrada é igual à potência de saída (uma condição decorrente de se ter desprezado todas as causas de perdas de potência ativa e reativa no transformador). Assim: Vp Vs = IS N p = IP NS (5)

Então, um transformador ideal transforma as tensões na relação direta do número de espiras dos respectivos enrolamentos. Assim:
I p .N P = N S .VS

(6)

E então:

IP N =− S IS NP

(O sinal de menos indica corrente primária e secundária em sentido oposto)

(7)

15

Este é o modo pelo qual o primário toma conhecimento da presença de corrente no secundário. Assim, um transformador ideal transforma as correntes na razão inversa do número de espiras nos respectivos enrolamentos. Num transformador real, devem ser considerados os efeitos da resistência dos enrolamentos, da dispersão magnética e da corrente de excitação. Às vezes, a indutância dos enrolamentos também tem efeitos importantes, caracterizando perdas e fluxos de dispersão (perdas no cobre e no ferro). equivalente de um transformador real. A Figura 8 mostra o circuito

LLp

LLs

Rp

(1-k)Lp

Rs

(1-k)Ls

Rc

Lmag Lp Ls

Carga

Trafo Ideal

Figura 8: Circuito equivalente com perdas no cobre e no ferro

OBS: 1 - Transformadores reais ⇒ possuem perdas e fluxo de dispersão (perdas no cobre e no ferro) 2 - Transformador real ⇒ transformador ideal + representação das perdas Exemplo 1 : Na Figura 7 é mostrado um transformador ideal com valor nominal 2 kVA e relação de transformação 100/10 V. A tensão primária de 100 V produzirá uma tensão de secundário de 10 V (potência aparente de 2 kVA), corrente primária 2000/100 = 20 A e secundária 200/10 = 200A.

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2.4

Linhas de Transmissão As Linhas de Transmissão são os elementos do sistema elétrico que transportam

toda a energia elétrica gerada até o consumidor. Dependendo do local da geração e do consumo, elas podem ter comprimentos variados, e por este motivo, apresentam modelos distintos. classificadas como:

Sua representação depende da extensão da linha, que podem ser

Linhas curtas – representação simplificada Linha de transmissão curta Tensão de Linha (V) V < 150 kV 150 kV < V < 400 kV V > 400 kV Comprimento Médio (L) 80 km 40 km 20 km

Linhas médias – entre 80 e 240 Km – circuito π ou T Linha de transmissão média Tensão de Linha (V) V < 150 kV 150 kV < V < 400 kV V > 400 kV Comprimento Médio (L) 80 km < L < 200 km 40 km < L < 200 km 20 km < L < 100 km

A Figura 9 mostra uma representação π para linhas médias.

Is

Z

Ir

Vs

Y 2

Y 2

Vr

Figura 9: Representação de uma linha média – circuito π

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Linhas longas – mais de 240 Km – representação com parâmetros distribuídos

As linhas de transmissão possuem quatro parâmetros: resistência e indutância (impedância série) e capacitância e condutância (impedância em paralelo). A

disposição dos condutores e efeitos dos campos elétricos e magnéticos resultam na representação dos quatro elementos descritos anteriormente. Relação de tensão e corrente para o circuito: π da Figura 9.
 ZY  Vs =  + 1Vr + Z .I r  2  ZY   ZY   I s = Vr .Y 1 + + 1.I r + 4   2  

2.5

Carga
• • •

Normalmente representadas pela potência e fator de potência; Conexão em estrela ou delta, figura 10; Circuito equivalente em associação série de uma resistência e reatância indutiva.

18

Figura 10: Conexão estrela e delta das cargas.

19

2.6 2.6.1

Diagramas de impedância e reatância Diagramas de impedância Quando se deseja analisar o comportamento de um sistema em condições de

carga ou durante a ocorrência de um curto-circuito, o diagrama unifilar deve ser transformado num diagrama de impedâncias, mostrando o circuito equivalente de cada componente do sistema, referido ao mesmo lado de um dos transformadores. Como os modelos de todos os elementos que compõem o sistema elétrico já estão definidos, o diagrama de impedâncias do sistema é obtido fazendo o circuito equivalente por fase do sistema. Para isso, basta ligar em cascata os circuitos

equivalentes individuais, de acordo com a topologia indicada no diagrama unifilar. No diagrama de impedância da Figura 11 (referente ao diagrama unifilar da Figura 3), todos os circuitos equivalentes são apresentados e referidos ao mesmo lado do transformador (a relação de transformação é eliminada).

Figura 11: Diagrama de impedância para circuitos vistos

2.6.2

Diagramas de reatâncias O diagrama de reatância, representado na Figura 12, é caracterizado pela omissão de cargas estáticas, todas as resistências, a corrente de magnetização de cada transformador e a capacitância de linha de transmissão

20

Figura 12: Diagrama de reatância para circuitos vistos

Estas aproximações são úteis para:
• •

cálculo analítico de faltas nos sistemas; para cálculos de cargas, um modelo computacional mais complexo deve ser usado.

21

Exemplo 2: Uma linha de transmissão possui 200 Km de comprimento e liga uma estação geradora a um sistema de distribuição. Os parâmetros da referida linha são:
R = 0.1Ω / Km L = 1.25mH / Km C = 0.01µ F / Km

Considerando-se o modelo π da linha e que a tensão e corrente no barramento receptor são 132 (kV) (132/ 3 f − t ) e 164.02 -36.870 (A) respectivamente, calcule a tensão e a corrente no terminal da linha que se conecta a estação geradora.

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3 O sistema elétrico de potência e sua proteção
3.1 Introdução Com tamanho e características que permitem considerá-lo único em âmbito mundial, o sistema elétrico brasileiro se caracteriza por ser um sistema hidrotérmico de grande porte com forte predominância de usinas hidroelétricas, ou seja, a energia elétrica pode ser gerada através de fontes renováveis de energia, como por exemplo, a força das águas, ou através de fontes não renováveis, como por exemplo, combustíveis fósseis, carvão, etc. No Brasil, a opção hidráulica é a mais utilizada e apenas uma pequena parte da energia consumida é gerada a partir de fontes não renováveis, em usinas térmicas. Em períodos de condições hidrológicas desfavoráveis, as usinas térmicas contribuem para o atendimento ao mercado como um todo. A exploração coordenada dos recursos hidro e termoelétricos permite que se maximize a disponibilidade e a confiabilidade do suprimento de e nergia com redução dos custos para os consumidores. Assim, a participação complementar das usinas térmicas no mercado consumidor exige interconexão e interligação. O sistema hidrotérmico brasileiro é formado por dois grandes sistemas, interligados através de linhas de transmissão, um reunindo as empresas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e outro as concessionárias da região Nordeste e parte da região Norte. Estes sistemas foram unidos por uma linha de transmissão, a Interligação NorteSul, passando a formar um único sistema interligado de âmbito nacional. Segundo a

ONS – Operadora Nacional de Sistemas Elétricos, atualmente, apenas 3,4% da capacidade de produção de eletricidade do país encontra-se fora desse sistema, em pequenos sistemas isolados, localizados principalmente na região amazônica1 . A opção pela intensa utilização do potencial hidroelétrico do país determinou as características singulares do sistema. As usinas desse tipo são construídas onde melhor se podem aproveitar as afluências e os desníveis dos rios, muitas vezes em locais

1

Dados cedidos pela Operadora Nacional de Sistemas Elétricos – ONS.

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distantes dos centros consumidores. Conseqüentemente, para atender ao mercado, foi necessário desenvolver um extenso sistema de transmissão, em que as linhas de transmissão criam uma complexa rede de caminhos alternativos para escoar, com segurança, toda a energia produzida nas usinas até os centros de consumo. O sistema de transmissão forma caminhos alternativos que permite transportar com segurança a energia produzida até os centros consumidores. Mais ainda, as

grandes interligações possibilitam a troca de energia entre regiões, permitindo obter benefícios a partir da diversidade de comportamento das vazões entre rios de diferentes bacias hidrográficas. O sistema é operado de forma coordenada, visando obter ganhos a partir da interação entre as bacias. A operação coordenada visa minimizar os custos globais de produção de energia elétrica e aumentando a confiabilidade do fornecimento de energia ao mercado consumidor através da interdependência operativa entre as usinas. Entende-se por interdependência operativa o aproveitamento conjunto dos recursos hidroelétricos, através da construção e da operação de usinas e reservatórios localizados em seqüência em várias bacias hidrográficas. Desta forma a operação de uma determinada usina depende das vazões liberadas a montante por outras usinas que podem ser de outras empresas. 3.2 A operação do sistema A operação do sistema é o processamento de todas as informações sobre seu desempenho, bem como a tomada de decisão sobre onde serão executadas manobras (abertura de chaves ou disjuntores, retirada de linhas ou equipamentos sob falta, etc) que irão garantir a continuidade na disponibilização de grandes blocos de energia para as distribuidoras através da coordenação do sistema. Tal coordenação corresponde à

análise de ações como liberação de equipamentos para serviços das equipes de manutenção de linhas, estações, proteção e comunicação. O sistema apresenta uma operação normal quando suas grandezas físicas não apresentam alterações relevantes. A função de supervisão corresponde ao

monitoramento permanente destas grandezas como freqüência, tensão, incluindo ainda o monitoramento de linhas de transmissão e da qualidade do intercâmbio de energia através das interligações entre os sistemas.

24

3.3

Divisão do sistema elétrico de potência O sistema elétrico de potência é tradicionalmente dividido, para efeito dos

estudos de planejamento, em três componentes principais: as usinas geradoras, o sistema de transmissão, o sistema de subtransmissão e o sistema de distribuição. Essa divisão é necessária devido ao grau de desagregação do mercado consumidor que cada uma dessas redes enxerga: a subtransmissão vê um mercado mais desagregado que a transmissão. Como o sistema de transmissão está em constante crescimento, torna-se difícil a caracterização das fronteiras existentes entre uma rede de transmissão e a de subtransmissão. Assim, pode-se caracterizar a primeira como sendo aquela que possui tensão igual ou superior a 230 kV e a segunda como sendo a que engloba as tensões de 69 a 138 kV. Tal classificação não é rígida, porque a tensão de 138 kV também pode ser enquadrada como sendo de transmissão. Isso ocorre porque há linhas de

transmissão em 138 kV que são importantes para dar continuidade de fluxo na eventualidade de contingências em linhas de tensão superior paralelas a elas. O sistema de subtransmissão é a continuidade do sistema de transmissão e tem a finalidade de transmitir energia às pequenas cidades ou grupamentos de cidades, ao interior de grandes centros urbanos e a consumidores industriais de grande porte. Esse sistema reparte espacialmente, entre as subestações de distribuição, a energia recebida em grosso de subestações de transmissão. 3.4 Função das linhas de transmissão A energia elétrica é de suma importância na sociedade industrial moderna, e a única maneira de transportar esta energia, sob forma de eletricidade, é utilizando linhas de transmissão. Como as linhas de transmissão não podem armazenar energia elétrica gerada nas usinas, toda ela é convertida simultaneamente em carga, excetuando as perdas do sistema. Portanto, entende-se por transmissão, a transferência de energia

através de linhas, entre um centro gerador e um centro consumidor. Depois de gerada, a energia elétrica é conduzida por cabos até uma subestação elevadora, onde transformadores elevam o valor da tensão elétrica. Assim, nesse nível de tensão, a eletricidade pode percorrer longas distâncias pelas linhas de transmissão, sustentadas por torres, até chegarem nas proximidades de onde será consumida, onde é

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reduzida novamente em subestações abaixadoras.

Finalmente a energia elétrica é

transformada para os padrões de consumo local aonde chega às residências, indústrias, etc. A necessidade de um grande número de linhas de transmissão é justificada pelo fato de que:

os centros produtores de energia, que são no Brasil, em sua maioria, usinas hidroelétricas, encontram-se afastados dos grandes centros consumidores, caracterizando assim, a necessidade do sistema de transmissão;

um sistema de potência bem projetado compreende um grande número de estações geradoras interligadas através de linhas de transmissão que, em

função da otimização dos recursos energéticos, aproveita a diversidade hidrológica das regiões, aportando algo em torno de 20% a mais de geração.

Os dados sobre o sistema de transmissão brasileiro são mostrados na Tabela 1 a seguir.
Tabela 1: Dados do Sistema de Transmissão Brasileiro 2 .

Extensão das Linhas de Transmissão – 2000 230 kV 345 kV 440 kV 500 kV 600 kV (CC) 750 kV TOTAL 32.582,2 km 9.023,5 km 6.162,5 km 17.657,5 km 1.612,0 km 2.379,0 km 69.416,6 km

Ao se constituir um sistema de transmissão em malha, aumenta-se a confiabilidade do sistema elétrico, minimizando-se o seu custo total, alem disso, propicia-se a otimização dos recursos energéticos primários ao se utilizar, para atendimento do mercado consumidor, a fonte primária que possui menor custo ou
2

Dados cedidos pela Operadora Nacional de Sistemas Elétricos – ONS.

26

energia armazenada nos reservatórios, característica dos sistemas hidráulicos com grande capacidade de armazenamento. O sistema de transmissão, levando em consideração a aleatoriedade da disponibilidade dos seus componentes e consumo, a capacidade de produção e os recursos energéticos primários, tem como função: • a distribuição espacial em grosso da energia gerada pelas usinas aos grandes centros consumidores e a alimentação de eventuais consumidores de grande porte, em termos de investimento global do setor elétrico, o ideal seria alocar as usinas geradoras o mais próximo possível dos centros de carga, no entanto, devido ao fato do potencial hidráulico só poder ser explorado onde ele está disponível e às restrições ambientais para a localização de usinas térmicas, esta condição é de difícil cumprimento, originando esta função primordial das linhas de transmissão; •

a

interligação

das

usinas

geradoras,

bacias

hidráulicas

e

regiões

de

características hidrológicas heterogêneas visando atender os desequilíbrios regionais entre produção e consumo; • a integração energética com os países vizinhos, assumindo assim uma importância econômica crescente A interconexão elétrica internacional assume importância crescente, seja por benefício interno aos setores elétricos dos ,países, ou seja, pela importância como instrumento de integração econômica. Essas interligações elétricas propiciam a compra e a venda de energia, a otimização do uso dos recursos de geração e o aumento da confiabilidade dos sistemas elétricos. 3.5 A necessidade da proteção de linhas de transmissão A interligação do sistema elétrico de potência trouxe, além de vantagens econômicas, novos problemas para o sistema como um todo. Em sistemas interligados, as perturbações causadas por uma falta podem se estender a todo o sistema, pois a corrente que circula durante um curto-circuito é aumentada, obrigando a instalação de um sistema de proteção de maior capacidade.

27

Pela própria natureza do sistema elétrico de potência, o elemento mais vulnerável a falhas é a linha de transmissão, especialmente se for considerada sua dimensão física, visto que ela fica exposta a toda sorte e risco como intempéries, descargas atmosféricas entre outros. A Tabela 1.2 apresenta uma idéia da ordem de ocorrência das falhas em um sistema elétrico, levando-se em consideração às suas próprias características3 . Pode ser observado que cerca de 80% das interrupções acidentais no fornecimento de energia são originados nas linhas de transmissão, ou provocados por elas.

Tabela 2: Ocorrência de faltas no SEP em um sistema de 500 kV, num período de 10 anos.

Setor do sistema elétrico Linhas de Transmissão Circuitos disjuntores Autotransformadores Barramentos Geradores Falha humana

Número de Faltas 82 4 6 1 1 5

Uma das filosofias aplicadas a proteção de linhas de transmissão é a dos relés de distância. Esta filosofia será detalhada mais adiante. 3.6 Causa dos defeitos em um SEP Oscilações causadas por distúrbios no sistema envolvem variações súbitas de tensão ou corrente nos sistemas elétricos, na grande m aioria dos casos, inicialmente em regime permanente. Essas variações são provocadas por descargas atmosféricas, faltas no sistema ou operação de disjuntores.

ar - curto-circuito por aves, roedores, galhos de árvores, TC, rigidez dielétrica afetada por frio o calor

3

Van Zee, W. R. e Felton, R. J. – 500kV System Relaing-Desing and operating Experience; CIGRE- Paris, 1978, Paper no. 34-07 apud Coury, D. V. Um Estimador Ótimo Aplicado à Proteção Digital dps Sistemas Elétricos de Potência. São Carlos, 1987. Dissertação (Mestrado) – Escola de engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.

28

• • • •

Isoladores de porcelana - curto-circuitos ou rachaduras Isolação de trafos e geradores afetados pela umidade Descargas atmosféricas Surtos de chaveamento

Como conseqüência, a propagação destes distúrbios ao longo das linhas de transmissão afeta a análise do sistema. 3.7 Efeitos da falta em um sistema elétrico de potência Entende-se por falta em linhas de transmissão como sendo uma falha total ou parcial na continuidade do fornecimento de energia elétrica. A ocorrência de uma falta pode ser um fenômeno interno ou externo ao sistema, isto é, sobretensões no sistema oriundas de quebra de isolador, raios, sobrecargas nos equipamentos, aumento repentino de carga, perda de grandes blocos de carga ou perda de geração.

Na ocorrência destes problemas, podem surgir:
• • • • • • •

danos ao sistema devido aos efeitos dinâmicos e térmicos da corrente de falta; descontinuidade do sistema; perda de sincronismo; redução das margens de estabilidade do sistema; danos aos equipamentos; desligamento de áreas que não estão sob falta, produzindo um efeito conhecido como efeito cascata. explosões;

A principal causa de faltas em linhas de transmissão são as descargas atmosféricas que podem ocorrem em pontos aleatórios do sistema. Se a falta não for eliminada rapidamente, os danos aos equipamentos que integram o sistema poderão ser elevados.

29

Na Figura 13 e Figura 14 são apresentadas formas de onda de tensão e corrente no terminal P, resultados de uma simulação de uma falta, onde as distorções provocadas pela inserção da falta podem sem notadas.

400000

200000

[V]

0

-200000

-400000

-600000 0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10

tempo [s]

Figura 13: Forma de onda de tensão .

8000 6000 4000

A

2000 0 -2000 -4000 -6000 -8000 0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10

Tempo [s]
Figura 14:Forma de onda de corrente

30

As faltas podem ser do tipo permanente ou transitória. As faltas permanentes, como o próprio nome já indica, são do tipo irreversíveis, ou seja, após a abertura do disjuntor, a continuidade do fornecimento de energia não poderá ser restabelecido. As faltas temporárias são aquelas que ocorrem sem haver danos físicos ao sistema, ou seja, após a atuação da proteção, o sistema poderá ser restabelecido sem problemas. 3.8 Características funcionais dos relés Para um melhor entendimento do sistema de proteção, é necessário que se conheçam as características e o princípio de funcionamento dos relés. O relé é a parte lógica do sistema de proteção. É um dispositivo, analógico ou digital, que conectado ao sistema elétrico é responsável pela detecção de condições intoleráveis ou indesejáveis ao sistema elétrico e pela tomada de decisão de abertura ou não dos disjuntores adequados a ele associados, a fim de iniciar o processo de retirada de operação da parte faltosa da linha, mantendo com isso a continuidade do fornecimento de energia elétrica e limitando os danos aos equipamentos. Tecnicamente, o sistema de proteção é composto por um conjunto de relés de diferentes tipos ou não. Porém, para efeito de estudo, entende-se como sistema de

proteção o conjunto formado por disjuntores, transdutores e relés, como mostrado na Figura 15.

Figura 15: Composição de um sistema de proteção

31

Circuito disjuntor: isola o circuito faltoso interrompendo uma corrente quando esta próxima do zero. É operado por um disparador energizado pela bateria, que por sua vez é comandado pelo relé;

Transdutores: ou TPs e TCs, responsáveis por reduzir a magnitude da tensão e corrente, dentro de certos limites, reproduzindo fielmente seus valores no secundário;

Relés: são os elementos lógicos do sistema de proteção. Normalmente respondem a tensões e correntes e provem a abertura ou não dos disjuntores a ele associado;

Bateria: supre o sistema de proteção na falta de fornecimento de energia.

O sistema de proteção não deve ser requisitado para operar durante o funcionamento normal do sistema elétrico, mas deve estar disponível para operar imediatamente após a detecção de condições anormais. Assim, o relé deve ser capaz de estabelecer uma lógica entre os parâmetros de entrada do sistema de potência, sinais de tensão e corrente provenientes dos transdutores, e tomar a decisão correta de abertura, sendo sua decisão – trip – baseada diretamente na comparação ou combinação destes parâmetros com um valor predeterminado. Dentro destes aspectos, existem algumas características básicas para a aplicação da proteção. Quando uma falta é detectada pelo relé, o sistema de proteção envia um sinal de trip para os disjuntores, os quais isolarão a menor porção possível do sistema sob falta. Para isto, os relés possuem uma área de operação abrangendo uma parte do sistema definida como zona de proteção do relé. A lógica de operação do sistema de proteção divide o sistema de potência em várias zonas de proteção, cada uma requerendo seu próprio grupo de relés. A Figura 16 apresenta a configuração de um sistema de potência que mostra a área do sistema envolvido e suas respectivas zonas de proteção. Esse diagrama mostra com detalhes a localização dos disjuntores, barras, geradores, transformadores e suas respectivas zonas de proteção onde:

32

1. gerador; 2. transformador 3. barramento; 4. linha de transmissão; 5. motor. Erro! Não é possível criar objetos a partir de códigos de campo de edição.
Figura 16: Um sistema de proteção típico e suas zonas de proteção.

A localização dos TCs, suprindo o relé, define as extremidades das zonas de proteção. A primeira zona de proteção usualmente abrange de 80 a 90% da impedância da linha de transmissão a ser protegida. A segunda é ajustada para 100% da linha e mais aproximadamente 50% da linha adjacente. A terceira é ajustada para 100% de ambas as linhas e mais aproximadamente 25% da linha adjacente. Esta distribuição clássica define as zonas de proteção apenas se não for considerado o efeito do erro sobre o alcance da zona de proteção do relé, que é tipicamente da ordem de 5% da zona marcada. As zonas de proteção são sobrepostas evitando-se a ocorrência de pontos cegos, isto é feito para garantir que nenhuma porção do sistema seja deixada sem proteção primária de alta velocidade diminuindo com isso a possibilidade de existirem áreas do sistema sem proteção. Em nenhum caso o sistema de proteção deve atuar se não existir defeito na sua zona de proteção. O acionamento de disjuntores que não estão associados à área sob falta pode causar mais danos ao sistema que a não atuação da proteção quando necessária. Nestas condições, é desejável que a proteção tenha um comportamento de acordo com algumas características básicas. Confiabilidade, seletividade, velocidade e

sensibilidade são termos empregados para descrever estas características funcionais do relé.

Confiabilidade: é entendida por duas características, confiabilidade e segurança. A primeira é definida como o grau de certeza que o relé irá

operar corretamente. A segunda é definida como o grau de certeza de que o relé não irá operar em condições normais de operação. Então, confiabilidade

33

indica a habilidade do relé de executar corretamente sua função quando requerido e evitar operação desnecessária durante a operação normal do sistema ou na presença de faltas fora de sua zona de proteção.

Seletividade: é a habilidade do relé de isolar a menor parte possível do sistema que está sob falta do resto deste, operando os disjuntores adequados a ele associados o mais rápido possível, dentro da sua zona de proteção, para assegurar a máxima continuidade dos serviços com a retirada de operação do sistema apenas das linhas que estejam sob falta.

Velocidade de operação: o tempo entre a incidência da falta e o comando de abertura do disjuntor dado pelo relé é determinado pela configuração do sistema e no caso da proteção digital, é tipicamente alguns ciclos de freqüência do sistema. Assim, é desejado que o relé tenha uma velocidade de atuação necessária para assegurar um rápido isolamento da zona de proteção em que se encontra a falta, principalmente quando a necessidade de seletividade é envolvida.

Sensibilidade: a proteção deve possuir a habilidade de distinguir entre alterações normais no sistema, como energização de transformadores ou aumento de carga no sistema, e anomalias causadas por curto-circuito, retirando de operação apenas a parte do sistema que se encontra sob falta, deixando o resto do sistema operando normalmente.

3.9

A evolução dos relés Os primeiros relés projetados eram dispositivos eletromecânicos, mais

conhecidos como relés convencionais. Este tipo de relé é projetado e construído com predominância dos movimentos mecânicos provenientes dos acoplamentos elétricos e magnéticos do seu núcleo. Seu princípio de operação pode ser resumido como sendo uma relação entre sua entrada, que geralmente são sinais de tensão e corrente, e sua saída, que consiste em estados de on-off dos contatos do relé. Estes relés utilizam

forças de atração que são produzidas por acoplamentos eletromagnéticos entre a corrente e o fluxo de sua bobina em seu interior. Alguns relés têm seu princípio de operação baseado nas forças criadas pela expansão do metal de seus contatos causada pelo aumento de temperatura durante a passagem da corrente. Nos relés

34

eletromecânicos, as forças atuantes são criadas pela combinação dos sinais de entrada e a energia armazenada nas bobinas dos enrolamentos internos do relé. Com a expansão dos sistemas de potência, surgiu a necessidade de sistemas de proteção mais confiáveis e com altos índices de desempenho. Isso foi alcançado com o desenvolvimento de relés utilizando-se dispositivos semicondutores, geralmente

referidos como relés de estado sólido ou estático. O termo estático foi originado por oposição aos relés eletromecânicos, já que o relé estático é caracterizado essencialmente pela ausência de movimentos mecânicos, pois são construídos com dispositivos eletrônicos. Os primeiros relés estáticos colocados em operação no Esses

sistema elétrico causaram muitos problemas, produzindo operações indevidas.

problemas ocorreram principalmente porque eles, sendo eletrônicos, ficaram com sensibilidade muito apurada, e quaisquer transitórios ou pequenos harmônicos comuns ao sistema elétrico de potência já eram suficientes para sua operação. Todas as características e funções avaliadas nos relés convencionais estão presentes nos relés de estado sólido. Esses dois tipos são constituídos por componentes que necessitam de baixa potência para operarem, porém possuem capacidade limitada na tolerância de temperaturas extremas e umidade. Com o desenvolvimento da tecnologia digital, deu-se início ao desenvolvimento dos relés computadorizados ou digitais. Tal tipo de dispositivo é um relé gerenciado

por um microprocessador específico, controlado por um software, onde os dados de entrada são digitais. Os princípios de funcionamento dos relés convencionais são uma referência para o seu desenvolvimento, desde que a entrada do relé consista em sinais de tensão e corrente provenientes do sistema elétrico. Portanto é necessário obter uma representação digital para esses sinais e, usando-se um algoritmo apropriado, a abertura dos disjuntores é conseguida.

Os relés digitais podem efetuar várias funções, tais como:
• • • •

proteção; supervisão de rede; transmissão de sinais; conexão com outros computadores;

35

• • •

auto-supervisão; religamento dos disjuntores; obtenção de dados para relatórios.

Estes relés são extremamente rápidos em comparação com os seus antecessores, porém são muito susceptíveis a interferências eletromagnéticas, necessitando de filtros. São normalmente modulares e necessitam de fonte de alimentação. A utilização dos relés digitais em substituição aos convencionais

(eletromecânicos, estado sólido) oferece algumas vantagens importantes citadas a seguir:

Custo: o custo do relé é a sua principal consideração de aceitação; os primeiros relés computadorizados custavam de 10 a 20 vezes mais que os relés convencionais. Com a evolução dos processadores, esse custo

diminuiu e ao mesmo tempo houve um aumento na sua capacidade de processamento. Estima-se hoje que o custo do relé computadorizado,

incluindo o custo do software, seja equivalente ao custo de um relé convencional.

Auto-checagem e confiabilidade: um relé digital pode ser programado para monitorar seu software e hardware continuamente aumentando sua

confiabilidade, pois ele pode detectar qualquer mau funcionamento e retirarse de operação, diminuindo, assim as chances de falha de operação. Essa característica do relé digital é o argumento mais forte em favor da digitalização das subestações.

Flexibilidade: os relés conseguem efetuar uma revisão ou modificação em suas características já que estes podem ser programados. Com isso são

capazes de executar várias funções como: medição e monitoramento de carga, tomada das tensões em transformadores de linhas de transmissões, controle de abertura e fechamento de disjuntores e chaves. Podem ainda

prover proteção de retaguarda para outros dispositivos que venham a falhar. A função do relé só é requerida na ocorrência da detecção de uma condição

36

anormal no sistema, ficando ele, na maior parte do tempo ocioso, podendo executar outras funções praticamente sem um custo adicional.

Interação

do

sistema:

computadores digitais fornecem uma maior Como

interligação entre os componentes do sistema numa subestação.

medição, comunicação, telemetria e c ontrole, que são funções executadas em ambiente digital.

Velocidade de operação: a redução do tempo de eliminação da falta é resultado da redução do tempo de operação dos relés digitais, reduzindo com isto danos aos equipamentos e aumentando a continuidade do sistema.

3.10 Classificação dos relés Os relés são classificados de acordo com seu princípio de funcionamento como:
• • • • •

relés de magnitude: responde as mudanças em magnitude; relés de sobrecorrente; relés direcionais: respondem ao ângulo de fase entre duas entradas AC; V e I ou I1 e I2 ; relés de distância: respondem a razão de dois fasores de entrada – número complexo; ex: relé de impedância; relés diferenciais: respondem a soma algébrica de correntes entrando em uma zona de proteção; relés com fio piloto: utiliza comunicação de informação de localização remota como sinal de entrada.

3.11 O relé de distância Na proteção de linhas de transmissão são usadas diversas classes de relés. Os mais freqüentemente empregados são os relés de distância. Como a impedância por

quilômetro da linha de transmissão pode ser considerada constante, o relé responde através da impedância aparente calculada entre a localização do relé e a localização da falta, obtida em função dos valores dos sinais de tensão e corrente registrados. Assim, como seu próprio nome sugere, o relé de distância mede a distância da falta, ou seja, ele

37

reconhece a falta que ocorre dentro da sua zona de proteção, considerando que a impedância da linha à falta é menor do que o seu valor de ajuste predefinido. A maioria dos relés de distância operam através de três quantidades elétricas: tensão, corrente e ângulo de fase. O uso desta terminologia serve para classifica-los

quanto ao seu princípio de operação, em que a sua resposta à entrada é função da distância entre a localização em que ele se encontra e o ponto onde a falta ocorreu. Os sinais de entrada para o relé digital são os sinais de tensão e corrente, obtidos através de transdutores. Esses sinais, no instante da falta, são formados por ondas

distorcidas devido à presença de ruídos sob forma de componentes CC e harmônicos de alta freqüência introduzidos pela falta. O relé digital de impedância, que estima a impedância da linha baseado nos componentes de freqüência fundamental dos sinais de tensão e corrente, encontra uma certa dificuldade na estimativa correta da localização da falta, devido aos ruídos presentes nos sinais, acarretando erros na estimativa da impedância em comparação com valores reais. 3.12 O algoritmo para proteção de distância de uma linha de transmissão O releamento de linhas de transmissão constitui um esforço computacional muito grande dependendo do algoritmo utilizado, especialmente quando várias linhas são protegidas. Para minimizar este efeito, o procedimento de proteção da linha é

dividido em tarefas distintas: detecção, classificação e cálculo da impedância aparente da linha, e por conseguinte, a localização da falta em relação ao relé. O tempo

computacional pode ser economizado se o cálculo da impedância for executado somente após a falta ter sido detectada e classificada. A Figura 17 mostra o fluxograma de um algoritmo de proteção de linhas, que envolve diferentes etapas. Inicialmente tem-se a entrada de dados com os sinais de

tensão e corrente, devido à ocorrência de um curto-circuito ou alguma anomalia no sistema. O algoritmo de proteção do relé utiliza dados de pré-falta e pós-falta para a determinação da posição da falta. Assim, torna-se necessário determinar o ponto

amostral onde a ocorrência da falta teve início. Para isso, deve-se observar a distorção das formas de ondas de tensão e corrente provocada pela ocorrência de uma situação de

38

falta.

Essa variação é constatada pela magnitude ou ângulo de fase, comparando-se

com as condições de entrada antes da sua ocorrência. O algoritmo de classificação é incorporado como um dispositivo opcional que permite facilitar a restauração e manutenção da linha, pela identificação do tipo de falta e das fases envolvidas. O cálculo da impedância aparente é necessário para a

verificação se a falta está ou não dentro da zona de proteção do relé. A etapa final constitui do sinal de trip mandado para os disjuntores convenientes para abertura e isolação da linha sob falta.

39

Leitura dos sinais de tensão e corrente

Detecção da falta

Classificação da falta

Cálculo da impedância aparente

Cálculo da distância da falta

Decisão de abertura

Figura 17: Fluxograma do algoritmo de proteção.

40

4 O hardware para proteção digital
4.1 A arquitetura de um relé digital O diagrama esquemático do hardware de um relé digital para a proteção de linhas de transmissão, e o fluxo de informações entre as unidades em termos do processamento digital de sinais é apresentado neste capítulo. A relação entre os sinais de tensão e corrente provenientes do sistema analisado independe de qualquer consideração digital. O sinal é convertido para a forma digital em intervalos de tempo constantes denominados intervalos de tempo entre amostras, h. Como primeira etapa do esquema, tem-se a entrada de dados, que são os sinais de tensão e corrente contínuos no tempo, provenientes do sistema de potência. A

seguir, os sinais são transformados na forma digital e interpretados pelo algoritmo. Infelizmente o processo de discretização introduz alguns erros nos sinais de entrada que precisam ser considerados causados pelos transdutores, saturação dos TCs, etc. 4.2 Componentes Básicos de um relé digital O relé digital é consistido de subsistemas com funções bem definidas, as quais mostram os estágios de condicionamento a que os sinais de entrada do relé são submetidos desde a entrada até o processamento, e são classificados e compostos por três subsistemas fundamentais ilustrados na Figura 18: • • •

subsistema de condicionamento de sinais; subsistema de conversão do sinais; subsistema de processamento digital do sinais.

Os subsistemas de condicionamento e de conversão de sinais são comuns em quase todos os tipos de relé digital. aplicação para a qual o relé foi projetado. Cada um dos três subsistemas é formado por um número de componentes e circuitos que serão detalhados a seguir, onde: O terceiro subsistema varia de acordo com a

41

D/O = saída de dados D/I = entrada de dados CPU = Unidade Central de Processamento

D/A = Conversor digital - analógico A/D = Conversor analógico – digital

Transdutor

Módulo de Interface
Subsistema de

condicionamento de sinais Filtro Passa-baixa

Sample and hold Multiplexador

Conversor A/D

Subsistema de conversão de sinais

D/O

D/I

Memória

CPU

D/A

Subsistema de processamento digital de sinais

Sinal de Trip

Figura 18: Componentes básicos de um relé digital

42

4.3 4.3.1

Subsistema de condicionamento de sinais Transdutores Como os relés operam com os sinais de tensão e corrente relativamente altos,

estes devem ser atenuados a um nível compatível com os exigidos pelos processadores através de transformadores denominados por transdutores, ou simplesmente,

transformadores de potencial ou TPs, e transformadores de corrente ou TCs. Os transdutores provêm isolação entre a linha de transmissão e o relé e devem sempre possuir alta qualidade a fim de reduzir o erro nesta etapa, visto que o desempenho do relé depende da exatidão da reprodução da corrente de falta. Os TPs e os TCs devem ser selecionados de acordo com dois critérios básicos: o nível de tensão do sistema e o nível de isolação requerido pelo sistema. Geralmente, para efeito de estudos, são utilizados TCs e TPs ideais, isto é: as características não lineares presentes nos dispositivos foram assumidas lineares. O papel do TC é reproduzir proporcionalmente o sinal de entrada do seu circuito primário no seu circuito secundário, porém em escala reduzida – correntes de 1A a 5A. Na prática, essa reprodução é acompanhada de erros devido ao fato de seus elementos não serem ideais. Uma fonte de erro encontrada nesta etapa é a saturação dos

enrolamentos do TC devido à presença da componente CC na corrente de falta. Os TPs são transformadores destinados a transmitir o sinal de tensão a instrumentos de medida, controle e proteção. Eles reproduzem o sinal de entrada de tensão no seu circuito secundário com o menor erro possível, que deverá ser uma réplica proporcional da tensão do seu circuito primário – tensões de 110V a 220V. 4.3.2 Módulo de interface Depois que os sinais de tensão e corrente do secundário dos TPs e TCs forem atenuados, eles entram em um módulo de interface, constituído basicamente por capacitores e transformadores de isolação, onde serão novamente atenuados até atingirem níveis de discretização. Esse módulo é composto por transformadores e

filtros passa-baixa. Uma outra alternativa para se atingir níveis discretos de sinais é a

43

utilização de TCs auxiliares. Contudo qualquer erro no TC auxiliar irá contribuir para o erro total no processo de conversão analógica/digital, que deve ser o menor possível. Os transformadores reduzem ainda mais os níveis de tensão da entrada e os filtros eliminam os componentes transitórios de alta freqüência dos sinais de entrada, evitando assim um fenômeno conhecido como aliasing, que é a sobreposição de espectros. O fenômeno aliasing acarretará outra fonte de erro na conversão

analógica/digital. Nesta etapa é realizada ainda a conversão dos sinais da corrente para sinais de tensão, pois os computadores trabalham somente com estes sinais. 4.3.3 Filtragem dos dados Após os dados atenuados, o passo seguinte é a filtragem analógica dos sinais amostrados, com a finalidade de reduzir os componentes de alta freqüência presentes quando uma falta ocorre, evitando-se assim o fenômeno aliasing como descrito anteriormente. As características dinâmicas dos filtros passa-baixa assim como suas

características em regime são de fundamental importância. Entre elas destacam-se: • • •

tempo de subida: característica que indica quanto tempo a saída de um filtro passa-baixa demora a atingir o seu valor final; overshoot: característica que indica o quanto a saída do filtro irá ultrapassar o seu valor em regime; tempo de acomodação: que indica quanto tempo o filtro demora até acomodar-se no seu valor em regime.

Todas as características acima atuam na resposta dinâmica dos sistemas de proteção digital. Deve-se ressaltar que, em sistemas de decisão rápidos, o processo de filtragem deve ser projetado com uma freqüência de corte que proporcione o melhor desempenho e que ao mesmo tempo, não proporcione longos atrasos na filtragem. Essa filtragem é realizada por um filtro passa-baixa Butterworth, no qual simula-se um filtro passa-baixa analógico real.

44

4.4 4.4.1

Subsistema de conversão Sample and Hold Sendo o relé digital um dispositivo que trabalha com múltiplas entradas dos

sinais de tensão e corrente amostrados, para que ele possa fazer uma correta análise do sinal, é desejável que todos os sinais sejam amostrados simultaneamente. Uma

possível solução para esse problema seria o emprego de vários conversores A/D operando simultaneamente, disponibilizando assim os vários sinais digitais para a CPU do relé. Apesar desta ser uma solução fisicamente possível, ela é inviável

economicamente, devido ao alto custo de um conversor A/D. Uma solução alternativa para o problema é o emprego de vários circuitos conhecidos como Sample and Hold dispostos em conjunto com um circuito multiplexador. Neste esquema, o circuito Sample and Hold é responsável pela

amostragem e armazenamento do sinal de entrada para que o conversor A/D possa realizar as várias conversões existentes para cada instante de amostragem. Esses vários circuitos em conjunto com um circuito multiplexador possibilitam uma solução economicamente viável ao processo de amostragem do sinal. 4.4.2 Multiplexador Na operação de releamento digital é usualmente utilizado um multiplexador analógico que é um dispositivo que seleciona um sinal de um número de canais de entrada e o transfere para o canal de saída, permitindo a transmissão de vários sinais simultaneamente. Um relé de distância requer, no mínimo seis canais de entrada, três tensões e três correntes. Contudo, a conversão dos sinais analógicos para digital leva em torno de 25µs . Isso significa que para um relé com seis entradas, a última é convertida após
150µs , que é o tempo entre a primeira e a sexta amostra, que é equivalente a um atraso

de 3.23o para um sistema de potência de 60Hz.

45

4.4.3

Conversão analógico/digital Para cada instante definido pelo clock, é executada uma conversão dos sinais

analógicos de entrada para a forma digital através do conversor analógico/digital. O processo típico da conversão de uma variável analógica para digital é mostrado na Figura 4.19, onde pode-se observar o arranjo Sample and

Hol/Multiplexadoros. Unidade Digital do Relé va vb vc ia ib ic

Filt Filt Filt Filt Filt Filt

S/H CPU S/H S/H S/H S/H S/H M P X A/D
CLK

Memória

Sinal de Trip

Figura 4.19: Unidade digital do relé.

4.5

Subsistema de processamento digital do sinal O subsistema de processamento digital do sinal compreende o hardware e o

software do relé. O hardware consiste em uma central de processamento, memórias e dispositivos de entrada e saída. O software compreende a parte lógica do relé e o

princípio de operação acrescido de algumas rotinas que possibilitam o seu correto funcionamento, tais como: rotinas para a manipulação de dados de entrada e saída, rotinas para a autochecagem do hardware, etc. O software é implementado através de alguma linguagem de programação e compilado para o modelo de CPU presente em seu hardware.

46

O algoritmo usado varia de acordo com a aplicação do relé.

Este trabalho

apresenta o desenvolvimento de um algoritmo baseado na equação diferencial de uma linha de transmissão. Deve-se ressaltar então que os algoritmos desenvolvidos ao longo deste trabalho corresponderão ao módulo principal do software, isto é, ao princípio básico de operação.

47

5 Referências Bibliográficas
[1] William Steveson Jr. - Elementos de Analisa de Sistemas de Potência, Mc Graw Hill, 1986.

[2]

Behic Gungor – Power Systems, HBJ Technology Publications, 1988.

[3]

Arun G. Phadke, James S. Thorp – Computer Relauing for Power Systems, Research Studies, 1988.

[4]

Borenstein C. R., Camargo C. C. B.; O Setor Elétrico Brasileiro, 1997.

48