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CONTRATOS (1ª Unidade

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Aula 01: Teoria Geral dos Contratos: Conceito e Princípios Fundamentais

1. Conceito: GONÇALVES, Carlos Roberto. Contrato é o acordo de vontades que tem por fim criar, modificar ou extinguir direitos. Constituem fonte de obrigação e o mais expressivo modelo de negócio jurídico bilateral. 2. Evolução histórica: Enzo Roppo destaca o Código Civil Francês de 1.804 (Conde Napoleon) como a “primeira grande sistematização legislativa do direito dos contratos”, sendo que tal legislação foi “fruto político direto da revolução francesa, e, portanto, da vitória histórica conseguida pela classe – a burguesia – à qual o advento do capitalismo facultou funções de direção e domínio de toda a sociedade” (fls. 25/26). 3. Princípios 3.1 Autonomia da vontade: Significa ampla liberdade de contratar. Têm as partes a faculdade de celebrar ou não contratos, sem qualquer interferência do Estado (CC, arts. 421 e 425). 3.2 Supremacia da ordem pública: Limita o princípio da autonomia da vontade, dando prevalência ao interesse público. 3.3 Força obrigatória: Decorre da convicção de que o acordo de vontades faz lei entre as partes (pacta sunt servanda), não podendo ser alterado nem pelo juiz. 3.4 Relatividade: Funda-se na ideia de que os efeitos dos contratos só se produzem em relação às partes, não afetando terceiros, salvo algumas exceções consignadas em lei (estipulações em favor de terceiros). 3.5 Boa-fé: Exige que as se comportem de forma correta não só durante as tratativas como também durante a formação e o cumprimento do contrato (art. 422). Guarda relação com o

Nessa medida. .8 Consensualismo: independentemente Basta da o entrega acordo da de coisa. que se valem do contrato para satisfazer seus interesses próprios.7 Equilíbrio: Decorre do princípio da função social. assim.6 Função social: Prevalência dos valores coletivos sobre os individuais. 3. a função social do contrato serve precipuamente para limitar a autonomia da vontade quando tal autonomia esteja em confronto com o interesse social e este deva prevalecer. como os da autonomia da vontade e da obrigatoriedade. como ocorre nas hipóteses de contrato obrigatório. ou seja. para o aperfeiçoamento do contrato. princípio moderno a ser observado pelo intérprete na aplicação dos contratos. individual. É possível afirmar que o atendimento à função social pode ser enfocado sob dois aspectos: *um. 3. ex. p. relativo aos contratantes. Subordina a liberdade contratual à função social. que é o interesse da coletividade.). Alguns poucos. 3. público. Alia-se aos princípios tradicionais.princípio segundo o qual ninguém pode beneficiar-se da própria torpeza. porque somente se aperfeiçoam com a entrega do objeto. sem perda. *e outro. porém. subsequente ao acordo de vontades (depósito ou comodato. Os contratos são. do valor fundamental da pessoa humana. muitas vezes impedindo que estes prevaleçam. vontades. consensuais. * A função social do contrato como condicionante da autonomia da vontade: a função social do contrato constitui. A boa-fé se biparte em subjetiva (psicológica) e objetiva (cláusula geral que impõe norma de conduta). ainda que essa limitação possa atingir a própria liberdade de não contratar. em regra. quando o contrato representar uma fonte de equilíbrio social. são reais. a função social do contrato somente estará cumprida quando a sua finalidade – distribuição de riquezas – for atingida de forma justa. Segundo Caio Mário. com prevalência dos princípios condizentes com a ordem pública. no entanto.

b) Aleatórios: são os que se caracterizam pela incerteza. mas expostas a risco). 5. não tendo. que se tornam aleatórios em razão de certas circunstâncias. p. denominam-se acidentalmente aleatórios (venda de coisas futuras e de coisas existentes. b) Atípicos: são os que resultam de um acordo de vontades. OBS.). b) Bilaterais: são os que geram obrigações para ambos os contratantes (compra e venda. locação etc. a) Unilaterais: são os contratos que criam obrigações unicamente para uma das partes (doação pura. Unilaterais. os que têm o seu perfil nela traçado.Aula 02: Classificação dos Contratos 1. ex.). Por isso. A lei nada mais exige do que esse consentimento. Os tipicamente comutativos. no direito moderno. porque não envolvem nenhum risco. a) Comutativos: são os de prestações certas e determinadas. ex. Os contratos de jogo. aposta e seguro são aleatórios por natureza. ex. Gratuitos e onerosos. o princípio . ao qual corresponde um sacrifício (compra e venda. porque a álea. 4.). c) Plurilaterais: são os que contêm mais de duas partes (contratos de sociedade e de consórcio. p. a) Gratuitos ou benéficos: são os contratos em que apenas uma das partes aufere benefício ou vantagem (doações puras). a) Típicos: são os regulados pela lei. são também considerados contratos não solenes. Típicos e atípicos. porém. lhes é peculiar. bilaterais e plurilaterais.). 2. as suas características e requisitos definidos e regulados na lei.: Uma das características dos contratos plurilaterais é a rotatividade de seus membros. b) Onerosos: são aqueles em que ambos os contraentes obtêm proveito. Comutativos e aleatórios. p. o risco. a) Consensuais: são aqueles que se formam unicamente pelo acordo de vontades (solo consensu). independentemente da entrega da coisa e da observância de determinada forma. 3. Como predomina. Consensuais e reais.

.do consensualismo. p. 9. podendo ser celebrados verbalmente e se a lei não exigir forma especial. os contratos reais são unilaterais. Basta o consentimento para a sua formação. pois. a) Formais ou solenes: são os que devem obedecer à forma prescrita em lei para se aperfeiçoar. ainda que excepcionalmente. c) De execução continuada ou de trato sucessivo: são os que se cumprem por meio de atos reiterados. pode-se afirmar que o contrato consensual é a regra. porém. entregue a coisa (quando o contrato torna-se perfeito e acabado). mútuo etc. a) Principais: são os que têm existência própria e não dependem. Daí serem também chamados consensuais. de execução diferida e de trato sucessivo. o comodatário e o mutuário. a) Paritários: são os contratos do tipo tradicional. a forma do contratos é livre (art. b) Não formais ou não solenes: são os de forma livre. sendo exceções os contratos reais. em que as partes discutem livremente as condições. Em regra. 6. cláusula penal etc. 107).). mas em momento futuro. a entrega da coisa que lhe serve de objeto (depósito. independentemente da entrega da coisa e da observância de determinada forma.). diz-se que é ad solemnitatem. São os que exigem. Principais e acessórios. visto que. comodato. 7. para se aperfeiçoar. De execução instantânea. de qualquer outro. ex. b) Reais: opõem-se aos consensuais ou não solenes. 8. sendo cumpridos imediatamente após a sua celebração (compra e venda à vista. Nada impede.). que a realidade se exija como requisito para a formação de um contrato bilateral. além do consentimento. b) Acessórios: são os que têm existência subordinada à do contrato principal (fiança. Formais e não formais. b) De execução diferida: são os que devem ser cumpridos também em um só ato. a) De execução instantânea: são os que se consumam num só ato. só resta a obrigação para o depositário. como lembra Orlando Gomes. Em regra. Quando esta é da substância do ato. Paritários e de adesão.

423 e 424). é denominado promessa de compra e venda. um único objeto. seguro. Preliminar. 10. se irretratável e irrevogável. Quando gera obrigações para apenas uma das partes (promessa unilateral).porque se encontram em pé de igualdade (par a par). ou compromisso de compra e venda. devido à preponderância da vontade de um dos contratantes. O outro adere ao modelo previamente confeccionado. (arts. “pactum de contrahendo” ou pré-contrato: é o que tem por objeto a celebração de um contrato definitivo. Quando este é um imóvel. chama-se opção. que elabora todas as cláusulas. não podendo modificá-las (consórcio. .). transporte etc. Tem. portanto. b) De adesão: são os que não permitem essa liberdade.