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A SAGA DE UM LADINO

By Ricardo “LyoN2K”
Era uma noite escura. Chovia muito em NorthVille quando Dino chegou. Estava com um capuz negro que cobria-lhe todo o corpo, inclusive a cabeça, para se proteger da chuva. Andou um pouco pela cidade até se deparar com uma estalagem. Não era esbelta nem tão luxuosa quanto a da outra esquina, mas ele resolveu entrar. Ao abrir a porta, Dino pôde ver uma sala com poeira e umidade suficiente para ser um lar de Orc, mas ele não deu muita atenção. Logo atrás de um balcão feio e mal construído estava um homem magro e de cabelos lisos, com cara de quem acorda de um sonho inesquecível. Boa noite, senhor. O que deseja? – disse o homem atras do balcão. Um quarto, pôr favor. – respondeu-lhe Dino. Qual... Qualquer um serve. – interrompeu Dino. O homem então olhou-o com uma expressão pouco amigável, e logo após entregou-lhe uma chave feita de ferro, segura por uma corrente a uma pequena placa de madeira, onde o número “12” estava estampado. Depois de subir pôr uma escada também de madeira, ele logo encontrou o seu quarto, depois apenas do “10” e do “11”. Ao abrir, com a chave, o quarto designado, percebeu que devia ter escolhido um outro com o servente, e arrependeu-se de não deixar o homem falar. Era um quarto seco e bastante empoeirado, com uma cama bastante frágil (que parecia querer desabar a todo o instante), uma escrivaninha com uma das 4 pernas consertada de um modo muito rústico, além de um tapete totalmente rasgado nas pontas, e cheio de furos no centro. Depois de deixar sua mochila ao lado da cama e de pôr a sua adaga embaixo do travesseiro, Dino adormeceu. Barulho. Gritaria. Dino acorda em meio ao som dos sons vindos do movimento da cidade que adentrava as frestas da sua janela. Depois de esfregar os olhos, ele lava o rosto e enfim desperta totalmente, percebendo que já era um pouco tarde. Ele então pega suas trouxas e desce, pagando as suas despesas na estalagem. Sai da estalagem e olha em volta: a cidade parecia uma prisão, onde de todos os lados viam-se muros de casas e prédios, onde multidões incrivelmente cabiam naquele espaço mínimo. Depois de esbarrar em um ou outro apressado, ele chegou à taverna local. Ao analisá-la por fora, pôde ver os grandes dizeres “Full Fish”, e uma portinhola de madeira que a todo momento se abria e se fechava. Ali ele entrou, e pôde ver o quão grande era o estabelecimento: tinha no mínimo 50m², coberto de mesas onde a todo momento alguém se levantava, gritava, quebrava um copo ou garrafa ou uma garçonete era assediada. Andou tranqüilamente até o balcão, e ao chegar até lá, ouviu uma voz feminina lhe indagar: O que vai querer, forasteiro? Dino a encarou... Como sabe que venho de fora, se o capuz impede-a de ver meu rosto? – retrucou Dino, intrigado. Digamos que homens encapuzados não são muito comuns aqui na cidade... – disse ela, sorrindo. Bem... então esse forasteiro aqui vai querer algumas rações para viagem, e uma boa garrafa de vinho. Tudo bem, senhor forasteiro! – falou a balconista, virando-se e entrando numa porta que dava para um local nos fundos da taverna, que pareceu a Dino um tipo de despensa. Aqui está! – falou ela, depois de alguns minutos. Depois de analisar os objetos, Dino disse: Hm... muito bem, então. Quanto o forasteiro deve pagar à esperta e linda garçonete? Ela deu um leve sorriso e corou levemente, mas manteve os olhos fixos em Dino. Ora! Mas vejam só! Temos aqui um forasteiro que é galanteador! – exclamou ela. – Pois fique sabendo que eu nunca digo “sim” a um homem ao qual eu nunca vi o rosto. Pois então, eu hei de mostrá-lo. – disse Dino, que ao dizer isto, retirou o capuz por alguns segundos, pondo-o de volta na cabeça. Foi o suficiente para que a bela garçonete aceitasse jantar naquela mesma noite com Dino. Logo após o seu expediente acabar, a jovem garçonete Pamella foi encontrar-se Dino no “Travel”, um restaurante bastante calmo e sereno na cidade. Outros 3 casais também estavam no local, que tinha uma serenidade e iluminação bastante aconchegantes. Depois de um jantar bastante divertido, Dino e Pamella se deixaram levar pela sedução do vinho, e acabaram dormindo juntos naquela noite, na casa de Pamella. Ela tinha 1,68m, magra, tinha olhos verdes reluzentes e pele branca e macia, cabelos loiros e um falar suave e sedutor. Tinha 21 anos, trabalhava naquela taverna porque ela pertencia ao seu pai, e pelos seus modos, percebia-se que tinha classe e humildade. Dino, com seus 23 anos, tinha 1,76m, peso mediano, pele morena com cabelos negros e cacheados, que lhe batiam no ombro, tinha olhos castanhos muito claros e penetrantes, sempre calmo e sereno, era de raciocínio rápido e inteligência considerável. Depois de perder sua mãe, e depois seu pai, vendeu tudo o que restava dos pertences da família e partiu para aventuras em lugares distantes e, para ele, desconhecidos. Depois de aprender com seu tio os ofícios dos ladinos, aprimorou-se cada vez mais nessa arte. Pássaros cantam. Dino acorda. A casa de Pamella era calma e agradável, limpa e bem arejada, construída na parte da cidade em que o movimento era fraco, e por isso não se acordava com o barulho da cidade. Dino olha para seu lado direito e vê Pamella que, com a leve entrada de pequenos raios do amanhecer por frestas nas janelas, agora parecia um anjo no seu divino sono eterno. Estava parcialmente coberta pelo lençol de sua cama, que deixava todo o corpo acima da cintura em estado de nudez. Dino então observou a forma perfeita e delicada dos seios daquela linda garota, então ele levemente pousou seus lábios naquele colo perfeito, acordando-a suavemente. Ela sorriu para ele, um sorriso magnífico, algo realmente feito por um Deus ao qual Dino desconhecia. Então ele selou um beijo nos lábios daquela doce criatura, e então beijou-lhe o colo, e logo após o ventre, para em seguida voltar novamente a sua boca ao encontro dos lábios daquela linda jovem, para outra vez provar do néctar do amor de Pamella. Dino acordou depois de novamente ter repousado ao lado de Pamella, e a viu se vestindo para sair. Aonde vais, querida Pamella? – questionou Dino. Estou indo para a taverna de meu pai, meu horário de serviço se aproxima. – retrucou ela. Está bem, então. Aproveitarei o tempo para que eu possa conhecer a cidade. – disse ele. Após beijar a face de sua amada companheira, Dino viua sair, e logo após ele começou a vestir-se. Depois de passar o resto da manhã conhecendo os locais de NorthVille, Dino foi almoçar na taverna do pai de Pamella.

Após fazer seu pedido para Pamella, Dino sentou-se ali mesmo, numa das cadeiras em frente ao balcão, e começou a comer seu almoço. Mas a as refeição foi interrompida pela chegada de uma senhora de bastante idade, que trajava um longo vestido preto, e na cabeça usava um chapéu pontudo, também preto. Apoiava-se numa bengala de madeira, e tinha uma aparência de muitos poucos amigos. Todos olharam-na com espanto e medo, e recuaram suas cadeiras ao tempo que ela passou. Chegando ao balcão, foi atendida pôr Pamella. O que deseja, minha senhora? – perguntou a moça. Algo para comer, e depressa! – respondeu a velha. Depois de poucos minutos, um prato de carne de porco com salada foi trazida, juntamente com uma taça de vinho. Aqui está. – anunciou Pamella, sorrindo. Eis que se demorasse mais um pouco, eu iria ir-me embora! – retrucou a velha de preto grosseiramente. Dino trocou um olhar com Pamella, insinuando ir tirar satisfações da falta de respeito da velha para com ela, mas a moça logo retribuiu com um olhar de censura total. Após comer e beber tudo, a velha levantou-se e estava a se retirar da taverna, quando Pamella alertou-lhe: Esqueceste de pagar, senhora! Humpf! Não esqueci não, de modo algum, pois a minha memória é muito boa, fique sabendo. – disse a velha. – Pois provando da sua comida, achei-a tão desgostosa que decidi não pagar pôr ela! Dino imediatamente levantou-se de sua cadeira, mas a jovem Pamella impediu-o de falar, dizendo: Pois então eu irei melhorar os meus mantimentos o melhor possível, para que sua próxima vez aqui seja para pagar pela conta. A velha de luto, que já ia saindo, parou e olhou para a garçonete, e sorriu-lhe. Mas nada teve tempo de falar, pois da porta da despensa da taverna prorrompeu o pai da garota, furioso, gritando contra a velha: Mas eis que tu, ó velha charlatona, há de pagar pelo que comeste aqui sim, e AGORA! – bradou ele. A mulher então mirou sua atenção naquele homem gordo e barbudo, que agora aparecia. Não grites, ó pançudo, pois não sabe com quem está mexendo!!! – bradou a velhota. Mas vejam só... o que uma velha carrancuda poderia me fazer? Pois o que tens de fazer, faça, pois senão há de pagar a comida que repousa em teu bucho! Pois eis que a velha bate seu cajado no chão três vezes e cala toda a multidão que antes murmurava sobre este fato. Então, com uma cara bastante maligna a ponto de pôr medo em qualquer herói, disse: E heis que tu, homem que não sabe dos perigos em que se mete ao mexer com os sábios da arte negra, há de provar do veneno da serpente que atiçou: “Não o que tu despreza, o que achas que é entulho, aquilo que vem e vai por mil vias; mas sim aquilo que tu mais preza, do que mais tem orgulho, virá a cair em sete dias.” Com esta frase, a velha bateu mais uma vez o cajado no chão, e então Pamella caiu. Imediatamente Dino pulou o balcão e a pôs em seus braços, e sentiu sua pele gélida, que dava o aspecto da morte aquele belo corpo. O Pai da garota ficou totalmente aturdido, apenas observando aquela cena, e tentando pensar no que fazer, sem dizer qualquer palavra ou realizar qualquer gesto. Dino colocou Pamella em cima do balcão e olhou para o rosto da velha, pronto para desferirlhe mil palavras ofensivas, mas de repente parou. Encarou a velha bruxa, e viu em seus olhos uma imensa frustração e arrependimento. Ela olhou para Dino, e balançou a cabeça inconformada com o q fizera. Ela então chorou, e Dino se pôs a chorar, juntamente com o pai de Pamella.

A velha então controlou-se, e chegando perto de Dino, falou-lhe: Ela ainda vive. Mas a profecia eu não posso tirar. Não há nenhuma chance? – perguntou Dino. Não, não há... espere... espere um pouco... – a velha então fez uma careta de reflexão. – Há sim... é, sim. Realmente, ainda resta esperança. – falou ela. O rosto de Dino se iluminou totalmente. Então, diga-me: como podemos salvá-la? É impossível... ou quase... não sei. – falou a bruxa, sem mostras muita esperança. – Realmente, há uma flor mágica que pode retirar este feitiço, mas esta flor está em um lugar... perigoso... Diga-me onde! – interrompeu Dino. Está... nas Montanhas Kaborn. – falou ela, com um pouco de esforço. A menção daquele nome alterou profundamente o ânimo dos que ainda tinham esperança de salvar a jovem. Muitos exclamaram palavrões, e alguns sussurraram palavras que denunciavam a pouca esperança que tinham. Ao primeiro momento, Dino ficou paralisado com a menção do nome ao qual a velha pronunciou, mas depois de alguns segundos ele levantou, com Pamella nos braços, e declarou: Eu vou. Espanto geral. Os presentes murmuraram todos juntos, e alguns comentavam que Dino devia estar louco. Dino levou Pamella para a casa dela, sendo acompanhado apenas pelo pai da garota e a bruxa, que devia dar-lhe instruções sobre a flor que ele deveria encontrar. Depois de receber todas as informações necessárias sobre a flor e a montanha (as coisas que ele não sabia ainda), Dino dormiu, e antes do Sol nascer no dia seguinte, ele já estava pronto para partir. Vestiu-se com sua capa preta, pôs uma leve, mas essencial mochila nas costas, despediu-se da bruxa e do sr. Duggs e partiu. Depois de andar por algum tempo por uma floresta ao qual o nome Dino desconhecia, olhou para o céu e viu o Sol posicionado exatamente acima de sua cabeça. “Hora do meu almoço.” – pensou ele. Depois de uma pequena pausa para ingerir apenas um pouco de pão e tomar uns goles de água, Dino voltou sua atenção novamente à estrada, pensando no curto tempo que tinha para salvar sua amada: seis dias, um tempo tão preciosos que ele não podia se dar ao luxo de ir caminhando. Passou então a trotar, e foi trotando que ele chegou ao final do primeiro dia de percurso. Agora a noite devorara todas as estrelas, e Dino comia mais um bocado de pão e tomava mais alguns goles d’água. O segundo dia foi mais cansativo, pois Dino foi em passo de trote todo tempo, parando apenas para almoçar e ceiar. No terceiro dia, ele fez seu desjejum pela manhã, e novamente trotou. Ao meio dia, ao parar para comer, ele ouviu algo estranho. “A fome nos traz muitas alucinações!” – pensou Dino. Mas logo Dino ouviu novamente o barulho que o incomodou anteriormente. Eram passos. Ele rapidamente enfiou o restante de sua ceia na sacola e tratou de subir na árvore mais próxima. Ficou então sentado num galho logo acima da estrada, pois este era o único galho de árvore suficientemente forte para que um humano pudesse sentar. Ele viu 7 homens, sendo um deles do tamanho de uma criança. Todos estavam cobertos por capas negras, assim como ele, a trotavam na estrada da floresta. Quando os homens estavam passando por debaixo da árvore na qual Dino estava, este fez um movimento um pouco brusco para se virar para o outro lado e continuar a observar o grupo, mas neste instante o galho quebrou, e ele, Dino, acabou caindo em cima de um dos homens. Ai! – exclamou o homem atingido pôr Dino. Dino mal teve tempo de reagir. Após cair em cima de um dos homens do grupo, que acabou desabando com o peso de Dino, ele tentou se levantar rapidamente para correr, mas no

mesmo instante foi seguro em cada um dos braços por um dos homens, enquanto outros três lhe apontavam espadas longas e afiadas, que reluziram com a luz solar. Quem é você? Um espião? – bradou um dos homens do grupo, que parecia ser o líder. Não, não! De modo algum... – respondeu Dino. Então o líder tirou do rosto de Dino o capuz, que revelou a face humana do hábil gatuno. Com uma expressão meio que espantada, meio que surpresa, o líder do grupo chamou os outros 4, deixando os dois que estavam segurando Dino amarrando-o com cordas grossas. O grupo todo discutiu por um tempo, sempre observando se Dino se libertara ou não das amarras, e logo eles voltaram sua atenção novamente para seu prisioneiro. Você disse que não é um espião, mas você vai ter que provar suas palavras. – disse o líder. Eu... não sei do que vocês estão falando... eu apenas estou querendo chegar até Kaborn, para salvar a minha mulher! – falou Dino, um pouco confuso. Mulher? Explique sua história, então. Dino então falou aos homens tudo o que ocorreu com a chegada da bruxa, o seu feitiço e sobre a flor mágica. Isso é um absurdo! – gritou o líder. – Esta história não tem sentido algum... Pra dizer a verdade, tem sim. – disse um homem do grupo. – De acordo com meus antecedentes, existe uma flor na Montanha Kaborn que pode curar todo e qualquer enfermidade, se utilizada pôr uma boa causa. Bem... – o líder agora parecia constrangido. – Eu peço seu perdão, meu rapaz. Acho que para corrigir meu erro, posso apenas oferecer minha companhia e a de meus companheiros até Kaborn, se você estiver disposto a aceitar meu perdão. Então, para que aceite minhas desculpas por cair em cima de um dos seus homens... acho que aceitarei a sua proposta. – disse Dino, sorrindo. O líder então desamarrou as cordas em volta de Dino, e estendendo a mão, ajudou a levantá-lo. Todos tiraram seus capuzes, e para a surpresa de Dino, o baixinho que ele tinha notado era um anão, e o homem que falara da flor pela qual ele estava procurando era um elfo. Chamam-me Dino, muito prazer. Espero que aprecie a nossa companhia, caro amigo Dino. Me chamo Flech. – disse o líder, apertando a mão de Dino. – Estes aqui são Wood, Carls, Dick e Lorean. Me chamo Forest. – disse o elfo. E eu sou Kanduck. – apresentou-se o anão. Após as apresentações, o grupo sentou-se e começou a preparar o desjejum do meio-dia, enquanto o anão e Dino conversavam amigavelmente, e o elfo tinha ido caçar. Quando a água da panela estava fervendo, o elfo chega com dois coelhos mortos. Lorean preparou os coelhos com uma rapidez e habilidade admiráveis, e logo após colocou-os na panela, junto com alguns legumes e temperos. Depois de alguns minutos em uma estimulante conversa, eles comeram os coelhos e partiram para a estrada. Trotavam forte e com muito vigor, e logo a noite chegou. Enquanto ceiavam, Dino acabou lembrando o motivo da sua jornada, e informou aos seus novos companheiros o fato. Flech decidiu então que ele poderia ir, e Forest, o elfo, se dispôs a acompanhá-lo. Dino aceitou com prazer a companhia do elfo, que parecia muito sábio e sagaz. Antes mesmo do Sol nascer, Dino acordou e viu ao seu lado Forest já pronto para partir. Os dois trotaram rapidamente até o meio-dia, quando Forest deu a Dino um pedaço de seu bolo élfico, que fez com que Dino sentisse um vigor e força crescerem rapidamente nele, como se bem

no instante em que tivesse comido do bolo seu corpo tivesse descansado pôr várias horas. Partiram trotando novamente pela estrada da floresta, e à noite eles comeram e dormiram. Dino acordou com o pensamento fixo em sua cabeça: “Três dias apenas.” E trotou com Forest mais um pouco, até que eles chegaram nos pés de Kaborn. Ali, eles pararam e então almoçaram. Depois de revigorar novamente suas forças com o bolo dos elfos, Dino observou a enorme montanha, e disse a si mesmo que não havia esperança. Se ele passou três dias inteiros na floresta, e ainda tinha que subir e descer aquela montanha enorme, para depois retornar novamente ao chão e atravessar de novo a floresta, sentiu que o amor que fazia seu corpo seguir em frente agora transformava-se em ódio, em ódio do mundo, em ódio da bruxa, em ódio de Pamella, em ódio daquela montanha, ódio da flor e ódio de si mesmo, e ódio daquele amor que fora tão maravilhoso e que agora o fazia sentir a dor da perda. Olhando a montanha, ele chorou, chorou como uma criança, como um jovem, como um ser adulto ou como um idoso, porque todo choro é motivado, e o dele representava sua esperança que agora esvaia-se pouco a pouco de seu peito. Não tema, pois ainda há tempo. – disse Forest. Como não temer! Como posso ficar calmo quando vejo que todas as possibilidades de salvar a vida da minha amada estão indo embora, como um barco no rio de águas furiosas, onde o navegador tenta, mas ao final vê que seus esforços são coisas mínimas se comparadas à fúria do oceano!!! – bradou Dino. Forest olhou dentro dos olhos de Dino calmamente, e por um longo período encarou o hábil gatuno. O tempo traz muitas surpresas, mas cada uma a sua hora. – disse Forest. – Enquanto houver tempo, tudo pode mudar. A esperança só morre quando, de fato, o tempo se esvai por completo. A hora da provação das tuas habilidades está chegando, portanto prepara teu espírito, mente e coração para o desafio que vais enfrentar mais adiante. Dino levantou-se, pegou seus pertences e partiu para a montanha, juntamente com Forest. Os dois foram subindo, até que a noite chegou. Não era muito frio ali, a temperatura estava serena, pois o verão estava fazendo ferver o Sol. Eis que a manhã chega, e Dino e Forest sobem o mais rápido possível. Comem e bebem rapidamente, prosseguindo sua escalada da forma mais rápida que conseguem suportar. A noite chega, e eles repousam. O último dia de Pamella faz os raios de Sol acordarem suavemente Dino, que levanta com rapidez e logo parte com seu amigo elfo. Depois de algum tempo escalando rochas íngremes, os dois sobem o último obstáculo pedregoso e encontram... a flor. Com um lindo centro prateado, e cheia de pétalas pálidas como a neve à sua volta, a Flor de Lotus é avistada pelos dois aventureiros. Dino se apressa em alcançá-la, e então aproxima-se dela de modo cuidadoso, e a retira do solo com delicadeza e muita precisão. Quando o elfo chega perto para apreciar a bela flor capturada por Dino, o chão embaixo dos dois se rompe, e os dois caem em uma escuridão assombrosa. Ai! – exclamou Dino, após recuperar-se da queda. Onde será que estamos? – perguntou Forest. Os dois se levantaram ainda um pouco tontos. O lugar era um caverna úmida e cheia de limo, e o lugar pôr onde caíram parecia estar a uns quatro metros. Era impossível sair dali pôr onde entraram, pois não tinham corda, e as paredes eram inclinadas no sentido oposto ao da escalada. Acho que teremos de encontrar uma outra lugar para que possamos sair daqui. – disse Forest. – Esta caverna é muito escura, mas pôr sorte eu tenho na minha sacola algo para iluminar nosso caminho. Forest abriu sua sacola, e dela ele tirou uma tocha e junto

uma folha de um fruto que Dino desconhecia, e logo após um graveto de madeira. Forest fez o graveto girar e queimar a folha, que logo após foi colocada na tocha, que queimou. Eles andaram pôr algum tempo, e acharam no caminho uma bifurcação. Forest fez uma careta estranha, mas acabou escolhendo o caminho da direita. Depois de caminhar mais um pouco, surpreendentemente eles encontraram uma porta. Algo que mora numa caverna assim não deve gostar de visitas... – observou Dino, pondo a mão na sua adaga. Pode ser, mas temos de arriscar. – falou Forest. – O que encontraremos aí atrás pode ser tanto o nosso fim ou a nossa salvação. Se pensarmos bem, o fim também nos ocorrerá se ficarmos do lado de fora, então acho que só nos resta essa opção. Forest bateu três vezes na porta. Depois de algum tempo de silêncio, uma voz grossa falou algo que pareceu ser uma língua diferente. Logo que ouviu a voz, Forest sacou o seu arco longo e empunhou-o para a porta. Fez então um gesto para que Dino batesse na porta, e foi o que ele fez. O ser que falou apareceu em seguida, abrindo a porta com a mão em uma espada. Mal teve tempo de observar os visitantes, pois Forest acertou-lhe uma flecha no crânio, que fez o orc cair morto imediatamente. Com uma agilidade incrível, Forest pôs outra flecha no arco e saltou para dentro do lugar, sendo seguido por Dino. Eles puderam observar que haviam várias camas, um grande armário que ia de parede a parede, e uma grande mesa repleta de cartas e outros tipos de jogos, mas nenhum ser vivo podia ser encontrado no local. Uma porta dos fundos podia ser vista, e parecia ter sido aberta a pouco tempo, pois ainda estava balançando. Havia mais de um aqui. – falou Forest. E com certeza eles não estão em número reduzido, pelo menos não em outras possíveis salas para onde tenham fugido. – concluiu Dino. Dino puxou sua adaga e seguiu Forest, enquanto o elfo caminhava lentamente para a porta dos fundos com seu arco diretamente apontado para ela. Quando Forest chegou ao centro do que parecia ser um dormitório dos orcs, ele parou e farejou o ar. Não teve tempo de fazer qualquer movimento ou de dizer qualquer palavra, pois foi brutalmente atingido pôr um soco de um orc, que apareceu repentinamente nas suas costas. Imediatamente, Dino abaixou-se, e assim evitou o golpe do machado de outro orc atrás dele, e na mesma hora virou e acertou com sua adaga a perna do orc que tinha lhe atacado. O orc imediatamente largou o machado e levou suas mãos até a perna, caindo e uivando de dor. O outro orc tentou também atingir Dino com uma espada, mas ele fez uma rápida esquiva, pulando para seu lado esquerdo e assim contra-atacando o orc, encravou sua adaga no pescoço da criatura maligna. Retirando sua adaga da garganta do orc, Dino permitiu que ele caísse no chão e desfalecesse. Forest levantou com um pouco de dificuldade, ainda sentindo o peso da mão do maldito orc que lhe acertara. Dino correra em direção da porta pôr onde tinham entrado, e viu aberta uma passagem pela parede, e vários gritos pelo corredor. O bravo ladino fechou e trancou a porta, e indo na direção de seu amigo elfo, disse-lhe: Os que fugiram atravessaram uma passagem e nos atacaram pelas costas, enquanto um devia ter ido ao esconderijo principal e convocado os outros para vir nos matar! Depois de observar Dino, ofegante, pôr alguns segundos, Forest empunhou novamente a flecha em seu arco e saiu em direção da porta dos fundos. Dino seguiu-o, e os dois correram depressa pelo frio e tenebroso corredor, iluminado apenas pela tocha que Dino carregava em suas mãos. Após uma longa corrida, eles alcançaram uma escada, e puseram-

se a subir. Enfim alcançaram um novo corredor, onde puderam ver dois guardas sentados em duas cadeiras, cada uma ao lado de uma porta de metal, que parecia muito forte. Após serem vistos pelos guarda, Forest empunhou seu arco e mirou em um deles enquanto Dino partiu numa poderosa investida, armado de sua pequena adaga. Quando um dos guardas estava se levantando, foi atingido no braço direito, e pôs-se a gemer. O segundo levantou e empunhou sua espada curta contra Dino, que manteve a corrida e, ao chegar perto do seu oponente abaixou-se, desviando o corpo do golpe da espada, e encravando sua adaga no tórax do soldado com mais fúria do que nunca, impulsionado pela poderosa investida. O guarda ferido pela flecha ainda tentou puxar sua espada com a mão do braço são, mas foi atingido por um soco de Dino, indo ao chão. Pendurada na parede, estava a chave da porta, e logo Dino pegou-a e abriu o poderoso portão de ferro. Para a alegria dos aventureiros, eles viram o Sol entrar, e saltaram para fora daquele lugar maligno, e correram com todas as forças para o lugar mais distante dali que pudessem encontrar. Mas Dino e Forest não foram tão longe quanto queriam. Depois de correr 10m, se deram conta de que estavam correndo na direção de mais orcs, e ao virarem para correr para o lado oposto, viram-se cercados por outro grupo. Dino e Forest estavam basicamente no meio da montanha, enquanto um grupo orc estava abaixo deles e o outro estava acima. O líder orc presente empunhou sua espada e gritou algo, e os orcs partiram para cima dos aventureiros. Uma flecha zuniu no ar e acertou a cabeça de um orc. Não, não tinha sido Forest quem a disparou. Imediatamente os orcs do grupo de baixo olharam para trás, e Dino e Forest puderam ver, por cima das cabeças dos orcs, o pequeno grupo de Forest, que se separaram na floresta. No momento seguinte, todo o grupo de baixo se virou, indo na direção dos novos oponentes, enquanto o grupo de cima, que tinha parado para observar de onde a flecha tinha vindo, agora ia em uma nova investida contra Dino e Forest. O grupo de cima continha aproximadamente 15 orcs, e o de baixo, uns 23. Seria uma luta difícil para os aventureiros, mas eles não fugiram. Do começo da segunda investida até a chegada dos orcs perto de Dino e Forest, o elfo conseguira abater quetro orcs, e agora ele puxava uma espada curta para combater no corpo a corpo com aqueles seres perversos e odiosos. Após pular para o lado e acertar um orc, Dino avançou com bravura para o meio dos orcs, e atravessando todo o grupo, habilmente atingiu cinco deles. Ao chegar ao outro lado, ele começou a combater o líder dos orcs, enquanto Forest ia enfrentando os quatro restantes. Depois de degolar três orcs, o elfo rasteirou o último do grupo, e logo depois encravoulhe sua espada. Dino encontrara um oponente à altura, pois o chefe orc era tão rápido quanto ele. Dino esquivou-se de um golpe de espada do líder jogando-se no chão e ao mesmo tempo cravou a sua adaga no pé do líder. Este, como reação, rugiu, e tentou desferir um golpe para decepar o braço do ágil gatuno, mas Dino rolou para o lado e viu o líder orc decepar seus próprios dedos do pé. Agora totalmente atordoado pela sagacidade do seu oponente e pela dor que lhe afligia, o líder orc lançou-se ao chão, e gemeu na sua dolorida derrota. Dino levantou-se do chão, e tirou de sua roupa alguns flocos de neve no qual ele se jogou. Ele observou Forest, e o elfo olhou-o com ternura e admiração, retirando sua espada do último orc morto, e indo recuperar seu arco, que ele lançara ao chão para o combate corpo a corpo. Após retirar sua adaga do defunto líder dos orcs, Dino observou os seus companheiros da floresta virem para cumprimentá-lo, após encherem Forest de abraços e apertos de mão.

Depois de carregar os corpos dos orcs para a caverna e trancá-la, os aventureiros fizeram uma fogueira e montaram acampamento, pois já estava escuro. Dino agora começou a pensar em Pamella, e disse: De nada valeram todos os meus esforços, pois ao meu objetivo eu não consegui chegar. O espírito de alegria pela batalha, que estava em todos os corações presentes, se transformou em tristeza ao ver um amigo sofrendo. Kanduck então sorriu, e chamou Dino para que eles pudessem conversar sozinhos. Depois de se afastarem do grupo, Kanduck disse a Dino: Eu entendo o que você sente. Quer voltar para a sua amada o mais depressa possível, pois sabe que pode salvá-la, mas também sabe que o tempo não pode parar e esperar que você chegue até lá a tempo. É... E pôr isso – continuou Kanduck. – Você foi por inteiro invadido pôr uma tristeza enorme, eu sei. Mas aqui, eu tenho uma surpresa para você. Kanduck tirou do dedo um anel de ouro, que tinha uma listra que o percorria bem no meio, feita de um metal mais valioso do que Dino poderia sonhar. Este anel é mágico. – disse Kanduck. – Ele pode, uma vez ao dia, transportar seu usuário a qualquer lugar que ele deseja ir. Emprestarei este objeto com a condição de que tu venha amanhã, pela manhã, até este local aonde estamos, e me devolverás ele. Claro... é... – Dino não sabia o que dizer. – Eu... eu, quero... MUITO OBRIGADO, KANDUCK!!! Então Dino abraçou o anão com o maior afeto que ele podia, e logo após isso despediu-se de todos os amigos do grupo, dizendo que iria na frente, e que amanhã eles iriam se encontrar novamente.