Nível

:

Ensino Médio

Linguagem: Artes Visuais, Teatro

Autor: David de Andrade

Arte Viva

Este foi um projeto desenvolvido juntamente com alunos de quatro turmas do 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Antônio Martins do Espírito Santo na cidade de Nova Serrana – MG. O projeto “Arte Viva” surgiu da necessidade de despertar nos alunos a curiosidade pela arte, visto que muitos alunos sempre a rgumentaram que estudar arte é algo que não desperta interesse e é difícil compreender o que está por trás de cada obra de arte. Muitos alunos diziam que “arte é coisa de louco” e este trabalho propôs então desmistificar este conceito através do estudo da vida e obra de grandes artistas bem como o contexto histórico em que cada obra está inserida. A proposta foi a seguinte: os alunos deveriam fazer a releitura e a recriação de uma famosa tela por meio de uma fotografia onde eles mesmos seriam os membros das obras de arte, personificando os elementos ou personagens pintados pelo artista. É importante lembrar das palavras de Winnicott (1975): "é no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou adulto fruem sua liberdade de criação". Brincar de ser obra de arte numa recriação das telas famosas despertou interesse nos alunos visto que foi proposto inserir o uso da tecnologia no trabalho como por exemplo máquinas digitais e programas de tratamento de fotos como o Photoshop. Diana Domingues, organizadora do livro “Arte e vida no século XXI: tecnologia ciência e Criatividade” diz que a tecnologia criou inúmeras oportunidades de se criar arte. Os contextos se cruzam na arte, na filosofia, na ciência, tudo na complexidade da tecnologia. Isto cria novas maneiras de representação. Somos testemunhas da ascensão da imagem. Retiramos então, as obras de arte do plano estático para algo vivo, em movimento. Usamos também outros materiais que foram trinta informativos lançados pela Editora Abril, sobre as obras mais famosas do mundo que vêm acompanhados de 90 famosas obras de arte. Estudamos vida e obra de trinta artistas. Usamos também coleção “Aprendendo com arte” com telas dos pintores brasileiros Cândido Portinari, Tarsila do Amaral e Tao Sigulda. Outros artistas estudados detalhadamente foram Rembrandt, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Monet, Edvard Munch, Frida Kahlo, Vincent Van Gogh, Pierre-Auguste Renoir, Pablo Picasso, Anita Malfati e Vicente do Rego Monteiro. A coleção de Heloiza Aquino acompanhada de livros ex põe que a “Releitura permite ao aluno, refletir, criar sobre a obra. Não se trata de uma cópia, pois o aluno interfere na obra com uma postura reflexiva”. Através deste estudo pude mostrar para os alunos inúmeras telas que eles poderiam ter como ponto de partida para recriarem. Os estilos de épocas também foram estudados. Debates a respeito de qual o valor estimado de tais obras surgiram. Muitos questionamentos a respeito de como tais obras podiam valer tanto sempre surgiram. Os alunos puderam entender melhor o porquê do valor de tais obras quando entenderam a relação das obras com o contexto histórico. A multiplicidade de emoções gerou uma pluralidade de debates e polêmicas, possibilitando encontros, reconhecimento, ao invés de gerar uma relação de aprendizagem desvitalizada e vazia. As diferenças e o envolvimento das instâncias ideais, a criação e o conhecimento emergiram positivamente. Em maio e junho de 2008 os alunos criaram grupos, estudaram em sala e expuseram oralmente à turma vida e obra dos grandes pintores. O resultado foi que os alunos passaram a argumentar sobre como a maneira de fazer arte mudou. Hoje podemos usar photoshop, máquinas digitais. Houve evolução também quanto à timidez de muitos, pois a resistência e timidez inicial desapareceu com a ideia de expor seus trabalhos à comunidade. A resistência em fazer o trabalho foi vencida a partir do momento em que os alunos foram estudando as obras e vida dos artistas, pois passaram a se ver dentro da obra de arte. Eles se viam nos contextos das obras estudadas e compreenderam como a história da humanidade mudou a arte. Eles estudavam cada fisionomia, cada detalhe de cada obra, afinal de contas eles próprios seriam as obras de arte em fotografia. Muitos passaram a estudar a arte mais a fundo para ver se encontravam algo com o que eles mais se identificavam. Apesar de estudarmos alguns artistas em sala, eles sugeriram outros artistas e obras que conheciam e nas próximas aulas estudamos estes artistas e obras. Eles trabalharam muito bem a arte da representação. Eles realmente vivenciaram a arte pois demonstraram suas obras para todas as outras turmas da escola. Ao observarem o trabalho dos colegas existiu respeito de todos para com todos os trabalhos. Após entregarem as fotografias no dia 05/06/2008, como culminância do projeto foi realizada uma exposição de arte na Biblioteca Pública Aurélio Camilo no centro de Nova Serrana que foi parceira de nossa escola na divulgação da exposição para todas as outras mais de 30 escolas da cidade e imprensa. Tal proposta deu-se pelo fato de que quando os alunos expõem seus trabalhos para a comunidade e não simplesmente fazem os trabalhos como critério de avaliação para o professor eles se sentem mais valorizados e úteis para a sociedade e se empenham mais nos trabalhos. Os alunos exporam seus trabalhos, foram jovens protagonistas ao se empenharem em transmitir seu aprendizado a outros ao colocarem suas obras em exposição na biblioteca pública municipal no centro da cidade. Houve uma grande interação entre as famílias dos alunos e a escola pois grande parte dos pais foram à biblioteca pública para visitar a exposição. Muitas outras escolas da cidade também compareceram à exposição. Os alunos continuaram a viver a arte, a expor suas obras a outros através de exposições e de sites de relacionamento. Muitos alunos hoje são chamados carinhosamente pelo nome da obra que fizeram a arte viva. O projeto teve grande repercussão pois foi televisionado pela TVI em quatro reportagens (25/08, 31/08, 04/09 e 07/09 de 2008) e pela Rede Integração – afiliada da Rede Globo no MGTV 1ª edição do dia 03 de setembro. A exposição foi divulgada por jornais regionais “GAZETA” e “O Popular” e na revista pedagógica AMES. A repórter do MGTV, após pesquisar o impacto da exposição sobre a comunidade, disse em sua reportagem que a grande parte dos livros de arte ficavam parados nas estantes mas com a exposição estes livros passaram a ser mais procurados. Muitos alunos disseram em entrevista que agora sentem mais vontade de aprender mais sobre a arte. Este foi um resultado muito positivo deste projeto, desmistificar a arte, aquele pensamento de que estuda arte só pessoa que não é normal. Ana mãe diz que a arte desempenha papel fundamental na educação. Ela desenvolve o entendimento das relações. Para o professor poder transmitir de forma que não seja uma mera atividade agradável, eles devem desenvolver a capacidade de compreender, conceber e fruir Arte. É necessário entender o contexto do ensino da arte. Ainda diz que é raro pesquisas artísticas dentro do contexto escolar e que elas são de grande importância para o aluno. Os alunos que participaram do projeto relataram que ao entenderem a relação entre as obras e os diversos contextos, apreciaram a arte e criaram gosto por ela.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: AZEVEDO, Heloiza Aquino de. Coleção Aprendendo com Arte. Educação e CIA, 2004. BARBOSA, A. Mae. Arte/Educação contemporânea – Consonâncias internacionais. São Paulo, Cortez, 2005. DOMINGUES, Diana. Arte e vida no século XXI: tecnologia ciência e Criatividade. UNESP, 2008. AS PINTURAS MAIS VALIOSAS DO MUNDO. Editora Abril, Revista CARAS, 2007.

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