AS CRISES NA VIDA DO HOMEM COMO OPORTUNIDADE PARA A FELICIDADE Edimar Silva (Membro da Sociedade Teosófica pela Loja Fênix

, de Brasília-DF) (Palestra apresentada em 13/02/1999, no Instituto Teosófico de Brasília, durante o s eminário "A Eterna Busca da Felicidade") Comecemos nossa abordagem desse tema buscando definir a palavra "cri se", e podemos verificar que o dicionário nos oferece 12 definições diferentes para es sa palavra. Vejamos algumas delas, obtidas no Novo Dicionário Aurélio (Editora Nova Fronteira), cujo sentido interessa à nossa conversa: manifestação violenta e repentina de ruptura de equilíbrio; manifestação violenta de um sentimento (crise de raiva, por exemplo); estado de dúvidas e incertezas (crise religiosa, crise moral) fase difícil, grave, na evolução das coisas, dos fatos, das idéias (período de cri se, crise familiar, crise literária, crise política, crise agrícola, etc.) momento perigoso ou decisivo (crise histórica) tensão, conflito (crise diplomática, crise internacional) deficiência, falta, penúria (crise de mão-de-obra, crise do café) ponto de transição entre uma época de prosperidade e outra de depressão e vice-v ersa.

Se formos fazer uma rápida análise dessas definições verificaremos que em to das elas existe uma situação de falta de alguma coisa, seja falta de equilíbrio, de ra zão, de alguma coisa de natureza material ou prática, etc. Apenas a última definição não tem esse significado e, por isso, voltaremos a ela no final de nossa conversa. Um o utro fator comum às situações de crise e também àquelas que se enquadram nas definições acima é que todas elas envolvem algum tipo de sofrimento, seja físico, moral, espiritual, sofrimento de grupos de pessoas, nações, etc. Sempre que houver crise haverá sofrimen to e, creio poder afirmar, sempre que houver sofrimento haverá uma crise, mesmo qu e seja potencialmente. Quem nasceu primeiro, a crise ou o sofrimento?! O sofrimento ou a cr ise?! A galinha ou o ovo?! O ovo ou a galinha?! O ovo traz dentro de si uma gali nha potencial e a galinha traz dentro de si vários ovos potenciais. Portanto, o ov o e a galinha estão sempre nascendo juntos. Com a crise e o sofrimento acontece al go semelhante, mas com uma diferença que pode ser fundamental para nossas existência s, porque quando começa uma situação de sofrimento, nós temos ali, potencialmente, uma c rise que poderá ou não desabrochar em algum momento. Mas talvez consigamos atuar de maneira tal que aquele sofrimento se mantenha dentro de determinados limites que não chegue a configurar uma crise, ou seja, não escapa ao nosso controle. Aí teríamos o nascimento de um sofrimento e, potencialmente, de uma crise, que não chega a se i nstalar. Se permitimos que esse sofrimento cresça a ponto de fugir de nosso contro le, teremos o nascimento de uma crise; isso talvez possa ser caracterizado pela grande quantidade de energia que gastaremos na tentativa de sobreviver e elimina r aquele problema, o que será um sofrimento muito maior do que o do início da situação. Estou querendo mostrar que, se permitimos que a crise se instale, virá junto com e la um grande sofrimento, no lugar daquele menor, com o qual, talvez até conseguíssem os conviver e sobreviver.

aquelas que consomem grande parte de nossas energ ias. por soluções mais materialistas. mas . Isso não será conseguido. essa costuma ser a rotina de nossas vidas. tais como o entendimento das origens das refer idas situações. Temos dentro de nós as sementes para todo tipo de ex periências. tanto as úteis. E era nessa fase em que os baobás são pequenos q ue o nosso personagem pretendia que o carneiro os comesse. se é assim. Em seguida. como aquelas aparentemente inúteis. por exemplo. com perfeição. No que foi dito acima está implícito que temos dentro de nós as sementes d e situações que nos trazem sofrimento e de outras que trazem experiências felizes. limpeza essa que consistia em arrancar as ervas daninhas e. pois. sempre temos conosco elementos que nos fazem sofrer e. que também morava em um asteróide e não tinha o saudável hábito de fazer uma limpeza diária em sua morada. como receita para nos fazer mais felizes ou vivermos melhor. no mínimo. o narrador. para podermos sobreviver em presença delas. mais fort es. antes de crescer. as preces e invocações aos anjos. e indagou se os carneiros comiam arbustos. deixamos eles crescerem e tomarem conta de grande parte de n ossas energias.Não sei se é correto afirmar que sofrimento e crise são a mesma coisa. Ao que tudo indi ca. até os atuais livros de auto-ajuda. sugarão todos os nutriente s que ali existirem. Sabiamente. Existe uma infinidade de métodos e técnicas para nos livrarmos de nossas dificuldades. poderá surgir uma aceitação dos fa tos e também um contentamento. que é o outro pers onagem da história. por que deixarmos que um sofrimento perdure e escape ao nosso controle? Devemos nos esforçar para que as situações de crise não nos dominem. É necessário ser sempre assim? Essa é a questão básica que nos ocupará durante e ssa conversa. do dia para a noite. e o príncipezinho afir ma que. para que eles resolvam noss os problemas. Observemos que a maioria dos caminhos oferecid os para a nossa felicidade tem algumas características em comum. em situação análoga ao que acontece conosco quando deixamos pross eguirem as situações insustentáveis. as viagens de férias. como consequência desse entendimento. que deve ser realmente o fruto do entendimento e da aceitação e não algo imposto a nós mesmos. buscando o cultivo de determinadas práticas. c om frequência variável. que só faz mascarar uma situação de sofrimento po baixo de uma carapaça de alegria. o sofrimento gosta de abrir caminho e. agindo de maneira adequada. sentindo-se sozinho. poderemos fazê-lo sem pre melhor. Três árvores tão grandes em um habitat tão pequeno. os carneiros comem arbustos. diz que sim. Inclusive. gigantescos e nem uma manada de elefantes seria capaz de de struí-los. somente uma vigilância constante permitiria que apenas os brot os das boas sementes vingassem. as noitadas regadas a álcool. No interior do asteróide sempre exi stiram sementes de roseiras. que. então os carneiros podem comer baobás. Penso que essa singela história ilustra muito bem o que acontece conos co com relação aos problemas menores que muitas vezes permitimos crescer e que acaba m se transformando em crises. em maior ou menor grau. são pequenos". passando. traz a c rise para lhe fazer companhia. e outros tipos de sensações. ele conta a história de um preguiçoso. entre outros vegetais. Se temos dentro de nós as possibilidades de entrarmos em crise ou de controlarmos uma situação desfavorável. sem se preocuparem c . Antoine de Saint-Exupéry no livro O Pequeno Príncipe (Editora Agir). por isso acabou permitindo que três baobás vingassem e tomassem conta da superfície do pequeno astro. não deixando que nada mais nascesse ali. e a principal del as costuma ser o fato de que as técnicas atacam os problemas. ou mais suaves. Buscamos todo tipo de experiência. de rabanetes e de baobás. os dois são amigos íntimos e costumam andar de mãos dadas. o príncipe diz o óbvio. desde métodos calcados em antigas filosofias e religiões. r elata que esse queria levar um carneiro para seu pequeno planeta. dese jáveis ou indesejáveis. e devemos estar sempre atentos para que apenas as primeiras brotem e cresçam. O narrador então argumenta qu e os baobás são enormes. depois. por ser óbvio é igualmente sábio : "Os b aobás. como. na verdade um asteróide. também. devemos nos abrir para a possibilidade de que as origens sejam kármicas e. mas.

não é efêmero. etc. Essa falta de percepção de realidades mais plenas está na origem de todo nosso sofrimento. das quais somos dependentes no mundo da manifestação (alimento.. se considerarmos que nós fazemos parte de sse mundo da manifestação. nele as coisas não são passageiras como nós percebemo s no mundo que nos rodeia. o melhor roteiro para melhorarmos nossa qualidade de vida. mas. ou aquilo que "é". e nenhuma com as causas. q ueiramos ou não. mas nem sempre o percebemos. não queremos que o sorvete acabe. reais. quando o Príncipe Sidharta voltou ao convívio com os homens. . O pensamento separa as coisas para tentar compreendê-las e essa é a origem do sofrime nto.om a origem dos mesmos. e por isso não queremos envelhecer e sofremos na busca do rejuvenescimento. com certeza. A Realidade plena só é percebida por faculdades mais sutis. Essas bases foram condensadas em quatro idéias . não somos. um dia tudo acaba. desejamos estar próximos de quem ou daquilo que nos agrada e desejam os nos afastar daquilo que não nos agrada. perecíveis. que são assim enunciadas: A verdade da existência do sofrimento A verdade da causa ou origem do sofrimento A verdade da cessação ou extinção do sofrimento A verdade do caminho para a cessação ou extinção do sofrimento. e que ele é marcado pelas idéias de separatividade e de transitoriedade. o que percebemos são apenas as coisas mutáveis. é essa dualidade que dirige nossas vidas. pois esse é não-condicionado e não s ujeito à transitoriedade. O medo da morte nos acompanha diariamente. não queremos que o bom filme termine. sempre será. Faça mos rápidas considerações sobre elas. faculdades essas m ais refinadas que o próprio pensamento. e essa mutabilidade ou transitoriedade é a essência do mundo manifestado em que vivemos. porque queremos o que não temos ou. ou seja. e se alguma coisa tem como essência a própria mutabilidade. Assim sendo. quando tudo é realmente pleno. Praticamente. com o porquê deles terem surgido e crescido. a aproximação da morte. Não vivemos o mundo da Realidade. não se necessita de coisas exter nas. mas não significa que torna o caminho fácil. que também caracteriza sua sabedoria. estamos sempre sofrendo. A Filosofia Esotérica ensina que existe um mundo não-condicionado. anunciou as bases do que viria a ser o Budismo. A Filosofia Esotérica ensina que o mundo que percebemos é uma pequena parte de tudo o que existe. afeto. e por isso é real. tal cois a não possui realidade em si. que estão potencialmente pr esentes em cada um de nós. mas que ainda não foram desenvolvidas. Essas quatro idéias são conhecidas como "As Quatro Nobre Verdades". porque não queremos morrer. pois o que é verdadeiramente real. o envelhecimento não significa apenas a perda da beleza física. A Primeira Nobre Verdade nos ensina que somos todos infelizes e insa tisfeitos. que é nosso mecanismo mais sutil de percepção.). pela sua obviedade. etc. que não depende das coisas transitórias e efêmeras para existir e que nós não percebemos sua ex istência. que talvez choquem à primeira vista pela sua aparente simplicidade ou. também. como no c aso da citação de O Pequeno Príncipe feita anteriormente. A constatação prática dessas verdades é. temos o qu e não queremos. do qual havia se retirado após constatar que todos os seres eram sofredores. não queremos que as pessoas queridas morram. só existe preoc upação com o efeito. Sempre que queremos perceber a Realidade utilizando o pensamento e outros m eios de percepção ainda menos refinados. de determinado ponto de vista. A transitoriedade ou impermanência das coisas é que nos f az sofrer. mas. De todas as correntes filosóficas ou religiosas o Budismo é a que mais s e preocupa com o sofrimento e é nele que tem seus fundamentos todo o edifício da fil osofia budista. porque.

quanto mais próxima a nossa felic idade estiver de nossos níveis espirituais. que compreende os níveis físico. a Sabedoria. quand o temos. portanto. estamos sempre in satisfeitos. Avidyâ. mas é uma felicidade limitada pela transitoriedade inerente a todas as coisas manifes tadas. e nfrentaremos a perda. nunca satisfazem completamente e. não nos lembramos das coisas reais. mas a compreensão limitada. . pois sabe o que "é". daquilo que é efêmero. porque todos os nossos princípios ou componentes são formados a partir de "matéria emprestada" aglutinada em torno de um núcleo de consciência que está buscando conhecimento dos planos materiais e o faz a través do difícil processo de desejar e satisfazer seus desejos. a felicidade pode acontecer a qualquer pessoa. desapegados de todos os objetos ou p essoas julgamos nossos. Como não sabemos quando virá esse dia. porque sua existência e stá centrada num nível de consciência em que a Realidade é "ser". Quem conh ece a Realidade passa a viver acima da ilusão. O desejo é. das idéias que se guimos. Quando compr eendermos isso pela nossa própria experiência. mais plena ela será. o que também pode ser entendido como uma b usca de conhecimento dos objetos do desejo.. Podemos começar a resolver esse problema com a aceitação prévia de que nada nos pertence e que. Este é o próprio processo de evolução do qua l estamos participando. emocionais ou afetivos e mentais ou i ntelectuais. o motivo do sofrimento humano mais próximo da nossa a causa do sofrimento. um dia. esta pessoa está livre do apego. captando nossos desejos físicos. e não "ter" ou "não ter". é então a grande causa do sofrimento. A plenitude total n unca será atingida pela satisfação de nosso sentidos com os mais diversos objetos que conseguimos para lhes dar essa satisfação. Isso. muito mais difícil será o mundo se moldar àquilo que desejamos. sofremos por medo de perder. eventualmente. que é uma consequência do desejo que nos leva a não que rermos ficar privados daquilo que gostamos ou que nos satisfaz de alguma maneira . tanto a nível material quanto espiritual. mas. compreenderemos também que estávamos vive ndo no mundo da ilusão ou no mundo de maya. a igno rância ou falta de Sabedoria. dentro de nossas vidas existem os momentos de felicidade. não necessita mais do que "não é". ficamos durante incontáveis vidas perseguindo o que só satisfaz parcialmente. cuja Causa Única permanece inatingível para nós como aquela Realidade Abs oluta. Pode-se afirmar que existem dois mund os aparentemente irreconciliáveis. qu e por assim serem. etc. ou melhor. ou seja. isso nos leva ao contínuo "vir-a-ser". buscando outras vidas para sat isfação de desejos que não foram satisfeitos. que verdadeiramente trazem a satis fação plena. dos livros que lemos. Por esse processo é que reencarnamos. Mas o mundo é muito maior do que nós e. por isso. quem não possui Vidyâ. Quando cessamos de existir no mundo da manifestação. Dissemos anteriormente que somos seres sem existência real. Deduzimos que só sofre quem é ignorante. emocional e mental. e insatisfatório. Quem atinge o estado de Vidyâ nada deseja ou rejeita. e. e por isso sofremos.Existe um interdependência total no mundo em que vivemos. como não conhecemos. e o da manifestação é o mundo de avidyâ ou a ignorância. a felicidade. Buda. ao mesmo tempo. porque todas as coisas. efeito de alguma causa anterior e causa de algum efeito futuro. vivendo em um mundo irreal. ele é o mundo dos fenômenos. que é também o mundo de maya ou ilusão. enquanto aguarda uma outra existência. Tudo o que existe aqui é. seria prudente que esti véssemos sempre preparados para ele. e essa é a Segunda Nobre Verdade causa profunda de nosso sofrimento é outra. ou seja. talvez. e muitas vezes queremos que o mundo seja calcado nesses conteúdos qu e assimilamos por julgá-los corretos. Isto significa um duplo sofrimento. t oda a matéria que utilizávamos será "devolvida" aos seus próprios níveis e a consciência se recolherá aos planos mais sutis. até proporciona felicidade. Entendamos que a nossa existência está fundamentada em coisas efêmeras. mesmo que seja na morte. um dia. O mundo da Realidade é o mundo de Vidyâ. da religião que abraçamos. e is so não é negado pelo Sr. mas que estão em um constante processo de reencon tro: o da Realidade e o da manifestação. A nossa própria maneira de ver a vida é o resultado d a educação que tivemos. pois sofremos quando não temos algo e. e logicamente. nosso pensamento estará sempre atuando ness e processo. se não con seguimos fazer com que uma pessoa siga o modelo que nós adotamos. deixarão de existir na forma em que as conhecemos. identificando aquilo que eles estão buscando.

Esta renúncia nunca virá como algo que se decide fazer e já está feito. que nos leva à negação de nossas necessidades e. e vana significa cordão. então. suas cordas não poderão estar muito tensas. Vivemos em uma região do planeta onde. as guerras só acabarão quando for entendido pelos governa ntes que não existe nada que as justifique e então elas não serão mais desejadas. ele deverá ser atendido ou compreendido. se não começamos a buscar este caminho. o caminho próprio dos indivíduos que buscam a felicidade através do s prazeres dos sentidos. Ou seja. Deve-se ter muito claro o fato de que nada poderá ser aniquilado. nirvana é. que podemos entender como p ontos de conduta correta ou não-extremada. Re aliza-se o Nirvana pela completa renúncia aos objetos do desejo. o com bustível permanece e bastará uma pequena fagulha para que volte a queimar. incluindo-se o de sejo de novas existências no mundo da manifestação. o estado de l ibertação. confo rto e prazer físico.A consequência de se atingir Vidyâ é também a concretização da Terceira Nobre Ve rdade. são: Palavra Correta Meio de Vida Correto Ação Correta . ao sofrimento. este caminho é conhecido como o Caminho do Meio ou o Nobre Óctupl o Caminho. para que se resolva não mais gu errear e não deixar que as pessoas morram sem alimento. não nos libertamos. não nos fará realmente fel izes. Isto exemplifica porque devemos fugir dos extremos: se nos jogamos com muita pressa em um caminho de busca da libertação. Este é um primeiro passo no sentido da elimi nação do desejo. simplesmente. a Sabedoria. fo i ensinado que determinadas manifestações do desejo devem ser aniquiladas ou negadas a sua satisfação. por exemplo. então. O primeiro extremo é a a uto-indulgência (achar correto tudo o que se faz para a satisfação de si mesmo). não poderão estar muito frouxas. mas acabará por fazer com que nos desinteressemos e direcionemos nossas ener gias para a busca da satisfação plena e verdadeira. Os oito princípios do Nobre Óctuplo Caminho. O desejo. o dese jo desenfreado por riquezas só desaparecerá quando se compreender que basta que cada um possua o necessário e forem criados mecanismos para que todos possam viver dig namente. Como consequência disso. mas. Logicamente não são todos os desejos que podem ser satisfeitos. bem como de que tudo aquilo que os satisfaz. acarretando sofrimen to. O segundo extremo é o da auto-tortura. trazendo apego às paixões exacerbadas. por isso. enquanto existir desejo para ser satisfeit o. pois assim seu som será desarmonioso. também. e não ignorá-lo. negamos as necessidades que ainda não foram tran scendidas e. em qualquer uma de suas inúmeras modalidades. surge a Quarta Nobre Verdade. atingindo. e fará com que q ueiramos romper o cordão que nos prende ao processo. para que se possa transcendê-lo. fic aremos inertes e também não atingimos a libertação. O conhecimento das causas de nossos dese jos menores. o mesmo que o Nirvana. usando um exemplo radical. pois isso fará com que elas terminem por arrebentar. da mesma forma que o fo go só se apaga realmente quando o combustível acaba. mas. significando não estar preso ou estar liberto. também é uma energia que deverá ser utili zada para que se extinga. que nos indica O Caminho que leva à C essação do Sofrimento. porque. que nos faz entend er o desejo e suas consequências. seguindo-o estaremos fugindo de dois extremos. Estamos tentando demonstrar que é Vidyâ. capazes de nos conduzir à libertação. que é a cessação do sofrimento ou a cessação do sofrimento da existência. também. a Sa bedoria plena. fará com que compreendamos todo o mecanismo de desejo/busca-de-sati sfação/novo desejo/nova insatisfação. durante séculos. Para que o som de um violino seja perfeito. a não existência de um cordão que prenda. como também das suas consequências. que é o Nirvana. Daí. Vidyâ. num processo que tende ao infinito. das reais causas de uma guerra ou da fome. Nir significa em sânscrito não. na busca de satisfação. para em seguida pautarmos nossas vidas por condu tas não extremadas. pois se o apagamos antes. é necessário o conhecimento.

pa ra usar o exemplo já citado. permitindo que eles se transformem em conflitos quando não sabemos equilibrar os opostos e deixamos que um tente dominar o outro de maneira forçada ou artificial. elas nos dizem que só podemos esperar perfeição de quem é capaz de mani festá-la em seus atos e. aquela ação que produz harmonia. em relação à própria vida. e isto será fator causador de sofrimento. estamos sempre em contato com fatores que p odem gerar conflito e sofrimento. no caso humano. outra parte do mundo me convida ao consumo de coisas desnecessárias e ao egoísmo. caso contrário não seriam uma proposta de caminho do meio. que é aquele equilíbrio característico dos não radicais o Camin ho do Meio. o s três seguintes à disciplina mental e meditação e os dois últimos à introspecção e sabedoria palavra correto ou correta. Por exemplo. etc. que nem sempre é perfeita. por razão e emoção. ou seja. pois criará exp ectativa por alguma coisa impossível de ser atingida e ansiedade em quem exige e e m quem está sendo exigido. aparentes avanços e retroc essos. Mas. pululam dentro e fora de nós? Parte de minha pessoa quer se espiritualizar. não existe espiritualidade com destruição ou afastamento sumário daquilo que se opõe ao que julgamos ser o correto. e. até às fatídicas "guerras santas". A nossa const ituição a partir de elementos de polaridades opostas faz parte de nossa condição de sere s que vivem no mundo do condicionado. já que é formado por matéria e espírito. outra parte quer "chafurdar na lama". O homem é um confl ito ambulante. cada avanço é uma pequena felicidade e cada retrocesso é um novo sofrimento. em que as causas que podem levar ao conflito e. no livro Além do Materialismo E spiritual (Editora Cultrix). esticando demasiadamente a corda do violino. certo e errado. capaz de gerar desde o afastamento de pessoas amigas. de grupos. ultrapassando os limite s de nações e continentes. emocional e mental. Temos aí um rápida apresentação do mais completo "manual para a libertação do so frimento". o nec essário e possível. que poderão ser pessoais. nos recomenda que tenhamos senso de humor perante a . consequentemente. de nações ou até étnicas.Esforço Correto Plena Atenção Correta Concentração Correta Pensamento Correto Compreensão Correta Os três primeiros princípios dizem respeito à conduta ética ou moralidade. A expectativa em relação às pessoas com quem nos relacionamos e. leva ao fanatismo. Com isto. dá o padrão a ser at ingido em cada um deles. muito comumente se traduz em frustr ação. Se não obedecermos a esse limite. Não é sábio colocarmos em evidência estes choques. e tem o costume d dividir as coisas em agradáveis e desagradáveis. às crises. conduzida com muita emoção e pouca razão. Grandes cris es. frequentemente nascem daí. A simplicidade do que foi dito não deve dar a idéia de que é fácil praticar t ais princípios e deve-se mesmo esperar muita dificuldade. utilizada em cada um dos princípios. inclusive de nós mesmos. ainda. como perfeita com relação às condições e capacidades de quem a executa . e estaríamos forçando nossa estrutura física. que podemos também definir como conflito. como já dissemos. começaremos a exigir perfeição de quem não pode oferecêla. em sofrimento. Um ponto a ser compreendido sobre sofrimento e crises é que eles nasce m do choque de opostos. ou pode se r entendida. como devemos nos portar em um mundo fundamentado em princípios op ostos. consquentemente. parte do mundo é pobre e me convida a ser altruísta e generoso. Este método de avanços e retrocessos é o único que nos levará ao conhecimento que l iberta. q uando não se sabe lidar com ele. toda religiosidade mal direcionada. Esse padrão é estabelecido pelas palavras "correto/correta" e não por "per feito/perfeita". de uma maneira geral. Não existe religiosidade perfeita ou espiritualidade pe rfeita em que um princípio destrua o outro. Chogyam Trungpa. Os princípios do Nobre Caminho Óctuplo devem ser prat icados na medida da capacidade individual. devemos esperar o correto.

mas. de nossos instintos de defesa. busquemos nos afastar mentalmente de tal situação e tentemos vê-la de fora ou do alto. Quando compreendemos tais leis. quando alguém se opõe ao que penso. pelo contrário. conseguirmo s isolar nossa mente. se excluem mutuamente. quai squer que sejam os fatos que a vida nos ofereça. levarão a efeitos futuros e têm que ser bem compre endidos e bem resolvidos. quando. inclusive aquele problema ou qualqu er outro. portanto. que não irá muito longe. Isto implica em termos aquela visão abrangente de todas as crises e conflitos que. frieza essa que não nos torna maus nem desumanos. acalmar nossas emoções e relaxar nosso corpo. inclusive abrind o mão. porque os limões estão sempre sendo oferecidos. o Nirvana. não chegaremos a lugar nenhum lutando contra e les. fatos que poderiam nos fazer sofrer. estaremos transmutando a natureza de alguma coisa que poderia ser muito prejudicial. porém. O senso de humor não significa uma alegria tola e falsa. talvez até consigamos entender o porque do que está ocorre ndo e tudo nos pareça ridículo e sem sentido. Se não p ermitirmos que as sementes dos baobás brotem ou se percebermos os seus brotos aind a pequenos e os utilizarmos de alguma maneira. minimizando os efeitos das causas de possíveis sofri mentos e contornando as crises quando surgirem. nos tornando mais sábios. mas. porventura. Estamos falando de harmonia. bem assimilada. cujo fogo servirá ao necessário trabalho de purificação. poderemos utilizar a ra zão e até abrirmos espaço para que nossos princípios superiores iluminem nossos pensamen tos. só virá quando conseguirmos ultrapassar nossas preferências ou repulsas. se ela estiver r ealmente errada. poderemos perceber os fatos através de pontos de vista diferente s dos que tínhamos até então e. Assim. em noss as vidas. nos integrando a el es poderemos compreendê-los e transcendê-los. acho isto extremamente perigoso e quero acabar com as possibilidades de ação de tal pessoa. mas não permite que fiquemos abalados pelos fatos. enfrentarmos vida a fora. bons ou ru ins. A felicidade poderá ser atingida no momento que soubermos viver a vida com todos os seus conflitos. e estaremos sendo mais felizes. mas ela acontecerá mais facilmente se não permitirmos que as crises se instalem. s im. se pensarmos nos baobás como s endo nossas crises. não deixando espaço para entendermos os fa tos e. O ideograma chinês para o vocábulo "crise" é composto por duas idéias que. Quando aprendemos a lidar com eles . . ele toma rá posse de toda a nossa capacidade mental. em hipoc risia. que são as palavras "risco" e "oportunidade". Talvez uma boa síntese para o trabalho de tornar as crises uma oportun idade para a felicidade esteja no ditado popular que ensina a fazer limonada com os limões que a vida nos oferece. não estamos falando. na forma de acontecimentos que nos fazem sofrer. poderemos transformá-los em lenha. ou seja. permitindo o nascimento de uma crise. ele diz que nós nos levamos demasiadamente a sério. então. Ele propõe que q uando estivermos em uma situação de sofrimento ou de conflito. tornamos a vida mais simples. a parentemente. estamos fazendo a limonada. Se. Não estamos nos referindo à felicidade total. A compreensão verdade ira nos mostrará que os acontecimentos que nos levam às crises não são fatos isolados. na medida do possível. A felicidade total. Enquanto estivermos ocupados em apenas resolver o problema. Bastará esta perspectiva bem entendida. q ue estão ligados a causas passadas. apesar de termos sempre presentes.vida. em uma certa frieza diante da vida. tudo parecerá extremamente sério e importante. como se subíssemos em um edifício. também. sim. como também às coisas que nos cercam. para minimizar b oa parte de nossos sofrimentos e de nossas crises. mais fácil e mais leve. permitindo a compreensão do que está realmente acontecendo. percebendo um pou co mais a vida e as leis que a regem. contentamento e serenidade incondicionalmente. assim. porque assim teremos ha rmonizado as polaridades opostas (mas complementares) que convivem em cada ser e em todo o universo. mas pelo contrário. efêmero. de uma capacidade para viver bem. nestas condições deixaremos d e levar em conta que tudo é passageiro. mas uma capac idade para irradiar alegria. é só deixá-la seguir seu caminho.

Quando fugimos da dor. cada grupo aprese ntou suas conclusões. para apr endizagem. que se subdividiu em cinco grupos a fim de debatê-las. também. por isso. o sofrimento é inevitável. É inevitável. . que diz serem ela s um "ponto de transição entre uma época de prosperidade e outra de depressão e vice-ver sa". enquanto não nos libertarmos das causas e dos efeitos do sofrimento. em troca da oportunidade de mudar suas vidas .Podemos observar como exemplo. as crises são verdadeiramente momentos de definição de nossos futuros. correndo o risco de contrair malária e outras doenças. Se soubermos aproveitá-las como oportunid ades de aprendizado. de acordo com o grau de consciência no momento. Outros ent enderam que o sofrimento é evitável. Só aprendemos via sofrimento. sendo assim. mas. Depende de como nos relacionamos com essas causas do sofrimento. pode deixar de ser inevitável. poder-se-ia evitar o sofrimento e a crise. aceitação das coisas como são e. maior ela se torna. Após a apresentação da palestra foram colocadas cinco questões para a platéia. GRUPO "D" Concluímos que as causas para o sofrimento existem e que são criadas por nós. elas terminarão por passar algum dia. Pergunta: As causas para sofrimento e crise existem. ou seja. aqueles homens ávidos por ouro. sofriam e estav am em crise. As crises estarão sempre nos rondando e cabe a cada pessoa. e somente a cada uma. a responsabilidade de não permitir que elas se instalem. estamos fugindo do aprendizado. que foram para Ser ra Pelada. possivelmente eram pobres e. mas. alguns do grupo entenderam que é vitável. quando e ncontram espaços em nossas vidas. cabe. na realidade. conviver e aceitar o sofrimento. poderemos aceitar a definição citada no início. A partir daí. pois como disse mos. O sofrimento é oportunidade para abrirmos o leque da compreensão da vida. é in evitável que passemos pela experiência do sofrimento? GRUPO "A" Sim. após isso. porque. Assumiram então o risco. desde que tenhamos consciência das ações e das relações de nexo caus al entre causa e efeito. que transcrevemos a seguir. tendo a oport unidade de ficarem ricos. e m que escolhemos entre sermos felizes ou infelizes. GRUPO "F" Não. a stão que a falta de compreensão aumenta e gera mais sofrimento. A forma como lidamos com o sofrimento é que o tornará mais doloroso ou não. porém. "Na vida se aprende pelo amor e pela dor. GRUPO "B" Sim. F oi abordada a questão da compreensão da situação. não devemos encará-las como eternas. No entanto. GRUPO "C" Sim. que em todos os níveis existe o desejo e aí o sofrimento é inevitável. a alternativa de entender." GRUPO "E" Sim. Em r elação à questão sobre se o sofrimento é inevitável ou não. juntamente com as respostas de o utra folha que nos foi entregue.

de que manei ra? GRUPO "A" Sim. quando o sofredor da Lei não chega a aceitar suas consequências com espontaneidade. Não existe solidão. Enquanto formos ignorantes. GRUPO "D" Não respondeu. a ação correta até poderiam neutralizar o mau karma. não ha verá sofrimento ou haverá uma diminuição considerável dele. através da compreensão/aceitação do todo em nós e de nós no todo. porque o dharma correto pode vir a neutralizar a reação advinda do karma. se estamos em relação contínua com tudo que a vida nos apresenta. GRUPO "E" Não. GRUPO "E" . GRUPO "B" Não. desde que se esteja com a personalidade integrada (físico / emocional / m ental / alma). GRUPO "F" Sim. GRUPO "C" Entendemos que a lei do karma atua através do sofrimento. quando o indivíduo estiver em harmonia com a Lei. GRUPO "B" Sim. Através do auto-conhecimento e. a lei do karma está sempre sendo complementada pela lei do dharma. GRUPO "C" Sim. Desde que se incorpore como aprendizado. há eliminação do sofrimento. da compreensão da impermanência que conduz ao desapego. Aí ele é submetido compu lsoriamente ao sofrimento. GRUPO "D" Através da compreensão. até aprender. Existe um estado de "estar só". Pergunta: É possível ser feliz sozinho ou sozinha? E se for. nesse caso. a consciência. o arrependimento. o que nos desvela todas as características estruturais que nos compõem.Pergunta: A lei do karma tornaria o sofrimento inevitável? GRUPO "A" Sim. que surge após nos integrarmos amorosamente à vida e à natureza. também.

cultura. Pergunta: Como conciliar a busca por uma felicidade plena. portanto. para a realização da felicidade plena.. lazer. que é parte de nossas vidas? GRUPO "A" Através da harmonização dos diversos elementos que constituem o nosso momento presente. que indep enda de fatores externos a nós (alimento. compaixão. Pergunta: Para sermos felizes devemos nos preocupar em viver conform e todos os condicionamentos que assimilamos (religião. É impossível estar totalmente só. etc. Ex. humildade. Todos nós do grupo acreditamos no fluxo perfeito da vida e amamos cada momento deste fluir. porque a felicidade é um estado de espírito. a integração deles num todo.: trabalho. GRUPO "E" Pelo desapego. etc.Sim. afeto. comprometem a felicidade. É necessário o percebimento. Descobrir a alegria e o contentamento que o "novo" nos apresenta a cada momento de nossas maravilhosas vidas. Encontrando a Fonte da Felicid ade dentro de si mesmo. como meio e não como fim GRUPO "C" Estabelecendo pontes de conciliação que ajudarão a diminuir aquela dependência. GRUPO "B" Não. é necessário compreendermos nossos condicionamentos e mecanismos condicionadores trazidos por estas influências e nos libertarmos delas. Há que se conciliar estes fatores. a aceitação da diversidade destes elementos e. posteriormente. GRUPO "B" Com a utilização adequada desses fatores externos. É impossível ser feliz sozinho. porque os condicionamentos aprisionam e violentam a liberdade (inclusive da Alma) e. . vontade. isto é. Não tem como separar a vida interna da vida externa. GRUPO "F" Não. GRUPO "F" Meditação. para obter uma felicidade relativa.). com a grande dependên cia desses fatores. etc)? Por qu e? GRUPO "A" Não. educação. GRUPO "D" Não respondeu.

Este texto foi gentilmente cedido pela Loja Teosófica Fênix . Não é imperativo que não se possa conciliar os condicionamentos assim ilados. Na vivência de uma crise/conflito. porque a felicidade só pode existir através da libertação dos condicionamentos.GRUPO "C" Discordamos. . GRUPO "F" Não! Porque é preciso exercitar a nossa consciência. GRUPO "D" Não respondeu. encontramos novos padrões e normas para a sociedade na busca d a felicidade.Brasilia .DF. GRUPO "E" Não. Fale com o autor clicando aqui. o livre-arbítrio.

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