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IMAGENS

BENEDITO PEIXOTO

2 Espero contar com a sua contribuição de pelo menos R$ 1,00 pelo arquivo. Escreva para mim: bplhc@yahoo.com.br Outros Liros do autor publicados: Aspectos do Eletromagnetismo em 3+1 e 2+1 Dimensões com quebra da identidade de Bianchi, ed. UNESP; Imagens : Ed. Papel Virtual; A origem do homem moderno: Ed. CBJE; Missa - Diálogo Supremo: Ed. CBJE Antologias: Estudantes do rasil 2000, Ed. Litteris/ Casa do Novo Autor ed,; Anuário de escritores 2001, ed. Litteris/ Casa do Novo Autor ed,; Grandes escritores do Interior de SP, Casa do Novo Autor ed.

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Imagens
Para: Simone, Paulo, Mariana e Constante

INTRODUÇÃO

No tema Imagens, é abordado, a partir da frase “Deus é Deus de vivos, não de mortos” (Mt 22, 32), tanto a característica do objeto, levando-se em consideração o universo da arte de representação, quanto do sujeito a quem se refere. Durante o desenvolvimento dos capítulos, o leitor depara-se com as sutilezas que o tema pode esconder como os ícones, a presença de Deus, a relação dos santos na Igreja e a intercessão deles por nós. O objetivo da presente obra, é levar o leitor a se interessar mais pela Igreja, formada pelo povo de Deus, perceber a importância do testemunho do cristão para seu próximo ou para as gerações futuras e mostrar

4 que todos os que vivem ou já se foram por causa do amor de Jesus, permanecem com ele em sua Igreja.

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ÍCONES

O 1o mandamento e os ídolos

O primeiro mandamento da Lei de Deus nos diz: Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da servidão: Não terás outros deuses diante de mim. Não farás par ti ídolos ou coisa alguma que tenha a forma de algo que se encontre no alto do céu, embaixo na terra ou nas águas debaixo da terra. Não te prosternarás diante destes deuses e não os servirás, porque eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus ciumento, visitando a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração - se eles me odeiam -, mas provando a minha fidelidade a milhares de gerações -

6 se eles me amam e guardam os meus mandamentos (Ex 20, 2 - 6). Tendo em mente a lembrança das procissões e romarias, e da comunidade, as quais levam consigo uma ou várias imagens de alguns dos santos da Igreja, muita gente possui uma idéia fixa de que imagem é uma escultura de alguma pessoa, feita em madeira, em gesso, em barro, ou em outro mineral, e que a morte é um fim total da pessoa até o dia da sua ressurreição. Esta é uma concepção um tanto simplista do conceito de imagem e o fato de Deus ser o Deus de vivos não de mortos, sendo Deus de Abraão, de Isaac, de Maria, de Moisés, é abordado apenas nos aspectos que são convenientes para a crença das pessoas que pensam assim. Vivendo num mundo em que a imagem é fundamental para a comunicação de qualquer ensinamento que se queira passar, o fato de reduzir o conceito de imagem a uma estátua - ídolo, implica na possibilidade de se estar trabalhando com todo o restante do universo da imagem, de forma a evidenciar que não se está caindo em idolatria. Ao se fazer isto, se está manipulando o primeiro mandamento no conceito de imagem que ele traz consigo.

7 Este primeiro mandamento proíbe o homem, que crê no Senhor, de fabricar qualquer tipo de imagem divina, nada que tenha a forma de qualquer objeto visível, quer seja uma representação de algo que esteja no céu ou de algo que esteja na Terra, fazendo uma enumeração completa de imagens divinas ou ídolos. Este mandamento diz que não devemos nos prostrar diante de outros deuses e servi-los, porque não são o Senhor, nosso Deus. É uma condenação a qualquer tipo de idolatria, que nos afasta da presença do Deus único. É também uma rejeição de todo tipo se superstição, muito comum hoje. Estaríamos nos corrompendo, se nos comportássemos dessa maneira, fabricando uma forma qualquer de divindade, seja ela a imagem de um homem, ou de uma mulher, imagem de qualquer tipo de animal, quer seja ele um pássaro ou um réptil, ou um peixe, prostrando-se diante dessas divindades e as servindo. Há um tomado de cuidado também quanto aos astros: estrelas, sol, lua. São muito belos, são o que são, objetos celestes que um dia nunca existiram e não podem criar algo a partir do nada como Deus os criou e não possuem capacidade de reger a nossa vida diária,

8 pois nem mesmo eles podem reger-se a si mesmos, pois estão condicionados pelas leis da natureza, as quais foram formuladas antes de suas existências. Sabendo que imagem é qualquer representação de um objeto, quer seja pela pintura, pela escultura, pelo desenho ou por qualquer outra forma de arte, ela sempre esteve presente na vida das pessoas e ainda permanecerá por muito tempo. Se este mandamento tratasse da total proibição da fabricação de qualquer tipo de imagem, não teriam chegado até nós as riquezas bíblicas, simbolizadas pelas imagens das mais variadas formas, representações do que há no céu e do que há na Terra, como as imagens dos querubins que Deus mandou fazer para o Templo, a descrição da imagem da arca da aliança e de toda a belíssima descrição da decoração do Templo de Salomão, recebida por Deus como sua Casa, com os vários querubins tanto ao lado da arca da aliança, quanto decorando o Templo, juntamente com imagens de leões, da figura do mar, dos touros, palmas e lotus. Objetos feitos em metal, cerâmica e pintura. Levando este mandamento ao pé da letra, estaríamos cometendo idolatria se fizermos uso de

9 simples representações de objetos como de uma foto da nossa identidade, de um quadro de arte, sacra ou profana, das milhares de imagens que recebemos da telinha de nossa televisão diariamente, de uma estampa em nossas camisetas, de qualquer figura representando qualquer coisa que exista, como a figura de uma pessoa muito querida, a qual noas traz belas recordações como de nossos filhos, de Maria, de Jesus e de são Francisco de Assis, ou a figura do Espírito Santo representado em forma de pomba, ou a representação de qualquer ser vivo trazendo consigo uma mensagem bíblica para a nossa vivência cristã. Da mesma forma estaremos cometendo idolatria se fizermos das imagens, imagens divinas, prostrando-nos diante delas e as servindo, realmente como se fossem deuses, e isso vai contra o mandamento. Devemos ter sempre em mente que Deus age no meio de nós, e por nosso intermédio, através dos dons que ele nos deixou, mas não se deixa manipular jamais. Falsos profetas sempre existiram e sempre atraíram para junto de si muitos adeptos e admiradores, este

10 de todas as classes sociais e de todos os credos, atraídos pela propaganda que o envolve e o fascina, como um punhado de açúcar próximo da entrada de um formigueiro consegue atrair a atenção de todo o formigueiro. Se este mandamento fosse realmente radical, não teriam chegado até nós também, o significado de Deus ter mandado fabricar a serpente de bronze, sinal de sua presença no meio do povo, para que sua fé em seu Senhor não sofresse tanto. Não nos haveriam chegado a decoração dos túmulos e das sinagogas, quer das catacumbas romanas, com as imagens pintadas em suas paredes dos primeiros santos e santas cristãos e de muitas outras figuras, quer das pinturas das sinagogas. Se fosse uma proibição total, o próprio ato de imaginar em nossa mente a Jerusalém Celeste, com suas formas magníficas, todo o ouro e todas as pedras preciosas que a compõem, seria um ato de idolatria da nossa parte, pois construímos as imagens em nossa mente, e estaríamos agindo da mesma forma quando imaginamos o Espírito Santo pousando sobre Jesus em forma de pomba e depois sobre os apóstolos e também

11 sobre Maria, mãe do Cristo, em forma de línguas de fogo. O fato de termos em mente, ou concretamente as imagens dos santos da Igreja que já faleceram, é para mostrar que Deus agiu no meio deles e continua agindo.

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Os bezerros de ouro, santuários...

Na época do rei de Israel Jeroboão,

ele,

Jeroboão, dissera a si mesmo que se o povo continuasse a subir para Jerusalém, na casa do Senhor para lhe oferecer sacrifícios, poderia acabar seguindo ao rei de Judá, e quanto a ele, acabaria sendo morto por seu próprio povo. Como havia um cisma entre o reino de Israel e o reino de Judá, para fazer com que o povo de Israel deixasse de prestar culto ao Senhor no Templo de Jerusalém, Jeroboão instituiu dois santuários nacionais no reino de Israel, um em Betel e outro em Dan e teve a idéia de fazer dois bezerros de ouro a serem instalados nos dois santuários, nos quais seriam prestados culto aos deuses de Israel (1Rs 12, 23 - 30). Desta forma, o povo de Israel ficava privado de prestar culto ao Senhor no Templo de Jerusalém, casa do Senhor. E nisto consistia o seu pecado.

13 Uma outra situação, a da demora de Moisés para trazer do alto da montanha as tábuas da Lei para o povo, fez com que eles se reunissem com Aarão para lhe pedir que fabricassem deuses para que seguissem à sua frente, pois já desacreditavam em Moisés. Aarão recolheu todo o ouro que estava no poder do povo e fabricou-lhes a estátua de um bezerro. Disseram que aqueles eram os deuses de Israel. Miká era um levita, que tinha em sua casa um pequeno santuário com uma estela divina (Jz 17, 4 ss; 18, 15 ss). Entre todos que serviram no Santuário nacional de Dan, Miká foi o primeiro, e para lá levou consigo o ídolo. O profeta Amós menciona este santuário com desprezo, dizendo que os israelitas cairiam e nunca mais se levantariam, por jurarem pelo pecado de Samaria, bendizendo o Deus de Dan e o poder de Ber-Sheba (Am 8, 14). Apesar disso, o deus adorado em Dan era o Senhor, Iaweh. Em todos estes relatos, se os homens forem levadas apenas por interesses pessoais, se verifica que as relações entre os homens, quanto à sua salvação, pode se tornar de tal modo conflitiva, que um ambiente de separação tende a se instalar nessa realidade. E todo

14 esse clima, então formado, serve apenas para aumentar as rivalidades entre as partes envolvidas. Estes relatos ocorreram no passado, mas ainda estão bem vivos na realidade cultural em que vivemos. Um mundo em que há tantos cristãos que professam a mesma fé em um mesmo Deus e apesar de tudo, se esforçam para permanecerem em constante separação. Todas as vezes em que o povo de Deus se separou de seu Caminho, ele precisou de um pretexto que não lhe desse também uma separação com seu Deus. Os bezerros de ouro permanecem na nossa atualidade, além de pretextos, verdadeiros pedestais sob os quais tendem a verdadeira “salvação”. Sempre foi uma atitude comum do homem, buscar a verdade, nem que para tanto, ele tenha que se separar daqueles que não estão de acordo com ele, sobre o pretexto de estarem se afastando dela mais do que pensa. Na busca da verdade, ele vai atrás das orientações de um guia que o conduza, seja ele quem for, o homem nunca vai sozinho, sempre necessita que algo ou alguém o conduza. A verdadeira orientação para o homem, é a revelação cristã, que proporciona a todos seguir o

15 caminho da verdade. Ela está relacionada com a lei do amor que todos trazem gravado em seus corações, fazendo com que todos estejam sempre aptos a cumprila. O fato de o rei Jeroboão, para se autobeneficiar diante de seu povo, utilizar-se da razão ao construir para seu reinado os dois santuários, a fim de que, em sua mente, todas as pessoas de seu reino fossem desobrigados de prestar culto a Deus no Templo de Jerusalém, é um exemplo que ainda hoje permanece atual. Agindo segundo as ordens do rei Jeroboão, o povo de Israel ficava privado de prestar culto ao Senhor no Templo de Jerusalém, casa do Senhor. E nisto consistia o seu pecado. O homem é inteligente, e como tal, pode se tornar perigoso para sua própria vida, todas as vezes que separa a razão da fé, podendo levar consigo outros tantos como ele. No meio de tanta diversidade em que estamos inseridos, fica fácil e tentador para qualquer pessoa, em determinado momento de sua vida, seguir por um caminho que mais lhe convém, mesmo que isto implique

16 a ele sair de sua Igreja e prestar culto a Deus em outra comunidade. Esta passagem do período do Rei Jeroboão, onde havia o cisma entre os reinos de Judá e de Israel, é um exemplo para os dias de hoje, em que a divisão entre os cristãos se faz notar das mais diversas formas possíveis, como em todas as denominações pelas estão separadamente agrupados. É difícil transmitir para todos estes cristãos a importância vivermos na mesma casa que, por Deus, nos foi preparada. O reino de Deus está destinado a todos os homens, e a sua realidade se notará presente à medida em que os homens testemunhem o amor ao próximo, à medida em que perdoam-se, e se ajudem mutuamente.

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Sinais

Assim como na Bíblia há muitos sinais representando os momentos da ação de Deus no meio do povo, hoje também não é diferente. As doze pedras retiradas do rio Jordão e erguidas em Guilgal, quando da sua travessia, servindo se sinal para aquele povo e para as gerações futuras como nós, de que quando se lembrarem daquelas imagens de pedra erigidas em Guilgal, se recordariam também de como Deus agia e age no meio povo(Js 4, 6). Ele se utiliza de pessoas de seu povo para mostrar para toda a comunidade, através de sinais e prodígios, que sua aliança é mantida fielmente por ele próprio, e que em nenhum momento se deixou manipular pelos que se beneficiavam de sua graça. As imagens dos incensórios em (Nm 17, 3), como os próprio Senhor falou, são sinais que servirão para o povo perceber a importância que Deus dá a algo

18 que lhe é sagrado. E se um objeto representado pela imagem de um incensório sagrado tem tal importância perante Deus, muito mais a vida de uma pessoa santa e que foi sagrada a Deus, será um sinal no meio do povo de que a presença de Deus se faz sentir por meio dela. O bastão de Aarão em (Nm 17, 18), também era um sinal para o povo, de tal forma que diante de sua presença, se lembrariam que o Senhor estaria sempre próximo dele, por mais rebeldes que pudessem ser, em determinado momento de falta de fé da parte deles. Os filactérios em (Ex 13, 9; Dt 6, 8; 11, 18; Mt 23, 5), eram objetos feitos com quatro lacunas onde eram inseridas rolinhos contendo o mandamento de amar a Deus (Dt 11, 13 - 21) e não servir a outros deuses; o Shema, que era o credo em um único Deus (Dt 6, 4 - 9); a Páscoa ( Ex 13, 11 - 16) e os Ázimos (Ex 13, 1 - 10). Eram usados na cabeça e no braço, parecidos com os escapulários, os quais são trazidos pendentes ao peito. A imagem do arco-íris em (Gn 9, 12 - 13. 17), como o próprio Deus diz, é o sinal da aliança perpétua, estabelecida entre Deus e todo o ser vivo, qualquer que seja na Terra, por todas as gerações.

19 A serpente abrasadora de bronze feita por Moisés, a pedido do Senhor, em (Nm 21, 4 - 9; Sb 16, 6 - 7), já prefigurava a imagem do Salvador, de Jesus crucificado, de tal modo que todo aquele que cresse teria a sua vida restituída. Deus se mantém fiel à sua aliança com todos as famílias de todos os povos e de todas as gerações prova disto são todos os sinais realizados no meio do povo.

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SUA PRESENÇA

Casa do Senhor

Como consta na descrição de (Ex 25, 10ss), a arca da aliança, a qual o Senhor mandara fabricar para abrigar as duas tábuas de pedra, era como uma caixa portátil que media cerca de 1,3 metro por 0,7 metro e 0,7 metro. Era feita de madeira de acácia, revestida com placas de ouro puro por dentro e por fora. O Senhor mandara fazer também, a imagem de dois anjos querubins de ouro representados sobre a arca da aliança, colocados em cada extremidade do propiciatório. Os dois querubins do Templo de Salomão tinham cerca de 5 metros de altura e suas asas eram da mesma dimensão, se tocavam e tocavam

21 as extremidades das paredes do lugar do propiciatório do Santo dos Santos (1Rs 6, 23ss). O propiciatório era o lugar em que Deus se fazia presente. Haviam também imagens esculpidas de querubins no interior e exterior das paredes da Casa (1 Rs 6, 29), também, na entrada da câmara sagrada, havia querubins esculpidos (1Rs 6,31-32), foi feito o mesmo na entrada da grande Sala, com a escultura de imagens de querubins (1Rs 6,33-35). Para o Templo, foram destinados vários objetos fabricados de metal: foram feitas a imagem do Mar em metal fundido, o qual tinha cerca de 5 metros de diâmetro e de forma circular, ficando repousado sobre a imagem de doze bois (1 Rs 7,23-25). Foram feitos 10 suportes em bronze na forma de painéis, sobre os quais haviam imagens de leões, touros e querubins (1Rs 7,27-29,36). Após Salomão construir a Casa do Senhor e a casa do rei, o Senhor lhe disse: “Ouvi a oração e a súplica que me dirigiste: consagrei esta casa que me construíste, a fim de nela fixar meu nome para sempre; meus olhos e meu coração estarão nela sempre. Quanto a ti, se caminhares em minha presença como Davi, seu pai,

22 com um coração íntegro e com retidão, agindo conforme tudo o que te ordenei, se observares minhas leis e minhas normas, manterei para sempre o teu trono real sobre Israel como o disse a Davi, teu pai: ‘jamais faltará um dos teus para sentar-se no trono de Israel’. Todavia, se vós e vossos filhos vierdes a afastarvos de mim, ou não observardes as leis e as normas que vos prescrevi, se prestardes culto a outros deuses e vos prosternardes diante deles, então exterminarei Israel da face da Terra que lhe dei; lançarei para longe de minha face esta Casa que consagrei ao meu nome, e Israel se tornará a fábula e a zombaria de todos os povos. Quem passar pelas vizinhanças desta Casa tão elevada ficará estupefado e exclamará: ‘Por que razão o Senhor agiu assim para com esta Terra e em relação a esta Casa?’ E responder-lhe-ão: “Porque eles abandonaram o Senhor, seu Deus, que fez sair seus antepassados da Terra do Egito; porque eles aderiram a outros deuses, prosternando-se diante deles e os servindo; é por isso que o Senhor fez cair sobre eles toda essa desgraça” (1Rs 9,1-9).

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Deus se revela entre nós

Gradualmente, Deus nos revela a sua imagem. No tempo do antigo testamento, ele se comunicava com seu povo, a princípio, numa chama, em um monte, e depois no próprio templo que mandou construir para a arca da aliança. No monte Horeb, a montanha do Senhor, Deus se manifestara a Moisés numa sarça que ardia em chamas mas não se consumia. O Senhor o chamara pelo nome, pois tinha preparado para ele uma grande missão e sabia que podia contar com a ajuda dele. Moisés, vendo aquela imagem em fogo e escutando a voz do Senhor, a princípio vacilou, cobrindo o rosto, temendo ver a Deus. Ele disse para Moisés que ouviu as preces de seu povo, que estava no Egito sendo brutalmente oprimido pelo poder do faraó, e revela a Moisés o seu plano para ajudá-los a saírem de lá.

24 Disse que conhecia seus sofrimentos e que iria libertálo (Ex 3ss). E durante a longa jornada dos israelitas para a sua liberdade, Deus se mostrou presente com eles. Ele estava presente na imagem do cajado de Moisés que fez muitos milagres no meio do povo para que acreditassem nele, ele se revelou também nas curas que se sucederam por intermédio de Moisés. Na transformação das águas do rio em sangue, as quais serviam de consumo para os egípcios. Na praga das rãs, que se proliferaram e infestaram todos os lares do povo do faraó. Deus se fez presente na praga dos mosquitos, que como o pó caíram sobre os homens as mulheres e os animais. Na praga dos insetos, que infestou todo o pais. Na peste que atingiu todo o gado egípcio matando-os. Na peste dos furúnculos, que atingiu todos os homens, todas as mulheres e todos os animais do faraó. No granizo que caiu e matou todos os homens, as mulheres e os animais que estavam no campo. Nos gafanhotos que comeram toda comida e árvores que restaram da destruição do granizo. Nas trevas que pairaram sobre os egípcios por três dias. Na

25 morte dos primogênitos entre eles o filho do faraó, que assim os deixou partir do Egito. Deus se revela na figura das pessoas simples e que muitas vezes sofrem e rezam para que ele os ajude. E ele sempre atende as nossas orações dando-nos o que mais precisamos, pois ele assumiu um compromisso conosco e jamais o quebrou. Ele sempre esteve conosco e sempre estará pois nos ama a cada um como seus filhos.

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Assume um compromisso com todas as famílias

O Senhor disse a Abrão: “Parte da tua terra, da tua família e da casa de teus pais para a casa que eu te mostrarei. Tornarei grande o teu nome. Tu sejas uma benção. Eu abençoarei os que te abençoarem, e que te injuriar, eu o amaldiçoarei: em ti serão abençoadas todas as famílias da terra”. Abrão partiu como o Senhor lhe havia dito, e Lot partiu com ele (Gn 12, 1 4). Deus assumiu um compromisso com todas as famílias da Terra. Todas elas seriam agraciadas com as suas bênçãos por Abraão. Deus sela a aliança feita na presença de Abraão ao passar por entre os animais repartidos na imagem do braseiro fumegante e da tocha de braseiro. Esta aliança é selada novamente, de forma unilateral pelo Senhor, pois Abraão não passou por entre elas.

27 Aparentemente muitos agem como que não acreditassem nas promessas de Deus. Mesmo ele próprio tendo vindo como a um de nós, na figura de Jesus, e ter dito que veio para servir, que veio para que todos tenham vida em abundância, pelo amor. Mesmo tendo dito que nunca mais flagelaria todos os seres vivos como fez com dilúvio (Gn 8,21). Mas ele nos ama tanto que em vários momentos vem confirmar as suas promessas, não nos deixando esquecer que ele é por nós sempre, desde a nossa criação, passando por Moisés, com todos os sinais que deixou no meio do povo, passando por Abraão com os sinais da aliança, do filho, da descendência e da Terra, e ao longo de toda a nossa história até hoje. Ele está no meio de nós. Ele se comprometeu por nós. Os judeus aparentemente tomaram este compromisso para si, mas o cristianismo veio reabrir isto. A aliança de Deus engloba todas as famílias da Terra.

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Nossos compromissos, planos...

Todos queremos o melhor para nós. Muitas vezes fazemos de nossas vidas uma eterna busca. Buscamos pela felicidade, pela saúde, por um corpo da moda, buscamos por Deus... Dentro da diversas situações pelas quais passamos durante nossa vida, se prestarmos um pouco de atenção, podemos perceber os indícios da presença de Deus atuando em nosso meio, pelo qual fazemos parte na nova aliança selada por Jesus. Estes são sinais do amor que ele tem por todos nós. Jesus nos ensinou e nos mostrou que só seremos verdadeiramente felizes, possuidores da vida eterna, se primeiro, amarmos a Deus acima de tudo, e segundo amarmos o nosso próximo como gostaríamos de ser amados. E isso implica em tomarmos uma decisão, deixando de lado alguma coisa nossa. Uma das coisas necessárias para fazermos parte do imenso amor que é o próprio Deus, é em nossa vida,

29 estarmos sempre dispostos a mudar o caminho em que trilhamos para encontrar com o nosso próximo, principalmente se ele necessita de uma ajuda. Como na parábola do bom samaritano (Lc 10, 29 - 37), onde um homem indo da cidade de Jerusalém para a de Jerico, foi assaltado e espancado por ladrões, ficando caído na estrada quase morto. Um sacerdote passando pela mesma estrada, se deparou com aquele homem no chão, e não fazendo nada para ajudá-lo, foi-se adiante, e mesma coisa fez um levita, detentor de uma função sagrada, que vendo-o foi-se, sem nada fazer. Ainda não estavam preparados para mudarem seus próprios caminhos por causa de seus compromissos. Mas um samaritano, considerado pelos judeus um herético e cismático, que também se deparou com aquele moribundo, vendo-o o ajudou, colocando-lhe em seu meio de transporte, levando-o para um local em que cuidaram dele. Muitos são os sinais da presença de Deus neste mundo. Podemos vê-lo principalmente na imagem daqueles que de alguma forma são excluídos da sociedade, não tendo acesso a alguma das necessidades básicas que garantem a toda pessoa uma vida saudável.

30 É também na imagem destas pessoas excluídas que encontramos a Deus. Portanto, é importante deixarmos um pouco de lado nossos próprio caminhos para irmos de encontro a Jesus. Ele pode ser encontrado na figura do doente que vamos visitar, da criança e do idoso, que vamos cuidar, do mendigo das ruas de nossa cidade que passa fome e frio, do preso que muitas vezes é obrigado a cumprir uma pena muito maior da que lhe é imposta. Todas as vezes que mudamos nossos caminhos para ajudar a estas pessoas, estamos agradando ao Senhor. Penso no quanto estamos agradando ao Senhor todas as vezes que vamos à Igreja juntamente com nosso grupo para o adorar e louvar, e quando o vemos pedindo uma esmola em nossa porta, fingimos vê-lo e entramos, e durante a semana não praticamos nenhuma ação para ajudar aquele nosso próximo. Somos o templo vivo do Senhor, isto é, ele habita em nosso seio. Para qualquer lugar que formos, ele está conosco e não podemos esperar pela certeza de estarmos nos aproximando de Deus em nossa caminhada diária, se todas as vezes que ele nos estende as suas próprias mãos maltratadas pelo frio, elo tempo, pelas

31 torturas, pela fome, pelas prisões e por todo tipo de desgraças sociais que as assolam, não formos capazes de mudar o nosso caminho para o encontro com Cristo, mas seguimos à frente, no nosso caminho em busca da nossa felicidade. Quando nos colocamos a serviço do nosso próximo na busca da vida, estamos sendo como imagem do Senhor como todos os santos são exemplos para nós da presença atuante de Deus em nosso meio.

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Deus sua presença

O Senhor sempre esteve ao lado de seu povo, mesmo nos momentos mais difíceis, em que se desacreditava nele. Da mesma forma, ele está sempre presente conosco, principalmente na figura de cada ser humano, por mais irreconhecível que pareça. Sim ele está ali ao nosso alcance na figura de nosso irmão clamando por nós, está com fome, com frio, com sede. Temos consciência disto. Ao longo da nossa história, Deus tem nos mostrado sua presença por intermédio de sinais realizados no meio de seu povo. Assim, a imagem da serpente de bronze que mandara Moisés construir para que aqueles que fossem mordidos e olhassem para ela tivessem sua vida salva, da própria arca da aliança que mandara fabricar, eram sinais da presença do Senhor naquele meio como seu único Deus. Mostrava seu favor, desde que cressem. para aquele povo que o Senhor estava ao lado deles e agia em

33 O povo que seguia os caminhos de Deus era por ele instruído e conduzido da melhor forma possível. Eram exortados por ele de que era o seu único Deus e que deveriam adorar somente a ele e se amarem. E apesar dos sinais que fazia, muitos acabavam esquecendo do Senhor, seu Deus passando a adorar ídolos e imagens as quais podiam ver e tocar. Desta forma, magoavam a si mesmo sendo excluídos da presença de Deus, não porque ele queria, mas por sua própria vontade. Com o advento de Jesus, Deus vem até a nós em nossa própria imagem, se fazendo como um de nós. Ele estava aqui no meio de nós, pudemos vê-lo e contemplar a sua face. Aqui mesmo, na nossa presença, continuamos sendo agraciados com muitos sinais de sua presença atuante. Desta forma, Deus agia no meio deles assim como age ainda hoje em nossas comunidades. Todas as imagens que temos são sinais de que Deus agiu por intermédio daquela pessoa e continua agindo, pois Deus não é Deus de mortos, é Deus de vivos. Deus é Deus de Moisés, de Abraão, de Elias, de Maria, de José, de todos os santos que estão no céu intercedendo por nós junto a

34 Jesus nosso único Mediador. Mesmo assim tem gente agindo como se fosse uma pessoa que não acredita na vitória de Jesus sobre a morte e que Deus é Deus de vivos, não de mortos (Mt 22, 32), nem levam em consideração que na transfiguração de Jesus, Moisés e Elias apareceram conversando com ele (Mc 9, 2 - 10) e também, muitos santos já falecidos apareceram para várias pessoas após a morte de Jesus (Mt 27,52 - 53).

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ÁGAPE

Um novo mandamento

Antes de partir para junto do Pai, Jesus deixou para seus discípulos um novo mandamento. amar uns aos outros (Jo 13, 34). O apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, escreve-lhes a respeito dos dons do Espírito Santo que são dados a cada um para estarem a serviço da comunidade. Paulo ensina à busca pelos dons melhores, e indica que o amor é, entre todos, o melhor caminho, e que devemos procurar por ele. Em seu hino ao amor, o apóstolo Paulo, fala que o amor está acima de muitos dons como o de Assim como ele os havia amado, seus discípulos deveriam

36 línguas e das profecias, e que o amor gera conseqüências muito boas para aqueles que o buscam. Fala, Paulo, em seu hino ao amor: Mesmo que eu fale a língua, a dos homens e a dos anjos, se me falta o amor, sou um metal que ressoa, um címbalo retumbante. Mesmo que tenha o dom da profecia, o saber de todos os mistérios e de todo o conhecimento, mesmo que tenha a fé mais total, a que transporta montanhas, se me falta o amor, nada sou. Mesmo que distribua todos os meus bens aos famintos, mesmo que entregue o meu corpo às chamas, se me falta o amor, nada lucro com isso. O amor tem paciência, o amor é serviçal, não é ciumento, não se pavoneia, não se incha de orgulho, nada faz de inconveniente, não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, não se regozija com a injustiça, mas encontra a sua alegria na verdade. Ele tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca desaparece. As profecias? Cessarão.

37 O conhecimento? Será abolido. Pois nosso conhecimento é limitado e limitada a nossa profecia. Mas quando vier a perfeição, o que é limitado será abolido. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei homem, pus fim ao que era próprio da criança. Agora, vemos em espelho e de modo confuso; mas então, será face a face. Agora, o meu conhecimento é limitado; então, conhecerei como sou conhecido. Agora, maior. (1Cor 13). Nas palavras de Jesus sobre o amor, proferidas aos seus discípulos, está inserida a valorização da pessoa humana como tal, pois todos fazem parte do plano de Deus, que é amor. portanto, permanecem estas três coisas, a fé, a esperança e o amor, mas o amor é o

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Amigos

Jesus deixou para seus discípulos a ordem de que se amassem uns aos outros, e fazendo isso, são seus amigos. Como Jesus, nosso maior amigo, mesmo disse : Ninguém tem maior amor do que aquele que se despoja da vida por aqueles a quem ama (Jo 15, 13). Ter e cultivar os círculos de amizade, é de fundamental importância para a vida saudável de qualquer pessoa. Esta relação com outras pessoas é algo inerente dele mesmo, até mesmo para nascer, o ser humano depende da ajuda de muitas pessoas, a começar pela ajuda de seus pais. Uma amizade sincera e verdadeira, supera as provações que o tempo impõe em seu meio, e na hora de mostrar a sua fidelidade, principalmente naqueles momentos difíceis, não hesita em amparar, fazendo com que se sinta segurança.

39 Ter um amigo fiel, é mais do que ganhar na supersena acumulada há várias semanas. Como diz Ben Sirac: Amigo fiel é um elixir de longa vida: os que temem o Senhor o encontrarão. Quem teme o Senhor dirige bem sua amizade: como ele é tal será seu companheiro (Sr 5, 16 - 17). O verdadeiro amigo permanece fiel em todos os momentos da vida principalmente nos mais difíceis. Como Jesus, provam o seu amor, a exemplo dos cristãos que trabalham nas missões além fronteiras, testemunhando a Cristo ressuscitado. Ser amigo não implica em ser perfeito. Os amigos também erram. Estes são os momentos difíceis, em que a amizade dos envolvidos é posta à prova. É um momento que deve ser aproveitado para um diálogo, para refletir o quanto se está sendo amigo ou apenas se está seguindo um modismo da cultura de massa, em que é comum se fazer calúnias do primeiro que aparece para pô-lo à prova e o difamar. Um verdadeiro amigo não cai nessa. Nestes momentos, ele pode ser tachado de careta, de não pertencer à turma, de ser o mais chato, mas se ele é um verdadeiro amigo, será fiel sempre, saberá estar

40 atento para escutar o que se tem para falar, o ombro e a palavra estarão lá no memento certo. O mundo em que vivemos atualmente, põe muito à prova a amizade entre as pessoas, principalmente aquelas que vivem em centros urbanos, em que a vida passa rápida e no menor descuido, trabalhamos, comemos, dormimos, e até a família passa desapercebida. O meio urbano é uma realidade que está em constante transformação e o cultivo da amizade saudável neste meio em constante mudança, deve ser de forma perseverante pois o homem não nasceu para viver sozinho, isolado num mundinho pessoal, que tenha a sua cara e seja do seu jeito. Ele é um ser social, e com isso deve sempre poder interagir com seu semelhante da melhor forma possível. Em nossa vida, temos a oportunidade de contar com a ajuda de muitos amigos verdadeiros, Jesus é o maior deles. Muita gente tem uma pessoa que é sua melhor amiga, que marca presença atuante nos momentos que você precisa, pode estar na família ou fora dela. O anjo da guarda, é um amigo inseparável e que apesar de ser muitas vezes esquecido pela pessoa, é

41 sempre fiel a ela. Tantos santos e santas, que intercedem por nós, são nossos amigos. A amizade deve ser respeitada, deve ser lembrada, deve ser amada, não pelo intuito de receber qualquer tipo de retribuição, mas como sentimento de gratidão por tudo.

42 O amor aos nossos inimigos

Desde o início do cristianismo, na celebrações eucarísticas, já se rezava para uma série de situações, entre elas, pedia-se pelos governantes, aqueles que detinham o poder, e que inúmeras vezes perseguiam, prendiam, caluniavam e matavam os cristãos por causa de sua fé. Durante um dos períodos históricos mais medonhos para a Igreja, onde os cristãos romanos, para celebrar o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus, tinham que se reunir em escondido, debaixo da Terra, nas catacumbas, era moldado nos cristãos um sentimento de tolerância para com o governo que os perseguiam. Este sentimento marcaria uma grande fase da Igreja, sendo sentida até hoje. Os cristãos reconheciam a autoridade dos seus governantes e procuravam mostrar-lhes a fé que professavam. Os cristãos defendiam a sua fé, como por intermédio dos apologistas no século dois como o filósofo cristão Aristides, dirigindo-se ao imperador

43 romano Adriano defendendo a fé cristã; como Justino, o bispo Melitão de Sardes e o filósofo cristão Atenágoras de Atenas, que em escrita ao imperador romano Marco Aurélio, fazem sua apologia ao cristianismo; e o escritor eclesiástico Tertuliano de Cartago, o qual dirige uma defesa do cristianismo aos governantes do império romano. A prática daquelas palavras de Jesus, de que deveríamos nos amar, era um elemento fundamental para manter a Igreja unida em seu amor. Pois apesar de terem tantos inimigos, e o próprio imperador romano como agente opressor, os cristãos souberam ser fortes em suas fraquezas para não caírem na tentação de revidarem da mesma forma às agressões sofridas. Souberam dar um autêntico testemunho de amor, o qual fez maravilhas em seu meio. Este deveria ser um exemplo para os “cristãos” e seus “inimigos cristãos” de muitos países deste mundo de Deus. Amar os nossos inimigos, implica também em reconhecer nossas próprias limitações. e desta forma, o amor termina prevalecendo apesar de tamanho sofrimento ocorrido em um tempo passado, e quando o amor suplanta o mal enraizado dentro de nossas

44 limitações, há uma superabundância da graça de Deus em nós e em nossa comunidade. Sabemos que como cristãos, devemos amar o nosso próximo da mesma forma que gostaríamos de ser amados. Este amor ao nosso próximo cotem também um sentimento de tolerância a ele, porque toda pessoa é importante para nós e deve ser respeitada. Pensando assim, aparenta não ficar claro. As atitudes e os pensamentos de determinada pessoa podem ser condenados e abominados, por estarem totalmente fora dos nossos caminhos, mas a pessoa humana como criatura de Deu possui um valor muito elevado para nós, sendo uma das razões da própria vinda do Senhor como um de nós, merecendo ser amada por nós. Assim, estaremos dando um espaço para que o Senhor atue por nós, beneficiando à uma conversão nossa e do nosso próximo, pelo nosso testemunho autêntico de fé. Pelo fato de sermos amigos de Jesus, não deveríamos cultivar os sentimentos de vingança e de rancor dentro de nós para demonstra-lo às pessoas que são nossos adversários. Agindo desta forma, estaremos amando o nosso próximo como gostaríamos de ser amados, pois Deus é nosso Senhor e Pai.

45 Muitas pessoas quando se reúnem, se reúnem para por alguém à prova, de tal forma a condená-lo perante a sociedade e a seus amigos. Quando isto realmente ocorre, o amor à Deus e amor ao próximo podem estar sendo deixados de lado e o afastamento de Deus pode estar ficando mais evidente neste meio, pois do amor é que depende todas as Sagradas Escrituras. Jesus ensinou que devemos amar os nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem para assim sermos verdadeiramente filhos de nosso Pai que está nos céus. Devemos procurar fazer o possível para sermos uma fonte de bênçãos para aqueles que nos perseguem de alguma forma. E estes ensinamentos entram em contradição com o que o mundo nos ensina hoje, onde devemos ser competitivos e individualistas. Devemos ser fortes e manter a nossa fé nos ensinamentos de Jesus, só assim poderemos ser verdadeiramente felizes neste mundo que Deus nos deu e vencer todo tipo de competitividade e de individualidade que apenas servem para nos afastar uns dos outros e de nosso Senhor. É por meio do bem que venceremos o mal.

46 O poder de nosso Senhor é o mesmo, e paira sobre os que são bons e sobre os que são maus, e Deus é bom para todos. Ele nos mostrou que não teremos recompensa nenhuma se amarmos apenas aqueles que nos amam e interagirmos apenas com eles. E se não formos dignos da recompensa de Deus, nossas vidas acabarão sendo um inferno, com todo tipo de atentado contra nós.

47

O nosso próximo

Próximo é aquela pessoa que está ali, ao nosso alcance. Próximo é todo aquele que está junto do outro, e que pode falar com ele, toca-lo com suas mãos, sentir o seu calor e a sua emoção. Vivemos em um mundo no qual habitam bilhões de pessoas, inseridas num contexto de cultura e de religiões diferentes, vivendo em países do primeiro, do segundo e do terceiro mundo, ricos, muito ricos, pobres ou miseráveis. Seja qual for a situação social em que se vive, todo este contexto, no qual estamos inseridos, perpassa nossas vidas. Muitas vezes, somos assediados pela sociedade e seus multi meios de tal forma, que somos impelidos a viver dentro de um padrão de vida pré-determinado por ela, se quisermos ser taxados de bons, factíveis a freqüentarem e interagirem no mesmo ambiente social. Como na relação entre os Judeus e os Samaritanos no

48 tempo de Maria, mãe de Jesus, em que, apesar de serem vizinhos geograficamente, eram tão separados que consideravam os outros como heréticos, cismáticos, loucos e não podiam se interagir de forma alguma. Era cada um para seu lado, apesar de terem a mesma origem e de adorarem o mesmo Deus. História parecida com a qual muitas pessoas vivem atualmente. Jesus mostrou, tanto na parábola do bom samaritano (Lc 10, 29 - 37) quanto da samaritana ao lado do poço, na cidade de Sicar (Jo 4, 1 -42), que o nosso próximo não é somente aquela pessoa que faz parte da nossa comunidade, compartilhando conosco dos mesmos costumes. O nosso próximo pode ser aquele que consideramos estar numa posição marginal e ou exclusiva, em relação à nossa realidade. Jesus ensinou a ir ao encontro do outro, aquele que aparenta ser diferente, e a entrar em contato com ele, em reconhecer a realidade dele e praticar o que aprendemos, amando-o como gostaríamos de ser amados. E as conseqüências deste amor serão os atos de fraternidade entre os irmãos e o reconhecimento de nós mesmos, de nossas limitações e que precisamos do outro, por mais diferente que possa parecer para nós.

49 Também o fato de vivermos nesta mesma casa, chamada Terra, nos impele à interação interpessoal e esta interação só é possível de duas maneiras: benévola ou malévola para a nossa existência. Por causa do anúncio do evangelho, e do amor ao próximo como conseqüência dele, muitas pessoas se sentem impelidas a levarem à frente esta missão. E, desta forma, um número cada vez maior de pessoas têm a possibilidade de serem atingidas pelas bem aventuranças evangélicas. Não precisamos esperar que o tempo faça com que esbarremos em nosso suposto próximo, para então termos a oportunidade de tomar uma decisão sobre o que fazer nesta situação na qual nos deparamos. Podemos e devemos ir até ele, pois sabemos em muitas situações quem ele é, como aqueles que fazem parte de nossa comunidade os quais vemos diariamente a sua situação e passamos adiante, ou aqueles nossos irmão que estão em outras regiões ou em outros continentes, e que são expostos por anunciantes na tela de nossa Esta ação de ir ao encontro do próximo, é uma tarefa possível para nós, e atestam isso todas as pessoas televisão, para o nosso consumo.

50 que sendo como nós, souberam ouvir as palavras de Jesus e as por em prática, quer em suas comunidades, quer em lugares muito afastados de sua família. E o exemplo de todos os cristãos que contribuíram para o anúncio do evangélico e hoje contemplam a glória do Senhor, é para todos .um sinal de que é possível viver o ideal cristão do amor, pois se eles sendo pessoas como qualquer um de nós, conseguiram viver o anúncio da boa nova deixado por Jesus, e testemunhá-lo para os seus próximos, também podemos e devemos. Estaremos fazendo a nossa parte na construção do reino de Deus se praticarmos a justiça para com nosso próximo, e assim estaremos sendo merecedores das bênçãos de Deus, pois ele abençoa a morada dos justos (Pr 3, 33).

Os exemplos de Jesus

51 Jesus é o maior exemplo vivo de amor ao próximo. Ao pedir para o anjo Gabriel que anunciasse à Maria que fora escolhida por Deus para ser a mãe do seu Senhor, ele estaria mostrando para todos, o quanto nos ama, a ponto de querer vir ao nosso encontro e habitar em nosso meio. Mesmo na barriga de Maria, proclamada de a bem aventurada por todas as gerações, Jesus já estava sendo uma fonte de bênçãos para os que dele eram próximos, assim como para sua família, quanto para a família de Elisabete. Ao nascer, Jesus quis também estar próximo das pessoas mais excluídas da sociedade, nascendo como os mais pobres, e tendo uma recepção calorosa por eles e pelo coral dos anjos do céu que cantavam louvores de Deus e dizia: Glória a Deus no mais alto dos céus e sobre a terra paz para os seus bem amados (Lc 2, 13 - 14), assim já sendo um sinal de sua missão neste mundo. Já em seu oitavo dia de vida, Jesus foi levado ao Templo para ser consagrado a Deus, e lá também fora como uma benção para os profetas que lá estavam e esperavam por ver o Cristo, aquele que preparou a

52 salvação para todos os povos, luz da Terra e glória de todos que fazem parte de seu povo. E em nosso Senhor, bebê ainda, se cumpria as escrituras que falavam sobre ele. Quando já estava na idade da adolescência, com seus dose anos de idade, Jesus já se encontrava no Templo junto aos mestres, sendo para eles como uma benção, ouvindo-os o que tinham para falar, interrogando-os e respondendo às questões que faziam para ele de forma inteligente, chegando a surpreendelos. Em sua vida pública, Jesus sempre deixou o seu exemplo, tanto no chamamento de seus discípulos, quanto em suas pregações nas sinagogas e em todos os lugares, anunciando a boa nova aos pobres, proclamando a libertação aos que estavam presos, curando e operando milagres no meio do povo. Durante a sua pressão, no monte das oliveiras, ele deixou para nós um exemplo de vida, permanecendo fiel à sua missão, não abandonando-a mesmo quando o seu próprio discípulo o negava, e nem reagindo da mesma forma como foi abordado.

53 Ele foi, e ainda continua sendo, para todos um exemplo, quer ao receber todos os insultos que recebeu dos homens que o vigiavam, quer nos momentos em que foi surrado, coroado de espinhos e intimidado no sinédrio, interrogado por Pilatos e zombado por Herodes. Mesmo sendo inocente, Jesus foi condenado, crucificado e na cruz morreu ao entregar o seu espírito nas mãos de Deus. Ele era Deus e se quisesse, não precisaria passar pelo que passou, mas o fez assim, mostrando que, sendo homens podemos alcançar a verdade pelo caminho da vida. Ele não deixou de estar próximo de seus discípulos. No terceiro dia, ressuscitou e se encontrou com os seus, permanecendo com eles durante quarenta dias, e durante este período foi para eles como uma benção. E eles foram testemunhas disto. Ao se completarem o tempo de sua permanência ao lado de seus discípulos, Jesus foi para os céus, ao lado de seu Pai, deixando a promessa de enviar o Espírito Santo para a sua Igreja. Fato este que veio a se concretizar durante a festa de Pentecostes, resultando no início e difusão de sua Igreja.

54 Hoje, Maria está ao lado de Jesus, coroada como rainha do céu e da Terra, como mãe da Igreja e nossa mãe também.

55

NA IMAGEM DO PÃO E DO VINHO

Jesus e os discípulos de Emaús (Lc 24, 13 35)

Logo na manhã de domingo, Jesus ressuscitou e depois de ter aparecido pela primeira vez para Maria Madalena, da qual expulsara sete demônios, aparece para dois de seus discípulos que seguiam para a aldeia de Emaús, próxima a Jerusalém. Não percebendo que era o próprio Jesus que estava ao seu lado seguindo com eles, falavam sobre a paixão e morte de seu mestre. Jesus percebendo a situação, os indagou sobre o que estavam conversando e, desta forma, conseguiu chamar a atenção deles para si. O discípulo chamado Cléofas, ficou surpreso com aquele homem de passagem para Jerusalém, pois certamente não estava

56 sabendo dos fatos que aconteceram durante todos aqueles dias. Eles lhe contaram o que acontecera com Jesus de Nazaré, falavam que era um grande profeta em palavras e ações perante a Deus e perante ao povo, e como os seus sumos sacerdotes e chefes o entregaram para ser condenado à morte por crucificação e, quanto a eles, seus discípulos, esperavam que Jesus fosse libertar Israel. Eles lhe contaram que já haviam passados três dias que todos esses fatos haviam ocorrido e que entretanto algumas discípulas de Jesus, Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé os haviam assustado, pois tendo ido de madrugada ao túmulo e não encontrado seu corpo, elas foram dizer que tiveram a visão de anjos que declararam que ele estava vivo. Disseram mais, que alguns de seus companheiros, entre eles Pedro, foram ao túmulo e acharam tudo como as mulheres haviam dito, mas quanto a Jesus, não o viram. Jesus então lhes disse: “Espíritos sem inteligência, corações tardos para crer tudo o que os profetas declararam! Não era preciso que o Cristo sofresse isso para entrar na sua glória?.” E começando por Moisés e todos os profetas, ele lhes explicou em todas as Escrituras o que lhe concernia.

57 Jesus fingiu que ia prosseguir adiante quando se aproximavam da aldeia em que os discípulos se dirigiam. Os dois pediram para ele que ficasse com eles pois já era no entardecer. Ele aceitou o convite e entrou para ficar com eles. Ora, quando se pôs à mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a benção, partiu-o e lhes deu. Então os seus olhos se abriram e eles o reconheceram, depois ele se lhes tornou invisível. E disseram um ao outro: “Não ardia em nós o nosso coração quando ele nos falava no caminho e nos explicava as escrituras?” Naquele mesmo momento, os discípulos de Emaús partiram de volta para Jerusalém para encontrar com os Onze apóstolos e os outros discípulos. Encontrando-os confirmaram-lhes dizendo: É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão. E eles contaram o que passara no caminho e como eles o haviam reconhecido na fração do pão. Jesus deixa para nós exemplos para serem vividos em comunidade. Primeiramente, o amor, que nos é demonstrado de forma mais sublime possível, e em seguida uma conseqüência dele mesmo, o ir ao encontro do outro, do diferente de nós.

58 Quando deixamos de lado nossos adjetivos desqualificantes, arregaçamos as mangas e vamos ao encontro do outro, estaremos sendo para ele e para a comunidade, um sinal da presença de Deus. Ir ao encontro do outro quer dizer, em linhas gerais, ajudar, fazer a sua parte para a construção do reino de Deus. É fazer coisas simples, mas que são essenciais para a vida, como fazer uma visita a alguém que está necessitando, quer em um asilo, em um hospital, em um presídio, em um orfanato, ou em outra situação. Quando Jesus se encontra com os discípulos de Emaús, ele chega a eles, não como Deus glorioso e todo poderoso, mas como a uma pessoa qualquer. Não chega impondo todo seu conhecimento para eles, como poderia, mas ele parte do discurso deles próprios para os ajudar a enxergarem face a face a verdade. Da mesma forma, nós, quando estamos a serviço em nossa comunidade, devemos agir como Jesus, não levando tudo pronto e fazendo tudo conforme a nossa vontade, mas de forma comunitária, isto é, partilhando o que se tem para ser ensinado e deixando-se ensinar, ajudando e deixando-se ajudar, e assim construir junto a

59 comunidade. Assim estaremos deixando para ela, e para a posteridade um sinal de que Deus agia ali, naquela comunidade pois eles tinham tudo em comum, repartiam os dons da vida entre si. Do contrário, se alguém agir como o mundo nos ensina, sendo individualista, querendo fazer todas as coisas do nosso jeito, achando ser a melhor forma para a comunidade pois somos mais preparados, estaremos deixando para a nossa comunidade e para a posteridade, um sinal de que o adversário de Deus agiu naquele meio pelo intermédio nosso. E isto não é um bom exemplo. Durante a nossa caminhada, em algum momento, o próprio Jesus se depara conosco, e estando lado a lado conosco, tenta nos provocar uma tomada de atitude. Mas muitas vezes não o reconhecemos, pois somos como São Tomé, só acreditamos vendo o seu sinal profundamente. Conhecemos a sua mensagem, e ele sabe disto mais do que nós mesmos, mas falta algo mais ainda de nós para ser dado. Ele nos ensinou a vivermos em comunidade, sabemos disto, mas criamos dificuldades para pormos em prática este ensinamento, pois as a situação dela não é boa, há sinais de corrupção que não fazem parte da

60 mensagem que o mestre deixou, há atritos que provocam falatórios, há manobras que são realizadas às escondidas, há jogo de interesses pessoais, necessidade de aparecer, de ser o primeiro. Isto acontece porque, somos livres para seguirmos os nossos caminhos. Se falamos em amor, em vida em comunidade, mas escolhermos viver no caminho da rivalidade, é esta vida que estamos preparando para nós mesmos. O direito à escolha nos é dado. Em nenhum momento, Jesus obriga seus discípulos a seguirem ele, pelo contrário, sabendo que no seu projeto está incluído a participação atuante de seus discípulos, ele vai ao seu encontro e os chama a cada um. Cada um tem um papel importante dentro da evangelização. O anúncio deve chegar a todos, e para isto é necessário permanecermos unidos e fiéis a Jesus e aos seus ensinamentos. E isto implica em deixarmos de lado todo sentimento de superioridade, que nos é ensinado pelo mundo hoje, e irmos ao encontro de quem precisa, não como um ser superior, mas como um servo humilde, que saiba escutar o outro, algo que muito falta nos dias de hoje. que saiba valorizá-lo, algo que muitas vezes esquecemos de fazer quando vamos ajudar

61 o outro e tentamos impor-lhe o nosso projeto “de Jesus”, que sabe incentivá-lo mostrando lhe que é amado, não entre aspas, ou em palavras, mas em atitudes concretas, de tal forma que ele possa sentir que faz parte de uma comunidade viva. Quando conseguimos perceber os sinais da presença do Senhor em nosso meio, somos levados a um sentimento de querer por em prática o que ele nos pede e levarmos adiante a sua mensagem a todas as pessoas, demonstrá-la aos demais também pois é um exemplo que para nós foi muito bom, sendo que conseguimos viver uma vida nova, digna de ser vivida e em comunidade.

62

A Ceia o Senhor

Por volta do ano de 56, o Apóstolo Paulo, escrevendo aos cristão de Corinto, os exorta sobre como participarem dignamente da ceia do Senhor, da forma como ele próprio havia recebido de Jesus ( 1Cor 11, 23 - 26). De fato, eis o que eu recebi do Senhor, e o que vos transmiti: O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e após ter dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, em prol de vós, fazei isto em memória de mim”. Ele fez o mesmo quanto ao cálice, após a refeição, dizendo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto todas as vezes que dele beberdes, em memória de mim”. Pois todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. O gesto de Jesus em deixar para nós seu próprio corpo e sangue, mostra-nos o quanto o Senhor está presente conosco e o quanto ele nos ama e valoriza.

63 Ele vem mostrar que não há a necessidade de temer as estruturas de morte que atuam contra tudo aquilo que ele ensinou, viciando as pessoas, fazendo com que o meio familiar seja desintegrado, prevalecendo o individualismo, o ser “perfeito”. A sua permanência com os seus, debaixo da aparências do pão e do vinho, mais do que um memorial, é um verdadeiro sinal da presença de Deus conosco. Em tudo isso, está presente um forte sentimento de liberdade que é demonstrado para todos, segundo o qual as pessoas são livres para seguirem o seu caminho. Jesus nos ama tanto que mostrou o melhor caminho para chegarmos até ele, transfigurado na lei do amor, a qual, requer de todos uma doação plena para Deus e para o próximo. É amar e respeitar a figura do outro como gostariam de ser amados e respeitados. É fazer para o próximo o que gostaria que fosse feito para si. A maior prova deste amor se encontra na mesa da eucaristia, onde o próprio Cristo se ofertou em corpo e sangue para remissão de todos. Um sinal derradeiro de que Deus ama a todos e os quer livres de todo tipo de mal que os possa afligir.

64 Ele se fez humano para deixar o exemplo de que apesar de ser limitado, o homem e a mulher têm um Pai que os ama, que é por eles e que se faz presente com eles em todo tempo e lugar, capacitando-os a vencer os combates da vida e todas aquelas adversidades que os acompanham no dia a dia. É nas próprias fraquezas que as pessoas têm a chance de se tornarem fortes diante de Deus, assim como o apóstolo Paulo, que em seus momentos de fraqueza, encontrava forças, as forças de Deus que o apoiavam naqueles momentos difíceis pelos quais passava por causa dos ensinamentos de Jesus. Todos os cristãos, têm uma responsabilidade muito grande, de realmente celebrar a memória de Jesus de forma abundante, o dia todo, cada dia de sua vida, ou seja, com a certeza de o terem sempre em sua presença, e assim, serem testemunhas vivas de seu amor por todos. Não se acanhando para dar, com o sentimento mais puro possível, o seu testemunho, seja ele em palavras, ou em ações concretas. Pois quando se diz ser cristão mas não toma a responsabilidade de ser sal e luz para o seu próximo, está sendo falso consigo mesmo e se afastando da nova e eterna aliança entre Deus e os

65 homens e as mulheres, pois não está permitindo que ele possa se encontrar no caminho de Jesus, no seio de uma comunidade viva, se sentindo amado, amparado e incluído nela.

66

Justino e a missa

Por volta do ano de 155, os cristãos não eram muito amados. Eles deixavam de participar de festas oficiais, os não cristãos não podiam participar de suas reuniões e não honravam o gênio do imperador, tudo isto deveria levá-los à antipatia, pois eram perseguidos e levados à Roma a fim de serem atirados às feras como diversão do povo. Durante este período, vários dirigentes cristãos escreviam ao imperador, tentando mostrar-lhes sua fé e sua moral. Num destes escritos, ao imperador Antônio Pio (138 - 161), S. Justino Mártir escreve como os cristãos celebravam a Eucaristia. Escreve Justino: [No dia “do Sol”, como é chamado, reúnem-se num mesmo lugar os habitantes, quer das cidades, quer dos campos.

67 Lêem-se, na medida em que o tempo o permite, ora os comentários dos Apóstolos, ora os escritos dos profetas. Depois, quando o leitor terminou, o que preside toma a palavra para aconselhar e exortar à imitação de tão sublimes ensinamentos. A seguir, pomo-nos de pé e elevamos as nossas preces] por nós mesmos (...) e por todos os outros, onde quer que estejam, a fim de sermos considerados justos pela nossa vida e pelas nossas ações, e fiéis aos mandamentos, para assim obtermos a salvação eterna. Quando as orações terminaram, saudamo-nos uns aos outros com um ósculo. Em seguida, leva-se àquele que preside aos irmãos pão e um cálice de água e de vinho misturados. Ele os toma e faz subir louvor e glória ao Pai do universo, no nome do Filho e do Espírito Santo e rende graças (em grego: eucharistian) longamente pelo fato de termos sido julgados dignos destes dons.

68 Terminadas as orações e as ações de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação dizendo: Amém. Depois de o presidente ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós se chamam diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água “eucaristizados” e levam (também) aos ausentes. (Catecismo da Igreja Católica 1345). E assim, a estrutura básica da missa permaneceu a mesma durante todos os séculos que se passaram até a nossa atualidade. Este exemplo de Justino, mostra bem como a mensagem de Jesus era transmitida e vivida entre as comunidades cristãs. Este seu testemunho de vida é para os cristãos um exemplo de como deve ser um autêntico cristão. Justino é um santo porque soube acolher a palavra de Deus e vivê-la com intensidade. Seu exemplo de dedicação pelas coisas do reino de Deus é um modelo de como podemos seguir os ensinamentos de Jesus. Muitos podem fazer e fazem o que ele fez, procurando

69 levar aos governantes os conhecimentos da fé e da moral cristã para que o cristianismo seja mais valorizado, propiciando um maior fortalecimento da imagem da família como sendo base da vida. No período de Justino, os cristãos eram perseguidos, atacados e levados às arenas para servirem como como o ideais que diversão para a platéia, e muitos cristãos próprio Justino saiam em defesa dos seguiam. Hoje ainda, permanecem os ataques aos ideais de Jesus Cristo, sendo também levados com toda força. Força-se a desfazer a imagem da família cristã, com uma profunda tentativa de degradação da moral e da fé por intermédio de pessoas muito influentes que estão por detrás de meios de comunicação de massa. Os exemplos de Justino são também nos dias de hoje, seguidos por muitos cristãos, os quais saem em defesa da fé e da moral que professam. E esta, aparentemente sempre foi uma luta desigual, sim , em aparência apenas, pois há algo mais no cristão, além de seu corpo e de seu conhecimento, que o impulsiona a sempre seguir em frente, mesmo quando é massacrado por um rolo

70 compressor que tenta lhe tirar a sua dignidade, a sua sobriedade, a sua liberdade e a sua vida. É o próprio Espírito Santo que leva o cristão à frente, leva-o a anunciar a mensagem de Jesus a todos os seus governantes, e leva-os a se defenderem de todo sistema que tenta denegrir a sua imagem, e assim a de Cristo presente em si e em todos os cristãos. Justino deixou o modelo de ser cristão para nós, modelo este, que não era de sua autoria, mas do próprio ensinamento e da vida de Jesus, e que ele, assim como muitos outros tantos santos da Igreja souberam vivê-lo e a vida destas pessoas são dignas de servirem de exemplo para nós cristãos hoje sim, pois mostram para nós que é possível viver os ideais cristãos num meio em que reina o confronto e a prevalência de um ideal individualista em meio a uma diversidade tremenda de ideais, de valores e de culturas. O nosso testemunho de vida hoje, assim como sempre teve no decorrer da nossa história, tem muito valor. Muitos crêem mas mensagens de Jesus quando as vêem refletidas no amor que os cristãos demonstram entre si na comunidade em que vivem.

71 Vêem como se amam na medida em que não percebem neles divisões insuperáveis e controversas entre o que falam e o que vivem. Vêem como se amam, na medida em que as pastorais da comunidade trabalham juntas de forma orgânica para o bem comum de todos. Vêem como se amam quando os seus problemas e as soluções são compartilhados. Vêem como se amam na medida em que todos tenham a oportunidade de ocupar o seu espaço na comunidade, havendo o espaço para a criança, para o adolescente, para o jovem, para o adulto e para o idoso, todos inseridos na mesma família.

Doação

Um dos gestos mais bonitos que é feito entre os cristãos, é a fração do pão, a qual está coordenada com todo tipo de atividade de doar. É toda atitude gratuita e amorosa que é desenvolvida em prol do seu

72 irmão necessitado, amparando-o físico ou espiritualmente. É um gesto de fraternidade que foi deixado para cada um, mostrando também que as pessoas devem se comportar como irmãos. Apesar da nacionalidade de cada um ou da sua continentalidade, ou mais, além de terem raízes culturais tão diversas, todos têm uma origem em comum, de uma mesma família, de uma mesma casa. E uma família é feliz quando todos se amam e se ajudam em sua edificação plena. É muito bom o sentimento que se tem quando de pertence a uma comunidade que sabe repartir. Esta é uma atitude de conversão que se testemunha na comunidade, atitude esta que deveria ser freqüentemente renovada por todos, todos os dias. A vida agitada que se leva hoje, quase sempre remete as pessoas ao individualismo para se ter o seu pão de cada dia. Mas este individualismo sempre acaba levando a uma série de problemas para elas mesmas, que nem são necessários serem citados aqui, pois cada um conhece bem suas próprias necessidades. Muitas vezes são deixados de lado tudo o que se aprendeu sobre o amor, para por em prática apenas o

73 que é conveniente para cada um, o individualismo. Desde criança, as pessoas aprendem que não vivem em função delas mesmas, isoladas em seu mundinho pessoal. O gesto de repartir faz parte de cada um, e todos sabem disto, ao menos em teoria, escondida em alguma região de sua mente. A partir do momento em que se consegue quebrar a casca que aparentemente a protege, se perceberá que fora dela há alguém que é parecido consigo mesmo e que a partir daí está dando para aquela pessoa e para si mesmo, a oportunidade de compartilhar o que se tem de mais importante. Isto não é algo tão difícil quanto parecia antes, pois o ato de repartir é um ato de amor, tanto para a família quanto para as pessoas que são marginalizadas que estão a nossa volta, em nosso convívio e à Cristo, que está presente em cada uma delas a partir de sua ressurreição. Ao celebrar o mistério eucarístico, todos estão em sintonia com o que o Senhor pediu naquela quinta feira. Aquele pão e aquele vinho rendidos graças, são sinais da verdadeira presença de Jesus, que se deu a todos de corpo e sangue como a mais perfeita oferenda a

74 Deus pai, e selo autêntico da aliança entre o criador e a humanidade. Debaixo das aparências do pão e do vinho rendidos graças, está um dos sinais mais extraordinários da presença de Deus, somente compreendido pela fé.

75

MARIA

O canto de Maria (Lc 1,46-56)

“Minha alma exulta o Senhor e meu espírito se encheu de júbilo por causa de Deus, meu Salvador, porque ele pôs os olhos sobre a sua humilde serva. Sim, doravante todas as gerações me Proclamarão bem aventurada, porque o Todo-poderoso fez por mim grandes coisas: santo é o seu Nome,

76 A sua bondade se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Ele interveio com toda a força do seu braço: dispersou os homens de pensamento orgulhoso; precipitou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes; os famintos, ele os cobriu de bens e os ricos, despediu-os de mãos vazias. Veio em socorro de Israel, seu servo Lembrado de sua bondade, Como dissera aos nossos pais em favor de Abraão e da sua descendência, para sempre.” O canto de Maria, lá pelos seus dezesseis anos de idade, nos traz consigo o canto de todas as pessoas, que de alguma forma, como ela e a sua família recente, são excluídos ou marginalizados de uma estrutura social, devido a não estarem aptos a seguir um determinado padrão de vida.

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O anúncio de sua missão

Desde o inicio de sua longa jornada, a humanidade vem recebendo mensagens de Deus, ora através do intermédio de pessoas, chamadas pela comunidade como profetas, ora entre o intermédio de anjos com aparência humana, ou por intermédio Dele mesmo. E estas mensagens sempre revelavam a verdade sobre o povo e que viria alguém para mudar toda a situação pela qual passavam. A espera era angustiosa pois para as pessoas, o tempo sempre fora limitado pelo espaço de suas vidas, e isto contribuía afastamento de muitas pessoas para o do seu Deus único,

apesar de tantos sinais demonstrados da Sua presença em seu meio. Era também para as pessoas, uma espera sofrida pois viviam numa região que nunca teve paz prolongada, até hoje. Viviam numa região marcada pela conquista e pela dominação de espaços territoriais. Na época de Maria a situação não era diferente, mas mudaria drasticamente. Cumprindo a

78 palavra feita desde o início da humanidade, “Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te atingirá a cabeça e tu lhe atingirás o calcanhar” (Gn 3,15), Deus assume o partido dos “excluídos”, prefigurados na época nas imagens dos pobres, dos doentes, da mulher, dos pastores, dos cobradores de impostos, enfim, todos os que possuíam alguma forma de impureza. Maria, a cheia de graça, exemplo dos mais puros para nós, do ser cristão. Na graça do Senhor, ela aceitou o convite trazido especialmente pelo anjo Gabriel do próprio Deus. Saindo da adolescência, ela soube acolher a missão que lhe fora trazida, a qual mudaria de Deus e mais radicalmente a situação do povo

especificamente da própria condição da mulher. Pela missão que ela recebeu, de ser a nova Eva, a mãe do messias tão esperado. Ela seria felicitada dentre todas as gerações e lembrada como a ave cheia da graça do Senhor.

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Mãe de Deus

Ela cooperou com a obra de Deus de forma exemplar desde o princípio, partindo do anúncio que recebera do anjo Gabriel, “Alegra-te ó tu que tens o favor de Deus, o Senhor está contigo. Não temas, Maria, pois obtiveste graça junto a Deus. Eis que engravidarás e darás à luz um filho e lhe darás o nome de Jesus”(Lc 1,28-31). Passando pela aliança definitiva feita entre Deus e os homens. Certamente, ela não teve medo durante o desenrolar de todo esse processo, mesmo quando estava aos pés do calvário. Com o seu sim para o plano de Deus, Maria, a serva do Senhor, se responsabilizou por cada um de nós. Para a nossa felicidade e através dela, “o Verbo se

80 fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória”(Jo 1,14). Vivendo numa época em que os valores culturais colocavam o mais fraco, como a criança, a mulher, o doente, o pobre, em posição de discriminação. Pensemos naqueles instantes de apreensão em que aquela adolescente ficou a ouvir a mensagem daquele espírito celeste, e a sua pronta resposta, não somente para Ele, o Pai, mas também para todo o seu povo, que a muito tempo o esperava. O messias, aquele que os profetas sempre anunciavam que viria para finalmente libertar a todos da opressão e da vida sofrida devido à dominação do império. O sim de Maria, foi o sim para a nova vida. O amor teimou a nascer, mas nasceu para nós todos. Ele está em nossa presença neste momento, em nosso coração, e na figura do nosso próximo. Neste mundo, depois de Jesus, nosso único Mediador junto a Deus Pai, não há pessoa mais importante do que esta mulher, Maria, a bem aventurada, ave cheia da graça de Deus. Entre todas as mulheres do mundo, Maria foi a mais feliz, por Ter sido a escolhida por Deus para ser a mãe do Nosso Senhor.

81 A devoção, este sentimento religioso, que temos à Maria não somente ao fato dela ter sido a mulher escolhida para a mãe do Senhor, mas também devido a todo o seu testemunho de fé e vida que nos foi deixado como prova de seu amor. Testemunho este que foi demonstrado em todo o seu trajeto de vida. Pode ser visto pelo significado de seu sim a Deus, pelo seu exemplo, um das marcas do cristão, de serviço prestado ao próximo, na figura de sua parenta Isabela e do próprio Jesus. Ele, que pela sua ressurreição venceu a morte e uniu a sua Igreja definitivamente ao seu Reino. E é morrendo nela, que ganhamos a vida em abundância, no que ela tem de melhor, a presença de Jesus ao nosso lado para sempre. Sabemos que a vida desta mulher não foi fácil. Juntamente com José, seu marido e Jesus, Maria soube enfrentar de frente todos os problemas que lhe foram impostos, pois sendo a escolhida de Deus, seu inimigo a tentaria de toda forma possível impedir que seu filho Jesus se saísse vitorioso em sua missão gloriosa de derrotar totalmente o poder do mal, e dar-nos toda a

82 possibilidade de termos uma vida completamente nova repleta do amor de Deus.

83

Em Caná

A presença de Maria durante a vida de Jesus foi marcante, resultando na devoção cristocêntrica que temos por ela. Detentora do primeiro anúncio da chegada do messias, tão sofridamente esperado (Lc 1,26-38), ela é a mãe de Deus e a nova eva, mãe dos viventes. Na festa de casamento em Caná, ela presencia o primeiro sinal de que a nova aliança entre Deus e os homens estava para se concretizar, pois sabia desde a anunciação que Jesus, seu filho era o Messias. Durante a festa, Maria mostra que está atenta às necessidades das pessoas, e pela sua fé, consegue fazer com que as pessoas se aproximem mais de Jesus, pois sem Ele, a celebração do casamento, não teria o sabor do vinho, e portanto não seria completa. O casamento simboliza a aliança entre Deus e os homens, como a selada por Deus a Abraão e Sara como sinal de benção para todas as famílias da Terra

84 (Ge 12,1-3).Esta aliança se concretizaria definitivamente na pessoa de Jesus. E a atitude de

Maria, é a representação das atitudes que devemos ter perante o Senhor dentro de nossa comunidade. Ela, nos momentos que precisamos, intercede por nós, como na festa de casamento em Caná, quando Jesus atende a seu pedido pois o vinho acabara (Jo 2,11). Se fizermos o que ele nos pede, simplesmente amar, estaremos sendolhe obediente, como o exemplo de Maria, que como ninguém , soube acolhê-lo em seu coração através de sua fé.

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No Gólgota

Aos pés da cruz, Maria passou por uma das provações mais fortes de sua vida. A morte de seu filho Jesus foi como se uma espada lhe atravessasse o coração. Mas sua fé, diante de tudo aquilo que se passava, não esmoreceu nem um pouco, pois em seu coração, a certeza de que Jesus era o Senhor, era a mais clara possível, e que as escrituras sobre o Messias, a nova aliança entre o próprio Deus, nosso Criador e a humanidade estava se cumprindo. Como sinal de perseverança, ela não se perdeu em seu momento de maior dor, vendo seu filho morto na cruz, sobre o Gólgota, o lugar da caveira.

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Mãe da Igreja e nossa também

Aos pés que se formava.

da cruz,

receberia

uma nova

maternidade. A de ser a mãe, nossa e a da nova Igreja “Mulher, eis aí o teu filho” ( Jo 19,6-27). Ao receber João, o discípulo de Jesus, como seu filho, ela recebe também cada um dos membros de Cristo. Maria, pela demonstração de sua fé e sua vida, em acreditar verdadeiramente no compromisso de Deus com todas as famílias da Terra, formação da Igreja. Ela é para nós um modelo, sem outro igual, da Igreja, pela sua fé e pelo seu amor, e que merece ser honrada e amada como mãe. As virtudes de Maria são modelos para nós cristãos imitarmos. Nos espelhamos em sua fé, sua esperança, e seu amor, que em tudo fez a vontade de Deus. ajudou de forma decisiva para a

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No Pentecostes

Antes da festa de Pentecostes, os apóstolos, algumas mulheres, entre elas, Maria, a mãe de Jesus e os irmãos de Jesus, demonstrando toda sua sé e sua esperança nas promessas de Cristo, permaneciam assíduos unânimes na oração (At 1,14). No cenáculo, durante a festa de Pentecostes, juntamente com os discípulos de Jesus, participa da glorificação do Senhor, e com o recebimento do Espírito Santo, testemunha o florescimento da Igreja de Cristo com um ardor missionário, impulsionado pela atuação do próprio Espírito Santo. Ao final de sua vida, Maria foi levada de corpo e alma para o céu, assim como será a ressurreição de todos nós. Com a mãe do nosso Senhor, está imbutido todo um projeto de evangelização do próximo e de tudo o que ele representa, sendo filho de Deus, numa atitude

88 nossa de diálogo e de respeito, pois também creio que a vitória vem, e será por meio de Maria.

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Rainha do céu e da Terra

“Um

grande sinal apareceu no céu, uma

mulher, vestida de sol, a lua debaixo dos pés, e uma coroa de doze estrelas na cabeça” (Ap 12,1). Esta mulher, é Maria, figura perfeita da Igreja. Como um grande sinal aparecido no céu, uma verdadeira rainha, do antigo e do novo Israel, revestida de grande esplendor e força. Maria, lá no céu, intercede por nós. Na tranfiguração de Jesus em Mt 17,1-9, Moisés e Elias, conversavam com ele. Abraão, na presença de Lázaro, dialoga com o rico, na parábola do rico e de Lázaro, quando mortos (Lc 16,19ss), mostrando que após a morte, a vida continua em sua jornada até a sua ressurreição. A conversa de Saul com a necromante(1 Sm 28), a oração pelos mortos (2 Mc 38 45), são evidências de que a vida permanece após a morte, não como num sono profundo, mas sim de forma ativa.

90 Quem morre em Cristo, permanece nele, em seu corpo místico, que é a Igreja que ele fundou sobre Pedro (Mt 16, 16 - 18). Tanto no céu quanto na Terra, sua Igreja permanece unida, pois foi ele quem venceu a morte. E como ele mesmo disse, a Potência da morte não terá força contra ela (Mt, 16, 18). Deus ouve o clamor de seu povo, e dessa forma, nossas orações chegam até o céu, pois como em (Tb 12, 15), Rafael é um dos sete anjos que apresentam as orações do povo a Deus, e tem acesso à sua presença gloriosa. No céu, Maria é mais que um mero destaque, ela não é deusa, ela é rainha, a mãe de Jesus, a mãe de Deus, a mãe da Igreja que Jesus fundou. Se podemos orar pelos outros, como a nossa oração pelos que já se foram desta vida é valida (2 Mc 12, 38 ss; Hb 12,1), e a oração deles por nós também é válida, pois todos os cristãos, formam uma só Igreja, quer estejam aqui, quer estejam no céu (Ef 4, 16). Maria, em sua condição, pode mais, pode nos levar mais próximos de Jesus, seu filho e nosso único Mediador, através de suas orações.

91

JESUS

Ele nos deu a vida

Dois horizontes estão abertos à nossa frente: ou a nossa vida é uma mera conseqüência do acaso, e portanto Deus não existe e tudo que existe surgiu do nada como obra do acaso, e assim nosso tempo é limitado pelo curto espaço de nossa vida, restando-nos o desejo desesperador, quase inconsciente, de passarmos adiante nosso material genético, ou a nossa vida é conseqüência da vontade de Deus, o criador de todas as coisas, e assim, fazemos parte de seu plano e o nosso tempo é limitado pelo espaço de nossa vida, a qual sempre pertencerá a Deus. O dom da vida é um presente que recebemos de Deus, pela qual passamos a fazer parte do seu

92 projeto. Ela é um dom, porque é gratuita e nos mostra a generosidade e o amor que nosso Pai tem por cada um de nós. Quando damos um presente para uma pessoa que amamos muito, desejamos demonstrar com o presente o nosso sentimento de amor que temos para com ala. É o que Deus faz para todos distribuindo entre nós os seus dons, e entre eles a nossa própria vida Para possuirmos a vida, não bastou pedirmos por ela, bastou apenas a vontade de Deus. Jesus disse que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. E estas são palavras de vida que chegam até nós para que possamos acolher a Deus e o seu reino dando o nosso sim ao projeto do Senhor, sendo merecedores da vida em abundância que é preparada para os seus. Ele quis que fizéssemos parte atuante de seu projeto, amando-nos e mesmo nos quando não com era uma correspondido criado. Ele, autor de toda a vida, e da vida de todos os anjos celestes, nos privilegiou com esta graça, pela qual podemos ter a honra de poder contemplá-lo face a face, honrando

responsabilidade de agir dentro do mundo por ele

93 se assim o desejarmos verdadeiramente. Basta apenas uma atitude nossa, com a sinceridade de uma criança inocente, que conhecendo sua mãe, a ama e por ela se entrega a seus braços. A preservação de toda espécie de vida do nosso mundo depende de nós hoje e da forma que encaramos a mensagem de Deus. Deus é o autor de toda a vida e da nossa também, e agora somos responsáveis por ela e por todas as outras formas de vida por fazermos parte do seu projeto.

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Para que todos tenham vida

E o próprio Deus se faz humano, e vem visitar seus filhos na Terra. Assim como o maná do deserto foi oferecido por Deus para saciar a fome nossa fome. Como parte de seu projeto, o próprio Senhor quis se fazer como a um de nós, mostrando-nos o quanto ele nos valoriza e acredita em nossas capacidades. Ele sabe que muitas vezes agimos como fracos, como que se as profecias fossem realizadas com o extermínio de muitas vidas de pecadores humanos. Temos que ser do partido de Jesus e acreditar em nós também como ele próprio acreditou, e que a sua missão aqui conosco será um sucesso tal que todos terão a vida, pois o autor deste projeto é o nosso próprio Deus o qual tem nos deixado tantas provas de seu imenso amor por nós. das pessoas, Jesus na eucaristia é o pão vivo descido dos céus para saciar a

95 O projeto que Deus tem para nós é o nosso próprio resgate, é a nossa própria vida. E mais, nós mesmos fazemos parte deste seu projeto, e que com certeza, será um projeto vitorioso para Deus e para todos os que o aceitarem. Jesus veio ao mundo e nos mostrou que Deus jamais deixou de cumprir com a sua aliança perante nós. Ele tem cumulado de Bênçãos todas as famílias, mesmo nos dias tão conturbados de hoje, onde a violência corre solta em nossa comunidade, podemos contar com a presença do Senhor todas as vezes que alguém deixa um pouco de lado o que está fazendo para ir ao encontro do amor figurado na imagem do outro ou na imagem do pão eucarístico. Deste projeto, nós fazemos parte, e temos que nos comprometer com ele e ajudar a concretizá-lo, e para tal é necessário apenas amarmos a Deus e ao próximo, quer em nossa família, na escola, no trabalho, na comunidade. Somente para se tratar de um único aspecto importante deste projeto, o qual se trata do diálogo que deve haver sempre nas nossas relações. Jesus não veio até aqui para impor nada a nós, se não há diálogo entre os pais e os filhos em nossa família, se na escola não há

96 diálogo entre professor e aluno, se no trabalho, não há diálogo entre o trabalhador e o patrão, se em nossas comunidades não há diálogo entre a liderança e a comunidade, é porque não se está fazendo o esforço suficiente para levar à frente este projeto, do qual fazemos parte. Eu vim para que todos tenham vida. Nestas palavras está prefigurada uma mensagem de vida e esperança para todos os povos da Terra. Esta mensagem é de esperança, porque o protagonista dela é Jesus. É sua missão entre nós, é em nosso amparo para nos lembrar de que em nenhum momento fomos abandonados pelo nosso Pai. Ele trás para nós a esperança de ganharmos a vida com ele, pois ele mesmo quer isso para nós. Se o próprio Deus quer que tenhamos a vida em abundância e fez um gesto concreto para que isto possa ocorrer, só precisamos fazer a nossa parte, sendo obedientes à sua lei do amor. Pois do contrário, seremos como que possuidores de uma angustia interior, chegando mesmo a enxergar todo tipo de erro dentro Igreja, fazendo críticas dela, procurando se separar em grupos que sejam favoráveis com seu

97 modo de pensar e de agir, fugindo do contato comunitário com o “pecador”. Seu projeto terá sucesso porque seu autor é o próprio Senhor. Sim, isto mesmo, sucesso pleno, pois o autor da vida é quem age por nós e em nosso meio por intermédio das pessoas que ele chama para trabalharem na sua Igreja e com o seu povo, sendo uma benção para todas as famílias. Se o autor e o tocador do projeto não fosse o nosso próprio Senhor, teríamos muitas razões para acreditar num fracasso deste plano, culminando com a vitória do mal sobre ele. O adversário deste plano terá ganho se a maioria das pessoas, bilhões de pessoas, não conseguirem entrar no reino de Deus, se a Terra for destruída em grande parte e os que não forem salvos serem mortos e excluídos da presença de Deus. Isto tudo poderia acontecer se o plano não fosse de Deus, o autor de toda vida e se ele não agisse no meio de seu povo por intermédio da imagem de pessoas chamadas por ele para o trabalho de evangelização do mundo e do testemunho de vida deixado por elas como sinal da atuação de Deus.

98 E todos que acreditamos na lei do amor, e sabemos repartir entre nós os nossos dons de forma que entre nós as necessidades sejam amenizadas, teremos a vida que tanto nos foi anunciada no decorrer dos séculos, quer pelo exemplo deixado pelos santos da Igreja, quer pelas orações que fazem por nós lá do céu, quer pelas orações que fazemos uns pelos outros aqui na Terra quer pelas nossas atitudes cristãs, amparando os necessitados, respeitando o nosso irmão, amando e não criando obstáculos para que o reino de Deus se instale, pois ele é Deus e é por nós, e desta forma não podemos temer que o seu plano seja um fracasso devido ao poder que possui o sistema político vigente e seu autor, enormemente contrário ao plano de Deus.

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O último inimigo

Todos nós nos deparamos com ela uma única vez, num único instante de tempo. Ela não espera que estejamos preparados ou não quando se esbarra conosco, fazendo com que seja tão temida por muitos, parecendo ser uma inimiga insuperável. Ela marca o fim do curto tempo da nossa permanência na Terra, selando o nosso acolhimento à presença de Deus ou a sua recusa definitiva. Ela é nosso último e decisivo inimigo em nossa travessia para a vida nova e em abundância, que está reservada para nós como o próprio Senhor nos diz na eucaristia: Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6, 54). Jesus passou por ela e selou definitivamente, com o seu próprio corpo e sangue, a nova aliança entre Deus e a humanidade, abrindo para todos um novo horizonte de vida, de esperança e de amor. O Cristo

100 imolado é para nós, sinal da nossa própria páscoa, libertadora de todo mal que nos aflige hoje. Morrendo, Jesus esteve presente na morada dos mortos levou o anúncio do evangelho aos que por ela haviam passado, dando-lhes a vida, como prova da fidelidade de Deus com seu povo, cumprindo com as escrituras de tal forma que todos os que o aceitaram durante sua vida, fossem merecedores de tê-lo em sua presença. Jesus, ao passar pela morte saiu-se vitorioso, mudando toda a nossa sorte para melhor. Ao ressuscitar da morte, ele alicerçou a nossa fé nele e em toda a sua obra, inaugurando o reino dos céus na Terra. Até que o Senhor venha na sua majestade, e todos os anjos com ele ( Mt 25, 31), e até que lhe sejam submetidas, com a destruição da morte, todas as coisas (1Cor 15, 26-27), alguns dos seus discípulos peregrinam na terra, outros já passados desta vida, estão se purificando, e outros vivem já glorificados, contemplando “claramente o próprio Deus, uno e trino, tal qual é”; todos, porém, ainda que em grau e de modo diversos, comungamos na mesma caridade para com Deus e para com o próximo, e cantamos o mesmo

101 hino de glória ao nosso Deus. Pois, todos os que são de Cristo, tendo o seu Espírito, formam uma só Igreja e neles estão unidos entre si ( Ef 4, 16). Por isso, a união dos que estão na terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo de maneira nenhuma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé constante da Igreja, Cristo, reforça-se os bem pela comunicação dos bens mais espirituais. Em virtude da sua união mais íntima com aventurados confirmam solidamente toda a Igreja na santidade, enobrecendo o culto que ela presta a Deus na terra e muito contribuem para que ela se edifique em maior amplitude ( 1Cor 12, 12-27). Porque foram já recebidos na Pátria e estão na presença do Senhor, ( 2Cor 5, 8) - Por ele, com ele e nele - não cessam de interceder em nosso favor junto do Pai, apresentando os méritos que - por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, (1Tm 2, 5) - adquiriram na terra, servindo ao Senhor em todas as coisas e completando na sua carne o que falta à paixão de Cristo em benefício do seu corpo que é a Igreja (Cl 1, 24). Na verdade, a solicitude fraterna dos bem-aventurados ajuda imenso a nossa fraqueza. (Lumen Gentium 49).

102 E está em nosso meio

Mesmo no céu, Jesus

permanece em nosso

meio pois agora já podemos fazer parte de seu Reino, fazendo-nos como testemunhas dele. Eterna é a soberania do Messias em seu Reino, o qual não terá fim, e sua realeza jamais será destruída. Com sua morte, Jesus não se separou de sua Igreja, pelo contrário, como chefe e sacerdote supremo dela, ele sempre a tem assistido a amparado. Onde dois ou mais estiverem reunidos em nome de Jesus, ele estará entre eles, ouvindo suas orações, atendendo suas necessidades, amparando àqueles que necessitam ser amparados. As nossas reuniões cristãs, são sinais marcantes da presença de Jesus entre nós. Quando oramos com juntamente com ouras pessoas, deveríamos nos sentir reconfortados, porque Jesus garantiu sua presença em tais situações. E somente isso já é motivo muito grande para nós ficarmos honrados e nos esforçarmos para por em prática tudo o que nos tem ensinado, deveria ser mais que suficiente para amarmos

103 mais a nossa família, nos desarmando de todo tipo de defesas pessoais contra o outro, nosso irmão. Ele nos deixou vários outros sinais de sua presença, como os sacramentos, a sua Igreja, o nosso próximo, o testemunho de cristão demonstrado pelos seus discípulos. Muitas pessoas se esforçaram e muito para levar à frente o anúncio de Jesus, quer nas famílias, quer na comunidade, quer no meio em que estavam. E tudo isto faz parte da missão de cada um dos que crêem verdadeiramente em Cristo, o qual transmitiu a missão para os seus de serem o sal da Terra e a luz do mundo. Muitos conseguiram viver este projeto em sua essência, e foram para seus amigos e amigas como pessoas agraciadas com os dons do Espírito Santo, pois souberam ouvir quando alguém queria desabafar, souberam acolher com carinho àqueles que vinham até eles, souberam lutar incansavelmente pelo bem comum e pelo anúncio do evangelho nas suas comunidades, dando o seu exemplo, souberam realmente, como o apóstolo Paulo, combater o bom combate e são merecedores da Vida.

104 O testemunho do cristão não deve ser esquecido de forma alguma, pois da mesma forma que eles conseguiram viver o que anunciavam, mostraram para nós que o ideal cristão é algo possível para nós também. O exemplo deles, que estiveram tão próximos de nós, e que muitas vezes os conhecia-mos, falava-mos e convivia-mos com eles em nosso meio, deveria ser para nós um sinal da presença de Deus em nosso meio. O exemplo de cada uma das pessoas engajadas em algum setor da Igreja não pode ser deixado no esquecimento só porque ela já se foi, deixando de estar em nossa presença. Muito pelo contrário, Jesus Ressuscitou para nós, vencendo a morte e deixando-nos a missão de irmos pelo mundo afora vivendo e anunciando o evangelho entre todas as nações. E o nosso exemplo de vida cristã no meio em que vivemos deve ser para todos um sinal do amor de Deus para conosco. E o exemplo nosso de vida em comunhão com Deus e com a Igreja é mais forte que a morte, fazendo com que o evangelho seja, por ele também, impulsionado para as gerações futuras, dentro de uma comunidade verdadeira, onde amor entre todos. prevaleçam a paz e o

105 Deus não se esquece da vida de nenhum de nós, quer estejamos na Terra, quer estejamos no céu, pois o seu reino é um só, quer na Terra, quer nos céus, e sua presença sempre se faz sentir pelos seus de várias formas, e uma delas é na imagem das pessoas que já passaram por este mundo e que souberam acolher a palavra de Deus e vivê-la de forma abundante, sendo autênticas testemunhas do amor de Deus atuando em favor de todos, para que todos tenham a Vida. Encontramos sinais da presença de Deus na imagem de todos os apóstolos que em sua vida souberam amar a Deus e à Igreja, da mesma forma todas as pessoas que em suas vidas também souberam amar a Deus e a Igreja. Que seus exemplos sejam para nós um fator impulsionador em nossa missão de evangelizadores e de comunhão com o amor fraternal de Deus e da Igreja.

106

Intercessão

O Todas as orações do povo chegam até Deus de uma forma especial. O anjo Rafael é um dos sete anjos que tendo acesso à presença de Deus, oferecem as orações do povo (Tb 12, 15). Jesus, Filho de Deus e verdadeiro homem, é como diz o apóstolo Paulo, nosso único Mediador entre Deus e os homens, em sua primeira carta a Timóteo (1Tm 2, 5 - 6). Jesus nos ensinou a orar em (Mt 6, 9 - 15). Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;

107 e não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal. Na oração do Pai Nosso, Jesus nos ensina que em nossas orações, devemos orar não somente por nós mesmos, mas também interceder pelo nosso próximo. Quando estamos rezando o Pai Nosso, estamos pedindo por Deus, pelo vosso Nome, pelo vosso Reino, pela vossa Vontade, intercedendo pelos nossos irmãos, pedindo que Deus Pai dê para todos o pão de cada dia, que perdoe as ofensas de seus filhos, que Deus Pai não deixe seus filhos caírem e que sejam libertados de todo mal. Jesus não nos deixou nada escrito, legado este que ficou para seus apóstolos e discípulos. Graças a eles, que os ensinamentos de Jesus foram organizados e escritos, de tal forma que mesmo após decorridos séculos de suas mortes, aquele período de suas vidas com Jesus, podem ser revividos por todos através da leitura, meditação e prática da Bíblia. Nela encontramos o quanto é importante para nós termos em mente os testemunhos de pessoas, que em suas vidas

108 souberam acolher a palavra de Deus e pô-la em prática, mesmo que isso resultasse no seu martírio. É comum pedirmos para que nossos irmãos orem por nós quando nas situações em que não estamos presentes com eles. Há várias situações em que isto ocorre, tais como, quando vamos fazer uma tarefa importante, quer quando vamos fazer um retiro espiritual, quer quando vamos participar de uma atividade que vai resultar num bem para muitos, quer quando vamos participar de um evento social ou religioso. O fato de oramos uns pelos outros, faz parte dos ensinamentos de Jesus, e podemos ver isto quer quando ele nos ensinou a rezarmos o Pai Nosso, quer quando nos ensinou a lei do amor. Isto para nós, é muito bom, e demonstra a unidade dos cristãos em meio à sua diversidade, refletindo o amor que temos a Deus e ao amor que temos pelos outros. Quando oramos pelos outros, nossos irmãos, estamos sendo seus intercessores, e nossos pedidos chegam aos céus na medida de nossa fé.

109

Se podemos pedir pelo outro...

Sabemos que Jesus é o nosso único Mediador entre Deus pois ele sendo o próprio filho de Deus e verdadeiro homem, pode conhecer a Deus em sua essência e a cada um de nós perfeitamente. Ele está em nossa presença, quer debaixo das aparências do pão e do vinho consagrados, quer em nossas orações. Ele que estejamos ao seu lado em todas as situações de nossa curta existência aqui na Terra e que saibamos ser humildes ao pedir e que sempre lembremos de nossa próximo. Quando cometemos pecado, nos afastamos da presença de Deus. E isso faz com que percamos a ligação importante com o céu, e sem esta ligação entramos numa situação em que “tudo nós é permitido”, exceto contemplarmos a glória de Deus para sempre. Disto resta para nós, enquanto estamos nesta vida, a ação de Deus, as orações de nossos irmãos em nosso

110 favor, suas ações em prol de nossa conversão, a nossa conversão ou a nossa recusa definitiva para aceitá-lo. Em nossa orações, podemos e devemos pedir pelo outros, pois recebemos a certeza de nosso Senhor de termos nossos pedidos a Deus atendidos. Por isso é muito salutar fazermos de nossas orações um hábito freqüente, e que não esqueçamos daqueles que nos ajudam em nossa caminhada quotidiana como nossa família, nosso anjo da guarda, de nosso Senhor, de todos que estão envolvidos conosco, e também que não esqueçamos de nosso próximo, quer seja ele alguém conhecido ou não, quer seja um amigo ou não. Deus sempre ouviu o clamor de seu povo e nunca os abandonou e nunca os abandonará. Ele sempre tem demonstrado o seu amor por nós ao longo de toda a nossa história, ele tem estado presente desde o começo da humanidade, passando por Noé, que recebeu a benção e a aliança, por Abraão e Sara, detentores da mesma benção e da aliança, passando por Moisés, o mediador da aliança, pelos culminando com a vinda de Jesus. Quando oramos, podemos e devemos pedir pelo outro sempre, foi assim que Jesus nos ensinou na reis, pelos profetas,

111 oração do Pai Nosso. Se podemos pedir pelo outro, Maria é a que mais pode interceder a nosso favor, pois ela é a pessoa que está mais próxima de Jesus, ela foi a mulher escolhida para ser a mãe de Deus e concebida sem pecado. Maria, é a mãe de Jesus, a nossa mãe também e coroada no céu como sua rainha, e na Terra como sua rainha, ela pode nos aproximar mais de seu filho querido. Sua fé é um modelo para os cristãos, que estão espalhados por todos os continentes desse mundo, comprometidos com o anúncio do evangelho. Ela é a bem aventurada a que encontrou-se repleta da graça. Se Deus atende às nossas orações e aos nossos pedidos por ser o nosso Senhor e nosso Pai, olhando a nossa condição de sermos santos e pecadores, muito mais ainda, ele atende às súplicas dos santos, principalmente às de Maria, pois Deus é Deus de vivos, não de mortos, assim como ele é Deus de Abraão, Isaac, Moisés, também o é de Maria e de todos os santos que estão na glória de Deus. diante de Deus

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UNIDADE

Jesus funda uma Igreja

Jesus fundou uma única Igreja, e ao Pai pediu que ela permanecesse unida, e seus discípulos, com o primado de Pedro, receberam o Espírito Santo, o qual fora prometido pelo próprio Filho do Homem. Ele disse também que as portas do inferno jamais prevaleceriam sobre sua Igreja. A atividade missionária dos discípulos de Jesus foi impulsionada pelo poder do Espírito Santo. Eles fizeram com que a Igreja de Cristo crescesse e se multiplicassem o número dos cristãos. No início, a Igreja teve um crescimento rápido, pois ela era

113 visivelmente unida apesar das perseguições e do elevado número de mártires. As divisões mais graves entre os cristãos eram solucionadas em concílios, como o de Jerusalém onde as questões entre os cristãos vindos do paganismo e os do judaísmo foram prontamente resolvidos pela intervenção de Pedro, o qual Jesus havia pedido para apascentar a sua Igreja. Desta forma, ela pode testemunhar uma expansão surpreendente para a época, e Clemente, o terceiro sucessor de Pedro em torno do ano de 96 numa de suas cartas para os cristãos de Corinto relatando sobre os martírios de Pedro e Paulo escreve que antes de seu martírio, Paulo teria chegado até à Espanha para a evangelização. Com todo este sentimento devido às perdas de suas maiores testemunhas, as pessoas eram mais fortemente impulsionadas pelo Espírito Santo a levar em frente o ideal de Cristo. Foi assim com o testemunho de Estevão, no começo do cristianismo, que mesmo preso, não hesitou em denunciar todo o sistema opressor vigente, não aceitando as normas do império segundo as quais o próprio imperador era um deus, permanecendo fiel a Cristo, testemunhando o cristianismo com toda

114 sua fé, até “adormecer”. Assim também foi com as duas jovens cristãs Felicidade e Perpétua, que testemunharam sua fé em Cristo para todos os que tentavam contra suas vidas e de sua família, até serem atiradas na arena, para serem comidas pelos leões, servindo como diversão da platéia que assistia tudo entusiasmadamente. Estes testemunhos tem sido dados até hoje, basta procurar na pastoral missionária de sua paróquia ou na diocese informações sobre os missionários da sua Igreja, você vai encontrar espalhado por este mundo, em todos os continentes e em todas as situações possíveis, favoráveis ou não, nos países ricos, nos países pobres, nos lugares onde há paz, ou onde há guerra, muitas pessoas, como leigos, sacerdotes, religiosos trabalho ou religiosas, adultos ou crianças a testemunhar Jesus Cristo para todas as pessoas. Este beneficia em muito o reconhecimento da unidade entre os cristãos.

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Espírito Santo

Há um só corpo e um só Espírito, do mesmo modo que a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos (Ef 4, 4-6). A presença do Espírito Santo em nosso meio, é observada numa simbologia diversificada. O Espírito Santo esta presente na imagem da água que saiu de Jesus (Jo 19, 34), da unção com óleo que recebemos (1Sm 16, 13), da pomba, como no batismo de Jesus (Lc 3, 22). Ele também é figurado na simbologia da imposição das mãos (At 8, 17), da nuvem (Ex 13, 21 s), do fogo (At 2, 2), do dedo (Lc 11, 20). É pela vontade do Espírito Santo que cada pessoa recebe seus dons específicos (1 Cor 12, 11), os quais beneficiam em muito a unidade e o crescimento da Igreja, quando são postos a serviço da comunidade.

116 De uma forma muito especial, somos a morada do Espírito Santo (1 Cor 6, 19), encontramos nele a paz (Ef 4, 3) e a liberdade (2 Cor 3,17). Aqueles que Espírito Santo (Jd 19). Antes de voltar para o Pai, Jesus deixou para seus discípulos a missão de anunciar a boa nova a todos os povos. E com o espírito Santo, a sua mensagem passou a ser dinamicamente transmitida de cidade em cidade, a cada país, e muitas pessoas aderiram à sua mensagem, pois era acompanhada de sinais marcadamente de uma nova vida. O amor testemunhado pelas pessoas que falavam do Cristo era marcante dentro de uma nova comunidade em crescimento. as pessoas observavam a forma com que se amavam mutuamente e o modo como viviam, possuíam entre si, comunidade. repartindo os bens que propiciando a não haverem provocam divisões, não têm o

necessitados em seu meio, pois viviam numa verdadeira

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Posse exclusiva da verdade?

Muitas coisas tem atrapalhado a caminhada da Igreja. Jesus disse que ele é o caminho, a verdade e a vida, mas parece que muitos “cristãos” acreditam piamente ser possuidores exclusivos da verdade, que é Jesus. E isto é algo muito sério, e que tem prejudicado demais a unidade dos cristãos. Nenhuma Igreja é dona do caminho, da verdade e da vida, pois só ele é. Jesus disse que veio para que todos tenham vida, e a tenham em abundância. Ele não disse que veio para que apenas alguns tenham a vida. Muitos cristãos vivem com intensidade as palavras de Jesus, conseguindo ver no meio de tanta diversidade, a unidade, que é ele próprio. Certa vez, os discípulos de Jesus, estando a anunciar a boa nova, se depararam com uma outra pessoa que também fazia suas obras e operava milagres em nome de Jesus, como expulsar os demônios. Os discípulos de Jesus pediram a ele que se juntasse a eles. Como ele se negava a seguí-los, os discípulos de Jesus,

118 procuravam impedi-lo de fazer as obras em nome do mestre, mas Jesus os repreendera. Disse Jesus: Não o impeçais, pois não há quem faça milagres em meu nome e, logo depois, possa falar mal de mim. Aquele que não está contra nós é a favor de nós (Mt 9, 38-40). A caminhada da Igreja e com a Igreja é importante para a nossa vitória, trilhando pelo caminho correto em busca da verdade e da vida. A verdade é absoluta, não podemos compreendê-la com a nossa mente limitada, que faz com que a enxerguemos apenas em parte. Mas, é pela unção do Espírito Santo que somos conduzidos à verdade em sua plenitude, tal como ela é.

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Cristo e sua mensagem nas culturas

A mensagem que Cristo pediu para que fosse transmitida, com o passar dos séculos, foi sendo interpretada de diversas formas devido às mudanças sociais, políticas e culturais dos povos. Jesus soube levar o evangelho para seus discípulos e para todos que precisavam dele, de alguma forma, dentro das realidades deles. Ele se utilizava da realidade em que viviam, ou seja, falava a mesma língua deles, e muitos criam nele e o seguiam e sendo seus discípulos. E sua mensagem era de amor, mas amor verdadeiro, incondicional a Deus e ao próximo também. Ensinava a buscarem o reino de Deus em primeiro lugar, o qual já estava no meio deles (Lc 17,20-21), pois assim, todas as coisas seriam acrescentadas e a vida seria plena. Quando falava do amor que Deus tinha para com todos, e de seu reino, Jesus utilizava de parábolas, pois era um método de ensino que era comum da cultura daquele povo.

120 Jesus não ficava parado, esperando que as pessoas viessem até ele. Ele deixou o exemplo para nós. Foi ao encontro daqueles que sabia, precisarem dele. Foi ao encontro daqueles que eram mal vistos pelo sistema social vigente. E sem dúvida, era que mais elas precisavam. Partindo da realidade vivida por cada um daqueles os quais encontrava, Jesus deixava a sua mensagem. Nicodemos, Maria Madalena, Lázaro e sua família, a filha de Jairo, mendigos, crianças, idosos, deficientes, mulheres, enfim viram o amor de Deus pois ele mesmo lhes falara, não como um rei que de seu trono fala a seus súditos, mas como um irmão que nos ama e quer o nosso bem. A mensagem que Jesus tirava de cada realidade vivida servia para todos os que estavam ao redor e além para que vendo, ouvindo e sentindo cressem no evangelho e permanecessem unidos a ele na sua Igreja. Os discípulos dele sentiam esse amor, e que Deus jamais os deixaria na mão, pois ele é fiel a seu povo e age por meio das pessoas para que se cumpram as escrituras e que todos tenham vida em abundância, não se separando do seu corpo místico.

121 Hoje, ainda há um sistema social vigente, mas que espelha uma realidade de valores culturais diversos dos da época de Jesus. A mesma mensagem pode ser interpretada de várias formas, muitos lêem as sagradas escrituras ao pé da letra e têm uma interpretação; outros podem lê-la através do gênero literário usado pelos autores dos livros da Bíblia; e outros, levando-se em consideração as relações sócio-político-culturais em que foram escritos, numa abordagem histórico-crítico dos fatos. Jesus está presente conosco, participando da nossa realidade vivida, nos ensinando que o reino de Deus já está entre nós, e que a lei do amor prevaleça sempre, mantendo-nos verdadeiramente unidos, para que tenhamos parte deste reino.

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Unidade na diversidade

Unidade

na

diversidade.

Creio

que

se

soubermos superar a pequenez das coisas que nos mantêm divididos entre “cristãos e cristãos”, estas divisões terão sido para um maior crescimento da própria Igreja. O que une a Igreja deixada por Jesus é ele próprio, e o Espírito Santo a ilumina. O que divide os cristãos entre católicos, protestantes e evangélicos, são coisas tiradas da cabeça de algum humano do passado. É um pouco triste que muitos sigam a palavra de algum humano do passado que por algum motivo, sem dúvida também humano, tendo achado como melhor forma para acabar com desentendimentos, separar-se do que Deus uniu. Paulo ensina que nos é permitido todas as coisas, mas que nem tudo nos convém (1Cor 6,12). Falando da diversidade dos membros e de sua unidade no corpo, Paulo faz uma comparação do corpo

123 com seus vários membros unidos a ele, com o corpo de Cristo que é a Igreja. Todos nós, que fomos batizados em um mesmo Espírito, somos cada um cristãos distintos e formamos um só corpo, em um único Espírito. Cada cristão tem uma função distinta dentro da Igreja, não agindo fora dela pois cada membro pertence a ela e todos os vários cristãos formam uma só Igreja. Cada cristão da Igreja não vive isolado mas depende dos outros cristãos para formar a Igreja. Deus compôs o corpo dando mais honra ao que dela é desprovido, a fim de que não haja divisão no corpo (1Cor 12, 12 - 31). Cada um de nós recebemos de Deus seus dons para uma função dentro da Igreja. A cada um Deus agraciou com um dom, e todos os dons estão nos membros da Igreja, para estarem a serviço da comunidade. De tal forma que nenhum de seus membros possui todos os dons, portanto, eles são compartilhados pela Igreja a fim de que não haja divisão nela. Toda essa diversidade que há na Igreja, como a diversidade de dons, de valores, de culturas, de formas e de meios, mostram que ela é riquíssima, pois foi composta por Deus. E no mundo em que vivemos,

124 profundamente marcado pelo individualismo, encontramos sinais da unidade entre os cristãos dentro da diversidade de dons que os permeiam pois é o mesmo Jesus que nos une. E ele, como Deus, é infinitamente maior do que qualquer um de nós.

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O caminho para a unidade como um processo

Os cristãos, principalmente os que participam de alguma forma, de missões além fronteiras, ou em seu próprio país, levando a mensagem de Jesus, muitas vezes esbarram num obstáculo visível para muitos, as divisões entre os cristãos. E acaba se tornando muito difícil para as pessoas enxergarem uma unidade nesta diversidade de cristãos. Tem-se percebido desta forma , que isso não está em sintonia com o que Cristo pede ao Pai em sua oração no cenáculo. Estamos divididos, disso sabemos, que? é uma questão que intriga muitos cristãos. Jesus nos deixou a missão de irmos a todos os povos para levar-mos até eles a mensagem evangélica. E essa divisão é um ponto a ser superado na jornada missionária. O caminho da unidade é um processo lento, que com o passar do tempo, vem dando sinais de avanço. A unidade não implica em uniformidade numa mas por

126 super igreja, ela está vinculada pelo Espírito Santo a todos nós. Está em reconhecermos que somos filhos de Deus, que moramos na mesma casa, e que somos únicos. Possuindo características próprias, precisamos uns dos outros se realmente quisermos pertencer à mesma casa de Deus. Entre os sinais estão a semana de oração pela unidade dos cristãos, que a cada ano que passa vem melhorando, o trabalho de todos os organismos das igrejas que tratam do diálogo ecumênico, o próprio jubileu do ano dois mil que participação ecumênica. E assim em nossa diversidade, todos seremos um.

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As divisões e o crescimento da Igreja

Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que tu me enviaste. (Jo 17,20-21). No cenáculo, Jesus pede ao Pai para que os cristãos incumbidos da missão de anunciar a boa nova, o caminho, a verdade e a vida ao mundo tudo, que permanecessem unidos e da mesma forma, aos novos evangelizados. Jesus, como Deus, certamente sabia o que ocorreria com a sua Igreja quando pediu para que seus discípulos permanecessem unidos. As divisões, são uma realidade hoje. Como é também os esforços para mostrar que a unidade dos cristão não é uma utopia, longe de ser alcançada.

128 Se soubermos superar essa fase, as divisões terão sido para um maior crescimento da Igreja, pois o amor está presente em nosso meio, e ele é paciente e tem o espírito de serviço, não é ciumento, não se pavoneia, não se incha de orgulho, nada faz de inconveniente, não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, não se regozija com a injustiça, mas encontra a sua alegria na verdade. Ele tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca desaparece. As profecias? Serão abolidas. As línguas? Cessarão. O conhecimento? Será abolido. Pois o nosso conhecimento é limitado e limitada é a nossa profecia. Mas quando vier a perfeição, o que é limitado será abolido(1Cor 13, 4 - 10).

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CONCLUSÃO

Nesta sociedade em que vivemos atualmente, repleta de símbolos, a imagem possui um papel básico na transmissão do conhecimento. Sempre foi assim na história do gênero humano, a começar pelas imagens que a humanidade primitiva nos deixou há dezenas de milhares de anos, mostrando-nos a sua cultura e a sua época, até esta sociedade super simbólica de hoje. A imagem é quase que inerente para nós, até mesmo a nossa escrita teve origem em forma de imagens que representavam animais, pessoas, rios, e todo tipo de símbolo que pudesse representar um pensamento. O cristianismo está inserido neste meio. Imagens são sinais que mostram a presença de Deus, as formas pelas quais ele agiu e permanece agindo no meio do povo. Jesus ao consolar Marta e Maria, pela morte de seu irmão Lázaro, nos transmitiu que ele era a

130 ressurreição e a vida, e todos os que cressem nele viveriam para sempre, mesmo que morressem (Jo 11,25s). Aqui na terra ou no céu, a Igreja que Jesus fundou e que jamais cairá (Jo 16, 16 - 19), é a mesma, pois ele é a sua cabeça.

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Bibliografia
A BÍBLIA, teb - Antigo e novo testamento, Edições Paulinas - Edições Loyola. CIC - Catecismo da Igreja Católica, Editora Vozes Edições Paulinas - Edições Loyola - Editora Ave-Maria, 6a edição, 1993. MACKENZIE, John L. - Dicionário bíblico. São Paulo, Ed. Paulus, 1983. FROHLICH, Roland - Curso básico de história da Igreja. São Paulo, Edições Paulinas, 1987.

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO............................................................3 ÍCONES.........................................................................5 O 1O MANDAMENTO E OS ÍDOLOS..........................................5 OS BEZERROS DE OURO, SANTUÁRIOS....................................12 SINAIS.............................................................................17 SUA PRESENÇA........................................................20 CASA DO SENHOR.............................................................20 DEUS SE REVELA ENTRE NÓS...............................................23 ASSUME UM COMPROMISSO COM TODAS AS FAMÍLIAS...............26 NOSSOS COMPROMISSOS, PLANOS.........................................28 DEUS SUA PRESENÇA.........................................................32 ÁGAPE........................................................................35 UM NOVO MANDAMENTO....................................................35 AMIGOS...........................................................................38 O AMOR AOS NOSSOS INIMIGOS............................................42 O NOSSO PRÓXIMO............................................................47 OS EXEMPLOS DE JESUS.....................................................50 NA IMAGEM DO PÃO E DO VINHO....................55

133 JESUS E OS DISCÍPULOS DE EMAÚS (LC 24, 13 - 35)......55 A CEIA O SENHOR............................................................62 JUSTINO E A MISSA............................................................66 DOAÇÃO..........................................................................71 MARIA........................................................................75 O CANTO DE MARIA (LC 1,46-56)....................................75 O ANÚNCIO DE SUA MISSÃO................................................77 MÃE DE DEUS..................................................................79 EM CANÁ........................................................................83 NO GÓLGOTA...................................................................85 MÃE DA IGREJA E NOSSA TAMBÉM......................................86 NO PENTECOSTES..............................................................87 RAINHA DO CÉU E DA TERRA..............................................89 JESUS..........................................................................91 ELE NOS DEU A VIDA ........................................................91 PARA QUE TODOS TENHAM VIDA..........................................94 O ÚLTIMO INIMIGO.............................................................99 E ESTÁ EM NOSSO MEIO....................................................102 INTERCESSÃO..................................................................106 SE PODEMOS PEDIR PELO OUTRO........................................109 UNIDADE..................................................................112 JESUS FUNDA UMA IGREJA................................................112 ESPÍRITO SANTO.............................................................115 POSSE EXCLUSIVA DA VERDADE?.......................................117 CRISTO E SUA MENSAGEM NAS CULTURAS............................119 UNIDADE NA DIVERSIDADE................................................122 O CAMINHO PARA A UNIDADE COMO UM PROCESSO...............125 AS DIVISÕES E O CRESCIMENTO DA IGREJA..........................127

134 CONCLUSÃO.....................................................129 BIBLIOGRAFIA......................................................131