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INSTITUTO FEDERAL DE CIÊNCIA, EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA DO CEARÁ – CAMPUS LIMOEIRO DO NORTE Bacharelado em Nutrição

Manual de atendimento Ambulatorial para Hipertensos e/ou Diabéticos.

Limoeiro do Norte – CE Outubro – 2013

GERCIKA IZABELY SANTIAGO MAURICIO GRAZIELA IARA SILA JULIANA SALES

Manual de atendimento Ambulatorial para Hipertensos e/ou Diabéticos

Manual projetado como atividade da disciplina de Nutrição em Saúde Publica do curso de Bacharelado em Nutrição do Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia do Ceará, Campus Limoeiro do Norte, como requisito parcial para aprovação na disciplina. Professora: Jocikelma Ferreira Silva.

Limoeiro do Norte – CE Outubro – 2013

APRESENTAÇÃO .

4. Não-farmacológico e Medidas Associadas.1 Exame físico. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS .1 HIPERTENSAO ARTERIAL SISTEMICA 2.SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E CRITERIOS DIAGNOSTITCO E CLASSIFICAÇÃO 2.1 AVALIAÇÃO CLINICA 4. DIABETES MELLITUS 4.2 TRATAMENTO 5.1 AVALIAÇÃO CLÍNICA DA HS 3. HIPERTENSAO ARTERIAL SISTEMICA 3. Avaliação Laboratorial.2 DIABETES MELLITUS 3. 04 3.2 TRATAMENTO Farmacológico.1. Anamsese nutricional.

não menos importante. desconforto precordial e palpitações. tabagismo. a avaliação clinica de tem como objetivo verificar a etiologia da HAS. altura. calculando-se o IMC. CONCEITOS E CRITERIOS DE DIAGNOSTICO E CLASSIFICAÇÃO 2. situação familiar e condições de trabalho. geralmente pela manha. a gordura distribuída em forma de “maçã” (andróide) esta mais relacionada com o risco de doenças cardiovasculares. consumo de álcool. obesidade. como também verificar outros fatores de risco que possam contribuir para o prognostico e na orientação terapêutica. 3. Em casos de pacientes ansiosos são vistos sintomas como tontura. Nem todos os sintomas da HAS estão diretamente ligados com os níveis de pressão arterial.1. Pacientes que apresentam apnéia do sono em razão da hipoxia também podem apresentar cefaléia. a cefaléia é um sintoma comum. casos de depressão.2 EXAME FÍSICO O exame físico é realizado medido peso.1 AVALIAÇÃO CLÍNICA DA HAS A hipertensão arterial por ser basicamente assintomática. o uso de medicação concomitante que posso influir no controle da pressão arterial. os tratamentos prévios e seus possíveis efeitos colaterais. as cifras pressóricas anteriores.2 DIABETES MELLITUS 3. sendo percebidas pela circunferência e pela relação cintura-quadril que não deve .1 HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA 2. especialmente nos casos mais graves. doença renal e dislipidemia. HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA 3. Entre os fatores de risco observados deve ater a aterosclerose.1 ANAMNESE NUTRICIONAL A anamnese deve ser direcionada para o tempo da doença. sedentarismo e. os sintomas que indicam o comprometimento dos órgãos-alvos e. de antecedentes familiares. em especial. INTRODUÇÃO 2.1.1. deve-se ser dada atenção psicológica ao paciente. verificar em grau está o comprometimento de outros órgãos envolvidos e. também. a presença da doença coronária prematura e acidente vascular cerebral na família. o percentual de gordura corporal e esta distribuída. 3. hábitos alimentares.

3. Os exames laboratoriais complementares têm como intenção diagnosticar o grau da doença hipertensiva. inflando o manguito até o seu desaparecimento. realizar a estimativa da pressão sistólica através da palpação do pulso radial. são indicados usualmente os seguintes exames como avaliação básica em todo paciente hipertenso:    Hemograma Completo. centralizado sobre a artéria braquial.3 AVALIAÇÃO CLÍNICA Na avaliação clinica é aferiação da pressão arterial. Bioquímica Sangüínea (potássio. . as que ocorrem por alterações patológicas de outros órgãos como doença vascular periférica. colesterol total. angina do peito e/ou infarto agudo do miocárdio prévio. indagar sobre esforços físicos (até nos 90 minutos anteriores) uso de álcool. Avaliação e Tratamento da Hipertensão Arterial (VI JOINT). tabagismo. estes erros podem ser evitados com a simples de alguns procedimentos. com largura correspondente a 40% da circunferência do braço e com comprimento que envolva pelo menos 80% da sua extensão. colocado 2 a 3 cm acima da fossa antecubital. glicemia de jejum. os que obtiverem valor acima deste é caracterizado com grande quantidade de gordura e por tanto com mais risco de doença cardiovascular. colocar o paciente sentado em posição confortável. retinopatia hipertensiva e acidente vascular cerebral.1. revascularização miocárdica prévia e insuficiência cardíaca) e. Segundo o Sexto Relatório da Reunião Nacional do Comitê sobre Prevenção. com as costas apoiadas e o braço sustentado ao nível do coração. sódio. utilizar manguito de tamanho adequado ao braço do paciente. que embora pareça simples esta nem sempre é feita de forma apropriada. a presença de fatores de risco o comprometimento de órgãosalvos relacionados com a hipertensão arterial e a presença de doenças cardiovasculares. tais como: explicar de forma clara como irá realizarse o procedimento. Detecção. lipoproteína de alta densidade [HDL]). nefropatia. se o paciente encontra-se com a bexiga cheia ou de pernas cruzadas. se presente a uma relação direta com alterações no músculo cardíaco (hipertrofia do ventrículo esquerdo.ultrapassar o valor de 0.9. estes devem ser acompanhados para que seja visto a evolução junto com a resposta ao tratamento. café. Análise da urina. creatinina. também.

Eletrocardiograma de 12 derivações. colesterol HDL. creatinina. o farmacológico (medicamentoso). referindo ainda como provavelmente úteis. inibidores da enzima de conversão (IECA).2. e realização de glicemia pós prandial a pacientes com glicemia de jejum entre 110-125 mg/dl. antagonistas dos canais de cálcio (ACC). Bioquímica Sangüínea – dosagem de: potássio. inibidores adrenérgicos. é o chamado tratamento não-farmacológico. Eletrocardiograma de 12 derivações. proteinúria de 24 horas. 3. Já as IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial recomendam:    Análise da urina. Recomenda ainda a pesquisa de microalbuminúria a pacientes hipertensos e/ou diabéticos. E indica como opcionais: • clearence da creatinina. triglicerídeos. a determinação do Na urinário e da atividade da renina plasmática. com uso de drogas anti-hipertensivas. glicemia de jejum. vasodilatadores arteriais diretos. antagonista dos receptores AT1 da angiotensina II(ARAII). também.2 TRATAMENTO O tratamento da HA envolve dois tipos de abordagem. que se baseia na mudança do estilo de vida do paciente otimizando a diminuição da hipertensão arterial. microalbuminúria. • dosagem de cálcio.1 TRATAMENTO FARMACOLÓGICO No tratamento medicamento são utilizados diuréticos. colesterol total. em paciente selecionados. ácido úrico. sendo indispensável no tratamento de indivíduos hipertensos. colesterol LDL. 3. triglicerídeos. . e o não-famacológico (nãomedicamentoso). colesterol LDL. hemoglobina glicolisada e do hormônio estimulante da tireóide (TSH). A adoção de um plano de vida saudável é o principal fator na prevenção do aumento da pressão arterial e.

com o controle alimentar tanto quantitativo como qualitativo. a primeira fase do tratamento inicia-se com a redução do peso corporal para indivíduos que estão acima do peso.8 4–5 4 -5 2-3 Principal nutriente Energia e fibra Potássio. oleaginosas. diminui os níveis de pressão arterial. Grupo de alimentos Cereais e grãos Vegetais Frutas Laticínios sem ou com pouca gordura Carnes Sementes. a recomendação para prevenção controle da hipertensão é que adultos mantenham da faixa de peso dentro da normalidade do IMC (IMC 18. Em relação ao sódio esta é considerada uma dieta normossódica. nozes e 2 ou menos 4 – 5 por semana Proteína e magnésio Energia. já que o peso corpóreo elevado predispõe a hipertensão. esta é composta por alimentos com baixo teor de gordura (peixe.9 kg/m²). A atividade física além de auxiliar na redução do peso corporal. magnésio e fibra Potássio. fontes de potássio que.3. consumos de micronutrientes (fibras e proteínas) e micronutrientes (cálcio. Porções/dia 7. E ainda com uma quantidade de relevante de frutas. Deve ser adotado o plano alimentar Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH). frango.2. porem independente do IMC o acumulo de gordura abdominal esta diretamente ligada ao risco de doenças cardiovascular. magnésio e fibras.5 a 24. este plano equilibra macro e micronutrientes de uma forma dita ideal para redução dos níveis de pressão arterial. carnes vermelhas magras e laticínios magros) reduzindo o consumo de gordura saturada e colesterol e o aumento da oferta de cálcio e proteína. magnésio e fibra Cálcio e proteína . O equilíbrio entre a ingesta e a utilização da energia consumida esta inteiramente ligada à atividade física feita regularmente. também. potássio e magnésio) quando suplementados ou consumidos em maior quantidade podem exercer influencia na redução da pressão arterial. grãos. vegetais. porem se a DASH é associado a restrição de sódio são vistos melhores resultados.2 TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO Os pontos eficazes citados no tratamento não-farmacológico da hipertensão arterial são a redução do peso corpóreo. tendo como recomendação a atividade física aeróbica com duração de 30 minutos no mínimo 4 vezes por semana. magnésio.

pelo aumento da volemia e. . A recomendação é de 2 a 4 g/dia.leguminosas Gorduras e óleos Doces 2–3 5 por semana potássio. aumento das catecolaminas e angiotensina II (vasoconstritores) e elevam os inbidores de Na+/K+ ATPase. proteína e fibra Energia Energia Adaptado de Sacks. primeiramente. defumados. pois o excesso de sódio eleva a pressão arterial. temperos prontos. Deve preparar refeições com pouco sal e não utilizar saleiro a mesa. por conseguinte. controle das dislipidemias que relaciona-se com a restrição do sal. Obarzanek. caldos de carnes. esta deve ser alcançada pelo maior consumo de frutas. fundamenta-se um dieta hipossódica de 2. assim utilizando ervas. leguminosas e vegetais. embutidos. controle do diabetes mellitus vem conjuntamente com o aumento da ingestão de alimentos ricos em potássio. frutas. É relevante que para as mulheres essa ingestão não ultrapasse 15 mL de etanol/dia. alho cebolas para elaboração das refeições. o consumo não deve ultrapassar 300 mL de etanol/dia. Assim. Aumentando a resistência vascular periférica e assim mantendo os níveis de pressão arterial elevados. 240 mL de vinho ou 720 mL de cerveja.400mg/dia de sódio. Uma dieta rica em potássio que tem um efeito anti-hipertensivo (aumento da natriurese. A alta ingesta de sal eleva também a vasoconstrição renal. diminuição da secreção da renina e norepinefrina e aumento da secreção das protagladinas) ele protege contra danos cardiovasculares e como medida auxiliar em pacientes submetidos à terapia com diuréticos. bebidas energéticas e isotônicas. Com cálcio e magnésio deve seguir a RDA que é assegurado com uma dieta equilibrada. molhos prontos. Windhaser et al. sendo estas refeições más aceitas. Recomenda-se uma dieta ausente de alimentos processados (enlatados. Existem também medidas associadas a este tratamento que contribui para a diminuição dos níveis de pressão arterial que são o abandono do tabagismo que estão associado a diminuição do peso corporal. A restrição de sódio é importante. correspondendo a 60 mL de bebidas destiladas. O consumo elevado do álcool aumenta a pressão arterial e de maneira geral o uso de bebidas alcoólicas não deve ser restringidos a hipertensos. e do debito cardíaco.

podem ocorrer sérias diminuições do poder de defesa do organismo. provavelmente não trará consequências significativas. séricas e urinárias apropriadas. disfagia. especialmente quando se correlaciona ao grau e tempo da perda de peso.determinações hematológicas. náuseas. Ainda na anamnese. que sofrem variações de acordo com a oferta. A história de alteração no peso do diabético descompensado no passado recente tem especial valor. no entanto. letargia. a fim de permitir sua correção e/ou favorecer uma recuperação eficaz. diarréia. dos depósitos corpóreos de energia potencial e substratos bioquimicamente ativos. a determinação criteriosa da ingestão alimentar do diabético descompensado oferece dados relevantes. embora em aparente bom estado. perda de vitalidade e diminuição da sensação de bem-estar. que é uma condição que cada ser possui para responder às necessidades energéticas exigidas pelo seu metabolismo. ocorrendo em período de seis meses. Se. pode estar relacionada ao processo catabólico intenso associado a várias doenças. a perda de peso for superior a 15%. O estado nutricional depende. anorexia. DIABETES MELLITUS Avaliação Nutricional no Diabetes Melittus A avaliação nutricional tem como objetivo primário determinar o estado nutricional do indivíduo.medidas antropométricas. No exame físico. . Nas perdas de 10 a 35%.1 AVALIAÇÃO CLINICA Anamnese Alimentar e Pesquisa de Sinais e Sintomas Clínicos É importante verificar na história clínica: a ocorrência de ganho ou perda de peso recente. pois reflete a velocidade das alterações na composição corpórea. como resultado de processo catabólico antigo ou em andamento Perda ponderal inferior a 10% do peso habitual. entre elas o Diabetes. Por meio da aferição cuidadosa da anamnese alimentar e exame físico meticuloso. 4. vômitos. Já está comprovada a influência do estado nutricional na manutenção da saúde e no controle de doenças. pode-se estabelecer o grau de comprometimento do estado nutricional. . o diabético pode encontrar-se em desnutrição relativa. da capacidade de cicatrização e da sobrevida. Por esse motivo. Os métodos de avaliação do estado nutricional devem ser bem conhecidos e incluem: . assimilação e utilização de nutrientes exógenos essenciais. é importante identificar indivíduos portadores ou em condições de desenvolver processos de má nutrição. basicamente. .4.anamnese alimentar e pesquisa de sinais e sintomas clínicos.

6 = 2. IMC = Peso (kg)/Altura (m)² Exemplo: Para calcular o IMC de uma pessoa com 1. Os valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde são: 3. de preferência pelo mesmo examinador e em balança devidamente aferida. dividindo 60 por 2. teremos IMC=23.Índice de Massa Corporal/IMC O IMC é um dos indicadores que podem ser usados para avaliar o risco de morbimortalidade em relação ao peso corpóreo.4 O IMC também se define utilizando-se um Nomograma.Medidas Antropométricas (Adultos) 3.Relação Peso-Altura A pessoa deve ser pesada regularmente. 3. Os valores obtidos podem ser comparados com tabelas de referência.b . 1.56. sempre no mesmo horário e nas mesmas condições.60 cm de altura e pesando 60/kg.3 . No entanto.6 x 1.Razão Cintura/Quadril (RCQ) .c .Prega Cutânea/Circunferência do Braço Estas medidas constituem um dos métodos mais utilizados para se estabelecer. É calculado pela divisão do peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros). indiretamente. considerando as dificuldades de interpretação das tabelas existentes e a carência de padrões estabelecidos para a população brasileira. recomenda-se avaliar criteriosamente a relação peso/altura contidas nas diversas tabelas. a distribuição da massa corpórea de gordura (reserva energética) e da massa muscular (reserva proteica).a .56.d . 3.

abdominal. o padrão de distribuição do tecido adiposo têm maior valor preditivo de morbimortalidade do que o depósito total de gordura. o encaminhamento necessário para o tratamento e recuperação. dificuldade de coleta de urina 24 horas. Usar estes valores em centímetros para o cálculo da razão. Limitação: em nível ambulatorial é de difícil execução. caracterizado por uma excreção excessiva de nitrogênio. Útil para avaliar se a reposição proteica (através da dieta) está adequada. a intervenção dietética. que serão comentados a seguir: • proteinas plasmáticas (albumina. Indivíduos com catabolismo proteico acentuado apresentam balanço nitrogenado negativo. ginecóide ou centrífuga). indicando as condições da massa muscular do indivíduo. centrípeta ou andróide). Considerar como valores aceitáveis: RCQ inferior a 1 para homens e inferior a 0. a análise dos dados bioquímicos pode auxiliar na avaliação do estado nutricional. • índice creatinina/altura: a excreção urinária de creatinina é proporcional ao nível de catabolismo do músculo esquelético. Estes dados podem ser obtidos através de exames séricos. no caso. pré-albumina): a redução dos seus níveis pode indicar a depleção da massa proteica visceral. ou seja. pacientes hepatopatas e nefropatas.A RCQ é um indicador da localização. • balanço nitrogenado: no adulto em condições normais o balanço de nitrogênio indica ingestão e excreção de nitrogênio equilibradas (balanço neutro). Estudos têm mostrado que.Determinações Bioquímicas Em conjunto com os indicadores já citados. transferrina. em adultos. • hematócrito/hemoglobina: indicam os níveis plasmáticos de ferro e também de proteína. que representa maior risco à saúde do indivíduo. A partir dos resultados encontrados com estes procedimentos poderá ser feito o diagnóstico do estado nutricional do indivíduo e. hematológicos e urinários. Não é muito utilizado por apresentar limitações como: lenta metabolização da hemoglobina e alteração na sua concentração em casos de perda sangüínea. destacando-se.8 para mulheres. A RCQ é obtida colocando-se a fita métrica ao redor da cintura e depois ao redor do quadril. na altura do trocanter. da distribuição da gordura corporal. 4 . hipervolemia e transfusão. que tem menor risco estatístico de morbimortalidade relacionado ao excesso de peso. consequentemente. Esta distribuição configura a obesidade em dois tipos: • tipo maçã (ou também chamada obesidade central. . e • tipo pêra (ou obesidade com distribuição universal. Limitações: idade.

quase todos os pacientes requerem tratamento farmacológico. Hiperglicemia Intermediária Pacientes classificados como portadores de hiperglicemia Intermediária devem ser informados sobre seu maior risco para o desenvolvimento de diabetes e doençaaterosclerótica e orientados sobre hábitos saudáveis para sua prevenção. devem receber também orientação preventiva. As metas para as intervenções preventivas principais e a periodicidade de seu monitoramento são apresentadas no quadro abaixo: Como o diabetes é uma doença evolutiva. muitos deles com insulina. O encaminhamento deve ser imediato. uma vez que as células beta do pâncreas tendem a progredir para um estado de falência parcial ou total ao longo dos anos. especialmente.4. com o decorrer dos anos. com o cuidado de evitar demora no atendimento. . Diabetes Tipo 2 A Figura 2 ilustra os dois planos básicos do tratamento clínico do paciente com diabetes tipo 2. eles apresentam risco elevado de descompensação metabólica. àqueles mais motivados ou sob maior risco.2 TRATAMENTO Tratamento Farmacológico Diabetes Tipo 1 Pela maior complexidade do cuidado. pois. Programas de intensificação de mudanças de estilo de vida devem ser oportunizados. esses pacientes são em geral acompanhados por especialista endocrinologista. por apresentaram maior risco de desenvolver diabetes. Pacientes com glicemia de jejum alterada. o controle glicêmico com a prevenção das complicações agudas e a prevenção das complicações crônicas.

o planejamento alimentar deve ser cuidadosamente elaborado.Entretanto.1% dependendo do procedimento empregado. e a prescrição de metformina já no início pode ajudar o paciente a alcançar as metas terapêuticas. respectivamente. 78%. 70% e 84% dos casos. mudanças positivas no estilo de vida . Isso poderá ser necessário por curto período de tempo. Embora não existam regras rígidas para a escolha do hipoglicemiante. até atingir níveis de glicemia que possam ser controlados com hipoglicemiantes orais. rotina de trabalho. nível socioeconômico. tipo . Para ser bem sucedida. Os fármacos disponíveis para o tratamento oral do diabetes são apresentados no quadro abaixo: Tratamento Dietoterápico Considerando que a dieta do diabético é um dos fatores fundamentais para manter os níveis glicêmicos dentro de limites desejáveis. provavelmente o paciente necessitará de um tratamento com insulina. Pacientes muito obesos (IMC >35kg/m2) podem se beneficiar de cirurgia bariátrica.alimentares e de atividade física . algumas recomendações podem auxiliar o médico a definir a abordagem inicial e as mudanças progressivas com o avanço da doença: • Se a glicemia de jejum estiver muito alta (acima de 270 mg/dL) e ou na presença de infecção. A mortalidade cirúrgica varia de 0. Revisão sistemática de ensaios não randomizados mostram que essa cirurgia é capaz de reduzir 61% do excesso de peso. a dieta deve ser orientada de acordo com o estilo de vida. hipertensão. com resolução ou melhora do diabetes. dislipidemia e apneia do sono em 86%. hábitos alimentares.são de fundamental importância no alcance dos objetivos do tratamento quais sejam o alívio dos sintomas e a prevenção de complicações agudas e crônicas. • Pacientes obesos (IMC >30kg/m2) requerem maior apoio da equipe para perda e manutenção de peso perdido. ou com o tratamento definitivo. com ênfase na individualização.1% a 1.

• Grupo das frutas: laranja. limão. Para diabéticos não insulino-dependentes. aveia. Os demais profissionais da equipe também deverão estar familiarizados com as noções básicas da dietoterapia do Diabetes mellitus. visando a um bom controle metabólico. cuscuz. caqui. mamão. mandioca. etc. batata inglesa. alimentos de todos os grupos para conseguir-se um equilíbrio adequado na alimentação: • Grupo dos pães. arroz. diariamente. cereais. para evitar hipoglicemias e grandes flutuações nos níveis glicêmicos. fubá de milho. • Promover o ajuste dietético para prevenção e tratamento das complicações agudas e crônicas do Diabetes. • Implementar a prevenção primária do Diabetes. A ingestão alimentar deve estar sincronizada com o tempo e o pico de ação da insulina utilizada.  Objetivos do Planejamento Alimentar A dietoterapia tem como objetivo geral orientar os diabéticos quanto às mudanças de hábitos alimentares. biscoitos. abacaxi. o peso e lipídios entre bom e aceitável (Ver metas para o controle no Anexo 3). manga. sendo necessário ingerir. inhame. cará. . • Fornecer calorias para atender às demandas energéticas decorrentes de atividades físicas. • Assegurar o crescimento e desenvolvimento em crianças e adolescentes. Os diabéticos insulino-dependentes requerem a ingestão de alimentos com teores específicos de carboidratos. • Fornecer energia e nutrientes para a manutenção. Os profissionais de Nutrição estão capacitados para conduzirem a orientação dietética. em horários determinados. através da divulgação de hábitos alimentares saudáveis para prevenir a obesidade. melão. banana.de Diabetes e a medicação prescrita. principalmente os obesos ou com sobrepeso. tangerina. batata doce. caju. a principal orientação é a restrição da ingestão calórica total a fim de alcançar o peso adequado. Objetivos Específicos • Manter os níveis glicêmicos. milho. melancia. etc. recuperação ou redução de peso e para atender às necessidades metabólicas aumentadas durante a gestação e a lactação. beiju. outros grãos e tubérculos: pães.  Necessidades Energéticas e Recomendações Nutricionais Os grupos alimentares relacionados abaixo são considerados básicos. adaptando a ingestão alimentar à medicação (se estiver usando) e à rotina de vida do diabético.

As maiores elevações do Índice Glicêmico foram observadas com batatas. beterraba. . as tabelas atualmente referem-se aos alimentos mais utilizados nos EUA. • Índice Glicêmico . coalhada. Segundo estas recomendações. 50 a 60% do VET eram proveniente de carboidratos. A . tomate. ovos. pimentão. • Grupo das carnes e substitutos: frango. Desde 1994. 30% de gorduras e 12 a 20% de proteínas.Carboidratos Recomenda-se que as fontes de carboidratos consistam de cereais. As informações sobre o índice glicêmico poderão ser úteis na seleção dos alimentos quando estudos mais conclusivos melhor determinarem os seus benefícios na dieta do diabético. vagem. chuchu. na forma de amido). cebola. quiabo. Em média 80 a 90% do VET devem ser provenientes dos carboidratos e dos lipídios (gordura saturada menos de 10% do VET). • Carboidratos e Lípidios: baseados na avaliação nutricional e nas estratégias de tratamento (exemplos: ganho. alguns pesquisadores têm realizado estudos que caracterizam os alimentos de acordo com sua resposta glicêmica. maxixe. • Grupo das gorduras: óleos vegetais. a distribuição percentual de nutrientes em relação ao VET seguia as diretrizes básicas para a população em geral. As diferenças podem estar relacionadas com o teor de fibras. Esta resposta é então comparada com a de uma porção isocalórica de um alimento padrão (glicose ou pão branco). queijo. feijões e ervilhas. cereais e pães. peixe.Considerando a grande variedade de alimentos que podem ser utilizados nas refeições. sacarose e glicose de composição destes alimentos). considerando a importância da individualização da dieta de cada diabético. a Associação Americana de Diabetes. Os resultados obtidos compõem as tabelas de Índice Glicêmico. • Grupo do leite e derivados: leite. Além disso. pepino. berinjela. abóbora. as menores com macarrão e leguminosas. passou a recomendar: • Proteínas: 10 a 20% do VET. cenoura. frutos do mar. etc. Estes alimentos devem ser distribuídos em quantidades equilibradas ao longo do dia. etc. perda ou manutenção do peso. carne bovina. controle dos lipídios sanguíneos). leite e frutas (lactose. leguminosas e vegetais (carboidratos complexos.  Recomendações Nutricionais Na década de 80.• Grupo dos vegetais: folhas verdes. É importante ressaltar que as quantidades e distribuição dos alimentos dependerão das características de cada indivíduo. frutose. jiló. e seus efeitos sobre a concentração de glicose plasmática pós-prandial. com a forma de preparo e com variações no processo digestivo. iogurte.

existe uma supervalorização das proteínas. Este excesso não é benéfico para o organismo pelo alto custo metabólico que a ingestão ocasiona e pelo risco de elevar o consumo de gorduras. melhorando o trânsito intestinal. geralmente. um consumo reduzido de colesterol e gordura saturada é portanto recomendável. Não temos ainda à disposição. Para adultos. Em diabéticos obesos.Proteínas Assim como para a população em geral. Colesterol . cultivados e B . é recomendado 0.O risco de morte por doença isquêmica do coração. As proteínas da dieta deverão ser de origem animal (carnes. ovos) e de origem vegetal (leguminosas). pois. principalmente se combinada com atividade física. Efeitos fisiológicos: aumentam o volume e o peso das fezes. cerebral e das extremidades inferiores. o teor de proteínas da dieta do diabético deve ser baseado nas recomendações de ingestão protéica por faixa etária. Principais fontes: verduras e grãos de cereais. culturalmente. Fibras A fibra alimentar ou dietética é a parte dos alimentos vegetais que apresenta resistência à hidrólise pelas enzimas digestivas humanas. entre diabéticos. A ingestão de colesterol dietético deve estar limitada a 300 mg/dia (Exemplo: um gema de ovo fornece cerca de 225 mg de colesterol). o que representa 10 a 20% do VET. As fibras são classificadas. Por esta razão. observando-se o tipo de gordura e restringindo-se a ingestão de gordura saturada para menos de 10% do VET. é o dobro do esperado em relação à população não diabética. destacamos aqui a importância do controle das dislipidemias para prevenir as doenças cárdio e cerebrovasculares.Europa e Austrália. o infarto do miocárdio. que atinge principalmente as artérias coronárias.8 g/kg por dia.Lipídios As recomendações devem estar baseadas nos objetivos individuais. levando ao aumento de consumo. lignina e muitas hemiceluloses. C . entre elas. . em: • Fibras insolúveis: celulose. a análise de alimentos consumidos nas diversas regiões do país. Salientamos a importância da orientação correta das quantidades de alimentos proteicos a serem consumidos.Considerando que o diabetes por si só representa um fator de risco para aterosclerose. leite. segundo sua solubilidade em água. um menor consumo de gordura contribuirá para reduzir a ingestão calórica total e para a perda de peso. para os quais a ingestão protéica seguirá recomendações apropriadas. normalmente associadas aos alimentos proteicos. Especial atenção deverá ser dada aos diabéticos com nefropatia. sexo e por kg de peso desejado/dia. a fim de prevenir a ocorrência de macroangiopatia. • Dislipidemias .

conseqüentemente. A grande vantagem deste esquema. gomas. Para tanto. Grandes quantidades de fibras solúveis têm um efeito positivo no controle dos lipídios sangüíneos. As frutas e vegetais devem ser ingeridos preferencialmente crus. Fontes: frutas. tem tido maior divulgação o denominado controle estrito. também chamado tratamento intensivo. ainda: . Um consumo diário de alimentos que contenham cerca de 20 a 35 gramas de fibras dietéticas é recomendado aos diabéticos. assim como para a população em geral. almoço e jantar . é importante incentivar o uso de alimentos pouco cozidos e não refinados.  Fracionamento de Refeições Para o diabético insulino-dependente recomenda-se fracionar a alimentação diária em 6 refeições (3 grandes . leguminosas. geralmente não é necessário suplementação de vitaminas e minerais. O alto custo econômico constitui a maior dificuldade para a implementação desta proposta de tratamento.fator importante na prevenção do câncer de cólon e da constipação intestinal. é o de alcançar um melhor controle glicêmico nas 24 horas e.e 3 lanches intermediários). Este é o esquema proposto para o chamado tratamento convencional. a nefropatia e a neuropatia. em que o diabético usa uma ou duas doses pré-fixadas de insulina/dia e no qual a alimentação é adaptada à quantidade de insulina e aos exercícios físicos (ajustes reativos). cevada. certas hemiceluloses e alguns polissacarídeos. aveia. picados e fatiados. Vitaminas e Minerais Quando a dieta é balanceada. proporcionando maior saciedade. com horários e quantidade determinadas e adequadas ao tempo de ação da insulina usada e à prática de exercícios. em que são usadas 3. Mais recentemente. Outra vantagem é que o diabético que está sendo tratado neste modelo intensivo poderá ter uma maior flexibilidade na alimentação. procurando-se evitar consumí-los liquidificados. que requer. Efeitos fisiológicos: retardam o esvaziamento gástrico. observando-se a possível perda de potássio.café da manhã. que pode ser reposto através da própria alimentação. Atenção deve ser dada a pacientes em uso de diuréticos. em que a quantidade e o número de doses são adaptadas ao plano alimentar e exercícios físicos (ajustes preditivos). tais como a retinopatia. • Fibras solúveis: pectina. As recomendações diárias destes elementos são as mesmas que as da população em geral. 4 ou mais doses de insulina/dia. legumes. a fim de evitar hipoglicemia ou hiperglicemia. conforme demonstrado no estudo multicêntrico DCCT (Diabetes Control and Complications Trial). reduzir o risco de surgimento ou retardar a evolução das complicações crônicas.

sempre que possível. beterraba. é a melhor conduta. que reforça a necessidade de orientação individual e educação continuada. pelo menos quatro picadas/dia nas polpas digitais). regionais e são profundamente influenciados pelo poder aquisitivo do indivíduo. Do ponto de vista econômico.lanche .• indispensável apoio da equipe multidisciplinar 24 horas. pois. o uso de alimentos já rotineiros. e que sejam adequados.jantar). oferece maior flexibilidade na escolha e impede a substituição por outros. às vezes impróprios e mais caros. Normalmente. 9 . Bons resultados são obtidos com hortas caseiras ou comunitárias. uma vez que estes são reflexos de suas origens culturais. além do indivíduo. também são exemplos de ações eficazes. é o efeito negativo de certos tabus e preconceitos alimentares no tratamento. Esta é uma das razões pelas quais o tratamento intensivo só pode ser utilizado em crianças maiores e jovens motivados e que tenham apoio e participação dos familiares. • exagerado valor quanto ao consumo de produtos dietéticos e carnes (proteínas) em detrimento do consumo de vegetais e frutas. Neste tipo de tratamento podem ser observadas hipoglicemias frequentes. consequentemente. Esta conduta pode ter sido orientada por profissionais de saúde não treinados. a família ficará mais integrada ao tratamento. Orientações práticas. Exemplo: diabético não pode comer caqui. e também ganho de peso. Alimentação em Situações Especiais Complicações Agudas A .Hiperglicemia . Exemplos: • Estímulo ao consumo exagerado de alguns alimentos ou restrição ao uso de outros. A adaptação da dieta aos hábitos alimentares pré-existentes. • restrição acentuada de carboidratos e aumento no consumo de proteínas e gorduras. muitas vezes considerados alimentos “dispensáveis”. propõe-se quatro/dia (café da manhã . é importante considerar seus hábitos alimentares anteriores ao Diabetes. quando o padrão econômico for baixo.Hábitos e Tabus Alimentares / Padrão Econômico. objetivando-se uma distribuição harmônica dos alimentos nas refeições e evitando-se grande concentração de carboidratos. isolados ou combinados. banana. Outro aspecto importante. procurando encontrar opções. Outro fator importante é a adaptação da orientação alimentar às condições financeiras do diabético. por vezes severas. • bom nível educacional e aprofundamento da educação em diabetes para o diabético e familiares.almoço . também. ou macarrão. Para que a adesão do diabético ao programa alimentar proposto seja satisfatória. Para o diabético não insulinodependente. relacionadas ao melhor aproveitamento dos alimentos e educação alimentar. o número de refeições pode ser menos rígido. por leigos e. pode ter sido gerada pela falta de informações adequadas. • auto monitoramento constante da glicemia (realização de glicemia capilar e.

para que o episódio não reincida. água com açúcar. o descontrole metabólico pode estar ocorrendo devido à transgressão dietética. tais como tremores. • Hipoglicemia Leve: O diabético mantém a consciência e apresenta sinais e sintomas de alerta. Para isto. suco de frutas e tabletes de glicose). como prevenir sua ocorrência. Em seguida. sobretudo se náuseas e vômitos estiverem presentes. palpitações. a ação deve ser imediata. irritação. Se apresentar dificuldade para levar o alimento à boca. ou então deve-se massagear açúcar ou mel nas gengivas e mucosa oral. os sintomas devem desaparecer. Dependendo da intensidade e da duração da hipoglicemia. oferecendo-se ao indivíduo carboidratos simples. sonolência.Hipoglicemia É uma complicação aguda que. porém. pois o conteúdo de gordura destes alimentos dificulta a absorção do açúcar que eles contêm. Mas. até que o diabético apresente melhora. Poderá também ser usado o Glucagon intramuscular . • aumentar a ingestão de líquidos. B . • Hipoglicemia Moderada (Resposta adrenérgica e neuroglicopênica): O diabético ainda mantém a consciência. poderá se dar pela ingestão de caldo de carne. as recomendações serão diferenciadas. preferencialmente líquidos. muitas vezes. deve ser auxiliado. para prevenir a desidratação. • selecionar os alimentos e prepará-los de forma que facilitem a digestão. principalmente de água. sudorese e muita fome. tonteiras. Evitar sorvetes e chocolates. pois a evolução rápida dos sintomas pode torná-lo inconsciente. Os sintomas da fase leve são mais inten-sos e podem ter. refrigerante e geléia de frutas não dietéticas. Neste caso. também. distúrbio de comportamento (apatia. pois é freqüente a noção de que a redução da alimentação acarretará melhora da descompensação diabética. balas. que teve início em uma festa ou viagem e que a polifagia do Diabetes descontrolado também contribui e dificulta o seguimento da dieta. é de fundamental importância saber como tratar e. Estas reações são mediadas pelo sistema nervoso autônomo (resposta adrenérgica). sobretudo. cefaléia. os diabéticos Tipo 1 e Tipo 2 deverão receber as seguintes recomendações: • manter a dieta habitual. perdido pela diurese. pode também acontecer com os que usam hipoglicemiantes orais. deve-se ministrar carboidrato complexo ou uma refeição. pode ser tratada pelo próprio diabético e pelas pessoas que o cercam. mel. • a reposição do potássio. A hipoglicemia (níveis glicêmicos < 50mg/dl) é mais frequente nos diabéticos tratados com insulina.Quando houver indicação médica para o tratamento da hiperglicemia no domicílio. confusão mental. Portanto. devemos considerar que. sucos de frutas (exemplos: melão e laranja) e água de coco. é fundamental que na história clínica sejam identificados os fatores causais da hiperglicemia. Após 10 a 15 minutos. cansaço. Deverão ser tratadas com a ingestão oral de carboidratos simples (açúcar. agressividade) e visão turva. O fracionamento deverá também ser mantido. na maioria das vezes.

pois poderá ocorrer aspiração.: bala. por isso. podendo evoluir até o coma e morte. ♦ Na hipoglicemia severa. • Para evitar hipoglicemias: ♦ fracionar a alimentação. ♦ Se a hipoglicemia ocorrer durante o pico máximo de ação da insulina ou em consequência de erros na dosagem ou no tipo de insulina. todo diabético deverá sempre ter consigo um carboidrato simples. além dos alimentos mencionados utilizar também alimentos protéicos (leite. ovos. há necessidade de que o diabético esteja em um serviço de saúde ou que um profissional habilitado possa aplicar esta medicação. ou glicose hipertônica 50% endovenosa. ♦ ajustar a alimentação à prática de exercícios físicos e atividades ocupacionais. Neste caso. É aconselhável que todo diabético que usa insulina tenha sempre disponível o Glucagon. incluir poteinas na última refeição. queijo. ocorrendo a recuperação da consciência. Atenção! Se o diabético não conseguir engolir. às vezes é preciso repetir a dose após cinco minutos. iogurte.ou subcutâneo. carnes). melzinho. Isto facilitará qualquer tipo de atendimento. ♦ não diminuir as porções de alimentos sem ajustar a medicação e intensidade dos exercícios físicos. Recomenda-se. as pessoas que cercam o diabético devem ser orientadas a massagear as gengivas e mucosa oral com açúcar ou mel e procurar atendimento médico imediatamente. ♦ Toda pessoa diabética deve portar um cartão de identificação de diabético. especialmente aquelas não habituais. pode-se também usar. ♦ não atrasar os horários das refeições. para prevenir hipoglicemias noturnas. de acordo com o tempo de ação do hipoglicemiante ou da insulina. deverá ser oferecida alimentação ou ser aplicado soro glicosado EV. tablete de glicose). ♦ Por medida de segurança. ♦ Em situações extremas ainda podem ser usados: Glicocorticoides e Manitol. o Glucagon (IM ou SC). como primeira alternativa segura. pois as proteínas podem fornecer glicose de forma mais lenta. Na hipoglicemia severa. Este hormônio eleva a glicemia rapidamente e. evitando-se que o nível glicêmico atinja valores muito baixos novamente. não se deve forçar. ocorrerá perda da consciência. Mas. além dos cuidados imediatos acima referidos. não perecível (por ex. • Hipoglicemia Severa: estando os níveis glicêmicos muito baixos. o tratamento também é feito com glicose hipertônica 50% e soro glicosado via endovenosa. a hipoglicemia poderá progredir. pela mesma razão. pois o efeito do Glucagon é fugaz e. causando danos neurológicos com possíveis sequelas. nesta situação. . ♦ Se não for adequada e prontamente corrigida.

é importante que o diabético se alimente. ♦ cuidado para não usar insulina ou hipoglicemiante oral além do que realmente precisa. mantendo o valor calórico prescrito. estiverem presentes náuseas e vômitos. é continuar com a alimentação normal. em especial da insulina. A água de coco ajuda na reposição de eletrólitos. Nesta situação. o diabético deve procurar um serviço médico. o diabético não deve se privar disto também.Diarréia A conduta atual para o tratamento da diarréia. • manter o fracionamento da dieta. Como nas demais situações apresentadas. associados à diarréia. C . • Outros Pontos Importantes ♦ É muito comum que o indivíduo saia para compras e se esqueça dos horários das refeições. O uso de soro oral ou caseiro para o diabético dependerá de indicação médica específica. Se houver dificuldade de deglutição. Manter esta mesma recomendação para o diabético.♦ evitar bebidas alcoólicas. Após o episódio agudo. ajustando a medicação às condições de ingestão. principalmente nas grandes cidades. . ♦ prestar muita atenção aos sinais e sintomas de hipoglicemia. ♦ cuidado especial se o diabético estiver usando betabloqueadores ou se apresentar vômitos ou diarreia. • aumentar a ingestão de água para manter a hidratação. Em qualquer situação de doença tratável no domicílio deverá haver monitoramento dos níveis glicêmicos para ajuste da medicação. Restaurantes Assim como as festas e viagens. D . Se. observando a prescrição dietética e aequivalência alimentar. ingerir os alimentos em forma pastosa ou líquida. e a ingestão oral estiver impedida.Infecções Quando o processo infeccioso permitir o tratamento domiciliar. em pequenas porções várias vezes ao dia. o diabético deverá: • manter a dieta habitual. sair para comer é um evento social e uma forma de lazer. sobretudo na ocorrência de alterações renais ou hepáticas. de qualquer etiologia e em todas as faixas etárias. voltar a alimentar-se com alimentos pastosos de boa digestibilidade. assim como aumentar a quantidade de líquidos. através da ingestão de água e água de coco.

recomenda-se levar também uma declaração do médico que o assiste. juntamente com os demais documentos.:___/___/_____ Idade:_______________________ Profissão:______________________ Escolaridade: ________________________ 2. carboidratos de rápida absorção. Para tanto o formulário elaborado foi o que segue: AVALIAÇÃO DO PACIENTE DIABÉTICO 1. conhecendo a ação dos medicamentos. antes de tudo.: _____________________________________________________________ Tel. Anamnese Clínica: Diabetes: TIPO 1 ( ) TIPO2 ( ) Desde? ____________________________ . citando a necessidade do uso de insulina. ♦ Informar a todas as pessoas que estão em sua companhia que é diabético e como podem ajudá-lo no caso de hipoglicemia.: ______________________________ Data Nasc. Para evitar possíveis problemas por estar carregando seringas. o valor nutritivo e calórico e as trocas alimentares que pode fazer. Isto é para evitar confusão com usuários de drogas injetáveis. . muito bem adaptada ao Diabetes.No atendimento do paciente diabético o interessante é a utilização de formulários próprio para esses pacientes com suas individualidades advindas da patologia instalada. Identificação do Paciente: Nome: ____________________________________________________________ Como prefere ser chamado?___________________________________________ Sexo: ( ) F ( )M End.♦ Para que a pessoa diabética tenha total independência e desfrute da vida social e do lazer deve estar. ♦ Ter sempre consigo. o “Cartão de Identificação do Diabético” com os nomes e telefones das pessoas que devem ser avisadas em uma emergência. ♦ Carregar. ou em lugar de fácil acesso.

Usa medicamentos: ( Dislipidemia:( ) Sim ( ) Não ) Sim ( ) Não .Quanto tempo? ________________________ .Num.Quanto tempo? ________________________ . Unidades: _______________________ Glicemia Ambulatorial: _____________________ Tratamento: ( ) Dieta Oral ( ) Dieta + Insulina ( ) Dieta + Hipoglicemiante Outro: ____________________________________________________________ Há diabéticos na família? ( ) Não (  Co-morbidades: ) Sim ( ) Não ) Sim Quem? _____________________ Hipertensão:( .Tipo de Insulina ( .Faz uso de insulina? ( ) Sim ( )Não ) NPH ( )REGULAR . Hábitos Gerais: Como classifica seu temperamento? ( ) Calmo ( )Agitado )Não ( )Sim ( )Ansioso ( )Acomodado Fumante: ( Frequência: ______________________________ .Horário:_______________________________ .Usa medicamentos: ( ) Sim ( ) Não Já fez algum acompanhamento nutricional? _______________________________ Com qual peso sente-se bem? __________________________________________ Quais os problemas encontrados na dieta? ________________________________ Outras patologias? ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 3.

Cotidiano: Perda de Peso Recente: ( )Não ( )Sim Quanto?____________________ Em quanto tempo: ______________________________ Sintomas Gástricointestinais: ( ) Disfagia ( ( )Pirose ( )Odinofagia ( )Náuseas ( ( )Vômito ( )Anorexia ( )Diarreia )Flatulências ) Constipação Observação: _________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Dificuldade de Mastigar: ( ) Sim ( )Não Alergias Alimentares:__________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Medicamentos em Uso: _______________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ Outras queixas: _____________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ Aversão Alimentar: __________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ Preferências Alimentares: _____________________________________________ __________________________________________________________________ .Bebida Alcoolica: ( ) Não ( )Sim ) Não Frequência:________________________ ( ) Sim Frequência: _______________ Prática de Atividade Física: ( 4.

__________________________________________________________________ Avaliação Antropométricas e Exame Físico Peso: ______________ CC: _____________ Altura: _____________ CQ: _______________ IMC:______________ CB:________________ Relação Peso/Altura:_________________ Relação C/Q: __________________ Pele e mucosas: _______________________ Pé: __________________________ Avaliação Laboratorial ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Glicemia de jejum ) Glicemia Pós-Prandial ) TTOG (2 dosagens) ) HbA1c ) Colesterol Total ) Colesterol – Frações ) Triglicerídeos ) Creatinina Sérica ) Uremia ) Micro Albuminúria 24H .

83 p. Supl. 2008. 1993. 2ed. v. ARLIN. J. C. Sexto Relatório da Reunião Nacional do Comitê sobre Prevenção. K. Avaliação e Tratamento da Hipertensão Arterial. n. RECOMENDAÇÕES : dietoterapia / fibras / dietéticas. Krause. São Paulo : Cortez. S. Tratado de alimentação. 206233. Alimentos. Guilherme. 1992. São Paulo: Roca. 2. 15. 4. p. AUGUSTO. [São Paulo] : Atheneu. C. p.5. MANUAL de dietas da Clínica Mayo. MURA. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS CUPPARI. IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. FRANCO. nutrição e dietoterapia. 2:03-6. Franciso Javier Rivera Planejamento e programação em saúde : um enfoque estratégico. Terapia nutricional. Rev. (VI JNC) 1997. 2 ed. T. L. D. Rio de Janeiro. Ana Lúcia et al . Sociedade Brasileira de Diabetes. 1995. P. F. São Paulo: Manole. São Paulo : Roca. JORNAL BRASILEIRO DE NEFROPATIA. M. 2004. Brasília : Ministério da Saúde. Atheneu. . Tabela de composição química dos alimentos. nutrição e dietoterapia. Diagnóstico. URIBE. 2010. 2010. 2002. S. da SOCERJ. DIABETES mellitus : guia básico para diagnóstico e tratamento.. L. 2002. Guia de Nutrição: nutrição no adulto. SILVA. M. 2007. Avaliação clinica dos pacientes hipertensos: fatores de risco e lesões de órgãos-alvos. 2:11-18. Detecção. 259-78.. FRANÇA. Classificação. ZILLI. 2010. M. MAHAN. São Paulo : Roca. E.