Revista Brasileira de Nutrição Clínica

Volume 27 • Número 3 • Julho-Setembro/2012

Volume 27 • Número 3 • Jul–Set/2012

ISSN 0103-7196

Revista Brasileira de

Nutrição Clínica
Volume 27 – número 3 Julho/Setembro de 2012

Publicação Oficial Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE) Federación Latinoamericana de Nutrición Parenteral y Enteral (FELANPE) Indexada na base de dados LILACS – Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde Editor Chefe: Joel Faintuch Editores Associados: Josefina Bressan Mário Cícero Falcão Corpo Editorial Nacional Antônio Carlos L. Campos   Universidade Federal do Paraná – Curitiba/PR Celso Cuckier   Universidade Federal de São Paulo – São Paulo/SP Carlos Daniel Magnoni   Hospital do Coração – São Paulo/SP Cristina Martins   Instituto Cristina Martins de Educação e Saúde –   Fundação Pró-renal – Curitiba/PR Dan L. Waitzberg   Faculdade de Medicina da USP – São Paulo/SP Eduardo Eiras da Rocha   Hosp. Copa D’Or – Clínica São Vicente – Rio de Janeiro/RJ Helvio Chagas Ferro   Santa Casa de Misericórdia de Maceió – AL Izaura Merola Faria   Instituto da Criança – Curitiba/PR Jonas Moreira Cortez   Hospital Porto Dias – Belém/PA José Eduardo Aguilar Nascimento   Universidade Federal do Mato Grosso – Cuiabá/MT José Raimundo de Azevedo   Hospital São Domingos – São Luiz do Maranhã/MA Lúcio Flávio de Alencar   Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira   IMIP – Recife/PE Maria Carolina Gonçalves Dias   Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da   USP – São Paulo/SP Maria Cristina Gonzalez   Universidade Católica de Pelotas – RS Maria de Lourdes Teixeira da Silva   Hospital da Beneficência Portuguesa – São Paulo/SP Maria Isabel T. Davisson Correia   Fundação Mário Pena – HC – Belo Horizonte/MG

Odery Ramos Júnior   Universidade Federal do Paraná – Faculdade Evangélica   de Medicina do Paraná – Curitiba/PR Paulo Roberto Leitão de Vasconcelos   Universidade Federal do Ceará – Fortaleza/CE Rosa Gaudioso Celano   Universidade de Taubaté – São Paulo/SP Ricardo Guilherme Viebig   Inst. de Gastroenterologia de SP (IGESP) – São Paulo/SP Ricardo S. Rosenfeld   Hospital da Lagoa – Rio de Janeiro/RJ Roberto Carlos Burini   UNESP – Botucatu/SP Roberto José Negrão Nogueira   Universidade de Campinas – Campinas/SP Robson Freitas de Moura   Escola Bahiana de Medicina – Salvador/BA Silvio José de Lucena Dantas   Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Natal/RN Conselho Editorial Internacional Coordenador: Angel G - Espanha Membros: Atalah E – Chile Matos A – Panamá Baptista G – Venezuela Camilo ME – Portugal Carrasco F – Chile Crivelli A – Argentina Culebras JM – Espanha Freund H – Israel García de Lourenzo A – Espanha Klaasen J – Chile Kliger G – Argentina Perman M – Argentina Mendoza L – Paraguai O’Keefe S – USA Grijalba RF – Paraguai Shikora S – USA Sotomayor J – Colômbia Velasco N – Chile Velásquez Alva C – México Secretária: Angela Souza da Costa Revisora Científica: Rosangela Monteiro Projeto Gráfico, Diagramação e Revisão: Sollo Comunicação e Design Impressão: Prol

233 Conjunto 144 – São Paulo.com. Endereço para correspondência: Revista Brasileira de Nutrição Clínica. SP. é órgão oficial de divulgação da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE). da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral. danos ou por qualquer consequência de lesão a pacientes ou indivíduos derivados do uso das informações contidas nesta publicação. Tiragem: 3000 exemplares.com. por escrito. © 2012 Copyright: Todos os direitos reservados. distribuídos gratuitamente aos sócios da SBNPE.sbnpe. Brasil – CEP: 04005-000 – Telefone: (11) 3889-9909 – E-mail: contato@sbnpe. Rua Abílio Soares. Os pontos de vista e as opiniões expressas pelos autores não necessariamente refletem aqueles do corpo editorial.br Presidente:  Odery Ramos Junior Vice-Presidente:  Robson Freitas de Moura Primeiro Secretário:  Jorge Carlos Machado Curi Segundo Secretário:  Valéria Girard F. Alves Primeiro Tesoureiro:  Cristina Martins  Segundo Tesoureiro: Silvio Jose de Lucena Dantas Comitê de Defesa Profissional: José Eduardo Aguilar Nascimento Comitê de Nutrição: Maria Carolina Gonçalves Dias Comitê de Farmácia:  Ana Maria da Silveira Seratiuk Comitê de Enfermagem:  Cláudia Satiko Takemura Comitê de Pediatria:  Eneida Quadrio de Oliveira Veiga Comitê de Fonoaudiologia:  Maria de Fátima Lago Alvite Membros do Comitê Educacional:   Izaura Merola Faria Rita Medeiros Denise Van Anholt Suely Itsuko Ciosak Letícia Faria Serpa Mario Jorge Sobreira Marcelo Gastaldi Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral A Revista Brasileira de Nutrição Clínica.com. 27 (3): 143-4 II . Os artigos podem ser reproduzidos para uso pessoal. ISSN 0103-7196.sbnpe. Disponível on line: www.br Rev Bras Nutr Clin 2012. Nenhuma outra modalidade de publicação pode reproduzir os artigos publicados sem a prévia permissão.br Responsabilidade legal: A Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral e os editores da Revista Brasileira de Nutrição Clínica não podem ser responsabilizados por erros. tampouco a publicação de anúncios constitui qualquer endosso da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral ou Enteral ou do Corpo Editorial aos produtos anunciados pelos fabricantes.Faintuch J & Ramos O Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral www.

.............UFPE.................................. 164 Dietary calcium intake by physical activity practitioners elderly in an academy of Teresina................ Piauí.... Talita Caroline da Mota Oliveira........ 209 Rev Bras Nutr Clin 2012........ Maria Goretti Pessoa de Araújo Burgos A redução do hipercatabolismo proteico no trauma cranioencefálico em alimentação enteral independe da oferta adicional de carboidrato............................. 193 Food allergy: definitions........... 145 Nutritional status in hospital admission: reality in Clinical Gastroenterology of Hospital das Clínicas-UFPE Heloísa Mirelle Costa Monteiro...... Luciana Maria Ribeiro Pereira Educação nutricional por meio de atividade de grupo: o desempenho de intervenção educativa de curto prazo. Michelle Rosa Andrade Alves...Sumário Editorial/ Editorial A gordura marrom: seria a nova cor da moda?....................... Elizabet Vilar Guimarães Perfil antropométrico e férrico de gestantes atendidas em um hospital de Oeiras... Pablo Christiano Barboza Lollo Consumo de cálcio dietético por idosos praticantes de atividade física em uma academia de Teresina.................. Morsoletto Artigos de Revisão/Review Articles Alergia alimentar: definições...... 187 Nutritional profile of patients hospitalized in a public hospital in Ituiutaba....................................... Kalyna Alves Peres. Carmen Viana Ramos....... 158 Use of dietary supplements and ergogenic aids by body builders Luciano Bruno de Carvalho-Silva........ Nayana de Jesus Vilhena Teive Xavier... 199 Hormonal changes and adaptations related to appetite in the postoperative bariatric surgery Fabíola Pansani Maniglia......... Minas Gerais Juliana Borges Franco........ Regina H.. Piauí Allynne Rayanne Barbosa Moreira......................... Renata Santos Vieira Fernandes........ Guilherme Gambogi Braga. Piauí Juliane Barroso Leal.............. Rafaela da Silva Marineli.. 204 Theme relate to early nutrition support................................. 27 (3): 143-4 III ........................................ Flávia Carmo Horta Pinto Alterações e adaptações hormonais relacionadas ao apetite no pós-operatório de cirurgia bariátrica ................. Hissachi Tsuji...... Aparecida Yooko Outa Angeleli ..................... Norma Sueli Marques da Costa Alberto.. Maria Edna Rodrigues de Lima Artigos Originais/Original Articles Perfil nutricional de pacientes hospitalizados em um hospital público do município de Ituiutaba. 181 Anthropometric and ferric profile of pregnant women attended at a hospital in Oeiras...................... Renata Doratioto Albano Ingestão de vitamina A por pacientes com fibrose cística diagnosticados precocemente....176 Vitamin A intake by patients with early diagnosis of cystic fibrosis Ana Facury da Cruz.......... C.... intestinal dysfunction and energy deficit Cristiano Corrêa Batista Instruções aos Autores / Instructions for Authors............ Kátia Cristina Portero-McLellan Tópicos referentes ao suporte nutricional precoce........... disfunção intestinal e déficit energético.............. Andréa Fernanda Lopes dos Santos.............. epidemiologia e imunopatogênese . Piauí............. José Meciano Filho............. Minas Gerais. 170 Nutritional education by group activity: the performance of a short-term educational intervention Diogo Thimoteo da Cunha... Odery Ramos Artigos Originais/Original Articles Estado nutricional na admissão hospitalar: realidade na Clínica de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas ............. 143 Brown fat: is it the new fashion color? Joel Faintuch.. Roberto Carlos Burini Utilização de recursos ergogênicos e suplementos alimentares por praticantes de musculação ...... Theonas Gomes Pereia............ Silvia Justina Papini...... epidemiology and immunopathogenesis Jaqueline Maria Siqueira Ferreira......................... Vania Marisa da Silva Vasconcelos........... 152 Failure of protein saving effect of carbohydrate when superimposed on a diet adequate for maintenance in brain-injured patients Arthur Oscar Schelp................................................

Faintuch J & Ramos O Rev Bras Nutr Clin 2012. 27 (3): 143-4 IV .

também não recusa essa prolongada “siesta”. Ursos. padecem de maior suscetibilidade à hipotermia. A crença universal era que. são incapazes de exercício vigoroso e. prevenindo a hipotermia. portanto. um primata que não sofre de frio. existe o potencial de se ativar farmacologicamente tais células e destarte promover um emagrecimento fisiológico à custa de gasto calórico aumentado. bem vascularizado e rico em mitocôndrias. a da hipotermia. nos adultos. Até o lêmure de Madagascar. marmotas. subclavicular e. evidentemente. algo conhecido há mais de um século e que atravessa verdadeiro renascimento em decorrência da epidemia mundial da obesidade. E essas criaturas despertam magras e famintas. tendo permanecido todo o período sem alimentos nem fluidos. e a taxa de ureia quase não se altera a despeito da demorada anúria. No tocante ao gasto energético sabe-se que. e marsupiais diversos se escondem em suas tocas embaixo da terra assim que as folhas das árvores caem e a temperatura ambiente despenca. já que ambas pertencem a uma mesma linhagem. O rim desses animais. Resta uma dúvida a ser esclarecida. é sensível às flutuações da temperatura corporal e age como gatilho nos momentos oportunos.E Editorial A gordura marrom: seria a nova cor da moda? Brown fat: is it the new fashion color? Joel Faintuch1. Sua participação usual na regulação energética é julgada desprezível e nem é citada nos livros e tratados. ou mesmo para clonar e autotransplantar ninhos de células marrons1. entretanto. ou seja. em que os animais manifestam “fome de urso” e se empanturram de alimento. esquilos. porcos espinho. 27 (3): 143-4 143 . Existe essa gordura nos humanos? Em lactentes sempre se reconheceu tais células. Odery Ramos2 O fenômeno da hibernação é um dos fascínios da natureza. Rev Bras Nutr Clin 2012. alguns morcegos. moderando os dispêndios. O gasto metabólico e a temperatura corporal caem sensivelmente nesse inusitado sono. outros roedores. por que não congelam quando o inverno aperta e a toca se converte numa geladeira? Entra aqui a gordura marrom. que queima energia ao invés de armazená-la. precedendo a hibernação há um surto de hiperfagia. Noradrenalina e alguns fármacos sintéticos são dotados dessa capacidade. os adipócitos marrons desapareciam. se defende melhor de uma falência que o dos animais não-hibernantes. Recém-nascidos possuem comparativamente pouco panículo adiposo. Se esses mamíferos não tremem nem acordam periodicamente para se movimentar e se aquecer. Agonistas dos receptores adrenérgicos beta-3 conseguem estimular a conversão de adipócitos brancos em marrons. Igualmente excitante seria analisar a expressão gênica nas células gordurosas brancas e marrons. foram identificados por tomografia emissora de pósitrons (PET-scan) em minúsculas quantidades. nos mesmos sítios anatômicos: região cervical. sobretudo. porque vive em uma ilha tropical. Esse tecido adiposo diferenciado. Só emergem longos meses depois. determinando as diferenças e buscando técnicas para acelerar a conversão de umas em outras. prevenir a hipotermia nessa faixa etária. tal como seria de se imaginar. cujo papel seria idêntico. Todavia. ao redor da aorta torácica e abdominal.

2012. talvez se possa aproveitar a gordura marrom de olhos bem abertos ao longo de todo o ano.93(5):181-4. ao invés de efeitos sanfona tão momentosos quanto nocivos. a hibernação não está na ordem do dia.5(5):588-94. Dis Model Mech.Faintuch J & Ramos O Não. CITE OS ARTIGOS DA REVISTA BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO CLÍNICA NAS SUAS PUBLICAÇÕES. Heun E. No verso de uma canção popular. Rev Bras Nutr Clin 2012. vou batendo e vou entrando e não tem rocha que segura”. se bem que desde a década de 1950 se preconiza o jejum terapêutico para tratamento da obesidade2) e nas décadas de 1970 e 1980 este chegou a desfrutar de modesta popularidade. Ther Ggw. 27 (3): 143-4 144 . Pensando bem. Vale investir num emagrecimento sutil. REFERÊNCIAS 1. “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. The adipose organ at a glance. nos Estados Unidos da América e até mesmo no Brasil. como os ursos se alimentam furiosamente antes e depois do sono hibernal e sua silhueta não é exatamente esguia. AS CITAÇÕES ROBUSTECERÃO NOSSAS CHANCES DE INDEXAÇÃO. 1954. porém sustentado e duradouro. Cinti S. já poderão fazer toda a diferença entre uma cintura elegante e um perímetro abdominal metabolicamente perigoso. 2. vou batendo igual goteira caindo na rachadura. Afinal cem ou duzentas quilocalorias a menos por dia. mediante ativação moderada porém de longo curso. Fasting cures in obesity. ao longo de décadas.

788.1% of the patients was malnourished by ANSG. PE. Conclusion: Malnutrition is frequent in patients admitted with illnesses that affect the digestive tract. 1. Key words: Nutritional status. Brasil. The prevailing diseases were chronic liver disease (48%) and inflammatory bowel disease (30%). arm circumference and Subjective Global Nutritional Assessment (ANSG) and applied questionnaire on social class established by the Associação Brasileira de Antropologia e Associação de Empresa e Pesquisa (ABEP).5%). up to three days (72 hours) of hospitalization. apt.UFPE Estado nutricional na admissão hospitalar: realidade na Clínica de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas . 2. Recife. Nutricionista. 2008.A Artigo Original Estado nutricional na admissão hospitalar: realidade na Clínica de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas . em até três dias (72 horas) de internamento. and its significant association with objective methods and showed the limitation of BMI in the diagnosis of malnutrition (18. pregas cutâneas. PE. Desnutrição. It was found that 84. estabelecido pela Associação Brasileira de Antropologia e Associação de Empresa e Pesquisa (ABEP). pardos. residentes na zona urbana de Recife. Gastroenteropatias.1% dos pacientes encontraram-se desnutridos pela ANSG. 1° grau incompleto e de classe econômica D. Objective: To evaluate the nutritional status of patients on admission to the Gastroenterology Clinic of the Clinical Hospital-UFPE. Gastrointestinal diseases. residents in the urban area of Recife. Resultados: A maior parte da amostra foi do sexo masculino. Brasil. Mestre em Nutrição pela Universidade Federal de Pernambuco. Hepatopatias. Recife. skinfolds. while hypoalbuminemia in 40. brown. in March to September.7% of the group. Conclusão: A desnutrição é frequente em pacientes admitidos com doenças que afetam o trato digestivo. family income of 2 minimum wages. através do Índice de Massa Corporal (IMC). adult.7% do grupo. 1st degree incomplete and economic class D. It’s so important its detection in that period for an appropriated therapeutic. Rev Bras Nutr Clin 2012. CEP: 50670-420.UFPE Nutritional status in hospital admission: reality in Clinical Gastroenterology of Hospital das Clínicas-UFPE Heloísa Mirelle Costa Monteiro1 Maria Goretti Pessoa de Araújo Burgos2 Unitermos: Estado nutricional. sendo significativa a sua associação com os métodos objetivos e evidenciada a limitação do IMC no diagnóstico de desnutrição (18. Recife. Avaliação nutricional. adultos e idosos. Nutrition assessment. Methods: It was evaluated 27 patients. Results: Most of the sample was male.UFPE. Nutricionista. through the Body Mass Index (BMI). Verificou-se que 84. Objetivo: Avaliar o estado nutricional na admissão hospitalar de pacientes da Clínica de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas.com Submissão 30 de agosto de 2011 Aceito para publicação 21 de dezembro de 2011 Resumo Introdução: Doenças do trato gastrointestinal são causas frequentes de internamento e geralmente cursam com deterioração do estado nutricional. The anemia was present in 66% of the elderly and 33% of adults. A anemia esteve presente em 66% dos idosos e 33% dos adultos. Doutora em Nutrição pela Universidade Federal de Pernambuco. As doenças predominantes foram Doença Hepática Crônica (48%) e Doença Inflamatória Intestinal (30%). no período de março a setembro de 2008. circunferência do braço e Avaliação Nutricional Subjetiva Global (ANSG) e aplicado questionário sobre classe social. adultos. Brasil. adults and elderly. Liver diseases. Endereço para correspondência: Heloísa Mirelle Costa Monteiro Avenida Professor Moraes Rego. enquanto a hipoalbuminemia em 40. 27 (3): 145-51 145 . Malnutrition. E-mail: helo-mcm@ hotmail. 302 bl A.5%). ABSTRACT Introduction: Diseases of the gastrointestinal tract are frequent causes of hospitalization and generally lead to deterioration in nutritional status. PE. Métodos: Foram avaliados 27 pacientes. renda familiar de 2 salários mínimos. sendo de grande importância terapêutica a sua detecção nesse período.

da imunocompetência1. estão associadas com alto índice de desnutrição (61. 12 (48%) pacientes eram portadores de doença hepática crônica (DHC). insônia e diminuição da concentração9. disfagia7. 27 (3): 145-51 . entre outros. pancreatite.5%)4. O propósito geral deste estudo foi diagnosticar o estado nutricional na admissão hospitalar de pacientes internados com afecções gastrointestinais através de métodos objetivos (antropometria. sendo a desnutrição grave encontrada em 12. mortalidade1 e. MÉTODO Foi realizado estudo descritivo envolvendo 27 pacientes admitidos na Clínica de Gastroenterologia do HC/UFPE. Outrossim. com idade de 24 a 74 anos. com 43.2. a qual utiliza os valores encontrados de PCT e CB. Já nos hospitais de Pernambuco. Essas consequências.7. Na análise dos dados. a desnutrição hospitalar chega a 48. a taxa de desnutridos moderados e graves alcançou taxas de 49% e 9%. sendo um grupo de doenças com grande número de hospitalizados1. Recife. Dados na literatura indicam que a própria doença constitui um dos principais fatores desencadeantes de desnutrição12. durante o período de seis meses (março a setembro de 2008). Os pacientes inclusos foram aqueles internados por doença não neoplásica.8% desnutridos moderados e 20. número de fármacos administrados6. aumento dos custos hospitalares11. de fibra de vidro com escala de 0-150 cm e resolução de 0. com o intuito de se avaliar suas consequências1. em conjunto. Pelo exposto. capacidade de 150 kg e estadiômetro acoplado a mesma.9%). Quando se estratifica por regiões. má digestão e absorção. com doença terminal ou neoplásica e internados até 6 meses antes da pesquisa foram excluídos. A circunferência muscular do braço (CMB) foi obtida a partir da equação estabelecida por Bassichetto. No entanto. A prega cutânea tricipital (PCT) foi medida com um paquímetro da marca cescorf e a circunferência do braço (CB) foi feita com auxílio de uma fita métrica inextensível. No Brasil. depressão. CB e PCT foram relacionados com os padrões de referência propostos por Frisancho16 e expressos em percentual de desvio padrão. sociais e econômicos. limitação da mobilidade e da sensibilidade do olfato e paladar. composição corpórea. os quais já mostram uma prevalência significante de excesso de peso3. As doenças do TGI. tempo de tratamento10 e internamento4. Vários são os fatores que podem levar à desnutrição.1 cm.1%. anormalidade no metabolismo de nutrientes. 8 (30%) de doenças inflamatórias intestinais (DII) e 6 (22%) possuíam doenças gastrintestinais diversas. utilizando-se balança tipo plataforma marca FILIZOLA. embora a desnutrição seja o achado mais comum. devido à limitação da amostra. aqueles com sobrepeso ou obesidade. ansiedade. PE. agrupouse em três grupos: desnutridos aqueles categorizados em desnutrição grave. foi realizada a avaliação nutricional por meio de métodos convencionais. principalmente. icterícia obstrutiva e úlceras gástricas (miscelâneas). como diminuição da força muscular8. tais como idade. Para este fim. a Norte/Nordeste possui a maior população hospitalar desnutrida (63. como falhas no reconhecimento da desnutrição. bem como investigar a associação entre estes. por exemplo. em um período máximo de três dias. Destes. A partir destes dados. respectivamente5. O peso e altura foram mensurados em triplicata. circunstâncias sociais.1% desnutridos graves 4. 146 Rev Bras Nutr Clin 2012. Esses pacientes comumente apresentam alguma alteração do estado nutricional devido a ingestão alimentar insuficiente. eutróficos e excesso de peso (sobrepeso + obesidade). importância reduzida do fator nutricional no tratamento e/ou recuperação de pacientes. cursam com aumento do número de complicações3. Pacientes acamados. foram obtidos o Índice de Massa Corporal (IMC) e a classificação do estado nutricional segundo OMS (1997)14 para adultos (< 60 anos) e a classificação proposta por Lipschitz15 para idosos (> 60 anos). consequentemente. bem como uma insuficiente prática de avaliação nutricional e seu registro no prontuário também estão relacionados com a desnutrição6. além de alterações psicológicas. moderada ou leve. como disfagia.Monteiro HMC & Burgos MGPA Introdução O estado nutricional tem sido extensamente relacionado com parâmetros clínicos.6% dos casos4. de ambos os sexos. Os resultados obtidos do CMB. bioquímica e consumo alimentar) e subjetivos (exame físico e Avaliação Nutricional Subjetiva Global . segundo o Inquérito Brasileiro de Avaliação Nutricional Hospitalar (IBRANUTRI) realizado em 2001. que estivessem aptos a se deslocarem até o local de aferição de medidas antropométricas e em condições clínicas favoráveis para responder ANSG ou aqueles providos de acompanhante com a mesma habilidade.ANSG). obstruções mecânicas no trato gastrointestinal (TGI)8. vê-se a grande importância em determinar o estado nutricional precocemente de pacientes com afecções no TGI. valendo ressalvar que essas medições foram feitas em triplicatas. irritabilidade. e excesso de peso. apatia. segundo classificação de Blackburn & Thomton17. classificouse os pacientes em três grupos: desnutridos. tem-se utilizado no ambiente hospitalar métodos de avaliação nutricional. além de outros fatores relacionadas diretamente ao órgão comprometido13. eutróficos. Após a admissão hospitalar. A desnutrição induz um conjunto de alterações funcionais. devido à quantidade limitada de pacientes.

para estudos em humanos. D e E20.4 Classe social 2 7.3 Renda familiar (em salário mínimo) 1 11 40. diferente das outras medidas antropométricas. hemoglobina e albumina.87 anos para DHC.1% do total de pacientes encontravam-se desnutridos.4 Sexo Masculino 15 55.CEP/CCS/ UFPE. As análises classificaram os pacientes em bem nutridos. 27 (3): 145-51 147 . classificados como ANSG B ou C. 2008. enquanto a PCT evidenciou desnu trição nos três grupos de forma semelhante.6 E 3 11.25 ± 9. B2. e consiste na prática de anamnese e do exame físico.4 Superior incompleto 2 7. A hipoalbumi nemia e anemia apresentaram-se mais evidentes em hepatopatas que nos pacientes com DII e miscelâneas. Resultados As características demográficas e classificação socioeconômica da amostra estão contidas na Tabela 1. C1.1% e CMB=70.17 ± 4. principalmente. com média de 40. Os resultados das pregas e circunferências demonstraram prevalência de desnutrição em mais de 60% de toda a população (CB=63. Diferente dos outros métodos antropométricos. enquanto a bioquímica revelou que cerca de 60% dos idosos apresentaram valores de hematócrito e hemoglobina abaixo dos níveis normais (Tabela 2). por meio de técnicas habituais realizados pelo Laboratório de Análises do HC-UFPE e coletados com prazo máximo de 3 dias da admissão. na qual se avaliam. o IMC identificou menos desnutrição em todos os grupos. Utilizaram-se os testes Qui-quadrado de Pearson ou o teste Exato de Fisher.2 Primeiro grau incompleto 17 63. (Tabela 3).3% dos adultos e 58. o qual considera o grau de instrução do chefe da família e presença de alguns bens de consumo e. A associação da ANSG com as outras medidas antropométricas podem ser visualizadas na tabela 4.7 2 13 48. O IMC. quando as condições para utilização do teste Qui-quadrado não foram verificadas.60 anos e 68. PCT=74. antes da antropometria. onde a idade dos adultos variou de 24 a 56 anos e dos idosos entre 60 a 74 anos. B1.4 Raça Branca 6 22.0 Segundo grau completo 2 7. assim como ANSG. O critério de determinação de significância foi de 5. Ressalta-se que a verificação da hipótese de igualdade foi realizada através do teste F de Levene. foram empregados o “Critério de Classificação Econômica Brasileira” estabelecidos pela Associação Brasileira de Antropologia e Associação de Empresa e Pesquisa (ABEP).4 C1 C2 7 25.9 D 15 55. demonstrou eutrofia em 73.6 Feminino 12 44. estabelece as classes sociais A1. perda de peso.4%) e. Esta pesquisa foi previamente aprovada pelo Comitê de Ética.UFPE Em relação aos parâmetros bioquímicos.1 Escolaridade Analfabeto 6 22. Para análise dos dados foram obtidas distribuições absolutas e percentuais e as medidas estatísticas: média e desvio padrão. do Centro de Ciências da Saúde . Faixa etária (em anos) n % < 60 15 55. Na determinação do nível socioeconômico. esse achado foi mais evidenciado na população adulta. Tabela 1 – Características demográficas e classificação socioeconômica dos pacientes da Clínica de Gastroenterologia HC/UFPE.0% e a análise estatística processada pelo software estatístico SPSS na versão 13. diminuição dos tecidos adiposo e muscular e alterações da ingestão dietética19.Estado nutricional na admissão hospitalar: realidade na Clínica de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas . A ANSG mostrou que 74. respectivamente.0% eram adultos.6 60 ou mais 12 44. A2. Quando se estratifica por doenças. A ANSG sistematizada por Detsky et al.5 Parda Procedência Urbana 18 66.5 16 59.55 anos para as outras afecções. destes 80. Recife. teste t-Student com variâncias iguais e o teste F (ANOVA). As avaliações nutricionais descritas foram realizadas pelo próprio pesquisador e todos os pacientes foram informados acerca dos procedimentos e objetivos do estudo e assinaram o “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido”. observa-se que ANSG.73 ± 9.65 anos. sob o número 051/2008. 42. Quando classificado por doenças. onde a desnutrição foi mais prevalente em idosos.2 Negra 5 18.38 anos para portadores de DII e 50. foram avaliadas as dosagens séricas de hematócrito. a partir desses dados. CB e CMB revelaram mais desnutrição em pacientes com DHC. classificados como ANSG A.7 Rural 9 33.0 Total Rev Bras Nutr Clin 2012. exceto para o CMB.18 foi aplicada nesse período.1 3 3 11.3% dos idosos.69 ± 14. a idade variou de 60. e desnutridos.1 27 100.33 ± 17. demonstrando que houve relação significativa com os métodos antropométricos na detecção de desnutrição quando se utiliza a ANSG para diagnóstico nutricional.0%. C2.

3 7 25.5 5 38.3 20.9 5 62.7 75.1 Eutróficos 2 15.696 p(1) = 0.9 1 11 3 3 11 1 2 12 1 10 5 7 8 4 11 5 10 15 6.0 9 33.3 33.3 48. Rev Bras Nutr Clin 2012.3 66.8 33.1 3.5 Hematócrito (g/dL) < 35% > 35% Hemoglobina (% g/dL) < 12% > 12% Total Tabela 2 – Estado nutricional.7 CMB (cm) Desnutridos 10 76.0 3.7 13.5 6 75.0 1 16.5 2 33.3 66.4 Eutrófico 3 23.3 7 25.3 41.3 63.130 p(1) = 0.5 Eutróficos 8 61.5 5 62.1 p(1) = 0.0 4 33.0 2 33.0 33.3 58. segundo grupo de doenças.3 50.7 14.3 p(1) = 0.5 5 83.6 5 62.128 (1): Através do teste Exato de Fisher.0 11 40. CB: circunferência do braço.0 50.0 5 18 4 9 17 1 6 20 1 19 8 11 16 11 16 13 14 27 18.3 46.233 Excesso de peso 1 16.9 5 62.2 2 25.3 8 29.7 5 18.7 33.0 4 66.9 p(1) = 0.525 IMC (kg/m²) Desnutridos 3 23.0 8 66.662 3 20.217 p(1) = 0.878 Excesso de peso 2 15. 2008.0 4 14.3 80.5 3 50.7 59.9 p(1) = 0.012* Hemoglobina (g/dL) < 12% 9 69.0 27 100.7 20 74.9 100.7 20 74.7 33.7 p(1) = 0.0 16 59.5 > 3.0 5 83.226 p(1) = 0.923 Excesso de peso 1 7.0 73.7 59.3 40.1 3 37.0 p(1) = 0.7 > 35% 5 38.0 6 100.5 8 61.865 Albumina (g/dL) < 3.357 p(1) = 0.4 2 25.3 18 66.7 4 30.696 p(1) = 0.5 3 50.1 51. PCT: prega cutânea tricipital.7 1 3. 27 (3): 145-51 148 .7 100.6 40.5 2 33. IMC: índice de massa corporal.0 3 50. CB: circunferência do braço.0 6. Recife.7 66.7 58.3 8.0 8 100.0 4 14 51.5 66.3 17 63.4 3 37. PCT: prega cutânea tricipital. CMB: circunferência muscular do braço.7 20 74.7 PCT (mm) Eutróficos 2 15. Recife.0%.7 73.8 CB (cm) Eutrófico 3 23.0 (*): Associação significante a 5. Grupo de doenças Variável DHC DII Miscelâneas Grupo Total Valor de p ANSG n % n % n % n % Desnutridos 11 84.7 19 70.0 p(1) = 0.8 6 75. Tabela 3 – Estado nutricional.3 p(1) = 0. de pacientes da Clínica de Gastroenterologia do HC/UFPE.0 33.3 6.2 74.0 20.1 > 12% 66. ANSG: Avalição Nutricional Subjetiva Global.3 66.7 66.9 6 75.5 4 66.3 13 48.0 25.4 2 25.1 1 12.135 Hematócrito (%g/dL) < 35% 8 61.6 p(1) = 0. segundo idade.5 1 16.5 4 66.1 3 37. (1): Através do teste Exato de Fisher.3 100. 2008.5 8 100.0 4 7 1 6 6 4 8 9 3 4 8 7 5 8 4 12 33.5 2 33.3 16 59.7 > 3. CMB: circunferência muscular do braço.5 2 25.132 Total 13 100.7 1 3.7 73. de pacientes da Clínica de Gastroenterologia do HC/UFPE.0 2 33. ANSG: Avalição Nutricional Subjetiva Global.7 11 40.7 53.7 22. IMC: índice de massa corporal.3 26. Idade (em anos) < 60 anos (Adulto) ≥ 60 (Idoso) Grupo Total Valor de p n % n % n % 12 80.3 6 22.Monteiro HMC & Burgos MGPA ANSG Desnutridos Eutróficos IMC (kg/m²) Desnutridos Eutróficos Excesso de peso CB (cm) Eutrófico Desnutridos Excesso de peso PCT (mm) Eutróficos Desnutridos Excesso de peso CMB (cm) Desnutridos Eutrófico Albumina (g/dL) < 3.1 p(1) = 0.3 Desnutridos 10 76.7 70.2 Desnutridos 10 76.4 29.

0 PCT (mm) Eutrófico 4 66.13. esses mesmos autores evidenciaram apenas 15.0 p(1) = 0.0 17 85. Barbosa-Silva e Barros25 estabeleceram a ANSG como boa opção para avaliação nutricional em hepatopatas. DISCUSSÃO A determinação das características demográficas e socioeconômicas de pacientes com doenças gastrintestinais em um hospital universitário do nordeste brasileiro ganha importância devido à deficiência de estudos regionais.24 estudando pacientes com DHC (13. 27 (3): 145-51 .0 Excesso de peso 3 75. nos dias atuais. onde 31.0 5 100. a população continua com condição desfavorável para aquisição de alimentos e manutenção de um bom estado nutricional.7 9 64.0 20 100. denota-se maior percentual de desnutrição nos hepatopatas. apesar de simples e rápida.0 p(1) = 0.1% de desnutrição através da ANSG.UFPE Tabela 4 – Relação entre os métodos antropométricos de avaliação nutricional e ANSG entre os pacientes da Clínica de Gastroenterologia do HC/UFPE. com o envelhecimento. provavelmente devido ao Brasil apresentar nível socioeconômico inferior ao daquele país. confirmando os dados do Critério Brasil.0 p(1) = 0. a classe econômica predominante foi a D (penúltima classe econômica existente no Brasil). diferentemente e bem superiores aos resultados encontrados por Norman et al.13.0 p(1) = 0.0 Hemoglobina (g/dL) Eutrófico 5 35. ocorre aumento na gordura corporal total e redução do tecido muscular26.9 20 74. enquanto o CMB teve comportamento contrário. apesar de algumas dificuldades de aplicação deste. Deve-se considerar que.12. Sabe-se que algumas doenças do trato gastrointestinal têm maior prevalência nos indivíduos de classe social menos favorecida. Trabalhos demonstram que ANSG. vê-se que os idosos apresentaram mais desnutrição pela CMB e menores através do PCT e CB.0 Excesso de peso 1 100. como retenção hídrica e ascite presentes geralmente nesse grupo de doentes.1 27 100. Nesse estudo.0 1 25.8 18 100.2 14 77. corroborando com dados de Campillo et al.7% da população encontram-se inseridos nessa classe. Adicionalmente.2 16 100.Estado nutricional na admissão hospitalar: realidade na Clínica de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas .7 2 33.3 14 100. onde 40.385 Desnutrido 2 15. é capaz de identificar disfunção relacionadas à desnutrição24.043* Desnutrido 4 22. A desnutrição tem sido relatada como ocorrência frequente em pacientes portadores de doenças que comprometem o trato gastrintestinal e a avaliação nutricional é de extrema importância para o diagnóstico prévio dessa problemática13. Esse estudo identificou prevalência total de 74. Nessa casuística. ANSG A: bem nutrido. 200820 para a região do grande Recife.2 9 81. evidenciando que. ANSG B + C: desnutrido. observou-se 74.6 13 100. uma vez que 81.024* Desnutrido 3 15. 23.3 11 18.0 (1): Através do teste Exato de Fisher.5 17 89.0 Hematócrito (%g/dL) Eutrófico 2 15. confirmando os achados de Sena et al.3 6 100.385 Desnutrido 5 35. com 77. enquanto essa pesquisa encontrou 79. A análise da associação de estado nutricional dos diferentes grupos não pôde ser realizada.0 Total 7 25.4 11 84.011* Eutrófico 5 62.1% de pacientes da clinica de gastroenterologia da Santa Casa de São Paulo estavam desnutridos por este parâmetro.5 3 37.4 11 84. realizado com usuários do SUS.2%.0 1 100.3 14 100.0 4 100. No entanto.5%) e DII (18%) na Alemanha. Recife. podendo esses achados serem consequência dessas modificações fisiológicas isoladas 149 Rev Bras Nutr Clin 2012.0 Albumina (g/dL) Eutrófico 5 31.0 p(1) = 0. 2008. ANSG Variável A B+C Grupo Total Valor de p CMB (cm) n % n % n % Desnutrido 2 10. ANSG: Avaliação Nutricional Subjetiva Global.5% de comprometimento de massa muscular protéica.1% de depleção de reserva gordurosa pela PCT. onde o percentual de idosos com valores de PCT abaixo dos níveis de referência foi menor que nos adultos.5% da amostra se encontram na classe C2 e D.662 Desnutrido 2 18.6 13 100.0 IMC (kg/m²) Eutrófico 5 100.8 11 100.5 8 100. A partir dos dados desta pesquisa pode-se observar que a média de idade dos pacientes com DII e DHC está de acordo com pesquisa anterior nesse mesmo hospital21.7 9 64. bem superior aos dados de Sena et al.0 p(1) = 0.4%. o que vem corroborar com esses resultados10. A renda em torno de dois salários mínimos encontrada na maioria da amostra confirma os dados da POF 2002/200322 de que no Brasil cerca de 69% das famílias subsistiam com essa renda per capita. Na estratificação por idade.5 19 100.

Em relação ao hematócrito. Segundo Corrêa et al.28 no HC/Botucatu com 55% e 61%. suas dosagens poderiam estar alteradas em caso de hipertensão portal grave acompanhada de esplenomegalia maciça e hiperesplenismo. observou-se que apenas três pacientes foram classificados como sobrepeso. Embora a hemoglobina e o hematócrito apareçam como bons indicadores nutricionais nesse grupo.3% idosos. Elia et al. pois independem do metabolismo hepático. principalmente aqueles com ascite tensa12. Yamauti et al. Seria interessante sugerir que alterações antropométricas. portanto.36 mostraram que ANSG teve boa sensibilidade na identificação de desnutrição pela avaliação objetiva. devido ao dano hepático e. que detectaram esta condição em 28. realizados por Elia et al. ou seja. sendo 33.1%) no grupo total.0%. embora as prevalências tanto de baixo peso e excesso de peso tenham sido significantemente maiores (54% de baixo peso em idosos e 66% de excesso de peso em adultos). a albumina tem sido mais utilizada na avaliação bioquímica nutricional.5%). Dentre as proteínas de transporte plasmáticas. Essas limitações foram confirmados por Gottschall et al. bem como na presença de hemorragias digestivas27. Comportamento semelhante ocorreu nos hepatopatas. Segundo alguns autores. Relativo à desnutrição em DII pelo IMC.36. representadas pela massa protéica muscular esquelética28.31 e Pirlicha et al. a análise de pacientes com DII.28.7%.5%) em relação a outros autores28. As circunferências e pregas cutâneas também têm sido avaliadas em pacientes cirróticos.6 evidenciaram que a desnutrição identificada pela ANSG refletiu em valores baixos de IMC. um como obeso e a prevalência de desnutrição apresentou-se consideravelmente baixa (18.3%) e o excesso de peso em adultos (20. diferente dos resultados dessa casuística. Essa alta porcentagem de anemia pode ser explicada pelo fato de 2/3 da amostra serem compostos de doenças crônicas. observa-se relação significativa entre eles. Em comparação com pacientes portadores de DII. não foram encontrados dados na literatura para a comparação com os achados dessa pesquisa. No entanto. percebe-se que a desnutrição foi mais evidente em idosos (33. Os indivíduos com DII apresentaram menos anemia quando relacionados com portadores de DHC. onde a média de albumina foi menor que a de pacientes com DII.4 %).29 identificaram desnutrição pela PCT e CMB em cerca de 80% e 30% da amostra. Quanto à associação da ANSG e dos métodos antropométricos. possivelmente porque metade da causas de internamentos nesse grupo foram realização de exames e ajustes de medicação.5% de depleção pela CMB e 77. assim como ocorreu nessa casuística (21. bem diferente dos valores de Cabral et al.19. na Doença de Cronh36. como o parâmetro de avaliação nutricional que menos detecta desnutrição. observa-se que o percentual de desnutrição foi superior aos encontrados por Maio et al. como por exemplo. como foi observado em 100% dessa amostra.0%). 40. respectivamente.6%. os achados de Pirlicha et al. valor bastante superior ao relatado por Corrêa et al. estavam em fase de remissão da doença.7% estavam com hipoalbuminemia.4% de depletados e corroborando com os valores encontrados de PCT (74. não é indicado como método de acompanhamento da evolução do paciente em terapia nutricional25. enquanto que os adultos retardam esse atendimento devido a trabalho e/ou estudo. Através dos resultados de Hb. respectivamente.35 em > 50 anos (79. novos estudos ainda não apontam qual o ponto de corte a partir do qual determinaria o incremento da taxa de mortalidade30. A anemia é o problema hematológico mais comumente encontrado nos indivíduos idosos33. hipoalbuminemia e anemia fossem pesquisadas rotineiramente por profissionais de nutrição que acompanham pacientes em enfermaria. levando-se em conta os pontos de corte do IMC para adultos e idosos. a albuminemia reflete as reservas protéicas viscerais.6% dos pacientes clínicos de um hospital do sul do Brasil. esses dados não são confirmados quando se estratifica os grupos etários em < 50 e ≥ 50 anos.Monteiro HMC & Burgos MGPA ou combinadas com déficit nutricional. achados semelhantes aos de Cintra et al. os cirróticos apresentam mais hipoalbuminemia. contrário aos resultados dessa pesquisa em relação ao CMB com 70. Em algumas doenças. 150 Rev Bras Nutr Clin 2012. prega cutânea subescapular (PCSE).3. Ao mesmo tempo. Encontrou-se frequência de 25. sugere-se complementar a ANSG com outras técnicas de avaliação. superior aos desse estudo (12.29 e Cabral et al. Quando se analisa a PCT e CB de hepatopatas.5%) quando avaliados por este parâmetro. diminuindo a confiabilidade desse parâmetro em pacientes cirróticos27.32. Trabalho em enfermaria de gastroenterologia de São Paulo demonstrou 17. sendo detectado em 66. Trabalhos enfatizam que sua redução reflete disfunção hepática. sendo sugerido por Maio et al. menor que a encontrada por Elia et al. A retenção hídrica e outros fatores inerentes à doença limitam o uso do IMC para detectar desnutrição em pacientes cirróticos. ao mesmo tempo em que idosos procuram atendimento hospitalar nas alterações mínimas de uma doença crônica. CMB e CB quando não existe edema generalizado27. confirmando dados de Norman et al. valores bem inferiores aqueles encontrados por García-Salcedo et al. vê-se que anemia foi diagnosticada em 41% da amostra. No entanto. principalmente em doentes acima de 65 anos34. segundo os grupos de doenças. Isto poderia ser um dos motivos dos adultos chegaram ao hospital com mais depleção nutricional que os idosos. 27 (3): 145-51 .24.3%). não necessariamente ao estado nutricional.2% pela PCT13. sendo descrito que a retenção hídrica não influencia as medidas de PCT. com prevalência menor de hipoalbuminemia (61. uma vez que o método não possui sensibilidade adequada para identificar pequenas variações no estado nutricional e. que avaliaram a sensibilidade dos indicadores nutricionais em cirróticos. estudando nessa mesma instituição. Dentre os pacientes. As determinações bioquímicas são usadas na avaliação do estado nutricional como complemento dos dados de história. por sua vez. a hipoalbuminemia pode refletir reação de fase aguda mediada por citocinas durante um evento inflamatório. Em relação ao IMC.6.32. exame físico e antropométrico30. distintas das proteínas somáticas.29 revelam 23. Por outro lado. as quais geralmente cursam com anemia.

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Endereço para correspondência: Roberto Carlos Burini. glicemia. proteínas da fase aguda (PFA). SP .9g proteína/47kcal/ kg/dia) oferecida por 3 dias consecutivos isolada (M1) seguida de suplementação com glicose hipertônica 50% (17. A redução do hipercatabolismo proteico no trauma cranioencefálico em alimentação enteral independe da oferta adicional de carboidrato Failure of protein saving effect of carbohydrate when superimposed on a diet adequate for maintenance in brain-injured patients Arthur Oscar Schelp1 Silvia Justina Papini2 Hissachi Tsuji2 Aparecida Yooko Outa Angeleli3 Roberto Carlos Burini4 RESUMO Método: A resposta do catabolismo protéico de pacientes com trauma cranioencefálico (TCE) à dieta enteral (com suplementação de glicose e. AFP . As variáveis foram correlacionadas entre si (Spearman) e os momentos comparados pela ANOVA ou Kruskal Wallis para p = 0. free fatty acids and hormones (insulin. Blood and urine were collected on the last day of each dietary moment (M1. Ingestão e excreção nitrogenadas foram computadas para cálculo do balanço (BN) e da cinética da N15-glicina. NEpi e Epi. Results: The Glasgow score correlated negatively with epinephrine (r = -0. SP . under isolated conditions of enteral feeding (1. Conclusion: Hence.81).93) e positivamente com a transferrina. independentemente da suplementação glicídica e. Brasil. 2. Hormônios. E-mail: burini@fmb. PFA. The study began 4-9 days after the trauma.81).6 kcal/kg/d) for 3 more days (M2) and continuation of exclusive enteral feeding for 3 more days (M3). Conclusão: Assim. redução do fluxo nitrogenado. A glicose e.75) como Epi.v. Brasil. Marília. O estudo teve início 4-9 dias após o trauma.05. Hormones. The course of the disease (M1 – M3) was followed by an increase in the Glasgow score. Plasma analyses included glycemia.05. Botucatu.v. synthesis and protein catabolism and in glycemia without variation in BN. UNESP – Universidade Estadual Paulista. trigliceridemia. acute-phase proteins (AFP). Professor Doutor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Marília.9g protein/47kcal/kg/day) provided for 3 consecutive days (M1). reduction in the nitrogenized flow. As análises plasmáticas incluíram glicemia. ácidos graxos livres e hormônios (insulina. 27 (3): 152-7 152 . Key words: Craniocerebral trauma. glucose supplementation) was studied in 6 adult male patients (21-39 years) with closed CET (Glasgow score 4-6) who met the inclusion requirements. cortisol.v. providing intermediate values between M1 and M3.unesp. e. 4. (M2) não alterou significativamente esse padrão. glucagon and catecholamines). supplementation with 50% hypertonic glucose (17. Centro de Metabolismo em Exercício e Nutrição (CeMENutri).A Artigo Original Schelp AO et al.v. enquanto que o catabolismo protéico correlacionou-se negativamente com o BN e HOMA. Nitrogen intake and excretion were estimated for calculation of nitrogen balance (BN) and N15-glycine kinetics. em condições de alimentação enteral (1. trigliceridemia. Professora Assistente Doutora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UNESP . trigliceridemia. ABSTRACT Methods: The response of protein catabolism of patients with cranioencephalic trauma (CET) to the enteral diet (with e. M2 and M3).v. aminic nitrogen.) foi estudada em 6 pacientes do sexo masculino adultos (21-39 anos). Brasil. thus suggesting that the protein hypercatabolism of CET is autolimited to the first 2 weeks in association with the integrity of the adrenergic axis and clinical improvements. glycemia. SP . cortisol. Professor Titular do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UNESP .6 kcal/kg/d) e.v. tyrosine and free tryptophan. síntese e catabolismo protéicos e da glicemia. Botucatu. Professor Assistente Doutor do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UNESP . SP . protein catabolism reduction occurred with the course of the disease regardless of e. sem variação do BN. a redução do catabolismo protéico ocorreu com o curso da doença. tirosina e triptofano livres.br Submissão 12 de setembro de 2011 Aceito para publicação 8 de janeiro de 2012 1. Brasil. HOMA-IR. fornecendo valores intermediários entre M1 e M3. The variables were correlated with one another (Spearman). em M1 e positivamente tanto com NEpi. O curso da doença (M1 – M3) foi acompanhado pela elevação do escore de Glasgow. Rubião Júnior-Botucatu. Botucatu. Enteral nutrition. Nutrição enteral. HOMA-IR. NEpi or Epi. Diet therapy. em M3 (r = 0.v. Brasil. nitrogênio amínico.75) and with Epi at M3 (r = 0.v. em M2 (r = 0. Unitermos: Traumatismos craniocerebrais. Dietoterapia. Resultados: O escore de Glasgow correlacionou-se negativamente com a epinefrina (r = -0. and the moments were compared by ANOVA or Kruskal Wallis for p=0. glucose (M2) did not significantly change such pattern.93) and positively with transferrin. por mais 3 dias (M2) com continuidade enteral exclusiva por mais 3 dias (M3). sugerindo ser o hipercatabolismo protéico do TCE autolimitado às 2 primeiras semanas de forma associada à integridade do eixo adrenérgico e melhora clínica do paciente. glycidic supplementation. whereas protein catabolism correlated negatively with BN and HOMA at M1 and positively both with NEpi at M2 (r = 0. com TCE fechado (escore de Glasgow 4-6) que preencheram os critérios de inclusão. SP. M2 e M3). 3. glucagon e catecolaminas). peptídio C. trigliceridemia. Departamento de Saúde Pública. Rev Bras Nutr Clin 2012. CEP: 18618-970. followed by e. C-peptide. As coletas de sangue e de urina foram feitas no último dia de cada um dos três momentos dietéticos (M1.

idades inferiores a 20 ou superiores a 45 anos. 99 átomos% em 10 ml de água destilada. usuários de corticoesteroides. Em estudo anterior com pacientes politraumatizados sem lesão cranioencefálica. No início do TCE. Coleta de sangue. No presente trabalho. os pacientes (em “steady state” metabólico) foram considerados aptos ao protocolo dietético19. 153 Rev Bras Nutr Clin 2012. após 3 dias (em presença de ruídos hidroaéreos e volume gástrico inferior a 100 ml/h). fracionada de 8-17h e 17-8h. nos primeiros dias pós-trauma. seria mantida pela cortisolemia com queda ao redor do 10º dia pós-trauma. com gravidade em escala de Glasgow6 entre 3 e 6. Essa suplementação foi feita pela administração endovenosa de glicose hipertônica a 50% em volumes de 500 a 600 ml.0 mg/kg peso/min atenuou a negativação do balanço nitrogenado e do catabolismo proteico18. a neoglicogênese hepática foi bloqueada com a infusão de glicose hipertônica na taxa de 4. suspendeu-se a glicose endovenosa e continuou-se apenas com a alimentação enteral para o último período de 3 dias (M3). a cortisolemia se correlaciona com a escala de Glasgow6.3 tem levado autores à conclusão de que o prognóstico de pacientes com TCE grave seria mais decorrente de distúrbios metabólicos adjacentes do que propriamente das atenções terapêuticas usuais4. O protocolo foi aprovado pela Comissão Ética em Pesquisas com Humanos da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/ UNESP). a hiperglicemia persistente seria ocasionada pela intensa descarga adrenérgica10. exclusão e protocolo dietético Em estudo de caso observacional prospectivo com intervenção dietética. a dieta lenta e gradualmente até o volume desejado (1800 ml). Como critérios de exclusão foram utilizados o sexo feminino. queimaduras ultrapassando 5% da área corporal. com infusão de 2 mg/kg/min.1 mg/kg peso/min17. fornecendo 130 g de proteínas e 3200 kcal. a hiperglicemia persistente esteja ligada tanto à cortisolemia13 como às citocinas pró-inflamatórias14.16. O uso do carboidrato dietético como agente poupador de proteínas foi inicialmente descrito na primeira metade do século passado12. com ou sem hematoma intracraniano. 9 horas após a administração de dose única. Amostras do sangue venoso periférico foram colhidas em todos os momentos. M2 e M3 foram colhidas urinas de 24 horas. Mediante a sonda nasogástrica instalada no primeiro dia de internação. Nesse sentido. 27 (3): 152-7 . via oral de 150 mg de 15N-Gly. associada às eventuais complicações inflamatórias que prolongam a fase de fluxo e mantêm o hipercatabolismo proteico15. No trauma. a oferta enteral/parenteral de 4. A partir desses valores foram calculados o fluxo nitrogenado (Q). a proteólise muscular seria a principal supridora de aminoácidos tanto à neoglicogênese hepática como aos demais tecidos. às 8h da manhã.11 e. no caso. Após 3 dias com alimentação enteral (M1). a síntese (S) e o catabolismo (B) protéicos19. Nos momentos M1. o protocolo dietético foi iniciado em 9 pacientes. no momento da hospitalização. para o cérebro. nesses casos. Assim. A caracterização do TCE e o reconhecimento do estágio fisiopatológico foram feitos pelas avaliações angiográficas e tomográficas associadamente ao quadro clínico de internação. Pressupõem-se que. As necessidades maiores de glicose seriam. na fase pós-hipercatabolismo. Calculam-se necessários 5 mg glicose/kg peso/ min para a supressão da neoglicogênese hepática. pesos inferiores a 60 kg.A redução do hipercatabolismo proteico no trauma cranioencefálico em alimentação enteral independe da oferta adicional de carboidrato INTRODUÇÃO Pacientes com a escala de Glasgow entre 3 a 5 apresentam taxa de mortalidade de 30% a 74%1. utilizada para estudo do balanço nitrogenado e da cinética da15 N-glicina19. O estudo cinético da 15N-glicina foi feito pela análise do enriquecimento do produto final (15N-amônia urinária). A gravidade e o tipo de lesão cerebral guardam relação estreita com as catecolaminas plasmáticas5 e. para as células da imunocompetência e para reparo tecidual13. M2 ao 3º dia da dieta com glicose endovenosa e M3 ao 3º dia do retorno da dieta enteral exclusiva. foi iniciada a suplementação de 1200 kcal/dia de carboidrato por mais 3 dias. secundariamente. perfazendo protocolo dietético com duração total de 9-10 dias. Por fim. presença de doenças metabólicas e evidências de comprometimento pulmonar grave com pressão parcial de O2 < 70 mmHg. na fase final de fluxo12.15. primariamente associada a descarga adrenérgica. encerrado o período de 3 dias (M2). sob nº 074/91-CEM. a hiperglicemia seria o termômetro do hipercatabolismo do TCE. MÉTODO Critérios de inclusão. foram incluídos pacientes com presença de TCE fechado. Como características mais evidentes do TCE tem-se tanto a descarga adrenérgica como a elevação da glicemia7-9. fraturas de ossos longos. Em pacientes politraumatizados há 2-5 dias. demonstrando que o hipercatabolismo proteico do trauma pode ser modulado pelo suprimento exógeno de energia. a seguir. o efeito dessa intervenção dietética foi investigado em pacientes com TCE fechado. cortisolismo e hipercatabolismo proteico13 e. mas apenas 6 completaram o estudo. No período de 2 anos. ou seja. A alta taxa de mortalidade e permanência hospitalar do trauma cranioencefálico (TCE) comparativamente a outros traumas2. foi introduzida. urina e métodos de análise O estudo foi composto de 3 momentos: ao 3º dia da dieta M1. Decorridos no mínimo de 3 dias após o TCE e não havendo intercorrências que interferissem no metabolismo protéico-energético. para a redução da proteólise muscular seria recomendável a maior oferta de glicose exógena. 28 pacientes preencheram os critérios de inclusão ao estudo.

a gravidade do trauma (índice de Glasgow) foi correlacionada diretamente com a transferrina e negativamente com a epinefrina (Figura 1). triglicerídios e creatinina). peptídio C terminal.055). o estado de hipercatabolismo associado ao hiperadrenalismo (Figura 2). A interferência da suplementação glicídica parenteral (M2) foi mínima nos parâmetros estudados.05. na Tabela 2. ácidos graxos livres. Tº = 38ºC 8º 10º 15º 9º 12º 16º 8º 12º 15º M2: T = 38ºC 4º 7º 11º Traqueostomia. Entretanto. glucagon. antropométricos e clínicos dos pacientes com trauma cranioencefálico Idade (anos) Peso (kg) Altura (m) GCS IMC Diagnóstico 39 6 Contusão temporal 26 80 4 Hematoma extradural 21 55 1. entretanto. cortisol. o catabolismo manteve-se correlacionado positivamente à síntese proteica e. sem variações no HOMA-IR. persistindo. mas também glucagon. O curso da doença em alimentação enteral exclusiva (M1/M3) demonstrou aumento do índice de Glasgow (Tabela 4). agora também levemente com a epinefrina (Tabela 3). Por outro lado. M2 = M3: Infecção Pulmonar T = 38ºC 9º 12º 16º Traqueostomia. caracteristicamente com elevação da glicemia (p=0. Determinações hormonais (insulina. peptídeo C terminal (PPC). ácidos graxos livres (AGL). nitrogênio amínico e aminoácidos livres (Tabela 6). Paralelamente. Ao final do experimento (M3). 27 (3): 152-7 154 . espectrofotometria (glicose. nitrogênio amínico. espectometria de massa (compostos 15N). Paciente TCE-1 TCE-2 TCE-3 TCE-4 TCE-5 TCE-6 Sexo M M M M M M Tabela 1 – Dados demográficos. Os métodos analíticos foram: micro-Kjeldahl (nitrogênio urinário).Schelp AO et al. cortisol. reduzindo a cortisolemia e elevando a norepinefrinemia. ureia. peptídio C terminal. o catabolismo proteico esteve correlacionado positivamente com a síntese proteica e negativamente com o balanço nitrogenado e HOMA-IR (Tabela 3). catecolaminas totais. dopamina. PPC. à transferrinemia. NEpi e AGL. Essas alterações foram acompanhadas da redução da insulina e elevação do glucagon e da norepinefrina sem variações significativas da glicemia. o catabolismo proteico apresentou leve correlação positiva com a norepinefrinemia (Tabela 3). M2 = M3: Broncopneumonia e Meningite Bacteriana T = 38ºC TCE: Trauma Cranioencefálico M1 = M2 = M3: Momentos do estudo Rev Bras Nutr Clin 2012. RESULTADOS As características demográficas.30 Contusão temporal (brain swelling) 26 67 1. radioimunoensaio (insulina. para p=0.72 6 24.00 Hematoma subdural GCS: Escala de Gravidade do Coma de Glasgow IMC: Índice de Massa Corporal (kg/m2) = Peso (kg)/Altura (m)2 Paciente TCE-1 TCE-2 TCE-3 TCE-4 TCE-5 TCE-6 T = temperatura Tabela 2 – Momentos do estudo e intercorrências observadas em pacientes com trauma cranioencefálico fechado. Em M1. a gravidade do trauma esteve positivamente associada à epinefrinemia e. AGL (Tabela 6) balanço nitrogenado ou cinética da 15N-glicina (Tabela 4).75 4 22. glucagon e cortisol) e radioenzimaensaio (catecolaminas)20-23. insulinemia e PPC. O curso da doença em presença de alimentação enteral. antropométricas e clínicas dos pacientes encontram-se na Tabela 1 e os momentos estudados e intercorrências observadas. nessa intervenção (M2). HOMA-IR. As comparações entre momentos foram feitas pela ANOVA ou teste não-paramétrico de Kruskal Wallis para variáveis dependentes e a correlação entre variáveis pelo teste de Sperman. o estado hipermetabólico hipercatabólico inicial dos pacientes esteve correlacionado negativamente com balanço nitrogenado e resistência insulínica. negativamente.20 Contusão cerebral (brain swelling) 30 70 1. M2 M3 Intercorrências M1 5º 8º 11º M2: Broncopneumonia. atividade inflamatória e resistência insulínica. paralelamente à inalteração do turnover proteico. sem necessidade de suplementação glicídica parenteral. Assim. epinefrina e norepinefrina). leve redução na relação entre proteínas da fase aguda positivas com as negativas (Tabela 5).75 6 23.65 6 20. espectrofluorimetria (triptofano e tirosina). glicose e triglicerídios foram realizadas nos 3 momentos dietéticos e creatinina apenas no basal. foi eficiente para redução do hipermetabolismo. A oferta hiperglicídica resultou em elevação da glicemia. redução na relação catabolismo/síntese proteica (Tabela 4) sem alteração do balanço nitrogenado (negativo).30 Hematoma extradural 22 72 1.

63 α Amino N (mg/dL) 4.76 Σ+/Σ9.5 ± 3.20 0. 27 (3): 152-7 .1 11.89 ± 0.05 TF: Transferrina.82 Totais (pg/mL) 469 ± 27 774 ± 48 476 ± 25 0.74 ± 0.38 19.7) 8. Epi: Epinefrina.09 -1.4 (3. onde a maioria estava clinicamente em fase de transição de síndrome apalidal. TF: Transferrina.33 0. * Figura 1 – Tempo de liberação para dieta geral para pacientes pós-TCTH alogênico e autólogo. BN: Balanço nitrogenado B/S: Catabolismo/Síntese.50 -0. faixa etária.5 ± 3.9 5.91 PCR (mg/L) 128 ± 75 95 ± 46 0.4 (9.23 0.3 4.30 0.1 ± 3.6 0. M2 e M3: Momentos do estudo Figura 2 – Valores médios do balanço nitrogenado (BN).21 TTR (mg/L) 18.15 AGL: ácidos graxos livres.9 0.= razão das somatórias positivas (PCR + A1 AT) sobre as negativas (RBP + TTR + TF).3 0.2 ± 0.70 B: Catabolismo proteico.53 Epi 0.61 2. TTR: Transtiretina.5-5.5 24.280 Q: Fluxo Nitrogenado.00 ± 16. TTR: Transtiretina.56 0. DOPA: Dopamina Tabela 3 – Correlações do catabolismo protéico (B) com as demais variáveis. apresentando na triagem escala de Glasgow entre 4 e 6.50 ± 4. NEpi: Norepinefrina.9 4.0. Momentos M1 M2 M3 P Glasgow 7. M2 e Tabela 5 – Proteínas plasmáticas da fase aguda de pacientes com trauma cranioencefálico fechado nas situações de alimentação enteral exclusiva.75 0.3) 0.30 A1 AT (mg/L) 3.0.1 3.64 -3.25 ± 1.4 -0. Momentos M1 M2 M3 P Glicose (mg/dL) 126 ± 26 138 ± 17 108 ± 12 0. B: Catabolismo proteico.21 Glucagon (pg/mL) 99 ± 18 261 ± 21 296 ± 16 0.32 0. Epi: Epinefrina.14 DOPA (pg/mL) 75 ± 29 68 ± 20 75 ± 23 0.15 -0.9 ± 2.2 0 -0.08 ± 2.94*** BN -0. -0.17 ± 19. A1AT: Alfa 1 Antitripsina.44 NEpi -0. Glic: Glicose. BN: Balanço Nitrogenado.28 RBP: Proteína ligadora do retinol.05 0.58 0.006 Q (gN/9h) 40.6 ± 1. coincidente com a fase de fluxo hipermetabólico-catabólico.4 ± 7. B/S: Catabolismo/Síntese.1 3. nos 3 momentos (M1. HOMA-IR: Homeostasis model assessment – insulin resistance.A redução do hipercatabolismo proteico no trauma cranioencefálico em alimentação enteral independe da oferta adicional de carboidrato Valor de r 1.18 0.20 26.95 Triptofano 10.8 0.1 (7.2 (3. Tabela 6 – Diferenciação entre os momentos dietéticos para as variáveis do metabolismo proteico em pacientes com trauma cranioencefálico fechado.20 Cortisol (mg/dL) 35 ± 7 26 ± 4 32 ± 12 0. DISCUSSÃO Foi estudado grupo homogêneo quanto a sexo.14 0.83 ± 0.6) 4.7 ± 1.78 ± 0.41 0. nos momentos dietéticos.8 0. B: Catabolismo proteico.08 A AT RBP BN 1 TTR PCR PCR/ TG Epi TF TTR S Q. HOMA-IR: Homeostasis model assessment – insulin resistance.8-18.6 ± 7.08 ± 1.44 ± 0.1 ± 3. NEpi: Norepinefrina.45 35. S: Síntese.75* 0.27 N Epi (pg/mL) 367 ± 19 639 ± 44 409 ± 24 0.71 ± 0.86** -0. S: síntese. da relação catabolismo/síntese proteica (B/S) e da resistência insulínica (HOMA-IR) de pacientes com trauma cranioencefálico fechado.03 Epi (pg/mL) 103 ± 86 116 ± 81 67 ± 40 0. NB M1.0 ± 3.17 TG (mg/dL) 80 ± 24 83 ± 21 88 ± 19 0.99*** 0.001 BN (gN/9h) -3.1 0.020 S (gN/9h) 33. Q: Fluxo nitrogenado.009 B/S 0. PCR: Proteína C-reativa.20 16.5 3.6 .005 AGL (mM/L) 0. A1 AT: Alfa 1 antitripsina.22 9.46 TF (mg/L) 2. Momentos M1 M3 p RBP (mg/dL) 4.73 0.9 9.24 ± 4. Epi: Epinefrina. PCR: Proteína C-reativa.3 ± 4.60 HOMA-IR 6.9 ± 1.7-4.86 * 0.50 0.52 HOMA-IR -0.24 -0.007 B (gN/9h) 30.9 0.16 31.50 ± 12.07 PCR/TTR 9.11 0.27 0.17 ± 19.60 ± 0.99*** 0.05 0. S: Síntese.50 ± 5.4 ± 0.0) 0.07 Tirosina 3.84 ± 0.43 -0. B B/S Glic.0 0.81* NEpi 0.62 0.50 ± 10.1 5.50 ± 12.2 . Σ + / Σ . BN: Balanço Nitrogenado.78* -0.5-12.61 -1. TG: Triglicerídios.4 0. NEpi: Norepinefrina.1 0. O início do estudo foi entre 7 a 10 dias póstrauma. TG: triglicerídios.65 -0.6 0.4 0.5 0. RBP: Proteína Ligadora do Retinol.5-5.7 ± 7. HOMA-IR: Homeostasis Model Assessment – Insulin Resistance Tabela 4 – Diferenciação entre os momentos dietéticos para as variáveis do metabolismo proteico em pacientes com trauma cranioencefálico fechado.14 PPC (ng/mL) 3±1 4±1 3±1 0.50 ± 5.93 * p<0.28 0. PPC: peptídio terminal.5 (3.0) 11.6 (9.10 0. BN: Balanço nitrogenado. IMC.15 Insulina (uUi/mL) 24 ± 7 29 ± 22 14 ± 8 0.16 41.7-13.2 ± 11.8 ± 7. de pacientes com trauma cranioencefálico fechado. O estudo foi pioneiro em TCE fechado e original na proposta de estudar o metabolismo protéico no período de transição entre as fases de comprometimento difuso das funções do encéfalo 155 Rev Bras Nutr Clin 2012.28 ± 4.5) 4. Momentos M1 M2 M3 S 0.

Dessa forma. ou seja. No presente experimento. a coincidir com a melhoria dos sintomas de comprometimento do tronco cerebral. síntese e catabolismo protéico. os pacientes apresentaram valores para a taxa fracional de catabolismo protéico semelhantes às referidas pela literatura como normais. com síntese aumentada em até 30 vezes15. o gasto energético de repouso pode estar aumentado em até 4 vezes.33 e. houve elevação da glicemia (sem diferenciação significativa do HOMA) e redução da cortisolemia. que mesmo a oferta de glicose exógena suficiente para bloquear por completo a neoglicogênese hepática36 não foi suficiente para equilibrar o balanço nitrogenado. tendendo à normalidade 2 semanas pós-trauma. foi observado. assim como o HOMA-IR nos 3 momentos. mesmo que alimentados. neste caso. os pacientes estivessem recebendo 3200 kcal a serem aumentadas às custas de glicose parenteral por volta do 13º dia. nas 2 primeiras semanas37. Um deles é que as respostas neuroendócrinas mediadas pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal estão associadas a mecanismos de retroalimentação negativa13. A primeira linha relaciona-se à elevada demanda energética. 27 (3): 152-7 . também. assim como a estabilidade da trigliceridemia.3% a 61. o menor catabolismo proteico de M3 esteve correlacionado aos valores menores de epinefrinemia. mesmo a volumes reduzidos25. entre o 6º e o 10º dias após o TCE. Foi mostrado. Em ambos há queda do “pool” intracelular de aminoácidos. a integridade do eixo hipófise-hipotálamoadrenal parece essencial para a homeostase metabólica observada na 2ª semana por TCE. Foi feita opção de alimentação enteral24 o mais precoce possível. com pacientes avaliados de 2 a 3 dias após ferimentos graves no crânio. traduzidos por aumento de fluxo nitrogenado. concentrações plasmáticas de proteínas (de meia vida distintas) e aminoácidos livres e. No presente trauma. No geral. como esperado. TTR e TF no TCE foram maiores do que aqueles observados anteriormente no politrauma18. Esses dados corroboram a afirmativa que resposta inflamatória e neuroendocrinológica que se segue à lesão encefálica teria sua manifestação limitada às 2 primeiras semanas. Por outro lado. coincidindo com a melhoria do quadro clínico. tanto da hipertonia como das frequentes infecções respiratórias. via redução de transporte (resistência insulínica?) prevalencendo o efluxo do “pool” intracelular de 70%34. nesses pacientes. sugerindo aqui menor agravamento inflamatório30. tanto as PFA com a glicemia tendem à normalização32. O metabolismo proteico foi avaliado de forma estática mediante balanço nitrogenado. Em M3. A glicemia esteve elevada. Com isso. Isto porque estudos com pacientes em escala de Glasgow de 4 a 10 mostraram que a maioria dos pacientes somente atingiam volume e concentração de nutrientes adequados. mas clinicamente diferenciada com a suplementação de glicose (M2). As justificativas a essa resposta estereotipada podem estar ligadas a distintos fatores. Em pacientes com rigidez em descerebração. pode ser atribuída ao estímulo catabólico (para formação de glicose endógena) ou inadequação energética (para fixação do nitrogênio alimentar). e aquela em que ocorre retorno gradativo das funções. verificaram-se hipermetabolismo e hipercatabolismo.35. por apresentarem meia vida curta (12horas a 14 dias) são prontamente responsivas ao anabolismo induzido pela dieta30. há 2 linhas de raciocínio. assim sendo. as PFA+ alcançam pico máximo em 2 a 3 dias póstrauma.9%31. pois nesse período. Os valores aqui observados para RBP . os valores iniciais de PCR foram bem menores que aqueles observados no politrauma sem comprometimento encefálico18. No geral. de forma dinâmica mediante a cinética da 15N-glicina19. Nesse sentido. com integração cortical. por duas semanas. A ausência de glicemias superiores a 180 mg/dL e de glicosúria ou cetonúria. mas sem redução do catabolismo protéico e melhora do balanço nitrogenado como o esperado (e visto no politrauma sem lesão cranioencefálica)18.0 mg de CHO/kg peso/min recomendáveis para o bloqueio da neoglicogênese hepática17. de tal forma que. Assim.29. 156 Rev Bras Nutr Clin 2012. o TCE fechado diferentemente do politrauma sem comprometimento do crânio18 apresenta resposta hipermetabólica restrita às primeiras 2 semanas do período de recuperação. e que retornam a níveis próximos aos normais em torno de 13 dias pós-trauma. glicemia e também a cinética protéica apresentam boa correlação com a evolução neurológica. Neste trabalho. pela via enteral. A suplementação endovenosa de glicose à dieta dos pacientes teve objetivo duplo: oferecer a energia de alta eficiência para anabolismo protéico e perfazer os 4. a alimentação precoce resultou em menor atividade inflamatória e maior anabolismo protéico hepático no TCE do que no politrauma sem comprometimento craniano. Destaque-se a não observância de glicosúria ou cetonúria em nenhum dos momentos em quaisquer dos pacientes. A segunda linha exclui a resposta hormonal do TCE e está relacionada a maior excreção nitrogenada pela imobilização (desuso muscular) no leito. que PFA. as PFA-. atingindo 4400 kcal/ dia. em 10º e 16º dia após o trauma26-28. A dificuldade na positivação do balanço nitrogenado em pacientes com trauma. de 54. Os marcadores protéicos da atividade inflamatória geralmente são de origem hepática e têm suas sínteses induzidas (PFA+) ou reprimidas (PFA-) por citocinas pró-inflamatórias.Schelp AO et al. independentemente da gravidade e localização das lesões. o que aponta boa tolerância da sobrecarga administrada. de forma estatisticamente semelhantes. predominantemente por queda de captação. demonstra a boa capacidade desses pacientes em utilizar a carga de glicose exógena. ambos e alimentação enteral. independentemente da variação dietética.

Naylor BA. 1992. Dichi JB. pode-se concluir que a alimentação enteral precoce desses pacientes associadamente a melhora clínica e integridade do eixo adrenérgico resultou em redução do catabolismo proteico refratária à suplementação dietética de carboidratos. 21. Hosker JP. Stadler C. 56 (4): 778-88. adrenocorticotrophin. Rapp R. Burini RC. 35.172(6):975-84. 8. et al. Burini RC.2(1):18-22. 1997. Nguyen TT. Burini RC. et al. Ann Surg. McLaurin RL.45:459-80. J Trauma. N Engl J Med. Rev Bras Nutr Clín. et al. Phillips R. 30. Diabetologia. Jahoor F. Lieberman SA. Ott L. Adams L. Deutschman CS. Ibbot F. J Trauma. Effect of severe burn injury on substrate cycling by glucose and fatty acids. 27 (3): 152-7 157 . Can they predict outcome? J Bone Joint Surg Br. 1998. Nissen SL. Modificações fisiológicas no hipercatabolismo. 1994. 28. 1973.22(12):883-94. et al. 1983. Lowry SF. Miles JM. 1984. Ziegler TR. 15. 2. Am J Physiol. Stoica E. Angeleli AYO. 1985. 1995. et al. 1979.28(3):210-20. 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Jeevanandam M. McClain C. Gatzen C.A redução do hipercatabolismo proteico no trauma cranioencefálico em alimentação enteral independe da oferta adicional de carboidrato Com esses dados. Brain injury and neuroendocrine function. 29. Tsuji K. Participação dos hormônios e citocinas nas alterações metabólicas do trauma. 2000. Inflammatory serum markers in patients with multiple trauma.

awareness. it is established the necessary application of tools for guidance. Motor activity. with hypertrophy as the greatest motivator (52. Food consumption. se faz necessária aplicação de ferramentas de orientação. 49% concluíram o ensino superior e 53% praticavam atividade física entre 1 e 3 anos.05) and interpretation of odds ratio range. Conclusão: Considerando a frequência de utilização dos RE e SA. 1. 3. and the information was performed by gym instructors (34%). Rev Bras Nutr Clin 2012. sendo a hipertrofia o maior motivador. previamente avaliado.8%). Brasil. 700 Alfenas. Brasil. 27 (3): 158-63 158 . 72. Among the prescription sources. 52.R. pôde-se caracterizar o consumo de RE e SA.5% were male. Brasil . Utilizando-se testes de Kruskal Wallis (p<0.Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG). By the Kruskal Wallis test (p<0. Alfenas. Resultados: Dos 204 indivíduos que responderam ao questionário.Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG). descriptive. Foi utilizado um formulário. 52. Utilização de recursos ergogênicos e suplementos alimentares por praticantes de musculação Use of dietary supplements and ergogenic aids by body builders Luciano Bruno de Carvalho-Silva1 Guilherme Gambogi Braga2 Pablo Christiano Barboza Lollo3 Unitermos: Suplementos dietéticos. contendo questões sobre os tipos de produtos ingeridos. MG. with 95% confidence interval (Odds ratio – O.CEP 37130-000 E-mail: luciano@unifal-mg.8% já consumiram algum suplemento. predominou indicações de amigos (40. and nutritional education about their safe and correct use. Key words: Dietary supplements. containing questions on the products ingested. bem como os fatores motivadores e as fontes de indicação.A Artigo Original Carvalho-Silva LB et al. MG. (52.edu. friends’ indications predominated (40.5%). The most consumed RE and SA were creatine and amino acids. Educador Físico. mestre e doutorando em Alimentos e Nutrição pelo DEPAN – FEA – UNICAMP. Consumo de alimentos.8%).8% had already consumed some supplement. ABSTRACT Methods: An epidemiological. Os RE e SA mais consumidos foram creatina e aminoácidos. observational study aiming to verify the consumption of ergogenic resources (RE) and dietary supplements (SA) in bodybuilding practitioners from Alfenas-MG. conscientização e educação nutricional para o uso correto e seguro dos mesmos. transversal. bem como a qualidade das informações. motivating factors and indication sources was used. Atividade motora. frequency of consumption. Aluno de Iniciação Científica do curso de Farmácia . Campinas.5%). 49% had higher education and 53% had practiced some physical activity for a 1 to 3-year period. 72.R.Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) . Endereço para correspondência: Luciano Bruno de Carvalho Silva Rua Gabriel Monteiro da Silva.5% eram do gênero masculino.05) e interpretação de intervalos de razão de chances com intervalo de confiância de 95% (Odds ratio – O. Results: From 204 subjects who answered the questionnaire. 34% relataram ser instrutores/ técnicos das academias. >1). Nutricionista. A previously assessed form.br Submissão 10 de outubro de 2011 Aceito para publicação 2 de fevereiro de 2012 RESUMO Método: Trata-se de um estudo epidemiológico transversal descritivo observacional com o objetivo de verificar o consumo de recursos ergogênicos (RE) e suplementos alimentares (SA) entre praticantes de musculação da cidade de Alfenas-MG. the consumption of RE and SA could be characterized. Brazil. Em relação à obtenção de informações sobre o uso de RE e SA. SP . a frequência de consumo. Brasil.>1). MG. Conclusion: Considering the frequency of the use of RE and SA and the quality of the information. 2. Alfenas. Dentre as fontes de prescrição. doutor em Alimentos e Nutrição pelo Departamento de Alimentos e Nutrição (DEPAN) .Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Professor Adjunto da Faculdade de Nutrição .

Entre os suplementos mais comumente utilizados podemos citar cafeína. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo observacional transversal. Aminofluid. aumento da pressão sanguínea. esperando-se uma taxa de resposta de 80%. sangramento estomacal. desidratação. e a segunda. finalidade e orientação relativos aos RE e SA e anabolizantes. esperando-se frequência de respostas inadequadas na ordem de 5 a 8%. 159 Rev Bras Nutr Clin 2012. etc. além de aumentar o desempenho desportivo. sobre uso. os processos. nível de significância de 5% e correção para pequenas populações. como prevenção de doenças. • A análise quantitativa dos dados foi feita utilizando o programa SPSS (Statistical Package for Social Sciences) para Windows. dentre outros4. bem como seu uso em longo prazo.). versão 11. o valor foi de 230 indivíduos. já submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Alfenas-MG.). etc. descritos no questionário. Para avaliação e classificação dos RE e SA e anabolizantes.). Aminopower. Simple protein. etc). em conjunto com o aumento da oferta e uso indiscriminado de suplementos. A utilização de suplementos deve ser sempre acompanhada de um médico especialista ou profissional competente. carboidratos.Utilização de recursos ergogênicos e suplementos alimentares por praticantes de musculação Introdução São considerados recursos ergogênicos (RE) e suplementos alimentares (SA) as substâncias. Carnitine.3. em uma primeira etapa. a amostra foi aleatorizada e o questionário aplicado. Devido ao crescente estímulo na prática de atividade física. • A2: Hormônio do crescimento (GH) – medicamentos à base de hormônio de crescimento. Massa. há escassez de dados relacionando os reais motivos para sua utilização. vitamina C. Guaraná em pó. como os hormônios de uso veterinário e aqueles que não puderam ser identificados no comércio local (Equipoise. chás verdes e suplementos à base de magnésio e cromo. muitos atletas relataram os benefícios percebidos com o uso de suplemento na saúde a curto prazo. anabolizante protéico. etc. com base em dados primários. assim. • A3: Produtos derivados de hormônios que não se enquadraram nos grupos acima. Anabolizantes • A1: Esteroides Anabólicos Androgênios – medicamentos que funcionam de maneira semelhante ao hormônio (Testosterona. Foi utilizado como critério de inclusão: praticantes de atividade física com frequência igual ou acima de 3 vezes por semana. houve aumento na oferta desses suplementos2. creatina. a popularidade dos RE e SA vem crescendo. conforme se segue. Durateston. com intervalo de quatro dias. Assim. conforme pesquisa prévia no número de matriculados nas academias. com atividade maior que 45 minutos por dia. e como resposta ao mercado crescente de indivíduos interessados no assunto.). sais minerais. Equifort. Decaburabolin. muitas vezes negligenciados pelos usuários. • S2: Produtos compostos por metabólitos de proteínas (L-carnitina. Hemogenin. etc. • S3: Produtos compostos por vitaminas e minerais (Cebion. tanto no meio esportivo como nas academias de ginástica. foi utilizado um formulário com questões sobre o consumo de RE e SA. Whey pro. O uso indiscriminado pode gerar efeitos colaterais. Vit B. botânicos e ervas (Ginseng. ou os procedimentos que podem ou são percebidos como sendo capazes de melhorar o desempenho esportivo1.). Anabol.0. hipóxia.5. whey protein. A utilização de suplementos sem acompanhamento de um especialista tem se tornado bastante comum entre praticantes de atividades físicas. em 2008. objetivou-se descrever o consumo. em 20% da população. 27 (3): 158-63 . utilizou-se a definição de suplemento alimentar de Porter6 e sua divisão em grupos segundo Rocha & Pereira7. pode gerar sintomas como desordem gastrointestinal. O procedimento para obtenção da casuística. O questionário foi previamente testado em dois períodos. minimizando. polivitamínicos. Provit. ou seja. BCAA. tipo/nome. Recursos Ergogênicos e Suplementos Alimentares • S1: Produtos compostos por proteínas e aminoácidos (Whey protein. a utilização de suplementos em altas dosagens. etc. bem como os principais motivadores destes RE e SA entre praticantes de musculação de academias de ginástica da cidade de Alfenas-MG. Natubolic. Creatina. a fim de assegurar dosagens adequadas. não-androgênico e lipolítico. enriquecimento nutricional. Porém. etc. • S4: Produtos compostos por extratos. No entanto. Em segundo momento. melhora da imunidade. Para coleta dos dados. Método Esta pesquisa fez parte do projeto intitulado “Perfil dos Consumidores de Suplementos Alimentares Ergogênicos nas Academias de Ginástica de Alfenas-MG”. Levedo de cerveja. A primeira parte do questionário continha questões sobre identificação/caracterização do indivíduo participante. Apesar dos numerosos estudos sobre o uso de suplemento entre atletas. • S5: Produtos mistos (Megamass. efedrina. Equipost. Considerou-se 1100 indivíduos. foi a divisão percentual do número de indivíduos de cada academia. os riscos dos efeitos colaterais pelo uso ao longo prazo4. Considerando a expansão do número de academias de ginástica. A pesquisa foi composta por praticantes de atividade física da cidade de Alfenas-MG. antioxidantes.).

observou-se predomínio entre 17 e 28 anos. 11.8 Superior 100 49 ≥10 20 9.05.15.61% de utilização de suplementos. Junqueira et al. e encontraram 34% de consumidores de suplementos. essa característica não foi determinante no conhecimento dos participantes sobre RE e SA. corroborando com estudos de Oliveira & Santos 10 e Araújo et al. Realizou-se a análise descritiva e de frequência. que tem como objetivo a hipertrofia. Rocha & Pereira7 pesquisaram 160 indivíduos de 16 academias na cidade do Rio de Janeiro.16 e Araújo & Soares17.2 17-22 90 44. calculou-se a razão de chances (odds ratio – OR).9. Para identificação de suposições de relações causais. de consumir um suplemento como a creatina. Para análise dos dados foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis. Pereira et al. e verificaram 32% faziam uso de suplemento alimentar.Carvalho-Silva LB et al. Observou-se. Verificaram que 66% dos participantes faziam uso de algum tipo de suplemento alimentar. Considerando a idade.5 27 13. A reprodutibilidade do questionário foi verificada por meio do teste de correlação de Spearman. sendo 65% homens.18 avaliaram consumo de suplementos nutricionais por praticantes de atividade física de academias de ginástica de Cascavel – PR. Reis et al. 19 verificaram 50. 27 (3): 158-63 160 .6 35-40 8 4 3 26 12. a forte influência de indivíduos que consomem ou já consumiram algum tipo de RE e SA sobre os participantes da pesquisa (p=0.5 23-28 80 39. No entanto. para comparação das múltiplas variáveis com nível de significância p < 0. com prevalência do gênero masculino (72. maior o consumo de suplementos.4 5 20 9. Foi possível estudar a relação do uso de RE e SA com a frequência (p=0.5%) são do sexo masculino e 23 (21.01). também. Schmitz & Martins13. Em relação ao tempo de prática de musculação.01) e tempo de atividade física (p=0. Resultados e Discussão Obteve-se 204 formulários preenchidos. Porém.15. 49% do total de praticantes de musculação entrevistados. Araújo et al. Tabela 1 – Frequência de participantes segundo o nível de instrução. Tal uso foi maior entre os homens com idade entre 17 e 22 anos e solteiros. Nível de Instrução Idade (anos) Tempo de prática de atividade física regular (anos) n % n % n % Não frequentou escola 2 1 ≤ 16 4 2 0.3 2 33 16. justificando o resultado alto. as chances de um indivíduo.2 1 49 24 Ginásio 14 6.5%). Alfenas. O nível de escolaridade da amostra foi predominantemente de indivíduos com nível superior.8 Total 204 100 204 100 204 100 Rev Bras Nutr Clin 2012. por exemplo.9 29-34 17 8. a utilização de suplementos foi de 75%. As características de gênero. uma vez que muitos efeitos promovidos. em estudo semelhante. semelhante à encontrada por Campos & Capelli12.01). pela amostra ser somente do gênero masculino. nas academias de Goiânia – GO. foi avaliada a chance de um evento ocorrer em um grupo. Resultado semelhante foi obtido por Martins et al.2 Colegial 85 41.1 0. com nível de significância p<0. Esse teste não-paramétrico permitiu a conversão dos dados em pontos. Contudo.25 29 14. Nesse teste.2 Primário 3 1. o uso de RE e SA não está relacionado com escolaridade e atividade remunerada exercida pelos participantes (Tabela 2). 84 (78. não eram de conhecimento ou foram negligenciadas pelos avaliados.11 pesquisaram uma amostra somente masculina. Entre os 107 (52. em 7 academias de ginástica da cidade de São Paulo – SP . houve predomínio de 1 e 3 anos (Tabela 1).5%) feminino. que avaliaram o uso de suplementos alimentares nutricionais por praticantes de treinamento de força de uma academia de Nova Iguaçu – RJ. idade e tempo de prática de atividade física. Essa predominância também foi descrita por Pereira et al. Lopes et al. No estudo de Kantikas14. MG. quando analisadas pelo teste de Kruskal-Wallis.11 e Kantikas14. Nesse estudo foram entrevistados 29 indivíduos.04d. por ser uma medida adequada a estudos transversais8. em 8 academias de musculação de Petrópolis – RJ. idade e estado civil relacionaram-se significativamente com o uso de RE e SA. onde a procura pelos produtos é maior. Com isso pôde-se inferir que.05. o tempo de frequência de mais de dois anos atingiu o maior percentual. Araújo et al. quanto maior a frequência (vezes na semana) e tempo (meses) de prática de atividade física. relataram o consumo por 23. Para tais cálculos utilizou-se o software Epi Info versão 6.8 ≥ 41 5 2. Na pesquisa de Oliveira & Santos10.9% dos entrevistados. bem como a forma de utilização e a orientação correta para o uso.4%) participantes que consomem pelo menos um suplemento.

6-7.7-275.6 Total 204 100 242 100 158 100 Rev Bras Nutr Clin 2012.5 (0.0 (0. destacou-se o consumo de aminoácidos e creatina (Tabela 3).6 (0.9 (2.0)* .1 Carnitina 11 4.2 Creatina 68 28.Creatina 4.Médica 1.Carnitina 34.15.Gênero 0.6)* Tabela 3 – Distribuição dos participantes segundo o número de suplementos consumido.8) .Idade 0.3)* .Estado civil 0. com o propósito de avaliar o consumo de RE e SA em academias de outras regiões.5 Queimar gordura 20 12.0-0.1)* .2 (0. 27 (3): 158-63 161 .6 Melhorar a saúde 16 10.5 (0.Creatina 0.3)* .6 Outros 35 14.8 (0. Variáveis de Estudo Existência de probabilidade de utilização de RE e SA (p<0.2) 2.05*. pôde-se notar que.2)* .2 (0.0 (0.Aminoácido 1.Musculação 8.06 .Condicionamento físico 0.02* . Julgando-se relevante. Tabela 4 – Razão de chance ou probabilidade de um evento ocorrer em um grupo específico dentro de um intervalo de confiança de 95%.Vitaminas 0. a mais citada foi a do grupo de amigos. pode-se concluir que a modalidade musculação tem uma maior probabilidade de consumo de RE e SA se comparada às outras modalidades.05*) .3 (0.01* de física regular (meses) Entre as fontes de prescrição ou recomendação de RE e SA.Vitaminas Nula Hipertrofia muscular com: .1-10.Outras modalidades 1.8-16. bem como os que consomem aminoácidos e creatina buscam a hipertrofia muscular. Variáveis Razão de chance de acontecimento (intervalo de confiança 95%) O.9) .Utilização de recursos ergogênicos e suplementos alimentares por praticantes de musculação Tabela 2 – Teste de hipóteses ou probabilidade entre a utilização de RE e SA e as diferentes variáveis de estudo.R. quanto mais recente a pesquisa. têm-se maior probabilidade de acontecimento.22.4-3.1 (0.86 .5 Não consomem 97 47. Teste de odds ratio. rejeita-se a hipótese nula.6 (0.21. conforme apresentado na Tabela 4.1-0.1)* Objetivos atingidos (efeitos desejado) com: .4-12.8 Vitaminas 49 20.6-11.2 (0. pôde-se notar que o objetivo dos entrevistados foi fortemente influenciado por esse apelo.5 Outro(s) 1 0. Considerando o apelo comercial de cada suplemento como “queima de gordura” ou “aumento de massa muscular”. maior é o número relativo de indivíduos que utilizam algum tipo de RE e SA.Mídia 0.Carnitina 0.Nutricionista .0 (1.3 (0.2-1.Amigos 1. bem como de outras atividades físicas. >1 Utilização de RE e SA com: .Aminoácido 4.01* vezes na semana) .2)* . indivíduos que consomem carnitina buscam queima de gordura.7 (5.5-3. Para valores de p inferior a 0.8) Indicação de esteroides anabolizantes com: . com base nos resultados obtidos.7-32.18-20.Aminoácido 5.3 (1.Aminoácido Nula .3 Aminoácidos 79 32.Atividade remunerada 0.8-7.4-2.7 Consumo de 2 31 15.Escolaridade 0.Carnitina 2. A prática da musculação.Carnitina Nula .Creatina 2.1)* .8)* .Conhece alguma pessoa que 0. Para valores maiores que 1.1 (0.3 Hipertrofia muscular 83 52.3-1.1) .3 (0.2 Consumo de 4 ou mais 18 8. Nessa tabela.0-15. Consumo de RE e AS Tipo de produto Fatores motivadores n % n % n % Consumo de 1 35 17. Em diversos trabalhos.Frequência de atividade (nº 0.Natação 0. Esses dados corroboram com a literatura15.19.1 (1.30 . a partir do teste de Kruskal-Wallis.1-15. também foram encontrados relatos desses produtos10.8)* Queima de gordura com: .Vitaminas 1. a partir da literatura pertinente.16. relacionou-se ao consumo de RE e AS.1)* .8)* .3-4. Nesse contexto.Creatina 1.Instrutor/técnico 1.3-2.1 Melhorar a performance esportiva 38 24 Consumo de 3 23 11.4) .18.1-3.0 -0. Quanto aos tipos de produtos mais utilizados.3-2.5) . tipos e os fatores motivadores para o consumo dos mesmos.Vitaminas Nula Utilização de esteroides com: . seguida por instrutor/técnico responsável pela academia e nutricionista.9)* .6)* .5 (0.Ginástica 0.2 (0.01* consome RE e SA .42 .Tempo de prática de ativida0.

6%).2 Saúde 18 Há 6 meses 12 11.18. 40.5 Razoável 43 40. seguida de 29.1 Mídia especializada 37 16. Em relação à qualidade da informação recebida sobre os RE e SA consumidos. Segundo Pereira et al.3 1.6%).7 Total 179 100 107 100 229 100 Tabela 6 – Distribuição dos participantes segundo as questões pertinentes à utilização de RE e SA. Mas a respeito da aquisição dessas informações.15.8 Indicação médica 2 Há 1 ano ou mais 23 21.5%.6 Médico 5 2.3 1.6 Conversa com amigos 71 31 Instrutor da academia 50 28 Pouca 20 18.11 encontraram baixo número de usuários de anabolizantes (9%). Quando questionados em relação à satisfação do uso. tipo e forma de aquisição de informações recebidas.8 Nenhuma 6 5. corroborando com Lopes et al.5% relataram ser devido à estética.7 Instrutores/técnicos 78 34 Propagandas 35 19.5% melhora do desempenho esportivo.5 1 ano 16 15 Indicação por amigos 29 2 anos 4 3.4 15 dias 2 1. a distribuição da frequência de consumo de suplementos mostra que 90. corroborando com os dados encontrados. sendo que a maioria frequenta a academia há mais de 3 anos (66. entretanto pode-se observar tendência dos indivíduos com idade entre 18 e 26 anos (75%) e nível médio de escolaridade (69%) serem os maiores usuários. sem acompanhamento adequado e sem maiores correlações com a alimentação ou com a intensidade e frequência do treinamento21.20 relataram que. A distribuição da frequência de consumo de RE e SA apresentados na Tabela 6 evidencia que 36 (35. Quanto ao tempo de utilização dos RE e SA. Utilização de suplementos alimentares e recursos ergogênicos Há quanto tempo começou a utilizar? Uso contínuo (sem interrupções) Motivação n % n % n Consumo atual 38 35.5%) das menções de uso referiram ao consumo atual de algum tipo de suplemento. 36. Porém. Dentre os principais motivos que levaram os participantes a utilizarem os RE e SA.2 100 162 .1% dos indivíduos participantes da pesquisa disseram ser razoável.5 11. Em academias de musculação de Belo Horizonte – MG. Domingues & Martins21 e Araújo et al.9 Outra(s) 4 1. em estudo semelhante. O consumo tem se caracterizado pela autoprescrição. Araújo et al.1 Rótulo/Bula 18 7. pode-se observar que 29% dos indivíduos participantes fizeram o uso mensal dos mesmos. no que diz respeito ao alcance dos objetivos esperados. a frequência de indivíduos que ingerem algum tipo de suplemento alimentar de forma contínua é de 47. Não foram observadas relações significativas entre as fontes de indicação e o uso de anabolizantes. Tabela 5 – Distribuição de relatos de consumo de RE e SA segundo fonte de indicação.7 Outras 2 3 anos ou mais 9 8. devido aos impedimentos legais.6 Médico 6 2.1% relataram consumo semanal.6%).2 18. Fonte de indicação Informações recebidas Forma de aquisição n % n % n % Por amigos 73 40. 27 (3): 158-63 % 31. Já Inácio et al. observou-se relação significativa entre a utilização de anabolizantes e o consumo de aminoácidos.5% esporádica e 23% em ciclos. seguido de 31.5 36.6 Outro(s) 2 1.9 Desempenho esportivo 50 Há 1 mês 16 15 1 mês 31 29 Estética 58 Há 3 meses 18 17 3 meses 27 25.8% quinzenal e 0. somente 14% revelaram o uso de anabolizantes. apresentando idade entre 18 e 25 anos (66. 1.3% das menções de uso referiram consumo diário. apenas 7.9% consumo raro.2 Nutricionistas 14 7.4 Total 107 100 107 100 159 Rev Bras Nutr Clin 2012. a maioria dos participantes relatou ser de instrutor/ técnico da academia e de conversas com amigos (Tabela 5). Domingues & Marins21 relataram que 85% admitiram já ter feito ou conhecer alguém que já tenha usado esteroides anabólicos androgênicos e que apenas 15% afirmaram não ter feito ou desconhecer alguém que tenha feito uso de anabolizantes.8 Muita 32 30 Nutricionista 15 6. os entrevistados relataram que não atingiram suas metas com o uso de RE e SA. A frequência de uso de anabolizantes entre os indivíduos participantes da pesquisa foi baixa se comparada à literatura científica encontrada (33.Carvalho-Silva LB et al.1 6 meses 18 16.11.8 Excelente 6 5.

Maestá N. performance. Consumo de suplementos nutricionais por praticantes de exercícios físicos em academias. Elmore JG. 18. 9. Sakzenian VM. side effects. and status in sports. 6. Schmitz A. Levantamento do uso de anabolizantes e suplementos nutricionais em academias de musculação. Aoki MS. Avaliação do uso de suplementos nutricionais por frequentadores de academias de ginástica em Curitiba. aumento de colesterol.16(3):265-72. Martins IS. 11. 2002. nos estágios de vida entre 17 e 28 anos. por parte dos usuários.11(4):79. 8. et al. Dietary supplement: recent chronology and legislation. O consumo sem orientação adequada pode levar a problemas de hipertensão. Burini RC. Hirschbruch MD. MG.MG. Felicetti CR. Rev Nutr da PUCCAMP. O consumo de proteína isolada da soja por praticantes de musculação. Brasil. Rev Bras Cienc Mov. 14. Mariotto TC. Rev Movimento & Percepção. 17.25(Suppl 1):S103-13. Barros ARD. bioestatística e medicina preventiva. Williams AG. 1998. de informações qualitativas e quantitativas de utilização dos produtos disponíveis. Local de realização do trabalho: Universidade Federal de Alfenas.1(1):81-8.9(13):287-99. O uso de recursos ergogênicos nutricionais e o consumo alimentar de praticantes de treinamento de força de uma academia de Nova Iguaçu – RJ. Reis MGA. 2007. Jekel JF. 7. Collins R.2007.35(2):109-13. Utilização de suplemento alimentar e anabolizante por praticantes de musculação nas academias de Goiânia-GO.6(4):218-226. Silva MS. Oliveira AAA. 19. Geyer H. J Int Soc Sports Nutr. Bacurau RFP. Manzoni M. 27 (3): 158-63 163 . Tokish JM. Consumo de suplementos nutricionais por praticantes de atividade física de academias de ginástica de Cascavel PR. 2003. Suplementos alimentares mais utilizados por jovens praticantes de musculação em Florianópolis/SC. Costa CER. Observou-se que o uso de RE e SA é contínuo. Soares YNG. Lajolo FM. Katz DL. bem como o número de produtos existentes com apelo de benefícios à prática esportiva. Rev Bras Ciênc Mov. Hawkins RJ. alteração de função renal.11(4):72. 1995. Pará. Nutrição em Pauta. Taylor L. Rev Bras Ciênc Mov. instrutores. 3. Pereira RF. Pôde-se observar que grande parte dos entrevistados utilizava RE e SA sem o conhecimento prévio dos principais mecanismos de ação e. (Apresentação de Trabalho/Congresso). Alfenas. Muitos desses produtos apresentam informações insuficientes em relação à eficácia e à segurança do uso contínuo. Campos E. Almada AL. Rev Bras Nutr Clin 2012. Franco C.32(6):1543-53. Wilborn CD. 10. Is glucose/ amino acid supplementation after exercise an aid to strength training? Br J Sports Med. Martins M. International Association of Athletics Federations. Rev Educ Fís Cidade de São Paulo.10(5).15(85):57-63. Rogatto G. The use of dietary supplements by athletes. Junqueira JM. Rev Nutr. 2008.53(2):31-6. foi possível constatar que são razoáveis e que as fontes de informações predominantes foram amigos.Brasil. Porto Alegre:Artmed. Referências 1. sobretudo.MT . Rio de Janeiro. 2006. É cada vez mais crescente a utilização de RE e SA no meio desportivo. Epidemiologia. 2003. Loureiro HMS. Nutrition Reviews. Nutr Bras. Araújo LR. de nível superior. Uso de suplementos nutricionais e conhecimentos dietéticos de frequentadores de academias de Botucatu/SP. Rocha LP. 5. hepática e alterações de caráter comportamental. Campbell B. Kantikas MGL. 2007.12(1):81-9. 2001. Sharma A.2005. Capelli JCS. 2004. com alta aderência ao treinamento de musculação. Guedes M. 2001. Rev Bras Ciênc Mov. Granjeiro PA. Perfil de utilização de repositores protéicos nas academias de Belém. vendedores e internet. van den Oord M. Utilização de recursos ergogênicos e suplementos alimentares por praticantes de musculação em Belo Horizonte . Santos PS. ISSN exercise & sport nutrition review: research & recommendations. O uso de recursos ergogênicos para hipertrofia muscular em praticantes de treinamento de força em uma academia do município de Mesquita/Rio de Janeiro. 2004. Os produtos mais consumidos são os aminoácidos e/ou produtos protéicos e creatina. Eckert RG. Capelli J. 2008. 2003. 20. Além disso. Nutr Bras. bem como qualificação das fontes de informação. 2. dos possíveis efeitos adversos do uso contínuo. 1999. 15. Rev Bras Med Esporte. Consumo de suplementos alimentares em homens jovens praticantes de musculação em academias de Cuiabá .MG.Utilização de recursos ergogênicos e suplementos alimentares por praticantes de musculação Conclusão Quanto à utilização de RE e SA em praticantes de musculação de Alfenas . Ergogenic aids: a review of basic science. 2007.7:7. 2010. há grande carência. Maughan RJ. Kreider RB. Depiesse F.5(5):257. et al. Costa H. Avaliação do uso de suplementos nutricionais à base de soro bovino pelos praticantes de musculação em academias da cidade de Curitiba – PR [Dissertação de Mestrado] Curitiba: Universidade Federal do Paraná. Vieira JL. Araújo ACM. 2006. Pereira MVL. conclui-se que há prevalência do gênero masculino.14(4):270. Andreolo J. Jones DA. 16. Suplementação nutricional para indivíduos fisicamente ativos. 12. Lopes AC. Rev Nutr. consumido com o intuito de obter melhorias estéticas. Porter DV. 21. J Sports Sci. Martins JCB. Consumo de suplementos por alunos de academias de ginástica em São Paulo. Campos EJE. 2007. Quanto ao nível de conhecimento da amostra. Inácio FR. 22.10(3):13-8. Fit Performance Journal. 13. Domingues SF.11(1):76-82. 4. Kocher MS.6(4):217-21. Am J Sports Med.

NOVAFAPI. Piauí Juliane Barroso Leal1 Kalyna Alves Peres1 Vania Marisa da Silva Vasconcelos2 Andréa Fernanda Lopes dos Santos3 Nayana de Jesus Vilhena Teive Xavier4 Norma Sueli Marques da Costa Alberto5 Luciana Maria Ribeiro Pereira6 RESUMO Introdução: A atividade física na terceira idade reduz o risco de quedas. Mestre em Vigilância em Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouva (FIOCRUZ). A quantificação do conteúdo de cálcio dos alimentos registrados foi realizada pelo Software DietPRO versão 5. totalizando uma média de 240. Acadêmicas do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde.com Submissão 6 de dezembro de 2011 Aceito para publicação 18 de fevereiro de 2012 1. pois mantem a flexibilidade das articulações e a força.NOVAFAPI. Brasil.1i. docente do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde. because it maintains the flexibility of the joints and the strength. 4. Brasil. 5.A Artigo Original Leal JB et al. Brasil. Exercício.NOVAFAPI. making it necessary in the elderly due to the predisposition of their own age in developing deficiencies. docente do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde. Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí. 27 (3): 164-9 164 . Consumo de cálcio dietético por idosos praticantes de atividade física em uma academia de Teresina.93 mg/day) of which the elderly male (208. 2.NOVAFAPI. 492 . Resultado: Os dados de consumo foram comparados com as recomendações preconizadas pela Ingestão Diária Recomendada. Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí.PI). Brasil. Piauí Dietary calcium intake by physical activity practitioners elderly in an academy of Teresina. PI. A saúde da pessoa idosa necessita de nutrientes que. Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí. tornando-se necessária nos idosos devido à predisposição da própria idade em desenvolver deficiências. Teresina. ABSTRACT Introduction: The physical activity in the third age reduces the risk of falls. habits and physical activity. when the person is more subject to the stiffening of the muscles and joints. PI. Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí.54 mg/dia para ambos os sexos.E-mail: kalynaperes@ hotmail. por meio de um questionário estruturado sobre condições socioeconômicas. Especialista em Nutrição em Atividade Física e Bases Nutricionais pela Universidade Veiga de Almeida (UVA-RJ). Mestre em Ciências e Saúde pela Universidade Federal Piauí (UFPI.CEP 64016-220 . The relaxation exercises and stretching are also important during aging. docente do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde. docente do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde.15 mg/dia). Brasil. PI. PI. PI.Teresina. Método: Neste estudo foram entrevistados 16 (dezesseis) idosos de ambos os sexos. Teresina. reaching values lower than the recommended by the literature.1I . 6. muitas vezes. Mestre em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP-SP). A média do consumo dos alimentos fontes de cálcio na dieta dos idosos do sexo feminino foi maior (272. Such consumption reflects a condition that affects the bone mass for both genders. Unitermos: Idoso. Esta pesquisa objetivou estimar o consumo de cálcio dietético por idosos que praticam atividade física em uma academia de Teresina-PI. Key words: Aged.Monte Castelo . practitioners of physical activity. praticantes de atividade física. Teresina. Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí. quando a pessoa está mais sujeita ao enrijecimento dos músculos e das articulações. hábitos e atividade física. e um Questionário de Frequência Alimentar. The average intake of the food sources of calcium in the diet of the elderly female patients was higher (272. Calcium. Teresina. totaling an average of 240. no mês de setembro de 2011. For the quantification of the calcium content of foods recorded was performed by the Software DietPRO version 5. balance and coordination muscular. Cálcio. in the month of September 2011. This study aimed to estimate the intake of dietary calcium in the elderly who practice physical activity in an academy of TeresinaPI.93 mg/dia) do que dos idosos do sexo masculino (208. Tal consumo reflete uma condição que compromete a massa óssea para ambos os sexos. Results: Consumption data were compared with the recommendations proposed by Recommended Daily Intake of 1200 mg/day. Brasil . que é de 1200 mg/dia. Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí. Brasil. The health of elderly person needs a nutrient that often is obtained by the ingestion of foods that contain.NOVAFAPI. Teresina. Exercise. especially of calcium.54 mg/day for both sexes. Endereço para correspondência: Kalyna Alves Peres Rua Ary Barroso. o equilíbrio e a coordenação muscular. principalmente de cálcio. Rev Bras Nutr Clin 2012. by means of a structured questionnaire on socioeconomic conditions.Infantil pela Universidade Federal Piauí (UFPI. Teresina.NOVAFAPI.15 mg/day). Os exercícios de relaxamento e de alongamento também são importantes durante o envelhecimento. são obtidos através da ingestão de alimentos que os contêm. PI. Especialista em Nutrição Materno. atingindo valores inferiores ao recomendado pela literatura. and a Food Frequency Questionnaire. Methods: In this study were interviewed 16 (sixteen) elderly of both genders. 3. docente do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde. PI.PI).

acerca do consumo de cálcio dietético por idosos praticantes de atividade física em uma academia. à sociedade e ao estado garantir o direito à cidadania. a qual disponibiliza de musculação. especialmente na saúde óssea. ginástica aeróbica e pilates como modalidades de exercício físico especializados para idosos. A perda de proteína e de cálcio abre espaços no tecido ósseo e os ossos mais porosos quebram-se com maior facilidade.4% nos últimos 10 anos. Em Teresina. o mesmo é considerado como um ser excluído. independente da modalidade de 165 Rev Bras Nutr Clin 2012. vários processos crônicos são envolvidos. cabendo à família. Como consequência desse envelhecimento. vitamina D e vitamina K associada à menor quantidade de alimentos fontes de proteínas. O cálcio é um elemento fundamental ao organismo. que tem como uma das consequências o aumento gradual de nossas limitações em função da degeneração orgânica e fisiológica que acomete todos os indivíduos que envelhecem1. Além disso. diversas pesquisas têm sido propostas para explicar o processo do envelhecimento.1% do total da população4. onde alterações nos parâmetros antropométricos e fisiológicos propiciam um incremento no percentual de gordura. principalmente de cálcio. genéticos e aos índices de atividade física. principalmente do trabalho. bem-estar. ocorre aumento no índice de sedentarismo a partir da adolescência. manutenção da estrutura e rigidez do esqueleto8. no estado do Piauí. Devido a esse fator é aconselhado que. segundo a Fundação Municipal de Saúde. Embora a importância da prática de atividade física regular no dia-a-dia das pessoas seja reconhecida. É importante afirmar que essas perdas ocorrem devido aos fatores nutricionais. em 2050. A saúde da pessoa idosa necessita de nutrientes que muitas vezes são obtidos por meio da ingestão de alimentos que os contêm. A alimentação usual deve ter uma grande quantidade de alimentos fontes de cálcio. é considerado idoso a pessoa com a idade igual ou maior de 60 anos. nas academias. ativo e em boa forma12. Apesar de existir uma política de atenção ao idoso. dignidade. diminuição da massa muscular e densidade mineral óssea5. com mais de 80 anos de idade)3. redução da eficiência cardiovascular. garantia de participação na comunidade e o direito à vida. onde estão matriculados. devido à perda de sua capacidade funcional provocada pelo envelhecimento natural. sendo esperado que este número seja novamente triplicado nos próximos 50 anos. Em virtude do exposto. No estatuto do idoso. quando a pessoa está mais sujeita ao enrijecimento dos músculos e das articulações. sendo percebido desde a antiguidade como um processo degenerativo oposto a qualquer progresso ou desenvolvimento. 25 idosos. Outra característica do processo de envelhecimento é a perda da massa mineral óssea. pois mantém a flexibilidade das articulações e a força. MÉTODO Este é um estudo de campo. praticantes de atividade física. com a menor produção de estrogênio. em média. Estima-se que. 27 (3): 164-9 . esse processo se acelera após a menopausa. hormonais. Nessa perspectiva. quando existiam no Estado 307 mil pessoas com idade acima de 60 anos. A nutrição pode prevenir ou minimizar o desenvolvimento da osteoporose por meio do consumo adequado de nutrientes durante o ciclo vital. em seu artigo 2°. A ingestão recomendada de cálcio para pessoas acima de 60 anos é de 1200 mg/dia. desde a formação. exista a presença de um profissional de nutrição. a Política Nacional do Idoso (PNI) garante os direitos sociais do idoso. podendo ser objeto de interesse a toda sociedade. A atividade física na terceira idade reduz o risco de quedas. a maioria delas mantém um modo de vida sedentário e isso é responsável por aproximadamente 30% das mortes por doenças do coração11. o número de pessoas idosas triplicou nos últimos 50 anos. Há pesquisas que demonstram que exercícios de força (com cargas de peso) levam ao aumento da densidade óssea. Neste estudo foram entrevistados 16 (dezesseis) idosos de ambos os sexos. propiciando condições para promover sua autonomia e maior integração na sociedade2. Sua importância na alimentação está relacionada às funções que desempenha na mineralização óssea. uma em cada cinco pessoas fará parte da população idosa e uma em cada cinco pessoas fará parte da população muito idosa (isto é. Esse número representa 10. Piauí INTRODUÇÃO Atualmente. fosfatos e sódio10. tanto para homens quanto para mulheres9. o envelhecimento é definido como um processo que diz respeito a toda população. tanto em homens quanto em mulheres. este sendo produzido endogenamente e somente é adquirido através da ingestão diária de alimentos que o contêm. do tipo descritivo e quantitativo. terminando com um rótulo de idoso como sendo menos capaz6. Devido ao aumento da longevidade. tornando-se necessários nos idosos devido à predisposição da própria idade em desenvolver deficiências. no mínimo duas vezes na semana.Consumo de cálcio dietético por idosos praticantes de atividade física em uma academia de Teresina. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento tem como base o ano de 2006. a prática de exercícios ajudará o idoso a manter-se flexível. esta pesquisa objetivou estimar o consumo de cálcio dietético por idosos que praticam atividade física em uma academia de Teresina-PI. o equilíbrio e a coordenação muscular. Na mulher. e não se deve apenas pelo envelhecimento do indivíduo7. porém não há informações do quanto a ingestão de cálcio afetaria essa massa13. pois a partir de um acompanhamento nutricional especializado essas carências serão possivelmente evitadas. Os exercícios de relaxamento e de alongamento também são importantes durante o envelhecimento. a população de idosos no Piauí aumentou 2. Em seu artigo 3°.

adultos e idosos. onde foi realizado o estudo.60%). possuindo este uma baixa quantidade de cálcio em seus alimentos. Diferentemente do achocolatado e da lentilha. e um Questionário de Frequência Alimentar (QFA). Analisando a frequência semanal de musculação. a determinação foi feita multiplicando-se o tamanho da porção pelo número de vezes consumido na semana.50%). Na análise estatística. exercício e com idade entre 60-80 anos. Como se observa na Figura 2.15. queijo e vegetais verdes. retirando-se 15 (quinze) e acrescentando-se 7 (sete) itens de alimentos. em que os autores tiveram como objetivo desenvolver um modelo de questionário de frequência alimentar para avaliar o consumo dietético na população em geral. que é realizada por todos os idosos (100%). que são os alimentos menos citados pelos idosos. os dados foram tabulados através do Microsoft Office Excell 2007. sendo o leite e o ovo consumido por todos os idosos.93 mg/dia) do que a dos idosos do sexo masculino (208. é possível observar que os alimentos mais consumidos são: leite.15 mg/dia). vê-se que a média do consumo dos alimentos fontes de cálcio na dieta dos idosos do sexo feminino é maior (272. Porém. ovos. enquanto que o grupo dos açúcares foi o de menor consumo (5. 2002) que é de 1200 mg/dia. conforme Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde. de ambos os sexos. Segundo demonstra a Figura 3. recrutados por toda a Grécia. Após a adaptação. adequando o instrumento à realidade local14. os sujeitos participantes receberam todos os esclarecimentos sobre os objetivos e forma de aplicação desta pesquisa e. entre elas a musculação. a praticam durante 5 (cinco) vezes na semana (Figura 4). incluindo crianças. e entre os que consomem.54 mg/dia para ambos os sexos. A maioria dos idosos entrevistados afirma frequentar academia há mais de 10 anos. com média de 240. Teresina (PI).80%). Após aprovação do projeto pelo Comitê de Ética da Faculdade NOVAFAPI. isso quando os alimentos foram consumidos durante 7 (sete) dias da semana. quando os alimentos não foram consumidos regularmente durante a semana. observa-se que os idosos. assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Tal consumo reflete uma condição que compromete a massa óssea de ambos os sexos. processo CAAE nº 0498. 27 (3): 164-9 166 . para os idosos de ambos os sexos. possuindo várias unidades. Percebeu-se que entre os alimentos mais consumidos encontram-se diferentes grupos alimentares. verifica-se que mais da metade dos idosos não consome suplemento alimentar (66%). e foram apresentados por meio de gráficos e tabelas. sendo a Unidade Wellness mais especializada para idosos.15% (em ambos) dos entrevistados relataram não consumi-los (Figura 1). Os autores utilizaram como amostra um total de 1001 indivíduos.Leal JB et al. além de fornecer também caminhada. Considerando-se que alguns alimentos contidos nesse questionário não são usualmente consumidos por nossa população. futebol. em sua maioria (53%).1. Figura 1 . Rev Bras Nutr Clin 2012. pilates.043. foi feita uma adaptação desse questionário por outro autor. dividindo-se o total por 7 (sete) dias. hidroginástica e capoterapia (Tabela 1). ao aceitarem participar. A academia na qual a pesquisa foi realizada disponibiliza de várias modalidades de atividade física para idosos. Os idosos foram investigados por meio de um questionário estruturado sobre condições socioeconômicas e atividade física. sendo seguido pelo grupo das massas e cereais (18. sendo possível adesão de dezesseis. A determinação do cálcio foi obtida mediante o emprego do QFA validado. dentre os vinte e cinco matriculados na academia. A quantificação dos alimentos contidos nesse questionário foi feita multiplicando-se a quantidade pelo número de vezes consumido durante o dia. Como demonstra a Figura 5. é referência para a população idosa de Teresina (PI).Consumo de alimentos fontes de cálcio por idosos. A quantificação do conteúdo de cálcio dos alimentos registrados foi realizada pelo Software DietPRO versão 5. pois 12. RESULTADOS Do ponto de vista qualitativo da alimentação dos idosos. o questionário apresentou um total de 22 (vinte e dois) alimentos fontes de cálcio. o grupo do leite e derivados teve grande consumo de seus alimentos pelos idosos (49.1i e os dados de consumo foram comparados com as recomendações preconizadas pela Ingestão Diária Recomendada (IDR. A Academia Eugênio Fortes.000-10. no mês de setembro de 2011. atingindo valores inferiores ao recomendado pela literatura (1200 mg/dia). este é preferencialmente o Oscal D (28%). 2011.

53 idosos.75% do sexo masculino. os mariscos e as leguminosas (feijão. O iogurte e o queijo também são boas fontes de cálcio. porém a quantidade e biodisponibilidade do cálcio nesses alimentos é menor quando comparadas ao leite e seus derivados17. DISCUSSÃO A população do estudo incluiu 16 idosos. Tipo de atividade física Quantidade de idosos % de idosos que praticam Musculação 16 100% Caminhada 5 32% Pilates 3 19% Hidroginástica 2 12% Capoterapia 1 6% Futebol 1 6% Figura 4 . que residem em instituições geriátricas na cidade de Fortaleza. Mas. No início de nossas vidas. Em um estudo realizado com 152 idosos. é preciso encontrar outras fontes que nos supram da necessidade deste mineral. 2011. A média de idade para ambos os sexos foi de 70 anos. As verduras verde-escuras. Teresina (PI).Consumo diário de cálcio por sexo. com o aumento da idade. A gema do ovo. 2011. O cálcio contido no leite e em seus derivados é melhor aproveitado do que o contido nos vegetais. destes 93% apresentaram consumo inadequado desse mineral. e é importante notar que há pouca diferença na quantidade de cálcio quando comparados aos integrais. são fontes alternativas de cálcio.25% do sexo feminino e 18. 167 Figura 3 . Teresina (PI). frequentadores assíduos de uma academia de ginástica. Outro estudo. ele representa 72% do cálcio total ingerido. 2011. Tabela 1 – Modalidades esportivas praticadas pelos idosos. sendo 81.PI. na faixa etária de 60 a 80 anos. o valor de cálcio encontrado foi de 606. No estudo realizado com 550 participantes. A ingestão de quatro copos (de 240 ml) de leite é suficiente para atingir as recomendações para indivíduos acima de 50 anos. de ambos os gêneros. em Teresina. 2011.99 mg/dia18.Frequência semanal de musculação como modalidade de atividade física por idosos. Rev Bras Nutr Clin 2012. grão-de-bico e lentilha) também são fontes de cálcio16.CE. Teresina (PI).8 mg19. realizado no município Cascavel.Consumo de cálcio dietético por idosos praticantes de atividade física em uma academia de Teresina. 2011. Teresina (PI). A principal fonte alimentar de cálcio para a maioria das pessoas é o leite de vaca e seus derivados.Consumo de suplemento de cálcio. com idade média de 66 anos. Piauí Figura 2 . Teresina (PI). os desnatados apresentam quantidade um pouco maior. Figura 5 . Nos Estados Unidos. Os alimentos com gordura reduzida são normalmente recomendados.PR. 27 (3): 164-9 . como brócolis e couve-flor. encontrou consumo médio de 455. com idade maior de 60 anos. temos o leite materno como única e principal fonte de cálcio.Quantidade média dos alimentos fontes de cálcio por grupos alimentares. 98% apresentaram consumo inadequado20.

Analisando esses estudos realizados no país. encontrando uma média de 240. dependendo do suplemento.54 mg/dia para ambos os sexos. a velocidade. no presente estudo. 27 (3): 164-9 . houve consumo médio de cálcio menor que 70% da recomendação. surge como um elemento capaz de proporcionar ao idoso as condições de vida ideais para sua plena autonomia funcional e um envelhecimento com qualidade de vida. adaptando os exercícios às condições físicas de cada praticante22. constatou-se que todos os idosos praticavam musculação. exercícios aeróbios. vindo apoiar os achados do presente estudo. em indivíduos com doenças que envolvam o metabolismo ósseo. livrando-se das angústias. doença respiratória crônica e distúrbios mentais. superação de limites físicos. influencia a eficácia da absorção desse mineral. principalmente os exercícios de alta intensidade (futebol. 90% dos entrevistados ingerem 1/3 (400 mg) do valor preconizado de cálcio pela IDR. um programa de exercício leva à diminuição de 25% nos casos de doenças cardiovasculares. Enquanto que o uso de suplemento de cálcio chegou a ser relatado por 34% dos idosos. entre os anos de 2005 a 2011. corridas de velocidade. onde nenhum idoso relatou consumir diariamente a quantidade de cálcio recomendada. ou com a utilização de suplementos17. Porém. contribua para a redução da perda de massa mineral óssea. ao contrário do sedentarismo. a atividade física. No presente estudo. talvez o mais relevante seja o fato que reduz de 30% para 10% o número de indivíduos sem capacidade de cuidar de si mesmo.Leal JB et al. como a prática regular de atividade física e o consumo adequado de alimentos fontes de cálcio. sendo este um fator apontado como preventivo para a osteoporose. consumo de alimentos fortificados com cálcio. A atividade física pode também exercer efeitos no convívio social do indivíduo. CONCLUSÃO De acordo com os dados adquiridos através da aplicação do Questionário de Frequência Alimentar. O uso de suplemento de cálcio foi referido por apenas 6% dos indivíduos19. característica do processo de envelhecimento. Segundo os resultados de pesquisas. almejando a prevenção da osteoporose e suas consequências deletérias. a habilidade para adaptar a baixa ingestão crônica de cálcio foi insuficiente para proteger os ossos na maioria dos indivíduos25. quanto no familiar. a duração e a frequência dos exercícios. a ingestão de cálcio através de alimentos ricos neste nutriente foi. torna-se necessário um programa de educação nutricional para garantir um consumo adequado de alimentos ricos em cálcio. quanto maior o fracionamento da suplementação durante o dia. estudos demonstram que. A maioria apresentou resultados considerados muito eficientes. como lipídios circulantes. sobre o consumo de cálcio em idosos. Adicionalmente. na alergia alimentar. já observada neste estudo. sem contar o papel fundamental para promover a facilitação da adaptação a aposentadoria24. Observa-se que doses acima de 500 mg por dia podem diminuir a eficiência da absorção. além de contribuir para a socialização nesta faixa etária. a suplementação desse nutriente pode ser necessária em indivíduos que restringem ou eliminam o leite e seus derivados da dieta. O estado do cálcio do indivíduo. podemos enfatizar os exercícios físicos de alta intensidade. entre outros. levando em consideração que esse mineral é imprescindível para a manutenção da saúde óssea entre outros mecanismos corpóreos. de 1/5 (240 mg) do valor recomendado pela IDR. No estudo em questão. existem algumas situações em que a alimentação não será uma fonte suficiente de cálcio. tanto no ambiente de trabalho. Embora os indivíduos devam ser encorajados a ingerir o cálcio através da dieta. Para isso. determinado pela ingestão habitual de cálcio. apesar desses dados. musculação) mostraram-se eficazes na melhoria da composição óssea e também de outros fatores. Em síntese fica evidente que embora o envelhecimento seja um fato natural. Todavia. ocupação do tempo em prol de si mesmos. é muito útil para pessoas com algum tipo de debilidade e o controle deve ser feito levando em conta fatores como a carga. melhor será a absorção do cálcio. aptidão física. todos os resultados apresentaram-se abaixo do recomendado. pode-se observar que. O consumo de cálcio pode ser otimizado de três maneiras: mudanças no comportamento alimentar. Conclui-se que uma série de benefícios interligados entre si. Há um debate se as formas da suplementação de cálcio têm efeitos diferentes. progressivo e previsível. Esse meio de socialização facilita o fortalecimento de amizades. por exemplo. principalmente. inseguranças e medos23. sendo um fato preocupante. O treinamento com pesos. Entre os exercícios encontrados na literatura científica e que mais se destacaram quanto aos objetivos e resultados voltados à prevenção da osteoporose. além de diminuir os efeitos da menopausa21. Mas. incluindo aumento do consumo de alimentos naturalmente ricos em cálcio. exercícios de alto impacto e atividade física habitual. a amplitude do movimento. em média. em grupos com alto risco para fraturas17. com o objetivo de prevenir a perda da massa óssea. Segundo dados de consumo alimentar obtidos pela Pesquisa BRAZOS (Brazilian Osteoporosis Study) de 2007. 10% na ocorrência de casos de acidente vascular cerebral. devendo-se nesse caso considerar a suplementação. 168 Rev Bras Nutr Clin 2012.

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abdominal circumference.79% adultas (n=187) e idosas 33. foram entregues planos alimentares individuais e semanalmente participaram de palestras e atividades de educação nutricional. 27 (3): 170-5 170 . sendo 66. circunferência abdominal. Brasil. also is a low cost strategy and more natural compared with drugs interventions and surgery.21% (n=93). an individual diet was delivered and they participated of lectures and activities of nutrition education. It was observed significant reduction in BMI. fat mass and lean body mass for adults (p<0. As medidas antropométricas (peso. Conclusion: The group short-term nutrition education presented positive performance on corporal composition on adults and elderly women. Nutricionista. body mass index.79% adults (n=187) and elderly 33. Body composition measures (weight.21% (n=93). 25 grupos de intervenção e educação nutricional foram avaliados. Overweight. realized by a school-ambulatory. Campus Baixada Santista. Results: 25 intervention groups of nutritional education was evaluated. Mestrando da Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências da Saúde. Women. Docente do Centro de Ciências da Saúde. 2. circunferência abdominal. realizada por um ambulatório escola. SP . totalizing 280 individuals being 66.001).A Artigo Original Cunha DT & Albano RD Educação nutricional por meio de atividade de grupo: o desempenho de intervenção educativa de curto prazo Nutritional education by group activity: the performance of a short-term educational intervention Diogo Thimoteo da Cunha1 Renata Doratioto Albano2 Unitermos: Educação alimentar e nutricional. fat percentage. bringing several health benefits. Universidade Federal de São Paulo. 1.Vila Mathias . Santos. Resultados: No total. lean body mass) was realized before and after of the nutrition education program. but habit changes require continuous work Objective: Observe the performance of short-term nutritional education by group activity in women. abdominal circumference. percentual de gordura.001) e de IMC e massa gorda para idosas (p < 0. The Nutrition Education activities were realized with approximately 20 individuals. Methods: Evolved adults and elderly women that participated of the nutritional education activities and intervention in group for 12 weeks. massa gorda e massa magra para adultos (p < 0. estatura. que participaram da intervenção e educação nutricional em grupo durante 12 semanas. Universidade Católica de Santos. Foram observadas diferenças significantes na redução de IMC. índice de massa corporal.Santos. Doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. Método: Envolveu adultas e idosas. massa gorda e massa magra em quilos) foram realizadas antes e após o programa de educação nutricional em grupo.com Submissão 3 de dezembro de 2011 Aceito para publicação 5 de março de 2012 RESUMO Introdução: Alimentação adequada pode e deve ser tratamento de primeira escolha para obesidade. além de ser estratégia de baixo custo e mais natural se comparada a tratamento medicamentoso e cirúrgico. Body composition. As atividades de educação nutricional aconteceram em grupos de aproximadamente 20 pessoas. fat mass. Endereço para correspondência: Diogo Thimoteo da Cunha Ambulatório de Nutrição – Universidade Católica de Santos. porém mudanças de hábitos exigem trabalho contínuo. Composição corporal. height. Rev Bras Nutr Clin 2012. Objetivo: Observar o desempenho de intervenção nutricional educativa de curto prazo em grupo com mulheres. trazendo diversos benefícios à saúde. 300 . Nutricionista. totalizando 280 participantes. Mulheres. Sobrepeso. Rua Conselheiro Nébias. SP. percentual de gordura.001). Brasil . fat percentage.001) and for BMI and fat mass for elderly (p<0. Key words: Food and nutrition education. Brasil. Conclusão: A educação nutricional em grupo realizada em curto prazo apresentou desempenho positivo na composição corporal de mulheres adultas e idosas. SP . Santos.CEP: 11015-002 E-mail: diogo_thimoteo@hotmail. ABSTRACT Background: Adequate feeding can and must be the first choice treatment for obesity.

principalmente quando a intervenção se dá semanalmente ou com maior frequência. após 12 semanas de intervenção nutricional individual (dieta. realizada por um ambulatório-escola pertencente a uma Instituição de Ensino Superior (IES) particular. Para o diagnóstico nutricional definido a partir do IMC. como diabetes. prática de atividade física. a obesidade é considerada a maior desordem nutricional nos países desenvolvidos e com incidência crescente com o passar dos anos. localizado no município de Santos-SP . principalmente as doenças crônicas não-transmissíveis11. evitando o abandono das práticas sugeridas15. posicionados no centro da balança. de costas para o visor da mesma. mudanças no estilo de vida. antes e após o programa de educação nutricional em grupo. Diante disso. Para crianças de sete a oito anos. foi observado que a terapia em grupo em seis meses. evitando o aparecimento de doenças. Foram analisados prontuários dos anos de 2004 a 2010 de mulheres participantes de atividade em grupo e alocadas em dois grupos. inclusive no Brasil1.16. previamente treinados. de forma autônoma. Um estudo coreano verificou. na qual o manejo da dieta se mostrou relevante para redução do peso corporal. descalços. IMC (índice de massa corporal) igual ou maior que 25 kg/m². A alimentação tem influência direta na mudança de peso corporal. Para o tratamento dessa doença existem diversas estratégias. hipertensão arterial. entre elas: o tratamento medicamentoso. Coleta de dados de composição corporal As medidas antropométricas (peso (kg). triacilglicerol sanguíneo. principalmente devido à interação entre os participantes.5% dos homens e 16. selecionar os alimentos que fazem parte de uma alimentação saudável. do marcador inflamatório TNF-α e incremento de adiponectina13. suporte psicológico e mudança no padrão alimentar. estimou-se que cerca de 49% dos indivíduos adultos do País apresentaram excesso de peso. gestantes. outros alimentos fonte de fibra e na redução do consumo de alimentos ricos em gordura e açúcares simples. hortaliças. por meio de balança digital Toledo® (capacidade de 150 kg precisão de 50 g). sendo maior no sexo masculino. Com isso. envolvendo também a família. dentre os adultos.9% das mulheres apresentam obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²). A literatura é escassa quando se trata de terapia nutricional em grupo para adultos. com os indivíduos em pé. enfatizando esse tipo de tratamento para o público infantil. foi mais eficaz na redução do peso corporal do que para as crianças tratadas individualmente14. circunferência abdominal (cm). redução do percentual de gordura. com os calcanhares juntos. acompanhamento semanal e estímulo à vida saudável) em mulheres. não ter completado o programa de doze semanas. alimentares ou não. durante 12 semanas. costas retas e braços estendidos ao lado do corpo. principalmente no que diz respeito ao consumo adequado de frutas. menores de 18 anos. 12. A estatura foi aferida utilizando-se estadiômetro de parede Seca® (capacidade 2 metros e precisão de 1 mm). motivando a atingir um mesmo objetivo. exige trabalho paulatino e contínuo. crônica e fator de risco para diversas outras doenças.5.2. ausência na avaliação antropométrica inicial ou final e prontuários com dados incompletos. observando-se menor risco de mortalidade em mulheres que consomem dietas contendo frutas e hortaliças10. na qual as participantes foram pesadas descalças. sendo esta última uma atividade associada ao aconselhamento dietético e educação nutricional praticados por profissionais da área4. com maior prevalência na região Sul do país3. com roupas leves. adipocinas visfatina e leptina. O IMC foi calculado a partir do peso e da estatura. os indivíduos foram divididos em dois grupos: sobrepeso/obesidade (IMC ≥ 171 Rev Bras Nutr Clin 2012. Com base em dados antropométricos levantados pela POF (Pesquisa de Orçamento Familiar) de 2008-2009. 27 (3): 170-5 . Promover mudanças de hábitos. ou seja. associada ou não a terapia comportamental e atividade física12. Os critérios de não-inclusão foram: o motivo da procura pelo ambulatório ter sido ganho ou manutenção do peso corporal. Diversos estudos apresentam a associação positiva do consumo de frutas e hortaliças com a redução do índice de massa corporal (IMC) ou como fatores de proteção para doenças crônicas não-transmissíveis. As medidas de peso corporal foram obtidas em quilogramas. calculo do índice de massa corporal (IMC – kg/m²). Um estudo americano apresentou a relação do consumo alimentar com a mortalidade feminina. de acordo com a faixa etária no momento da intervenção: adultas e idosas. com auxílio da fórmula peso (kg)/altura² (m). Uma revisão sistemática observou a efetividade de diferentes estratégias para controle e/ou redução de peso corporal em adultos.Educação nutricional por meio de atividade de grupo: o desempenho de intervenção educativa de curto prazo Introdução Considerada uma doença multifatorial. MÉTODO Amostragem O estudo se caracteriza como série de casos envolvendo mulheres adultas que participaram de atividades de educação nutricional em grupo. o objetivo do presente estudo é observar o desempenho de intervenção nutricional educativa de curto prazo em grupo com mulheres adultas e idosas. percentual de gordura (%) massa gorda e massa magra (em kg) foram realizadas por estagiários do quarto ano do curso de nutrição. câncer e hipercolesterolemias6-9. Acredita-se que a educação alimentar e nutricional em grupo pode se apresentar como uma importante estratégia para mudança de hábitos. a promoção de práticas alimentares saudáveis é fundamental para que a população possa. estatura (m). A prevalência do excesso de peso em adultos tende a aumentar com a idade. Concluiu-se que.

foi elaborado um plano alimentar específico para cada indivíduo. salvo atualização de conteúdo.21% (n=93) da amostra. As preleções foram realizadas por estagiários do curso de nutrição sob a supervisão de docentes da universidade e tiveram os seguintes temas: reeducação alimentar.0. plano alimentar. O aparelho utilizado foi a Bioimpedância Biodynamics® modelo 310e / Body Composition Analyser. eram tiradas suas dúvidas e realizada uma atividade educativa expositiva ou prática com aproximadamente uma hora de duração.8. segundo os métodos de classificação utilizados. a partir de receitas propostas pelos professores e estagiários do ambulatório. todos os participantes foram submetidos a anamnese contendo: dados pessoais. percentual de gordura.02 anos para as adultas e 66.18 para adultos e Lipschitz19 para idosos. para comparação intragrupo (antes e depois) o teste t-pareado e para avaliar a mudança na classificação do diagnóstico nutricional utilizou-se o teste de McNemar. Para a diferença entre as médias das variáveis pareadas paramétricas (IMC. onde foram elaboradas preparações saudáveis e com propriedades funcionais. 172 Rev Bras Nutr Clin 2012. os indivíduos compareciam semanalmente ao ambulatório. Após a digitação dos dados.042). alimentos funcionais. A média de idade foi de 47. 27 (3): 170-5 . mediana. e na metodologia da educação nutricional.2010. característica socioeconômicas. no momento da expiração. Após cada atividade de preleção. foram realizadas novamente as avaliações de composição corporal. para observação das mudanças ocorridas após o programa. a bioimpedância foi realizada em uma nova data. No dia da primeira avaliação.34%) que procuraram o serviço do ambulatório de nutrição escola do que as eutróficas (14.05. RESULTADOS Características dos participantes Vinte e cinco grupos de intervenção e educação nutricional foram avaliados. questionário de frequência alimentar (QFA). destes 66.66%). Observouse proporção maior de pessoas com sobrepeso e obesidade (85. Com base nesses dados. Cabe ressaltar que. no período de estudo (2004 a 2010). respeitando as características avaliadas juntamente com uma lista de substituição de alimentos. recordatório de 24 horas. Os participantes são recrutados para as atividades mediante seu interesse e disponibilidade. foram entregues folders contendo o material da aula e dicas práticas sobre o assunto. história clínica. mínimo e máximo) e aplicado o teste de Kolmogorov Smirnov. bem como a proporção de sobrepeso e obesidade entre os dois grupos.76 ± 5. Educação e intervenção nutricional A atividade de Educação nutricional em grupo denominase “Programa de Atendimento Nutricional em Grupo por 12 semanas”. e funciona da seguinte forma: são formados grupos com aproximadamente 20 indivíduos (adultos e idosos).Cunha DT & Albano RD 25 para adultos e IMC ≥ 27 para idosos) e eutrófico (IMC < 25 para adultos e IMC < 27 para idosos).79% eram adultas (n=187) e as idosas perfizeram 33. Para verificar a relação do grupo etário e a classificação do estado nutricional. todos com intervalo de confiança de 95%. inscrevendo-se na secretaria do ambulatório-escola de nutrição da IES. utilizando-se uma fita métrica não extensível circundando o indivíduo no ponto médio entre a crista ilíaca e a última costela. massa gorda e massa magra) entre os grupos (adulto e idoso) foi utilizado o teste t-Student. em 04/10/2010. Após a entrega do plano alimentar. A atividade prática foi realizada no Laboratório de Técnica Dietética e Gastronomia da IES. todos elaborados por profissionais do ambulatório de nutrição escola. Após a realização de todo o programa de intervenção e educação nutricional de 12 semanas.3 ± 9. foi utilizada a Impedância bioelétrica com o indivíduo em jejum de pelo menos quatro horas. emagrecer com saúde. quando comparadas às idosas. Para todas as análises determinou-se como significante valor de p < 0.20.92%). Processamento e análise dos dados Os dados foram analisados com auxílio do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS) for Windows versão 15. com significância estatística para essa relação (p = 0. conforme recomendado por Kamimura et al. foram observados os valores de tendência central (média. com variação maior em adultas. As mulheres adultas com excesso de peso foram as que mais procuraram a intervenção em grupo (58. não foram realizadas mudanças quanto aos procedimentos nas avaliações nutricionais e antropométricas. alimentos diet e light e rotulagem de alimentos. O peso corporal era aferido em cada visita. utilizou-se o teste de Qui-Quadrado. Para essa classificação foram utilizados os critérios da OMS17. aversões e preferências alimentares. Caso a participante estivesse no período menstrual no momento da avaliação. A circunferência abdominal foi avaliada com o indivíduo em pé. Para as medidas de percentual de gordura. doenças crônicas não transmissíveis. sob número 2297. variância e desvio padrão. massa gorda e massa magra. circunferência de cintura. Questões éticas O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa da IES.03 anos para as idosas. totalizando 280 participantes. para avaliar se as variáveis apresentaram distribuição normal (paramétricas). A Tabela 1 apresenta os valores médios e desvio padrão de idade por grupo etário. pirâmide dos alimentos.

Educação nutricional por meio de atividade de grupo: o desempenho de intervenção educativa de curto prazo

Houve pouca diferença no valor de IMC encontrado para adultas e idosas no início da intervenção, com média de 31,26 ± 5,83 e 31,22 ± 5,6 kg/m², respectivamente. Pequenas diferenças foram também observadas para circunferência abdominal e massa gorda em quilos entre esses dois grupos (Tabela 2). Para o percentual de gordura foi encontrada média maior para as idosas do que para as adultas (39,45% e 36,97%, respectivamente), com significância estatística (p < 0,001); o contrário foi observado para a massa magra em quilos, já que a média para as adultas foi maior do que a média para as idosas (48,5 kg e 44,42 kg, respectivamente), com significância estatística (p < 0,001). Alterações na composição corporal após a intervenção e educação nutricional

As mudanças no IMC, circunferência de abdominal, percentual de gordura, massas magra e gorda, após a intervenção e educação nutricional em grupo, estão apresentadas na Tabela 2. É possível observar que, após a intervenção de 12 semanas, houve reduções estatisticamente significantes de todos os parâmetros analisados, para as adultas. Para o grupo de idosas, observou-se diferenças significantes em redução do valor médio de IMC, massa gorda e magra em quilos. Após a intervenção, observou-se que três mulheres adultas, devido à redução do peso corporal, alteraram a classificação do diagnóstico nutricional de “sobrepeso” para “eutrófico”, segundo os valores preconizados pela OMS. Para as idosas, a alteração do estado nutricional foi observada em cinco indivíduos, porém sem significância estatística para ambos os grupos. A Tabela 3 apresenta a classificação do estado nutricional, bem como suas alterações, após a intervenção.

Tabela 1 – Distribuição dos participantes por grupo etário e classificação do estado nutricional antes do programa de intervenção. Santos (SP), 2010. Classificação por grupo etário Adultas (n=187) Idosas p Idade (anos), média (desvio padrão) 47,3 (9,02) 66,76 (5,03) Diagnóstico nutricional, n (%) 0,042* Eutrófico 22 (7,85) 19 (6,78) Sobrepeso/obesidade 165 (58,92) 74 (26,42)
*p < 0,05, n= número de indivíduos, Teste de Qui-quadrado

Tabela 2 – Média e desvio padrão das medidas antropométricas de mulheres segundo grupo etário antes e após o programa de intervenção e educação nutricional em grupo de 12 semanas. Santos (SP), 2010. Antes da intervenção Após a intervenção p M DP M DP Adulta IMC (kg/m²) 31,26 5,83 30,46 5,73 < 0,001* Circunferência abdominal (cm) 97,59 13,46 95,16 12,94 < 0,001* Percentual de gordura (%) 36,97 4,99 36,06 5,33 < 0,001* Massa gorda (kg) 30,14 9,48 28,62 9,48 < 0,001* Massa magra (kg) 48,5 8,45 48,04 8,03 < 0,001* Idosa IMC (kg/m²) 31,22 5,6 30,55 5,55 < 0,001* Circunferência abdominal (cm) 97,94 16,78 97,46 13,57 0,76 Percentual de gordura (%) 39,45 5,11 39,01 5,39 0,198 Massa gorda (kg) 30,32 8,84 29,37 8,66 < 0,001* Massa magra (kg) 44,42 8,86 43,94 8,68 0,026*
*p < 0,05; M= Média; DP= Desvio Padrão; IMC= Índice de massa corporal. – Teste t-pareado

Tabela 3 – Distribuição dos indivíduos por faixa etária e estado nutricional antes e após a intervenção e educação nutricional em grupo de 12 semanas. Santos (SP), 2010. Antes da intervenção Após a intervenção p n % n % Adulta Sem sobrepeso/obesidade Com sobrepeso/obesidade Idosa Sem sobrepeso/obesidade Com sobrepeso/obesidade
n= número de indivíduos – Teste de McNemar Rev Bras Nutr Clin 2012; 27 (3): 170-5

22 165 19 74

11,76 88,24 20,43 79,57

25 162 24 69

13,37 86,63 25,81 74,19

0,250

0,063

173

Cunha DT & Albano RD

Discussão O presente estudo foi delineado para verificar desempenho do programa de educação nutricional e a evolução de parâmetros antropométricos em mulheres. Optou-se em utilizar a nomenclatura “desempenho”, pois para medir a eficácia do programa outro delineamento metodológico seria necessário, como a comparação utilizando grupo controle, sendo esta uma das limitações do estudo 21. Foi observado que 85,34% das mulheres participantes das atividades de grupo encontravam-se com sobrepeso ou obesidade no momento em que procuraram o serviço do ambulatório escola. Carmo & Batista22 apontaram em seu estudo, também realizado em ambulatório-escola, que, dentre as pessoas que procuraram o serviço ambulatorial, 87,9% apresentavam obesidade. Esses valores são esperados devido à crescente preocupação com a saúde e à insatisfação com a imagem corporal de pessoas com excesso de peso e obesidade, incluindo pessoas idosas, como foi visto em estudo recente realizado na região Nordeste do Brasil23. Adultos obesos ou com sobrepeso costumam desejar peso igual ou semelhante a quando eram mais jovens, buscando serviços especializados para a reversão desse quadro24. A diferença da composição corporal entre mulheres adultas e idosas foi significante para o percentual de gordura, mostrandose superior no segundo grupo, e massa magra com relação inversa, maior no grupo de mulheres adultas. Esses dados vêm ao encontro do citado na literatura, onde é observado que, com o envelhecimento, a composição corporal é modificada, caracterizada pelo aumento da massa gorda e redução da massa magra e água corporal, podendo este quadro ser alterado positivamente com mudanças saudáveis no estilo de vida25-27. Hipotetizou-se, no delineamento desse estudo, se a educação nutricional em grupo promoveria mudanças positivas no IMC e outras medidas antropométricas avaliadas. Essa hipótese foi confirmada para adultos, onde se observou reduções significativas em todas as medidas avaliadas. Apesar da redução significante na massa magra na população estudada, este não foi um dos objetivos da intervenção, devido aos benefícios que a massa magra traz à saúde. Essa observação corrobora com diversos estudos, incluindo uma meta-análise que verificou que existe relação da perda de massa magra na restrição da ingestão calórica, quando não associada a exercícios físicos28-30. Não pode ser desconsiderado ainda, para todas as medidas, o fenômeno de “efeito de regressão à média”, explicado como a tendência de indivíduos que se encontram no extremo de uma distribuição (no caso, mulheres com obesidade) se aproximarem naturalmente da média populacional, independente de intervenções31. Esse efeito não foi verificado devido à falta de estudos populacionais fidedignos que estabeleçam um valor médio das medidas avaliadas e seus respectivos desvios padrão para cálculo do efeito.

Costa et al.15 verificaram o impacto da educação nutricional em uma empresa privada. Observou-se redução do IMC dos participantes após a intervenção, porém sem resultados significantes. Kwak et al.32 avaliaram efeitos na composição corporal de ambos os sexos, após programa de intervenção que visava melhor alimentação e atividade física, verificando-se reduções significantes para circunferência abdominal e massa gorda, avaliada por meio de dobras cutâneas. O presente estudo verificou, também, reduções significantes de circunferência abdominal, em mulheres adultas, e de massa gorda, em ambos os grupos. Acredita-se que a redução na circunferência abdominal e percentual de gordura em idosas não tenha sido significante devido às próprias alterações na composição corporal que acontecem com os idosos devido a seu metabolismo. Estudo realizado com mulheres por Zamboni et al.33 demonstrou que a distribuição de gordura corporal de idosos é certamente diferente de mulheres mais jovens. Mostrou, ainda, que, com o envelhecimento, há aumento da gordura visceral devido à redistribuição e centralização dessa gordura33. Não houve alterações significantes nas mudanças de classificação do IMC, nos dois grupos estudados. Possivelmente, a intervenção a curto prazo foi insuficiente para promover mudanças na classificação do IMC. Segundo Kolasa et al.34, dieta hipocalórica pode reduzir de 5 a 10% do peso corporal em pelo menos seis meses de intervenção. Com base nessa afirmação é provável que as mudanças de classificação do IMC, decorrentes da intervenção realizada, sejam mais frequentes em longo prazo ou se um acompanhamento fosse realizado em intervalos regulares após o término da atividade de educação nutricional. Em atividades de grupo existe a sensação de acolhimento a semelhança nos problemas, sem contar que proporciona um rico ambiente de discussões, onde há maior ressignificação dos conteúdos expostos35. Essa afirmativa demonstra a importância em apoiar e utilizar metodologias de grupo em intervenções. Conclusão Foi possível observar que a atividade de educação nutricional de curto prazo pode ter colaborado para redução no IMC e gordura corporal em mulheres adultas e idosas e redução na circunferência abdominal de mulheres adultas, trazendo diversos benefícios à saúde junto a essas reduções. A educação nutricional deve, portanto, ser incentivada, pois tende a ser de baixo custo se comparada a intervenções medicamentosas e cirúrgicas para tratamento do excesso de peso e/ou obesidade. Cabe ressaltar que, independente de proporcionar elementos suficientes para atingir objetivos de cada pessoa que procura o ambulatório-escola, a atividade traz novos conhecimentos sobre nutrição, além de ser importante estratégia motivacional para práticas mais saudáveis, sejam alimentares ou não.
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Educação nutricional por meio de atividade de grupo: o desempenho de intervenção educativa de curto prazo

Sugere-se a realização de estudos onde sejam verificadas as mudanças ocorridas na alimentação dos participantes e o quanto essa alimentação afeta a perda de peso, além de intervenções com grupo controle, podendo, assim, medir a eficácia das intervenções de educação nutricional em grupo e comprovar a não ação do efeito de regressão à média. Referências
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Local de realização do trabalho: Universidade Católica de Santos, Santos, SP, Brasil.
Rev Bras Nutr Clin 2012; 27 (3): 170-5

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Eating.com Submissão 18 de agosto de 2011 Aceito para publicação 20 de dezembro de 2011 1. incluindo suplementos multivitamínicos. Among them. Brasil. The frequency of inadequacy fell to 19. Especialista em Nutrição Humana e Saúde pela Universidade Federal de Lavras. Professora Adjunta do Departamento de Pediatria da UFMG. MG. The study has as intention the evaluation of vitamin A intake adequacy by patients with early diagnosis of CF in nutritional monitoring. MG. Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela UFMG. Belo Horizonte.Belo Horizonte. 4. 84. 15. Método: Realizou-se um estudo transversal.51 mcg. gera má absorção de nutrientes e predispõe à carência de vitaminas lipossolúveis. Nutricionista do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG. what justifies the medicine usage. Brasil. Gastroenterologista pediátrica do Hospital das Clínicas da UFMG.35 ± 1666. Brasil. A ingestão alimentar de vitamina A somente é insuficiente. Nutricionista graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).46 mcg ou 5178 UI (± 1074. The adequacy of vitamin A intake was evaluated in comparison with the estimated required for CF patients (2500 mcg/day or 8333 UI). Conclusão: Os dados obtidos permitem concluir que a ingestão de vitamina A pelo grupo estudado foi superior à recomendação específica. Ingestão alimentar. Vitamin A.51) mcg.E-mail: anafacury@hotmail. Belo Horizonte. ABSTRACT Introduction: The pancreatic insufficiency. comum em pacientes com fibrose cística (FC). Methods: A transversal study done on patients food consuming was estimated through the application of a Quantitative Alimentary Frequency Questionnaire. Ingestão de vitamina A por pacientes com fibrose cística diagnosticados precocemente Vitamin A intake by patients with early diagnosis of cystic fibrosis Ana Facury da Cruz1 Michelle Rosa Andrade Alves2 Renata Santos Vieira Fernandes3 Elizabet Vilar Guimarães4 RESUMO Introdução: A insuficiência pancreática. Results: 26 children were included. MG. Resultados: Foram incluídas 26 crianças.2%) male and 14 (53. Brasil . sendo 12 (46.2% com a utilização desses medicamentos. Belo Horizonte.2% with medication usage. Key words: Cystic fibrosis. the vitamin A has a distinction due its role on epitheliums integrity. Especialista em Nutrição Humana pela Universidade Federal de Lavras.CEP: 30310-360. para 19.. A média de ingestão diária de vitamina A advinda somente da alimentação foi de 1553. Vitamina A. Belo Horizonte. MG. A vitamina A tem destaque devido à sua ação antioxidante e seu papel na integridade dos epitélios e na função imunológica.35 mcg ou 12604 UI (± 1666. 3. on immunologic function development and on its antioxidant action.8%) do sexo feminino. Conclusion: Data obtained allow concluding that vitamin A intake by the studied group was above the specific recommendation. A adequação da ingestão de vitamina A foi avaliada por comparação com o requerimento estimado para pacientes com FC (2500 mcg/dia ou 8333 UI).8%) female. Doutora em Ciências da Saúde pela UFMG.4% dos participantes apresentaram baixo peso. including multivitamin supplements was 3781. Rev Bras Nutr Clin 2012. no qual o consumo alimentar dos pacientes foi estimado através da aplicação de Questionário de Frequência Alimentar Quantitativo.A Artigo Original Cruz AF et al.2%) do sexo masculino e 14 (53.4% of the participants were bellow weight average. Unitermos: Fibrose cística. mainly due bring into play of multivitamin supplements by the medical team. A média de ingestão diária total de vitamina A. A frequência da inadequação de ingestão da vitamina caiu de 84. common in patients with cystic fibrosis (CF). generates bad absorption of nutrients and lack of fat soluble vitamins. 15. 2. between the ages of 17 to 68 months. principalmente devido à utilização de suplementos multivitamínicos.Anchieta –. being 12 (46. 782/203 . com idade entre 17 e 68 meses. Especialista em Nutrição Esportiva pela Universidade Gama Filho. Endereço para correspondência: Ana Facury da Cruz Rua Vitório Marçola. Professora Adjunta do Departamento de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Brasil. desconsiderando-se suplemento multivitamínico. MG. As was able to identify the alimentary intake of vitamin A is insufficient. 27 (3): 176-80 176 . Nutricionista do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG. O estudo teve como objetivo a avaliação da adequação do consumo de vitamina A por pacientes com diagnóstico precoce de FC em acompanhamento nutricional. foi de 3781.08) mcg. Coordenadora do Ambulatório de Fibrose Cística do Programa Estadual de Triagem Neonatal de Minas Gerais. o que justifica a utilização desses medicamentos.6% of the participants showed under recommended ingestion when multivitamin supplement was not considered.6%. The total intake of vitamin A average.

Sabe-se. sendo a causa de morte em mais de 90% desses pacientes19. favorecendo a desnutrição calórico-protéica2. O questionário contemplava. Sua deficiência afeta a função respiratória por danificar o epitélio e reduzir o número de células ciliadas. A inclusão dos itens baseou-se na frequência em que os alimentos foram observados nos recordatórios alimentares de 24 horas realizados como rotina no atendimento nutricional. contribuindo para o desenvolvimento da doença pulmonar crônica10. O número total de pacientes atendidos no ambulatório no período era de 92 e. A busca por fatores que promovam melhora da função imunológica e da exacerbação pulmonar em indivíduos com FC torna-se ainda mais relevante quando se considera que a infecção bacteriana respiratória contribui para a desnutrição nesses indivíduos e torna-se um dos principais limitadores de sua longevidade18. 177 Rev Bras Nutr Clin 2012. determinando a má digestão e absorção e. Os dados foram coletados durante cinco semanas. foram incluídos 28% dos pacientes. Avaliação do consumo alimentar O consumo alimentar dos pacientes foi estimado por meio da aplicação de um Questionário de Frequência Alimentar Quantitativo (QFAQ) adaptado do questionário validado por Colucci20. Por ação osmótica. prejudicando o mecanismo de limpeza do pulmão11. há também desvio de água para o interior da célula e o resultado disso é a desidratação das secreções mucosas e aumento de sua viscosidade. que a deficiência da vitamina A pode ocorrer mesmo na ausência de esteatorreia e com suplementação vitamínica13. O resultado desse processo é o aumento do estresse oxidativo. entre os meses de abril e maio de 2010. que é de 2500 mcg/dia ou 8333 UI16-18. também. que faziam tratamento em outro centro de referência e pacientes em aleitamento materno exclusivo. O QFAQ foi composto por 74 alimentos. ainda. divididos em 11 grupos. diagnosticados pelo Programa Estadual de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PETN-MG) e em tratamento no Ambulatório de Fibrose Cística do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). Critérios de exclusão Foram excluídos os pacientes com diagnóstico tardio. que receberam atendimento nutricional no período de cinco semanas de coleta de dados. consequentemente. de acordo com tabela apropriada21. com idade entre um e seis anos. A ingestão diária média de cada alimento foi estimada com auxílio do programa Microsoft Excel 2003®. para crianças saudáveis com idade de dois a cinco anos.12. Critérios de inclusão Foram incluídos no estudo os pacientes com diagnóstico de FC triados pelo PETN-MG em atendimento no referido centro. utilizando como fonte de consulta uma Tabela de Composição de Alimentos22 em que se encontravam descritos os teores de vitamina A dos alimentos presentes na lista. que induz a síntese alterada da proteína transmembrana reguladora do canal de cloro. Concluiu-se que a deficiência das vitaminas pode se constituir como fator predisponente para a exacerbação pulmonar em pacientes com FC. Estudo conduzido por Hakin et al. pois não existe uma ferramenta específica para crianças com FC. durante o atendimento ambulatorial nutricional de rotina dos pacientes.17 demonstrou correlação negativa entre concentração sérica das vitaminas A e E e número de infecções pulmonares no período acompanhado. além da já citada ação antioxidante. portanto.500 nascidos vivos1 e a doença é determinada por uma mutação no gene da FC. perguntas sobre antibioticoterapia e tipo de colonização. Sua frequência entre os caucasoides é de 1 em 2. a vitamina A tem destaque devido a seu papel na manutenção da integridade dos epitélios e no desenvolvimento da função imunológica. 27 (3): 176-80 .1i®. autossômica recessiva. de forma a preservar o equilíbrio eletroquímico. o que resulta em maior fluxo de sódio para o interior da célula. triados pelo PETN-MG. Os dados obtidos foram analisados no programa Dietpro 5. Dentre as vitaminas lipossolúveis. acompanhada de reação inflamatória crônica. Essa alteração causa redução do fluxo de cloro para o meio extracelular e aumento da eletronegatividade intracelular. 10 suplementos calórico-protéicos e 4 suplementos medicamentosos. A insuficiência pancreática presente em mais de 85% dos pacientes4 gera má absorção5 e contribui para menor aporte energético e carência de vitaminas lipossolúveis6. Em contrapartida. o que favorece a obstrução das vias respiratórias. Configura-se na FC um desequilíbrio entre a produção de agentes oxidantes e antioxidantes3. A ingestão foi estimada por medidas caseiras e as porções posteriormente transformadas em gramas ou mililitros. que promove dano ao epitélio pulmonar. O objetivo do presente estudo foi avaliar a ingestão de vitamina A por fibrocísticos. Recomenda-se que o consumo de retinol por pacientes com FC seja de 2500 mcg/dia ou 8333 UI14-16. MÉTODO Casuística Foi realizado um estudo transversal com 26 pacientes com diagnóstico de FC. a infecção e a inflamação pulmonar crônicas promovem aumento da produção de agentes oxidantes e maior utilização de substâncias antioxidantes7-9. obstrução de canalículos pancreáticos.Ingestão de vitamina A por pacientes com fibrose cística diagnosticados precocemente INTRODUÇÃO A fibrose cística (FC) é uma doença genética. de caráter crônico e progressivo. Os dados obtidos foram comparados com o requerimento estimado para pacientes com FC. em tratamento no Ambulatório São Vicente do HC-UFMG. com outras doenças associadas.

000 nascidos vivos28. 90. Dentre as crianças. reduz a morbimortalidade e o número de internações hospitalares nos primeiros anos de vida29.4% dos participantes apresentaram baixo peso e 84.8 0% 20% 40% 60% 80% 100% Figura 1 .8% por Streptococcus. RESULTADOS Dentre as 26 crianças avaliadas. Consentimento livre e esclarecido foi obtido verbalmente e assinado em dupla via. A média de ingestão diária total de vitamina A. antibioticoterapia e o tipo de colonização da criança. As variáveis categóricas foram avaliadas por frequências simples e percentuais. muitas vezes. uma vez que o início precoce do tratamento diminui o risco de sequelas irreversíveis25.7% não apresentavam colonização por bactéria patogênica. Dentre as crianças que apresentaram baixo consumo de vitamina A. de 1 para 9. significância estatística (p = 0.08 mcg ou 5178 UI. 3. 46.0001).9% recebiam suplemento medicamentoso. Todos os participantes que constituíram a amostra recebiam suplementação calórico-protéica enriquecida com vitaminas e minerais. incluindo suplementos medicamentosos. Não foram encontradas associações entre classificação antropométrica. 50% estavam em antibioticoterapia e 92. nem tampouco entre adequação do consumo de vitamina A. Sabe-se que a triagem neonatal na FC reduz os déficits nutricionais. Chicago. com roupas leves. digital. 100% recebiam suplementação medicamentosa. portanto. Quanto à colonização bacteriana pulmonar. mediana e desvio padrão. O comprimento foi aferido com a criança deitada utilizando-se estadiômetro com comprimento máximo de 105 cm e precisão de 0. que é de 1 para 10. O PETN-MG diagnosticou. Crianças menores de dois anos foram pesadas em balança pediátrica. Para o estudo da associação entre variáveis categóricas foi empregado o teste de Fisher. considerando-se alimentação e suplementos calórico-protéicos. 84. Assim.6% foram classificados como eutróficos.Variação da adequação do consumo de vitamina A em pacientes eutróficos e de baixo peso. Foi considerado como limiar de significância estatística o valor de p<0. O teste de Fisher foi utilizado para avaliar a associação entre variáveis categóricas. 7.6% dos participantes mostraram consumo abaixo do recomendado quando não era considerado o suplemento medicamentoso. Balmak®.7% por OSSA + PA e 7. O peso médio encontrado foi de 14. digital.15 cm. sendo que média de idade foi de 3 anos e 6 meses ± 1 ano e 3 meses. 12 (46.2% com a utilização do medicamento. foi de 3781.711). 27 (3): 176-80 178 .2 81. A média de ingestão de vitamina A advinda somente da alimentação (refeições acrescidas de suplementos calórico-protéicos) foi de 1553. Os resultados encontrados estão demonstrados na Figura 1.2% estavam colonizadas por Sphaphylococcus aureus meticilina sensível (OSSA). Os participantes tinham idade entre 1 ano e 5 meses e 5 anos e 8 meses. Inc. A frequência de inadequação caiu para 19. entre aquelas com consumo suficiente de vitamina A. Análise estatística dos dados Os dados foram armazenados e tabulados em planilha de dados eletrônicos por meio do programa estatístico Statistical Package for the Social Science (SPSS®. desnutrição e colonização pulmonar precoces e.3% da amostra recebia suplemento medicamentoso multivitamínico.05. Avaliação do estado nutricional O peso e a estatura das crianças envolvidas no estudo foram aferidos no dia da consulta. uma incidência observada. Pacientes de baixo peso 25 75 Ingestão insuficiente Ingestão suficiente Pacientes eutróficos 18. Questões éticas O estudo foi aprovado pelo COEP-UFMG (Parecer nº ETIC 296/06). As crianças foram pesadas e medidas descalças. porém. com capacidade máxima de 25 kg e precisão de 0.8%) do sexo feminino. conforme metodologia apropriada23. Nenhuma criança da amostra apresentou sobrepeso. Rev Bras Nutr Clin 2012. pés juntos e braços estendidos.51 mcg ou 12604 UI. A diferença encontrada apresentou significado estatístico (p<0.66 kg e estatura média de 94. 53 fibrocísticos27. Não houve. As variáveis quantitativas foram avaliadas por meio de cálculo de média. Segundo classificação por peso/idade24.115. DISCUSSÃO O nascimento é um momento crucial no diagnóstico de doenças crônicas. condizente com a incidência média no Brasil.00 ± 3.6% por Pseudomonas aeruginosa (PA).1 cm. Para análise de diferença estatística significativa entre percentuais foi utilizado teste de comparação de proporções.2%) eram do sexo masculino e 14 (53. Crianças eutróficas foram comparadas às crianças com baixo peso em relação ao aporte total de vitamina A. pior prognóstico26.05 kg e estadiômetro de 2 m de comprimento com precisão de 0. com capacidade para 150 kg e precisão de 0. A exclusão da amostra de crianças com diagnóstico tardio para FC baseia-se no fato de que essas já apresentam. portanto.005 kg. A diferença observada não alcançou significado estatístico. identifica e trata precocemente a insuficiência pancreática. consumo de vitamina A e uso de suplemento medicamentoso.46 ± 1074.47 ± 12. entre 2003 e 2005. 34.Cruz AF et al. Entretanto. Para crianças maiores de dois anos foi utilizada balança Líder®. IL).1cm. 15.35 ± 1666.

sendo que. entretanto não foram encontrados estudos que se ocupassem com a avaliação da ingestão dessas vitaminas oriundas de fontes alimentares como etapa prévia à suplementação medicamentosa. da mesma faixa etária. utilizando o índice peso/idade33. Os resultados encontrados e dados da literatura. O Questionário de Frequência Alimentar (QFA) foi escolhido como ferramenta para o estudo por ser considerado o mais prático e informativo dos inquéritos alimentares. observou-se que crianças com ingestão alimentar de vitamina A suficiente recebiam suplementação medicamentosa. é cerca de dez vezes superior ao Requerimento Médio Estimado (EAR) para a faixa etária e três vezes maior que a Ingestão Máxima Tolerável (UL) para o nutriente. respectivamente.72 mcg/dia ou 12604 UI. que é de 3. Pelas análises estatísticas utilizadas não foram encontradas correlações significativas entre ingestão de vitamina A. Observou-se. A proporção de crianças com baixo peso no grupo é ainda superior à prevalência encontrada na região Sudeste para crianças saudáveis na mesma faixa etária. uma vez que a perda de peso pode levar a depleção de massa magra e perda de função dos músculos envolvidos na respiração31. faz-se necessária melhor definição de critérios para a suplementação medicamentosa. não devem ser interpretados como aporte inadequado. por sua vez. mas sua redução dá mostras da efetividade da equipe multidisciplinar e da contribuição do tratamento nutricional para a melhoria da qualidade de vida e do prognóstico dos pacientes em questão. Observa-se que nutrientes consumidos de forma irregular e muito concentrados em determinados alimentos. significativamente superior ao recomendado que. a suplementação com vitaminas e minerais pode ser direcionada e dosada de forma a atingir os pacientes necessitados. que a variação de doses desses suplementos não possui grande magnitude e. Tal fato deve ser considerado como uma limitação do presente estudo e relativiza o consumo médio elevado encontrado para a vitamina A. como forma de complementar a história alimentar e permitir uma visão de longo prazo do consumo de nutrientes específicos. 179 Rev Bras Nutr Clin 2012. a inadequação encontrada seria ainda maior. apresentam menor correlação com o consumo real em métodos retrospectivos40. não é suficiente para alterar de forma significativa o consumo observado. 58% e 31% de baixo peso entre os pacientes atendidos. entretanto. Os dados do presente estudo demonstram ocorrência de baixo peso em 15. de forma a evitar que alguns indivíduos sejam expostos a altas doses da vitamina A. mesmo com administração de enzimas16. foi necessário utilizar um QFAQ validado para crianças saudáveis. A literatura é unânime em reforçar a necessidade da suplementação de vitaminas lipossolúveis em crianças com FC6. O consumo de vitamina A pela ingestão de alimentos e suplementos calórico-protéicos orais foi de apenas 1553. A partir daí. índice significativamente inferior ao anteriormente observado. reduzir a má digestão e absorção e controlar a ingestão de micronutrientes30.Ingestão de vitamina A por pacientes com fibrose cística diagnosticados precocemente O objetivo do tratamento nutricional nos pacientes diagnosticados com FC é manter o peso ideal para a altura.4% dos pacientes analisados. por isso. O índice peso/idade expressa a relação entre massa corporal e idade da criança e é adequado na avaliação da situação global do indivíduo23. O estado nutricional e função pulmonar na FC estão altamente relacionados. Os dados encontrados no presente estudo e que estão descritos a seguir colocam em questão os critérios adotados pela equipe para que se opte pela suplementação medicamentosa. Percebe-se que a ingestão alimentar de vitamina A pelos pacientes é insuficiente.08 mcg ou 5178 UI. considerando a mesma faixa etária35. CONCLUSÃO Os dados obtidos permitem concluir que a ingestão de vitamina A pelo grupo estudado foi superior à recomendação específica. portanto. Visto que o consumo avaliado é crônico e nenhum dos pacientes apresentou sinais de hipervitaminose A sugere-se que a vitamina A. Nesse contexto. diante da inexistência de uma ferramenta específica para crianças portadoras de FC. entretanto não foi encontrada correlação entre estado nutricional e suplementação medicamentosa. Estudo realizado no Serviço de Fibrose Cística do Hospital das Clínicas da UFMG com dados de 1977 e 1997 revelou proporções de. dependendo da aplicação de um único inquérito de referência41. na quantidade adequada. indicam que a criação de um questionário específico para essa população pode gerar resultados mais precisos e fidedignos. Já o consumo total de vitamina A foi de 3781. Além disso. É possível supor que pacientes com pior estado nutricional fossem indicados para receber o suplemento. Após esse processo de correção. enquanto outros mantenham um suprimento reduzido da mesma. entretanto. uma vez que esses indivíduos apresentam perda de gordura fecal. sendo de fácil aplicabilidade e baixo custo36. Assim.46 ± 1047. ingerida esteja sendo desviada para o sistema antioxidante ou perdida nas fezes. os nutrientes que foram subestimados ou superestimados devido a características específicas do grupo estudado podem ser corrigidos. segundo o mesmo parâmetro. Ressalta-se que. 27 (3): 176-80 . sugere-se que o QFAQ final seja incorporado ao atendimento nutricional no ambulatório. entretanto. diversos estudos de validação de QFA encontraram baixa correlação entre QFA alimentar e recordatório 24 horas para a vitamina A37-39. O questionário utilizado poderia ser aperfeiçoado se submetido a estudos de validação ou calibração. nesse último. o que justifica a utilização desses medicamentos. alertando para a necessidade de padronização desses. enquanto crianças com consumo inadequado de vitamina A estavam sem suplementação.5%34. como é o caso da vitamina A. Os dados encontrados. utilização de antibióticos e estado nutricional. a suplementação medicamentosa da vitamina é completamente justificável.35 ± 1666. portanto. Entretanto. principalmente devido à prescrição de suplementos medicamentosos. juntamente com a gordura. inadequado se considerarmos a recomendação específica para FC. visto que sua utilização reduziu sensivelmente a inadequação de consumo da vitamina entre os fibrocísticos. Se não fossem considerados os suplementos calórico-protéicos. piorando o prognóstico da doença32.

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utilizouse questionário estruturado. no qual as necessidades nutricionais são elevadas. Nogueira Tapety Quadra: B. Por meio desta pesquisa.67%) of pregnant women need a systematic monitoring and periodic nutritional adequacy of weight correction as well as anemia. Nutritional status. PI. Teresina. Estado nutricional.PI. Trata-se de um estudo quantitativo.89%) and obesity (11. Conclusion: The hospital can meetthe nutritional status and iron in prenatal care thus improving maternal nutritional status. Ciências Humanas e Tecnológicas do PiauíNOVAFAPI. The present study shows that a percentage (41.A Artigo Original Perfil antropométrico e férrico de gestantes atendidas em um hospital de Oeiras. Anemia. seguido de baixo peso (16. Brasil.E-mail: lynerayanne@hotmail. Método: Participaram da pesquisa 36 gestantes com faixa etária de 18 a 35 anos de idade e que fizeram no mínimo 6 consultas de pré-natal e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. decorrentes dos ajustes fisiológicos da gestante e das demandas de nutrientes para o crescimento fetal. docente do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde. Resultados: Observou-se maior prevalência de gestantes com eutrofia (58. docente do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde. Methods: Participated in the study 36 pregnant women aged from 18 to 35 years and who have at least 6 prenatal visits and signed consent from. 4.com Submissão 6 de dezembro de 2011 Aceito para publicação 14 de março de 2012 1. sobrepeso (13. Rev Bras Nutr Clin 2012. Piauí Anthropometric and ferric profile of pregnant women attended at a hospital in Oeiras. about the values​​ recommended by the Ministry of Health. Brasil. To conduct the study. This study aimed to carry out the anthropometric assessment of pregnant women and iron in a hospital in Oeiras-PI. biochemical and clinical data. Teresina. observou-se que um percentual (41. Brasil. it was used a structured questionnaire containing demographics.0% das gestantes apresentaram anemia leve. Para a avaliação antropométrica foi utilizado o gráfico de acompanhamento nutricional da gestante e para o perfil férrico foi utilizado ambos os valores recomendados pelo Ministério da Saúde.67%). Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí. Doutora em Saúde da Mulher e da Criança pelo IFF. assim. ABSTRACT Introduction: The gestation period is characterized by the development of the embryo in the uterus. Mestre em Ciências e Saúde pela UFPI. Esse estudo teve como objetivo realizar a avaliação antropométrica e férrica de gestantes em um hospital de Oeiras. PI. 27 (3): 181-6 181 . Piauí Allynne Rayanne Barbosa Moreira1 Talita Caroline da Mota Oliveira1 Theonas Gomes Pereia2 Carmen Viana Ramos3 Maria Edna Rodrigues de Lima4 RESUMO Introdução: A gestação caracteriza-se pelo período de desenvolvimento do embrião no útero. Acadêmicas do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde. Unitermos: Gestação.Oeiras. Casa: 20. Teresina. overweight (13.NOVAFAPI. PI. O processamento dos dados foi feito utilizando-se o Microsoft Excell 2010 e os resultados foram apresentados na forma de gráficos. descritivo e transversal.0% of pregnant women had mild anemia. Brasil – CEP: 64500-000 . à melhoria do estado nutricional materno.11%) e 25.67%) de gestantes necessita de acompanhamento nutricional sistemático e periódico para adequação de peso. Results: A higher prevalence of women with normal weight (58. docente do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde. Brasil. Piauí Perfil antropométrico e férrico de gestantes atendidas em um hospital de Oeiras. Bairro: Canela . Especialista em Saúde Pública pela UFPI. Anemia. It is a quantitative. contendo dados de identificação. 2. For the anthropometric measurements was used a nutritional monitoring of pregnant women graphic and for the iron profile was used. bem como para correção de anemia. descriptive and transversal study. Key words: Pregnancy. Para a realização da pesquisa. Ciências Humanas e Tecnológicas do PiauíNOVAFAPI. Teresina. PI. Endereço para correspondência: Allynne Rayanne Barbosa Moreira Conj.11%) and 25.89%) e obesidade (11. bioquímicos e dados clínicos.33%). antropométricos. 3. physiological adjustments arising from the pregnancy and the demands of nutrients for fetal growth. Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí-NOVAFAPI. The statistical analysis was made ​​ using Microsoft Excell 2010 where the results were presented at form of graphs. PI.33%) followed by low weight (16.67%). Conclusão: O hospital poderá conhecer a situação nutricional e férrica do atendimento ao pré-natal visando. in which nutritional needs are high.

o que impõe necessidades adicionais de energia em decorrência do aumento dos tecidos e do metabolismo basal2. O estado nutricional da mulher antes e durante a gestação é um fator fortemente associado à ocorrência de complicações gestacionais como diabetes.4%). também. gestantes (41. em 1996. Oceania (30. a partir de diagnóstico oportuno. Estimativas da OMS apontam que a anemia afeta dois bilhões de pessoas no mundo concentrando-se em mulheres em idade reprodutiva (30%). com enfoque na atenção ao pré-natal. melhorar a saúde materna. Para o autor. MÉTODO Trata-se de um estudo quantitativo. decorrentes dos ajustes fisiológicos da gestante e das demandas de nutrientes para o crescimento fetal1. detectar as gestantes com ganho de peso baixo ou excessivo para a idade gestacional e realizar orientação adequada para cada caso. mas. como o atendimento pré-natal e o planejamento familiar. América Latina-Caribe (31. Nesse sentido. para 96. Em uma pesquisa realizada com 141 gestantes de baixo-risco em um serviço de saúde no Município de São Paulo. O objetivo de avaliar e acompanhar o estado nutricional e o ganho de peso durante a gestação é identificar. a avaliação do estado nutricional materno é essencial para identificar mulheres com risco de complicações na gravidez e nascimento de crianças com retardo de crescimento intrauterino16.4 a 54. com o aumento do sobrepeso na população brasileira.4%. Nucci et al. devendo ser iniciada muito cedo. sua relação e conexão com outros fenômenos. condições para o parto e peso adequados do recém-nascido6.8. visando à promoção do estado nutricional materno. Nesse período.5% 15.Moreira ARB et al. as gestantes em risco nutricional no início da gestação. passando de 68. hipertensão. Desde então.1%. poderão ter impacto importante na redução da mortalidade materna e neonatal14. 182 Rev Bras Nutr Clin 2012. Os dados disponíveis no Brasil demonstram que a prevalência varia de 12. O diagnóstico precoce do estado nutricional das gestantes.6%). no pré-natal5.7%. retardo de crescimento uterino. No estudo realizado por Melo et al. a partir de informações do serviço de prénatal do Sistema Único de Saúde (SUS).9. a proporção de mulheres que passaram a realizar a primeira consulta pré-natal nos três primeiros meses de gestação passou de 66% para 82. insuficiência cardíaca. ocorrem intenso processo de formação de tecidos e grandes transformações orgânicas durante um curto espaço de tempo. No mesmo período. assim. seguida pela Ásia (41. Por meio desta pesquisa. A melhora na atenção à saúde da mulher. registrar.8%). o hospital poderá qualificar o acompanhamento nutricional no pré-natal e. tornam-se necessários o acompanhamento mais eficiente do ganho de peso durante a gestação e o atendimento nutricional não apenas para as gestantes com baixo peso. defeito do tubo neural e morte neonata7. foram encontrados 21% de baixo peso e 24% de sobrepeso/obesidade10. para aquelas com sobrepeso pré-gestacional e risco de ganho excessivo de peso durante a gravidez4.7% de baixo peso pré-gestacional. Europa (18. Assim. estima-se que atinja 52% das gestantes dos países em desenvolvimento11.1%).4%) de países em desenvolvimento. muitos projetos ligados à saúde feminina foram consolidados. A anemia por deficiência de ferro é importante problema de saúde pública entre gestantes. analisar e correlacionar fatos ou fenômenos sem manipular variáveis. este trabalho tem como propósito realizar a avaliação antropométrica e férrica de gestantes em um hospital de Oeiras. sobretudo em mulheres. anemia. pré-eclâmpsia. A avaliação nutricional da gestante é requisito dos mais importantes para a boa evolução da gravidez. Embora não se tenha um retrato global da prevalência dessa carência nutricional. visto que esse tema vem a ser de extrema importância para a saúde da gestante.2% de mulheres com sobrepeso e apenas 5. este trabalho tem como objetivo conhecer o estado antropométrico e férrico de gestantes atendidas em um Hospital regional no município de Oeiras-Piauí. a pesquisa descritiva caracteriza-se por observar. em 2006. encontraram prevalência de 19. o Programa de Atenção Integral de Saúde da Mulher (PAISM) foi criado na década de 1980.7%) e América do Norte (6. descritivo e transversal. dependendo da idade gestacional. INTRODUÇÃO A gestação caracteriza-se pelo período de desenvolvimento do embrião no útero. foram encontrados percentuais de desnutrição (23%) e sobrepeso/obesidade (27%).3. A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) destaca como um avanço a maior cobertura das gestantes no pré-natal. buscando conhecer sua situação socioeconômica e seu estado nutricional. prematuridade. Segundo Gil17.PI.8%) e também em lactentes (47. no qual as necessidades nutricionais são elevadas.1%)13. Atualmente. esse tipo de pesquisa procura descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre. a recuperação nutricional manifestada por um progresso adequado e ganho de peso durante esse processo pode reduzir significativamente o risco de bebês com baixo peso ou pobre. A África apresenta a maior prevalência de anemia em gestantes (55. Segundo o Ministério da Saúde. 27 (3): 181-6 . estrato socioeconômico e região12. Nesse sentido.

altura. sendo estes obtidos a partir dos prontuários clínicos encontrados no hospital. sendo este de complexidade média. Foram excluídas as menores de 18 anos. As gestantes que estavam em acompanhamento prénatal. que fizeram no mínimo seis consultas de pré-natal.89% eram multíparas. Piauí sua natureza e características e tem como objetivo principal estudar características de dadas populações ou fenômenos. durante o período de julho de 2011. estado civil. desde que atendessem aos seguintes critérios de inclusão: gestantes maiores de 18 anos. localizado em Oeiras. grau de escolaridade. eutrofia (18. 16. contando com clínica geral. A idade gestacional foi confirmada no cartão do pré-natal da gestante.11% apresentavam renda familiar de até 3 salários-mínimos. Com relação à quantidade férrica e as doenças associadas. 27 (3): 181-6 . atendendo às regiões circunvizinhas. 183 Rev Bras Nutr Clin 2012. A pesquisa não apresentou danos ou riscos ao sujeito. número de consultas ao pré-natal. dentre outros.44% com ensino médio. obtendo autorização para desenvolvimento. Os dados foram processados e tabulados por meio do Microsoft Office Excell 2010. residência. As gestantes foram atendidas na parte ambulatorial do hospital quando foram realizar a consulta de pré-natal.11% eram casadas. quantidade de membros familiares. 13. 63. altura (m). A partir dos dados da Figura 2. utilizando-se a curva adotada pelo Ministério da Saúde6. Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI. partos e presença de doenças. de acordo com o Ministério da Saúde6. O projeto atendeu à Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde – CNS. onde 58.0 a 29. 8.67% com baixo peso e o restante com sobrepeso e obesidade.33% da amostra eram eutróficas. bem como para realização de partos. foram convidadas a participar da pesquisa. eutrofia. com valores de hemoglobina inferiores a 10 g/dL. A classificação foi definida de acordo com o Instituto de Medicina dos Estados Unidos18. sob o processo CAAE número 0504. quantidade de hemoglobina e hematócrito. A amostra foi probabilística por demanda espontânea. leve (>10g/dl e <11g/ dl). o direito dos sujeitos da pesquisa de se ausentarem caso desejassem. RESULTADOS Participaram da pesquisa 36 gestantes. usuárias no hospital. 11.89% e 11. 30. são atendidas em média 60 gestantes por mês. A pesquisa foi desenvolvida no Hospital Público Estadual.33% hipertensão arterial e 5. e esta ainda poderia se recusar a participar e sair da pesquisa a qualquer momento. no qual a quantidade férrica foi analisada pela dosagem de hemoglobina. IMC (kg/m²). Na Figura 1. 100% encontravam-se na faixa etária de 18 a 35 anos. verifica-se que 75% das gestantes apresentaram ausência de anemia e 25% com anemia leve. O referido hospital atende a gestantes para o acompanhamento prénatal. pois a mesma foi realizada com o auxílio de entrevistas para aplicação dos questionários e melhor comodidade para com a gestante. Participaram ao todo 36 gestantes. data da última menstruação. respectivamente. renda familiar.000-10. data de nascimento.11% obesidade.0. Piauí.9 kg/m2).5 a 24. estas foram obtidas a partir dos prontuários do Hospital. classificando-as de acordo com a idade gestacional em: baixo peso. O hospital presta assistência contínua de 24 horas/dia (plantão: incluindo finais de semana e feriados). 61. peso. 69.56% trabalhavam em casa. e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. com atendimento hospitalar de urgência e ambulatorial. que classifica a anemia em: ausência de anemia (>11g/dl).56% residiam em casa própria.Piauí e municípios circunvizinhos. sobrepeso (25. gestantes que não realizaram seis consultas de pré-natal e que apresentam transtornos psiquiátricos e indígenas. e foram apresentados em gráficos e tabelas. na época do estudo.56% diabetes mellitus. A definição do IMC pré-gestacional foi obtida por meio da fórmula: índice de massa corpórea=peso pré-gestacional (kg)/ altura (m2). serviço social e enfermagem.Perfil antropométrico e férrico de gestantes atendidas em um hospital de Oeiras. 61. assim. idade gestacional. foram mensurados os indicadores peso (kg). O projeto foi submetido para avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde. nutrição. IMC. oriundas de Oeiras. 63. obstetrícia. a qual é obtida por meio da data da última menstruação (DUM). moderada (>7g/dl e <10g/dl) e grave (<7g/dl). A análise de dados do estado nutricional foi realizada a partir do gráfico de acompanhamento nutricional da gestante. sobrepeso e obesidade. na parte ambulatorial do hospital. Para coleta de dados aplicou-se um questionário estruturado contendo os seguintes dados: nome. Os critérios empregados para cada categoria foram: baixo peso (<18.89% relataram morar com 3 a 5 pessoas e 80.043. garantindo.0% das gestantes apresentaram ausência de doença. onde as mesmas foram informadas sobre o projeto e esclarecidas quanto à metodologia.5 kg/m2). ocupação.9 kg/m2) e obesidade (> 30 kg/m2). encontra-se o estado nutricional das gestantes estudadas. Em seguida. A Figura 3 apresenta as possíveis doenças relacionadas com a gestação: 50.11%. com auxílio de equipamentos antropométricos (balança e fita métrica) e investigado o perfil bioquímico relativo ao ferro e as possíveis doenças associadas.

70. reduzindo-se ao mínimo os riscos obstétricos e de obesidade pós-parto23.00% 40. seguido da obesidade e.44% das gestantes pesquisadas concluíram até o ensino médio.0% Percentual 50.56% Doença Associada Figura 3 .508 gestantes atendidas 184 Percentual Adequado Sobrepeso Obesidade IMC gestacional Figura 1 .00% Hipertensão Arterial Diabetes Millitus Obesidade Ausência de doença 8. Fica clara. assim. já que 66.33%) das gestantes encontra-se adequado.00% 10. 2011. Rev Bras Nutr Clin 2012. que pesquisaram a prevalência de anemia em 1.33% 13.4% com baixo peso e uma semelhança em relação ao sobrepeso (10%)21.00% 20.Moreira ARB et al. O Hipertensão Arterial baixo peso ao nascer.Prevalência de anemia em gestantes atendidas em um Hospital.00% Ausência Leve 25.4% das gestantes na faixa de 20 a 30 anos.00% 30.20 com 61.3%.11% Com relação à escolaridade.00% 30. variando entre 31% para as mães desnutridas a 60.67% 58.00% 60. no caso das mulheres com sobrepeso/obesidade.00% 10. 16. Oeiras-Piauí. Por outro lado. Oeiras-Piauí.00% 75. 61.00% 30. observa-se uma diferença em relação à eutrofia.33% 11. de acordo com o Sobrepeso mesmo estudo foi encontrado 77. Com a pesquisa realizada pode-se observar que o estado nutricional da maioria (58. mas para todas. Segundo o estudo de Souza et al. 60.00% Percentual 40.00% 50. quando associado com o baixo peso Diabetes Millitus pré-gestacional e com inadequado ganho de peso durante a Obesidade gestação. para as do grupo etário de 15 a 19 anos. aumenta o risco para o concepto adquirir diabetes. dados semelhantes foram encontrados por Rocha et al. da desnutrição. Oeiras-Piauí. e 43%. por último.0% estavam eutróficas.0% Anemia Figura 2 . A PNDS realizada em 2008 revela que o excesso de peso é o problema nutricional de maior prevalência entre as mulheres brasileiras em idade fértil. A sua prevalência se eleva conforme a idade.11% 5.00% Baixo Peso 16. A prevalência tende a diminuir com o aumento da escolaridade e menor número de filhos15.00% 20. inclusive contribuindo para o aumento de casos de retenção de peso pós-parto e obesidade em mulheres na idade reprodutiva25.6%. 2011. para o total das mulheres em idade fértil. Ausência de doença hipertensão arterial e doenças cardiovasculares na vida 24 adulta . Lima e Sampaio 19 encontraram uma amostra com 87.00% 20. 69.00% 40.89% 11.11% obesidade.6% das famílias recebiam Obesidade essa mesma faixa de renda. como relata Franceschini et al. a obesidade e o excessivo ganho de peso durante a gestação estão associados ao aumento da morbidade na mãe e no feto.3% Baixo da Peso amostra com baixa escolaridade. Comparando-se esses dados aos do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) de Teresina-Piauí.00% 0. semelhante ao encontrado nesse estudo. 2.00% 70.26. A análise do ganho de peso gestaAusência cional em 240 gestantes de baixa renda da região metropoLeve litana de Recife indicou que este aumentou de acordo com o estado nutricional inicial das gestantes. Um número crescente de estudos vem demonstrando que riscos de saúde na vida adulta estão associados aos extremos de estado nutricional (desnutrição e obesidade).Doença associada à gestação em mulheres atendidas em um Hospital. 27 (3): 181-6 . representando uma faixa ótima no ponto de vista reprodutivo. 80. DISCUSSÃO No estudo realizado. o grupo de gestantes possuía faixa etária de 18 a 35 anos de idade (100%).00% 10.00% 0. contribuindo para evitar  déficit ou excesso ponderal ao final da gravidez.gestacional de gestantes atendidas em um Hospital. a necessidade de um acompanhamento mais eficiente do ganho de peso durante a gestação e atendimento nutricional não apenas para as gestantes com baixo peso.00% 60.00% 50. 2011. Prevalências semelhantes de baixo peso materno foram observadas por Lima & Sampaio19 (18%) e diferenças em relação à Aquino22 (23%).Perfil antropométrico segundo o IMC . sendo de 21.11% apresentavam Adequado renda familiar de até 3 salários-mínimos. 24.00% 0.67% tem baixo peso e 11.00% 50.

O conhecimento do estado nutricional das mulheres assistidas nesta instituição contribuirá para o redirecionamento das ações voltadas para a saúde da mulher. podendo assim ocasionar uma melhoria no atendimento realizado durante o pré-natal.33% das gestantes apresentam hipertensão arterial durante a gestação. pois a deficiência trará ao recém-nascido chances de apresentar baixo peso e à mãe. A pesquisa realizada demonstra que a maioria das gestantes apresenta ausência de doença durante a gestação (50%) e incidência de 11. A anemia em gestantes é considerada como problema de saúde pública. Segundo as categorias propostas pela OMS para caracterizar a magnitude da anemia como problema de saúde pública. Dessa forma. No Brasil. pois o mesmo não influencia somente a saúde materna.4% de mulheres anêmicas. a prevalência de anemia encontrada pela PNDS foi de 30%. e baixa renda29. baixo nível educacional. no qual o profissional nutricionista tem um importante papel na prevenção. Para isso. porém não houve relação entre o estado nutricional de ferro e peso ao nascer. por isso. sendo a prevalência de aproximadamente 4% de todas as gestações. Pode-se observar que 8.11% de obesidade. maior número de partos. com diferenças regionais significativas28. 20. As variáveis antropométricas maternas apresentaram correlação com o peso ao nascer. 185 Rev Bras Nutr Clin 2012. mortalidade e morbidade infantil. que encontrou prevalência de 28% de excesso de peso pré-gestacional e 6% de mulheres com baixo peso. pode sofrer influência em seu peso ao nascer e na ocorrência da prematuridade. O estudo de Rocha  et al. A prevalência de 25% de anemia entre as gestantes encontrada nesta pesquisa é considerada inferior ao índice considerado de importância alarmante pela OMS. reservas inadequadas de ferro. Prevalências entre 20 e 39% são consideradas de significância moderada no âmbito da saúde pública. os autores encontraram prevalência de 5% de diabetes. Foi encontrada prevalência de 21. mais de 25. como deficiência de proteína. possíveis comprometimentos cardíacos.56% das gestantes apresentaram diabetes mellitus. identificação e possíveis correções de problemas quando ainda no útero materno. mas também a do feto que. o segundo e o terceiro trimestres. devemos levar em consideração fatores como prevenção de anormalidades. manutenção e recuperação da saúde de gestantes. estudos demonstram que as doenças hipertensivas continuam sendo as maiores causas de mortalidade materno-fetal nos países em desenvolvimento e são responsáveis por 60% das mortes maternas obstétricas diretas30. sendo 3% de diabetes gestacional e de 2% de diabetes tipo I31. sendo esse valor relativamente baixo quando comparado a um estudo reali­ zado em seis capitais brasileiras com gestantes atendidas em Unidades de Saúde. os dados isolados encontrados no Brasil demonstram que a situação da anemia durante a gestação está distante do desejado. deve-se conhecer as gestantes que apresentam ou desenvolvem anemia durante a gestação para um acompanhamento nutricional adequado e indicação de suplementação de ferro durante o período gestacional. sendo que foram encontradas prevalências de 5. Piauí no ambulatório de pré-natal do IMIP (Instituto Materno Infantil de Pernambuco). tem se referido que a dimensão do problema em gestantes gira em torno de 30 a 40%27.0% apresentaram hemoglobina inferior a 11g/dL.3% e 26. a prevalência encontrada em Oeiras-PI a classifica como de nível moderado (prevalência de anemia é de 20 a 40%)11. idade gestacional mais avançada. devido à dependência da mãe para seu crescimento e desenvolvimento. ausência de suplementação de ferro e dietas deficientes em quantidade e qualidade de ferro11. num estudo realizado na Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). que é igual ou superior a 40%. fator relacionado com a má nutrição.3% para o primeiro.6%. hemorragia antes e durante o parto. embora não existam estudos nacionais com dados consistentes. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa mostrou-se importante por revelar o estado nutricional da gestante durante o pré-natal.20  investigou 168 gestantes atendidas no pré-natal do único centro de saúde disponível no município de Viçosa (estado de Minas Gerais) para a baixa renda. sendo aceitos valores abaixo de 5%. respectivamente. No Brasil. visando à otimização do estado nutricional materno. Percebe-se que 5. Os autores concluem que a ausência de anemia na gravidez pode ser decorrente da qualidade de assistência pré-natal relacionada à prevenção e do tratamento da anemia ferropriva. Por meio desta pesquisa o hospital poderá conhecer a situação do acompanhamento nutricional no pré-natal. Em mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos).Perfil antropométrico e férrico de gestantes atendidas em um hospital de Oeiras. O mesmo estudo relata que foi encontrada anemia três ou quatro vezes maior entre gestantes de segundo e terceiro trimestres em relação ao primeiro. entre 1987 e 1988. e comprometimento do sistema imunológico. por meio da suplementação medicamentosa. Entre as principais causas da anemia entre gestantes destaca-se o baixo nível socioeconômico. Os resultados também evidenciaram que as maiores ocorrências de anemia foram encontradas em primigestas e gestantes com três ou mais gestações. 27 (3): 181-6 .

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MG Perfil nutricional de pacientes hospitalizados em um hospital público do município de Ituiutaba. 27 (3): 187-92 187 . Hospitalização. MG.com. Nutrition therapy. Brasil. à medida que ocorre perda da reserva de gordura subcutânea.CEP: 38411-106 E-mail: rmorsoletto@uol. Uberlândia. Body weights and measures. ABSTRACT Malnutrition is a reality in nowadays in world. 2. but is specially serious when it is hospital malnutrition. Hospitalization. 1. Key words: Malnutrition. Ituiutaba. Minas Gerais Juliana Borges Franco1 Regina H. This study aimed to evaluate the nutritional status of patients admitted to a public hospital in Ituiutaba-MG by anthropometric measures.br Submissão 5 de março de 2011 Aceito para publicação 18 de outubro de 2011 RESUMO A desnutrição é uma realidade no mundo atual.Uberlândia. The interest in assessing the nutritional status of hospitalized patients has increased with the high incidence of malnutrition among hospitalized patients and its association with clinical outcome. Endereço para correspondência: Regina H. Rev Bras Nutr Clin 2012. coordenadora do Curso de Nutrição do Centro Universitário do Triângulo (UNITRI). MG. Terapia nutricional. C. There was a significant percentage of malnutrition in elderly women and that as the reserve there is loss of subcutaneous fat is also loss of lean body mass. Minas Gerais. Antropometria. O interesse na avaliação do estado nutricional do paciente hospitalizado tem aumentado com a constatação de grande incidência de desnutrição entre os pacientes internados e sua associação com a evolução clínica. Nutricionista Mestre. C. Morsoletto2 Unitermos: Desnutrição. Brasil . mas é especificamente mais grave quando se trata de desnutrição hospitalar. há também perda de massa magra. Pesos e medidas corporais. 4545 . Minas Gerais Nutritional profile of patients hospitalized in a public hospital in Ituiutaba. Anthropometry.A Artigo Original Perfil nutricional de pacientes hospitalizados em um hospital público do município de Ituiutaba . MG. Aluna do Curso de Especialização em Nutrição Clínica / Departamento de Nutrição / UNITRI/ Centro Universitário do Triângulo e Nutricionista do Hospital São José de Ituiutaba. Morsoletto Avenida Nicomedes Alves dos Santos. Verificou-se uma porcentagem significativa de desnutrição em pacientes idosos do sexo feminino e. Brasil. Este trabalho teve como objetivo avaliar o estado nutricional dos pacientes internados em um Hospital Público (Ituiutaba-MG) por meio de medidas antropométricas.

permanecendo de pé na balança. que todos apresentam limitações. do sexo feminino.Franco JB & Morsoletto RHC Introdução O estado nutricional expressa o grau no qual as necessidades fisiológicas por nutrientes estão sendo alcançadas. Medidas antropométricas geralmente mais usadas para avaliação da desnutrição incluem: índice massa corporal (IMC). como facilidade de exe­ cução. Como desvantagem é incapaz de detectar distúrbios recentes no estado nutricional e identificar deficiências nutricionais especificas8. sem condições clínicas para verificação de dados antropométricos. não-invasibilidade. pela fórmula estabelecida por Frisancho9: CMB (mm) = CB (mm) . imóveis. Participaram desta pesquisa pacientes hospitalizados. 188 Rev Bras Nutr Clin 2012. Em seguida. que pode culminar em infecções hospitalares de repetição e outras intercorrências2. cir­ cunferência do braço (CB). Não fizeram parte desse estudo pacientes gestantes. tomada na face posterior do braço não dominante. A altura foi obtida estando o paciente de pé na balança antropométrica. afastando-a do músculo sendo que as pontas do adipômetro são encostadas imediatamente abaixo dos dedos que seguram a prega. nuca. A morte do paciente pode ser devida não propriamente à doença de base. de ambos os sexos. De maneira prospectiva. baixo custo. com idade superior a 18 anos. utilizando uma fita métrica medindo o comprimento entre o processo acrominal da escápula e o olecrano. deficiência de cicatrização de feridas. aproximadamente 2 cm acima desse ponto. diminuição da filtração glomerular e da produção de suco gástrico1. e à hospitalização prolongada.14 x PT (mm) onde. no entanto. A avaliação da composição corporal pela antropome­ tria apresenta algumas vantagens. As alterações do estado nutricional contribuem para aumento da morbi-mortalidade. falência respiratória. CB e CMB. encontrando assim o ponto médio do braço. o IMC foi calculado como IMC (kg/m²) = peso corporal em kg e altura2 em metros. com os pés juntos e os braços estendidos ao longo do corpo. com peso mínimo de 100 g e máximo de 200 kg. Os pacientes foram pesados descalços e com o mínimo de vestimentas. circunferência muscular do braço (CMB). utilizando métodos antropométricos clássicos. A avaliação nutricional visa identificar os distúrbios nutricionais permitindo a intervenção adequada e favorecendo a recuperação do paciente2. Em seguida. nádegas e calcanhares tocando essa haste. obtenção rápida de resultados. pacientes em uso de aparelho gessado. estando este estendido e no mesmo local onde foi obtida a PT. pinçou-se a pele sobre o tríceps.6. com o indivíduo descalço no centro do equipamento. foram utilizados os métodos antropométricos que são de grande importância para avaliação do estado nutricional dos pacientes.43%). incluindo tendência à infecção. sendo mais importante o fato de serem influenciados por fatores independentes do estado nutricional7. O presente estudo teve como objetivo avaliar o estado nutricional dos pacientes internados em um Hospital Público de Ituiutaba-MG. foi puxada a pele ligeiramente. sendo 16 (69. chegando a 61.0% quando a permanência no hospital foi maior que 15 dias4. A amostra constituiu-se de 23 pacientes. sendo de 18% nos pacientes eutróficos para 44% nos desnutridos. peso corporal (PC) e estatura (E). com o polegar e o indicador. como os pacientes estavam hospitalizados. Neste caso. A leitura foi feita após se estabilizar a agulha indicadora da escala circular do adipômetro.3. A CB foi obtida no ponto médio do braço dominante. Inicialmente foi realizada uma investigação do prontuário médico para identificação e diagnóstico clínico dos pacientes e tempo de hospitalização. CMB = Circunferência muscular em cm. a desnutrição predispõe a uma série de complicações graves. A medida foi mensurada com o braço solto e relaxado. insuficiência cardíaca. PT = Prega tricipital em cm. O estado nutricional de pacientes hospitalizados pode ser avaliado por vários métodos. submetidos a amputação de membros. Assim sendo. MÉTODO A presente pesquisa foi realizada na clínica médica de um Hospital Público do município de Ituiutaba-MG. Essa estimativa é reforçada através do Inquérito Brasileiro de Avaliação Nutricional Hospitalar (Ibranutri). 27 (3): 187-92 . encostado na haste vertical inextensível. mas sim à desnutrição que. diminuição da síntese de proteínas a nível hepático com produção de metabólitos anormais.1% de desnutrição em pacientes internados e uma progressão durante a internação. que revelou 48. desde que executados por profissionais ca­ pacitados. Neste estudo. e que assinaram o termo de consentimento esclarecido. durante o mês de dezembro de 2010. Vários estudos3-5 realizados ao longo dos anos têm evidenciado a elevada ocorrência de desnutrição hospitalar. marcado com lápis dermatológico ou com caneta de feltro. pacientes internados como casos de emergências apresentaram aumento gradual de mortalidade em relação ao grau de desnutrição. Já os dados antropométricos como a PCT foi medida com um adipômetro tipo Lange. eretos. como IMC.57%) do sexo masculino e sete (30. muitas vezes. O peso foi aferido em uma balança Filizola do tipo Plataforma. não aparece no diagnóstico médico. utilizou-se o braço que foi possível medir. CB = Circunferência braquial em cm. espessura de dobras cutâneas. prega cutânea triciptal (PCT). A CMB foi calculada a partir da PT e CB. exequibilidade à beira do leito e de resultados fi­ dedignos. resultando do equilíbrio entre ingestão e necessidade de nutrientes. para manter a composição e funções adequadas do organismo. cabe ressaltar.

de acordo com o gênero e resultados totais.67 1 4. que 50% das internações do grupo feminino. médias e desvios padrão relativos às idades dos pacientes.25 0 0 1 4.67 1 4. Este dado também está de acordo com o trabalho de Azevedo et al. com idade média de 50 anos e 8 meses para homens e 71 anos e 8 meses para mulheres.08 Pós-operatório de colecistectomia 1 6.5 4 50 6 26. tipo de alimentação e ação de medicamentos. com o objetivo de verificar o estado nutricional dos mesmos. hemorragia digestiva. Fatores que causam essa situação podem estar relacionados com a própria doença. Neste trabalho. Máximos Médias Desvio Padrão Masculino 18 anos 87 anos 50 anos e 8 meses 21 anos e 10 meses Feminino 61 anos 88 anos 71 anos e 8 meses 9 anos e 6 meses Total 18 anos 88 anos 56 anos e 10 meses 21 anos e 1 mês Rev Bras Nutr Clin 2012. observa-se maior incidência de pacientes hospitalizados com diabetes tipo 2. o que pode contribuir para o agravamento de seu estado nutricional.35 Total 16 100 7 100 23 100 Tabela 2 – Valores mínimos. patológicos. ambiente hospitalar. ou mesmo com causas circunstanciais. Contudo.35 Insuficiência respiratória 0 0 1 16.38 Hemorragia digestiva 0 0 1 16. Neste estudo. em que os serviços de oncologia.25 0 0 1 4. sejam eles fisiológicos. apesar da amostra de pacientes idosos ter sido pequena (Tabela 2). Portanto. predominantemente com faixa etária maior. os dados obtidos foram corroborados por trabalhos citados acima.25 0 0 1 4.25 0 0 1 4. representam maior risco nutricional. com relação ao diagnóstico de internação.5 0 0 2 8. alteração do anabolismo e catabolismo.35 Pneumonia 2 12. ocorreu devido a pneumonia. ocorrendo em até 65% desses pacientes12.35 Câncer na garganta 1 6.35 Hipertensão 0 0 1 16.25 0 0 1 4.35 Diabetes tipo 2 2 12. como câncer de garganta.25 0 0 1 4. Na presente pesquisa. como comprometimento da digestão. Pacientes com idade igual ou superior a 80 anos têm cinco vezes mais chances de apresentar desnutrição do que os pacientes abaixo de 5013.35 Insuficiência renal 1 6. etários ou psicológicos. hipertensão e insuficiência respiratória. Grupos/Idade V. fratura. que podem colaborar com o agravo do quadro11.14. deve-se considerar que as doenças relacionadas ao trato gastrointestinal. inúmeros fatores. pneumonia. como dor. abscesso de parede abdominal e apendicite aguda.35 Ferimento com arma branca 1 6. ainda.35 Apendicite aguda 1 6.Perfil nutricional de pacientes hospitalizados em um hospital público do município de Ituiutaba . existe clara relação entre a idade dos pacientes e seu estado nutricional. Nesse contexto. Esses pacientes apresentaram-se subnutridos e com todos os índices antropométricos abaixo do esperado. doenças respiratórias e neurologia foram consideradas áreas de alto risco nutricional. Tabela 1 – Distribuição de frequências e porcentagens de pacientes. interferem no estado nutricional de pacientes hospitalizados. Diagnóstico de internação Masc Masc Fem Fem Total Total Freq % Freq % Freq % Abscesso de parede abdominal 1 6. Vale ressaltar que a desnutrição é uma das maiores causadoras do aumento de morbidade e mortalidade entre idosos hospitalizados.25 0 0 1 4.35 Doença cardiovascular 1 6. A grande incidência de desnutrição em pacientes hospitalizados justifica a necessidade de avaliações nutricionais. conforme demonstrado pela Tabela 1.MG Resultados e Discussão Nesta pesquisa. bem como introdução de terapias nutricionais. Vale ressaltar. Mínimos V.25 0 0 1 4. foram analisados 23 pacientes hospitalizados em um hospital público na cidade de Ituiutaba-MG.7 Epinefrite aguda lateral 1 6. O tipo de doença exerce influência sobre o grau de estresse do paciente. valores máximos. uma vez que a evolução do estado nutricional tem importante papel no tratamento e na recuperação do paciente10. 27 (3): 187-92 189 . a equipe de nutricionistas deve levar em consideração todos esses fatores quando se avalia um paciente antes da determinação da terapia nutricional a ser adotada.67 1 4. já que comprometem parcial ou totalmente a ingestão alimentar pela via oral exclusiva. de acordo com gênero e resultados totais.35 Fratura 4 25 0 0 4 17.

O IMC não é um parâmetro que deve ser utilizado de forma isolada. observou-se que a desnutrição prevaleceu em maior proporção na população feminina. foram encontradas correlações positivas estatisticamente significantes entre os percentis de PCT. às series de dados. Essa avaliação é de suma importância. comparadas duas a duas. Deve-se sim dar atenção nutricional especial a esses pacientes. diminui a taxa de complicações e diminui o tempo de permanência hospitalar16. o que pode ainda assim contribuir para a instalação da desnutrição. De acordo com os resultados demonstrados na Tabela 8.78%) ficou 4 dias no ambiente hospitalar. pois o uso dessa terapia em hospitais reduz a mortalidade. Embora 52. portanto. Nas Tabelas 5. como resul­ tado de grandes alterações do balanço hídrico. correspondendo. contribuindo para a redução do quadro de desnutrição hospitalar. CB. no sentido de se antecipar cada vez mais a abordagem nutricional.17% das avaliações tenham sido feitas no segundo dia de internação hospitalar. fornecendo todos os nutrientes necessários para reduzir a perda da função muscular. esses resultados podem amparar novas tomadas de decisões dentro do serviço de alimentação. dessa forma. mais uma vez. 27 (3): 187-92 . Outro parâmetro utilizado em uma avaliação nutricional são as circunferências e dobras. CB e PCT encontrados no gênero feminino. por sua boa correlação com a massa corporal (r»0. Percebe-se que os pacientes hospitalizados sofrem uma queda de seus níveis antropométricos e podem ainda estar em um estado de desnutrição em função da hospitalização e/ou doenças. percebe-se que ocorreu nos pacientes a perda da reserva de gordura subcutânea evidenciada pelos resultados de PCT acompanhada pelas perdas de CB e CMB. visando a evolução satisfatória dos pacientes. Os resultados estão demonstrados na Tabela 8. maior a possibilidade do paciente se tornar desnutrido. Efetuar a avaliação nutricional nas primeiras horas de internação é fundamental para acompanhar a evolução do paciente durante a internação hospitalar. sendo amplamente utilizado como indicador do estado nutricional. Isto indica que. como também estimular a função imunocelular e evitar a toxicidade por hiperalimentação e. à metade do período de internação.Franco JB & Morsoletto RHC O período de internação é outro fator importante a ser analisado. foi aplicado o Coeficiente de Correlação por Postos de Spearman20.05. impedindo até mesmo a hospitalização e rápida convalescência. Dessa forma. A Tabela 3 demonstra que 34. para que possam ter uma boa evolução terapêutica. Foi encontrada. a terapia pode ser eficaz para a recuperação dos mesmos. principalmente se o paciente antes da perda de peso apresentasse excesso de peso ou obesidade. expressa pela relação entre a massa corporal em kg e estatura em m2. pode ter algumas restrições quanto à sua utilização. observa-se que os menores índices antropométricos foram da CMB. com 28. Deve-se lembrar também que a perda de peso apresentada pelo paciente. pode não ser demonstrada pelo cálculo do IMC. os da outra aumentam também. que é um fator importante na avaliação nutricional. e a desnutrição resultará em período de internação mais prolongado15. à medida em que os valores de uma das variáveis diminuem. correlação positiva. pois constituem o meio mais conveniente para estabelecer indiretamente a massa corpórea de gordura19. pois é o primeiro passo para detectar desnutrição e se iniciar terapia nutricional adequada. pois pacientes hospitalizados por longos períodos tendem a maiores complicações. o peso pode estar significativamente modificado devido à de­ pleção de volume ou de sua sobrecarga. O estudo não evidenciou correlação entre os dias de internação e as medidas PCT. 6 e 7.57% (Tabela 4). em média. e na maioria idosas (Tabela 2). No entanto. como descrito acima. o IMC desses pacientes estará superestimado18. em um teste bilateral. à medida que os valores de uma das variáveis aumentam. Análise estatística Com o objetivo de verificar a existência ou não de correlações estatisticamente significantes entre os percentis obtidos pelos pacientes nas variáveis PCT. A primeira tarefa desse profissional consiste na avaliação nutricional do paciente que chega ao hospital. Neste trabalho.78% dos pacientes permaneceram internados por um período de quatro dias e 52. 190 Rev Bras Nutr Clin 2012. pode sofrer alterações que não retratam a realidade nutricional do paciente.17% das avaliações foram feitas no segundo dia de internação. que a desnutrição prevalece entre as mulheres. o IMC deve ser avaliado em conjunto com outros parâmetros para a avaliação nutricional. Sendo assim. Com isso. também. O nível de significância foi estabelecido em 0. os da outra diminuem. pois. quando comparados com os percentis de CB e de CMB. talvez porque a maioria dos pacientes (34. CB e CMB. Percebe-se. que o trabalho do profissional nutricionista é indispensável em uma equipe multidisciplinar de um hospital. O IMC é uma variável bastante comum e conhecida. CMB e os dias de internação. Sabe-se que. quanto maior o tempo de hospitalização.80) e baixa correlação com a estatura. No entanto. estatisticamente significante entre os percentis de CB e de CBM. proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente17. demonstrando. Em pacientes críticos e idosos.

Percentis Masc Masc Fem Fem Total Total Freq % Freq % Freq % <5 1 6. de acordo com o gênero e resultados totais.39 Sete 1 6.17 Sobrepeso 5 31.25 0 0 1 4.MG Tabela 3 – Distribuição de frequências e porcentagens de pacientes. de acordo com os classificação obtida no IMC.25 1 14.25 0 0 1 4.35 Dezenove 1 6.25 0 0 1 4.5 0 0 2 8. de acordo com o gênero e resultados totais.28 12 52.35 Entre 50 e 75 0 0 2 28.35 75 0 0 2 28.7 Normal 11 68.57 3 13.35 Total 16 100 7 100 23 100 Rev Bras Nutr Clin 2012.28 3 13. com relação ao tempo de internação.25 0 0 1 4.28 4 17.25 0 0 1 4.57 2 8.57 3 13.35 50 1 6.39 Entre 25 e 50 1 6. Percentis Masc Masc Fem Fem Total Total Freq % Freq % Freq % <5 2 12. de acordo com os percentis obtidos no CB.75 1 14.28 3 13.75 5 71.04 Entre 10 e 25 1 6.35 25 4 25 0 0 4 17. Classificação do IMC Masc Masc Fem Fem Total Total Freq % Freq % Freq % Baixo peso 0 0 2 28.35 Total 16 100 7 100 23 100 Tabela 4 – Distribuição de frequências e porcentagens de pacientes.04 95 1 6.04 Entre 25 e 50 4 25 1 14.44 8 34.28 5 21.7 Quatro 3 18.39 Entre 10 e 25 3 18.35 Desessete 1 6.25 0 0 1 4.7 90 1 6.25 2 28.28 2 8.5 2 28.25 2 28. 27 (3): 187-92 191 .25 0 0 1 4.57 7 30. Tempo de Internação (dias) Masc Masc Fem Fem Total Total Freq % Freq % Freq % Dois 1 6.7 > 95 2 12.5 1 14.25 0 0 1 4.04 25 2 12. de acordo com os percentis obtidos no PCT.75 1 14.35 10 2 12.25 0 0 1 4. de acordo com o gênero e resultados totais.5 0 0 2 8.25 0 0 1 4.35 Doze 0 0 1 14.43 Obesidade I 0 0 1 14.28 1 4.34 Total 16 100 7 100 23 100 Tabela 5 – Distribuição de frequências e porcentagens de pacientes.25 2 28.28 1 4.04 5 3 18.78 Cinco 1 6. de acordo com o gênero e resultados totais.28 1 4.7 Dez 1 6.25 0 0 1 4.35 Seis 4 25 0 0 4 17.7 Entre 75 e 90 2 12.35 Quinze 1 6.57 2 8.25 0 0 1 4.Perfil nutricional de pacientes hospitalizados em um hospital público do município de Ituiutaba .71 50 1 6.5 1 14.75 0 0 3 13.35 Três 2 12.39 5 1 6.7 Total 16 100 7 100 23 100 Tabela 6 – Distribuição de frequências e porcentagens de pacientes.57 4 17.35 Obesidade II 0 0 1 14.5 0 0 2 8.57 2 8.

14. Waitzberg DL.57% dos pacientes do sexo feminino estavam com baixo peso. Nurs Clin North Am. Variáveis Analisadas Valores de rs Probabilidades PCT x CB 0. Isosaki M. Sallum PM. 4. Hellerstein M. Baxter YC. CB. Avaliação do estado nutricional de adultos e idosos e situação nutricional da população brasileira. Cruz DO. 2004.28 3 13. Vasconcelos FC. 27 (3): 187-92 192 . Nutrição oral. ficou clara a importância da avaliação nutricional de pacientes hospitalizados. RBTI. Singel S. Am J Clin Nutr. Desnutrição hospitalar no Brasil.7 10 1 6. Benedetti H.75 0 0 3 13. Farias AA. Rev Nutr.7 50 2 12. Local de realização do trabalho: Centro Universitário do Triângulo (UNITRI). Estatística não-paramétrica. Dieta hipossódica: aceitação por pacientes internados em hospital especializado em cardiologia.21(3):295-300. Kinney J. Nutr Pauta. Avaliação do estado nutricional de pacientes adultos sob terapia nutricional internados em Unidade de Terapia Intensiva Neurológica. 2008. 1997. Guaitoli PMR.7 Entre 25 e 50 2 12. Bosio MC.25 1 14. 2007.774 0.04 25 2 12. Wallingford:CABI Publishing. Fernandes SSL. Acuña K. Lübke HJ. 9.35(4):89-96.04 90 1 6.000 * CB x CMB 0.39(4):248-52. Fontoura CSM. Tognoli M. Cruz T.777 0. Prevalência de desnutrição em um hospital geral de grande porte de Santa Catarina/ Brasil. 7. Rev Saúde Pública.2003. 18.5 0 0 2 8. Barros AJ. Anthropometric standards for the assessment of growth and nutritional status.21(1):33-7. 19.2002. Referências 1. São Paulo:Atheneu. Gama-Rodrigues J.5 0 0 2 8. 10.1(1):145-56. 350p. Castellani FR. Avaliação global subjetiva: Parte 2-Revisão de suas adaptações e utilizações nas diversas especialidades clínicas. Estado nutricional de pacientes hospitalizados e sua associação com o grau de estresse das enfermidades. Caiaffa WT. Vieira RM. Uberlândia. 1997. obtidos quando da aplicação do Coeficiente de Correlação por Postos de Spearman aos percentis obtidos pelos pacientes no PCT. 2002. Lopes MFL. de acordo com o gênero e resultados totais.7 Entre 75 e 90 1 6.139 0. ed. Santos DM. Medina F. pois 28.19(2):129-44. 2006.604 0. Correia MI. 17.000 * PCT x CMB 0. Cardoso E.7 95 1 6. Minko N. Cintra RMGC.895 Dias de internação x CMB 0.5 1 14. Bottoni A. enteral e parenteral na prática clínica. para as ciências do comportamento. Medeiros ZL.48(3):345-61. Hiroshi R.28 2 8. 12. Correia MITD. Percentis Masc Masc Fem Fem Total Total Freq % Freq % Freq % <5 0 0 2 28.66(3):683-706. Índice de massa corporal e indicadores antropométricos de adiposidade em idosos.Franco JB & Morsoletto RHC Tabela 7 – Distribuição de frequências e porcentagens de pacientes. 11. Brasil. Neto RS.25 1 14.25 2 28. Disease-related malnutrition: an evidencebased approach to treatment. Arq Catarinenses Med. Avaliação nutricional de pacientes críticos. Ficou demonstrado também que. 2005. Schütz T. Green CJ. In: Waitzberg DL. Campanella ELS.018 0. Summary of a conference sponsored by the National Institutes of Health. 2001. A atuação da equipe de saúde precisa convergir seus esforços no sentido de diminuir os riscos nutricionais durante a permanência do paciente no ambiente hospitalar e o nutricionista deve buscar sempre novas formas de implantar a avaliação nutricional o mais precoce possível. Londero LG. 189p. Murray M. Alpers D. Elia M.17(7-8):573-80. Garla P. 8.18(3):298-306. São Paulo:McGraw-Hill do Brasil. A dieta hospitalar na perspectiva dos sujeitos envolvidos em sua produção e em seu planejamento. 6.25 0 0 1 4. Rev Bras Nutr Clin 2012. 15. 2004.1975. 2006. Custos do tratamento de pacientes recebendo terapia nutricional: da prescrição à alta. Mota ES. Klein S. Semiologia. Frisancho AR.16(1):47-52. Kemps M. Rev Bras Nutr Clin.029 0. Luhman N. Garcia RW. Matto MSR. Soares AS. 2002. Hospital malnutrition: the Brazilian national survey (IBRANUTRI): a study of 4000 patients. CMB e os dias de internação. et al. et al. 16. 5. Sichieri R. Rev Para Med.1990. Duarte AC. et al.32(4):791-812. Trad. 2005. 2006.5 0 0 2 8. à medida que ocorre perda da reserva de gordura subcutânea.000 * Dias de internação x PCT 0.35 Entre 10 e 25 3 18.57 3 13. p. Waitzberg DL. 2006. Yabuta CY.935 Dias de internação x CB 0. Pirlich M. de acordo com os percentis obtidos no CMB. Arq Gastroenterol. 13. 20. and American Society for Clinical Nutrition. Silva MC.57 2 8.39(2):163-8. Nutrition support in clinical practice: review of published data and recommendations for future research directions. Waitzberg DL.04 Entre 50 e 75 1 6.28 2 8. American Society for Parenteral and Enteral Nutrition. Nutrition. Silva AA. Rev Simbio-Logias. Rio de Janeiro:Axcel Books do Brasil. há também perda de massa magra.528 (*) p < 0. Rev Bras Nutr Clín. Azevedo LC.18-30. 2. MG.2002. Nutrition.35 Total 16 100 7 100 23 100 Tabela 8 – Valores de rs e das probabilidades a eles associadas.7 5 2 12. 3.25 0 0 1 4. Arq Bras Endocrinol Metab.05 Conclusão Nesta pesquisa. Michigan: The University of Michigan Press.22(3):194-6. Terapia nutricional na doença pulmonar obstrutiva crônica associada à desnutrição protéico-calórica: artigo de revisão. Stratton RJ.385-97. et al. Social risk factors for hospital malnutrition. Morrison SG. Feeding the elderly population. Jeejeebhoy K.

peixe e crustáceos. focando principalmente na incidência e predisposição. epidemiologia e imunopatogênese Alergia alimentar: definições. Brasil. peanuts. MG. Laboratório de Microbiologia. immunopathogenesis and clinical manifestations. tornam-se necessários estudos atuais de caracterização do alergeno e dos mecanismos imunológicos que irão fornecer uma melhor compreensão da imunopatologia dessas doenças e novas formas mais específicas de diagnóstico e de terapêutica. LILACS. amendoim. Como esses alimentos fazem parte do cardápio diário da maioria da população. wheat. Results: The prevalence of allergic diseases has increased in recent decades and food allergy is as a major cause of such increase. que afeta cerca de 6% das crianças e 4% dos adultos. Método: Foi realizada uma revisão de literatura. Brasil. The food-induced allergic reactions are responsible for a variety of symptoms involving the skin. epidemiologia e imunopatogênese Food allergy: definitions.com Submissão 21 de novembro de 2011 Aceito para publicação 6 de março de 2012 RESUMO Objetivo: O presente trabalho teve como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre as alergias alimentares. São João Del-Rei. nuts. Brasil . leite. Key words: Food hypersensitivity. types of food allergens. Alimentos. Professora de Microbiologia. MG. São João Del-Rei. 1. na imunopatogênese e nas manifestações clínicas. As reações alérgicas induzidas pelo alimento são responsáveis por uma variedade de sintomas que envolvem a pele. SciELO. Os principais alimentos responsáveis por essas reações incluem ovo. soja.CEP 35501-296 E-mail: fcarmo3@hotmail. Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ). fish and crustaceans. laboratório de Microscopia. Since these foods are part of the daily menu of most population. Sebastião Gonçalves Coelho. nos tipos de alergenos alimentares. focusing mainly on the incidence and predisposing factors. tratos gastrointestinal e respiratório. ScienceDirect.A Artigo de Revisão Alergia alimentar: definições. milk. SciELO e ScienceDirect. 2. which affects about 6% children and 4% adults. Campus Centro-Oeste Dona Lindu. podendo ser mediada por IgE ou não mediada por IgE (celular). Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ). Resultados: A prevalência de doenças alérgicas tem aumentado nas últimas décadas e a alergia alimentar apresenta-se como uma importante causa desse aumento. Food.Bairro Chanadour . Campus Centro-Oeste Dona Lindu. Methods: A literature review was performed by consulting the following databases: PubMed. Endereço para correspondência: Flávia Carmo Horta Pinto Av. current studies are necessary to characterize the allergen and immune mechanisms that will provide a better understanding of the immunopathology of these diseases and new more specific forms of diagnosis and therapy. 400 . ABSTRACT Objective: This study aimed to conduct a literature review on food allergies. The main foods responsible for these reactions include egg. Food allergy is defined as an adverse immune response to protein foods.Divinópolis. epidemiology and immunopathogenesis Jaqueline Maria Siqueira Ferreira1 Flávia Carmo Horta Pinto2 Unitermos: Hipersensibilidade alimentar. soy. onde as bases consultadas foram PubMed. trigo. gastrointestinal and respiratory tracts and may be or not IgEmediated (cellular). Rev Bras Nutr Clin 2012. Alérgenos. LILACS. nozes. MG. castanhas. Allergens. A alergia alimentar é definida como uma resposta imunológica adversa aos alimentos protéicos. 27 (3): 193-8 193 . Professora de Patologia.

Um balanço insuficiente ou inapropriado dos alimentos na dieta pode causar condições patológicas como obesidade ou desnutrição. LILACS. dificultando sua penetração no organismo12. A imaturidade ou a deficiência desses mecanismos podem comprometer a integridade da mucosa intestinal e permitir o quadro de imunização sistêmica. o que tem contribuído para a compreensão crescente da imunopatogênese de muitas doenças alérgicas. doenças tóxicas ou alergias1. SciELO. que é caracterizada por uma combinação geneticamente determinada e “ambientalmente” induzida por uma superprodução de anticorpos IgE ao alergeno alimentar ou inalante. de diversas origens. Um outro termo utilizado nos estudos da alergia alimentar é a atopia. Um exemplo de barreira imunológica é gerado pela produção de imunoglobulina A (IgA). a produção de muco e enzimas digestivas funcionam como barreira não imunológica à penetração de material antigênico pela via digestiva10. e as microvilosidades intestinais estão imaturas. as microvilosidades intestinais. A penetração desses antígenos pela via digestiva pode causar repercussões sistêmicas. que podem agir como antígenos. MÉTODO A revisão de literatura foi realizada com base em periódicos nacionais e internacionais. o peristaltismo intestinal. As alergias alimentares tornaram-se um grande problema mundial de saúde nas duas últimas décadas e estão associadas a um impacto negativo significativo na qualidade de vida da população. o recémnascido necessita de imunoglobulina A e imunoglobulina M (IgM). Vários estudos têm demonstrado que a indução da tolerância ou da imunização depende de diversos fatores. podendo acarretar em novas abordagens de diagnóstico e imunoterapia7. A atividade proteolítica intestinal não alcança níveis maduros até aproximadamente dois anos de idade. entre elas a alergia alimentar. tratos gastrointestinal e respiratório. tendo como critérios de inclusão os trabalhos mais representativos nessa área. O termo hipersensibilidade deve ser usado para descrever sintomas ou sinais reprodutíveis causados pela exposição a um estímulo definido em uma dose tolerada por pessoas normais23.6. enfatizando principalmente incidência e predisposição da alergia alimentar. 194 Rev Bras Nutr Clin 2012. Por outro lado. tipos de alergenos alimentares. podendo ser o resultado de diversos fatores. entre outros9. que aparecem após a ingestão de determinadas proteínas alimentares que podem ser mediadas por IgE ou não16-18. mediada por uma resposta imunológica anormal20-22. a hipersensibilidade alimentar (geralmente usada como sinônimo de alergia alimentar) pode ser definida como uma reação clínica adversa reprodutível após a ingestão de alergenos presentes nas proteínas dos alimentos. bem como uma desregulação das células T supressoras25. ABSORÇÃO DE ANTÍGENOS DA DIETA O intestino está rotineiramente exposto a uma variedade de macromoléculas. este artigo de revisão apresenta uma atualização. fazendo com que o alimento esteja envolvido em uma grande variedade de distúrbios. abordando assuntos na área de alergia alimentar. que afeta cerca de 6% das crianças e 4% dos adultos. bem como aversões psicológicas19. imunopatogênese e manifestações clínicas. ScienceDirect. que é específica ao antígeno e produzida tanto no lúmen da mucosa como no soro. como tolerância oral ou imunização oral8. ALERGIA ALIMENTAR: DEFINIÇÕES A alergia alimentar é definida como uma resposta imunológica adversa aos antígenos alimentares. além de conter rótulos inadequados5. podendo ser mediada pela imunoglobulina E (IgE) ou não mediada por IgE (celular)3. Entretanto. são várias as consequências imunopatológicas que podem ser desencadeadas pela via digestiva. Muitos alergenos alimentares estão sendo caracterizados a nível molecular. de textos didáticos e revisões publicadas. levando a uma alteração na ligação do antígeno e transporte pelas células epiteliais da mucosa13. o glicocálix. as tight junctions entre as células epiteliais. 27 (3): 193-8 . como contaminação. As reações alérgicas induzidas pelo alimento são responsáveis por uma variedade de sintomas que envolvem a pele. A Organização Mundial de Alergia (World Allergy Organization) propôs.11. A alergia alimentar é definida como uma resposta imunológica adversa aos alimentos protéicos. uma nova nomenclatura. Alguns mecanismos responsáveis pelo impedimento da imunização desencadeada por antígenos alimentares se relacionam com o próprio intestino. Outras reações adversas aos alimentos não mediadas imunologicamente podem ser causadas por vários mecanismos. natureza e dose do antígeno. Assim. como deficiências de enzimas digestivas (intolerância à lactose) ou toxinas (intoxicação alimentar por estafilococos). reações farmacológicas. A prevalência de doenças alérgicas tem aumentado nas últimas décadas e a alergia alimentar é um importante fator responsável por esse aumento2. microbiota intestinal. definindo a alergia alimentar como um grupo de distúrbios gastrointestinais com resposta imunológica anormal ou exagerada. em 2003. Essa IgA se liga a moléculas antigênicas. Além disso. Os riscos ao bem-estar aumentam à medida que os alimentos consumidos em uma população são cada vez mais processados e complexos. raça e linhagem. Devido ao tema alergia alimentar ser conflitante e muitas vezes incompreendido.4. tóxicas ou neuropsicológicas24. As bases consultadas foram: PubMed.14.Ferreira JMS & Pinto FCH INTRODUÇÃO A maioria dos indivíduos ingere cerca de três refeições ao dia. Os alimentos e seus aditivos podem ser uma fonte de infecção. intolerância alimentar é a denominação que se aplica a qualquer reação adversa aos alimentos de caráter não imunológico. cujas concentrações estão ausentes no nascimento e continuam baixas durante os primeiros meses de vida15. As células epiteliais. tais como idade.

A alergia alimentar aparece principalmente nos primeiros dois anos de vida. mas apenas cinco têm importância alergênica especial. Esses estudos demonstraram que a resposta alérgica depende da integridade estrutural da proteína. casais alérgicos apresentavam proporção mais alta de filhos alérgicos do que os casais não alérgicos33. e ao ovo. mas a sensibilidade alimentar a amendoim. sua influência na alergia alimentar pode ocorrer por vários fatores. persiste na idade adulta38-40. porém. IgA e imunoglobulina G (IgG) são detectadas nessas crianças tolerantes44. Vários estudos têm sugerido que amamentação exclusiva pode produzir tolerância oral. após cinco anos41. leite e ovo perde a reatividade clínica ao trigo depois de um ano de vida. Diferentes populações e nacionalidades podem consumir mais certos alimentos e a exposição aumentada pode resultar em maior prevalência de determinada alergia alimentar46. Os estudos iniciais na década de 1920 demonstraram que. Cerca de 6% das crianças com menos de três anos de idade e aproximadamente 4% da população adulta são afetados por várias desordens alérgicas induzidas por alimento28. A idade é um fator importante na predisposição do indivíduo em desenvolver reação anafilática induzida por alimento. onde a dieta alimentar é diferente dos outros membros da família. e trigo geralmente são abandonadas com a idade. Os alimentos introduzidos durante o primeiro ano de vida. onde epítopos ligantes a IgE são responsáveis pela atividade funcional alergênica50. a probabilidade ainda é de 30%34. ao leite. Essas diferenças podem estar relacionadas com o metabolismo desses alergenos. Baixas concentrações de anticorpos específicos IgM. papoula e canola56. após dois anos. como gergelim. A alergia alimentar na fase infantil tem sido relacionada até mesmo com o desenvolvimento de colite ulcerativa e doença de Crohn na fase adulta45. No leite de vaca podem ser encontradas pelo menos vinte proteínas. muitos alergenos foram identificados e caracterizados tanto bioquimicamente como imunologicamente. Qualquer alimento é potencialmente alergênico. qualquer proteína alimentar é capaz de causar uma reação anafilática. Por exemplo. como quantidade de exposição. sendo termolábeis e de peso molecular entre 18 e 36 KDa. 27 (3): 193-8 . a prevalência das doenças alérgicas tem aumentado em todo o mundo. alfa-lactalbumina e as proteínas termoestáveis beta-lactoglobulina e caseína. estado nutricional do indivíduo e presença de infecção crônica ou doenças virais agudas.Alergia alimentar: definições.31. Mas não se sabe o motivo de alguns alimentos serem mais alergênicos que outros51. onde o peixe é altamente consumido. trigo. Nos Estados Unidos. epidemiologia e imunopatogênese A sensibilização alérgica provavelmente representa uma expressão da falência dos mecanismos de tolerância26. especialmente nos países industrializados27. Certos alimentos são citados mais frequentemente. amendoim. O próprio alimento que induz a hipersensibilidade pode ser responsável pelo “abandono” da alergia alimentar com a idade. A lista de alimentos que potencialmente podem induzir uma reação anafilática é ilimitada e. prevenindo alergia alimentar e dermatite atópica. mas alguns causam mais reações alérgicas que outros. em outros. outros fatores não genéticos. soja. na Escandinávia. A beta-globulina é a mais importante. como kiwi e mamão papaya. ovo. soja.48. peixe e crustáceos. como as proteínas termolábeis albumina sérica bovina. sendo resistente ao aquecimento e à ação das 195 Rev Bras Nutr Clin 2012. possuem maior capacidade de induzir reação anafilática. foram implicados no desenvolvimento da alergia32. na teoria. os casos de alergia alimentar também aumentam. Os americanos ingerem várias toneladas de amendoim diariamente. Os dados da literatura relatam vários fatores que predispõem um indivíduo às reações anafiláticas induzidas por alimentos. Alguns adultos podem perder a sensibilidade a um alimento se eles evitarem sua ingestão por um tempo prolongado. sendo responsáveis por cerca de 80 a 90% das reações verificadas na alergia alimentar. trigo e amendoim. observa-se aumento dessa sensibilidade35-37. Mesmo quando um dos pais é alérgico. No Brasil. geralmente duas ou mais proteínas estão envolvidas57. leite. ALERGENOS ALIMENTARES Durante os últimos 10 anos. INCIDÊNCIA E PREDISPOSIÇÃO Durante as últimas décadas. nozes. e diminui com a idade. e grãos. Além desses. tais como ovo. Reações alérgicas a leite. como leite de vaca. porque a prevalência de uma alergia alimentar específica também depende do hábito alimentar da população. ovo. Como já mencionado anteriormente. peixe e crustáceos. a incidência de reações alérgicas por bacalhau está aumentada47. pois os dados são escassos e de obtenção muito difícil. constata-se que há probabilidade superior a 50% de crianças apresentarem alergia quando os pais são alérgicos.29. Quando se estuda um grande número de famílias. As reações a antígenos isolados são incomuns. uma vez que as manifestações clínicas são variadas e se confundem com outras reações adversas a alimentos49. mas não há estimativa dos afetados. muitas vezes. A alergia aos aditivos e conservantes geralmente é rara52-55. Todavia. incluindo história pessoal ou familiar de atopia. Os alimentos que causam reações imunológicas têm propriedades comuns. soja. castanhas. tornando esses indivíduos tolerantes. gamaglobulina. Em contraste. Em relação à dieta. a acessibilidade aumentada às frutas frescas e vegetais de toda parte do mundo e o apetite insaciável para uma dieta mais diversificada e natural têm resultado em aumento de reações alérgicas a frutas. o amendoim é um dos agentes mais comuns nas alergias alimentares. idade e dieta. Pacientes atópicos com asma têm risco aumentado de desenvolvimento mais grave de reações alérgicas alimentares30.43. essa suscetibilidade aumentada em crianças pode ser explicada pela imaturidade dos sistemas imune e gastrointestinal42. uma criança alérgica a trigo.

desencadeada pela ação da histamina. e o aumento da permeabilidade vascular. tipo II – citotóxica. Tipicamente. desses trafegam para o ducto torácico chegando à circulação sanguínea. A alergia ao ovo afeta 0. A clara de ovo é um complexo de pelo menos 24 frações de proteínas diferentes. prostaglandina D2 (PGD2) e pelo fator ativador de plaquetas (PAF). NCF-A (fator quimiotático para neutrófilos da anafilaxia). leucotrieno C4 e PAF em receptores das células endoteliais. há degranulação dos mastócitos com liberação da histamina. O inositol trifosfato (IP3) e o diacilglicerol (DAG) ativam a proteína C presente na membrana. 5% dos bebês atópicos e 50% das crianças com dermatite atópica59. serotonina. as reações alérgicas podem ser classificadas em quatro tipos: tipo I – reação anafilática.Ferreira JMS & Pinto FCH enzimas proteolíticas no trato gastrointestinal. tipo III – reação por complexos antígeno-anticorpo.5% das crianças saudáveis. respectivamente61. Da circulação. O cálcio. constituída pelo muco. com início após 15 a 30 minutos.60. o ovomucóide (Gal d 3) e a conalbumina (Gal d 2). e tipo IV – reação de imunidade celular. Essa interação é o “primeiro” sinal que leva à proliferação dos linfócitos T e síntese de citocinas. No futuro próximo. IL-10. a alergia alimentar pode ser amplamente classificada como sendo mediada ou não mediada por IgE. formando um complexo que é capaz de ativar enzimas. gerando um “segundo” sinal que promove uma resposta Th2. Nas reações mediadas por anticorpos IgE. linfócito T e linfócitos B66. Tais eventos incluem a vasodilatação gerada pela histamina. os antígenos da dieta podem entrar na mucosa intestinal através das células M situadas na placa de Peyer67. O controle da exposição a alergenos alimentares representa uma forma de tratar e prevenir a alergia alimentar. o que favorece a absorção de uma molécula relativamente íntegra. As primeiras modificações referem-se a eventos vasculares. A sensibilização cruzada também pode ser observada entre dois ou mais membros de uma mesma família de alimento. em plasmócitos. Muitas vezes as crianças são sensibilizadas por alimentos passados através do leite materno durante a lactação62. lentilhas e soja63. O mecanismo envolvido na hipersensibilidade imediata tipo I é bem conhecido.71. Essa reação ativa os mastócitos teciduais e basófilos sanguíneos. Dados recentes sugerem que a sensibilização também pode ocorrer no útero. que causam a ativação e a diferenciação dos linfócitos B. entre os principais alérgenos já identificados. O cozimento do leite pode reduzir sua alergenicidade apenas nos indivíduos alérgicos às proteínas termolábeis58. dentro de poucos minutos a 2 horas72. é a responsável pela maioria das reações alérgicas a alimentos em indivíduos sensíveis65. os alergenos alimentares se ligam a moléculas IgE específicas e liberam os mediadores químicos responsáveis pelos sintomas clássicos73. Após a fosforilação das proteínas perigranulares. M A N I F E S TA Ç Õ E S C L Í N I C A S E Ó R G Ã O S ENVOLVIDOS As manifestações clínicas da alergia alimentar mediada por IgE podem envolver um ou mais órgãos-alvo. como heparina e tripsina. Esses mediadores geram muitas modificações locais que são responsáveis pelas manifestações clínicas da alergia alimentar70. ECF-A (fator quimiotático para eosinófilos da anafilaxia). Para isso. ou tipo I. o aparecimento dos sinais e sintomas após a ingestão geralmente é agudo. Segundo Gell e Combs. que constituem 54%. e mediadores derivados da matriz do grânulo. como ervilhas. A mucosa gastrointestinal apresenta uma barreira física. IL-13. Os casos mais frequentes de hipersensibilidade alimentar em crianças estão relacionados com a ingestão de produtos do ovo de galinha.69. A reação de hipersensibilidade imediata. tais como pele. trato gastrointestinal e sistema cardiovascular. junções entre as células epiteliais e enzimas. Os linfócitos T e B migram. trato respiratório. então. os sintomas aparecem após a ingestão ao alimento. processam e apresentam peptídeos unidos ao Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC) Classe II para os linfócitos Th. além de ativar a fosfolipase C. O desenvolvimento da resposta mediada por IgE a um alergeno é o resultado de uma série de interações moleculares e celulares envolvendo as células apresentadoras de antígeno. Os anticorpos IgE antígeno-específicos se ligam a receptores específicos presentes na superfície dos mastócitos e basófilos68. os linfócitos ativados retornam à mucosa digestiva e passam a residir na lâmina própria. Como descrito anteriormente. IL-9. o antígeno forma ligações com várias IgEs (crosslinking) ligadas aos mastócitos. a manipulação de alimentos através da engenharia molecular e imunológica fornecerá estratégias mais promissoras para a prevenção de doenças alérgicas64. Quando novamente ingerido. e uma barreira imunológica constituída pela secreção da imunoglobulina IgA. resultando na sensibilização. das placas de Peyer para os linfonodos mesentéricos. Os macrófagos residentes nessa placa fagocitam. IL-6. então. Os linfócitos Th2 liberam interleucina-4 (IL-4). liga-se à calmodulina. Após atravessarem essas barreiras. MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS A alergia é uma reação de hipersensibilidade desencadeada por mecanismos imunológicos específicos. Indivíduos alérgicos a amendoim também se mostram alérgicos a outros membros da mesma família. os quais apresentam um receptor de célula T (TCR). Após uma exposição subsequente. Ocorre. Uma exposição e sensibilização prévias a alergenos alimentares teoricamente precedem à reação anafilática inicial. 27 (3): 193-8 . o que estimula a abertura dos canais de cálcio. que são responsáveis pela síntese do anticorpo IgE antígeno-específico. então. salientam-se a ovoalbumina (Gal d 1). A vasodilatação e o aumento da permeabilidade vascular geram o eritema na pele e o 196 Rev Bras Nutr Clin 2012. IL-5. a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos causados pela alergia alimentar devem ser melhor compreendidos. a fosforilação de proteínas perigranulares pela proteína C ativada e pelo complexo calmodulina/ cálcio. feijão. 11% e 12% da proteína total da clara.

Int Arch Allergy Immunol. 2007. Pastorello EA. Immunotherapy in food allergy.29(2):189-200. Allergol Int. 20. food allergy. A alergia alimentar não mediada por IgE apresenta sintomas subagudos ou crônicos. Alergia alimentar: atualização prática do ponto de vista Gastroenterológico. 2. Mahoney EJ. Ferreira CT. Peanutinduced anaphylactic reactions. Russell MW. Recent Pat Inflamm Allergy Drug Discov. Otolaryngol Clin North Am. 15. pode ocorrer congestão nasal.66(Suppl 95):7-9. Silva CP. Diagnostic testing in the evaluation of food allergy. Seidman E. 19. Mims JW. 23. prostaglandinas e PAF geram um desequilíbrio eletrolítico com perda de íons e água. 2011. Vasar M. Alergia alimentar: atualização prática do ponto de vista Gastroenterológico.44(3):815-33.44(3):815-33. Sampson HA. 2011. 10. 2010. Development of allergy and IgE antibodies during the first five years of life in Estonian children. classification and diagnosis. Specific antibody activity.125(2 Suppl 2):S116-25. rubor. 31. 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Os estudos atuais de caracterização do alergeno e dos mecanismos imunológicos devem fornecer melhor compreensão da imunopatologia dessas doenças e novas formas mais específicas de diagnóstico e terapêutica. Jones SM. Julge K. 2008. J Allergy Clin Immunol. Spergel JM. 8. Food allergy: review. vômito ou refluxo. 24. NCF-A e PAF . Imunidade relacionada à resposta alérgica no início da vida. observa-se enorme crescimento nos estudos na área de alergia alimentar. Alergia a alimentos. No trato respiratório. Nowak-Węgrzyn A.30(2):100-6. Walker WA.66(Suppl 95):7-9. Cianferoni A. Sicherer SH. Pereira ACS. PAF. 5. Weiner HL. Luengo O. Laubach S. 16. Seidman E. mediadores como histamina e PGD2 podem estimular a produção de muco. Wahn U. Uptake and transport of macromolecules by the intestine: possible role in clinical disorders (an update). Bryce PJ. The significance of environmental exposure on the progression of allergic diseases. CONCLUSÃO Nos últimos cinco anos. Best Pract Res Clin Gastroenterol. ocorre uma reação inflamatória celular associada com um número aumentado de eosinófilos. Future therapies for food allergies. 2011. The evaluation and management of food allergy in atopic dermatitis. Moura SM. ocorrem os efeitos posteriores da anafilaxia. Seidman E. Alergia alimentar: sistema imunológico e principais alimentos envolvidos. Food allergy in adults and children. classification and diagnosis. Immunol Lett. J Allergy Clin Immunol. Sendo assim. 28. 22.29(2):189-200. amendoim e nozes79. 2010. 14. Wang J. J Allergy Clin Immunol. J Pediatr (Rio J). e diarreia.75. 33. 21.2(3):329-38. Beyer K. basófilos e linfócitos T77. 27 (3): 193-8 . 1999. Food allergy. Clinical and immunologic aspects of allergen-specific immunotherapy in patients with seasonal allergic rhinitis and/or allergic asthma. Veling MC. REFERÊNCIAS 1. Ferreira CT. 4. Immunotherapy in food allergy. Eigenmann PA. 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Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/SP. são mecanismos responsáveis pela redução do apetite e estímulo da saciedade precoce. Brasil. Pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade Júlio Mesquita Filho – UNESP – Botucatu. There is a need for nutritional counseling by a qualified professional. Appetite. The decrease of Ghrelin concentration. A mixed technique in Roux-en-Y gastric bypass is seen as the most effective surgical treatment for weight loss in morbidly obese patients and is also responsible for the resolution or improvement of comorbidities. another hormone involved in the regulation of food intake has decreased its concentration in the postoperative. devido. Mestranda do Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP . Mestranda do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – FMRP/USP . SP . Apetite.Franca. Are still inconclusive studies evaluating the concentrations of Cholecystokinin after performing gastroplasty. are mechanisms responsible for reducing appetite and stimulation of early satiety. Nutricionista pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC/Campinas. Nutricionista pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC/Campinas. have been presented as another factor responsible for the success of this treatment. leptina. since among the treatments available it is considered very promising. já que dentre os tratamentos disponíveis este é considerado bastante promissor. Docente da Área de Nutrição Clínica da Faculdade de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica . A terapia nutricional para pacientes submetidos à cirurgia bariátrica em Y de Roux deve prever as prováveis deficiências nutricionais. Rev Bras Nutr Clin 2012.PUC/Campinas. Brasil. due to the reduction of adipose tissue. SP . Nutrition therapy.A Artigo de Revisão Alterações e adaptações hormonais relacionadas ao apetite no pós-operatório de cirurgia bariátrica Alterações e adaptações hormonais relacionadas ao apetite no pós-operatório de cirurgia bariátrica Hormonal changes and adaptations related to appetite in the postoperative bariatric surgery Fabíola Pansani Maniglia1 Rafaela da Silva Marineli2 José Meciano Filho3 Kátia Cristina Portero-McLellan4 Unitermos: Cirurgia bariátrica. peptídeo Y e colecistocinina. ABSTRACT Obesity is a major public health problem that has led to an increased number of surgeries for weight reduction. however.CEP: 14400-740 .com Submissão 15 de setembro de 2011 Aceito para publicação 4 de abril de 2012 RESUMO A obesidade é um importante problema de saúde pública que tem feito crescer o número de cirurgias para redução de peso. Campinas. ensuring the intake of vitamins and minerals through supplementation. Docente da Área de Anatomia e Neuroanatomia da Faculdade de Ciências Biológicas da Pontifícia Universidade Católica . Existe a necessidade do acompanhamento nutricional por um profissional habilitado. principalmente. leptin. após o procedimento cirúrgico. SP . A diminuição da concentração de Grelina e o aumento de Peptídeo YY circulante.E-mail: fa_nutricao@ hotmail. Nutritional therapy for patients undergoing bariatric surgery in Roux-en-Y must predict the likely nutritional deficiencies. Campinas. Brasil. which combines restriction and malabsorption. alterações dos hormônios grelina. sendo ainda responsável pela resolução ou melhora das comorbidades. Campinas. to prevent metabolic complications and ensuring the maintenance of good nutritional status. SP. garantindo o aporte de vitaminas e minerais por meio de suplementação. têm sido apresentadas como outro fator responsável pelo sucesso desse tratamento. it is known that this hormone plays an important role in reducing food intake. Doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP . Brasil. SP . Ainda são pouco conclusivos os estudos que avaliam as concentrações de Colecistocinina após a realização de gastroplastias. peptide Y and cholecystokinin.apto 11 . outro hormônio envolvido na regulação da ingestão alimentar. In the mixed surgical technique. porém. que combina restrição e disabsorção. A Leptina. Key words: Bariatric surgery. 2. Leptin. changes in the hormones ghrelin. à redução do tecido adiposo. 1977 . Brasil . Endereço para correspondência: Fabíola Pansani Maniglia Rua Padre Anchieta.PUC/Campinas. A técnica mista em Y de Roux é vista como o tratamento cirúrgico mais efetivo para a perda de peso em pacientes com obesidade mórbida. 27 (3): 199-203 199 . 3. apresenta-se diminuída no pós-operatório. Terapia nutricional. 1. after surgery. mainly. sabe-se que esse hormônio tem importante papel na redução da ingestão alimentar. Além da técnica cirúrgica mista. Hormônios gastrointestinais. 4.Centro . as well as the increase of circulating peptide YY. Campinas. Gastrointestinal hormones. visando à prevenção de complicações metabólicas e garantindo a manutenção do bom estado nutricional.

A cirurgia bariátrica do tipo bypass gástrico em Y de Roux apresenta diferentes mecanismos que contribuem para a perda de peso. hipertensão e apneia obstrutiva do sono7. Introdução A obesidade. mantendo-se em concentrações altas nos períodos de jejum e nos períodos que antecedem as refeições. Foi observado que refeições ricas em carboidrato provocavam diminuição dessa concentração hormonal no sangue. a qual favorece o aumento do apetite15.4.16. eram responsáveis pelo aumento nas concentrações de grelina17. Dentre eles estão: grelina. além de favorecer o surgimento do diabetes tipo 2. Essas cirurgias podem ser divididas em três grupos: restritivas.14 demonstraram que as concentrações plasmáticas de grelina são inversamente proporcionais ao peso corporal. dando a ela uma característica de ação autócrina e/ou parácrina4. concomitantemente à elevação da insulina plasmática. a placenta e o coração. como é o caso do bypass gástrico de Fobi-Capella ou bypass gástrico em Y de Roux. limitação intelectual associada à falta de suporte familiar e transtornos psiquiátricos não controlados8. leptina. Porém. tais como hiperlipidemia. além de reduzir uma pequena parte do estômago9. Rev Bras Nutr Clin 2012. grelina. Esta técnica cirúrgica evita o refluxo bilio-pancreático e minimiza o risco de deiscência da anastomose. também são capazes de produzir grelina em menores quantidades. apresentando-se mais baixas nos indivíduos obesos e mais altas em pessoas magras. dislipidemias. vêm se discutindo as alterações dos mecanismos neurais e hormonais que também podem contribuir para a diminuição do apetite.11. promovendo menor ingestão energética.16 demonstrou que as concentrações plasmáticas de grelina são influenciadas pelos tipos de nutrientes contidos na refeição. As cirurgias restritivas reduzem o volume gástrico. e não pelo volume desta. Perez-Tilve et al. sintetizado e secretado principalmente pelas células oxínticas da mucosa do estômago. e IMC entre 30-35 kg/m2 diante de uma comorbidade classificada como grave por um médico especialista. além de ser responsável pela resolução ou melhora das comorbidades apresentadas por esses indivíduos. peptídeo YY e colecistocinina. como o efeito restritivo. envolvidos na regulação do apetite em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica em Y de Roux. independentemente da presença de comorbidades. enquanto que as refeições ricas em proteína animal e lipídeos. os rins.6.Maniglia FP et al. Outros órgãos e tecidos. esse hormônio estimula a ingestão alimentar por meio da regulação hipotalâmica. doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer3. Alguns dos hormônios e neuropeptídeos estão envolvidos no processo de regulação do apetite e podem sofrer alterações após a realização da cirurgia bariátrica em Y de Roux. e caindo imediatamente após a alimentação. o estudo de Erdmann et al. disabsortivas e mistas. dentre as quais o tratamento cirúrgico é apontado como promissor para perda de peso significativa e duradoura5. No entanto. No entanto. hipertensão portal com varizes esofágicas. como o sistema nervoso central. outras alternativas terapêuticas têm sido propostas. o objetivo deste artigo é estudar os principais trabalhos acerca das alterações e adaptações das taxas dos hormônios. São candidatos à gastroplastia os pacientes com idade entre 18 e 65 anos nas seguintes situações: IMC maior que 40 kg/m2. a associação desse hormônio com o aumento de peso parece ser decorrente da elevação de sua concentração quando o indivíduo está submetido a uma dieta hipocalórica. sendo a mais realizada no Brasil e considerada padrão-ouro9. atualmente considerada um importante problema de saúde pública1. A união dessas duas características cirúrgicas dá origem às cirurgias mistas. assim como o trânsito rápido do alimento até as porções mais distais do intestino delgado. Dessa forma. leptina. as quais combinam a restrição gástrica com a disabsorção. além desses fatores que colaboram para o emagrecimento. a absorção inadequada de nutrientes. é uma Doença Crônica NãoTransmissível (DCNT) que pode ser definida como o acúmulo excessivo de gordura corporal que acarreta prejuízos à saúde2. 27 (3): 199-203 200 . a grelina estimula as secreções digestivas e a motilidade gástrica13. apesar dos mecanismos envolvidos nesse processo ainda serem pouco conhecidos. Os insucessos dos tratamentos clínicos para a obesidade mórbida são superiores a 90%. Já as cirurgias disabsortivas impedem que o alimento passe pelo duodeno e pelo jejuno. GRELINA A grelina é descrita como um peptídeo composto de 28 aminoácidos. IMC entre 35-40 kg/m2 com presença de comorbidades. Pesquisas revelam a estreita relação entre as concentrações plasmáticas de grelina e a realização de procedimentos cirúrgicos para a redução ponderal. peptídeo Y e colecistocinina. aumentando a saciedade e diminuindo a velocidade de esvaziamento deste estômago de tamanho reduzido. Desta forma. Além da massa gorda corporal. tornando-a responsável pelo aumento do apetite. com pequeno aumento da insulina plasmática. Além da atividade orexígena acoplada ao controle do gasto energético. como as que sofrem de anorexia nervosa. certas situações são adversas à realização da cirurgia: risco anestésico.12. conferindo maior eficácia a esse tipo de procedimento10. De acordo com Halpern et al.

peptídeo agouti (AgRP). como o PYY. aumento do gasto energético e sensação de saciedade por meio de sua ação nos receptores expressos do hipotálamo no sistema nervoso central. fica claro que a administração desse hormônio não é uma alternativa viável para a perda de peso19. na diminuição da leptina sérica. Hameed et al. controlando a ingestão alimentar em curto prazo13. além do menor consumo energético propiciado pela cirurgia. as endotoxinas e o aumento dos níveis de estrógeno são responsáveis por aumentarem a produção de leptina. porém esse processo ainda não está bem definido. e mediadores como neuropeptídeo Y.30. Uma das suposições para esse controle seria o efeito local desse peptídeo no intestino. a exposição ao frio.18 propõem que essa supressão hormonal ocorra pela privação de nutrientes para as células do fundo do estômago. Indivíduos obesos têm elevadas concentrações de leptina devido à maior massa gorda corporal.26. sendo influenciadas pelo número de calorias consumidas e pela composição dos alimentos. Os hormônios intestinais. consequentemente. LEPTINA A Leptina (do grego leptos = magro) é uma proteína produzida e secretada principalmente pelo tecido adiposo branco e em menores quantidades pela glândula mamária. a perda de peso induzida pela exclusão de parte do segmento estômagoduodeno-jejunal. as quais são responsáveis pela produção e liberação de grelina. Além disso. elevadas concentrações séricas desse hormônio causam resistência. por meio do aumento ou diminuição de alguns hormônios. Desse modo.21. como nas cirurgias em Y de Roux. Lin et al. Uma vez que a cirurgia bariátrica promove a redução do peso corporal. sendo sua meia-vida plasmática igual a 30 minutos4. entre outros20. o PYY. sugerindo que outros fatores estão envolvidos na regulação de sua produção. limitando seu efeito anoréxico21. uma vez que estudos feitos por Leyva et al. diferentemente de outras técnicas cirúrgicas19. diminuindo ainda mais o apetite. enquanto que a testosterona. retardando o esvaziamento gástrico e a motilidade intestinal e provocando. Rodrigues et al.18 e Martins10. Portanto. epitélio gástrico e trofoblasto placentário4. a consequente redução do tecido adiposo refletirá ainda.27. resultando em consumo alimentar maior12. Holdstock et al. hormônio estimulante dos melanócitos (MSH). o bypass gástrico em Y de Roux mostrase mais eficiente. em pessoas que apresentam sobrepeso ou obesidade. a prática de exercício físico intenso e as catecolaminas agem de forma contrária24. como é o caso das concentrações de leptina e insulina. o aumento na absorção de fluidos pelo íleo para que os nutrientes possam ser absorvidos mais lentamente28. Estudos recentes têm demonstrado que indivíduos obesos mórbidos apresentam concentrações plasmáticas menores de PYY quando comparados a indivíduos de peso normal. esse peptídeo expressa uma menor elevação de suas concentrações pré e pós-prandiais. a longo prazo. mas também alteram o apetite dos indivíduos submetidos a ela.22 sugeriram que essa resistência possa ocorrer por um defeito no transporte do hormônio na barreira hemato-cefáfila. mediado pelo nervo vago. que se apresentam diminuídas após a realização desse procedimento15.25 mostraram que as concentrações plasmáticas de leptina declinam. 27 (3): 199-203 . ocorrem alterações no metabolismo do tecido adiposo. assim como o Índice de Massa Corporal (IMC).26. A concentração sérica de leptina não é dependente somente do tamanho do tecido adiposo. Existem crescentes evidências de que as mudanças anatômicas ocorridas após a cirurgia bariátrica não levam somente à restrição da capacidade gástrica e à má-absorção. contudo. e este. é responsável pela diminuição das concentrações pós-prandiais e noturnas de grelina. hormônio liberador de corticotropina (CRH). De qualquer forma. 201 Rev Bras Nutr Clin 2012. por sua vez. age como inibidor do apetite. Essa proteína promove redução da ingestão alimentar. inibir a liberação do neuropeptídeo Y. por meio dos mecanismos neurais e hormonais citados anteriormente. tendo maiores concentrações no reto e cólon e menores no intestino delgado. O PYY3-36 é a forma circulante mais abundante15.Alterações e adaptações hormonais relacionadas ao apetite no pós-operatório de cirurgia bariátrica De acordo com Lin et al. onde ocorre a inibição do fluido e da secreção de eletrólitos. O pico de liberação da leptina ocorre durante a noite e às primeiras horas da manhã.23. Os estados infecciosos. o jejum prolongado. após a cirurgia bariátrica em Y de Roux.20. Sandoval e Davis24 demonstraram que a redução de 10% do peso corporal provocou a diminuição de 53% das concentrações do hormônio. Esse peptídeo tem como uma de suas principais funções a capacidade de atuar como estimulador do receptor Y2 no hipotálamo. especialmente em refeições noturnas. que é o mais potente estimulador do apetite no sistema nervoso central. músculo esquelético. Dessa forma. colecistocinina.31.29 afirmaram que as concentrações de PYY são baixas durante o jejum e têm seu pico na segunda hora após uma refeição. PEPTÍDEO YY O peptídeo YY (PYY) é liberado primariamente na parte distal do trato gastrointestinal pelas células L do intestino. garantindo maior e consistente perda de peso. têm importante atuação após esse tipo de procedimento10.

inclusive no hipotálamo29. 2007. Simha V. 6. é importante enfatizar a necessidade de suplementação nutricional. perde a capacidade de agir na redução da ingestão alimentar34. o curto tempo de meiavida do peptídeo. Karason K. sendo o sufixo numérico correspondente ao número de aminoácidos presentes34. as alterações e adaptações metabólicas apresentadas pelas pesquisas referem-se apenas ao pós-operatório recente dos pacientes. ou produtos de sua digestão estimulam a liberação de CCK e contribuem para uma sensação de saciedade pós-prandial de forma mais intensa quando comparadas às dietas ricas em carboidratos37. 2006.2002.40.17(4):523-33. Rev Nutr. Emori FT. Derivações gastrojejunais. Os dados da pesquisa de Le Roux et al. Silva EM. Esse hormônio está amplamente distribuído no trato gastrintestinal e pode ser encontrado no sistema nervoso central. provocando menor ingestão calórica e contribuindo.19(1): 85-91. porém são poucos e controversos os estudos que tratam desse assunto. Geneva:WHO. consequentemente. comorbidities. et al. and nutritional status. Wedel H. Rev Nutr.br>. já que esta envolve o componente disabsortivo. não sendo estudadas as repercussões dessas mudanças em um maior espaço de tempo. Long-term impact of bariatric surgery on body weight. 1 a 2 minutos. As dietas ricas em gordura. Borg et al. como CCK-8. Sanches MD. ed. Corso ACT. A CCK-33 é a forma predominante desse hormônio no plasma humano e no intestino36 e seu principal local de síntese são as células L do duodeno e jejuno.sbcbm. São Paulo.32 e Karamanakos et al. confirmando que as alterações nas concentrações circulantes desse hormônio gastrointestinal. que a mesma leva ao aumento desse hormônio anorexígeno. Contudo.31 mostraram que as concentrações pós-prandiais do PYY começam a aumentar mais rapidamente dois dias após essa técnica cirúrgica. 8.357(8):741-52. Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Rev Col Bras Cir. A concentração plasmática de CCK aumenta rapidamente em resposta a uma refeição. cuja clivagem seletiva dá origem a uma série de fórmulas bioativas. não propiciaria nenhuma alteração no peso corporal ou na ingestão alimentar29. Rev Col Bras Cir. 2. A importância do anel de silicone na derivação gástrica em Y-de-Roux para o tratamento da obesidade. são necessários mais estudos que avaliem as alterações hormonais envolvendo a CCK após a realização de cirurgias bariátricas. Szego T. ativando os receptores do nervo vago e permanecendo elevada até 5 horas após a ingestão dos alimentos. concentrações elevadas.35(1):18-22. após esse tipo de cirurgia. Essa variação na concentração hormonal pode ser justificada pela mudança na morfologia e função do intestino delgado que ocorre após esse tipo de procedimento39. Há controvérsias quanto às concentrações plasmáticas pós-prandiais de CCK em indivíduos submetidos à gastroplastia. 2004. Além disso.org. Valezi AC. Shah M. Consenso Bariátrico. 2006. proteína. para a perda de peso.91(11):4223-31. e outros. Obesity: preventing and managing the global epidemic. 2008. Lopes VCH. Cirurgia da obesidade. Pinheiro ARO.Maniglia FP et al. documentado na literatura. Uma abordagem epidemiológica da obesidade. 7.35.166-71. Romero CEM. Perfil lipídico de obesos antes e após a derivação gástrica a Fobi-Capella. Effects of bariatric surgery on mortality in Swedish obese subjects. verificou-se que a infusão constante de CCK por duas semanas conduziria rapidamente à tolerância e. Tem-se estudado o uso terapêutico da CCK para o controle da obesidade. CCK-33 e CCK-58. 202 Rev Bras Nutr Clin 2012. Disponível em: <http://www. In: Garrido Jr AB. 2006. Acesso em: 19/05/2009 9. World Health Organization. 5. portanto. Considerações Finais Vários hormônios relacionados ao controle do apetite são alterados após a realização de gastroplastia. Sjöström L. Souza JCL. São Paulo:Roca. Barroso FL. Narbro K. assim. Garrido Jr AB. 3. Larsson B. O papel dos hormônios leptina e grelina na gênese da obesidade. É derivada a partir de um aminoácido precursor (pró-CCK). Zanesco A. Freitas SFT. uma vez que os mecanismos envolvidos nesse processo endócrino ainda não são claros.33(2):91-5. 27 (3): 199-203 .2000. CCK-22. é mais um obstáculo à sua utilidade terapêutica. influenciam o apetite. Ferraz EM. Guariente ALM. como também de assegurar o sucesso do tratamento. visto que alguns estudos encontraram resultados diminuídos desse hormônio. Além disso. Brito EM. a fim de garantir os macro e micronutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo e a importância e indispensabilidade do acompanhamento nutricional dos pacientes submetidos à gastroplastia em Y de Roux como forma de garantir o bom estado nutricional. Referências 1. supondo. Porém.33 constataram o aumento das concentrações de PYY em pacientes que foram submetidos à gastroplastia em Y de Roux. Sjöström CD. A deficiência na utilização de nutrientes pode ser considerada uma das desvantagens da técnica cirúrgica em Y de Roux. N Engl J Med. J Clin Endocrinol Metab. p. induzindo a saciedade. e se administrado mais do que 15 minutos antes de uma refeição. 4. 2008. uma vez que foi visto que a sua administração periférica leva a redução na ingestão alimentar por meio da diminuição do tamanho e do tempo da refeição38. COLECISTOCININA A Colecistocinina (CCK) foi o primeiro hormônio digestivo relacionado com o apetite. Garg A. Em função desse prejuízo anatômico. Marchesini JB.

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Nutritional support. com a finalidade de evitar o déficit energético na primeira semana de internação na unidade de terapia intensiva e. Key words: Intensive care. Intestinal diseases. 1. focusing on early nutrition support. therefore. intestinal dysfunction and energy deficit Cristiano Corrêa Batista1 Unitermos: Terapia intensiva. intestinal dysfunction and energy deficit. assim. Endereço para correspondência: Cristiano Corrêa Batista Rua Sete de Setembro 471 . Médico Intensivista do Hospital Escola da UFPel. disfunção intestinal e déficit energético.A Artigo de Revisão Batista CC Tópicos referentes ao suporte nutricional precoce. The bibliographic research was conducted on MEDLINE. otimizar resultados quanto à morbidade e à mortalidade em pacientes graves. LILACS e SciELO. ABSTRACT The aim of this article is to investigate the way the nutrition support has been approached by the scientific literature regarding critically ill patients. RS. tais como: suporte nutricional precoce. Biblioteca Cochrane.CEP: 96015-300 . foi realizada uma busca bibliográfica nos bancos de dados da MEDLINE. disfunção intestinal e déficit energético Theme relate to early nutrition support. Pelotas. Cochrane. The results show the need of a protocol regarding early nutrition support with the aim of preventing energy deficit during the first week of the patient in the intensive care unit and. 27 (3): 204-8 204 .com Submissão 30 de outubro de 2011 Aceito para publicação 7 de fevereiro de 2012 RESUMO Este artigo tem por objetivo abordar questões referentes ao suporte nutricional em pacientes graves. RS.E-mail: cbatistasul@hotmail. Brasil. Apoio nutricional.2° andar . especialista em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral pela SBNPE. reducing morbidity and mortality of critically ill patients. PhD em Medicina pela PUCRS. Para tal. Rev Bras Nutr Clin 2012.Pelotas. Enteropatias. Brasil . Os resultados demonstraram a necessidade de se estabelecer diretrizes referentes ao início precoce do suporte nutricional. LILACS and SciELO databases.

A falência intestinal é definida como uma redução no funcionamento da massa intestinal abaixo da quantidade mínima requerida para adequada digestão e absorção de nutrientes. esses requerimentos podem não ser encontrados. Nessas circunstâncias. alterando o fluxo sanguíneo regional. além de atrasar a recuperação da doença. neurotransmissores. Pelo menos um terço das UTIs falharam em ofertar terapia nutricional dentro das 48 h. em particular. aumento do gasto energético. 27 (3): 204-8 . Para atingir tal objetivo. Ela se caracteriza por uma incapacidade de alimentação oral ou enteral oriunda de várias alterações. glucagon e catecolaminas. falência orgânica múltipla4. Os quadros são frequentemente sutis e pouco valorizados diante do quadro geral dos pacientes. Como resultado há ativação de mediadores inflamatórios. Durante a doença grave. como a endotoxina para dentro da circulação sistêmica. Ela pode ser de três tipos: Tipo I refere um estado curto e autolimitado comumente visto em período pós-operatório. alterações no fluxo sanguíneo orgânico. como fígado. No fígado. Elas incluem aumento da secreção de cortisol. porém segue um curso de várias semanas ou meses e. Essas alterações aumentam os requerimentos de energia. A disfunção intestinal. tem sido observado que bactérias anaeróbicas e lactobacilos são reduzidos dentro de 6 a 12 horas após a indução do quadro. diminuição da secreção de testosterona. em condições fisiológicas. 205 Rev Bras Nutr Clin 2012. Em quadros de pancreatite experimental. assim. Os caminhos metabólicos. Tem sido demonstrado que a disfunção intestinal poderia ter relação com níveis altos de lactato e índice de oxigenação menor que 200 na admissão em UTI7. a precocidade do início da terapia nutricional é uma das alternativas. diminuir as complicações clínicas. A depleção dos estoques corporais de proteínas pode afetar de forma adversa a morbidade e a mortalidade dos pacientes. ou seja. intestino. requer tratamento cirúrgico. composição corporal e por perda da atividade física. um estudo procurou comparar a prática atual de terapia nutricional em 158 unidades de terapia intensiva localizadas nos cinco continentes com as diretrizes canadenses para a prática clínica1. diminuição do fator de crescimento insulina-like-1 (IGF-1) e resistência ao efeito combinado da insulina e hormônio de crescimento. como distensão do íleo. O fator de necrose tumoral alfa (TNFα) e a interleucina 1 (IL-1) podem potencializar a mediação da maioria das alterações metabólicas vistas na doença crítica: aceleração da gliconeogênese. aumentam o catabolismo protéico e contribuem para alterações no sistema imune e no trato gastrintestinal. É também um processo autolimitado. são regulados por hormônios circulantes. A estrutura e função intestinal normal dependem de adequada oferta de oxigênio e outros nutrientes à mucosa. Durante o estresse prolongado. com fístula intestinal. a atrofia e alterações da permeabilidade da mucosa resultantes podem permitir passagem. Essas alterações ocorrem tanto no intestino delgado quanto no cólon e acarretam crescimento significativo de microorganismos potencialmente patogênicos. do lúmen para o sangue e da permeabilidade endotelial. Durante a doença grave existem alterações típicas da secreção e da ação hormonal. mediadores inflamatórios. Foi demonstrada a existência de um grande hiato entre as recomendações e a prática clínica corrente. “translocação” bacteriana ou de macromoléculas. além do desconforto. disfunção intestinal e déficit energético Introdução Pacientes graves são caracterizados por uma série de alterações no metabolismo dos carboidratos. indiretamente. Ofertar nutrição precoce está sendo vista como uma estratégia pró-ativa terapêutica no sentido de reduzir a gravidade da doença. de admissão na unidade e mais de um terço do tempo de permanência na UTI os pacientes não receberam qualquer forma de nutrição enteral. Mediadores inflamatórios. células imunes e feridas. finalmente. degradação protéica. desenvolvimento de resposta inflamatória e. como a Escherichia coli. diminuir o tempo de permanência na UTI e. lipídios.Tópicos referentes ao suporte nutricional precoce. O suporte nutricional em pacientes graves tem por objetivo preservar a massa magra corporal. tais como citocinas e eicosanoides afetam os caminhos metabólicos diretamente em nível celular ou. obter impacto favorável nos resultados dos pacientes3. Em 2010. a interleucina 6 ( IL-6 ) regula a síntese de proteínas de fase aguda. está associada a maior tempo de internação e aumento dos custos. diarreia e/ou vômitos. manter a função imune e evitar complicações metabólicas. Melhorar as práticas de terapia nutricional para pacientes graves baseada em diretrizes torna-se uma meta a ser alcançada em diversos centros de terapia intensiva espalhados no Brasil e no mundo. diminuição da síntese de proteínas em nível muscular e diminuição da atividade da lípase lipoprotéica2. associado ao aumento da colonização de microorganismos patogênicos5. proteínas e aminoácidos. sinônimo de intestino curto para ser tratado por longos períodos de nutrição parenteral ou progressivamente encaminhado para transplante6. Há aumento dramático da permeabilidade da barreira mucosa. uma resposta de fase aguda é desenhada. do sangue para o tecido. por exemplo. Disfunção intestinal e Déficit energético Os pacientes internados em terapia intensiva apresentam alta prevalência de disfunção do trato gastrintestinal. o Tipo III é um estado crônico ou condição crônica. o Tipo II refere-se principalmente ao desenvolvimento de complicações cirúrgicas associadas com sepse abdominal e. proporcionando energia e substrato para a síntese protéica e replicação celular nos tecidos viscerais. provavelmente.

Além disso. como gordura. A incapacidade de ofertar energia adequada resulta em déficit energético. menor a mortalidade em relação à oferta tardia. No entanto. Baixa oferta calórica com adequado suporte nutricional protéico não é o mesmo que subnutrição. em muitas UTIs europeias. na análise de subgrupo. Contudo.000 kcal durante a permanência hospitalar tem demonstrado mortalidade maior do que 85%8. No entanto. Subnutrição é definida como baixa ingestão calórica e protéica. além de não adicionar benefício. que poderia ser atribuída à hiperalimentação. na prática clínica. Em pacientes com trato gastrintestinal funcionante. Ele revelou que. que a nutrição enteral pode manter a integridade intestinal e as funções da barreira intestinal. o paciente está em balanço energético positivo e estoca energia como gordura. O balanço energético negativo está associado com aumento de complicações clínicas. evitando o déficit energético negativo. Em 2004. iniciar nutrição parenteral em pacientes bem nutridos após grandes cirurgias parece aumentar as chances de infecção. comumente. Essas medidas podem ser utilizadas como uma meta para a prescrição calórica a ser ofertada. A combinação de estresse e subnutrição observados na unidade de tratamento intensivo (UTI). está associada com balanço energético negativo. carboidrato e proteína. agrava a vulnerabilidade do paciente grave em direção ao catabolismo relacionado ao estresse9. o qual leva à perda de massa magra. acarretou significante aumento nos custos. quando a nutrição oral é impossível. Apesar do argumento de que o efeito negativo associado com a combinação de nutrição enteral e parenteral seja atribuído à hiperalimentação quando comparado à enteral exclusiva. nutrição parenteral ao mesmo tempo que a enteral. considerada prioridade. principalmente. falência orgânica múltipla. Estudos observacionais10 têm demonstrado a relação entre o déficit de energia cumulativa e morbidade e mortalidade. um conjunto de fatores. oxidando os estoques de energia. carboidrato e proteína. Esse déficit é constituído. o paciente está com balanço energético negativo e. O catabolismo da massa corporal magra tem sido repetidamente associado com piora dos resultados clínicos. Se a energia ingerida é maior do que a energia gasta. aumentaram as evidências em nível de cuidados críticos demonstrando que o melhor manejo nutricional desses pacientes poderia influenciar de forma positiva nos resultados. e mal nutridos. inicialmente. Assim sendo. Tal conduta. o qual estaria associado a maior número de complicações. durante a semana inicial de internação na UTI. uma outra estratégia a ser aplicada é o suporte nutricional hipocalórico. além de ser de menor custo. mais de 60% dos pacientes recebem nutrição enteral em combinação com parenteral como uma estratégia para otimizar a oferta de nutrientes. quando a nutrição parenteral é iniciada ao mesmo tempo que a nutrição enteral não houve efeito benéfico na mortalidade. Aceita-se. Apesar Rev Bras Nutr Clin 2012. Em pacientes graves. sugere-se que a limitação o déficit profundo de proteínas e energia durante a primeira semana. A nutrição subótima em ambiente de terapia intensiva está bem documentada e. obesidade. seguida da admissão na UTI.Batista CC O déficit energético é outro fator a ser observado em pacientes graves. A administração de nutrição parenteral préoperatória para pacientes gravemente desnutridos reduz a incidência de complicações pós-operatórias. assim. poderia melhorar os resultados clínicos. Isto suporta a possibilidade de suplementação da nutrição enteral insuficiente com nutrição parenteral. apesar dos efeitos favoráveis nos índices nutricionais. a nutrição enteral é pensada ser mais fisiológica do que a nutrição parenteral. aumento do tempo de permanência hospitalar e recuperação. Quanto mais precoce é a oferta de nutrientes. É de conhecimento que um balanço energético negativo de 10. a carga calórica ótima e a via para o suporte nutricional. aumento da mortalidade e por aumento dos custos globais dos cuidados de saúde. Entendê-lo durante os cuidados intensivos é de suma importância para o tratamento adequado a esses pacientes. Se a energia gasta é maior do que a energia ingerida. No entanto. com trato gastrintestinal intacto. retardo da cicatrização de feridas. a terapia nutricional não era. aumento da morbidade e mortalidade. nas complicações e no tempo de permanência na UTI. 27 (3): 204-8 206 . ventilação mecânica prolongada. o qual é diferente de subnutrição. estaria associada a maiores custos do que a enteral. os estudos11 têm registrado falhas em ofertar energia adequada quando se utiliza somente nutrição enteral. O estudo concluiu que pacientes graves. e isto tem sido associado a aumento da morbidade e da mortalidade em pacientes de UTI. O estado clínico do paciente influencia o tempo. não são beneficiados ao receberem. doença crônica e desnutrição pré-existente. um trabalho12 procurou agregar vários outros estudos que utilizaram nutrição enteral em combinação com parenteral e nutrição enteral exclusiva em pacientes de terapia intensiva. meta-análises13 confirmam que não há aumento do risco de mortalidade com o uso de nutrição parenteral. incluindo idade. também. Nutrição Parenteral versus Enteral Durante a década passada. O balanço energético pode ser mensurado por meio de calorimetria indireta ao avaliar o gasto energético diário. Porém. representado por aumento da taxa de infecções. também não houve diferença na mortalidade. Sabe-se que o balanço energético é a diferença entre a energia dispendida e a energia ingerida. a composição.

um estudo16 objetivou. procurou avaliar o risco de pneumonia associada à ventilação mecânica entre pacientes utilizando nutrição enteral precoce intragástrica e nutrição tardia. Isto coloca em risco de isquemia o intestino de pacientes com hipoperfusão sistêmica15. parece diminuir mais do que aumentar a incidência de pneumonia nosocomial. resultando em pneumonia principalmente naqueles pacientes ventilados que sofrem de intolerância digestiva alta. Tanto a nutrição hipocalórica prolongada quanto a nutrição hipercalórica podem ser danosas em pacientes de UTI14. Em 2008. estando associada a mais baixas taxas de intolerância digestiva alta nesse período. Esse estudo demonstrou que a nutrição precoce intragástrica. Quando a nutrição enteral é tolerada. sendo pequenas as evidências de melhoria nos ensaios de nutrição atuais19. opioides e catecolaminas podem também atrasar o avanço da nutrição enteral. a motilidade intestinal alterada é o principal mecanismo de grandes resíduos gástricos. determinar se a nutrição intragástrica precoce em pacientes com múltiplas lesões e em ventilação mecânica aumentaria a intolerância. Embora pacientes clínicos graves possam não tolerar dieta enteral facilmente. a menos que existam contraindicações. a nutrição enteral gástrica pode induzir a aspiração pulmonar subclínica. promovendo a motilidade do cólon. o atraso da nutrição enteral influenciou de forma adversa os resultados em curto período de tempo. Em 2004. Ofertar suporte nutricional precoce parece ser a melhor estratégia. Na prática diária. na medida em que é um meio fácil e não consome muito tempo para ser instituído. provavelmente estimulando a peristalse pela presença de dieta no intestino. Em adultos. como gastroparesia. Também quanto aos aspectos dos métodos de avaliação nutricional para pacientes graves não há consenso quanto ao melhor método. A nutrição parenteral instituída exclusivamente ou em combinação com a nutrição enteral hipocalórica após poucos dias somente seria indicada em caso da nutrição enteral ser impossível ou inadequada. secreção gástrica. sedativos. mais completos e melhor desenhados são urgentes18. Casos de isquemia e necrose intestinal secundários à nutrição enteral jejunal estão bem documentados. Apesar de haver indicações de um possível benefício da nutrição precoce diminuindo a resposta hipercatabólica.Tópicos referentes ao suporte nutricional precoce. Nutrição pós-pilórica contínua tem sido recomendada no sentido de evitar intolerância digestiva alta. particularmente a Colecistocinina e o Peptídio YY. a terapia nutricional é uma ferramenta útil. As observações indicaram que. Uma atualização a partir de revisão de ensaios clínicos publicados sobre suporte nutricional em pacientes graves. os estudos confirmam a existência de várias limitações metodológicas em ensaios clínicos e a sua incapacidade de identificar diferenças úteis em grupos de intervenção. distensão abdominal e constipação. Indubitavelmente. no período de 1º de janeiro de 2007 a 6 de março de 2008. É de conhecimento que a reposição ou oferta de nutrientes de pelo menos duas semanas são necessárias para a normalização do esvaziamento gástrico. Conclusão Os avanços referentes ao suporte nutricional em nível de terapia intensiva continuam e mais estudos com melhor qualidade são necessários para demonstrar a real efetividade das estratégias propostas atualmente. Secundariamente. Contudo. quando apropriadamente administrada. 27 (3): 204-8 . os quais são conhecidos como lentificadores do esvaziamento gástrico. necessária e insubstituível no tratamento de pacientes graves. íleo adinâmico e diarreia. A nutrição enteral precoce é usualmente possível após cirurgia eletiva e trauma. suportando as recomendações de que a nutrição enteral deveria ser iniciada o mais precocemente possível. primariamente. A nutrição enteral via tubo gástrico é o método preferido para nutrição imediata em pacientes com múltiplas lesões. a nutrição enteral precoce deveria ser tentada. A absorção intraluminal de nutrientes aumenta a demanda energética dos enterócitos que já estão metabolicamente estressados. a metas nutricionais podem requerer 5 a 7 dias para serem alcançadas. No entanto. bem como as propostas futuras a serem empregadas. No momento atual. A conclusão do estudo foi de que o atraso em começar a nutrição enteral em até 4 dias tem pouco ou nenhum impacto na taxa de esvaziamento gástrico ou na retroalimentação hormonal. como aumento do tempo de ventilação mecânica e aumento do tempo de permanência na UTI. Prevenir o déficit calórico na 207 Rev Bras Nutr Clin 2012. ventilação mecânica. sugere-se a combinação de aspectos subjetivos e objetivos que identifiquem melhor pacientes desnutridos e em risco nutricional20. mostrou maior deficiência em estudos nesse campo. uma vez que o intestino é frequentemente funcional em tais pacientes. Além disso. novos estudos. A deprivação de nutrientes estaria associada a aumento da concentração plasmática de hormônios de retroalimentação enterogástrico. mais de 24 horas da admissão. assim. Várias razões estão envolvidas. houve impactos adversos. enquanto o tempo do início da nutrição enteral não foi determinantemente significativo do esvaziamento gástrico durante a doença crítica. também se faz necessária atenção para o estado hemodinâmico do paciente. um estudo17 procurou avaliar o efeito do atraso da nutrição enteral no esvaziamento gástrico e na concentração plasmática de Colecistocinina e Peptídeo YY em pacientes graves. diminuindo as complicações clínicas e tempo de internação na UTI. indução do reflexo gastrocólico e. Contudo. em pacientes com doença grave. disfunção intestinal e déficit energético de alcançar as metas calóricas mais rapidamente pode resultar em maior hiperglicemia.

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“Vancouver Group”. eds. Caso haja até 6 autores devem todos ser listados. Manuscrito Os manuscritos poder ser submetidos nos idiomas português. 2012. Mortalidade para causas selecionadas – 2006 [Internet]. In: Vogelstein B. Artigos com objetivos meramente propagandísticos ou comerciais não serão aceitos. Os autores devem se concentrar nos achados centrais do protocolo e na sua comparação com a literatura recente. Acrescentar contagem de palavras do Resumo. J Pediatr Surg. Chromosome alterations in human solid tumors. 2008.gov/bsd/ uniform_requirements. – Artigo cujo autor é uma organização Diabetes Prevention Program Research Group. entretanto a indicação de financiamento da pesquisa. The genetic basis of human cancer. de sorte que um estudo com 2 figuras e 2 tabelas só poderá atingir 2200 palavras. seguido da expressão “et al. Brasília. e Revisões ou Apreciações convidadas pelo Conselho Editorial. 233 – 14º andar – cj. estudos clínicos. o nome da agência financiadora e o número do processo são requeridos. notas técnicas e cartas aos Editores. nutrientes. Hashiguchi Y. Com esses números reduzidos cabe restringir ao máximo introduções históricas. elaborado pelo International Committee of Medical Journal Editors.org. Role of trace elements in parenteral nutrition support of the surgical neonate. O trabalho deverá ser acompanhado do termo de transferência de direitos autorais. para termos somente em inglês. não será admitida citação de resumo. Método. que não deve ultrapassar 150 caracteres.Terapia nutricional em paciente com tuberculose e gastrectomia: relato de caso Instruções aos Autores REVISTA BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO CLÍNICA A Revista Brasileira de Nutrição Clínica (RBNC).html). A RBNC aceita a submissão de trabalhos originais. 2002.com. 2012. devem ser mencionados: nome do evento. Página de Rosto Deve assinalar o título do artigo. SP. • Via postal: Revista Brasileira de Nutrição Clínica A/c Editores Rua Abílio Soares. Nas citações de pesquisadores ao longo do texto. – Website Brasil. Trata-se de uma publicação trimestral.40(5):679-86. – Artigo com mais de 6 autores Moriya T.br. fomentar o estudo. Ikezawa F. Libby P. comunicação pessoal. ISSN 0103-7196. disponíveis em www. bem como número de Tabelas. local e data da apresentação. empregando linguagem fácil e precisa e evitando-se a informalidade da linguagem coloquial. Tabelas e Figuras Todas as figuras e tabelas devem ser numeradas sequencialmente. 2002.93-113. Hypertension.47(4):760-71. Fukatsu K. seguindo sua ordem de citação. preferencialmente dos últimos 3 anos. 8th ed. A RBNC tem como objetivo registrar a produção científica.nih. metodologias pormenorizadas. bem como artigos e portais eletrônicos reconhecidos. – Livro padrão Braunwald E. sendo que para maior número. Método. 16]. SUBMISSÃO DOS MANUSCRITOS Os trabalhos podem ser submetidos de 2 distintas maneiras: • E-mail: endereçar para sbnpe@terra. assim com a respectiva tradução para o inglês (keywords). inglês e espanhol. ressalvadas as revisões sistemáticas com meta-análise. Kinzler KW. A exceção a essa regra são as edições ou abordagens temáticas especiais. Hypertension. Referências As referências dos documentos impressos e eletrônicos devem ser normalizadas de acordo com o estilo Vancouver. aperfeiçoamento e atualização dos profissionais das distintas especialidades que envolvem alimentação. Saitoh D.151(5):745-55. Philadelphia: Saunders Elsevier. Surgery. no texto. devem ser sobrescritas e numeradas na ordem em que são citadas. Miller M. em algarismos arábicos.org Títulos de periódicos devem ser abreviados de acordo com o List of Journals Indexed for MEDLINE (disponível em: http://www. Rev Bras Nutr Clin 2012. A RBNC está indexada na base de dados LILACS . As citações bibliográficas. nome e endereço completo do autor correspondente (não esquecer telefone. p. Os manuscritos não poderão exceder a 3000 (três mil) palavras no total. Reproduzimos abaixo alguns exemplos mais comuns de referências empregadas nos artigos. literatura comercial ou outras fontes que não revistas e livros científicos. com circulação regular desde 1990. e-mail e serviço ao qual estão vinculados. de investigação tanto na área experimental como em humanos.php 5.gov.br/ que contém termos em português. Resultados. 3. os primeiros 6 seguidos de et al.gov/tsd/serials/lji. e do Manuscrito. Brasil – CEP 04005-000 Tel: (11) 3889-9909 Estrutura do Artigo A RBNC adota os Requisitos de Vancouver . keywords) em Português e Inglês c) Manuscrito d) Referências e) Tabelas e Figuras f) Lista para conferência (Check-List) 1. Os manuscritos devem ser divididos em Introdução. As referências serão limitadas a 20. Caso o trabalho tenha sido apresentado em congresso. componentes do Conselho Editorial. organizadas pelo International Committee of Medical Journal Editors .nlm. metabolismo e nutrição clínica. com exceção de Revisões Sistemáticas com Meta-Análise. Disponível em: http://www2. Outros modelos podem ser acessados no site: http://www. alimentação. Figuras e Anexos. sempre com a respectiva referência em sobrescrito. Nesta mesma página.gov/mesh. 2007 [citado 2010 jul. aprovação da comissão de ética e demais autorizações cabíveis. a) Página de Rosto b) Resumo e Palavras-chaves (unitermos. Bonow R. – Capítulo de livro Meltzer PS. nutrição e metabolismo. New York: McGrawHill. A textbook of cardiovascular medicine.” ou o autor único se for o caso. Não serão aceitos artigos de revisão ou considerações teóricas sem casuística própria.nlm. A obediência às instruções é condição obrigatória para que o trabalho seja considerado para análise. disponível em: http://www.icmje. deve-se citar o primeiro autor. que tenham seu teor científico avaliado por revisores. onde o número é livre.Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals. discussões com revisão da literatura e citações repetitivas. espanhol ou inglês. Trent JM. Deve ser informada a instituição em que o trabalho foi desenvolvido. 27 (3): 209-10 209 . Kallioniemi A. Deve-se ser descontadas 200 palavras por cada tabela ou figura.html Modelos de referências – Artigo padrão Burjonrappa SC.144 – Paraíso – São Paulo. and proinsulin in participants with impaired glucose tolerance. ou www. as quais deverão ser escaneadas e anexadas. Resultados e Discussão. incluindo Referências. Zipes DP.icmje.nlm.datasus. É mandatória a inserção do item Conflito de Interesse imediatamente antes as Referências.bvs. Devem ser informados nome completo dos autores com respectivas titulações. The effect of adding fish oil to parenteral nutrition on hepatic mononuclear cell function and survival after intraportal bacterial challenge in mice. 4. Agradecimentos sucintos são opcionais. 2. Resumo e Palavras-chaves Os resumos devem ser estruturados (Introdução. devem ser incluídos 3 a 10 unitermos (palavras-chaves) que definam o assunto do trabalho. Maeshima Y. Salvo circunstâncias excepcionais. Conclusões) e não devem exceder a 250 palavras. preparadas a pedido da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE). publica artigos da área de alimentos. DATASUS. celular e fax). et al. insulin. br/DATASUS/index. obedecendo à ortografia vigente. relatos de caso.nih. devem ser utilizados.Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde. Ministério da Saúde. Esses unitermos podem ser consultados nos endereços eletrônicos: http://decs.

a nova versão encaminhada aos revisores para verificação se as sugestões/exigências foram atendidas. será acusado o recebimento por e-mail com a devida numeração. Quando são sugeridas modificações pelos revisores. permitindo a utilização pela RBNC. data e assinatura original de todos os autores. Publicações Urgentes A Revista desencoraja submissões com prazo restrito.htm). Assim. não existindo motivação para retardar ou prejudicar o andamento de qualquer submissão.COBEA (www. Rev Bras Nutr Clin 2012. Os manuscritos com edição substancial serão enviados ao autor correspondente para aprovação por via eletrônica.Francisqueti FV & Pereira PCM As tabelas devem ser apresentadas apenas quando necessárias para a efetiva compreensão do trabalho. salvo aqueles acompanhados de permissão escrita. documento equivalente autorizando a transcrição deverá ser providenciado.htm)] e da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (http://conselho. Critérios de Autoria Sugerimos que sejam adotados os critérios de autoria dos artigos segundo as recomendações do International Committee of Medical Journal Editors. iniciando-se o processamento editorial. q) Figuras numeradas e submetidas uma a uma. A decisão sobre a aceitação do artigo para publicação ocorrerá. Devem. • ter aprovado a versão final. constando local. sempre numeradas e com título. sendo que a falta de manifestação imediata será entendida como aprovação. é próprio ou devidamente autorizado conforme documentação anexa. pode ser solicitada uma nova opinião para melhor julgamento. De posse desses dados. Os editores se reservam o direito de editar e revisar os textos dos trabalhos aceitos. em acesso aberto. Lista para Conferência (Check List) É Indispensável a submissão da Lista de Conferência (Check List juntamente com o manuscrito. Em se tratando de protocolo ou rotina de Hospital ou Instituição Acadêmica. Fotos de pacientes só poderão ser incluídas mediante nome.00 (seiscentos reais) ou USD 400. sendo que os autores se responsabilizam pela veracidade das informações.br/resolucoes/reso_96. com prévia indicação do local de inserção no texto. ou ambos. em apoio às políticas para registro de ensaios clínicos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE).00 (quatrocentos dólares americanos).net/e/policy/b3. j) Cópia da aprovação do estudo pela Comissão de Ética.wma. 6. ao enviar uma submissão. Ao final. Note-se que o pagamento da taxa enseja apenas prioridade no processamento. incluindo gráficos e figuras. g) Declaração de Conflito de Interesse.br). d) Número de Anexos. mesmo que os olhos estejam vendados ou o rosto desfocado. O sistema de avaliação é o duplo cego. a fim de adaptá-los ao formato da Revista. reconhecendo a importância dessas iniciativas para o registro e divulgação internacional de informação sobre estudos clínicos. significância e contribuição científica. Pesquisa com Seres Humanos e Animais Os estudos envolvendo humanos e animais devem informar. Todos os trabalhos são submetidos à avaliação pelos pares (peer review) por pelo menos três revisores selecionados dentre os membros do Conselho Editorial. os autores devem seguir o CIOMS (Council for International Organization of Medical Sciences) Ethical Code for Animal Experimentation (WHO Chronicle 1985. não garantindo aceitação do estudo. Na experimentação com animais. disponível no endereço: http://clinicaltrials. p) Tabelas inseridas ao final. a Revista buscará a agilização de todas as publicações. No texto deve constar que todo conteúdo. deverá ser anexada autorização assinada por representante legal da editora da Revista ou Livro em questão. i) Aprovação ética informada no texto. sempre que possível. o artigo é avaliado pela secretaria. com prévia indicação do local de inserção no texto. O corpo do texto deve trazer a indicação de onde as tabelas e figuras deverão ser inseridas. deverá ser esclarecido que nenhum dos autores possui conflito de interesse. porém.gov. da empresa e a natureza do vínculo ou benefício deverão ser informados. A mesma precisará ser escaneada após o preenchimento. documento e assinatura do envolvido autorizando publicação. Assim que uma decisão de Aceitação. como forma de garantir seu padrão de qualidade e a isenção na seleção dos trabalhos a serem publicados. devidamente referenciados na seção Referências. Note-se que independentemente de qualquer taxa. É proibida a inserção de qualquer texto. também. Pessoas que não preencham os requisitos acima e que tiveram participação puramente técnica ou de apoio geral podem ser citadas na seção Agradecimentos. Em caso de discrepâncias entre os avaliadores. o autor correspondente será informado eletronicamente. em circunstâncias excepcionais. quando o assunto do manuscrito assim o exigir. seja em humanos seja em animais. de forma a poderem ter responsabilidade pública pelo conteúdo do trabalho: • ter concebido e planejado as atividades que levaram ao trabalho ou interpretado os resultados a que ele chegou.cobea. Após verificação estrutural inicial. com conteúdo semelhante ao apresentado à RBNC.saude. Assim. não contendo informações redundantes já citadas no texto. no item Método. no prazo de três meses a partir da data de seu recebimento. h) Termo de Cessão de Direitos Autorais assinado por todos os autores. As publicações urgentes que forem analisadas pelo Conselho Editorial e devidamente aprovadas serão impressas no primeiro número hábil que se seguir. Revisão ou Rejeição for alcançada. o editor toma a decisão final. e) Nome. Política para Registro de Ensaios Clínicos A Revista Brasileira de Nutrição Clínica. somente aceitará para publicação artigos de pesquisas clínicas que tenham recebido um número de identificação em um dos Registros de Ensaios Clínicos validados pelos critérios estabelecidos pela OMS e ICMJE. Os trabalhos submetidos à RBNC não devem estar sendo simultaneamente submetidos a outro periódico e nem devem ter sido publicados anteriormente. corrigido segundo as recomendações. POLÍTICA EDITORIAL Avaliação pelos pares (peer review) Previamente à publicação. Os autores devem identificar precisamente todas as drogas e substâncias químicas usadas. c) Número de Tabelas e Figuras. Em casos excepcionais. Caso um ou mais autores possua conflito de interesse seu nome. A aceitação é baseada na originalidade. f) Nome e endereço completo do autor correspondente. Os autores devem satisfazer a todos os seguintes critérios. Os revisores preenchem um formulário. para verificar se está de acordo com as normas de publicação e completo.gov ou no site do PubMed. As datas do recebimento e da aprovação do artigo para publicação são informadas no artigo publicado com o intuito de respeitar os interesses de prioridade dos autores. Todo esse processo é realizado por e-mail. titulação. contendo todos os itens aplicáveis devidamente assinalados. Os símbolos e abreviações empregados devem ser explicados na primeira vez em que utilizados. o nome da Comissão Ética Institucional que aprovou o protocolo (enviar declaração assinada que aprova a pesquisa). sem alterar o significado e o conteúdo dos trabalhos. tanto no texto quanto nas tabelas. garantindo o anonimato em todo processo de avaliação. apenas aquelas pessoas que contribuíram diretamente para o conteúdo intelectual do trabalho devem ser listadas como autores. o Editor poderá solicitar a colaboração de um profissional que não conste da relação do Conselho Editorial para fazer a avaliação. quando aplicável. O Corpo Editorial da Revista poderá recusar artigos que não cumpram rigorosamente os preceitos éticos da pesquisa. as mesmas são encaminhadas ao autor principal e. consoante à Declaração de Helsinki revisada em 2000 [World Medical Association (www. o) Legendas das figuras inseridas após a seção Referências. figura ou esquema obtidos da internet. Na hipótese contrária.org. l) Título. todos os artigos enviados à RBNC passam por processo de revisão e arbitragem. Inicialmente. em nome da SBNPE. • ter escrito o trabalho ou revisado as versões sucessivas e tomado parte no processo de revisão. 39(2):51-6) e os preceitos do Colégio Brasileiro de Experimentação Animal . dosagens e formas de administração. a exemplo de algumas publicações nacionais. O número de identificação deve ser registrado ao final do resumo. gráfico ou outro material publicado anteriormente. As figuras e tabelas devem vir acompanhadas de suas respectivas legendas. farão comentários gerais sobre o trabalho e opinarão se o mesmo deve ser publicado. remover redundâncias e deixar os textos mais claros e compreensíveis. m) Manuscrito estruturado com páginas numeradas. ou mediante comprovação de que se trata de portal de livre acesso. Os itens do Check List são listados abaixo: a) Contagem de palavras: Resumo. n) Referências até 20 formatadas corretamente. esta deverá vir acompanhada de uma autorização para a publicação do trabalho e cessão de direitos autorais para a RBNC. Todos os manuscritos publicados tornam-se propriedade permanente da Revista Brasileira de Nutrição Clínica e não podem ser publicados sem o consentimento por escrito de seu editor. no item. incluindo os nomes do princípio ativo. 27 (3): 209-10 210 . serviço e e-mail atualizado dos autores. resumo estruturado e unitermos em português e inglês. Caso os autores desejem inserir tabela. Fica ressalvada a citação de artigos ou portais eletrônicos científicos. no qual fazem uma apreciação rigorosa de todos os itens que compõem o trabalho. k) Permissão para publicação de fotos e tabelas e outros materiais. b) Contagem de palavras: Manuscrito. evitar nomes comerciais ou de empresas. tal será permitido mediante pagamento da taxa de urgência de R$ 600. Direitos Autorais e Responsabilidade pelo Conteúdo do Artigo O texto dos trabalhos é de inteira responsabilidade dos autores que o assinam. e excluindo resumos e comunicações não convencionais.

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