Teoria da Aprendizagem Social Albert Bandura A Teoria da Aprendizagem Social foi desenvolvida pelo psicólogo americano Albert Bandura

(numa primeira abordagem na década de 60). Insere-se na tradição dos comportamentalistas, mas faz a transição para o modelo cognitivo. Até Bandura, predominava a ideia de que aprendíamos com as consequências das ações e com o emparelhamento de estímulos (condicionamento operante e clássico). Surge então este modelo (também designada de modelamento, aprendizagem observacional ou aprendizagem vicariante).    A aprendizagem social abandona o esquema simplista, mecanicista do behaviorismo que reduz a aprendizagem humana a mecanismos de emparelhamento e repetição de estímulos antecedentes e consequentes; Começa a colocar a ênfase em processos cognitivos iniciais: atenção, retenção, reprodução, motivação, perceções de auto-eficácia; Contrapõe a uma aprendizagem por condicionamento uma aprendizagem por observação de modelos (vicariante)

Em 1965 Bandura, a partir dos trabalhos empíricos (expondo um grupo de crianças a modelos que exibem comportamentos agressivos em três condições: reforçados, punidos, sem consequências –– os observadores expostos à 1ª e 3ª condição exibem mais comportamentos agressivos) conclui que:

 Aprendizagem realiza-se por exposição a modelos: modelagem versus imitação  A modelagem implica a aquisição de uma regra que suporta o comportamento (skills discretos)  Aprendizagem Social é incentivada pela prática e pelos incentivos mais internos que instrumentais.

É uma teoria sócio-cognitiva que defende que as crianças aprendem comportamentos sociais pela observação e imitação de modelos (normalmente os pais). nível de ativação ótima. .codificação e organização simbólica. lidar com a agressão. . ou da representação em termos de regras (skills discretos) de produção de K/s. .Atenção: Refere-se à atenção que o sujeito direciona para o modelo (focagem atencional). as respostas cognitivas das crianças às suas perceções são consideradas como centrais para o seu desenvolvimento.Observador: capacidade preceptiva. a observação e a imitação de modelos são de particular importância (fundamental para aprender uma língua. valência afetiva.Retenção: Refere-se à capacidade de simbolização da realidade observada. Embora os teóricos da aprendizagem social (tal como os comportamentalistas) enfatizem a experimentação laboratorial. os teóricos da aprendizagem social acreditam que a criança também age sobre o ambiente.ensaio cognitivo. desenvolver o sentido moral …) A ter em conta no processo de APRENDIZAGEM SOCIAL… 1. Condições para a retenção: . .estilo cognitivo do observador 3. Enquanto os comportamentalistas encaram o ambiente como moldando a criança.Por parte do modelo: Saliência. mais do que respostas reflexas ao reforço ou à punição Na teoria da aprendizagem social. cognitiva. disponibilidade. A teoria da aprendizagem social também reconhece a importância da cognição.integração da simbolização em sistema de representações.Reprodução Motora: Consiste na tradução comportamental das representações simbólicas da realidade. valores pessoais e preferenciais. . valor funcional. Considera o indivíduo como sendo activo. 2. defendem que as teorias baseadas na investigação animal não podem explicar o comportamento humano. Há fatores que podem influenciar o foco atencional: .

Informação e feedback: ajustamento entre a reprodução e o modelo 4. .Execução: realização do comportamento e monitorização. As aprendizagens humanas constituem-se em oportunidades de generalização das percepções de auto-eficácia.S.Determinam a quantidade de energia e motivação mobilizada.Representação cognitiva: esquema de acção. auto-reforço. Concepção do Funcionamento Psicológico na Aprendizagem Social  Pressuposto da A.Reforço externo. Principais motivadores da ação: .  Pressuposto do determinismo recíproco: Pessoas. Teoria da auto-eficácia Refere-se aos juízos que os sujeitos emitem sobre a eficácia pessoal na realização de determinadas tarefas.Determinam se o comportamento vai ser iniciado ou não. reforço vicariante. o sujeito só parte para a ação se tiver valor funcional ou se for relevante.Modelagem. comportamentos e contextos interagem reciprocamente em oposição à unidireccionalidade e bidireccionalidade  Teoria da auto-eficácia  Teoria da disfuncionalidade: ausência de modelos ou distorção de expectativas de auto eficácia. .: Remete-nos para um conjunto de processos cognitivos que são o suporte da acção humana. São elas que: . constituindo-se nos principais preditores do envolvimento do sujeito nas aprendizagens. preferências de incentivo adequados ao seu sistema de valores.Predizem a persistência do sujeito face aos obstáculos a contornar . . .Processo: .Motivação: Consiste na mobilização do sujeito para a acão.

em que comparamos as nossas capacidades com as dos outros “observamos os outros a fazerem coisas”.A PERSISTÊNCIA QUANDO CONFRONTAMOS OBSTÁCULOS E NO CASO DE FALHARMOS .Persuasão verbal e influências sociais de que possuímos determinadas capacidades “Outras pessoas dizem-nos aquilo que acham que somos capazes de fazer”. . e constitui-se como um determinante do: .Experiencias de mestria “quando fazemos algo com sucesso”.Experiencias vicariantes. A auto-eficácia pode ser vista como um auto-julgamento. . .O ESFORÇO QUE COLOCAMOS NO QUE FAZEMOS .As crenças de auto-eficácia são especificas para cada tarefa . .A auto-eficácia não é uma característica de personalidade estável AUTO-EFICÁCIA O QUE FAZ? Influência… .” (Bandura.formas de pensamento. .comportamento.“Auto-eficácia é a crença ou expectativa que o sujeito desenvolve acerca da sua capacidade de desempenho numa situação particular. e baseiam-se em quatro fontes principais de informação: . . 1989). Consiste no julgamento que o sujeito faz.e reações emocionais. das suas capacidades para exercer controlo sobre os acontecimentos que afetam a sua vida. potencialidades e vulnerabilidades “ou reações somáticas ou sensoriais”.As intervenções podem promover a mudança comportamental . Este julgamento pessoal é a chave para a ação humana (Bandura.Estados fisiológicos a partir dos quais as pessoas julgam as suas capacidades. . 1977) A avaliação da Auto-eficácia – É um dos pensamentos mais importantes que afeta o comportamento.AS ESCOLHAS QUE FAZEMOS .COMO NOS SENTIMOS DE ONDE VEM? As nossas crenças de auto-eficácia podem ser corretas ou não.

Para este paradigma. IMPLICAÇÕES TERAPÊUTICAS Segundo o Paradigma da Aprendizagem Social. . Estratégias de Intervenção Modelagem e ensaio comportamental in vitro Esta estratégia resulta da combinação de cinco técnicas que são implementadas de forma integrada em passos progressivos: 1.Efeitos da Auto-eficácia ESCOLHA DAS TAREFAS •A selecção de uma tarefa espontaneamente.instrução: consiste no fornecimento de informação sobre os objectivos e processos característicos do comportamento alvo.Modelagem: consiste na observação do modelo a executar o comportamento alvo a modelar. 2 – prática gradual das competências aprendidas. para alertar o cliente para as regras e aspectos essenciais do comportamento que irá observar. e persistencia conduzem ao sucesso da tarefa. 2. SUCESSO/PERFORMANCE • Escolhas. que pode ser o psicólogo ou outros (reais) ou modelos simbólicos através de vídeos. ESFORÇO • Um esforço elevado indica níveis elevados de motivação para realizar a tarefa. indica motivação para executar a tarefa bem como a crença num resultado positivo. reprodução e aperfeiçoamento de um comportamento exige a utilização de uma estratégia que inclua três componentes centrais: 1 – experiências de modelagem ou observação. esforços. PERSISTENCIA • Perseverar face aos obstáculos encontra-se associado a auto-eficácia elevada. 3 – auto-observação e reforço pelos progressos verificados. a aprendizagem. novas respostas podem ser adquiridas através da observação de um modelo a ser reforçado pelo desempenho de certos comportamentos.

É desejável que o cliente observe também as consequências positivas do desempenho daquele comportamento (reforço vicariante). • Os incentivos à reprodução em situação real. Treino e Ensaio comportamental ao vivo (prática ao vivo ) Quando o cliente é capaz de realizar com competência o comportamento in vitro planeia-se progressivamente a sua execução ao vivo. 3. 4.O psicólogo ao longo da observação deve chamar a atenção para os elementos essenciais do comportamento e para o processo de produção. Os factores que afectam a transferência e generalização das competências adquiridas são: • Semelhança entre as situações do treino in vitro e as reais. Deve-se antecipar as situações de dificuldade e as suas consequências para não interferir nas percepções de auto-eficácia. • Em situações de inibição de respostas ou seja.Reforço e auto-reforço: reforço positivo pelos progressos conseguidos. implicando o treino de autoobservação e auto-registo para ser trabalho na situação de consulta as dificuldades sentidas e eventualmente fornecer os feed-backs. 5.Prática assistida: reprodução do comportamento após a observação do modelo orientado com as instruções do psicólogo e com os respectivos feed-backs e reforços. • A repetição e a prática. A generalização aos vários contextos e situações de vida deve ser progressiva.Auto-observação (auto-monitorização): consiste na observação do cliente da realização do comportamento a modelar. • Variedade de situações de treino. fazem parte do reportório mas existem situações emocionais bloqueadoras. Avaliação e eficácia da aprendizagem social A sua eficácia tem-se revelado • Em situações de aquisição de novas respostas quando não fazem parte do reportório comportamental do sujeito. • Aprendizagem da regra de produção do comportamento. .

sabendo apresentar e defender o seu ponto de vista. Competência social. É aplicada: Nas situações de falta de assertividade onde se implementa esta técnica do treino (assertividade: é a competência de ser adequado nas relações interpessoais. respeitando e integrando os vários pontos de vista).• E nas situações de facilitação de resposta. Ansiedade social.     No abuso de consumo de substâncias. Educação parental. .

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