A ERA ROMÂNTICA O romantismo foi mais que um programa de ação de um grupo de poetas, romancistas, filósofos ou músicos.

Tratou-se de um vasto movimento onde se abrigaram o conservadorismo e o desejo libertário, a inovação formal e a repetição de fórmulas consagradas, o namoro com o poder e a revolta radical um conjunto tão d!spar de tend"ncias que se torna inconseq#ente generali$ar apressadamente a rique$a e a diversidade do movimento. %um esforço didático, & poss!vel di$er que o romantismo foi marcado por algumas preocupaç'es recorrentes, um certo anticlassicismo, uma visão individualista, um desejo de romper com a normatividade e com os e(cessos do racionalismo. )iberdade, pai(ão e emoção constituem um trip& sobre o qual se assenta boa parte do romantismo. *nquanto estilo de &poca pode ser datado, ou pelo menos delimitado, a um per!odo que vai apro(imadamente entre o final do s&culo +,--- e meados do s&culo +-+. . sua origem deve ser procurada nas literaturas da .leman/a e da *scócia. *nquanto os demais pa!ses europeus aceitavam os padr'es clássicos de arte, essas duas naç'es de fala anglo-sa(0nica repeliam a imitação dos modelos greco-latinos e desenvolviam, já no s&culo +,---, uma atividade literária voltada para os valores nacionais, sentimentais e os inspirados pela nature$a. *m suma, opun/am a espontaneidade do 1oração ao cálculo da 2a$ão. . deflagração da 2evolução 3rancesa, em 4567, colaborou na formação do novo estilo de vida e de arte. O sistema monárquico de governo cedeu lugar ao regime liberal e democrático, e a aristocracia de sangue começou a desaparecer em favor da burguesia, estruturada sobre o din/eiro. 8resenciaram-se, então, radicais alteraç'es na sociedade e na cultura, que e(erceram profunda influ"ncia at& a atualidade. O 2O9.%T-:9O *9 8O2T;<.) O 2omantismo teve in!cio, em 8ortugal, com o poema 1am'es, de .lmeida <arrett, publicado em 46=>. ?urante seu transcorrer, cultivaram-se a poesia, o conto, a novela, o romance, /istoriografia e o teatro. Ocorreram o aparecimento do jornalismo e o prest!gio da Oratória. . poesia apresentou os seguintes nomes principais <arrett, 1astil/o, @erculano, :oares de 8assos e Aoão de ?eus. %o conto, salientaram-se @erculano e 2ebelo da :ilva. %a novela, 1amilo 1astelo Branco. %o romance, Aúlio ?inis. %o teatro, <arret. . 82-9*-2. <*2.CDO 2O9E%T-1. .lmeida <arret, de vida aventuresca e movimentada, parece, F primeira vista, encarnar a própria mentalidade romGntica, inclusive pelo modo meio escandaloso de vestir-se. . sua obra apresenta grande variedade, resultante do temperamento inquieto e dos muitos talentos que possu!a. *m poesia, publicou 3lores sem 3ruto H46I>J, 3ol/as 1a!das H46>KJ etc., em que e(prime todo o seu dom-joanismo, por ve$es tingido duma teatralidade sincera. .o mesmo tempo, atribuiu aos versos uma naturalidade pró(ima do falar cotidiano. *m prosa, escreveu o .rco de :antana H46I5-46>LJ, romance /istórico, e as ,iagens na 9in/a Terra H46IK-46I>J, obra em que se misturam o relato jornal!stico, a literatura de viagens e a /istória de amor da Aoanin/a dos Ol/os ,erdes. .qui tamb&m se estampa seu aspecto romGntico, e(presso numa linguagem fluente, fácil, direta e vibrante. 8ara o teatro, criou uma das obras-primas de toda a dramaturgia portuguesa 3rei )u!s de :ousa H46IKJ. O entrec/o da peça, transcorrido no s&culo +,--, gravita em torno da vida de 9anuel de :ousa 1outin/o, casado com 9adalena de ,il/ena, viúva de ?. Aoão de 8ortugal, tido como desaparecido na Mfrica com ?. :ebastião. . certa altura, por&m, o marido de 9adalena de ,il/ena ressurge, na pessoa do 8eregrino vindo de Aerusal&m, e obriga o casal a abraçar o sacerdócio, ele como frei )u!s de :ousa. 1om tal argumento /istórico, <arrett arquitetou uma aut"ntica trag&dia clássica. O fato não deve causar surpresa, pois a formação do teatrólogo tin/a-se dado dentro do .rcadismo, o que ainda se nota em suas obras menores, que refletem claramente a moda neoclássica do s&culo +,---.

embora quase cego desde os seis anos de idade. seja condu$indo-os F morte.HO BoboJ.niversidade de 1oimbra. prosseguiu os estudos.mor de :alvação. cr!tica literária. e acabou criando algumas de suas obras capitais. . tais obras estão va$adas num estilo clássico.--. :uas primeiras composiç'es seguem severa conte(tura clássicaN pouco depois.ssim. o 8resb!teroJ. 2edigiu febrilmente de$enas de volumes. ?e todas essas modalidades literárias. ocupada com os problemas de amor. <iram em torno de temas e(tra!dos da /istória da -dade 9&dia. F loucura.raújo cultivou a poesia.s duas últimas esp&cies t"m mais interesse que as outras. reunidos em )endas e %arrativas H46K7-46IIJ. onde cultiva e(agerado gosto romGntico.%?.9-)O 1.H*urico. *m compensação. O novelista seleciona os personagens na burguesia da &poca. de poesia. ora uma questão de /onra durante o reinado de ?. na prosa. ou seja. . %ov!ssima @elena H46=6J. enfei(ados sob o t!tulo de O 9onasticon. de /umor e sátira. 1astil/o e @erculano pertencem F primeira geração de escritores romGnticos portugueses.:T*)O B2. o conto.maral H46>OJ. provavelmente a /istoriografia seja mais valiosa que a prosa de ficção. oposto ao de <arrett. ?e uma e(ist"ncia c/eia de lances dramáticos. . o escritor mostra que. do din/eiro e da /onra.mor e 9elancolia ou .mor de 8erdição H46O=J. de aventuras. . mantendo alto o padrão ling#!stico. alcançou somente notas medianas.::O: * 1. pol"mica.%1O <arret. o autor comp0s quatro romances F moda naturalista para satiri$ar a corrente implantada pelo franc"s Qmile Rola. 1omo poeta. %oite do 1astelo H46KOJ e 1iúmes de Bardo H46K6J.rmada a equação sentimental. retirou mat&ria para uma das mais e(tensas obras da l!ngua portuguesa. constituindo a perfeita encarnação do . solene. 1amilo altera sempre a intriga das novelas. . %o conjunto da produção de @erculano. . Onde *stá a 3elicidadeP H46>OJ. :*<. como ficcionista tornou-se um dos mais importantes da primeira &poca romGntica. segunda geração & formada pelos poetas ultra-romGnticos. e princ!pios do +. e diplomou-se em 1Gnones pela . %o fim da vida. :abiamente. fins do s&culo +-. e O Bobo H46IKJ. 8or&m. tratam quase todos de temas /istóricos medievais. seja obrigando-os a respeitar a moral vigente H. poemas de tom declamatório. o romance. o enredo gira em torno de duas criaturas inflamadas por uma pai(ão superior F vontade e Fs conveni"ncias de fam!lia ou de classe social. acima dos poetas de sua geração e pró(imo de <arret e Aoão de ?eus. . por falta de maior sensibilidade. @erculano veio a ser o reformador da /istoriografia e o introdutor de novos m&todos de compreensão /istórica em 8ortugal. <*2. por&m.nt0nio 3eliciano de 1astil/o. sobretudo dos poetas latinos. . teatro. Os seus contos. aderiu ao 2omantismo com . utili$ando vasta e rigorosa erudição. HO 9onge de 1isterJ. o 8resb!tero H46IKJ. ressalta a figura de :oares de 8assos. Aoão -. .. ora o despertar da nacionalidade portuguesa. 1amilo cultivou a novela /istórica. baseada em documentos interpretados segundo crit&rios cient!ficos. jornalismo. 8rimavera H46==J e Outono H46OOJN em prosa citam-se Tratado de 9etrificação e *studo @istórico-8o&tico de 1am'es. conto. 1ompletando a tr!ade da primeira geração romGntica em 8ortugal. %a maioria das ve$es. no s&culo +-. morto precocemente. 1amilo escreveu considerável quantidade de narrativas.ltra2omantismo. romance e novela. a mais destacada & a última.le(andre @erculano de . /istoriografia. principalmente a novela passional. ora focali$ando a luta entre cristãos e mouros no s&culo . -gualmente de caráter /istórico são os romances O 9onge de 1ister H46I4J.2*: ?* 8. 9isturando o fato verdadeiro e a fantasia. 9emórias de <uil/erme do . e a passional. um dos maiores nomes daquele tempo tamb&m recebeu essa influ"ncia romGntica e(tremada para e(agerar as ra$'es do coração 1amilo 1astelo Branco. que findaria em suic!dio.m @omem de Brios H46>OJ. das quais as mais con/ecidas são 1arlota Engela H46>6J. o ensaio e a /istoriografia. epistolografia. 46OIJ. fol/etim. ao suic!dio. que levaram ao e(tremo a tend"ncia sentimental e subjetiva do 2omantismo. a força da sociedade vence o par de transgressores.%T-:9O :O. . tendo em vista um único alvo entreter o leitor burgu"s. ?oida do 1andal H46O5J.CDO ?O 2O9. *urico. :uas outras obras po&ticas importantes são . no geral. ?entre eles. em que o prosador se tornou um aut"ntico mestre.

Aúlio ?inis.olume LI. mas defendendo teses contrárias Fs de 1amilo para ele. :ão 8aulo. 9O-:Q:. 4775 1-T*))-.ma 3am!lia -nglesa. a salvação do /omem residiria no abandono da mal&fica e(ist"ncia nas grandes cidades e no reencontro das bele$as naturais. *m sua curta vida de trinta e um anos. anunciava o surgimento do 2ealismo. 46O6N Os 3idalgos da 1asa 9ourisca. -dealismo. assim. elaborou apenas quatro romances. 4777T . 2io de Aaneiro. obra de Aoão de ?eus H1ampo de 3lores. :&rie 8rinc!pios. integram a terceira geração romGntica em 8ortugal. 476O. . )igia. :ão 8aulo KLU edição. o amor entre dois adolescentes constitui a suprema bem-aventurança e leva sempre a um desenlace feli$. . B-B)-O<2. <*2. 9assaud. 465=J. então a ensaiar os primeiros passos. e(altação da mul/er e do amor.. dos quais estes encerram particular interesse. :ão 8aulo. Aoão de ?eus p0de subir ao n!vel do mais alto poeta romGntico portugu"s. 1om isso. <raças a isso.3-. . idealismo e esperança. e um prosador. *ncTclopaedia Britannica *ditores. a seu ver. espiritualidade. 9anteve sempre um raro equil!brio entre o sentimento mais alado e a forma mais simples. que o tin/am na conta de guia e e(emplo de superioridade po&tica. *ntretanto. Aamais se e(cedeu ou aceitou o esparramamento ultra-romGntico. 467KJ desdobra-se em poemas sat!ricos e l!ricos.. 2evelam uma privilegiada sensibilidade po&tica voltada F fi(ação dos momentos mais delicados e inefáveis do id!lio amoroso.s 8upilas do :en/or 2eitor.2:.CDO 2O9E%T-1. Aoão de ?eus. Aúlio ?inis prega a crença na bondade /umana e no poder regenerador da vida amena do campo. pois. eis algumas constantes dessa l!rica esvoaçante que parece retomar a tradição camoniana e trovadoresca. T*21*-2. todos eles girando ao redor das quest'es de namoro H. )iteratura 8ortuguesa.m poeta. B. <ranjeou. . 2omantismo. 46O5N .?*9. 1ultri(.2TO2-. 1. os dados em que fundamenta essa visão romGntica são-l/e fornecidos pela observação direta dos fatos. *ditora Mtica. a simpatia dos realistas. 46O6N . AODO ?* ?*. Aúlio ?inis pode ser considerado o iniciador do romance em 8ortugal.: * AS)-O ?-%-: . *ditora Mtica. 8er!odos )iterários. *%1-1)O8Q?-. 475>. :&rie 8rinc!pios. ?a! que seus personagens estejam aureolados de um /alo de beatitude. 9orgadin/a dos 1anaviais.dilson.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful