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Universidade de Brasília Instituto de Ciência Política GABARITO COMENTADO DA LISTA DE EXERCÍCIOS (Unidade I) Monitoria de Introdução a Ciência Política: 2/2013

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SCHMITTER Questão 01) a) INCORRETO. Numa divisão mais clássica, a Ciência Política pode ser considerada sim uma esfera da área de humanas, mas isso não significa, de modo algum, que o rigor científico possa ser deixado de lado. Schmitter afirma que uma das qualidades da Ciência Política contemporânea é a sua vontade de ser científica, justamente o que define a sua preocupação com dados e com métodos. “A primeira e mais discutida [qualidade] é a sua vontade de ser científica. Isto implica uma preocupação teórica e metodológica – um escrúpulo de respeitar dados (...) e de não afirmar ‘verdades’ ou ‘ princípios certos’ sem uma demonstração rigorosa”. (P. 31) b) INCORRETO. Realmente, duas são as qualidades apontadas por Schmitter, as mesmas duas que foram levantadas no item. No entanto, o autor argumenta que apenas a primeira qualidade não é suficiente, uma vez que nada adiantará trabalhar os dados com rigor, se esses dados não forem relevantes para a construção do conhecimento político. Assim, as duas qualidades são essenciais, não podendo haver uma sem a outra. “Mas nenhuma ciência se define pelo simples desejo de ser científica. É um erro comum (...) aplicar-se à metodologia ou à pesquisa empírica sem considerar a segunda qualidade da Ciência Política, quer dizer, sem ter uma consciência clara da ‘delimitação da disciplina’”. (P. 31) c) CORRETO. O item é, praticamente, uma transcrição do que é dito no próprio texto. “A primeira e mais discutida [qualidade] é a sua vontade de ser científica. Isto implica uma preocupação teórica e metodológica – um escrúpulo de respeitar dados (...) e de não afirmar ‘verdades’ ou ‘ princípios certos’ sem uma demonstração rigorosa”. (P. 31) d) INCORRETO. Este item busca tratar das abordagens relacionadas à Ciência Política, que nada mais são do que os aspectos que vão delimitar o estudo da disciplina. São quatro: Instituições, Recursos, Processos e Função (e não “decision-making”, que é, na verdade, uma definição específica, relacionada com a abordagem “Processos”). Além disso, o item coloca que

relaciona-se com a obediência voluntária. tão correto – porém menos comum – quanto Decision-making. Influência ou Autoridade Decision-making ou Policy-formation Resolução não-violenta dos conflitos Questão 02) a) CORRETO. “Com a descoberta da importância política de instituições não-constitucionais. (Pp. a Política pode ser analisada pelos seus recursos – ou meios -. (P. portanto. A influência seria. uma dominação mais ampla. influência e autoridade. 33-34) c) CORRETO. facções. com a hierarquia. sociedades de economia mista. Realmente. Schmitter apresenta uma quarta: Função. Também são quatro: Estado ou Governo. A autoridade. grupos de pressão. na verdade. quando. Poder. deste modo: Abordagem Instituição Recurso Processo Função Definição específica Estado ou Governo Poder. ou da capacidade de coagir outras pessoas) também está correto. e) INCORRETO. porém não as únicas.o campo das abordagens é restrito àquelas apresentadas. O conceito de poder apresentado (força física. esta delimitação parecia estrita demais. as abordagens tratadas no texto são as mais comuns. 32 – Grifo nosso) b) INCORRETO. Ademais. Influência ou Autoridade. As definições específicas são o que será trabalhado em cada abordagem do campo político. que são três: poder. não quando há muitas outras organizações que. Decision-making ou Policy-formation e Resolução não violenta dos conflitos (o item esquece-se de mencionar uma definição: Decision-making) Cada abordagem relaciona-se com uma definição específica. que aparecem trocados. O que torna o item errado é só as definições de influência e autoridade. ligas conspiratórias. Schmitter reconhece que apenas este não é o suficiente para definir a Política. apesar de não serem exatamente Estado. por outro lado. Apesar de a definição específica das Instituições (abordagem) ser o Estado. O mais complicado nesse item é o termo utilizado para a definição específica. É importante conhecer . ligam-se a ele. a abordagem processos ocupa-se em estudar o que levou a adoção de determinada política. Realmente. Então os políticos ampliaram-na para incluir algumas organizações anexas que intervém regularmente ou mesmo ocasionalmente na atividade estatal: órgãos como partido. sem ser necessário o uso da força física. cliques militares e grupos informais”.

ainda que estes estejam em contato com o mundo político – por serem a sede do poder. com poder. “A tarefa de uma ciência da política seria. Politeio está. 36) 2ª condição: “A condição suficiente para que os conflitos sejam políticos é a de que os atores reconheçam reciprocamente suas limitações nas reinvindicações das suas exigências. b) INCORRETO. No entanto. então. O referido estudo trabalha a primeira qualidade – a vontade de ser científica – uma vez que preocupa-se com os métodos. Politeio estaria analisando a Política pelos recursos. (P. “Para nós. não há um ato político se as partes não se mostrarem dispostas a cooperarem num debate. é ou será adotada. (. analisando a Política segundo os seus processos. 36) e) CORRETO.” (P. milícias. para uma eventual pergunta de prova. Os atores precisam. Ao analisar os motivos que levaram a adoção de determinada linha de conduta.. a de explicar e presumivelmente predizer porque uma determinada linha de conduta foi. só essa característica não se mostra suficiente. em alguma medida. 35) d) CORRETO. Ou seja. d) INCORRETO.. faltando ao estudo a segunda. A primeira condição para que um ato seja político é que ele gere discussão. etc.. (. em alguma medida. autoridade e influência.) A partir do momento em que os combatentes decidem limitar reciprocamente os seus esforços competitivos em vez de se destruírem. partidos políticos. Schmitter afirma que a primeira qualidade não é suficiente.. 1ª condição: “A condição necessária é que o ato deva ser controverso.) são analisadas pela abordagem institucional. estão ao nosso ver numa situação política” (P. indique um conflito. é necessário que haja diferentes opiniões entre grupos dispostos a debater sobre o assunto. na verdade. sem que este conflito destrua um dos partidos em conflito”. estudar a arquitetura dos prédios não é relevante para a construção do conhecimento da Ciência Política. um antagonismo entre interesses ou atitudes expressas por diferentes indivíduos ou grupos”. (P. uma vez que a força física e a estrutura rígida de dominação relacionam-se. Questão 03) a) INCORRETO.as diferentes terminologias. Assim. Governo. a função da Política é a de resolver conflitos entre indivíduos e grupos. As organizações (Estado.) O que implica que o conflito político exige um certo grau de integração ou cooperação entre os combatentes. . compreender suas limitações mútuas. No entanto. c) INCORRETO. 36).

. portanto. A definição weberiana do Estado presente no segundo período da alternativa está correta. aquele que deseja a salvação da alma não deve se aventurar na atividade política. isto é. No entanto. Dessa forma. o autor destaca que os envolvidos na política podem buscar tanto o poder pelo poder quanto o poder instrumental.e) CORRETO. o senhor Avritzer -. Segundo Max Weber. para Weber. Isso significa que o conflito deve ser solucionado (pelo menos temporariamente) sem que as partes sejam eliminadas. Para Weber. b) INCORRETO. já que outras agremiações humanas podem fazer o mesmo. mas que não é o único a sua disposição. vão além dessas ações e tiveram sua gênese quando a carência moderna do monarca por forças auxiliares que se dedicassem com mais freqüência à ação política o levou a criar um quadro de adeptos ligados totalmente a ele e a seu serviço e cuja ação política constituísse sua vocação principal. um pacto com o Diabo. na contemporaneidade outras instituições assumem o emprego da coação física à medida que o Estado lhes permita. ao eliminar uma das partes – no caso. Schmitter defende que a função da Política é a Resolução nãoviolenta dos conflitos. e) CORRETO. o mal. No entanto. c) INCORRETO. Além disso. a alternativa está incorreta porque Weber considera que tanto políticos de ocasião quanto políticos profissionais participam da política. o conflito parece ter fim. um meio que lhe é próprio. Realmente. na política o bem não gera necessariamente o bem. Embora o primeiro período esteja correto. nem o mal. o próprio emprego de “guarda real” não abarca todas as instâncias estatais atuais que atuam coercitivamente. por outro lado. aprovando ou desaprovando algo. na medida em que votamos ou explicitamos nossa vontade política ao pronunciar um discurso político. d) INCORRETO. WEBER Questão 04) a) INCORRETO. Os políticos profissionais. o autor afirma que o Estado pode ser definido pela força física. O primeiro período está correto. Além disso. Embora Weber considere que o Estado não possa ser definido a partir do conteúdo do que faz. Aquele que se compromete com os instrumentos do poder e da violência – com a política – conclui. somos todos políticos de ocasião.

A descrição apresentada refere-se integralmente ao tipo ideal de dominação carismática e não. O “sentido de pertencimento” não é uma das virtudes políticas para Weber. mantendo a calma interior do espírito e sabendo manter o sentido de distância ante o homem e as coisas. c) INCORRETO. à dominação carismática. c) INCORRETO. d) INCORRETO. o sentido dos limites é considerado uma qualidade. Para Weber. a descrição do quadro administrativo presente no segundo corresponde à dominação racional-legal. a descrição e exemplos de (i) referem-se à estrutura estamental e a descrição e exemplos de (ii) referem-se à estrutura patriarcal. Ela dá origem a dois pecados mortais na esfera política – não defender causa alguma e a ausência do sentido de responsabilidade – e à busca do poder pelo poder. já que consiste na habilidade para permitir que os fatos ajam sobre si. e) INCORRETO. Para Weber. Embora o primeiro período esteja correto. e) INCORRETO. ou seja. d) CORRETO. como proposto. A descrição apresentada refere-se integralmente ao tipo ideal de dominação tradicional e não. é a inimiga mortal de qualquer devoção a uma causa. de toda a distância e da distância em relação a si mesmo. A vaidade. embora autêntica. Na realidade. como proposto. elas formam o homem autêntico. A ética da responsabilidade e a ética da convicção não são excludentes. Max Weber considera que as três qualidades decisivas para o político são a paixão. b) INCORRETO. Na dominação . senão complementares. a sensação de responsabilidade e o sentido das limitações. Questão 06) a) CORRETO. à dominação tradicional. um homem que pode ter vocação para a política. b) INCORRETO. é insuficiente para formar o verdadeiro “homem” político. a paixão. O sentido dos limites e a sensação de responsabilidade são necessários para que o político não se torne vaidoso. por sua vez. Juntas. Os dois tipos de estrutura da dominação tradicional estão com suas descrições e exemplos invertidos.Questão 05) a) INCORRETO.

de coerção. fora do campo teórico. supõe-se que o povo domina aqueles que governam. o desprezo.] Conservar autoridade requer respeito pela pessoa ou pelo cargo.62) b) INCORRETO. o Quadro administrativo é composto por membros escolhidos segundo carisma e vocação pessoais. que se trata apenas de um instrumento para imposição de vontades. Essa ideia não deve ser confundida com a de violência. sendo que “a violência sempre pode destruir o poder. Já o poder corresponde à habilidade humana para agir em concerto ou conjunto. ele precisa de legitimidade. do cano de uma arma emerge o comando mais efetivo.” (p. termos como “poder”.70) .” e) INCORRETO. Tratase de uma propriedade em que um grupo de pessoas consegue deliberar para agir de forma conjunta no alcance de algum objetivo. portanto. e esse apoio não é mais do que a continuação do consentimento que trouxe as leis à existência.. a autoridade é “o reconhecimento inquestionável daqueles a quem se pede que obedeçam. O poder não é uma relação de imposição de decisões ou de obediência. Eles têm origens e significados diferentes. o que não significa que sejam o mesmo tipo de fenômeno. O uso da violência é que depende de uma justificativa e remete a um fim que está no futuro. d) CORRETO. nem a coerção nem a persuasão são necessárias. Já na dominação carismática. resultando na mais perfeita e instantânea obediência.” (p. ou seja. Para Arendt. dominam as relações do quadro administrativo não o dever ou a disciplina objetivamente ligados ao cargo. “força” e “violência” não deveriam ser empregados como sinônimos porque representam realidades diferentes.. poder e violência geralmente aparecem juntos. O poder é um fim em si mesmo. à sua posição ou à sua dependência pessoal. O conceito de força indica a energia liberada por movimentos físicos ou sociais. elas se petrificam e decaem tão logo o poder vivo do povo deixa de sustentá-las. ARENDT Questão 07) a) INCORRETO. c) INCORRETO. não devido à sua qualificação profissional.tradicional. Para ela. Arendt reconhece que. do consentimento do grupo. Sob condições de um governo representativo. O maior inimigo da autoridade é. e o mais seguro meio para miná-la é a risada. a autora afirma que “é o apoio do povo que confere poder às instituições de país. [. Uma das principais preocupações de Arendt é a de fazer distinções conceituais. O que nunca emergirá daí é o poder. mas a fidelidade pessoal do servidor. Todas as instituições políticas são manifestações e materializações do poder. Na página 57.

a superioridade do governo tem sido sempre absoluta.Questão 08) a) CORRETO. enquanto estiver no comando. que é muito mais poderoso. “Temos visto no Vietnã que uma enorme superioridade nos meios da violência pode se tornar inútil se confrontada com um oponente malequipado mas bem organizado. se identificarmos a tirania como o governo que não presta contas a respeito de si mesmo. em termos de seu próprio poder. uma entidade individual.55).” (p. o domínio da burocracia é certamente o mais tirânico de todos. Segundo Arendt. pois ele não é apenas pago pelo vencido mas também pelo vencedor.. “O vigor designa algo no singular.” (p. mas pela opinião e.” (p. O totalitarismo é uma situação que caminha para a destruição total do poder.” b) CORRETO. os meios da violência são inúteis e a questão dessa obediência não é decidida pela relação mando e obediência.” (p. tinham em mente um conceito de poder e de lei cuja essência não se assentava a relação mandoobediência e que não identificava poder e domínio ou lei e mando. é a propriedade inerente a um objeto ou pessoa e pertence ao seu caráter.] Em um conflito de violência contra violência.57) b) CORRETO. por certo. pois "esse estado de coisas torna impossíveis a localização da responsabilidade e a identificação do inimigo” (p. 61 e 63) e) CORRETO. “Substituir o poder pela violência pode trazer a vitória. Arendt vê que a efetividade da resistência vietnamita está no fato deles terem sido mais poderosos e não mais violentos. “Jamais existiu um governo exclusivamente baseado nos meios da violência. Para Arendt. ainda conta com alguma base de apoio. c) INCORRETO. podendo provar-se a si mesmo na relação com outras coisas ou pessoas. mas o preço é muito alto.68) .” (p. “quando a cidade-Estado ateniense denominou sua Constituição uma isonomia.” (p. pelo número daqueles que a compartilham.. “O fato é que a lacuna entre os meios que o povo pode juntar por si mesmo sempre foi tão imensa que as melhorias técnicas dificilmente fazem a menor diferença. no entanto. “Onde os comandos não são mais obedecidos. ou quando os romanos falaram de uma civitas como sua forma de governo. [. Mesmo o domínio totalitário precisa de uma base de poder – a polícia secreta e sua rede de informantes.66) c) INCORRETO. mas sendo essencialmente diferente delas. então.67) d) CORRETO.71) Questão 09) a) INCORRETO.

segundo o autor. que inexiste no mundo real. é o vício. cada uma pior que a precedente. A ausência de oposição da maioria já torna o pequeno grupo mais poderoso. Essa mudança aconteceria devido à corrupção – ao excesso – do princípio que norteia a forma de governo. Portanto. mas não necessárias. A maioria meramente observadora. Para Platão. não se refere apenas a quantidade. Esse pessimismo se reflete na ideia de que se sucedem historicamente apenas formas más. Para Arendt.59) BOBBIO Questão 10) a) INCORRETO. para Platão. mas a um critério qualitativo.66) Isso ocorre porque os comandos não são mais obedecidos. entretida com o espetáculo da gritaria entre os estudantes e o professor. para Arendt. e) INCORRETO. o pensador acredita que essa passagem é necessária. no princípio e no fim da série. buscaria realizar a justiça. a virtude é apenas uma só. “onde o poder se desintegrou. Para Platão. O que tem uma variedade infinita. b) INCORRETO. apenas a República ideal é uma forma boa de governo. de acordo com suas aptidões.” (p. “Tudo isso prova apenas que uma minoria pode ter um poder potencial muito maior do se esperaria contando votos em pesquisas de opinião pública. rápida e inevitável. Embora o primeiro período esteja correto. Cumpre acrescentar que essa República. a República ideal seria um misto de aristocracia e monarquia composto harmonicamente por governantes-filósofos. com a qual o processo degenerativo atinge seu ápice.d) INCORRETO. guerreiros e aqueles que se dedicam aos trabalhos produtivos. Isso tem relação com a concepção pessimista da história nutrida pelo pensador. isso já implica em um consentimento ou aceitação implícita. Portanto. a passagem de constituições realmente se dê por meio do revezamento de gerações. A constituição boa não entra nessa sucessão: existe por si mesma. c) INCORRETO. A forma mais baixa da série é a tirania. as revoluções [e o uso da violência] são possíveis. sua tipologia inclui apenas formas más. como a busca por riquezas na oligarquia e o desejo por liberdade na . É importante observar que Platão não deixa explícito o que acontece quando é atingido o fim da cadeia de formas de governo. embora inexista no mundo concreto. como modelo. os períodos seguintes estão incorretos. as regras do antigo regime não precisam mais ser derrubadas porque pararam de ser obedecidas. Se um grande grupo não se opõe as ações de um pequeno grupo.” (p. já é de fato aliada latente da maioria. que testemunhou a decadência da gloriosa democracia ateniense. entendida como atribuir a cada um a obrigação que lhe cabe. Embora. A questão do poder.

de caráter geral. os três tipos de relação de poder. mas que é também legítimo. esse termo se refere à politia. isto é. a análise platônica é. pode-se dizer que ordem hierárquica aristotélica das constituições é: monarquia. ela seria entre a classe dirigente e a classe dirigida. b) INCORRETO. como exemplo. isto é. Já a epithumia do homem oligárquico seria essencial. uma alma apetitiva. exercido em interesse comum. Para Aristóteles. exercido no interesse do filho. segundo Aristóteles. a violência. Nesse sentido. para Aristóteles a monarquia despótica (ou despotismo oriental) se pautaria no poder que é exercido tiranicamente. quem tem uma alma passional é o homem timocrático. Quanto à discórdia que levaria à ruína do Estado oligárquico. Além disso. Além disso. porque é aceito por povos mais “servis” do que os gregos. é a mistura de oligarquia e democracia. d) INCORRETO. na verdade. para Platão. exercido no interesse do senhor. poder do senhor sobre o escravo. e) CORRETO. Cumpre observar que o critério utilizado por Aristóteles para distinguir a oligarquia e a democracia não é o critério numérico. A discórdia dentro da classe dirigente é a que levaria à ruína. politia/timocracia. as sociedades aristocrática e timocrática. uma constituição reta. d) INCORRETO. democracia. não ilícita. valoriza a unidade do Estado e considera a discórdia sua pior moléstia. Na verdade. Além disso. inclinada para esta. oligarquia e tirania. c) INCORRETO. assim como o homem democrático e o homem tirânico. Questão 11) a) CORRETO. ex parte principis. O homem oligárquico tem. como é a do homem tirânico. . Assim. aristocracia. Na verdade. a Politia. ao se adotar um meio-termo entre as disposições extremas dos dois regimes (diminuir o limite mínimo de renda para votação imposto pelo regime dos ricos e elevar o admitido no regime dos pobres) e ao se recolher o melhor dos dois sistemas legislativos (promover eleições sem requisito de renda). A paixão dominante do homem oligárquico é a fome de riqueza. é a paixão dominante do homem tirânico.democracia. à forma reta da democracia. e poder do governante sobre o governado. mas um critério bem mais concreto: a diferença entre ricos e pobres. são: poder do pai sobre o filho. na verdade. Embora o primeiro período esteja correto e Aristóteles utilize o termo timocracia em Ética a Nicômaco. a democracia e a oligarquia seriam unidas ao se conciliar procedimentos que seriam incompatíveis (a promulgação de lei que penalize os ricos não-participantes da atividade política e que premie os pobres que participam).

A aplicação da teoria polibiana está limitada à história das cidades gregas. Na verdade. para Políbio.C. Uns dos aspectos que caracterizam o autor florentino como “pai” da política moderna é. ocorrida no seio do Império Romano em meados de 395 d. Dessa forma. por exemplo. p. o princípio que guia a fusão da democracia e da oligarquia para formar a politia. c) INCORRETO. pp. MIGUEL (MAQUIAVEL) Questão 13) a) INCORRETO. Para Aristóteles. nos séculos anteriores. 1112). Políbio comunga dos critérios confeccionados por Platão. Contudo. a teoria dos ciclos demonstra que as constituições comuns são instáveis – são. Cumpre observar que Políbio tem uma visão fatalista da história que enfatiza o germe da corrupção no interior de todas as constituições.C. a melhor comunidade política é a que se baseia na classe média. isto é. é o da mediação. por prover maior estabilidade. Maquiavel não é pioneiro nessa temática: como escreveu Luis Felipe Miguel. ao reino. não testemunhou a gênese do Império Bizantino. como um salto.. Marsílio de Pádua. Além disso. de fato. paradoxalmente. ideal da ética aristotélica. o segundo. Dessa forma. está incorreto. entre tantos outros” (MIGUEL. Enquanto o equilíbrio do governo misto de Políbio é institucional. boas. Embora o primeiro período esteja correto. João Quidort e Egídio Romano. a atenção de intelectuais como Guilherme de Ockham. portanto más. Políbio. segundo Políbio. o equilíbrio da politia de Aristóteles é social.e) INCORRETO. que morreu em meados de 120 a. a discussão sobre a separação da Igreja e dos governos (MIGUEL. o fato de que as constituições mistas sejam estáveis não significa que elas sejam eternas. ao aproximar os critérios para distinguir as formas de governo boas e as más de Políbio e de Aristóteles. Questão 12) a) CORRETO. Já o segundo período está incorreto. “[o tema] mobilizara. O primeiro período está correto. 11). mesmo quando são. por ter sido daí deduzida. O erro . e) INCORRETO. d) INCORRETO. b) INCORRETO. o consenso ou a violência e legalidade ou a ilegalidade. Além disso. da oclocracia se volta. uma vez que.

Mais detalhes. b) CORRETO. ver pág. De fato. Maquiavel recebe o título de “pai” Moderno do republicanismo por enfatizar a liberdade e a virtude cívicas. Maquiavel – assim como os contratualistas – esboça um perfil da natureza humana. Por outro lado. Ver pág. do texto de Luis Felipe Miguel e pág. assim. Por outro lado. p. A república é sim um apaziguador do egoísmo humano. que para ele. 26). Para as definições das éticas e a conclusão de Weber. Maquiavel prova a superioridade das instituições da República sobre as da Monarquia no quesito estabilidade – principalmente por não promover a virtù de um só homem. Maquiavel é considerado o “pai” Moderno do republicanismo (MIGUEL. p.maior está na segunda oração: Maquiavel não está preocupado em ver as origens do Estado – o que é atribuído ao trabalho de autores contratualistas (entre eles. Executivo e Judiciário. 48). 21-22. os conflitos sociais seriam resolvidos por vias legais. 14-15). 23-24). c) INCORRETO. Ver pág. nos Discorsi. ver pág. 20. aristocracia e democracia. p. mas de todos os cidadãos (MIGUEL. 32-33 do texto de Phillip Schmitter. Maquiavel estava preocupado com a unificação da Itália para alcançar o nível de desenvolvimento e prosperidade das potências da época (MIGUEL. é má. Questão 14) a) CORRETO. Para Maquiavel. pp. O “bem” a ser alcançado na política é a . não é esse governo misto que recebe o nome de teoria da separação dos três poderes – e sim a divisão entre Legislativo. 113 e pág. e) CORRETO. corrupta e egoísta (MIGUEL. proposta por Montesquieu. Aliás. Para Maquiavel. p. 49. 49-50). uma vez que promove a virtude cívica entre os cidadãos. Locke e Rousseau). Apesar de em “O príncipe” o autor demonstrar a preferência pela monarquia para a realização da unificação italiana – dado o contexto de instabilidade da Península Itálica no século XVI –. Maquiavel afirma que a esfera política deve estar dissociada da religião e dos valores morais – e da esfera privada – bem como que não cabe às entidades religiosas interferir nos governos seculares. a política possui uma moral própria – independente dos valores religiosos ou da moral segundo os clássicos (MIGUEL. b) INCORRETO. a religião é apontada como parte fundamental para se manter as aparências e assim conquistar a simpatia da população (MIGUEL. d) INCORRETO. Esse arranjo permitiria a todas as camadas sociais trazer seus interesses para as questões do Estado. p. essa forma de governo seria composta por instituições das três formas de governo apresentadas pelos gregos – monarquia. Hobbes. Contudo. 122. 38-39).

assim. 29-31. p. o conhecimento da história seria um poderoso aditivo à virtù. proporcionando ao ator político a certeza da conveniência da adoção deste ou daquele caminho” (MIGUEL. 31). pela superação da própria transitoriedade. 41-42 e pág. e para isso o príncipe poderia se utilizar de artifícios considerados “maus” pela moral convencional. p. A fortuna é um termo “para se referir a tudo aquilo que. A visão da história de Maquiavel é cíclica. e nem aponta que ou a fortuna ou a virtù será preponderante sobre a outra. É possível também que uma situação seja muito adversa. e não linear como afirma o item. 25-28). combinando aspectos de cada uma das três formas puras [monarquia. presente e atuante no mundo humano. ver pág. d) CORRETO. então. Apenas Rousseau era defensor da democracia direta. Contudo. ver pág. pág. Mais detalhes da associação de Weber e Maquiavel. 45. Assim. “conhecer a história é aprender com os erros (e acertos) dos antepassados e saber agir quando circunstâncias semelhantes surgirem. Questão 15) I) INCORRETO. Para que isso ocorra. reverter sua fortuna. 52). por outro lado. pp. Mais informações de Políbio. c) CORRETO. fortuna e occasione e a relação dos três termos. estritamente falando. ver Miguel. II) INCORRETO. “A maneira de escapar desse destino [a instabilidade das formas de governo] é a adoção de um governo misto. 52).glória e estabilidade do Estado. p. 52 do texto de Luis Felipe Miguel. aristocracia e democracia]” (MIGUEL. que a república defendida nos Discorsi concede espaço significativo à soberania popular. 53). o que inclui a violência – mais informações (MIGUEL. 24. . Maquiavel não é determinista. ver pág. 69 do texto de Norberto Bobbio. com a conquista da lembrança e da estima das gerações futuras” (MIGUEL. e) INCORRETO. mas não é. a oportunidade que a fortuna dá ao homem de usar sua virtù. p. pois. “Convém ressaltar. dificilmente os homens terão essa oportunidade de superar a fortuna. e isso reforça a necessidade de se estudar o passado. Contudo. Mais informações de Maquiavel. p. Para mais informações sobre o conceito de virtù. uma democracia” (MIGUEL. então os fatos passados tendem a se repetir no futuro (MIGUEL. o homem que possui virtù (que não está relacionada às virtudes morais) é capaz de “remodelar” o mundo de acordo com o seu interesse. a preocupação do governante vai além disso porque “os Estados também são instrumentos da busca pessoal dos grandes homens pela glória. é necessária uma occasione. 51). Ver pág. foge ao controle dos homens”.

III) INCORRETO. II. 19). para o autor “o uso da força deveria estar recoberto pela astúcia: a força bruta. não existe noção de justiça. não se pode esquecer que Maquiavel também fala do “mundo das aparências” (MIGUEL. deve parecer bom. mesmo fazendo o mal. 28).HOBBES . 28). essas inexistentes em um estado primitivo. o item CORRETO é: c) ROUSSEAU . III.ROUSSEAU . 31).LOCKE. O trecho se refere a Thomas Hobbes (p. IV. Logo. p. porém. V. assim. 19-20).HOBBES . IV) CORRETO. no entanto. 26). 28. John Locke faz sim uma . Também. não faz menção à garantia da propriedade ou à perversão das leis. O trecho se refere a Thomas Hobbes (p. Logo. É no estado de natureza hobbesiano que. MACFARLANE Questão 16) I. ver pág. Os conselhos são de fato dados por Maquiavel no livro “O príncipe” (MIGUEL. nua e crua. o item CORRETO é: a) Apenas o item IV está correto. 34): o príncipe. “recomenda evitar o desgaste provocado por repetidas demonstrações de crueldade” (MIGUEL. p. Mais detalhes. guiados pela autorrealização e autogratificação. é pouco eficaz. Questão 17) a) INCORRETO. O trecho se refere a Jean-Jacques Rousseau (p. O trecho se refere a Jean-Jacques Rousseau (p. para reforçar a limitação do uso da força. Thomas Hobbes. p. 20). O trecho se refere a John Locke (p. os homens acabam se tornando inimigos (p. 26-27). gera demasiada repulsa e resistência” (MIGUEL. p. Neste cenário caótico. 29).

tímido. d) CORRETO. No estado de natureza lockeano não existe autoridade sobre o homem. mas sua caracterização do homem selvagem o coloca como solitário. O homem natural de Rousseau não se preocuparia com as manifestações da natureza. para que os homens não caiam em um estado de guerra (p. para afastar o perigo do estado de guerra. vive em unidades familiares. Rousseau critica sim os contratualistas por colocarem considerações adquiridas em sociedade em um estado que é essencialmente primitivo. e) CORRETO. Questão 18) a) CORRETO. com o direito à propriedade bem estabelecido. assim como juízes para afirmá-las e um poder capaz de garantir sua execução (p. 31). d) INCORRETO. mas é necessário que uma autoridade surja para garantir leis bem estabelecidas e que sejam respeitadas. O homem selvagem de Rousseau não é racional. . O homem selvagem é solitário. 25-26). O homem. livre.diferenciação entre estado de natureza e estado de guerra. pois é inconsciente às leis naturais. Ver p. mas tampouco é corrompido. 27). 27). Ver p. mas não há nenhuma menção à atividade econômica predominante destas unidades. 30-31). 28. 31. Ver p. 19-20. Ver p. 20. Locke acredita que. b) INCORRETO. Ver p. indolente e busca satisfazer suas necessidades básicas (p. b) CORRETO. 29-30). As ideias estão invertidas: é Rousseau que acredita que as instituições políticas são produto da mente dos ricos e corruptos. este último em que as leis são pervertidas e que pode acontecer mesmo em uma sociedade civil já estabelecida (p. c) INCORRETO. interessados em se garantir sobre os demais (p. 31. é necessário que existam leis definidas e estabelecidas. por exemplo. c) CORRETO. e sua corrupção vem através da instituição da propriedade. no estado de natureza. e) INCORRETO. indolente e preocupado em satisfazer somente suas necessidades básicas (p. e não das paixões humanas.

Marx não desenvolveu uma única e coerente teoria. a variedade de interpretações e os consideráveis debates foram (e são) inevitáveis. De fato mediação do Estado é dominada pela burguesia. 65 – foco especial na citação de Engels a este respeito). Marx afirmava justamente o contrário. adquirindo a forma de uma vontade dominante. b) INCORRETO. em Marx. As concepções marxistas precisaram ser deduzidas de várias obras e teorias diferentes (algumas incompletas). logo. O Estado origina-se das condições materiais de existência dos indivíduos. (p. por forte oposição a Hegel. 66). era moldada pelo modo dominante de relações de produção. e) CORRETO. negava a ideia de Estado enquanto curador comum da sociedade. (p. escrita com Engels em 1845-1846. por exemplo). 68-69). não do desenvolvimento geral da mente humana ou do conjunto das vontades humanas. em geral. 65). A forma do Estado. ainda assim. Marx expressou. Os social-democratas alemães. (p. (p. sendo este moldado pela sociedade. a ideia de origem estatal ligada a um complô de classes está equivocada. desde os anos 1980. . (p. pela primeira vez. (p.CARNOY Questão 19) a) INCORRETO. b) INCORRETO. portanto. 63 e p. c) INCORRETO. A sociedade capitalista. fomentada pelas concepções de bem comum e de “coletividade social” (presente nas obras Hegel e de autores contratualistas clássicos. atingiram níveis significativos de força eleitoral a ponto de pensarem em assumir o Estado por meios democráticos-representativos (p. Para o autor. d) INCORRETO. Portanto.66-67) Questão 20) a) CORRETO. 65). emerge das relações de produção. essa formulação completa na Ideologia Alemã (1964). As obras de Marx são marcadas. Karl Marx. ainda assim.67). há elementos de concordância entre os dois autores. as condições materiais de uma sociedade configuravam a base de sua estrutura social e determinavam a consciência humana. Marx submeteu o Estado a uma concepção materialista da história. A participação eleitoral dos partidos de esquerda no pós-guerra não configurou uma “nova” política ou um interesse inédito pelo Estado. A concepção de Estado marxiana foi formulada em contradição direta a concepção Hegeliana de Estado (eterno e transcendente à sociedade como uma coletividade idealizada). portanto. o Estado não existe devido à vontade dominante desta.

a favor da classe dominante. reservando para si um alto grau de autonomia e independência. Por mais que o Estado tente conciliar o conflito de classes. bem como todas as estruturas sociais calcadas nos antagonismos de classe. há um excerto da obra Origem da Família. esse conflito é irreconciliável. Isso está muito errado. (p. a debilidade do raciocínio estruturalista consiste justamente no determinismo (“hiperestruturalismo”) que transforma os membros do Estado em instrumentos diretos das forças objetivas da dominação de classe. 74 e 75). b) INCORRETO. confira as páginas 74. 70-71). e) CORRETO. como por exemplo. afirma que culpar Marx pelo abandono da democracia é um erro. 75 e 76 do texto de Carnoy. uma imprensa livre e sem censura. 84 e 85). (p. 86 e 87). Rosa Luxemburgo defendeu a necessidade de garantias democráticas. até mesmo o sistema jurídico é tido como um instrumento de repressão e controle. a separação do poder em relação à comunidade possibilita a um grupo na sociedade usar o poder do Estado contra outros grupos. (p. da Propriedade Privada e do Estado ([1884]. A crítica geral de Luxemburgo baseava-se na falta de participação política e no desenvolvimento de um Estado poderoso e centralizado tal como foi o socialismo desenvolvido na União Soviética. . Questão 21) a) INCORRETO. não pode se adaptado aos interesses proletários. este deve ser destruído. Carnoy. Logo.71). na página 86 de seu texto. Outros marxistas também se basearam nos ideais marxianos quando se opuseram às práticas radicais centralizadoras e anti-democráticas tais como as que foram defendidas por Lênin e Trotski. não age a seu comando. uma ordem que reproduz o domínio econômico da burguesia. o Estado burguês. O Estado capitalista é uma resposta à necessidade de mediar o conflito de classes e manter a “ordem”. na medida em que estabelece as regras de comportamento e as reforça para se ajustarem aos valores e normas burguesas. 74). e) INCORRETO. Para análises mais detalhadas acerca da autonomia do Estado em Marx e Engels. (p. (p. 1968) onde essas concepções de Engels são mais aprofundadas. Muito pelo contrário. (p. Por mais que o Estado possa agir. (p. de acordo com Miliband.79 e 80). d) CORRETO. A última parte da questão está incorreta. em termos marxistas. A noção do Estado como o aparelho repressivo da burguesia é tipicamente marxista – por definição histórica. enquanto aparelho repressivo controlado diretamente pela classe dominante. c) INCORRETO. Na página 69 e 70 do texto de Carnoy.c) CORRETO. d) CORRETO. para Lênin.