You are on page 1of 24

Guerra Fria

• Formação do bloco acidental:


o Com Delano Roosevelt – Mudança de novo consenso em política externa
com o fim do isolasionismo americano do entre guerras.
o Diversas conferencias já mostravam a disposição das elites americanas de
assumirem o liderança do mundo ocidental. Os eixos dessa nova política ,
entretanto, não estava clara. Isso começa a mudar com o trabalho de Jeoge
Kenan com o longo telegrama, no qual qualificava a URSS como incapaz
de dialogar com os princípios capitalistas. Outro ponto de mudança foi o
pedido inglês aos EUA de intervir na Grécia, para impedir o comunismo
no país. Trumam vai ao congresso e pede a intervenção dos EUA na
Grécia. Isso ficou conhecido como Doutrina Trumam, baseada no longo
telegrama.
o A estratégia da doutrina Trumam se baseava no esforço de reforçar as
fronteiras do mundo ocidental contra a influência comunista.
o A doutrina Trumam foi complementada pelo Plano Marshall que teve
como contrapartida no mundo soviétivo, em 1947, a criação do
Kominform, a recriação do movimento comunista internacional, só que
dessa vez mais restrito aos partidos comunistas no poder.
o Essa escala de ações e reações dos dois líderes tem seu ponto culminante
com a crise de Berlim. Os EUA realizam uma reforma econômica em
Berlin Ocidental o que inicia uma crise com a URSS, uma vez que ainda
não haviam sido negociadas por completo essas reformas. A URSS então
inicia o bloqueio a Alemanha Ocidental, obrigando os americanos a
realizar a ponte aérea.
o Em 1949, os dois blocos já estavam formados e consolidados.

Guerra Fria - Ásia

• Os EUA precipitam o final da guerra com as bombas atômicas contra o Japão. Os


EUA, em nome dos aliados, ocupa o Japão. Os Soviéticos e os ingleses queriam
participar da ocupação, mas Mackarter como comandante supremo das forcas
aliadas, em suas decisões, foram tomadas únicas e exclusivamente com vistas aos
interesses norte-americanos.
• A Guerra no pacífico teve como eixo central os interesses contraditórios entre
americanos e japoneses. Os americanos entendiam que a guerra na Ásia era um
problema seu, porque entendiam que o pacífico era área de projeção sua. Assim,
os americanos deveriam tomar medidas para evitar que os japoneses ousassem
mais uma vez tentar se impor na Ásia. Dessa forma, a estratégia primária norte-
americana era neutralizar o Japão. O que significava isso. Significava transformar
a economia oligopolizada industrial do Japão em uma economia liberal e
desmilitarizada de baixo perfil. Para os americanos, o país que passaria a ser a
base do capitalismo asiático era a China e não o Japão. No Cairo, em 43,
Roosevelt se encontra com Shan-Kai-Shek e fica acertado que terminada a guerra,
a China recuperaria sua soberania e seu território, assim como a Coréia voltaria a
ser um país independente. Depois em 1944, quando definiram que o CS da ONU
teria a presença de cinco países, decidiu-se pelo quinto pais sendo a China. Pelos
cálculos americanos o Japão seria neutralizado devido ao surgimento da China
como país capitalista na Ásia.
• Em 1946, Mackarter começa a trabalhar no Japão com seu plano de reformas.
Institui um tribunal de guerra no país, aos moldes de Nuremberg. São instituídas
as liberdades fundamentais do Japão, o que implicava a legalização dos partidos
políticos no Japão e a liberação de presos políticos. Mackarter realizou também
uma reforma agrária. Promoveu a reforma educacional e os currículos
universitários foram modificados, suprimindo a chamada ética samurai que
sobrevivera a revolução Meji (terminar com os KamiKasi). Foi também
instaurada a igualdade civil, que implicou a igualdade entre homens e mulheres e
o fim dos casamentos contratados. No campo político, a medida mais importante
foi a redução do status do imperador, que perde sua qualidade de filho do céu e foi
dada uma nova constituição para o Japão (pacifista). Essa constituição
transformava o Japão em uma monarquia parlamentar bicameral. Proibia um
exército e marinha, poderia ter apenas uma polícia de 100.000 homens. Essas
ações foram sendo implementadas ao longo da segunda metade dos anos 40 e por
último ficou a reforma econômica, que pretendia o desmanche dos Zaibatsu,
oligopólios familiares do Japão. Porque as reformas econômicas foram colocadas
por último. A Idéia era deixar o Japão sofrer, a opinião pública americana
detestava os japoneses.
• Tudo isso ocorria bem, até que Mao-Tse-Tung proclama em outubro de 1949, a
República Popular da China. Shan – Kai- SheK se refugia em Taiwan afirmando
que a China era representada por Taiwan.
• Os EUA não tinham se recuperado totalmente do choque referente aos
acontecimentos na China, quando em 1950, a Coréia do Norte invade a Coréia do
Sul. Rapidamente, o cenário político na Ásia se torna problemático.
• Somado a tudo isso, ainda havia a Indochina, que desde 1882 era francesa e tinha
sido invadida pela Japão durante a Guerra. Na Indochina, houve, nesse processo,
o fortalecimento dos movimentos de libertação nacional. A Indochina, a princípio
via os japoneses como libertadores, uma vez que esses se apresentaram como
solidários a causa asiática. Porém, o exército japonês nunca tratou a Indochina
como igual. A cooperação nunca poderia ser possível. Os Japoneses conquistam a
colaboração do governo de Vichy, dando aos indochineses dois algozes. Daí a
forca dos movimentos de libertação nacional.
• Quando a guerra termina, os japoneses se rendem e os Frances e holandeses
tentam retomar as colônias, mas esses países já se consideravam independentes.
Os EUA apóiam as independências nessa região, queriam, no plano da economia
mundial, um liberalismo sem reservas de mercados coloniais. Ho-Chi-Ming
declara a independia do Vietnã. Para Frances e holandeses a situação não era tão
simples. Moralmente humilhados e economicamente deprimidos, contavam com
as colônias para sua recuperação. Isso gera guerra entre Franca e Indochina e
Indonésia e Holanda. Sukarno, na Indonésia, líder do movimento de libertação
nacional proclama a independência de seu país em 1949.
• Em 1950, na visão dos americanos, o cenário estava muito difícil. Mao TSE Tung
está em Pequim, os norte-coreanos estão invadindo o sul da península e guerras de
recolonização estão ocorrendo na Indochina, que fortalece os comunistas dessa
região.
• Na Coréia, a situação sempre foi de conflito, durante a guerra os coreanos lutaram
pela libertação do julgo japonês. Nesse processo formaram-se dois movimentos
de libertação, um ao Norte e o outro ao Sul. Ao norte de inspiração comunista, ao
sul de inspiração capitalista. Quando a guerra termina, os soviéticos e americanos
dividem as coréias no paralelo 38. Em 1950, esse cenário se torna subversivo.
• Isso tudo leva os Estados Unidos a reformular sua estratégia de atuação na área. O
Japão voltaria a ser a base do capitalismo na Ásia, para frear o avanço comunista
na região.
• Feitas todas as reformas, restava, entretanto, a reforma econômica. Era necessário
por a economia japonesa em funcionamento. Se o partido comunista japonês
tomasse iniciativa seria um desastre. Abandona-se a idéia de se liberalizar a
economia japonesa e passa-se a defender os Zaibatsus. Os americanos passaram a
utilizar a economia japonesa para fazer frente as ameaças comunistas no oriente.
O Japão era reintegrado ao grupo dos 7 de 1890, agora sob a liderança dos EUA.
• Em junho de 1950, os norte-coreanos invadem a coréia do sul e essa questão foi
para o CS da ONU. Na votação, o delegado soviético boicota e se ausenta dando 4
votos positivos para a criação de uma forca internacional para promover a paz. Na
Coréia, os americanos utilizaram a economia japonesa para atuar no conflito,
estimulando as indústrias japonesas. Faz-se uma emenda constitucional, que
permitia ao Japão ter forcas armadas, com 1% do orçamento nacional para as
forcas armadas.
• A crise da coréia só termina em 1953, após a intervenção da China em favor da
Coréia do Norte. O conflito se estabiliza no paralelo 38. Em 1955, EUA e URSS
negociam a zona desmilitarizada o que consolida a situação das duas Coréias até
hoje.
• Em 1954, os Franceses são derrotados na Indochina (batalha de Dien Bien Phu).

OBS: É nesse ano que começa a guerra de independência da Argélia (1954-1962)

• Na índia, o processo foi confuso com a independência do país que se fracionou


em Paquistão e Índia.

• A descolonização da Ásia foi, portanto, uma conseqüência da Segunda Guerra


Mundial, diferente da descolonização da África que só vai ocorrer no fim da
década de 1950. Podemos pensar, então, em um processo de descolonização em
duas etapas, que pode ser divisado pela conferência de Bandung em 1955.
• Bandung é a conferência relativa ao terceiro mundo.Voltaremos a essa conferencia
mais tarde.
• Podemos então divisar a revolução Chinesa em 1949 como ponto de inflexão na
Guerra Fria.
Obs: Assistir ao filme o americano tranqüilo (guerra do Vietnã).

REVOLUÇÃO CHINESA – 1949

• A relação regular da China com o Ocidente começa no século XVI, que já era um
império a mais de 2000 anos. O Estado Imperial se manteve integro até 1912,
quando foi proclamada a república.
• O sistema econômico-social chinês era assemelhado a um feudalismo
centralizado, todas as terras eram do imperador. O poder do imperador era
difundido, por meio de uma intensa e capilar burocracia, a chamada burocracia
celeste, os Mandarins. Os mandarins eram funcionários do Estado, mediante
concurso público. A matéria da prova era a filosofia confuciana, a filosofia do
Estado da China. O confucionismo regula as relações dos indivíduos em todos os
planos e está baseado em cinco grandes relações. A relação entre governante e
governado, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e irmão mais novo,
amigo e amiga. São todas relações hierarquizadas e verticais com base na família.
Essa filosofia permitiu a longevidade do Estado Chinês.
• É esse Estado que os europeus encontram ao chegarem na China para comerciar.
Era um padrão de comercio mercantilista que se manteve até o século XIX,
mudando apenas com quem se fazia o comercio. A situação se modifica no século
XIX, com a Revolução industrial, que faz com que os ingleses comecem a se
desinteressar pelo comércio das especiarias. Isso ocorre por duas razoes: Primeiro
porque o comercio das especiarias é de caráter monopolista e não livre-cambista.
Segundo, esse comércio drenava ouro da Inglaterra para a China. Os ingleses
querem vender suas mercadorias para os Chineses. A pressão inglesa começa a se
fazer sentir cedo, já no final do século XVIII, mas sem sucesso, uma vez que o
Imperador nem recebia as missões do governo inglês. Os Chineses também não se
interessavam pelos produtos ingleses. Tudo isso se choca com as idéias liberais
nascentes na Inglaterra, quem não comercia com os demais prejudica a si mesmo
e aos outros, assim a forca, a canhoneira teria seu uso legitimado para que se
alcança-se a liberdade plena desse país anti-liberal.
• Mas a idéia de se utilizar a forca teve seu próprio desenvolvimento. Sem saber o
que fazer, os ingleses testaram diversos produtos sem maior aceitação, até que
encontraram o ópio. O Ópio era produzido no Afeganistão e era contrabandeado
para a China, que tem seu mercado inundado. O produto entra na ilegalidade e em
1839 o imperador confisca todo ópio que estava no porto de cantão e o joga no
mar. As reações inglesas decidiram que essa atitude merecia um desagravo e
entram em guerra contra a China em 1839 e vai até 1842, foi a chamada Guerra
do Ópio. A Guerra termina com a assinatura com o Tratado de Nanquin.
• O tratado de Nanquin é o tratado pelo qual os ingleses conseguem abrir o mercado
Chinês. Os chineses abrem cinco portos aos ingleses, que passam a ter direito a
um representante imperial na capital chinesa, um cônsul. O CORONE é
desmembrado, o governo Chinês fica impossibilitado de cobrar mais do que 5%
de imposto sobre as exportações. Os ingleses obtinham o direito de extra-
territorialidade, e a clausula de nação mais favorecida. Os ingleses receberam
também Hong Kong por tempo indeterminado. A última cláusula dizia que tudo
isso poderia ser negociados mais uma vez.
• Com Nanquin, os diversos países ocidentais fizeram o mesmo, assinando tratados
semelhantes. Quando os chineses viram que não poderiam vencer a Inglaterra,
para não se tornarem uma colônia inglesa, concederam tratados a outras nações.
• Com os primeiros 12 anos, os ingleses começaram a pressionar a china pela
revisão do tratado, entretanto, os chineses não queriam essa revisão. Em um
incidente, em que se queimou a bandeira da Inglaterra, os ingleses invadiram a
China e queimaram o palácio de verão de Pequim, em 1860, chamada a segunda
guerra do ópio. Em 1860, foi assinado o tratado de Pequim, no qual mais 11
portos foram abertos aos ingleses e foram dadas mais facilidades como a
navegação do rio Yang Tsé. Os ingleses interiorizam seus interesses na China
• A situação nais uma vez muda na década de 80, porque mais uma vez a situação
muda na Europa. O imperialismo com seu capitalismo oligopolista se projeta no
mundo. O capital se espalha pelo mundo em busca de maiores retorno. Os
interesses imperialistas sobrepujam os interesses meramente comerciais. Assim,
iniciam-se a concessão de empréstimos ao governo chinês, investimentos em
infra-estrutura em prospecção de minas, etc.
• Uma camada social chinesa vai sendo ocidentalizada e vai se envolvendo com os
negócios com o ocidente.
• Na década de 80, os chineses começam uma reação. Concluem que os bárbaros
invasores, apesar de serem culturalmente inferiores eram militarmente superiores.
Então o que precisavam era se igualar no plano militar e isso foi feito por meio de
empréstimos no exterior para o investimento em armamentos, o chamado
programa do auto-fortalecimento. O grande teste desse programa foi a guerra
contra o Japão em 1895, guerra Sino-Japonesa, que consistiu na primeira grande
vitória japonesa. E na segunda metade da década de 1890 que alguns chineses
começam a perceber que tinham que se livrar do confucionismo. O confucionismo
era uma filosofia que não dava as resposta para os desafios que se apresentavam,
é nesse momento então que a juventude chinesa começa a sair pelo mundo e
estudar na Europa, EUA, Japão. O fim do confucionismo se dá em 1900, com a
rebelião dos Boxers, contra os estrangeiros, que incluía a dinastia Manchu. Os
boxers cercam o bairro das embaixadas. Diante disso, os governos ocidentais
decidem por em prática o Brack up da China. Fariam na China o que fizeram na
África, dividindo o país em áreas de influência. Foi quando então os EUA surgem
contra essa política e defendem a política de portas abertas para a China (Open
Door Policy). Todos teriam o igual direito de explorar a China.
• Com isso o Estado imperial chinês fica muito debilitado e, Sun Ita Tsen, um
médico chinês formado na universidade inglesa de Hong Kong, entende que a
solução para a China era a República e inicia uma série de revoltas. Em 1911,
Yuan Chi Cai, General Chinês, percebeu que aquelas insurreições iriam acabar
tendo êxito e passou para o lado dos republicanos. República é proclamada por
Yuan Chi Cai.
• Entretanto, a república chinesa não teve nenhuma efetividade, era corrupta, a
China não tinha tradição republicana. Há uma autentica quebra na unidade
nacional, muitas partes da China ignoram a república, voltando quase a época dos
reino combatentes. Sua unidade é puramente nominal e quem passa a controlar a
China são as oligarquias regionais e locais, os chamados senhores da Guerra.
• A situação da China muda um pouco com a Primeira Guerra Mundial. Conseguiu
acumular certa quantidade de divisas e uma industrialização nacional por
substituição das importações. Forma-se, no sudeste, uma burguesia
autenticamente chinesa, com interesses autenticamente chineses. A Guerra afastou
os europeus da China, dando espaço para os chineses se organizarem um pouco
mais. O fim da guerra dá alguma expectativa para os Chineses com os 14 pontos
de Wilson, que pregava a autodeterminação dos povos. Outra questão que dava
mais esperança aos chineses era revolução russa, que mexeu com toda a Ásia. A
imagem da revolução russa era diferente da percepção ocidental. Para os asiáticos
a revolução russa foi uma revolução anti-colonialista, pela qual um país asiático
se tornava independente. Algo que reforça essa imagem é o fato de a Rússia ter
tornado sem efeito os tratados desiguais assinados com a Europa Ocidental.
• Termina a Guerra e a conferencia de paris é iniciada. O que se passa. Os japoneses
exigem que as áreas de influencia da Alemanha na China passassem para eles, o
que revolta a China. Em 4 de maio de 1919, os estudantes em Pequim saem as
ruas e vão ganhando apoio dos trabalhadores. A universidade de Pequim tornava-
se um local muito importante culturalmente na China, foi o epicentro do
nacionalismo no país. Esse movimento torna-se muito importante para a História
chinesa que fica conhecido como Movimento 4 de maio de 1919. Para os
Chineses, esse movimento inaugura a China Moderna é quando o sentimento
nacionalista se mostra forte. É desse movimento que irão sair as lideranças do
partido comunista chinês e do Kuomitang.
• A república Chinesa fica a deriva até 1924. Esse ano é interessante para todo o
mundo. É quando é aplicado o Plano Dowes na Alemanha, que pos fim a Hiper
inflação alemã e reestabelece a confiança do sistema capitalista que volta a
crescer. Diante da retomado do sistema capitalista, na União Soviética passou-se a
falar de socialismo em só país, o mais importante era preservar os alicerce do
Estado soviético, passa a buscar alternativas para sair do isolamento em que se
encontravam. Dessa forma a internacional comunista, de 1919, aproxima-se de
Sum iat Tsen, desiludido com o ocidente. Tsen viu na União Soviética a única
parceria possível para a reestruturação da China. Abre-se um diálogo entre Tsen e
a internacional, que dá origem a uma frente unida anti-imperialista, que se dá nos
seguintes termos:
o Cria-se uma agenda política. Os soviéticos se comprometem em
reorganizar o Kuomitang, a criar uma academia militar para formar um
novo exército e apoiar Sum Iat Tsen a reunificar a China. Como fariam
isso. Tornam o Kuomitang, centralizado, igual ao partido Bolchevic.
o Em 1925, Sum Iat Tsem morre e o seu lugar é ocupado por seu cunhado,
Shan Kai Sheck, que se torna líder do Kuomitang.
o Em 1926, com militares treinados e Shan Kay Sheck no comando, é
lançada a chamada Missão ao Norte, que deveria submeter os senhores da
guerra, oligarquia locais, e promover a reforma agrária, reunificando a
China.
o Entretanto, ao fazer a campanha ao Norte, Shan Kai Sheck, ao invés de
fazer a guerra, negociou-se com as oligarquias rurais suas submissões ao
poder central e em troca não fez a reforma agrária.
o O partido comunista chinês, criado em 1922, descontente programa uma
sublevação na cidade de Shangai e escolheram como senha um lenço
vermelho no pescoço. Houve conhecimento prévio do levante e Shan Kai
Sheck massacra os revolucionários. Esse episódio ficou conhecido como
Massacre de Shangai.
o O partido comunista procura reagir fazendo uma sublevação em Cantão,
que também é massacrado. Assim, Shan Kai Sheck consegue erradicar as
grandes células comunistas nas cidades da China.
o Alguns partidários comunistas, entretanto, conseguem fugir e vão para o
campo, onde iniciam um trabalho de organização política dos camponeses.
E o que projeta Mao TSE Tung é que a revolução comunista da China
deveria ser feita de maneira diferente, por meio da organização dos
homens no campo e não dos trabalhadores urbanos. Isso o afasta dos
Soviets.
o Mao entre 1928 e 1934, começa a formar as bases vermelhas e a primeira
é a base vermelha de Huhan. Em 1934, Sham Kai Skeck, tenta, com apoio
alemão atacar a base de Huhan e arrasa a base vermelha. Os comunistas
sem saída realizam uma retirada estratégica para o Norte, na direção de
Ieanan, iniciando a Longa Marcha.
o Em 1937, os Japoneses invadem a China, e os chineses comunistas
estabelecidos no norte procuram uma aliança com Shan Kai Sheck para
lutar contra o invasor japonês. Shan Kai Sheck inicialmente recusa, mas
acaba aceitando a aliança. Entre 1937 a 1945, a luta interna cessa para se
combater os japoneses.
o Em 1945, com os japoneses derrotados, Shan Kai Sheck já era um
importante chefe de Estado e tudo já estava acertado com as potencias
européias e os EUA para que ele fosse sue aliando na Ásia. Entretanto, os
comunistas haviam se fortalecido na luta contra o Japão. Diante da forca
do partido comunista, os aliando sugeriram a Shan Kai Sheck formar um
governo de coalizão, assim como foi feito na Itália e na Franca. A
diferença é que os partidos comunistas italiano e francês depuseram as
armas, mas o chinês não as depôs. Em 1946, Shan Kai Sheck inicia a
guerra Civil, já no contexto da guerra Fria, e os EUA apóiam-no.
o Em 1949, os comunistas ganham a guerra civil chinesa. Shan Kai Sheck
foge para Taiwan.
o Os EUA não reconhecem a república popular da China, o que ocorre até
1971, quando a república popular da China é introduzida no Conselho de
Segurança da ONU.
o Em 1949, a China estava economicamente falida devido o longo período
de guerras. Os EUA não conseguiram se aproximar do governo chinês,
que ficou isolado, tendo como única saída a URSS. Em 1950, foi assinado
um acordo entre China e URSS, essa aproximação não era algo natural, os
soviéticos acreditavam ser os líderes do movimento comunista e queriam
que a China estivesse sob sua influência, mas os chineses não viam dessa
forma. O modelo soviético de socialismo não se ajustava as condições
chinesas, um projeto de industrialização em detrimento de uma revolução
agrícola não era possível para a China, uma vez que a base do movimento
chinês era camponesa.
o As coisas começaram a ficar difíceis em 1956, no XX congresso do
partido comunista, quando Krushov critica os crimes estalinistas, o que a
China não aceitava. Para piorar, o governo chinês não concordava com a
tese da coexistência pacífica com o ocidente. Há uma disputa entre os dois
sobre a ortodoxia teórica do comunismo, que se torna mais intensa depois
de 1956. O discurso de Krushov quebra a unidade comunista, é aí que os
partidos comunistas começam a se fragmentar.
o Em 1957, os Chineses lançam um movimento chamado de cem flores.
Que cem flores desabrochem e que mil idéias floreçam, que se dê
liberdade para que se pudessem pensar outras formas de comunismo.
o O partido comunista Chinês também não era totalmente unificado. Havia o
grupo dos idealistas, liderados por Mao Tse Tung, que prezava a formação
ideológica de um novo homem, despregado dos valores comunistas e
havia os produtivistas, liderados Deng Shao Ping, que acreditavam que
uma revolução comunista só poderia ser exitosa se, no plano econômico,
pudesse ser também capaz de proporcionar crescimento. Essas duas
correntes se antagonizam até 1976, ano da morte de Mao
o Em 1958, foi lançado o grande salto adiante, marcando o afastamento
entre URSS e China. Proposta por Mao, era um plano que pretendia a
reformulação da sociedade e da família chinesa e criava as comunas
familiares. Esse plano, já em 1961, foi considerado um fracasso, que
reduziu o PIB chinês.
o A partir de 1961, os produtivistas passaram a ser predominantes. Em 1966,
os idealistas voltam a ser predominantes e iniciam a chamada Revolução
cultural, que se estende até 1974, quando perde impulso.
o A Revolução Cultural foi ainda mais radical que o grande salto a diante.
Tinha a intenção de suprimir as diferenças entre trabalho intelectual e
manual.
o No início dos anos 70, as necessidades econômicas se tornam prementes e
a China começa a negociar com os EUA, sua entrada no CS da ONU.
o Em 1978, a linha idealista é colocada totalmente fora do jogo e a linha
produtivista é alçada ao comando do partido comunista chinês com Deng
Shao Ping, que inicia a chamada Quatro Modernizações. Modernização do
exército, da agricultura, da economia industrial e da tecnologia. A China
começa então um processo de abertura, o chamado socialismo de mercado.

Guerra Fria – Continuação

• Após 1945, o mundo passa para um sistema internacional bipolar. O poder está
distribuído de forma que são as duas superpotências decidem os rumos do mundo.
Esse sistema é bipolar, porque as duas superpotências alimentam programas
opostos. Os EUA defendem preceitos liberais, livre-comércio, a URSS defende
um programa socialista, com uma economia planificada. Ambos se percebem
como ameaças um ao outro. Esse antagonismo chamamos de guerra fria, que não
se transforma em guerra, devido a grande capacidade destrutiva das duas partes.
Assegurada a capacidade de destruição mútua (MAD), o equilíbrio do terror
impede que os dois cheguem as vias de fato. Assim a guerra fria é travada no
campo da propaganda.
• A bipolaridade, entretanto, não se manteve a mesma ao longo de todo esse
período. Há um período de bipolaridade rígida que vai de 1947 a 1953.
Caracterizada por dois blocos que não têm comunicação diplomática um com
outro. Ambos os lados consideravam que a terceira guerra mundial poderia
ocorrer a qualquer momento. A Bipolaridade vai perdendo sua rigidez a partir de
1953, com a morte de Stalin e com o fim da guerra da Coréia, e em 1956 é o ano
do XX Congresso do Partido Comunista da URSS e da crise de Suez. No XX
Congresso é anunciada a coexistência pacífica por Nikita Krushov, que denuncia
os crimes de Stalin. Isso causou dissensões no partido comunista. A partir desse
discurso iniciou-se na Europa Oriental por uma maior margem de liberdade (na
Alemanha Oriental, na Polônia e na Hungria). Outro momento importante foi o
ano de 1962, com a crise dos mísseis em Cuba. Após a crise, foram estabelecidas
regras não escritas que passaram a regular as relações bilaterais. Comprometeram-
se a dialogar, os EUA prometeu não invadir Cuba e a URSS retirou os mísseis de
Cuba. Os chineses não aceitaram a retirada dos mísseis que a URSS fez, o que
azeda a relação entre URSS e China. A crise dos Mísseis marca o início da
Detante, que vai até 1979, com a invasão Russa no Afeganistão.
• Em 1963, foi assinado o tratado de Moscou, que proibia os testes nucleares no
fundo do mar e no espaço. Foi o primeiro acordo dos EUA com a URSS no
âmbito nuclear.
• Em 1968 entra em vigor o TNP, tratado de não-proliferação. Resultado da
cooperação entre EUA e URSS.
• A partir de 68, pode-se falar sobre uma segunda fase da detante. Até 68, a detante
foi espontânea, resultado da crise dos mísseis. Mas a partir de 68, com Nixon e
Henry Kinssinger, tinham um programa para detante, Chamado o pentagrama de
Kinssinger. Nessa época de Nixon, os EUA viviam uma crise de confiança, com o
Vietnã e a crise econômica. Nixon foi eleito prometendo retirar os EUA do Vietnã.
Kissinger formou uma convicção de que a única possibilidade de paz no mundo
era a restauração do equilíbrio de poder. Era necessário negociar com a URRS,
uma vez que os EUA não tinham mais o mesmo poder da década de 50. Kissinger
convidava o Japão e a Europa a participar do sistema de segurança coletiva mais
ativamente, aumentando suas despesas militares. Kissinger também procurou se
aproximar mais da China, para que se dividisse o mundo comunista,
enfraquecendo a URSS. Essa aproximação da China ficou conhecida como
diplomacia do Ping-Pong. A China volta ao conselho de segurança em 1971, mas
as relações diplomáticas com a China só foram restabelecidas formalmente, em
1979, com Jimmy Carter. O Brasil retoma relações diplomáticas plenas com a
China em 1974. Foi nesse contexto que nosso embaixador Araujo Castro
desenvolveu a tese do congelamento do poder mundial. Para Sombra Saraiva
então a detente só teria começado com Henry Kissinger.
• Em 1972, é assinado o SALT, limitando o desenvolvimento de armas estratégicas.
• Sombra Saraiva, entretanto, possui uma cronologia diferente vista da periferia.
Acredita que a guerra fria foi de responsabilidade americana e tinham razoes
fundamentalmente econômicas. O Estado norte-americano depois da segunda
guerra age no sentido de abrir caminho para os interesses econômicos. A URSS
não tinha intenção de invadir ninguém. Criando a guerra fria, os americanos
justificaram os gastos militares. Essa era uma visão revisionista que se
desenvolveu ao final dos 60 e que orientou Sombra Saraiva em sua obra e
periodização.
o Primeira Guerra Fria – 1947 a 1955. Chama esse período de anos quentes
da guerra fria (aquilo que anteriormente foi denominado bipolaridade
rígida). Como exemplos desse período, devemos incluir a guerra da Coréia
e a Crise de Berlim.
o Convivência pacífica – 1955 a 1968. Aqui retira-se a importância da crise
dos mísseis de 1962. A détente, para Sombra Saraiva, só começa em 1969.
O autor dá maior importância a agosto de 1955, devido a Conferência de
Bandung.
 Bandung foi um acontecimento internacional importante, porque
está na raiz de dois movimentos de nosso tempo. O primeiro foi a
descolonização da África e o segundo foi a criação dos
movimentos dos países não alinhados em Belgrado em 1961. A
descolonização na África começa com a independência de Gana
em 1957. Foi uma conferencia de países afro-asiáticos que tinha
por motivação o seguinte.
• A independência política era importante, mas não era
suficiente para responder as grandes expectativas política
que seus povos nutriam. Era necessário promover o
desenvolvimento. Porém consideravam que esse
desenvolvimento era impedido por uma ordem
internacional injusta, era premente alterar a ordem
internacional. A bipolaridade e a guerra fria eram imensos
obstáculos no caminho desses países recém independentes.
Por isso a convocação de uma conferencia internacional. A
idéia nasce de indianos, chinês e indonésios. A idéia inicial
foi o acordo feito por indianos e Chineses em 1954, por
razão das fronteiras do Tibet. Nessa ocasião foram
elaborados os 5 princípios da boa conduta, que mais tarde
ficaram conhecidos como os cinco princípios da
convivência pacífica. Bandung seria orientada por esses
princípios. Eram eles:
o Respeito mútuo da integridade territorial e da
soberania.
o Não-agreção mútua.
o Não intervenção nos problemas internos.
o Igualdade de direitos e vantagens mútuas.
o Coexistência pacífica.
• Pensou-se convidar a América Latina, mas achava-se a
região um satélite dos EUA. Da África Negra compareceu
somente Gana. O restante foram todos asiáticos e africanos
mediterrâneos.
 Bandung em seu resultado final foi uma reprodução ampliada dos
5 princípios que orientaram o acordo entre China e Índia sobre as
fronteiras do Tibet. Serviu como um chamado as Nações Unidas
para dar prosseguimento a descolonização, para dar fim ao racismo
e para promover o desenvolvimento. Bandung não produz
resultados práticos no curto prazo, mas teve muita força simbólica
e política. Reforça a posição neutralista, sem alinhamento a
bipolaridade então em voga, pregava a idéia de cada país poder
buscar seu caminho.
 Bandung abre um novo espaço, que juntamente com as teorias da
CEPAL, irão resultar na criação da UNCTAD. A UNCATD é muito
importante, porque muda a própria orientação da ONU, que
reconhece a problemática do desenvolvimento como legitima.
Portanto, o eixo das relações internacionais que até agira foram
pautados na defesa e na segurança, no eixo Leste – Oeste, passa a
ser divido com o eixo Norte – Sul, relativo aos desígnios de
desenvolvimento.
 Para Sombra Saraiva, a conferência de Bandung é, portanto, mais
importante do que a crise dos mísseis.

o Détente – 1969 a 1979 - Congelamento do poder mundial. General de


Gaulle denuncia esse componente, assim como o Brasil com Araújo
Castro. TNP, SALT. Década de 70 foi de declínio para os EUA. Crises do
Petróleo, fim da paridade ouro-dólar. Guerra do Vietnã. Esse período
termina com a invasão da URSS ao Afeganistão.
o Segunda Guerra Fria -1980. Perda da confiança norte-americana, Reagan
tenta recuperar o poder americano, remarcando suas posições, lembrando
a todos sua condição de Guerra Fria. Proposta do projeto Star Wars.

CRIAÇÃO DO ESTADO DE ISRAEL. Aula 24 – A

• No final do século XIX, duas fortes tendências contribuíram para modelar a


história européia. O constitucionalismo, a idéia de que todo o poder emana da
nação, e o princípio das nacionalidades, toda a nação tem direito a um Estado.
Ambas tendências nasceram na Revolução Francesa. Sendo a nação a fonte do
poder, toda a nação tem seu direito de constituir politicamente.
• O advento nacionalista se fortalece com o imperialismo
• Tudo isso tem haver com a questão judaica. Os judeus estavam espalhados pela
Europa, havendo uma grande concentração de judeus no Leste Europeu (polônia,
império austro-húngaro e Rússia). Nessa região os conflitos eram constantes e os
ataques aos judeus também. O nacionalismo alimentava essa violência. Isso levou
os intelectuais judeus nessa região a pensar na criação de Estado Judeu.
• Teodor Herzl, em 1896, publica um livro intitulado o Estado judeu. Ao contrário
dos demais anteriores, esse livro chama a atenção do leitores judeus e Herzl passa
a ocupar o lugar de um ideólogo do Estado judeu. Isso leva a formação de um
movimento sionista, de criação do Estado judeu. Esse movimento busca apoio
entre os judeus ricos da Inglaterra, em sua maioria banqueiros que tinham
intimidade com os Estadistas europeus da época. Os europeus chegaram a
sispatizar com o movimento, oferecendo territórios na Argentina e em Uganda.
Essa oferta foi rechaçada, pois nessa altura desejava-se a Palestina. Desde então
foi criada a agencia judia que passou a reunir fundos para financiar a aquisição de
terras na palestina. Então, no início do século XX, começa um movimento por
judeus pobres de inclinação socialista que compravam terras na palestina
financiadas pela agencia judia e iam para lá formando os chamados Kibuts.
• O que era a Palestina, ela existia como uma província do império turco-otomano.
Os turcos conseguiram administrar bem o império por muito tempo, uma vez que
não faziam proselitismo religioso, de modo que no império cristãos de diversas
tendências, judeus e mulçumanos viviam em relativa paz. Todos tinham sua
capital religiosa em Jerusalém. No final do século XIX, começa a ter início o
nacionalismo árabe, mas esse nacionalismo era diferente, uma vez que amadurece
mais lentamente, é muito mais um sentimento de árabes que viviam nas capitais
da Europa Ocidental, das elites árabes intelectualizadas, não há um nacionalismo
popular árabe.
• Na primeira guerra mundial, o império otomano lutou ao lado do império alemão,
e a Inglaterra tentou se aproximar dos árabes, para que esses lutassem, dentro do
império, contra os turcos e aos alemães. Para isso, os ingleses recorrem a
Lawrence das Arábias, que é enviado para a região para convencê-los a entrar na
guerra contra os turcos. Os árabes a princípio não se animam e então Lawrence
mostra a carta de intenções inglesa que tinha como ponto principal o
reconhecimento de um Estado Árabe unificado, ao final da campanha militar. Os
Árabes mudaram de atitude e passaram a cooperar com os ingleses. (ver o livro
Os sete pilares da sabedoria – são as memórias de Lawrence).
• Entretanto, as intenções inglesas não eram de aceitar um estado árabe unificado,
os ingleses preferiam a estratégia contida no acordo Sykes-Picot, de 1916, que
pretendia após a guerra dividir as regiões do império turco-otomano, entre
ingleses e franceses, em tutelas. Para os ingleses correspondiam o Iraque, a
Jordânia e a Palestina e ao Franceses o Líbano e a Síria. Esse acordo, durante
algum tempo era secreto e deixa de sê-lo no final de 1917, com a revolução
bolchevic.
• Em Novembro de 1917, Arthur James Balfour, ministro das relações exteriores
inglês, escreve uma carta para Rochtchild, declarando que sua majestade dizia que
via com bons olhos a instalação na palestina de lar nacional judeu. Essa carta
ficou conhecida como declaração de Baulfour.
• Na conferência de paz em paris, no tratado de Versalles, Wilson conseguiu formar
a sociedade das nações, em 1920. A sociedade das nações tem que lidar com a
questão do império turco otomano. Os turcos praticamente desistiram da idéia de
império e se concentraram na ocidentalização do Estado turco (KEMAL). Assim,
a Soc. Das Nações atribuiu a responsabilidade a Inglaterra e a Franca de tutelar os
antigos territórios do império turco, que ainda não tinham condições se
autogovernar. Nessa época a questão do petróleo já começava a ganhar
importância.
• O processo de imigração judaica, iniciado no final do século XIX, continuou após
1920.
• Os ingleses e os franceses só desistiram do mandato na região na segunda metade
da década de 1930, as vésperas da Guerra.
• Os anos 30 é um novo momento para a palestina. Adolf Hitler começa a perseguir
os judeus na Alemanha em 1933 e a partir de 1939, o número de judeus que
queriam migrar para a Palestina cresce enormemente. Em 1917, existia cerca de
580 mil árabes palestina e cerca de 60 mil judeus, em 1939, o número de judeus
passou para 400 mil. O desequilíbrio não é apenas populacional, os judeus que
inicialmente migravam eram pobres e socialistas, os judeus que chegaram depois
eram mais ricos e educados. Isso gerou conflitos entre palestinos e judeus, o que
leva a criação de organizações políticas dos dois lados. Os ingleses, então
começam a ter dificuldades de controlar a região.
• Em 1939, os ingleses publicam um livro que propunha a criação de um só Estado
misto e propunham a restrição a imigração. Isso gerou grandes problemas. Havia
problemas político, moral e administrativo. Todos, judeus e ingleses se voltaram
contra os ingleses. A situação se torna insustentável em junho de 1946, com o
atentado ao hotel Rei Davi, que abrigava toda a delegação inglesa. Os ingleses
comunicaram as Nações Unidas que em 1947 estaria dando fim aos mandatos. A
ONU, por meio da resolucao 181, em novembro de 47, toma decisão reservando
território para a criação de dois Estados, sendo Jerusalém aberta.
• Em 15 de maio de 1948, os Judeus criam seu Estado, mas os palestinos não criam
seu Estado. Os palestinos quase não participaram desse processo, quem os
representaram foram os Estados Árabes, mas a atitude política que tomaram foi
pura e simplesmente a de rejeitar a criação do Estado Judeu, de modo que não
criaram o Estado da Palestina.
• Imediatamente, após a criação do Estado israelense, esses Estados árabes
atacaram Israel, em 1948. Israel vence a Guerra, contra todas as possibilidades.
Os árabes se questionam como isso foi possível. O Estado recém instalado foi
imediatamente pelos EUA e pela URSS, uma curiosa convergência durante a
guerra fria. Isso pode ocorrer devido ao fato de que quando todos viram que os
Ingleses iram falhar, nos EUA formou-se um lobby israelense muito forte. Na
URSS, as razões se davam devido ao fato de que queriam uma base de apoio em
uma região estratégica de exploração petrolífera. Esses dois estados armaram e
protegeram Israel, isso gerou grande desavença, uma vez que os Estados Árabes
passaram a enxergar Israel com um enclave ocidental.
• Os jovens comandantes Árabes percebem que para vencer Israel, seria necessário
reformular seus Estados para torná-los modernos e de fato independentes. O Egito
é o primeiro país que procura renovar-se com a revolução Egípcia de 1952, que
derruba a monarquia e se forma um governo baseado em uma junta militar, da
qual surge a figura do Coronel Gamal Nasser, em 1954. Em 1956 Nasser provoca
uma enorme crise nacionalizando o canal de Suez, sob os cuidados de ingleses e
Franceses. A idéia de Nasser era modernizar o Egito, e lança um projeto para isso.
Um dos objetivos prioritário era a construção da barragem de Assua. Nasser pede
dinheiro aos EUA, que inicialmente disse sim. Entretanto, Nasser comprava
armas da Tchecoeslováquia. Os EUA condicionaram o empréstimo para a
construção da barragem a promessa de Nasser em para de comprar armas. Nasser
diz não e como saída nacionaliza o canal de Suez. A nacionalização serviria para
gerar recursos para a construção da barragem de Assua. Isso gerou quase uma
hecatombe. Os ingleses chegaram a comparar Nasser a Hitler e chamam os
franceses e Israel a realizar uma ação militar contra os egípcios.
• Krushov, já preocupado com o que ocorria na Hungria e na Polônia, diz a Londres
e Paris que se não saíssem do Cairo, enfrentariam um ataque atômico fulminante.
Os americanos não intervieram em favor dos franceses e ingleses, isso ocorreu
para que os EUA mantivessem sua liderança no Bloco, não permitindo que seus
aliados menores tomassem iniciativas dessa envergadura sozinhos. O vencedor
disso foi Nasser. Isso foi uma enorme desmoralização dos governos francês e
inglês. Nasser se projeta como um líder árabe, nacionalista e popular. Nasser
também consegue que os soviéticos financiem a barragem de Assuã. Nasser serve
de modelo para outros Estados na região. Ele consegue formar um ideário político
que se configurou no chamado socialismo árabe, que não tinha haver com
Moscou, era mais um capitalismo de Estado de perspectiva laicizante (Partido
Baath).
• No Iraque, houve uma revolução nos moldes da egípcia, em 1958.
• No Irã, a proposta laicizante foi ainda mais profunda. Os britânicos controlavam o
petróleo do Irã. Em 1951, houve uma revolução no Irã, que levou ao poder um
primeiro ministro nacionalista, anti-britânico, e se recusou a renovação dos
contratos com a Inglaterra. Em face disso, os britânicos disseram que parariam
com a prospecção e Mossadeg ficaria sem recurso e com o petróleo no subsolo
parado. Mossadeg fala que tudo bem e nacionaliza o petróleo. É nesse momento
que os americanos começam a atuar na região, com novos métodos. A CIA
começa a fomentar uma reação ao governo de Mossadeg e pega o shá Reza
Parlev, que nem vivia no Irã, e o reintroduz no Irã. Com o Shá houve a revolução
branca que foi uma ocidentalização do país, com o afastamento do Islã. Assim Islã
e ocidentalização formavam um par antagônico que explode em 1979, com a
revolução Islâmica. Coma chegada dos Xiitas ao Irã, há uma proposta
internacionalista de difundir a vertente xiita a todo o Oriente Médio. Somado a
isso reivindicam a questão de Israel.
• Já na guerra de 1948, Israel avança sobre a linha estabelecida pela ONU.
• Em 1967, os Árabes se organizam para uma guerra contra os israelenses, que
realizam uma guerra preventiva contra os países árabes. Essa foi a chamada
guerra dos seis dias, que também representou um avanço das fronteiras judaicas.
Houve a anexação da faixa de gaza, a península do Sinai, as colinas de Gola, a
parte oriental de Jerusalém e Cisjordânia (West bank). Essa anexação é condenada
pelas nações Unidas e o CS determinou pela resolucao 342 a retirada de Israel, o
que não ocorreu. Essa derrota pesou muito para Nasser, morrendo em 1970, sendo
substituído por Anwar Sadat.
• Com Sadat no poder, há a terceira guerra contra Israel, a guerra de Yonk Poor, o
dia do perdão. Dessa vez os Árabes atacaram de surpresa, porém são derrotados.
Isso gera represália com o aumento dos preços do petróleo. Sadat conclui que o
custo da liderança do movimento árabe era demasiado alto e muda seu rumo de
governo. Ele se afasta da URSS, se aproxima com os EUA, tornando-se um
grande aliado americano até hoje, e inicia um diálogo com Israel que culmina nos
acordos de Camp David de 1978. O Egito sai de cena e abandona sua condição de
líder do mundo Árabe. Nesse momento entra o Irã que pretende tomar o lugar do
Egito, o que desestabiliza todo o Oriente Médio, uma vez que os iranianos não se
vinculam nem com os capitalistas nem com os comunistas e buscam apoiar os
movimentos xiitas na região. Essa orientação xiita leva ao confronto com o Iraque
em 1980, que tinha uma população multifacetada e controlada por Sadan Rusein,
um sunita, que reprimia os curdos e os xiitas. Os americanos, que perderam a
posição no Irã, apoiaram os iraquianos na guerra Irã-Iraque.
• Em vista de uma situação ruim, os palestinos, que ficaram deslocados pelas
guerras entre os países árabes e Israel, começam a se organizar de maneira mais
autônoma. Na década de 60, os grupos políticos palestinos se unem em torno da
OLP, Organização para a Libertação da Palestina, que em sua origem é laica. A
maioria de palestinos era se cristãos, o vetor mulçumano é mais recente. A OLP, é
reconhecida em 1974, Arafat vai as Nações Unidas sendo considerado o legitimo
representante do povo palestino. Entretanto, pela falta de solução sobre a questão
palestina, a OLP vai se desgastando no poder como representação política
legítima. Arafat sofre enorme abalo a sua legitimidade, quando apóia a invasão
iraquiana no Kueit em 1991. Com o enfraquecimento de Arafat, abre-se espaço
para o fortalecimento da vertente islâmica na palestina. A OLP acaba tendo de
dividir poder com grupos radicais islâmicos como Fatah e Ramazh.
• Assim, pode-se dizer que o Estado de Israel é um Estado que aspira a segurança
absoluta. Há um paradoxo, Israel é um país que tem o exercito mais bem treinado
e equipado do mundo, mas não consegue se livrar do sentimento de insegurança.
A sua capacidade de defesa é formidável, e admitiu ter bombas atômicas, mas isso
não impede os ataques feitos por homens bomba.

DESCOLONIZAÇÃO - ÁFRICA

• O processo de descolonização pode ser vista de duas maneiras


o A primeira é dividir o processo em dois tempos. O primeiro tempo é a
descolonização na Ásia e o segundo tempo é a descolonização na África.
o A segunda é considerar que houve duas descolonizações, uma asiática e
outra africana, uma vez que representam processos diferentes e
complexos.
• Como os africanos analisam a problemática do colonialismo. Ao contrário da
Ásia, quando houve a chegada dos europeus na África, não havia Estados
Nacionais. A África foi pressionada pela expansão islâmica e pela escravidão na
Américas, que desestabilizou enormemente o Continente. Quem cria os Estados
na África são os colonizadores, assim, na África, o Estado antecede a nação.
• Os africanos sempre reagiram às pressões européias, de maneira geral ao final do
Século XIX a resistência africana já era bastante forte, porém foi facilmente
vencida devido à diferença nas forcas dos instrumentos de guerra.
• No início do século XX, há o início do movimento pan-africanista, movimentado
pelos descendentes africanos estabelecidos nas Antilhas e nos EUA, assim não é
um movimento genuinamente africano, é reflexo da diáspora africana desd do
século XVI. O principal dirigente desse movimento pan-africano foi Willian du
Bois, americano. Esse movimento vai até o final da década de 1950.

OBS: Du Bois was the most prominent intellectual leader and political activist on behalf
of African Americans in the first half of the twentieth century. A contemporary of Booker
T. Washington, he carried on a dialogue with the educator about segregation, political
disfranchisement, and ways to improve African American life. He was labeled "The
Father of Pan-Africanism."

Along with Washington, Du Bois helped organize the "Negro exhibition" at the 1900
Exposition Universelle in Paris. It included Frances Benjamin Johnston's photos of
Hampton Institute's black students.[14] The Negro exhibition focused on African
Americans' positive contributions to American society.[14]

In 1905, Du Bois, along with Minnesota attorney Fredrick L. McGhee[15] and others,
helped found the Niagara Movement with William Monroe Trotter. The Movement
championed freedom of speech and criticism, the recognition of the highest and best
human training as the monopoly of no caste or race, full male suffrage, a belief in the
dignity of labor, and a united effort to realize such ideals under sound leadership.

The alliance between Du Bois and Trotter was, however, short-lived, as they had a
dispute over whether or not white people should be included in the organization and in
the struggle for civil rights. Believing that they should, in 1909 Du Bois with a group of
like-minded supporters founded the National Association for the Advancement of
Colored People (NAACP).

In 1910, Du Bois left Atlanta University to work full-time as Publications Director at the
NAACP. He also wrote columns published weekly in many newspapers, including the
Hearst-owned San Francisco Chronicle as well as the African American Chicago
Defender, the Pittsburgh Courier and the New York Amsterdam News. For 25 years, Du
Bois worked as Editor-in-Chief of the NAACP publication, The Crisis, then subtitled A
Record of the Darker Races. He commented freely and widely on current events and set
the agenda for the fledgling NAACP. The journal's circulation soared from 1,000 in 1910
to more than 100,000 by 1920.[
Du Bois was invited to Ghana in 1961 by President Kwame Nkrumah to direct the
Encyclopedia Africana, a government production, and a long-held dream of his. When, in
1963, he was refused a new U.S. passport, he and his wife, Shirley Graham Du Bois,
became citizens of Ghana. Contrary to some opinions (including David Levering Lewis's
Pulitzer Prize winning biography of Du Bois), he never renounced his US citizenship,
even when denied a passport to travel to Ghana. Du Bois' health had declined in 1962,
and on August 27, 1963, he died in Accra, Ghana at the age of ninety-five, one day before
Martin Luther King, Jr.'s "I Have a Dream" speech.[2] At the March on Washington, Roy
Wilkins informed the hundreds of thousands of marchers and called for a moment of
silence.[
• O Pan-africanismo é formado por negros de classe média. Não era um
instrumento de confrontação, mas de diálogo entre os africanos.
• Em 1963, há a criação da OUA (Organização da Unidade Africana),
representando o clímax do pan-africanismo. Em 1999, a OUA foi substituída pela
UA (União Africana), compreendendo 53 países. A UA possui um parlamente,
sendo que cada Estado nomeia 5 deputados.
• A OUA desempenhou um papel importante nos anos 60. Por meio do princípio da
intangibilidade das fronteiras. As fronteiras africanas não foram estabelecidas
como resultados das vontades africanas, de modo que os povos se distribuem
nessas fronteiras de maneira um tanto arbitrária. O grande temor era que houvesse
o abandono das fronteiras estabelecidas pelos Europeus e se buscasse delimitar
novamente os Estados africanos. Isso legaria a áfrica a uma guerra sem fim.
Portanto, houve o compromisso de que manteriam as fronteiras estabelecidas pelo
colonizador. Esse princípio é respeitado até hoje.

• A Primeira Guerra debilitou bastante a África. Desestabiliza um capitalismo


nascente baseado na economia colonial, que produzia uma classe média africana
que mandava seus filhos se educar na Europa e nos EUA. Em 1930, esses
africanos que foram mandados para a Europa e América formam um movimento
chamado Negritude. O negritude possuía uma revista chamada Presença Africana,
muitos jovens estudantes que se destacam no negritude serão os líderes que
proclamarão a independência de seus país mais tarde. Leopold Sangor, poeta e
literato, primeiro líder senegalês pós-independência.
• O negritude era um movimento cultural literário-filosófico, de exaltação do
homem africano, nasce como contraponto a uma ideologia colonialista.

• Essa situação muda muito com a Segunda Guerra mundial, porque, houve uma
ampla mobilização africana. Muitos africanos pegaram em armas para defender a
Europa ou se viram pressionados para abastecer as economias metropolitanas. As
sociedades africanas entram na guerra. O próprio Hitler ajudou a redefinir os
conceitos raciais, o racismo desenfreado ajuda a enxergar que havia alguns
brancos mais brancos do que outros e que as metrópoles como Franca e Bélgica
não eram invencíveis. O mito do homem branco cai por terra. Quando a guerra
termina há uma mudança na correlação de forcas do mundo, passa existir um
sistema bipolar com centros de poder fora da Europa.
• A segunda guerra também gerar conseqüências indiretas na África. A questão
ideológica exerce também influencia com o socialismo. A Segunda guerra acaba
com o liberalismo conservador ortodoxo, com o início do Estado de bem-estar
social. Tudo isso se reflete na África com a criação de sindicatos e partido
políticos. Há um processo de renovação cultural na África que se traduz em
organizações políticas diversas.
• Em contra mão de tudo isso, durante a e após a guerra, as metrópoles tinham
como política a manutenção dos impérios coloniais. Essas colônias seriam a
grande forma de recuperar as economias centrais. Durante a guerra os
administradores coloniais foram assediados por Vichy e por De Gaule para se
aliarem a um ou a outro lado. Em 1941, houve a reunião de Trajaville, De Goule
pede ajuda aos administradores coloniais para combater os alemães.
• Fatores extra-africanos que favorecem a descolonização.

o Em primeiro lugar, as duas superpotências eram contra a colonização. Os


EUA prezavam uma lógica econômica liberal, na qual a reserva de
mercados por meio de colônias não era uma opção, os 14 pontos de
Wilson reflete também o princípio da autodeterminação dos povos. A carta
do atlântico também professava essa posição. Por outro lado, a URSS não
apoiava a colonização, uma vez que isso era contrário a ética comunista.
Desde os anos 20, os soviéticos apoiavam as independências no mundo
colonial. São essas duas superpotências que lançam as bases da ONU, que
nasce com o compromisso de dar voz as diversas nações, a Declaração
Universal dos direitos do homem, de 1948, vem nesse sentido. As
comissões de descolonização na ONU foram prova desse esforço.
o A posição das igrejas também foi importante. Durante o colonialismo, as
igrejas apoiaram a existência das colônias. Após 1945, o discurso que
prega a subjugação de um povo por outro não podia mais ser pronunciado.
Depois da guerra, há uma reciclagem da igreja católica que reduzir essa
orientação. Na África, muitos líderes se voltam para fé protestante, que
não estava tão comprometida com o discurso colonialista.
o Mudança na dinâmica do capitalismo mundial. A partir de Bretton Woods,
passa a existir uma nova ordem econômica liderada pelos EUA. Outro
ponto, é o plano Marshall que introduz os americanos na Europa. Dessa
forma, o capitalismo se internacionaliza muito mais. Se pensarmos que o
colonialismo é uma grande base do nacionalismo, o transnacionalismo
esvazia o movimento colonial. Em 1945, as economias africanas já estão
ligadas ao capitalismo internacional. Há uma vinculação subordinada das
economias africanas, que foram introduzidas como fornecedoras de
matérias primas.

• Os grandes protagonistas da descolonização são os Movimentos de Libertação


Nacional. São movimentos amplos e heterogêneos que conseguem se formar em
virtude da luta contra um inimigo comum. Os grandes nomes da libertação
africana foram intelectuais dos movimentos que se organizavam desde o início do
século XX.
• Fazendo um balanço da descolonização africana, vamos ver que as guerras
coloniais foram de pequeno número e só acorreram nas colônias de povoamento.
Nas chamadas colônias de exploração, em que a presença do colonizador se
sobrepunha a estrutura social local, não houve guerra de independência. Isso
colocava em xeque a tese de Fanon que dizia que a descolonização só poderia
ocorrer pó meio de guerra, na qual se substitui-se o capitalismo pelo socialismo.
De modo que os marxistas, no final dos anos 70, diziam que não houve
descolonização, houve foi independência políticas. Para os marxistas o
colonialismo converteu-se em neo-colonialismo, que se caracteriza pela
continuação, no plano econômico, das economias africanas.
• Nos anos 50, as organizações políticas crescem, as exigências ficam cada vez
mais incisivas. Esses movimentos vão crescendo, o que é percebido pelas ações
políticas clássicas, como comícios, greves, passeatas, etc. É aí que entra a questão
da mudança econômica internacional, o crescimento da pressão dos movimentos,
exige das metrópoles despesas cada vez maiores, em um momento em que essas
metrópoles enfrentavam grandes dificuldades econômicas. As pressões nas
colônias representavam uma crescente presença das metrópoles com tropas, fato
que desagradava o grande capital. Na lógica da época, se questionava o porque de
se gastar mais para manter o controle político se a dominação econômica estava
garantida e era irreversível. Então no final dos anos 50, inicia-se um processo de
negociação entre colônias e metrópoles. Esse processo, entretanto, não poderia ser
rápido nem simples, uma vez que a questão era impedir que os novos Estados
sofressem radicalização e pendessem para o comunismo. Assim, o processo de
descolonização era feita mais por intermédio de intelectuais que poderiam manter
um diálogo com as metrópoles e não os radicais. Daí o caráter pacífico, em geral,
das descolonizações. Assim, a revolução africana de Fanon não virou realidade.
• Houve guerra de independência na Argélia, no Quênia, em Uganda, em Angola, e
em Mozambique, todas colônias de povoamento com presença do europeu. Nas
colônias de exploração predominou a lógica econômica, nas de povoamento,
havia o fator político. Esses brancos não aceitavam a reforma feita pelo alto e se
opunham as mudanças nos estatutos políticos que os beneficiavam.
• A primeira guerra de descolonização foi na Argélia. Os franceses da Argélia eram
discriminados pelos franceses da Franca e com a independência argelina seriam
prejudicados, uma vez que perderiam o poder político. Esses franceses argelinos
não aceitam a situação, partem para o extremismo e suscitam o nacionalismo
extremado das metrópoles.
• Independências na África
o A primeira independência foi a da Costa do Ouro, que passa a se chamar
Gana, em 1957.
o Em 1958, Independência da Guiné
o Em 1960, é um ano que se dá um grande número de independências. 17
Estados ganham independência. 1960 ficou conhecido na ONU como ano
da África. Em 1963, a maioria dos países africanos já estava independente.
o Afasta-se desse conjunto as colônias portuguesas. A começar pelo próprio
capitalismo português. As colônias portuguesas foram conservadas muito
mais pelos interesses geopolíticos ingleses do que pela sua capacidade
econômica política e militar. O governo português, a ditadura de Salazar,
elaborou um projeto nacional em que o império português, as colônias
portuguesas, era imprescindível para a sobrevivência de Portugal. Sem as
colônias Portugal, para Salazar, desapareceria do mapa, sendo engolido
pela Espanha.
o Esse projeto começa a ser ameaçado em 1947, quando a Inglaterra
reconhece a independência indiana. A Inglaterra sempre foi a garantidora
do império português e agora passava a reconhecer independências de suas
colônias. Diante disso, em 1951, Portugal modifica sua constituição,
retirando o termo colônia e inserindo o termo províncias ultramarinas,
tentando estabelecer uma idéia de Estado unitário a seu império. Em 1961,
começa em Angola a luta pela libertação. Portugal sustentou 14 anos de
guerra colonial em três frentes, causando grandes mazelas a sociedade.
o Se comparado a descolonização inglesa e francesa, a descolonização
portuguesa foi desastrosa. Se por um lado ingleses e franceses
consideravam a descolonização inevitável e procuraram estabelecer
vínculos com lideres africanos confiáveis, por outro Portugal considerava
a descolonização algo que nunca poderia acontecer, assim nunca
conseguiu manter diálogo com líderes africanos moderados. Não foi
aberto nenhum canal de negociação. Em 1974, o Estado de Salazar cai.
o Nos casos de Moçambique e na Guiné Bissau havia apenas 1 movimento
de libertação nacional (FRELIMO, SGC). Já EM Angola, havia mais do
que um movimento de libertação nacional. Angola era uma colônia de
povoamento e mais rica devido a grande exploração de pedras preciosas.
Assim, o processo de independência foi muito mais complexo e violento.
Havia em angola o MPLA (de inspiração marxista) já os outros dois
movimentos (FNLA e UNITA) tinham bases éticas. Com o passar do
tempo a FNLA deixou de existir e a guerra foi travada entre UNITA e
MPLA acabando somente nos anos 90 com a morte de Jonas Shavin, líder
da UNITA. Hoje, Angola é grande produtor de café, petróleo e diamantes e
possui um quadro político mais estável.

• Após as independências.
o Os movimentos de libertação nacionais eram grupamentos heterogêneos.
Assim, quando o inimigo comum desaparece os africanos enfrentaram
problemas. Como dar voz a esses diversos grupos de tendências políticas
diferentes. Os africanos procuraram contornar isso, transformando os
movimentos de libertação nacional em partido único, para se tentar manter
a unidade da época das lutas coloniais. Para justificar esse esforço, os
africanos desenvolveram uma teoria chamada socialismo africano, que
continha o seguinte discurso. Quando os europeus chegaram a África, os
africanos viviam em socialismo comunitário e que os europeus tentaram
destruir isso para introduzir o capitalismo. Mas os africanos rejeitaram o
capitalismo, uma vez que esse foi um instrumento da espoliação da África
e, portanto, voltaria a seu passado socialista comunitário. Por que inventar
um socialismo africano cheio de meandros e não se filiar diretamente ao
socialismo marxista.
 Em primeiro, lugar a idéia de uma revolução realizada por
trabalhadores fabris era impossível para a realidade africana que
tinha sua economia baseada na agricultura e no extrativismo
mineral.
 Quando Krushov fez a desestalinizacao não havia mais espaço para
a criação de um modelo soviético.

o A tentativa de partido único e socialismo africano não deram certo devido


as diversas divisões internas. O desfecho desse processo foram inúmeros
golpes militares ao final da década de 60.
o A situação de instabilidade segue até hoje em alguns países. Ainda hoje
existem problemas e os especialistas dizem que são devidos ao seguinte
 Os movimentos nacionais de libertação e os partidos únicos que os
sucederam faziam parte de uma luta política de setores mais
modernos do Estado, dos setores capitalistas em contato com as
potencias colonizadores. O problema é que as chefias tradicionais,
caracterizada por chefes tribais, nunca deixaram de influir
diretamente na vida dos africanos e essas lideranças tradicionais
não compartilhavam do projeto de muitos dos movimentos de
libertação e dos partidos únicos que se seguiram as
independências. Portanto, hoje, os chamados conflitos étnicos são,
muitas vezes, embates entre os grupos políticos modernos e os
tradicionais. Há uma dificuldade de convivência entre os setores
políticos modernos e tradicionais.
 O problema econômico. Os Europeus nunca estiveram interessados
em desenvolver economicamente a África, o que fizeram foi dotar
o continente de uma estrutura capitalista mínima que introduzisse
os africanos de maneira subordinada no sistema capitalista
mundial. Na década de 80, por forca dos organismos
internacionais, começa-se um processo de liberalização das
economias africanas. O projeto neo-liberal, antes de chegar a
América Latina, já havia chegado a África, com a intenção de
tornar esses países mais atrativos para o investimento estrangeiro.
Entretanto, apesar dessa liberalização não houve maiores
investimentos no continente, uma vez que havia diversos
problemas estruturais como falta de mão-de-obra qualificada,
instabilidade política, que inibiam os investidores. Dessa forma, a
década de 90, foi desastrosa para a África. Uma mudança,
entretanto, que se notou foi o início da exportação de petróleo pela
África. Os países que mais se destacam no continente são os
exportadores de petróleo (Nigéria, Angola, etc.).
o Um país que está em situação diferente no continente é a África do Sul.
Desde 1652, o povoamento branco holandês vai se africanizando. Em
1919, com a derrota dos Boers pelos ingleses é criada, por negociação, a
União Sul Africana. A carta dos africaners aceitava a subordinação aos
ingleses, mas não aceitavam a igualdade com os negros. Aí a colônia fica
divida entre descendentes holandeses e ingleses. Os boers, brancos
holandeses, se aglutinam ao redor do partido nacional, que chega ao poder
em 1948, e institucionalizam um governo segregacionista, oficializando a
descriminação. Em 1960, saem da Common Wealth e o apartheid dura até
1990. O apartheid se mantém por tanto tempo devido a Guerra Fria. O
Cabo era uma região estratégica e os EUA deram apóio ao partido
nacional. Após Guerra Fria Nelson Mandela foi levado ao poder.

OBS: Nelson Rolihlahla Mandela foi um líder rebelde e, posteriormente,


presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Principal representante do
movimento anti-apartheid, considerado pelo povo um guerreiro em
luta pela liberdade, era tido pelo governo sul-africano como um
terrorista e passou quase três décadas na cadeia.

De etnia Xhosa, Mandela nasceu no pequeno vilarejo de Qunu, distrito


de Umtata, na região do Transkei. Aos sete anos, Mandela tornou-se o
primeiro membro da família a freqüentar a escola, onde lhe foi dado o
nome inglês "Nelson". Seu pai morreu logo depois, e Nelson seguiu
para uma escola próxima ao palácio do Regente. Seguindo as tradições
Xhosa, ele foi iniciado na sociedade aos 16 anos, seguindo para o
Instituto Clarkebury, onde estudou cultura ocidental.

Com 19 anos, em 1934, Mandela mudou-se para Fort Beaufort, cidade


com escolas que recebiam a maior parte da realeza Thembu, e ali
tomou interesse no boxe e nas corridas. Após se matricular, ele
começou o curso para se tornar bacharel em direito na Universidade
de Fort Hare, onde conheceu Oliver Tambo e iniciou uma longa
amizade.

Ao final do primeiro ano, Mandela se envolveu com o movimento


estudantil, num boicote contra as políticas universitárias, sendo
expulso da universidade. Dali foi para Johanesburgo, onde terminou
sua graduação na Universidade da África do Sul (UNISA) por
correspondência. Continuou seus estudos de direito na Universidade
de Witwatersrand.

Como jovem estudante do direito, Mandela se envolveu na oposição ao


regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população),
mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos
políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional
Africano em 1942, e dois anos depois fundou com Walter Sisulu e
Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos afrikaners (Partido


Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, Mandela
tornou-se mais ativo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo
(1955) que divulgou a Carta da Liberdade - documento contendo um
programa fundamental para a causa anti-apartheid.

Comprometido de início apenas com atos não-violentos, Mandela e


seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de
Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou
em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180.

Em 1961, ele se tornou comandante do braço armado do CNA, o


chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Nação", ou MK), fundado por
ele e outros. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra
alvos militares e do governo e viajou para a Argélia para treinamento
paramilitar.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à


polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por
viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi
condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu)
e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o
que Mandela nega).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal


modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem
Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas anti-apartheid em
vários países.

Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985,


não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta
armada. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a
campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse
libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente
Frederik Willem de Klerk.

Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz


em 1993.

Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e


primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho
de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no
comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta
em prol da reconciliação interna e externa.

Ele se casou três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn


Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de
casamento. Depois casou-se com Winie Madikizela, e com ela ficou 38
anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o
casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com
Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente
moçambicano.

Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se


para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos.
Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St.
John, da rainha Elizabeth 2ª., a medalha presidencial da Liberdade, de
George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a
Ordem do Canadá.

Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política


externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele
anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a
AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na
prisão.

Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da


vida pública. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em
lutar contra a AIDS.

A comemoração de seu aniversário de 90 anos foi um ato público com


shows, que ocorreu em Londres, em julho de 2008, e contou com a
presença de artistas e celebridades engajadas nessa luta