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Direito das obrigações I 2012/2013 Secção II – PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES O princípio da autonomia privada: O Prof

. Menezes Cordeiro diz-nos que autonomia corresponde a uma “permissão genérica de produção de efeitos jurídicos”. É assim a possibilidade de alguém estabelecer os efeitos jurídicos que se irão repercutir na sua esfera jurídica. Recordemos a distinção entre negócio e outros factos jurídicos. O facto jurídico é aquele que produz efeitos jurídicos. Estes dividem-se em factos jurídicos strictu sensu (os que resultam de qualquer comportamento humano voluntário, como o decurso do tempo ou a morte) e actos jurídicos, que são aqueles em que existe um comportamento humano. Aqui há a distinguir entre actos jurídicos simples ou negócios jurídicos, nos primeiros temos apenas liberdade de celebração e no segundo, para além desta, temos também liberdade de estipulação. Negócio jurídico – acto d a autonomia privada marcado pela presença de liberdade de celebração e de estipulação. Facto jurídico – é o evento o qual o direito associa determinados efeitos jurídicos. Por isso os negócios são o instrumento típico da autonomia privada (liberdade de produção de efeitos jurídicos). Contudo, quanto à constituição de obrigações, a lei atribui primazia aos contratos (art. 405.º «liberdade contratual» - liberdade de celebração, de escolha do tipo de contrato e de celebração). Os negócios unilaterais só em certos casos poderão dar origem a obrigações, uma vez que o art. 457.º (princípio da tipicidade) refere que a promessa unilateral de uma prestação só obriga nos casos previstos na lei. O que caracteriza o contrato negócio é que ambas as partes estão de acordo em relação aos efeitos jurídicos produzidos, através de duas declarações negociais harmonizáveis entre si (autovinculação – art. 232.º). a liberdade contratual é, a possibilidade conferida pela ordem jurídica a cada uma das partes de autoregular, através de um acordo mútuo, as suas relações para com a outro, por ela livremente escolhida, em termos vinculativos para ambos (art. 406.º, n.º1). Restrições à liberdade contratual: Desde sempre se admitiu uma restrição à autonomia das partes, que consiste na proibição da celebração de negócios usurários, em que uma das partes consegue obter benefícios injustificados através da exploração da necessidade económica da outra parte (art. 282.º) . Efectivamente, uma das partes pode estar obrigada, por obrigação contratual ou legal a celebrar contrato com a outra parte. Nestes casos, a outra parte pode exigir a celebração ou obter sentença que produza o mesmo efeito que o contrato prometido (830º). A não celebração do contrato constitui ilícito obrigacional e gera obrigação de indemnizar. Consequentemente, nesta situação, a liberdade de celebrar apenas existe para a parte que não esteja vinculada a essa celebração.

Com a autonomia privada, as partes podem criar obrigações de celebração de contratos (410º ss), podendo nesses casos considerar-se a celebração como cumprimento de uma obrigação livremente assumida e que portanto se funda na autonomia privada. Restrições à liberdade de celebração: Uma importante restrição à liberdade de celebração consiste na obrigação de celebração do contrato. Uma das partes pode estar vinculada, por obrigação contratual ou legal, à celebração do contrato com a outra parte. Nesses casos, a outra parte pode exigir essa celebração (art. 817.º) ou inclusivamente obter sentença que produza os mesmo efeitos que o contrato prometido (art. 830.º). A não celebração constitui ilícito obrigacional e gera obrigação de indemnização. Cláusulas contratuais gerais: Consistem em situações típicas do tráfego negocial de massas em que as declarações negociais de uma das partes se caracterizam pela pré-elaboração (antes da negociação), generalidade (aplica-se a todos) e rigidez (não discussão do conteúdo). Costumam caracterizar-se pela desigualdade entre as partes, pela complexidade e pela natureza formularia, ainda que estas características não sejam de verificação necessária. Procura-se assim: - Por um lado evitar a introdução no contrato de cláusulas de que o outro contraente não se apercebeu. - Por outro lado, impedir o surgimento de cláusulas inóquas ou abusivas. Caracterizam-se pela pré-redacção, rigidez, generalidade (art. 1 LCCG). O art. 1º nº2 refere-se aos contratos pré-formulados. A lei traz excepções jurídicas relativas à liberdade de estipulação, quanto à parte forte. Há um dever de comunicação e informação da parte do pré-disponente. Art. 1º nº1 – “preponentes ou destinatários indeterminados”. Art. 4º; 5º e 6 – dever de comunicação. As clausulas negociadas sobrepõem-se sobre as clausulas contratuais gerais. Art. 8º - a violação do dever de comunicação e informação leva à exclusão da clausula. Art. 239º CC - relativo às clausulas surpresa. A interpretação das CCG dá-se, para além do art. 10º da LCCG, tb pelos arts. 239º e 236º do CC relativo aos negócios jurídicos. Art. 11º - apenas o nº 2 diz respeito às verdadeiras clausulas ambíguas. O nº1 fala em critérios de interpretação (art. 236º/1 CC). Segundo a teoria da impressão do declaratário (236º/1 CC), deve dar-se o sentido objectivo entendido por uma pessoa média, colocada na posição de aderente geral. Na dúvida, prevalece o sentido mais favorável ao aderente. Art. 15º - relativo às clausulas proibidas. Todas as clausulas contrárias à boa fé, são proibidas. Art. 16º al. a) - remete para o principio da confiança. Art. 16º al. b) – remete para o principio da materialidade subjacente. O legislador insere um elenco não taxativo de clausulas proibidas, distinguindo as absolutamente proibidas, das relativamente proibidas (arts. 18º, 19º, 21º e 22º). As clausulas são proibidas consoante um quadro padronizado. Uma clausula pode ser proibida num certo contrato e não proibida noutro contrato, consoante o quadro padronizado. As clausulas proibidas são nulas. Art. 13º - o aderente pode optar pela manutenção dos contratos singulares. Vigora na parte afectada as regras supletivas aplicáveis ou regras de integração de negócios jurídicos. O contrato valerá sem a parte viciada. Nos termos do art. 292º CC, o contrato é reduzido, excepto se se prove que o contrato não seria concluído sem a parte viciada.

O princípio do ressarcimento dos danos: A transferência do dano do lesado para outrem opera mediante a constituição de uma obrigação de indemnização, através da qual se deve reconstituir a situação que existiria se não tivesse ocorrido o evento lesivo (art. 562.º). Em muitas ocasiões ocorre um fenómeno que se denomina de imputação de danos. Quando a lei considera existir, não apenas um dano injusto para o lesado, mas também uma razão de justiça. A situação de alguém que o direito considera estar em posição mais adequada à suportação do dano é denominada de responsabilidade civil (483.º), cuja transferência para o património do responsável efectua-se mediante a constituição da obrigação de indemnizar. Tradicionalmente a imputação fazia-se pela culpa do lesante, cuja consequência é a do lesado não ter direito a indemnização, a menos que demonstre a culpa (art. 487.º/1 do CC). O rigor deste regime foi atenuado pela consagração de presunções de culpa do lesante (arts. 491.º, 492.º e 493.º). Posteriormente, foi-se desenvolvendo a ideia de que a imputação de danos poderia mesmo dispensar a culpa do lesante, e daí surge a responsabilidade pelo risco, (483.º/2 do CC). A imputação de danos pode basear-se em permissões de sacrificar bens alheios no interesse próprio, que têm como contrapartida o estabelecimento de uma obrigação de indemnização (arts. 81.º/2 e 339.º/2 do CC). Aqui temos a responsabilidade por factos ilícitos: - Imputação por culpa – a responsabilidade baseia-se numa conduta ilícita e censurável do agente, que justifica dever ele suportar em lugar do lesado os prejuízos resultantes dessa sua conduta. - Imputação pelo risco – o fundamento que lhe está na base é uma ideia de justiça distributiva. Risco-proveito (aquele que retira proveito de uma situação deve suportar o prejuízo) risco Profissional (aquele que exerce profissão de risco deve suportar o dano) risco autoridade (aquele que define condutas alheias deve suportar também os danos). - Imputação pelo sacrifício – a lei permite, em homenagem a um valor superior, que seja sacrificado um bem ou direito pertencente a outrem, atribuindo uma indemnização ao lesado como compensação desse sacrifício. Quando o dano seja resultado de um facto ilícito e culposo, há lugar à responsabilização. A responsabilidade é maioritariamente subjectiva. Será objectiva em casos como a resp. pelo risco, mas esta resp. será sempre excepcional. Pode ainda haver resp. por acto licito ou sacrifício. É o caso típico do estado de necessidade, onde a acção ilícita de destruir a coisa alheia é justificada. No entanto, se fui eu quem deu causa a um incêndio que me obrigou a destruir coisa alheia em estado de necessidade, seria responsável por provocar o incêndio. O princípio da restituição do enriquecimento injustificado: Este princípio encontra-se formalmente consagrado na norma do art. 473.º/1 do CC. Sempre que alguém obtenha um enriquecimento à custa de outrem sem causa justificativa tem que restituir aquilo com que injustamente se locupletou. Se num negócio jurídico invalido houver transmissão dos bens para terceiro, esse terceiro responde com base no seu enriquecimento (art. 289.º/2 do CC). Se ocorrer o incumprimento de um contrato-promessa em que tenha havido tradição da coisa a que se refere o contrato prometido, o promitente vendedor tem que entregar, caso lhe seja exigido, ao promitente

comprador a valorização que essa coisa entretanto obteve (art. 442.º/2 do CC), apesar de ter em princípio direito a essa valorização. A impossibilidade da prestação nos contratos bilaterais determina a restituição da contraprestação com base no enriquecimento sem causa (art. 795.º/1 do CC). Se eu decido doar a B outra coisa, estou a empobrecer sem receber nada, e estou a enriquecer o donatário. Mas há uma causa justificativa, o espirito de liberalidade. Mas se eu pensar que tenho uma divida para com B e pago a quantia devida, mas afinal não devia nada, B enriquece e eu empobreço. Condictio indebiti (473º CC). O princípio da boa fé: Sentido subjectivo – ignorância de estar a lesar direitos alheios, sendo esse o sentido da referência à posse de boa fé no art. 1260.º. Sentido objectivo – regra de conduta. Aparece-nos nos arts. 227.º, 239.º, 334.º, 437.º e 726.º/2 do CC. Implica uma regra de conduta. Deveres de informação ou protecção. Exemplo: A conversa com B, estrangeiro, para vender o prédio x. Entretanto, A vendo o prédio x a C, sem nada dizer a B que entretanto se deslocou a Portugal para comprar o prédio X. A deve ser responsabilizado por má-fé, nos termos do art. 227º, pois B perdeu tempo e dinheiro com a deslocação, porque A não honrou o direito à informação. O principio da confiança foi atingido. A boa fé divide-se ainda em dois postulados fundamentais:  Tutela da confiança – protecção das partes através de: - Situação de confiança (boa fé subjectiva). - Justificação para essa confiança. - Investimento de confiança. - Imputação da confiança.  Primazia da materialidade subjacente avaliação das condutas não apenas pela conformidade com os comandos jurídicos, mas também de acordo com as suas consequências. Realiza-se em três vectores: - Conformidade material das condutas. - A idoneidade valorativa. - Equilíbrio no exercício das posições. O princípio da responsabilidade patrimonial: Consiste na possibilidade de o credor, em caso de não cumprimento, executar o património do devedor para obter a satisfação dos seus créditos. O recurso para tribunal faz-se enquanto a prestação é possível, para exigir essa mesma prestação (acção de cumprimento - art. 817.º). Caso a realização da prestação já não seja possível o credor só poderá reclamar uma indemnização (incumprimento definitivo – arts. 978.º e 808.º - e impossibilidade culposa de cumprimento – art. 801.º). O regime da responsabilidade patrimonial pode ser estabelecida através de três postulados: - Sujeição à execução de todos os bens do devedor – art 601.º. a responsabilidade patrimonial é ilimitada, estendendo-se a todos os bens do devedor. Existem excepções: bens insusceptíveis de penhora, a situação da separação patrimonial (bens adquiridos pelo mandatário no mandato sem representação – art. 1184.º; a meação nos bens comuns do casal, em relação

ou seja. Segundo SAVIGNY (T. aparece em causa a sujeição do património do devedor ao poder de execução dos seus credores.817º CC). SANTOS JUNIOR não aceita essa posição pk o credor não tem dominio sobre um acto do devedor. Segundo a teoria finalista. Na responsabilidade civil. entregar a coisa.º. 627. penhor 667. Duas excepções: situações em que há bens de terceiro a responder pela dívida (fiança – art.Só dos bens do devedor – art.º do CC. No caso da responsabilidade patrimonial. parece claro que tem que se reconhecer-lhe um direito subjectivo à prestação. não está em causa só um dever primário de prestação. . Não confundir a responsabilidade patrimonial da responsabilidade civil. É a regra do concurso de credores prevista no art. o direito de crédito é um direito sobre o património do devedor.a obrigação é uma relação jurídica que une o credor ao devedor. Reconhecendo-se que o credor não tem qualquer direito sobre os bens do devedor. A limitação da responsabilidade civil pode ainda ocorrer por convenção das partes (arts. uma vez que o devedor está vinculado ao cumprimento. 397.º). quando tenha sido impugnada a transmissão de bens para terceiro (art. Art. Pode estar em causa também um dever secundário. 817º e ss CC). A obrigação é um direito subjectivo. 817.º). Neste último caso. 602.º e 717.º). 610. 1695.º consagra a teoria clássica. Secção III – CONCEITO E ESTRUTURA DA OBRIGAÇÃO Posição adoptada: A obrigação não se pode considerar um direito incidente sobre os bens do devedor. encontra-se em causa a imputação a alguém dos danos causados pelo seu comportamento ou abrangidos numa zona de riscos a seu cargo. através do qual um deles pode exigir que o outro adopte determinado comportamento em seu benefício. negando a existência de qualquer direito do credor sobre o património do devedor.º e 1696. onde se limita o poder de execução ao património do devedor. Personalista). É esta a concepção adoptada pelo legislador que no seu art. ou seja. é um vinculo de natureza pessoal que corresponde a um poder que o credor tem sobre um acto do devedor ( o prof. só tem o poder de exigir a prestação . Respondem todos os bens do devedor susceptíveis de penhora e os credores recebem em pé de igualdade. definindo a obrigação como o vínculo jurídico por virtude do qual uma pessoa fica adstrita para com outra à realização de uma prestação.º. 604. entregar a coisa devidamente embalada.aos bens próprios do cônjuges – arts. Secção IV – CARACTERÍSTICAS DA OBRIGAÇÃO .º e 603. 397º . Pode ser simples ou complexa.Estando todos os credores em pé de igualdade – trata-se da não hierarquização dos direitos de crédito pela ordem da sua constituição.º). A obrigação é um vinculo pessoal assistido de garantia ( art. . a obrigação é um vinculo pessoal. Para SANTOS JUNIOR. sendo antes um vínculo pessoal entre dois sujeitos.

Neste sentido se fala em mediação. a obrigação não precisa de ter valor patrimonial.º do CC). Apenas se corresponderem a outros complexos normativos é que não sejam admissíveis. contra outra pessoa determinada que tenha o correlativo dever de prestar. por isso diz-se ser uma característica tendencial. Antunes Varela – pretende-se excluir do âmbito da obrigação dois tipos de prestação: as prestações que corresponderam a simples caprichos ou manias do devedor e as prestações que correspondam a situações tuteladas por outras ordens normativas. quase todas as obrigações têm carácter patrimonial. mas deve corresponder a um interesse do credor. A relatividade: o direito de crédito se estrutura com base numa relação entre credor e devedor. Menezes Cordeiro – não há obstáculos a que se constituam obrigações relativas a meros caprichos. Nos termos do art. n. A é credor de B em 500 euros. O terceiro poderia ser assim responsabilizado nos casos em que a sua actuação lesiva do direito de crédito se possa considerar como um exercício inadmissível da sua liberdade de acção (autonomia privada). mas é obrigação civil. a responsabilização do terceiro poderá ser estabelecida. necessitando da colaboração do devedor para obter a satisfação do seu interesse. através da aplicação do princípio do abuso de direito (334. tendo conteúdo económico. uma vez que só através da conduta do devedor o credor consegue obter a satisfação do seu interesse. sempre que ele contratar em termos tais que este acto seja considerado um exercício inadmissível de posições jurídicas (quando infringir o art. A tem o dever de prestar. 398º nº2. 398. eficácia perante terceiros. ou o trato-social.A patrimonialidade: Por patrimonialidade. desde que se refiram a situações jurídicas. Daí que a obrigação não possa ter eficácia externa. como esta execução pressupõe sempre a liquidação do crédito numa soma pecuniária. o credor. EX: A obriga-se a não tocar piano para não incomodar B. que se fale da existência de uma patrimonialidade tendencial. Fica assim consagrada a admissibilidade de constituir obrigações sem cariz patrimonial. Num prima de eficácia. Só pode ser excluído pelo seu titular.º. entende-se a susceptibilidade de a obrigação ser avaliável em dinheiro. Em casos excepcionais. Justifica-se. como a religião. Apesar disso. A colaboração do devedor: Uma outra característica da obrigação é a de que o credor não pode exercer directa e imediatamente o seu direito. Mas a prestação não necessita de ter carácter pecuniário. daí resultaria a necessidade de a prestação ter valor pecuniário. Menezes Leitão (posição intermédia): embora não aceite a existência de um dever geral de respeito dos direitos de crédito. . o direito de crédito apenas é eficaz contra o devedor. Por definição a mediação do devedor é uma característica. Como argumentos em defesa desta tese invoca-se o facto de a execução apenas se poder exercer sobre o património do devedor e. 334. digno de protecção legal (art. por isso.º do CC). admite alguma oponibilidade dos créditos perante terceiros. Não tem carácter patrimonial.º2). Consequentemente só a ele pode ser oposto e só por ele pode ser violado. ou seja.

O prof. Não subscreve a tese da “oponibilidade externa”. Segundo LARENZ. não devem interferir com ele. mas em tudo o que não corra neste ramo. a mediação e a relatividade. a qual significa que o titular de um direito real pode perseguir a coisa onde quer que ela se encontre e pode sempre . sem qualquer tipo de relação. Se o crédito é um direito à prestação. o que só sucederia se possuísse um direito real. Nos direitos reais o credor não necessita da colaboração de ninguém para exercer o seu direito. Tem apenas o direito à prestação. o credor não possui qualquer direito directo sobre ela. Ela passa a oponibilidade inata quando os terceiros conhecem o crédito e. os direitos de crédito são direitos a prestações. incorrendo em responsabilidade civil delitual (483º). Efectivamente o direito real adere à coisa e estabelece uma vinculação tal com a coisa que dela já não pode ser separado. não poderiam ser consideradas como obrigações aquelas situações que embora estruturalmente obrigacionais viessem a ser reguladas por outros ramos do direito. direitos a uma conduta do devedor. paga a A. EX: A contrata com B em vender o prédio X. havendo responsabilidade delitual Ex: A vende o crédito a B. Menezes Leitão considera assim três características das obrigações: a patrimonialidade tendencial. que caracteriza os direitos reais. A obrigação pressupõe uma relação entre dois sujeitos. e A incorre em responsabilidade civil contratual. B fica sem o crédito. não necessitando da colaboração de outrem para ser exercido. nomeadamente no direito do trabalho. Segundo a doutrina maioritária. mesmo quando a prestação tem por objecto uma coisa. A inerência tem uma sua manifestação dinâmica que é a sequela. pois considera que a oponibilidade remete para exterioridade. o credor e o devedor. neste caso. mas a ele próprio. C interferiu conscientemente. O direito de crédito é um direito relativo pelo que a sua oponibilidade a terceiros é limitada só podendo ocorrer em certas circunstâncias. C não será responsável a não ser que a sua actuação seja contra os bons costumes. Pelo contrário. Mas há casos em que pode acontecer uma interferência com a titularidade e aí já se equipara a uma interferência na propriedade. C. – Direito absoluto. A autonomia: Pela expressão autonomia considerar-se-ia como característica da obrigação o facto de ser regulada pelo Direito das Obrigações. ele caracteriza-se por necessitar da mediação ou colaboração do devedor para ser exercido. então aplica-se o regime geral obrigacional. O que acontece é que as obrigações estão funcionalizadas. O Prof. A nível de eficácia interna são relativos porque só o devedor tem o direito de prestar e só o credor tem o direito de pedir a prestação. Secção V – DISTINÇÃO ENTRE DIREITOS DE CRÉDITO E DIREITOS REAIS A distinção entre direitos de crédito e direitos reais: os direitos reais são direitos sobre coisas. já que o seu direito incide directa e imediatamente sobre uma coisa. não sabendo disso. já haveria responsabilidade delitual. Assim. a oponibilidade do direito real a terceiros é plena. Assim. pedindo a A que não o venda a B.SANTOS JUNIOR considera as obrigações estruturalmente. por exemplo. Esta é a denominada inerência. O direito de crédito é oponível a terceiros porque o principio do respeito dos direitos dos outros é absoluto. C sabe desse negócio e antecipa-se. Segundo Larenz. não é uma característica porque encontramos obrigações noutros ramos.

Pelo contrário. a lei vem estabelecer uma hierarquização dos direitos pessoais de gozo segundo a ordem da sua constituição ou registo (art.º). Por outro lado. antes concorrem em pé de igualdade sobre o património do devedor que é rateado para se efectuar um pagamento proporcional (art. 1185. os direitos de crédito possuem as características da mediação do devedor. 407. 604.º). plenamente oponíveis a terceiros.º. mas antes a do rateio sobre o património do devedor (art. – Incumprimento definitivo da prestação. Outra característica dos direitos reais que os permite distinguir dos direitos de crédito é a denominada prevalência. na medida em que a constituição de um direito implica a perda de legitimidade para posteriormente constituir outro.ser exercido. O legislador pretendeu seguramente qualificar estes direitos como direitos de crédito. Se alguém tem direito a uma prestação e o devedor aliena o objecto da mesma. O direito de crédito já não tem esta característica. os direitos reais são direitos imediatos.º). absolutos. Para além disso. entre os quais se inclui o direito do locatário (art.º e 1189. Não haveria assim um direito imediato sobre a coisa. esse gozo resulta ou de uma obrigação positiva ou negativa assumida pela outra parte ou ainda de uma autorização eventual (depósito. n. A questão dos direitos pessoais de gozo: Há certas figuras cuja qualificação como direitos reais se apresenta como controvertida. a verdade é que o regime dos direitos pessoais de gozo tem muitas características que os aproximam dos direitos reais.º e 1682. a inserção sistemática do seu regime no título relativo aos contratos em especial e não no livro dos direitos reais indica uma intenção de qualificação destes direitos como direitos de crédito.º) e do depositário (art. Parece-nos assim de considerar que os direitos pessoais de gozo são direitos de crédito. n. e a maior força dos direitos reais sobre os direitos de crédito. de uma oponibilidade a terceiros limitada. 604. que não se hierarquizam entre si pela ordem da constituição.º1).acções possessórias contra terceiros). da relatividade. 1185. estabelecendo que embora confiram o gozo de uma coisa.º). No entanto. uma vez que através deles o titular adquire o direito a uma prestação do devedor. em que a regra não é a da sua hierarquização. 817. o que significa não ser possível constituir sucessivamente dois direitos reais incompatíveis sobre o mesmo objecto. 1129. que. como seja o facto de admitirem uma tutela que extravasa da simples acção de cumprimento e execução (art. exigindo-se antes a colaboração do devedor que vimos ser característica dos direitos de crédito. °. inerentes a uma coisa. Conclusão: Os direitos de crédito são direitos sobre prestações. no seu sentido amplo. conforme é característico dos direitos reais. significa a prioridade do direito real primeiramente constituído sobre posteriores constituições. 1022. o que também se apresenta como uma solução estranha no âmbito dos direitos de crédito. Essa característica não existe nos direitos de crédito. salvo as regras do registo. do parceiro pensador (art. os direitos reais direitos sobre coisas. o credor já não a pode exigir. 1121.º 1).º-A). Só lhe resta pedir uma indemnização ao devedor por ter impossibilitado culposamente a prestação. dotados de sequela e hierarquizáveis entre si. Em consequência. ausência de inerência e não hierarquização entre si. A nossa lei denomina estes direitos de direitos pessoais de gozo (arts 407. do comodatário (art.º). que consiste em . só um podendo prevalecer. ° . arts.

762. n. Se a prestação vem a tornar-se supervenientemente impossível. importando a extinção da obrigação (art. porém. n.assegurar o gozo de uma coisa corpórea. Exemplos de direitos pessoais de gozo são o locatário. tutelável através da acção de cumprimento. ser absoluta e não apenas relativa.º1). por outro lado. n. a prestação já se tornou possível. No direito romano.º. 790. é necessário que ela constitua uma impossibilidade originária (art. Na sua estrutura. digno de protecção legal. resultando de um direito de crédito.°). Gozam de uma tutela acrescida.º. deve corresponder a um interesse do credor. Possibilidade física e legal: Face ao art. 401. n.uma vez que neste caso o direito ao gozo da coisa é obtido a partir de uma prestação do devedor.º resulta que a prestação consiste na conduta a que o devedor se obriga a desenvolver em benefício do credor. após a constituição do negócio. n. por exemplo. 280. admite. a atribuição ao credor um direito à posse das coisas entregues. De acordo com o art. Para que a impossibilidade da prestação produza a nulidade do negócio jurídico. então a promessa desse contrato é juridicamente impossível.º2 estabelece um requisito suplementar. mas a validade do negócio não é afectada.º1. por forçado art. parceiro pensador. 401.º2. 397. a prestação pode tanto consistir numa acção ou numa omissão. O art. O art 398. Um exemplo de fisicamente impossível será “tocar com um dedo no céu”. Serão os casos em que o negócio é celebrado para a hipótese de a prestação se tornar possível. 401. casos em que a prestação é originariamente impossível. correspondiam a actionem in personam.º1). porém. tornando a prestação nula.º.º.º. Daí que a realização da prestação pelo devedor se considere como cumprimento. refere-nos que apenas se considera impossível a prestação que o seja em relação ao objecto e não em relação à pessoa do devedor.º. A existência de posse nestes direitos não implica a sua qualificação como direitos reais 1251.º1. O art. este não é nulo. no momento em que se constitui a obrigação.º. o contrato é ilícito. o que justifica que a lei lhe atribua as acções possessórias para defesa dessa situação jurídica. referindo-nos que a prestação. n. A obrigação é que se vai extinguir. 398. Obstáculo físico da natureza. ou em que o negócio é sujeito a condição suspensiva ou a termo inicial e. ou seja. . Secção VI – OBJECTO DA OBRIGAÇÃO: A PRESTAÇÃO Delimitação do conceito de prestação: Da definição do art. A satisfação dessa prestação pressupõe. no momento da sua verificação. No caso de impossibilidade jurídica.º. A impossibilidade deve. n. correspondiam a um direito de crédito. embora não necessite de ter valor pecuniário. a impossibilidade física ou legal produz nulidade do negócio jurídico. sendo o seu conteúdo determinado pelas partes dentro do limite legal.º3. ou sejam existência de acções possessórias para defesa do direito. ainda se encontra a mediação.

da coercibilidade do vínculo. No art. Se A tem licença de porte de arma e vai comprar a B. n.º2). tem de entregar a B 1000 garrafas de vinho do porto. que estabelece a nulidade do negócio jurídico cujo objecto seja indeterminável.). vendedor licenciado. através de meios cuja utilização é proibida por lei. A escolha cabe ao devedor. 280. uma arma para matar C. se o devedor tiver capacidade para realizar a prestação e a efectuar espontaneamente (403º/”) já não pode pedir a restituição. também apenas o fim subjectivo das partes pode ser contrário à ordem pública ou aos bons costumes. devendo essa escolha ser média. A insuficiência de meios económicos para cumprir nunca pode gerar a extinção ou nulidade do contrato. considera o negócio como nulo. O armeiro não sabe do fim. a que se refere o artigo 403º do código. Assim. O que caracteriza as obrigações naturais é assim a não exigibilidade judicial da prestação.º e ss. Será nula (280º/1 e 294º). Licitude: O requisito da licitude da prestação consta dos arts.º. O objecto não é ilícito. A impossibilidade também terá de ser absoluta. resumindo-se a sua tutela jurídica à possibilidade de o credor conservar a prestação espontaneamente realizada. 280º em harmonização com o art. 280.º e ss. gera a extinção da obrigação. 281.º1. . desde que ela seja determinável (prestações indeterminadas: as obrigações genéricas – arts 539. Um devedor. logo o negócio é válido. A ilicitude poderá ser quanto ao resultado e quanto aos meios. se o fim for comum a ambas as partes (art. Nesse caso. – e as obrigações alternativas – arts 543. A ilicitude do negócio pode ser de resultado ou de meios. Não contrariedade à ordem pública e aos bons costumes: A prestação não pode ser contrária à ordem pública e aos bons costumes (art. consoante o negócio vise objectivamente um resultado ilícito ou se proponha alcançar um resultado licito. 400º).º1 e 294. Art. mas corresponde a um dever de justiça”. 281º.º. o negócio seria nulo. Em ambos os casos o art. por erro. de onde resulta que o objecto negocial não pode ser contrário a qualquer disposição que tenha carácter injuntivo (limite à autonomia privada).º). cujo cumprimento não é judicialmente exigível. n. Mas se a impossibilidade não for culposa. Secção IX – MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES As obrigações naturais (402º): as obrigações que se fundam “num mero dever de ordem moral ou social. ou então a escolha será feita pelo tribunal (art. Contudo. À semelhança do que acontece com a ilicitude.Se alguém não cumpre. o negócio só será nulo. a pessoa será responsável (798º CC). o direito da insolvência apresenta-nos uma excepção. Esta regra resulta do art. mas o fim é. o que está em causa é o fim ilícito. Mas se B soubesse do fim. a obrigação pode constituir-se estando ainda a prestação indeterminada. O tribunal só pode decidir quando a prestação tenha um mínimo de determinabilidade.º. 400º prevê que em ultima instância o tribunal possa proceder à determinação da prestação segundo juízos de razoabilidade. numa prestação genérica. Determinabilidade: A prestação tem que ser determinável. n. culposamente. mesmo que estivesse convencido. 280.º.º. 280.

Não pode repetir porque é considerado cumprimento que. gera uma obrigação civil.divida de jogo. ou seja. Prestações de coisa e prestações de facto: As prestações de coisa são aquelas cujo objecto consiste na entrega de uma coisa. cumprir. a existência de casos em que a lei a proíbe. são objecto do negócio jurídico na perspectiva de aquisição futura dessas características. Menezes Leitão. embora o art. uma vez que uma convenção nesse sentido equivaleria a uma renúncia do credor ao direito de exigir o cumprimento. Os bens futuros são assim aqueles que não tendo existência. confusão. espontaneamente. – prestação de serviços. Para o Prf. Não se aplicam os arts. etc. mas já não podem ser objecto de doação (942º/1). Finalmente. mas o credor deixa passar o seu direito e o devedor não cumpre. as prestações de facto são aquelas que consistem em realizar uma conduta de outra ordem. não pode pedir de volta a prestação cumprida espontaneamente. o que é expressamente vedado (809º). então não pode repetir. Efectivamente. Por sua vez. Só será obrigação natural quando a lei o disser. porém. tem utilidade distinguir entre prestação de coisa presente e prestação de coisa futura. em tudo o que não se relacione com a realização coactiva da prestação salvo as excepções do 404º. Se o devedor. As prestações de facto positivo são aquelas em que a prestação tem por objecto uma acção e as de facto negativo aquelas em que a prestação tem por objecto uma omissão do devedor. Hoje em dia. os bens futuros podem ser objecto de compra e venda (880º). O direito prescreve e extingue a obrigação civil que se transforma em obrigação natural (prescrição: 20 anos). A lei exige que as obrigações correspondam a um interesse digno de protecção legal. 1245º . mas já podemos aplicar o regime da dação em cumprimento. Mas se o jogo não é regulamentado. gera obrigação natural. 399º admita genericamente a prestação de coisa futura. ainda uma distinção consoante a omissão que é objecto corresponde a . a obrigação natural não constitui uma verdadeira obrigação jurídica. Existem algumas restrições à constituição de obrigações sobre coisas futuras uma vez que. A ganha o euromilhões. Estas admitem. não possuindo autonomia própria ou não se encontrando na disponibilidade do sujeito. mas é licito. As partes não podem renunciar previamente à tutela legal. compensação. 817º e ss ou o regime da prescrição. novação. Ex: A é credor de B. As obrigações naturais são obrigações jurídicas (SANTOS JUNIOR) porque estão prevista no CC. estando munidas de uma garantia rudimentar. As obrigações civis ( 817º) são aquelas cujo cumprimento é judicialmente exigível. Se o jogo é regulamentado. as obrigações naturais não se podem extinguir por prescrição. na medida em que nela não existe um vínculo jurídico por virtude do qual uma pessoa fica adstrita para com outra à realização da prestação (397º). refere logo. Só podem renunciar postumamente (209º).As obrigações naturais não podem ser convencionadas livremente pelas partes no exercício da sua autonomia privada. porém. As obrigações naturais não podem ser criadas pelas partes. A lei manda aplicar às obrigações naturais o regime das obrigações civis. como na hipótese de alguém se obrigar a cuidar de um jardim (1154º). Ex: Art. é devido. apesar de não ser exigível.

207º . Art. . porque o credor fica igualmente satisfeito. Ex: O prédio de A não é totalmente encravado. Admite-se. interessado ou não no cumprimento da obrigação. mas de uma obrigação de pati. a substituição do devedor no cumprimento já não é possível. a conduta do devedor aparece destinada à produção de efeitos jurídicos. regra geral. são aquelas em só o devedor pode realizar a prestação.a fungibilidade significa a capacidade de substituição. refere os casos em que a prestação é infungível. 767º nº2 para as infungíveis). Admite-se. É ainda possível relativamente às prestações de facto. estabelecer uma subdistinção entre prestações de facto material e prestações de facto jurídico. O art 767º/1. uma vez que nelas a impossibilidade relativa à pessoa do devedor (o pintor fica sem a mão direita) acarreta mesmo a extinção da obrigação. 767º nº1 para as prestações fungíveis e art. o art. podendo assim este fazer-se substituir no cumprimento. As partes também podem convencionar a infungibilidade da prestação (art. mas a prestação ser fungível. sem prejuízo para o seu interesse. pelo que a lei não admite a execução específica da obrigação. mas este combina com B. ela é fungível. passar pelo seu terreno pois dá-lhe mais jeito.não realizar determinada conduta (non facere) ou antes a tolerar/suportar a realização de uma conduta por outrem (pati). Obrigações de pati: obrigação de suportar uma actuação. as prestações são fungíveis. 767/2. às custas do devedor. se a prestação é fungível. Mas. A coisa pode ser infungível. Já a prestação é infungível quando a substituição do devedor prejudica o credor. Pelo contrário. em virtude de não ser admitida a sua substituição no cumprimento (791º). por isso. não sendo permitida a realização por terceiro. Prestação fungível: (767º) quando a prestação é fungível ela pode ser realizada tanto pelo devedor como por terceiro. Nas segundas. sendo assim esse resultado jurídico incluído na prestação (ex: celebrar ou não determinado contrato). as obrigações infungíveis estão sujeitas a um regime específico em caso de impossibilidade de prestação.: realizar uma determinada obra). porém. mas ele manda o pintor B (com menos renome) para cumprir o contrato. Para além disso. Não estamos perante uma servidão legal de passagem. em alguns casos a aplicação de uma sanção pecuniária compulsória. Desta norma resulta que. este fica igualmente satisfeito casa seja ou a fazer a entrega ou Bento. Ex: eu contrato com o pintor A para fazer o meu retrato. que visa precisamente coagir o devedor a cumprir a obrigação (829º A). Por exemplo: Se eu peço a Bento para entregar o livro a António. Prestações fungíveis e prestações infungíveis: as prestações fungíveis são aquelas em que a prestação pode ser realizada por outrem que não o devedor. Nas primeiras. obter a realização da prestação de qualquer pessoa e não apenas do devedor. Se a prestação é infungível. não destinada à produção de efeitos jurídicos (ex. as prestações infungíveis. que o credor requeira ao Tribunal que determine a realização da prestação por outra pessoa. Por exemplo. o credor pode. determina que a prestação pode ser realizada por terceiro. Efectivamente. se eu me obrigo a entregar uma garrafa de vinho do porto de 2011. a conduta que o devedor se compromete a realizar é uma conduta puramente material.

a realizar sucessivamente. 828º . durante o qual a prestação deve ser continuada ou repetida. 1031. Há possibilidade de execução especifica do contrato promessa. Pode acontecer que a prestação seja infungível e não há execução especifica.º). Em principio. 827º e ss). . nos contratos de execução continuada ou periódica. Pode. apenas no modo de realização. Prestações instantâneas: aquelas cuja execução ocorre num momento único (entrega da coisa no contrato de compra e venda).º.pode requerer A que a pintura da casa seja feita por outro pintor. 882. pelo preço X o prédio H. Nas fraccionadas está-se perante uma única obrigação cujo objecto é dividido em fracções. . Tal não acontece se a prestação for fungível. Prestações duradouras: o essencial é que a sua realização dependa sempre do decurso de um período temporal. Será instantânea quando se esgota num único acto ou pode ser fraccionada quando é realizada ao longo do tempo e o tempo não influi no regime da prestação. O seu conteúdo e extensão não são delimitados em função do tempo. . n. o que é realizado através do acordo prévio das partes fixando um limite temporal ao contrato ou através da denúncia do contrato. à custa do devedor.º b) – ou o fornecimento de electricidade). Na venda a prestações o regime da obrigação decide-se logo no inicio.Integrais: são realizadas de uma só vez (entrega da coisa pelo vendedor –art.Continuada: a prestação não sofre qualquer interrupção (a prestação do locador – art.º). Se a prestação for infungível. no entanto.º1). a ele lhe é impossível e a obrigação extingue-se. Se a resolução do contrato tem normalmente efeito retroactivo (art. este é extinto. A lei tem de assegurar uma delimitação temporal aos contratos de execução duradoura. 434. a não ser que entre elas e a causa de resolução exista um vinculo que legitime a resolução de todas elas (art. só pode haver execução especifica se a prestação for fungível.Fraccionadas: aquelas em que o montante global é dividido em várias fracções. mas supervenientemente há impossibilidade não imputável ao devedor. No dia da escritura eu não apareço. com vencimentos intervalados.ºº. A sanção pecuniária compulsória aplica-se nas prestações de facto infungível. pelo contrário. 434. .Periódica: a prestação é sucessivamente repetida em certos períodos de tempo (o pagamento da renda pelo locatório – art. n.Há execução especifica quando por via judicial o credor obtém o mesmo bem que obteria se devedor tivesse cumprido (art. A intenta acção de execução especifica e a sentença do tribunal vale como a declaração do faltoso. ela não abrange as prestações já executadas.º2). havendo definição prévia do montante global e o decurso do tempo não influindo no conteúdo e extensão da prestação. 432º : se ocorrer um dos casos que resolve o contrato. . Eu prometo vender a A. 791º . haver um meio compulsório (829º-A). 1038. Há obrigação resultante de negócio jurídico. Art. O que temos aqui é uma pluralidade de obrigações distintas emergentes de um único vínculo fundamental que sucessivamente as origina.impossibilidade não imputável ao devedor.

mas não se obriga ao resultado. nas prestações de meios não é suficiente a não verificação do resultado para responsabilizar o devedor. O facto de o decurso do tempo determinar o conteúdo da obrigação e não apenas o momento em que esta deve ser realizada é assim o que distingue as prestações duradouras das instantâneas. respondendo por incumprimento se esse resultado não fosse obtido. 1201. 1140. 342/2. Assim. Será duradoura quando é realizada ao longo do tempo e o tempo influi no regime da prestação.Finalmente. Pelo contrário. o não atingir o resultado não implica o não cumprimento. mas apenas a actuar com a diligência necessária para que esse resultado seja obtido.º. Na obrigação de meios obriga-se a tomar todas as diligências com vista ao resultado.º. 1002. bastaria ao credor demonstrar a não verificação do resultado para estabelecer o incumprimento do devedor. mas tem de ser sempre determinável. havendo que demonstrar que a sua conduta não correspondeu à diligência a que se tinha vinculado (398º/2. Para Santos Júnior. Nas prestações de meios. Prestações de resultado e prestações de meios: Nas prestações de resultado. 1150. 799º). quanto ao objecto. . se alguma parte lesar a confiança da outra mesmo que não cumprindo uma prestação recíproca.º. com fundamento em justa causa (arts. 342º e ss (prova) : “ao autor compete provar”. Nos termos do art 539º a regra é a de que a escolha cabe ao devedor. 1194. Obrigações determinadas vs indeterminadas: pode a obrigação. os contratos de execução duradoura caracterizam-se por neles vigorarem com maior intensidade os deveres de boa fé. o não pagamento gera quase uma presunção de incumprimento. Art. a distinção não altera as regras do ónus da prova. Ex: Devedor devia pagar e não pagou. Nas prestações de resultado. mas não se obriga à cura da doença. Alteração das circunstâncias: (437º) as partes celebram os contratos e ficam vinculadas perante eles (406º/1). São situações anómalas que tornam o contrato desprovido de interesse para uma das partes. não estar determinada. referindo o art 542º as hipóteses excepcionais de a escolha caber ao credor ou a terceiro. a obrigação específica é aquela em que tanto o género como os espécimes da prestação se encontram determinados. Pelo contrário. Como é uma obrigação de resultado.º). As obrigações genéricas: O art 539º define as obrigações genéricas como aquelas em que o objecto da prestação se encontra apenas determinado quanto ao género. o devedor vincular-se-ia efectivamente a obter um resultado determinado. O interesse da distinção. Num contrato de execução duradoura não há retroactividade. resulta na forma de estabelecimento do ónus da prova. ela tenha o direito de resolução do contrato. Um exemplo de uma obrigação de meios é o caso do médico que se obriga a tratar do doente. Mas pode acontecer que se alterem as circunstâncias. Mas numa obrigação de meios. o devedor não estaria obrigado à obtenção do resultado.º.

Tal só não sucederá se tiver perdido a possibilidade material de o fazer ou se a escolha tiver sido aceite. que se caracterizam por existirem duas ou mais prestações de natureza diferente. já não seria obrigação genérica. Ex: Se eu me obrigo a entregar 500 garrafas de bordeus 2011. referendo o art. o que significa que as partes por acordo modificaram a obrigação.basta o titulo para transmitir a propriedade (408º/1). a concentração apenas ocorre quando o devedor realiza a entrega da coisa. a transmissão da propriedade ocorre no momento da concentração da obrigação. quando a obrigação passa de genérica a específica. 540º: no caso de a escolha competir ao devedor. Diferentemente se passam as coisas quando a escolha compete ao credor ou a terceiro. quando a escolha compete ao devedor. a concentração da obrigação genérica. a concentração ocorre quando a escolha é comunicada às partes. o credor incorre em mora e inverte-se o risco. E só no momento da determinação é que se transfere a propriedade e é também nesse momento que se transfere o risco. desde que declarada respectivamente ao devedor ou a ambas as partes. passa a ser irrevogável. pode referir-se apenas a um género de coisas. Consequentemente. 542º que. A determinação passa sempre pela escolha dos espécimes. uma vez realizada pelo credor ou pelo terceiro. 797º: as partes podem estipular uma divida de promessa ou de envio. mas convencionaram que a divida era de envio. mas em que o devedor se exonera com a mera realização de uma delas que. a escolha cabe ao devedor (qualidade média – art. não se exigindo que essa concentração seja conhecida de ambas as partes (408º/2). no entanto. podendo até lá o devedor revogar escolhas que anteriormente tenha realizado. a escolha couber ao credor e este não a fizer dentro do prazo estabelecido ou daquele que para o efeito lhe for fixado pelo devedor. Contratos reais quoad effectum. a obrigação seria genérica. Se. Mas quando é que ocorre a concentração da obrigação? No nosso direito. vier a ser designada (543º). Se a escolha competir ao credor ou a terceiro. Aquela em que a prestação apenas estaria determinada quanto ao género (para Santos Júnior não é bem assim). apenas se dá no momento do cumprimento. As obrigações alternativas: As obrigações alternativas consistem também em modalidades de prestações indeterminadas. a escolha pelo credor ou pelo terceiro concentra imediatamente a obrigação. é a este que a escolha passa a competir (542º/2).Efectivamente. ainda que o credor não tenha recebido a prestação. esta perda corre por conta do comprador. a nossa lei adopta plenamente a teoria da escolha. 400º e boa fé). No caso das obrigações genéricas. a escolha passa para o devedor. 541º: “uma das coisas” pode não corresponder a uma unidade. Ex: A contrata com B e obriga-se a vender x toneladas de trigo. salvo disposição em contrário. Nesses casos. Mas se fossem as 500 garrafas que estão em cima daquela mesa. Á falta de determinação em contrário. transformando-a em específica (540º e 541º). por escolha. Se houver perda da coisa. a escolha . 408º/2: pressupõe-se que se trate de coisa corpórea determinada. O devedor exonera-se quando entrega a coisa ao primeiro transportador. Se o credor não escolhe quando deveria. Ex: O credor recusou-se a receber as garrafas (813º) sem motivo justificado.

ainda que sob critérios diferentes. Se. mas pode também competir ao credor ou a terceiro (549º). A impossibilidade casual. que determina a prestação devida (art 543º e art 548º). que é aquela que não é imputável a nenhuma das partes. Por esse motivo. ou resolver o contrato nos termos gerais. uma vez que ele só pode escolher entre duas prestações possíveis e não entre uma prestação e uma indemnização. temos de ver se essa impossibilidade é ou não imputável a uma das partes. o credor pode fazer a escolha. O devedor está em incumprimento e o credor pode recorrer aos títulos executivos (ex: sentença). alguma das partes não realizar a escolha no devido tempo. A escolha terá de ser comunicada. apesar de existirem duas ou mais prestações. Assim. deve passar a ser o credor que escolherá entre exigir a prestação possível. Pode acontecer que ao devedor compete a escolha (548º). ou exigir indemnização pelos danos de não ter sido realizada a prestação que se tornou impossível. não escolhendo o devedor quando o deveria fazer. Na falta de determinação. considera-se a obrigação como cumprida. Se não o for. uma vez que a prestação ainda está indeterminada. pelo que o risco pelo perecimento casual de alguma das prestações corre por conta do devedor. porém. aplica-se a situação o disposto no art 547º. a escolha limita-se às prestações possíveis. uma vez que. por força da remissão do art 549º para o art. a propriedade sobre qualquer dos objectos da obrigação alternativa ainda não se transmitiu para o credor. Se a escolha competir ao credor. e depois de ter o titulo executivo. a designação do devedor. É. A escolha é igualmente irrevogável quando compete ao credor ou a terceiro. a escolha compete ao devedor. ele só se exonera efectuando a prestação escolhida. A vende a B um automóvel por 40 000 $ ou um quadro. o devedor tem apenas uma obrigação. portanto. Se a escolha pertencer ao devedor. por não ter ocorrido a escolha. 542º. o terceiro perde a faculdade de realizar a escolha. e o credor apenas um direito de crédito. Se houver (545 a 548º) impossibilidade da prestação antes da escolha. mas ele não a faz. tem de ter antes de executar. 546º). Se a impossibilidade for imputável ao credor. a determinação da prestação só ocorrerá no momento do cumprimento? A resposta deverá ser negativa ( 408º/2). Se a escolha pertencer a terceiro e a impossibilidade for imputável ao credor. ele deve efectuar uma das prestações possíveis. Quando a obrigação se torna impossível. Não é.pertence ao devedor (543º/2).por isso. exigindo simultaneamente uma indemnização (art 547º). Se a escolha pertence ao credor. deverá passar a ser o devedor a escolher entre considerar cumprida a obrigação ou realizar outra prestação. O art 546º refere o caso de a impossibilidade ser imputável ao devedor. vem referida no art. se a escolha pertencer a terceiro e a impossibilidade for imputável ao devedor. Quando a escolha compete ao devedor. a obrigação também se considera como cumprida. Neste caso. Se o credor não tiver um titulo executivo. se a escolha lhe competir. desde que conhecida da outra parte. 545º. permitida ao devedor a posterior revogação da escolha efectuada. Nesse caso. a lei prevê a devolução dessa faculdade à outra parte (542º/2 ex vi do art 549º e art 548º). após a realização da escolha. ele pode exigir uma das prestações possíveis. a indemnização ou resolução do contrato (art. O credor já em execução. a menos que o devedor prefira realizar outra prestação e ser indemnizado dos danos de que haja sofrido. .

aplica-se a disposição supletiva que diz que o devedor poderá pagar em moeda com curso legal no país.º ao prever que o cumprimento das obrigações pecuniárias se faz pelo valor nominal da moeda no momento do cumprimento). o prof Menezes Cordeiro diz que o terceiro deixa de ter faculdade de escolha (aplicação analógica dos arts.se nada for dito.Se a impossibilidade for imputável ao devedor. mas concede-se ao devedor a faculdade de se exonerar (558º) e oferecer uma prestação facultativa. deve efectuar uma das prestações possíveis.Obrigação em valor de uma espécie monetária: se for estipulado um quantitativo expresso em moeda corrente. desde que ela exista. considera-se que a obrigação tem que ser efectuada na espécie monetária estipulada. A lei resolve este problema. . dando preferência ao valor nominal da moeda para efeitos do cumprimento (art. É uma obrigação mista porque está entre a valutária pura e a impura. 546º. 541. Daí que nas obrigações pecuniárias seja impossível a extinção do género referida no art.Obrigação em certa espécie monetária: se for estipulado um quantitativo expresso em moeda corrente. a estipulação do pagamento em moeda específica. Obrigação de faculdade alternativa: é uma obrigação determinada. 2º parte ou art. 553. ainda que tenha variado de valor após a data em que a obrigação foi constituída (art. Obrigações em moeda específica: Correspondem a situações em que a ob.Princípio do nominalismo monetário: Em. No caso de a impossibilidade da prestação ser imputável a uma das partes.º. subsiste o género acordado para o pagamento. .º) . 547º. mas a escolha caber a terceiro. Se cabia ao devedor. ou resolver o contrato (547º). EX: A vende a B um carro por 40 000 dólares. períodos de inflação ou deflação.Princípio do curso legal: Resulta daqui que a obrigação pecuniária de quantidade tem sempre por objecto uma quantia de unidades monetárias. pedir indemnização. Se a escolha pertencer ao credor. 2º parte). mas B pode pagar 39 000 euros (segundo o câmbio). Obrigações de quantidade: têm por objecto uma quantidade de moeda com curso legal no país (550º). pecuniária é convencionalmente limitada a espécies metálicas ou ao valor delas. O risco de desvalorização da moeda é suportado pelo credor. afastando-se assim por via contratual a possibilidade do pagamento em notas. 550. não ficando o devedor libertado pelo facto de não possuir dinheiro para efectuar o pagamento. devendo o cumprimento ser realizado com espécies que tenham curso legal. o valor de troca da moeda pode sofrer alterações entre o momento de constituição da obrigação e o momento do cumprimento. este pode escolher uma das prestações possíveis. Ele tinha uma faculdade alternativa. . é considerada apenas . dado que enquanto houver moeda com curso legal. temos de ter em conta a quem cabia a escolha. levando a que a entrega das espécies monetárias já não tenha correspondência com o valor de troca que a moeda possuía no momento da constituição da obrigação. 558º.

n.º1 que remete a fixação da taxa para diploma avulso. produzidos periodicamente em virtude de uma relação jurídica. correspondente ao preço do empréstimo do dinheiro. 559.º2).º). 554. sendo.°. a lei caracteriza os juros como frutos civis (art. o crédito de juros adquire autonomia em relação ao crédito de capital. caso o façam.Juros legais: encontram-se no art. a fixação dos juros nesses montantes máximos. 559.°. Os juros representam assim uma prestação devida como consequência ou indemnização pela privação temporária de uma quantidade de coisas fungíveis denominada capital e pelo risco de reembolso desta. a partir do momento em que se constitui. 212. .º1). 558. n. comunhão conjugal. em derrogação ao art. que ele não deveria ter suportado (arts. a lei determina. . As partes estão impedidas de estipular juros que ultrapassem esses limites e. Obrigações em moeda estrangeira: As obrigações em moeda estrangeira ou obrigações valutárias são aquelas em que a prestação é estipulada em relação a espécies monetárias que têm curso legal apenas no estrangeiro. . não podendo o credor exigir o pagamento em moeda nacional nem o devedor entregar esta moeda.Obrigações valutárias próprias ou puras: verifica-se que o próprio cumprimento da obrigação só pode ser realizado em moeda estrangeira. . Se o credor entrar em mora. Obrigações de juros: pressupõe assim uma obrigação de capital.º. São duas obrigações distintas. . o devedor tem ainda a opção de realizar o cumprimento de acordo com o câmbio da data em que a mora se deu (art. mas admitir-se a possibilidade de o devedor realizar o pagamento na moeda nacional com base no câmbio da data de cumprimento (obrigação com faculdade alternativa). A obrigação de juros aparece como uma obrigação que se constitui tendo como referência uma outra obrigação e constitui economicamente um rendimento desse mesmo capital. exigindo uma remuneração por essa cedência (art.º2) uma vez que são frutos das coisas fungíveis. Obrigações de mão comum: ex: compropriedade. podendo qualquer deles ser cedido ou extinguir-se sem o outro (art.º.º) .Juros compensatórios: destinam-se a proporcionar ao credor um pagamento que compense uma temporária privação de capital. já que. n.como pretendendo estabelecer uma vinculação ao valor corrente que a moeda ou moedas do metal escolhido tinham à data da estipulação (art.º e 1167. n.º1 que remete a fixação da taxa para diploma avulso. Por esse motivo. 292. a quantidade de moeda nacional devida.º). uma prestação duradoura periódica. . sem a qual não se pode constituir e tem o seu conteúdo e extensão delimitados em função do tempo. por isso. 1145. 561. através do câmbio de determinada data.Juros remuneratórios: têm uma finalidade remuneratória. . ainda que tivesse sido outra a vontade das contraentes (1146º e 559º-A). O credor priva-se do capital por tê-lo cedido ao devedor por meio de mútuo.º.Obrigação valutária mista: consiste na situação de ser estipulado o cumprimento em espécies monetárias que possuem curso legal apenas no estrangeiro.º.Obrigações valutárias impróprias: a estipulação da moeda estrangeira funciona apenas como unidade de referência para determinar. 480.Juros legais: encontram-se no art. n.

Neste caso. As obrigações conjuntas ou parciárias: cada um dos devedores só está vinculado a prestar ao credor ou credores a sua parte na prestação e cada um dos credores só pode exigir do devedor ou devedores a parte que lhe cabe. D poderá exigir de A não apenas a sua parte mas a totalidade. E e F a entregar 900$. o devedor que realizou a prestação tem o direito de regresso sobre os outros devedores pela parte que a estes compete e o credor que recebeu a prestação está obrigado a entregar aos restantes credores a parte que a estes compete.º). As obrigações plurais geralmente correspondem a obrigações conjuntas (534º CC).Solidariedade activa: qualquer um dos credores poder exigir do devedor a prestação integral. 512. adquirindo depois aquele devedor um direito de regresso sobre os outros devedores para exigir a parte que lhes compete na obrigação (art. 512. sob pena de ser nulo o negócio jurídico de que resulta a obrigação. embora deva ser determinável.D→CCC. pelo que a realização integral da prestação por um dos devedores a um dos credores libera todos os devedores em relação a todos os credores.DDD→C ou uma vinculação de uma pessoa para com outras – pluralidade activa . 806. A indeterminação do credor na relação obrigacional: o art 511.º).º).º). 524.Solidariedade mista: qualquer um dos credores pode exigir a qualquer um dos devedores a prestação devida por todos os credores. . .º vem-nos referir que o credor pode não ficar determinado no momento em que a obrigação é constituída. Uma das regras importantes relativas à obrigação de juros é a proibição do anatocismo. . o incumprimento da obrigação).Solidariedade passiva: Qualquer um dos devedores está obrigado perante o credor a realizar a prestação integral. o devedor é obrigatoriamente determinado logo no momento em que a obrigação é constituída. A realização integral da prestação por dos credores libera o devedor no confronto com todos os credores (art. ou seja. Concorrem simultaneamente as duas situações.da cobrança de juros sobre juros.Juros indemnizatórios: destinam-se a indemnizar os danos sofridos por outro facto praticado pelo devedor (maxime. uma vez que essa cobrança poderia ser forma de indirectamente violar a proibição da cobrança de juros usuários. Exemplo: A obrigou-se perante D. Obrigações solidárias (512º e ss): . embora o credor que recebeu mais do que lhe compete esteja obrigado a satisfazer aos outros a parte que lhes cabe no crédito comum (art.. . visando recompensar o credor pelos prejuízos sofridos em função da mora (art.Juros moratórios: têm natureza indemnizatória de danos causados pela mora. Cada credor só pode exigir a sua parte ao devedor e este só tem de cumprir a sua parte. No entanto. ficando depois obrigado a entregar 300$ a E e 300 a F. A realização da prestação integral por um dos devedores libera todos os outros devedores em relação ao credor (art. A pluralidade de partes na relação obrigacional: a obrigação pode constituir-se abrangendo uma vinculação de várias pessoas para com outra – pluralidade passiva .º). 533.

que se pode exercer integralmente contra qualquer um dos devedores (art. 510º CC. No entanto. 533º) a quota parte que cabe aos restantes credores.º. n. Na solidariedade activa. 513. por cumprimento. pela parte que a estes compete (art. 524. consignação em depósito ou compensação.º). Já se a prestação vier a ser não cumprida por facto imputável a um dos devedores.º).. em relação ao credor. tem direito de regresso (524º). 518. Nos termos do art. a solidariedade caracteriza-se pelo facto de a satisfação do direito do credor. n. 527. Temos 3 credores. O regime da solidariedade passiva: No âmbito das relações externas. o pagamento da totalidade da prestação. optar por demandar conjuntamente todos os devedores. directamente. mas o devedor tem de aceitar esse perdão.º). O credor pode. n.º é a de que a solidariedade de devedores ou credores só existe quando resulte da lei ou da vontade das partes. O credor deixa de poder exigir a B. a solidariedade caracteriza-se pelo facto de o devedor que satisfizer a prestação acima da parte que lhe competir adquirir um direito de regresso sobre os outros devedores. caso em que renuncia à solidariedade (art. Esse benefício de repartição deixa de aproveitar ao credor de regresso. 520. 523. Remissão: (863º) o credor perdoa a divida. Nas obrigações solidárias (864º).º. 517. caso em que conserva o direito à prestação por inteiro sobre os restantes (art.º2). se foi por negligência sua que não lhe foi possível cobrar a parte do seu condevedor na obrigação solidária (art. O credor que recebeu a totalidade terá de entregar (528º e ss.º1 e 519. o devedor que pagou não suporta integralmente o risco de insolvência ou de impossibilidade subjectiva de cumprimento de cada um dos devedores.A regra consagrada no art. É ainda admitida a possibilidade de o credor renunciar à solidariedade apenas a favor de algum dos devedores. já que a lei prevê que nesses casos a quota-parte do devedor que não cumpra é dividida pelos restantes. novação. Na solidariedade passiva. o credor pode pedir a totalidade da prestação a qualquer dos devedores.º).º1). qualquer devedor pode realizar a totalidade da prestação a um dos credores. a solidariedade caracteriza-se por uma maior eficácia do seu direito. 526.º). Mas os devedores a quem foi pedida a totalidade da prestação têm direito de regresso sobre B. mesmo que desencadeada apenas por um dos devedores. 512. Confusão: quando se reúne na mesma pessoa as qualidades de credor e devedor. n. Nas relações entre os devedores.º. considerando-se exonerado. pagando a totalidade. vir invocar o benefício da divisão (art. uma vez demandados pela totalidade da dívida. exonerar igualmente os restantes (art. . 526. tendo assim que satisfazer a prestação integral. não podendo estes.º. Os outros credores. todos eles são responsáveis pelo seu valor. podem pedir os 600 ao devedor (864º nº3).º). no entanto. o credor pode perdoar a divida a B. incluindo o credor de regresso e os devedores que pelo credor hajam sido exonerados da obrigação ou do vínculo de solidariedade (art.º1). Em relação aos devedores. mas só o devedor ou os devedores a quem o facto é imputável respondem pelos danos acima desse valor (art. O credor A permite a divida em relação ao devedor B. mas diz que reserva o seu direito quanto aos outros devedores.

só de todos eles pode o credor exigir o cumprimento da obrigação. o devedor. n. inovação. B e C comprometem-se a entregar um automóvel a D.º). (538º nº1). Se A e B se comprometem a fazer uma casa. uma vez demandado. Este regime significa que a citação judicial do devedor por um dos credores transforma a obrigação conjunta em solidária.º. 790. As obrigações plurais indivisíveis: Neste sede. 537. que incidirem sobre a totalidade da dívida. n.º. sendo admitido um acréscimo da responsabilidade dos restantes obrigados. 535º a 538º.º). o credor pode exigir a prestação a um dos devedores. a lei refere que qualquer deles tem o direito de exigir a prestação por inteiro. Por exemplo: A. uma vez que se apenas um dos devedores impossibilita a prestação (destrói culposamente o automóvel). .535. a impossibilidade deriva de uma causa que lhes não é imputável. O regime compreende-se. pelo que deverão ver extinta a sua obrigação (art. Caso contrário. n.º. uma vez que isso destruiria o objecto da prestação.º1). o credor não pode exigir apenas de um deles a realização de uma parte da prestação. Em relação aos outros. só ele deverá ser sujeito à indemnização por impossibilidade culposa (art. Se a dívida se extinguir apenas em relação a um dos credores (por ex: 864. a solidariedade activa caracteriza-se pelo facto de o credor cujo direito foi satisfeito além da parte que lhe competia na relação ter a obrigação de satisfazer aos outros a parte que lhes cabe no crédito comum (art. só aos três poderá exigir a prestação. desde que seja previamente compensado por uma contraprestação de entrega do valor da parte do devedor ou devedores exonerados. exonerando igualmente o devedor perante os restantes (art.º. dação em cumprimento. mas não pode utilizar meios de defesa que respeitem exclusivamente a outros credores (art. 533. Questão da impossibilidade da prestação por facto imputável a algum ou alguns dos devedores. como a impossibilidade objectiva da prestação (art. n. enquanto não for judicialmente citado. Nas relações entre os credores. Nos termos dos arts.º. apesar da referida indivisibilidade da prestação. Assim. dá se uma extinção parcial do crédito limitada à parte daquele credor. mas o credor solidário é obrigado a indemnizar pelos restantes credores (art.º). 529.º3 ou 869. n. Outras causas de extinção da obrigação. 801. ou esta resultar da lei». mas que o devedor. a lei dispõe que os outros ficam exonerados (art. fica o devedor exonerado. Em relação aos meios de defesa.º2). 532. só relativamente a todos os credores em conjunto se pode exonerar (art.º2).º). 514. pode opor ao credor solidário os meios de defesa que lhe respeitem e os que são comuns aos outros credores. há um credor e 3 devedores.º) exoneram naturalmente o devedor perante todos os credores. Neste caso. que dispõe: «se a prestação for indivisível e vários os devedores.º2). Se for estipulada solidariedade.º. 538. a solidariedade caracteriza-se pelo facto de a satisfação do direito de um dos credores. Se a impossibilidade da prestação for imputável a um dos credores. Se tiver sido estipulada a solidariedade já será permitido a D exigir apenas de A a entrega do automóvel.º). rege o disposto no art. salvo se tiver sido estipulada a solidariedade. consignação em depósito ou compensação. a obrigação é indivisível. o facto de ela se extinguir em relação a algum ou alguns dos devedores não acarreta necessariamente a sua extinção integral. Se a obrigação for indivisível com pluralidade de credores.O regime da solidariedade activa: em relação ao devedor. por cumprimento. 790.

535º. A cláusula de reserva de propriedade: vem referida no art 409º. a impossibilitação de uma das prestações extingue o contrato e determina a restituição da outra (795º/1). Nos contratos sinalagmáticos. quando ambas as atribuições patrimoniais se apresentem como certas e diz-se aleatório quando. o contrato possui apenas duas partes. há extinção em relação apenas a um dos devedores. ficando assim ambas simultaneamente na posição de credores e devedores. mas antes o titular de um interesse. por acordo entre vendedor e comprador. não uma pessoa. até ao cumprimento total ou parcial das obrigações da outra parte. definindo-se esta como a cláusula acessória do negócio jurídico que determina a subordinação dos seus efeitos a um acontecimento futuro e incerto (270º). uma vez que a exclusão deste direito pelo art. Leitão. pelo menos. A função desse acordo não é permitir ao vendedor a continuação do gozo sobre o bem. a transmissão da propriedade fique diferida para o momento do pagamento integral do preço. M. 536º. podendo ser definida como a convenção pela qual o alienante reserva para si a propriedade da coisa. ou até à verificação de qualquer outro evento (409º/1). 886º só se verifica se tiver ocorrido a transmissão da propriedade da coisa. 801º/2. A cl. é designado de negócio jurídico bilateral. ou não originem essas obrigações.Nos termos do art. de reserva de propriedade implica que. no entanto. Para o Prof. Os contratos consensuais são aqueles em que a entrega da coisa é dispensada – dá-se por mero consenso negocial. Em caso de incumprimento por parte do comprador. uma das . 536 (por analogia). e por isso. a reserva de propriedade não pode ser qualificada como uma condição. mas apenas defender o vendedor de eventuais consequências do incumprimento do comprador. O credor pode exigir a prestação aos restantes (arts. Secção II – FONTES DAS OBRIGAÇÕES BASEADAS NO PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA O Contrato : Normalmente. Classificação dos contratos entre sinalagmáticos e não sinalagmáticos: Os contratos são denominados sinalagmáticos ou não sinalagmáticos consoante originem obrigações recíprocas para ambas as partes. cada uma das partes pode recusar a sua prestação enquanto a outra não efectuar a que lhe cabe ou não oferecer o cumprimento simultâneo (428º). O contrato diz-se comutativo. Classificação dos contratos entre comutativos e aleatórios: Esta classificação é restrita aos contratos onerosos uma vez que toma sempre por base a possibilidade de existência de atribuições patrimoniais. o que poderia implicar que duas ou mais pessoas constituíssem uma única parte. 865º nº2 (há extinção em relação a um dos credores). Os contratos quoad constitutionem são aqueles para cuja celebração se exige a tradição ou entrega da coisa de que são objecto. quando tivessem interesses comuns. 865º nº1. 570º nº2). o contraente fiel pode resolver o contrato se a outra parte incumprir a sua obrigação (801º/2). o vendedor continua a poder resolver o contrato nos termos do art. 538º. Entende-se por parte.

por outro lado. No contrato misto.atribuições patrimoniais se apresente como incerta. sustentar que o conflito entre os regimes contratuais não deve ser resolvido pela opção a favor de um deles. os dois contratos apresentam-se ligados entre si por uma relação de dependência. unidos entre si. Para o Prof. a lei não deixou de sujeitar. Contratos mistos: Denomina-se de contrato misto aquele que reúne em si regras de dois contratos total ou parcialmente típicos. o que corresponde à teoria da absorção. não for possível estabelecer essa preponderância. mas antes se deve realizar uma aplicação combinada dos dois regimes. Na união interna. Finalmente. A união dos contratos: Dos contratos mistos deve ser distinguida a figura da união de contratos. o qual absorveria as regulações respeitantes aos outros tipos contratuais. É o que se denomina de princípio da equiparação. mesmo que o contrato definitivo tenha eficácia real. A verificação da condição implica assim a produção de efeitos de um dos contratos. deve ser aplicado essencialmente o regime desse contrato. A teoria da combinação vem. Efectua-se uma extensão do regime do contrato definitivo ao . Estamos assim perante um contrato preliminar de outro contrato que. o que corresponde à teoria da combinação. Destas soluções extrai-se um critério geral. pelo contrário. A teoria da absorção vem defender que o conflito de regimes contratuais suscitado pelos contratos mistos deve ser resolvido pela opção a favor de um único regime contratual. ainda que se recolham elementos de vários tipos contratuais. as partes declaram pretender ou um ou outro contrato. uma vez que se caracteriza normalmente por ter eficácia meramente obrigacional. quer quanto à sua existência. se designa de contrato definitivo. Assim. Na união de contratos. o contrato-promessa ao mesmo regime do contrato definitivo (410º/1). Nos contratos mistos coloca-se com muita frequência a questão da determinação pelo qual o regime que lhes deva ser aplicado. por sua vez. assumindo-se dessa forma como um contrato atípico. existe um único contrato. o contrato-promessa é a convenção pela qual alguém (uma parte ou duas) se obriga a celebrar novo contrato. Se. Menezes Leitão a alternativa colocar-se-á entre as teorias da absorção e da combinação. a solução já deve ser ates a aplicação simultânea dos dois regimes. sempre que na economia do contrato misto. quer quanto ao seu conteúdo. no entanto. uma convenção autónoma deste. 410º/1. porém. na união alternativa. ao mesmo tempo que se exclui a produção de efeitos do outro. Constitui. já que as partes não estabeleceram qualquer nexo de dependência entre os diversos contratos. pelo contrário. já que esses elementos se dissolvem para formar um contrato único. os elementos pertencentes a um dos contratos assumirem preponderância. O contrato-promessa: De acordo com o art. consoante ocorrer ou não a verificação de determinada condição. já que na altura da sua celebração uma das partes estabeleceu que não aceitaria celebrar um dos contratos sem o outro (ex: alguém só compra computador se lhe oferecerem impressora). em princípio. verificando-se antes a celebração conjunta de diversos contratos. Fala-se em união externa quando a ligação entre os diversos contratos resulta apenas da circunstância de serem celebrados ao mesmo tempo. essa dissolução não ocorre. Apesar da autonomia entre os dois contratos.

 Relativamente à forma. Daqui resulta que a referida invalidade não pode ser invocada por terceiros. no entanto. findo o qual este caducará (411º). pelo que. Em qualquer caso. o que sucede sempre que a outra parte assuma a obrigação de pagar ao promitente determinada quantia como contrapartida pelo facto de se manter durante certo tempo vinculado à celebração de um contrato (preço de imobilização). considerando-se. que nos refere que quando a lei exige um documento. se assim é no contrato-promessa unilateral. o que permite que ao contrato-promessa seja atribuída uma forma menos solene do que a que seria exigida para o contrato definitivo. consensualidade). Caso estes requisitos não sejam cumpridos. um documento particular. 410º/3. só terá que ser assinado pelo promitente. Há. no entanto. Ora. autêntico ou particular. apenas se exigindo a assinatura de ambos nos contratos-promessa bilaterais. o contrato-promessa segue o regime geral. o documento referido no n. consoante apenas uma das partes se vincule à celebração do contrato-definitivo ou essa vinculação ocorra para ambas as partes. a menos que seja provocada por sua culpa exclusiva. é possível ao promitente fixar à outra parte um prazo para o exercício do direito. Efectivamente. a forma do contrato-promessa é necessariamente a mesma do contrato definitivo. O contrato-promessa unilateral pode ser remunerado. Assim. No entanto. sujeita por lei a escritura pública (875º). pode realizar-se por simples documento particular. O contrato-promessa pode.º 1 seja acompanhado de reconhecimento presencial da assinatura e de certificação pelo notário da exigência de licença de utilização ou construção. em princípio. Nos termos do art. ser classificado em contrato-promessa unilateral ou bilateral. só poderá ser invocada pelo promitente adquirente. 292º). o referido documento tem que ser assinado apenas pela parte que vincula à celebração do contrato definitivo. na eventualidade de estarmos perante um contrato bilateral apenas assinado por um dos intervenientes. em virtude da falta de uma das assinaturas. ainda que o contrato-prometido exija um documento autêntico. ocorrerá a invalidade do contrato-promessa que. quando respeite à constituição ou transmissão de direito real sobre edifício ou fracção autónoma dele. referida no art 410º. bastando. é ao interessado na nulidade total do negócio que caberá alegar que o contrato não teria sido concluído sem a parte viciada (art. admite-se que no contrato-promessa unilateral. 410º/2. nem conhecida oficiosamente pelo Tribunal. em construção ou a construir. no contrato-promessa unilateral. se o contrato-promessa for unilateral. a assinatura das partes seja apenas necessária para a constituição da obrigação de contratar.º 2. porém. No entanto. para o contrato prometido é também exigido documento para o contrato-promessa.contrato-promessa. a lei considera que o direito à celebração do contrato definitivo apenas deve poder ser exercido dentro de um prazo limitado. o que representaria sempre um caso de invalidade parcial do contrato. já construído. sujeitando-se este. . como formalmente válida a assunção de uma das obrigações e formalmente inválida a assunção da outra. exige-se ainda que o contrato-promessa. adquirindo a outra parte o direito à celebração do contrato-definitivo sem ter que assinar o contrato-promessa. não se vê porque motivo esta solução não haveria de valer também para o contrato-promessa bilateral. por força do 410º/2. No art. uma importante excepção. Assim. caso em que o promitente alienante também a poderá invocar. que se baseia precisamente na liberdade de forma (219º Pr. às mesmas regras que vigoram para o contrato definitivo. sempre que as partes não o estipulem. o contratopromessa de compra e venda de um imóvel. n.

a sua antecipação ou princípio de pagamento na fase do contrato promessa tem por referência uma obrigação ainda não existente. que a lei exigia que tivesse reconhecimento de assinatura (413º/2). Por isso. acrescido de sinal (em singelo) e da parte que tenha sido paga. em lugar da restituição do sina em dobro. Desta norma resulta que o não cumprimento da promessa atribui à outra parte do direito a recorrer à execução específica. A lei permite ainda a atribuição de eficácia real ao contrato-promessa. e as partes declarem expressamente a atribuição de eficácia real e procedam ao seu registo (413º/1). 1ª parte). 412º vem esclarecer que os direitos e obrigações emergentes do contrato-promessa. uma vez que se a parte que constitui o sinal deixou de cumprir a sua obrigação. O art 441º dispõe que a entrega de quantias em dinheiro pelo promitente-comprador ao promitente vendedor constitui presunção de estipulação de sinal por essa via. 2ª parte. O sinal funciona então como fixação das consequências do incumprimento.º 1). a própria natureza da relação impedirá a transmissão por morte. ML o sinal só pode ser exigido em caso de incumprimento definitivo da obrigação pela outra parte. valor esse que se obtém subtraindo ao valor actual da coisa o preço convencionado. Não é. A execução específica consistirá em o Tribunal emitir uma sentença que produza os mesmos efeitos jurídicos da declaração negocial que não foi realizada. 2ª parte). o que não chega para elidir a presunção de ter sido estipulado sinal. São elas: 1) a existência de convenção em contrário. por isso. não se podendo assim qualificar como penitencial. 2) a execução específica ser incompatível com a natureza da obrigação assumida. se verifique o cumprimento do contrato.º 2). isto. a menos que seja exigida essa forma para o contrato prometido. as partes tenham celebrado o contrato-promessa tomando em consideração especificamente a pessoa do outro contraente. ficando a transmissão por acto entre vivos sujeitas às regras gerais (n. A execução específica encontra-se prevista no art 830º. Para o Prof. se transmitem por morte aos sucessores das partes (n. caso em que basta um simples documento particular. Já no art 442º/2. que não sejam exclusivamente pessoais. a outra parte tem o direito de fazer sua a coisa entregue. ao abrigo do 2025º. operando-se assim a constituição do contrato definitivo. a coisa entregue será imputada na prestação devida – valendo como princípio de pagamento – ou restituída. O contrato-promessa com eficácia real está sujeito a uma forma mais solene. – 790º impossibilidade objectiva. A execução específica deixa de ser possível. no caso de a promessa respeitar a bens imóveis ou a móveis sujeitos a registo. o promitente adquirente pode optar. A lei vem esclarecer que o que aquele pode exigir é a valorização obtida pela coisa entre o momento da celebração do contrato e o momento do não cumprimento.  O art. ao tempo do incumprimento. a que se refere o contrato-prometido. no entanto. Se o não cumprimento partir de quem recebeu o sinal. o sinal tem natureza confirmatório-penal. Há duas situações em que é excluída a execução específica do contrato-promessa.   . Caso. A este montante acresce a restituição do sinal (em singelo) e de parte do preço que tenho sido paga (442º/2. Efectivamente. se houver tradição da coisa. um preço de arrependimento. A lei prevê que. caso essa imputação não seja possível (442º/1). uma vez que a obrigação de pagamento do preço só surge com a celebração do contrato definitivo. tem este que o devolver em dobro (442º/2. Caso. mesmo que as quantias entregues o sejam a título de antecipação ou princípio de pagamento do preço. a partir do momento em que se verifique uma impossibilidade definitiva de cumprimento. com dedução do preço convencionado. funcionando como pré-determinação das consequências desse incumprimento. por receber o valor actual da coisa. porém. uma vez que é exigida escritura pública. deixa-se de falar do funcionamento do sinal em geral para se falar especificamente do funcionamento do sinal no contrato-promessa.

celebrem o pacto de preferência por escritura pública ou. Menezes Cordeiro diz que é possível. É o caso.º. e procedam à respectiva inscrição no registo (arts. o obrigado.º. O documento do qual conste o pacto de preferência só tem de ser assinado por uma das partes. do arrendatário. nas mesmas condições negociadas com terceiro. Pergunta-se se quanto aos contratos gratuitos (por exemplo. em contratos gratuitos. sem efectuar qualquer comunicação para a preferência    . 414.º. n.º). quando não seja exigida essa forma para o contrato prometido. respeitando a bens imóveis ou a móveis sujeitos a registo. subsistindo a obrigação de preferência.º).º2). desta norma que a forma adequada de cumprir a obrigação de preferência é efectuar uma comunicação para preferência.º1. a doação) se poderá assumir obrigações de preferência? A reposta do Prof. A comunicação para a preferência não pode ser realizada logo que o obrigado se encontre na situação de «querer vender». do comproprietário (art. Exigir-seá antes uma negociação com terceiro. desde que. n. o que permitirá o recurso à execução específica prevista no 830º. Quando tal não suceda. o que significa que regra geral a validade do contrato preferível não depende de forma especial. Para o Prof. ambas as partes formulam uma proposta de contrato e respectiva aceitação. ao contrário do que parece resultar do art. 1409. desde que estejam preenchidos os seus requisitos de forma. por exemplo. em primeiro lugar. 415. com o qual sejam acordadas as cláusulas a comunicar. Nessa situação.  Em matéria de forma. Menezes Leitão é que não. o pacto de preferência encontra-se sujeito ao mesmo regime do contratopromessa (art. haverá responsabilidade pré-contratual (227º). e do proprietário de solo (art. 416.º). A lei regula genericamente o regime da obrigação de preferência nos arts. designadamente preço e condições de pagamento. por documento particular com assinatura do obrigado. Se nem sequer essa forma por observada.º e 423. salvo estipulação em contrário (art. 405. Por vezes a lei concede a certos titulares de direitos reais ou pessoais de gozo sobre determinada coisa a preferência na venda ou dação em cumprimento da coisa objecto desse direito. 1535. As posições pessoais resultantes do pacto de preferência não se transmitem (caducam). 420. O Prof.º. A comunicação para preferência terá que ser efectuada antes da celebração de um contrato definitivo com o referido terceiro. A lei admite que ao direito de preferência seja atribuída eficácia real. as quais se caracterizam por terem sempre eficácia real. Menezes Leitão com a comunicação e exercício da preferência. no caso de decidir contratar. data e número do seu documento de identificação. apenas se exigindo que o pacto de preferência conste de documento particular se for exigido documento autêntico para o contrato principal (art. 416. 410. as partes explicitamente o estipulem. essas declarações poderão ainda valer como promessas de contratar.º a 418.º). estamos perante o que se denomina de preferências legais. em caso de não cumprimento. Resulta. caso tenha sido observada a respectiva forma. que em princípio deveria implicar sem mais a celebração do contrato definitivo. por duas ordens de razão: pelo carácter da própria obrigação. que só é definitivamente incumprida com a celebração de contrato incompatível com um terceiro.Pacto de preferência: convenção pela qual alguém assume a obrigação de escolher outrem como contraente. 421. Obrigação de preferência por incumprimento em simples eficácia obrigacional – a obrigação de preferência é definitivamente incumprida a partir do momento em que o obrigado à preferência vende a coisa a terceiro.º).º). referindo a entidade emitente. e pela liberalidade que lhes está subjacente. dado que esta não pressupõe a concorrência entre duas partes. pela autonomia privada (art. Aparece regulado no art. pois no caso contrário já teria ocorrido o incumprimento da obrigação de preferência.

240.º. b) uma relação de atribuição (ou relação de valuta). O Prof. Já a relação de execução consiste na relação entre o promitente ao terceiro. dentro do prazo. determinada pelo promissário. Essa atribuição patrimonial a realizar pelo promitente é.  . Se o preço declarado para a transmissão é inferior ao preço efectivamente praticado. o que implicará que o titular da preferência adquira o direito a uma indemnização por incumprimento (art. Outra questão levantada pela acção de preferência prende-se como problema da simulação de preço (art. 240. a questão torna-se mais complexa. sendo válido o dissimulado (art.º2). Efectivamente. n.º. a propósito da preferência do comproprietário. nenhumas dúvidas existem no sentido de que o titular da preferência deve exercê-la pelo preço real. uma mera cláusula acessória (449º). podendo inclusivamente a estipulação a favor de terceiro ser. O contrato a favor de terceiro pode ser analiticamente decomposto em três relações: a) uma relação de cobertura (ou relação de provisão). 421. 1410. tendo como condição de procedência que ocorra o depósito do preço devido nos quinze dias posteriores à propositura da acção.º).ou se o titular tiver comunicado. pelo que a preferência é naturalmente exercido em relação ao negócio válido. tendo por base um interesse do promissário nessa concessão (443º/1). 798. em relação a elas. no âmbito da qual se estabelecem direitos e obrigações entre as partes. estranho ao negócio (o terceiro). a intenção de exercer a preferência.A lei esclarece neste caso que o processo adequado para o exercício do direito de preferência é a denominada acção de preferência. c) uma relação de execução.º e ss). no entanto. Contrato a favor de terceiro: O contrato a favor de terceiro vem revisto nos arts 443º do CC. A relação de cobertura consiste numa relação contratual entre promitente e promissário. Leitão adere à posição de que o titular da preferência pode exercê-la pelo preço simulado. mas é extensível a qualquer titular de direitos reais de preferência (art. A relação de atribuição é a que existe ou se estabelece entre o promissário e o terceiro e justifica a outorga desse direito a terceiro.  Acção de preferência em caso de haver eficácia real. incumprimento definitivo da obrigação de preferência. que tem aliás que ter em relação a ela um interesso digno de protecção legal (443º/1). Pode ser definido como o contrato em que uma das partes (o promitente) se compromete perante outra (o promissário) a efectua uma atribuição patrimonial em benefício de outrem. n.º2 e 1535. n. no âmbito da qual ele vem a executar a determinação do promissário. Esta vem prevista no art. Essa venda a terceiro provoca. nesse caso o negócio simulado é nulo (art. 241.º.º). assim.º. Esta acção deve ser intentada no prazo de seis meses a contar da data em que o titular da preferência teve conhecimento dos elementos essenciais da alienação.º2). Se o preço declarado para a transmissão é superior ao preço efectivamente praticado.

mas antes a um conjunto indeterminado de pessoas ou corresponder mesmo a um interesse público. pelo que só o promissário (e já não o terceiro) poderá exigir do promitente o cumprimento da promessa. sendo nessa medida uma excepção ao regime de ineficácia dos contratos em relação a terceiros (406º/2). uma vez que o terceiro não pode exigir o cumprimento da promessa antes da verificação da morte do promissário. Só que essa prestação é meramente instrumental em relação à obrigação do promitente. e uma vez que não há qualquer direito atribuído a terceiro. não se referir a uma pessoa determinada. é manifesto que não estaremos perante um verdadeiro contrato a favor de terceiro. A promessa a cumprir depois da morte do promissário . é manifesto que não estaremos perante um verdadeiro contrato a favor de terceiro. As promessas em benefício de pessoas indeterminadas ou no interesse público. Daí que a lei considere que as partes não visaram atribuir ao terceiro qualquer direito de crédito. caso em que se extinguirá o direito por si adquirido.A promessa a cumprir depois da morte do promissário faz excepção ao regime ao art 444/1. A promessa de liberação de dívida como falso contrato a favor de terceiro. A lei prevê ainda a possibilidade de o terceiro aderir à promessa (447º/1). para obter o resultado da liberação do promissário. mediante declaração ao promitente. embora o promitente não assuma uma obrigação perante o terceiro. o qual se constitui independentemente de aceitação deste (444º/1). naturalmente que terá que efectuar uma prestação a esse terceiro. É duvidoso se neste    . Nestes termos. mas apenas proceder à exoneração do promissário. Assim. mas também pelas entidades competentes para defender os interesses em causa (445º). o que se explica em virtude de ter sido ele a acordar com o promitente a realização da prestação a terceiro e possuir interesse jurídico no seu cumprimento. e uma vez que não há qualquer direito atribuído a terceiro. perante uma situação em que o promitente e promissário acordam uma obrigação de resultado: a de que o promitente obterá a extinção de uma dívida que o promissário tem para com terceiro. considera-se que só o promissário (e não o terceiro) tem interesse na promessa. Mas. que a deve comunicar ao promissário (447º/1). O contrato a favor de terceiro faz nascer automaticamente um direito para o terceiro. para impedir a revogação da promessa. a qual pode ser efectuada enquanto a adesão não for manifestada (448º/1). a qual pode ser efectuada não apenas pelo promissário ou seus herdeiros. que é antes a de obter a liberação do promissário. o promitente não se obriga a realizar uma prestação a terceiro. legitimando-o a exigir o cumprimento da promessa. No entanto. No entanto. O contrato a favor de terceiro faz nascer directamente um crédito na esfera jurídica do terceiro (444º/1). Neste caso. A especialidade consiste no facto de se estabelecer uma legitimidade difusa para a exigência da prestação. admite-se que o terceiro possa rejeitar a promessa. normalmente também o promissário pode exigir do promitente o cumprimento da sua obrigação (44º/2). A celebração do contrato atribui directamente o direito ao terceiro.Estamos neste caso.a designação do beneficiário da prestação. mas apenas a conseguir obter a liberação da dívida do promissário. Neste caso.

porém. Sendo exigida a ratificação. quando este tenha sido celebrado por documento com maior força probatória (454º/2). Admite-se. Para poder produzir os seus efeitos. a contar da celebração do contrato (453º/1).caso as partes pretendem atribuir ao terceiro logo um direito de crédito sobre o promitente. Menezes Cordeiro defende a ausência de tipicidade dos negócios unilaterais com fundamento no carácter totalmente livre da proposta contratual. deve ser feita por escrito ao outro contraente no prazo convencionado. a nomeação deve observar determinados requisitos legais. Naturalmente que qualquer das prestações pode ser ilidida (350º/2). qualquer transmissão entre o nomeante ou nomeado. e a de que o promissário designa subsidiariamente como benefícios os herdeiros do terceiro. negócio unilateral por excelência. no caso de este falecer antes de adquirir esse direito. Uma outra característica específica da promessa a cumprir depois da morte do promissário é o facto de a promessa ser sempre revogável enquanto o promissário for vivo. ou na falta de convenção. determinando a morte do promissário apenas o vencimento da obrigação. se aquele falecer antes deste. estabelecendo que “a promessa unilateral de uma prestação só obriga nos casos previstos na lei”. O que a lei estabelece são duas regras interpretativas: a de que o direito só é atribuído com a morte do promissário. independentemente da aceitação do terceiro (448º/1). Não ocorre. o contraente nomeado adquire os direitos e assume as obrigações provenientes do contrato a partir do momento da celebração dele (455º/1). após a nomeação. O contrato para pessoa a nomear: verifica-se quando um dos intervenientes no contrato se reserva a faculdade de designar outrem para adquirir os direitos ou assumir obrigações resultantes desse contrato (452º/1). e deve ser acompanhada para ser eficaz de instrumento de ratificação do contrato ou de procuração anterior à celebração deste (453º/2). A lei prevê que. estipulação em contrário. Por esse motivo. Assim. ou através da estipulação de que só o terceiro (e não os seus herdeiros) poderão beneficiar da promessa. o contrato irá produzir os seus efeitos em relação ao contraente originário (455º/2). dentro de cinco dias. se não for efectuada a nomeação nos termos legais. Numa clara contradição. os seus herdeiros são chamados no lugar dele à titularidade da promessa (451º/2). A nomeação tem assim eficácia retroactiva. Negócios unilaterais: O problema da eficácia dos negócios unilaterais: O nosso legislador não aceitou o princípio do contrato em termos absolutos. Dá-se antes um fenómeno de substituição de contraentes. por isso. a lei vem presumir que a estipulação das partes é no sentido de que o terceiro só adquire o direito com a morte do promissário (451º/1). mas que. . esta deve ser outorgada por escrito (454º/1). Não estaremos perante um verdadeiro contrato a favor de terceiro. mas não deixou de considerar que só excepcionalmente se deveria admitir a constituição de obrigações por negócio unilateral.º do CC estabelecer um princípio da tipicidade dos negócios unilaterais. 457. uma vez que. vem o art. o qual apenas se vencerá no momento da morte do promissário. através da estipulação de que a celebração do contrato faz adquirir imediatamente o direito. ou revestir a forma do contrato celebrado.

o que corresponde à celebração de um acto jurídico simples. positivo ou negativo. Resulta deste art. Secção III – FONTES DAS OBRIGAÇÕES BASEADAS NO PRINCÍPIO DO . pelo que se o direito não for exercido nesse período. a declaração tem como efeito a constituição imediata de uma obrigação. A ineficácia da estipulação e a sua relevância apenas para inversão do ónus da prova. o que justifica que tenha que ser fixado prazo para a presentação dos concorrentes. A extinção da promessa pública pode ocorrer por caducidade ou revogação. no entanto. A revogação. exigindo-se antes a celebração de um contrato. A caducidade opera em relação às promessas públicas em que o promitente fixa um prazo de validade ou este é imposto pela natureza ou fim da promessa (460º).Para o Prof. Promessa de cumprimento e reconhecimento de dívida: A promessa de cumprimento e reconhecimento de dívida aparece referida no art 458º/1. Esta é igualmente possível nas promessas com prazo estipulado. por isso. mas determinável. Se na produção do resultado previsto tiverem cooperado várias pessoas. A lei determina que essa situação implica imediatamente. se não houver designação. Nestes casos. constituindo assim uma prova documental (362º) por documento particular (373º). Assim. Está-se. que a promessa ou reconhecimento constem de documento escrito.ficando o promitente desde logo vinculado à promessa (459º/1). Se. Uma vez emitida. designadamente a escritura pública. a emissão de uma simples declaração negocial não é vinculante para o seu autor em termos de constituição de obrigações. ML encontra-se consagrada no art 457º a tipicidade dos negócios unilaterais enquanto fonte de obrigações. pelo menos. sem que o negócio não será válido (463º/1). Promessa Pública: Diz-se promessa pública a declaração negocial dirigida ao público. (511º). far-se-á uma divisão equitativa desta. no entanto. ao promitente (463º/2). Neste caso. a promessa só é eficaz nesse prazo. a promessa não tem fixado um prazo de validade apenas se pode extinguir por revogação (460º). através da qual se promete uma prestação a quem se encontre em determinada situação ou pratique certo facto. o que significa que. no entanto. está. a decisão sobre a admissão dos candidatos e sobre a atribuição do prémio caberá às pessoas designadas no anúncio como júri do concurso ou. em termos de forma. e sem necessidade de aceitação do beneficiário. neste caso. admitindo-se. extinguir-se-á por caducidade (331º). sujeita à forma escrita. Posteriormente. mesmo ignorando quem é o beneficiário. conjunta ou separadamente. que fique sujeita a uma forma superior. A lei exige. caso exista justa causa para a revogação (461º/1). que só virá a ser determinado posteriormente. a vinculação do promitente a essa promessa (459º/1). tratar-se-á de uma prova por documento autêntico (369º e ss). caso a lei a exija para a prova da relação fundamental. atendendo-se à parte que cada uma das pessoas teve nesse resultado (463º). perante uma obrigação de sujeito activo indeterminado. só pode ser realizada na forma de promessa ou em forma equivalente (461º/2). se outras formalidades não forem exigidas para a prova da relação fundamental (458º/2). e todas tiverem direito à prestação. salvo nos casos previstos na lei. Concurso Público: a oferta da prestação ocorre como prémio de um concurso.

Mantêm-se. ou à prática de delituais específicos. bastando que exista uma conduta que lhe possa ser imputada em virtude de estar sob o controle da sua vontade. A responsabilidade civil pode ainda ser classificada em responsabilidade civil delitual (ou extracontratual) e responsabilidade obrigacional (ou contratual).º). Na responsabilidade delitual está em causa a violação de deveres genéricos de respeito.º e 800. 483. sendo o agente censurável (culpa). que sejam consequência dessa conduta (nexo de causalidade entre o facto e o dano). ilicitude. porém. culpa. dano. que o comportamento do agente seja intencional ou sequer que consista numa actuação. c) É diferente o regime de responsabilidade por actos de terceiro (art 500. b) A responsabilidade delitual tem prazos para prescrição mais curtos (498. No caso de actuações meramente negligentes não se mostra suficiente a simples lesão de bens jurídicos.º). de normas gerais destinadas à protecção doutrem. ML a lesão de bens jurídicos só é imediatamente constitutiva de ilicitude no caso de o agente ter actuado com dolo. tendo que lhe acrescer a violação do dever de cuidado por parte do agente. A responsabilidade civil consiste.º). Pressupostos da responsabilidade civil: Facto voluntário do agente. Não se exige. a qual tenha provocado danos (dano). diferenças menores entre os dois regimes: a) Presume-se a culpa na responsabilidade obrigacional (799.º/1). Já a responsabilidade obrigacional resulta do incumprimento das obrigações. não deve responder pelos danos daí resultantes para outrem.  As causas de exclusão da ilicitude : a) exercício de um direito – baseia-se num exercício de um direito considerando-se que. a qual represente a violação de um dever imposto pela ordem jurídica (ilicitude). mas não na delitual (487. A responsabilidade delitual: O art. numa fonte de obrigações baseada no princípio do ressarcimento dos danos. ao passo que na responsabilidade obrigacional tal só acontecerá se esse regime vigorar para a obrigação incumprida. e cuja infracção normalmente acarretaria a ilicitude do facto. se alguém tem um direito subjectivo e o exerce. d) Em caso de pluralidade de responsáveis na responsabilidade delitual o regime aplicável é o da solidariedade (497. por isso. está-se perante o que se denomina de .).º/1).RESSARCIMENO DOS DANOS A responsabilidade civil como fonte das obrigações: Denomina-se responsabilidade civil o conjunto de factos que dão origem à obrigação de indemnizar os danos sofridos por outrem. este pode ver-se forçado a acatá-la ainda que para isso tenha que infringir outros deveres relativos a posições jurídicas alheias. enquanto a responsabilidade obrigacional é sujeita aos prazos de prescrição gerais das obrigações (309. no entanto. b) cumprimento de um dever – efectivamente. Para o Prof.º vem estabelecer um cláusula geral de responsabilidade civil subjectiva.º e ss. nexo de causalidade entre o facto e o dano. vigorando para o sujeito o dever de adoptar determinada conduta. Nestas situações. fazendo depender a constituição da obrigação de indemnização da existência de uma conduta do agente (facto voluntário).

338º. nº1. Assim.conflito de deveres. de facto. a admitir. 2) Que a tutela dos interesses dos particulares figure. Para haver exclusão da ilicitude é. se o agente em caso de conflito de deveres opta por não cumprir nenhum. 488. Daí que se considere existir falta de imputabilidade quando o agente não tem a necessária capacidade para entender a valorização negativa do seu comportamento ou lhe falta a possibilidade de o determinar livremente. Se houver erro indesculpável quanto aos requisitos aplica-se o art. d) acção directa (336. o agente destroi ou danifica coisa alheia. Conforme resulta do art. a falta de imputabilidade não exclui. as consequências ilícitas da sua conduta. e) estado de necessidade (339. naturalmente que será responsável pelo incumprimento dos dois. que estando a ser vítima de uma agressão põe termo a essa agressão pelos seus próprios meios. 2 e 3) pág.º da CRP) . quando o agente actuou por forma a aceitar.º/1. 294/295 . o acto continua a ser ilicito se a lesão for contrária a uma proibição legal ou aos bons costumes. contra a pessoa ou património do agente ou de terceiro. 483. Para que o lesado tenha direito à indemnização.Tem-se por consentida a lesão que for praticada no interesse do lesado e de acordo com a sua vontade presumível. A culpa pode ser assim definida com o juízo de censura ao agente por ter adoptado a conduta que adoptou. c) legítima defesa (art 337. O dolo e a negligência . 3) Que o dano se tenha registado no círculo de interesses privados que a lei visa tutelar. f) consentimento do lesado (340.o recurso à força pode ser licito para assegurar o próprio direito (art. 292/293 . Sendo a imputabilidade pressuposto do juízo de culpa. não bastando a simples colisão. não tendo   . Não obstante o consentimento do lesado. no entanto. 336º). nº2).339º). porém. nº1).consiste numa atitude defensiva do agente.Há dolo. do qual resultaria um perigo manifestamente superior. para que o agente possa ser efectivamente censurado pelo seu comportamento é sempre necessário que ele conhecesse ou devesse conhecer o desvalor do seu comportamento e que tivesse podido escolher a sua conduta. três requisitos se mostram indispensáveis: 1)Que a lesão dos interesses do particular corresponda a violação de uma norma legal. A culpa: Ao prever que o agente tenha actuado “com dolo ou mera culpa” a lei exige ainda a culpa como pressuposto normal da responsabilidade civil (art. sendo esta actuação ilicita (art. Diz-se dolosa a conduta quando o agente. que deve ser resolvido dando preponderância ao dever que se considere de natureza superior.º. quando de acordo com o comando legal estaria obrigado a adoptar conduta diferente. a responsabilidade sempre que sendo transitória seja devida a um facto culposo do agente.º e 21.º. 294 . considerando excepcionais os casos de responsabilidade sem culpa (art. necessário que o dever seja efectivamente cumprido.para afastar um perigo actual. 483.º) pág.º) pág. São pressupostos da legítima defesa a existência de uma agressão. entre os fins da norma violada. nº2). podendo o que actuou em acção directa ser obrigado a indemnizar o prejuizo causado.488.º.º.No entanto. o que a lei presume que se verifica sempre que o agente seja menor de sete anos ou interdito por anomalia psíquica (art. naturalmente que o agente fica isento de responsabilidade se praticar o facto em estado de inimputabilidade (art. A imputabilidade como pressuposto da culpa e o regime da responsabilidade dos inimputáveis .º. nº1). 488.

Esse critério encontra-se formulado no art. b) Danos causados por edifícios ou outras obras: o art 492. o ilícito. sem cuidado ou sem atenção.º vem regular a responsabilidade pelos danos causados pelos incapazes naturais. 2. A negligência admite as seguintes modalidades: a) negligência consciente: o agente. no caso de ser impossível exigir a responsabilidade ao vigilante (489. 342º/1 CC). nº 2 que o critério de apreciação de culpa na responsabilidade obrigacional é comum à responsabilidade delitual. inevitável.º) e continuar a existir a responsabilidade do vigilante. quando o agente actuou levianamente. 799. quando o agente não tinha como objectivo do seu comportamento o resultado ilícito. b) negligência inconsciente: o agente. porque as admitiu. que pode ser ilidida através da demonstração de que cumpriram o seu dever de vigilância.º). O art. estabelecendo uma presunção de culpa das pessoas a quem. a conservar o edifico ou obra (n. Dolo necessário. por motivos de equidade. fazer a prova dela.º/1) – trata-se de uma norma bastante importante.º2) c)Dano causado por coisas ou animais (art 493. ou que os danos continuariam a produzir-se. colocado naquela situação. Pode assim. que pressupõe. numa palavra. Critérios de apreciação e graduação da culpa: O Código Civil veio estabelecer no art. não fez nada para as afastar.º). em face da perigosidade imanente de certas coisas ou de animais .º. por lei ou negócio jurídico. 487º nº1 diz-nos que a culpa do autor da lesão deve ser provada pelo lesado a) Danos causados por incapazes: o art 491. Dolo eventual. por lei ou negócio jurídico. devido a vício de construção ou defeito de conservação.  previsto as consequências danosas e ilícitas que do seu acto iriam resultar. se transfere para a pessoa obrigada. representa a verificação do facto como consequência possível da sua conduta. quando o agente actuou para obter a consequência ilícita danosa e a obteve.º. 3. caso em que ambos responderão solidariamente (497. imponderadamente. nos termos gerais da repartição legal do ónus probatório (art. teria empregado. Dolo directo. em princípio só o vigilante responderá (491. negligentemente. A responsabilidade do vigilante não pressupõe a inimputabilidade do vigiado. O dolo admite as seguintes modalidades: 1. Se o vigiado for inimputável. quando o agente. mas sabia que o seu comportamento ia ter como resultado necessário. violando o dever de diligência a que estava obrigado. 487. contempla a situação da responsabilização pelos danos causados pela ruína de edifícios ou de outras obras. ainda que o tivesse cumprido (relevância negativa da causa virtual). como credor. mas apenas a sua incapacidade natural. não chega sequer a representar a verificação do facto. nº 2. quando o agente prefigura a consequência ilícita e danosa como uma consequência possível do seu comportamento e não faz nada para a evitar. Há mera culpa.º/1. não empregou a diligência que o bom pai de família. presunção essa que no caso de danos devidos exclusivamente a defeitos de conservação. o vigiado ser considerado imputável (488. definida pela fórmula romana do bom pai de família. Prova da culpa: incumbe ao lesado. violando o dever de diligência a que estava obrigado. só se admitindo acção contra o vigiado.º). incumbe a sua vigilância. estabelecendo nesse caso uma presunção de culpa que recai sobre o proprietário ou possuidor do edifício. mas actua sem se conformar com a sua verificação. Aponta-se aí para o critério tradicional da apreciação em abstracto segundo a diligência do homem médio.

em face das circunstâncias.Danos patrimoniais: são aqueles. mas apenas ao desrespeito de um ónus jurídico uma vez que não existe um dever jurídico de evitar a ocorrência de danos para si próprio. A lei estabelece ainda uma equiparação entre a culpa do lesado e a dos seus auxiliares e representantes (art. Dano: . ser censurada.º. que consubstanciam a lesão de interesses avaliáveis em dinheiro. b) Medo invencível: Esta situação ocorre sempre que a actuação do agente tenha sido provocada por um medo que ele não conseguiu ultrapassar sem que tal lhe possa. O concurso da culpa do lesado: A culpa do lesante pode concorrer com a existência simultânea de culpa do lesado. . No caso da culpa do lesante não ter sido provada. a situação de um médico que causa danos ao doente numa intervenção cirúrgica de emergência. aplica-se o disposto no art. Causas de exclusão da culpa: a) Erro desculpável: Ocorre erro desculpável sempre que a actuação do agente resulte de uma falsa representação da realidade. que impõe automaticamente a sua custódia em relação ao seu detentor. em face das circunstâncias do caso não lhe fosse exigível comportamento diferente. dentro destes à que distinguir: a) Danos emergentes: é a diminuição verificada no património de alguém em consequência de um acto ilícito e culposo de outrem. b) Lucros cessantes: quando em consequência do acto gerador de responsabilidade civil.º. nº 2 como a omissão da diligência que teria levado um bom pai de família.º/2) – parece-se exigir ainda a demonstração de um grau de diligência superior à das disposições anteriores uma vez que. salvo disposição em contrário. em lugar da simples prova da ausência de culpa (487. a um acto ilícito. deixa de auferir qualquer coisa que normalmente teria obtido se não fosse o acto que constitui o agente em responsabilidade. o legislador exige a demonstração de que o agente “empregue todas as providências exigidas pelas circunstâncias com o fim de prevenir” os danos. 572.º.Danos materiais: aqueles que respeitam a coisas. em face das circunstâncias. 338. 570. excluirá o dever de indemnizar (art. c) desculpabilidade: admite-se ainda a exclusão de culpa do agente sempre que embora não se verificando medo nem erro. em virtude de num estado de emergência geral provocado por uma catástrofe ter sido obrigado a trabalhar 18 horas seguidas. . Imagine-se. porém. preceito que também se deve considerar aplicável à hipótese de responsabilidade pelo risco. A lei refere esta hipótese no art. Uma das situações em que a lei prevê o medo como causa de exclusão da culpa diz respeito ao excesso de legítima defesa.   o surgimento de um dever de segurança no tráfego. 487. 571. A actuação culposa do lesado que contribui para os danos não corresponde.Danos pessoais: aqueles que se repercutem nos direitos da pessoa. d) Dano resultante de actividades perigosas (art. ser censurado. 570.º). entendendo-se essa nos termos do art.º/2). ou de um acto na ilícito e culposo mas constitutivo de responsabilidade civil para outrem.º. Em termos de prova da culpa do lesado ver o art. 493. por exemplo. a reduzir ou evitar os danos sofridos. nº 2). Tendo sido demonstrada a culpa do lesante. mas ser apenas presumida a culpa do lesado. . materiais ou pessoais. que não lhe possa.º. nas circunstâncias do caso. nº 1.

º do CC. é a avaliação deste dano em dinheiro. o que corresponde à consagração da teoria da causalidade adequada. isto é. considera causa de um evento toda e qualquer condição que tenha concorrido para a sua produção em termos tais que a sua ocorrência implicaria que o evento deixasse de se verificar. por não haver analogia entre os dois tipos de situações. em abstracto. 563. mas cuja ocorrência é previsível e provável. Romano Martinez considera que se deve aceitar a autonomização do dano morte. Em sentido diverso há quem sustente que a morte é um dano causado à vitima. e nem sequer há obstáculos a que decorra um lapso de tempo considerável entre o facto ilícito e os danos (art. de acordo com um juízo de probabilidade. para averiguar qual a que se apresenta mais relevante em termos causais. . portanto. . . Dano morte: o nosso código civil não autonomiza a morte como dano. A teoria não é. cuja transmissão segue as regras gerais do direito das sucessões. De acordo com esta concepção. Em qualquer caso. escolher a condição mais eficiente em termos causais d) teoria da causalidade adequada: É a posição que tem sido maioritariamente defendida na nossa doutrina. essa teoria encontra-se subjacente ao art. consoante já se verificou ou ainda não se verificou no momento da apreciação pelo Tribunal do direito à indemnização. o que caracteriza o conceito de causa de um evento é apenas a imprescindibilidade de uma condição para a sua verificação (“sem a qual não”).º. seja também adequado a produzi-lo. o precede directamente. não podendo o morto assim ser ressarcido. transmitindo-se por via sucessória aos familiares dos falecido. 68º nº1). Efectivamente. 564.. segundo o curso normal das coisas. aceitável uma vez que a acção não tem que produzir directamente o dano. em termos de conditio sine qua non. nomeadamente nos artigos 495º e 496º nº2 e 3.Dano de cálculo: é a transposição pecuniária deste dano. podendo produzi-lo apenas indirectamente. c) teoria da condição eficiente: Esta teoria pretende que para descobrir a causa do dano terá que ser efectuada uma avaliação quantitativa da eficiência das diversas condições do processo causal. Isto porque com a morte cessa a personalidade (art. .  O nexo de causalidade: a) teoria da equivalência das condições: Igualmente designada como teoria da conditio sine qua non. O prof.Danos morais: são os danos que se traduzem na lesão de direitos ou interesses insusceptíveis de avaliação pecuniária. para que exista um nexo de causalidade entre o facto e o dano não basta que o facto tenha sido em concreto causa do dano. seja idónea a produzir um dano. De acordo com a presente teoria. O princípio da ressarcibilidade dos danos não patrimoniais é limitado à responsabilidade civil extra-contratual.Dano é presente ou futuro. b) teoria da última condição: A teoria da última condição ou da causa próxima só considera como causa do evento a última condição que se verificou antes de este ocorrer e que. E não deve ser ampliado à responsabilidade contratual.Dano real: é o prejuízo efectivamente verificado. são todos os danos que ainda não ocorreram no momento em que o Tribunal aprecia o pedido indemnizatório. futuros. é o dano avaliado em si mesmo. É necessário que. porém. Não está em causa apenas a imprescindibilidade da condição para o desencadear do processo causal exigindo-se ainda que essa condição. nº 2 CC).

500º): pressupõe uma relação de comissão ( escolha do comissário. Se a lei dá relevância à causa virtual em situações específicas. A 2ª seria a da relevância negativa da causa virtual. a questão da determinação do nexo de causalidade acaba por se reconduzir a um problema de interpretação do conteúdo e fim específico da norma que serviu de base à imputação dos danos. nos mesmos termos que o autor da causa real. recomendações ou informações (art. é como causa suplementar de exclusão de responsabilidade que concede em situações restritas de responsabilidade agravada. denominada a causa virtual. Omissões: a omissão implica a obrigação de reparar danos se a lei ou negócio juridico impõem a prática do acto omitido. A responsabilidade obrigacional: A responsabilidade obrigacional encontra-se genericamente prevista no art. segundo a qual o autor da causa virtual não seria responsabilizado. actuação do comissário por conta do comitente). na ausência desta. Excepcionalmente há responsabilidade se o agente tiver agido com dolo. É o que acontece no exemplo de alguém ter envenenado um cavalo no intuito de lesar o seu proprietário sendo. A 1ª seria a da relevância da causa virtual. existisse o dever juridico de dar conselhos.nº 1. segundo a qual o autor da causa virtual seria responsabilizado pelo dano. porém. pelo comitente. Em abstracto seria possível conceber três soluções jurídicas para o problema da causa virtual. 493. Neste caso o disparo é a causa real do dano sofrido pelo lesado constituindo o envenenamento uma causa virtual que iria da mesma forma produzi-lo. 616.º.º. O prof.º. Pluralidade de responsáveis (art. e) teoria do escopo da norma violada: para o estabelecimento do nexo de causalidade é apenas necessário averiguar se os danos que resultaram do facto correspondem à frustração das utilidades que a norma visava conferir ao sujeito através do direito subjectivo ou da norma de protecção. aliás como a maioria da doutrina. como as dos arts. A responsabilidade do comitente é uma responsabilidade objectiva pelo que não depende de . antes disso o animal abatido a tiro por outra pessoa com as mesmas intenções. Responsabilidade do comitente (art. Os processos causais virtuais: Esta verifica-se sempre que o dano resultante da causa real se tivesse igualmente verificado. não prevendo a lei como regra geral que essa responsabilidade seja perturbada pela causa virtual.º). danos ocorridos no exercicio da tarefa. Conselhos. segundo a qual a responsabilidade do autor do dano não seria minimamente afectada pela existência de uma causa virtual.º.nº2 e 807. 513º. 497º e 507º): havendo pluralidade de responsáveis a obrigação de reparar danos é solidária nos termos previstos no art. mas a existência dessa causa virtual serviria para afastar a responsabilidade do autor da causa real. tiver assumido responsabilidade pelos danos. A 3ª seria a da irrelevância da causa virtual. ou o procedimento do agente constitui crime. 798. 491.º. da actividade do comissário. Assim. controlo. danos imputáveis ao comissário.º. Menezes Leitão adere a esta última.nº 2. considerando que efectivamente verificando-se a imputação delitual de um facto ao agente naturalmente que ele há de responder pelos danos causados (art. 485º): não há responsabilidade por simples conselho. mesmo que quem os presta tenha agido negligentemente. por via de outra causa. 492.483.

determinação do valor a pagar (300º CT). 291º CT).culpa sua na escolha do comissário. Danos provenientes dos riscos próprios do veículo. pelo que se o cão morde uma pessoa encontra-se na previsão da norma. Assim. Requisitos .. Utilização no seu próprio interesse. 290º CT) ou em caso de força maior ( art. Prática de factos danosos pelo comissário no exercício da função que lhe foi confiada. Danos causados por animais (art. mas também todos os titulares da faculdade de utilização própria do animal como o usufrutuário. Requisitos . mas se este estando à janela cai em cima de um trausente.º. excluindo-se a responsabilidade se houver culpa exclusica do trabalhador (art. imputabilidade. 500. Colisão de veiculos: Primeiramente cabe-nos explicitar que a direcção efectiva do veiculo encontra-se normalmente relacionada com a titularidade.C. não há responsabilidade pelo risco. Seguro de acidentes de trabalho (303º CT). o que abrange naturalmente o proprietário dos animais. locatário. a obrigação de restituir fundada no enriquecimento sem causa. comodatário ou o simples possuidor sendo que a utilização por estes excluirá a responsabilidade daquele.nº 3). salvo se ele próprio tiver culpa. em que se aplicará o regime da pluralidade de responsáveis pelo dano (art. No entanto essa responsabilidade objectiva apenas funciona na relação com o lesado (relação externa) já que posteriormente o comitente terá na relação com o comissário (relação interna) o direito a exigir a restituição de tudo quanto pagou ao lesado. 502º): a responsabilidade advém do perdigo especial do animal. a própria declaração de nulidade ou anulação do acto devolve ao património de cada uma das partes os bens com que a outra se . a lei faculta aos interessados meios específicos de reacção contra a dissolução. Num grande número de casos em que a deslocação patrimonial carece de causa justificativa. 506º do C. enriquecimento tenha sido obtido à custa de quem requerer a restituição. tem natureza subsidiária. A responsabilidade emergente de acidentes de veiculos tem os limites máximos constantes do art. Ver art. O 1º requisito desta responsabilidade é a utilização dos animais no próprio interesse.Direcção efectiva do veículo causador do dano.Existência de uma relação de comissão. O ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA Definição: situações em que surge uma vantagem numa esfera juridica que deve ser restituida a uma outra esfera juridica. de onde é originaria. na sua vigilância ou nas instruções que lhe deu. Carácter subsidiário: nos termos do art. restringindo-se assim a responsabilidade a uma zona de riscos normalmente conexos com a sua utilização. quando a deslocação patrimonial assenta sobre um negócio jurídico e o negócio é nulo ou anulável. desde que sobre o comissário recaia também a obrigação de indemnizar.. 294º CT). Acidentes de trabalho: o trabalhador tem direito à reparação (281º CT). 474º CC. Requisitos: É necessário que haja um enriquecimento: obtenção de uma vantagem de carácter patrimonial. Careça de causa justificativa. O facto de terceiro não exclui a responsabilidade do empregador (art. identificação dos danos ressarciveis (296º CT). Os limites à responsabilidade são estabelecidos pela noção de acidente (284º e 285º CT).C. 508º do C. O 2º requisito é que os danos resultem do perigo especial que envolve a utilização do animal.

473º nº2): Condictio indebiti: o que foi indevidamente recebido. 468º nº2. Enriquecimento real: valor de mercado. ao cumprimento dela – art. 476º CC. indevido subjectivo da parte do devedor com convicção de se estar obrigado para com o devedor a cumprir (478º). 476º CC). indevido subjectivo da parte do devedor comconvicção de ser divida própria (477º). São diferentes. na convicção errónea de se tratar de dívida própria (subjectivamente indevido) – art. . c) O cumprimento de obrigação alheia. Na fixação do regime do pagamento do indivíduo. Empobrecimento patrimonial: diferença entre o património actual do empobrecido e aquele que existiria se não tivesse havido enriquecimento. Condictio ob rem: o que foi recebido com base em efeito que não se verificou. b) O cumprimento de obrigação alheia. da correcção operada através do enriquecimento sem causa. O art. Condictio ob causam finitam : o que foi recebido em virtude de causa que deixou de existir. Ex: art. indevido temporal (476º nº3). distingue três hipóteses: a) O cumprimento de obrigação inexistente (objectivamente indevido) – art. na convicção errónea de se estar vinculado. para que se possa exigir a repetição do indevido: 1) Que haja uma prestação efectuada com a intenção de cumprir uma obrigação.poderia enriquecer à sua custa (art. 2) Que a obrigação não exista. a) Enriquecimento por prestação: indevido objectivo (475º nº2). b)Enriquecimento por intervenção: o enriquecido. A repetição do indevido determina a restituição da prestação e se tal não for possivel. Repetição do indevido: A prestação foi efectuada apesar de não ser devida. Ex: arts. d) Enriquecimento com um património intermédio: o enriquecimento e o empobrecimento ocorrem devido a uma terceira pessoa. 1334º nº2 e 473º nº1. 1273º nº2. c) Enriquecimento por despesas doutrém: o enriquecido lucra com uma actuação do empobrecido. Condictios (art. 289º/1 CC). 476º CC. faz uso de um bem do empobrecido. mas esta não pode considerar-se uma prestação. 480º CC).479º. 478º CC. Objecto da obrigação de restituir: Enriquecimento patrimonial: diferença entre o património actual do enriquecido e aquele que existiria se não tivesse havido enriquecimento. 477º CC. À eficácia retroactiva da invalidade contrapõe-se o sentido não retroactivo. 3) Que não haja uma obrigação natural. a lei (art. perante o devedor. 479º). indevido subjectivo da parte do credor (476º nº2). mostra que três requisitos são necessários. actualista. o valor correspondente (art. os efeitos das obrigações de restituir fundadas na invalidade do negócio e no enriquecimento sem causa (arts. 289º nº2 e 481º. 289º . sem que nada o justifique.

A partir daí inicia-se a contagem do prazo prescricional especial de três anos. que só considera lícitas as intervenções se estas se dão no interesse do lesado e de acordo com a sua vontade presumível. mas sem ultrapassar o enriquecimento patrimonial. O segundo limite pode ser entendido como o valor da utilidade do bem. conforme o que fosse superior. Ter ele conhecimento da falta de causa do seu enriquecimento ou da falta do efeito que se pretendia obter com a prestação. se não conhecer a identidade da pessoa que se enriqueceu. 470º nº2. – Falta de autorização. Base legal: 479º nº2 . Teoria do triplo limite: existem dois limites máximos (enriquecimento patrimonial e empobrecimento). a contar da data em que lhe compete e da pessoa do responsável (art. – No interesse e por conta do dono do negócio . e a expressão “à custa de” no art. depois de se verificar algumas das seguintes circunstâncias: Ter sido o enriquecido citado judicialmente para a restituição. O prazo de prescrição de três anos começa pois a contar quando o empobrecido sabe que se verificou a situação de que resultou o seu empobrecimento e o enriquecimento de outrem.º 3. Deveres do gestor para com o dono do negócio : . O gestor não poderá recorrer à GN se estiver autorizado ou vinculado por negócio jurídico a exercer a sua intervenção (procuração. pelos frutos que por sua culpa deixem de ser percebidos e pelos juros legais das quantias a que o empobrecido tiver direito. antes disso. Excepção: art. por ex). 479º nº1. o prazo especial só começa a correr quando conhecer essa identidade. O empobrecimento seria resultado de dois limites minimos (empobrecimento patrimonial e empobrecimento real). conforme fosse mais baixo. 464º) Traduz-se na assunção da direcção de um negócio alheio no interesse e por conta do respectivo dono.Se ainda não souber. A GESTÃO DE NEGÓCIOS Definição: (art. 473º nº1.Teoria unitária da deslocação patrimonial (ou duplo limite): a obrigação de restituir era o enriquecimento patrimonial ou o empobrecimento patrimonial.O enriquecido passa a responder também pelo perecimento ou deterioração culposa da coisa.º 340. ou se a lei lhe impuser um dever específico de exercer a gestão (pais em relação aos filhos. A obrigação de restituir seria o montante do empobrecimento patrimonial ou real.a utilidade da gestão determina-se no momento da sua assunção. Os termos em que se deve estabelecer a utilidade inicial da gestão resulta do art. mandato ou prestação de serviços). Mas. Portanto. o conhecimento da identidade da pessoa do enriquecido. deve-se restituir o seu valor. sem para tal estar devidamente autorizado. começa a correr o prazo de vinte anos de prescrição ordinária. Teoria da restituição do enriquecimento real (Menezes Leitão): há que restituir o enriquecimento real e não sendo possível fazê-lo. Pressupostos da gestão de negócios: – Assunção da direcção de negócio alheio.º n. 482º CC). Prescrição: O direito à restituição do que foi obtido sem justa causa está sujeito à prescrição de três anos. o início da contagem do prazo de três anos depende da verificação cumulativa destes dois conhecimentos: O conhecimento dos factos.

468º/2 CC). obriga a indemnizar. então o gestor apenas tem direito a ser restituído daquilo com que tenha empobrecido. c) Entrega dos valores detidos e prestação de contas (art. pode ser tácita. por parte do dominus. por culpa sua. ao agente já não é inteiramente livre de interrompê-la. d) Aviso e informação do dono do negócio.uma vez iniciada. Se a gestão não for regular.ao gestor impõe-se o dever de avisar o dono do negócio logo que tenha possibilidade de fazê-lo. b)Dever de fidelidade ao interesse e à vontade (real ou presumível) do dono do negócio O gestor responde ainda. de modo directo. 1ª parte CC). 468º/1. ele actuou em nome próprio. por ter causado danos. real ou presumível. o dever de prosseguir a gestão iniciada. 465º-e CC). .a) Continuação da gestão . 466º CC). então tem-se uma gestão não representativa. do dono do negócio (art. Se a gestão se consubstanciou em actos jurídicos e foi exercida em seu próprio nome. nos termos do enriquecimento sem causa (art. e a sua actuação considera-se culposa. dispostas a levar a gestão a bom termo. ou seja: . sempre que agir em desconformidade com o interesses ou a sua vontade. declaração que não tem de ser expressa. 469º CC): . quer pelas compreensíveis expectativas que a sua actuação é capaz de ter criado. não comunicou ao terceiro com quem celebrou os negócios. pode o dominus ratificar os actos jurídicos praticados pelo gestor no exercício da gestão. não eram para ele e tudo se passou como se ele fosse titular do interesse que o negócio visava satisfazer. Responsabilidade do gestor (art. contra o gestor. pelos danos que causar. Se o gestor agiu em seu próprio nome. e ainda a obrigação de lhe prestar todas as informações relativas à gestão. 466º/1 CC). Diversamente da aprovação. então o regime aplicável às relações com terceiros é o regime de mandato sem representação (art. Aprovação: É uma declaração negocial dirigida pelo dominus ao gestor. 471º CC). 466º CC): A obrigação infringida que.A renúncia por parte do dominus a qualquer direito indemnizatório que ele tivesse. cujo conteúdo é um juízo de concordância global com a actividade genérica. Mas o gestor pode ter comunicado ao terceiro que estava a actuar em nome e por conta de outrem e aí tem-se uma gestão representativa. designadamente a obrigação de se pautar pelo interesse e pela vontade do dominus. isto é. para que ele possa prover como melhor entender. sem fundamento que o justifique. se houver incumprimento de alguma obrigação por parte do gestor. ao gestor dos direitos de reembolso de despesas. quer pelo obstáculo que ela pode ter constituído para a intervenção de outras pessoas. para que o interessado possa acompanhar a evolução desta e tomar oportunamente as providências que o caso requeira. Tem como efeitos jurídicos (art. juros legais e direito de indemnização pelos danos causados (art. se ele. que estes não eram dele. por incumprimento culposo e danoso das obrigações do gestor. A lei não impõe ao gestor. por parte do dominus. gestor os praticou representativamente.Reconhecimento. no exercício da gestão. mas responsabiliza-o pelos danos que resultarem da injustificada interrupção dela (art. ou pudesse ter. de que assumiu a gestão. é a de não interromper uma gestão que já foi iniciada.

466º/1 CC). prejuízo em consequência da sua interpretação.O gestor pode interromper a gestão se houver um motivo de força maior. que o impeça de continuar a gestão. A responsabilidade dos danos existe (art. culposamente. pelo incumprimento da obrigação. não só quando. . e se o fizer. .. também por culpa do gestor. se causar. interromper a gestão logo que o dominus surja e esteja em condições de assumir ele próprio a condução do assunto.Pode naturalmente. responderá civilmente face ao dono do negócio pelos danos que lhe causar. se causar um prejuízo na execução da gestão mas quando iniciada esta. Fora estas situações ele não pode interromper a gestão.