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MATERIAL DE APOIO DIREITO CIVIL

Apostila (Parte Geral - conclusão) PARTE GERAL PROF. PABLO STOLZE GAGLIANO TEMAS: PLANO DE EFICÁCIA E PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

TEMA 01 – PLANO DE EFICÁCIA 1.
0F

1. A Concepção do Plano de Eficácia. Neste plano, após analisarmos a existência e a validade, serão estudados os elementos que interferem na eficácia do negócio jurídico 2. Elementos Acidentais Limitadores da Eficácia do Negócio Jurídico. Nesse campo de estudo do negócio jurídico, são

considerados elementos acidentais (modalidades): a) b) c) o termo; a condição; o modo ou encargo

2.1. Condição

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Tema de uma aula “on line” do amigo e professor Flávio Tartuce.

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Condição é o acontecimento futuro e incerto que subordina a eficácia jurídica de determinado negócio. Dois elementos são fundamentais para que se possa caracterizar a condição:

a) b)

a futuridade; a incerteza (quanto à ocorrência do fato).

O Novo Código Civil dispõe que: “Art. 121 – Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto”.

Adotando o critério classificatório da condição mais difundido (quanto ao modo de atuação), teremos: a) b) condições suspensivas; condições resolutivas.

Fundindo os subtipos em conceito único, pode-se definir a condição como sendo o acontecimento futuro e incerto que subordina a aquisição de direitos, deveres e a deflagração de efeitos de um determinado ato negocial (condição suspensiva), ou, contrario sensu, que determina o desaparecimento de seus efeitos jurídicos (condição resolutiva). Dentro, ainda, de nosso esforço classificatório, as condições poderão ser, no plano fenomenológico:

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a) b) positivas (consistem na verificação de um fato – negativas (consistem na inocorrência de um fato –

auferição de renda até a colação de grau); empréstimo de uma casa a um amigo, até que a enchente deixe de assolar a sua cidade). Quanto à licitude, as condições podem ser ainda: a) b) lícitas; ilícitas.

Seguindo a redação do novo Código Civil, são lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública e aos bons costumes (arts. 122, NCC e 115, CC-16). Ilícitas, contrario sensu, são as demais. Costuma, ainda, a doutrina (e, agora, o NCC, art.122, parte final) reputar proibidas as condições: a) b) Perplexas (Incompreensíveis ou Contraditórias); Potestativas.

As condições perplexas (incompreensíveis ou contraditórias) são aquelas que privam de todo o efeito o negócio jurídico celebrado. Ex.: João celebra com José um contrato de locação residencial, sob a condição de o inquilino não morar no imóvel. Já as potestativas, decorrem da vontade da própria parte. Não se confundem, outrossim, as condições puramente potestativas – arbitrárias, vedadas por lei - com as condições simplesmente potestativas, as quais, dependendo também de algum fator externo ou circunstancial, não caracterizam abuso ou tirania, razão pela qual são admitidas pelo direito. Em sala de aula, veremos exemplos bem interessantes. Sobre a condição puramente potestativa, decidiu o STJ:

julgado em 20/09/2007. DEVOLUÇÃO EM DOBRO. As regras de locação não admitem cláusula que conceda a uma das partes benefício ou vantagem que a torne mais poderosa. É vedado pela Súmula 7/STJ o reexame do quantum fixado em multa contratual. CLÁUSULA RESCISÃO A PREVER PROMESSA A DE COMPRA DA DAS E VENDA DE MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. a cláusula contratual que determina. ou o sujeitarem ao arbítrio de uma das partes. do Código de Defesa do Consumidor. Entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o ato. Rel. 51. a restituição das parcelas pagas somente ao término da obra. em geral. CULPA CONSTRUTORA. PROIBIÇÃO PELO SISTEMA JURÍDICO. 5. ou ainda que a submeta ao arbítrio da outra. 2. 3. SEXTA TURMA. 1.4 AGRAVO LOCAÇÃO. REGIMENTAL PROCESSO EM AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ABUSIVIDADE. Agravo regimental improvido. "São lícitas. haja vista que poderá o . 377) Esta recente decisão também merece referência: CONSUMIDOR. 4. O decaimento de parte mínima do pedido não caracteriza a ocorrência de sucumbência recíproca. PAGAS RESTITUIÇÃO PARCELAS SOMENTE AO TÉRMINO DA OBRA. CLÁUSULA PURAMENTE POTESTATIVA. SÚMULA 356/STF. OMISSÃO DO ACÓRDÃO ACERCA DA SUA NATUREZA. ARRAS. em caso de rescisão de promessa de compra e venda de imóvel.503/RJ. É abusiva." (Artigo 115 do Código Civil de 1916). incisos II e IV. 1. (AgRg no AgRg no Ag 652. que a lei não vedar expressamente. por culpa exclusiva da construtora/incorporadora. IMÓVEL. por ofensa ao art. todas as condições. ARTIGO 115 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916. CIVIL. Ministra DJ 08/10/2007 p. CONTRATUAL.

muito embora faça alusão ao contrato. revender o imóvel a terceiros e. gênero do qual já destacamos as condições potestativas ao abordarmos o critério da licitude. a um só tempo. por óbvio. as condições poderão ser: a) lavoura”. natural. Rel. quanto à origem.980/SC.5 promitente vendedor. Termo. c) mistas – são as que derivam não apenas da vontade de uma das partes. Também espécie de determinação acessória. .2. b) potestativas – já analisadas. alheio à vontade das partes. São as que dependem da vontade de uma das partes. poderão ser simplesmente potestativas ou puramente potestativas. O acórdão recorrido. o termo é o acontecimento futuro e certo que subordina o início ou o término da eficácia jurídica de determinado ato negocial. 2. não sanada a omissão do acórdão acerca da natureza das arras. auferir vantagem com os valores retidos. Ex. tampouco o recorrente opôs embargos de declaração para aclarar tal ponto. além do que a conclusão da obra atrasada. mas também de um fator ou circunstância exterior (como a vontade de um terceiro). casuais – as que dependem de um evento fortuito. Com efeito. se formares a sociedade com fulano”. LUIS FELIPE SALOMÃO. Recurso especial improvido. o recurso especial esbarra na Súmula 356/STF.: “darei o capital de que necessitas. se chover na 2. Ex.: “Doarei o valor. pode não ocorrer. Consoante visto acima. DJe 12/08/2010) Em seqüência. se confirmatórias ou penitenciais. QUARTA TURMA. uma vez mais. MIN. (REsp 877. 3. não deixa explicitado se as arras têm natureza confirmatória ou penitencial. julgado em 03/08/2010.

quando estipulado (ex. como condição suspensiva. confiram-se os seguintes artigos: Art. nem o exercício do direito. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. consiste em um prazo determinado pelo juiz para que o devedor de boa-fé cumpra a sua obrigação). 136. cumpre-nos mencionar. de graça – fixado por decisão judicial (geralmente contrato. certeza (quanto à ocorrência do fato). . caso em que se invalida o negócio jurídico.3. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível. com o encargo de você pagar pensão de um salário mínimo à minha tia idosa). 2. salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. que a doutrina costuma apresentar a seguinte classificação do termo: a) b) c) convencional – fixado pela vontade das partes (em um legal – determinado por força de lei. Não subordina a aquisição. salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade. pelo disponente. 137.6 Possui. duas características Finalmente. Modo ou encargo é a determinação acessória acidental do negócio jurídico que impõe ao beneficiário um ônus a ser cumprido. fundamentais: a) b) futuridade. por exemplo). em prol de uma liberalidade maior.: doou-te uma fazenda. Art. fundamentalmente. No Código Civil. Modo ou Encargo.

no prazo previsto em lei. Não é recomendável. em virtude da inércia do seu titular. vale dizer. nasce para o titular a pretensão. a qual se extingue. a “pretensão”. pela prescrição. e seguindo a melhor técnica. 205 e 206. (grifos nossos) Em sala da aula. pois. dizer-se que a prescrição ataca a ação. Prescrição A prescrição consiste na perda da pretensão. esta matéria será devidamente desdobrada e aprofundada. mas sim.7 TEMA 02 – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 1. nos prazos a que aludem os arts. Por pretensão. Nesse diapasão. Violado o direito. é o poder de exigir a submissão de um interesse subordinado (do devedor da prestação) a um interesse subordinante (do credor da prestação) amparado pelo ordenamento jurídico”. 189. dispõe o novo Código Civil: TÍTULO IV DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA CAPÍTULO I DA PRESCRIÇÃO Seção I Disposições Gerais Art. segundo o critério científico adotado pelo novo Código. . entenda-se o “poder de exigir de outrem coercitivamente o cumprimento de um dever jurídico.

11. Na hipótese em apreço.280/2006. foi conferida nova redação ao 219. 194 do Código Civil. por conseqüência. DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Precedentes.º. 193 do Código Civil. § 5. para o reconhecimento ex officio da prescrição. Nesse sentido.º 11.051. o STJ: PROCESSUAL CIVIL. 193 DO CÓDIGO CIVIL. fora editada a Lei n. 11. PRESCRIÇÃO ARGÜIDA EM CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO.830/1980). RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. de 17/02/2006. para admitir que o . que entrou em vigor em 16/05/2006. QUINTA TURMA. § 5. como a sentença de primeiro grau foi proferida após a vigência da mencionada Lei. julgado em 25/09/2008. 219. um importante aspecto deve ser destacado. afastando. 3. ART. Rel. 4. Recurso especial desprovido. Inovando. pelo Tribunal a quo. Com a publicação da Lei n. do Código de Processo Civil. Ministra LAURITA VAZ.º.8 No entanto. pois em dezembro de 2004. a Lei n. PRESCRIÇÃO. revogando. que modificou a Lei de Execução Fiscal (6. Precedentes. nesse ponto. o art.280/2006 passou a admitir o reconhecimento de ofício da prescrição. 1. que a regra não é totalmente nova. ART. aplica-se o disposto no art. DJe 20/10/2008) Vale lembrar. SENTENÇA POSTERIOR À PUBLICAÇÃO DA LEI N. DIREITO PATRIMONIAL. QUE ENTROU EM VIGOR EM 16 DE MAIO DE 2006. de ofício. POSSIBILIDADE.280. a restrição atinente aos direitos patrimoniais.º 11. 2. Tendo a parte Recorrida alegado a matéria relativa à prescrição nas contra-razões ao recurso de apelação. não há nenhum óbice ao pronunciamento da prescrição. (REsp 968.365/SP.

Direito Tributário e Direito do Trabalho. 1F Esta possibilidade de reconhecimento de ofício da prescrição. para os processos civis em geral. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. ainda quanto à denominada “prescrição intercorrente”. demonstre que prescrição não há) e ao devedor (para que. antes de o juiz se pronunciar. dos limites da nossa disciplina. DEMORA IMPUTADA AO PODER JUDICIÁRIO.280/2006. 191 do texto codificado. reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato”. a teor o enunciado nº 295 da IV Jornada de Direito Civil: 295 – Art. não retira do devedor a possibilidade de renúncia. Por isso. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. pensamos ser importante a abertura de prazo ao credor (para que. quando a mora é atribuída ao próprio Poder Judiciário 3: 2F PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. por sua vez. 3 A questão pode ganhar outros contornos em sede de execução. Caso o devedor quede-se silente.9 magistrado conhecesse de oficio da prescrição do crédito tributário. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. NÃOOCORRÊNCIA. 191 do CC. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. FUNDAMENTOS SUFICIENTES PARA EMBASAR A DECISÃO. tema que toca a grade de processo do curso LFG. prevista no art. renuncie a esta defesa indireta de mérito). A revogação do art. poderá o juiz pronunciar de ofício a prescrição. 2 . o juiz. poderá. § 4o) 2. especialmente de título judicial. vale anotar haver resistência da jurisprudência. escapando. “§ 4o Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional. de ofício. Finalmente. 535 DO CPC. 191. querendo. 40. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. pois. 11. AUSÊNCIA. 194 do Código Civil pela Lei n. eventualmente. depois de ouvida a Fazenda Pública. Aliás. o tema “prescrição intercorrente” é estudado especialmente pelo Direito Processual Civil.

600) RECURSO ESPECIAL. 144 DA Lei n. PRESCRIÇÃO. 535 do CPC.10 1. não comportaria interpretação extensiva: PROCESSO CIVIL .2006 p. Ministro 314) Acrescente-se ainda que. assentando-se em fundamentos suficientes para embasar a decisão. 2. CULPA DO EXEQÜENTE. constante na Lei de Execução Fiscal. do RI/STJ.2005 p. a demora na citação. §§ 1º e 2º.07. os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual obscuridade. Não há omissão quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e precisa sobre a questão posta nos autos. DJ 04. parágrafo único. conforme já decidiu o STJ. pelo que não se opera a prescrição intercorrente. DJ 01.TRIBUTÁRIO . DEMORA NA CITAÇÃO. . .ART. O agravante não procedeu ao cotejo analítico do acórdão recorrido e dos paradigmas. a previsão de reconhecimento de ofício da prescrição intercorrente. (AgRg no Ag 618.12. Conforme previsto no art.909/PE.2006.Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício. 541.EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NATUREZA TRIBUTÁRIA SÚMULA VINCULANTE N. QUINTA TURMA. 3. Rel. conforme exigência dos arts. julgado em 24. e 255. (Súmula 106) (REsp 827. do CPC. não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência. Rel.948/SP. 4. 8/STF .05. julgado em 21. 3. contradição ou omissão existentes na decisão recorrida. Inteligência da Súmula 106/STJ. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA.2005. INEXISTÊNCIA. TERCEIRA TURMA.11. por motivos alheios à vontade do autor.807/60 HUMBERTO GOMES DE BARROS. A demora na prestação jurisdicional resultou exclusivamente do mecanismo judiciário. Agravo regimental improvido.

40. Ausente o debate acerca da natureza tributária das contribuições previdenciárias com fatos geradores anteriores à CF/88. DA LEI N.2008) Em conclusão. bem como do arquivamento do feito executivo.772/PA. Inteligência da Súmula n. porque veda-se carente o de conhecimento matéria prequestionamento. 6. Recurso especial conhecido em parte e. 8.11 AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO SÚMULA 282/STF - PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE . vale anotar ainda que. no procedimento da rescisória. O art. 3. 2.830/80 . de aplicação restrita aos executivos fiscais.09. O STF. Prescindível a intimação do credor da suspensão da execução por ele mesmo solicitada. desde que intimada previamente a Fazenda Pública. nesta parte. somente invocada da nas razões de pelo recurso STJ especial. julgado em 05. 4. 6.08. não provido. 282/STF. Rel. . 40. § 4º. § 4º.NORMA ESPECIAL . Ministra ELIANA CALMON. Aplicação da Súmula n. (REsp 960. decorrência automática do transcurso do prazo de um ano de suspensão e termo inicial da prescrição.2008. 174 do Código Tributário Nacional.SÚMULA 314/STJ. da Lei n. aplicando-lhes o prazo prescricional do art.830/80 é norma especial em relação ao CPC. Execução fiscal paralisada há mais de 5 anos encontra-se prescrita. a teor da súmula 264 do STF: “VERIFICA-SE A PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE PELA PARALISAÇÃO DA AÇÃO RESCISÓRIA POR MAIS DE CINCO ANOS”. admite-se este tipo de prescrição.DECRETAÇÃO DE OFÍCIO INTIMAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA: EXISTÊNCIA . 6.ART. e autoriza o reconhecimento de ofício da prescrição intercorrente. pacificou o entendimento sobre a natureza tributária das contribuições previdenciárias. PRIMEIRA TURMA. pela Súmula Vinculante n. 5. 1. 314/STJ. DJe 01.

assim entendida aquela que é certa quanto à sua existência e determinada quanto ao seu objeto. n. não faz sentido exigir que o prazo prescricional para essa ação seja definido a partir da natureza jurídica da causa debendi. apesar de ser um ato de efeitos ex tunc. Nesse contexto. 206. DIREITO CIVIL. O prazo prescricional das ações de indenização por abandono afetivo começa a fluir com a maioridade do interessado. § 5º. Isso porque não corre a prescrição entre ascendentes e descendentes até a cessação dos deveres inerentes ao pátrio poder (poder familiar). monitória”: arrematando o tema “prescrição”. mesmo tendo ocorrido o reconhecimento da paternidade na vigência do CC/2002. os fatos narrados pelo autor ocorreram ainda na vigência do CC/1916.576-RJ. do CC). Conforme a Súm. deve-se considerar que o cheque prescrito é instrumento particular representativo de obrigação líquida.12 Finalmente. 206. independentemente da relação jurídica que deu causa à emissão do título. REsp 1.298. AÇÃO MONITÓRIA DE CHEQUE PRESCRITO. . razão pela qual a ação monitória submete-se ao prazo prescricional disposto no art. Luis Felipe Salomão. como não é necessária a indicação do negócio jurídico subjacente por ocasião da propositura da ação monitória. segundo a jurisprudência do STJ. Precedentes citados: REsp 430. No caso. e AgRg no Ag 1. “é admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito”. assim como a sua maioridade e a prescrição da pretensão de ressarcimento por abandono afetivo. Ademais. Quanto ao prazo dessa ação. PRAZO PRESCRICIONAL. PRESCRIÇÃO. Rel. O prazo prescricional para propositura de ação monitória fundada em cheque prescrito é de cinco anos (art. seguem importantes decisões referentes ao “abandono afetivo” e à “demanda INDENIZAÇÃO POR ABANDONO AFETIVO. 247. DJ de 23/9/2002. Min. § 5º. este não gera efeitos em relação a pretensões já prescritas. DJe de 16/8/2010.622-SP.839-MG. do CC. julgado em 21/8/2012. I. I. 299/STJ.

312SP. e REsp 445. Min. Determinado prazo é considerado “decadencial”.810-SP. respeito que ao tem por de objeto a exercício direitos Prazos prescricionais  derivam sempre da lei  extinguem uma pretensão Prazos decadenciais  derivam da lei ou da vontade das partes  extinguem um direito potestativo . DJe 18/6/2009. para o adequado entendimento da matéria: da diz prescrição. Rel.038. REsp 1. AgRg no REsp 721. E um importante ponto deve ser bem realçado: diferentemente dos prazos prescricionais. DJe 17/10/2011. sem que este nada possa fazer”.339. poderíamos apresentar o seguinte quadro. DJ 16/12/2002. que sempre são LEGAIS.874-RS.029-SC. Decadência Diferentemente pretensão. Em síntese. os decadenciais poderão derivar da LEI ou da VONTADE das próprias partes. REsp 926. a decadência potestativos. Sidnei Beneti. DJe 3/11/2008. 2. julgado em 9/10/2012. entendendo-se este como sendo “o poder jurídico conferido ao seu titular de interferir na esfera jurídica terceiro.104-SP.13 Precedentes citados: REsp 1. quando nasce com o próprio direito potestativo.

que. 205 e 206. CDC. com o prazo DECADENCIAL para se exercer o direito potestativo de reclamar pelo vício do produto ou do serviço. previsto no art. Ação de prestação de contas. Rel. Prazo decadencial. Agravo no recurso especial não provido. DJe 05. julgado em 21. TERCEIRA TURMA.O art. 26.09. especialmente para a prova de Direito do Consumidor  não confunda o prazo PRESCRICIONAL que tem o consumidor para formular pretensão de reparação civil pelo fato do produto ou do serviço (acidente de consumo). qualquer outro prazo. decidiu o STJ: Consumidor e processual civil. 26 da mesma Lei (30 ou 90 dias). .14 DICA DE CONCURSO  Cumpre-nos observar. é considerado decadencial.2008. Agravo no recurso especial. Não-aplicação do CDC. de maneira que. no novo Código Civil.TEXTOS COMPLEMENTARES . sobre este art. Outra dica. Aliás. Ministra NANCY ANDRIGHI. a teor do art. 26 do Código de Defesa do Consumidor destina-se a vícios aparentes ou de fácil constatação e vícios ocultos. constante na Parte Geral ou Especial.2008) 03 . (AgRg no REsp 1045528/PR. Não tem qualquer interferência com o julgado que se limitou a afirmar a ausência de provas sobre a correção dos lançamentos que justificaram o saldo devedor.08. regulando a decadência. 27 do CDC (5 anos). a opção legislativa foi no sentido de aglutinar os prazos prescricionais apenas nos arts.

extraordinário) ou 5 anos (usucapião ordinário). que foram reduzidos de 20 para 10 anos (art.15 3. 2028. dispõe que: Art. Uma análise mais acurada do referido diploma indicará que o legislador. Passados 12 anos. . Serão os da lei anterior os prazos. 177. se forem por este reduzidos. a reduziu exemplo os do prazos prazo anteriormente lei revogada.028. é um artigo que merece a nossa mais detida atenção. e se. CC-02).1. quando reduzidos por este Código. CC-16 e art. ou os prazos A de usucapião. Imagine-se que um determinado sujeito haja cometido um ato ilícito antes da vigência do novo Código. razão específica sob comento precisamente. ainda estejam em curso na data da vigência do novo Código. sem dúvida alguma. a vítima (credor) ainda não formulou em juízo. a pretensão indenizatória contra o agente causador do dano (devedor). em inúmeras previstos de na suas normas. iniciados na lei anterior. Um exemplo irá ilustrar a hipótese. e que foram reduzidos pelo novo diploma legal. em seu art. na data de sua entrada em vigor. em resolver a intrincada questão referente à incidência da nova lei em relação aos prazos que. . especialmente no que tange aos prazos que já estavam em curso. ao disciplinar a solução do conflito intertemporal de leis. 205. para que não cheguemos a conclusões absurdas. por meio da conhecida “ação ordinária de reparação civil”. que da diminuíram norma para 15 (usucapião consiste. Este. 2.Desmistificando a Contagem de Prazos no Código Civil (ARRUDA ALVIM e PABLO STOLZE GAGLIANO) O Código Civil. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. prescricional máximo das pretensões de natureza pessoal.

16 Sob a égide do Código de 1916 pretensões pessoais indenizatórias prescreviam. analisando o Código Civil Alemão. se já houvesse transcorrido mais da metade do tempo previsto. a sua contagem dar-se-á dia-a-dia. Entrando em vigor a nova lei. pergunta-se: quantos anos restariam para se completar o prazo máximo. como se sabe. § 3°. V). na data da entrada em vigor da lei nova. já havendo transcorrido 12 anos na data da vigência do novo Código. remanescer o lapso de 8 anos. CC-16). adota-se o prazo estabelecido pela lei anterior. sugere que: “Se a lei nova reduz o prazo de prescrição ou decadência. fica claro que faltariam três a contar da vigência de lei nova. e. ainda que mais dilatado. devendo-se advertir que. mais da metade do tempo estabelecido pela lei anterior (10 anos). Por mais que se afigure estranho o fato de a lei revogadora reduzir o prazo para 3. No entanto. ainda assim. Dessa forma. b) se o prazo menor da lei nova se consumar antes de terminado o prazo maior previsto pela anterior. 177. se. esta foi a opção do legislador. que entendeu por bem manter a incidência da lei superada. há que se distinguir: a) se o prazo maior da lei antiga se escoar antes de findar o prazo menor estabelecido pela lei nova. 206. se somente houvessem transcorrido sete anos (menos da metade do prazo estabelecido pela lei revogada). WILSON DE SOUZA CAMPOS BATALHA. como visto. no exemplo supra. no prazo máximo de 20 anos (art. entenda-se: “metade do prazo mais um dia”. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. Nesse sentido. 8 (segundo a lei velha) ou 3 (segundo a lei nova)? O nosso Código estabelece. . restarão ainda 8 anos para que se atinja o prazo prescricional máximo extintivo da pretensão indenizatória. por se tratar de prazo de direito material. Pela expressão “mais da metade”. ou seja. que reduziu o prazo prescricional de 20 para 3 anos (art. que prevalecerá o prazo da lei anterior.

é afirmar que a prescrição já havia se operado. pág. PRESCRIÇÃO. a contagem do prazo menor. estabelecendo-se um parágrafo único ao referido art. 2028. sob pena de cometer o grave erro de imaginar que o Código estava vigente na data da consumação do ilícito. NECESSIDADE DE REVISÃO DO CONTEXTO FÁTICOPROBATÓRIO. Todavia. estar-se-ia imprimindo uma retroatividade “astronômica” à lei nova. contando-se o prazo a partir da vigência desta”. 3. cit. a partir da lei nova. a partir da vigência do novo Código Civil é imperativo lógico. CAUSA DANO . que realçasse a contagem do prazo menor. São Paulo: Saraiva. 2002. DEFICIÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO. dispensando profundas reflexões por parte do aplicador do direito. in Novo Curso de Direito Civil. Nota: BATALHA. RECURSO SÚMULA ESPECIAL. Ademais. 508. Wilson de Souza Campos. OBS.. STJ. mesmo na falta deste dispositivo. CONTAGEM QUE SE INICIAL COM A VIGÊNCIA DO NOVO CÓDIGO CIVIL. in “Lei de Introdução ao Código Civil”. APLICAÇÃO.: O próprio STJ perfilhou entendimento no mesmo sentido: CIVIL E PROCESSO NA CIVIL. na hipótese supra.17 aplica-se o prazo da lei nova. ed. por GAGLIANO. derivado das mais comezinhas regras de direito intertemporal. 7. Tal aspecto poderia ter sido melhor explicitado pelo Código. fulminando complemente a pretensão da ADMISSIBILIDADE. (grifamos) A única conclusão a que o intérprete não deve chegar. Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO. PRAZO REDUZIDO. vítima. Rodolfo.

Se opta por não oferecer a queixa e tampouco a representação que a lei lhe faculta. por publicação considerada ofensiva à honra e à dignidade das pessoas.Não há qualquer interesse público no conhecimento da identidade da vítima do crime de estupro. prevista na Lei de Imprensa. Não se pode presumir tampouco que. .A vítima de crime contra o costume tem o direito de não perpetuar seu sofrimento. não por isso deixará de passar pelos constrangimentos da apuração dos fatos. se torne conveniente a exposição pública de seu sofrer.A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. Precedentes.O prazo prescricional em curso. devida por dano moral. É inadmissível o recurso especial deficientemente fundamentado. Aplicação da Súmula 7.A modificação do quantum fixado a título de compensação por danos morais só deve ser feita em recurso especial quando aquele seja irrisório ou exagerado. evidentemente não há interesse social na apuração dos fatos e tampouco na exposição pública de seu nome. STF. por tais motivos. STJ. para além dos autos do inquérito ou do processo criminal. pois a falsidade dos dados divulgados manipula em vez de formar a opinião pública. a partir da Constituição em vigor. . . Aplicável à espécie a Súmula 284. Precedentes. Se o crime contra o costume se encontra sujeito à ação penal pública. . só sofre a incidência da redução a partir da sua entrada em vigor. bem como ao interesse público. pois nem toda informação verdadeira é relevante para o convívio em sociedade. . a indenização tarifada. quando diminuído pelo novo Código Civil.A liberdade de informação deve estar atenta ao dever de veracidade. se a vítima ofereceu a queixa ou a representação. .18 MORAL QUEM DIVULGA DE NOME COMPLETO DA VÍTIMA DE CRIME SEXUAL. havendo aí abuso da liberdade de informação.Não mais prevalece. . . do sofrer contínuo. QUANTUM RAZOÁVEL.

A aplicação da lei nova.600/SP.028 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002.028 do Código Civil de 2002. 2. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. À luz do novo Código Civil os prazos prescricionais foram reduzidos. DJ 10. de modo a reduzir prazo prescricional referente a situações a ela anteriores e sujeitas a um lapso prescricional superior.2008. 2. 3. estabelecendo o art. INOCORRÊNCIA. ART. na data de sua entrada em vigor. PROCESSUAL CIVIL. 1. PRESCRIÇÃO. (REsp 896.19 Recurso Especial não conhecido.2007 p. TERMO INICIAL. TERCEIRA TURMA. julgado em 26. COBRANÇA DE ALUGUERES. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. Ministra NANCY ANDRIGHI. CÓDIGO CIVIL. Recurso especial conhecido e provido. Rel. RECURSO ESPECIAL. 372) CIVIL. PRAZO. Rel. que prescreve em três anos a pretensão de reparação civil. julgado em 29. o termo a quo do novo prazo é o início da vigência da lei nova. e se.12. DJ 17. V. DANOS MORAIS E MATERIAIS. Infere-se. portanto. quando reduzidos por este Código. nas hipóteses em que incide a regra de transição do art. § 3º. EXEGESE. 2. Já o art.2007. 2. Dessa forma.028 assenta que "serão os da lei anterior os prazos. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.02.2008 p. disciplinado pela lei revogada. CIVIL. caso se considere a data do fato como marco inicial da contagem do novo prazo. PRESCRIÇÃO. no caso 11 de janeiro de 2003. 1. VIGÊNCIA.635/MT. efetivamente importará em atentado aos postulados da segurança jurídica e da irretroatividade da lei. SEXTA TURMA. (REsp 948. 1) LOCAÇÃO. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada". 206.11. que tão-somente os prazos em curso que ainda não tenham atingido a metade do prazo da lei anterior .03. e não a data em que a prestação deixou de ser adimplida.

PROCESSUAL CIVIL .À luz do novo Código Civil o prazo prescricional das ações pessoais foi reduzido de 20 (vinte) art.INOCORRÊNCIA .PRAZO .PRESCRIÇÃO . a pretensão do ora recorrente não se encontra prescrita.NOVO CÓDIGO CIVIL . atenta aos princípios da segurança jurídica. do direito adquirido e da irretroatividade legal. DJ 29.VIGÊNCIA . 11 de janeiro de 2003. 2.2006.028 assenta que "serão os da lei anterior os prazos. Entretanto. 3 (três) anos. consoante nossa melhor doutrina. Já o Recurso conhecido e provido. julgado em 04. do direito adquirido e da irretroatividade legal.06.20 (menos de dez anos) estão submetidos ao regime do Código vigente. pois o ajuizamento da ação ocorreu em 24. origem. QUARTA TURMA. 3. portanto. assim. Infere-se. Ministro JORGE SCARTEZZINI. e se. 2. 254) E também: CIVIL . quando reduzidos por este Código. na data de sua entrada em vigor. antes. que tão-somente os prazos em curso que ainda não tenham atingido a metade do prazo da lei anterior (menos de dez anos) estão submetidos ao regime do Código vigente. do decurso do prazo prescricional de três anos previsto na vigente legislação civil.TERMO INICIAL.AÇÃO MONITÓRIA . Conclui-se. ou seja. Entretanto. esses três anos devem ser contados a partir da vigência do novo Código.RECURSO ESPECIAL . para reconhecer a e não da inocorrência da prescrição e determinar o retorno dos autos ao juízo de .2003. atenta aos princípios da segurança jurídica. data da ocorrência do fato danoso. 1 . portanto. os novos prazos devem ser contados a partir da para 10 (dez) anos. no caso em questão.05. que.195/DF. ou seja. (REsp 698. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada". Rel. consoante nossa melhor doutrina.2006 p.05.

Recurso não conhecido. Almeida Paiva defendeu. o professor J. pois o ajuizamento da ação ocorreu em 13/02/2003.uol. 3 .Conclui-se. 11 de janeiro de 2003. (REsp 848. 2.br/doutrina/texto. diria eu) no art. Um mês. que. ou seja.com.2. É que há uma incoerência (ilegalidade "vertical". DJ 05.asp?id=3517 Vladimir Aras Procurador da República no Paraná Em recente artigo. – Vigência do Código Civil (Vladimir Aras) A polêmica data de vigência do novo Código Civil Texto extraído do Jus Navigandi http://jus2. que o novo Código Civil entrará em vigor em 11 de janeiro de 2003.12. assim. Todavia. no caso em questão.161/MT.044 do Código Civil de 2002. e não da data da constituição da dívida. QUARTA TURMA. com acerto. Rel. a pretensão da ora recorrida não se encontra prescrita. mas divirjo quanto ao método de determinação desse dies ad quem. após o advento da nova legislação civil. 2 . com quem concordo quanto à data de entrada em vigor do novo Código. A.21 vigência do novo Código. Ministro JORGE SCARTEZZINI. julgado em 05. por ter estabelecido o .2006. a polêmica não cessa nas substanciosas considerações do estimado advogado paulista.02.2007 p. 257) 3.

somente em dias (e não em anos ou em meses). que veio a lume exatamente para regular a forma de elaboração e redação das leis nacionais. 107/2001. quando o estatuto civil adotou o critério anual. exige quórum mais qualificado para aprovação (maioria absoluta) e é hierarquicamente superior ao Código Civil de 2002. da LCF n. 10. da Carta de 1988. 2.044 do novo Código Civil e o art. 59. já estava em vigor o preceito cogente da norma complementar federal. ainda que afastada esta opção (não de todo descartada). que não passa de lei ordinária. É que o §2º do art. 59. Facilmente se identifica o problema. atendendo ao comando do art. é preciso observar que a matéria em questão (elaboração de diplomas normativos) tem reserva de lei complementar por expressa disposição constitucional (art. da CF). Então. determina expressamente que as leis brasileiras (todas elas) devem estabelecer prazo de vacância em dias.044 do Código Civil de 2002 terá desconsiderado matéria sujeita . quem ao discorde da de idéia que da não existência se de fundamento dá cotejo hierárquico entre lei complementar e lei ordinária. alterada pela LCF n. 8º da Lei Complementar Federal n. o art. inciso II. por ser complementar (arts. 95/98. parágrafo único. descartando o critério unificador. Mas. 95/98. 95/98. é patente a ilegalidade vertical entre o art. Há ilegalidade vertical. De qualquer modo. na forma: "Este Código entrará em vigor 1 (um) ano após a sua publicação". Quando a Lei n. com a cláusula "esta lei entra em vigor após decorridos (o número de) dias de sua publicação". 95/98. e 69 da Constituição de 1988). Não se trata de mero detalhe ou firula. pois a LCF n.22 prazo de "vacatio legis" da nova norma civil utilizando o critério anual: "um ano". o Código Civil de 2002 devia (e deve) obediência à Lei Complementar n. da contagem em dias. 8º. havendo ou não a ilegalidade vertical. 2. 59. §2º.406/2002 foi publicada. parágrafo único. Sendo assim.

8º. da LCF 95/98 (com inclusão da data da publicação e do último dia do prazo). do art. como se tivesse estabelecido o prazo da vacância do diploma em 365 dias (e não 1 ano). termo final de contagem. 30 em junho. . teríamos reduzido substancialmente (quiçá eliminado) a polêmica em torno da exata data de início da vigência do novo Código e de outras tantas leis ordinárias. 31 em agosto. levam-nos ao dia 10 de janeiro de 2003. começando-se a contagem pelo próprio dia 11/01/2002. Para os 365 dias da "vacatio legis". 31 em julho. em lugar de fazêlo em 1 (um) ano. Se o art. 810. é o da entrada em vigor do novo Código Civil. 31 em outubro. 11 de janeiro de 2003.044 do Código Civil de 2002 tivesse estabelecido o prazo da vacância em dias. Contando-se esse prazo em dias na forma do §1º. chegamos ao dia 11 de janeiro de 2003 como de início da vigência do novo Código Civil (Lei Federal n. 2. 30 em novembro e 31 em dezembro. de 1949. É fácil entender: o Código Civil de 2002 foi publicado no Diário Oficial da União de 11 de janeiro de 2002. 31 dias em março. tem-se que o dia subseqüente. 8º. inclusive. 28 dias em fevereiro. Os 365 dias da vacância. 10. até o dia 10. contam-se mais dez dias em janeiro de 2003. deve-se ler o art. São 21 dias em janeiro de 2002. aplicando-se conjuntamente os §§1º e 2º do art. 30 em abril. totalizando 355 dias. da LCF 95/98. Pelo critério ora proposto.406/2002). alcançando-se o marco legal ou dies ad quem. como o fez. inclusive. independentemente do conceito de ano civil previsto pela Lei n. Logo.044 do novo Código Civil. 31 em maio.23 a cláusula constitucional de reserva de lei complementar. 2. 30 em setembro. 365 dias.

Disponível em: <http://jus2. nov. Professor da Universidade Federal da Bahia e da Rede LFG. 4.2002) Elaborado em 10. 4 . 60. Segue. ano 7.br/doutrina/texto. Bom estudo! Responsabilidade Civil pela Perda do Tempo Pablo Stolze Gagliano 4 3F “O tempo é rei. FIQUE POR DENTRO A natureza jurídica do “tempo” é um dos temas mais instigantes (e desafiadores) para o Direito. n. Vladimir.24 Sobre o texto: Texto inserido no Jus Navigandi nº60 (11. pois. e a vida é uma lição” (Senhor do Tempo. Jus Navigandi. um artigo acerca da responsabilidade pela perda do tempo livre e o desvio produtivo do consumidor. Teresina. Pós-Graduado em Direito Civil pela Fundação Faculdade de Direito da Bahia. Fonte: ARAS.uol.asp?id=3517>.2002. 2002. banda “Charlie Juiz de Direito. A polêmica data de vigência do novo Código Civil . conforme pudemos perceber ao longo do estudo da prescrição e da decadência. 2008.com. Acesso em: 29 mar. Mestre em Direito Civil pela PUC-SP.

Porque longe das cercas Embandeiradas. este “algo inexplicável” que une pessoas e vidas. No cume calmo Do meu olho que vê Assenta a sombra sonora De um disco voador.. na linguagem da crença religiosa. você compreenderá a verdade cósmica dita pelo profeta RAUL SEIXAS. em 29 de janeiro de 2013.25 Brown Jr. na música “Ouro de Tolo”: Eu que não me sento No trono de um apartamento Com a boca escancarada Cheia de dentes Esperando a morte chegar. 5 . o fato é que. um dia. física. Esta “sombra sonora de um disco voador” traduz. Que separam quintais...”. São Paulo. poética ou matemática da cada um. A Importância do Tempo em Nossas Vidas 5 4F Existe algo inexplicável por trás desta nossa complexa realidade. moldam sonhos e Tópico baseado em palestra proferida por ocasião das comemorações pelos 10 anos de fundação da Rede de Ensino LFG. composição: Heitor/Chorão) 1.. O que de fato faz a sua vida ter sentido? A posição social que você alcança? O cargo cobiçado que você tanto almeja? O dinheiro que você acumula? Sem menoscabar a importância dessas metas materiais de vida.

você conheceu diversas figuras jurídicas: o contrato. E. deixa de ser um simples fato natural.26 firmam projetos. o tempo é um “fato jurídico em sentido estrito ordinário”. Uma chuva em alto mar. Estática. que não podem passar indiferentes ao jurista do século XXI. por exemplo. Todavia. e passa a ser um fato jurídico.) . a empresa. de uma vez por todas.. “dinâmica” (ou seja. por isso. Na perspectiva mais difundida. a posse. apto a deflagrar efeitos na órbita do Direito. E o tempo? Você saberia dizer qual a sua natureza jurídica? 2.. Isso porque determinará a ocorrência de importantes efeitos obrigacionais entre o proprietário e a companhia seguradora. causando graves prejuízos a uma determinada construção. Certamente. ao longo de todo o bacharelado. como já tivemos. Mas nem todos os acontecimentos alheios à atuação humana merecem este qualificativo. espancando. ou seja. a falsa ideia de que a vida é um mero conjunto de coincidências. é preciso considerar o tempo em uma dupla perspectiva: Dinâmica. se a precipitação ocorre em zona urbana. a família. a propriedade. objeto de um contrato de seguro. determinante de efeitos na órbita jurídica. o nosso tempo tem um profundo significado e um imenso valor. inclusive. Para a) b) O Tempo em Dupla Perspectiva bem respondermos a esta pergunta. é fato da natureza estranho para o Direito. um acontecimento natural. que passou a ser devedora da indenização estipulada simplesmente pelo advento de um fato da natureza. (. em movimento). a oportunidade de escrever: “Considera-se fato jurídico em sentido estrito todo acontecimento natural. qualificado pelo Direito.

a morte. . por outro lado. E parece que. a doutrina percebeu isso. As exigências da contemporaneidade têm nos defrontado com situações de agressão inequívoca à livre disposição e uso do nosso tempo livre. especialmente no âmbito do Direito do Consumidor. págs. 15ª ed. na seara consumerista.078/1990) preconize que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo devam ter padrões adequados de qualidade. 3. Rodolfo. 345-346. costumeira. em favor do interesse econômico ou da mera conveniência negocial de um terceiro. São Paulo: Saraiva. 5F Em perspectiva “estática”. um relevante bem. o decurso do tempo 6”. Sucede que. segundo preleção de MARCOS DESSAUNE. a doutrina. especialmente aquela dedicada ao estudo da responsabilidade civil. cotidiana: o nascimento. Novo Curso de Direito Civil – Parte Geral – Volume 1. de durabilidade e de desempenho – para que sejam úteis e não causem riscos ou danos ao consumidor – e também proíba. Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO. ainda são ‘normais’ em nosso País situações nocivas como: tem sido denominado de “Desvio Produtivo do Consumidor”. nos últimos anos. quaisquer práticas abusivas. passível de proteção jurídica.27 Os fatos jurídicos ordinários são fatos da natureza de ocorrência comum. de segurança. obra: “Mesmo que o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8. não cuidou de perceber a importância do tempo como um bem jurídico merecedor de indiscutível tutela. Durante anos. finalmente. o tempo é um valor. Responsabilidade Civil pela Perda do Tempo Livre O desperdício injusto e ilegítimo do tempo. em excelente 6 GAGLIANO. este panorama tem se modificado.

contando a mesma história várias vezes.) . ou mesmo pra pedir novas providências acerca de um produto ou serviço defeituoso renitente. tampouco a assistência material que a ela compete 7”. (. um veículo que frequentemente sai de lá não só com o problema original intacto. obrigado a “esperar em casa.. duas. que ilustra. só há dois ou três abertos para atendimento ao público. . págs.. quatro horas aguardando desconfortavelmente pelo voo que está atrasado. diversas são as situações de dano apontadas pelo autor. por causa de um vício reincidente. ou mesmo por um técnico que precisa voltar para fazer o conserto malfeito 8”.) . com calor e com fome – sem obter da empresa responsável informações precisas sobre o problema. mas também com outro problema que não existia antes. 2011. . com as nítidas cores da perfeição. três. merecendo destaque uma delas.Telefonar insistentemente para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) de uma empresa.. para tentar cancelar um serviço indesejado ou uma cobrança indevida. pelo profissional que vem fazer um orçamento ou um reparo. 8 Idem.Enfrentar uma fila demorada na agencia bancária em que. mas repetidamente negligenciado. 6F Em verdade.Ter que retornar à loja (quando ao se é direcionado à assistência técnica autorizada ou ao fabricante) para reclamar de um produto eletroeletrônico que já apresenta problema alguns dias ou semanas depois de comprado.. (. 7F 7 DESSAUNE. Desvio Produtivo do Consumidor – O Prejuízo do Tempo Desperdiçado. dos 10 guichês existentes. Marcos. sem hora marcada. São Paulo: RT.Ter a obrigação de chegar com a devida antecedência ao aeroporto e depois descobrir que precisará ficar uma. algumas vezes até dentro do avião – cansado. pela entrega de um produto novo. 47-48.Levar repetidas vezes à oficina.28 . fl. o intolerável abuso de que é vítima o consumidor. 48. .

é forçoso convir que as circunstâncias do nosso cotidiano impõem um aproveitamento adequado do tempo de que dispomos. se aprofundarmos a investigação científica do tema.. Atualmente. e reflita se tal situação – pela qual talvez você já haja passado –. uma indevida interferência de terceiro. um amigo passou por um problema que bem exemplifica isso. com potencial prejuízo. em minha infância. quer seja nas próprias relações pessoais. mas. é situação geradora de potencial dano.29 Vasculhe a sua própria experiência de vida. ou em divertidas brincadeiras como ‘picula’ ou ‘esconde-esconde’. muitas vezes. na medida em que reconhece. não traduziria um intolerável desperdício de tempo livre. Vale dizer. caro leitor. E. como anotei em recente editorial: “O tempo é o senhor de todas as coisas. relembrando bons momentos vividos na década de 80. até mesmo. nostálgico. não apenas na seara econômica e profissional. no delicado âmbito de convivência familiar. se por um lado. Esse dito popular encerra profunda sabedoria. tablet. Confesso que. posto não tivéssemos os confortos tecnológicos da modernidade – internet. no decurso do tempo. mais próximos do calor dos nossos amigos – na alegre troca de figurinhas (como as dos inesquecíveis álbuns ‘Stamp Color’ e ‘Amar é’). na perspectiva do princípio da função social. em entusiasmadas disputas de ‘gude’. época em que. celular – vivíamos com mais intensidade as 24 horas do nosso dia. Não faz muito.) Todavia. uma força capaz de aliviar muitas dores ou descortinar a verdade imanente à natureza humana. . que resulte no desperdício intolerável do nosso tempo livre. (. descobriremos que a força do tempo expande-se em diversos outros espaços do universo jurídico.. quer seja nos âmbitos profissional e financeiro. esta falta de tempo para viver bem é algo trágico em nossa sociedade – e que merece uma autorreflexão crítica – por outro. tenho a impressão de que as 24 horas do dia não suprem mais – infelizmente – as nossas necessidades. a par de vexatória. apanho-me. sob pena de experimentarmos prejuízos de variada ordem.

Editorial publicado no dia 25 de dezembro de 2012. estou tentando conseguir uma folga no trabalho. por se tratar de conceitos abertos. imponham-nos um desperdício inaceitável do nosso próprio tempo? A perda de um turno ou de um dia inteiro de trabalho – ou até mesmo a privação do convívio com a nossa família – não ultrapassaria o limiar do mero percalço ou aborrecimento. inclusive. Eu sei que. por um determinado serviço não prestado. VITOR GUGLINSKI . determinados prestadores de serviço ou fornecedores de produtos. Pablo Stolze. Responsabilidade Civil pela Perda do Tempo. citando. disponível no: https://www. ‘o tempo não para’. então. E não é justo que um terceiro ‘pare’ indevidamente o nosso. segundo a sua própria conveniência 9”. caberá à doutrina especializada e à própria jurisprudência. como bem lembra o poeta. jurisprudência. mas também punitivo ou pedagógico da própria responsabilidade civil. É justo que. indaguei se ele já havia entrado em contato com a referida companhia. sob pena de a vítima se converter em algoz. como já dito. E. em nossa atual conjuntura de vida. Por isso. ingressando na seara do dano indenizável. para tentar resolver isso. sob o prisma da teoria do abuso de direito. 8F Deve ficar claro. na perspectiva.facebook. Respondeu-me.30 Uma determinada empresa passou a cobrar-lhe. nesse contexto. na perspectiva da função social? Em situações de comprovada gravidade. E se eu for à filial da empresa é pior ainda. não apenas compensatório. que nem toda situação de desperdício do tempo justifica a reação das normas de responsabilidade civil. então: ‘Ainda não.. (. Terei de acampar lá’. pensamos que esta tese é perfeitamente possível e atende ao aspecto. levarei a tarde inteira ao telefone. Esta circunstancia tão corriqueira exige uma reflexão.com/pablostolze/posts/399780266768827 .) Até porque.. anota esforço neste sentido: 9 GAGLIANO. estabelecer as balizas hermenêuticas da sua adequada aplicação. do superior princípio da função social. Apenas o desperdício “injusto e intolerável” poderá justificar eventual reparação pelo dano material e moral sofrido. indevidamente. ao ligar. Eu.

Confiram-se algumas ementas: DES.) Dentre os tribunais que mais têm acatado a tese da perda do tempo útil está o TJRJ. TERCEIRA DE CAMARA CIVEL. Falha na prestação do serviço. durante mais de três anos.00. Dano moral configurado. SENTENÇA AÇÃO DE INDENIZATÓRIA. DES. corrente Demanda indenizatória. podendo-se encontrar aproximadamente 40 acórdãos sobre o tema no site daquele tribunal. indevidos.000. passando a admitir a reparação civil pela perda do tempo livre. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE UMA DAS EXCLUDENTES PREVISTAS NO ART. o que sinaliza no sentido do fortalecimento e consequente afirmação da teoria. tem levado a jurisprudência a dar seus primeiros passos para solucionar os dissabores experimentados por milhares de consumidores. Correto o valor da compensação fixado em R$ 2. ALEXANDRE CAMARA . Perda do tempo livre. DESPROVIMENTO DO APELO.Julgamento: 13/04/2011 INTERNET. gerando a perda de tempo útil. Seguro conta correntista.CONSUMIDOR. DANOS MORAIS FIXADOS PELA SENTENÇA DE ACORDO COM OS PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. APELAÇÃO DA RÉ. §3º DO CDC. sem que fosse solucionado. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TELEFONIA E DE ALÉM COBRANÇA PROCEDÊNCIA. (. CARACTERIZAÇÃO DA PERDA DO TEMPO LIVRE. LUIZ FERNANDO DE CARVALHO .. INDEVIDA. Juros moratórios a contar da citação. alguns da relatoria do insigne processualista Alexandre Câmara. Comprovação de inúmeras tentativas de resolução do problema.31 “A ocorrência sucessiva e acintosa de mau atendimento ao consumidor.Julgamento: 03/11/2010 .SEGUNDA CAMARA CIVEL Agravo Interno. 14.. Aplicação da multa . Cancelamento das cobranças que se impõe. descontado Descontos Direito de do Consumidor. Decisão monocrática em Apelação Cível que deu parcial sem provimento autorização ao do recurso do agravado. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS IGUALMENTE CORRETOS.

com.info/autor/Mahatma_Gandhi/ . Bibliografia: Novo Curso de Direito Civil – Parte Geral Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho. a todos nós. 10 GUGLINSKI. em lenta asfixia. n.com. 12 Fonte: http://www. (www. ano 17. mas da vontade férrea”. sobretudo. Saraiva. de uma tese relativamente nova .” (grifei) 9F Em verdade. doutrinárias e jurisprudenciais -. . Ed. Teresina. Danos morais pela perda do tempo útil: uma nova modalidade. mata. Dica: Além da jurisprudência. aos poucos. pela usurpação injusta do tempo livre.com.br ou www. uma mais detida reflexão acerca da sua importância compensatória e.editorajuspodivm.ao menos se levarmos 10F em conta o atual grau de penetração no âmbito das discussões acadêmicas. 2012 11 DESSAUNE. Marcos. consulte.saraivajur.pensador. que.32 prevista no § 2º do artigo 557 do CPC. por se tratar. 12 maio 2012 . que se repetem. utilidade punitiva e pedagógica. Por outro lado. em nossa sociedade. Jus Navigandi. obra citada. Vitor Vilela. não se pode negar. todos os dias. na tentativa. súmulas de interesse da matéria estudada (prescrição e decadência). MENSAGEM Duas lindas frases de Mahatma Gandhi 12: 11F “A alegria está na luta. Acesso em: 25 dez. Isso tudo porque o intolerável desperdício do nosso tempo livre. Disponível em: <http://jus. 3237. no site do STJ. impõe-se. o que não se pode mais admitir é o covarde véu da indiferença mesquinha a ocultar milhares (ou milhões) de situações de dano. silenciosa e invisível. “a responsabilidade pela perda do tempo livre” ou pelo “desvio produtivo do consumidor 11”. no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita”. acessado em 15 de março de 2009. à luz do princípio da função social.br ) 5. Recurso desprovido 10.br/revista/texto/21753>. agressão típica da contemporaneidade. no percentual de 10% (dez por cento) do valor corrigido da causa. “A força não provém da capacidade física. valor dos mais caros para qualquer um de nós.

2 C. .S.D. Pablo. Revisado. sempre! Um abraço fraternal! O amigo.2013.33 Fique com Deus.