You are on page 1of 9

FONTE: CHENU, Marie-Dominique. La litterature comme lieu de La theologie. Revue des Sciences P i!oso" iques e# T eo!o$iques, n. %&, '()(, ". *+-,+. - .

/TER-TUR- COMO .U0-R D- TEO.O0/O texto de Marie-Dominique Chenu, “La litterature comme lieu de La theologie” possui quatro partes: 1. n!elicidade da "eologia #. $ual % esta teologia& '. O campo “liter(rio”da teologia ). Ci*ncia ou poesia&

1. A autora inicia o texto dizendo que este título e a proposta que ele nos dá, surpreenderá, sem dúvida, dramaturgos, críticos, romancistas – que os teólogos e estes aqui talvez, mais ainda, porque o estatuto que a teologia clássica concede aos escritores sobre o seu próprio território é per eitamente devido! existem aqueles em que esta teologia n"o visualiza, é inexistente. #$%& '. (egundo a autora, a teologia n"o recon)ece a literatura, no sentido em que se diz de um poder do qual ela n"o recon)ece o governo de um outro poder. *ue uma tal situa+"o se,a escandalosa..., )á poucas pessoas para con essá-lo verdadeiramente. #$%& .. Assim observa e ,ulga como de ato e de verdade, o padre /. 0uplo1er na sua obra 2a religi"o de /egu13. Apresentada numa a irma+"o de tese, que icou amosa, na 4aculdade de 5etras da 6niversidade de 7strasburgo. #$%& 8. 9on irma+"o deste diagnóstico! os literários izeram uma espécie de obra de /. 0uplo1er, e os teólogos o ignoraram. #$%& :. Ao menos será um amiliar com a )istória da teologia, sobretudo com seus métodos múltiplos e sucessivos, incluído literários, para alertar seus colegas mais ainda depois de um 9oncílio que inscreveu na 9onstitui+"o – ou ent"o! da ;gre,a < rela+"o cong=nita da cultura e da /alavra de 0eus.#$%& >. ?o tempo em que pelo regime de separa+"o imposto a todas as disciplinas, que se tornaram especialidades, se descobrem, no pólo oposto, a coer=ncia dos en@menos de civiliza+"oA é urgente indicar, entre essas coer=ncias, a da literatura e da teologia quaisquer que se,am a é ou a descren+a do )istoriador. #$1& $. Brata-se da realidade ob,etiva dos comportamentos mentais, individuais e coletivos, tanto mais envolventes que se tornaram, no nosso mundo em pro unda muta+"o, atores conscientes ou inconscientes do movimento da )istória. #$1& C. D particularmente nas ronteiras da ci=ncia, lá onde, se poderia dizer, elas se contaminam e se ecundam umas <s outras que aparecem os poderes de inven+"o e que se azem as descobertas. #$1& E. Acrescentemos que o que temos a dizer das artes literárias vale, guardadas as devidas propor+Fes, e em boas propor+Fes, para as artes plásticas, onde a beleza é uma express"o da verdade divina e )umana, material #carnal, diz /egu1& e espiritual, geométrica e inspirada.#$1&

1

1%. Gs manuais de teologia n"o s"o mais ilustrados com imagens de artistas do que o imaginário dos escritores. Has os )istoriadores de arte se bene iciaram com a intelig=ncia teológica das obras pelas quais eles observam a g=nese, tais recentemente... *ual oi e qual deve ser a situa+"o epistemológica da literatura em teologiaI #$1& I/n1e!icidade da Teo!o$ia 1.1- G processo deve ser eito dos dois lados, porque os teóricos e os críticos do empreendimento literário s"o mais reqJentemente também desprovidos de discernimento teológico, que os teólogos de re er=ncias literárias, mas aqui, vamos conduzi-lo ao lado dos teólogos. /. 0uplo1e abre per eitamente este processo em suas pe+as )istóricas e em suas causas doutrinais. #$1& 1.'- G termo 27scolástica3, decididamente ligado < teologia, doutrinal ou moral, e ,á com uma certa iloso ia, leva com ele um ,ulgamento pe,orativo comumente aceito, ai incluído entre os pro anos, onde se critica a 2escolástica marxista3 também quanto < 2escolástica tomista3. #$1& 1..- 27scolástica3 é a quali ica+"o de um g=nero literário do qual a teologia ornece o protótipo. #$1& 1.8- Has o uso da palavra desde os escolasticus das escolas da ;dade Hédia até a 2escolástica barroca3 dos séculos KL;;; e K;K e a 2neo-escolástica3 do século KK cobre quase um mil=nio no decorrer do quais os discernimentos se impFem. #$1& 1.:- Gbservemos aqui o conteúdo e os comportamentos da de ini+"o pe,orativa, aquela precisamente onde a literatura será excluída, n"o somente de ato, mas por principio, como n"o tendo nen)uma raz"o para existir no território da teologia. #$'& II2ua! 3 es#a #eo!o$ia4

'.1- 7timologicamente e )istoricamente, 2teo-logia3 é palavra sobre 0eus em depend=ncia da /alavra de 0eus ao menos nas religiFes que procedem de uma Mevela+"o, aut=ntica ou ictícia #a teologia abular de Larron, a partir dos mitos pag"os&. #$'& '.'- (e 0eus ala aos )omens, 7le alará a língua dos )omens, isto é, n"o somente suas palavras tiradas da gramática #letras&, mas suas imagens, suas categorias, seus procedimentos, seus g=neros literários, seus raciocínios. #$'& '..- 7is que, ent"o, todos os registros da vida do espírito v"o entrar em ,ogo para alar )umanamente a /alavra de 0eus, na é em ato de intelig=ncia de seu ob,eto. *ue super ície )umana para as representa+Fes de 0eusN #$'& '.8- A evolu+"o é de se prever! no inicio o iel se manterá bem próximo dos textos da /alavra de 0eus, em leitura da OíbliaA mas, pouco a pouco, pelo dinamismo de sua intelig=ncia e de suas exig=ncias racionais, sua 2raz"o3 com os procedimentos especí icos, em particular a pesquisa das causas pelas vias da de ini+"o da demonstra+"o, tenderá – entre muitos, e n"o sem resist=ncia – a cobrir um campo cada vez mais extenso, em detrimento das percep+Fes primitivas e do ol)ar cPndido. #$'&

'

'.:- 0entro da cultura pro ana do tempo uma iloso ia conceitualista e racionalizante se apresenta, e eis que o teólogo emprega os instrumentos e sede a seu prestigio. #$'& '.>- Assim oi quando, a partir do século KL;;, para além de 0escartes e depois dele, o equilíbrio da cogita+"o ilosó ica se deslocou ao encontro dos valores de instinto e de intui+"o, em dire+"o ao ideal de extrema conceitualiza+"o, em uma psicologia racional e uma ontologia que pretendia explicar a realidade mais do que tomá-la em sua exist=ncia. #$'& '.$- 9onduzindo a seu termo 2ontologia conceitual3 de 5eibniz, Qol é levado por seu método analítico, a estabelecer toda a verdade por redu+"o aos princípios primeiros da raz"o, a tal ponto que a ,usti ica+"o das exist=ncias n"o mostrava nen)um outro método sen"o o da análise das próprias ess=ncias. #$'& '.C- Bodas as disciplinas ser"o comandadas por esta lógica abstrata, ai incluído as ci=ncias da sociedade nas quais direitos, obriga+Fes, contratos, ,urisprud=ncias derivar"o as premissas supremas do direito natural. #$'& '.E- /rodigioso concerto da natureza e da raz"o, dirá um de seus admiradores, sobre o qual repousam todas as demonstra+Fes de H. Qol , e nen)um iloso o tin)a ainda empregado algo t"o luminoso e t"o ecundo. #$'& '.1%- (e nós nos re erimos a Qol #R1$:8&, ilóso o de segunda ordem, é que seu ideal de inteligibilidade e seu método dedutivo se in iltraram ent"o, e durante muito tempo, nas constru+Fes e na mentalidade dos ilóso os crist"os e dos teólogos. #$'& '.11- 7m todo caso, é representativo do racionalismo que impregnava )á um século, as artes, a moral as letras, o direito. #$.& '.1'- 0a epopéia, 2discurso inventado com arte para ormar os costumes por instru+Fes dis ar+adas sob alegorias3, como a de inia o /adre 5= Oossu, < estética de QincSelnn para quem a beleza, sendo universal e id=ntica em todos os povos, n"o deve representar um individuo, um movimento, uma paisagem, um instante particular, todo campo é assim trabal)ado, e os teólogos s"o epistemologicamente contaminados e solidários. #$.& '.1.- D a época da religi"o natural, do deísmo #Loltare, 5essing&, das luzes, do progresso do espírito # Bourgot&! en im todas as sombras s"o dissipadas. #$.& '.18- #*ue a luz bril)e em todas as partes N *ue multid"o de grandes )omens em todos os g=nerosN *ue per ei+"o da raz"o )umanaN& da raz"o universal. #$.& '.1:- A arte sagrada, na representa+"o dos mistérios evangélicos, se desenvolve em um meio abstrato. #$.& '.1>- 2G método para inventar é o mesmo que para raciocinar e para alar3, diz 9ondillac. #$.& '.1$- A cria+"o, aquela de 0eus como a dos artistas é conduzida a uma causalidade, abstra+"o eita, em seus e eitos do mistério da pessoa. #$.& '.1C- Gs sacramentos n"o s"o mais os mistérios, mas 2signos práticos3. #$.& '.1E- G /adre Oerru1er estima que alta na Oíblia e no 7vangel)o uma composi+"o regular, e ele escreve para aí remediar, uma Tistória do /ovo de 0eus #1$'C-1$:C& onde 2as di erentes partes, bem ,untas, ormam um corpo únicoA cada dado se re ere a um im geral, os personagens, entre eles mantém uma cena n"o interrompida, até o inteiro des ec)o, cena onde os )eróis pensam, alam e agem, suas a+Fes s"o pintadas e n"o indicadas, seus discursos s"o ouvidos, e seus sentimentos s"o desvelados3. #$.& '.'%- ?en)uma 2)istória de salva+"o3 em tudo isso, que n"o é eita sen"o de conting=ncias sem ordem nem raz"o. #$.&

.

'.'1- A Oíblia n"o é mais, como os padres, aliás, e a liturgia, do que um dossi= disponível de textos que se manipula para provar por autoridade uma tese préestabelecida. #$.& '.''- ?"o )á mais é na /alavra cu,o apetite se nutre de intelig=ncia contemplativa e racional, !ides quarens intelletctum, mais combina+"o )eterog=nea de autoridade de raz"o! após uma busca dita positiva a teologia se organiza em 2ci=ncia das conclusFes3- é a express"o ingenuamente empregada -, que se tira, segundo as leis da lógica, de um dossi= exterior. #$.& '.'.- ?este duplo cientismo, cientismo positivista de uma /alavra de 0eus reduzida )á 2abstratos3, cientismo especulativo onde a argumenta+"o vale por si mesma, concebe-se que a 2literatura3 n"o tem nada a ver nem a azer. #$.& '.'8- G domínio crist"o oi esvaziado de toda a singularidade, de todo acontecimento, de toda a )istória, de toda a aventura, de toda a realidade concreta e de toda imagem, de toda poesia de tudo que resistiria < sistematiza+"o. #$8& '.':- Gs g=neros literários da Oíblia em sua opul=ncia e seu realismo – da epopéia ao romance, do lirismo guerreiro de Uudite e ao poema de amor do 9Pntico dos 9Pnticos -, n"o t=m nada de comum com esta meta ísica sagrada, < qual é submetida < própria cristologia dentro de uma ontologia da pessoa e da natureza. #$8& '.'>- A 7ncarna+"o, como dizia um vel)o mestre escolástico n"o é sen"o um ato contingenteI Gs comentaristas de (anto Bomás de Aquino deixam cair de sua +umma uma série de copiosos artigos consagrados a 2vida de Uesus3, que n"o se presta < especula+"o. Beologia, literatura, dois universos que n"o t=m ronteira comum. #$8& IIIO cam"o 5!i#er6rio7da #eo!o$ia

..1- ?"o seria necessário que esta trans orma+"o da teologia nos mascarasse, com vários trec)os de sua )istória, seu ser, espírito que )abita um corpo e primeiramente uma linguagem. #$8& ..'- ?o limite máximo )á um erro nas palavras. Bomemos seu sentido na teologia, /alavra de 0eus em uma palavra )umana. #$8& ..8- 7m que nós entramos dentro do movimento do 9oncilio Laticano ;;, cu,a a assembléia, se sabe, oi severa para com a 2escolástica3e rede iniu, a partir de suas ontes vivas e segundo os múltiplos recursos de seu intellectum !idei o campo da 2doutrina sagrada3, da )ermen=utica da /alavra de 0eus < teologia como ci=ncia. #$8& ..: /rimeiramente, a mani esta+"o, a Mevela+"o de 0eus n"o nos é eita numa série de proposi+Fes, inscritas nesses textos! ela se realiza ao mesmo tempo nos acontecimentos e nas palavras, os acontecimentos se desenvolvem numa 2economia3, as palavras iluminando o signi icado desses acontecimentos. #$8& ..>- 7ssa articula+"o é inteiramente comandada pelo Acontecimento único, 0eus, vindo um dia na )istória, realizando uma promessa, em perspectiva de uma era messiPnica. #$8& ..$- ?este dia, n"o somente 0eus alou, como antigamente por seus pro etas, mas ele próprio em seu Lerbo e /alavra se ez carne, para que esta )umaniza+"o de 0eus operasse uma diviniza+"o do )omem. #$8& ..C- 7m min)a é eu ten)o que tratar com uma /essoa, n"o com um sistema de pensamento de moral. #$8& ..E- ?"o é somente um acontecimento passado do qual eu lembraria, para uma imita+"o moral, que me proporcionaria méritosA é uma realidade permanente, se desenvolvendo no tempo, em dire+"o a um segunda vinda de 9risto que recapitulará

8

como Tomem universal todos os valores e todas as gra+as, 2termo da )istória )umana, ponto em dire+"o a qual convergem os dese,os da )istória da civiliza+"o, centro do g=nero )umano, alegria de todos os cora+Fes, plenitude de suas aspira+Fes3. #$8& ..1%- Bal é o ob,eto de min)a é, e o descrente se volta a este 2mito3cu,as tramas s"o incontestáveis no decorrer dos séculos. #$:& ..11- D ent"o uma )istória, e, para ser Tistória de (alva+"o ela n"o oge das conting=ncias e do realismo terrestre da )istoria. #$:& ..1'- /lat"o tin)a degenerado em Uamblique, e /lotino tin)a ignorado a )istoria dos )omens. #$:& ..1.- Aqui, é uma 27ncarna+"o3, desde a linguagem elementar até a /essoa do Lerbo. (em dúvida, com o Acontecimento do 9risto, tudo é nV7le realizado, e nada de novo virá na diviniza+"o, porque o 7spírito, que o conduz depois de sua morte é seu 7spírito. #$:& ..18- Has esta distens"o no tempo n"o reduz de orma nen)uma a inova+"o )umana, em um /ovo de 0eus em permanente inven+"o, cria+"o nova, com suas prestigiosas inven+Fes e carismas. #$:& ..1:- 7ste 0eus encarnado, incorporado, n"o é um We@metra, mas o líder de uma )umanidade na qual ele passa, segundo os ritmos dos tempos e dos espa+os, no progresso multi orme e dramático das civiliza+Fes. #$:& ..1>- 2G 7spírito que conduz o decorrer dos tempos e renova a ace da terra, está presente nessas evolu+Fes3. #$:& ..1$- 9omo n"o citar um texto antigo do /. 0uplo1er, per eitamente )omog=neo na sua teologia de /egu1! 2A Oíblia é uma )istória e porque ela é uma )istória ela é inesgotável, ela é o tipo do livro aberto. #$:& ..1C- G 0eus que ele nos revela é um 0eus imprevisível, um 0eus magnPnimo e indulgente, um 0eus que se diverte como /raSriti de 9lodel, um 0eus que n"o ama a uni ormidade, e que, na sua criatura, ignora a partida em lin)a direitaA ele dá a uns mais gra+a do que a outrosA uma certa desordem – aparente- n"o é para l)e azer medo. #$:& ..1E- 7le nos ensina que uma certa imper ei+"o ormal é o signo da vidaA e quando sua obra é eita, ele se maravil)a. 0eus é um artista. ?"o é um engen)eiro3. #$:& ..'%- 0o ponto de vista de /.Oerru1er, se,am tomados pelo estupor e voc=s, teóricos dos sacramentos, leiam agora o texto de Tipólito de Moma # início do século ;;;& que é citado por /. 0uplo1e, iniciador na 4ran+a da renova+"o litúrgica da /áscoa! 2o) cruci icado condutor da dan+a mística, o) esta do 7spíritoN /áscoa divina que desce dos céus sobre a terra e que da terra volta aos céusN ?ova solenidadeN 9on,unto # assembléia& de toda a cria+"oN G) alegria universalN 4esta de )onra, delícias por quem a morte tenebrosa é destruída, anulada, a vida, dada a toda criatura as portas do céu, abertas3. #$:& ..'1- 7is-nos aqui. A Oíblia, primeira medida de todas as teologias crist"s, e, pode-se dizer, teologia por superabundPncia, é um livro de imagens. #$>& ..''- G tipo de inteligibilidade do qual se tornou solidária a Mevela+"o que 0eus ez dele mesmo no mundo, é uma inteligibilidade de tipo literário e n"o 2teológico3. #$>& ..'.- A Oíblia é uma literatura. 0eus aí se revela n"o por um sistema de idéias, ou pelo meio de uma especula+"o sobre as coisas ísicas, meta ísicas, ou morais, mais por uma )istória e )istorias eitas por )omens, nas iguras singulares e nos diversos destinos. #$>& ..'8- 7ste g=nero literário da Mevela+"o divina unda na natureza a teologia da linguagem crist". #$>&

:

..':- D signi icativo que, no despertar da teologia, o primeiro problema a se colocar duramente é o da linguagem dos )omens se eles querem ser iéis ao investimento )umano da /alavra de 0eus, proclamada neles e em volta deles no mundo como uma 2mensagem3, e n"o mais se limita < recita+"o das ormulas adquiridas. #$>& ..'>- 9rise da linguagem, para uma )ermen=utica da reinterpreta+"o permanente. #$>& ..'$- ?"o mais, somente, 2traduzir3, mas 2inventar3, a come+ar pelos textos litúrgicos. #$>& ..'C- *ue cesse o exílio dos poetasN ;sto implica em duas a irma+Fes complementares. #$>& A primeira visa a linguagem imaginativa da Oíblia considerada como a mani esta+"o última da condescend=ncia de 0eus. #$>& ..'E. 0eus, puro espírito, aceita alar por imagens... 7ssa ,enosis tem em contrapartida uma exalta+"o da linguagem )umana, promovida a uma dignidade que a natureza deixada aos seus únicos recursos n"o teria ,amais podido esperar. #$>& ...%- /ara Terder e Taman no século KL;;;, e com eles, grandes alem"es, observa o /. 0., a Oíblia, livro de imagens, é um livro ormalmente poético. #$>& ...1- 0eus, n"o tendo ,ulgado indigno, de se azer escritor, a ,usti+a é para o )omem de l)e recon)ecer esta qualidade e de tomar a Oíblia, ormalmente, por uma literatura. #$>& ...'- 5iteratura, notava Terder, que é, com a de Tomero, um dos grandes reservatórios da poesia no mundo. #$>& ....- D a glória do século K;K ranc=s de ter neste ponto desmentido ao mesmo tempo os enciclopedistas ranceses e os Au SXrer alem"es, e de ter considerado a Oíblia n"o como um livro do qual seria necessário desculpar a )umanidade e dar raz"o a Loltaire, mas, ao contrário, como um dos bens comuns da )umanidade. #$>& ...8- 0o W=nio do 9ristianismo a Oozz adormecido, passando pelos poemas bíblicos de Au red L,gn1, a Oíblia está em toda a parte no primeiro romantismo ranc=s. #$>& ...:- 7la esta ausente dos manuais da teologia que continuam a se alimentar das abstra+Fes de Qoll . #$>& ...>- (e ent"o aceitamos de inir a literatura como uma certa vis"o do mundo ligada em um sistema coerente de imagens que traem uma e outra a personalidade pro unda de um autor, nós podemos dizer, conclui o /. 0. que a rela+"o que a teologia sustenta com a Oíblia é exatamente aquela que az dela uma literatura. #$>-$$& ...$- D aqui que, na proli era+"o deste universo de imagens, emanando de acontecimentos )umano-divinos, desde a cria+"o do mundo até os amores da Oemamada, adultérios n"o excluídos, com suas ormas e segundo suas leis especi icas! o ,ogo das metá oras, desenvolvidas em regime simbólico. #$$& ...C- Gs símbolos s"o a riqueza elementar da Oíblia, como aliás de toda a religi"o. #$$& ...E- 7m nome de sua estrutura literária, observa o /.0. a Oíblia pertence ao domínio do mito e n"o ao da raz"o. #$$& ..8%- D mais exatamente uma ratio que se desvela progressivamente sob as apar=ncias da vestimenta imaginativa que a mani esta no mundo. #$$& ..81- 0izer isso, é dizer da Oíblia que ela é um mito verdadeiro. #$$& ..8'- ?a medida em que este mito é verdadeiro, o tratamento que ele merece vem de um encamin)amento do intelecto )umano, mas na medida em que esta verdade se torna express"o mítica, ela entra de novo para a lei comum da )umanidade3. #$$& ..8.- *ue os protagonistas de uma 2pastoral de massas3 o ten)am como dito, porque as massas se alimentam de mitos e n"o de conceitos ou de teses. #$$&

>

..88- 7is aqui ent"o o texto da conviv=ncia de uma teologia e de uma cultura. #$$& ..8:- G dia em que a teologia cesse de se alimentar de símbolos, e, como parte de sua epistemologia, de ser simbólica, a era das grandes dissocia+Fes estará aberta para a 2cultura crist"3. #$$& ..8>- ?"o tendo mais contato com a cultura que a leva – a cultura bíblica- , a teologia perde um de seus imanentes recursos de viver em simbiose com toda cultura )umana, qualquer que ela se,a, e ,á com a cultura antiga que oi seu primeiro terreno. #$$& ..8>- A rela+"o que a teologia sustenta com as imagens e a literatura de uma época é um dos elementos maiores do diagnóstico a levar sobre a rela+"o que a teologia sustenta com a cultura desta época. #$$& ..8$- G principio é assim colocado sobre uma epistemologia do simbolismo em teologia, como, em outros tempos, com Abelardo, o princípio tin)a sido colocado e colocado sobre uma epistemologia do dialético e do raciocínio. #$$& ..8C- 0isso é previsto a ecundidade. G /.0. menciona em uma alegre esperan+a a redescoberta por ilóso os e literatos, em plena idade da técnica e da ci=ncia, valores )umanos do simbolismo e dos procedimentos de signi ica+"o. *uem sem será este novo AbelardoI #$$& ..8E- G que unda na verdade teológica é o valor irredutível do símbolo, é que ele é o meio )omog=nio para a express"o do mistério. #$$& ..:%- Histério e símbolo camin)am ,untos, n"o somente em categorias de pedagogia crist", mas em toda a cultura. #$$& ..:1- A opera+"o simbólica retoma comigo /.0., n"o é sen"o uma igura literária e gestual recobrindo de ora por um arti ício imaginativo uma realidade escondida! é um meio próprio de exprimir uma realidade misteriosa, gra+as ao desnivelamento existente entre duas realidades da qual uma está apta, de alguma maneira, a representar a outra. #$$-$C& ..:'- 7stamos ai diante de um admirável recurso do espírito, que, em sua ordem e segundo a autenticidade de sua lin)a, é também grande e também ecunda quanto esta outra intelig=ncia que, atingindo as coisas em suas causas obtém daí a ci=ncia. #$C& ..:.- A explica+"o da ci=ncia, a signi ica+"o dos símbolos! dois tipos de con)ecimentos )eterog=neos, que n"o podem se descobrir em sua re er=ncia ao transcendente misterioso. #$C& ..:8- 7ntre tantas re lexFes, notemos que, o símbolo está amea+ado no seu ,ogo, por uma certa distor+"o! ele cai na alegoria, que é uma intelectualiza+"o de seu dinamismo, desviado em uma análise conceitual onde se esgota a sua paix"o. #$C& ..::- Assim esteve ele, as vezes, entre os /adres e longamente na ;dade Hédia, onde as superestruturas re inadas su ocavam com a leitura resca da 7scritura, como elas trans ormavam a liturgia em um ,ogo indeci rável. #$C& ..:>- ?ós seguimos ainda até a nossa linguagem, subprodutos desta decomposi+"o. #$C& ..:$- Uá que evocamos o triste período da escolástica nacionalista dos tempos modernos, e até as vésperas do Laticano ;;, evoquemos aqui o período da teologia dita /atrística, da qual um dos tra+os típicos oi o contato, nutrido com a 7scritura, n"o

$

somente como dado Mevelado, mas como orma literária, com imagem )istórica, concreta, popular. #$C& ..:C- 7is porque e para que, os /adres oram como imergentes na cultura de seu tempo, a ponto de nós nos incomodamos quando apelamos para eles como testemun)as de uma mensagem evangélica para ouvirem nosso tempo. #$C& ..:E- Ao menos s"o eles os protótipos de uma plena teologia sobre o campo de um intellectus !idei. #$C& ..>%- ?o decorrer destes séculos antigos, vem se colocar a teologia 2monástica3 assim c)amada, pois ela se desenvolveu no interior da institui+"o monástica! ela era a teologia de uma 29ristandade3 determinada que a evolu+"o dos tempos e da mentalidades, sacudirá ou comprometerá na sua e icácia e na sua verdade. #$C& ..>1- Has sob esta relatividade, seu pro undo valor n"o é antigo nem em capital teológico nem em sensibilidade cultural, muito menos na Grdem Honástica. #$C& ..>'- 9om raz"o, o /.0. se alegra em manter o con,unto da obra agradável de 0om U. 5eclercq, # obra&. #$C&

IV-

Ci8ncia ou "oesia4

8.1- Has ent"o, onde situar em igual super ície o intellectus !idei que se empen)a intrepidamente e cordialmente nas obras da raz"o, na busca e as questFes da raz"o, com suas análises, seus conceitos, suas de ini+Fes, seus argumentos, é preciso neste ponto manter a teologia literária dos /adres, que se,am tratados como extrapola+Fes tanto o recurso <s categorias dos ilóso os quanto o cuidado de uma organiza+"o sistemáticaI #$E& 8.'- A teologia propriamente dita será somente uma )ermen=utica da /alavra de 0eus, sem ter que se desenvolver em um 2saber3, 20enSen sans Qissen3 para empregar com /.0. um vocabulário alem"oI #$C& 8..- A escolástica n"o é sen"o uma técnica oportuna dentro dos aparel)os da é, mas estran)as ao puro 7vangel)oI (. Oernardo contra Abelardo. #$C& 8.8- (erá su iciente aqui lembrar em sub-obra de uma longa e admirada )istória o princípio da 7ncarna+"o da /alavra de 0eus na palavra )umana, da é na intelig=ncia )umana! todos os registros da raz"o - assim como todas as artes da cultura, mitos e logos – aí podem, no limite máximo, e aí devem estar empen)ados desde a contesta+"o das 2questFes3 # oi o quadro pedagógico e epistemológico da ;dade Hédia& até o saber organizado, que na língua medieval, é c)amado uma ci=ncia, Grdem da 0outrina de (. Bomás, para de inir a inten+"o de sua +umma. #$C& 8.$- 9omo é de se prever no campo bíblico teológico trabal)ado por iguais or+as, e o determinismo dos métodos excluirá, sociologicamente, ora a 2literatura3ora a 2dialética3. #$C& 8.C- A embriaguez racional que o Menascimento da ci=ncia e da sabedoria grega provocou na 6niversidade de /aris no século KL;;;, submergida a 2literatura do século K;;3. #$C& 8.E- 7ntre os teólogos pro issionais, ela trouxe algumas propostas depreciativas sobre as vias do imaginário. #$C& 8.1%- A palavra de (. Bomás sobre o de eito da verdade3 das artes poéticas, 2in!imae inter omnes doctrinas3 , é bem con)ecido. #$C&

C

8.11- Aristóteles n"o tin)a sido mais poeta do que )istoriador. #$C& 8.1'- Has o aristotélico B. de Aquino é também o comentarista de 0enis que l)e ensinava conaturalidade do mistério do símbolo. 2+icut...!iguras3. #$C& 8.1.- 7 aí mesmo, paradoxalmente, Aristóteles vem sustentar seu realismo grosseiro, na uni"o consubstancial da alma e do corpo, os valores da sensibilidade, das imagens, das iguras. 2A alma n"o é de orma nen)uma diminuída e nem manc)ada em recapitular na unidade de sua própria per ei+"o as opera+Fes ísicas, biológicas, psicológicas, técnicas, econ@micas, as quais seu corpo se entrega aparentemente sobre sua própria dire+"o Mira-ilis communio. #$C& 8.1.- Boda obra )umana é em de initivo de uma pe+a3. #C%& 8.18- 7sta unidade vale também no comportamento do teólogo. 7sta 2situa+"o )umana3 unda aos mesmo tempo a corporalidade e a temporalidade! o )omem é na )istória como ele é no seu corpo e nas suas imagens. #C%& 8.1:- Assim o crente é enga,ado na economia da salva+"o. 8.1>- ApoloI 0ionísioI Apolo, imagem eterna da imóvel e única per ei+"o, 0ionísio, antástico e múltiplo na sua embriaguez sempre renovada. #C%& 8.1$- Hito por mito, no mistério crist"o, a embriaguez e a sabedoria possuem alternadamente o iniciado, na medida das )oras, dos tempos, das culturas, na medida dos ,ogos gratuitos de seu 0eus. #C%& ?"o é preciso reduzir nada desta teologia do Lerbo 7ncarnado. #C%& 8.1C- A )istória da teologia deverá ser a )istória do 7vangel)o no /ovo de 0eus. /egu1 aí se colocara e 9lodel, e Oernanos. #C%& 8.1E- Berminemos pelo testemun)o pessoal do /. 0uplo1e., que nós azemos como se osse nosso, após a uma longa experi=ncia. 8.'%- 27u creio pro undamente no estatuto racional e sistemático da pesquisa e do ensinamento em teologia. A vida intelectual da ;gre,a pode se iden i icar durante doze séculos com a única explora+"o, aliás, magní ica, do simbólico-sagrado que l)e ornecia a Oíblia, mas é um ato que o uso do Ymodus ratiocinati.us/, a apari+"o do raciocínio como meio normal de investiga+"o do dado revelado, permitiu somente a constitui+"o da teologia como ci=ncia. A esta ci=ncia, eu n"o renunciarei ,amais por uma retórica ou por uma poética, ossem elas sagradas... 7u creio nos ritos e nos símbolos, nas preces e nos cantos. Has eu creio também nas naturezas das coisas, nas leis e nos ob,etos do espírito. (e osse necessário eu iria até a quintess=ncia.3 #C%&

E