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Norberto Bobbio

A teoria das formas de governo

Tradução Sérgio Bath

10a Edição

EDITORA

UnB

Sumário
Prefácio para a edição brasileira Nota para a edição brasileira Prefácio !elso "a#er $gradecime%tos Nota (%trodução !ap)tulo ( *ma +iscussão !élebre !ap)tulo (( Platão !ap)tulo ((( $rist.teles !ap)tulo (/ Pol)bio $p1%dice !ap)tulo / (%ter2alo !ap)tulo /( 3a4uia2el !ap)tulo /(( Bodi% !ap)tulo /((( 6obbes !ap)tulo (7 /ico !ap)tulo 7 3o%tes4uieu !ap)tulo 7( (%ter2alo8 o +espotismo !ap)tulo 7(( 6egel $p1%dice 93ichela%gelo Bo2ero: $ 3o%ar4uia !o%stitucio%al8 6egel !ap)tulo 7((( 3ar; !ap)tulo 7(/ (%ter2alo8 a +itadura
3 7 13 &' 31 33 3' ,-0777 53 '107 117 1&7 13' 1,-

e 3o%tes4uieu 1-7

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Prefácio para a edição brasileira
Este li2ro %ão é propriame%te um li2ro< = uma série de aulas de filosofia pol)tica mi%istradas %a >aculdade de !i1%cias Pol)ticas da *%i2ersidade de ?urim %o a%o leti2o de 1'7-@70< $p.s ter e%si%ado filosofia do direito dura%te muitos a%osA em 1'7& decidi passarão e%si%o da filosofia pol)ticaA cadeira criada há poucos a%os pela reforma das >aculdades de !i1%cias Pol)ticas< B fato de eu ter dei;ado a matéria 4ue e%si%ara por mais de tri%ta a%osA 4ua%do #á ha2ia 4uase chegado ao fi%al da carreira 94ue se e%cerrou em 1'7':A re4uer uma rápida e;plicação< Em 1'7&A meu 2elho amigoA $lessa%dro Passeri% +CE%trDEesA 4ue poucos a%os a%tes ha2ia i%augurado a primeira cátedra de filosofia pol)ticaA e%trara em goFo de lice%çaA e co%2idou me para suced1 lo< Não hesitei %em um pouco e aceitei8 ambos t)%hamos sido alu%osA ele algu%s a%os a%tes de mimA do mesmo mestreA Gioele SolariA 4ueA com a hist.ria das doutri%as pol)ticasA i%iciara %a (tália um ciclo de estudos co%duFidos media%te rigoroso método hist.rico e com forte i%spiração filos.fica< $ maior parte dos escritos de Solari foram reu%idos em dois 2olumes sob a respo%sabilidade de outro de seus alu%osA "uigi >irpo8 La Filosofia Política, 1'7,:< $o aceitar o co%2iteA co%tribuiria para dar co%ti%uidade a uma tradição 4ue %ão merecia ser i%terrompida< +e2o acresce%tar 4ue está2amos em meados de 05A a%o dos protestos #u2e%isA 4ue foram particularme%te mais i%flamados %a (tália< $ *%i2er sidade italia%a 9embora %ão ape%as a italia%a: mostrara se politiFada e mal politiFada sobretudo %as >aculdades de !i1%cias 6uma%as< PolitiFada %o se%tido de 4ue a re2olta dos estuda%tes 9por4ue se tratou realme%te de uma re2olta: ocorrera sob o lema H?udo é Pol)ticaH ouA i%2ersame%teA mas com o mesmo efeitoA H$ Pol)tica é ?udoH< 3al politiFada %o se%tido de 4ue a re2olta co%tra o poder acad1micoA 4ue também podia ter suas raFIesA muitas 2eFes tra%sformou se em re2olta co%tra a seriedade dos estudosA co%tra a pes4uisa le2ada a efeito com rigorA co%tra a cultura do passado em %ome da atualidadeA %a e;altação do
2ol< (8 Da Campanella a Rousseau, e 2ol< ((8 Da Kant a Comte 9BariA "aterFaA

traordi%ária origi%alidade e fecu%didade das categorias elaboradas pelos gregosA em particular por $rist.fico< 3as e.telesA em particular o famoso "i2ro /A dedicado Ks muda%ças< .riaA com seus problemas %ão resol2idosA %ão recomeça a cada geraçãoJ em sumaA faFer da pol)tica um ob#eto de a%álise racio%al e %ão ape%as uma ocasião de desabafos passio%aisA de pro#etos fa%tasiososA de co%tro2érsias despro2idas de fi%alidade e i%fecu%das< Para i%iciar o meu primeiro curso de filosofia pol)tica %o outo%o de 1'7&A escolhi como tema a relação e%tre sociedade ci2il e Estado de 6obbes a 3ar. e colo4uei como subt)tulo H$ "ição dos !lássicosH< $ lição dos clássicos pode ser di2idida de 2ários modosA ou dese%2ol 2e%do si%teticame%te sua hist.ria das doutri%as pol)ticas< Para um curso de filosofia pol)ticaA 4ue de2eria ter sido mais te.$ ?eoria das >ormas de Go2er%o mais dese%freado te%de%ciosismoA da le2ia%dadeA da impro2isaçãoJ %a substituição do discurso fu%dame%tado e docume%tado pelo pala2reado oco< Parecia chegado o mome%to de faFer e%te%der aos estuda%tes tão i%flamados 4ua%to despreparados 4ue a pol)tica era uma outra coisa e 4ueA com certeFaA era importa%te tra%sformar o mu%doA masA para tra%sformá lo para melhor e %ão para piorA era %ecessário a%tes de tudo compree%d1 lo< Para compree%d1 loA era preciso estudarA relacio%ar os problemas do prese%te aos do passadoA defi%ir os co%ceitos fu%dame%tais para e2itar as superficialidades e as co%fusIesA dar se co%ta de 4ue a hist.telesA a cu#a Política de2e o Bcide%te um sistema co%ceituai 4ue resistiu ao tempo e chegou até %.s praticame%te i%tacto< Era uma idéia 4ue de2ia ser posta K pro2a8 parece me 4ue %e%hum tema se adaptaria mais a esta pro2a do 4ue a forma de go2er%oA %o m)%imo por duas raFIes8 %ão há obra pol)tica clássica 4ue %ão trate desse tema e %ão há autor clássicoA 4ueA trata%do deleA %ão façaA direta ou i%diretame%teA refer1%cia aos autores gregos 9de restoA os termos ai%da ho#e usados mo%ar4uiaA oligar4uiaA aristocraciaA democraciaA autocraciaA tira%ia são de origem gregaA do mesmo modo 4ue os termos co%stru)dos artificialme%teA como tec%ocracia e hierocracia:< $lgu%s a%os mais tardeA %o Lltimo a%o de magistério 91'75@7':A escolhi como tema do curso um outro dos temas recorre%tesA o da passagem de uma forma de go2er%o a outraA e também %este caso o po%to de partida obrigat.ria em forma de ma%ualA desde os gregos até os %ossos diasA escolhe%do um autorA uma escola ou um per)odo a serem tratados em forma de mo%ografia< $mbos os métodos são geralme%te seguidosA pelo me%os %as u%i2ersidades italia%asA %os cursos de hist.rio foi a Política de $rist.ricoA decidi tomar um terceiro cami%ho8 escolher como ob#eto do curso um dos temas fu%dame%taisA 4ue chamei de Htemas recorre%tesHA da teoria pol)ticaA e segui lo de um autor a outro para captar lhe o dese%2ol2ime%to i%ter%o atra2és das afi%idades e das difere%çasA das persist1%cias e das i%o2açIes< Natural me%teA em uma escolha desse tipo está impl)cita uma idéia ce%tral 9%ão 4uero diFer 4ue era propriame%te uma teoria 4ue ti2esse %ecessidade de um outro aparato de docume%tos e de argume%tos:8 a idéia da co%ti%ui dade hist.rico do 4ue hist.iste tambémA embora como subclasseA a idéia da e.rica além das modificaçIesA das rupturasA das co%2ulsIes e também do 4ue de i%)cio parece catastr.

aurido %a segu%da metade do século passado< ?rata se de um térmi%o purame%te ocasio%al e imposto pelas circu%stM%cias< ?a%to o tema %ão se e.auriuA 4ue foi amplame%te dese%2ol2idoA %a trilha da tradiçãoA por duas das maiores obras de teoria pol)tica do século passadoA Vorlesungen ü er Politi!.ercitei para ler as obras do meu colega e amigoA o Professor 3iguel Peale< Qua%do escre2i estas pági%as para os meus alu%os de ?urimA %ão poderia #amais imagi%ar 4ue a mi%ha 2oF chegaria tão lo%ge< $gradeço com particular afeto ao tradutorA ao Professor Nelso% Salda%haA ao Professor !elso "áferA por me ha2er aprese%tado de forma tão i%sig%eA embora com algu%s elogios e. !a%to (/A 2erso 100< . %ão sig%ifica 4ue o tema se te%ha e. de 6ei%rich 2o% ?reitschNe 915'7 15'5: e os "lementi di scien#a política.Prefácio para a edição brasileira B fato de o curso termi%ar com 3ar.ou assombrado< Setembro de 1'51< &or erto 'o io +a%teA Di(ina Com)dia.emploA Gio2a%%i $lthusius< 3as te%ho moti2os para acreditar 4ue todos a4ueles por mim co%siderados como co autores mereceriam e%trar %a4uele castelo< Sou grato K Editora da *%i2ersidade de Bras)lia por ter tido a idéia de publicar este meu li2ro %o Brasil em uma l)%gua bem mais difu%dida 4ue o italia%oA da%do me assim a satisfação deA pela primeira 2eFA poder ler um li2ro meu escrito em portugu1sA l)%gua 4ue %u%ca estudeiA mas %a 4ual muitas 2eFes me e. de Gaeta%o 3osca 915'-:A 4ue retomaA e%tre outras coisasA a teoria tradicio%al do go2er%o misto com uma refer1%cia e.pl)cita a $rist.cessi2osA demo%stra%do sobre a mi%ha obra um co%hecime%to 4ue me impressio%ou e me dei.teles e a Pol)bio< $ escolha dos autoresA esta simA tal2eF se#a arbitrária< Não 4uero diFer 4ue %ão e.istam outros autores 4ue também merecessem e%trar %o no ile castello$% faltam os autores medie2aisA desde Ooh% of SalisburE e São ?omásA eA e%tre os moder%osA faltaA por e.

Nota para a edição brasileira
Se%do esta a primeira tradução do li2ro de Norberto Bobbio surgida %o BrasilA cabe certame%te realçar o alto sig%ificado do fato< E realçá lo com algumas pala2rasA desti%adas %ão propriame%te a Haprese%tarH aos leitores brasileiros a obra ou a figura do emi%e%te professor italia%oA 2astame%te di2ulgado como pe%sador e cr)ticoA mas a situar algu%s traços e aspectos fu%dame%tais de sua obra em geralA como também do prese%te li2roA em especial< !omecemos pelos dados pessoais< Nascido em ?urim em 1'0'A e%si%ou em Sie%a 91'35 1',0: e em Pádua 91',0 1',5:A %a peregri%ação 4ue fre4Re%teme%te se %ota %a 2ida doce%te européia< $ partir de 1',5A professor em ?urim< Seus escritos i%iciaisA 4ue re2elam um i%teresse forte e %)tido pela filosofia alemãA aliás pela filosofia em geralA co%stituemA %o diFer de um estudioso de sua obra1A uma fase preparat.riaA 4ue terá ido até 1',-< $ partir de 1',-A o pe%same%to de Bobbio se defi%iráA sob a forma de trabalhos cada 2eF mais segurosA em tor%o de algu%s temas ce%traisA ligados K teoria do direito 9e da ci1%cia #ur)dica: e K teoria pol)tica 9e das ideologias:< B dese%2ol2ime%to da obra de Bobbio se ma%ifestou atra2és de uma 4uase i%i%terrupta se4R1%cia de e%saios e li2rosA abra%ge%do 4uestIes de filosofia #ur)dicaA l.gica e teoria da li%guagemA bem como problemas de hist.ria do pe%same%to pol)tico campoA aliásA 4ue culti2ou desde cedo com admirá2el pe%etração< Nos li2ros sobre teoria do direito 9dos 4uais se destacam o sobre a teoria da %ormaA o sobre a teoria do orde%ame%to e o sobre a teoria da ci1%cia #ur)dica:A a refle;ão de Bobbio se %otabiliFa pelo co%scie%cioso hábito do rigor de e;pressãoA 4ue se disti%gue da4uele 2erbalismo fácil 2eF por outra e%co%trado em autores lati%osA mas 4ue por outro lado %ão se tra%sforma %um culto e;cessi2oA %uma ma%ia< $ este rigor de e;pressãoA 4ue e2ide%teme%te correspo%de a um rigor de pe%same%toA se liga uma 2isceral te%d1%cia ao racio%alismo< Este racio %alismo se acha pate%te em algu%s de seus e%saios cr)ticos mais i%teressa%tesA i%clusi2e %a4uele sobre o e;iste%cialismo& e %os estudos sobre o problema do direito %atural3<

$ ?eoria das >ormas de Go2er%o +esta4uemos e%tão o desdobrame%to de seus i%teresses temáticosA 4ue abra%gem a teoria pol)tica e a teoria #ur)dica< !omo ta%tos outros gra%des pe%sadores do direito 9um +el /ecchioA um Pou%dA um Selse%: e da pol)tica 9um "asNiA um BurdeauA uma 6a%%ah $re%dt:A Bobbio sempre culti2ou os chamados temas abra%ge%tes< 3asA ao co%trário de Selse% cu#o formalismo aliás o i%flue%ciou em larga medida como rigorismoA além de dei;ar marcas espec)ficas %a teoria da %orma e do orde%ame%to A Bobbio #amais le2ou a ple%as co%se4R1%cias a idéia de uma separação impermeá2el e i%tra%spo%)2el e%tre o estudo do direito e o das demais ci1%cias sociais< E%4ua%to Selse%A autor de estudos eruditos e profu%dos sobre hist.ria de idéiasA adotou uma drástica ascese separatistaA reser2a%do ao #urista uma seca missão de a%álise %ormati2a e Hi%tra sistemáticaH do direito positi2oA Bobbio sempre dei;ou 4ue em seus estudos #ur)dicos pe%etrasse 9embora discretame%te e %a medida: a luF da perspecti2a pol)ticaA da teoria das ideologiasA e também o po%to de 2ista hist.rico,< $ lucideF de Bobbio se e2ide%ciaA por e;emploA %as suas pala2ras a respeito da opção e%tre #us%aturalismo e #uspositi2ismo8 para eleA é precipitado afirmar 4ue o positi2ismo é sempre algo reacio%árioA ou afirmar 4ue ele é esse%cialme%te HprogressistaHA por4ua%to posiçIes #us%aturalistas t1m sido assumidas por liberais e por co%ser2adoresA e posiçIes positi2istas t1m sido também estadeadas por u%s e por outros< !o%fessa%doA com %otá2el ho%estidadeA %ão ter %u%ca co%seguido decidir se e%tre uma e outra alter%ati2aA preferiu Bobbio a%alisar o caráter relati2o e i%suficie%te de ambas as posiçIes-< $ mesma lucideFA 4ue é sempre um correlato de e4uil)brio sem ser acomodaçãoA se reflete %as posiçIes pol)ticas de BobbioA aliásA %as te.ricasA assim como %as práticas< Seu pe%same%to pol)tico se acha fu%dado sobre lLcidas co%sideraçIes filos.ficasA geralme%te %utridas pelo racio%a lismo acima me%cio%adoA e geralme%te co%duFidas com fle;ibilidade e sem radicalismo< No casoA lembraria seus i%teressa%tes estudos sobre a igualdade e outros problemas fu%dame%tais0< "embraria também sua co%sta%te e atua%te prese%ça %o pr.prio debate pol)tico italia%oA o%de se tem re2elado um socialista co%2ictoA com sério co%hecime%to da obra de 3ar;A mas sem ser absolutame%te um mar;ista stricto sensu, sem dogma tismoA sem u%ilateralismosA sem ma%i4ue)smos7< ?odos estes aspectos do pe%same%to de Bobbio de2em ser tidos em co%ta ao co%siderarmos os caracteres do prese%te li2ro< $%ote se e registre seA desde logoA 4ue %ão se trata a meu 2erA ao me%os de um dos li2ros mais profu%dos do autor< Ele %ão temA por e;emploA a erudição compacta dos estudos i%clu)dos em De *o es a +ar,, %em tem a comple;idade a%al)tica e%co%trada em certos e%saios de Bobbio< ?rata seA em realidadeA de um li2ro didáticoA oriu%do 9como ta%tos outros li2ros seus: de um curso proferido dura%te o a%o acad1mico de 1'7- 1'70< Suas e;pla%açIes se aplicam sobre determi%ados autores e determi%adas obrasA um ta%to ao modo do método utiliFado por Oea% Oac4ues !he2allier em seu 2alioso e co%hecido li2ro sobre -s grandes o ras políticas de +a.uia(el a nossos dias/ Este métodoA e;cele%te como forma de fi;ar a ate%ção do estuda%te sobre determi%ados Hmome%tosH da e2olução de

Nota para a edição brasileira ' um temaA tem seu re2ersoA dificulta%do a a%álise de 4uestIes HlateraisHA 4ue são laterais em relação aos Hgra%des %omesH escolhidosA mas %ão o seriam se o e%fo4ue utiliFado fosse outro< *m dos méritos maiores da e;posição de BobbioA %este li2roA co%siste #ustame%te %a impressio%a%te clareFaA 4ue se alia a uma magistral e escrupulosa e;atidão %o i%dicar as Hpassage%sH fu%dame%tais das obras come%tadas< Na realidadeA algu%s dos gra%des desdobrame%tos te.ricos do problema das Hformas de go2er%oH estão #ustame%te em pla%os doutri%á rios o%de se co%#ugam a perspecti2a filos.fico socialA a pol)tica e a #ur)dica< B tema Hgo2er%oH tem sido co%siderado de modos os mais di2ersosA mas %a 2erdade o seu e%te%dime%to ple%o tem de abra%ger estas tr1s perspecti2as< Ts 2eFesA aliásA a di2erg1%cia e%tre dois autores se ace%tua ou se agra2a pelo fato de um utiliFar prefere%teme%te uma delasA e%4ua%to o outro se coloca %outra< ?odo mu%do sabe 4ueA dos tr1s pri%cipais fu%dame%tadores do absolutismo moder%oA 3a4uia2el foi sobretudo pol)ticoA Bodi% predomi%a%teme%te #urista e 6obbes basi came%te fil.sofo< (sto para %ão falar %o teologismo #á e%tão meio a%acrU%ico de >ilmerA al2o espec)fico de "ocNe< !oloca%do se %o M%gulo de um curso de hist.ria do pe%same%to pol)ticoA Bobbio selecio%ou os autores 4ue lhe pareceram mais decisi2os e marca%tes para a tra#et.ria 9ou as tra#et.rias: do problema< Selecio%ou os sob critério %otadame%te pol)ticoA sem se preocupar gra%deme%te com o co%tributo 4ue ao problema te%ham traFido #uristas e fil.sofos< (stoA e2ide%teme%teA %a medida em 4ue é poss)2el suste%tar uma disti%ção perfeita e%tre as tr1s perspecti2as me%cio%adas acimaA por4ua%to as formulaçIes pol)ticas se acham sempre mo%tadas sobre supostos filos. ficos ao me%os impl)citos e se acham 2i%culadas a categorias #ur)dicas< B problema das formas de go2er%o é precisame%te um problema em 4ue a i%terligação e%tre matéria pol)tica e matéria #ur)dica se aprese%ta oste%si2ame%te 92á a pala2ra HmatériaH a4ui em seu se%tido mais clássicoA e passa%do se ao largo da idéia restri%ge%te e sibili%a de 4ue o direito é sempre HformaH:< Por isso mesmo ele tem sido colocado e recolocado com impressio%a%te i%te%sidadeA desde os publicistas do fim do século passado< $ssimA ti2emos o tema re2isado por#elli%ecN e /ittore Brla%doJ e depois por GieseA por Selse%A por 6ellerA por Schmitt< !ertame%te 4ue %estes autores o prisma #ur)dico foi até certo po%to prefere%cialJ mas o pe%same%to pol)tico %ão pode dei;ar de prestar ate%çãoA por e;emploA ao es4uema de !arl SchmittA refere%te ao Estado legislati2o ou parlame%tar e ao Estado admi%istrati2o e ditatorialJ ou ao de >riedrich GieseA 4ue disti%gue as Verfassungsformen 9formas co%stitucio%ais: e as Regierungsformen, 4ue seriam propriame%te formas de go2er%o5< $ssim como %ão pode dei;ar de ter em 2ista o surgime%to da pr.pria disti%çãoA dita#ur)dica mas em geral politicame%te situadaA e%tre formas de go2er%o e formas de Estado< B mesmo se diga com refer1%cia K disti%ção e%tre formas de go2er%o e HregimesHA sempre discutida embora corre%te< $ combi%ação 9%ão co%fusão: e%tre problemática Hpol)ticaH e pro blemática H#ur)dicaHA ho#e prese%te em algu%s dos mais sugesti2os

gica e uma co%cepção dogmática das coisas< B li2ro de BobbioA i%iciado com a clássica e fict)ciaA mas sempre e.iol.gica 4ue se acha2a )%sita %os dualismos 94ue ai%da co%ti%ham algu%s eleme%tos do relati2ismo liberal: se acha ameaçada por algu%s ma%i4ue)smos emerge%tes8 uma forma de go2er%o é para estes uma opção radical co%#ugada a uma decisão escatol.ria< Estas li%eares tipologiasA propostas de resto sem maiores prete%sIesA mas a%tes como estratégia e.pla%açIes bem como o fato de 4ue o cap)tulo fi%al se demarca em tor%o das e.fica da hist.iol.10 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o pe%sadores do direito ou da pol)ticaA tem sido realme%te o cami%ho mais fértil para o aprofu%dame%to das refle.ria do problema das formas de go2er%o< Ele os de%omi%a aspecto descriti2o e aspecto prescriti2o< +o mesmo modo disti%gueA correlatame%teA dois HusosH %a e.prio BobbioA como tem sido o de "uigi Bagoli%i e como foiA em dias passadosA o de Piero !alama%dreiJ %a $lema%haA 2em se%do o cami%ho de NiNlas "uhma%%A e%tre outros< No BrasilA foi o de Po%tes de 3ira%da como 2em se%do o de 3iguel Peale 9tão difere%tes e%tre siA embora:A o de $fo%so $ri%osA de Paulo Bo%a2ides e de ?ércio >erraF OL%iorA para citar ape%as estes'< Na i%trodução do li2roA Bobbio coloca o problema dos Hdois aspectosH sob os 4uais tem sido feita a hist.posição da4uele problema8 o uso sistemático e o uso a.IesA em ambos os campos< Na (táliaA este tem sido o cami%ho do pr.ricoH< Este correspo%deriaA diFA K utiliFação do problema das formas de go2er%o para a co%strução de uma imagem filos.Ies sobre a ditadura i%feliFme%te um ta%to bre2es A te%ta ser uma eficie%te s)%tese da e2olução do tema< E co%segue s1 loA como i%dicação precisa e preciosa de po%tos .emplarA teoriFação de 6er.dotoA %a 4ual o triadismo se propIe pela primeira 2eFA e termi%ado com algumas refle.pla%açIes 4ue e%chem os di2ersos cap)tulos do li2ro< (%feliFme%teA porémA o caráter didático destas e.emploA o triadismo clássicoA de origem sobretudo aristotélicaA passou a ser superado pelos dualismos 93a4uia2el ha2ia proposto um dualismoA com as frases i%iciais de 0 Príncipe.gicoA aos 4uaisA adia%teA acresce%ta a alusão ao Huso hist.gicosH e os sistemá ticos de certas rece%tes ma%ifestaçIes doutri%árias refere%tes a formas de go2er%o< !reio pessoalme%te 4ue as gra%des reformulaçIes do problema t1m ocorrido %os mome%tos de tra%sformação maior das estruturas e da e.peri1%cia i%stitucio%al dos po2osA tal como as gra%des reformulaçIes do tema Hclassificação das ci1%ciasH sempre ocorreram em correlação com re2oluçIes cie%t)ficas fu%dame%tais< $ partir de Pe2olução >ra%cesaA por e.peri1%cias dos a%os tri%ta e 4uare%ta V %ão permitiu 4ue o autor aprofu%dasse e desdobrasse a meditação sobre os caracteres Ha. mas sua formulação %ão obte2e maior co%ti%uidade:8 da) 4ue %o século 77 a difere%ça e%tre autocracia e democraciaA prese%te em Selse%A em 6eller e outrosA se tor%asse mais represe%tati2a e mais co%2i%ce%te do 4ue o a%tigo tr)ptico Hdemocracia aristocracia mo%ar4uiaHA por4ue o a2a%ço da me%talidade democrática tor%ara obsoleta a separação e%tre mo%ar4uia e aristo cracia10< 3as ho#e a ob#eti2idade tipol.positi2aA são efeti2ame%te ma%tidas por Bobbio %as e.

:< $ mesma critica K filosofia e.. obra coleti2aA P*>A ParisA 1'-'J H(( modello gius%aturalisticoHA em Re(ista 6ntema#ionale di Füascfia dei Dirilto.5A X X 5 e ':< '< ?omaria a liberdade de i%cluir %esta li%ha meas trabalhosA i%clusi2e a tese@.rica do orde%ame%to< /e#am se tam bém os estudos sobre o #us%aturalismo em 6 obbes e em "ocNeA em Da *o es a +ar. trad< Oosé +WaF GarciaA ed< $guillarA 3adrid 1'71A passim e pri%cipalme%te p< 100 e segs< Para G(ESEA 4ue para as Hformas co%stitucio%aisH se 2ale do triadismo clássicoA as Hformas de go2er%oH abra%geriam o absolutismo e o co%stitucio%alismo< Seu es4uema é complicado e discut)2el mas sem dL2ida i%teressa%te e muito represe%tati2o para o segu%do p..icoA 1'-5 9o origi%al italia%o foi de 1'. outubro deFembro 1'73A p< 003 e segs< .iste%cialA por si%al algo r)gidaA se e%co%tra %o parágrafo &7 da 6ntrodu#ione alia Filosofia dei Diritto 9ed< !lappichelliA ?urimA 1'.Nota para a edição brasileira 11 fu%dame%taisA e como autoriFada base para 4ue se 2olte sempre e sempre K refle.) Formas de =o(erno e o Ponto de Vista *ist5rico 9PecifeA (mpre%sa (%dustrialA 1'-5J &Y edição PBEPA Belo 6oriFo%teA 1'00:< ?ambém 2ale me%cio%arA de%tro da bibliografia brasileiraA pela ampli tude da a%áliseA o li2ro deOBS= $">PE+B +E B"(/E(P$ B$P$!6BA Regimes Políticos.% /aldésA ed< EudebaA Bue%os $iresA 1'0-< !f< Ks pp< ' e 10 da H(%troduçãoH< 0< !f< por e.rico< ?ambém %a Teoria de7ordinamenio giuridico 9GiappichelliA ?urimA 1'00: o item & do cap)tulo (( se 2olta para a formação hist.0 +ar. #a%eiro março de 1'70A p< &3 e segs< E também seu debate com *mberto !erro%i e outros sobre o mar. #ulho setembro 1'70A p< 3&1 e segs< Na 6ntrodu#ione alia Filosofia dei Diritto 9op< cit<:A o cap)tulo ((A refere%te K #ustiçaA se acha todo e%laçado a uma idéiasoc)a@ de #ustiçaA co%clui%do o li2ro com um parágrafo sobre a co%e. Ed< 3ora%oA NápolesA 1'0-< -< "l pro lema dei positi(ismo 3urídico.ismo e o EstadoA editado %os :uadernt de +ondoperaio . trad< E< GarF.ismo e o "stado.-<gemeines 1taatsrec2t. <?rad< "< ?erraci%iA ed< >!E< 3é.< B artigo sobre o modelo #us%atural)sticoA citado %a %ota a%teriorA se acha todo mo%tado sobre es4uema hist.ão sobre o temaA tão esse%cialA tão decisi2o %as cogitaçIes dos home%s sobre seus modos de ser e de co%2i2er< &elson 1aldan2a PecifeA fe2ereiro de 1'50 Notas $S?=P(B +E !$3PBSA S+BA 0 pensamento3urídico de &or erto 'o io. ed< Pese%ha *%i2ersitáriaA S< PauloA 1'77< 10< NE"SBN S$"+$N6$A -s Formas de =o(erno e o Ponto de Vista *ist5rico.emplo sua parte %a mesa redo%da sobre HPoder e ParticipaçãoHA ocorrida em /e%eFa em 1'0' e editada %a Ri(/ 6nt/ de FiL dei Diritto. trad< >< "< Boccarelo e P< "e2ieA ed< GraalA Pio de Oa%eiroA 1'7':< 5< !$P" S!63(??A Legalidad 4 Legitimidad.s guerra e os esforços doutri%ários alemães de e%tão . ed< O<!<B< 3ohrA ?Rbi%ge%A 1'. ensa4o de interpretaci5n.ão e%tre #ustiça e ideologia pol)tica< 89 !f por e.emplo HEguaglia%Fa ed e4ualitarismoH em Ri(/ 6ntema#ionale di Filosofia dei Dintto.istencialismo. cit<A pri%cipal 1< me%te cap)tulos / e /(< $ refer1%cia Ks ditaduras do século 77 se acha sobretudo %o cap)tulo /((A i%clusi2e %as %otas< . ed< Sarai2a Editora da *SPA São PauloA 1'00A cap)tulo (A p< -< &< NBPBEP?B BBBB(BA "l e.5:< 3 Por e.emplo< HQuel4ues argume%ts co%tre le droit %aturelHA em Le Droit &atureL.

Teoria das Formas de =o(erno na *ist5ria do Pensamento Político é sua dado por Bobbio %a *%i2ersidade de ?urimA %o a%o acad1mico de 1'7-@70< !reioA por isso mesmoA 4ue as primeiras i%dicaçIes sobre esta obra podem ser e%co%tradas %o programa de trabalho 4ue Bobbio traçou para si e%4ua%to professor de filosofia do direito< Num e%saio de 1'0&A posteriorme%te i%serido em =iusnaturalismo e Positi(ismo =iuridico.Prefácio Norberto Bobbio %asceu em ?urim 9(tália: em 1'0'< Estudou +ireito e >ilosofiaA te%do sido alu%o e disc)pulo de Gioele Solari 9157& 1'-&:A o emi%e%te historiador de filosofia #ur)dica e pol)tica< >oi professor %as *%i2ersidades de Sie%a 91'35 1'.5A a cátedra de filosofia do direito %a *%i2ersidade de ?urimA da 4ual acaba de apose%tar se< primeira obra publicada %a )%tegra %o Brasil< +a) a co%2e%i1%cia de oferecer ao leitor brasileiro algumas i%dicaçIes a respeito de como esta obra se i%sere %o pe%same%to de Bobbio um homemA co%forme apo%tou com #usta perti%1%cia Guido >assZA ate%to aos mais 2i2os e %o2os problemas de %osso tempoA 4ue 2em e.Teoria das Formas de =o(erno na *ist5ria do Pensamento Político foi o curso .ami%a%doA por força de um temperame%to racio%alA com um rigor i%telectual e uma limpideF e.0: e Pádua 91'.positi2a 2erdadeirame%te admirá2eis1< .5:A até assumirA em 1'.0 1'. Bobbio apo%ta 4ue os seus cursos u%i2ersitários obedeciam a tr1s orde%s de i%dagaçIesA 4ue co%stituiriam as tr1s partes em fu%ção das 4uais orga%iFaria um tratado de filosofia do direito< $ primeira parte é a Teoria do Direito/ Para BobbioA o problema fu%dame%tal da teoria do direito é a determi%ação do co%ceito de direito e a difere%ciação do fe%Ume%o #ur)dico de outros fe%Ume%osA como a moral e o costume< Em matéria de teoria do direitoA Bobbio realça o H%ormati2ismoHA 2e%do o direito como um co%#u%to de %ormas a serem .

aure a filosofia do direito eA precisame%te por4ueA para BobbioA a lei positi2a %ão é #usta pelo simples fato de ser lei e resultar de uma co%2e%ção 4ue de2e ser cumprida .gica8 a teoria da #ustiça< Bobbio 21 a Hteoria da#ustiçaH como uma área pouco estudada e 4ue re4uer %ão ape%as uma refle. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o estudadas sistematicame%te por meio do co%ceito de orde%ame%to #ur)dico< B estudo do orde%ame%to #ur)dico compree%deria8 9i: a Hcomposi çãoH do orde%ame%toA ou se#aA o co%ceito de %ormas e os seus 2ários tiposJ 9ii: a HformaçãoH do orde%ame%toA ou se#aA a teoria das fo%tes do direitoJ 9iii: a Hu%idadeH do orde%ame%toA ou se#aA o problema da hierar4uia das %ormasJ 9i2: a Hi%teireFaH do orde%ame%toA ou se#aA o problema das lacu%as e de sua i%tegraçãoJ 92: a Hcoer1%ciaH do orde%ame%to e%4ua%to sistemaA ou se#aA o problema das a%ti%omias e da sua elimi%açãoJ e 92i: fi%alme%teA as relaçIes espaciaisA materiais e temporais deri2adas do i%ter relacio%ame%to e%tre orde%ame%tos 4ue e%se#am o problema do Hree%2ioH &< Nesta refle.ige uma teoria da #ustiça 4ue %ão se#a ape%as formal-< +a) a raFão de uma segu%da ordem de i%dagaçIesA ou segu%da parteA 4ue orie%ta e i%forma a sua proposta pedag.< $ opção de Bobbio pelo %ormati2ismo em matéria de teoria do direito %ão sig%ificaA porta%toA uma 2isão reducio%ista da e.ão a%al)tica do tipo da4uela feita por Selse% e Perelma%0A mas também um estudo 4ue passe igualme%te pela hist.1. é 4ue a sua teoria do direito e.ig1%cia de rigorA 4ua%to em fu%ção de uma a2aliação da prá.is do direitoA o mu%do do direito é um mu%do em 4ue a e.peri1%cia se dá 8su specie legis8 e %o 4ual a disti%ção e%tre fatos #uridicame%te rele2a%tes e irrele2a%tes e%co%tra %a %orma um dos pressupostos do trabalho 4uotidia%o dos operadores do direito< Em outras pala2rasA o %ormati2ismo %ão e.primem e a ação e reação dos home%s em relação a estas idéias e a estas %ormas .8pacta sunt ser(anda8>.istem tr1s po%tos de 2ista a partir dos 4uais se pode a2aliar uma %orma8 o da #ustiçaA o da 2alidade e o da eficácia< = por isso 4ueA para eleA a e.ria do direito< Esse estudo teria como critério co%dutor o co%ceito de H#ustiçaH e%te%dido como um co%#u%to de 2aloresA be%s e i%teresses para cu#a proteção e i%creme%to os home%s se 2alem do direito e%4ua%to téc%ica de co%2i21%cia< Para Bobbio o po%to de partida desta i%2estigação li2ros 1tudi per una Teoria =enerale dei Diritto 91'70: e Dalla 1truttura alia Fun#ione &uo(i 1tudi di Teoria dei Diritto 91'77:3< .ão o%tol.peri1%cia #ur)dica< Ele %ão ide%tifica a lei com a #ustiçaA %em desco%sidera a reação dos home%s e%4ua%to desti%atários das %ormas< B %ormati2ismoA para BobbioA sig%ifica ape%as 4ueA ta%to por uma e.peri1%cia #ur)dicaA %a sua i%teireFaA de2e le2ar em co%ta as idéias de #ustiça a realiFarA as %ormas 4ue as e.ima o de algumas corre%tes do positi2ismo #ur)dico e de autores como Selse%A 6art e PossA aos 4uais se iguala em rigor a%al)tico< São testemu%hos do seu esforço %esta li%ha o curso de 1'-5 sobre a teoria da %orma #ur)dica e o de 1'00 sobre teoria do orde%ame%to #ur)dicoA bem como uma série ime%sa de artigos e trabalhos em parte recolhidos %os Bobbio salie%ta 4ue e.gica sobre o direitoA a 1%fase dada por Bobbio K %orma apro.

da l.ria da filosofia esclarecer e permear as i%dagaçIes a partir das 4uais Bobbio orga%iFa o campo da filosofia do direito< .gica e metodol.ricaJ de /ieh[eg e da t.rica era a historiografiaJ como Oheri%g assume o modelo de hist.ria da filosofia do direito é refaFer as doutri%as do passadoA tema por temaA problema por problemaA sem es4uecerA %o trato dos assu%tos e argume%tosA os precede%tes hist.gico %o campo #ur)dicoA a ci1%cia do direito foi e%carada do M%gulo da teoria da li%guagemJ e assim por dia%te< !o%clui 4ueA dia%te da 2ariedade de modelos e da dificuldade de a#ustá los K e.gico e sociol.picaJ de Pecase%s Siches e da l.rias de filosofia do direito e%4ua%to ele%cos e.gica #ur)dica moder%a masA tambémA de Perelma% e da %o2a ret.cioA 6obbesA Sa%t ou 6egelJ uma boa teoria da #ustiça sem o "i2ro / da ?tica a &ic@maco.sA de ?ércio Sampaio >erraF Or< e da pragmática'< BobbioA %o seu #á me%cio%ado e%saio de 1'0&A também faF refer1%cia K hist.gicoA i%clusi2e et%ográficoA e é por isso 4ueA ao co%trário dos #us%aturalistasA a %atureFa do homem é o seu po%to de chegada e %ão de partida< Neste se%tidoA Bobbio é um historicista 4ue combi%a a deo%tologia 9o 4ue o direito de2e ser: com a sociologia#ur)dica 9a e2olução do direito %a sociedade e as relaçIes e%tre o direito e a sociedade:7< T falta de melhor termoA Bobbio de%omi%a a terceira parte de Hteoria da ci1%cia #ur)dicaHA %ela i%seri%do o problema metodol.gico e o estudo dos modelos utiliFados %a percepção da e. 91'0.o%a%te %o co%te.Teoria das Formas de =o(erno na *ist5ria do Pensamento Polüico u / Porta%toA a primeira i%dicação a respeito deste li2roA 4ue ora se publica em portugu1sA é a de 4ue se i%sereA coere%teme%teA %um programa de trabalho pedag.ima BobbioA %esta sua refle.ria %aturalJ comoA com o positi2ismo l.gicaA 4ue é também hist.iol.gico e %uma determi%ada ma%eira de faFer a hist.gica do raFoá2elJ do $scarelli dos estudos sobre a origem da dogmática #ur)dica e sobre a i%terpretação eA e%tre %.ricosi\< E.peri1%cia #ur)dica< Na sua i%dagação epistemol.peri1%cia#ur)dica co%cretaA o mais perti%e%te é i%2erter a rota e começar por uma a%álise dos tipos de argume%tos 4ue os #uristas usam %o seu trabalho 4uotidia%o< Esta preocupação com a 8logica legalis8$ é o 4ue apro.emplos desta sua ma%eira de faFer hist.ricaA i%dica ele como o modelo dos #us%aturalistas era o matemáticoJ como o da escola hist.: e também 4ue é o 4ue i%teressa apo%tar %o curso sobre .ria da filosofia e hist.ria da filosofia do direitoA 4ue ele 21 como algo Ltil e apai.ão epistemol.to de seu programa de trabalhoA apo%ta%do 4ue %ão co%cebe uma boa teoria do direito sem o co%hecime%toA por e.ria da filosofia do direito podem ser apreciados %o seu cursoA publicado em 1'-7 e re2isto em 1'0'A sobre direito e Estado %o pe%same%to de Sa%tJ %o seu cursoA publicado em 1'03A sobre "ocNe e o direito %aturalJ %a coletM%ea de e%saios reu%idos %o li2ro Da *o es a +ar.gicaA %ão s.emploA de Gr.Prefácio 1- é a.telesA e uma boa teoria da ci1%cia #ur)dica sem "eib%iF ou Oheri%g< Não aprecia eleA %o e%ta%toA as hist. de $rist.positi2os sumários de doutri%as heterog1%eas< Para BobbioA igualme%teA e%4ua%to disc)pulo de SolariA o melhor modo de faFer hist.

Teoria das Formas de =o(erno na *ist5ria do Pensamento Político.ist1%cia da pirMmide escalo%ada de %ormas a partir do seu 2érticeA o direito aparece como um co%#u%to de %ormas 4ue estabelecem compet1%cias e 4ue permitem o e.gicosA tais como8 liberdadeA ordemA #ustiçaA bem estarA etc< Nesta acepçãoA a filosofia do direito co%fi%a com a filosofia pol)tica< Para a difusão desta acepção cabe diFer 4ue muito co%tribuiu a estreita relação 4ue se 2erificou e%tre a %oção de direito e a de EstadoA ocorrida %a Europa com o aparecime%to do Estado moder%o1&< ?al relaçãoA 4ue pro2ém da utiliFação do direito como i%strume%to de go2er%o e da co%se4Re%te estatiFação das fo%tes de criação %ormati2aA apareceA por e.igeA para ser bem compree%didaA uma discussão sobre o i%ter relacio%ame%to e%tre o direito e o poder< Em estudo rece%teA Bobbio apo%ta a rele2M%cia das gra%des dicotomias %o percurso do co%hecime%toA me%cio%a%do e%tre outras8 comu%idades 7 sociedadeA solidariedade orgM%ica 7 solida riedade mecM%icaA estado de %atureFa 7 estado de sociedade ci2il< No campo do direitoA diF BobbioA a gra%de dicotomia é a 4ue resulta da disti%ção e%tre direito pri2ado e direito pLblico1.plicitadaA se a#usta K sua proposta pedag.emploA %a hist.ria da filosofia e. como o .co%2erg1%cia e%tre filosofia pol)tica e filosofia do direito e.< = com base %esta disti%ção 4ue se pode aferir de 4ue ma%eira os #uristas lidam com o fe%Ume%o do poder< Para os #uristas e #usfil.sofos 4ue e%caram o direito a partir do direito pLblicoA como é o caso de Sa%ti Poma%oA Selse%A Bobbio eA e%tre %.sA de 3iguel Peale V o 4ue salta aos olhos é a e.pl)citos ou impl)citosA te%do como ob#eti2o realiFar certos fi%s a.10 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o (( pr.Teoria das Formas de =o(erno na .plicitada em 6obbesA autor 4ue Bobbio estudou com gra%de i%teresse e acuidadeA te%do preparado e prefaciado a edição italia%a de De Ci(elA/ .gicaY $ resposta a esta i%dagação permite oferecer uma segu%da ordem de i%dicaçIes a respeito da i%serção desta obra %o percurso i%telectual de Norberto Bobbio< !omo se sabeA o termo filosofia do direito é rece%teA te%do se difu%dido %a Europa %os Lltimos 1-0 a%os< *ma das muitas acepçIes do termoA diF BobbioA é a 4ue e%globa propostas sistemáticas de reforma da sociedade prese%teA com base em pressupostosA e.erc)cio do poderA i%clusi2e o poder de criar %o2as %ormas #ur)dicas17< BobbioA %o e%ta%toA %ão a%alisa a pirMmide escalo%ada de %ormas 8e.sofosA 4ue e%caram o direito a partir do direito pri2adoA o direito aparece Na%tia%ame%te como um co%#u%to de relaçIes i%tersub#eti2as 4ue se disti%guem da classe geral das relaçIes i%tersub#eti2as pelo 2)%culo obrigat.iol.rio 4ue u%e os dois su#eitos< Nesta perspecti2aA a força é 2ista como um HmeioH de realiFar o direito atra2és do meca%ismo da sa%ção orga%iFada1-< E%treta%toA para os #uristas e #usfil.ist1%cia do Estado como i%stituição10< Nesta perspecti2aA 4ue é a de 4uem e%cara a e. isto éA %a perspecti2a da4ueles a 4uem as %ormas co%ferem poderes< Para essesA como ele apo%ta em . parte principis8.prio t)tulo i%dicaA é um mergulho %a filosofia pol)tica< +a) a pergu%ta8 4ual éA para BobbioA a relação e%tre filosofia pol)tica e filosofia do direitoA e como 1 4ue esta relaçãoA uma 2eF e.

a %atureFa da orga%iFação do moder%o Estado co%stitucio%alA traduFi%doA %o pla%o do direitoA a refle.ig1%cia de rigorA i%dispe%sá2el %o mome%to da pes4uisa< Ele co%sidera compat)2el esta comum&0A e.rica da teoria do direito< = %este se%tido 4ueA ao estudar a teoria de Selse% sobre a estrutura i%ter%a do sistema #ur)dicoA Bobbio apo%ta 4ue ela resulta de uma refle.< BobbioA %o e%ta%toA %ão é um %ormati2ista puroA K moda de Selse%A 4ue 21 o direito tão some%te como um i%strume%to espec)ficoA sem fu%ção espec)ficaA isto éA ape%as como uma forma de co%trole socialA 4ue se 2ale abstratame%te da coerção orga%iFada< Bobbio registra e reco%hece a historicidade do papel do direito e as fu%çIes de co%trole e est)mulo 4ue e. ]eber a respeito do processo de racio%aliFação formal do poder estatal&-< B %ormati2ismo de Bobbio éA basicame%teA uma e.ão sociol. parte populi.rdiaHA e a preocupação co%sta%te é a de e2itar a desagregação da u%idade do poder15< = por issoA por e.emploA 4ue %a filosofia pol)tica de 6obbes o direito é co%cebido como i%strume%to para i%staurar uma rigorosa gramática de obedi1%cia1'< Não é esteA %o e%ta%toA o M%gulo de BobbioA 4ue e%cara as %ormas de orga%iFação do EstadoA isto éA a4uelas 4ue tor%am poss)2el a cooperação de i%di2)duos e gruposA cada um perse gui%do %o Mmbito do Estado o seu papel espec)ficoA para um fim ".ercerA em determi%adas circu%stM%ciasA em %ome da coleti2idadeA o poder coati2o&.ão liberal&&< Bobbio e%cara positi2ame%te esta te%d1%cia K legaliFação do poderA poisA para eleA a legalidade é H4ualidade do e. o 4ue i%teressa a Bobbio ressaltar são as te%d1%cias K i%stitucio%aliFação do poder %o mu%do co%temporM%eoA fe%Ume%o 4ue 3iguel Peale 2em de%omi%a%do H#urisfaçãoH do poder&1< Nesta perspec ti2aA Bobbio apo%ta 4ue uma das ma%eiras de disti%guir a tra%sformação do Estado absolutista e arbitrário %um Estado de direito é a e.rgãos e fu%çIes e a substituição da força arbitrária por poderes #uridicame%te co%trolados e discipli%adosA é uma das co%4uistas da téc%ica do Estado de +ireito e da refle.ão sobre a comple.ercidoJ 9ii: comoA ou se#aA 4ue pessoas podem e de2em e.ami%a a força como conteCdo da %orma #ur)dicaA ide%tifica%do o problema da legalidade 8e.erc)cio do poder por determi%adas pessoas e em determi%adas circu%stM%ciasJ e 9i2: fi%alme%teA H4ua%toH de força de2em e podem dispor a4ueles 4ueA obser2a%do certos procedime%tosA estão i%cumbidos de e.te%são do meca%ismo de sa%çãoA da base para o 2értice da pirMmide #ur)dicaA isto éA dos cidadãos para os go2er%a%tes< Este processoA 4ue assi%ala a passagem da irrespo%sabilidade para a respo%sabilidade #ur)dica de cargosA .uoad e.erce %uma dada sociedadeA reco%hece%doA ao mesmo tempoA o impacto destas fu%çIes %a elaboração hist.erc)cio do poderHA 4ue i%teressa a%tes aos go2er%ados do 4ue aos go2er%a%tesA uma 2eF 4ue impede a t4rannia . parte populi/ .Prefácio 17 *ist5ria do Pensamento Político.gica de 3a. o tema recorre%te é o da Hdisc. parte populi8 %a determi%ação e 2erificação atra2és do direito de8 9i: H4ua%doH e em 4ue co%diçIes o poder coati2o da coleti2idade pode e de2e ser e.ercitiumBA< = por isso 4ue ele e.ercitá loJ 9iii: HcomoHA ou se#aA 4uais os procedime%tos 4ue de2em reger o e.

erc)cio do poder< B problema do e. 4ue reL%e .gica das fu%çIes do direito %uma dada sociedadeA a causa da liberdade e da reforma da sociedade e.igiram de Bobbio 4ue fosse além do tema téc%ico da 2alidade da %orma e da legalidade do poderA co%fro%ta%do se igualme%te ta%to com o problema da #ustificação do poder e do t)tulo para o seu e.igem uma teoria da #ustiça e da legitimidadeA pois %ão e.iste uma co%2erg1%cia substa%ti2a e%tre filosofia pol)tica e filosofia do direito< $ teoria do direitoA com a 4ual se ocupa BobbioA e%4ua%to teoria do orde%ame%toA re4uer uma teoria do Estado< $mbas e.ig1%cia de rigor com uma co%cepção democrática de EstadoA posto 4ue 2islumbraA %uma das dime%sIes do positi2ismo #ur)dicoA uma ética de liberdadeA de paF e de certeFa< !reio %ão distorcer o seu pe%same%to ao afirmar 4ueA %um segu%do mome%toA co%ceitualme%te disti%to %o seu percurso 4ue é o da cr)tica das leis &0 o rigor de seu %ormati2ismo está a ser2iço da causa da liberdade< $ este tema co%sagrou eleA %a década de 1'-0A importa%tes e%saiosA e%tre os 4uais me permito lembrar Democra#ia Nesses e%saiosA ele chamou a ate%ção ta%to para a liberdade moder%a e%4ua%to %ão impedime%to e %ão i%terfer1%cia do todo pol)tico social em relação ao i%di2)duoA 4ua%to para a liberdade a%tiga e%4ua%to auto%omia %a aceitação da %orma elaborada por meio da participação do cidadão %a 2ida pLblica< Nestas duas dime%sIes de liberdadeA Bobbio e%. surgem 4ua%do se cuida i%stitucio%alme%te do problema do e.erga estados dese#á2eis do homem 4ueA %o e%ta%toA s.uella dei Posteri/ .erc)cioA 4ua%to com a #ustiça das %ormas< Para BobbioA poder e %orma são as duas faces da mesma moedaA e.isti%do um e2ide%te paralelismo e%tre os dois re4uisitos fu%dame%tais da %orma #ur)dica #ustiça e 2alidade e os dois re4uisitos do poder legitimidade e legalidade&5< Este paralelismo co%clusi2o apo%tado por Bobbio permite chegar a uma segu%da ordem de i%dicaçIes a respeito de como o li2ro 4ue ora se publica em portugu1s se i%sere %o seu percurso i%telectual< !omo %orma e poderA %o mu%do moder%oA são as duas faces da mesma moedaA e.erc)cio do poderA co%ti%ua Bobbio %estes e%saios da década de -0A e%co%trouA historicame%teA co%tribuiçIes importa%tes %a téc%ica #ur)dica e %a age%da de preocupaçIes do Estado liberal 4ue %ão podem ser desco%sideradas em 4ual4uer proposta sig%ificati2a de refor ma da sociedade&7< E%treta%toA em 2irtude de sua percepção sociol.15 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o e.iste uma cisãoA mas um continuum e%tre forma e substM%ciaA uma 2eF 4ue a legalidade remete K 2alidadeA a 2alidade K legitimidade e a legitimidade K #ustiçaA assim comoA i%2ersa me%teA a #ustiça fu%dame%ta a legitimidadeA a legitimidade fu%dame%ta a 2alidade e a 2alidade fu%dame%ta a legalidade %a i%terseção 4ue se estabelece e%tre a li%ha do poder e a %orma&'< ((( foi apo%tadoA o curso dado por Norberto Bobbio %o a%o acad1mico de 1'7-@70< +ata também de 1'70 o seu li2ro :uale 1ocialismoD.Teoria das Formas de =o(erno na *ist5ria do Pensamento Político éA como #á e Dittatura e Delia Li erta dei +oderni Comparata a .

ige a discussão e a proposta 4ua%to a i%stituiçIes pol)tico #ur)dicas< = com base %esta colocação 4ue Bobbio i%siste %a atualidade de uma das pergu%tas clássicas de filosofia pol)tica Hcomo se go2er%aYH Hbem ou malYH< Bobbio afirma 4ueA por mais perti%e%te 4ue se#a a pergu%ta sobre H4uem go2er%aYH VHpoucos ou muitosYH eaoportu%idade de se discutir a afirmação de 3ar.emplificada em :uale 1ocialismoD :uale 1ocialismoD é um li2ro de%so e 4ual4uer resumo de seu co%teLdo corre o risco de %Ko faFer #ustiça K i%teireFa de seus argume%tos< !om esta ressal2aA arriscariaA %o e%ta%toA diFer 4ue a tese ce%tral de Bobbio %este li2ro é a de 4ue %ão se e2itaA a partir de uma 2erdadeira .emploA bilateral ou plurilateralA em relação ao 4ual os 4ue pIem as regras e os 4ue as de2em seguir são as mesmas pessoas< = o caso de um tratado %o direito das ge%tes e é também o casoA %o campo do direito pLblicoA do ideal a 4ue te%de o Estado moder%o 4ue se dese#a democráticoA e 4ue se difere%cia de um Estado autocrático .tesesA um su#eito hist.o de %ormas em relação Ks 4uais os criadores e os desti%atários das %ormas se ide%tificam< = o caso da esfera da auto%omia pri2ada um co%tratoA por e.prio de %orma ou comple. parlame%tarA mas de co%selhos e.tica socialistaA o problema de HcomoH se go2er%a realça%do ape%as a dime%são de H4uemH go2er%a 9de poucos burgueses para as massas operárias:< !omo ta%to o EstadoA 4ua%to o poder pol)tico co%ti%uam a perdurar %os regimes comu%istas com a estatiFação dos meios de produçãoA é uma ilusão pe%sar 4ue a ditadura do proletariado é um fe%Ume%o ef1mero< $ muda%ça de hegemo%iaA afirma BobbioA %ão é suficie%te para mudar a estrutura do poder e do direitoA e o proletariado éA %a melhor das hip. dos proprietáriosA mas de todos os produtoresJ %ão ape%as represe%tati2aA mas também diretaJ %ão s. e E%gelsA baseada %o realismo pol)ticoA de 4ueA 4uem go2er%aA go2er%a em fu%ção dos i%teresses da classe domi%a%teA é igualme%te urge%te cuidar do problema i%stitucio%al e das formas de go2er%o em 4ual4uer proposta sig%ificati2a de reforma da sociedade31< Bobbio lembra 4ue o socialismoA e%4ua%to aspiração de #ustiçaA é um mo2ime%to 4ue 2isa acabar %ão ape%as com a mais 2alia eco%UmicaA mas também assegurar a ema%cipação do homem de suas ser2idIes< Essa liberaçãoA para ser traduFida em liberdadeA e.rico< Por essa raFãoA a Hditadura do proleta riadoH %ão é uma i%stituição apta a resol2er o problema do bom go2er%oA 4ue %ão se esgota com a mera muda%ça dos dete%tores do poder< Por issoA as metas de uma democracia socialista e%te%dida como uma democracia %ão formalA mas substa%cialJ %ão ape%as pol)ticaA mas também eco%U micaJ %ão s.cele%te e.Prefácio 1' trabalhos redigidos e%tre 1'73 e 1'70< :uale 1ocialismoD é um e.ige auto%omia< No campo do direitoA o co%ceito de auto%omia é utiliFado %o se%tido pr.emplo da4uilo 4ue Bobbio de%omi%a cr)tica ético pol)ticaA 4ue ele 2em co%duFi%do %a forma de i%cisi2as e bem formuladas pergu%tas em relação a certos temas para os 4uais %ão tem respostas defi%iti2as30< +a) a co%2e%i1%cia de mais uma i%dagação para arrematar estas i%dicaçIes a respeito de seu percurso i%telectual< Esta Lltima i%dagação cifra seA em s)%teseA %o segui%te8 4ual é a relação e%tre filosofia #ur)dico pol)ticaA tal como a co%cebe Norberto BobbioA e a sua cr)tica ético pol)ticaA e.

isti%do Estados bo%s ou maus< $ dicotomia medie2al era a relação (gre#a e EstadoA e%co%tra%do esta co%cepção %egati2a de Estado um paralelo moder%o em 3ar.ticasA %ão e.erc1 loH33< ?or%a se e2ide%teA K luF de algu%s destes temas suscitados por Bobbio em :uale 1ocialismoD.< ^ por essa raFão 4ueA ao estudar as formas de go2er%o e%4ua%to modos de orga%iFação da 2ida coleti2aA BobbioA %o seu cursoA apo%ta %ão ape%as a rele2M%cia do uso descriti2o e sistemático das formas de go2er%o comoA tambémA o seu uso prescriti2o e a.A de "e%i% ou de Gramsci são i%suficie%tes %este se%tidoA uma 2eF 4ue a 1%fase maior da refle.< +e fatoA para os escritores cat.&0 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o precisame%te pela me%or pre2al1%cia da %orma heterU%oma< Neste se%tidoA como diFia Pousseau %o Contrato 1ocial.ig1%cia de um co%trole do poder3.tese de 4ueA %essa épocaA como se pode ler em (sidoro de Se2ilha 9--0 030:A o Estado era 2isto como um mal %ecessário deri2ado da 4ueda do homem< +a) o s)mbolo da espada e a sal2ação %ão pela p5lis. mas sim pela (gre#a< ?odas as formas de go2er%o são más por4ue %ecessa riame%te desp. da a2aliação de 4ue os abusos de poderA %uma sociedade socialistaA sono de 4ue a ditadura do proletariado %ão é o melhor i%2.ricosA Bobbio procurou eleme%tos sobre Hcomo se pode bem e.lucro do socialismo3.ista sobre o poder gira em tor%o de como ad4uiri lo da) a teoria do partido e %ão de Hcomo e.ercer o poderH 2ale%do se desses eleme%tos %a sua cr)tica ético pol)tica< . 4ue parte %ão s.teles e Pol)bio e tra%sita por 3a4uia2elA Bodi%A 3o%tes4uieuA 3ablE e 6egel a e. a liberdade e%4ua%to auto%omia co%siste %a obedi1%cia K lei 4ue cada um se prescre2eu 3&< >altaA para a pre2al1%cia da auto%omia e da democraciaA uma teoria do Estado socialista< $s i%dicaçIes de 3ar.iol.Teoria das Formas de =o(erno na *ist5ria do Pensamento Político éA porta%toA %o pla%o da filosofia pol)ticaA também uma preparação para a cr)tica ético pol)tica de :uale 1ocialismoD.ria do pe%same%to pol)ticoA 4ue deri2a da e.como co%dição da liberdade< Este co%troleA de acordo com BobbioA pode apoiar se %o direito e%4ua%to téc%ica de co%2i21%ciaA apta a e%cami%harA %o mu%do co%temporM%eoA a tutela de 2alores 4ue se desti%am a co%duFir a reforma da sociedade< Bobbio também chama a ate%çãoA %o seu cursoA para o fato de 4ueA %a (dade 3édiaA pouco se elaborou a teoria das formas de go2er%oA a2e%ta%do a hip.licos medie2aisA o mome%to positi2o da 2ida %a ?erra era a (gre#a e %ão o Estado como %a tradição clássica V assim comoA para 3ar.ão mar. a raFão de seu i%teresse pelo estudo das formas de go2er%o< +e fatoA ao refaFer as doutri%as do passadoA tema por temaA problema por problemaA sem es4uecerA %o trato dos assu%tos e argu me%tosA os precede%tes hist.gico< = por essa raFãoA igualme%teA 4ueA ao resgatar a importM%cia da discussão sobre as formas boas e más de go2er%oA Bobbio apo%taA %a discussão sobre o go2er%o misto 4ue remo%ta a $rist.A o mome%to positi2o %ão é o EstadoA mas a futura sociedade sem classes eA porta%toA sem Estado30< Numa co%cepção %egati2a de EstadoA a disti%ção e%tre formas de altrettanto possi ili c2e in una societE capitalistica masA sobretudoA da asserti2a .ist1%cia de um tema recorre%te %a hist.

ami%aA creio 4ue importa me%cio%arA para os prop.igRidade da docume%tação sobre o tema do Estado %a tradição do pe%same%to socialistaA sobretudo 4ua%do comparada com a rica tradição do pe%same%to liberal< *m Estado sobrecarregado de fu%çIesA 4ue geram i%clusi2e uma multiplicidade de e%tidades dispersas 4ue escapam aos co%troles clássicosA como se 2erifica %a prá. 13-7:A %o 4ual este i%troduF a disti%ção e%tre o t4rannus e.rica do Estado do 4ue a da orga%iFação do poder pol)tico35< = por essa raFão 4ue a tradição mar. defectu tituli.ista é i%suficie%te para a elaboração de uma doutri%a socialista do Estado< $ supera2aliação das poucas i%dicaçIes prospecti2as sobre a 2ida coleti2aA dadas por 3ar. a4uela em 4ue o rei go2er%a %o i%teresse pr. isto éA a4uele 4ue é tira%o por4ue co%4uistou o poder sem ter direito< Esta disti%ção te2e sucesso e o pr. o Estado %ão surgeA como em 6obbesA para pUr termo K guerra de todos co%tra todos mas sim para perpetuá la atra2és da ma%ute%ção da di2isão do trabalhoA 4ue perpetua a desigualdadeA o Estado e o direito sempre represe%tam o despotismo de uma classe em relação a outras< = por isso 4ueA para 3ar. é uma pro2a da e. de Bartolo 9131.A o despotismo se e%car%a %o EstadoA pois ele tem do Estado uma co%cepção téc%ica e realistaA graças K 4ual ele o a%alisa como um i%strume%to de dom)%io37A pro2e%ie%te da di2isão da sociedade em classes< Na tradição mar.0< Bobbio também discute o Tractatus de t4ranno.prio Bobbio dela se 2aleu para disti%guir e difere%ciar legalidade de legitimidade.is do Estado co%temporM%eoA e 4ue te%de a perdurarA se#a 4ual for o regime eco%Umi coA co%clui Bobbio %a sua cr)tica ético pol)ticaA %ão pode ser democrati Fado ape%as atra2és de f.1 e %ão home%s li2res< E%treta%toA mais do 4ue a discussão sobre o tema da tira%ia e do despotismo %os di2ersos autores 4ue Bobbio e. %a sua a%álise da !omu%a de ParisA registra Bobbio em :uale 1ocialismoD. e retomadas por "e%i% em 0 "stado e a Re(oluçãoAF/ +a) a co%2e%i1%ciaA para uma cr)tica ético pol)tica baseada %estas perspecti2asA de se retomarA %o pla%o da filosofia pol)tica e #ur)dicaA o tema da tira%ia e do despotismo< BobbioA %o seu cursoA me%cio%aA e%tre os tratados medie2ais sobre o temaA o De regimine ci(itatis.rmulas de co%frater%iFação do tipo das preco%iFadas por 3ar. isto éA a4uele 4ue é tira%o por4ue e.istaA a obra mais completa sobre o EstadoA lembra Bobbio %o seu cursoA é a de E%gelsA 4ueA %o e%ta%toA cuida mais da formação hist.Prefácio 21 go2er%o perde substM%cia< BraA como para 3ar.prioA adicio%a%do a esta postura aristotélica a %ota8 como se os seus sLditos fossem escra2os.erce abusi2ame%te o poderA e o t4rannus e.part e. escrito %o fi%al do século 7/ por !olucio SalutatiA em 4ue este retoma a disti%ção de Bartolo e i%dicaA como caracter)stica do principatus despoticus.ercitii.sitos deste e%saioA os cap)tulos 7( e 7(/ do curso i%tituladosA respecti2a e sig%ificati2ame%teA 6nterme##o sul dispotismo e 6nterme##o sulla dittatura/ Em ambosA Bobbio refaF as doutri%as do passado para poder e%cami%har a cr)tica ético pol)tica do prese%teA com os olhos 2oltados para o futuro< No interme##o sobre o despotismoA Bobbio apo%ta as co%ti%uidades e .

< .traordi%áriaA 4ue %ada ti%ha a 2er com o despotismoA pois a e.ar guiar pela e2id1%cia racio%al.rias da ordem %aturalA aplicadas por um pr)%cipe ilustradoA pois ape%as o go2er%o de uma s.emploA %as refle.plicá2el por uma série de 2ariá2eis e%tre as 4uais se i%cluem o climaA o terre%oA a e. pessoa pode se dei.Ies e a%álises de 3a4uia2elA Bodi% e Pousseau`3< Este co%ceito de ditadura se altera com a Pe2olução >ra%cesaA 4ua%do se i%staurouA como dirá !arl SchmittA uma ditadura sobera%a e co%stitui% te< EstaA %a lição de Sai%t Oust e PobespierreA baseia se %a co%comitM%cia da 2irtude e do terrorA posto 4ue o terrorA sem a 2irtudeA é fu%estoA e a 2irtude sem o terror é impote%te< $ ditadura#acobi%aA ao i%sistir %o terrorA apro.&& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o as desco%ti%uidades e%tre 3o%tes4uieu e a tradição 4ue o precede< B eleme%to de co%ti%uidadeA em relação K categoria do despotismoA reside %a delimitação hist.ecuti2o< Ele podia suspe%der as leisA mas %ão modificá las< Esta é a acepção de ditadura tal como apareceA por e.ria ou da geografiaA ti%ha como co%trapeso uma duração limitada< !lassicame%teA o poder do ditador era ape%as o e.pressão Hditadura da burguesiaH e Hditadura do proletariadoHA com isso e%te%de%do o dom)%io e.. pessoaA mas a ditadura de um grupo re2olucio%ário %o caso da >ra%ça A a !omissão de Sal2ação PLblica< Esta dissociação e%tre o co%ceito de ditadura e o co%ceito de poder mo%ocrático i%dicaA co%soa%te BobbioA a passagem do uso clássico do co%ceito ao uso mar. 177.rica e geográfica desta forma de go2er%oA 4ue a tradição ocide%tal sempre localiFou fora da Europa %a _sia ou %o Brie%te< B eleme%to de desco%ti%uidade é a origi%alidade de 3o%tes 4uieu ao co%siderar o despotismo %ão como uma mo%ar4uia dege%eradaA K ma%eira de $rist.clusi2o de uma s.:J Pierre Samuel +upo%t de Nemour 9173' 1517: e Paul Pierre 3ercier de la Pi2iDre 917&0 17'3:< Em s)%teseA para esses autores as leis positi2as de2em ser leis declarat.imaA pela primeira 2eFA o despotismoA caracteriFadoA como diFia 3o%tes4uieuA pela igualdade dia%te do medoA da ditadura< $ ditadura #acobi%a assi%ala também o desaparecime%to da mo%o craticidade do poderA pois este %ão é maisA como %a tradição clássicaA a magistratura de uma s.telesA 3a4uia2el e Bodi%A mas sim como uma forma autU%oma de go2er%oA e.istaA e%gelsia%o e le%i%istaA 4ue i%troduFiu e di2ulgou a e.cepcio%alidade dos poderes do ditadorA pro2e%ie%te de um estado de %ecessidade e %ão da hist. classe social.&A 4ue segu%do essa corre%te é capaF de esclarecer e %ortear a 2ida da comu%idade pol)tica< Se o despotismo até o século 7/(( sempre foi 2isto como uma forma dege%erada de go2er%oA o mesmo %ão se pode diFer da ditaduraA 4ue %a sua origem roma%aA como lembra Bobbio %o 8interme##o8 fi%al de seu cursoA era uma magistratura co%stitucio%al e.rioA a religião e a )%dole dos habita%tes< $té o século 7/((A se#a como mo%ar4uia dege%eradaA se#a como categoria autU%omaA o despotismo sempre foi e%carado como uma forma %egati2a de go2er%o< E%treta%toA é %esta época 4ue pela primeira 2eF %a hist.te%são do territ.ria do pe%same%to pol)tico surgeA com os fisiocratasA uma a2aliação positi2a do despotismo< = a célebre tese do Hdespotismo esclarecidoHA propug%ada por >ra%çois Ques%aE 910'.

ria.7< Bobbio apo%ta 4ue ho#e se atribui K democracia um 2alor positi2oA 4ue co%trasta com sig%ificati2as corre%tes da tradição clássica< 6istori came%teA este 2alor positi2o resulta do dese%2ol2ime%toA a partir do século passadoA %o co%te.ão de BobbioA %o se%tido de e2ide%ciar 4ue o e.plica por 4ue o método democrático te%de a ati2ar a auto%omia da %orma aceita eA porta%toA dimi%uir a hetero%omia da %orma imposta< Politicame%teA e2oca ele a sabedoria i%stitucio%al da .riaA o termo apropriado é despotismoA com todas as cargas %egati2as 4ue esta forma de go2er%o carrega %a tradição da filosofia pol)tica.erc)cio do poderA %o bom go2er%oA re4uer i%stituiçIes discipli%adas pelo pri%c)pio da legalidade< Por outro ladoA a tradição socialista de Bobbio o impele a i%sistir %o aprofu%dame%to e %a e.to i%stitucio%al do Estado liberalA do mo2ime%to operárioA da e.0< +a) a i%sist1%cia de BobbioA e%4ua%to liberal e socialistaA %a democracia e%4ua%to forma de go2er%o< +iriaA %este se%tidoA 4ue a tradição do pe%same%to liberal "ocNeA Sa%tA Be%#ami% !o%sta%teA ?oc4ue2ille e as téc%icas do Estado de direito 4ue i%spiraram o %ormati2ismo co%2ergemA %a refle.o com a tira%ia e estas são as pala2ras fi%ais de Bobbio %o seu curso este é um #u)Fo 4ue ele submeteA hegelia%ame%teA ao tribu%al da hist.te%são do sufrágio e da e%trada em ce%a dos partidos de massa 4ueA %um processo de ação co%#u%taA e2ide%ciaram as %ecessidades de reforma da sociedade< Eticame%teA Bobbio e.pl)cita %a sua proposta pedag.ista le%i%istaA é uma forma de go2er%o co%duFida por uma 2a%guarda apare%teme%te ilumi%ada por prop.-< Se BobbioA %o seu cursoA suspe%de o #u)FoA até mesmo por uma e.Prefácio &3 Não é preciso lembrar 4ue o medo e o terror 4ue se associaram ao co%ceito de ditadura #acobi%a deram a esta forma de go2er%o uma co%otação %egati2aA 4ue se 2erifica ho#e em dia %o uso 4uotidia%o da pala2ra< Por outro ladoA a dime%são de 2irtude imprime ao termo a sua co%otação positi2a clássica< Esta co%otação positi2a temA como apo%ta BobbioA um %e.cepcio%al e pro2is. da legalidadeA atra2és da recuperação das i%stM%cias democráticas da sociedade por meio de regras 4ue permitam a participação de maior %Lmero de cidadãos %as delibe raçIes 4ue lhes i%teressamA se#a %os di2ersos %)2eis 9mu%icipalA regio%alA %acio%al:A se#a %os di2ersos loci 9escolaA trabalhoA etc:< Em s)%teseA para Bobbio o problema do dese%2ol2ime%to da demo cracia %o mu%do co%temporM%eo %ão é ape%as 4uem 2otaA mas o%de se 2ota e se delibera coleti2ame%teA pois é %o co%trole democrático do poder eco%Umico 4ueA segu%do eleA se 2e%cerá ou se perderá a batalha pela democracia socialista< Esta postura em prol da democraciaA 4ue é mais re2olucio%ária do 4ue a socialiFação dos meios de produçãoA posto 4ue sub2erte a co%cepção tradicio%al de poderA Bobbio a #ustifica com argume%tos hist.gicaA %ão é isto o 4ue ele faF %a sua cr)tica ético pol)tica 4ua%doA em :uale 1ocialismoD.ig1%cia de rigor e.o com o despotismo esclarecido %a medida em 4ueA %a sua 2erte%te mar.ricosA éticosA pol)ticos e utilitários. parte populi.te%sãoA e.sitos de 2irtude< Se e. %ão hesita em diFer 4ueA se ditadura é dom)%io discricio%ário e se esta %ão se re2este de uma %atureFa e.iste um %e.

prios desti%atáriosA ou hetero%omame%te por pessoas di2ersas dos desti%atários< ".&. parte populi.iste e%tre procedime%tos e resultados< B resultado da torturaA lembra BobbioA pode ser a obte%ção da 2erdadeA e%treta%to trata se de procedime%to 4ue des4ualifica os resul tados< Bs meiosA porta%toA co%dicio%am os fi%sA e os fi%sA co%clui BobbioA s. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o democraciaA 4ue e%se#a um co%trole dos go2er%a%tes atra2és da ação dos go2er%adosA com isto i%stitucio%aliFa%do um dos poucos remédios 2álidos co%tra o abuso de poder< EA fi%alme%teA a partir de uma .o estreito 4ue e. 2e%do porta%to como problema de fu%do das formas de go2er%o o da liberdade.erc)cio do poderA são i%dispe%sá2eisA dada a rele2M%cia da relação e%tre meios e fi%s e o %e. parte populi.5< Bobbio %ão ig%ora as dificuldades da democraciaA porém i%siste %os seus méritosA se#a por4ue e. é e2ide%te a raFão pela 4ual Bobbio prefere a democracia e%4ua%to processo de %omog1%ese #ur)dicaA posto 4ue se trata de uma forma de go2er%o 4ue pri2ilegia uma co%cepção asce%de%te de poder graças K 4ual a comu%idade pol)tica elabora as leis atra2és de uma orga%iFação apropriada da 2ida coleti2a< +e fatoA como diF BobbioA democrático é o sistema de poder %o 4ual as decisIes 4ue i%teressam a todos e 4ue por isso mesmo são coleti2as são tomadas por todos os membros 4ue i%tegram uma coleti2idade-0< (stoA %o e%ta%toA %ão ocorre espo%ta%eame%teA sem uma orga%iFação apropriada 4ueA por sua 2eFA re4uer regras de procedime%tos< +a) o papel do direito e%4ua%to téc%ica de co%2i21%cia i%dispe%sá2el para a reforma da sociedade< Estes procedime%tos 4ueA e%4ua%to legalidadeA co%ferem 4ualidade ao e.tica utilitáriaA Bobbio reafirma a sua co%2icção de 4ue os melhores i%térpretes do i%teresse coleti2o são os pr. #ustificam os meios 4ua%do os meios %ão corrompem e desfiguram os fi%s alme#ados-1< = %este se%tido 4ue se pode diFer 4ue o rigor téc%ico do %ormati2is mo de Bobbio está a ser2iço da causa da liberdade %a sua defesa de um socialismo democrático< +e fatoA uma das %otas importa%tes 4ue o rigor téc%ico de Bobbio e2ide%ciaA %o estudo dos orde%ame%tos #ur)dicos do Estado co%temporM%eoA é o fato de os orde%ame%tos obedeceremA ho#e em diaA a um pri%c)pio di%MmicoA ou se#aA as %ormas 4ue os compIem mudam co%sta%teme%te para e%fre%tar os desafios da co%#u%tura< = por essa raFão 4ue ele dá 1%fase K disti%ção téc%ica e%tre %ormas primárias e %ormas secu%dárias< $s %ormas primárias são as 4ue prescre2emA proscre2emA estimulam ou desestimulam comportame%tos para a socie dade< !omo elas estão em co%t)%ua tra%sformaçãoA tor%a se cada 2eF mais rele2a%te ao co%trário do 4ue ocorre %um +ireito tradicio%al e sedime%tado V estudar os procedime%tos por meio dos 4uais estas %ormas são criadas e aplicadas< +a) a rele2M%cia do estudo das %ormas secu%dáriasA isto éA das %ormas sobre %ormasA 4ue são basicame%te a4uelas 4ue tratamA ou da produção das %ormas primáriasA ou do modo como as normas primárias são aplicadas< =A porta%toA atra2és das %ormas secu%dárias 4ue se podeA %uma compree%são moder%a da legalidadeA .prios i%teressados.ami%a os problemas do Estado e.'A se#a por4ueA coere%teme%te com esta perspecti2aA realça 4ue as %ormas podem ser criadas de dois modos8 auto%omame%te pelos seus pr.

Bolo%ha8 ((< 3uli%oA 1'70A pp< .1&< &< NBPBEP?B BBBB(BA =iusnaturalismo e Positi(ismo =iuridico.pressi2a afirmação de Guglielmo >erreroA a legitimidade é uma po%te de %atureFa #ur)dica 4ue se i%sere e%tre o poder e o medo para tor%ar as sociedades mais huma%as --J se assim éA %ão há de ser pelo terrorA ai%da 4ue imbu)do de 2irtudeA mas sim pelo co%se%so do agir co%#u%toA 4ue se impla%tará %a 2isão de BobbioA uma democracia socialista< Esta postura de BobbioA %a sua cr)tica ético pol)ticaA 4ua%to ao tema da legitimidade e da legalidadeA resultaA creio euA da firmeFa de suas co%2icçIes liberais e da ge%erosidade de sua militM%cia socialista< PaE mo%d $ro% tem raFão 4ua%do afirma 4ue os liberais da li%hagem de ?oc4ue2illeA e%tre os 4uais se i%clui BobbioA participam sem receio da empresa prometeica do futuroA esforça%do se para agir segu%do as liçIesA por mais i%certas 4ue se#amA da e.rico do go2er%o mistoA 4ue Bobbio a%alisa com muita fi%ura %o cap)tulo (/ do seu curso afirma2a 4ue o i%)cio %ão é ape%as a metade do -.peri1%cia hist. 2ol< (((8 0ttocento e &o(ecento.o positi2o e%tre meios e fi%s-&< Por outro ladoA afirma BobbioA o modo como o poder é co%4uistado %ão -3 é irrele2a%te para a forma pela 4ual ele será e.te%sos co%hecime%tos de filosofiaA %ão faFem parte da4ueles 4ue diFem8 H= preciso tudo destruir paraA a seguirA recomeçar da estaca FeroH< !omo afirma outra gra%de figura co%temporM%ea da es4uerda democráticaA Pierre 3e%des >ra%ceA %a co%clusão de seu li2ro La V)rit) guidait leur/Pas% 80n ne repartpas de #ero V ou alors on impose des cruaut)s et des con(ulsions .o e%tre a legalidade e%4ua%to 4ualidade dos procedi me%tos e a legitimidade e%4ua%to t)tulo para o e. plusfai les etau. todoA como reFa o pro2érbio gregoA mas alca%ça e 2i%cula o térmi%o < Na e.ue nous a(ons le de(oir d G)pargner au.sofo %ão impede o #u)Fo do milita%te e a téc%ica do #urista %ão paralisa os esforços do cidadão para realiFar os 2alores da #ustiça< Celso Lafer São PauloA maio de 1'50 Notas 1< !f< $S?=P(B !$3PBSA 0 Pensamento Hurídico de &or erto 'o io.Prefácio &cuidar da 4ualidade dos procedime%tos e do %e.erdcio do poder< Oá Pol)bio o gra%de te. nou(elles g)n)rations/ "t onperds du temps/ He suis irnpatient8IJ/ Pe%so 4ueA %a defesa da causa da liberdadeA a 2erdade guiou os passos de Bobbio para co%cluir com o t)tulo do li2ro de 3e%des >ra%ce %o cami%ho 4ue percorreu e 4ue tra%sitaA co%forme procurei mapear %estas %otasA pela filosofia do direitoA pela filosofia pol)tica e pela cr)tica ético pol)t)ca das leis< *m cami%ho em 4ue o rigor da a%álise do fil.ercido A estabelece%do eleA desta ma%eiraA o %e.10 .ricaA preferi%do co%for mar se com as 2erdades parciais 4ue recolhem do 4ue 2aler se de falsas 2isIes totais -0< Oá os socialistas democráticosA como BobbioA de e. 9&Y ed<:A 3ilão8 Ed< di . S< Paulo8 Sarai2aA 1'00A cap< (J G*(+B >$SSaA 1toria delia Filosofia delDiritto.

ação dos 2ários aspectos do fe%Ume%o pol)ticoA sua comparaçãoA a co%strução de sistemas co%ceituais mais ou me%os coere%tes e compree%si2osJ ser2e também para determi%ar afi%idades e difere%ças e%tre teorias pol)ticas di2ersasA de épocas disti%tas< *m desses temas recorre%tes é a tipologia das formas de go2er%o< Quase todos os escritores pol)ticos propuseram e defe%deram uma certa tipologia das formas de go2er%o< = des%ecessário ace%tuar a4ui a importM%cia dessas tipologiasA se#a por4ue por meio delas algu%s co%cei tos gerais foram elaborados e e.ami%ar algumas respostas a essa pergu%taA de sig%ificação especialA começa%do com a filosofia grega e .pria categoria do Hpol)ticoH: 4ue permitem a a%álise e a fi.ami%ados repetidame%te 9os de oligar 4uiaA democraciaA despotismoA go2er%o mistoA etc:A se#a por4ue co%sti tuem um dos aspectos em 4ue uma teoria pode ser melhor caracteriFada e co%fro%tada com outras teorias< Se co%siderarmos a sociedade pol)tica 9%uma defi%ição pro2is.ria das doutri%as pol)ticas e da ci1%cia pol)ticaA é a %ecessidade de estudar e a%alisar os chamados Htemas recorre%tesHA 4uer diFerA os temas 4ue t1m sido propostos e discutidos pela maioria dos escritores pol)ticosA em especial pelos 4ue elaboraram ou esboçaram teorias gerais ou parciais da pol)tica< B estudo desses temas recorre%tes tem dupla importM%cia8 de um ladoA ser2e para ide%tificar algumas categorias gerais 9a começar pela pr.ria: a forma mais i%te%sa e 2i%cula%te de orga%iFação da 2ida coleti2aA a primeira co%statação de 4ual4uer obser2ador da 2ida social é a de 4ue há 2ários modos de determi%ar essa orga%iFaçãoA co%forme o lugar e a época< = a segui%te a pergu%ta 4ue a temática das formas de go2er%o 2ai respo%der8 HQua%tos são esses modos e 4uais são elesYH B ob#eti2o deste curso é #ustame%te e.Nota Este curso tem como tema as teorias das formas de go2er%o< Em a%os a%teriores ti2e #á a oportu%idade de afirmar 4ue se há uma raFão 4ue #ustifi4ue um curso de filosofia da pol)ticaA disti%to dos cursos sobre a hist.

rico isto éA da hist.plicar ai%da uma 2eF 4ue %osso ob#eti2o %ão será hist.ricoA porém co%ceituai< Por outro ladoA como %ão me co%sta 4ue se te%ha #amais feito te%tati2a semelha%te do po%to de 2ista hist.emplares< Será des%ecessário e.3& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o chega%do ao limiar da (dade !o%temporM%ea< Em cada per)odo e.ami%a remos ape%as algu%s autoresA 4ue reputo e.ria das idéias o material a4ui reu%ido poderá co%stituir um i%strume%to de trabalho Ltil também para os historiadores< .

peri1%cia hist.(%trodução $%tes de dar i%)cio K e.erc)cio descriti2o8 ele postulaA geralme%teA um outro problema o de i%dicarA de acordo com critério 4ue difere %aturalme%te de autor para autorA 4uais das formas descritas são boasA 4uais delas são másJ 4uais as melhores e as pioresJ por fimA 4ual é a melhor de todasA e a pior< Em sumaA %ão se limita a descre2erA isto éA a e. se i%teressa pela descriçãoA e2ita%do escolher e%tre as 2árias espécies descritasA o escritor pol)tico %ão se limita a um e.telesA perte%cem a essa categoria8 baseiam se em dados e.clusi2ame%te uma fu%ção descriti2a< $o co%trário do botM%icoA 4ue s.rica co%hecida e a%ali sada pelo obser2ador< Nesse casoA o escritor pol)tico se comporta como um botM%ico 4ueA depois de obser2ar e estudar com ate%ção um determi%ado %Lmero de pla%tasA di2ide as de acordo com suas peculiari dadesA ou as reL%e segu%do suas afi%idadesA chega%do assim a classificá las com uma certa ordem< $s primeiras gra%des classificaçIes das formas de go2er%oA como as de Platão e $rist.tra)dos da obser2ação hist.posição e ao come%tário de algumas das teorias mais co%hecidas sobre as formas de go2er%oA cabe tecer certas co%sideraçIes ge%éricas sobre o tema< $ primeira delas é a de 4ueA de modo geralA todas as teorias sobre as formas de go2er%o aprese%tam dois aspectos8 um descriti2oA o outro prescriti2o< Na sua fu%ção descriti2aA o estudo das formas de go2er%o le2a a uma tipologia classificação dos 2ários tipos de co%stituição pol)tica 4ue se aprese%tam K co%sideração do obser2ador de fatoA isto éA %a e.erce também uma outra fu%ção V a de e.atame%teA e.pressar um #ulgame%to de fatoJ sem o perceber e.ricaA espelha%do a 2ariedade dos modos com 4ue se 2i%ham orga%iFa%do as cidades hel1%icasA a partir da (dade de 6omero< No e%ta%toA %ão há tipologia 4ue te%ha e.rica< 3ais precisame%teA %a e.primir um ou mais #ulgame%tos de 2alorA orie%ta%do a escolha por parte dos outros< Em outras pala2rasA prescre 2e%do< !omo se sabeA a propriedade de 4ual4uer#u)Fo de 2alor %a base da 4ual achamos 4ue alguma coisa 9uma açãoA um ob#etoA um i%di2)duoA .peri1%cia hist.

gicoH< B primeiro é a4uele %a base do 4ual a tipologia é usada para orde%ar os dados colhidosJ o segu%doA a4uele em 4ue a mesma tipologia ser2e para determi%ar uma ordem de prefer1%cia e%tre tipos ou classes dispostos sistematicame%teA com o prop.oA mas pode ter uma resposta basta%te simples8 a postura assumida pelo cie%tista social e pelo cie%tista da %atureFaA dia%te do ob#eto da sua i%2estigaçãoA é i%flue%ciada pelo fato de 4ue o primeiro cr1 poder i%terferir diretame%te %as tra%sformaçIes da sociedadeA e%4ua%to o segu%do %ão prete%de i%fluir sobre as tra%sformaçIes da %atureFa< B emprego a.iol.gico< +ia%te da 2ariedade de formas de go2er%oA há tr1s posiçIes poss)2eis8 a: todas as formas e.trai%do as co%se4R1%cias e.ibi%do o em toda a sua e2id1%cia A %i%guém se espa%ta 4ua%do um pes4uisador social 94ueA de acordo com o ideal cie%t)fico do %aturalistaA de2eria s.3. tem a prete%são de dar a co%hecer um certo estado de coisasJ mas um #ulgame%to de 2alor prete%de modificar o estado de coisas e. /ico fala a respeito de uma Heter%a repLblica %aturalA e.tremas do afastame%to e%tre o cie%tista %atural e o cie%tista socialA e e.gico de 4ual4uer co%ceito está ligado estreitame%te K idéia de 4ue uma muda%ça %a estrutura da realidadeA K 4ual o co%ceito em 4uestão se refereA é %ão s.sito de suscitar %os outros uma atitude de apro2ação ou desapro2ação eA por co%segui%teA de orie%tar sua escolha< Seria o caso de pergu%tar como o escritor pol)tico 9de modo geralA o cie%tista social: pode ter comportame%to difere%te do botM%ico 9de modo geralA do cie%tista da %atureFa:< B problema é muito comple.iste%te< Pode se diFer o mesmo de outro modo8 e%4ua%to uma teoria sobre um aspecto 4ual4uer da %atureFa é ape%as uma teoriaA a teoria relati2a a um aspecto da realidade hist.iol. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o formação social: é boa ou má é a de e.primir uma prefer1%ciaA com a fi%alidade de modificar o comportame%to alheio %o se%tido por %.plicarH e e2e%tualme%te Hre2erH: %os oferece um pro#eto de reforma da sociedadeJ mas todos 2eriam com compree%s)2el desco%fia%ça o f)sico 4ue aprese%tasse um pro#eto de reforma da %atureFa< !reio 4ue será Ltil diFer algo mais sobre o emprego a. dese#á2el mas poss)2elJ um #ulgame%to de 2alor pressupIe 4ue as coisas a 4ue atribuo importM%cia podem 2ir a ser difere%tes do 4ue são< *m #ulgame%to factual s.iste%tes são boasJ b: todas são másJ c: algumas são boasA outras são más< +e um modo muito geralA pode se diFer 4ue a primeira posição implica uma filosofia relati2ista e historicista segu%do a 4ual todas as formas de go2er%o são apropriadas K situação hist.rica e social é 4uase sempre também uma ideologia isto éA um co%#u%to mais ou me%os sistemático de a2aliaçIesA 4ue de2eriam i%duFir o ou2i%te a preferir uma determi%ada situação a outra< Em sumaA para co%cluir e. Hdescre2erA e.cele%te em cada uma das suas espéciesH< Em PlatãoA e%co%tramos um e.s dese#ado< Posso diFer também a mesma coisa da segui%te forma8 uma tipologia pode ser empregada de dois modos difere%tesA HsistemáticoH ou Ha.emplo clássico da segu%da posiçãoA segu%do a .iol.rica co%creta 4ue as produFiram 9e %ão poderiam produFir uma outraA difere%te:8 %a co%clusão de La 1cien#a &uo(a.

iol.rica remo%ta ao historiador Pol)bio< 3: Por fimA Ha co%strução da melhor repLblica pode ser uma pura elaboração i%telectualA completame%te abstrataA em relação K realidade hist.iologia das formas de go2er%o termi%a se%do sua orde%ação de modo hierar 4uiFadoA permiti%do passar do melhor ao pior atra2és do me%os bom e do me%os mauA %uma escala de prefer1%cias< Parece supérfluo %otar 4ue a possibilidade de estabelecer tal escala de prefer1%cias le2a a uma gra%de 2ariedade de tipologiasA sobretudo 4ua%do os ob#etos a orde%ar são %umerososJ de fatoA duas tipologias 4ue co%cordam %a a2aliação de certas formas como boasA e de outras como másA podem disti%guir se pela caracteriFação das melhores formasA de%tre as boasA e das pioresA de%tre as más< $lém de um #ulgame%to de 2alor comparati2oA uma a.ria se procura2a descobrir A com a PepLblica de /e%eFaA %o Pe%ascime%toA com a mo%ar4uia i%glesaA %a (dade 3oder%a< Poder)amos acresce%tar 4ue o primeiro Estado socialistaA a *%ião So2iéticaA tem e.ito de uma a.ercido a mesma fu%çãoA se%do co%siderado como um Estado guia pelos partidos comu%istas dos Estados ai%da %ão tra%sformados pela re2olução< &: H!ombi%a%do %uma s)%tese ideal os 2ários eleme%tos positi2os de todas as formas boasA de modo a elimi%ar seus efeitosA co%ser2a%do lhes as 4ualidades<H = o ideal do chamado Estado mistoA de 4ue e%co%traremos muitos e. %a $%tigRidade:A com a PepLblica Poma%a co%siderada por algu%s dos mais importa%tes escritores pol)ticos como um modelo de EstadoA o segredo de cu#o poder e gl.gico das tipologias das formas de go2er%oA de modo 4ue as formas boas %ão são todas boas do mesmo modoA ha2e%do algumas melhores do 4ue outrasJ e e%tre as formas más há algumas piores< Por meio de um #ulgame%to do 2alor comparati2oA o 1.emploA como 2eremos mais adia%teA com relação a $te%as e sobretudo EspartaA %a $%tigRidade 9mas %ão s.iologia %ão se limita a disti%guir o 4ue é bom 9%o se%tido absoluto: do 4ue é mau 9%o mesmo se%tido:J geralme%te estabelece uma ordemA hierar4uia ou melhorA uma ordem hierar4uiFada e%tre as coisas 4ue são ob#eto de a2aliaçãoA por meio do #ulgame%to comparati2o< B mesmo aco%tece com o uso a.iologia pode compree%der também #u)Fos absolutos de 2alor< (sso sig%ifica 4ue uma tipologia das formas de go2er%o pode le2ar a uma tomada de posição 4ueA i%di4ue 4ual é a melhor formaA e 4ual a pior< = fre4Re%te o caso de escritores pol)ticos 4ue formularam uma teoria da melhor forma de repLblicaA ou do melhor Estado< Podemos disti%guir pelo me%os tr1s ma%eiras difere%tes com 4ue#á se elaboraram modelos do melhor Estado8 1: HPor meio da idealiFação de uma forma hist.emplos %as liçIes 4ue seguemA e cu#a melhor formulação te.teles A podemos chamá la de HaritotélicaH< = %ecessário acresce%tarA co%tudoA 4ue de modo geral uma a.(%trodução 3- 4ual todas as formas de go2er%o reais são másA pois represe%tam uma corrupção da L%ica forma boaA 4ue é ideal< $ terceira posição é a mais fre4Re%te J como foi formulada %uma obra 4ue marcou época %a hist.ricaHA como pode ser co%fiada K imagi%açãoA K 2isão poéticaA 4ue se .ria da filosofia pol)tica a Política de $rist.ricaH< = o 4ue aco%teceuA por e.

o%ados e i%spirados< E%4ua%to as duas formas precede% tes do melhor Estado são uma idealiFação da realidadeA a utopia dá um salto para fora da hist.riaA read4uire uma fu%ção merame%te descriti2aA perde%do todo caráter prescriti2o< Qua%do a4uilo 4ue é a.rias %ão estariam completas se %ão me%cio%ássemos o fato de 4ueA ao lado do uso sistemático e a.ria propriame%te ditaA isto é para diF1 lo de modo mais simples com o prop.rico< *m dese%2ol2ime%to cu#o traçadoA de uma forma de go2er%o para outraA %aturalme%te 2aria co%forme o autor< (sso tem o segui%te resultado8 as 2árias formas de go2er%o %ão são ape%as modos di2ersos de orga%iFar a 2ida pol)tica de um grupo socialA mas também fases ou modos di2ersos e sucessi2osA geralme%te co%cate%adosA um desce%de%do do outroA pelo seu dese%2ol2ime%to i%ter%oA de%tro do processo hist.gico da tipologia das formas de go2er%oA estas podem ter e t1m tido efeti2ame%te V um outro empregoA 4ue chamar)amos Hhist.rico< !omo teremos oportu%idade de 2erA %a $%tigRidade clássica as teorias das formas de go2er%o se resumem muitas 2eFesA ai%da 4ue de forma mais ou me%os mecM%icaA %uma co%cepção c)clica da hist.iol.riaJ isto éA %uma co%cepção da hist.rico< !o%sidera o despo tismo como a forma de go2er%o t)pica do mu%do orie%talJ a repLblica do mu%do roma%oJ a mo%ar4uiaA do mu%do moder%o< /ale a pe%a lembrar 4ueA de modo geralA %o emprego hist.30 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o compraF em pla%e#ar Estados ideais 4ue %u%ca e.istirão< ?rata se do pe%same%to ut.ria segu%do a 4ual determi%ada forma de go2er%o se dissol2e para tra%sformar se em outraA pro2oca%do assim uma série de fases de dese%2ol2ime%to ou de decad1%cia 4ue represe%tam o curso fatal dos aco%tecime%tos huma%os< 6egel %os dá um e.ricoH8 a4uele 4ue e%co% tramos em algu%s autoresA i%teressados em esboçar uma filosofia da hist.rico de uma tipologia %ão é irrele2a%te a disti%ção e%tre a forma boa e a máA por4ue esta LltimaA dege%eração da primeiraA permite a passagem para uma %o2a forma boaA a 4ualA por sua 2eFA ao se corromperA cria co%diçIes para uma passagem ulterior< $ssimA 4ua%do a mo%ar4uia 4ue é a forma boa se tra%sforma em tira%ia forma má A %asce como reação a aristocraciaA 4ue é também uma forma boaJ estaA decai%doA tra%sforma se em oligar4uiaA 4ue 2ai gerar a democraciaA e assim por dia%te< Em substM%ciaA a forma má co%stitui uma etapa obrigat.sito de dese%har as li%has do dese%2ol2ime%to hist.iologicame%te .ria da tra%sformação de uma fase em outraA te%do porta%to uma fu%ção positi2a 9embora se#a esse%cialme%te %egati2a:A %ão em si mesmaA porém 4ua%do co%siderada como um mome%to da totalidade< Poder se ia diFer também 4ue 4ua%do uma tipologia é empregada historicame%teA isto éA para traçar as li%has de uma filosofia da hist.picoA 4ue aparece em todas as épocasA especialme%te dura%te as gra%des crises sociaisA elaborado por criadores apai.emplo %otá2el do emprego hist.rico de uma teoria das formas de go2er%o ouA melhor ditoA da tra%sformação do uso sistemático %o uso hist.riaA pro#eta%do se em lugar e época imagi%ários< Estas obser2açIes i%trodut.rico da mesma tipologiaA ao assumir a célebre di2isão tr)plice das formas de go2er%oA e%u%ciada por 3o%tes4uieu 9mo%ar4uiaA repLblicaA despotismo:A faFe%do dela os tr1s mome%tos fu%dame%tais do progresso hist.istiram e %u%ca e.

(%trodução 37 %egati2o se tra%sforma em algo historicame%te %ecessárioA o #ulgame%to dos latos predomi%a sobre o #ulgame%to de 2alor< 3as esteé um po%to ao 4ual farei a4ui ape%as uma refer1%cia< .

dotoA %a sua *ist5ria 9"i2ro (((A XX 50 5&:A e%tre tr1s persas Bta%esA 3egabises e +ario sobre a melhor forma de go2er%o a adotar %o seu pa)s depois da morte de !ambises< B epis.ria das tipologias das formas de go2er%oA como estaA pode ter i%)cio %a discussão referida por 6er.rica de Platão e $rist.dotoA escre2e %o século segui%te< +e 4ual4uer formaA o 4ue há de %otá2el é o grau de dese%2ol 2ime%to 4ue #á ti%ha ati%gido o pe%same%to dos gregos sobre a pol)tica ura século a%tes da gra%de sistematiFação te.!ap)tulo ( *3$ +(S!*SSbB !="EBPE *ma hist.emplar por4ueA co mo 2eremosA cada uma das tr1s perso%age%s defe%de uma das tr1s formas de go2er%o 4ue poder)amos de%omi%ar de HclássicasH %ão s.dioA purame%te imagi%árioA teria ocorrido %a segu%da metade do século /( a%tes de !ristoA mas o %arradorA 6er.teles 9%o século (/:< $ passagem é 2erdadeirame%te e. por4ue foram tra%smitidas pelos autores clássicos mas também por4ue se tor%aram categorias da refle.ami%aram a situaçãoJ as pala2ras 4ue disseram e%tão pareceriam i%cr)2eis a algu%s gregosA mas foram real me%te pro%u%ciadas< Bta%es propUs e%tregar o poder ao po2o persaA argume%ta%do assim8 C3i%ha opi%ião é 4ue %e%hum de %.A ou se#aA HdemocraciaHA HaristocraciaH e Hmo%ar4uiaHA embora %a4uela passagem %ão e%co%tremos ai%da todos os termos com 4ue essas tr1s modalidades de go2er%o foram co%sig%adas K tradição 4ue perma%ece 2i2a até %ossos dias< +ado o caráter e.emplar do trechoA e sua bre2idadeA co%2ém reproduFi lo i%tegralme%te8 H!i%co dias depois de os M%imos se ha2erem acalmadoA a4ueles 4ue se rebelaram co%tra os magos e.s de2e ser feito mo%arcaA o 4ue seria pe%oso e i%#usto< /imos até 4ue po%to chegou a prepot1%cia de !ambisesA e sofremos depois a dos magos< +e 4ue forma poderia %ão ser irregular o go2er%o mo%ár4uico se o mo%arca pode faFer o 4ue 4uiserA se %ão é .ão pol)tica de todos os tempos 9raFão por 4ue são clássicas mas igualme%te moder%as:< Essas tr1s formas são8 o go2er%o de muitosA de poucos e de um s.

.0 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o respo%sá2el pera%te %e%huma i%stM%ciaY !o%feri%do tal poderA a mo%ar 4uia afasta do seu cami%ho %ormal até mesmo o melhor dos home%s< $ posse de gra%des ri4ueFas gera %ele a prepot1%ciaA e a i%2e#a é desde o pri%c)pio parte da sua %atureFa< !om esses dois defeitosA alime%tará todas as mal2adeFas8 cometerá de fato os atos mais repro2á2eisA em algu%s casos de2ido K prepot1%ciaA em outros K i%2e#a< Poderia parecer raFoá2el 4ue o mo%arca e tira%o fosse um homem despido de i%2e#aA #á 4ue possui tudo< Na 2erdadeA porémA do modo como trata os sLditos demo%stra bem o co%trário8 tem i%2e#a dos poucos bo%s 4ue perma%ecemA compraF se com os pioresA está sempre ate%to Ks calL%ias< B 4ue há de mais 2ergo%hoso é 4ueA se alguém lhe faF home%age%s com medidaA cr1 %ão ter sido basta%te 2e%eradoJ se alguém o 2e%era em e.erc)cio do poderJ todas as decisIes estão su#eitas ao 2oto popular< Propo%hoA porta%toA re#eitarmos a mo%ar4uiaA ele2a%do o po2o ao poder o gra%de %Lmero faF com 4ue tudo se#a poss)2elC< Esse foi o parecer de Bta%es< 3egabisesA co%tudoA aco%selhou a co%fia%ça %o go2er%o oligár4uico8 CSubscre2o o 4ue disse Bta%es em defesa da abolição da mo%ar4uiaJ 4ua%to K atribuição do poder ao po2oA co%tudoA seu co%selho %ão é o mais sábio< $ massa i%epta é obtusa e prepote%teJ %isto %ada se lhe compara< +e %e%huma forma se de2e tolerar 4ueA para escapar da prepot1%cia de um tira%oA se ca)a sob a da plebe desati%ada< ?udo o 4ue faFA o tira%o faF co%scie%teme%teJ mas o po2o %ão tem se4uer a possibilidade de saber o 4ue faF< !omo poderia sab1 loA se %u%ca apre%deu %ada de bom e de LtilA se %ão co%hece %ada dissoA mas arrasta i%disti%tame%te tudo o 4ue e%co%tra %o seu cami%hoY Que os 4ue 4uerem mal aos persas adotem o partido democráticoJ 4ua%to a %.sA e%tregar)amos o poder a um grupo de home%s escolhidos de%tre os melhores e estar)amos e%tre eles< = %atural 4ue as melhores decisIes se#am tomadas pelos 4ue são melhoresC< >oi esse o parecer de 3egabises< Em terceiro lugarA +ario ma%ifestou sua opi%ião8 CB 4ue disse 3egabises a respeito do go2er%o popular me parece #ustoA mas %ão o 4ue disse sobre a oligar4uia< E%tre as tr1s formas de go2er%oA todas elas co%sideradas %o seu estado perfeitoA isto éA e%tre a melhor democraciaA a melhor oligar4uia e a melhor mo%ar4uiaA afirmo 4ue a mo%ar4uia é superior a todas< Nada poderia parecer melhor do 4ue um s. homem o melhor de todosJ com seu discer%ime%toA go2er%aria o po2o de modo irrepree%s)2elJ como %i%guém maisA saberia ma%ter seus ob#eti2os pol)ticos a sal2o dos ad2ersários< Numa oligar4uiaA é fácil 4ue %asçam gra2es co%flitos pessoais e%tre os 4ue praticam a 2irtude pelo bem pLblico8 todos 4uerem ser o chefeA e faFer pre2alecer sua opi%iãoA chega%do por isso a odiar seJ de o%de .cessoA se e%rai2ece por ter sido adulado< +irei agoraA porémA o 4ue é mais gra2e8 o mo%arca sub2erte a autoridade dos paisA 2iola as mulheresA mata os cidadãos ao sabor dos seus caprichos< B go2er%o do po2oA porémA merece o mais belo dos %omesA Ciso%omiaCJ %ão faF %ada do 4ue caracteriFa o comportame%to do mo%arca< Bs cargos pLblicos são distribu)dos pela sorteJ os magistrados precisam prestar co%tas do e.

1 surgem as facçIesA e delas os delitos< Bs delitos le2am K mo%ar4uiaA o 4ue pro2a 4ue esta é a melhor forma de go2er%o< Por outro ladoA 4ua%do é o po2o 4ue go2er%aA é imposs)2el %ão ha2er corrupção %a esfera dos %eg.ar bem claraA %o debateA a classificação completaA 4ue será e%u%ciada por sucessi2os pe%sadoresA para 4uem elas %ão serão ape%as tr1sA porém seis V #á 4ue Ks tr1s boas correspo%dem tr1s outrasA más< $ difere%ça e%tre a aprese%tação dessas co%stituiçIes %o debate de 6er.telesA cu#a li%gua gem é simplesme%te descriti2aA a cada co%stituição boa correspo%de a mesma %a sua forma má< $ difere%ça ficará clara %os dois es4uemas segui%tes8 *er5doto mo%ar4uia Bta%es 3egabises +ario aristocracia democracia + + + - . homemA de2emos ma%ter o regime mo%ár4uico eA além dissoA co%ser2ar %ossas boas i%stituiçIes pátrias8 %ão há %ada melhorC H< $ passagem é tão clara 4ue é 4uase des%ecessário come%tá la< $ obser2ação mais i%teressa%te 4ue podemos faFer é a de 4ue cada um dos tr1s i%terlocutores faF uma a2aliação positi2a de uma das tr1s co%stitui çIes e a%u%cia um #ulgame%to %egati2o das outras duas< +efe%sor do go2er%o do po2o 94ue ai%da %ão é chamado de HdemocraciaHJ esse termo tem de modo geralA %os gra%des pe%sadores pol)ticosA uma acepção %egati2aA de mau go2er%o:A Bta%es co%de%a a mo%ar4uia< +efe%sor da aristocraciaA 3egabises co%de%a o go2er%o de um s. e o go2er%o do po2o< Por fimA +ario 4ue defe%de a mo%ar4uiaA co%de%a ta%to o go2er%o do po2o como o go2er%o de u%s poucos 9usa%do o termo desti%ado a descre2er ordi%ariame%te a forma %egati2a do go2er%o de poucos a oligar4uia:< !omo #á foi obser2adoA o fato de 4ue cada co%stituição é aprese%tada como boa por 4uem a defe%de e como má pelos defe%sores dos dois outros tipos tem o efeito de dei.doto e %as classificaçIes segui%tes 9como a de $rist.teles: está em 4ue %o debateA 4ue é um discurso do tipo prescriti2o 92ide a (%trodução:A a cada co%stituição proposta como boa correspo%dem duas outrasA 2istas cor%o másJ em $rist.lidas alia%ças e%tre os malfeitores8 os 4ue agem co%tra o bem comum faFem %o co%spira%do e%tre si< = o 4ue aco%teceA até 4ue alguém assume a defesa do po2o e pIe fim Ks suas tramasA toma%do lhes o lugar %a admiração popularJ admirado mais do 4ue elesA tor%a se mo%arca< Por isso também a mo%ar4uia é a melhor forma de go2er%o< Em sumaA para diF1 lo em poucas pala2ras8 de o%de %os 2eio a liberdadeY Quem a deuY B po2oA uma oligar4uiaA ou um mo%arcaY Suste%to 4ueA liberados por obra de um s.*ma +iscussão !élebre .cios pLblicosA a 4ual %ão pro2oca i%imi FadesA mas sim s.

iste e%tre ura go2er%o irrespo%sá2el e porta%to %aturalme%te arbitrário 9Ho mo%arca pode faFer o 4ue 4uiser<<< %ão é respo%sá2el pera%te %e%huma i%stM%ciaH: e o go2er%o baseado %a igualdade pera%te a lei 9H<<< o mais belo dos %omesA Hiso%omiaH<<<H: e %o co%trole pelo po2o 9Htodas as decisIes estão su#eitas ao 2oto popularH: porta%toA %em irrespo%sá2el %em arbitrário< $o tira%o se atribuem algu%s 2)ciosA como a Hprepot1% ciaHA a Hi%2e#aHA a HirascibilidadeHA 4ue co%stituem e.tupla 9com tr1s co%stituiçIes boas e tr1s más: deri2a do cruFame%to de dois critériosA um dos 4uais respo%de K pergu%ta HQuem go2er%aYHA o outro K pergu%ta H!omo go2er%aYH 9isto éA HcomoH go2er%am a4uele ou a4ueles i%dicados pela resposta K primeira pergu%ta:< !omo se pode 2er %o es4uema segui%te 9%o 4ual empregamos a termi%ologia de Pol)bio:8 !omoY bem mal QuemY um mo%ar4uia aristocracia democracia tira%ia oligar4uia oclocracia poucos muitos Será i%teressa%te co%siderar também bre2eme%te os argume%tos com 4ue os tr1s i%terlocutores e. %ão é um procedime%to arbitrário se se baseia %a premissa da igualdade dos cidadãos isto éA de 4ue todos 2alem o mesmo .gicosA o go2er%o do po2o é descrito sobretudo por meio de uma i%stituição a distribuição dos cargos pLblicos media%te sorteioA o 4ue pressupIe a igualdade absoluta dos cidadãosJ fica clara assimA desde o i%)cio como se 21A e se 2erá melhor ai%da mais adia%te a relação e.$ ?eoria das >ormas de Go2er%o -rist5teles 3o%ar4uia $ristocracia +emocracia +++- !o%2ém esclarecerA a4uiA 4ue a classificação s1.iste%te e%tre os co%ceitos de HigualdadeH e de Hgo2er%o popularH< !om efeitoA o sorteio s.altam uma co%stituição e criticam as outras duasJ algu%s desses argume%tos ma%ifestam de forma surpree%de%te esses Htemas recorre%tesHA aos 4uais me referi %o i%)cio deste curso< B co%traste e%tre a mo%ar4uia co%siderada %o seu aspecto %egati2o 9isto éA tira%ia: e o go2er%o do po2oA co%forme represe%tado por Bta%esA é o 4ue e.emplos #á basta%te e2ide%tes de uma fe%ome%ologia da tira%ia 4ue 2em até %ossos diasA com di2ersas 2ariaçIes< 3ais ai%da8 e%4ua%to a tira%ia é caracteriFada por atributos psicol.

rdia dos bo%sA mas o acordo e%tre os maus 9as Hs.gicos 9o desati%o:< B mais i%teressa%te é 4ue das duas formas de go2er%o re#eitadasA uma 9o go2er%o popular: é co%siderada pior do 4ue a outra 9o go2er%o mo%ár4uico:J essa comparação %os dá um e.3 e 4ueA porta%toA 4ual4uer 4ue se#a a i%dicação da sorteA o resultado tem o mesmo 2alor< No 4ue diF respeito Ks co%sideraçIes de 3egabisesA 2ale obser2ar 4ue o go2er%o popular também é caracteriFado por atributos psicol.lidas alia%ças e%tre os malfeitoresH:J %ão a cisão do 4ue de2eria perma%ecer u%idoA mas a co%spiração do 4ue de2eria estar di2idido< $i%da 4ue por raFIes opostasA ta%to o go2er%o de poucos como o de muitos são maus< Oustame%te por causa da sua corrupção eles geram por co%traste a L%ica forma boa de go2er%o a mo%ar4uia V 4ueA porta%toA %ão é ape%as melhor do 4ue as outras co%stituiçIesA de modo abstratoA mas também %ecessáriaA em co%se4R1%cia da corrupção das outras duas por co%segui%teA i%e2itá2el< +e2emos ter prese%te o argume%to usado por +ario em fa2or da mo%ar4uia8 sua superioridade depe%de do fato de 4ue respo%de a uma %ecessidade hist.*ma +iscussão !élebre .emplo claro da gradação das co%stituiçIesA boas ou másA de 4ue falei %a (%trodução 9%Ko há ape%as go2er%os bo%s e mausA mas go2er%os melhores e piores do 4ue outros:< B 4ue falta %a a%álise de 3egabises é uma caracteriFação espec)fica do go2er%o proposto como melhorA difere%teme%te do 4ue t)%hamos obser2ado %o discurso de Bta%esA o%de o go2er%o do po2o é caracteriFado por uma i%stituição peculiar o sorteio< $ prop.ricaA se%do a L%ica forma capaF de assegurar a HestabilidadeH do poder< Não é em 2ão 4ue i%sistimos desde o i%)cio %este tema da HestabilidadeHA por4ueA como 2eremosA a capacidade 4ue tem 4ual4uer co%stituição de perdurarA de resistir K corrupçãoA K degradaçãoA de se tra%sformar %a co%stituição co%tráriaA é um dos critérios pri%cipais se %ão mesmo o pri%cipal com 4ue podemos disti%guir as boas co%stituiçIes das 4ue são más< .sito do go2er%o de poucosA seu defe%sor se limita a diFerA %uma petição de pri%c)pioA 4ue Has melhores decisIes 9são: tomadas pelos 4ue são melhoresH< Na e.posição de +ario aparece pela primeira 2eF a co%de%ação do go2er%o de poucosJ Bta%es criticara o go2er%o tirM%ico mas %ão o oligár4uicoA e 3egabises ha2ia co%siderado o go2er%o de poucos como o melhor< B po%to cr)tico da oligar4uia é a facilidade com 4ue o grupo dirige%te se fragme%ta em facçIes isto éA a falta de um guia L%icoA %ecessário para ma%ter a u%idade do Estado< B po%to cr)tico do go2er%o popular é #ustame%te o co%trário8 %ão a disc.

!ap)tulo (( P"$?bB Em 2árias das suas obras Platão 9.&5 3.RepC lica éA como todos sabemA uma descrição da repLblica idealA 4ue tem por ob#eti2o a realiFação da #ustiça e%te%dida como atribuição a cada um da obrigação 4ue lhe cabeA de acordo com as pr. 4ue dedica ao tema dois li2rosA o oita2o e o %o%oJ termi%arei com uma refer1%cia ao 0 Político/ B diálogo de .emplo de tal Estado %o céuA para 4uem 4ueira e%co%trá loA a#usta%do se a ele %o go2er%o de si pr.ista em %e%hum lugar %a terra< 3as tal2eF ha#a um e.sofosA os guerreiros e os 4ue se dedicam aos trabalhos produti2os< ?rata se de um Estado 4ue %u%ca e.c:< Segue se 4ue a tipologia das formas de go2er%o de .istiu em %e%hum lugarA como come%tam dois i%terlocutoresA %o fi%al do li2ro décimo8 HV !ompree%doJ tu falas do Estado 4ue fu%damos e discutimos i%e..RepC lica. formas másA embora %em todas igualme%te másJ %e%huma dessas formas é boa< E%4ua%to %o diálogo de 6er. de 0 Político e das Leis< /ou deter me a4uiA em especialA em .prias aptidIes< !o%siste %a composição harmU%ica e orde%ada de tr1s categorias de home%s os go2er%a%tes fil.A mas o 2)cio tem uma 2ariedade i%fi%itaH 9.RepC lica.7 a<!<: fala das di2ersas modalidades de co%stituiçãoA assu%to 4ue é dese%2ol2ido particular me%te %os tr1s diálogos de .RepC lica.istemA os Estados reaisA são corrompidos embora de modo desigual< E%4ua%to o Estado perfeito é um s.doto ta%to as formas boas como as más sãoA de acordo com os po%tos de 2ista .iste%te a %ão ser %as %ossas pala2rasJ %ão creio 4ue ele e. pode ha2er uma co%stituição perfeita:A os Estados imperfeitos são muitosA de co%formi dade com o pri%c)pio afirmado em um trecho do diálogoA segu%do o 4ual H$ forma da 2irtude é uma s. em co%traste com a 4ue co%sideramos até agoraA origi%ada %o primeiro debate sobre o temaA i%clui s.prioH 9-'& b:< ?odos os Estados 4ue realme%te e. 9e %ão pode dei..ar de ser assimA por4ue s.

ria 9uma co%cepção HterroristaHA como diria Sa%t:< /1 a hist.ria %ão como progresso i%defi%ido masA ao co%trárioA como regresso defi%idoJ %ão como uma passagem do bem para o melhorA mas como um regresso do mal para o pior< ?e%do 2i2ido %a época da decad1%cia da gloriosa democracia ate%ie%seA e.ria é uma sucessão co%t)%ua de formas boas e másA como %o es4uema segui%te8 +-+-+Para PlatãoA ao co%trárioA s. se sucedem historicame%te formas mas cada uma pior do 4ue a precede%te< $ co%stituição boa %ão e%tra %essa sucessão8 e.teles a Pol)bioA é a de 4ue a hist..ricas realiFá2eisA em .ami%aA a%alisa e de%u%cia a degradação da p.lis8 %ão o seu esple%dor< = também como todos os gra%des co%ser2adores um historiador 9e um moralista: da decad1%cia das %açIesA mais do 4ue da sua gra%deFa< +ia%te da degradação co%t)%ua da hist.iste por si mesmaA como modeloA %ão importa se %o pri%c)pio ou %o fim da série< Pode se represe%tar a idéia platU%ica assim8 c: 9c Na 2erdadeA Platão como todos os gra%des co%ser2adoresA 4ue sempre 21em o passado com be%e2ol1%cia e o futuro com espa%to V tem uma co%cepção pessimista da hist. 4ue go2er%amJ %ada se altera %as leis fu%dame%tais do EstadoA desde 4ue os go2er%a%tes se#am trei%ados e educados do modo 4ue descre2emosH 9..riaA a solução s.0 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o dos tr1s i%terlocutoresA formas hist.RepC lica as formas hist.ricas 94ue Platão e.ami%a demoradame%te %o li2ro oita2o sãoA em ordem decresce%teA as 4uatro segui%tes8 timocraciaA oligar4uiaA democracia e tira%ia< /1 se logo 4ue faltam %essa e%umeração duas das formas tradicio%ais a mo%ar4uia e a aristocracia< Numa passagem 4ue co%2ém citar em seguidaA essas duas formas são atribu)das i%difere%teme%te K co%stituição ideal8 H +igo 4ue uma das formas de go2er%o é #ustame%te a 4ue co%sideramos 9a co%stituição ideal:A 4ue podemos chamar de duas ma%eiras8 se um de%tre todos os go2er%a%tes predomi%a sobre os outrosA é a mo%ar4uiaJ se a direção do go2er%o cabe a mais de uma pessoaA é a aristocracia< = 2erdade< V Essas duas modalidades co%stituemA porta%toA uma L%ica forma8 %ão importa se são muitos ou um s.ami%a detidame%te %o li2ro oita2o: são másA #ustame%te por4ue %ão se a#ustam K co%stituição ideal< $ L%ica forma boa ultrapassa a hist..riaA ati%g)2el por um processo de sublimação 4ue represe%ta uma muda%ça radical 9a po%to de le2a%tar a suspeita de 4ue a hist.d:< . pode estar HforaH da hist.ria pelo me%os até o prese%te< $i%da mais8 como 2eremos melhor em seguidaA a idéia predomi%a%teA de $rist.ria %ão é capaF de receb1 la e de suportá la: com relação ao 4ue aco%tece de fato %o mu%do< $s co%stituiçIes corrompidas 4ue Platão e.

c:< Para caracteriFar essas difere%tes formasA Platão ide%tifica as peculia ridades morais 9isto éA os 2)cios e as 2irtudes: das respecti2as classes dirige%tes< /ale lembrar 4ue a primeira disti%ção e%tre as formas de go2er%o %asce da resposta K segui%te pergu%ta8 HQuem go2er%aYH Em 2irtude desse critério de disti%çãoA a resposta de Platão é 4ue %a aristocracia go2er%a o homem aristocráticoA %a timocracia o timocráticoA %a oligar4uia o oligár4uicoA etc8 .imo da co%stituição ideal8 sua falhaA e fator de corrupçãoA co%sistia em ho%rar os guerreiros mais do 4ue os sábios 9-. 4ue sig%ifica Hho%raH: é uma forma i%troduFida por Platão para desig%ar a tra%sição e%tre a co%stituição ideal e as tr1s formas rui%s tradicio%ais< Ele se pergu%ta8 HNão é esta tal2eF 9a timocracia: uma forma de go2er%o situada e%tre a aristocracia e a oligar4uiaYH 9-.prio fil.tremoA 4ue é o Lltimo elo da cadeia< Nas represe%taçIes tradicio%ais há ape%as um mo2ime%to desce%de%te8 a timocracia é a dege%eração da aristocraciaA pressuposta forma perfeitaA descrita como Estado idealJ a oligar4uia é a corrupção da timocraciaA e assim por dia%te< $ forma mais bai.atame%te Ks formas corrompidas das tipologias tradi cio%ais V a oligar4uia correspo%de K forma corrompida da aristocraciaA a democracia K HpoliteiaH 9como $rist.sofo te%tou faFerA em SiracusaA com os tira%os locais< Empree%dime%to 2árias 2eFes te%tadoA em 2ão< Eis como Platão i%troduF sua e.7 c:< Na realidade hist.7 Em substM%ciaA Platão também aceita 4ue ha#a seis formas de go2er%o J destasA porémA reser2a duas para co%stituição ideal e 4uatro para as for mas reais 4ue se afastamA em grau maior ou me%orA da forma ideal< +as 4uatro co%stituiçIes corrompidasA a segu%daA a terceira e a 4uarta correspo%dem e.rica do seu tempoA a timocracia esta2a represe%tada em especial pelo go2er%o de EspartaA 4ue Platão admira2aA e 4ue tomou como modelo para descre2er sua repLblica ideal< +e fato o go2er%o timocrático de Esparta era o mais pr.imo< Platão %ão e.teles chamará o go2er%o do po2o %a sua forma pura:A a tira%ia K mo%ar4uia< $ timocracia 9de tim)...a é a tira%iaA com a 4ual o processo dege%erati2o chega ao po%to má.Platão .7 e:< Butra obser2ação a faFer é a segui%te8 e%4ua%to %as tipologias tradicio%aisA 4ue 2amos estudarA as seis formas se alter%amA sucede%do K forma boa a má 4ue lhe correspo%deA %a represe%tação platU%icaA uma 2eF proposta a forma ideal 94ue %o li2ro oita2o é assemelhada K aristocracia:A seguem se as outras 4uatro corrompidasA de modo desce%de%teJ %ão há assim alter%M%ciaA mas uma decad1%cia co%t)%uaA gradualA %ecessáriaA um mo2ime%to de cima para bai.sofoY >oi o 4ue o pr.o até ati%gir o po%to i%ferior e.ima ga%gre%a do EstadoH 9-.plica se a partir desse po%to ocorre um retor%oA %em de 4ue ma%eira< = poss)2el tra%sformar o tira%o em rei fil.posição sobre as 4uatro formas corrompidas8 H$s co%stituiçIes a 4ue me refiroA 4ue t1m um %ome especialA são8 a%tes de mais %adaA a 4ue é lou2ada por muitos V a de !reta e de Esparta 9a forma timocrática:J em segu%do lugarA também lou2adaA a chamada oligar4uiaA go2er%o ple%o de i%fi%itas dificuldadesJ em seguidaA oposta K forma precede%teA a democraciaJ por fimA a %obil)ssima tira%iaA superiora todas as demaisA 4uarta e má.

ato< V$ssimA os home%s 4ue dese#am a supremacia e ho%rarias termi%am sempre por agir a2arame%te como cLpidos trafica%tes de ri4ueFasJ aplaudem e admiram o ricoA oferece%do lhe as mais importa%tes fu%çIes pLblicasA despreFa%do o pobreH 9--0 a --1 a:< 0 2omem democrKtico% HV !omo é 4ue uma democracia se go2er%aY Que caráter tem esse go2er%oY E2ide%teme%teA o homem 4ue se assemelha a esse modelo será o homem democrático< .5 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o HV Oá e..a de ter co%sci1%cia delesA como 4uem recebeu uma educação perfeitaJ é bra%do para com os home%s li2resA submete%do se i%teirame%te K autoridadeJ dese#oso do coma%doA ama%te das ho%rariasA aspira a coma%dar %ão pela 2irtude das suas pala2rasA ou por outra 4ualidade 4ual4uer do mesmo g1%eroA mas sim pela sua ati2idade bélicaA pelo tale%to militarJ terá igualme%te a pai.uico% H Qua%to mais se i%cli%am a acumular di%heiroA e 4ua%to mais os tratam com ho%rariasA mais se reduF o respeito 4ue t1m pela 2irtude< Bu será 4ue %ão é 2erdade 4ueA postas %os dois pratos de uma bala%ça a 2irtude e a ri4ueFa sempre pesam em se%tido co%trárioY V = assim mesmo< VPorta%toA se a ri4ueFa e os ricos são 2e%erados %um EstadoA da mesma forma são ali despreFados a 2irtude e os home%s 2irtuosos< V Está claro< VPor outro ladoA sempre se pratica a4uilo a 4ue se atribui o 2alorA aba%do%a%do o 4ue se despreFa< V E.' a:< 0 2omem oligKr.ão domi%a%te8 para o timocráticoA a ambiçãoA o dese#o de ho%rariasJ para o oligár4uicoA a fome de ri4ueFaJ para o democráticoA o dese#o imoderado de liberdade 94ue se tra%sforma em lice%ça:J para o tirM%icoA a 2iol1%cia< PeproduFimos a4ui algu%s trechos desses retratos8 0 2omem timocrKtico% H<<< é se2ero com os criadosA mas %ão dei..e:< !ada um desses home%sA 4ue represe%ta um tipo de classe dirige%teA e porta%to uma forma de go2er%oA é retratado de modo muito eficaF media%te a descrição da sua pai.ami%amos o homem 4ue se a#usta K aristocraciaJ %ão é por acaso 4ue o co%sideramos bom e #usto< V SimJ #á o co%sideramos< VNão te parece 4ue se#a apropriado passarmos agora em re2ista os tipos i%ferioresA isto éA o tipo de homem prepote%te e ambiciosoA 4ue podemos co%siderar como correspo%de%te K co%stituição esparta%aJ em seguidaA o oligár4uicoA o democrático e o tirM%icoA de modo 4ueA compree%dido 4ual o 4ue mais se afasta da #ustiçaA possamos opor lhe o 4ue é mais #ustoYH 9-.ão da gi%ástica e da caçaH 9-.

%ecessáriaA %um certo se%tido i%e2itá2elA mas também muito rápida< Parece ser a co%se4R1%cia fatal da rebelião do filho co%tra o paiA da muda%ça de costumes 4ue ela pro2oca 9muda%ça 4ue correspo%de a uma piora co%sta%te:A especialme%te %a passagem da aristocracia para a timocraciaA da timocracia para a oligar4uia< Eis a4ui um e.sofo ace%tua a importM%cia do re2eFame%to das geraçIes< $ muda%ça de uma co%stituição para outra parece coi%cidir com a passagem de uma geração a outra< = uma muda%ça %ão s.prio estilo de 2ida pessoalA co%forme melhor lhe pareçaA %ãoYH 9--7 b:< 0 2omem tirLnico% H<<< B go2er%a%teA 2e%do 4ue a multidão está pro%ta a obedecerA %ão sabe e2itar o derramame%to de sa%gue dos cidadãosJ com falsas acusa çIesA usa%do os meios preferidos pelos 4ue agem assimA arrasta as pessoas aos tribu%aisJ macula se com o homic)dioA pro2a%do com a l)%guaA e os lábios celeradosA o sa%gue do pr.ilaA promo2e sua morte< +e outro ladoA pre21 a remissão de d)2idas e a redistribuição de terras< Por isso %ão será %ecessárioA i%e2itá2el mesmoA 4ue esse homem morra pela mão dos seus i%imigos ou se faça um tira%oA tra%sforma%do se de lobo em homemYH 9-0..imo< $ outros e.e:< !omo e por 4ue ocorre a passagem de uma co%stituição para outraY Para descre2er essa tra%sformaçãoA o fil.a domi%ar pelo medo eA de repe%teA aba%do%a precipitadame%te a ambição e o orgulho da autoridade 4ue ha2ia a%tes %o seu esp)rito< 6umilhado pela pobreFaA pIe se a ga%har di%heiro eA graças ao trabalho e ao esforço de eco%omiaA aos poucos recolhe uma %o2a ri4ueFa< Não cr1s 4ueA chega%do a tal po%toA esse homem %ão é le2ado a e%tro%iFar a cupideF e a a2areFaA faFe%do as sobera%asA cobri%do as de tiarasA colares e cimitarrasYH 9--3 b c:< Qua%to ao moti2o 4ue e.plica a muda%çaA de2e ser procurado sobretudo %a corrupção do pri%c)pio 4ue i%spira todos os go2er%os< Para .emplo dessa a%álise sobre geraçIes 9trata se da passagem do pai timocrático ao filho oligár4uico:8 HV Qua%do o filho de um homem timocrático desde o pri%c)pio emula o paiA segui%do lhe os passosA ao 2er 4ue este se choca co%tra o EstadoA como co%tra um escolhoA e 4ue depois de ter perdido tudoA a si mesmo e a seus be%sA é processado ou %as suas fu%çIes de coma%da%te supremo do e.ército ou e%4ua%to ocupa%te de algum cargo go2er%ati2o de importM%ciaA acusado por 4uem calu%iouA e desse modo co%de%ado K morte ou ao e.' Está claro< $%tes de mais %adaA %ão serão home%s li2resA e %ão se e%cherá o Estado de liberdade liberdade de pala2raA lice%ça para todos faFerem o 4ue 4uiseremY Pelo me%os é o 4ue se diF< VE 4ua%do tudo se permiteA está claro 4ue cada um pode ter seu pr.Platão .)lioA K perda dos direitos pLblicos e dos be%s<<< VNaturalme%te< V Precisame%te por 2er essas coisas e sofrime%tos V por ter perdido tudo VA ele se dei.

prios a%imaisY Em 4ue se%tidoY Por e.sito da corrupção da democracia:8 HV Que bem propIe a democraciaY $ liberdade< Num Estado go2er%ado democraticame%teA é a liberdade 4ue 2erás proclamada como seu maior bemJ por isso em tal Estado s.cessoH< $ ho%ra do homem timocrático se corrompe 4ua%do se tra%sforma em ambição imoderada e M%sia de poder< $ ri4ueFa do homem oligár4uicoA 4ua%do se tra%sforma em a2ideFA a2areFaA oste%ta ção despudorada de be%sA 4ue le2a K i%2e#a e K re2olta dos pobres< $ liberdade do homem democráticoA 4ua%do este passa a ser lice%ciosoA acredita%do 4ue tudo é permitidoA 4ue todas as regras podem ser tra%sgredidas impu%eme%te< B poder do tira%oA 4ua%do se tra%sforma em puro arb)trioA e 2iol1%cia pela pr.tremame%te complace%tesA permiti%do a mais absoluta liberdadeA o po2o os tratará como réusA pu%i%do os como traidores e oligarcas< = e.atame%te o 4ue aco%tece< SimA e mais ai%da8 %um Estado semelha%te o professor teme e adula seus alu%osA 4ue %ão dão importM%cia ao mestreA como aos educadoresJ em poucas pala2rasA os #o2e%s se igualam aos 2elhosA ta%to %o .emplo8 o pai se habitua a tratar os filhos como iguaisA e a tem1 losA o mesmo ocorre%do com os filhos em relação aos paisA de modo 4ue os primeiros passam a %ão mais respeitar ou temer os pr. pode 2i2er 4uem for liberal por temperame%to< !om efeito é o 4ue se ou2e com muita fre4R1%cia< +e fatoA é o 4ue te 4ueria diFer< Não é tal2eF o dese#o i%saciá2el desse bemA em troca do 4ual tudo o mais é aba%do%adoA 4ue determi%a também a deformação dessa forma de go2er%oA prepara%do o cami%ho para a tira%iaY +e 4ue modoY Pe%so 4ue 4ua%do um Estado co%stitu)do democraticame%teA com sede de liberdadeA está em poder de maus go2er%a%tesA e tão i%ebriado dessa liberdade 4ue a usufrui além da medidaA se os 4ue o go2er%am %ão são e.50 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o uma ética como a hel1%icaA acolhida e propug%ada por PlatãoA fu%dame% tada %a idéia do Hmeio douradoHA a corrupção de um pri%c)pio co%siste %o seu He.atame%te assim< E a4ueles cidadãos 4ue obedecem Ks autoridades co%stitu)das são ultra#adosA tratados como home%s sem 4ual4uer 2alorA 4ue se e%trega ram 2olu%tariame%te K escra2idãoJ por outro ladoA os magistrados 4ue parecem iguais aos cidadãosA e os cidadãos 4ue se assemelham aos magistradosA ta%to %as coisas pri2adas como %as pLblicasA são lou2ados e recebem ho%rarias< Não é i%e2itá2elA assimA 4ue %um Estado como esse rei%e acima de tudo o esp)rito da liberdadeY !omo %ãoYd E mais ai%daA meu amigo8 4ue ele se i%si%ue %a i%timidade das fam)liasA e 4ue fi%alme%te a a%ar4uia ati%#a os pr.pria 2iol1%cia< Sobre este temaA bastará citar uma pági%a famosa 9a prop.prios ge%itoresA #ustame%te por serem li2res< Bs metecos se tor%am iguais aos cidadãosA e estes aos metecosA o mesmo se pode%do diFer com relação aos estra%geiros< = e.

rdiaY E 4ueA e%4ua%to o go2er%o se ma%tém em harmo%iaA embora pe4ue%oA perma%ece %eces sariame%te i%alteradoYH 9-. parte populi 9por4ue deste po%to de 2ista o problema de fu%do é o da liberdade:A mas e.d:< 3as especificame%teA há duas modalidades de disc.ami%a os problemas do Estado %ão e.rdia 4ue le2am uma cidade K ru)%a8 a primeira é a 4ue ocorre de%tro da classe dirige%teJ a outraA o co%flito e%tre a classe dirige%te e a classe dirigidaA e%tre go2er%a%tes e go2er%ados< Na descrição platU%ica das formas corrompi das de co%2i21%cia pol)ticaA esses dois tipos podem ser 2istos< Na passagem da aristocracia para a timocraciaA e da timocracia para a oligar4uiaA a disc.plicar como é 4ue a timocracia pode %ascer da aristocracia< Para começarA %ão é 2erdade i%discut)2el 4ue todas as formas de Estado se tra%sformam de2ido #ustame%te K4ueles 4ue go2er%amA 4ua%do e%tre eles surge a disc.rdia pri%c)pio da desagregação da u%idade< +a disc.rdia %ascem os males da fragme%tação da estrutura socialA a cisão em partidosA o cho4ue das facçIesA por fimA a a%ar4uia o maior dos males A 4ue represe%ta o fim do EstadoA a situação mais fa2orá2el K i%stituição do pior tipo de go2er%o8 a tira%ia< B tema da disc..emplo %otá2el da teoria orgM%ica da sociedade isto éA da teoria 4ue co%cebe a sociedade 9ou o Estado: como um 2erdadeiro orga%ismoA K imagem e semelha%ça do corpo huma%o< !omo %a repLblica idealA Ks tr1s classes 4ue compIem orga%icame%te o Estado correspo%dem tr1s almas i%di2iduais8 a racio%alA a passio%al e a apetiti2aJ do mesmo modoA as formas de go2er%o podem também ser disti%guidas com base %as . parte principis 9e Platão é segurame%te um delesA tal2eF o maior de todos:A o tema fu%dame%tal %ão é o da HliberdadeH do i%di2)duo com respeito ao EstadoA mas o da Hu%idadeH do Estado com relação ao i%di2)duo< Se este é o bem maiorA o mal será a disc.rdia como moléstiaA como patologia do Estado é fre4Re%teJ a corrupção do Estado é muitas 2eFes comparada K doe%ça do orga%ismoA dada a a%alogia co%t)%ua proposta por Platão e%tre o corpo do i%di2)duo e o corpo do Estado8 H /amosd ?e%temos e.Platão -1 4ue diFem como %o 4ue faFem< Por sua 2eFA os 2elhos são co%desce% de%tes com relação aos #o2e%s com sua 2i2acidade e alegria A imita%do os para %ão parecerem i%tolera%tes e desp.rdia destruti2a é do primeiro tipoJ %a passagem da oligar4uia para a democraciaA ao co%trárioA é do segu%do tipo< $s duas primeiras sãoA com efeitoA tra%sformaçIes i%ter%as das classes dirige%tesJ a terceira implica a tra%sfer1%cia do poder de uma classe para outra8 para usar a termi%ologia a%tiga 94ue perdurou até Pousseau:A a muda%ça do dom)%io dos ricos para o dos pobres< = amplame%te reco%hecido 4ue a teoria platU%ica do Estado como orga%ismo de2e muito K sua teoria do homem< $ filosofia platU%ica é um e.rdia< Esse é um dos gra%des temas da filosofia pol)tica de todos os tempos um tema recorre%te< Sobretudo de2ido K refle.ticosH 9-0& c e -03 a b:< !omo se ma%ifesta a corrupção do EstadoY Esse%cialme%te pela disc.ão pol)tica 4ue e. parte principis isto éA do po%to de 2ista da4ueles 4ue det1m o poder e 4ue t1m a respo%sabilidade de co%ser2á lo< Para os 4ue co%sideram o problema pol)tico e.

4ue em cada uma delas é ate%dido prepo%dera%teme%te< 6á tr1s espécies de %ecessidades8 as esse%ciaisA as supérfluas e as il)citas< B homem oligár4uico se caracteriFa pelo ate% dime%to das %ecessidades esse%ciaisJ o democráticoA das supérfluasJ o tirM%icoA das il)citas< Platão defi%e os dois primeiros tipos da segui%te forma8 H= #usto chamar %ecessários a4ueles dese#os 4ue %ão é poss)2el despreFarA e todos os outros 4ue de2emos satisfaFer %os dois casosA são i%cli%açIes de2idas a uma %ecessidade %atural<<< No 4ue respeita K4ueles dese#os de 4ue %os podemos liberarA se %os dedicamos a isso desde a #u2e%tudeA e 4ue 4ua%do e.tirpadas pela educação:< $ difere%ça e%tre o homem %ormal e o tira%o está em 4ue esses dese#os il)citos 9H2iole%tosH .s %ão %os traFem %e%hum bemA mas podem causar %os malA %ão estar)amos usa%do a de%omi%ação correta se os chamássemos de dese#os supérfluosYH 9--5 d e --' a:< Eis algu%s e.prias dos tira%osA embora afli#am todos os home%s 9podem co%tudo ser e.alta o guerreiroA mais do 4ue o sábio: é domi%ada pela alma passio%al< $s outras tr1s formas são domi%adas pela alma apetiti2a8 o homem oligár4uicoA o democrático e o tira%o são todos eles cLpidos de be%s materiaisA estão todos 2oltados para a ?erra embora aprese%tem aspectos di2ersos< $ passagem mais i%teressa%te o%de se surpree%de o critério para a disti%ção e%tre as 2árias formasA com base %as respecti2as almasA é a4uela 4ue descre2e o %ascime%to do homem timocrático como filho rebelde do homem aristocrático8 HNosso #o2emA 4ue ou2e e 21 tudo issoA e por outro lado escuta as pala2ras do paiA ao mesmo tempo 4ue obser2a sua co%dutaA compara a com a dos outrosA se%te se atra)do por uma e por outra8 pelo paiA 4ue irriga e culti2a o aspecto racio%al da sua almaJ pelos outrosA 4ue alime%tam o aspecto da co%cupisc1%cia e do impulso< Não se%do mau por %atureFaA mas esta%do fre4Re%teme%te em más compa%hiasA e sofre%do essa dupla atraçãoA co%stitui em si mesmo um caráter i%termediárioA co%fia%do o go2er%o de si mesmo K parte média da almaA prepote%te e ambiciosaA tor%a%do se um homem arroga%te e sede%to de ho%rariasH 9--0 a b:< ?ambém sob esse aspecto a timocracia aparece como forma 4ualita ti2ame%te difere%te das demaisA i%termediária e%tre a perfeita e a mais imperfeita< Embora %ão se#a perfeitaA é me%os imperfeita do 4ue as 4ue se lhe seguem< No 4ue co%cer%e K parte da alma correspo%de%teA as tr1s Lltimas perte%cem K mesma espécieA e%4ua%to a timocracia participa de espécie disti%ta< Neste se%tidoA a difere%ça e%tre esta Lltima e a4uelas outras formas %ão é ape%as de grauA mas de 4ualidade< Qua%to Ks tr1s Lltimas formasA o critério de disti%ção a 4ue Platão recorre se baseia %a difere%ça e%tre os 2ários tipos de %ecessidade ou de dese#o 9o termo grego é epit2umia>.istem em %.emplos8 o dese#o de alime%tar se é %ecessárioJ o de comer alime%tos refi%ados é supérfluo< $s %ecessidades il)citas são uma modalidade das supérfluasA pr.-& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o difere%tes almas 4ue as a%imam< B tema %ão foi perfeitame%te dese%2ol 2idoA mas se %ão há dL2ida de 4ue a co%stituição ideal é domi%ada pela alma racio%alA é i%dubitá2el 4ue a co%stituição timocrática 94ue e.

RepC lica é uma descrição da melhor forma de co%stituiçãoJ 0 Político é uma i%2estigaçãoA estudo e descrição do melhor tipo de go2er%a%te o rei fil.Platão -3 ou HtumultuososHA como também são co%hecidos: perturbam o primeiro s. ela é me%os origi%al< Sua L%ica difere%çaA em comparação com a tipologia 4ue se tor%ará clássicaA a das seis formas de go2er%o tr1s boas e tr1s más é 4ue em 0 Político a democracia tem um s.sofoA 4ue possui a ci1%cia do bom go2er%o< B 4ue %os i%teressa a4ui é ape%as um trecho de Platão em 4ue o fil.s o di2idiremos:<<< com um critério igual ao 4ue foi aplicado aos outrosA embora percebamos agora 4ue o %ome dessa forma tem duas acepçIes< 3as a disti%ção e%tre o go2er%o de acordo com as leis e em oposição a elas é aplicá2el a este casoA como aos demaisH 90 Político. em so%hosA e o segu%do %a 2ig)lia< .istisse uma s. modalidade8 a democracia< = preciso aceitar agora 4ue se aprese%ta também sob forma dupla<<< 9N. 30& d:< !o%ti%ua%do o diálogoA Platão coloca também o problema do .s o co%hecemos como aristocraciaA ou oligar4uia< E. %omeA o 4ue %ão 4uer diFer 4ueA difere%teme%te das outras formas de go2er%oA aprese%te um L%ico modelo< ?ambém do go2er%o popular há uma 2ersão boa e uma 2ersão má 9embora sob o mesmo %ome:A como 2emos %a segui%te passagem8 H?emosA %a mo%ar4uiaA o go2er%o real e o tirM%icoJ #á dissemosA com respeito ao go2er%o dos poucosA 4ue este pode ser a aristocraciaA de %ome promissorA ou a oligar4uiaJ 4ua%to ao go2er%o dos muitosA admitimos i%icialme%te 4ue dele e.RepC lica.sofo e.pIe suas idéias sobre as formas de go2er%o< ?rata se de passagem curtaA 4ue reproduFiremos completame%te8 HV Não acreditamos 4ue a mo%ar4uia é uma das %ossas formas de go2er%oY !ertame%te< E depois da mo%ar4uia poder)amos citar o go2er%o dos poucos< Naturalme%te< *m terceiro tipo %ão seria o go2er%o do gra%de %LmeroA a chamada democraciaY Sim< BraA como são tr1sA essas formas de go2er%o %ão passarão a ci%coA de certo modoA cada uma com dois outros %omesY QuaisY Bs 4ue se referemA de certa ma%eiraA K %atureFa 2iole%ta ou 2olu%táriaA K pobreFa ou K ri4ueFaA K legalidade ou ilegalidadeA di2idi%do em duas cada uma das formasA assim como chamamos K mo%ar4uia tira%ia ou go2er%o real< = 2erdade< E o Estado go2er%ado por poucosA %.ato< Na democraciaA ao co%trárioA o po2o domi%a os 4ue possuem be%sA se#a com o seu co%se%time%toA se#a com a forçaJ se#am as leis guardadas ciosame%teA se#am 2ioladasA %u%ca se alterou essa de%omi%açãoH 9&'1 d e &'& a:< No 4ue diF respeito K tipologia de .

ocupam os dois e. %ome8 se%do a pior forma de%tre as boasA e a melhor das másA %ão aprese%taA %as duas 2ersIesA a difere%ça do go2er%o de um s. i%cide%talme%te 9trata se de assu%to ao 4ual 2amos 2oltar com fre4R1%cia dura%te o curso:A é o critério ou critérios com base %os 4uais Platão disti%gue as formas boas das más< Pele%do a passagem citadaA 2eremos 4ue esses critérios sãoA em substM% ciaA dois8 2iol1%cia e co%se%soA legalidade e ilegalidade< $s formas boas são a4uelas em 4ue o go2er%o %ão se baseia %a 2iol1%ciaA e sim %o co%se%time%to ou %a 2o%tade dos cidadãosJ o%de ele atua de acordo com leis estabelecidasA e %ão arbitrariame%te< . $ ?eoria das >ormas de Go2er%o co%fro%to e%tre as 2árias formas de go2er%oA para a2aliar se são relati 2ame%te mais ou me%os boas 9ou más:J e suste%ta a tese de 4ueA se é 2erdade 4ue a democracia é a pior das formas boasA é %o e%ta%to a melhor das más 92ide 30& d e e 303 a b:< Qual a co%se4R1%cia dissoY Se colocamos em ordem decresce%te as seis formasA as tr1s primeiras as boas de2em ser postas em determi%ada posição 9mo%ar4uiaA aristo craciaA democracia:A e as más em posição i%2ersa 9democraciaA oligar4uiaA tira%ia:< $ democracia está ao mesmo tempo %o fim da série HboaH e %o pri%c)pio da série HmáH< $lém do maisA essa disposição pode ser2ir para e.A 4ue %a 2ersão boa é o melhor e %a 2ersão má é o pior< !olo4uemosA assimA as seis formas %a ordem da sua aceitabilidade8 mo%ar4uiaA aristocraciaA democracia positi2aA democracia %egati2aA oligar4uiaA tira%ia< = e2ide%te 4ue as duas espécies de demo cracia formam um continuum. e%4ua%to as duas formas do go2er%o de um s.tremos da escala< Butra coisa a obser2arA %o mome%to s.-.plicar por 4ue a democracia tem um s.

sterosA co%ti%uamos a empregar %o esforço de compree%der a reali dade< $ Política está di2idida em oito li2ros8 destesA dois o terceiro e o 4uarto estão dedicados K descrição e K classificação das formas de go2er%o< B primeiro trata da origem do EstadoJ o segu%do critica as teorias pol)ticas precede%tesA em especial a platU%icaJ o 4ui%to trata das muda%ças das co%stituiçIes isto éA da passagem de uma forma de go2er%o a outra J o se.sA seus p.teles se detém com maior ate%ção em toda a obraJ o sétimo e o oita2o tratam das melhores formas de co%stituição< B termo empregado por $rtist.to estuda em particular as 2árias formas de democracia e de oligar4uiaA as duas formas de go2er%o em 4ue $rist.posta por $rist.teles de fato se limita a diFer 4ue a co%stituiçãoA a politeia. traduFido 2ia de regra como Hco%stituiçãoH< /ale %otar 4ue na/Política e%co%tramos muitas defi%içIes de Hco%stituiçãoH< *ma dessas defi%içIes está %o li2ro terceiro8 H$ co%stituição é a estrutura 4ue dá ordem K cidadeA determi%a%do o fu%cio%ame%to de todos os cargos pLblicos e sobretudo da autoridade sobera%aH 91&75 b:< Essa tradução tal2eF se#a um pouco redu%da%te8 $rist.telesA é a Horde%ação das magistraturasH< .teles para desig%ar o 4ue até a4ui 2e%ho chama%do de Hforma de go2er%oH é politeia.teles parece ter fi. 3&& a<!<: %a PolíticaM é clássica e foi repetida dura%te séculos sem 2ariaçIes se%s)2eis< $4ui também $rist.teles 935. isto éA a Horde%ação das magistraturasH 9ou se#aA dos Hcargos pLblicosH:< ?al defi%ição correspo%deA 8grosso modo8.ado em defi%iti2o algumas categorias fu%dame%tais 4ue %. ao 4ue e%te%demos ho#e como Hco%stituiçãoH< +igo 8grosso modo8 por4ue ho#e i%cluir)amos algo mais %uma co%stituição8 4ua%do %os referimos K co%stituição italia%aA fra%cesa ou chi%esa falamos da lei fu%dame%tal de um EstadoA 4ue estabelece seus .!ap)tulo ((( $P(S?e?E"ES $ teoria clássica das formas de go2er%o é a4uela e. é 8tK.is ton arc2on8.rgãosA as respecti2as fu%çIesA relaçIes rec)procasA etc< Em sumaA para repetir $rist.

ercem %o seu i%teresse pri2adoA temos des2ios<<< !hamamos Crei%oC ao go2er%o mo%ár4uico 4ue se propIe a faFer o bem pLblicoJ CaristocraciaCA ao go2er%o de poucos<<<A 4ua%do tem por fi%alidade o bem comumJ 4ua%do a massa go2er%a 2isa%do ao bem pLblicoA temos a CpolidaC A pala2ra com 4ue desig%amos em comum todas as co%stituiçIes<<< $s dege%eraçIes das formas de go2er%o precede%tes são a C tira%iaC com respeito ao rei%oJ a C oligar4uiaC A com relação K aristocraciaJ e a C democraciaCA %o 4ue diF respeito K C polidaC< Na 2erdadeA a tira%ia é o go2er%o mo%ár4uico e.teles %ão cessa de chamar a ate%ção do leitor é o de 4ue há muitas co%stituiçIes difere%tesJ porta%toA uma das primeiras tarefas do estudioso da pol)tica é descre21 las e classificá las< $rist.A pou cos ou muitos e.ricaA merece ser reproduFida por i%teiro8 H!omo co%stituição e go2er%o sig%ificam a mesma coisaA e o go2er%o é o poder sobera%o da cidadeA é %ecessário 4ue esse poder sobera%o se#a e.teles e%fre%ta o problema %o X 7 do "i2ro (((A em passagemA 4ueA por sua importM%cia hist.ercido por Cum s. pessoa 9mo%ar4uia:A em poucas pessoas 9aristocracia: e em muitas 9HpolitiaH:< !om base %o segu%doA as co%stituiçIes podem ser boas ou másA com a co%se4R1%cia de 4ue Ks tr1s primeiras formas boas se acresce%tam e se co%trapIem as tr1s formas más 9a tira%iaA a oligar4uia e a democracia:< $ simplicidade e a clareFa desta tipologia são tais 4ue seria des%ecessário 4ual4uer come%tárioA além de certas co%sideraçIes ter mi%ol.HA ao 4ual correspo%deA como go2er%o mauA a tira%ia< +o mesmo modoA Holigar 4uiaHA 4ue sig%ifica propriame%te Hgo2er%o de poucosHA correspo%de a Hgo2er%o mau de poucosHA a 4ue está relacio%ada a HaristocraciaHA como forma boa de go2er%o< B termo Holigar4uiaH co%ser2ou de fatoA %os séculos segui%tesA seu sig%ificado pe#orati2o origi%alJ ai%da ho#e se costuma falar de Holigar4uiasHA %o se%tido %egati2oA para desig%ar grupos de poder restritos 4ue go2er%am sem o apoio popular 9co%trapo%do se assim K HdemocraciaH:< Qua%to K HaristocraciaHA 4ue sig%ifica pro priame%te Hgo2er%o dos melhoresHA é o L%ico dos tr1s termos desig%a%do as formas boas 4ue tem por si mesmo um sig%ificado positi2o8 %o curso do tempo ma%te2e sig%ificação me%os %egati2a do 4ue a de Holigar4uiaHA mas perdeu o se%tido origi%al de Hgo2er%o dos melhoresH 9%a li%guagem pol)tica moder%a e%te%demosA 2ia de regraA por go2er%os HaristocráticosH os 4ue se baseiam em grupos restritosA %os 4uais o poder é tra%smitido por 2ia .HA mas %a tipologia aristotélica 4uer diFer Hgo2er%o bom de um s.gicas< H3o%ar4uiaH sig%ifica propriame%te Hgo2er%o de um s.trema simplicidade e co%cisãoA a célebre teoria das seis formas de go2er%o< >ica bem claro 4ue essa tipologia deri2a do emprego simultM%eo dos dois critérios fu%da me%tais H4uemH go2er%a e HcomoH go2er%a< !om base %o primeiro critérioA as co%stituiçIes podem ser disti%guidas co%forme o poder resida %uma s.56 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o *m tema a respeito do 4ual $rist.ercido em fa2or do mo%arcaJ a oligar4uia 2isa ao i%teresse dos ricosJ a democraciaA ao dos pobres< 3as %e%huma dessas formas mira a utilidade comumH 91&7' a b:< Em poucas li%hasA o autor formulaA com e.ercem o poder busca%do o i%teresse comumA temos %eces sariame%te as co%stituiçIes retasJ 4ua%do o e.CA por CpoucosC ou por CmuitosC< Qua%do um s.

ercido por muitas pessoasA cria%do desordem e co%fusão< $ co%fusão 4ue cria %o leitor o uso do termo ge%érico HpolitiaH ou Hco%stituiçãoH para i%dicar uma das seis poss)2eis co%stituiçIes é ai%da maior por4ue em outra obraA a ?tica a &ic@maco.telesA repeti%do a classificação das formas boas e másA emprega para de%otar a terceira forma boa o termo HtimocraciaHA 4ue e%co%tramos em Platão usado para desig%ar a primeira das 4uatro formas de go2er%o descede%tes da forma boa< !o%2ém reproduFir a passagem por i%teiro8 H?r1s são as formas de go2er%o e tr1s são os des2ios e corrupçIes dessas formas< $s formas são8 o rei%oA a aristocracia eA a terceiraA a4uela 4ue se baseia sobre a 2o%tade popularA 4ue pareceria pr.$rist. de %omeA %ão %a realidadeJ é rei%o por4ue 4uem rei%a e.teles %ão parece diferir da 4ue Platão suste%tou em 0 Político.prio chamar de HtimocraciaHA mas 4ue a maioria chama ape%as de HpolitiaH<<< B des2io do rei%o é a tira%ia<<< +a aristocracia se passa K oligar4uiaA pela mal2adeF dos go2er%a%tes<<< +a timocracia K democraciaH 91100 a b:< +e 4ual4uer forma o uso de um termo ge%éricoA como HpolitiaHA ou impr.prioA como timocraciaA co%firma o 4ue Platão #á %os ha2ia e%si%ado8 ao co%trário do 4ue aco%tece com as duas primeiras formasA para as 4uais e.pus %o fim do cap)tulo precede%te< B critério da hierar4uia é o mesmo8 a forma pior é a dege%eração da forma melhorA de modo 4ue as dege%eraçIes das formas 4ue seguem a melhor são cada 2eF me%os gra2es< !om base %esse critérioA a ordem hierár4uica das seis formas é a segui%te8 mo%ar4uiaA aristocraciaA politiaA democraciaA oligar4uiaA tira%ia< E o 4ue podemos diFer empre ga%do as mesmas pala2ras de $rist. a disti%ção e%tre formas boas e más porém uma hierar4uia e%tre as 2árias formas 4uer diFerA uma disti%ção e%tre formas melhores e piores< $ ordem hierár4uica aceita por $rist.traordi%ariame%te os . $rist.pressão também co%sagrada pelo uso para de%otar a correspo%de%te forma boa< B uso a.gicaA é o uso de HpolitiaH para i%dicar a co%stituição caracteriFada pelo go2er%o de muitosA e bom< Estra%heFa por4ueA como 2imosA HpolitiaH 9termo 4ue traduF 8politeia8 sem traduFi lo: sig%ifica Hco%stituiçãoH é porta%to um termo ge%éricoA %ão espedfico< 6o#eA 4ua%do 4ueremos usar uma pala2ra grega para i%dicar o go2er%o de muitos diFemos Hpoliar4uiaH 9é o 4ue faFA por e. 4ue e.cede e.teles -7 hereditária:< $ maior %o2idadeA a estra%heFa termi%ol.gico de uma tipologia comportaA como se disse %o cap)tulo i%trodut.istem dois termos co%sagrados pelo uso para i%dicar respecti2ame%te a forma boa e a máA com relação K terceira háA %o uso corre%teA um s. termoA HdemocraciaHA com a co%se4R1%cia de 4ueA uma 2eF adotado para i%dicar e.clusi2ame%te a forma máA como feF $rist.emploA o cie%tista pol)tico Pobert +ahlA para de%omi%ar a democracia plural)stica dos Estados *%idos da $mérica:< Bs gregos co%heciam esse termo 94ue e%co%tramosA por e.rioA %ão s.emploA em ?uc)didesA /(A 7&:A mas o emprega2am %a acepção pe#orati2a de coma%do militar e.teles 9ao co%trário do 4ue fará Pol)bioA como 2eremos:A falta uma e.teles8 H= e2ide%te 4ual dessas dege%eraçIes é a pior e 4ual 2em logo depois< !om efeitoA é %ecessariame%te pior a co%stituição deri2ada por dege%e ração da forma primeiraA mais di2i%a< BraA o rei%o o é s.iol.

prio i%teresseJ o patemoA %o i%teresse dos filhosJ o pol)ticoA %o i%teresse comum de go2er%a%tes e go2er%ados< +a) a segui%te co%clusão8 H= e2ide%te 4ue todas as co%stituiçIes 4ue miram o i%teresse comum são co%stituiçIes retasA e%4ua%to co%formes K #ustiça absolutaJ as 4ue .ercido %o seu pr.plica se também por 4ue as duas formas da democracia podem ter sido de%omi%adas da mesma formaJ esta%do uma %o fim da primeira série e a outra %o pri%c)pio da segu%daA são semelha%tes a po%to de poderem ser co%fu%didas< E%tre o 4ue é melhor e o 4ue é pior a distM%cia é gra%de e i%abra%g)2elJ e%tre o me%os bom e o me%os mau há uma li%ha co%t)%ua 4ue %os 2eda traçar uma li%ha clara de demarcação< 6á ai%da uma obser2ação a faFer sobre a disti%ção e%tre as formas boas e as más< !om base em 4ue critério $rist.iste e%tre a HpolitiaH 9a pior das formas boas: e a HdemocraciaH 9a melhor das más:< E.sito da disti%ção 4ue o fil.teles é difere%te8 %ão é o co%se%so ou a forçaA a legalidade ou ilegalidadeA mas sobretudo o i%teresse comum ou o i%teresse pessoal< $s formas boas são a4uelas em 4ue os go2er%a%tes 2isam ao i%teresse comumJ más são a4uelas em 4ue os go2er%a%tes t1m em 2ista o i%teresse pr.sofo i%troduF em 0 Político/ B critério de $rist.iste e%tre Hmo%ar4uiaH 9a melhor co%stituiçãoA de%tre as 4ue são boas: e Htira%iaH 9a piorA de%tre as más:J o me%or é o 4ue e.teles disti%gue tr1s tipos de relaçIes de poder8 o poder do pai sobre o filhoA do se%hor sobre o escra2oA do go2er%a%te sobre o go2er%ado< Essas tr1s formas de poder se disti%guem e%tre si com base %o tipo de i%teresse perseguido< B poder dos se%hores é e.prio< Este critério está estreitame%te associado ao co%ceito aristotélico da polis 9ou do EstadoA %o se%tido moder%o da pala2ra:< $ raFão pela 4ual os i%di2)duos se reL%em %as cidades isto é formam comu%idades po l)ticas V %ão é ape%as a de 2i2er em comumA mas a de H2i2er bemH 91&-& b e 1&50 b:< Para 4ue o ob#eti2o da Hboa 2idaH possa ser realiFadoA é %ecessário 4ue os cidadãos 2isem ao i%teresse comumA ou em co%#u%to ou por i%termédio dos seus go2er%a%tes< Qua%do os go2er%a%tes se apro 2eitam do poder 4ue receberam ou co%4uistaram para perseguir i%teres ses particularesA a comu%idade pol)tica se realiFa me%os bemA assumi%do uma forma pol)tica corrompidaA ou dege%eradaA com relação K forma pura< $rist.teles disti%gue uma da outraY /ale lembrar o 4ue disse %a Lltima parte da lição sobre PlatãoA a prop.-5 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o demaisA da mesma forma 4ue a tira%iaA 4ue é a pior dege%eraçãoA é a mais afastada da co%stituição 2erdadeira< Em segu%do lugar 2em a oligar4uia 9de 4ue a aristocracia difere muito:A e%4ua%to a democracia é mais moderadaH 91&5' a b:< Na ?tica a &ic@maco podemos co%firmar essa ordem< Na mesma passagem 4ue citamos há pouco l1 seA depois da listagem das seis formas de go2er%o8 H+elas a melhor é o rei%oA e a pior é a timocraciaH 91100 a:< E pouco mais adia%te8 H3as a democracia é o des2io me%os ruim8 com efeitoA pouco se afasta da forma de go2er%o correspo%de%teH 91100 b:< Estabelecida assim a ordem hierár4uicaA obser2amos 4ue o maior afastame%to é o 4ue e.

teles afirma8 H= preciso a%tes de mais %ada determi%ar se a mo%ar4uia co%stitui um s.teles a%alisa cada uma das seis formas em especificaçIes hist.tica ouA ratione loci.emploA a primeira forma de go2er%o a mo%ar4uia< $o i%iciar o seu estudoA $rist.tica< B poder desp.ercida sobre po2os Hser2isHA o 4ue e.ito hist.tico e.idade das suas articulaçIes i%ter%as< $rist.a:< Essas duas caracter)sticas faFem com 4ue %ão se possa assemelhar tal tipo de mo%ar4uia K tira%iaA #á 4ue os tira%os Hgo2er%am sLditos desco%te%tes com o seu poderHA poder 4ue %ão se fu%dame%ta %o co%se%time%to %ão é Hleg)timoHA %o se%tido preciso da pala2raJ ao mesmo tempoA é uma forma de mo%ar4uia 4ue difere das mo%ar4uias hel1%icas por4ue é e.icosA H4ue era hereditáriaA basea%do se %o co%se%time%to dos sLditosHJ a de EspartaA em 4ue o poder supremo se ide%tifica2a com o poder militarA te%do duração perpétuaJ o regime dos 8esimneti8 isto éA dos Htira%os eleti2osH V bem como o dos chefes supremos de uma cidade eleitos por um certo per)odoA ou em caráter 2ital)cioA %o caso de cho4ues gra2es e%tre facçIes opostasJ a mo%ar4uia dos po2os bárbaros< +ete%ho me em particular %esta LltimaA 4ue i%troduF uma categoria hist.ercido de modo difere%teH 91&5.ercido tira%icame%te é co%tudo leg)timoA por4ue é aceitoJ e é aceito por4ue Hcomo esses po2os bárbaros são mais ser2is do 4ue os gregosA e como os po2os asiáticos são mais ser2is do 4ue os europeusA suportam sem dificuldade o poder desp.teles -' 2isam ao i%teresse dos go2er%a%tes são errU%easA co%stitui%do dege%e raçIes com respeito Ks primeirasH 91&7' a:< $ importM%cia hist.a de seguir esse es4uemaA ao estudar a passagem de uma subespécie para outra< !o%sidere seA por e.rico do es4uema de classificação 9facilme%te compree%s)2elA como o de todos os es4uemas 4ue reduFem uma realidade hist.ercido tira%icame%teJ %este se%tido se assemelha ao poder do tira%oJ b: esse poder e.cessi2a de%tro da obra aristotélicaA 4ue é mais rica de obser2açIes e determi%açIes do 4ue poderia parecer co%sidera%do a tipologia 4ue estudamos< Poder se ia mesmo diFer 4ue o 1.rica desti%ada a ter gra%de importM%cia %os séculos segui%tes8 a categoria da mo%ar4uia desp.erce sobre os escra2osJ difere%teA como #á . despreFa%do a comple.ige sua aplicação desp.ercido sobre elesH 91&5.telesA é e%orme< 3as %ão de2emos dar lhe uma importM%cia e.rica comple.aA como era a das cidades gregasA de suas e2oluçIes e re2oluçIes: termi%ou i%duFi%do uma leitura simplificada da Política.tico é a4uele 4ue o se%hor 9em gregoA despotes> e.ricasA subdi2idi%do as em muitas espécies particu laresA cu#a determi%ação faF com 4ue o es4uema geral pareça muito me%os r)gido do 4ue ficou co%sig%ado %a tradição do pe%same%to pol)tico< Por 2eFesA dei.a:< Estabelecida esta premissaA a e.ada por $rist. do Hdespotismo orie%talHA sobre a 4ual 2oltaremos a falar< São duas as caracter)sticas peculiares desse tipo de mo%ar4uia8 a: o poder é e. g1%ero ou se está difere%ciada em 2ários g1%erosJ é fácil perceber 4ue abra%ge muitos g1%erosA em cada um dos 4uais o go2er%o é e.rica da teoria das seis formas de go2er%oA do modo como foi fi.posição sobre a mo%ar4uia se articula por meio da disti%ção de 2árias espécies de mo%ar4uiasA tais como8 a dos tempos her.$rist.

ercido %o i%teresse dos filhosA e do poder pol)tico ou ci2ilA e.ercer sobre esses po2os o poder do tipo desp.tico é absoluto eA ao co%trário do pater%oA e.60 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o 2imosA ta%to do poder pater%o como do poder pol)tico< B poder desp. se pode e.rmula 2aFiaA uma idéia abstrata 4ue %ão correspo%deA co%cre tame%teA a 4ual4uer regime hist.ercido %o i%teresse comum< 3asA 4ua%do se chega K defi%ição 4ue lhe dá $rist.ercido %o i%teresse de 4uem go2er%a ou de 4uem é go2er%adoA 2isa ao i%teresse do se%horA 4ue o detém< !omo se sabeA $rist.rico do prese%te ou do passado< ?rata se pois de um problema 4ue é complicado 9o 4ue 4uer diFer é tor%ado historicame%te mais i%teressa%te: pelo fato de 4ueA co%traria%do também o es4uema geralA para $rist.teles #ustifica a escra2idão por co%siderar 4ue há home%s escra2os pela sua %atureFa< +a mesma formaA há também po2os %atural me%te escra2os 9os Hpo2os ser2isH das gra%des mo%ar4uias asiáticas:< S.ami%ar de perto a forma de%omi%adaA K falta de outro termo mais apropriadoA HpolitiaH< No es4uemaA a HpolitiaH correspo%de K terceira forma de2eria co%sistirA porta%toA %o poder de muitos e.teles %em a oligar4uia é o go2er%o de poucos %em a democracia é o go2er%o do po2o< B critério adotado por $rist.tico 4ueA %ão obsta%teA é perfeitame%te leg)timo8 é o L%ico tipo de poder a#ustado K %atureFa de certos po2osA embora dur)ssimoA como o do se%hor de escra2os< ?a%to é assim 4ue esses po2os o aceitam Hsem dificuldadeH melhor ditoA sem lame%tar se 9%a tradução lati%a medie2alA 8sine tris9 titia8> A e%4ua%to os tira%osA cu#os sLditos são po2os li2resA go2er%am cidadãos Hdesco%te%tesHA sem serem aceitos por eles< Oustame%te por isso a tira%ia é uma forma corrupta de go2er%oA co%trasta%do com a mo%ar4uia< Para a2aliar o afastame%to e%tre o es4uema geral das seis formas de go2er%o e as a%álises particularesA %ada melhor do 4ue e.teles para disti%guir a oligar4uia e a democracia %ão é o critério %uméricoA de caráter geralA mas um critério bem mais co%creto8 a difere%ça e%tre ricos e pobres8 HNa democracia go2er%am os home%s li2resA e os pobresA 4ue co%stituem a maioriaJ %a oligar4uia go2er%am os ricos e os %obresA 4ue represe%tam a mi%oriaH 91&'0 b:< .telesA e%co%tramos coisa bem difere%te8 H$ HpolitiaH éA de modo geralA uma mistura de oligar4uia e de democraciaJ 2ia de regra são chamados de polidas os go2er%os 4ue se i%cli%am para a democraciaA e de aristocracias os 4ue se i%cli%am para a oligar4uiaH 91&'3 b:< E preciso ter muita ate%çãoA %este po%to8 a politia é uma mistura de oligar4uia e democracia< 3asA o es4uema abstrato %ão %os diF 4ue ta%to a oligar4uia como a democracia são formas corrompidasY B primeiro problemaA porta%toA colocado dia%te da politiaA é o de 4ue uma forma boa pode resultar de uma fusão de duas formas más< Em segu%do lugarA se a politia %ão é 9co%forme de2eria serA de acordo com o es4uema: o go2er%o do po2o ou a democracia %a sua acepção corretaA mas sim uma mistura de oligar4uia e democraciaA isso sig%ifica 4ue 9este é o segu%do problema: o go2er%o bom de muitosA 4ue figura %o terceiro lugar do es4uema geralA é uma f.

pedie%tes e.teles 01 B fato de 4ue a oligar4uia é o go2er%o de poucos e a democracia o go2er%o de muitos pode depe%der ape%as de 4ueA de modo geralA em todas as sociedades os ricos são me%os %umerosos do 4ue os pobres< 3asA o 4ue disti%gue uma forma de go2er%o da outra %ão é o %LmeroA e sim a co%dição social dos 4ue go2er%am8 %ão um eleme%to 4ua%titati2oA mas 4ualitati2o< = o 4ue 2emos clarame%te %a passagem segui%te8 H$ democracia e a oligar4uia diferem uma da outra pela pobreFa e a ri4ueFaJ o%de domi%am os ricosA se#am muitos ou poucosA ha2erá %ecessariame%te uma oligar4uiaJ o%de domi%am os pobresA uma demo craciaA embora aco%teçaA como se disseA 4ue os ricos se#am poucos e os pobres %umerososA #á 4ue poucos são os 4ue se arriscamA mas todos participam da liberdadeH 91&50 a:< +iF)amosA poisA 4ue a pol)tica é uma fusão da oligar4uia e da democracia< $gora 4ue sabemos em 4ue co%sistem uma e outraA podemos compree%der melhor em 4ue co%siste essa fusão8 é um regime em 4ue a u%ião dos ricos e dos pobres de2eria remediar a causa mais importa%te de te%são em todas as sociedades a luta dos 4ue %ão possuem co%tra os proprietários< = o regime mais prop)cio para assegurar a HpaF socialH< HNa maioria das cidades se proclama em altos brados a HpolitiaHA procura%do se realiFar a L%ica u%ião poss)2el dos ricos e dos pobresA da ri4ueFa e da pobreFaH 91&'. a:< $rist.tremame%te i%teressa%tesA do po%to de 2ista do 4ue chamar)amos ho#e de He%ge%haria pol)ticaH8 1: !BN!("($N+B PPB!E+(3EN?BS Q*E SEP($3 (N!B3 P$?W/E(S8 e%4ua%to %as oligar4uias se pe%aliFam os ricos 4ue %ão participam das ati2idades pLblicasA mas %ão se co%cede %e%hum pr1mio aos pobres 4ue %elas tomam parteA %as democraciasA pelo co%trárioA %ão se i%flige tal pe%a aos ricos e também %ão se co%cede esse pr1mio aos pobres< $ co%ciliação e%tre os dois sistemas poderia co%sistir em Halguma coisa i%termediária e comumHA como diF $rist. dá o direito de 2oto aos 4ue t1m uma re%da muito ele2adaA o regime democrático o atribui a todosA até mesmo aos 4ue %ão possuem 4ual4uer terra ou pelo me%os aos 4ue possuem re%da muito pe4ue%a< B Hmeio termoHA %este casoA co%siste em dimi%uir o limite m)%imo de re%da imposto pelo regime dos ricosA ele2a%do o admitido %o regime dos pobres< 3: PE!B"6EN+B SE B 3E"6BP +BS +B(S S(S?E3$S "EG(S "$?(/BS8 e%4ua%to %a oligar4uia os cargos pLblicos são pree%chidos media%te eleiçãoA mas s. pelos 4ue possuem uma certa re%daA %a democracia esses cargos são distribu)dos por sorteio e%tre todos os .teles< Por e.emplo8 a promulgação de lei 4ue pe%aliFe os ricos %ão participa%tes e d1 um pr1mio aos pobres participa%tes< &: $+B?$N+B SE *3 H3E(B ?EP3BH EN?PE $S +(SPB S(fgES E7?PE3$S +BS +B(S PEG(3ES8 e%4ua%to o regime oli gár4uico s.$rist.teles se ocupa também com o modo como se pode fu%dir os dois regimesA de forma a criar um terceiroA melhor do 4ue os dois origi%ais< +etém se em particular sobre tr1s e.

Ies acerca do Hbom go2er%oHA pois um dos critérios fu%dame%tais 4ue permite disti%guir 9ai%da ho#e: o bom go2er%o do mau é sua estabilidade< B 4ue faF com 4ue a mistura de democracia e oligar4uia se#a boa 9se com ela se busca uma determi%ada forma pol)tica correspo%de%te a certa estrutura socialA caracteriFada pela predomi%M%cia de uma classe 4ue %ão é ricaA como %a oligar4uiaA %em pobreA como %a democracia: é #ustame%te o fato de 4ue está me%os su#eita Ks mutaçIes rápidas pro2ocadas pelos co%flitos so ciais os 4uaisA por sua 2eFA resultam da di2isão muito %)tida e%tre classes co%trapostas< Pesol2i deter me também %a HpolidaH por uma outra raFão8 ela é o produto de uma HmisturaH< $ idéia de 4ue o bom go2er%o é fruto de uma mistura de di2ersas formas de go2er%o é um dos gra%des temas do .a:< "ogo em seguidaA o critério da media%ia é aplicado Ks classes 4ue compIem a sociedade8 HEm todas as cidades há tr1s grupos8 os muito ricosA os muito pobres e os 4ue ocupam uma posição i%termediária< !omo admitimos 4ue a medida e a media%ia são a melhor coisaA em todas as circu%stM%ciasA está claro 4ueA em matéria de ri4ueFaA o meio termo é a melhor das co%diçIesA por4ue %ela é mais fácil obedecer K raFãoH 91&'.tremos 4ue se opIem ga%he poder e.b:< $ raFão fu%dame%tal por 4ue as cidades melhor go2er%adas são a4uelas o%de predomi%a a classe média é e.0& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o cidadãos< Pecolher o melhor dos dois sistemasA %este casoA sig%ifica co%ser2ar o método eleitoral e e.cessi2oH 91&'.plicada mais adia%te pelo pr.ata a defi%ição da ética segu%do a 4ual a 2ida feliF é a 4ue se dese%2ol2e de acordo com a 2irtudeA e sem impedime%tosA e se a 2irtude está %o meio termoA a 2ida media%a é %ecessariame%te a melhorA desde 4ue se trate dessa media%ia 4ue é acess)2el a todosH 91&'.b:< *ma 2eF i%troduFido %a realidade hist.cluir o re4uisito de re%da< B pri%c)pio 4ue i%spira esse regime de HfusãoH é o da HmediaçãoH ideal de toda a ética aristotélicaA fu%dame%tadoA como se sabeA %o 2alor emi%e%teme%te positi2o do 4ue está %o meioA situado e%tre dois e.teles8 HEstá claro 4ue a forma i%termediária é a melhorA #á 4ue é a mais dista%te do perigo das re2oluçIesJ o%de a classe média é %umerosa rarame%te ocorrem co%spiraçIes e re2oltas e%tre os cidadãosH 91&'0 a:< !hamamos a ate%ção do leitor para este tema8 a HestabilidadeH< *m tema 2erdadeirame%te ce%tral %a hist.teles %uma passagem relati2a ao assu%to de 4ue estamos trata%do8 HSe é e.ricaA o ideal ético da media%ia se resol2e %o celebérrimo elogio ao Hpo%to i%termediárioH 94ue i%teressa muito a 4uemA como %.tremos< = um ideal referido pelo pr.prio $rist.ria das refle.prio $rist.tremasA ou pelo me%os uma delas< !om efeitoA alia%do se a uma ou a outraA fará com 4ue a bala%ça pe%da para o seu ladoA impedi%do assim 4ue um dos e.sA a%da busca%do Htemas recorre%tesH:8 HEstá claro 4ue a melhor comu%idade pol)tica é a 4ue se baseia %a classe médiaA e 4ue as cidades 4ue t1m essa co%dição podem ser bem go2er%adas a4uelas o%de a classe média é mais %umerosa e tem mais poder do 4ue as duas classes e.

imo cap)tulo Pol)bio< .$rist..teles 03 pe%same%to pol)tico ocide%talA 4ue chega até os %ossos dias< ?rata se do tema do Hgo2er%o mistoHA sobre o 4ual todos os gra%des escritores pol)ticos terão algo a diFer pr. ou co%tra< Sua formulação mais feliF será dada pelo escritor 4ue discutirei %o pr.

ami%ar a co%stituição roma%aA Pol)bio tece algumas co%sideraçIes sobre as co%stituiçIes em geral co%sideraçIes 4ue co%stituem uma das mais completas teorias das formas de go2er%o 4ue a hist.teles 9basta pe%sar em 3a4uia2el:< $o co%trário dos dois primeirosA Pol)bio 94ue 2i2eu %o século (( a<!<: %ão é um fi l.posição porme%oriFada da co%stituição roma%aA redigi%do um pe4ue%o tratado de direito pLblico roma%oA %o 4ual descre2eu as 2árias fu%çIes pLblicas 9os cU%sulesA o se%adoA os tribu%osA a orga%iFação militarA etc:< B moti2o por 4ue o historiador descre2e a co%stituição do po2oA cu#a hist.ria %os legou< Nessa teoria ele e.ria 9apologética: de Poma a%tes de ?ito "i2io< ?ermi%adas as guerras pL%icasA Poma a2iFi%ha2a se do auge da sua pot1%cia< +epois de %arrar os epis.sofo mas um historiador< Grego de %ascime%toA foi deportado para a Poma depois da co%4uista da GréciaJ e%trou em co%tato ali com os meios mais ele2adosA especialme%te o c)rculo dos !ipiIesA escre2e%do em grego a primeira gra%de hist.ito ou do i%sucesso de todas as açIesH 9/(A &:< Basea%do se %essa premissaA 4uer demo%strar a importM%cia 4ue te2e a e.telesA a $%tigRidade clássica %os legou uma terceira obra fu%dame%tal para a teoria das formas de go2er%o8 o li2ro /( da *ist5ria de Pol)bio< = um te.to de autoridade %ão me%or do 4ue a de Platão e $rist.cel1%cia da co%stituição roma%a para e.istem fu%dame%tal .!ap)tulo (/ PB"WB(B $lém dos te.tos de Platão e de $rist.ria %arraA é e.pIe sobretudo tr1s teses 4ue merecem ser e%u%ciadasA ai%da 4ue bre2eme%te8 1: e.dios da batalha de !a%%es 9&10 a<!:A Pol)bio se detémA %o "i2ro /(A para faFer uma e.pli citado8 H+e2e se co%siderar a co%stituição de um po2o como a causa primordial do 1.plicar o sucesso da pol)tica de um po2o 4ue Hem me%os de ci%4Re%ta e tr1s a%osHA como se l1 %o mesmo parágrafoA co%4uistou todos os outros EstadosA impo%do lhes o seu dom)%io< $%tes de e.

ercido de acordo com a raFãoA mais do 4ue com o terror e a forçaJ também %ão se de2e co%siderar CaristocraciaC todo go2er%o de poucosA mas s.ria in nuce.gica8 Pol)bio chama HdemocraciaH a terceira formaA 4ue $rist.pIe uma filosofia da hist.postoJ com a terceiraA formula pela primeira 2eFA de modo completoA a teoria do go2er%o misto 9da 4ual e.a %um es4uema completoA embora r)gidoA a teoria dos ciclos 9ouA para empregar a termi%ologia dos gregosA da Ha%acicloseH:A 4ue Platão #á ti%ha e.J 1%fase acresce%tada:< $ este prop.gicaJ outraA mais substa%cial< ?e%do usado o termo Hdemo craciaH para ide%tificar a forma boa de go2er%o popularA Pol)bio i%troduF uma %o2a pala2ra 9desti%ada a %ão ter uso muito difu%didoA perma%e . pessoaA mas s.iol.sitoA há duas obser2açIes a faFer8 umaA simplesme%te termi%ol.prime a prefer1%cia por uma co%stituição relati2ame%te a todas as outras a co%stituição mistaA em lugar das co%stituiçIes simples< !omecemos pela primeira teseA 4ue %ão %os aprese%ta 4ual4uer %o2i dadeA depois de tudo o 4ue 2imos até a4uiJ será des%ecessárioA porta%toA faFer sobre ela come%tários particulares< Pol)bio i%icia a e. o 4ue é aceito 2olu%tariame%teA e.posição refe ri%do se K tipologia tradicio%al8 H$ maior parte dos 4ue %os 4uerem dar liçIes sobre este po%to fala de tr1s formas co%stitucio%aisA chama%do a primeira de Crei%oCA a segu%da de CaristocraciaC e a terceira de CdemocraciaC 9/(A 3J 1%fase acres ce%tada:< $ L%ica obser2ação 4ue podemos faFer é de %atureFa termi%ol.teles ti%ha de%omi%ado de HpolitiaHJ 4uer diFer emprega o termo HdemocraciaH com co%otação positi2aA ao co%trário de Platão e de $rist.emplificada pela co%stituição roma%a 4ue é a melhor de todas e%4ua%to s)%tese das tr1s formas boas< !om a primeira teseA Pol)bio co%firma a teoria tradicio%alJ com a segu%daA fi.gico< Em outras pala2rasA com suas 2árias teses Pol)bio fi.rico ocorre de acordo com uma certa ordemA 4ue é dada pela sucessão predetermi%ada e recorre%te das di2ersas co%stituiçIesA e e.teles:< +estas tr1s teses a primeira represe%ta o uso sistemático da teoria das formas de go2er%oJ a segu%daA o uso historio gráficoJ a terceiraA o a. segu%do a 4ual o dese%2ol2ime%to hist.a defi%iti2ame%te a sistemática clássica das formas de go2er%oJ e. o 4ue é dirigido por a4ueles 4ue forem eleitos os mais #ustos e sábios< +a mesma formaA %ão é um go2er%o popular a4uele em 4ue a multidão decide o 4ue se de2e faFerA mas sim a4uele o%de é tradicio%al e habitual 2e%erar os deusesA ho%rar os paisA respeitar os mais idososA obedecer Ks leis<<< Podemos co%siderar assim seis espécies de co%stituição8 tr1s são co%hecidas por todos #á falamos sobre elasJ outras tr1sA deri2adas das primeirasA são8 a Ctira%iaCA a Coligar4uiaC e a CoclocraciaCH 9/(A .teles< Pouco depois passa a tratarA como seria de esperarA das formas corrompidas8 HNão se pode chamar de Crei%oC 4ual4uer go2er%o de uma s.ami%amos uma forma espLriaA pelo me%os com respeito K teoriFação clássica 4ue será #ustame%te a de Pol)bioA %a HPolidaH de $rist.66 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o me%te seis formas de go2er%o tr1s boas e tr1s másJ &: essas seis formas se sucedem umas Ks outras de acordo com determi%ado ritmoA co%sti tui%do assim um cicloA repetido %o tempoJ 3: além dessas seis formas tradicio%aisA há uma sétima e.

presso muito clarame%te %a passagem citadaJ ouA pelo me%osA 4ue se#a muito e.pressIes como Ha rebelião das massasHA Hsociedade de massaHA etc<:< $ obser2ação mais substa%cial tem a 2er com o critério adotado por Pol)bio para disti%guir as co%stituiçIes boas das más< = um critério 4ue %ão correspo%de ao aristotélicoA mas reproduF o de Platão< 9+e restoA parece 4ue Pol)bio %ão herdou %e%huma das suas teses de $rist.J 1%fase acresce%tada:< 6á muitas obser2açIes a faFer sobre esta passagem< $%tes de mais %adaA as etapas do processo hist.pl)citoJ de 4ual4uer modoA %ão é o critério do i%teresse< Bs critérios 2elados são dois8 de um ladoA a co%traposição e%tre o go2er%o baseado %a força e o go2er%o fu%dame%tado %o co%se%soJ de outroA a co%traposição a%álogaV mas %ão id1%tica e%tre go2er%o ilegal 9porta%to arbitrário: e legal< São dois critérios 4ue #á e%co%tramos em 0 Político de Platão< *ma 2eF defi%idas as seis formasA Pol)bio as e. 4ue sig%ifica multidãoA massaA plebeA e correspo%de bem ao %osso Hgo2er%o de massaH ou Hdas massasHA 4ua%do o termo HmassaH 94ue é bi2ale%te: é empregado como sig%ificado pe#orati2o 4ue lhe é dado pelos escritores reacio%ários 9em e.o< $lém da difere%ça e%tre o processo co%t)%uoA %um casoA e o desco%t)%uoA %o outroA há também uma difere%ça %o 4ue respeita a fase fi%al 4ue para Platão é a tira%iaA para Pol)bio a oclocracia< Não se pode sile%ciar o co%traste e%tre .A ao 4ual segue 9e do 4ual é gerado por sucessi2as elaboraçIes e correçIes: o Crei%oC< ?ra%sforma%do se este %o regime mau correspo%de%teA isto éA %a Ctira%iaCA pela 4ueda desta Lltima se gera o go2er%o dos CmelhoresC< Qua%do a aristocracia por sua 2eF dege%era em Coligar4uiaCA pela força da %atureFaA o po2o se i%surge 2iole%tame%te co%tra os abusos dos go2er%a%tesA %asce%do assim o Cgo2er%o popularC< !om o tempoA a arrogM%cia e a ilegalidade dessa forma de go2er%o le2am K CoclocraciaCH 9/(A .rico são as segui%tes8 mo%ar4uiaA tira%iaA aristocraciaA oligar4uiaA democracia e oclocracia< Em segu%do lugarA o processo hist.pIe em ordem cro%ol.to de Pol)bio< Não se pode diFer 4ue o critério da disti%ção e%tre as formas puras e as corrompidas este#a e.prio cita Platão %o X -A depois do 4ue estamos e.ami%a%do<: !omo #á 2imosA o critério aristotélico é o 4ue se baseia %a difere%ça e%tre i%teresse pLblico e pri2ado8 uma difere%ça 4ue %ão aparece %o te.gicaA aprese%ta%do a teoria dos ciclos< $4ui também é co% 2e%ie%te repetir toda a passagem rele2a%te8 HEm primeiro lugar se estabelece sem artif)cio e C%aturalme%teC o go2er%o de um s.telesA segui%do a%tes o modelo platU%ico< Ele pr.rico dese%2ol2eA ciclo por cicloA uma te%d1%cia 4ue éA em Lltima a%áliseA dege%erati2aA como a descrita por PlatãoJ co%tudoA difere%teme%te do ciclo platU%icoA em 4ue cada forma é uma dege%eração da precede%teA %um processo co%t)%uoA o ciclo polibia%o se dese%2ol2e atra2és da alter%M%cia de co%stituiçIes boas e másJ co%tudoA a co%stituição boa 4ue segue é i%ferior K4uela 4ue a precedeJ a má é pior do 4ue a má 4ue a precede< Em outras pala2rasA a li%ha decresce%te do ciclo platU%ico é co%t)%uaA a do ciclo polibia%o é fragme%tada por uma alter%M%cia de mome%tos bo%s e mausA embora te%da para bai.Pol)bio 07 ce%do ape%as %a li%guagem culta: para desig%ar o go2er%o popular %a sua forma corrompida8 HoclocraciaHA de oclos.

ricas dessa co%cepção se#am completame%te difere%tesA co%forme teremos oportu%idade de 2er< Basta diFer 4ue e%4ua%to a teoria de Pol)bio deri2a do campo de obser2ação .68 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o esta co%cepção regressi2a da hist.riaA a de Giambattista /icoA embora ta%to os mome%tos 4ua%to o ritmo e as dime%sIes hist. se pode co%2erter em uma outra forma determi%ada< Note seA %a passagem citadaA a i%sist1%cia em e.ar de i%dicar outra gra%de teoria c)clica da hist.ria cami%ha do mau para o pior e uma outra moder%a para a 4ual o curso da hist.ter%osA assim também toda co%stituição aprese%ta um mal %atural 4ue lhe é i%separá2el8 o despotismo com relação ao rei%oJ a oligar4uia com relação K aristocraciaJ o go2er%o brutal e 2iole%to com respeito K democracia< Nessas formasA como #á disseA é imposs)2el 4ue %ão se alterem com o tempo todas as co%stituiçIesH 9/(A 10:< >alta diFer o 4ue aco%tece %o fim do cicloA 4ua%do a degradação das co%stituiçIes chega K fase fi%al 94ue é a oclocracia:< Em Platão pelo me%os %o li2ro oita2o de .ar de sofrer o processo de tra%sformação e também %o se%tidoA ai%da mais fértilA segu%do o 4ual cada forma de go2er%o s.pressIes como H%aturalme%teHA H%aturalHA Hpela força da %atureFaHA etc< Para demo%strar de modo e2ide%te 4ue o germe da corrupção está %o i%terior de todas as co%stituiçIesA Pol)bio usa a imagem da o.ria 2ai do bom para o melhor< Em outras pala2rasA e%tre uma teoria do retor%o i%defi%ido e uma co%cepção do progresso i%defi%ido< $ terceira obser2ação 4ue se pode faFer é a de 4ue esta co%cepção da hist.RepC lica.ria é uma repetição co%t)%ua de e2e%tos 4ue tor%am sempre sobre si mesmos o Heter%o retor%o do mesmoH< +epois de deter se lo%game%te a descre2er de forma a%al)tica os seis mome%tos sucessi2os 9e fatais:A co%clui8 HEste é o rod)Fio das co%stituiçIes8 a lei %atural segu%do a 4ual as formas pol)ticas se tra%sformamA decaem e C retor%am ao po%to de partidaCH 9/(A 10J 1%fase acresce%tada:< 3esmo %esse casoA %ão se pode dei.pria %atureFa dos go2er%osA 4ue %ão podem dei.ria e a 2isão progressi2aA tão caracte r)stica da idade moder%aA pelo me%os a partir do Pe%ascime%to 9embora o tema merecesse outro tipo de dese%2ol2ime%to:A segu%do a 4ual o 4ue 2em depois é em Lltima i%stM%ciaA se%ão imediatame%teA melhor do 4ue o 4ue 2em a%tes 9recorde se a famosa metáfora do a%ão sobre os ombros do giga%te:J e%tre uma co%cepção a platU%ica para a 4ual a hist.idação do ferro e da ação do caru%cho %a madeiraA como se 21 %esta passagem8 H+a mesma forma como a ferrugemA 4ue é um mal co%g1%ito do ferroA o caru%cho e as traçasA 4ue são males 9i%ter%os: da madeiraA pelos 4uais um e outra são co%sumidosA ai%da 4ue escapem a todos os da%os e. a pergu%ta ti%ha ficado sem resposta< 3as Pol)bio dá uma resposta muito precisa 9resposta 4ue está oculta %o pr.ria é c)clicaJ segu%do eleA a hist.ria é fatalistaA %o se%tido de 4ue a passagem de uma forma para outra parece predetermi%adaA %ecessária e i%derrogá2elJ parece também %a turalA %o se%tido de estar pre2ista pela %atureFa das coisasA isto éA de estar impl)cita %a pr.prio Platão:8 %o fim do primeiro processoA o curso das co%stituiçIes retor%a ao po%to de partida< +a oclocracia se 2oltaA com um saltoA diretame%te ao rei%o8 da forma pior K melhor< $ co%cepção 4ue Pol)bio tem da hist.

rico 4ue demo%stra essa idéia é a Esparta de "icurgo< Não importa 4ue te%ha ha2ido as mais di2ersas i%terpretaçIes da co%stituição de EspartaA %em cabe discutir se a i%terpretação de Pol)bio esta2a correta< B 4ue %os i%teressa a4ui é 4ueA para Pol)bioA a co%stituição de Esparta é e.cel1%cia do go2er%o misto< Não será dif)cil descobrir o %e.ria do pe%same%to pol)tico como o defe%sor por e.ria das cidades gregas %o per)odo do seu crescime%toA esple%dor e decad1%ciaJ aplica se porta%to s.pria %atureFa a tra%sformar se %uma forma difere%te< (sso sig%ifica 4ue todas as co%s tituiçIes sofrem de um 2)cioA o da falta de estabilidade 2)cio gra2e por4ueA por co%se%so geralA 4ua%to mais está2el uma co%stituiçãoA mais lou2á2el< Qual é o ob#eti2o de uma co%stituiçãoY Para repetir a defi%ição aris totélicaA pode se diFer 4ue é orde%ar os cargos go2er%ati2osA isto éA estabelecer 4uem de2e go2er%arA permitir o dese%2ol2ime%to regular e ordeiro da 2ida ci2il o 4ue %ão pode ocorrer se o sistema pol)tico sofre alteraçIes co%t)%uas< *m dos temas recorre%tes da filosofia pol)tica é o da ordem 9muito mais do 4ue seu co%trárioA a liberdade:< $ teoria dos ciclos demo%stra 4ue as co%stituiçIes comu%s são i%stá2eisJ e%4ua%to i%stá2eisA todas elasA mesmo as co%sideradas tradicio%alme%te boasA são más embora isso possa parecer parado.iste%te e%tre a idéia do go2er%o misto e a teoria dos ciclos8 esta pUs em e2id1%cia o fato de 4ue todas as formas simples ta%to a4uelas co%sideradas tradicio%alme%te HretasH como as corrompidas t1m uma duração bre2eA por4ue estão desti%adas pela pr.al< +o po%to de 2ista do 2alor supremo da ordemA gara%tido pela estabilidadeA desaparece a disti%ção e%tre co%stituiçIes boas e más< Essa disti%ção desaparece se se obser2a o 4ue umas e outras t1m em comum8 são co%stituiçIes simplesA %as 4uais 4uem go2er%a são o rei 9ou tira%o:A os melhores 9ou os mais ricos:A ou o po2o 9ou a plebe:< $ tese de Pol)bio é a de 4ue todas as co%stituiçIes simples são más por4ue são simples 9mesmo as co%stituiçIes HretasH:< Qual o remédioA e%tãoY B Hgo2er%o mistoHA isto éA uma co%stituição 4ue combi%e as tr1s formas clássicas< $%tes mesmo de termi%ar a e%umeração das tr1s formas boas 9%a passagem citada acima:A Pol)bio acresce%ta as segui%tes pala2rasA a%tecipa%do um co%ceito 4ue dese%2ol2erá mais completame%te %os parágrafos sucessi2os< HEstá claroA de fatoA 4ue precisamos co%siderar .cele%te por4ue é mista< $ relação e%tre go2er%o misto e estabilidade parece clara desde o i%)cio da passagem8 H"icurgo ti%ha %otado 4ue cada uma das tra%sformaçIes me%cio .ricaJ co%ti%uarãoA aliásA fora do flu.emplo hist.o e. K4uela limitada parte do mu%do< $s gra%des mo%ar4uias asiáticas escapam ao Mmbito dessa co%cepção hist.ria européia mesmo %os séculos segui%tes até 6egelA e mesmo depois dele< Peprese%tam %ão o pri%c)pio do mo2ime%to e do progressoA mas o da imobilidade 94ue %ão se de2e co%fu%dir com a HestabilidadeH:< $ tese pri%cipal da teoria polibia%a das co%stituiçIes é sem dL2ida a do go2er%o misto< Pol)bio passou para a hist.o da hist.tima a co%stituição 4ue reL%e as caracter)sticas de todas as tr1s formasH 9/(A 3:< B e.Pol)bio 0' muito limitado das cidades gregasA a teoria de /ico abra%ge toda a hist.ria da huma%idade< $ teoria polibia%a dos ciclos é deduFida da hist.

posição sobre a co%stituição roma%a< B parágrafo fi%al do "i2ro /( começa assim8 . pri%c)pioA eram CprecáriosCA tra%s forma%do se logo %a forma corrompida correspo%de%teA 4ue de2ia suced1 los por força da %atureFaH 9/(A 10J 1%fase acresce%tada:< Na sua descrição do remédio de "icurgo para o i%co%2e%ie%te do caráter HprecárioH desses go2er%osA Pol)bio aprese%ta uma formulação do go2er%o misto e do seu fu%cio%ame%to 4ue se tor%ou clássica8 H"icurgo<<< %ão formulou uma co%stituição simples e u%iformeA mas reu%iu todas as caracter)sticas dos melhores sistemas pol)ticosA de modo 4ue %e%huma delasA ad4uiri%do força maior do 4ue a %ecessáriaA se des2iasse %o se%tido dos seus males co%g1%itos masA ao co%trárioA de forma 4ue cada uma %eutraliFasse as outrasJ e4uilibra2am se os di2ersos poderesA %e%hum deles se tor%a2a e.cessi2o e o sistema pol)tico perma %ecia prolo%gadame%te em perfeito e4uil)brioA como um barco 4ue 2e%ce a força de uma corre%te opostaH 9/(A 10:< $ composição das tr1s formas de go2er%o co%siste %o fato de 4ue o rei está su#eito ao co%trole do po2oA 4ue participa ade4uadame%te do go2er%oJ esteA por sua 2eFA é co%trolado pelo se%ado< !omo o rei represe%ta o pri%c)pio mo%ár4uicoA o po2o o pri%c)pio democrático e o se%ado o aristocráticoA o resultado dessa combi%ação é uma %o2a forma de go2er%oA 4ue %ão coi%cide com as tr1s formas simples retas por4ue é composta A %em com as tr1s formas corrompidas por4ue é reta< Qua%to K raFão da e.cel1%cia do go2er%o mistoA Pol)bio 2ai e%co%trá la %o meca%ismo de co%trole rec)proco dos poderesA ou %o pri%c)pio do He4uil)brioH< Esse é um po%to de gra%de importM%cia< B tema do e4ui l)brio dos poderes 94ue %a idade moder%a se tor%ará o tema ce%tral das teorias Hco%stitucio%alistasHA com o %ome de alance of poNer> é um dos 4ue domi%am toda a tradição do pe%same%to pol)tico ocide%tal< Embora a teoria do go2er%o mistoA tão bem formulada por Pol)bioA %ão de2a ser co%fu%dida com a teoria moder%a da separação e do e4uil)brio dos poderes 9e%u%ciada por 3o%tes4uieu em forma 4ue se tor%ou famosa:A é um fato 4ue a teoria do go2er%o misto e a teoria do e4uil)brio procedem pari passu/ B 4ue a co%ti%uação do discurso co%firmaA 4ua%do Pol)bio e.cel1%cia do go2er%o misto é a segui%te8 ele co%sidera como e.rgãos<<< 4ue participa2am do go2er%o eram tr1sH 9os cU%sulesA o se%ado e as eleiçIes populares:A com a co%se4R1%cia de 4ue8 H!o%sidera%do se era especial o poder dos cU%sulesA o Estado parecia mo%ár4uico e realJ co%sidera%do se em particular o se%adoA parecia aristocráticoJ do po%to de 2ista do poder da multidãoA parecia i%dubita2elme%te democráticoH 9/(A 1&:< B co%ceito do co%trole rec)proco dos poderes e do resulta%te e4uil)brio está tão estreitame%te ligado K idéia do go2er%o misto 4ue 2olta a surgir depois da e.emplo admirá2el desse g1%ero de go2er%o a co%stituição roma%aA %a 4ual Hos .70 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o %adas se completa2a %ecessária e %aturalme%teJ co%sidera2a 4ue todos os go2er%o simplesA baseados %um s.pIe particulariFadame%te os pri%c)pios em 4ue se i%spira a co%stituição roma%a< $ raFão por 4ue Pol)bio e%u%cia a tese da e.

toA a descre2er e e.rgão pode CobstaculiFarC os outros ou CcolaborarC com elesA sua u%ião é be%éfica em todas as circu%stM%ciasA de modo 4ue %ão é poss)2el ha2er um Estado melhor co%stitu)doH< E termi%a assim8 HQua%do<<< um dos .ito ou do i%sucesso de um po2o de2e ser procurada %a sua co%stituição< +e fatoA o 4ue Pol)bio e2ide%cia clarame%teA para afirmar a e.cede sua compet1%cia e ultrapassa sua medida< $ssimA perma%ecem todos de%tro dos limites prescritos V de um lado por4ue t1m impedidos todos os impulsos agressi2osA de outro por4ue desde o pri%c)pio temem a 2igilM%cia dos demaisH 9/(A 15:< !om essas afirmati2asA Pol)bio co%clui perfeitame%te a e.ria de 4ue os ciclos das co%stituiçIes são um fato %atural 9porta%to i%e2itá2el: e a afirmati2a %ão me%os perempt.telesA a superação do a%tago%ismo e%tre as duas partes em co%flito %ão ocorreA como para Pol)bioA a %)2el i%stitucio%alJ aco%tece V 4ua%do aco%tece %a sociedadeA por meio da formação de uma forte classe média com i%teresse pr. é i%stitucio%al se é pre2iame%te social< Neste se%tidoA a teoria aristotélica da HpolitiaH %ão é ta%to uma teoria do go2er%o mistoA mas sobretudo a admiração se%tida por uma sociedade sem gra%des dese4uil)brios de ri4ueFa< $ prese%ça simultM%ea dos tr1s poderes e seu co%trole rec)proco preser2a as co%stituiçIes mistas da dege%eração a 4ue estão su#eitos os go2er%os simplesA por4ue impede a4ueles e.telesA represe%tada como uma forma a%tecipada de go2er%o misto< Segu%do $rist.prio %a estabilidade< $%tes de ser i%stitucio%alA o e4uil)brio aristotélico é socialJ ele s.cel1%cia de uma co%stituiçãoA é o 4ue ho#e chamar)amos de seu Hmeca%ismoH< $ teoria de Pol)bio é uma teoria dos meca%ismos co%stitucio%ais 4ue tor%am poss)2el uma forma de go2er%o está2el V por isso prefer)2el a 4ual4uer outra< = 2erdade 4ue ho#e %ão %os i%cli%amos ta%to a admitir 4ue a causa fu%dame%tal do 1.erce um dom)%io maior do 4ue o co%2e%ie%teA está claro 4ue como %e%huma parte é autU%omaA como #á disseA e como todo des)g%io pode ser des2iado ou impedidoA %e%huma das pa%es e.rgãos co%stitucio%aisA ad4uiri%do forçaA cresce em soberba e e.posição 4ue i%iciara diFe%do 4ue a primeira causa do 1.ria de 4ue os go2er%os mistos são está2eisY Não é de ho#e 4ue os a%alistas do "i2ro /( de Pol)bio obser2am essa co%tradição8 %ota se 4ue é de fato estra%ho 4ue o teoriFador da fatalidade da muda%ça te%ha dedicado depois algumas pági%asA %o mesmo co%te.:J das relaçIes de poder para as relaçIes de produção< No e%ta%toA a prefer1%cia atribu)da Ks i%stituiçIes perdurou lo%game%teJ co%forme 2eremosA %ão será estra%ha a 6egel< /ale a pe%a faFer um rápido co%fro%to com a HpolitiaH de $rist.Pol)bio 71 H!omo dessa forma cada .ito ou do fracasso de um po2o se#a sua co%stituição< ?e%demos a afastar %ossa a%álise do sistema pol)tico para o sistema social sub#ace%teJ da a%atomia das i%stituiçIes pol)ticas para a a%atomia da sociedade ci2il 9como diria 3ar.altar uma co%stituição cu#a caracter)stica é subtrair se K muda%ça< $ .cessos 4ueA por reaçãoA dese%cadeiam a oposição e pro2ocam muda%ças< !omo co%ciliarA e%tãoA a estabilidade dos go2er%os mistos com a teoria dos ciclosY Não há tal2eF uma co%tradição e%tre a afirmati2a perempt.

pa%são e pot1%cia má.rica:< B 4ue difere%cia as co%stituiçIes mistas das simples %ão é mais a proteção co%tra as muda%çasA o fato de 4ue podem escapar ao desti%o mortal 4ue co%de%a todas as co%stituiçIes como todas as coisas 2i2as A mais sim um ritmo difere%te e uma raFão difere%te para a muda%ça< Não é por acaso 4ueA referi%do se ao Estado roma%oA Pol)bio escre2eA logo depois de e%u%ciar a lei dos ciclos hist.o de poderes co%trapostos %ão está su#eita K dege%eração: %ão represe%ta um desme%tido sole%e da teoria dos ciclosY $ co%tradição é mais apare%te do 4ue real< B fato de 4ue as co%stituiçIes mistas são está2eis %ão sig%ifica 4ue se#am eter%asA mas ape%as mais duradouras do 4ue as simples 9de restoA o primeiro modelo de co%stituição mistaA o modelo esparta%oA %o tempo de Pol)bio #á %ão passa2a de uma recordação hist.adas separadame%teA co%forme .7& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o e.imaA como da decad1%cia 4ue seguiráH 9/(A ':< Parece %ão ha2er dL2ida de 4ue desde o pri%c)pio Pol)bio tem perfeita co%sci1%cia de 4ue até mesmo o Estado roma%oA %ão obsta%te sua e.ricos8 HEspecialme%te %o caso do Estado roma%oA com este método 9isto éA com a lei dos ciclosA segu%do a 4ual Cas formas pol)ticas se tra%sformamA decaem e retor%am ah po%to de partidaC: tomaremos co%sci1%cia do seu surgime%toA e. de%tre elesA poder se ia deduFir 4ue há uma espécie de ciclo também de%tro das co%stituiçIes mistasA 4uedálugar a um Hciclo %o cicloH V com a co%se4R1%cia de 4ue %em todas as co%stituiçIes mistas de2eriam ser colocadas %o mesmo pla%oA mas sim dei.a de ser mista para se tor%ar simples< $ #ulgar pelo 4ue Pol)bio diF sobre !artagoA 4ue ti%ha um go2er%o mistoA mas 4ue esta2a desti%ada K derrota por4ue ti%ha ca)do %as mãos de um go2er%o democrático 9%o se%tido depreciati2o da pala2ra:A e%4ua%to Poma de2eria ser 2itoriosa por4ue ali o e4uil)brio e%tre os tr1s poderes ai%da %ão se ha2ia rompido em fa2or de um s.cel1%ciaA está su#eito K Hlei %aturalH do %ascime%toA crescime%to e morteJ 4ueA porta%toA o 4ue co%stitui o t)tulo de mérito do go2er%o misto é sua maior estabilidade %ão sua pere%idade< No 4ue co%cer%e ao ritmo de muda%çaA ele é mais le%to do 4ue o das co%stituiçIes simplesA por4ueA media%te o meca%ismo de co%ciliação das tr1s partes 4ue compIem a sociedade %o seu co%#u%toA os co%flitos e%tre partes 94ue %as co%stituiçIes simples pro2ocam as tra%sformaçIes co%sti tucio%aisA a passagem brusca e 2iole%ta de uma forma para outra: são resol2idos de%tro do sistema pol)ticoJ se produFem muda%çasA elas sãoA como dir)amos ho#eA sistemáticas e %ão e.ist1%cia de uma co%stituição como a roma%aA 4ue se formou le%tame%te media%te Hgra%des lutas e agitaçIesH 9e #ustame%te por4ue se dese%2ol 2eu por meio da criação de um sistema comple.tra sistemáticasJ graduais e %ão 2iole%tas< Pro2ocam %ão o dese4uil)brio impre2isto 4ue gera a re2oluçãoA mas uma alteração do e4uil)brio i%ter%o 4ue é absor2ida por um deslocame%to do mesmo e4uil)brio em grau difere%te< No 4ue respeita K raFão 4ue pode e.plicar por 4ue as co%stituiçIes mistas também decaem e morremA ela co%siste %um tal deslocame%to do e4uil)brio e%tre as tr1s partesA em fa2or de uma delasA 4ue a co%stituição dei.

teseA a melhor co%stituição mista seria a4uela em 4ue das tr1s partes compo%e%tes predomi%a a do meio 9isto éA a aristocrática: outro e.Pol)bio 73 pre2alecesse uma ou outra pa%e da cidadeA em co%stituiçIes mistas predomi%a%teme%te mo%ár4uicasA aristocráticas ou democráticas< Pode se tal2eF arriscar a hip.tese 9embora %ão i%teirame%te e.emplo claro da primaFia do Hmeio termoH< .iol.gicoA além de descriti2oA estabelece%do uma graduação de mérito e%tre os di2ersos tipos de co%stituiçIes mistasJ da%do sua prefer1%cia ao de predomi%M%cia aristocráticaA como era o da Poma do seu tempoA e co%sidera%do 4ue a co%stituição mista de predomi%M%cia democrática fosse o pri%c)pio do fim< Segu%do esta hip.plici tada: de 4ue Pol)bio te%ha usado também esse Hciclo %o cicloH de modo a.

ae.-:< Quais as co%se4R1%cias dissoY HEssa co%stituição aprese%taA em primeiro lugarA uma certa igual dadeA 4ue a lo%go praFo os cidadãos li2res %ão podem dispe%sar se%ão com dificuldadeJ em segu%do lugarA possui Cestabilidade .uatum et temperatum> por todas as tr1s melhores formas de co%stituiçãoHC 9(A .-J 1%fase acresce%tada:< +epois do 4ue dissemos a respeito de Pol)bioA parece me i%Ltil i%sistir %a importM%cia da idéia de HestabilidadeH %a a2aliação positi2a de 4ual4uer co%stituição< $ passagem de !)cero 4ue reproduFimos co%fir ma issoA e co%firma também 4ue a e.cel1%cia do go2er%o misto e o elogio da co%stituição roma%a co%ti%uam paralelame%te %a De Repu lica de !)cero 9cerca de -0 a<!:< Qua%do !)cero escre2eu sua obra um século depois de Pol)bio A a idéia de 4ue o go2er%o misto é o melhor de todos e a represe%tação da co%stituição roma%a como co%stituição mista estão #á co%solidados< $s duas %oçIes se reforçam mutuame%te8 a co%stituição roma%a é a melhor por4ue é um go2er%o mistoJ ao mesmo tempoA o go2er%o misto é o melhor dos go2er%os por4ue foi elaborado em Poma dura%te séculos< +epois de e.cel1%cia desse tipo de co%stituiçãoY HNa 2erdadeA é bom 4ue ha#a %o go2er%o alguma coisa de emi%e%te e de real 4ue outros poderes se#am atribu)dos e deferidos K autoridade dos melhores e 4ue certas 4uestIes fi4uem reser2adas ao #ulgame%to e K 2o%tade da multidãoH 9(A .por a teoria clássica das seis formasA !)cero escre2e8 H$ meu 2erA dessas tr1s primeiras formasA a mo%ár4uica é clarame%te prefer)2elJ mas será superior a ela a4uela composta Ce4uilibradame%te .firmitudinem>8G 9(A .$p1%dice $ e.cel1%cia do go2er%o misto resideA em Lltima i%stM%ciaA %o fato de 4ue ele assegura uma estabilidade 4ue as outras formas de go2er%o %ão co%seguem gara%tirA como fica claro %o trecho a seguirA 4ue reproduFA em s)%tese rápidaA o ciclo polibia%o8 .uatum et temperatum8A 4ue lembra o tema polibia%o do e4uil)brio< Qual a raFão da e.pressão 8ae.-J 1%fase acresce%tada:< Bbser2e se a e.

to clássico de filosofia pol)ticaA o elogio da estabilidade ao lado do temor da muda%ça especialme%te 4ua%do esta co%duF K 8tur a et confusio8 do go2er%o popular< .erce a fu%ção 4ue lhe cabe de%tro do co%#u%toA %ão há causa con(ersionis 9isto éA %ão há uma raFão 4ue le2e o go2er%o a dege%erarA de modo 4ue dessa dege%eração sur#a uma forma de go2er%o completame%te %o2a< 3ais uma 2eF e%co%tramosA %um te.76 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o HE%4ua%to as tr1s primeiras formas de go2er%o facilme%te se dese%2ol2em %os defeitos opostosA de modo 4ue o rei passa a tira%oA os melhores co%stituem uma facçãoA o po2o se faF turba e le2a K desordemA tra%sforma%do se essas formas em outrasA o mesmo %ão aco%teceA de modo geralA %um go2er%o como esteA composto e moderadame%te misto<<< Não háA de fatoA raFão para muda%ça .causa con(ersionis> o%de todos se ma%t1m firmeme%te %o seu lugarA afasta%do se das co%diçIes 4ue le2am K precipitação e K 4uedaH< $4ui também se %ota uma relação estreita e%tre co%stituição mista e estabilidade8 4ua%do o go2er%o é compostoA e cada uma das suas partes e.

emplares< No curso da filosofia pol)tica medie2al %ada há de ge%ui%ame%te fu%dame%tal para o dese% 2ol2ime%to das teorias das formas de go2er%o< "imitar me ei porta%to a dar algumas raFIes para esse fatoA a procurar e.rico 4ue 2amos e.to aristotélicoA te2e gra%de repercussão V ta%to 4ue a célebre classificação das formas de go2er%o passou a ser repetida ser2ilme%teA embora a realidade hist.rica fosse bem di2ersa da 4ue ti%ha suscitado as obser2açIes e disti%çIes dos autores gregos< !ito um e.to ca%U%ico dessa hist.ria das teorias das formas de go2er%o< Quer diFer8 em algumas teorias 4ue são e. foi redescoberto %o fim do século 7(((< Qua%to ao De Repu lica de !)ceroA foi redescoberto %o pri%c)pio do século 7(7< Pee%co%trado o te.cursão hist.por bre2eme%te< B te.emplo muito sig%ificati2o8 uma das obras pol)ticas mais importa%tes da (dade 3édia a2a%çada éA sem dL2idaA o Defensor Pacis.ria V a Política de $rist. de 3arc)lio de Pádua 913&.rica 2ou deter me s.imo cap)tulo< Oá disse 4ue %a prese%te e.ter%o 4ue pode ter i%flu)do para moti2ar esse lo%go hiato hist.telesA 4ue citamos8 H6á dois g1%eros de go2er%osA um e4uilibrado e outro 2iciado< !om $rist.:< No cap< /(((A dedicado K classificação das co%stituiçIesA e%co%tramos uma pura e simples repetição 4uase uma tradução do trecho de $rist.telesA<<< chamo de bem e4uilibrado o g1%ero em 4ue o go2er%a%te Fela pelo bem comumA de acordo com a 2o%tade dos seus sLditosJ o g1%ero 2iciado é o 4ue aprese%ta falhaA deste po%to de 2ista< !ada um desses g1%eros se di2ideA em seguidaA em tr1s espécies8 o e4uilibradoA em .plicá lo< Não se pode sile%ciar um moti2o e.!ap)tulo / (N?EP/$"B !hamarei de H(%ter2aloH a estas poucas %oçIes dedicadas K (dade 3édia V isto éA aos muitos séculos 4ue separam a $%tigRidade clássica de 3a4uia2elA ao 4ual está dedicado o pr. em algumas fasesA 4ue co%sidero esse%ciais %a hist.teles V %ão era co%hecido pelos escritores cristãos dos primeiros séculos8 perdeu seA %a crise da cultura a%tigaA e s..

erc)cio de poder tão terr)2el perte%ceA pela sua %atureFaA K raça dos se%horesA da mesma forma como a4ueles desti%ados a obedecer perte%cem K raça dos ser2os< /imosA %o cap)tulo dedicado a $rist.tica< = fácil compree%der 4ue %uma teoria do Estado como esta %ão há lugar para uma teoria das formas de go2er%o 4ue pressupIe como se 2iuA repetidame%te a obser2ação de 4ue há muitas dessas formasA algumas boas e outras más< B%de todas as co%stituiçIes são másA todas %ecessariame%te desp.iste e%tre se%hores e ser2os é a mo%ar4uia desp.posição mais i%cisi2a e si%tética da co%cepção %egati2a do Estado8 como sua raFão de ser é a maldade huma%aA o poder dos go2er%a%tes s.ticasA o%de o Estado .tica< Na passagem citada de (sidoro o regime descrito é a mo%ar4uia desp.1ententiae.75 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o mo%ar4uia realA aristocracia e polidaJ o 2iciadoA %as tr1s espécies opostasA 4ue são a mo%ar4uia tirM%icaA a oligar4uia e a democraciaH< +ese#aria apo%tar uma raFão mais profu%da embora o faça com muita cautelaA por se tratar de ge%eraliFação 4ue precisaria ser apoiada com mais pro2as< Gra%de parte das teorias medie2ais sobre o Estado 9pelo me%os as teorias dos primeiros séculosA a%teriores K 2isão escolásticaA 4ue retoma as teses aristotélicas: aprese%ta uma co%cepção %egati2a do Estado< !o%sidero Hco%cepção %egati2a do EstadoH a 4ue lhe atribui a fu%ção esse%cial de remediar a %atureFa má do homemA 2e%do o sobretudo como uma dura %ecessidadeA co%sidera%do o particularme%te %o seu aspecto repressi2o 9simboliFado pela espada:< $ co%cepção hel1%ica era bem difere%te< Basta lembrar 4ueA para $rist. possibilitar a 2ida em co%#u%toA mas assegurar aos 4ue 2i2em em comum uma H2ida boaH< Para 4uem postula a %atureFa má do homem 9o homem depois da 4uedaA o homem do pecado origi%al:A a fi%alidade do Estado %ão é promo2er o bemA mas e.telesA o fim do Estado %ão é s.7:< Será dif)cil e%co%trar uma e.clusi2ame%te co%trolarA com a espada da #ustiçaA o dese%cadeame%to das pai.Ies 4ue tor%ariam imposs)2el 4ual4uer tipo de co%2i21%cia pac)fica< Quem pro21 a sal2ação do homem %ão é o EstadoA mas a (gre#a< Para ilustrar o 4ue de%omi%ei de Hco%cepção %egati2a do EstadoHA reproduFo trecho de um autor 4ue resumeA %a sua obra e%ciclopédicaA o pe%same%to cristão dos primeiros séculos V (sidoro de Se2ilha 9--0 030:8 HPela 2o%tade de +eusA a pe%a da ser2idão foi imposta K huma%idade de2ido ao pecado do primeiro homemJ 4ua%do ele %ota 4ue a liberdade %ão co%2ém a algu%s home%sA misericordiosame%te lhes impIe a escra2idão< EA embora todos os fiéis possam ser redimidos do pecado origi%al pelo batismoA +eusA %a sua e4RidadeA feF difere%te a 2ida dos home%sA Cdetermi%a%do 4ue algu%s fossem ser2osA outros se%horesCA de modo 4ue o arb)trio 4ue t1m os ser2os de agir mal fosse limitado pelo poder dos 4ue domi%am< !om efeitoA se %i%guém temesseA 4uem poderia impedir alguém de cometer o malY Por isso são eleitos pr)%cipes e reisA para 4ue Ccom o terrorC li2rem seus sLditos do malA Cobriga%do osA pelas leisA a 2i2er retame%teCH .telesA 4ue o regime em 4ue a relação e%tre go2er%a%tes e go2er%ados é assemelhada K 4ue e. se pode aplicar com o terror< Bs home%s %ão são %aturalme%te bo%sJ o Estado é o i%strume%to dessa coerção< $4uele a 4uem se solicita o e. (((A .

rica dos Estados< $ sal2ação dos i%di2)duos %ão é algo 4ue ocorre %o Estado como aco%tecia para os escritores gregos e como será admitido também pelos escritores pol)ticos 4ue i%auguram a tradição do #us%aturalismo moder%o 9como 6obbes: mas por meio de outra i%stituiçãoA difere%te e superiorA sob certos aspectos até mesmo a%titética i%stituição 4ue tem a fi%alidade e.ticoA o%deA em outras pala2rasA o Estado e o despotismo são unum et idem.traordi%ária de co%duFir os home%s ao rei%o de +eus< Salta%do algu%s séculosA mas perma%ece%do de%tro da mesma tradiçãoA %ão resisto K te%tação de citar uma passagem célebreA em 4ue o co%traste e%tre esses dois rei%os %ão poderia ter sido pi%tado com cores mais fortes8 o te.ercer sua maldadeA o 4ue fariam de bom gradoJ força%do os a praticá la medrosame%teA sem co%te%tame%to e sere%idade do mesmo modo como se pre%de com cordas e cadeias uma fera sel2agem e perigosaA para impedi la de atacar e morderA como lhe orde%a o i%sti%toA o 4ue faria de boa 2o%tade< Não é %ecessário tratar da mesma ma%eira um a%imal d. %ão é o homem mau V me%os ai%da o homem 4ue é mau por4ue está maculado pelo pecado origi%alJ éA por assim diFerA a sociedade máA %a 4ual a di2isão do trabalho le2ou K di2isão em classesA 4ue perpetua a desigualdade e%tre os proprietários e os 4ue %ão t1m propriedade< 3as é sempre um po%to de .istiramA e.iste%tesA 4ue para ele eram todos maus em relação K repLblica idealJ Platão compara2a os Estados e.(%ter2alo 7' pelo simples fato de ser Estado s.cil e domésticoA i%ofe%si2o mesmo sem cordas e cadeias 4ue o pre%damH 93< "uteroA "scritos Políticos.to 1o re a -utoridade 1ecular 91-&3:A de "utero< HPerte%cem ao rei%o da ?erra 4uer diFerA estão su#eitos Ks leis todos os 4ue %ão são cristãos 9isto éA 4ue %ão combatem o malA porémA ao co%trárioA o praticam:< +e fatoA são poucos os 2erdadeiros cristãosA e me%os %umerosos ai%da os 4ue se co%duFem de acordo com o esp)rito de crista%dade< $os demaisA 4ue %ão t1m co%dição cristã %em perte%cem ao rei%o de +eusA o Se%hor impUs outro regulame%toA submete%do os com a espadaA de modo a %ão poderem e.< +edicarei um cap)tulo a 3ar. Edição *tetA p< . pode ser desp.03:< Para e%co%trar outra co%cepção %egati2a do Estado compará2el K dos primeiros pe%sadores cristãos será %ecessário chegar a 3ar.ceto as primiti2asA esti2eram di2ididas era classes a%tagU%icas: ele afirma 4ue a classe domi%a%te tem %ecessidade de uma força repressi2a V represe%tada #ustame%te pelo Estado V para ma%ter seu dom)%io< B po%to de partida de 3ar. %ão há lugar para estabelecer disti%çIes sutis e%tre as formas de go2er%oA classifica%do as em g1%erosA espécies e subespécies< Poder se ia ob#etar 4ue até mesmo Platão ti%ha uma co%cepção %egati2a dos Estados e.A mas desde #á se pode diFer 4ueA parti%do de uma co%cepção %egati2a da hist.iste%tes ao melhor Estado poss)2el eA por deduçãoA chega2a K idéia do Hbom EstadoH< *ma passagem como de (sidoro %ão co%trapIe o Estado mau ao Estado bomJ o co%straste 4ue aprese%ta é outroA e%tre o Estado e a (gre#a< B gra%de tema da pol)tica medie2al é a dicotomia Estado (gre#aA %ão a 2ariedade hist.ria 9pelo me%os até o mome%to da Hressurrei çãoH pela re2oluçãoA isto éA da co%cepção segu%do a 4ual todas as sociedades 4ue #á e.

8e.80 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o partida 4ue tem como co%se4R1%cia o reco%hecime%to da %ecessidade de um dom)%io férreoA sem o 4ual a classe domi%a%te %ão poderia ma%ter seu poder< Para 3ar. a força pode ma%ter u%ida< Não é por acaso 4ue 3ar.clusi2o e absoluto< /eremos oportu%ame%te 4ueA com respeito K teoria das formas de go2er%oA a co%se4R1%cia é a mesma 4ue e.rica: e a #ustiça< Sa%to $gosti%ho ti%ha e%u%ciado com e. a solução está %a dissolução do EstadoA isto éA %a sociedade 4ue %ão se baseia mais em relaçIes de forçaA a 4ual poderá ser i%staurada 4ua%do desaparecerem as di2isIes de classe< +e%tro de uma co%cepção %egati2a do EstadoA %ão pode ha2er a afirmação de um mome%to positi2oA 4uer diFerA de uma e%tidade 4ue se co%trapo%ha ao EstadoA domi%a%do o e por fim destroça%do o< Para os escritores cristãosA esse mome%to positi2o é a (gre#aJ para 3ar.A é a sociedade sem classesJ para u%s uma forma de 2erdadeiro a%tiestadoA para outros o %ão Estado< $ fim de completar o 4uadro das co%cepçIes %egati2as do EstadoA e uma 2eF 4ue me%cio%ei PlatãoA 2ale acresce%tar 4ue a solução platU%ica do Estado %egati2o %ão é %em o a%tiestado %em o %ão EstadoA mas sim o Estado idealA uma sublimação8 o superestadoA a sociedade orga%iFada de modo tal 4ue a desigualdade e%tre os membros da comu%idade estatal 94ue fu%dame%ta o Estado como puro dom)%io: se#a fi.fica para o escasso i%teresse 4ue os escritores cristãos t1m %a classificação das formas de go2er%o8 o problema ce%tral dos escritores pol)ticos dos primeiros séculos do cristia%ismo é a%tes de tudo um problema moral< ?rata se da relação e%tre o Estado 94ual4uer 4ue se#a sua forma hist.trema clareFa esse problemaA 4ue todo o pe%same%to pol)tico medie2al procura solucio%arA ao pergu%tar se8 H+espreFada a #ustiçaA 4ue são os rei%os se%ão ba%dos de ladrIesY E .ria8 ele de2erá desaparecerA se%do substitu)do pela sociedade sem EstadoA 4ua%do %ão e.plicação filos. para 3ar.pria de algu%s escritores cristãos8 mesmo em 3ar.istirem mais classes a%tagU%icas< !o%tudoA e%4ua%to para os escritores cristãos a sal2ação do i%di2)duo depe%de de outra sociedade paralela ao Estado .tra)mos da co%cepção %egati2a do EstadoA pr. também o Estado %ão pode ser ma%tido sem o terror< $ difere%ça é 4ue esse terror %ão é %ecessário de2ido K maldade dos sLditosA mas as co%diçIes ob#eti2as das relaçIes de produção 4ue deram origem a uma sociedade de desiguaisA 4ue s.ada de uma 2eF por todasA e perpetuadaJ em outras pala2rasA %ão se trata de elimi%ar a di2isão da sociedade em classesA mas sim de eter%iFá la< Pode se dar também uma e. %ão e%co%tramos uma ge%u)%a teoria das formas de go2er%o< Se todos os Estados são HditadurasHA pelo simples fato de serem EstadosA todos 2alem o mesmo< E%4ua%to hou2er Estado ha2erá o dom)%io pela forçaA a coaçãoA a repressãoA a 2iol1%cia da classe 4ue detém o poder sobre a4uela 4ue %ão o temA etc< Está claro 4ue 3ar. se refere ao Estado burgu1s como Hditadura da burguesiaHA e chama de Hditadura do proletariadoH o Estado em 4ue a classe domi%a%te será o proletariado< +esig%a o Estado 4ual4uer forma de Estado como um termo 4ue sempre de%otou uma forma de poder e.tra ecclesiam nulla salus8>. também %ão 21 %o Estado a fi%alidade da hist.

ito: e%tre o tira%o 4ue e.teles:8 o principatus regius é a4uele em 4ue o rei go2er%a como o pai sobre os filhosJ o politicus.(%ter2alo 51 4ue são os ba%dos de ladrIes se%ão pe4ue%os rei%osY<<< Por isso foi i%telige%te e 2eraF a resposta dada a $le. parte e.ercitii8 O e o 4ue co%4uistou o poder sem ter direito 8t4rannus e. 13-7:J %o De Regimine Ci(tatis.:< Quero ace%tuar pelo me%os uma co%se4R1%cia dessa colocação ética do problema pol)tico8 o i%teresse 4ue o pe%same%to pol)tico medie2al demo%strou pelo problema da Htira%iaH< Buso diFer 4ueA de todos os gra%des temas pol)ticos 4ue compIem o legado do pe%same%to clássicoA a tira%ia é tal2eF o 4ue foi tratado mais particularme%te %o limiar do pe%same%to moder%oA Ks 2ésperas de 3a4uia2el< B tema ma4uia2elia%o 9e ma4uia2élicod: por e.ercido %o i%teresse dos sLditos 9o poder pater%o: e %o i%teresse do poderoso ou da4uele ao 4ual se dirige o poder 9o poder co%#ugai: eA de outro ladoA a4uele e. (/A . escrito %o fim do século 7/A com o 4ual o autor prete%de respo%der K pergu%ta sobre se !ésar de2eria ser co%siderado um tira%o e porta%to se +a%te ti%ha raFão para colocar seus assassi%os %o Lltimo c)rculo do i%fer%o< !oluccio retoma uma classificação das formas de go2er%oA ou principatus. a4uele em 4ue go2er%a como o marido sobre a esposaJ o despoticus. 4ue e%co%tramos #á em São ?omásA em Ptolomeu de "uca e em Eg)dio Poma%oA e 4ue deri2a lo%gi%4uame%te de $rist. defectu tituli8/ Possi2elme%te o mais completo dos tratados sobre a tira%ia é o de !oluccio SalutatiA e Tratado so re o Tirano.ercido %o i%teresse e.cel1%cia o H%o2o pr)%cipeH é o mesmo tema clássico do tira%o8 a4uele 4ue co%4uista o poder de fato e o ma%témA e.telesA sem chegar a ser aristotélica %a acepção estrita< $s tr1s formas de principatus são o principatus regius. 4ue i%troduF a disti%ção 9desti%ada ao 1.erce abusi2ame%te o poder 8t4rannus e.De Ci(itate Dei.erce em 2iolação das leisA abusa%do de seus pri2ilégiosA trata%do cruelme%te os sLditosA etc:< Por a%t)teseA o pr)%cipe leg)timo e #usto %ão tira%o V é o 4ue tem ao mesmo tempo um t)tulo #usto . como o se%hor sobre os escra2os< Petor%a K disti%ção 9também aristotélica: e%tre o poder e.ue non o ser(ai8 9o pr)%cipe 4ueA embora te%ha t)tulo #usto para e.a%dre 3ag%o por um pirata 4ue caiu sob o seu poder< !omo $le. o politicus e o despoticus/ = i%teressa%te o critério de disti%çãoA baseado %as relaçIes familiares 9como ha2iam sido aprese%ta das %o "i2ro ( da Política de $rist.a%dre lhe pergu%tasse por 4ue raFão i%festa2a os maresA respo%deu com audácia8 Pelo mesmo moti2o por 4ue i%festas a terraJ mas como o faço com um pe4ue%o barcoA sou chamado de pirataJ como o faFes com uma gra%de frotaA és chamado de imperadorH .8cui iure .clusi2o de 4uem go2er%a 9o poder se%horial:< No 4ue co%cer%e K tira%iaA !oluccio retoma a disti%ção e%tre suas duas formasA defi%idas por Bartolo8 tira%o é ta%to o 4ue 8in(adit imperium et iustum non 2a et titulum dominandi8 9o pr)%cipe 4ue co%4uista o poder sem #usto t)tulo a eleA se%do porta%to um pr)%cipe usurpadorA ileg)timo: 4ua%to o 4ue 8super e dominatur aut iniustitiamfacit (el iura teges.ercer o poderA o e.erce%do o segu%do regras 4ue %ão são as mesmas da moral pLblicaA ou religiosa< = o mesmo temaA mas %ão mais tratado como problema moral ou #ur)dico< +os come%tários medie2ais sobre a tira%iaA o mais célebre é o de Bartolo 9131.

imo cap)tulo< .ui iustüiam ministrai et leges ser(at8>/ Estas bre2es i%dicaçIes sobre a teoria do tira%o ser2irão também como i%trodução a 3a4uia2elA tema do pr.8.5& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o principatus delatus est8> e go2er%a com #ustiça ..

pessoa ou por muitas< Essa é a difere%ça 2erdadeirame%te esse%cial< Bs HmuitosH ComentKrios so re a Primeira D)cada de Tito Li(io .ue/ Oá se escre2eu muitoA até rece%teme%teA a respeito do emprego do termo HEstadoH %a época de 3a4uia2el e imediatame%te depoisA de%tro e fora da (tália< Não me deterei %este po%toA mas aco%selhoA a este prop.ria do pe%same%to pol)ticoA i%clusi2e uma %o2a classificação das formas de go2er%o< B assu%to é tratado por 3a4uia2el ta%to em 0 Príncipe como %os me dos dois li2rosA e ad2irto 4ueA com respeito ao tema 4ue %os i%teressaA há também uma difere%ça e%tre eles o primeiro trata da pol)tica milita%teA o segu%do da teoria pol)ticaA afasta%do se mais dos aco%teci me%tos da época< $ %o2idade da classificação de 3a4uia2elA em comparação com a tipologia clássicaA aparece #á %as primeiras pala2ras de 0 Príncipe. 4ua%titati2a: e é simplificada8 os Estados são go2er%ados ou por uma s. de $< Passerim dCE%trD2es 9?urimA GiappichelliA 1'0&A pp< .!ap)tulo /( 3$Q*($/E" !om 3a4uia2el começam muitas coisas importa%tes %a hist.ria do pe%same%to pol)ticoA i%clu si2e por i%troduFirem termo 4ue perduraria até ho#e HEstadoH A para i%dicar o 4ue os gregos ti%ham chamado de polis.istiram são e foram sempre repLblicas ou mo%ar4uiasH< Pala2ras importa%tes para a hist.os Discorsi>/ Prete%do ocupar .sitoA a leitura do cap< (/ da Doutrina do "stado.istem e #á e. dedicadas #ustame%te a esse po%to8 H?odos os Estados 4ue e. e 4ue um gra%de pe%sadorA pol)ticoA o fra%c1s Oea% Bodi%A meio século depois de 3a4uia2elA chamará de r)pu li. os roma%os de res pu9 lica.7 00:< No trecho citado obser2a se logo 4ue 3a4uia2el substitui a tripartição clássicaA aristotélico polibia%aA por umabipartição< $s formas de go2er%o passam de tr1s a duas8 pri%cipados e repLblicas< B pri%cipado corres po%de ao rei%oJ a repLblicaA ta%to K aristocracia como K democracia< $ difere%ça co%ti%ua a ser 4ua%titati2a 9mas %ão s.

ria secular e gloriosa 4ue parecia especialme%te aptaA pela sua di2isão e%tre uma repLblica e uma mo%ar4uia (excetuados .rio 2iFi%hoA i%clusi2e outras cidades me%oresA e 4ue eram go2er%a das por se%hores temporários e eleti2os ou por co%selhos de %otá2eis ou de represe%ta%tes< Na época de 3a4uia2elA a (tália aprese%ta2aA %esta Lltima categoriaA algu%s e.iste%te e%tre a 2o%tade de um colegiado restritoA como %uma repLblica aristocráticaA e a 2o%tade %uma assembléia popularA como a de uma repLblica democráticaA é me%os rele2a%te do 4ue a difere%ça e%tre a 2o%tade de um sobera%o L%icoA 4ue é a 2o%tade de uma pessoa f)sicaA e a 2o%tade de um sobera%o coleti2oA 4ue é a de uma pessoa #ur)dica 9de uma Hpessoa fict)ciaH:< B 4ue se modificaA %a passagem do pri%cipado para a repLblicaA é a pr.(eritE effetuale> das coisas do 4ue K sua imagi%a çãoHA 2e%do com suspicácia todos os 4ue ti%ham a%teriorme%te Himagi %ado repLblicas e pri%cipados 4ue %u%ca foram 2istos ou co%hecidos como realidadeH 9B Príncipe.Ies de 3a4uia2el %ão foi o das cidades gregasA mas sim o da repLblica roma%a V hist.teles dão de uma ou de outra co%stituição realA 4ua%do surge a oportu%idade< B pr.riaA o campo das refle.prio $rist.teles ti%ha coligido 1-5 co%stitui çIes do seu tempoA em obra 4ue se perdeu< 3as a realidade pol)tica da época de 3a4uia2el ti%ha mudado profu%dame%teA e %ão podia passar despercebida ao escritor 4ue prete%dia ser Hmais co%2e%ie%te ir direta me%te K 2erdade efeti2a . 4ue se ti%ham e.emplos co%sp)cuosA como as repLblicas de G1%o2aA de /e%eFa e a pr.emplos 4ue ta%to Platão como $rist.84 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o podem ser mais ou me%os %umerososA permiti%do disti%guirA e%tre as repLblicasA as aristocráticas e as democráticas< 3as esta segu%da disti%ção %ão se baseia mais %uma difere%ça esse%cial< Em outras pala2rasA ou o poder reside %a 2o%tade de um s. é o caso do pri%cipado ou %uma 2o%tade coleti2aA 4ue se ma%ifesta em colegiado ou assembléia e temos a repLblicaA em suas 2árias formas< $ difere%ça e.sofosA mas %a obser2ação das co%stituiçIes das cidades hel1%icasA suas caracter)sticas e muda%ças< ?i%ha uma base hist.pa%didoA domi%a%do o territ.ricaA como parece claro pelos e.pria >lore%ça< = preciso %ão es4uecerA porta%toA 4ue mesmo %o 4ue diFia respeito K hist. 7/:< $ Europa dos tempos de 3a4uia2el oferecia ao obser2ador desi%teressado o espetáculo dos regna como a (%glaterraA a >ra%çaA a Espa%ha VA 4ue se ti%ham formado gradualme%te depois da dissolução do (mpério Poma%o 9algu%s dos 4uais se 2i%ham tra%sforma%do %os gra%des Estados territoriais 4ue origi%aram o HEsta doH moder%o: e das ci(itates.emploA a da maioria:A as 4uais %ão se aplicam K formação da 2o%tade si%gular do pr)%cipeA 4ue é a 2o%tade de uma pessoa f)sica< (%depe%de%teme%te destas co%sideraçIes #ur)dicasA a disti%ção de 3a4uia2el correspo%dia muito melhor K realidade do seu tempo do 4ue a classificação dos a%tigos< $ teoria das formas de go2er%o formulada pelos gregos %ão ti%ha %ascido %a cabeça dos fil.pria %atureFa da 2o%tade e%2ol2idaJ da repLblica aristocrática para a repLblica democráticaA o 4ue muda é some%te o modo de formação da 2o%tade coleti2a< Qual4uer 4ue ela se#aA a 2o%tade coleti2a tem %ecessidadeA para sua formaçãoA de 4ue se#am respeitadas determi%adas regras de procedi me%to 9comoA por e.

posição.pl)cito8 HQua%to a impug%ar o Estado de !osmoA e K afirmati2a de 4ue %e%hum Estado pode ser está2el se %ão é um ge%u)%o pri%cipado ou uma 2erdadeira repLblicaA por4ue todos os go2er%os i%termediários são defeituososA a raFão é clar)ssima8 o pri%cipado s. é ai%da mais e.rico da pol)tica e o 3a4uia2el pol)ticoA co%selheiro de pr)%cipes< 3asA será realme%te uma co%tradiçãoY Bs HEstados i%termediáriosH e os Hgo2er%os mistosH serão a mesma coisaY Pe%so 4ue %ão< Pode se suste%tarA de fatoA 4ue %em todas as combi%açIes e%tre difere%tes formas de go2er%o são de escritor me%orA a ". tem um meio de dissol2er se8 subir até o pri%cipado< 3as os Estados i%termediários t1m dois cami%hosA um %o se%tido do pri%cipadoA outro %o se%tido da repLblica V de o%de %asce sua i%stabilidadeH< B trecho é i%teressa%te também por outra raFão< Na disti%ção %)tida e%tre pri%cipados e repLblicas %ão há lugar para HEstados i%termediá riosH para os Estados 4ue %ão são %em car%e %em pei.cel1%cia do Estado misto éA como se disseA sua estabilidade< BraA essa passagem parece i%dicar 4ue para 3a4uia2el os Estados está2eis são os simples purame% pri%cipado ou repLblica< $ i%stabilidade seria uma caracter)stica dos HEstados i%termediáriosHA i%stá2eis pelo mesmo moti2o por 4ueA segu% do os defe%sores do Estado mistoA como Pol)bioA as formas simples seriam i%stá2eis V isto éA por4ue é %elesA e %ão %as formas simplesA 4ue ocorre mais facilme%te a passagem de uma forma a outra< Essa %ão é a L%ica co%tradição e%tre o 3a4uia2el historiador e te.3a4uia2el 5os primeiros séculos:A para co%firmar a tese de 4ue os Estados são sempre ou repLblicas ou pri%cipadosA como se 4ueria demo%strar< B fato de 4ue 3a4uia2el retor%a com fre4R1%cia a essa disti%çãoA utiliFa%do a para compree%der a realidade do seu tempoA pro2a 4ue ela %ão é li2rescaA ou merame%te cUmoda< "imito me a4ui a citar um trecho do Papa Leão. pode ter uma ou outra co%stituição< +ir)amos ho#e 4ue cada uma das duas formas tem sua Hl. 4ue começa com estas pala2ras8 H$ raFão por 4ue >lore%ça sempre 2ariou %os seus go2er%os reside %o fato de 4ue %u%ca hou2e ali repLblica ou pri%cipado com as 4ualidades de2idas< Não se pode diFer 4ue é está2el um pri%cipado o%de tudo se faF co%forme dese#a um s.A e se delibera media%te o co%se%so de muitosJ %em se pode crer 4ue se#a duradoura a repLblica o%de %ão se satisfaF a4ueles re4uisitos 4ue a arrui%amA 4ua%do %ão satisfeitosH< $ passagem %ão dei.gicaHA 4ue precisamos respeitar se %ão 4ueremos criar co%fusIesA origi%a%do Estados HdefeituososH< B trecho 4ue segueA e.posição so re a Reforma do "stado de Florença a 6nstLncias te . tem um cami%ho para a sua dissoluçãoA 4ue é descer até a repLblicaJ e a repLblica s.tra)do da mesma ".eA %em pri%cipados %em repLblicasA por4ue sofrem do mal caracter)stico dos maus EstadosA como #á 2imos mais de uma 2eF isto éA da i%stabilidade< *ma tese como esta parece co%tradiFer a teoria do Estado mistoA da 4ual 3a4uia2elA admirador da repLblica roma%aA é um defe%sorA segui%do os passos de Pol)bio V como 2eremos mais adia%te< *ma das raFIes da e.a lugar a dL2ida %o 4ue co%cer%e K importM%cia atribu)da por 3a4uia2el K disti%ção< ?rata se de fato de uma difere%ça 2erdadeirame%te esse%cialA de modo 4ue um Estado bem orde%ado s.

r dia co%trasta%tes e%tre si< B Estado i%termediário 4ue ele critica deri2a %ão de uma fusão de di2ersas partesA %um todo 4ue as tra%sce%deA mas da co%ciliação pro2is.plica por um fa2or do sobera%oA mas pela a%tigRidade da pr.pIe *ma 2eF classificados os Estados em pri%cipados e repLblicasA 0 Príncípe se dedica ao estudo dos primeiros8 HNão prete%do discorrer a4ui sobre as repLblicasA assu%to 4ue #á estudei e.posição sobre a reforma do Estado de >lore%ça está associada muito de perto K circu%stM%cia hist.aA formada por di2ersas partes 4ue ma%t1m relaçIes de co%c.ami%a%do de 4ue modo suas 2árias modalidadesA acima i%dicadasA podem ser ma%tidas e go2er%adas 9cap< ((:H< +ete%ho me some%te %a classificação dos pri%cipados< $ primeira disti%ção i%troduFida %o li2ro é e%tre pri%cipados hereditáriosA %os 4uais o poder é tra%smitido com base %uma lei co%stitucio%al de sucessãoA e pri%cipados %o2osA o%de o poder é co%4uistado por 4uem ai%da %ão era um Hpr)%cipeH 9como aco%teceu em 3ilãoA com >ra%cisco SforFaA para dar o e.ria os rei%os t1m sido go2er%ados de duas formas8 por um pr)%cipe e seus assiste%tes 4ueA %a 4ualidade de mi%istrosA o a#udam a admi%istrar o pa)sA agi%do por sua graça e lice%çaJ ou por um pr)%cipe e 2ários barIesA cu#a posição %ão se e.sitaA comple.ortação fi%alA o H%o2o pr)%cipeH 4ue redimirá a (tália do Hdom)%io bárbaroHA o %o2o H?eseuHA o Hrede%torH< No 4ue co%cer%e aos pri%cipados hereditáriosA há duas espécies8 HNo curso da hist.pria fam)lia 9cap< (/:H< B critério de disti%ção e%tre as duas espécies é claro8 há pr)%cipes 4ue go2er%am sem i%termediáriosA cu#o poder é absolutoA com a co%se4R1% cia 4ue os sLditos são seus Hser2osH mesmo os 4ueA por co%cessão graciosa do sobera%oA o a#udam como mi%istrosJ e há pr)%cipes 4ue go2er%am com a i%termediação da %obreFaA cu#o poder é origi%alA %ão depe%de do rei< Esta segu%da espécie de pr)%cipe tem um poder %ão absolutoA por4ue é di2idido com os HbarIesHA embora guarde uma posição preemi%e%te< Na primeira categoria de pri%cipadoA 3a4uia2el %os Discorsi/ .prio 3a4uia2el:< B li2ro é dedicado 4uase i%teirame%te aos %o2os pri%cipados< B 4ue moti2a 3a4uia2el é o la%çame%to de premissas 4ue lhe permitirão i%2ocar fi%alme%teA %a célebre e.rica das formas de go2er%o em geral 4ue 3a4uia2el e.50 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o boas 4uer diFerA são go2er%os mistos propriame%te< Não basta combi%ar uma forma de go2er%o com outra para chegar a um go2er%o misto< 6á combi%açIes 4ue fu%cio%am e outras 4ue %ão< *ma combi%a ção pode co%stituir uma s)%tese feliF de co%stituiçIes opostasA se%do assim superior Ks co%stituiçIes simplesJ outra pode ser uma co%tami%a ção de co%stituiçIes 4ue %ão se a#ustam e%tre siA se%do assim i%ferior a uma co%stituição simples< !o%forme 2eremos adia%teA o go2er%o misto 4ue 3a4uia2el ide%tifica %o Estado roma%o é uma repLblica comp.te%same%te em outra parteA mas some%te sobre as mo%ar4uiasA e.rica 4ue a moti2ou para 4ue possam ser comparadas sic et simpliciter K formulação te.ria e%tre duas partes 4ue co%flitamA 4ue %ão chegaram a e%co%trar uma co%stituição u%itária 4ue as abra%#aA supera%do as a ambas< PestaA co%tudoA o fato de 4ue essa e.emplo aprese%tado pelo pr.

teles ti%ha falado 4uer diFerA da mo%ar4uia %a 4ual a relação e%tre domi%a%te e domi%ado é semelha%te K 4ue e.pria dos Hpo2os ser2isH8 para $rist.teles era a PérsiaJ para 3a4uia2elA a ?ur4uiaJ %o século 7/(((A será a !hi%a< Qua%to aos %o2os pri%cipadosA assu%to da maior parte do li2roA 3a4uia2el disti%gue 4uatro espéciesA de acordo com as difere%tes ma%eiras como o poder pode ser co%4uistado8 a: pela (irtCM b: pela Hfortu%aHJ c: pela 2iol1%ciaJ d: com o co%se%time%to dos cidadãos< Estas 4uatro espécies podem ser dispostas em duplas a%titéticas8 2irtL Hfortu%aHJ força co%se%time%to< Bs co%ceitos de (irtC 9coragemA 2alorA capacidadeA eficácia pol)tica: e de Hfortu%aH 9sorteA acasoA i%flu1%cia das circu%stM% cias: t1m gra%de importM%cia para a co%cepção ma4uia2elia%a da hist.emplos segui%tes8 HE.i idem>/ B e.ist1%cia de uma forma de go2er%o pr.imadame%te< !ompararia a sorte a um rio impetuoso 4ueA 4ua%do turbule%toA i%u%da a pla%)cieA derruba casas e ediiiciosA remo2e terra de um lugar para depositá la em outro<<< !o%tudoA embora tal se#a sua %atureFaA 4ua%do as águas correm 4uietame%te é poss)2el co%struir defesas co%tra elasA di4ues e barrage%sA de modo 4ueA 4ua%do 2oltem a crescerA se#am des2iadas por um ca%alA para 4ue seu )mpeto se#a me%os sel2agem e maléficoH 9cap< 77/:< $ difere%ça e%tre os pri%cipados co%4uistados pela (irtC e os co%4uistados pela Hfortu%aH é 4ue os primeiros são mais duradourosJ os segu%dosA 4ue o pr)%cipe co%4uista de2ido a circu%stM%cias fa2orá2eisA e %ão pelo pr.riaA como é sabido< Por (irtC 3a4uia2el e%te%de a capacidade pessoal de domi%ar os e2e%tosA de alca%çar um fim ob#eti2adoA por 4ual4uer meioJ por Hfortu%aHA e%te%de o curso dos aco%tecime%tos 4ue %ão depe%dem da 2o%tade huma%a< +ir)amos ho#e8 o Hmome%to sub#eti2oH e o Hmome%to ob#eti2oH do mo2ime%to hist.emplo da ?ur4uia é i%teressa%te8 com a categoria da mo%ar4uia desp.emplo para demo%strar a e.iste e%tre se%hor e ser2o< $ disti%ção é elucidada com os e.clusi2ame%te por um sobera%oA 4ue tem seus ser2idores e di2ide o rei%o em pro2)%ciasA as 4uais e%2ia admi%istradoresA 4ue substitui e e.3a4uia2el 57 retoma o co%ceitoA #á tradicio%alA da mo%ar4uia desp.ticaA de 4ue $rist.prio méritoA são me%os está2eisA desti%ados a desaparecer em pouco tempo< . da Hfortu%aHJ 4uer diFer8 %em s.rico< Para 3a4uia2elA o 4ue se co%segue realiFar %ão depe%de %em e.o%era li2reme%te< Oá o rei da >ra%ça é cercado por um gra%de %Lmero de a%tigos %obresA reco%hecidos como tais pelos pr.clusi2ame%te da (irtC %em s.prios sLditosA e 4ue são por eles estimadosJ t1m prerroga ti2asA de 4ue o rei %ão pode pri2á los sem perigo para siH .tica se tra%smite também a %oção do Hdespotismo orie%talHA 4ue #á aparecia clarame%te em $rist.telesA como 2imosA e 4ue persistirá até 6egel 9e mais rece%teme%te ai%da:< 6á sempre um Estado orie%talA %ão europeuA a ser2ir de e.emplos atuais desses dois tipos de go2er%o são a ?ur4uia e a >ra%ça< $ mo%ar4uia turca é dirigida e. do mérito pessoal %em ape%as do fa2or das circu%stM%ciasA mas de ambos os fatoresA em partes iguais8 HPara %ão ig%orar i%teirame%te %osso li2re arb)trioA creio 4ue se pode aceitar 4ue a sorte decide a metade dos %ossos atosA mas 4ue %os permite o co%trole sobre a outra metadeA apro.

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$ ?eoria das >ormas de Go2er%o

B pri%cipado ad4uirido pela 2iol1%ciaA per scelera, %os dá a oportu%i dade de faFer outras co%sideraçIes< Na disti%ção ma4uia2elia%a e%tre pri%cipado e repLblicaA %ão s. desaparece a tripartição clássicaA mas falta tambémA pelo me%os %o pla%o 2is)2elA a duplicação das formas de go2er%oA em boas e más< Pelo me%os %o 4ue diF respeito aos pri%cipados tema de B Príncipe VA 3a4uia2el %ão i%troduF a disti%ção e%tre pri%cipados bo%s e mausA e%tre pr)%cipe e tira%o< !omo se 2iu ele disti%gue os 2ários tipos de pri%cipado de acordo com o modo da sua a4uisiçãoJ a4uele 4ue chega a domi%ar um pri%cipado per scelera correspo%de K figura do tira%o clássicoA masA para 3a4uia2elA é um pr)%cipe como os demais< $ 2erdade é 4ue 4ua%do se e;ami%a a figura do tira%o ileg)timoA e, defec9 tu tituli, 2erifica se 4ue todos os pr)%cipes %o2os são tira%os %ão s. o pr)%cipe HceleradoH< São tira%os %o se%tido moder%o da pala2raA pois seu poder é um poder de fatoA cu#a legitimação s. ocorre 94ua%do ocorre: com o tempo< 3asA #ustame%te por4ue %um certo se%tido todos os pr)%cipes %o2os são tira%osA %e%hum o é 2erdadeirame%te< No co%te;to ma4uia2e lia%oA %ão aprese%tam %e%huma co%otação %egati2a< $o co%trárioA os pr)%cipes %o2os 4ue co%4uistaram o poder pelo seu 2alor ;(irtC> são celebrados como fu%dadores de EstadosA gra%des protago%istas do dese%2ol2ime%to hist.rico 4ue 6egel chamará de Hi%di2)duos cosmo hist.ricosHA e a prop.sito dos 4uais 3a; ]eber co%struirá a figura do chefe carismático< B caso do pr)%cipe 4ue co%4uista o Estado 8per scelera8 é difere%te8 é o tira%o %o se%tido tradicio%alA como se 21 em um dos dois e;emplos aprese%tados por 3a4uia2elA o de $gátoclesA rei de Siracusa 9o outro e;emplo é de um co%temporM%eoA "i2erotto de >ermo:< !o%tudoA mesmo %esse casoA o #ulgame%to de 3a4uia2el %ão é de ordem moral< B critério para disti%guir a boa pol)tica da má é o seu 1;ito< No 4ue diF respeito ao pr)%cipe %o2oA o 1;ito é medido pela capacidade de ma%ter o Estado 9e%tra outra 2eF em ce%a o 2alor da HestabilidadeH:< $ i%trodução do critério do 1;ito como a L%ica medida de #ulgame%to pol)tico permite a 3a4uia2el disti%guirA mesmo de%tro da categoria do tira%o HceleradoHA o bom tira%o do mau< Bom é a4uele 4ueA como $gátoclesA embora te%ha co%4uistado o poder por meios crimi%ososA co%segue depois ma%t1 lo< 3au é "i2erotto de >ermoA 4ue s. se ma%te2e %o poder dura%te um a%oA ap.s o 4ue te2e o mesmo fim miserá2el 4ue ha2ia dado aos seus ad2ersários< Em 4ue co%siste a difere%ça e%tre os dois pr)%cipesY !ome%ta 3a4uia2elA com uma de suas frases 4ue lhe 2aleram fama e i%fMmia8 HPe%so 4ue depe%de da crueldade bem ou mal empregadaH< Bs dois pr)%cipes foram cruéisA mas a crueldade de um deles foi bem utiliFadaA te%do em 2ista seu ob#eti2o V a L%ica coisa 4ue co%ta %a ati2idade pol)tica 9isto éA foi empregada para a co%ser2ação do Estado:J a crueldade do outro %ão ser2iu ao L%ico fim 4ue de2e orie%tar todas as açIes de um pr)%cipe V a ma%ute%ção do poder< +ou a pala2ra a 3a4uia2el8 H<<<a difere%ça reside %o uso ade4uado ou %ão da crueldade< No primeiro casoA estão a4ueles 4ue a usaram bem 9se é 4ue se pode 4ualificar um mal com a pala2ra HbemH:A uma 2eF s.A com o ob#eti2o de se gara%tirA

3a4uia2el 5' e 4ue depois %ão persistiram %elaA mas ao co%trário a substitu)ram por medidas tão be%éficas a seus sLditos 4ua%to poss)2el< $s crueldades mal empregadas são as 4ueA se%do a pri%c)pio poucasA crescem com o tempoA em 2eF de dimi%uir< Bs 4ue aplicam o primeiro método podem remediar de alguma forma sua co%diçãoA dia%te de +eus e dos home%sA como $gátocles< Qua%to aos outrosA %ão co%seguem se ma%terH 9cap< /(((:< *ma proposição deste tipo é um e;emplo e2ide%te do famigerado pri%c)pio ma4uia2élico de 4ue Ho fim #ustifica os meiosH< Qual o fim de um pr)%cipeY 3a%ter o poder< B #ulgame%to sobre a bo%dade ou a maldade de um pr)%cipe %ão se faF com base %os meios 4ue empregaA mas e;clusi2ame%te com base %o resultado 4ue obtém 4uais4uer 4ue se#am os meios usados8 H<<<%a co%duta dos home%sA especialme%te dos pr)%cipesA da 4ual %ão há recursoA os fi%s #ustificam os meios< Porta%toA se um pr)%cipe prete%de co%4uistar e ma%ter um EstadoA os meios 4ue empregar serão sempre tidos como ho%rososA e elogiados por todosA pois o 2ulgo se dei;a sempre le2ar pelas apar1%cias e os resultadosJ <<<H 9cap< 7/(((:< $o i%iciar 0 Príncipe, 3a4uia2el declara 4ue #á ti%ha estudado lo%game%te as repLblicas< Pefere se ao "i2ro ( dos Discorsi sopra la Prima Deca di Tito *(io, 4ue #á ti%ha completado 4ua%do começou a escre2er 0 Príncipe, em 1-13< B cap< (( dos Discorsi é i%titulado :uantas éA como se 21A polibia%a8 da mesma forma 4ue Pol)bioA 3a4uia2el se limita a discorrer sobre a co%stituição de PomaA ao falar sobre a hist.ria roma%aJ para descre2er uma co%stituição em particularA começa com uma bre2e e;posição sobre as co%stituiçIes em geral< 3as Pol)bio %ão é sua L%ica i%spiração< !omo #á se come%tou muitas 2eFesA o cap)tulo (( dos Discorsi é uma paráfraseA se %ão uma traduçãoA do "i2ro /( da *ist5ria de Pol)bio< B fato de 4ue a4uele cap)tulo é uma paráfrase e em algu%s po%tos uma tradução 4uase literal de Pol)bio %ão sig%ifica 4ue essas pági%asA tão discutidasA %ão co%te%ham refle;Ies origi%ais< !o%tudoA o certo é 4ue a deri2ação é e2ide%teA e a semelha%ça e%tre os dois te;tosA impressio%a%te< Nas pági%as de 3a4uia2el e%co%tramos os tr1s temas e%u%ciados e dese%2ol2idos por Pol)bio8 a tipologia clássica das seis formas de go2er%oA a teoria dos ciclos e a do go2er%o misto e;emplifi cadaA como em Pol)bioA com os go2er%os de Esparta e Poma< !omo Pol)bioA 3a4uia2el disti%gue Esparta de Poma por4ue a primeira recebeu sua co%stituição de um legisladorA a segu%da de uma tradição 4ue se formou gradualme%teA 4uase 4ue de modo %atural< !omo Pol)bioA 3a4uia2el também e%ri4uece seus come%tários sobre as co%stituiçIes em geralA e a co%stituição roma%aA com um esboço da hist.ria u%i2ersal 4ue descre2e o surgime%to dos Estados a partir de uma fase primiti2aA 4ua%do os home%s 2i2iam HdispersosA K semelha%ça dos a%imaisH< !omecemos pela tipologia8 H<<< lembrarei 9como os 4ue escre2eram a respeito da orga%iFação das repLblicas: 4ue há tr1s espécies de go2er%o8 o mo%ár4uicoA o aristocrático e o popularJ os 4ue prete%dem estabelecer a ordem %uma cidade de2em escolherA de%tre estas tr1s espéciesA a 4ue melhor co%2ém a seus ob#eti2os< ButrosA segu%do a opi%ião geral mais esclarecidosA acham 4ue há seis
"sp)cies *K de RepC licas, e a :ual Pertenceu a RepC lica Romana/ $ i%spiração

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$ ?eoria das >ormas de Go2er%o

formas de go2er%oA das 4uais tr1s são esse%cialme%te másJ as tr1s outras são em si boasA mas dege%eram tão facilme%te 4ue podem também tor%ar se per%iciosas< Bs bo%s go2er%os são os 4ue relacio%ei a%terior me%teJ os mausA suas deri2açIes< E se parecem ta%to aos primeirosA aos 4uais correspo%demA 4ue podem com facilidade ser co%fu%didos com eles< +este modoA a mo%ar4uia se tra%sforma em despotismoJ a aristocra ciaA em oligar4uiaJ a democraciaA em permissi2idade< Em co%se4R1%ciaA todo legislador 4ue adota para o Estado 4ue 2ai fu%dar uma destas tr1s formas de go2er%o %ão a ma%tém por muito tempoJ %ão há o 4ue apossa impedir de precipitar se %o tipo co%trárioA tal a semelha%ça e%tre a forma boa e a má C 9cap< ((:< Na aprese%tação da tipologia clássicaA 3a4uia2el #á ace%a K sucessão das co%stituiçIesA sobre a 4ual se detém com mais 2agar %a pági%a segui%teA para e;plicar V embora sumariame%teA e sempre sob a orie%ta ção de Pol)bio V as raFIes da tra%sformação de uma forma em outra< ?rata se da sucessão polibia%aA segu%do a 4ual toda co%stituição boa dege%era %a correspo%de%te co%stituição máA %a segui%te ordem8 go2er %o de umA de poucosA de muitos< +o po%to de 2ista termi%ol.gicoA 2ale obser2ar 4ue dos termos gregos origi%aisA s. perma%eceu Htira%iaH V todos os outros são pala2ras lati%as8 pri%cipadoA go2er%o de poucosA go2er%o popularA go2er%o Hlice%ciosoH ou Hpermissi2oH 9correspo%de%te K forma corrupta do go2er%o de muitos:< $ tra%sformação de uma co%stituição em outra é também muito rápida< E o defeito das co%stitui çIes simples é sua i%stabilidade< *m defeito tão gra2e 4ue mesmo as co%stituiçIes 4ue seriam boas por si mesmas sãoA %a 2erdadeA más de2ido K falta de estabilidade< Esta ace%tuação do aspecto %egati2o das co%stituiçIes positi2as é ai%da mais forte de 4ue era Pol)bio< No trecho citadoA 3a4uia2el escre2e 4ue as co%stituiçIes das tr1s formas de go2er%o HboasH se corrompem com tal facilidade 4ue Hpodem também tor%ar se per%iciosasH< 3ais adia%te dirá 4ue8 HPara mimA todas estas formas de go2er%o são igualme%te des2a%ta #osas8 as tr1s primeirasA por4ue %ão podem durarJ as tr1s outrasA pelo pri%c)pio de corrupção 4ue co%t1mH 9cap< ((:< Em 3a4uia2elA como em Pol)bioA a classificação das co%stituiçIes procede pari passu com a obser2ação da sua ordem de sucessão %o tempo< Para 3a4uia2el também essa sucessão é preestabelecidaA permiti%do e%u%ciar uma aut1%tica lei %atural8 a lei dos ciclos hist.ricosA a Ha%aci closeH< Neste po%toA a pro;imidade e%tre 3a4uia2el e o historiador roma%o é tão gra%de 4ue a lei dos ciclos é formulada com as mesmas pala2ras 94uase como se se tratasse de uma tradução:< Pol)bio ti%ha falado %a rotação das co%stituiçIesA %a lei %atural pela 4ual as formas pol)ticas se tra%sformamA decaem e retor%am ao po%to de partida< 3a4uia2el escre2e8 HEste é o c)rculo seguido por todas as repLblicas 4ue #á e;istiramA e pelas 4ue e;istemH 9cap< ((:< Não obsta%teA a tese de 3a4uia2el %ão represe%ta uma repetição ser2il da de Pol)bio< 3a4uia2el é um escritor realista< $ idéia de 4ue os HciclosH se repetem até o i%fi%ito %ão e%co%tra apoio %a realidadeA sobretudo para um escritor 4ue pode co%templar realidade hist.rica muito mais rica e 2ariada do 4ue a obser2ada pelos a%tigos gregos<

as forças i%ter%asA mas também as e.ria e da ci1%cia em 3a4uia2el é amplo demais para ser tratado %este mome%to:8 HQuem estudar a 6ist.ter%as< +e 4ual4uer modoA a teoria dos ciclos co%firma a co%cepção esse%cialme%te %aturalista 4ue 3a4uia2el tem da hist.ricas 4ue criam e destroem os EstadosA por4ue compree%de %ão s.plicar os e2e%tos passados< "imito me a4ui a duas citaçIes sig%ificati 2as 9o problema da co%cepção da hist.3a4uia2el '1 3a4uia2el parece crer assim %a se4R1%cia das seis formasA mas i%cli%a se bem me%os a aceitar a repetição sem fim dessa se4R1%cia< B po%to doloroso da teoria do ciclo era V como #á 2imos o segui%te8 o 4ue aco%tece depois da primeira se4R1%ciaA 4ua%do o processo de degradação chega ao fim 9em PlatãoA com a tira%iaJ em Pol)bioA com o oclocracia:Y Pol)bio ti%ha respo%dido sem hesitação8 o 4ue aco%tece é o retor%o ao pri%c)pioA de o%de a idéia da HrotaçãoH< Sobre este po%toA 3a4uia2el é ai%da mais prude%te< +epois de e%u%ciar a tese dos Hc)rculosHA acresce%ta8 H3as rarame%te se retor%a ao po%to e.plicar Hpor 4ueH as coisas aco%tecem pode e.plicar também HcomoH 2ão aco%tecer< E%u%ciada a lei da rotaçãoA Pol)bio ti%ha escrito8 HQuem co%hece bem esta doutri%a poderá tal2eF cometer erros em termos de duraçãoA ao falar a respeito do futuro de um EstadoA mas poderá a2aliá lo com perfeita ob#eti2idadeA dificilme%te se e%ga%a%do %a determi%ação do po%to em 4ue ele se e%co%tra %o seu processo de dese%2ol2ime%to ou decad1%ciaA e do modo como se tra%sformaH 9/(A ':< 3a4uia2el acredita também 4ue o historiador possa pre2er os aco%tecime%tos futurosA desde 4ue se#a basta%te atilado e profu%do para e.ria as gra%des leis 4ue regulam os aco%tecime%tos< S.pria para retor%ar ao po%to de partida< !o%#ectura 4ue a solução mais pro2á2el é a de 4ueA uma 2eF ati%gido esse po%toA o Estado se tor%e presa fácil de algum 2iFi%ho mais forte mais forte por4ue melhor orga%iFado< +este modoA %ão ocorre o retor%o Ks orige%s %o Mmbito do mesmo EstadoA mas sim uma tra%sfer1%cia de dom)%ioA de um Estado para outro< = supérfluo obser2ar 4ue essa 2isão é mais realista8 co%figura de modo bem mais 2eross)mil a di%Mmica das forças hist.ria< B ob#eti2o do historiador seria o de e.ria !o%temporM%ea e da $%tigRidade 2erá 4ue os mesmos dese#os e as mesmas pai.Ies rei%aram e rei%am ai%da em todos os go2er%osA em todos os po2os< Por isto é fácilA para 4uem estuda com profu%didade os aco%tecime%tos pretéritosA pre2er o 4ue o futuro reser2a a cada EstadoA propo%do os remédios #á utiliFados pelos a%tigos ouA caso isto %ão se#a poss)2elA imagi%a%do %o2os remédiosA baseados %a semelha%ça dos aco%tecime%tosH 9"i2ro (A cap< 777(7:< EA em outra passagem8 .trair do estudo da hist. 4uem tem co%diçIes de e.o da sua decad1%ciaA um Estado te%ha ai%da força pr.ato de partidaA pois %e%huma repLblica tem resist1%cia suficie%te para sofrer 2árias 2eFes as mesmas 2icissitudes< $co%tece com fre4R1%cia 4ueA %o meio destes distLrbiosA uma repLblicaA pri2ada de co%selhos e de forçaA é tomada por algum Estado 2iFi%hoA go2er%ado com mais sabedoriaH 9cap< ((:< Essa obser2ação é dig%a de um escritor 4ue se propUs a escre2er sobre a pol)tica busca%do a 8(eritE effetuale8/ 3a4uia2el du2ida de 4ueA te%do chegado ao po%to mais bai.

plica a apro.imação das co%stituiçIesA de acordo com uma ordem preestabelecida< $ compree%são das leis profu%das da hist.IesH< $ repetição de HmesmoHA o retor%o do 4ue é sempre igualA e.clusi2ame%te 4ual4uer uma delasA reco%hece%do o 2)cio de cada uma< Escolheram sempre um sistema de go2er%o de 4ue todas participa2amA por #ulgá lo mais s.pulsão dos reisA Poma tra%sformou se %uma repLblicaA co%ser2a%do embora a fu%ção regiaA com a i%stituição dos cU%sules8 .ricas é a admissão da co%stM%cia de certas caracter)sticas da %atureFa huma%a< Nas duas passage%s acimaA 3a4uia2el i%siste %esse po%to< Na primeiraA fala %os Hmesmos dese#os e %as mesmas pai.ar de aprese%tar os mesmos resultadosH 9"i2ro (((A cap< 7"(((:< B pressuposto da formulação de leis hist.ist1%cia tão ef1mera 4ue ai%da 2i2ia 4ua%do eclodiu a tira%ia de Pis)stratoH< B ob#eti2o de 3a4uia2elA ao elogiar o go2er%o mistoA é e.IesHJ %a segu%daA refere se Ks Hmesmas pai. 4ue 4uem e.lido e está2el8 se o pr)%cipeA os aristocratas e o po2o go2er%am em co%#u%to o EstadoA podem com facilidade co%trolar se mutuame%teH 9cap< ((:< Em seguidaA elogia "icurgoA 4ue8 HNas leis 4ue deu a EspartaA soube de tal modo co%trabala%çar o poder do reiA da aristocracia e do po2o 4ue o Estado se ma%te2e em paF dura%te mais de oitoce%tos a%osA para sua gra%de gl.riaH 9cap< ((:< S.IesA %ão podem dei.ria %ão ser2e ape%as para pre2er o 4ue de2e aco%tecer mas também para pre2e%ir esses aco%teci me%tos isto éA para remediar o mal 4ue a lei permite pre2er< Não há %isso co%tradição< Na primeira das duas passage%sA 3a4uia2el afirma %ão s.lo%A porémA 4ue ti%ha estabelecido em $te%as um go2er%o popularA Hdeu lhe e.ami%a com dilig1%cia as coisas passadas pode pre2er as futurasA mas também 4ueA feita essa pre2isãoA é poss)2el remediar o mal pre2isto< 3a4uia2el aplica esta dupla atitude de pre2isão e pre2e%ção ao problema das co%stituiçIes< $ se4R1%cia das seis co%stituiçIes demo%s trou 4ue todas podem ser %oci2as %ão ape%as as co%sideradas tradicio%alme%te másA porém as boas tambémA de2ido K sua rápida dege%eração< 3as o homem %ão seria um ser em parte li2reA %ão determi%ado i%teirame%te pela Hfortu%aHA se %ão fosse capaF de co%ceber um remédio para o mal descoberto< Esse remédio 9uma i%spiração polibia%a: é o go2er%o misto< +e fatoA depois de co%siderar des2a%ta#osas todas as co%stituiçIes simplesA 3a4uia2el prossegue8 HPor istoA todos os legisladores co%hecidos pela sua sabedoria e2itaram empregar e.altar a co%stituição da repLblica roma%aV como ti%hafeito Pol)bio< $o co%trário da esparta%aA %ascida i%teirame%te do cérebro de um legisladorA a co%stituição de Poma ti%ha sido formada atra2és de lo%ga gestaçãoA dura%te séculosA %ão pela 2o%tade de um L%ico legisladorA porém 8re us ipsis ac factis8/ +epois da e.'& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o HNem é por acasoA %em sem moti2oA 4ue os sábios costumam diFer8 basta co%siderar o 4ue foi para saber o 4ue será< +e fatoA em todas as épocas o 4ue aco%tece %este mu%do tem a%alogia com o 4ue #á aco%teceu< (sto pro2ém do fato de 4ueA como todas as coisas huma%as são tratadas por pessoas 4ue t1m e terão sempre as mesmas pai.

rico: 4ue corres po%dem K primeira proteção da liberdade8 HBs 4ue criticam as co%t)%uas disse%sIes e%tre os aristocratas e o po2o parecem desapro2ar #ustame%te as causas 4ue asseguraram fosse co%ser2ada a liberdade de PomaA presta%do mais ate%ção aos gritos e rumores pro2ocados por tais disse%sIes do 4ue aos seus efeitos salutares< Não 4uerem perceber 4ue em todos os go2er%os há duas fo%tes de oposição8 os i%teresses do po2o e os da classe aristocrática< ?odas as leis para proteger a liberdade %ascem da sua desu%iãoA como pro2a o 4ue aco%teceu em PomaA o%deA dura%te os treFe%tos a%os e mais 4ue (/A i%titulado8 .o e%tre o caráter misto da repLblica roma%a V o e4uil)brio dos tr1s poderes e sua perfeição< "embre seA por outro ladoA 4ue as co%stituiçIes simples ti%ham sido 4ualificadas de des2a%ta#osas 9em italia%oA 8perni#iose8 e 8pestifere8>/ E%4ua%to Poma foi uma repLblica aristocráticaA embora i%tegrada por cU%sulesA %ão era perfeita< S.plicarA tor%ou se i%sole%teA desperta%do o resse%time%to do po2oJ para %ão perder tudoA te2e 4ue ceder lhe uma parte da autoridade< +e seu ladoA ta%to o Se%ado como os cU%sules guardaram basta%te desta autoridade para ma%ter a posição 4ue ocupa 2am %o Estado< Estas foram as causas 4ue origi%aram os tribu%os do po2oA i%stituição 4ue e%fra4ueceu a repLblica por4ue cada um dos tr1s eleme%tos do go2er%o recebeu uma porção da sua autoridade< $ sorte fa2oreceu Poma de tal modo 4ueA embora te%ha passado da mo%ar4uia K aristocracia e ao go2er%o popularA segui%do a degradação pro2ocada pelas causas 4ue estudamosA %em o poder real cedeu toda a sua autoridade para os aristocratasA %em o poder destes foi todo tra%sferido para o po2o< B e4uil)brio dos tr1s poderes feF assim com 4ue %ascesse uma repLblica perfeitaH 9cap< ((:< Note seA %o fi%al dessa passagemA o %e. falta2a i%troduFir o go2er%o popular< $ %obreFa roma%aA pelos moti2os 4ue 2amos e.Desunião entre o Po(o e o 1enado Foi a Causa da =rande#a e da . com a i%stituição dos tribu%os do po2oA represe%ta%tes do eleme%to popularA alca%ça a perfeiçãoA completa%do a mistura das tr1s co%stituiçIes simples< Oá 2imos em 4ue co%siste a perfeição do go2er%o misto8 %a sua capacidade de resistir ao tempo< 3as %ão estar)amos reco%hece%do toda a agudeFa de 3a4uia2el se %ão lembrássemos 4ue a (irtC do go2er%o misto tem um outro aspectoA %a a%álise ma4uia2elia%a da PepLblica roma%a< "eia se o importa%te cap< Li erdade da RepC lica Romana/ Essa leitura %os le2a a uma obser2ação %o2a8 uma 2eF resol2ido co%stitucio%alme%teA pela feliF mediação do go2er%o misto 9ao mesmo tempo aristocrático e popular:A o co%flito e%tre os dois partidos a%tagU%icos da cidade patr)cios e plebeusA ricos e pobres V %ão s.3a4uia2el '3 H$ repLblicaA rete%do os cU%sules e o Se%adoA represe%tou a pri%c)pio a mistura de duas das tr1s formas me%cio%adas8 a mo%ar4uia e a aristocracia< S. gara%te a durabilidade da co%stituição como a liberdade i%ter%a dos cidadãos< Na passagem 4ue segueA #ustame%te célebreA 3a4uia2el faF< uma afirmati2a desti%ada a ser co%siderada como uma a%tecipação da %oção moder%a da sociedade ci2ilA segu%do a 4ual a co%dição de saLde dos Estados %ão reside %a harmo%ia forçadaA mas sim %a lutaA %o co%flitoA %o a%tago%ismo 9mais tarde dir se á8 %o processo hist.

emplos %ascem da boa educaçãoA a boa educação das boas leisA e estas das desorde%s 4ue 4uase todos co%de%am irrefletidame%te< +e fatoA se se e.'.ami%ar com ate%ção o modo como tais desorde%s termi%aramA 2er se á 4ue %u%ca pro2ocaram o e. causaram o e.riaA uma 2isão Hmoder%aHA segu%do a 4ual a desordem %ão a ordemA o co%flito e%tre partidos 4ue se opIem %ão a paF social imposta do altoA a desarmo%iaV %ão a harmo%iaA os tumultos V %ão a tra%4Rilidade decorre%te do dom)%io irresist)2elA são o preço 4ue é preciso pagar pela ma%ute%ção da liberdade< $lém dissoA por meio desta compree%são da fu%ção be%éfica do co%traste e%tre os dois partidos a%tagU%icosA patr)cios de um ladoA plebeus de outroA dos dois Htemperame%tosH prese%tes em toda repL blicaA a co%cepção do go2er%o misto ad4uire uma profu%didade hist.iladosA e mais rarame%te ai%da fiFeram correr sa%gue< Não se podeA porta%toA co%siderar estas disse%sIes como fu%es tasA %em o Estado como i%teirame%te di2ididoA pois dura%te ta%tos a%os tais difere%ças s.o 9a superes trutura: de uma sociedade determi%ada8 é a solução pol)tica de um problema V o co%flito e%tre i%teresses a%tagU%icos 4ue surge %a sociedade ci2il< .a de ser um mero meca%ismo i%stitucio%al para tor%ar se o refle.emplos de 2irtudeA pois os bo%s e.)lio de oito ou deF pessoasA e a morte de bem poucos cidadãosA se%do algu%s outros multados< Não se podeA de forma algumaA acusar de desordem uma repLblica 4ue deu ta%tos e. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o tra%scorreram e%tre os ?ar4u)%ios e os GracosA as desorde%s ha2idas produFiram poucos e.)lioA ou 2iol1%cias pre#udiciais ao bem pLblicoA mas 4ueA ao co%trárioA fiFeram %ascer leis e regulame%tos fa2orá2eis K liberdade de todosH 9cap< (/:< $ importM%cia de uma afirmati2a desse tipo V de 4ue os HtumultosH 4ue muitos lame%tam co%stituem %ão a causa da ru)%a dos Estados mas uma co%dição para 4ue se#am promulgadas boas leisA em defesa da liberdade %ão pode ser e.agerada< Ela e.rica 4ue ti%ha faltado até e%tão K teoria merame%te co%stitucio%al do go2er%o misto< B go2er%o misto dei.prime clarame%te uma %o2a 2isão da hist.

ria do pe%same%to pol)tico como o te.rico da sobera%ia< !o%tudoA o co%ceito de sobera%ia como caracteriFação da %atureFa do Estado %ão foi i%2e%tado por ele< HSobera%ia sig%ifica simplesme%te poder supremoH< Na escalada dos poderes de 4ual4uer sociedade orga%iFadaA 2erifica se 4ue todo poder i%ferior é subordi%ado a um poder superiorA o 4ualA por sua 2eFA se subordi%a a outro poder superior< No ápice de2e ha2er um poder 4ue %ão tem sobre si %e%hum outro V e esse poder supremoAHsumma potestas8A é o poder sobera%o< B%de há um poder sobera%oA há um Estado< Oá os #uristas medie2aisA come%taristas do Corpus Huris.taA 4ue aborda o tema do melhor EstadoA também clássicoA correspo%de aos dois Lltimos li2rosA 4ue e%cerram a obra de $rist.ageroA a obra de teoria pol)tica mais ampla e sistemática desde a Política de $rist. de Oea% Bodi% 91-30 1-'0:< Publicada em 1-70A em fra%c1s 9uma edição lati%a sairá deF a%os mais tarde:A o li2ro éA sem e.!ap)tulo /(( BB+(N $ obra pol)tica mais importa%te do per)odo de formação dos gra%des Estados territoriais é De la Repu li.teles e dos seus seguidores V Ks 2eFes até com a%imosidade< Bodi% passou para a hist.teles< Oá se obser2ou 4ue também %a distribuição da matéria as duas obras se apro. ti%ham traçado uma disti%ção e%tre as 8ci(itates superiorem recognoscentes8 e as 8ci(itates superiorem non recognoscentes8 V s. estas Lltimas possu)am o re4uisito da sobera%iaA pode%do ser co%sideradas EstadosA %o se%tido moder%o do termo< Qua%do ocorreu a ruptura e%tre .imam< B li2ro de Bodi% está di2idido em seis partesJ o de $rist.ue.teles em oito< Na primeiraA Bodi% co%ce%tra o tratame%to dos problemas gerais do Estado 9correspo%de%te K matéria do primeiro li2ro aristotélico:J a segu%da é dedicada Ks formas de go2er%oA como o terceiro e o 4uarto li2ro da Política/ $ se.teles< ?oda2iaA Bodi% %ão é em absoluto um aristotélico< $ semelha%ça %a estrutura formal das duas obras %ão %os de2e faFer pe%sar %uma semelha%ça substa%cial< Não há tema a respeito do 4ual Bodi% %ão aprese%te soluçIes difere%tes das de $rist.

emplo8 a lei 4ueA %uma mo%ar4uiaA estabelece a sucessão ao tro%o8 HB pr)%cipe %ão pode re2ogar as leis 4ue tratam da pr.emploA a de co%duFir uma guerra ou de submeter uma rebelião e.prio< +iF Bodi%8 HQuem é sobera%o %ão de2e estar su#eitoA de modo algumA ao coma%do de outremJ de2e poder promulgar leis para seus sLditosA ca%cela%do ou a%ula%do as pala2ras i%Lteis dessas leisA substitui%do as Vo 4ue %ão pode faFer 4uem está su#eito Ks leis ou a pessoas 4ue lhe impo%ham seu poderH< !o%trariame%te ao 4ue se pe%sa de modo geralA poder a soluto %ão 4uer diFer poder ilimitado/ Quer diFer simplesme%te 4ue o sobera%oA dete%tor do poder de faFer leis 2álidas em todo o pa)sA %ão está su#eito a essas mesmas leisA por4ue H%ão pode dar orde%s a si mesmoH< !o%tudoA como todos os outros seres huma%osA o sobera%o está su#eito Ks leis 4ue %ão depe%dem da 2o%tade dos home%s V isto éA Ks leis %aturais e di2i%as< Na escala asce%de%te dos poderesA o poder do sobera%o terrestre %ão é o mais altoJ sobre ele está a summa potestas de +eusA de 4uem depe%dem as leis %aturais e di2i%as< Butros limites ao poder sobera%o são impostos pelas leis fu%dame%tais do Estado 4ue ho#e chamar)amos de leis co%stitucio%ais< Por e.ricos i%dicadosA parece 4ue para Bodi% %ão se de2e co%siderar perpétuo o poder atribu)do a pessoa ou a uma i%stituição Hpor per)odo determi %adoH< +os muitos e.b2ioA embora %ão se#a claro o%de se possa traçar a li%ha de demarcação e%tre um poder perpétuo e outro %ão perpétuo< +a elucidação segui%teA e dos e. in regno suo imperator8 para afirmar a i%depe%d1%cia dos regna/ $ f.auridaA a 4ual cessa2a o poder e.'0 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o os regna particulares e o império u%i2ersalA cu%hou se a<f.emplos adotados o mais familiar é o do ditador roma%oA 4ue Bodi% i%terpreta como um simples HcomissárioHA a4uém se atribu)a uma fu%ção espec)fica por e.rmula sig%ifica2a 4ue o rei se ha2ia tor%ado sobera%oA 4uer diFerA 8superiorem non recognoscens8/ Bodi% defi%e deste modo a sobera%ia8 HPor sobera%ia se e%te%de o poder absoluto e perpétuo 4ue é pr.pria estrutura do rei%oA dos seus fu%dame%tosA as 4uais estão 2i%culadas K coroaA e aela i%dissolu2elme%te u%idas 9comoA por e.emploA a lei sálica:< B 4ue 4uer 4ue um pr)%cipe decidaA %esta matériaA seu sucessor tem ple%o direito de abolir tudo o 4ue se te%ha feito em pre#u)Fo da4uelas leis sobre as 4uais se ap.ia a pr.emplos hist.pria ma#estade sobera%aH< Butro limite ao poder sobera%o é imposto pelas leis 4ue regulam as relaçIes pri2adas e%tre os sLditosA especialme%te as relati2as K propriedade8 .prio do EstadoH "i2ro (A cap< /(((:< São dois os atributos da sobera%ia8 o caráter absoluto e a perpetui dade< B sig%ificado de HperpetuidadeH é .traordi%ário< /oltaremos adia%te 2árias 2eFes ao co%ceito de ditaduraJ limito me a4ui a chamar ate%ção para a figura da Hditadura de comissa riadoHA 4ue um dos maiores estudiosos daditadura em difere%tes épocasA Sarl SchmittA disti%gue da Hditadura re2olucio%áriaH< Por Hcaráter absolutoH se e%te%de 4ue o poder sobera%o de2e ser 8legi us solutus8/ Quer diFer8 %ão de2e precisar obedecer Ks leisA isto éA Ks leis positi2asA promulgadas pelos seus predecessores e por ele pr.rmula 8re.

poderá tomar os be%s alheios se ti2er moti2o #usto e raFoá2el8 media%te compraA troca ou co%fisco leg)timoJ ou para a sal2ação do Estado<<< Não ha2e%do as raFIes me%cio%adasA o rei %ão poderá apropriar se da propriedade alheiaA dispo%do da mesma sem o co%se%time%to do proprietárioH< +es%ecessário salie%tar a importM%cia desta Lltima limitação ao poder HabsolutoH do Estado8 ser2e para demo%strar 4ue a sociedade co%side rada por Bodi% se di2ide em uma esfera pLblica e uma esfera pri2ada< Que além do Estado e.Bodi% '7 HSe o pr)%cipe sobera%o %ão tem o poder de ultrapassar os limites das leis %aturaisA estabelecidas por +eus de 4ue ele é uma imagem s.plica 4ue para adotar defi%içIes 2álidas %ão podemos le2ar em co%ta Hfatores acide% taisHA mas some%te Hdifere%ças esse%ciais e formaisH< Em sumaA a classificação dos Estados com base em 4ualidades e defeitos le2aria a uma casu)stica tão ampla 4ue impossibilitaria 4ual4uer te%tati2a de orde%ação . há tr1s regimes ou formas de Estado8 mo%ar4uiaA aristocracia e democracia< Oá dissemos 4ue a mo%ar4uia é o Estado o%de há um s.istiu a sétima formaA 4ue algu%s escritores a%tigos e moder%os 9e%tre estes Lltimos cita 3a4uia2el: ide%tificaram erro%eame%te com o go2er%o misto< No 4ue co%cer%e K disti%ção e%tre formas boas e másA o pri%cipal argume%to de Bodi% é o de 4ue se ti2éssemos 4ue disti%guir as co%stituiçIes com base %os defeitos 4ue aprese%tamA e suas 4ualidadesA o %Lmero de categorias resulta%te seria i%fi%ito< Precisa%do seu pe%same%to e.iste a sociedade ci2ilA com suas relaçIes eco%UmicasA 4ue te%dem de modo perma%e%te a escapar do poder do Estado< $ disti%ção e%tre a sociedade das pessoas p%2adasA regulada pelo direito pri2ado 9um direito 4ue se aplica a iguais:A e a sociedade pol)ticaA regulada pelo direito pLblico 94ue se aplica a desiguais: acompa%ha a formação do Estado moder%o< Não é em absoluto uma i%2e%ção de 6egelA como se ou2e fre4Re%teme%te< +eti2e me %a defi%ição da sobera%ia de Bodi% por4ueA como 2eremos em bre2eA ele disti%gue o t)tulo da sobera%ia do seu e.clu)do da sobera%iaJ democraciaA ou regime popularA é a4uele em 4ue todo o po2o ou sua maioria reu%ida em assembléia V tem o poder sobera%oJ %a aristocraciaA uma mi%oriaA reu%ida %um .)tat> são tr1s as tr1s formas clássicas8 mo%ar4uiaA aristocracia e democracia< H$firmamos 4ue s.rgão decis. sobera%oA esta%do o po2o e.rioA tem o poder sobera%o e legisla para o resta%te do po2o V ta%to de modo geral como para os i%di2)duos em particular<H "ogo depois de e%u%ciar essa classificaçãoA Bodi% se apressa a diFer 4ue as formas de Estado são some%te tr1s por4ue a disti%ção e%tre formas boas e más %ão tem %e%hum fu%dame%to e por4ue %u%ca e.erc)cioA disti%ção 4ue tem i%cid1%cia %a teoria das formas de go2er%o< Peprese%ta mesmo o aspecto mais origi%al da teoria bodi%ia%a das formas de go2er%o< !o%trasta também com a tradição sua refi%açãoA aprese%tada logo ao começar o tratame%to do tema 9assu%to do "i2ro ((:A de duas teses clássicas V a da duplicação das co%stituiçIes 9em boas e más: e a do go2er%o misto< Para Bodi%A as formas do Estado .

prio autor8 HNa realidade %ão se pode se4uer imagi%ar como se poderia reu%ir a mo%ar4uiaA a aristocracia e a democracia< Se a sobera%ia éA como demo%stramosA i%di2is)2elA como di2idi la e%tre um pr)%cipeA se%horesA e o po2oY $ primeira prerrogati2a da sobera%ia é a de legislar para os sLditos< BraA como poderiam os sLditos obedecerA se ti2essem também o poder de faFer leisY Quem poderia legislarA se fosse obrigado ao mesmo tempo a obedecer Ks leisY Não se pode dei.prio dos go2er%a%tes< Não ti%ham simplesme%te faladoA de modo geralA das 4ualidades e defeitos das co%stituiçIes8 procuraram ide%tificar certas difere%ças fu%dame%taisA 4ue pudessem #ustificar uma disti%ção baseada em eleme%tos %ão acide%tais< $liásA o pr.rgãoA ora a um outroA o Estado sofrerá co%ti%uame%te o efeito de co%flitos 4ue 2ão dilacerá loA mi%a%do lhe a segura%ça< Em 2eF de gara%tir maior estabilidadeA a misturaA %o casoA é a causa pri%cipal da i%stabilidade8 HSe se atribu)sse a sobera%ia um dia ao mo%arcaA o dia segui%te a uma mi%oriaA outro dia a todo o po2o V em sumaA se a sobera%ia fosse co%cedida em rod)Fio<<< mesmo %esse caso %ão ter)amos se%ão tr1s .ar de co%cluir 4ueA se %i%guém possuir o poder e.clui%do lhe toda possibilidade de ci1%cia ge%u)%aH< Na 2erdadeA o argume%to é um ta%to especioso8 de fatoA os a%tigos ti%ham i%troduFido a disti%ção e%tre formas boas e más com base em critérios bem precisosA como o da força e do co%se%time%toA ou o do i%teresse comum e do i%teresse pr.clusi2o de promulgar leisA e esse poder cabe a todosA o regime do Estado é o democráticoH< Procuremos e%te%der o racioc)%io de Bodi%< B poder sobera%o co%siste emi%e%teme%te %a capacidade de faFer leisA isto éA de estabelecer as %ormas gerais 4ue i%teressam a toda a comu%idade< +as duas uma8 ou o po2o %ão tem o poder de legislarA e o Estado %ão é misto 9será aristocráticoA se esse poder perte%cer ao se%adoJ mo%ár4uicoA se perte% cer ao rei:J ou e%tão o poder perte%ce ao po2o e o Estado é democrático< $ afirmati2a importa%teA %a passagem citadaA é a de 4ue além dos atributos 4ue #á co%sideramos V a perpetuidade e o caráter absoluto VA a sobera%ia é também i%di2is)2el< B sobera%o se#a um mo%arca ou uma assembléia ou tem todo o poderA ou %ão tem poder< Qua%do o poder está di2ididoA o Estado perde u%idadeA e com ela a estabilidade< Bu o Estado é u%o ou %ão chega a ser um Estado< !omo se 21A a raFão pela 4ual Bodi% critica o Estado mistoA o Estado di2ididoA é oposta K4uela 4ue seus defe%sores aprese%tam para pro2ar 4ue é superior Ks outras formas< Se o Estado é 2erdadeirame%te mistoA se de fato o poder sobera%o perte%ce ora a um .'5 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o sistemáticaA faFe%do o i%2estigador recair H%um labiri%to sem fimA e.prio Bodi%A co%tradiFe%do seA 2oltará a i%troduFir a disti%ção tradicio%al e%tre o bom go2er%o e o mau ao falar das formas de go2er%o 94ue disti%gueA como se disseA das formas de Estado:< No 4ue se refere K teoria do go2er%o mistoA o argume%to pri%cipal 94ue me parece %ão me%os especioso: é o segui%te8 HBs poderes realA aristocrático e popularA em co%#u%toA s. t1m um resultado8 a democra ciaH< Essa afirmati2a soa %o2a e estra%haJ 2ale a pe%aA assimA ou2ir a e.plicação 4ue dá o pr.

pulsa da porta da fre%te pela cr)tica ao co%ceito de go2er%o mistoA 2olta pela#a%elaA atra2és da disti%ção e%tre HEstadoH e Hgo2er%oH< .ami%aremos agora mais detidame%te< Para a%tecipar a co%clusãoA creio 4ue se pode afirmar 4ue o reco%hecime%to de 4ue há Estados compostos ressurgeA %a a%álise 4ue Bodi% faF dos Estados hist.emploA a um mo%arcaA 4ua%do se trata de uma mo%ar4uia: e o seu e.istem mais do 4ue tr1s formas de EstadoA 4ue %ão dei.ricosA com a disti%ção e%tre o t)tulo de sobera%ia 94ue pode perte%cerA por e.ami%armos com cuidado sua co%stituiçãoA em profu%didade e %ão ape%as em termos formaisA 2eremos 4ue esses Estados %ão são de fato mistosA por4ue %eles uma das partes compo%e%tes pre2aleceu sempre sobre as outras< Se %ão fosse assimA eles se teriam precipitado bem cedo %um co%flito destruti2o da sua u%idadeA e de sua pr.Bodi% '' regimes #ustapostosA 4ue C%ão poderiam ter 2ida lo%gaCA como uma fam)lia mal orga%iFadaA o%de mulher e marido dessem orde%s em rod)FioA cabe%do depois a chefia da casa aos criadosH< Poder se ia ob#etarA co%tudoA 4ue os Estados co%siderados como mistos pelos a%tigos e pelos moder%os duraram mais do 4ue os outros< $ resposta de Bodi% a esta ob#eção é muito clara8 se e.emploA a uma assembléia aristocrática ou popular< Em co%se4R1%ciaA um Estado pode ser mo%ár4uico aristocráticoA ou mo%ár4uico democrá ticoA sem ser um Estado misto< No mome%to em 4ue Bodi% se propIe a falar da forma mo%ár4uicaA disti%gui%do suas 2árias modalidades hist.pria %atureFa de Estado< Bodi% acompa%ha a afirmati2a de pri%c)pio com uma cr)tica sutil Ks a%tigas co%stituiçIes de Esparta e de Poma 4ueA como #á 2imosA eram co%sideradas modelos do Estado mistoJ e acresce%ta a cr)tica dos escritores moder%osA 4ue i%terpretaram como Estado misto a repLblica de /e%eFa< Para Bodi%A a repLblica de Poma é democráticaJ /e%eFaA aristocrática< Pepete i%siste% teme%te 4ue o Estado di2idido é péssimo< /e#amos esta citaçãoA a prop.cel1%cia para ele %ão passa de uma Hcorruptela de EstadoH< Por outro ladoA o Estado 4ue para os autores criticados é i%dese#á2el V Hpest)feroHA para usar o ep)teto de 3a4uia2el V é para Bodi%A pelo co%trárioA o H2erdadeiroH Estado< Na 2erdade esse co%traste é me%os profu%do do 4ue a leitura das passage%s reproduFidas le2a a crerA desde 4ue se co%sidere a disti%ção e%tre formas de HEstadoH e de Hgo2er%oH assu%to 4ue e.ri casA e%u%cia essa disti%ção e%tre Estado e go2er%oA a 4ue atribui tal importM%cia 4ue co%sidera Hum segredo de Estado 4ue ai%da %ão foi passado a %i%guémH< !omo se 2erá %o trecho segui%teA a %oção do Estado compostoA e.sito do rei%o da +i%amarca8 HPode se diFerA segurame%teA 4ue o rei e a %obreFa da +i%amarca di2idem e%tre si a sobera%iaJ mas é preciso acresce%tar 4ue C#ustame%te por isso %ão há paF %a4uele Estado<<<A uma corruptela de EstadoA e %ão um Estado ge%u)%oC< +e fatoA diFia com raFão 6er.doto 4ue %ão e.rdias e a tempestade das guerras ci2is até 4ue o poder se co%ce%tre %as mãos de um dos co%te%doresH 91%fase acresce%tada:< Não se poderia imagi%ar co%traste mais profu%do do 4ue o e.iste%te e%tre Bodi% e os defe%sores do Estado misto8 a forma 4ue para u%s é o Estado por e.am de ser agitadas pelo 2e%to das disc.erc)cioA 4ue o rei pode delegarA por e.

. pessoaA teremos tr1s outras formas8 mo%ar4uia mo%ár4uicaA aristocracia mo%ár4uica e democracia mo%ár4uica< $ssimA co%#uga%do formas de Estado e de go2er%oA o total das co%stituiçIes poss)2eis chega a %o2e< $ disti%ção e%tre Estado e go2er%o será retomada dois séculos mais tarde por PousseauA %o Contrato 1ocial.100 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o HB regime pode ser mo%ár4uicoA mas ter go2er%o democráticoA se o pr)%cipe permite 4ue todos participem das assembléiasA das magistratu rasA dos cargos pLblicosA das recompe%sasA sem le2ar em co%ta a %obreFaA a ri4ueFa ou os méritos de cada um< Por outro ladoA o regime pode ser mo%ár4uico e o go2er%o aristocráticoA se o pr)%cipe s.ecuti2o V o e. com uma difere%ça8 para PousseauA a sobera%ia reside u%icame%te %o po2oA %o corpo coleti2o 4ue e.erc)cio do poder V se#a atribu)do a uma s. o regime desse Estado é democráticoA mas também seu go2er%oH< Que se pode deduFir da disti%ção e%tre Estado e go2er%oY *ma tipologia das co%stituiçIes muito mais rica do 4ue a 4ue Bodi% ti%ha dei. aos %obres como em PomaA até a lei ca%uléia A teremos uma democracia com o go2er%o aristocrático< Se o poder está %as mãos da %obreFaA ou dos ricosA 4ue co%stituem uma mi%oriaA e os cargosA ho%rarias e be%ef)cios são co%feridos pelos se%hores i%difere%teme%te aos cidadãos pobres e humildes como aos ricosA sem pri2ilégios especiais para %i%guémA teremos uma aristocracia de go2er%o democrático< 3ais ai%da se a sobera%ia i%cumbe a todo o po2oA ou K maioriaA e os cargos e be%ef)cios são distribu)dos a todos sem 4uais4uer pri2ilégios reparti%do se os cargos por todos os cidadãos media%te sorteio podemos afirmar 4ue %ão s.ado suporA ao propor i%icialme%te uma di2isão tr)plice das co%sti tuiçIes simples< Nas passage%s reproduFidas podemos 2er 4ue as co%stituiçIes %ão são ape%as tr1sA porém seis8 mo%ar4uia aristocráticaA mo%ar4uia democráticaA aristocracia aristocráticaA aristocracia democrá ticaA democracia aristocrática e democracia democrática< Se co%siderar mos também 4ue pode ha2er uma forma de go2er%o mo%ár4uica o%de o e.erc)cio do poder é co%ferido a uma s. co%fere poderes e be%ef)cios aos %obresA aos mais ricos ou aos 4ue mais os merecem< $ssim também uma aristocracia pode ter go2er%o democráticoA se ho%ras e recompe%sas são distribu)das igualme%te por todos os sLditosJ e go2er%o aristocráticoA se s.teles e%tre o regime de um Estado e seu go2er%o8 HSe a maioria dos cidadãos é sobera%aA mas o po2o co%cede cargos ho%or)ficosA pri2ilégios e be%ef)cios s.prime a 2o%tade geralJ porta%toA para ele há s. uma forma de Estado8 a 4ue se fu%dame%ta %a sobera%ia popularA e 4ue chama de HrepLblicaH< 3as a repLblica popular pode ser go2er%ada de tr1s modos difere%tesA co%for me o poder e. são distribu)das aos %obres ou aos ricos< Essa 2ariedade de formas de go2er%o tem i%duFido algu%s a erroA ie2a%do os a postular formas mistas de EstadoCA sem perceber 4ue o go2er%o de um Estado é coisa bem difere%te da sua admi%istração e do modo de go2er%á loH 91%fase acresce%tada:< Nesse trecho Bodi% %ão me%cio%a a difere%ça e%tre regime e go2er%oA %o 4ue diF respeito K democraciaA assu%to ao 4ual se refere %o cap)tulo /(( do "i2ro ((A dedicado K democracia< ?ambém ai lame%ta a co%fusão feita por $rist.

clusi2ame%te ao po2o:A mas %o do poder e.rgãos 4ue represe%tam pri%c)pios co%stitucio%ais di2ersos8 ora o mo%ár4uicoA ora o aristocráticoA ora o democrático< Bs te. o (( do "i2ro ((:< $ sobera%ia ou é L%ica ou %ão e.Contrato 1ocial.ricos do go2er%o misto suste%tam 4ue se trata de uma di2isão do poder sobera%o em partes disti%tasA cada uma das 4uais tem uma sobera%ia limitada< Bodi%A ao co%trárioA suste%ta 4ue se trata de um Estado em 4ue o go2er%oA ou poder e.ecuti2o obedeçam a pri%c)pio difere%te< !o%sidere se o e. magistradoA a um grupo de magistrados ou a todo o po2o8 HEm primeiro lugarA o corpo sobera%o pode co%fiar o e%cargo do go2er%o a todo o po2o ou K sua maior parteA de modo 4ue ha#a mais cidadãos magistrados do 4ue simples cidadãos< $ essa forma de go2er%o se dá o %ome de CdemocraciaC< Bu e%tãoA pode restri%gir o go2er%o %as mãos de uma mi%oriaA de modo 4ue ha#a mais cidadãos simples do 4ue cidadãos magistrados8 é a CaristocraciaC< Por fimA pode co%ce%trar todo o go2er%o %as mãos de um L%ico magistradoA do 4ual todos os demais recebem seu poder< Essa terceira forma é a mais comum8 a Cmo%ar4uiaCA ou go2er%o realH .iste< Pousseau critica 2igorosame%te os 4ue di2idem a sobera%ia e pe%sam poder depois reco%stituir sua u%idade< !ompara os sarcasticame%te aos charlatães orie%tais 4ue es4uarte#am uma cria%ça dia%te dos espectadores e la%çam ao ar seus membrosA um ap.rgãos colegiadosA de colegiados restritos e represe%tati2os da maioria do po2oJ isto éA de .ecuti2oA o 4ual pode ser co%fiado a um s.rgãos i%cumbidos do poder e.ecuti2oA é regulado %a base de um pri%c)pio difere%te da4uele 4ue fu%dame%ta o poder sobera%o V o 4ualA porta%toA co%ti%ua a residir %um .ricos do go2er%o mistoA a repLblica roma%a era um Estado cu#a sobera%ia esta2a di2idida e%tre os cU%sulesA o Se%ado e o po2oJ para .s o outroA para faF1 la em seguida ressurgir 2i2a e sã< $o co%trário de Bodi%A Pousseau %ão re#eita a categoria do go2er%o mistoA por4ue a i%terpreta %ão como di2isão do EstadoA mas sim do go2er%o< B fato de 4ue o go2er%o se#a di2idido %ão implica di2isão da sobera%ia 9ou do Estado:< Na 2erdadeA para Pousseau a di2isão dos poderes do go2er%o é tão %ormal 4ue de fato todos os go2er%os são mistos8 H%ão e.rgãos mo%ocráticos e de .gica de Pousseau é a mesma de Bodi%< Para Pousseau também uma das caracter)sticas da sobera%ia é a i%di2isibilidade 9assu%to do cap)tulo ad 2oc.rgão L%ico 9raFão por 4ue o Estado éA %a 2erdadeA simples:A embora os . "i2ro (((A cap< (((:< Embora a opção pol)tica de Pousseau se#a oposta K de Bodi%A pois o primeiro ide%tifica a sobera%ia cora a sobera%ia popular e o segu%do pe%sa 4ue ela pode residir ta%to %o po2o como %o pr)%cipe ou %a classe aristocrática 9e ao ma%ifestar sua prefer1%cia pessoal escolhe a mo%ar 4uia:A a l.istem go2er%os simplesH 9cap< /(( do "i2ro (((:< Essa bre2e refer1%cia a Pousseau %os permite esclarecer melhor a i%o2ação de 4ue Bodi% ta%to se orgulhaA e 4ue co%siste %a i%terpretação difere%te de fe%Ume%o tão fre4Re%te %as co%stituiçIes de todos os tempos a prese%ça simultM%ea de .emplo clássico da co%stituição da Poma republica%a8 para os te.Bodi% 101 pessoaA a poucos ou a muitos< Pousseau também %ão re#eita a classificação clássicaA tr)pliceA admiti%do a porém %ão %o %)2el do poder legislati2o 94ue perte%ce sempre e.

erc)cioA tem outra co%se4R1%cia rele2a%teA %o comple.rmulas podem ser empregadas para descre2er as tr1s formas de aristocracia e de democracia< Que sugerem essas defi%içIes do Estado leg)timoA desp.ecuti2os dessa 2o%tade sobera%a si%gular os cU%sules e o Se%ado< Em outras pala2rasA pode se diFer 4ue algu%s 21em %o Estado misto um e4uil)brio de poderes igualme%te sobera%osJ Bodi%A 4ue %ão cr1 %a possibilidade da coe.ercer o go2er%o %um Estado de regime democráticoH< B mesmo se pode diFer com respeito Ks tr1s formas de aristocracia e Ks tr1s formas de democracia< B pe%same%to de Bodi% tra%sparece muito clarame%te %a sua defi%ição das tr1s formas de mo%ar4uia8 H$ mo%ar4uia real ou leg)tima é a4uela em 4ue os sLditos obedecem Ks leis do reiA e o rei Ks leis da %atureFaA resta%do aos sLditos a liberdade %atural e a propriedade dos seus be%s< $ mo%ar4uia desp.sito das tr1s formas poss)2eis de mo%ar4uiaA Bodi% e.tica é a4uela em 4ue o pr)%cipe se asse%horeou de fato dos be%s e das pr.plica logo 4ue %ão se trata de Htr1s regimes difere%tesA mas s.tica e facciosa< $ democracia pode ser leg)timaA desp.tica e tirM%ica< $ prop.tica e tirM%ica< $ aristocracia pode ser leg)timaA desp.o da teoria bodi%ia%a sobre as formas de go2er%o< /imos 4ue esta disti%ção é Ltil para compree%der a realidade comple.tico e tirM%icoY $lgo muito simples8 4ue Bodi%A depois de ter re#eitado a disti%ção e%tre formas HretasH e formas corrompidas de EstadoA 2olta a i%troduFi la ao co%side rar o modo como o sobera%o se#a um pr)%cipeA um co%selho aristocrático ou uma assembléia popular V e.10& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o Bodi%A trata2a se de um Estado democráticoA o%de o poder sobera%o residia %o po2oA te%do como .a dos Estados sem recorrer K teoria do go2er%o mistoA 4ue Bodi% co%sidera uma simples ficção< /imos também 4ue Bodi% re#eitaA %as teorias tradicio%aisA %ão s.prias pessoas dos sLditosA pelo direito das armas e da guerra #ustaA go2er%a%do os como um chefe de fam)lia go2er%a seus escra2os< $ mo%ar4uia tirM%ica é a4uela em 4ue o mo%arca 2iola as leis da %atureFaA abusa dos cidadãos li2res e dos escra2osA dispo%do dos be%s dos sLditos como se lhe perte%cessemH< 3ais ou me%os as mesmas f. o co%ceito de go2er%o misto mas também o das formas corrompidas< Pois a disti%ção e%tre regime e go2er%o lhe permite compree%der 9e porta%to i%cluir %o seu sistema abra%ge%te: o fe%Ume%o das formas dege%eradasA 4ue represe% tam %ão um 2)cio da sobera%ia em si mesmaA mas do seu e.tica e a forma tirM%ica 4ue co%sidera se%ão uma corrupção das respecti2as formas Hleg)timasHY B 4ue mudaA %a classifi cação de Bodi%A %ão é a prese%ça ou aus1%cia das formas corrompidasA .ecuti2oA 4ue age em %ome e por co%ta do legislati2o< $ disti%ção e%tre HregimeH e Hgo2er%oHA e%tre o t)tulo da sobera%ia e seu e.erc)cio< Segu%do Bodi%A cada um dos tr1s regimes mo%ar4uiaA aristocracia e democracia V pode assumir tr1s formas difere%tes< $ mo%ar4uia pode ser realA desp.erce o poder< !om efeitoA 4ue são a forma desp.rgãos e.ist1%cia de poderes sobera%osA 21 um poder predomi%a%te 9o 2erdadeiro poder sobera%o: e outros poderes subordi%adosA 4ue co%stituem %ão o regime 9o Estado: mas o go2er%oJ %ão o poder legislati2oA 4ue fu%dame%ta todos os outrosA mas o poder e. do modo de e.

ticaA tema 4ue %ão é %o2o8 $rist.teles #á o ti%ha tratado< +e modo %ão difere%te do aristotélicoA Bodi% co%sidera como eleme%to caracter)s tico do despotismo a relação se%hor escra2o< +éspota é o 4ue go2er%a o po2o como um se%hor dirige seus escra2os< B 4ue mudaA com relação a $rist. $rist. age em fu%ção de 2a%tage%s particularesA ou por 2i%ga%çaA ou capricho<<< *m se compraF de ser 2isto e ou2ido diretame%te pelos sLditosJ o outro se oculta delesA como se fossem seus i%imigos< *m le2a muito em co%ta o amor do po2oA o outro dese#a ser temido<<< *m é 2e%erado e amado por todos os sLditosA o outro os odeia a todosA e é por todos odiado<<< *m é home%ageado em 2ida e chorado depois de mortoJ o outro é difamado e%4ua%to 2i2e eA depois de mortoA toma se sua mem.parte e.emplificação hist.emploH< $lém da mo%ar4uia leg)tima e da tirM%icaA Bodi% reco%hece a desp.iste e%tre mo%ar4uia real e mo%ar4uia tirM%ica< B rei é o mo%arca 4ue respeita as leis da %atureFaJ o tira%o é o 4ue %ão as respeita< 3asA %ão é a mesma difere%ça e%tre o rei e o tira%o da tradição clássicaY Que é o tira%oA %a defi%ição de Bodi%A se%ão o 8t4rannus e.teles %ão hesitara em falar em po2os %aturalme%te ser2isA segui%do sua teoria da difere%ça %atural e%tre se%hores e escra2osA co%cepção 4ue %ão se poderia mais suste%tar depois de séculos de cristia%ismo< $ #ustificação de Bodi% é difere%te8 %a passagem citada ele se refere ao déspota como a4uele 4ue se asse%horeou dos pr. natura.prios sLditos Hpelo direito das armas e da guerra #ustaH< 3ais adia%teA precisa seu pe%same%to8 HNão é i%admiss)2el 4ueA depois de 2e%cer seus i%imigos %uma guerra sa%ta e #ustaA um rei se apodere das suas pessoas e propriedadeA pelo direito de guerraA passa%do a go2er%ar os %o2os sLditos como um chefe de fam)lia dispIe dos seus escra2os e be%sA segui%do ple%ame%te seu arb)trioA %a 4ualidade de se%horH< !o%siderada como co%se4R1%cia da 2it.telesA é a #ustificação do poder desp.tico8 %a Política.ticasA de Bodi%A 4ue acresce%ta um cap)tulo 9o 4ual .ria como e.Bodi% 103 mas pura e simplesme%te sua i%terpretação< Pepito8 a corrupção %ão afeta o EstadoA mas o go2er%o< E. como a situação do prisio%eiroA 4ue é escra2o %ão por %atureFaA mas pelo crime 4ue cometeu< No Mmbito da tradição clássicaA resta a e.plicada como reparação de um mal cometido pelo i%imigo:A a escra2idão é #ustificadaA se%do co%siderada um castigo< Neste se%tidoA %ão é mais um fato da %atureFaA porém co%se4R1%cia do li2re arb)trio 9de uma 2o%tade máA 4ue 4uis o mal a guerra i%#usta e de2e sofrer as co%se4R1%cias dessa escolha:< Não deri2a e. mas e.ria %uma guerra #usta 9é preciso 4ue a guerra se#a H#ustaHA isto éA 4ue possa ser e.ercitii8 da tradiçãoY "eia se este trechoA de elo4R1%cia um pouco co%2e%cio%alA %o 4ual Bodi% co%trapIe o pr)%cipe bom ao mauA %uma se4R1%cia de a%t)teses8 H$ difere%ça mais %otá2el e%tre o rei e o tira%o é 4ue o rei se co%forma Ks leis da %atureFaA e o tira%o as 2iola< *m culti2a a piedadeA a #ustiçaA respeita a pala2ra empe%hadaJ o outro %ão reco%hece +eusA fé ou lei< B primeiro faF tudo o 4ue co%sidera Ltil para o bem comum e o cuidado dos sLditosJ o outro s.ami%emos por um mome%to a difere%ça 4ue e. delido.rica das mo%ar4uias desp.

ercido sobre eles por po2os 4ue %ão admitiriam um regime desp. o despotismo domésticoA mas oferece um argume%to para legitimar também o despo tismo e. defectu.emplo 4ue i%troduF um caso %o2oA e.te%são da categoria hist.tico da4uele pa)sA o%de os sLditos %ão possuem be%s se%ão em caráter pro2is.ticasCH 91%fase acresce%tada:< Não as toleraram mas as impuseramA 4ua%do isso lhes foi poss)2elA a po2os co%siderados i%feriores< Sem re2elar 4ual4uer embaraçoA Bodi% dá este outro e.tico em seu pr.pia é Huma aut1%tica mo%ar4uia desp.ist1%cia de po2os ser2is %ão #ustifica s.emplo do go2er%o espa%hol sobre o Peru %ão dei.a dL2idas a respeito da e.tica é se2era %o e.ticoA %ão há raFão para 4ue eles %ão se#am go2er%ados do mesmo modo por po2os 4ue co%siderariam ileg)timo um go2er%o desp.rica do despotismo aos regimes impostos aos po2os e.a de ser e.tra europeus< +e acordo com a tradiçãoA disti%gue se a mo%ar4uia desp.emplo8 H+epois de reduFir ao seu dom)%io o rei%o do PeruA o (mperador !arlos / se feF mo%arca desp. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o e%co%traremos reproduFido com poucas 2ariaçIes %os séculos segui%tes: sobre o tema do despotismo orie%tal< H$s mo%ar4uias desp.clusi2ame%te Horie%talHA para tor%ar se também Hocide%talHA toda 2eF 4ue as gra%des %açIes do Bcide%te e%tram em co%tato com po2os de outros co%ti%e%tesA co%siderados i%feriores< Em outras pala2rasA a e.istir são muito poucas<<<A co%tudoA há sempre um certo %Lmero delasA %a _siaA %a Eti.10. tituli>/ /ale a pe%a ler este trechoA pela clareFa com 4ue o problema é aprese%tado8 HEmbora se#a em parte 2erdade 4ue tra%sformar home%s li2res em escra2os e apoderar se da propriedade alheia é agir co%tra a lei da %atureFaA é também 2erdade 4ueA pelo co%se%so de todos os po2osA o 4ue foi co%4uistado %uma guerra leg)tima passa a ser propriedade do 2e%cedorA e os 2e%cidos se tra%sformam em seus escra2osJ %ão se pode .tico para si mesmos< $ partir da época das co%4uistas colo%iaisA o despotismo %ão se caracteriFa mais ape%as como um regime HdosH po2os %ão europeusA mas é também legitimado como regime HsobreH po2os %ão europeusA por parte dos po2os da Europa< Se é 2erdade 4ue há po2os habituados ao go2er%o desp.pia e mesmo %a Europa V por e.ticaHA acresce%ta8 HBs po2os europeusA de outro ladoA mais alti2os e belicosos do 4ue os africa%osA C%u%ca puderam tolerar mo%ar4uias desp.ticas 4ue co%ti%uam a e.tica da tira%iaA a primeira das 4uais é co%siderada superior K segu%da< Essa superioridade co%siste %o fato de 4ue a mo%ar4uia desp.tremame%te i%teressa%teA %a fe%ome%ologia do despotismo8 o despotismo colo%ialA relacio%ado com o 2)%culo e%tre europeus Hli2resH e po2os Hser2isH< Bbser2e se 4ue o despotismo dei.emploA o pa)s dos tártarosA e 3oscou<H +epois de come%tar 4ue o rei%o da Eti.prio pa)sJ Bodi% %ão dese%2ol2e esse argume%toA mas o e.erc)cio do poderA mas tem uma #ustificati2aA e porta%to é em Lltima i%stM%cia leg)timaJ a tira%iaA porémA além de se2era é ileg)tima 9a comparação é feitaA %aturalme%teA e%tre o despotismo e a tira%ia e.rioA pela duração da sua 2idaH< E.

tica é mais duradoura do 4ue as outras reside %o fato de 4ue é mais respeitá2elA e 4ue os sLditos depe%dem i%teirame%te %o 4ue co%cer%e a sua 2idaA liberdade e propriedade do sobera%o 4ue os co%4uistou com #usto t)tuloA o 4ue reduF completame%te sua ousadiaJ é o 4ue aco%tece também com o escra2oA cU%scio da sua co%diçãoA 4ue se tor%a geralme%te humildeA 2ilA de M%imo ser2ilA como se costuma diFer< +e outro lado 4ua%do se te%ta submeter home%s li2resA do%os de seus be%sA usurpa%do o 4ue lhes perte%ceA eles logo se rebelamA por4ue t1m o esp)rito ge%erosoA %utrido de liberdade e %ão abastardado pela ser2idãoH< !omo se 21A além do escra2o por generationem há também o escra2o por institutionem isto éA o escra2o 4ue %ão %asce %essa co%diçãoA mas a ad4uireA por4ue a escra2idão lhe é impostaJ ele tem 4ue adaptar seA e a#usta%do se ao dom)%io do se%hor dá lhe força e estabilidade< .plicada %a passagem segui%te8 HB moti2o por 4ue a mo%ar4uia desp.tico com o tirM%icoA chegaremos a afirmar 4ue %ão há difere%ça e%tre o i%imigo leg)timoA %a guerraA e um ladrão e%tre o pr)%cipe leg)timo e o ba%didoA a guerra legalme%te declarada e a força ilegal e 2iole%taH< $ difere%ça %as causas está refletida %os efeitos< E%4ua%to o des potismo é está2elA a tira%ia é ef1mera< $ raFão dessa difere%ça é e.Bodi% 10diFerA porta%toA 4ue o poder co%4uistado desse modo correspo%da a uma tira%iaH< E este outro8 H+e modo mais geral pode se diFer 4ueA se 4uisermos ide%tificar o regime desp.

ist1%ciaA mas afirma 9#usta me%te: 4ue %ão se trata de leis como as positi2asA por4ue %ão são aplicadas com a força de um poder comumJ por isso %ão são e.al afirmar 4ue o poder sobera%o de 6obbes é ai%da mais absoluto do 4ue o de Bodi%< !omo 2imosA Bodi% co%sidera 4ue o poder do sobera%oA embora absoluto 9%o se%tido de 4ue %ão está limitado pelas leis positi2as:A admite certos limites 9fora das leis co%stitucio%ais:8 a obser2M%cia das leis %aturais e di2i%as e os direitos pri2ados< +ia%te porém do poder sobera%o absoluto co%cebido por 6obbesA esses limites %ão se suste%tam< No 4ue co%cer%e Ks leis %aturais e di2i%asA 6obbes %ão %ega sua e.!ap)tulo /((( 6BBBES 6obbes é o maior fil.sofo pol)tico da (dade 3oder%aA até 6egel< Escre2eu muitas obras pol)ticas de importM%cia capital para a compree% são do Estado moder%oA se%do as pri%cipais T2e "lements ofLaN &atural and Politic 910.ter%ame%te obrigat.7: e Le(iat2an 910-1:< No 4ue respeita Ks teses 4ue %os i%teressamA liga se diretame%te a Bodi%A mas as defe%de com maior rigorA ta%to 4ue depois dele %i%guém mais pUde defe%der as teses tradicio%ais sem le2ar em co%ta os argume%tos com 4ue procurou re#eitá las< !omo Bodi%A 6obbes %ão aceita duas das teses 4ue caracteriFaram dura%te séculos a teoria das formas de go2er%o8 a disti%ção e%tre as formas boas e más e o go2er%o misto< Nos dois casos a refutação deri2aA com l.0:A De Ci(e 910. i%teriorme%te isto éA %o %)2el da co%sci1%cia< Em outras pala2rasA o 2)%culo 4ue os sLditos t1m com relação Ks leis positi2as .riasA mas s.& e 10.gica férreaA dos dois atributos fu%dame%tais da sobera%ia8 seu caráter absoluto e a i%di2isibilidade< !o%forme 2eremos adia%teA do caráter absoluto deri2a a cr)tica K disti%ção e%tre formas boas e másJ da i%di2isibilidadeA a cr)tica ao go2er%o misto< Para 6obbes tambémA como para Bodi%A o poder sobera%o é absoluto< Se %ão fosse absolutoA %ão seria sobera%o8 sobera%ia e caráter absoluto são unum et idem/ Embora se possa diFer 4ue HabsolutoH %ão comporta superlati2oA %ão chega a ser parado.

am o estado da %atureFa para i%gressar %a esfera do Estado é 4ue o primeiroA %ão regulado por leis impostas por um poder comumA se resol2e %uma situação de co%flito perma%e%te 9o famoso 8 ellum omnium contra omnes8>/ E%4ua%to para Bodi% a proprie dadeA como direito de goFar e dispor de uma coisaA K e. o Estado pode gara%tirA com sua forçaA superior K força co%#u%ta de todos os i%di2)duosA 4ue o 4ue é meu me perte%ça e.rio< !omo se podeA e%tãoA disti%guir o bom sobera%o do mauA se o L%ico critério 4ue permitiria tal difere%ciação %ão se suste%taY !o%2ém dar a pala2ra ao pr.posição é i%superá2el8 HBs a%tigos escritores pol)ticos aprese%taram outras tr1s formasA 4ue .isteA %o EstadoA media%te a tutela estatalJ %o estado de %atureFa os i%di2)duos teriam um ius in omnia um direito sobre todas as coisasA o 4ue 4uer diFer 4ue %ão teriam direito a %adaA #á 4ue se todos t1m direito a tudoA 4ual4uer coisa perte%ce ao mesmo tempo a mim e a ti< S. se %ão é ati%gido por %e%huma lei superior a si pr.prio 6obbesA cu#a clareFa de e.105 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o %ão é da mesma %atureFa do 4ue pre%de o sobera%o Ks leis %aturais< Se o sLdito %ão obser2ar as leis positi2asA poderá ser obrigado a isso pela força do poder sobera%oJ mas se o sobera%o %ão obser2ar as leis %aturaisA %i%guém poderá co%stra%g1 lo K sua obedi1%ciaJ %i%guém poderá pu%i lo 9pelo me%os %este mu%do:< Em co%se4R1%ciaA e%4ua%to as leis positi2as co%stituem para os sLditos coma%dos 4ue precisam ser obedecidos absolutame%teA as leis %aturais sãoA para o sobera%oA ape%as regras de prud1%ciaA sugeri%do lhe um determi%ado tipo de co%dutaA para alca%çar um certo fimJ %ão lhe impIem %ecessariame%te um comportame%to determi%ado< B sobera%o é #uiF da co%duta do seu sLditoA mas a co%duta do sobera%o é Oulgada por ele pr.clusão de todas as outras pessoasA é um direito 4ue se forma primeirame%te %uma esfera de relaçIes pri2adasA i%depe%de%teme%te do EstadoA para 6obbes o direito de propriedade s. e.prio co%ceito de abuso se tor%a co%tradit.prio< No 4ue diF respeito aos direitos pri2adosA Bodi% suste%ta 4ue o sobera%o %ão pode i%terferir %elesA por4ue t1m sua fo%te pri%cipal %a 2o%tade dos i%di2)duos e%4ua%to membros da sociedade das relaçIes eco%UmicasA 4ue i%depe%de da sociedade pol)tica< 6obbes %ega essa disti%ção e%tre a esfera pLblica e a pri2adaJ uma 2eF i%stitu)do o EstadoA a esfera pri2adaA 4ue em 6obbes coi%cide com o estado %a %atureFaA se dissol2e i%teirame%te %a esfera pLblicaA isto éA %as relaçIes de dom)%io 4ue ligam o sobera%o aos sLditos< !om efeitoA a raFão pela 4ual os i%di2)duos dei.clusi2ame%teA assegura%do assim o sistema de propriedade i%di2idual< +o caráter absoluto do poder estatal deri2aA como se disseA a re#eição da disti%ção e%tre formas boas e más de go2er%o< B racioc)%io de 6obbesA %este particularA é preme%te8 a4uela disti%ção %asce da difere%ça e%tre os sobera%os 4ue e.prioA como é poss)2el disti%guir o 4ue respeita as leis do 4ue %ão as respeitaY Em outras pala2ras8 o mau sobera%o é o 4ue abusa do poder 4ue lhe é co%fiado< !o%tudoA tem se%tido falar em abuso do poder o%de o poder é ilimitadoY Qua%do o poder %ão tem limitesA o pr.ercem o poder de acordo com as leis e os 4ue go2er%am sem respeitá las< 3asA se o sobera%o é 2erdadeirame%te 8legi us solutus8.

/((A 3:< Nessa passagemA 6obbes e. i%dicar com %omes as coisas mas de ma%ifestar os se%time%tos a seu respeito o amorA o .plica 9depois de reafirmar 4ue a disti%ção e%tre rei e tira%o é passio%alA %ão racio%al: 4ueA se o sobera%o tem o poder supremoA %ão pode ha2er %e%huma difere%ça e%tre um sobera%o e outroA com respeito K amplitude maior ou me%or do seu poder< Se o rei ti2esse poder limitadoA comparati2ame%te ao tira%oA %ão seria de fato reiJ se seu poder é ilimitadoA %ão se percebe como diferiria do 4ue tem o tira%o< *ma 2eF maisA o tira%o é um rei 4ue %ão apro2amosJ o reiA um tira%o 4ue tem %ossa apro2ação< $ figura do tira%o 4ue 6obbes tem em me%teA %este po%toA é a do tira%o e.ãoA %ão da raFão< B moti2o por 4ue %ão há um meio ob#eti2o 4ue le2e K disti%ção e%tre o rei e o tira%o é elucidado limpida me%te %este trecho8 H$s pai.De Ci(e.cessi2o< !o%ti%ua%doA chega se logo a essa outra forma de tira%iaA e.De Ci(e.dioA a iraA etc< Por issoA o 4ue um chama de aristocraciaA o outro de%omi%a oligar4uiaJ um dá o t)tulo de tira%o K4uele a 4uem um outro chama de rei< +este modoA %ão se desig%a com tais %omes difere%tes formas de EstadoA mas ape%as as opi%iIes 4ue t1m os cidadãos a respeito da pessoa dos go2er%a%tesH .parte e. defectu tituli% HEm segu%do lugarA rei e tira%o %ão diferem pelo modo como ad4uirem seu poder< +e fatoA se %um Estado democrático ou aristocrático .ercitii% é como se dissesse 4ue 4ua%do o poder %ão tem limites 9se os ti2esseA %ão seria poder sobera%o: %ão tem se%tido falar de He. i%di2)duoA em lugar de muitosA pe%sam 4ue %ão será bem go2er%ado se %ão o for de acordo com seu #ulgame%to< !o%tudoA a disti%ção e%tre o rei e o tira%o de2e ser procurada com o racioc)%ioA %ão com os se%time%tos< Eles %ão se disti%guem pela amplitude do poderA #á 4ue %ão se pode co%ceder um poder mais amplo do 4ue o sobera%o< Não se difere%ciam também por ter o primeiro uma autoridade limitadaA e o segu%do %ão8 se a autoridade é co%cedida com certos limitesA 4uem a recebe %ão é reiA mas sLdito de 4uem a outorgaH .cesso de poderHJ porta%toA %ão tem se%tido também falar em uma figura de sobera%o caracteriFada #ustame%te pelo poder e.6obbes 10' se opIem a estas 9e%te%de se8 as tr1s formas clássicas mo%ar4uiaA aristocracia e democracia:8 a a%ar4uia 9ou se#aA a co%fusão:A co%trasta%do com a democraciaJ a oligar4uia 9o poder e. /((A &:< Nessa passagemA 6obbes faF uma asserti2a filos.fica importa%te8 %ão há %e%hum critério ob#eti2o para disti%guir o bom rei do tira%oA etc< Bs #ulgame%tos de 2alor V isto éA os #ulgame%tos %a base dos 4uais diFemos 4ue uma coisa é boa ou má V são sub#eti2osA depe%dem da Hopi%iãoH< B 4ue parece bom a u%s a outros parecerá mau8 isso aco%tece por4ue %ão há critério racio%al 4ue permita difere%ciar o bem do mal< ?odos os critérios deri2am da pai.Ies %ão permitem 4ue os home%s se#am persuadidos facilme%te de 4ue o rei%o e a tira%ia são a mesma forma de Estado< 3esmo 4ue prefiram 4ue o Estado este#a su#eito a um s.cessi2o de u%s poucos:A em oposição K aristocraciaJ e a tira%iaA co%traposta K mo%ar4uia< Estas %ão sãoA co%tudoA tr1s formas de Estado difere%tes das primeirasA mas ape%as tr1s de%omi%açIes difere%tesA dadas K4uelas por 4uem odia2a o respec ti2o go2er%oA ou os go2er%a%tes< !om efeitoA os home%s t1m o hábito de %ão s.

e%tre o rei%o e a tira%iaA mas também e%tre a mo%ar4uia tirM%ica e a desp.tica< !omo se situa a mo%ar4uia desp.logos e #uristas para estabelecer a priori os moti2os de #ustificação das guerrasA e%4ua%to duramA elas são sempre #ustas para os dois lados< B 4ue determi%a a #ustiça da guerra é a 2it.pria< !o%forme se 2iuA Bodi% ti%ha traçado a disti%ção %ão s.riaA precisa%do co%tudo 4ue de2ia tratar se de uma Hguerra #ustaH< Embora a omissão pareça gra2eA a um e.ria pela guerra é o 4ue algu%s autores chamam de desp.prio poderA e passa a ser um pr)%cipe como os outrosA ou %ão o legitimaA e %ão é um pr)%cipeA porém um i%imigo< $ difere%ça 4ue se pode estabelecer %ão é e%tre pr)%cipe bom e mauA mas e%tre pr)%cipe e %ão pr)%cipe< Não me deterei a4ui %a legitimação post factum 9 o 4ue os #uristas chamariam ho#e de Hpri%c)pio da efeti2idadeH por4ue teremos ocasião de falar sobre o assu%to em outras liçIes< Bastará come%tar 4ue se %ão aceitássemos o pri%c)pio da efeti2idadeA %e%hum poder seria leg)timoA em Lltima i%stM%cia8 tem se um mo2ime%to co%t)%uoA remo%ta%do cada poder leg)timo a outro poder leg)timo 4ue o precedeA mas se chegará forçosame%te a um po%to em 4ue topamos com um poder 4ueA como $tlasA %ão tem %e%hum po%to de apoio além de si mesmoA ou se#aA da sua capacidade pr. do seu po%to de 2ista realista mas também do po%to de 2ista da doutri%a geral da guerra #usta< Na 2erdadeA como disti%guir a guerra #usta da i%#ustaY Não obsta%te as te%tati2as de te.De Ci(e.110 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o um cidadão co%4uista o poder pela forçaA tor%a se um rei leg)timo desde 4ue se#a reco%hecido pelos cidadãosJ em caso co%trárioA perma%ece um i%imigoA e %ão se tra%sforma em tira%oH .tica %o sistema de 6obbesY E%co%traremos a resposta %uma passagemA como sempre muito claraA do cap< 77 do CC B dom)%io ad4uirido com a co%4uista ou com a 2it.ria merece um bre2e come%tário< Bodi% ti%ha também relacio%ado o despotismo com a co%4uista e a 2it. 4ue sig%ifica se%hor ou patrão< = o dom)%io 4ue tem o patrão sobre o ser2oH< Não há %ada a diFer a respeito da defi%ição de despotismo8 por HdespotismoH todos os autores i%dicam a4uela forma de dom)%io em 4ue o poder do pr)%cipe sobre seus sLditos tem a mesma %atureFa do poder do se%hor sobre seus escra2os< !o%tudoA a ide%tificação do despotismo com o dom)%io obtido atra2és da co%4uista e da 2it. /((A 3:< $4ui também o racioc)%io de 6obbes é dilemático8 ou o pr)%cipe 4ue co%4uista o Estado pela força 94ue a teoria tradicio%al chamaria de tira%o por falta de t)tulo: co%segue ma%ter se %o poderA assegura%do o reco%he cime%to dos sLditos V caso em 4ue se tor%a um pr)%cipe leg)timo ou %ão ma%tém o poderA por4ue os sLditos lhe são hostis e e%tão é um i%imigo< Será des%ecessário subli%har a importM%cia dessa afirmati2a8 ela reside %o e%u%ciado do pri%c)pio de 4ue ou o pr)%cipe legitima 9ai%da 4ue post factum> o pr.ria8 4ua%do falta um tribu%al superior Ks partesA 4ue possa decidir em fa2or de 4uem tem raFãoA esta cabe ao 2itorioso< Nos tempos de Bodi% e de 6obbes compara2a se a guerra e%tre os Estados ao duelo um duelo pLblico< Por Le(iat2an% .tico de GdespotesG.ame superficialA %a 2erdade 6obbes tem toda raFãoA %ão s.

ist1%cia de um poder sobera%o %o EstadoA suste%ta%do co%tudo 4ue se esse poder se co%ce%trasse %as mãos de uma s. assembléiaA a co%se4R1%cia seriaA para os demaisA Cum estado de opressão ser2ilC< $ fim de e2itar esta degradação .ticoA %ão é tambémA para 6obbesA sua #ustificaçãoA ou pri%c)pio de legitimaçãoA como se 21 %a passagem segui%te8 HEsse dom)%io 94uer diFerA o dom)%io desp.ticoA a raFão pela 4ual mesmo esse poder e%co%tra em ce%as circu%stM%cias sua legitimaçãoA é o co%se%time%to de 4uem se submete< $té a4ui t)%hamos 2isto o despotismo #ustificado e.tico: é alca%çado pelo 2e%cedor 4ua%do o 2e%cidoA para e2itar a morteA declara com pala2ras e.i idem>/ .ria< Se estoura uma guerra e%tre dois a%tago%istas 4ue %ão admitem %e%hum #uiF superiorA a 2it.sito de alca%çar a segura%ça da sua 2ida pela su#eição comum a um L%ico poder< B pactum su iectionis e%tre o 2e%cedor e o 2e%cido %ão é difere%teA em co%teLdo ou escopo< B 2e%cedor teria o direito de matar o 2e%cido 4ueA para sal2ar a 2idaA re%u%cia K liberdade< 6á uma 2erdadeira troca de prestaçIes8 pela submissão o 2e%cido oferece ao 2e%cedor seus ser2içosA isto éA promete ser2i loJ de seu ladoA o 2e%cedor dá proteção ao 2e%cido< ?a%to %o pacto 4ue origi%a o estado ci2il como %a4uele e%tre 2e%cedor e 2e%cidoA o bem supremo é a 2ida< Butra caracter)stica da sobera%ia éA como se disseA a i%di2isibilidadeA da 4ual deri2a a segu%da tese de 6obbesA 4ue é preciso come%tar8 a cr)tica da teoria do go2er%o misto< !omecemos com a leitura de um trecho de De Ci(e% H6á 4uem estime %ecessária a e. natura 9$rist. cap< 77:< Bu %esta outra8 HPor issoA %ão é a 2it.pria 2ida8 para sal2ar a 2idaA os i%di2)duos #ulgam %ecessário assim submeter se a um poder comum suficie%te para impedir o emprego da força particular< Em outras pala2rasA o Estado surge de um pacto 4ue os i%di2)duos assumem e%tre siA com o prop.ria co%stituem a origem do Estado desp. delicto 9Bodi%:< $gora o 2emos #ustificado e.am o estado da %atureFa e dão 2ida ao estado ci2il com suas 2o%tades co%cordesY $ raFão aprese%tada por 6obbesA como se sabeA é 4ue se%do o estado da %atureFa uma situação de guerra de todos co%tra todosA %ele %i%guém tem gara%tia da pr. contractu/ Esta tese se e%4uadra perfeitame%te %a l.Le(iat2an.teles: e e.pressas ou outros si%ais suficie%tes 4ueA e%4ua%to lhe for co%cedido 2i2er e ter liberdade de mo2ime%tosA o 2e%cedor o utiliFará K sua 2o%tadeH .ria 4ue dá direito de dom)%io sobre o 2e%cidoA mas o pacto 4ue o obrigaJ por outro ladoA a obrigação %ão decorre do ter sido 2e%cidoA derrotado ou afuge%tadoA mas da submissão ao 2e%cedorH E%te%de se clarame%te %essa passagem 4ue o fu%dame%to do poder desp.ria pro2a a #ustiça< Por isso 6obbes ti%ha raFão em falar u%icame%te de co%4uista e de 2it. pessoaA ou de uma s.gica de todo o sistema hobbesia%o< Por 4ue os i%di2)duos dei.ria é o L%ico critério para determi%ar 4uem tem raFão< 3asA se a co%4uista e a 2it.6obbes 111 outro ladoA o duelo podia perfeitame%te ser comparado a uma guerra particular< E %o dueloA como se sabeA a solução de uma co%tro2érsia é co%fiada Ks armas8 a 2it.

:< Para 6obbes é certo 4ue o poder sobera%o %ão pode ser di2ididoA se%ão a preço da sua destruição< B fil. o poder %omi%alA ou V se o di2idem de fato dissol2em o EstadoA #á 4ue sem di%heiro %ão é poss)2el faFer a guer raA 4ua%do %ecessárioA %em co%ser2ar a tra%4Rilidade pLblicaH PDe Ci(e.rica da 4ual %asce a refle.De Ci(e.ão hobbesia%a8 a disputa e%tre rei e parlame%toA %a (%glaterraA 4ue deu origem K guerra ci2ilA isto éA K dissolução do Estado< 6obbes co%sidera respo%sá2eis por essa dissolução a4ueles 4ue suste%taramA de di2ersos modosA a di2isão do poder sobera%o e%tre o mo%arca e o corpo legislati2o< $ doutri%a predomi%a%te #á há algu%s séculosA e%tre os co%stitucio%alistas i%glesesA repetida Ks 2ésperas da guerra ci2il pelo rei !arlos (A em 10.11& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o dos cidadãos K situação de escra2os do poder sobera%oA pe%sam 4ue pode ha2er um Estado composto das tr1s formas de go2er%o acima descritasA 4ue se#a co%tudo ao mesmo tempo difere%te de cada uma delas< Esta forma de Estado tem o %ome de mo%ar4uia mistaA aristocracia mista ou democracia mistaA segu%do a forma simples 4ue %ela predomi%e< Por e.-nsNer to t2e &ineteen Propositions. /((A . pessoa 9o rei:A e a outrem o direito de impor tributos< !o%tudoA como os recursos são os %er2os da guerra e da paFA os 4ue assim di2idem a sobera%ia ou %ão a di2idem de fatoA por4ue atribuem o poder efeti2o a 4uem dispIe dos recursosA e a outros s. 7((A -:< B racioc)%io de 6obbes tem simplicidade e. apare%te< Sabemos muito bem 4ual é a situação hist.peri1%cia e sabedoria dos %ossos a%tepassados modelaram este go2er%o media%te uma combi%ação de formas di2ersas 9mo%ar4uiaA aristocraciaA democracia:A de modo a dar a este rei%oA de%tro dos limites co%cedidos pela pro2id1%cia huma%aA as 2a%tage%s de todas as tr1s formasA sem os i%co%2e%ie%tes de %e%huma delasA para 4ue ha#a um e4uil)brio e%tre os tr1s poderesA e estes fluam co%#u%tame%te %o seu pr.emplo8 se a %omeação dos magistrados e as deliberaçIes sobre a guerra e a paF cabem ao reiA a admi%istração da #ustiça aos %otá2eisA a imposição de tributos ao po2oA e a faculdade de promulgar leis a todos os tr1s em co%#u%toA o Estado #usto é chamado propriame%te de mo%ar4uia mista< 3asA embora admiti%do 4ue possa ha2er um Estado desse tipoA C%ão se teria com isso assegurado maior liberdade para os cidadãosC< !om efeitoA como todos os poderes co%cordam e%tre siA a su#eição de cada cidadão i%di2idual é tão gra%de 4ue maior %ão poderia serJ seA ao co%trárioA ocorre alguma disse%sãoA chega se logo K guerra ci2il e ao direito das armas particularesA pior do 4ue 4ual4uer su#eiçãoH .prio leitoH .&A era a de 4ue a mo%ar4uia i%glesa ti%ha caráter misto< Esta é uma das suas formulaçIes mais clássicas8 H$ e.emplar8 se o poder sobera%o está efeti2ame%te di2ididoA %ão é mais sobera%oJ se co%ti%ua a ser de fato sobera%oA %ão está di2idido a di2isão é s.sofo chega a co%siderar a teoria segu%do a 4ual o poder sobera%o é di2is)2el como sediciosaA a ser proibida pelos go2er%os bem orga%iFados< $o criticar as teorias sediciosas reitera com 2igor seu argume%to8 H6á também os 4ue subdi2idem o poder sobera%oA atribui%do a faculdade de declarar a guerra e faFer a paF a uma s. cit< por "< +C$2acNA H"a .

emplo historicame%te sig%ificati2o é a repLblica roma%aA a respeito da 4ual 6obbes escre2e8 HE%4ua%to o a%tigo go2er%o roma%o era formado pelo Se%ado e pelo po2o de PomaA de fato %em um %em outro ti%ham todo o poderJ o 4ue desde o pri%c)pio moti2ou as sediçIes de ?ibério e !aio GracoA de "Lcio Satur%i%o e de outrosA e mais tarde a guerra e%tre o po2o e o Se%adoA sob 3ário e SilaA e também sob Pompeu e !ésar< >i%alme%teA isso le2ou K e.ar de ter implicaçIes %o #ulgame%to dos go2er%os mistos historicame%te reco%hecidosA pri%cipalme%te o go2er%o roma%o< 6á um parágrafo do Le(iat2an dedicado aos Estados 4ue se dissol2em pela falta de um poder absoluto< +e%tre elesA o e. parte principisA a maior estabilidade do EstadoJ e.rico baseado %a pr.altada como e.6obbes 113 ?eoria delia 3o%archia 3ista %ellC(%ghilterra del !i%4ue e del Seice%toHA /ale %otarA sobretudo %a primeira passagemA a refer1%cia K liberdade dos cidadãosA aprese%tada como argume%to dos defe%sores do go2er%o misto< !omo 2imosA o argume%to tradicio%al em fa2or do go2er%o misto era o da estabilidade< 3as %ão dei.ria roma%aA e 4ue porta%to os dois podem ter raFão< 3as é 2erdade 4ueA para defe%der a tese da i%stabilidade do go2er%o mistoA 6obbes le2a%ta um argume%to hist. cap< 7(7:< $ cr)tica hobbesia%a do go2er%o misto origi%a outro problemaA 4ue #á me%cio%ei mas 4ue é preciso agora pUr em e2id1%cia com toda a sua Ri( 6nt/ Fil/ Dir/.ércitosA mas a sobera%ia reca)a %os éforosH 9Le(iat2an.lida8 HB rei cu#o poder é limitado %ão é superior aos 4ue t1m o poder de limitá loJ e 4uem %ão é superior %ão é supremoA isto éA %ão é sobera%o< Porta%toA a sobera%ia está sempre %a assembléiaA 4ue tem o direito de limitá laA e em co%se4R1%cia tal go2er%o %ão é mo%ár4uico mas uma democracia ou aristocraciaA como Esparta %a $%tigRidadeA o%de os reis ti%ham o pri2ilégio de coma%dar os e. 1'7-A p< 013:< .pria co%stituição e. cap< 77(7:< (%Ltil obser2ar 4ue Pol)bio e 6obbes se referem a per)odos difere%tes da hist. a maior liberdade dos cidadãos< 6obbes parece acreditar %o argume%to da liberdadeA 4ua%do este re#eita o go2er%o misto %a base do bi%Umio ser2idão liberdade< 3as %ão despreFa o argume%to da estabilidadeA mostra%do 4ue a co%se4R1%cia i%e2itá2el do go2er%o misto é a dissolução do Estado e a guerra ci2il< !omo para Bodi%A também para 6obbes o i%co%2e%ie%te do go2er%o misto é #ustame%te o de le2ar a co%se4R1%cias opostas a4uelas 4ue ti%ham sido imagi%adas pelos seus defe%sores8 a%tes de mais %adaA K i%stabilidade< *ma co%cepção como esta %ão podia dei.emplo de go2er%o mistoA o de EspartaA 6obbes emprega o outro lado do dilema 9se o Estado é ge%ui%ame%te mistoA %ão é está2elJ se é está2elA %ão é ge%ui%ame%te misto:A %um trecho em 4ue i%terpreta a co%stituição esparta%a como aristocrática segui%doA aliásA uma tradição a%tiga e s.emplo mara2ilhoso de estabilidade< No 4ue diF respeito ao segu%do gra%de e. parte populi.ti%ção da democracia e K i%stituição da mo%ar4uiaH QLe(iat2an.amos de %otar 4ue em 3a4uia2el #á ha2ia surgido um segu%do argume%toA o da gara%tia da liberdade< Em substM%ciaA a apologia do go2er%o misto se fu%dame%taA assimA em dois argume%tos8 e.

aA cada uma das 4uaisA de acordo com os defe%sores do go2er%o .11. cap< 77(7:< Se %ão bastassem as citaçIes precede%tesA estas Lltimas li%has %os re2elam a opi%ião de 6obbes sobre o go2er%o mistoA comparado a algo de mo%struoso< No rei%o espiritualA a u%ião de tr1s pessoas gera a ?ri%dadeJ %o rei%o da ?erraA porémA a u%ião das tr1s partes do Estado gera um mo%stro< 3asA 4ual o 2erdadeiro al2o da cr)tica de 6obbesY Se relermos com ate%ção as primeiras li%hasA 4ue aliás repetem o 4ue #á 2imos em passage%s a%terioresA 2eremos 4ue sua cr)tica se dirige K separação das fu%çIes pri%cipais do EstadoA e K sua atribuição a . ocorre por4ue se procura faFer coi%cidir a di2isão tr)plice das fu%çIes pri%cipais do Estado 94ueA de acordo com os defe%sores da separação dos poderesA de2eriam ser atribu)das a difere%tes .Le(iat2an.rgãos: com a participação e a u%ificação das classes 4ue compIem uma sociedade comple.ataH .atame%te essa irregularidade dos EstadosJ #á 2i co%tudo um homem de cu#o lado lhe sa)a outro homemA com cabeçaA braçosA peito e 2e%tre pr. pessoa represe%tadaA ou ura s.ig1%cia de di2idir o poder L%ico do EstadoA mas precisame%te do co%trário da e.a< $ sobreposição da teoria da separação dos poderes e do go2er%o misto s. desses dois mas também de uma terceira parte< (sso é Ks 2eFes maléfico para o EstadoA pela falta da %utrição %ecessária K 2ida e ao mo2ime%to< !om efeitoA embora poucos percebam 4ue tal go2er%o %ão é um go2er%oA mas um Estado di2idido em tr1s facçIesA chama%do o de mo%ar4uia mistaA a 2erdade é 4ue %ão temos um L%ico Estado i%depe%de%teA mas tr1s facçIes autU%omasJ %ão há uma pessoa si%gular 4ueo represe%teA mas tr1s< No rei%o de +eus pode ha2er tr1s pessoas i%depe%de%tes sem romper a u%idade di2i%aA 4ue rei%aJ mas %os rei%os dos home%sA su#eitos a uma di2ersidade de opi%iIesA o mesmo %ão pode aco%tecer< !omo o rei represe%ta também o po2oA e o mesmo ocorre com a assembléia geralA e uma outra assembléia represe%ta uma parte do po2oA %ão há uma s. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o importM%cia< ?rata se da sobreposiçãoA dir)amos mesmoA da co%fusão de modo geral %ão percebida e porta%to tra%smitida acriticame%te V e%tre a teoria do go2er%o misto e a teoria da separação dos poderes< Bbser2o logo 4ue das passage%s citadas ressalta clarame%te 4ue a cr)tica de 6obbes ao go2er%o misto é ao mesmo tempo 9ou mesmo predomi%a%teme%te: uma cr)tica K separação dos poderes< 3asA go2er%o misto e separação dos poderes serão a mesma coisaY Sim e %ão< $%tes de co%siderar o assu%to um pouco mais a fu%doA co%2ém citar mais uma passagem hobbesia%aA muito i%cisi2a e perspicaF8 HTs 2eFesA mesmo %o poder ci2il si%gular há mais de um esp)ritoA como ocorre 4ua%do o poder de emitir moeda a faculdade %utriti2a V depe%de de uma assembléia geralA o poder de coma%dar a faculdade motriF depe%de de uma pessoaA e o poder de legislar a faculdade racio%al de uma co%cordM%cia acide%tal %ão s.priosJ se ti2esse do outro lado um terceiro homemA a comparação seria e. sobera%oA mas tr1s pessoas e tr1s sobera%os< Não sei a 4ue defeitoA %o corpo f)sicoA possa comparar e.ig1%cia de compor %uma u%idade as di2ersas classes 4ue co%stituem uma sociedade com ple.rgãos di2ersos< 3asA seria esta a idéia origi%al do go2er%o mistoA herdada dos gregosY $ idéia do go2er%o misto %ão ha2ia surgido da e.

de 1050< "ocNe passou para a hist.erc)cio do poder e.ecuti2a e a #udiciária a ide%tificação da prática da di2isão de poderes com a realidade do sistema pol)tico HmistoH s.ecuti2a< Neste casoA %ão pode ha2er mais correspo%d1%cia e%tre os tr1s poss)2eis su#eitos do go2er%o 9reiA %obresA po2o: e as fu%çIes do Estado< B%de a articulação do poder do Estado acompa%ha o modo como estão di2ididas as fu%çIes 4ue lhe competemA e %ão os poss)2eis su#eitos do poder estatalA a i%terpretação mais correta da realidade é a bodi%ia%aA 4ue traça %o Estado composto uma disti%ção e%tre Estado e go2er%oA e %ão %a teoria do go2er%o mistoA 4ue o i%terpreta como composição e%tre difere%tes classes sociais< $ teoria pol)tica segui%te de maior importM%cia éA sem dL2idaA a 4ue foi e.ecuti2aA ao se%ado a #udiciáriaA ao po2o a legislati2a< BraA esta é uma idéia 4ue os primeiros te.aA e%4ua%to os te.ercida em co%#u%to pelas tr1s partes 4ue o compIemJ ou se#aA para pe%sar %os termos da co%stituição co%siderada por 6obbesA pelo rei #u%tame%te com No go2er%o misto %ão há uma correspo%d1%cia %ecessária e%tre as tr1s fu%çIes do Estado e as tr1s partes da sociedade 4ue se compIem %o sistema pol)tico pr.posta por Ooh% "ocNe %os Dois Tratados 1o re o =o(erno Ci(il.ecuti2oA ao rei< os Lords e os Commons/ .6obbes 11mistoA de2eriam ter um .ricos do go2er%o misto sempre falaram de tr1s classes em 4ue se di2ide o poder %uma sociedade comple.ricos da separação dos poderes muitas 2eFes reduFem a duas as fu%çIes fu%dame%tais do Estado a legislati2a e a e.prio de represe%tação %o Estado compostoA por isso mesmo HmistoH< 3as essa coi%cid1%cia é des%ecessária< /e#amos a 4uestão mais de perto8 admiti%do se 4ue as fu%çIes do Estado se#am tr1s V a legislati2aA a e.ricos do go2er%o misto %ão ti%ham #amais suste%tado< Na 2erdadeA o perfeito go2er%o misto é o oposto8 %ele a mesma fu%ção a fu%ção pri%cipalA 4ue é a legislati2a é e.riaA #ustame%teA como o te. pode ser feita se a cada fu%ção correspo%der uma das tr1s partes da sociedade 9reiA %obresA po2o:J isto é8 se for poss)2el co%ceber um Estado em 4ue ao rei caiba a fu%ção e.ecuti 2o é delegado ao rei pelo parlame%to< *ma co%stituição desse g1%ero %ão correspo%de ao go2er%o mistoA %o se%tido tradicio%al da pala2ra 9aliásA "ocNe %ão a co%sidera assim:< = uma co%stituição 4ue poder)amos chamarA de acordo com a i%terpretação de Bodi%A democrático mo%ár4uicaA ou se#aA em 4ue a sobera%ia do Estado perte%ce ao po2oA e o go2er%oA e%te%dido como e.prio do go2er%o misto< $ dificuldade da ide%tificação aume%ta se se co%sidera o fato de 4ue os te.ecuti2aA bem como %a correspo%d1%cia 4uase perfeita e%tre essas duas disti%çIes o poder legislati2o ema%a do po2o represe%tado %o parlame%toJ o poder e.rico da mo%ar4uia co%stitucio%al um sistema pol)tico baseadoA ao mesmo tempoA %a dupla disti%ção e%tre as duas partes do poderA o parlame%to e o reiA e e%tre as duas fu%çIes do EstadoA a legislati2a e a e.rgão pr.

rico percorrido pelas %açIesA da barbárie K ci2iliFação< Pefiro meA em especialA K pri%cipal obra de /icoA La 1cien#a &uo(a.< Escrito em italia%oA o li2ro foi precedido por uma obra lati%a em tr1s partes @@ Diritto <ni(ersale.!ap)tulo (7 /(!B Oá me%cio%ei Giambattista /icoA a prop. de 17&-A e La 1cien#a &uo(a 1econda. escrita e%tre 17&0 e 17&3A 4ue pode ser co%siderada como a 2erdadeira primeira ediçãoA ou esboço origi%al da obra maior< !ertame%te %ão é o caso de diFer a4ui em 4ue co%siste a H%o2aH ci1%cia 4ue /ico propUsJ limito me a come%tar 4ue o li2ro represe%ta especialme%te uma filosofia da hist.rico da teoria das formas de go2er%oA obser2oA desde logoA 4ue em /ico pre2alece o uso hist.riaA uma te%tati2a gra%diosa 9a mais gra%diosa a%tes da de 6egel: de descobrir as leis gerais 4ue presidem ao dese%2ol2ime%to da hist.rico e descobrir as raFIes da passagem de uma para outra etapaA bem como o ob#eti2oA o 8telos8 desse mo2ime%to geral< $s pri%cipais categorias com as 4uais /ico procura abra%ger o mo2ime%to hist.rico se%ão em sua totalidadeA pelo me%os %a sua parte emerge%te sãoA uma 2eF maisA as tr1s formas clássicas 94ue se dispIem %a .rico de /ico< Petoma%do a disti%ção e%tre o uso sistemáticoA prescriti2o e hist.ria é %ecessário descobrir a HdireçãoH em 4ue se mo2em os home%s 4ue são seus art)ficesJ e para compree%der 4ual é essa direção é %ecessário 2oltar a percorrer as 2árias etapas do mo2ime%to hist.rica de /ico é também uma teoria c)clica< Prete%do demo%strar a4ui a i%flu1%cia da teoria tradicio%al das formas de go2er%oA %a co%cepção geral do dese%2ol2ime%to hist.sito da teoria c)clica de Pol)bio< $ teoria hist. de 17.ria u%i2ersalA permiti%doA porta%toA compree% der o seu Hse%tidoH< !om efeitoA para atribuir um Hse%tidoH K hist.. de 4ue há duas ediçIesA de%omi%adas respecti2ame%te La 1cien#a &uo(a Prima.rico< $ teoria tradicio%al das tr1s formas de go2er%o é empregada por /ico pri%cipalme%te para traçar as li%has do curso hist.

ria de Poma< = a partir da meditação sobre a hist. /A 2erso '3&:A 4ue i%spirou o pr.trair uma primeira obser2ação8 o mu%do hist.riaA 4ue prete%de ser profa%aApari passu com a hist.Ies de /icoA e do 4ual deduF pri%c)pios e leisA é a hist. a patr)cios se#am atribu)dos os ausp)ciosA os poderesA a %obreFaA os co%LbiosA as magistraturasA coma%dos e sacerd.ria co%hecida de PomaA %ão passa de uma parte da hist.pressão das se%te%ças e o acesso igual para todos Ks ho%rariasA sem e. do 4ual e.ria u%i2ersal< B 4ue atraiu /icoA e o le2ou a especulaçIes 4ue co%stituem a %o2idade profu%da da sua obraA foi a i%2estigação a respeito dos Htempos obscurosHA 4ue a%tecederam a hist.A a 4uem cabe o arb)trio sobera%o e i%teirame%te li2re sobre todas as +essa defi%ição se pode começar a e.prio /ico< $ caracter)stica desse estadoA em 4ue os home%s deca)dos se co%duFem como a%imaisA é a aus1%cia de 4uais4uer relaçIes sociaisA a completa i%e.115 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o segui%te ordem8 aristocraciaA democraciaA mo%ar4uiaA altera%do radi calme%te a sucessão tradicio%alA herdada de $rist.8///(ul(i(ago (itam tracta ant more ferarum8.ou a fase pré estatal correspo%de%te ao Hestado da %atureFaH dos #us%aturalistas a primeira forma de Estado a surgir foi a repLblica aristocráticaA seguida pela repLblica popularA 4ue 2eio a dar %a mo%ar4uia< /ico se refere a essas tr1s formas de Estado com ri4ueFa de porme%ores em 6l Diritto <ni(ersale.ima esse%cial da sua pol)tica a de 4ue s.ist1%cia de 4ual4uer forma de 2ida comumA até mesmo familiar< /ale %otar 4ue %em sempre os 4ue comparam a 2ida primiti2a do homem com a dos a%imais o co%sideram origi%alme%te associaiA obser 2a%do 4ue há muitas espécies de a%imais 4ue 2i2em também agregados< = o 4ue aco%teceA por e.ricoA ob#eto das refle.8stato ferino8>/ *ma tese 4ue %ão é %o2aA como %oteiA por4ue o estado bestial do homem primiti2o #á ti%ha sido descrito por "ucrécio em passagem célebre do "i2ro / de De Rerum &atura . X 135:< .ria roma%a 4ue ele deri2a a lei de sucessão dos EstadosA a 4ual i%2e%e a ordem i%dicada pelos escritores hel1%icos< (%terpreta%do se o per)odo a%tigo dos reis de Poma como a formação de uma repLblica aristocráticaA esta se prolo%ga até a co%cessão dos direitos pLblicos K plebeA de o%de resulta uma repLblica popularJ a 4ualA por sua 2eFA de2ido Ks desorde%s pro2ocadas pelas facçIes e pela guerra ci2ilA termi%a %o pri%cipado de $ugustoA isto éA %a mo%ar4uia< 3as a sucessão das tr1s formas de go2er%oA 4ue abra%ge toda a hist.emploA com Pol)bioA 4ue ao comparar a 2ida coisasH PDellG<nico Principio e DellG<nico Fine del Diritto <ni(ersale.ria sagrada: foi um Hestado bestialH .ria de /ico é o de 4ueA logo 4ue a huma%idade dei.cios<<< !o%stituem co%diçIes do go2er%o popular a paridade dos sufrágiosA a li2re e.cluir as supremas<<< B caráter do rei%oA ou mo%ar4uiaA é o dom)%io por um s.telesA Pol)bio e outros:< *m dos po%tos fu%dame%tais da co%cepção da hist.ria %arrada e escrita< $ tese de /icoA basta%te co%hecida 9e 4ue %ão é %o2aA embora i%o2e %as image%s 4ue utiliFa e %a amplitude da sua sig%ificação: é a de 4ue o estado primiti2o do homem 94ue /ico localiFa depois do dilL2ioA para faFer proceder sua hist.traiu as segui%tes defi%içIes8 HB go2er%o aristocrático se baseia %a co%ser2açãoA sob a tutela da ordem dos patr)cios 4ue o co%stituiuA se%do má.

X X '5 e '':< B estado da %atureFa descrito por 6obbes é também a4uele em 4ue cada um 2i2e por sua co%taA e precisa cuidar da pr. /ico disti%gue tr1s tipos de autoridadeA 4ue de%omi%a monKstica. cap< 30':< !omo se 21A o estado bestial é totalme%te associaiJ %eleA até mesmo a fam)liaA essa primeira forma de 2ida em comumA %ão chega a se co%stituir< Nesse estadoA o homem 2i2e s. econ@mica e ci(il/ $ primeira caracteriFa a 2ida do homem primiti2oA defi%ida deste modo8 H$ primeira autoridade #ur)dica 4ue o homem te2e %a solidão pode ser chamada de mo%ástica ou solitária< E%te%do a4ui igualme%te por solidão os lugares fre4Re%tados e os desabitadosA desde 4ue %eles o homem assaltado e ameaçado %ão possa recorrer Ks leis para sua defesa<<< +e2ido K sua autoridade mo%ásticaA o homem se tor%a sobera%o %a solidãoJ 4ua%do assaltadoA precisa proteger seA co%scie%te da sua supe rioridade sobre o assalta%te por4ue o supera %o se%time%to da #ustiçaJ mata o e. com a %atureFa< Essa situação é co%cebidaA em termos de /icoA como estado Hmo%ásticoHA isto éA associai< 3as as difere%ças são se%s)2eis< Para /icoA o estado bestial é hist.istir em abu%dM%cia e para perseguir as mulheresA 4ue %a4uele estado de2iam ser sel2age%sA es4ui2as e fugidiasJ dispersa%do se para e%co%trar alime%to e águaA as mães aba%do%a2am os filhosA 4ue cresciam sem ou2ir 2oF huma%aA e sem apre%der os costumes do homemA %uma situação bestialA %a 4ual as mães ape%as os amame%ta2amA dei.prio /icoA 4ue descre2eu a 2ida primiti2aA %uma passagem #ustame%te célebre8 HErra%do como a%imais pela gra%de sel2a da terra<<< para fugir as feras 4ue de2iam e.erce%do um direito de superioridade ou de sobera%iaH ./ico 11' primiti2a dos home%s com a dos a%imais diF 4ue os primeiros se Hagruparam como os a%imaisA sob a direção dos mais 2ale%tes e mais fortesH< Passo a pala2raA agoraA ao pr.ria da huma%idadeJ para 6obbesA trata se de uma hip.rico 4uer diFerA e%co%tra se %a origem da 2erdadeira hist.pria defesaA pelo 4ue termi%a %uma guerra de todos co%tra todos< B mesmo aco%tece com o estado %atural descrito por Pousseau %a ".posição so re a 0rigem da Desigualdade entre os *omens.tese racio%alA 4ue deri2a da imagi%ação do 4ue seria a 2ida do homem se %ão hou2esse um poder comum a impedir o dese%cadeame%to dos i%sti%tosA mas é também o estado ao 4ual a huma%idade está desti%ada a retor%arA sempre 4ue falta a autoridade estatal 9como ocorreu %a guerra ci2il i%glesaA e como aco%tece costu meirame%te %as relaçIes e%tre EstadosA 4ue se relacio%am e%tre si como se esti2essem %o estado %atural:< Qua%to ao Hestado %aturalH do Hbom sel2agemH de PousseauA pode se pe%sar também 4ue Pousseau o co%cebeu como situação hist.op/ cit/.a%do os bri%car %us %o meio das suas feFesJ mal desmamadosA eram aba%do%ados para sempreH 9La 1cien#a &uo(a 1econda. em 4ue o homem primiti2oA ide%tificado com o Hbom sel2agemHA le2a uma 2ida simplesA rudime%tarA em co%tatoA %ão com seus semelha%tesA mas s.rica isto éA como a situação em 4ue 2i2iam os sel2age%s a%tes de tocados 9eA de acordo com PousseauA estragados: pela ci2iliFação< !o%tudoA a difere%ça . e isolado< No De <no 9a primeira parte de 6l Diritto <ni(ersale>.

a fam)lia %aturalA %o se%tido restrito e moder%o da pala2raA mas a4uela 4ue abra%ge os filhosA desce%de%tes e ser2osA su#eitos K autoridade do pai e 4ue dele depe%dem8 é o co%#u%to dos Hclie%tesHA co%stitu)do pelos 4ue %ão dei.i idem. 4ue sig%ifica HcasaH:A defi%ida assim8 H<<< %asceu a autoridade eco%UmicaA ou familiarA pela 4ual os pais são sobera%os em sua fam)lia< $ liberdade dos filhos depe%de do arb)trio dos paisA pelo 4ue estes ad4uiriram o direito de 2e%der os filhos<<< Bs pais t1m tutela sobre os filhos como sobre sua casa e todas as suas coisasA de 4ue podem dispor em hera%ça e dei. X 103:< = preciso diFerA ai%daA 4ue /ico e%te%de por sociedade familiarA de acordo aliás com a tradiçãoA %ão s.riaH: /ico de%omi%aA em 2ários mome%tosA de Hestado de %atureFaH< Porta%toA para ele ao co%trário de 6obbes V trata se de um estado socialA embora represe%tado por essa forma primiti2a e natural de associação 4ue é a fam)lia< $lém dissoA %ão é 9ao co%trário de 6obbes e de todos os #us%aturalistas: o estado primiti2o da huma%idadeA e sim a4uele em 4ue o homemA dei. X 10&:< $ passagem termi%a assim8 H$s fam)lias co%stitu)ramA assimA um primeiro e pe4ue%o esboço dos go2er%os ci2isH .ig1%cia de uma autoridade social V %este caso a do pai de fam)lia V se .aram ai%da o estado bestial e 4ue para sobre2i2er são le2ados a submeter se Ks primeiras fam)lias co%stitu)das< Gostaria de chamar ate%ção para o fato de 4ue ai%da uma 2eF a e.ria da huma%idade 9co%siderada sepa radame%te da sua Hpré hist.ar imperati2ame%te a outremH .iste%te com relação ao Hestado bestialHA de /icoA está %o #ulgame%to 2alorati2o positi2o em PousseauA %egati2o em /ico< $ huma%idade %ão passou diretame%teA de acordo com /icoA do estado bestial para o das HrepLblicasH 9%o se%tido lati%o de sociedade ci2il ou pol)tica:< E%tre as duas etapasA /ico postula uma fase i%termediáriaA 4ue %ão é mais Hpré hist.a%do a fase bestialA i%icia a 2ida em sociedadeA embora sob uma forma de 2ida em comum 4ue %ão é ai%da o Estado< Para /icoA depois da autoridade mo%ástica 2em a autoridade eco%U mica 9de 8oi!os8.ricaH mas 4ue ai%da %ão é HestatalH8 a fase das fam)liasA em 4ue se formam essas primeiras formas de 2ida associati2a< +escre2eA imagi%ati2ame%teA o modo como se passou do estado bestial para o das comu%idades familiares8 depois de lo%go per)odo de tempo seco e áridoA o primeiro tro2ão e o primeiro relMmpago faFem com 4ue o homem se espa%teA le2a%te os olhos e tome co%sci1%cia do céuA ad4ui ri%do assim uma primeira percepção da di2i%dadeA ai%da obscura< !om o temor de +eusA %asce a 2ergo%ha da 2ida bestial e pri%cipalme%te da 8(enere (aga8/ Bs home%s passam a le2ar as mulheres ao i%terior das ca2er%asA para possu) las lo%ge dos olhos dos seus semelha%tesJ i%stitui assim uma relação durá2el com sua compa%heira o matrimU%ioA 4ue dá origem K 2ida familiar< !om essa douta fábulaA /ico prete%de demo%strar 4ue as i%stituiçIes ci2isA especialme%te o matrimU%io 9a 4ue se segue a sepultura dos mortos:A %ascem da religiãoJ 4ue a passagem da 2ida bestial para a huma%a ocorre 4ua%do o homem le2a%ta os olhos para o céu< $ esta primeira fase da hist.DellG<nico Principio.1&0 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o e.

de . mas a 4ue di2ide os patr)cios dos plebeus isto éA os 4ue goFam de direitos pri2ados e pLblicos e os 4ue %ão t1m um estado #ur)dico defi%ido< $ passagem da repLblica aristocrática K popular ocorre pelo mesmo moti2o 4ue e.pica discipli%a familiarA foram se%do domesticados em EstadosA o 4ue os obriga2a a 2i 2er #u%tos de modo ci2ilA obedece%do %aturalme%te Ks leisH ./ico 1&1 origi%a em situação ob#eti2a de desigualdade8 trata se %ão s.aram o estado bestialA i%icia%do a 2ida huma%aA e os 4ue %ele perma%eceramA e perte%cemA porta%toA a uma raça i%feriorA desti%ada a ser domi%ada e a ser2ir aos poderosos< $ fase das fam)liasA como etapa i%termediária e%tre o estado bestial e o estado ci2ilA é uma das i%o2açIes i%troduFidas por /ico %a doutri%a domi%a%teA ta%to a 4ue retoma a 2ersão aristotélica 94ue 21 o i%)cio da hist.clusi2a a luta do oprimido pelo reco%hecime%to dos seus direitos 9a luta de classesA dir se ia ho#e:< Qua%do essa luta termi%aA isto éA 4ua%do os plebeus alca%çam em primeiro lugar o direito de propriedadeA depois o direito Ks %Lpcias sole%es e leg)timas .8connu ia patrum8>.10 a<!A com a 4ual Ha repLblica roma%a reco%heceu sua .La 1cien#a &uo(a 1econda>/ $ passagem da fase das fam)lias K primeira forma de orga%iFação estatalA 4ue é a repLblica aristocráticaA se de2e K rebelião dos escra2os< /oltaremos mais tarde a este po%to< !om base %o pri%c)pio de 4ue Hé %atural 4ue o ser2o dese#e arde%teme%te escapar da ser2idãoHA /ico e.a e 2ariada do 4ue possa parecer a 4uem %ão se te%ha aprofu% dadoA como eleA %a i%2estigação dos Htempos obscurosH< "eia se esta passagem8 HSome%te agora se#a l)cito refletir a4uiA ple%ame%teA 4ue os home%s da $%tigRidade pagaA %ascidos %um ambie%te de liberdade sel2agemA graças a um lo%go per)odo de cicl.plica a passagem da fase das fam)lias isoladas K das fam)lias u%idas %a forma primiti2a de repLblica8 a re2olta dos 4ue estão su#eitos co%tra os 4ue det1m o poder para sua 2a%tagem e.ria da huma%idade é muito mais comple. por fim os direitos pol)ticos 94ue /ico faF coi%cidir com a le.a e completa de autoridade 4ue /ico de%omi%a de Hautoridade ci2ilH< $ repLblica aristocrática éA porta%toA a primeira forma hist.ria da sociedade ci2il %a fam)lia: como a da maior parte dos #us%aturalistas 9para 4uem a hist.rica de autoridade ci2il< NelaA a co%dição de desigualdade 4ue #ustifica o dom)%io de uma pa%e sobre outra %ão é mais a 4ue separa os patres dos famuli.plica por 4ue Hos fMmulosA obrigados a 2i2er perma%e%teme%te %esse estado ser2ilA com o correr do tempo de2eriam aborrecer seHA amoti %a%do se< $ re2olta dos ser2os obriga os chefes de fam)lia a se u%irem para se defe%derA e co%ser2ar seu dom)%io8 a u%ião dos chefes de fam)lia represe%ta a primeira forma de EstadoA 4ueA como se 4ueria demo%strarA é uma repLblica aristocráticaA e%4ua%to u%ião de paisA %um certo se%tido paritária< !om a primeira forma de Estado se origi%aA depois da autoridade mo%ástica e da eco%UmicaA a4uela forma mais comple. da desi gualdade %atural e%tre pai e filhosA mas da desigualdade social e%tre duas classes de home%s V os 4ue dei.ria eter%a ideal da huma%idade se di2ide fu%dame%talme%te em duas fasesA a %atural e a ci2il:< !om essa i%o2açãoA /ico prete%de demo%strar 4ue a hist. Pu lilia.

ria %ão coi%cide com a tripartição das autoridades mo%ásticaA eco%Umica e ci2il a 4ue #á %os o é .1&& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o tra%sformaçãoA de aristocrática em popularH:A dá se passagem da pri meira para a segu%da forma de repLblica< B fim da repLblica popularA e a passagem K terceira forma de Estado pri%cipadoA ou mo%ar4uia ocorre graças a raFIes %ão di2ersas das apo%tadas pelos autores clássicos para e.icas perte%cerão K primeiraA e a repLblica popular e a mo%ar4uia represe% tarão o mome%to em 4ue o homem i%gressou %a ci2iliFação< /ale obser2ar 4ueA adotada uma ou outra dessas di2isIesA a repLblica aristocrática perte%cerá sempre a uma categoria disti%ta da4uela em 4ue se situam a repLblica popular e a mo%ar4uia< Bbser2e se ai%da 4ue a partição tr)plice da hist.icasHA por4ue são domi%adas por home%s fortesA rudesA 2iole%tos como seus sLditos os 2erdadeiros fu%dadores dos primeiros EstadosA respo%sá2eis ge%u)%os pelo gra%de salto do estado de %atureFa para o estado ci2il< T era dos home%s correspo%dem ta%to a repLblica popular como a mo%ar4uia< +e o%de se 21 4ueA se a repLblica aristocrática co%stitui por si s.is correspo%de a fase das repLblicas aristocráticasA 4ue /ico chama também de Hsociedades her.is e dos home%s< T era dos deuses correspo%de o Estado das fam)liasA caracteriFado pelo surgime%to do se%tido religioso e pela subordi%ação re2ere%te do homem primiti2oA mal desperto do so%o da a%imalidadeA aos si%ais da di2i%dade< T era dos her.ria da huma%idade em duas gra%des fases V a barbárie e a ci2iliFação A as sociedades her. um g1%eroA a repLblica popular e a mo%ar4uia são duas espécies do mesmo g1%ero< Essa co%clusão %ão se modificará se co%siderarmos outra classifica ção dos tempos hist.ricosA aprese%tada por /ico com base %a disti%ção 94ue também é clássica: e%tre as tr1s faculdades da alma a percepçãoA a fa%tasia e a raFão8 a repLblica aristocrática perte%ce K era em 4ue pre2alece a fa%tasiaA mas ta%to a repLblica popular como a mo%ár4uica se relacio%am com a era da raFãoA %a 4ual o homem ati%giu o po%to mais alto da sua huma%idade< >i%alme%teA se di2idirmos toda a hist.rico da huma%idadeA 4ue /ico e%u%cia basea%do se %uma tradição eg)pcia< Pefiro me K di2isão da hist.plicar a morte %atural de todas as democraciasA pela dege%eração da liberdade em lice%ciosidade e do a%ta go%ismo criati2o %a co%te%da destruti2a das facçIesA com a guerra ci2il< Para /icoA o pri%cipado surge %ão co%tra as liberdades popularesA mas para proteg1 las do faccio%ismoA para defe%der o po2o poder se ia diFer co%tra si mesmo< No elogio de /ico K forma mo%ár4uica 9elogio 2álido mesmo para a sua época:A de2e se recolher a idéia de 4ue o rei%o %ão é uma forma alter%ati2a de EstadoA com relação K repLblica popular assim como esta é de fato uma forma alter%ati2a da repLblica aristocrática mas %a 2erdade a pr.pria repLblica popular protegida co%tra seus malesJ é o go2er%o popular le2ado K perfeiçãoA 4uase imu%iFado co%tra a dege%e ração fácil e fatal< Em outras pala2rasA dir se ia 4ue e%4ua%to a repLblica aristocrática e a popular são a%titéticasA a mo%ar4uia é uma co%ti%uação do go2er%o popular< Essa di2ersidade de pla%os em 4ue se colocam as tr1s formas de Estado é co%firmadaA aliásA por uma outra represe%tação do curso hist.ria em era dos deusesA dos her.

icosCA ou CaristocráticosCA o 4ue 4uer diFerA Cgo2er%os dos melhoresCA %o se%tido de Cos mais poderosoC<<< Nos 4uaisA como carac ter)stica da sua %atureFa mais %obreA tida como de origem di2i%a 9como acima se disse:A todos os pri2ilégios ci2is se restri%giam Ks orde%s pre2alece%tes desses mesmos her./ico 1&3 referimos< ?rata seA %a 2erdadeA de duas classificaçIes difere%tes do tempo hist.pria %atureFa huma%aA as leis tratam igualme%te a todosA desde 4ue %ascidos li2res %as suas cidadesJ ou são CpopularesCA 4ua%do todos 9ou a maioria: co%stituem as forças da cidadeA se%hores da liberdade popularA ou Cmo%ár4uicosCA %os 4uais os mo%arcas tratam todos os sLditos igualme%te com suas leis eA se%do os L%icos a ter em suas mãos a força das armasA ocupam some%te eles uma posição pol)tica especialH< !reio 4ue será Ltil também reproduFir %um 4uadro todas as categorias defi%idas até a4uiA com a respecti2a partição< Na colu%a ce%tral i%dico os ci%co mome%tos do curso hist.ria compree%de ape%as 4uatro dos ci%cos mome%tosA dei.is:A repLblica popular e mo%ar4uia 9era dos home%s:< !reio 4ue %ão há melhor modo de resumir tudo o 4ue disse do 4ue citar uma passagem si%tética de La 1cien#a &uo(a 1econda.rico a fase bestialA a fase das fam)liasA a repLblica aristocráticaA a repLblica popularA a mo%ar4uia A di2i%do as assim8 fase bestial 9autoridade mo%ástica:J fase das fam)lias 9autoridade eco%Umica:J as tr1s formas de Estado 9autoridade ci2il:< $ repartição tr)plice da hist.ricoJ K es4uerdaA os agrupa me%tos bi%áriosJ K direitaA os ter%ários8 Barbárie fase pré estatal pré hist.rico< $ tripartição das autoridades compree%de todos os ci%co mome%tos do dese%2ol2ime%to hist. i%titulada8 H?r1s Espécies de Go2er%osH8 HBs primeiros 9go2er%os: foram Cdi2i%osC 4ue os gregos chama2am de CteocráticosC %os 4uais os home%s atribu)am todas as orde%s aos deusesJ foi a era dos oráculosA a mais a%tiga de todas< Bs segu%dos foram os Cgo2er%os her.a%do de fora a fase bestial< $ di2isão 4ue propIe ) a segui%te8 fase das fam)lias 9era dos deuses:A repLblica aristocrática 9era dos her.is autoridade ci2il era dos home%s .ria fase bestial autoridade mo%ástica fase autoridade das fam)lias eco%Umica era dos deuses !i2iliFação fase dos Estados hist. se permiti%do aos plebeusA reputados de origem a%imalA o goFo da 2ida e da liberdade %atural< Bs terceiros são os Cgo2er%os huma%osCA %os 4uaisA de2ido K homoge%eidade da sua %atureFa i%telige%teA 4ue é a pr.ria repLblica aristocrática repLblica popular mo%ar4uia era dos her.isA s.

o 4ue sig%ifica 4ue a co%cepção de /ico é ao mesmo tempo Hprogressi2aH e Hc)clicaH< +e um ladoA é progressi2a e difere assim da co%cepção dos a%tigosJ de outroA e%4ua%to c)clicaA co%ti%ua a tradiçãoA .ria da huma%idade é muito i%teressa%teA mas sério demais para ser discutido a4ui< "imito meA porta%toA a i%dicar ura li2ro estimula%te sobre o temaA 1ignificação e Fim da *ist5ria.emplo clássico de uma co%cepção regressi2aA oposta K de /icoA é a platU%icaA segu%do a 4ual a passagem de uma co%stituição a outra ocorre por dege%eraçIes sucessi2asA com a co%se4R1%cia de 4ue cada co%stituição é pior do 4ue a precede%te< !o%tudoA mesmo %a co%cepção aristotélicaA e %a de Pol)bioA retomada por 3a4uia2elA embora o curso das co%stituiçIes siga uma li%ha i%terrompidaA e %ão co%t)%uaA é em Lltima i%stM%cia sempre %o se%tido da degradação paulati%a< Na co%cepção de /ico aco%tece o co%trário8 o homem se ele2a gradualme%te do estado bestial até a melhor forma de go2er%o< !o%sideremos s.ria das teorias do progressoA 4ue tem i%)cio com a co%cepção cristã e prossegue com a 2isão primeiro huma%istaA depois ilumi%ista 4ue seculariFa a co%cepção cristã sem re%egá la< B problema dos di2ersos es4uemas co%ceituais com 4ue os fil.aremos i%completa %ossa descrição da 2isão hist.rico e a causa das muda%ças< Oá obser2ei 4ue uma filosofia da hist.riaA a 2isão de /ico se disti%gue das filosofias da hist. de S< "I[ith< +ei.sofos t1m refletido sobre a hist. as tr1s formas clássicas V mo%ar4uiaA aristo craciaA democracia< $té a4ui e%co%tramos autores 4ueA te%do feito dessas formas um uso hist. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o Não se pode co%cluir um cap)tulo sobre a teoria de /ico sem te%tar compará la com as teorias precede%tes< +eter me ei especialme%te em dois po%tos 4ue me parecem esse%ciais para disti%guir o gra%de e temerário empree%dime%to de /ico dos esforços dos 4ue o precederam8 o se%tido do curso hist.1&.ria dos a%tigos por ser progressi2a< B e.ria %ão tem uma direção 9mo2e%do se em todos os se%tidos sem raFão plaus)2el: e de 4ue %ão se mo2e 9é estáticaA sempre igual a si mesma:< !om respeito K direção da hist.ria se caracteriFa pela direção 4ue imprime Ks muda%ças e pela %atureFa das causas pelas 4uais acredita 4ue as muda%ças te%ham ocorrido< No 4ue diF respeito ao primeiro po%toA pode se disti%guir dois modelos o do se%tido progressi2o 9do bom para o melhor: e o do se%tido regressi2o 9do mau para o pior:< Butras co%cepçIesA 4ue %ão %os i%teressam a4uiA são as de 4ue a hist.ria se esgotaA %o casoA com a adoção da forma de Estado mo%ár4uicaY 6á pelo me%os tr1s respostas poss)2eis8 a hist.ria termi%aA progride rumo a outras formas %ão pre2is)2eisA retor%a ao po%to de partida< Esta Lltima é a solução dada por /ico8 uma 2eF completado o primeiro HcursoHA a huma%idade i%gressa %uma fase de decad1%cia tão gra2e 4ue precisa recomeçar um %o2o ciclo< +epois do 8corso8 2em o 8ricorso8.rica de /ico se i%scre2e perfeitame%te %a hist.rica de /ico se %ão respo%dermos também a esta i%dagação8 4ue aco%tece 4ua%do o curso da hist.ricoA as dispuseram em ordem decresce%teA parti%do da melhor para chegar K pior< /ico faF o co%trário8 parte da pior 9a repLblica aristocráticaA 4ue ai%da %ão perte%ce ao mome%to da raFão: e chega K melhor V a 4ue co%sidera melhorA mesmo para a sua época< Porta%toA a co%cepção hist.

riaA a co%cepção de 4ue o mome%to de apar1%cia %egati2a a luta e%tre partidos ad2ersos V tem um resultado positi2o8 a i%stituição de uma forma de co%2i21%cia huma%a superior K precede%te< Embora com alguma cautelaA poder se ia falar de uma co%cepção dialética da hist.emplo %otá2el da heterog1%ese dos fi%sd:< No segu%do casoA a re2olta dos oprimidos pro2oca a i%stituição de um Estado ge%ui%ame%te %o2oA a repLblica popularA 4ue altera em substM%cia a 2elha relação de forças< 3as é importa%te %otar 4ue as duas muda%ças são i%terpretadas como mo2i me%tos de progresso hist.prio era sLdito de uma mo%ar4uia: da sua época< /ico co%templa assim o segu%do corso 9 ou primeiro ricorso e se detém a)< Perma%ece de pé o problema das causas dessas muda%çasA das passage%s de fase para fase %o curso da hist.prime uma idéia a%tago%)stica da hist.emplifica com os Pa)ses Bai./ico 1&- disti%gui%do se das teorias do progresso i%defi%ido isto éA co%t)%uoA sem regresso A pr.rdias e a guerra ci2il 9%a passagem para a mo%ar4uia:< 6á uma certa semelha%ça e%tre as causas das duas primeiras passage%sA embora as co%se4R1%cias se#am difere%tes8 %o primeiro casoA a re2olta dos oprimidos %ão le2a a uma etapa %a 4ual os oprimidos da 2éspera se tor%em os %o2os domi%adoresA masA ao co%trárioA ao reforço do dom)%io dos a%tigos se%horesA 4ue se aliam e%tre si para co%ser2ar seu dom)%io 9um e.prias dos moder%os< = preciso diFer também 4ue o tema da decad1%cia e do ricorso foi sugerido a /ico pela pr.pria hist.riaA segu%do a 4ual o curso hist.ter%a 9o tro2ão e o raio de#Lpiter:A as causas de todas as outras passage%s são i%ter%as a re2olta dos ser2os 9%a passagem para a fase das repLblicas aristocráticas:A a luta dos plebeus pelo reco%hecime%to dos seus direitos e pela igualdade #ur)dica com os patr)cios 9%a passagem para a repLblica popular:A as disc.ria de Poma8 o fim do império roma%o aparece a /ico como uma %o2a eraA 4ue ele estuda %um li2ro da sua obra mais importa%teJ é a idade medie2alA co%siderada como Hretor%o da barbárieHA ou Hsegu%dabarbárieHA compará2el K Hprimeira barbárieH 4ue deu origem ao ciclo i%icialA esgotado com a decad1%cia do Estado roma%o e as i%2asIes bárbaras< Na idade medie2alA a huma%idade retor%a K fase das fam)liasA passa pela etapa das repLblicas aristocráticas 94ue /ico diF estarem desaparece%doA da%do G1%o2aA /e%eFaA "uca e Pagusa como e.riaA e da passagem de um corso para o sucessi2o ricorso/ !om e.rico 9%ão de regresso:< (sso sig%ifica 4ueA para /icoA a lutaA o a%tago%ismoA o co%flito %ão de2em ser co%siderados fatores destruti2osA mas sim mome%tos %ecessários para o a2a%ço da sociedade< Oá 2imos 4ue 3a4uia2el aflora a %oção de 4ue a luta de classes e%tre patr)cios e plebeus foi um dos moti2os da ma%ute%ção da liberdade em Poma< !o%ti%ua%do essa liçãoA /ico e.emplos: e culmi%a %as repLblicas populares 94ue e.rico procede por meio de afirmaçIes e %egaçIesA em 4ue estas são igualme%te %ecessárias< 3esmo %a passagem da repLblica popular para a mo%ar4uiaA pode se diFer 4ue do mal %asce o bemA do facciosismo e da guerra ci2il se origi%a a forma mais ele2ada de orga%iFação pol)ticaA ai%da 4ue os partidos a%tagU%icos %ão se#am mais .ceção da passagem da fase bestial para a das fam)liasA cu#a causa é e.os e a Su)ça: e sobretudo %as mo%ar4uias 9%ão se de2e es4uecer 4ue ele pr.

dos se%tidosH .tremo8<<< o facciosismo obsti%ado e guerras ci2is desesperadas tra%sformam as cidades em sel2asA e as sel2as em co2is de home%sJ assimA Cdepois de lo%gos séculos de barbárieCA e%ferru#am se as agudeFas dos e%ge%hos maléficosA 4ue a Cbarbárie das idéiasC ti%ha tor%ado mais sel2age%s do 4ue a primeira barbárieA s.prio pa)sA %em se%do co%4uistados e co%ser2ados do e.trema da ci2iliFação K Hsegu%da barbárieH8 H3asA 4ua%do os po2os se corrompem %essa Lltima moléstia pol)ticaA %em aceita%do um mo%arca %ascido %o pr.los a%tagU%icos de%tro do mesmo partido domi%a%te< Não se pode diFer o mesmoA %o e%ta%toA a respeito da causa da muda%ça de todo o cursoA isto éA da passagem do corso ao ricorso/ /e#amosA a%tesA a pági%a espl1%dida em 4ue /ico descre2e a passagem da fase e.8 ar Krie delia riflessione8>/ Que sig%ificaY = a raFão 4ueA des2i% cula%do se de uma co%cepção pro2ide%cialista da hist.rico< $ co%se4R1%cia é ai%da mais perturbadora8 passa se de um ciclo a outroA do corso ao ricorso/ Qual é o eleme%to disti%ti2o8 de2e se procurá lo %a e.terior por melhores %açIesA a pro2i d1%cia lhes dá um remédio fort)ssimo para seu mal e. co%sigo mesma< !o%de%a%do a Hbarbárie das idéiasHA acusa% do a de co%stituir a causa pri%cipal da decad1%cia das %açIesA /ico acusa a raFão liberti%a eA por a%tecipaçãoA a ra#ão ilumi%ista 4ue co%duF sua pot1%cia i%4uisiti2a até as Lltimas co%se4R1%ciasA dessacraliFa%do a %atureFa e a hist.pressão Hbarbárie das idéiasH .1&0 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o classes em co%flitoA mas p.riaA pro2oca%do o regresso K4uela fase origi%al em 4ue o homemA depois de perder o se%tido do di2i%o e o temor de +eusA se pIe a errar outra 2eF pela sel2aA como um a%imal< Em co%clusãoA seria poss)2el afirmar 4ueA %as passage%s parciaisA do mal %asce o bemA mas 4ueA %a passagem totalA do mal %asce o malA desme%ti%do a lei dialéticaY Sim e %ão< SimA por4ue do mal da raFão e.La 1cien#a &uo(a 1econdaM 1%fase acresce%tada:< Nessa passagem as lutas i%testi%as também t1m importM%cia crucial< $ difere%ça com respeito Ks passage%s precede%tes é a segui%te8 as mesmas causas %ão geram mais os mesmos efeitos 4uer diFerA uma muda%ça de%tro do ciclo hist.cessi2a %asce o mal da perda da raFão e do retor%o ao homem 4ue é todo se%tidoA sem raFão< NãoA por4ue essa degradação radical da sociedade 4ue se feF bárbara por e.cesso de ci2iliFação é %ecessária para 4ue o homemA retor%a%do K barbárie ge%u)%a 9a dos se%tidosA %ão a das idéias: e%co%tre forças 4ue lhe permitam 2oltar a percorrer a lo%ga estrada de uma %o2a ci2iliFação< $ pro2id1%cia segurame%te fará com 4ue essa estrada supere o cami%ho precede%teA para 4ue o esforço e o sofrime%to da repetição %ão se#am 2ãos< .riaA prete%de co%tar s.

0 "spirito das Leis>.riaA embora a custo de reduFir um pouco seu escopoJ a dime%são de 3o%tes4uieu é sobretudo espacial ou geográficaV por isso prefiro defi%i la como uma teoria geral da sociedade< /ico se i%teressa particularme%te pela decifração das leis 4ue orie%taram e co%ti%uam a orie%tar o dese%2ol2ime%to hist.!ap)tulo 7 3BN?ESQ*(E* $ obra mais importa%te de 3o%tes4uieu 9105' 17--:A LG"sprit des Lois . 0 "spírito das Leis éum li2ro comple.tra europeusA ta%to 4ue uma categoria fu%dame%tal da sua co%strução co%ceituaiA o despotismoA foi eleborada sobretudo para e.5 poucos a%os depois da segu%da edição de La 1cien#a &uo(a de/ico917.ria8 +e todas as i%terpretaçIes de 0 "spírito das Leis darei 1%faseA co%sidera%do os ob#eti2os deste cursoA K 4ue o 21 como uma Hteoria geral da sociedadeH< !omo /icoA 3o%tes4uieu propIe também o problema de saber se há leis gerais 4ue presidem K formação e ao dese%2ol2ime%to da sociedade huma%aA de modo geralA e das sociedadesA co%sideradas em particular< $o co%trário de /icoA porémA 3o%tes4uieu tem uma perspecti2a mais ampla8 o escopo da erudição sem fim de /ico é em gra%de parte o mu%do clássicoA s..:< !omo La 1cien#a &uo(a.plicar a %atureFa dos go2er%os 4ue %ão perte%cem ao mu%do europeu< $ parteA ta%to para /ico como para 3o%tes4uieuA está o mu%do dos Hsel2age%sHA dos po2os primiti2os< 3as a difere%ça profu%da e%tre os dois autores é outra8 a dime%são de /ico é sobretudo temporalA raFão por 4ue aprese%tei suas idéias pri%ci palme%te como filosofia da hist.rico da huma%idadeJ .oA 4ue pode ser i%terpretado de difere%tes modos< Não é uma obra de teoria pol)ticaA embora co%te%ha uma teoria pol)ticaA 4ue será o ob#eto e. margi%alme%te o mu%do medie2al e moder%oJ com 1%fase %os Estados europeus< No horiFo%te de 3o%tes 4uieuA co%tudoA e%tram e ocupam posição determi%a%te os Estados e.clusi2o do estudo 4ue faremos a4ui< +e todas as i%terpretaçIes de La 1cien#a &uo(a ace%tuei especialme%te a 4ue a co%sidera uma filosofia da hist. é de 17.

emplo clássico é a relação de causalidadeA a 4ual %os permite diFer 4ue dois seres f)sicos co%stituem um a causa do outro 4ua%doA dado o primeiroA segue se %ecessariame%te o segu%do< +essas duas afirmati2as isto éA a defi%ição de lei como e%u%ciado de relação %ecessária e%tre dois ou mais seres e a co%statação de 4ue todas as coisas são go2er%adas por leis 3o%tes4uieu e. %o tempo mas também %o espaço< +esde o primeiro cap)tulo da gra%de obra de 3o%tes4uieuA i%titu lado H+as "eis em GeralHA fica claro 4ue o seu i%teresse é pri%cipalme%te a descoberta das leis 4ue go2er%am o mo2ime%to e as formas das sociedades huma%asA para tor%ar poss)2el a elaboração de uma teoria da sociedade< Oá as primeiras li%has são dedicadas a uma defi%ição das leis8 HNo seu sig%ificado mais amploA as leis co%stituem as relaçIes %ecessárias 4ue deri2am da %atureFa das coisasJ %este se%tidoA todos os seres t1m suas pr.1&5 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o 3o%tes4uieuA sobretudo pela e.trai uma co%se4R1%cia8 o mu%do %ão é go2er%ado por Hcega fatalidadeH< ?a%to 4ueA depois de e.por a teoria 4ue prete%de re#eitarA reiteraA em fa2or da teoria 4ue 4uer suste%tarA a tese i%icial sobre a e.asA por4ueA embora a afirmati2a possa parecer espa%tosaA Ho mu%do da i%telig1%cia está bem lo%ge de ser tão bem go2er%ado 4ua%to o mu%do f)sicoH< Por 4u1Y +e2ido K %atureFa i%telige%te do homemA 4ue o le2a a %ão obser2ar as leis da %atureFaA bem como as 4ue impUs a si mesmo como 2eremos adia%te< B fato de 4ue o homem se i%cli%aA pela sua pr.clusi2ame%te pelas leis %aturaisA se%do porta%to mais fácil de apree%derA e de a%alisarA %os seus mo2ime%tos mais regulares u%iformesA o u%i2erso do homem é i%flue%ciado pela lei %aturalA comum a todosA e por leis posid2as 4ueA de2e%do adaptar se Ks difere%tes modalidades de orga%iFação socialA di2ergem de po2o para po2o< Por isso .ar de ha2er também o outro< B e.prias leis8 a di2i%dadeA o mu%do materialA as i%teli g1%cias superiores ao homemA os a%imaisA os seres huma%osH< $ defi%ição %ão é muito clara ou precisa< No 4ue diF respeito ao %osso i%teresseA porémA ela pode le2ar a pelo me%os duas afirmati2as8 a: todos os seres do mu%do 9i%clusi2e +eus: são go2er%ados por leisJ b: tem se uma lei 9melhor dito8 é poss)2el e%u%ciar uma lei: sempre 4ue há relaçIes %ecessárias e%tre dois seresA de modo 4ueA dado um delesA %ão pode dei.ist1%cia das leisA com estas pala2ras8 H6á porta%to uma raFão primiti2aA e as leis são as relaçIes e%tre ela e os 2ários seresA bem como as relaçIes destes Lltimos e%tre siH< $té este po%to poder se ia diFer 4ue 3o%tes4uieu prete%de co%si derar o u%i2erso do homem como o f)sico co%sidera o u%i2erso %atural< 3as %o primeiro as coisas são um pouco mais comple.plicação da 2ariedade das sociedades huma%as e seus respecti2os go2er%osA %ão s.pria %atureFaA a desobedecer as leis %aturaisA tem uma co%se4R1%cia 4ue disti%gue %itidame%te o mu%do f)sico do huma%o8 para assegurar o respeito Ks leis %aturaisA os home%s foram obrigados a dar se outras leis as leis positi2asA promulgadas em todas as sociedades pela autoridade K 4ual i%cumbe ma%ter a coesão do grupo< $co%tece assim 4ueA e%4ua%to o mu%do da %atureFa é dirigido e.

3o%tes4uieu 1&' o estudo do u%i2erso huma%o é muito mais complicadoA o 4ue pode e;plicar por 4ue as ci1%cias f)sicas t1m progredido mais do 4ue as sociais< Bs dois pla%os disti%tos em 4ue se situam os dois tipos de lei ficam e2ide%tes %esta passagem8 H+e modo geralA a lei é a raFão huma%a e%4ua%to go2er%a todos os po2os da terraJ e as leis pol)ticas e ci2is de todas as %açIes %ão de2em ser se%ão os casos particulares em 4ue se aplica essa raFão huma%aH< $ relação e%tre a lei %atural e as leis positi2as é a 4ue e;iste e%tre um pri%c)pio geral e suas aplicaçIes práticas< $ lei %atural se limita a e%u%ciar um pri%c)pioA comoA por e;emploA a4uele segu%do o 4ual as promessas de2em ser ma%tidasJ as leis positi2as estabelecem a cada mome%to e de forma di2ersa de acordo com as difere%tes sociedades HcomoH de2em ser feitas as promessas para 4ue se#am 2álidas as sa%çIes impostas aos 4ue %Ko as ma%ti2eremA para tor%ar mais pro2á2el sua e;ecuçãoA etc< 3o%tes4uieu disti%gue tr1s espécies de leis positi2as8 as 4ue regulam as relaçIes e%tre grupos i%depe%de%tes 9por e;emploA e%tre os Estados:A as 4ue regulam as relaçIes e%tre go2er%a%tes e go2er%ados de%tro de um grupo e as 4ue regulam o relacio%ame%to dos go2er%ados e%tre si< !o%stituemA respecti2ame%teA o direito das ge%tes 9direito i%ter%acio%al:A o direito pol)tico 9direito pLblico: e o direito ci2il 94ue ai%da ho#e co%hecemos por esse %ome:< *ma 2eF co%statada a disti%ção e%tre uma lei %atural de caráter u%i2ersal e as leis positi2as particularesA o estudo do u%i2erso huma%o e;igeA ao co%trário do estudo do u%i2erso %aturalA o co%hecime%to mais amplo poss)2el das leis positi2asA isto éA das leis 4ue mudam com o tempo e o lugar< S. se pode elaborar uma teoria geral da sociedade 9como a defi%e 0 "spírito das Leis> com base %o estudo das sociedades particulares< B ob#eti2o de 3o%tes4uieu é co%struir uma teoria geral da sociedade a partir da co%sideração do maior %Lmero poss)2el de sociedades hist. ricas< Por 4ue raFão ta%tas sociedades difere%tesA cada uma com seus ritosA costumesA leis di2ersasA se as leis %aturais são u%i2ersaisY $ i%te%ção fu%dame%tal de 0 "spírito das Leis é #ustame%te e;plicar essa 2ariedade< B tema da multiplicidade das leis 4ue faF com 4ue o 4ue é #usto de um lado dos $lpes se#a i%#usto do outro lado é tão a%tigo 4ua%to a refle;ão sobre as sociedades huma%as< = um desses temas 4ue podem receber as respostas mais di2ersasA cada uma das 4uais caracteriFa%do uma determi%ada co%cepção da %atureFa e do homem< Pode se respo%der 4ue essa 2ariedade é i%compree%s)2el para a me%te do homem por4ue é dese#ada por uma me%te superiorA 4ue %a sua i%fi%ita sabedoria faF co%2ergirem todas as formas de ci2iliFação para uma misteriosa u%idade< Pode se achar também 4ue %ão há 4ual4uer e;plicação racio%al para tal 2ariedadeJ 4ue a hist.riaA com suas estra%heFas e aberraçIesA é o fruto da loucura do homemA ou e%tão do puro acaso< 3as a solução proposta por 3o%tes 4uieu é difere%te8 a multiplicidade das leis tem uma raFãoA cu#as ra)Fes podem ser e%co%tradasA desde 4ue se apli4uem ao u%i2erso huma%o métodos de estudo tão rigorosos 4ua%to o dos f)sicosA e desde 4ue se adote o mesmo esp)rito de obser2ação< Pesumi%do as co%clusIes a 4ue chega pelo e;ame de e%orme 4ua%tidade de dadosA postos K sua disposição pela

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$ ?eoria das >ormas de Go2er%o

filosofia pol)ticaA as %arrati2as hist.ricas e os relatos de 2ia#a%tesA afirma 4ue as causas da 2ariedade das leis são de tr1s categorias8 Hf)sicasH ou H%aturaisHA como o climaA a maior ou me%or fertilidade do soloJ Heco%Umico sociaisH como o modo de subsist1%cia 9disti%gui%do seA sob este prismaA os po2os sel2age%sA caçadoresJ bárbarosA pastoresJ ci2isJ agricultores e depois comercia%tes:J e HespirituaisHA como a religião< $p.s a aprese%tação sumária do sig%ificado da obra de 3o%tes4uieuA cabe %otar a posição ce%tral 4ue %ela ocupa %osso tema as formas de go2er%o< Para 3o%tes4uieuA as categorias gerais 4ue permitem orde%ar sistematicame%te as 2árias formas hist.ricas de sociedade correspo%dem aos di2ersos tipos de orga%iFação pol)tica< $4ui também a tipologia das formas de go2er%o assume uma importM%cia decisi2a para a compree%são 9o uso sistemático:A a a2aliação 9o uso prescriti2o: e a i%terpretação hist.rica 9o uso historiográfico: da fe%ome%ologia social< B 4ue muda em 3o%tes4uieu é o co%teLdo da tipologiaA 4ue %ão correspo%de mais %em K classificação tradicio%al 9a tripartiçãoA com base %o H4uemH e %o HcomoH: %em K tipologia ma4uia2elia%a 9a biparti ção em pri%cipados e repLblicas:< B "i2ro (( tem i%)cio com um cap)tulo i%titulado H+a NatureFa dos ?r1s +ifere%tes ?ipos de Go2er%oHA 4ue co%2ém reproduFir8 H6á tr1s espécies de go2er%o8 o Crepublica%oCA o Cmo%ár4uicoC e o Cdesp.ticoC<<< Estou pressupo%do tr1s defi%içIes ou melhorA tr1s fatos8 o go2er%o republica%o é a4uele %o 4ual todo o po2oA ou pelo me%os uma parte deleA detém o poder supremoJ o mo%ár4uico é a4uele em 4ue go2er%a uma s. pessoaA de acordo com leis fi;as e estabelecidasJ %o go2er%o desp.ticoA um s. arrasta tudo e a todos com sua 2o%tade e caprichosA sem leis ou freiosH< $ difere%ça e%tre esta tipologia e as a%teriores salta aos olhos< $s primeiras duas formas correspo%dem Ks duas formas de 3a4uia2el8 a HrepLblicaH compree%de a4uiA com efeitoA ta%to a aristocracia 4ua%to a democraciaA co%forme o poder se#a e;ercido por Htodo o po2oH ou s. uma parte< = o 4ue 3o%tes4uieu afirmaA logo em seguida8 HQua%doA %a repLblicaA é o po2o i%teiro 4ue dispIe do poder supremoA tem se uma democracia< Qua%do o poder supremo se e%co%tra %as mãos de uma pa%e do po2oA uma aristocraciaH< B 4ue sig%ifica 4ue também para 3o%tes4uieu a difere%ça fu%da me%tal com respeito ao poder sobera%o é ide%tificada %o go2er%o de um s. e %o go2er%o de mais de uma pessoa 9%ão importa se os go2er%a%tes são muitos ou poucos:< 3as a tipologia de 3o%tes4uieu difere da de 3a4uia2el por ser tr)pliceA como a dos a%tigos< !om uma peculiaridade8 chega K tripartição pelo acréscimo de uma forma de go2er%o tradicio %alme%te co%siderada forma espec)fica de mo%ar4uia 9Bodi% também pe%sa2a assimA como 2imos:A 4uer diFerA do despotismo< Se co%siderar mos mais de perto a defi%ição dada ao despotismo por 3o%tes4uieuA %a passagem 4ue reproduFimosA perceberemos 4ue ele o defi%e %os mesmos termos com 4ue se 2i%ha defi%i%do tradicio%alme%te a tira%iaA em especial a tira%ia e, parte e,ercita isto éA como go2er%o de uma s. pessoaA Hsem leis ou freiosH< Em sumaA a terceira forma de go2er%o de 3o%tes4uieu correspo%deA %a teoria clássicaA a uma das formas más ou

3o%tes4uieu 131 corrompidas< $ co%se4R1%cia é 4ue a tipologia 4ue estou descre2e%do é basta%te a%Umala com respeito a todas as tipologias 4ue e;ami%amos até a4ui8 a a%omalia co%siste %o fato de 4ue mistura dois critérios difere%tes o dos su#eitos do poder sobera%oA 4ue permite disti%guir a mo%ar4uia da repLblicaA e o do modo de go2er%arA 4ue le2a K disti%ção e%tre mo%ar4uia e despotismo< Em outras pala2rasA 3o%tes4uieu utiliFa simulta%eame%te os dois critérios tradicio%ais um deles para caracteriFar a primeira forma com relação K segu%daA o outro para disti%guir a segu%da da terceira< $lém de a%UmalaA a tipologia de 0 "spírito das Leis pode dar a impressão de i%completa8 de fatoA aprese%ta%do o despotismo como L%ica forma dege%eradaA dei;a e%te%der 4ue %ão há formas corrompidas de repLblica< $té a4ui 2imos tipologias 4ue ou %egam a disti%ção e%tre formas boas e más 9como as de Bodi% e 6obbes: ou duplicam todas as formas boas 9e %ão s. a mo%ar4uia: %as respecti2as formas más< 3o%tes4uieuA porémA acolhe o critério a;iol.gicoA mas s. o aplica a uma das formas< Precisa remos deduFir 4ue a repLblica democrática ou aristocrática %ão é suscept)2el de dege%eraçãoY /ou citar pelo me%os um trecho em 4ue 3o%tes4uieu parece co%tradiFer seA %o "i2ro /(((A ao tratar da Hcorrup çãoH dos pri%c)pios 4ue regem os go2er%os< >ala da corrupção da democracia e da aristocracia eA a prop.sito da segu%daA afirma8 H!omo as democracias se arrui%am 4ua%do o po2o %ão reco%hece a autoridade do se%adoA dos magistrados e #uiFesA as mo%ar4uias se corrompem 4ua%do são retirados os pri2ilégios das cidades e as prer rogati2as das orde%s< No primeiro casoA chega se ao Cdespotismo de todosCJ %o outroA ao despotismo de um s.H< Note se a e;pressão Hdespotismo de todosHA 4ue se co%trapIe a Hdespotismo de um s.H< ?rata se de e;pressão impr.pria8 se o go2er%o democrático também se pode corromper 9de%omi%e se ou %ão esta forma corrupta de HdespotismoH:A como %o caso do go2er%o mo%ár4uicoA a tripartição pri%cipal das formas de go2er%o 9em 4ue a corrupção da mo%ar4uia é a L%ica forma dege%erada: é de fato i%completa< Não abra%ge toda a 2ariedade dos go2er%os i%stitu)dos pelos home%s %o lo%go curso da sua hist.ria< $o e;ami%ar cada teoria das formas de go2er%o ti2e sempre a preocupação de demo%strar o modo mais ou me%os direto como se pre%dia K realidade hist.rica co%siderada pelo seu propo%e%te< Procurei mostrar 4ue essas teorias %u%ca são especulaçIes purame%te li2rescas< B mesmo se pode diFer da teoria de 3o%tes4uieuA cu#a apare%te a%omalia e caráter i%completo s. se e;plicam 4ua%do a co%sideramos como i%terpre tação da hist.ria do seu tempoA e da hist.ria do passado de acordo com uma i%terpretação pessoal< Oá come%tei 4ue a obra de 3o%tes4uieu se disti%gue da de /ico pela e%orme importM%cia 4ue %ela tem o mu%do e;tra europeuA especialme%te o asiático< BraA a categoria do despotismoA ele2ada pela primeira 2eF ao %)2el de uma das formas t)picas de go2er%o 94ua%do até e%tão o despotismo era co%siderado um tipo de mo%ar4uia:A tor%a se esse%cial para a compree%são do mu%do orie%tal< = como se disséssemos 4ueA uma 2eF admitido o mu%do orie%tal %o %osso campo de

ão fu% .ria de Poma podia ser di2idida %os segui%tes per)odos8 a mo%ar4uia i%icialA a repLblica 9primeiro democráticaA depois aristocráti ca:A o despotismo do per)odo imperial< Note se a difere%ça com respeito K i%terpretação de /icoA 4ue #ulga de forma positi2a o império roma%o 9pelo me%os %os seus primeiros a%os: por co%siderar o pri%cipado como correspo%de%te ao go2er%o mo%ár4uicoA 4ue para ele é a melhor forma de go2er%o< Em comparação com as tipologias precede%tesA a de 3o%tes4uieu aprese%ta outra %o2idade8 está formulada em dois pla%os di2ersosA o da H%atureFaH dos go2er%os e o dos Hpri%c)piosH 4ue os orie%tam< $s defi%içIes dos tr1s go2er%osA dadas até agoraA correspo%dem K sua %atureFaJ mas eles podem ser caracteriFados também com base %os respecti2os pri%c)pios< 3o%tes4uieu e.13& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o obser2açãoA %ão se pode mais dispe%sar a categoria do despotismo para elaborar uma tipologia corretaA e completaA das formas de go2er%o< = tão profu%da a co%2icção de 3o%tes4uieu de 4ue o mu%do e.ticoHA ou Hse%horialHA mas sim Hpater%alH:< 3o%tes4uieu dedica um cap)tulo 9cap< 77( do "i2ro /(((: a rebater H%ossos missio%áriosA 4ue %os falam do 2asto império chi%1s como um go2er%o admirá2elHA co%clui%do o com as segui%tes pala2ras8 H$ !hi%a éA porta%toA um Estado desp.tra europeuA especialme%te o asiáticoA %ão pode ser abra%gido pelas categorias hist.Ies huma%as 4ue o faFem mo2er seH< $ H%atureFaH de um go2er%o deri2a da sua HestruturaHA isto éA da co%stituição 4ue regula de certo modo difere%te em cada forma H4uemH go2er%aA e HcomoH< 3as as formas de go2er%o podem ser caracteriFadas tambémA de acordo com 3o%tes4uieuA pela pai.plica assim a difere%ça e%tre %atureFa e pri%c)pio8 H$ difere%ça e%tre a %atureFa do go2er%o e seu pri%c)pio é 4ue a %atureFa o faF ser o 4ue éA e o pri%c)pio o faF agir< $ primeira correspo%de a sua estrutura particularJ o segu%doA Ks pai.ricas utiliFadas há mil1%ios para compree%der o mu%do europeu 4ue a !hi%a é aprese%tada como e.emplo t)pico de despotismoA embora os ilumi%istas a e.ria passadaA especialme%te a de PomaA 4ue ha2ia estudado como todos os gra%des escritores pol)ticosA depois de Pol)bio A especialme%te %um li2ro a%terior a 0 "spírito das Leis.ticoA baseado %o pri%c)pio do medo< = poss)2el 4ue sob as primeiras di%astiasA 4ua%do o império ai%da %ão se este%dera ta%toA a4uele go2er%o se afastasse por 2eFes desse esp)rito< 6o#eA porémA %ão é mais assimH< $ tipologia de 3o%tes4uieu se tor%a mais clara se a i%terpretamos como reiteração da classificação tradicio%alA pelo me%os da posterior a 3a4uia2elA 4ue basea%do se %as tra%sformaçIes ocorridas %a sociedade européiaA classifica todos os Estados como repLblicas ou pri%cipadosA com um acréscimo8 a categoria 4ue ser2e para i%cluir %o es4uema geral das formas de go2er%o o mu%do orie%tal< +e2e se acresce%tar 4ue 3o%tes4uieu podia ter co%firmado sua tipologia com base %a hist. i%titulado Consid)rations sur les Causes de 6a =randeur des Romains et de leur D)cadence 91733:< $ hist.altassem como modelo de bom go2er%o 9i%terpre ta%do a %ão como go2er%o Hdesp.

Ies fa2orecem a ho%raA e são por ela fa2orecidasJ mas a 2irtude pol)tica é uma re%L%cia a si mesmoA sempre pe%osa< Podemos defi%i la como o amor das leis e da pátria amor 4ueA e.ãoH do tira%oA por 3o%tes4uieu %a Hpai.3o%tes4uieu 133 dame%tal 4ue i%duF os sLditos a agir de co%formidade com as leis estabelecidasA permiti%do assim a durabilidade de todo orde%ame%to pol)tico< Esta Hpai.igi%do a prefer1%cia co%t)%ua do i%teresse pLblicoA em oposição ao pri2adoA produF todas as 2irtudes particularesA as 4uais %ão são mais do 4ue essa prefer1%ciaH< E mais ai%da8 H$ 2irtude republica%a é coisa e.tremame%te simples8 é o amor pela repLblica um se%time%toA %ão a se4Rela de percepçIesJ pode ser e.ticos %asce por si s.IesH 4ue imprimem um caráter espec)fico Ks difere%tes classes dirige%tesA represe%tadas pelo homem timocráticoA o oligár4uicoA etc< *sa%do o termo Hpri%c)pioHA como 3o%tes4uieuA podemos diFer 4ueA para PlatãoA o pri%c)pio da timocracia é a ho%raA o da oligar4uia a ri4ueFaA o da democracia a liberdadeA o da tira%ia a 2iol1%cia< Quais são os tr1s pri%c)pios de 3o%tes4uieuY São os segui%tes8 a 2irtude c)2icaA para a repLblicaJ a ho%raA para a mo%ar4uiaJ o medoA para o despotismo< *m s.perime%tada por todos os cidadãosA do primeiro ao Lltimo< $o receberA uma 2eF para sempreA boas má.ãoH fu%dame%talA 4ue 3o%tes4uieu chama muitas 2eFes de HmolaHA %ecessária para 4ue todo go2er%o possa dese%2ol2er ade4uadame%te suas tarefasA é o Hpri%c)pioH< Esta tese da di2ersidade dos pri%c)pios 4ue i%spiram os di2ersos orde%ame%tos pol)ticos também %ão é %o2aJ lembra a tipologia platU%icaA 4ue se fu%dame%ta em parte %as di2ersas Hpai. parte pnncipis. a 2irtude moral 9uma disposição merame%te i%di2idual:A mas a atitude 4ue 2i%cula i%timame% te o i%di2)duo a tudo de 4ue participa< Pepetidame%te a caracteriFa como Hamor da pátriaHA como %a passagem segui%te8 HB temor dos go2er%os desp.imasA o po2o as segue por mais tempo do 4ue a4ueles 4ue co%hecemos como home%s de bo%s costumes< Para me%te a corrupção se origi%a %o po2o< 3uitas 2eFes a limitação das suas luFes faF com 4ue se apegue mais K ordem estabelecida< B amor da pátria le2a aos bo%s costumesA e estes ao amor da pátriaH< Este modo de defi%ir a 2irtude pro2ocouA desde a época de 3o%tes 4uieuA muitas ob#eçIesA começa%do com as de /oltaireA para 4uem a 2irtude caracteriFa2a os go2er%os mo%ár4uicosA e a ho%raA os republica %os< +e modo geral pergu%ta2a se8 a 2irtude %ão era %ecessária a todas as formas de go2er%oY 3o%tes4uieu respo%de com a ad2ert1%cia i%scrita %as ediçIes sucessi2as da sua obra8 HPara compree%der os 4uatro primeiros li2ros desta obraA é preciso le2ar em co%ta8 1: 4ue o 4ue chamo de 2irtudeA %as repLblicasA %ão é se%ão . parte populi 9 como se 21 perfeitame%te %o caso da tira%ia ou despotismoA caracteriFado por Platão com base %a Hpai.ãoH dos sLditos< Por H2irtudeH 3o%tes4uieu 4uer diFer %ão s. a ho%ra é comum a Platão e a 3o%tes4uieu< 3as se obser2armos com cuidado as duas tipologiasA 2eremos 4ue a platU%ica é feita e.A e%tre ameaças e castigosJ %as mo%ar4uiasA as pai. a de 3o%tes4uieuA e.

erc)cio da 2irtude e%4ua%to amor da pátria< $ma se a pátria como algo 4ue é de todos8 ela é percebida como perte%ce%te a todosA 4ue se co%sideram iguais e%tre si< 3e%os fácil de compree%der e de defi%ir é o co%ceito de ho%ra 94ue 3o%tes4uieu %ão defi%e:< E%tre as 2árias passage%s a este respeitoA a mais clara me parece a segui%te8 H!o%forme #á dissemosA o go2er%o mo%ár4uico pressupIe a e.pressIes< B se%time%to da ho%ra %ão é de todosA %em para todos8 é a HmolaH da4ueles a 4uem o sobera%o co%fia a direção do EstadoA e 4ue por isso co%stituem grupos limitadosA e pri2ilegiados< $ HmolaH do despotismo o medo %ão re4uer 4ual4uer come%tário especial< Bastará uma citação8 H!omo a 2irtude %a repLblicaA e a ho%ra %a mo%ar4uiaA %o go2er%o .13.plicar %uma sociedade de iguaisA a ho%ra pressupIe uma sociedade de desiguaisA baseada %a difere%ciação hierár4uicaA %a prese%ça de orde%s ou classes pri2ilegiadasA Ks 4uais são co%fiados com e.clusi2ame%te pelo dese#o de ter ou de ma%ter uma boa reputação< $ 2irtude republica%a %os faF agir te%do em 2ista o bem comumA mas a ho%ra é uma HmolaH i%di2idual 9como o i%teresse: 4ue ser2e co%tudo ao bem comumA i%depe%de%teme%te da 2o%tade i%di2idualA pois le2a ao cumprime%to do de2er< B esse%cial é 4ue ha#a em todas as sociedades HmolasHA ou Hpai.ist1% cia de estratosA de posiçIes de preemi%1%cia socialA e também de uma %obreFa origi%al< Pela sua %atureFaA a ho%ra e.prios go2er%ados< = um co%ceito importa%teA 4ue co%dicio%a o e.IesHA 4ue le2em seus membros a cumprir os respecti2os de2eres V a%tes de mais %ada o de obedecer Ks leis< $o co%trário da 2irtude republica%aA 4ue s.clusi2idade os cargos de go2er%oA e 4ue ret1m o poder pLblico %as suas 2árias e. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o o amor da pátriaA isto éA da igualdade %ão uma 2irtude moralA ou cristãA mas sim pol)tica8 a mola 4ue impulsio%a o go2er%o republica%oA como a ho%ra é a mola 4ue impulsio%a a mo%ar4uia< !hamei porta%to de 2irtude pol)tica o amor da pátria e da igualdadeH< $o precisar a %oção de 2irtude como mola das repLblicasA 3o%tes 4uieu recorre tambémA como 2imosA ao co%ceito de igualdade< = um co%ceito 4ue de2e ser salie%tado por4ue ser2e para disti%guir a repLblica 9isto éA a repLblica democrática: de outras formas de go2er%oA fu%dame% tadas %a desigualdade irredut)2el e%tre go2er%a%tes e go2er%ados e %a irredut)2el desigualdade e%tre os pr.ige disti%çIes e prefer1% cias8 ela se situaA porta%toA %um go2er%o 4ue é também assim< $ ambição é perigosa %uma repLblicaA mas tem bo%s efeitos %uma mo%ar4uiaJ dá lhe 2ida e tem a 2a%tagem de %ão lhe traFer perigoA por4ue pode facilme%te ser reprimida< Pode se ia diFer 4ue o mesmo aco%tece com o sistema do u%i2ersoA o%de há uma força 4ue afasta do ce%tro i%cessa%te me%te todos os corposA e%4ua%to a gra2idade os reco%duF ao ce%tro< $ ho%ra faF com 4ue se mo2ime%tem todas as partes do corpo pol)ticoA liga%do os com sua pr.pria açãoJ por outro ladoA todos se dirigem para o bem comumA acredita%do orie%tar se pelos i%teresses particularesH< Por Hho%raH se e%te%de a4uele se%time%to 4ue %os le2a a e. se pode e.ecutar uma boa ação e.

cel1%cia do Go2er%o 3o%ár4uicoHA ele diF8 HB go2er%o mo%ár4uico aprese%ta uma gra%de 2a%tagem com relação ao desp. pessoaA 4ue caracteriFa o go2er%o desp. K teoria do despotismo como K teoria da repLblica e%u%ciada por PousseauA para 4uemA uma 2eF estabelecida pelo pacto social a 2o%tade geralA L%ica titular da sobera%iaA dei.tico< !omo sua %atureFa e.tico é preciso o medo8 %ele a 2irtude é des%ecessáriaA e a ho%ra seria perigosaH< $pro2eito porém a oportu%idade e chamo a ate%ção para a importM% cia hist.3o%tes4uieu 13desp. %o despotismo tradicio%alA mas também %a ditadura #acobi%aA um triste efeito da supressão dos corpos i%termediários< "imito me a4ui a ace%tuar a importM%cia 4ue essa %oção do go2er%o mo%ár4uicoA caracteriFado pela prese%ça dos corpos i%termediáriosA tem %a teoria de 3o%tes4uieu .pria autoridade< Estes co%trapoderes são corpos pri2ilegiadosA 4ue e.am de ser admiss)2eis as Hsociedades parciaisHA 4ue se i%terpIem e%tre os i%di2)duos e o total social um ideal apreciado pelas doutri%as liberais do século 7(7A 4ue 2erão %ão s.ige 4ue o pr)%cipe te%ha debai.o de si 2árias orde%s relati2as K co%stituiçãoA o Estado é mais resiste%teA a co%stituição mais i%abalá2elA a pessoa dos go2er%a%tes mais seguraH< Essa comparação e%tre despotismo e mo%ar4uia aprese%ta a mo%ar 4uia como a forma de go2er%o em 4ue há uma fai.ticoJ permitem uma primeira 9mas %ão L%ica: forma de di2isão do poder a Hdi2isão horiFo%talHA 4ue se co%trapIe K H2erticalHA sobre a 4ual falaremos mais adia%te< Não é o caso de dese%2ol2er a4ui a importM%cia da teoria dos corpos i%termediários para o Estado moder%oJ basta diFer 4ue ela se co%trapIe %ão s.a de poderes i%termediários e%tre os sLditos e o sobera%o8 os Hco%trapoderesHA 4ue impedem o abusoA pelo mo%arcaA da sua pr.rica 4ue terá o pri%c)pio do medo como i%tegra%te da categoria do despotismoA meio século depois da publicação da obra de 3o%tes4uieu< No fim da4uele séculoA pela primeira 2eF %a hist.ria do despotismoA uma ditadura a dos #acobi%os será chamada de Hregime de terrorH< +a) em dia%teA ditadura re2olucio%ária e terror serão co%siderados como o resultado co%#u%to do mesmo estado de %ecessidade< Para Sai%t Oust e Pobes pierreA o terror é %ecessário para i%staurar o rei%o da 2irtude uma outra categoria de 3o%tes4uieuA a repLblica democrática< Pobespierre diráA %um discurso célebreA 4ue Ha mola do go2er%o popular %a re2olução é ao mesmo tempo a H2irtudeH e o HterrorH8 a 2irtudeA sem a 4ual o terror é fu%estoJ o terrorA sem o 4ual a 2irtude é impote%teH< $té a4ui co%siderei a tipologia de 0 "spirito das Leis pri%cipalme%te %o seu aspecto sistemático e em parte historiografia:< Que diFerA porémA do seu uso prescriti2oY Em outras pala2rasA 4ual o ideal pol)tico de 3o%tes4uieuY $o respo%derA e%trarei %a parte historicame%te mais importa%te da sua obra< Não há dL2ida de 4ue a prefer1%cia de 3o%tes4uieu se i%cli%a para a mo%ar4uia< !o%tudoA a mo%ar4uia para ele é uma forma de go2er%o 4ue se disti%gue mais ai%da do despotismo do 4ue da repLblicaA por4ue o poder do mo%arca é co%trolado pelos chamados corpos i%termediários< No cap)tulo i%titulado H$ E.ercem fu%çIes estatais e impossibilitam a co%ce%tração do poder pLblico %as mãos de uma s.

ti cos:< Não faF féA por outro ladoA o t)tulo do cap)tulo 7 do "i2ro (((A 4ue soa H+ifere%ças e%tre a obedi1%cia %os go2er%os moderados e %os go2er%os desp. pessoa< Pecordem se as e.cede sua compet1%ciaH< E%co%traremos e.ecuti2a e a #udiciária< Essas duas di2isIes podem coi%cidirA %o caso de 4ue caiba cada uma das tr1s fu%çIes a uma das tr1s partesA mas tal coi%cid1%cia %ão é .dio co%tra a 2iol1%ciaA a maior pa%e dos po2os se submeteJ o 4ue se pode compree%der facilme%te< Para formar um Cgo2er%o moderadoC é %ecessário reu%ir as pot1%ciasA dirigi lasA moderá lasA faF1 las atuarJ dar lastro a umaA para 4ue possa resistir K outra8 uma obra prima de legislação 4ue o acaso e a prud1%cia rarame%te co%seguem realiFarH< !omo os Hgo2er%os moderadosH podem ser também republica%osA somos le2ados a pe%sar 4ue a tipologia ter%ária das formas de go2er%o poderia ser substitu)da 9se se i%troduFisse o emprego prescriti2o: por uma classificação duplaA era go2er%os moderados e imoderados 9ou desp.rico do go2er%o mistoA Pol)bioA 4ua%do diF 4ue %um go2er%o misto H%e%huma das partes ultrapassa a medida e e.ticosH< EA ai%da uma 2eFA 4ue é 4ue faF de um determi%ado tipo de orga%iFação pol)tica um Hgo2er%o moderadoHY B trecho citado é claro8 a distribuição do poder de tal modo 4ueA ha2e%do poderes co%trapostosA %e%hum deles te%ha co%diçIes de atuar arbitrariame%te< $o lado de uma di2isão horiFo%tal do poder háA em 3o%tes4uieuA uma di2isão H2erticalHA 4ue co%stitui a célebre teoria da separação dos poderes< +e todas as teorias do autor de 0 "spírito das Leis foi esta segu rame%te a 4ue te2e maior pro#eçãoA ta%to 4ue as primeiras co%stitui çIes escritasA a %orte america%a de 1770 e a fra%cesa de 17'1A são co%sideradas suas aplicaçIes< Oá a me%cio%amos %a parte fi%al do cap)tulo sobre 6obbes< /ale a pe%a repetir a4ui 4ue essa teoria pode ser co%siderada como a i%terpretação moder%a da teoria clássica do go2er%o misto< 6á uma u%idade de i%spiração %o go2er%o misto e %o Hgo2er%o moderadoH de 3o%tes4uieu8 as duas %oçIes deri2am da co%2icção de 4ueA para e2itar o abuso do poderA este de2e ser distribu)do de modo 4ue o poder supremo se#a co%se4R1%cia de um #ogo de e4uil)brio e%tre di2ersos poderes parciaisA e %ão se co%ce%tre %as mãos de uma s.130 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o co%siderada sob seu aspecto prescriti2oA por4ue i%troduF %a tipologia dos go2er%os uma figura %o2a a do Hgo2er%o moderadoH< "eia se esta passagem8 H<<< pareceria 4ue a %atureFa huma%a de2eria rebelar se co%ti%ua me%te co%tra o go2er%o desp.pres sIes a%álogas em 3o%tes4uieu< Porém e%tre go2er%o misto e go2er%o moderado há uma difere%ça com respeito ao modo como é co%cebido tal distribuição dos poderes< B go2er%o misto deri2a de uma recomposição das tr1s formas clássicasA e porta%to de uma distribuição do poder pelas tr1s partes compo%e%tes da sociedadeA e%tre os di2ersos poss)2eis Hsu#eitosH do poderA em particular e%tre as duas partes a%tagU%icas os ricos e os pobres 9patr)cios e plebeus:< B go2er%o moderado de 3o%tes4uieu deri2aA co%tudoA da dissociação do poder sobera%o e da sua partição com base %as tr1s fu%çIes fu%dame%tais do Estado a legislati2aA a e.ticoJ co%tudoA malgrado seu amor pela liberdadeA e seu .pressIes usadas pelo primeiro te.

3o%tes4uieu 137 %ecessária< !ertame%te ela %ão i%teressa de modo especial a 3o%tes4uieu< S. lhe i%teressa a di2isão dos poderes segu%do as fu%çIesA %ão de acordo com as partes 4ue compIem a sociedade< $o elogiar 9como costumam faFer os te.ricos do go2er%o misto: a repLblica roma%aA %ão a elogia por co%siderá la um go2er%o mistoA mas por4ue a co%sidera um go2er%o moderadoA baseado %a di2isão e %o co%trole rec)proco dos poderes8 H$s leis de Poma ti%ham di2idido sabiame%te o poder pLblico %um gra%de %Lmero de magistraturasA 4ue se susti%hamA se frea2am e se tempera2am reciprocame%teJ como elas s. ti%ham um poder limitadoA 4ual4uer cidadão podia e;erc1 las< E o po2oA 2e%do passar uma sucessão de ocupa%tes desses cargosA %ão se habitua2a a %e%hum deles em $ teoria da separação dos poderes é formulada por 3o%tes4uieu %o "i2ro 7(A 4ue trata das leis 4ue formam a liberdade pol)tica< Nesse cap)tuloA ap.s defi%ir a liberdade como Ho direito de faFer tudo o 4ue as leis permitemH 9o 4ue ho#e se chamaria de liberdade H%egati2aH:A afirma 4ue8 H$ liberdade pol)tica se e%co%tra %os go2er%os moderadosH e prossegue8 H3as ela %ão e;iste sempre %os Estados moderados8 s. 4ua%do %ão há Habuso de poderH< $co%tece sempre 4ue todos os home%sA 4ua%do t1m poderA Hse i%cli%am ao seu abusoHA até e%co%trar limites<<< Para 4ue %ão se#a poss)2el abusar do poder é %ecessário 4ueA pela disposição das coisasA Ho poder co%stitua um freio para o poderH 91%fase acresce%tada:< Qual o e;pedie%te co%stitucio%al 4ue pode permitir a atuação do pri%c)pio segu%do o 4ual Ho poder co%stitui um freio para o poderHY $ resposta de 3o%tes4uieuA 4ue tem em me%te a co%stituição i%glesa 94ue fora i%spiradaA e%tre outrasA por "ocNe:A é clara8 a atribuição das tr1s fu%çIes do Estado a .rgãos difere%tes8 HQua%do %a mesma pessoaA ou %o mesmo corpo de magistradosA o poder legislati2o se #u%ta ao e;ecuti2oA desaparece a liberdadeJ pode se temer 4ue o mo%arca ou o se%ado promulguem leis tirM%icasA para aplicá las tira%icame%te< Não há liberdade se o poder #udiciário %ão está separado do legislati2o e do e;ecuti2o< Se hou2esse tal u%ião com o legislati2oA o poder sobre a 2ida e a liberdade dos cidadãos seria arbitrárioA #á 4ue o #uiF seria ao mesmo tempo legislador< Se o #udiciário se u%isse com o e;ecuti2oA o #uiF poderia ter a força de um opressor< E tudo estaria perdido se a mesma pessoaA ou o mesmo corpo de %obresA de %otá2eisA ou de popularesA e;ercesse os tr1s poderes8 o de faFer as leisA o de orde%ar a e;ecução das resoluçIes pLblicas e o de #ulgar os crimes e os co%flitos dos cidadãosH< Não me demorarei mais %este temaJ os te;tos reproduFidos são basta%te elo4Re%tes< Bastará recordar 4ueA %a teoria da separação dos poderesA e%co%tramos a resposta do co%stitucio%alismo moder%o ao perigo recorre%te represe%tado pelo despotismoA como aparece com toda clareFa %esta passagem8 HBs pr)%cipes 4ue 4uiseram tra%sformar se em tira%os começaram sempre reu%i%do %a sua pessoa todas as fu%çIes pLblicasH< $ importM%cia 4ue 3o%tes4uieu atribui K separação dos poderesA 4ue
particularH 9Consid)rations sur les Causes de la =randeur des Romains et de leur D)cadence, cap< 7(:<

caracteriFa os go2er%os moderadosA co%firma a tese de 4ueA ao lado da

135

$ ?eoria das >ormas de Go2er%o

tr)plice classificação das formas de go2er%o 9repLblicaA mo%ar4uia e despotismo:A 4ue correspo%de ao uso descriti2o e hist.rico da tipologiaA há uma outra tipologiaA mais simplesA relacio%ada com o uso prescriti2oA a 4ual disti%gue os go2er%os em moderados e desp.ticos 9abra%ge%do estes Lltimos %ão s. mo%ar4uias mas também repLblicas:<

!ap)tulo 7( (N?EP/$"B8 B
+ESPB?(S3B
!o%sidero Ltil esta pausa por4ueA depois de chamar ate%ção para a importM%cia da categoria do HdespotismoHA 4ue acompa%hamos desde $rist.teles 9como 2imosA %ão há autor 4ue %ão a le2e em co%sideração:A %ão podemos dei;ar de salie%tar 4ue s. %a obra de 3o%tes4uieu ela se tor%a fu%dame%tal para a a%álise das sociedades pol)ticas< !reio 4ue %ão há obra pol)tica em 4ue os regimes desp.ticos te%ham sido ob#eto de ta%tas obser2açIes como 0 "spírito das Leis, o%de são mi%ucios)ssimas< B despotismo é estudado ali em todos os seus aspectos das causas %aturaisA eco%Umico sociais e religiosas 4ue o determi%am Ks leis pe%aisA ci2isA etcA 4ue o caracteriFam< 3asA como a %oção do despotismo começa com $rist.telesA terá i%teresse saber o 4ue 3o%tes4uieu escre2eu a prop.sito da co%cepção aristotélica8 H$ i%certeFa de $rist.teles aparece clarame%te 4ua%do trata da mo%ar4uiaA da 4ual reco%hece ci%co tiposA 4ue %ão disti%gue pela forma da co%stituição mas por fatos acide%taisA como a 2irtude e os 2)cios do pr)%cipeA ou causas e;ter%asA como a usurpação ou a sucessão da tira%ia< !o%sidera e%tre as mo%ar4uias o império persa e o rei%o de Esparta< 3asA 4uem %ão se recorda de 4ue o primeiro era um Estado desp.tico e o segu%do uma repLblicaY Por %ão co%hecerem a distribuição dos poderes %o go2er%o de um s.A os a%tigos %ão podiam ter uma idéia #usta da mo%ar4uiaH< Embora bre2eA essa passagem %os faF tocar %a %o2idade i%troduFida por 3o%tes4uieu8 e%4ua%to $rist.telesA acompa%hado pela maior parte dos escritores pol)ticosA mesmo os moder%os 9como 3a4uia2el e Bodi%:A feF do despotismo uma espécie de g1%ero Hmo%ar4uiaHA 3o%tes4uieu e;plicaA %o trecho citadoA por 4ue se de2e co%siderar o despotismo uma forma de go2er%o i%teirame%te di2ersa da mo%ar4uiaA elucida%do o moti2o por 4ue %a sua tipologia o despotismo aparece pela primeira 2eF como forma autU%omaA disti%ta ta%to da repLblica como da mo%ar4uia<

tico< Bs outros são o clima 9calor:A a %atureFa do terre%o 9é mais fácil 4ue se estabeleça um regime desp.ticos as mulheres %ão i%troduFem o lu.sito das leis 4ue regulam a ser2idão ci2ilA 4ue H%os pa)ses desp.1.0 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o B critério de difere%ciação éA como se 2iu %o cap)tulo precede%teA a Hdistribuição dos poderesHA 4ue e.oA 2i2e%do %a co%dição de e.iste um regime de escra2idão pol)ticaA a ser2idão ci2il é mais tolerá2elH 97/A 1:< 3as a escra2idão é ape%as um dos eleme%tos e %ão é se4uer o mais importa%te 4ue disti%guem o regime desp.trema escra2idãoH 9/((A ':< Bu ai%daA a prop.oA mas são elas mesmas ob#etos de lu.sitoA este cap)tulo de duas li%hasA 2erdadeirame%te lapidar8 HQua%do os sel2age%s da "uisia%a 4uerem comer frutaA cortam uma ár2ore pelas ra)FesA para colh1 la< = assim o go2er%o desp.iste %as mo%ar4uias mas %ão %os regimes desp.emploA 4ua%do afirmaA a prop.plica2aA aliásA o artigo HBa%a%ierH da "nciclop)dia/ B eleme%to de co%ti%uidade e%tre 3o%tes4uieu e os clássicosA com respeito K categoria do despotismoA é a delimitação hist.ticosA o%de #á e.ticoH 9/A 13:< B despotismo é relacio%ado também com o comportame%to %a esfera eco%UmicaA algumas pági%as adia%teA o%de 3o%tes4uieu suste%ta 4ue %esses Estados Hs.te%sos:A a )%dole ou caráter dos habita%tes 94ua%do são moles e preguiçosos:A o tipo de leis 9%ão as leis escritasA mas os hábitos e costumes tra%smitidos oralme%te:A a religião 9o go2er%o moderado se adapta melhor K religião cristãA o go2er%o desp.tico K maometa%a:A etc< "eia seA a prop.te%são territorial 9o despotismo é %ecessário %os Estados muito e.rica e geográfica dessa forma de go2er%o< 3o%tes4uieu se refere a Ha4uela parte do mu%do .sito da educaçãoA 4ue %os go2er%os desp.ticos Ha educação precisa ser ser2ilH 9(/A 3:A ouA ao falar sobre a mulherA 4ua%do escre2e 4ue H%os Estados desp.tico %os pa)ses mais férteis:A a e.ticos< +este modoCA a passagem 4ue reproduFimos demo%s tra mais uma 2eF a importM%cia 4ue atribu)a K separação dos poderesA i%stituição 4ue tor%a o go2er%o HmoderadoH< *ma pro2a da amplitude e da auto%omia da categoria do despotismoA %o sistema de 3o%tes4uieuA pode ser e%co%trada também %a obser2ação de 4ue ela é descrita em seus 2ários aspectos %aturaisA eco%UmicosA #ur)dicosA sociaisA religiososA etc< VA e%4ua%to %os autores precede%tes o critério 4ue caracteriFa o despotismo é sobretudo o pol)ticoA em especial a 4ualificação do relacio%ame%to e%tre go2er%a%tes e go2er%ados como 2)%culo u%i%do se%hores e escra2os< Na obra de 3o%tes4uieu %ão faltam refer1%cias ao co%ceito de escra2idãoA em particular de Hescra2idão pol)ticaHA disti%guida cuidadosame%te da escra2idão ci2il e da domésticaJ por e. se co%stroem casas 4ue durem uma 2idaJ %ão se esca2am fossos %em se pla%tam ár2oresJ tira se tudo da terraA sem %ada lhe restituir< ?udo é i%culto e desertoH< 3o%tes4uieu baseia essa obser2ação %o comportame%to dos sel2a ge%s da "uisia%aA %arrado por missio%ários comportame%to 4ue ha2ia i%dig%ado /oltaire pela sua HimbecilidadeH< !o%tudoA !orrado Posso come%tou rece%teme%te 4ue os Hsel2age%sH %ão eram tão imbecisJ preco%ceitos arraigadosA dif)ceis de 2e%cerA os pi%ta2am assim< !om efeitoA há ár2oresA como a ba%a%eiraA cu#os frutos são colhidos Hcorta%do a pelas ra)FesHA como e.

lio da orga%iFação burocrática 4ueA formado por .(%ter2alo8 B +espotismo 1.ticos8 H+e todos os 2)cios pol)ticos da teocracia esse é o maior e o mais fatal o 4ue prepara o cami%ho para o despotismo orie%tal 97(:H< Não é supérfluo lembrar a4ui 4ueA por moti2os de pol1mica pol)ticaA o tema do despotismo orie%tal foi ressuscitado em %ossos dias pelo co%hecido e muito discutido 9além de discut)2el: li2ro de Sarl $< ]ittfogelA 0riental Despotism 91'-7:< $ comparação e%tre sociedades poli c1%tricasA como as 4ue e.plica logo 4ueA ao falar em despotismoA refere se a Ha4uele dese#o dese%freado de poder arbitrárioA 4ue se e%co%tra %o Brie%teH< +isti%gui%do duas espécies de despotismo V o 4ue se abate subita me%teA com a forçaA sobre uma %ação 2irtuosaA como a GréciaA e o 4ue se estabelece gradualme%teA com o lu.ticoJ o terror como i%strume%to de dom)%io eA correlatame%teA a su#eição total do sLdito ao sobera%oJ sua lo%ga duração eA por fimA o 2)%culo e%tre regime desp.tico das sociedades 4ue o autor de%omi%a Hhidráuli casH %asce por moti2os téc%icosA relacio%ados com a %atureFa do solo e o processo da produção< !omo forma de go2er%oA o despotismo se caracteriFa pelo mo%op.pria %atureFa dos po2os ser2isA ou da %atureFa do clima e do terre%oA como era 3o%tes4uieu< B Estado burocrático e desp.o e a moleFa dos cidadãos A prete%de deter se sobretudo %este LltimoA 4ue caracteriFa os Estados orie%tais< Basea%do se %as obser2açIes de 3o%tes4uieu sobre as relaçIes e%tre despotismo e religiãoA Nicolas $%toi%e Boula%ger propIe uma i%terpreta ção religiosaA ou melhorA teocrática do despotismoA %a sua obra Rec2erc2es sur lG0rigine du Despotisme 0riental.1 o%de o despotismoA 2amos diFerA surge %aturalme%te V a _siaH< $ ide%tificação do despotismo com o despotismo Horie%talH V 4ue e%co% traremos ai%da em 6egel e %a maior parte dos escritores do século 7(7 é defi%ida por 3o%tes4uieu em todos os seus particularesA e por assim diFer co%sagrada< Na sua obra pri%cipal 9De lG"sprit 917-5: 6el2écio se detém %a comparação dos go2er%os li2res com os desp.ticos 9sobretudo %os cap)tulos 7/( 77(A da terceira parte:A mas %o mome%to em 4ue e%fre%ta esse co%trasteA e.plicação do fe%Ume%o8 os poderosos aparelhos burocráticos 4ue co%stituem o sistema %er2oso do despotismo %ascem da %ecessidade de regulame%tar a irrigaçãoA %as gra%des pla%)cies asiáticas< Não se trata maisA como %os escritores clássicosA da pr.rica a ser a%alisada com i%strume%tos de pes4uisa difere%tes dos usuais8 ]ittfogel retoma algu%s temas tradicio%ais8 o caráter totalA %ão co%trola do 9e porta%to absoluto: do poder desp.ticos:A seria %ão um co%ceito pol1mico mas uma realidade hist.prio 3o%tes4uieu i%clu)a e%tre os regimes desp.tico e teocracia< !om respeito K tradiçãoA a i%o2ação de ]ittfogel diF respeito K e.istem %a EuropaA caracteriFadas por forte te%são e%tre sociedade ci2il e i%stituição estatalA e sociedades mo%oc1%tricasA marcadas pelo predom)%io do Estado sobre a sociedadeA formadas e estabiliFadas %os gra%des impérios orie%tais 9de modo geralA fora da EuropaA como algumas das gra%des ci2iliFaçIes da $mérica pré colombia%aA 4ue o pr. publicada postumame%te em 170&8 a origem de todos os males da sociedade resideA segu%do Boula%gerA %o go2er%o da religiãoA isto éA %a teocraciaA 4ue tem produFido %o Brie%te os go2er%os desp.

pressão Ha4ueles go2er%os mo%struososH< !o%tudoA %o século 7/((( hou2e escritores 4ue a empre garamA creio 4ue pela primeira 2eF %a hist.pressão é uma contradictio in adiecto co%tradit.ciosHA de2e ser L%icaJ declara absurda a idéia de 2árias autoridades co%corre%do e%tre siA diFe%do 4ue se todas essas autoridades são iguaisA o resultado será a a%ar4uiaJ se uma pre2alecer sobre as outrasA esta será L%ica autoridade ge%u)%a 9%ão há %ada de %o2o sob o sol8 o mesmo argume%to #á ti%ha sido empregadoA 4uase 4ue com as mesmas pala2rasA . 177.ercer sua orie%tação sábia e be%éfica< BraA Ques%aE e seus seguidores pe%sa2am ter descoberto tais leis8 basta2a 4ue um pr)%cipeA ilumi%ado por esses sábiosA as aplicasse< $s leis positi2asA impostas pela autoridade sobera%a 4ue os fisiocratas chamam de Hautoridade tutelarH A %ão de2em ser mais do 4ue a pro#eção das leis %aturaisJ de2em ser %ão leis co%stituti2asA mas Hdeclarati2asH< Para co%stituir esse co%#u%to de leisA cu#a L%ica fu%ção é espelhar o mais fielme%te poss)2el as leis %aturaisA basta um L%ico pr)%cipeA sábioA com a força %ecessária para se faFer obedecer< Se%do L%ico o pr)%cipeA mais co%ce%trado e ilumi%ado seu poderA e maior sua capacidade de go2er%ar de co%formidade com as leis %aturais 4ue de2em reger a sociedade dos home%sA melhores co%diçIes terá de faFer respeitar Ha ordem %atural e esse%cialH das coisas< +esse co%#u%to de idéias %asce a %o2a figura do Hbom déspotaHJ co%ce%tra%do o má.imo de poder %as suas mãosA ele pode restabelecer a ordem %atural sub2ertida pelas leis positi2as i%ade4uadas< !ito De lG0rigine et des ProgrRs dGune 1cience &ou(elle 91705:A de Pierre Samuel +upo%t de Nemours 9173' 1517:8 H6á uma ordem %aturalA esse%cial e ge%éricaA 4ue e%cerra as leis co%stituti2as e fu%dame%tais de toda sociedade8 uma ordem da 4ual %e%huma sociedade pode afastar se sem se tor%ar me%os sociedadeA sem 4ue o Estado pol)tico perca co%sist1%ciaH< !ritica%do diretame%te 3o%tes4uieuA 4ue 4uer di2idir o poder sobera%oA +upo%t de Nemours suste%ta 4ue a autoridadeA cu#a fu%ção é HFelar por todosA e%4ua%to cada um se ocupa dos seus pr.Ies e preco%ceitosA muitas 2eFes ig%ora essas leis da %atureFa eA com leis positi2as bárbaras e i%se%satasA impede a %atureFa de e.prios %eg.riaA com uma co%otação positi2a< Pefiro me em especial aos fisiocratasA 4ue propIem K refle.ão dos seus co%temporM%eos um %o2o tema o Hdespotismo ilumi%adoH 9do modo como o despotismo era e%te%dido tradicio%alme%teA essa e.ria em seus termos:< $ tese fu%dame%tal da escola fisiocráticaA de >ra%çois Ques%aE 910'.sperosA é a da fisis 9isto éA da %atureFa:< ?a%to a %atureFa como a sociedade huma%a são dirigidas 9segu%do o e%saio i%titulado Droit &aturel> por leis u%i2ersais e %ecessáriasA 4ue a raFão huma%a bem aplicada pode co%hecer< (%feliFme%teA o homemA corrom pido pelas pai.:A é 4ue a L%ica HcraciaHA ou dom)%ioA 4ue os home%s de2eriam aceitarA para 2i2erem feliFes e pr.1.& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o raFIes ob#eti2as %as sociedades agráriasA é ho#e aplicado também em sociedades altame%te i%dustrialiFadas 9é e2ide%teA a4uiA o al2o pol1mico:A represe%ta%do a maior ameaça #á surgida K liberdade do homem< Em todos os autores citadosA o Hdespotismo orie%talH é sempre uma categoria %egati2a< 3o%tes4uieu emprega a e.

8. %esses go2er%os Hsimples e %aturaisH os sobera%os são ge%ui%ame%te Hdesp.(%ter2alo8 B +espotismo 1.cessos de 4ue a ig%orM%cia o tor%a suscept)2elH< $4uilo de 4ue "e 3ercier 4uer falarA 4ua%do elogia o despotismo como a L%ica forma de go2er%o ade4uado e sábioA %ão é o despotismo arbitrárioA mas o legalJ a4uele cu#o critério %ão é a opi%ião 9mutá2el e sub#eti2a:A mas a e2id1%cia um critério ob#eti2oA 4ue %ão depe%de das %ossas se%saçIesA 4ue tem sempre e para todos a mesma autoridade< EuclidesA 4ue descobriu as regras da geometriaA as 4uais desde e%tão seguimos %ecessariame%teA sem %os rebelarmosA %ão é um déspotaY 3as seu despotismo é o da e2id1%ciaA %ão o da opi%ião< E o despotismo da e2id1%cia é o L%ico modo 4ue temos de liberar %os do despotismo da opi%iãoA isto éA do arb)trio< >eliF a %ação 4ue goFa o be%ef)cio de um despotismo da e2id1%cia< Não %os afastamos muito de 3o%tes4uieuA como poderia parecer< $ a2aliação positi2a do despotismoA feita pelos fisiocratasA e le2ada Ks co%2icção é L G0rdre &aturel et "ssentiel des 1oci)t)s Politi.ar guiar pela e2id1%cia o oposto do arb)trio< B%de rei%a a e2id1%ciaA e o%de o coma%do do sobera%o %ão é ditado pelo seu caprichoA mas pelo co%hecime%to das leis %ecessárias para regular a sociedadeA %ão é %ecessário ha2er muitos poderes em co%corr1%cia< Basta um s.posta com maior Pierre "e 3ercier de (a Pi2iDre 917&0 17'3:A cu#o t)tulo é em si mesmo um programa< B autor pergu%ta 4ual a melhor forma de go2er%oA e respo%de8 H= a4uela 4ue %ão permite 4ue se possa tirar 2a%tagem de go2er%ar malJ 4ueA ao co%trárioA obriga 4uem go2er%a a ter %o bem go2er%ar seu maior i%teresseH 9(A p< &3':< S.plicaA com uma etimologia imagi%adaA 4ue HdéspotaH é o 4ue pode HdisporH do poder segu%do seu tale%to:< $ obra em 4ue a teoria do Hbom déspotaH é e. a mo%ar4uia hereditária %ão a mo%ar4uia eleti2aA a democracia ou a aristocracia correspo%de ao ideal do bom go2er%oA por4ue s.3 por 6obbes:< Para eleA a autoridade sobera%a %ão de2e faFer as leisA por4ue estas são feitas pelo !riadorJ as leis do sobera%o são atos declarati2os da ordem %aturalJ porta%toA as orde%s co%trárias Ks leis %aturais H%ão são leisA mas atos i%se%satos 4ue %ão de2eriam ser obrigat. como diriam os escolásticosA 8sed corruptio legis8>/ Qua%to K forma de go2er%oA segu%do +upo%t de Nemours s.iologicame%te superiores Ks leis positi2asJ por isso uma lei positi2a co%trária a uma lei %atural 8non est le. poderA férreo e sábio< "e 3ercier declaraA com segura%çaA 4ue %ão é preciso ter medo dessa pala2raA empregada de modo geral para de%otar go2er%os arbitrários e desuma%os< +e fatoA há despotismo e despotismo8 H6á um despotismo legalA estabelecido %atural e %ecessariame%te com base %a e2id1%cia das leis de uma ordem esse%cialA e um despotismo arbitrárioA produFido pela opi%ião 4ue se presta a todas as desorde%sA a todos os e.ticosHA isto éA podem dispor dos seus ple%os poderes 9%uma %otaA o autor e.rios para %i%guémH 9%este po%toA %osso autor chega Ks co%se 4R1%cias l.ues 917 0 7:A de Paul . o go2er%o de uma pessoa pode alca%çar esse grau de perfeiçãoA por4ue é o L%ico 4ue se pode dei.gicas do postulado #us%aturalista segu%do o 4ual há leis %aturais a.

ar de refletir %a 2italidade da idéiaA %a sua adaptabilidade Ks mais di2ersas co%diçIes hist.prios i%teressesJ para 4ue todos os membros do EstadoA obrigados a a#ustar se aos i%teresses alheiosA trabalhem para o bem pLblicoA a despeito das suas pr.emplo dos a%tigos era a repLblica roma%aJ o dos moder%osA a mo%ar4uia i%glesa< !om efeitoA a passagem co%ti%ua assim8 HNa (%glaterraA por e. refutou po%to por po%to a .pria e %ecessáriaA mas para 4ue seus atos %ão se#am co%2ulsosA %em irrefletidosA apressados ou precipitados< !riam se dois poderes ri2ais para 4ue as leis te%ham um poder superior ao dos magistradosA e para 4ue todas as orde%s da sociedade te%ham protetores com 4ue possam co%tar< >orma se um go2er%o misto a fim de 4ue %i%guém se ocupe s. P2ilosop2es ?conomistes sur SG0rdre &aturel et "ssentiel des 1oci)t)s Politi. de 3ablE:< 9170' 175-:A %um li2ro i%titulado Doutes Propes)es au.ig1%cia pere%e 4ue e.emploA o mo%arca %ão pode promulgar %e%huma lei sem o Parlame%toA %em o Parlame%to pode faF1 lo sem o rei< Não se de2e co%cluirA porémA 4ue os i%gleses %ão t1m leis< B reiA os pares e os comu%s são obrigadosA pela !o%stituiçãoA a se apro.prias co%2e%i1%cias< B e. com os pr..trema clareFa a idéia recorre%te de 4ue o melhor remédio para o abuso do poder é di2idi loA coloca%do um poder co%tra o outro de modo 4ueA pelo co%trole rec)procoA se gara%ta a estabilidade do regime e a liberdade dos cidadãos< 6á uma passagem 4ue resume muito bem essa idéia8 HEm pol)ticaA os co%trapesos são i%stitu)dos %ão para pri2ar o poder legislati2o e o e. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o co%se4R1%cias mais e.ues.prime com e. pessoa o 4ue é sempre um mal< !o%tra o despotismo s.os dos defe%sores do despotismoA embora purame%te legalA é a cr)tica da separação dos poderesA dos chamados Hco%trapesosH< Em 1705A 3ablE tese de "e 3ercier< *m dos temas mais e.altado como a melhor forma de go2er%o< Em cada um desses e%co%tros %ão podemos dei.ricasA %a e.imarem para 4ue um decreto te%ha força legal< Ne%hum dos tr1s membros do corpo legislati2o será sacrificado aos outros dois8 o go2er%o se co%solidaA o costume o fortalece e a %ação tem leis imparciaisA respeitosas igualme%te das prerrogati2as reaisA da dig%idade dos pares e da liberdade do po2oH Não será a Lltima 2eF 4ue 2amos e%co%trar o go2er%o misto e."scritos Políticos.prio poder< .prime da imposição de um co%trole ao poder pelo pr.te%same%te tratados desse li2ro é a cr)tica do despotismo e a defesa da separação dos poderesA ide%tificada pelo autor com a figura tradicio%al do Hgo2er%o mistoH< Para 3ablE %ão se pode traçar uma disti%ção e%tre despotismo legal e despotismo arbitrárioJ o defeito do despotismoA sob 4ual4uer formaA é a co%ce%tração do poder %as mãos de uma s.ecuti2o da ação 4ue lhes é pr.tremas por "e 3ercier de (a Pi2iDreA é a a%t)tese da opi%ião 4ue ti%ha do despotismo 9Hmo%struoso go2er%oH: o autor de 0 "spírito das Leis/ *ma a%t)tese também por4ue um dos po%tos fi. há um remédio8 o go2er%o mistoA o mesmo 4ue 3o%tes4uieu ti%ha chamado de Hgo2er%o moderadoH< Na defesa do go2er%o mistoA 3ablE e.1.

4ue represe%tam a Lltima fase da e2olução do seu pe%same%toA 6egel dedica um cap)tulo i%trodut.1toria <ni(ersale e =eografia in *egel.fica há as duas coisas< !o%forme se obser2ou ai%da rece%teme%te afirmação do fu%dame%to geográfico do processo hist.ria mu%dialHA %o 4ual e.ist1%cia< B eleme%to i%determi%ado %os dá a idéia do ilimitado e i%fi%itoJ se%tido se %essa i%fi%itudeA o homem ad4uire coragem para superar o limitado< B .ão filos.ria do mu%do passou por tr1s fasesA caracteriFadas por tr1s tipos di2ersos de base geográfica8 o Haltipla%oHA com suas gra%des estepes e pla%urasA paisagem t)pica da _sia ce%tralA o%de t1m origem as %açIes %Umades 9pri%cipalme%te pastoris:J a Hpla%)cie flu2ialHA 4ue caracteriFa as terras do (%dusA do Ga%gesA do ?igre e do EufratesA até o NiloA o%de o solo fértil le2a espo%ta%eame%te K HagriculturaHJ por fimA a HFo%a costeiraHA o%de se dese%2ol2e a i%cli%ação para o comércio e se formam %o2os moti2os de ri4ueFaA e %o2as co%diçIes de progresso ci2il< Para dar uma idéia da li%guagem ao mesmo tempo rigorosa e imagi%ati2a de 6egelA leia se este trecho8 H+e modo geralA o mar dá origem a um tipo especial de e.oA dois mil1%ios de refle.riaH 9p< 0:< ?ambém sob esse aspectoA a d)2ida de 6egel para com 3o%tes4uieu 94ueA %um te.rica das formas de go2er%oJ em 3o%tes4uieuA uma co%cepção geográficaA espac)al< Em 6egel V pe%sador %o 4ual co%2ergemA e se fu%dem %um sistema abra%ge%te e comple.rico<<< co%stitui uma das bases doutri%árias da filosofia hegelia%a da hist.rio K Hbase geográfica da hist. edit< por P< PossiA >lore%çaA 1'7-:A Ha .to de 150&A ele 4ualifica de Hautor da obra imortalH: é e%orme< 3as o 4ue em 3o%tes4uieu é ape%as i%tuiti2oA em 6egel segui%do as idéias do ge.ria do homemHA de 1517 V se tor%a uma 2erdadeira teoria< Nas LiçTes de Filosofia da *ist5ria.plica 4ue a hist.!ap)tulo 7(( 6EGE" Oá disse 4ue em /ico e%co%tramos predomi%a%teme%te uma co%cepção hist.grafo alemão Sarl PitterA autor de uma geografia Hrelacio%ada com a %atureFa e a hist.

rico< ?em a 2er com a pr.0 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o pr..o de 2)%culos< B marA porémA o le2a além dessas limitaçIes< Ele desperta a coragemJ co%2ida o homem K co%4uistaA mas também ao ga%ho e K a4uisiçãoH 9 LiçTes de Filosofia da *ist5ria>/ !omo se 21A as ati2idades pastorilA agr)cola e comercialA 4ue represe% tam as tr1s fases do dese%2ol2ime%to da sociedade huma%aA do po%to de 2ista eco%UmicoA para usar a termi%ologia de 3o%tes4uieuA do po%to de 2ista do Hmodo de subsist1%ciaH correspo%dem também a tr1s regiIes disti%tas da ?erraA co%firma%do 4uase a importM%cia 4ue 3o%tes4uieu atribu)ra K H%atureFa do soloH como eleme%to determi%a%te da difere% ciação social< $lém dissoA o fato de 4ue as tr1s fases da ci2iliFação correspo%dem a tr1s Fo%as disti%tas da ?erra demo%stra 4ue a e2olução das sociedades %ão ocorre ape%as em mome%tos sucessi2os do tempoA como se acredita2aA e %o mesmo espaço 9como se 2iu com o espaço de /ico 4ueA sal2o o ocupado por po2os sel2age%sA é esse%cialme%te a Europa:A mas sim media%te um deslocame%to de área em área< QueA em outras pala2rasA uma muda%ça %o tempo correspo%de também a uma muda%ça %o espaçoA %uma ce%a direção8 do Brie%te para o Bcide%teA isto éA acompa%ha%do o sol< Será l)cito deduFirA porta%toA 4ueA uma 2eF alca%çada sua maturidade %a EuropaA a ci2iliFação terá uma pr.a uma época %a hist.LiçTes>/ $ i%flu1%cia de 3o%tes4uieu sobre 6egel ultrapassa porém a co%cepção geográfica do dese%2ol2ime%to hist.ria u%i2ersalA %os tempos futuros<<<H .ima fase %a $méricaA há pouco liberada do dom)%io colo%ialA e desti%ada a um rápido progresso eco%Umico e demográficoY 6egel %ão 4uer faFer profeciasA mas em 2árias oportu%idades afirma 4ue a $mérica é o Hpa)s do futuroHA a4uele Hpara o 4ual se i%cli%ará o i%teresse da hist.Constituição da -leman2a.istia %as sel2as da $lema%haA mas %elas %asceuA e fi.prio mar é i%fi%itoA e %ão aceita demarcaçIes pacificas de EstadosA como a terra firme< $ terraA a pla%)cie flu2ialA fi.1. escrito e%tre o fim do século 7/((( e o pri%c)pio do século 7(7< 6egel lame%ta 4ue a $lema%ha %ão se#a mais um EstadoA i%2oca%doA como 3a4uia2elA o %o2o ?eseu 4ue 2oltará a lhe dar u%idade< +epois de suste%tar 4ue todos os Estados mo%ár4uicos foram fu%dados com populaçIes germM%icasA por4ue %elasA origi%alme%teA Htodo homem li2reA pelo fato de co%tar com seus braçosA ti%ha participado também com sua 2o%tade %a gestação %acio%alHA acresce%ta8 HB sistema da represe%tação é o de todos os moder%os Estados europeus< Não e.a o homem ao soloJ sua liberdade é restri%gida assim por ime%so comple.ria u%i2ersal< $ co%ti%uidade da cultura mu%dial le2ou o g1%ero huma%oA depois do Cdespotismo orie%talCA e da dege%eração da CrepLblicaC 4ue ti%ha domi%ado o mu%doA a esta posição i%termediária e%tre as duas fases precede%tes e dos alemães %asceu a terceira figura u%i2ersal do esp)rito do mu%doH .istia .pria tipologia das formas de go2er%o< 6á um trecho muito sig%ificati 2o %um li2ro do primeiro per)odoA ..Constituição da -leman2a>/ Nessa passagemA 6egel %ão co%corda com 3o%tes4uieu %um po%to secu%dário8 4ua%do afirma 4ue o sistema da represe%tação H%ão e.

rico de modo bem mais e.6egel 1. é li2reJ o mu%do grego e roma%oA 4ue algu%s são li2resJ o mu%do germM%icoA 4ue todos são li2res< Por issoA a primeira forma 4ue e%co%tramos %a hist.ricas das co%stituiçIesA baseada %o pri%c)pio da liberdade e sua e.rioA há um cap)tulo dedicado ao co%ceito de Hco%stituiçãoHA o%de 6egel e.sofo foi fiel a essa tipologia< Na primeira parte das LiçTes.pria mo%ar4uia pode ser disti%guida em despotismo e em mo%ar4uia como talCH 91%fase acresce%tada:< +es%ecessário repetir 4ue a cisão e%tre os dois co%ceitos de Hmo%ar 4uiaH e de HdespotismoHA tradicio%alme%te abra%gidos pelo mesmo genus. de caráter i%trodut.plica 4ue a co%stituição é Ha porta pela 4ual o mome%to abstrato do Estado pe%etra %a 2ida e %a realidadeHA e 4ue a primeira determi%ação 4ue assi%ala a passagem da idéia abstrata de Estado K sua forma co%creta e hist. 2eremos como o fil.te%sãoA 4ue é propriame%te hegelia%aA a tipologia de 6egel %ão se disti%gue da de 3o%tes4uieuA desde 4ue se te%ha o cuidado de reu%ir %a L%ica categoria de HrepLblicaH os dois co%ceitos de democracia e aristocracia como ti%ha feitoA aliásA o autor de 0 "spírito das Leis/ Não s. 4ue é a segui%te8 H$ hist.emplar e r)gido do 4ue poder)amos e%co%trar %a obra do autor fra%c1s< 6á um trecho ai%da mais importa%teA 4ue reproduFo8 H$s difere%ças das co%stituiçIes t1m a 2er com a forma como se ma%ifesta a totalidade da 2ida estatal< $ primeira forma é a4uela em 4ue essa totalidade ai%da %ão e2oluiuA suas esferas particulares %ão alca%ça .ria u%i2ersal é o CdespotismoCA a segu%da é a CdemocraciaC e a CaristocraciaCA a terceira é a Cmo%ar4uiaCH< T parte a i%terpretação destas formas hist.7 %as sel2as da $lema%haH co%tradiF afirmati2a do autor de 0 "spírito das Leis. a tipologia hegelia%a %ão difere da de 3o%tes4uieuA mas é adotada como es4uema geral do processo hist.ria u%i2ersal é o processo media%te o 4ual se dá a educação do homemA 4ue passa da fase dese%freada da 2o%tade %atural K u%i2ersalA e K liberdade sub#eti2a< B Brie%te sabia e sabe 4ue um s.rica é Ha difere%ça e%tre 4uem go2er%a e 4uem é go2er%adoH< "ogo depoisA acresce%ta8 H!om raFãoA porta%toA as co%stituiçIes t1m sido classificadas u%i2er salme%te %as categorias de mo%ar4uiaA aristocracia e democracia< = preciso porém obser2arA em primeiro lugarA 4ue Ca pr. é um dos traços caracter)sticos se%ão o mais caracter)stico da tipologia de 3o%tes4uieu< 6á uma passagem ai%da mais decisi2aA %uma das ediçIes das LiçTes. 4ue escre2era8 HQuem l1 a admirá2el obra de ?ácito sobre os costumes dos alemães 2erá 4ue deles os i%gleses tiraram a idéia do go2er%o pol)tico um belo sistemaA descoberto %os bos4uesH 9"i2ro (7A cap< /(:< 3as a co%cordM%cia com 3o%tes4uieu a respeito das tr1s formas de go2er%o e sua sucessão é de fato surpree%de%te< Embora bre2eA o trecho citado é muito claro< Para o #o2em 6egelA as formas de go2er%o historicame%te rele2a%tes são as mesmas de 3o%tes4uieu o despotismo 9orie%tal:A a repLblica 9a%tiga: e a mo%ar4uia 9moder%a:< Se dermos um salto de décadasA para chegar a uma das Lltimas obras de 6egelA LiçTes de Filosofia da *ist5ria.

1.5 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o ram ai%da auto%omiaJ a segu%daA a4uela em 4ue tais esferasA e com elas os i%di2)duosA se tor%am mais li2resJ a terceiraA por fimA a4uela em 4ue estes são autU%omosA e sua ati2idade co%siste %a produção do u%i2ersal< H/emos todos os rei%osA toda a hist.tica e i%sti%ti2a< 3asA mesmo %a obedi1%cia e %a 2iol1%ciaA %o medo de um domi%adorA ela é #á um comple.ria do mu%do percorrer essas for masC< /emos sobretudoA em cada EstadoA uma espécie de rei%o patriar calA pac)fico e guerreiro< Esta primeira ma%ifestação do Estado é desp. fu%cio%a media%te o #ogo relati2ame%te autU%omo dessas partes< $ este terceiro e Lltimo mome%to do dese%2ol2ime%to do Estado ao 4ual correspo%de historicame%te a mo%ar4uia moder%a 9difere%te do a%tigo despotismo:A isto éA a mo%ar4uia co%stitucio%alA pode referir se o trechoA abai.ist1%cia de orde%s relati2ame%te i%depe%de%tesA 4ue e.plicação é clara8 as formas hist.o .o da 2o%tade< 3as tarde se ma%ifesta a particularidade8 são aristocratasA esferas si%gularesA .tica a mo%ar4uiaA em 4ue o rei go2er%a uma sociedade articulada em esferas relati2ame%te autU%omas 9Hmo%ar4uiaHA %o se%tido de 3omes4uieuA é a4uela forma de go2er%o em 4ue o poder do mo%arca é compe%sado pela e.ria do mu%doA são tr1s uma primeira forma de rei%o patriarcalA 4ue correspo%de K categoria do despotismoJ uma forma de Estado li2reA embora de liberdade particular)s ticaA 4ue é a repLblica %as suas ma%ifestaçIes hist.rgãos democráticosA i%di2)duos 4ue domi%am< Nesse i%di2)duos se cristaliFa uma aristocracia acide%talA e ela se tra%sforma em %o2o rei%oA em mo%ar4uia< B fimA porta%toA é a su#eição dessas particularidades a um poder tal 4ue fora dele %ecessariame%te as di2ersas esferas te%ham sua auto%omia V é o poder mo%ár4uico< = preciso disti%guirA assimA e%tre um primeiro e um segu%do tipo de poder realH< $ e.ercem fu%çIes pLblicas:< Essa passagemA porémA %ão é uma simples repetição da tipologia de 3o%tes4uieu< $ %o2idadeA com respeito K tradiçãoA e ao pr.ricas de co%stituiçãoA pelas 4uais passam todos os EstadosA e a pr.ricas da repLblica aristocrática e democráticaJ por fimA uma forma de rei%o 4ue #á %ão é patriarcal ou desp.prio 3o%tes4uieuA é o critério usado para disti%guir as tr1s formas< Bbser2e se bem8 %ão se emprega mais o critério de H4uemH e de HcomoHA 4ue co%tudo era admitido ai%da por 3o%tes4uieu< ?rata se de critério muito mais rico de pote%cialidades e.pria hist.plicati2asA por4ue le2a em co%ta a estrutura da sociedade %o seu co%#u%to< !om efeitoA as tr1s formas de go2er%o correspo%dem a tr 1s tipos d e sociedade8 a primeira é ai%da i%difere%ciada e i%articuladaA em 4ue as esferas particulares de 4ue se compIe uma sociedade e2olu)da 9orde%sA classes ou grupos: %ão emergiram da i%disti%ta u%idade i%icial 9como aco%tece %a fam)liaA um todo 4ue ai%da %ão se compIe de partes relati2ame%te autU%omas:J %a segu%daA começam a surgir as esferas particularesA 4ue co%tudo %ão chegam a ser completame%te autU%omas com relação K totalidade é o mome%to da u%idade desagregada e %ão recompostaJ %a terceiraA a u%idade se recompIe media%te a articulação das suas difere%tes partes há u%idade e difere%ciaçãoA e a u%idade é perfeitame%te compat)2el com a liberdade das partesJ de fatoA s.

como se a teoria a esse respeito fosse uma simples matéria de co%2icção sub#eti2aA mas também como se a adoção efeti2a de uma co%stituição V 4ue fosse a melhor poss)2elA ou assim co%siderada pudesse resultar de deliberação te. 3K .' reproduFidoA em 4ue 6egel fala das Hesferas particularesH %um HEstado e2olu)doH8 HNum Estado e2olu)doA %o 4ual esses aspectos se tor%aram disti%tos e completaram seu progresso de acordo com as e.pria co%stituição e %ão pode ter uma outra< *ma co%stituição %ão é um chapéu 4ue se possa colocar K 2o%tade sobre 4ual4uer sociedade< B trecho 4ue citamos termi%a com estas co%sideraçIes8 HEste é o curso abstrato Cmas %ecessárioC do dese%2ol2ime%to dos Estados ge%ui%ame%te autU%omosA de modo 4ue de2e %ele aparecerA cada 2eFA uma co%stituição determi%ada 4ue C%ão depe%da de escolhaCA mas se#a Ca L%ica ade4uadaA em cada casoA ao esp)rito do po2oCH 91%fase acresce%tada:< $ estreita depe%d1%cia em 4ue a co%stituição está do Hesp)rito do po2oH é uma tese K 4ual 6egel retor%a muitas 2eFes também em outras citada:< = a raFão por 4ue %ão se ca%sa de atacar a ilusão ilumi%ista de 4ue uma co%stituição bela e perfeita pode ser imposta aos po2os mais di2ersos< !o%sidera absurdo i%dagar 4uem de2e faFer uma co%stituição seria o mesmo 4ue pergu%tar H4uem de2e faFer o esp)rito de um po2oH .6egel 1.ig1%cias da %atureFa de cada umA eles precisam articular se em di2ersas classes<<< Estas esferas se di2idemA de outro ladoA em classes especiaisA pelas 4uais se distribuem os i%di2)duos8 elas co%stituem a sua profissão< $s difere%ças 4ue se obser 2am %esses aspectos de2em co%stituirA com efeitoA esferas particularesA dedicadas a ocupaçIes caracteriFadas si%gularme%te< Sobre isso se baseia a difere%ça e%tre as classes 4ue e%co%tramos %um Estado orga%iFado< +e fatoA o Estado é um todo orgM%icoA %o 4ual todas as articulaçIes são %ecessáriasA como %um orga%ismo< Ele é um todo orgM%ico de %atureFa ética< B 4ue é li2re %ão tem i%di2)duos8 co%cede lhes mome%tos de co%struçãoA eA %ão obsta%teA o u%i2ersal co%ser2a a força 4ue ma%tém essas determi%açIes u%idas a siH< E%te%de se 4ue se a forma de go2er%o é a estrutura pol)tica de uma sociedade bem determi%adaA cada sociedade possui sua pr.ãoH< B leitor se lembrará certame%te do debate e%tre os tr1s pr)%cipes persas com 4ue demos i%)cio a este curso< ?oma%do o como e."nciclop)dia.Constituição da -leman2a.emplo de discussão ociosa sobre a melhor forma de go2er%oA 6egel come%ta8 HNeste se%tido absolutame%te i%g1%uo se aco%selharam se%ão os persasA pelo me%os os gra%des da4uele po2o<<< Não ha2e%do %e%hum obras 92e#a se a "nciclop)dia.rica< E%fimA como se o tipo de co%stituição s. X -. depe%desse de uma li2re escolhaA determi%ada pela refle.0:< Pe#eita assim 4ual4uer te%tação de se ocupar da repLblica . X -.timaA co%sidera%do perda de tempo 4ual4uer discussão sobre a melhor forma de go2er%o< No mesmo cap)tulo sobre a Hco%stituiçãoHA o%de colhi as citaçIes precede%tesA e%co%tramos também a segui%te8 H$ pergu%ta sobre 4ual a melhor co%stituição é formulada muitas 2eFes %ão s.0A e também .

ricoA de modo 4ue %ão podiam repetir se< SurgeA e%tãoA a %ecessidade de romper o es4uema tr)plice e i%troduFir uma 4uarta eraA 4ue %ão pode ser reduFida a %e%huma das tr1s formas hist.rico do Hmu%do roma%oH 6egel i%clui s. a época imperial< E i%terpreta esse per)odo como uma gra%de era de tra%sição e%tre o fim do mu%do a%tigo e o i%)cio do moder%o< E%4ua%to tra%siçãoA a época imperial %ão corres po%de a %e%huma das tr1s formas hist. elas %ão são mais tr1sA porém 4uatro precisame%te8 o mu%do orie%talA o mu%do hel1%icoA o mu%do roma%o e o mu%do germM%ico< Para um fil.ão sobre a era imperialA 4ue %ão pode ser dei.ria u%i2ersalA de2e ter sido um ato de submissão forçada K e2id1%cia das coisas< Salta logo aos olhos 4ue o es4uema 4uádruplo deri2a da di2isão do mu%do a%tigo em mu%do grego e roma%o< 6egel foi obrigado a isso pela refle.doto %arra tal discussão e delibera çãoH< +epois de tudo o 4ue dissemos até a4ui a respeito de 6egelA 2isto como co%ti%uador de 3o%tes4uieuA pode pro2ocar alguma surpresa a co%statação de 4ue 4ua%do 6egel trata sistematicame%te as di2ersas épocas da hist.istidoA e também %ão podeA de modo algumA ser absor2ida pela categoria da repLblicaA democrática ou aristocráticaA co%siderada como forma t)pica do mu%do a%tigo< Para 4uem s.ria %ão era tão rigidame%te predetermi%ado como para 6egel< 3as %e%huma das duas i%terpretaçIes podia ser 2álida para 6egelA 4ue co%sidera2a o mo2ime%to hist.sofo sistemático como 6egelA 4ue procede por tr)adesA esse rompime%to do es4uema tr)pliceA %a pr.ricas< No mome%to hist.ria u%i2ersalA %os Lltimos parágrafos da/ Filosofia do Direito e %as LiçTes de Filosofia da *ist5ria.ria u%i2ersal com o império roma%o< $ alter%ati2a seria i%terpretá lo como forma de despotismoA segui%do 3o%tes4uieuA para 4uem o curso da hist.pria classificação das épocas da hist. ti%ha K sua disposição a tr)plice classificação clássica e a de 3o%tes4uieuA o império %ão podia ser i%terpretado se%ão como uma modalidade de pri%cipadoA como fiFera /ico< 3as /ico ti%ha podido faF1 lo por4ue ha2ia i%terpostoA e%tre o pri%cipado da $%tigRidade e as mo%ar4uias co%temporM%easA a Hsegu%da barbárieH medie2al< (sto é8 ti%ha posto fim ao primeiro corso da hist.ricasA por4ue %Mo é propriame%te uma forma de Estado< Na a%álise do mu%do imperial da a%tiga PomaA 6egel ace%tua todos os aspectos 4ue de2em ser2ir para pUr em dL2ida a sua forma de Estado< 6á dois aspectos 4ue dese#o subli%har8 a: E%4ua%to dom)%io 4ue abra%ge uma 2ariedade de po2osA o império %ão possui a determi%ação caracter)stica de todo EstadoA 4ue é seu eleme%to popular 9ou %acio%al:J éA %a termi%ologia de 6egelA uma Hu%i2ersalidade abstrataH 9e%4ua%to um EstadoA para ser ge%u)%oA de2e refletir esp)rito de um po2oA ser uma u%i2ersalidade co%creta:J pro2a disso .ada e%tre par1%tesesA como se %ão ti2esse e.1-0 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o desce%de%te da fam)lia realA discutiram sobre a co%stituição a adotar %a PérsiaJ com a mesma i%ge%uidade 6er.rico co%t)%uoA %ão c)clicoA e para 4uem todas as coisas esta2am rigorosame%te associadas ao espaço geográfico e ao tempo hist.

riaHA uma Hhist.ria 9a%tes do surgime%to da primeira forma de Estado %ão há ai%da hist.rica da categoria do despotismoA dete%ho me a4ui u%icame%te %a primeira eraA correspo% de%te ao mu%do orie%talA 4ue para 6egel é também a idade do despotismo< +esloca%do se do Brie%te para o Bcide%teA os Estados desp.ria u%i2ersal 2olta ao ritmo ter%ário< !omo i%sisti muitas 2eFes %a importM%cia hist.prio +eus e religião< b: $o co%ceder t)tulo de cidada%ia i%disti%tame%te a todos os sLditos do impérioA este dom)%io u%i2ersal os tra%sforma a todos em pessoas formalme%te iguaisA ligadas e. pré hist.rica de um Estado< +a) a crua descrição do império roma%o 4ue se pode ler %um H$ dissolução da totalidade termi%a %a i%felicidade u%i2ersal e %a morte da 2ida éticaA %a 4ual as i%di2idualidades %acio%ais morrem %a u%idade do Pa%teo%A todos os i%di2)duos decaem K co%dição de pessoas pri2adasA iguais e%tre si sob um direito formalJ pessoas 4ueA %o e%ta%toA s.riaA mas s.clusi2ame%te por relaçIes de direito pri2ado e 4ua%do s.tico é para 6egel a teocracia< B %e.6egel 1-1 é o fato de 4ue em Poma se dedica um templo a todos os deuses 9o Pa%teo%:A e%4ua%to os outros po2os t1m seu pr.ria Hhist. tem começo %o Bcide%te< $ssimA %a sua caracteriFação do mu%do orie%talA 6egel %ão se .LiçTes de Filosofia da *ist5ria>/ parágrafo da Filosofia do Direito% hist.istem relaçIes de direito pri2ado %ão há ai%da um Estado< ?a%to o u%i2ersalismo abstrato como o particularismo i%di2idualista são caracter)sticas 4ue co%trastam com a realidade co%creta e hist.o e%tre despotismo e teocracia se ti%ha tor%ado um lugar comum e%tre os escritores ilumi%istas 9recorde se Boula%ger:< No parágrafo da Filosofia de Direito dedicado ao mu%do orie%talA 6egel escre2e8 HEste primeiro mu%do é a co%cepção u%i2ersalA deri2ada da totalida de %atural patriarcalA em si mesma i%di2isaA substa%cialA %a 4ual o go2er%o do mu%do é teocraciaA o sobera%o é o sumo sacerdote ou deusA a co%stituição do Estado e suas leis sãoA ao mesmo tempoA religiãoA como os preceitos religiosos ou moraisJ ou melhorA os usos e os costumes são também leis do Estado e do direitoH 9X 3--:< 6egel chama o mu%do orie%tal de Hera i%fa%til da hist. estão u%idas por um arb)trio abstratoA 4ue chega K mo%struosidadeH 9X 3-7:< *ma 2eF i%terpretado o império como um lo%go per)odo de tra%sição e%tre duas formas de EstadoA a hist.ricaHA s.ricoJ é um rei%oA como diF 6egelA da Hduração co%sta%teH sem alteraçIes substa%ciaisJ uma Hhist.ria como processo realA a hist.ria:< !o%tudoA embora se%do #á um mu%do hist.ria a hist.riaHJ com isso 4uer diFer 4ue %a idade do despotismo o homem i%gressa pela primeira 2eF %a hist.ria sem hist.ricaHA processo H4ue %ão é 2erdadeira me%te um processoHA por4ue todas as mutaçIesA embora i%cessa%tesA H%ão produFem 4ual4uer progressoH .ricoA o u%i2erso do despotismo orie%tal %ão aprese%ta um 2erdadeiro dese%2ol2ime%to hist.ticos são tr1s8 o despotismo teocrático da !hi%aA a aristocracia teocrática da W%diaA a mo%ar4uia teocrática da Pérsia< !omo se 21A o caráter determi%a%te do regime desp. e.

1-& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o afasta da tradição 4ue sempre co%trapUs a m.s pr.o reproduFidas8 HNão %os podemos co%2e%cer de 4ue +eusA um ser de gra%de sabedoriaA pUs uma almaA e sobretudo uma boa almaA %um corpo tão %egro<<< = imposs)2el supormos 4ue se trate de home%s por4ueA se admit)ssemos issoA poder)amos começar a crer 4ue %.ficoA de2e perma%ecer muito lo%ge de te%tar co%struir um Estado como ele de2e serJ o adestrame%to 4ue se pode obter com ele %ão pode le2ar a e%si%ar ao Estado como ele de2e ser masA simA de 4ue modo de2e ser reco%hecido como u%i2erso éticoH< (sso %ão impede 4ue 6egel defe%da uma determi%ada forma de Estado a Hmo%ar4uia co%stitucio%alH< !o%tudoA em 2árias oportu%ida des tra%sparece 4ue sua prefer1%cia pela mo%ar4uia co%stitucio%al %ão se de2e a 4ue ela se#aA em abstratoA a melhor forma de go2er%oA mas a forma .prios %ão somos cristãosH 97/:< Qua%tas refle.ria< $%tes dissoA o 4ue ha2ia era o homem %aturalA fora da hist. é a de He%te%der o 4ue é a raFãoH< Precisame%te8 H$ssimA e%4ua%to co%tém a ci1%cia do EstadoA este tratado %ão de2e ser mais do 4ue a te%tati2a de e%te%der e de aprese%tar o Estado como coisa racio%al em si mesma< E%4ua%to te.Ies poder)amos faFer sobre os preco%ceitos dos fil.sofos da4ueles 4ue colocam %a aus1%cia de preco%ceitos a dig%idade do seu saberd Pesta falar sobre o uso prescriti2o da teoria das formas de go2er%o %o pe%same%to de 6egel embora falar de Huso prescriti2oHA %este casoA se#a sumame%te impr.rico da huma%idadeA 6egel dedica K _frica algumas pági%as 4ue ho#e pareceriam repletas de blasf1mias< Para eleA o %egro é o Hhomem %o estado brutoHA Ho homem %atural %a sua total barbárie e aus1%cia de freiosHA etc8 HB resultado é 4ue o 4ue caracteriFa a )%dole do %egro é a falta de freiosA uma co%dição 4ue %ão é suscept)2el de 4ual4uer dese%2ol2ime%to ou educação8 ele sempre foi como o 2emos ho#e< Na ime%sa e%ergia do arb)trio se%s)2elA 4ue o domi%aA o mome%to moral %ão tem 4ual4uer poder preciso< Quem 4uiser co%hecer ma%ifestaçIes espa%tosas da %atureFa huma%a poderá e%co%trá las %a _frica< $s %ot)cias mais a%tigas 4ue temos dessa parte do mu%do diFem o mesmo8 ela %ão tem propriame%te uma hist.rico 9o Hsel2agemH dos escritores ilumi%istas: é o homem africa%o< $%tes de me%cio%ar o mu%do orie%talA a partir do 4ual começa o curso hist.to filos.ria< Para 6egelA esse homem %atural pré hist.riaH< !omo a lembra%ça de 3o%tes4uieu é co%sta%te %estas liçIes de 6egelA %ão de2emos es4uecer 4ue o autor de 0 "spírito das Leis ti%ha sido igualme%te se2ero 9para %ão diFer cruel: com os %egros< Basta citar duas frasesA abai.2el e progressista ci2iliFação européia Ks ci2iliFaçIes estáticas do Brie%te< >alei %o Estado orie%tal como o i%gresso do homem %a hist.prio< !omo dissemos há poucoA 6egel recusa colocar o problema da melhor forma de go2er%o< $ tarefa 4ue ele se propIeA ao e%u%ciar uma teoria do direito e do EstadoA como aparece %o co%hecido prefácio de Perfil de Filosofia do Direito.

ria u%i2ersal< /ale a pe%a acompa%harApasso por passoA a e2olução do pe%same%to de 6egel com respeito a este tema< $ primeira obra em 4ue ele se detém sobre as formas de go2er%o com ate%ção particular é PropedUutica Filos5fica 94ue reL%e as liçIes eleme%tares de 6egel dadas %o liceu de NurembergA em 151&A e 4ue pode ser co%siderada como a primeira te%tati2aA ai%da muito imperfeitaA de sistematiFação total da matéria 4ue 2ai co%stituir o ob#eti2o da sua obra maiorA Perfil de Filosofia do Direito.erce o poder Hdiretame%teHA de modo arbitrárioA e %a 4ual os direitos dos i%di2)duos %ão estão gara%tidos< $ mo%ar4uiaA ao co%trárioA é a forma de go2er%o em 4ue o rei e.erc)cio dos poderes particulares a colegiados ou corporaçIes pLblicasA 4ue em %ome do reiA e sob seu co%trole e direçãoA aplicam o poder co%feridoA de acordo com as leis< Numa mo%ar4uiaA a liberdade ci2il está melhor protegida do 4ue em 4ual4uer outra co%stituiçãoH QPrimeiro Curso. %este se%tido muito restrito se pode falarA com relação a 6egelA de uso prescriti2o da teoria das formas de go2er%o< Na realidadeA 6egel %ão 4uer dar caráter prescriti2o a %ada8 4uer some%te co%statar a 4ue fase de dese%2ol2ime%to chegou a hist.3':8 H3o%ar4uia co%stitucio%alA L%ica co%stituição racio%al@!o%stituição a: em gra%des Estados b: o%de o sistema da sociedade ci2il #á se dese%2ol2eu@+emocracia em pe4ue%os EstadosH< Nessas li%has e%co%tramos coisas muito importa%tes8 em primeiro lugarA a e. X &5:< B caráter da mo%ar4uia resulta ai%da mais clarame%te do co%fro%to com a respecti2a forma corrompidaA o despotismoA defi%ido como a forma de go2er%o em 4ue o go2er%a%te e.pressão Hmo%ar4uia co%stitucio%alHA acompa%hada por #ulga me%to positi2oJ em segu%do lugarA a afirmação de 4ue a superioridade da mo%ar4uia co%stitucio%al %ão é absoluta mas relati2aA e relati2a a duas co%diçIes8 a: é a forma mais apropriada aos gra%des Estados 9a melhor para os pe4ue%os Estados é a democracia:J b: é a forma 4ue melhor se a#usta aos po2os 4ue #á dese%2ol2eram o sistema da sociedade ci2il< Sobre a primeira co%dição %ão há %ada de %o2o a diFer8 a idéia de 4ue a repLblica é um go2er%o poss)2el s. %os pe4ue%os Estados era também defe%dida por 3o%tes4uieuA e depois dele por Pousseau< $ L%ica .6egel 1-3 4ue correspo%de melhor ao Hesp)rito do tempoH< S.sito da mo%ar4uiaA afirma8 HB mo%arca %ão tem co%diçIes de e.erce o poder Hi%diretame%teHA atra2és dos chamados Hcorpos i%termediáriosHA e %a 4ualA co%se4Re%teme%te 9a4ui aparece a co%otação positi2a:A Ha liberdade ci2il está melhor protegida do 4ue em 4ual4uer outra co%stitui çãoH< Na obra segui%teA a chamada "nciclop)dia de *eidel erg 9de 1517:A 6egel %ão fala das formas de go2er%oA mas %uma glosa de 1515 publicada rece%teme%te V há uma a%otação preciosa 9come%tário aos X X .37 .ercer diretame%te todo o poder go2er%ame%talA e co%fere em parte o e. de 15&1:< Nessas liçIesA 6egel se baseia literalme%te %a a%tiga tradiçãoA disti%gui%do as seis formas de go2er%o tr1s boas e tr1s más %a termi%ologia polibia%aA %esta ordem8 democraciaA oclocraciaA aristocraciaA oligar4uiaA mo%ar4uiaA despotismo 9o%de se 21 o termo HdespotismoH substitui%do a desig%ação tradicio%alA Htira%iaH:< $ prop.

as em 4ue os compo%e%tes .1-.ria u%i2ersal eA porta%toA a forma HboaH para o seu tempoA para a 4ual %ão e. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o obser2ação perti%e%te 9ouA ao co%trárioA imperti%e%te: é 4ue %a época de 6egel #á ti%ha surgido uma repLblica %um gra%de Estado um Estado 4ue se tor%aria muito maior do 4ue as 2elhas mo%ar4uias européias8 os Estados *%idos da $mérica< !o%tudoA 6egel co%sidera2a esse pa)s um Estado ai%da em formaçãoA uma Hsociedade ci2ilH 4ue %ão ha2ia ati%gido a perfeição do Estado< *ma terceira obser2ação diF respeito K e. a mo%ar4uia co%stitucio%alA 4ue é a mo%ar4uia e%te%dida %o se%tido em 4ue 3o%tes4uieu a descre2euA co%trapo%do a ao despotismoA se adapta a sociedades comple.rica em 4ue se sucedem as 2árias formas de go2er%oA e a idéia 94ue é também um ideal pol)tico: da forma de go2er%o mo%ár4uico como a Lltima a 4ue chegou a hist.pressão Hsociedade ci2ilHA empregada a4ui tal2eF pela primeira 2eF %o se%tido espec)fico em 4ue é usada %a obra maiorA o%de o mome%to ético 94ue %a esfera do esp)rito ob#eti2o segue o do direito e da moralidade: é di2idido em tr1s mome%tos parciais da fam)liaA da Hsociedade ci2ilH e do Estado< = uma esfera i%termediáriaA porta%toA e%tre a fam)lia e o Estado< !om uma rápida a%otaçãoA 6egel 4uer diFer 4ue o%de a sociedade se 2em articula%do pela di2isão em classesA é %ecessário 4ue ha#a uma co%stituição difere%te da 4ue basta2a em sociedades mais simplesA isto éA sociedades o%de %ão se feF se%tir ai%da a disti%ção e%tre a esfera do pLblico e a do pri2adoJ 4uer diFer8 é %ecessária a forma de go2er%o mo%ár4uicaA %o se%tido espec)fico 4ue ela ad4uiriu em 3o%tes4uieu8 go2er%o i%direto de um mo%arcaA mediado pela prese%ça ati2a dos corpos i%termediários< $ idéia da mo%ar4uia co%stitucio%al é um dos temas ce%trais de Perfil de Filosofia do Direito/ Qua%do 6egel aborda o problema do EstadoA depois de e.idade da sociedade< $s formas clássicas s.istiriaA %a épocaA melhor alter%ati2a< Nessa mesma a%otaçãoA 6egel compara a mo%ar4uia co%stitucio%al com as formas tradicio%ais 94ue #á ti%ha co%siderado %a PropedUutica Filos5fica>.por suas idéias a respeito da fam)lia e da sociedade ci2ilA o Estado a 4ue se refere é a mo%ar4uia co%stitucio%al a forma por e. faFe%do a segui%te obser2ação8 H$ a%tiga classificação das co%stituiçIes em mo%ar4uiaA aristocracia e democracia tem como base a u%idade substa%cial ai%da i%di2isaA 4ue %ão alca%çou sua disti%ção i%ter%a 9e uma orga%iFação dese%2ol2ida de si mesma:J porta%toA 4ue %ão chegou K profu%didade e K racio%alidade co%cretaH< +essa comparação da mo%ar4uia co%stitucio%al com as formas clássicas resultaA ai%da uma 2eFA 4ue o critério fu%dame%tal com base %o 4ual 6egel disti%gue as 2árias co%stituiçIes é o da maior ou me%or comple. se adaptam a sociedades simplesJ s.cel1%cia do Estado moder%o é a mo%ar4uia co%stitucio%al< No X &73A depois de disti%guir os tr1s poderes do Estado 9poder legislati2oA poder de go2er%o e poder do pr)%cipe ou do sobera%o:A 6egel co%clui afirma%do 4ue o Estado assim composto e articulado é a Hmo%ar4uia co%stitucio%alH< "ogo depoisA %a a%otação segui%teA precisa 4ue Ho aperfeiçoame%to do Estado em mo%ar4uia co%stitucio%al é obra do mu%do moder%oHA co%firma%do o co%ceito fu%dame%tal da ordem hist.

rgãos< Em 2árias oportu%idadesA chamei a ate%ção do leitor para a difere%ça 4ue se 2em ace%tua%do historicame%teA com a formação doEstado moder%o e%tre teoria do go2er%o misto e da di2isão dos poderes< Em 6egelA essa disti%ção ati%ge uma perfeita clareFaJ o trecho citado 4uer demo%strar como é i%suficie%teA superficial e e.traordi%ária 2italidadeA e e.tr)%seca a co%figuração da mo%ar4uia co%stitucio%al a mo%ar4uia de poderes di2ididos como go2er%o mistoA 4uer diFerA como go2er%o represe%ta%do combi%ação das formas simples< (sto é8 a apro.prio 3o%tes4uieu ti%ha feito:< +e fatoA ele come%taA logo depois8 H3as essas difere%ças 9as difere%ças e%tre o L%ico dete%tor do poderA os poucos e os muitos:A simplesme%te 4ua%titati2asA sãoA como se disseA ape%as superficiaisA e %ão i%dicam o co%ceito da coisa<<<H Quer diFer com isso 4ue o caráter disti%ti2o da mo%ar4uia co%stitucio %al %ão reside %o fato de 4ue go2er%em umA poucos e muitosA em difere%tes %)2eisA porém %o fatoA bem mais substa%cial de 4ue os poderes fu%dame%tais do Estado estão di2ididosA e são e.te%sa e%tre go2er%o de uma s. pessoaA o go2er%o de poucos e o de muitos< .cepcio%al sorteA da teoria do go2er%o misto< 3as %ão é preciso acreditar 4ue 6egel te%ha prete%didoA com essas pala2rasA ide%tificar a mo%ar4uia co%stitucio%al com o go2er%o misto 9ide%tificação 4ue aliás %em o pr.ercidos por di2ersos .6egel 1-4ue co%stituem a Hsociedade ci2ilH são relati2ame%te i%depe%de%tes com respeito ao sistema estatal< E prossegue8 HEstas formas 9as formas simplesA isto éA as tr1s formas clássicas:A 4ue perte%cem assim a di2ersas totalidadesA Cse reduFem a mome%tos da mo%ar4uia co%stitucio%alC8 o mo%arca é um delesJ com o poder go 2er%ati2o i%ter21m os poucosJ e com o legislati2o o po2o em geralH< São pala2ras 4ue merecem come%tário< Que represe%ta a afirmati2a de 4ue as tr1s formas simples são HreduFidasH a mome%tos da mo%ar4uia co%stitucio%alA se%ão um ressurgime%to da 2elha idéia do go2er%o mistoY Não há dL2ida de 4ue o modo como 6egel aprese%taA %essa bre2e passagemA a mo%ar4uia co%stitucio%alA a faF aparecer como ree%car%ação ou forma moder%a do go2er%o mistoA e%te%dido %a sua ess1%cia8 a combi%ação das tr1s formas simples< Oá ti2e ocasião de salie%tar muitas 2eFes a e.imação merame%te superficial e e.

rico e da socie dadeA desa#ustadas K época< ?rata se com efeito de co%stituiçIes Hsim plesHA 4ue se referemA todas elasA K Hu%idade i%difere%ciadaH como estrutura da 2ida coleti2a da $%tigRidade8 a idade moder%a #á aprese%ta difere%ciação e articulaçIes %a 2ida coleti2aA e porta%toA em certo se%tidoA e.aA em comparação com a mo%ar4uia descrita pela tipologia clássica das formas de go2er%o< +o mesmo modoA a mo%ar4uia 4ue 3o%tes4uieu aprese%ta como forma de go2er%o He.$p1%dice $ 3BN$PQ*($ !BNS?(?*!(BN$"8 6EGE" E 3BN?ESQ*(E* 93ichela%gelo Bo2ero: B tema da mo%ar4uia co%stitucio%al merece algumas co%sideraçIes adicio%aisA 4ue %os permitam precisar melhor a %atureFa da relação e%tre 6egel e 3o%tes4uieu sob os dois aspectos da co%ti%uidade e da difere%ciação V os dois postos em e2id1%ciaA aliás e.prio 6egel< $ co%stituição mo%ár4uica 4ue 6egel descre2eA em Perfil de Filosofia do Direito.idade 4ue a caracteriFaA com respeito Ks demais formas de go2er%o< !omo 3o%tes4uieu co%sidera 4ue a mo %ar4uia HmoderadaH é o tipo de regime pol)tico adaptado Ks gra%des %açIes da Europa moder%aA da mesma formaA segu%do 6egel do po%to de 2ista da moder%idadeA a mo%ar4uia tradicio%al e as outras formas da tipologia clássica podem ser co%sideradas Hi%difere%tesHA por4ue i%e ficie%tesA isto éA %ão a#ustadas ao dese%2ol2ime%to hist.cele%teH de%tre todas é uma co%stituição comple.plicitame%teA pelo pr.a comple. como co%stituição Hracio%alH é bem mais articulada e comple.ige uma co%stituição articuladaA 4ue é a mo%ar4uia co%stitucio%al< $ i%o2ação da co%cepção hegelia%aA com relação K de 3o%tes4uieuA co%siste %a ma%eira difere%te de co%siderar a sociedade moder%a e suas articulaçIes< Segu%do 6egelA a 2ida social se difere%ciou %uma multi plicidade de aspectos e %)2eis particularesA mas sobretudo se HduplicouHA .

se ema%cipou o pri%c)pio da particularidade e da sub#eti2idadeA mas 4ue esse pri%c)pio se tor%ou o fu%dame%to de %o2o aspectoA moder%oA da e.to de 3o%tes4uieuA ta%to %os seus traços formais como %a l.a< 3o%tes4uieu também acha2a 4ue a mo%ar4uia com Hleis fu%dame% taisH é a forma de go2er%o apropriada aos Estados moder%osA por4ue se baseia %uma sociedade difere%ciada e represe%ta a u%ificação das suas difere%ças< E.ami%emos a relação e%tre u%idade e difere%çasA em 3o%tes4uieuA rele%do as passage%s em 4ue ele se refere ao corpo pol)ticoA em geralA e especificame%te K mo%ar4uia< Bbser2aremos 4ue8 1: o refere%te socialA %o te.i maçãoA podemos afirmar 4ue a mo%ar4uia co%stitucio%alA como co%sti tuição HarticuladaHA correspo%de K época moder%a como sociedade Hdifere%ciadaHJ e 4ue a di2isão dos poderes %os 4uais se articula a co%stituição moder%a se impIe por4ue a u%idade simples da comu%i dade a%tiga %ão e.prioA e com isso assegura o i%teresse comum:A é a%álogo K Hsociedade ci2ilH de 6egelJ &: co%tudoA %ão é 2isto como sociedade ci2ilA %o se%tido hegelia%o de esfera separada da estatalA porém em termos imediatame%te pol)ticosA pelos 4uais as difere%ças aparecem como difere%ças pr.gica do seu fu%cio%ame%to 9cada um persegue o i%teresse pr.iste maisA e uma %o2a u%idade %ão se pode formar a %ão ser admiti%do as difere%ças sociais como u%idade comple.1-5 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o por assim diFerA em duas esferas disti%tasA com caracteres opostos8 a sociedade ci2il e o Estado< (sso sig%ifica 4ue da u%idade substa%cial i%di2isa da comu%idade pré moder%a %ão s.prias do corpo pol)ticoJ 3: sua difere%ciação %ão é a mesma da sociedade ci2il de 6egel< /e#amos este Lltimo po%toA 4ue deri2a diretame%te dos precede%tes< $ mo%ar4uia de 3o%tes4uieu tem uma base 4ue aprese%ta dois aspectos reciprocame%te co%dicio%a%tes8 um ob#eti2o 9as desigualdades:A o outro sub#eti2o 9a ho%ra:< $ di2isão em classes ou estratos é clarame%te uma di2isão por li%has horiFo%taisA e as difere%ças 4ue dela resultam são 2i%culadas K ati2idade socialA e %a 2erdade a determi%amJ são difere%ças pol)ticas imediatas8 i%dicam a 4uem cabem os pri2ilégios e o pri%c)pio da ho%ra< Na sociedade ci2il de 6egelA a di2isão é sobretudo eco%Umico social8 feita com li%has 2erticaisA de modo 4ueA %o Mmbito da reprodução socialA cada u%idade é fu%cio%al em relação Ks outras e ao co%#u%toA pelo .ist1%cia socialV a Hsocie dade ci2ilHA esfera da 2ida coleti2a de caráter Hpri2adoHA 4ue fu%cio%a com base %os i%teresses particulares dos i%di2)duos e 4ue co%stitui o HsistemaH autU%omo media%te sua depe%d1%cia rec)proca ob#eti2a< Este sistema é em si mesmo uma esfera da 2ida coleti2a disti%ta do Estado< = %a sociedade ci2ilA lugar da ati2idade eco%UmicaA da reprodução social e da sua regulame%tação #ur)dico admi%istrati2aA 4ue os i%di2)duos se dis ti%guem em grupos ou Hmassas particularesH a) se dese%2ol2e a di2isão em posiçIes ou co%diçIes sociais 9EstadosA orde%sA grupos: difere%tes e desiguais< Es4uematicame%teA pode se diFer 4ue para 6egel a 2ida coleti2a moder%a se difere%cia em duas esferas8 a sociedade ci2ilA 4ue é a das difere%ças sociaisJ e o EstadoA a da u%idade pol)ticaA %a 4ual as difere%ças sociais são articuladas e recompostas< $ssimA %uma primeira apro.

o de difere%ças se baseia a i%terpretação 4ue dá 6egel K mo%ar4uia de 3o%tes4uieu como forma de go2er%o ligada a i%stitutos pré moder%os< HB fato de 4ue 3o%tes4uieu reco%hece a ho%ra como pri%c)pio da mo%ar4uia decorre do fato de 4ue ele tem em me%te %ão a co%stituição patriarcal ou a%tigaA em geralA %em a 4ue se dese%2ol2e com uma co%stituição ob#eti2aA mas a Cmo%ar4uia feudalCA e%4ua%to as relaçIes do seu direito i%ter%o são co%cretiFadas<<< em pri2ilégios de i%di2)duos e de corporaçIes< !omo %essa co%stituição á2ida do Estado se fu%dame%ta em uma perso%alidade pri2ilegiadaA em cu#a 2o%tade reside em gra%de parte o 4ue se de2e faFer para a e.sofo atribui aos membros das corporaçIes< +e 4ual4uer formaA essa dig%idadeA como e.ist1%cia do EstadoA a ob#eti2idade de tais prestaçIes %ão se coloca %os de2eresA mas sim %a represe%tação e %a opi%iãoJ assim em lugar do de2erA o 4ue ma%tém o Estado u%ido é a ho%raH .Fil/ Dir/ X &73:< Bs membros do Estado descrito por 6egel %ão atuam com base %o pri2ilégioA %emA de modo geralA com base %um pri%c)pio particularA como aco%tece %a sociedade ci2ilA mas sim %a base do de2erJ e o de2er para os i%di2)duos é o de Hle2ar uma 2ida u%i2ersalH8 %isso está também sua 2erdadeira liberdade< Em outras pala2rasA para 6egel a liberdade co%siste %a obedi1%cia Ks leisA por4ue assim os i%di2)duos cumprem co%scie% teme%te seu de2er %a coleti2idade< Na 2isão de 6egelA o Estado éA de modo geralA o rei%o da liberdadeA pois %ele cada i%di2)duoA cumpri%do seu de2erA tem co%sci1%cia do ob#eti2o 4ue buscaA e 4ue as leis prescre2em V o bem coleti2o< $ sociedade ci2il é o rei%o da %ecessidadeA pois sua fi%alidade coleti2a a subsist1%cia material e o bem estar geral é alca%çada sem i%te%ção co%scie%te por pa%e dos cidadãosA 4ue %a sua 2ida particular 9isto éA e%4ua%to membros da sociedade ci2il: perseguem cada 4ual seus fi%s i%di2iduais< Bem difere%te é a liberdade de 4ue fala 3o%tes4uieuA 4ue pode ser defi%idaA de modo geralA como liberdade H%egati2aH V a aus1%cia da opressão e dos abusos< Se te%tarmos e%co%trar a forma positi2a desse co%ceitoA relacio%a%do o com a estrutura hierar4uiFada do Estado .pressão ime diata do pri%c)pio da particularidadeA tem 2alidade efeti2a %o Mmbito da sociedade ci2ilA e %ão %o do Estado< $ causa da ação pol)tica éA para 6egelA o Hde2erHA 4ue se dirige ao u%i2ersalA e %ão o i%teresse associado K posição social de cada um< Poder se ia diFer 4ueA em 6egelA o de2er substitui a ho%ra como HmolaH 9pri%c)pioA %o se%tido espec)fico de 3o%tes4uieu: do Estado moder%oA mo%ár4uico co%stitucio%al< Sobre este comple.$ 3o%ar4uia !o%stitucio%al 1-' 4ue todas estão em pri%c)pio %o mesmo pla%o< $s difere%ças sociais resulta%tes co%sistemA em primeiro lugarA simplesme%te %a particulari dade da ati2idade de cada um com respeito aos demaisA mas também %a Hdesigualdade das fortu%asHA 4ue é o resultado de fato e i%e2itá2el da ati2idade social e da di2isão eco%Umica Hfu%cio%alH< Oustame%te por isso a desigualdade %ão é preestabelecidaA e %ada tem a 2er com os pri2ilégios do ancien regime% +e fatoA a abolição dos pri2ilégios é para 6egel uma co%4uista positi2a da Pe2olução >ra%cesa< Na 2erdadeA um res)duo do pri%c)pio da ho%ra subsiste ai%da %a 2isão hegelia%a8 refiro me K Hdig%idade do grupoHA 4ue o fil.

pria da 2ida social moder%a< /ale %otarA ai%daA 4ue os poderes compree%didos pela co%stituição .plicar sua a2ersão pelo absolutismo< Na mesma perspecti2aA porémA de2e se co%siderar o se%tido da teoria da separação dos poderesA i%strume%to de defesa da liberdade co%tra os abusos< Embora a i%terpretação deste aspecto do pe%same%to de 3o%tes 4uieu aprese%te muitas dificuldadesA %ão há dL2ida de 4ue a separação dos poderes é co%cebida como um sistema de HfreiosH para ma%ter determi%ado He4uil)brioHJ o ob#eti2o desse sistema é e2itar 4ue alguma pot1%cia 9especialme%te o rei: ad4uira ta%to poder 9atribui%do se as di2ersas fu%çIes do Estado: 4ue es2aFie as prerrogati2as e os pri2ilégios de todas as outras 9em particular da %obreFa:< 6egelA 4ue aceita o pri%c)pio da di2isão dos poderesA com 2ista K liberdade pLblicaA critica durame%te esse modo de co%ceber tal di2isãoA com base %o co%ceito pr. o 4ue é esse%cial8 a e.Fil/ Dir/ X &7&:< $o reafirmar o pri%c)pio da u%idade do EstadoA 6egel ataca a auto%omia absoluta 9isto éA a separação: dos poderes com argume%tos de puro sabor hobbesia%o8 H!om a auto%omia dos poderes<<< surge de imediatoA como se 2iu largame%teA a destruição do EstadoA ouA 4ua%do este se co%ser2a esse%cialme%teA a luta pela 4ual um poder submete outro ela produF em primeiro lugar a u%idadeA ai%da 4ue receba outro %omeA e sal2aA assimA s.ist1%cia do EstadoH .i id/>/ +e%tro do modelo hegelia%oA o pri%c)pio da di2isão dos poderes assume %o2o sig%ificado8 %ão represe%ta um artificio co%cebido para pre2e%ir o perigo dos abusos do poderA %em é algo de mecM%ico ou i%strume%talA mas sim de orgM%ico< E o pri%c)pio de orga%iFação do corpo pol)ticoA media%te o 4ual as esferas particulares são reco%duFidas ao u%i2ersal< $ di2isão dos poderesA em 4ue co%siste o caráter co%stitucio%al do EstadoA é para 6egel a forma racio%al da u%idade pol)ticaA %a difere%ciação pr.prio de liberdade cr)tica8 H<<< a di2isão %ecessária dos poderes do Estado<<< se fosse co%siderada %o seu sig%ificado 2erdadeiroA #ustame%teA poderia ser co%siderada a gara%tia da liberdade pLblica<<<J masA como a e%te%de o i%telecto abstratoA %ela 2amos e%co%trarA em parteA a falsa determi%ação da auto%omia absoluta dos poderesA um com relação ao outroA e era parte o caráter u%ilateral 4ue implica a i%terpretação do seu relacio%ame%to rec)proco e%4ua%to %egati2oA co%siderado como limitação mLtua< +este po%to de 2istaA o pri%c)pio 9da di2isão dos poderes: se tra%sforma em hostilidadeA medo dia%te de cada um dos poderes<<<A com a determi%ação de opor se a eles e de realiFarA com este co%trapesoA um e4uil)brio geralA mas %ão uma u%idade 2i2aH .100 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o mo%ár4uico descrito por 3o%tes4uieuA 2eremos clarame%te como a liberdade Hde faFer o 4ue as leis permitemH co%sisteA %a 2erdadeA %a possibilidade de agir com base %as prerrogati2as da situação de cada umA assegurada e gara%tida pela lei< Em outras pala2rasA a co%dição da liberdadeA %a mo%ar4uia de 3o%tes4uieuA é a gara%tia dos pri2ilégios< Nessa perspecti2a se de2e 2er o tema recorre%te do perigo 4ue ameaça a mo%ar4uia moderada de recair %o despotismo i%2ocado por 3o%tes 4uieu para e.

ricaA de2e co%cretiFar se %a 2o%tade de uma L%ica pessoa f)sica< 3as o modelo co%stitucio%al hegelia%o %ão te2e muita sorte< Embora 6egel te%ha recolhido #ustame%te o caráterA em muitos aspectos a%ti 4uadoA da co%strução de 3o%tes4uieuA foi esta LltimaA como se sabe 9e %ão a de 6egel:A 4ue te2e a maior i%flu1%cia %a hist.ria das idéias e %a hist.$ 3o%ar4uia !o%stitucio%al 101 descrita por 6egel %ão correspo%dem perfeitame%te K4ueles e.ecuti2oA e %ão um poder ulteriorA espec)fico< Na co%stituição de 6egelA é %o mo%arca 4ue todos os %eg.clusi2ame%te aleg.ria dos e2e%tos %a %ossa era< .ami%ados por 3o%tes4uieu< !om efeitoA 6egel disti%gue8 o poder do pr)%cipeA o do go2er%oA o legislati2o< B poder #udiciário %ão aparece %essa partição por4ue é i%terpretado por 6egel %ão como ge%u)%o poder co%stitucio%alA mas como ati2idade admi%istrati2a diretame%te fu%cio%alA %a ordem ci2ilA mais do 4ue %a pol)tica< $ admi%istração da #ustiça é colocada assim por 6egel %o %)2el da Hsociedade ci2ilH< Oá o poder do pr)%cipe 9do mo%arcaA do sobera%o: represe%ta um acréscimo ao paradigma dos poderes de 3o%tes4uieuA 4ue te%dia a atribuir ao mo%arca o poder e.cios e poderes particulares do Estado e%co%tram sua u%idade defi%iti2aJ ele represe%ta o mome%to da decisãoA da resolução com respeito a todas as coisasA o mome%to da Hpura 2o%tade sem %e%hum acréscimoH< No modelo hegelia%oA a figura do mo%arca ma%ifestaA porta%toA a u%idade pura e simples do EstadoA e%4ua%to esta u%idadeA para %ão ser e.

pressame%te ao problema do Estado< Sua teoria pol)tica precisa ser e. escrito em 15.rico e o prescriti2o da tipologiaA começa%do pelo uso descriti2o< Em %e%hum lugar da sua ime%sa obra e%co%tramos 4ual4uer ma%ifestação do i%teresse de 3ar.istaA e para a a2aliação da sua utilidade atual< EmpregareiA a4ui tambémA a disti%ção e%tre o uso descriti2oA o hist.rica do Estado do 4ue o da orga%iFação do poder pol)tico problema ce%tral da teoria pol)tica clássica< Pe%so 4ue uma raFão i%tr)%seca do pouco i%teresse de 3ar. da Propriedade e do "stado.Y Esta i%dagação %ão é comum e%tre os %umerosos estudiosos 4ue se t1m ocupado do pe%same%to pol)tico de 3ar.riaA pol)ticaA letrasA etc< *ma obra abra%ge%te sobre o Estado é a de E%gelsA .3 e s.A e 4ue ma%ifestam 4uase sempre uma te%d1%cia para ace%tuar sua teoria geral do EstadoA em 2eF de a%alisar lhe aspectos particulares K luF da tradição do pe%same%to pol)tico atual< !reioA porémA 4ue a resposta a essa pergu%ta tem um certo i%teresse mesmo para a compree%são geral da teoria pol)tica mar. de 155.tra)da de trechosA em geral curtosA de obras de eco%omiaA hist.A cu#o temaA co%tudoA é mais o da formação hist. em 1'&7 publicado pela primeira 2eF:A 3ar. 9bem como de E%gelsA 4ue co%tudo escre2eu todo um li2ro sobre o Estado: pela tipologia das formas de go2er%o é sua co%cepção caracteris ticame%te %egati2a do Estado< Oá e.!ap)tulo 7((( 3$P7 E.pli4ueiA %o cap)tulo 4ui%toA o 4ue . %ão produFiu %e%huma obra dedicada e.tr)%seca para esta aus1%cia8 o fato de 4ueA embora se ti2esse proposto i%icialme%te a escre2er também uma Hcr)tica da pol)ticaHA demo%stra%do seu i%teresse pela teoria pol)tica ao come%tar algu%s parágrafos a respeito do Estado da Filosofia do Direito.iste uma teoria das formas de go2er%o %o pe%same%to pol)tico de 3ar.to #u2e%il Crítica da Filosofia do Direito PC lico de *egel. de 6egel 92ide o te.0rigem da Família. pelo problema da tipologia das formas de go2er%o 4ueA %o e%ta%toA este2e sempre prese%te %os escritores pol)ticosA de Platão a 6egel< Pode se admitir uma causa e.

ima e. e%te%de por Hsuperstição pol)ticaH .A ao co%trárioA o Estado %ão passa do refle.IesA da refle.rico do Hestado éticoH< Em poucas pala2rasA os dois eleme%tos pri%cipais da co%cepção %egati2a do Estado em 3ar. é a%titética K de 6egel< Para esteA o Estado é Hracio%al em si mesmoA e por si mesmoHA é o Hdeus terre%oHA o su#eito da hist.ria u%i2ersalA o mome%to fi%al do esp)rito ob#eti2oJ como talA supera as co%tradiçIes 4ue se ma%ifestam %a sociedade ci2il< Para 3ar.10.tremame%te positi2a do seu gra%de predecessor e a%tago %istaA 6egel< No 4ue diF respeito K relação e%tre sociedade ci2il e EstadoA a posição de 3ar. a Csuperstição pol)ticaC pode imagi%ar ai%da ho#e 4ue a 2ida ci2il de2a e. escre2e8 HS.pressão do et!os de um po2o 96egel:< = co%siderado geralme%te como o po%to de escape da barbárieA da guerra de todos co%tra todosJ 2isto como o dom)%io da raFão sobre as pai. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o 4uero diFer com Hco%cepção %egati2a do EstadoH< i Em 3ar. são8 a: co%sideração do Estado como pura e simples superestrutura 4ue reflete o estado das relaçIes sociais deter mi%adas pela base eco%UmicaJ b: a ide%tificação do Estado como aparelho de 4ue se ser2e a classe domi%a%te para ma%ter seu dom)%ioA moti2o pelo 4ual o fim do Estado %ão é um fim %obreA como a#ustiçaA a liberdade ou o bem estarA mas pura e simplesme%te o i%teresse espec)fico de uma parte da sociedadeJ %ão é o bem comumA mas o bem da classe domi%a%teA o bem particular de 4uem go2er%a o 4ueA como 2imosA feF com 4ue se co%siderasse sempre o Estado 4ue o ma%ifesta como uma forma corrompida< No 4ue diF respeito ao primeiro po%toA limito me a estas citaçIes8 H$ 2ida material dos i%di2)duosA 4ue %ão depe%de em absoluto da sua 2o%tade puraA seu modo de produção e a forma de relacio%ame%to 4ue os co%dicio%a reciprocame%te são Ca base real do EstadoCA e co%ti%uam a s1 lo em todas as fases %as 4uais é ai%da %ecessária a di2isão do trabalho e a propriedade pri2ada<<< Essas relaçIes reais %ão são em absoluto criadas pelo poder do EstadoJ %a 2erdadeA elas co%stituem o poder 4ue cria o Estado .istir de%tro do EstadoJ %a 2erdadeA é o Estado 4ue e.o dessas co%tradiçIesJ %ão é sua superaçãoA mas sim sua perpetuação< Não s.sofos clássicosA o Estado represe%ta um mome%to positi2o %a formação do homem ci2il< B fim do Estado é ora a #ustiça 9Platão:A ora o bem comum 9$rist.A essa co%cepção %egati2a é ai%da mais e2ide%te 4ua%do se a compara com a co%cepção e. para 6egelA aliásA mas para a maioria dos fil.imo é certame%te o te.6deologia -lemã>8G/ Na obra segui%teA publicada em 15.-A .teles:A a felicidade dos sLditos 9"eib%iF:A a liberdade 9Sa%t:A a má.1agrada Família uma pol1mica com Bru%o Bauer A 3ar.A ao co%trárioA co%sidera o Estado como um puro e simples Hi%strume%toH de dom)%ioJ tem uma co%cepção 4ue chamaria de Htéc%icaHA para co%trapor K co%cepção HéticaH pre2alece%te %os escritores 4ue o precederamA e%tre os 4uais o represe%ta%te má.ão sobre o i%sti%to< Gra%de parte da filosofia pol)tica é uma glorificação do Estado< 3ar.iste de%tro da 2ida ci2ilH< Está claro 4ue %este po%to 3ar.

ricaA esta ide%tificação do co%ceito de HrepLblicaH com o de HdespotismoH parece estra%ha< 3as %a 2erdade %ão é estra%haA se se le2a em co%ta 4ue %este co%te. cap< (:< afirmati2a do +anifesto do Partido Comunista.ter%oA e HdespotismoH i%dica a %atureFa da relação real de dom)%ioA 4ue se ser2e da forma i%stitucio%al mais ade4uada< Pode se obser2ar 4ue %o pr. de 15.3ar.pressão %o seu se%tido mais fértilA dir)amos 4ue a teoria do Estado de 3ar.A pura e simples me%te um i%strume%to de poder:< Eis outra passagemA a mais co%hecida8 HB co%#u%to destas relaçIes de produção co%stitui a estrutura eco%Umica da sociedadeA ou se#aA a base real sobre a 4ual se le2a%ta uma superestrutura #ur)dica e pol)ticaA K 4ual correspo%dem formas determi %adas de co%sci1%cia socialH .emploA esta passagemA e.to HrepLblicaH i%dica a forma de go2er%oA 4ue como tal é pura e simplesme%te o aspecto e. 165 HNo se%tido pr. Prefácio:< No 4ue diF respeito ao segu%do po%toA basta lembrar a famosa +epois de tudo o 4ue disse sobre o HdespotismoH como categoria hist.cessi2ame%te o EstadoA termi%a por faFer dele um Hdeus terre%oHA ao 4ual de2emos sacrificar até a 2ida em %ome do i%teresse coleti2o 4ue s.58 4ual4uer co%cepção 4ueA 2aloriFa%do e.to escrito algu%s a%os mais tardeA E%gelsA depois de . ide%tifica uma forma ge%u)%a de go2er%oA disti%ta do Estado represe% tati2o V o chamado Hbo%apartismoH< Esta obser2açãoA embora de muita importM%cia de2e%do ser le2ada em co%taA %ão demo%stra co%tudo 4ue a tese da irrele2M%cia das formas de go2er%o é errU%ea< Que é o Hbo%a partismoHY Num te.adas %as co%stituiçIes formaisA ou %as estruturas i%stitucio%ais:A cada Estado é uma forma de despotismo< /e#a seA por e. o Estado represe%taria< ?oma%do essa e.to do 4ual retirei a citaçãoA 3ar.Pela Crítica da "conomia Política. e para E%gels 9como para "e%i%: é a relação real de dom)%ioA e%tre classe domi%a%te e classe domi%adaA 4ual4uer 4ue se#a a forma i%stitucio%al de 4ue se re2ista< Por4ue a forma i%stitucio%al %ão altera substa%cialme%te a realidade da relação de dom)%ioA 4ue tem suas ra)Fes %a base real da sociedadeA isto éA %as relaçIes de produção< +o po%to de 2ista das relaçIes reais de dom)%ioA %ão das apare%tes 9fi.prio te.prioA o poder pol)tico é o poder de uma classe orga%iFado para oprimir outra classeH< Numa co%cepção %egati2a do EstadoA o problema da difere%ciação das formas de go2er%oA e sobretudo a disti%ção e%tre formas boas e másA perde gra%de parte da sua importM%ciaA como #á %otei %o capitulo 4ui%to< Numa co%cepção %egati2a do EstadoA este é sempre mau V 4ual4uer 4ue se#a a forma de go2er%o< B 4ue importa para 3ar. mais ricas em refer1%cias de teoria pol)tica8 H$ derrota dos i%surretos de #u%ho ti%ha preparado o terre%o sobre o 4ual poderia ser fu%dada a repLblica burguesaJ %o e%ta%toA ti%ha demo%strado também 4ue ha2ia %a Europa outros problemas além do da repLblica ou mo%ar4uia< Pe2elara 4ue a repLblica burguesa sig%ifica Cdespotismo absoluto de uma classe sobre outras classesCH 9B De#oito 'rumKrio de Luís 'onaparte. represe%ta o fim da superstição pol)tica 9mesmo 4ue %ão es4ue çamos 3a4uia2elA para 4uem o Estado eraA como para 3ar.tra)da de uma das obras de 3ar.

ecuti2oA %o Estado bo%apartista o e.ecuti2o margi%aliFa o legislati2oA apoia%do se %o Hespa%toso corpo parasitárioH da burocracia< ?oda2iaA essa i%2ersão de papéis %ada altera %a %atureFa do EstadoA 4ue é sempre um Estado de classeA e.100 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o reafirmar a tese de 4ue o Estado é sempre o Estado da classe mais poderosaA acresce%ta 4ueA e.prio poderA e.ecuti2o é mais importa%te do 4ue o legislati2o 9o 4ue aco%teceu %a (táliaA por e.plora%do as outras clas sesA goFa%do tra%4Rilame%te os be%ef)cios da propriedadeA da fam)liaA da religião e da ordemA desde 4ue sua classe se#a co%de%ada a ser um Fero pol)tico< QueA para sal2ar a bolsaA é preciso perder a coroaH 9cap< (/:< $ssimA com a asce%são do ditador ao poderA a burguesia re%u%cia ao poder pol)tico mas %ão re%u%cia ao poder eco%UmicoJ dir se ia mesmo 4ueA em certos mome%tos de gra2es te%sIes sociaisA o L%ico meio de 4ue dispIe a classe domi%a%te para ma%ter seu poder eco%Umico é a re%L%cia mome%tM%ea ao poder pol)tico 9até 4ue a ordem se#a restabelecida:< 3ais do 4ue uma %o2a forma de go2er%oA o bo%apartismo é uma i%2ersão de papéis %o Mmbito do Estado burgu1s< !om efeitoA para 3ar.sitoA o trecho 4ue segue8 H!hama%do de heresia socialista o 4ue a%tes e.em plifica com Ho bo%apartismo do primeiro e especialme%te do segu%do impérioA 4ue se 2aleu do proletariado co%tra a burguesiaA e da burguesia co%tra o proletariadoH .. sobre o golpe de Estado 4ue le2ou "u)s Napoleão ao poderA em & de deFembro de 15-1A tor%a se dif)cil 2er %a figura do %eto de Napoleão um árbitro por cima dos partidos< B ditador é também um i%strume%to da classe domi%a%teA a 4ualA %o mome%to do perigoA re%u%cia ao pr.ercido diretame%teA e%trega%do se %as mãos do Hsal2adorH 9a figura do bo%apartismo é lembrada muitas 2eFes %as i%terpretaçIes do fascismo:< Parece me decisi2o a este prop.A parece me 4ue %ão há frase mais elo4Re%te do 4ue esta8 H$ >ra%ça parece assim ter escapado do despotismo de uma classe para recair sob o despotismo de um i%di2)duoH 9cap< /((:< . a %o2idade do go2er%o bo%apartista co%siste %o fato de 4ue o poder e.prio i%teresse lhe impIe fugir ao perigo do autogo2er%o< QueA para ma%ter a tra%4Rilidade %o pa)sA de2e a%tes de mais %ada reduFir K calma seu parlame%to burgu1s< QueA para ma%ter i%tacto seu poder socialA de2e destruir seu poder pol)tico< Que os burgueses podem i%di2idualme%te co%ti%uar e.erce%do poder desp.0rigem da Família.tico< Para co%firmar a pouca rele2M%cia das formas de go2er%o %a teoria do Estado de 3ar.cepcio%alme%teA 4ua%do as classes a%ta gU%icas t1m 4uase a mesma forçaA o poder estatal pode assumir fu%ção mediadora e%tre as classesA ad4uiri%do uma certa Hauto%omiaH< E. da Propriedade Pri(ada e do "stado>/ B come%tário de E%gelsA sobre o bo%apartismoA faF pe%sar %o modo como se i%terpretou %o passadoA muitas 2eFesA a figura do tira%o clássicoA co%siderado como a4uele 4ue toma o poder %um mome%to de gra2es co%flitos sociaisA faFe%do se árbitroA por cima dos partidos em luta< Na realidadeA se se l1 com ate%ção o e%saio de 3ar.emploA com o ad2e%to do fascismo:< E%4ua%to %o go2er%o represe%tati2o o ce%tro do poder estatal é o parlame%toA do 4ual depe%de o poder e.altara como liberalA a burguesia co%fessa 4ue seu pr.

istaA para desig%ar o Estado burgu1s e o Estado proletárioA as e.ista 4uem este%de o reco%hecime%to da luta de classes até a admissão da Cditadura do proletariadoC< Essa 1 a difere%ça mais profu%da e%tre o mar.ar de produFir gra%de %Lmero e 2ariedade de formas pol)ticasCA mas sua ess1%cia será i%e2ita2elme%te uma s.tico< 3uda%do a forma de go2er%oA muda o modo como o poder é e. 107 3uda o titular do poder pol)ticoA o 4ue %ão muda é a %atureFa desp.rico 4ue separa o capitalismo da sociedade sem classes e do comu%ismo< $s formas 4ue assumem os Estados burgueses Csão e.ista do EstadoA com o segui%te come%tário8 HS.ercidoA %ão a substM%cia do poder< Em sumaA a categoria do despotismoA 4ue até e%tão sempre caracteriFou um tipo de EstadoA e de modo geral 9sal2o a e. utiliFou pela primeira 2eF a e. está ligada a determi%ada fase do dese%2ol2ime%to hist. s.ceção aceita pelos fisiocratas:A um tipo corrompido de EstadoA ad4uire %a li%guagem de 3ar.de março de 15-&A 4ue te2e o mérito de demo%strar 4ue8 1: a e.ist1%cia das classes s.sitosA por4ueA embora admiti%do 4ue Has formas 4ue assumem os Estados burgueses são e. acima reproduFidosA mais sim Hdita duraH< ?or%aram se usuais %a teoria pol)tica mar. de 1'17A como um dos docume%tos mais importa%tes da teoria mar.ar de produFir gra%de %Lmero e 2ariedade de formas pol)ticasHA reco%hece 4ue em sua ess1%cia o Estado é sempre uma ditadura de classe %o primeiro casoA da burguesiaA %o segu%doA do proletariado< !omo se 21A o 4ue come%tei a respeito das frases 4ue empregam o termo HdespotismoH 2ale também para a4uelas 4ue usam HditaduraH co%siderado como si%U%imoA embora seu sig%ificado se#a .ista e o pe4ue%o burgu1sH< = ai%da "e%i% 4ue come%ta8 H$ ess1%cia da doutri%a do Estado de 3ar.pressIes Hditadura da burguesiaH e Hditadura do proletariadoH< Parece 4ue 3ar.ista o termo mais usado para i%dicarA o dom)%io de uma classe sobre outra %ão é HdespotismoHA 4ue e%co%tramos %os trechos de 3ar.rico da produçãoJ &: a luta das classes le2a %ecessariame%te K Hditadura do proletariadoHJ 3: esta ditadura co%stitui ape%as uma passagem para a fase de supressão de todas as classesA a uma sociedade sem classes< $ carta a ]eEdemeEer foi co%siderada por "e%i%A em "stado e Re(olução.pria ess1%cia do Estado< Por outro ladoA %a li%guagem mar.8 todos esses Estados co%stituem em Lltima i%stM%ciaA de um modo ou de outroA uma Cditadura da burguesiaC< $ tra%sição do capitalismo ao comu%ismoA i%dubita2elme%teA C%ão pode dei. é alca%çada por 4uem compree%de 4ue a ditadura de uma classe é %ecessária %ão ape%as para toda sociedade classistaA de modo geral %ão s. sig%ificação geralA ser2i%do para i%dicar a pr.pressão Hditadura do proletariadoH %a carta escrita a Ooseph ]eEdemeEerA em .traordi%ariame%te 2ariadasCA mas sua ess1%cia é uma s.3ar.traordi%ariame%te 2ariadasHA e 4ue a tra%sição para o comu%ismo H%ão pode dei. é mar.tica do Estado 4ual4uer 4ue se#a esteA e%4ua%to EstadoA éA por %atureFaA desp.8 a Cditadura do proletariadoCH< Essa passagem é importa%te para os %ossos prop. o proletariadoA depois de ter derrubado a burguesia A mas para todo o per)odo hist.

prio 3o%tes4uieu come%touA sem co%tudo relacio%á la com a di2isão tr)plice das formas de go2er%o8 HE%tre os po2os sel2age%s e bárbaros há esta difere%ça8 os primeiros são pe4ue%as %açIes dispersas 4ueA por alguma raFão especialA %ão se podem reu%irJ os bárbaros sãoA de modo geralA pe4ue%as %açIes 4ue podem reu%ir se< Bs primeiros são geralme%te po2os caçadoresJ os segu%dosA pastoresH 9"i2ro 7/(((A cap< 11:< Em 1707A aparecia a obra do escoc1s $dam >erguso%A -n "ssa4 on l2e *istor4 of Ci(il 1ociet4. em gra%de parte i%spirada em 3o%tes4uieuA 4ue descre2ia o dese%2ol2ime%to da huma%idade em tr1s mome%tos8 as %açIes sel2age%sA bárbaras e ci2isA referi%do se em primeiro lugar Ks i%stituiçIes eco%UmicasA e muito especialme%te K propriedade< B %as cime%to da eco%omiaA %o século 7/(((A e da sociologiaA %o 7(7<co% tribuiu para 4ue se desse mais ate%ção K hist.105 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o muito difere%te< $ relação fu%dame%tal de dom)%ioA 4ue deri2a da forma de produçãoA é %um certo se%tido i%difere%te K forma de go2er%oJ em outras pala2rasA a desco%ti%uidade e2e%tual das formas de go2er%o %ão i%cide sobre a co%ti%uidade da relação de dom)%ioA uma 2eF 4ue 4ual4uer relação de dom)%io e%co%tra sempre a forma de go2er%o apropriada K sua substM%ciaA e%4ua%to %ão se alteram as relaçIes sociaisA isto éA os 2)%culos sub#ace%tes Ks formas pol)ticas< B desi%teresse de 3ar.rico 4ue presci%dia completame%te das formas de go 2er%oA le2a%do em co%ta ape%as a 2ariedade dos sistemas eco%Umicos< Pefiro me K disti%ção e%tre po2os sel2age%s 9caçadores:A bárbaros 9pas tores:A ci2is 9agricultores:A 4ue o pr.ria éA como se sabeA o da e2olução das relaçIes de produçãoA segu%do a 4ual a huma%idade teria passado da sociedade escra2ista para a sociedade feudalA e desta para a burguesaA esta%do desti%ada a passar da sociedade burguesa para a socialista 9e depois a comu%ista:< Em 3ar. co%sideraA ao lado dos modos de produção escra2istaA feudal e capitalistaA o HasiáticoHA a respeito do 4ual afirma8 HB orga%ismo produti2o simples destas comu%idades auto su ficie%tes 9refere se Ks comu%idades agr)colas i%dia%as: 4ue se reproduFem da mesma forma e 4ueA 4ua%do são destru)dasA se reco%stroem %o mesmo localA sob o mesmo %omeA %os permite compree%der o segredo da CimutabilidadeC das CsociedadesC asiáticasA 4ue oferecem um co%traste tão e2ide%te com a co%sta%te dissolução e reforma dos CEstadosC asiáticosA e com a muda%ça i%cessa%te das di%astiasH 9 0 Capital. para di2idir as 2árias épocas da hist.ria 4ueA ao co%trário das precede%tes 9até 6egel:A presci%de completame%te das formas de go2er%o para determi%ar as etapas do dese%2ol2ime%to hist.rico< Oá %o século 7/(((A 3o%tes4uieu ha2ia proposto um critério de classificação dos 2ários mome%tos do progresso hist.A o 4ue subsiste das filosofias da hist. pelas formas de go2er%o é co%firmado pela sua filosofia da hist. (A &:< No 4ue co%cer%e ao Estado e sua e2oluçãoA o li2ro de E%gelsA #á .ria precede%tes é a i%terpretação substa%cialme%te euroc1%tricaA 4ue relega o i%u%do orie%tal a um espaço K parteA caracteriFado pela imobilidade< !omo se sabeA 3ar.ria do progresso ci2il da huma%idadeA do po%to de 2ista do sistema eco%Umico ou socialA do 4ue sob o M%gulo do sistema pol)tico< B critério adotado por 3ar.

logo %orte america%o "e[is 3orga%A em T2e -ncient 1ociet4. de 1577:A aprese%ta uma li%ha de e2olução da hist. as pe4ue%as hortas são co%fiadas pro2iso riame%te Ks admi%istraçIes domésticas:A %ão era %ecessário ma%ter %em a sombra do %osso 2asto e complicado aparelho admi%istrati2o< Bs i%teressados decidem eA %a maior parte dos casosA o costume secular #á regulame%tou tudo< Não pode ha2er pobres ou %ecessitados8 a admi%is tração comu%al e agem co%hecem suas obrigaçIes para com os idososA os doe%tes e os .ist1%cia de . 10' citadoA sobre a origem da fam)lia e do Estado 9o 4ual retoma e amplia as co%clusIes do a%trop.ti%guir gradualme%te as i%stituiçIes pol)ticas< B trecho adia%te reproduFido mostra como E%gelsA K ma%eira de PousseauA co%sidera decade%te a passagem das sociedades primiti2as K sociedade de classes o i%)cio de um lo%go per)odo de corrupção 9embora isso possa arra%har %ossos ou2idos:8 HEssa co%stituição pagaA com todas as puerilidades e sua simpli cidadeA é mara2ilhosadH E mais adia%te8 HEram assim os home%s e a sociedade a%tes da di2isão em classes< Se comparássemos sua situação K da ime%sa maioria dos home%s ci2iliFados de ho#eA 2er)amos 4ue é e%orme a distM%cia 4ue medeia e%tre o proletariado e o pe4ue%o campo%1s de ho#e e o membro li2re da a%tiga gens8/ Eis como E%gels descre2eA idilicame%teA a 2ida dos po2os primiti2os 9retoma%do o tema do Hbom sel2agemHA de Pousseau e do século deFoito:8 HSem soldadosA ge%darmes e policiaisJ sem %obresA reiA go2er%adoresA prefeitos ou #uiFesJ sem prisIesA processosA tudo segue seu curso %ormal< ?odos os lit)gios e disputas são decididos pela coleti2idade dos 4ue t1m i%teresse %o problemaA pela gens ou pela triboA ou e%tão gentes si%gulares e%tre si<<< Embora os assu%tos comu%s fossem bem mais %umerosos do 4ue ho#e 9a admi%istração é comum a uma série de fam)liasA é comu%alJ o solo é propriedade da tribo s.ista atribuirá K sociedade sem EstadoA prometida pelo comu%ismo8 a aus1%cia de um poder coator e opressi2oA a i%e.3ar.ria da huma%idade di2idida em tr1s fases< $ pri%c)pio o homem se reL%e em grupos 4ue t1m uma orga%iFação comu%itária e familiarA %ão co%hecem a propriedade e a di2isão do trabalhoA e %ada aprese%tam em comum com o tipo de orga%iFação social baseada %a di2isão em classes a%tagU%icas e %o dom)%io de uma classe sobre outraA 4ue chamamos de HEstadoH< = uma fase Hpré estatalHA 4ue correspo%de ao Hestado da %atureFaH dos #us %aturalistasA K fase das fam)liasA de /icoA K era dos sel2age%sA de 3o%tes4uieu e seus seguidores< Sucede se a etapa do EstadoA 4ue dura até ho#eA e 4ueA sob certos aspectosA represe%ta uma decad1%cia em relação K fase i%icial< +ecad1%cia da 4ual a huma%idade poderá sal2ar se com um salto 4ualitati2oA 4ue a le2e da fase do Estado K da dissolução do EstadoA media%te Hetapa de tra%siçãoH desti%ada a e.rfãos de guerra< ?odos são li2res e iguaisA i%clusi2e as mulheresH< PeproduFi i%tegralme%te a passagem por4ue as caracter)sticas com 4ue E%gels descre2e as sociedades primiti2as são as mesmas 4ue toda a tradição mar.

escre2eu sobre a e. o terceiro o Estado represe%tati2o V pode ser co%siderado como uma forma de go2er%o< Bs outros dois o Estado escra2ista e o feudal se caracteriFam %ão pela forma de go2er%oA mas pelo tipo de sociedade 4ue refletem< 3elhor ditoA pelo tipo de relaçIes de produção 9relação e%tre se%hores e escra2osA e%tre os %obres e os campo%eses: 4ueA como EstadoA prete%dem perpetuar< Não é preciso maisA %a mi%ha opi%iãoA para reafirmar 4ueA %a teoria do Estado de 3ar.rgãos dete%tores de poderA sem represe%ta%tes eleitosA em co%traste com a democracia represe%tati2aA pr.rgão da %obreFaA 4ue su#eita2a os campo%esesJ e o Estado represe%tati2o moder%o é um i%strume%to para a e.traiu dessa e. e E%gelsA as tipologias das formas de go2er%oA empregadas dura%te séculos para di2idir as fases da hist. é li2re dura%te a eleição dos membros do parlame%to< "ogo depois de eleg1 losA tor%a se escra2oA %ão 2ale mais . e%umeraA s.s estatal 4ue 2irá ai%da< !omo se articula esta lo%ga fase do EstadoY ?a%to /ico 4ua%to 6egelA para dar os e. 4ua%to E%gels te%ham sido sempre muito a2aros em i%dicaçIes a respeito da orga%iFação do Estado futuroA e%co%tramos uma ou outra sugestão %as pági%as 4ue 3ar.emplos mais co%sp)cuos de uma filosofia da hist.pria do Estado burgu1s< $ democracia direta fora o ideal de Pousseau 4ueA critica%do o sistema represe%tati2o i%gl1sA ha2ia se%te%ciado 4ue o po2o i%gl1s Hpe%sa ser li2reA mas muito se e%ga%aJ s.ploração do trabalho assalariado por parte do capitalH< +os tr1s tipos de Estado 4ue 3ar. propIeA pelo me%os para o futuro EstadoA o problema da HmelhorH forma de go2er%oY Embora ta%to 3ar.plorar a classe oprimida< +o mesmo modo como o Estado a%tigo foiA a%tes de mais %adaA o Estado dos proprietários de escra2osA 4ue se desti%a2a a ma%t1 los submetidosA assim também o Estado feudal foi um .peri1%cia de go2er%o da !omu%a de ParisA e%tre março e maio de 1571< !ostuma se diFer 4ue 3ar.peri1%cia a idéia de 4ue o Estado proletário 9isto éA o Estado como Hdom)%io orga%iFado do proletariadoH: represe%taria uma democracia diretaA com a participação dos cidadãos %os 2ários .rico da huma%idadeA ti%ham partido de uma fase pré estatal para percorrer em seguida a fase do EstadoA supera%do gradualme%te a repLblica aristocráticaA a repLblica democráticaA a mo%ar4uia 9para /ico:J o despotismoA a repLblicaA a mo%ar4uia 9para 6egel:< E%gels porém %ão pe%sa2a da mesma ma%eira8 H!omo o Estado %asceu da %ecessidade de frear os a%tago%ismos de classesA mas seguiu também %o meio de co%flitos e%tre essas classesA re prese%taA como regra geralA a classe mais poderosaA eco%omicame%te domi%a%teA 4ue o utiliFa para se tor%ar também politicame%te domi%a% teA ad4uiri%do mais um i%strume%to para submeter e e.riaA perderam 4uase todo 2alor< Para termi%arA e%co%tramos em 3ar.170 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o um aparelho admi%istrati2o 9a 4ual se efeti2aráA segu%do "e%i%A 4ua%do até as coFi%heiras possam decidir assu%tos do Estado:A a substituição das leis pelos costumesA liberdade e igualdade para todos< $ fase do Estado éA porta%toA i%termediária e%tre a etapa pré estatal #á irremedia2elme%te tra%scorrida e a fase p. e. o uso prescriti2o da teoria das formas de go2er%oY Em outras pala2rasA 3ar.ria 4ue abra%ge o curso hist.

A podem ser assim resumidos8 a: supressão dos chamados Hcorpos separadosHA como o e.prio 9isto éA a forma de democracia %a 4ual todos participam pessoalme%te da deliberação coleti2aA como . propIe %ão é ta%to a democracia diretaA %o se%tido pr.ército e a pol)ciaJ b: tra%sformação da admi%istração pLblicaA da HburocraciaH 9co%tra a 4ual 3ar. escre2eu feroFme%teA desde a sua #u2e%tude:A em corpos de age%tes respo%sá2eis e demiss)2eisA a ser2iço do poder popularA c: e. e%umerara algu%s aspectos do bre2e go2er%o da !omu%a 4ue lhe parecem uma i%o2ação radical com respeito Ks formas de go2er%o precede%tes8 1: a supressão do e.Contrato 1ocial. te%de a ace%tuar sobretudo o e. (((A 1-:< ^ pro2á2el 4ue 3ar. ti2esse em me%te a democracia %o se%tido de Pousseau 4ua%doA %a Crítica da Filosofia do Direito PC lico de *egel.emplar %a sua ef1mera realidadeA 3ar. 171 %adaH .3ar.te%são do pri%c)pio da eleti2idadeA e porta%to da represe%taçãoA sempre re2ogá2elA a outras fu%çIes pLblicasA como a de #uiFJ d: elimi%ação da proibição do ma%dato imperati2o 9um i%stituto clássico das primeiras co%stituiçIes liberais:A 4ue seria imposto a todos os eleitos isto é8 a obrigação de os represe%ta%tes seguirem as i%struçIes dos seus eleitoresA sob pe%a de re2ogação do ma%datoJ e: amplo processo de desce%traliFaçãoA de modo a reduFir ao m)%imo o poder ce%tral do Estado< Para come%tar essas bre2es i%dicaçIes de 3ar.erc)cio direto dos 2ários graus de poder estatal pelo po2oA 4ue participa das difere%tes fu%çIes go2er%ame%tais< +e fatoA depois de afirmar 4ue a !omu%a foi a a%t)tese direta do império 9a forma de Estado 4ue lhe ti%ham sugerido as pági%as sobre o Hbo%apartismoH:A 3ar.ecuti2o e legislati2oJ 3: retirada das atribuiçIes pol)ticas da pol)ciaA com sua tra%sformação em i%strume%to respo%sá2el da !omu%aJ . foram gastos rios de ti%ta< Basta %os diFer a4ui 4ue o 4ue 3ar. uma obra da #u2e%tudeA co%trapIe ao ideal hegelia%o da mo%ar4uia co%stitucio%al o ideal da democraciaA 4ue 4ualifica como Ho e%igma resol2ido por todas as co%stituiçIesH< = 2erdade 4ueA elogia%do o go2er%o da !omu%aA e.ército perma%e%teA substitu)do pelo po2o em armasJ &: eleiçIes por sufrágio u%i2ersal dos co%selheiros mu%icipaisA perma%e%teme%te respo%sá2eis e demiss)2eisA e a tra%sformação da !omu%a em local de trabalho co%#u%to e.emplo da !omu%a de Paris de2eria este%der se a todas as comu%as fra%cesasA de modo 4ue o a%tigo go2er%o ce%traliFado fosse substitu)do pelo Hautogo2er%o dos produtoresH< +as comu%as se irradia riam para o ce%tro os delegados da periferiaA a fim de tratar dos assu%tos de i%teresse %acio%alA de forma tal 4ue %ão se reco%stitu)sse um parlame%to sobera%o ce%tralA forma%do se ape%as um po%to de e%co%tro para os delegados locais< Parece me 4ue os temas pri%cipais da HmelhorH forma de go2er%oA segu%do 3ar.: o mesmo com relação K admi%istração pLblicaA com a redução drástica dos estip1%dios 9ao %)2el dos salários recebidos pelos operários:J -: dissolução e desapropriação de todas as igre#asA como e%tidades proprietáriasJ 0: acesso gratuito do po2o a todas as i%stituiçIes de e%si%oJ 7: eleti2idade dos magistrados e #uiFesA 4ue passam a ser respo%sá2eis e demiss)2eis como todos os outros fu%cio%ários pLblicos< B e.

ti%ção do Estado 4ue permite a tra%sformação da sociedade estatal em sociedade %ão estatal< $ essa melhor forma de go2er%o correspo%de a fase 4ue 3ar.ercida i%tegral e coere%teme%teHA de modo a tra%sformar a Hdemocracia burguesaH em Hdemocracia prole táriaHA e a mudar o HEstadoHA e%te%dido como força especial para a repressão de uma classe determi%adaA em Halgo 4ue %ão é mais e.pressão Cditadura do pro letariadoC< 3uito bemA se%horesA 4uerem saber em 4ue co%siste essa ditaduraY /e#am a !omu%a de ParisA 4ue foi uma ditadura do proleta riadoH 9citado de 3ar. E%gelsA 0 Partido e a 6nternacional>/ . chama de Htra%siçãoH 9de Estado para a aus1%cia de Estado:A e 4ue éA do po%to de 2ista do dom)%io de classeA o per)odo da Hditadura do proletariadoH< Para usar as mesmas pala2ras usadas por 3ar. mas a democracia eleti2a com re 2ogação dos ma%datos uma forma de democracia em 4ue os represe% ta%tes eleitos t1m seu ma%dato limitado Ks i%struçIes recebidas dos eleitores< $s i%dicaçIes sumárias mas i%cisi2as de 3ar.A %este se%tidoA se tor%aram célebres por terem i%spirado "e%i%A em ple%o fogo da re2o lução8 um cap)tulo de "stado e Re(olução foi dedicado a come%tar as pági%as de 3ar.A ao co%trário de todos os escritores pol)ticos 4ue o precederamA a melhor forma de go2er%o é a4uela 4ue agiliFa o processo de e. sobre a !omu%a de Paris< NelasA "e%i% 21 Ha substituição gra%diosa de um tipo de i%stituição por i%stituiçIes baseadas em outros pri%c)piosH8 uma democracia He. %a Crítica ao Programa de =ot2a% HE%tre a sociedade capitalista e a sociedade comu%ista tra%scorre o per)odo da tra%sformação re2olucio%ária de uma em outra< $ ele correspo%de também um per)odo pol)tico de tra%siçãoA 4ue %ão pode ser se%ão a Cditadura re2olucio%ária do proletariadoCH< Bu ai%daA para usar pala2ras de E%gelsA %a i%trodução a uma reedição dos te.atame%te o EstadoH< Não há dL2ida de 4ueA para 3ar.istas sobre a guerra ci2il fra%cesa8 HB filisteu social democrático ultimame%te se se%tiu outra 2eF domi%ado por salutar terrorA ao ou2ir a e.tos mar.17& $ ?eoria das >ormas de Go2er%o aco%tece %os casos de referendum>.

ria com o %ome de HditadurasH< H+itaduraHA como Htira%iaH e HdespotismoHA é um termo 4ue %os 2em da $%tigRidade clássica embora do mu%do roma%oA e %ão do hel1%ico< Em PomaA chama2a se de HditadorH um magistrado e.istaA como si%U%imosA %as e.pressIes Hdespotismo de classeH e Hditadura de classeH< 3asA como também #á dissemosA HditaduraH termi%ou por pre2alecerA de modo 4ue ho#eA ta%to %a li%guagem comum como %a especialiFadaA dos tr1s termos tradicio%alme%te empregados para i%dicar um go2er%o absolutoA e.dictator rei pu licae gerendae cansa> ou rebelião .traordi%áriosA co%sisti%do sobretudo %o desaparecime%to da disti%ção .traordi%áriasA como uma guerra .dictator seditionis sedandae causa>/ +ada a e. o terceiro é usado co%ti%uame%teA aplicado Ks situaçIes mais di2ersas< !omeçou se a falar em ditadura a prop.sito do fascismo italia%oJ depoisA do %acio%al socialismo 9%aFismo: alemãoA do stali%ismoA e por fim de todos os go2er%osA i%clusi2e o dos coro%éis gregos e o do ge%eral Pi%ochet 9!hile:A cu#o regime co%stitucio%al precede%te foi afastado pela força e o%deA depois da co%4uista do poder por um grupo armadoA o go2er%o co%ti%ua a ser e.pressão para defi%ir os 2i%te a%os decorridos e%tre as duas gra%des guerras8 os regimes 4ue 6alé2E chama2a 9tal2eF com maior propriedadeA segui%do a tradição: de Htira%iasH passaram K hist.cepcio%alidade da situaçãoA o ditador recebia poderes e.clusi2oA pessoalA moral e #uridicame%te co%de%á2el Htira%iaHA HdespotismoH e Hdi taduraH A os dois primeiros ca)ram em desuso< S.traor di%árioA ocupa%te de cargo i%stitu)do por 2olta de -00 a< !e 4ue perdurou até o fim do século ((( a%tes de !risto< B HditadorH era %omeado por um dos cU%sules em circu%stM%cias e.!ap)tulo 7(/ (N?EP/$"B8 $ +(?$+*P$ !omo 2imos %o cap)tulo precede%teA os termos HdespotismoH e HditaduraH são empregadosA %a li%guagem mar.ercido com 2iol1%ciaA supressas todas as liberdades ci2is e pol)ticas< Em 1'30A =lie 6alé2E defi%ia a sua época como Hera das tira%iasHJ mas ho#e %i%guém mais usaria essa e.

ercido de%tro dos muros da cidade:A su#eito a limites 4ue ho#e chamar)amos de Hco%stitucio%aisH como a pro(ocatio ad populum e o imperium militae 9coma%do e.tese alguma de2eria e.traordi%ário mas perfei tame%te leg)timoA cu#o poder esta2a pre2isto pela co%stituiçãoA e 4ue se #ustifica2a pelo Hestado de %ecessidadeH 94ue co%stituiA do po%to de 2ista #ur)dicoA um Hfato %ormati2oHA o 4ual suspe%de a situação #ur)dica precede%te ou estabelece %o2a situação #ur)dica:< $s caracter)sticas da ditadura roma%a podem ser resumidas bre2eme%te assim8 a: estado de %ecessidadeA %o 4ue co%cer%e K legitimaçãoJ b: e. pela duração da tarefa e.cepcio%aisA é leg)timoA mas %ão temporário 9pelo co%trárioA é um regime de lo%ga duração:< $s tr1s formas t1m em comum o caráter mo%ocrático e absoluto do poderA mas a tira%ia e a ditadura diferem %o 4ue respeita K legitimidade 9a ditadura tem uma base de legitimidade 4ue falta K tira%ia:J o despotismo e a ditadura diferem %o 4ue diF respeito ao fu%dame%to de legitimidade 9hist.cepcio%alidade dos poderesA co%sisti%do sobretudo %a suspe%são das gara%tias co%stitu cio%ais ordi%áriasJ c: u%idade de coma%do 9o ditador é sempre um i%di2)duo:J d: caráter temporário da fu%ção< $ ditadura roma%a éA porta%toA uma magistratura mo%ocráticaA com poderes e. e &ão +al.6nstituição da Ditadura Fe# 'em. $ ?eoria das >ormas de Go2er%o e%tre o imperium domi 9o coma%do sobera%o e.cepcio%al do poder ditatorial co%sistia %a sua i%teri%idade< B ditador era %omeado s.traordi%áriosA mas %ão é leg)timaA %em %ecessariame%te temporária< B despotismo é mo%ocráticoA tem poderes e.traordi%ária 4ue lhe era co%fiadaJ em hip.ceder o per)odo de seis mesesA ou o ma%dato do cU%sul 4ue o %omeara< B ditador roma%o eraA porta%toA um magistrado e.traordi%ários mas leg)timos 9co%stitucio%ais:A limitada %o tempo< Essas caracter)sticas permitem disti%gui la co%ceitualme%te da tira%ia e do despotismo termos 4ueA %a li%guagem corre%teA são muitas 2eFes co%fu%didos< $ tira%ia é mo%ocráticaA tem poderes e.17. E RepC lica Romana///.rico geográfico para o despotismoA o Hestado de %ecessidadeH para a ditadura:< >i%alme%teA a ditadura se disti%gue da tira%ia e do despotismo de2ido ao caráter temporário< = #ustame%te a %atureFa temporária da ditadura 4ue sempre a disti%guiu da tira%ia e do despotismoA como forma positi(a de go2er%o a 4ualA porta%toA %ão se co%fu%dia com as formas corrompidas ou %egati2asA como se pode demo%strar com rápidas refer1%cias hist.rei pu licae constituendae> e perpétuaA 4ue e.5 a<!A eA em . 3a4uia2el refuta os 4ue suste%taram 4ue a ditadura ti%ha causado Ha tira%ia imposta a PomaH< 3as a causa da tira%ia 9a refer1%cia é a !ésar: %ão foi a ditadura em si mesmaA mas o prolo%game%to do ma%dato do ditador além dos limites estabelecidos8 sabe se 4ue Sila foi o primeiro a receber uma ditadura especial .ricasA para as 4uais me sir2o de dois autores 4ue #á co%hecemos 3a4uia2el e Bodi% A bem como de PousseauA o gra%de ause%te deste curso< Num cap)tulo dos Discorsi 9cap< 777(/A "i2ro (:A i%tituladoA sig%i ficati2ame%teA .erceu do a%o 5& ao 7' a<!< !ésar foi %omeado ditador por tempo i%determi%ado em .0A ditador a%ual pelo per)odo de deF a%os< $o perder sua peculiaridadeA 4ue era o caráter temporárioA a .ercido fora dos muros caracteriFado pela aus1%cia de tais limites:< B co%trapeso do caráter e.

ti%ha %a 2erdade uma delegação precisa co%duFir uma guerraA ou reprimir re2oltaJ reformar o Estado ou i%stituir %o2os magistrados< $ sobera%iaA porémA %ão é limitada 4ua%to aos seus poderesA atribuiçIes ou duraçãoH 9"i2ro (A cap< /(((:< !om 3a4uia2elA Bodi% respo%dia aos 4ue ob#eta2am aprese%ta%do o e.ecuti2oA %ão se este%de%do ao legislati2o< Em outras pala2rasA o ditador podia suspe%der mome%ta%eame%te as leis 2ige%tesA mas %ão podia alterá lasA ou modificar a co%stituição do Estado< !o%forme %oteiA o #ulgame%to de 3a4uia2el sobre a ditadura roma%a é altame%te positi2o8 HE%4ua%to a ditadura se ma%te2e de%tro das %ormas legaisA e %ão foi usurpada pelos cidadãosA represe%tou um suste%táculo da repLblica< +e fatoA os magistrados i%stitu)dos por meios e.(%ter2alo8 $ +itadura 17fu%ção da ditadura se altera2a< 3a4uia2el tem perfeita co%sci1%cia dessa peculiaridadeA 4ue ace%tua com a agudeFa habitual< H<<<o ditador roma%o era desig%ado por tempo limitadoJ a duração do seu poder %ão e.cedia as circu%stM%cias 4ue ha2iam obrigado K sua i%stituição< Sua autoridade co%sistia em tomar soFi%ho as medidas 4ue co%siderasse oportu%as para e%fre%tar um perigo determi%ado< Não ti%ha %ecessidade de realiFar co%sultasA e podia pu%ir sem apelo os 4ue co%siderasse culpados< 3as o ditador %ada podia faFer 4ue ate%tasse co%tra o go2er%o estabelecido como retirar autoridade ao Se%ado ou ao po2oA ou substituir as a%tigas i%stituiçIes da repLblica< $ curta duração da ditaduraA os limites 4ue defi%iam o seu poderA bem como as 2irtudes do po2o roma%oA tor%a2am imposs)2el 4ue tra%sbordasse da sua autoridadeA pre#udica%do o EstadoA ao 4ualA pelo co%trárioA sempre foi de utilidadeH 9Discorsi.emploA para disti%guir o poder sobera%o do %ão sobera%o com base %a perpetuidade< !omo uma das caracter)sticas da sobera%ia é a perpetuidadeA o ditador roma%oA e%4ua%to magistrado por tempo determi%adoA %ão podia ser co%siderado como dete%tor do poder sobera%o 4ue perte%ciaA %a 2erdadeA aos 4ue %omea2am o ditador< !ito te.ami %armos os aco%tecime%tos ocorridos %a repLblica roma%aA 2eremos 4ue os ditadores s.i idem>/ No cap)tulo /(( i%di4uei 4ue Bodi% aprese%ta o ditador roma%o como e. "i2ro (A cap< 777(/:< 3a4uia2el ace%tuaA acima de tudoA como #á obser2ou !arl SchmittA em .emplo de SilaA diFe%do 4ue H %ão se trata2a de lei ou de ditaduraA mas de cruel tira%iaHA embora Sila ti2esse aba%do%ado suas fu%çIes depois de 4uatro a%osA respeita%do sempre a liberdade de oposição dos tribu%os< $o falar de Hdelegação precisaHA Bodi% ace%tua 4ue uma das caracte r)sticas da ditadura é a limitação do seu poderA além do limite imposto K .traordi%áriosA e o poder alca%çado por esses meiosA %ão são perigosos para o Estado< Se e.Ditadura.tualme%te8 H/emos assim 4ue o ditador roma%o %ão era um pr)%cipe ou um magistrado sobera%oA como muitos #á afirmaramA mas s. um aspecto do poder ditatorial 4ue será salie%tado por todos os 4ue elogiaram a i%stituição8 o ditador %ada podia faFer 4ue dimi%u)sse o EstadoA o 4ue sig%ifica 4ue sua fu%ção se limita2a ao poder e. lhe prestaram ser2iços importa%tesA por raFIes e2ide%tesH .

ista< !o%forme obser2ei %o cap)tulo sobre Bodi%A !arl Schmitt chama a ditadura tradicio%al de Hditadura comissáriaHA para disti%gui la de uma outra forma 4ue 2amos e%co%trar %a Pe2olução >ra%cesaA por e.ria da ditadura< Precisaremos referir a segu%da parte dessa hist.ria da ditadura He.iste%te um estado de coisas 4ue precisa alterar completame%te com suas pr.ecuti2o da ditaduraA afirma%do 4ue o ditador pode faFer calar as leis 9suspe%de%do temporariame%te sua 2alidade:A mas %ão pode faF1 las falar 9%ão tem o poder de promulgar %o2as leis:< B outro po%to salie%tado por Pousseau é o caráter temporário da ditadura< Na co%clusão desse cap)tuloA escre2e8 H$liásA 4ual4uer 4ue se#a a forma como essa importa%te delegação é co%cedidaA tor%a se %ecessário fi.ecuti2aA e %ão %o da legislati2a< Pousseau dedica todo um cap)tulo do Contrato 1ocial K ditadura< Parte da #usta co%sideração de caráter geral de 4ue as leis %ão podem pre2er tudoA e 4ue porta%to podem surgir casos e.i idem>/ !o%tudoA a hist.emploA e 4ue de%omi%a de Hsobera%aH< Schmitt e.plica 4ueA e%4ua%to a ditadura delegadaA ou HcomissáriaHA limita se a suspe%der a co%stituição #usta me%te para defe%d1 laA a Hditadura sobera%a 21 em toda a orde%ação pol)tica e.ar lhe a duração em termos muito bre2esA sem prorrogação poss)2el< Nas crises 4ue faFem %ecessária tal delegaçãoA o Estado é logo sal2oA ou e%tão destru)do< Por outro ladoA passada a %ecessidade urge%teA a ditadura se tor%a tirM%icaA ou i%LtilH .ceto as leisH 9"i2ro (/A cap< (/:< !omo se 21A Pousseau i%siste particularme%te %o caráter e.ecuti2aHA 4ue estudamos atra2és de 3a4uia2elA Bodi% e PousseauA é ape%as uma pa%e da hist.pria pre21A mas procura criar uma situação %a 4ual se#a poss)2el impor uma co%stituição 4ue e%te%de ser aut1%ticaH< $ ditadura sobera%a 94ue Schmitt chama desse modo por4ue o ditador tem o poder sobera%oA e %ão um poder delegado: %asce também de estado de %ecessidadeA propo%do se desde o pri%c)pio .erce o poder %o Mmbito da fu%ção e.170 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o sua duração limitação 4ue co%siste %o fatoA #á obser2ado por 3a4uia2elA de 4ue o ditador e.ria para esclarecer o co%ceito de ditadura da literatura mar.prias açIesH< Porta%toA H%ão suspe%de a co%stituição em 2igor com fu%dame%to %um direito 4ue ela pr. o modo da sua aplicação ou %omea%do um chefe supremo 9é o caso do ditador:A 4ua%do o perigo é tal 4ue as leis passam a co%stituir um obstáculo K ação< Esse l)der supremo fará Hsile%ciar todas as leisA suspe%de%do mome%ta%eame%te a autoridade sobera%aH< H+este modoA a suspe%são da autoridade legislati2a %ão a aboleJ o magistrado 4ue pode sile%ciá la %ão a pode faFer falar8 domi%a a sem poder represe%tá la< ?udo pode faFerA e.cepcio%ais em 4ue se #ustifi4ue a suspe%são dos seus efeitos 9ao co%trário dos escritores propriame%te pol)ticos e dos historiadoresA como 3a4uia2el e Bodi%A Pousseau toma sempre como po%to de partida uma posição de pri%c)pio:< HNesses casosA raros e e2ide%tesA gara%te se a segura%ça pLblica com um ato especialA 4ue e%trega a respo%sabilidade go2er%ame%tal ao mais dig%oH< Essa delegação pode ser dada de duas formas8 ou aume%ta%do a autoridade do go2er%o leg)timo e %ão se altera porta%to a autoridade das leisA mas s.

simboli came%te popular:< B e. dar remédio a uma crise parcial do EstadoA como uma guerra ou sub2ersãoA mas resol2er crise totalA 4ue 4uestio%a a pr.cepcio%alidade e caráter temporário são dois atributos estreitame%te i%terligados8 toda situação e.ecução de um coma%do embora e.cepcio%alA re2olucio%árioA ele é sempre pro2is.pria e.iste%te e%tre a ditadura clássicaA ou comissáriaA e a sobera%aA e re2olucio%ária 9embora uma ditadura sobera%a possa ser também a%ti re2olucio%ária:8 esta Lltima modalidade aprese%taA de modo muito %)tidoA as duas caracter)sticas da e.emplo dado por Schmitt de ditadura sobera%a é o da co%2e%ção %acio%al 4ue decidiuA em 10 de outubro de 17'3A suspe%der a co%stituição fra%cesa de 17'3 94ue %ão 2oltou a ter 2igor:A determi%a%do 4ue a >ra%ça seria go2er%ada pro2isoriame%te por go2er%o Hre2olucio %árioHA até 4ue se estabelecesse a paF< Georges "efeb2reA o gra%de historiador da Pe2olução >ra%cesaA aprese%ta si%teticame%te os eleme%tos esse%ciais do Hgo2er%o re2olu cio%árioHA com 4ue a re2olução respo%deu ao perigo e.ter%oA por meio de poderes e..traordi%ária de i%stituir uma outra< B ditador comissário é Hco%stitu)doHJ o ditador sobera%o é Hco%stitui%teH< B primeiro é i%2estido do poder pr.cepcio%aisA 4ue suspe%deram os direitos do homem e do cidadãoH .pressIes Hditadura da burguesiaH e Hditadura do proletariadoH %o se%tido de dom)%io de toda uma classe socialA %ão de uma pessoa ou de um grupo< $ segu%da e mais importa%te caracter)stica 4ue disti%gue a ditadura comissária da ditadura sobera%a é a e.(%ter2alo8 $ +itadura 177 como poder e.te%são do poderA 4ue %ão se limita mais K e.Re(olução Francesa>/ Não há dL2ida a respeito da co%ti%uidade e.rio re2olucio%ário como ditaduraA assi%ala a passagem do uso clássico do termo para o uso mar.cepcio%al é 2istaA em pri%c)pioA como temporária< Qua%do surge um go2er%o e.ist1%cia do EstadoA como pode ser uma guerra ci2ilA Hre2olucio%áriaH< E%4ua%to o ditador comissário se ma%tém de%tro dos limites co%stitucio%aisA o ditador sobera%o pIe em #ogo toda a co%stituição pree.ter%o e i%ter%oA diFe%do 4ue esse go2er%o Hfoi co%cebido #uridicame%te como um regime pro2is.cepcio%al mas se este%de K promulgação de %o2as leis ou mesmo de .cepcio%alidade e do caráter temporárioA mesmo 4ue seus limites temporais %ão se#am preestabelecidos< $liásA e.prio da autoridade co%stitu)daJ o segu%do resulta de uma auto i%2estidura 9ou de i%2estidura s.iste%teA atribui%do se a tarefa e.cepcio%alA temporário pela sua %atureFaA mas a tarefa 4ue se atribui é muito mais ampla8 %ão s.istaA e%gelsia%o ou le%i%istaA 4ue i%troduFiu e di2ulgou as e.rioA desti%ado a durar ape%as até 4ue fosse apro2ada uma %o2a co%stituiçãoHA e 4ue Hfoi também um regime de guerraA desti%ado a defe%der a re2olução co%tra o i%imigo i%ter%o e o e.rioA embora se prolo%gue %o tempo< B 4ue disti%gue a ditadura sobera%a da ditadura comissária é a%tes de mais %ada a perda do caráter mo%ocrático8 a ditadura #acobi%a %ão é ditadura de uma pessoa apesar da importM%cia da figura de Pobespierre A mas sim de um grupo re2olucio%árioJ co%cretame%teA do !omit1 de Sal2ação PLblica< Esta dissociação e%tre o co%ceito de ditadura e o de poder mo%ocráticoA media%te a i%terpretação do go2er%o pro2is.

traco%stitucio%al e co%stitui%teA de fatoA os limites 4ue separam uma da outra %em sempre são fáceis de estabelecer< Não parece ha2er dL2idaA porémA de 4ueA do po%to de 2ista da ditadura clássicaA a ditadura sobera%a re2olucio%ária ou a%ti re2olucio%ária %ão é mais uma ditaduraA porémA uma forma di2ersa de go2er%oA 4ue os autores clássicos chamam de Htira%iaH 9de%omi%ação odiosaA 4ue os ditadores moder%os %ão aceitam:< Qua%do o ditadorA usa%do o poder 4ue lhe foi co%fiadoA se apropria de um poder maiorA tor%a%do se sobera%oA para um escritor clássico ele dei.ista e le%i%ista da ditaduraA foi o dos i%feliFes precursores de uma re2olução %ão burguesaA mas socialista e igualitária8 BabeufA Buo%arroti e seus compa%heirosA protago%istas da !o%spiração dos (guaisA de ' e 10 de setembro de 17'-< No li2ro Filipe 'uonarroti e os Re(olucionKrios do 1)culo V6V.rico da seitaA com a obra Conspiration pour V?galit) dite de 'a euf.a de ser um ditadorA e passa a ser um tira%o< *m passo adicio%al %a hist.175 $ ?eoria das >ormas de Go2er%o %o2a co%stituiçãoA ai%da 4ueA %o caso espec)ficoA o go2er%o re2olucio %ário fra%c1s te%desse a se aprese%tar como uma ditadura %o se%tido clássicoA e porta%to como um go2er%o 4ue %ão aboleA porém suspe%deA e.ria da ditadura moder%aA 4ue ser2e de prelLdio K teoria mar. de 1530: Schmitt diF 4ue %o seu ideário era clara a %oção de 4ue Hde2e seguir se K re2olução um per)odo tra%sit.cepcio%al e pro2isoriame%teA as gara%tias co%stitucio%ais< E preciso %otar também 4ueA embora em termos abstratos se#a clara a difere%ça e%tre ditadura comissária e sobera%aA 4ue é a disti%ção e%tre a ditadura clássica e a moder%aA e%tre uma ditadura co%stitucio%al e co%stitu)da e uma outra e.to de Buo%arrotiA reproduFido por Gala%te Garro%eA a tese da ditadura pelo po2o 9ou so re o po2oY: é e%u%ciada de modo tão claro 4ue chega a ser pro2oca%te< Eis a4ui um trecho especialme%te sig%ificati2o8 HPara superar estas dificuldades 9as dificuldades 4ue se opIem K re2o lução: é preciso a força de todos< C3as essa força geral %ão 2ale de %ada se %ão for dirigida por uma 2o%tade forteA co%sta%teA ilumi%adaA imutá2el<<<C = poss)2el ter a liberdade logo depois da i%surreiçãoY NãoJ some%te uma espera%ça fu%dame%tada de alca%çá la<<< 3uitas Creformas são %eces sárias a%tes 4ue a 2o%tade geral possa ma%ifestar seA e ser reco%hecidaC< $té 4ue essas reformas se completemA o po2o %ão pode perceber ou declarar a 2o%tade geralH 91%fase acresce%tada:< .rio dura%te o 4ual os poderes são assumidos ditatorialme%te pelos pou 4u)ssimos home%s 4ue chefiaram a re2oluçãoJ e 4ueA de2e%do esta ser uma re2olução %ão s.ricasA parece 4ue os iguais pre co%iFa2am Hum go2er%o re2olucio%ário de poucas pessoasA apoiado %o fa2or popular e i%2estido de poderes ditatoriais dura%te o per)odo segui%te ao da i%surreiçãoA até 4ue se i%stitu)sse uma orde%ação co%s titucio%al está2elH< *ma ditadura sobera%aA porta%toA %o se%tido de Schmitt< Procura%do precisar o pe%same%to de Buo%arroti 94ue %o fim da sua 2ida se tor%ará o historiador e te. o historiador $< Gala%te Garro%e afirma 4ueA %o estado atual das i%2estigaçIes hist. pol)tica mas também socialA a Lltima das re2o luçIesA a ditadura re2olucio%ária de2e durar até 4ue as %o2as i%stituiçIes igualitárias te%ham sido fu%dadas e estabelecidasH< Num bre2e te.

cel1%ciaV o poder co%stitui%te< 3as %ossos come%tários estariam i%completos se %ão obser2ássemos 4ue algumas frases 9como a 4ue fala de uma 2o%tade Hilumi%adaHA e a 4ue chama de HsábiosH os l)deres do go2er%o re2olucio%ário: sugerem a apro.peri1%cia demo%strouA porta%toA 1: 4ue o rei e os pri2ilegiados são maus dirige%tes das re2oluçIes popularesJ &: 4ue o po2o é i%capaF de rege%erar se por si mesmoA e de desig%ar as pessoas 4ue de2em dirigir sua rege%eraçãoJ 3: 4ue a%tes de pe%sar em co%stituição e em leis Cé %eces sário i%stituir um go2er%o reformista ou re2olucio%ário em outras bases 4ue %ão as de uma liberdade regular e pac)ficaC< !omo se or ga%iFará o go2er%o re2olucio%ário dos CsábiosC para 4ue te%ha a sim patia do po2oY Será preciso dar lhe uma orga%iFação correspo%de%te Ks fu%çIes 4ue de2e e.(%ter2alo8 $ +itadura 17' $ co%clusão é a segui%te8 H$ e.ercer de fato a sobera%iaJ Cpreparar a co%stituição popularCA para completar e co%cluir a re2oluçãoH 91%fase acresce%tada:< Se essa passagem %ão fosse absolutame%te claraA a Lltima fu%ção i%dicada Hpreparar a co%stituiçãoH poderia caracteriFar a %atureFa espec)fica da ditadura sobera%aA 4ue assume o poder primárioA do 4ual depe%dem todos os demais poderesA e 4ue é sobera%o por e.ter%os e i%ter%osJ criar e estabelecer as i%stituiçIes media%te as 4uais o po2o será le2ado i%se%si 2elme%te a e.riaH como diria 6egel< .o de boa 2o%tade K decisão do H tribu%al da hist.imação e%tre a ditadura re2olucio%ária e o despotismo esclarecidoA ou ilumi%adoA aceitaA como 2imosA por algu%s HsábiosH da era do ilumi%ismo< Não te%ho dL2ida de 4ue há um 2)%culo e%tre o despotismo %a sua acepção positi2a e a ditaduraA 4ue te2e sempre uma co%otação positi2a< +ecidir se há também um %e.o e%tre o despotismo e a Htira%iaH é algo 4ue dei.ercer< Essas fu%çIes são de %atureFa difere%te8 dirigir toda a força %acio%al co%tra os i%imigos e.