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Planificação e Desenho Conceptual do Uso da Terra

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique

MAY 2008

A Framework for Tourism Development in Northern Mozambique 1


2
Planificação e Desenho
Conceptual do
Uso da Terra

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique

May 2008

3
Preparado para a:
Nathan Associates Incorporated
Por:

www.johnrobinson.co.uk

4
CONTENTS
Pagina Pagina

Introdução 2

PARTE 1: Oportunidades de Desenvolvimento 5 PARTE 2: Directivas da Planificação e Desenho 1


do Turismo do Desenvolvimento do Turismo

1. Uma Abordagem Planificada 6 1. Introdução 2
1.1 Necessidade de Directivas 2
2. Oportunidades de Desenvolvimento 8 1.2 Avaliação e Aprovações 3

3. Pemba/Costa Leste e Ilha do Ibo 10 2. Directivas de Desenvolvimento 4


3.1 Situação Existente 10 2.1 Tendências no Desenvolvimento de Estâncias 4
3.2 Potencial de Desenvolvimento 11 Turísticas
3.3 Áreas de Acção do Turismo 12 2.2 Directivas de Desenho 5

4. As Cabaceiras 30 3. O Processo de Planificação 8


4.1 Situação Existente 30 3.1 Análise Física 8
4.2 Potencial de Desenvolvimento 31 3.2 Análise do Mercado 11
4.3 Áreas de Acção do Turismo 31 3.3 Desenvolvimento do Conceito 12
3.4 Elaboração do Plano Director 14
5. Metangula e Lichinga 40 3.5 Detalhes do Desenho 14
5.1 Situação Existente 40 3.6 Operações e Gestão 16
5.2 Potencial de Desenvolvimento 40 3.7 Lista de Verificação para Gestores 17
5.3 Áreas de Acção do Turismo 40
4. Directivas de Desenho Urbano 18
6. Implementação 44 4.1 Domínio Público 18
6.1 Capacitação 44 4.2 Elemento Chave do Desenho Urbano 18
6.2 Desenvolvimento Integrado de Estâncias 44 4.3 Espaço 18
Turísticas 4.4 Estâncias Removiveis e Pavimentação 20
6.3 Estructura Organizational 44 das Ruas
6.4 Considerações sobre o Risco 46 4.5 Novo Desenvolvimento 21
6.5 Esboço do Orçamento do Uso da Terra 47 4.6 Iluminação das Zonas Turísticas 21

5. Plano de Acção Comunitário 22


5.1 Preparação do Cenário 22
5.2 Etapas do Plano de Acção Comunitário 23
5.3 Comunicações 27

Apêndices 29
A: Directivas Gerais de um Pré-estudo de Viabilidade 30
B: Directivas Gerais de um Estudo de Viabilidade Completo 31

1
A Agência Americana de Desenvolvimento Internacional (USAID)
encontra-se a prestar assistência técnica e a financiar o Cabo Delgado
Niassa
desenvolvimento do potencial do turismo nas três Províncias do
Norte de Moçambique, nomeadamente Cabo Delgado, Nampula
e Niassa. O objectivo é desenvolver e posicionar as três províncias
como importantes destinos turísticos internacionais e sustentáveis, Nampula
com base nos recursos históricos, culturais e naturais singulares da

INTRODUÇÃO região. Especificamente, o projecto pretende aumentar a


competitividade e sustentar o crescimento económico através
da criação de um ambiente de políticas favorável à indústria e da
transformação do turismo num sector importante capaz de:

• Atrair grandes investimentos e parcerias do sector privado;


• Estimular negócios relacionados com o turismo e a
transformação agrícola;
• Criar maiores oportunidades de emprego;
• Contribuir significativamente para o enriquecimento e
fortalecimento do poder das comunidades dos destinos;
• Preservar o meio ambiente.

Foram identificadas três Potenciais Áreas de Investimento (PAIs) Províncias do Norte de Moçambique
Turístico com o objectivo de atrair o investimento para estâncias,
acomodação e instalações turísticas. Trata-se das seguintes áreas:

• Província de Cabo Delgado – Baía de Pemba e uma faixa de


14 km ao longo da costa até Murrebue, no Distrito de
Mecufi. Ilha do Ibo (Quirimbas).
• Província de Nampula – Cabaceiras, isto é, uma área
marginal com 5 km de extensão do Lumbo até Sangule,
incluindo a antiga vila do Lumbo, com um número
significativo de edifícios abandonados. (Distrito de Ilha de
Moçambique) e Chocas Mar (Distrito de Mussoril).
• Província de Niassa – Margens do Lago Metangula
(Distrito de Metangula) e Cidade de Lichinga (Município de
Lichinga)

PAI da Baía de Pemba e da Costa Leste

2 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


INTRODUÇÃO

Reflectindo o resultado de oito semanas de intensa preparação, O relatório encontra-se dividido em duas partes:
o presente relatório apresenta um quadro geral para o futuro
desenvolvimento destas áreas, identificando projectos chave para Parte 1: Oportunidades de Desenvolvimento do Turismo
implementação. O documento apresenta as bases para a melhoria
e expansão ordenada do turismo, de modo a aumentar as O relatório principal apresenta uma abordagem planificada,
oportunidades de emprego e os benefícios económicos que identifica o potencial de desenvolvimento de cada PAI e apresenta
resultarão do sector. O objectivo do relatório é, deste modo, conceitos iniciais. A materialização do potencial de cada área
identificar as oportunidades de desenvolvimento do turismo, exigirá recursos, uma gestão capaz e visão. O Ministério do Turismo
definindo o foco e a direcção através da identificação de possíveis será o principal catalisador deste processo, mas necessitará de
projectos para implementação. assistência em termos de capacitação institucional e
estabelecimento de parcerias entre os sectores público e privado
As actividades globais do programa de desenvolvimento do para orientar a implementação dos planos. Estes aspectos são
turismo financiadas pela USAID irão complementar o trabalho de abordados de uma forma resumida, sendo igualmente feitas
planificação conceptual e divulgar a informação sobre o produto considerações sobre o possível risco de não se avançar
e o mercado existentes no Norte de Moçambique. Os projectos rapidamente para a implementação do plano.
indicativos aqui apresentados serão, portanto, testados,
aperfeiçoados e modificados ao longo dos próximos meses, em Parte 2: Directivas de Desenvolvimento do Turismo
resposta a uma pesquisa adicional e informação de retorno que
venha a ser recebida da equipa do programa e dos intervenientes O relatório coloca ênfase numa abordagem total de planificação e
dos sectores público e privado. design. O tratamento de cada uma das facetas e detalhes de uma
estância e de instalações turísticas deve ser consideradas com
Neste documento, não foram apresentados agradecimentos precaução, desde a elaboração do plano director de uma área ao
PAI das Cabaceiras formais. Porém, muitas pessoas contribuíram para o nosso trabalho tratamento de elementos tais como a sinalização e as vias para
com os seus pontos de vista e informação. De forma particular, pedestres. Deste modo, esta segunda parte do relatório apresenta
temos estado a trabalhar em estreita colaboração com os níveis recomendações sobre: avaliação e aprovação dos planos
de Administração Provincial e Local na identificação de sítios e no propostos; directivas de desenvolvimento; design e gestão
desenvolvimento de directivas, para apoiar na promoção do ambientais e design urbano.
desenvolvimento sustentável e de um bom design.
É igualmente abordado o conceito de Plano de Acção Comunitário
(PAC). As suas componentes chave incluem o seguinte: a criação de
condições, as etapas do Plano de Acção Comunitário e a
comunicação. O PAC constitui um acréscimo valioso ao processo de
desenvolvimento.

Para desenvolver o verdadeiro potencial do Norte de Moçambique


é necessário agir com paciência e persistência. É preciso tempo,
não só para preparar os planos, mas também para identificar os
recursos financeiros, criar o ímpeto de marketing, desenvolver a
consciência em relação ao turismo e, acima de tudo, tempo para
ganhar credibilidade nas parcerias entre os sectores público e
privado. Contudo, a planificação do futuro desenvolvimento do
turismo da região deve começar agora.

PAI de Metangula e Lichinga

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 3


4
PARTE 1
OPORTUNIDADES DE DESENVOLVIMENTO
DO TURISMO

5
1
O Norte de Moçambique é destacável pelos seus recursos terrestres Grande parte dos problemas devem-se às insuficiências
e marinhos e, juntamente com o seu rico património cultural, tem o registadas na implementação do sistema de planificação e controlo
potencial para se tornar um destino turístico internacional de do desenvolvimento e, por outro lado, verifica-se um elevado grau
qualidade reconhecida. Porém, existe uma série de desafios. de incumprimento e de acções de desenvolvimento não
Embora tenham sido efectuados investimentos significativos em planificado. Esta situação está na origem da deterioração
termos de alojamento destinado a turistas nos últimos cinco anos, progressiva do ambiente em que o sector do turismo opera,
estes incidiram sobre pequenas pousadas (lodges) de luxo com 10 representando um factor que, se não for corrigido, contribuirá

UMA ABORDAGEM
a 20 quartos em ilhas e à beira do lago, destinados ao segmento para a incapacidade de tornar sustentável o desenvolvimento do
alto do mercado de ‘getaway’. Actualmente, a Região possui turismo, sem mencionar a promoção de um produto turístico de

PLANIFICADA
apenas cerca de 300 quartos de padrão internacional, espalhados qualidade para a Região. Consequentemente, coloca-se a
por doze propriedades. A maior destas (100 quartos) é o Pemba necessidade urgente de se estabelecer e fazer cumprir
Beach Resort and Spa, situado na capital provincial de Cabo procedimentos de planificação e mecanismos de controlo
Delgado. ambiental.

Muitas das outras instalações turísticas existentes possuem um Todavia, regista-se actualmente uma grave insuficiência na
design ou localização inadequados, ou então requerem melhorias estrutura organizacional pretendida para planificar e desenvolver o
de grande envergadura, que as possam posicionar ao nível dos turismo sustentável dentro de Moçambique, o que reflecte a forma
padrões internacionais. Será, portanto, necessário melhorar e como o turismo se tem desenvolvido até à data. Sem uma estrutura
diversificar a gama de produtos actualmente disponíveis. Estão totalmente abrangente, a planificação e o desenvolvimento do
em curso acções de protecção ambiental do património natural, turismo ocorrem de uma forma ad hoc, com pouca atenção à forma
histórico e cultural, mas uma série de regulamentos e planos de como um desenvolvimento pode interferir com os objectivos
gestão não são implementados devido à falta de recursos humanos nacionais ou mesmo com o desempenho de outro
e financeiros. As questões ambientais são cruciais para a desenvolvimento. A falta de empenho tanto do sector público
aceitabilidade do turismo. Qualquer aumento planeado do número como do privado dentro de um fórum unificado cria as condições
de quartos de hotel resultará em maior pressão sobre a costa, as para o fracasso dos objectivos básicos definidos para a indústria do
lagoas e infraestruturas em geral. A zona possui muitos tipos raros turismo.
de habitat e espécies cujo número tem vindo a reduzir devido à
crescente pressão sobre a natureza. A descarga de esgotos e águas
residuais nas águas costeiras constitui um problema grave.
Outras questões tais como a disposição de resíduos sólidos e várias
práticas ilegais foram devidamente documentadas em relatórios
anteriores.

6 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Por esta razão, são necessárias as seguintes acções:

• Planificação de acções e mecanismos de controlo


ambiental que sejam possíveis de fazer cumprir, não
apenas para proteger o ambiente, mas também para
proteger os investimentos significativos dos
empreendedores, bem como os investimentos de
marketing do turismo efectuados pelo Governo.
• Medidas visando garantir a reserva de áreas destinadas
ao desenvolvimento futuro do turismo, de modo a evitar o
desenvolvimento inadequado orientado para rendimentos
a curto prazo.
• Compreensão por parte da indústria do turismo dos
complexos procedimentos de planificação e
desenvolvimento através dos quais as propostas de
desenvolvimento do turismo devem passar, bem como o
estabelecimento de linhas orientadoras e de apoio ao
processo de desenvolvimento, complementado por
incentivos financeiros e fiscais.

Embora várias das questões acima abordadas possam iniciar


imediatamente, uma abordagem de longo prazo ao
desenvolvimento é ainda necessária. Sob uma perspectiva prática,
o crescimento do turismo só será alcançado através da planificação
desse futuro. Deste modo, os conceitos de desenvolvimento do
turismo apresentados neste relatório procuram:

• Demonstrar a viabilidade, permitindo que o mercado


identifique e implemente oportunidades de
desenvolvimento, providenciando, ao mesmo tempo, uma
visão do desenvolvimento do turismo ao longo de um
período de 20 anos.
• Demonstrar os benefícios da criação de um quadro que
integre o desenvolvimento, através da provisão de uma
estrutura clara de organização do desenvolvimento e
de resposta às oportunidades à medida que estas forem
surgindo.
• Proporcionar uma abordagem global de design, criando
um sentido de lugar, bons sítios de desenvolvimento num
ambiente atractivo, bem como directivas práticas para o
desenvolvimento e funcionamento de um turismo
sustentável.
• Proteger e fortalecer o produto existente através de um
melhor ambiente para todos.
• Demonstrar os relacionados benefícios económicos, sociais
e para as comunidades, bem como estimular o emprego de
população local, actividades empresariais e oportunidades
de investimento.

Foi neste contexto que foram identificadas as oportunidades de


desenvolvimento a seguir apresentadas.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 7


PROVÍNCIA de

2
PROVÍNCIA CABO DELGADO
Considerando a fraca base de desenvolvimento turísticos e de
de NIASSA Ilha do Ibo
infraestruturas actualmente existente, o Plano Estratégico para o Metangula
Desenvolvimento do Turismo em Moçambique definiu uma Visão
do Turismo: Lichinga Pemba e Costa
Leste
“Até ao ano 2025, Moçambique será o destino turístico mais vibrante,
dinâmico e exótico de África, famoso pelas suas praias e atracções
PROVÍNCIA de

OPPORTUNIDADES litorais tropicais, produtos de eco-turismo excelentes, e pela sua


cultura intrigante, acolhendo mais de 4 milhões de turistas por ano”.
NAMPULA
Cabaceiras

DE As oportunidades de desenvolvimento adiante apresentadas

DESENVOLVIMENTO
foram desenhadas de modo a contribuírem para o avanço rumo ao
alcance desta visão. Contudo, muitos dos projectos poderão levar
anos a concluir, sujeitando-se a vários ciclos de mercado, e ainda a
mudanças nos gostos e expectativas. Alguns ficarão pelo caminho.
Os conceitos procuram, portanto, unificar e fortalecer o produto
turístico através da criação de um quadro que permita integrar
o desenvolvimento num plano coeso, ao invés de deixar que o
desenvolvimento ocorra em pequenas partes, realçando assim o
valor das oportunidades futuras.

O desenvolvimento turístico de sucesso e sustentável deve


satisfazer as exigências do turista de hoje e de amanhã. Vários dos
produtos turísticos da Região estão, na realidade, direccionados
a especialistas/entusiastas de uma determinada actividade. Por
exemplo, a caça está virada apenas a algumas centenas de
potenciais caçadores que visitam Moçambique. Contudo, as
actividades de aventura em geral podem ser vendidas a
especialistas de todo o mundo. Os passeios e a observação casual
PAIs do Norte de Moçambique
da fauna bravia são actividades ainda com pouca expressão na
região. Porém, este sector irá crescer à medida que os circuitos
turísticos se forem desenvolvendo. As boas praias actuarão sempre
como chamariz de turistas, mas a diversificação do produto criará
Os turistas estão também a tornar-se cada vez mais sofisticados
oportunidades adicionais, para que os visitantes possam conhecer
e conhecedores, cientes do que as experiências turísticas podem
os recursos do património, da cultura e da natureza. Deste modo, a
e devem ser, pelo que exigem cada vez mais produtos de melhor
região irá:
qualidade e mais especializados, que respondam às necessidades e
gostos individuais. Os turistas irão igualmente exigir:
• Permitir a diversificação do seu produto turístico e
fortalecer a sua competitividade no plano internacional,
• Um maior leque de experiências orientadas para
especialmente através das suas praias.
actividades.
• Responder às necessidades tanto do mercado de nível
• Ambientes menos aglomerados.
médio como de alto nível, que são mercados maduros, que
• Mais inovação nos destinos e actividades.
podem aumentar o valor acrescentado à economia do país.
• Mais valor pelo dinheiro.
• Encorajar a preservação cultural e histórica.
• Envolvimento no ambiente das suas férias e interacção com
as comunidades e culturas dos seus destinos.

O desafio será um maior foco em férias concebidas à medida das


necessidades dos turistas e férias de interesse especial – tudo isto
tendo como cenário de fundo melhores padrões de produtos e de
serviços.

8 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1
Planos de Acção do Turismo
É, portanto, bastante recomendável que sejam preparados planos Para cada uma das PAIs foram identificadas as seguintes Áreas de Metangula e Lichinga (Niassa)
do turismo para as três Potenciais Áreas de Investimento (PAIs), Acção do Turismo (AATs): ATT da Estância Integrada de Chiuanga
que integrem as propostas dos investidores, os planos de gestão ATT da Quinta Capricórnio Forest Lodge
ambiental, os planos e programas de infraestruturas do governo. Pemba/Costa Leste e Ilha do Ibo (Cabo Delgado)
O nível de planificação apresentará oportunidades turísticas para ATT do Porto e Distrito de Pemba
cada área, estabelecendo uma abordagem estratégica global e ATT da Marginal (Waterfront) de Pemba
directivas de desenvolvimento para todos os principais aspectos ATT do Centro Turístico do Wimbe
do desenvolvimento do turismo físico. Os princípios subjacentes à ATT de Pemba - Costa Leste MESSUMBA
designação das PAIs são os seguintes: ATT da Ilha do Ibo
Estância Integrada de Chiuanga

• Distância em relação à via de entrada (Gateway) aérea. Ilha do Ibo


METANGULA
• Potencial máximo do produto e de marketing.
• Proximidade dos aglomerados populacionais.
• Níveis de infraestruturas existentes e planeados.
• Volume e qualidade do alojamento existente e planificado.
MANIAMBA
• Potencial para a concentração do alojamento e das
atracções turísticas.
• Ligações existentes e potenciais com as principais
iniciativas sectoriais ao nível nacional e regional.
MELULUCA
• Áreas de importância nacional estratégica sob uma Porto e Distrito de Pemba
perspectiva de desenvolvimento do produto, mercado e/
Marginal de Pemba
ou infraestrutura.
METUGE LONDO
A justificação para se terem PAIs designadas é a seguinte: PEMBA

Centro Turistico do
• As PAIs contribuem para a criação da massa crítica – Wimbe
tornando mais económica a disponibilização de uma série
de condições e serviços na área. Costa Leste de Pemba LICHINGA
• Agregam valor por criarem um todo maior do que a soma
Lodge da floresta Quinta Capricórnio
das partes.
• Diversificam a oferta do produto de uma forma que
pode ser promovida a diferentes nichos do mercado, As Cabaceiras (Nampula) As AATs foram identificadas através de uma avaliação rápida do
facilitando assim o estabelecimento da marca do produto. ATT da Estância Integrada do Lumbo contexto de PAI, bem como da análise dos sítios e discussões
• Permitem a coexistência de diferentes formas de ATT da Estância Integrada de Sangule individuais com intervenientes dos sectores público e privado.
desenvolvimento do turismo – designando áreas ATT do Quadro de Desenvolvimento da Ilha de Moçambique
específicas apenas para o turismo da natureza, bem como Embora se reconheça que as propostas de AATs irão contribuir para
outras áreas para um uso mais intensivo. aumentar o número de visitantes no Norte de Moçambique, os
MOSSURIL projectos possuem igualmente um papel a desempenhar na
• Providenciam a oportunidade de design de um ambiente
que assegure usos da terra compatíveis e complementares. melhoria do produto e na criação de um ambiente recreativo, social
LUMBO Estância Integrada do Lumbo
e de vida que não só encoraje o desenvolvimento novo e
Ilha de Moçambique melhorado, mas também beneficie as comunidades locais.

Foram elaborados planos conceptuais para cada uma das AATs.


Estes necessitarão de uma atenção mais detalhada, bem como de
discussões relativas ao seu desenvolvimento. Deverá ser mantido
um grau de flexibilidade, pelo que a especificação exacta de como
LUNGA Estância cada um dos projectos será implementado não recai sobre os
Integrada de planos destas AATs. Contudo, tais planos contribuem para visualizar
Sangule
como alguns dos sítios poderão ser desenvolvidos.

É a seguir apresentada uma breve visão geral de cada uma das


AATs.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 9


3.1 Situação Existente

3
A PAI inclui o litoral ao norte e a leste da península de Pemba, Oportunidades de Novo
desde o Porto de Pemba até à aldeia de Murrebue. A Baía de Desenvolvimento Centro Cultural
Pemba, ao norte, com a sua vida marítima diversificada, já está a
Paquitequete
ganhar reputação como destino internacional de mergulho. Pemba Beach Hotel

A Ilha do Ibo faz parte do Parque Nacional das Quirimbas. A vila WIMBE
possui uma zona histórica importante, de que faz parte a Fortaleza

PEMBA/COSTA
São João Baptista. As duas áreas alvo do estudo são complexas sob PEMBA
o ponto de vista económico, social e físico e estão sob uma pressão

LESTE E ILLA
cada vez maior de desenvolvimento turístico e ocupação ilegal de
terras. Proposta de

DO IBO
Novas Estradas

Aeroporto

Aldeia de
Chuiba

Clube Marítimo
Rio Mechareme
Uso Industrial
Existente

PARA O NORTE E OESTE Restaurantes


Existentes

Quinta de Criação
de Gado Existente

Situação Existente
Para Mecufi

10 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1
3.2 Potencial de Desenvolvimento
Pemba/Costa Leste Ilha do Ibo

A proximidade do aeroporto regional e das instalações turísticas A ilha estará posicionada como um santuário do património
existentes na área providenciam a oportunidade de criação de um cultural integrado numa reserva marinha protegida. A variedade de
destino turístico de qualidade numa zona relativamente confinada. atracções e actividades turísticas criarão as bases para o
desenvolvimento de produtos turísticos baseados em cultura e
Por essa razão, a península é considerada uma área de natureza, incluindo mergulho e regatas de iate.
desenvolvimento turístico de qualidade no Norte de Moçambique,
A ilha oferece igualmente excelentes oportunidades para o ILHA MATEMO
com potencial para o desenvolvimento de uma futura marina,
hotéis de qualidade à beira-mar, apartamentos com uma variedade desenvolvimento de um produto de turismo residencial. Os turistas
de centros comerciais, desportos aquáticos e actividades residentes permanecem por mais tempo e regressam com
recreativas. A construção do Pemba Beach Hotel impulsionou o frequência, com a família e amigos. As suas despesas têm um
desenvolvimento da zona, criando interesse e confiança no impacto mais directo na economia local, uma vez que estes fazem
investimento. compras, passam refeições localmente e empregam construtores,
jardineiros, trabalhadores para cuidarem das piscinas e da Acesso para os ILHA DO IBO
barcos Centro Histórico
A actividade turística também estimulou a abertura de cafés e manutenção em geral, etc.
restaurantes ao longo da Praia do Wimbe, proporcionando uma Acesso por
concentração de instalações de interesse geral. É de se prever uma estrada, carece
maior actividade com o desenvolvimento de um número adicional de melhoramentos
de pequenos hotéis e apartamentos, criando assim variedade, Fortaleza de São João ILHA QUIRIMBA
profundidade, atraindo residentes e visitantes. Baptista

Aeroporto
Tem-se evidenciado um interesse considerável no Zona Histórica
desenvolvimento da Costa Leste, onde existem praias arenosas
extensas. Planos para acomodar o desenvolvimento futuro do
MAHATE ILHA MEFUNVO
turismo foram preparados pelo município.

O conceito prevê, assim, a consolidação e construção em zonas ILHA QUISIVA


TERRAS HÚMIDAS
turísticas de Pemba e Wimbe já estabelecidas e cria um quadro
para o desenvolvimento ao longo da costa leste. A meta é criar um
ambiente de vivacidade, que possa gerar uma diversidade de
condições de alojamento de qualidade orientado para praia, ILHA QUIPACO
desportos aquáticos e outras actividades recreativas.

Para que o investimento do sector privado possa avançar com


confiança será necessário canalizar recursos para a zona, em

lho
particular o acesso por estrada e a construção de infraestruturas

rgu
para a costa leste. Será igualmente necessário controlar o

Me
desenvolvimento de má qualidade e por vezes ilegal, para permitir

se
ata
que a PAI materialize o seu verdadeiro potencial.

Reg,
ros
zei
Cru
Baía de
Pemba

Porto de Pemba

Conceito

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 11


3.3 Áreas de Acção do Turismo
Como contributo para o “pontapé de saída“ do desenvolvimento da AAT do Porto e Distrito de Pemba O mercado de mergulho está a tornar-se cada vez mais popular,
zona foram identificadas cinco AATs, nomeadamente: estando porém a deixar de ser a única razão de se viajar para este
Esta AAT inclui três projectos específicos: destino, passando a ser uma componente de um pacote de férias.
• Porto e Distrito de Pemba O produto de mergulho de Pemba é altamente conceituado e está
• Marginal (Waterfront) de Pemba Cidade Velha bem posicionado para capitalizar este mercado, em particular com
• Centro do Wimbe A Marina de Pemba terá um impacto significativo no o extensivo desenvolvimento de estâncias planeadas ao longo
• Costa Leste de Pemba desenvolvimento económico da cidade velha, onde vários da costa leste. Contudo, devido à pouca profundidade das águas
• Ilha do Ibo edifícios serão reabilitados, destinados a casas de hóspedes, costeiras especialmente na maré baixa, será importante construir
escolas de mergulho e serviços de apoio às actividades marinhas. um centro de mergulho que satisfaça as necessidades e exigências
Numa fase inicial, a cidade velha necessitará de um esforço de um futuro empreendimento turístico. O Porto de Pemba
Nova Area de Desenvolvimento concentrado visando melhorar o seu aspecto físico, que é constitui o local ideal para desenvolver este empreendimento.
Conunitario visualmente interessante, distinto, confortável e convidativo. Vide
Centro do Wimbe as Directivas de Desenho Urbano na Parte 2 do presente relatório. Também se prevê um rápido crescimento do mercado de regatas
de iate e cruzeiros capitalizando as Ilhas Quirimbas, incluindo a
Programa de Desenvolvimento Comunitário de Paquitequete Ilha do Ibo, a norte. Contudo, para a consolidação destes produtos
A vila foi construída sobre terreno arenoso, que por vezes fica deverá existir a infraestrutura necessária (ancoradouros, serviços de
Porto e
Distrito de
inundado. Este programa cria oportunidades não apenas de tornar apoio, etc.).
Pemba a zona segura, como também de capitalizar o seu património para
o desenvolvimento de um projecto com características singulares, Propõe-se a criação de uma marina/centro de mergulho dentro da
Marginal de Pemba que envolva e encoraje a população local a desenvolver iniciativas Marina de Pemba. Estas instalações encorajarão os visitantes e a
turísticas, nomeadamente o trabalho de guia, artesanato e lojas. população local a explorarem e aprenderem mais sobre o ambiente
Aeroporto Vide o Plano de Acção Comunitário na Parte 2 deste relatório. marinho e sobre questões com impacto nas reservas marinhas. As
Todavia, antes da promoção do turismo será necessário fazer face componentes irão incluir:
às questões básicas de saneamento e infraestrutura.
• Um pequeno aquário/tanques de exposição.
Marina de Pemba • Informação aos visitantes e áreas de exibição.
A ideia é desenvolver a zona portuária como principal local para • Laboratórios de pesquisa/interiores e exteriores.
os mercados regatas de mergulho, regatas e cruzeiros em franco • Centro de mergulho e salas de aulas.
crescimento. O desenvolvimento proposto funcionará como • Café/esplanada exterior.
catalisador da regeneração da cidade velha e da zona de
Paquitequete.

Costa Leste de
Pemba

Para a Marginal de Pemba


Áreas de Acção do Turismo PAQUITEQUETE

Cidade Velha

Porto

Expansão

Marina como catalisador da reabilitação de


Paquitequete, da Cidade Velha e do Porto

12 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Clube Naval

Vivendas /
apartamentos (cerca Melhoria do espaço público
de 150 unidades)

Marina e centro de mergulho

Escritórios das
alfândegas Aldeia turística comercial

Marina do
ancoradouro do Ibo

Parque de estacionamento em edifício


de vários pisos Estaleiro de navios e barcos

Conceito Ilustrativo Marina de Pemba

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 13


AAT da Marginal de Pemba Como forma de encorajar uma boa planificação e concepção, será Árvores de Sombra Plantio de Arbustos
colocada ênfase nos documentos informativos sobre o
Árvores em mediana
Esta AAT estende-se de Paquitequete até ao Wimbe e inclui dois desenvolvimento dos sítios. Estes documentos não irão elevada
projectos específicos. providenciar uma solução para cada sítio, mas insistirão na
observância do processo do desenvolvimento, conforme
A Marginal estabelecido nas Directivas de Planificação e Desenho do
Trata-se de uma estratégia que visa criar uma nova área marginal Desenvolvimento do Turismo, contidas na Parte 2 do presente Parqueamento em
que providencie comodidades tanto para os turistas como para relatório. posição angular
os residentes locais, incluindo acesso público contínuo, espaços
para exercícios de corrida/caminhadas, áreas de recreação infantil Caminho
e espaços abertos, integrados num quadro paisagístico. Existem para Pedestres
oportunidades para incluir uma trilha de património, que integre Parque de
diversas histórias da zona, com sinalização e interpretação Estacionamento
especiais. Foram identificadas duas faixas lineares para renovação Parque com zonas
ou Paragem
de desenvolvimento: de Autocarros
apetrechadas com bancos para
sentar e de recreio
• Marginal (waterfront) the Pemba Leste
• Marginal (waterfront) the Pemba Oeste Estrada existente Dupla faixa de rodagem
Passeio para
Cada área possui aproximadamente 100 metros de profundidade, peões de 5 Acesso para Aproveitamento de
providenciando uma variedade de oportunidades de m de largura pedestres
Zona de
estaciona- 100m de terra da estrada
desenvolvimento do local. É proposto um parque numa área de Consolidação de dois Terrenos existente
terrenos mento
terras húmidas adjacente ao Centro de Wimbe. O propósito é 50 x 65m
solucionar o problema do alagamento sazonal da área através da Acesso de Esplanada/ Mediana Central Desenvolvimento de uso
captação e canalização da água que se acumula. Por outro lado, viaturas Acesso à praia múltiplo
Estrada de acesso
o parque servirá como um espaço de recreação para a área, bem
como para incrementar o ambiente. A estrada existente ao longo
da linha de costa será alargada para passar a ter duas faixas de Terrenos de Pemba
rodagem em cada sentido e incluir espaço para parqueamento/
paragens de autocarros. Drenagem para o mar,
a ser bombeada em
caso de inundação
Vistas para a costa

Parque de Vistas para a costa


Base TDM estacionamento
Naval Acesso à praia
MARGINAL DE PEMBA OESTE Caminho para ciclistas/pedestres
MARGINAL DE PEMBA ESTE Área de terras húmidas
Centro Cultural de Pemba
Pemba Beach Hotel

ARCO IRIS

Pr Centro do Principal área de


op armazenamento de água
os Wimbe
ta Centro do Wimbe
de
es Caminho para
tra Talude para conferir protecção
da pedestres/corrida
contra inundações e definir a
área de terras húmidas
Conceito Ilustrativo
Parque Jardim
0 100 200m
Marginal de Pemba

14 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Marginal (Waterfront) de Pemba

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 15


Centro Cultural de Pemba AAT do Centro de Wimbe O conceito abarca, deste modo, o alargamento de áreas
Consistirá em instalações integrando centro de visitantes/museu/ pavimentadas, introdução de medidas para tornar o tráfego
espaço de artesanato e eventos culturais, que se tornarão o centro A área inclui vários pequenos hotéis e restaurantes. Esta é uma área rodoviário mais lento, tais como lombas e travessias de pedestres
das actividades da Marginal e das comunidades. O conceito inclui de natureza especial, com potencial para um desenvolvimento pavimentadas e elevadas, bem como a identificação de sítios
os seguintes aspectos: renovado cuidadosamente controlado. O objectivo desta AAT é potenciais para renovação do desenvolvimento. Vide as Directivas
maximizar o potencial turístico da zona através de três projectos de Desenho Urbano na Parte 2 deste relatório.
• Uma oficina em que os visitantes possam assistir ao específicos, nomeadamente:
trabalho de artistas e artesãos Programa de Melhoramento da Praia
• Uma ‘fábrica de arte’, onde artistas locais possam expor as • Programa de Melhoramento das Estradas. A praia e a qualidade do ambiente circundante são de
suas obras. • Programa de Melhoramento da Praia. importância vital para o futuro da PAI. Actualmente, a praia inclui
• Um centro de artesanato para os artesãos locais, que • Complexo Turístico para Uso Múltiplo. um certo desenvolvimento pouco apelativo, que contribui para
também irá funcionar como espaço de exposição e centro a má imagem da área. Esta pode receber um grande número de
de venda a retalho e a grosso. Discoteca Via para Pemba visitantes, factor que é importante para o seu potencial de geração
COMPLEXO DE Wimbe Leste
• Palco de eventos e praça central para uso múltiplo (sentar, ESTANCIA DE PRAIA de receitas com ampla abrangência, sendo necessário providenciar
realizar espectáculos e eventos ao ar livre, etc.). instalações de praia de boa qualidade e devidamente cuidadas.
Melhoria da Acções de paisagismo geral e uma série de actividades e
qualidade da praia instalações transformarão a praia e a área circunvizinha.
Nautilus
As melhorias ambientais irão provavelmente incluir:

OS LAGOS • Transferência de alguns dos chalés existentes para um novo


Via para a Baixa
de Pemba
complexo turístico de praia contendo cerca de 30
apartamentos.
• Melhorias na imagem geral (paisagem e estruturas para
sombra).
• Melhor utilização do interior (estacionamento de viaturas,
COMPLEXO TURISTICO
áreas para piqueniques, etc.).
DE USO MULTIPLO
Via para o Aeroporto • Casas de banho, balneários e espaços de troca de roupa.
Conceito • Uma gestão e manutenção contínua e eficaz.
Oficinas / ard
Workshop/Y estaleiro Programa de Melhoramento de Estradas
Este projecto foca os seguintes aspectos:

• Promover Pemba/Wimbe como um importante “centro


Turístico” que seja apelativo tanto para a população local,
FábricaArtdeFactor
artey como para os turistas.
Centro
Crafts de artes e ofícios
Centre
• Melhorar a circulação do tráfego, a acessibilidade e o esta
cionamento.
Praça para fins múltiplos
Multi-
• Melhorar a segurança, o movimento e ligações dos
purpose???
pedestres.
• Criar espaços de estacionamento para táxis.
• Identificar sítios de desenvolvimento adequados para uso
múltiplo/desenvolvimento comercial, particularmente ao
longo da estrada marginal, desde o Arco Íris, passando pela
Eventos / palco
Events Stage
rotunda do Nautilus, até à Discoteca Wimbe.
PEQUENA UNIDADE
COM CALÇADA
LIGEIRAMENTE
ELEVADA

FAIXA DE RODAGEM
REFORÇADA E/OU FAIXA
MEDIANA
Conceito Ilustrativo
ÁRVORES DA RUA
AFASTADAS PARA FRENTE,
DISTINTAS DAS OUTRAS
ÁRVORES

16 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Área to
Area deve kept
beestar
free at all time
permanentemente s
desimpedida
Night time
Zonaing
dinn area
para se passar r
COMPLEXO DA
Refeições no período
ESTÂNCIA BALNEAR
nocturno

Deslocação de alguns edifícios para o Restaurantes, bares e


Resturaunts,
serviços turísticos
novo complexo da estância balnear bars and
zona tourism services
Delimitação da Marginal

Complexo da Estância Balnear

ZONA DE ALOJAMENTO

ZONA DE EVENTOS ZONA PASSIVA


ZONA DE ACTIVIDADE TURISTICA

Complexo da estancia balnear


proposto
Desenvolvimento
privado existente
Desenvolvimento
Conceito Ilustrativo Proposta de complexo turistico que ira integrar do sitio turistico
alguns dos edificios restaurantes existentes infill

Not to scale

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 17


Complexo da Estância da Praia do Wimbe

18 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Complexo Turístico de Uso Múltiplo


O objectivo é transformar a área numa experiência diurna e
nocturna vibrante, com restaurantes, lojas de especialidade,
entretenimento, arte e cultura. O conceito integra o desenvolvi-
mento de Pátios (Courtyards) interligados, com dois/três pisos. O
Pátio 1 está virado para operações tais como lojas/cafés e
informações aos visitantes. O Pátio 2 inclui um hotel, escritórios,
uma área concentrada artística e cultural e, possivelmente, um
casino (transferência do casino do Nautilus). Os quartos de hotel
(cerca de 60 quartos) situam-se nos andares superiores de todo o
complexo. O Pátio 3 dá acesso ao supermercado e a lojas de venda
a retalho associadas, com parque de estacionamento na área
circundante. Vide as Directivas de Desenho Urbano na Parte 2 do
presente relatório.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 19


Espaco com agua

PATIO 1
Lojas, cafes, area de alimentação,
centro de informação aos visitantes

Salão de Entrada
do Hotel
PÁTIO 2 Jardins/piscina do hotel
Hotel, lojas de especialidade,
escritorios, arte/cultura e
teatro

Possivel casino

PÁTIO 3
Lojas/supermercado Supermercado e complexo
Proposto sistema
de lojas
de drenagem de
agua superficial
Via de entrada para
PÁTIO 1 Pemba

Area de serviço

Parque de estacionamento

PÁTIO 2
DESENVOLVIMENTO
FUTURO

PÁTIO 3
Conceito Ilustrativo

Delimitação 0 50 100km

Parque de estacionamento

20 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Os Lagos
A área a sul da estrada que segue a linha de costa é susceptível
a inundações e, consequentemente, pouco desenvolvimento se
tem verificado ao longo da mesma. Contudo, a área apresenta
uma boa oportunidade de desenvolvimento, através da provisão
de um sistema de drenagem bem planeado, para criar um corpo
de água permanente, incrementando assim o valor dos terrenos e
permitindo o desenvolvimento de uma área marginal (waterfront)
de qualidade.

O conceito envolve a incorporação de algumas das casas


localizadas junto à estrada, transformando a área num espaço de
desenvolvimento às margens de um lago, consistindo de casas do
tipo villas, hotel/apartamentos e instalações de lazer.

Via para Pemba


Leste

Melhoria da Restaurante “The


qualidade da praia Lakes”

Pátio com hotel/


Nautilus apartamentos
Área comercial, com lojas

OS LAGOS
Via para a Baixa
de Pemba
Clube de saúde

a
rai
COMPLEXO TURISTICO
dap
DE USO MULTIPLO go
lon
ao
rada
Via para o Aeroporto Est
Conceito Canais de
drenagem
existentes

Apartamentos
Sistema de drenagem
Cabanas de
de água superficial – via
uso diurno
Centro do Wimbe, Parque
de Terras Húmidas e para
o mar Área de captação de água e lago
permanente, providenciando
Área de piqueniques
oportunidades de
desenvolvimento de uma área
Conceito Ilustrativo Conceito marginal (waterfront)
Casas do Tipo Villas 0 100 200m

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 21


AAT da Costa Leste de Pemba Proposta de Novas Estância Integrada de Chuiba
Estradas A área foi identificada pelo município como fazendo parte de um
É proposta a integração de três projectos: plano global para a costa leste. O plano inclui a expansão da aldeia
Aeroporto
existente de Chuiba. É prevista a construção de novas estradas e
• A Estância Integrada de Chuiba infraestruturas que permitirão a abertura da área.
• A Estância Integrada de Muitua
• O Centro do Rio Mechareme Aldeia de Foram já definidos sítios para a construção de hotéis, mas alguns
Chuiba destes são demasiado pequenos para permitir um
As principais razões que justificam a adopção deste conceito são as desenvolvimento eficiente e comercialmente viável. Propõe-se,
seguintes: deste modo, a consolidação de alguns dos sítios, mas com algum
Clube Marítimo grau de flexibilidade de modo a fazer face a variações na procura.
Rio Mechareme
A sinergia agrega valor através da criação de um todo maior do Uso Industrial Será igualmente importante permitir a facilidade de acesso à costa
que a soma das partes. A integração permite uma eficiência Existente a partir das aldeias vizinhas e para os visitantes que se deslocam à
custo-efectiva e o aumento das receitas de que uma única estância área. O conceito apresentado inclui 14 sítios para hotéis/
hoteleira não pode beneficiar. Por exemplo, a utilização de Restaurantes apartamentos individuais com um espaço entre 5 e 25 hectares.
condições conjuntas de tratamento de esgotos, a existência de PARA O NORTE E OESTE Existentes
uma unidade de dessalinização e a provisão de outras Quinta de Criação
infraestruturas e bens utilitários. de Gado Existente

A massa crítica acrescenta um valor consideravelmente maior aos


destinos emergentes como Cabo Delgado, providenciando
condições e locais de lazer de alto nível. Para além disso, o processo
de marketing torna-se muito mais forte, aliando os esforços de Desenvolvimento
Hoteleiro
marketing de vários hotéis dentro de um desenvolvimento
integrado. Ao reunir todos os actores necessários, incluindo Situação Existente Para Mecufi
companhias aéreas, o investidor pode reduzir o risco de fracasso. Clube Naval

O nível de controlo que o investidor de um desenvolvimento


integrado pode sustentar aumenta as oportunidades de
conceber um ambiente de qualidade que irá também garantir o
uso e aproveitamento da terra compatível e complementar.

Clube
Marítimo

Estância Integrada de Chuiba Subdivisão

Centro do Rio Mechareme

Estância Integrada de Muitua

Áreas de Acção do Turismo

22 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Clube
Naval

Centro
Comercial Clube
Naval

Desenvolvimento
Hoteleiro
Mapa
da Aldeia
de Chuiba
Clube Naval
Centro Comercial

Zona Tampão de
Protecção da
Paisagem

Desenvolvimento
Hoteleiro

Estação de
Tratamento
dos Esgotos
* Clube Marítimo
Parque de
Estacionamento
e Clube Naval

Conceito

Zona tampão de protecção


da paisagem e parque
público

Centro Marítimo e acesso à


praia

Conceito Ilustrativo

0 500 1km
Praia de Chuiba

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 23


Estância Integrada de Muitua
A longo prazo, Muitua constituirá um recurso residencial/de lazer
de grande interesse próximo de Pemba/Wimbe e do aeroporto. O
conceito prevê a conservação da maior parte das terras situadas
a oeste para fins agrícolas e a retenção, do máximo possível dos
espaços verdes, criando assim um local agradável para se viver.

Será necessário realizar um estudo do mercado para determinar o


grau de desenvolvimento e o potencial de crescimento. O quadro
prevê um cenário de um grande crescimento envolvendo um
estímulo deliberado ao desenvolvimento, que poderá criar o seu
próprio ímpeto em termos de procura de mercado, transporte
aéreo e capacidade de alojamento. O conceito inicial inclui:

• 300 - 500 casas do tipo villas.


• 100 -150 vivendas urbanas.
• 1000 – 1500 apartamentos.
• Hotel/sala de conferências de 4-5 estrelas com 250-300 Hotel
quartos com 30 casas do tipo villas associadas.
Academia
• Boutique spa/hotel de Golfe
• Academia de golfe
• Campo de golfe de 27 buracos (três 9’s completos)
Apartamentos

Casas Independentes / Vivendas


Apartamentos do Campo de
Golfe

Estância Boutique Spa /


Hoteleira Hotel
Academia de Golfe

Vivendas Vivendas

Villas /
Apartamentos

Hotel Spa

Conceito Ilustrativo

Conceito
0 500 1km

24 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Estância de Muitua

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 25


Centro do Rio Mechareme
O sítio prevê a existência de espaço conjunto para instalações
Estância Turística de
comerciais de lazer e ainda instalações utilitárias de apoio para as Chuiba
estâncias de Chuiba e Muitua.
Tratamento dos esgotos e
O conceito inclui: zona de serviços públicos

• Centro comercial e lojas de especialidade.


• Mercado de produtos agrícolas. Zona tampão de
• Centro cultural para a realização de espectáculos e arena protecção da paisagem
para concertos.
• Centro de comodidades/lazer.
• Complexo desportivo. Centro Hípico
• Centro/rancho equestre.
• Parques e pátios de recreio.
• Área de serviços (instalações utilitárias e locais de reserva).

Parques e campos de
jogos
Área de serviços Parque de
estacionamento Centro de lazer comercial

Eventos
Zona tampão de
protecção da paisagem Zona tampão de
protecção da paisagem

Centro Hípico Conceito Ilustrativo

Parque Estância
Turística de 0 500 1km
Muitua
Centro comercial / de
comodidades

Conceito

26 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Centro do Rio Mechareme

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 27


Ilha do Ibo

A zona histórica da ilha será desenvolvida para se tornar um ZONA TAMPÃO VERDE
destino turístico residencial. As casas históricas individuais serão Para manter a consolidação
da Fortaleza
restauradas para serem utilizadas pelos proprietários, ou para
aluguer de curta ou longa duração. A Fortaleza de São João
Baptista será a zona central de serviços. Alguns edifícios ao longo Consolidação da vila existente
da estrada principal servirão como postos de venda de artigos de
artesanato, serviços de provisão de refeições e pequenas
instalações turísticas. Visitas guiadas providenciarão explicações REABILITAÇÃO DA
FORTALEZA
sobre o património arquitectónico e o estilo de vida da vila. A Museu
audiência alvo serão os adultos com interesses culturais, Centro de informação
acompanhados ou não das suas famílias, assim como os Café
mercados de mergulho e de regatas de iate. Como forma de
contribuir para o arranque do processo de regeneração, propõe-se
que um número de 4-5 construções em ruínas existentes na área
marginal (waterfront) sejam restaurados, formando um pequeno MELHORIAS NO
AEROPORTO
agregado e operados como um “Hotel de Património” (Boutique CENTRO HISTÓRICO Alpendre e assentos
Heritage Inn), possivelmente sob um nome de marca Edifícios individuais reabili- adicionais
internacionalmente reconhecível. Novo embarcadouro que tados para turismo residen-
dá acesso aos barcos de cial
mergulho
Uso da Terra no Ibo
Dada a natureza sensível da ilha, os factores ambientais devem
ser colocados no topo da agenda em todas as propostas de
desenvolvimento, como forma de garantir que os projectos sejam
aceitáveis, incluir a protecção e melhorar a qualidade de vida dos
Lodge da Ilha do Ibo
residentes actuais e futuros da Ilha do Ibo. É necessária uma
revisão ambiental e da infraestrutura, que irá incluir um exercício
de definição do âmbito visando identificar factores chave, tais
como qualidade da água, gestão dos resíduos, abastecimento
de água e fornecimento de energia, uma análise dos dados para
definir as condições de referência para testar as propostas futuras e
para definir medidas de mitigação, assim como um plano
provisório para a provisão de infraestruturas.
Casa de Hóspedes
da TDM

Hotel Cinco Portas

Sítio do Boutique
Hotel

Transferência da escola

Parque balnear

Centro Histórico do Ibo

28 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Spa
Quartos

Pátio coberto

Recepção

Integração
dos edifícios
históricos

Quartos

Conceito Ilustrativo

Hotel Boutique do Ibo

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 29


4.1 Situação Existente

4
Esta PAI inclui uma extensão litoral de 5 km do Lumbo até Sangule. Um dos objectivos chave do desenvolvimento desta área é
O Lumbo, em particular, possui muitos edifícios abandonados revitalizar a Ilha de Moçambique. Os esforços realizados
pertencentes aos CFM. Existe um pequeno aeroporto que anteriormente centraram-se quase totalmente nesta Ilha, tendo
recentemente beneficiou de obras de melhoria, localizado ao sul sido produzidos vários estudos e relatórios com o objectivo de
do Lumbo, com aldeias agrupadas à sua volta e ao longo da restaurar e melhorar o património de edifícios que a ilha possui.
principal estrada de acesso que vai até à Ilha de Moçambique. A Infelizmente, o progresso registado foi limitado. As razões incluem
área possui uma qualidade paisagística diversificada e importante, direitos de propriedade, falta de fundos para a manutenção e

AS CABACEIRAS com vastas praias, terras húmidas e mangais. restauração, bem como a falta de interesse em melhorar as
condições na ilha pela maior parte da população. Deve-se notar,
contudo, que reabilitar os edifícios por si só é inútil se estes não
forem integrados como elementos de um programa geral de
regeneração urbana que estabeleça fortes ligações com o
continente, produzindo um destino turístico vibrante e unificado. É
necessário um programa de desenvolvimento comunitário
extensivo, que irá implicar alguma relocalização, resultando em
benefícios sociais, económicos e ambientais para todos.

Mangal

LUMBO
Concentração de
edifícios do património

ILHA DE MOÇAMBIQUE
Zonas húmidas / mangais Concentração de
edifícios do
património

Aeroporto

Zona sensível do ponto de


vista ambiental –
observação de pássaros

Lodge (em
construção)

Situação Existente

30 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1
4.2 Potencial de Desenvolvimento
A área possui um enorme potencial como destino turístico com
hotéis de qualidade, marinas, campos de golfe, praias e parques
naturais. Por outro lado, possui todos os ingredientes necessários
para tornar a área atractiva tanto para a população local como
para o visitante com uma base educacional para o seu património
histórico, natural e cultural. A integração destes projectos atribuirá
à área uma significativa vantagem de marketing, oferecendo uma
grande diversidade de produtos.

A área deve, assim, ser desenvolvida com cuidado e incluir grandes


estâncias, mas também hotéis-boutique de menor dimensão, que
explorem oportunidades em nichos do mercado especializados,
virados para o visitante de interesse geral de média/alta renda e
oferecendo luxo simples, com serviços bons e de qualidade.

Estância Integrada do Lumbo


4.3 Áreas de Acção do Turismo
Foram identificadas três AATs para orientação da abordagem
integrada de desenvolvimento.

• Estância Integrada do Lumbo


• Estância Integrada de Sangule Aeroporto Quadro de Desenvolvimento
da Ilha de Moçambique
• Quadro de Desenvolvimento da Ilha de Moçambique

Desenvolvimento
de Nova Vila

Zona tampão de
protecção da paisagem
Estância Integrada
de Sangule

Áreas de Acção de Turismo

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 31


AAT da Estância Integrada de Lumbo

Um desenvolvimento faseado e integrado de estâncias para fins


múltiplos hotéis-boutique, casas do tipo villas com vista para o mar,
Pousada Ecológica com chalés
vivendas urbanas, espaços de lazer e recreativos. O sobre a água
desenvolvimento explora com precaução os recursos do
património natural e cultural para incentivar um mercado de
instalações para férias, tais como marinas e parque temáticos/ Villas com amarração
aquático. As características do centro de lazer e do parque aquático
têm como tema actividades relacionadas com a água para as Villas com amarração
famílias (escorregas, piscinas com ondas, rios artificiais, cascatas
etc.), juntamente com áreas destinadas a actividades na praia e Vivendas e apartamentos ao
longo de canais internos
desportos aquáticos.

O objectivo é providenciar um ambiente e experiência de férias


singulares e diferentes para toda a família, apelativo para famílias
interessadas em actividades marinhas e visitantes que procuram Marina da Ilha
Boutique hotel
um local no litoral com muitas coisas para ver e para fazer. Os e spa
visitantes virão para uma estadia longa ou breve.

Para impulsionar o arranque de todo o projecto, a reabilitação e o Centro da vila do Estância hoteleira da ilha
novo desenvolvimento do património do Lumbo constituirão o Lumbo
foco da estância integrada e da primeira fase do projecto. A área
central reabilitada atrairá os visitantes do mercado de classe alta e
Aldeia Waters
proporcionará ligações sólidas com a Ilha de Moçambique.

Eco lodge
Boutique Hotel

Conservação do
mangal / zonas
Complexo de
húmidas
restaurantes e de
Aldeia para férias entretenimento
Vila do
Património do Vivendas à beira
Lumbo da praia

Consolidação do
desenvolvimento da
aldeia

Possível reintrodução Taxis aquáticos


da linha férrea

Aeroporto
Centro de lazer e
aqua parque Aldeia da
marginal
Consolidação do
desenvolvimento da
aldeia
Centro de lazer / aqua Conceito ilustrativo
Concept 0 500 1km
parque

32 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Vila de Férias de Lumbo

Parque Aquático e Vila de Lumbo

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 33


AAT da Estância Integrada de Sangule

Trata-se de uma estância a ser desenvolvida ao longo do tempo


com o objectivo de criar um ‘destino dentro de um destino’,
Centro Comercial / de Lazer Vivendas no campo de golfe
planificada de uma maneira integrada desde o início, a partir de
uma base que permitirá ao Norte de Moçambique captar os
mercados de lazer de classe alta. Academia de golfe

O sítio é vasto e plano, mas com praias extensas e pântanos Vivendas à beira da praia
interessantes em direcção a oeste. Embora o desenvolvimento seja
Estância hoteleira
em larga escala, serão desenvolvidos sítios individuais para
proporcionar um efeito de boutique. Será imposto um controlo
rigoroso no design, estrutura geral, alturas, etc.
Spa hotel
A meta final é, deste modo, criar um ambiente fantástico para os
visitantes e residentes locais, que reflicta a conjuntura histórica,
cultural e da paisagem costeira de Moçambique.

O conceito inclui o seguinte:

• 300 – 500 casas do tipo villas com vista para os campos de Casas independentes
golfe.
Conceito
• 250 – 400 casas do tipo villas com vista para o mar.
Vivendas no campo
• 80 – 100 chalés (bungalows) construídos sobre a água.
de golfe
• 700 – 1.000 vivendas urbanas/apartamentos.
• Hotel 5 estrelas/sala de conferências com 250 – 300 quartos
com 100 casas do tipo villas associadas e uma academia de
ténis.
• Hotel-boutique/spa com 150 quartos
• Academia de golfe
• Campo de golfe de 18 buracos
• Centro comercial/de lazer.
• Trilhas naturais.

Obviamente, o aeroporto já existente no Lumbo necessitará de um


investimento considerável para poder acomodar um maior volume
de turistas que irão acorrer às estâncias do Lumbo e Sangule.

34 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Casas independentes
do hotel

piscina

Salão de Entrada do
Hotel
Centro de Quartos
conferências

Clube de
desportos/ Casas de Campo
academia de ténis (Cottages) do hotel

Estância hoteleira Clube naval e


piscina
Academia de ténis

Estância hoteleira

Centro comercial / de lazer

Chalés sobre a água


Academia de golfe

Fonte de água

Passagem
para
carrinhos
de golfe /
pedestres

Floresta

villas com pátios


Villas do hotel

Conceito ilustrativo

0 500 1km

Hotel Boutique/ Spa

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 35


Estância de Sangule

36 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

AAT do Quadro de Desenvolvimento da Ilha de Moçambique Será igualmente importante atrair visitantes para a área, para que Por último, o turismo baseado no património cultural constituirá
estes permaneçam por mais tempo e gastem mais. Devem ser uma fonte importante de emprego para a população local e irá
O objectivo é conservar o património cultural, assim como desenvolvidas actividades tais como programas de interpretação, melhorar o perfil da PAI. Esta, por sua vez, irá contribuir para
sustentar e fortalecer a comunidade e a economia da ilha. cafés, áreas para espectáculos, festivais, animação nocturna, sensibilizar a população local em relação à sua ilha, criando um
mercados de artesanato, eventos sociais e culturais, etc. sentido de orgulho em relação a este recurso.
O conceito é desenvolver o produto de modo a integrar vários
edifícios históricos, com foco na conservação e celebração do A existência de lojas constitui um aspecto chave. A gama de lojas Fortaleza
Centro Histórico da Ilha de Moçambique. O projecto irá aumentar existentes na área, em particular as que vendem produtos de
o potencial para diferenciar Moçambique e contribuirá igualmente especialidade e artesanato local, constituem a principal atracção
para o desenvolvimento económico através da: para os visitantes. A ilha deve tornar-se numa experiência especial
deste destino em termos de diversidade de artigos que podem ser
• Identificação e promoção dos diferentes ‘distritos distintos’ comprados.
da ilha. PATRIMÓNIO
• Desenvolvimento de um hotel-boutique como projecto
âncora, utilizando uma série de casas integradas, com
intervenção mínima em termos de construções.
• Desenvolvimento de uma praça principal como coração do
distrito comercial. CENTRO HISTÓRICO
• Restauração das ruas, alamedas e espaços públicos
existentes.
• Animação dos grandes edifícios/casas recuperadas e
sua utilização de forma criativa para eventos, para que CENTRO DA CIDADE
exista uma actividade constante.
• Identificação de pelo menos um outro projecto âncora,
possivelmente o museu (com uma melhor interpretação e
tema) e a praça.
• Iluminação da fortaleza e sua transformação possivelmente
num hotel mais a longo prazo.

Será importante para o programa de restauração identificar, logo à ALDEIA DE MACUTI


partida, um plano de utilização final dos edifícios chave
restaurados ou cuja restauração esteja planeada.
Continente
O hotel boutique proposto tornar-se-á no ‘centro histórico’ da ilha e
constituirá uma rica experiência de património e cultura
Distritos Distintos
autênticos. Os visitantes que pernoitam criam um ciclo de
actividades alargado, constituem um mercado pronto para as lojas
de retalho e aumentam a actividade económica para a melhoria do
funcionamento das actividades dos negócios locais, contribuindo
para a diversificação da economia. As pessoas estimuladas a
visitarem o centro histórico quererão sentir-se bem-vindas e ter o
sentido de espaço. A criação de zonas para pedestres devidamente
assinaladas estabelecendo a ligação entre os edifícios, praças,
pequenos jardins, parques de estacionamento, juntamente com as
plantas e as estruturas removíveis da via pública (street furniture)
constituem elementos cada um com o seu papel a desempenhar.
Vide as Directivas de Desenho Urbano contidas na Parte 2 deste
relatório.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 37


Projecto Âncora
Um hotel boutique constituído por uma série de edifícios
reabilitados já existentes e, em alguns casos novas estruturas de
edifícios e extensões para completar um desenvolvimento integral.

As componentes do projecto incluem:

• 60 – 100 quartos, dependendo da disponibilidade de


estruturas e da viabilidade.
• Esplanadas para refeições ao ar livre.
• Spa de saúde com piscinas de mergulho.
• Espaços públicos melhorados, melhoramento das ruas.
• Praça pública/praças com fontanários.

Este é o principal projecto âncora. Baseia-se num modelo (Kura Kura Hulanda, Caribbean
Hulanda, nas Caraíbas, e Kans A Mann, na Jordânia) onde as
casas da aldeia/vernáculas são incorporadas de modo criativo, num
hotel boutique de 60 quartos, ao mesmo tempo que se preserva
substancialmente a arquitectura e a atmosfera originais. O desafio
é identificar casas apropriadas que possam ser adquiridas e que,
em conjunto, constituirão a imagem de marca. O actual nível de
reparação é de importância relativamente reduzida, uma vez que o
processo de regeneração é muito cuidadoso.
Futura Terminal de
O interior irá preservar, tanto quanto possível, as formas e as Cruzeiros
características originais das casas. O desafio da decoração de
interiores será criar um ambiente luxuoso e um forte sentido de
espaço em termos de tapetes, tecidos e cores. O arranjo interior Hotel Boutique
cria uma variedade de espaços, desde quartos simples a suites de
vários quartos. O design moderno possibilita a criação de casas de
banho espectaculares em qualquer lugar.

Os nomes e a história das casas podem ser preservados e as


características especiais como varandas de madeira, onde existam,
podem ser restauradas para que voltem a adquirir a sua antiga
glória.

Podem ser incorporadas casas adjacentes, mas separadas, como


unidades independentes ou a serem utilizadas como restaurantes/
cafés ou lojas sob a gestão do hotel.

Prevê-se que este tipo de desenvolvimento atraia publicidade ao


nível internacional em revistas dedicadas ao estilo de vida e de
especialidade e, na realidade, permita o acesso aos nichos dos
mercados e a mercados especializados que não estão actualmente
abertos para Moçambique. Este projecto constituirá um outro elo
para diferenciar Moçambique e definir as credenciais da Ilha de
Moçambique como um produto histórico chave para o turismo.
Centro Histórico

38 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Centro Histórico da Ilha

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 39


5.1 Situação Existente 5.2 Potencial de Desenvolvimento

5
O foco desta PAI é no Lago Niassa. Embora existam muitas A extensa área de terras não desenvolvidas e a marginal do Lago
oportunidades turísticas em toda a extensão das margens do lago, Niassa constituem uma oportunidade para a criação de um
o desenvolvimento inicial está concentrado na vila de Metangula – empreendimento de qualidade e favorável sob o ponto de vista
onde existe o maior assentamento populacional junto às margens ambiental, utilizando actividades desportivas tanto em terra como
do lago. No futuro, haverá oportunidades para se realizarem na água como principal tema da estância. Uma pequena zona
actividades de desenvolvimento ao longo da margem norte, cri- do lago será delimitada para a realização de desportos aquáticos
ando ligações entre a praia/floresta e a Reserva do Niassa e Selous, motorizados e não motorizados. A área pode também providenciar

METANGULA na Tanzania. um grande local de lazer em terra que incluirá trilhas para
caminhadas, ciclismo de montanha, alpinismo e desportos radicais.

E Lichinga é a capital de Niassa e a principal porta de entrada para


o lago. Aqui existe uma oportunidade de desenvolvimento de um

LICHINGA
projecto âncora, com um tema da natureza no meio da floresta de
pinheiros.
5.3 Áreas de Acção do Turismo
São propostas duas AATs:
Estância Integrada de Chiuanga
AAT da Estância Integrada de Chiuanga
Potenciais pequenos lodges
A ser desenvolvida como uma atracção turística chave e como
principal atractivo para o Lago Niassa, virada para o sector mais
Ligação praia jovem/mais activo do mercado turístico.
- floresta
O conceito inclui:
Reserva do
Niassa • Complexo com desportos aquáticos oferecendo uma
grande variedade de actividades aquáticas e subaquáticas.

*
METANGULA
• Centro de aventuras.
• Clube desportivo.
• Cube de saúde.
LICHINGA • 80 casas de campo (cottages) à beira-mar e à beira do lago.
MALANGA • 40 apartamentos.

*
Lodge da floresta Embora localizada a cerca de 10 minutos da vila de Metangula,
Quinta Capricórnio ênfase é colocada na integração total com a comunidade local. Um
parque de campismo gerido pela comunidade estará localizado
próximo da estância e, a longo prazo, serão criados
empreendimentos de pequena escala, como é o caso de uma casa
Situação Existente de hóspedes e apartamentos para mergulhadores no alojamento
‘comunitário’. Uma característica especial do complexo será a
existência de um sistema de esqui por cabo de 6 pontos que irá
possibilitar que a estância se torne no primeiro centro de
desportos aquáticos ‘de classe mundial’ em África, atraindo
entusiastas de desportos aquáticos provenientes de todo o mundo.

40 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

O esqui por cabo funciona como o esqui aquático, mas o esquiador


é puxado por um cabo suspenso a 8 -12 metros acima da superfície
MESSUMBA da água por torres especialmente desenhadas para o efeito. Este
mecanismo é alimentado por um motor de velocidade variável,
que pode ir dos 20 aos 65 km/h.

Para além do esqui aquático, o sistema pode também ser utilizado


para as modalidades de wakeboarding, kneeboarding e
wakeskating, que estão a ganhar grande popularidade em todo o
mundo.

CHIUANGA

Estância turística
Pátio de recreio para as crianças
Complexo para
desportos aquáticos Jogos de bola
Centro de desportos aquáticos Casas (cottages) à beira da praia
Campos de ténis
Casas (cottages) à beira do rio
Contexto do Sítio

Para Metangula
Health club levantado sobre
o rio com pavilhões de spa

Clube
naval e Salão de entrada e
cabanas apartamentos à volta da
da praia piscina

Rampa de
lançamento para
o cabo de esqui e
zip line

0 100 200 300m

Conceito ilustrativo

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 41


AAT da Estância Florestal da Quinta Capricórnio Casas construídas
nas árvores Trilho da natureza

Trata-se de uma estância florestal de qualidade a ser desenvolvida


como um destino turístico contendo pousadas ecológicas simples,
casas construídas sobre árvores e parque natural. O relaxamento,
a pesca no lago artificial, as caminhadas e passeios a cavalo na
floresta, bem como a interpretação do ambiente constituirão a
razão das visitas durante o dia e para pernoitar.
Passadiço
O número, localização, escala, design e layout dos coberto e
empreendimentos e das instalações oferecidas necessitarão de zona de jogos
de aventura Parque de
uma análise cuidada do mercado, dos constrangimentos do sítio
estacionamento
e das preocupações e aspirações dos proprietários. Contudo, os
princípios ecoturísticos devem nortear o desenvolvimento no
futuro e figurar em todos os materiais promocionais que poderão Campos de
vir a ser produzidos numa fase posterior. ténis
Recepção do lodge

Para orientações sobre o desenvolvimento de estâncias e unidades


turísticas integradas, vide a Planificação do Desenvolvimento do
Turismo e as Directivas do Desenho contidas na Parte 2 do
presente relatório.

Para o aeroporto
LICHINGA
Piscina infindável
e bar/café

Lodge da floresta Contexto do Sítio

Conceito ilustrativo Casas independentes à


beira do lago Restaurante e bar à beira
do lago

42 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

Estância Florestal

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 43


6.1 Capacitação

6
Embora sejam idealistas, as ideias e aspirações do O desenvolvimento de estâncias envolve questões ligadas à
desenvolvimento do turismo contidas nos planos das AATs só serão aquisição e preparação de terras, financiamento destinado à
válidas se existirem meios para a sua implementação. Deste modo, infraestruturas de apoio e às superestruturas dentro da própria
é importante que seja prestado apoio ao Ministério do Turismo, estância e dos distritos à sua volta. Requer uma actividade de
governos provinciais, agências, sector privado e comunidades. O marketing que visa atrair investidores e turistas e garantir que lhes
Ministério do Turismo deve gerir a implementação das AATs, seja providenciado o apoio necessário. A habitação e os serviços
facilitando em particular a simplificação do processo de comunitários para os trabalhadores e suas famílias, bem como a

IMPLEMENTAÇÃO desenvolvimento e protegendo os interesses dos investidores. Vide formação dos recursos humanos que irão prestar uma variedade
os Apêndices: Directivas Gerais. de serviços profissionais inerentes a esta indústria, são questões
que devem ser igualmente tratadas. Há ainda a necessidade de um
O governo local também terá um papel importante a desempenhar equilíbrio efectivo entre os objectivos económicos, ambientais e
no desenvolvimento do turismo, devendo controlar as suas sociais e de integrar o desenvolvimento da estância na planificação
próprias indústrias. Contudo, as autoridades Nacionais devem do desenvolvimento regional e nacional. Consequentemente, o
reconhecer a necessidade da transferência de conhecimento – desenvolvimento de estâncias turísticas constitui uma actividade
planeamento físico, controlo do desenvolvimento, avaliação complexa que carece de estruturas organizacionais especiais,
ambiental, avaliação financeira, assim como o desenvolvimento de uma liderança focalizada e efectiva, bem como técnicos
produtos, marketing e pesquisa de mercados. É necessário competentes empreendedores para a implementação e gestão.
simplificar a gestão do turismo ao nível nacional e garantir que os Trata-se de uma actividade de longo prazo e contínua. Esta
governos locais tenham a capacidade de realizar as suas funções. implica igualmente um elevado grau de coordenação entre
várias instituições públicas, entre os sectores público e privado, e
Recomenda-se, assim, um programa com foco no fortalecimento ainda com as comunidades locais.
do apoio institucional para o sector do turismo. O programa irá
promover o desenvolvimento sustentável através da capacitação a
dois níveis: nacional e local. 6.3 Empresa de Desenvolvimento de Estâncias do
Arco Norte (EDEAN)
6.2 Desenvolvimento Integrado de Estâncias Esta constitui uma nova parceria público-privada (PPP), “com fins
Turísticas lucrativos”; trata-se de uma empresa comercial de direito limitado,
que deve ser especificamente criada tendo em vista o sucesso da
Subjacente a uma estratégia de promoção do desenvolvimento implementação da estratégia de desenvolvimento e investimento
e investimento turístico e de posicionamento no mercado para turístico para o Norte. A EDEAN actuará como autoridade de
o Norte de Moçambique está o conceito de desenvolvimento desenvolvimento para as estâncias propostas para as Províncias de
de estâncias turísticas vastas e exclusivas nas Províncias de Cabo Cabo Delgado, Nampula e Niassa. Na qualidade de parceria
Delgado, Nampula e Niassa. Este conceito implica uma mudança público/privada, é proposto que a EDEAN seja primariamente
da actual abordagem de atracção de investimentos para hotéis e capitalizada com terrenos do Governo e das Comunidades
pequenas pousadas individuais, para a criação de destinos identificadas para o desenvolvimento de estâncias, bem como com
caracterizados por estâncias turísticas com alojamento, uma contribuições de equidade dos Investidores. O grupo de accionistas
grande variedade de comodidades, serviços e preços que será composto pelo Governo, Comunidades Locais e Investidores
possam atrair um grande volume de turistas para estadias de longa Privados. Comunidades Locais cujas terras se encontrem dentro da
duração, puro prazer e lazer! Ao contrário dos hotéis área de desenvolvimento das estâncias serão apoiadas na criação
individuais, o desenvolvimento de grandes estâncias turísticas de um veículo ou instrumento de investimento que irá assumir os
implica a criação de uma comunidade, um sentido de espaço interesses legais das comunidades para o propósito de acções na
e uma paisagem exterior com uma atmosfera muito distinta da Empresa de Desenvolvimento de Estâncias.
qual se possa desfrutar. As estâncias oferecem uma variedade de
tipos de alojamento, níveis de qualidade, alimentação, compras,
entretenimento, lazer e recreação, transporte, condições para a
prestação de serviços comerciais, de saúde e bancários. Isto implica
a planificação e preparação para receber um grande número de
visitantes que procuram viver uma nova experiência, e a satisfação
das suas necessidades.

44 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1

A Empresa providencia um mecanismo mais efectivo de Especificamente, a EDEAN será directamente responsável pela As Funções de gestão da EDEAN incluirão, por outro lado,
valorização dos bens das Comunidades, tais como terras, bem implementação da actividade de desenvolvimento da estância. actividades tais como as seguintes:
como a sua transformação em instrumentos de equidade financeira Com a assistência técnica do Projecto Arco Norte (Vide 2.4 abaixo),
e investimento, conforme necessário. Isto garante a posse das suas a Empresa de Desenvolvimento de Estâncias preparará e • Esgotos, recolha de lixo e seu tratamento nas áreas das
terras pelas Comunidades locais assegurando, ao mesmo tempo, as implementará planos de acção e o orçamento para a sua estâncias;
sua participação directa nos benefícios e a perpetuação destes no e implementação. As suas funções de desenvolvimento incluirão as • Manutenção de paisagismo, estradas e caminhos internos
do crescimento e desenvolvimento do turismo. Para além de servir seguintes: comuns;
como um instrumento fundamental da estratégia do Governo • Operação de transporte interno;
de alívio à pobreza rural, a EDEAN providencia a flexibilidade e o • Aquisição e detenção dos direitos de uso e aproveitamento • Manutenção da praia, iluminação das estradas e segurança;
quadro legal para outras entidades públicas tais como FUTUR, CFM, da terra, a constituir a principal fonte de capitalização da • Protecção contra incêndios, bem como a segurança geral
Banco de Moçambique, etc. adquirirem posições de equidade (sem Empresa; na zona da estância; e
qualquer prejuízo aos seus mandatos e estrutura actuais) e joint • Desenvolvimento de infraestruturas principais tais como • Serviços médicos de Emergência.
venture com o sector privado para o crescimento e estradas internas, sistemas de drenagem, abastecimento
desenvolvimento do turismo. Por outro lado, considerando o de água, sistemas de esgotos, paisagismo comum da área
potencial expansivo do turismo e as oportunidades de e instalações de uso comum na zona da estância, incluindo
investimento em cada Província, a EDEAN providencia a melhor campos de golfe, marinas, etc.;
opção para uma coordenação focada e efectiva, bem como o • Promoção e atracção de investimentos para o
desenvolvimento a longo praz e a realização de tais potenciais. A desenvolvimento de hotéis, negócios de transacção de
experiência adquirida e as lições aprendidas pela EDE na propriedade e comércio, bem como outros negócios e
coordenação e gestão da actividade inicial de desenvolvimento de serviços turísticos, e ainda a negociação com
estâncias incrementarão e assegurarão a capacidade institucional empreendedores e grupos de gestão interessados;
de Moçambique para a atracção de grandes Investidores para • Leasing de áreas e espaços comerciais.
outros locais em várias outras Províncias.

Em conformidade com a lei, e na qualidade de Empresa de direito


limitado, a EDEAN deverá possuir um Conselho de Direcção que
reflicta a estrutura de accionistas. Na fase de arranque, i.e. nos MINISTÉRIO DO TURISMO/GRUPO DE FACILITAÇÃO
próximos cinco anos, poderá ser melhor que os Governadores das INTERMINISTERIAL DO TURISMO
três Províncias integrem o Conselho na qualidade de membros
ex-officio. Tendo em conta que a maior parte do trabalho técnico, (Política, Plano Estratégico e Estratégia Inter Sectorial)
i.e. planeamento detalhado, engenharia e construção, análise de
mercado e financeira, terá de ser realizado por empresas
especializadas contratadas, a EDEAN irá requerer pessoal muito
GRUPO DIRECTIVO (STEERING GROUP) DO PROJECTO ARCO NORTE
motivado e focado, incluindo; (i) um Gestor de Desenvolvimento
com; (ii) Pessoal de apoio; e (iii) um Oficial de Ligação com a
Comunidade. (Gestao Global, Monitoria e Avaliação da Implementação do Projecto)

USAID Programa de Turismo


(Nathan Associates Incorporated)

(Assitencia Técnica)

Empresa de Desenvolvimento de Estâncias do Arco Norte (EDEAN)

(Implementacao das Actividades de Desenvolvimento e Gestao de Estâncias)

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 45


6.4 Considerações sobre o Risco
USAID Programa de Turismo Moçambique – apoiar o Grupo Existe uma série de considerações sobre os potenciais riscos de Desenvolvimento de Qualidade
Directivo do Projecto e a Empresa de Desenvolvimento de gestão que poderiam afectar negativamente a implementação das
Estâncias no fortalecimento da sua capacidade, bem como em AATs anteriormente mencionadas e o sucesso do futuro Sob uma perspectiva mais geral, um dos principais riscos é a falta
assegurar a sustentabilidade quando o programa de assistência desenvolvimento sustentável do Norte de Moçambique. de qualidade do desenvolvimento. A viabilidade e o
técnica e apoio financeiro da USAID terminar; o Projecto Arco Norte desenvolvimento do turismo em si estarão em causa se não
providenciará à EDE Assessores e Consultores conforme necessário, Empenho do Governo houver um compromisso nacional visando encorajar a qualidade
em áreas tais como: no desenvolvimento do produto e dos serviços. Por exemplo, o
É óbvio que o empenho do governo no desenvolvimento do valor da planificação do turismo a longo prazo é questionável se
• Arquitectura e Planeamento Físico da Estância; turismo é o pilar do sucesso. Muitas das recomendações carecem não houver empenho em relação à aplicação dos regulamentos
• Desenvolvimento do Produto; de acções directas, compromissos financeiros e afectação de relativos ao planeamento e meio ambiente. Da mesma forma, o
• Investigação de Mercado; pessoal por parte do governo. Sem um forte empenho do governo valor da planificação é também questionável se o processo não
• Marketing e Promoção de Investimentos; não será possível materializar o potencial da Região. for transparente e eficiente, pois o processo será arbitrário e o
• Negociação com Investidores e Leasing Comercial. desenvolvimento ad hoc irá ameaçar não apenas o ambiente, mas
Coordenação também a segurança do produto turístico.
Adicionalmente, o Projecto providenciará a posição de Director na
Unidade de Gestão do Projecto. Este será uma contraparte nacional Mais do que qualquer outra indústria em Moçambique, o Para além da direcção geral providenciada pelas AATs, o
Moçambicana que irá sob orientação do Chefe do Projecto, sendo turismo está dependente da coordenação e colaboração do sector desenvolvimento do turismo requer uma série mais abrangente
responsável pela ligação e prestação de apoio técnico às EDEs e ao privado, e ainda de vários ministérios e instituições do governo aos de directivas de procedimentos, como forma de assegurar que os
Grupo Directivo. níveis nacional e local. A implementação das recomendações desenvolvimentos dos sectores público e privado minimizem os
necessitará da acção decisiva por parte do governo, que, por sua potenciais impactos e se mantenham consistentes com a estratégia
vez, exigirá a coordenação entre os intervenientes apropriados. global do turismo. O desenvolvimento do turismo deve abordar
Sem esta coordenação estará ameaçada a capacidade de questões vitais para o desenvolvimento e manter um produto
crescimento da indústria do turismo. A correcção dos obstáculos à turístico sustentável e de alta qualidade. As directivas apresentadas
coordenação é um aspecto crucial para o sucesso da na Parte 2 do presente relatório constituem um ponto de partida.
implementação.

Degradação Ambiental

Os mercados internacionais estão a tornar-se cada vez mais


sofisticados. Esta sofisticação inclui uma maior sensibilização e
valorização da qualidade ambiental de um destino. Quer os
turistas nacionais, quer os internacionais, estão cada vez mais
atentos às condições ambientais gerais dos locais que visitam e a
como os hotéis e os residentes tratam o seu meio ambiente. As
impressões negativas sobre o meio ambiente de um destino
podem rapidamente prejudicar todos os outros programas
positivos de marketing e desenvolvimento de produtos já
implementados.

46 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 1
6.5 Esboço do Orçamento do Uso da Terra

Áreas de Acção do Turismo Total Bruto Quartos Casas/ Apartamentos


Hectares Vivendas
PEMBA/COSTA LESTE E ILHA
DO IBO

Porto de Pemba e Cidade Velha 1.5 - 20 100


Marginal de Pemba
- Pemba Oeste 22 300 10 100
- Pemba Leste 20 200 10 300
Centro de Wimbe (Inc. Praia)
- Complexo de Uso Multiplo 1 60
- Complexo da Praia 9 50
- Os Lagos 18 100 80 20
Costa Leste de Pemba
- Estância de Chuiba 200 2,000 1,000
- Resort Centre 150 -
- Estância de Muitua 700 350 500 1,000
Ilha do Ibo 1.5 60 20 -

TOTAL (aproximado) 1,085 3,120 640 2,520

AS CABACEIRAS

Estância do Lumbo
- Eco Lodge 7.0 80 - -
- Hotel Boutique 5.0 100 - -
- Vila Património 15.0 - - 50
- Aqua Parque 50 - - -
- Aldeia de Férias * 50 50 200 200
- Villas/Hotel na Marginal* 60 150 200 300
Estância de Sangule 900 350 800 1,000
Ilha de Moçambique - 100 50 150

TOTAL (aproximado) 1,087 830 1,250 1,700

METANGULA & LICHINGA

Estância de Chiuanga 40 120 - -


Forest Lodge 30 80 - -

TOTAL (aproximado) 70 200

* Note-se que estes sítios estão situados em terra recuperada

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 47


48
PARTE 2
DIRECTIVAS DE PLANIFICAÇÃO E
CONCEPÇÃO DO DESENVOLVIMENTO
DO TURISMO

1
1.1 Necessidade de Directivas

1
Estas notas apresentam os princípios orientadores para os novos O Investimento e a viabilidade económica do turismo dependem,
projectos de desenvolvimento e para os projectos que envolvam em grande medida, da qualidade dos seus recursos naturais –
a extensão, reabilitação ou restauração das instalações turísticas praias, água potável, litoral relativamente pouco desenvolvido e
existentes. acesso a oportunidades e instalações recreativas. Um
desenvolvimento inadequado fracamente planificado e gerido irá
Pretende-se com estas directivas: minar as vantagens reais das Áreas de Acção do Turismo (AATs)
como foco de turismo e recreação.

INTRODUÇÃO
• Providenciar ao Governo uma percepção das
características do desenvolvimento sustentável do turismo. Haverá igualmente oportunidades, num futuro breve, para um
• Providenciar orientação sobre a preparação de propostas desenvolvimento renovado ou reposicionamento das instalações
de desenvolvimento comercialmente viáveis e turísticas existentes, em particular ao longo da costa de Pemba. Os
responsáveis nos planos social e ambiental. empreendedores e investidores devem avaliar a viabilidade dos
• Ilustrar como os investidores e operadores podem seus projectos. O desafio é posicionar-se adiante da concorrência
melhorar o seu produto de modo a alcançarem um nível de e infundir diversos aspectos do desenho e funcionamento com o
planificação e gestão ambiental baseado em boas práticas. carácter ambiental. Tal implica desenvolver e incorporar um tema
• Criar uma base para uma melhor comunicação entre ou uma história no ambiente físico e utilizar todos os elementos do
o Governo e os investidores, sobre formas de melhoria do desenho, incluindo a arquitectura, os painéis publicitários, a
produto turístico. paisagem e a criação de espaços verdes pelas operações hoteleiras.

O Governo, as agências, os investidores e os operadores turísticos Estas directivas pretendem estimular abordagens correctas de
podem encorajar a adopção e utilização destas directivas design considerando, ao mesmo tempo, questões ambientais, e
integrando-as nas estruturas ou procedimentos de gestão servir de lista de verificação para os empreendedores e operadores
existentes. O Ministério do Turismo pode desempenhar um papel na promoção de um produto sustentável e de qualidade.
importante anexando as directivas aos códigos de conduta
existentes e encorajando os membros a adoptarem e seguirem
estes princípios.

2 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2
1.2 Avaliação e Aprovações
É crucial que haja consulta com o Governo e outras instituições A Secção 2 destas directivas inicia com uma introdução sobre as
relevantes no processo de aprovação. Esta consulta permitirá aos tendências mais recentes no domínio do desenvolvimento de
investidores avaliarem se determinada proposta de estâncias turísticas, seguida de directivas de desenvolvimento
desenvolvimento é compatível com o que se encontra definido no específicas, incluindo os requisitos mínimos para hotéis e
planeamento da zona, os padrões de desenvolvimento apartamentos turísticos. A Secção 3 descreve as várias etapas do
circundantes, o acesso e a prestação de serviços. A consulta às processo de planificação, com ênfase numa análise física e de
comunidades é igualmente essencial para que uma proposta de mercado detalhada, desenvolvimento do conceito, elaboração de
desenvolvimento receba o apoio local. planos directores e design detalhado. Recomenda-se que o
investidor/desenhador siga este processo. A Secção 4 inclui uma
Contudo, muitos investidores sentiram-se frustrados por causa da série de directivas de design urbano com o objectivo de produzir
multiplicidade de instituições envolvidas na planificação e gestão um ambiente urbano atractivo e utilizável.
do turismo. Os papéis e responsabilidades sobrepostos em todas
as esferas do Governo tornam o desenvolvimento do turismo um
negócio complexo e complicado, mesmo para os mais experientes.
A aprovação de propostas de desenvolvimento aparentemente
simples e directas pode levar tempo e implicar despesas
consideráveis. É essencial que os investidores estejam cientes
do número de instituições do governo envolvidas na avaliação e
aprovação do desenvolvimento do turismo. É, portanto,
recomendável a criação de um “balcão único”. Os anexos do
presente relatório contêm as directivas recomendadas para a
preparação de planos de negócios a serem submetidos ao
Ministério do Turismo com vista à aprovação dos projectos de
desenvolvimento.

Processo de Planificação

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 3


2.1 Tendências no Desenvolvimento de
Estâncias Turísticas

2
O desenvolvimento de estâncias no futuro irá, provavelmente,
incluir os seguintes elementos:
As estâncias junto à praia continuam a ser os locais mais
apetecidos no Norte de Moçambique. O potencial é enorme. • Hotéis, apartamentos e vivendas to tipo villas com um
Contudo, estes locais necessitam de acessibilidade para outras ‘sentimento’ mais residencial, ao invés de uma atmosfera
atracções, ou devem ser planificados como parte do comercial – o sentimento de ‘lar fora de casa’.
desenvolvimento global de estâncias turísticas, para poderem • Campos de golfe de alta qualidade numa paisagem tropical
oferecer uma variedade de condições de lazer para a prática de
DIRECTIVAS DE
soberba.
desportos (terrestres e marítimos), animação e compras. • Desenvolvimento da marginal.

DESENVOLVIMENTO
• Compras temáticas/de festival e desenvolvimentos
Nos mercados internacionais altamente competitivos da turísticos/residenciais temáticos.
actualidade, o investidor, que também oferece um pacote fantás- • Qualidade do design dos quartos, espaço e mobiliário com
tico de lazer, possui um limite decidido. flexibilidade na configuração das unidades.
• Diferentes tipos de temas nos quartos – desenhos
As tendências no desenvolvimento das estâncias turísticas incluem tradicionais/revestimento de madeira sobre um desenho
os seguintes aspectos: moderno.
• Centros comerciais que ofereçam possibilidades de
• Famílias continuando à procura de uma maior flexibilidade compras dentro e ao ar livre, com instalações no local
na localização e altura para o gozo das suas férias – viagens servindo comida e bebida.
de curta duração ou estadias mais prolongadas em • Espaços ao redor de piscinas para actividades sociais
estâncias turísticas. diúrnas e nocturnas.
• Procura de conveniência e fiabilidade nas condições de • Espaços para convenções e conferências destinados a
lazer oferecidas. reuniões/retiros corporativos.
• Procura de segurança física e privacidade. • Programas de aprendizagem orientados a crianças e
• Procura de qualidade ambiental no design e adultos, respondendo ao desejo crescente que as pessoas
funcionamento. em gozo de férias possam ter de enriquecerem as suas
• Maior ênfase nas oportunidades de aprendizagem e vidas com experiências de aprendizagem.
enriquecimento próprio em recreação e estilo de vida • Academias desportivas, programas de saúde e bem-estar
activos. físico, aulas de ténis, visitas à natureza e outras actividades
• Aumento da importância da componente entretenimento, de aprendizagem.
pressionando as estâncias turísticas a irem de encontro • Paisagismo de boa qualidade e espaços de lazer com
às expectativas cada vez maiores em relação ao design e elementos temáticos incorporados no desenho dos edifí-
funcionamento das estâncias. cios e dos espaços.
• Mais uma vez, o conceito de time share/posse de férias está • Formas alternativas de transporte – ‘carros de golfe’ e
a tornar-se mais popular. espaços para ciclismo, para além dos espaços para
pedestres.
Os grandes operadores de hotéis e estâncias de todo o mundo • A segurança tornar-se-á um factor do desenho.
contribuíram para enaltecer a imagem de posse de férias e fazer
avançar a tecnologia de operação. O objectivo será providenciar ambiente e experiência singulares e
diferentes em estâncias para toda a família.

4 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2
2.2 Directivas de Desenho
Âmbito das Directivas Factores do Desenho

Estas Directivas têm como objectivo orientar os planificadores e Altura dos Edifícios: Medida em número de andares e altura em
empreendedores na definição do tipo e intensidade do uso da terra metros. São impostas restrições adicionais à proporção do volume
para projectos de desenvolvimento turístico. do edifício, que poderá atingir a altura máxima expressa como
uma percentagem da área total do edifício. Esta directiva pretende
As directivas pretendem constituir o requisito mínimo para promover a variedade no volume e forma dos edifícios. A altura
qualquer tipo de desenvolvimento, de modo a que seja alcançado máxima estará também relacionada com a localização, as
o padrão previsto para os esquemas turísticos daí resultantes. Em características de construção existentes e as características
cada caso particular, os investidores terão de definir os seus naturais.
objectivos específicos ou características de desenvolvimento, de
acordo com as suas expectativas e estratégias de marketing. Cobertura dos Terrenos: A percentagem da área que pode ser
Contudo, as especificações resultantes nunca deverão desrespeitar coberta por edifícios ao nível do terreno.
os padrões mínimos estabelecidos nestas directivas.
Dimensão Mínima dos Quartos: A área líquida de um quarto duplo
Não obstante, e para não restringir, ou mesmo impedir os possíveis típico, excluindo a casa de banho, a varanda, o salão de entrada,
contributos criativos ou inovadores dos desenhadores, as etc. Sublinha-se que este número é uma norma mínima absoluta,
directivas para o desenvolvimento não devem ser consideradas devendo ser consideradas áreas de maior dimensão até 30 m².
regras rígidas, mas sim como tendo um grau de latitude consid-
erável, permitindo a interpretação e o ajustamento a situações Hotel/Estância Tipo A Tipo B Tipo C
específicas e às condições do local. Caberá à entidade responsável Altura máxima do edifício G+1+50% (G) G+2+50% (G) G+1+50% (G)
pela planificação julgar se as diferentes propostas são adequadas,
Altura máxima do edifício em metros 13m 18m 13m
aceitáveis ou mesmo se possuem qualidade, partindo dos critérios
de base. Cobertura máxima do terreno 20% 40% 25%
Tamanho mínimo dos quartos (quarto 18 sq.m 14 sq.m 14 sq.m
Tipo de Desenvolvimento duplo, área líquida do quarto)

Hotel/Estância: tipicamente mais de 4.000 m² de área.


No caso dos hotéis/estâncias do Tipo C, as directivas podem ser
• Tipo A – À beira-mar e em locais de grande valor ambiental. aplicadas no geral para a maior parte dos sítios do interior, mas
Desenvolvimento de qualidade do tipo pequeno com ênfase no tipo de desenvolvimento, localização e condições
hotel-boutique (3-4 ou mais estrelas) de 15-50 camas e deste. Por exemplo, para o desenvolvimento de pousadas ao longo
cerca de 400 camas ou mais. do Lago Niassa, podem ser impostas restrições em termos de altura
• Tipo B – No interior (por exemplo do lado oposto da máxima, de modo a serem respeitadas as características naturais,
estrada marginal).Locais Padrão (Standard) (2-3 ou mais como por exemplo edifícios de um único andar. É aceitável que
estrelas) normalmente novos ou reabilitados e utilizados haja maiores densidades nos centros das cidades.
para melhorar o produto existente.
• Tipo C – Todas as zonas. Padrão/de baixo custo (2-3 Apartamentos Turísticos Tipo A Tipo B Tipo C
estrelas) normalmente um assentamento na orla/exterior. Altura máxima do edifício G+1+60% (G) G+2+60% (G) -
Altura máxima do edifício em metros 13m 18m -
Apartamento Turístico: os apartamentos estão apetrechados/do
tipo self catering. Cobertura máxima do terreno 25% 40% -
Tamanho mínimo dos quartos (quarto 14 sq.m 12 sq.m -
• Tipo A – À beira-mar duplo, área líquida do quarto)
• Tipo B – No interior
• Tipo C – Dentro de assentamentos populacionais

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 5


Directivas Associadas

Distância Regulamentar no Litoral: Os edifícios e as estruturas


devem estar localizados o mais distante possível da marginal. A
distância regulamentar da Marca da Maré Alta deve ser
determinado sítio por sítio, respeitando-se, contudo, um minimo
de 30 metros (nas zonas costeiras baixas, esta distância pode ser
aumentada para 100m). O espaço de praia em frente ao hotel CHÃO MAIS 2
pode ser utilizado como praia reservada ao hotel em questão, na
condição de que uma área não inferior a 15 metros da linha da
costa esteja livre de obstáculos. Todas as instalações contidas neste
espaço reservado devem ser móveis e/ou removíveis. CHÃO MAIS 1

Distância Regulamentar da Estrada e do Limite: Esta distância deve


estar de acordo com as directivas do planeamento físico. MARCA DA DISTÂNCIA REGULAMENTAR
DA MARÉ ALTA A SER DETERMINADA NO
SÍTIO

Parque de Estacionamento para Viaturas: As directivas acima


indicadas permitem 1 espaço por cada 3 quartos e 1 espaço por
apartamento.

PROMOVER A VARIEDADE
NOS VOLUMES E FORMA
DE CONSTRUÇÃO

DISTÂNCIA REGULAMENTAR DOS


EDIFÍCIOS ALTOS A PARTIR DA
COSTA

6 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 7


3
A seguir é apresentado um guia para o processo de planificação e Para ilustrar o processo, é apresentado um exemplo das diferentes
desenvolvimento, bem como questões relevantes para os etapas da planificação e desenho referentes a uma estância
investidores e o Governo em cada etapa. hoteleira indicativa dentro de um desenvolvimento integrado.

Não se enfatiza uma solução previamente estabelecida para cada


sítio ou projecto de desenvolvimento, mas sim um processo, Plano Director Integrado
através da análise do sítio e do mercado, planificação conceptual,

O PROCESSO DE
implementação e gestão para se se conseguir um projecto
sustentável de desenvolvimento turístico de qualidade.

PLANIFICAÇÃO O Processo pode ser descrito em termos de:

• Análise Física.
• Análise do Mercado.
• Desenvolvimento do Conceito.
• Elaboração do Plano Director.
• Desenho Detalhado.

O LOCAL O MERCADO
ANÁLISE
Inventário
Factores Socio-económicos
Potencial da Terra
Equiparação do Mercado

DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO
Alternativas / Opções
Programa de Desenvolvimento 3.1 Análise Física
É crucial que haja consultas com o Governo e outras instituições
relevantes no processo de planificação. Taos consultas permitirão
aos investidores avaliarem se uma proposta é compatível com as
PLANO DIRECTOR
Programa de Desenvolvimento Detalhado
intenções de planificação da zona, padrões de desenvolvimento
Estratégia de Implementação circundantes, acesso e prestação de serviços. A consulta às
Plano de Gestão comunidades é também essencial para que uma proposta de
desenvolvimento possa merecer o apoio local.

Todos os planos de desenvolvimento serão avaliados não apenas


DESENHO DETALHADO
Arquitectura
com base nas suas características iniciais, mas também nos seus
Desenho Paisagístico efeitos prováveis sobre os recursos fora de um determinado sítio
Mobiliário de Ruas
Compatibilização do Mercado
destinado a desenvolvimento.

A fase de análise é, portanto, crucial e deve tomar em consideração


os seguintes aspectos:
IMPLEMENTAÇÃO
Gestão do Projecto
Operação Localização do Sítio
Gestão

As Áreas de Acção do Turismo apresentadas na Parte 1 assumem as


suas próprias características. Isto deve ser reconhecido no
posicionamento das futuras estâncias integradas.
Os investidores que pretendam melhorar, reposicionar ou
desenvolver novos projectos turísticos devem seguir este processo.

8 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2

Contexto do Desenvolvimento Comunidade


existente
O reconhecimento da área circundante do sítio permite a Zona arborizada com ligeira inclinação–
criação de um projecto singular e apelativo que é a essência de um vegetação de qualidade excelente–
Possível acesso
oportunidades de ecoturismo
desenvolvimento turístico de sucesso. Questões ambientais, a principal ao sítio
paisagem, a poluição, a escala do desenvolvimento adjacente e nas
áreas circunvizinhas são aspectos que requerem muita atenção. Por
exemplo, é provável que o desenvolvimento tenha mais sucesso se
puder manter o sentido de identidade com a área e não contribuir
para o surgimento de conflitos locais, nem constituir uma carga Zona relativamente
adicional para a comunidade. plana com um bom
sistema de drenagem
Zona húmida sensível
Procura de – mangais robustos
Empreago
Autoridade das
Eliminação dos águas existente
resíduos Maior tráfego

Parque abrigado com


Comunidade existente
aresta dura – marina
– boa fonte de
Efluentes emprego local
dos esgotos O LOCAL Drenagem das águas
pluviais

Maior uso Procura para fins


recreativo Vista panorâmica excelente a partir de
comerciais Praia existente em bom encostas e solos estáveis
estado e estável
O Sítio Capacidade Foz de um pequeno rio
para o mar
A importância atribuída a uma correcta análise do sítio reconhece Cada sítio possui uma capacidade de carga de desenvolvimento,
a relevância da sensibilidade e da resposta às questões ambientais. por mais difícil que seja a sua determinação. Uma análise detalhada
A análise do sítio deve incluir a investigação e a resposta a uma do sítio deve determinar esta capacidade com base na
grande diversidade de factores e questões ambientais. sensibilidade dos seus recursos e da costa.

Para ilustrar o processo de planeamento e desenho foi Nota: Nos casos em que se proponha o estabelecimento de um
seleccionado um sítio na costa, localizado dentro da área global campo de golfe, o sítio deve ter condições para acomodar
integrada destinada a estâncias turísticas. confortavelmente esta actividade. Um bom campo de golfe de 18
buracos, com as características que lhe são inerentes, deve
normalmente ocupar entre 80 a 100 ha. Se se acrescentar o
desenvolvimento da estância e das casas independentes, a área
total poderá ser superior a 400 ha.

Local da Estância Hoteleira

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 9


Valor da Paisagem e Ecológico

É importante efectuar uma avaliação ambiental exaustiva do


sítio e da zona que o circunda. Deve-se manter o máximo de
vegetação naturalizada possível, como forma de garantir a
biodiversidade e a integridade do sítio. A vegetação local pode
sugerir temas singulares que podem oferecer boas oportunidades
de design.

As características naturais que não podem ser construídas, tais
como afloramentos rochosos e grupos de árvores adultas, podem Encostas íngremes com afloramentos em rocha –vegetação
ser reservadas como espaço aberto e tratadas como comodidade excelente de elevada biodiversidade
e recurso para o desenvolvimento do carácter distintivo do novo
sítio, bem como para preservar os habitats naturais da fauna bravia.
Manter a fauna bravia próximo dos centros de actividade humana
pode melhorar a experiência dos visitantes.

As paisagens que se podem usufruir são cruciais e enriquecem a


experiência dos visitantes. A utilização do sítio deve maximizar o
panorama da natureza. Zona com ligeira
inclinação e cercada

Proteger zonas com


habitats sensíveis
Vista Boa vegetação
panorâmica

Zona aberta com uma ligeira inclinação que


possui solos estáveis e árvores e com vista para
o mar Orla da colina estável

Enfatizar as Local histórico


características Praia estável e de boa qualidade
Vista panorâmica de longa
significativas do e desenvolvimento de duna
distância enquadrada pela
sítio vegetação existente

Pequena península

10 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2
3.2 Análise do Mercado
Questões Relativas à Terra e ao Litoral O desenvolvimento do turismo requer uma planificação sólida das Finanças/Investimento
actividades visando gerir o ambiente de uma maneira sustentável, Apenas os projectos considerados potencialmente viáveis do
É necessário efectuar uma avaliação detalhada das características satisfazer as necessidades do mercado e gerar lucros a longo prazo. ponto de vista financeiro e que satisfaçam as necessidades do
do terreno do sítio. As rochas no subsolo e a estabilidade terão um Uma planificação cuidada e uma pesquisa de mercado adequada mercado terão a possibilidade de garantir fundos de investimento
peso importante nos custos e nos métodos de construção. contribuirão para transformar um novo empreendimento turístico para o desenvolvimento.
ou uma estância já existente num projecto bem desenhado,
Devem igualmente ser consideradas as condições climáticas, tais orientado para o mercado e financeiramente viável. Conclusão e Recomendações
como pluviosidade, risco de inundações e vento. Os ventos podem
ter um peso importante nos usos da água e no desenho dos Por exemplo, os empreendimentos de sucesso são os que oferecem Os dados físicos e de mercado serão analisados e sintetizados
sistemas de irrigação. o que o mercado procura. As forças do mercado são a espinha numa definição do potencial de desenvolvimento com base nas
dorsal dos projectos turísticos comercialmente bem sucedidos e, oportunidades e constrangimentos do sítio e do mercado. O
O tipo de solo, profundidade, padrões de escoamento e possíveis por essa razão, é crucial que o processo de planificação envolva, resumo do desenvolvimento deve procurar identificar os seguintes
problemas de erosão, assim como as características oceanográficas logo à partida, o estudo da viabilidade do mercado para os aspectos:
da lagoa adjacente (onde apropriado), são aspectos vitais a serem projectos. As questões a considerar incluem:
tomados em consideração na gestão do sítio a longo prazo. • Zonas de desenvolvimento e preservação.
Auditoria do Mercado • Conceitos do programa e de marketing potenciais
Devem ser definidas as zonas destinadas ao desenvolvimento, Uma avaliação inicial do potencial do destino em termos do • Sítios de desenvolvimento específico com uma
especialmente ao longo da costa. As zonas sensíveis (praias, zonas número de visitantes, sazonabilidade, duração da estadia, níveis localização ou características físicas especiais
húmidas e cursos de água) devem ser protegidas. dos gastos e transporte aéreo (lugares nos aviões) para apoiar o • Dados adicionais/assessoria especializada necessários para
projecto proposto. uma planificação e design mais detalhados.
Zona 3
Previsões de Mercado
Zona 2 Vegetação da praia Devem ser efectuados estudos que permitam fazer previsões do
número de visitantes a curto e longo prazos, de modo a incluir
Zona 1 Praia potenciais volumes por área geográfica e características
demográficas. Estas previsões devem ter em conta a actividade
de marketing (actual e proposta), condições socio-económicas,
Mangal tendências de viagens, preferências de destinos e estilo da
estância.
Coral
Análise Competitiva
Zona 3: Desenvolvimento– zonas geralmente Esta análise irá indicar a dimensão, posicionamento e faseamento
planas sem habitats naturais críticos ou
encostas íngremes
mais apropriados. Deverá ser efectuada uma análise das
características dos projectos, tais como como localização,
Zona 2: Zona tampão de protecção– zona instalações, qualidade/posicionamento, políticas de preços,
menos sensível, mas é necessária zona d ligações, níveis de ocupação e receitas, bem como a capacidade
protecção presente e futura, tendo em conta a concorrência local e
Zona 1: Altamente sensível –habitats críticos estrangeira, Por exemplo, poderá ser entendido que a existência
(recifes de corais, mangais, praias, encostas de muitos projectos de campos de golfe implica que se pretende
íngremes utilizá-los para a realização de campeonatos. De modo realista
existem muito poucas oportunidades. Se esta for a intenção, como
é que esta expectativa será materializada.
Características Históricas
Necessidades dos Consumidores
Os sítios do património, históricos e arqueológicos devem As previsões do número de visitantes, a mistura de hóspedes, as
igualmente ser identificados. É imperioso que se faça um preferências em termos de actividades e as tendências nas
levantamento arqueológico completo antes do desenvolvimento, Potencial de
expectativas constituem um ponto de referência para a análise do
desenvolvimento
com vista a preservar os recursos. Identificados os recursos, estes mercado. De novo, utilizando o golfe como exemplo, muitos Zona 1 – Excelente
podem ser incorporados como um instrumento educacional ou projectos sobrestimam as metas a serem alcançadas por este tipo Zona 2 – Adequada
interpretativo. Caso os recursos sejam descobertos durante as de actividade, o que pode conduzir à incapacidade de se Zona 3 – Marginal
actividades de construção, o trabalho deve ser interrompido e o conseguirem retornos nas metas de investimento.
sítio reavaliado.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 11


3.3 Desenvolvimento do Conceito
Este pode ser descrito de forma geral como o estágio conceptual, As questões ligadas ao planeamento incluem: Acesso e Circulação
de design e de criação da imagem do projecto, que assenta sobre a
análise física e do mercado. Zoneamento Acesso aos Sítios
O acesso aos sítios refere-se não apenas à maneira como se entra
Pela sua própria natureza, os hotéis e estâncias turísticas em Corresponde à distribuição e relação de comodidades e instalações fisicamente nos empreendimentos turísticos, mas também a toda
Moçambique muitas vezes terão recursos naturais sensíveis, como num sítio e entre sítios, bem como a relação entre estas. Estas a experiência vivida a caminho do mesmo. Outros aspectos que
é o caso da zona costeira. O que pode ser aplicável a um projecto devem ser organizadas de modo a maximizar o potencial do incrementam a experiência do acesso a um sítio incluem:
pode ser inaceitável para outro. Por isso, devem ser estabelecidos ambiente do sítio e desenhadas de forma a apresentarem um
princípios sólidos de design, como forma de encorajar uma aspecto unificado e coeso. Uma maneira de atingir este objectivo • Selecção de corredores para limitar os impactos ambientais
abordagem distintiva e inovadora na abordagem das futuras seria a separação do desenvolvimento global em elementos mais e controlar o desenvolvimento ao longo do corredor que
tendências e oportunidades do mercado. pequenos e a utilização do paisagismo para ligar os edifícios e conduz à estância.
proporcionar um tema ou imagem consistentes. • Criação de ansiedade e drama através de paisagens de
Esta etapa do projecto irá, portanto, incluir: fundo, atraindo as atenções para as características da
Plano da rota do campo de golfe
paisagem ao longo da rota de acesso.
Villas na parte frontal do campo de golfe • Criação de entradas sequenciais.
• A testagem de cenários de desenvolvimento e conceitos de
programas alternativos (hotéis, centros comerciais, casas • Criação de uma sensação de chegada ao destino.
do tipo villas e apartamentos, campos de golfe, actividades
desportivas, etc.).
• A interpretação e o aperfeiçoamento do programa.
• A definição de critérios e normas apropriados de design,
e a preparação de estudos alternativos do carácter
distintivo do conjunto arquitetónico para o projecto.
• A preparação de estudos detalhados a incluir o seguinte: Árvores adultas
recursos geológicos, recursos hídricos naturais, serviços
públicos, circulação de viaturas, realinhamento de estradas
Sítio destinado ao
e infra-estruturas relacionadas, engenharia das praias, Afloramentos rochosos
desenvolvimento
materiais e fontes de construção e material paisagístico.

Vivendas /
apartamentos

Villas Sítio do Hotel

Vistas panorâmicas de longa


Por exemplo, quando as estâncias turísticas estão em Afloramentos rochosos distância
conformidade com a configuração do terreno e a localização das existentes
árvores, é mantido o carácter da paisagem existente.

Podem ser utilizadas zonas tampão naturais e pequenas áreas de


descontinuidade para criar condições de privacidade, ao invés de de entrada para o
desenvolvimento
zonas criadas artificialmente através de plantio e desbravamento.
A topografia elevada e a vegetação densa podem proporcionar
meios naturais de separação das componentes do sítio.
Afloramentos em rocha
existentes

A experiência ao longo da rota Características


do sítio

12 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2

Circulação Espaços Abertos e Paisagismo Serviços


O desenvolvimento de um sistema coordenado de circulação de
viaturas e pedestres é crucial. Para o desenvolvimento de campos Os espaços abertos devem ser utilizados como uma forma de Os serviços devem ter pouco ou nenhum impacto visual ou audível
de golfe/casas do tipo villas, o layout deve tentar conseguir um criação de valor, não devendo ser tratados como espaços restantes. nos visitantes e residentes das estâncias. A segurança, qualidade
equilíbrio entre a eficiência (arranjo espacial, infraestrutura) e o As áreas de armazenagem de água podem ser integradas no visual, ruído e odor são factores a considerar quando se
desejo de criar um local atractivo para se jogar golfe e para se viver. desenho dos campos de golfe e ser concebidas para criarem seleccionam locais para os serviços e instalações de apoio. Estas
Por exemplo, os terrenos estreitos e longos são muito eficientes em motivos atractivos que tenham como base a água. O paisagismo áreas devem estar separadas das áreas de circulação e uso públicos.
termos de infraestrutura, mas conferem um ambiente monótono e deve ser usado para reforçar e melhorar as características
nada atractivo, enquanto que os pátios ou agrupamentos criam um distintivas do desenvolvimento - por exemplo, deve-se ter em Plano Director Preliminar
ambiente protegido e formam espaços coerentes, maximizando a mente que num projecto turístico, ao pagarem, os hóspedes estão
parte frontal dos campos de golfe. adquirindo um ambiente e não uma colecção de edifícios. Após a avaliação dos conceitos iniciais, é definida a direcção do
desenho. Os ajustamentos por cada disciplina são, então,
incorporados no plano.

Zonas de armazenagem de água dentro de um campo de


golfe

Subdivisões do
terreno

Centros de Actividade e outras Instalações Parque de


estacionamento
Quartos do
Estas áreas podem ser utilizadas para desenvolver pontos focais hotel Quartos do hotel
de actividades dentro do empreendimento. As ligações entre estas
áreas muitas vezes tornam-se a estrutura subjacente do plano Área da piscina Restaurantes com base
director. Contudo, é imporante a localização das instalações, do hotel em temas
caminhos e estradas de modo tal que desvie o uso para fora des
áreas sensíveis, tais como habitats críticos.

Devem ser evitados conflitos entre as diferentes formas de uso.


Salão de entrada (lobby) e salas de
reuniões
O estacionamento deve ser concebido de modo a minimizar o
impacto dos automóveis normais, táxis, autocarros e viaturas de
serviços, tanto dentro da área do projecto como nos casos em que
estes se encontrem escondidos da área da estância.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 13


3.4 Elaboração do Plano Director 3.5 Detalhes do Desenho
Com base nos planos do uso da terra, no produto baseado no Devem ser preparados material gráfico suficiente e uma análise do A análise do sítio, o desenvolvimento do conceito e o processo de
mercado e nos programas de estruturas desenvolvidos na fase do mercado/financeira para descrever o projecto. Para além do Plano elaboração do plano director não deverão indicar o estilo
desenho conceptual, esta fase de elaboração do Plano Director ilustrativo, devem ser reunidos os seguintes documentos: arquitectónico e paisagístico, mas os aspectos da análise devem
Director deve incluir um programa de desenvolvimento detalhado apoiar as várias decisões relativas ao design.
que tome em consideração as oportunidades e constrangimentos • Esboços ilustrativos/temáticos que descrevam a natureza
de mercado, financeiros e de planeamento do sítio. do desenho do empreendimento, bem como o(s)
Entrada com sapata
conceito(s) de marketing.
O Plano Director deve ser uma expressão inovadora de uma • Plantas detalhadas de uso típico da terra, campo de golfe,
produtos e densidades. Entrada principal
planificação e desenho abrangentes, devendo ainda ser financeira
e economicamente sólido e viável. O Plano Director deve incluir os • Planos de faseamento. Salão de entrada do Hotel (lobby)
seguintes aspectos: • Plano Director dos serviços públicos que indique a
localização, dimensão e faseamento dos principais
• Descrição completa do projecto. sistemas de serviços públicos.
• Sectores do mercado.
• Custos do projecto. Estes planos e documentos devem ser integrados num Relatório do
• Plano de financiamento. Plano Director.
• Questões ligadas à implementação do projecto.
• Projecções/viabilidade financeira.

Piscina

Apartamentos

Terrenos
para villas Lago
Restaurante com doca
Campo de Sistema de dunas para barcos
golfe
Vivendas Instalações para
conferências
Piscina
Arquitectura

As características climáticas estabelecem os factores básicos que


devem ser considerados em termos de características dos edifícios
relacionadas com a arquitectura das estâncias turísticas num clima
Quartos do
hotel
tropical. Moçambique não possui um estilo vernáculo específico –
os edifícios representam uma mistura de culturas.
Piscina Quartos do hotel
Contudo, é particularmente importante conseguir um elevado
padrão de desenvolvimento utilizando factores fundamentais que
Restaurante
afectam o desenho dos edifícios tropicais.

Imagem
Esta deve ser estabelecida na fase de planificação, em resultado
Sala de reuniões /conferências da análise física e do mercado. Cada sítio possui características
singulares e, por essa razão, deve influenciar a sua própria imagem
Salão de entrada característica.
(lobby)

14 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2

Forma e Layout da Construção Materiais Vegetação


É aceitável que a maior parte dos quartos tenha aparelhos de ar Estes devem reflectir a imagem do empreendimento, o conceito Para além dos elementos acima mencionados, a vegetação pode
condicionado, mas os hóspedes devem também poder beneficiar visual, o enquadramento do sítio na área e o grau de harmonia. A ser utilizada para abrigo e redução do brilho intenso do sol. O custo
da brisa exterior. O principal objectivo é permitir que a brisa se faça utilização de materiais e mobiliário de alta qualidade, as estradas, de funcionamento dos aparelhos de ar condicionado pode ser
sentir nos edifícios comuns sem aparelhos de ar condicionado e passadeiras e superfícies em espaços abertos, as estruturas de reduzido utilizando vegetação para proteger os telhados e as
nos espaços exteriores. sombra, a vedação, as paredes, a iluminação, os corrimões, etc. paredes da luz directa do sol. As plantas podem também ser
podem fazer uma grande diferença na qualidade do utilizadas para:
É muito importante que a orientação e a construção dos empreendimento.
edifícios sejam concebidas de modo a explorar ao máximo o • Disfarçar as subestações e os contentores de lixo.
movimento do ar. Os principais factores a considerar são os Arquitectura da Paisagem • Actuar como barreira para prevenir que as pessoas se
seguintes: percam.
Uma das características de marketing mais fortes para os • Travar a erosão do solo e estabilizar as encostas.
• Os principais edifícios devem ser desenhados de modo empreendimentos turísticos é a qualidade do ambiente. Os • Actuar como elemento de definição do espaço.
a apresentarem um plano alongado e relativamente empreendimentos de sucesso combinam cuidadosamente a
aberto, com quartos geralmente distribuídos em filas paisagem e a arquitectura, como forma de obterem um carácter A utilização de espécies de plantas naturalizadas pode igualmente
simples, para permitir a ventilação cruzada e a penetração distintivo consistente, unificado e singular do projecto. reduzir o uso da água.
da brisa.
• A parte habitacional principal e os espaços comuns As questões a considerar no caso de estâncias turísticas incluem de
devem ser acessíveis a partir de varandas ou galerias modo particular o seguinte:
abertas.
• As coberturas salientes ou os amplos beirais suspensos Desenho Temático Protecção do sol e do brilho Protecção do vento e da chuva
devem dar sombra à varanda ou ao espaço exterior e às Este aspecto deve estar relacionado com os elementos do excessivo
áreas de circulação. As estruturas de sombra podem planeamento e arquitectónicos. Por exemplo, o uso de grandes
proporcionar protecção essencial e uma forma de definir pedras, afloramentos rochosos e árvores locais podem
características arquitectónicas distintas. proporcionar um sentido de enquadramento e integração com a
• Deve ser considerada a possibilidade de construção de paisagem existente, enquanto que os pátios exuberantes podem
tectos altos ou de utilização de tecto duplo. contribuir para prolongar para fora os espaços
• O ideal é que a abertura para as janelas tenha em conta a interiores.
luz do sol, isto é, a integração de estruturas de sombra que Protecção dos ruídos, da poluição e das Encostas estáveis
minimizem a radiação directa, atenuem o brilho intenso do Espaços Abertos vistas pobres do ponto de vista estético
céu, permitam uma iluminação natural adequada e Cada estância requer uma certa forma de espaço aberto
permitam igualmente desfrutar da paisagem exterior. Adequado, que deve ser dedicado ao uso e comodidade de todos O tipo de paisagismo conhecido por “Xeriscape” consiste na
• O uso da água também pode ser empregue para os visitantes. O ideal é que estes espaços abertos estejam selecção e estabelecimento de um padrão de zonação de plantas
reduzir a temperatura ambiente. localizados entre a vegetação e as configurações de terreno já de acordo com as suas necessidades de água. Esta estratégia de
existentes. Mesmo os mais pequenos aglomerados de plantas design é bastante custo-efectiva, uma vez que a manutenção e a
Controlo do sol, redução Opção do design do edifício para permitir uma ventilação
do brilho excessivo do sol natural podem, se forem bem concebidos, conferir um elemento de forma, rega são minimizadas. É também, em princípio, uma alternativa
através do paisagismo textura, sombras, fragrâncias e cor. As pessoas desfrutarão dos esteticamente válida e ecologicamente adequada, uma vez que as
espaços exteriores para uma recreação passiva e socialização num plantas são seleccionadas de modo a estarem em harmonia com o
Telhado com isolamento clima à luz de sol se o espaço tiver boas sombras e estiver seu ambiente. Os projectos paisagísticos devem, portanto, tentar
Abertura / terraço protegido
correctamente orientado. O uso correcto da água - visulaização e agrupar as plantas de acordo com as suas necessidades de água e
seus sons, pode enriquecer imenso os prazeres do ambiente e da de manutenção da seguinte maneira:
Tecto alto com ventoinha estância turística, e ser empregue para arrefecer o ambiente.
1. Zonas exóticas/ornamentais, tais como espaços públicos abertos,
pátios, pontos focais, etc. Introdução de plantas ornamentais que
Ventilação cruzada
necessitarão de um alto nível de manutenção e irrigação
permanente.

2. Zonas de transição entre a paisagem natural e ornamental, tais


como as delimitações dos empreendimentos, as estradas, etc.
Plantas naturalizadas e resistentes que necessitarão de alguma
Fonte de manutenção. A rega pode ser necessária. Não é necessária irrigação
Janelas protegidas água permanente.
com persianas Brisas

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 15


3.6 Operações e Gestão
3. Zonas naturais, com paisagens naturais tais como as praias, Iluminação Uma correcta planificação e desenho de uma estância turística
matas, etc. Plantas indígenas que irão crescer no seu ambiente A iluminação deve ser escolhida de modo a enfatizar o estado só surte efeito se a operação e gestão da referida estância forem
natural e que podem ser utilizadas para recriar o habitat nativo. de espírito, os temas e criar um ambiente relaxado. O céu pode igualmente adequadas. O desenvolvimento sustentável requer um
Estas plantas não precisam de muitos cuidados e uma vez bem apresentar-se dramático à noite. A intrusão e o brilho intenso programa contínuo de gestão ambiental, abarcando as áreas de
estabelecidas no solo, resistem à seca. A maior parte das plantas da luz podem ofuscar a já fraca visão nocturna. Por essa razão, é sensibilização para as questões ambientais, boas práticas, formação
nesta categoria pode ser usada nas zonas semi-secas/de transição e necessário limitar a iluminação nocturna ao mínimo necessário, por de quadros, educação dos visitantes e procedimentos de monitoria
exóticas/ornamentais. uma questão de segurança. Os objectos fixos de iluminação devem e avaliação ambiental.
situar-se próximo do chão para minimizar a ofuscação ao nível da
paisagem. Consciencialização Ambiental
PRAIA

JARDIM
Manutenção A sensibilidade para as questões ambientais é cada vez maior em
todo o mundo e um número crescente de turistas é atraído para
ÁREA DA PISCINA E
RECEPÇÃO DO HOTEL Um programa de manutenção realista é crucial na promoção e destinos que protegem o meio ambiente. A promoção do
sucesso contínuos da imagem de um projecto. É preciso ter em desenvolvimento sustentável em Moçambique só pode trazer
mente que até mesmo os edifícios de melhor design podem ser consigo resultados positivos. Pode criar as bases para o alcance da
PARQUE DE seriamente comprometidos por uma iluminação de má qualidade. sustentabilidade na planificação e concepção das unidades
ESTACIONAMENTO, TÉNIS
turísticas, encorajar a tomada de decisões responsáveis
SERVIÇOS, JARDIM
EXTERIOR
O reconhecimento da estreita ligação existente entre o meio relacionadas com conservação de energia e água, gestão dos
ambiente e a viabilidade económica a longo prazo irá promover o resíduos, bem como enfatizar a importância da biodiversidade.
Plantio de Xeriscape empenho visando uma melhor gestão ambiental do
desenvolvimento turístico. Gestão Ambiental
Uma abordagem proactiva de gestão ambiental pode incluir o
As plantas podem ainda ser subdivididas de acordo com: As práticas efectivas de gestão ambiental poderão implicar compromisso de melhoria contínua nas áreas de gestão do
programas de reciclagem e gestão de resíduos, conservação de turismo. Devem ser celebrados acordos de cooperação possíveis
• Altura (árvore/palmeira, arbustos, pequenos arbustos/ energia e água, formação de quadros, bem como educação e entre o governo, os operadores turísticos e a comunidade, em
cobertura rasteira do solo, trepadeiras e plantas de realce). envolvimento dos visitantes. matérias tais como patrocínio da gestão ambiental e/ou
• Características botânicas, aplicações em design e tolerância actividades de educação em conservação e monitoria de áreas
à seca, vento e sal. A monitoria das fases de construção e operação do projecto ecologicamente sensíveis.
podem melhorar a eficácia das práticas de gestão ambiental e
Paisagismo com Materiais Rígidos minimizar os impactos ambientais ou sociais adversos. Formação de Quadros
A selecção dos materiais destinados a este tipo de paisagismo A produção de um manual ou plano de gestão ambiental
depende do objectivo. A selecção dos materiais ajuda a definir constitui um factor essencial no desenvolvimento de uma
mudanças de uso (viaturas/pedestres), nível, propriedade e abordagem proactiva. Uma política ambiental ou um código de
abordagens para os pontos focais. Deve-se prestar atenção à cor, ética claro que seja adoptado e endossado pela gestão garante o
padrão, ruídos, luz do sol, calor e manutenção. cumprimento das normas de gestão ambiental. Esta política
assegura que o pessoal chave assuma as suas responsabilidades
Estruturas Removíveis da Via Pública (Street Furniture) em relação ao ambiente, associada à formação e procedimentos de
comunicação empregues para informar e sensibilizar os
A qualidade geral de qualquer desenvolvimento depende de um trabalhadores a respeito da mesma.
desenho harmonioso de todos os aspectos, segundo uma
abordagem global. Por exemplo, detalhes não devidamente A definição de uma política pode incluir objectivos e metas
considerados podem ter um impacto desfavorável na impressão realistas de gestão ambiental. Podem ser especificados
geral de um projecto. Os elementos que carecem de atenção procedimentos e metas para as questões ambientais, tais como
particular nos projectos de estâncias turísticas incluem: protecção do ambiente, gestão e reciclagem de resíduos,
conservação da energia e água, educação e pesquisa, políticas de
Painéis Publicitários e de Informação aquisição ou limpeza, paisagismo e educação dos visitantes.
Os painéis publicitários não devem dominar nem bloquear a
paisagem. São mais eficazes se for usado um desenho simples, de
fácil leitura, e se os materiais e cores escolhidos se misturarem na
conjuntura natural. Os letreiros exteriores são uma boa forma de
apresentar a flora e a fauna locais ao visitante.

16 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2
3.7 Lista de Verificação para os Gestores
Para o caso dos projectos turísticos de grande escala poderá ser A inclusão das ideias de acção ambiental que se seguem no Restaurantes/cafés
necessário empregar um oficial ambiental para estabelecer os desenho e gestão dos hotéis e pousadas (lodges) não só terá um • Minimizar a utilização de copos, chávenas e pratos de
procedimentos ambientais, bem como supervisar e monitorar a sua impacto positivo no ambiente circundante, como também irá criar plástico descartáveis
implementação. Consequentemente, o impacto do oportunidades de redução significativa de custos e posicionar • Minimizar o uso de produtos de limpeza não
desenvolvimento do turismo no ambiente circundante pode ser estrategicamente o projecto turístico, permitindo-o atingir o biodegradáveis.
monitorado. A formação de quadros irá assegurar a melhoria do mercado de consumo viável e crescente para o desenvolvimento
desempenho ambiental. Incentivar a inovação dentro do projecto de um turismo sustentável. Lojas
e no seio dos trabalhadores irá encorajar a introdução de melhorias • Minimizar aerossóis que contenham fluorocarbonetos
na gestão e desempenho ambiental. Gestão • Minimizar produtos de espuma de polistireno
• Trabalhar com a natureza, ao invés de ignorá-la na fase • Minimizar a utilização de sacos de plástico sempre que
Educação dos Visitantes de design, instalação ou modificação de sistemas e estrutu- possível
Em projectos turísticos adequadamente planificados, muitas vezes ras das instalações turísticas • Comprar a grosso sempre que possível
o trabalho ambiental faz parte do pacote de marketing, à medida • Incentivar um maior nível de envolvimento local na • Imprimir frases propagandísticas (slogans) contra o lixo e a
que os constrangimentos ambientais – tais como características da planificação, desenvolvimento e operação das instala ões favor da conservação nos cartuchos e sacos de compras
paisagem, recursos hídricos do interior, pássaros – se vão turísticas • Imprimir frases propagandísticas contra o lixo e a favor da
misturando com o desenvolvimento e, gradualmente, vão fazendo • Desenvolver uma forma de expandir o papel das conservação em vestuário vendido nas lojas
parte das atracções turísticas. instalações turísticas na comunidade local, de modo a • Instalar aparelhos para esmagar latas, para posterior
sustentar os interesses ambientais mútuos através de reciclagem das latas de alumínio
Monitoria e Avaliação actividades monetárias e/ou cívicas • Reciclar jornais.
• Estabelecer um compromisso com o programa ambiental
Sempre que possível, devem ser recolhidos dados de referência ao nível executivo Ideias de interpretação e promoção
antes do início de qualquer construção ou desenvolvimento. Se • Realizar reuniões com os trabalhadores para sensibilizá-los • Publicar um boletim sobre conservação, que contenha
o empreendimento já estiver a operar há algum tempo, pode ser sobre as questões ambientais matérias sobre como evitar o desperdício (levar para casa
útil a realização de uma auditoria ambiental, ou uma auditoria de • Fortalecer o poder dos trabalhadores para a os artigos de casa de banho consumidos parcialmente)
alguns aspectos ligados ao desempenho (tais como a conservação implementação dos princípios ambientais • Utilizar cartazes sobre a conservação.
da energia e água e sua eficiência, ou práticas de gestão dos • Realizar uma auditoria ambiental
resíduos) para providenciar dados de referência e identificar áreas • Plantar árvores para refrescar o ambiente utilizando
específicas em que a existência de práticas alternativas possa con- espécies nativas.
tribuir para um melhor
desempenho ambiental. Manutenção
• Minimizar a utilização de produtos de limpeza não
Um programa de monitoria deve registar os requisitos reguladores biodegradáveis
e estabelecer metas ou padrões realistas de gestão e desempenho, • Manter os filtros dos aparelhos de ar condicionado limpos
como por exemplo: reduzir em 10% o consumo de energia • Reparar as fugas tão cedo quanto possível
eléctrica. • Comprar toalhas de papel, papel higiénico, filtros de café
fabricados à base de papel não branqueado (crú)
O programa deve ainda definir indicadores de desempenho que • Adoptar áreas para acções de limpeza
sejam fáceis de medir e permitam identificar problemas
específicos que impeçam o alcançe de metas específicas. Será Energia/reciclagem/conservação da água
necessário estabelecer um sistema de recolha regular de dados, • Utilizar o sol ao invés do secador eléctrico de roupa
manutenção de registos e procedimentos de prestação de contas, • Instalar torneiras e chuveiros concebidos para poupar água
para avaliar o desempenho real. • Manter os edifícios frescos fazendo uso de sombras,
persianas, etc. do lado exposto ao sol
• Implementar um programa de reciclagem das águas
residuais
• Empregar dispositivos de controlo dos computadores para
poupar energia
• Maximizar a utilização da energia solar
• Apoiar o arranque de um programa de reciclagem para a
zona.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 17


4
Existem muitas definições de design urbano, muitas das quais Certos tipos de elementos físicos desempenham um papel chave
demasiado complexas. O desenho urbano diz respeito à criação no sucesso do desenvolvimento dos locais:
de lugares, isto é, à organização dos edifícios e dos espaços entre
eles. O design urbano não é “grande arquitectura”, nem “pouco Caminhos – estes são canais de movimento – ruas, ruelas, estradas
planeamento”; é a sobreposição entre planeamento e arquitectura principais, etc. – e muitas pessoas incluem-nos como as
– uma actividade multidisciplinar que tem como objectivo produzir características mais importantes nas suas imagens de um local (por
ambientes atractivos e práticos. exemplo, as ruelas estreitas das zonas históricas da Ilha de

DIRECTIVAS DE
Moçambique).

DESENHO 4.1 Domínio Público Nós – os nós são pontos focais.

URBANO É necessário um esforço contínuo e concentrado para melhorar e Marcos de Referência – ao contrário dos nós, em que se pode entrar,
manter um lugar físico que seja interessante à vista, distinto, os marcos de referência são pontos que a maior parte das pessoas
confortável e convidativo para os turistas e para os residentes pode viver/experimentar a partir de fora.
locais. Este aspecto é particularmente importante para as áreas de
valor patrimonial, como é o caso da Ilha de Moçambique. Orlas – as orlas são elementos lineares que são utilizados para
definir os caminhos e margem das águas.
O domínio público é a parte mais importante de um lugar. É onde
os visitantes e a população local se encontram. É definido como Distritos – caminhos, nós, marcos de referência e orlas, todos estes
sendo as áreas que normalmente se situam entre as fachadas de constituem o local – a Área de Acção do Turismo.
edifícios reconhecidos. É neste onde ocorre grande parte do
contacto e interacção entre pessoas, pelo que o domínio público As secções que se seguem baseiam-se nestes elementos.
vai desde as ruas, parques, zonas da cidade destinadas a pedestres,
até aos edifícios que os circundam. MARCO DE REFERÊNCIA

4.2 Elemento Chave do Desenho Urbano


VIA DE ENTRADA
Um Local para as Pessoas

Para que tenham sucesso como destino turístico, as áreas turísticas


devem ter sucesso como local para as pessoas. Embora uma
marginal de características singulares, zonas de património cultural,
bom acesso por estrada e estacionamento em locais convenientes VIA DE ENTRADA
constituam um bem valioso, é a qualidade da experiência dos pas-
seios a pé numa determinada zona que constitui a medida mais EDIFÍCIO DE CANTO
importante do seu sucesso como local. EDIFÍCIO DE CANTO

O local deve:

• Oferecer acesso fácil, conveniente e contínuo aos pedestres 4.3 Espaços


para efeitos de compras, alojamento, actividades e outros
usos. A Praça da Cidade
• Conferir um alto grau de comodidade e conforto aos níveis
humano, físico e psicológico. Cada cidade deve ter um coração. O desenho deste espaço tem
• Oferecer oportunidades de interacção social, bem como uma influência significativa na sua capacidade de atrair e acomodar
oportunidades para observar a vida do local. uma série de actividades. As principais considerações de design
• Encorajar a realização de actividades ao ar livre e numa incluem a relação entre o espaço público e as ruas adjacentes, o
variedade de espaços públicos. tipo e quantidade de espaço para sentar, o potencial para o uso
• Incentivar uma variedade que ofereça oportunidades de flexível, o nível do conforto físico e psicológico, bem como o nível
escolha, surpresa e aventura. de comodidades, incluindo o grau de atenção prestada à
qualidade.

18 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2

Relação com a Rua Outros Espaços Públicos Paisagismo


Deve ser providenciada a máxima visibilidade e acessibilidade do
espaço público. As pessoas gostam de ver os pedestres a Os lugares públicos de menor dimensão são importantes para O plantio de árvores nas ruas é uma das características mais
passearem e pessoas visíveis dentro do espaço atraem outras ajudar a construir o foco de identificação especial nas zonas importantes da paisagem das ruas de uma zona turística e,
pessoas. A visibilidade é também importante para questões de turísticas. Estes espaços públicos podem funcionar como elos de provavelmente, um dos melhores investimentos em termos de
segurança. ligação entre as zonas, elementos para definirem a entrada, desenho urbano. Para além de proporcionar uma ligação visual
comodidades e catalisadores do desenvolvimento privado. unificadora entre os espaços, o plantio de árvores tem muitas
Bancos Confortáveis outras finalidades. As árvores plantadas podem criar um
Um dos factores mais importantes que influenciam o potencial de Desenho microclima exterior conducente a uma vida confortável. Os espaços
utilização do espaço público é o número e a variedade de Ao conceber estes espaços públicos de menor dimensão, devem exteriores devem ter em conta o clima, em especial o calor da
oportunidades para se estar sentado. Devem ser providenciados ser aplicados todos os critérios aplicáveis à Praça da Cidade, numa tarde, que deve ser minorado pela sombra e abrigo providenciados.
muitos espaços para sentar; uma boa regra que deve ser seguida é escala que seja apropriada à dimensão do espaço.
providenciar um metro linear de espaço para sentar por cada trinta O plantio de árvores pode também:
metros quadrados de praça. O espaço para sentar pode ser Localização
integrado no espaço sob a forma de degraus, muros e saliências. A localização dos espaços públicos de menor dimensão é • Proteger elementos como parques de estacionamento,
Deve ser evitado o uso de espaços individuais fixos; o recurso a igualmente importante. Estes devem ter uma relação com as ruelas edifícios, contentores do lixo e definir a berma da estrada.
cadeiras móveis, para além dos bancos convencionais, permite para pedestres e outros espaços públicos, como parte de um • Servir para delimitar espaços, conferindo unidade ou
aos utilizadores uma flexibilidade máxima para escolherem onde sistema integrado. Para além disso, devem estar localizados de ligando o edifício à paisagem.
sentar-se e como interagir com outras pessoas. modo a capitalizarem a importância e o potencial dos marcos de • Criar uma vista panorâmica.
referência e um maior nível de actividades que terão lugar nos • Trazer a natureza para determinada zona e criar habitats de
Utilização Flexível caminhos de intersecção do movimento dos pedestres. fauna bravia.
O desenho da Praça deve evitar ditar utilizações específicas do • Melhorar a eficiência de energia providenciando sombra a
espaço criando, por exemplo, um anfiteatro que seja utilizado Pequenos Parques edifícios.
apenas durante períodos limitados de eventos especiais. A praça • Suavizar e acalmar o aspecto de uma zona onde existam
central também não deve estar apinhada com um grande número Os parques contribuem para tornar uma zona turística distinta superfícies rígidas extensas.
de elementos fixos. Devem ser providenciadas amplas áreas por criarem contrapontos refrescantes à conjuntura urbana. Estes • Reduzir o efeito da ofuscação da luz do sol.
pavimentadas onde se preveja a realização de actividades espaços verdes criam oportunidades para a animação informal e • Reduzir a acumulação do calor nas superfícies rígidas,
intensivas. Para maximizar a flexibilidade, devem ser evitadas desempenham um papel importante na criação de imagem. Ao que cria desconforto para as pessoas e as plantas. A
floreiras e outro tipo de estrutura fixa maciça, especialmente no conceber estes espaços, deve-se enfatizar a criação de relvados introdução da água também pode contribuir para
centro do espaço. de grande qualidade e o plantio de árvores. É recomendável que “arrefecer” o ambiente.
o desenho do plantio seja informal. A simplicidade no desenho é
Conforto chave para o sucesso. A escolha de espécies de plantas deve ter em conta a sua
Devem ser plantadas árvores de porte significativo no espaço capacidade de resistir a condições climáticas adversas de sol e calor,
público visando criar um sentido de escala e proporcionar sombra. A zona da marginal constitui uma oportunidade especial em bem como a uma possível escassez de água.
A área localizada por baixo da copa de uma árvore tem a tendência termos de espaço. A orla marítima serve de atractivo natural para
de ser a mais utilizada para actividades informais (encontro com os as pessoas e funciona como um recurso recreativo e visual valioso. Estacionamento de Viaturas
amigos, pessoas a assistirem, etc.); O espaço aberto e o acesso à água são características que devem
ser preservadas ao longo das ruas que terminam na orla marítima. Um dos aspectos mais importantes para se tornar uma zona turística
Devem ser utilizados materiais de pavimentação com cores escuras num espaço de qualidade para as pessoas é a forma como se cuida
para reduzir o brilho e o reflexo do calor. A utilização de materiais Espaços Públicos Interiores da questão do estacionamento. Uma zona turística não pode ter
de pavimentação especiais irá criar uma sensação de riqueza e de uma orientação para pedestres, uma diversidade concentrada de
interesse visual. Devem ser utilizadas arte, esculturas e bandeiras Nos desenvolvimentos que terão lugar no futuro, galerias, átrios usos ou uma continuidade de actividades ao ar livre se a questão
públicas para estimular e agradar os sentidos. e arcadas constituem espaços sociais interiores e ligações para de estacionamento for considerada a mais prioritária. Embora seja
pedestres, que contribuem para tornar a área mais interessante e essencial espaço de estacionamento conveniente e adequado, este
Qualidade e Simplicidade agradável para os que fazem compras, os residentes e os visitantes. deve minimizar a área necessária.
Ao desenhar a praça, é importante reconhecer a qualidade de A luz, as plantas, os efeitos de água, as montras das lojas e os cafés
todas as escalas, desde o conceito global até ao mais pequeno podem conferir energia a estes espaços, criando uma identidade Para minimizar o impacto do estacionamento na qualidade visual, a
detalhe. A mais alta qualidade possível dos materiais e dos comercializável para os projectos individuais e uma nova dimensão parte frontal do estacionamento nas principais rotas e nas
detalhes traduzirá a manifestação de preocupação em relação aos para uma zona turística. A visibilidade e a acessibilidade a partir da principais ruas para pedestres deve ser rigorosamente controlada.
valores humanos, assim como a durabilidade e a possibilidade de rua são cruciais para garantir que os espaços públicos interiores Os parques de estacionamento devem ser desenhados de modo a
manutenção. Os elementos básicos tais como pavimento, árvores, sejam correctamente utilizados. operarem com eficiência, mas o seu aspecto deve, igualmente, ser o
bancos para sentar e iluminação devem merecer toda a prioridade. mais atractivo possível.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 19


4.4 Estruturas Removíveis e Pavimentação das
Ruas
As zonas para sentar devem geralmente estar protegidas das Todo o tipo de publicidade deve estar sujeito a um controle
A regra “não é o que se faz, mas sim a forma como se faz” é principais rotas para pedestres e satisfazer as preferências dos que rigoroso.
provavelmente a mais importante no apetrechamento dos espaços gostam mais de estar ao sol e dos que optam pela sombra. Se o
urbanos. Os espaços urbanos são as nossas salas de estar fora de espaço para sentar estiver localizado na rua, estará melhor que seja Pavimentação
casa e a escolha de mobiliário e, em especial, a maneira como ela é numa zona ampla para pedestres, orientada perpendicularmente à
colocada, são elementos cruciais para o sucesso ou fracasso visual estrada, criando assim oportunidade para as pessoas que queiram A escolha da superfície constitui um elemento crítico. A selecção
do meio circundante. apenas apreciar o ambiente. É importante que o espaço para sentar deve estar relacionada com os utentes da área, como por por
seja organizado não obedecendo a uma ordem geométrica, mas exemplo, o movimento de viaturas, os pedestres, a utilização dupla,
Estruturas Removíveis da Via Pública antes à maneira como as pessoas irão apreciar o local. os espaços para sentar, o espaço de estacionamento e o espaço
para o plantio de árvores, devendo ser esta ser consistente. Os
Na rua devem ser utilizadas estruturas removíveis (street furniture) Recipientes para o Lixo materiais e o aspecto dos edifícios que a ladeiam devem
e materiais da mais alta qualidade. Os elementos fundamentais de ser tomados em consideração. É uma questão de utilização
um ambiente público de qualidade – bancos, árvores, Pode-se criar um vocabulário que alie outros artigos essenciais às equilibrada, mantendo qualidade física em termos da durabilidade,
iluminação e pavimentação – devem merecer primeira prioridade. estruturas removíveis da via pública, simplificando-se deste modo textura e padrão.
A manutenção deve ser considerada com base na estratégia inicial o problema geral de coordenação. A escolha dos materiais deve
de financiamento de capital. estar em harmonia com os materiais dos edifícios locais. Pedra Os desenhadores e arquitectos por vezes caem na armadilha de
reconstituída ou cimento agregado exposto e fácil de limpar considerarem o planeamento do espaço para pedestres em duas
Foram definidos cinco critérios, os quais devem ser considerados constituem a opção óbvia para as cidades. dimensões – como uma planta – normalmente facultando um
no processo de selecção das estruturas removíveis da via pública. desenho interligado e geométrico no pavimento. Este é um
A regra óbvia é colocar os recipientes para o lixo próximo dos aspecto que é tratado com apatia pelos verdadeiros utentes das
A adequação para o efeito é claramente um factor crucial. A pontos de produção deste, em posições que permita a sua zonas para pedestres. Deve-se fazer menos e melhor, ao mesmo
sinalização tem o tamanho suficiente ou é demasiado grande para integração com outros elementos das estruturas removíveis da via tempo que se criam ambientes simples, não congestionados, mas
a sua função? Os bancos são confortáveis e têm um bom aspecto? públicae onde este possa ser facilmente recolhido. de alta qualidade.

O tamanho e a escala são aspectos que nem sempre são Suportes e Floreiras O objectivo deve ser melhorar e complementar as estruturas
devidamente considerados na selecção das estruturas removíveis existentes, ao invés de exibir um virtuosismo visual excessivo, que
da via pública. Tal como acontece com os outros elementos, a coordenação e pode, algumas vezes, depreciar o panorama existente.
simplicidade são as disciplinas mais eficazes, em particular no que
Os materiais e o seu impacto psicológico são importantes. Um diz respeito ao desenho dos suportes, plantas e floreiras. Ruas Memoráveis
banco de cimento parecerá, certamente, mais pesado que outro de
madeira, mesmo que os dois sejam do mesmo tamanho. Nos sítios em que sejam necessárias barreiras modernas para Uma série coordenada de melhorias pode atribuir a uma zona
proteger os pedestres deve-se optar por algo simples, arrojado turística um carácter especial e acolhedor, sendo que a utilização
A manutenção é claramente um factor importante. e robusto. Alumínio com um acabamento adequado, ferro, aço e de desenhadores e artistas locais pode produzir muito a partir de
madeira são as várias possibilidades que podem ser usadas. Um recursos financeiros limitados. A arte pública incluindo a utilização
O equipamento e acessórios merecem consideração, na medida em simples tubo de aço dobrado para formar o poste e o corrimão de esculturas, fontes e trabalho gráfico nos edifícios pode
que a multiplicidade de usos e a flexibilidade podem podem constituir uma barreira suficiente em alguns locais. tornar-se um dos temas de identificação de uma zona turística. Até
melhorar a versatilidade e reduzir o número e diversidade de as componentes utilitárias do ambiente urbano – caixas de
suportes necessários. Publicidade e Painéis inspecção, bocas-de-incêndio, vedação e sinalização/painéis
publicitários – podem tornar-se arte quando cuidadosamente
Lugar para Sentar Os painéis publicitários são muitas vezes colocados em locais onde concebidos.
causam obstrução da visão panorâmica, ou então não respeitam
Embora um amplo espaço adequadamente concebido para as os edifícios adjacentes. É importante equilibrar as receitas proven- Para além de apoiar a identidade da parte baixa da cidade, a
pessoas se sentarem seja importante para aumentar o nível de ientes da publicidade com considerações sobre a paisagem da ci- arte pública pode contribuir para humanizar o ambiente. Pode
conforto de uma zona turística, a rua nem sempre é o melhor dade, pelo que os painéis só devem ser colocados onde não criem introduzir um sentido de humor e adicionar significado à zona.
local para tal. As oportunidades para sentar podem ser criadas no qualquer obstrução visual. Os locais considerados apropriados para Bandeiras, cartazes, novos painéis e toldos ou coberturas de cores
desenho dos edifícios, parques e praças utilizando-se saliências, grandes painéis e espaços publicitários visam o seguinte: garridas podem contribuir para tornar o local mais memorável,
degraus e muros, ou mesas e cadeiras móveis e bancos mais amigo do utilizador e agradável de se visitar. As luzes das estradas e
convencionais. • Proteger edifícios esteticamente pobres os efeitos especiais de iluminação a um custo relativamente baixo
• Proteger infraestruturas de grande dimensão e pouco podem fazer edifícios comuns parecerem mágicos e contribuir para
atractivas. fazer com que a zona pareça mais alegre e segura à noite.
• Quebrar a monotonia de grandes fachadas vazias quando o
espaço é desenhado como parte do edifício.

20 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2
4.5 Novo Desenvolvimento 4.6 Iluminação das Zonas Turísticas
Preenchimento do Desenvolvimento Efeito dos Edifícios Altos A iluminação dos espaços e dos edifícios é uma forma de arte mas,
São a seguir apresentados alguns princípios básicos sobre o ao mesmo tempo, uma ciência com muito mais características
O preenchimento do desenvolvimento, que repara e fortalece o desenho localização: intrínsecas do que apenas escolher padrões de candeeiros
tecido urbano eliminando as lacunas criadas por parcelas atractivos e calcular o espaço adequado para os mesmos. O
desocupadas e pelo estacionamento de superfície, constitui uma • Os edifícios altos não devem estar localizados em zonas verdadeiro desafio é entender o que realmente se pretende
prioridade de desenvolvimento. A coluna pedestre, as rotas onde possam prejudicar uma paisagem coerente e de alcançar. Por exemplo, queremos mesmo que cada rota seja
principais e as ruas locais constituem a prioridade para o mérito da cidade. iluminada com a mesma intensidade luminosa de brilho? Seria
preenchimento do desenvolvimento. Os edifícios concebidos para • Os edifícios altos podem agregar valor ao drama do efeito melhor possuir uma iluminação ao longo de uma rota que
preencher espaços devem ser desenhados de modo a fortalecerem visual dos edifícios da cidade. Eles devem, portanto, ter aumentasse gradualmente até um máximo? A luz pode mudar de
as características positivas da arquitectura e do tema existentes na uma localização cuidada, para enfatizar um local ou definir cor – para assinalar alguma coisa. Temos alguns edifícios chave
zona turística. uma área. especiais que, se forem iluminados correctamente, podem
• Preferencialmente, os edifícios altos devem localizar-se melhorar a imagem da zona.
Uma mistura de edifícios antigos e novos pode conferir variedade, numa área onde enfatizem um ponto de entrada ou
interesse e profundidade ao carácter visual de uma zona turística. definam o limite de uma paisagem chave. O desenho correcto da iluminação de exteriores exige uma
Do mesmo modo, os contrastes fortes no desenho do edifício • Os edifícios altos devem localizar-se apenas onde não sensibilidade especial em relação às qualidades do local.
podem ser interessantes e dramáticos quando criam pontos focais afectem adversamente o ambiente em termos de criação
e marcos significativos. Mas para ser eficaz, a estrutura de de sombra excessiva e de efeitos causados pelo vento: os Iluminação de Edifícios
contraste deve ser estabelecida dentro de um contexto locais particularmente sensíveis são os espaços públicos
relativamente calmo de edifícios semelhantes. Nas áreas pequenas, abertos. Os edifícios históricos, com ricos detalhes arquitectónicos e
os grandes contrastes devem ser introduzidos com precaução, • Os edifícios altos são muito proeminentes, pelo que o seu pontos de foco podem tornar-se de realce proeminente quando
como forma de evitar destruir a ordem existente. Para que os design deve ser da mais alta qualidade arquitectónica em iluminados à noite. Os novos edifícios de interesse arquitectónico
edifícios que serviram para preencher os espaços sejam termos de forma e detalhe. devem articular-se à noite através de iluminação apropriada. Os
compatíveis com o desenvolvimento existente, estes devem ser investidores e arquitectos devem ser encorajados a considerarem a
reforçados com elementos que criem ligações no desenho. Cada contribuição nocturna do edifício logo numa fase inicial. Os
quarteirão e cada rua terão o seu próprio vocabulário. edifícios destinados ao entretenimento são uma chave para a
utilização nocturna e, por isso, necessitam de uma apresentação
Novo Desenvolvimento de Grande Envergadura acolhedora e resplandecente após o escurecer.

O principal desafio ao desenhar grandes projectos de Em conjunto, a água e a luz criam uma imagem memorável à noite.
desenvolvimento é a integração, com sucesso, de estruturas de Os novos desenvolvimentos na marginal, em particular os
grande dimensão no contexto existente. É fortemente destinados ao uso público, deverão explorar este potencial.
recomendada a utilização de relatórios do desenvolvimento com
propostas revistas pelo Painel de Revisão do Desenho para os sítios Iluminação para Segurança
chave dentro de zonas turísticas, como é o caso da Ilha de
Moçambique. À noite, as zonas turísticas devem ser entendidos como locais que
atraem pessoas. As principais rotas utilizadas por pedestres devem
Definição de Limites de Altura Apropriados estar bem iluminadas. Os espaços devem apresentar esta vitalidade
nocturna para que possam ser bem utilizados. Estas zonas turísticas
Vários aspectos determinam a altura máxima adequada de um devem constituir um espectáculo nocturno. Devem ser julgadas a
novo desenvolvimento. Uma questão importante será determinar a noite e durante o dia, sendo vital que os novos desenvolvimentos
capacidade de acomodar um maior volume de tráfego e a procura contribuam para a sua imagem nocturna.
de estacionamento sem afectar negativamente a qualidade do
ambiente ao nível da rua, a identidade global e a escala humana da
zona turística. Contudo, a análise não deve ignorar o facto de que
o tratamento que se dá ao desenho ao nível da rua ser tão impor-
tante quanto a altura do edifício.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 21


Introdução

5
O Plano de Acção Comunitário (PAC) desempenhará um papel pre- Caso a comunidade não esteja interessada ou empenhada, é
ponderante em todo o Programa de Desenvolvimento do Turismo melhor utilizar os recursos em projectos de desenvolvimento
no Norte de Moçambique. O Plano de Acção Comunitário (PAC) comunitário em outros lugares. Embora no geral, as comunidades
providenciará às comunidades locais a oportunidade de darem a locais nas PAIs sejam receptivas aos benefícios do turismo, é
conhecer aos planificadores, investidores e políticos os seus provável que os residentes das comunidades não entendam todos
sentimentos e receios, esperanças e aspirações, sugestões e os aspectos envolvidos e qual poderá ser o potencial. A tabela 1
preferências. O PAC é essencialmente dinâmico, proactivo, implica ilustra exemplos de actividades, produtos e serviços, etc. que a

PLANO DE colaboração e baseia-se nas comunidades. Todavia, não comunidade pode considerar desenvolver como forma de
constitui alternativa à planificação convencional. Pelo contrário, é complementar o seu projecto central e de obter benefícios.

ACÇÃO
um acréscimo valioso ao processo de desenvolvimento.
Tabela 1: Oportunidades de Experiências das Comunidades

COMUNITÁRIO
Neste documento, são sugeridas as componentes do processo PAC,
que podem ser aplicadas a cada uma das Potenciais Áreas de Canoagem, passeios de barco, caminhadas, pesca.
Histórias, lendas, mitos das aldeias.
Investimento do Turismo (PAIs), às Áreas de Acção do Turismo
Observação da fauna bravia, observação de pássaros.
(AATs) e aos projectos turísticos comunitários noutros locais do Construção de barcos.
Norte de Moçambique. Actividades Gastronomia.
Artesanato (potes, escultura em madeira, fabrico de esteiras /
cestaria).
5.1 Preparação do Cenário Confecção de roupa tradicional.

Apresentações Arte.
Será importante encorajar a participação alargada das Estáticas / Edifícios Centros de recursos / interpretação, centros de informação (por
comunidades no desenvolvimento do turismo nas PAIs. Por vezes, exemplo, nas lojas, nos quiosques).
as pessoas que se encontram fora das comunidades assumem que Edifícios históricos.
os residentes locais estão satisfeitos com a ideia de se envolverem Atracções vivas (tours, etc.).
no turismo ou em outras actividades novas. Na realidade, é melhor
discutir com a comunidade as ideias que foram concebidas para Espectáculos Danças de diferentes tipos.
a zona, de forma preliminar, com o objectivo de permitir que os Canções, música.
residentes comecem a assimilar a informação, ter discussões no seu
seio e procurar saber quais são as etapas seguintes. Prataria (joalharia).
Olaria (carece de revitalização).
Produtos e Confecção de roupa.
Neste ponto, seria útil Preparar o Cenário (Tabela 1) e realizar Artesanato Mobília antiga.
discussões sobre os seguintes aspectos: Escultura em madeira.
Cestaria (cestos, carteiras, chapéus etc.).
• O que consta no quadro de Planificação e Desenho
Conceptual do Uso da Terra em relação à sua área. Peixe fresco (pesca, captura, limpeza, venda, corte).
• Explicação sobre a vinda de turistas e o que eles procuram. Chás de ervas, medicamentos à base de ervas - explicação, ensino.
Decisão, em princípio, sobre o seu interesse em envolver Alimentos Baseados Legumes (mercados das aldeias).
em-se no no turismo. na Natureza Fruta – todas as variedades tropicais, de plantações ou de cultivo
• Que tipo de projectos foram implementados em outros doméstico.
locais.
Feiras (semanais).
• Quais os possíveis benefícios em termos de conservação.
Eventos Outros (espectáculos, relacionados com as escolas, feiras,
• Que outras opções existem para o desenvolvimento mercados, mostras de artesanato, eventos desportivos).
sustentável na área ou região. Históricos (festivais).
Festivais (dança).
Operadores turísticos (para este destino, de recepção, específicos
ao sítio), turismo temático.
Serviços Actividades físicas, trilhos naturais, passeios históricos e culturais,
passeios ambientais, dança.
Alojamento, pensões, pequenos lodges, campismo.
Lojas e mercados (comes e bebes, artigos de conveniência – água,
bebidas não adocicadas).
Transporte.

22 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2
5.2 Etapas do Plano de Acção Comunitário

A planificação do turismo comunitário terá de obedecer a uma 1. Desenvolver a Visão e Metas Uma discussão cuidadosa das ideias e sugestões de todos ajudará a
série de etapas. A tabela 2 apresenta um resumo de uma série definir as metas do projecto. É igualmente útil falar com as
lógica de etapas a serem seguidas na planificação do turismo A comunidade poderá não utilizar termos como ‘visão’. Contudo, pessoas para apurar o que é importante para a comunidade,
comunitário. As etapas não têm de ser seguidas na ordem um projecto começa com algumas pessoas com uma visão - um analisar quaisquer outras questões, o que está planificado para a
apresentada, uma vez que algumas tarefas poderão já ter sido sonho prático sobre como uma área local específica pode trazer área do projecto e pensar sobre possíveis ligações com o Programa
realizadas em algumas comunidades. Note-se que enquanto as benefícios económicos, conservação e prazer aos visitantes. Este de Desenvolvimento do Turismo. Tal ajuda a estabelecer os
Etapas da Planificação estão indicadas a seguir, as actividades constitui um bom ponto de partida. As visões podem direccionar requisitos gerais e a visão geral da participação e envolvimento
importantes encontram-se nas componente de Preparação do os esforços para objectivos específicos. As visões claras podem das comunidades no turismo, com base na revisão e no conceito
Cenário e na componente de Comunicação deste guião. Esta ajudar os grupos a entenderem e a apoiarem os esforços de contido nas PAIs, AATs, bem como em posteriores visitas aos sítios e
última é particularmente importante, uma vez que é necessária desenvolvimento e de conservação. processos de consulta.
uma melhor comunicação entre as diferentes agências, governo,
intervenientes e o público em geral. É necessário que existam líder(es) ou defensor(es) do projecto. Isto
não significa que um perito decide o que é necessário e depois
lidera. Significa que as ideias desenvolvidas e acolhidas pela
comunidade não estão dependentes de uma única pessoa e que
não colapsam se pessoa estiver ausente. Pessoas diferentes podem
ser activas em diferentes alturas e encontrar motivação nos
objectivos definidos por iniciativa das comunidades.
Tabela 2: Guia do Plano de Acção Comunitário
2. Identificar Intervenientes e Envolver Potenciais
Parceiros
PREPARAÇÃO DO CENÁRIO PLANIFICAÇÃO COMUNICAÇÃO

Uma abordagem de colaboração pretende proteger os


Examinar as AATs 1. Desenvolver uma visão e objectivos Manter os seus recursos humanos recursos conjuntos, os conhecimentos e o entusiasmo, em direcção
à realização de um objectivo comum. É importante lembrar que
todos os parceiros devem colher algum benefício do projecto. A
Decidir se um Projecto turístico lhe 2. Identificar parceiros e intervenientes Trabalhar com os parceiros ideia de parceria não se refere apenas à partilha dos benefícios,
é benéfico
mas também das oportunidades. O que surge primeiro: o projecto
Conhecer os seus visitantes 3. Clarificar os objectivos do projecto Envolver a sua comunidade ou um grupo de trabalho? Não faz diferença, qualquer um pode
surgir primeiro. O que é importante é convidar interesses
seleccionados para a “mesa”. O governo aos níveis provincial e local
Aprender dos outros 4. Inventariar os recursos Comunicar com os visitantes deve ser envolvido ainda na fase inicial, o mesmo se aplicando a
quaisquer grupos proeminentes na comunidade cujos objectivos
5. Identificar questões ou preocupações Comunicar com os media pareçam sobrepor-se aos do projecto inicial.

Os parceiros ou membros do grupo sugeridos para o projecto


6. Analisar a viabilidade Celebrar os seus sucessos podem ser proprietários de terras locais, pescadores, agricultores,
os que possuam alojamento para visitantes, a indústria turística,
grupos de conservação, funcionários eleitos, representantes
7. Preparar e realizar acções de formação
religiosos, representantes provinciais, naturalistas, comunidade
financeira, líderes de opinião. Os projectos têm mais força quando
8. Determinar sítios chave necessários para contam com o apoio de muitas pessoas/grupos e não de apenas
o desenvolvimento um interveniente ou grupo comunitário. É importante envolver
9. Estabelecer e manter ligações todos desde o início do processo, como forma de conseguir a sua
adesão e beneficiar das habilidades e contributos logo que
possível, assim como da sua contribuição para a resolução de
10. Desenvolver e implementar o projecto questões locais.

11. Monitorar e avaliar

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 23


Os parceiros devem beneficiar do projecto, mas devem igualmente Tabela 3: Diferentes Formas de Envolvimento das Comunidades no Turismo
prestar algum contributo (apoio, materiais, serviços ou produtos
em espécie, publicidade, formação, assistência técnica, trabalho Tipo de Empresa /
voluntário, etc.). O aspecto principal é ter o tipo de parceiros certo Natureza do Envolvimento Local Exemplos
Instituição
– os que irão defender os objectivos do projecto. Podem também Empresa privada gerida Emprego. Pessoal da cozinha de um lodge.
contribuir para satisfazer as necessidades de financiamento. por pessoas de fora Fornecimento de bens e serviços. Venda de produtos alimentares, materiais de
construção

O dinheiro poderá ser necessário para o seguinte:


Empresa ou operação do Posse de empresas. Venda de artesanato, quiosques de comida, parque de
• Distribuição de correspondência e informação sector informal gerida por Auto-emprego. campismo, estadias em casas (aluguer de quartos).
• Publicidade (eventos e actividades) pessoas locais Fornecimento de bens e serviços. Serviços de guia.
• Logística ligada a eventos (aluguer, etc.) Venda de lenha, vendedores ambulantes
• Custos administrativos (fotocópias, consumíveis)
• Contratação de especialistas
• Acesso à informação (e-mail, relatórios) Empresa comunitária Posse colectiva. Parque de campismo comunitário.
• Acessórios para projectos (materiais as de construção, fer Gestão colectiva ou individual Centro de artesanato.
ramentas, equipamento) Fornecimento de bens e serviços. Centro cultural / fortaleza / museu.
Emprego ou mão-de-obra. Pensão.

Sempre que possível, deve ser dada aos visitantes a oportunidade Joint venture entre a Compromissos contratuais ou Partilha de receitas do edifício histórico, lodge e /ou
de contribuírem para os custos dos recursos/programas que são comunidade e o operador partilha da posse. operador turístico com as comunidades locais em
disponibilizados para seu uso e prazer. Em muitos projectos, é privado Partilha das receitas. condições acordadas.
comum não serem cobradas taxas directamente aos visitantes Lease / investimento dos recursos. Leases comunitários, terra / recursos / concessão para
(embora sejam efectuadas cobranças se for utilizado um pacote de Participação na tomada de o edifício histórico / lodge/operador turístico.
uma agência de viagens). Também é raro que as empresas/ decisões. Comunidade detém capital no edifício histórico / lodge/
pessoas singulares que beneficiem da presença de visitantes (lojas, operador turístico.
restaurantes, alojamento, bombas de gasolina, etc.) contribuam
directamente para os potenciais custos sociais e ambientais das Órgão / agência de Consulta. Consulta local em planificação do turismo regional.
actividades dos visitantes. Contudo, os projectos comunitários planificação do turismo Representação. Representantes das comunidades no conselho do
constituem uma boa oportunidade para o envolvimento dos Participação. turismo e na planificação.
visitantes.

Poderá haver diferentes formas de envolvimento das


comunidades no turismo – as opções não são simplesmente
“pessoas de fora a operarem ou a explorarem a comunidade” ou
“apropriação das comunidades”. As empresas e agências externas
podem ser parceiros muito positivos. Formas de envolvimento das
comunidades no turismo são apresentados na Tabela 3.

24 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2

3. Clarificar os Objectivos do Projecto São seguidamente apresentadas perguntas que podem ser úteis • Acordos com operadores turísticos sobre o número e
para a descrição do uso e para efeitos de interpretação: composição dos grupos que a comunidade pretende.
É importante que desde o início do • Códigos de conduta.
projecto todos estejam esclarecidos sobre os seguintes aspectos: • Que instituição/agência ou entidades singulares • Qualidade dos produtos oferecidos ou vendidos aos
administram o sítio/área proposta? visitantes.
• O que deve ser o projecto. • Que tipo de protecção ou designação foi dada ou • Delimitação formal ou informal das áreas onde os visitantes
• A melhor forma de envolver a comunidade e trabalhar em poderia ser dada ao sítio? estarão autorizados a entrar.
conjunto. • Que desenvolvimentos, caso existam, nas áreas de
• O que deve ser evitado. transportes, comércio ou entretenimento estão Algumas perguntas para a análise das questões incluem:
• Princípios. planificados para o sítio?
• Quais são as prioridades. • Que restrições se aplicam ao sítio, por exemplo, • O quê? O quê ou quem está a ser afectado e até que
posturas relativas ao uso da terra ou planos municipais? ponto? Que informação está disponível? A informação é
• Existe acesso público ao sítio? conflituosa? Existe uma base jurídica? Qual é o significado
A definição de objectivos é útil na implementação de projectos. • Que processos naturais se registam no sítio (cheias, do projecto?
É igualmente importante saber com clareza o que as pessoas não ciclos de doenças, sucessão de plantas)? • Quem? Quem está envolvido na questão? Quem tem
querem. O tempo que se leva a acordar sobre os objectivos pode • Que zonas são críticas para os pássaros que usam o responsabilidades? Os valores são conflituosos? Como é
variar com a dimensão do projecto, o número de pessoas ou sítio (por exemplo habitat de nidificação, áreas de que cada parte se relaciona com a outra? Como é que esta
grupos envolvidos e o número de questões a serem tratadas. permanência temporária)? questão pode ser abordada?
• Que áreas são críticas para que outra fauna bravia use o • Onde? Onde é que isto ocorre? Os seus efeitos são
4. Inventariação de Recursos, Gestão e Usos sítio? generalizados?
• Que plantas ou animais usam o sítio (espécies, • Quando? Quando é que a questão ocorre ou ocorreu?
É importante entender as características chave da zona, os seus mudanças sazonais, raros e em perigo de extinção)? Trata-se de uma ocorrência lenta e constante, ou de uma
recursos, problemas, quem são os gestores dos recursos bem como ocorrência imediata e muito dramática?
o actual uso e usuários da terra. Normalmente, as pessoas bem 5. Identificar Questões ou Preocupações • Porquê? Porquê tal acontece? Existe uma causa que possa
informadas residentes no local são suficientes para efectuarem um ser facilmente identificada?
inventário, ao qual se adicionam a informação e os relatórios do Esta etapa pretende apoiar numa avaliação realista do potencial • E depois? Analise como o conhecimento destas questões
governo/agência. Qualquer informação sobre o valor científico ou para a realização com sucesso de actividades turísticas, com o pode ser utilizado de maneira positiva para sensibilizar
outro dos recursos deve ser mencionada, uma vez que é de objectivo de evitar possíveis problemas. Os directores/ o turista sobre as interligações ecológicas, culturais ou
interesse para os turistas. A informação sobre o uso dos recursos coordenadores locais dos projectos devem entender o impacto outras.
pode, em circunstâncias normais, ser recolhida ao mesmo tempo que os visitantes poderão ter sobre o sítio, o que provoca o
que as actividades de inventariação dos recursos. Descrever os desgaste, que recursos são frágeis e que zonas devem ser 6. Analisar o Potencial e a Viabilidade
recursos naturais e os sistemas Ecológicos, apresentando uma visão protegidas. Devem também estar cientes de questões culturais
geral das características relevantes para o turismo e a interpretação e de outra natureza que digam respeito à comunidade local e ao Para que os projectos sejam viáveis e realistas, devem basear-se
cultural da paisagem/história. Registar as características de inter- proprietário/gestor dos recursos turísticos. num entendimento dos mercados e em como colocar
esse para os visitantes e relevantes para o turismo. efectivamente o produto oferecido no mercado. Um projecto pode
Em várias comunidades e sítios de outros países existem ser desenvolvido de diferentes maneiras. Por exemplo, pode ser
É igualmente útil obter mapas. Toda a informação deve ser actividades ou usos da terra incompatíveis. Por exemplo, o desenvolvido em conjunto com os operadores ou guias turísticos
resumida e, onde apropriado, mapeada. Muitas vezes, os relatórios sector formal e informal de alojamento, o surgimento de pequenas comerciais; ou com indivíduos ou agências não comerciais que
já apresentam o material num formato útil. Os mapas devem lojas ou barracas próximo de uma atracção turística, guias pretendam atrair visitantes que tenham vindo efectuar uma visita
indicar os proprietários, os locais de acesso e quaisquer planos licenciados e vendedores ambulantes. É provável que surjam de um dia, ou que estejam só em trânsito; ou pode ser mais
conhecidos (por exemplo, destinados ao desenvolvimento ou questões e conflitos em relação a determinada porção de terreno. orientado para a conservação dos recursos. Pode ser independente
adjacente aos recursos). Estes mapas constituem a base de Estes conflitos podem ser de difícil solução. Contudo, sempre que ou muito integrado num sistema regional ou de maior dimensão.
planificação do projecto, informação ao público e delimitação um indivíduo ou grupo faz parte de um problema, esse indivíduo
geográfica do projecto. ou grupo deve fazer parte da solução. Por isso, é importante que Alguns exemplos de perguntas que contribuem para aperfeiçoar o
estes estejam envolvidos no processo. Normalmente, não são as conceito de um projecto para um estudo de viabilidade:
Deve-se preparar um levantamento de todas as organizações “pessoas de fora” que têm as repostas para os problemas, mas sim
intervenientes e de quaisquer actividades turísticas/oportunidades os que os enfrentarão no futuro que têm as ideias e soluções. Todas • Quais são as principais opções para o projecto turístico?
baseadas na comunidade, para se entender as características das as partes devem ser envolvidos na análise dos problemas. • Quais são as vantagens e desvantagens de cada opção?
comunidades e dos intervenientes da zona. • As actividades poderão atrair visitantes?
Poderá ainda haver questões relacionadas com a atracção de • Que atracção intrínseca a zona tem para os mercados? E
visitantes com sucesso, salvo se houver um acordo sobre como que mercados?
geri-las, nomeadamente:

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 25


• São necessárias autorizações/licenças para qualquer dos • Capacidade de resistir às visitas – os ecossistemas ou 10. Desenvolver e Implementar o Projecto
elementos do projecto? habitats frágeis e com espécies sensíveis não devem ser
• Que condições/instalações são necessárias e onde? seleccionados, excepto quando o uso público puder ser Após a aprovação do projecto de desenvolvimento, as
• Quais seriam as épocas propícias para as visitas? restringido ou gerido de tal forma que não prejudique os necessidades em termos de condições/instalações necessárias
• Qual seria o número máximo de visitantes previsto/ valores naturais do sítio. podem ser decididas dentro ou ao redor da comunidade, ou ainda
pretendido a qualquer momento? • Acesso razoável – todos os sítios devem ser razoavelmente em determinados sítios. O nível de condições adequadas pode
acessíveis ao público por qualquer que seja o meio selec- variar. A comunidade deve decidir onde e se devem existir
É igualmente importante que sejam satisfeitas as expectativas quer cionado (de carro, a pé, de barco). elementos como: latas de lixo, casas de banho, sinais, trilhos,
da Comunidade, quer dos visitantes, para que se possam • Qualidade cénica – o ideal seria que os valores cénicos de miradouros, sinais de interpretação, quiosques, brochuras, centros
materializar os benefícios do projecto (em termos de alojamento, fauna bravia do sítio não fossem degradados por um uso de acolhimento de visitantes, lojas, visitas guiadas ou quaisquer
alimentação, pagamento e respectivas formas, transporte, da terra visivelmente incompatível (por exemplo lixo outras condições, passeios turísticos ou serviços. Deve haver:
actividades, produtos e lembranças, e distribuição das receitas). A espalhado, lixeiras de resíduos sólidos, etc.).
viabilidade económica depende dos custos, receitas e outros • Acesso legal – se a terra está concessionada a um privado, o • Uma Estratégia de Gestão de Recursos – para decidir
benefícios que a comunidade poderá receber (por exemplo, detentor do direito de uso e aproveitamento deve estar como o projecto será implementado no terreno e que
emprego, assistência técnica, conservação dos recursos ou disposto a garantir, por escrito, acesso público ao sítio. actividades e utilizações serão permitidas. Os mapas e
melhoria das oportunidades de entretenimento das comunidades • Significado – deve ser dada ênfase a sítios de alta qualidade directivas turísticos são úteis. É dada preferência a
e da sua qualidade de vida). ou significativos, sejam eles do património natural ou programas de baixa manutenção. O tipo e nível do turismo
cultural. planificado devem ser apropriados aos recursos naturais e
7. Preparar e Implementar um Programa de Formação em • Conflitos mínimos – deve haver poucas ou nenhumas ao património cultural, e estar em conformidade com os
Habilidades actividades incompatíveis, ou conflitos de usuários. anseios e expectativas das comunidades.
• Interpretação – devem ser envidados esforços especiais • Uma Estratégia de Gestão dos Visitantes – para fazer
Será necessário preparar um programa de desenvolvimento de com vista a promover ou interpretar os valores do sítio, face às várias exigências dos diferentes tipos de visitantes
habilidades para as comunidades piloto destinado às empresas aliá-los às atracções da comunidade/área e ao Programa de e seu impacto. A gestão dos visitantes é muito importante
turísticas da comunidade. Esta tarefa irá incluir a preparação e Desenvolvimento do Turismo do Norte. nas comunidades e nas áreas naturais.
implementação de acções de formação para um programa • Uma Estratégia de Gestão da Interpretação e Informação
alternativo de sustento, desenvolvimento cooperativo e 9. Desenvolver e Manter Ligações – para providenciar informação (aos visitantes que
desenvolvimento empresarial baseado nas comunidades. A pernoitam, ao projecto, sobre os comportamentos,
formação em habilidades relacionadas com as que estão incluídas O objectivo do projecto do turismo comunitário deve ser aliar as actividades, etc.), directivas aos visitantes (códigos ou
no programa deve ser determinada numa fase anterior, no início da oportunidades que se abrem a nível local ao Programa de directivas), educação e interpretação (materiais, sinais, etc.).
fase de formulação do Plano de Acção Comunitário (PAC). Desenvolvimento do Turismo, como forma de aumentar o Deve haver uma variedade de fontes de informação. Por
potencial impacto benéfico. Deste modo, é importante analisar as outro lado, os diferentes tipos de informação de
O programa de formação deverá então ser implementado em ligações a vários níveis: nacional, regional, provincial e local. Após interpretação devem estar virados para a aprendizagem
comunidades seleccionadas, de acordo com os requisitos do a selecção dos sítios e a elaboração dos planos comunitários, deve dos visitantes, mudança do seu comportamento e suas
projecto. A implementação das acções de formação constitui a ser possível identificar: emoções.
tarefa principal, mas pode ser implementada por etapas, • Uma Estratégia Operacional – visando detalhar como o
dependendo do conjunto de habilidades necessárias. Seria ainda • Oportunidades para o uso de temas que complementem a projecto irá funcionar, nomeadamente os prazos, a
útil maximizar um método de formação prático e, possivelmente, estratégia regional. construção, as actividades, a interpretação, recursos
utilizar uma abordagem de formação de formadores para cada • Rotas de acesso para os visitantes (ou propostas de rotas) a humanos, gestão das instalações, transporte, gestão dos
comunidade. vários recursos de interpretação. resíduos e segurança.
• Qualquer ligação potencial de sítios para a introdução de • Uma Estratégia de Marketing – para indicar todas as
8. Definir os Sítios Chave Necessários passeios locais. formas como os visitantes locais e distantes serão
• Qualquer duplicação. informados e atraídos para o projecto. Esta estratégia deve
Alguns projectos comunitários podem ter um maior foco no • Potencial para a distribuição do fluxo de visitantes e uso de ser realista em relação aos mercados, indicar os conteúdos,
património cultural (Ilha de Moçambique, Ilha do Ibo); outros áreas subaproveitadas. os mecanismos de comunicação e os parceiros sugeridos
poderão dedicar-se ao património natural (Baía de Pemba, • Potencial incompatibilidade com outros sítios (por exemplo (por exemplo, acções conjuntas com um operador
Metangula). Os aspectos a considerar na determinação dos sítios sítios culturais, características que necessitem de gestão turístico).
podem incluir os seguintes: especial).
• Fluxo geral de visitantes para e através da zona, das praias, Estes documentos não têm que ser necessariamente sofisticados,
• Oportunidade razoável de visualização de fauna bravia mangais, florestas, campos ou outros sítios. mas devem abordar todos os tópicos.
– grande probabilidade de ver fauna bravia, pelo menos • Potenciais obstáculos ou outros problemas de fluxo.
durante uma ou mais época(s) específica(s). • Caminhos curtos ou mais longos.

26 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


PARTE 2
5.3 Comunicações
11. Monitorar e Avaliar Um problema que se repete e que surge em muitos projectos Tal como se apresenta na Tabela 2, existe um conjunto importante
turísticos baseados nas comunidades é que estes foram criados de actividades de comunicação que são necessárias como parte
A monitoria do projecto comunitário é muito útil para o sucesso, como parte de iniciativas com financiamento e assistência das actividades do PAC (na verdade, em quaisquer actividades
particularmente no que diz respeito às atitudes e satisfação do externos, pelo que tem havido uma tendência de não se dar turísticas). No turismo, as agências e as empresas estão muitas
visitante. Também é útil para a introdução de melhorias, em continuidade aos projectos de forma satisfatória após o fim do vezes centradas na comunicação com os visitantes através de
particular em relação à organização e gestão do projecto. Muitas programa de assistência. Assim, é importante que: planos de marketing. Contudo, todos os intervenientes
vezes, a pesquisa e a monitoria são actividades que podem ser anteriormente mencionados defendem a necessidade de uma boa
levadas a cabo com parceiros. • Se dê tempo razoável a qualquer projecto que beneficiou comunicação:
de assistência para que o fim desta assistência não ocorra
O grau da monitoria depende normalmente da dimensão e demasiado cedo. • Pessoal – podem ser remunerados ou Voluntários, têm
complexidade do projecto. Os objectivos definidos para o • Seja formulada com antecedência“uma estratégia de saída”. direitos assim como responsabilidades e devem ter
projecto numa fase inicial, assim como os seus parâmetros e • Todos os órgãos e parceiros que prestam essa assistência conhecimento do que deles se espera.
questões identificadas, podem permitir a medição dos objectivos façam a transferência de habilidades ou “know-how” às • Parceiros – podem ser para prestar apoio, disponibilizar
sociais, económicos e de conservação. populações locais ao longo do projecto. fundos, assistência técnica, comunicações, formação, etc.,
• Se mantenha uma estratégia de apropriação local a longo sendo que uma comunicação do “obrigado” aos que
A participação contínua das comunidades no processo de prazo. prestaram apoio é sempre bem acolhida.
monitoria acrescenta o sentido de apropriação e, • Se faça uso de qualquer apoio do sector privado, ONGs, • Residentes nas comunidades – muitas vezes, a
consequentemente, as possibilidades de sucesso. A seguir são instituições locais ou nacionais que já esteja em curso. “comunicação informal” é o modo de comunicação usado
apresentadas algumas questões que poderão contribuir para a nas aldeias, mas pode ser necessária uma comunicação
avaliação do projecto. mais formal para que se tenha uma informação exacta, por
exemplo através de reuniões públicas, exposições, montras
Questões úteis na avaliação do trabalho do projecto: ou cartazes na maior loja ou através de uma apresentação
na escola. A comunicação com os residentes contribui para
• Atingiu a sua meta? Em caso afirmativo, como? Em caso sensibilizá-los sobre os benefícios e valores do projecto e
negativo identifique as razões e aprenda. explica o processo, assim como as necessidades dos
• Pode aprofundar os pontos fortes? visitantes.
• Escolheu as acções adequadas? • Visitantes – os visitantes necessitam de informação,
• Ajustou o seu plano à medida que foi avançando? explicação e orientação.
• O que aprendeu para a meta seguinte? • Media – divulgar informação é uma parte importante
• A sua comunidade trabalhou bem em conjunto? de qualquer projecto, seja esta obtida através dos órgãos
• Foram esquecidos alguns interesses chave? de informação locais, regionais, ou nacionais. Os
• Necessita de apoio, por exemplo facilitação de grupos, parceiros como o Ministério do Turismo podem ser úteis
arquivo, administração? nesta matéria.
• Os voluntários mantêm o empenho ou este está a • Uns com os outros – celebrar os sucessos ou principais
perder-se? marcos do projecto (não importa que estes sejam
pequenos) constitui um instrumento importante e positivo
de comunicação para os participantes e os media. Todos
gostam de estar envolvidos com um vencedor.

Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 27


28
APÊNDICES

29
APÊNDICE A 6. Projecções Preliminares do Lucro e Prejuízo
Directivas Gerais de um Pré-estudo de
• Estes devem ser estruturados em diferentes
Viabilidade para a Opção de Lease componentes dos projectos e cobrir um período de 10
anos.
Os aspectos a seguir indicados devem ser incorporados no • Explicação geral e pressupostos aplicados.
Pré-estudo de viabilidade. É recomendável que o investidor/
desenhador discuta o conceito proposto com o Ministério do 7. Descrição da estrutura de propriedade e dos
Turismo e com os departamentos do governo relevantes. aspectos de organização e de gestão do projecto.

1. Informação Geral Uma descrição por alto da estrutura de propriedade e
de gestão. Nome(s), endereço de contacto e
• Descrição geral do projecto e suas diferentes experiência de trabalho do proprietário, do investidor
componentes. proposto e do gestor.
• Localização do sítio e o motivo da escolha.
• Esboço geral das fases relativas às diferentes 8. Número de cópias a ser apresentado
componentes do projecto caso o mesmo seja
executado por fases. Depende da natureza do projecto. Este aspecto deve
ser discutido com os departamentos do governo.
2. Planeamento e Desenho

• Mapas elaborados numa escala apropriada,


identificando os limites do sítio.
• Plantas preliminares elaborados numa escala
apropriada que mostrem:
- a análise esquemática do sítio
- o layout e acessibilidade do sítio
- a quantidade e tipo das principais
componentes
- a altura do edifício
• Nome do arquitecto e do projectista.

3. Conceito de Marketing (caso seja aplicável)

• Mercado alvo (geográfico e demográfico) e número de


visitantes previsto.
• Estratégia de marketing para atrair o número de
visitantes pretendido.

4. Estimativa do Investimento

• Estimativa do custo da preparação da planta, aquisição


da terra, construção, infra-estrutura e paisagismo.
• Estimativa dos custos de operação.

5. Estrutura Financeira/Requisitos de Investimento

• Proposta da proporção capitais próprios / empréstimo.


• Origem do capitais próprios e do empréstimo do
projecto, incluindo as condições gerais aqui anexas.

30 Um Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique


APÊNDICE B 3. Conceito de Marketing (caso seja aplicável) 6. Projecções dos Lucros e Prejuízos
Directivas Gerais de um Estudo de Viabilidade
• Mercado alvo (geográfico e demográfico) e número de • Deve ser feita uma apresentação clara do fluxo de
Completo para a Opção de Lease visitantes previsto. fundos, estruturados em diferentes componentes do
• Estratégia de marketing para atrair o número de projecto e abarcando um período de 10 anos.
Os aspectos a seguir indicados devem ser incorporados num visitantes pretendido. • Explicação geral e pressupostos aplicados.
estudo de viabilidade completo. E recomendável que o • No caso de um projecto turístico constituído por mais
investidor/desenhador discuta o conceito proposto com os de 20 unidades, deve ser feia uma análise do mercado, 7. Descrição da estrutura de propriedade e dos
departamentos do governo relevantes. que deve tomar em consideração a concorrência local aspectos de organização e de gestão do projecto
e estrangeira e que abranja os seguintes aspectos:
1. Informação Geral - o número de unidades; • Descrição da estrutura de propriedade e do órgão de
- a localização; gestão do projecto.
• Descrição exaustiva do projecto e suas diferentes fases - as características e condições oferecidas; • Nome(s), endereço de contacto e experiência de
(ou etapas). - o grau de luxo; trabalho do proprietário, do investidor proposto e do
• Localização do sítio e o motivo da escolha, - o impacto sazonal; gestor.
mencionando a atractividade, a acessibilidade do sítio, - o nível de ocupação;
os serviços etc. - o nível de preços e a média das receitas; e 9. Número de cópias a ser apresentado
• Faseamento das diferentes componentes do projecto e - as tendências existentes e planos para o futuro.
previsão do início e do fim de cada fase. • Uma analise da preferência dos consumidores deve • Depende da natureza do projecto. Este aspecto deve
incluir: ser discutido com os departamentos do governo.
2. Planeamento e Desenho - Pesquisa do mercado alvo em termos de
condições oferecidas, actividades, padrão de
• Mapas elaborados numa escala apropriada, gastos, etc.
identificando os limites do sítio.
• Plantas preliminares elaborados numa escala 4. Estimativa do Investimento
apropriada que mostrem;
- a análise exaustiva do sítio, incluindo a • Estimativa do custo da preparação da planta, aquisição
topografia e as percentagens de inclinação, da terra, construção, infra-estrutura e paisagismo com
drenagem das águas pluviais (através de valas base em custos preliminares realistas.
naturais), paisagem, edifícios circundantes, etc. • Estimativa dos custos do pré-arranque e de operação.
- o layout detalhado do sítio e sua • Faseamento dos requisitos do investimento.
acessibilidade;
- a quantidade, tipo e dimensão das diferentes Os aspectos acima mencionados devem ser acompanhados
componentes; por uma explicação detalhada dos pressupostos.
- a altura e a densidade dos edifícios e a
superfície total de construção; 5. Estrutura Financeira /Requisitos de Investimento
- desenho genérico das diferentes componentes
e localização no sítio; • Proposta da relação capitais próprios / empréstimo.
- os planos para os esgotos, drenagem das • Origem do capitais próprios e do empréstimo do
águas pluviais, eliminação dos resíduos sólidos; projecto, incluindo as condições detalhadas aqui
- o cálculo da utilização dos serviços públicos anexas.
(electricidade, água e telefones); • Comprovativo de um auditor diplomado em como
- os esboços indicando as elevações e as o capital próprio está garantido e garantia, por escrito,
possíveis perspectivas; e dos investidores financeiros.
- o estilo arquitectónico proposto.
• Nome do projectista e do arquitecto. Os aspectos acima mencionados devem ser acompanhados
por uma explicação completa dos pressupostos, indicação e
justificação de qualquer contribuição prevista do governo.

Um Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique 31


32 Quadro para o Desenvolvimento do Turismo no Norte de Moçambique