A LENDA DO GUARDA-CHUVA: Parte 2 De como eu conheci Silvério Dias Em tantos anos de trabalho limpo e sem interferências, nunca

tive que me sujeitar a tal palhaçada. Sou obrigado a escrever sobre a minha história. Tenho liberdade para criticar a quem eu quero e assim irei fazer, mandando que o babaca do Cícero, que me mantém nessa pocilga, seca e poerenta, vá.... e que... Dito isso irei seguir o combinado, ou ordenado. Quão mais cedo terminar isto mais cedo estarei livre. Ai do maldito se não cumprir a parte dele! Terá que ser tratado por um Deus para que consiga restituir tanto o corpo quanto a alma. Sou Minerla, membro da sociedade mística existente na terra há milênios. Sou um mago e digo que sou um dos melhores. Sou da elite de uma corporação de magos que atuam no mundo, porém especialmente no Brasil, especialmente em Brasília. Somos especialistas nas diversas formas de magia e utilizamos sempre esse conhecimento em nossas operações. Mais do que isso violaria um voto profundo, afetando o limite de minha mente, gerando morte imediata. Por isso não prosseguirei. Entretanto posso dizer que dentro dessa corporação sou ativo e participo diretamente de nossas ações. Por isso pertenço a uma elite, composta de poucos membros, não posso contar seu número ou nomes. Trabalho sozinho, assim como os outros como eu, respondo a uma cadeia hierárquica, apesar de que essa pouco me limita, encarregada mais de me comunicar minhas ações, trabalhos ou, como a cultura televisiva nos leva a chamar, missões. Meus equipamentos são minhas habilidades, inteligência, conhecimento mágico, possivelmente uma arma qualquer e um guarda-chuva. Quais desses é o item mais importante? Um agente da C.I.ª talvez dissesse que a inteligência é o que importa. Um fã de x-men exaltaria as habilidades. Eu pessoalmente confio muito na magia. Porém meus superiores acreditam mais em meu guarda-chuva. Incomum? Idiota? Sem sentido? Obviamente que não. Apenas um acéfalo imbecilizado, como o meu captor, iria ignorar a opinião de pessoas inteligentes acerca de um objeto desvalorizado. Quando fui preso nesse barraco, Cícero retirou de mim, inicialmente o revólver. Ele aprendeu a lição. Deve estar com gelo no rosto até agora e quase consegui escapar.., maldita armadilha mágica que me capturou na saída... Quando falamos de magia temos que ter atenção. Nem tudo o que vale para o mundo normal vale para o mundo verdadeiro. Eu utilizei a arma apenas três vezes na minha vida. A magia por outro lado é a atividade diária. O guarda-chuva é quase uma segunda pele. Então prestem atenção e acreditem mais em certas frases como a ‘‘a verdade está lá fora’’ ou ‘‘existem mais coisas entre o céus e a terra do que compreende o jornal das sete ou a novela das oito que só começa à 9’’. Fui ordenado a falar sobre Silvério Dias. R esumindo, de forma a não gastar o meu tempo, ele é um idiota, é um Cícero, ladrão e pior que tudo, um ignorante, que vive sua vida fazendo coisas sem entender o por que! Fui ordenado para fala mais. Devo contar a história. Irei contar a história, um caso, uma sucessão de desencontros. É isso que meu seqüestrador deseja saber e registrar. Quem sabe quer ganhar um prêmio de literatura com meus escritos? Acho que não conseguiria. Estou constantemente trabalhando. Quando termino uma tarefa logo recebo outra. Àquela época meu objetivo era dar um recado. Era apenas chegar em um local específico e bater em uma pessoa específica para provar que minha corporação tinha a possibilidade de atingir essa pessoa e sua corporação. Eu devia provar a fragilidade do meu alvo. Naquela noite deveria então assustar uma pessoa. No final daquela noite havia assustado duas e marcado suas vidas. Uma foi meu alvo. A outra foi Silvério. (continua...)