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Faculdade Visconde de Cairu

ORDENAMENTO JURÍDICO

Salvador 2013

Após o exame pelo Congresso Nacional. decretos. Tais leis são admitidas em casos expressos previstos na constituição. o legislativo e o judiciário. detalhando uma questão sem interferir no texto constitucional.DENILSON FRANÇA DOS SANTOS Ordenamento Jurídico Recebe o nome de ordenamento jurídico todo o conjunto de leis de um estado. definindo-o como uma República Federativa. ainda. formada pela união indissolúvel de estados. destinadas a promover mudanças no texto constitucional. A Constituição da República Federativa do Brasil. em vigor desde 5 de outubro de 1988. os Tribunais Regionais Federais (TRFs) e a justiça federal. pois suas leis estão subordinadas à constituição do estado ao qual pertencem e. o presidente atua como chefe de estado e chefe de governo. Os instrumentos de manutenção e organização do ordenamento jurídico brasileiro são previstos dentro da própria constituição. as medidas provisórias deverão ser convertidas em lei ordinária. o estado brasileiro é organizado em três poderes. medidas provisórias. e que reúne constituição. O chefe do executivo é opresidente da república. cuja função é dar um conteúdo substancial aos temas previstos no texto constitucional. Já o Distrito Federal combina funções de estado e município. No caso do Brasil. resoluções. medidas provisórias. e têm como função principal a elaboração de leis. d. é a lei suprema do país. caso . compõem o poder legislativo. cuja competência legislativa é limitada pelos princípios da carta magna. pela constituição. A natureza destas medidas é temporária e devem ser submetidas ao Congresso Nacional para possível aprovação legislativa. emendas. sendo também eleitos pelo voto popular. municípios e Distrito Federal. b. à exceção daquelas reservadas às leis complementares. A carta magna prevê os seguintes instrumentos: a. No caso do Brasil. Os 26 estados que compõem o país são dotados de autonomia para elaborar suas próprias constituições e leis. que garante um mandato temporário. leis ordinárias. e que também obedece aos termos da Constituição Federal. O poder judiciário se concentra no julgamento e fiscalização do cumprimento das leis. cujos poderes derivam de uma eleição. leis. leis complementares. o Superior Tribunal de Justiça (STJ). utilizadas para regulamentar todas as matérias. editadas pelo presidente da república em situações importantes e urgentes. sendo representado pelos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF). o ordenamento jurídico nacional tem origem na tradição romano-germânica ou civilista. independentes e harmônicos entre si: o executivo. De modo a operar este mesmo ordenamento jurídico de maneira eficiente. Deputados e senadores. Os municípios também gozam de uma restrita autonomia. emendas à Constituição. e possuem uma Lei Orgânica como constituição. etc. c.

aprovadas. cabendo ao Congresso Nacional regular as relações jurídicas que surjam a partir de então.html >. No caso de rejeição tácita ou expressa.oas. . Bibliografia: O ordenamento jurídico brasileiro.org/juridico/mla/pt/bra/pt_bra-int-des-ordrjur. Disponível em: < http://www. perdem a eficácia ex tunc.

critérios classificatórios. tendo em vista a existência de um ordenamento jurídico de uma sociedade. já que a sua existência significa que tal norma é usada num determinado âmbito. A norma fundamental como norma de reconhecimento[editar] A norma fundamental é uma existência de fato. O ordenamento jurídico não se confunde com ordem jurídica. a própria norma fundamental não é relacional. discute-se a unidade e o fundamento do sistema.). Para fundar o ordenamento normativo é necessária a uma norma origem e fundamental. A unidade do ordenamento jurídico[editar] A complexidade de um ordenamento jurídico deriva da necessidade de vários tipos de normas jurídicas e. preâmbulos. Para entender a norma origem e fundamental é possível verificar uma série de argumentos: A norma fundamental como pressuposta[editar] Nessa literatura a norma fundamental é pressuposta pela razão dogmática. A norma fundamental como norma posta . os elementos não normativos (definições. Em consequência. Definição[editar] A compreensão de ordenamento jurídico exige que seja examinada a relação entre as normas jurídicas e. coerente (evitando antinomias) e completo (evitando as lacunas). inclusive. tendo em vista que é validade das condições do próprio pensamento. nesse sentido. para ser eficaz o ordenamento deve ser unitário (com as fontes e normas obedecendo a uma hierarquia). Nesse sentido. isto é o ordenamento jurídico reconhece uma primeira norma hipotética como fundamento das demais normas postas e raciocina baseado nessa primeira norma. em alguma medida é possível sustentar esse conjunto de normas como um ordenamento a partir de sua unidade ou coesão. 1 . como a compreensão do ordenamento jurídico é eminentemente relacional. Nessa compreensão não existe nenhum pressuposto. etc.Conceito[editar] Ordenamento jurídico é o conjunto organizado de normas jurídicas.

a norma fundamental é o fundamento de validade de todas as normas do ordenamento. Entre uma norma que ordena fazer e uma que permite não fazer. não só a exigência de unidade do ordenamento. Essas situações podem se revelar em dois tipos de antinomias:  Antinomias aparentes: as antinomias aparentes ocorrem quando as normas conflitantes aplicam-se em ambitos diferentes. o fundamento de validade e o principio unificador das normas de um ordenamento. O termo que designa tais contradições é a antinomia. mas foram promulgadas em tempos diferentes. Antinomias reais: as antinomias reais ocorrem quando constata que os legisladores manifestam duas vontades contraditórias a respeito do mesmo assunto. em todas essas literaturas. A coerência do ordenamento jurídico Além da unidade do ordenamento jurídico. a qual é. importa discutir uma relação de coerência entre as normas jurídicas. Entre uma norma que proíbe fazer e uma que permite fazer. simultaneamente.  Critérios de solução de antinomias reais:  Critério da superioridade (ou hierárquico): as normas jurídicas constituem um sistema porque são hierarquizadas.A norma fundamental é a uma norma posta pelo poder fundante da ordem jurídica e seu traço é sua imposição pelo poder legitimo e constituinte. é possível admitir a norma fundamental como a primeira de uma ordem hierárquica. É possível encontrar três casos possíveis de antinomias:    Entre uma norma que ordena fazer algo e uma norma que proíbe fazê-lo. É o brocado: lex posterior derogat legi. Todavia. Nesse sentido. É o brocado:lex superior derogat legi inferiori (a norma superior revoga a inferior). Critério da posterioridade (ou cronológico): quando as normas jurídicas conflitantes possuem a mesma força jurídica. Em suma. Portanto.  . trata-se de antinomias que podem ser harmonizadas. existindo entre elas relações de superioridade e inferioridade. Nesse sentido. prevalece a norma mais nova. mas também a exigência de fundamentar a validade do ordenamento exige postular a norma fundamental. importante evitar situações de contradições no ordenamento jurídico.

O que têm de comum entre os dois tipos é que designa um caso não regulamentado pelas leis vigentes num dado ordenamento jurídico. das lacunas ideológicas (de direito a ser estabelecido) para as lacunas reais (do direito já estabelecido). Desta forma. desta forma essa primeira fase tem um caráter estatalista. As relações entre ordenamentos jurídicos[editar] A primeira condição para que se possa falar de relações entre os ordenamentos é que os ordenamentos jurídicos existentes sejam mais do que um. do mesmo nível e gerais. Há tantos Direitos diferentes entre si quantos são os poderes soberanos. deriva da comparação do sistema real com o sistema ideal. isto é. Assim. que afirma a nacionalidade dos direitos que emanam direta ou indiretamente da consciência popular. e a própria. O método de auto-regulação apóia-se particularmente na analogia e nos princípios gerais do direito. a completude significa falta de lacunas. as lacunas próprias são completíveis por obra do intérprete. A lacuna surge da comparação entre o ordenamento jurídico como ele é e como deveria ser. Ainda é possível. Um ordenamento jurídico pode recorrer a dois métodos distintos: heterointegração e autointegração. comum a todos os povos. Alguns teóricos afirmam que a primeira fase do pluralismo jurídico corresponde ao nascimento e ao desenvolvimento do historicismo jurídico. O que as distinguem é a forma pela qual podem ser eliminadas: a lacuna imprópria somente através da formulação de novas normas. A completude é condição necessária para os ordenamentos em que valem estas duas regras: o juiz é obrigado a julgar todas as controvérsias que se apresentarem a seu exame e deve julgalas com base em uma norma pertencente ao sistema. se contrapõem tantos Direitos quantos são os povos ou as nações. isto é. ou seja. Quando ocorre a falta de uma norma se chama geralmente lacuna. ou da lacuna imprópria que. É o brocado:lex specialis derogat legi generali. mediante as leis vigentes. A segunda fase do pluralismo jurídico é aquela que podemos chamar de . é possível falar da lacuna própria do sistema ou dentro do sistema. sem a recorrência a outros ordenamentos e com o mínimo recurso a fontes diversas da dominante. Critério da especialidade: normas do mesmo escalão da pirâmide jurídica prevalece a norma especifica. O primeiro método consiste na integração operada através do recurso a ordenamentos diversos e recurso a fontes diversas daquela que é dominante (a Lei). aquela que regulamenta de forma particular determinados casos. A solução nesses casos é confiada à liberdade do intérprete tendo a possibilidade de eliminar uma ou ambas ou conservar a popupação A completude do ordenamento jurídico[editar] Por completude entende-se a propriedade pela qual um ordenamento jurídico tem uma norma para regular qualquer caso. As lacunas impróprias são completáveis somente pelo legislador. ao direito natural único. verificar situações onde as normas são contemporâneas.

ao lado do Estado e contra o Estado como seitas secretas entre outros. Lisboa: Fundação Calouste. sujeito de direitos e fatos jurídicos. outras questões que compõem também o pano de fundo do quadro conceitual da dogmática. isto é. 1965.. abaixo do Estado como os ordenamentos propriamente sociais. Chaum (Org. Porto Alegre: Fabris. 1997. interpretação e ramos do direito. 2000. direito e linguagem.) Les antinomies em droit. HART. Teoria geral das normas. é uma unidade procurada não contra o positivismo jurídico. Teoria pura do direito. que recolha em unidade todos os Direitos positivos existentes. Norberto. DIMOULIS. Percebemos ordenamentos acima do Estado como o ordenamento internacional e algumas doutrinas da Igreja Católica. até a constituição de um direito positivo universal. KELSEN. o universalismo jurídico ressurge hoje não mais como crença num eterno direito natural. FERRAZ JR. Tercio Sampaio. mas através do desenvolvimento. Bruxelles: Bruylant. 2001. Ir para cima↑ Nesse sentido. de relação em relação. Referências 1.institucional. e esteja não no início do desenvolvimento social e histórico (como o Direito natural e o Estado de natureza). São Paulo: Martins Fontes. BOBBIO. 2004. O conceito de direito. capaz de fundar a validade de todas as normas. Paris: Odile Jacob. 1994. Las piezas del derecho: teoria de los enunciados jurídicos. 1986. Para Norberto Bobbio. decisão. relações entre direito. Barcelona: Editorial Ariel. surgem aqui duas novas questões: uma é saber como. fontes. Qu’est-ce qu’une règle de droit. Hans. Denys de. mas como vontade de constituir um direito positivo único. 4-25. Manuel. Manuel de introdução ao estudo do dirieto: definição e conceitos básicos. e que seja produto não da natureza. há ordenamentos jurídicos de muitos e variados tipos. Hans. São Paulo: Atlas. 2011. Introdução ao estudo do direito: técnica. Tércio Ferraz sustenta que: O problema jusfilosófico da validade das normas envolve. dominação. Dimitri. outra é saber se existe um ponto de Arquimedes no ordenamento. moral e política. BECHILLON. Bauru: Edipro. A primeira questão é a unidade do sistema. até o limite extremo. Referências para o estudo sobre ordenamento jurídico[editar] ATIENZA. a segunda. Herbert. Teoria do ordenamento jurídico. norma jurídica. p. Se a validade é conceito relacional. com retorno à idéia de um Direito natural revelado à razão. PERELMAN. assim. A ideia do Estado mundial único é a idéia-limite do universalismo jurídico contemporâneo. chegamos ao todo normativo como um conjunto globalmente vinculante. KELSEN. 121-140. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. mas da história. justiça. do positivismo jurídico. 2007. mas no fim. de seu fundamento de .

São Paulo: Atlas. Introdução ao estudo do direito: técnica. Tercio Sampaio. . FERRAZ JR.validade. dominação. p. 187. decisão. 2001..