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FCCE

Federação das Câmaras de Comércio Exterior


Foreign Trade Chambers Federation

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos


BRASIL PERU
• 2008 •
ZONA FRANCA

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FCCE

Federação das Câmaras


de Comércio Exterior

Foreign Trade Chambers


Federation

Fédération des Chambres


de Commerce Extérieur

Federación de las Cámaras


de Comercio Exterior
Federação das Câmaras de Comércio Exterior
Federación de las Cámaras de Comercio Exterior

La FCCE es la más antigua Asociación de Clase En un pasado reciente, la FEDERACIÓN DE LAS


dedicada exclusivamente a las actividades de Comercio CÁMARAS DE COMERCIO EXTERIOR – FCCE
Exterior.Fundada en el ano 1950, por el empresario firmó Convenio con el CONSEJO DE CÁMARAS
João Daudt de Oliveira (se debe a él la fundación de la DE COMERCIO DE LAS AMÉRICAS, organismo
Confederación Nacional de Comercio – CNC, 5 años que representa a las Cámaras Bilaterales de Comercio
antes), la FCCE opera, ininterrumpidamente, desde de los siguientes países: ARGENTINA, BOLIVIA,
hace más de 50 años, incentivando y apoyando el trabajo CANADÁ, CHILE, CUBA, ECUADOR, MÉXICO,
de las Cámaras Bilaterales de Comercio, Consulados PARAGUAY, SURINAME, URUGUAY, TRINIDAD Y
Extranjeros, Consejos Empresariales y Comisiones TOBAGO y VENEZUELA. Además de varias decenas
Mixtas a nivel federal. de Cámaras Bilaterales de Comercio afiliadas a la FCCE
La FCCE, por fuerza de su Estatuto, tiene ámbito en todo Brasil, forman parte de la Directoria actual, los
nacional y posee Vicepresidentes Regionales en Presidentes de las Cámaras de Comercio: Brasil-Grecia,
diversos Estados de la Federación, operando también Brasil-Paraguay, Brasil- Rusia, Brasil-Eslovaquia, Brasil-
en el plano internacional, a través de “Convenios República Checa, Brasil- México, Brasil-Belarus, Brasil-
de Cooperación” firmados con diversos organismos Portugal, Brasil-Líbano, Brasil-India, Brasil-China,
de la más alta credibilidad y tradición, a ejemplo de Brasil-Tailandia, Brasil-Italia y Brasil-Indonesia, además
la International Chamber of Commerce (Cámara de del Presidente del Comité Brasileño de la Cámara de
Comercio Internacional – CCI), fundada en 1919, con Comercio Internacional, el Presidente de la Asociación
sede en París, y que posee más de 80 Comités Nacionales, Brasileña de las Empresas Comerciales Exportadoras
en los 5 continentes, además de operar la más importante – ABECE, el Presidente de Ia Asociación Brasileña de
“Corte Internacional de Arbitraje” del mundo, fundada la Industria Ferroviaria – ABIFER, el Presidente de la
en el año 1923. La FEDERACIÓN DE LAS CÁMARAS Asociación Brasileña de los Terminales de Contenedores,
DE COMERCIO EXTERIOR tiene su sede en la Avenida el Presidente del Sindicato de las Industrias Mecánicas y
General Justo nº 307, Río de Janeiro, (Edifício de la Material Eléctrico, entre otros. Súmese aun, la presencia
Confederación Nacional de Comercio - CNC) y mantiene de diversos Cónsules y diplomáticos extranjeros, entre
con esta entidad, hace casi dos décadas, “Convenio de los cuales, el Cónsul General de la República de Gabón,
Respaldo Administrativo y Protocolo de Cooperación el Cónsul de Sri Lanka (antiguo “Ceilán”), y el Ministro
Mutua”. Consejero Comercial de la Embajada de Portugal.

La Directoria
Directoria para el trienio 2006/2009

Presidente

JOÃO AUGUSTO DE SOUZA LIMA

1o Vicepresidente

PAULO FERNANDO MARCONDES FERRAZ

Vicepresidentes Vicepresidente Europa


Arlindo Catoia Varela Jacinto Sebastião Rego de Almeida
Gilberto Ferreira Ramos (Portugal)
Joaquim Ferreira Mângia Vicepresidente Nor te
José Augusto de Castro Cláudio do Carmo Chaves
Ricardo Vieira Ferreira Martins
Vicepresidente Sudeste
Antonio Carlos Mourão Bonetti
Vicepresidente Sul
Arno Gleisner

Directores

Diana Vianna De Souza Luiz Oswaldo Aranha


Marie Christiane Meyers Marcio Eduardo Sette Fortes de Almeida
Alexander Zhebit Oswaldo Trigueiros Júnior
Alexandre Adriani Cardoso Raffaele Di Luca
Andre Baudru Ricardo Stern
Augusto Tasso Fragoso Pires Roberto Nobrega
Cassio José Monteiro França Roberto Cury
Cesar Moreira Roberto Habib
Charles Andrew T’Ang Roberto Kattán Arita
Daniel André Sauer Sergio Salomão
Eduardo Pereira De Oliveira Sizínio Pontes Nogueira
José Francisco Fonseca Marcondes Neto Sohaku Raimundo Cesar Bastos
Luis Cesario Amaro da Silveira Stefan Janczukowicz

Consejo Fiscal (Titulares)

Delio Urpia de Seixas


Elysio de Oliveira Belchior
Walter Xavier Sarmento
EDITORIAL

Peru: um vizinho estável e promissor APOIO

Dedicação e sucesso. São com essas palavras que podemos definir a série de seminários
bilaterais de comércio exterior e investimentos organizados pela FEDERAÇÃO DAS CÂ-
MARAS DE COMÉRCIO EXTERIOR, que chega ao seu terceiro ano tornando-se um dos
foros mais importantes sobre comércio exterior do país. Realizado no dia 10 de março de
2008, o Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Peru teve como
objetivo tratar esses e outros temas, assim como traçar análises sobre possíveis influências
nas relações entre os dois países. A série de seminário promovida pela FEDERAÇÃO DAS
CÂMARAS DE COMÉRCIO EXTERIOR conta com o apoio e participação do governo
federal, através dos Ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento da Indústria
e Comércio Exterior, das principais associações de classe, tais como a Confederação Nacional
de Comércio (CNC), a Câmara de Comércio Internacional – ICC, a Associação de Comércio
Exterior do Brasil (AEB) e o Conselho das Câmaras de Comércio das Américas.
Para abrir a série de 2008, convidamos o Peru, um importante vizinho regional no qual
ainda buscamos elevar o nosso grau de relacionamento. De fato, essa busca faz-se necessária.
Depois de décadas de instabilidade política e econômica, o Peru é considerado hoje como
um dos mais seguros países para o investimento estrangeiro. Isso se comprova pela obtenção
do grau de investimento concedido pelas agências internacionais de classificação de risco e
alcançado no início deste ano.
Os dados macroeconômicos do país atestam esse bom momento. O Peru registrou, em CONSELHO DE
2007, índice de inflação de 3.9% e cresce há cinco anos a taxas acima de 5%. Tal conjuntura CÂMARAS DE COMÉRCIO
faz com que grandes empresas brasileiras, como Odebrecht e Petrobras, invistam cada vez DAS AMÉRICAS
mais para expandir atividades nesse país. Os papéis exercidos pelo BNDES e a Suframa se
destacam dentro desse ambiente promissor de fortalecimento bilateral.
Há também que ressaltar as boas relações políticas entre Brasil e Peru. O fato de o presi-
dente peruano, Alan Garcia, ter visitado o Brasil em sua primeira viagem ao exterior depois
de eleito, em 2006, comprova que os laços entre os países vizinhos podem ser intensificados.
É claro que apostar somente no bom diálogo político não fará com que as relações comerciais
caminhem a passos largos. Mas não se pode negar os efeitos positivos dessa aproximação, Expediente
pautada, de maneira estratégica, pelo pragmatismo político. E é com base no pragmatismo po-
lítico e econômico que o Brasil pode se beneficiar ao fortalecer as relações com o país andino. Produção
Isso porque, ao firmar o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, o Peru pode se Federação das Câmaras de Comércio Exterior – FCCE
Av. General Justo, 307/6o andar
transformar numa plataforma de exportação para empresas brasileiras, que terão vantagens Tel.: 55 21 3804 9289
em vender para o mercado americano com isenção tarifária. Não esquecendo de mencionar e-mail: fcce@cnc.com.br
que o Peru pode também ser a porta de entrada mais rápida para os produtos brasileiros, Editor
através do Pacífico. No entanto, para que tal tarefa se torne, de fato, factível, é preciso que o O coordenador da FCCE

projeto IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul Americana), que Textos e Repor tagens
Brunno Braga
integrará o Brasil e os países banhados pelo Oceano Pacífico, seja concluído. Esse projeto de
Edição e Ar te
integração, caso concretizado, possibilitará, ainda, criar meios para que o comércio bilateral Editora Aduaneiras
seja alavancado e mais equilibrado. Com efeito, apesar de ter havido crescimento de 20% no Rua da Consolação, 77
fluxo comercial entre Brasil e Peru em 2007 (US$ 281,27 milhões, de acordo com dados Tel.: 55 11 2126 9200
e-mail: comercial@aduaneiras.com.br
do MDIC), o Brasil ostentou um saldo de US$ 40 milhões, o que demonstra que ainda há
Impressão e Fotolito
muito a ser feito para que os números do comércio sejam incrementados. Graphic Express
No que tange às trocas comerciais entre Brasil-Peru, Alan Garcia já defendeu o livre Jornalista Responsável
comércio com o nosso País. Ele se comprometeu, inclusive, a apoiar, por intermédio de Brunno Braga (MTB 050598/00)
e-mail: carbrag29@yahoo.com.br
esforços diplomáticos, a antecipação do acordo firmado entre o Peru e o Mercosul, que Tel.: 55 21 9415 9365
estabelece, até 2019, a derrubada de barreiras comerciais a produtos brasileiros no mercado Estagiário:
peruano gradativamente. Vinicius Henter
e-mail: viniciushenter@gmail.com
E é neste contexto que a FCCE trabalha para apresentar, discutir e debater mecanismos
Fotografia
que propiciem o fortalecimento do comércio bilateral. As condições para que esse objetivo Ismar Ingber
seja realmente alcançado não são fáceis, não obstante serem elas mais céleres e menos res- Secretaria
tritivas do que em décadas passadas. E o leitor poderá comprovar tudo isso nas páginas desta Maria Conceição Coelho de Souza
publicação, a primeira de 2008. Sérgio Rodrigo Dias Julio
As opiniões emitidas nesta revista são de
Boa leitura responsabilidade de seus autores. É permitida a
reprodução dos textos, desde que citada a fonte.
O Editor
SUMÁRIO

6 E N T R E V I S TA 3 6 F I N A N C I A M E N TO
Hugo de Zela Martinez Apoio às empresas brasileiras na
“O Peru tem um sistema América do Sul
econômico consolidado”

1 4 A B E RT U R A 3 6 ENERGIA
Apostando no mercado de energia peruano
Estreitando as relações Brasil-Peru

4 2 I N T E G R A Ç Ã O E I N F R A - E S T RU T U R A
1 8 PA I N E L I Marcando presença no Peru
Investimentos e parcerias

4 2 COMÉRCIO
2 4 PA I N E L I I “Câmara vai auxiliar o pequeno e médio
empresário a conhecer mais o Peru”
Tecnologia, infra-
estrutura e construção
civil em pauta
47 Z O N A F R A N C A
Produção em
crescimento
3 0 PA I N E L I I I
Integrando pelos setores da energia e de
serviços
49 G A S T RO N O M I A
Cebiche

3 3 E N C E R R A M E N TO
Trabalhando pela 5 2 C U LT U R A
integração
Mario Vargas Llos

3 5 POLÍTICA COMERCIAL 5 5 R E L A Ç Õ E S B I L AT E R A I S
Estimulando o crescimento do fluxo de
comércio
6 2 C U RTA S
ENTREVISTA

“O Peru tem um
sistema econômico
consolidado”
Embaixador do Peru no Brasil fala, em
entrevista à Revista da FCCE, sobre a
estabilidade econômica peruana e as
relações bilaterais Brasil-Peru

Hugo de Zela Martinez é embaixador do Peru no Brasil desde agosto


2007. Dizendo-se um profundo admirador do país, Zela acredita que o
atual momento nas relações Brasil-Peru é um dos mais positivos na história
recente dos dois países. Formado em ciências econômicas, e diplomata de
carreira (antes de assumir o posto no Brasil, fora embaixador do Peru na
Argentina), Zela afirmou que o Peru passa por um momento econômico
e político auspicioso e que isso só reforça as vantagens existentes para a
realização de investimentos. Em entrevista concedida à Revista da FCCE, o
embaixador falou da atual conjuntura econômica peruana, e do que espera
nas relações entre Brasil e Peru para os próximos anos. Confira, a seguir,
os principais trechos da entrevista:

O Peru é visto hoje como um continuou a mesma. Por isso, é possível


país de grande estabilidade para afirmar que o Peru tem um sistema eco-
investimentos, conseguindo, in- nômico consolidado. Os números ma-
clusive o investment grade. Depois croeconômicos estão muito satisfatórios.
de décadas de crise, como o país As exportações crescem, a inflação está
conseguiu alcançar tal feito? controlada, a indústria está crescendo e
novos setores industriais estão surgindo
Zela Martinez – Nos últimos cinco no Peru, como o da petroquímica. Um
anos, a situação econômica do Peru tem exemplo disso é que estão previstos, para
se mostrado muito estável. Isso se explica este ano, investimentos da Petrobras da
porque tivemos, durante esse período, três ordem de US$ 200 milhões, numa parceria
governos e a orientação macroeconômica com a Petroperu.

6 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 7
ENTREVISTA

O embaixador do Peru afirmou que cresce o número de empresas brasileiras querendo investir no país.

Isso faz, então, que o investidor es- do jogo, tenha do governo peruano com- Pacífico, e, assim, esquecemos a Amazônia,
trangeiro se sinta seguro em investir prometimento, por intermédio de uma assi- uma zona que é comum aos nossos países.
no Peru? natura de um acordo, que garante que todas Mas, agora, com as trocas de visitas presi-
as regras serão cumpridas, independente de denciais estão se desenhando projetos de
Zela Martinez – É verdade, pois o
mudanças na chefia de governo no Peru. aproximação entre os dois países.
mais importante para os investidores é a
Isso dá tranqüilidade para que o investidor
previsibilidade. Dessa forma, o investidor,
permaneça no país por um longo período. Já Quais seriam esses projetos?
hoje, se sente seguro em planejar a médio e
estabelecemos 30 contratos nesses moldes Zela Martinez – Bem, há muitos. Mas,
longo prazo investimentos no Peru. Além
com empresas estrangeiras. um dos mais avançados projetos é o que
disso, estabelecemos um mecanismo de
estabilidade jurídica com empresas es- trata da inclusão do Peru no Sistema de
O presidente do Peru, Alan Garcia, Proteção da Amazônia. A Amazônia é uma
trangeiras que queiram entrar no mercado
esteve no Brasil em 2006, onde fir- região extremamente importante, mas de
peruano.
mou, junto com o presidente Lula, difícil acesso. É preciso, então, agir conjun-
acordos de cooperação. Como o tamente para melhor enfrentar os desafios
“As exportações crescem, a infla- senhor avalia a atual relação política existentes por lá. Estamos desenvolvendo
ção está controlada, a indústria entre os dois países? um sistema de sensoriamento remoto (for-
está crescendo e novos setores in- Zela Martinez – Muito boas. E isso é mas de obtenção de dados sobre um objeto,
dustriais estão surgindo no Peru” uma constatação histórica, pois jamais terreno, espécime, sem contato físico) cujo
EMBAIXADOR HUGO DE ZELA
houve qualquer problema nas relações entre recolhimento de dados será feito por aviões
Brasil e Peru. Em pesquisas realizadas no que vão sobrevoar a região. Estamos, tam-
Peru, nos últimos três anos, os peruanos bém, desenvolvendo um projeto para que
Como funciona esse mecanismo?
elegeram o Brasil como o país mais amigo. o Peru se integre ao sistema de radares. Isso
Zela Martinez – Esse mecanismo permi- Essa é a percepção dos peruanos em relação permitirá que o governo peruano tenha
te que o investidor estrangeiro, que queira ao Brasil. Na verdade, o único entrave que acesso às imagens da Amazônia em tempo
entrar no mercado peruano dentro de um podemos levantar nas relações entre os dois real, podendo, por exemplo, combater o
determinado período de tempo e precisa países é que, durante muitos anos, o Brasil narcotráfico que existe na região e identi-
ter a total segurança em relação às regras só olhava para o Atlântico, e nós, para o ficar zonas de desmatamento.

8 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


“O investidor, hoje, se sente segu- para que o país seja uma plataforma de bastantes regiões montanhosas, com muitas
exportação de alguns produtos de compa- quedas d’águas, ambiente natural propício
ro em planejar a médio e longo
nhias brasileiras. Muito se falou na impren- para a construção de hidrelétricas. Não
prazo em realizar investimentos sa brasileira do TLC firmado entre Peru temos, infelizmente, capital para construir
no Peru” e os Estados Unidos, mas também temos essas usinas, mas os brasileiros têm.
EMBAIXADOR HUGO DE ZELA acordos desta natureza com a China, com
o Japão e com Cingapura. E isso também Temos hoje no Peru a Petrobras e a
pode ser interessante para fazer parcerias, Odebrecht. É possível dizer que há
O Projeto IIRSA (Integração da pois as empresas brasileiras ao investirem
Infra-estrutura Regional Sul-ameri- mais empresas brasileiras interessa-
no Peru, terão acesso ao mercado asiático. das em investir no Peru?
cana) também pode ser visto como Mercado este que será, muito em breve, o
um passo rumo ao fortalecimento Zela Martinez – Sim, com certeza. Em
mais dinâmico do mundo.
da integração? agosto de 2007, foi ao Peru uma delegação
Zela Martinez – Sim e esse projeto, de empresários, coordenada pela Fiesp. E
“Jamais houve qualquer pro- nessa visita, eles demonstraram estar muito
criado e incentivado pelo Brasil, e que
reúne os doze países do continente sul- blema nas relações entre interessados em entrar no mercado perua-
americano com o objetivo de desenvolver Brasil e Peru. Em pesquisas no. E a iniciativa da FCCE, em realizar um
a ligação física da região é de extrema seminário como esse, comprova que temos
realizadas no Peru, nos úl- que estimular esse interesse em consolidar
importância para a integração regional.
Acreditamos que logo o primeiro ano após timos três anos, os peruanos os interesses de investimentos, informando
a conclusão das obras da rodovia, o fluxo elegeram o Brasil como o país aos investidores os potenciais existentes nas
de comércio entre Peru e Brasil crescerá relações entre os nossos países.
mais amigo”
25%. Os problemas logísticos vão dimi-
EMBAIXADOR HUGO DE ZELA
nuir sensivelmente após a conclusão dos
projetos. Mas, ainda, temos muitos pontos O senhor acredita que as conclusões Dados sobre o Peru
a serem discutidos. da Rodada de Doha serão benéficas
para os países em desenvolvimento? Nome oficial:
“A Amazônia é uma região ex- Repúlica do Peru
Zela Martinez – O Peru faz parte do
tremamente importante, mas de G-20, mas nós temos uma visão realista Presidente:
a respeito das negociações de Doha. Ela Alan Garcia
difícil acesso. É preciso, então,
vem se arrastando há muitos anos. É claro Modelo de Governo:
agir conjuntamente para melhor que apoiamos o Brasil nas reivindicações Republicano constitucional
enfrentar os desafios existentes para que haja um comércio mais justo, Capital:
por lá” mas, até o momento, o que vemos é a Lima
imposição dos países mais ricos prevalecer
EMBAIXADOR HUGO DE ZELA População:
no comércio mundial.
29,18 milhões de habitantes
O Peru é um país que tem Tratados O senhor mencionou os investimen- Idiomas falados:
de Livre Comércio com diversos tos a serem feito pela Petrobras no Espanhol (oficial), Quechua
países, entre eles os Estados Unidos. Peru. Um dos grandes debates no (oficial), Aymara
Até que ponto isso afeta as relações continente sul-americano é o que PIB em 2007:
comerciais com o Brasil? trata da integração energética na US$ 220 bilhões (crescimento
Zela Martinez – Os TLCs que Peru fir- região. É possível dizer, então, que de 9% em relação a 2006)
mou com diversos países não têm que ser Peru e Brasil também caminham Taxa de inflação em 2007:
olhados como um empecilho nas relações nesse sentido? 1,8%
comerciais do nosso país com o Brasil. É Zela Martinez – A integração energética
Taxa de crescimento Industrial
importante ressaltar que o Peru acredita é um tema muito importante. O Brasil em 2007:
no processo de integração latino-america- parece que encontrou o caminho do cres- 9.3%
na. Vários países do nosso continente po- cimento sustentável, e isso pode gerar uma
Endereço da Embaixada do Peru
Fonte: Cia Factbook

dem se beneficiar dos TLCs firmados pelo demanda muito grande de energia para os
Peru. Bem, se o Peru tem livre acesso ao no Brasil:
próximos anos. O Peru é um país que tem
SES – Av. das Nações – Quadra
mercado americano, isso pode fazer com superávit energético. No final de 2007, foi
811 Lote 43 – CEP: 70428-900
que empresas brasileiras se interessem em encontrada uma grande reserva de gás na Brasília-DF
fazer uma parceria com o governo peruano região de Cuzco. Além disso, o Peru tem

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10 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U
Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 11
Seminário bilateral de
Comércio exterior e investimentos BRASIL PERU
Av. General Justo no 307 – Centro – Rio de Janeiro-RJ – Sede da Confederação Nacional do Comércio – CNC

Programa do Seminário: 17 de MARÇO de 2008

14:00h- Abertura dos Trabalhos: João Augusto de Souza Presidente:


Lima – Presidente da Federação das Câmaras de Comércio Cesar A. Maia – Presidente da Câmara de Comércio e Indústria
Exterior – FCCE BRASIL-PERU

Sessão Solene de Abertura Pronunciamento Especial e Moderador: Carlos Thadeu de


Presidente da Sessão: Ivan Ramalho – Ministro de Estado, Freitas Gomes – Chefe do Departamento Econômico da CNC –
interino, do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior ex-Diretor do Banco Central.

Pronunciamento especial: Hugo de Zela – Embaixador Expositores:


Plenipotenciário do PERU Oldemar Ianck – Superintendente de Projetos da SUFRAMA
Fabio Martins Faria – Diretor de Planejamento e
Componentes da mesa: Desenvolvimento do Comércio Exterior do MDIC
Ministro Luis Arribasplata – Cônsul-Geral do PERU
Theóphilo de Azeredo Santos – Presidente da CCI e Presidente (intervalo para café – 10 minutos)
do Conselho Superior da FCCE
Gustavo Affonso Capanema – Vice-Presidente do Conselho l5h30 PAINEL II: As exportações Brasileiras nas áreas de
Superior da FCCE construção civil, siderurgia e modernização portuária
Cesar A. Maia – Presidente da Câmara de Comércio e Indústria
BRASIL-PERU Presidente:
Gilberto Ramos Filho – Vice-Presidente da FCCE Lucia Maldonado – Vice-Presidente Executiva da Associação de
Comércio Exterior do Brasil – AEB
14h30 PAINEL I: A atuação das empresas peruanas e
brasileiras no âmbito da America Latina. Facilidades e Moderador:
parcerias Arthur Pimentel – Diretor de Comércio Exterior do MDIC

12 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


Expositores: Presidente da Sessão:
José Valentin Alvarez – Construtora NORBERTO ODEBRECHT Hugo de Zela – Embaixador Plenipotenciário do PERU
Luiz G.S. Bomfim – Chefe da Divisão de Mercado da
Companhia DOCAS do Rio de Janeiro – CDRJ
Pronunciamento Especial:
Alberto Lemos de Araujo Filho – Presidente da BULL
Armando Meziat – Secretario de Desenvolvimento da
Produção do MDIC
17h PAINEL III: O relacionamento BRASIL-PERU nos
setores: de serviços e energia.
Componentes da mesa:
Edson Lupatini – Secretário de Comercio e Serviços do MDIC
Presidente:
Prof. Jovelino Gomes Pires – Presidente da Câmara de
Edson Lupatini – Secretario de Comercio e Serviços do MDIC
Logística da Associação de Comércio Exterior do Brasil – AEB
Ministro Luis Arribasplata – Cônsul-Geral do PERU
Pronunciamento especial:
João Augusto de Souza Lima – Presidente da FCCE
Ministro Luis Arribasplata – Cônsul-Geral do PERU
Embaixador Paulo Pires do Rio – Diretor-Conselheiro do
Conselho Superior da FCCE
Expositores:
Cesar Morieira – Vice-Presidente da FIRJAN
Milas Evangelista de Sousa – Gerente de Avaliação de
Delio Urpia Serixas – Conselho Fscal da FCCE
Desempenho Internacional da PETROBRÁS
Elísio Belchior – Conselho Fiscal da FCCE
André de Barros Rüttimann – Gerente do Departamento de
Haroldo Bezerra – Conselho Fiscal da FCCE
Comércio Exterior e Integração da America do Sul do BNDES
Prof. Jovelino Gomes Pires – Presidente da Câmara de Logística
da Associação de Comércio Exterior do Brasil – AEB COQUETEL:
Homenagem ao Sr. Hugo de Zela – Embaixador
18h Sessão Solene de Encerramento: Plenipotenciário do PERU

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 13


ABERTURA

Estreitando as relações
Brasil-Peru
Embaixador do Peru no Brasil expõe as potencialidades do seu país para
investimentos brasileiros

Composição da mesa da Sessão de Abertura: Gilberto Ramos Filho, Carlos Thadeu, César Maia, ministro Luis Arribasplata, Theóphilo de Azeredo
Santos, Ivan Ramalho, embaixador Hugo de Zela, Armando Meziat, Arthur Pimentel e Gustavo Capanema.

O presidente da FCCE, João Au- para determinadas soluções e de- FCCE, Gustavo Capanema; o Chefe
gusto de Souza Lima, ao iniciar os terminados problemas que existam do Departamento Econômico da
trabalhos do seminário, afirmou no comércio bilateral. Em seguida, Confederação Nacional do Comér-
que a série de eventos promovida ele convidou para compor a mesa:a cio, CarlosThadeu; o Diretor de Co-
pela federação tem tido sucesso, diretoria da FCCE Diana Vianna De mércio Exterior do MDIC, Arthur
pois eles trazem o debate sobre o Souza; o vice-presidente da FCCE e Pimentel; o Presidente da Câmara
desenvolvimento e incremento do presidente da câmara Brasil-Rússia, de Comércio e Indústria bilateral
comércio exterior, e, também, ser- Gilberto Ramos Filho, o Vice-pre- Brasil-Peru, César Maia; o Secretário
vem como apoio aos empresários sidente do Conselho Superior da do Desenvolvimento da Produção,

14 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


Armando Meziat; o Cônsul-Geral das Exportações), os financiamentos e a lou que as exportações brasileiras para
presença brasileira nas suas exportação esse país ficaram em US$ 1,65 bilhões
do Peru, Ministro Luis Arribasplata; do setor de serviços para os países da em 2007. Apesar de reconhecer que o
o Presidente da Câmara do Comér- América do Sul”, disse o representante superávit brasileiro tenha ficado menor,
do MDIC. Ramalho disse que essa tendência era
cio Internacional e Presidente do Além do crescimento muito grande esperada e defendeu a busca pelo equi-
Conselho Superior desta Federa- do comércio de bens, Ramalho revelou líbrio. “Isso também pode acontecer, ao
que há um crescimento expressivo do longo do ano, com as demais economias
ção, Theóphilo de Azeredo Santos; comércio de serviços, com a partici- sul-americanas. Muitas delas certamente
o Embaixador Extraordinário e pação importante de grandes empresas serão contempladas por seminários como
brasileiras em vários países da América esse, organizados pela FCCE. É uma pre-
Plenipotenciário do Peru, Hugo de do Sul. Ele disse, ainda, que hoje o Brasil ocupação brasileira de que o comércio
Zela; para presidir essa sessão solene tem uma grande parte do seu superávit exterior com os países da América do
comercial, que no ano passado alcançou Sul, a exemplo do que aconteceu com
de abertura, o Secretário Executi- cerca de 40 bilhões de dólares, com os o Peru, continue crescendo nas duas
vo e Ministro Interino do MDIC, países da América do Sul. “Em muitos direções”, disse Ramalho. Em seguida,
casos, o Brasil tem superávits muito ex- ele passou a palavra para o embaixador
Ivan Ramalho. pressivos. Por isso existe, hoje, pelo lado do Peru no Brasil, Hugo de Zela.
do governo brasileiro, um trabalho para
fazer crescer as importações brasileiras
de produtos dos países da América do
Sul”, afirmou. Fluxo de investimentos

Sessão Solene de Abertura Após fazer, no início da sua participa-


ção, os cumprimentos pela realização do
“Existe, hoje, pelo lado
E m pronunciamento especial, o se-
cretário-executivo do MDIC, Ivan
Ramalho, disse ser uma satisfação
bastante grande para o governo federal
participar dos encontro bilaterais promo-
do governo brasileiro, um
trabalho para fazer cres-
cer as impor tações brasi-
seminário, o embaixador Hugo de Zela
tratou de demonstrar ao público pre-
sente a importância do Peru para fazer
investimentos e intercâmbio comercial.
Segundo o palestrante, nos últimos
vidos pela FCCE. “Nós, que participamos leiras de produtos dos anos, o PIB, a inflação, as exportações
no ano passado de um grande número de e importações, as reservas e o superávit
seminários, acreditamos que eles tenham
países da América fiscal têm sido estáveis e balanceados no
contribuído de forma extraordinária a do Sul” Peru. Além disso, o país vem buscando
para o crescimento do comércio. E fico I VA N R A M A L H O aumentar a inserção política e econômi-
muito feliz pelo fato de estarmos hoje ca no cenário internacional. “Este ano,
aqui, no primeiro seminário de 2008, realizamos a reunião de presidentes e
exatamente com um país da América Para buscar equilibrar a corrente de chefes de governo dos países da União
do Sul”, disse Ramalho. Ele aproveitou a comércio entre Brasil e demais países do Européia e da América Latina e Caribe.
ocasião para fazer avaliações da evolução continente sul-americano, Ramalho disse Em novembro, vamos ter uma reunião,
do comércio exterior brasileiro, dizendo que o MDIC, juntamente com outros também de presidentes e chefes de es-
que, nos últimos anos, foi constatado órgãos do governo federal, está desen- tado e governo, da APEC, (Cooperação
crescimento notável, principalmente volvendo o Programa de Substituição Econômica da Ásia e do Pacifico). Além
com países da América do Sul, e demais Competitiva das Importações, cujo ob- disso, o Peru tem uma política comercial
países da Aladi (Associação Latino-Ameri- jetivo é fazer com que cresçam também de total abertura, e fazemos isso através
cana de Desenvolvimento e Intercâmbio). as importações brasileiras dos países da dos TLCs, Tratados de Livre Comércio”,
“Os países da América Latina superaram, região sul-americana, principalmente disse o embaixador. Ele lembrou, ainda,
pela primeira vez o comércio do Brasil aqueles em que o Brasil apresenta um que o Peru já tem aprovados Tratados de
com os Estados Unidos. Isso para nós comércio bastante grande e superávits Livre Comércio com os Estados Unidos,
tem um significado muito importante. bastante altos. “O programa é importan- México, Chile e Canadá. O país sul-ameri-
O Brasil tem procurado aumentar não te, pois gostaríamos que aumentassem as cano está negociando com China, países da
só as exportações, como também as importações dos países da América do Sul União Européia, Cingapura e Tailândia. “É
importações. Eu também acompanho de para que, assim, fosse reduzido o desequi- uma abertura muito grande. Isso significa,
muito perto, como presidente do Cofig líbrio”, avaliou. o Peru tem um ambiente muito favorável
(Comitê de Financiamento e Garantia No caso do Peru, o secretário reve- para os investimentos”.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 15


ABERTURA

O diplomata disse que no Peru não


há diferença entre o capital nacional
peruano e o capital estrangeiro. Segundo
ele, há uma série de condições legais e
financeiras que promovem os investi-
mentos, como uma política tributária
fixa, que não tem modificações, uma
estrutura tarifária muito simples, além
de ter obtido, recentemente, o grau de
investimentos pelas instituições e valores
de créditos. “O resultado disso é que mui-
tas companhias estrangeiras estão investido
maciçamente no Peru”, disse.

“O setor agrícola peruano


oferece grandes oportunidades
de investimentos, já que
Ivan Ramalho, secretário-executivo do MDIC disse que o Brasil tem grandes superavits com os
temos, pelo menos, 8 milhões páises sul-americanos.
de hectares de terras
férteis que podem ser aí uma oportunidade de investimentos grandes oportunidades de investimentos,
aproveitadas” interessante. O cálculo que nós fizemos já que temos, pelo menos, 8 milhões de
EMBAIXADOR HUGO DE ZELA
das necessidades de investimentos para hectares de terras férteis que podem ser
exportações de gás para indústria pe- aproveitadas. Ainda não temos aproveita-
troquímica é de mais de US$ 6 bilhões”, do o potencial de crescimento do Peru, e
considerou o palestrante. Ainda no pensamos tentar fazê-lo com a ajuda do
Em relação às oportunidades de campo da energia, o diplomata destacou Brasil”. Segundo ele, o mesmo leque de
investimentos para o Brasil no Peru, as oportunidades em investimento em oportunidades se dá no setor pesqueiro.
o embaixador ressaltou que o vizinho energia hidrelétrica. “Há uma oportu- Ele mencionou a experiência do Brasil
sul-americano é o primeiro produtor no nidade na área de energia hidrelétrica, nessa área e disse que essa experiência
mundo de prata, farinha de peixe, óleo pois o Peru conta com um potencial pode ser aproveitada para tratar de ex-
de peixe, fibras de alpaca e vicunha e o hidrelétrico exportável para outros pa- plorar a apicultura no Peru. “Somente
primeiro exportador do mundo de es- íses. O fato de que o Peru e o Brasil são 19% das espécies existentes no mar
pargos. Na América Latina, o país é líder países fronteiriços cria uma facilidade
na extração de ouro, zinco, estanho e pacífico na costa do Peru são exploradas.
de interconexão elétrica. Em uma con- Então, o campo para desenvolver essa
chumbo e o segundo produtor de cobre. versa que tive com o Presidente Lula,
“Além disso, o Peru pode se converter em indústria é muito grande”, afirmou.
ele demonstrou um grande interesse em Dentro do setor têxtil, Hugo de Zela
uma plataforma de negócios do litoral do trabalhar este tema”, disse Hugo de Zela,
pacífico sul”. disse que as empresas mais importantes
acrescentando que o governo peruano já do mundo, como Lacoste, Pólo, Ralph
Isso é importante porque um dos contatou algumas empresas brasileiras do
mercados de maior crescimento no Lauren, Calvin Klein e outras, estão
setor de energia hidrelétrica. fazendo negócios com os produtores
mundo é o mercado asiático. O Peru
pode ser uma plataforma para chegar aos peruanos de algodão para fabricar seus
países asiáticos”. produtos. O fato de já ter sido aprovado o
Agronegócios e indústria tratado de livre comércio com os Estados
No campo da energia, Hugo de Zela
disse que o Peru possui fontes naturais No setor de agronegócios, que é um Unidos abrirá ainda mais oportunidades.
de gás no litoral do Pacífico muito setor tradicional do Peru, teve também “Com isso, o maquinário do Brasil para
importantes. No momento, está sendo destaque na exposição do embaixador. o setor têxtil pode ser vendido com van-
construído um gasoduto para abastecer “Nós somos importantes exportadores tagem no Peru”. Já no setor florestal, o
a Zona Sul de Lima, e com a participação agrícolas como, por exemplo, de as- embaixador informou que o Peru tem 53
da Petrobras, o p aís está tentando pargos e alguns outros produtos. Além milhões de hectares de reservas florestais
fazer indústrias petroquímicas. “Temos disso, o setor agrícola peruano oferece e seis milhões para reflorestamento e

16 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


que, partilhando a mesma preocupa- dessas duas das sete maravilhas para atrais investindo no Peru, como a Odebrecht,
ção que tem o governo do Brasil pela turistas de outras zonas do mundo. “Os Petrobras entre outras. “São empresas
conservação do meio ambiente, abre-se Ministérios do Turismo dos nossos países brasileiras muito importantes. Os in-
um campo para trabalhar de maneira estão conversando para estudar as opor- vestimentos brasileiros chegam a US$
conjunta. “Já estamos cooperando na tunidades existentes”, disse. 2 bilhões no Peru. A projeção de cres-
organização do tratado, com operação na No setor de infra-estrutura, as rela- cimento para o ano de 2008 é de apro-
Amazônia e que tem sede em Brasília, para ções entre Brasil e Peru se pautam por ximadamente US$ 1 bilhão a mais em
impulsionar uma exportação racional de grandes projetos de construção a serem diversos empreendimentos”,previu.
produtos oriundos das áreas florestais das desenvolvidos para os próximos anos. O
zonas amazônicas”. principal deles são as rodovias que vão
unir o Atlântico com o Pacífico, com
“O Peru tem um ambiente mui- participação de importantes empreitei- “Estamos exportando, atual-
ras do Brasil. No entanto, na avaliação mente, a mais de 178 merca-
to favorável para os investi- do diplomata peruano é necessário,
mentos” também, desenvolver os portos do dos, mas o Brasil ainda é um
EMBAIXADOR HUGO DE ZELA Peru, já que o principal porto do país, o parceiro muito pequeno
porto do Callal, está trabalhando em sua
do Peru”
capacidade máxima. “Precisamos desen-
volver outros portos na Zona do Pacífico, EMBAIXADOR HUGO DE ZELA
Turismo e logística
pensando nas exportações, não só para
O turismo também foi destacado pelo os Estados Unidos, mas também para os
palestrante como uma área de grande países asiáticos”.Hugo de Zela informou
importância para as relações bilaterais que o governo peruano pretende cons-
Brasil-Peru. Hugo de Zela lembrou que Quanto às relações comercias entre
truir nas distintas zonas do Peru novos
o Peru é um país com uma enorme ri- Brasil e Peru, Zela ressaltou que as
aeroportos. “Para isso é preciso fazer
queza cultural e histórica, e uma grande exportações peruanas estão crescendo
grandes investimentos”.
biodiversidade. “Temos a designação de a um ritmo de 30% nos últimos três
Machu Pichu com uma das sete novas anos. “Essas exportações atingiram um
Relações comerciais recorde de US$ 28 bilhões, em compa-
maravilhas do mundo, como o Corcova-
do aqui no Rio de Janeiro. Isso oferece ração aos US$ 23 bilhões registrados em
O palestrante lembrou que as prin-
possibilidades de exploração conjunta 2006 (aumento de 17%)”. Graças a uma
cipais empresas brasileiras estão hoje
conjunção de fatores, como a demanda
crescente dos produtos peruanos nos pa-
íses que temos acordos comerciais”, co-
mentou. O diplomata considera que as
exportações peruanas estão atravessando
um bom momento. Ele disse que o Peru
incrementou a maioria das exportações
não tradicionais, e, agora, o país exporta
outros produtos a distintos mercados
do mundo. “Estamos exportando, atu-
almente, a mais de 178 mercados, mas
o Brasil ainda é um parceiro muito pe-
queno do Peru.Temos que trabalhar para
melhorar esse quadro, pois o Brasil so-
mente representa 3,4% das exportações
peruanas. Nós esperamos, ainda este
ano, crescer 5%”, disse, acrescentando
que os principais produtos importados
pelo Brasil são: minerais, carburantes,
azeitonas e fibras acrílicas, enquanto
os principais produtos exportados pelo
Brasil são: óleos, veículos, telefones,
tratores, barras de ferro e máquinas com
Foto de um representante da etnia indígena Quéchua. superestrutura.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 17


P AINEL I

Investimentos e parcerias
Palestrantes do Painel I comentam sobre a atual conjuntura econômica do
Brasil e do Peru para empreender investimentos

Fábio Martins Faria, Carlos Thadeu, Cesar Maia e Oldemar Ianck trataram do fluxo de investimentos bilaterais Brasil-Peru

O Painel I do Seminário Bilateral de Departamento de Planejamento Dinamismo econômico do Peru


Comércio Exterior e Investimentos e Desenvolvimento do Comércio
Brasil-Peru, intitulado A atuação
das empresas peruanas e brasileiras no
âmbito da América Latina – Facili-
Exterior do MDIC, Fábio Martins
Faria, e o superintendente-adjunto
de projetos da Superintendência da
C arlos Thadeu iniciou o seu dis-
curso enfatizando que as expor-
tações, importações e investi-
mentos do Brasil no Peru estão crescendo,
comprovando que o país vizinho se mostra
bastante moderno e atraente. “O Peru
dades e parcerias, teve como pales- Zona Franca de Manaus (Suframa), também é um país aberto, um país que
trantes o chefe do Departamento Oldemar Ianck. O painel foi presi- facilita a entrada, como nenhum outro
país da América Latina está fazendo hoje
Econômico da CNC e ex-Diretor dido pelo presidente da Câmara de e os investimentos estrangeiros no país
estão crescendo por causa disso”, disse o
do Banco Central, Carlos Thadeu Comércio e Indústria Brasil-Peru,
palestrante.
de Freitas Gomes, o diretor do Cesar Maia. Na sua avaliação, há muitas semelhan-

18 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


ças entre Brasil e Peru, como a adoção
de regimes de meta de inflação. “O Peru
tem, hoje, índices inflacionários baixos,
com meta de 2%. Evidentemente, a
inflação está um pouco mais alta, como
está em todos os países, mas, ela está
sob controle”, analisou. Carlos Thadeu
também considerou ser impressionante
a taxa de crescimento econômico que o
país tem tido nos últimos anos. “São taxas
maiores que as do Brasil. Por isso, temos
essa onda de investimentos fortes no Peru.
É um país que tem a dívida pública/PIB
em em 30%, bem mais baixa que a do
Brasil, e tem uma corrente de comércio
bem maior, porque ele exporta e importa
bastante”, disse, lembrando que o Peru
obteve o grau de investimento (nota de
classificação de país de baixo risco dada
por agências de investimentos internacio- Fábio Martins Faria (MDIC) afirmou que os bens de capital lideram a pauta de importação brasileira.
nais) antes do Brasil.
O palestrante disse, ainda, que, da
o representante do MDIC. De acordo com Em relação ao cenário das exportações
mesma forma que o Brasil, o Peru tem
Martins Faria, o Peru é um país que tem brasileiras, Martins Faria disse que a pauta
tido sucesso na exportação de certo bens
uma história rica, que conta com uma vem sendo liderada pelo crescimento
agrícolas, além de outras commodities. “O
tradição de povos milenares que constru- das exportações de produtos básicos,
Peru tem crescido a 7% ao ano, e, talvez,
íram monumentos incríveis nas montanhas sobretudo em razão da forte expansão de
vá continuar porque lá realmente as ex-
dos Andes. “Temos muito a aprender com preços das commodities. Segundo ele, os
portações estão muito fortes. O país tem
a cultura peruana. Mas, a aproximação, manufaturados vêm mantendo um cresci-
tido saldos bons na balança comercial e há
além de cultural, tem que existir no campo mento de 17%. Esse dado estatístico está,
uma forte entrada de capital estrangeiro. É
econômico”, disse. na avaliação do expositor, bem distribuído
uma oportunidade boa para o Brasil de in-
Martins Faria traçou a evolução do co- de acordo com o fator agregado.
vestir no Peru porque esse país tem acordo
mércio exterior brasileiro nos primeiros Como principais produtos da pauta
de livre-comércio com os Estados Unidos.
meses de 2008. Ele comentou que nesse exportadora brasileira, o material de
Por isso, muitas empresas brasileiras estão
período as exportações brasileiras apre- transporte se mantém como grupo líder
investindo hoje lá”, afirmou, concluindo a
sentaram uma expansão de 20,5%, mas de produtos, com 27%, em razão do cres-
sua participação.
as importações tiveram um crescimento cimento das exportações de aeronaves,
ainda maior. Para ele, essa situação abre mas também na parte automotiva há cres-
“O Peru tem crescido a 7% muitas oportunidades no Brasil para fazer cimentos expressivos. Em segundo lugar
ao ano. O país tem tido saldos negócios, sobretudo com os países da estão os produtos metalúrgicos que, com
América Latina. A moeda brasileira se uma influência muito grande de preço,
bons na balança comercial e há fortaleceu bastante e, segundo o diretor têm se colocado como um produto ex-
uma forte entrada de capital do MDIC, facilitou esse processo de pressivo na indústria brasileira e também
estrangeiro” aquisição, sobretudo dos países vizinhos. na nossa pauta exportadora. Depois o
“O Ministério das Relações Exteriores petróleo e combustíveis. Logo em seguida,
CARLOS THADEU DE F R E I TA S G O M E S
estabeleceu o programa chamado Substi- aparecem os minérios, depois carnes, quí-
tuição Competitiva de Importações, que é micos, máquinas e equipamentos. “É muito
Aproximação Brasil-Peru todo voltado para a América Latina, e que relevante a presença brasileira no mercado
busca incrementar as compras brasileiras latino-americano como fornecedor de
O segundo expositor do painel foi nos países vizinhos. E o momento é muito máquinas e equipamentos”. Para fechar
Fabio Martins Faria. Ele elogiou a escolha favorável, já que as compras brasileiras a lista, o palestrante citou a soja, papel e
Peru para o seminário, pois, apesar de vêm se expandindo a uma taxa realmente celulose, açúcar, equipamentos elétricos,
serem vizinhos, os países viveram muito espantosa: Entre janeiro e fevereiro, as calçados e couro inseridos na pauta.
tempo de costas um para o outro. “Brasil e importações cresceram 50,7%”, afirmou Já no campo dos destinos, a União Eu-
Peru estão agora se aproximando”, avaliou o expositor. ropéia segue como principal compradora

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 19


P AINEL I

Segundo Carlos Thadeu, chefe do Departamento Econômico da CNC, as altas taxas de crescimento do Peru fazem com que haja um grande fluxo de
investimentos para o país.

de produtos brasileiros, mas há um cresci- Em relação aos fornecedores, Martins demonstra que há uma tendência de maior
mento de 25% das exportações nacionais Faria informou que a Ásia se tornou a equilíbrio nesse mercado”, analisou.
para a América Latina E, em segundo lugar, principal origem dos produtos importa-
verifica-se uma expansão forte das vendas dos pelo Brasil, com uma expansão de
para a Ásia. ”Esse quadro é muito bom, já 60%, sobretudo liderado pelas compras “Acredito que tanto Brasil e
que as nossas importações de produtos originárias da China. “Isso não é uma par- Peru têm um cenário muito fa-
asiáticos também têm tido uma expansão ticularidade do Brasil, pois a China está se
muito forte”, disse. tornando o principal exportador mundial, vorável, não só comercial, mas
com perspectiva que, em 2008, esse país também das próprias econo-
ultrapasse a Alemanha na posição de líder mias como um todo”
Aumento das importações no setor de exportações”. A indústria
F Á B I O MA RT I N S F A R I A
O forte crescimento das importações brasileira compra da China componentes,
brasileiras no primeiro bimestre de 2008 partes e peças, e insumos para manter o
também foi objeto de análise por parte do seu nível de competitividade nos mercados
palestrante. De acordo com ele, a importa- nacional e externo. Comércio Brasil-Peru
ção brasileira cresceu 50.7%, mas, os bens No entanto, o expositor destacou o
de capital lideraram a pauta de importação. crescimento expressivo das importações Em relação ao comércio Brasil-Peru,
“Isso é muito salutar, pois demonstra que de produtos da Aladi, que registraram um o palestrante disse que o intercâmbio
o investimento na indústria brasileira vem, aumento de 56.1%, nos dois primeiros me- tem tido uma evolução positiva, que deve
de fato, crescendo”, afirmou. Os bens de ses do ano em comparação com o mesmo continuar em 2008. “É um quadro muito
capital tiveram um crescimento de 57.4% período de 2007. “Um crescimento bastan- favorável do comércio. Em 2008, há um
e os bens intermediários, que são produtos te vigoroso, seguramente influenciado por crescimento ainda forte, mas puxado,
que vão entrar em processo produtivo do esse programa de estímulo às aquisições de sobretudo pelas exportações brasileiras.
Brasil tiveram crescimento de 54,3%. As produtos dos países da América do Sul. Des- A perspectiva é o crescimento no fluxo
importações de petróleos e combustíveis taco o Mercosul, com 64% de crescimento de comércio. Temos todas as condições
subiram 37.2%, e a de bens de consumo, nas nossas aquisições. O Brasil tem um para que isso ocorra ao longo do ano”
46.2%. superávit histórico dentro do bloco, e isso considerou. O petróleo lidera a pauta de

20 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


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Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 21
P AINEL I

Franca de Manaus como uma Área de Livre


Comércio de incentivos fiscais especiais
estabelecidos com a motivação de criar um
pólo de desenvolvimento baseado nos três
setores básicos da economia: o comercial, o
industrial e o agropecuário”, disse Ianck.

“A preservação ambiental é um
valor muito importante que
tem sido agregado ao processo
de integração e desenvolvi-
mento da Zona Franca de
Manaus”
OLDEMAR IANCK

De acordo com o palestrante, a Zona


Franca tinha sido concebida, inicialmente,
apenas para estar situada na cidade de Ma-
naus. No entanto, apesar de Manaus ainda
Oldemar Ianck, da Suframa, disse que a Zona Franca Manaus vem passando por um processo de
continuar absorvendo a maior parte dos
modificação ao longo do tempo.
projetos, eles, aos poucos, foram estendi-
exportação brasileira para o Peru, en- crescimento do intercâmbio peruano dos para a região que passou a se chamar,
quanto do lado da importação, o cobre é com o mundo. Sendo assim, acredito que a partir do decreto-lei 291, Amazônia
o principal produto. “É importante dizer tanto Brasil e Peru têm um cenário muito ocidental: estados do Amazonas, Acre,
que o Brasil também tem se tornado um favorável, não só comercial, mas também Rondônia e Roraima. “Foram criadas, mais
grande produtor de cobre, mas continua das próprias economias como um todo, recentemente, extensões da área comer-
adquirindo com força esse produto do com inflação controlada e geração de cial de Manaus e áreas de livre-comércio
Peru e do Chile. Há, inclusive, investimen- emprego, o que favorece o desenvolvi- com o objetivo de fomentar o comércio
tos de empresas brasileiras na exploração mento do comércio, do intercâmbio e dos fronteiriço”, afirmou o superintendente
dos minérios, sobretudo no Peru” afirmou investimentos entre os dois países”, disse da Suframa. Ele disse, ainda, que há, atual-
Martins Faria. concluindo a sua apresentação. mente, pequenas zonas francas comerciais
instituídas dentro do complexo: Macapá,
Santana e Tabatinga, localizadas na frontei-
“O ano de 2008 já pode se Zona Franca de Manaus ra com o Peru; Guajamirim, na fronteira
Oldemar Ianck, superintendente da com a Bolívia; Brasiléia e Tassolândia, tam-
configurar como o ano de bém na fronteira com o Peru; e Roraima,
Suframa, foi o último palestrante do Painel
recuperação das exportações I. Ao iniciar a sua apresentação, ele traçou na fronteira com a Venezuela.
na Zona Franca de Manaus, um breve retrospecto sobre a criação e a
especialmente do principal atuação da Zona Franca de Manaus. Locali-
zada na Região Norte do país, a Zona Franca
Pólo Industrial
produto que é o telefone funciona como uma espécie de ‘ponta de Ianck revelou que, hoje, o pólo mais
celular” lança’ do comércio internacional brasileiro, desenvolvido de Manaus é o industrial,
OLDEMAR IANCK uma vez que a região amazônica estabelece onde existem, aproximadamente, 500 em-
fronteiras com diversos países do continente presas de pequeno, médio e grande porte
sul-americano. Em seguida, Ianck disse que a instaladas. Em relação à mão-de-obra, o
Ao levantar o quadro histórico da Zona Franca vem passando por um proces- palestrante afirmou que há, em toda área,
balança comercial peruana, o palestrante so de modificação ao longo do tempo, e o cerca de 500 mil empregos diretos e in-
disse que o Peru tinha uma situação de- decreto de seu estabelecimento em Manaus diretos, baseado nesse pólo industrial. O
ficitária até o final da década de 90, mas se deu como um porto franco e como um faturamento do pólo industrial de Manaus
tornou a sua balança superavitária a partir contraponto à criação de uma Zona Franca em 2007 foi de R$ 50 bilhões, sendo que
de 2002. “Houve, também, a exemplo em Iquitos, na selva amazônica peruana. “O os principais segmentos econômicos são o
do que aconteceu no Brasil, um grande artigo 1º do decreto 288 estabelece a Zona eletroeletrônico e o setor de informática.

22 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


“No ano passado, em decorrência de al- acelerada troca das ligas de chumbo, utiliza-
guns fatores, a soma desses dois segmentos das nas linhas de inserção de componentes
ficou abaixo dos 50%”, disse, acrescentan- na fabricação de produtos eletrônicos, por
do que, em 2007, houve um crescimento ligas de prata”, considerou o representante
forte do setor de veículos de duas rodas da Suframa. Em relação aos investimentos
(bicicletas e motocicletas). totais, Ianck disse que, atualmente, eles estão
No setor eletroeletrônico, ele destacou a orçados em mais de US$ 7 bilhões em todo
produção dos televisores de cristal líquido, pólo industrial de Manaus.
que passou de 180 mil unidades, em 2006, Além das características originais de
para 800 mil, em 2007. “Os televisores Zona Franca, Ianck ressaltou o fato de a
de cristal líquido estão tomando o lugar região também servir de plataforma de
do televisor de cinescópio. Teremos o arrecadação de tributos. De acordo com
mercado quase todo atendido por televi- ele, a concentração de tributos e o ICMS
sores de plasma e de cristal líquido, esse (Imposto Sobre Circulação de Mercadoria
último principalmente. Isso está trazendo e de Serviços) do estado do Amazonas é
uma alteração muito significativa na cadeia importante, pois permite fazer programas
produtiva desses dois produtos dentro da de desenvolvimento sustentável, como a A preservação da floresta amazônica está entre
Zona Franca de Manaus, que é objeto de os projetos da Suframa.
aprovação da lei de mudanças climáticas na
um processo de substituição de produtores Assembléia Legislativa do estado, fazendo
e de importações”, avaliou Ianck. captando recursos internacionais para fazer
com que esses recursos provenientes dos
“No que tange às vendas de bens pro- frente a esse projeto”, afirmou.
impostas se revertam em programas de de-
duzidos na Zona Franca ao exterior, Ianck Entre os projetos estratégicos desenvolvi-
senvolvimento sustentável para a manuten-
disse que, em 2005, as empresas da região dos na Zona Franca de Manaus, o palestrante
ção e preservação da floresta Amazônica.
alcançaram a quantia de US$ 2 bilhões em destacou: o Centro de Ciência, Tecnologia
“Tivemos uma arrecadação total do ano
exportações”. No entanto, nos dois anos e Inovação, vinculado ao desenvolvimento
passado de R$ 12,5 bilhões em impostos.
seguintes – 2006 e 2007 – começou-se a ve- do pólo industrial de Manaus; e o Centro
Como o faturamento é de R$ 50 bilhões,
rificar uma queda nas vendas para o mercado de Biotecnologia da Amazônia, que é para
25% de tudo o que é produzido é arrecado
externo em decorrência do aquecimento do fomentar o desenvolvimento sustentável.
em tributos”, disse.
mercado interno, mas também em razão da Está prevista, ainda, a criação de um pólo
forte valorização do real em relação ao dólar gás-químico. Os estudos para a criação desse
e outros aspectos mercadológicos. “O ano pólo foram feitos pela Petrobras, Universi-
Preservação da floresta dade Federal do Maranhão e Universidade
de 2008 já pode se configurar como o ano
de recuperação das exportações na Zona O representante da Suframa disse, ainda, Federal do Rio de Janeiro. O expositor
Franca de Manaus, especialmente do prin- que a despeito do processo de desenvolvi- informou, ainda, que a Suframa estabeleceu,
cipal produto que é o telefone celular, ,uma mento de produção industrial de Manaus, recentemente, uma design-house em Manaus
vez que aprovamos projetos de programas está sendo possível preservar, dentro do voltada para projetos de circuitos integrados
de exportação de aparelhos de telefonia estado do Amazonas, preservar 98% das dentro do centro tecnológico do pólo. Há
celular calculados em US$ 900 milhões de florestas. “Atualmente, a preservação am- também em curso programa de cooperação
dólares. Essa quantia está voltada apenas biental é um valor muito importante que com centros de nível internacional, nas
para o mercado americano esse ano. Muito tem sido agregado ao processo de integra- áreas de microeletrônica e biotecnológica.
provavelmente chegaremos próximos aos ção e desenvolvimento da Zona Franca de “O Centro de Biotecnologia da Amazônia
US$ 2 bilhões”, previu. Manaus”, afirmou o representante da Sufra- (CBA), que é um projeto desenvolvido junto
Entre os principais produtos de exporta- ma. Ele revelou que o estado do Amazonas com o Ministério do Meio Ambiente e o
ção estão os telefones celulares, motocicletas, tem, hoje, a Lei de Mudanças Climáticas, já da Ciência e Tecnologia, sob a liderança do
televisores, produtos de alto valor e conte- aprovada na Assembléia Legislativa do Estado MDIC, tem o objetivo de fazer com que suas
údo tecnológico agregado. A Argentina, os do Amazonas, que consiste em traça uma pesquisas virem produtos e a biotecnologia
Estados Unidos e o Peru constituem os mer- meta de desmatamento zero, baseada em seja o ponto de desenvolvimento futuro da
cados de destino das vendas desses produtos. uma série de benefícios, fiscais e orçamen- nossa região”, disse Ianck.
Já em relação às principais importações, o tários, às populações que vivem e trabalham Por fim, o superintendente da Suframa
principal produto comprado do Peru pela no interior e que não desmatam. “À medida revelou que a instituição está em processo de
região da Zona Franca é a ligas de prata. “Do que as comunidades demonstram que não internacionalização cada vez mais abrangente.
total de US$ 125 milhões de ligas de pratas está havendo desmatamento, elas recebem Isso se dá por intermédio da participação,
importadas pelo Brasil, a Zona Franca de recursos financeiros diretos através do pro- negociações, promoção comercial, missões,
Manaus responde por US$ 98 milhões. Por grama denominado‘Bolsa-floresta’, que tem congressos e a realização da Feira Internacional
questões tecnológicas e ecológicas, há uma uma fundação feita pelo Estado do Amazonas da Amazônia pelos diretores da Suframa.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 23


P AINEL II

Tecnologia, infra-estrutura e
construção civil em pauta
Painel aborda a importância dos setores portuário, de tecnologia e da
construção para o incremento das relações bilaterais

Da esquerda para direita: Alberto de Araújo Filho, Lucia Maldonado, Luiz Bonfim, Cesar Maia e José Valentin Alvarez: Investimentos em Infra-estrutura
foi tema do Painel II.

As exportações Brasileiras nas áreas de (CDRJ), Luiz Bonfim; e o Diretor da tecnológico no setor de engenharia e,
construção civil, siderurgia e moderni- segundo Araújo Filho, a Bull está cada vez
Odebrecht Logística e Exportação mais se caracterizando por ser uma grande
zação portuária foi tema do Painel da Construtora Norberto Odebre- fornecedora de soluções de engenharia de
II, e teve como presidente da sessão tecnologia da informação no mercado in-
cht, José Valentin Alvarez.
ternacional. O expositor acrescentou que
a vice-Presidente-Executiva da As- a Bull é uma companhia de porte médio
sociação de Comércio Exterior do européia, com faturamento na ordem de
um bilhão e meio de dólares em 2007, e
Brasil (AEB), Lucia Maldonado, e com um perfil de operação fortemente
moderado pelo diretor de Comércio Investindo no Peru orientado para projetos na área de setor

O presidente da Bull, Alberto público, telecomunicações, energia e setor


Exterior do MDIC, Arthur Pimen- financeiro. “Essas operações vêm sendo a
Lemos Araújo Filho, o primeiro
tel. A sessão contou com os exposi- palestrante do Painel II, iniciou vertente de trabalhos da Bull na América
a sua participação dizendo que a empresa Latina, e, em especial no Brasil” disse o
tores: o presidente da Bull, Alberto executivo. Além do Brasil, as operações
investe alto no Peru. A Bull é uma empresa
Lemos de Araújo Filho, o chefe multinacional européia que investe em da Bull na América Latina também estão
tecnologia da informação e tem opera- presentes na Argentina, Uruguai, México
da Divisão de Mercado da Com-
ções no mundo inteiro. A empresa fez, e Peru. “No início de 2007, começamos a
panhia DOCAS do Rio de Janeiro recentemente, opções de investimento observar o mercado peruano na busca por

24 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 25
P AINEL II

novos investimentos. O que nos chamou cações, o executivo disse que a empresa como grandes oportunidades de automa-
a atenção foi a desregulação dos investi- trabalha com vários centros de pesquisa ção e desenvolvimento da sociedade do
mentos no Peru e a forma eqüitativa que internacionais, em distintos domínios tec- Peru. Estamos nos referindo aos processos
o Peru dá ao tratamento sobre os capitais nológicos, com tecnologias de vanguarda de concessão de aposentadoria e de bene-
e investimentos, o que nos permite prever bastante representativas. Um dos centros fícios de forma bastante automatizada e
com maior clareza o retorno dos investi- de tecnologia da Bull de telecomunicações com um incremento grande da cidadania
mentos que a gente pode fazer a médio e fica em São Paulo. relacionada a esse tipo de aplicações”,
longo prazo”, afirmou o palestrante. Quanto ao mercado das utilities, ele explicou. Para ele, o campo de segurança
disse que a Bull atua como uma extensão pública é visto como um grande potencial
do modelo de negócios que a empresa de negócios no Peru, sobretudo em relação
“A super-computação é uma rea- consegue desenvolver ao longo de mais de ao controle de fronteiras. “Há um recru-
lidade e estamos investindo muito 15 anos em investimentos em telecomu- descimento da segurança nas fronteiras na
nessa tecnologia” nicações. Isso, de acordo com o expositor, América Latina decorrente do aumento
faz com que seja possível a empresa tratar do tráfico de drogas e da criminalidade
LEMOS ARAÚJO FILHO
esse mercado de inovações de forma bas- internacional, e isso exige que estados e
tante inovadora. Já em relação ao campo governos façam maiores investimentos
Levando tecnologia da energia, Araújo Filho disse que a Bull em segurança internacional”, afirmou.
também desenvolve tecnologias no cam- Ele acrescentou que no Brasil, a Bull im-
As demandas do mercado peruano para
po do petróleo. “Um bom exemplo de plantou, há dois anos, o novo sistema de
o setor de investimentos em infra-estrutura
empresa que emprega essa tecnologia é a controle de fronteiras. “Entendemos que
também serviram como motor de atração
Transpetro, que a utiliza na gestão dos seus o Peru possa ter grandes benefícios no uso
da empresa, segundo informou Araújo
dutos há muitos anos”, afirmou. Dentro dessas tecnologias”, disse.
Filho. “Investimentos em infra-estrutura
do mercado de desenvolvimento de novas
demandam suporte de tecnologia de in-
tecnologias, o executivo disse que a empre-
formação para que possam ser otimizados Supercomputadores
sa levanta a bandeira em favor do software
e bem desenvolvidos”, explicou. A trans-
livre. De acordo com ele, os investimentos
parência governamental foi, também, um A integração de plataformas e de tecno-
em software livre de grande envergadura
outro aspecto apontado como interessante logias de vanguarda é um outro domínio
para computadores têm permitido a Bull
pela empresa, pois a demanda crescente de negócios que, segundo Araújo Filho, a
ter maior independência tecnológica.
da sociedade peruana por um governo Bull pode contribuir com o Peru. Ele falou
”Todo esse acervo tecnológico também vai
mais transparente tem levado o país a que a empresa tem experiência nesse setor,
ser disponibilizado no desenvolvimento
um incremento na utilização de canais de pois trabalha, há mais de 15 anos, no de-
dos negócios no Peru”, disse. Em relação
comunicação entre governo e sociedade. senvolvimento de todas as tecnologias de
a modelos de software livre, ele destacou
Tal processo exige maiores investimentos faixa intermediária da IBM para o mundo
duas iniciativas. A primeira delas é o desen-
em modernização dos canais para melhor inteiro. “Detectamos no Peru a demanda
volvimento de um robô, que vai trabalhar
atender à sociedade peruana. “Tudo isso está por esse tipo de plataforma. Podemos vir
em conjunto com centros de tecnologia do
totalmente em linha com a nossa visão de a ajudar. Outro exemplo de tecnologia que
Brasil e da Europa com o objetivo de criar
desenvolvimento do mercado. Tomamos, nos parece importante para a sociedade
um gerador de aplicações automatizado. A
assim, a decisão de abrir nossa subsidiária peruana como um todo é o desenvolvi-
segunda iniciativa refere-se a um consór-
no Peru, que começou a operar no início mento das tecnologias de armazenamento
cio com mais de 100 membros, baseado
de 2008. Vislumbramos oportunidades no e estocagem de alta complexidade, e
na Europa, mas com braços na China e
campo da infra-estrutura, da energia, do pe- tecnologias de servidores abertos, como
também no Brasil, no sentido de desen-
tróleo, do gás e das telecomunicações, onde Linux e Windows”, comentou.
volvimento de tecnologia de vanguarda
nós temos bastante experiência na América O palestrante informou, ainda, que,
de software livre.
Latina e internacionalmente”, disse. este ano, foram inaugurados no Brasil os
três maiores computadores da América
do Sul, fora do sistema Petrobras (maior
Suporte Parceria com o setor público usuário de alta potência do país), e que há
Araújo Filho disse que, ao longo dos O desenvolvimento da tecnologia de outros em andamento. “Estamos falando
últimos anos, a Bull está desenvolvendo informação, por intermédio da atuação de novidades e tecnologias que vão estar à
tecnologias de suporte às operadoras da empresa, também ganha espaço dentro disposição do desenvolvimento da socieda-
de telecomunicações. “Hoje, dois terços do setor público peruano. “No campo da de, como no setor da agricultura. A super-
das operadoras brasileiras operam com seguridade social, tivemos a oportunidade computação é uma realidade e estamos
tecnologias que implantamos”, informou de implantar todo o sistema de previdência investindo muito nessa tecnologia”, disse,
o palestrante. No campo das telecomuni- do Uruguai, que também deslumbramos concluindo a sua participação.

26 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


terminais de importação de trigo, termi- móveis realizada tanto no porto do Rio de
nais de bobinas de papel para imprensa Janeiro quanto no porto de Itaguaí, o repre-
e o terminal de passageiros e cruzeiros sentante de Docas disse que, em 2007, cerca
marítimos, este último está em obras de de 197 mil veículos passaram por esses ter-
expansão. “O terminal de passageiro tem minais portuários. Quanto à movimentação
atualmente 100 metros de frente e existe de contêineres, o expositor informou que,
um projeto para modernização da área em 2007, cerca de 600 mil TEUs foram
portuária. Atualmente, estamos fazendo movimentados nos dois portos.
obras nos outros armazéns para fazer
ampliação desse terminal de passageiros “Nas ações sociais, além das
que vai passar a ocupar quatro armazéns
que estão desativados. É um projeto muito que já são desenvolvidas em
bonito que vai inclusive colocar a área cada país e em cada empreen-
portuária num alto patamar em relação dimento, a fundação Odebrecht
à paisagem do Rio de Janeiro. O governo
federal, o governo estadual e a companhia
tem centrado na educação dos
Luis Bonfim, da Docas-Rio, disse que os portos Docas almejam integrar o porto à urbani- jovens”
do Rio movimentaram 48 milhões de toneladas zação da cidade”, afirmou o representante J O S É V A L E N T I N A LVA R E Z
de carga, em 2007. da Docas Rio.
A movimentação de passageiros só existe
Setor Portuário Fluminense no porto do Rio de Janeiro. O expositor Infra-estrutura
contou que, em 2007, 236 mil passageiros
O palestrante seguinte foi Luis Bonfim, Os portos do Rio de Janeiro e de Itaguaí
passaram pelo porto e existe uma projeção
diretor da Companhia Docas do Rio de passaram, recentemente, por obras de in-
para que haja, em 2009, 500 mil passagei-
Janeiro. A companhia faz parte da Secre- fra-estrutura portuária terrestre. No porto
ros, o que vai beneficiar o turismo na cidade
taria Especial dos Portos e representa os do Rio de Janeiro, houve a ampliação da re-
do Rio de Janeiro. “Atualmente, durante a
quatro portos existentes no estado do Rio tro-área, que contou com investimentos de
alta temporada, a escolha dos turistas pelo
de Janeiro: Rio de Janeiro, Niterói, Itaguaí R$ 1,23 milhão. Bonfim disse que há, ainda,
porto do Rio vem aumentando”, afirmou
e Angra dos Reis. Bonfim iniciou a sua a construção de complexo administrativo,
o palestrante. A temporada de navios de
exposição informando que, em 2007, a da instalação portuária para inspeção fito
turismo começa em novembro e termina
movimentação de cargas nos portos do Rio sanitária e a demolição do antigo armazém
em meados de abril.
de Janeiro ultrapassou 48 milhões de tone- frigorífico, uma vez que hoje as cargas
ladas, representando um volume de mais que são frigoríficas vêm em contêineres
de 600 mil TEUs (contêiner de 20 pés). De próprios. Quanto aos investimentos na
acordo com ele, esse resultado é fruto do Investimentos
área de infra-estrutura marítima, Bonfim
programa de investimentos desenvolvido O porto de Itaguaí, que se situa na baía
pelo órgão que, entre muitos pontos, de Sepetiba (região metropolitana do Rio),
trabalha na duplicação da movimentação tem todos os terminais arrendados e estão
do porto, por intermédio da melhoria sendo expandidos com investimentos priva-
da infra-estrutura de acessos terrestres e dos. Os terminais do porto de Itaguaí com-
marítimos. “Com recursos do governo preendem: um terminal de carvão e de mi-
federal, via PAC (Programa de Aceleração nério da Companhia Siderúrgica Nacional
do Crescimento), do governo do Estado (CSN); os terminais de minério e granéis
do Rio de Janeiro e da Prefeitura do Rio de agrícolas da CompanhiaVale; e os terminais
Janeiro, mais de R$ 200 milhões de inves- de contêineres, que movimentam, também,
timentos irão para os portos, nos próximos produtos siderúrgicos e veículos, além de
anos, e vão estimular a movimentação até outras cargas. De acordo com Bonfim, o va-
o limite de 16 milhões de toneladas em lor total das cargas movimentadas no porto
2007, segundo uma projeções feitas pela de Itaguaí cresceu 25% entre 2006 e 2007.
nossa equipe”, disse. “Existem algumas projeções que apontam
Ao falar sobre o porto do Rio de Janei- que, até 2010, é possível que se chegue ao
ro, Bonfim disse que ele está estruturado total de 100 milhões de toneladas. Estamos
em terminais de contêineres, terminais trabalhando para tentar chegar a esse obje-
de embarque e desembarque de automó- tivo”, disse o expositor. Araújo Filho afirmou que a Bull pode contribuir
veis, terminais de produtos siderúrgicos, Em relação à movimentação de auto- com o Peru.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 27


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28 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U
P A I N E L II

social, esse projeto foi implementado em


Angola, tornando-se referência mundial.
Em relação à participação nos diversos
segmentos de construção, Valentin Alvarez
afirmou que a empresa possui 52 mil me-
gawatts em empreendimentos na área de
energia (o equivalente a quatro vezes à po-
tência de Itaipu instalada), além de usinas ter-
melétricas, rodovias, ferrovias e aeroportos.
“Atuamos nas três Américas, África, Europa
e Oriente Médio. O nosso faturamento, em
2007, foi de US$ 3,5 bilhões, dos quais 65%
no mercado externo”, disse o palestrante.
Ele acrescentou que hoje, a Odebrecht conta
com 44 mil funcionários, sendo que a metade
desse total se encontra no exterior.

Atuação no Peru
Alvarez comentou na palestra que o
Peru é um marco da internacionalização
da Odebrecht, em razão de ser o primeiro
projeto executado fora do país, que foi a
construção da usina hidrelétrica de Charca-
José Valentin Alvarez, da Odebrecht: “O centro de tudo da empresa é a confiança nas pessoas, na niV. “As obras começaram em 1979 e, desde
capacitação e no desejo de evoluir”. então, estamos presentes no Peru”, disse o
executivo. Ele revelou que o faturamento
destacou as obras de dragagem do canal de da Odebrecht, em 2006, foi de US$ 214
Odebrecht
acesso, dos aprofundamento dos berços milhões, e, em 2007, a empresa exportou
do porto do Rio de Janeiro para que ele José Valentin Alvarez, diretor da Ode- US$ 4 milhões em bens para o Peru.
brecht foi o último palestrante do Painel
possa receber navios com um calado maior.
II. A empresa, fundada em 1944, atua na
Além das obras, o palestrante informou “Atuamos nas três Américas,
área de engenharia e construção, química
que Docas está implantando o sistema de
balanças e de interligação através de uma
e petroquímica, sendo líderes nessas duas África, Europa e Oriente Mé-
últimas na América Latina, investimentos em dio. O nosso faturamento, em
rede wireless entre as balanças e os portões
infra-estrutura, e açúcar e álcool e hoje se
do porto do Rio de Janeiro.
consagra como uma das maiores companhias 2007, foi de US$ 3,5 bilhões,
Já no porto de Itaguaí, os investimen- do mundo nesses setores. Esse reconheci- dos quais 65% no mercado
tos do governo federal foram da ordem mento internacional se traduz na posição de
de R$ 1,2 milhão em infra-estrutura da externo”
líder na área de hidrelétricas e a 29ª empresa
parte terrestre, como a pavimentação das no ranking mundial de faturamento fora do J O S É V A L E N T I N A LVA R E Z
pistas do porto. O palestrante informou país de origem, segundo dados de publica-
que, da mesma forma que se deram os ções internacionais especializadas no setor Entre os principais projetos desenvolvi-
investimentos no porto do Rio de Janei- de construção. dos no país vizinho, ele citou o Chavimochic
ro, foram realizadas obras de melhoria “O centro de tudo da empresa é a con- (projeto de irrigação desenvolvido no norte
da pavimentação de pistas internas e a fiança nas pessoas, na capacitação e no desejo do Peru) e a rodovia Ilo-Desaguadero (obra
reconstrução da subestação elétrica. “Em de evoluir. Nas ações sociais, além das que já de saneamento em Lima e o sistema de água
termos de instalações prediais, temos no são desenvolvidas em cada país e em cada em- potável). “Estamos, atualmente, atuando
porto de Itaguaí a construção de comple- preendimento, a fundação Odebrecht tem com investimentos em obras públicas e
xo administrativo portuário, orçado em centrado na educação dos jovens”, disse Al- contratos privados. No setor privado,
R$ 400 mil, e a construção de instalação varez, no início da sua apresentação. Ele citou temos um porto em Lima e, em parceria
portuária para inspeção fito sanitária, que como exemplos o projeto desenvolvido na com o setor público, estamos trabalhando
teve investimentos da ordem de R$ 100 região conhecida como Baixo Sul, na Bahia, nas obras do sistema de água potável em
mil”, afirmou, finalizando a sua partici- considerado uma referência de combate à Iquitos”, disse o executivo da Odebrecht,
pação no painel. AIDS, e que, devido ao sucesso dessa ação finalizando a sua exposição.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 29


P AINEL III

Integrando pelos setores da


energia e de serviços
Financiamentos e parceria energética são os temas de debate do Painel III

Da esquerda para a direita: Milas Evangelista de Sousa (Petrobras), ônsul-Geral do Peru, Luis Arribasplata, André de Barros Rüttimann (BNDES),
Jovelino Gomes Pires (AEB).

Presidido pelo secretário de Co- mento Econômico e Social (BNDES) Caribe. “Esses seminários nos ajudam
mércio e Serviços do MDIC, Edson André de Barros Rüttimann; e o a conhecer melhor nossos parceiros,
Lupatini, o Painel III teve como tema: presidente da Câmara de Logística da identificar oportunidades e aumentar
O relacionamento Brasil-Peru nos setores Associação de Comércio Exterior do cada vez mais o comércio com esses
de serviços e energia. As exposições Brasil (AEB) Jovelino Gomes Pires. países vizinhos”, afirmou. Em segui-
ficaram a cargo do cônsul-Geral do O secretário de Comércio e Serviços da, ele mencionou estudos feitos pelo
Peru, ministro Luis Arribasplata; o do MDIC, Edson Lupatini, abriu os Banco Mundial que apontam o Peru
gerente de Avaliação de Desempenho trabalhos de exposição do Painel III como um país competitivo, não só
Internacional da Petrobras, Milas do seminário bilateral Brasil-Peru, em razão da abundância de recursos
Evangelista de Sousa; o gerente do dizendo que o evento vai ao encontro minerais, mas também pela evolução
Departamento de Comércio Exte- do movimento de integração que o gradativa para uma economia que faz
rior e Integração da América do Sul governo brasileiro está promovendo uso eficiente dos fatores de produção
do Banco Nacional de Desenvolvi- na América Latina e também no existentes no país. ”Nos últimos anos,

30 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


a economia peruana cresceu a taxas movimento contrário àquele que onde foi anunciada, recentemente, a des-
coberta de gás, o que abre novos horizon-
bem maiores do que as verificadas vem se identificando no Brasil, com tes para a companhia”, afirmou o gerente.
nos demais países da América Latina. a chegada de grandes empresas Já na Bacia de Talara, a estatal produz 15
mil barris diários de petróleo. “É uma área
Firmou acordos importantes com o multinacionais nessa área. Temos a importante para a nossa produção fora do
Mercosul e também um acordo de possibilidade de internacionalizar Brasil. Já investimos US$ 75 milhões para
ampliar a nossa produção no Peru e, para
livre comércio com os Estados Uni- esse tipo de negócio, que arrastaria os próximos quatro anos, estaremos inves-
dos”, lembrou Lupatini. consigo outros serviços e também tindo mais US$ 350 milhões”, disse.
Ao falar da descoberta de reservas de
O secretário do MDIC disse que o produtos com uma agregação de gás no bloco 57, Evangelista de Souza
Peru está fortemente empenhado valor substantiva”, disse. disse que, agora, o Peru irá figurar entre
os países que são hoje auto-suficientes
em melhorar a sua infra-estrutura no consumo de gás. Atualmente, o Peru
tem uma reserva atual de 16 tcf, com o
em todas as áreas, como a logística, principal volume vindo da Bacia de Ca-
a construção de casas populares, ro- misea. “Mas há o potencial de dobrar esse
volume nas próprias áreas já identificadas,
dovias, água e saneamento. “O Peru
Turismo com estudos adicionais.Temos uma noção
está investindo grande parte dos seus desse potencial atual, com somente o que
recursos para melhoria das condições
de seu povo, e isso tem redundado
em diversos contratos com as em-
P ara fazer o pronunciamento espe-
cial do Painel III, foi convidado o
cônsul-geral do Peru, Luis Arri-
basplata, que tratou, de forma breve, o
tema do turismo. Ele comentou que o país
está descoberto. Uma demanda local está
estimando crescimento nos próximos vin-
te anos na produção de gás e na produção
de energia elétrica”, considerou o gerente
da Petrobras.
presas brasileiras”, afirmou. Dentro andino está investindo no setor de turismo,
buscando qualificar a infra-estrutura e va-
desse setor, ele comentou que as riar todos os nichos. “Já tivemos um turis-
mo tradicional e já tivemos um turismo de “O Peru está investindo grande
empresas brasileiras podem atuar nas
backpackers (mochileiros). Estamos, agora, parte dos seus recursos para
áreas de construção civil, arquitetu- tentando fazer um turismo de maior nível melhoria das condições de seu
ra, engenharia, geração e distribuição para pessoas que gostam de aventura e que
não querem fazer só o tipo de turismo tra-
povo, e isso tem redundado em
de energia elétrica, atividades fabris, dicional”, disse o diplomata. Em seguida, o diversos contratos com as em-
desenho industrial, reparo e manu- presidente do Painel chamou o gerente da presas brasileiras”
Petrobras, Milas Evangelista de Souza, para E D S O N L U PAT I N I
tenção de maquinário. Ele apontou, fazer a exposição sobre os investimentos
também, investimentos que podem da estatal petrolífera no Peru.
Os trabalhos realizados no lote 57
ser feitos por companhias brasilei- ainda estão no estágio inicial. Segundo o
Petrobras no Peru expositor, é preciso, ainda, de um ou mais
ras nas atividades de mineração, na postos de extensão para trabalhar melhor
produção de software e gerência de Evangelista de Souza iniciou a sua essas reservas e talvez outros estudos adi-
exposição informando que a Petrobras cionais. “Até meados de 2009, é provável
serviços financeiros. que nos saibamos o volume exato do que
está presente em três blocos, no Peru,
em áreas localizadas ao norte do país. As foi descoberto no lote 57 e se existe gás no
Segundo ele, há ainda, além do
áreas de atuação da empresa estão na Bacia lote 58”, disse. Ele explicou que, como os
setor de infra-estrutura, outras do Maranhão, Bacia de Madre de Dios e volumes são potencialmente grandes e esse
Bacia de Talara. Ele explicou que na Bacia projetos têm um tempo de maturação de
grandes oportunidades de negó-
Maranhão, a Petrobras tem a participação longo prazo, é preciso começar a pensar
cios do Peru. “Na área do varejo, é no lote 103, junto com outras empresas. desde já nas alternativas para a utilização
Na Bacia de Madre de Dios, a companhia desse gás. Uma das possibilidades de uso,
possível estabelecer grandes mer-
brasileira atua sozinha nos blocos 110 e 58, citada pelo expositor, está ligada a projetos
cados E isso pode representar um e detém 46% do bloco 57. “O bloco 57 é de fertilizantes.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 31


P AINEL III

Trabalhando com a Petroperu em ativos e o patrimônio líquido do BN- Quanto à linha de investimento direto
DES atingiu, em 2007, US$ 14 bilhões. externo, o gerente considerou que o obje-
O gerente da Petrobras disse que a “As liberações do banco vêm dobrando a tivo do BNDES é apoiar investimentos em
estatal brasileira busca parcerias com a cada três anos, e alcançou US$ 34 bilhões projetos de empresas brasileiras no exterior,
Petroperu (estatal petrolífera peruana) ano passado. Este ano, os financiamentos mas a grande parte desse tipo de operação
e ambas assinaram, recentemente, dois devem alcançar ou superar os 40 bilhões”, ocorre na América do Sul. “O BNDES
memorandos de entendimento “Estamos previu o gerente. pode apoiar tanto na construção como na
em vias de assinar um outro, para suporte aquisição de ativos ou na ampliação e mo-
técnico e modernização da refinaria de dernização de novas unidades industriais no
Talara”, afirmou. Ele acrescentou que “Já investimos US$ 75 milhões país, bem como serviços associados, mas
estão em análise outras oportunidades de para ampliar a nossa os beneficiários nesse caso são as empresas
negócio na área de distribuição e na área de produção no Peru e, para os brasileiras de capital nacional”, disse, con-
colocação de lubrificantes da Petrobras na cluindo a sua apresentação.
Petroperu. Ao concluir a sua exposição, o próximos quatro anos, esta-
gerente da Petrobras passou a palavra para remos investindo mais
o gerente do Departamento de comércio US$ 350 milhões” Corredores multimodais
exterior da América do Sul do BNDES,
M I L A S E VA N G E L I S T A DE SOUSA
André de Barros. O último palestrante do Painel III
foi Jovelino Gomes Pires, presidente da
Em relação ao apoio das exportações, Câmara de Logística da Associação de
“Estamos, agora, tentando fa- Ramos explicou que o BNDES tem duas Comércio Exterior do Brasil – AEB. De
zer um turismo de maior nível linhas: pré-embarque e pós-embarque. início, ele teceu elogios ao desempenho
para pessoas que gostam de um A primeira linha refere-se ao apoio a econômico do Peru, lembrando que o país
produção das empresas brasileiras para vem tendo um desenvolvimento muito
turismo de aventura e que não exportação. Já a linha pós-embarque bom e que está atraindo investimentos
querem fazer só o tipo de turis- consiste no apoio à comercialização de para lá. Em razão disso, Gomes Pires
mo tradicional” bens de alto valor agregado para qualquer defendeu uma reavaliação de mecanismos
país. No entanto, o gerente afirmou que o que permitam uma maior aproximação
L U I S A R R I B A S P L ATA
banco tem dado prioridade para os países entre Brasil e Peru. Para que isso seja
da América do Sul. “O BNDES tem dado concretizado, o expositor disse que é pre-
BNDES um foco especial à integração da América ciso dar maior agilidade na construção de
do Sul, também na parte institucional, corredores multimodais. “Acredito que as
Barros fez, de início, comentários a procurando se aproximar das instituições obras de transporte para o Peru precisam
respeito da linha de financiamento a ex- financeiras da região e viabilizando maio- ser terminadas. Para vender serviços para
portações do BNDES, explicando que ela res projetos nesses países”, considerou. esse país, precisamos ir de caminhão. Mas,
inclui tanto financiamento a bens quanto a André de Ramos informou que as quando chove na fronteira, o transporte
serviços. Em seguida, ele disse que o banco exportações financiadas pelo BNDES fica impossibilitado”, disse. Ele fez críticas
tem, também, uma linha de investimento alcançaram US$ 6 bilhões e, para 2008, a à legislação ambiental brasileira que impe-
direto no exterior, onde a instituição previsão é que o financiamento às vendas de a utilização de alguns rios para o trans-
presta apoio às empresas brasileiras que para o exterior volte ao patamar de US$ porte. “Em alguns rios brasileiros, como o
queiram investir em projetos em outros 5 bilhões, com tendências de crescimen- rio Madeira, não podemos utilizá-lo com
países.”O BNDES tem mais de 50 anos to para os anos seguintes. Desde 2003, reclusas por questões ambientais. Essas
de experiência e já participou de grandes o apoio às exportações de serviços pelo barreiras param o país.Temos necessidade
projetos de integração, como a Itaipu BNDES teve um fortíssimo crescimento. de integração entre o Brasil e o Peru”,
binacional, a rodovia que liga o Brasil a Chegou a quase 300 milhões e ano passado disse. Ele explicou que para mandar uma
Venezuela, entre outros. Desde a década chegou à marca de 650 milhões de dólares. carga mais volumosa para o Peru, é preciso
de 90, o Banco tem operado com a linha A previsão é de que nesse ano chegue aos fazer o trajeto São Paulo- Rio Grande do
de financiamento às exportações, sendo 800 milhões de dólares. O banco não apóia Sul-Argentina-Chile, tendo às vezes, que
que a partir de 97 nós temos apoiado as exportação de commodities, porque essa passar pela Bolívia até chegar a Lima. “É
exportações de serviços especificamente”, parte o mercado já atende com outros um trânsito enorme para chegar lá. Por
afirmou. recursos, então o foco do banco está nos isso, é muito importante que as rodovias e
André de Barros disse que o BNDES é a bens e serviços. As garantias que o BNDES as ferrovias sejam acionadas”, avaliou.
principal fonte de crédito a longo prazo do trabalha para esse tipo de financiamento Após o pronunciamento de Gomes
Brasil. Os dados financeiros da instituição são basicamente seguro de crédito para as Pires, o presidente do Painel, Edson Lu-
mostram que o banco tem US$ 114 bilhões exportações. patini, encerrou a sessão.

32 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


ENCERRAMENTO

Trabalhando pela integração


Secretário do MDIC comenta as iniciativas do governo federal para a
integração regional

Composição da mesa da Sessão Solene de Encerramento que teve o pronunciamento especial do secretário de Desenvolvimento da Produção, Ar-
mando Meziat (ao centro).

O presidente da Federação das Geral das Câmaras de Comércio Desenvolvimento da Produção do


Câmaras de Comércio Exterior Exterior da Associação Comercial MDIC, Armando Meziat.
(FCCE), João Augusto de Souza do Rio de Janeiro, Marco Aurélio
Lima, chamou compor a mesa da de Andrade; o diretor-Conselheiro
sessão de encerramento do Semi- do Conselho Superior da FCCE, Prioridade
nário Bilateral de Comércio Exte- Embaixador Paulo Pires do Rio; o
rior e Investimentos Brasil-Peru:
os membros do conselho fiscal da
FCCE, Haroldo Bezerra, Aloísio
secretário de Comércio e Serviços
do MDIC, Edson Lupatini; e o côn-
sul-Geral do Peru no Rio de Janeiro,
N o início do seu pronunciamento,
Meziat afirmou que o Peru é um
país no qual o Brasil tem grande
interesse em aprofundar as suas relações
comerciais, acrescentando que essa movi-
mentação é prioridade de política externa
Belchior e Délio Urpia Seixas, o ministro Luis Arribasplata. Como brasileira. Segundo ele, prova irrefutável da
representante da diretoria e a Fir- presidente da Sessão, o embaixador importância dada pelo Brasil ao continente
se constata no aumento da participação dos
jan, César Moreira; o presidente da plenipotenciário do Peru, Hugo de países sul-americanos no comércio exte-
Câmara de Logística da Associação Zela. Para fazer o pronunciamento rior brasileiro. “Os países do Mercosul já
representam 10,8% do total do comércio
de Comércio Exterior do Brasil, especial da sessão, o presidente da exterior brasileiro, considerando os dados
Jovelino Gomes Pires; o secretário FCCE convidou o secretário de de 2007. Em 2003, eles representavam

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 33


E NCERRAMENTO

Armando Meziat: “Os investimentos feitos por nossas empresas já colocam o Brasil com um dos principais países investidores no Peru”.

7.8%. Já a participação da comunidade do Mercosul desde 2003, o Peru é parte nos últimos cinco anos. Esse montante de
andina passou de 3,5% para 6,7% neste fundamental no processo de integração recursos é proveniente da Petrobrás,Vale,
mesmo período”, afirmou o secretário. regional. E o profícuo relacionamento Ambev, Votorantim Metais e Gerdau, que
bilateral entre Brasil e Peru demonstra lá se instalaram. “Os investimentos feitos
que há um grande potencial a ser explo- por nossas empresas já colocam o Brasil
“Os investimentos feitos por rado”, disse. com um dos principais países investidores
nossas empresas já colocam o no Peru atrás apenas dos Estados Unidos,
Brasil com um dos principais do Chile e da União Européia”, afirmou.
“Os países do Mercosul já re-
países investidores no Peru presentam 10,8% do total
atrás apenas dos Estados Uni- do comércio exterior brasilei- Infra-estrutura
dos, do Chile e da União ro, considerando os dados de Meziat destacou, também, a importância
Européia” do desenvolvimento de projetos de integra-
2007” ção de infra-estrutura de transporte como
A R M A N D O M E Z I AT
A R M A N D O M E Z I AT uma meta para apoiar a expansão do nosso
comércio bilateral. “Cito a Rodovia Intero-
Ele revelou que dentro do objetivo do Na sua visão, as empresas brasileiras ceânica como um exemplo da construção
governo brasileiro em buscar a consolida- podem contribuir para o crescimento de uma nova etapa no relacionamento entre
ção do Mercosul e ampliar a integração de econômico peruano, uma vez que a eco- os nossos países Algumas outras iniciativas já
toda a América do Sul, estão sendo con- nomia desse país oferece oportunidades estão em curso, como a instalação do Fórum
sideradas as assimetrias existentes entre a de investimentos em setores nos quais os Mercosul de Madeira e Móveis e o acordo
economia brasileira e seus congêneres no brasileiros atuam com grande competi- automotivo atualmente em negociação entre
continente. De acordo com o palestran- tividade. “Há um renovado interesse das os nossos países”. Para ele, os benefícios da
te, para diminuir as grandes diferenças empresas brasileiras em se expandir ou em integração, além de da redução de con-
existentes, o governo brasileiro trabalhou implantar novos investimentos em setores tenciosos comerciais bilaterais, refletirão,
de forma intensa para firmar acordos de como de biocombustíveis, siderurgia, por exemplo, nas melhores condições de
livre comércio entre Mercosul e demais mineração e petróleo”, detalhou Meziat. inserção internacional das cadeias produti-
países sul-americanos não pertencentes ao Ele contou, ainda, que o Brasil tem pre- vas integradas, com a geração de maiores
bloco (Chile, Bolívia,Venezuela, Equador, sença econômica crescente no Peru, com exportações e, consequentemente, de maior
Colômbia e Peru). “Membro associado investimentos da ordem de US$ 1,3 bilhão número de empregos e de renda.

34 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


POLÍTICA COMERCIAL

Estimulando o crescimento do
fluxo de comércio
Secretário do MDIC diz que a diminuição do saldo comercial é resultado
do bom desempenho da economia brasileira

Para Ivan Ramalho, o Brasil precisa importar mais dos países vizinhos.

O crescimento da economia brasi- Exterior do Ministério do Desenvol- mundo, sobretudo com os países da
leira vem fazendo com que o País vimento, Indústria e Comércio Exte- América do Sul.
aumente as importações. Contudo, rior (MDIC), Ivan Ramalho. Muitas
grande parte das nossas compras no vezes presente aos seminários bilate-
exterior estão voltadas mais para o rais organizados pela FCCE, Ramalho O Peru é o primeiro país convidado a
participar da série de seminários bi-
incremento da produção industrial disse, em entrevista, que o cenário do laterais promovida pela FCCE. Qual é
interna, dando, assim, mais dinamis- comércio exterior brasileiro vai bem, o peso desse país no comércio exte-
rior brasileiro na visão do MDIC?
mo à indústria nacional. A análise é uma vez que se verifica o aumento
Ramalho – Em relação ao Peru, o
do secretário-executivo de Comércio do fluxo comercial do Brasil com o MDIC aplaude a iniciativa de convidar

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 35


P OLÍTICA C OMERCIAL

esse país para o seminário, uma vez que Ramalho – Sim, é isso mesmo. Obser- vendas brasileiras nos tradicionais
o governo busca, cada vez mais, trabalhar ve que tivemos um crescimento do PIB e nos novos mercados?
para a integração da América Latina. superior a 5%, em 2007. Este ano, a
Ramalho – Nós do MDIC estamos
Além disso, uma parcela considerável economia brasileira continua crescendo.
trabalhando no sentido de dar maior
do superávit brasileiro se dá justamente A atividade industrial está aumentando
diversificação nos destinos. Hoje, o
com o comércio dos países da região, e bastante. No entanto, ao analisar a pauta
principal comprador de produtos brasi-
isso inclui o Peru. Mas hoje, o governo brasileira de importação com mais pro-
está estudando projetos, juntamente com fundidade, verificaremos que a grande leiros continua a ser os Estados Unidos,
muitos países da América Latina para maioria das compras brasileiras no mas comprando menos de 20% de tudo
estimular as importações de produtos exterior está vinculada ao crescimento o que o Brasil exporta. Assim, 80% de
da região. Felizmente, no caso do Peru, da produção industrial. O Brasil vem tudo que nós vendemos ao exterior con-
isso aconteceu no ano passado. Em 2007, importando bens de capital, princi- segue estar muito bem distribuído, e de
as importações brasileiras de produtos palmente máquinas e equipamentos, e forma muito satisfatória. E a distribuição
peruanos cresceram bem mais do que as que correspondem a mais de 20% do também se dá nas vendas, uma vez que
nossas exportações para o Peru. total das nossas importações atualmente. o Brasil não exporta apenas um grupo
Além disso, temos também um aumento de produtos.
considerável de importação de matérias-
primas utilizadas para processamento
“Tivemos um crescimento do PIB
industrial, representando 50% de toda “Nós do MDIC estamos tra-
superior a 5%, em 2007. Este a nossa pauta. Os bens de consumo im-
ano, a economia brasileira conti- portados representam algo em torno a balhando no sentido de dar
nua crescendo” 10% do total. maior diversificação nos
I VA N R A M A L H O destinos”
Mas existem setores da indústria
I VA N R A M A L H O
que fazem reclamações em rela-
Como o MDIC observou a diminui- ção ao aumento das importações
brasileiras, sobretudo em razão do Muitos críticos da política de co-
ção do saldo comercial brasileiro
câmbio valorizado. mércio exterior brasileira alegam
em 2007 e a tendência de cair ainda
mais em 2008? que as exportações estão muito
Ramalho – É claro que, dentro desses
atreladas à forte demanda por
Ramalho – No que diz respeito 10% de bens de consumo importados,
há certo desconforto por parte de alguns commodities no mercado mundial.
ao comércio exterior, um dos focos Como o senhor observa essas crí-
principais do governo é estimular o setores que se sentem prejudicados,
como os setores de brinquedos, têxtil, ticas?
crescimento do fluxo de comércio. Evi-
dentemente que algumas circunstâncias e de calçados. Mas é bom lembrar que Ramalho – Muito se fala do peso das
fazem com que, em alguns momentos, as exportações, mesmo com o câmbio commodities nas exportações brasileiras, o
as exportações crescem mais do que as desfavorável, continuam crescendo e é que é, de certo modo, verdadeiro, mas,
importações, e, em outros momentos, provável que elas mantenham o ritmo, é preciso especificar que muito do que
provocados até pelo crescimento da sobretudo porque nós conseguimos di- é considerado como commodities por
própria economia brasileira, as impor- versificar os destinos das exportações. analistas de mercado, na verdade são
tações cresçam mais. E é o que está produtos que passaram por um processo
acontecendo agora. As importações es- de industrialização. Temos o exemplo do
tão apresentando crescimento superior “É bom lembrar que as expor- aço, do alumínio, do açúcar que, apesar
ao crescimento das exportações, devi- de serem cotados como commodities, na
do, em grande parte, ao crescimento da tações, mesmo com o câmbio verdade sofreram transformações indus-
economia brasileira. desfavorável, continuam triais, sendo considerados como produ-
crescendo” tos semi-industrializados. Mas, quando
Significa, então, que o governo já I VA N R A M A L H O
observamos as commodities básicas, como
trabalha com a expectativa de um minério de ferro, soja, algodão e café em
saldo menor na balança comercial grão, verificaremos que elas represen-
este ano, em razão do crescimento Em relação aos destinos, como tam menos da metade de tudo o que o
econômico? o MDIC vem acompanhando as Brasil exporta atualmente.

36 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


FINANCIAMENTO

Apoio às empresas brasileiras


na América do Sul
Gerente do BNDES comenta as ações do banco no auxílio às exportações
de bens e serviços no continente

André de Barros Rüttimann é portação, que, em 2007, alcançou serviços de obras de infra-estrutura
gerente do Departamento de Co- níveis recordes para o continente para os anos seguintes.
mércio Exterior e Integração da sul-americano. Segundo Barros
América do Sul do Banco Nacional Rüttimann, a tendência é que haja
Como o senhor avalia a atuação do
de Desenvolvimento Econômico e um aumento expressivo nos de- BNDES no ano passado?
Social (BNDES). Em entrevista à sembolsos em 2008, sobretudo em Barros Rüttimann - O ano de 2007 foi
o período em que o BNDES viu consoli-
Revista da FCCE, ele falou sobre o função do crescimento econômico dando o seu apoio à área de exportação,
desempenho do banco no processo de vários países da região, sobre- especialmente na região sul-americana.
Foi quando alcançamos o recorde de
de liberação de financiamentos à ex- tudo do Peru, e que demandarão desembolsos, isto é, de liberações para

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 37


F INANCIAMENTO

US$ milhões

Histórico dos desembolsos concedidos pelo BNDES nos últimos dez anos.

o apoio à exportação de bens e serviços a exportação de equipamentos para obras exportações de bens. Temos aí o exemplo
para os países da América do Sul, che- no metrô e de construção de uma hidre- de exportação de ônibus para o sistema
gando à quantia de US$ 433 milhões, um létrica e apoiamos a exportação de ônibus TRANSLIMA, que ainda está em análise,
aumento superior a 50% em relação ao para o Chile. Assim, todas essas operações já mas há também outros projetos como
ano anterior. contratadas vão gerar um expressivo volume construção de hidrelétricas e linhas de
de liberações ao longo de 2008 e superarão, transmissão que, por ventura, o BNDES
com bastante folga, o recorde de 2007. pode apoiar empresas brasileiras que quei-
Em quais áreas do setor de exporta-
ram atuar nesses mercados no Peru.
ção houve mais destaque?
Qual o índice usado pelo BNDES
Barros Rüttimann – As liberações do
na cobrança dos financiamentos à A atual crise financeira pode afetar
BNDES para as exportações se destinaram,
exportação? os financiamentos do BNDES para
em sua maioria, a projetos de infra-estrutu-
este e para os próximos anos?
ra. Há também financiamentos a vendas de Barros Rüttimann – O BNDES utiliza
máquinas agrícolas, a ônibus e outros bens, o índice Libor como referência de juros Barros Rüttimann – Não, porque a linha
mas a parte mais expressiva se destinou às para o financiamento às exportações. Es- de financiamentos que o BNDES trabalha
exportações de bens e serviços para obras ses financiamentos à exportação de bens está focada em produtos de alto valor agre-
de infra-estrutura, engenharia e construção de infra-estrutura e serviços geralmente gado, que é o setor de infra-estrutura. Os
civil. têm prazos superior a cinco anos. Assim, o países do nosso continente vêm apresentan-
BNDES aplica o índice Libor mais extenso do crescimento econômico muito forte, o
do mercado que, hoje, apresenta uma taxa que demanda investimentos nessa área, e
Quais são as expectativas do banco
de juros 3,5% ao ano. Além da Libor, nós isso tem gerado muitas oportunidades para
para 2008?
também incluímos o spread cobrado pelo os exportadores brasileiros. E essas são ex-
Barros Rüttimann – Para 2008, em Banco. portações que tem longa maturação e, uma
relação à América do Sul, a perspectiva é vez fechado o contrato, independente de
que o volume cresça significamente e pode turbulências que ocorram em curto prazo,
vir a alcançar entre US$ 600 milhões e Em relação ao Peru, como o banco
as obras são tocadas.Assim, a nossa previsão
US$ 700 milhões. Já temos operações re- está auxiliando as empresas brasilei-
de aumento nos desembolsos para 2008,
levantes contratadas com a Argentina, por ras que atuam nesse país?
pode até não chegar a US$ 700 milhões,
exemplo, num projeto de expansão de gaso- Barros Rüttimann – A relação do mas ficará muito próxima a isso, indepen-
dutos. Na Venezuela, estamos financiando banco com o Peru está concentrada nas dente da crise financeira mundial.

38 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


DPZ
BNDES-exim.
Tirar o seu projeto do papel.
Esse é o nosso projeto.
Esse é o nosso papel.

O BNDES-exim, além de ser o mais importante instrumento de financiamento às exportações de produtos brasileiros,

é também o caminho mais curto entre as empresas de serviços e o mercado global. Se você trabalha com projetos, obras,

desenvolvimento de software e outras atividades na área de serviços, consulte as soluções BNDES-exim e leve seus

conhecimentos para o mundo. Se o serviço da sua

empresa é competitivo, com o BNDES apoiando ele

fica imbatível. Acesse www.bndes.gov.br/exportacao.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 39


E NERGIA

Apostando no mercado de
energia peruano
Gerente da Petrobras comenta sobre as recentes ações da empresa no Peru

O Peru é uma das maiores apostas


da Petrobras para os próximos
anos. Com pesados investimentos
no país, a estatal petrolífera bra-
sileira foi responsável pela desco-
berta de uma das maiores reservas
de gás no Peru e há projeções de
que mais descobertas estarão por
vir. Participando do Painel II do
Seminário Bilateral de Comércio
Exterior e Investimentos Brasil-
Peru, o gerente de Avaliação de
Desempenho Internacional da
Petrobras, Milas Evangelista de
Sousa concedeu entrevista à Re-
vista da FCCE, na qual comentou
sobre os movimentos da empresa
no país vizinho.

Qual é a atividade do cargo que o


senhor ocupa na Petrobras?
Evangelista de Sousa – A minha
atividade é cuidar do planejamento,
orçamento e avaliação de desempenho
das unidades internacionais, com exce-
ção do Cone Sul (Argentina, Paraguai,
Chile e Bolívia).

40 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


“O grande feito da Petrobras, está em produção que, é o lote 10, e pensando e analisando são alternativas
que é produção de óleo mesmo. E, além de fornecer esse gás para o abasteci-
até o momento, foi a descoberta
disso, ela tem cinco ativos que são de mento doméstico do Peru, dentro do
feita pela Petrobras de gás no exploração de gás. No entanto, o grande projeto de petroquímica, e, também, no
lote 57, localizado na região feito da Petrobras, até o momento, foi a projeto de GNL (gás natural liquefeito)
de Camisea, na zona central do descoberta feita pela Petrobras de gás no para exportação.
lote 57, localizado na região de Camisea,
Peru” na zona central do Peru. Estamos atuan- “A Petrobras está dando suporte
M I L A S E VA N G E L I S T A SOUSA do em conjunto com a Repsol, e o bloco
DE
técnico à reforma que a Petro-
nos deu uma nova oportunidade no Peru,
Há quanto tempo a Petrobras está podendo trazer uma série de outros novos peru está fazendo na refinaria
no Peru? negócios na área de gás. Essa descoberta de Talara”
é muito importante porque representa M I L A S E VA N G E L I S T A DE SOUSA
Evangelista de Sousa – A Petrobras
tudo o que nós tínhamos anteriormente.
está no Peru desde que ela adquiriu a Perez
Além disso, no lote 58, que é um lote A Petrobras atua em parceria com a
Companc da Argentina, em 2002. A Perez
contíguo ao lote 57, há expectativas, estatal peruana Petroperu?
Companc estava no Peru desde 1996 e,
geradas em estudos preliminares, de que
assim, assumimos as operações que essa Evangelista de Sousa – A Braspetro
haja também volumes expressivos de gás
empresa tinha no Peru até então. comprou por US$ 423,3 milhões 40%
natural. Cada um destes poços a ser per-
furado vai custar US$ 50 milhões. da empresa espanhola Valores Interna-
“Por questão de logística, a gente cional de España, o que lhe garantiu,
indiretamente, participação na Petrobras
pensa que seria melhor não tra- O gás peruano vem para o Brasil? Energia Peru (ler mais detalhes no Box).
zer esse gás para cá” Evangelista de Sousa – De fato, Estamos discutindo vários projetos com a
M I L A S E VA N G E L I S T A DE SOUSA há hoje no Brasil um déficit de gás e Petroperu. Estamos com um projeto de
existem possibilidades de que o gás parceria no setor da petroquímica e agora
peruano venha ao nosso país. Mas, por a Petrobras está dando suporte técnico à
Como está a atuação da Petrobras
questão de logística, a gente pensa que reforma que a Petroperu está fazendo na
no Peru?
seria melhor não trazer esse gás para cá, refinaria de Talara. Além disso, há outras
Evangelista de Sousa – A Petrobras mas, sim, trocar essa carga com outros movimentações no sentido de cooperação
tem cinco ativos principais, um dos quais países. Por isso, por ora, o que está se técnica em outras áreas no país.

Divulgação: Petrobras

Ativo de produção do bloco 57. Localizado na região de Camisea, na zona central do Peru, o bloco poder trazer uma série de outros novos negócios
na área de gás.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 41


I NTEGRAÇÃO E I NFRA - ESTRUTURA

Marcando presença no Peru


Atuando no fortalecimento do processo de integração Brasil-Peru,
a Construtora Odebrecht se destaca na execução de projetos no país
vizinho

Hidrelétrica de Charcani V: a primeira obra da Odebrecht no Peru, construída em 1979

O Peru representa um país de gran- atuação internacional da empresa, a Odebrecht, desde então, nunca
de importância para a Construtora com a construção da Hidrelétrica mais saiu do país. Na década de 90,
Norberto Odebrecht, uma das mais de Charcani V (135 MW), na en- fundamos a Odebrecht-Peru para
importantes empresas exportado- costa do vulcão Misti, na região intensificação da nossa presença no
ras de serviços de engenharia do andina, em 1979. O sucesso do em- país, disse o diretor Logística e Ex-
Brasil. De fato, o país foi a primeira preendimento foi tão grande que portação da Construtora Norberto

42 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


Odebrecht, José Valentin Alvarez., Corredor Viário Interoceânico Sul quatro primeiros anos de concessão serão
(Projeto IIRSA Sul) investidos cerca de US$ 210 milhões em
em entrevista à Revista da FCCE. obras num trecho de 900 km.
A construção da Rodovia Interoceânica,
De acordo com Valentin Álvares, que ligará Inapari, cidade peruana situada
na fronteira com Assis Brasil, no Acre, aos Projeto Olmos
foi nesse período que a empresa portos marítimos peruanos de Ilo, Matara-
Projeto Olmos consiste em obras para
ni e San Juan, contará com mil quilômetros
desenvolveu, no Peru, a segunda irrigação e geração de energia elétrica.
de asfalto, e vai completar, pela primeira
Dentro deste projeto terá uma usina, um
etapa do projeto Chavimochic, vez, uma ligação direta entre os oceanos
túnel que atravessará uma montanha e um
Atlântico e Pacífico na América do Sul. A
sistema de canais para 40 mil hectares. O
para irrigação de áreas desérticas conexão entre Brasil e Peru será feita pela
custo total das obras de transposição das
ponte sobre o Rio Acre. O custo estimado
águas do Projeto Olmos será de US$ 185
no país, com mais de 200 km é de US$ 700 milhões, segundo dados do
milhões, sem contar aplicações em geração
Itamaraty.
de canais, além de sistemas de hidrelétrica e o sistema de irrigação. Desse
A logística de integração, pelo lado valor, US$ 77 milhões já foram garantidos
distribuição da água, redes de dre- brasileiro, inclui duas rotas fundamentais. por financiamento pela Corporação Andi-
A primeira delas é pela BR 364, que in- na de Fomento (CAF), através do Estado
nagem e obras complementares. A terliga Campo Grande, no Mato Grosso peruano – como co-financiamento – e
do Sul, a Cuiabá, no Mato Grosso. De lá a mais US$ 50 milhões, também da CAF,
sucursal do Peru foi transformada, Porto Velho, em Rondônia e, depois a Rio por gestão própria da Concessionária
Branco, capital do Acre.Depois, pela BR Transvase Olmos S.A.
em abril de 2003, em Odebrecht Peru 317, segue de Rio Branco a Assis Brasil,
O contrato com a concessionária, em-
Ingeniería y Construcción S.A.C., e se na fronteira com o Peru. A outra rota
presa da Odebrecht, foi assinado em 22 de
vai de Manaus, no Amazonas, até Porto
julho de 2004 com o governo peruano. Na
constituiu numa empresa nacional Velho pela hidrovia do Rio Madeira. Dali,
primeira etapa, uma barragem represará as
o trajeto segue para outra rota: BR 364
águas do Rio Huancabamba, direcionando
peruana, conforme a legislação do até Rio Braço e BR 317 até Assis Brasil.
parte de seu fluxo para a vertente dos Andes
A Odebrecht Peru, líder do consórcio
Peru e habilitada para participar que desce em direção ao Oceano Pacífico,
formado com as peruanas JJC, ICCGSA
através de um túnel de 19,3 km de extensão
e Garña y Montero, ganhou dois dos três
em licitações no país. Ao longo da trechos da licitação, em um total de 703
por dentro da montanha. Daí em diante, a
água movimentará as turbinas de uma usina,
sua trajetória, a Odebrecht Peru quilômetros. O restante do trajeto ficará
para a geração inicial de 850 GWh/ano de
a cargo do consórcio Intersur, integrado
energia, e um sistema de canais permitirá
contou com a participação de 21 por Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e
a irrigação de 40 mil ha de terra.
Camargo Corrêa, ganhou a concorrência
mil funcionários e executou obras, no trecho Inambari-Azangaro, que tem Quando as terras forem irrigadas, esta-
extensão de 305 quilômetros. rão criadas as condições para o surgimento
com investimentos calculados em de um dos maiores pólos exportadores
de frutas e legumes da América Latina,
US$ 1,6 bilhão. “Atualmente, Eixo Multimoda Amazonas Norte com potencial para a geração, em curto
(Projeto IIRSA Norte) prazo, de cerca de 10 mil oportunidades
estamos participando da constru- diretas de trabalho e até 50 mil indiretas,
Esta foi a segunda conquista da subsi-
ção de duas rodovias do projeto derivadas da movimentação de centenas
diária da Odebrecht no Peru. No dia 17
de empreendimentos locais.
de junho de 2005, a Concessionária IIRSA
IIRSA. Este é o nosso maior proje- Norte, formada por Odebrecht (líder, A obra que deverá criar uma nova era
com 48,9%), Andrade Gutierrez e Graña de prosperidade no norte do Peru resulta
to no Peru hoje”, disse o diretor da y Montero, assinou contrato com o Minis- de uma Parceria Público-Privada (PPP)
empresa. Confira os projetos que tério de Transportes, também através da na qual o Estado peruano participa com
Proinversión, para construção, reabilita- US$ 77 milhões e a concessionária con-
estão atualmente em andamento ção, operação e manutenção da estrada que tribui com os recursos adicionais para as
liga o Porto de Paita, no Pacífico, ao Porto obras e demais compromissos contratuais
no Peru: deYurimaguas, na Amazônia peruana. Nos e operacionais assumidos.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 43


C OMÉRCIO

“Câmara vai auxiliar o pequeno


e médio empresário a conhecer
mais o Peru”
Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil – Peru fala sobre
projetos de incentivo para a aproximação bilateral

Cesar Maia é presidente da Câ- reais potencialidades existentes. graduação em comércio exterior,
mara de Comércio e Indústria A falta informação por parte dos César Maia falou, em entrevista à
Brasil –Peru no Rio de Janeiro. pequenos e médios empresários Revista da FCCE, sobre algumas
No cargo desde fevereiro de 2008, é um dos entraves apontados por ações da Câmara e a avaliação dos
ele avalia que as relações brasi- ele para que não haja um maior movimentos das relações bilate-
leiro-peruanas estão evoluindo interesse por investimentos no rais entre Brasil e Peru. Confira,
de forma satisfatória, apesar de país vizinho. Formado em admi- a seguir, os principais trechos da
ainda estarem muito aquém das nistração de empresas e com pós- entrevista:
44 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U
Enquanto alguns elegem a segurança como
bandeira, outros ainda preferem correr riscos.

Em qual grupo você está?


FBI é o parceiro ideal para quem busca segurança nos negócios internacionais. Presente em mais de
200 países, analisa e trata de informações sobre as empresas e seus gestores, além da situação do
próprio país, detectando o nível de idoneidade comercial do seu futuro parceiro. Para isso, conta com
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cadastrais necessários para que você possa administrar e controlar possíveis riscos.

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Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 45
C OMÉRCIO

Como estão as relações entre a


Câmara e os e os empresários dos
dois países?
Cesar Maia – Viajei recentemente ao
Peru e estabeleci alguns contatos com
outras câmaras correspondentes nesse
país, especialmente a Câmara de Lima. E
lá assumimos alguns projetos na área de
desenvolvimento de banco de dados para
fortalecer as pequenas e médias empresas,
pois entendemos que as grandes empresas
já têm a competência de ter um banco de
dados mais completo.

Qual é o objetivo desse projeto?


Cesar Maia – A gente compreende as
dificuldades de se conseguir a abertura
de novos mercados. Por isso, a necessi-
dade de potencializar as empresas. Então,
decidimos construir esse banco de dados
tanto para o setor profissional quanto para
o setor empresarial, porque a gente enten-
de que os pequenos profissionais podem, Praça Central de Lima, capital do Peru: Cesar Maia quer que pequenas e médias empresas brasi-
potencialmente, abrir uma empresa e a leiras possam investir no mercado peruano
gente quer potencializar ainda mais isso,
desenvolvendo esse projeto. Aqui no estado do Rio está se montando Brasil representa 3,4% das exportações
um centro de tecnologia da informação, peruanas. Esse dado demonstra o gran-
fazendo, assim, que tenhamos, em breve, de grau de potencialidade que a gente
Está mais fácil hoje para uma empre- capacidade de exportar essa tecnologia ao pode chegar entre um país e outro. É só
sa brasileira investir no Peru? Peru. O Rio de Janeiro tem também uma verificar que as relações comerciais do
experiência muito boa na área turística, Brasil com o restante da América Latina
Cesar Maia – Muitas coisas que deixam
onde empresários entendem a importân- cresceram de forma significativa e con-
de acontecer hoje no mercado de comér-
cia de se investir em outros países. Há, seguiram suplantar o que era exportado
cio de exterior se dão pela falta de infor-
também, no estado arranjos produtivos para os Estados Unidos. E num momento
mação. Nós temos, de forma clara, grandes
como o têxtil que, apesar de ser um setor que esbarramos nas barreiras e prote-
oportunidades para o setor empresarial
expressivo, ainda não possui conhecimento cionismo americano, o Brasil consegue
nas relações bilaterais porque nós temos a
necessário de comércio exterior e a Câma- encontrar no mercado latino-americano
proximidade geográfica.Temos, também,
ra pode auxiliar nesse processo. boas oportunidades comerciais.
indicadores econômicos parecidos e o
equilíbrio político, que é importantíssimo
para que os contatos comerciais se fortale-
E há uma demanda por parte do em- Então o senhor é um otimista para
çam. E, por isso, que o desenvolvimento
presariado brasileiro e fluminense o futuro das relações bilaterais de
do banco de dados na Câmara vai auxiliar,
para investir no Peru? comércio entre Brasil e Peru.
sobretudo o pequeno e médio empresário
a conhecer mais o Peru e, assim, fazer com Cesar Maia – Não temos como dar Cesar Maia – Sim, mas apesar de ser
que ele se interesse a investir lá. uma resposta objetiva a essa pergunta. um otimista, entendo que ainda temos
De fato, está havendo um aumento no que trabalhar muito para que possamos
fluxo de comércio entre os dois paí- alcançar o verdadeiro potencial dessa
O senhor é da Câmara do Rio de
ses. Os dois governos têm trabalhado relação. É claro que devemos continuar
Janeiro. Quais são as empresas flu-
para fortalecer o comércio exterior e a buscar os grandes mercados como a
minenses que podem ser potenciais
a balança comercial dos dois países está União Européia, os Estados Unidos, a
investidoras no Peru?
evoluindo bastante. Mas, apesar disso, as China, mas não podemos negligenciar
Cesar Maia – Os serviços é uma área na relações comerciais entre Brasil e Peru os mercados latino-americanos, e isso
qual o Rio de Janeiro se destaca bastante. ainda precisam ser melhor exploradas. O inclui o peruano.

46 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


ZONA FRANCA

Produção em crescimento
Superintendente da Suframa fala sobre o aumento da produção e do
faturamento da Zona Franca de Manaus e das relações entre o pólo
industrial e o Peru

Oldemar Ianck, superintendente-adjunto da Suframa, disse estar otimista com o projeto de integração sul-americano.

O ano de 2007 foi bastante repre- perintendente-adjunto da Suframa, entre o pólo e o país sul-americano.
sentantivo para Superintendência da Oldemar Ianck, um dos participantes Criada em 1967, a Zona Franca sur-
Zona Franca de Manaus (SUFRA- do Seminário Bilateral de Comércio giu, inicialmente, como um projeto
MA). O aumento no faturamento Exterior Brasil-Peru. Palestrante do que visasse ao desenvolvimento da
das empresas localizadas na região da Painel I do seminário, Ianck disse, região amazônica. Hoje, ela atua,
Zona Franca de Manaus vem fazendo em entrevista concedida à Revista além das suas atribuições originais,
com que haja espaço para maiores in- da FCCE, que o projeto IIRSA vai como um pólo de exportação e
vestimentos, o que faz com que haja representar ganhos para o comércio importação importante para o Brasil
um ciclo virtuoso na economia local, exterior brasileiro, sobretudo para a e, segundo ele, estreitar as relações
sobretudo no que tange à geração de Zona Franca de Manaus, em virtude com o Peru. Leia, a seguir, os prin-
empregos diretos e indiretos. O su- da proximidade geográfica existente cipais trechos da entrevista:
Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 47
Z ONA F RANCA

Como o senhor avalia o desempe-


nho da Suframa em 2007?
Oldemar Ianck – Em termos de fatura-
mento, saímos de US$ 22,8 bilhões para
US$ 25,7 bilhões. Crescemos também na
produção em vários segmentos. Este é o
caso da produção de set-top box ( conver-
sores de sinais de satélite e transmissão
de televisão via cabo e TV digital). Outro
setor que não para de crescer é o destinado
à produção de veículos de duas rodas. Na
produção de motocicletas, registramos, em
2007, um crescimento em torno de 23%
em relação ao ano anterior. Já na produção
de bicicletas, houve um aumento de 50%
em 2007 quando comparado a 2006.

Entre os produtos fabricados na


Zona Franca de Manaus, quais fo-
ram os destaques em 2007?
Mapa que detalha a área de atuação da Suframa.
Oldemar Ianck – A TV LCD é, com
certeza, um produto de grande destaque
na Zona Franca. Em 2006, o pólo produziu fronteiras e para que haja um adensamento O Brasil está, certamente, incluído,
180 mil unidades de TV LCD, e, em 2007, na atividade econômica e dessa forma esti- entre os países que mais se desta-
chegamos a 800 mil unidades. Em com- mular uma maior presença do Estado, tanto cam no avanço do uso de produtos
pensação, tivemos uma queda na produção da parte brasileira, como da parte do Peru e de alta-tecnologia, sobretudo na
de televisores convencionais. A produção da Colômbia. Na medida em que nós temos produção de telefonia celular. Nesse
de microcomputadores também avançou na fronteira uma atividade econômica, cer- contexto, é possível afirmar que a
em 2007, registrando um aumento de tamente teremos mais segurança em termos Suframa exerce grande contribui-
50% em 2007, em relação a 2006. Isso foi de presença de Estado. ção para esse perfil?
resultado das ações do governo que deso- Oldemar Ianck – Em 2007, o Brasil al-
nerou a cadeia produtiva na fabricação de Dentro do programa IIRSA (Ini- cançou a marca de 100 milhões de celulares
computadores pessoais, o que fez com que ciativa para a Integração da Infra- habilitados. Apesar de a Zona Franca de
houvesse uma sensível queda nos preços e estrutura Regional Sul Americana), Manaus não ser o único pólo produtor de
garantiu maior acesso ao produto para a quanto ganhará a Suframa nesse aparelhos de telefonia celular no Brasil, uma
população de renda mais baixa. projeto que prevê a construção de vez que também há fábricas no eixo Rio-São
grandes eixos de integração? Paulo, temos a maior empresa de celulares
Oldemar Ianck – O IIRSA vai dar um salto do mundo instalada na Zona Franca, que é
Quanto às relações bilaterais Bra- a Nokia. E, em 2008, conseguimos fechar a
quantitativo e qualitativo nas nossas relações
sil-Peru, como a Suframa atua no venda de US$ 900 milhões de aparelhos de
com o Peru, já que exportamos muitos pro-
sentido de estreitar os contatos co- telefonia celular para os Estados Unidos. E
dutos para esse país, como telefones celulares,
merciais entre os dois países? isso é muito bom para a região porque são
motocicletas e disjuntores para a área elétrica.
Oldemar Ianck – É importante dizer, Por outro lado, importamos ligas de prata que celulares de alta tecnologia empregada, e,
antes de tudo, que a Zona Franca de Manaus são utilizadas na produção de placas de circui- para fabricá-los verifica-se a demanda por
é principal locomotiva econômica da região. to interno de produtos eletrônicos, que estão uma mão-de-obra altamente qualificada
Mas a nossa atividade econômica não se em processo de substituição. As ligas prata e, por conseguinte, bem remunerada. E,
restringe a Manaus. E, na fronteira leste da estão sendo cada vez mais utilizadas na Zona além disso, não serão empregados apenas
região amazônica, temos Peru e Colômbia, Franca para o processo de produção, pois, funcionários para trabalharem na Nokia, mas
que formam com o Brasil uma área de li- ao invés de usar o estanho e o chumbo, que também serão gerados empregos para toda a
vre-comércio, localizada em Tabatinga, no apresentam restrições em âmbito ambiental, cadeia produtiva que estará envolvida dentro
estado do Amazonas. Ela é uma espécie de passamos, recentemente, a usar essas ligas e o desse processo de fabricação, que vai desde a
extensão da Zona Franca comercial, justa- Peru é um dos nossos principais fornecedores produção de componentes plásticos, metais e
mente para fomentar o comércio entre as desse produto. eletrônicos, e confecção de fios e cabos.

48 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


GASTRONOMIA

Cebiche
Prato tradicional peruano, o cebiche con-
quista pelo aroma, sabor e mistura de peixe
cru e ingredientes de variadas origens étnicas.

Um pescado bem fresco, cru, branco e fir- listas do setor de gastronomia como um dos
me posto sobre um camada rasa de suco de mais saborosos e inventivos pratos de toda a
limão, uma pitadinha de alho, sal, aji, e pou- América Latina. Conhecido por vários nomes,
cas lascas de cebola, podendo ser adiciona- mas sendo o Cebiche o termo mais popular,
do ainda a batata doce ou aipim e o milho o prato consegue traduzir toda a diversida-
para acompanhar. Essa é uma das inúmeras de étnica existente no Peru, passando pela
receitas de um dos pratos mais populares da origem indígena e chegando até mesmo a
culinária peruana e tido por muitos especia- ter influência da culinária japonesa.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 49


G ASTRONOMIA

História

Por um longo período, os habitantes da costa viviam às Uma outra explicação para o surgimento do o nome reside
custas dos frutos, como a garoupa ou a corvina, que haviam no fato de a palavra ter origem árabe “Sibech” – que é como
em abundância no Oceano pacífico. Freqüentemente os se designa a comida ácida –, pelo uso do limão para o tem-
peixes eram temperados com aji ou outras pimentas da terra. pero do prato. O limão é de origem norte-africana, região do-
No século XVI, os espanhóis trouxeram os limões, da África do minada e habitada pelos árabes desde o século VII d. C.
Norte, e as cebolas e alhos, das cidades Mediterrâneas. Com Por fim, há a hipótese de a palavra ter tido origem em ra-
a contribuição de diversas culturas, os ingredientes foram se zão do seu preparo com o peixe bonito. Considerado como
complementando e inspiraram a criação da sua majestade um prato exclusivo dos pescadores, negros, mulatos, índios
o cebiche, o rei entre os pratos crus do Peru. A origem da e mestiços, o peixe bonito, que tem um forte sabor oleoso,
palavra cebiche é incerta, mas há algumas hipóteses. Sabe- quando usado para a preparação, diziam que o prato era feito
se que em quechua ( língua que era falada na região central como um “Sebo” com cebola e limão. Da conjugação destes
dos Andes desde bem antes da época do Império Inca) este conceitos vem o nome de “Cebiche”. O cebiche inicialmen-
prato se chama siwichi. Por outro lado, há historiadores que te era um prato das camadas mais pobres da população do
dizem que o nome sebiche vem da palavra viche (’fresco’ en Peru, entrando para o cardápio de restaurantes no século XX.
chibcha, língua indígena falada no Panamá, Colombia, Equa- No norte do país, é comum encontrar cebiche de conchas.
dor e norte do Peru). Seu significado seria ‘pescado fresco’. Em Lima, de linguado e corvina, e no sul, de frutos do mar.

Peixe cru por excelência

Num país onde as comidas que marcam país são as da palavra – estiradito- que é a forma japonesa de estirar
mais picantes, o cebiche consiste em pedaços miúdos de o pescado para o corte diagonal. No caso do tiradito, o
pescado ou camarões que se mesclam ao suco de limões pescado passa apenas por uma camada de limão e é co-
com muito aji; cebola roxa, azeite e se conservam assim berto com um creme de aji, em qualquer tipo de acompa-
por algumas horas até que o pescado se impregna de pi- nhamento. Além de poder ser feito de peixe, os cebiches
menta e quase cozinha com a ação da acidez do limão. podem levar camarão, lagostins, ouriços do mar, ostras e
Uma variedade do cebiche é o tiradito, nome proveniente mexilhões.

Cebiche: a delícia culinária peruana


Receita

Ingredientes
- 1 xícara (chá) de peixe branco picado
- 1 colher (chá) de azeite extra virgem
- suco de 2 limões
- 1/3 xícara (chá) de maçã verde picada
- 1 colher (sopa) de cebola roxa picada
Modo de Preparo
- 1 colher (café) de raiz forte (opcional)
- 1/2 xícara (chá) de manga Haden picada Numa tigela misture peixe branco picado, azeite extra vir-
gem, suco de limão, maçã verde picada, cebola roxa picada,
- 1 colher (sopa) de ciboulette picada raiz forte (opcional), manga Haden picada, ciboulette picada
- pimenta-de-cheiro a gosto e pimenta-de-cheiro a gosto. Bom apetite.

50 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 51
C ULTURA

Em defesa da
liberdade

Mario Vargas Llosa

52 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


Consagrado escritor peruano,
Vargas Llosa é uma das maiores
referências literárias latino-
Livros
americana

Jornalista, dramaturgo, ensaísta e


crítico literário, Mario Vargas Llosa
é, talvez, ao lado Gabriel Garcia
Marquez, o mais aclamado escritor
vivo da literatura latino-americana
em todo mundo. Peruano, nascido
na cidade de Arequipa, em 1936, é

Divulgação: Editora Objetiva


autor de 15 romances, 18 ensaios
e oito peças de teatro, Vargas Llo-
sa versou sobre os mais variados
temas, mas sempre focando em
dilemas com foco na busca da
liberdade dentro de um contexto
sócio-político liberal e democráti-
co.Tudo isso descrito em narrativas poderia curar-me desta ‘doença’. Mas mal sabia ele que
refinadas e de grande penetração ele estaria me dando o tema do meu primeiro livro”,
nas mais diferentes culturas mundo disse em entrevista a uma rede de TV espanhola. Ele
afora. De fato, o peruano é descrito, conta, ainda, que quando esteve internado no colégio,
por muitos críticos literários mundo lia diversas romances de aventuras, como todos Os Três
afora, como um dos maiores exem- Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, e Os Miseráveis, de
plos de escritores da América Latina Victor Hugo. “Naquela época, para mim, a literatura era
de autores que conseguiram mesclar uma forma de resistência ao sistema de autoridade, que
a unidade e diversidade regional. Não havia no colégio. E a literatura era a liberdade. Eu creio
obstante essa façanha, ele conduzir a que a literatura é a última trincheira da liberdade. Por
reflexão sobre o desenvolvimento da isso, nos países autoritários, a literatura é uma forma de
cultura latino-americana, dentro de um resistência para as pessoas que escrevem e para as pessoas
escopo de integração transnacional, assi- que lêem”. Após sair do colégio, Vargas Llosa estudou
milada de maneira recíproca. Em outras na universidade de São Marcos em Lima, e depois, em
palavras, Antonio Candido considerou que 1959, viajou para Madrid, onde graduou-se doutor em
Vargas Llosa, é um dos poucos escritores Filosofia e Letras pela Universidade Complutense de
nascido na periferia do globo, que consegue Madrid. Já nos anos 60, muda-se para Paris, onde trabalha
uma enorme aceitação nos países centrais. como jornalista.
O sucesso internacional de Vargas Llosa se deu após
a publicação do livro A Cidade e os Cães, em 1961. Em
A Cidade e os Cães, o Colégio Militar Leôncio Prado,
Reconhecimento internacional é o cenário da ação (foi nesse colégio que Vargas Llosa
Vargas Llosa foi enviado para estudar no co- estudou) e, nas palavras do escritor, representava um
légio militar pelo seu pai, que acreditava que o microcosmo do Peru, pois havia garotos de todas as
ambiente rígido poderia ‘curar’ o filho do amor regiões e setores sociais do país. “Eu vim de uma família
que ele nutria pela literatura. “Para o meu pai de classe média e tive uma infância muito protegida da
a literatura era uma receita para a boemia, para família. De modo que eu não conhecia a violência dos
o fracasso econômica, além de ser uma atividade conflitos sociais. Neste ponto, o colégio foi-me muito
pouco viril. Então, ele achou que o colégio militar instrutivo. Foi uma experiência ingrata, é verdade, mas
Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 53
C ULTURA

muito instrutiva. Aprendi realmente conhecer o país que primeiro governo, quis nacionalizar os bancos, as com-
eu havia nascido”, disse em entrevista a uma TV espa- panhias de seguros e todas as empresas financeiras. E
nhola. Mas, se o romance A Cidade e os Cães o projetou isso me pareceu um retrocesso terrível para o país, uma
internacionalmente, o livro Pantaleão e as Visitadoras, ameaça à democracia, pois quem controla a economia
lançado em 1973, que marcou, de vez, o escritor como pode se eternizar no poder”. Logo após as eleições, Llosa
um dos mais importantes representantes literários da mudou-se para Londres e retornou às suas atividades
América Latina e da língua espanhola como um todo. O literárias. Apesar do auto-exílio (Em 1993, Llosa obteve
livro conta a história de um militar (Pantaleão Pantoja) nacionalidade espanhola sem renunciar à nacionalidade
dotado de um senso de disciplina profundo, e que foi en- peruana), o escritor peruano continuou a manifestar as
carregado pelo Exército peruano a organizar um bordel suas posições políticas em favor do liberalismo demo-
itinerante. Sua missão é reduzir as taxas de estupro nas crático. Por várias vezes teceu críticas ao mandato do
zonas militarizadas, oferecendo prostitutas aos soldados. presidente Alberto Fujimori, chamando-o de ‘ditador
Em cartas enviadas aos seus superiores, ele relata o seu sutil’. No entanto, apesar dos seguidos comentários
sucesso e os testes que faz pessoalmente com as “visita- políticos, Vargas Llosa afirma que jamais concorrerá a
doras”. Tudo vai bem até ele se apaixonar pela mais bela nenhum cargo eletivo.
das prostitutas, a Colombiana. Era a dicotomia entre a Em 1993, Mario Vargas Llosa fez a estréia mundial de
rigidez e autoritarismo, representada pelo personagem sua peça “Loco de los Balcones” (Louco dos Balcões). A
Pantaleão, e a liberdade, vivida na pele da visitadora história da peça se passa em um dos bairros de Lima, a ca-
Colombiana. Em 1981, Vargas Llosa publica A Guerra pital peruana, El Rimac. Inicialmente ocupada por famílias
do Fim do Mundo, que tem a Guerra de Canudos como ricas do Peru, o bairro hoje se tornou um grande cortiço.
tema para a sua narrativa. As Travessuras de uma Menina Esses casarões são marcados pela presença dos Balcões em
Má é o último romance publicado por Llosa. Nele, é suas fachadas.A peça de Llosa discute se deve-se preservar
contada a história do peruano Ricardo, um jovem ide- ou não os balcões. O personagem principal da peça, um
alista e sonhador, que vive em Paris (a cidade dos seus professor italiano que vive em Lima, sofrendo ao ver a
sonhos) e seus encontros e desencontros com Lily, seu história da cidade ser totalmente destruída e apagada, sai
amor de adolescência, que tem como características o na defesa dos balcões, enfrentando problemas dos mais
inconformismo e o pragmatismo no trato das questões variados. O tema sobre a dicotomia velho e novo, atraso
da vida. Como pano de fundo, o escritor traça a traje- e modernidade. A sua última investida teatral aconteceu
tória das transformações políticas vividas na Europa, em 2008, quando adaptou trechos da famosa obra As Mil
do idealismo dos anos 60 até o fim das utopias políticas e uma Noites. Além da adaptação, Vargas Llosa também
vividas nos anos 90. atua, interpretando o rei Chahryar, que escuta as histórias
de Chahrzad.
Política e teatro
Em 1990, convencido de que poderia trazer moderni-
dade e i firtalecimento da democracia no Peru,Vargas
Llosa resolveu concorrer à presidência do seu país.
Candidatou-se pela Frente Democrática (Fre-
demo) e chegou ao segundo turno, mas foi
derrotado pelo então desconhecido profes-
sor universitário, Alberto Fujimori. “Fo-
Mario Vargas Llosa
ram as circunstâncias que me levaram
a algo que nunca havia pensado antes.
Na verdade, a minha participação
M
política veio para protestar contra
uma tentativa de nacionalizar todo
o sistema financeiro peruano. O
presidente Alan Garcia, em seu
RELAÇÕES BILATERAIS

O saldo comercial peruano, que apresentou déficits até 2001, sofreu uma inversão em
2002 e passou a apresentar superávits crescentes. O maior saldo positivo ocorreu em
2006, total de US$ 8,5 bilhões. No ano de 2007, o saldo somou US$ 7,8 bilhões.

Intercâmbio Comercial
Brasil – Peru
A R T I G O E L A B O R A D O P E L A E Q U I P E D O D E PA RTA M E N TO D E
P L A N E J A M E N TO E D E S E N VO LV I M E N T O
D O C O M É R C I O E X T E R I O R DA S E C R E TA R I A
DE COMÉRCIO EXTERIOR DO MDIC

Comércio Exterior do Peru


Em 2001, após dez anos de governo de Alberto Fujimori, o Peru
passou por uma conturba sucessão presidencial. Além da crise política,
este ano foi marcado por uma economia estagnada com uma taxa de
crescimento do PIB de apenas 0,2%. Superada a crise política, o Peru
passou a apresentar um desempenho econômico notável. As taxas de
crescimento do PIB se expandiram rapidamente e culminaram com
um aumento anual de 9,0% em 2007. Neste ano, o PIB peruano foi de
US$ 109 bilhões.
No mesmo período, o comércio exterior peruano experimentou um
crescimento acelerado que culminou com uma corrente de comércio
de US$ 48,1 bilhões em 2007, 236% superior ao montante de 2001,
de US$ 14,3 bilhões.
Este aumento de cerca de 23% ao ano foi ocasionado, principalmente,
pelo desempenho das exportações. No período, as vendas externas peru-
anas quadriplicaram e passaram de US$ 7,0 bilhões, em 2001, para US$
28,0 bilhões, em 2007. As importações também apresentaram um bom
desempenho, ao passarem de US$ 7,3 bilhões, em 2001, para US$ 20,2
bilhões, no último ano, resultando em um crescimento de 176%.
O saldo comercial peruano, que apresentou déficits até 2001, sofreu
uma inversão em 2002 e passou a apresentar superávits crescentes. O
maior saldo positivo ocorreu em 2006, total de US$ 8,5 bilhões. No ano
de 2007, o saldo diminuiu ligeiramente e somou US$ 7,8 bilhões.
A última informação disponível sobre composição das exportações do
Peru, do ano 2006 – International Trade Centre, revela que o principal
item da pauta é minério, especialmente de cobre e zinco, com um total
de US$ 6,3 milhões, representando 26,5% do total. O segundo item
mais vendido pelo país foi pedras e metais preciosos, total de US$ 4,6
bilhões, 19,3% da pauta; seguido por artigos de cobre, US$ 3,6 bilhões,
15,0% da pauta; combustíveis minerais, US$ 1,9 bilhão, 8,0%; resíduos
das indústrias alimentares, US$ 1,2 bilhão, 5,0%; artigos de vestuário,
US$ 1,1 bilhão, 4,6%; café, chá e especiarias, US$ 590 milhões, 2,5%;
zinco e obras, US$ 469 milhões, 2,0%; pescado, US$ 313 milhões,
1,3%; e produtos hortícolas, US$ 300 milhões, 1,3%.
As importações peruanas, no mesmo ano, foram compostas principal-
mente por: combustíveis minerais, total de 3,0 bilhões, 19,3% do total
das compras; máquinas e equipamentos mecânicos, US$ 2,2 bilhões,
14,2% da pauta; máquinas e equipamentos elétricos, US$ 1,5 bilhão,
9,6%; veículos automóveis, US$ 993 milhões, 6,5%; plásticos e obras,

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 55


R ELAÇÕES B ILATERAIS

US$ 894 milhões, 5,8%; ferro a aço, US$ 583 milhões, 3,8%; cereais,
US$ 525 milhões, 3,4%; artigos de ferro e aço US$ 435 milhões, 2,8%;
papel e cartão, US$ 385 milhões, 2,5%; e produtos farmacêuticos, US$
272 milhões, 1,8%.
O maior parceiro comercial do Peru são os Estados Unidos. Em 2006,
24,0% das exportações se destinaram a este mercado, totalizando US$
5,7 bilhões. O segundo maior destino das vendas peruanas é a china, com
participação de 9,6% no total e soma de US$ 2,3 bilhões; seguida por
Suíça, 7,1%, e total de US$ 1,7 bilhão; Canadá, 6,8%, US$ 1,6 bilhão;
e Chile, 6,0% e US$ 1,4 bilhão.
Nas importações, os Estados Unidos foram origem de US$ 2,5 bilhões
das compras peruanas, representando 16,4% do total. A China foi o
segundo maior fornecedor ao país com US$ 1,6 bilhão, 10,3%; seguida
pelo Brasil, com US$ 1,5 bilhão, participação de 9,9%; Equador, US$
1,1 bilhão, 7,1%; e Colômbia US$ 951 milhões, 6,2%.
Como visto acima, o Brasil é o terceiro maior fornecedor de produtos
ao mercado peruano, com participação de 9,9% na pauta importadora
do país. Em 2007, esta participação reduziu-se para 8,2%. Quanto as
vendas do Peru, o Brasil foi destino de 3,6% da pauta em 2007, acima
da participação de 2006, de 3,3%.

Intercâmbio comercial entre Brasil e Peru – 2007


O intercâmbio bilateral entre Brasil e Peru acompanhou a escalada
do comércio exterior peruano nos últimos anos. A partir de 2001, a
corrente de comércio cresceu sussecivamente e atingiu o maior valor
histórico em 2007, quando totalizou US$ 2,7 bilhões, total 15,4%
superior ao de 2006.
As exportações brasileiras para o mercado peruano se destacaram ao
atingir o valor de US$ 1,7 bilhão no último ano, crescimento de 9,2%
em relação a 2006. As compras brasileiras de produtos peruanos também
apresentaram bom desempenho ao atingir a soma de US$ 1,0 bilhão, com
aumento de 27,4% sobre o ano anterior.
O superávit no comércio bilateral para o lado brasileiro foi de US$
645 milhões em 2007, montante 10,7% inferior ao alcançado em
2006.
O Peru foi o vigésimo segundo maior destino das exportações brasi-
leiras, com participação de 1,0% na pauta total de 2007. Esta colocação
é duas posições inferior à ocupada em 2006. Relativamente ao ranking
de países de origem das compras externas nacionais, o país perdeu
também duas posições. Atualmente, o Peru ocupa a 28 posição entre os
principais provedores de mercadorias ao Brasil, com uma participação

56 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 57
R ELAÇÕES B ILATERAIS

de 0,8% no total da pauta.


A pauta brasileira de exportação para o Peru é majoritáriamente
composta por produtos manufaturados, 78,7% do total de 2007. A
categoria de básicos respondeu por 19,1% do montante e a de semima-
nufaturados, por 1,7%. O único grupo que apresentou crescimento no
comparativo 2007/2006 foi o de produtos manufaturados, ao registrar um
aumento de 19,4%, de US$ 1,1 bilhão em 2006, para US$ 1,3 bilhão em
2007. Os semimanufaturados apresentaram queda de 7,7% e totalizaram
US$ 28 milhões em 2007 e os básicos se retraíram em 17,0%, ao somarem
US$ 315 milhões.
Os principais produtos exportados para o mercado peruano em 2007
foram: petróleo (total de US$ 295 milhões e participação na pauta de
17,9%), chassis com motor (US$ 120 milhões, 7,3%), aparelhos trans-
missores e receptores (US$ 101 milhões, 6,1%), máquinas e aparelhos
para terraplanagem (US$ 92 milhões, 5,6%), veículos de carga (US$ 79
milhões, 4,8%), fio-máquina (US$ 75 milhões, 4,6%), tratores (US$
60 milhões, 3,7%), papel e cartão (US$ 41 milhões, 2,5%), polímeros
plásticos (US$ 41 milhões, 2,5%) e produtos laminados planos de ferro
ou aço (US$ 41 milhões, 2,5%).
Do lado das importações brasileiras de produtos peruanos, 63,5%
foram compostas por produtos semimanufaturados. Esta classe de
produtos apresentou aumento de 41,3% no comparativo 2007/2006 e
totalizou US$ 632 milhões no último ano. Os produtos básicos responde-

58 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 59
R ELAÇÕES B ILATERAIS

ram com 25,8% do total e somaram US$ 257 milhões ao crescerem em


14,1% de 2006 para 2007. Já, os produtos manufaturados se retraíram
em 7,7% no mesmo comparativo, para um total de US$ 107 milhões,
o que representou 10,8% da pauta total.
Os principais produtos comprados pelo Brasil da Peru em 2007
foram: catodos de cobre (total de US$ 378 milhões e participação de
37,9% na pauta), minério de zinco (US$ 250 milhões, 25,2%), prata em
forams brutas (US$ 113 milhões e 11,3%), chumbo em formas brutas
(US$ 71 milhões, 7,1%), zinco em bruto (US$ 61 milhões, 6,1%),
barras, perfis e chapas de cobre (US$ 40 milhões, 4,0%), chapas, folhas
e películas de plástico (US$ 12 milhões, 1,2%), produtos hortícolas
(US$ 12 milhões, 1,1%), cabos e fibras sintéticos ou artificiais (US$ 8
milhões, 0,8%) e fios de algodão (US$ 4 milhões, 0,4%).
Ao se considerarem as unidades da federação que exportaram para
o Peru em 2007, destaca-se a participação do Estado de São Paulo,
que foi responsável por US$ 740 milhões em exportações para este
mercado, representando 44,9% da pauta total. Os demais principais
estados brasileiros que exportaram para o Peru foram: Rio de Janeiro
(US$ 385 milhões, participação de 23,4% no total), Rio Grande do
Sul (US$ 114 milhões, 6,9%), Paraná (US$ 113 milhões, 6,8%), Minas
Gerais (US$ 110 milhões, 6,7%), Santa Catarina (US$ 54 milhões,
3,3%), Amazonas (US$ 33 milhões, 2,0%), Bahia (US$ 31 milhões,
1,9%) e Espírito Santo (US$ 26 milhões, 1,6%). A demais unidades da
federação exportaram US$ 44 milhões e foram responsáveis por 2,6%
das vendas totais ao Peru.
Já, do lado das importações, Minas Gerais foi o estado que realizou
o maior volume de compras de produtos peruanos, soma de US$ 268
milhões e participação de 26,7% na pauta total. Em seguida, encontran-
se entre os principais estados: Espírito Santo (US$ 224 milhões, 22,3%),
Santa Catarina (US$ 212 milhões, 21,1%), Amazonas (US$ 99 milhões,
9,8%), São Paulo (US$ 76 milhões, 7,6%), Paraná (US$ 50 milhões,
5,0%), Mato Grosso do Sul (US$ 26 milhões, 2,6%), Pernambuco (US$
20 milhões, 2,0%) e Bahia (US$ 19 milhões, 1,8%).
No ano de 2007, 3.027 empresas brasileiras exportaram para o Peru.
Este número significou um aumento de 4,5%, 129 empresas em termos
absolutos, em relação ao ano anterior, quando 2.898 empresas exporta-
ram para este mercado. O número de compradores nacionais de produtos
peruanos também aumentou, no comparativo 2007/2006, ao passar de
403 para 457 empresas, aumento de 54 empresas ou 13,4% a mais.

Elaboração: DEPLA/SECEX

60 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


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é fruto dos avanços da pela execução do projeto,
economia, diz presidente uma placa comemorativa
do BNDES pela marca de quatro
• O presidente do milhões de homens/horas
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Agência Brasil
Desenvolvimento Econômico com afastamento, alcançada
e Social (BNDES), Luciano em março. A obra, executada
Coutinho, considera que a a 200 km de Lima, inclui
elevação do Brasil à categoria o projeto de engenharia,
de investment grade representa fornecimento e construção
reconhecimento por parte de uma ponte de atracação de
do mercado internacional 1.350 m de comprimento,
do êxito das mudanças pelas instalações para
quais passou a economia carregamento de navios GLP,
do país. Ao mesmo tempo, incluindo uma plataforma de
sinaliza que o “ciclo GLP e bóias de amarração,
virtuoso de crescimento um canal de aproximação
Coutinho, presidente do BNDES, disse que a obtenção do grau de inves-
com estabilidade” terá e um quebra-mar offshore
timentos é fruto da boa condução da política econômica brasileira.
prosseguimento. “O PIB de 800 m de comprimento.
está crescendo a mais de Iniciado no segundo semestre humor da economia mundial, o mercado internacional
5% ao ano, impulsionado de 2006, o projeto deve ser é crescente a influência dos de etanol, garantido a
pelo mercado interno e, concluído em 2011. Criada produtos mais simples no liderança brasileira na área
particularmente, pela alta do em 2003, a Peru LNG é saldo (ainda) positivo do de Biocombustíveis, uma
investimento”, afirmou. uma empresa peruana de comércio exterior brasileiro. vez que com uma logística
O presidente do BNDES propriedade da texana No entanto, analistas alertam adequada, o Brasil poderá
considera que a medida Hunt Oil Company, da sul- que essa mesma volatilidade ter preços competitivos
permitirá maior fluxo de coreana SK Corporation e da faz com que seja difícil para a exportação deste
financiamento externo e de espanhola Repsol YPF. prever o que acontece com combustível.
novos investimentos diretos, esses preços para antecipar os O alcoolduto é parte do
contribuindo para sustentar Impacto dos preços no resultados da conta comercial Corredor de Exportação
o ciclo de investimento comércio externo em curto e médio prazos. de Etanol que começa
da economia brasileira • Estatísticas apresentadas no Terminal de Senador
e, conseqüentemente, o pelo Ministério do Petrobras cria empresa Canedo, em Goiás, passa por
crescimento econômico. Desenvolvimento, Indústria e para projetos de Uberaba, em Minas Gerais,
“Com isso, reduz-se o Comércio Exterior mostram alcoolduto Ribeirão Preto, Paulínia e
custo de capital para o que o efeito da crise
financiamento da dívida internacional no comércio • A Petrobras, Mitsui&Co. Guararema, em São Paulo.
LTD e Carmargo Correa Do Terminal de Guararema,
pública e dos grandes externo brasileiro não deve S/A criaram no dia 28/3 o duto segue para o Terminal
projetos de longo prazo. causar grandes impactos, a empresa PMCC Projetos de São Sebastião, no Litoral
Abrem-se, assim, novas frente a uma eventual de Transporte de Álcool Norte de São Paulo e para o
oportunidades para o correção nos elevados preços S.A., com vistas à execução Terminal da Ilha d’Água, no
BNDES viabilizar os recursos das commodities. A alta do projeto do alcoolduto Rio de Janeiro, através do
necessários à expansão do dos preços internacionais que será construído entre poliduto OSRIO, já existente,
investimento.” dos produtos primários Senador Canedo(GO) e que passará a ser exclusivo
comercializados pelo Paulínia (SP), além do trecho para etanol.
Projeto da Odebrecht no Brasil para o exterior são que interligará a Hidrovia
Peru bate recorde em os principais responsáveis Tietê-Paraná ao Terminal Arqueólogos descobrem
segurança pelos valores crescentes das de Paulínia. Segundo o cidade de 5.500 anos no
• A Peru LNG Company, exportações e importações diretor de Abastecimento Peru
contratante das obras da do país. Como os preços dos
Planta de GLP de Pampa produtos industrializados são
da Petrobras Paulo • Um time de arqueólogos
Roberto Costa, a criação peruanos e alemães descobriu
Melchorita, concedeu à menos sensíveis que os das desta empresa é um fator recentemente uma praça
Odebrecht, Saipem e Jan commodities às flutuações de importante para desenvolver circular do complexo

62 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U


arqueológico de Sechín Bajo, áreas como a de infra- Superintendência da Zona de novas frentes econômicas,
a mais antiga construção estrutura e a energética. Franca de Manaus (Suframa) como um pólo gás-químico
peruana, com 5.500 anos García reclamou também e a Universidade Federal na Capital do Amazonas.
de idade. Segundo o jornal que os investimentos do Amazonas (Ufam) vai Os cursos fazem parte de
“El Comercio”, os 25 testes da Petrobras no Peru viabilizar a formação de um investimento de R$ 5,6
de Carbono 14 realizados caminham lentamente. O mão-de-obra especializada milhões que a autarquia está
comprovaram que o local presidente peruano ouviu do voltada à distribuição de gás aplicando na universidade e
foi construído cerca de 500 presidente Luiz Inácio Lula natural, ao desenvolvimento que abrange o financiamento
anos antes da cidadela de da Silva a promessa de que os de software (programa) para de um total de oito cursos.
Caral, considerada a mais empresários brasileiros vão a TV digital e à biotecnologia, Além disso, o valor também
antiga do Peru até então. investir mais no país vizinho e áreas identificadas como custeará os projetos de
Além disso, a construção de que a Petrobras irá responder estratégicas para o futuro aprimoramento do Centro
Sechín Bajo coincide com o de forma mais ágil a demanda econômico do Amazonas. de Informações Toxicológicas
início das culturas egípcia e do Peru. Segundo a assessoria da do Hospital Universitário
mesopotâmica. Suframa, no setor industrial, Getúlio Vargas (HUGV) para
A praça circular, de dez Brasil e Peru construirão por exemplo, a tecnologia atender as demandas das
metros de diâmetro, hidrelétrica bilateral em digital já está dando novo empresas do Pólo Industrial
pertence ao primeiro dos solo peruano fôlego à produção de de Manaus (PIM) e o que
três períodos construtivos • Brasil e Peru assinaram televisores e de set-top vai permitir a construção
do complexo arqueológico um acordo de intenções box (conversores). Já o gás de indicadores para a
de Sechín Bajo, situado em para a construção de uma natural de Urucu irá otimizar avaliação socioeconômica das
Casma, no departamento hidrelétrica conjunta em o parque energético e servirá ações de interiorização do
de Áncash. Ela se encontra solo peruano, conforme de alicerce para o surgimento desenvolvimento da Suframa.
rebaixada em pelo menos informou o ministro de
dois metros em relação ao Minas e Energia Edison
solo, foi construída com Lobão durante a abertura
pedras e adobes retangulares do Fórum Global de
e teria servido como ponto Energias Renováveis, em
de encontro para socializar Foz do Iguaçu, em maio.
as pessoas. A descoberta se A central começará a ser
deu após 16 anos de trabalho, construída no ano que vem
iniciados em 1992, em por uma empresa brasileira
Sechín Bajo. O Peru tem filiada à Eletrobrás e uma
diversos sítios arqueológicos, companhia peruana, não
e muitos deles precedem o divulgada. A capacidade da
império Inca, que atingiu o usina é estimada em 3.400 A Revista dos Seminários Bilaterais
seu auge no século 16, antes megawatts. O ministro de Comércio Exterior e Investimento,
da invasão dos espanhóis. afirmou, ainda, que os
dois países já assinaram organizados pela FCCE, é distribuída
Alan García pede um entendimento para a entre as mais destacadas personalidades,
mais investimentos de construção de outras 14
brasileiros no Peru hidrelétricas em território do Brasil e do exterior, que atuam no
• Durante o Seminário peruano, cuja energia será comércio internacional.
Empresarial Brasil-Peru, integralmente importada
realizado em Lima, capital do pelo Brasil, já que o Peru tem
Peru, em maio, o presidente excedente de energia oriunda
Anunciar aqui é fazer chegar o seu produto
do Peru, Alan García pediu da matriz hídrica. a quem realmente interessa, a quem
mais investimentos das decide.
empresas brasileiras no país Investimento prepara
ao discursar na abertura do especialistas para Procure-nos.
evento. Segundo Garcia, a era da TV digital,
o Peru busca alcançar o do gás natural e da Tel.: 55 21 2570 5854
crescimento de 11% ao ano biotecnologia eduardo.teixeira@abrapress.com.br
e para isso precisa expandir • Parceria entre a
Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P E R U 63
Federação das Câmaras de Comércio Exterior
Foreign Trade Chambers Federation
Fédération des Chambres de Commerce Extérieur
Federación de las Cámaras de Comercio Exterior

Conselho Superior
Membros Vitalícios

Antônio Delfim Netto

Benedicto Fonseco Moreira

Bernardo Cabral

carlos Geraldo Langoni

Ernane Galvêas

Giulite Coutinho

Gustavo Affonso Capanema (vice-presidente)

José Carlos Fragoso Pires

Laerte Setúbal Filho

Milton Cabral

Paulo D’Arrigo Vellinho

Paulo Pires do Rio

Paulo Tarso Flecha de Lima

Philippe Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança

Theóphilo de Azevedo Santos (Presidente)