ETE – BACAXÁ - HELBER VIGNOLI MUNIZ

TEMA: TRATAMENTO DE ÁGUA DAS CALDEIRAS

GRUPO OU ALUNO: GRUPO 5 (NROS 26 A 31)

TURMA: 3611 – SEGURANÇA DO TRABALHO

DISCIPLINA: PRINCÍPIOS DE TECNOLOGIA INDUSTRIAL DOCENTE: PROFESSOR MARIO NISO

OUTUBRO DE 2012

.............................................. 12 2 ........ 7 CONCLUSÃO .............................................................................................................................................................................. 4 Possíveis transtornos causados pelo mau tratamento da água ................................................................................................................... 4 Qualidade da água ......ÍNDICE INTRUDUÇÃO .............................................................................................................................................................. 11 Bibliografia: ...................... 3 Água para caldeiras: conheça os principais problemas e saiba como tratá-las .................................................................................... 5 Como evitar estes problemas: filtrando água para caldeiras ....................

água e energia são tão discutidos nos meios acadêmicos e econômicos e são temas mundiais. 3 .INTRUDUÇÃO Nos dias atuais. onde o meio ambiente. o aumento da procura por fontes renováveis de energia é tão importante quanto a preservação e racionalização dos meios de geração de energia. faz-se necessário a busca das melhores práticas na utilização e reutilização dos recursos para a geração de todo o tipo de energia. principalmente na utilização de biomassa e outros resíduos para a geração de energia. Neste trabalho apresentamos a necessidade do tratamento de água para uso e reuso nas caldeiras para que dessa forma seja ampliada a vida útil do equipamento e reduzida a manutenção. Com o advento da cogeração no Brasil.

transforma-se em condensado. o condensado é aquecido pelo vapor de descarga das auxiliares e drenagens de alta pressão (principais fontes de aquecimento da água de alimentação). prejuízos para as plantas industriais. onde é aquecido pelo vapor utilizado neste aparelho. elevando sua temperatura até a desejada. diminuindo em muito seu volume o que provoca um vácuo no condensador que é mantido pelo ejetor de ar”. Estas correntes tomam o nome de corrente de convecção”. “As caldeiras têm seu princípio de funcionamento baseado na diferença de densidade dos fluidos que nela estão presentes. resulta uma corrente ascendente do fluido mais quente (vapor) e uma corrente descendente do fluido mais frio (água). sendo descarregado no condensador principal onde. “O fluido mais quente (vapor) sai do tubulão e passa pelo superaquecedor onde recebe uma quantidade adicional de calor. A água de alimentação das caldeiras aquecida no feixe tubular da caldeira e no tubulão. através do economizador”. “O condensado é aspirado do condensador pela bomba de extração de condensado. O condensado se constitui assim na água de alimentação das caldeiras. e assim reinicia o ciclo”. resfriado. “No economizador. a água de alimentação sofre mais um aquecimento dado pelos gases quentes da combustão do óleo queimado na fornalha. finaliza Mauricio. e descarregado no tanque aquecedor desarejador. isto é.P). O código ASME recomenda alguns limites para caldeiras industriais. Qualidade da água A qualidade da água de alimentação das caldeiras é um dos principais fatores a serem analisados para que seja mantida a confiabilidade do sistema e o bom funcionamento evitando-se assim problemas decorrentes de uma água inadequada para a aplicação em caldeiras de alta pressão. principalmente. através do condensador dos ejetores. que é aspirada da câmara de armazenamento do tanque aquecedor desarejador pela bomba de recalque e descarregada na aspiração da bomba de alimentação principal (B.Água para caldeiras: conheça os principais problemas e saiba como tratá-las Tratar bem da água que irá ser aplicada dentro das caldeiras tem um objetivo bem claro: evitar que o emprego de água bruta cause uma série de transtornos e. ou simplesmente bomba de condensado. 4 .A. se transforma em vapor. Este vapor que passa pelo superaquecedor é chamado de vapor principal e se destina a trabalhar nas máquinas principais (turbinas). Em decorrência deste aquecimento. de onde será descarregada na caldeira com pressão superior a desta. a água e vapor. No tanque. um dos responsáveis pelo reparo de caldeiras. do Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro. A tabela 1 apresenta estes limites. antes de entrar no tubulão da caldeira. salienta. tais como elevados custos operacionais e de manutenção. sendo então desarejado. de acordo com as pressões de trabalho. explica Mauricio Sanches Garcia. acrescenta.

Muitas incrustações são formadas por precipitação de sais e/ou óxidos na forma cristalina. É possível pela coloração resultante e o peso da incrustação saber qual foi a composição química causadora de sua origem. 5 . enquanto os pesados indicam a presença de produtos corrosivos (ferro). explica Nelson Santos.Possíveis transtornos causados pelo mau tratamento da água Entre os problemas mais conhecidos pela utilização da água bruta neste tipo de indústria está a incrustação. Gerente de Divisão SDI da Veolia Water Brasil. gerando incrustações altamente coesas e aderidas. Procurando evitar o desgaste de alguns equipamentos. “A água bruta não tratada é super corrosiva”. a água bruta é tratada e têm os sais minerais removidos. incrustações esbranquiçadas são formadas por cálcio e magnésio. Compostos esverdeados e pesados indicam ocorrência de sílica. depósitos negros leves apontam presença de material orgânico. ou também produtos de corrosão (Fe 2O3). Coloração verde ou azul indica a presença de cobre. Material de coloração marrom claro pode indicar argila e sólidos suspensos. que se caracteriza pelo acúmulo de material fortemente aderido sobre a superfície da caldeira. necessitando de esforços consideráveis para sua remoção (limpezas mecânicas ou químicas).

Nessas caldeiras.“A corrosão em caldeiras é geralmente causada pela presença de gases dissolvidos (principalmente o oxigênio) e sua reação com o ferro presente no aço do equipamento”. fragilização por hidrogênio. válvulas e acessórios da seção pós-caldeira. trata-se de um fenômeno caracterizado pelo arraste de água da caldeira para a linha de vapor. da Ecosan. tais como o sulfito de sódio ou hidrazina. “Como medida preventiva. a saber: formação de depósitos em superaquecedores. explica Alberto Abrikian. Como o próprio nome diz. é feita a desaeração na água de alimentação da caldeira. diretor técnico. para caldeiras de altas pressões. queda acentuada no rendimento de equipamentos que utilizam vapor para 6 . causando os mais diversos inconvenientes. turbinas. acrescenta. embora não menos preocupante é o arraste. Outro vilão do sistema gerador de vapor. entre outros”. uma vez que as etapas de pré-tratamento de água dessas caldeiras são obrigatórias e as incrustações normalmente presentes são originadas justamente pelos produtos de corrosão (tais como óxido de ferro). através de métodos mecânicos (desaeradores) complementados quimicamente pela adição de sequestrantes de oxigênio. tais como o ataque cáustico. a corrosão passa a ser a preocupação principal do tratamento. Lembramos que. outros processos peculiares de corrosão são também observados.

porém eficientes. destacando-se: manutenção dos limites de sólidos dissolvidos e suspensos na água da caldeira. evitando-se a contaminação por materiais orgânicos e dosagem excessiva de soda cáustica. equilibrando produção e demanda de vapor. entre outros. 7 . encerra Alberto. operação com nível de água de acordo com recomendações do fabricante e observação detalhada do projeto do equipamento. incluindo os dispositivos empregados para eliminação de gotículas localizada no interior das caldeiras (chamados popularmente de chevrons ou filtros de vapor)”. formação de golpes de aríete nas linhas. da Ecosan.aquecimento. Como evitar estes problemas: filtrando água para caldeiras A desmineralização é o melhor processo de tratamento da água para caldeiras. evitando as elevações bruscas de consumo. pois ela elimina todos os sais minerais existentes na água e evita problemas como corrosão e incrustações. “O arraste é combatido através de alguns procedimentos simples. avalia Alberto Abrikian.

elimina se grande parte dos sais presentes na água. devido à baixa salinidade média das águas brasileiras. “Neste tipo de tratamento temos a substituição dos íons catiônicos (Ca. baixo custo de aquisição dos equipamentos. existente no local. substituindo-os pelo ânion hidroxila que. A soma dos ânions e/ou dos cátions determina a salinidade total da água. Vários outros instrumentos podem ser adicionados ao processo. acrescenta. que antecede o tratamento para a caldeira. Para saber. Também é importante conhecer a pressão de trabalho da caldeira. Cálcio. onde os cátions existentes na água bruta são retidos nas resinas e liberam o cátion H+. pela facilidade operacional. Silicatos. eliminando assim os problemas de incrustações. acrescenta. que por processos químicos realiza a troca de íons resultando na remoção de elementos não interessantes ao processo. completa. As resinas são capazes de operar em uma única coluna (trocador de leito misto) ou em colunas separadas (trocador de cátions e trocador de ânions). Arno Rothbarth. Magnésio. totalizador de vazão. Carbonatos. pois com o aumento da pressão a pureza da água também tem uma exigência maior. cristalizações e corrosões”. No método de desmineralização por colunas separadas há na primeira coluna uma remoção total dos cátions presentes da água bruta. O procedimento pode ser feito através de Troca Iônica ou então por Osmose Reversa. a água passa a conter apenas o cátion H +. e condutivímetro tipo industrial. Uma das formas de tratamento da água para as caldeiras está na utilização de um desmineralizador por troca iônica. Esta coluna contém resina catiônica fortemente ácida em ciclo hidrogênio. sempre dependendo das necessidades do cliente. passa para a segunda coluna. “O processo de tratamento que emprega as resinas trocadoras catiônicas e aniônicas é denominado desmineralização”. Bicarbonatos e Nitratos) por íons hidroxila”. garante o diretor Ângelo Krieger. uma água decationizada (ácida). A instrumentação de controle de um desmineralizador de troca iônica compreende manômetros. condutividade e o “balanço iônico” que determina a concentração de todos os principais íons presentes. Após a substituição. Este processo possui alta eficiência e confiabilidade. engenheiro de processos e treinamentos da RTH Consultoria afirma que a análise da água deve constar pH. Sódio. tais como. 8 . no entanto. Está irá conter uma resina aniônica trabalhando no ciclo hidróxido (OH-) que removerá todos os ânions existentes. Diretor Comercial da Permution. Esta tecnologia tem sido a preferida no Brasil. formará uma molécula de água (H2O). baixo custo operacional e alta taxa de recuperação de água. Sulfatos.Temos hoje dois tipos de tecnologia para que se realize este processo. Ambas as ações são eficientes e aplicadas de acordo com as necessidades do que cada cliente irá precisar. que pode chegar a 98%. em combinação com o cátion H +. sílica e gás carbônico dissolvido. Em seguida. Diretor Comercial da Permution. afirma Ângelo Krieger. tornando-a equivalente à água destilada. O sistema consiste na passagem da água por um leito de resina. Na) por íons hidrogênio e dos íonsaniônicos (Cloretos. Mg. rotâmetros para água afluente e para as soluções regenerantes. Potássio e Ferro. qual será o melhor processo de aplicação é necessária uma análise da água bruta ou clarificada. “Deste modo.

As aplicações de membranas são extensas. pois são capazes de reverter o processo de osmose (pressão osmótica) que é a passagem de uma solução menos concentrada para uma mais concentrada” comenta Rothbarth. introdução de ácido e soda simultâneos e diferentes lavagens.Construção de tanques para armazenar ácido e soda. “O tratamento típico por este processo. Então. Diferente da desmineralização com resinas onde ocorre substituição de íons e a agregação ou reação entre os íons H+ e [OH]. como a separação física das resinas.Já em um leito misto. portanto. obtendo água desmineralizada com valores abaixo de 1. a resina realiza um processo químico e a osmose reversa um processo físico de filtração. O sistema de troca iônica por leito misto requer cuidados especiais para sua regeneração. Recebe este nome. e são conhecidas da microfiltração. mas funciona de uma maneira diferente. ultrafiltração. o processo é feito em um único vaso. Por se tratar de uma filtração.Risco de acidente no manuseio de ácido e soda. Com um regenerante (ácido) vindo debaixo do vaso e outro por cima (soda).para formar novamente a molécula de água (H2O).Construção de tanque de neutralização após as regenerações. No tratamento de água para caldeiras de alta pressão é necessária a desmineralização ou dessalinização da água. que trabalha com resinas catiônica e aniônica adequadamente misturadas. um coletor especial é instalado na altura da linha de separação das resinas. O sistema tem a mesma finalidade de um desmineralizador por troca iônica. . fazem sua seletividade a partir do diâmetro dos poros. seco e sem oleosidade) com baixa pressão. Os principais pontos são: . o que significa a remoção de sais e outros contaminantes.0 µS/cm 2. aplicado à água de alimentação de cadeiras é a Osmose Reversa (OR). as membranas também retêm alguns tipos de vírus e bactérias presentes na água. permitindo a passagem de alguns componentes e impedindo a passagem de outros. de um processo simples de filtração. eletrodiálise e osmose reserva. fazendo a seletividade pelo tamanho do íon ou da molécula. a osmose reversa utiliza membranas como filtro. Trata-se. ainda é necessário uma linha de ar comprimido (limpo. nanofiltração. . dissolvidos ou misturados à água. Os pontos negativos desta tecnologia são poucos comparados aos da tecnologia de osmose reversa. Desta forma. Enquanto um desmineralizador com resinas efetua a troca iônica. Para reverter 9 . com duas resinas dentro do mesmo vaso é preciso dois visores de observação para um bom acompanhamento do processo de regeneração. Segundo Rothbarth as membranas são fabricadas a partir de material cerâmico ou polimérico. para a mistura das resinas dentro do vaso após as etapas de regeneração das resinas. Além disso. Outra maneira também bastante utilizada é a filtração por Osmose Reversa.

Os leitos de resinas não suportam salinidades de 15. .Alto percentual de água rejeitada. . . a recomendação seria pelo uso de tecnologia mista. Cenário 03: A salinidade é elevada e a pureza da água também é elevada. é importante avaliar todos os aspectos técnicos e econômicos para optar por osmose ou 10 . Cenário 01: Se a água afluente é de baixa salinidade e as exigências de pureza da água são elevadas.Não atinge os níveis de condutividade para caldeiras de alta pressão. Cenário 02: A água possui elevada salinidade e a pureza exigida não é tão rigorosa.Alto custo de pré-tratamento.Redução gradual de permeado devido a saturação das membranas. .000 ppm ou maiores. membranas com duplo passe e polimento em leito misto de resinas. já que pode provocar problemas ambientais. Os pontos negativos desta tecnologia podem ser enumerados da seguinte forma: .Consumo de antiincrustante durante todo o tempo de operação. a rejeição de água pelo processo OR pode chegar a 25% da água afluente. Para caldeiras de alta pressão onde os requisitos de concentração de sílica no vapor é de 20 ppb. água pura de um lado e água com altos teores de sais do outro. Cenário 04: A dessalinização de água do mar ou água salobra. tendo como produto. é necessário instalar um sistema de resinas com leito misto.Necessita de um sistema de desmi através de leito misto de resinas.este processo osmótico.Alto consumo de energia elétrica. O especialista traçou ainda alguns cenários típicos e as tecnologias mais indicadas. certamente a escolha será pela tecnologia de resinas. O especialista Arno Rothbarth informa ainda que os sistemas de osmose reversa é muito eficiente para caldeiras de baixa e média pressão. a tecnologia de Osmose Reversa atenderá às necessidades do processo. . Como as água internas no Brasil possuem baixa salinidade. Como foi citada anteriormente. bombas de alta pressão forçam a passagem da água de um meio mais concentrado para um menos concentrado. . Este efluente com alta concentração de sais e outros contaminantes orgânicos é um “ponto fraco” deste sistema. . a tecnologia de Osmose Reversa sempre será a recomendada.Não é seletiva para sílica.

com equipamentos ajustados. programas de tratamento de água ajustados às necessidades do processo e invista em treinamento para o pessoal de operação e manutenção do setor de utilidades. uma vez que energia não gerada não é recuperada e a perda de receita é certa. CONCLUSÃO Em empresas geradoras (concessionárias) de energia elétrica. mas pelo resultado da sua utilização. podem ter a produção reduzida por falta de vapor de baixa pressão. mesmo que temporária. que tem como produto final a energia elétrica. planejamento. a perda. bagaço.resina. pode levar a perdas vultosas de dinheiro. de um gerador de vapor devido à condições de tratamento químico da água e do vapor. terão que suprir sua demanda interna de energia elétrica comprando a energia no mercado. etc) que deixou de ser consumido e no futuro vai gerar problema ambiental. se deixarem de gerar energia pelos motivos acima citados. Invista certo. uma análise dos pontos negativos das tecnologias já nos direciona ao melhor cenário. e até mesmo usinas nucleares. haverá um acúmulo de combustível ( biomassa. não apenas pelo custo da tecnologia. podem ter outros tipos de perdas. seja utilizando carvão ou gás. 11 . Empresas que utilizam a cogeração tendo como combustível principal subproduto de seus processos.

br/noticiaInt.Bibliografia: http://www.com.com.br/content/ABAAABKT0AI/agua-tratamento-caldeira http://www.ebah.asp?id=3934&genero=11 http://www.pdf 12 .revistatae.com.tratamentodeagua.br/r10/Lib/Image/art_1164002961_trat_agua_cald eiras_alta_pressao.