A fundamentação na filosofia de Buber Enfatiza o contexto da relação terapêutica afirmando que existem duas atitudes básicas, duas formas

de existir ou de ser no mundo que se alternam durante a existência humana: Relação Eu-Tu – o homem integra-se completamente com o mundo, numa totalidade caracterizada pela integração dos opostos, onde desaparecem as peculiaridades e contradições individuais. Aspectos essenciais referentes à relação Eu-Tu: 1. Reciprocidade - ato mútuo entre duas pessoas; 2. Presença - ou o momento da reciprocidade; a presença recíproca garante a alteridade; 3. Imediatismo - aqui e agora; 4. Responsabilidade – entendida como capacidade de resposta Relação Eu-Isso: É caracterizada pela separação e distanciamento entre o Eu (egóico) e o Tu (isso, ela, ele). A relação terapêutica – nela o psicoterapeuta atua numa alternância entre o conhecimento objetivo e a intuição categorial, entre o Eu-Isso e o Eu-Tu, entre o passado e a presentificação, entre o raciocinar e o existir como totalidade, entre o atuar sobre o cliente e ser com ele. A compreensão da realidade humana – se dará através do prisma do diálogo, do vínculo entre a experiência vivida (ação) e a reflexão (pensamento). Relação Eu-Tu – é uma experiência que não dura muito, é rara e difícil, uma vez que o homem não suporta manter um envolvimento tão intenso constantemente. Aparta-se e recolhe-se, tendendo a transformar-se em Isso, permanecendo em estado latente, como possibilidade. A relação Eu-Isso não deve ser encarada como algo negativo, uma vez que é mais estável, mais duradoura e, portanto, proporciona uma sensação de segurança. A relação Eu-Isso se tornaria negativa somente quando submetesse o homem, embora ela tenda a ser relegada a um segundo plano, considerada como prejudicial e como um vínculo objetivante e frio. Cria-se um pudor em relação ao saber científico como se este propiciasse relações mecânicas e pré-determinadas, onde o terapeuta estaria agindo sobre o paciente como se fora um objeto manipulável, esquecendo-se da alteridade como condição básica para qualquer relação. As concepções de Buber sobre o encontro propiciam uma proposta de relação terapêutica sob o prisma do Eu-Tu, com primazia do vivido. A relação psicoterápica deixaria, então, de ser um mero vínculo Eu-Isso entre um cientista e seu objeto, para transformar-se num encontro entre duas pessoas, de sujeito a sujeito.

A fundamentação da Filosofia de Nietzsche Advincula traça um paralelo entre os conceitos de tendência atualizante em Rogers e a vontade de potência em Nietzsche. Vontade de potência em Nietzsche – é o mais forte de todos os instintos que dirige a evolução orgânica. É um símbolo de um impulso de vida (que move o homem) para alcançar sempre mais. É uma vontade de durar, de crescer, de vencer, de entender e intensificar a vida.

considerando a vida como valor maior.Rogers – defende a sabedoria do organismo e a importância das direções para as quais aponta o experienciar organísmico. Assinala que ao homem conceitual (racional). uma tendência natural para o desenvolvimento completo e inclusive como uma tendência inerente para desenvolver todas as potencialidades das pessoas e para desenvolvê-las de maneira a favorecer sua conservação e seu enriquecimento. Mesmo os comportamentos estranhos. Ambos se mantêm no âmbito do pensamento dualista ocidental. A crítica ética de base Marxista Ao necessitar fundamentar melhor a ACP. O próprio Rogers. e a atualização do ser (tendência atualizante) Na da filosofia Nietzscheana . . Rogers descreve esta tendência atualizante . já que traria em si mesmo esta tendência natural a desenvolver-se de uma maneira positiva e construtiva enquanto uma tendência direcional positiva. propondo o conceito de tendência atualizante como um dos conceitos mais revolucionários de sua experiência clínica.como um fluxo implícito de movimento para uma realização construtiva de suas possibilidades intrínsecas.a plenificação da vida. doentes e destruidores são reveladores da tendência atualizante. segundo Rogers. desenvolve seu pensamento em uma direção fenomenológica. como um organismo digno de confiança. ao optar por um dos pólos. Rogers prioriza o indivíduo e Marx prioriza a sociedade. Nietzsche também reconhece nas expressões dos fracos. dos despotencializados. o princípio último da vida é a própria vida. Para ambas teorias. a manifestação da vontade de potência. presente na tendência atualizante. com a sabedoria dos instintos proclamada por Nietzsche. teóricos tem buscado tem buscado a teoria de Merleau-Ponty como caminho mais viável para o desenvolvimento da psicoterapia humanista. A Psicoterapia Centrada na Pessoa (ACP) compreende o homem. ainda que não possa ser considerado fenomenológico. uma vez que Rogers e Marx provêm de campos epistemológicos totalmente distintos. Nelas evidencia-se que o fim último da vida é a sua realização: Na ACP . Nietzsche contrapõe o homem intuitivo. embora não consiga ir adiante exatamente por ter a pessoa como centro. e a intensificação das forças (vontade de potência).expansão dos instintos fundamentais. quando aponta o corpo como fio condutor para o conhecimento. Advincula relaciona o experienciar organísmico inconsciente. essencialmente. o princípio de uma evolução. a intensificação da potência. o individual ou o social.

fazem parte da mesma contextura carnal. Entende-se o homem como um ser intrinsecamente interligado ao mundo. Na medida em que o homem é sujeito e objeto. pode-se elaborar uma prática psicoterapêutica na qual o homem seja mundo e o mundo seja homem. onde a carne é aquilo que o meu corpo é. O homem então é concebido enquanto ser no mundo e. mas está entre ambos. como tal. abolindo uma visão de homem dicotomizada. em individual e social. assim como o cliente já não é visto como sujeito. Não é matéria nem espírito. que o divide em interioridade e exterioridade. mistura-se na geléia geral que compõe o mundo. É o sentido do corpo em sua relação com os objetos. é uma forma de abordar o ser que escapa à representação. ativopassivo. já que para o filósofo o homem não tem uma consciência constituinte das coisas como propõe o idealismo. não é o centro do mundo (centrar na pessoa não tem mais sentido). . o cliente e a sociedade. Ambos. que é a sua própria história e sua possibilidade de transformação: o mundo já não é considerado como objeto.A fundamentação na filosofia de Merleau-Ponty Como tornar o humanismo cultural? A partir de Ponty. o homem. Carne não é a síntese homem-mundo. Este homem que está sempre entrelaçado com o mundo. visível e vidente. a história. como fenômeno em mútua constituição com o mundo. Carne – parte da idéia de intercorporeidade. pensamentos e discursos. ao mesmo tempo em que se singulariza com suas ações.

nota-se que a vida vai ganhando mais dinamismo.quero combater particularmente essa doutrina superficialissima. de vencer. pôr tudo em movimento. Contudo.absurda moeda falsa psicológica das coisas próximas -). Na verdade. a "vontade de potência" é vista como um movimento de auto-superação da própria vida e sua dinâmica corriqueira.. o humilde quer ser estimado. Segundo a definição que Nicola Abbagnano apresenta em seu "Dicionário da Filosofia". símbolo de um impulso de vida para alcançar sempre "mais". O sentimento de prazer reside precisamente na não-satisfação da vontade. devem transparecer a sua presença incessante e atuante. por exemplo.) Só onde há vida há vontade. Esta perspectiva da "vontade de potência" deve ser. E a "vontade de potência" é justamente o que caracteriza este desejo. o prazer de uma conquista. no sentido de finalidade. o qual equivale a querer tornar-se mais forte. define-se como: "um impulso fundamental que nada tem de causação racional: 'A vida. compreendida como "vontade de durar. Ela é o impulso interior da força que gera o movimento... aumento. O objetivo geral. Mas na própria apreciação fala a vontade de poder (.) Há muitas coisas que o vivo aprecia mais que a própria vida. A vida como fator essencial da "vontade de potência" Dentro das várias perspectivas da "vontade de potência". 2. mas que sempre está em movimento. Percebe que o homem quer sempre algo mais. Dessa forma. Nietzsche também acredita que a "vontade de potência" é uma expressão que possibilita concretizar em palavras um impulso vital. Ela é. visto que só tem um fim.2. Essa vontade é sempre o que há de mais íntimo e profundo (. ou seja. Nietzsche também a define como vida.. um símbolo no sentido da nomeação de uma vivência espontânea diante do devir da vida. o fraco quer ser forte. então.. vontade de poder (.)"[14].)"[11]. pois a vida é apenas um caso particular desta vontade. a "vontade de potência"... Não é a satisfação da vontade que é a causa do prazer (. quando Nietzsche diz no Zaratustra: "(. o domínio de si mesmo ou o esforço de sempre alcançar mais potência. no sentido empregado por Nietzsche.)"[18]. A "vontade de potência" é determinada como o mais forte de todos os instintos que dirige a evolução orgânica. Os fatores predeterminantes da "vontade de potência como vida" A "vontade de potência como vida" não se trata de uma vontade de viver. como eu ensino.html#ixzz1GsjOBRtw . Não vontade de viver. .. os adversários suplantados.com/articles/15728/1/A-Vontade-de-Potencia-comoVida/pagina1. Contudo não é um "ir além" que tem um fim. Sendo assim.) os ricos e os vivos querem a vitória. nota-se que Nietzsche tem razão quando diz que todas as funções sadias do ser humano têm a necessidade de um crescimento dos sentimentos de potência: "(... todos os aspectos que se encontram em volta da vontade de potência como. de crescer. mas imediatamente segue-se outro que também é suplantado – esse jogo de resistências e vitórias estima ao máximo o sentimento geral de potência (. mas o fato de que a vontade quer ir avante e quer ainda assenhorear-se do que encontra em seu caminho. de maneira que o "fio" se torne cada vez mais potente... ele dizia: "(. O filósofo alemão reduz todas as funções orgânicas fundamentais à "vontade de potência". isto é. O prazer não deve ser uma espécie de fim para ela. http://www. Aspirar a outra coisa não é senão aspirar à potência.)'". mas.[13] Isso se confirma. mas tem o potencial de sempre "ir além". de entender e intensificar a vida"[12]. visto que esta é uma das funções da "vontade potência".....)"[16]. que parte do interior para o exterior. a tendência de subir. aspira ao máximo sentimento de potência possível. o transbordar do sentimento de potência sobre domínios novos (. Deve-se compreender que ela não é estática. aquilo que é saciável e que não compreende a dinâmica dela.[15] Nietzsche atesta esta busca quando diz: "(. dilatação[17]. que é um constante vir a ser.) Um pequeno obstáculo é suplantado.Este termo é. Para Nietzsche o homem possui um insaciável desejo de mostrar potência. assim. Um outro aspecto importante e expressivo da "vontade de potência como vida" é a sua insaciabilidade. querer crescer. na incapacidade da vontade em se satisfazer quando sem adversário e sem resistência[19].. como caso particular. da "vontade de potência" é continuar a "tecer a tela da vida".. assim.webartigos. E isso só é possível dentro de um movimento de constante busca de mais potência. principalmente.Resumindo numa palavra: é o querer. Neste sentido denota-se extravasão. a vitória sobre si mesma. na concepção de Nietzsche. Já na obra "Assim falava Zaratustra".