A Legalização das Desigualdades no Brasil Thiago Souza da Silva1 Resumo Este artigo traz uma pequena reflexão sobre

a Lei de Terras de 1850, no Brasil. A referida lei foi discutida em diversos âmbitos legais do Estado Brasileiro, principalmente no Conselho de Estado, cabendo inclusive às províncias fazerem certa caracterização para sua melhor implantação no espaço regional do extenso país. Palavras chave: Constituição de 1850, Propriedade, Mudanças, Posseiros, Latifúndio.

Introdução Não é possível pensar a Lei de Terras brasileira de 1850, sem analisar o contexto geral das mudanças sociais e políticas ocorridas nesta primeira metade de século. Durante o século XIX, a economia mundial passou por uma série de transformações pela qual a economia mundialmente conduzida pelo comércio passou a ceder espaço para o capitalismo industrial. As grandes potências econômicas da época buscavam atingir seus interesses econômicos pressionando as demais nações para que se adequassem aos novos contornos tomados pela economia mundial. Para exemplificar tal situação podemos destacar o interesse inglês em torno do fim do tráfico negreiro. Com relação ao uso da terra, essas transformações incidiram diretamente nas tradições que antes vinculavam a posse de terras enquanto símbolo de distinção social. A historiadora Emília Viotti 2da Costa considera que o desenvolvimento capitalista atuou diretamente sobre o processo de reavaliação política de terras em diferentes partes do mundo. No século XIX, a terra passou a ser incorporada à economia comercial, mudando a relação do proprietário com este bem. A terra, nessa nova perspectiva, deveria transformar-se em uma valiosa mercadoria, capaz de gerar lucro tanto por seu caráter

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Discente de História do 6º período da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e-mail: thiagol1918@gmail.com DRE: 110092424 2 É autora de vários livros, entre eles Da Senzala à Colônia, publicado pela Unesp, que aborda a transição do trabalho escravo ao livre na zona cafeeira paulista e é considerado referência obrigatória para estudiosos do período. O mesmo livro lançou novos rumos para a produção historiográfica brasileira dos últimos 30 anos.

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legitimando o desmando e a ampliação de terras dos grandes proprietários. para o Estado Imperial. Depois da independência. um espaço de relacionamento entre proprietários e Estado. apresentou novos critérios com relação aos direitos e deveres dos proprietários de terra. uma série de documentos forjados começaram a aparecer para garantir e ampliar a posse de terras daqueles que há muito já a possuíam. Naquele mesmo ano. como fora típico nos engenhos do Brasil Colonial. Essa lei surgiu em uma época de intensas transformações sociais e políticas do Império. Por meio dela.específico quanto pela sua capacidade de produzir outros bens. Em consequência da nova prática econômica. algum dia. pois o Estado Imperial visava apropriar-se das terras devolutas. desfrutar da condição de fazendeiro deveria dispor de grandes quantias para obter um terreno. diversas nações discutiram juridicamente as funções e os direitos sobre esse bem. e não apenas de status social. apesar de regulamentar a propriedade agrária. a lei de terras não foi cumprida em boa parte das propriedades. somente em 1850. antes da aprovação da Lei de Terras. pessoas com condição financeira inferior tinham grandes dificuldades em obter um lote de terras. alguns projetos de lei tentaram regulamentar essa questão dando critérios mais claros sobre a questão. Aquele que se interessasse em. A chegada de uma nova população europeia representava uma ameaça ao interesse econômico de muitos proprietários de terra. Com isso. A Lei de Terras representava. o governo imperial criminalizou o tráfico negreiro no Brasil por meio da aprovação da Lei Euzébio de Queiroz. Paralelamente. essas duas leis estavam intimamente ligadas. posseiros realizavam a apropriação de terras aproveitando de brechas legais que não definiam bem o critério de posse das terras. A transição da posse para a propriedade é elemento chave na compreensão. De fato. a chamada Lei de Terras. Dessa maneira. A partir de então. acessível a uma pequena parte da população brasileira. pois o fim da importação de escravos seria substituído por ações que incentivavam a utilização da mão de obra assalariada dos imigrantes europeus. a terra se transformava em uma mercadoria de alto custo. No Brasil. No entanto. a Lei de Terras transformou a terra em mercadoria no mesmo tempo em que garantiu a posse da mesma aos antigos latifundiários. Procurava-se dar à terra um caráter mais comercial. que vinham passando de forma livre e desordenada ao patrimônio particular. 2 .

sobretudo. Para além destas considerações. agora era a junta do Imperador que decidia a quem conceder uma propriedade. os impostos eram uma maneira de reforçar os recursos do Estado Imperial e desestimular os grandes latifúndios improdutivos. 3 . como imagens plásticas. na prática. mas pela própria adaptação e demanda da produção. Se no primeiro momento era o rei que decidia a quem doar as propriedades. pois a posse aleatória das terras não havia mudado da forma como se esperava. em um verdadeiro “teatro de sombras”. dos interesses pessoais. literatura e charges. então. O historiador busca interpretar a dinâmica conflituosa do imaginário político-social lançando mão. concluiu que o 3 4 Ruy Cirne. música. segundo José Murilo de Carvalho. justiça e liberdade. é preciso afirmar ainda que o novo regime de terras se aproximava da velha forma de obtenção da propriedade no Brasil por seu caráter decisório centralizador. “Sesmarias e terras devolutas” p 61. a quem realmente a Lei de terras veio servir? José Murilo de Carvalho4. Um simples estudo das lacunas apresentadas pela lei 601/50 pode mascarar o seu verdadeiro sentido. Lei de terras para quem ? A política de terras só pode ser compreendida se pensarmos na relação entre proprietários rurais e governo imperial. sabemos que isto nunca funcionou. Mas. de um vasto material cultural. Ruy Cirne 3afirmou que a Lei de Terras de 1850 funcionou como uma errata do regime de sesmarias e ao mesmo tempo um ratificação do regime das posses. e assim os debates sobre a jurisprudência das terras brasileiras foram discutidos por homens que mudavam de posição de acordo com os interesses do partido e. em um estudo rigoroso sobre os discursos políticos que perpassaram a Câmara e o Senado nos anos finais da homologação da Lei de Terras. e nunca pagaram os seus reais encargos públicos. é preciso ressaltar que os proprietários rurais brasileiros da primeira metade do século XIX não se entendiam enquanto grupo coeso com os mesmos interesses. Um outro elemento que afetou o pequeno proprietário foi a cobrança de impostos territoriais. Mantém-se sempre perto das questões de nação. a quem vender as outras e a que preço vender as terras. não em função da Lei de Terras como de certa forma se esperava. O futuro mostrou que o trabalho imigrante substituiu em uma boa parte o trabalho escravo.juntamente com a aplicação da mão de obra livre imigrante em oposição à escravidão. Em primeiro lugar. além das fontes tradicionais. cidadania. persistindo até as primeiras décadas do século. pois os grandes proprietários são historicamente ligados ao poder estatal.

Segundo a lei. Este fato não é ocasional. A lei de 1850 foi sobretudo o “veto dos barões do café” dentro de uma nova ordem mundial. buscando adaptar-se às exigências do avanço do capitalismo. e o grupo conservador “Saquarema” compreendia a necessidade de se estabelecer regras políticas que protegessem a propriedade e a manutenção do lucro. juntamente com a necessidade de promover um ordenamento jurídico da propriedade da terra no Brasil. posseiros. seriam revalidadas as sesmarias ou outras concessões do governo geral ou provincial que se achassem cultivadas.]. A região Sudeste se entrevia. neste período. que não significava o mesmo que “terras públicas”. levantamentos de rancho [. o fornecimento da força de trabalho. mas também previam um expediente de muita relevância.. não se entendam por princípios culturais os simples roçados. caberia ainda ao governo estabelecer o que seria feito das terras devolutas. Terras devolutas e latifúndios. como o grande polo econômico do país devido a produção do café. dessa forma o fantasma da concorrência. Assim.1996. Editora da UNICAMP. foi o resultado de toda uma reorganização da questão agrária brasileira. p. já que desde os tempos de colônia a situação era confusa. ou com princípios da cultura e moradia habitual do respectivo ocupante.142. afastando. assim como de preservar outras para futuras instalações de povoados. Sabemos que a lei e seu regulamento de 1854 não tratavam apenas da necessidade de disciplinar relações.. Lígia Osório. o governo tomou a precaução de garantir áreas de terra para a colonização indígena.interesse dos grandes produtores da região Sudeste do Brasil (diga-se Rio de Janeiro. A Natureza Social e Econômica Essa lei de 1850.]" (SILVA. Seriam legitimadas as posses mansas e pacíficas que se achassem cultivadas ou com princípio de cultura e moradia habitual do respectivo sesmeiro. O que temos aí é a procura de disciplinar essas situações. Conforme esclarece Lígia Osório Silva: "O critério mais importante seria sempre favorecer aquele que efetivamente cultivasse suas terras [.) Após medidas as terras de domínio particular e de domínio público. bem vista e aceita no mercado mundial.estabelecendo critérios para que os sesmeiros e posseiros legítimos se mantivessem dentro das normas estabelecidas por lei. Os cafeicultores tinham apoio de setores internos e externos.. São Paulo e Minas Gerais) formaram a base de sustentação do projeto final da Lei de Terras. tais como. queimadas. São Paulo.. Ressaltar-se sobre a definição mais precisa de “terra devoluta”. fato a que faremos algumas menções. a dos sesmeiros. O 4 . Efeitos da lei de terras de 1850. derrubada de matos.

ou seja. São Paulo. a lei de 1850 previa.sentido de expressão “terra devoluta” evoluiu com o tempo para as terras que eram incultas. de acordo com a época e a província e já eram enormes por natureza.) Aqui uma questão muito intrigante é a relação referente ao tamanho das propriedades. o posseiro em questão não teria direito a título. por isso. Outro ponto defendido em relação à necessidade e à importância da cobrança do imposto territorial era que a imigração representava um alto custo para o governo. inaproveitadas. houve um amplo “debate” em torno dos direitos herdados e garantidos por leis. a lei previa que. as terras que acabavam voltando ao domínio público. O produto da venda de terras e os direitos de chancelaria seria aplicado na ulterior medição das terras devolutas e na importação de colonos livres" (SILVA. Nessa perspectiva.. eles deveriam contribuir na forma de pagamento de imposto. os quais sequer teriam condições de aproveitar essas terras produtivamente. Se os sesmeiros variavam de tamanho. inexploradas. não poderia hipotecar nem vender sua posse. moradia. e essa mão de obra ia para os fazendeiros. de fato. A herança rural era muito forte. 5 . Temos de observar neste momento o que. surgiu a Lei de 1850. Editora da UNICAMP. ter direito pela posse sobre elas ou não. Efeitos da lei de terras de 1850. explicitando algumas de suas definições. Lígia Osório. Ainda em relação à medição das terras. Para chegar a uma definição. Em alguns argumentos a respeito defendia-se que fossem cobrados impostos. começaram a aparecer propostas sobre cobrança de impostos. p.1996. do que realmente era “terra devoluta”. independentemente de quando tivesse sido feito o apossamento. eram necessários recursos. Terras devolutas e latifúndios. “Estava o governo autorizado a vender as terras devolutas em hasta pública ou fora dela [. em caso de omissão pelos possuidores na medição e nos prazos estipulados.. Para um período de transição no qual havia o encaminhamento para o fim da escravidão e se previa o aumento da imigração para a colonização. Logo após a publicação da lei. ou seja.143. visto que ocorria um impasse na ocupação de terras devolutas. por exemplo. estes perderiam os benefícios dela. em relação às posses ficariam livres por lei de um limitador de tamanho.]. tendo direito apenas ao pedaço de terra em que houvesse cultivo. a ganância em possuir cada vez mais terra não cessaria por parte dos já proprietários. os vícios e privilégios estavam enraizados. E mais.

a terra era vista como parte do patrimônio do rei e. podemos dizer que esta lei procurava adequar a realidade defasada por que passava a estrutura agrária brasileira no que se referia aos aspectos jurídicos. era necessário que houvesse uma doação. dependendo do proprietário de grande extensão de terras. pois a prática de uma agricultura predatória requeria cada vez mais terra.A lei de 1850 procurava ajustar todos os costumes referentes à posse. apesar de sua complexidade. Para isso. dessa forma. Se existia a preocupação em regulamentar a propriedade pelos possuidores de terra. A trajetória da terra no Brasil teve como marca muitos privilégios e costumes que estavam enraizados no Estado. a regulamentação da propriedade. A força de trabalho principal era a mão de obra escrava. porém isso não significa que não houvesse outro modelo. permitida por lei. como. deveria ser adquirida pela compra. de fato. os quais não viam com bons olhos os projetos de colonização baseados na concessão gratuita de terras. acabava por lhe dar prestígio social. uma situação nova aparecia. As pequenas propriedades que havia não chegaram a ser um modelo propriamente dito. o que acabou por gerar novos conflitos. para consegui-la. ter algumas qualidades pessoais. o ciclo açucareiro. principalmente com o cancelamento das concessões de sesmarias desde 1822. o que levou os setores envolvidos com a terra no sistema de posse e sesmaria se sentirem. Havia a necessidade constante de disponibilidade de terras como elemento essencial no contexto econômico. como serviços prestados à Coroa. 6 . em contrapartida. como. A legislação definia-se pela grande propriedade rural como modelo fundiário. eram essas oriundas da posse. confundindo os interesses. Aos poucos. conforme previa a lei. ela pretendia era regularizar a propriedade privada da terra. pedindo. desprotegidos em relação à manutenção dos espaços fundiários conquistados. Para se ter uma ideia. um quadro econômico e social bem diferente daquele enfrentado nos outros setores da economia brasileira. nos “proprietários”. Essa. Apareceu. agora. a lei pretendia definir o quadro agrário brasileiro. no modelo econômico e social até então predominante. num curto espaço de tempo. e esses camponeses acabavam por formar um contingente que. por exemplo. no período colonial. mas o que. Se a Lei de Terras pode também ser entendida como fruto da exigência dos grandes latifundiários. de certa forma. tendo em vista a falta de um instrumento legal que as protegesse. por exemplo. deveriam preencher alguns requisitos.

a partir de 1876. Esse normativo prescrevia todas as condições em que a lei deliberava sobre terras e colonização. A complexidade no período. através do “Registro do Vigário”. de 1854 até 1876. além do registro paroquial. tendo em vista a precariedade dos órgãos administrativos. "Concluído o registro. 1954. que se constituiriam em terras devolutas. quase nada tinha sido feito na demarcação de terras e colonização. medição revalidação das sesmarias e a legitimação de posse. acabou por gerar uma certa inoperância no processo de legitimação das mesmas.) O mais significante na implementação da lei foi a separação. houve uma discussão sobre um novo direcionamento da 7 . o cumprimento da legislação pelos proprietários muitas vezes não era levado a sério." (ALVARENGA. Octavio Mello. tendo sido encontrada vasta área de terras devolutas. Livraria Sulina. Porto Laegre. sobre todo o funcionamento e estruturação básica para a organização dos projetos de imigração e legalização. 1985. depois. quando foi criada a Inspetoria de Terras e Colonização e modificado o regulamento por parte do governo central. identificar as que sobravam. devemos observar que a regulamentação dessa lei ocorreu somente em 1854. Manual de Direito Agrário. Nesse sentido. Ruy. pela própria dificuldade de medir suas terras e /ou pela morosidade da justiça em aplicar efetivamente as leis. p. Tanto é que: "desde a tentativa de implantação do regulamento de terra.) Entretanto. Sesmarias e Terras Devolutas. quando foram criados todos os instrumentos necessários para sua execução. era muito grande. utilizaram-se as paróquias para realizarem essa regularização. Rio de Janeiro. Embora tudo isso tenha acontecido. declarações deveriam permanecer no arquivo da paróquia e os livros onde constava tais informações eram remetidos ao delegado do diretor-geral das Terras Públicas da respectiva província.Quando tratamos da Lei de Terras de 1850. Já.p 81 Forense. a medição das propriedades. Por essa razão." (CIRNE. obtiveram-se resultados positivos para a colonização. que deveria partir das terras particulares para. no que se refere ao registro das terras.

através da cana de açúcar (em virtude da demanda do açúcar na Europa na segunda metade do século XVIII). mas pela própria adaptação e demanda da produção (entenda-se café). ou seja: a transição do uso da mão de obra escrava para o trabalho livre assalariado (principalmente o imigrante). o futuro mostrou que o trabalho imigrante substituiu em uma boa parte o trabalho escravo. deve levar em conta a ocupação e produção da terra como reflexo das necessidades vigentes a cada época: no início da colonização. seu desfecho em 1850 com a Lei de Terras. bem como uma reconfiguração do espaço rural e de formas sociais que estavam se encaminhando. atingiam-se dois objetivos com apenas uma resolução. juntamente com a aplicação da mão de obra livre imigrante em contraposição à escravidão. que por si já demonstrava a força dos produtores de café. Conclusão Caracterizar todo o processo que envolve desde a elaboração. De uma ampla análise histórica. visto que a resolução 8 . bastando citar que foram criadas medidas adicionais a Lei de Terras para que se perpetuasse o regime de posse dando a esta um viés de legalidade. bem como seu mercado interno consumidor. bem como o controle do Estado Imperial sobre as demais terras devolutas. Porém. Sendo assim. pois a posse aleatória das terras não havia mudado da forma como se previa. e. mas logo essa ocupação de terras tomou rumos comerciais que sobrepuseram as demais intenções. O espaço rural que estaria se formando seria caracterizado por um processo acentuando a imigração. é um trabalho sistemático que envolve não somente as questões agrárias. bem como a aplicação da Lei de Terras de 1850. Na transição da Colônia para o Império.agricultura. pois o Estado Imperial visava apropriar-se das terras devolutas. mas todo um contexto de redefinição da política externa comercial e a reestruturação do mercado interno de trabalho. A Lei de Terras representava para o Estado Imperial um dos vértices de consolidação do Estado Nacional e um espaço de relacionamento entre proprietários e Estado. por último. persistindo até as primeiras décadas de nosso século. tratava-se de uma política determinada pelo Rei no efetivo da ocupação e produção de bens. juntamente com o crescimento da própria colônia. não em função da Lei de Terras (como de certa forma se esperava). que vinham passando de forma livre e desordenada ao patrimônio particular. A transitoriedade da posse para a propriedade é elemento chave em nossa compreensão.

" (SILVA. Unicamp.) Por fim. e que esta se aplicou única e impreterivelmente através de suas distorções. Nosso estudo não objetiva finalizar tal discussão.” (SILVA. apenas suscitá-la enquanto questão latente e atual para a sociedade brasileira. Campinas. algodão. 9 .p 343Ed. capaz de auferir sobre tensões e disputas no interior da realidade brasileira da primeira metade do século XIX. O não acesso à propriedade a uma grande parte da população irá garantir ao Estado Republicano um grande contingente de mão de obra. Campinas. sendo elaborada como parte de um projeto que visava abranger toda a sociedade.do problema era mais difícil do que o esperado.) Ordenamento jurídico e interesses pessoais formam um conjunto dialético. entre outros. 1996. 1996.Efeitos da Lei de 1850.p 337 Ed.p. Unicamp. mandioca. é que percebemos o caminho (sendo este irreversível) que se traçava para a criação a Lei de Terras de 1850. "Pequenos lavradores sem recursos mantiveram-se alijados ou postos em segundo plano no processo de apropriação legal da terra. com a passagem da terra como meio produtor para o status de mercadoria.Efeitos da Lei de 1850.p. Lígia Osorio. Este trabalho pretendeu levantar estas tensões. Terras Devolutas e Latifúndio. bem como a barreira que se erguia entre posse e propriedade. é no início do Século XIX. açúcar. Lígia Osorio. Terras Devolutas e Latifúndio. “mas a sua aplicação à sociedade foi o resultado de um processo no qual as diferentes camadas sociais interessadas entraram em conflito e encontraram os meios de acomodar o ordenamento jurídico aos seus interesses. aliados a toda a conjectura do mercado internacional (Inglaterra). Há que se abrir um parêntese e destacar que existe uma facção de posseiros que Lígia Osório cita como grandes proprietários de terras e produtores de café. Persistia a passagem das terras devolutas para o domínio privado.

Livraria Sulina. Ruy. SILVA. Teatro de Sombras. Edusp. COSTA. José Murilo. Lígia Osorio.Bibliografia CARVALHO. Porto Laegre. Sesmarias e Terras Devolutas. São Paulo. 1954. A Política Imperial. 10 . Ed. Terras Devolutas e Latifúndio. Manual de Direito Agrário. 1985. Campinas. 1992. IUPERJ.Efeitos da Lei de 1850. 1996. Rio de Janeiro. CIRNE. Forense. Rio de Janeiro. 1980. ALVARENGA. Da Monarquia à República. Emília Viotti da. Octavio Mello. Unicamp.