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MEMORIA ANAL YTICA
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• A.' CERCA. DO
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.A.' CEReA. DOS MALLBS
.. .
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DA.
POa
Le mot traite de nêgre1 ne 1igniiie pttu au
jourd'hui qui eeci: A. qui reetera I' Ame·
riq11e ? á 1, A.friqt.te ou 'bl'l!a á 1' Ameri· -
qae?
Tout oarpilon de aêgrea, traDipOrtN ea
Amerique, equivaut a une carpieon de
poodre destinee a embraeer I e   011
bieo á celle d'aoimau; prétl a la
ror.
--·--
RIO DE JANEIRO,
t.rYPOGRAPBIA COMMERCIA.L FLUMINENS:I.

183'r.
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ODVCJG&O. ,
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A Sociedade Defeoaora Liberdade e lndepeadea-
eia Naeiollal no Rio de Janeiro, publicou hum procra-
ma que poz a coucui'IO, debaixo du seguintes baze& :
1.• Mostrar a toda do Commereio de •-
cravos, refutando os sopbi&maa com que ud.o defeodel·o
os seus apologistas;
  • Espender os meios por 01 quaes a iotrodueflo
dos escravos Africanos pôde ser supprida, quer man•
dando vir coloDos p·or conta de particulares. •
tindo machinu que simplifiquem e facilitem os pro•
greiSOI da agricultura e mioeraç&o, quer melhorando a
.eondip:o doa escravos existentes, e procurando indirec-
tamente removêl-oa das Cidades para os Campos ;
3.• Notar detalhadamente as vantagens que tem o
·serviço de homens livres sobre o que pódem pr•r
braços eati vos, forçados ao. trabalho ; •
4.o Fazer vêr a nociva iDftoeocia.que a iDtrodueçio
de escravos Africanos exerce em no•oa costumes, civili·
aa9'1o, e .liberdade.· . '
• •
Desejaodcr tratar hum assumpto tão importante e· de
que jultto depende o destino do DOMO paiz, e que ·
nos colloeará no numero das Nac;Gea eivilisadu, ou eo-
tte as hordas barbaru; _sem. consultar o que. realmente
podia, ou·zei diacutir buma m·ateria aiaciltralJQeole de•

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batida por homens abalisados, com quem nem por ima·
ginaçAo atrevo a compar•r-me, e a appreseotar a)gumu
idéas mal. expressas, na verdade, porém que s!o filhas
de bons desejos, da intima eolivicçft:o· em que estou,
de que com a praga dos escravos o Brasil nunca poderá
prosperar, e que as suas instituições estio ameaçadas a
cada passo, e talvez mesmo a sua existencia como Na·
ção.
.. Confe•so que, na conCeição da· presente Memoria ,
obrigado a consultar muitos Tratados, oem huma destas ·
• I
obras mQ mais .forte ,. nem mais bem eseri pta .
que·o Tratado de Legislação do Charles Comte ;
me convenceu mais intimamelàte, a mim que
.desejo convencer os outros. . ,
·De ·todas as suas idéas me aproveitei, huma vez que
tivessem relaçAo com estado de eousas; e m'uitas
nlo usar de termos mais acertados nem
mais energicb8, por 'mais torturas que a imagina-
4âo, -fui antes seu· copista qoe seu commentador: ·mu
tiRe sempre .o .cuidado de citai· o ; e espero que esta in-

genua eonfiaslo apart., de mim toda a aceusaçlo de
plagiato. • I • r
A Sociedade ·Defensora faria hum serviço •relevante•
aoJ3rasi1, e que serviria como de complemento a tantoa
outros 'prestados. á noasa Patria desde a auà  
- 1e maQdasae tradusir e vulgarisar o 4.o volume do Tra.
de LegislaçAo d'este profundo que a
meu vêr he o.Dr.a. 'uDica no seu genero.
As condições·ou \lazes do pregramma form.lo
materia para outros tantos C a pituloa ; mas eu. julguei
dever alterar a ·sua ordem para melh.Gr ligaçlo du icléaa.
tal COJDO eoaoelti .o plano ela me.aoria, auito •i• • ..._
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na ual_idade do que as bazet do mesmo prograf!lMii p•r.
que, nAo considerei sómente O$ males e incoaveniente1·
da maior ou menof importação d'eseravos, mas os malea
permanentes e duradouros que nascern em geral da exi&· '
tenc1·a da escravidão domestica. Na verdade o com·
. \
mercio de entes humanos póde augmentar atê hum certo
ponto· os mafes que já soffre o paiz ; porém he dos
principios e sys'te ma da escravidão que ellea se gerlo
todos .
..A.ttaque-se o mal pela raiz, se o· queremos extirpar.
Não be com paliativos que se curAo enfermidades mor ..
; o melhor meio de evitar os perigos he enearal-oa
aem pavor, para que ie possa fugir ·precipicio a
tempo.
Com tudo esses remedios beroieoe nlo .pódem aer
applicados de, cbóíre a huma associac;Ao inteira; sem
que muitas vezes se evitem os perigos e as tormeotu
que 6e querião previnir i ao contrario elles devem ser
applicados lentamente, com a maio.r circunspecção e a
longos intervallos: quando se quer pôr em pratiea huma
medida apparentemente violenta, deve imitar ...se ao sabio
e     -que antes de executar huma opara ..
çAo ta.o doTorosa como arrisca,da, persuade ao padescente
I
• que a mutilação de hum membro gangrenado o salvdá
da morte e o gosar longos annos de felicidade.
He assim que deve proceder o Legislador siaudo e
bem intenc.ionado; he assim q.ue deve marchar o pa•
triota illustrado, que vê o mal e o remedio, mas que do
ousa extirpar a hum e applicar a. outro, com temor
fé rir de frente prejuizos inveterados e babitos bebidol
eom o leite, fructoa da ignorancia e de huma serie de
pe•imoe • J. ·arma da pemrad.o h• , ...

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de '1ue devê úsar-se. H e por meio tte escri pt••
eheios de logica, a nossa população proprietaria co·
m'eçará a despersuadir_se_ da utilidade dos ea·
crávos, e dos inconvenientes qut causa.o ao e aos
particulares essa multidão de infelizes, que só servem
para desmoralisar nossos cogtumes e atrasár todas as
cousas. Mas, quando se quer persuadir, he ne·
ce&&ario conhecer o genio, os habitos e os prejuizoa d01
individuas ao espirito dos quaes se quer levar a cónvie-
ça.o ; sem este prévio conhecimento , p6de dar ... se em
e produzir, se na.o hum e1feito ao menos
torn•r sem gu·me a arma da persuasa.o que se emprega.
Felizmente nAo he neeessario conhecer profundamente
.o eoraçAo humano, para saber que.os homens em toda a
parte se dividem em duas classes, que muitas vezes se
confundem na verdade, graÇas aos deffeitos inherente1
·. _ao ·genero humano, màs que sempre convem extremar,
.
em honra da mesma especie humana.
A• classe menos numerosa, a Logica a mais effieaz he
aquella que 'tem por fim mostrar-lhe os
que nascem de tal ou tal abuso, quando este abuso tende
a diminuir a prosperidade do paiz natal, a dfllmoralisar
· seus concidadãos, ou finalmente tornar sem eltabilidade
1•tituições virtuosas, fundadas no interesse commum, e •
I
I
de que julgão toda a felicidade que o ho-
mem póde gosar n'este mundo de   A outra
classe, que comprehende talvez os dois terços do genero
humano, menos illustrada e por tanto mais egoista, só
vê em tudo o seu interesse, o seu commodo, ou a sua
segurança pessoal e nada mais.
Para que a convicção seja geral, he pois indispensa-
Yel emprecar raciecinios ditferentes; ma.s este• racioci-
..
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nios nAo &lo igualmente laceia ambu as em ·
que se divTaem os membros de todas as Sociedades.
"
Demonstrará primeira que a existencia da e§cravidlo,
he huma ori1em fecunda de immoralidade, despotis!fO
e r.uina, he muito mais difficultoso do gue convencer fa
1egunda do nenhum interesse que dAo os escravos ao•
aeus proprietarios, e que a sua segurança, a de sttas fa·
milias e seus bens, estio de coDtinuo ameaçadas pela
existencia de huma numerosa raça de inimigos dom·esti·
eos, cujo unico fito deve ser a destruiça.o e o esterminio
de eeus Com effeito as demonstrações de·
pendentes de· idéas exigem talentos consuma·
.toe, huma logiea forte e clara, o que nAo está ao alean•
ee de todos : e de máis, o raeioeinar sobre 'cousas, cuja
I
realisa9fto .só póde verificar .se no ·futuro, arriscAo o ra-
aiocinador a passar por falso profeta no espírito do
eommum : mas demonstrar o que todos observlo, o que
todos sentem, nada ha mais faeil. Huma tal demona-
traçlo nAo entra no numero das cousas po1aiveis, mu
ao das cousas reoe1 e basta appresentar 01
factos taes quaes elles sAo, e calculo sem réplica.
Debaixo d'estes prineipios, a presente memoria póde
eomo dividida em duas partes. Em kuma
deligeneeio eonveneer os patriotas illustradoe, chamando
'
• ;# á sua attençAo sobre os perigos que corre a liberdade
por elles conquistada á eusta de tantos aacrifieios, o atra-
so em que existe o paiz em consequencia do systema da
  e' a dependeneia real da nossa em
quanto durar tAo intensamente hum estado de cousa•
prohibe o desenvolvimento das luzelie da industrla,
a propagaga.o da civilieaçAo, e a de buma
populaçlo livre e homocenea. · Ao eommum, á elaaie
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VIII
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.pista, de que •rve dizer··lbe que a palav; liberdade
está .-ea e011tradicpAo com a existeneia de escrat101 i que
a esçravidl.o he oppoata á· religiãO ; que e
evidade do nomes vaos, em hum paiz dividido em op·
pressores e opprimidos? de que servirá excitar a sua
-eompais.l.o para eom. huma· raça tyranisada á tantos se-
. -f'mos? Finalmente que impresslo poderá fazer no seu
.espírito acanhado coqpderações da mais alta monta-?
Dizer-lhe, por exemplo, com hum autbor de renome
(Yolaey):" Meditemos que esta raça de homens negros,
hoje Dessa escrava e o objecto de noss-os despresos. he. a
me1ma à quem devemos as artes, as sciencias, e até mes•
. ,
mo o uso da palavra; e fJUnnto be triste imaginar que·
be entre pgvos , que -se dizem amigos da liberdade .
-e da humanida.det onde se tem· sanccionado a mais bar-
blra das escravidCJee, e pos·tó em problema se 01 homens
negros tem h uma intelligeneia da especie dos braneoa 1 '.'
He o interesse, e sómente o interesse o lado fraeo «Jo
attaque; .be por esta parte, a uniea vulneravel, que di·
rigirei a arma da persuasão ; arma fraca pará espiritos
. rebel-des, mas a unica que deve usar-se entre eoncidadlos.
Pela que julguei dever dar ás materias, o 1. o· Ca-
pitulo, que h e igualmente a l.a condic9Ao ptogramma,
h4'e desti11ado a mostrar o odiozo do commercio de es...-
eravos e a refutar os so·phismas. alguns absurdos e outros·
atro1ei, éem que o costumarão de.fender era· os
tempos e panes, oa que n'elle tinba.o interesae. Mas
; não se ·considerar este Capitulo como o unieo des-
tinado a esta refutaeão ; todos· oa outros tém por fim
. -
eombater estes 10phismas e demonstrar os horríveis cri-' _
mes em todos os tempos ptlps- contr-eban-
àiatas. e   e ainda mais a
..
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os princípios e o systetnà escta\tidÁó; systeáu\ de ty-
rania, que chamará o.reinàdo tta 'tyrani·a parâ o selo dos
que o conrehtelii e «J gán<=ción!o, te·tó áem-· .. ,
pre . •
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Este Capitulo e t1 seguinte são especialmente á·estilra.
do4J a convencer ()8 espiíitos de admiitireib'
idéas de moralidade, de eonveniencia social e de virtu-
de : os espiritos formados de materia bruta classe
qoista a quem o interesse beth ou mal entendido, só
move, no Capitulo terceiro acharão a refutação de seus
errados calculos. N 'eU e verAo' que os escravos bem
longe de produzirem esses grandes lucros que imaginão;
não lbe dão interesse algum, ao contrario êoosomem eín
podco tempo tudo qúanto seus proprietários podem al-
. eaiJçar por outras vias, e· por fbn I e vão para ll aepultura
·o capital que custarAo, e cbm elle as fortunas de seus
alucinados Senhores.
A comparação entre os trabalhos, o custo e os produc•
tos dos escravos d·os homens livres, confirmará ainda·
mais o que disser _ sobre as vantagens que-
dão os primeiros aos seus proprietãrioCJ, e a ecónomia
que lhes proveria oceu pando jornaleiros li vtes.
O Capitulo qua,rto começa por huma especie de pro-
jecto, -para a · aboli9Aa gràdual e lentà da eseravidlo
domestica. Deve notar- que t,ndo, a memoria pot fim
'
principal o commercio d'esersvos, trato mais particu-
larmente- dos da domestica.
A razão d'isto vem no decurso da mesma meino ...
... ria , e já diSse a este respeito dUAS palàVràs n'estas
paginas; isto he, que o   só ·podia
augmentar os malles que nos ·pczfto, mas que era da
existencia e do systema da escravid!o d' onde elles todos
. • 2 ' .
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·se origina vão. He pois a escravid4o que deve attacar•
se. E de mais, de que se trata? .J)e persuadir? Po-
,rem haverão razoes que convenç«o a hum homem avido,
que, cesse de occupar-se em hum commercio do qual lhe
rezultao grandes interesses ? Penso que toda a eloqu en-
cia de que hum grande orador he capaz nft.o alcantará
produzir hum semelhante etfeito. Se as Leis e osTra·
tados, se penas graves p nao apartão de huma occupa-
ção immoral e deshumana. todas as palavras ..elo sons
·perdidos, e não farlo impressão alguma em corações
impedernidOã. --
Medidas preventivas, Leis rigorosas e sobre tQdo bem
exect1tadas, são sem duvida os melhores argumentos.
He por esta persuasao que só mostro em 1eral a
odiozo do commercio êntes humanos, com o fito, não
de convencer os contrabandistas, seus cumplices e pro·
tectores, mas aos inditferentes de que elles· nlo devem
    de maneira alguma hum commercio infame,
e que se oppoem ás Leis db seu paft; e á sua prospe·
ridade. ·
Algumas vezes excedo aos limites mareados no pro·
gramma, e mesmo uso do frases hum tanto acerbas a res•
, _·peito do desleixo, , ou o quer que· seja , das nóssas
authoridades enearregadás de vedarem o contrabando ;
mas estas frazes de iodignaç.a.o acharão descul)la perante
aquelles só .veêm n'esta violaçAo dos Tratados e das
Leis, hum acto de malvadeza e de cobi9a.
Devo com tutlo dizer que não tentei nem
increpar o governo geral : as medidas ultimamente to·
madas, e a energia desenvolvida pelos agentes do' Poder
, executivo, desvanecem atá á mais leve sombra de sus·
peita que possa formar o espirito o mais prevenido. · A
• • •

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I
XI

respeito porém da maior parte das aúthoridades suba).
ternas,- não se póde dizer outro tanto:, ou seja coniven ..
cia, ou a persuasão funesta da necessidade de escravos_
no Brasil, o caso he que as authoridades locaes pactuAo

com os infames cony-abandistas, ou escondem os seus , .
maleficios por huma mal entendida comiseração.
Quanto ás vistas e medidas que appresento sobre a-
agricultura, o estabelecimento de manufacturas e outras,
eu as dou peló que ellas "alem.
Quem paga ao seu paiz o tributo que l.he deve, con-
forme o gráo da sua intelligencia, tem cumprido a sua
rigoroza obrigaçAo : elle pó de na verdade ser taxado de
presum pçoso , mas nA o de CidadAo inditferente ou
egoista ; podltm. despresar as suas idéas como inuteis ;
porém sempre lhe resta o prazer de ter feito o que es-
tava a seu alcance em beneficio do seu paiz e de seus
Concidadãos. ·



--



I .
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•••••••••••••••••••••
ADVERT.ENCIA .

A Sociedade Defensora tendo-se tacitamente dissol-
vido, antes que a presente memoria lhe fosse appresen-
• '
tada , o seu Conselho nio à consequentemente
tomar em · co:J.sideração ; assim e lia deve ser reputada
.
eomó a limples opinião do que a escreveu, e nft.o como
  authorisada pela Sociedade seu Conselho,
ainda que n'ella se deaenvolya o Progran1ma publicado ·
por sua ordem.

;

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-

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. -
·---
I
e A'CERCA
I

I

DO COMMERQIO D'ESCRAVOS.
\.

CAPITULO I .

Mostrar a odioaidade toda do commercio d'eseta'l)os, refutando 01 iô·
phiamas cl>m que uaão defendel-o ol ser&a apologiftaa. e
,
.
, Quando os Pir•tas Barbarerscos , á fdrça d'annas , e eom risco
· d.e suas ·tidas , fazião tlridbnciros alguns centenares de Christãos ;
f 08 reduzião 'á esc..,vidio, qtJantos clamores se não ouvião de
toda a para! As miserias e os castigos q.ue soffrião estes captivos, .
a perda da soa liberdade, a terra· natal, e das fa·
miJias , erio obJectos das mais tocantes lamentações. Como ! Sof;.
_ frer· se-há , que homens sejão escravo- .ros homens , que a
força prostergue direitos s eonselttir-se-há. (\ue Christã.os aejio cap-
tiv08 de Mehometanos , de barharos infiejs ?
,
Assim fallavio os mesmos individuos que ao depois, •squecen·
do-se do que tinhão 8ito, fizerão expediçÕes para captivarem os
seus , sem se Ie..,brarem que as saas Piratarias erio
sem contra.ão mais odiosas que Gs d'esses   pois -que
estes ebravãe eonsequeotenrente CODI' a stra crença teligioza , qae
lhes ordena a de seus inimigos , e em eonformidade com
os seu ctlstumes e governo. Mas 08 Cliristãos? O E'fangelho,
suas leis e costumes, tudo se oppuaha a taea crimes. Que com-
póde haver entre hum homem que arrisca a sua- vida para
expoliar a aJgung de seus bens liberdade , e outro que sern risco , e
a troco de alguns miseraveis generos priva a muitos miiJtare» d'ho·
meos , · da Patria , da liberdade , das familiu , e os condemoa a
miserias e á sem termo , reduzindo assim o Ente feito
á semelhança de Deos, de pessoa a couza, de tudo a. nada!
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...

I

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I


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.
18 qbizeae entrar em eomparações detalhada refi: ti vamente
á Yiolação de todos os direitos da parte dos Piratas BarbareSCOI',
e dos- Piratu Christãos , conhecer-se- hia que os primeiros á vista
&ão se- tal- e:xprenão po6Jwer
achar-se-h1a a mesma par1dade que pód·e -er hum ratone1ro
Grdinario, e hum salteaflor assasiino:. para bem a cotDparar bastaria
só notar que . entre 01 , primeiros ,o captivo podia ainda .. Yer o sbl()
natal. res1•irar o ár da liberdáde, •consolar-se no seio das fctmi-
Iias dos sotTridos :· mas entre os Clnistãos, qual he. o in-
ÍfliZ que póde esperar tal faturo ? morte be para elle o termo
de suas lonfu misen. ! De iodos o& erÍmes qr espaatio a ha-
manidade, iga.ala aos por este• contrabau-
distas da carne humana Pelo espaço de tantos secados!
Amontoar !ndividuo• da especie \humana no interior de hom na·
Yio, carregal-os de ferros , esterminal-os ao ·mei}Or signal de rc-
dar-lhee hnm suteato insalt'lbl=e e mesquinho ,
as veswoentas que· C\lbrão a nudez \ lrazeJ-os ao mcr(:ado como
brutos aoimaes , e Tender pura sem·pre a sua liberdade , a de seu
ilhót e degradar a.sim. huma parte do • bu·
t:Jl"no , negando a se• a existencia de todos o&
moraeas, e éatregal-a ao exereicio co .. linao de tow as violeociu,
. ele que a .-.is refinada tyrauia póde ser : · •ia o
resu01ido d01 criftles de que são reapo01a'Yeia perante De<M e o.
homens, oa primeiros iatroduetorée d"eeeravos, ·e seu imitadores!
oa Por,ugue4 o-rimeiros Europeo•. qae depois de de
4
Tutarem a Africa e a Asia, fizerio .hum· ramo de commercio da
introduccão dtescravos nu Colooiaa São elles. hoje quem
oontinuão , depois da · aboliÇão deste iafame trafico, a iutro-
duzi:r-ncs furtiYamente hum sem numero de-m.iseraveis AfriC8D08
a.ctsim os males que muito DOI· Soft'rere-
mos nós isto? Será. peuivel que de eonti-
o DOISO Governo ' eern este 'ponha eob.ro ' ainda qne IÓ
fosse pva manter a sua reputação? Continuará este t».mmercio im-
pue , sem freio ? Entrarão de eontinuo uos DOSIOI poltoa maitoa
• muitos naviCI, depoia de tel'em lançado nas costas huma mui- .

• Jle meuaario llüer, em abcmo d4 werdade, qru Aão aão aommte:
oa PoTtu61fafa, J1f'OP"ia.mettJe ditoa, 011 '*' maneuo com eate ne-
f.a.do Commereio: muitoa Brazileiroa, de adopção ou nilo,
.eue 01 atua eapi.t,aea. .d bandeira   aómmte aeollnt.a o
erilu!

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/







I



-- ---
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.-io d.,iaftdda qtte trMea a peste , o social , ·•
o perigo? Couen!ir-se-Jaá fiM   iJnpuaemeate a trazer .. na.
bO'f'08 earr.-m.Utoa.? llu qu lllles importa? O Brazil aio he a
s• Pa'&ria,; os malea que d.i.to llaes provier aio lhe• tocará; u
a.trario, 1aato mais e pai• ae arrDiuar, taMte maia 1atiafei" fi ..
ará a aa ama:: saciarão o léa odio Naeioaal , e farão •o mo11D4»
...,o os seus Mas, ail'to 11 DWIII A.
•mWé• Legislatwu , o •oao Gevei'IIO , uóa · mesmos.? O atrazo
tcD. u DOeSas eoueae, o rieco emineqte 4ne no& ameaça 1101
1tie eo•moverá? Se 10mes surdos aos bradoe da bttmauitliUie , q11e
., menos a aoeaa e o a8180 iateresae aot âça 1a'ltir de
· tarp6r imhecil em q• jazemos á trez. •calos. Faça•os tod01 01
. tneforç01 para estirpar d 'eatre aóa tjo rraaáos males ., ou ao me.-
DM para '1'1• le"' aio ettpneatea 4e cORtioH. O espectacalo e a
. -el)DVjeçiO destes males já faaea le"f'aqtar i.,eatre Bóe VOII88 1e•
dirGZM e ilJastr.das j ja OeJDe'alllOI wispenuadir·nol de qae e
tiOISfJ paiz só poüe •r eaJtiyado par mãos d'eaoravoa boçaes e
iaU.igoe; ji fiaalmoote. oomeçMDOe a eonveocer·nos de flue em
'Cfii&Dto o paiz 1e cliYidir em senluwes e , elle uio pr01penn •
e que a exhteneia de etcravidio d&.estiea he lwm volcão qae de eon-
1inoo -eaça a no.a ra.ioa. EDtreaaos pois •em tea.or ua cariei·
toa iooetada ; cllidem• deecle já DO .U , aates qa a .,..
tastr&pbe : a .hUIIIaaidMé , .. prosperidade do llOSIO pati t no..
'leptança iadi•idual, e a •e aoaas DOSJO proprio i.
teresee , tudo de n& reelama e mai• dieidide e eoe.flleo PattrioSa.
-mo.. Se- o autigo Despetismo foi iDSeMi'f'el a ta4G, 1e ell• pJOt•·
:geo eGm 10d11 as aus' Corças a iatrodueçio espantoza de la:ÍIIoíl
milhõea ct" AfriCIUlOI , •im Dle cOavinha; éra etta a na pelld•
tenebroza para cle-ós lbp h•• PeYCt sem eepiriCD
de nacioaalidade , sem eiviliMçãe.
Esta politica teimosamente segaida por tret1 aevtcw
1
f.JIIou fe-
lizmeate Jl*ra aós ; porem á semelt.ança doa eoàletas , qll8 *-• vea•
. socio, e aballo o glol»o, deiwoa • póz si huma laara cauda ....
l'fl8 , la61es , e orimea; se eoaa e•ito sio erros e .. te. M
mais faneet01 o aviltamento das pessoas , e das profissõe1 i ... Mtrfau,
e .U.iáG da populaçlo ea e opprilaido.
1
• maltidão
tle p;eja.i._ qae oppõe •ttreita' iDiaperat'el &'08   e1Jà
tocle o , e _6nalaente u coiiJetflleaeiat iMYitaTeit de t.ua ,
' wdeJao le «>a• , .- pUe 8fl'88tfar a d_,..d'e•, •
4Ci-vrl de e11ta1-) e OJHis at.l"'z ..
..
B.t• \'trd._ e»ió •• .. •id• oeuheoW. pelos primeiMI que
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poze'ri.o,, em andamento hum tal system a que foi logo desde o pritt•
eipio atacado; porque em todos os tempos, e ep1 todos 08' paizes,
sempre tem existido homeos que preYêm o futuro , t c!eft"endem
os privilegias da humanidade. Foi para responder a estes attaquea !J
e enganar aos indift"erentes pouco penaador.es , a classe mais nume• -
l'OZa neste mundo , que os interessantes neste infame commercio
public.rão bom sem numero. de mizeraYeis' sophismas dos quae8
1ómente algu01 merecem séria refutação, mu que defficilmento se
podem discutir a sahgue frio. Este• apologistas a quem justamente
-. pode chamar infames , dizião 1er hum acto de caridade trana·
portar os habitantes d' Africa ás Colonias; primeiro, porqne elle1
auim eseapavio do cutelo doe Regulos ; segundo, que a nio virem ea-
lel escravos ficarião privados da loz do Evangelho , que todo o
Christão de'fe promover e vulgarizar ; terceiro, que para elle•,
( independentemente das dfas primeiras apologias) , he hum
11 eanraYidio, poy assim pusão de bum clim• horriftl
para outro ameno ; 3.
0
que nas guerras , que de continuo devas-
' tão a Africa , não se dando aos   he para elles
hum bem a oonservação das vidas , ainda que seja em captiveiro. Ma&
apologistas conhecendo séll duvida que taes sophysmu fa-
zião pouco eft"eito ( porque simples princi pios de bem·eer e tle
moraiMfde influem pouco no coração da maior, parte dos homen1, )
aeere.lftarllo , que a não haverem 'seravos os possuidores de ter-
ras ae verião obrigados a mudarem as culturu , e nlo poderião
exportar generos que exigem grandes dispendios e trabalhos, e
isto em paizea onde o clima se oppõem a que elles sejão explo-
rados por mãos de Colonos industriozos , pois que · os habitantes
livres d'estes paizes são frouxos , e Estas propozi-
ções, todas e erroneaa, es!iozas como os so-
. phismas com que se custumão justificar os cas 1gos e os máus tra·
tamentos qfle os senhores dio aos eaeravoi : elles disem que se os negros
..»>o fossem de •continuo estimulados pelo , e os .supplicios
118 tornarião prepiçozos • e insolentes ; como se os castigos des-
sem amor ao trabalho , e· aprimisaem os impetos do
coracão! ·

Q118Ddo dilse serem estes oa principaes sopbyiiD&S dos apologie-
tas da escravidão domestica, qoiz mostrar logo á primeira vitta
a fraqueza de taes 10phisma1; porque dos cinco que aprezentei
trez trazem comsigo mesmo a sua propria refutação. E com eJFei-
. '
to que beneficio póde rezultar a tae• infOitllnados da mudança
de clima, pois que eatavão aco&t\\DU&clot ao sêu , pelo simples facto


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de terem aascldo debaixo da •ua "influencia ; e se as&im eacapão ao
cutélo dos tyranos Rego los, e não morrem nas guerras , · qual he
o bem que se lhes faz reduzindo-os á escravidão, e por taoto ao-
exercício de todas as violepcias , de todas as crueldades , a todo o
genero de privações , e de IQizerias? A hum homem , a quem se
a comutação da pena capital, por buma prizão perpe·
tua, e cheia de tormentQS, seria 'insensato se preferisse
esta á aquella, porque huma farqa cessar em hum iostarate seus
soffrimentos, e a outra o faria suppoa:tiu tormento§.. por longos annos.
Mas essas guerras, essas roubos e incendioe que
solâo a Afriea , e que nos produzem tantos eser&_!9f , d'onde pro- ·
duzem? forão 01 proprios intro«luetores   as fomen•
tarâo os negros, par:r mais barato compraren. os prizionei-
ros! Hoje talvez não seja nece881ll'io e.egar, a seducc;ão, e os
prezentes para que estas guerras se façã mas he a ccmtinuaçã.o
d'este iu'humano e infame commereio, qne as mantêm; ae elle
cessaese , he natural que ellas tambem cessâssem em parte.; }lOrqne
então, a cobiça não tendo mais nutrição, os se11timentos de com-
e ' taixão e caridade • que o interesse póde fazer calar no coração
do homem , porem nunca extinguir , talvez desse outra direcção a
esse espirito de crueldade, e de saugue d?avidez, _que apenas . des-
tinguc das animaes a esses regulas Africa. Se este e.ln-
mercio nunca tivesse existido • he natural que est-a desgraçada parte
' !
de Globo já tivesse adquirido alguma civilização pela frequentação
e commereio das Nações estrangeiras; assim hum tal eommercio
1e oppoem ao mesmo tempo á civilização , c á prosperidade das
duas maiores do mundo. Estas apologias valeriâo alguma

cou?..a, se os traficantes d'cscra\pos buscar para estabelc-
como colonos, 1M1ertlt1U}O-os; mas perpetuar a tor ·
nar esses mais infelizes qo que serião se tivessem sido mor-
tos no seu propcio paiz , , e pelos seus proprios compatriota! , dar
I .
azo a que se taes horrores, he .ce.rtamlntc hum atten·
tado conira as leis da eterna justiça , he hum peocac.lo contra a hu-

manidade e a Divindade. E se isto valle a respeito dos individuas
por que continuai-áõ e eontinuão a ser escraTos os fi-
lhos d'esses Africanos,. e oa filhos de seus filhos pbr tantas gera·
_ c;ões Forão .... estes apanhados na guerra? Custarão dinheiro? Mu·.
darão ellet de hum máu eliqta para hum Ollt}"o melhor? Sahirio das
trevas ·do paganisiDO para· a luz do Evangelho ? Não cerlapaente; e
então de que valem taes sophiiDlas? Elles só servem de .manto para.
eobrir todas as tOI'}lezaB avareza, e da cobiça •

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O •pbilma fuadado aa Reli&iõo, a, tió forte eoMO o preeedente•
e le Jle pollivel mq atroz 1 porqae den0t a ff&Dde llyp0el'e2ia di&
farte •os apologistas.
O 8ystema da eecraYldllo exeloe toda a idéa de   porque esta .
de neee.idade traz comsigo a idéa de dneree , e be impossfvel sepatnr
deveret a 'preenehet du idéas d'lndependeneia e de · Mat
o que he a escravidão? He a de todas' a• vbntades , e de
sua aubgeiçã'o absoluta aos eaprixos dos outros. Os aeveres que a nossa
religiSo impõe se referem ou ao proprio individuo , ou aos outros , e á
Divindade. Ora, o iystema d'escravidio exclo indo a respeito does-
cravo a icféa de 01 , he evidente que os principias de re·
ligilo, que se \Jfblcarem aos escra-roa, estaráõ· sempre em contradic-
ção eom a sobfeiçlo de todM' as suas vontades âos de seus.
senhort1. Se., contrario.Jadmittisse, que todo o individuo da espécie
humana dêve resttictamelre preencher os deveres que a religião lhe
impõe na qualidade de homem, d'espozo, de .filho, d'irmão, ou de
amigo, he igualmente evidente que a escravidão estaria de Cacto aboli·
da , pois que aaim ficaria o escravo ao nivel do senhor; poodo·se li-·
mJtea á authoridade de hum , e â obediencia do outro. •
u Se saber, diz o judieiozo e profundo Charles Com-
" r, • se a relipão Christ'fta he eoooiliavel eom a
u aup/C)nhamos de hum lado ham numero maior, ou menor pe110aa
u a quem chamamos eacravoa , e d lado h uma outra pessoa a quem
chamamos 11nlatw ou proprietario ; suponhames mais, que os escravos·
, estio plenamente eonvctleidos das verdades das maxilnas Religião
.,. que ee lhes ensineu, firme rezolução de conformar suas eonducrtas a
,, eatu maximas, e que da sua pane o setthor ca.sfeja tambem .flrmemeote
, penuadido do seu poder absoluto , e disposto a DJ;at da fotça pu·
,, bliea p;mt fazer executar a sua vontade. Agora refticta-se sobre·
,, o que hade p••t eetre huma multidão desarmada , ••
.
u •ida a eoadusrr-se aepade 01 prinoil1iot que se lhes· ensinou , e· lluana
, tropa atalad.fque eonsidePa eomo bom defer a cégt do
, erttena da ohls6 dos pP9JWietatiol. ,
li. vata deete 1fmples thMU , todo e homém â quem o iatere.,
«t o prejaize Jilo eega , pôde logo todas • coocl118Ões eootra
8118 mi88ftye) motivo qae di& O& apologista'. da doi ...
Cl'ln"'O. ....
'
o prJaeiro e o priaeipal pteoeitó d• rellgilo' •• q ... ee ....
a mai8 perfeita tle ted.,, he e que- Mdeaa aot lloaueos amartlll·M
• No 4.
0
Volume fio HY •*lwe. 2'ratacle • .


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eomo irmãos. Como- ppderá amar hwn escravo   oa ,
como a seu proximo ao a)Jrôz de sua familWi , e de si pre>prio?
' O ordena· á mulher: teu Pay •
e tua l.\iây, e aegGirás teu espc;»so. Ora, de hum casal de
  o marido desagrada -ao   e este quer vundel-o, -mas não ·á
• mulher; que fa,rá.. esta se quiser cumprir o. preceito do EYangeJho? ae.
sistirá ? A e cs eastir;os separará infallivelmeft'te o mar.idOeda
mulher eontr. os • qt&e lhes inculcarão.
Se hiiiDa eauava redebo Q.rdem de I8U senhor, e outra difterente de
eeu marido, a quem obedecerá? Se a-.eu.eahor, peeca coava o Evaa-
gell&o CJll8 OrdeDa a tllbmi•lo da etpOSil ao e le a ate, será Íll•
falivel e asperamente castigada: ..
A religião e a mpral orclenlo .,. Paes protejiie a 1e111 ftlhoa e a eato
8
I que obedeçio e re.peitem aeua Paea. Mu 1e huDI, e oatros qtd.ere•
reatrictamonte eumprir e que ae lhes euina, eatu rela\'Ô .. ele famUia
estarão de continu• em opposição, ou com exerci cio do poder da. se-
nliore&, ou· com o dos deveres moraes e religi0t1os dos
eacravoa.
A reliciio ol'Clena a . •   ·o não a,J.r.nitte ontros laços que não
sejiio o. do matrimonio. Mas que fará filha, ou bum• esposa,
·para reafir a aeu senl,lor qae u quer aedueir?. Oq ha de IUCOumbir, 011
aoffrcrá todo o genero de snpplicios. .A religiio ordena qoe a cada hum.
se dê o que lhe ho devido. Ora, eneinando·se·lhe eate ·preoeitq, que
Jahio dos proprioi 1abios do Salvador, he neeessario que a
Divindade reputa e cawtiga eomo bum grande crimfl o expolio da pro-
priedadt' o roubo d9 fructo de seu.s trabalhO$. 1\l as comQ I
sinar hum tal preceito a. a 'Jle rouba tudo, que n
podem possqir, para qJ•em as fadips, os trabalhoa, e a industria só pro-
duzem máo, tratos, castigQS e supplicios?
FQiahoente se se lhes eneina qne a vinganqe e a crucld$de são cri•e•
de primeira ordem, e q.ue só á justiça punir, e ao me81D'8 tem·
po ellea coptinuão a eoffrcr castigos gJtitrarioe, sem   e MID
Hmitca, huma tal CODtradieção Q,'i fará conaiderar a seu teuhorcs como
,
hum aggre-gado de malvados., que só esta pão ás pequ le1a01 pela
. .
parcialidade doa juizes. ,
Se 01 seAhores para .erem eoaaeqaenw, não Jbes enalo'lo 01 pre-
eedol, ma sim alguas &gmq, então uda &e tea feito relativam•at• á
J"Cligifio ; entlo ella eoalistirà , como realmem. ••• paizet
d
11
eecravot, ea llam syatema de sopl'8tic;ões e de abusot
porque alias o ePeino deveres moraea, que a l'oligilo imP9em, deYe
I
'





...
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I .
8

destruir a escravidão, <ou a escrnvidão deve imrcdlr o; estabelecimt'nto
. da verdadeira religião. •
Bem se vê por este esboço quanto a escravhlüo he contraria ao espi·
rito da relig1ão, que os apologistas da escravidão inculcão qncrerem dat
1\0f cscntvos, que a sua cobiça faz hir buscará Africa. 1\lasJ o que lle
ainda pior, ella exclue dos mesmos senhores toda a idéa de mora\ c ,te •
rtfigião. No Capitulo· seguinte a influencia que a escrnvidâo
exerce sobre a 11opulaçâo livre a ·respeito de todos os preceitos e das
dontrinas, que-a religião nos ensina.· Nós tyranisamos, escravi.a·
moa homene, rcdusimol""os a brutos animaes, e elles nos iuculcâo todos
os seus vicios, e o dt' deveEes, e assim o mal se
eom hum mal maior.
l'i ão he só entre os que taes ·males. existem ; todas as
. aeitas ehrittais, excepto os Quaken e os Metodistas. t ti verão o mesmo
. espirito ; fizerâo este com me reio anti christâo : mas elle já cessou
$ Com ejfeito todo o culto entre nós sefnsi! aos escravos, con-
ai•te em hum Baptismo irrizorio, e em algufiUJB t·ezas, no numero das
qua11 entrão os preceitos do Decalogo, que certámente os
indignação 11e os, nttentleasem. Eatas   rezas são aP'jirendidaa á
força de castigos; não esquecefulo sobre tudo ás pinturcu do inferno•
Qu. idHafarão elüs buma religião de caridade e
•e lhes incute por meio de maus tratos ! .
-t Os Quakers se iem tlediccado á · abolifão inteirq da escravidão.
Para darem o· exemplo , libertarão todos oB iem eEcravos , e forão
•empre ol mais tenazes denunciantes dos introductores e cumplices
.commercio d'escravos, e pregão constantemente contra a sua e:tis-
tincia. · ' ·
Os Methodistas e1tão poasuidos do mesmo apirito, e ae dedicão
á educação moral ·e religiosa deata raça.
· Em qualfi totlas as Cotonias e nos Estados Sul da A.me-
rica- u;-da , · lta Miasionarios desta Seita , que algumas veres tem
tido martyrer do seu zelo. Deve diser-se em honra dos DitUlmar·
quezes , que esta Nação foi' a pritnrira da Europa, que abolia e1te
Aorrivel 'rafico ncu sua8 Colon-ias: Hum facto digno de notar-se,
he que Genova se enriqueceo principalmente pelo trafico doa negros,
cujo mDJ&opolio lhe foi vendido por kum nobre Flamenga. a . qwm
Carlt}B õ.
0
o tinha vendiw. Em punição·· deste crime de hu·
'IRattidade , esta alcv.nhada republica foi 1empre ' a menos livre tk
toda , e perdeu a sua independencia jtt,Starnente tuJ época em que
tant01 outros povoa ganharão ou recobrarão a aua.
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efttre eJ1as, e só as Nações Catholicas, que se prezio p1lriatas na Cé,
he que aind:1 continuão hum tão infame, quinto deshumano, e anti-so•
eial trafico, contra os mais expressos e BOlemnes tratados, a euja frente
apparece ? lignal o mais sagrado da Religião ! Taes Piratas peccão ao ·
meiiBO tempo eontra Deos e contra a .justiça humana, e como taes de-
veriio ser punidos sem contemplações e sem misericortiia. Por melhor
que se escreva c se penuada, nanea taes Piratas te con"venceráõ de que
não devem continuar a introdusir"..nos semelhante
Penso que o melhor meio de os convencer seria o de applicar-lhe as
penas. as mais fortes, e fazer a lei a mais rigorosa, digo mesmo a mais
barbu-a, que de huma vez cortasse o eancro, pela raiz, exterminando a
todos oa Contrabandistas, seus eumplices e protectores, sem admittir des-
  e e tanto mais pois que tacs malvados são Piratas
estrangeiros que as l,eis Patriu não devem favorecer de maneira alguma.
Se o despotismo e o arbitrio valessem alguma ve2 a favor da huma.
uidade seria em tal oocasiio sem eontradicção; porque 11a verdade
como diz o illustre Humboldt • nada póde ser.aão o arbitrio , ex-
tinguir as especulações de hum vil interesse em luta com 021 de-
veres da hur.nauidade , a honra Naeio11al, e os direitos da Patria.
Pela honra e brio Nacional, pela reputaçio do n<Miso Governo, todos
os meios sJ.cveriio ser postes em pratica para extirpar bum seme· ·
e lbante commercio. Mas o geaio do mal , o indifrerentismo e e
egoismo o mais cego nos. adormece nas bordas preeepieio. Es-
peraremos nós que o terramoto nos acorde, ou dormindo nos dei ...
:aremos sepultar ? Se o oal já he gravissimo eom a existencia
' d'Os escravos aetuaes, onde hiremos parar continuando inpoae e
termo a introducçio ·de tantos milhares d'inimigos?
Q.ue legalidades podem haver a respeito de malvados que peccio
contra todas as leis Diviuas e humanas·? ·
Taes legalidades parecem muis coniveneià ou desleixo, qne amor
dla justiça ••••• Porem julgo ma1s acertado não metter a mão pro-
fundamente na ferida, e cingir-me âs generalidades: ellas
a poucos, e talve7. persuadi\o aos ... indift"erentes.
Aos Cidadãos eu direi : lê(le a Constituição Ffderal de Goatimala, e
lá achareis no artigo 13 ·: " o que faz o eommercio d'eaeravos não pbde
'Ser cidadão. , Esta disposição observa hum grande Publicista, he sa-
bia e justissima; hnm Povo que ama a sua liberdade, não deve per-
mittir o de poder nlgw1m politico· a individuos que não admit-
'* Hvmboldt. Yiagen• 'áa regiües .EquiMziae•, 7bm.
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tem a emteneia ae de'f'er ligam, 011 que reguJão a extensão dos leU'_.,.-
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direitos pelos da sua força. .tbsim, se amais a Patria, e se as soas Lei•
yoa importão e mereeeJB veneração, aão empregueis cabedaea,
• TOIIM pe110a1, nem deis protecção a hum t&l eommercio , e se querei• '
gaiar·\'08 no exereicio dos VOS:BOS provilegios Politieos, não deis o TOIIO
Yoto pua cargo algum aoa protectores, ou cumplieee de :ham commer·
cio, que bem longe de contribuir para o bem-sêr commum, ao oontrari()
só serve para augmentar 01 males já , qtte de continuo amea-
ção vossos bens, vossas familias, Tossa liberdade ; que atraa a no•a
eivilisaçio; que nos torna crueis, sem iadustl'ia, ignorantes, e immo-
Na Inglaterra, os caroiceiros, não podem ser Jurados, porque a
sua profi•io anppoem excluir todos os sentimentos de humanidade. Como
pois hum homem que vende, ou coatri-bue para o esc.ravisamento do-
seu semelhante póde ser membro de hum governo livre e foadado na
? Se fordes surdos , tanto pior para vós , e T01808 filhos.
Notai como se faz hlllll tal commercio, os males que
traz oomsigo para oa mellDOS que o pratieâo , para as vietimas ,
C: para nós meemos , de&de o temP,O em ,que elle começou até
agora, e reflecti nos resultadoa da sua continuação por muitas gera•
ções. Já disle , que os, primeiros oootrabaodistas d 'escravoa, foriio
os proprial que promoverão guerras entre as. Nuções da e eon-
tiauão a fOrnecer-lhes armas que alimeatio, e fazem perpetuas eaeu e
guerras usolladoras. · E a que preço, e porque preços esses cnaibaes da
Africa, e oa não menoa canibaes traficantes, Te11dem e tr.ooio tantos
milheii'OI d'iadividuos da espeeie humana? He a· troco de mizeraveia
far.endas, d'armas e véae11o, que a. feras vendem seus
seus filhos e parentes. ! • Não m.e oocuparei em relatar as· acenas
J
• Ninguem ignora aer tr aguardente ou caclw,ça , o principal ge-
nero do co.m.naercio d' eacrcwoa, e o maia procurado peloa negro•. To-
da. aa6em que o UIO immoderaclo deste licor faz o effeito th hum
"BfdGtJ,ei,ro "tnt1&0; mat nem todoa 1abem, que, para. tornar e1te ge·
mro maia forte, e oo meamo temRO produzir maiB intereaae ao3 trafi·
euft.tel lia• ajuntiío huma. i'tfuzão concentrada de ftulf,o, e a -muturão
cOJD agoa aalgoda. . Julguem tr'-'e effeitoa não devem produair tae•
ingrediente• , e ae 1M hyperbolico o ttrmo veneno th que Ulamoa no
u:l1to. O re•to da. C4"14gPfÕea coMtt'i.o d' arma•, muniçõea, alguma&
jG 1m tUIUIO, que 1ati,ifazem a "aidade doa negro•, e
cm mã.ertmria fazmtltu, rebutaJJw da3 fabrica•   Se algum
ditaAftro ftll. mo«la Ni, talo Ae certafM.hU para oa negros : ato mw-
adorit.l 1ó a qUerem algun• mi1era.veit bra.ncoa eatabelecidoa tempo·
4,
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11
h01•riveis qae ae paio lfa Afriea }l&l'ft -em uhimo resultado a
escravidão e o massacre de mttitos milhat'es de hometrs. Não bê dos
actores destas.,.._ de.cft"Ueldade,. que temos de tratar: a barbaridade
e bruta em qoe vivem, os diaeulpa, se a pode havét; maa he
AOS infamês que 1e alcunhãa Càristioe, e .e d.isem mem,ros das @oeie-
dados   a quem dcvelllO& votar toda a nossa erecraç14> : telM
tão a ori1em de todos os males que aftligem á Afriea, qW t
A merietl e em geral á hum·abidade intetra. E a que aoazól dél'httma-
nOt tl'ão estio sugeita., as victimas, antes que abol'dem • il._ prayas-,
-e alcancem eese bello idéal dos apologistas da ·escra\"idlo f Ceiltén·- . '
res d'ind.iYiduos de todo o seB, c de toda a idade elo  
carregad6s -de
1
ferros, em aavios que apenaá Jlódem coater metade, e
logo que a bbrdo são lançados eni ál:ojamentoe etCUJ't)a e ln-
.
fectos, pela falta absoluta, de luz e ar. 8e alpm eontagio se dttelatà
entre elles, o que nio póde de aeonteeer pelo peatdmo local
·em que vivem meses, no principio remedibs dà
pior qualidade, remedios receitados por Cinargioos   e sem-
pre os mesmos, eeja qoal fór a das molestiu. Se estes
dicamentos não fazem prompto effeito, e há receio de que o eonflr-
gio se prop&a,oue, desgraçlulos dos infeeionadoa! iofaliiv-elmebte eerhõ
.: lançados nas ondu. Sé o calor do local, o máu ár que respitio; sq
algumas lembranÇHS do seu paiz, que deixlo para semp:re, exaltio
a soa imlll(iltação e lhes dá o _furor da dezesperaQio, então o receio da
11ropria segt1raoça ftz empregar contra as victimas o ferro, e o fogo :
o naYio ica coberto de sangue e de meta\woe mutilados; e oe
.restiie com vida são lançados ao mar, é pereeeUl Bati ondas, Ob ú•

gatrãs dos monstros mariohos que, como ;or iastrueto, aegaem de
oontinuo os navios negreiros ! • ·
o que h e aiuda mais horrivcl, mesmo no meio dé taei hrrores
reina o mais tor.fe deboeàe. As mallleree desde o embarque, ouidado2:•-
mente aeparadas dos homens, e eacerradas na sio as vieti-
ínai doá infames dos Sy bazitas Canibaes; alli teQl Of
eipaea do navio o seu serralho, e raras '\'ezes consentem que o :rtito
da partilhe os ediondos encantos das infelizes Africanas.
Se o na.YJo encontra por aeazo liom outro Pir:ttn, fJtte obter
de graça di eSCI"avôs, então o combate aomeça, e os lt@gtos em maior
natnero, e àplahoados como fardos são as 'f"ietitnas intlefezo da eo·-
rariofftlftt• u Ptri•, e que. OBpWtlfldo a .Ni::r:ol-o tiwrettt tui-
guindo . alguma·fortooa , 10 tpterem MQfdca, que jae-ilmmte • ,...,.,.
porCa.
'
• •
B

12
biça, e do furor dos brancoa; sobre elles he que cabem as 'baUu, a
metralha, e todos os instrumentos de morte !
Tem-se visto exemplos da mais horrivel barbaridade em outras
conjunturas. Hum navio negreiro transportava huma carregação d'es-
cravoa, e foi .. encontrado 1)()r hum cruzador Iuglez que lhe deu cassa.
O traficante vendo que não podia escapar, para não soffrer as pe-
DU da soa pirataria, começou a lanC(ar ao mar toda a sua carrega·
ção, de sprte que apenas o Ciuzador p&le salvar poucas Yida& •.
Ba innumeraveis .exemplos de outros factos nio menos horriveis,
e que proYio a toda a luz até que ponto-póde chegar a dca'bnmanidade
entre homens que a cDbiça desnatura. Não poucos destes Piraw_,
perseguidos por outros Piratact, depois de ae ierem batido, vendo
que não podem mais rezistir lançiD ao mar todos os negros para que
o seu inimigo não se aproveite das victimas da sua barbara cobiça.
Não. ha muito tempo que hum facto horrorozo teve lugar em huma
das Provineia& do Imperio, que confirma, as D08181 portas, a que disse
acima. • Vio-se de terra estarem lançando ao mBT, de hum navio
de negros, alguns   estes toneis contiahão os eseravos ainda
-vivo9, attacados do 10111 de Loanda, que o Capi&, para evitar o can-
tagio dos outros, fazia perecer nas ondas !
Qual foi o habitante. da Capital do Imperio, que não prczencioUII
em das ruas principaes, no tempo em que este commcreio,
legal , o immuodo e immoral espectaculo da venda doa_ eaeravos •
Quem não vio, homens e mulheres de toda a idade, nus ou cober-
tos de trapos, serem e:nminados eom a mesma exactidão tfUe se CU&·
tuma ter-se tia compra de hum animal ? Abria-se-lhe a bôea á força
. .
IJ&ra se lbea verem os dentes, os olhos, pa1·a conhecer-se se tinhão
boa vista; érao virados, e revirados para examinar-se se tinhão al-
gmn vicio phisieo occulto. Mesmo as pessoas do . bello sexo pare-
eiio desconhecer inteiramente as leis do pudôr _, fazendo eom suas
proprias mia., e setl8 olhos os exames do uzo ! NestJs compras e
-vendas estraorflinarias, entRo como hoje nem'huma atteoçio se ti-
Dha, ou se tem aos laços de parentesco : 6ra se quer o maride, e
.-
• Eu ae Zi a nan.ação dute facto em hwm JomoJ da PrmnncitJ do
Rio Grande do Sul (O Noticiador), e se JH"BOV. em hum do• Porto.
da c;oal4 da mesma Prooincia. Qual de RÓI não lêo com horror eaae
outro facto narrado por hum Magütrado de S: Paulo, de muito.
eo,dm,ereB de negros, que wrdião do Porão de huma barca pão BO.·
•obr.Gtla ! &u triau accidmte U.,e lugar qusai áa porla8 da Ca:pi,tolt
do lmperio, e no anno de 1S34 !
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não a mulher , óra os filhos , e' não os Pais , segundo a vontade , 01
meios, ou o caprixo dos  
•Se os negros são homens como nós, e não formio huma
eie .de brutos animaes; se sentem e pensão, que quadro de dôr, e
de mizeria espectaculos não dcl'em produ2:ir no coração de todo
o ente sensi vel ! Os brutos nos condoem quando sotfrem;
mas /tal he o effeito do custume,. ou antes tal he a cegueira da co•
biça, que os traficantes d'escravos, e o qpe pior he a maior parte de
nós outros, todos vêem correr lagrimas de dór e desesperação dos
olhos 'destes infelizes, •em que • COfpaixão Jlroduza a seu favor o
meuC'r beneficio !
" O homem que pela primeira vez yê hum eseraYo, diz Sir Fran ...
eis ·Hall, * soft"re hnma penoza sensação, observando hum ente a
respeito do qual todas as leis da humanidade forio invertidas, que
só conhece da Sociedade tudo quanto he injusto, e da parte de soas
semelhantes o mais duro, e atroz egoismo. A mais baixa humilda·
de, as expressões as mais servis com que hum negro se aproxima
de hum branco, ferern os sentidos, .não como a civilidade de hum
mendiJro Franeez, ou Italiano, que dá huma certa graça á. melllla
indigencia, mas eomo indicando huma alma em agouia.
O som dos açoutés se faz sentir em suas expressões de submissão :
seus olhos Janguidos, e que não podem encarar fixamente os de hum
branco, indieâo o terror dos suplicias, e o paYÔr que sotfre o seu
coração á vista do seu algoz. O custume não pcrmitte a hum senhor,
fazer taes observações que certamente o sensibilizarião; mas o indi·
Yiduo que vê pela primeira vez a hum. escrayo! e o olha com a
indifferença, que a qualquer outro objecto que o acazo lhe
Caz encontrar; pO<le regozijar-se ter nescido livre; porem no fun-
do,d'alma he hum Yerdadeiro escravo. ,
Como ·sêr moral, está mesmo muito Jlbaixo do negro; porque se
este perdeu todo o sentimento de liberdade he · pela tyrania que
sobre ellc se exerce, e fa'Õ por insensibilidade. , ,. Se o mbera•
Yel estado dos negros (diz o mesmo Viljante n'outro lugar) lhes
permittisse a reflexaõ, elles poderiaô rir-se nu algemas, vendo quanto
a existencia da e:reravidaõ tornou _medonho o paiz cultivaõ, nos
F...s'tados Sul da .America· Unida. Em lugar das· );iovoações rizouhas,
e da feliz populaçaõ dos Estados d'Oeste, só se Yê ali as esplendi-
das equipagens d'alguns proprietarios,. e huma mizeravel populaç_ãe
• F. Hall. OJIIcial lngle:z : f\'agem ao Canadá, e CIOI .&lado•
Unido,, .

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tle negros, qae végetaõ em hediondaa, e insalubres eabaoas: as po·
voações, a ale1ria e a felicidade detapparecem ; só se ellCODtraõ tris·
tes e mizerave.ia plantações, verdadeiros infernos n'este mWldo. Isto·
· aó diz mais qae multos volumes. ,
Esta triste, mu veridica diseripçaõ, que QD8 convem, como a to·
doa 01 paizes d'eacrav01, he talvez maia verdadeira entre nós.
Se eom eft"eito algum prazer fosse permittido a entes taõ
desafortuuados, naô só se do nosso estado de atrazo em
todo o sentido, mas eomeçariaõ logo a julgarem-se bem vingados,
vendo os sofrrimentos dos seus proprioa roubadores. Estes
J"es de carne humana, eommett'm impunemente o maior dos crimes,
quanto á dos hómens; mas a Providencia. que infallivelmeute
pune a cobiça, castiga arruinando-lhes a saude perpetuamente.
Quem vêt entre nós hum homem branco, eégo, opilado, d'ol-
eeras, de lepra, e de tantas .outr-.as incuraveis, póde lo1o
1icar que este mizeravel se empregou ao de es-
  Mas se fossem &6mente os Cenibae1 os que sotrressem os cas-
tigos de seus erimes, Q mal naõ seria grande, ou antes deveria ser
IOPBiderado, comoajUJta puniçaõ da Divindad!" neste mundo, a qual (de-
vemos firmemente) lhes rezerva na v ida futura o premio dos
males qae oauzaraô a seus semelhantes. Porem males che-

gaã aot ümocentes (se iDDocen tes. há em hum paiz de senhores, e de
escravos) • nos deciDia o a populaçaõ, e ferem sobre tudo as mesmas
victimas. O commercio .!'escravos nos trazia e nos traz ainda todo
.
o genero d'enfermidades da Aírica; o contagio estava e está na
razaõ directa dos escravos importados. Creio uaõ dever insistir cm
huma coiaa que tCMies sabem; porem insisto em diser-sc que com taes'
traficantea se devem guartlar algumas formalidades, OJl legafidades,
quando infringem todas u Leis; f..eit que só podem, e devem pro-
tejer ao Cidadaõ, e nunca ao estrangeiro malvado. Pat:n ·se livra-
J'elll das penas que ae eatabelleeeraõ no Tratado d'aboliçaõ com a
Jaclaterra, .t;ito, eomo tudo se fazia entre nbs no tempo
da truzacta adminiatraça.õ de abominoza memoria, os traficantes uzaô
. .
da baadeira Portugueza; e quer elles •ejaõ, oa naõ realmente es-
t.nngeii'OJ, o facto he qae todos os cscrav01 nos ehegaõ em uavios
com bandeira desta Naçaõ, que os deaembarcaõ em toda a eKteD·
çaô do Brazil, e depois entraõ iDlpoaemente nos portos do Imperio
debaixo de mil pretextos, que nada valeriaõ, se da parte .da& au·
thoridade• houvesse mais energia, e patriotismo.
· s.á iM IÜOI'DO ou eoaivenc.ia? Ou aerá esa miseraYel per·
. . .
tuaaÕ de que sem e&el"afOI naõ podemos viver? Sem temor d'ol"cwlar
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a alguom, póde af&rmar-1e que saõ todos estes os motivos que •·
11im fazem obrar á. maior. parte das nossas auth o r idades ; pelo menos
as appareneias saõ _to<.las eoutra ellas. Temos Leis, temos Tratados,
• e COIQ tudo • eouzu marehaõ eoow d'antes sem pejo, e sem
rebaço. Há aenos perigo em introduzir e vender huma carrega·
çaõ d'homens, mulberea, e, crianças, do que a io'ródllZir e vendCI"
mercadorias legitimamente adquirida. !
A desto desleixo, ou qaer qda Mja, deve quaei parder·ee u es-
pePáaças de qu.e tal eommercio quando taclo concorre a perpe- •
toai-o; na Afriea a banteza de huma tal mercadoria e DO Braail
a facilidade de obter prompto e Juerozo mercado: • mesmG natural qae
a dare .em quanto alguma Naçaõ estrangeira nos naõ obri-
!'Ue pela fl.li'Ça á extincçaõ d'este commeroio. Se ao dealeixo du
aathoridades accreasen.tar•moa o iadefrereutiiDDO e o egoisJDQ elo .Po-
vo , naõ se julgará esta opioiaõ. Mna que o Povo COA·
aidere que a legitimar-se a escravidaõ, he aignal que recooheee pe·
der aer feito ·escra.vo, quer cl'WD deapota •. quer d'uma
Naçaô 81trangeira. Se na Africa laouvesse llama Nac;aü ..U for·
te, para faeer expedições ao Bnsil, e 1101 levuso á fUJ'Ça CGmo ea•
e.-aYOI para c8ltivar--mos u auu terJV, que teriam01 DÓI a ree.la-
IMI': aem as leia· da justiça nem • da Religiaõ pode·
riaõ por oóe .er iavoeada, oów qtae exterminamos a taatos seculot
a maiol' parte doe habitantes d'aquella porçaõ do gl_obo.
Oa Afrleanoa ae Yaleriaõ doe mt!Bmoa argumentos a noao reapeito
com que agora cohõnestar, on legitimar .:sto iofama
eomm.ercio. Elles uos diriaõ, nós vos 1izemoa et&V&Yot, pelo di-
reito o mais tbrte , ou sois noaos escravos porqoe To. compnamos
por dinheiro. Vinde, voa oosiuarem01 os priocipios da noaa Reli ..
paõ que lle aautiaima, de l]liÍericordia. e a unica verdadeira; aof-
frere.is toda a sorte de males neste mundo , porem no .o11tro , os
• limo• tJ I..ri de 7 de . de 1831, e tJ IUG ampliatiua de 12
d' .Aril de 1832, que a quari tudo prouidenaião, u l&ouue••  
ella• tl' callf"mtJ aorte «wrigcm o que o Codigo Cl'iminal tem de ai· ·
mitunmte- O com tJ Gram Brftanha, lAmbem M
Ley. E .fiMltMnte porque ae não 36 Brigue•
e &cun.aa; que possue o &lado, na captura dos navio•
aa todo o Bra•il '! .Fint:almmte conuç.ou-•e a adoptar e&ta medida, que
.dfttTifl Wmbrar , túlo pela "trg_Oftlat&
•er tUI.ZOI cwarrgeirOtJ, tomG1vlo em!HJrcações no1 noaaoa mGJ'es, e
.qÚQii no1 noaaN Porto.. ( N. B.) lato foi eacripto em 1838.

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a quem já sabeis resar , vos . daraõ hum obeio de
delicias; com tanto porem que abnegueis todas as vossas vontades ,
que sejaes mais brutos que hu01 irracional ; emfim que nos deixeis
\
sem murmurar sobre vós, vossos filhos, e netos por todas
as gerações' as crueldades as mais inauditas; que naõ peçaes nem
eomer , nem vestir , nem habitaçaõ , nem caridade. Que
riamos nós a isto ? lnvoeariamos o preceito de justiça uoiversalz
naõ façaes aos outros, o que naô 'quereis vos façaõ? Dir·lh·e-hiamos
• nós : como ? Co:n dinheiro se póde comprar a liberdade do homem ?
Pbde hum ser proprietario ·d'outro?- A propriedade foi sane-
' cionada para o bem de todos, e que bem alcança o escravo em ser
propriedade de out,o homem; de passar de a cousa,; de
perder todos os direitos naturaes ? Tal principio naõ he o contrato
conservador da propriedade, hc o direiro da força. Algum Juris-
consulto Africano respondia : " a escravidáô Ire justa, porque as leis
" estabellecem, e por tauto deve .ser mantida. , que a8 leis
saõ legalmente saneeionadas , os máos tratamentos, as extorsões , o
adulterio, e o assa•inato, saõ acções moraes, ·e legitimas,
mente á aeçaõ dos possuidores, a respeito dos homens possaii.!-M'• -
Pócle o homem ser considerado como hum movei qae se vende e
troea a capricho ? Póde elle por ventura ser 1'eputado objecto de
propriedade, sem attacar a moral das Soeie::ladcs, a ordem
natural , a De'os que fez os homens livres? Se as leis protejem a
propriedade , muito mais· devem a liberdade individual;
liberdade anterior a todo o contracto, e que contracto algum. póde
allienar, ou fazer perder. -
Tudo quanto as leis permittem, responderia ainda algum Ca.cuista'
da Afriea, por mais absurdas 'que ellas sejaõ, he legitimo. Quando
, e altamente clamamos qtte as propriedades devem ser
protegidas, e que ninguem as deve perder sem iudeinnisação, nós

entendemos estes principias a respeito dos homens Q que
entendem ôs proprietarios ·da Am.eriea. e mesmo hum Grande da
Polonia , ou da Russia. Em seu entendimento protejer a proprie-
dade, quer· dizer abandonar a seu nrbitrio ol infelizes que a força
lhes submetteu; attacar a propriedade, quer dizer, pôr a popula-
çaõ escravisada a abrigo da violeucia, he assegurar-lhe huma llarte
dd fructo de seus trabalhos, he, em hnma palavra dar limites ao
arbitraria dos possuidores. Se com etfeito a Af.rica podesse C9nquis-
tar-nos, ou qualquer Naçaõ   ou mesnw•e nossos escravos
podessem , nem os princi11ios da moral publica , nem a
caridade, e misericordia, que todas as Religiões rccommendaõ, e que
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ti crcad or itnprimio nossa altna , podiaõ servir-no." para aaoçur tt
terocidade dos vencedores, ou llllra eousolár-nos na no•sa sorte
nbs qu:! naõ temos priacipibs de justiça, nem ae religiaõ a rélpeitó

dos individUQt da cspeeie humana que as desgrac;u da fortu!la fez
nossos eseravOJ. As leis da justiça,. e dá moral, naõ se intertern Ire·
gundo oa Jlf)ssos caprichos, e ioteressea ; he Jreee .. Tio admitil-u a
re1peito de todos os homens e de todas as Nações , oa renuncial-aà
franeamente. No 'momento em que a justiça, e a moral eessaõ de
ier universaes, naõ existe mais parit 01 horiteDS môral, oâ. jutiça·; hd
sómente huma força   que algumas vezes pode p6r·sc em pra•
tiea- centra os   mas qae det-e fi.nalmeute voltar-se cobtra aquel-
les que dclla fazem a regra dos seus juizos e Slla eondueta.
No Capitulo seguinte proçurarei mostrar a influencia Canesta que
• escravidão domestica, exerea sobre as nOdsas opiniões, sobre a
nossa liberdade, civil e politica, e o e1pirito do uoiio governo.
Porem desde já. pllde imaginar-se a qoe , com ues pria-
ci()ios , o . Despotismo para cstabellccer-•e düradoiramente no
nosso Paiz. · O habito de resolver e mandar arbitrariamente, setll
regra, nem freio na propria casa, e a respeito de huma claue
de iudividttos que formão a maior parte· da nossa população'· deve
neeessarianieute iniluir nas opiniões dos JiomeJlS que p .. io de go-
'Vel·nar escravos·· a governar hum Povo livre:· Se considerão h uma
parte· da po[>ulação como devendo ser regida a capricho e com ver-
Jra de ferro, porque, não reputaráõ como amgeita ao mesmo methodd
de goterno à eollceção dos Cidadãos ? O individuo qae passar do
d'escravos a mandar homeos livre.t, levará comaigo oa ha-
bitas e as opiniões que no primeiro •. Esta verdade "he de
simples illjtituição, c he necessario não. se conhecer o corac;.ão hu-
mano para negal·a. Se pois hum ambicioso inteatasae seriamente
enthroni.sar-se, quaDtos soecorros não acharia elle, tuto
1
nas opi-
niões dos senhores, como na população esci'a'f'isada, pan a q1lal toda
a mudança seria htun grande beneficio! 1' Jíalgar-•·hia mui mes·
quinhamente, diz o judicioso Charles Comte, ie se imagiDUie que
o dt."'Spotismo começou cm Roma, no dia em qae hoa•erlo Impe-
radores ; Roma teve dcspotas DO meimo dia em que llum homem
teve a faculdade de dispOr de outro arbitrariamente; DO 100meuto
cm que hum individuo pôde impunemente maltntar' espoliar. e
embrutecer outro individuo. Se os escrayos• e 01 libertos tivea-
éem tido seus Historiadores, os senhoree ; e ae eatea Bilto-
riàdores nos desereveaem os vicias e os crime• du clalllu oppi'n•
toras, a historia dos Imperadores DOI puecen. mea01 horrinl ; aW
e
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hchariamos em sens rein:ulos a cm grande (la.q dontrinat
cstabclleeidas e Jnaticatlas durante a   , ,
Resta' ainda a Pefutação do sophisrna ·dos qnc, n não
terem sido tran&},OrtadOII escravos da Afriea, os Colonos não poderião
cultivar os generos que cxportão, ou terião mudado de cultura. Isto
I
quer dizer, tradusido na sua genuina linguagem: que D:\· verdade a
. /
escravidão he huma -fonte perene de calamidades e crimes; mas
como estes crimes e calamidades nos dão lucros, devemos ser pouco
' . .
escropulosos, e a troco d'algum interesse devemos admittir sem dis-
cussão a peste moral e physiea que nos trasem os Contrabandistas.
Creio mesmo, que a despeito dos outroa sophismas; todos fundados
na Religião e na, felicidade dos escravos , esta foi u apologia que
\
agradóu aos , e a que mais alueina aos actuaes pro-
prietarjos.
Mas e lia h e tão miseral"el , como as outras , tão Calsn e tão er-
ronea, como ao depois procurarei demonstrar-.
Porém desde já. os citamos a que respondão ás seguintes próposi-
-
çoes:
Porque , havendo bumà .numerosa população d'indigenas , não foi
chamada esta população aos trabalbos agrícolas , e a exterminarão
por não querer sugeitá·r·se á escravidão? O que querião erão es-
cravos. e não gente livre.
'
Porque, datando a descoberta do Brasil , e suas primeiras eoloni·
sações, da· mesma época que a descoberta, e colonisaçãe dos Estalos
que actualmente formão a união-Norte-Ameriea, a exemplo da maior
parte destes Estados, não se cuidou em promover as emigrações ,da
gente pobre da Europa? Os emigrados brancos não· podião ser es·
cravos, exigião ser bem tratados , e formarião huma_ ho·
mogenea. industriosa e livre ; mas o que queria a Metropole era que
as suas rolonias fossem pouco illustradas, sem liberdade, Rem indus.
tria, hum mesclado de raças inimigas. sorte contava ser o
seu dominio mais seguro, e ser mais facil o cObsumo as suas mercadorias;
e o que queriio os Colonos proprietarios não era certamente huma
.. popalação d'emignu)os livres: querião escravos sugeitos a todos os
1eus caprichos, e a quem tudo ae negasse, por se persuadirem fica-
. '
rião as:oim ricos mais depre888, e mais commodamente. Todos ima-
gjnarão ganhar, e todos perderão.
Que mal se seguiria da mudança de Outro não poderia ha-·
"fer, qne o de mudar hnm genero:na verdade mnis.importante, mas'que
•sip e trabalhos, por outros que se alcançassem eom
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menos capitacs, e menos sem estcrclisar as terras, sem que Cos-
scmos a opfJrimir huma
Que hc feito de tantos eabedaes consumidos no commereio d'escravos?
Qlie he feito d«1 tantos milhões d'individuos transportados ha trez se-
colos, d' .. fdea para ·o ·Brasil? existe a sua prole? Todos tem
perecido de mi.seria e de tudo tem sido engulido pelo
sem para nós e para elles. Testemunhas da pros·
)>cridadc das outras Nações, só resta lamentar o atraso de todas
as nossas ·cousas, e OS crimes commettidos por ROSSOS pais ; crimes
continuamos a sem que a e.xperieneia, 011 a previsão do fu-
tul'o nos apartar de falsa estr!ida! Se somos ftouxos, se não
temos illustr&ção, se a os vicioe e a ambição nos perseguem,
á. o devemos.
\ .
Como- haveráõ costumes, seiencias, industria, actividade, em hum
, Paiz em que l1uma pm·te da população descança, ou antes sobrecarrf'ga
a outra com todos os trc1balhos manuaes, 011 de intelligencia ? Entre
nós. o luxo, e a corrupçilo nascerão antes da eiviJisaçâo. Se o luxo
e a corrupção são as principaea causas ·das rninas Nações cerno
o affi.rmão todos os Pnblicistas, que futuro nos não espera se não pro-
curarmos remedia a tantos males! Estc3 m;lles   a quem sabe

reflectir; mas l1e encarai-os face a face , c determinar
ehtramente cm que para prevenil·os com tempo. ·Fechou
os olhos )>ara não ver o precepieió, e marchar dctlois ao
1
acaso) he
hum pessiwo meio· de el·itar a queda.
Para reunir em breve quadro tudo faz odioso o comiucr-
cio c!'eseravos, bastará considerar os mal'cs que a huma .Sação, pro-
vem da existencia da escravidão domestica. A introdoeção de novQs
escravos póde prolo!,Jgar o mal, e au,;mental-o indifinidamente; mas
be da existenéia de hum estado de cousas tão contrario ao bem ser,
á. moral, e á humanidade, que nascem todos os males que pesâo so ·
bre as Nações assim organisnda.c;. Jil. o flissemos, e ao deH-
genciaremos demostrar, que o primeiro effeito que a raça escraYa produz
sobre as raças livres, he o a·viltamentu de todas as profissÕes industriacs.
Deste avilt:u:q.cnto resulta que a existeneia da ese1·avidão impedira ne-
cessariamente a applicaQão dos orgâos
1
phisicos a9 aperfeiçôamento das
cousas que a naturcsa pôz â. nossa disllosição. Em segundo lugar resul-
'
ta, qnc talvez a escravidão favoreça o desenvolvimento intellcctual dá
raça dos senhores, em tutlo o que fõr proprio a .estender o imperio do
homem sobre os seus semelhantes, mas ao mesmo tempo terá por cf· \
feito estacionar e talvez mesmo extinguir o dcsenvobimcuto das mes-
mas faculda•les a respeito de tudo o quu pódc c!ltendcr o do
c*
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20
sobre a Resulta em tereeiro lugar que a escravfdlo
yieíari!. a eonstituiqão dos orglos phisicos· dos individnos da iufortuoada
raça dos escravos; os porá na impotencia de fazerem qualquer ePJprego
pfQ"R si oa para os outros. Re!?ulta qae a eseravi·
-'ip he hqm ÍI)VeQcivel ao desenvolvimento das faculdades
cJe todas •   exercendo sobre tudo a sua
• 4 ' ..
&Qbre a clarse liTre l!lbol'iosa, não dejxando meio aJgtpn de
• individuos   classe., que, para viverem honesta,
DieP,te te11 ueee11idade   a sua industria, vjeiará eeus op.
gãos, e 0J e:JpPr' ft ttlterpativa de OU roubarem.
4   1)., htJIQ obstacplo inveJlcivel á repartição.
't' ,.ccumulaçoo das riquesas, por que. rouba á classe livl'f!· laboriosa todos
os meios de trabalhar com inJellígencia, e ao mc8mo
tempo â el88Se dos senhores muitos Yicios, q11e lhe, in·
os frnctos dos trabalhos da
N,os Paizes explorados por escravos, o he indef\nitivamente
productivo o reino, e sobre o·proprietario, que
paizea onde os trab-.lhos sã9 executados por e a pe-
Quen• de riquesu que podem1er • por !lJJma al80'!'
ciaçio •im organisada se distribuem da 111aueira a JIUlis eontraria.á igual·
á e à justiça. Nos Paizes em que a ,e
e.- sen)lor.e• 'e a classe dos senhores se colloeada entre
' dous inimigos. De huma parte, está de cont1nuo exposta a ser
e pelos inilDigos que são Off escravos, Oll
dilaseerada por. ftaeções que duv,ida ehapurão a
eJPRU soccor.ro, tqrnJndo assim t\S guerra.CJ civiz mais erueis, e mais lou ·
' ps; d'outra de .. contil\uo sugeita ser ·subjugstda pelas na-
ções estrangeiras ; e se ao estranF,iro se reunir o do·
meaüco, quaea os meios de resisteneia?
- "'
Para que classe dominante possa contar com a sua
&Jlplieará ·todos oi ... cios que jqlgar rreventivos,' isto he os easti'!'
/ gos, os 11lpplicios, e o eqbrutecimento da raça dominada.
Estes castigos, e estes supplieios desnaturaráõ o caracter dos ...
que 01 empregaõ, ·e os tornará barbaros h uns a respeito dos ou-
troR; os usassinatos, os envenenamentos, e todas as malva,tezas do!l
•celerados serag eommttns em hum Paiz dividido em· raças inimjps.
Nunca huma associaçaõ formará huma . Naçaõ homogenca ;
hum heterogeneo de individuoa estranhos huna aos outros,
1empre inimigos, alternativamente oppressores, e opprim,dos, cheios ,
de e sempre r•romptos a lançareJil ma" da' armas.
hl'm Paiz usiro orgw,izado naõ 1)ode1·áô :baver
/

.....
...

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21
prazeres domestieos, nem união Certamente ta 1 aggrega4o
merece t nome de Naçaõ, mas o de horda selvagem. He claro
que a Religiaõ Christãa sendo inteiramente contraria á eecravidaõ,
ella naô fFóde esistir senão em nome entre os posaoidores oa pro-
prietarios d'escta'I"ÇS· Ora, huma condiçaõ ligada á. qualidade
de poauidores d'homens a de os deveres moraes
e religioeos, sepe-se que os pertencentes á raça dos •·
nhores naõ recoQheeeraõ outra authoridade que naõ 1eja a que póde
dar a utuci• e a violencia. Destes vieios rezultão os esforços doe pos-
para embrutecerem e prevcrJirem o desenvolvimento
du idéu, e dos sentimentos dos homens po1111id01, e a tendeneia a subs ..
aoa preceitos religiozoa, pratieu ridieulos, crençu absurdu,
e tudo o que he proprio a depravar a intelligeneia humana.·
Se a e10ravidão be para a raça opprimid• bum a origem de calamida-
des, he igualmente os huma causa de ruina. Sempre a
trraaia foi tão fune&ta aos opprimidos, eemo a011 pppre110t'e1. Se a do ..
paioação que hum indh' i duo exerce sobre os outt·oa he cedo ou tarde
J1uma e&Qsa de rui na par• elle, e para os aeus; a dominac;lo que btq
J»>Vo exerce aobre outro po"fo, mesmo tlem reageocia d'este ultimo, he
)uuna causa de deapot.itmo, e de_ruin• para o primeiro.
Estes males, e esta funesta da escravidão domestica, qqe
raqui apeau apontllJiloS, ç que ao clepoia mais amplaJDente desenvolye·
remos, nio são u uQioas J aó contrario são tantu, e tio diverau que ea·
Jl&ntão pela •••a multiJio e iotensidade. , .
Se em breYe periodo se quizesae apresentar ao espirito de todo o bo-
JDem que peD18, os grandissimos   que nucem de hum tal estado de
,:oisu, bastaria dizer, rara que 88 reflexões afftuissem a imaginação,
que os mfiles que pesio sobre buma Nação aio igualmente graves, quef
)luma fracção da vopulaçiio se aproprie dos productos e dos trabalhos
das outras fracções, quer as opprima de qualquer maneira qae seja: mas
que a a mais favoravel a todo o genero de progressos, a soei e·
dade a mais bem consfltuida, be nquella cm que cada hnm sqffre a
de seus vieioe, em que algucm póde roubará outrem os froetos das su_.
virtudes, ou dos seus trabalhos.
. c.··.
'

,
'
I

'
CA'PITVLO II.
Fazer ver a nociwa influencia que a introducção d'escravos _4fri-
, cano8' exerce aobre os no1aoa costumes, ci"ilisapão e liberdade.
He difficil conceber hum· systema cujos effeitos sejâo mais fun("Stos
e vão tão longe, como os que resultão da existencia da 'escravidão
domestica .
. A escràvidão he a maior das calamidades para a Nação eiQ que
se acha estabelecida; aeprava o senhor mais que .o escravo • des-
truindo em huns e outros todo o principio de moral; obsta ao de.
senvolvimento das faculdades sobre todas cousas que mais importâo.
conhecer-se; só permitte a indnstria a mais grosseira, os processos
os mais absurdos; condemna a população escrava a buma profunda
miseri.-, e a terriveis castigos, ao mesmo passo, que,· reagindo sobre
a classe proprietaria, para ella huw pri(\cipio de pobresa, e de
apprehensões continuas, pois QJle senão podem privar de toda a sorte
de garantias aos possuídos, sem qne se tire ao mesmo tempo toda
a segurança aos possuidores, pondo huma Nação assim composta na
impossibilidade de obter hum governo justo, c imparcial; extingue,
ou eet'tt em . contradicção com os priucipio$ de hum a liberdade legal ;
a esta Nação na ubsoluta dependencia das outras Naç.ôes; in-
1lue finalmente moral e physicamentc sobre os costumes, a civilisa-
çâ(),, e as opiniões das classes livres. O primeiro e o mais
effeito. que prod11zem os tCSCravos sobre seus, senhore(õ;, he dispensai·
os dos trabalhos que fornecem immediatamente aos homens todos os
nteios d'existencia; o segundo he   ver estes trabalhos corn
despreso, pois que sãO exercidos por mg,os d'individuos, ou antes de
. cousas reputadas vis. Em todos os tempos os proprietariR,s
de outros homens, tem considerado como hum acto aviltante e in-
digno delles a app1icaçâo de orgãos a hum trabalho qualquer,
por mais productivo que elle ·seja. Tanto entre os antigos povos ,
como entre os modernos, esta falsa opinião era não só estabellecida
pelos prejuisos como ·pelas Leis. Nas Colonias fol'madas pelos Eu-
ropeas, o mal era, e he ainda mais iuteuso, pois que i\s Metropolcs
interessava que populaçii.o branca desenvolvesse pouco as suas fa.
euldadcs, que se mesclando-se, e que as barreiras dos
'•

. .
.



\

23
      da.c; opiniÕcfl, foJ·tes que muralhas de ft'rro , a ttc-"'
parasse da }JOpulação escrava : hc dividindo que se impera , c.lisse
1\Iachiavel.
Quaudo na Europa, em cousequeneia de guerras, e desastres que
a assolarão dm·aute muitos. seculos, as Nações as mais fortes, con-
quistarão as mais fracas, e redusirâo seus habitantes á escravidão; .
I
todos os trabalhos sendo feitos pelas mãos dos conquistados, os con-
quistadores considcráraõ como vis todos os trabalhos mauuaes, e se
npplicarão sómente aos excrcicios que fortificão o corpo , e lhes de-
via continuar a dar a primasia da força sobre os t"scravos já exis-
tentetJ, e sobre as Nações industriosas que pertendiâo esoravisar.
Enfão, como hoje, crão só nobres aquelles que viviio á custa do
suor alheio, e &Ó viz os que alimentavâo a aristocracia, contribuindo
por meio de trabalhos laboriosos á manuteução ele suas familiu , ao
luxo e ao orgulho da classe Os effeitos que d'este es-
tado de coisas resulta·vâo,. são bem patentes: . aviltoa aos olhos da
população livre todos os trabalhos uteis, fez de1appareeer dos campos
a população intelligente e interessada na sua e na publica prospe-
ridade , substituindo-lhe hum sem numero d'eacravos sem interesee
e sem amor ao trabalho. Bem depressa estes eampos se converte-
rão em 11astos cobertos de miseros rebanhos por individuas
que , na qualidade de e de escravos, se tomarão tanto mais
cstupidoa ; e relativamente aos habitantes das Cidades , estas causas
. os tornarão incapazes de exercerem nenhllm genero d'indus,tria, os
impcdio suas faculdades sobre os meios que poderilo
fazei-os viver , sem damno de terceiro, independentes, livrei, e

abastados ; mas em recompensa deixou-lhes todos os meios d'exer-
suas faculdades na arte de destruir e conquistar povos, isto he.
.. na arte de· multiplicar os escravos, fazendo crescer d'eda sorte o
o.rgulho e o poder da aristocracia , augmentando a &ua propria mi·
seria. •
A servidão da glebtJ, na Europa, reaoltado do regimen fundai ,
produsio os mesmos effeitos : a industria, o eommt!rcio, e es traba- ...
lhos agricolas, forâo eonsiderados eomo aviltantes; todo o nobre perdia
ós seus fóros se se applicava a taet meios de vi(\a; o plebêo, para
I
assemelhar-se ao nobre, deixava de trabalhar, e aliás estes trabalhoe
pouco lhe podião .. produsi r : assim para parecer nobre, era neeessario
,
ser mendigo J offi.cio considerado mais cavalheiro que o de oeeupar
..
auas mãos na cultura das terras, ou nos objectos indoatriaes.
Quando a gleba foi abolida em huma ·parte da Eupora, sendo ne-
cesaario que a aristocracia tirasse a sua subeiltencia da· ori·,
\
.....

I
\
,


*etD, inns I debaixo de outros pretextos, e de outro JlOinC,' cSiabefe.:
ter'fi.o-se bÜm sem numero de contribuiçÕes, e direitos, qbe :m cJas·
ses trabalhadoras pngavão para alimenbr as elas9es nobres. '' "'Colt-
8illerou-se (diz o judicioso Çomte) como unicas fJrofissõea...-nobres, a
Milltl\f,; e de publico; em hum, como -ern outrd,-
ltât:rado ge niio vi te de pilhagem, de contribuições, o que
' -
algmnas ve.Z.es se assemelha muito. JJ
Nas Coloniu modema&, mesmo ós iildiviauas qtte snhém das
mas classe• da Sociedade, todos considerão aos trabulhos uteis comd
áviltantee, logo que se possUem escravos.
Entre nós húm· hoií1efil eeR de tràtialhar, logo que oom· \
pi-ar hum, ou do'us escravos. Não sómente os trabalhoS são detpre·
ados classcé abütadas, como mesmo ó mais simples arthtà s6
éi'erce o séu offieio pelas mãos de escravos,_ se os possue. Não·
•e pense qué isto BÓ tem lugat a respeito da retça livre, uáséida ilo
.,aiz ; tal he o cOütagio, e a furça do exemplo, · que hum Éuropeo
( éôbre tua o· oS Portugttezes) , fosse elle hntn malfeitor, ou exerces!id
. ''"'
no seu paiz à mais iguobil pr·ofissâo; logo qne possue eséravos, t'rÉt
il'iunediatameftte, que trabalh1tttdo por· suas iuâos, velipendiA a iuti
e teme 6 de!'pi'eao.
Já o dissemos em 011tro ltig1lr : t. hum artista , hum
eon&'egae conípral· dou ou tres ; ptma obtel-08 éniprega ;t
I .
Maior aetitidade , desentoly·e a maior intelligeuela ; .mas Jogo qué
ttm albttnçado os il)eial de batel-os, cabe llá inercia, jnlgâud'o á
Ana tbttnna iblidaínente estàbellecida; a ttna industria eotno que morre;
e o senhor áe entrega á. , e Q ·qué 'p'ior he :lo deboxê,-
que . o esera"to trabalha noite e dia para hianter o sêtt
beio. disto , qn'e nenhuma fortauà he sblid'a éntre uós ;
ftub Oli. béils se çonsomem tapidamente; que os ttabalhoá industtul.es
e :fgticolas e*ereidos por éntes aecintemente e'stupidados, deftnhlo,-·
*ão grosseiros, e em quantidade iafinitameufe menor do que deté·
ria sei' , mesmo em relaç!o á 11opulação.
M• as malés q1ie resl\ltiio estádo de de-ridos ira- existtn'·
tia da escravidão, são ainda pequenos em relação ás &uas eonscqnêrieid
ímmediatas. Nada J)l"OdÚ'Zindo 09 trabalhos, e senao de màis, teputádofj
_ tlz, os Cidâdâos os abandonã.o, se entregão ao óe?io, e em  
AOS ViCiOS:, OU Se algum: resto de moral , produeto .!a OU dd
'temperamento Oll nio condú'Z ao ·erim'e, aspirJo entlo eom' furor áoS cai-·
• No do Projecto •abr' o éomm·ercio d'esêra-dal, 'Jf.tl
a honra de opreaentar á &ciedf:ule Drfmma ..
...
..

...
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fOt p11blic01." Para 01 indiTidUOI que pert.endem yiyer á etUta ilat I'OU•
das publicas, todoe os empregos são boas, pela opinião de que toda..
estes eargoa sio illutres, ou que pelo menos os livrará da
D'etJde os candidatos aoalu«Jrn publicas são tão
fiU não he possivel admittir ·nem )).um ViJeSeUao; juJgaudo·se.&odos DO•
bres e eonf'enientemente habilitados, asua raiva Q.io tem limites quando
se lltes não dá a prefereneia : intriga,· calllmnia, de vingança.
tudo ae põe em pratica ; o caracter ae ; o furor euecede a01
aentimentos benevoledcia, aatos no coração ltumano: DURca se per-
dendo as es11eranças, escogita outro mei9 de sahir da
e da tudo se cooaerva A admiaistração, que
sempre conta muitos adversarios por hum aó amigo ( por que não pbde
comprar a todos, empregando-oe), se· muda a cada instante,, e o mal
vai sempre aogueutao.do á propót·ção que a populaçio 'livro v.U ·.-es ..
oendo •
.
O segredo· das conspirações ua actual épocha. be a perra qae 1e fu
. '
aOs enrgos pu"blicoa d'interesse. ·. Não Jae eómente eatre nós que este
espirito se tem desenYolvido ; elle e.xiste oa todN • Colonias eata-.
pelos Europeos onde a esernvidiio foi admittida. _
As Coloniu Hollandezaa, FraneeAS, Betpanbolas, e lugleps,. se-
paradas, -eu não d• Metro.-Je• otferece:.n oa mewoe ·prejuisos, e 11
mesmas opiniÕe• aristocraticas, disfar.çadaa eom o Q1aato da 8emocra·
eia, fruetos da exfsteDJia da actavidão doDle&tiea. No Cabo da JJ&L
EsperanÇa, segundo hum • bum braneo nunca trabalha ; no
momento em que ser ptoprieiario d'escraYoe, a sua avenlo ·
be invenaivel para toda a eapecie de occupaçlo industrial; e este aenti·
mento tem tallto imperio, que anteaaorre.rá de fOIIle 4o qoe entregar-se •
huma oceopação q11alqoer. Hé igaalmente aos escravCll, paa Coloniu
Hellandew da Ameriea, a quem toca todos os trabalhos, e o e:s:erti ..
eio de todos oe offieios, q6r nu povoações, quer noa ca111pos. Sio 01
eseraTCll (diz "outro viajaote t ), quem tem cuMJado do interior du ca·
.. , quem cultivão as 4aeQl vão á dlça e á pesca, quem e:s:ereeoa
ai anea- de earpintebo, de tooeleiro, de pedreiro, e de Cirur-
giio. Nu Colonias· lnJle,as, Cll eft"eitos da escravidão sd.o identicos-.
A cl8188 dos senhores oio executa trabalho de qualidade. algum. Es·
tas Colónias aio e.xolusivamente cultivadas pelos escravos, ou pelos li-
'.
bed.oe oegJ"OJ e seus de&cendentes. O numero dos proprietarioll
du plantações cdloniaes residem na mu tal he a influencia

• Banot.o,   ci #rica, e állndia•·
-t·s.. ........ Surinam.
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da   • em tão.-grande didaneia, que ate•
1ão men.oa moralieados, e rnai1 amigos do regimem arbitrario, do que
o eommum de compatriotas : elles ·sustentão tod• as medidas do
IOVerDO, quando ellM são COntra OS sentimentos da D&(fiO; fodo O
Ministelio, sobre· tudo o .composto de Torys, pôde contar com os seu
IUft"ragios, e influencia. ·
Ainda que elles não sintão hum· contagio tão immediato, como 01 que
habiti.o entre''os escravos. com tudo elles exigem os mesmos trahalllos
desta infeliz raça : de continuo recommendão aos seo administradores
-.tiguem os negros, para que obtenhio maiores produetos, e ao mesmo
tempo ordenão-lhes a maior economia nos álimentos e Testuario, redu-
zindo-os ao que he rigorosamente neeessario para "Viver.
Nos Estados Sul da Alilerica- Unida, onde está admitti(la a escravidão,.
as 9Piniões, e os resultados são os mesmos, nem podião cleix.ar de
Nestes E!iitados, eomo entre nós, e em todos os   luua
branco ceisa de trabalhar logo que possue alguns escravos; a sult poeae
he objecto príneipal da ambição de todos ; por que não ha outro meio
de viver nebremente, isto he na ÓCioaidade, e de ser admittido entro
os ricos.
O que uão possue esta chamada propriedade, e se acha reduzido a vi·
ver do PfOduetO do trahalho das 111as he de tal sorte   e
maltratado, que•emigra de ordinario, e vai levar a· sua industria para os
Estados d9 Norte, onde a escravidão nio he admittida. Como! me
dirá quem tenha lido esses immortaes documentos da lndependeocia, e
as Constituições dos· differenta Estados qoe compõe a uniio : eu vejo oa
direitos do homem estabellecidos na Constituição Federal, e nas fo.a•
particulares, sem excepção d'alguma; eu leio •ue os
alO livres e ipaee, e vós' me afiirmaes que estes principjos são letra
morta ! Sem duvida.
· Quando os Americanos proclamarlo a da ladependencia, foi-lhes
necessario invocar os plhcipios da moral e da Justiça unive.nal seu
favôr; em consequencia estabelecerão eomo prineipios fundamentaes,
que todos 01 homens nascilo llYres, igo"les, e com direito de resiawem
à oppressão. Mas logo que os escravos quizerão p6r em pratiek estes
principiO! em seu beneficio, na qualidade d'homens, seqa eenhorea lhes
responderão, que esses principios nlo lhes podiio ser applicados, por
que elles ério cou.1a, e não homma. Os eserav01 não lançarão mio
du armas a e:s:emplo de seus senhores; reclamaria perante 01' 'bilni•
nae1. Nos Estados do Norte, onde existião poucos   e aim
Jtama numei'Oia população, que não pertencia á cluse dos senhorel, el-
let ganharão a pausa; nos Estados Meridionaes ao:eo11trario di't'icli ndo·se
. .
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17
· a população qaaai em aenhores • eaeravos, eates ultimOt forio eoudemu·
dos tt perpetua eecravidlo, elles, aeas ftlhoa, e 01 ftlh01 de seus ftlhoe!
Entretanto n
1
estea Estados do Sul, os habitantes reclamlo · para 11 a
liberdade a maia extensa, e com tnaior energia que nos dp Norte, oDde
· a eaetavidão domeatica nflo existe. •
Os homens tem sempre duas doutrinas óppostaa: huma lhes •"•
para combater a oppressão, que supportão, e a outra para joatiftearem a
bppreDio,. que exercem. Nada maia Datural, nem máis commum : for·
ma-se a theoria, quando 1e aotfre a oppreaio; mas qnando se vence, e1·
tabeUece·se a pratica. He esta a historia de quui todos 01  
e de todas as Nações. . · ·
On ae taes alo os male• gerados pela eíera'ridlo eatre 01 deseeaclea·
tes das Nações as mais illustradas, as mais Jiyres, e as mail industrio·
as do yefho mondo, o que aeODteeerá aOR decendentes dos Reapanhoes
e Portupezes, Nações em que estas qualidades existirão r.empre tio
acanhadas, e certamente •• mais cheias de prejnisos eilis e religiozos?
O que acontecerá sobre tudo entre nós, descendentes de huma
que esteve sempre mais atrasada dois seeulos que a Hespanhola? Nóa
experimentamos os eft"eitos. Ao men01 entre 01 deseen•
H•,•narnhoes na Amerlea, estes male. forão atenuad01 em
facilidade du eotnmunicações. Nestes pafze•, asSim
nós, os cargos civis e l!Uitares, as condecorações e honras•
Corão sempre preferidas a todo ; potem ao menos o eommereio não foi
despresado : via-se, he verdade, huma Cidade cheia de individuas, eo·
bertos de medalhas, de fitas, com hnma farda agaloada, cheios d'orgu·
lho, e disendo·•e descendentes dos mais nobres mitropolitanos ; porem
Tia-se ao mesmo tempo o orgulhoso aristocrata, sentado em hum
yendeudo com as suas rroprfas mãos os geoeros de necessidade, óu de
• •
luxo. • Mas entre nós, o que vemos todos os di'ls, e isto depois da pro-
clamar, lo da Liberdade civil e politica, e da extineçlo doe fóros e pre·
Ham me grita : morro de fome, midlta mulher e meu filhoa,
• .A. • fundada• pelo• M8fHZMota, ftOI ltvão muita "anta·
gfftl: RÓI o'"' e1tamo1 atrdztulo1 mail de Aum 1tculo. O
Co,..mercio doa e1cravós foi muito maia ced_o abolido do que entre nó•,'
a I'IUJ importação semprl foi minOr, a ponto de laa"erma muito1 lu8twtl
e meamo Pai%'' ttdri'i'ol, como o Merlco, onde quali não existem escra·
tHJI. .As emigrapõe1 da He1panha, 1empre forão muito maiore1 que aa tk
Portu8tJl partJ o Braril ; e de mai$ a ltUJ Independencia he muito mail
antiga, 01 P,.ejuiloa aio pouco intenaos, e meamo já em algumas das nova.
Republica te c1tida seriamente na emancipação de toda a escravatura.
D•
- .
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..
I
IDII em qae me- heide occupar? Taf'enaei.ro uio p011o aw um Pedrei ..
te, llem commerciaute, po.1· .qae aou Militar, e como tal •ou Dobre, •
aãe poseo exercer o COJMmercio, a agricultura, ou a industria. O met-
mo diz o .filho, ou de10endente do mais pequeno empregado; o conde-
corado, aspirando &emJ,re aos cargos; 01 quer pequenos, para poder
aU:teotar, nii«J. á saa familia, mas o t>eso dot babitos; e finalmente to·
doa eó cJeaejão officioaJlublicos, porque 01 prejuisoe e doa
fazem temer ·o defpreso. Aaim todos. Os descendeu te• aoti«os co•
lonot, cheios de pre:jui101 d'csde o seu uamimeato, não se ocot.pie em
modo algtUD de vida, porque aeua pais erão nobres desta natoreaa, por
que de mais lhet não mandarão ensinar cousa alguma utir, imb•indo·
lhe• ao CODtrario dos maia ridiculoa pr•jwsos. lato se perpetúa de gera-
ção em   e com tudo males pro,êm aóme•te de duas
AB ; a primeira provêm do systbema metropolitano, systhema que a
lndependeneia extinguio, mu de qne .ainda acntimos os etfeitoe, e o.
aeatiremos po .. longo tempo; a segunda provêm da eaeravidão domeatica,
e este he o mal o dura.-vel e infiuente. , O orgulho, diz C .. Com-
te,· foi sempre em todos os Paizea, o vicio o mais saliente da aristocra-
cia ; o como a deviiãO da populaC(ãO em senbort:s e  
o mais do systhema aristocratico, em parte alga
hamano existe mais exaltado' como nos Paizes oude a
,população he considerada como a propriedade d'oeiosos
prod.ucto do seu trabalho. ., • .
Nós DOiamoa como o principal vicio das velhas Nações da Europa,·a '
existeneia do alguDS milhares d'aristocratas, eeJD nos lembrar·nos que
a nossa he mais numeroaa, e menos illostrada.; ..,
por aristocracia se   não os titolos, mas a clasSe d'individuos q11e
vivem, eomo os zangões. á custa dos trabalhos dos outros, qpe pro-
duzão alguma. Se isto he verdade, a nossa aristocracia se cout-
pije de todos 011 homena _liTres, porque todos possuem eserayos, ou upi,
rão a tel-os, o que, grafia aos recursos do Paiz, sempre .conseguem. .-
Se a existencia da eserav i dão in1lue tanto sobre as opiniões, quanto I
Dão inftue ella aobre os eustumes, ' por taato sobre ·a eivilisat;io. ·e a li·
herdade ! Para demoostrar estas funestas in11ueociu, he aecessario oon·
siderar o eetado dos eustrimes nor. Paizes onde existe a eteravidão ; a ata
influeaci asobre as faculdade• intellectuaes dos senhoret e dos escravos ;
a imprea1ão moral que os castigos e os SU)llllicios porJ.em exereer eobre a
população inteira, e que de necessidade influem aob.re o caracter doa
aenhore& quer nas Suai relações mutuas, e de famili4l, qt\ersobre o-esri·
rito publico, e no 5ysthcma do governo.
Tem-ae dito mau de hama vez, que a






..
.-ea he em,_.· dilieU, e perigo., •obre tudo ·a c1o Pair.: •.te ae
e ... ,•ive; porea· qaanto mais diflieil não he disereYer os ellltnmea.
qirarido estes eustumea não eetio d'aeordo eom a Tirtude e a moral?
lluma tal etnpt'ela escabrosa em todo o sentido ; o que • emprehende
deve eer bum profundo observador, e -então a sua pintura parecerá exa-
. .
getada, ie a quizer apresentar com todas as eóres, ou se reduzirá a
fuer o papel de simples faltando á" 'Yerdade. · O perigo
que..dç\'e temer, seria no primeito easo o de excitar contra si a aanba
d'aquelles a quem tivesse tirado o retrato, no.aegundo o despreao
geate de bea. Quem não quizer arriscar-ae, 4eYe procurar generaliaat
o mail mat então •nê· eontar que tira o rétrato de
•. O maia pruclente lle .diacrever o eetado·d08 eustumea n08 em iden·
tieu cileuastanciua aa do nono,· perque O. reeultadoa nio podem deixar
de 1er .hle.tieei. D'esta diacripçlo eada llu• tirarà as indueçiet que
quizler, compuando-as com o que tiv•r obaaervado eutre DÓI ; talvez este
•odeio nlo irrite. e f'\Ç& algum eft"eito. ·aobre 01 espiritos.
u· Se para jul«ariDfll :dos 'eft"eitol moraes.da eaeravidfio (diz o judi·
eioso C. Comte ) esperassemoa l'elu obser"Y.açõe• dos propri01
spbre ai memâo,, <Ml sob!'e " teua e.crayoa, aada se poderia diser, por
que nenh'utD deUes ainda .o quiz fazer .. MeiDIO upa pabJes Olf
teabores. KO&ão tie ·huma p-ande libe.._., eiYil, e politica-, .como DOI
Estadoa-Unidos, aioguelll tem procurado imlagar, e aiDda me1101 ezpêr
os effeitoa que a eseravidio pt'Oduz sobre oa Para que DOI
pouivel format" alpmas idéaa 10bre eate objeeto, foi necee.rio
.que homcullasci408 e educa4o• 'eiP paizd oade a eacraTidio nio exil-
te, fOJiem estudar-lhe, oe eft"eitos D08 ltagarea ella aàte. As re-
pões da Europa em que a 1e"idâo ezilte aio tela
&ido mai• fetteis em oheer:Yadores t o qae ae 1abe 4• eft"eit01 q.e a a•
eravidão alli proddZ
1
se deve a qae Aio perteaeem nem á cl.,..t
dos senbore1, nea á dos eiQI'af'oa. ,
vista do allencio doa ati10fJ, e doe aodei"IIOI a tal ,llelpeito, poder-
,ac-hia crer, relatiyameate aos primeiros, qae o atado de
hnma parto do genero humuo á oaua .parle, J-. pureeeu tio •tunl·
aos &eu Historiadores, f!ge estea üo GOIICe'laio poder haYer
huma outra maQeira , de e&istjr ; , e a reepeiw dGI 1epndo., pód• .. ,.
pÔr-ae, que o objecto be em ai .meemo tiole.rriYel, qae .ai.npem o ou•a
examinar de perto.   DOI viaJ..te. o eetado de
eorrupção doa proprietarioa d'eiCI"aYos, e as deaordeD8 que pn a faet-
Jidade de toei• • -· paixões IObJe a popolaqio esora-
Tiaada, o homem moraliaa&Jo, membro de huma aociedade ODde oa cri-
me•, e u mail leves faltai .01 c•tumea publi001 aio puni•
\
'



\.
.I
..
,

. 30

eeYeramente, Dão póde conceber. h1:1m tal eatado d6 co1..,, ou entlo
.e 01 factos aio authenticoa fica ehei o d'indignação CQDtra taes homeM,
que não pbde deixar de detestar, seDl fazer excepçioJalgama indifi·
dual, ainda que excepçõe. honrosas possão e mesmo devio existir. ·
Para que os cus.tumes se corromressem' geralmente entre os Romaaof.,
foi neceaario que Roma
1
Dio tivesse mail inimig01. Senhores das rique•
su das Nações industriosas, e po.ssuido huma multidão incri vel· d'acra·
Tos, a população aristocratica nada mais tendo a fazer, ee eDtregóa ao
oeio, e,a todos os gosos.sensuaes eom frenesi; antes cl'esta épocna,
Romanos erão conhecidos. pelos mais frügaea, e os maia cutos dos ho·
f
mens. Não •im ás cojonias mo.demas; a Côrrupção .come·
ço11 desde a épocha do se11 estabellecimento rapido; formarâo-ee sob a •
tutella e a das metropoleaJ enio houYe necessidade-de obter ea-
eravos por meio de gue.-ru saoguinosu, e duravcis. pois qae avid01 •
feroses espec11ladores ae encarregarão de todóe os cuidados e perip.
Auim, o principio, os colonos izcntoa 4tz todos. os cuidados •
trabalhoe de corpo e d'etpirito, se eatregarão á ociosidade, e ao
goeo das sensualidades phisieu.
A.' imitação ·dos ltomanos, na épooba em que· eomeçou a sua decaden.
eia, . a população aristocratica conaome homa immeusa qtJatidade de
alimentos, ·eJltretanto qoe a pópulação eiCI"ava vive na aaail éxtrema pe·
auria, e he oondemnada a trabalhos sem limites : todos os gOBOS, todas ·
· l&s commodidades da vida pertencem e:x:clU&ivamente aoR senhores; aos
eeeravos só lhes toca a miseria, e o castigo. O aenhor se nutre eom ·oe
mais e:x:quisitos manjares, e absorve OS' alimentos que podériio sustentar
dois, ou tres iodividuos sobrios, entretanto que ·o escravo, que S11spmta
o sou ocio e luxo, he mal · nutrido, opprimido pelos trabalhos e casti-
gado eom o maior rigor e inhumanidade pela màis leve falta. Relati-
á parte da moral pub\iea a qué propliamente ie chama cu•-
tume• ; para eollhecer quaes são os etfeitos da eaeravidão, a respeito dà
união doa sexos, · aeusa· ... e indagar quaes são as relações ·que existe\"
entre ós .enhoree e as mulheres qo.e pps.,uem a titulo d'escravas r basta
és:amiar ·quaes sõo as diversas cbl"'es ·,m que se divide a· na
Ameriea. Todas as vezes que huma escruva dá á luz btlm filho, p6de
log.o saber-se a que   de homens pertenée o pai, podendo-sé aftir·
mar qae todo individao de eôr mesclada, he o prodacto de ·huma
união immorai,te quasi sempre' o frueto\da violencia do senhor sobre
. . .
eua escrava.
O primeiro objecto que fere os olhos de hurn viajante Eliropeo he
a multidão de escravos de côr , algum• tio como seus mes-
tcnhoref. Ora , nunca. na Ameriea cscraToa
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31
todos tet.a .,de origem Africana: d'onde proeede poit eate pbt!'"'
nome no? A resposta he óbvia: de huma não interrompida serie de
immoralidades e de violencias da parte da população livre sobre a
eacrava. Em muitas de sangues diTersos, a origem Atri-
caaa tem desaparecido, e 01 escravos vierlo a ser d-. mesma espeeie
que seus senhores. Mu o que indica o maior gráo de bubaridade,
a auseacia de todas as aft"eições as mais doces e o maia tOI'pe egoiaaio,
he que estes iod.ividaos inmM:entes , fruetos da itnmoralidade e do
fUl"'r lllbrico dos proprietari01, são. se'08 eacravoa! Hum se·
nhor d'esoravas quasi nunca liberta os .filhos que teve de &UU escrava
_e exige d'elles todos os trabalhos e • submissio que reguer dos
tros ; vende-os, troca-os, ou os transmitte a seus herdeiros. Se hWI)
de seas filhos legitimos os recebe por ruccessio, não faz nenhuma
diatincçio .entre ellea, e 01 seus outros escrayos: assim hum irmão
póde tonaar·se proprietario de seus irmi01 e irmãs ; sobre ellea
_a mesma tyrania • e sacia os mesmos desejos. Se isto he verdade ,
(do que não a .m,enor duvida) temoe nós direitf á es-
candililar-oos quando hum viajante Eruweo di88er , qne a mwtidão
gente de e4r que existe na. Ameri!ã: he _ quasi sempre o fructo
do _adalterio, e do incesto ?
. O viajante Barrow observa, que no Cabo 4a Boa Esperança ha
tão pouea atreiçio entre os , que dois se
fallio. Como ... um irmão amará a seu quancJo existão
muitqs oatroa irmãos e irmãs , que como a majs vil das
propriedade& i. e que emprega. na das paixões bru-
taes? ·
Entre as pessoas sem educação, oe eostumes se manifestãb de · or·
· diuario pela linguagem, e o mesmo viajànte diz, qne ·no Cabo' dâ
.Boa Esperança, a dos' 'he de huina indeeencia que se não
. Pócle tolerar. Deve notar-se a re·speito d'esta Colonia fundada por
-huma das .N açôes a majs' casta dá a Hollandeza, eomo hu:..
ma observação geral a rei peito· de todas 11 outras Colónias ; que 01
escravos tendo mais, óu menos valor, cóbfôrrne ·se apros:imib maia
ou menos da raça branca, não só os favorecem u tltliÕet
entre as suas escravas. e a gente brallea·. como líe hum
principio de orgulho o ter-se na seryidão grande bumero ·d'éteráTOI
de côr mesclada ; e tanto maior he a honra, quanto mais clara he
a côr.
Armados do ·poder o mais arbitraria , e por tanto a aeu
. bel praser do qJle chama sua propriedade, como poderá hama eteraYa
. resistir ae seQ senhor ? a mulher legitima .do


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ptoprietario, deYorada de ciumes e 1Di111ada pela yjngançt,
impuuemente aobre a e4JCI'ava, que pecco• involuntarfamente, tOOa a
eorte de eraeldades. BUQla malher livre que nestes casos faz CU"
t,isar buma sua .eacrava, refina& de crueldade; pobre d'ella quer coo·
Íe!le, qaer negue a ca1pa! H" aobre bulo a torllal-a .. e •
a desliga.al-a, q1le ella •pira: o seio. o rosto, u parte.·. são O&
I-rares aODdr: 08 10pplicioa Ião app1ieados oo.m mais furor e o maia
refimado aa•ulo. O ciume entre as mulheres -he mais forte que euti"e
os home111, e produz • mais- inhuman• vinganças a que precedem
• phl'llles da tnais eaergica barbaridade ! •
·" Os aeatjmentos ós mais exaltados entre os possuidores de lao.
MeB&, ,diz C. Comté, alo o orgulho e o amor dos gosos phisicos;
huma amlher eaerava, objecto das preferenei•·, ou do .paa•
&ageiro fe seu senllor,   a sua se1ahora da maneira .a mais.ilen·
tive I; humilia-a a aeas proprios olhos; rouba-lhe huma parte doa
eeas ftilZel'es • e isto qae bastante para faze.r aeoender a
na T ilPgança e , 0:; effeitos do ciume , não se exer•
eem eómente sobre o ·propl'i• objecto, recahem particularmente sobre
os individuas , que pela s11a e6r; &DBuaciAo de•erem o di.t a seu
senhor, ou a outros homens da sua eapeeie. Estes Jnditiduos illno-
qualquer que o seu sexo. ou idade, são odiosos áa mulhttes
doa eetthores, porqne elles sãa huma proTa irtecuravel da prefe ..
.
tencias 'que au.u escravu obtêm sobre ellas; mu 1e pertencem ao
sexo femenino, tanto mais odio lhes tem. porque suas senhoras ·yêea
n'ellaa, u futuras ritaes de si mesmu, ou de suas filhas.
A temara que hum Pai maniiesta a respeito de hum filho DM·
d'escnva, he geralmente considerada como hum acto (Je fra·
qaeia. ou antes como huma loucura. Dar-lhe a liberdade, he despo·
Jar-se d, propriedade util, he huma espeeie de roubo feito
a .eus filhos legítimos.. Asaim quui sempre -tal filho fica confundido
eom outros e he vendido, trocado, ou transmittido.
à coaducta licenciosa do sexo a mais forte, arruua necessaria·
f,Deota a _depravação do eexo fraco.
He impC*ivel que huma filha creada e educada no meio de huma '
multldão d'acr&Yu, e testemunha forçada da corrupção destas mu-
• Entre nót, a phrau• a maü com"''"''• quando huma mullalr
àuCGnji4 p •eu ou amante tem contracto• iUicito• com
•IO"Got&, •io: eu a frigirei, ou tJ aaarri .. '011 i ou
CJQ!1Grri tal .ou tGZ ptJTte f-c. E quanta• "ezu e1ta• a?Maçai . néW
.ao o memo 1Jf1r rimple• àeaconfianf• I


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33
pela de Pais· e irmãos ;eja huma ea.ta ei}JO·
wa. Comtudo alguma moralidade existe com taes perigott, no sexo (e-
menino, e he isto o que espanta. Se os escravos ·fossem da meswa
especie que os brancoa, como sueeedia entre os Romauos, 08 perigos
maiores ; porque então 08 fruetos da immoralidadç do bello sexo

não trariâo ao nascer o signal caraewristico das castas.
Os futuros Sallustios e J11venaee da A merica , tal vez
transmittir á posteridade, esses hediondos e labrioos quadros que nau-
zeão na historia Romana. Ainda que na realidade muita cas-
tidade nas mulheres livres , comtudo o abuso da força sobre as mu-.
lberes escravas ioftue sobre o juiso que fórma o publico sobre oa
costumes -domesticos. E na verd·ade, como SDJ>pôr o pudor e a cas-
tidade, aonde os meios de corrupção são tão fa-eeisl A sedueçâo
dos h!)mens- ttara ...com as mulheres livres be com eft"eito facillima,
p,elo111 muitos· meios que ha de corromper as escravas da familia, e.
encarregai-as de as tornar favoraveis a seus dcs('jos. A prostituição,
&os paizes   não he _hum vicio que muito repugne ás. cons-.
. cieneias , aem as pessoas que a ella se entregio lião por isso
tadas ou sequestradu da Sociedade. 'Cal he a da
escravidão, d_iz o Duque de la Rochefoueault, qae aonde existe, to·
dtlS os perigos· moraes são
' Bem se vê a funesta influencia qqe taes procedimentos tem, e
devera ter sobre l.uma associação aasim orgaoisada o esquecimento
de todos os deveres -moraes, de todas as affeições paternas , e fra·
ternas ; o· arbiirio o mais extenso de huni lado , e a exigencia da
submissão a mais vil da outra, · eis o que se encontra nos paize1 de
escravos.
· poi-s com taes males, huma semelhante Sociedade póde existir
sem perturbução, póde prosperar?
Não póde athar-se meio termo: eom a eJr:istencia da escravidão
não podem ha'ter costumes, liberdade, nem civilisação; porque a _li-
berdade e a civilisaç.io não tem mais . irmes esteios que os boDI
costurpes_
Mas como haverão bons costumes, quando os de satisfazer
os mais tor11e1 desejos estio á. disposição de grande parte da popu-
laçiio?
Todes os dias se falia u.a grancfC prosperidade dos 'Americanos do .
.Norte, na grande liberdade civil c politica de que gosão, nos paa·
agigantados que tem dado a sua civiliaaçlo ; mas re.ftieta-1e na
ditferença que existe n'aqueUc Paiz, entre os Estados onde a esera·
fidlo he admittida, e aquelle• •m que. esta praga nio
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Nos • es ,costumes s'r'10 eort•uptos., a eiviHt:u:-io eatá atr•·
nda, e a liberdade segura en1 de heis esteieat: ali todos 08
aristocratieOtJ se J"eilgiário, eomo para o seu paiz natal ; }lOis· que o
flgaic-il;io cl'esta Pfttc do mundo, he nos lugares em que hune po--
dem viver á eusta doa traballaos dos outros. Nos EstadOtJ em que
pelo contrario- a pflpulaçio h.e composta de homens li vr.!s , e lia tem
e-rescido emJuama preporção do que . não ha exemplo; a liberdade
ettá segura; a oivilisaçlo u1Q differe da dos paizes os maia adian•
tados da Europa; finalmente a industria, a e o eoamer·
cio florescem. O jogo e a 08 divertimentos os bar-
IHtros, indiooo aoa primeiros, os gostos e os habitos populares; no•
segundos o amor d-a economia, a vida a mais sóbria, os d:ivertimeutos
1\onestos, e que não podem corromper o espirito ' mostrão a ditfe-
l'Cft\'8 que. ha e a tre Imos e outros , on antes a 4iiferença a
• e a liberdade.
Ora, se tal he o cousas, em hum Paiz, cujos üiàot são
descendentes doa Povos os mai8, i Ilustrados , e os mais iDdustrio•o•
da Europa, isent-os de h.um sem numef9 de prejuisos, onde a iotro·
ducção cessou á. tantos anaos, e omde tudo teude a
lil-o& do colonisando.-.os na Afriea ; o. quo será entre nGs, d-ea-
cendcnte-s dos Portuguezes, que, hoje no• introduzem t:autos mil)leiroa
clandestinamente, e de quem hudamos tantos e tio abslU'do• prQjui •
10&; nó& qa.e não temos Quakera e aem Meth.odistas, isto he, homeas que
eom todas aa &ua& forças pela abolição da eSCFavidão domes-
tiea ? • A d'eeeravos 1101r eontrabMde continua entre nóe
• Edaa dua1 seita• PlailantropiclJI são a1 ttn.icaB ehri•tãa1 que I'-•
,Wodu%ido muitos a f'Upeilo do• eBcrf.JC'OB. .A Yirginia, eujs
1xtenaão equival4! quali á de toda a ltt.gltJierr.a, ccmta11a em 1816,.
192:&18 eiCraeo•·· A I1UJ Couttcuição le iJ mail de.lfeituoaa do 'Kirião,
• tJ mai8 aAIWtraties, leu.t 01 tr_,noa intiuriTÍOIOI, fKWém
ao memw ümpo 01 mais .,.bifte•o• ie toda a .4f11eri.ca do Nutle;
••tá maia atra1ada que qualquer outro Estado rdativammie 4 iu-
trucção publittJ. La Rochef-ottcault- Lia-t•court   ,· que o• eBcra.,oa
mun8ras 091 ltabifxJR.Ns; e Jefferacm, awlhofi.
dade não suspeita porque .[alla do Bett proprio Paiz , diz (JfU a
d-iMinue em lugar d''IIMgfiÍ•n.tar pão graftàe RWMTO d.' mi-
fNfÕ'I& que IGAem annuafmlnle do &lado, emigraçõ.ea IÜ1
6f'Gtwl• numwo d' e•crno.e (/U ae OJ'PÕB tJ que a li;,re J)l)ll4
.,.. fRftOI • 0 Jflt'mom, &ltlflo. clt TIC ... , q popu •.
Z•s:• 1 .. tl'-'•flttna Nm truftlà_ , ·dia·


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i01pw1e e sem f4·eio , pol' ancio d • , a quem a cobiça aó
e a quem de sot·te alguma lhes ÍJJl!'Orta os males que d'ahi
provêm ao Paiz. Se o mal he quui ilTemediavel por muitas ge·
raçõet eom as e.eravos que -existem,. quanto ae não tornará mais forte
iutroduziodo-•e annualmeute tantos milheiros d'infelizes!
Isto bastaria para cout:encer aos iodHferentea; mas convêm mOI-
traT·lhes tambem os máos e.ffeitoe da escravidão relativamente a tudo
quanto laa ·de mais aagt"ado , e de mais util. Eu dirêi ao hQme.m.
industrioso , porém pob1·e : em hum paiz d 'eseravos .nada tendes a
fazer, emigrai paa-a bum paiz livre; ao Patriota: com escravos, nuaca
a Patria set·á prospéra, nem a· liberdade estavel; ao homem reli-
g-ioso: a re,ligião se oppoêm á escravidão, c em hnm paiz d'escra-
vos, ella passará de arl"em.edos ou de superstiçoes; ao amigo
das seiencias e das artes : a de escravos se oppÕem ao de-
senvolvimento de toda as faculdades; nunca as sciêacias terão en-
trada êm tal paiz, ao c.l)ntrado ellas d'ali seriâo expulsas se exi•·
t.issem , pois que o escravo nada pode saber
1
e deve tudo ignorar
t•ara ser bom escravo, e tal será a preguiça dos senhot"es que elles
11io terão animo pará cultivai-as 1,ara não sahirem do pôdre ócio ena
que jazem , para nio fut.irgarem o seu co.rpo e o seu espirito já fa-
tigado pelo peso da IDOlesa, du torpesas, e do arbitrio. Debalde vQs
I .
esforçaes para iutl'oduzia· o gosto das artes; as mãos do escravo só
tJodem produzir brutesas e grooe.-ias, e a nobreta dos lhe•
aio permittirá. oceuparem-se em coisas que só julgio dignas de mioe
_ v1s e igtaobeis. Se buma penna habil e eloquente conseguiSie de·
monstrar clara, e evidentemente e&tas verdades, aem duvida os ho-
mens de senso e pat.-.iotu , que só esperâo a luz da verdade t•ra..
te aos maiores saerificios , desde logo applicarião as
1ntns para anibilarem hum estado de cousas anti-social, co,tra-
.._ rio á prosperidade em todo o genero, e que de eootinuo ameaça
eom9 b'BIIl a -segurança, a liberdade
1
e a civilisação do aeu
raiz.
Od viciai e as virtudes, o bem e o mal estão de tal sorte ligados
n'este muudo, que para extrem·al-os- são necessarios os maiores· ex-.
f()rços e sacriúeios. Se quereis, por exemplo q,ue as scieacias ftorea.
çfio, be de absolut-a necessi4ade qne arredeis tudo quanto pb'de obi·
tar ao seu se quereis que a religião do Paiz seja
- I
poaiç;Io contido. na 1-ua Constitui:f.ão ezecutJd.a, cU qrM ne-
fl.hum hooittmte r.egro nascido no f:>aiz, n tJ·azido do tdtramar, pód1 arr
- - .
1.1cravo d1 20 annos d'idade n9.1 lto1M»B
1
e anno1 mull&e?·e..
J&.

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36
àuma lteligiâo de claridade, e não de treYas, apartai dos e1pirit011
tudo quanto póde contribuir para que a superstiçio .e o cruel fauatit-
mo dominem; .se quereis finalmente que 08 bons. costumes, a paz e
a união imperem, apartai da associação tuflo quanto póde  
})ara a todo o motivo de desunião e inimisade •.
Estas maximu tem sido prêlfldas em todos 08 tempos, llelos apOi-
tolos do por esses Philosophos esclarecidos que a natüresa pro·
duz de tempos a tempos para o bem sêr da humanidade. Os homens
quasi sem?re tem sido surdos a estas Yozcs ; mas de
t.odos os homens, os que habitão as vastns regiões que a Europa po ..
Yoou, tem Pido mais surdos, que os outros.
Debalde homens abalisados lhe tem que a existencia da ell·
cravidâo se 1lppõem a tudo quanto póde contribuir paTa bem-(SI1ttr.
da associação: nada os commove; a YOZ do interesse tem feito cal ..
I:J.r os brados da consciencia, e da humanidade ! Entretanto façamoa
a diligencia para esclarecei-os sobre os seu . Yerdadeiros interesses,
attac:mdo-os pelo seu amor J>roprio, e demonstrando .. )bett a falsidade
c futilidade d·e seug prej'nisos. s·e por exemplo se Jbe disser, que
quanto houverem esel"avos, ou pelo menos em qQanto a popuJa-
. çfio livre uão exeedcr ao numero destes, niio daremoa bum só paa·
10 na .carreira cm que at Nações eivilisadas tanto se íllustrão, isto
lte ·nas ·scienéias , Artes, e nas Letras ; · q11e seremns sempre
cstupidos e ignorantes : talvez ·isto 01 com mova , e lhes dê huna
abalo ;alutu.r para o bem. demcnstração desta verdade uâo lact
custosa ;· o buma vez d-emonstrada , faeil será t.irar hum
sem numero de corolarios contt·a a da escravidão domes--
tica, ·c sobre a sua ftmesta influencia relativamente ao desenvolvi-.
IJl.ento intelkctual aos senhores e doi
Nas Colonias fundadas pelos Europe,>s, duas cirennstancins se .ot)·
)lOserâo a este desenvoh·imeuto. A primeil-a foi o ciume das 1\le-
. e o syitema de governo por adoptado, systema O}l·
prcssivo, cm todo o sentido, e que se oppunha á vulg-arisação das
luzes, c de todos os conhecimentos Este sy&tema CeF80U pE"Ia
('maucjpaqão de toda a Amcrica , mns sens effdtos se far'5o
lit:-ntir por longos annos. segunda . foi a introduc:çiio dos escravos
R:ts Colcnias, • e este o mal. Jlo.-
10
· Os Portugue%tB foruo otc   que des'!e o Jt.mpo
ào Infante D. I/enrique .fizl'rão hum ramo de Cl!mmercio da t•·
CTlltmtura, c O!! primrin,3 q1U! a Ílltr'odu:i!iio na .Amtrica e mtlfllO
Jt.ll Eu.ropa. .A humc,nidadt lhe deve r.att ma1t>ficio, q11t a l'rovi.-
....

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4em ntenu:lr este mal nu grandes Ciuade1 ; porém aas pef'JnenH
1,ovoações e uos campos elle existe cm toda a auu diflormidade.
ntes emanei1•ação dos difíerentes da Ame rica do Norte,
os senhores crão geralmente estupidos,. e:x.ce1)to algum que tinha sido
edueaüo nos paizes em que a escravidão não era admittida; todos
os mais mostravâo a ignoraucia e a presumpção natural doa dea·
JlOtas.
No que yamos diser relativamente aos outros estabelecimentos dos
Ruro1-,eos na America, he neces.c;ario ter-se em vistas a reflexão que
por vezes temos feito, que, se descendentes dos Povos 01 mais il-
lnslrados RJlpresentãO Jlum grande Caracter .de degeneração, que fiCrl.
de nós, filha. da Nação a menos livre, e a menos culta da Eu-
ropa! Se em tuJo quanto disser-mos do estado de atrasamento de
nosiot coterrauêos, nô:t rctlutar-mos ou doas scculos mais atra-
•aclos, não nos enganaremos muito.
OJJ Hollandezes eutrão no numero dos Po,·a$ os mais intelligcnt(.-s,.
activos, e iodustr·iosos da mas nas suas Colonias uão .-
ta-fio actividaie, intellig3ncia, nem iudusta·ia. do Cabo da Hoa
J.:"perauça tem hum tal des(freso para 'toda a estlecie d'insta·ucção,
c1ue nunca foi obrigai-os a   ruu·a o estabelle·
cimento de h11ma &tcolla publica. Não existia na Cidade, no temr1o
eru que e Percival • lá viajarão, ·huma só livraria public•,
'huma §.Ó Sociedade litteraria ;· mesmo era raro achar hum liva·o en·
tre e1les. Privados de todos os prazeres do espírito da conver·
llllÇ'iio honesta, e da leitura, para o dia Jlrcseutc, be a repi •
tição do dia pas..-ado com a m4!(ma monotonia. A sua ignoraucia
era tal, seguuclo o priméiro viajantes, qtae eUcs não couhe-
eião as plantas do seu Paiz, nem sabião aproveitar-se das •1ue lhes
., iuh:\o tlc tõra. Os Colooo.1 liollandczes da A me rica, onde cxislt',
camo ·no Cabo, a 1,raga da escravidio, não cultivão mais ·que aquel·

les suas faouldades intellectuaes •
tltncia ttm P!!._go com ttBt,ra. Deve cli3er-se ae ll.uma
};:uropla, introduzia tlta huma outra, a Dinamarque::o, foi.
a· primeira qrLe deu o exemplo da aua abolir-ão nas auaa Colonial.
• Roberto Ptrci'Dal, Official da ltlarinluJ Britanica : viagen1 ao
Cabo da Boa E.Yperança, nvs annoa de 1796, t 1801.
I
Este -viajante qrUJ a opprt!LtBão. que 01 llollandezett fazlm
P!Sat sobre os Hotlentotts, t11m qu.aa·i extinguido tata Na.ção mui
t1um.cro84. 4lntea ela Coloni1ação. .A.pe1ar ela• Leia, oa
•• fazem tacravo•.


,

..
-


...
0:1 Americanos, descendentes dos llespanhoea, pela meama
tem !lOUCO desenvolVido uas faculdatles do eapirito.
Antes que este po'fo couquista.se a sua iudependencia, não se cn·
coRtrava, mesmo nas grandes Cidades, nenhum
1
• cstabe'lecimento p•·
blico proprio a caractcrisar hum Povo instruido e eivHisac.to. Exis-
tilo na verdade alguns Collcgios de Theologia, onde se ensinava o
clireito eanonieo, o direito civil, e mesmo alguma 1\Iedicina; ma
não se exigia dos discipulos, senão os necessarios conhecimentos r.ara
betn- dcffendea· os mystetios da immaculada Concerc;io. Os eoubeci·
mentos Physicos, 8otanicos, e em fim todos os outros erão despre-
sados; netp ao menos as plarrias que pisavão,. mandaudo
l' ir de f6ra e flores, que crescem com abundancia DO seu pro-
prio ·paiz. Enta·etanto como em alguns lugaTes os cseravos sio pouco
numerosos, os homens · Jh-res tem sido algumas vezes como forçados
a exercerem a sua intelligencia sobre os objectos doB &eUS trabalhos-.
\
Colonias que os Ioglezes e ás Franeezcs possuem hoje, são pou-
co -,àstas, excepto o Canadá, e toáos os qoe nelle vi·
vem l1c passageiramente. Relativamente aos que .ao
os ("ffeitos são analogos ; e nem· a liberdade de que as co-
lonias dos primeiros, nem a illwtraçâo do paiz d'onde tleseendem
cs segundos,_ tem podido obrigar os senhores d"eseravoa d"estas Co-
lonias a cultivarem o seu espirito em eóusae, '1ae não tem reHa\·ão
com os seus habitos e gosos mnteria:es. Ent-re os antigos Romanos , -
os homens qtte perteneião á aristocracia, se ado   eutre 8i c ne-
nhum direi1o tendo a commandar oe· outros senão em virlude de hu·
ma magistratura temporaria, pela po1)ulaçâo livre; resul·
tava d'isto, relativamente aos homens que a exercer aJJuma
intluencia sobre os seus concidadãos, a necessidade de ganharem a
sua confiança por meio d'e1oqnentes discursos, ou de acções brilhantes.
Era necessario por tanto que a arte db. palavra cult'i'Vada, u·
) sim como todos 01 conhecimentos que com el1a tem 'rel:lação. F-oi
por isto, que, em quanto se não achou meio de supprir a convicçii.,
e o raciocinio , . pela força e author.idade , rodas estas :partes dos
conheein:rentos humanos , forão , e :fi.zeroo grandes pro-
.
gressos.
_' Os habitantes dos Estados-Unidos , qwe tem tif"ado a sua nbsis-
tencia do trabalho dos escravos, se tem achado em circunstancia•
• analogftS ás d-este antigo Pove, aates da quéda da Republica Roma--
na; isto h e, livres e iguaea entre ·ti, despotu a respeito dos e!•
cravos. c' -() desenvolvimento de suRs (
o judicioso jurisconsulto.. que por tantu vezes temos citado; e cita--
• •

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remos •) eorrespoade _ • estas duas posiÇões Na quaH ..
de senhor, desttrf'sa os conhecimentos que lhe ter'a dad,.o 0$
meios obrar aoiJre :w eousns, conteataodo·sa em fazel·o pela a.utho·
ridade, e pelos moseuloa de seus acravos.; Da qualidade de Cidadâo1
e como tal não llodendo empregar a força a respeito· de seus
dadiios, foi neoessario usar da su\ intelligencia, adquerir pelos ta-
.teatos on cuacter a au.thoridade a lhe 11âo pQde dar.
Washington, e Koeeiusco, destu1ados a oombate-.:em e a gove1;narem
homeas, podiiio aasoer "em pai%es cuJtivaoos por vos, mas Franklin,
destinado a esclarecer o. muado, e a fazer crescer o poder do ho·
inem sobre a só podia desenvolver-se em hum pail em
que as artes 'fossem exercidasr por mãos livres. Se 01 .Estados do
8ul tem á uuiâG bum maior numero do homens JlrQpriot
ao Governo,- que -oe do Norte, e se estes uki.mos tem dado aaa-
.cimento 11 hom maior numel'o de bomens activos e .laboriosos, uã"
he ao aqtllo que se deve attribuir este phenomoo.o , he á presença
da liberdade em ltuDs, e a da escravidão nos outros. Nestes aspj-
.ra'-'Se a ot»rar sobre os homens pelo tale11to, ou •
llrça; naquelles ae obra sobre eousas, e t01"11-.i-aa apro-
pftadal. á satisfação· das neeessidade•· , ,
Se a escravidão intluê\ tão fatalmeu.te as facultlades intellec·
waes da elasae, que por seus m.eiQS e aituaçiio, póde ser susce_pttvel
de todo o genero d'illU&tração , quaes serio os e1feitoe d'esta in·
tlaencia solwe a cluse opp(imiJa? Oa senhores crendo-se
daa em o • du facald-adet io.tellecttlaes do
seus eseravos , e estes não 'enda:, aem podendo ter o de5ejay e os
meios. d'esc.hlreeer· se, concebe-se que elles devem estar em
hWil estado mui vesiaho do dos brutos. Com efte1to, nos lugares
da America , eJQ qqc o.s trabalhos sâe executados por escravos, os
.-eDhores são obrigados a comprafem. a ou a Yir dos
onde a escravidão não existe, todos os productos industriaes, que
exigem alguma   na aua confeição. Be por ist.o qu.e tudo
ex.i&te entre u.ós llO maigr estatlo e languidez; _mes·
mo DO& trabalhos da agricultura, a prineipal, .l!lenâo-a UDÍca base de
ftOS&a soltsisteocia, e de nossas riquesas, o ramo dos conhecimento•
hUUttloos, que talvez exija menos intelligencia, elles existem nõ cs-
iado o mai& ba,.-ba.ro, exigem os mUdados os lXUi.i& aturados, e ren-
.dem em produet01 da tert'a., o Yige$Silllo do que podião render ••
,
• O • CbarJ.e1 Camte , tte 4.
0
volum1 dt 8tu TrattJdo
l'Afii'IG çiio •




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fossem t'eito• por mãos livres. As cau•s da tlo1 ef•
eravos em tot.lof&· os generos d'inc.lusb·ia, são faecis de perceber.
A mão não executa sen:io o que o   bem concebe:
oa orgãos physicos- são os instruolntos da intelligencia, e logo qua
esta não recebe cultivo, só póde mal dirigir os orgãos. He evi·
dente que se huma 11arte da população só obra sobre as cousas pelo in•
tcrmedio ·da outra, e que esta se acha a ntachi·
nalme•te o que se lhe prescreve, tudo quanto diz respeito át Artes,
I -
ág Scienciu, e á industria, deve marchar rapidamente á dceadeucia.
Os objectos que produ?. a industria humana, não sendo eternos, de
necessidade devem ser de continuo renovados J se isto não aconte- ..
<:esse. as naç-ões as mais ricas e esclarecidas, ficarião •redusidas em
pollCO tempo ao estado dos selvagens. Oa·a, em os paizes
dão , não sómente 01 senhores &âo .incapazes de desenvolverem aa
faculdades intellectuaes dos mas tem huma tendencia na-
'
- tural a evitarem este pois que a _neceSiidade da
. segurança, mais fclrte a paixão da avaresa • os obriga a· tor·
nal· os os mais possivel. Mesmo os Americanos à o Norte·,
de todos os senhores os que talvez sejão menoa sobre ot
aeui verdadeiros iut'eresses, com horror a idéa de manda-
rem ensinar a ler aos individnos desta infeliz raça.
Pelos debates do Parlamento d'lnglaterra em 1825, se 't'ê que o•
Colonos lnglezes não olbão com menos terror os esforços que fa·
zem irmitos hàbitantes da metrópole, para d01rem alguma
aot escravos destas Colonias. . Em destns Colonias, os Mia.:
11ionarios l\!ethodistas , e Anglicanos , que vinhaÕ com intenção de
ensinarem a Religião Christã aos escravos, tem sido expulsos, e o
qne mais horrorisa ! tem sido á morte, o fu-
ror até a demolirem témplos ! * Assim holhens que terião julgado
a vil das oecupaçôes, o pôr huma pedra de ·hum
. " .Alguna destesfactos quasi incrit1ei8, tiverão lugar não ha muito•
Gnnoa, nas Barbadas. Em 1825, hum Ministro .Anglicar.o tendo
eonseguido formar hum auditoria d'escravos, para dar-Zhes o en1iM
moral e religiosb, foi tão maltratado, que pereceu. Os Jllethodi1ta•
tratando d'illuatrar a gente escrava, 01 habitantea brancos demolirão
o aeu úmplo , e- ae vangloriarão por meio rle pr-oclamaçõe1
terem commettido hum taZ attentado. Na IlM tU Demerara, oa ha-
bitantes eondemnarão á força hum Misaionario, por ter CJ".U·
rido desenvolver os aentimentos moraes do1 liberto•, e elo• ·r•cravo•
per mrio do ensino dos prt'ceitól religioso••

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ed)licio , acereditarão faser huma acção meritoria demolindo hum
edificio consagrado á Divindade!
Bem se . collige que não he a Religião o objecto senhores
d:cseravos, mas sim a cobiça e a avaresa.. Elles pensão que se o
de luz 'penetrar nas cabeças estupidas d'estcs infelizeS
• 1
• entes, a iusu.rreição e o mass&ere serão infalliveis. A sua eonseiencia
he quém os accusa, e temem que os netos · vingue.m a
são de tantas opprimidas, e tyranisadas. E que religião
he esta em que fallão a respeito dos escravos, se a escravidão em
opposição com a religião , tende necessariamente' a destruil-a , ou
ser destruída? por ventura os senhores d'eseravos os pre-
c!!itos da religião, esses preceitos· que recommendão a caridade, o amor
o cumprimento restrieto dos da moral ? Certa•
mente não. Toda a religiâo qae se incute a esses entes infelizes, con•
siste, em certag praticas supersticiosas, e1n momices, e ; bem
longe estão elles de lhes ensinarem a existeneia de bom Ente Supremo,
..
superior a tudo. Não, tal principio não lhes convêm. He neeessario,
para que hum proprietario d'homens, reine soberanamente, que es•
cravos não conheção authoridadu superior á sua vontade, e w a seus
- olh<?s os castigos, ou as reeompenças, que distribue. não sejão contraba-
lançadas por outras recompénças, ou castigos maiores, taes quaes appre-
aenta a religião. O ensino de taes preceitos enfraqueceria a sua autho ..
ridade, e seria hum freio contra seus proprios vicios.
He neeessario portanto concluir, que o ensino dos deveres moraes,
impõe a religião, deve sem _cessar impedir o da
verdadeira Mas deve esta exelusão, ter igualmente lugar
a respeito dos mesmos possuidores de escravos? Sem duvida.· A quali-
dade de proprietario d'homens, exclue tOda a "idéa dos deveres moraes,
e por consequencia da religião; a incredulidade a respeito da existencia
destes deveres, relativamente aos possuidos, deve excluir dos posauidores
a crença dos preceitos, e mesmo dos dogmas do Christianismo, e por
tanto de toda a entre a vida presente e a futura, entre os  
e a humanidade. Como poderá hum senhor d'eseravos acereditar ao mes-
mo tempo que existem deveres para todos os homens, e que entretanto
elle póde ·dispór dos seus similhantes como de ·machinaa? Estas tluas
erenças eontradietorias se excluem.
Se no mundo póde haver huma classe d'homens, a quem ·melhot _,
. . ..
. possa aocuar d'il1lpiedade, d'atheismo, e materialismo, he sem duvida
a dos poseuidores d'e.,ravos. Póde na verdaéÍe haver huma·mais espan•
tesa. incredulidade, que a d'individuos que negão praticamente a e:&is·
teneia de toda a espeeie de devere•? Nuca Philoaoplto algum, nunca o .

. .
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tnais cynico teve a impudencia de sustentar que lmm Pai nada ele-
ve a .eus filhos, que os filhos nada deYcm aos Pais, a mulher ao maridd,
os irmãos, aos irmios, e os homens entre si; nunca finalmente niuguem
.ouvi o sustentar que h uma creatura humana não tem dever algum a
para comsigo mei1Do, ou a respeito dos outros. Quando não houvessem
outras provu da irreligião dos·possuidorcs d'escravos, a falta de caridade •
e de miserieordia, t»•ra com os infelizes, que a Providencia lhes sub·
meteu, assaz o provarião. Não contentes de trazerem nús a estes in·
fortnnados, de os fazerem habitar cm lugares insalubres expostos Ás in-
clemencias do tempo, de os sustentarem com os mais vis alimentos, e
estes em quantidade que apenas chegão para não
perecerem á fome, entretanto que os castigos, e os supplicios lhes •o
prodigali'sados a toda ·a hora, e a todo Q_ instante, sem outro termo ou
1
imite que não seja o da vontade e do capricho.
Nas Cidades e nos Campos, os castigos corporaes sio tão communs,
que o estalido dd!l instramentoe do supplieio e os gritos das victimas, já.
não chamio á atteuçio do que passa: tanto estamos accostumados !
A incliDaqão á crueldade, que dá o exercieio do poder arbitraria, he
lortifieãdo pelo temor· que inspira à desesperação das vietimu. ·para
obrigar ·ao trabalho homens. a quem sem cesssar se roubão os fmetos.
recorre-se á crueldade; e para prevenir as vinganças, recorre· se a no-
Yas crueldades: para conwr a população escrava, outrorc meios se não
tem acha4o, que não sejão os da estupidez, a divisão, e o terror. " Os
senhores da Luiziana, diz o Riajante Robins, vivem eftl continuas su5tos,
e de continuo espiaõ, e     nas dos negros. A menor def.

confianÇa, alguma amis:uie que estes infelizes mostrem huns para com
os outrol, redobra o susto, e a espionajelb-.
Comtudo estas precauções naõ bastaõ para a segurança dos senhores,
qae a todos os iostantes treme'm á simples idéa de huma .insurreiçaõ, que
habitualmente estaõ armados de punhaes, e as suas casas saõ outras tao-
tantas praças d'armas. , Este estado de cousas convêm igualmente a
toclos os lugares onde o d'eaeraYos exeede ao dos homens livres,
ll()bre todo quando a prepotencia, e os castigos atrozes dominaõ. He.
este o quadro horrendo que oft'ereeem as nOISal Jt1'81ldes ·rasendas.
, Com etfettó a multiplicaçaõ dos eserayos, as crueldades, e os máus
tratamentos, devem de contiauo comprometter a segurança de aeus
póssuido.res; e estes malf!s e temo,es, devem crescei á porporçaõ que
0
numero dos eeeravos for avultado, pois que entaõ o seu baixo valôr
• • •
torD8DdO menos 1mportante a sua posse, e ao c011trano a sna suatenta-
c;ão mais custosa, os ..Up, e 01 Qlius tratos dobrariõ, auim como o,
· •.-pero du Tictimu. . _ ,.






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43
Todas as -rezes que os homeus   condcmuados a trabalhot perpetuoe,
e sem ft-uc\0, exp01tos con.;tantemente ao desprcso, ao insulto,e a müe •
ria a morte suo pies deixa de acr huma pena; he nccesaario, para que eUa
terrifique, acompanhai-a de tormentos que exccdaõ pela barbaridade a
todas as dôres espalhadas no cu no da v ida.
As crueldades da. possuidores d'eecravoa· aeriaõ para nós ineriveis 1e
aa uaõ preaencias..cmos todos os diaa. A menor' contradicçaõ, a menor •
tardança, os irrita, e ferozes J e todos acabaõ por acharem no
da crleldade, huma aorte de praaer atroz.
Hum exemplo entre muitos ·milhares que poderia citar, he o eapelho
do que se paua ean nossa propria casa, e da opiniaõ da maaior parte de
UOIIOI Coucid adaõs.
" Eu conheei, diz o Viajante Hollandez 8parmau, • alguns colonos,
que naõ sómente no calor da cólera, mas a sangue frio, e por rcftexaü,
naõ córavaü 11e serem algozes, de dilaaceparem Jlela menor neg!ilen·
cia o corpo; e os membros de eeus prolongar expressameuto
a1 torturas, e mais crueia que os tigres lançar aal, e pimenta. sobre u
chagas que gotejava\; sangue; mas o que ainda me pareceu JD:Üs horri·
vel, foi ouvir a hum d'eues colonos Chrhtàõs, ,dcscrcyer, com todas
• as apparencias de satisfi&çaõ, · 01 processos destas execuções cliabol.icas,
e mesmo glorificar-se de as 1,raticar, eJr.pendendo muitos sophismu
J>ara Justificar taes excessos, e em geral o trafico dos escravos em quo
era particularmente intercasado. , t •
• Oprimeiro objecto que mo quando ciugou ao Cabo do
Boa-&perança, forio oa inatmmmlo. do aupplicio doa €acravoa, e o
admirou ao tnajantl Francez, quando chegou ti
tnelmG colma ia, foi a· multidão d' e1cra'OOa quaai braracoa. c. Comte
tva duto a atguifttl concluão : podia jtdgar logo ao primeiro
apecto da crueldade doa aenhorea; e eate da auá immoralidade.
t doa cutigoa 1ae commum mtre nóa. Entretanto eata·
belleceu-ae a faltttJ opinião de que nó• eram o• oa de todo• oa
amhorea. Se nóa aomo1 a. tnaü fll.uericordioaoa, o 9'-'' aão oa outra. !
Nas grande• do Norte do Brazil cauaa horror tJ miaeria
da eaCTav.ra, cujo• curpo• cobutoa de chaga a iradieão oa tratcimentoa
u que aão cofttintUJmmtl Província• do l'rlaranlaio
e Piauhy, que particularmente as novf'n•, isto Ae, a. BUr ..
ru fKW rwme diaa conaecuti1'0a, lN hum cutigo ordinario. O paacieRt.
·lu! ajoujado a hum carro, e alli leN 200, ou 300 açouua: depoia retG·
lhão-ae u Mdega• ulcertldaa; e aobreuferidaa se mola··
cuda e aal, pnlfnder,do-•e que iafQ Ice /tum remedio nece11t1rio pará
11"' ..

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44
Mesmo entre o bello $exo, que parece ter por em to1la a par-.
te a doçura, e a caridade; tal he ó etfeito do habito, que a tyrania a
mais constabte, e talvez a mais insuportavel por ser domestica e con-
tinua se manifesta entre as mulheres dos possuidores d'escravos. Suas
maõs delicadas, se prestaõ aos . castigos os mais f01·tes ; e quancJ;o as
forças lhes naõ chegaõ, com lagrimas pedem o auxilio de quem possa
melhor fazer aos infelizes os etreitos de seus " A
indolencia, e a oçiosidade das mulheres dos proprietarios, diz Robins,
..
he extrema : . tudo lhes aborrece, tudo h e p-ara e lias faCiiga e trabalho
insuportavele Huma exee•iva preguiça'se manifesta, mesmo na sua Hn-
goagem ; sua prosodia hc languida, seos aceentos como que se arrastraõ;
cada syllaba se allonga, como se voz expirante articulasse seus derra-

deiros sons. Dir-se-hia que ellas lastimaõ naõ poderem lançar sobre suas
escravas a fadiga do pensamento, e o trabalho d.a palavra. Nem a novi-
dadepos obje.ctos, nem os inexperados, as póde fazer sa-
hir da sua habitual apathia: mas soffrem huma contrariedade , se julgaõ
o seu orgulho offcndido, aeordaõ eutaõ do letbargo, e mostra&_ na vin-
gança a energia dos despotas. ,
Examinemow.-agora a in11uencia que estes castigos produzem sobre o
caracter e as opiniões da mesma classe, que taõ liberalmente os dis- •
...
tribue.
Eites e.stcs «?astigos, quer elles sejaõ administrados pela
prepotencia e arbitrio dos senhores, quer por medidas de policia'
desde o seu nascimento os individuas da raçá dominante.
a corrupção, e a gangrena; Eu conheci hum homem, chamado Fuão
J!Lvarenga, Piau.hy, que quando queriadelffazer-ae de algum escravo,
mandava d.ar-lhe lntma navena, e depoia meteZ-o fm hum aurrão que ez-
punha do ttol o maia ardente; e o infeliz era alli acabado áfqrça de
bastonadas! O do   o tronco, a goniiJaa, oa angi-
nlwa, 01 ferros, oa cepos, e tantoa in•trumentoa de aupplicio,
aão communa niu noaaa Faaendaa, Engenkoa, tMamo naa Cidade&
não aão raroa. P!Jrece que herdamo• eaúa inatrumentoa de tor-
- tura · uze noa tempoa barbaroa, 4itrttos doa tyranos, lnqui8i- .
fão. llTaa não lu 1ó isto; a arte de torturar eatá muito maia adian-
tada entre nós. &pôr hum eacra"o toda !&uma noite, am.arrado a
hum cepo aobre humformigueiro de giquitaias, como se u.:a em '!lgu-
mas ProfJinctas, ou expôZ-o a1narrado cruz ás ferroadas dos

quilolf, como no Rio Grande d-s S)d, são refinamentos de... baJ·baria,
peculiarea ao Brazil. E nós somos os melhores doa aenhores ! ...


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45


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J eft'erson, • o unieo Americano que ouzou publicar algumas rc11exÕc•
sobre os fataes resultados da escravidão, diz que e lia. deve infallh·el-
mente ter huma funesta influencia sobre a raça lh·rc. O unioo com-
mercio que existe entre hum senhor e seu escravo, he hum exercicio
continuo das mais violenta paixões; de hum lado o despotismo, o
mais inflexível; de outro a mais degradante humiliação.
'
'' Nossos filhos, diz este jurisconsulto philosopho, testemunhas des-
...
tas relações, aprendem a imitai-as. O Pai se eocolerisa; o filho re-
para, toma aS mesmas maneiras entre os escravos da sua idade, e se
abandona ás mais odiosas paixões. Educado desta sorte, e exercitado
continuamente na tyrania, deve necessariamente adquirir o caraeter de ·
Jmm tyrano. O que, em taes   póde conservar maneiru
dôees, e costumes puros, deve ser considerado como hum prodígio. ,
O espectaculo dos supplieios, e do sangue, deve produzir a raiva, e
desnaturar o caracter de todos os indivíduos da raça livre. O
do arbitrio, e da violencia, torna os senhores d'cseravos violentos,
vingativos, e crueis huns a respeito. dos outros : os assassinatos }lre-
meditados, frutos da vingança a mais cég-a, e a maior parte das \'e-
zes a mais mal motiVada, são testemunhas irrcfragaveis desta verdade.
tA respeito das claues inferiores da sociedade, e entre os mesmos es-
cravo•, ideniicos motivos praduzem identieos resultados. AB rixas, en-
tre 01 indivíduos d'estas clu&es, tem hum gráo de violeneia quasi incrí-
vel, e por assim dizer desconhecida entre os Povos, em que a escravi-
dão não he admittida. O uso da faca, tão commum entre nós, he huma
prova do quanto infiúe sobre a pdpulaçio o espectaeulo continuo do san·
pe derramado por meio dos mais atrozes castigos. Na falta d'eete ins-
trumento 181aaino, os combatentes forcejâo por mutilar-se, e aobre tudo _
J)Or fazer COITCr O sangue dos OUtros : O que he mau forte trata O oatro
eomo escravo; e estes, nas suas querellas particulares, e pelos motiyos
os mais fut•i•, ás•ezea pela simples avidez de sangue, nio poupRo as
euu vidu, nem as doa outros. A forC(a h e quem faz tudo; e com effeito
a força he a unica differença entre o senhor e o escravo •
Temos examinado as funestas inJiuenciu da eacraYidão sobre oa COI ..
• • .TejferiOfl, notaa •obre a Yirginia.
. t Entre 01 ÃmericaAOI do N (JI'I,e da Ãmtf'Í(!(J , tU qwrellM aão frt-
,
quentea ; ·d'ordinario pelo duéw, e qutUi 1empre pela morte
'fle hum dos dmu conttn.dores. Entre nó• que não uaamb3 do duélo, t.J
compra de hum a8sas:Jino faz o mesmo effeito; e o que pior he (1e pó·
de lurver coim·pior), compriio-1c 01 mes1no1 · e1cravoa para a••a••ina·
,·em. aeus propriCJI aenllore8.

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I

J
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46


tumes publicos, o caracter nacional, a Religi:io; e o dcsenYoh·imeato
das faculdades industriacs. Os resultados são óbvios •
.
Como haverá prosperidade, se a existcncia da escravidão se oppõc ao
desenvolvimento de todas as faculdades? Como haverá  
isto he,   como haverá isto he ordem, se a indus·
tria não póde existir, se as classes livres estão eoódemnadas á estupi-
dez, se os prejuizos se oppõc á igUaldade das condiçôcs
1
se o uzo eon·
tiuuo do arbitrio c da llrC!lOtencia dcsnaturão o caracter nacional, c o
faz inclinar ao des1>otiswo, e á aristocracia? Como have.rá.Õ costwncs e
religião, os maia firmes esteios da Liberdade, e da civilisaçio, se. tudo
coucorre para a corrupção, c a desmoralisação da po}>ulação?
E que perigos não cor.a·e a nossa liberdade futura
1
e portanto a nossa
independencia como Nação, continuando a existir a escravidão? Huma
  rcftexões tristes oeeorrem ao espirito de quem· pensa hum
instante cm objectos de tal magnitude ! 0» exemplos do passado e ara-
são apt,licada ao por r i r. devem encher de pavor a todo o homem qut! ama
o seu paiz, e a quem se antolha, mesmo quando já não exista, a idéa da
dilasceraçâo, do despotismo, c da dominação •• tão funebres
t>.Pusamentos devem apertar o coração ao bom Cidadão, e fazer-lhe cor--
rer 4os olhos lagrimu de ii&di,riação c de d6r !
I
Quando mesmo o funebre agoiro do PrOJlheta da Ameriea, o celebre
de Pradt,'- que todtJ tJ carregação de esCf'a"ott, equivale a huma
ca11ega{!ão de polvora destina"- a abrasar o pai% - se não verifiqpem
em nossos dias, quanto uie devemos nós temer para o futuro de huma
incsclada e opprimida, que pbde 1·•agir?
O jQdieioso e profundo C. Comte, me Íl)ruecerá a maior parte- deatas
tristes reft:eJr.Õea; sua eloquente penna snpprirá o que me faltá: feliz ee
poder penuaulir aos outros, como cllc me persuadia a mim mes1no 1
O espirito humano se presta facilmente áa divcnas impresaües que
· ae lhe quer dar; c os homens de ordinario se dirivm pelo habito e
pelo exemplo; por mais contradictorias que sejio as suu doutrinas o&a
•·aciocinios, em sua conducta .sempre se mostrão consequentes com o que
tem aeinprc praticado, ou visto p.-.ticar. Ilum individuo que desde o
seu nascimento, até que chegue á idade viril, se vê desenho-
res e d'eseravos, observa as relações que existem entre huns e outrol.
Vendo sómente n'estas relações o emprego continuo da forç,a contra a
fraquesa, o triumpho dos desejos e caprichos de huos, e abne·
gação completa da vontade dos outros, a autboridade em lugar do ra-
ciociuio ; apenas pode fallar, ja toma o tom absoluto, c o ár imperioso
de hum deapota; já vê em seus parentes os membros de bum governo,
de huma provilegiada, nos esc1·.n·os, eUe vê os yasAlloa i contra-
, ....
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III





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41
tan<\o d,csta sorte os costumes de bum dcr.pot.1, antes mesmo de saber
8 que .h e magistrado.
Qual he a diffçrença que hum intlivicluo assim eclucado pódc ,·êr en·
tre os homens que possue a titulos d'escravos, e os que são livres? Ha
sómente duas, a força, e o prejuizo de que hnns nascerão para obeclece·
rem, trabalharem, c soffrerem, e outros para mandarem, e viverem
DO ÓCiO. I
Cada individuo livre, para considerar a todos os outros como seu•
,escravos, só tem necessidade de achar-se revestido do poder, e possuir
os instrumentos que lhe possão dar sobre. os seus iguaes a força que jf\
tem sobre seus escravos. Veremos, pelo que se segue, que est.s in&tnl•
mentos facilmente se aeh!o em hum Paiz em que huma parte da popu·
lação se educa na pratica do arbitraria, e a outra na mais vil servidão.
Hum dos mais notaveis effeitos da escravidão he pôr em
perlletua os homens,que (!xercem huma parte da authoridade publica•
condemnaudo-os a approvarem alteruativamentc a1 mesmas acções.
Be neceasario ..que ellcs mintão eem cessar ás suas COD&ciencias, ou que
ae vitupe1em · a si mesmos em seus julgamentos; e esta neceBSidade he

o resultado da opposiçiio que existe entre as pertent;Ões que formio os
senhores tia qualidade de Cidadãos, e do poder "'sem limites que exercem
na qualidade de possuidores d'escravoa. D'esta sorte não ha hum só _
erime, de qualqaer natureta que que hum indiYidud não poua im·
· punemente cometter como se,hor, e que não deva julgar e punir como
. juiz. De huma tal opposição entre a .conducta e os principias que de·
'Tem dirigir os julgamentos, resulta que os sentimentos moraes se extin-
guem, e que a justiç.a vem a ser h uma força brotai, dirigida pelo or·
gulho, o o     Ora, havendo as mesmas disposições em todos 01
individuos, de que se compõe hum governo, desde o mais humilde func-
cionario, ate aoe Che1Fes do Estado, poderá existir segurança para al-
pem? Poderá. esperar-se que homens habitualmente entregue. ao
arbitrio, á Yiolencia, e a todos. os vicios e paixões, se tornem repen*i•
namente justos, humanos, desinteressados, e que hum tal milap •e
-
faça pela simples mudança do nome ?
doa factOI menoa eoatrovenos em as acieneiaa moraes, he que o
Jaabito. d'exercer o arbitraria, produz a necellidade, e d'a1guma sorte
de perpetuai-o. Quando os homens a'aecustu_!Dio a viverem
á outa dos seu semelhantes, todo o•tro pnero de vida lhes eausa hor-
ror; o trabalho que exeree sobre as coueu, lte de tal sorte Yil a aeva.
olhos que sómentê póde eonvir a escravos. Este facto he confirmado,
aio por ieoladas e ind.ividuaes, mas por obseJTaçõa CODti·
...
I






48
ntldS- sobre raças inteiras, entre povos semelhantes, em todat as
tes do m11ndo, e em todas as cpocas.
\
Hum outro facto menos   que o precedente, he que, quanclo
os homens não llodem restabellecer. suas fortunas pela pilhagem das
nações estranhas, saqueão seus proprios concidadãos. Os principaes cum ·
Jllices de M arius e 8cy lia, farão os" senhores arruinados, que querião
ajllitar as contas com os credores, degollando-os.
D'estas verdades resulta hum a terceira, que he a tendencia, que tem
todos os senhores, a apoderarem:se do governo. Cada hum, conforme
a posição social, aspira obter hum emprego que lhe confira autho·
ridade, e o faça rico, ou que tJelo -menos lhe proporcione os meios de
viver sem trabalhar. Entre os Americanos do Norte, muitos viajantes
tem observado huma grande avidez d'empregos pnblicos, notando que
Estados do Norte, onde a escravidão está abolida, que alli se nasce
agricultor, artista, manufactureiro, ou commerciante; mas que nos do
.Sul, quando se nasce proprietario d'escravos, nasee·se governando, ou
para nad• se vale, ou para nada presta. Observa•se., eomo huma ..
# confirmação d'isto, que o Estado da Virginia, o que mais escra·
Yos, tem· dado maier numero de fúueeionarios publieos á unilo., que
nenhum dos outros, ainda que lhes seja muito inferior em luzes. em
industria e mesmo em riqucsas. • Ora, a existeneia da escravidão ar·
• O E3tado da Yirginia tem dtJdo 4, ou õ Pre1idmtes á União, ele
a isto· que oa .Americanos a Dfnastia Virginense. Nem'hum
outro tem dado maior numero de ao goonno federal.·
Quando a Lui%ilfna, 1egundo Robim, começou a pertencerá União,
os .A.mericaf&OI do Sul a e lançarão com aftdez 1obre' 01 emprego• alU
eret.ldoa, ainda que eUe• não cOfl}&ecãatm aa Leis, nem a ·Zitagoa do nm»
Z.tado. '
..4 at1idl% dot empregos publko•, não he hum tMitl pGrticultJr a Auma
ução.. ou a hufiUI ·certa época : he hum mal, de muita eau·
ltll, daa qutJn, ·segundo Comte, aa priftcipan 1ão 41 seguinte•:
J. mttlncia da escratnflão, OU 01 prejUÍI03 J&CIIciclol de hum táJ
eatado tle coU.aa.
j. O lllotaopoUo, dG part8 doi gONmOa, de hum tDGior., ou me-
tiOr numero tü P,oJU•õa privt.ldM, CraRfformcada • t:tAfWego. 11"-
Wieoa.
8 • ..d grarult faciUdad' a'GlctmÇar 03 emprego• •• dapaa, e .,.
eoptlftdtuk.
4 . .A. irtmoltsbilidade dos
6. · Oa SalGrio• e u hoRrat tem proporção ao trabalho.·
I
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ras\rando os homens livres para a earreira dos ,.emptegos publi'êos, fâ ..
"t:eudo-lhe hulllll neceuidade por este meio, dando-
lhe ao tempo .os prejuisós e os kahitos dó arbittãtio, reata
8aber quaes eão os reearsos que atn-esentão a classes da so-
eiedade ao, governaatea que aspirarem a manter-se no poder, ou a'
estabellecerem despotismo •
De todas as especiee de despotisntos) não ha ltuma só mah ae-
tiva,   aern mais continua, do que a qlle es:erce hum senhot
1
sobre sebs e8eravos. As violencias qãe commette h111n, desposta so-· \..
bre a mB!Isa da popalação , nada são élb eompatação das extorsÕell
,
e tyrauias q11e em todos os tempos tem exeréido a mlfor parte doe
senkeres á respeito dos escr-avos. O interesse pois do9 escravot os
dispoem a eoaifjuvarent todo o ambicioso. que se apresente para
jogar a raça dos seuhores; e mesmo quando o resultadó de seus ex-
forças fORSe O estabelleeimento do governo O mais tytauiCO poss!veJ*
goverao seria hum bene.fieio para· eltes. _
Mas não he s6mente esta infeliz ra((a ·a interessada em húma tal
re-mloção. Entte os senhores e ..,. escravos, ha huma classe d'ho·
mens paTa a subjugação' dos primeiros htun benetició, e hn.J
progressó: he a classe dos livres, não possuid:ores d'escravos.
Os indif'idaos d•esta classe. ganh4ráõ de tres maneiras DO estabel-
leeimento de hum gover11o absolutdl
Em pritnéi'ro lugar cessão de ser e:telaidoa dos emptegós, parqué
desde então já elle11 não pbdem ser monopolisados pela claSie doi
. - '
. senhores; em segundo luga-r, Aearã:o menos a-viltádos; porque a clasaé
, .
dominante alio poderá opprimil-os , e porqne o poder estabellecidd
acima de todos, a todos porá de niYel ; em terceito lugar finalmente,
a efasse dos senhores não !'oderi. tão raeiltnente apodera-r-se do. Jn6·
nopolio ·de. todas as profissões indlistriaes, pois que o go'feftlo nlo
podendo despojar eada illdi'f'idào em particula-r (porque estA mina
se esgotaria eGm brevidacle) , a estabelleeer imposto•
sobte a maesa da população , ee:mlo portanto 'deceahrio que eon•
eeda -hama espeeie ele protecção a todo o Jndit'id'Clo qae trabalhar.
Nellha01a aaç.lo of"ereee h1Htr exempte mais notaYel da -rerdade, d'és•
'tas redexões, como a Romana. Na antiga Roma,· todos os homelH
qae teatario o estabellecimento dG detpotúmo , proeuru'io e •hart.õ
6 • ..A.ftJUa M •tgurcnp; u ezlréieio dtu.fu.e{f/Jet ,.._,.,; l'ál
GlafMI a fUB atio aujrittí1 flt peltM•, qtc4! u e:M'etm •
.EI'tespi.Nio nio n Julgárt. !Mh· Ptri%, ondt o .furor elo" em•
pwg41·1af le tom•-..
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hum appoio nu elaaes da população, que nio pea·tcneião item lOI
._enhores, 11em aos escravos, isto he, entre aquelles que se desig-
navio eom o nome de ProlefATiol. Noa primeiros tempos estes homens
vendiio aeaa so1Fragios aos que lhe o«ereciâo mais dinheiro; depois nós
vemos aliarem-se a Marius, e ajudai-o em todas as madidu que
tinhão por objecto a oppreaão, ou a destruição dos Patriciol ou
IIUhores. Ruma vez a carreira, DÓ\ 01 Yemos enthusiastu
de Ceaar, comporem inteiramente as suas Legiõp, e marcharem com
elle á conquista do seu proprio paiz ; nà morte do Dictador, reu-
nirem· ae aob as bandeiras de aovos tyranoe , Yingarem sobre 01
grandee a mwte de seu protectores, e as oppressões que tinhão
•otfrido por tantos aeeulos; adorarem a Nero, chorai'C!'m,, e vinga·
rem a sua morte ; e finalmente debaixo do nome de Legionarios
e de Pretoriaoos, ficarem eenhores do lmperio, que vendião a quem
mais caro o queria compftl' , usassinarem os tyraoos , e vendei· o
de noYo a outros tyranc;s, quando o actual pouuidor não podia, ou
•lo queria ceder a toclos 01 seus desejos e vontades.
lerá neoe•ario indicar as eausu da preseyerança dos homens que
11lo aio eacravos, aem pouaidores cl'eecravos a aliarem-se a todo. o.
inimigos dos aeohore1? Não lemos nós na Historia , qae e.ae. ae
apoderarão de todas u terna , a titulo de proprietarioe , OQ ren-
cleii'OI da Bepubliea, e fazei-as tpbàl.har por estran·
piros, ou por   expulsando assim dos campos · 01 cultivado·
re. liYrea, sem deixar· lhes meio algum de e.x:istencia? Não se
apoderarão elles por meio dos seus capitael, e escravos, no proJ,rio
aeio de Roma de todos os ramos d'industria, e do commereio ? Não
eoueguirio aviltar por meio das .Leis, e depois prohibir o traba·
lho executado por mioa livret, a fim de melhor firmarem o mono·
pollo pelas miol de aeus escravo•?
AI claues livres de Roma que eorreepondiâo áJ DOIIU classes
laborioeas, nlo podilo ter maiores inimigos que 01 p011aidores d'et.·
cravos. Mariu, Ceaar , Nero , e todos e1se1 tyranos cujos nomes
ainda aos horrorialo, erlo para elles   pois que lbea da-
Yio meioe d'emteDcia e ao mellllo tempo 01 viapYio 61os se•
a,adaes inimigos.
Qaaodo ex.te DO seio de huma Nação, huma el-e ariatoeratiea,
ele sua naturesa ambicia., e que por tanto os iadivid1101 d'esta elwc
qaereiD arruacar·ae mutuamente o J-,oder, ou a enriquecer-se por eate ·
meio quaado o   huma clu•e maia uumei'Oia que não p01811e
·iem propried.wles, nem indutria, e huma outra cluee ainda muito
aWI lllllllOIOII que não aó nada possue, mas que demail he co..t-
'

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' derada eomo propriedade da aristoeraeia, as civil, que 'tazem
..
· nascer o habito e amor da dominação, tomão hmm caracter de aYi·
dez e de que não póde formar•se Jdéa nos Paises em
que estas dilferenças não existem. ·
He ePJtâo CJUe todos os vicios «erados no i11terior das familias, pelo
uso perpetuo do arbikio se manifestâo á luz • e se exercem sobre a
JlOpulação _inteira: cada cheff'he o representante de todos os vioi'Ofil
da fracção do Povo que governa. O odio, a   poem
em movitnento huma população -d'escravos e proJeta""; o orgulho,
a ambição, a crueldade, a avid'ez poem as armas nas mãos dós se-
. ohores, e os proletarios, vem -a ser seus instrumentos cegos. o te-
mor, a ambição; a vingança ordenão as pl'OICripções, semprd eeguida
da confiscação dos bens, é da mina das famílias; d'outro lado, a avi·
dez das riquesas alhêas, e: a A de recompensar os miséra-
veis que servem _ d'instruoientos; fazem proscrever os individuos, ou
as Camilias assaz abastadas para que tentee as vencedores. Taes fo.
rio os caracteres das guerras' civis do mais poderoso Povo que exis- .
·tio, taes sé'rão os caracteres das guerras civis que já naseerlo, oo
terão de nascer para o ClltW'O entro as Nações da· America
1
onde existe
a eacravidlo domestica •.
He tão proCunda a impresslio que a escravidão produz sobre os COI·
fumes, e nos es11iritos das diversas classes da populaç.lo._ que ella se
trausmitte de pais a filhos, e passa ás gerações maia apartadas. Nilo
ha hum unico JlOVO ua Europa que nlo cQnserve aJnda aignaes· .d'es-
• tempos ca1amitosos da servidão feudal; e esta he homa das prio-
cipaes causas das perturbações e desordens que reiQarâQ n'ac{uclla parte
do mundo, l10je ilhutrada.
Que diremos das Nações Americanas, oa1de este mal subsiste em
toda a sua fhrça!
Quando lemos na Historia Romana. , as queixas que formavão 01
Patricios sobre a influencia dos libertos , suas delações e o eom
ttue serviã-a aos lmpcr.adores; naturalmente tomamos o partido do•
senhores contra os seus antigos escrávos , n!io vêmos que isto era o
eomeço da terrivel reaçlo dOd opprhnida., reaçlo que tinha ·o mel-
mo principio c os mesmos fins que a dos Proletarios, e que só de·
via cessar depois da exterminação completa da dos senhores. Os
libertos, e os escravos Cormavoo huma Nação particular, essencialmente

iuimigà da dlasse dominante, e que só upirava á de 1eus
oppre11ores. De todos tu prejuisos, nenhum ha mais teimoso, n1ais
cego, aem ,mais pro(lrio a accender o facho das discor.üas como
• que á euperioridade das elle pó••, e&Jraqd·
. a•
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' 52
eer·se pelo progresso das luzes; mas a expeQencia proTa que Dão
póde extinguir-se aem a fuzão inteira das di versas eastu.
Ora, quando eltas castas se destingnem, não por taes ou tae& signae•
equivoeos, mas por signaes caraeter.istioos, ·individuaes, e indeleveis,.
eoJ;DO na. America, esta se torna por assim diaer impossível,
011 antes sbmente he possivel huma das raças extremas se
extinguir COJJll>letamente. Para que )loja segurança e tranquillidade
:ke necessario o que hum a das raças extremas se ou que 08
JPembrOS de .a dellas sejão pouco numerosos, para que se não
fação Se a força numerica de eada raça fôr igual, he de
absoluta, e fatal necevidade que a raça dominante, continue a op-
primir a dominada ;· que se opponha por todas as maneir:s ao
seu em todo' o sentido; porém póde contar que
eedo ou tarde este estado de cousas lhe será f-unesto. Se porem
os descendentes dos opprimidos são mais numerosos, ou poderem li-
Yremente desenvolver-se,. e forem admittidos á partilharem todas
as vantagens sociaes, as lembraoc,as do passado, podem recordar as
antigas injurias e oppressões, e a raça até então dGmiuante se tortlará o
-.jectó dQ ciume e do odio, e yeotura despojada de
todo o poder,_ ou mesmo exterminada.
Os povos entre quaes a população se devi4"e em raças heteroge-
..
. aeas, as ou de familias são terriveis,. implaeaveitt,
, e passão de a geração,.4té que estejão completamente s:Y;isfeitas,.
.
ou huma das raças inteiramente destruida. He este hum caracter
mum a toda a sobre tudo quanto se desconhecem todos os
de justiça, de huns homens_ para com outros. E que justiça,.
cn que idéa de justiça póde haver em hum paiz de senhores e
de escravos ? A v:ingança que fermenta no coração do escravo he tanto'
mais energica, quanto mais obrigado a dessimulal- a. Ora,. as injus- ·
.tiças multiplicando-se de dia em dia,. e cada individuo sendo testemunhc't
quotidiana das que se pntioão com o& objectos que lhes são mais caros ;
quaudo os crimes se tem durante seculos, e 98 obstaeulos que
.tornâo castigos impossíveis por romper-se, a quem es
4
panto u violencia das reações e a com que as raças oppri·
midas perseguem os seus oppressores? Entre os Romanos, os pos.suido-
. r's d'cscravos, p;n:a melhor perpetuarem o seu dominio, o maior
cuidado em tornarem brutos a e$tes em animarem e recom-
.. pepsarem a delacção. Quando de domitladorcs, passarl\o a opprimidos,·
eolherão os fructos que tinhão plantado : os libertos poseriio em pratica
á seu respeito as lições que tinhâo recebido quando erão escravos. As·

tim, se "h uma. parte da popula'ião he possuida. pela outra a de  



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Jlriedadc os resultados infaliYeis são , h uma parte, a tendeueia na tu.
ral ao mando absoluto,. ao abuso da força , da outra a dis1)osição a ligar·ae
a todo o individuo que tentar dcstrWr ou OJlprimir a raça dominante.
Finalme;Dte, o deSilOtismo o mais violento, que mlfa·aqueça ou destrua o
1,oder dos senhores, he hum beneficio para os escravos, e os proletarios.
A tendencja pois da maioria da população a arrastra para o estabelleei·
mento do despotismo de hum só ; e quando este deapotismo 9le achar fll"-
mado, elle se exercerá· com a ovidez, a brutalidade, a crueldade, e a
estupidez com que os senhores tratio seus escravos. Mas desde Já este111
se faZem sentir em parte : á manifestação do maia iiísolente orgu-
lho P,_ara com os que julgão seus iaferiores, se ajunta o .ervilismo, e a
baixesa para com os superidres; e assim se reuuem os vícios que per·
tencem á eseravidâo e á dominação ; na qualidade de seahores temOB
todO& os vicios reservados aos despoJtas, c como ,cidadãos e snbditos, Já
nos tocão os vicios que imprime a servidão. 1\las hum tal estado de cou·
sas, não póde ser eterno, e com etreitQ cessou a respeito da maior
das Nações Americanas; agora todos estes vicios se deaenvolveráô maii
amplamente, c a dominação dos senhores buns sobre os outros já começa •
a sentir-se sem que se poss49..Pf'§Ver as conseqnencias futuras. Os lhes-
mos efreitos da escravidão, que tendem ao estabellecimento do despo-
tislllo interno, J\roduzem identicoe reau)tados a respeito da dominação
estrangeira. A população esorava tendendo a rcUAir·ae a ..ao o indi-
viduo que llertenda opprimir 01 aenhorea, tende por ml\il raz!o a
ajudar a hurna Nação estrangeira que os queria subjugar. Os escravos
não posswudo propriedade alguma, nâo temem a pilhagem, ô despotis-
tno, ou a conquista; pará ellei Patria, Imlcpendencia, Liberdade, são
nomes sem significação; ao coutrario podem aproveitar-se da dí'sordem
pa1·a apossarem-se d'alguma fraca porção de .-iquesas, que seu trabalhos
prodosirâo; he mesmo poesivel que seus serviços aos vencedores, sejão
.rcoompeasados·pela liberdade. Em caso algum a sua condicç.ão póde
piorar : , llama mudança de senhor, em consequenciK de huma iuvaião,
uno póde ser por elles eonsi,lerada como buma calamidade superior á
que soft'rem em eouse<tuencia de troea, ou de Yenda: o seu estado ao
muit_o ficará o mesmo; mas resta· lhe a consolação da vingança, e o et·
}leetaeulo para elles delei\oso, das misel"ias que soffrem seus oppreasore1.
Isto llast'lr.ia para mostra1· quanto he precaria a )lOlitica
de huma Naçâo assim composta. Mas quantas outrQ consideraçüesse
não apre&então ao espirita, tristes e sinistras! Se huma tal Nação
se achar em guerra com huma Potencia e&trangcira, cm lugar de hum
inimigo, JlÓdc contar eom dois: a Nação que a quer subjugar, iui- ·
migo• &seiros q-qe aão c a Será extraordiaario quf estas



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• es}>ccies d'inimigos uão estcjão d'lntelligencin bem depressa: os do Íll•
. terior serviráõ de espiões e guias aos .'lo exterior e á espera da occasião
·a mais favoravel para os aJudarem Assim deveráõ haver
ao mesmo tempo dois exercitas ; hum que reprima as insurreições_ doá
escravos, e outro que combata o inimigo externo. M:ts, como fo1·mar
dois exereitos, quando hum já será sutlerior ás forças do· paiz, pois que
• • j
a existeneia da se oppoem á e multiplicação da
população hvre?
He de mais evidente, que huma fraca-população ·dt ssimináda· por hum
Tasto territorio, se opporá diffieilmente a huma invasão; a perda de
huma só batalha porá todo o paiz á discripção do inimigo. Como for-
mar hum exercito numeroso, e de continuo recrutai-o, sem despovoar
Provinchls inteiras; quem em tal caso .fornecerá os alimentos a tantos
homens reunidos, vesti_mcntas, mwtic;ões e petrexos, se o Paiz não tem
industria, nem haverá dinheiro com que .pagar Naqões estran·
geiras?

A invasão de bum paiz d'escravos não sómente pelas
disposições da popnlação escrava, como pela miseria que pesa geral·
JfCUte ·todos os • c pela facilidade corn que huma nação
  atrahirá ao seu I,artido os proprietarios arruinados. Não
ha hoje guerra entre as Nações modernns, f,ue não éxija grandes des-
pesas, e a de novas contribuições; mas se a parte n' m:.is nu-
merosa da populacâo hc consfle-ra(Ia como propriedade da outra, sobre
'luem recahirâo os impostQs ? 'Sobre os proprictarios sem duvida : elle1
devem fornecer a todas as de.;pcsWJ, e carregarem com todo o peso e
todos os 1iscos da guerra. estas çontribuiçõcs fonteeerão
mt;ios; em primeiro lugar porque o numero dos eonb·ibuentes he de ne-_
e, ssidade limitado; e em "segundo lugar, porque a escravidão· he hum
obstaculo á accumnlaçâo de capitaes. De mais o citado de penuria em
que se ach'ão habitualmente a maíor parte dos proprictarios, os dispõe a
!lerem de toda a potencia que_ os quizer comprar. · H uma
tal Nação finalmente, na qual a população laboriosa se eomt>Õe d'esera-
Tos, he de huma fraquesa em eomparação da mais pequena Na-
ção livre. Huma Nação livre em guert•a com huma Nação d'csc•·a"Vos,
póde o mesmo que bum Embaixador Russo dizia aos nobres Po-
lacos: Se vos opposerdes às vontades absolutas do meu governo, farei in-
•urgir os vossos   Do precedente resultão duas tristes verdades: a
priln4ra he que os possuidores d'escravos, estão coUocados entre dous ini-
expondo,se a serem dcgollados por-seus escravO!, ou a eef'm do·
-
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minados pelos "' a seguuda hc que todas as vezes que te
mar huma verdadeira liga eu.tre os inimigos internos, e 01 externos, não
haveráõ meios humanos de resistePaeia.
A introdueção de ciJcravos Africanos, não produzirá outro cffeito
quu o de augmentar estes malles, calamidades, e perigos; mos he da sua
existencia de que tudo dimana. Em quanto subsistir tal cancro as err-
tranbas da Patria 1erio diluceradas. Todos os remedios que se lhe
appliquem seráõ improficuos, huma vez que se nio tentem remedioa he-
roicos, que cortem o mal radicalmente. Nem a existencia dos Jornaes,
nem a livre introducçio das obras philosopbicaa, e portanto da diacossâo e
. '
do pensamento, nem finalmente a eommunicaçâo eom os estrangeiros, po-
dem neutralisar os fonestos resultados da es;ravidão domestica. Todos
estes meios tão poderosos nos paizes   tem existido a respeito das
CQlonias lnglezas, c llollandezas, e seus efl"eitos tem sido nullos •
. este com hum Nacional. t" Eia Pf)is,
Legisladores do vaasto lmperio do Brasil, basta de dormir: hc tempo
d'acordar do somno amortecido em que á seculos Não póde
haver industria segura, e verdadeira, nem · ftorescente e
\,
grande com braços d'eacravos viciosos e buçae•. Mostra a experieocia
e a rasão-que a riquesa 8Ó reina onde impera a liberdade e a JUstiça, e
não onde mora o eaptiveiro e a corrupção. Se o mal está feito, uãct o
augmentcmos, multiplicando cada vez mais o numero de no11os inünigos
tlomcsticos, d'eacs viz escravo• que nada tem que perder, antes tudo qne
esperar de huma revoluqio come;» a de S, Domingos. Ouvi os gemidos
da cara.Patria: denodadamente a favor da rasão e da huma-
nidade, e a favor de no1108 proprios • Embora contra nós vive
e ronque o egoblmo, e a vil sua perversa indignação, e aeus de·
sentoados gritos sejão para nós novos estimulas de triumpbo, seguindo a
estrada limpa da verdadeira politica, que hc filha da rasão e da verdade.
·E vós traficante de carne humana, vós senhores injustos e erueis, ou•i
• Hum facto da historia nacional comprova a toda a eata verdt:&·
de. Quando oa Tlollande%ea i·nvadirão Pernambuco, aeduzirão os ucrtJ-
vol, e eate1 COOf"Tarão e.fficazmente para a ezterminação da g-ente livre, e
para a conquiata tatrangtira. Depoi3 da ezpulsão doa HoUaRdcze1,
fo·i necea1ariafazer-1e huma guwra d'ezterminação, sanguinia e dura-
doura, al&urna multidão di Mgro. qw aproveitando-ae da circunat4n-
cüu a e em hum aitio inaceaaiveZ, ontkformarã.o humtJ
de Republica. &ta qw acabou de a11ollar o paiz, ezigio o tm·
pugo de totla aforÇtU, e durou maia d• dou• onnoa. •
t O Sr. JosJ Bcmifacio d' repre:Jentação á .A.••· Comtituinte.
...

\

• .•
..
eom rubor e atrependimento, senão tendes Patria, a voz im11eriosa da
consciencia, e os altos brad01 da impaciente humanidade; aliás mais cedo
talvez do que pensaes, tereis que terrivelmente da vossa volunta·
ria cegueira, e ambiçâo; pois o castigo da divinda,de, se be tardio ás 'fe-
zes, de certo nunea fátta. E qual de vós quererá ser ião obstinado e
igaorantet que não sinta que o captiveiro 1,erpetuo be não sómeote contra-
traria á Religião, e á sam Politica; mas tambem contrario aos VOSIOI fa-
interesses, e á vossa tranquillidade 11eaoal? Cidadãos
do Brazil, que amais a vossa Patria, sabei que sem a aboliçio total do
. .
trafico da escravlltura .o\frieana, nuaea o Brasil prosperará,· nunca firmará.
a soa lndependeucia Naeional, segurará, e deft"enderá a sua liberal Cons·
tituiçio; nunca aperfeiçoarlt, as raças esistentes, nunca formará, eomo
imperiosamente o deve, hum exercito brioso, e huma 1\Jarinha flores-
cente. Sem liberdade iàdividual não {)'\de haver moralidade e justiça;
e sem estas llbas do Céo, nio ha, ue., póde haver brio, força, e poder
- entre as N açie1.
OAPITULO III.
NIJtar detalhadamente as qtu te,n o Berviço de homens livre•,
3obrt o que podem preBtar ;a;o• cgpti"o' forfadoB ao trabalho.
Para demonstrar detalhadamente estas vantagens, examinarei primei-
ramente e cm geral, a influencia que a escravidão domestica exerce so•
bre a produeção, a accumulaçio e a destribuição das riqoesas; a população,
e a existencia da classe media, iste be, a que não possue escravos.
Todas as que possuem as Nações, provem do trabalho humano
combinado com as forças da naturesa. Certamente se o bomem não sou•
ltesse dirig.ir as suas forças e as da natureza, não haYerião producções,
portantO' não haverião riquesas, e ainda tnenos civilisação. De trez ma-
neiras o concorre para a producção das riquesas; 1.
0
pelo desen-
volvimento da sua intelHgcncia, que lhe faz tirar o maior partido, possi·
Yel da naturesa; 2.
0
pela habilidade que consegue obter por seus atura-
dos trabalhos, para bem executar as operações que a sua intelligencia
concebeu; 3.
0
finalmente, pelos habitos mornes e phisicos que adquire,
e que lhe dão os meios de conservar, fazer   ou dispõr das eousat
do modG o mais vantajoso. Estes principio.-· são Terdadeiros a respeito-
,
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de todas as Naçües, porque a sua r•ratica   povo flo.-..
ce; examinemos o como a eseravidM> domestica i.o.tlue
esta pratica, nos payzes em que esta pest?
Já vimos que o primeiro effcito da escravidão, he o a-tiltaJneu.to
absoluto de toda a sorte de trabalhos, Ora, be cJaro qne clasaet
.livres de toda a profiss'So e se absterão d'appli-
ear seus orgãos á. I>roduoçâo das eouz.as oeccssarias á
tanto a soa acção será mula para a producção riquezu.
ldeoticos rezultados terão lugar á accumule.ção du
· riquezas: julgando-se vis tod&s os trabalhos, resta a ocjozidade; deata
nascerão todos os vicit)S, a avidez dos gosos phisicos de toda a es-
pecie, e o amor· da dissi[•ação. Ora, como a p.rodueção. e o ereai-
meuto das estão na razão composta do trabalho, .e da aocu·
mulação dos capitaes, he evidente que todas as rendu scr.ão mes-
quinhas, ou autes consumidas improductivamente. .
Quanto aos trabalhos iutellcr.tuaes ; como elles não podem aer exer-
cidos pelos escravos, ua verdade serão reputados menos aviltantes, e
talvez sejão cultivados. Mas de que natureza serão taes trabalhoal .
Os que contribuirem _para estender o. domiaio do homem eobre o ho-
mem, he natural recebâo algum cultjvo e gosem alguma estima; J1U11
01 que podem exercer o homem . na arte de to rnar a natureza pro-
ductiva , de n cm 'h uma sorte. • Para que serviráõ taes estudos, que
só produzir ião fadiga, sem proveito.. e sem honra ? Assim, aa Cacul-
dadcs intcllectuaes, como as phisicas dos senhores de e8Cl'avos, de
nada servem 1•ara a producção, a conservação,. e a accumulação du
riquezas

Era de erêr, á vista d'isto; que as riquezas dependendo DOI pay-
zes d'escravos, dos d'esta infortunada pspulação, que eU.
tivesse parte senão em todas as vantagciiS, ao menos em algumu;
que suas faculdades fossem bem dirigidas, t'U que os proprietarios
procurassem todos 01 meios d'interessal-os a favor dos trabalhos quo
• Como Jistemunhaa irreeuzaveia d'eatCJ tJerdade, o.ffereço o 11m •
numero .le em Leya, que poUulão entre n&a; OB Medicoa,
oa Militare• • ..Advogadoa, Rabultu, Procuradorea, JomtJlilta•, PCJ·
rCJzitaa f"e. te. Moa artiatas, agricultorea, cltimiltal, Botanico..
Metalurgidaa, onde estão 'I quantoa s.e '! Começamo• pelo lu-
zo da ccvili.zação, ante8 de haver cevilização; entre nóa G ordem
ruduraZ está envertida. Com tão pouco•' 1eculoa d'e:riatm<ia, já o
noaso payz aprez:enta o das Naçõem caduca• ruftltu pelo
ümpo, e pelos abuzos !
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})roduzem a commam· subsistenc1a. Quem assim pensou, enganou-se
completamente ! ,
Para que fim hum escravo fará exCorços , ou m1"mo desejará apu-
rar soae facul,dades? Será para si, seus filhos, ou ma geraÇão? Co- \
mo nada póde possuir, herdar, ou transmittir, he evidente que elle
s6 proeurará   a violencia prezente·, sem "que o futuro lhe dê
cuidado. 'bemais o proprietario panuadido que a sua segurança de.
- pende da estupidez dos eseravos, faz todo o pOMivel para reduzil-
os a este estado, sobrecarregando-os de trabalhos que não dei-
xe tempo de reflectirem sobre a sua triste sorte.
Relativamente ás vantagens sooiaes, reduzidos ao rigorozo necessa-
l'io, e nada podendo.economizu:, toda a intelligencia que lhes resta,
he applieada a consumir o mais possilrel, e da maneira a mais ex·
pedita o que lhes eahe nas mãos ; todo o desenvolvimento que póde
dar á sua intelligencia, para escapar ás violencias de seu senhor,
'
tornando-se consequente ·e necessariamente vil, adulador, astuciozo
e mentirozo; h_abitos que facilmente passãp aos individuo& livres,,so-
bre tudo para os das classes pouco abastadas, que, na necessidade de
subsistirem, vivem· d'tu;tucia, e baixeza, pois que os ricos, que os
empregão, exigem d'elles o mesmo estado d'abjecçio a que estão
aeustumados a exigirem dos escraves desde a inlancia• Depois de
ter examinado em breves palavras a maneira negativ3 ·com que as
dnas classes extremas concorrem para a producçâo da riqueza pu·

))lica, examinarei agora a classe media, isto he, a parte da popula-
ção :Wborioza, aquella que mais concorre para a prosperidade geral
em todos os payzes.
Reflectindo-se sobre o que disse em outros lugares, póde-se jul-
. . -
gar que esta classe d'individuos será igualmente nulla para 'produe-
ção das riquezas, quando mesmo esta parte da população se possa
·ornar, o que já vimos não podia acontecer em hum payz d'e8era-
Tos. Oiça-se-ao judiciozo Comte: " Quando os individuas d'esta
clasae (diz este profundo publicista) não tem meios d'emigrarem,
. vivem na ooiozidade, mendigão ou roubâo: aos olhos senhores,
este genero de vida he menos deshonrozo que o trabalho· manual,
e mais analogo á maneira com que elles mesmos vivem. Nos pay-
zes explorados por h uma população escravizada, os unicos motores
das riquezas são os orgãos phisieos dos escravos, destituidos de todo
o principio d'intelligencia, e d'actividade, e   estimulados
pela acção dos açoutes. Os castigos cerporaes produzir ce1·tos
movimentos do eorpo, mas não podem• crear essa energia que dá
huma yontade livre; e quando mesmo se conseguisse creal-a, huma

'

I
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...
..


59
crça de sagacidade, d'iatellegeoeia, e de moralidade, nlc7
pode produzir, e ainda menos conservar · as riquezas, por maia ener-
gicas que f011em. ,
I
do dlsprezo ligado em hum payz a todas u oo·
eupações industriaes, existe huma outra cauza que muito in11ue não
só contra o aperfeiçoamento du couzas em todo o geoero, como eon·
tra ó estabellecimento, e propagaçlo da livre laborioza; he a
diffi.culdade de terem os indivíduos desta classe hum trUalho cons-
tante e regular, que os possa fazer subsistir.
Hum obreiro 1e acha em coneor rencia não com escra•oe que. eser·
eem o mamo officio, mas com os senhores a quem pertencem estes
escravos, e que vivem ooiozamcnte das rendas que delles tirão •. Es-
tes concorrentes cantão., sempre entre os seus iguaes COO\ apoios que
o obreiro desprezado nunea póde achar.   se hum obreiro li-
'
vre não pode emigrar posto entre a vprgonha de mendigar, e o des ... ,
prezo inseparavel das occupações industriaes,. prefere quaai sempre Q
primeiro partido. Se o aeu caracter se oppõe á adopção de hum se-
melhante genero de vida, procUra adoptar outro qualquer •· ou .se tra-
balha he eom vistas em hum avultado salario que em breve o faça ea-
• tr;lr na elasse dos senhores. Logo que o coosegue -.dqWI"iado al-
guns escravos, oe• immediata.Qlente de- trabalhar pelaa 111M mio&; ho
hum ocioso de mais ; he mais httm pertendente aos lugares
Estas verdades são inegaveis; nós presenciamos todos oa dias estes
tristes factos mesmo nas nossas Cidades onde os prejuizos coo ..
tra os trabalh08 braçaea sio menos inteo&OS, oade finalmente ha mil
meios de ganhar a vida tem que se yma o desprezo todo .o pu. ..
blico. Bem se vê por isto,. que essa classe diffi.cilmente ee formará.
em hum payz d 'escravatura ; mas não se pense que isto só tem lugar
éntre nós: seria extraordinario que cauzas identicas, não produz.iaem
identicos etreitoa em toda a parte em que existe hum tal estado do
couzas. Para aprezentar-mos hum exemplo Crizaote, bustará, citando
a Larochefoucault, • d;zer, ·nos Estados· U nidoe, os obreiros livres
desapparecem de todos os lugares onde_ hM eseravos, e que a emigra- .
ção dos primeiros na razão directa da importação dos aerundos.
Em que •e occuparão os individuas d'esta classe, em hum pay•
d'escravos? Os trabalhos da agricultura, as artes, os a ieni·
dão domestica, o aeniço das Cidades, tudo he eseroido por escravos,
sem que os primeu"OS possio entrar em concorrencia com elles, peJa
.
• Viagttaa ea .EattJdoa- da ;_dfMricG. &ptmlrioncll,
Duque de Laroe/a#foucaule •LitJncourt.
\
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60
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protecção decidida dos senllores, que tem todo o interesse em apar·
tal-os de taes meios do vida. O que lhes resta?
A servidão domestica por zpui limitada que &eJa, .não _póde dar· lhes
meiot d'e.xiatencia; pois que os escra•os siio.preferidos ta\to para certos
trabalhos rept.tados indeco1'080S a hum bomém livre, como ))Qrque o ha--
bito de maltratar, de mandar despotiealdente, não póde convir a hwn iu-
' .
dividuo que ·tenha em seu coração algum serttimento de pondunor.
Be tal a D088a cegueira a este respeito que a alguns miseraveis, que
se otrerecem para hum tal emprego, reputado o mais indeeorpso, só se
promeUe metade do que se costuma dar a hnm escravo alugado.
Bum vasto eampo se poderia appresentat aoa iudi_viduos d'esta classe
eJD hum paiz melhor organisado, e onde sobretudo, houvesse mnis pa-

triot,i&mo, j.p.zo, e previsão do futuro; fallo dos-trabalhos manufaetorei·
ros; trabalhos que parecem da soa exclusiva eompeteneia, pois que elles
dependem absolutamente da intelligeneia e desteridad e, que o9 escravos
não tem nem que!'em ter. Porem, ai_de nós! posmidores de quasi to:
das as materi as primas neeeRBarias, de todas as substancias proprias .á
tinturaria, e ap fabrico de buma infinidade d'objeetoa, nós apenas po1- .
saimos· algt111118 mi'leraveil!l manufacturas, que apenas nascem Jogo mor-
rem, 0t1 vegetio languidamente ! * Em que se empregário as fuctUJU e
serações, que a despeito de todos os   hade infalivelmente
oracer? Bade IÓ ser a composta d'escravos, e de empregaios pu-
hlicos, de ricot e de miaeraveia ? QWllltos eabedaes senão ooDSOJDem
improdocüvameote -na Afriea, e quantos senão amortisão no paiz, pela
oompra d'escravo1 qne em br.eve se inutilisão, ou morrem, e que mesmo
1loe ponco produzem' q.uando outro bem não a
ee-ção absoluta do   o de fazer empregar esaa
riquesu no paiz, leria por si IÓ inapreciavel. Talvez.então a nece•i·
dade de empregarem eapitaes, e navios, 08 DOSSOS ne-
goeiantel a partilharenl com os estrangeiros os lucros de h1DD eommell
cio activo, legal e vantajoso. Se porem estes nossos negociantes, te•
mendo a doe estrangeiros, que na l'erdade mais activos, in-..
tell.igeDtes, sobretudo mais moralisados, tem sobre elles muitas vaotageD8,
não se auimauem a hum_ tal com.mereio; a e:xtagnaçio de seliS fundos, e
& amor do ganho os faria sem· duYida emp1-egar seu eapitaes na prospe-
ridade iRtoma, como eonstraeção de   estabelleeimentos de fa-
IJrieaa e lavOllras, navegação interna ou costeira, e finalmente em t autos
_ •tros meios que os recursc;e· de hum paiz novo e aos ca-
pitaes, e a industria.
• Vide o Capitulo 4.e
·.
'

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••
••
I
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Voltando á materia, que trntaYa, isto he aobre a existcneia da closee
média, a util em hum Estado, porque d'ella dependem 01 traba·
maia á vida* e porque .em não poderá haver eqoi·
librio social; .JiireiOOS que em hWD paiz dividido em aenhore1 e ·eacra-
Tos, 08 iadividáos que 11'ão pérteueem a huma ou outra destas cl•es,
fiÓ poderáõ ter huma existencia 1)reearia, e quasi não podem íahir da
indigencia ; porque sendo o serviço domestico, os trabalhos do eampo,
·e mesino as arte• exercidas por escrav9s, só restão aoa homeBs li'f'res
  trabalhos aecidentaet.. Sobre o domestieb* e das lavou·
:raa, não póde haver a meaor duvida, pois que claramente o vemoa ;
quanto ás artes, e offieio., he claro tambem que Jhes nio_ pódem eervir
·de recarso, porqoe a simples exiateneia da escravidão se oppõe ao aeu
desenvolvilftento, e porqae os aenhores tudo monopolizão • per meia de
eeus escravos.
Se estas artes alo exerciths em Cidade populoza, he por ex·
trangeiroe que, ou em ae desanimão, ou que a pesa• tem aclqui·
rido alguma peqaena fortuna e a :retirio pan o seu pais. He aiada ne-
·eeaario dettinguir as , artes, que taomentaneamente pódem exercer os
ed.rlngei1'08, que o amor do ganho chama a huma terra d'eteraYatura•
A experiencia nos most·a que 08 unieos extnnpiros artistas, que por
.alpm tempo se eouaenlo no noao pais, e depoia o abandonlo eom
aão aquelles que exercem, não alguma arte ll'til, ou necessa-
ria, mas huma arte de lnxo. Todo o commentario a este respeito,
.alem de oeioso mui triste para nós.
Mas o que he muito' mais triste he, que se hum individuo d• elauee
abastadas, isto he dos proprietarios* cabe na miseria, nqnca mais d'ella
.
póde &ahir, a nlo 1er por meio de rapinas, ou de hum emprego publico,
oa por ambas as eousu, que quasi sempre marchão huma apôz outra.
Em bom paiz assim organisado, a influencia da escravidão prodld lO•
bre a classe intermediaria 08 mais etfeit08; 08 indiTiduos que a
compoem são menos empFehendedoree, mea01 robustos', meDOI eacla ..
· cidos, e finalmente menos Itroprios a eonverterém deserto em pais
eultivndo, que o nio são os individuos da mesma clasae DOI outrofpaizee.
· Não se dign· que isto procede em grande parte- do clima, nem que o
ealõr torna frouxos' os orgãoa pbisteos.
Bem fria he sem duvida a Russia e a Polonia, e huma parte dos Es-
Unidos; o que se observa Q..'cstas regiões geladas, desmente huma
tão errópêa opinião.
He nos costumes e nos prcjuisos, originados pela escravidão, que de·
ve u causas deste pheoomeDo. Bem queote he a .Alia, eb em
-
-
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I



,

'
taborioaos são os habitantes. Adam. Smith , * observa que a indus·
tria e o trabalho, fogem. dos lugares que habita a aristocracia, e 9ue ali · .,
a população be por consequencia pobre, preguiçoaa, e dissoluta. A &ausa
destes males, he a mesma que existe em gráo mais   nos lugare1
em que existe a escravidão domestica; n'elles, os costumes da classe de
que trato, não pódem deixar de participar do. costumes e prejuiso5 das
. clasHeS extremas. Assemelhar-se-hão aos senhores na estima da ociosi·
. . I
dade, no despreso para com os eseravoe, e peloe vicioe grosseiros, que
I
gera a preguiça; assemelbar .. se· hão aos escravos na baixesa relativa-
mente aos ricos, na hypocresia que nuee do oppressão, e
pela cobardia que gera a eon viec;ão .dfl fraquesa. •
He agora facil concluir que nem a classe proprietarios, Qu senho-
res, nem a dos escravos, e ainda menos a dos proletarios, pótlem coneor ..
. '
rer para a produeçâo e cobServação das riquesu publicas ou particulares ;
e ·mais pois que sómente dous ramos de riquesas, e, esses' mui
nhados, são os unicoa campos peloe descendentes dos Euro·
peos na Ameriea, isto ·he a agricultora, e o oommercio.
o segundo dependendo absolutamente do primeiro, e .este estàndo
atrasadisaimo, he claro que nem hum nem outro florescerão muito, e que
ao contrario diminuirão todos os dias.
Não he aecessario grande economista para saber, que hum,eom-
mercio ftoreseente exige muitos e variadQS objectos de troca. Ora, se
semAre se derem em troca   e i.Jnperfeitos· generos, o
defWha.rá, ou pelo menos, saldadando-se o excedente em m,ercadorias
preciozas, o equilibrio commereial se perderá e virá a ser todo eoqtra
a Nação pouco industriota. Os unieos· generos que a maior parte da
Americà" exporta consistem ea'n productos agricolas caros,   ·
falsificados, e em pequena quantid4de', relativamente aos generoi im-
portados. agora ó estado deste unico ramo com o qual
pagamos a segunda necessidade da vida, o "estir, e tantos outros gene.
1"91 . uteis, ou de mero luxo, sem os quaes já não podemos passar. Mas
para mostrar que o seu atrazo nasce _da existeneia da escravidão, bus- •
quemos vêr o que se passa nas outras Nações Americanas,' e comecemos
por aquella que passa por mais adiantada, mais rica, e mais florescente•
"" Poder-se·hia' pensar, diz C. Com te, que o estado de barbaridade a
que estão reduzidas todas as artes. necessarias á.   nas Colonias ·
formadas pelos Europeos deva ser attribuido á oppressâo que as Metro- .
poles faziâo pezar sobre ellas; mas o cffeito d'esta oppressoo tem sido
quasi   com o que produz a escravidão. Os
• Riquesa da8
'
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I
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. .
Unidos da Ameriea gozão, á mais de meio seeulo, da indepcndeueia a
mais completa, e tem de maiJ a vantagem de possuirem os governos 01t
menos •ispendiozos, e a maior liberdade civil, e politica; entretanto
nos em que a escravidão so acha estabellecida.,• existem poucas
riquezas e quasi ramo algum d'industria pode ali desenvolver-se. Es-
te phenomeno he tanto mais notavél, pois que tcdas as artes fazem
progressos rapidoa- nos Estados .em que os trabalhos são exercidos por
homens livres. , ,
.A agricultura he quasi a unica arte exercida nos Estados do Sul, ma•
as deste ramo d'industria, que nestes t'stadoa do Sol, da A-
meriea- Unida, como entre nós, suave para o pagamento das mnltipliea·
das neceaaidades que o9 extrangeiros nos   não são tão nu-
, I
merozas, tão •ariadas, tio complicadAs, como entre_ os Povos onde não
ha eacravos; ao contrario sãÓ tio. simples, e tão pouco numerozas,
como de neeeass\dade o exige a iotelligencia, e o nem'hum iotere•e•
dos escravos. O algodão, o arroz, e Õ milho são as principaes se nãe
as nuicas prodacçôes aUi culÜvadas. Há poucos vegetaes, aliás Caceis de
cultivar, e os que ha, são earos, e de má qualidade: alli só se conhece
de- nome a charrua, e o arado ; todo he feito á força de braços. Os
Estados do" Norte, muito menos ferteis que 01 'do   são eom tudo
celle!ros; elles lhes fornecem quasi todos os generoa agricul·
tados, e todoa os manufacturados.
A maior parte das arvpres fructiferas só slo conhecidas pelot seus
nomes em ·ceria$ do paiz. Para fazer executar as operações ..
mais grosseiras da agricultura (como bem o obse"a o. Publicista que
acima citamQs) alguns açoutes bastão; mas elles sio insuficientes, para
a intelligencia e a actividade aeeessaria a hum jardineiro.
A arte de criar os. animaes,-be tão pouco conhecida, como arte de
lavrar as terras, e os vegetaes, e arvores fructiferas. Os
. animaes 1'acuns, o princiral alimento da população, são em pequeno

numero, de má qualidade, sem sabor e"'earissimos. Tanto mais a po-
palar,ão livre e industrioza . cresee em hum paiz.. tanto mais
. '
vão 'desappareeendo as tlorestas, e os bosques. Parece por tanto, que os
Estados do Norte, trabalhados ·por homens livres, e,eom huma muito
superior população á dos· Estados do Sul, o combu•tive1, e as madeiras
de construcçio, ·deviã.o ser mais raras nos primeiros que nos segundos,
e muito baratas nos segundos que nos primeiros; e tanto mais pois
que o clima dos ultimos senão muito mais frio, devia-se consumir maior·
quantidade: mas auceede o eontl'krio. O elima da Virginia e o das. Caro·
linas, por exemplo, he quentissimo, e as florestas quasi contiguas is
Cidades e -povoações notaveis; entretanto são os Estados do Norte eul-
,
I
'
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'
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tivados por mãos livres, que- exportão para os do Sul, eol'tivados por
eacravos, não só porcombustivel necessario, comp as madeiras de COU9•
tr.uoçio ; são os mineiros livres da lnglaterr.a,: quem mandão para hlUII
paiz cobe1·to tte• o carvão de pedra necessário á consumação ...
Homens qui' tem quasi ás suas portas im:\\easa$ :6orestas, e que entre·
tanto são obrigados á mandarem vir de fóra as madeiras para a conatruc-
çâp auas. cazl\8, e o eombustivel. de uzo ordipra.rio, de absoluta e
diaria necessidade ; he de crer nã.o tenhâo a sufticiente para
exercérem os officios meehaW..oos. Assim succede : eomo não podem
fazer vir de Philadelphia, ou de New-York,. as cazas já eonstruidu,.
são a   com grandes despezas obreiros livres para
coastruil·as. Estes obreiro&. para chegare91 AO-lagar do seu destino,
tem militas vezes centenas de legoas a percorrerem ; para obter·ae
que vão em hum paiz d'..eacravos, Jle necell&ario papr·lhf:UI
as . detpezas de e volttl; he · necessario de 4eeprezo.
que n'elle se liga ao das artes e officios, e por consequencia
au gment.'lr-lbes o preço dos seus jor.oaes, aleAQ do que !auhio no
seu proprio paiz.
Depois de construída buma caza he conservai·· a; IDIÜI cetlo
ou mais tarde ella percizJl concerto ; Qla& os obr.eiros li v rea desaparecei&
.se teriQinarâo oa trabalhos a q11e for'âo chamados; e
os escravos cuja, imprevizão e falta d são só proprias a
arruinarem, a nada podem dar remedio. Se qs se quelJrão, se as
pol1as ae despedaçio, se o está a "berto, he qeoe.Sf,rio ...
perar &nDOS inteiros antes que couza •lgll•a possa ter reparo. A88ia
ba poucas caz.as no interior em bom e$tad9, e acontece algumas
ver·se huma meza sumptqozamente servid.a e cheia de co-
berta eom hum tecto fur_!ldo e janellas ha dez annos senão poJe-
r!o vidros,
He necessaria para a· eonstrueção dos uvios, muito intelli-
gencia á que he perciza
4
para edificar hull:la caza. He pois quaai iau·
til .4MK, que o pequeno num"f:o de ·Navios construidos nos portos do
Sul'!Wo feitos por obreiros do Norte. Deve accressentar·ee, q110 01
fretes nos primeiros são muito mais caros que nos do Norte, e que por
estas du.as   aquelles quasi não podem ter marinha mercau.te, ea-
tretanto que estes cobrem os mares do globo com os seus vazos.
Os eacravos sendo incapazes d'exercerem as artes as mais commuos,
são por mais forte razio incapazes d'cxcrcerem as que pedem ata·
rados euidados, e desteridade. Não he em hum
d'escravos que deve esp:er.ar achar·ae hum mechauico, .huui
joeiro, bum e mil. outro• artistas; he neoessario portanto. f111e

..
/ \
I
..

,
65
os st'nhores compt·em ao estrangeiro não só hum a parte· dos seus alimen-
tos, como tod<>i os produetos Manufacturados.
A maior parte tias substancias alimentadas são geralmente muito mail
caras uos Estados do Sul, que nos do Norte; os objectos manufacturados
o são aiaada maia; porque além das despesas de transporte que he neees-
sario pagar de mais, o commereio exige maiores luéroa. Os eaeravos
sendo Íllca'{.azes de terem na cultura das terras, o e a iutelli-
gencia que só llertencem aos honienslivres, os produetos que obtem não
sâp, nem podem ser tio considera-veis, nem tio va1·iados. Estes produ-
etos ião quasi todos da me1ma n:aturesa e não podendo ser consumidos
nos mesmos lugares, os aenhores só podem obter lucros por meio da ex-
portação, ou das t1"9Cas; porque não tem a roda delles huma população
industriosa que os consumma. R"'ulta por tanto, que as terras tem muito.
menos valor em os paizes cultivados i'or escravos, que nos paizea culti ·
Tados poP'homens livres; a dift"ercn<:a he quasi do dobro. Assim, hum
proprietario "dos Estados do Sul, que possue h uma ,Porção de terra. igual
em bo11dado e em extensão á de hom proprietario dos Estaulos do Nvrte
tiÕ tem a   do rendimento d'eate ultimo, e com este rendi-
mento he obligado a pagar tudo muito mais caro. Accreseentaudo·
Se a atas divenu causas de miiJCria 011 vicios que a eseravidlo pro·
daz , se ficará convencido ser impoasivel não estarem os proprietarioa
d'CICr•vos de eontiauo em huma bem triste situação.
Nas Colonias Inglesas, he igualmente a agricult11ra a uniea arte culti.
Yada,   como nu Franeezu, Hespanholas, e eutre nós. A maneira
d'empregar a charrua e o trabalho dos animaes he ainda deseonheeida;
só se sabe empregar hnmà pesada enxada, que apena3 póde mover a
    mão de hum escrayo, e que só revolve a superfieie da terra. Cau-
sa riao, ou antes faz indiJ[U.açâo vêr vinte homens oeeupados, com outros
tantos instrumentos, a fazerem o que hum só arado faria. màis Perfeita-
mente e o deoimo da despesa !
Os progressos que tem feito a agricultora na maior 1.arte doe Esta·
dos Europeos são iguaimente igooradoa, · e recoltas que esterelillo
0
terreno se auccedem sem interrupção e sem repouso.
Este simples facto , incriYel se a experieneia o não attestasse em
toda a parte, eó por seria o maior dos argumentos contra a exiltencia
da ese1·avidão. He facto constante que as plantações dos vegetaes que
entre nós se manufacturâo, como a cana por exemplo, t.ornão em pou-
co (eJDilO improductiva a terra , quando be sabido que as terras eansão
em breve se senio alternâo att Jllantações; mas que nupea cansão se
<"sta alteruação teDl luga1· de tempos a tempos: b.c isto hun1 beneficio
da natu1·esa que ·quer qqe os homens tenh'ilo não hum só, mas muitos
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66
c diversos genei"'O d'aJimeatoa. Demais lae que tanto mai•
diversificadas forem as alimentarias vegetaes, tanto mais se
aprovcitarfa. o terreno, tanto mais l'eC&noe terio 01 povos, e tanto me- •
nos doe aecUCJI foneatos du seeu, 011 das chuvas exeeAÍV:ls:
sendo parte doa vegetaes sosceptiYcis de resistirem is secas , e outros
a quem Dão caueio damoo • grandes agou. ·A d'cata verda·
de entre nós he a eaua das derrsbadu eontinuas du ftorestas, da. tialta e
carestia de madeiraa e combuti'vel que experimentamO&, e ao mesmo
contribue para que se w-io ederili .. do áe terras, e que em pouco
. nlo hajão neaa matas, nem 11J!ares de plaataçõee, e o que pior he nem
8(1088; porqae • arvores cuidadas nem preYisio do
futaeo, a tem espoeta aos nioe ardentes do n0110 clima no verlo, se
• estiliwá tanto mais de_ 1•ressa, e deixaria. as nuvens e as ebu·
vaa ; eatão • se evapor•.rio aa athmoephera , e deixarão de
alimentar u fontes e os rios. •
'' 4o Qaesmo te•po, diz C. Comte que a ignoraaeia «f:os proprietarios'
e a. dos e10ravoe os põe na de calti-varem os
plantas • mais CllQlOlJIDS , hum a de recoltae que aunea va •

.rião, canção a terra e a toraão cacla vez 8M?DGS propPia pua dar os
productoa .que ee lhes )lede. .A iofertilidade do eolo, em toda a paríe
onde a eteravldão eetá estabelecida, he 1aam facto tão notoiio nas eolo-
nias lnglezas e na parte meridional doe F..tados Unidos, qae n'flo he
necesáario apresentar .provas. Colonos da ·Jamaica aoliGitario do
Parlameato de Igglaterra ba• dé direitos a &vor doa eeul
· a&111cares, dando por ruio que o não podiio ma.i• produsir tio barato,
o · solo , m.Uto íertil quando he DMO , be esteril depois de
vellao. Nas Ilhas ele Bahama e em algumas partes da Dominiea, ha-
ma ext.eoção OOD8ideravel de 4lenat a'outro tempo ferteis, se torna-
rio de tal sorte ClteNi8, que 01 proprietarioe pel"fierlo os. meios de em ..
pregarem e nutrirem os seus escravos. Muita• petiçõea apresenta'-"'
du, • poucos 11Ul08, ao ParlameQ'<> lnglez COf;lfirmão os mesmos factos.
Fi.nabaente, Ql ultimas viajaatel que vilitarlo o Sul dos ·Estados !Jni·
dos, Corão testemunhal do pllenonemo. , Quanto a nós,  
•e • que.isas dos nORIOS Lavra&>res, e na grande diminui·
ção tue tem sofrido .. ..,. doa DOIIOI generos d'eçortação, especial·
meate o •llCII' .. Be muima doa économistas, que a população cres·
se até quando ae terna já nlo podem nutril-a. Ora tendo atten·
ção ao territorio do Brazil, terr:itol"io de que ainda senão sabem justa.,
. menie os limites e do qual pelo menos 01 dois terços ainda ermOs
a população tlOderia ekwar-se ( ·por analogia t'Om que oeeupa por
la uma legqa quadrada outro paiz ) de I 50 a 200
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d'h.abitautes; entretanto apenas 6 a 5,500,000 d_, i ndividuoa
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de todas as· côree e sexos, população dessimiaada por IDlÚ tos ecntenarea
de legoas, e parece que a terra já niio pode nutrir. o trigessimo da po-
pulação qae devia alimentar. Entre nbs, já ha povQa-rões à\eruina·
da.•, e em alguns lugares se morre de fOille ! •
Hum outro facto, de q11e ao depois mostraremos as causas. he que
os nossos lavradores a peaar ·de terem empregados euormea
existem todos sobre-ca1'regadot de dividas, e qnasi todos no estado da
mais completa raiua. Este• €apitaes, empregados em outro paiz em
identieas empre.su, produzirião e:randes fortunas, qnnndo entre nél ellcs
não produzem o juro o mais pequeno. E assim deve ser se at teodermos
:a que estes Capitaes são pela maior parte empregados em escravos que
de ,continuo estão sugeitos ls doenças e á morte. A nosso res,,eito quem
"Dão conhece kum só dos DOPOS proprietarios, he que poderá negar
a.ta verdade; vejamos o qae acontece entre 01 desccndeates das oa-
tru Nações, na America.
" Veudo·e os trabalho• exceSiivos que se impoena aos diz.
d. Comte, e a miaeria a que são eondemnad01, naturalmente se pode-
ria crêr que os Senhores po•uem grandes riquesas; mas não be assim ;
os neve decimos estlo sempre pa mais triste situação, e aâo 1wdem
pagar as suas dividas, ainda que hum imposto fortissimo lhe dê d'algu-
ma sorte o monopolio da venda dos seus generos na Ia:Iaterra. Suas
vastas JlO&seNÔes não podem quasi pagar as, despesas ,do costeio, e a
maior parte Dio tem meios de saptisfazerem aos seus credores. , ,
O eatado das Coloaias Franceu& he ai ada pior, se he ,
qne o das Colonias lnglezas. A. população escrava nio h e menos mi·
seravel, e a claase dos p088llidores d'homens ainda he menos abastada.
Os escravos que nenhum interesse excita, e que só slo mo"ttidos pelo
teinor, entteglio-se ao trabalho eotn extrema repur;naneia. IIom via.
jante que os obaervon na lfutinica, aebou que a ipal 1•reço, fari1o
apenas a deeim• 11al'te dos trabalhos que os obreiros exceatlo em
França.
Quanto á população , já se terá conhecido pelo que tiea dito, que
não podendo formar-se huma intermediaria, pois que ella não
acharia meios d& subeisteneia, ( eireuutancia destruidora ou que pef
0
menos eoneorre para que se cooserve estacionaria ) he claro que o se
0
Era ezcUIGdo     N eu,.,ZZ, daa Vüla DklmaM.,..,
do Ctará tc.•f"e. ; AiofGllartdo nol tiOiaol fi(;TtJVOI • tt••
ltltr.tmmtc d• ff!'M •


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68
ott diminuição só terá lugar a respeito das  
mas, isto he, relativamente aos possuidores 'c aos possuídos.
A respeito da primeira tudo tende a diminuil-a. Em primeiro
lugar se se reputár como causas de aniquilação 4e hum individuo
ou de huma raça, os vicios d'esse indivi. ou d'essa raça, conside-
rem-se os vicios que de necessidáde devem ter os possuidores d'escravos,-
entregues sem opposição a todos os seus caprix:os, e membros de huma
sOciedade de tal modo organisada, que a ocio3idade he con&iderada como
bum df»S mais característicos signaes de nobreza e honra. Ora, se da
ociosidade se gerão todos os vieios e portanto as enfermidades, e d'estat
:rtasce a detcrioção dos orgãos pbizicos, he evidente que huma tal raça sb
póde por crear huuia geração abastardada, •aea e languida, e que não
tardará a extiogbir-se. Em segundo lugar, por mais ricos que sejãO
certa& individuos, se as uniões matrimoniaes forem fecundas, estas ri-
quezas serão repartidas entre os filhos e pelos filhos d'estes filhos., e em
· certo espa((O de tempo se reduzirão a pouco ou se não houverem
meios d'augmental-as Porem já vimos, que os individuos d'esta raça
não podem contribuir para a augmcntação das riquezas, qne ao contrario
os sE:us vicias e costumes tendem a dissipai-as improduetivamcnte. Logo
os descendentes da raca dos senhores, eahirão pela maior parte na mi-
,
seria, ou exercitarão hwna arte, oflicio ou profissão; o que de certo
nio farão: 1.
0
porque isto seria deshonrar illustres avós; 2.
0
)lOr
que, ainda que as quizessem exercitar, os meios de existencia serião
}lrecarios , e porque então cahiriâo na intermediaria ; classe,
f)Q8 como Já vimos, aio pôde formar-se nem subtistir, havendo es·
cravos.
Notando-ae os embaraços que se oppõe ao crescimento .. las riquesas
e das diversas classes da população, he faeil concluir-se que, nos paizes
I
em que todos os trabalhos são executados Pf1r escravos, IS riquesas
. cerio com huma extrema lentidão, e a poptilação. multiplicará de huma
maneira ainda mais lenta; muitas vezes a população e IS riquesas de-
creseerlo simultaneamente. Os Est.4ldos que formão a união Americana,
nos foq1eeem o melhor exemplo em confirmação d'estas verdades. Nos
&tados do Norte, em os trabalhos são executados por mãos livres,
as riquesas e a população se mu1tiplieã.o com huma rapidez de que não
existe exemplo em Nação alguma; não somente o numero d'individuos
cresce rapidamente em cada Eetado, po1•em mesmo os Estados livres ten-
dem a multiplicar-se. Nos do Sul ao contrario, a população e aa riquesas
deminuem; a população pela falta dos braços que constantemente emigrio'
e as riquesas pela falta de Scguc·se cJ.'i1to que mais hiráõ

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69
.J)erantlo os Ame1·icauos dos Estatlos do Norte, mais pobres c menos im·
portantes biráõ ficàntlo os do Sul. .
Ora, voltando aiuda á. raçad08'}.JOJJsuidores, vê-se que os meios de em-
}l.regar as gerações futuras só lhes offerece o aspecto o mais tt·istc. .As
proflissões são Jimitidas, se ellas quizessem emt,regar-se n'ellas; o com·
mercio he tambem limitado e demais exige eapitaes; e os empregos pn·
blicos somente poderáÕ oeeupar milht;iros d'indiv.iduos, 110r
que hum governo de patronato os multiplique. Em que se oceullará. o
restante?
Agora he facil conhecer qual será o augmento de huma raça condcm·
nada em grande }larte á miseria. Cheia de vieios e prcjuisos, sem meios
de nutrir huma famillia,_ augmento de população poderá produzir
hum a tal raça? Tudo tende ao contrario a a raça JlOSSuida.
Nos Estados cm que a escravidão domestica não he admittida, o temot·
de cahir em miseria excessiva, he hnm obstacttlo ao crescimento da po·
Jlulação em disproporçâo com os meios de existencia. A maior 1•rtc
elos creaclos de servir, e mesmo a maior parte dos obreiros, condemnão-se
-voluntariamente ao celibato, porque não terião meios de sustentar h uma
familia. Mas quando estes obreiros e domesticos são propriedades d08
e não temem que os despeção, se tem filhos; a seus
competem as despesas da sua ereação,- a sua e a de suas fami·
lias. He neeessario portanto que os proprietariOs fiquem
dos com todas as despesas das familias legitima$ ou não, e priva-
dos do serviço das mulheres, durante a sua prenhez. Os sonbores se aehãó
1•ortanto na alternativa de recorrerem a violeneia para restringirem a
multiplleação dos filhos dos seus eser.tvos, ou de verem crescer huma po-
pulação inimiga que absorve as suas rendas- e que ao mesmo tempo
,
ameaça a ana existeneia •
Felizmente, graças ás tyranias costumadas, esta malfadada raça dimi-
nue todO: os dias, bem longe d'augmentar. ErJta diminuição seria ainda
mais sensivelsenâo houvesse a continuada importação de novos
Caleafe-se por analogia (ainda que os dados faltem para hum tal calculo,
em hum Paiz que não possue os primeiros. elementos de Statistica) ; cal·
cule-se, digo, o grandíssimo numero (le crioulos, que deveriâo se
os iudividuos, transportados da multiillieado mediocre-
mente á quasi trez seculos. São taes os tratamentos dados aoa jndividuos
da raça preta entre nós, que em huma fasenda ·de 400 ou 600 escravos,
apenas se contão de 40 ou 50 crioulos, descendentes de trez ou qtmtro
gerações! Este simples   mostra a toda a luz, a espantosa diminui-
çio de huma raça alias fecuudissima.
Ainda existe outra fatal _alteruatiYa 1,ara os proprictarios
..


• I

I
70
tr:1vos, que O$ c0mo n mina das suas riquesas, se eontiuuaren\
a tratai-os como costum3o, e cessando a import·tção, veráô em brev.,
destru.hidas nsas fontes de riquesa; se pelo contrario adoçarem a sorte
dos escravos, na verdade o seu numero se mas então os pro-
)Wietarios teráÕ 8 témer hum grande perigo, O de Verem muJtipfic&r esta
parte dà popttlação em huma proporção tal, .que a sua segurança ficara
eada vez mais comprometida, e tanto mais pois que tende a diminuir
a populaçio branea.
Se algum quizesse fuer hum calculo da inumeravel quantidade d'iudi·
viduÕs que o commercio d'eserkvos tem consumido, ficaria horrorisado da
immensi:lade dos crimes commettidos pelos especuladores de semelhante
eommereio. entre nós seria lmpossivel, já não digo em
relação ao tempo passado, mas ao tempo presente: tal tem sido e tal hc
n nossa incuria! • Porem hum de vista sobre o grandiasi-
mo numero d' Africanos importados para todo o Brasil á trez seculos,
eompare-se com a aetnal popu1açã.o, e couhecer-se-há quantos mil,hÕes
d'individuos d?esta raça tem perecido. Para fazer-se huma idéa apro:
ximada, note-se o .que diz C. ÚQmte, á respeito de S. Domingos, hoje
Republica do Haiti.
" No tempo em qae a Ilha tle S. Domingos era possuida por homens
da raça Europea, a perda dos individuos pO&&Wdos chegava todos os an ..
nos a hum vigeuimo, e os accidentes a fazião subirá deciuta quinta par-.
te. Assim os possuidores d'homena d'esta Colonia fundavio a sua renda
sobre o destl'uhiçã.o annual de trinta mil cento e tdafa pe880as, e aobre
os lftaplieios e p1·ivações que aoffrião quatro ceutas e eineoenta mil. No.
decurso de hum iecUlo, o numero de seres bumanos destruidos. subia
I
portanto a maia de trez ruilhoes, sem contar numero ao menoa
igual de iudivleluoa que era maaiiiCrar aa eo»ta d' Africa, para

· *' Tle i,.,_ri"el, di% C. Comlt, aalut.lr oa lffeiiD• qu a eeeratidao
ptodu-:: M BraiJ, 1obre o e o tüeriseimetdo da ,_,.çao .
.&ta regilô he .. ,o, ft'e• r11pu priftcipoet, n'eUa ezilt,_.,
tiio clitJW1tJmMte r!pmiidae pelo tmitmio, f.J* 11f'ita fteceaaario faur
hm parttcukr ü.eadtl e dlfMÁIMftJliA-·
riiio • '.
Raynal, Hti!Mbtiltlt e lhlk, «valiae Ião ton&radittoritmtft&e. a fHJJ*··
laçio do BrMit liMe o" e•craoo, que hfm ae eonl&ete o lf1'tJmk
que o Porlugt&ez   are:tprile t.ks sv.as toleniu-.: Ma
ngora, nada o em etcclo o que di% l'tlprilo ti acimcia
# •
&t11di1tita.
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\ eom(lleto o numero d'escravos. S. dizião, era a
Rainha das Colonias. ,
A. &Orte domestica dos depende do genero de trabalhos .que
tem a exewtar e das subaisteÍ1cias; e estas circunstancias cem a
p01ição e a natureà do solo, e com u relações eomrnerciaes •. A 111 •
.arte dept>nde igualmente da facilidade que tem 01 senhores em prehen•
cherem 01 que • e os m;ai1 fazem perecer; faciljdado
que os rovemos diminuem ou augmeutio, eonfonue protejem ou repri ..
mem o _commercio d'eseravos. Não se deve pois julgar do decrescimento
da população escrava em todas aa Coloniu, pelo qae .e ditse .a respeito
de S. Domingos. ..
Aa Colonias Iuglezas, nas quaes as producções são analogas ás que dava
\
S. Domingos, o deereseimesto he mais rapido. Este deeresci-
me,do diminuio ·muito, depois que o governo da Metropole restringio o
I \
pode:r dos senhores, c principalmente depois aboliç'Ao do commercio.
Entretanto taea 1ão os ineonve11ientes da eseravidão, que, me•mo depoili
d.'esta époe.ha, a população escrava e<"tntinuou a diminuir. Agora qne o
Govemo laglez abolio inteiramente a escravidão, ou estas ee•·
Barão d'exiatir, se os act1J&es negrcs continuarem a habitai-os, ou não te-
ráõ rivaes se forem eultivi.das por homens livre• da Europa.
Em geral, o numero dos eseravoa cresce h11Jil8 maneira muito maia.r ·
rapida, que a dos senhorea;-entretanto o _,esoimento nãO he Ul'liforme \ •
em todos os easos. Muitas causas contribue;n para estas as
são as a)forrias, e a importação d• hum maior Otl menot nu- '
mero d'escravos. Se por cireunstáneias   o numero dos Li·
'bertos he mais eonsideravel em n'outt-o; o uuméro dos
livres parece crescer em hum a proporçã<;> nlais rapida que o doi!. escravos;
da mesme aorfe, se   extraotciinarias favorecem a importa-
... \' .
ção dosesetaT08, este• parecem multiltlicar-se mais rapidamente que os
homens. livres .. No caso, não he a raça dos senhores que au-
gmen1a, ainda que o IUlmeJPO dos liYre& multiplique ; he de algama sorte
hum a ·elasse .. dia qÚ& sahe de huma e outra, e que participa das quáli ..
dades "d4MJ'Vieios d'ambas, mu que não lfde aubsistir muito temro·
base principal de hum calculo do augmento da escrava,
· este: o trabalho de 20 escràyos he neessario para fazer viver.
hum branco proprietario, esta ultima raça não póde augmentar como 10,
sem que a dos negroe comp 200. Se augmewto não for
a'esta proporçio, se:ria neetassario e11tio que oa senJtores consami•em
menoa riquesu, ou se occop8Sielll cm algum genero de trabalhp, o que
oa degradaria segundo at suas idéu : se fin!tlmente se formassem grandes
fortUDU, ·o numero dos escravo• deveria m41ito m;Us rapida·
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meute; poi' que, mais .kwn individao consome riqn"sa;;, mai:; mãos s:\o
  para produzil-as.
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Depois de ter demonstrado em geral o quan ... to a e,isteucia da escravi-
dão domestica hecontraria á 1,rosperidade geral, deligeuciarei demons·
trar. d\!talh:tJamente n:'\o só a diff.!rCilÇa que ha entre os trabalhos
de hum homem livre e de hum escravo; como o pouco interesse que
ultimo dá aos seus oa antes os prejoisos que hirão sempre
em augmento á que a pÕpuiação escrava for crescendo, e que
tudo se for tornando mais caro.
Para bem demonstrar estes theoremas h e neeessario considerar a diffe.
1·euça quh existe eutrc os trabalhos e os joruaes de hum homem livre e 08
de hum escravo; a naturesa dos serviços domesticos que ambas:(lrestão; os
lucros potfem po"ir aos proprietarios da dos capitaes
empregados em esCravos, e calcular a diff'ereuÇa vantajosa que haveria a
seu favor &e fossem em11regados ba·aços livres. -
Cousidercmos, em primeiro lugar, a ditlerença que existe entre os
trabalhos e os joruaes de hum livre e oa de hdm escravo. O tra-
balho eJ[ecutado por escravos, be menos dispendioso que o executado
110r homen9livres? A so)uç.ão d'esta questi\o depende d'est'outra, isto he

se os homens que concorrem para a produeção das tão simtlles
machinu. que hum pequeno numero d'oeiosos póde arbitrariamente di ri·
gír, aeeelcrarou fazer parar a vontade, e que tanto mais valor teràõ quanto
menos diminuireoi das riquesas que produzem. Mas se considerarmo:t
os escravos e os senhores como creaturas humanas. então a questão se rc ..
duz a saber, se o trabalho que hum homem obtem de.muitos outros, lhe
custaria mais caro dilaeeran4o-lhe o corpo pagando-lhe hum justo
aalario.
Se se quizer comparar ao justo o valor do trabalho executado por bo•
meus livres chm o v_alor do trabalho executado !por homen1 escravos,
ver-se-há que não se póde estabelecer a tal respeito .. paralello algum. En ..
tre duas cousas que se eompa.rão, hc raeecasario que haja lluma terceira
a que se refirão. Mas qual será. este terceiro termo de comparação en·
tre hum iudividuo privado de tudo, e hum outro senhor sua
. . -
vontade, e a quem portanto nada falta em sentido moral? A relação se-
ria a do infinito. Bem te vê portanto que, huma tal comparação só se
pódc fazer até certo ponto, e de huma maneira mui arbitraria
Pat·a fazer hum tal paralello, he necessario comparar em geral, não
as riquesu llroduzidas em hum paiz onde a esc1·avidão he ineognita e as
l"iqnesas em outro, em que existe a ese1·avídão; mas eompa"'
J•ar n'cste ultimo o valor e a preférencia que individuas da ràça pro-
prietal'Ía dão aos t1·alrc1lhos dê hum homem livre sobre os de hum esm·a ·
.. .
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73
vo. Se os jo'tlH\cs de hum hoJJem Uvre forem sempre maiores que os
tlc hutn escravo, claro fica qae os 'trnbalhos do \.
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s!io reputados su1,erio·
res aos do 2.0 Vejamos o que acontece nos Jotltros paizes, em identicas
circunstancias ás do nosso: o que se disser a d'elle9, coincidirá.
com o que existe--entre nós. No 'Cabo da Hoa -Esperança, hnm escravo
be alugado á rasio _de dous sebellings pnr dia, e hum obreiro livre por
cinco ou seis Segundo 1Jarrow • esta earesa do trabalho he o
maior obstaculo que se oppoe aos progl'ellt'Sda Coloaia, nem se póde es-
per:w grandes mel.horamentos, "huma vez que se não aclaem meios d'au.·
gmcut!lr a quantidade de trabaTh.o, e diminuir o pre\'() da alo d'obra .

Nos Estados Sul da Am•icana, a mão d'obra he ainda mais
eara que no Cabo da   Hum obreii·o branco, de qualquer
officio, ganha duas piastras por dia, entretanto que em identir.as circuns-
hum obreiro só ganha metade.em New- York, oude nlo ha escra-

vos. &te alto preço da mão d'obra, he a causa dos inconvenientes que
já apontamos, isto lle, não permitte que os habitantes tenhão madeiras OQ
combnstiveis em hum paiz coberto de florestas; achiô maill barato comprar
tudo aos do Norte, e o carvão de pedra que lhe 'Vem Ingla-
terra porgrande preço. IIe á mesma carestia mão d'obra, que se
deve attribuir o subido valor da maior parte das ceusas necessarias á
' I
e a-prefercncia que se dá a tudo qttanto vem de fóra sobre o que o paiz
produz. Hc demais evidente, que sendo as terras mnito mais baratas
. '
nos 11aizcs d'escravos, do que nos paizes onde os não ha, o preço exces·
sivo da maior 11artc dos productos agricolas' só póde originar-se dã
da mão d'obra.
I
No 1\Jaryland, o jornal de hum homem livre, vale tres vezes o de
hum escravo. .Na Luisiana, onde os obreiros livres são mui raros,
por que cessão de trabalhar logo que adquirem meios de comprar bum
escravo que trabalhe por e llcs, a mão d'obra h c ainda mais cara.
Hum senhor que possue hum bom escravo, o aluga á razão de 20 ou
30 piutras por mez ; mas eomo o trabalho de hum obreiro livre vnle
duas ou trt.--s ,vezes mais, he facil calcular porque preço se cxecutüo
taes trabalhos. D'isto nasce a raridade dos legumes e o seu excessivo
tlreço; porque a careza da mio d'obra obriga os possuidores das ter·
tas a despregarem os detalhes da economia agricola c a renuuemrcm -
á dos generos. •
c( A do preço da mão d'obra nos Eetados U oidos, eotre os
Est•dos que possucbl eacruvos, e '08 qwe os a\lo tem, se manifesta ao
J
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....
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74
1implel upeeto do Paiz. • !:l01 Estados do Norte onde  
livres a terra, u florestas desapparecem cem rapidez, e o.
campos se cobrem de cultivadores ; DOI Estados do Sul·, em que todoe
oa tt·abalhos são executados por eserav01, as novas planJações são feita•
com a maior le11ti-tão ; DOI primeiros os possuidores de terras tirão Jueroe
mais ou men01 consideraveie, depois de terem pago o preço da mão d
• aos segundosas-despezu igoalão ou excedem o valor dos productos. ,,
llumbold, no Mexico, onde não ha senão poucos eeeravos,
os obreiros livres que trabalhão nas Minas pouco mais ou meno»
, quatro mil reis da nossa moeda por semana, e os que ie empregão quer
1108 trabalhos do campo quer em outros serviços, ganhão apcn• duas 011

quatro patacu por semana. No Válle d' ..dragna, onde todos 011'
trabal.hOI são executados por homens livres, e onde se pl:mta e manu-
factura o usucar, o anil e o algodão, a mão d'obra não excede a
quatro ou cinco piastras por m«;7., sem 08 alimentos, que são mui abun-
dantes; a mão d'obra, neste paiz segw1do C. Com te, be mais barata do
que em França. O mesmo acontece nas outras eoloniu Europêas; e pó-
de aftirmar-se, sem temor de eontradieçlo, que os preç01 da mio d'ollra
na razio directa do numero d'escravoa. Al@m de out. duascir·
cunstancias, oriundu da cx.isteneia da escravidão domestica, fazem com
que este mal subsista em toda a sua força. A primeira be o estado pre·
cario da população laboriosa não escrava, que lhe faz exigir pelos seus
trabalhos hum salario fóra de todo o termo, contando que em todos 01
cuos, em que tae1 .trabalho1 não exiJrirem intelligencia e dexteridade os
11enhores empregar 'lo exclusivameute os escravoa; a segunda provêm
d'esta mesma intelligencia, que os faz preferir aos escravos em u
oceasiões de que dependão imperiosameute. A persuasão de que em
cert01 e determinados trabalhos · seráõ preferidos, e não contando com
trabalhos aturad01 e permanentes que lhes assegure huma subsistencia
certa, todas estas circnnstanciu os faz exigir avultados aalarioe.
Vê-se pois que hum tal estado de cousas durará. em quanto bouver
grande numero d'escrav08; e tanto maior aeJ-á o mal quanto maior fór a
- sua importação da Afriea: He necessario notar que nós dOI achamos em·

circuustaneias mais desfavoraveis, que as outras eolonias, depois da ln-
depeodeneia. Das trez grandes divisões do Novo-Mundo, 'duu, que
são 08 Estad01- nidos e as Republicas da Ameriea Heapanhola, tem
parte do seu territorio exJ>Iorado por escraYos e a outra paru, por müosli-
vres. A: irdlueneia da parte eultivada pormi01livres ateaúa estes males;
e demai• o eommercio d'eaoravoa ja ce•ou ll anuito tempo. As outras
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eoloalas, que 01 Europeoe ainda possuem qaer no continente quer nas Ilhas
da Ameriea. achando·se debaixo ao domiuio das Metropoles, o espirita-
d'estas tambem coutribae para atenuar estes males; e alem
  a recente aboliçiio da eacravidio nas colonias lnglezas. que Ja..e
a parte a mais eonsideravel diiS coJooias que reatão aos Earopeos, cortará
o mal pela raiz. Mas ai de nós! Abandonados a nós mesmos, sem
que nada mo4ifiqne os males e inconYenientes da escravidão, qual Perá
o futuro que nos aguarda, que mi\o toda poderosa nO& salvari da ruiua,
eminente que de eontiuuo nos ameaça! " Se os senhores de terras, ( diw
hum Nacional qUfwbservoa ás nossas cousas á. muito tempo,* não tives-
sem hu"lf multidão demasiada d'eseraTos, elles mesmos a1,roveitarião
terras já abertas e livres de matns, que hOJp jazem abandonadas-como
maninhas. Nossas matas precioaas em madeiras ue construcção civil
e nautica, não seriio destraidu pelo assassino de negro, e pe-
..,
las chamas devastadoras Os cumes das nossas serras, fon·
te• perennes d 'llumidacle e fertilidade para as terras baixas, e de citcu ..
laçio eleetrica, não estariâo escalvados e tostados raio.
do nosso clima. He poi• evidente, que se a se .fizer com os
braços livres dos pequenos proprietarios, ou por jQrnaleii'OII, }lOr ueceui-
dade e intereue aproveitadas essas terras, mormente ilas visinhan ·
ças das grandes povoações, onde se acha hum mercado cetto •
prompto e proveitoso, e d'este modo se conservar.\Õ como herança sa-
grada para a nossa posteridade, as antigas matas que pela aua
frondosidade CRracterisão o uosso bello ,
Não se peDBe, repetimos, que o clima iuJiua de nen'huma sorte sobre
os produetoa e a indunria. Bastaria citar em confirmação d'esta verda-
de, a lndia, cujo clima he ainda mais quente que o das nossas Provineias
do Norte, e infinitamente 'mais que as do Sul. Apesar do despotismo
eivil e religioso, que pesa sobre os habitantes d'esta parte do globo, apc·
sar da pcssima divisão da população em castas, todo o mundo aabe qnu
esta região ho hum a das mais ricas do globo. Os geueros chamados Co-
loniaes e sobretudo o assucar, cuja plantação e manipulação he a mais
laboriosa, já. rivalisa com o da America, e teus habitantes não se queixão
da.esterilidade d&.s terras. alias cultivadas de tempos immemoriaes. A
. . .
/ Coochiochilla dá hoje, proporções guardadas, quasi tanto assucar como

toda a America Meridional, e entretan&o esta Penin1ala apenas roderá
ter tanto territorio, como duu du nOS&M mais_ pequenas t .
'
,. O Sr.Joaé B. d.'.A.. e SilotJ, já cittJào. Rep: '.A.p. Grant. .
t YejtJ·Ie a obrt1 de Poivre. l!lú viajtJnte diz, que em 1750, ja ae
40,000 de awcar, a 2,000 libnu cada humtJ, qu,efur-
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Note -se maia, que alem dos producto' agricolas, a Asia manu(actum
- toda a espeeie de «eoeros, e que a eua população. póde ser comparada
aegundo a expressão de hum viajante, aos grã01 d'arêa do mar.
Depois de saber-se o alto valor que se dá nos dift"erentes paizes da
Ameriea aos trabalhos dos homens livres .iobre os dos e&cravos, não se
póde dizer que a differença do preço provem da differença dos climas
I •
ou dos genera. de eultara; porque, se I)()r Mexico, que quasi
não tcJD eseravos, pro<luz todos os generos da Europa, produz tambem
todos os generoA que crescem debaixo doa tropioos. Ora, notando-se taes
J'esultados, nem o mais cego deixará de Yêr, que '6os proprietariot,
que faze'm cultivar u suas terras por escravos, não estio ja co•uplc.ta-
mente arruinadcs, infallivelmente o pelo deeurso do te.!po.
" se }>ense, diz C. Comte, que he á diO"ereoÇa do eli-.a do
Sul on do clima do Norte, nem tio pouco á dift'erença que ha entre
os homens brancos e 01 homens pretos, que se Jeve' attribuir este phe-
nomeno. Os Hespanhoea que nunca tiverão eacraTos, e go•rão de
alguma liberdade, se mestrão sob a Zona torrida sóbrios, iutelligentes,.
activos e industriosos como os Anglos-Amcricanos do Norte. Ellee
)lrovão e provaráõ todos os dias mais, que os gcneros doa Tro11icos
,.
podem ser cultivados por homens livres, ainda melhor que por escra-
vos. Já vimos em outra parte, que os phanomenos prcduzidos pela
escravidão debaixo da Zoaa torrida, se mauifestarão)tos climas os mais
temperados, logo que os Romanos alli introduzirão hum regímen analo-
go ao que existe hoje nos estabelecimentos da America; entretanto cstc
8
obreiros e eultivttdores pertencião então á mesma raça, que os senbores.
Norte ela Europa, onde a escravidão existe ainda, 01 e oe
senhores são da mesma espeeie, e nem buns nem outros estão
dos pelo   do dllm·; eom tudo a escravidão alli produz
te todos os etfeitos que ohlervamos nos outros paizes; n'elles existem 01
nece a toda a China pur modico preço e já chega ti Europa. O• tdabe-
kcimentos Inglezes de Calcutá   ja dão huma immensidade de a-
$UCar e caffé, e lá não ha esCf'a..,os. Quando o asucar da lndia chegw
á Inglaterra, e entrou em concorrencia com o datJ colonia8 da •esma
Nafão, foi necettsario eBtabeleter hum e'!onne ifnfJost8 d'enJJ'ada pGra
prottger a "enda do Begundo. Entretanto os •ethodo1 peltM,
cvltivadores d" India, sãq.muito" groaseiros em comparação qUI! se
mão nas colonias Inglezas e mesmo entre nóB. .Fllles nio conlltcem
dm maquines que a industria introdusio na ,.Aqneri-
ca, e he sem contradicção infinit4fMn,fe mai• caro o tran.sporte do assu-
car da lndiG á Eurqpa; do que dtJ Ameriea á Earop4.
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mesmos prcJblZOS, a mesma ignoraac.ia, os ruc&mos v 1caos c a mesma
miseria : os Ru110s que libertarão seus escravos c fizcrão eul·
ti'var 88 suas terna por mios livres, dobrarão as auas rendas. ,
Vamos agora y@r "'S loel'OI que dio aot proprietarios, esses enonncs
eabedaes ambrtiaadoa na compra de homeDS, que estão de continuo su-
geitos às enfermidades, a accidentes de toda a eap•cie, e fiaalmcnte it
morte. Qnem nlo convirá com o escrit,tor Nacional, que por vezes
temos citade, qne a lavoura do Brasil feita por braços boçaes e pregui·
çosos, não dá os lueros, eom que homens ignoraat.ett e fanaticos se ilht·
dcrn? Se ealclllar·mos, diz elle. o custo annual <la do ter-
reno, oaapitaee empregados nos escravos que o devem cultivai', o valor
dos ruracs com que deve trabalhar cada bum d,'cstes escra·
't'OI, sustento e vestnario, molestiu reaes e aft"ectadas e seu curativo as
mortes numeroaú. filhas dca máoa tratamentos e. da dcsesperaQio, as rc·
petidas nos e nos matos, claro fica, que o lucro da
lavoora deve ser peq110oo no Brasil, ainda a !lesar da prodigiosa fer·
tilidade ao terreno, como moatra a No Brasil, a renda
doa predios rusticoa uão depeode da exteusâo e valor do terreno, nem
dos braços que o cultiv.io, mas sim. da méra iudustria e intellir;cncia do
]avrador. llum senhor de terras he de Cacto pobrissimo, se pela sua
ignorancia e desmazelo não sabe tirar fertilidade da sua
terra, e dos braços que u'cUa em11rega. Desejaria para seu bem, que
os P<?Ssnidores de grande conheccf.sem que a prohibição do
trafico de carne humana os fará mais ricos; porque seus escravos actuacs
virão entio a ter mais valor. c seráõ por seu mais bem trata-
tlos; os senhores promoveráõ os casamentos, e estes a população. Os
fôrros augmeDtados, para ganhareiQ a vida, aforaráô porções de terras
· descobertas 011 taperas, qn<! hoje nada valem. Os bens n1raes serão es·
taveis, c tl renda da terra nio se confundirá com o trabalho c a ind11stria
individual • , ,
· Examinemos agora o intêresse real que provem ao proprictario do
emprego dos seus cabedaes em escravos. .
Pois q11e todo o capital empregado requer hum juro, stlm o qual.este
capital se consumirá em breve tempo, he saber que cstl('Cic
de juro deve render huma quantia qQe se empregou em hum escrato;
demais, todo o Capital posto em giro, . deve obter hum juro t,roporcio-
ao risco, q11e corre. Qual deve ser este juro, quando o capital
e1tá empregado em objecto sogeito a aniqailar·se de hum instante para
outro ? O juro ordiuario certamente oio, nem tão pouco o   se "po •
dcria obter empregando h uma certa quantia em hum Commercio acti-
,,.o; mas o que se coetUOl1l dar llcto sopro de vida. Devia 11ortauto o
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t>roprietal"io de hum escravo calcular }leia receiU.l, despesa e lucro li·
quido, se a quantia que empregou na compra do seu semelbaute,
rende hum juro tal. Porem se se o rendimento de hum es-
cravo por tal juro, certamente este calculo pareceria cxage1·ado, fóra de
toda a proporção, e sem attenção aos diversos serviços em que pode ser
empregado hum escravo.
He necessario convir ignorar·mos quanto JlÓde render l•rovavclmente
hui!' escravo, empregado notf trabalhos agricolas. Entre nós ninguem
tie tem oceupado n'estes detalhes de economia, que alias muito nos
interessar; demais as diffieuldades serião grandes, porque com
igual numero d'eseravos os rendimentos são mais ou menos considera veis,
co·nforme a habilidade e a experiencia dos que os·empregão, conforme a
maior ou menor porção .de trabalho que fizerem estes escravos (_e isto
depende do seu estado phizico ) , e tautas outras circunstancias mui_ va•
riaveis. Mas pode saber-se independentemente d'este conhecimento, que
as rendas de hum a grande lavoura são quasi nullus, se áttemlermos a que
maior parte nossos agricultores, pelo menos os que manufaeturioas-.
socar' estão individadoa, quasi sempt·c muito alem do valor da manufactura.
As causas d' este estado de ruiu as são óbvias. &.cravos sem habilidade, sem
intelligencia, maltratadQtl, ntís e mal nutridos, quando mesmo tivessem
muito interesse, o que \tão existe, pela augmcntação das riquezas de seu
senhor, todas estas causas tornariâo quasi nnlJas us rendas.
Já vimos que bum escravo não pót.le te1· interesse algum pelos traba-
lhos a que forçadamente o obrigâe; que 1)rocura consumir e deteriorar
tndo o que póue e da maueiru a tnais prorupta; e que .se tem al.:;um iutc-
resse he na ruina de seu senhor. Assim examinando-se a utilidade que pó··
dem 11restar os escravos aos interesses dos proprietarios, comparada a
todo outro meio de trabalho, achar-se-ha que tem realidade ai.:·
guma. He nccessario que elles nutrâo e vistão mal ou bem a todos,
velhos, ·mulheres, crianças, doentes e sãos; he neeessario que lhes dê
caza, cama, remedios, e outras cousas necessarias á existencia; c·
isto por mui   que pareça a respeito de bum só individuo,
avultl a respeito de muitos. • He necessario de mais que lhe compre
* Quàndo trato da nutripão e t1e1tuario dos elcra'Dos,faço abstração
da1 elpeculações incriveil, que fazem os nosso1fasendeiro1, para obu-
relft o maior lucro com a menor dupe1a pos1ivel. Quem tem "isto al-
gumal das nossas grande1fa1endas 1abem até d'ondl' chega a a'Daresa
do1 proprielarios e a 1ua de&humolnidade, sem calcularem o_s seus verda-
deiros inf.ere11es.
O maior ca1tigo da avare1a ·nace do& erradoa calculos que faz o pro·


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lnstrwneutoa aratorios, que sem cessar devem ser_ renovados; he neoces·
fario contar eom o numero de mortos de todo o sexo e idade, p fugi·
das, os deboxes e vicios inherentes aos escravos. Reuua se a tudo isto o
Talor dos escravos· actuaes, e os que são pcrcisos para supprir oa que
morrem ou desaparecem, o do terreno, utencilios, maquinas &ç.,
e demais note-se que o proprietario he obrigado a carregar com a sub-
sistcncia, vestimenta, cura, e tintos outros objectos de despesa conatan·
te; e veja-se no fim do anno quanto fica lucro.
Hum homem que possue 80 ou 100 infelizes, apenas póde coDtar com
30 ou 40 para o trabalho diario: hc neeessario .que se meta tambem esta
falta em calculo, e cousidcra-se que este dado não he dos menos im-
portantes.
Hum senhor d'Engenho que tem emprégaao em escravos, terru e
maquiitas, hum capital de 600 a 800.000 cmsados, apenas pódc contar
õom huma renda precaria de 12 a 15 mil crusados annuaes, que as
despeslls· consomem e as veses excedem: De anuo a anno as dividas se
accumulâo a aponto que em pouco temr:JO ellas excedem ao valer da-
propriedade. Muitos pensão· que a não ser essa lei abiurda que autho-
' .
prio avarento. Se de eacravos mf?rtos áfome e nú•, se póde tirar a.lguns
  os que o digão; 'JKWqtu, apesar de ptlt'fl-
cer á primeira vida que avultadas detJerião ,,r ru rendA, sem qtU se
dispenda hum só real com ·a suatentação W' esCJ·avos, comtudo eUaiJ aão
• mesquinhatt que apenas para a miseravelBUbsisteneia do pro-
prietario e ma familia.
Os escravos daafasendas Be austentão e "estem, ou ú CUJtta do demo,
do que se Tamina, ou à aua propria eusta dando lhe 01 proprie·
tanas alguma porção de terra a cultivarem e oa sabbadoa ,ara trabalha-
rem por sua propria conta. Bem •e 1JP q"e meios dtmem adquirir oa
pretos, para se 111.1tentarem tJ ai e suas familias, • .tmmu no•
Sabbados, .Dmningos e Dias Saf!tos de Guat·da, quando jtJ estão so-
, brecarregados todos 08 outros dias ·com trabalho• pe•adiasimo1, I!
attendendo-se á sua frouxidão e incuritJ natural. , Com tudo he tiío
mizeravel a tal Tamina, qne de mesquinhos e insalubres alimen-
tas, qu.e 08 escravos prrferem o primeiro partido, quazi sempre .uperior
ás -suas forças. Por isto :te poderá julgar da maneira com que e a tiS
infelisea aão tratados. e do interesse que produzir a atua
senhores.
He proverbio no Brasil, e no Norte:- senhor d'En·
gcnho, morto· de Come, cheio tl'e mpenho. - Este PJ·overbio 1Jinta bem
o eaiado d(l nossa     e do.! noJJOI agr·icultore• •


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•·isavn o calutc a má fe, e felizmente a 11ossa ·constitnic{âO abolio,
já á muito n1o haveriâo grandes Engenhos no Brasil; mal que apenas
causa1·ia hum abalo momcntaítco, e talvez restabalecessc o credito de
muitos dos nossos· generos desacreditados na Europa. * Se tal aconte-
cesse, he natural que essas propriedades Colossaes, <JUe IQais
ele hum terço do nosso territorio conhecido, se devidi.3sem cm
nas t>orçúcs que occuparião huma multidâo de pequenos proprietarios;
então os protluetos e a po1>ulação cresceriâo de hum maneira es-
, ,, .
llantosa.
loumeraveis familias vivem no Brasil sem posauirem hum p:-.lmo de
terra, e algumas outras possuem contcnarcs de   inf'ructiferas para
seus douos, mas onde não conserltem que C? pobre tire se quer huma 1·aiz,
quando alias a experiencia e o raciocínio devera mostrar a estes
des   que tert·as aforad'as a muitos   ·que lhes pa·
gassem huma certa quantia, seria para clles huma mina incJCaurivcl,
httlll.tl .. certa e segura . renda, mesmo sem )llienarem ou os
1eus capitaes empregados n'cstas terras.
No Norte do BrasiJ, os Engenhos florcssentes saõ aquelles que
tem maim· nu)Dero de Lavrodores, istg he, individuas que cullivâo buma
das terras devoldtas com seus p1·oprios brHços e de suas fa.lias,
c repal"tenl eom 08 proprietarios os productos das .suas pequeuás plan-

tações. , · ·
lagar dos braços de   comprados poralto }lre(.O,,capifll ...
e ju•·o que a morte em hum instante extingue, fossscm empregados b'iJ-
çes.1ivres, calcule-se a diminui(;aÔ daA despesas. mesmo na hypothese de
que as grandes propriedades se conservassem intactas.
abstração da di1ferenç!l do. trabalho de huus e outro•, e
suppondo que estes trabalhos são iguaes homem por homem ; note-se em
-primeiro.lugar, que a acquisiçâo de taes trabalhadores nada custou ao
que os emprega; em seguudo lugar nada tem a dispender o proprietario
com oeurativo d'estes operarias e suas familias, comer, vestir, &c. salvo
se houyer ajuste a tal respeito; o que então deve entrar em linha de
'
· * Niftguem ignora "'fraudes qu.t tem desacreditado tre z dos nos1os
prinripaes gener()s, o assucar, o algodão, e o aH-il. No anil ajuntão-llle
humas pedra& "erdes, para augmentar·lhe o peso; r&.o assucar misttwão-
diversaa qualidadea inferioJ·es, e ter·ra ou aria, e vendem-no
como quálidade #lu.petior; e nos fardo-s {i' algodão lhe lanção pedJ·as e
ferros peaados. Oa e.lfeitos que elltas.fraudea tem prodwsido são po,ten ..
tes; oa nos tratão àe jmmoraes, e vão a oulrct.
"parte.


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aos talarioe; se mort"em, nada   o proprietario; se •
eatel matrimonioa sio.fecundos, isto àe intliff.,reutc para o proprietario.
que nlo vê crescer COillumidores não productores . e h uma raça inimiga,
mas huma popalação de obreiros laboriosos que llreàencheráô para o
tutoro as falt•s de seas Paes.
Reduz-se portanto toda a detpesa aos salarios mais ou menos avulta-
doe, que exigirem estes. trabalhadores, e dos quaes se deiCOntaráô outru
8é as houverem.
Mas ha ainda huma outra causa de grande economia para os proprie-
tarjos, e qua aio fica sohrecarregad() todo o anno eom huma multidão
il'individuos, que he neeeuario nutrir, vestir, curar &e. &c.
Acabados os trabaihos para que forã.o chamados, os obreiros são despe-
didos, e eis hum ohjecto de grande economia; o que não póde aeoate-
-cer com os escravos, hajâo ou aio trabalhos que oecupe a todos.
Aceressente-se a._isto, que o proprietarjo oecupando -homens livres,
não he responsavel pelos seus deboxes e vieios, nem so1frem os seus in·
tere!Seil : se lbe nio agradi\o os seus trabalhos, se faltâo a clles, se ·são
viciosos, despede-os e toma
Mas tudo os fará assiduos, morigerados e laborioaos. O interesse do ga ..
nho, a necessidade de subsistirem e suas familias, o temor de serem des-·
pedidos e não acharem emprego, tudo os tornará o desejD
·d'alcançarem mais avultado·salario, e de assim melhorarem a sua sorte,
• os tornará activos, sóbrios e desenvolverá. a sua iutelligencia. Parte
•l'estes individuos officios, sem que o proprietario
seja obrigado a pagar ou veja amortisado por trea ou quatro annos o capi-
tal que empregou em hum escravo a tal officio. Entaô os concer-
tos, as novas coustrucções, e tantas outras cousas que exige hum compli-
cado estabelecimento, custaraõ tres vezes menoi aos proprietarios; que
naô seráõ obriAados a hirem buscar ás Cidades, a muitas legoas de dis-
tancia e por altos preços os obreiros neecssarios; €!e mais sempre os te-
ráô á maõ, e as maquinas naõ pararaõ por falta d'individuos 11roprios,
-nem as suas esse exterior de miseria e ruina quo
ap1>resentaõ á vista.
· Ora, se he verdade que hum homem .Ji-rre faz tres vezes mais servi-
ço material que hum escravo, mesmo abstração feita da intelligeneia,
do interesse e da dexteridade, 30 eaçravos pódem ser suppridos por 10
homens livres, que ncm'hum capital custarão ao proprietario. Se ac·
eressentar .. mos a isto a braços, que provem do uzo daa
maquinas, oonhecer·se·ha a qne· ponto pode checar a diminuição du
despesas, e porta1tto a bll.rateza de todo• os reneros e sua maia faeil
, tt·aeção, no que deve tambcrn entrar em linha de eonta a diyeraidade •
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·e2 •
abut1dancia dOI\ alimentos. Para moetrar ·economia de braços, que-
t)ro't'êm do uzo das maquinas, basta dizer que • arado, o mais sim-
ples dos instru:oentoe agricolas, suppre o :trabalho de 20 enchadas:
assim hum sb instrumento faz as veses de 20; e hum cazal de bois on ca •
vallos com hum conduetor, suppre em metade do tempo, 29 trabalhado"'
res d'enchada. Por pouco que se reflicta sobre isto, claramente se ve·
rá. que hum terço d'homens livres póde snpprir todos os éseravos actuaes,
e isto com o maior proveito para o paiz . em geral, e particularmente
para os proprietarios.
Não pense algum proprietario ignorante, que a abundancia dos gene-
:ros diminuirá a azua consumaç-ão ou as suas rendas. Ao contrarjo taes
bens Oi fará mais ricos, e em todo o cazo nlo pódem ficar pior do que
estão.
mQior fôr a abnndancia de taes ou taes generos de necessidade:,
tante maior será o seu   porque então a sua barateza convidara
maior numero de compradores; e he eviclente qne se hum individuo,
.para a producç.ão de huma certa substancia, gastar 20 e ganhar 30,
:ficará mais pobre do que se gastar 10 e ganhar 2f\; no ,ultímo caso a di·
da despeza compensa o que falta na renda. ·
A respeito das grandes e povoações consideraveis, concorrem· ,
as mesmas circunstancias, com huma notavel dift"erenc;-.t. que he a nenhu-
ma 'uecessídade que ha d'escravos para o serviço domestico, e outros.
Que luxo inutil de hum sem numero d'escravos apprcsentão as nossas
Cidades e Villas, que sem elles poderiâo a poucos crea-
....
tios, a poucos e laboriosos obreirOB e tt·abalhadores! Nem a naturesa
dos serviços, que prcstão est-es nas Cidades, nem o que
parecem dar aos seus proprietarios, compensa de maneira alguma os
males que cauzão. Elles só servem nas povoações concentradas para
corromperem os costumes privados, perturba,rem a paz publica, e susten·
tarem· o ocio dos que se alcunhaõ seus senhores.
Tres empregos daÕ, nas nossas povoações consideraveis, os proprieta-
rios a seus escravos; ou os empregaõ no serviço domestico, ou os põe aa
ganho, ou tem officios. Em todos estes tres empregos, a naturesa dos
serviços que prestaõ se nuõ saõ negativ99, pelo menos pouco, valem, e o
.senhor alem do capital que empregou Jla sua compra, earregã todo o
anno com lespesas certai c avultadas, que lhes consomem toda a renda
que lhes possa vir de taes Ja dissemos a naturesa d'estas
pesas, quando tratamos <los escravos na cultura dos camJJOS,
e que se podem dividir cm duas }>artes, 'despesas ordinarias c
yeis, c despesas extraordinarias. As ordinarias saõ o e o ves-
tuario; as cxtraordinarins saõ o curativo das reaes a que eatii
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totlo o homem, da' molestia.4l aft"ectauas, e das que   porTir
-... los seus deboxcs e vi!!ios, mais faeeis de satisfazer nas Cidades e potoa-
çõcs concentradas ; as que provêm dos castigos e das desordens que co-
mcttem; das fugas, repetidas prisões. e tantf outros acasos a que os es·
cravos estaõ mais sugeitos qqe o commum dos homens. •
Pense-se a quanto mo_nta isto tudo em cada anno, compare-se com o
tc.)ndimento do escravo, e aceressentc-se o juro que devia render o capi-
1 tal que elle custou se fosse posto a giro. Ponha-se pois em paralello as
despesas c receita da ·forma seguinte, faça-se a subtração fim do anno,
e veja-se quhnto fica de saldo: .

Se houvessem dados suftieientes, poder-se-hia calcular exactamente os
seis ultimos artigos de despesa a quanto montaõ cada anno; mas póde di-
zer-se sem medo de grande erro, que elles subiráõ a huma q_uantia equi-
valente a 20 por cento do Capital. Porem os ultimos arti-
gos de despesa mais ou menos avultados e que dependem de muitas cir-
cunstancias, vejamos quanto render hum escravo ordinario, compa-
J•ando o seu rendimento sómente com os dois primeiros artigos, isto he,
o juro do .capital que custou e o sustento. Suppondo que hum escravo
" PJovinCia do Rio de Janeiro thve de mail em conta 01
roubos continuas d'tBCTatJOB .edusidos por hum uercito de especuladores,
que parectm agora ter-se organiaado systhematicamente para expolia-
rem aos senhor.es d'ésta miseravel propriedade. .Alem da morte natural
dos t'Bcravos, os proprietarios. devem contat· com eata morte )cticia que
tn ladrõ11s duo aos seus capitaes; e aa dos denominados
Capitães do Mato, quefazem pagar avultadtu quantias aos donos por
etcrcivos que elus mesmos tem pre1ulido e escondido por muito:t dia a, a
titulo de fúgid os. · '
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84
c·uata Rt. 400.000, o jtti'G d'eata quantia, poeta a fi por ceato ( •
.-et:or juro poseivel atre   de Rs............... 24.000.
, ,
Ora o jornal medio · ( diario \ de hum ,eacravo ordiuario, he
tle Rs. 320. Titudo·se de 365 dias, de qae se eompve
o anuo civil, 81 dias, que são 01 Domingos e Festas de
guarda; tercm01 2B4 diu a 320 Rs ••••••••••••••••• , •••
.Mu hum escravo Dão se sautenta eom menos dé 160 n ••.
diarios (metade do sea jornal) que 'multiplicados por 365
diu, dará. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
Sommando a primeira e parcellu, que são artigos
de despesa, e subtrahindo esta somma da segunda parcelJa,
que h e .a reec i ta, te r-se- há a ra vor do proprietario, o
de • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

89.880 •
5S.400.
7.480.
Ora d'estc saldo be que o dono de hum escravo deve tirar os meios de
pagar o vestuario, o curativo, descontar os dias em que não trabalhão por
rcac.s ou affectadas, pelas fugas, prisões, deboxes, castigos, de-
!ICrdens &c. Se todas as contas feitas, as despesas equivalerem á recei-
ta, será isto huma grande fortuna para o proprietario; mas então haverá
hum Capitalruorto, empregado cm cousa sugeita á morte; circunstancia
que a ser posta em calculo, excederia muito ao juro que se costuma dar
pelo seguro da vida.
Se hum escravo tem oftieio, certamente o jorualserá mais vantajoso.
e seu proprietario á primeira vista terá maia meios de fazer face ás des ..
pesas ordinarias e extraordinarias; porém n'este caso he então necessa ..
rio metter em conta a mesma differença dos joruaes. Se de dois escravos,
hum tiver offieio e outro nio, ambos faltarem ao trabalho, o proprietario
mais com o primeiro do que com o segundo na rasio. da dift"etença
dos JOrnaes que vencem, isto he na rasão de 2, 3 ou 4 para 1.
Nioguem pois se illuda com estes joroaes vantajosos dos escravos d'of-
ficio. Se attender-mos á dift"erença ·que existe entre 01 trabalhos de
bum homem livre e de hum escravo, á pouca intelligencia, zelo e dexte ..
ridade d'este ultimo, 'Yer-se·há que taes sallarios não podem ser a:vttlta-
dos, o que,realmente acontece. Entre nós he isto tão reconheCido, que
qualquer obreiro livre, por pouco habil que •eja, obtem tempre huna jor ..
nal dobrado ou triplicado, do que em iguaes circunstancia. a]caàça hum
\
eseravo. •
He isto a maior prova de que reconhecemos a doa trabalhos
. I
-de hum e outro ; porque. se hum homem livre não trabalhasse daa&. ou

..


c
...


,

a
85
trcz vezes mais e eom dobrada intelligene ia relativamente a hnN
escravo, como conceber se daria ao · primeiro hum sallario duplo ou.
triplice do segundo ?
Esta prova he tcrruinante, e tanto mais em hum em qne todoe os
ricos muitos certamente se elles não conhecessem esta
diffl!rença nunca ch»-.mariâo bum obreiro livre ao seu serviço.
Ou os individuos da raça negra tem hum!! conformação que
os ton1a estupidos, ou el!lta estupidez seja o resultado da escravidão c do
interesse que julgâo ter os •euhores a que elles desenvolvâo pouco
\
as suas faculdades intellectuaes, o que h e mais natural; seja finalmente
o quer que fôr, o facto he que os são de huma estupidez, de huma
incuria e imprevisão que revolta; elles vejetâo no estJ.do o mais vesi •
nho dp ma.ss bruto animal, e para soffrel-os he necessario huma pacieu-
eia mais que humana. " 'faes homens, diz o viajante Robins, devem ter
a intelligeueia extremamente limitada, e com effeito ella está circunscri-
pta a hum tal ponto de qu\! difficilmeute se póde fazer idéa a não ter-se
com elles tratado algum tempo. Poucos ha que fnzer a ·conta
de cinco ou seis moedas ; he raro achar hum .em estado de dizer
. .
a sua idade e a de seus filhos, ou saber á quantos annos sahirio do seu
pw, em que tem1lo pertencerão a tal ou á que tempo
pertencem a hum outro. Com tão poucas idPas do passado, devem ter
mnito menos do futuro, e por isso são de huma .incuria deploravel.
U são ou antes dcstrohem todos os seus vestidos, sem pensarem que en1
alguma ooeas"ião teráô d'ellcs necessidade ; quebrâu ou arruinão tudo
quanto lhes cahe nas mâos, com o maior desleixo e sem a menor previ-
.sâo; o que mais lhes agrada por hum momento, he ao depois abandona-
.. do com a maior lndiffercuça. Entretanto he por seus escravos que os
Colonos fazem exercer tolla a especie d'artes e officios; mas como taes
artes e officios podem ser exercidos 11or homens que tudo concorre •
fazer estupidos? Quem se encarregará d'instruil-os nos officios? os·se-
nhores certamente não-, por qne os ignorâo e temem aviltar-se exercen-
do-os: he portanto necessario que os escravos sejão .ensinados por outros
escravos. Ora, o que ensina_ não tem in tcrcsse algum ; o que apprende
não tem tamllem interesse em apprender, e o seuhor commum tende a
enbrutecer a ámbos. Assim elles não tem ideia alguma do que he util,
oommodo ou bello. Eu tive occasião ( coutinua o· mesmo viajante • de
empregar a muitos de differeutes proffissões, e sempre os achei muito
abaixo da mcdiocrccidade, mesmo em rellação ao paiz: a mesma coua,
•     • """.;tm à Luticau, 7bmo 3.
0

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86
feita por duas <liffcrcntes vezes, tinha cada hnma dellas imperfci\·Õrs
ll,lrticuJares. ,
Estas verdades, que convêm a todos os paizes d'escra,·os, são conhe ...
ciclas por todos os que tem a infelicidade de obrigados a se utili·
sarem tlos serviços dos nrgros uas artes e officios •
. O jornal medio dos obreiros   excepto em circunstancias ex-
traordinarias, c em (\crtos officios, he de 64U rs. diarios, isto he, o t1o-
bro do ganho de hum escravo. oíficio. que augmeutando o
sallario o dobro, augme11ta o juro na mesma porporçâo; mas he
rio ter attcnçrlo ao capital empregado. Ou o escravo foi comprado com
officio, ou sem elle e seu senhor lho mandou ensinàr. Se foi compra-
do com. officio a sua acquisiç:io não cuãtou meQOS de 600 ; 800 ou burn
conto de réis. Neste caso h e necessario vê r se o juro corresponde a
estas quan.tias, ficaudo sempre as outras despesas constantes.
Os juros d'cstas quantias, 11ostas a 6 por cento, importão annualmeute
cm rs 35.000, 4g.ooo, c 60.000 rs., e hum escravo d'officio a 640 réis
diarios dá [Ulllllalmente rs. 181.760. Aeerescente·se ao juro a despeza
do sustcn to, que de\"e ser mais avultada que a respeito de hum escravo
ordinatio; faça -se a subtracção, e se verá o pouco que resta ao pro-
prietario para supprir as outras despesas, Se o escravo foi mandado en-
sinar, custando no principio igual preço, que hum outro sem
o capital reduz-se ao mesmo, porque então nada rende e só dispende
durarltc 4 ou 5 annos, que leva a apprender o officio. Mesmo não sei
qual he mais vantajoso, a posse de hum preto. sem officio, . mas que tra-.
balhe constantemente, se a outro com oflicio. Isto parecerá para·
doxo á primeiro vista; porem considere-se em primeiro lu!tar na dife-
rença das quantias, que custarão; nas muitas occasiôes em que debt:ãô
de trabalhar por falta d'obras e por muitas outras causas, e nteste caso
a differença he dupla ou triplice. attendcudo ao valor dos jQmaes; em
segundo lugar, meta-se em C(Jnta a compra das ferramentas e utencilios ·
necessarios, e o risco que corre por mil accidentes hum c:apital mais
avultado. Para que aos apologistas dos grandes lucros que dão os es-
cravos, niio parecessem exagerados· estes calcnlos, apresentei o menor
juro que entre nós se pode obter; mas aquelles que conhecem o
prego vantaJOZO que pódem ter os capitaes em hum paiz como o nosso,
q uc calculem quanto nâo rcnderiâo empregados em. outro qualquer
objecto, industria, comine1cio c tantos outros meios de trabalho.
He necessario soh_re tudo dar attenção a que taes ql1antias são em-
pregadas cm propriedades sugeitns a mil acci<lentes e á morte. O
capiti.l_l empregado p6dc=cessar de existir de hum para outro instante e
ainda qne se possua tal propriedade dez, vinte QU mais annO!ü


I

I




...

87
tt o individuo possuído pe1·ccer, só restarão osjurosja  
que o caJ1ital desal'lpat·ece immcuiatamentc, o que n'âo .aconteceria ac
I fosse empregado em Otttro objecto. Não se diga: cu posso vender. P6de
prever-se o dia, o instante que a providencia tem marcadoeiara tirar do
mundo o captivo? Nunca hum senhor se desfará, excepto cm
caso de urgente, do individuo a quem chamamos hum bom
e1cravo; elle morrerá na caza de seu senhor e comsigo levará a quantia
que custou. Deve considerar-se mais, que entre os accidentes a que está.
zmgeito o escravo, ha alguns que podem muito diminuir-lhe o valor, ·
como as mutilações, a cegueira, as' molestias incuraveis &c. Estes aca-
zos diminuirão hum te1·ço metade, e em algnns cazos reduzirão a nada
o capital.
Os escravos empregados no serviço interior das casas, não são mais
babeis nem mais utcis qoo os' empregados em outro qualquer
Sem idéas conservadoras da ordem e da economia para comsigo, não as
podem ter relativamente a seus senhores, e o seu serviço he o m:lis de·
zagradavel e o mais ineommodo pOfj3ivel. Ninguem os p6de acostumar
a esse arranjo quotidiano de que o homem creado he tão cuidadoso
c zeloso; he necessario cada dia repetir-lhe a ordem de todos os dias,
a tornar-lhe a a cada momente. , Hurua Mãi de familia, tem
bastante em que occupar-sc a todas as horas do dia s6mentc em dar ...
ordens a estes creados escravos·: o que lhes he recommendado como
mais importante, uio he melhor executado do que o reputado in·
diffcrente; os vazos, os moveis, as roupas, tudo he quebrado, roto, _des-
truido como as couzas as mais ordinarias e de mais infimo valor. São
secrutos das familias,os agentes sempre promptos da corrupção
elo descredito, das delações; são inventores de calumnias que deshourão
o mais sagrado do interior das familias; porcos, immundos, çujão tudo cm
que tocão; finalmente corrompem os costumeli dóS filhes de seus se-
. .
nhores, e até a lingoagem que lhes ensinão a estropiar a cada
Se estas ideas de moralidade, decencia e conveniencia social não fise-
rem impressão em corações mal formados, resta-lhes a idéa do interesse,
que na opinião de muita gente compensa tudo. Mas qual he esse inte-
resse ? · Hum escravo domestico só póde ser re}lUtado como vencendo
bum jornal igual ao que vence hum outro sem officio. Este jornal he
idéal, pois que elle o não vence realmente,. e de mais as despesas aug-
mentâo. A vaidade e a vangloria dos   os obriga a nutril-oa
melhor que os outros, c algumas vezes a vesti-los swnptuosamentc, co-
brindo-os de • ouro ·e prata, Esta augmentação de des1,csa excederá
muito ao este creado escral·o póde provavelmente c de
mais os serviços que prestão são quazi_nullos, o tanto mais quanto maio!'

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for 'O seu aumero; huns descanção nos outros, e nem'huum faz cousa
preste.
Quanto aos e.eravos do sexo feminino; como o seu serviço he quasi
sempre negativo. as quantias que cust:arão são Capltaes mortos; e alem
dos outros iranvenientes communs a ambos os sexos, os senhores tem de-
mais o de ficarem privados dos poucos serviços que prestão, durante a
t1Ua prenhez, e a carregarem com seus filhos, creal-os, vestil-os, cural-o•,
por espaço de muitos annos, e isto sem proveito ou antes com grande
;di!i!peudio do proprietario, a qnem huma cria custa mais do dobJY de doia
outros escraTos, quando cheguem a idade de começarem a dar algum pro·
••ito, o que quasi nunca acontece. (vide o 4. ° Capitulo).
. Era este serviço o que mais facilmente poderia ser supprido por gente
livre, principalmente nas nossás Cidades do litoral que já superabundão
em populaçâo entregue ao ocio.e vicios, por falta d'emprego.
O despreso ligado a taes oceupações, e a prefereneia. decidida que dão
aoa escravos, os que possuem alguJDa fortuna, são as prineipues eal18al
que prohibem a muitos individuo& miseraveis a que abracem a servidão
domesticu, que nos. livraria d'essa tutela enfadonha e perniciosa doses- .
cravos creados, mas a que infelizmente   de sugeitar-nos pela força
da. circunstancias.
Estas cousas poderião ·ser removidas, se grande parte da escravatura
de nas Cid-des fosse enc:tminhada. para os campos; mas este bene-
ficio não deve esperar-se em quánto durar o commercio e a importação
dos pois que nas povoações concentradas o mercado senda. mais
prompto o mais lucroso, para alli se accumulâo o maior numero dos
escravos •
.
1\las, me perguntarão, onde estão esses· braços livres de que tantas
vantagens nos prometeis? Se a escravidão fosse abolida, onde os ho-
mens que culti.'f'assem nossos Campos, e exercitassem ac; artes e ofticioa
\ A solução d'estas questões, será o obJeoto do Capitulo seguinte.
....



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99
OAPITULO I'V;
. '
&plndtr oa mrioa por oa quata a introducção de tacra.,os .Africano•
pódt atr aupprida, quer mandando "ir Colonoa por COJfia. dt particu-
·larta, qu.tr admittindo maquinaa que simplifiquem oa progre••ó• dtJ.
ogriculturtJ t mintração, quer tnellwrando a ctmdição dot e a cravo,
  e procurando indirectamtnú das Cidade• parf:J
os campoa.




'
-
Depois do que se tem visto nos antecedentes Çapitulos., he .facil conee-
ber que nenhum melhoramento pôde ter lugar pre1istindo o actual sys·:..-
. thema, e que todos devem tenderá sua extirpa1(ão, se com efreito o paiz
que os vio nascer e o seu proprio lhes merecem alguma contem-
plação. Não deve portanto extranhar-ae, começando o Capitulo ·dos
melhoramentos, que dê os meios de conseguir-se o maior de todos.
" Com eWeito, os votos d'aqueJles ,que observarem as (u.
nestas da existeneia da escravidão domestica, devem tender
á sua abolição. Se a escravidâo'he á moral e á religião, se os
não dão interesses aos seus proprietarios e ao contrario absorvem
as tioucas riquesawque produzem; he evidente que da não
• provindo algum, a sua abolição não trará mal nem ao Estado
nem aos partieolares ; bem lone:e de tal acentecer, a extirpação de hum
tio grande mal nos porã. ao uivei doa outros poves; com elle a NaÇão não
pode.rll prosperar
1
nem podem haver costumes, civiliaaçio, liberdade e
inclependencia verdadeira. •
He neeeasario oonv ir q11e as difficuldades de h uma semelhante operação
• sio gravissimas, e talvez mesm'ijio seja possivel evitar. a todas. He da or-
dem natural das oousas, que hwo .. culpado não póde sulitrahir-se ás penas
qlle deYia eofl"rer em eonsequencia dos seus crimes ou vícios, sem que se
faça reeahir sobre si mesmo ou sobre os outros hum mais-terri-
vel. Da mesma sorte, quando huma Nação inteira comette hum crime
sem remorsos e sem intenção d'arrepeodimento, mais tarde ou mais cedo

o castigo he iafallivel e geral. Ora, de todos os crimes conhecidos, ha
hum maior que o de haver degradado huma parte do genero humano,
entt"egatldo-a durante seeulos e por muitas prações ao exercício de to-
dos os viciÕs e prepoteneiaa de que o bpmem he nsceptivel ?
As consequencias d'ate horrivel systhema e dos Ol'imet por elle ori·
ginados, jit comcção a sentir-se; o temor da puni9üo enche a tpdos de
. l\1
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I •

tJavor e da t .. iadapr C01Ilo • de hwa tal iaber)'nttio; , m• 1*1
• éJifticiliCbar o lo de Ariada. Coa tudo be neoea•rio appreuar-ae, por'
que o edeficio calfe em ruiau e tanto lllllu te hesitar em tomar qplqu.er·
partido, tanto mail terrível deve aer a cathastroplae. · .
Nâ4J fechemos 01 01 inaameraveia males q'fle pra a eacra•
Yidão; C0111iderem01 qae nauca lloa.e aepraaça. e estabilidade em se-
melhante ayatema, e hoje mettoe que auoea; note.,• · eom hum pro-
fundo Publieiatli • qae • gerações, qae :Poaetlo em andamento hum
tal ayatema DM UhM ao Contiaeute da ÃJ-ei'Mia, de•apparecerlo e aão
levaataráõ para deW eadêl-o; qaé fa Inglaterra prohibio á moi to o
c=ommercio d
1
e101'8tos; que o mesmo tez • França ê à liespanha, qae
ila America do Norte, piO IÓI8811&8 OOQDDeroio f'Oi prolaibido eblll
rigor, pnm JaeaiO maitoe dQI priDcipaea Eet.adoe abolirão completa.
JBeDte a eiCIWtidlo e fotae)ão pro.r e*JMllre• do se11 a ... mal•
tidão d'iaf'elisel, que a oobi91' arraaooa da Africa. Aleim • pMte• em
·qae ut.te maior atuaerG d'...avoa ado ae.readas de po'foa • .
que creecem em riqaeea, e IDZe&. Duma populaçio oatr'or•
..-.vã goa d'illteüa liberdade e.iadepeodeacia, emhiUD& daa princi-
·pae. Ilhas. e ilto deve eerrir-1108 de advertea. para qae tratemol
d'eviw perigo& embaeJites.
Se oslellborea deYem telllet gnnd• perigos, 01 maia fl'aY•
não da regular aboliçlo da eteravidio, m•dà BUa presilteocia a ·
. -
1
erval-a. Quem tabe meemo ee as Naçies olo exigirái atà
• •
  -ial ooDlo ja COideguir1o a •••aç.lo do Coaamei'Oib 1 A
Naçlo Insleza. por exelllplo, tellde Yeavelmente a este 1raode acto,
eom easa eoDStaaeia e eaergia, qtie fJrmão a ·bue do aea -..ter.
Começarão •• suas pro'(lria Coloniu, a intractucçlo e o ,

Commeréio d'eiOtn'OI, e depoia por meio de Tr1tadoa estoJqtüdoe
qoazi á força etteaderão eeta Lei • N açiea. Logo que o •
conseguirlo, abolido ürteinmeote a eecraridãd DM .. ColOJÜal,
·attençãO ifJI altol pitos d01 Panrái aqui, ou es:i«Uio
du da America qoe eipo o es:emplo? Toclaa • pro·
babilidadea são, que eate roverao illéistrado, coadjuvado pol'.qaazi todo
o Povo Inglez, eztirpar eata prap aati..aeial em todoe o•
paizes a acharem •migada. t A epoca a qual o perno Jnrlera
· • ClatJrla a-te, t10 '"' 4.
0
tHIWN do 7l'c&tado
t Vejca-teo rdCII&orio flo eo.iU fia SocüdAtle daabo!içio da eacratii•
-.Jao, • 1824. · Nate GltftO já ea ltt,Nierra 220 tWoeitJpõe•
fi/tal • de LotrtJru, J'G'"G o ..-ao ji,s. No GMO afl1Me8n"foríio
appraefttclclGI 600 pe&içõe• GO Parlame'Mo relátiva.,. ao ""'mo ollj•·
·,





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e ;G Pcwo 4a OrafJl·Bretanlla toear o aiYo a .-e teadca 01
•eua etforços, pbde ser apartada relativamente ávida ele hwa homem
JDa1 muito prosima relati\'amente 6 emsteâcia de Jaurua Nação. E
.esperaremos DÓS que a iatervenção e&trangeira, -pre fatal á iDde·
pcudeneia de buma Naçio, DO! obrã:t•e 1 lazer.-ma., o qqe de•eriamoa
ter começado a &zer á teto tempo t Porqae alo mostnremoe ál
tru Nações qoe eíta por •eie de Societladee Ga
de qualquer outr.a sorte? Quudo mesmo esta demollltraçlo f.-e hy-
eto, '"" 1824 .,.., fie 600. • • • • Jd •
tna vulgtJriiGdo na ,.,,a, M ,,..,_, • ..4ll.·
maMa. Na .E.ttuioa Amerie6-UftiÃ, bojetMJi,_ d'u-
b a•ociaçlJa, que eom;rJo ' ,. eeiale,_,. ,.,.
- CoJo;Mt, e .na do Nwte AG 1NftwJ à &eWadet ...._,.
á da 6r•·Br#f11Naa. &la 'tlio dewrilo wr ,.titJoa f11W
..W.. Nea Ião   ._,,..,._ fieepretar • eonNIAal •
ant.• de AUtDtJ aalu/111' zwm.a.. Qtl-.do ., 1n11ou no ..,.,.. ciN
f/nidoa .tla• kiiJ (e wle-N f"' •••
a ..dmeriea iloNorte eomo ,.lltAoje), oa..,....
broa deata illmtrada .A.utmbléa, totlo.t d',....,.• itlcJie• ..
rãe pZanoe de emaneipof:lo futwa, ,_, EU • .opjnüfo • MI•
frre Jtifer•on a 11u reapei.to. , Ctmeertlou-H, di• ele, ftO JJrineipiodtJ
• libertação fk t.clo# aqudlea que ,.,..,,.. .-• fJJOCG, •
M dqortaçio .em huma certa ida,.. Ponm • qw o .,a. '
rito publito nio ae daea sitada fii.MCNro 114"• Aura• ....,.,. fii'OIIO-
•if!ão, e qt&B fMifJIO aitada hoje o Rio .61rd&Mo nlo atei fMIIJi
longe o dia em 9"' H tU1M rezipar. e tldopiGr 1•• laJ fWOieciD, _,
pentl cltJI t84il detatrOIIJI ,Ntllla alá tnGÜ dar___,.·
e•criJJto rw liwo dati1101• a liba-IIJçlo .ülla dGIU dA laomerY,
.e he tambem certo qui ta dwa1 roça ftio ,.,._ _,..,.
dtbtrizo do ml8fll0 goeBnJO : IJ o lurbito e a opmilo 1aa altJbe ..
lecido mtre ellol barrrir11i intle:ctructicm. Ait&dc& 4k RÓI depende o ,. ..
·tatuá r hum modo lU muJnt:ipat!ão e deportação progreuiutJ, ele WJMÍ7G
.que o mal demtnaa pacificamente pur huftuJ gradGAJÕ lMIIJ e ... ,.,.., ••
e que oa eacrat101 aejaõ .OO.tituidoa, pari puaa, f11W lior•
rtJÇG & ao eontrario ae 9'"' Gforç.a dG,t e.CMaeG(8
traga comwigo a necafttlade da libtTtaçio g•IM efllfçatl•• a ueuraG
eatretMce ao tJtpedo do• male• que • ,._.lo; Be • "io que
alúga o uemplo ela deporttJçaõ doi Mouro• d' .Eipanla: cu cireutN·
lancia• tlflle aematecimmto ncü pQdem ur da noa.ta ,;.
I
/.f,l4FifD ,,
•••

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).

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pocrita, elltl daria credito ao nosso paiz. Será pavor ou convicção da
d'escravos? Nece&lidade, ja mostramos que a não havia.:

, ao menos, se ascircUDstancias nos fasem suppôr a sua conser-
vação por allgum tempo, tratemos-d'esde ja de dar-mos remedia para
o futuro; se porem os possuidores d 'escravos e os me•mos que ao helio
tl escravidão, parecem n':ta
1
operaçio hlliWl multidão de perigos,
trate·ie de saber eiQ que consistem estes perig9s, e na maneira de pre·
venil-os.
Euminemoapois quaes são estes perigos, que eauzão geralmente hum
terror F .• ll• só pódem de duas naturezas, os que ditem res-
peito á segurança, e 08 que respeito a Ílf\ere.sses. Os dois •
paes que tem a temer 08 posauidoreJ d'escravos e em geral os
da raça branca, são: o .temor que a sua segurauça pessoal ;11'ão
.fique ameaçada, e que as 1uas propriedades e interesses não soffrão; se-
gundo, que os libertos reeUiem trabalhar, ou que só trabalhem, á ma·
Deira dos 'selvageDB,   fome a isto os obrigar::.
Este oltimo;perigo he certamente o. menos grave, mas he o que na-
turalmeate mais «Ja,vc temer-se, se attender-mos a que os effeitos da es-
, I
cravidã.Q não pódem cessar Se e mais effeito
da escravidão àe, .o aviltamento de toda a de trabalho; se ser
livre he ser ocioso. elaro fica que libertos julgaraõ da mesma
e proeuraráõ imitar a seus antigos senhorea. Mas considera-se que
hum inconveniente de semelhante natnresa não pode durar muito teiDpo;
ao contrario do mesmo mal nascerá o bem. Re6ieta-se que em geral o
homem a quem faz mover a esperança de recompensas, obra com mai'
iatelligeneia e energia do que aquelle a quem move o temor dos castigos;
que o iacentivo do trabalho he a jdeia de melhoramento de fortuna, a
esperança de gozos e; commodidades e nunca a privação perpetua de
todO& os bens da vida. Note-se mesmo, a respetto dos escravos, que o
melhor partido que d'elles se pode tirar he deixar-lhesfJ genero e o
tempo elos trabalhos a seu a.rbitrio, e exigir d 'elle1 h uma certa quantia
por cada dia em que O escravo estimulado pela espe·
l • .
rança de melhorar a sua sorte, trabalha com vontade não só para
a seu senhor, como si, tendo em victas a satisfaçio de ou
quazi sempre para obter a sua liberdade. Esfas são de e:x:pe·
rieneia e não neeessitão demonstração. O homem liJVre, pelo simple'
lacto da literdade; traz cemsigo llum outro principio, de actividade;
he o_ deseJO imperioso de ter ·huma familia e' a neeeesidade de fazel-a
subsistir.
Assim, ·oom longe de temer-se hum tal a ·libertação desenvol-
"erá buma actividade mais energica, que todos os castigos não podem

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obter. Este phenomeno não h e novo e tido sempre lugar tantp a
respeito dos negros, eomo dos brancos. As classes infimas da Inglaterra
soffrerão huma escravidão analoga a que existe actualmente na Russia;
hoje dez trabalhadores I nglezes fazem mais trabalh<? em tempos
que cincoenta eserav·os Russos ; tal Lord que poaue a mesma por-
ção de terras que hum nobre Russo, he dez vezes mais rico que este ul-
timo, ain.Ja que o primeiro nao possua hum só escravo, entretanto que o
segundo possue milhares.
". Hum dos preJuisos mais inveterados PC?SSuidores d'homens, tliz
C. Com te, he considerar. os indivíduos possuidos oomo maquinas malefi •
centes, que só mover-se por huma intelligeneia extranba, e que,
para não serem nocivas· a seus proprietarios, devem estar eneadeadu e
conduzida,. ao som dos açoutes. Hum senhor a quem se falia na libertaC(ãO
das escravos, soifre hum sentimento   á aquelle que soffreria buma
numerosa população se lhe propozessem soltar no meio d'ella huma mul-
de auimaes (erozcs. Tendo sempre regulado todos os seus movimen-
tos e pu11ido as suas faltas eonforine seus eaprixos, imagina -que tudo vai cahir
. '
JJa desordem e confusão, se lhe arrancarem o seu açoute. He e1fe o erro de
todos os governos arbi trarios; este erro vem de que se Ugão á palavra Ziber-
' tação ou liberdade, idéas que não sómente não admitte, mas que exc)ve. O
que he libertar hum eseravo? H e simplesmente subtrahil-o ás violencias e
,aos capri.xos de hum ou muitos individuos., para submetei-o á acção regular
da authoridade publica; he, eni outros termos, impedir hum individue que_
se chama slnhor, d'entregar-se impunemente para com outros, a quem cha ..
mão eacra"os, ás ettorsões, violencias e crueldades. Libertur homens, não
he abrir n porta á revolta e á desordem, ao coutrll-io he reprimil-as;
porque a desordem e a confusão existe em todo o lugar a violeucia,
a crueldade e o deboxe não tem freios. A horrível das deàordens
reina cm toda a parte a porçâo a mais numerosa da poJK!lação está
submetida sem deffesa a alguns iodi que podem entregar-ae sem
reserva a todO. os vicios e a todos os crimes, isto he, em toda a parte em
a escravidão existe. A ordem reiaa pelo eontrario t;m toda a parte
-onde ninguem póde impunemente entregar-se ás injurias e ás violenci88,
onde nioguem póde faltar aos seus deveres sem expôr-se ás puaições,
ende cada hum póde preeucher 011 seus .deveres sem so.1frer h uma pena:
a liberdade he a ordem. ,
Deve eom effe-ito re1lectir-se, que pelo facto d'eaeapar • arbitrio,
o liberto não adquire a independencia dos selvajens: elle St\ acha en.
,.
tio debaixo da das )eis e dos Magistrados. Se comet-
1er hum· delicto, será punido infallivelm.ente; a diiferença he, n'ea·
te caso, que a pena 1erá porporcionada á _ culp't, applicada sem. par·
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eialidade e 1cm espirito de terá por Am o reaultado a repré•·
..:Ao do mal oommettido, porem não ,.aatisfação do odio ou da anthipatia:
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ee se entrepr a b&&m vicio, elle eb ao.trrerá a pena. aem prejllizo d'ou-
t'rem ; a oeioaidacle e .a iateaperança seráÕ castigadas pela miseria, a)
•im. como o traballlo e a ecoaomia devem ser pela abun-
dancia e. a eoaaideração. Em todo o a&a, 81 perigos que devem temer
os possaidorea d'e10ravos slio IDiis -emineutei coatinuando a  
do que se clla for regularmeute abolida• No primeii'O caso a extenni·
e a da claaee domiaaate ( ae esta eatbutrophe tiver lu-
- '
gar) bade ter feita· com toda a barbaridade do1 aelvageDB. com a ener-
gia da ; ao aegaodo ouo, o temor ,e a pre"Visão do íuluro
poderá Jazer acbar reoaedio1 que previ aio parte doa males; e em todo
o caso, eathutroplae não póde aer tão temível, pois qtae então o bene •.
fieio ehamará agntidio, e a da acrayidâo á liberdacle aio será
· tio rapida; salto faaelt.o ea que u -reacqõee são sempre terriveis. O que
tiver lugar a respeito .dai eolooi• IogleQtJ, cilja eteravatua aoaba de
eer emaoeipada, nos illutnrá a tal re.p.eito: mas já ha exelllplos qae
nos podem serYir deoorma. N.o eipa90 de quarenta aonos, 't'irio-ae sei•
"'Xemplos de bum graude 11'1llll8r0 ele e&CiaV08 libertados em ma.a, MID
que d 'isto resultassem graYes tllCOD'Venientes.
Suppondo que todos eoocordlo ·na tteeeasidade da abolição da eseravip
dão eoayea indagar o cotao clla deve ser feita; 01 remedioa que devem •
applicar-.e para tornai-a util, sem que perigue a segurança dat'açá brahca
e sem a rui'na do paiz ; finalme••te a oÍaaeira de supprir a aotual popula- ·
ção eseran, de sm-te qqe formemos pelo decttno 4lo teJDpo, humq.
Nação homogenea.-
Q.wmto á abolição, deve eU a ser gradual e lenta r TodOI eoneot"da·
riõ n'este principio; a eoatrovenia será sOmente sobre a JDâaeira de a
levar a eff'eito.
Con'Yirá que lque no paiz huma tiio -popala'lo de libertos, de
nça a'hsalotamente diYe'rsa da que a dominou l Nio haverá grandes pe-
a ·temer para o futuro, se • anti,.- trranias recordadas, se
os libertos preferirem a geate da ma raça a qualquer Gatra, OoiDO he na ..
-- tural? Poderá prosperar e mesmo e;dlftir hnma Nação, composta de ra.
.çaa estranhas e que de nenhuma aorte podem tel' ligação? Eis h uma se-
ric de questões que conv el'Jl discutir.
# Nio &epeRSe que, propondo a da elel"a:vidão, o meu votos(!'j•
de eonsel"f'ar no paiz a raça libertada : nem isto eObviria de aorte algunua
6. raça dominante, nem tio pouco á raça dominada. Os primeil'OI terião
a soffrer as reações, e os segundos terião sempre a snpportar os Feiulta ..
.dot de antigos prejuisos, que nunca cessarifo a seu  
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. Que il a'bo1içlo deve ser lenta, he eYidente ; se o eontrário se
6 paiZ se arruinaria; sem que os.proprios libertados ganbasaem muito. Paru
emancipa!' os escrayos sem seu prejqpo e da 'Socieclade, cumpre fazei-à
primeiramente dignos da liberdade, converteado .. os · gnda&Wlente J
aimples maquinas em homens aétivos, illustradOii qaanto poasa   e la•
bo.rio101. Mas, por muito leata qae seja a mareba qoe se inteate eeguit
n'esta grande 6peraçio, ha hum pauo ee deve sal ..
'
ta r de· huma s0 vez; porque não póde haver hum ponto iJrtelomeüario
# •
entre af'e.rdade e a mentira. lie Jiedetlario reCOIIbecer lra118am.eatef
que llum escraYo he· ham homem feito como • outros
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e nio hom m<Wel
1
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huma maquiu fngil; que póde .er á Yootade.
Para reeonllecer-Se este principio • m.r .. Jhe applicaçio, Juua acto Le.. • •
gislativo he bastante; mas este acto immortal deve· ao_ meemo tempo pre·
caver os futuros adoateeimentos. e· garantir doa mémp da
:Na<-ão. Porem hum outro acto Legislativo deTe preceder a este, isto
he, a maDeira-de supprir os braçoe dos.· homens qae devem ser Vao&P,)r"'
'
tados p,ara o seu paiz origiuario.
Mas deixando istG por ora de parte, sobre que bases de'te
&er construido esee ediflcid da emancipação, por •o do
qual se aaptisfaria ao mesmo ·tempo a humanidade, oa DOIIOs inte1'8118eÇ
nossa futura gloria e .grandeaa.
A contar de hum certo periodo de tenipo, matado pelo• L'gisladoree, .
tpdo o individuo de rac{a escrava que nuoeae, seria \repu.tado liYte
quatmo tiver chegado t idade de ou 30 ann08 para 0t do 8eSO mMCU•
lino, e dos 20 aos 25 annos para os do sexo femiDino. •
O mesmo acto authorisaria o exeootiro a estabeleeet
Já em qualquer lugar da Atrioa, huma colonia á iofttaçio das que poe·
suem os Americanos do Norte, decretando fundos •utlicieDtes para a oom•
pra do local, transporte dG8 élel"avoslibertados, compra d01 histrwneDtos
e utensis neôe81vios, e 188 sa"'ilteDCia no primeiro aon.o ..
Decretaria igualmente tendas para a formação de luama eai.u ele pie-
·dade, para que fossem d'eede já libertando se muitos dos eecravoe ao-
tuaes, os a aeua dOBas, pteferindo-1e DO prinCipio 01 ftCra-
vos de o.fticio, · e em todo o eaao oa das Cidades aos doa campos, cM mo•
ços aos velhos com igualdade uníeri.- entre oa .eaoa.
• •
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• .A. Legia14tura do F.&Gdo do Vmntmt, ta0a E•IIMlo•· Uf&idol da.
.dMertca, tnarcou 20 ai\._ para .o1 do 181» • IS
para oa do sea;o feminino. Quaai tocloa 01 Eltadoa âo Norte tibolirão a
e•crcmidão daa naeB11UII b41e1
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e tem já duu C91onil&a na
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Compete uo gol'erno a melhor escolha do loeal da ou Colon ia.;
a iadansão dos generos que alli podem ser cultivados; a admnistração
e eteolha dos directores eoloniaes; finalmente o trausporte o mais breve
e o mail'commodo dos negroaJ que se fôrem libertando. ' _ '
Para que 01 futuros habitantes d'estas colonias possão adquirir huma
certa instrucção civil e   01 torne cidadãos uteis e morice·
rados, 01 poderes nacionaes devem decretar o estabelecimento de' esco.
laa domioicaes nas povoações de a espeeie, a cargo dos Paroehos,
obrigando 01 grandes fasendeiros a terem hum iiJ.dividuo encarregado
de dar este ensino aos seus .escravos menores; e o governo executivo
procurará achar entre 01 individuas de raça negra, alguns mais aptos para
.. Sacerdotes e outros a quem se lll8Dde estud* as Leis; porque estas Co-
loniu devem compor-se o mais p011ivel de individuos da mesma raça;.
Nãt dbvidamos que muitas e muitas se não formem no
Brasil, para coadjuvarem os Nacionaes n'esta obra. Se con-
siderar-mos o bom espírito que eomeCi& a detaenvolver-ee entre nós a
respeito de tudo quanto he em beneficio do noao paiz, duvidar tal
eeria pelo menos deaconhece!" o patriotismo nosaos concidadãos. Ex·
cusamos lembrar o exemplo de nossos coterranêos: basta dizer. para
incentivo de nós outros, que h uma só Sociedade no Mary land·: acaba
d'estabelecer lluma Colonia na Africa, e que pelo menos hum tsrço da
sua população escrava ja tem sido exportada. He portanto naatural que
as DOISU Provinciu porfi.em. com a maior emulação; para expelirem do
I I
seu seio esta praga, causa unica seu atrazo. Tanto mais devemos
confiar no estabelecimento d'estas Colo_"ills, pois que já o nosso governo
enunciou eeta mesma ideia, e não duvidamos que o Legislativo a
tome na devida consideração sendo effJ.CaZmente coadjuvado pelas Assem-
bléas Provinciaes. •
Além dos benefieioa que devem resultar de nos livrar-mos ele huma tal
praga; quem -não vê u'estes esfabelecimeotos bum acto de gra1:1desa e
gloria para o nosso paiz, e huma &rikem de eommereio vantajoso ! Grao-
desa e gloria, porque aaim poremos de par com a Gram-Bretanha e
. '
Ame,ica do Norte, na grande obrà ciy-'lisação da Afriea; de commercio
vantajoso, porque os generos produzidos n'estas Colonias ser'!irão de
objçcto de troca para os que produz o nosso paiz, e portanto de hum
'
commercio que deve tomar h uma grande latitude oom a Africa
a quem estas Colonias serviráÕ de entreposto.
A formar·se homa caiu de piedade 1,elo governo, e sem numero
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•.. Lf.a·•c o Relat.orio do Sr. llliniatro d.o Impcrio, e Estrangeiros
na .Seaaão do corrente anno (1834).

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ie eutra1 pelos particalare1, ealcule·!le quanto! podem 1er exper·
tadoe ..-mualmente, e de quantos males não fiC3remo& bÓ1i livres em po•·
eos ·annos, pelo me·nos nas grandes Cidades. A' proporção os ee-
eravos forem sahindo do paiz, huma igual população livre se irá estabe.
lecendo in&ens.ivelmente. A gen'te livre do paiz tendo mais meio.
d'empa·egar-se e contando com huma subsistencia menos prccaria,
contrahirá. matrimonios e se propagará; os estrangeiros que não acharem
·meios de viverem nos •eus.1laize1, virão e-tabelceer-se no nosso, porque
então ja-nâo terão a temer a coneoTrencia dos possuidores d'escravos De
..
• exercicio das artes e Officios, ou finalmente abraçaráõ o serviço domu-
tico, porque não acharilõ as casas elltupidas d'escravos.
Deve rcftectir·se que immediatameote podem ser exportados hua
grande numero d'e&c\"avos, logo no aono: nos eser'ios de
propriedade nacional. O primeiro deve vir da authoridade
public1; e.•e,ella quiser que as couzas marchem realmente bem, deve
1aão possuir hum só escravo, e começar a fuudar o grande systema de
emancipação, libertando os 1eus e transportando-os para as novas Colo-
nias. He facil conhecer que esta simples operação livraria .o Brasil de
mais de dous ou tres mil de huma só vez.
O espirito da Religião he contratio á escravidão, e portanto os sewa
ministr'bs devem ser sempre os primeiros a darem o exemplo da carida-
de   consequente meu te a authoridade temporal uão poster-
garia direitos, se privasse de huma propriedade cor:atraria á Lei de
1
Deos que todos 1ervimos, mas a queJD elles devem particularmente
c.lecer. São haveria por consequeneia neeesAidaJe de saucção Legis-
lativa, para que o governo exportasse para a Africa os escravos dos
Ecclesiasticos e lhes prohibisse comprarem outros: sola
pena de os perderem de novo.
Mas para proceder-se com methodo, e se não prive o Brasil d'etaes
taea ou quaes braços, que na verdade pouco produzem, porem que a nio
aerem suppridos por cauzarião hum grande desfalque na popula-
ção e hum grande abalo de momento, he necessario no entretanto fazer
afluir a população escrava para os Jogare& em que he indispensaveT, ti-
rando-a das Cidades e povoações consideraveis, onde só serve para cor-
rupção, desordem, luxo e vícios.
Muitos meios se appresentão para o bom e'ito de h uma tal operaçãG.
Bom d'elles ja apontei, que he a preferencia deve dar-ao para •
Cidadea, na compra dos escravos destinados a serem exportados. HWil
ODtro bebem óbvio, e COJWSte Da preferencia qae deve dar O gGYerae
á 1eate liYre em todoe os trabalhos que emprehtDder, •im como a01
er4iaariQI. PrGJUba ·H ahlolu1amcmte a admi•ie de 81Cl&V• a01 Ar-

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98
senaes, obras publicas , e uas que emprchendetem Companhias autho ..
rizadas pelo governo. Jle evidente que admittindo-se sómente gea1te
·Jivre, se produziráõ dous bens; animar-se-ha a população livre a que
apprenda officios e adquira amor ao trabalho e á economia, tornando-se
assim morigerada·e mais util; ao mesmo tempo que se desanimara
os possuidores d'escAvos, na compra de propriedade que achará
pnueos meios de dar-lhe interesses.
Hum outro meio, ainda que   talvez produza melhor eft"eito;
o dos impc;>stos. Este meio ja foi incetado, porem parece que a medo
por ser mui mesquinho.. Quándo se faz Lei, o Legislador procu-
ra precaver hum mal, e para ist.o impõe huma Esta pena he
huma advertencia para que se cometa a falta ou crime que a I. .. ei
yarohltio; ora, se hum individuo a transgride voluntariamente, he sig-
nal que não teme a pena, e tanto maior he a razão para que a sotfra. He
:deeessario porem destinguir huma Lei repressiva de ubuzos, de huma
outra que só tem por fim e·stabelccer hum imposto, que pode ser jul-
gado Oneroso. A respeit? da primeira especic, não pode haver duvida
sobre a sua utilidade; quanto á segunda, se ella reeahir sobre cousas que
possão transtornar as fortunas dos particulares ou ser-lhes pesada, de
certo huma tal Lei não pode ser boa, considerada em geral. Não está
.....
· porem n'este cazo huma Lei que estabeleça hum imposto sobre huma
• eouza possu.ida por mau titulo, e da qual se originão maiores males que os
sabidos da boceta de A confeição de huma tal Lei não deve

cauzar maiores esc1·upulos aos Legisladores, do que não cau7..arão aos
que tem feito outras Leis, por exemplo a que estabeleceu· o imposto. de
vinte por cento sobre a agoardente de consumo, ou aquellas que pro-
hibem os venenos empregados com cffieaeia na Medecina, mas que l>o-
dem tornar-se instrumentos de morte nas mãos dos malvados. De mais
note-se que se o imposto fôr forte, e com tudo os escravos abundarem nas
Cidades, he porque ·os proprietarics o podem pagar, e ninguem verá
n'isto senão hum meio de augmentar as rendas
1
Nacionaes. Todos
que os impostos internos recahir sobre as conzas de luxo:
poderá haver maior luxo, que o de tanta escravatura inutilnas Cidades.
e que absorve sem producto as rendas de seus proprietarios? O imposto
actual pode por consequencia sobre todos os escravos sem ex-
cepção nas grandes povoações: que os proprietarios ou eazados,
paguem todos a mesma quantia, das escravas tanto como dos escravos
dos velhos tanto como das crianças. •
• Elte impo!to   a dous m.il t·éis par cabes:a, âe 2.800 a
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Seria este bum grande meio d.e h ir removeadQ..os escravos das Cidade•
para os .campoa, gravando os d'iini>OStos n'aquellas, e
izentando 08 destes. .1\las ainda ha outros indirectos de pro-
mover esta:util emig•açâo, pois senio quer se de hum meio directo
• efficaz, qual o de l'rohibir a venda ou troca doa escravos empregados
na Lavoura, para a& Cidades. O escrupwo que n'isto póde haver, lle
julgar-se que assim se Tai coartar o direito de cada hum na livre dispo-
sição da sua propriedade; porem note-se que bwna tal prohibi.çio he
certamente menos odiosa· q11e haw. forte e desigual imposto, e que huma
franca deliberaç.ão he mais estimavel que medidas rebaçadas.
Seja porem como u1elhol" medida Indirecta que talvez pOISa lem-
Jnar, he a de augmentar o imposto 1.la como doil!f, por exemplo, a
respeito dos escravos que se vellderem nas Cidades, ou   a Ci-
dade, e eomo quatro nos que se vcuderem do Campo para as Cidades, il-
liminando-se este ou qualquer outro imt>osto a respeito dos escravos du
' Cidades para os trabalhos da agricultura. ·s.e as
cautelas contra as frandes t, he natural que estes impostos desanimassem
aos vendedores dos escravos empregados nas Lavouras para as Cidades.
c ao contrario animem as vendas da escravatura inutil e de luxo n'estas;
e tanto mais pois que os escravos dos campos devem ·ficar livres, como já
dissem_os, de capitação ou de qualquer. outro imposto •
A grande difficuldade não he pois achar' meios indirectos de remover
o maior d'eseravos das para os campos; he melhorar a
sua sorte. Hum tal beneficio absolutamente da vontade dos
proprietarios; mas como persuadir-lhes que não maltratem os homens
que a Ptofidencia lhes submeteu, que os nutrão melhor, que os vistão,
3.000 contos annuaes, em todo o   e ja seri.G huma lloa dotação
para a caixa de piedade: libertar.j,a no me11no periodo de 3.000 a 4.000
  suppondo que hum custaaae quatro centos mil rei&.
• .A s1gunda condição .. do programma que forma o .presenu Capitu·
lo, não admitte meios directos.
t O itnposto da mtia ciaa, só produz metade ou ttitvez o terço do que
deveria ir se outro fosse o methodo da cobranfa. Thdos sabem
que o comprador se entende com o vmdtdor, para que ultimo •
r8cibo da metade ou do terço da qúantia qut rtalfMftte t·eeebeo; e o•
cobradores d'eate imppsto, que o r1cebem á "iata do retibo, dvraudão,
sem lal quererem, a fasenda d'enormts quantias: o que nio aconteceria
•e os e•cra11os fossem premamtnte aval·iado• pera••• o Administrador daa
diversas rendas, com appelação a hvw. juizo d'fJJ'bitTo•, escolhidtJ8 pela
paru e ofasenda publica. ;MelhoJ· aeria eatabelecer .&um VafiOIIo geral,
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que teahio em buma palaYra eoiÍl elle1 a earidade e a mitericordia •a•
a religião e a humanidade Quem tal iutentuae penuadir-
lha perderia o tempo: habltoa adquiridos d'e1de a inlancia d'arbi-
trio, tyrania e Tiolencia, nunca se perdem; a eloquencia, a   a
naão aeriio frae:u armu eoutra prf'jai801 bebidoa com o leite. He re·
era geral, que o nlo le abstêm de fazer o mal le o seu caracter
moral o niu retêm : multat, castigos, rerulamentos, tudo he debalde se
lluma authoridade coerei.tiYa não obrigar pela força a que te abttenbão
de commetter maleftcios; e meamo esta força será fraca, se o intere••
for maior que o
.01 goYernos das metrópoles promalgario muitas leis em beneficio doa
..crayoe; entretanto todos oblervão a inefticaeia ou antes a nullidade d'ea-
ta regulamento•. N 'aquellas em que 01 deis.arão ao arbitrio doa pro-
prietariOI, os maristradol qne fizerão taes replamentol, Corão os pri.
meiros a violal-01. Nem isto deTe eapantar se se attender a que· os
mesmoa Legisladores do ou julgão atar interessados na manutenção dos
aba101. Nu Coloniu que existem sob o dominio du· metrópole•,
oa govern01"tt'eatu podem fazer Leia es:cellentes e que parecem previ-
•ir pelo menÕs hama ?Arte da acção arbitraria dos senhores 1obre 01 a-
cravos ; mu 01 encarregados da execução d'esau Leia aendo 01 mel-
moa iotere•adoa a infringi l-u, h e eY ideote que os seus eft'eitoa seráõ
sempre illuorioa. Suppondo mamo qae os agentes cnealregadoa da
lUa execução ettio alheios u inftuencias directas, he ueceuario com
todo que eUes não encontrem h uma força opposta, hum poder mais ener-
cieo e mm preserverante que o seu. Re fticta-se agora sobre o que deye
aeontecer noa paizes independeotet du metrópoles, e e11ja populaçlo
está dividida emseahorea e eecravos. Quem fará estas Leia? Quem será
eDCarregado da sua execuçlo? 011 senhores d'eseravos? E bUliS e ou-
tt'OI nlo meteráõ em linha de conta os seus prejuisos, e o que
1
julgão de
.eu intereaae e segurança? Sem duvida alguma.
Em quanto existir o principio de propriedaCle applieado aos eteravos,
ele que eada hum póde fazer do escrayo ou da COU8tJ tudo quanto lhe não
lor prohibido pelaa Leis, debalde se intentará pór alguns limites ao po ·
der absoluto :dos senhores. Póde fixar·1e, llOr exemplo, o numero de
açoute. qae deve 1oft'rer o escravo, seja partieulav.nente ou pelo
cle hama authoridade Policial; póde determinar-se a rac;'ão que deve ter
pan alimentar-se; 01 dias cm que deve trabalhar p&:ra seu dono oa ganhar
para 1i D«* periodo. mareadoa de repoute :   como he expreao, que
ao senhor lle permettido tndo o que a Lei não prohibe, o domillio dG
arbitraria ftea ainda aaim do vasto, que os limites mareadoa em lugar
· •• produlire.: aJ&Um bem, .talyez o el'eite eoatrario: te ao aealt.er
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101
íer probibido • ca1tigo debaixo de homA certa elle o applicará
debaixo d'o11tra; e tanto maior deve ser o desE-jo de maltratar, quanta
mais restricta for a prohibição. ' • ·
Dois meios lembrar para mitigar : o C!itabelecimento
. de authoridadhs policiaes para conhecerem e castigarem os leves delictos,
e de hum J us·y para julgar e applicar as peo as das Leis ás culpa•
iravee. .1\las evitará i,;to os castigos e os supplicios secretos l Saptis-
fará aos senhore1 esses castigos mitigados pelas Leis? Evitar-se-há
.que eHes os tragão uús, que lhe imponhão.trabalhos exeessivos -em qoe
bem Oi alimentem. que os encarcerem, e tantos outros mil meios de op-
pre•ão? Se os senhores cometterem taes crimeà. dir-se-há, as Leu o.
punirão; porq'ue os regulapaentos que estabelecem penas aos escnwos,
devem igualmente esta.beleeel·aa contra os máos senhores. Mas,
.Que forma se _deve no processo? quae. hãode ser as testemunhu
O. e&eravos! Pobre"d'elles ee tal ousarem! Os senhores? Qualaera
o ho:Bem que qudra hir denunciar ou se" ir de testemunha em proce.-
10, em que hum eecravo he parte, e hum senhor o réo ? Ousará o mes-
mo, eecra.vo ser parte a seu aeohor? O eacravo ouoca ee"irá. de parte
OD te&temuàa contra aeu aenho1·, salvo a adoptar-se a medida que toma-
rio 01 Legisladores Romano., de libertarem d 'antemão os eacravos no.
erimes capitaes dos senhores; fundando-se 110 principio que he hoje dou-
ct.rina eorrente dosjuris-eonaultos, de que a violaçlo de lmm pacto ou Lei,
deve ter por o rerdimento de bom direito. • Nos casos pois de mu-
tilaçio, morte ou violencia, o senhor deveria couequentemente perder
o seu direito de p.-opriedade sobre o escravo. 1\tlas ousarão os o01101
Legialadores adaptarem esta maxima de JuSÜt;a universal? Sugeitar-se·
blo os proprjetarios á. aua pratica? A idéa sómeate de admittir os ea·
cravos a testemunharem eontra 1eus senhores, excitaria entre elles o fu·
ror e o &USto. Tal idéa poderia mesmo tornar·• perigoea para quem
ae atrevesse .a enunciai· a. Mas na reallidade se 'bem reftexioDUiem


não deverilo aaautar·le, porque ae ella foase poeta em pratica se-
ria tio inefficaz CGIDO as outras. Os escravos tendo o espirito extre- 1
mamente limitado; aio naturalmente imprevidente&, he portanto prova-
,el que se fossem chamados ajniso, fiseaem conhecer a verdade; mas
iato só aeonteceria se 01 senhores não podessem intimidai-os ou corro111·
pel-os com promesas. Logo que voltauem ás casas de sys senhore1,

. • ll dtlitto, la   di un pacto, e la pene e k& pertiittG di un
lriUo.
Filangieri, scienza DelltJ Ltgiala%ione.
Tomo 4.
0
Ed •. de 1796 ..
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J02
reeompcnsn! dadas ús falsas   e os castigos applicados áa
•   lhes ensinaria em breve que, para hum eseravo
não ha heni nem mnl, senão o que agrada ou desagrada =t seu senhor;
que o erime he dizer a verdade, e qtae o dever he meDtir.
Bem se vê que semelhaDte processo seria huma verdadeira burla, e
talvez redundasse em hum novo sut,plicio para o misero escravo já dilas-
eer:_ado, mutilado ou morto á fome. Não httverft. portanto meio alrum
de rept·imir legalmente as violencias comettidas pelos senhores, pois que
não podem llaver meios de os convencer judicialmente. Não .póde
nem se deve contar com o testemunho dos homens de raça branca ; em
primeiro Iu;ar porque as execuções só se fazem na presença de alguns
escravos, em segundo Jugnr, porque os proprietari:M fazem de tal sorte
eau.'a commum entro si, contra a raça escrava, que nunca sé IJOderá es.
perar que eoncorrão a convencer-se mutuamente. Esta impossibilidade
·nasce do prinoipio da escravidão. Quando hum governo e9tabelece on
sat1eeiona, a escravidão, por este simples facto declara, que os desejos e
as dos senhores seráõ as unicas Leis dos ,escravos, e por eonse•
quencia que o dever d'ettes he conformarem-se a estes desejos ou a es-
tat forças. Se ao depo.iB o mesmo governo quer impôr novos deverr
1
aos cseravos, submetendo-os a novas leis, be neeessario qué os ponha a
abrigo de todo o poder estranho e arrede d"elles tudo o que os possa im-
possibilitar de preencherem os novos dever.,, que ·se lhee
Potem como conseguir-se taes effeitos, se as causas ficão subsistindo?
Qaem quizer propôr meios de melhorar a condição dos escravos, deiJOis
de loogaCJ meditações se tão embaraçado como no principio e por
fim conhecerá a ·incffieacia de as medidas qoe tiver ooncebido
Que medidas julgará rreventivas em· sua cousciencia, e sem que n'isto
entre h uma grande dose de chat·latanismo ? A ppelo para todos os que
reflectirem hum momento sobre o objecto.
Ba só. dois meios de evitar malvadesas, a persuas'lo ou hum regulamen-
to severo. A persaasão h e certamente h uma arma cfficaz, quando he bem
manejada; mas considere-se que os seus eft'eitos só tem lugar uos primeiros
momentos, passados poucos instantes as rasõcs esquecem, mas os t•rejuisos
c os habitóS ficâo sempre. Se a persuasão fosse effi.caz em todos os ms-
tantes da vida, o mundo seria hum novo E<len. Quanto senão tem es-
eripto e dito de mais forte em fa..-or da pratica das virtudes, e quuota1
eâo as virtudes, c quantos são os virtuosos;> Quando o interesse e os ha-
bitos reuna-se a Logiea de todos os Oradores e Philosophbs anti-
gos e modernos, os mais fortes raciocínios não faráõ mais effeito, que
hum grão de areia no oceano. Nno produzindo effeito a persna·
aão, então só hum rf1Jta)amento severo póde apartar da sociedade
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103
males que se tement. Porem t>ura huma tal Lei prod·usa.o tleaejaclo
efteito, he neeessario, como já dissemos, que os agontes empregados na
&ua execução possâo livremente desempenhar u disposições n,ella con-
tidas, e não acbem huma força superior á sua, ao poder das Leis e dos
Legisladores. Já vimos que em hum paiz d'escrav9s e senhores, todos
os regulamentos tenderem a deminuir a acçio arbitraria d'( .. I!Jtes ul-
timos, he por clles considerado eomo hum attentado contra os seus di-
.. I
reitos, e que todos os meios   para tornarem nulloe os effeitos
dos regulamentos coercitivos; jq. tambcm, que a punição du eul·
pas dependeode d.e hum processo em regra, nunca podetta exisLir t>rovus ;
porque os juizes e a& testemunhal! são todos inter-lssados à que hum réo
tia sua raça não seja punido por faltas que todos cometteâl. Se entre nós
houvesse huma elasa.e intermediaria algum tanto iUustrada, que não pos-
suísse escravos mas que não, fosse miseravel e dependente, faeil seria en-
tâQ formar hum Jury que punisse as violencias e crimes dos senhores,
faeil seria acltar   e mesmo accusadores : porem huma tal
classe não existe; porque dos individuas que a ella pertencem momen-
taneamente, huns em breve alcanc;.ão meios de entrarem na elos proprie ·
tarios, e outros vegetâo toda a vida na mais prof11nda miscria e es- ·
' tupidez.
..
_-\.' v1ata d'isto eoufeBSO ingenuamente não sei   sejâo os meios
melhorár a sorte d'esta infeliz raça; porqae a -tontade do senhor he
para o escravo mais continua, mais exteusa c mais forte. que toda a boa
vontade ou os bops desejos da authoridade publica; porque fillalmente a
vontade do senhor he para o escravo huma Lei tâQ poderosa, que e li&
basta   para)ysu- todas as outras, as da Religião, as dn JpOrMl e as do
governo.
Se porem a authoridadc publica tomasse hum partido decisivo 11ara
conseguir o melhoramento da eondiç.ão dos escravos, obrigando-os e a
seus senhores ao exacto cumprimento dos e obrigações, que a
todos impõe a .Religiio e as Leis que promulgassem,. isto seria hum gran-
de passo }Jara a abolição da escravidão. Se com effeito, tendo-se em
v.iatas o que a ordena, os individuas d'esta     fossem tratados
oom caridade e miserioordia pelos individuas da raça dominante, e esta
soube11e   os laços de parenteseo; se cm virtude de rt"gulamen·
toa á risca cumpridos, os escravos fossem bem nutridos, vestidos e eurados;
se se recompensassem eom hum salario qualquer os seus trabtlbos e em
porporçio da Rua aeti,.idade, intelligencia ou dexteridade; se finalmente·
08 eteravOI fossem punidoa por huma anthoridade qne os julgasse impar-
cialmente· e com a Lei na mão, e a seus senhores igualmente quando co-
mettessem violencias, crueldades ou lhes faltassrrn com o n cccssario m·-

III


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·to4
ltitrado })elos regulamentos; se tuf:lo isto podesse ter lugar, entãe, di1•,
_a escravidão estaria de facto abolida: d'eate passo á de direito, e
aaho seria quasi imperceptivel.
Mas d'estes beneficias deve perfler-se até f?Sperança, em quanto exit·
tirem os princípios em tJUe se basca o systbema da escravidão. Seria
mesmo talvez mais prudeute conservar as cousas no estado actual, dei-
xando que sigão o seu curso natural, e reflectindo-se que de necessidade
a cessaÇão absoluta do commercio d'escravos he natural produsa bons
etreitos em seu beneficio; pois que .entio não podendo os proprietariOI
smbstituirem novos infelizes ás victimas da sua avaresa e ctue]dade. de-
ligenciaráõ melhor tratarem os individuos que O:t alimentão e cuja perda
seria irrcparavel. governo que intentasse fazer huma alteração d'esta
naturesa no estado actual das cousas, .talvez causasse huma revoluçio,
.tanto mais funesta em hum que, como o nosso, já não contêm pou-
cos elementos de dilaseeraç.ão e de ruina: bem longe de me-
recer-lhe hum tal acto a expressão banal de benÇÕfB da po•teridad•;
chamaria contra si a sanha, o rancor e a vingança. Marchem pois os ho-
mens illustrados com sim, porern com pmdeneia: elle•
conhecem o estado da opinião, e certamente não quereraõ arriscar a eua
Patria a huma completa ruina, pondo em pratica princípios bons na ver-
dade, divinos mesmo, mas q\le só podem ter applicaçâo lentamente e
eom a maior circunspecção. Não digamos com esse energurneno Frau-
cez: pereC(âO nossas Colooias, mas salvem-se os prineipios.
A' philantropiea idéa do melhoramento da sorte dos escravos, e conse-
quentemente a da sua emancipação gradual, deve pois referir·se ao
futuro par,a que se evitem os perigos reaes, que podem e mesmo devem
sobrevir. Penso que' as medidas por mim enunciadas, ou outras que "
adoptem em seu lugar, serão hnm grande pas&o para esta obra im-
mortal. •
• •
• Vidt', mtr• outr01 projeeto.s, · o que vma addido á reprtset&ftltJão fÜ·
rigida á ..dasembléa Gfral pelo Dt;. J. B. d'
tmpresso en& Pariz, em 1825. . •
& houvesae /&uma "f"'tath firme deformar htM Jury ou cnburatd im·
parcial, eapecialmt-nu eneárreg4d.o lU julgar t punir as malvade•a• d01
aen.horeB, e protegw OB escravos contra as sua• violeru:it.ul, huma .IAâ
prohibiritJ que oa individuas ndmittido• á Mo.gútratura posauil•tm ••·
. çratJOI por pretnto algum : seria eata /&uma ctmdicção pt&rtf
.occupar o emprego de Magistrado. ·Este• MagUtrodoa reunidt» GOa
• • que 1JOf' I..ei d"'ião não -poaltlir. o ''" umtllaaa16
• titulo   hum Jurv, do Mari•lrafio .w

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101)
Cuide o &<>vernQ em formar I colonias na• A&iea oom t1s escravos que
f<lr libertando; e coadjuvem-no oa particulares patrio.tas c illustrad()l,
formando sociedades de libertação, que vlo pGQCO a pouco desemtupia-
do IS Cidades d'esse m.olltio de entes aizeraV"eu, que só servem para
tomai-as em aggregados de sanzalas, em taperas A idéa de
IAlrcar hum prazo para a abolição total da e&el'llvidâo, referindo-se; a
huma epoeha apartada e que provavelmeate aó alcançará." a segunda ge-
ração da raça dominante não trará oomsigo os perigos de h.uma revol-
ta fatal ao paiz e a todas as raças: bnma cujos resultados só po-
• dem aleaaçaros o,etos dÕs proprietarioa, não irritará o seb egoia·
mo: CQm ta11to qae pouão n:ereital" em toda a sua plenitude o poder ar-
• a que estio acostumados d'esde a iufancia, pouco lhes importará.
que 011 filhos de seu fi. lhos soft'rão fAl gozem. ,
Mas em quanto esta nova Era nio chega, cuidemos d'esde ja uo
1
meiolt·.(le supprir•mes 08 devem lifE exportados e ,OS que a
morte deeima todos os dias, substituindo-os por braços livres da mesma
raça _que nós outros. Ningaem. que al&uns Estados da Europa
oootem popqlaçio muit9 além da que o territorio pode nutrir' e .
que entregue á maior mizerja sb aspira a emigra/. pua hum a nova Da-
tria, aonde ache meios de melhorar a sua sorte. AIJramos os braços a
esta populaçf\0 rr-,queêmo-lhes as nossas incultas,
demo-lhes hW:na nova Patria   as vantajens de qoe go-
zão noasos proprios eompatriotiS; formemos Colonias de r:ente laborioza
t1 u1:il, e, em breve periodo, nós veremos entre nós esse phenomeno que
todas as eoqtemplio eom admiração e inveja, de hmn paiz que
quazi sahindo das faxas da infaneia, tem conseguido dobrar todos os vin-
te annos a sua população, e' que hoje compete em industria, civilização
e com as má.is poderozas Naç.Ões do globó!
Felizmente a respeito d'estas Colonizações estrangeiras nós só temos
a seguir. Chamemos, como os Ameril,anos do Norte, os in-
divíduos da mesma raça dos coBquistadores, mas que não teuhâo os S"eus
prejuízos; meios analogos aos que uzarã.o, para attrahir-
mos ao nosso paiz trabalhadores Europeos. O Brasil possue terra'!1 im- '
mensas que nunca rece9erão cultura, e que são susceptíveis de produ ..
zirem todas as substancias que a natureza faz crescer em diversas partes
• •
do globo, como a experiencia nos ID98tra todos os dias. Muitas de
nossas Provincias estio ainda, por assim dizer, desertas e incultas, entre·
Magüt:rados do lugar e dos EecleBiastieos domeciliados no mesmo
Hum tribunal ama sem duvida imparcial, porque estaria
livre de wdtJ a influeneia.
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Wlto que seus haWtantea alo aecnsad01 de falta de actiYidade e de des·
prezarem a indllltriL Ora, não ae pode duvidar da força do
e portanto que a Colon.isaçio de homens laboriosos de dar hum a
fortiasima impulsão á actiYit!ade doe actnaes habitantes livrea. N eees-
l&riamente aconteceria que, on esta popolaçio se tomaria activa e la-
boriosa, ou se   estacionaria em •eu creseimento. N·'esa
ultimo easo o se povoaria eftiO de indivíduos ori&inados d'eatu
Colonilações, que conservuião os l&abitos e os costume• de seus aacen-
dentes; porque a parte .industriosa da população he a que m11ltipliea com
mais rapidez, a que conserva mais tempo os costumes primitivos e a que
degenera mais tarde. E além de todas estas Yantajens, a emigraC('âO de
trabalhadores Éuropeoa teria immediatamente sobre a actual •
huma intlueneia inapreeiavel; isto be, a fuzão das raças e o cruza-
mento: Yantajens indicadas pela propria natureza, porque á muito tem-
'
po se que 81· raças milhorãd em breve periodo erozando-ae
humas com outras castas.
'· Duas são 81 maneiras com que podem formar·ae e1tu Colonias, ou
pelo ou por empresas particulares. • As de.pesas que o Estado
:.fiser com a formação d'estas bem longe de ser reputado ..
comGt dinheiro perdido, deye ao eontrarlo ser eonsidendo como hum
capital que necessariamente renderá hum granire juro para o futuro; .
porque, quer ellas prosperem reunidas, quer nio, os indivíduos importa-
dos devem infallivelmente concorrer para o augmento das producções, e
portanto directa ou indirectamente o Estado haverá d'elles por J:Qe4l
dos impostos, 81 quantias que dispendeu; e quando mesmo o capital de-
aembolçado possa por hypothese considerar-se como perdido, a eonsi-
• .A. 1tgunda condicfão do programmtJ, que formq, o objecto   •
4.o ClJpilufo, qua- que u a;pmtlão sórmnte oa meio• por os quaes se ·
podem maradtlf' w colonos fKW conta do1 particularEs ( Vidt a lntTo-
ducçiio). lltta corulicção dá a entender que ainda nó• temos em lem-
,
brança os máua rtltlltado• dai Coloniaa mandada vir gooemo
tranzaeto. Porem nole·ae quão irtfeliz não foi aquelle Governo tm
todtu a operafões f[1U incetou, rezultado do aeu ' incuria.
Mau isto nos não deve servir de exemplo pariJ abandonar· mo• huma
idéa que b intere1se "do pc&iz reclama inatantemlnte: tomem)ae medidaa
adequada•, e elku. terãe bcm1 re%ultadoa. convem notar que a
deaprito de huma peaaima algumas d'estas, colonitu
fWO'fH!t'ão lwje. Deue tambfm ob1ervar-se apPoio da minha opinião, o
gmio poueo em prehentltdor dol.noaloB particuku'eaJ e que ell.ea prefiri-
ráõ aerkpre 01 eaeravoa.



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107

del"ação do augmento ele população homogenêa, · compensa t11do.
Em nossa opinião, as bazes com que devern formar-se estas Coloniza•
por conta do Estado, podem ser· firmadas em eoildieções vantajosas
para os Colonos;· isto he, o goso da mais plena civil e religio-
7.a, e a segurança das propriedades garantida pelas nossas insütuiç,ões a
todos os Cidadãos. O governo deve dar a cada familia que vier esta·
belecer-ae no imperio, hum a porção de terras devolutas, ou
a propriedade comprando-as a seus possuidores actuaes; deve demais
·com hum subsidio, qué os livre da indigencia no primeiro
anno depois da sua chegada; e fornecer-lhes habitações e os instrumen-
tos necessarios de lavoura; exigindo eom tudo que elles trabalhem de
prefereQeia com os que se uzão· na Europa, ·o arado e a
Charrua, prohibindo-lhes expressamente comprem ou admittio escra-
vos nas suas plantações, ou que alienem· as terras qne lhes forão dadas. t
Para que o Estado se embolse das quantias que disperideo, logo que
estas Colon.ia9 forem tomando alguma estabeüdade, se estabelecerá hum
leve imposto sobre cada familia, que hirá crescendo lentamente e em
relJação ás possês de cada Chefe de familia e ao genero de trabalho que
·tiver adoptado. Isto será hum excellente ensaio da theoria dos impos-
to& territoriaes, que todos os Publieistas proelamio como o melhor e o
mais justo. Quanto ao regimen d'estas · Colonias,.permetir-se-lhe-ha se
govemeW! como entenderem, formando até á segunda
hnma est;>eeie de governofpatriarehal, sem qae o lhe es-
ftbeleça Directores, ou Protectores, ou antes, qu.; elle
mo fa<-a estas sem intermediarias. A experiencia nos deve ter con-
,
vencido de que taes cargos, bem Jonge de darem a protecção que se teve
em vistas, os indivíduos que os exel'CeJD olhão mais para os seus intereues.
e são quiSi sempre a caasa da rui na da eolonia e dispersão dos Colonos.
Caso que os Colonos profe•em huma religião difFerente da
nossa, ser-lhe-ha permittido o seu livre exercicio ·nas povoações que
furmarem ou nas suas sem que os individuo9 de hum culto
extranho os possão hir perturbar no exercicio de seus actos religiosos.
Finalmente deve deixar-se a seu arbitrio a plena diáposiçã.o do seu
I
tempo, o livre suas idéa1e vontades: obrem como entende-
. rem, govemem-se eomo melhor; mas trabalhem, produeio e
prosperem,, eis o que deTe deseJar-sé.
O detl'eito e o eseólho dos governos h e quererem seiupre governar  
to. Parece que o instante em que nlo goTeruão, mandão ou dispõe da
'Vontade dos outros, he ternpo perdido. Se os homens não s'ão simples
que só se meehp quando as moTem mios extranhaa, deixem-
faser o uzo que ju1glrem a proposito das auu Os go·
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Tel'llO!I só forão iwítituidoe eomo 11 molu que lem parar oe
os movimentos perniciosos dos :.nembros sociaes bons contra os otitrós,p
mas nunca os movimentos livrea e da maquina social, '
' Deve ter·se notado que 8Ó fallei em liberdade civil e religiosa, sem
indicar os direitos poliüeos que oa.Colooos pódem exercer em virtude
de cartas de naturalisaçio. Mas hum aemelhaote seria per·
nicioso para elles e para a sua Patria. !rao conhecendo u ci.reunstan-
dias do paiz nem os indiYidiiOI, ás facções ou partidos todas
as seduCC(Õea para comprarem os seus TGtos; d'isto resultaria que a fac-
c;io , que mais meios tivesee á sua d18posiçã.o, faria representar as suas
opiniões nas Asse-ubléas Legislativas e outroslogares d'Eleição popular,
e não maioria da opinao Nacional ou Provincial; o que se-
ria hum gravissimo mal. Relativamente aos Colonos, as quantias com
,que eompranem os seu yotos lhes faria perder o amor ao trabalho e
vicioa llemieioeos para elles e ooci vos á Sociedade; de mais
chamariã.o contra si o odio e a sanha das facC(Ões vencidas, e talvez a sua
ruina completa se alguma d'estu facc;Õ«;S cousegiüsse vencer por sua 't"ez :
devem portanto restriagir-se as suas prerogativat politicas, á. eleiçâo
de seus magistrados municipaes. ,
Coavem agora e:uminai' a qne parteiNla Baropa se devem hir buscar
estes Colonos por conta do Estado, e em que lugares deYem estabelecer·

se as Penso que de todos os paizes da Europa, os que na podem
fornecer maior nnmero de Colonos laboriosos e menos cheios de prejui-
zos, Ião a Suissa e hu.ma parte dos Estados da Allemanha, as Canarias '\
as. Ilhas dos Açores. Mas, as primeiras d'estas nos podem for-
necer os Colonos por conta do Estado, e as segwadas os colonos impor-
tados por ·espeçulações particulares. '
As rasões em que me :firmo para fazer esta destioeçio são óbvias; isto
Jae, são fundadas não na conformidade delingoagem, costu.mes e religião
\ dos primeiros para éomnoseo, e entidade d'estas mesmas cirouustan-
.oias, Felativamente aos segundos. Este_,utimos devem logo entrar em
immediato contracto com os particulares; os outros formaráÕ asaossia-
ÇÕes isoladas, onde podem eleetcer livreme,!lte a sua religião, e manter
seus habitas pavios; a que o homem não renuncia senão depois de longo
contacto com outros-de 001tumes dUferentdk. Estas rasões, que aqui vão
apenas indicadas, bastaráõ para convencer a todos os bons espiritos de
que ellas sio bem fundadas. Quanto áscolonisações por conta dos pal'"'-
ticulares, devemos inteiramente seguir o que se pratica nos Estados-
, .
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Unidos. Os agentes   nos djft"erentes lugares da Europa, fa-
zem annanciar convenientemente, que devem partir da
ADleriea com o destino de 'rirem buacar á portos· os individUOIJ
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ou íamilias, que quizerem emigrar. A qnem convem o parti4o, vem
dar o seu nome.; e logo que chegão os transportes se embarcão n'elles,
'
e partem com suas famillias pata a .America\. Logo que os Navios che·
gão. ao"'lugar;do seu destino, os eommaudantes fazem annunciar nos jor·
naes, que conduzem tantas pessoas, de tal i4ade, ses.o e profissão, ae
quaes entregaráô a quem lhes pague a passajem, as oomedorias e o mais
que dispenderâo. Os proprietarios de bens ruraes 0\1 fabris, ou artistas
' I
de todo o genero, que tem percisâo de gente que O! ajudem nos traba-
lhos que exercem, vão pagar o estipulado a e depois se appre-·
&então com elles perante o juiz privativo de taes traosações, e alli se
obrigiio, bom a dar-lhes hom JOrnal certo, dedusindo-se d'elle as des-
l'esas do transporte, ·que pagou, as da comida e vcstuario, e os outros a
servil-o por tantos annos bem e fielmente. As queixas de bons e outros
são julgadu por hum Jury, a. infracções do contracto por
meio de multas, na forma do mesmo contracto, e que reTertem a favor
do proprietario ou dos engajadoa conforme o lado de quem se acha a
justiça. ·
Os jornaes arbitrados, conforme a de cada bom e a espeeie
de seJviço a que se destinão, se devidem em duu partes desiguaes ; a
maior he para a amortisação das despesas feitas ou que deve fazer o ef·
peculador (porque alem das despesas do tra01porte, as da comida, ves ..
tuario e curativo são igualmente .fixadas no contracto), e a menor per-
tence ao individuo ou ao chefe da famillia emigrada. Esta p&l'te
, jornal, junta. a outras economias que pódem fazer por certos trabalhos
particulares, e ás quantias que adquirem pela venda dos productos que
obtem em 'bum dia que costuma dar-se· lhe livre para trabalharem por
sua conta, os põe em hum ce:rto numero d 'annps ao alcance do compra-
rem terras, oo adoptarem hnma profissão qualquer, huma vez que estes
emigrados tenhão alguma industria e hum verdadeiro amor ao trabalho.
Foi assim que Roasos eoterraoêos augmentar a sua popula-
ção   de huma maneira tio espantosa e de que não ha exemplo em
i Naçio alguma. Imitemos o que praticou e ainda hoje pratica esta Na-
·. çio illustradá e tal vez em bum período -mais breve nós a excedamos.
:
.. --- - - --- -
Faça o nOIIQ governo eoutractos eom os governos das Nações respectivas,
relativamente a estas emigrações; cumpra religipsamente o que pro-
'
· meter aos setus Colonos, e faça cumprir á risca os ajustes que entre si
:fizerem os particulares e os indivíduos que tiverem mandado busc.,r, e
·.não faltaráõ braços 'livres que cultivem nossos campos, que exerção as
proflissões neee.arias á Tida civil, e que snpprão os serviços domesti-
eos, ora exercidos por escravos brutos e immorae s.
Os llartieulares devem estar ao facto do quanto são laboriosos e uteiil 01


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. habi tantcs dos Açores, So nós· temos hoje alguma população amigado tra··
ba.J.ho, economica e morigerada, he a que descende dos habitantes d 'estas
Ilhas, que antigamente emip;ravão em grande numero para o Brasil. •
A. retrpt:lto dos habitantes das Canarias, quem eonheee alguma cousa dos
nossos. ve&inhos das Republicas do Sul. sabe que elles preetarão e prestão
alli os mesmos serviços que 01 i01ulares doa Açores entre nóe. " Para bem
appreeial-os, dizHumboldt, t não basta observai-os na sua Patria aon·
de fortes embaraç.os se oppoem ao deeenvolvimento da industria; he ·ne·
"cess:ario estudai-os nas Steppes da Província de Caraeu, sobre Andes,
ues planicies ardentes du Philippinu, em toda' a parte onde, isolados
em regiões iohabitadaS: tem tido oeeasião de desenvolverem e•a e·nergia
e essa actividade, que são as verdadeiras riquesa• ·de hum Colono. ,
Hum prejuizo mni vulgarisado parece oppõr-se ao estabelecimento
de Colonos vindos do Norte da Europa; isto he, que o clima sendo in·
teiramente opposto ao que estão acostumados os indivíduos, nascitloa na-
queUas regiões, poucos serviços poderáô prestar, e tanto mail porque os
nossos generos de cultura   e aturados trabalhos, e h uma
certa pratica que:•ó pode adquirir-se depois de longo exe rcieio. Este pre·
juizo nasce, eomo todos os outros, de falta de maa conYem comba •
tel-o, oqtte hecertameate mui Cacil. Re4licta-seque, detodaaasereaturas,
o homem he a que mais facilmente ae acostuma a toda a sorte climas,
hum aunode resideneia aturado, lle suftieiente a qualquer indiYiduoP.ra
aelimatar-se completamente. Compare-se demais a dift"ere.nça vantajoea
que existe entre hum clima quente e outro frio, em rellaçaõ·
ás classes pobres! Entre mil outras vantajeM que apontar, porque
óbvias, a são de poder-te trabalhar todo o anno sem intcrruPÇaõ, he deei •
siva a favor do primeiro. Nos climas frigidos, metade ou pelos menos o
terço do anno, nem'hanstrabalhos ap;rieolas ae podem emprehender, por-
que o da terra os não permitte; nos climú quentes todos, os dias saõ
bons, e s6 resta escolher as horas mais proprias do trabalho diario, para
que obreirfJs naô soffraô da sol.
Os que estaõ inbuidos do prejuizo, que aciJDa notamos, naõ reflectem
tambem que o nosso paiz contêm em 11i diversos climas, dOI _quaes mui·
tos, pela situaçaõ de algumas das nossas Provincias, sáõ analogos aos
da Earopa para que estes Colonos naõ soft"raô ila mudança repentina
da temperatura; temperatura a que gradualmente se · aft"azem na sua
viagem da Europa para a America, Creio· portanto que, tendo mesmo
• Só tempo do Vice-Reinado do Marquez th Lavradio, t1ierãopara
o Branil20 ,000 caaaea de
t .A..le:randre d6 Humboldt, Viagens á itgiõea Equinoziata. T. 1.
0

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111 •

a este prejuiso, as Provincias de Santa C&thariua,. Rio Grande
do Sul, Minas e S. Paulo, aio as mais proprias }lara estas  
que devem ser feitas nos lugares. os 'mais centraes para que d'clles
para as outras Províncias, á que forem multiplicaudo as
gera{ioes.
Não' se reflexiona tambem na fertillidade do sólo, e o quanto ella mi-
tigará os trabalhos feitos por mãos livres e com iutelligencia. Mas con-
ceda-se (o que nego eom o outhor nacional, que ,r vezes temos citado
•) que com effcito a gente livre no Brasil não poaa com tantos truba• ...
lhos aturados da lavoura, como na Europa; mas, pergunto, se produzin·
do as sementeiras de todo o generó duzentos e mais por htUD, entretanto
que nos Paizes meridionaes ·da Europa, que passâo pelos mais Ce-rteis,
hum grão apenas produz quarenta, para que se necessitão trabalhos tão
· aturados? ... A naturesa foi liberal de todos os bens que nos são neeessa-
rios, mas quer que os adquiramos pelo trabalho. A terra he edcril &e
nossas mãos a não fecundão; e por a ordem estabelecida para a,prod.uc-
ção dos fructos, este trabalho se leve, por.elll deve ser continuo.
o. extremo frio e o extremo calor se toeão em hum ponto, como todos
Os extremos. O frio excessivo prohibe ao homem toda aespeeie de tra-
balho agrjcola ; concordo em que o extremo calor faça o mesmo efFe'to ;
mas entre bum e outro a difFerença he eonsideravel : hum inverno rigo-
roso inhibe absolutamente os trabalhos da agricultura; entre nós o mais
o •
intenso verão só póde em rigor l'rivar o lavrador de algumas horas· de
trabalho cm certos dias.
O clima, dizem ainda, be insalubre ; mas esta opinião he tão errada
como a antecedente, nem creio que voga a respeito daa Províncias que
apontamos; relativamente ás outras; esta pertendida.insalubridade não
provêm de clima senio em parte, e essa se corrigil'á :sgotando-
&e os immundos que actualmente as oecupão, tornando·se as
:florestas menos densas, e tantas outras causas, que o cultivo e a popola-
• Eate tWt.hor appreaenta hum facto que COf'l.tJem não perder de vistas,
qutJndo ae .reflectir aob•oe 01 males que entre nóa tem,..cuu.ado a in'!"oduc- .
çãe do• escra"os. Segundo tUe, a Provineia de 8. Paulo, ante• da
ereação dos Engenho•, tinha pouqui8Bitn03 escraooa, e tOdatJitJ crescia
annualmente em potXH:Jção e agricultura, e de muitos tJaria-
gmeros, a Prmnncitu maritimtJI e interior••· E hoje ! o at.rao e
a pobreaa daqruUa ezcelltnte e rictJ Provincia aão bem pc&tmtes. .A.
populoçio liore ,ereetJU quari ·toda taal planicãf• do Utuguay e Pra-
ta, áforca de continuas recrutamentoa, e eata populaçilo foi aubshtui·
. ..
ela par eacravoB; d' 1ade mtio tudo foi em decadencia.
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• 112
çio faràü desapparecer. Para desvanecer huma tal OI,inião bastaria
notar-se que á America SepOO,ntrional era e he ainda mais insalubre que
o Brasil, e entretanto niuguem dirá que a gente livre da Europa uão
póde alli formar colonias. Esta ultima parte do mundo era mesmo
mais insalubre que a America inteira, antes que huma aumerosa popula-
ção fizesse remover 'as causas existentes de certas enfermidades; digo
certas enfermidades, porque alli ainda reinão de vez em quando conta-
gias assoladores, eomota America Septemtrional, o que não acontece en-
• tre nós. Nem as tempestades horríveis das Antilhas, a febre amareUa e
outros contagios que soffrem estas Ilhas e huma parte, da America Sep-
tentrional, nem os terremotos e voloões que assolão boa parte
do nosso continente tem lugar no Brasil: ora este beneficio compensa
bem alguns inconvenientes de que não está. exexnpto paiz algum que eu
saiba. .,_
Não vejo llemais que hum Europeo soffra muito do clima, se he tem-
perante; :e as nossas Provincias; mesmo as mais quentes, offt:reeem
tantos exemplos de lon,vidade, como as mais frigidas regiões. Quan·
/ .
tos d'estes filhos da Europa, não tem vivido no Brasil, ganhaudo a sub-
aistencia com a enchada na mão? Se a1gum prejuizo se devesse formar
a tal respeito., era certamente o contrario do vulgar; isto he, que
hum Europeo he mais proprio para aturar com robustez os nossos trk·
balhos de le&voura do que )lum negro; senão compare-se o serviço que faz
hum branco, trabalhando t!om a enchada, e o que faz hum negro, em-
pregado no serviço; senão compare-se a mortandade dos escra-
vos em rellação á dos homens livres. A populac,ão livre tem augmen•
tado pouco ou muito, mas sempre augmenta; a }>Opulação escrava hc
necessario que constantemente' se na Affrica para conservar se
no mesmo pé,_ e assim. mesmo a importação não   por muito avul-
tada que leja, para compensar o numero dos indivíduos que perecem
aonualmente. Que o digâo Oia nossos Fazendeiros , que emprcgão
hnma hoa parie das suas rendas na acquisiçâo de novos escravos, para
supprirem as muitas dezenas que' a ter1·a come Se i&to
fosse bem considerado, deveria então cm princÍilÍO, quo
o elimk do Brasil he contrario á constituição dos habitantes da Affrica;
que eatee nunca podem aooHmatar-se, porque morrem logo que chegão
ou passados· poucos annos; .finahpente clle fatal a toda a sua raça.
por ella não deixa próle. Hum semelhante prejuízo {11e o he )
seria ao menos tirado da expericncia Quanto aos Europeos
ellet vivem longos annos, seja qual for a oaturcsa dos trabalhos em que
se empreguem, e deixlo extensa geração. Se a nosso respeito ha rasão
de queixar-nos do clima, isto hc de v ido uos:;O:J habitos uc  

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113
ant vicios, e a hum modo de viver contrario á nalurcza; c'llpemo-nos
portanto, e não ao clima.
Disse em outra parte que, a difl'erenç-a -vantajorta que·
ha entre os trabalhos que prestão braços livres e que realmente pres·
tJ.o os escravos,, c sobre tudo it economia que provêm do Úzo das
maquinas, toda a população escrava do Brasil, podia ser supprida por
metade ott hnm terço de homens livres. Já vimos que hum braço li-
vre trabalhava por tres escravos e com dobrada intelligcncia e dexteri-
dade; consideremos agora a economia de forças uzando das maquinas,
que aliás só podem ser bem manejadas por mãos livres.
Não se espere hnma detalhada descripção das maquinal! eDt ur:o nos
paizes mais adiantados qu2 o nosso, pelo simples fàeto de !ultiva•
dos por homens livres, a necessidade tem tornado indttstriôsos; L.
0
.
porque hutll5l tal descripção muito aos limites d'esta memo-
ria, e achão em qualquer Eneyclopedia qnc todos podem eonsultar;
2.
0
porque a maior parte d'cstas mflqninas não tem applicação aos n08801
generos ao menos antes qne sejão corrigidas e adoptadas ás
ueeessidades da nossa Lavoura. portanto a dar hama
idéa simples das maquinas mais eonheeid=ts e que podem ter uzo entre
nós, o Arado e a Charrua, iustmmentos ainda não adoptadOaJ, graças ao
nosso desleixo 1ncxplienvel. *
• Seria facil alguns homens intelligentes examinarem
nos outros paizes os methodos da cultura, e que de lá trouxessem modelo•
I
das maquinas applicaveis aos generos de lavoura que já posmimos e aos
\
qru pode1n naturalisar."se no nosso solo, sua manipulação, e a3 maquintU
mais ttteis para as conducções e transportes, quer nos campos, quer nas
Cidades. .A despeRa que se fizeFose com taes homeiu e com a acquisição
de taes modelos, creio ser huma consideração mui secundaria, e excuso
entrar nos detalhes das vantagens 'qUe d'isto nos proveria, para conven-
os bons espiritos. Excuso mesnJo citar o exemplo das outras Na-··
que tem armado   com o unico fito d'estender o
domi'tio dos conhecimerdos humanos; ou finalmente, entie mil outroa ·
exemplos, citar o do gcmerno Francez, que enviou o celtbre Charüis Du-
pin, com grande. dispendio, para examinar os '/JTOCessos taà
Gram- Bretanha, na cultura das terra a, tcabalhos tnanufacturriTo• e
outros. ninguem dirá f.JUt nós estamos mair aditmtado3
que a ou que não necesaitamos conhecer o que nos outros pai-
%11 hc& de e utit. Nossos vesinhos, os .Americanos do Norte, f10:-
demjtifornecer-nos muita. maquinas applicaveis nosaa• precüÕef de
#Jdo o renero. Entre ella1 citarei como ar mai• utei•.
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J 14
Nos trabalhos da Agricultora, u maquinas aópodem supprir 01 tftç05
até hum certo ponto e em circunstancias determinadas; semear, limpar
e colher, aó pode ser feito por braços humanos ; mas lavrar, transportar,
separ ot grãos, moêl-os &e., he n'isto que o •zo das maquinas pode
10pprir inteiramente o emprego das forçu humaou. Todos conheceu.
(ao menos de nome) o Arádo e seu uzoa; mas nem todos sabem que
hum só d'estes instrumentos pode &opprir 01 de 20 homenw, que,
com outraa tantas enchadas, apenas revolvem a superficie da terra; e
que este :inatnimenlo, applieavel ás plaaieies e ás alturas,. pode ser mo-
vido 1,or meio de ham só boi ou cavallo, e dirigido por hum unico eon.-
ductor; qlle, inalmeate, faz mais sel'viço em hum dia que 20 cnchadas,
com mlitto maior perfeição, custa mais barato e he de faeil
A Charrua he laom outro insirumento, aiDda mais util e que poupa mai•
,
braços. Para a acquiziçio c!! esta maquina ja não pereisamos1lir mendi-
gar a paizes estrangeiros; nós ja possuimos modeloade huma tão util m'\-
quina, fructo do genio inventor de hu111 dos nos!OB compatriotas : fallo da
Charrua do senhor Aoaeleto Fragoso de ja experimentada por
muitos dos aO&&Os Lavradores, ·e que auppre o trabalho de 60 eSCJ-avos_.
1. 0• moinho• de grios, d'Evans, lU PhiladelpAia, 1790.
.Eiu maquini•mo, movido por agoa, III! o mai• computo
  o lançamento do grão (trigo, milho, arrôz, ou qualquer ou·
tro) no mOinho, até ao 1eu e'IUiacamento e chpo•ito nos armazem,
tudo Mfelto sem •occorro de braço• humanoa.
2 • .A. maquina devida a Miller e JVh.itney, do &tado de Conecticut,. '
fHJTtl aeparar o algodão do caroço. E•ta maquina limpa mai11 de miL
libra• por hora.
3. .A lU LucctU, da CaroliM do Sul, para •epartl3· o arrôz da
, etuca. Eata maquina, m""ida pqr agoa, dá 20 barricaa d'srrôz des-
ca•cado por hot·a.
4 • .A maquira.a lU Neak, do DUMIIO &tado, parGI'IHJrar 01 grãN da
CGICG. /
5. .A maquina de Midletoa, do meamo &lado, para limpar o trigo, 1
empregada para deaemcar arrôz; e outra do mumo inveft.tot
ptJWJ cor Ulr o o qtlal, como todoa dá ezceUentDM'RU em
aZgumaa dtu t'&()31GI ProuiRciaa, maa que outros generoa mail
10. abandonar, ou ontes por aer hum genero o. MgrN nã&
ae aget.tão a
6. .A maquina de aerror e moa· por mno d' ogoa, de M . .A. Henry .. d&
.Eatatlo de New- York. .A roda pri11cipal d'eal.4 eitacet
t·evoluçõea ou giros por m i1ndo.
" ...

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115
ando ape11à.1 mi!)Ticla por hum a junta de bois e dirigida por doia eon·
dactorea. Herâo e!tes os inventos que devião ser premiados, para aai·
mar e efcitar ltossos talentos; se elles fossem devidamente reeom-
peniados, JlÓA veriamos nascer de hwna multidão de genios,
que a fcllta e de fazem vegetar na intr'rcia; estrangeiros,
uacionaes todos por.fiarião a iaventar maquinas, tanto mais uteis em
.buma epocba em que tudo tende a expelir do nosso paiz os braços de
raça Afrieana. Sem recompensas e sem emulação, em poucos annoaJ
nós vimos nascer sómente na Provincia do Rio de Jaueiro, muitos in-
, v• tos uteis, entre os quaes merecem especial men\-ão as maquiw dos se-
aho'rPs Mattos, Fragozo de "Rhodes, e as do senhor Scheult.
As d'este ultim':l inventor, que felizmente e&tão debaixo das de
àuma das mais atejs do l•nperio, • e que promettem buma
avult;rda recompensa a seu author se· executarem metade é6mente do
que ellas indicâo, dariiÕ certamente hum grande impulso a hum de
.
uossos generos de mais difficil )Danipulação.
1. denominada Palent-Harvester, a qual por meio de l'um
,. 3Ó ca"allo. corta o trigo, o bafA! e o Umpa com a niaior celnidade po•-
ai.,el. Calcula-se que t1.oúr ttWaUoe, e hum homem para 08 conduzir.
trabalhão perfetiAfMilte em h1'm dia o producto de 25 acres de terra.
cmn mmos da meltule da despesa, pqr huma ab que pelo• meio•
ordmarios.
8. .A maquiM de Cul"er, do Estado de Con.ecticut, para limpar os tan·
ques, e tirar as b""a' ou   que "fonrtão naa emboca-
dura• doa rios. · ,· .
9 • .As barcas mooidas por ca'Dallos, d.o Coro-Ml Steuent, do Estado de
New- York, deatina,daf á' conducções no• eatreito• e de grandes cor·
rmtea.
J(). .A machina de e JV alpolf, do Eatodo de New-Jampshire, a
maiiJ _"til que ae conheça pt»·a conatruir 01 de   ·
furar •
N. ·B • ..d IKZtJer neeetceidade de COMervar a en.chada para terre-
noa, como serras, lugares pedrtgoaos e eetreitos f"c., he então. melhor
aubatituil·a pela pá de ccwar mdtltl eom grande vanCajem em Glguma•
parte• da EuruptJ. (Vide, aobre a "antajens d'eate instrumento e
1eu uao, o Diecitmcrio d' .Agricultura, publicado por ordem da Aca-
demia daa de Lilboa, mui propri,a a aer vulgar;iaadtJ
mtre n6•-)
• .A. sociedade dG Iuuetria Nueional. O• unnço.
9wt tem p,·,,(lulo e pre•kl ,.,_ •ocietlade de hemens iUU1trado1, •io hm
}"l «=
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116
A iaveu<'io d'eatas maquinas no nosso proprio paiz, moatrio qae a
falta de A&ianoe, bem longe de ser hum grande mal, ao coo-
trario será hum nOTo meio de prosperidade agoc;ando o eugeqjlo e de-
zenvolvendo a indutria.
A adopçio do vapor aos Engenhos, ja te• dado hum grande melhora-
mento á manipulação_ do assucar; e se a este que só deYe ser
nos lugares aonde não poder achar-se abundaneia  
se reunir as (orças que presta este fiuido quanllo be applicado eomo mo-
tor (o qne ja aeootece entre nbs, mas sem qoe o saibamoa bem aprovei-
tar), e que ao mesm,o tempo pode fazer girar muitos outros
mos sem dispendio de combustivel e sem o emprego tle ariimaes e de
homen9, á economia de tempo e n maior perfeição que produzem. Os
jft adoptados pelos illustradoB dos nossos pro-
prietarios, e finalmente os llons effeitos que em breve se es1lcrão da
invenção do senhor Scheult; pode calcular-se d'escle ja a que ponto de
barateza chegáraõ os nossos assucares, e a grande quantidade que po-
deremos exportar e sem a concorrencia dos assu,.
cares da lndia• '
Das grandes vantagens que resoltão do uso das maquinas, já á muito
. estar per&uadidos os nosso• e mesmo devem saber
que se algumas não poucos passos dariâo e só poderião obter
os generos em bruto: excoso apontar o maquinismo que moê a cana e mui-
tos outros; mas citarei em particular huma. maquiua mui simples, devida
a hum Paulista cujo nome ignoro, e que_ poupa aos nossos agricultores do
catré huma infinidade de braços, euidados e despesas. a
que chamão Mcmjollos, consiste uuieame'nte em bom martelio adoptado
a huma alavanca simples e movida pela agoa que cahe vertiealmente de
buma calha, on posta em acçiio por hum só indi'viduo. Antes da ian•en·
ção de huma maquina tão simples erão necessarios muitos JlilÕes on.de
sooeavão laboriosamente muitas desenas d'eseravos, para obter-se ,
hum dia metade do grão separado da eascat do qne hoje se ()btem quaai
sem traballlo no mesmo espaço de tempo. Isto os deveria ter conven-
cido da necessidade de fazerem algumas despesas na aequiaição de ma-
'
quinas apropriadas ás suas pereiiÕes, e de apurarem o seu eepirito pa
invenção de novos maquinismos ou ao aperfeiçoamento doe aetuaea. .
patentes ; póde taZ"ez ser reputada a mau utll, fJO'TtJ"U o seu fito he 16-
mente o "erdadeiro bem de todG c a•o.aaçilo. . & em todoa o1 lugari!B
sociedade1 nature1a, sa toda a gente iUustradtl do
Brail formasle ast08siaçõe• eu erriD que CU"pmet&.tclrio·
mo1 mmot e a• no11M eoutGs marcluwião mtlhDr.
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117
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Mas não he somente a vulgarisação uas maquiu3S o que deve CXJgar
todos OS DOSSOS Cuidados, OS melhores mcthados do Cllltivo C l"Olecl'ã-âO
das terras, o aperfeiçoamento dos generos existentes, a adOJlÇ'âo de DO-
vos,. e .finalmente quanto diz respeito a sciencia agronomica, devem
igualmente merecer a nossa attençâo. A formaçâo de sociedades uor-
maes de agricultura, pt•odusiria entre nós os mesmos. bene1icios que as-
sossiações semelhantes tem prod_usido nos paizes onde se achâo
licidas. Ellu contribuirmo cfficazmentc. não só para o melhor cultivo
das terras, indagando e experimentando .os mais vantajosos e
as estações proprias para as plantações de certas cspccies, como vulga·
risariâo o cultivo de tautos gencros exoticos, C41sinando os locaes mais
propriol!l para a sua plantação, os meios de cultivai-os, c os processos da
sua manipulação. Todos sabem que o Bras ii eontendo em si, diversos
climolS, be suSCC)ltivel de udmittir no seu solQ to::los os gcncros do mun-
do. Esta opinião não be fundada coujecturas, pois que ninguem
póde ignorar que muitas das nossas dão os Cereaes da Eur.o-
pa, outras os gencros da Asia, c que quasi todas dão simultaneamente
tc,dos os generos que se eultivão nas duas.· randes dcvisões da America.
Todas estas especics já estão experimentadas e como aclimatadas no
Brasil, e só nccessitão· dar-se-lhe o deseuvolvimento pro11rio lJara que
entre nós se realise esse Chinez, em que tanto se tem fallado
mas que enteudo differentemeotc quanto á apP..licação; isto be, que nós.
podemos possuir no n3sso paiz tudo quanto se acba espalhado ua superfi.-
eie do globo, não para nos isolarmos das outras N formando hum
.
povo intcirarilente estranho aos outros, mas para fazermos partilhar a
todos os nossos semelhantc.s os beneficios que a naturesa prodigalisou ao
11aiz, e das nossas riquesas, fa·uctos do nol!So amor ao trabalho e á.
industria; como finalmente bum nucleo de commercio e relações amjga,·
veis. Se a tantos vegetaes, miueraes e auimaes, que já exis·
tem, conseguir-mos reunir os cereaes da Europa, as especiarias da Asia,
as gommas e outros gencros da Afriea, que futuro prospe1"o não ap-
presentar aos olhos de nossos vindouros, mais felizes do que nós, a sua.
Patria, que apenas conta alguns annos d'existcncia como Nação! De
nós depende deixar-mos este bello lettado á vossa· posteridade, concor-
rendo com todas as nossas forças para honrarmos e a1)e.rfciçoarmos a p_ri-
meira das artes; o que não }lOcleremos fazar cm toda a sua plenitude. cm
quanto tiver-mos tão grande numero d'escravos, porque enti\o os nossos
prejuisos nos faráÕ sempre considerai-a como só digna de :Alio& viz. q. .
. bens que produz a agricultura sao vesiveis; para os povos mais adianta-·
tados que nbs, ella he hum grande   mas para nós e lia be o mtio
• unico. A abundancia dos bens da terra, o commercio, as v:crdadeiras e
'
·.

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aOlidas   não podem existir sem a agJ·icultura. Sem; eft'eitos se f'X·
tendem ao moral como ao pbisico: povog não agricultores são feroses e
barbarus; eila aJoça os costumes, torna a guerra e as dissensões menos
quentese menos calamitosas: hoje, como sempre, aYação a mais livre, a
mais 1>oderosa e a mais rica, h e a. mais agrieola. Se a Inglaterra e a Fran-
ça, na Europa, e os Estados- Unidos, na America, são as Na(;Ões as mais
po4crosas e ftorescentes do globo, isto he devido à protecção esclarecida
que os seus gover.pos á agricultura, " ao interess.e tomão 01
}'HJrtieulas·es nos seus No3 Estados- Unidos sobretudo, onde
os espíritos, livres de hum sem numero de prejuizos, rtâo eminentemente
ergprehendedores e laboriosos, todos se dirigem para o bPm publiqo,
sem o qual o bem particular não póde e .. xistir; ali i a agricultura tem
feito espantosos progressos e apóz ella as artes, as mà•mfaeturas e as
seiencias; alli não só as velhas rotinas tem sido despresadas e substitui·
das por outras vc:sivclmente mais v\ntajosas, como se tem estabelecido
sociedades normaes para a vulgarisaçr\o das riquesas vegetaes tanto indi-
génas como exotieas e seu aperfeiçoamento, melhor pratica da rotenção
e cultivo das terras, experimentos dos loe:lcs approtlriatlos e _tlos estru-
mes applicados ás especies novas. D'esta fórma, elles tem conseguido
introduzirem no seu sollo muitos e diversos g, .. neros para que o payz pa-
recia não ser proprio; elles tem combatido a terra, o clim• e d«;»mado a
naturesa qne altparentemente lhes era contraria, • Imitemos a estes
4.
..11 Os vesinltoa da America do Norte, tem "encido a natureaa
algumas "eze• madrà1tll ao agricultor, pelo• •uu comtantes eqorçoa;
nem o cZitna, nem oi ineonvenienüs do aollo os tem feito abandonar ou
d!spre•at iaZ gmero de cultura, que. ae julgaria não produzir o pai::.4
Citarei a elte respeito hum aó e:eemplo, porque elle tem a mtJior ajfeni-
dade com aa noasa., coua43 e moatra a flece•aidade abaoltda da forma-
!;iio de 'ocieda.des lU agronomicotJ illuatrada• e aobretudo preee"'eran-
tei. No E.'Jtado de se tinha por muita• t1eze1 ttxperimentado
o eultivt) do 7Tigo, porem aempre debo.lde, e finalmente e1tabeleceu-ae
a idéa de que o solo não era proprio para a produéção d'eate cereal.
Logo que n'aquelle Estado tJeformou huma aoeüdade. qe agricultura
normal, lembrão-'e alguna dotJ 1eu.a tnembroa, de que talvez a fortidão
e a g.ordura do terrerao fotJie o ob11ttJCulo o mais r&Gtural da não produc-
çaõ do trigo. Em cons1quencia d'e1ta üléa e1colheraõ hum tErreno, e
experiencins se conheceu que, tJómmte quando o terre-
no tivesse soffrido trea l'olheita. defumo, a?,::odaõ e mil/ao, M que 1e
tornava proprio para a plantaçaõ do trigo. ..&ta e:rperiencia, mdga ..
r·isteda pelos jomae• da Sociedade, animou a todoa oa Lavradores, e
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nouos coterraneos; e se tiver-mos tanto patriotismo e tanta preserTtt·
rança, em breve pouco teremos a invejar-lhes.
Tratemos como elles d'expelirmos 'do nosso sollo e do seio do nosso
paiz essa praga da escravatura, unica causa do nosso atraso, por·quo ella
he a unica da nossa inercia; instituamos sociedades normaes de agricul·
tura, que esclareção nossos lavradores sobre as melhores e pra·
ticas da seiencia agronomica. Estas sociedadeR já. acharião muitos eo-
-
que só uecessitâo modificaC{Ões. Não se pense.
que as obras .escriptas na Europa pouco podem servir para o aperfeiçoa·
mento da nossa agricultura; he huma i Ilusão. Ainda que ol generos
agricultados na E1uopa deffirâo dos que actualmente cultivamos, com
tudo o qite lá convêm sobre as praticas do cultivo, estrumes,
irrigaçõ,es, e em geral tudo o que diz respeito methodos ruraes e do-
mesticas, convem igualmente ao nosso paiz. De1,ende de nós aprovei-
tar-mos o que a experiencia tem eusiuado na Europa, e da nossa parte
fazer:-mos novas experieneias sobre a coltm-a dos nossos generos peculia·
res; demais, a maior parte dos generos da Europa excellente em
algumas daiJ nossas Provincias e talvez em todas se se tentar a sua intro-
ducção applicaudo-lhe os meios convenientes. Portanto tudo quanto
lá se tem escripto nos póde e deve servir.
Muitos homens tem observado que a escravidão domestica oppõe
taculos qnasi á adopção e UtoiO das machiuas; em primeiro
lugar, nâo he possível conseguir"se dos escravos que bem as manejem
ou as não deteriorem em pouco tempo; em segundb lugar os propricta"
rios achão mais eommodo empregarem as forças brutas doi seus escravos,
o auxilio que a arte faz prestar á& maquinas ; terceiro, final-
'
'
ttJTas já reputadas exausta8 continuarão a produzir exceUente trigo, lnl'ln
dos vegetaes que a esterelisa. ·
Porque, á imitarão   não l!xperimentaremos sobre terra• jàfta:
cas pelo cultivo huma sub1tancia que ab3orve mais depre1sa a
maior parte dos 1eus vegetaes, torno a can,a, se o trigb não daria bem,
ou mesmo depois de tres ou quatro colheitas de milho e feijão'! .A. pliJn ..
ta que produz o chá, naturalmente dá bem cm ten-as ja exausta•; e e11m .,
opinião não J.e conjeçtural, po.que na Cl1-ina não podtm deixar de ser'
fraquissimas, as terralle com'ttuto pódedizer-se que este lmperio hea pa·
tria do chá. Q·uanto ao trigo, independentemente d'est.a círcun1tancia,
pôde conjecturar- se que eUe daria nas nossas Prooin".
cial, mesmo n'aqueTJ,o, clima he o mais quente, pois que elle pró-
duz t:rceUenteme•te no Egypto;cujo clima h.eidentico, e mesmo em qua1i
tsca cz .A.sia.
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'

.. .
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I

...
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120
, .
.
mente, acbão mais barnto ter }lum escravo que hnma de an imae1'
cuja nutrição lhes custaria mais earo.não calculando a difl'erença dos
nem a naturesa e o valor dos serviços. Cau&a riso vêr DU ruu
da CallÍtal, a mais polida Cidade e a mais adi.tntada do Imperio, trinta
ou· quarenta escravos condusindo em grande alguarra O..tros tantos far-
dos ás quando hum sb carro puxado por huma ou duas parelhas
de bestas, faria o mesmo serviço com dobrada celeridade e metade da
. de!'pesa! Causa nojo l'êr huma enorme e informe zorra levar, em qua-
tro on cinco e a pouca distancia, hnma uniec"\ pipa, que dez ou
d6se negros arrastão penosamente por cima de ma&l construi·
das, destruindo. de continuo as mas e ameaçando estropiar os viandan-
tes, quanda hum carro convenientemente construido poderia levar seis
ou oito d'estas em algnns minutos e eom dobrada celeridade a gran •
des distancias! Quem pela primeira vez observar hum semelhante es-
pectaculo, considerará como hum. povo ignorante e sem a menor
ideado que h e util ou com modo; e ainda mais se confirmará n'csta idP.a,
'
quando conhecer que cbramos d'csta sorte cóntra nossos interesses e con·
tra exemplos. Com cf!eito comtlare-se o capital empregado em tantos
escravos, e o que huma maqúina e huma ou duas parelhas de
ao imaes dirigidos por ou doig conductores livres, e ver-se·hft a dif-
fereuça quê ha contra os J>roprietarios. o custo de oito on
dez escravos e da bruta maquina qt1e arrastão; meta·se em ·linha dé
conta o sustento, o curativo e o vestuario d'estes escravos, as horas qne
pe1-dem, e veja-se a quanto isto deve montar no fim de hum anno ; cal·
cule-se ao depois quanto impo,.taria a acquisição de hum carro bem cons-
truido, os animaes para o e o salario de hum ou doia conduc·
tores; desconte-se as   que se poupão e' os muitos transportes que
se podem fazer em hum tem1,o dadG; subtráhia:se esta segunda pareella da
primeira, e se conhecerá claramente a economia que resftltaria do uso des·

tas maquinas tão eeonomica e tão commodas, sem fallarem moitas outras
circunstancias que se apprcsentão ao espírito. Ora, se
nós desconhecessemos estas· maquinas, ou fossemos obrigados a hir bus-
C&tl;as a paizes estranhos, esta nossa cegueira teria alguma desculpa; po·
rem possuir no seio do paiz muitos modelos, a industria estrangei •
ra, vêr de continuo os serviços que presta, conhecer portanto a sua uti-
lidade e economia, e eom todo preservera,.QU antigas rotinas, he teima
!iogular, he preferir aoointemente o mal ao bem ! Nós que imitamo!
servilmente todas aa frioleiras estrangeiras, para longe de nbs
como exotismos indignos do espirita de Nacionalidade, tudo·quantó os
outros pov06 nos appresentio de bom e digno de ! ·
No mesmo caso estamos a respeito dos trabalhos mineração, Huma
I
I



..
121
companl\ia estrangeira tira l1oje do seio de.. ternu ja abandol1aua1
como estereis, riquesas considera veis.. De duas cousas deveria ter per-
• suadido ao1 nO@SOs mineiros o grande d'esta companhia; a pri ..
raeira e talyez a mais importante h e, que, P.ara taes trabalhos, dependen ·
tt'fl de mnita intelligencia, os homens livres ião mais proprios que os es-
cravos ; a segunda, que o uso das maquinas proprias, evita enormes tra •
balhos, grandes riscos, e produz sem comparação mais interes.41es. Infe-
lizmente parece que estas não tem occorrido ao• nossos
mineiros; porque apesar de ser veRivel ao mais estupido a vantajem dos
methodos qne empregão estes estrangeiros, .a!t antigas rotinas seguem
sempre o seu trilho e talvez sejâo preferidas. •. Quem lhes embarga
que observem, estudem e imitem prorressos? A não ser a pfe-
guiça ou a ceguei não posso advinhar o motivo : n.,este -caso o racio-
einio he huma arma sem gume; porque se o exemplo não penuade,
como o fará
Pode•·-se-hia propôr, pnra o e erogressos da mineração,
alguns meios, porem todos dependentes da persuasão da necessidade de
novos methodos da parte dos que se oceupão n'este ramo, e da .firme
resolução da parte do governo em fazer adoptar taes methodos. Ma
nem huma Bem outa-a cousa talvez possa ter lugtr, se se attender á ce ..
gneira dos particulares, e ás e nimio escrupulo dos
que governão. O Estado póde mandar estudar alguns indivíduos a arte
das minas, nos lugares onJe eHa se acha maifl adiantada; póde mandar
buscar .modelos de maq uinl!" e gentes que'u aaibão porem, eh e·
• Esta ultima e circunstancia não he hyperbolica, ae com
effeito h.e verdade, que alguns homens dos que servirão nas do
Gongo· Choco, te?J.do-se offertcido ã alguns doa nosso1 mineiroa, eatea
01 não qui.rüo aceitar, tratando com os processos pralf&adoa
pelos lnglezes. .A hum qu.e aceitoo, tendo-lhe o mineiro propoato a
comtrucçüo de ltum forte enpadamtnto ou caizilhada. para. E..ntar-sc
o tÜsabamtnw das terras e sepultar, como por centenarcs de vezea tem
Gcontecido, huma infinidade de escravos, o dono da lavra recmou im-
medi.atamtnte sob pretexto da grande de$ pesa e tempo que leva·ria a cmw-
tMt.ir esta obra; priferindo aasim, para poupar algum t!üpmdio, o  
aepultado de huma só vez hum grande numero dos aeus semelhante•.
que lhJ! enterrarião maior quantia•, do que aa que poderia adquirir 1m
muitos annos de traba.lhoa, se achaaae h.uma rica mina. ..4lem
d'fste rl.eo, tão ordinario qw ja não faz impressão, como 1eguir hma
veia profunda aem aa terru? Huma fJt% pnàida a diriCf&o,
ci8 perdidott g:rnnde• .t,r.OOU.Os e tnormtl diapendios.

I
I

...
,
....

'
I
J1o •tea eat• maqniau e mestre• miaeiroa;
o que aeoutecerá a meu vêr, he o que a experiencia tem acmp.re JPOStra-
do : 08 modelos apodrecem em hum armazcm; 01 Mestres tom'âo outro
o8icio ou Yoltão o11tra vez para o eeu paiz ; o que estocloa Mineralogia,
o que apprendeu a arte das Minaa, se transforma em Fioaneeiro ou em
Diplomata; e finalmente ee os modeloe de maquina• e1aegio ao paiz
ouro, ninguem faz cuo d'ellea, niaguem os imita : eia por taoto
despe188 perdidas, e a fasenda publica onerada com a acqoisição de coa·
118 inoteia. O goTerno poderia
1
contractar com aa companhias, que se
quizeaeem estabelecer para os trabalh01 das lavras, a admissão de Naeio-
naes que apprende•em eom os Meatres mjoeiroa, Yindds da Europa, os
methodos lá usados e o manejo das maquin•; estes Naeionacs deveriã.o
••r 01 meat.res das no&&U !a vraâ metalieas, • obrigando o governo
aos proprietarios mail CODsideraveia a admittil-01 para o•traba·
das suas minas. d'ando·lhe a ou a oitava par-
tedOI metaee que extrahissem da terra. As vantajeoa de huma tal medMia
I
são patentes, pois que 08 propnetarios e em geral o pai& muito luera·
'rião; em primeiro lugar a quantidade do oiro seria muito maior, para o
que eftieazmeote concorria o mestre mineiro, que n'isto acharia -o aeu
interesse ; em seguado lugar, tomm1do-se aa precauções convenientes da
arte, se e!itaria a l'erda de hum .em numero de vidas que a terra se-
pulta annualmente, e poder·se-hiâo aeguir as veias Certeis; em terceiro
lugar, .finalmente, o Estado locraria duplame11te em ter maior numero
• O Brtuil em effedifJO trabalho hvma minatle jerro e mui-
tal d'oiro ; maa ag01'tJ de ducobrir-ae mina• de prata, e1tanlao e
cobre. Prooa.,elmente "' Prooift.CiaB t'Mtalictu de Goyaz, Matto· tkOftO
e Mina· Gerae•, CORtan tm •eu trio todo• oa metu• pr«:ioaoB; por
fJl'f aa ltUntaneitJB do reino mitanal qtUJIÍ lerr&1"e le ac/üW wunida. ftO
meamo terreno. He commum opinião de que o BrGJil inteiro
he mdalico. Como t1 miM efab[ica tU S. João d' !panems, "ão
re•tlmrar-ae, indicarei trez mapintU IJIU pedem dor  
tanlo 1.101 ir&tere••e• do, fabrica, COfTU) tuM particularu; ellal aão: 1.
0
1.1 maquina dsfazer preg01, de Perkin1, de NWJllury-Port, noa &ta-
dos· Unidoa, que fobríctJ tm hum t!ia 2000.000 •

a maquit&tJ
de Dmwd, lU Boaton, t1 qual por meio t:U huma 1ó operação produz
Aum 'Pfl.Ta.f"wo petfeito. 3.
0
A maquina que ja citam01 de Meail e
Walpole, do Estado de 'Pfl.Ttl 1.1 coutnicção doa
ro•,fur• f-c. Ou jina.lJamte, auppon.do que po intaior Aajt1 alguma
ttaRiet'ÍG foln:iJ,, eitar6i 1.1 maquina de ChittendoR, do El1tJdo de Conc-
cticut1 qw fa::; em huma horQ, 3&. 000 dfnle• do• indrUtMntol da ctndar.

.....

I
f
-
••

1t.3
de homeDJ babeis e faZer crescer as IQiUI renda• na prvporçio da D'lai•
avultada porçio de metaes, q11e aeeessariameote de
He debaixo d;est6ll prineipios, oa outros 1118is acertado. que ·pessau
ao facto d'estes appreteatarem, que a mioeraçio deve prop-c-
dir c prosperar.
Agbra que appreaeatei e$sas taes e !YeS medidas, eDunciar a
minha opinião particular sobre hum. ramo d'industria, que de todos os
tempos teJU oocupado a mais intereaaaote das nossas Provioeias. (,'Omo
esta minha opinião he eontraria a geralmente recebida, só a appreaento
a medo procurando eacoru!er-me a sombra de authoridades respeitaveis •
A miuhaopiniio he que nenhQIIl ramo d'indútria àeve Ber despresa-
do; mu tambem peoiO se deve fazer disüncção entre os difterentes tra-
balhos que os governos tem de protegerem: porque, entre es-
tes ramos de iadutria humana, h uns tem por fim a satisfação de neees-
eidades reaes, e outros o goso dé necessidades ôctieias, algumas vezes
I
perniciosa. N
1
este ultimo euo considero os trabalhos da mineração
.do ouro, embora se diga que com elle •e obtem tado quau.to he neoessa-
rio, util, ou commodo. São os eft"eitoa moraes que se deyem considuar
em tudo; e se algamas vezes o homem d'Estado tolera certoa
nientes nascidos do exereicio de tal ramo indll8trial, ao menos nunca o
. '
deve protejePdirectamente. ·
A experiencia constante e nunca desmentida nos mostra, que a Na-
ções as mais r!cas em minas d'ouro são realmente as mais pobres, se com
elle pertendem· obter tudo o que necessitâo; qae h uma Nação industriosa
absorve em po11co tenlpo todo o ouro das otttras, dando-lhe em troco
quasi sempre, não coisas uteia "'oa necessarias, mas tctciu e trapos. Em
confirmação d'estas verdades, se não quizesse citar exemplos estranhos,
. perguntar t aonde estão tantos e centeoares de milhões
que o Brasil tem tirado do seu seio d'esde o estàbelecimentu das ·pri-
meiras eoloni&aC(Õea? Aonde existe o ouro que annualmente se
Em paizes apartadóa do nOfSO, os que ignorarem o andam.ento das n0818S
coisas não poderáõ certamente acreditar que na terra do oiro e dos dia-
mutea os metaea preciosos eio tão raros como a induatria; que o impe-
rio aoriphero e diamantiao ee aoha reduaido a ter por moeda corrente,
eobre falso introd1.11ido por'estraageiros e papel desaCI'editaclo!
Que o di,-a a Proviocia de M.i.nas : .enio fôra essa tal ou qual indu-
tria desenvolvida por seus habitantes, certamente lhe teria acoDteoitlo
a catàastrophe dos infelizes habitantes do paiz dos   CJU mor-
rem de fome no centro de riqueSb
A meu vê r, em hum pGiz   a e][tncçio du minas deYeria ser
precedida pelo estabelecimento eob bases eolidu, 4e hum tyatb.ema 4•
Q.

..
--
" .. · ..

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124
"
'industria manuf'actoreira e agricola: a mesma naturesa das coisas
est2 porque sendo o oiro simplesmente o intenuedio dOs
objectOs de-troca entre cmuaa neeeaarias, a creaç.ão e produeção d'es-
tas COU&al anteceder-lhe. Taes trabalhos sómeote deverião ser
emprehendidos como hum ·meio de empregar capitaes paraJysados e
huma população superabundante ; mas nunca como hum genero uuioo
para dar-se em troca Jior mil outros. Se doia povoa vesinhos, hum ·
8118teutar e vestir o outro, e est'ootro só cuidar em tirar ooro com gran.
des trabalhos e dispeodios, qual ficará miseravel'mais d9pressa ? O pri·
I
meiro trabalha sobre cousas que a naturesa uonea nega e que só depen-
dem do trabalho manual e intellectual; o segunde exerce as suas for<(a&
eobre Clfusas que a mesma naturesa esconde eom cuidado e por fim nega,
por mais trabalhos que se empreheodão, pormaisatiladoque seja o espi-
rito humano.
Seria mui curioso saber· se • quanto mont3 o valor do ouro estrabido'
annualmente, e ntillissima a comparaçãcl d'este valor com ·o de qualquer
outro ramo de trabalho, na Proviocia de Minas: huma tal comparação
seria huma nova prova. da opinião da gente illustrada, de que as minas
não fazem ricos os seus possuidores; • penso mesmo -que os nossos donos
.
* Se com effeito aa minas fizea•em rico• 03 seus po1suidorea, no mun-
do não haWf'ião homeM mais ricOB, mm lugar mail oppulento que a
.....
Prwincia ele Mas se o contrario auccede, não he pura decla·
mação o que havemoa dito. Rtflieta·se aobr.e as seguintes paasagena
que "amos eztractar, tiradas de, hum escriptor pouco conhecido, mas que
parece eatar bem ao facto dá• cousaa do Braail.
- O producto annool das nossas mifta3 em tempo de nnsaos avô1,
era de maú de 20 milhões de crusadoa : tJeja -se se estes crusadoa hoje ne
ochão no Braail. E as ptças queforõ.o para Lisboa'! O ouro regia·

tado d' eade o descobrimento #las Minaa do Braril até 177 s: e levado d
Europa aobe a400 milhõea de peftU. Tambem estas pefa• desapparece- ·
· rão : e aonde estão'! Como se carregarão em navios estrangeiro•, niio
:te sabe o cam\nho qu1 Onde e1tão aa d'ooro de Jara-
guá, aa descoberta& no Braail, e as de· Cantagallo pelo•
grimperos de Minas- Geraes '! Daa 4tinas de Santa Rito, e Guarapa-
. ba, apenaa póde   huma·OJ&fa d'ouro (em 1820): o rio Pumba,
· á muito nãÕ produz; afamoaa Faaenda do Capitão Fwreira e aala·
.-.
twaa da Yirginia eatão igual 1orte corte o Rio daa Morttl,
que era wripherQ: Yilla-Rica (ouro-prdo) perdeu até a eaperança tÜ
• ter ouro, 638im como do1 Rios Chingon, .A.ráguoya, Tapttios e outro•
long& Só Yilla·Riea dava annualmenu 3 milhõu. de quinib.
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de lavoul'aS auriphcras não são JDais ricos, nem estio menot.iudifidad'!_•
que os nossos senhores d'Eugenbo. Hum sabio Americano
documentos, que só o commereio d 'algodão, nos Estados-Unidos, he
e tres 'vezes mais importante e de maior valor, que o pr_oducto de todas
as Minas do Mexieo e Perú; e o celebre Humbold diz, que de tres es·
peeies de   que se tirão das minu da Nova-Hespau:ha, o ouro
\
I
O que re&ta agora de tan'laa riquesas, principalmente depoiA da intro-
ducção de tanto• e1cravos '! Miseria, ind igeneia, pobresa. ...4. maior
pa'l·te dos mineiros vivem nos bosque•; as S1UU casas são eon1truidat
tle ramos d' arvores col!erta. com folhai de palmeira; g sua cama ht a
erva tcecca; nãt? ae occupão de agricultura,· nem de manufacturas : CQn-
tentão-Be ·em andarem nus, e aubsiBtirem de raizea efructaa s'ilveatres ••
e aão estes o8 mtsmos que virão n'outro tempo immenao ouro nati'UaB
minatt ! ouro que desappareceu fieand:o só a miseria !
- H e a quantidath de diamantes enviados á Europa n03
primeiro• tempos, ilto he, nos primeiros 20 annoa que se seguirão d des·_
coberta das minas : dá- se por certo que e:r.cedeu a 1 • 000 on1=aa; e •abe-se
que de lBOl a 1806, o peso dos diamantes enviadoa ao Theaouro foi de
115.675 quilatei. Maa ezistem eates diamat1tes,, tJaaim como o
ouro'! E D.B mínas '-"e os produzirão onde estão'! Todaa .as •
de   ametyata1, esmeraldas, e   pedras preciosúaimaa, algu-
deaconl.ecidas nDI outro1 paize1 do Ur.iverso, ou estão desampara-
das, ou nãQ lan.ção do seu seio mtJis que restos imformes à'estasprecio·
aidadea. Os de Jequitinhonha, e dos diversos da sua
Comarca, que em tempos paaaado1 deráÕ grande quantidade de precio-
·aoa diamante• da melhor qualid,ade, onde eatão '! Guardados nas
1/Aas de •••• , e em outrtU partes. Os diamantes da Conceição, de fi·
gura octaedra, para ondeforão? Que hefrito das minas da corrente
da Coritiba, a1 ·do Monte-Rod,igo, as de Goyaz, cujôa diamante•
erão celebre• pela sua eztraordin.aritJ brilhante%; os de S.  
Mandanga, Canjec.a,Monteiro, Abaité, Pardo, Carolina'! 7\u:lo iato I
ae tem trocado por   trapos e bonecas!- (Carta de hum habi-
wnte dajJtihia por I. F. C. de .A, .A.àvogado, impr,ssa .em LiaboG
t&O anno de 182l). •
lteatão os do Serro do Frio e Tejuc,, Oftde hoje seus habitantfs mor- '·
rem defome e de pen_uria! Troctuão;•e todas estas riquesas por teci ..
d01 que o pai% podill produzir, por tfteat e cO'fl/"eitos. O lemf!O dea-
tudo; mas a meseria, o dealeixo 'e incuria ficarão de sobra. E
o que he ainda mail triste, huma parte d'estaa riqucaal' Be ·conaumirão
que 1 N4 compra de Ncrtwoa ! • • • • ·



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123
torna em poueo tempo pobres o9 donos das laYras, a prata eompensa ao
medbs a   ma as de ·cobre fazem por fim ricos aos que n'ellai
trabalhão .eom e constancia. . e
Bum judicioso militar doa Estados- Unidos • observa,. relativamente a
hum dos Paizes maia ricos em metaea preciosos, qne onde abnn:lão as
minas d'onro os eoatumes são corruptos e a mi4leravel.
" Quando voltamos á Lusiana C diz- elle), o menos aeeiaado reconheceu
que, á medida que nos..auseutavamos dos districtos aoripheros, 08 povos
tinhão mais industria e erão menos a huma v.ergonhosa men-
.... .
dieidade: assim tambem 08 costumes são menos corruptos na Província
de Cahahuila, do que nti de Nova-Biscaya e Novo-Leão.- Contio-se
sómente do &Iexico (diz o mesmo viajante n'outro lugar) sessenta mil
mendigos : que numero prodigioso deve existir em todo o Reino ? He
di11ieil eomo no paiz o mais rico do mundo pelas allas minas de
ouro e prata, qae produz alem d'isso os objeetos de primeira ne-
cessidade e mesmo a maior parte das superfluid=tdes do luxo, hajâo tan-
tos homens a quem faltão alimentos e veatuario ! Hum tal phenomeno .
só póde pelàs más combinações do governo, e o laxo escan- -
daloso dos ricos. , '
Ein huma discussão de tanta importaneia, não temo
1
aeeumular cita ..
ções e authoridades, para desenganar aquelles <JU• pensão, que as rique-
sas sâo metaes preciosos. O ouro da America arruinou a Hespanha, o
ouro do Brasil produzio o mesmo 'effeito em Portugal, e nem o nosso
paiz, nem a Ameriea do Sul ganharão cousa -alguma em arrancarem do
seu seio riquesas ficticias, que bem longe de augmentarem os
destruirão os primeiros germeos da industria, e tornarão as cousas
reaes e uteis quatro ou s_eis vezes mais cara,.. O celebre e profundo
Condillae, faz as mais judiciosas reftexões sobre a influencia funesta da
extrema abundaneia de metaes preciosos á industria e
bem ser dos Povos, que por hum momento se soppõe ricos e por fim
cabem na mais profunda miseria. t
" Quando os Hespanhoes se virão em possessão dos tesouros do No-
vo-Mundo, a simplicidade de se acreditarem riquissimos; mai
sb o fôrão·por momentos. Os generos se balanÇâo 'mutGamente com I
• de dinheiro em circulação e se põe pouco a pouco de niver;
• • • .
• Zebulon Montgomery Pike, ltfajor do Exercito dos Estados-Uni-
. dos: ao Nooo-Mexice, pos annos de 1705, 1806 e 1807. ·
t Cur8o d' Éstu!los para imtrucção do Principe de Parma ; -flu·
toJ·ia   7bmo. 5.e

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121
dt' 1orte que, se elle ráro, com pouco compra-se muito; e se he com·
mum. com muito coQlpra ·se pouco. Ora, . o dinheiro era raro em toda
a parte, ·quanao os Hespanhoes õ repentinamente muitos m\Jhõe1,
e parecerão no principio bástantemente ricos para podel"em' comprar
, toda a Europa; porem á. que o dinheiro sahi a do paiz, o pre((O
dos generos subia proporcionalmente ; de sorte que o. seu valor pareceu
ter quadruplicado no espaço de hum seeulo. Estes tesouros do novo-
mwldo, transportados á Hespanha, fizerão crescer o luxo, mas o mal
ainda foi maior, porque arruinarão a industria. 'A rasio he simples:
pois que o dinheiro era mais comll'l1lm alli, tudo tinha maior preç_o que
nas outras partes: comprava-se por.tanto de preferencia aos
que davâo tudo mais barat_o. Os artistas por consequecia não podendo
\
mais viverem de seus oftieios, sahiâo do reino e as manufacturas extin·
guião· se. O ouro e a prata só entravão de passajem no Reino. Com
etfeito notou. se tinhâo entrado mais de quatro mil milhôe1 d'esde,
a descoberta da America em 1492 até 1595; entretanto apenas restavâo
du.c;entos milhÕes comprehendendo as baixe las e tddo quanto feito
.
d'our,p ou prata. A Hespanha era portanto no .fim do 16.
0
seculo, hum
dos menos ricos paizes da Europa. Na verdade sempre ehegavão novos
tezouros, mas tambem sahiâo logo; porque o diBheiro afine necessaria-
mente para os lugares onde existem as verdadeiras riquesas, isto he, as
eousas que se consomem e para consumir·se de novo. o .Ji-
•lheiro devia mesmo sahir com r:nainr abundaneia de hum para outro an•
no; p8ls que, á medida qÚe. se maiscommum, 01 generos se hiio
tornando cada vez mais caros. Com effeito ainda que, d'esde 1595,
ehegassem á Hespanba ao menos de 12 a 15 milhÕes annuaes, ar•enas ha-
vião cem em eireulaçiio em 1724 e ainda •sim era necessario lncl11Í!
todas as riquesas das Jgrejas. As cousas forão seguindo tal caminho,
que,' no principio do 17.
0
seculo, o povo da Hespaoha era o mais pobre
a Europa, porque ja não exi&tia eommercio,   e agricultura
•definhava·se. Entretanto os impostos continuavão os mesmos, e a
culdade de os pagar augmentava a miseria publica. Viâó-se nos campoS
centenares ,de lavradores qui;!, eem vestidos, expostos a todas as injuria•
doar, &h se alimentavâo e mau pão. Aquelles qfle ainda tinhl\o
alguma industria e ganhar a vida, soft'riâo só todo o peso dos
postos e se desgostavao imensivelmente de hum trabalho de que se lhea
roubavão todos os fructot. A mendicidade veio a ser h\HD modo de vi ...
da, hum estado: ac.bava-se eJtnelleDte viver á custa io publico, e de
nada ter a fazer porque assim neda se pagava. A. miseria despovoava
insensi\·elmeute os CIUDpos; porque as familliu pobrea e
outru se tornavâo llObres para extinguir·se igualmente. Foi aaim que
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128
as Indins Oecidentacs sem tornarem a Europa rica, impobreoerio a Ht .. •
paoha; porque o seu ouro e a sua prata arruinarão a agt·icultura, .._ ma-
aufacturas, o commercio, e a despovoarão pelas numerosas Colonias que
emigrarão. Nas foi sómente nos Estados -Geraes ou Cortes de Hespa·'
aba, em 1719c que se conheceu toda a extensão do mal: pelos relatorio•
\
appresentados n'esta memoravcl reunião, conheceu-se evidentemente
que todas as rendatt do Estado esta vão empenhadas, desertos 01 trabalhos
da agricultura, a industria anihilatla, e que a mesma casa real só subsis-
tia d 'impostos sobre o clero, não restando • mai! pequena somma para as
despesas do governo. , ,
, Este quadro abreviado, mas energieo E! Terdadeiro, be huma resenha
da. .. do estado de atraso em que se achão as Nações da Euro·
pa, que só procurarão descobrir e conquistar para aebarem   e com-
pletarem assim a sua ruiua sem sensível melhoramento doa paizes con-
quistados. Relativamente ao nosso paiz, a sêde do ouro, que excluio toda
outra idéa nos descobridores, teve ainda mais funestos resultados que os
olhos vêm me-lhor, que a palavra não póde explicar.
Deixemos pois livre, como está, o exercício d'este ramo d'industria;
mas o Estado uâo deve }Jrdtegel-o como aos outros, eujos fins são asa-
tisfação de reaes; deixemos ás Companhias estrangeiras os
trabalhos e os cuidados de arrancarem do seio da terra essas ·riq1:1esas de
que não sabemos aproveitar-nos, e que são perdidas para nós:
os nossos mineiros que apprendão com _e lias methodos e processos que'
se nsão na Europa; mas que isto seja feito á sua custa, sem que o !!atado
dispenda hum só real : apprendão pois se quizerem, ou arruinem-·e a
• seu salvo. As verdadeiras minas de hum Povo são a industria agricola,
manufaetureira e artística; com c lia se podem obter todos os metaeH pre-
ciosos que girão.no .mundo; sem clla, todo q ouro que existe ou possa des-
cobrir-se, he buma verdadeira e huma causa permanente de cor-
rupção, d'immoralidade e de mercia. E.-;tes prineipios são á muito tempo
lugarea-commum, repetidos todos os dias por homens illustrados; mas, por ·
serem t>rineipios sediços, não devem deixar de proclamar-se de continuo,
sobretudo a hum povo novo, a vêr se elles fazem effeito em seu beneficio.
Mas, a meu vêr, o que deve ser efficazmente protegido e
por todos os. meios e maneiras que estão a alcance ;o governo, he a in·
dustrin manufaet'ureira : todas as despesas e saerifieios que hup1a
fizer n'este ramo, redundará em seu immediato beneficio; elle fará au·
gmentar suá agricultura ; dará novo incentivo ao seu commercio ; fará
naseer ou aperfeiçoará as artes de necessidade e de luxo; moralisará a
população, e ao mesmo lhe proporcionará novos m$os d'existea·
eia e ie trabalho. ·
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129
Permitta-se ·•e que, excedendo •limites d'esta mer.noria, appresente
.
alguns detalhes st).,re este ramo de occu.paC(âo, sem .duvida wail
vitaes em todo o sentido.
Todas u artes de P,rimeira ueees.sidade estio eom.prehend,Wu .em iuas
\ \
grandes di\'iaões; as qu.e nos for.necem os meios de prov.er.a08 á uossa •·
bsistencia, e • que aos põe a· abrigí> da inclemencia du • Olltros
·aceidentes exteriores. Estes duu especies d'artes são ,essensialmente
neceuariA$ para a da vida, ·e o homem he ·
. e energicamente eondusitlo a exercei-as, pelas df
naturesa mesmo ao estado o mais selvqeme o·meaos Cllltivado_qae
imaginar-se. .
O primeiro passo q11e dá hum. Povo, que começa a passar d;& barbari •
dadc para hum certo estado de eivilisação, he cultiNàr a te,..ra; o segun·

do he inventar 08 meios (e estes já. exigem rasâo maia apurada>
de aubtrahir-se aos do seu clima, e eonsti;_uhindo
ltabitaçõcs abrigadas: assim, á,medida qu.e v-ai daado novos passos -.
carreira da civilisação, apura as·artes queja conhece, ou se
usão em paizes mais adiantados,; e d'isto nascem as al1es de -gosto ou de I
luxo, que sã..o o e1[eito àa imitação pelas iDveoções uteis dae
outras Nações, qlle tem feito mais prOf:Jl'essos oa •
. · A agricultura he considerada por hum engenh01o esariptor • como-.
regra que deve se" ir para bem julgar da eivilisaçio de hum Povo_
. '
mas esta regra só póde se"h· a respeito de hum estado grfliaeito de ci-
. '
vilisação, e não se a applicar.mos ao que ·hoje se intende voa· civilisaçio,
isto be, o exercicio de todas as artes, todaà as scl,eDCiaa, em huma paJa. ...
:vra, a iudu.stria em ·todo o genero. Então esta regra' se deve .mudar
n
7
esta outra: para conhecer o estado de ei vilisaçiio de hqm povo, he
necesaario indagar se elle poaue industria fabril, porque ella está""inti-
mamente ligada ao conhecimento e eJfectivo de tpdaa as
e seiencias, entrando n'estu a agricultura. porque 1em ella ·
de produzir u substancias primas, ·nem tão pouco poderáõ haver objec·
de mutua permutação. •
.t\ppliquemos estes priuclpiOll ao aosso estado de c .vejalltlgs ee
a jasto titulo nós pôdemos chamar cifilisados. J
·Para isto, 08 olhos sobre toda a extensão do Brasil, e
qual he o de industria fabril que .prospera no posso paiz. · Possui-
- dores de quasi todas as materias primas, nós aão p.oas.uimos huma uoiqa
fabqea que Dio elaogueç.a em brev:e ou.morra   _
• Royore, tn:ajeM de hum Pl.üoBOplto. ·am.ztc-•e ·Ric:ardlon e . .&·
bertso11. ...
B:.
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180
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tonsidetlção diz mais que muitos volumes. Vejam01-agora se este (1ft-
, timo estado de cousas procede do n0110 desleixo, ou de alguma ...
bilidade natural.

Re· opinião corrente, e talvez aceintemeotc propalada, de que o· Bra-
. .
•il não póde tio cedo possuir manufacturas ; mas se perguntarmos as ra-
tÕes eDl que fan<la semelhante absunlo, ningue..n poderá responder.
Porque huma NaçJo não póde eetabe\ecer manufacturas no terri-
torio? Provavelmente só duu causas in8uiráõ pará esta impossibilida•
dé, a absoluta penuria de braços e de substaneiô primas. Mas esta ul-
tima tàlta parece não ser irremediavel, porque os paizes, que actual-
mente maior numero de manufacturas, são justaDlente aquellea
que não tem materias primas· no seu territorio, ou que ao
muito possuem bwna ou du:.as sui>staneias em pouea quantidade ; por e,xem.
ple a Inglaterra, a Hollanda, a Belgica; entretanto que nestes paizes, as-
•im eq,no em quasi todos os da Europa; se maoufacturão as materias pri-
mas, que lhes Yem da Asia, d• Africa oa da ..  
Huma rasão, especiosa, póde dar-se d'este pbeno-
meoo. Nos climas favorecidos pela natnrêsa quanto á produoção e afMln·
daneia das substancias alimentarias, a maquina humana se eouserva sem
.grandes exforços. On, sendo fraco o aguilhão das neeeaidades, CODBe•
queotemente a industria, que depende da sua imt,ortunidade, só se exer-
ee sobre hum pequeno numero de objectos os mais necessarios e ao mea·
mo tempo oe--m:ais simples. Em as regiões menos favorecidas, et•
pirito d'invençio e industria he muito mais activo, e leva os homens
,muito mais longe na applicação du artes ás commodidades da vida ; e
por CQnseqaencia em hum espac;o de tempo igual, elle sobe a hum maior
grau de perfeição, que entre t's habitantes lias re!iÕe11sltuadas nos tropi-
eos, que alcanc;jo s.atisfazer as necessidades naturaes e prefe-
rem huma simples inação commooidades obtidas pelo traba\ho. Este
argumento he mais de espeeulação do que de pratica, ttorquc nio he ündo
da experiencia nem tio poueo he geral. Bem favorecidos são certos palzes
da Asia, e com tudo a industria lá. tem ehegaAo ao seu auge; bem pouco fa·
-vorecidos slo eertos paizea do mundo (mesmo 'da Europa) e com tudo são

eomo 01 selvagens tio industric808. Póde objeetar-sc que isto sb tem.
lugar n'aqaelles em que a população he- avultada, e nos qoaes' a popula-
(,'io tem feito grandes progressos. Este ultimo argumento he verdade i·
ro, e he por isso mesmo que devemos fazer todos os nossos exforços para
que o &pirito d'industria, que tende a satisfazer a segunda necessidade
da vida, ae propague entre nós, se coa eifeito queremos ter população
correspoadenU, á extensão dq noaso territorio, ae finalmente queremos
rapid91 progreuos na carreira da civililação.

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-


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131
.N.em 01 braços nem as materiu primas noe faltão, para que pOSiamos
-=atisfazer todas as nossas necessidades n 'este ramo. Quinze substanciai
'
indigenas crescem e8pontaneamente no nosso sem que d,ellal
nos saibamos aproveitar, êstando alias todàs experimentadas como pro·
• •
prias para o fabrico dos objectOI necessari01 á navegação e tecidos de
toda a e o solo he demals apropriado para a cultura de
todas as substancias exoticas empregadas nu e possue to·
das as materias de •
Não he pois por fa&lta de producçõea apuadantes, que nés não podemos
possuir fabricas.
Examinemos agora se he a falta de braços e que .priva de que aG
ménos não façamos alglU)S ensaios manufactureiros. •
Temos nbs h uma população livre, que ao menos exce.te á metade da
população tal? • ·
Quaes são os. empregos que atualmeute exercem 01 iadividuos que
• acompõe? '
t
Para eabalmente responcler a estas questões, he   examinar
esta outrá. He hum mal ou bem, huma grande população, quando não
ha meios de oceupar a todos os membros da Sociedade • em traba1'hos
uteis, que lbes 1lSsegure meiosl de subsistencia 'e CODCOrrão para o en·
grandecimcnto e prosperidade do Estado ?
Esta questão tras com&igo mesma a sua resposta. ,Com etreito ella se
reduz a.saber, se hum estado composto de miseraveis, de mendigos .e
ociosos, merece o nome de se ella pbde prosperar, crescer, 011
mesmo manter-se como Potencia independente, livre e civilisada. Não
tem portanto demonstração este principio, pol'que elle he de
ples intuif§.o e salta aos olhos do mais ignorante; nem tão pouço este
outro, e"Jidentemcnte.demonstrado pelos Publicis-tas: ·que a populaçãe
só augmenta quando acha trabalhos de que : P.riociio alias ti-
rado da ordem nat&ll'al, pois que bdm individllo cessa de procrear logo
que cessa de't,roduzir. ·
Bem se 'tê portanto que a nossa população não póde augmentar se
:ta Leão·Be cu obrcu Botanictu do lJr. Mano1Z ..drTuda da Camara, e
a de Koater. Quando mesmo não tivea1emoa amão humG uni-
ca ltlbatanci4 prima, o algodão, eUe só balaria para o eatabtllcimeJ&to
ttle hum aem numero de manufacturaa.
Quanto áa outra., aubataaciaa empr.egadtu nas manufacturM, o linho
dá ezcellen":nente nas noa_BtJa Provincia• do Sul, a seda tqdoa dizem,.
if&digerua no Nurte, e u não tetaoa Iam, não lN certtJmmte por falta de
llnmo qte1 não ltmot abtmclancio d'ammua lotligtros. '
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132
·léhar eaabaraç01 á aaa multiplicação Da má Ôrpniação da Soeiedad•, '
..
e qae ao contrario climiDuirá se a actual não aehar meios de •  
MM, temoJ nós hDJDa população ja alo pouco anltada, e quaes são a•
que exerce ? . - -
. Basta lançar os olhoe para Mllossal Cidades e poYoações conceotradu
e eoDIUltar eaea taes ou quaes elementos estatidieos que po•aimos, para
e1anmente eoohecer-ae 1e nóe temoe 011 não huma população livre avul-
tada; da metma maneira, o homem o menoa illuatrado, mas que olhar
para M e011111 ·eom M Jazes do simples bom seaso e eem prejuisoa, eoohc-
eerá que, para 01 meios que a n011a UIOCiação oft"erece, ja a nosaa
popolaçlo. 111peraboncla. E em que ba de ella oeeupar- ee ? O Commer-
cio, d'esde u mais altas eapecalaçõea do negociante até a01 mais peque•
BOI detalhes 4o mascate, tudo _lle exercido por eatnmgeii'OI j a navega·
ção he igualmente preYilegio dÕs 81Sim eomo M artes ; a.
_ agricultara, M artes gi'OSieiras, o se"iço domeatieo e outros, he mono- •
pollo dos senhores d'eacravos: o que resta pois aos individuoe
I '
llão proprietarios? N1o sei; porctn": as armas, as letl'll, e 01
}mblicos, apenM pódem ooeupar alguns centos, e porque demais, para
, exercer estas oceupações, he necessario po•uir be.os, ou 'ter. por meio
das familiM, certa eonsideraccão na 10eiedade.
Be esta a terceira ou quarta vez que repito estas tristes Tcrdades. e
eontinuo a iDSistir, por estar persuadido que, encarando os malet face a
face, aem noa de•imular-mos a sua intensidade, he o unico de achar· t
lhes remedioe. Que 01 patriotas de seoea, pezcm bem estas obse"ações
e ham tem numero de outras , que sem duYida se lbc deTem appresentar
ao espírito e tratem de dar cura aos males de está prenhe o futuro.
Hum oatto obstaculo imaginario ao estabelicimento às manufacturas,
líe a careea da inio d'obra. Como competir eom os gcneros dai Q.utr•
Nações (cliRm os que adoptão sem eDJQc esta opinião), se a eareatia
cl01 nOIIOI não penaittirá a coneorreneia? . Para den"anecer ette prejui- . _
10, tão fatal para nóa, batta considerar que estM Nações, com quem se
perteade não poderemca sastentar a eoneorrencia, tirio do no.ao paiz •
mate riM prima, e depois nos Tem vender estas meam• materias ja ma·
• MM, d'esde a primeira compra do pocro em broto, até .
a ultima do genero fabricado, por exeB;lplo, o algodão, quantas
despe- e quantoa lllei'OJI não he neee•rio meter em eoDta? o que não
acontecerá se for fabricado no paiz e Tendido no paiz. Não correspon-
derlo eltas g-randes deBpe- á clifterenCja da mão d'obra? Sem duvida,
-e saperabondm:rtemente. •
Rljlicta-•e tolwt o 1eguitate rzemploj r ea'lcule-n por quimla1 mi'•
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Alguem dirá que a baratesa da mão d'obra provem da baratesa d_o.
jornaes. Tál?cz; não consta que os jornaes dos babeis,
empregados nas manufacturas, sr.ja mesquinho como parece suppor·te.
Consulte-s.e a cste,respeito as mnitas obras de estatistiea e
nomia politica, que se tem cscrjpto, e· se Terá. que os jornaes doe
obreiros fabricantes ·equivale e mesmo excede ao que se chama hum
. bom jornal eutre nós. As citações scriüo ociosa' para os que tem lido
estas obras; e para os que as não conhecem, basta reflectirem na ea•
resa dos gcneros alimentarias, que forçadamente haver nos pai·
zes ricos e que influem necessariamente sobre os preçes dos jornaes.
,
••
Nos paizes manufactureiros, que não possuem substancias primas, não
he nas porções vendidas a retalho, qne os fabricantes lucrão, mas na
grande quantidade que expl)rtão. Huma pessa de por exem-
plo, dará hum lucro mui deftlinuto telação ás despesas; porem mui-
toA milhares pcssas produzir.'tÕ huJD avultado p.anho sommando par·
cellas, mesquinhas á primeira vista, mas que reunidas compeosio e re•
,.. bd
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eompensao supera un antemente ao manu,acturetro. •
..
Mas, o ponto capjt.al he dar d'emprego á população ,livre, sem
o qtJ& ella não lloderá subsi&tir nem multiplicar-se'; ou se com a
de todos os tropeços, ella crescer, então deve ser.re}lUtada co-
' ••
tem de pasaar hum genero antes que ue ao derraile1ro tomumidor,
quantos lucios tem de dar, e quanta• despesas tem afazer. I
O algodão comprado aqui, sem contar hwna tnultidão de aperaçõe1 th,
minorlf1Wntaa tem de aeguintes Direj,to11 e dar oa seguinte a lucro•:
Direitos de sahida do genero em b1·uto ; '
Direito• d'e11trada, rw pdrto do seu destirw;
Direitos de 1ahida, do genero manufacturado ;

Direitos tl'entJ·adafahrica(lp, rw porto do seu destirw. •
Lucros.-- O lucro que enoiou G genero f!m brutp, no
que entrão as despesas dofrete te.;
o. lucro• do •egundo, terceiro ou sai8 compradores' em Primeira, ae·
gunda ou mai8 mãos;
O lucro do manufactureiro, que mete em t'.onltJ a dasiUbatatiCit:&s .
de tingir, a mão d'obra, o co•teio dafabrica,. direito• inümoa f't:.;
O lucro do negociante que comprou o genero manttfacturado, no fUB
I
. ·"ai incZ"ido o frete, f-c. ·
.A quanto montaróõ todaa estaa despua, em relaçã:o ás qwfaria o mu·
mo gentro comP,.ndo no paiz, n' elle manufacturado e   7hlvez a
200 e mad por cento. 7bdas a deapeBtU, parti o manufactureiro na·
cicn\al ae redu%iriio áa despeaf!-• dafalwicação e aoa direitos iAttmoB.
"

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mo huma verdadeira praga. Lêa-se e refficta-aet sobre 01 grandes
les· que causa população desempregada, as obras do eeouo-,
• mista MalthUJ: hum grande numero de_individuos condemnados força·
damente á ociosidade, he hum aggregado de feras esphaimadas, que se ,
- devoraráÔ humas ás outras. ' Considere-se a que vicios senão· acha en·
tregoe a nossa população proletaria; vicias que lhe hão sido commuui •
cados pelos escravos, e pela forçada inaC('âO a que a tem eondemnado
tres seeulos d'erros, d'egoismo e desmasel-o. Estes vicios tem crescido
com o augmento ua mesma classe, e   citar o torpe vicio da embria-
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hoje tâ.o geral qoonto era raro antigamente, e que mesmo se vai
communieando a classes mais elevadas.
Ora, se nbs ja temos população eondemnada ao ocio por falta de em-
p;ego, h e evidente ella não he certamente a eallSa de não podermos
possuir manufacturas; e tanto mtis, pois que não he neeessario grande
numero d'individuos para faser mover hum estabelecimento semelhante,.
quando as maquinas podem supprir mais dos dois ter<(OS das forÇas hu-
manas, e que nos trabalhai em que ellas são indispensaveis; podem ser
suppridas por bra((OS incapazes de qualquer outro serviço. Lêa-se a
excellcnta obra do celebre Charles ..Dupin, sobre a industria da Gram·
BretanM. As tres partes que compõe este poderoso imperio, cAtão
apenas huma população de qttinse a deseceis milhões de habitantes, da
flual somente hum terço se emprega nas fabricas; entretanto o uzo das
maquinas supre OS braços de mais de Vinte milhÕes d'homens, e O llrO•
dueto annual qoe d'estas manufacturas pode vestir mais de trezen• •
tos milhões de individuas. He pela perfeição das suas mgquinas que a
Inglaterra sustenta o mais possante -collosso que se tem visto, que gosa
. I
da primazia entre todas atJ Nações da terra, cobre os mares com os seus
navios, e faz face a despezas equivalentes ao rendimento de as po·
tencias do Universo. •
,. Awkerigt, de Londres, foi o inventor à'essafamoaa maquina di
fiar algodão, hoje Tn,ma daa maia uteia e importantes que possue a In-
glaferra. Este mecanismo aperfeiçoado pelo decurao do tempiJ, he tão
poderoso, que , com o irabalho de huma aó mulher , [14 mais prom.
- ..
· ptamente, com mais igualdade e finura, do que o poderiãó fazer 200
mulherea eom roctU, fusos ou rodas. Charlea Dupin faz, a.resplito
....
da introducção e V).Ugari•ação maquinaa, as maia importantes re·
flexõea. " Se alguem (diz eUe), póde considerar como hum flagello'
para hum paiz. e aobretudo para os operarios, oa a:perfei(.oamentos que
·diminuem a mão d'obra em humafabrica'"';quão crimino101 11oão são os
invfntDrf'l dat maquinas, cujo trabalho compenaa na 6ram- Brd.Gnha
...
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135
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Alem da economia dê braços e dos generos industríacs,
que provem' unicamente do uzo das maquinas, nas mànufaeturas se em•
pregãc) toda a qualidade de pe110as &randes, pequenas, homens, mulhe-
res' coixos ' cegos e estropiadoe. Quando le não eonhcce81e algumá
01ltra Tantajem das fabricas, basta\'a -somente a de e dar meioe
de subsisteneia a todos os membros pobres da sociedade, em seu proveito
e da usociação a quem sb servem de pezo: os pequenos pela sua insuC-
fieiencia são a oppressão ·dos Pais pobres; os velhos, os cegos, os er.tro·
pi:adoa, as mnlhereA, preéizão de quem os sustente, e todos juntos formão
hum corpo inutil e pezado ao Estado, entretanto que, empregados nat
ganharáõ o ieu sustento, evitando 88Sim a oppressio que
eauzio e se tornão uteis SU(>princJo os lugares dos individuoa babeis e
bem constituídos, que podem ser empregados em trabalhos mais pesados.
Tudo pois nos incita a promover-moi o estabelecimento das manufac· .
tllras, se queremos ter população e sobre tudo população morigerada,
ae queremos ser verdadeiramente livres e independentes, se queremos
finalmente escapar á vorajem das revoluções. E para qaaódo espera·
. •
industria fabril não pode .. .rentre nbs sem grandes
saerifieios peeuniarios da parte do Estado; saerifieios na verdade de
momento, porque o mesmo Estado obterá em breves aonos inte:reuea
· avultados e a N açio interna, qoe h e a uo.iea segura e
o de 20 milhõe• de broçoa! Porem note!e qué a lkam·Brdanho, 4t&·
IA• dJJnomção fl' eattu   apena.a podiG tmpregar e auatmtGr
tru lllhõea d/ iftdwtriosoa de toda• a t;Ztusea, quatado tJCtUGl-
mente lautat'llmte dez milhõea dJindiftdu6B, que t1ivem aonamte
da I1UJ indutriaftJbril: não aó eUes tnn &nece•aario, maa o mperftuo.
No te·'' moia, que pelo unieo effritD daa maquif'&IU lh tecer e fiar o al-
godio, a Gram-Brda.U wnd6 1101 eátrangriroafumda e teeidoa de
todtu Ga.eapeciea M valor de quaai treaentos milhões (de emsado"; e
que pela invmçio e uao àa ojJieioa mecanicoa, posto• em acção pelO va-
pur, ella aparta o tHJlor de milhõea em lanejicioa. Oa operarioa

OJIIHMif'io fiO prif!ripio todo o furOT d4 ignorafleia á introducção. d' ea-
14• mtJqUiMB; fJOf'"" jit&GlfllfAU reconheceri.io, que, bem lon.ge de lht•
serem fiOCivaa, ataa maquifttJI aó aervião para ougmentar-U&es a proa·
· ,eritlade. Foi' Gaaim que a Inglatetra em 6p annoa em indu-
tria e riquaa a todGI 01 N açõea ; e fJfMJ huma IlluJ que apenaa ccmttJ
16 milhõe• de laabittmtea pôde conquiltar paizea cuju popultJção ezcetle
a 140 milhõ6• dt aubdito6, e tributarias
1
16to he a ta parte
da popu!Gção do noa1o globo.
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136
verdadeira. As cireuUitancias do paiz não permitem aos partiettlares
emprehendão especulações d'este genero, quando devem temer a eon-
correneia estrangeira; eoneorreneia que certamente não poderáõ sus-
tentar se uão tiverem huma decidida protecção do publico e do Estado.
Mas do P':'blieo não deve' esperar-se esta protecção., porque cada hum
vai comprar os generos que necessita a quem lh'os dá mais baratos.
He portanto o governo quem deve animar e mesmo em11reheoder
taes especulayões, e para isto todos os saerificios devem ser reputados •
mesquinhos tendo-se em vistas os interesses futuros, a grandesa e a
prosperidade da N a<-io· .
· Não se espere· q•1e estes IJens como por milagre; he appli-.
cando os méios., he com saetjficios. que se eonseguiráõ tão grandes be-
neficias. Ora, não poderá ou não déverá hum governo illw.tra·
do, a favor de hum povo livre e civilizado, o que tem feito a favor de
hum Povo simi-barbaro, llum despota estrangeiro! •
Não devo occultar, que, appresentando esta idéa, You contra mltimas
,
reputadas, infalliveis e às unicas., segundo alguns pensão, que podem
praticar-se com vantajen:t todoa. Mas estas maximas pecdo por
absolutas; creio ellas são de simples t'heoria, porque 'as não
vejo praticar em parte alguma. - Que os governos não de,vem exercer
,
• Os que tem lido, aabem que querofaUar do famoso Mohammed-.Aly.
. "'
Pacha do Egypto d'esse grande homem, autda que Despota, a qmm a •
antiga Patrio. dos conhecimPJntoa humanos, tmi detJer o retuJscimento.
ll!ohammed-..A.ly lu ..dlbanl'-3 e não Egypciaco, ·e camtudo tem.feito a
fa_;,ar do paiz que governa
1
no centro da 'e dof&tismo
o que naõ temJrito muitos governos, sem nenhum d'utea
grandes estorvos, ou mesmo imaginado fazer tJ prol de PatriaB.
Naõ fallando nos trabalhos d' ease grande homem, 1J4ra tmlg4Ti,4r G
I
civiliaapaõ e t11 luzts entre hum PotJo acabf"'JAhado por gtmn·nos eBtrtm·
geiros e estupidoa, á desoito seculos ; aó direi que tem hum
ael numero de com     pecuniarioa man•
dando vir da EurO'jJQ, Mestrea e e que a de todos os
embaraços, que lhe te-m aweaentado 08 .pr6juisolf, ·a iturcia heredituria
. .
da pepulação, ':maia ainda a cobiça estrangeira, com ttulo i1to, 'sttl8
matrf.&facturas tem prosperado; ConBtgvindo aa3im·ate homem raro in·
- troduzir a induBtria em llum fHJi% ó.furça, e sobreado OC·

cupar milha.,·es lU brar-o.s que âté er.t-ão sõ strmão para a
ehia, a cOAfusão, ·a igtrorancia e a tyrania.
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·Oxalá eate e:mapJo·noa i•vergaftie! Q3;CIIá elle proàusG ft.O elpirito
dos que governão o deaejo d'imital·e!
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131
soa eoota ramó alguan d'indu.stria, porque ·isto séria hum verda;lei"
ro monopolio CPm prejuizo dos particulares; - que não devem dar pro•
te<"A';âo a tal ou tal genero de trabaJho. pata que os outros não soff1·âo; -
1inalmentq, que o melhor meio de apurar c aperfeiçoar a industria ho
deixar exercei-a á vouta'de de cada hum, e ser o mais eeooomico }lOS·
sivcl comprando os generos nccessarios onde mais barato os. achar, sejão
estrangeiros ou nacionacs: eis maximas como infalliveia,
mas que não tem applicação real em parte alguma, e qoe certamente,
são funestas ás nações novas, aonde tudo está ainda por nascer, onde
não ha industria nem concorrencia.
\
Certamente se os Miuistros da famoza Elizabcth, se Pedro o Grande,
e tantos outros l\liuistro.s ou Chefes das Nações, hoje manutactureir as,
tivessem seguido á risca estas maxim:-'s, nem· a Gram-Bretanha, nem
a Russia, ou qualquer outro paiz, possuirião fabricas. Parece que, ao
coutl·ario de tudo o mais os .preceitos se estabelecerão diveraamen te
da.s aratieas anteriores, conhecidameute boas· pela experiencia. Ora,
se .os Corpos L-egislativos de França, Bclgica, Hollanda, Inglaterra e
Estados-Unidos não votasseqt annualmente grandes sommas para anima-
rem tal ou tal ramo de indllStria, faserem nascer hum que não e.xistia
11
ou mesmo para toruar-sc iudigeno hum g:!ncro exotico, poderia dizer·so
que os go\·ernos Nações liv1·es põe em pratica as maximas pro-
clamadadas 11clos seus publicistaJ. !\las o coutr:vio suceede, c todas as
manufactureiras não tiÓ começarão por fo1·marem modelos de fa-
bdcag conta do Estado, o monopolio por
flOl·em mesmo ainda hoje procurão manter hum monopolio nacional de-
}>OÍS que conseguirão vulgarizar a industria, empregando a respeito das
outras nações meios que muitas vezes a moral dcsapprova. Quantos
sacrificios pão tem feito a Inglaterra, . vendendo os seus generos manu·
facturados por baixissimo preço para assim arruinar as fabricas das outi.as
nações, ou comprando estas fabricas par altissimo preço para ·extingui·
lass sugcitando-se o Estado a hum enorme dispendio para saldar as per·
cas do;; particulares ? . Esta i>olitica he bem conhecida, e tem sido sem·
pa·e vantajosa nação que a emprega, com grande detrimento das
outras nações. Que importa perder quiuze ou vinte por cento em cer-
tos genercs por de hum ou dois annoa,quando, cessando a con-
carreacia, pode ganhar· se quarenta ou cineoenta por tempo indifinido?
Vê -ac pois que estas Jnaximas ou farão
1
hum aborto do cerebro de
alguns publicistas de gabinete, ou ii'âo aceintemente e maliciosamente pro':'
· clamaJas para augmentarem a ignorancia ou conivencia dos que até hoje
tem pessimamente dirigido os rlestinos de certas nações que parecem
  a hum eterno torpor. Quaado mesmo cH:LS fossem vcrda·
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139
deirM, por serem em huma experiencia, não pode•
ter com tudo apPlicação a huma Naçlo, nova em e que de tudo
carece. Como explicar-se por exemplo, a mu:ima - que ot goeemo•
.00 deuem ttJl w tal rm110 aoa outroe--
a respeito de buma Naqio que não p0110e iadustria alguma, onde tudo ·
jaz em eMbrilo, oo4e 01 meiól d01 particulares não penait-
·te e•peeolações dispendio9al sem certeza de lucro• ? Duma semelhante
maxima Betia tão fGDesta quanto redicula na boca dos nossos homens de
· · Eatado; e tanto mais, pois que a   conse"a ainda tres ou quatro
JDODopolios, certamente mf.lis absurdos.
O nOIIà governo pareÓe começar a dar a maximu iafelizes o 1e11
devido apreço, e a julgar que os grandes rendimentos das al&ndegas
d'importaçlo, não constituem riquesa nacional, mas que ao contrario in-
cliclo e seu estado de atruo, a pobresa e a (alta d'industria publica. Os
Ministros governo geral já. não pensão como os seus antecessores, que
trabalhâr e adquirir bens reaes para dispenUÇal-os dando-os em tro• por
I
generos que o paiz pôde produzir cotn supera.bundancia, seja hum estado
prospero ; já começão a suppor que dar meios aos naeionaes de Ti vetem
de sena trabalhos, he preferível a alimentar o luso e as riqaesas doses-
trangeiros; finalmente já julgio do seu rigoroso dever facultar á popula-
çio 01 caminhos da indll8tria, da morigeração, e, em hqma palavra, da
Terdadeira eirilisação. •
Todos 01 homens nos devem merecer amisade, seja qual for a região
que os ti'Ver visto naacer, e esta amisade para manter-se entre Nações
apartadas ftece88ifa o laço do eommercio ; mas o commercio deve ser
butna ou troea entre cousas equ_ivalentes, isto h e, entre COtl•
sas que o paiz produz por ontru que não póde produzir ; alias, haverá
aómente miseria de hum lado e eppalencia de outro. O eommercio es-
t.!fangceiro he sem duvida vantajoso, deve ser mantido e protegido, mas
isto não deve- embata<(ar de maneira alguma que nós não tenhamos em
11011a propria eaaa tudo quanto for neeessario á satisfação de todas as pre-
eiiJÕes urgentes e imperioeas, .no numero dai quaes entra a de vestir-nos;
neeesiritlacle t!laási tão como a dos alimentos em huma sociedade
'
eirilisada, e que aio deve etttar á. mercê das nações apartadas, tjue mil
aeeidentes podem prinr de Yir nnder-nos os productos da sua industria.
Entre hum sem numero de hypothezes, que podem Terifiear-se a cada mo-
mento, appre1e11tarei IÓ hapua. Supponhamos huma guerra eom h uma. Na-
çlb estraDgeira forte em marinha, e que os DOBIOI Portos sejãoaetivamente
• os rütorto. cf!l Brt. Miniltroa; 11ppretenbloa a .A.aaemblé11
M eorrmte ( 1834}.


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l»Joqueados ;'se o bloqueio durar mais de dous unos, parte d-a
ficará nua, e o resto só coDSeguirá cobrir-se a peso d'Oill'o; nossos generos
por falta d•e.xpartação apodreoéráõ nos armasens; todo fieará em ,miseria
profurada, 11orque'o mesmo eommereio interno qaasi eessat"á; a Nação não
terá m.eio algum de fazer face ás despesas da guerra, porqtte as rendas
(ao os quatro quintos) consisteQl em ,direitos d'importaç'ij.o, que a
mesma gtterra fará cessar immediatamente, e que eontia.uaráô mesqui-·
nhas por espaço de moitos-annos de paz, pois que a fitlta de exportações
arruinará infall\velmente a maior parte dos * Eat'B.o cow.a,
pagar a essas numerosas cobortes e tanlas
outt·as sanguexugas do Estado, qae à selbelhança dos· zangÕ'es oomeln
todo o mel sem produzirem hurna só gota f Hoje com os olhos fitos na&
·barras espião com ancie. o patUhio estrangeilJ, qu·e lltes tru a subti&-
teneia; aman'hãa olhem debalde: só verá.Õ o pavilh;to a
miseria e a nudez no interior do pair;, a vergonha e o ludibrio <A aação
uo exterior! sempre o espeetaculo que appresenta huma asso ..
ciação sem industria,w e que fuoda as suas re11das não na prospe.r.idade
interna, mas que espera dos estrangeiros tudo qoattto podia ter ao sem
térritorio, e qae portanto d'elles depende absolatamente.
• ErttJ hypotõeae já foi Fealidade para oa Ãmmc-.oa do Norte nu
duas guwras que com a Gram· Bretanha, principalmente ·
na segt,.,., qu«.do Ginda eat.ão .frucQJJ tU feridAs retWndaa tw1 por- ·
fiada ,,.,ta da lndependencia. Tão o llloqwio, qw -.to4iu cu ·
cooimu.nicaçõe• nt.rna ceaaarão totahunle, e o fOve"w da União foi
ob,·igcldo a lançar hum embargo ROl aeu propr.ioa que apeaaa
aabião erã.o logo Então '' 01 ..AmtrriMnos Rão
hum animo emprtlwndedtw e presrerante terião tal&ido 1UJ lmaiB
fll.nOO. miseria, mat foi n'eaaa criae detádrosa qvA a i.dustntl manu ..
factuYeirtJ eomeçou a deaewoolver-1e, heje lon&tJtlo tal auge, q,.e a
.America do NortA1jci compeft_e com o meama Gram-BretlmhtJ. Note-se
que t&'e83a epocha D! '' tJChavào em piores ci1'CUMbt,ciG1
qUI! o Brlllil ; ae suae erão mftqviftÀal, e • ma f1011Uiafão i"f•
rior à ftOIBa, tendo demaü a clt'lll.btJter o clitna e numerosa MfÕeB de
1elvagem aattmhadtJI p..._lnglezes. Comtudo, 'laJfoi opalfio'lttlmo e
a tJCerltldtu mtdidas do governó; que d'esliJ guerra, que parecia
dener a.niquil41' a Republko, aahio s ..Amerirp li1WB e   cma·
ten.do já no tet' l'f'O'J'rW Brio 01 prui.oeD1 germeu fk /&uma irultUJtrill que
esptmta e eaustJ iR"eja ás fiUira NtJçlúlt. Foi n'1aaa epotJba lJJie •
tftt1eftWGo a maioF fJil'Ü. daa tUfUJUB Ulildaa nM mGRtffacttwa,
e da quae• poderíamos mtJndar bu1car modele•, ae eentaaaemo• imit-al-01.
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Huma outra eonsideraçüo uâo secundaria se apprcscnta. Os gcncros·
que damos em troco"' aos estrangeiros não são de primeira necessidade,
entretanto que, os que elles nos ja não podemos passar sem clle-s.
Ora se os noasos gencros perderem a sua voga, ou outros lu-
gares que os p011io vender mais perfeitos ou mais baratos (como ja Yai
acontecendo o algodão e anil dos Est:.ulos- Unidos, e cq_m o assucar
da India) que daremos DÓI em troco?
Suppondo que todos se aebâo penetrados d'estas verdades, indaguemos
em breves Jinhas. o que havemos mister para obtermos htAn beneficio
que nos porá ao abrigo da guerra e dos ventos," independentes de nações
• I
Iongiquas, e que facnltari. a popnlação sem numero de meios de
·trabalho e honesta, ao Estado rendas certas, á pros-
peridade indestructivel. Creio que, em ultima aualyze, o que nos falta
em. primeiro he "OOntade : com oontade e preM!TVeranr4 tudo se
consegue; e se alguns sacrificios são neoessarios, qual o bem que se con-
segue n'este mundo sem sacrificios? Mas em que c::msistem estes ·sacri-
fieios? Nós temos .as mlteri• pfimas, as substancias proprias a tingir,
popula(âo superabundante nas Cidades e povoações concentradas; o
que nos pois? Maquinas e Mestres. 1\'Jande pois o governo bns·
car aos paizes estrangeiros estes agentes, que nos faltão; estabeleça fa-
bricas por sua conta, ou anime negociantes abastados a que esta
empt"esa por meio de conserve o monopolio ou conceda
previlegioi limitados, até que   maquiols se vulgarisem e escolas
normaes tenhâo educado numero de artistas habeis, que sir-
. .
vão de ·Mestres ás fa11ãcas que os particalares queirâo estabeleecr; ex-
tingua então as soas, para ealvar a aecosação do monopolio; mas monopo-
lise sempre a industria nacional, isto he. compre semprp aos naeionaes
tudo quanto for preciso aos seus areenaes e outros estabelecimentos,
mesmo mais· caro do que os estrang:iros nos ·podem os seus ge-
nel-os. O nome de Patria, senão he hum nome vão, quer dizer prefe-
reneia e protecção em tudo e por tudo abs membros da mesma familia, ;
aos subditos do Estado: sem a pratica   principio o nome deCida·
dão he huma palavra irrisoria, hum verdadeiro contra-senso.
Se manufactura& .sabem no principio ordinarias e caras, não se deve
por isso esmorecer; com a continuação ellai se aperfeiçoaràô. Procu-
rem-se Mestres babeis, ainda a custo de grandes salarios, porque taes
saerifieios viráõ :s produzir· avultados lucros: os mestres...promptificão
discipulos que ao depois os substituem por ordenados mais modieos, e á
m4;dida que o numero das fabricas fôr multipliplieando, estas igual-
mente ·com o tempo se hirâo aperfeiçoando e portanto augmentando O!i
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seus )llOductos, que porporclonalmente se hiráõ tornando mais baratos
em rasão -da quantidade e da concorrencia.
Seja o Estado constante no seu projecto, que o lhe será sem·
pre vantajoso; rev istão-se os Cidadãos de hum verdadeiro espírito pa·
triotioo, que logo a51 manufacturas estrangeiras lhe não parecerão me·
lhores nem mais baratas que as suas. ·Meia dusia de grandes emprega-
do& de mçnos, huma grande Fragata desarmada, tantas outras  
inuteis e muitas vezes perniciosas, sendo applicadas a este grande ramo.
d 'industria, produzirão em poucos aunos beneficias incalculaveis, dando·
subsistencia e meios honestos de trabalho a milhares de familias. •
Mas não pensem os possuidores d'escraios, que_ o estabelecimento das
manufacturas seja mais hum artigo de renda para os seus capitaes em-
\ pregados cm carne humana. Os escravos devem ser absolutamente ex-
.cluidos d'cstes trabalhos; 1.
0
, porque elles devem ser çonsiderados uni-
. C.'\mentc como hum grande meio d'oecmpar os homens livres; 2.
0
, por
,
que a acquisiçao d'escravos absorveria avultados capitaes, que pouco
produ7Jriâo; 3.
0
, pela inabilidade dos negros para todo o serviço que
exige a menor porção d' iq te lligcncia:
· Todos· os escravos reunidos, pondo-se em obra to.J a .a intelligencia. e
dexteridade de que são capazes, não conseóllirião fabricar bum bom al-
finete, como energicamente se exprime o judiciosQ publicista que pela
ultima vez citamo_s. Duas das principaes causas dos progressos que cm
dias tem feito as artes e as sciencias (diz cllc) são a das
occupações, e o uso das maquinas: ora a escravidão domestica he hum
obstaculo invencível a esta divisão e a este uso. Tues progressos tem
feito em nossos-'ajas as artes, c as occupaçôes que ellas exigem tem sido
de tal sorte divididas, que o individuo cujas necessidades fossem as mais
. I
    não póue esperar satisfazei-as sem o concurso de muitos cen-
tenares de pessoas. Adam Smitt oi,serva, que a fabricação de hum só
alfinete exige a cooperação immediata de desoito ou vinte individuas;
se se accressentar a este numero os individuas que fabricarão os inst1:u-
. \.
Lfmbro, como hum ensaio que póde já tentar -lle, o estabelecimmto
. '
de .téares d' algodão !'fJS casas de correcção. A devisão dos trabalhos
t!'lll- grande numero qe ojficinas he difficultota em extremo e ceríammte
mui dispendiosa; o que aão acontecerá sé os presos se occuparem em.
. ;
hum só trabalho, que podem "{executar reunidos em só local, e para
I o qual todos seráõ proprios a toda a hur'l do dia e da no-ite, seja qtw.l
fi:Jr o estado t!o seu pltisico·ou o grau da sua inteUigencia. 0$ presos são
'occupados em trabalhos manufactureiros, em quasi todos os paizes que
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hum philantropico de casas de t:ot·recfão e pcnitrnia.
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mentos e a1 maqwnu necessarias aos   ; ot que tirarão o metar .
da mina e lhe derão as divenu preparações convenientes, achar-se-há
em resultado hum numero iramenso de braços. Este nnmero será ainda
maior, se se calcular a quantidade de mãos que concorrem para a pro·
duoçiio do tecido o mais commom, deJde aqueUe qutflforneee a materia
prima até ao ctue vende a mttrcadoria ao eon•midor: ora, entre esta
multidão de operações, ha sóaente huaa limitadissimo numero que possa
ser executado por eJCravos •
. Finalmente, a escravidão offerece obstaculos taes á multiplieaçaõ das
riquesas, á creaçaõ de novos a3entes de pr01peridade, de subsistencia e
trabalhos proveitoeoe á m .. a da populaçaõ, que, se os Povos entre os
quaes ella se acha estabelecida naõ tivessem communicaç.aõ comuNa-
qões livres e industriosas, em poUC08 aunos deseeriaô hum grau da es- .
eala da eivi lisaçaô mais baixo que os do centro da Africa·: as suas
' casas seriaõ barracas ou saazalu de palha ; ae01 vestidos pelles de ani-
maea; e por initrWDentoa de agricultura teriaõ alguos ramos d'arvores_.
OSSOI, OU pedras.


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FIM.
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CONTIDAS
KOS_QVATBO CAPIT11LOS .. -
CAPITULO I.
ODIOSIDADE do co·mmereio de entes humanos.
' .
CoMPARAÇAõ entre as Piratarias dos Barbarescos, e as
dos contrabandistas de Africanos.
\
CatMES commettidos pelos importadores d'escravos.
com que o'i apologistas do com.mercio d' es-
cravos costumão cohonestar a sua sede de  
REFUTAC:A õ de Uio· misera veis sophismas •
... coNVICÇAõ não h e a arma que cleve em pregaruse _con.
tra os contrabandistas, mas sim Leis rigorosas
A QUE preço e por que preço sao obtidos os escra\·os na
Afdca. '
AcA_SOS horríveis a que estão sugeitas as victimas; al-
·guns exemplos.
ExPEC'fACULo hediondo . da venda de escravos, e dolo·
roso aspecto de pum ente humano reduzido á escra-
vidão.
de que se valem os contrabandistas para in ..
troduzir-nos impunemente huma &emelhante praga,
I
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lNDIFFERENÇA das autboridades e dos a,rew•
,
pt!ito da dos escraros,. contra seus pro-
prios interesses e segurança. ,
REFUTAÇAõ do_ sopbisma o mais especioso dos apolo-
,
gistas.
. REZENHÃ .doR que _causa a existencia e o commer·
cio d_e escravos. ·
I
CAPITULO II.
FuNEsTos effeitos do systema da escr.avidão em geral:
examinão-se os mesmos etfeitos entre os descendentes
' .
dos Colonos Europeos de todas as N particular-
,
mente nos Estados do Sul da America Unida; Con- ·
tradicçã()..entre os principias e a pratica do Povo que
se diz o mais livre •.
INFLUENCIA dos principias em que se funda o systema
de €scra vidâo,
- Sobre o caracter dos po')suidores d'escravos;
- Sobre os costumes publicos;
- Sabre as faculdades intellectuaes dos senhores em
. .
todas as Nações que possuem escravos;
- Sobre a Religião.
INFLUENCIA dos castigos e da falta de caridade e/ mi se·
· sobra o caracter e os   dos possuidores
de esc r a vos .
. REsULTADOs d' estas fun_estas influencias, vamente
-ao. espiriio de liberdade civilisaçâo.
PERIGOS que corre a Liberdade em hum paiz dividido ,

ern possuidores.c possuidos, ou em oppr_essores e lJp-
primidos.
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NOS QUATRO CA.PIT.Ut.OS.
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CARACTERES atrozes da guerra civiL. entre h_um Povo
div:idido em classes extremas e subdividido em muitas
castas inim.igas.
PERIGO& que corre a independencia da Nação, no caso
de huma invasão estrangeira .
..
FINALMENTE,, a existencia da escravidAo ... domestica se
oppõe a todos os melhoramentos que tentar bum go-
verno illustrado e Patriotico.
\
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CAPITULO III. -
\

"
INFLUENCIA da escravidão sobre o espírito e industrial,
por tanto sobre a producçtto. e o crescimento das ri-
quezas publicas, relativamente aos senhores e es-
cravos. ,
EFFEITos da mesma influencia sobre a classe livre não
proprietaria .
.DrP'FICULD'ADE, ou antes impossibilidade, de formar-se
h uma classe media nos paizes_ d'escravatura.
N El\1 a dos senhores, nem a dos escravos, e ainda
menos a dos proletarios podem concorrer para a produ-
cção, accumulaçâo e conservação das publicas
e particulares. -Exame das causas deste phenomeno
relativamente a todos or paizes. d'escravos, particular-
mente nos Estados Sul da America Unida, onde de-
vem hir buscar-se os melhores exemplos.
INFLVENCIA da escravidão sobre a   •
A AGRICULTURA he a unica arte cultivada nos. paizes de
escravos. Breve exame do estado desta ·arte nas Co·
. IÕnias formadas pelos Europeos na America, · particu ..
larmente nos Estados Sul da America Unida e Brasil,
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MATERIAS CONTIDAS
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O EMPREGO dos escravos, como trabalhadores, dá so-
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mente prejuizos, por mais miseravelmente que vJvâo
·seus senhores e por mais especulações que fação para·
que seus escravos nada coasumfto. ,..
DETALHES as vantagens do emprego de jornaleiros
' . ,
livres, sobre os trabalhos e I ucros, que dilo os escravos.
CALCULOS detalhad.os das despezas, percas e lueros que
dão os em'qualquer especie de
trabalho. "
CAPITULO IV.
A ESCRAVJDAõ dozoestica sendo a causa unica do nosso
atrazo, deve ser abolida.
PEatoos apparentes de huma tal operação ; estes peri-
gos sao imaginarios.
l\'IEtos lentos, mas seguros, de conseguir·se esta abolição
sean grande abalo ,da assossiaçâo.
NA õ convêm eonservar no paiz hum grande numero de
libertos ;' mas estabelecel.os como colonos na Africa ;
meios de estabelecer estas coloniàs.
PoREII antes desta epocha, devem approveitar-se I estes
taes e quaes braços dos applicando·os so-
mente ao! trabalhos da agricultura.
1\fEros de hir removendo os escravos das cidades para os
  '
A DIFFICULDADE n!o he conseguir huma tal remoçlo,

porê'm a sorte dos actua.es escravos.
SE com effeito se tem em vistas povoar o Brasil e c ulti-
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val-o eom br-aços livres, deve desde já tratar .se de
mar Coloniu de gente q.ue emigre da Europa.


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NOS QUATRO CAPITULO&.
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VANTAGENS inapreciaveis destas Colonisações.
MEios que devem empregar .. se pfra formar Colonias de
gente livre da Europa, 'luer por conta dó Estado,
quer por em prezas particulares.
BAzEs em que devem firmar-se as   por con-
. ta do Estado. igualmente vantajosas para os colonos e ·
o·mesmo Estado.

A Q.UE da Europa se devem hir buscar os colonos;
.distincção entre os l.ugares a que devem hir buscar-se ·
colonos por conta do Estado, e aquelles d' onde devem
vir colonos ·por em prezas desta
distincçAo.
QuANTO ás colonisações ·por conta dos particulares, de-
vemos seguir o que se praticou na America. do Norte.
_ - Exposiçllo dos meios que empregarão nossos coter-
raneos nos Estados-Unidos.
. .
Os HABITANTES das ]lhas dos Açôres e Canarias os
maia proprios para estas colonisações ou trabalhos par.
ticulares.
Os HABITANTES da Suissa e do Norte da A!lemanba de-
vem ser preferidos· para as eolonias do Estado.-Pre-
juizos fundado,s no clima,. contra a colonisação da
gente do Norte da Europa;, refutação destes
EcoMOKIA de braços que resulta do uso das maquinas ; .
- quaes são as maquinas de que poden1os tirar maio·
. res vantagens ; - maquinas que . devemos usar, in·
ventadas entre nós, e algumas, de que podemos man-
dar buscar modelos a paiz estrangeiro. •.
O KELBOR methodo de cultivo, e em geral todos os pro-
cessos de agricultura usados nos paizes .. mai9 adianta-
dos, _devem merecer a nossa attença.o e serem adopta.. .

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MATEiliAS'CONTIDAS
, dos pelos nossos lavradores. .... A vulgarisaç§.o dOS:
uteis só ppdem vir ao Brasil por meio de
. · Sociedade• de agricultura normal. ,
CÀusAs que se oppõe ao uso du maquinas nos
,
d' escravatura.
/ · BREVE demonatraçlto das vantagens e inte1·esses que te.
rião os nossos proprittarios substituindo as forças da
. arte, ás Corças brutas escravos.
OssERVAÇõES sobre os trabalhos de mineraça.o.- Estes
"'
. trabalhos são pouco_ e muito dispendiosos.
- para aperfeiçoar. o trabalho das minas, ad·
metindo-se Mestres babeis, que tivessem apprendido
. os'processos e o manejo das maquinas de que usão os
cs_trangeiros.-' Os trabalhos de mineração nA o devem
me.recer tanta protecçAo como os outros ramos ti' in
· : -. r,asões d' esta opini!o •
..
O RAIIO, de il)dustria, que mais deve ser protegido e ani •
mado ·depois da agricultura, sa.o os trabalhos manufa.
ctureiros.
FA.CKIDADE de estabelecer ·entr.e nós-muitas e diversas
'fabricas; -meios de conseguir este estabelecimento;
- vistas sobre a necessidade imperiosa de hu'm. ·se-
. mel}la"nte   e suas vantajens iuapre-
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Rio de Ja&neiro, -'J'yp. CommercW Fluminense. - 1817.
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