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UM ESTUDO EM TITO

Estudo preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os pastores batistas em Cabo Frio, RJ, agosto de 2004

INTRODUÇÃO
A carta a Tito tem data ao redor de 62 a 64, e deve ter sido escrita, portanto, durante a quarta
viagem missionária de Paulo. Foi produzida na Macedônia (3.12). Tito não era judeu, mas grego,
tendo sido ganho para Cristo por Paulo: Gálatas 2.1-3 e Tito 1.4. A decisão paulina de não
circuncidar Tito está em consonância com Atos 15 e é um exemplo vivo do novo tempo do
evangelho, de liberdade da lei (Gl 1.4). Não fosse esta carta seria ele um personagem obscuro,
mencionado de passagem. Atos omite seu nome. Mas ele foi um grande homem de Deus e pode nos
lançar luzes sobre nossa conduta como homens de Deus.

1. A FIGURA DE TITO
Parece que ele acompanhou Paulo na segunda e terceira viagens missionárias, e em parte da quarta.
Foi um missionário. Durante a terceira viagem recebeu missão delicada: apaziguar a igreja de
Corinto, onde muitos contestavam e acusavam Paulo. O apóstolo não podia ir. Ele e Tito
combinaram encontrar-se em Trôade, o que não sucedeu (2.12-13). Paulo foi a Macedônia para
encontrar-se com Tito, que chegou com boas novas (2Co 7.5-6, 13-14). Quando lemos 1 e
2Coríntios percebemos que o relacionamento Paulo e igreja foi bem tumultuado. Tito parece ter
posto ordem na casa. Três lições podemos tirar daqui:
(1) Hás igrejas que rejeitam pastores, por melhores que sejam. Há igrejas boas e amorosas, mas há
igrejas que são cemitério de vocações ministeriais. Hansen, no livro O poder de amar sua
igreja: um diácono contando, feliz, que os quatro últimos pastores daquela igreja
abandonaram o ministério. Há leigos cruéis, que responderão a Deus por suas atitudes.
(2) Devemos ser cuidadosos em comentários sobre colegas em dificuldades. Há circunstâncias que
independem do obreiro e há igrejas problemáticas.
(3) Há obreiros que têm habilidade como a de Tito. Devem ser mais empregados em nosso meio.

Tito também organizou a coleta para os cristãos pobres de Jerusalém: 2Co 7.6, 13-14. Era homem
de confiança. Ele também foi para a Dalmácia, atual Croácia (2Tm 4.10). Para alguma atividade
administrativa, relacional ou missões? Não sabemos. Mas vemos algo: um homem envolvido com a
obra, digno de confiança, com espírito missionário. Uma lição: não devemos compartimentalizar
nosso serviço como ministros. Uma pergunta: somos honrados, dignos de confiança?

Em 1.5 ele está em Creta, como organizador da obra. Em 3.12 ele é chamado a se encontrar com
Paulo em Nicópolis. Algo fantástico nestes obreiros: homens sem residência fixa. Eles tinham uma
visão global, não paroquial, do reino. Igreja X: convite para o pastorado, mas exclusivamente
voltado para ela. O paroquialismo é muito prejudicial. A busca de segurança e bem-estar apaga o
brilho do serviço. Pensemos em Atos 20.24, Colossenses 4.17 e 2Timóteo 4.5.

2. UM DEVER DE TITO – CONSTITUIR PRESBÍTEROS (1.5).


Era Tito “presbiteriano”? Em Atos 20.17 vemos que a igreja de Éfeso tinha presbíteros (v. 17), que
eram bispos e pastoreavam a igreja (v. 28). Os termos se intercambiam na mesma pessoa,
mostrando aspectos diferentes de sua função. Seria Tito um arcebispo sagrando bispos e pastores?
Não me parece ser a resposta. E esta não é a questão principal. Eis o principal, o caráter dos
presbíteros. Ele alista as qualidades que os gregos pediam dos homens públicos. O pastor é um
homem público. Tem uma imagem externa pela qual deve zelar e que ele projeta na comunidade.
Deve ser, conforme 1.6-9:

(1) Irrepreensíveis – Em 1.6. Uma pessoa que não seja reprovada em conduta. O reprovado deve
ser advertido (1.13)
(2) Marido de uma só mulher – O sentido literal é o de não ser bígamo. O mais aceito é de lealdade
à esposa. Outros: se enviuvasse, não se casasse de novo.
(3) Filhos crentes. Este foi o problema de Eli. Devemos investir muito em nossa família. Cânticos
1.6 soa triste se visto como aplicável a nós.
(4) Defeitos de trato que não deve ter - não arrogante, não dominado pela ira, sem se embriagar,
não violento nem cobiçoso. O pastor deve ser sustentado pelo que faz, e se faz bem, deve
receber bom sustento:1Tm 5.17. Mas não deve ser ganancioso.
(5) Qualidades de trato que deve ter – hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio (equilibrado, de bom
senso), justo, piedoso, autocontrole, apegado à Palavra.

Nossos seminários valorizam muito o cognitivo. Devem fazê-lo, mas devem enfatizar mais o
caráter. O aspecto formativo não é secundário em relação ao informativo. Liderança cristã sem
caráter é um desastre.

3. O PROCEDIMENTO DIANTE DO ENSINO DESVIRTUADO


É um ponto alto na carta: 1.10-16. O grande problema era a judaização do cristianismo (v. 10). Atos
15.28-29 deixa bem claro que ficamos com a responsabilidade de guardar, do Antigo Testamento.
Há hoje uma forte rejudaização do evangelho. Cuidado com tal prática. O curioso é Paulo chamar
Epimênides de “um seu profeta”. A rejudaização é fábula judaica de gente desviada da verdade
(v.15). devemos ser sadios na fé (v. 14), isto é, ficar com a nova mensagem do evangelho. O
conceito paulino dos judaizantes não é bom: vv. 16-17.

4. CONSELHOS AOS NÃO PRESBÍTEROS


Não eram apenas os presbíteros que recebem recomendações. Todos os demais membros da Igreja o
recebem:
(1) Homens idosos – os maduros: v. 2.
(2) Mulheres idosas – as maduras: v. 3. Devem ser referenciais para as mais jovens (vv. 4-5).
(3) Jovens – criteriosos (RAB e VR), prudentes (NVI), moderados (IBB). Moço é impulsivo e
muitas vezes extremado. Tenha bom senso. Tito deveria ser o modelo (v. 7). Linguagem sadia
era necessária.
(4) Servos – dignos e honrados (v. 9-10). Por que não combateu a escravidão. Estrutura social.
Roma: 600.000 livres e 600.000 escravos. Uma caos, a libertação. Stott: evangelho armou
bombas de tempo que explodiram no momento certo, acabando com a escravidão.

5. A GRAÇA SALVADORA DE CRISTO


Um dos belos momentos do NT: 2.11-15. A graça é salvadora, educadora, santificadora e
esperançosa. Quem é Jesus Cristo: v. 13. O que ele fez: v. 14a. O que devemos ser: v. 14b.

UMA SAUDAÇÃO
Que cuide de Zenas e Apolo, talvez portadores da carta (3.13). Um homem preocupado com os
parceiros de ministério. Oportuno ensino para nós! Apolo não era seu rival, mas colaborador. E a
bênção final.