E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse. Ne 8.

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Hermenêutica

Preservando a Sã Doutrina

APOSTILA DE ESTUDO TEOLÓGICO
A Serviço do Mestre!

APOSTILA DE ESTUDO TEOLÓGICO A SERVIÇO DO MESTRE!

GILVAN NASCIMENTO PROFESSOR BACHAREL EM TEOLOGIA LICENCIANDO EM GREGO

HERMENÊUTICA PRESERVANDO A SÃ DOUTRINA

Salvador 2009

APRESENTAÇÃO

HERMENÊUTICA PRESERVANDO A SÃ DOUTRINA

Esta apostila foi extraída do site http://www.tione.h-br.com/, do teólogo, professor e escritor Tione Echkardt. Além desse material fiz alguns pequenos acréscimos com base em outros livros. Ao final, nas fontes bibliográficas cito as obras que foram utilizadas nesta compilação. Minha contribuição fora esses pequenos acréscimos foi basicamente formatar e sintetizar alguns textos. Meu objetivo é contribuir com a capacitação dos cristãos, no uso das diversas ferramentas hermenêuticas, para interpretar a Bíblia de forma correta e consequentemente favorecer à aplicação dos conhecimentos adquiridos com vista a aprimorar seu serviço para o Reino de Deus. “E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.” Ne 8.8 “E correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar?” At 8.30.31

Salvador 2009

Sumário Apresentação .......................................................................................... 04 Introdução ............................................................................................. 05 – 08

A Interpretação na História Interpretação Judaica ............................................................................... 09 - 12 Interpretação Patrística ............................................................................ 13 Interpretação dos Pais Alexandrinos ........................................................... 14 Interpretação dos Pais Antioquinos ............................................................ 15 Influência Ocidental ................................................................................. 16 – 19 Interpretação na Idade Média .................................................................... 19 – 22 A Interpretação na Reforma ...................................................................... 22 – 25 A Interpretação na Pós-Reforma ................................................................ 26 – 31 A Interpretação nos Séculos XIX e XX ........................................................ 31 – 34

As Ferramentas da Hermenêutica As Interpretações de Hoje ........................................................................ 35 Princípios Hermenêuticos .......................................................................... 36 – 45 Métodos Literários Especiais ...................................................................... 46 – 54 As Teorias Críticas ................................................................................... 54 - 63

Conclusão .............................................................................................. 64 Bibliografia ............................................................................................. 65

Apresentação O estudo da hermenêutica é imprescindível ao cristão em todas as eras, pois a sua falta nos púlpitos e nos devocionais tem gerado uma infinidade de interpretações, heresias e confusão no seio da igreja. Soa em nossos ouvidos a mesma exortação feita aos escribas pelo Senhor: “Errais por não conhecer as Escrituras...” (Mt 22.29). Podemos ler a Bíblia, porém não conhecer a mente de Deus Expressa na Bíblia. O estudo da Hermenêutica é fundamental para o cristão que deseja se tornar um obreiro aprovado (2Tm 2.15), pois a interpretação bíblica é essencial para a compreensão e para o ensino correto da Bíblia. Certas pessoas "adulteram a palavra de Deus" intencionalmente. Por isso é necessário observar e entender o significado, compreender o sentido para a época, depois entender o que a mensagem bíblica quer dizer para os dias de hoje e aplicá-la. Algumas igrejas defendem o livre exame e interpretação das Escrituras, porque cada indivíduo criado por Deus tem o direito de examinar a Bíblia e chegar às suas próprias conclusões sobre a mensagem. Entretanto, esta forma é perigosa, pois se esta interpretação for feita de qualquer forma, sem o uso das ferramentas hermenêuticas, pode-se chegar às mais incríveis e absurdas conclusões. Se todos derem a sua opinião sobre determinado assunto sem estudá-la corretamente, não chegarão a uma conclusão plausível, porque cada um terá uma opinião e assim poderá trazer sérias conseqüências para suas vidas. Por isso que saber observar, interpretar, correlacionar e aplicar faz parte de um processo para chegar a uma boa interpretação Bíblica. A interpretação Bíblica é um meio que visa um fim, diz o Dr. Roy B. Zuck. Mas, estudar a Bíblia não é apenas ver o que ela diz e conhecer o seu significado. É preciso aplicá-la à vida, tornando assim, um processo completo. Aprender a interpretar a Bíblia é muito importante, porque a interpretação afeta no modo de agir e de viver de quem a faz e a ouve. Estudar a Bíblia, por estudar, não é o suficiente, é preciso utilizar a hermenêutica. Esta é essencial para a interpretação.

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Introdução A palavra hermenêutica tem a sua origem no nome de Hermes, um deus da mitologia grega, que servia de mensageiro dos deuses transmitindo e interpretando suas comunicações aos afortunados ou desafortunados destinatários. Entretanto a palavra hermenêutica é derivada do termo grego hermeneuo, ermneuw (que significa interpreto), traduzo. Platão foi o primeiro a empregar a palavra hermenêutica como termo técnico. Hermenêutica é a arte de hermeneia, ermneia (interpretação), ou melhor, designa a teoria dessa arte. Berkhof define a hermenêutica como a ciência que ensina os princípios, as leis e os métodos de interpretação; enquanto Virkler, a define tecnicamente, como a ciência e a arte da interpretação bíblica. Ela é considerada ciência porque tem normas, regras e estas podem ser classificadas num sistema ordenado. Também é considerada como arte porque a comunicação é flexível e, portanto, uma aplicação mecânica e rígida apenas, pode distorcer o verdadeiro sentido de uma comunicação. Por isso há necessidade de aprender as regras da hermenêutica, assim como, a arte de aplicá-las. O estudo da hermenêutica tem o propósito de interpretar as produções literárias do passado. Sua tarefa especial é indicar o meio pelo qual possam ser removidas as diferenças entre o autor e os seus leitores, em qualquer época. Ao utilizar a hermenêutica na interpretação da Bíblia, é preciso conhecer alguns problemas que serão enfrentados. Isso ocorre porque ela se relaciona diretamente com outras áreas do estudo Bíblico, entre esses estão: o cânon, as críticas textual e histórica, a exegese, as teologias sistemática e Bíblica. Também há alguns problemas: a) Cronológico: está relacionado ao fato da Bíblia ter sido escrita há muito tempo atrás. O primeiro livro foi escrito aproximadamente há 3.400 anos e o último em torno de 2.000 anos; b) Geográfico: influencia pelo fato que a maioria dos leitores está longe demais de onde os fatos ocorreram. Sem contar que quase tudo mudou ou tudo realmente mudou;

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c) Cultural: a maior parte da cultura mudou, além de ser muito diferente a forma de pensar e agir hoje em dia; d) Lingüístico: como já se sabe, a Bíblia foi escrita nas línguas: hebraica, aramaica (Ed 4.8; 6.18; 7.12-26; Jr 10.11; e Dn 2.4 – 7.28) e grega. Estas contêm muitos detalhes importantes e ricos para um conhecimento mais detalhado em relação à Bíblia. Entretanto, foi por causa dessas línguas e das mudanças naturais, que surgiram os problemas em relação as interpretações textuais, conforme consta nos melhores manuscritos encontrados; e) Literário: as diferenças contidas nos estilos de escritos utilizados nos tempos bíblicos com os de hoje são enormes. Um bom exemplo é o fato do NT utilizar muitas parábolas, enquanto que no AT utiliza muitos provérbios e salmos, entre outros estilos. O importante é que o estudante da Bíblia saiba que para estudá-la é preciso ter bom senso, paciência, disposição e dedicação ao analisar os textos. Antes de começar a estudar a hermenêutica e suas técnicas é preciso lembrar que o livro a ser estudado é a Bíblia. Esta por sua vez é fruto da revelação de Deus ao homem. Então é necessário que haja uma compreensão do que significa revelação e quais os tipos que existem. Revelação As palavras “galah” do AT e “apokalípsis” do NT significam revelar, descobrir. Esta palavra no grego expressa o ato de puxar a cortina para que o auditório possa ver a atuação dos artistas na representação teatral. É como se Deus puxasse a cortina para que se veja o que está escondido, oculto. Portanto a revelação é a atividade divina através da qual Deus se torna conhecido. Duas frases enfatizam a natureza verbal da revelação na Bíblia "Assim diz o Senhor" e "a Palavra de Deus". Em I Samuel 2.27 encontra-se: “Veio um homem de Deus a Eli, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Não me revelei, na verdade, à casa de teu pai, estando eles ainda no Egito, sujeitos à casa de Faraó?”

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E no livro de I Crônicas 17.3 encontra-se: “Mas sucedeu, na mesma noite, que a palavra de Deus veio à Natã, dizendo: Vai e dize a Davi, meu servo: Assim diz o Senhor: Tu não me edificarás casa para eu habitar...” Deus é espírito e não pode ser visto, por isso ele tomou a iniciativa de se revelar aos homens, tanto no passado, como ainda hoje. A revelação pode ser definida como a atividade de Deus em tornar-se conhecido pelo homem e uma conquista do homem em descobrir Deus. Inspiração Inspiração é o método de receber e interpretar a verdade revelada por Deus, por isso ela está intimamente ligada à revelação. Weldon E. Viertel diz que a revelação pode ser transmitida oralmente ou relatada em forma de documentos. A atividade divina inspira e guia o homem em seu trabalho de interpretar e preservar a revelação. A conclusão mais exata para a inspiração é que ela é a atividade divina em que o Espírito Santo guia as mentes dos homens selecionados e os tornam instrumentos de Deus a fim de comunicarem a revelação. Entretanto não ocorre de forma insensata. Revelação e Inspiração Tanto a revelação como a inspiração são frutos do Espírito Santo de Deus na vida do homem. Deus se revelou ao homem e a cada dia se revela. Esta revelação é feita pela forma natural, isto é, através da criação feita por Deus. Mas também pode ser especial, a saber, através da teofania, que significa a manifestação de Deus ao homem. Sendo que a teofania, perfeita e mais completa, que a Bíblia relata é através de Jesus Cristo. Esta manifestação é tão completa que é considerada como sendo a própria perfeição. A Bíblia também é uma forma de Deus se revelar ao homem ou pode-se afirmar que é uma das formas. Entretanto, o que o estudante da Bíblia precisa saber é que Deus além de se manifestar ao homem pela forma natural ou especial, também utiliza o Espírito Santo para que haja uma boa compreensão. Pois só o Espírito Santo pode revelar Deus ao homem.

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Da mesma forma, o Espírito Santo inspirou os homens para escreverem as Escrituras, conforme consta em II Timóteo 3.16: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça;“ Ele também os capacitou para interpretá-la e compreendê-la, conforme consta em I Coríntios 2.14,15: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido.” Uma coisa precisa ser muito bem esclarecida. O estudante de teologia não é o único que está tentando interpretar a Bíblia, isto vem ocorrendo há muito tempo. Por isso é necessário ter uma visão panorâmica da história da interpretação bíblica ocorrida no decorrer dos anos. Através deste ponto de vista o estudante entenderá melhor os métodos e os princípios de interpretação. Também não cometerá os mesmos erros, podendo partir de um ponto já visto ou, até mesmo, pular um erro e procurar uma melhor forma de interpretar. O adágio de Santayana diz que "aquele que não aprende a lição da história está fadado a repeti-la". Então, para uma melhor compreensão do panorama histórico, é preciso ver alguns tipos de interpretação ao decorrer dos anos.

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Interpretação na História Interpretação judaica Apesar do povo de Israel estar sempre ouvindo as leis de Deus (Torah), continuava tendo a necessidade de interpretá-las para que a compreendesse. Pode-se afirmar que a história da interpretação bíblica começou com Esdras quando o povo voltou do cativeiro babilônio, por volta de 536 a.C., para a reconstrução do Templo de Jerusalém, conforme consta no livro de Neemias 8.1-12. O povo pediu a Esdras que lesse a Torah, porque no período do exílio a compreensão do hebraico havia sido perdida e se falava o aramaico. Por isso era necessário que alguém pudesse traduzir o texto para a língua, ou melhor, para a cultura do povo judeu, conforme consta no versículo 8, o qual fala a respeito da leitura da Palavra de Deus e como os levitas fizeram para que o povo a entendesse através da interpretação. Apesar de todo esse cuidado, que foi muito importante, surgiram alguns problemas. Com o passar dos anos os rabinos acharam que podiam interpretar as Escrituras através de outros meios existentes na época, os quais eram diferentes aos já existentes. Vejamos a seguir: Letrismo Era o tipo de interpretação na qual as letras na mente do autor criavam interpretações fantásticas. O rabino Akiba (50? - 132 d.C.), líder de uma escola para rabinos em Jaffa, na Palestina, afirmava que toda repetição, figura, paralelismo, sinonímia, palavra, partícula, pleonasmo e, ainda mais, a própria forma de uma letra possuía um significado oculto. Da mesma forma que cada fibra da asa de uma mosca ou da perna de uma formiga tem sua importância curiosa. Também dizia que, assim como o martelo que trabalha ao fogo provoca muitas fagulhas, cada versículo das Escrituras possui muitas explicações. Para ele cada consoante do texto bíblico tinha vários significados.

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Midráshica O rabino Hillel (70? a.C. - 10 d.C.), nascido na Babilônia e fundador de uma escola em Jerusalém, é considerado o fundador das normas básicas da exegese rabínica. Essas regras foram divididas em seis (6) tópicos, os quais se subdividiram nos 613 mandamentos da lei mosaica. Mesmo assim, continuou com uma exposição fantasiosa em vez de conservadora. Sua exegese dava vários significados aos textos, palavras e frases sem levar em conta o contexto; combinava textos que tinham palavras ou frases semelhantes sem se preocupar com as idéias expostas em cada um e interpretava aspectos incidentais de gramática. Ex.: A "formação de uma família" no texto, isto é, quando um grupo de passagens possui conteúdos semelhantes, considera-se que tal grupo tenha a mesma natureza, oriunda do sentido da passagem principal do grupo. Assim sendo, pode-se interpretar o que está difícil nas passagens levando-se em consideração o trecho principal; Outro exemplo seria a dedução a partir do contexto. Pelo simples fato de dar interpretação a identificação de significados ocultos em incidentes gramaticais e a expressões numéricas arquitetadas, a midráshica perdeu a visão do verdadeiro sentido do texto. Pesher Este método de interpretação existia, particularmente, entre as comunidades de Qumran e dava ênfase às coisas escatológicas. A comunidade de Qumran acreditava que tudo quanto os antigos profetas escreviam tinha um significado profético. Esta interpretação apocalíptica era comum entre eles, pois acreditavam que o "Mestre da Justiça" (Deus) tinha revelado o significado das profecias, que sempre foi um mistério. Mas o que mais os agradava era a idéia de pensarem que eles eram o remanescente das profecias.

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Alegórica Alegorizar é procurar um sentido oculto ou obscuro que se acha escondido no texto. Entretanto este sentido é dado de acordo com a interpretação do intérprete. A interpretação alegórica baseia-se, principalmente, no sentido literal que é tido como base. Dentro desta ótica, a interpretação literal é um código que precisa ser decifrado e a alegorização traz o seu verdadeiro significado e dá sentido ao texto. Virkler diz que a exegese alegórica baseava-se na idéia de que o verdadeiro sentido jaz sob o significado literal da Escritura. Alguns escritores afirmam que a interpretação alegórica já existia. Mas foi a partir da admiração, que os filósofos gregos tinham pela mitologia, que a alegorização se tornou mais conhecida e também muito influenciada. Os filósofos utilizavam este método porque a mitologia grega era muito imoral, talvez seja melhor dizer amoral, e também continha muito antropomorfismo. Com a interpretação alegórica os mitos perderam o sentido literal e passaram a ter um sentido oculto e mais profundo, isto é, sempre havia uma aplicação para a vida pessoal. Os judeus alexandrinos, no Egito, foram alcançados pela filosofia grega e tiveram sérios problemas quando começaram a ser influenciados pela mesma. Pois como eles poderiam aceitar o AT e a filosofia grega? Alguns achavam a resposta alegorizando a Torah (Lei Mosaica). Duas pessoas se destacaram neste período, Aristóbulo (100 a.C.) e Filo (20 a.C. - 54 d.C.). Aristóbulo acreditava que o AT era a base da filosofia grega, por isso os ensinamentos só seriam compreendidos mediante a alegorização. Filo ou Filão é considerado o alegorista judeu-alexandrino mais famoso. Apesar de sofrer a influência da filosofia grega, tentou defender o AT contra todos. Sua vontade de defendê-lo era tão grande que achava que o sentido literal era para os imaturos e o alegórico para os maduros, isto é, para a alma. Seu medo era que Deus fosse visto como alguém terrível ou como um monstro da mitologia grega e por isso preferia aplicar algumas passagens à vida normal através da alegorização. Alguns exemplos onde ele utilizava a alegoria: Quando o significado literal dizia algo indigno de Deus; a declaração parecia ser contraditória à outra da Escritura; havia expressões ambíguas ou palavras

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supérfluas; havia repetição de algo já reconhecido; era possível um jogo de palavras; havia presença de símbolos. Exemplo citado por Zuck: Se o texto bíblico diz que Adão 'se escondeu de Deus', essa expressão é uma desonra a Deus, que vê todas as coisas - portanto, só se pode tratar de alegoria. A interpretação alegórica influenciou a tantos, que os essênios se tornaram numa comunidade fechada e ascética. Eles viviam em cavernas próximas ao Mar Morto, copiavam as Escrituras e escreviam alguns comentários sobre o AT. Com a vinda de Jesus e do Espírito Santo, assim como, com a obediência dos apóstolos em ensinarem os mandamentos de Cristo, a interpretação começou a tomar outro rumo. O NT é constituído de quase 15% de citações diretas, de paráfrases ou de alusões ao AT. Dos trinta e nove (39) livros do AT, apenas nove não são expressamente mencionados no NT. Jesus é a fonte para a veracidade do AT, pois ele citou muitos textos do AT dando autoridade a tais. É muito importante observar que Jesus nunca entrou em contradição com nenhum texto, muito menos com os escribas. Todas as interpretações feitas por ele eram aceitas pelos que as ouviam. Os escribas e os fariseus nunca o acusaram de usar a Escritura de uma forma antinatural ou ilegítima. No texto de Mateus 5.21-48, Jesus repudia os acréscimos e as

interpretações errôneas do AT. Em Mateus 22.23-33 encontra-se novamente um relato de Jesus corrigindo os saduceus. No versículo 29 Jesus os corrige ao dizer: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.” e ainda, no versículo 33 é demonstrado como Jesus era visto por todos: “E as multidões, ouvindo isso, se maravilhavam da sua doutrina.” Mesmo assim, as interpretações continuavam ocorrendo de forma incorreta. Na época dos apóstolos ocorreram alguns problemas relacionados com elas. Mas a maioria das interpretações feita no NT em relação ao AT era literal, isto é, história como história; poesia como poesia.

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Interpretação Patrística A respeito dos pais da igreja no 1º século d.C., sabe-se que em seus escritos proliferavam algumas citações do AT e entendiam que estas convergiam para Jesus Cristo. Juntamente com os apóstolos, uma escola de interpretação alegórica dominou a igreja nos séculos seguintes. Mas esta alegorização tinha um propósito considerado digno, que era o desejo de entender o AT como um documento cristão. Clemente de Roma (de 30 a 95 d.C.) fez muitas citações detalhadas do AT e também citou o NT com muita freqüência, com o intuito de reforçar as suas próprias exortações. Inácio de Antioquia, da Síria, escreveu sete cartas endereçadas à Roma citando constantemente o AT e falando de Cristo; Policarpo de Esmirna, em sua Epístola aos Filipenses, também citou o AT. A Epístola de Barnabé também contém as suas citações e é nela que se encontra a gematria, a saber, a prática de atribuir significados aos números. Entretanto, o mais importante de tudo isto é que todos os pais da igreja primitiva escreveram sobre Jesus utilizando o AT como referência, mesmo sendo influenciados pela alegorização. Um exemplo desses textos que mostravam que o AT prenunciava a Jesus Cristo é o de Justino Mártir (100-164 d.C.). Apesar de alegorizar todos os textos que escrevia, ele afirmava que o AT fora escrito para os cristãos. Todavia estes só poderiam entendê-lo através da alegorização. Quem permaneceu quase intocável, quanto a alegorização, foi Irineu (130202 d.C.). Suas obras mais conhecidas são: Contra as Heresias e A refutação da falsa gnose. Ele ressaltou que o melhor método de interpretação era o da fé. Outro que seguiu os mesmos caminhos de Irineu, foi Tertuliano de Cartago (160-220 d.C.). Dizia que a solução para as heresias era a regra da fé, que era mais conhecida como os ensinamentos ortodoxos sustentados pela igreja. Mesmo acreditando que as Escrituras tinham de ser interpretadas de forma literal, começou a ser influenciado pela alegorização.

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Os Pais Alexandrinos Foi na cidade de Alexandria que a religião judaica e a filosofia grega se encontraram e começaram a ter um processo de união. A filosofia platônica era tida como popular e era utilizada na interpretação das Escrituras. No início do 3º século d.C. a interpretação das Escrituras sofreu forte influência da escola catequética de Alexandria, a qual tinha como mestre, Panteno. Este faleceu em 190 d.C. e é o mais antigo mestre citado desta escola do Egito. Ele foi professor de Clemente de Alexandria (155-216 d.C.), o qual provavelmente foi influenciado por Filo. Clemente de Alexandria ensinava que as Escrituras possuíam uma linguagem simbólica para despertar a curiosidade das pessoas e isto ocorria porque nem todos deveriam entendê-la. Para ele o método literal desenvolvia uma fé muito elementar. Foi o primeiro a aplicar o método alegórico na interpretação do AT e a propor o princípio de que toda Escritura deve ser entendida alegoricamente. Desenvolveu uma teoria onde afirma que as Escrituras estavam cheias de riquezas e são muito profundos. Orígenes (185-254 d.C.), foi seu discípulo e esse cria que cada detalhe contido na Escritura é algo simbólico e tinha como base para esta afirmação o texto de I Coríntios 2.6-7 “Na verdade, entre os perfeitos falamos sabedoria, não porém a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória.” Orígenes era tricotomista (Doutrina que admite que são três os princípios que se integram no homem; o corpo, a alma e o espírito) como Platão e achava que as Escrituras também possuíam três partes, afinal foram reveladas para os homens. Para ele o corpo era o sentido literal, o qual desprezava; a alma, o sentido moral; e o espírito, o sentido alegórico ou místico. Uma das suas obras mais conhecidas é Os Hexapla, que era composta por seis colunas paralelas e que continham o texto em hebraico e mais cinco versões gregas diferentes. Esta obra durou vinte e oito anos para ser concluída. Entretanto, o trabalho que mais defendia a sua tese era o De principiis. Apesar de toda sua alegoria foi considerado o maior teólogo de todos os tempos.

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Os Pais Antioquinos No meio de toda essa confusão, surgiu um grupo de eruditos em Antioquia, da Síria, que tentou acabar com o letrismo dos judeus e com o alegorismo dos alexandrinos. Doroteu e Lúcio faziam parte deste grupo e, segundo dizem, foram eles que fundaram a escola de Antioquia no final do terceiro século. Os pais da igreja, em Antioquia, incentivaram o estudo das línguas originais das Escrituras (hebraico e grego) e também começaram a redigir comentários sobre as Escrituras. Para os antioquenses o significado espiritual de um acontecimento histórico estava implícito no próprio acontecimento. Um exemplo: para eles a partida de Abraão de Harã (Gn 12.1-9) para a terra prometida por Deus, nada mais é, que um sinal de fé, confiança em Deus. Diodoro, um dos antioquenses, escreveu um tratado sobre os princípios de interpretação. Entretanto, o seu feito maior, é demonstrado através da vida de seus dois discípulos Teodoro de Mopsuéstia e João Crisóstomo. Teodoro de Mopsuéstia foi considerado o maior intérprete e crítico da escola de Antioquia. Defendia com muito zelo o princípio da interpretação histórico-gramatical, isto significa que o texto tinha que ser interpretado conforme as regras gramaticais e os fatos da história. Foi considerado o exegeta da época e a sua exegese era intelectual e dogmática. João Crisóstomo, outro discípulo de Diodoro, se destacou mais por causa da sua eloqüência. Por isso o nome Crisóstomo, que significa boca de ouro. Foi considerado o arcebispo de Constantinopla. Sua exegese era "espiritual" e prática. Escreveu mais de 600 homilias (Pregação em estilo familiar e quase coloquial sobre o Evangelho. Discurso que afeta moral exagerada); suas obras contêm cerca de 7.000 citações do AT e 11.000 do NT. Por isso alguns o consideram o maior comentarista entre os primeiros pais da igreja. A escola de Antioquia criticava os alexandrinos por colocarem a historicidade do AT em dúvida constantemente. Todavia teve alguns problemas que a levou a entrar em contradição. Entre eles deve-se ressaltar que Teodoro, apesar de aceitar o sentido literal das Escrituras, não aceitou a inspiração divina de alguns livros. Também não se pode deixar de falar em Nestório, discípulo de Teodoro, o qual se envolveu numa grande heresia concernente à pessoa de Cristo e também deixou se influenciar com outras circunstâncias históricas.

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Influência Ocidental Entre os séculos V e VI surgiu, no Ocidente, um tipo intermediário de exegese. Além de acolher alguns elementos da escola alegórica de Alexandria, acolheu também os princípios da escola da Síria. Mas teve uma influência importante porque acrescentou um elemento, até então sem importância, que era a autoridade da igreja e da tradição na interpretação da Bíblia. Desta forma o ensino, no âmbito da igreja, passou a ter valor e virou regra. Essa exegese foi representada por Hilário, Ambrósio, Jerônimo e Agostinho. Mas estes dois últimos foram os que mais influenciaram no método de interpretação entre todos os setes que se destacaram. Jerônimo, 347-419 d.C., adotou, no princípio, a alegorização de Orígenes. Mas depois se tornou mais literal graças à influência da escola de Antioquia e dos membros judeus. Acreditava que o método literal desvendava o sentido mais profundo das Escrituras, caso contrário, ignorava-o. O comentário que fez sobre Jeremias tinha o método literal, mas ao compará-lo com o comentário sobre Obadias, nota-se a diferença entre os métodos literal e alegórico. Era um profundo conhecedor do grego e do hebraico, embora tenha utilizado na sua exegese muitas notas lingüísticas, históricas e arqueológicas. Jerônimo viajou muito, mas por volta de 386 d.C. morou em Belém. Onde em clausura, escreveu vários comentários sobre os diversos livros da Bíblia e a traduziu para o latim. Esta foi a maior de todas as suas obras, A Vulgata. Outro que se destacou dos demais foi Agostinho, cuja diferença em relação a Jerônimo estava em não conhecer as línguas originais das Escrituras. Mas em termo de originalidade e inteligência, foi o maior de sua época (354-430 d.C.) e também exerceu grande influência na igreja. No início, seguia a linha do maniqueísmo: movimento que começou no início do século III d.C., desvalorizava o NT e ressaltava os antropomorfismos absurdos do AT. Os maniqueístas eram seguidores de Manes e tinham dois princípios básicos: que havia um Deus bom e um mau; afirmavam que o casamento e a procriação eram um ato pecaminoso. Ao ouvir Ambrósio citar na Catedral de Milão, na Itália, o texto de II Coríntios 3.6 que diz:

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“... o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.” Agostinho atentou apenas para a parte que diz que a letra mata, mas o espírito vivifica e a utilizou como base para a sua metodologia alegórica na interpretação. Ele afirmava que a interpretação literal das Escrituras mata, mas a alegórica ou espiritual vivifica. Com este método de interpretação, Agostinho, tornou-se um alegorista na prática e por isso, os seus escritos apresentados no trabalho De Doctrina Christiana, têm mais valor do que seus comentários exegéticos. Nesta obra, escrita em 397 d.C., afirmou que a maneira de descobrir o sentido alegórico de uma passagem é consultar a regula fidei (regra da fé), que era para ele o ensinamento da igreja e da própria Escritura. Apesar de considerar o sentido literal usou livremente o alegórico e também defendeu que um intérprete deve estar sempre pronto para sua tarefa, seja filosófica, crítica ou histórica, mas que acima de tudo tem que ter amor ao autor. No terceiro volume da obra De Doctrina Christiana, são apresentadas sete regras de interpretação que eram tidas como base racional para a alegorização. São elas: 1-O Senhor e seu corpo: as referências a Cristo quase sempre também se aplicam a seu corpo, a igreja; 2-A divisão em dois, feita pelo Senhor ou a mistura que existe na igreja: a igreja pode conter tanto hipócritas quanto cristãos genuínos, representados pelos peixes bons e maus apanhados na rede (Mt 13.47,48); 3-Promessas e a lei; algumas passagens estão relacionadas com a graça e outras com a lei; algumas ao Espírito, outras à letra; algumas às obras, outras à fé; 4-Espécie e gênero: certas passagens dizem respeito às partes (espécie), enquanto outras se referem ao todo (gênero). Os cristãos israelitas, por exemplo, são uma espécie (uma parte) dentro de um gênero, a igreja, que é o Israel espiritual; 5-Tempos: discrepâncias aparentes podem ser resolvidas inserindo uma afirmação em outra. Por exemplo: a versão dos evangelhos de que a transfiguração ocorreu seis dias após o episódio em Cesaréia de Filipe insere-se dentro da versão de outro evangelho, que registra oito dias. E o significado dos números quase nunca é o matemático exato, mas sim o de ordem de grandeza; 6-Recapitulação: algumas passagens difíceis podem ser explicadas quando vistas como se referindo a um relato anterior. O segundo relato sobre a Criação, em Gênesis 2, é entendido como uma recapitulação do primeiro relato, em Gênesis 1, não como uma contradição a ele; 7-O diabo e seu corpo: algumas passagens que falam do diabo, como Isaías 14, estão mais relacionadas a seu corpo, isto é, a seus seguidores.

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Agostinho também disse que a Escritura tem um sentido quádruplo: histórico, etiológico (estudo de coisas acerca da origem), analógico, e alegórico. Para ele o texto bíblico possui mais de um sentido, justificando assim o método alegórico. Com base neste método quádruplo de interpretação, Agostinho dizia que: nos textos de Gênesis 2.10-14 os quatro rios eram quatro virtudes fundamentais; em Gênesis 3.7,21 as folhas da figueira eram a hipocrisia e o cobrir da carne, a mortalidade; em Gênesis 9.20-23 a embriaguez de Noé, simbolizava o sofrimento e a morte de Cristo. Apesar dele ter influenciado no desenvolvimento da exegese científica na parte teórica, não a praticou em seus estudos bíblicos e ainda teve a sua opinião como um fator predominante na Idade Média. Muitos foram influenciados por esse método de Agostinho. Entre eles está João Cassiano, monge da Cítia (atual Romênia), 360-435 d.C., também pregou o sentido quádruplo da Bíblia, só que tinha dois itens diferentes: histórico, alegórico, tropológico e anagógico. O sentido tropológico, se referia ao sentido moral já que o significado da palavra no grego é desvio, indicando conduta, comportamento, isto é, um sentido moral; o anagógico, se refere a algo oculto, celestial que no grego é traduzido por fazer subir. De acordo com este método os quatro significados de Jerusalém são: historicamente: a cidade dos judeus; alegoricamente: a igreja de Cristo; tropologicamente (ou moralmente): a alma humana; anagogicamente: a cidade celestial. Euquério de Lião (? - 450 d.C.), em seu livro As regras da Interpretação Alegórica, tentou provar que as Escrituras contêm linguagem simbólica. Dizia que da mesma forma que não se joga pérolas aos porcos, as verdades bíblicas são vedadas às pessoas não espirituais. Mas também percebia um sentido literal nas Escrituras. Adriano de Antioquia, por volta de 425 d.C. elaborou um manual de interpretação chamado Introdução às Sagradas Escrituras, onde afirmou que os antropomorfismos não devem ser interpretados ao "pé da letra". Disse que para compreender os significados mais profundos era preciso transcender o entendimento literal. Junílio, em 550 d.C, redigiu o manual de interpretação As Regras da Lei Divina, e afirmou que a fé e a razão não são pólos opostos. Apoiou Adriano ao dizer que a interpretação da Bíblia deveria partir da análise gramatical, mas nunca se limitar só a ela. Vicente, 450 d.C. em seu Commonitorium disse que "a linha de

interpretação dos profetas e apóstolos precisa seguir a norma dos sentidos eclesiásticos

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e católicos". Para verificar o sentido do texto ele se baseava na universalidade, na idade e no bom senso do mesmo. De acordo com tudo o que foi visto, nota-se que Jerônimo, Agostinho e Vicente abriram espaço para a alegorização e para a autoridade da igreja. Interpretação na Idade Média Na Idade Média, a ignorância em relação a Bíblia predominou. Muitos clérigos (Indivíduo que tem todas as ordens sacras, ou algumas delas; aquele que pertence à classe eclesiástica; sacerdote cristão; aquele que já se iniciou nas ordens sacras pela tonsura dos cabelos) conheciam apenas a Vulgata e os escritos dos pais da igreja e era através destes que eles estudavam a Bíblia, pois achavam-na muito cheia de mistérios e que só poderiam entendê-la misticamente. Por isso, que a tradição da igreja ocupou lugar de relevo, assim como a alegorização e o sentido quádruplo da Escritura de Agostinho e João Cassiano. Para eles fazerem uma boa interpretação bíblica, o texto tinha que ter quatro níveis de significação: 1-A letra mostra-nos o que Deus e nossos pais fizeram (histórico); 2-A alegoria mostra-nos onde está oculta a nossa fé (alegórico); 3-O significado moral dános as regras ocultas da vida diária (tropológico); e 4-A anagogia mostra-nos aonde termina a nossa luta (anagógico). O princípio aceito para a interpretação era o que se adaptava à tradição e a doutrina da igreja. Toda a teologia estava condicionada a este princípio quando se referia a Bíblia. O clérigo que reconduzisse os ensinos patrológicos e descobrisse os ensinos da igreja nas Escrituras Sagradas era tido como o erudito da época. Nos mosteiros foi adotada a regra de São Benedito que dava ênfase à leitura da Bíblia sendo a explicação final conforme a exposição patrológica. Hugo de S. Victor disse que primeiro aprendia o que deveria crer e depois encontrava a afirmação na Bíblia. Os estudantes que surgiam também utilizavam a alegoria para interpretarem as Escrituras. Alguns associam o início da Idade Média a Gregório o Grande (540-604 d.C.), o qual foi o primeiro Papa da Igreja Católica Romana. Este também utilizava e defendia o método alegórico. Como exemplo de sua alegorização pode-se citar o livro de Jó: onde os três amigos são os hereges, os sete filhos são os doze apóstolos, as sete mil

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ovelhas são os pensamentos inocentes, os três mil camelos são as concepções vãs, as quinhentas juntas de bois são as virtudes e os quinhentos camelos são as tendências lascivas. Alegorizar a Bíblia como se vê acima, pode levar a um extremo e até mesmo a heresia. Entretanto, muitos seguiram o mesmo caminho. Entre eles estão: a) Beda, o Venerável (673-734) teólogo anglo-saxão: para ele na parábola do filho pródigo o filho era a filosofia mundana, o pai era Cristo e a casa a igreja; b) Alcuíno (735-504), de Iorque, na Inglaterra; c) Rabano Mauro, que foi aluno de Alcuíno. Escreveu que as quatro rodas da visão de Ezequiel representavam a lei, os profetas, os evangelhos e os apóstolos. No quádruplo sentido, a Bíblia tinha como significado histórico, o leite; alegórico, o pão; anagógico, o alimento saboroso; tropológico, o vinho que alegra; d) Bernardo de Claraval (1090-1153) era um monge que além de vários trabalhos fez 86 sermões, apenas sobre os dois primeiros capítulos de Cantares. Era um exagerado no misticismo e na alegorização; e) Joaquim Flora (1132-1202), monge beneditino, disse que existem três eras: 1) da criação a Cristo - de Deus; 2) de Cristo até o ano de 1260 - de Cristo; 3) a que começou em 1260 - do Espírito Santo; f) Stephan Langton (1155-1228), arcebispo de Cantuária, disse que no livro de Rute o campo simbolizava a Bíblia, Rute os estudiosos e os ceifeiros são os mestres. Foi ele quem dividiu a Vulgata em dois capítulos. Apesar da alegorização e do método quádruplo de interpretação predominar no período medieval, outros métodos estavam sendo desenvolvidos. Entre eles estava o dos cabalistas, um grupo que se desenvolveu neste período, eram pessoas que se dedicavam às ciências ocultas e que tinham em comum o objetivo de interpretar a Bíblia de forma mística e misteriosa. No último período medieval, os cabalistas na Europa e na Palestina, deram ênfase à tradição do misticismo judaico e fizeram com que a prática do letrismo se tornasse ridícula. Para eles tudo tinha um significado místico, sobrenatural, principalmente quando se tratava das letras da Bíblia.

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Entre alguns grupos existentes, havia um que estava crescendo e este utilizava um método de interpretação mais científico. Também havia os judeus espanhóis dos séculos XII a XV que incentivavam a volta ao método histórico-gramatical para a interpretação. O teólogo mais famoso da Igreja Católica Romana, no Período Medieval, foi Tomás de Aquino (1225-1274), que apoiava o método do sentido quádruplo, mas chegou a observar uma certa incompatibilidade no mesmo. Na prática alegorizou bastante, mas na teoria cria que o sentido literal era fundamental para qualquer exposição dos escritos da Bíblia. Para ele, da mesma forma que a Bíblia tem um autor divino e vários autores humanos, ela tem que ser interpretada com o sentido literal e com o espiritual. Mas o literal continuava sendo a base de tudo. Esta teoria está expressa em sua Summa Theológica. No mesmo período surgiu um homem que influenciou muito para o retorno à interpretação literal, Nicolau de Lyra (1270-1340), que chegou a ser considerado a luz no meio das trevas na época da Reforma. Acusou o sentido quádruplo de sufocar o literal. Embora admitisse dois sentidos, o literal e o místico, a sua base era o literal e também via da mesma forma em relação a doutrina. Com esta visão mostrou que apoiava e era influenciado pelo Rabino Shilomão Bar Isaque. Rashi (1040-1105) foi um literalista judeu que influenciou muito nas interpretações judaica e cristã, através da ênfase que dava a gramática e a sintaxe do hebraico. Com a mesma visão, Nicolau de Lyra, rejeitou a Vulgata e se voltou para o hebraico. Um ponto importante é que ele não conhecia o grego. Mas ele influenciou fortemente Lutero e, segundo alguns, foi quem deu início a Reforma. Ainda há um teólogo, extraordinário, que precisa ser citado, João Wycliffe (1330-1384), afirmava que as doutrinas e a vida cristã tinham como fonte a Bíblia. Contestando a posição tradicional da Igreja Católica. Foi o primeiro a traduzir a Bíblia para o inglês e disse que tudo o que é necessário na Bíblia está contido nos sentidos literal e histórico. Utilizava como regras para a interpretação bíblica um texto confiável e entendia a lógica do mesmo. Comparava os textos bíblicos entre si e se colocava sob a orientação do Espírito Santo de Deus.

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Mesmo existindo alguns teólogos que se esforçavam para estudar e tornar as interpretações mais coerentes, havia uma grande mistura em relação as interpretações. A ignorância do povo e, principalmente, dos teólogos começou a predominar. Começando então, a surgir um conflito que mais tarde tornou-se conhecido como a Reforma. A Interpretação na Reforma A Renascença foi muito importante para o desenvolvimento de princípios hermenêuticos sadios. Nos séculos XIV e XV havia muita ignorância em relação ao conteúdo da Bíblia. Muitos doutores em divindade nunca haviam lido a bíblia toda. A única forma pela qual a Bíblia era conhecida era através da tradução de Jerônimo. A Reforma foi uma época de distúrbios sociais e eclesiásticos, mas foi essencialmente, uma reforma hermenêutica, isto é, uma reforma quanto a forma de ver e interpretar a Bíblia. Durante a Reforma a Bíblia passou a ser a única fonte legítima para nortear a fé e a prática. Os reformadores utilizavam como base o método literal que a escola de Antioquia e dos vitorinos utilizava. A Renascença que teve início na Itália reavivou o interesse pela literatura clássica, incluindo o hebraico e o grego. Desidério Erasmo, humanista proeminente da época, revisou e publicou, em 1516, a primeira edição crítica do Novo Testamento Grego, facilitando desta forma o estudo da Bíblia. Johannes Reuchlin escreveu diversos livros sobre a gramática hebraica e um léxico também. Estes dois eram conhecidos como os dois olhos da Europa e mostraram aos intérpretes da Bíblia que, para estudá-la, era preciso conhecer as línguas em que fora escrita. Nota-se que o sentido quádruplo foi deixado e o novo pensamento é que a Bíblia só tem um sentido. Para os reformadores a Bíblia era a Inspirada Palavra de Deus e mesmo que a idéia a respeito da inspiração fosse estrita, eles a tinham mais como orgânica do que mecânica. Também viam a Bíblia como a maior autoridade e como a fonte final de apelação em todas as questões teológicas. Tudo que antigamente era confiado e posto para a igreja passou a dar lugar para a Bíblia. Afirmavam que não era a igreja que determinava o que as Escrituras ensinavam, mas tinha que acontecer ao contrário, isto é, as Escrituras que determinavam o que a igreja deveria ensinar. Surgiram dois princípios fundamentais: 1) Scriptura scripturae interpres (Escritura é intérprete da Escritura); 2) Omnis intellectus ac expositio Scripturae sit analogia fidei (toda compreensão e exposição da escritura seja de acordo com a analogia da fé).

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Martinho Lutero (1483-1546) Após passar por uma experiência pessoal com Cristo através da leitura da Bíblia, Lutero deixou de alegorizar os textos e criticou esse método de forma veemente. Ele disse que: "quando monge, eu era perito em alegorias. Eu alegorizava tudo. Mas, depois de fazer preleções sobre a Epístola aos Romanos, passei a conhecer a Cristo. Foi assim que percebi que ele não é nenhuma alegoria e aprendi a saber o que Cristo realmente é". Por causa desta experiência, Lutero acreditava que a fé e a iluminação do Espírito Santo eram requisitos indispensáveis para o intérprete da Bíblia. Para ele, a Bíblia deveria ser vista com olhos diferentes dos que olham para qualquer outra literatura. Rejeitou o sentido quádruplo de interpretação, o qual predominou no período medieval e ressaltou o sentido literal (sensus literalis). Chegou a agredir com veemência o sentido alegórico ao compará-lo com a escória da Bíblia e a colocá-lo como mais baixo que a imundícia. Defendeu que as Escrituras deveriam ser mantidas em seu significado mais simples e compreendidas através do seu sentido gramatical e literal, salvo haja um impedimento por parte do contexto. Em sua exegese considerou as condições históricas, gramaticais e o contexto. Com este pensamento ressaltou a importância do estudo das línguas das Escrituras. Lutero acreditava que todo cristão devoto podia entender a Bíblia. Contrariava a opinião da Igreja Católica Romana que tinha essas pessoas como suas dependentes. Porque a Igreja Católica determinava o que as Escrituras ensinavam, quando isto deveria acontecer ao contrário, como já foi dito antes. Pelo fato de não concordar e abandonar o sentido alegórico, Lutero, precisou arrumar um meio de explicar como o AT se unia ao NT e a melhor forma foi achar nos textos do AT referências que apontavam para Cristo. Apesar desta forma não ser muito aceita hoje, foi ela que o ajudou a mostrar uma unidade entre o AT e o NT. Mesmo sendo contra a alegorização, muitas vezes alegorizou, como quando disse que a arca de Noé era uma alegoria da igreja. Mesmo assim, não foi um alegorista exagerado, talvez porque se preocupou mais com a cristologia em toda Bíblia. O livro onde encontrou mais facilidades para ver Cristo foi o de Salmos.

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Seus princípios hermenêuticos eram melhores do que as suas exegeses. Um de seus princípios dizia que era necessário fazer uma cuidadosa distinção entre a Lei e o Evangelho, porque a Lei se refere a Deus em sua ira para com o pecado e o Evangelho se refere a Deus em sua graça para com o pecador. Mas Lutero não incentivou o repúdio à Lei porque, segundo ele, isso levaria à imoralidade. Entretanto não conseguia ver a Lei e o Evangelho se unindo, para ele era como se fosse unir as obras à fé. Além de ter ajudado muito e por ter acabado com a alegoria, Lutero prestou um grande serviço à nação alemã ao traduzir a Bíblia para o alemão vernáculo. Philip Melanchthon (1497-1560) Melanchthon, companheiro de Lutero em exegeses, continuou a aplicação dos princípios hermenêuticos de Lutero em suas exposições bíblicas, sustentando e aumentando, desta forma, o impulso do trabalho de Lutero. Chegando a ser chamado de a mão direita de Lutero. Era um profundo conhecedor do hebraico e do grego, por isso era um intérprete admirável e prudente. Mesmo tendo umas pequenas recaídas para a alegorização, seguia, no geral, o método gramatical e histórico. Tinha como princípios para a sua exegese que as Escrituras deviam ser entendidas gramaticalmente antes de serem teologicamente e que as mesmas têm um simples e determinado sentido. João Calvino (1509-1564) É considerado um dos maiores intérpretes da Bíblia e concordava com os princípios hermenêuticos de Lutero. Também acreditava na necessidade da iluminação do Espírito Santo de Deus e considerava a interpretação alegórica uma artimanha de Satanás para obscurecer o sentido das Escrituras. Suas exposições abrangem quase todos os livros da Bíblia, dando-lhes o devido valor. Superou a Lutero ao manter coerência entre a sua exegese com a sua teoria. Discordava de Lutero no caráter cristológico de toda a Escritura, pois não aceitava que Cristo deveria ser visto em todas as partes. Mas acreditava muito na significação tipológica de muitas coisas do AT. Para ele os profetas deveriam ser interpretados à luz das circunstâncias históricas e não via tantos Salmos messiânicos como Lutero. Acreditava que a virtude do

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intérprete era "permitir que o autor diga o que realmente diz, ao invés de lhe atribuirmos o que pensamos que devia dizer". Sua frase predileta era A Escritura interpreta a Escritura, por isso se apegou à exegese gramatical e ao contexto de cada passagem. É mais conhecido por causa da sua teologia expressa na obra, Institutas da Religião Cristã, onde fez 1.755 citações do AT e 3.098 do NT. Também por seus comentários sobre vários livros da Bíblia. Os únicos livros que não comentou foram: Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Provérbios, Eclesiastes, Cantares, II e III João, e Apocalipse. Ulrich Zwínglio (1484-1531) Enquanto Calvino era o principal da Reforma em Genebra, Zwínglio era em Zurique. Ele cortou as relações com a Igreja Católica Romana e passou a pregar sermões expositivos. Para ele, interpretar um texto sem conhecer o seu contexto era como separar uma flor da sua raiz. Outro que se destacou foi William Tyndale (1494-1536), que defendia o sentido literal. Traduziu o NT para o inglês em 1525, o Pentateuco e o Livro de Jonas. Por causa destes e outros que se desligaram da Igreja Católica Romana, começou a surgir alguns problemas, porque a Igreja Católica Romana não aceitava perder a sua posição autoritária e suprema na vida das pessoas. Afinal, agora as pessoas podiam ler a Bíblia e entendê-la através dos seus próprios estudos. Além de perder o controle total sobre tudo o que se referia as Escrituras, a Igreja Católica Romana, começou a perder a credibilidade em relação aos seus intérpretes (doutores) das Escrituras. Porque eles não conheciam a Bíblia tão profundamente e nem se preocupavam porque estavam acostumados a interpretá-la de acordo com o que pensavam, pois utilizavam o método alegórico. A Reforma foi realmente uma revolução que mexeu com muita gente e teve grandes repercussões. Todavia o maior problema não foi a Reforma em si, mas os seguidores de Lutero, Calvino, Zwínglio e etc; porque se preocuparam em atacar a Igreja Católica Romana, ao invés de continuarem a seguir a ênfase dada à fé e a revelação para a interpretação. Neste movimento surgiram muitos grupos e foram realizados concílios entre outros fatos. Este período é mais conhecido como pós-reforma.

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A Interpretação na Pós-Reforma Do século XVII ao XVIII alguns movimentos se tornaram marcantes. Entre eles pode-se citar a divulgação e a disseminação do calvinismo, assim como, as reações ao mesmo, os estudos textuais e lingüísticos e o racionalismo. Todos estes são frutos do que ocorreu durante o conflito existente entre os períodos medieval e da Reforma. Pois este último teve muita força nos seus adeptos e seguidores contra a Igreja Católica Romana. Mas a Reforma Protestante serviu para esclarecer algumas dúvidas referentes à interpretação da Bíblia. No decorrer dos séculos XVII e XVIII, houve um grande desenvolvimento no sentido de descobrir o texto original da Bíblia e muitas pessoas se destacaram como sendo grandes críticos das Escrituras. Louis Cappell é considerado o primeiro crítico textual do AT, conforme podese notar em sua obra Crítica Sacra de 1650. Johann A. Bengel é conhecido como o pai da crítica textual moderna, pois foi o primeiro a identificar famílias ou grupos de manuscritos, com base em características comuns. Em 1734, publicou uma edição crítica do NT grego e um comentário crítico. Em 1742, escreveu um comentário crítico, de versículo por versículo, sobre o NT. Johann J. Wettstein corrigiu muitos manuscritos do NT e publicou o NT grego em dois volumes com um comentário em 1751. Após o Concílio de Trento os protestantes começaram a criar as suas próprias doutrinas para poderem defender os seus ensinamentos. Por isso a pós-reforma foi considerada uma época de dogmatismos teológicos, que era uma espécie de caça às heresias e de um rigoroso protestantismo doutrinário. Como em todo movimento que surge, a Reforma também gerou alguns problemas, estes podem ser vistos ao observar os grupos que surgiram e o que pregavam. Com a liberdade de interpretação dos teólogos, muitos começaram a seguir linhas de pensamentos diferentes ao invés de se reunirem e chegarem a um acordo.

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Os Anabatistas Este movimento começou em 1525, em Zurique na Suíça, com os seguidores de Zwínglio. Eles achavam que Zwínglio não cortara os laços com a Igreja Católica Romana nas questões referentes ao controle da igreja por parte do Estado e no batismo de crianças. Os fundadores deste movimento foram: Conrad Grebel, Felix Mantz e Georg Blaurock. Os anabatistas achavam que se uma pessoa tivesse sido batizada quando criança, de acordo com a linha reformada Zwingliana, após tornar-se adulta, se aceitasse a Cristo, deveria ser rebatizada. Daí o nome anabatista (que batiza de novo). A Contra-Reforma Todas as reformas empreendidas pela Igreja Católica Romana contra os protestantes, ficaram conhecidas como Contra-Reforma. Em resposta a Reforma Protestante a Igreja Católica Romana, convocou o Concílio de Trento, o qual se reuniu várias vezes entre o período de 1545 e 1563. Este concílio declarou que a Bíblia não é a autoridade suprema, mas que a verdade encontrase em livros escritos e em tradições não escritas. Estas incluem os pais da igreja da antigüidade e os atuais líderes. Por se considerar a guardiã das Escrituras, a Igreja Católica Romana foi apontada como sendo a única forma possível de fazer uma interpretação precisa. O Confessionalismo Como já foi visto, os protestantes estavam divididos, isto é, havia muitas facções e cada uma procurava uma forma de defender a sua opinião apelando para as Escrituras. Quase todas as cidades importantes tinham o seu credo predileto, juntamente com as controvérsias teológicas. Os métodos hermenêuticos neste período estavam se tornando escravos da dogmática. Enquanto os protestantes se recusavam a ficar sob o domínio hermenêutico da Igreja Católica Romana, conforme havia sido formulado pelos concílios e pelos papas, começavam a surgir as confissões como forma de inibir as revoltas.

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Entre outras, a Confissão de Westminster que foi aprovada pelo parlamento inglês de 1647 e pelo escocês de 1649, apresentou teses e doutrinas que eram contra o calvinismo na Inglaterra. A posição que esta Confissão tomou em relação às Escrituras foi: A regra infalível da interpretação bíblica está nas próprias Escrituras; portanto, quando houver dúvida sobre o significado verdadeiro e completo de qualquer passagem (que é apenas um e não muitos), deve ser pesquisado e conhecido em outros trechos que sejam mais claros. Com esta linha de pensamento as Escrituras começaram a ser utilizadas como pretextos para apoiar as verdades incorporadas nas Confissões. Em toda a história da exegese do século XVIII, Johann Ernesti (1707-1781) foi o nome mais notável. Seu trabalho sobre Institutio Interpretis Nove Testamenti (Princípios de Interpretação do Novo Testamento) foi um manual de hermenêutica durante uns 100 anos. O Arminianismo (1506-1609) O teólogo holandês Jacobus Arminius rejeitou muitos ensinamentos de João Calvino e pregava que o homem possui o livre-arbítrio. Após a sua morte, em 1610, alguns dos seus seguidores expuseram suas pesquisas num tratado chamado Contestação. O Pietismo (1635-1705) Através da teoria de Jacob Boehme, sobre o misticismo (crença ou doutrina religiosa dos místicos; o elemento místico de qualquer doutrina; tendência a considerar a ação de supostas forças espirituais ocultas na natureza, que se manifestam por vias outras que não as da experiência comum ou as da razão; disposição para crer no sobrenatural) na pós-reforma, foi aberto um espaço para o pietismo e sua ênfase na espiritualidade interior. O misticismo de Boehme defendia que o homem podia adquirir

conhecimentos diretos sobre Deus e ter comunhão com ele por meio de uma experiência subjetiva, à parte das Escrituras.

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Surge então o pietismo que é uma reação contra o dogmatismo doutrinário. Mas esta reação era sadia porque estavam cansados das lutas entre os protestantes. Tinham como princípio viver uma vida piedosa. Philipp Jakob Spener, é considerado o fundador do pietismo (movimento de intensificação da fé, nascido na Igreja Luterana alemã no século XVII; ato de afirmar a superioridade das verdades da fé sobre as verdades da razão) e como todo luterano, rejeitava o formalismo morto e a teologia apenas de palavras e credos. No folheto Anseios Piedosos pedia o fim da controvérsia, pois achava inútil. Também pedia para os cristãos voltarem a ter interesses pelas boas obras, um melhor conhecimento da Bíblia e que os ministros tivessem um melhor preparo espiritual. Para ele o cristão deveria viver uma vida consagrada, santa, uma vida de estudo e oração. Dois dos seus seguidores se destacaram no decorrer da história, Ramback e Francke. Estes foram os primeiros que falaram a respeito da interpretação psicológica, no sentido que o sentimento do intérprete deveria estar em sintonia com os do autor que deseja compreender. Apesar de Bengel ter sido o melhor intérprete que essa escola produziu, foi August H. Francke (1663-1727) quem mais se destacou e utilizou muitas características que o folheto de Spener continha. Francke era um erudito, lingüista e exegeta. Participou na formação de muitas instituições destinadas ao cuidado dos desamparados e dos enfermos, e ainda se envolveu na organização de um trabalho missionário na Índia. Insistia que a Bíblia deveria ser lida por inteiro com freqüência, que os comentários não poderiam tomar o lugar do estudo das Escrituras e que só os salvos por Cristo poderiam compreendê-la. O pietismo contribuiu muito para o estudo das Escrituras. Eles tinham tanta vontade de entender e de se apropriar delas que, em alguns momentos, apreciaram a interpretação histórico-gramatical. Os mais recentes a descartaram e passaram a depender de uma luz interior ou uma unção do Santo. O problema dessas manifestações subjetivas e de suas reflexões piedosas provocaram muitas interpretações contraditórias até mesmo com a vida do autor. Este fato de terem a edificação como alvo tão desejado os levou a desprezar a ciência. Dentro de sua ótica o estudo gramatical, histórico e analítico da Palavra de Deus produzia apenas o conhecimento externo e superficial do pensamento divino, enquanto que o que tirava conclusões para a repreensão e o que consistia em oração e lamentação penetrava no âmago da verdade.

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O movimento do pietismo influenciou os morávios, que influenciaram John Wesley (1703-1791) o qual também desacreditava o racionalismo humano. O Racionalismo Surgiu como importante modo de pensar, com o intuito de criar um profundo efeito sobre a teologia e a hermenêutica, porque era uma posição filosófica que aceitava a razão como única autoridade que determinava as ações de alguém. Como movimento durou cerca de 100 anos. Este movimento afirmava que o intelecto humano sabia distinguir o que é verdadeiro e falso. Isto também servia para a interpretação da Bíblia. Lutero fez questão de estabelecer uma certa distinção entre o uso ministerial e o magisterial por causa disto. Ele se referia ao uso ministerial da razão quando esta ajudava a compreender e a obedecer as Escrituras; o magisterial da razão quando ela era superior ou até mesmo, juíza das Escrituras. É lógico que Lutero apoiou a primeira! Mas com as discussões que surgiram em torno da autoridade e da interpretação das Escrituras, alguns filósofos começaram a afirmar que só era possível compreender a Bíblia através da razão humana. Na verdade, utilizavam a Bíblia como um pretexto. Thomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês, pregou o racionalismo voltado para a política, pois utilizava a Bíblia como um livro que continha regras e princípios para a república inglesa. O judeu Baruch Spinoza (1632-1677), filósofo holandês, ensinava que a razão humana estava desvinculada da teologia. Para ele a teologia era a revelação e a filosofia era a razão e ambas eram distintas. Por ser judeu tinha facilidade para interpretar o AT, principalmente Provérbios, livro que os judeus tinham como base para culpar a Deus por tudo que acontecia. Spinoza aproveitou e mostrou que não havia nada nas Escrituras que o homem não pudesse compreender intelectualmente. Sua teoria apelava às emoções religiosas do homem e movia a obediência, mas não a verdade. Chegou a contestar os milagres bíblicos, porque tinha a razão como único critério para interpretar as Escrituras. Também existiram outros filósofos que deram a razão autoridade para interpretar a Bíblia. Entre eles pode-se citar João Colet; Mateus Hamond que declarou que o NT e os Evangelhos de Cristo são meras tolices, histórias de homens ou fábulas;

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Mackintosh; Reimarus que acusou os discípulos de terem deturpado os ensinamentos de Cristo e falou que a fé é irreconciliável com a razão; João Ernesti que foi o fundador da escola gramatical de interpretação; João Semler que foi o fundador da escola histórica de interpretação bíblica e considerado o pai do racionalismo. Interpretação nos séculos XIX e XX A posição filosófica que defendia o racionalismo predominou até o século XX. Nos séculos anteriores a revelação determinava o que a razão deveria pensar, agora a razão determinava que partes da revelação deveriam ser aceitas como verdadeiras. A autoria divina, que foi muito defendida nos séculos passados, perdeu o lugar para a autoria humana. A razão humana tomou uma parte tão grande na revelação divina que estava difícil de compreender e acreditar nas Escrituras. Surgiram então, vários grupos com pensamentos diferentes e alguns que concordavam com o racionalismo. O Liberalismo O século XX abrigou muitas correntes de interpretação bíblica, entre elas havia a escola liberal que apresentava Jesus como um grande mestre de ética, ao invés de Salvador. Neste período surgiram alguns estudiosos que chegaram a negar totalmente o caráter sobrenatural da inspiração; outros não a mencionavam como sendo uma iluminação de Deus sobre os seus autores. Para alguns a inspiração estava ligada à capacidade da Bíblia em inspirar uma experiência religiosa, sendo que a Bíblia fora produzida por humanos. A Bíblia deixou de ser vista como a revelação de Deus ao homem para tornar-se em qualquer coisa que os estudiosos necessitassem, como um livro feito por qualquer homem. Darwin a utilizou para afirmar a sua teoria evolucionista. Os milagres e qualquer intervenção divina eram aceitos através de explicações de pensamentos précríticos. Nota-se que a Bíblia teve um naturalismo forçado. Se alguma coisa não estivesse de acordo com as idéias do racionalismo era rejeitada. Essa idéia servia para as doutrinas também, as quais explicavam a depravação humana, o inferno, o nascimento virginal e, conseqüentemente, a morte vicária de Cristo. Schleiermacher foi um dos escritores que pensava assim. Mas o fundamentalismo reagiu fortemente ao liberalismo e abordou para que se tivesse uma visão da Bíblia como um livro sobrenatural.

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Os Neo-ortodoxos e os Ortodoxos A neo-ortodoxia teve alguns aspectos intermediários entre o liberalismo e a ortodoxia e foi um fenômeno do século XX. Ela acabou com a idéia de que a Bíblia era fruto da mente religiosa humana, mas também não concordava que as Escrituras fossem um fruto somente divino. Para eles as Escrituras registram o testemunho do homem a respeito da revelação que Deus faz de si mesmo. A Bíblia é vista como um compêndio de sistemas teológicos as vezes conflitantes, acompanhados por diversos erros fátuos. Desta forma há uma negação por parte deles às questões relacionadas a infalibilidade e a inerrância. Todos os fatos históricos referentes ao sobrenatural e ao natural são vistos como mitos, a saber, não ensinam a história literalmente. Já os mitos bíblicos (criação, ressurreição) mostram as verdades teológicas na forma de incidentes históricos. Karl Barth (1886-1986), diz que a Bíblia registra e dá testemunho da revelação; em si mesma, não é a revelação. Outros líderes neo-ortodoxos são: Emil Brunner e Reinhold Neibuhr. Rudolf Bultmann (1884-1976) ensinava que o NT deveria ser compreendido em termos existencialistas pela demitização (separar o essencial das narrativas bíblicas de sua forma literária mítica; limpar de mitos a mensagem cristã), porque em seu entender os milagres (mitos) representavam uma realidade para as pessoas daquela época, mas no momento atual não tinham nenhum significado literal. Entre esses milagres que ele questionava estava a ressurreição de Cristo. A teologia bultmanniana era totalmente influenciada pelo existencialismo do filósofo alemão Martin Heidegger (1886-1976), a qual era fruto da Segunda Guerra Mundial. Para eles a hermenêutica não era uma ciência que formula princípios através dos quais os textos podem ser entendidos, mas era uma investigação da função hermenêutica da fala como tal, tendo um raio de ação muito mais amplo e mais profundo. Esses eruditos utilizaram a linha do subjetivismo para afirmarem o seu pensamento sobre a Nova Hermenêutica. Pois assim o texto bíblico poderia ter o sentido que o leitor desejasse. A verdade existente era uma experiência e não um escrito. De acordo com o que pensavam, a hermenêutica era o processo de entender a si mesmo e nunca o de desvendar a Bíblia, porque esta fora escrita há séculos e o homem não consegue entrar naquele mundo.

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Os ortodoxos, que acreditavam que a Bíblia representava a revelação que Deus fez de si mesmo através de seus próprios atos à humanidade, atribuem como tarefa principal do intérprete compreender, o melhor possível, o significado intencional dos autores das Escrituras. Por isso empreenderam nos estudos da história, da cultura, da língua e outros para entenderem o que significava a revelação. Muitos teólogos conhecidos fazem parte deste movimento, entre os quais pode-se citar: H. A. W. Meyer, John A. Broadus; também existiram outros como: Louis Berkhof, A. Berkeley Mickelsen e Bernard Ramm, que serviram de manuais de hermenêutica para a tradição. Em seu livro, Roy B. Zuck faz um tipo de mapa para dar uma noção de quem fez parte de cada período. Num formato mais simples este mapa cronológico fica assim: Pais da Igreja: a) Literal: Clemente de Roma, Inácio e Policarpo; b) Alegórico: Barnabé; Apologistas: a) Literal: Justino Mártir, Irineu e Tertuliano; Pais Alexandrinos e Antioquinos: a) Teodoreto; b) Alegórico: Panteno, Clemente e Orígenes; Pais da Igreja dos Séculos V e VI: a) Alegórico: Cassiano, Euquério, Adriano, Junílio, Jerônimo e Agostinho; b) Tradição: Vicente; Idade Média: a) Literal: Rashi, Hugo de S. Vítor, Ricardo de S. Vítor e André de S. Vítor; b) Alegórico: Bernardo, Joaquim, Langton, Gregório, o Grande, Beda, o Venerável, Rabano Mauro e Alcuíno; e também Aquino, Nicolau e Wycliffe; Literal: Doroteu, Luciano, Diodoro, Teodoro, João Crisóstomo e

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Reforma: a) Literal: Lutero, Melanchton, Calvino, Zwínglio, Tyndale e os anabatistas; b) Tradição: Concílio de Trento; Pós-Reforma: a) Literal: Confissão de Westminster, F. Turrentin, John Wesley, J. A. Turretin, Cappell, Ernesti, Bengel e Wettstein; b) Racionalismo: Hobbes e Spinoza; c) Subjetivismo: Boehme, Spener e Francke; Era Moderna: a) Literal: comentaristas exegéticos e eruditos evangélicos; b) Racionalismo: Jowett, Baur, Strauss, Welhausen, Harnack, Peré, Fosdick e DeWolf; c) Subjetivismo: Schleiermacher, Barth, Kierkegaard e Bultmann.

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As Interpretações de Hoje Conforme se vê, a interpretação passou por sérias mudanças quanto aos métodos a serem empregados. A princípio passou a ser utilizado o método literal; depois o método totalmente alegórico, que deixou o literal de lado; depois veio o método das tradições no qual a igreja predominou e não aceitou a opinião individual; surgiu então, o método racional que não aceitava nenhum tipo de idéia sobrenatural e também o subjetivo que descartava o objetivo. O estudante de teologia que não entender e nem procurar saber como interpretar e quais os métodos existentes para a interpretação, ficará limitado a pegar um pouco de cada um desses métodos já utilizados no passado. O resultado que obterá, mostrará que a sua interpretação será uma "salada" ou uma forma de "resto de feira" de interpretação. Em qualquer igreja de hoje, século XXI, encontra-se um tipo de

interpretação que foi citado anteriormente. Da mesma forma há os que misturam as interpretações e fazem uma só. Mas o que é mais triste é que a maioria dos estudantes de teologia aceitam essas coisas e pregam-nas em suas igrejas como sendo o melhor método de interpretação existente. Além de existir, hoje em dia, todo o tipo possível de interpretação que já foi visto, uma idéia é tida como ponto em comum. Esta é a platônica, pois todos crêem que há uma alma que se desprende do corpo e se une a alma de forma incorruptível no céu. Entretanto, apenas este ponto em comum não é o suficiente para ser aceito como o certo. É necessário que o estudante de teologia saiba como fazer uma interpretação de um texto, da melhor forma possível. Para isso é preciso utilizar os fatores históricos, culturais, gramaticais, textuais e outros que o texto apresente.

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Princípios Hermenêuticos A Hermenêutica está dividida em duas subcategorias: Hermenêutica geral É o estudo das regras que regem a interpretação do texto bíblico inteiro. Hermenêutica especial É o estudo das regras que se aplicam a gêneros específicos como: parábolas, alegorias, tipos e profecias. A Relação da Hermenêutica com outros Campos de Estudo Bíblico. Estudo do Cânon: Diferenciação entre os livros que trazem o selo da inspiração divina e os que não trazem. Crítica Textual: Tenta averiguar o fraseado primitivo de um texto. Torna-se necessário, pois não temos os originais dos manuscritos, temos apenas cópias e essas variam entre si. Crítica Histórica: Estuda a autoria de um livro, a data da composição, as circunstâncias históricas que cercam sua composição, a autenticidade do seu conteúdo e sua unidade literária. Exegese: É a aplicação dos princípios da hermenêutica para chegar-se a um entendimento correto do texto. Teologia Bíblica: É o estudo da revelação divina no AT, e no NT. Ela indaga como essa revelação especifica contribuiu para o conhecimento que os crentes já possuíam naquele tempo. Tenta mostrar o conhecimento Teológico através dos tempos. Teologia Sistemática: Organiza os dados bíblicos de uma maneira lógica, tenta reunir todas informações sobre determinados tópico. Ex.: (Deus, Jesus, Igreja).

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Análise Histórico-Cultural e Contextual Analisa, como o próprio nome já diz, o ambiente histórico-cultural do autor, com a finalidade de compreender as suas alusões, referências e propósitos. O Dr. Roy B. Zuck, em seu livro A Interpretação Bíblica, utiliza o termo abismo para cada tipo de análise a ser feita num texto. Na verdade, o que ocorre é um verdadeiro abismo, porque se o estudante de teologia não compreender o que o autor escreveu para o seu povo no passado, não poderá fazer uma aplicação para os dias de hoje e terá uma interpretação deficiente, ou até mesmo, muito distante do que o autor imaginou dizer para o seu povo. Ao analisar um texto bíblico, o estudante de teologia tem o costume de perguntar o que o texto significa para ele ou para o seu tempo. Entretanto a pergunta mais correta a ser feita é: o que o autor queria dizer para o povo do seu tempo ou para ele próprio? Para compreender melhor esse ambiente no qual o autor vive é preciso conhecer o ambiente histórico, isto é, o contexto histórico-cultural no qual o povo bíblico vivia. Para tanto é necessário fazer as seguintes perguntas: Quem escreveu o livro? Em que época? Por que o escreveu? Isto é, falar dos possíveis problemas ou vitórias que ocorreram na época. Para quem foi escrito? E outras, no mesmo sentido. Ao tomar o contexto histórico vivido pelo autor do livro, o estudante de teologia terá uma maior compreensão do que o livro quer dizer. É bom lembrar que o estudante faz uma verdadeira "viagem ao tempo" para compreender esse sentido. Para que isto ocorra o estudante de teologia, agora intérprete da Bíblia, precisa conhecer o ambiente cultural e histórico em que autores humanos da Bíblia trabalharam. Como se sabe, em qualquer cultura ou época, tanto os autores como os leitores sofrem muita influência do contexto social vivido. Por isso há necessidade de conhecer a cultura da época e isto nem sempre pode ser visto apenas através da Bíblia. Também é preciso pesquisar em outros livros (paralelos), pois estes tratam de questões específicas, isto é, questões culturais e sociais. Mas o que é cultura? Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, cultura é sistema de atitudes e modo de agir; costumes e instruções de um povo; conhecimento geral. A cultura envolve tudo o que uma pessoa faz, diz, produz, crê e pensa. Isto envolve hábitos, costumes, formas de comunicação e etc.

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Da mesma forma que um missionário ao ir para outro país precisa conhecer a cultura do povo, o intérprete também precisa conhecer a cultura do livro bíblico a ser lido. Ninguém consegue compreender como o povo de Israel era tão infiel a Deus após ter saído do Egito, pois o povo viu muitos milagres. Mas ao estudar o contexto histórico e cultural vivido pelo povo na época entende-se que sofria influência de outros povos. É bom lembrar que a Bíblia foi escrita para os judeus, o povo de Israel e hoje é utilizada por causa da salvação que alcança a todos através da graça de Jesus. Então eles não tinham nenhuma preocupação de ensinar a outros povos a sua cultura, já que todos sabiam como era. Também não tinham a intenção de falar dos outros povos, mas apenas do povo judeu, que foi escolhido por Deus para habitar a terra prometida. Para que haja uma melhor compreensão do contexto histórico-cultural serão analisados alguns pontos importantes para a interpretação. O autor Aqui é necessário abranger todas as características que envolvem o autor. Para que isto seja feito é preciso saber quem é o autor, pois nem todos os livros da Bíblia trazem o nome do autor e nem sempre ele é o elemento principal, principalmente nos livros contidos no NT. É preciso compreender o caráter e o temperamento, tudo mais íntimo possível. Também é importante descobrir qual a sua profissão, porque esta influencia muito na vida de uma pessoa. O Dr. Elliott diz que é suficiente falar-se no marinheiro, no soldado, no comerciante, no operário, no clérigo e no advogado para se reconhecer quão diferentes tipos de homens eles são, tendo cada um o seu modo habitual, suas expressões familiares, suas imagens familiares, seu modo favorito de ver as coisas e sua natureza especial. Por isso ao ler qualquer livro da Bíblia é bom procurar particularidades do autor, isto é, escritos, palavras, coisas que são peculiares ao autor e fáceis de se notar no texto. Para tanto é preciso ler toda a vida do autor e não só apenas uma parte. Se não for feita uma análise biográfica da vida de Paulo, Pedro, João, Moisés, Jeremias, Daniel e outros, não ficará bem claro o que quiseram passar, porque muitos autores e personagens bíblicos, num dado momento, tinham uma determinada personalidade ou temperamento e após algum tempo, devido as suas experiências, este temperamento mudou e muito. Outro fato importante a ser destacado é que nem sempre o autor é quem fala no texto, por isso é indispensável ter atenção no texto a ser lido ou estudado. Ao

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prestar atenção ao texto o intérprete descobre muitas coisas, uma delas é a intenção do autor ao escrevê-lo (exortativo, doutrinário, de fé, fidelidade, etc). Outro fator importante a ser destacado no texto é se o autor está narrando um fato ou participando deste. Também é possível notar se o autor está sendo o portavoz direto de Deus ou apenas registrando a sua visão ótica da situação vivida, igual a um jornalista. Um bom exemplo para isso está em Gênesis 6-9, onde é narrado o fato do dilúvio. A maior questão que se tem até o momento é se o dilúvio aconteceu em todo o mundo ou apenas no mundo que o autor conhecia e via no momento do fato, ou ainda, se realmente aconteceu. O Contexto Social Tudo o que acontece em volta do mundo vivido pelo autor tem que ser levado em consideração, por isso o contexto social é algo muito importante a ser estudado para compreender um texto. Ao se falar em contexto social é preciso saber se todas as coisas fazem parte do contexto. Tudo o que acontecia em volta ou próximo ao autor é importante para a compreensão do texto. A questão política é uma das que mais influenciam a vida do autor, não só a política regional como a mundial, porque naquela época a forma de governo era monárquica, mas não igual à da Idade Média. Então os países mais fortes dominavam e influenciavam os demais. Não se pode entender o NT sem compreender a influência do domínio de Alexandre o Grande por toda a terra e o Império Romano. Da mesma forma, fica mais fácil compreender as profecias dos livros de Daniel e de Zacarias entendendo a história política. Se o intérprete não conhecer a história de José e de seus pais não entenderá porque o povo de Israel tornou-se escravo no Egito. Isso não ocorre apenas no AT, mas no NT também. Como compreender os partidos existentes na época de Jesus se não conhecer a história e a política da época? Os evangelhos relatam vários grupos existentes na época de Jesus, entre eles pode-se citar os fariseus, saduceus, sicários, zelotes, publicanos, herodianos, essênios, etc. Também existia o sinédrio e outros mais, sem contar que sempre que alguém tentava acusar a Jesus jogava-o contra o império romano. Por isso, em toda a Bíblia, é de suma importância conhecer as questões políticas, pois assim a compreensão do texto e do que o autor queria passar fica mais nítida. Junto com a questão política existente na época encontra-se a religião dos povos e a forma de governo.

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Não se pode interpretar o significado de um texto com certa precisão sem esse tipo de analise, pois o nosso objetivo é compreender o que o autor escreveu para o seu povo no passado, e somente após isso ele poderá fazer uma aplicação para os dias de hoje. Para isso podemos então fazer três perguntas básicas: I- Determinar o ambiente Histórico-Cultural geral. a. Qual o ambiente histórico geral em que o escritor fala? b. Quais os costumes cujo conhecimento esclarecerá o significado de determinadas ações. c. Qual o nível de comprometimento espiritual da audiência? II- Determinar o contexto Histórico-Cultural específico e a finalidade do autor ao escrever um livro. a. Quem foi o autor? b. Qual o seu ambiente? c. Quais as suas experiências espirituais? d. Para quem ele estava escrevendo? (crentes, descrentes, apóstatas, crentes que corriam perigo de tornar-se apóstatas, etc.) e- Qual a finalidade do autor ao escrever esse livro em especial? III- Desenvolver uma compreensão do Contexto Imediato Como método de estudo bíblico, tomar textos para efeito de prova é relegado a plano secundário porque erra neste passo importante; interpreta os versículos sem dar a devida atenção ao seu contexto. Fazem-se algumas perguntas para entender um texto em seu contexto imediato. a. Quais os principais blocos de material e de que forma se encaixam no todo?

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b. Como essa passagem contribui para a corrente da argumentação do autor? c. Qual a perspectiva do autor? d. Essa passagem declara uma verdade descritiva ou prescritiva? • Descritiva - relatam o que foi dito ou que aconteceu em determinado tempo. O que Deus diz é verdadeiro; o que o diabo diz geralmente é uma mistura de verdade e erro, o que o homem diz pode ser verdade ou não. Quando a Bíblia descreve uma ação de Deus com respeito a seres humanos numa passagem descritiva não se deve supor que seja este o modo dEle operar na vida dos crentes em todos os tempos da história. • Prescritiva - as escrituras são tidas como articuladoras de princípios normativos. As epistolas são antes de tudo prescritivas, mas de quando em quando elas contém casos de prescrições individuais em vez de universais. e. O que constitui o núcleo do assunto, e o que representa detalhes incidentais? f. A quem se destina essa passagem? (judeus, igreja, alguém em especial?) Analise Lexico-Sintático Analise Lexico-Sintático é o estudo do significado de palavras tomadas isoladamente (lexicologia) e o modo como essas palavras se combinam (sintaxe) a fim de determinar com maior precisão o significado que o autor pretendia lhes dar. A analise Lexico-Sintática reconhece quando um autor tenciona que suas palavras sejam compreendidas de modo literal, figurativa ou simbólica; e então as interpretam concordemente. Quando Jesus disse "Eu sou a porta", "Eu sou a videira" etc. Esta analise ajuda a interpretar a variedade de significados de uma palavra ou e um grupo de palavras. Sua Necessidade a. Quando não temos certeza válida de que nossa interpretação das escrituras é o que Deus tencionava comunicar.

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b. Quando não temos base para dizer que nossa interpretação das Escrituras são mais validas que a dos grupos e heréticos Passos Para a Análise Lexico-Sintática 1. Apontar a forma literária geral do texto. A forma literária que o autor usa (poesia, prosa, parábola outras), influência o modo que ele pretende que suas palavras sejam entendidas. 2. lnvestigar o desenvolvimento do texto, e mostrar como a passagem em consideração se encaixa no contexto. 3. Apontar as divisões naturais do texto. As principais unidades conceptuais e as declarações transicionais revelam o processo de pensamento do autor e, portanto, tornam mais claro o significado que ele quis dar. 4. Identificar os conectivos dentro de parágrafos e sentenças. Observar os versículos, parágrafos e sentenças (conjunções, preposições, pronomes relativos), mostram a relação que existe entre dois ou mais pensamentos. 5. Determinar o significado isolado das palavras. Qualquer palavra que sobrevive por muito tempo numa língua começa a assumir uma variedade de significados. Por isso é necessário procurar os diversos possíveis significados de palavras antigas, e então determinar qual desses possíveis significados é o que o autor tencionava transmitir num contexto específico. 6. Analisar a sintaxe. A relação das palavras entre si expressa-se por meio de suas formas e disposições gramaticais. 7. Colocar os resultados de sua análise léxico-sintática em palavras que não tenham conteúdo técnico, fáceis de ser entendidas, que transmitam claramente o significado que o autor tinha em mente. Método para Descobrir as Denotações de Palavras Antigas Observando a tradução grega do Antigo Testamento feita antes de Jesus. Estudar os sinônimos procurando pontos de comparação ou contraste. Determinação dos significados pele etimologia.

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Paralelismo O paralelismo são palavras, passagens ou textos com o mesmo assunto ou significado. Passagens paralelas são aquelas que: Fazem referência uma a outra. Tenham entre si alguma relação Tratam de um modo ou de outro do mesmo assunto. Necessidade de Usar Paralelismo. Clarear passagens obscuras. Adquirir conhecimentos bíblicos exatos, quanto a doutrina e prática cristãs. Existem Paralelos de: Palavras Usa-se quando o conjunto de frases ou o contexto não bastam para explicar uma palavra duvidosa. Ex.: trago em meu corpo as marcas de Cristo. Marcas; 1Co.4-10 (cicatriz); 2Co. 11.23-25 (sofrimento literal) Balaão: Nm 22,24; Ap 2.14-17; Jd 11; IIPe 2.15-16. De Idéias São passagens que servem para clarear o texto em estudo. Ex.: Sobre esta pedra edificarei minha igreja. Como identificar isso? Mt.21:42-44; 1Pe 2:4-8; Ef.2:20. Ex.: "Porque o amor cobre uma multidão de pecados." 1Co 13; Cl 1.4 De Ensinos Gerais São princípios que permeiam toda palavra ou o Novo Testamento, ou seja, doutrinas cristãs absolutas.

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Ex.: Justificação pela fé. Ef 2.8-10; Rm 5:1-8 Perdão do irmão. Mt 5.21-27. Regras 1. Buscar paralelos ou palavras mais claras no mesmo livro ou outro livro escrito pelo mesmo autor. 2. Buscar paralelos nos livros da mesma época. 3. Buscar paralelos em outros livros de outros autores, pois as vezes a palavra varia de autor para autor e de uma época para outra. Ex.: obras em Tiago e em Romanos. Analise Teológica Precisamos nesse aspecto fazer duas Perguntas Básicas: 1. Como esta passagem em questão se enquadra no padrão total de revelação de Deus? 2. 0 que é o padrão da revelação de Deus? Existem algumas teologias (teorias) quanto o relacionamento de Deus com o homem. Teorias Teológicas e Teoria Dispensacionalista Segundo essa linha a revelação de Deus esta conceituada nas seguintes dispensações: a. Inocência ou Liberdade - Da criação do homem ate seu pecado b. Consciência - Do pecado ao dilúvio. c. Governo civil - Do dilúvio a torre de babel. d. Da Promessa - Este intervalo abrangeu os patriarcas de Gn.11:10 ate Èx. 18:27

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e. Da lei Mosaica - De Moisés ate a morte de cristo. f. Da Graça - O Presente momento , De At.2:1 ate Ap.19:21 g. Do Milênio- O reino milenar de Jesus Cristo Ap.20. A base para a salvação em cada era é a morte de Cristo de forma especifica ou tipológica, a exigência para a salvação é a fé. O objetivo da fé em cada era é Deus, o conteúdo da fé muda nas várias dispensações. Teorias das Alianças Os teólogos das alianças vêem toda historia bíblica coberta por duas alianças, uma das obras ate a queda e uma da graça desde a queda ate o presente. A aliança das obras é descrita como acordo entre Deus e Adão, que prometia a este a vida mediante a obediência perfeita. A aliança da graça Deus promete perdão ao pecador mediante a fé nEle. Regras para Fazer Analise Teológica 1. Determinar seu ponto de vista da natureza do relacionamento de Deus com os homens. 2. Apontar as implicações desta perspectiva, para as passagens em estudo. 3. Avaliar a extensão do conhecimento. 4. Determinar o significado que a passagem possuía para os seus primitivos destinatários á luz do conhecimento que tinham. 5. Indicar o conhecimento complementar acerca deste tópico o que hoje temos por causa da revelação posterior.

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Métodos Literários Especiais Os bons comunicadores empregam uma variedade de dispositivos para ilustração, esclarecimento, ênfase e manutenção do interesse do auditório. Os escritores e oradores bíblicos também usaram esses recursos. Para entender melhor a Bíblia é preciso compreender o que são as figuras de linguagem e saber diferencia-las num texto. Segue alguns tipos de figuras de linguagem: Símile É uma comparação expressa. É o típico emprego das expressões:

semelhante ou como. A ênfase é dada sobre algum ponto de similaridade entre as duas idéias expressas. O Sujeito e a coisa com a qual está sendo comparada são mantidos separados para uma melhor compreensão. "Mas, a quem compararei esta geração? É semelhante aos meninos que, sentados nas praças, clamam aos seus companheiros". Mateus 11.16 Metáfora É uma comparação não expressa. O sujeito e a coisa com a qual é comparada estão entrelaçados. Apesar da comparação entre o sujeito e a coisa se identificarem como uma só, o autor não quer que sejam vistos como literais. Na metáfora um objeto é assemelhado ao outro, afirmando ser o outro ou falando de si mesmo como se fosse o outro. É o típico emprego das expressões dos verbos: Ser e Estar. "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte". Mateus 5.14 A metáfora pode ser dividida em: - Antropopatismo: atribui a Deus, emoções, paixões e desejos humanos.

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"E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção." Efésios 4.30 - Antropomorfismo: atribui a Deus membros corporais e atividades físicas. "Eis que o salário que fraudulentamente retivestes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos clama, e os clamores dos ceifeiros têm chegado aos ouvidos do Senhor dos exércitos." Tiago 5.4 Há muita metáfora na descrição de como será o céu no livro de Apocalipse como ruas de ouro, fogo que não se apaga e etc. Provérbios Segundo Walter C. Kaiser, os provérbios são "ditos concisos, breves, com um pouco de estimulante e uma pitadinha de sal também". De forma geral têm um único ponto de comparação ou princípio de verdade para comunicar um único pensamento ou comparação que o autor tinha em mente. Por isso passam toda a verdade de um tempo em poucas palavras. Também podem ser como uma parábola ou alegoria comprimidas e, até mesmo, possuindo as características de ambas. "Disse-lhes Jesus: Sem dúvida me direis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; Tudo o que ouvimos teres feito em Cafarnaum, faze-o também aqui na tua terra." Lucas 4.23 Parábolas O vocábulo parábola (παραβαλλω) significa colocar algo ao lado de outra coisa e compará-lo. É uma comparação, uma símile ampliada. A comparação é desenvolvida através de uma narrativa entre dois fatos para explicar o que é desconhecido, conhecido e escondido, sempre visando um fim prático. Era um método comum no Oriente. A parábola exige, somente, corresponder no seu todo com a verdade central que se pretende ensinar. Através desta historieta contada é fornecida uma lição de moral, mostrando assim, através de um fato real, concreto e vivido, a sua surpreendente tendência.

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Ela oculta a verdade para os que têm o coração endurecido e contém detalhes da vida real, constituídos de fatos familiares, como se fossem as molduras de um quadro. Como os judeus tinham o seu coração endurecido, Jesus falava em parábolas e utilizava verdades para confrontá-los mostrando os seus erros. Por isso o importante de uma parábola é descobrir o propósito contido nela. Toda parábola contém o significado expresso, seja no início, no meio ou no fim. Mas para entendê-la é preciso conhecer todo o contexto envolvido. Não se pode entendê-la só tentando descobrir os detalhes existentes ou atribuindo-lhes alguns. Enfim, é uma historieta narrada que fornece uma lição moral. Ex.: Mateus 13; Marcos 4.1-33; Lucas 8.4-15; 15.1-32; Princípios para Interpretação de Parábolas 1. Análise Histórico-Cultural • O mesmo tipo de analise para interpretar passagens expositivas deve usarse na interpretação de parábolas. • Visto que as parábolas eram usadas para esclarecer ou acentuar verdades que estava sendo discutida numa situação histórica especifica. Um exame dos tópicos sob consideração no contexto imediato de uma passagem traz luz sobre seu significado. • Além das pistas históricas e contextuais, o conhecimento de detalhes culturais clareia o significado de nuances da parábola. Ex.: colheita, casamento e vinho eram símbolos judaicos dos fins dos tempos, a figueira era símbolo do povo de Deus. As candeias para serem apagadas, eram postas debaixo de cestos; acender uma candeia e colocá-la debaixo de um alqueire significava acende-la e logo em seguida apagá-la. • As vezes a introdução da parábola, declara explicitamente o significado pretendido. Outras vezes o significado pretendido é comunicado atreves da aplicação. 2. Análise Léxico-Sintático: Existem palavras de difícil compreensão nas parábolas requerendo uma analise das mesmas.

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3. Paralelismo: Buscar no texto bíblico passagens que façam referencia a parábola estudada, analisar parábolas que falem do mesmo assunto, fazer paralelismo com os sinóticos. 4. Análise Teológica: São duas as principais questões teológicas as quais um expositor deve responder antes de estar apto, a interpretar a maioria das parábola de Jesus. • Definir se Reino dos céus e Reino de Deus são sinônimos ou não. Visto que grande porcentagem, dos ensinos de Jesus, incluindo suas parábolas refere-se a esses reinos, é muito importante identificá-los adequadamente. Grão de Mostarda: Mt 13;10-15; Mc 4.4;10-12 e Lc 8:9-19. Fermento. Mt 13.31-32; Mc 4.30-32; Lc 13.18-19. As bem-aventuranças. Mt 5.3; Lc 6.20. A maioria dos expositores vêem esses reinos como sinônimos. • As parábolas podem servir ao importante propósito, de fixar doutrinas. Contudo os ortodoxos concordam unanimemente que nenhuma doutrina pode basear-se numa parábola, como sua primária e única fonte. 5. Análise Literária: Através da história uma pergunta central concernente as parábolas tem sido: "quanto é significativa? Crisóstomo e Teofilato argumentavam que há um só ponto central numa parábola. Todo o restante é cortina ou ornamento. Alegoria É uma metáfora ampliada, onde a comparação não vem expressa e todo o mais se entrelaça: a história e seu significado, a história e a sua aplicação e traz em seu conteúdo a própria interpretação. É um uso figurativo, com narrativa fictícia e a aplicação de alguma história ou fato que se admite. Geralmente tem diversos pontos de comparação, não necessariamente concentrados ao redor de um núcleo. Um bom exemplo é a interpretação de Efésios 6.10-17, analisando cada peça da armadura do cristão descrita como algo para a vida prática, tendo como finalidade deixá-lo totalmente armado.

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Princípios para Interpretação de Alegorias Os mesmos usados para interpretar parábolas: 1. Analise histórico cultural 2. Analise contextual Analise do contexto imediato 3. Analise Léxico-sintático 4. Analise Literária 5. Analise Teologia 6. Determinar as mensagens múltiplas de comparação, que o autor tinha em mente, mediante o estudado contexto e dos pontos que ele acentuou. Ex.: Ef 6.1-10; João 15.1-7 Prosa e Poesia Na prosa e na poesia encontra-se muito paralelismo, isto é, duas linhas ou membros do mesmo período, na maior parte. Significa que as coisas correspondem às coisas e as palavras às palavras. - Paralelismo Sinonímico: quando a mesma idéia é repetida em palavras diferentes. A 2a linha de uma estrofe repete o conteúdo da 1a com palavras diferentes. Ex: Jó 5.6; Salmo 24.2; 103.10; Provérbio 6.2 - Paralelismo Antitético: quando a idéia da 2a linha é contrária à da 1a. Ex: Salmo 37.21; Provérbio 14.13 - Paralelismo Sintético, construtivo ou epitético: quando a 2a linha vai além da 1a, completando ou explicando-a. Ex: Salmo 14.2; O paralelismo pode ser correspondente, quando a 1a linha corresponde à 3a e a 2a à 4a. Ex: Salmo 27.1; ou pode ser cumulativo, quando apresenta uma série de idéias cumulativas e, algumas vezes, conduz a um clímax. Ex: Salmo 1.1; Isaías 55.6,7.

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Tipos As idéias básicas expressas por tipos e seus sinônimos são os conceitos de parecença, semelhança e similaridade. Os tipos são parecidos com os símbolos e assemelham-se a estes. Os símbolos servem de sinais de algo que representam, sem necessariamente serem semelhantes em qualquer respeito. Já os tipos assemelham-se de uma ou mais forma às coisas que prefiguram. São prefigurações, por isso sempre apontam para o futuro e sempre precedem historicamente ao seu antítipo. A tipologia busca o vínculo entre as pessoas, eventos históricos ou coisas dentro da história da salvação. Repousa sobre uma compreensão objetiva e da narrativa histórica, por isso não se assemelha a alegoria, Ex: João 3.14,15. Os tipos contêm três características básicas: há um ponto notável de semelhança ou analogia entre o tipo e seu antítipo, Romanos 5.14-19 - Adão e Cristo; há evidência de que a coisa tipificada representa o tipo que Deus indicou, embora tal afirmação não precisa ser declarada formalmente; há a prefiguração de alguma coisa futura, Ex: o NT é o antítipo do AT. Os tipos podem ser divididos em 5 classes: 1. Pessoas típicas: aquelas cujas vidas demonstram um importante princípio ou verdade da redenção, Ex: Romanos 5.14 - pecado/salvação; 2. Eventos típicos: possuem uma relação analógica com algum evento posterior. Ex: Mateus 2.17,18 nos dias de Raquel a matança dos filhos é uma tragédia local; Jeremias 31.15 nos dias de Jeremias é uma tragédia nacional; (o ponto em comum é a angústia demonstrada em face de uma perda pessoal e querida); 3. Instituições típicas: são práticas que prefiguram eventos posteriores da salvação, Ex: Levítico 17.11 com I Pedro 1.19 (o sangue dos cordeiros e o de Jesus Cristo); 4. Cargos ou ofícios típicos: Moisés como profeta e Cristo também; Melquisedeque como sacerdote e Cristo também (Hebreus 5.6); 5. Ações típicas: são ações ou atitudes tomadas por pessoas que prefiguram algo que acontecerá, Ex: Marcos 14.22 Cristo comendo o pão e falando sobre o seu corpo na cruz.

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Princípios de Interpretação de Tipos 1. Analise histórico-cultural e Contextual: a identificação de nomes próprios, referências geográficas, de costumes contemporâneos, de detalhes e de fundo histórico é de todo necessário a fim de entendermos como o tipo e seu anti-tipo se encaixam na história da salvação. O contexto imediato as vezes proporciona indícios quanto a esse ponto, doutras vezes um estudo da contexto mais amplo proporciona uma compreensão do motivo que o autor tinha para incluir determinados acontecimentos. 2. Analise Léxico-sintático: há palavras empregadas literalmente,

figuradamente ou simbolicamente. Os mesmos princípios são aplicados neste caso. 3. Analise Teológica: como este texto se enquadre no todo da revelação? 4. Analise Literária: pesquisar no texto para encontrar o ponto ou pontos de correspondência. 5. Observar os pontos importantes entre o tipo e seu anti-tipo. Profecia Apesar de haver várias opiniões sobre a sua interpretação, a profecia referese a três coisas: prediz eventos futuros; revela fatos ocultos quanto ao presente; ministra instrução, consolo e exortação em linguagem forte. Para diferenciar a profecia da literatura apocalíptica é preciso ter muito cuidado porque é preciso saber: quais os princípios hermenêuticos utilizados, quando se deve utilizar o sentido literal ou simbólico na interpretação, se toda vez que a palavra é empregada significa a mesma coisa (universalidade), se todas as declarações proféticas são condicionais ou não e se tem significado único ou múltiplo. Ex.: em Mateus 26.34,35 Jesus prediz que Pedro o negaria antes do galo cantar. Literal x Simbólico: Determinar quando deve ser interpretado literalmente e quando simbolicamente. Alguns interpretes preferem o método analógico. Neste método as declarações são interpretadas literalmente depois são traduzidas para o equivalente hodierno. O problema é saber se uma palavra deve ser interpretada literal ou simbolicamente não é resposta fácil. O contexto e seus usos históricos das palavras são os melhores guias gerais a tomadas de decisões concernentes ao seu uso dentro de determinadas passagens.

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Universalidade: Concerne, a saber, se alguns símbolos significa a mesma coisa toda vez que aparece na Escrituras. Antigamente os escritores atribuíam símbolos universais a certos números, cores ou artigos. Atualmente os eruditos aceitam a idéia de uma regularidade do simbolismo de alguns autores bíblicos os números. Milagres Bauer diz que o milagre é um evento sensível em que se verifica a irrupção (ato de irromper. Invasão súbita e impetuosa) de Deus na história dos homens. O milagre não é um sagrado em si, mas um sinal que aponta para ele e que por isso se distingue da aparição, na qual o próprio sagrado mostra-se em seu mistério. Ele encontra o seu sentido no caráter de sinal e deve ser entendido como um fenômeno inexplicável dentro de um processo natural, ultrapassando-o e sendo atribuído a algo divino, neste caso, a Deus. O milagre não tem um valor absoluto em si mesmo, por isso só é compreendido dentro do contexto. O mais importante não é o acontecimento miraculoso e sim, a mensagem que o envolve. Os milagres sempre beneficiam a alguém e ensinam aos demais. Então, os milagres contidos nos evangelhos precisam ser compreendidos desta forma. Pois se Cristo é o centro dos evangelhos, os milagres precisam ser vistos à luz da sua pessoa. Jesus realizou milagres que demonstraram o seu poder sobre certas doenças (lepra, paralisia, febre), poderes da natureza, demônios, doenças sexuais, cegueira e morte. Nota-se que os milagres estão ligados a qualquer necessidade humana definida e são realizados para alívio de qualquer emergência. Todos os atos de Jesus ensinavam algo ao povo, seus milagres

demonstravam a sua divindade e a importância da fé que o povo deveria ter. Da mesma forma que Jesus utilizava as parábolas para ensinar, utilizava os milagres. Em Lucas 7.18-23 há uma narração de quatro milagres realizados por Jesus Cristo, só para responder uma pergunta de João Batista. Ao serem analisados pela crítica literária e de linguagem vê-se que os milagres não passam de um mal-entendido do texto ou de um enfeite no mesmo. Na literatura helenística também havia narrativas referentes a expulsões de demônios, curas, ressurreição de mortos, apaziguamentos de tempestades e milagres com vinho. Dentro deste contexto Jesus precisava ser superior a todo tipo de manifestação divina existente na época.

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Alguns milagres já eram comentados como sendo uma história da época. Há uma história de Apolônio de Tiana que narra a ressurreição de uma jovem noiva e que através dos detalhes há uma semelhança na ressurreição do jovem de Naim em Lucas 7.11-17. Conta-se que Vespasiano curou um cego usando a saliva como em Marcos 8.2226. Há também a história de um homem que ao ser curado levou consigo o seu leito igual a Marcos 2.11,12. Também é conhecido no mito e no culto a Dionísio o milagre de transformação da água em vinho. O povo do Antigo Oriente sempre gostou de grandes números e eventos incomuns. Muita coisa que para hoje é sobrenatural era comum aos antigos. M. Dibelius mostra que há dois tipos de narrativas de milagres nos evangelhos: os históricos que colocam no centro o aspecto interno do processo; os que se interessam pela elaboração do milagre. Por isso divide as histórias e milagres em dois grupos: paradigmas que são as narrativas usadas como argumentos e as novelas que são reconduzidas a narradores ou mestres. Apesar dos milagres serem realizados nos meios palestinenses, eles têm um conteúdo e caráter helenísticos. Os milagres de expulsão dos demônios demonstram a Basiléia Tôu Teôu (βασιλεια του θεου), isto é, o reino de Deus como superior ao do Panteão Greco-romano da época, principalmente na questão dos cultos já existentes. As Teorias Críticas Crítica da Forma A crítica da forma é um método de estudo que lida com o estágio préliterário da tradição dos evangelhos quando o material era transmitido oralmente. A ênfase é colocada sobre a comunidade primitiva em que a tradição foi formada. Há um consenso em que todas as narrativas foram produzidas por causa da necessidade de proclamação ou instrução. Vários métodos da crítica da forma foram utilizados para a reprodução da tradição oral pré-literária da comunidade cristã primitiva. Estes tipos de narrativas (paradigmas, apóphtegmas e narrativas de afirmações) são relatos que chegam ao seu ponto culminante com uma declaração do próprio Jesus Cristo como ilustração de sermão. Há relatos de milagres que são como modelos para as atividades dos curadores cristãos. As declarações e parábolas visam a instrução catequética e as lendas

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tendem magnificar a grandiosidade de Jesus Cristo, pois são verdades históricas com exageros. Através das distinções contidas na crítica da forma é possível classificar os textos para facilitar a interpretação. A crítica da forma é vista como sendo uma ramificação do estudo das religiões comparadas. É lógico que a crítica da forma contém pontos discutíveis, mas ajuda muito na compreensão de como o material foi recebido e como foi a formação dos demais evangelhos. Através dela pode-se entender que os evangelhos não vieram de apenas quatro homens, mas através do que toda uma comunidade falava acerca de Jesus Cristo, principalmente porque o período de tradição oral foi um período bem dinâmico. Acredita-se que muito dos ensinamentos ou feitos de Jesus Cristo foram modificados pelos cristãos com o passar dos tempos, conforme as necessidades que surgiam no seu dia-a-dia. Enfim, a crítica da forma reconstitui a importância da tradição oral e mostra que a importância dada era sobre o conteúdo dos ensinamentos de Jesus Cristo para os cristãos primitivos. História simples As histórias simples são conhecidas também como paradigmas (modelo, padrão) (Dibellius) ou apophthegmata (palavras solenes que eram proferidas) (Bultmann) e história de pronunciamento (Vicente Taylor). Estas estão mais próximas ao evento real do que quaisquer uma das outras formas. Normalmente os personagens são identificados pelos nomes e, apesar de haver uma falta nos detalhes, a história é bem acabada, completa, breve e simples. Observa-se que nesta história os personagens e os fatos são mantidos, mas o contexto é bem variado. Eis alguns tipos de exemplos, considerados puros, dos textos de Marcos: o paralítico 2.1-12, o jejum 2.18-20, a colheita de espigas 2.23-28 e a cura da mão mirrada 3.1-6. Há textos que parecem ter suas passagens aumentadas ou embelezadas, principalmente em Mateus. Estes são considerados impuros. Eis alguns exemplos dos textos de Marcos: a cura na sinagoga 1.23-28; a vocação de Levi 2.13-17; Jesus em Nazaré 6.1-6.

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História elaborada As histórias elaboradas são conhecidas como as novelescas de Dibellius e as histórias miraculosas de Bultmann e Taylor. Apesar de serem completas em si, há grande quantidade de detalhes. O interesse da história está contido no próprio milagre. Tais narrativas são escritas para satisfazer a curiosidade do leitor, mas sempre no final há uma confirmação do milagre na narrativa. Por estarem mais afastadas do evento, estas histórias são menos dignas de confiança que as histórias simples. Eis algumas passagens dos textos de Marcos: a cura do leproso 1.40-45, acalmando a tempestade 4.35-41, o endemoninhado Geraseno 5.120 e Jesus andando sobre as águas 6.45-52. Ao compará-las com Mateus e Lucas vê-se uma tendência em querer diminuir a narrativa de Marcos a quase uma história simples. Lenda sagrada Denomina-se de lenda sagrada as narrativas feitas a respeito das pessoas da história sagrada. A palavra lenda tem a ver com a vida de um santo. Estas lendas são histórias que foram construídas em torno de uma pessoa que esteve em contato com Jesus Cristo e a ênfase é dada sobre esta pessoa. Algumas narrativas de Marcos foram transformadas em lendas e por isso são mais conhecidas como narrativas lendárias: a descoberta do jumento 11.1-10, a unção de Jesus Cristo 14.3-9 e a descoberta da sala para a última ceia 14.12-16. História mítica As histórias míticas também são conhecidas como as histórias de Cristo, segundo Gunther Bornkamm. Mas nas outras religiões falavam acerca de deuses que apareceram entre os homens, conforme Atos 14.11-18. Apesar do NT não conter o mito puro, o conceito do filho de Deus que tem o seu ministério terreno e que prova sua divindade por milagres, aproxima-se muito do mítico. Entre as histórias individuais em que os elementos míticos são observáveis estão: o batismo de Jesus, a caminhada sobre as águas, a transfiguração e as aparições de Jesus Cristo após a ressurreição.

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Crítica da redação A crítica da redação supõe que cada autor dos evangelhos teve um propósito particular na seleção de seus materiais para inclusão na narrativa. Por isso tenta-se entender os propósitos, as visões e as ênfases teológicas dos evangelistas sobre os materiais disponíveis. Levando em conta a situação da vida cotidiana do autor, mostrando que o evangelho deve ser tratado como um todo e não apenas relatos isolados como na crítica da forma. Entretanto há um amplo valor nas ênfases teológicas de cada autor. Crítica da Fonte Tradição oral Os primeiros discípulos esperavam a volta de Jesus Cristo em breve, por isso não escreveram uma narrativa do seu testemunho e nos primeiros anos da igreja cristã o evangelho foi transmitido e preservado de forma oral. Mas com a morte de alguns apóstolos e o perigo de outros morrerem também sentiram a necessidade de preservar, através da escrita, o ministério de Jesus Cristo. Surgiu então, uma forma fixa de tradição feita através dos ensinos ou pregações dos apóstolos e outros líderes da igreja com a finalidade de preservar seus ensinamentos. Teoria dos 2 documentos Até 1835 a teoria de Agostinho foi mantida, mas Karl Lachmann provou a primazia de Marcos por questões puramente lingüísticas. Entre elas está a questão percentual dos textos encontrados em cada um dos evangelhos, o caráter primitivo de Marcos em que algumas expressões que poderiam causar ofensas são omitidas ou alteradas nos outros dois evangelhos, a rudeza do estilo e gramática e a preservação de palavras aramaicas. A maneira como o material de Marcos é distribuído em Mateus e Lucas mostra que ambos deveriam tê-lo como base para seus escritos. Ao comparar Mateus e Marcos nota-se que o primeiro apresenta a narrativa mais curta, isto é, resumida. Há a conhecida fonte Quelle, alemã, chamada de fonte Q, proposta dos sinópticos. Entretanto não é aceita por muitos e é muito debatida.

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Mateus e Lucas repetem com freqüência as palavras exatas de Marcos e acompanham a seqüência dos eventos da vida de Jesus Cristo, conforme feito por Marcos. Parece que Mateus e Lucas coletaram dados do evangelho de Marcos conforme Lucas 1.1-4. Teoria dos documentos múltiplos ou dos 4 documentos Como a teoria da fonte Q ou dos 2 documentos tinha muitas controvérsias surgiu outra feita pelos estudiosos do NT que dizia que Mateus e Lucas tiveram acesso a outros documentos escritos. Acredita-se que tiveram acesso pelo menos a quatro documentos escritos. B. H. Streeter no seu livro, The Four Gospels, de 1924, propõe esta teoria dos 4 documentos: Marcos - o material partilhado pelos 3 sinópticos; Q - material que não é Marcos, partilhado por Mateus e Lucas; M - material encontrado somente em Mateus; e L - material somente encontrado em Lucas. Esta parece ser a melhor e mais simples solução para o problema dos sinópticos. Crítica Textual O seu objetivo é conseguir que o texto reproduza fielmente o texto do autor, por isso tem como propósito reproduzir, o máximo possível, o texto original do autor. Utiliza-se todo material disponível e para isto segue obras com a finalidade de chegar a uma conclusão razoável. Este processo é mais conhecido como práxis da crítica textual. Entende-se por crítica textual toda pesquisa científica em busca da verdadeira forma de um documento escrito no original, ou pelo menos, no texto mais próximo do original. Não se pode afirmar que os manuscritos que tiveram seus textos copiados várias vezes e de várias formas não sofreram múltiplas e variadas alterações. Estas variações de uma mesma obra são conhecidas como variantes ou textos divergentes. A crítica textual, em particular a do NT, tem por objetivo a escolha do texto, entre todos os encontrados nos vários manuscritos, que possua a maior soma de probabilidades de ser o original ou a forma primitiva do autógrafo. O que se tem hoje, destes autógrafos, são apenas cópias do NT e algumas delas distantes mais de 2 séculos do original. É compreensível que quanto mais textos próximos dos manuscritos, em relação ao tempo, como em número de cópias há uma maior corrupção e erros do texto.

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A tarefa do crítico é reagir contra os erros dos copistas. Segundo Kenyon "a tarefa da crítica textual do NT é o mais importante ramo da ciência". Através da crítica textual é que se lança os fundamentos sobre os quais a estrutura da investigação espiritual deve ser construída. Por meio de um bom texto grego é possível fazer uma segura exegese, hermenêutica, crítica histórica ou literária, sem teologia e sem falar em tradução. A primeira função do crítico textual é a coleta do material documentário encontrado nas variantes do texto bíblico. Tais variantes que têm como base o textus receptus encontra-se nos manuscritos unciais, minúsculos, papiros, devocionários, versões e citações patrísticas. O Novum Testamentum Grece e o The Greek New Testament fornecem estes materiais, todos os elementos indispensáveis a essa identificação e capacitam o analista a dar a cada variante o peso e o valor que sua fonte traz consigo, levando-o à escolha do texto que mais se aproxima do original. Esta análise necessita de uma familiaridade com o material, o terreno onde se localiza a investigação. Por isso é necessário um bom conhecimento dos vários manuscritos, das citações dos antigos escritores da igreja cristã, das versões e do modo pelo qual foram produzidos os usos da escrita literária do tempo, do material usado, do destino e do objetivo final dessa mesma produção. A segunda função ou parte da crítica textual requer um conhecimento da própria história do texto, dos métodos da crítica textual, da teologia do autor do livro examinado, da história das doutrinas, da língua original e da sua gramática, além de um conhecimento cultural da época do autor e dos escritos com a cópia a ser pesquisada. Também é bom ter um conhecimento ou uma boa noção de paleografia (ciência auxiliar da história, que estuda a escrita antiga em qualquer espécie de material), arqueologia, geografia e dos clássicos da época. Nota-se que a crítica textual trabalha com a interpretação bíblica, ou melhor, com a hermenêutica. Ela faz parte de todo este processo de interpretação bíblica. Entre os materiais estão: os livros primitivos, os manuscritos e entre estes, os gregos, as versões antigas (latinas, siríacas, cópticas, góticas, geórgicas, armênias, etiópicas, eslavas e outras), as citações patrísticas, os lecionários que são volumes que contêm os evangelhos, Atos ou as epístolas com a indicação dos dias do calendário eclesiástico que determinavam a porção que deveria ser lida, também continham as leis e os profetas. O ostraca e talismãs (T) são amuletos de materiais como a madeira, o

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barro cozido, o papiro, o pergaminho, tendo inscritos versos do NT, os tipos de textos e um moderno apparatus criticus. Erros involuntários É tido como certo que os quatro evangelhos canônicos são as primeiras fontes de estudo sobre a vida de Jesus Cristo. Entretanto há os ágrafos, palavra grega que significa não escritos pelos escritores cristãos primitivos, que às vezes aparecem nos textos como em Atos 20.35 ou apenas à margem dos antigos manuscritos, mas não estão escritos nos evangelhos e estes contêm vários erros. Os erros involuntários são erros ou falhas involuntárias cometidas pelos escribas do NT que podem ser frutos de falta ou defeito de visão, de audição ou até mesmo, de falhas mentais. Os manuscritos antigos (unciais) tinham letras semelhantes como o têta (Θ) e o ómicron (Ο) o sigma (Σ) e o úpsilon (Υ) que eram confundidos facilmente e acrescidas ao fato de que eram escritas juntas, sem espaço para separá-las, nem mesmo entre as palavras (ΘΟΣΥ). Erros intencionais Os erros intencionais podem incluir a negligência ou a distração e a estupidez de alguns escribas. Por causa do elevado conceito que tinha o texto sagrado eram levados a corrigi-los ao suspeitarem qualquer alteração, principalmente, doutrinária. Entre os vários tipos de erros intencionais há: 1. Harmonização: quando o escriba copiava os evangelhos sinópticos e era levado a harmonizar certas passagens. Ex: Mateus 12.13 "Então ele disse ao homem: estende a tua mão. E ele a estendeu; e ela foi restaurada;" em outros manuscritos o texto continua com como a outra; 2. Correções em ortografia, gramática e estilo: no caso de ortografia de nomes próprios; 3. Correções doutrinárias: por questão de negar a divindade de Jesus Cristo ou até mesmo raciais quanto aos judeus;

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4. Correções exegéticas: o copista ou o revisor ao ver uma passagem de difícil interpretação tentava completar seu sentido tornando-a mais exata, menos ofensiva ou obscura; 5. Acréscimos de complementos naturais e de correções ou escritas marginais: muitos escribas não toleravam ver a palavra Sumo Sacerdotes sozinha, por isso acrescentavam e os, ou então acrescentavam à companhia dos fariseus para dizer que ambos andavam sempre juntos, sem contar outros acréscimos contidos às margens dos textos; 6. Correções geográficas e históricas: são as mudanças de hora sexta para hora terceira; Betânia para Betbara, como também os próprios títulos de livros como santo, evangelista e apóstolo. Tudo isto ocorreu por mera questão de cuidado da parte dos escribas. Entretanto é necessário conhecer o método utilizado por vários estudiosos críticos no decorrer da história das Escrituras. Entre tais metodologias empregadas há as evidências internas e externas. Evidência Externa A evidência externa consulta os manuscritos individualmente e em grupos. Não há tanta importância na idade dos manuscritos, mas na idade do texto. Algumas vezes os manuscritos mais velhos podem isentar-se de erros de transcrição. O que tem mais importância é a data do texto, o cuidado tomado pelo copista, a antigüidade do texto de um manuscrito, a relação genealógica e o tipo de texto, a distribuição geográfica dos manuscritos, a tradição indireta, isto é, as versões e citações dos escritos antigos e a evidência patrística entre a teologia ou filiação religiosa do autor. Evidência Interna A evidência interna tem preferência pelos textos mais difíceis, pela identidade de origens dos textos, pelos textos mais curtos e que trazem marcas de aperfeiçoamento estilístico, pelo texto em desacordo com as passagens paralelas, pela passagem que melhor harmoniza-se com as tendências características do autor, pela base aramaica de Jesus Cristo e pela influência da comunidade cristã primitiva sobre a formulação e transmissão da passagem. Após algum tempo de trabalho sobre o texto do manuscrito certas tendências são observadas no estilo dos copistas:

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1. Erros de transcrição: envolve o trabalho desenvolvido pelo escriba. No início os textos eram copiados enquanto alguns os liam e muitas palavras poderiam ser copiadas erroneamente. Por isso há erros que são chamados de acidentais do olho, ouvido, memória, julgamento, pena, fala e etc. Há também alterações intencionais que foram feitas por questões de razões lingüísticas ou retóricas, esclarecimento de algumas dificuldades históricas, corrupções litúrgicas e etc. Mas o procedimento mais utilizado era a aceitação da leitura que explicaria a origem das demais, a variação mais difícil e a leitura mais curta. Ainda há muitas influências de outros textos nos manuscritos que foram misturados ou corrompidos. 2. Erros intrínsecos: o fato de descobrir ou ter quase certeza a respeito do problema referente a ótica do autor, julgar a interpretação que faz um melhor sentido no contexto e que está em harmonia com as conhecidas formas e estilo do escritor. Não se pode esquecer e optar o que é melhor para a crítica, não se pode colocar no texto o ponto de vista de quem está lendo e sim o do autor que o escreveu. Problemas da Hermenêutica Contemporânea Validez na Interpretação Só existe uma interpretação para cada texto bíblico. Pois se houvesse mais que uma ninguém poderia afirmar com segurança o que Deus ensina no texto lido. A falta de uma interpretação boa e bíblica tem gerado várias heresias. INTERPRETAR: Significa determinar tão intimamente quanto possível o que Deus queria dizer em determinada passagem, e não o que ela significa para mim. Interpretação só existe uma, aplicação diversas. A aplicação é a revelação do Espírito Santo sobre o texto para aquele momento. Ex. Efésios 4.26,27. Não se ponha o sol sob vossa ira. Interpretação: não se deite zangado com ninguém, não guarde ira no seu coração. Aplicação: com quem você esta zangado? Seu chefe, marido, filho? Ex. FI.4.6. Não se inquietar com coisa alguma. Aplicação: com que a pessoa esta inquieta? Dinheiro, dividas, necessidades, obra do Senhor etc....

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Dupla Autoria Os autores divinos e humanos trabalharam Juntos, e fluíram juntos para produzir o texto bíblico. Por sua vez a natureza da inspiração divina é tal que os próprios autores das Escrituras muitas vezes não tiveram consciência do pleno significado e da interpretação final que escreveram. Ex. 1Pe 1.10-12 Os profetas falaram de coisas que não conheciam Ex. Dn 12,8 Daniel não entendia o significado da todas as visões proféticas. Interpretação das Escrituras Existem basicamente três interpretações: Literal: Fala de fatos reais, verdades absolutas. Ex. Volta de Cristo, Arrebatamento etc.. Figurativa: Usa-se uma palavra querendo dizer outra, como explicação a algum ensino. Ex.: Eu sou a porta, luz do mundo, sal da terra etc... Simbólica: Está vinculada aos mistérios de Deus. Ex.: Viu-se uma mulher vestida de sol com a lua sob seus pés. Ap.12.1 Fatores Espirituais no Processo Perceptivo O nosso comportamento espiritual afeta nossa capacidade de entender a verdade espiritual. A cegueira espiritual e o entendimento obscurecido nos afeta o

discernimento da verdade de quem vive na velha natureza, quem abriga o ódio, quem se rende ao pecado, torna-se não praticante das verdades e consequentemente obscurecido na interpretação do texto santo. A Questão de Inerrância Muitos têm se equivocado acerca da inerrância das Escrituras. Existem os evangélicos conservadores que crêem ser a Bíblia totalmente sem erro, os evangélicos liberais que crêem que a Bíblia é sem erro quando fala de: salvação, fé, Deus. Mas pode possuir erros nos fatos históricos e noutros por menores.

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Conclusão Hoje vivemos em meio a tantas interpretações acerca daquilo que Deus tem para a humanidade, as quais são às vezes tão conflitantes que o que parece é que foram tirados de livros distintos. Mas, infelizmente não, muitas delas foram tiradas da Bíblia. É verdade que na Bíblia existem certas coisas difíceis de entender, principalmente no Antigo Testamento. Mas, é exatamente nesses pontos que devemos utilizar as ferramentas hermenêuticas, e com isso poderemos evitar o surgimento de heresias na igreja. A interpretação bíblica não se faz individualmente, mutilando-a ou torcendoa. Cada circunstância exposta na Bíblia requer estudo demorado dentro das regras da hermenêutica, a qual nos ajuda a discernir as linguagens da Bíblia, a evitar confusão e clarear a época e circunstâncias que cada livro foi escrito. É de extrema importância uma disposição especial para um estudo proveitoso das Escrituras. Como poderá pessoas irreverentes, inconstantes, impacientes e imprudentes estudar e interpretar um livro tão profundo? É Necessário um espírito respeitoso e paciente, ser amante da verdade, pois nem sempre as Escrituras dirá o que queremos ouvir. A Hermenêutica nos apresenta ferramentas que nos conduzirá ao correto entendimento da vontade de Deus para os homens. Entretanto, não podemos apenas conhecer a vontade de Deus, sobre tudo precisamos praticar, como assim diz o Mestre Jesus: “Todo aquele que escuta as Minhas palavras e as prática, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva e correram os rios e assopraram os ventos e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a Rocha.”

Gilvan Nascimento

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