Versão preliminar Eduardo AC Garcia CREA: 1.

388/D de 03/01/85 Pesquisador III - Embrapa

Brasília DF Junho 2008

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Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o - co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se

PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula da Silva MINISTRO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO Reinhold Stephanes SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MAPA PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA EMBRAPA Silas Brasileiro SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO E COOPERATIVISMO Marcio Antônio Portocarrero DEPARTAMENTO DE SISTEMA DE PRODUÇÃO E SUSTENTABILIDADE – DEPROS - MAPA Sávio José Barros de Mendonça

Eduardo AC Garcia

Ficha Catalográfica BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca. Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo; Eduardo AC Garcia,. Brasília: MAPA/SDC, 2008. 51 p. (Série A – Textos Básicos de Economia de Sistemas de Produção, 1, 2008). ISBN Desertificação. Problemas, Prevenção Convivência Ações de controle.

3 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS - MAPA

SUMÁRIO
1 Introdução 2 Conceitos 2.1 Desertificação 2.2 Combate à desertificação 2.3 Degradação da terra 2.4 Desenvolvimento sustentável (DS) 2.5 Plano de convivência com a seca 2.6 Erosão 2.7 Outros conceitos 3 O problema da desertificação no País 4 Objetivos e metas 5 Indicadores 6 Propostas de ações do Mapa para o combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca 7 Referências 1 4 4 7 12 13 16 17 18 18 29 30 38 42

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 Elementos de um plano de combate à desertificação indicados pela Convenção (…) Figura 2 Relações entre desertificação (fenômeno local), mudança climática (fenômeno global) e perda – degradação da biodiversidade (processo local, regional e global)

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Tabela 1 Clima, índice de aridez e terras afetadas pela desertificação nos continentes

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Figura 3 Áreas susceptíveis à desertificação e áreas afetadas pela desertificação Figura 4 Eixos do PAN – Brasil e serem integrados para o combate à desertificação Figura 5 Núcleos de desertificação na Região Nordeste

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Tabela 2 Núcleos de desertificação na Região Nordeste

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Figura 6 Mapa de isoietas: precipitações médias anuais (1960 – 1990) Figura 7 Percentual de dias com déficit hídrico estimado pelo CPTE / INPE Figura 8 Níveis de potencialidades agrícolas dos solos do Nordeste Figura 9 Mapa de cobertura vegetal do Nordeste Figura 10 Divisão hidrográfica da Região Nordeste Figura 11 Tipos de solos da Região Nordeste Figura 12 Indicações de causas e correspondentes efeitos no problema de desertificação Figura 13 Ilustração do controle de causas e de seus efeitos que evitam a desertificação

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5 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS - MAPA

1 Introdução
O fenômeno da desertificação é mundial, com ocorrência em mais de 110 países. Um fenômeno com diversas manifestações, uma delas é a degradação dos solos. Essa degradação, segundo a FAO (2007), aumenta em gravidade e extensão, com incidência em mais de 20,0% das terras agrícolas, 30,0% das florestas e 10,0% das áreas de pastagens, precedendo à desertificação antrópica, fase final com seus efeitos em cerca de 2,0 bilhões de pessoas, a terceira parte da população mundial, de acordo com dados das Nações Unidas (2006). Alerta da situação acerca das comunidades que vivem à margem de âmbitos ecológicos, econômicos e sociais e onde a pobreza, o ordenamento insustentável dos recursos da terra e as mudanças climáticas fazem desertos das terras áridas. Deve-se destacar que as terras secas são responsáveis por aproximadamente 22,0% da produção de alimentos do mundo. No Brasil, essas terras correspondem a 15,7% do total do território. A desertificação, por sua vez, leva à pobreza ou a exacerba, com evidência de que a degradação da terra e a competição por recursos naturais cada vez mais escassos, além de poder levar à conflitos, aumentam os contingentes de refugiados por motivos ambientais e econômicos. A desertificação é um processo difícil de reverter, porém, com possibilidades de prevenir ao proteger zonas frágeis; aliviar as pressões dessas zonas com a recuperação de terras parcialmente degradadas; e, principalmente, utilizar os recursos dentro de critérios de conservação e manejo integrado que possam internalizar as suas fragilidades e aproveitar as suas potencialidades. É um processo com diferentes percepções e visões, entre outras, as de cientistas - pesquisadores e de governos; as de países (regiões) desenvolvidos e países (regiões) em desenvolvimento; as de domínios econômicos que fazem dele uma indústria e das comunidades afetadas. Por se tratar de um processo “lento” (em termos relativos e apenas para a desertização), as consequências só passaram a ser observadas nas últimas décadas, a partir dos anos 30, no Meio Oeste Americano, na forma de tempestades de areias (Dust Boowl: bacias de poeiras) e onde a intensa degradação dos solos afetou cerca de 380 mil km2, assolou campos e forçou migração de milhares de pessoas com graves problemas socioeconômicos como desemprego e pressão sobre infraestruturas de cidades. Tomou destaque na Conferência da Eco 92 – Rio de Janeiro / Agenda 21 e, em 2002, na Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação , com mais de 180 países signatários, passou a se constituir um marco de referência. A adesão do Brasil foi em 1994, ratificada e em vigor a partir de 1997. Na Agenda 21, cap. 12: desertificação e seca, em que se estabelece como sendo essencial, Na luta contra a desertificação e seca, a participação das comunidades locais, organizações rurais, governos nacionais, ONGs e organizações internacionais e regionais. Em áreas programáticas (AP), dessa Agenda, tais como na AP - 2, preconiza-se a cooperação entre todos os atores envolvidos, desde a população local como agricultores, até o governo central; a AP - 6 recomenda a participação (...) ao reconhecer que “A experiência acumulada sobre sucessos e fracassos de programas e projetos aponta para a necessidade de apoio das populações às atividades relacionadas com o combate à desertificação. É necessário ir para além do ideal teórico de participação do público e

. de 12/06/1997 ou a Resolução no. Na Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação é um instrumento jurídico negociado pelos países membros da ONU. alcançar o desenvolvimento sustentável do local ou região sujeita à desertificação e à seca].) entre fatores causais acena para definir ou especificar obrigações de afetados pelo problema e interessados na sua solução. tanto no problema como na abordagem: não se trata apenas de identificar fatores contribuintes. mencionados a seguir: a) estabelecer um fórum e grupos de trabalhos com atores da administração. c) identificar [definir] os objetivos e conceitos de ações orientadas para o desenvolvimento sustentável. porém são importantes para o documento). segundo a perspectiva e orientação dessa Convenção (…). tal vez exista uma visão. políticos. são apresentados na Figura 1.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se obter o envolvimento ativo das populações. Parte do conhecimento de interações. Os esforços do combate à desertificação e de mitigação – convívio com a seca tem-se orientado de forma desarticulada e inclusive sem o suficiente conhecimento do problema que deveria acenar para a sua solução. Isto implica a partilha de responsabilidades e o envolvimento de todos os atores”. conforme se depreendo do Fórum de Cooperação para o Desenvolvimento (DCF). interdependências (…. sendo que países ricos como em desenvolvimento são responsáveis. 28. baseado no conceito de parcerias. e) implementar o plano [conforme orientações ou diretrizes. às vezes. uma delas. Elementos fundamentais de um plano de combate à desertificação. complementando-se. . como metas de desenvolvimento acordadas internacionalmente. com força de lei para aqueles que a assinaram e ratificaram. de 22/12/1997). locais e INDICADORES. com sinergismos (…). o caso do Brasil (por exemplo. em negrito. em outras. de avaliá-los e ordená-los e como se relacionam. Na parte de abordagem se destacam (Figura 1): a erradicação da pobreza extrema e da fome até 2015.].). f) determinar INDICADORES para gerir (os destaques de problemas. porém com escassos ou nulos avanços com resultados com efetividade. Dois aspectos são destacados da Figura 1.6 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . estão ausentes da fonte consultada. em função da pouca ou da falta de coordenação e de coerência de ações e de estratégias entre nações ricas – desenvolvidas e nações pobres – em desenvolvimento. empresas.. uma intenção (…). ações etc. na solução do problema. com possibilidades de contribuir para a proteção e a conservação – manejo dos recursos naturais das regiões com clima áridos e semiárido. b) discutir e analisar os problemas [este passo é fundamental para definir planos. MAIÚSCULA. 238. d) definir um plano de ação integrado numa agenda local [ênfase nessa especificidade: agenda local]. mas de caracterizá-los em termos espaciais e temporais. sociedade civil (. A Agenda 21 recomenda seis passos contra a desertificação. mas não se tem feito o necessário para implementá -la e convertê-la em resultados com efetividade. com o Decreto Legislativo n o.

a ajuda tem . na gestão sem alicerce em resultados. com ênfase em medidas preventivas e com possibilidades de revisões periódicas. com a participação da população e de comunidades (.. biológicos e socioeconômicos do problema. em abordagens consistentes com a Agenda 21 PROBLEMA Identificar fatores contribuintes * à desertificação e definir-especificar obrigações ** dos envolvidos (…). e nos obstáculos para a concessão de ajuda. enquanto para outros fica difícil atrair fundos (…). COMBATE À DESERTIFICAÇÃO E AOS EFEITOS DE SECAS RECOMENDA Recomenda a criação de sistemas de alerta precoce e a preparação da sociedade com planos de contingências para lidar com a seca. com parcerias.7 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .MAPA AÇÕES Elaborar e implementar um programa de ação nacional de combate à desertificação.. Associando suas estratégias de erradicação da pobreza * com os esforços de combater a desertificação ** e mitigar os efeitos da seca. ABORDAGEM Integrada [sistêmica]. Inclusão do fortalecimento de sistemas como o de segurança alimentar. Nesse Fórum tem sido mencionadas deficiências como na integração de fatores da divisão do trabalho para setores específicos. alguns países gozam de atenção da comunidade internacional.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . entre outras. cooperações e coordenações. Figura 1 Elementos de um plano de combate à desertificação indicados pela Convenção (. Ban Ki-moon.) Fonte: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008). considerando aspectos físicos. Um programa com flexibilidade para se ajustar às mudanças.. Segundo o Secretario – Geral da ONU. OBJETIVOS Combater a desertificação e os efeitos da seca. “a ajuda nem sempre tem sido destinada a quem mais precisa: razões políticas ou militares (…).).

2.. com frequência.. na trilha da desertificação.. os naturais e certas margens com retornos compensatórios. prospectivos. Daí sua importância e a necessidade de se explicitar em qualquer documento técnico. mediante práticas de conservação – manejo integrado. ainda que eventualmente seja provisório. como é a Caatinga.impactos negativos. como são os núcleos de desertificação (Tabela 2). entre esses fatores. desenvolvidas nessas zonas de ecossistemas frágeis e com limitadas capacidades de regeneração.perda do potencial produtivo da terra em regiões / zonas áridas. Jaguaribara (CE) . 2 Conceitos O conceito. simplismos. um evento. Correspondem a atividades que aceleram processos como os de erosão geológica (desertização).). para ambientes abióticos empobrecidos e sem água. simultaneamente. de integração (…). São atividades com efeitos .) de procedimentos e instrumentos. tais como: substituir usos e manejo Área não-degradada.8 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . do conhecimento) para designar uma categoria. de técnicas e métodos (…) para definir o problema em contextos como os de cenário. ilustrada na figura ao lado (Figura 14). romper ciclos ao agir nos fatores controláveis (atividades humanas) que levam à degradação ao potencializar variações bioclimáticas. as variações bio-climáticas e as atividades humanas.) em uma proposição. levam a distorção na destinação de recursos. têm resultados pobres na melhora do desempenho econômico (…). da comunicação. que resulta de vários fatores agindo isolada ou. Jaguaribara (CE) Degradação Área degradada. semiáridas e subsumidas secas. A taxa de degradação. pode ser reduzida. É preciso. alteram significativamente a paisagem e levam às mudanças de ambientes bióticos e com determinadas riquezas. deficiências (não-adequações. no combate à desertificação. há tendências preocupantes como as de aumento dos preços dos alimentos e combustíveis e a crise financeira (…) que se relacionam com as perda de recursos da terra”.. omissões de modernas metodologias etc. Na abordagem se destaca. como entidade abstrata (do pensamento. erosão laminar. também. incluindo. de disponibilidades de bens e serviços ambientais excedentes (. tenha certo enfoque (…) facilita o entendimento pela concisão e clareza do texto uniformizada sobre uma base conceitual facilitadora do entendimento. em níveis toleráveis. uma relação (.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se ficada atada a requisitos que afetam a autonomia nacional.1 Desertificação Processo de degradação e/ou de destruição .

. culturais. em determinado momento. com poucos exemplos de ciclos. com a consideração de passivos ambientais que decorrem desses inter-relacionamentos. A Figura 2 indica relações entre três grandes problemas ambientais contemporâneos. químico e biológico) aplicado em um local ou região em que ocorrem esses processos. de perdas da biodiversidade e da desertificação. para identificar áreas que ficavam parecidas com desertos: um problema grave associado com outros não menos graves. os processos de desertificação são complexos e compreendem dimensões não apenas do conhecimento técnico – científico do meio ambiente (físico.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .). de sistemas de informações (…).. ao não se assumirem custos da desertificação. .). sob o aspecto social. a degradação dos solos é um dos aspectos que se analisa e discute por causa da relação direta com a missão e objetivos do MAPA.. observar períodos suficientes para recomposição (pousios) de fontes e/ou reservas naturais auxiliados com (.). com notável viés para as ações na incumbência do Mapa. aplicar tecnologias adequadas às condições físicas e socioculturais – econômicas do local (. No documento se destaca a complexidade da própria definição de desertificação. destacando-se a desertificação. mas conhecimentos técnico –científicos sociais.9 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. O termo desertificação surgiu. com efeitos na vegetação típica da caatinga. aumentar a emigração humana. O semiárido pode ser considerado uma das regiões mais vulneráveis do Brasil. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . econômicos. Nela. também. em mais de 30%.). em termos gerais (possíveis referências para adequar em cada caso). Por conveniências de setores e países. Em termos gerais. cultivos impróprios por (. eles os questionam e até rejeitam: renuentes em acatar e se comprometer com metas que podem reduzir causas de mudanças climáticas.. século XX. com inter-relacionamentos ou associações complexas que a comunidade científica explica. em geral desenvolvidos.MAPA inadequados. no final da década de 40.. Conhecimentos de saberes tradicionais. tem implicações para a redução e a adaptação às mudanças climáticas e na biodiversidade (. sendo substituída. inviabilizar a agricultura familiar / de subsistência. provavelmente.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS . neste documento... e até reduzir o volume de água do rio São Francisco com prováveis implicações em projetos como o da Transposição do rio São Francisco (. pois o aquecimento global pode resultar em acentuada redução da pluviosidade média. por vegetação de regiões áridas. tema relacionado com outros problemas uma vez que tal degradação é responsável.. Mas a degradação do solo é. de organização do território utilizando modernas e adequadas tecnologias. pela emissão de gases do “efeito estufa”: as perdas de biomassa e matéria orgânica liberam carbono na atmosfera. pressupondose indispensável e a mais completa possível. de lições – experiências de comunidades no convívio com a seca (…).. de práticas de uso e manejo dos recursos nesses ecossistemas frágeis.). conforme se indica. em parte. de planejamento e gestão em abordagens integradas e prospectivas. para definir ações e estratégia de combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca. e aceita: perda da diversidade biológica e mudanças climáticas associadas à desertificação..

2 Combate à desertificação A desertificação é um inimigo que é preciso conhecê-lo não apenas pelas suas manifestações..co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se Reduções da produção primária e de ciclos de nutrientes Redução do seqüestro de carbono em (…) Reduções de plantas e da diversidade de organismos do solo Redução da conservação do solo Erosão do solo Aumentos de eventos extremos: secas.) Figura 2 Relações entre desertificação (fenômeno local). regional e global) Fonte: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008) 2. evitar os fatores. Assim entendido. combater a degradação da terra pressupõe conhecer as causas caracterizadas pelos seus efeitos que podem levar à desertificação e. tais (…) Mudança na estrutura e na diversidade.. Reduções de reservas de Perdas de nutrientes carbono e aumentos de e da umidade do solo emissões de CO2 Reduções da diversidade na estrutura de coberturas vegetais e nos micro-organismos do solo Aumento – redução de espécies. . principalmente pelos fatores causais que o definem. tais (. sobretudo. mas. mudança climática (fenômeno global) e perda .degradação da biodiversidade (processo local.10 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . enchentes etc. condições (…) que a provocam.

um tema recorrente tanto na Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação como em outras convenções.. EDUCAR PARA PREVENIR.. .Definir relações: pobreza– migração–desertificação. com objetividade no foco.A implementação de programas de ação local (.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .. com a sua cultura. perspectivas. sustentável e integrado) de ambientes e recursos da terra em terras secas .. . água e vegetação (. . utilização de tecnologias agropecuárias inadequadas para as condições do semiárido.) PARA O COMBATE O combate à desertificação compreende o entendimento além de manifestações para fundamentar atividades que fazem parte do aproveitamento (racional.Atender objetivos e metas conforme diretrizes (…).) desses fatores por vezes com características e relações físicas – humanas peculiares (.Ordenar / priorizar as causas com base em indicadores. ..MAPA Esse combate tem sido.11 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.Participação plena: mulher e homem. Pontos para reflexão no combate à desertificação: Foco: o ser humano em seu meio.Necessidade de cooperação internacional e parceria.. . . diretrizes. legitimados e com a efetiva participação de atores locais.Imprescindível engajamento da comunidade. abuso de agrotóxicos que poluem.) para se concentrar na representatividade atualizada dessas causas. critérios. . para a agricultura sustentável. de planos.Melhorar o conhecimento do problema e os meios (.).. .. de interações dinâmicas entre fatores e atores. com essas características. TREINAR PARA AGIR NA CONSERVAÇÃO E MANEJO INTEGRADO (. constituindo-se um problema ambiental. a partir de 2007/08..Agir.Relacionar e avaliar as causas em lógicas estruturas.Projetar/integrar/valorizar o conhec. motivou novas preocupações pelas relações diretas com a produção de alimentos e de fontes biorenováveis de energia. resgate histórico de evoluções de processos (.Alocar recursos suficientes e com objetividade. .).. exploração / superexploração em áreas de equilíbrios frágeis e instáveis em atividades pecuárias e agrícolas. Um tema em destaque que. Condições necessárias objetos de atendimentos: .. social e econômico. O progresso. . com objetividade.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .Fortalecer a P&D para esse combate.. uso – manejo inadequado do solo. mineração sem adequados critérios de exploração. conscientizar (. objetivos (.. parcerias (…). conforme mostra a figura ao lado.).) Papel da P&D no combate à desertificação: . .) em abordagens de sistemas. de riscos e incertezas e. principalmente. É preciso ir além do estudo de causas físicas e suas manifestações ou de um entendimento como exercício tecnicista...Conhecer o problema por suas causas. planos (…).. depende de: Quais são as causas da degradação da terra que levam à desertificação? Suas manifestações são: desmatamentos indiscriminados seguidos de queimadas. com direção. agendas.). .Encorajar a participação: motivar. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . novo e tradicional . às vezes em terrenos inclinados. possibilidades (…). efeitos (…). nas relações (complementações. sinergias etc. em redes.

emergenciais.). da exploração madeireira e com fins energéticos. administradores (. parcerias. seja em sua ocorrência ao preservar equilíbrios ecológicos. com a recomposição de sistemas hídricos (proteção de nascentes e matas ciliares).. e a recuperação de terras degradadas. com sustentabilidade social pelo comprometimento e participação que os legitimam. com a apresentação de alternativas que possam “suavizar” esses efeitos ao possibilitar que as comunidades.) locais e regionais. O combate à desertificação. matas ciliares.. resultados (. tornando-os toleráveis. alternativas de produção e consumo (…) estarão contribuindo para o convívio com a seca.. No combate à desertificação e na mitigação – convivência com a seca são valiosas e imprescindíveis as contribuições do MAPA que busca delinear suas ações no desdobramento dessa luta ao definir ações como as de pesquisa – extensão para inovações adequadas à cultura e saber tradicional e suas estratégias como as de parcerias (…) que possam potencializar o resultado tecnológico nesse combate. dirigida à redução da vulnerabilidade das comunidades e dos sistemas naturais.. no que se refere ao combate à desertificação. planos. programas. mudanças de comportamento das comunidades. para que seja eficiente (uma das condições necessárias). conservá-los). transitórias e permanentes.) com suficiente apoio político-institucional legal e administrativo que permitam a continuidade e finalização de etapas nesse combate.. formas de proteção em cada período do ano. b) Entender (pelos estudo das causas. com certa flexibilidade para “acomodar” ajustes ainda em processos de execução.) de seus planos. definidos com consistência técnico-científica adequada à realidade. Informações sobre as características das secas. da concentração de recursos . Isso significa (visão de apenas aspectos diretamente relacionados com o Mapa): a) Definir as vulnerabilidades das zonas relacionadas com as práticas agrícolas de uso e manejo dos recursos naturais e a fraca capacidade de reorganizar a estrutura produtiva nesses ambientes. nesta síntese. em fim. fontes de água (…). Esse entendimento é básico e condição necessária (não se consideraram. da erosão dos solos. mas mediante ações que possam amenizá-lo. deve ter objetividade em seu foco e efetividade de suas ações. Pela avaliação de previsões de seca com a máxima confiabilidade possível e decorrente implantação de ações (p. projetos (.. projetos (. econômicos (.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se (zonas áridas. São atividades orientadas para o desenvolvimento sustentável ..12 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . com base nessa avaliação. segundo seja o caso) e seus monitoramentos oportunos é possível minimizar danos da seca “anunciada”. a reabilitação de terras parcialmente degradadas. ecossistemas frágeis e de limitada capacidade de regeneração (…). não pelo pressuposto – frustrado controle direto desse fenômeno natural. pela lógica – racionalidade das fontes dessas causas. programas. Aliado a esse combate se tem a mitigação dos efeitos da seca...ex. principalmente. estratégias.. semiáridas e subsumidas secas). seja em seus efeitos. com certa flexibilidade para “acolher” posições e condições nem sempre afináveis. com a diversidade biológica e. pelos critérios ou padrões que as sustentam) as pressões da agricultura e pecuária extensiva. mas que precisam se integrar.. condições de suficiência em um cenário de risco) para desenvolver ações de conservação e manejo integrados de recursos naturais com relações simbióticas com o clima. ao valorizar esses ambientes (conhecê-los para apreciá-los e. É o caso da previsão da seca. dessas zonas. outro conceito no lastro do combate à desertificação.) se preparem adequadamente para enfrentá-lo. tendo como objetivos: a prevenção e/ou redução da degradação da terra. com os sistemas socioculturais.

tais instrumentos não seriam suficientes e até poderiam gerar reações e efeitos contrários sem não forem acompanhados de outros meios e de opções como as tecnológicas para evitar essas sobre utilizações ou sobre consumos ao garantir. não é suficiente apenas criar um incentivo para o controle.. É preciso buscar alternativas. de perdas da diversidade biológica pelos usos e manejos impróprios desses recursos.. A queimada que segue ao desmatamento é uma prática rudimentar e tradicional que o agricultor utiliza para controlar pragas. em instrumentos como os legais e administrativos poderá evidenciar um fator de controle quando reconhecido o custo de oportunidade da vegetação nativa.. renovar pastagens etc.13 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Um dos fatores que favorece o desmatamento da vegetação nativa é o incentivo econômico quando tais ações omitem o valor de bens e serviços ambientais dessa vegetação.. da diversidade biológica (. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . Parte da compreensão de sobre utilizações ou sobre consumos de recursos naturais na pecuária. ciclos (.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS . instrumentos econômicos de normalização e racionalização de usos – consumos conforme capacidades naturais para oferecer fluxos sustentáveis poderão auxiliar na conservação e manejo.perdas ou compensá-los. na extração de madeira. Contudo. no custo de recuperação.. além de outros efeitos negativos como incêndios. de lenha.) está na valorização desses ambientes e seus recursos. para controlar pragas. a perda de biodiversidade e da dinâmica do ecossistema. o custo associado às externalidades das queimadas poderá se constituir um fator de controle econômico dessa prática ao dar sustentação às simples medidas de proibição – punição da legislação em vigor.MAPA como terra e água por distorções de estruturas como as de posse (. isto. reconhecer esses valores econômicos..) do bioma Caatinga.. nas consequências de suas perdas com a degradação humana. ineficientes ou não operacional. entre outras. em hipótese. c) Compreender efeitos de sobre utilizações de ambientes e recursos naturais. sendo preciso amenizar seus efeitos negativos . as tecnológicas. A valorização desse papel é um argumento econômico no custo de controle da erosão do solo. limpar áreas para o plantio. da salinização da irrigação. renovar pastagens etc. reservas. Esse entendimento é básico para direcionar. confiáveis e operacionais. de argila (. limpar áreas para o plantio. Portanto.). química e biológica do solo. . que possam ser responsáveis por fluxos produtivos sustentáveis.. entre outras as de natureza tecnológica para inovações sustentáveis. na agricultura. com a migração (. Com o passar do tempo essa prática provoca ou acelera a degradação física. mediante um instrumento econômico. Um tratamento de certas causas poderá se tornar.).. das condições da Caatinga. A semelhança do caso anterior... A vegetação desempenha importante papel no equilíbrio da água no solo ao permitir que parte da chuva se infiltre através das raízes (…) para a recarga de lençol freático. o favorecimento à erosão. quanto possível. “estado” naturais de fontes. com certa facilidade e atratividade de serem adotados pelo sertanejo. com alternativas (técnicas e operacionais exequíveis) que aparecem na mitigação e convívio com a seca. além de se constituir proteção contra a erosão.) sobre o meio ambiente e seus recursos naturais.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . Neste caso. dimensionar e aplicar recursos no controle de causas e para propor alternativas. Entretanto. das queimadas.

avaliar e reconhecer (. de alocação de recursos. são notáveis e insubstituíveis as contribuições do Mapa. e) Reconhecer as deficiências de dados e informações com qualidade. é imprescindível na atuação do Mapa. tratamento e difusão de informações e tecnologias necessárias para o combate.).. mas.. d) orientar o atendimento às demandas por soluções conforme indicações do problema. tais como (ver na relação um exemplo): ótimo períodos de pousios. úteis e valiosas. valor e utilidade para o planejamento e a tomada de decisões. O plano. avaliação e (re)orientações nesse combate (. precisam de tratamentos conjuntos em planos de combate à desertificação.). d) Avaliar os fatores causais e suas inter-relações. b) escolher os procedimentos metodológicos necessários na obtenção. quando.) deve ser claro.) são fases de um processo com origem no conceito de desertificação capaz de acenar e se constituir ponto de partida para: a) estabelecer os objetivos e metas do combate à desertificação: prevenção e/ou redução da degradação das terras. naturais e antrópicas.. portanto. ajuste e sempre de melhoria. recuperação de terras degradadas. entender. as perdas de produtividades agropecuárias. O entendimento desses fatores poderá apontar e/ou destacar fatores aparentemente sem importância. para responder às comunidades do sertão com ações e resultados esperados capazes de atenderem às suas expectativas e possibilidades. para mudar conceitos como os do semiárido nordestino ser uma área – problema objeto de políticas emergenciais e assistenciais. mas que complementam ou potencializam efeitos de outros fatores e.. a desnutrição e fome (…) em perv ersos ciclos. tanto metodológicos como de recursos financeiros e outros. compreender. É preciso notar que o entendimento do problema da desertificação no local ou região. mas um esboço objeto de discussão. Definir. escolher meios... Reconhecer.. reabilitação de terras parcialmente degradadas. manejo integrado de pragas.. É preciso iniciar esse processo e para isso não se tem um plano acabado. para a educação de conservação e manejo integrado do solo – água .) de combate à desertificação (.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se Nesse caso. para alcançar os objetivos e metas. rotação de cultivos. integração lavoura – pecuária – florestas. recursos. sistemas de irrigação agrícola com mínimas perdas e sem efeitos secundários.vegetação (…). c) calcular os indicadores de síntese de dados e informações. básico para acenar na definição de objetivos e metas consistentes com o problema e ambientes específicos. projeto (. possam criar uma nova perspectiva do semiárido ser área de desenvolvimento conforme suas características. e definir procedimentos como os de acompanhamento. convincente e realista não apenas para buscar-assegurar a sua credibilidade e conveniência em esferas de decisão política. para completar uma base de informações. também.14 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . para a gestão ambiental.). esses planos (. que provocam à erosão dos solos. . as fragilidades institucionais para indicar formas de fortalecer essas instituições no combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca. dinâmicas (. programa. principalmente.....

. o Mapa formula e executa políticas. pela emigração leva para o meio urbano: desemprego-miséria-precariedade serviços básicos-marginalidade-miséria-desemprego pode ser provocada em vários elos e por várias fontes. da danificação da camada de ozônio. semiáridas e subsumidas secas. integrando aspectos metodológicos.3 Degradação da terra Perdas ou reduções significativas de produtividades ou produções econômicas e ou biológicas de um ecossistema. solo. solo Degradação da terra: . Fome Migração Queda Prod. nos recursos hídricos e na vegetação. Essa missão coloca em evidência cuidar de ambientes e recursos naturais da terra relativamente frágeis degradáveis.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ..Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS ..o Mapa: conservação–agricultura sustentável etc. a inclusão social e a redução de desigualdades sociais: aspectos notáveis no semiárido que precisam melhorias..) Degradação Perda . processos em forma de espiral e/ou efeitos em cascata que levam aos desequilíbrios. vegetação (. para atender o consumo interno e formar excedentes para exportação. sendo necessário conhecê-los e determinar em que fase e como proceder para a ruptura do ciclo. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . . organizacionais e ambientais ao gerar / adaptar e difundir / disponibilizar soluções tecnológicas para tratar ou para contribuir na solução de problemas sociais como segurança alimentar e desnutrição. São vários ciclos compreendidos na degradação da terra.recursos naturais: água.MAPA Atuação que se orienta para estimular o aumento da produção agropecuária e o desenvolvimento do agronegócio.ex. da desertificação de solos.) Degradação Mudança climática Em geral. tecnológico-científicos... em bases sustentáveis.15 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. p... apresentados. uma delas é a institucional. processos espirais ou efeitos em cascata de.. com valores. a ruptura de ciclos.ambientes abiótico e biótico . ciclo água Perda fertil. no campo: miséria– dependência-miséria que. São ciclos..degradação da biodiversidade (. Para cumprir essa missão. por efeitos ou causas do aquecimento global. As terras secas são ecossistemas frágeis.. Agrícola (.) Deseq.) Uso-manejo inadequado Tecnologias inapropriadas Sobre-utilizações (. . na Tabela 1. São objetivos consistentes com a missão do Mapa que tem como consequência a geração de emprego e renda. delimitadas conforme o índice de aridez (Chuva/Evaporação + transpiração ou evapotranspiração potencial) na classificação climática de Thorthwaite. 2. da perda da biodiversidade (. como as que ocorrem nos solos. alguns deles ilustrados no gráfico ao lado.). variações de intervalos e terras afetadas. a promoção da segurança alimentar. em termos globais. vulneráveis de zonas áridas. em milhares de km2. com efeitos na redução da qualidade de vida de comunidades vulneráveis e dependentes de recursos desses ecossistemas.

no início.030 3. entre países (regiões. locais etc.50 0. portanto. à miséria (. p. propício.070 5. poderão não ser suficientes para deter a degradação da terra. Atlas Mundial Times. Nessa formulação simples se tem pressupostos e implicações nem sempre aceitos: abertura e disposição para o diálogo.) “desenvolvidos” e países (…) “em desenvolvimento” .050 1.650 2. com viés e. capcioso (…). em geral. para contínuos progressos e melhorias.. negando-se mutuamente. meios e recursos. estratégias etc.21  0. para acordos.690 19. O conceito D∩S surgiu em 1987.ex.770 6.140 2.65 >0. sendo objeto de críticas.21  0. SUL 260 450 2. O conceito original. de forma simples e operacional como o aumento criterioso e “seguro” da capacidade do ambiente para atender necessidades disciplinadas na perspectiva de longo prazo. 1995. considerado.590 ÁSIA 2. tais como: incorreto. definir problemas.260 6. neste documento. à fome. CLIMA Hiper-rápido Árido Semiárido Subúmido Seco Subúmido e úmido TOTAL ÍNDICE < 0.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se Pressões como alta dos preços dos alimentos e (bio)combustíveis.490 AUSTRÁLIA 0 3. no sentido biológico como equilíbrio dinâmico de cooperação.320 7. incompossível e ambíguo.930 3.360 AMER..4 Desenvolvimento sustentável (DS) Conceito fundamental e necessária referência para.430 Fonte. inútil. insustentável.190 2. possibilitando seu uso no discurso com objetivos – meios diferentes. à migração rural – urbana.530 19. utópico.65 ÁFRICA 6. impreciso.).630 EUROPA 0 110 1.16 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . contraditório em seus termos “desenvolvimento”  fazer crescer no sentido econômico. de competição (concorrência) e “sustentável”  manter ou suportar. aplicar soluções: especificar objetivos.05  0.000 AMER. e.720 5.040 5. artificioso. indiscriminada e banalizada que o tornam “vazio”. Isso poderá acontecer. Tabela 1 Clima. “para defender” interesses contrários à essência do conceito .090 510 6. . errada. ao final. por vezes. tem sido utilizado de forma exagerada. apesar de serem temporariamente mitigáveis pelas novas possibilidades tecnológicas no aumento da produção agrícola. 2.840 3.. se tais aumentos não forem devidamente sustentáveis em bases como as de conservação e manejo integrado capaz de romper elos de estruturas – cadeias que levam à insegurança alimentar.05 0. no Relatório Brundtland. com lógicas diferentes ao aduzir como causa aquilo que é efeito. NORTE 30 820 4. à alta de preços de bens agrícolas.20 0. índice de aridez e terras afetadas pela desertificação nos continentes.

ciclos (. transita e se sustenta em INDICADORES confiáveis.Imposto (…) cadas nas setas brancas). Dessa forma considerada. de reservas e ciclos naturais (... facilitado pela educação. É importante notar.. A busca desse atendimento...) as gerações futuras satisfaçam as suas próprias necessidades” Referem-se a equilíbrios monitorados que possam assegurar o atendimento às necessidades disciplinadas na “otimização condicionada” de uma “função objetiva”. nesse . combinam-se o crescimento de “fluxos” (conservação e manejo de ambientes e recursos naturais. em equilíbrios dinâmicos para atenderem às necessidade s: fluxos de bens e serviços devidamente reconhecidos pelos mercados. sem sobre-valorizar a capacidade moralista para decidir nem subestimar a dinâmica que tornariam assimétricas as situações comparadas.. conforme se ilustra no gráfico ao lado: pela nogociação. Nessa aceitação. mas.Negociação (…) ambiente – ecológica. sem colocar a eqüidade inter -geração por cima da equidade intra-geração.) sem considerar potencialidades e possibilidades de extração de excedentes. evidencia melhorias sociais: a desertificação não é apenas ambiental. com a preservação . atingindo níveis do preservacionismo (a”). 100% 0% a a’ a” 0% 100% Ambiental O “disciplinamento” desses benefícios poderá se traduzir.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . consistentes (. Mas o combate à desertificação com foco no ser humano elimina essa possibilidade e destaca a conservação e manejo de recursos naturais em perspectivas como a da agricultura sustentável. ao 0% 100% disciplinar o crescimento econômico e inter-nalizsar passivos ambientais em suas fontes. antrópica. em proteção – preservação de fontes. acordo e/ou imposi-ção é possível. transferir parte de benefícios Econômica Situação Final Social econômicos às dimen-sões social e meio . com melhorias (indi. a transferência de benefícios econômicos beneficiará tanto o meio ambiente (a’) como o social. insustentáveis e/ou com parciais fundamentos e notáveis exageros. ambos canalizados para a maximização de benefícios econômicos.Regulamentação No “estado inicial” se tem uma relativa baixa sustentabili-dade ambiental e pouco desen-volvimento social. propositadamente não-considerados neste documento.. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO ..Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS . O próprio reconhecimento do valor de bens e serviços ambientais pelo mercado deverá contribuir para eliminar “usos – consumos” indevidos ou superfluos em benefícios de “(. excludentes. entre outras dimensões (não consideradas no exercício simplista) com uma nova configuração indicada pelo triângulo traçejado.Transferência (…) Situação .proteção “melhorada” desses “estoques”. Inicial .) para comunicar – informar. portanto.MAPA São críticas.) realidades de pelo menos três pilares ou dimensões do D∩S.. por imposições.. alertar– prognosticar (. também..). do crescimento e de melhorias sociais: desertificação antrópica. admitindo-se a viabilidade de intenções da ECO-92 ao aceitar o D∩S como um processo que “atende às necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras satisfaçam as suas próprias necessidades”. A “negocição” que alicerça o disciplinamento econômico e a transferência de recu rsos dessa dimensão para as outras. pelo aumento criterioso da capacidade ambiental das fontes). prévio acordos para arranjos que viabilizem esse atendimento.17 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.

envolvimento. sem viés para a “quantidade” e o “ter” maximizados e concentrados. de organização centralizada para a organização coletiva (descentralizada) e negociada. c) social: compreensão. vontade e decisão política para perceber a situação dos recursos necessários para o desenvolvimento e os conflitos. a) ambiental: conscientização social. Pelo exposto. possibilidades (.. saberes tradicionais e perspectivas da soceidades no DS: foco na “qualidade” e o “ser”. entre outros arranjos. da capacitação (. ainda em locais ou regiões específicas. água e flora – fauna) e dos efeitos antrópicos de certas atividades (aquelas sem critérios técnicos adequados) sobre esses sistemas. eixos e integração. diversidades.18 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . como as de estrutura de posse de recursos naturais. fruto da educação. da necessidade de discipolinamento com base em indicadores da capacidade de suporte ambiental. Na síntese do D∩S. conforme mencionado anteriormente. território. objetivos.ex.. tais como (relação preliminar). criar novas oportunidades e as condições para que “todos” sejam capazes de optar (para uns. quanto de violência implícita que discrimina..ex. p. os de produção e de organização). . as de criação de emprego para o aumento de competitividade e de inclusão social. para outros “aceitar”. alguns condicionantes ou situações que a favorecem. para poucos e de exclusão e miséria para muitos. com desdobramentos no documento. de dados temáticos para sistemas de informações e indicadores. tais como regionalização. alguns deles sintetizados neste boletim. conflitantes interesses. dentro de arranjos que refletem desigualdades e situações acomodadas e de conforto.. tanto os que resultam da violência explicita de marginalização.. recursos. mas. Nesse conceito. com frequência. b) econômico: sensibilidade dos limites do potencial de crescimento. No lastro desses novos conceitos e dentro de uma proposta de desenvolvimento sustentável e sustentado aparecem outros. ao colocar fatores. O documento Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca apresenta conceitos complementares e desdobramentos do conceito D∩S no contexto da desertificação . participação e consideração de valores. É o caso do semiárido. destaca-se novas percepções do desenvolvimento regional e algumas mudanças de paradigmas. de áreas problemas para análise regional sistêmica. pode-se concluir que o conceito D∩S e sua desenvolução em um local ou região não é apenas um problema técnico-científico. que depende de múltiplos e.) diferentes e complexas.valor da sustentabilidade) e escolher os melhores caminhos evidencia fatores do combate à desertificação. Dessas mudanças se indicam as de arranjos típicos da região (p. de seleção de projeto interno-centralizada para a seleção participativo-descentralizada.) da fragilidade de sistemas naturais (solos. ambos como preço . “ceder”..co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se exercício de combate à desertificação. sem a polarização de visões estreitas nem a intransigência do preservacionismo. com espaços geográficos diversos. às políticas como. atores e condições físicas e humanas específicas do semiárido nordestino. principalmente político.

barragens.19 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.ex. que precisa entender como prevenir. incluindo. propositadamente não considerado nesta síntese. Essa perspectiva parece ser interpretada em ações como. . b) A diversidade de plantas e animais do bioma da caatinga que deve ser conhecida e valorizada: proteção de habitats e possíveis melhorias para gerar excedentes econômicos sustentáveis. O plano deve compreender ou prever o reordenamento de espaços agro econômicos diversos e complexos do semiárido. entre outras. incluindo.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . nas atividades econômicas de cada caso. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . em que condições etc.. limitações e potencialidades a serem internalizadas. capacitação e valorização de ambientes e recurso a serem protegidos. de reservas (.. p. para produzir etc. cisternas rurais (para beber. multidisciplinares e multi-institucionais. implícitas nessa convivência. portanto. subterrâneas poços com dessalinizadores etc.. o projeto de construção de um milhão de cisternas. com especificações baseadas em critérios e evidências (dados e informações confiáveis e atualizadas) de fragilidades.MAPA 2. gestão administrativo-financeira de cisternas em nível de comunidades e capacitação de pedreiros.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS . Nesse entendimento se destaca o foco do combate à desertificação: o ser humano em seu meio. entre outras atividades: a implantação de projetos demonstrativos e capacitações em gerenciamento de recursos hídricos. construção e uso – manejo de sistemas de abastecimento de água como... Os fundamentos do plano de convivência com a seca são: a) oferecer opções tecnológicas para amenizar a escassez de água e as limitações da capacidade produtiva do solo. d) motivar – mobilizar as comunidades para participar e usufruir de projetos como os de educação ambiental.. o treinamento para auxiliá-lo. figura ao lado).5 Plano de convivência com a seca É preciso entender que fatores determinam essa convivência: para quem.). local ou região. c) disponibilizar critérios técnicos e operacionais para a conservação e manejo integrado do solo . restrições) dessas zonas. condição necessária para a conservação – manejo de fluxos de bens e serviços ambientais. com sustentabilidade. que é o que se busca e é possível alcançar em cada caso. quais são as exigências de ações e estratégias cooperativas. entre outros aspectos: a) O regime pluvial médio de 750 mm com grande potencial (perspectiva) de armazenamento de parte desses 750 bilhões de m3/ano de água para uso – manejo criterioso.vegetação. descontinuar e reverter processos de degradação e qual é seu papel nessa prevenção e/ou na reversão: a educação. O plano de convivência da seca no semiárido começa e se desenvolve – aprimora em base ao potencial (limitações.. como se busca a harmonia entre atividades econômicas e proteção – preservação de fontes. é oportuno destacar que esse plano compreende um forte. b) desenvolver e disponibilizar técnicas de dimensionamento. componente político.ex. imprescindível. p.

para a prevenção e proteção dos recursos da terra. .. Picui .. em especial quando se trata de planos em horizontes de longo prazo.) de combate à desertificação são utilizam outros importantes conceitos. com base em critérios. b) conservação e manejo integrado de ambientes e recursos naturais . programa.. dentre as atividades antrópicas da desertificação. Essa perda representa redução da fertilidade natural do solo. pela ação das chuvas e ventos responsáveis pelo arraste das partículas que o compõem. a erosão do solo causada pela ação do vento e.PB 2. redução significativa da produtividade agrícola e pecuária. tais como: a) cenários e estudos prospectivos: novos procedimentos e técnicas .. A erosão do solo provoca a perda de imenso patrimônio da riqueza natural do País. entre outros. representado pela capa do solo agricultável que se perde por causa desse fenômeno. entre outros prejuízos econômicos e ambientais discutidos (análise de fatores.). os tecnológicos. transporte e deposição de materiais da rocha e solos. assoreamento de rios. pela perda da cobertura vegetal que o protege a superfície. o sertanejo: experiência.20 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . principalmente. além de projetos de capacitações como os ilustrados acima. com indicações quantitativas que acenam para o controle e.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se c) O ser humano. barragens. pela ação da água favorecida por práticas de uso e manejo inadequadas do solo.. agentes passivos e agentes dinâmicos (. com interações entre essas causas e agentes que devem ser conhecidas para propor a conservação e manejo do solo e água.). saberes tradicionais e organizações – movimentos sociais a serem resgatados. açudes. diretamente ou como referências. um processo que tem sido acelerado pela falta de conservação e manejo integrado (erosão antrópica) dos recursos naturais.7 Outros conceitos Em um plano. A erosão é um processo natural (erosão geológica) de desagregação. É favorecida. projeto (. encarecimento da produção agropecuária. interações e condições) no documento Combate (. aumento do consumo de fertilizantes com o aumento de custos de produção. valorizados e internalizados em ações do plano. Formação de sulcos.6 Erosão Na degradação ambiental se destaca. principalmente. Nesse processo há causas físicas e causas mecânicas. agindo sobre a superfície terrestre. água e vegetação.métodos aplicáveis ao caso. também. 2.. No documento Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca se apresentam exemplos e ilustrações dessas interações e de efeitos conjuntos na determinação de perdas.

A área compreende 1. riscos (..Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS . elaborou seu Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação – PAN.0% ao ano. segundo participantes do 5º.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . com ajustes à realidade.. capacitação (. g) Conceitos de novas abordagens metodológicas: sistemas. com exemplos e ilustrações. aliada à escassez de chuva. visão e objetivos do MAPA. incentivo ou objeto de financiamento. simulação. 2004) e a Fundação Esquel Brasil. conforme se indica na Figura 3. e) educação. 3 O problema da desertificação no País O Brasil. definida em bases da conservação e manejo integrado. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . Nesse Programa são contempladas ações orientadas para áreas crítica..482 municípios.).) para a conscientização cidadão e o comprometimento. ao considerar que o foco desse combate é o ser humano. . Nessa área vivem mais de 32 milhões de habitantes (2005).3% dos municípios que compõem os nove estados do Nordeste. Encontro Nacional da Articulação no Semiárido (Piauí. ao consultar e se fundamentar em recomendações da Convenção (. deixam a região mais susceptível à desertificação. d) participação e solidariedade.. tanto de execução direta como as de apoio. fenômeno que. Pela sua importância o conceito é considerado em sessão especial. avança 3.. susceptíveis à desertificação e áreas afetadas por processos de desertificação..MAPA c) a agricultura sustentável. grande parte em embasamento cristalino e sob forte irregularidade climática que.).21 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. f) Conceitos basilares para se definirem ações. refere-se à missão. h) Indicador. responsabilidade e participação em planos de combate à desertificação. 82.

As ações integráveis em eixos temáticos do PAN-Brasil são mostradas na Figura 4.45 mil km2 1.42 393.89 mil km 2 81.50 mil km2 365.28 247.6 mil km2 Figura 3 Áreas susceptíveis à desertificação e áreas afetadas pela desertificação Fonte: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008) São áreas susceptíveis à desertificação e áreas afetadas por processos de desertificação em três níveis com estimativas de duas fontes consultadas para dois períodos diferentes.24 mil km2 27.75 mil km2 + 25. .83 52.87 mil km2 98.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se 1.00 mil km 2 52.22 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o .

Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .23 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. acelerados por usos e manejos indevidos a que são submetidos esses instáveis – frágeis ecossistemas.. isto é. destacando-se a educação na redução da pobreza e no conhecimento para proteger.). conforme indicado Figura 4 Eixos do PAN – Brasil a serem integrados para o combate à desertificação. social. ambiental e institucional.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . e Seridó (amarelo). PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . dado o estreito e direto relacionamento. Irauçuba (azul) e Cabrobó (verde) a área ´comum é a semiárida. onde se observam processos de degradações progressivas da cobertura vegetal e dos horizontes superficiais do solo. áreas concentradas. No caso de Gilbués (vermelho) á área é sub-úmida seca. A Figura 5 mostra os núcleos de desertificação.MAPA O conceito norteador do PANBrasil é o D∩S: promovê-lo em sua concepção abrangente: econômica. Enfatizam-se as sinergias entre as convenções. Figura 5 Núcleos de desertificação na Região Nordeste Fonte: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008) . Suas ações são integradas em quatro eixos. com ampla participação e controle social.. conservar (.

5%) Jaguaretama (17.623 1. 1998 ESTADO MUNICÍPIO AFETADOS Pernambuco: Núcleo de Cabrobó Cabrobó.24 0.24 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . Jaguaribe (23. Currais Novos.29 0. Correne.04 1. em 2004.475 1.66 6.74 salinização do solo (irrigação mal 20. desmatamento generalizado. agricultura inadequada.61 0.56 10. com especificações na Tab.32 19.14 5.675 NÚCLEO DE DESERTIFICAÇÃO (km ) POPULAÇÃO PRINCIPAIS CAUSAS E ATINGIDA ILUSTRAÇÕES (mil hab. generalizado desmatamento 2. 2. Acaraí.835 3. Curimatá e Riacho Frio).Irauçubá.955 2. Pareolha ÁREA TOTAL 7. 6 – 11 .19 19. Jaguaribara (11. agricultura inadequada. Barreiras do Piauí Monte Alegre de Piauí (S. Sobre pastoreio.57 11.Gonçalo do Gurguéia. Sobral Rio Grande do Norte (PB) Núcleo de Seridó. Jaguaribe (8.88 0.12 192.10 10. 24. Cruzeta.15).) Foi o primeiro núcleo a ser identificado 71.3%) S. 33% do Estado Ceará: Núcleo do Irauçubá. Belém de São Francisco. Equador Carnaúba do Dantas.31 0. 26. 5.79 8. 2 7.23 3.21 conduzida).7%) Alto Santo (7.55 2.264 - 23. O Problema se agrava no inverno pela enxurrada e no verão pelo vento.28 Sobre pastoreio. Área atingida era.38 0.52 91.32 Desmatamento generalizado.68 na década de 70.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se A desertificação no Brasil se concentra em núcleos conforme se indicam na Fig. Mineração e agricultura inadequada.133 1. Floresta Retrato da desertificação Piauí: Núcleo de Gilbués Gilbués.49 155. Fonte: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008) Outras características físicas são indicadas nas Fig.73 desmatamento generalizado.6%). Tabela 2 Núcleos de desertificação na Região Nordeste. Sobre pastoreio.J.57 17.67 40.86 0.29 - Início na década de 40. 4. garimpo de diamantes. Forquilha.694 3.

Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .00mm. oscilando entre 600 a 2. sendo a subregião central a mais crítica. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .25 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.MAPA Na ASD se observa uma alta variabilidade espacial dos índices médios de chuva.100mm. em área com altos índices médios de chuva acima de 1. Figura 6 Mapa de isoietas: precipitações médias anuais (1960 – 1990) Fonte: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008) .MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . A caracterização do clima com base em series de pelo menos 30 anos e com detalhamentos da distribuição em períodos cursos é de especial importância para determinar um dos componentes mais importantes na erosão dos solos: a erosividade: quantidade. encontra-se o núcleo de Gilbués/PI. Nessa área de influência seca se encontra o núcleo de desertificação Cabrobó/PE. intensidade. na divisa entre os Estados da Bahia e Pernambuco. distribuição e freqüência. Em contraste. entre outras.

em dez níveis.0% A Figura 7 apresenta as estimativas. pela insuficiência de chuvas com grande irregularidade quanto à distribuição espacial e temporal (Fig. de 1970 a dez. por isso. “proporcionar o uso múltiplo das águas”. 6).26 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . conforme prescreve a Política Nacional de Recursos Hídricos. calculados para o período out. concentrada em uma estação de 2. objeto de atenção especial e de gestão criteriosa para. em termos percentuais. de dias com déficits hídricos. para um período de dez anos .co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se A água é o insumo básico de sobrevivência de todas as espécies e indicador de desenvolvimento sendo. em situações de escassez. entre outros importantes descritores. de 1990. garantir o uso prioritário para o consumo humano e a dessedentação de animais e geri-los de forma descentralizada.0 a 5. Figura 7 Percentual de dias com déficit hídrico estimado pelo CPTE / INPE (complementado).0 meses de duração e como variações entre 30. O clima semiárido é caracterizado.0% a 50.

5%.0% desse território.0%. em função de fertilidade. características físicas. Figura 8 Níveis de potencialidades agrícolas dos solos do Nordeste Fonte: MAPA: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008) . verificandose que os solos aptos (nível “boa”) para a agricultura estão distribuídos de forma dispersa e cobrem apenas 5. Potencialidade é um dos fatores mais importantes a considerar na especificação da conservação e manejo integrado de recursos naturais.27 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. 27. na categoria regular e 22.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS . na classe regular a restrita.MAPA As ASD foram classificadas em seis níveis de potencialidades agrícolas dos solos. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . morfológicas e limitações topográficas.

4%). . a Caatinga (27. é um dos fatores analisados na estimativa de perdas. O tipo de cobertura vegetal. Figura 9 Mapa de cobertura vegetal do Nordeste Fonte: MAPA: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008).) se estabelecem relações.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se Os tipos de cobertura vegetal da ASD foram agrupados em dez grupos.28 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . proteção dos solos. pelos efeitos potencializados de erosividade e erodibilidade na erosão.. No Combate à desertificação (..1%) e as áreas de tensão ecológica (13. A determinação das áreas antropízadas é de especial importância para o estudo da desertificação. para entender a importância dessa proteção e orientar práticas de conservação.7%). com base em dados de pesquisas no semiárido. O tipo de cobertura influencia o escoamento e a produção de sedimentos.3% ou 364. com destaques para a área antropizada (40.8 mil km2) o Cerrado (14.

3 286.2 Figura 10 Divisão hidrográfica da Região Nordeste Fonte: MAPA: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008). definidas: ÁREA TOTAL (mil km ) 2 REGIÂO Atlântico Leste Atlân. considerando seis regiões hidrográficas na ASD. Atlânt.179 763 2850 388.3 261.Ocid Atlânt.492 2. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .5 11.6 333.6 488.29 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.Nord.Sudeste Parnaíba S.1 274.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .6 26.MAPA A divisão hidrográfica é feita conforme prescreve a Política Nacional de Recursos Hídricos.0 638.Ori.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .Francisco ASD (mil km2) VAZÃO (m3/s) 1.3 267.Nord. .5 284.683 779 3.8 214.

rasos e normalmente pedregosos. os Neossolos Litólicos (15.0%). fertilidade baixa a média. pouco desenvolvidos.0%: foto):de relevos planos. e os Neos-solos Quartzarenicos (9. bem drenados e aptos para a irrigação.0%: foto). susceptíveis à erosão.30 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . com predomínio dos Latossolos (30. com relevos ondulados a acidentados. baixa fertilidade e aptos para a irrigação Figura 11 Tipos de solos da Região Nordeste Fonte: MAPA: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008) .co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se Nas ASD se tem uma ampla variedade e dispersão de solos.

).Desestrutura familiar e da unidade de produção devido à redução de áreas. da água (…) . Pobreza rural e deficiências de políticas a ações de combate C a u s a s Figura 12 Indicações de causas e correspondentes efeitos no problema de desertificação Fonte: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008) ..Desorganização do mercado devido à . efeitos como: .Redução na produtividade e produção .Crise da infraestrutura e serviços básicos Ambientais. obsoletas.) .. tais como (…) .Perdas de oportunidades para a P&D e C&T em (…) DESERTIFICAÇÃO Desmatamento ....) descontrolada que (. Sociais.... efeitos como: .) .Perda de serviços ambientais.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .Perda da biodiversidade (biota).31 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.Desorganização urbana (..Instabilidade – insegurança por (…) Urbanas... efeitos como: .) .Queda na qualidade de vida: aumento da mortalidade infantil. crescimento de conseqüências patológicas / escassez de água (. assistência – extensão. conservação e manejo do solo integrado à (. redução expectativa de vida. capacitação. de produtividade (…) C o n s e q ü e n c i a s Econômicas.. o problema da desertificação pode ser indicado pelas suas causas e correspondentes consequências na Figura 12.MAPA Em termos gráficos..) .Quedas na renda e consumo por (…) .. efeitos tais como: .. do solo.) .Migração rural → urbana (.Aumento desemprego (. Práticas inadequadas De irrigação e drenagem De manejo e uso Ineficientes.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .queimada Exposição do solo à (…) Facilidade erosão devido à… Uso intensivo Além capacidade de suporte Cultivo impróprio porque.. incompletas informações para a educação. prevenção-proteção.Crescimento da pobreza (. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .

convívio com a seca. incentivar. ambientalmente sustentável e “implementar programas. portanto. a recuperação de áreas degradadas. programas e projeto de desenvolvimento de sistemas especiais de produção agropecuária. entre outros propósitos consistentes com o combate à desertificação e mitigação . 10º. a pesquisa – extensão (…) orientadas para a otimização na conservação dos recursos naturais. quanto aos propósitos da política de combate à desertificação. os seguintes: a) a promoção de treinamento sobre [o planejamento] a gestão da empresa agrícola com vistas às melhorias de controles administrativos da propriedade.32 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . entre outros objetivos. ações e atividades de fomento. projetos e ações relacionam-se: a produção agropecuária integrada. sem comprometa-los na perspectiva de longo prazo. financiar (…) ações de monitoramento e de cont role de áreas sujeitas à desertificação. algumas delas com desdobramento no documento Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca. à produção e abastecimento. em seu cap. entre outros propósitos. Com base nas informações anteriores é possível definir proposições gerais. visando à melhoria da eficiência e à sustentabilidade dos sistemas convencionais de produção agropecuária. . b) Participar. proteção e recuperação de áreas vulneráveis e de áreas afetadas pela desertificação. Na implementação desses programas. no que se refere à política agrícola. No DEPROS consta. Parte dessas medidas se encontram na missão e objetivos do Mapa. sociais. A Lei Agrícola. os de atendimento às demandas regionais com características específicas como é o caso do problema de desertificação e convivência com a seca no Nordeste exigente por ações específicas. b) a realização de cursos para técnicos [lideres da comunidade] e produtores rurais em áreas de manejo e conservação do solo e da água e sobre sistemas agrícolas. relativo à proteção do meio ambiente e da conservação dos recursos naturais. Em desdobramentos ou aplicações do Regimento Interno do Mapa se registram. que compreendem orientações na especificação de objetivos e metas de um dos projetos prioritários para o desenvolvimento agropecuário sustentável: a proteção de áreas vulneráveis e a recuperação de áreas degradadas. Algumas dessas proposições são: a) Promover a prevenção. ao considera: “o objetivo do programa de ação nacional consiste em identificar os fatores que contribuem para a desertificação e as medidas de ordem prática necessárias ao seu controle e à mitigação dos efeitos das secas”. VI. Um dos meios para efetivar essa participação é o dado com qualidade. elaborar planos. define. valor e utilidade a ser sintetizado no indicador utilizado no planejamento e gestão ambiental e na conservação e manejo integrado recursos hídricos – solos – vegetação do semiárido nordestino. São objetivos e metas que se conformam ao estabelecido pela Convenção (art. a educação ambiental. conservação e manejo do solo voltado ao processo produtivo agrícola e pecuário e à assistência técnica e extensão rural.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se 4 Objetivos e Metas Ajustam-se tanto às competências e propósitos do Mapa. prevenção e recuperação se tem a capacitação treinamento.). avaliando os impactos ambientais. e o manejo. à proteção. proteção e conservação do solo e água no contexto de bacias hidrográficas como unidades de planejamento e gestão. econômicos e estruturais”. projetos. Entre os meios dessa promoção.

de cobranças do TCU em relatórios de gestão). sintetizadas na Figura 13.) atendendo determinados propósitos como os propostos em políticas. proposição descritiva etc. comparar (.)..ex.MAPA Parte das ações do Mapa é para completar uma base de dados que permita desencadear o processo de D∩S. ações. gráfico. os “indicadores de desenvolvimento sustentável são instrumentos essenciais para guiar a ação e subsidiar o acompanhamento e a avaliação do progresso alcançado rumo ao desenvolvimento sustentável” segundo conceituação do IBGE (2004). formas de organização produtiva. Os propósitos a serem atendidos (para o caso do Mapa. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . Com essa mesma lógica. Indicador é um valor. de um programa ou projeto (. variável (eis). sintetizado na Figura 12.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . percentual. Indicadores de desenvolvimento sustentável: Brasil 2004).. estratégias de planos.. estados culturais (…) como parte imprescindível desse combate. comunicar. 5 Indicadores Referências importantes na definição de indicadores para atividades. figura. têmse os objetivos e metas correspondentes. associadas através de diferentes formas para relevar significados específicos de uma atividade. prevenir. as dificuldades operacionais (. 2007) se evidenciam conceitos. esse atendimento é. interesses.1) situações que requerem atenção prioritária... No combate à desertificação é preciso compreender. imagem de satélite.. quanto possível: a) Destacar os problemas.) para atingi-los. o abando da terra ou de projetos de assentamentos pode ser um indicador. projetos (.. Nesse caso. ação ou estratégia...). de um aspecto ou situação / estado. as comunidades: suas atividades.. roteiros técnicas (. como os de combate à desertificação. que sintetiza a(s) medição(ões) ou resume um ou mais dado(s).). Um propósito geral é o desenvolvimento. . são : Brasil 3 tempos. acenando para: a. numérico ou descritivo (número.. também. para o combate do problema de desertificação. principais fatores – causais. razão. Em termos gerais. mas para efetivá-los com a participação comprometida delas. quando se tem como base o conceito de D∩S. No documento Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (GARCIA.33 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. os indicadores devem.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS . definem-se os meios (recursos. as inter-relações (este aspecto é destacado pelo IBGE) entre causas notáveis. técnicas. perspectivas.) com o objetivo de informar. o PPA em vigor e informações do IBGE (p.). a degradação da terra é uma dessas situações. recuperar (.. com a necessária efetividade. não apenas para legitimar planos de governos. procedimentos etc.) dessas referências.

à vegetação (. . Econômicas.): De irrigação e drenagem (. Urbanas...Estabilidade – segurança: riscos aceitáveis e incertezas red.Menor pressão de desequilíbrio urbano e regional (…) Ambientais. solo. amenizar secas... entre outros: .Diminuição da pobreza em periferias urbanas porque (.. assistência – extensão. oportunidades de melhorias. purificação (assoreamento).) em seu meio rural. aumento da expectativa de vida..) Práticas adequadas (. entre outros: .. entre outros resultados consistentes com D∩S: .) Conservação: Dentro capacidade/suporte Cultivos adequados (.. atualizadas....34 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . Redução da pobreza rural e eficiências de legislações.Aumento sustentável e distribuído na renda e no consumo.Aumento da produtividade e da produção agropecuária.Fixação do homem no meio rural → redução de problemas .co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se E f e i t o s p o s i t i v o s Sociais.. conservação e manejo do solo integrado à água... prevenção-proteção.): educação. políticas e ações-estratégias de combate (…) C o n t r o l e Figura 13 Ilustração do controle de causas e de seus efeitos que evitam a desertificação Fonte: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008).) Eficientes.... completas informações para a educação..Valorização de serviços ambientais como retenção da água no solo. -Estruturação e organização do mercado como efeito de (…) .Resgate e proteção: biodiversidade.. segurança alimentar. . capacitação.) De manejo integrado solo (.Consolidação familiar e da unidade de produção (.. .) .Menor pressão de aumento do desemprego (.). CONTROLE DA DESERTIFICAÇÃO Controle desmatamento: Cobertura (proteção) do solo Impedir a erosão mediante (. saneamento (.). . entre outras: .Aumento ou manutenção de sua qualidade de vida: Redução da mortalidade infantil..). .. água (.

os indicadores.3) cronogramas e previsões de desdobramentos. para os propósitos da representação do atributo ou fato pelo indicador) e utilidade: o dado. Os indicadores estabelecem medições da resiliência do ecossistema: habilidade / capacidade em se recuperar depois de cessadas as perturbações que o levam a estados críticos: a desertificação.. de racionalidades (entre outras.. elos ou entraves que geram custos desnecessários. possibilidades (. valor (para o cliente. para prevenir sistemas susceptíveis à degradação (. as definidas por relações como de custo / benefícios).. as comunidades afetadas / vulneráveis à seca que podem ser atendidas com ações.) e/ou entre essas ações com outras. medir. condições. o entendimento das dificuldades da agricultura de sequeiro ou da agricultura por irrigação apontam como indicadores que apontam para especificar objetivos concretos. suficiente para esta síntese). tais como: a) Dispor de dados com qualidade (conforme referências adequadas). devem ser coerentes com os demais indicadores. d) Meio para justificar atividades. de forma simples e operacional. registrar e sintetizar no indicador: da qualidade e aplicabilidade do dado depende a qualidade e aplicabilidade do indicador. medições.. além de se constituírem meios para o atendimento de “cobranças” (ação gerencial do Mapa) na aplicação de recursos econômicos públicos.. c) Tanto os dados que se utilizam na construção de indicadores como os próprios indicadores desses devem ser objetos de observações. planos ou projetos (. b) O atributo a ser representado pelo dado deve ser fácil de observar / apurar. os tomadores de decisão. critérios (ou padrões adequados à realidade) de comparações relevantes e de visibilidades para a auto avaliação. Na base dos propósitos dos indicadores se encontram alguns requisitos (relação preliminar.MAPA a. . PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . ignoradas. com fidelidade..). neste caso. Se não cessam tais perturbações. projetos de combate à desertificação.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .) do cliente. com indicações de pertinência ou oportunidade. b) Internalizar e assegurar o atendimento de requisitos. registros e avaliações periódicas. formuladores de políticas e.. atualidade.35 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. meios – recursos necessários para atingi-los conforme determinadas expectativas.. o cliente em seu meio. a. c) Ao internalizar.2) possíveis definições de objetivos . deve ser de fácil tratamento e entendimento para o cliente: são características da informação primária que se comunicam no indicador que os sintetiza. gestores. principalmente. por sua vez.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .).. ações ou estratégias. pertinência (. planejadores.. Os indicadores devem diferenciar ecossistemas “saudáveis” (terem as necessárias referências) daqueles degradados (caracterizados mediante índices de degradação): sensíveis para prover informações sobre mudanças do ecossistema.) os requisitos do cliente traduzidos em dados – informações valiosas e úteis.metas. os indicadores informam – comunicam quais são os níveis críticos e os riscos que devem ser assumidos a partir de determinadas causas. de degradação da terra. o sertanejo na caatinga. além de ser fiel representação do atributo. os indicadores devem proporcionar. de integrabilidade dessas ações (.

(GARCIA.) podem ser complementados.. executores (. Esse trabalho de gestores. atualizados (.. . potencialidades – limitações desses ambientes e fatores. não se tem essa condição “ideal”...). No documento (GARCIA. em parte. Na elaboração de um plano de combate à desertificação. de tecnologias da informação (.. muitas vezes..co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se No documento Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca se apresentam.. em 2008.) de combate à desertificação (.) pode ser facilitado com uma síntese da complexidade da desertificação para se ter uma percepção integrada – sistêmica de partes indissociáveis e interativas colocadas. avaliar – agir (. com tantas causa e consequências inter-relacionadas desse fenômeno é preciso dispor de muitos dados e informações valiosas e úteis. de conservação e manejo (. planejadores e tomadores de decisão desejam que os dados da desertificação sejam simplificados e apenas comuniquem o que for essencial (útil e oportuno): é o sentido do indicador ao representar fatores abióticos como os climáticos.. Os processos de síntese.. hidrológicos.. projetos (.. de uma metodologia adequada para avaliar efeitos-causas. que fundamentam. incluindo “estados”..). ações e estratégias para monitorar. culturais. de um sistema de informações completas e integráveis..) dos planos. programas.. fatores bióticos da flora e fauna.) por modernas técnicas de informações georeferenciadas (…)..) em planos e projetos de combate à desertificação. principalmente de orientação das fases de um plano podem ser auxiliados por um sistema de indicadores. 2007) se trata desse assunto e se ilustram casos. outros fatores como os socioeconômicos. condições. Gestores.. interações (. planejadores.. biológicos e socioeconômicos. projeção ou visão prospectiva e. 2007) ilustram e exemplificam diversos aspectos relacionados com a construção de indicadores e com a aplicação (..). No Quadro 1 são sintetizados (um exemplo) possíveis indicadores de informação-comunicação de aspectos físicos.. institucional (.36 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . São fatores. sendo necessário que o próprio plano considera ações para uma melhor compreensão do problema na forma de uma base de dados consistidos. Para tratar da complexidade de desertificação. de uma percepção sistêmica para relacionar peças de um todo (. geomorfológicos e edafológicos com grande número de variáveis em cada caso. quanto possível. Por sua vez. aprimorados. visão integrada. fatores agronômicos como técnicas agrícolas e pecuárias..) da desertificação.. a base de dados que permite gerar esses indicadores e os próprios indicadores de desenvolvimento. de gestão integrada.).. em associações mais ou menos complexas.

com especificações e tipificações relevantes e necessárias na informação – comunicação. m3/s (por período. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .). comparação. Uso – consumo de água Qualidade da água Disponibilidade – vazão.) / formas de uso e manejo Percentual (ou calculo) de solo erodido para determinadas condições de uso e manejo. 1998 (IBGE.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .Índices ..) / Área total Percentual da cobertura.. por fonte etc. 1992 2003 Área total dos núcleos de desertificação e das regiões vulneráveis à desertificação na Região Norte – Brasil.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .37 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.Índices . por período etc. incluindo dados como os de tipo de solo.. distribuição e defasagens.. 2004): Consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio. Exemplos: Erosão . forma ou natureza do uso e manejo. 2004) .MAPA Quadro 1 Exemplos de indicadores no combate à desertificação INDICADOR Desmatamento Cobertura vegetal Biomassa da caatinga Uso do solo / ambiente ESPECIFICAÇÃO ILUSTRAÇÃO Porcentual desmatado (tipo de vegetação.indicadores de erosividade para diferentes condições de previsão de intensidade da chuva.indicadores de erodibilidade. de frequência (. de perspectivas (. Estimativa massa foliar em t ou m3 / ha: (especificações ou tipificação) Área utilizada em (..).) / Necessidades atendidas (por tipo ou classe de uso – consumo) Vazões sazonais e temporais entre períodos Índice de qualidade da água Possíveis indicadores climáticos.. Exemplos: Indicador do problema de mudança climática (IBGE. declividade. . de ambientes.

Taxas de lotação (UA)|tf / (UA)|to Associação de municípios Institucionais e organizacionais Cooperativas e associações de classes Comitês como os de micro bacias hidrográficas . 1998 (IBGE. Renda relativa entre períodos e por tipos de atividades Índice Gini.38 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o . adultos etc. Saneamento básico: água potável. deserção % : no. mulheres chefes de família / total de famílias. sociocultural.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se Continuação (b) Quadro 1 Exemplos de indicadores no combate à desertificação INDICADOR ESPECIFICAÇÃO ILUSTRAÇÃO Vulnerabilidade climática à desertificação e núcleos de desertificação na Região Nordeste. especificação ( jovens. Índice Gini. Sociais Escolaridade: media de anos. serviços sanitários etc. 2004) Migração: taxa líquida. tipo de cultura etc.) Dinâmica demográfica. Econômicos Estrutura fundiária. Excedentes comercializáveis entre períodos Produtividade agrícola pecuária (kg/ha)|tf / (kg/ha)|to: comparação entre períodos (inicial: to e final tf) para diferentes formas de uso – manejo.

.MAPA Continuação (c) Quadro 1 Exemplos de indicadores no combate à desertificação INDICADOR ESPECIFICAÇÃO ILUSTRAÇÃO 100% 10 20 30 40 50 60 70 80 90 IDH TA TMI IDH NE: 22..676 Brasil 11...5 0.... .4 22.4% 33. . ....39 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.9 0.. ....... taxa de mortalidade infantil (TMI) e nível médio (índice) de desenvolvimento humano (IDH) no Brasil (_____) e no Nordeste (_ _ _ _) em 2005.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .. . . . .766 TA TMI Taxa de analfabetismos (TA).. .. ... . . X2 Nordeste X4 10 20 30 100% 40 50 60 70 80 90 X3 X5 X5 .... X1 Semiárido ILUSTRAÇÂO GERAL PARA O CASO DE SEIS VARIÁVEIS DE UM MESMO PERÍODO E DOIS ESPAÇOS GEOGRÁFICOS X1 X2 X3 X4 X5 X6 NE: .. . Sem-árido .. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO ... . . ....

nativa) Período tm (alguns anos depois) Figura 14 Indicador descritivo da dinâmica .. pressão exercida pela pecuária (X4). cobertura vegetal e uso do solo (X 3). índice de vegetação com diferença normalizada (X 5). dispostos em um modelo aditivo: ISD =  Xi.) Áreas com processos iniciais de desertificação: critérios Áreas sem manifestações do processo de desertificação. porém vulneráveis (critérios) Áreas isentas de desertificação potencial (critérios) A definição do critério de susceptibilidade pode compreender diversos indicadores. Figura 15 Imageameno de áreas susceptíveis à desertificação no Nordeste: descritores de seis indicadores .40 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o .. Período t0 (ano base: veg. 1996).co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se As Figuras 14 e 15 mostras indicadores descritivos da dinâmica de cobertura vegetal. No caso ilustrado (KAZMIERCZAK. foram considerados seis indicadores: chuva (X1). erodibilidade (X2). e índice de Repelli (anomalias de precipitação para o semiárido) (X6). Período t m+n (estado final) Áreas com processos avançados de desertificação definidos conforme a susceptibilidade (.evolução de degradação da área no intervalo 0-n Fonte: Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (2008).

A segunda fonte de orientações das atividades do Mapa é buscar a integração ( )com parceiros. visão de futuro e objetivos. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . da Bahia e do Espírito Santo. A justificativa. a redução das desigualdades e a inclusão social”.) do MAPA. integrando os aspectos de mercado.. conforme se ilustra na figura central e se ajustar – complementar conforme orientações básicas. 2007. para o controle da desertificação e mitigação – convívio com a seca no semiárido nordestino? Todas as ações e estratégias que diretamente sejam planejadas.) tem ∩ orientações de duas fontes. SUDENE e CONSLAD.. financiamento (. e) Informações técnico-científicas da Embrapa. nesse contexto setorial.). . processos. para o ∩ atendimento dos consumidores. o Mapa orienta seus esforços no sentido de fortalecer objetivos setoriais. observando sua capacidade de uso e a aplicação adequada de tecnologias (. f) Estudos e recomendações de Governos Estaduais do Nordeste. Conforme o PPA 2004-2007. Secretaria de Recursos Hídricos. promover a segurança alimentar. é o de que a agricultura sustentável deve minimizar os impactos ecológicos decorrentes da perda da biodiversidade pela retirada da cobertura natural e a redução da erosão. d) Estudos chaves como os dos Projeto: Áridas. a primeira é a missão..Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS . São ações delineadas em eixos. projetos (. as seguintes: a) PAN – Brasil. a conservação e manejo integrado de ambientes e recursos naturais.. um deles é manejo e conservação de solos na agricultura: “assegurar o uso ∩ e o manejo adequados do solo e promover a recuperação de áreas degradadas com vistas a garantir a produção sustentável de alimentos e a disponibilidade de água para o consumo humano e animal”. visão ∩ e objetivos institucionais do Mapa: “formular e implementar as políticas para o desenvolvimento do agronegócio.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . conforme se indica na Figura 4.41 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. e o subsídio ao desenvolvimento sustentável. b) Atlas das áreas susceptíveis à desertificação no Brasil.. nele se destacam a proteção – preservação de fontes e reservas naturais. organizacionais e ambientais. no âmbito de sua missão. ∩ nesse combate. gerenciadas e desenvolvidas ou que sejam ∩  objetos de incentivos. estratégias. Brasília: MMA. c) Plano estratégico de desenvolvimento sustentável do Semiárido. entre outras. entre outros. a geração de emprego. da degradação da terra.MAPA 6 Propostas de ações do Mapa para o combate a desertificação e mitigação – convivência cm a seca Onde se inserem e como se faz a inserção de ações.. tecnológicos. de Universidades e Centros de pesquisa localizados ou com atuação na Região do Nordeste. ciclos (…).

1 Desertificação: Perda – Degradação da Biodiversidade 2. destacam-se (relação preliminar: em fase de discussão): 1) FORNMAÇÃO DE UM REPOSITÓRIO (BANCO DA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PARA O SEMI-ÁRIDO) DE INFORMAÇÕES EM UM SISTEMA QUE POSSA ATENDER DEMANDAS PARA ESSE COMBATE. Ênfase para a sustentação de atividades diretamente relacionadas com a missão.5 Fatores diretamente relacionados com o problema de desertificação do semiárido 1 11 17 23 23 30 51 58 70 76 87 . com propostas – sugestões da Convenção (.3 A desertificação: alguns indicadores globais 2.4.co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se g) Programa de combate à desertificação no âmbito do pro água semiárido. Esta é uma das ações que se insere.4 A desertificação: alguns indicadores para o semiárido 2. Avaliação. ordenamento – classificação dessas informações. h) “Garimpagens” de informações e dados relativos aos saberes tradicionais. FORMAIS OU NÃO.4.4.1 A importância da definição do problema de desertificação em uma proposta de solução 2. 2007) om o seguinte sumário (preliminar): 1 Introdução 2 O Problema da Desertificação e a Importância de sua Solução no Contexto do Desenvolvimento Sustentável 2.3 Desertificação e Aquecimento Global 2.2 O problema da desertificação em agendas e convenções 2. Como ações a serem desenvolvidas pelo Mapa. ORGANIZAÇÃO – GESTÃO E PRODUTOR – COMUNIDADES Parte dessa preparação se encontra em andamento com a elaboração de um documento norteador Combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca (GARCIA.4.. visão e objetivos – metas do MAPA. de forma harmônica.42 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o .). ORIENTAÇÕES.4. 2) PREPARAÇÃO DE MATERIAL DE REFERÊNCIA PARA TREINAMENTOS. experiências e lições de comunidades. EM TRÊS NÍVEIS: ENSINO..4 A Definição de Desertificação para Planejar a Solução 2.2 Desertificação: Degradação de Fontes e Perdas de Ambientes e Recursos Naturais 2. com indicações do PAN – Brasil ao destacar o fortalecimento da base de conhecimento e desenvolvimento de sistemas de informações para monitorar e avalia – agir na ASD. CURSOS.

gravidade e consequências do problema da desertificação no Nordeste 2.2 Esquema do Marco Lógico 4. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .1 Desdobramentos dos objetivos (...2 Estudos de casos 7 Referências ANEXOS E APÊNDICES (CD-Room): .5. diagnósticos e estudos prospectivos 4.5.5 Processo de Erosão de Solos do Semiárido Brasileiro 2. monitoramento.5.MAPA 2.) 6 Ações e resultados Esperados 6.4.5.MAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .6.5.Embrapa Departamento de Sistema de Produção e Sustentabilidade – DEPROS .6 Salinização e Desertificação no Semiárido Brasileiro 2.43 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.2 Erodibilidade dos solos 2.1 Avaliações e custos da (.4 Estimativas de erosões para ambientes típicos: modelos matemáticos para evidenciar efeitos e relações 2.1 Exercícios 2.5.) 4 Aspectos metodológicos na formulação de propostas: planejamento. avaliação 4..6 Causas e condicionantes.6 A simulação para o melhor entendimento do processo de erosão 2.1 Protótipos 6..5.1 Cenários.1 Metodologia para (.5 O custo social da erosão dos solos no semiárido 2. gestão.3 Outros elementos da erosão dos solos 2.) 99 146 164 171 203 3 Objetivos e Metas do combate à desertificação e mitigação – convívio com a seca 3.6.1 Erosividade das chuvas 2..3 Esquemas de difusão de resultados 5 Indicações para as Propostas de Projetos 5..

da adubação verde. . conservação e manejo dos solos e dos recursos hídricos.) da água à luz de realidades como as de poluição. controle biológico e alternativas de uso de agrotóxicos: evidências de benefícios de policultivos. degradação de áreas estratégicas (matas ciliares. para possibilitar encontrar / adaptar soluções à diversidade de agroecossistemas e de condições ambientais. complementados com saberes – praticas tradicionais. com flexibilidades. exigências e possibilidades para determinados conjuntos de recursos e ambientes.. rotações de culturas. planos diretores de bacias hidrográficas. quando possível. integração com a produção animal.. Estudos de casos de sistemas agroflorestais menos complexos que combinam vegetação nativa com potenciais de mercados em atividades fitoterapeúticas (.).). c) Os benefícios da agrofloresta e as possibilidades de projetos com mecanismos de desenvolvimento limpo. uso de variedades adaptadas às condições edafoclimáticas locais.): outorga para o uso. Planos de bacias hidrográficas: protótipos e estudo de casos Instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos e suas implicações na agricultura (. nascentes etc. da prevenção se comparada com recuperações. econômicas.).. Protótipos.. cobrança pelo uso.44 Co mb a t e à d e se rt i f i c aç ã o e mi t i g açã o .co nvi vê nc i a c o m a s e c a: s í nt e se Convenções: clima. diversidade biológica e desertificação Material didático: livros sobre desertificação. TAIS COMO: a) Caracterização (ênfase em diagnósticos do problema) e importância para a diversificação (ênfase em aspectos de conservação para a valorização) de sistemas produtivos na sustentabilidade da agricultura: efeitos de simplificações induzidas pela monocultura e diversificação – integração lavouras – pecuárias – floresta. g) Controle integrado de pragas. b) Consorciações e rotações: condições. h) Opções de proteção.. dentre outras técnicas diminuem a incidência de pragas e de doenças nas lavouras.. Estudos e imagens do Projeto Radambrasil Relatórios do Projeto Áridas PARTE DO MATERIAL SE ORIENTA POR TÓPICOS.. enquadramentos em classes de usos (. do plantio direto sem herbicidas. e) Adubação verde. f) Adubação orgânica (biofertilizantes). como prática importante de conservação e melhoria de propriedades dos solos.. d) Plantio direto. despoluições (.. em alternativas como as de captação – sequestro de CO2. da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco.. conservação etc. A necessidade de gerenciamento com elementos e critérios integráveis das bacias hidrográficas tem sido um dos principais argumentos da transposição de águas do Rio São Francisco: o “Plano de Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio São Francisco e do Semiárido Nordestino”. A racionalidade econômica. conservação da estrutura e das propriedades dos solos por meio da adubação orgânica.). estudo de casos. sociais – culturais (. técnicas e procedimentos adequados às condições e. em evidência.

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