Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI

)

Escolas e Modelos de Intervenção Sistémica Ano lectivo 2011/2012 – 1º Semestre

Docentes: Profª Doutora Isabel Narciso Davide, Profª Doutora Maria Teresa Ribeiro e Profª Doutora Rita Francisco

Discentes: Ana Tavares, nº 7808, Joana Silva, nº 7925, Salomé Vasconcelos, nº 7926, Sara Rodrigues, nº 7795

Lisboa, 21 de Outubro de 2011

Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI)

Índice Resumo ............................................................................................................................. 1 História do MRI............................................................................................................... 1 Influências da abordagem do MRI .................................................................................. 2 Princípios básicos do MRI ............................................................................................... 3 Comunicação ................................................................................................................. 3 Teoria dos Dois Hemisférios .......................................................................................... 8 Terapias breves .............................................................................................................. 11 Princípios guia da intervenção ...................................................................................... 11 Intervenções ................................................................................................................. 12 Estabelecimento de objectivos ...................................................................................... 12 Como aparecem e persistem os problemas .................................................................... 13 Soluções Tentadas ........................................................................................................ 14 Tácticas de Mudança ..................................................................................................... 15 Entrevista inicial e posição do terapeuta ....................................................................... 16 Posição do cliente ........................................................................................................ 17 Planeamento de casos ................................................................................................... 18 Estratégias de Intervenção ............................................................................................ 19 Conclusão do tratamento .............................................................................................. 23 Conclusão ....................................................................................................................... 25

ii

Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI)

Referências Bibliográficas ............................................................................................. 27 Anexos Anexo I – Caso de Estudo Anexo II – Análise do caso Adolescente Aversiva Anexo III – Materiais da Apresentação em Aula Anexo IV – Processo de realização do trabalho

iii

Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI)

RESUMO
Este trabalho aborda os princípios do Mental Research Institute (MRI) que tem por objectivo trabalhar com sistemas familiares e indivíduos de acordo com as interacções verificadas entre os mesmos. De acordo com o objectivo apresentado, iremos referir os princípios básicos do MRI que passam pela Teoria dos Dois Hemisférios e a sua importância para a criação do quadro conceptual do individuo, bem como da Comunicação que permite entender a necessidade de relação dos indivíduos, e o surgimento de dificuldades e/ou problemas, assim como a sua resolução. Para além do já referido, iremos, ainda, explicar a Terapia Breve, que tem por base estes princípios, e a forma como esta analisa o surgimento e persistência dos problemas, assim como a sua intervenção na resolução dos mesmos. Para finalizar, no seguimento da Terapia Breve iremos abordar mais profundamente as tácticas de mudança de comportamento numa vertente mais prática, nomeadamente através do caso de estudo da Adolescente Aversiva. Palavras-chave: MRI, Teoria dos Dois Hemisférios, Comunicação, Terapia Breve, Tácticas de Mudança.

HISTÓRIA DO MRI
Fundado em 1959, o Mental Research Institute (MRI) é uma corporação sem fins lucrativos dedicado a realizar e incentivar investigação científica, baseada em novas formas de olhar para como as pessoas interagem. Tem sido uma das principais fontes de modelos inovadores que têm influenciado os estudos interaccionais/ sistémicos, na terapia familiar e na resolução de problemas através da terapia breve. O foco do MRI é o de explorar e incentivar o uso de uma abordagem interaccional para compreender melhor, e mais eficazmente resolver problemas humanos desde a família até todos os outros níveis de organização social (Allende, 2008). O MRI foi fundado por Don Jackson, quando o projecto de Bateson com quem colaborava

1

Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI)

se dissolveu. Os seus primeiros membros foram Jay Haley, Jules Riskin e John Weakland. O objectivo era usar as ideias da cibernética (Gurman & Kniskern, 1991). Don Jackson formou, então, o Mental Research Institute através de apoio financeiro privado, sendo uma divisão do Palo Alto Medical Research Foundation (PAMRF) a fim de desenvolver estudos sobre a esquizofrenia e a família. Contudo, com o decorrer do tempo, passam a focar o seu interesse mais na família (Gurman & Kniskern, 1981). Nos anos 60 Paul Watzlawick integrou no trabalho em Palo Alto pela realização de estudos sobre a comunicação verbal, ao qual se juntaram Haley e Weakland pelas experiências realizadas para medir a comunicação em famílias. Outro dos autores importantes do MRI é Riskin que realizou trabalhos para conseguir quantificar a interacção das famílias e produziu as escalas de interacção familiar (Gurman & Kniskern, 1981). Em 1963 o MRI torna-se uma organização independente, expandindo o foco original sobre a esquizofrenia para examinar como é que as interacções familiares afectam outros fenómenos (Gurman & Kniskern, 1981). Existiram diversos contributos importantes na literatura da terapia interpessoal e nas pesquisas efectuadas, nomeadamente trabalhos sobre os processos de comunicação: Pragmatics of Human Communication: A Study of Interactional Patterns, Pathologies, & Paradoxes, por Paul Watzlawick, Janet Bevin-Bavelas, e Don D. Jackson. (Wendel, Moorman, & Govener, A Founding Father of Family Therapy). Em 1967 abriu o Centro de Terapias Breves do MRI com a intenção original de perceber como atingir uma variedade de estudos específicos, num curto espaço de tempo. E, na segunda década o MRI trabalhou na dimensão da comunicação, sistemas familiares e sistemas mais gerais: os sistemas sociais (Gurman & Kniskern, 1981). Influências da abordagem do MRI Como foi referido anteriormente o MRI tinha como base a primeira cibernética. A cibernética surgiu com o propósito de investigar os mecanismos de feedback circular e o sistema causal circular nos sistemas biológico e social. Interessa-se pelo estudo da autoregulação que ocorre em dois sistemas: o de homeostase e o de morfogénese, o que 2

Don Jackson. Esta abordagem mais vasta servirá tanto para entender o incluir destes paradoxos. 1991). adaptando a terapia a cada cliente. uma poderosa ferramenta para explicar o comportamento sem recorrer a processos internos como a mente ou o instinto (Gurman & Kniskern. e resolvendo rapidamente os problemas dos clientes (Gurman & Kniskern. Este usou uma variedade de directrizes da hipnose. 1991).. o que contradizia os terapeutas tradicionais. William Try e John Weakland estudaram comunicação e paradoxo em vários contextos. Só desta forma. como já referido. Como será possível constatar. et al. e pragmática (comunicação afecta todo o comportamento) – todo o comportamento é comunicação. O MRI surgiu após Don Jackson colaborar com Gregory Bateson que investigou o esquema que descreve e explica os sistemas sociais como algo em que o todo é mais do que a soma das partes. assim como enquadrar teoricamente o MRI. iremos abordar tanto os axiomas da comunicação como a estrutura dos processos da mesma. P. 1967). o MRI teve ainda a influência de Milton Erikson para o protótipo da terapia breve. e explicar a necessidade de relação que se verifica no ser humano. 1991). O seu trabalho progrediu e fundaram o pensamento sistémico. PRINCÍPIOS BÁSICOS DO MRI Comunicação O veículo das manifestações observáveis da relação é a comunicação.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) demonstra. 3 . passando as causas a ser circulares (Gurman & Kniskern. quebrando as regras. que deixou de existir uma concepção linear. Este estudo da comunicação humana pode ser subdividido em sintaxe (que abrange os problemas de transmissão de informação). Junto com Haley. Para além dos autores já referidos. será possível ter uma visão mais alargada das estratégias terapêuticas utilizadas no Mental Research Institute. como para entender a organização da comunicação humana. e toda a comunicação afecta o comportamento (Watzlawick. semântica (que se preocupa com o significado dessas transmissões).

. i. Assim. em que o segundo classifica o primeiro) muito ambíguas – complicação que resulta da estrutura de nível da comunicação (Watzlawick. por conseguinte. ao mesmo tempo. actividade ou inactividade. Impossibilidade de Não Comunicar Um indivíduo não pode não se comportar. 1967). é. 4 . 2. consciente ou bem sucedida. mais. 1967). logo relacionando-se com o conteúdo da mensagem passada nas interacções. oferecendo pistas metacomunicacionais (comunicação tem um aspecto de conteúdo e de comunicação.. quando ocorre uma compreensão mútua. P.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) Axiomas Conjecturais de Comunicação 1. palavras ou silêncio. mas com relações diferentes (Watzlawick. a relação entre os comunicantes representa as instruções. a comunicação pode ser ambígua: as mensagens podem ser interpretadas. et al. Exemplo deste paradigma é o caso do esquizofrénico: este defronta-se com a tarefa impossível de negar que está a comunicar. impõe um comportamento (Watzlawick. e. et al. ou dizerem-nos Solte a embraiagem de golpe. O Conteúdo e Níveis de Relação da Comunicação Qualquer comunicação implica um compromisso. negar que a sua negação é uma comunicação (esquizofrénico normalmente evita compromissos – comunicar) (Watzlawick. Comunicação não só transmite informação. Por outro lado. Um exemplo que pode ser dado é o da embraiagem do carro: É importante soltar a embraiagem de forma gradual e suavemente.. et al. e. a ordem. tudo possuí um valor de mensagem. P. ao mesmo tempo. et al. e a transmissão pifará num abrir e fechar de olhos – neste caso. 1967).. P. existe o mesmo conteúdo (embraiagem). 1967). não podemos dizer que a comunicação só acontece quando é intencional. Aqui o compromisso assume-se como um relato que transmite informação. define a relação. mas. P. especialmente as escritas.

a comunicação nesse caso seria analógica (semelhança auto-explicativa) (Watzlawick. ou de forma analógica – manipulam grandezas distintas e positivas.. 1967). Caso esses substantivos fossem substituídos por imagens. complementam-se mutuamente e estão na contingência um do outro (Watzlawick. Desta forma. Como exemplo. 1967). et al. 4. et al. 5 . 1967). Exemplo: O Gato apanhou o Rato – comunicação digital (substantivos: gato e rato). Estes dois Modos existem lado a lado.. P. P. P. constata-se que a linguagem digital tem pouco importância. et al. P. et al. Em suma. sendo que sempre que a relação (classificação) é a ideia central da comunicação.. Comunicação Digital e Analógica A Comunicação Humana pode ser subdividida em dois Modos: o Neural (ocorrência ou não de disparo. por isso. 1967). os organismos fabricados pelo homem podem comunicar de forma digital – trabalham com números (dígitos). a pontuação organiza os eventos comportamentais e.. a natureza de uma relação está na contingência da pontuação/agrupamentos das sequências comunicacionais entre os comunicantes (Watzlawick. P.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) 3. A Pontuação da Sequência de Eventos Este paradoxo diz respeito à interacção entre comunicantes. et al. temos o casal que se acusa circular e mutuamente. Contudo. a linguagem analógica carece de sintaxe (propriedades da linguagem) adequada para a definição não ambígua da natureza dos dados/conteúdo (Watzlawick. transmitindo informação digital binária) e o Humoral (comunica mediante a descarga de quantidades descontínuas de substâncias específicas na corrente sanguínea). Tendo em conta o que foi referido. 1967).. problema: incapacidade de ambos para metacomunicarem sobre os padrões respectivos da sua interacção (Watzlawick. enquanto que a linguagem digital carece de semântica (significado) adequada no campo das classificações dos dados/conteúdo. é essencial para as interacções que decorrem. a informação analógica é toda a comunicação não verbal.

na segunda. a interacção é considerada um sistema (Relvas. e dando um exemplo. pois são os que mais se aproximam do sistema familiar. et al. et al. uma interacção é um todo. 6 . et al. assim. 1967). Tendo em conta que os objectos dos sistemas interaccionais podem ser considerados como pessoas que comunicam com outras pessoas.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) 5. Neste caso. secundária ou de baixo (aluno) (Watzlawick. primária ou de cima (professor) e o outro ocupa uma posição inferior. 1997). Estrutura dos Processos de Comunicação A Interacção como um Sistema Tal como define a Teoria Geral dos Sistemas. 1967). o comportamento de um parceiro complementa o do outro.. Interacção Simétrica e Complementar Neste paradoxo há que referir o conceito de cismogénese: processo de diferenciação nas normas de comportamento individual resultante da interacção cumulativa entre indivíduos (Watzlawick.. P. P. fechados ou de estado permanente. 1967). os parceiros tendem a reflectir o comportamento um do outro. existem duas posições diferentes: relação professor – aluno (exemplo) – um ocupa uma posição superior. P. et al. De acordo com este conceito. mas é também parte de sistemas. existindo um minimizar da diferença ou até uma certa igualdade. podemos considerar as interacções simétrica e complementar.. dando-se uma maximização da diferença. 1967).. Na primeira. só serão referidos os de estado permanente (sistemas interaccionais em desenvolvimento). estes sistemas serão constituídos por dois ou mais comunicantes no processo de definição da natureza das suas relações (Watzlawick. P. P. Assim. A.. de contextos mais vastos nos quais se integra. Sistemas Interaccionais em Desenvolvimento Quando falamos em sistemas interaccionais em desenvolvimento. falamos em sistemas caracterizados pela estabilidade (sistemas de “estado permanente”) ( Watzlawick. Os vários sistemas que existem podem ser abertos.

Quando há desequilíbrio. também a Retroalimentação e a Homeostase (equilíbrio ou estabilidade) assumem um papel importante. 120). restringem largamente o confronto (Watzlawick. P. Elas funcionam como uma estabilização das relações. et al. p.. P.. e como num jogo. i. algumas famílias 7 . dentro da família. é. 1967) como homeostase familiar.. é necessário recorrer-se ao feedback negativo. estas [relações] ficam confusas. uma vez que as acções dos membros da família ou do meio no sistema familiar são influenciadas e modificadas pelo sistema. (Watzlawick. 1967. na medida em que. toda e qualquer troca de mensagens restringe o número dos possíveis movimentos seguintes. Neste caso. 1967. podemos falar em globalidade. 1967). tendo em conta a aplicação do MRI. em Watzlawick. Também no sistema familiar. nestes sistemas. 122). Neste caso. et al. P. p.. não levando ao fim das mesmas. P.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) Nesta ideia existe a limitação de que comunicar nos limita e ao mesmo tempo limita os outros. Assim. o que poderá levar à necessidade da intervenção de um profissional. a definição de uma relação como simétrica ou complementar. de Não-Somatividade – o todo que é a família é mais que a soma de todas as partes (indivíduos) que a constituem (Relvas. Deste modo. ou a imposição de uma determinada pontuação. (Watzlawick. Tendo em conta esta limitação da comunicação foram definidas. Para manter o equilíbrio. pois o comportamento de todo o indivíduo. que é o nosso maior interesse. que evita o desvio/mudança. existem mecanismos homestáticos que são activados para restabelecer o equilíbrio do sistema perturbado. 1997). está relacionado com (e dependente do) comportamento de todos os outros (Watzlawick. Assim. quando não há definição da relação.. P. et al. regras. A Família como um Sistema Tudo o que foi dito até agora acerca dos sistemas interaccionais pode ser aplicado à família enquanto sistema. Bem como.. uma vez que a definição das relações (regra das relações) é estritamente necessária para que as relações progridam. P.. numa sequência comunicacional. tal como nos sistemas abertos ou de interacção. 1967). A. o que funciona como estabilizador do sistema perturbado foi identificado por Jackson (cit. et al. et al.

No entanto. dentro das quais os indivíduos costumam funcionar. P. A limitação. o feedback positivo também é necessário para que exista aprendizagem e crescimento na família.. Relativamente à avaliação dos sistemas familiares é preciso ter em conta alguns pontos cruciais. 1967). Como conclusão. Teoria dos Dois Hemisférios Como já vimos. P.. a Calibração entra em acção para repor o equilíbrio. et al. levando ao ampliar de outros desvios que podem conduzir a um novo estado do sistema (Watzlawick. Um é que é importante saber como tomar nota se a avaliação é feita no contexto de investigação ou de terapia. Para finalizar. por isso. que um modelo de interacção familiar para que seja completo e resulte terá de integrar tanto a Retroalimentação negativa como a Retroalimentação positiva (Watzlawick. Outro é o interesse no bom ou mau funcionamento dos aspectos do sistema familiar. Aplicando à família. outras mostram-se incapazes de superar a crise mais banal (Watzlawick. Noutra altura. Em determinada altura este sistema é muito estável. sendo que nesta perspectiva.. por isso. P. 1967). podemos referir que existe Calibração do comportamento habitual ou aceitável através das regras de uma família. p. 133). et al. e o desenvolvimento de regras familiares. levam a uma definição e ilustração da família como um sistema governado por regras (Watzlawick. et al. o Mental Research Institute tem como foco sistemas familiares. Esta estabilidade de um sistema é normalmente mantida pelos mecanismos de feedback negativo. bem como os indivíduos e a sua interacção. esse equilíbrio é constante devido à Recalibração: quando há um desvio. em particular. em geral. o desvio é considerado necessário e. temos neste tipo de sistemas a Calibração e Funções Escalonadas em que: há equilíbrio. 1967). et al. há um reforço deste comportamento para que exista mudança.. P. Este activar para recuperar o equilíbrio designa-se por Função Escalonada (que tem assim um efeito de estabilizador). quando esta é considerada não necessária. o desvio pode ser produzido a longo prazo. se um desvio no comportamento for compensado. Conclui-se.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) podem converter as dificuldades em motivos de reagrupamento e solidariedade. 1967. especialmente no contexto de 8 . uma vez que estes permitem o afastar da mudança. e de acordo com os autores.

Satir e Riskin (cit. uma expressa. Estas duas linguagens e a sua ligação com a forma como atribuímos significado às coisas estão associadas ao funcionamento do cérebro humano que é composto. 1981). que oferecem informação acerca do que constitui uma mudança útil e como essas [mudanças] podem ser estimuladas. enquanto que a analógica estabelece uma relação imediata. mas mais difícil de explicar visto que é figurativa. Estas duas linguagens estabelecem à partida relações diferentes com o significado que atribuímos às coisas: a linguagem digital estabelece uma relação não imediata. das imagens. isto significa que são utilizadas duas linguagens diferentes.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) investigação. Haley. As regras são definidas como um padrão redundante circular ou de interacções interdependentes. 1981). da síntese e da totalidade que será o modo analógico de comunicar (Watzlawick. Outra consideração preliminar é a orientação da pessoa que conduz a avaliação (Gurman & Kniskern. em Gurman & Kniskern. geralmente o dominante. adoptaram a posição de que o sistema depende do funcionamento actual que incorpora hábitos. Como vimos anteriormente. por dois hemisférios diferentes. 1978). 1981) têm um foco sobre o individual juntamente com um foco no sistema familiar. o MRI não tem uma visão homogénea acerca do equilíbrio entre os factores individuais e interaccionais na avaliação familiar. convencional e arbitrária. lógica. evidente e é a parte que revela o todo. objectiva. metafórica e é a linguagem dos símbolos. Watzlawick e Fisch (cit. semânticas e 9 . Um sistema familiar é governado por regras. padrões e regras. como sabemos. cerebral e analítica que pode ser vista como a linguagem da razão. uma vez que tal conhecimento pode fornecer uma base para a construção dos pontos fortes como um meio de superar disfunções específicas. Na avaliação do sistema combinado com foco nos indivíduos e sua interacção. P. tem como principal função a tradução de percepções em representações lógicas. O hemisfério esquerdo. Weakland. da ciência. e outra expressa. por outro lado. sendo que as pessoas causam mutuamente o comportamento umas das outras. Em terapia é importante saber como funciona uma determinada família ou o que utiliza para funcionar bem. explicação e interpretação que será o modo digital de comunicar. em Gurman & Kniskern. um dos cinco axiomas da comunicação humana é que os seres humanos comunicam de forma analógica e de forma digital. não directamente acessível à compreensão.

. Para resolver esta contradição é possível adaptar o mundo à sua imagem ou adaptar a sua imagem ao mundo. sendo que a realidade segundo a crença do MRI não é real. P. Como vimos. 2011). Segundo Watzlawick (1978) todos os que procuram ajuda do terapeuta estão a sofrer com a sua imagem do mundo. 1978). Estas duas linguagens. aforismos e a ideia de pars pro toto. A segunda é o bloqueio do hemisfério esquerdo que pode ser feito quer por paradoxos. a linguagem digital incide na realidade em si mesma. A característica comum é o objectivo de deixar o paciente confuso e que este considere estas técnicas totalmente 10 . e a linguagem analógica reflecte a imagem da realidade que é a percepção global. por sua vez. R. visto que a linguagem não só reflecte a realidade. é necessário alterar a imagem do mundo actuando no hemisfério direito e utilizando a linguagem analógica. jogos de palavras. mas também a cria. por isso. e por isso influencia directamente a natureza dos problemas e o método de tratamento. mais objectivamente.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) fonéticas da realidade e parece assim estar associado à linguagem digital. alternativas ilusórias ou um reenquadramento do problema. P. sendo que as terapias MRI têm como objectivo apenas a segunda. configurações e estruturas. totalizante e intuitiva que cada um de nós faz da realidade (Watzlawick. padrões. Para isso. o quadro conceptual. está altamente ligado com a linguagem analógica e é criado no hemisfério direito.. Esta imagem da realidade é. o quadro conceptual de cada um de nós.. Deste modo. assim. apenas é real a nossa percepção da mesma. a imagem que temos do mundo. A primeira é o uso de padrões da linguagem do hemisfério direito que passa sobretudo pelo uso de linguagem figurativa. ao existir um problema. injúrias. o hemisfério direito. o MRI identificou diversas técnicas de mudanças que podem ser abordadas de três formas (Watzlawick. revelam duas formas de apreender a realidade. com a contradição não resolvida entre a forma como as coisas lhe parecem e a forma como deveriam ser segundo a sua imagem. sendo ainda responsável pela apreensão do todo pela parte (Francisco. os óculos com que vemos o mundo. é especializado na apreensão holística da complexidade das relações. que como já vimos têm uma forte relação com cada um dos hemisférios. 1978).

as terapias breves pretendem ter no máximo dez sessões de uma hora (Fisch. A definição não é normativa. Outro dos princípios é que a definição transcende o contexto psiquiátrico e essa definição muda o foco do terapeuta. R. 1991). O stress do cliente define a existência de um problema. 1982). certa realidade que não poderia ser comunicada por meras descrições verbais ou explicações (Watzlawick. não do comportamento do cliente (Gurman & Kniskern. Princípios guia da intervenção Para iniciar a terapia é necessário que alguém. O objectivo é conseguir uma mudança mínima para resolver o problema e não toda uma mudança em todo o sistema. a prescrição de comportamentos específicos que tem como objectivo que o cliente tenha uma experiência que não encaixe no seu quadro conceptual.. também. e parte de casos específicos dos problemas dos participantes como referido nos princípios da intervenção da terapia breve (Gurman & Kniskern. Por último. percebendo as particularidades de cada diagnóstico desenvolve habilidades na mudança de comportamentos. mas. não um sintoma de uma perturbação subjacente. e desta forma que ele se altere. 11 . pensamentos e sentimentos. P. O segundo princípio é que o problema do cliente esteja relacionado com o comportamento de alguém.. 1978). TERAPIAS BREVES A conceptualização da aplicação da terapia desenvolvida pelo MRI não se aplica apenas a sistemas familiares. acredite que o problema existe. A preocupação é o problema. a outros sistemas humanos. e a chave é perceber “como” é que o co mportamento persiste. A vasta aplicação dos princípios desenvolvidos pelo MRI parece partir dos seus fundamentos da aplicação teórica dos sistemas gerais. et al. o comportamento problemático está ligado com a solução do problema. (Gurman & Kniskern.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) desprovidas de sentido. 1991). A prescrição de comportamentos tem o potencial de transmitir a alguém. Assim. além do terapeuta. através da experiência imediata. 1991).

e por fim a pessoa tenta mudar o seu comportamento e tem sido mal sucedida. especialmente o comportamento problemático. 1991). como uma função da interacção com outras pessoas. é. pois a forma como o terapeuta conceptualiza o “problema” determina o processo terapêutico – o que vê. e interditar o comportamento do problema mantido usado pelo cliente e/ ou por outras pessoas significativas (Gurman & Kniskern.. Para este fim. O principal determinante do comportamento é o comportamento dos outros. particularmente pessoas significativas. de casal ou de famílias. sendo que os valores pessoais e profissionais do terapeuta determinam se ele aceita ou não os objectivos que o cliente tem para a terapia. A definição de um problema tem em conta os seguintes critérios: a pessoa está em sofrimento ou stress devido a esse problema. segundo a Terapia Breve.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) O objectivo da Terapia Breve é reduzir ou eliminar o stress do cliente. Uma vez que os problemas e o sucesso das suas soluções tentadas são tidos em conta. esse sofrimento é atribuído a comportamentos do próprio ou de outras pessoas. as questões que faz. 1991). os objectivos da terapia podem ser apurados. Por fim. i. 12 . as técnicas que são utilizadas e como o processo evolui (Gurman & Kniskern. Estabelecimento de objectivos O projecto de terapias breves do MRI é utilizado para terapia individual. as estratégias de intervenção procuram alterar a visão do cliente sobre o problema. Intervenções O objectivo final das terapias breves é reduzir ou eliminar o sofrimento do cliente. 1991). a definição de problema. A terapia vê o comportamento. Quando um terapeuta confronta um indivíduo ou família surgem duas questões: O que faz um comportamento persistir? E o que é necessário mudar? Sendo que segundo a perspectiva do MRI é necessário ter em conta que no problema é importante compreender a sua definição. Esses objectivos são sempre alterados pelo terapeuta. 1991). a pessoa vai constantemente aplicando más soluções que gerem e mantém os problemas (Gurman & Kniskern. os objectivos que são definidos. não necessita que o terapeuta entreviste toda a família ou entreviste os dois cônjuges (Gurman & Kniskern.

1991). 13 . não em termos da sua importância ou realização (Gurman & Kniskern. primeiramente um único objectivo é seleccionado. mas depois outros podem ser adicionados. 1981). Segundo Weakland. mas estes objectivos são considerados uma função que os membros da família utilizam para atingir o ponto da evolução familiar. eles especificam que ter um objectivo é resolver os problemas. Fisch. Os membros do MRI. que é onde se vai intervir tendo em conta o tempo e a mudança (Gurman & Kniskern. A terapia deve levar a cabo os desejos individuais do paciente (Gurman & Kniskern. 1991). 1981) os pacientes ou a sua família aparecem com certas preocupações. 1981). “como” são mantidas e “como” podem ser alteradas. Por outro lado existe um foco nos processos que é o conjunto de padrões possíveis de mudança. 1981). em Gurman & Kniskern. O que originalmente é uma dificuldade torna-se um problema quando o lidar mal leva o cliente a usar mais vezes a mesma “solução”. Esta abordagem tem objectivos razoavelmente pequenos. O “porquê” é uma pergunta posterior (Gurman & Kniskern. admitindo que a terapia envolve a responsabilidade de aliviar essas preocupações. Os objectivos secundários podem ter prioridade em termos do tempo em que são definidos. porque cometem erros na resolução dos mesmos (Gurman & Kniskern. não especificam uma aplicação universal da definição de objectivos. na medida em que se pretende saber as más soluções tentadas pelas pessoas para resolver os problemas. As pessoas lidam mal como os problemas. Watzlawick e Bodin (cit. Os autores referem que o foco deve ser “o que” ocorre nas interacções humanas. Além do foco no problema outro foco da intervenção do Mental Research Institute é o foco no “aqui e agora” e não no passado que apenas interessa. Como aparecem e persistem os problemas Os problemas desenvolvem-se e persistem devido ao indivíduo lidar mal com as suas dificuldades.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) Os objectivos da terapia não seguem invariavelmente uma facilidade óbvia da resolução de problemas. Alguns objectivos propostos são úteis para todos os casos de terapia familiar. do Centro de Terapia Breve.

Existem três tipos principais de más soluções: Terríveis Simplificações.. 14 . et al. pois este pedido irá fazer com que esses comportamentos deixem de o ser (Gurman & Kniskern.. adiando a mudança e ocupando o seu tempo de forma lúdica (Watzlawick. P. As terríveis simplificações são uma forma de má solução. uma vez que a existência do problema é negada. 1975). Ocasionalmente as pessoas lutam contra sentimentos desconfortáveis ou têm dificuldades com alguma disfunção e esperam que exista uma resolução espontânea. No entanto. 1975). Deste modo. Relativamente ao Paradoxo.. É necessária uma mudança. a pessoa ao tentar ser deliberadamente espontânea não o é. Partindo da Síndrome da Utopia podemos considerar três formas distintas: Na procrastinação. mas associado a si existe sofrimento e angústias que são reais (Watzlawick.. atribuindo esse facto. 1991). dado o objectivo ser praticamente inatingível. 1975). cometendo más soluções ao tentarem solucionar e não obtendo o resultado esperado.. A impossibilidade de atingir o objectivo “utópico” não é realmente um problema. e não por este ser utópico. Ao repetir exaustivamente a mesma solução em vez de apaziguar o problema vai agravá-lo (Watzlawick.. o que era apenas uma dificuldade torna-se um problema devido à abusiva simplificação das interacções (Watzlawick. Síndrome da Utopia e Paradoxos. P. à sua incapacidade de o alcançar. mas nada é feito. P.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) Soluções Tentadas As pessoas desenvolvem formas ingénuas de resolver problemas. et al.. torna-se uma armadilha pedir aos indivíduos que tenham comportamentos espontâneos. Na Síndrome da Utopia a pessoa esforça-se por modificar uma dificuldade que não é alterável e vê portanto uma solução onde não existe. Quanto à Impossibilidade de alcançar o objectivo. P. 1975). et al. a pessoa controla a sua incapacidade. esta refere-se ao indivíduo admitir ser incapaz de atingir o seu propósito. criando-se um impasse.. et al.

R. 1982) No ponto de vista desta escola. aprendermos a resolver determinados problemas culturais estandardizados de forma implícita e pouco consciente. R. há um maior enfoque no presente. num sentido mais geral) por outro comportamento circundante. na sua essência. Isto. ou seja. 2009).Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) A desresponsabilização pessoal envolve culpar outros por tudo o que corre mal. o facto de. é importante ter em conta os pré-requisitos. Antes de mais. A persistência. os seus comportamentos tornam-se usualmente mais rígidos. TÁCTICAS DE MUDANÇA A abordagem utilizada nesta escola estratégica. que é significante nas interacções com os outros.. e consequentemente passível de mudança.. para que uma possível dificuldade seja interpretável como problema.. quer seja ou não elementos da família. desses comportamentos desadequados que levam ao problema.. independentemente da forma. Neste ponto. 1982). acima descrito. independentemente dos esforços feitos para terminá-lo. Geralmente esta posição é tomada porque assumir a responsabilidade envolve admitir que há algo em si que não é apropriado (Montero & Soon. pela necessidade de mudança (Fisch. et al. e esses comportamentos têm de ser visíveis repetida e continuamente. resulta de três simples observações: ao facto de. as pessoas são demasiado lógicas (agem naturalmente de forma lógica). 15 . é de todo uma boa abordagem. é essencialmente manipuladora. poupando-lhe tempo e dinheiro. desde cedo. se é uma abordagem que consegue diminuir o sofrimento do paciente. e de acordo com esta escola. quando as pessoas estão em situações stressantes. é possível verificar que a base desta escola assenta nas visões gerais acerca da terapia familiar. assim como quando estão em fases problemáticas. que por conseguinte os tornam complicados de alterar e questionar. Mental Research Institute. assim. uma vez que parte do pressuposto que. uma vez que os problemas são particularmente comportamentais. um problema consiste em algo que foi feito e não que simplesmente existe (Fisch. et al. e por fim. a persistência de um problema é vista como sendo o aspecto central para compreender e lidar com o mesmo. uma vez que a sua definição de problema destaca comportamentos primeiramente modelados e mantidos (“reforçados”. já anteriormente referidos. Debruça-se sobre o como fazer terapia eficiente e eficazmente que é descrito.

empregam mais operações lógicas (Fisch. O segundo passo a ser tomado. ou seja. e não passa de um mapa conceptual da abordagem para entender e tratar os tipos de problemas com que os terapeutas se deparam no dia-a-dia. Na perspectiva dos fundadores deste instituto. as tarefas do terapeuta não se centram apenas em compreender o sistema familiar. todas as sessões eram gravadas para que fosse possível fazer um estudo detalhado dos casos. nem em localizar o problema. está especificamente focada no: “o quê e como” fazer para resolver os problemas humanos persistentes. Entrevista inicial e posição do terapeuta De uma forma mais objectiva e prática. quer através do telefone quer entrando na sala de terapia. mas também na acção de mudar o sistema deficitário em prol de resolver o problema.. todo o trabalho era feito em equipa.. e quando os resultados são indesejados. primeiro reforçando a mudança de aprendizagens anteriores.. Neste âmbito. et al. et al.. R. o foco na comunicação e interacção entre família leva a um maior conhecimento acerca do comportamento actual. ver o comportamento problemático. R. fazendo com o que o presente se torne muito mais claro e acessível. o terapeuta tem de ser um agente activo de mudança que mantém uma posição one-down. é necessário enfatizar o papel das soluções tentadas pelo indivíduo. que não só deve ter uma visão clara do problema e dos comportamentos que o suportam. a família (Fisch. numa 1ª entrevista (após a 16 . R. sempre tentando que essa mudança fosse a mais pequena possível. Um dos propósitos deste instituto era a capacidade de fazer terapia breve. 1982). no máximo 10 sessões para um enfoque na queixa e para a utilização de o número máximo de técnicas para promover a mudança. visa todo o contexto social primário em que o indivíduo está inserido. 1982). Além disso. sendo que poderiam entrar em contacto com o terapeuta para dar sugestões. et al. e consequentemente. de controlo e confiança para com o cliente e. Para abandonar essas “visões” antigas. ao invés de reverem essas premissas.. ou seja. 1982). A teoria implícita neste instituto..Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) utilizando premissas inquestionáveis. onde um terapeuta fazia a sessão e os restantes observavam através de um espelho unidireccional. depois proporcionando uma reflexão dos mesmos e por fim. No início. significa mais do que a mudança específica de um determinado ponto de vista. como também de considerar qual a mudança mais estratégica que vai fazer disputar as outras todas (Fisch. a mudança por um longo período.

17 . Para isso. as pessoas assumem-se como paciente ou definem outra pessoa como paciente (membro da família). a principal tarefa da terapia é que o cliente lide de forma diferente com o problema. sendo que têm um significado muito importante para o desenrolar do tratamento. mas sim superar a tentação de empregar a razão e argumentar isso com os clientes. que têm de ser respeitadas e tidas em conta durante as sessões. 2004). e. et al. com necessidade de falar ou “doentes”. 1982). exactamente porque não se parte do pressuposto que são frágeis. ao longo das sessões. R. Numa perspectiva evolutiva. independentemente do problema em causa. vão transmitir uma posição de pessimismo perante a resolução do problema. Ou seja. que deve ser o mais breve possível. Depois de detectada a posição do cliente há que não fazer comentários que possam gerar a resistência do paciente. sendo que o mais difícil não é a utilização das técnicas. os clientes possam ser interrompidos.. No início. nunca esquecendo que é importante ouvir o que estes têm a dizer (Fisch. segundo esta abordagem. há que ter em atenção que os pacientes são pessoas com os seus próprios princípios. activos no tratamento. e se chegue a um objectivo final.. Ou seja. reformulando as suas tarefas e acções. Daí que. R. e assim promover a relação de ajuda. encaminha-nos para uma visão mais clara e próxima de que. cada uma das mudanças são fundamentalmente novas.. valores e crenças. o terapeuta usa o que o cliente lhe traz. deste modo o terapeuta tem de se adaptar a cada cliente de forma a chegar à sua aceitação. mas sim maximizar a adesão deste no processo.. 2004) Posição do cliente Como já foi referido. que são soluções desadequadas/falhadas (Fisch. de modo a aumentar as hipóteses de resolução do problema. é então o de detalhar todo o processo das tentativas de solução e levar o próprio cliente a perceber que não estão a resultar. mas sim como produto de uma complexidade de relações e interacções (Fisch. R.. o de reforçar a execução das directivas do terapeuta (Fisch. R. Os clientes podem ser receptores passivos do terapeuta. não há nada de errado com eles. Existem diversos tipos de posição dos clientes. bem como o tipo de linguagem utilizado que permite que o cliente aceite melhor a terapia. 1982).Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) definição clara e completa do problema). et al. independentemente do problema que o paciente apresente. ou pedir ajudar numa actividade mútua de responsabilidades entre paciente e terapeuta..

caso contrário. por fim.. o terapeuta é responsável pela influência que exerce sobre o cliente e esta influência deve muitas vezes. Esta abordagem. através deste conhecimento o terapeuta seja capaz de formular as estratégias indicadas para o caso. Obviamente. as acções mais facilmente incorporadas na rotina do cliente e. et al. são imensos os números de falhas em que o planeamento do caso acabou por ser inadequado. e desta forma o seu planear requer mais precisão. mas por outro lado a queixa inicial pode ser largamente vaga. não só verificar uma mudança relatada de queixa para não queixa. a pessoa mais estratégica para manutenção do problema (Fisch. Deste modo. por mais minucioso que seja. pode antecipar todos os aspectos do processo de tratamento. uma vez que acabou por ser baseado em informação desajustada ou más formulações. apesar de parecer óbvio. 1982). et al. não será de todo desmedido afirmar que. é orientada para a estratégia. o terapeuta irá planear intervenções específicas. mais é obscurecida a natureza da queixa. e nunca é excessivo mencionar. R. especialmente sobre os objectivos da estratégia de tratamento e das intervenções necessárias para implementar essa estratégia. O segundo passo é perceber as tentativas dos clientes para solucionar os seus problemas. mas também inquirir o cliente sobre a nova posição.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) Planeamento de casos Para que seja exequível uma terapia breve. Analisando bem os aspectos mencionados. ao invés da declaração nítida sobre o problema em si. é necessário prever com antecedência se as alterações feitas são referentes a uma meta para atingir os objectivos ou 18 . 1982).. R. qualquer plano pode estar susceptível de reavaliações. e quanto mais psicologicamente sofisticado for o cliente. Na maioria dos casos. o sucesso do caso ficaria significativamente reduzido. É importante começar com uma clara compreensão da queixa.. o estado da queixa pode ser claramente compreendido. muitas vezes através de especulações sobre o que presume ser o problema.. estimando as acções que poderão afastar as más soluções tentadas. tendo em conta como progride o tratamento e as dificuldades inesperadas que possam surgir ou até mesmo as mudanças positivas que exijam a alteração de planos por parte do terapeuta (Fisch. assim. há necessidade de planeamento. nenhum planeamento. ou seja. as acções fulcrais para a mudança. porque. bem como saber o que o cliente quer evitar. é esperado que. ou seja. como nunca é de mais referir.

tal como é defendido no MRI. fazendo com que a necessidade de entendimento e certeza desapareçam. 1967). e permitindo a chegada aos aspectos positivos da mudança dos comportamentos (Fisch. 2011). et al. Exemplo: no caso da adolescente aversiva de cada vez que a filha desrespeitasse os pais. 1982). o pai deveria dar-lhe um cêntimo e não explicar o porquê de lhe ter dado (Fisch. Confusão Mental Pressupõe induzir o paciente a dar respostas confusas e descontextualizadas de modo a produzir um estado de confusão intelectual (Francisco. R.. et al. contudo. 1. et al. O terapeuta nesta estratégia informa o cliente das suas próprias soluções fracassadas para resolver a questão e que só o piorou (Fisch. Como piorar o problema ou Prescrição do Sintoma Isto é feito normalmente quando o cliente já resistiu a uma sugestão prévia ou indicou que está relutante em tentar algo novo. P. et al. os padrões de comunicação que forem identificados são importantes do ponto de vista diagnóstico. 2011) – 19 . P. causas passadas ou motivação (Watzlawick. 1982).. et al.. Estratégias de Intervenção O comportamento é pelo menos. mas com um local e tempo definidos (Francisco. 1975). determinado pela experiência prévia. 2. Esta abordagem constitui. 1982). e permitem o planeamento da estratégia mais apropriada de intervenção terapêutica. R. assim. R. R.. R. et al.. pode ser ainda incluído a Deslocação do Sintoma que é uma espécie de Prescrição. preparando a situação para um reenquadramento (Watzlawick. uma exploração que visa mais a procura de um padrão “aqui e agora” do que de um significado simbólico.. o que claramente influenciará o planeamento de cada caso (Fisch.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) se há realmente uma mudança directamente observável no problema.. R. Dentro da Prescrição do Sintoma.. Este chamar de atenção tornar o problema pior.. De acordo com esta ideia e com o que já foi fundamentado anteriormente. iremos referir algumas das estratégias utilizadas nesta escola. se a comunicação entre o indivíduo e os outros significantes na sua vida for directamente observada. 1982). em parte...

pode-se concluir que caso a questão fosse colocada isoladamente. o cliente tem de acordar às 5h e encerar o chão. ambas as respostas irão demonstrar ou que ele já bateu ou que continua a bater. 4. se o sintoma não desejado é definido como benéfico (Fisch. et al. et al. estas alternativas em situação isolada seriam ambas rejeitadas pelo cliente (Francisco. contudo. As contínuas tentativas deste tipo de evitamento só fazem o paciente ficar mais ciente do quer que seja que ele está a evitar e leva-o a considerar que a situação é mais forte que ele próprio. Ilusão de Alternativas Nesta estratégia normalmente são apresentadas duas alternativas ao cliente. Exemplo: é perguntado ao cliente se ele continua a bater na mulher ou se já deixou de bater (levando em conta que o cliente nunca explicitou que alguma vez tivesse batido na esposa). o cliente possivelmente iria rejeitar as duas. R. 3. temos de fazê-lo acreditar que isto é um desejo incontrolável. 2011). Exemplo: na técnica hipnótica – em transe induzido. uma vez que nenhuma delas é completamente aceitável.. constata-se que nenhuma das hipóteses considera a possibilidade do cliente nunca ter batido na esposa (Watzlawick. P.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) exemplo: Uma vez por semana. o paciente pode ser influenciado para parar de lutar com a sua performance. 1982). quer ele responda sim. R. Em alguns casos.. 1982).. quer ele responda não. R.. R. 20 . Para que ele [paciente] pare de pensar acerca da situação proibida. Desta forma. por exemplo à quarta-feira. A forma mais comum de luta feita é a tentativa de evitar a situação.. dando a ideia de que ele consegue resistir-lhe (Fisch. assim. 1978). et al. instiga o sujeito a expor-se frequentemente à tentação. o terapeuta redefine a tentação de fumar como uma absoluta necessidade de ter controlo. Ao utilizar esta redefinição. sendo que nestes casos. a maioria dos problemas são de funcionamento corporal (Fisch. Reenquadramento ou Tentar forçar algo que só pode ocorrer espontaneamente Paciente apresenta uma reclamação sobre si próprio. 1982).

também. et al.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) Nesta estratégia de reenquadramento é de referir. disserem: “Apreciávamos se chegasses às 10 h. A necessidade da utilização da U-turn é percebida através da detecção de um ponto 21 . a melhor forma é reenquadrar essa resistência (utilizar a resistência do paciente) como condição necessária à mudança (Watzlawick.. contudo não te podemos obrigar a chegar a essa hora”. mas por parte do terapeuta em relação ao cliente.. a U-turn é normalmente exigida quando o terapeuta se torna involuntariamente argumentativo com o cliente e não consegue reconhecê-lo. tentando chegar ao controlo de determinada situação. 1975). Assim. o terapeuta reformula a situação com as crianças. mas que se prova não ser produtivo. não ameaçam com consequências reais.. Na primeira perspectiva. Nestes casos. tratando o outro como se estivesse acima dele (Fisch. 1982). ou quando o terapeuta procura alguma coisa que o cliente cumpre. Exemplo: adolescente que não chega a casa às horas que os pais “mandam”. Na segunda perspectiva. assim. R. Para combater esta solução há que colocar o queixoso numa posição mais baixa – posição de fraqueza. U-turn em relação ao paciente e U-turn em relação ao terapeuta Neste tipo de estratégia podemos definir duas direcções: utilizar características de passividade.. a outra parte provavelmente mantém uma postura defensiva e desenha uma queixa. usando a sua solução de manter o problema. ou utilizar essas mesmas características de passividade. que a situação pode ser modificada de tal modo. vão conseguir ter a atenção da filha (Fisch. Se os pais. mas levadas a cabo pelo paciente. P. Exemplo: muitos dos pais não fazem uso do seu poder para dar sanções e quando as dão. et al. em vez de mandarem. 1982). Consequentemente. et al. problemas ligados a esta solução envolvem conflito na relação interpessoal cujo centro requer cooperação mútua. que o paciente sente-se obrigado a rejeitar essa alteração. R. Também o contrário é eficaz – posição one-down por parte dos pais. a má solução tentada toma a forma de uma exigência que a outra parte tem de cumprir. para que estas sejam capazes de manter uma posição one-down em relação aos pais. 5. enquanto sentem que os mesmos estão numa posição de autoridade.

6.. Antecipar a Resistência ou Tentar dominar um evento temido. Assim.. 1982). o que poderia prever uma diminuição ou resolução da sua queixa como resultado da mudança (Fisch. para ocorrer da melhor forma. R. 1982).. talvez relaxe. o terapeuta vê que o paciente está a tomar um caminho diferente do correcto e reencaminha-o (Fisch. 1982). ele irá sentir-se menos obrigado a molestar-se para um bom desempenho e. adiando-o Se o problema atinge níveis fóbicos ou simplesmente uma reacção de ansiedade. A mudança. 1982).. são directrizes e explicações que exponham o paciente para a tarefa enquanto não se tem domínio (domínio incompleto).Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) levantado anteriormente e que foi esquecido. Se o cliente conseguir ver que a melhoria não é tão linear como parece. et al. et al. 22 . requer ajustamento e é tanto mais sólida quanto mais devagar ocorrer (Fisch. ainda que. Normalmente esta técnica é aplicada após o paciente ter falhado a tarefa dada pelo terapeuta como sugestão (Fisch.. o paciente é questionado se consegue reconhecer o perigo inerente à resolução do problema. o cliente mudou a sua tentativa de solução de tentar arduamente. O paciente “diz a si próprio” – se a tarefa é realmente simples e fácil para os outros. Assim. et al. 8. 1982). R. pois se lhe for dito que uma solução satisfatória do problema depende de um processo lento. 1982). para evitar más soluções. ele não deve ter qualquer problema em executá-la. Assim. et al. ao mesmo tempo. Esta técnica é útil. R... R. uma vez que remove a sensação de urgência do paciente. R. desta forma. o paciente vem a considerar o evento temido como um que ele não está pronto para dominar. et al. R. o que é necessário. 7. sendo que as instruções dadas são gerais e vagas. se sinta vulnerável e não preparado para a executar (Fisch. et al. Go Slow Levar a intervenção calmamente. o paciente não continuará a tentar resolver o problema como fazia anteriormente (Fisch. Perigo das melhorias Nesta técnica.

A brevidade do tratamento e a abordagem de solucionar o problema dá pouco espaço para desenvolver uma relação entre o terapeuta e o paciente. que normalmente tem a expectativa que o cliente irá concordar consigo. A sugestão para terminar com o tratamento é mais frequentemente dada pelo terapeuta. contudo. desta forma. R... o término das mesmas também é breve (Fisch. 10. et al. Ainda assim.. 1982). como primeiro passo deve ser apreciado o perigo envolvido na condução. 9.. Como a abordagem é dirigida para a resolução de um problema específico não há grade necessidade de sumariar as realizações do tratamento.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) Exemplo: paciente preocupado com o perigo de conduzir – se for para resolver o medo. o término não é visto como uma situação especial. (Fisch. nas terapias breves. Conclusão do tratamento Nas terapias prolongadas é apropriado considerar a conclusão do tratamento como uma situação especial. R. Assim. pois junto com uma estratégia mais específica. et al. 23 . nesse caso. também faz sentido aplicar esta. e com esta análise é possível tranquilizar o cliente. O terapeuta deseja trabalhar brevemente. R. 1982). também pode ser o paciente a propor que o seu problema está resolvido e. R. na medida em que torna a comunicação mais fácil entre o terapeuta e o cliente. resolvendo a queixa do paciente. et al. 1982). evitando. Antecipar a recaída Neste caso são analisadas as possibilidades do cliente voltar a tentar más soluções aquando de um problema. No entanto. o terapeuta concorda com a conclusão. Utilizar a linguagem do cliente Utilizar a linguagem do paciente está inerente a todas as estratégias. o regresso aos comportamentos anteriores à mudança (Fisch. contudo há que manter em mente a queixa original e o objectivo do tratamento e ir à procura para realizar esse objectivo.. 1982). este assunto pode surgir com o cliente a expressar significativamente a sua insatisfação com o tratamento e anunciar que quer acabar com a terapia (Fisch. Nas terapias breves. et al.

Assim. Quando o tratamento está terminado. ele pode aceitar o desejo de terminar do cliente. tenta arduamente manter as coisas a irem bem. 1982). 1982). normalmente. o terapeuta pode sugerir o parar do tratamento. Na conclusão. Tal bajulação. a suposição mais segura é a de que a maioria dos clientes sinta alguma incerteza acerca das realizações/ habilidades do tratamento. (Fisch. o terapeuta pode 24 .. et al. Sendo a dúvida do cliente expressada ou não. et al.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) Término quando a queixa está resolvida Quando o cliente começa a sessão e diz que o problema em consideração melhorou e admite que isso lhe agrada. os terapeutas. O que também pode acontecer é os pacientes dizerem que o problema que os trouxe ao terapeuta está resolvido. na conclusão da terapia. e isto pode ser uma desvantagem do cliente na conclusão. R. Ao mesmo tempo. mas redefine-o como uma interrupção temporária. especialmente se eles usarem a abordagem focada no problema. interesse. 1982). com a preocupação da durabilidade dos resultados. mas em seguida acrescentam que agora gostariam de trabalhar num outro problema. deve prevenir para esta possibilidade. et al. R. Contudo. ou redefinir esse evento como um evento positivo. (Fisch. o terapeuta. Contudo. R.. assim que este tiver terminado. 1982). mas irá indicar o desejo de terminar o tratamento.. preferem um claro corte na resolução do problema. O cliente frequentemente pode não expressar um claro corte na resolução do problema. irá definir a exacerbação como um evento esperado e normal. e pode ajudar o paciente a relaxar acerca da expectativa que as coisas podem piorar depois da terapia terminar. se o terapeuta acredita que o problema está insuficientemente resolvido e que o tempo e situações tornarão isto mais claro para o cliente. A exacerbação do problema tem maior probabilidade de ocorrer se o cliente. et al. O cliente terminal pode assim aceitar mais relaxadamente qualquer exacerbação que possa ocorrer em vez de a temer (Fisch. se os pacientes estão satisfeitos com os resultados do tratamento atribuem normalmente os seus resultados à sabedoria. coloca o terapeuta numa posição one-up. ainda que agradável. R. pleno pensamento e brilho do terapeuta. esta sugestão deve ser dada com cuidado e tendo em atenção a reacção do paciente à ideia de deixar o tratamento (Fisch.. Assim.

terá de fazer uma escolha: ou tenta usar a sessão como um esforço de última hora para resolver o problema. 1982. assim a terapia irá terminar quando as sessões combinadas forem gastas. et al. esta instituição dá grande importância ao “aqui e agora” na sua intervenção. uma vez que utiliza o pensamento sistémico. devido ao tratamento estar em aberto. tendo como foco os sistemas familiares e a interacção entre os mesmos. Por outro lado. o passado só interessa em termos de más soluções tentadas. o tratamento pode terminar de duas maneiras principais: no tempo limite de tratamento. mas apenas uma vantagem por estar de fora da situação. mas que. uma vez que pretende compreender o problema no presente. Ou então. Finalmente. Em alguns casos o tempo limite para resolução do problema pode aumentar porque está implícita uma pressão ao cliente para cooperar com o terapeuta. quando este atinge o número máximo de sessões (na maioria das vezes variando entre as 6 e as 20). de forma que o terapeuta não as repita. e mais frequentemente. por isso. o terapeuta pode chegar à última sessão sem encontrar uma clara indicação de que o problema esteja resolvido. se o paciente está satisfeito com o resultado. R.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) descer um degrau na sua contribuição: Isto não é brilhantismo. 1982). et al. Assim. e. surpreendentemente. 25 . de vez em quando são os pacientes quem questionam para a conclusão do tratamento quando o problema não está resolvido. Se o paciente está insatisfeito com o tratamento. o terapeuta irá apenas entrar numa luta fútil. se o cliente expressa insatisfação com o tratamento e sugere a conclusão. Desta forma. p. E é tudo (Fisch.. CONCLUSÃO O MRI enquadra-se numa escola sistémica. mesmo que o problema não esteja resolvido. o terapeuta concorda imediatamente (Fisch. o terapeuta irá tentar prolongar o tratamento que sente que o paciente já concluiu (Fisch. embora o problema possa não estar resolvido. por iniciativa do paciente. 183).. De um modo geral.. indicam satisfação com os resultados. ou tenta descobrir o porquê da estratégia ter falhado. R. et al. R. 1982). Conclusão quando a queixa não está resolvida Quando um problema não está resolvido.

Para entendermos as estratégias de intervenção procedemos a uma exploração dos princípios básicos do MRI. que a mãe é que estivesse errada ou o contrário. não querendo isto dizer. mas que na prática resultam como podemos constatar através do caso prático que analisámos em termos das estratégias de intervenção utilizadas. na medida em que a comunicação da mãe afectava grande e negativamente o comportamento da filha. o comportamento da filha modificou-se também. Estas técnicas de mudança permitiram que a Suzie alterasse o seu quadro conceptual. considerámos este trabalho extremamente útil. conseguimos estabelecer uma relação com o caso escolhido para apresentar (Adolescente Aversiva). bem como a prescrição de comportamento. pois além da compreensão teórica dos princípios do MRI. que toda a comunicação afecta o comportamento. o que diminuiu as queixas relativamente ao seu comportamento. foi muito interessante para nós ficarmos a conhecer algumas técnicas que aparentemente não são convencionais. vemos que o terapeuta utilizou tanto os padrões de linguagem do hemisfério direito. conseguimos consolidar o conhecimento das suas estratégias através da análise de um caso de estudo que nos possibilitou ver aplicadas as técnicas utilizadas por esta escola. O que estava errado era a forma de interagirem uma com a outra. a forma como vê o mundo. nomeadamente a Teoria dos Dois Hemisférios e a Comunicação.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) Neste trabalho. Tendo em conta. como o bloqueio do hemisfério esquerdo. assim como a relação com os seus pais. 26 . Quando o modo de comunicação da mãe se alterou. no entanto. Aplicando a Teoria dos Dois Hemisférios ao caso em estudo. Em suma.

C. de MRI: http://www. & Segal. Y. (1991). A Founding Father of Family Therapy. P. (2009).. (2011).. (2004). & Kniskern. Slides das Aulas de Escolas e Modelos de Intervenção Sistémica .. C.: Brunner/Mazel INC ..org/dondjackson/ 27 .. Watzlawick. II). S. R. Slides das aulas de Escolas e Modelos de Intervenção Sistémica . Wendel. & Fisch. Pragmática da Comunicação Humana um estudo dos padrões. Lisboa. Handbook of Family Therapy (Vol. J. A. Handbook of Family Therapy (Vol. Gurman. & Govener. & Soon.: Basic Book. Changements . A Escola do Mental Research Institute (MRI). Watzlawick. Beavin. São Paulo: Ed. D. Obtido em Outubro de 2011. Psychology of Liberation: Theory and Applications. P. P. & Kniskern. The Language of Change.. Montero. (2008). (1982).mri.Paradoxes et Psychotérapie. R.: Brunner/ Mazel INC . C. de http://www. Y. Weakland. (s. N. (1975). (1978). 23. Weakland. A. patologias e paradoxos da interacção. The Tactics of Change . R. P. D.Escolas de Terapia Familiar e Conjugal: A Escola do Mental Research Institute (MRI) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Allende. S.. M. I). D. N. (1981). Y. So What Have You Done Lately? MRI Brief Therapy. (1967).Doing Therapy Briefly. Obtido em Outubro de 2011. Watzlawick... R. Cultrix.. J. (2011). R. P. L. Francisco. 4-10. Journal of Systemic Therapies . N. A. Gurman.. & Jackson.: Springer. P.org/ Fisch. R.). N. Francisco. Fisch. J. Moorman. San Francisco: Jossey-Bass. A Intervenção Terapêutica de acordo com o MRI. Paris: Seuil. Y. M. Lisboa.d.mri. D.

ANEXOS .

Anexo I – Caso de Estudo CASO: THE AVERSIVE ADOLESCENT (A adolescente aversiva) Este caso relata a história de uma adolescente aversiva. et al. R. cujo terapeuta seguidor era o Dr. os terapeutas observadores poderiam intervir nas sessões. e desta família também fazem parte mais três irmãos de Suzie.. Não obstante. das dez creditadas. nomeadamente aquelas que estavam relatadas no livro The Tacttics of Change. Neste anexo (Anexo 1) iremos transcrever algumas partes de cada sessão. et al. O primeiro contacto para o centro de terapia breve foi feito pelos pais da mesma. que pela incapacidade/ dificuldade que sentiam em lidar com a filha tomaram a iniciativa por sugestão do oficial de justiça. (Fisch. o Dr. quer no acompanhamento directo das sessões através de um espelho unidireccional que separava a sala de observação e a sala de terapia.. por duas vezes. sendo que cada uma das cinco sessões tinha aproximadamente uma hora. mesmo eu já sabendo que é sobre a sua filha ter problemas com a lei? 1 Terapeuta . 1982). quer entrando na sala.. dez e oito (estes irmãos nunca foram vistos nas sessões terapêuticas). 1982). que fugiu de casa e esteve temporariamente num reformatório. Watzlawick (Fisch. Fisch intervém por contacto telefónico. onde. R. quer através de contacto telefónico. Como já foi anteriormente referido. têm aproximadamente quarenta anos. como é verificável na transcrição do caso. Sessões  1ª Sessão  1º Excerto T1: Poderia dizer-me o que os trás cá. é importante referir que esses observadores acompanhavam minuciosamente o caso. cujas idades são: treze. de nome Suzie.. e foram realizadas apenas cinco sessões. Os pais desta adolescente. do sexo feminino e de quinze anos de idade. quer através das gravações feitas das sessões.

em todas as circunstâncias que tem oportunidade para tal. Ela foi para a praia. bem… Vamos deixá-la ir para a escola de lá durante um ano. apareceu um rapaz. Ela chegou a sair lá uma noite. da mesma forma que age cá. Ela tem tipo. P: Ela está constantemente a discutir. incluindo os meus pais e os da Marta. Sentimos que tratamos os nossos filhos de igual forma. que ela tem imensos comportamentos injustificáveis.  3º Excerto 2 3 Pai Mãe . Bom. mania da perseguição.P2: Bem. além disso. Portanto fomos de férias em Agosto. E. e penso que a Suzie também. E nós pensámos. A razão de ela ter ido parar ao reformatório foi porque fugiu. e depois ela ficou lá e foi para a escola durante dois meses. P: Como esta coisa com a lei. e nós pensámos. ambos sabemos. Ela não cometeu nenhum crime a não ser fugir de casa.  2º Excerto P: Tenho um amigo que vive na cidade de Wyoming. eu voltei em Outubro e trouxe-a de volta porque ela estava a agir lá. Discute sobre tudo. Até porque temos muitos parentes lá. M3: É uma constante luta que nunca acaba. e eu descobri onde ela estava e fui lá. Ela diz constantemente “Toda a gente desta família está contra mim. vive com a mulher e com os seus quatro filhos. tem se metido num problema atrás do outro. quer dizer. E revolta-se contra tudo e todos. Ela pensa que toda a gente está contra ela. e é a segunda vez que ela foge. talvez. bem. Está a perceber? Como se ela fosse maluca por homens. Só fugiu uma vez antes disto no verão passado. E ele é pastor. Toda a gente me odeia” e todo este tipo de coisas que nós nem conseguimos ver que as fazemos. Lidam muito bem com crianças. com a minha mulher. Quando lá cheguei. seja bom para ela. apanhar uma grande bebedeira e fazer montes de porcaria. M: Ela antes nunca se metia em problemas realmente grandes. um amigo dela… Bem e ai está outra coisa sobre ela: Parece que simplesmente… sempre que algum rapaz aparece ela está com ele. Discute com os colegas.

74 m de altura e 59 kg de peso. ela sente-se como tal. não sai do mesmo registo. parece que só pedem um par de coisas. finalmente. ela veio à porta e disse “Não vou contigo para casa” e eu disse “Bem. Passado um pouco. ou ao pequeno-almoço já está preocupada com o que vamos jantar. Ela levanta-se logo cedo com um “Posso?”. . parece que dizemos tantos “nãos” à Suzie. eu nunca disse que ias para casa. todas as crianças ao pé dela são mesmo pequenas. Quer dizer. Ela desenvolveu-se como uma rapariga de 25 anos. às vezes ela acorda já a planear o que vai fazer às 19h nessa noite. Vais dar uma volta com este polícia” e ela disse “onde?” e eu respondi “Bem.  4º Excerto P: E mais uma coisa. bem assim começou a discutir a gritar. para o reformatório” “não vou para lá”. metade das respostas são “nãos”. aperceber-se-ia disso. M: Ela pensa que é muito velha. fui lá buscá-la (a casa de alguém) um rapaz apareceu e eu perguntei “A Suzie está aqui?” ele respondeu. “Posso isto? Posso aquilo?” e é verdade. o teu pai está aqui”. está a perceber. quando ela realmente perguntar alguma coisa. Isto foi o que lhe disse ontem à noite a ele. Bem e este desenvolvimento já começou nos seus 13 anos. tem 101 cm de linha de busto.P: E eu fui-me embora e chamei a policia. a policia trouxe-a a casa e quando ela saiu do carro disse “Posso falar contigo durante um minuto?” e eu respondi “sim” “não sei porquê… eu não fiz isto para te magoar” e eu respondi “o que queres dizer com „eu não fiz isso para te magoar?‟” e acrescentei “nós confiámos em ti vezes demais e de todas essas vezes tu quebraste a nossa confiança e fizeste o que quiseste.” Eu respondi “Oh isso era espectacular Suzie” e eu acrescentei “Bem. passa a vida a perguntar.” Ao que ela respondeu “odeio toda a gente. ela tem 1. ela também pergunta 30mil coisas por dias! Enquanto que. não te odeio muito mas odeio a mãe. comparando com as outras crianças. quer dizer. Não percebo porque é que não te divorcias dela para eu poder viver só contigo. se falar com ela. Coisas como estas. Ela consegue tomar grandes decisões e lidar com qualquer tipo de problema que apareça e isso… Bem. acho que ela cresceu demasiado rápido. Quer dizer. para onde se leva crianças como tu. mas se virmos bem. Então. “sim ela está aqui a ver televisão” e depois ele disse “Suzie. preparou-se e entrou no carro para ir. adeus” e pula dentro do carro e a policia levou-a ao reformatório. Depois.

”  6º Excerto P: Bem.” E já chegamos a este ponto. Então a Suzie disse “Preciso de um par de collants. não vais. senta-se e assim que o jantar estiver na mesa. até que acabo por dizer “Pronto está bem. a ver com a nossa família. até que ela fica novamente zangada. de todo. grande coisa. Odeio ter de dizer isto ao teu pai. quero arranjar-me” e a Martha diz-lhe “Olha porque é que precisas de te arranjar? Todas as raparigas vêm cá e tu vais estar lá fora e tudo. vou-te castigar. correr para ele e fazer queixinhas. Preciso de collants. Porque é que não vestes simplesmente uns jeans ou umas calças ou qualquer coisa?” “Não me apetece. e ela diz “Vou ver TV”. Tem comportamentos desadequados! Ela vem para casa. Óbvio que depois ele se chateia e tudo piora. diz-lhe. enfim. Ele vai castigar-me. não me baldei” e eu respondo “sim baldaste -te” “ Telefonaram e perguntaram se estavas doente na 5ª feira. ela pega apenas no garfo e começa a comer cheia de nervosismo. M: Eu digo “não. toda a gente está a começar a refeição. finalmente eu dei-lhe o dinheiro e ela foi comprar os collants. Quer dizer.” Então. Agora vais sentar -te e comer connosco. com quem e a fazer o quê. No mesmo dia estragou os . os nossos parentes vieram. e entramos neste ciclo. P: E o pé dela? Ela está sempre a bater o pé enquanto come.” “Ok. chega à hora de jantar. castiguem-me” eu respondo “Mesmo que eu não lhe diga Suzie. E ela come tão rápido que você não iria acreditar. ela diz que não esteve em lado nenhum e eu digo que quero saber onde é q ela esteve. Nós jantamos. E podia dizer-te já o porquê. Não tenho collants. M: Ela é extremamente nervosa. ” E ela diz “Força. eu baldei-me” e eu respondi “Está bem Suzie. Hoje é um dia especial e ao menos eu devia ter um par de collants. como no Dia de Acção de Graças. estava lá a família toda.P: A mim parece-me que não tem. agora quero saber onde é que estiveste do meio-dia até às 18h30” “Em lado nenhum” e eu digo “onde é que estiveste” e entramos por este caminho .  5º Excerto M: “Ouvi dizer que te baldaste” “Como é que sabes?” e eu digo “Telefonaram da escola” e então ela responde “não.

com a persistência dela. podes. eu diria “Não. ela manda-vos abaixo sem razão só porque pode. obviamente que ela tem um ponto de ruptura. temos que fazer as coisas à maneira dela ou vai haver uma guerra civil!  7º Excerto M: Nós dizemos-lhe muitas vezes que ela tem jeito para mandar as pessoas abaixo. aparentemente. Dissemos-lhe que não. Olhando para trás.” “Bem. Interrogo-me o que é que vocês poderiam fazer na mesma linha? Dar-lhe a provar o próprio remédio. Se eu tivesse dito “Não acabou.  9º Excerto P: Ela disse “Que é que queres dizer com isso? Não posso sair depois do jantar e agora nem sequer posso sair antes do jantar? Porque é que não me mandam para a prisão? M: “O meu dia está arruinado” P: “O meu dia está arruinado”. percebes? Não posso vestir um vestido sem ter collants. bastante persuasiva de vos mandar abaixo aos dois. e a partir daí começou a gritar “Não quero discutir mais. não te posso estar a comprar collants todos os dias. Ficas em casa” disse eu e desliguei o telefone. Tornou-se uma mestra nisto. lembro-me de lhe ter dito milhões de vezes “Sim.”. obviamente que esta não é uma situação razoável e é uma coisa que vos enerva. Não levas par nenhum” Oh Meu Deus! Ela ter-me-ia desligado o telefone na cara porque ela não consegue levar com um não. não Suzie. P: Bem. Quer dizer.  8º Excerto T: Já que ela tem uma maneira. Deixa-me em paz”. as pessoas que a conhecem podem-no confirmar. Preciso deles para a escola. podem enervá-la tanto como ela vos enerva a vocês.collants. penso que fizemos isso a semana passada. Ajudemme nisto e dêem-me algumas ideias. Agora. Dois dias depois telefona-me e diz “Posso ir comprar collants para a escola?” e eu respondo “comprei-te um par no outro dia. até as crianças. T: E o que é que ela fez? . por assim dizer. não percebo porque é que não posso ter um par de collants.” Ao que eu respondo “OK”.

tento ficar fora de cena. M: Eu. P: A semana passada foi isso que tentámos fazer. pelo menos. quando ela chega e pergunta “Posso ir a casa da X?” dizíamos simplesmente não e se ela ainda perguntasse “Porque não?” em vez de dizermos “Porque tens trabalho para casa e tens de limpar o quarto” dizíamos só “É isso. . já que ela segue imediatamente para um nova coisa.P: Ficou em casa. Quer dizer.” T: Ou poderiam simplesmente dizer “Porque é sexta-feira” ou algo do género. Pois é tudo o que podem fazer. M: Não resulta. porque tentar contrariá-la com a razão. tornar as coisas bastante difíceis para ela.  10º Excerto T: Suponham por uma momento que teriam a possibilidade de lhe dar a provar do próprio remédio… M: Quem me dera… Mas não sei como! T: Pois. P: Sim. P: Por exemplo. T: Tudo bem. T: Mas de certa maneira ainda estão a ser racionais. porquê?” ou “Não sei”. para que raio queres isso?” e tento explicar-lhe. dar-lhe respostas ridículas como as que ela nos dá. tal como ela faz convosco. A semana passada vocês tentaram ser rígidos de maneira consistente. já que a racionalidade não vos serviu de muito. Penso que se fossemos exactamente igual a ela. se ficássemos iguais a ela. eu pergunto “Suzie. Estou só a pensar se vocês conseguem uma maneira de ser irracionais. porque eu disse que não. M: Gostaria de saber algo que… T: Bem. como responder “Suzie. não parece resultar. deve-lhe ter ocorrido algo. quando ela pergunta “Posso ter esta carteira?” em vez de dizer que não.

apenas. Mas. que tu és má. que isto é inaceitável – no geral. Tudo o que nós fazemos é discutir.  13º Excerto T: tu tens . e a sessão é feita na presença do pai e da mãe. ok. ou ensaiem-no nas vossas cabeças. Quando discutem – tu sabes. E a impressão com que ficamos da última vez. sem falar do que poderia ser bom para todos ou preferível para todos. irracional. no mínimo. mostra que és extremamente boa a fazer com que eles se sintam impotentes. Sem o fazer. E para dois adultos serem impotentes. pensar como poderiam fazê-lo. E isso. que deverias mudar. Exercitem-no. conseguiriam lidar com ela de maneira distinta. numa dada situação. Pensa antes como se fosse estritamente para a tua própria vantagem. Podes ser um bocadinho mais específica? F: sim. no calor da batalha. Tentem. o que gostarias que mudasse na tua família? F4: que não houvesse nenhuma briga/discussão. não o façam.  2ª Sessão A Suzie foi trazida a pedido do terapeuta. mas realmente interrogo-me se até à próxima 4ª feira poderiam imaginar como.eu não sei como – mas.  12º Excerto T: Não quero que façam nada diferente daquilo que tem feito até agora. eu acho que é extraordinário. E por diferente eu quero dizer. foi que a melhor maneira de manteres o poder que tens - 4 Filha – Suzie (paciente identificado) . T: que não houvesse nenhuma discussão. com o tempo parece que tu te puseste numa posição extremamente forte na tua família.  12º Excerto T: (a abordar a Suzie) e o que é que tu gostarias que mudasse na tua família? Mesmo que penses nisso de uma forma egoísta.T: Exacto. os teus pais parecem muito impotentes. é isso.

Portanto. eu penso que seria estúpido desistires desse poder. devido ao desespero e irritação. E é aqui que reside o teu trunfo principal. a que tu vais ficar habituada. eu sei que o fazes. . E o teu pai também. E. Eu não consigo pensar em nada. Eu só quero confirmar uma coisa. que saibam lidar com isto. mas eu fiquei com a impressão que. até porque tu tens de parecer zangada por tudo o que está a acontecer contigo. Só as primeiras vezes é que serão más. o que me compete fazer agora é que os teus pais conheçam/percebam isto. a tua mãe vê as coisas de maneira diferente. se pensaram em alguma coisa. tu vais ter o poder sobre eles. Assim. poderá ser muito útil se tu perguntares “porque não?”. desde a última vez. Aparentemente eles estão muito ansiosos para te explicar o motivo. E o preço pode ser ficares num estado crónico de raiva. importaste de esperar na sala de espera? (a Suzie sai e a restante terapia é feita apenas com os pais). mas e então? Tu já passaste por isso e tu sabes como lidar com u m “não”. Eles até podem dizer “não” à primeira. T: bem. principalmente a tua mãe. Se os conseguires envolver em algum tipo de argumento e se depois persistires o tempo suficiente. Ao perguntares “porque não?” tu vais ter de força-los a darem-te algumas razões. de vez em quando. E quem sabe se tu não consegues adquirir métodos de os levar na tua direcção também? (no sentido de ter poder sobre eles também). Nada é. E para isso eu não preciso de ti aqui. não posso continuar assim”. Mas tu podes habituar-te a isso. os teus pais. E eles dirão. E para ti. Sinto-me impotente. Mas há um certo preço por isto. estou farto. para lidar de maneira diferente com isto? M: eu não sei. tu podes ter de ir para a um reformatório.aparentemente sobre toda a família – é que cada vez que disseres alguma coisa e a resposta for “não”.  14º Excerto T: em que é que vocês conseguiram pensar. “fá-lo. E se persistires o suficiente tu vais ter o que queres. tu sabes… tudo nesta vida tem um preço. Certo? F: Eles não dão. tu é que sabes. Eles apenas dizem “porque eu disse. F: e eu pergunto “porque não?” T: tudo bem. Portanto.”. é provável que desista.

mas não o pode mostrar como se fosse uma punição. por exemplo. o que fazemos agora? Eu não sei o que se passa comigo nestes dias. quando ela está a devorar o jantar para poder ir sair – faça qualquer coisa muito parva. E depois peça muita desculpa. peço-te imensa desculpa! Oh meu deus. porque ela é mais forte que vocês os dois. e quando isso falha mostrar alguma força. Deixe-me dar alguns exemplos. P: por exemplo. Não com os outros. ao saírem desta entrevista pareça que eu vos dificultei muito o trabalho. eu digo “não” e se ela disser “porque não?” eu digo apenas “porque nos vamos à praia para o mês que vem”. mas muito crítico. M: ok. T: (para o pai) como você está chateado e deprimido faz todo o tipo de coisas estúpidas mas apenas com ela.  15º Excerto T: (para a mãe) até agora você tentou argumentar racionalmente com ela. ou está estragada ou você simplesmente perdeu-a. Sou como ela é. dou -lhe uma resposta ridícula.P: eu apenas digo. Que eu tomei o lado dela. Mas o que vai acontecer é que cada vez que ela lhe pedir algo. quando ela quer fazer alguma coisa. O que eu quero que vocês façam é que. que até podem ser completamente desadequados. vocês têm de ter uma desculpa para a mudança no vosso comportamento. Eu não posso ir a pormenores porque simplesmente não temos tempo para isso. essa coisa ou não esta em casa. por terem feito todo o tipo de erros... Você sabe. não consigo. estou tão chateado e . Eu quero que você. mas sim um pedido desculpa: “Suzie. E isso dar-vos-á uma desculpa para fazerem aquilo que quero que façam. E a desculpa que têm é que eu fui muito. porque eu não sei como é a vossa rotina diária. provavelmente. se ela disser “eu quero fazer isto”. Que eu vos culpei de serem maus pais. Isto é. E que isso faz o que se vê: que é por isso que não há descanso e felicidade na família. “não” e não explico nada. mas há obviamente um milhão de coisas que dependem de si para que ela as tenha. E isso é exactamente o que eu não quero que vocês façam. M: Sim. uma coisa com que vai ter dificuldade em lidar. Primeiro. Mas você acha que mostrar força não é eficaz. como deixar cair um copo de leite em cima dela.

Pode fazer isso? Ou ela tem uma chave? P: não. T: a que horas vão vocês para a cama? P: Oh. Então. Eu fico acordado até às 24h. ela normalmente vai para a cama cedo e eu fico acordado metade da noite. imagine que ela está fora e que – ela tem um. E se ela sai aos fins-de-semana.. Então. Mas eu quero que. ela não tem chave.” Eu quero que continue a mandá-la fazer todo o tipo de tarefas razoáveis que quiser: lavar a loiça. estar em casa a uma determinada hora. Então. Depois. no dia em que ela sair.. quando esse dia chegar. Para impotência. Quando ela chegar a casa vai ter de tocar à campainha. a que horas quer que ela volte? Se ela sair a noite? P: Bem. ou bater. há todo um conjunto de coisas que. vamos assumir que são 23h. Portanto. Tenho feito todo o tipo de coisas estúpidas. manter o quarto arrumado e limpo. eu quero que ao irem à porta perguntem . mas volta logo para casa. é só para ir ao cinema ou qualquer coisa assim. T: volta logo. Percebe? Eu quero que você… Bem. de repente. longos minutos. cada vez que a mandar fazer o que quer que seja – adicione “mas se não o fizeres. e portanto ela deveria estar em casa e não está. eu quero que vocês esperem algum tempo. o que eu estou a pedir é uma coisa muito importante. T: Óptimo. por exemplo.triste. 1h… T: ok. vamos assumir que ela não vai logo para casa. certo. Tudo bem. é que mude completamente a sua atitude de poder para submissão. ela não sai à noite. nem ias acreditar . desde que ela saiu do reformatório. Você fecha as portas e as janelas e vai para a cama. eu não te posso obrigar”. não funcionam. chegar às 23h? P: Sim. E ir logo para casa é. Eu quero que finja que está impotente e que por estar assim. importa-se de ir para a cama mais cedo? Para que a casa esteja completamente escura e todas as portas e janelas estejam trancadas. excepto… T: nunca? P: …aos fins-de-semana.

T: Isso significa o quê para si? M: Não sei. está horrivelmente frio Suzie. T: nem digam “devias ter chegado as 11. E ela dirá. mas passa-se alguma coisa comigo. E vocês deixam-na entrar. E depois pedem desculpa outra vez “desculpa se te deixei ao frio. não interessa. Está um gelo. E na manha seguinte. como se estivessem confundidos. Ela está de castigo. certo? P: certo. Um casaco seria melhor. Um exemplo. nem uma palavra. é á uns dias atrás.” E por fim ela disse. Se for 1h. e isso deixa-a irritada. tu carregas o casaco para casa e acabou. e acrescentou. P: Ela (a mãe) costumava dizer. obviamente. “sou eu”. ela disse-me “Uma camisola é o suficiente para levar para a escola hoje?” Então eu disse.” E ela. Voltam para a cama sem perguntar onde ela esteve.” Eu respondi. seja que horas forem. “Ma s pode ficar calor à tarde. “ Nunca mais voltarei a falar contigo. Afinal. nós estivemos muito motivados – ao fazer o que você aconselhou. eu não sei porque tenho de carregá-lo para casa se não quero.  3ª Sessão  16º Excerto T: Pode-me situar? M: Bem. e aí vou ter de carregá-lo até casa.” e ela discutia sobre . “Bem.” “Bem. apenas que não vou discutir com ela sobre nada. Eu já assisti à Suzie em lágrimas toda a semana – numa enorme frustração.”.00” sejam que horas for.” e virou costas. Estou muito perturbado. “Então uma camisola provavelmente será o suficiente. e se ficar mais quente.quem é. “Tu usas o casaco para a escola. Não façam nada disso. sou eu que vou passar frio. “Tu metes-me doente. porque chegou tarde ou se não sabe que estava de castigo. Vocês deixam-na entrar e pedem desculpa por terem demorado tanto a abrir a porta. tenho feito as coisas mais parvas nestes dias. a não ser que ela fale sobre isso.

ela escreveu uma lista enorme de coisas que quer. T: Então. F: Ela age como – tipo como se não soubesse o que dizer a seguir. Você sabe.isso. Eu gostaria que você tivesse uma postura ainda mais forte. como uma máquina de costura. Porque o que a Suzie necessita – e isto foi me chamado à atenção pelos meus colegas. E coisas assim. se você estivesse incapaz de dar essa informação simplesmente porque está demasiado deprimida e chateada. E eu estou curiosa de como… acha que lhe devemos proporcionar um bom e normal dia de aniversário assim como toda a gente na nossa família tem? . o seu lugar na vida. quando ela diz alguma coisa. A Suzie. Porque alguma coisa aconteceu nesta sessão que a deixou tão triste que nem se conseguiu aperceber… independentemente do que seja. “Eu deixar -te-ei saber no momento que for mais apropriado para mim”. porque ela sabe que assim ninguém vai discutir com ela. ela tenta todo o tipo de manobras para chegar aos argumentos. na passada semana. você não lhe vai contar. age como se fosse dona de todas as respostas. Estou a ver a situação”. ao dizer “Eu pensarei sobre o assunto” você continua a mostrar algum tipo de rigidez. E quando ninguém quer responder-lhe. porque a postura que eu gostaria que tivesse baseia-se no mostrar-se desencorajada e triste. ela tem também todo o poder. Isto pode parecer-lhe absurdo. Mas seria muito mais forte. neste momento. você tentou – e fez um bom trabalho não dando conselhos à Suzie. algo que tenho vindo a negligenciar. ela fica frustrada e não sabe o que fazer. Mas eu penso que. por exemplo. e ela sente-se – bem. que não acompanharam tudo o que aconteceu na última sessão – e que me apontaram que ela necessita. E ela pode criar as suas fantasias sobre isso. “Bem. com certeza. Isto ainda soa como uma postura absolutista – uma postura de rigidez. você disse – na maioria das vezes – “Eu pensarei sobre o assunto”. eu digo . ela consegue meter-vos contra a parede. Ela quer uma resposta. Mas agora. M: Bem. E nesta passada semana. é um tipo de dúvida e insegurança necessitada pelos mais novos para encontrar os seus caminhos. como se não tivéssemos mais nada para fazer se não comprar-lhe presentes de aniversário. eu vou pensar no assunto Suzie. Assim.  17º Excerto M: O aniversário dela é esta semana.

E é isso. uh-huh. [Recebe-se um telefonema da sala de observação.” E quando ela vir que são 3 ou 4 soutiens. uma vez que antes lhe comprei numa situação vulgar. ele pensa que será uma boa ideia para si comprar-lhe 4 soutiens. no dia seguinte. A Suzie tem um peito muito grande. M: Isto porque parece uma coisa a estúpida.] T: O Dr. na sua criativa cabeça. eu entrei outra vez na mesma história. “Nós comprámos-te uma coisa – uma prenda valiosa. T: Espero que não. o que está preparada para fazer? M: Bem. delicadamente embrulhados. ela sente que é uma necessidade. e depois dizer-lhe com toda a sinceridade sem qualquer sarcasmo. nunca iam ficar muito sujos. Oito dólares para mim. Não 25 ou 32 dólares. e ainda mal os tinha usado.T: Bem. dizer -lhe que agora . e provavelmente você vai morrer de tanto se rir. e eu sei que estás preocupada por te fazer falta. sem que ela sequer pedisse. ela informou-me que precisava de novos soutiens. comprei-lhe 3 soutiens e disse-lhe que se ela os lavasse à mão todas as noites. M: Está-me a apetecer dar-lhe como presente de aniversário. vou-lhe contar esta história. Mas foram direitos para o cesto da roupa suja. T: Estou a ver. o que é que planeia… o que é que ela mais deseja? M: Ela iria gostar de uns stereo ou um par de botas que custam 35 dólares. E. Eu estou quase tentada a oferecer-lhe um pelo aniversário. E ai. T: Como é que acha que conseguiria isso só por lhe comprar um novo soutien? M: Bem. só para serem atirados para a máquina de lavar roupa. Então. e fiquei a observar se ela o faria. e além disso ela não teria nada para fazer com a prenda. Fisch fez um pouco de aritmética e chegou à conclusão de que quatro soutiens de 8 dólares perfazem 32 dólares. é muito dinheiro para um soutien. ela não estava comigo. o que é quase o preço das botas. Isto porque ela nunca iria pensar nisso. no inicio da época escolar. mas 35 dólares. o que requer o gasto de muito dinheiro em soutiens. que eu sei que precisas. mas é importante para mim. T: No entanto. e iam durar por muito mais tempo. Então.

ou do que está por trás do que está a fazer. Eu sei que te anda a aborrecer . [É recebida outra chamada da sala de observação. e esta! Hein?” Está a entender? M: Certo. Talvez eu não seja assim tão poderosa. ou falte ao respeito na maneira como fala com a sua mãe.” E vai-se embora.”  18º Excerto T: Por razões que estão relacionadas com o facto de ela se sentir segura e no topo. como aquele cêntimo – eu dei-lhe um cêntimo. Fisch outra vez. Mas. ao fazerem certas coisas que a farão pensar no que se está a passar.ela não precisa de preocupar-se em lavar um por noite. T: “Nós esperamos mesmo que gostes. sem saber o que se estava a passar.] É o Dr.” E acrescentaria – e ai ficaria muito triste se ela ficasse chateada… M: Estou a ver. ele diz que poderá ser ainda mais fácil. “Alguma coisa está a acontecer que eu não consigo entender. E ela vai dizer “Para que é isso? O que estás a fazer?” E sem recorrer a nenhum tipo de explicação do que está a fazer. “Apenas apeteceu-me fazê-lo. que é saudável. vai ser necessário que vocês os 2 sejam menos compreensíveis para ela. na sua cabeça. Nós achámos que não conseguirias os comprar. E se ela se recusar a aceitá-lo. T: “Aqui está uma coisa que acho que vais precisar. você põe-no a frente dela e vire costas. quero apenas que deite fora um cêntimo e lhe dê a ela. se quando ela disser. sem dizer uma palavra. mesmo com o coração aberto. O que se está a passar?” E é ao injectar esta pequena insegurança. que eu gostava que você [o pai]: Todas as vezes que ela for petulante. ao invés de contestar. Sabe. Os outros vão estragar-se de qualquer das formas. Isto. o sucesso disto está muito dependente da sua habilidade para dizê-lo – para dar isto.  4ª Sessão  19º Excerto P: Então pela primeira vez vi a Suzie. “Há -há. “Para que é isto?” você diz. ou quando não pede licença para fazer o que quer no momento – recusa-se a fazê-lo – a qualquer altura. só lhe dá. Sem dizer uma palavra. quando ela começou a . E não.

ela teria dito “eu não quero nada”. Mas não os queria para o aniversário” e a Marta disse “bem. com as férias e isso tudo. Isto não vai continuar assim. durante os últimos 7 dias. “bem. Ela foi à loja e voltou. “e queria. Nós sorteamos nomes e ela ia comprar coisas para o seu irmão. Eu fui há Kandy Kitchen e estava o tipo de doces favorito da mãe também.” e eu “oh compras-te alguns doces. Portanto.discutir “par que é isso?” eu disse “oh! é só para ti” e fui-me embora. Portanto. assim não terias que lavar à mão . Parece que ela apenas… como se diz… ela já não tem tanta certeza de si própria. “Muito obrigado” e levou-os para o seu quarto. vamos agora discutir brevemente de como vocês os 2 são capazes de ter a vossa 1º recaída. olhou para eles e disse: “4 deles? Isto é o mesmo preço das botas que eu queria” e a Marta disse “Oh. e eu disse “O que é que compras-te?” ao que ela responde. porque isso é para a mãe. eu pensava que tu tinhas dito que também querias soutiens”. vocês deixam isso em paz. Depois. Mas acho que ela nem se consegue aperceber dessas coisas. não?” ela disse “oh sim. não encontrei nada que gostasse para o Bod.” Então ela apenas disse “Oh. peço muita desculpa. Bem… E la nunca faz coisas deste género e isso impressionou-me. ela apanhou todos os presentes e disse. ver perfeitamente que há uma maneira de lidar com a Suzie – uma maneira muito diferente da que vocês tinham tentado com tanto empenho e durante tanto tempo. nós comprámos-lhe os soutiens para o seu aniversário e ela abriu-os. e ela queria ir às compras e à loja de natal. A semana passada – eu dei-lhe uma semanada. especialmente nas 2 próximas semanas. Acho que vocês conseguem. Ela respondeu. E ela não conseguiu perceber. Mas não.  20º Excerto T: Bem. e mandava tudo para o chão. e eu comprei isso como sendo um pequeno presente especial para ela”. E noutras coisas que me surpreenderam. como é que vocês os 2 pensam que será mais provável recaírem para a antiga rotina?  21º Excerto T: Vocês têm sido extremamente bem sucedidos. certo? P: certo. bem… muito obrigado!” Há 2 ou 3 semanas atrás. . agora. pensei em comprar-lhe uns também” depois disse aos irmãos “agora. eu pensei que era bom para ti.

Ela disse “Vou aprender a cozer . comprou-vos uma caixa de doces que. Acabou-o ainda na outra noite. vocês. ela foi buscar o material e disse “Toma. fez um bom trabalho e foi bastante surpreendente. pode-se casar etc. T: Portanto é provável que ela continue… não é uma questão de quando vocês irão cair na realidade. P: Como estávamos a dizer antes. Ela já mostra sinais de real preocupação. brevemente. M: Pois é! É espantoso. Ela está numa idade em que. Logo. vai sair de casa. pode-se tornar ainda mais doloroso para vocês os 2 “perdê-la”. pelo que eu sei.T: Vocês continuam a só conseguirem ter metade do sucesso que tiveram a semana passada. com a ajuda de uma amiga e fez um vestido muito bonito. usa isto” e ela foi cozer. para vocês. comia o mais rápido possível e depois levantava-se e perguntava “Posso ir?” e eu até lhe dei a alcunha de fantasma galopante porque todas as vezes que estava sentada connosco a jantar. Ela começava alguma coisa mas nunca a terminava… acho que foi à uma semana atrás que ela decidiu que ia começar a cozer. simplesmente espectacular. Mas ela realmente dedicou-se a isto e acabou. mas do que é que vai acontecer se vocês continuarem a ter sucesso. verem-na crescer mais e mais. ela sentava-se a começava e bater o pé. a Suzie está gradualmente a tornar-se uma boa criança. nem que seja a última coisa que faça” ou algo parecido e a Martha disse “Isso é bom” e ela respondeu “Tens algum material?” e a Martha tinha algum material com o qual ia fazer um vestido para a Suzie. Isto para que. M: Espectacular. como eu digo. se não . E então poderá tornar-se mais difícil. é uma coisa que ela nunca tinha feito antes.  5ª Sessão  22º Excerto P: Outra coisa que me surpreendeu foi que… Antes ela não se interessava por nada. poderá não ser tão mau uma recaída ocasional e terem a situação antiga restabelecida por um pequeno espaço de tempo. Está a perceber? Saiu à rua só para ir comprar um fecho éclair e pô-lo no vestido. E. Portanto. há hipóteses que ela se torne em alguém muito encantador. não se sintam tão chocados com a possibilidade de começarem a vê-la menos e menos.

Ela parece realmente uma pessoa mais feliz. de vez em quando ainda pergunta. Quer dizer. quando as pessoas ficam contentes e confiantes. M: Espectacular.estivesse a comer. bom… Vocês vão-se desencontrar outra vez e tudo parecerá perdido. É bastante surpreendente para mim. deve ser alguma coisa que vocês estão a fazer diferente. podem começar a fazer o que faziam antes de descobrirem que a situação poderia mudar. Acho que por agora. espera para comer a sobremesa e só depois é que ela se levanta para ir para a sala ver televisão. Isto tem de ser mantido consistentemente. T: Pode ser que seja. T: Bem. Mas agora já não. Ela não conseguia estar simplesmente sentada. Além disso. Podemos estar a ser demasiado confiantes e vocês podem-se esquecer que isto não é uma coisa para sempre. Ela agora senta-se como se fosse um membro da família. mas muito raramente. seria bastante bom que vocês os dois confiassem na vossa própria habilidade de lidar com as situações. se não. porque acho que chegamos a um ponto em que podemos considerar que as próximas cinco sessões que faltam estão como contadas. se for a vez dela de lavar a loiça. Pode-se dizer que estamos a achar que é bom demais para ser verdade. expressaram bastante preocupação para com o facto de as coisas parecerem estar a ir bem demais. As hipóteses de uma recaída são bastante grandes e. já estava desaparecida. Mas nunca em dias de semana. não consigo acreditar. depois da última sessão. .  23º Excerto T: Estou só a recapitular hoje. ela senta-se e come o jantar. e param de fazer alguma coisa acerca da situação. P: Não me parece que ela seja mais feliz. lava e só depois é que se senta e já não pergunta se pode ir a algum lado. Mas os meus colegas. da mesma maneira que estiveram a fazer nas últimas duas semanas. parece-me antes que seja uma pessoa completamente diferente! Quer dizer. nem sequer consigo reconhecê-la como a pessoa que vivia connosco à um mês e meio atrás.

Existem quatro etapas a ter em conta aquando uma primeira entrevista. Não obstante. na implementação de estratégias. pretendemos agora fazer uma análise do caso de estudo (Anexo I). a mãe desiste. síndrome de utopia (Desresponsabilização pessoal) tentada pelo pai – Levar a Suzie para casa de um amigo que vivia em Wyoming. bem como a intervenção de acordo com a escola do MRI. nomeadamente no familiar. Relativamente à 1ª sessão. e outra intra-familiar. síndrome de utopia (Impossibilidade de alcançar o objectivo) tentada pela mãe – após longas discussões. à semelhança do que nos foi proposto na apresentação oral. ou seja. com a finalidade de avaliar a mudança. 3ª definição dos objectivos da terapia de modo a avaliar a mudança.  Definição de objectivos: Que os pais deixassem de se sentir impotentes e que a adolescente os respeita-se como imagens de autoridade que estes deveriam representar. esta foi dividida em duas partes. sendo que toda ela aborda uma primeira entrevista. Uma extrafamiliar. a 4ª implementação de estratégias.  1ª Sessão  Definição do problema: Problema apresentado pelos pais devido aos comportamentos desajustados da filha adolescente. e por fim. de modo a comprovar na prática as técnicas identificadas.. as seguintes quatro sessões. levando-a adquirir uma posição de nível hierárquico abaixo do dos pais uma vez que estes tentam agir da mesma forma que ela. manifestado em diversos contextos.  Soluções tentadas: Houve dois tipos de soluções tentadas. provocando conflitos. debruçam-se apenas na 4ª e última etapa. . sendo estas: 1ª definição do problema focado no presente. 2ª exploração das soluções tentadas.  Estratégias implementadas:  Confusão mental – Os pais tentaram utilizar repetidamente a razão na comunicação com a adolescente mas.Anexo II – Análise do caso Adolescente Aversiva Tendo como base toda a fundamentação teórica acima referida. é-lhes proposto que sejam irracionais de forma que a adolescente desenvolva sentimentos de insegurança.

 3ª Sessão  Estratégias implementadas:  U-Turn: O terapeuta sugere que os pais não discutam mais com a Suzie sobre os problemas. por exemplo pedindo desculpa pelos seus actos à adolescente. É então esperado que esta passividade a permita ter controlo da situação.  Antecipar a resistência: O terapeuta previne a rejeição da estratégia anterior. de alguma forma.  Confusão mental: Neste caso é pedido ao pai que dê um cêntimo à adolescente cada vez que esta desrespeite. os pais. 2ª Sessão  Estratégias implementadas:  Prescrição de sintomas: Nesta sessão a Suzie é convidada a participar na sessão. de modo a prepará-los . Assim passa de uma posição de poder e rigidez para uma de fraqueza ou impotência.  4ª Sessão  Estratégias implementadas:  Antecipação da recaída: O terapeuta encaminhou os pais a reflectirem acerca de uma possível recaída à rotina anterior. por exemplo relativamente a levar casaco para a escola porque estava frio. onde o terapeuta a reforça a continuar com o seu comportamento difícil. sentimentos de insegurança associados ao facto de esta não conseguir entender a finalidade de tal comportamento. provocando-lhe assim. evitando assim soluções falhadas como a de pedir-lhe que se porte melhor. dizendo que provavelmente os pais vão achar uma coisa absurda e difícil.  U-Turn: O terapeuta sugere à mãe que mude o enquadramento do seu comportamento.

ou algo do género. o terapeuta aborda 5 sessões que permanecem creditadas e que podem ser posteriormente utilizadas. Contudo.  Perigo das melhorias: O terapeuta enfatiza a mudança que é visível na adolescente. sem representar um factor de risco a longo prazo.para que isso possa ocasionalmente ocorrer.  5ª Sessão   Estratégias implementadas:  Antecipação da recaída Nesta sessão. o que posteriormente influenciará um possível processo de separação. é depois referido que os pais não recorreram às mesmas. . uma vez que três meses depois o contexto familiar permanecia ajustado. uma vez que esta pode vir-se a casar. alertando os pais que essa mudança fará com que haja uma maior aproximação entre ambos. além de implementada esta estratégia. no mesmo seguimento da sessão anterior. salientando também.

Preenchimento de Espacinhos (imagem na página seguinte) 3. “A estratégia que se caracteriza pelo modo de produzir um estado de confusão intelectual é a Confusão Mental”.Anexo III – Materiais da Apresentação em Aula Foto da Família da Suzie. Questões sobre as Más Soluções Tentadas: I. . “não. tentada? – Desresponsabilização pessoal. há claramente uma desistência por parte da mãe. Quando o pai diz: “Tenho um amigo que vive na cidade de Wyoming e vamos deixá-la ir para a escola de lá durante um ano para resolver o problema”. “A técnica de intervenção que utiliza características de passividade e impotência para catalisar o controlo de uma situação é a U-turn”. incluindo a “pequena” JOGOS 1. Completar Frases: I. II. Qual é o tipo de má solução presente? – Utopia: Impossibilidade de atingir o objectivo. no role-play. II. Sopa de Letras (imagem na página seguinte) 4. devido a não saírem do impasse de “faltaste às aulas”. 2. Quando a mãe discute com a filha acerca dela ter faltado às aulas. não faltei”. sendo ela extra-familiar. qual é a má solução.

Scrable (imagem apresentada em seguida) 7. Palavras Cruzadas (imagem apresentada em seguida) “Scrable” .6.

CARTAZES DE SÍNTESE DE MATÉRIA (ESPALHADOS PELA SALA DE APRESENTAÇÃO) .

GRUPO VENCEDOR DOS JOGOS COM DIPLOMA E TAÇA: Grupo das GATAS .

neste caso por sessões. existiriam jogos diversos. sendo-lhes pedido que dessem nome aos mesmos (Sistémicas. e posteriormente esses vídeos seriam apresentados num programa de TV. Weakland e Dr. Watzlawick. procedeu-se a uma “discussão” acerca do que deveríamos fazer como parte prática do trabalho.Anexo IV – Processo de realização do trabalho A divisão de tarefas quanto à apresentação oral e escrita foi realizada sem grandes complicações e com o acordo de todos os elementos do grupo. Fisch. que faziam de público. Preenchimento de Frases ou até questões directas. como será possível constatar na tabela seguinte: . Espécie de Scrable. Os restantes colegas. no final. Preenchimento de Espaços. Palavras Cruzadas. O objectivo desta organização seria a competição saudável entre eles. o grupo que ganhasse. fazia um apanhado do que se teria passado. De acordo com esta ideia. sendo que no final. através de um botão colocado no centro da sala. foi colocado ainda pela sala. a apresentação em sala de aula foi constituída por uma apresentadora e três terapeutas: Dr. cartazes com dicas acerca das estratégias de intervenção. dando a entender que seria um programa que todas as semanas apresentava uma escola/terapia. esse vídeo foi dividido em 5 sessões. foram organizados em grupos. à qual se concluiu que um vídeo em forma de role-play seria o mais indicado. Entre estas duas intervenções dos terapeutas. Assim sendo. receberia uma surpresa – neste caso a surpresa foi um Diploma de Vencedor e uma Taça feita por nós. Gatas e Macacas). A dinâmica da apresentação passava pelo visionamento de um excerto do role-play. e de modo a facilitar a resolução dos jogos. para além da dinâmica com os grupos. desde Sopa de Letras. Linces. em que um dos terapeutas fazia uma pequena apresentação ao vídeo e outro. bem como as más soluções tentadas e a definição do problema em intervenção. tal como a terapia estava dividida. Na nossa apresentação. Dr. As tarefas foram divididas de forma igualitária pelos vários elementos do grupo.

Fisch Joana Silva Relatório Resumo e Conclusões – todos os elementos.Role-play Todos os elementos (Salomé de Dr. Watzlawich. Sara de mãe. Weakland Ana Tavares Dr. Posição do Cliente e Planeamento de Casos) – e Sara (Intervenções e Conclusão da Terapia) Análise do caso – todos os elementos. Joana de pai. Watzlawick Salomé Vasconcelos Dr. História do MRI – Ana Comunicação – Sara Teoria dos Dois Hemisférios – Joana Terapia Breve – Ana Mudanças Tácticas na Terapia – Salomé (Entrevista Inicial e Posição do Terapeuta. e Ana de filha) Materiais Todos os elementos Apresentação Oral Elementos Apresentadora do Programa e Jogos Sara Rodrigues Dr. .