14/04/2012 06h16 - Atualizado em 23/03/2013 06h51 http://redeglobo.globo.

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A influência da matemática na música
Engenheiro eletrônico desvenda a relação essencial entre números e sons
O que música tem a ver com matemática? Muito mais coisas do que podemos imaginar. As melodias que nos emocionam, são, na verdade, construídas a partir de relações matemáticas muito precisas. O engenheiro eletrônico Miguel Ratton, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dá mais detalhes sobre como funciona a dobradinha fundamental música/matemática na entrevista abaixo, confira: O engenheiro eletrônico Miguel Ratton (Foto: Divulgação) Qual a relação entre a música e a matemática? A música não existe sem a matemática? A música já existia antes do desenvolvimento da matemática, porque a combinação dos sons, ainda que em boa parte dominada por relações matemáticas, baseia-se em nossa percepção psicoacústica, ou seja, nossa percepção fisiológica do som. Então, a formação do som e da música é um processo físico? Totalmente. O som é um fenômeno físico e como tal faz parte do estudo da física. A música é a arte da combinação de sons (e silêncios). Portanto, para entender profundamente música é necessário conhecer física. Quais teorias matemáticas (teoria dos conjuntos, teoria dos números, álgebra abstrata...) podem ser aplicadas à música? De que forma e por quê? A música pode ser usada para ilustrar alguns conceitos matemáticos. As figuras de tempo (duração) das notas, por exemplo, são frações de compasso do tipo 1/2, 1/4, 1/8, etc. A altura (afinação) das notas é estabelecida por uma relação exponencial, do tipo "2 elevado a x/12", onde x é a distância de uma nota a outra. A nossa percepção de intensidade dos sons se dá de forma exponencial e por isto medimos intensidade usando uma escala logarítmica (decibel). Já a teoria dos conjuntos poderia ser usada para distinguir alguns harmônicos (frequências múltiplas inteiras) de uma nota que também estão presentes em outra nota. Os sons constituem o que se chama de escala musical, e eles são definidos de forma matemática, certo? A escala musical usada atualmente pela maioria dos povos é a escala "igualmente temperada". Esta escala foi estabelecida por volta do século 17I e caracteriza-se por uma relação exponencial: a "distância" entre uma nota e sua oitava (o dobro da frequência) foi dividida exponencialmente em doze partes, de maneira que a relação entre qualquer nota e sua vizinha anterior (exemplo: dó# e dó) é sempre igual à raiz 12

O estabelecimento dessa escala não foi por acaso. lá. como a matemática e a física. que eram baseadas nas relações puras (3/2. Posteriormente. e a escala que usamos hoje foi baseada na escala pitagórica. as alturas das notas da escala são determinadas por relações matemáticas. sol.de 2 (aproximadamente 1. foram adicionadas as outras cinco notas ("acidentes" . Um som agradável ou desagradável tem a ver com a relação matemática entre os sons? Certamente. Mas também há indícios de que na antiga China já havia estudos de uma escala temperada. onde a frequência de uma nota é o dobro da outra e todos os seus harmônicos são iguais. Já no intervalo de quinta. . O ensino da música pode contribuir para o aprendizado da matemática? E também de outras matérias? Acredito que a música possa ilustrar e tornar mais divertido o aprendizado de disciplina. Poderíamos dizer que o ritmo é "horizontal" e a harmonia é "vertical" exatamente como representamos na pauta. 4/3. são muito pequenos e não são percebidos pela maioria das pessoas. Qual a diferença entre ritmo e harmonia? Ritmo é a combinação de sons no decorrer do tempo. Harmonia é a combinação de sons simultâneos. si) foram determinadas inicialmente a partir de relações fundamentais. causando uma sensação desagradável ("aspereza"). etc). ré. Como se formam as notas musicais? Elas estão ligadas também à matemática? De que maneira? Como mencionei anteriormente. Duas notas soando juntas são agradáveis ou não conforme a distância de suas alturas (frequências). ao se ajustar a escala para o temperamento igual. O intervalo mais consonante é a oitava. definidas originalmente por Pitágoras. As sete notas naturais (dó. É importante observar que. etc). no entanto. 5/4. Esses erros. mi. e que não permitiam a execução de qualquer música em qualquer tonalidade. Existem registros na Antiguadade de estudos que relacionavam música e matemática? O sábio grego Pitágoras provavelmente foi o maior estudioso da antiguidade sobre o assunto. sobretudo pela combinação de seus harmônicos. metade dos harmônicos se combinam. A escala temperada possibilita que se façam transposições de tonalidade e modulações sem os inconvenientes (intervalos desafinados) das escalas antigas. 4/3. a percepção individual de cada som é dificultada. as relações entre as notas da escala (exceto a oitava) deixaram de ser "acusticamente perfeitas" (3/2. A consonância tem a ver com as regiões do ouvido interno que são excitadas pelas duas notas e seus harmônicos: quando essas regiões estão muito próximas. Esses intervalos podem ser definidos matematicamente. Muitas pessoas que gostam de matemática e física acabam se interessando pela música e vice-versa. fá.059).sustenidos/bemóis) para completar os espaços entre todas as notas. mas sim para resolver o problema que havia nas escalas anteriores.

Aprovação da lei é. e que são reconhecidos nacionalmente. mobilizando artistas de expressão nacional e professores. determinando que a música deverá ser conteúdo obrigatório do componente curricular. explica o compositor Felipe Radicetti.com/globoeducacao/noticia/2012/04/ensino-musical-nas-escolasagora-e-lei. mas. Compositor Felipe Radicetti (Foto: Iáfa Cac) “Muitas escolas já oferecem aula de música. conferindo a ele o lugar que merece. Infelizmente. Felipe Radicetti e Dalmo Motta. na verdade. Professora Clelia Brandão. Alexandre Negreiros. A inação deles é premeditada. Alegaram que a música é uma prática social e que no Brasil existem diversos profissionais atuantes nessa área sem formação acadêmica ou oficial. Já está provado que a educação musical melhora o aproveitamento escolar. conforme prevê a Lei nº 11769. O ensino musical passa a ser obrigatório a partir deste ano. Procuramos o ministério várias vezes. a partir da sanção da lei. e que o assunto está tramitando no Conselho Nacional de Educação (CNE). Lutamos bastante para mudar a LDB. falta uma postura mais clara do Ministério da Educação (MEC) nesse sentido. que começou a se reunir em 2005 para colocar o ensino musical na ordem do dia do governo. pois acredito que a educação musical não deve ser dada por um professor generalista”. “A lei entra em vigor esse ano. uma vitória do Núcleo Independente de Músicos (NIM) composto por Francis Hime. reclama. sancionada em 2008 pelo então presidente Luis Inácio Lula da Silva. ela não era vista ainda como algo relevante. um dos integrantes do GAP. o artigo que determinava que o conteúdo deveria ser ministrado por um professor com formação específica na área foi vetado.globo. Cristina Saraiva. A lei acrescenta mais um parágrafo ao artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Fernanda Abreu. mas ainda não foi regulamentada. O movimento do NIM cresceu e hoje se chama Grupo de Articulação Parlamentar PróMúsica (GAP). o programa Mais Educação distribui instrumentos para bandas de fanfarra e as salas multifuncionais (para atendimento a pessoas com deficiência) têm instrumentos musicais. e não obtivemos resposta. mesmo assim. É algo de que discordo. implementação fica a cargo das instituições de ensino Música nas escolas não vai ser mais brincadeira de criança.html De acordo com MEC. do CNE (Foto: Divulgação) A assessoria de imprensa do MEC informou que o ministério não ia se pronunciar especificamente em relação às declarações do compositor.Ensino musical na escola agora é lei http://redeglobo. e que os sistemas de ensino teriam três anos para se adaptar à implantação do ensino musical. mas que a implementação da lei é de responsabilidade dos sistemas de ensino. como a lei vai funcionar na prática? Para Radicetti. De acordo com a assessoria. e quem perde com isso são os alunos”. Ivan Lins. A assessoria . Mas. mas de forma optativa e subalterna.

completa. e sim um componente da formação artística”. para que sejam replicadas em outras instituições.globo. que não é uma disciplina. que está cuidando do assunto no CNE. a professora Clélia Brandão. mas em breve vai desenvolver uma pesquisa para levantar as experiências exitosas com o ensino musical. Por que não utilizar parte desse tempo para a música? As instituições devem usar a criatividade e a sensibilidade para organizar da melhor forma a educação musical. afirmou que o ensino de música existe há muito tempo no Brasil. “A lei vem justamente para corrigir isso. como isso se dará no dia a dia.informou ainda que o ministério não sabe quantas escolas já oferecem aula de música. Procurada pelo site do Globo Educação.globo. Agora. e que 20% da carga horária deve ser organizar em forma de projeto. Link de vídeos: http://redeglobo. mas nunca se firmou como componente curricular.com/globoeducacao/videos/t/extras/v/compositor-relembra-apresenca-do-ensino-de-musica-nas-escolas/2475559/ . A LDB diz que a carga horária mínima é de 800 horas distribuídas em 200 dias letivos.com/globoeducacao/videos/t/edicoes/v/faz-sentido-ensinarmusica-nas-escolas-integra/2473280/ http://redeglobo. é algo que cabe às escolas decidir.