INTRODUÇÃO

° Movimento da Reforma Psiquiátrica: - muda o olhar em relação à doença mental; - a Reforma dá uma nova concepção à psiquiatria: a saúde mental.

° Mudanças no modelo assistencial a partir do movimento da reforma psiquiátrica: - Família - O peso do sofrer psíquico de quem vive e sente a doença mental também se estende sobre a família. (Pimenta e Romagnoli, 2008)

° A intervenção do terapeuta ocupacional por meio de grupos. ° Questionava-se a importância e influência que a Terapia Ocupacional poderia exercer no grupo de famílias que existia no CAPS Renascer.

° Ideia central: - Compreender a influência das práticas terapêuticas ocupacionais nos grupos com familiares de portadores de transtornos mentais do CAPS Renascer – Belém (PA).

1 SAÚDE MENTAL 1.1 BREVE HISTÓRICO DA DOENÇA MENTAL ° Vidal-Alarcon (1986) refere que a história da saúde mental pode ser definida como a história das diversas interpretações da loucura que são levadas ao fim nas distintas épocas, de acordo com os diferentes modelos vigentes de saúde naquele momento, tanto no que se refere a sua descrição e aplicação como em seu tratamento.

° Hospital Bicêtre: - "casa de horrores" ° Médico Phillipe Pinel: separação e classificação dos diversos tipos de "desvio" ou "alienação mental". Moulard (1998)

NASCIMENTO. . a ordem jurídica era determinada pelas Ordenações do Reino e nelas a loucura possuía várias denominações: "desassisados". "sandeus". em casa ou no seu trabalho. na Itália (1961): . ° Com o tempo.mudanças com o objetivo de transformar a instituição em uma comunidade terapêutica. a Organização Mundial de Saúde (OMS) credenciou o Serviço Psiquiátrico de Trieste como principal referência mundial para uma reformulação da assistência em saúde mental. 2005) ° Hospício Pedro II. Alencar (2003) ° Década de 1970: . durante o período colonial e parte do Império. . "mentecaptos" ou "furiosos".° O tratamento moral ° Franco Basaglia assume a direção do hospital psiquiátrico de Gorizia. passando a denominar-se Hospício Nacional de Alienados.2 BREVE HISTÓRICO DA DOENÇA MENTAL NO BRASIL ° No Brasil. Oliveira. apud SOUZA.melhorar as condições de hospedaria e o cuidado técnico aos internos em Gorizia. o hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa. Taniguti (2010) ° Aos poucos a psiquiatria foi-se tornando científica. Miranda (1994. no Rio de Janeiro. ° Colônias de alienados denominadas Colônias de São Bento e Conde Mesquita.momento político de redemocratização do país. Silva Filho (1987 apud Ribeiro. ° O modelo de tratamento: fazer com que a comunidade e os loucos convivessem de maneira harmônica. com inauguração em 30 de novembro de 1852. Amarante (1996) 1. 2006) ° Em 1973. sendo uma das primeiras medidas de reforma psiquiátrica no Brasil. e logo depois foram criadas as colônias de Juqueri em São Paulo. eram ali contemplados ainda os "desmemoriados" e os "pródigos".

Serviço de urgência psiquiátrica em hospitalgeral. secundária e terciária). das ideologias e da função dos técnicos e intelectuais. regionalização da assistência. promover melhorias na qualidade de atendimento dos hospitais psiquiátricos. leito psiquiátrico em hospital-geral. ausência de recursos para a área. integração e hierarquização dos serviços (atenção primária.profissionais da área denunciaram a violência.secretaria de Saúde do Estado de São Paulo postulou diretrizes as quais os princípios do novo programa são: universalização do atendimento. descentralização das decisões. de 29 de janeiro de 1992 do Ministério da Saúde: . negligência. Gauer et al (2008) ° Reformulação nos modelos de atenção psiquiátrica: . Hospital-Dia (HD).. recuperação de leitos próprios. enfim. Nascimento (2006) ° Portaria nº 224. utilização da psiquiatria como instrumento técnico-científico de controle social e reivindicaram a criação de projetos alternativos ao modelo asilar. centro de saúde e ambulatório).padrões mínimos para o atendimento nos hospitais psiquiátricos. ampliação da rede extrahospitalar. Centros e Núcleos de atenção psicossocial (CAPS/NAPS).atendimento ambulatorial com serviços de saúde mental (unidade básica. . Amarante (2000) ° Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM): defendia pressupostos básicos que incluíssem um processo de desconstrução-invenção no âmbito das tecnociências. normatizando vários serviços substitutivos como: .diretrizes para o atendimento nos serviços de saúde mental. Taniguti (2010) ° São esses movimentos que caracterizam o panorama da psiquiatria brasileira contemporânea e marcam a construção de uma nova postura ética em relação aos indivíduos acometidos por transtornos mentais. implantação de equipes multiprofissionais. .

conhecimentos e práticas.o tratamento não se restringe apenas a medicamentos e eventuais internações. a sua qualidade de vida. bem como a uma melhoria na qualidade de vida do doente e do familiar. enfim. .profissionais de saúde mental apoiá-la. 95) “a família é o primeiro sujeito que referencia e totaliza a proteção e a socialização dos indivíduos”. Santin e Klafke (2011) ° Família: no seu contexto social e cultural. Elsen (2002) . orientá-la e fortalecê-la quando esta se encontrar fragilizada. irmãos. muitas mudanças vêm ocorrendo no setor da saúde: . formando um modelo explicativo de saúde doença. Elsen (2002) ° Unidade de cuidado: . promovendo a saúde. Schrank e Kantorski (2003) ° Segundo Carvalho (1998 p. FAMÍLIA – CONCEITO E CARACTERÍSTICAS ° Com os avanços das Reformas Sanitária e Psiquiátrica no Brasil. prevenindo e tratando a doença de seus membros. mas também a ações e procedimentos que visem a uma reintegração familiar. . necessita de locais e pessoas que o ajudem a garantir sua cidadania. passaram a contar com um tratamento mais próximo de seus familiares e da comunidade onde vivem. ° Atualmente o conceito de família está relacionado à estrutura nuclear: pai. mas sim como pessoa que. revelam diversos tipos de organização e comportamento da mesma. através do qual desenvolve sua dinâmica de funcionamento. mãe. ° Sistema no qual se conjugam valores.o papel de cada membro é definido de acordo com a estrutura familiar. social e profissional.° O sujeito não mais deve ser visto como portador de uma doença que precisa ser controlada. as suas trocas sociais e afetivas. Ribeiro (2005) 2. devido às suas diferenças.os sujeitos que antes viviam enclausurados nos hospitais psiquiátricos. crenças.

Rosa (2008) 3.potencialidade de trocas entre o serviço. o terapeuta .estratégias de mobilização e comprometimento.confiança e afeto entre si.um fato que sinaliza a necessidade do ser humano em buscar compreender os movimentos presentes no interior dos grupos. . de forma a contribuir para o aperfeiçoamento e melhoria das sociedades humanas. ° Desta forma. A TERAPIA OCUPACIONAL NOS CAMINHOS DA DOENÇA MENTAL ° Terapia Ocupacional: uma profissão da área da saúde que. Zimerman (2000) ° O grupo é um conjunto de pessoas capazes de se reconhecerem em sua singularidade e que estão exercendo uma ação interativa com objetivos compartilhados.compartilham de uma proposta que só pode ser atingida através da interação e trabalho conjunto.pensamentos e atitudes. Osório (2003) ° Características em comum: . Osório (1986) ° Divisão dos grupos: .dois subgrupos: o grupo social e o grupo terapêutico. No processo de reabilitação. Mosey (1974 apud Maximino.° Parceria da equipe de saúde mental com a família: . tradicionalmente. 2001) ° A relevância do estudo da dinâmica de grupo: . usuário e sua rede social. as práticas voltadas aos familiares nas redes de assistência vem se apresentando geralmente com a configuração de grupos direcionados às suas demandas específicas. . GRUPO – CONCEITO E CARACTERÍSTICAS ° Primeiras experiências de grupoterapia registradas (1905). 2003) 4. Grimberg et al (1976 apud Ballarin. atua no campo da reabilitação. .

usuários e familiares dos serviços em saúde mental. Ballarin (2007) . Barata. mentais entre outros) . asilos. através das atividades da vida prática e cotidiana da população atendida. GRUPOS EM TERAPIA OCUPACIONAL interventivas integram o campo da Terapia ° Diferentes estratégias Ocupacional em Saúde Mental. foram criados ao longo dos anos. Kebbe (2010) ° Utilização de atividades com grupos terapeuticos ocupacionais foi sistematicamente empregada nos EUA desde a década de 30. escolas especiais. a qual constitui. sendo o grupo de Terapia Ocupacional dispositivo de tratamento bastante utilizado na clínica. novos serviços com propostas de tratamentos diferenciados dos tradicionais. levando em consideração a singularidade e as condições concretas das pessoas que buscam esses serviços.análise crítica das intervenções oferecidas de forma hegemônica em espaços de “exclusão” social (manicômios. Moreira (2008) ° No Brasil. num processo de manutenção e organização dos hospitais e de reabilitação. instituições de internação permanente a pessoas com deficiências físicas. em todo o país. ° Na área de psiquiatria tinha sua prática voltada à assistência hospitalocêntrica. Moreira (2008) ° Lutas de trabalhadores. a profissão foi criada em 1959. Benetton (2006) ° A partir dos anos 70 e 80: . Ribeiro e Machado (2008) 5. até os dias atuais. o movimento de garantia das mudanças assistenciais em saúde mental no campo assistencial.ocupacional faz uso da ação humana. Cocenas. centros de reabilitação.questionamento sobre a possibilidade de ações realmente terapêuticas. com a tarefa de ocupar os pacientes. Soares (1991) ° A partir do surgimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira.

em meados das décadas de 1970 e início de 1980. segundo Silva e Menezes (2000) é aquela em que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito. sendo aplicadas a pessoas com problemas psiquiátricos. isto é. os participantes têm a possibilidade de experimentar outras formas de se relacionar e de vivenciar situações inéditas relativas ao fazer. Ballarin (2007) ° Um dos princípios que norteiam a prática do terapeuta ocupacional é a ideia de que o fazer tem efeito terapêutico. primeiramente. ocorreu a utilização de atividades grupais enquanto recurso terapêutico. .° No Brasil. ° A epistemologia utilizada para a construção deste trabalho é a de natureza qualitativa descritiva.publicações em livros.2 OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA ° Pesquisas de caráter bibliográficos: . ° No contexto grupal. 6.1 TIPO DE PESQUISA ° Pesquisa de campo desenvolvida de acordo com as exigências do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). produzindo. possibilitando que a ação ganhe um sentido e um significado. além da biblioteca da Universidade do Estado do Pará. ° Foi realizada a pesquisa de campo. ° Escolheu-se esse tipo de pesquisa por entender que. um questionário com perguntas fechadas. um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. METODOLOGIA 6. onde os dados obtidos foram configurados em gráficos. onde buscou-se analisar as falas dos familiares de portadores de transtorno mental no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Renascer – Belém (PA). Ballarin (2007) 6. periódicos e bibliotecas virtuais como Scielo e LILACS.

para uma melhor didática de compreensão da pesquisa. os que não se enquadrem como familiares/acompanhantes do usuário do CAPS. sem transtorno psiquiátrico ou prejuízo cognitivo. marcados e efetivados de acordo com a disponibilidade dos participantes e do local de desenvolvimento da pesquisa. Nesta amostra. sendo 04 (quatro) do sexo masculino e 05 (cinco) do sexo feminino. . com a ocorrência de problemas legais. ° As falas surgidas nestes encontros foram analisadas e catalogadas em categorias.° Após tal momento. FATORES DE EXCLUSÃO: ° Indivíduos com idade inferior a 18 anos. 6.3 CENÁRIOS DA PESQUISA ° Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Renascer. com transtorno mental. 05 (cinco) do sexo feminino e 02 (dois) do sexo masculino. deficiência mental. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO: ° Indivíduos de ambos os sexos maiores de 18 anos. como cumprimento de penas e aqueles que não aceitaram participar da pesquisa. todos os participantes participaram da primeira parte da pesquisa.alcançou-se um total de 09 (nove) usuários. que sejam familiares de usuários do CAPS Renascer e que se propuseram a participar da pesquisa concordando com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. 6. ° Desenvolvimento dos encontros foram alcançados ao todo 07 (sete) participantes. realizaram-se dois (02) encontros com esta demanda. com déficits sensoriais.4 SUJEITOS DA PESQUISA ° Aplicação do questionário sociodemográfico .

o local e os dias foram previamente agendados na própria instituição e logo após comunicado aos participantes da pesquisa.2. já nasceu com dificuldade de aprendizado e isso gerava em mim uma certa angústia.6 ANÁLISE DE DADOS ° Quantificação em gráficos.) Se já era ruim ficou pior quando ele apresentou os sintomas de transtorno mental”. conforme a vontade do entrevistado. 7. Separaram-se os dados coletados em cinco categorias. ° Os dados coletados foram divididos em categorias de modo a organizar a construção do pensamento e o debate crítico acerca da temática abordada nesta pesquisa. pela qualidade do relacionamento com o paciente e pelas atitudes em relação à doença do que por sintomas específicos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS 7.1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO DOS FAMILIARES 7. ° As falas foram gravadas em aparelho mp3 ou transcritas na íntegra em papel A4. ° Análise de conteúdo de maneira qualitativa. ° Visitas ao CAPS Renascer: . geralmente. ambos durante um período de maio a junho de 2012.5 INSTRUMENTOS E PROCEDIMENTOS DA PESQUISA ° Questionário composto por 24 (vinte e quatro) perguntas fechadas.. (Maria) ° Quando a família do portador de doença mental propõe-se a atribuir um significado à experiência que vivencia.1.. emergem vários . Frente a descoberta do diagnóstico ° O impacto da doença é influenciado mais pelas características da família diante do enfrentamento. 6. (. SENTIMENTOS DOS FAMILIARES EM RELAÇÃO AO SOFRIMENTO MENTAL 7. Soares e Munari (2007) “O H.6.2.

.. Mas aqui dentro. A minha vida está sem rumo. sem chão. já nasceu com problema então. sabe? Fica sempre o ponto de interrogação. mas cara isso é muito difícil dizer isso pra. conflitos. sem perspectiva nenhuma nem a longo prazo nem a curto prazo”. tá uma maravilha.sentimentos que envolvem o seu modo de ser-no-mundo. desde que ela nasceu eu basicamente não tenho vida. “T. Pereira e Junior (2003) . promovendo constante inquérito/conflito interno na tentativa de entendimento do problema. (Ana) ° O sentimento de culpa em relação ao surgimento da doença é trazido pelos familiares como um fator que os acompanha pela vida. infeliz. entre eles..”. Talvez não teria sido melhor? Não estaria mais estabilizado? Ficar bom talvez não. o estigma social.. quando eu deito na calada da noite lá. um profundo sofrimento e angústia ao deparar-se com a manifestação da crise aguda da doença.. ° Necessidade de adaptação à nova situação. trazendo latente inúmeras interrogações acerca de erros cometidos na criação do/a filho/a. a minha língua pode dizer „não.. desde que ela nasceu. impotente. a minha vida estava sendo enterrada junta. sabe. (Lúcia) ° Mudanças nas rotinas. perda do controle e medo. a dependência e as implicações da cronicidade do quadro clínico podem produzir sobrecarga. (. visto que a família vivencia uma situação de desgaste. a minha vida. mas estabilizado. hábitos e costumes da família.) Eu me sinto triste. acho que no momento que estavam enterrando a placenta da T. tá tudo bem. se eu tivesse cuidado mais cedo..... bem aqui dentro da minha cabeça posso até... sentimentos de incredulidade. Pereira e Junior (2003) “Todo mundo diz „você não pode se sentir culpada‟.

(Ana) .) a minha cabeça vive estourando de dor. também se sentem excluídos das relações sociais. Pegoraro e Caldana (2006) ° Sobrecarga em forma de doença física e emocional. Schwartz e Kantorski (2008) “A doença dele me deixa fora de controle. É um monte de coisa. Ribeiro.. Melman (2001) ° Além das dificuldades de participar das atividades sociais e de lazer. durmo assustado e as vezes tenho dor de estomago. Gostaria muito de ter tempo pra cuidar de mim. As vezes choro porque me sinto impotente para ajuda-lo”.2. denotando que a concepção de saúde e doença está relacionada à atividade física e capacidade para o trabalho. muitas vezes não recebendo mais convites para eventos sociais. da minha cabeça e corpo”. (Pedro) “(. hospitais e não me sobra tempo pra viver a minha vida pois cheguei a conclusão que não tenho vida. e não consigo me cuidar”.2. tendo os vizinhos. (Maria) “Eu tinha meia culpa porque eu não soube procurar ajuda.. por cuidado com a pessoa com transtorno mental. sou um vegetal que passa pela terra e que ninguém cuida. de realizar afazeres rotineiros. às vezes.. Durante o enfrentamento do sofrimento mental ° Desestruturação das formas habituais de lidar com situações do cotidiano. ° Vivência de dúvidas e conflitos. Martins e Oliveira (2009) “A minha rotina é médicos. perdo a vontade de comer. Eu recebia pressão das pessoas que por ignorância quase que abertamente me criticavam por ele não ter uma profissão”. médicos. (Pedro) ° A doença implicaria a impossibilidade de trabalhar. Borba. sabe. hospitais. amigos e parentes afastados..7.

Gonçalves e Sena (2001) “E tem mais uma coisa que prejudica muito a gente. Mas como eu era ignorante demais (. os familiares assumem o lugar de “ignorantes”.° Muitas vezes. que ela era uma garota que tinha problema. . formado sabe. Nasi (2004) 9. no entanto. Tenho certeza que os pais de vocês tem o maior orgulho „meu filho passou. tá na universidade. que não vive dentro das regras que a sociedade impõe. ele é visto como um ser incapaz de realizar certas funções e ainda ameaçador para a sociedade. Preconceito ° O portador de doença mental é classificado como um indivíduo diferente. o que os impede de se reconhecerem como sujeitos autônomos. Eu descobri aos dois anos quando ela não sentava.)”. Todo mundo quer ter filho perfeito. destituídos de qualquer saber sobre si mesmos e sobre o doente. principalmente. Romagnoli (2006) “Se eu fosse uma pessoa inteligente ou pelo menos tivesse alguém com quem contar. nem sempre se dá de forma harmoniosa. ° A convivência entre familiar e seu entre adoecido. meu filho vai se formar.. é em parte questionada. (Helena) 8. dando maior campo de atuação da família junto a seu familiar e à equipe. do Ministério da Saúde (2004). A importância da família no processo de tratamento ° De acordo com a Portaria n° 224/1992.. a participação da família no tratamento do doente mental está prevista nas novas legislações no campo da saúde mental. quando ela não engatinhava. É muito difícil admitir que tem filho defeituoso. opressão. com o estigma social. pois nem todas as famílias dispõem de estrutura e recursos de enfrentamento para coexistirem com os comportamentos inadequados do familiar que adoeceu e.

assim. mesmo sabendo do teu problema. fica doido. porque não pense que eles estão sendo bonzinhos não. sabe. é de uma crueldade fora do. se formou.. eles fazem questão de te lembrar. e os teus filhos?‟ o meu tá ai pra fora. principalmente quando eles dizem „ é da mesma idade da sua ou então „é mais nova que a sua‟ Sei lá. „olha.‟ A gente fica assim.. Olha. Tá casada.. fica dolorido. [. É esse que é o orgulho de todo mundo... sabe. Vamos parar de sofrimento. que até então eu estava desconfiada mas não queria ter certeza porque no fundo eu tinha preconceito.. vamos aceitar entendeu? Mas não é fácil. Eles estão indiretamente fazendo uma crítica pra ti.. As pessoas fazem muita questão de.] e eu me sinto culpada porque eu poderia ter acabado com esse preconceito aos 6 anos quando eu percebi que realmente ela tinha alguma coisa. lá no fundo do coração delas.. mas era muito interna minha. .. minha filha passou no vestibular. tá muito bem. sabe „ Faz questão de falar da idade entendeu? „A minha filha é mais nova que a tua. até os amigos quando tu encontras „ e o teu filho?. „ e ai teus filhos como tão?‟ É cruel. A maioria das mãe não. tu percebe nas entrelinhas. (Lúcia) “Tu engole seco porque. elas só aceitam quando realmente cai a ficha. ela já tá casada. nitidamente mesmo. é mais nova 1 ano e tá formada entendeu... tudo o que ela disse é verdade.. Mas aos 6 anos a ficha caiu e eu descobri que a minha filha tinha problema”. então essa foi uma coisa de luta interna que não era explícita.meu filho vai ter consultório. (Sandra) “E é coragem passar por isso..... Sabe quando tu percebe as coisas nitidamente? Não é camuflado não. „ e os meninos?‟ o que eu vou dizer? Tão lá. (Risos) É a única coisa que eu sei dizer”. tem a mesma idade da tua.

porque tu fica pensando „cara. agravados pelas dificuldades que surgem no transcorrer dessa trajetória: . o universo familiar. Quanto ao futuro.. por vezes.). Já to planejando de novo. 148-149) afirma que o familiar cuidador se vê como um mediador entre o portador de transtorno mental e o mundo. dado que não acreditam na capacidade do portador em cuidar de si mesmo: “As preocupações dos cuidadores incidem não apenas sobre a doença em si – misteriosa -.. ai fico pensando „já pensou se eu estivesse trabalhando?‟ eu ia ficar doido. to planejando pro segundo semestre atividade pra mim. quando penso no projeto. Melman (2008) 10.] O que eu pensava em ter como lazer ele interrompeu. (Helena) ° Implementar ações assistenciais que promovam a integração social da sua clientela e minimizem os efeitos do preconceito tanto na vida do usuário como na de seu familiar. Ele estabilizou. Ele não fez eu parar.. para o ano vou fazer assim. Ai na verdade não modificou a minha vida.sentimento de impotência e o adiamento de planos e expectativas referentes à vida pessoal o que abala e afeta. e no fundo é a mesma coisa. tenho que abortar por causa das crises. o tanto de trabalho que eu tive e to tendo. não deixou começar.. porque eu penso assim... Schwartz e Kantorski (2008) “Eu me aposentei exatamente na época que e le adoeceu. né. eles . mas também sobre o passado e o futuro do doente (.aquilo é assim um pouco. se Deus quiser ele vai deixar”.. de desespero. (João) ° Medeiros (1997. Na verdade não parou nenhum. Expectativa dos familiares em relação à vivência com o transtorno mental ° A família vivencia um processo de intenso sofrimento e. p. não deixou foi eu começar. profundamente.. [. Borba. sabe‟”.

como por exemplo a impossibilidade de assumir compromissos de trabalho”. tensões.cumpre uma função terapêutica. vi que era importante para ele. por que tem uma pessoa que sabe ensinar como lhe dar com essa situação. “Sabe o que é bom? Como ensinamento pra gente fazer em casa. Macedo e Monteiro (2004) No começo eu não gostava. é uma troca né. 11. sentindo que o doente é inteiramente dependente e incapaz de assumir responsabilidades que atendam às suas necessidades básicas e também sociais.? (Helena) ° Terapeuta Ocupacional é um profissional que pode desenvolver seu trabalho utilizando-se de diferentes ferramentas. Tem que vir várias vezes. uma ajuda profissional e preparada para a atenção à família.. porque eu acho que não é na primeira vez. Importância do grupo terapêutico ocupacional para os familiares ° Necessidade da intervenção de um agente externo. Pinto e Oliveira (2007) ° Atribuem à realização do grupo um significado relacionado à obtenção de conhecimentos e informações sobre a doença mental.. a primeira vez é um treinamento pra dar um chute na bola”.. ° O tratamento realizado por este pode ser conduzido tanto individualmente quanto em grupo.. mais depois comecei a participar de coisas como estas. (Sandra) . uma vez que permite alívio das tensões. Cunha e Santos (2009) ° Oferecimento de um espaço favorável à expressão de ansiedades. de acordo com os objetivos propostos aos sujeitos. não dava muita importância tinha preguiça mesmo sabe. atendendo assim a diferentes demandas. conflitos. angústias e sofrimentos: .manifestam medo e insegurança. em diversos contextos e com populações distintas.

realizado por meio de grupos. como um recurso terapêutico. ° A pesquisa buscou conhecer como os terapeutas ocupacionais atuam nesta perspectiva. ° Percepção e a valorização do papel do familiar possibilitou a compreensão do significado que os move a assumir tal função. é vantajoso. os participantes desenvolvem o pragmatismo e descobrem novos papéis e novas funções. buscou-se informação e depoimentos para a sustentação da pesquisa. ° Com a proposta da participação direta de membros da família de usuários do CAPS Renascer. Castilho (2007) CONSIDERAÇÕES FINAIS ° Breve histórico de acontecimentos relacionados à saúde mental e suas influências na edificação dos pilares da Terapia Ocupacional.° Participação em um grupo de Terapia Ocupacional e frente à diversidade conceitual e de estratégias interventivas adotadas. . especificamente a pessoa em que normalmente recai a responsabilidade. visto que a constituição de um grupo é considerada. concluindo-se que muitas vezes os portadores de transtorno mental não são o principal foco de intervenção deste profissional e configuramse como consequência da intervenção utilizada. ° As abordagens com familiares de portadores de transtornos mentais. ° Verificar o significado de ser um cuidador na vida dos participantes em diferentes aspectos. por si só.