“Precisamos parar o trem suicida da civilização capitalista oc...

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lá no apêndice. não são fatalistas como era Weber. Então. Toda uma argumentação pseudo-religiosa. são revolucionários. Então o pessimismo. com esse estado de espírito de desespero terrível das pessoas. as negociatas bancárias. quer dizer. tudo isso. mas porque a lógica do sistema não admite critérios éticos. que em alemão é ao mesmo tempo “dívida” e “culpa”. Brasil de Fato – Como atua o capitalismo como religião na visão de Benjamin? Essa visão ainda é pertinente? Michael Löwy – Benjamin tem algumas intuições fortes neste ensaio. Enfim. Nele. Outra característica do capitalismo como religião.. que não é um ensaio marxista. veio ao Brasil no mês passado para participar de debates em torno do recém-lançado O capitalismo como religião. o argumento dos governos. mas sem os seus comentários. como já havia sido publicado não era o caso de retomá-lo. Por essência. Aquele texto que saiu em As utopias é uma conferência que dei naquela ocasião e escolhi como tema esse texto de Benjamin. Essa conjunção diabólica está no centro dessa situação atual na Europa. moralista. Como. Então. E ele é completamente impiedoso. mas que permaneceu inédito até 1985. ele define o capitalismo como culto religioso. E Benjamin retoma alguns temas de Weber. Da Redação Um dos maiores pesquisadores da obra de Walter Benjamin. O que a gente vê hoje com a crise capitalista é exatamente isso. É um pouco difícil entender isso: como você pode ser um pessimista revolucionário. como alguns textos de Georg Lukács. que se traduz até em suicídio. isso é a melancolia. porque são preguiçosos. de 1929. Ele tem um ensaio sobre surrealismo. além do fragmento que dá título ao livro. Ser revolucionário é organizar o pessimismo. Então. em especial. Benjamin diz que é uma coincidência diabólica que culpa e dívida sejam a mesma palavra. são rebeldes. acho que [a leitura feita por Benjamin] é de uma atualidade tremenda. Ele menciona que uma das divindades dessa religião capitalista é o dinheiro. que explica a dívida pela culpa. da imprensa.br/node/26512 “Precisamos parar o trem suicida da civilização capitalista ocidental antes que seja tarde” Sociólogo Michael Löwy discorre sobre os pensamentos de Walter Benjamin. na qual estamos fechados sem saída. a catástrofe é inevitável. são elementos desse ritual religioso em torno do dinheiro. não possui ética. é que quem está endividado é culpado. a psicanalista Maria Rita Kehl ressalta que apesar da palavra “melancolia” não estar contida no texto de Benjamin. dos economistas. a especulação na Bolsa. uma vez.“Precisamos parar o trem suicida da civilização capitalista oc. uma crítica radical da civilização capitalista-industrial moderna. é o desespero. dos bancos. O capitalismo é uma jaula de ferro. o sentimento de que você está condenado sem esperança: a desesperança. sintetizou Löwy em artigo de 2006: “Inspirado na obra de Max Weber [1864-1920] – nominalmente citado –. o texto inteiro de Benjamin é publicado. http://www. sociólogo brasileiro radicado na França desde os anos de 1960. Naquela coletânea não aparece o texto do Benjamin porque se trata de outra temática e eu queria que o texto [na íntegra] figurasse nesta nova coletânea que estamos lançando. a sua visão do capitalismo como religião 07/11/2013 Marcelo Netto Rodrigues. E até agora tem sido 2 de 6 08/11/13 13:02 . Agora. Isso parece também muito atual. sob uma afinidade eletiva com “A ética protestante e o espírito do capitalismo” [1904-1905/1920]. ele é estranho a qualquer argumento ético. não trabalham. ele mesmo é uma religião. é considerado um dos textos mais intrigantes de Benjamin.com. O capitalismo como religião “original”. Se Grécia. não tem feriado. segundo Benjamin. Benjamin também diz que no coração da religião capitalista há o conceito de Schuld. Benjamin [não obstante] vai mais longe que o sociólogo: o capitalismo não tem somente origens religiosas. O capitalismo é sem ética. mas o fragmento em si não aparece na íntegra. que conduz o planeta humano à “casa do desespero”. um culto incessante. Portugal e Espanha estão endividados é culpa deles. redigido em 1921. A religião capitalista levou a humanidade à casa do desespero. De dia e de noite.brasildefato. em graus variados. Benjamin não é um melancólico resignado. A “melancolia” aqui aparece sob a forma do desespero. livro por ele organizado. Löwy reuniu 16 ensaios de Benjamin ainda inéditos em português ou difíceis de consultar. que contêm. seu sentido é iluminado por ele. sem trégua nem piedade. à categoria das ‘interpretações’ anticapitalistas de Weber”. do nascimento ao túmulo. Isso a gente vê hoje com a crise. mas ele capta alguns aspectos essenciais do capitalismo que são surpreendentemente atuais. Não por maldade.. Benjamin argumenta que há o pessimismo porque se deixarmos as coisas correrem como até agora. Isso é o desespero. O capitalismo não para. Além disso. Em As utopias de Michael Löwy: reflexões sobre um marxista insubordinado (2007). a melancolia e até o desespero de Benjamin não são resignados. São ativos. coisas bastante terríveis do ponto de vista humano.. Na orelha do livro. ser revolucionário. Agora. Benjamin era próximo do anarquismo. acompanha as pessoas. rituais. práticas de adoração. Ele diz que esse culto é sem trégua nem piedade. Primeiro. Enquanto as práticas capitalistas. Nessa época. Isso Max Weber já tinha dito. o senhor traça comentários sobre trechos d’ O capitalismo como religião. Ernst Bloch ou Erich Fromm. Isso é muito evidente. [conceito desenvolvido por Weber]. exige pessimismo. do socialismo libertário.. em que ele diz que ser comunista. apesar de conter – ou justamente por isso – não mais do que três páginas. Esse fragmento pertence. o capitalismo ocupa o conjunto da vida das pessoas. Michael Löwy.

mas que foi assumida por boa parte da esquerda. como base para a ação dos trabalhadores Muitas das colocações do Holloway são interessantes. os escravos que se revoltam. na contracapa. as ocupações e assentamentos do MST. a janela para sair dessa casa do desespero. teológicos que depois vão sendo um pouco marginalizados. que mostra como a crítica romântica à civilização é um fio condutor da obra dele desde o começo e a partir de 1923. é aqui na América Latina que se tem condições de se entender Walter Benjamin de uma maneira mais profunda. sobre o capitalismo como religião você vê que ele está buscando uma saída. 3 de 6 08/11/13 13:02 .br/node/26512 assim. Seriam. outras ele não diz se concorda ou não. a também especialista em Benjamin. nessa rejeição ao capitalismo “impulsos oriundos do romantismo alemão... mas guardando um certo aspecto anarquista que faz com que ele nunca vá aderir totalmente ao Partido Comunista. a professora Jeanne Marie Gagnebin cita que a intenção do livro é a de explorar como Benjamin soube unir. então dizem que o marxismo é uma questão de terminologias. O que eles fizeram lá. 1924. Por exemplo. em insistir num positivismo. ele vai afastando algumas soluções. os camponeses que se revoltam no século 16 na Alemanha com Thomas Münzer. paradoxal. mostra que a história não é nada disso. das classes dominantes. Não está resignado. desde Spartacus. é a de que a história da humanidade é a história do progresso. a alternativa são as imagens utópicas como o reino messiânico e a revolução. Há quem propõe reformar o capitalismo e isso não é uma saída. Então. não na mistificação? A ideia dominante de progresso. Depois ele vai descobrir o marxismo e ele vai. mas é assim. que era um anarquista romântico que tinha um pouco a ideia de que as pessoas devem que sair das cidades capitalistas para viver em colônias anarquistas. Mas essas tentativas de revoltas são os únicos aspectos progressistas da história. então. eu acho que é esse: o de criar uma nova forma de poder como alternativa ao poder estatal capitalista institucional que oprime o povo mexicano há um século. Os leitores de Benjamin ou são marxistas. Se queremos impedir a catástrofe. digamos. ele escreve em Rua de mão única. que uma vai herdando da outra e é a história da opressão e da derrota das tentativas de revolta dos oprimidos. que é a burguesa. E no mesmo texto ele menciona também os anarquistas. digamos. E a única esperança de impedir a catástrofe é a revolução. embora a teologia seja mais cristã do que judaica. digamos. Bom. não dá para reformar o capitalismo. Então é um pessimismo ativo. Mesmo ao projeto soviético ele guarda uma distância crítica que tem a ver com essas raízes libertárias do pensamento dele. Mas. Como o senhor vê os zapatistas nisso? Pergunto isso porque o John Holloway naquele livro Como mudar o mundo sem tomar o poder (2002) fala também da necessidade de um pessimismo. está buscando uma saída. que a história vai caminhando nessa direção. Tem um texto dele de 1915 sobre a vida dos estudantes em que ele já diz que o progresso é uma mistificação. Agora.com. Benjamin rejeita essa mistificação. há condições para se entender Benjamin. temos que agir. Agora. o que seria o progresso para o Benjamin. aderir à proposta marxista. alternativas. mais além do desespero. Então é um chamado à ação antes que seja tarde demais. Benjamin está buscando uma saída para isso. isso vai se desdobrando na obra dele. com a Teologia da Libertação. é uma ilusão. A uma ação urgente. ou como [Gerhard] Scholem. são essas revoluções. Então é difícil na Europa entender isso. onde têm influência. Falando dessas raízes do Benjamim. dizem que é impossível se juntar marxismo com teologia e que.“Precisamos parar o trem suicida da civilização capitalista oc. mas isso não é uma saída. Então. isso não funciona. apesar de ele não ter uma proposta. Então. Embora eles não tivessem lido Benjamin. nesse fragmento. toda parte de crítica dele ao capitalismo acho muito pertinente e esse pessimismo. Temos sido derrotados e a história é uma sucessão de catástrofes. a história é a história dos dominantes. todo espírito dele é esse: precisamos agir antes que seja tarde demais. ou como [Jürgen] Habermas. essa ideia de que a história é um caminho muito mais denso. é você cortar o fi o da meada antes que pegue fogo na dinamite. Então. portanto. vai retomar as conquistas capitalistas e vai levá-las até as últimas consequências. Acho que ele é mais próximo a essa época de um autor que ele cita no fragmento que é o Gustav Landauer. do messianismo judaico e do marxismo libertário”. Em contraposição à noção de progresso linear. mas já como inspiração revolucionária. dizendo: “Essa é uma ilusão”. já associada ao marxismo. a ideia de uma aliança entre a teologia e o materialismo histórico é um dos pontos mais difíceis de entender na Europa. advogando que o “erro” de alguns marxistas estaria justamente no contrário. que foi justamente isso. são teólogos. Agora. sem trocadilhos. E isso é o tema que está nessa coletânea. mas que voltam no fim. ao mesmo tempo. é um movimento de massas que mudou a história da América Latina. A revolução. talvez. foi tomar o poder. Por exemplo. ele não tem uma. Temos que encontrar a porta. Não sei se ele partilhava isso. Agora. http://www. com força nessa síntese extraordinária que são as Teses sobre o conceito de história (1940) que o marxismo se associa à teologia e à crítica romântica.brasildefato. com uma virada importante a partir de 1923 quando ele descobre o marxismo. porque aqui temos o fenômeno da Teologia da Libertação. Então. Então. revolucionário. Então. é uma melancolia ativa e é um desespero ativo. Mas. não chega a ser um ensaio. eu acho problemática. tem um anarquista chamado Erich Unger. nos últimos escritos. Como é que esses três impulsos entraram na vida do Benjamin? O Benjamin começa com reflexões teológicas messiânicas. Criaram formas de poder por baixo. E no começo também associada a temas messiânicos. democráticas e o projeto deles pro México. esses momentos de rebelião dos oprimidos são os únicos momentos de progresso. E a história é isso: você simplesmente tem que nadar com a corrente. na acepção da palavra. mas provavelmente ele tem mais simpatia. então dizem que a teologia é uma metáfora. ele vai discutindo várias propostas de saída. é um chamado para a ação. desde o começo ele tem essa ideia da utopia revolucionária messiânica como alternativa à ideia burguesa de progresso. a colocação de mudar o mundo sem tomar o poder. O capitalismo é um progresso em relação ao feudalismo e o socialismo vai coroar . é um marxismo que incorpora a crítica romântica à civilização. a Comuna de Paris. aqui na América Latina há conjunção entre teologia e marxismo não é uma hipótese filosófica meio arriscada. que ele propõe que os povos abandonem os países capitalistas para irem viver lá onde o capitalismo ainda não chegou. Eu acho que você não escapa da necessidade de criar novas formas de poder. ele pega os monges que se afastaram do capitalismo. mas a simpatia dele vai para o anarquismo. aqui na América Latina. Inclusive a experiência zapatista é essa.

Nessas notas sobre Brecht. mas por outro são portadoras de destruição e do capitalismo.com. existe o que Benjamin chama uma tradição dos oprimidos. mas guardava uma certa distância porque ele tinha outras referências. em 1938. mas a antifascista. que acho muito interessante. Além do fragmento principal. Münzer. teológicas que o Brecht não partilhava. Mas. revolucionários. entre a Alemanha nazista e a União Soviética]. Têm umas notas que ele toma sobre Brecht em que ele fala da polícia. ele que era o mais pessimista dos intelectuais de esquerda da Europa. mesmo ele não podia prever a bomba atômica. Ele não tem uma reflexão sobre estratégia e tática. são os mesmos métodos. a revolução alemã de 1919 de Rosa Luxemburgo. ele já tem uma visão claramente crítica. Então uma parte do marxismo dele é brechtiano e outra parte não é. acho que a História da Revolução Russa. ele não se deu conta. Enfim. muito pior do que a guerra de gás. Ele diz este texto é formidável. é um monstro. mas é um período curto. ele fica perplexo. com o comunismo e vai visitar a União Soviética. As guerras do futuro.“Precisamos parar o trem suicida da civilização capitalista oc. Ele descobre a revolução russa quando se apaixona por uma revolucionária russa [da Letônia]. é uma ditadura autocrática com todos os seus terrores. Ele começa mais uma vez a se distanciar e. e escreve. tática. que ele a compara com a Gestapo. que era professor na Escola de Frankfurt.. É a tal dialética do progresso. com política. “Isso não dá. E podem utilizar os gases de maneira a exterminar a população civil. mas há um período curto. O Benjamin com mais distância. isso é um primeiro momento crítico. Com relação à experiência soviética ele passa por momentos diferentes. Quando vêm os processos de Moscou. E qual era a visão dele de vanguarda? Como ele via o processo da Revolução Russa? Benjamin não tem uma reflexão sobre a vanguarda. É um texto sobre a guerra química.br/node/26512 Então. foi um dos que rejeitaram a tese de habilitação de Benjamin que era um trabalho sobre o drama barroco alemão. Nas notas que escreve durante esta estadia ele diz que parece que a revolução se interrompeu. Comuna de Paris. ele vê como traição e aí nas Teses sobre o conceito de história já aparece a ideia de que o stalinismo traiu a causa. tinha muito entusiasmo por sua obra teatral. românticas. Asja Lacis. e quando ele lê História e consciência de classe. a partir daí. Um. quando os nazistas tomam o poder. né?”. pela poesia. e 35. em 1925. Então é uma descoberta tardia. eles já estão publicados [em outras línguas] nas Obras completas. E curiosamente Benjamin está fora. outros já marxistas. E quando ele manda uma cópia das Teses sobre o conceito de história para o Brecht. mas há um fio condutor. e a ideia do Benjamin é de que a tecnologia e a ciência moderna a serviço do capitalismo tem conseqüências trágicas. A técnica e a ciência são portadoras do progresso por um lado. ele se dá conta que nem isso. tem uma certa distância em relação a Brecht. temas muito diferentes. E os dois compartem essa atitude de ao mesmo tempo simpatia e distância em relação à União Soviética. e Horkheimer a essa época já se interessava pelo marxismo. ele ignora. mais por amor por Asja Lacis do que por outra coisa. Foi praticamente o único intelectual na Europa a ter essa intuição. enfim. esse fio condutor. os gases. Quando vem o pacto Molotov-Ribbentrop [o tratado de não-agressão firmado às vésperas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Aí temos que completar Benjamin com outros. e aí ele começa já a perceber que há problemas. serão terríveis porque utilizarão as técnicas mais avançadas do capitalismo. que inclui Spartacus. Para dar um exemplo. mas os dois são muito próximos. São textos muito diferentes. este fica muito entusiasmado. A temática política dele é uma reflexão filosófica sobre a história.brasildefato. http://www. a União Soviética. nunca vi uma coisa tão impressionante. Esse foi o critério que dá uma unidade ao conjunto. No começo. que se dão conta de que algo está indo errado. mas deixemos de lado esses aspectos teológicos judaicos que não tenho interesse. que são a interrupção da dominação. de Trotsky (1930). Mas ele teve essa intuição de que a ciência a serviço do capitalismo e das guerras imperialistas vai ter consequências terríveis. ele se interessa pelos argumentos de Trotsky. Quando passa alguns meses na União Soviética e ele simpatiza com um pessoal ligado a oposição de esquerda. mas o que é a União Soviética? É uma monarquia operária? Não é possível. É difícil dar mais importância a uns do que a outros. Agora. que é a crítica à civilização capitalista. também era um livro não-marxista. alguns pré-marxistas. não todos. do Georg Lukács. ele ainda tem esperança na União Soviética como força antifascista. Mas isso era numa época em que Horkheimer não conhecia pessoalmente Benjamin. o livro traz outros 16 ensaios. Então. eu reuni esses textos – há uma edição francesa que é um pouco diferente – com dois critérios. que é muito instigante. Quais são os de maior destaque? É difícil. com teologia. parece que a revolução parou. não só a causa socialista. de inspiração romântica. três anos. mas a grande maioria. quando começam os processos de Moscou em que ele parece aderir ao marxismo soviético. Ele não consegue explicar isso e. Ele tem essa idéia de que a União Soviética virou um monstro inexplicável. Como foi a relação de Benjamin com a Escola de Frankfurt? É verdade que Horkheimer. de alguma maneira. quando os dois dizem: “Bom. é como um peixe com chifre”. Ele continua acompanhando as críticas da oposição de esquerda e em um certo momento ele lê. Como foi a compilação? Partiu de sua pesquisa? Sim. mas ele não adere. Então. Enfi m. escreve alguns artigos muito entusiastas sobre a experiência soviética. dois. Como era a relação dele com o Brecht? Ele era muito amigo do Brecht. há um texto que se chama As armas do futuro.. Eu não os descobri. muita simpatia pelo materialismo de Brecht. e o segundo. que era o de serem textos inéditos. de partido. embora não exposta publicamente. Esse será o verdadeiro progresso revolucionário. na França e no Brasil. de épocas diferentes. Benjamin diz que alguns dos poemas de Brecht dos anos de 1930 parecem que estão celebrando a polícia soviética. Cada um deles tem aspectos que eu acho muito interessantes. progresso são esses momentos messiânicos. Cada um deles tem uma contribuição específi ca e o conjunto forma um mosaico de crítica da civilização. só que ele descarta a teologia. o que é curioso porque de 1917 à 1923 é quando o entusiasmo pela Revolução Russa atinge o máximo na Europa. Ele discute com Brecht. de Stalin. 4 de 6 08/11/13 13:02 . então. Mas ele não é alguém que dá a linha estratégica. diz ele. em 1927. Então. do progresso das classes dominantes e o verdadeiro progresso será o dia em que se interromper o progresso da dominação. 36. utópicos. Em 1938. acho que para o Scholem. mas é a única esperança que temos de resistir ao nazismo. entre 1933. tampouco adere ao partido. Aí ele se entusiasma com a revolução russa. muito atual. alguns têm a ver com literatura.

. mas de proximidade. Não assumo responsabilidade. Benjamin dizia que o progresso até agora é uma sucessão de catástrofes. esse novo espírito de contestação. Não sou responsável pelo índice. Tipo: “Cristo: personagem do Novo Testamento. nas Teses. Tinha um objetivo muito justo. Agora. temos o movimento dos Indignados que atravessa toda Europa.. essa indignação contra a injustiça. eu diria. então.. “business as usual”.. houve a repressão e as pessoas saíram às ruas indignadas com a repressão.” Ponto. do serviço público gratuito. muito importante.brasildefato. Houve aí uma certa tensão entre eles. Uma delas é a seguinte. Ele escreveu um texto sobre Baudelaire que o Adorno criticou e Benjamin teve que reescrever. Depois. Aliás. que é a do passe livre. (risos). são concedidas as explicações mais sucintas. utópicorevolucionária. colocar uma reivindicação muito importante. nem sei por que puseram. isso é muito importante. Talvez em algumas manifestações.br/node/26512 houve esse episódio. Agora. queria estar na Europa e acabou caindo na armadilha da ocupação nazista da França. justo o suficiente pra ele não morrer de fome. eles pediam de vez em quando artigos para ele artigos para publicar na Zeitschrift für Sozialforschung. Judas. o desespero está se transformando em raiva. nas jornadas de junho no Brasil. http://www. coube a outras pessoas. salvo uma ou duas. ele diz que Marx achava que as revoluções são as locomotivas da história. nas suas expressões mais politizadas. Teríamos que estudar mais alguns documentos que saíram.. Esse índice onomástico foi construído pelo senhor? Não. é a mudança climática. da gratuidade. Aí vinha o negócio da construção dos estádios da FIFA. revista para pesquisa social. de uma contestação que passa pelo romantismo. mas talvez a coisa seja um pouco diferente. às personagens deste campo. acho que foi realmente formidável. do “puxar o freio de mão”. anticapitalista. Então. Isso foi o pessoal da editora. Há uma relação ao mesmo tempo tensionada. mas graças a isso que ele pode sobreviver no exílio francês. ouço opinião de pessoas. Moisés. tanto o burguês quanto o marxista. que para alguns é uma compreensão já bastante avançada do que a injustiça tem a ver com o sistema. quer dizer. da corrupção e isso e aquilo. não daqui a um 5 de 6 08/11/13 13:02 . quando a inspiração vinha da turma do Passe Livre.. mas ao fi nal o texto foi publicado em nova versão. mais variadas. a despeito do livro tratar de religião. Acho que. mas para uma parte da população. talvez com o pessoal do Passe Livre. Mas suponho que os leitores sabem quem é Cristo. esse movimento com o pessoal do Passe Livre teve uma inspiração radical. Então. Ele iria nessa chave romântica revolucionária do Benjamin? É difícil dizer. eu acho que foi extraordinário. não para todos. Acabou virando um grande movimento em que já não se sabia quem era o inimigo. Benjamin faz parte dessa constelação que é a Escola de Frankfurt. Não sei. se perdeu um pouco aquele pique que tinha no começo. mas a decisão principal não coube a Horkheimer. e depois apareceu uma turma de direita batendo em militante de esquerda porque vinham com bandeiras vermelhas. E o pessoal da Escola de Frankfurt. que era protestar contra esse absurdo que era aumentar o preço das passagens. Ele tem muitas coisas em comum com Adorno e Horkheimer. essa raiva. Nesse primeiro momento. mas em direção a algo novo? O Benjamin fala que o capitalismo nos leva à casa do desespero – e é muito justo. eu acho que há esse fenômeno da indignação. Lutero. mas ele não queria. e outro uma visão mais difusa. É que eu achei interessante que. de certa maneira. extremamente positiva. ali. Mas ele estava prevendo. crescendo e acabou se diluindo. que era uma revista da Escola de Frankfurt.. libertária. Quem é que no Brasil não sabe quem é Cristo. E por último o Adorno tentou convencer Benjamin a ir para os Estados Unidos. Se você encontrar uma pessoa que não conheça quem é Cristo. É o aquecimento global. Talvez a revolução seja a humanidade puxando os freios para parar o trem. O Benjamin. Mas francamente. libertária. cada um tem uma linha só (risos). só que as duas maiores catástrofes da humanidade foram acontecer logo depois. Mais tarde eles vão se tornar amigos e. da raiva.. E as jornadas de junho? Como o senhor vê essa nova cultura política surgindo no Brasil. que é um desastre de proporções inéditas na história da humanidade e.. não posso avançar muito porque acompanhei de longe. sobretudo a juventude – e não só no Brasil. merece fazer uma tese. além de ter um aspecto ecológico muito importante. Positivo porque é negativo. Hoje em dia a ameaça é a catástrofe ecológica. do MPL. Acho que aí se diluiu a coisa. vai pelos Estados Unidos. E Benjamin tem uma frase nas Teses sobre o conceito de história em que ele diz “sem raiva não há luta de classe” – isso é muito verdadeiro.. exilados. Essa é a minha impressão. Acho que Benjamin estava pensando na história que ele está vivendo que era a história de uma corrida para a catástrofe e a catástrofe era a Segunda Guerra mundial e ele diz: “Precisamos puxar o freio porque se não vai ser um desastre”. E o desastre veio: Auschwitz e Hiroshima. no primeiro momento. isso é internacional –. gostaria que o senhor falasse da imagem mais conhecida de Benjamin. concretamente. se deixarmos as coisas continuar. Mas acho que o que está acontecendo agora. foi quem manteve ele em Paris com uma pequena bolsa. o trem da civilização capitalista está correndo com uma rapidez crescente para um abismo que se chama catástrofe ecológica. sobretudo nos jovens se mobilizarem. Ele simpatizava com a Escola de Frankfurt e aqui eu publico um texto em que ele mostra como a Escola de Frankfurt é uma crítica radical do positivismo. eles já nos Estados Unidos. que é favorecer o transporte público para reduzir a circulação de automóveis.“Precisamos parar o trem suicida da civilização capitalista oc.. Ele vai numa direção mais benjaminiana. não faz críticas a Marx. com o capitalismo. Occupy e aqui chega no Brasil. Para encerrar. o desespero se transforma em raiva e em indignação. afinal. O que acho de interessante nesse movimento.. mas o negócio foi crescendo. Mas meu sentimento é este: um movimento que começou com uma orientação claramente radical.com.

6 de 6 08/11/13 13:02 . Pré-visualizar Theme by Dr. mas de algumas dezenas de anos.. http://www. Tags HTML permitidas: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente. vamos estar em uma situação terrível. Mais informações sobre as opções de formatação CAPTCHA Esse desafio é para nos certificar que você é um visitante humano e serve para evitar que envios sejam realizados por scripts automatizados de SPAM. Radut.brasildefato.br/node/26512 século.“Precisamos parar o trem suicida da civilização capitalista oc.com. (Colaborou Aldo Gama) Foto: João Peschanski Comentários DEIXE SEU COMENTÁRIO Seu nome: * Anonymous Email: * O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público. Daí a atualidade da chamada de Benjamin: precisamos parar o trem suicida da civilização capitalista ocidental antes que seja tarde demais. Sua página: Assunto: Comentário: * Path: p Desabilitar editor de texto Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente. Qual é a sequência na imagem?: * Digite o texto exibido na imagem..